GONÇALO LOBO PINHEIRO
ANA JACINTO NUNES
GINÁSIO MENTAL SARA F. COSTA
Nº 4754 SEXTA-FEIRA 23-4-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
DOZE HAIKU
GONÇALO M. TAVARES
MOP$10
hoje macau
SANDS CHINA
ALTA CONFIANÇA, BAIXAS RECEITAS PÁGINA 6
VACINAS
ADVERSIDADES LIGEIRAS PÁGINA 7
CONSTRUÇÃO URBANA
VAMOS POR PARTES
HOJE MACAU
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FOTOGRAFIA
OLHARES DE ZELO EVENTOS
AMBIENTE
COMO BAIXAR POLUENTES GRANDE PLANO
TURISMO
ESTADOS UNIDOS RISCAM MACAU PUB.
ÚLTIMA
De olhos bem fechados
Jantares de milhares de patacas, malas Chanel ou garrafas de vinho, são algumas das prendas que, segundo o CCAC, cinco funcionários dos Serviços Marí-
timos e da Água terão recebido a troco de ignorarem irregularidades cometidas pela China Overseas para conseguir um contrato de mais de 38 milhões.
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Trânsito condicionado AMBIENTE
ACADÉMICO DA USJ DEFENDE CRIAÇÃO DE ZONAS DE BAIXA EMISSÃO DE POLUENTES
Thomas Lei, doutorado pela Universidade de São José, defende, numa tese, a transformação da Avenida de Almeida Ribeiro numa zona de baixa emissão de poluentes, não permitindo a circulação de veículos mais antigos, à semelhança do que já acontece em algumas cidades europeias como Lisboa. Com este trabalho, Thomas Lei conclui ainda que é possível aplicar em Macau modelos estatísticos para fazer uma previsão fidedigna da emissão de poluentes atmosféricos
A
transformação da Avenida de Almeida Ribeiro, junto à zona do Senado, numa zona de baixa emissão de poluentes (low emission zone, LEZ, na sigla inglesa) é a ideia defendida por Thomas Lei, académico da Universidade de São José (USJ) na sua tese de doutoramento, intitulada “Air quality management in Macao - Assessment, development of an operational Forecast and future perspectives” (Gestão da qualidade do ar em Macau - Avaliação, desenvolvimento de um modelo de previsão operacional e perspectivas futuras). No trabalho, recentemente defendido, Thomas Lei defende o estabelecimento de LEZ em Macau
à semelhança do que já acontece em várias cidades europeias, como é o caso de Lisboa, onde veículos mais antigos estão proibidos de circular em zonas como a Avenida da Liberdade, dada a elevada emissão de gases para a atmosfera por comparação a veículos eléctricos, movidos a gás natural ou híbridos. “A fim de melhorar a qualidade do ar em Macau, um conjunto de medidas implementadas por grandes cidades europeias e asiáticas podem ser exploradas. As LEZ têm sido plenamente implementadas em capitais europeias como Lisboa, Londres e Berlim nos últimos anos, enquanto que a restrição de chapas de matrícula e medidas de sorteio de matrículas têm vindo a ser implementadas em capitais
asiáticas como Pequim e Nova Deli nos últimos anos”, lê-se na tese de doutoramento. Em declarações ao HM, Thomas Lei disse que a Avenida de Almeida Ribeiro seria um bom local para o arranque da implementação das LEZ em Macau dado o “elevado número de transeuntes e turistas”, num exemplo semelhante “ao que foi implementado na Avenida da Liberdade em Lisboa”. “Nesta fase, diria para implementar primeiro as LEZ na península de Macau devido à elevada densidade populacional e ao elevado número de pessoas a circular e turistas. Este problema não é tão significativo na Taipa ou Coloane devido ao facto de as ilhas terem zonas mais abertas e menos fluxo de trânsito. Mas sem
dúvida que poderemos implementar as LEZ nestas zonas num futuro próximo”, adiantou. O objectivo da eliminação de veículos mais antigos em determinadas zonas urbanas é a redução de partículas inaláveis PM10 e PM2.5, bem como o NO, “um dos maiores poluentes oriundos das emissões de veículos”. Para se ter uma ideia, o nível de concentração de PM10 em algumas LEZ em Lisboa baixaram 29 e 23 por cento entre 2009 e 2016, numa média anual, enquanto que a concentração de NO2 [dióxido de azoto] baixou para 12 e 22 por cento, no mesmo período, em duas zonas analisadas. Relativamente às restrições de circulação através de sorteio ou redução da emissão de matrículas, “têm sido bem-sucedidas para reduzir as emissões de poluentes por parte dos veículos e para promover o uso de transportes amigos do ambiente e transportes públicos no centro da cidade”. No caso da China, as restrições nas matrículas baseiam-se na circulação “Uma vez por Semana [ODPW - One Day Per Week] e "Par e Ímpar" [Odd and Even]. Isto porque Pequim “continua a ter um sério problema de poluição do ar, em particular relacionado com elevadas concentrações de partículas PM10, PM2.5, SO2, NO2, CO e O3”. Além de Pequim também foram implementadas restrições através da circulação de matrículas em cidades como Hangzhou, Lanzhou, Langfang e Tianjin.
Governo em acção
Na tese, Thomas Lei defende também a aposta em incentivos para
a aquisição de veículos eléctricos, apesar de terem sido adoptadas algumas medidas pelo Governo. “A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) tem promovido a aquisição de veículos eléctricos em alternativa aos tradicionais veículos movidos a energias não renováveis, com esforços no aumento do número de estações de carregamento de baterias e parques.” O território possui actualmente um total de 172 carros e motociclos eléctricos. “Espera-se que o número de estações de carregamento possa atingir as 200 no final de 2020”, lê-se na tese. Além disso, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Quinquenal (2016-2020) e do Planeamento da Protecção Ambiental de Macau (2010-2020), foram implementados “padrões restritos na importação de
“Há uma tendência de quebra na concentração dos níveis de poluentes de N02, PM10 e PM2.5, o que se pode dever à implementação de padrões mais restritos de emissão de poluentes para veículos em circulação e importados, bem como à promoção do uso de veículos eléctricos em Macau.” THOMAS LEI ACADÉMICO DA USJ
HOJE MACAU
2 grande plano
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novos veículos ou veículos movidos a energias fósseis”, além da “promoção de veículos amigos do ambiente através de incentivos fiscais”. Thomas Lei destaca também a criação de um corredor exclusivo para autocarros por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), em funcionamento desde Junho de 2016. “A isenção fiscal para veículos eléctricos, o aumento de estações de carregamento para estes veículos e a criação de corredores exclusivos para transportes públicos são as medidas mais importantes adoptadas pelo Governo de Macau numa tentativa de reduzir as emissões dos veículos e de promover o uso de veículos verdes, bem como dos transportes públicos, no centro da cidade”, frisou.
Modelos estatísticos
Mais do que sugestões, Thomas Lei propôs-se analisar, no seu doutoramento, a possibilidade de recorrer a modelos estatísticos para prever a qualidade do ar em Macau. As conclusões apontam para a possibilidade de usar os métodos MLR [Regressão Múltipla Linear] e CART [Classifica-
grande plano 3
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tion and Regression Trees - Árvores de Classificação e Regressão]. “Estas análises foram desenvolvidas de forma bem-sucedida para Macau para prever as concentrações dos níveis de poluentes de NO2 [dióxido de nitrogénio], PM10 e PM2.5 [partículas inaláveis] e O3 [ozono trosposférico]. Foram seleccionadas, de uma extensa lista, variáveis meteorológicas, incluindo altitude, humidade relativa, estabilidade atmosférica e temperatura do ar em diferentes níveis verticais.” Thomas Lei realizou este trabalho em duas fases, sendo que na primeira foram usadas as variáveis meteorológicas e da qualidade do ar com base em dados relativos a um período de cinco anos, de 2013 a 2017. “Os dados de 2013 a 2016 foram usados para desenvolver modelos estatísticos [de previsão da qualidade do ar] e os dados de 2017 foram usados para a validação. Todos os modelos desenvolvidos revelaram-se válidos em termos estatísticos com um nível de fiabilidade de 95 por cento, com elevados coeficientes de determinação (de 0.78 a 0.93) para todos os poluentes.”
Numa segunda fase “estes modelos foram usados para os dados de validação de 2019, enquanto que um novo conjunto de modelos estatísticos baseados numa série mais extensiva de dados históricos, de 2013 a 2018, foram também validados com os dados de 2019.” Thomas Lei analisou também a aplicação destes modelos estatísticos em dois episódios de ele-
Thomas Lei disse que a Avenida de Almeida Ribeiro seria um bom local o arranque da implementação das LEZ em Macau dado o “elevado número de transeuntes e turistas”, num exemplo semelhante “ao que foi implementado na Avenida da Liberdade em Lisboa”
vada poluição, como o Ano Novo Chinês em 2019, e um episódio de baixa poluição em 2020, durante o confinamento devido à pandemia da covid-19. “Em termos gerais, os resultados demonstram que o modelo estatístico de previsão é robusto e permite reproduzir de forma correcta episódios de poluição atmosférica extrema tanto em níveis de concentração baixos ou elevados. Podem ser adoptados equipamentos que possam providenciar uma combinação do modelo MLR e CART para melhorias na fiabilidade do modelo estatístico de previsão.”
“Problema sério” em Ka-Hó
O académico da USJ concluiu ainda que “há uma tendência de quebra na concentração dos níveis de poluentes de N02, PM10 e PM2.5, o que se pode dever à implementação de padrões mais restritos de emissão de poluentes para veículos em circulação e importados, bem como à promoção do uso de veículos eléctricos em Macau”. Além disso, “as medidas de
prevenção da poluição atmosférica na província de Guangdong podem também ter contribuído para esta tendência”. “Em contraste, há um aumento da tendência dos níveis de concentração de O3 [ozono trosposférico], o que se pode dever à natureza complexa dos precursores e químicos por detrás da sua formação e consumo”, pode ler-se. O autor deixou ainda um alerta sobre o problema de poluição do ar na zona de Ka-Hó. “A estação de monitorização da qualidade do ar em Ka-Hó só se tornou operacional em anos recentes e não há dados suficientes para prever a performance da qualidade do ar nesta estação, o que exige, pelo menos, dados dos últimos cinco anos. No entanto, a área envolvente desta estação de monitorização é conhecida por ter um problema sério de poluição do ar.” Neste sentido, Thomas Lei defende que “a previsão da qualidade do ar é essencial e necessária para a saúde e bem-estar dos residentes da zona”. Andreia Sofia Silva
4 política
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RÓMULO SANTOS
CONSTRUÇÃO URBANA GOVERNO DÁ PRIORIDADE A RESOLVER OBRAS ILEGAIS PERIGOSAS
Por ordem de importância
Jogo Agnes Lam exige calendário para alterações à legislação em vigor
breve a consulta pública sobre o assunto. Agnes Lam lembrou que o sector do jogo enfrenta vários desafios, além da pandemia, incluindo a possível introdução do renminbi digital, a concorrência de outros mercados de jogo e as restrições de fluxo de capitais. Desta forma, a deputada pede que seja feita uma previsão do impacto que este sector terá na economia, quantos empregos serão necessários no futuro e qual o volume de negócios.
RÓMULO SANTOS
Agnes Lam interpelou o Governo sobre a necessidade de apresentar um calendário para renovar a legislação sobre o sector do jogo, tendo em conta a aproximação dos prazos para renovar as licenças. Agnes Lam lembrou que o último relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) refere que a proposta de lei estaria concluída e pronta para ser apresentada no hemiciclo no segundo semestre deste ano, e que também estaria para
Chan Chak Mo indicou que o Governo não espera resolver todas as obras ilegais com o Regime Jurídico da Construção Urbana, dando prioridade a problemas de segurança e salubridade
PUB.
Anúncio Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, é notificado o ex-trabalhador Chan Im Fei da Direcção dos Serviços Correccionais o seguinte: 1) Devido à demissão de V. Exa. a partir do dia 15 de Outubro de 2020 e às faltas entre o período de 1 de Maio e 14 de Outubro de 2020 consideradas injustificadas, pelo que, deve devolver a quantia relativamente ao vencimento, prémio de antiguidade, subsídio de família e subsídio de residência indevidamente recebida entre Maio e Outubro de 2020, bem como, a quantia que deve ser descontada referente ao gozo antecipadamente em 2019 de 7 dias de férias do ano de 2020, ao abrigo do n.º 3 do artigo 39.º da Lei n.º 15/2017, n.º 2 do artigo 73.º, e n.º 1 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo vigente, caso a V. Exa. não consiga se deslocar à Direcção dos Serviços Correccionais para o levantamento da Guia de pagamento para a devolução das dívidas, no prazo de 15 dias, a contar a partir da data da publicação do presente anúncio, as referidas dívidas serão transferidas à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para proceder à cobrança coerciva. 2) Em relação à devolução das pensões de aposentação e de sobrevivência indevidamente descontadas pelo Fundo de Pensões para V. Exa., o referido Fundo referiu que, deve aguardar a devolução da quantia indevidamente recebida referente ao período entre 6 de Agosto de 2019 e 31 de Outubro de 2020 e a apresentação dos respectivos documentos de V. Exa. para a presente Direcção, posteriormente, os referidos documentos serão encaminhados pela presente Direcção ao referido Fundo para proceder o devido acompanhamento. Direcção dos Serviços Correccionais, aos 14 de Abril de 2021. Pel’O Director da DSC O Subdirector Chio Song Un
S
E M conseguir dar resposta a todas obras ilegais no território, o Governo vai dar prioridade à demolição das construções que representam perigo. Foi o que indicou ontem Chan Chak Mo, presidente da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a discutir na especialidade o Regime Jurídico da Construção Urbana. “Neste momento, existem inúmeras obras ilegais em Macau, especialmente terraços e gaiolas. Perguntámos ao Governo com a entrada em vigor desta proposta como tudo isto vai ser resolvido. O Governo
respondeu que não vão acontecer milagres que resolvam todas as obras ilegais. Depende da prioridade, de questões de segurança e salubridade”, disse o deputado. Caso a obra tenha implicações para a segurança e salubridade pública, o procedimento “é muito rápido”, garantiu o deputado, acrescentando que depende também dos recursos humanos, “porque há falta de pessoal”. Além disso, Chan Chak Mo explicou que o Código Civil prevê que se não se encontrar o responsável pela obra ilegal, as despesas da demolição podem ser assumidas por todos
os proprietários do edifício, caso se trate de uma zona comum como um terraço. No ano passado foram abertos 682 processos relativos a obras ilegais até ao mês de Outubro, período em que se registaram apenas 62 casos de demolições voluntárias. De acordo a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), foram resolvidos apenas 53 processos nessa altura, incluindo as acções de demolição da DSSOPT e por iniciativa dos infractores.
Em último recurso
Quando não forem cumpridas ordens de embargo ou execução de obras por causa de más condições de segurança ou de salubridade, o director da DSSOPT pode suspender o fornecimento de água e electricidade, que deve ser notificada com um mínimo de três dias de antecedência. De acordo com Chan Chak Mo, o Governo entende que este período é “suficiente”. O Governo afastou implicações para pessoas vulneráveis. “Pessoas com mobilidade reduzida como conseguem sair da fracção? O Governo respondeu que primeiro porque os procedimentos já demoraram muito tempo, em princípio já devem [ter encontrado] outro local para viver. (...) Não se pode dizer que se pertence a um grupo vulnerável, mas ao mesmo tempo estar a executar ilegalmente a obra. Esta é a posição do Governo e é muito clara. É o último recurso porque já decorreram vários procedimentos e por fim é que há suspensão de fornecimento de água e electricidade”, explicou Chan Chak Mo. A proposta também prevê que o incumprimento de ordens de execução de obras para corrigir problemas de segurança ou salubridade, ou de demolição de obras ilegais, seja comunicado à Conservatória do Registo Predial – mas não para cancelar o seu registo. O objectivo passa apenas por quem pretender comprar a fracção saber que esta tem uma obra ilegal por demolir. Salomé Fernandes
MAIS PERTO DO FIM O posto fronteiriço de Qingmao está “praticamente concluído”, indicou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas. Raimundo do Rosário reconheceu que a obra está “ligeiramente atrasada”, deverá chegar ao fim “dentro de poucas semanas”, aliás, a passagem superior está concluída. “Se o próprio edifico tem sítio para os táxis, tomada e largada de passageiros, e os passageiros que queiram andar têm a passagem superior para chegar lá, e uma das suas saídas está ligada ao edifício de habitação pública da Ilha Verde, cujo rés-do-chão tem terminal de autocarros, acho que está praticamente tudo assegurado”, disse o secretário.
PODER DO POVO PEDIDOS CARTÕES MAIS BARATOS PARA IDAS À PÁTRIA
A
Associação Poder do Povo entregou ontem uma carta à Agência de Viagens e de Turismo China (Macau) a exigir que o preços dos cartões de “deslocação à pátria” sejam reduzidos. O cartão em causa é emitido aos chineses que não vivem no Interior, ou seja os detentores do passaporte de Macau e Hong Kong, para se deslocarem ao outro lado da fronteira. A Agência de Viagens e de Turismo China
(Macau) é a responsável pela emissão dos cartões em Macau. Actualmente, o cartão custa 268,2 patacas, com validade de cinco anos. Se a validade for dez anos, o preço sobe para 402,3 patacas. Uma segunda via custa 538,4 patacas e 804,6 patacas, por cinco anos e 10 anos, respectivamente. Segundo Wu Shaohong, vice-presidente da associação, se o custo do cartão for reduzido dá-se um passo em frente na
integração dos residentes de Macau e Hong Kong na Grande Baía. “A emissão de Bilhete de Identidade de Residente de Macau só custa 90 patacas, porque é que o cartão para deslocação à pátria não custa o mesmo? Será que o cartão é feito de ouro?”, perguntou o vice-presidente. Wu Shaohong ainda exemplificou que a primeira emissão da autorização de residência no interior da China é grátis e que as seguintes custam
20 renminbi. “[A autorização de residência] também é emitida pelo Departamento de Segurança Pública da China, porque é que para emitir o cartão para deslocação à pátria é preciso pagar centenas patacas?”, questionou Wu. O dirigente da associação Poder do Povo defendeu igualmente o cartão é essencial para a vida dos residentes e que o preço deve ser reduzido para 70 patacas.
sexta-feira 23.4.2021
O
relatório de acompanhamento e avaliação do regime de prevenção e controlo do tabagismo recomenda o aumento do imposto sobre os cigarros e proibir a importação de cigarros electrónicos. “De uma forma geral, o relatório demonstra que a execução da nova lei do controlo do tabagismo é satisfatória e atende aos critérios de aplicação da Convenção Quadro para o Controlo do Tabaco da Organização Mundial da Saúde”, comunicaram os Serviços de Saúde de Macau (SSM). O documento revela que a taxa geral de consumo de tabaco por maiores de 15 anos caiu 11,2 por cento em 2019. Outra boa nova revelada é que “em apenas 8 anos, há uma redução relativa de 33,7 por cento o que permitiu atingir a meta da Organização Mundial
da Saúde de reduzir a taxa de consumo de tabaco local em 30 por cento em 2025”. Perante os resultados, os SSM indicam ainda que é preciso “dar continuidade e atenção às questões mais problemáticas”, como o consumo de cigarro electrónico entre os jovens, venda de produtos na internet e fumar a andar na rua. Além disso, os Serviços de Saúde incumbiram uma agência de fazer inquéritos e testes à qualidade do ar em casinos. Mais de 90 por cento dos trabalhadores de jogo entrevistados concordaram que a qualidade do ar nos locais de trabalho era “boa”, “muito boa” ou “extremamente boa”. “As amostras de ar estão em conformidade com os indicadores da qualidade do ar em recintos fechados públicos gerais de Macau”, apontam os SSM.
Incêndios Quase 19% de aumento no primeiro trimestre
O Corpo de Bombeiros (CB) anunciou ontem que o número de incêndios nos primeiros três meses de 2021 foi de 222, um aumento de 35 casos equivalente a mais 18,72 por cento em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Segundo um comunicado da corporação, os principais motivos dos incêndios deste ano foram fogões ligados e esquecidos, cigarros mal apagados, avarias em equipamentos eléctricos e, aquilo a que o CB designa como “fogo nu”, representando 50,9 das saídas por incêndio. No primeiro trimestre de 2021, registaram-se menos saídas de ambulância (um total de 9.205), em comparação com o período homólogo do ano anterior, com uma quebra de 1,14 por cento. Noutra estatística, o CB anuncia que este ano, até 21 de Abril, foram transportados 2.879 casos suspeitos de covid-19, relativos a um total de 3.650 pessoas.
HOJE MACAU
CIGARROS ELECTRÓNICOS RELATÓRIO SUGERE PROIBIR A IMPORTAÇÃO
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DSAMA JANTAR DE 8 MIL PATACAS TERMINOU COM PRENDAS DA CHANEL
Que rica sobremesa
O CCAC acredita que os funcionários da DSAMA fecharam os olhos a várias irregularidades da empresa estatal China Overseas, a troco de presentes. Funcionária da empresa mandava oferecer prendas para depois pedir “favores”
O
Comissariado contra a Corrupção (CCAC) acredita que o jantar de 8.400 patacas em que participaram quatros funcionários da Direcção dos Serviços deAssuntos Marítimos e de Água (DSAMA), e em que foram distribuídas malas da Chanel, foi essencial para a China Overseas conseguir um contrato de 38,4 milhões de patacas para dragagem. A tese foi avançada ontem no Tribunal Judicial de Base, em que cinco funcionários e ex-funcionários, entre os quais Vong Kam Fai, ex-subdirector, respondem pelo crime de corrupção passiva para acto ilícito, cuja pena pode chegar a oito anos de prisão. Segundo o depoimento da testemunha Lei Tong Leong, investigador do CCAC, a empresa tinha sido contratada em 2014, para fazer uma dragagem junto à Central Térmica de Coloane. Todavia, ao longo do primeiro contrato de 54,7 milhões de patacas, que se prolongou entre Março e Dezembro de 2014, China Overseas utilizou embarcações sem licenças, não cumpriu os requisitos a nível da profundidade das águas nem as
datas do contrato, trabalhando além do previsto. Apesar das falhas apontadas pelo CCAC, a empresa recebeu uma adjudicação directa para continuar o serviço, a troco de 38,4 milhões de patacas. O investigador do CCAC defendeu que o segundo contrato só foi possível por adjudicação directa porque a empresa tinha oferecido vários presentes aos trabalhadores da DSAMA. Para sustentar a tese, foram mostradas imagens do jantar num restaurante de marisco, em que participam os arguidos Kuok Kuong Wa, ex-chefe de departamento, Tong Vun Ieong, chefe de divisão, Lao Weng U, ex-chefe de divisão e Kuok Wang Ngai, ex-funcionário da DSAMA.
“As chamadas mostram que Lao e Tong tinham conhecimento que iam receber prendas e que queriam recebê-las.” LEI INVESTIGADOR DO CCAC
Além das refeições, os funcionários deixaram o espaço com um saco oferecido, que a investigação concluiu ter malas e perfumes da marca Chanel, além de garrafas de vinho. “A sugestão para a adjudicação directa assumia que os trabalhos tinham sido bem executados, em condições de segurança”, afirmou Lei Tong Leong. “Mas, não era verdade, porque nunca foi assegurada a largura de 2,5 metros no canal, uma exigência do contrato inicial. Os funcionários sabiam que as embarcações estavam a navegar sem licenças e que os trabalhos se prolongaram além do prazo”, acrescentou. O jantar de 8.488 patacas foi pago pela China Overseas e pelo funcionário Meng Ke, assim como as prendas adquiridas no New Yaohan, com os custos a entrar na contabilidade da empresa. O subdirector Vong Kam Fai foi o único que não participou no jantar.
Escutas telefónicas
Além das provas do jantar, o CCAC apresentou também escutas telefónicas que permitem ouvir Wong Cheong Chau, funcionária
da empresa que alegadamente dá as ordens para corromper, mas não está acusada, dizer a um funcionário que era preciso oferecer uma prenda mais cara a Lao Weng U. “O presente para Lao tinha pouco valor. Uma mala é mais apropriada. O valor é tão pouco, tão diminuto, que não dá para depois pedir um favor”, ouviu-se na escuta. Lao terá recebido uma mala de 28 mil patacas e Tong um produto semelhante, mas com o valor de 38 mil patacas. “As chamadas mostram que Lao e Tong tinham conhecimento que iam receber prendas e que queriam recebê-las”, disse o investigador. Lei revelou ainda que a investigação foi iniciada depois de terem sido recebidas denúncias para o favorecimento da China Overseas. O primeiro concurso foi realizado por convite e a empresa estatal ganhou com um preço superior a 50 milhões de patacas, enquanto as outras duas concorrentes, excluídas, cobravam 36 milhões e 9 milhões de patacas. João Santos Filipe
6 sociedade
PJ INVESTIGADO ROUBO DE IDENTIDADE PARA PROMOVER PRODUTOS
A
Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o uso de cartões de visita falsos em nome da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) para promover produtos financeiros na Internet. Segundo um comunicado, foi a própria AMCM que reportou a situação às autoridades depois de receber “uma participação sobre a usurpação de identidade de um funcionário da AMCM através da utilização de cartões de visita falsos nas redes sociais e softwares de comunicação”. A identidade terá sido usada para a
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“persuasão de investimento em produtos financeiros”, actividade que a AMCM nunca desenvolveu. “A AMCM salienta que, sendo uma instituição de supervisão, nunca promoveu nem irá promover no futuro qualquer produto financeiro, apelando assim à consciência do público”. No cartão de visita falso detectado “constata-se a presença do logotipo oficial, número de telefone, indicação da página electrónica e do endereço da AMCM”. No entanto, “o modelo é completamente diferente do cartão de visita oficial da AMCM e, invoca uma suposta unidade de estrutura que não existe”, adianta a entidade em comunicado. PUB.
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 415/AI/2021
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora XIE HUIMING, portadora do Passaporte da RPC n.° G60181xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 152.1/DI-AI/2019, levantado pela DST a 04.06.2019, e por despacho da signatária de 22.02.2021, exarado no Relatório n.° 215/DI/2021, de 29.01.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada naAvenida da Praia Grande n.° 241, Edf. Tak Fong 14.° andar EE (correspondente no prédio ao 15.° andar E).----------------------No mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.-------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito naAlameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau. --------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Abril de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
JOGO SANDS CHINA COM PREJUÍZO DE 213 MILHÕES NO PRIMEIRO TRIMESTRE
Estar no caminho certo As receitas da Sands China no primeiro trimestre do ano fixaram-se em 771 milhões de dólares. Apesar dos prejuízos no início de 2021 e de indicar que as restrições de viagens para Macau dificultam o desempenho financeiro, o CEO da Las Vegas Sands mostrou confiança na recuperação
A
operadora de jogo Sands China anunciou ontem um prejuízo de 213 milhões de dólares no primeiro trimestre, devido ao impacto causado pela pandemia. Em comunicado, a empresa avançou ainda que o total das receitas diminuiu 4,6 por cento, em comparação ao mesmo período do ano passado, arrecadando 771 milhões de dólares. Já as perdas no EBITDA – os lucros antes de impostos, juros, amortizações e depreciações – atingiram os 100 milhões de dólares, o que representa um aumento de 49,2 por cento, já que no período homólogo de 2020 se ficou pelos 67 milhões de dólares. “Continuamos confiantes na recuperação eventual dos gastos com turismo e viagens nos nossos mercados. A procura pela nossa oferta por parte dos clientes que puderam visitar [os casinos] continua robusta, mas as restrições de viagens relacionadas com a pandemia, particularmente em Macau e Singapura, continuam a limitar visitas e a dificultar o nosso desempenho financeiro”, afirmou Robert G. Goldstein, presidente e director-executivo da Las
contou com uma taxa de ocupação de 47,2 por cento, enquanto a ocupação do Sands Macau se fixou em 71,5 por cento.
Dar sem receber
Robert G. Goldstein, presidente da Las Vegas Sands “As restrições de viagens relacionadas com a pandemia, particularmente em Macau e Singapura, continuam a limitar visitas e a prejudicar o nosso desempenho financeiro”
Vegas Sands, a empresa norte-americana que detém a maioria do capital da Sands China. Apesar disso, afirmou que os responsáveis estão “entusiasmados com a oportunidade
de receber mais clientes (...), à medida que um número maior de visitantes pode viajar para Macau, Singapura e Las Vegas”. A nível hoteleiro, o relatório mostra que o Venetian
A despesa de capital em Macau da Sands no primeiro trimestre deste ano envolveu custos de construção, desenvolvimento e manutenção no valor de 268 milhões de dólares americanos. Recorde-se que a empresa inaugurou em Fevereiro a primeira fase do hotel e casino The Londoner, um investimento de cerca de 15,2 mil milhões de patacas. Os resultados mostram que no primeiro trimestre do ano o casino do The Londoner gerou receitas de 91 milhões de dólares. O GGRAsia noticiou ontem que as receitas do segmento de massa premium da Sands China chegaram quase a metade dos níveis pré-covid-19, enquanto o mercado VIP ainda enfrenta dificuldades. As diferenças na trajectória de recuperação foram explicadas por Grant Chum Kwan Lock, director operacional da empresa, com uma “mudança estrutural” no mercado de Macau que levou a que “mais clientes lidassem directamente com operadores de casino”. Salomé Fernandes
com Lusa
CC MAIS DE 5000 ESTABELECIMENTOS INSPECCIONADOS NUM ANO
A
Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) inspecionou 5.320 estabelecimentos comerciais e mais de 52.130 produtos entre 1 de Maio de 2020 e 24 de Março deste ano. A informação foi prestada pelo director da DSEDT, Tai Kin Ip, em resposta a interpelação de Leong Sun Iok. O deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau perguntou se, “para evitar o aumento dos preços e conseguir estabilizálos, o Governo iria reforçar a
inspeccção e a fiscalização” devido às medidas de apoio ao consumo. Tai Kin Ip respondeu que desde o ano passado o Governo intensificou as inspecções de mercados, frutarias, padarias, restaurantes, farmácias, entre outros tipos de estabelecimentos. O director dos serviços de economia escusou-se a responder a algumas questões do deputado, por estas incidirem ainda nos entretanto extintos cupões de desconto por pagamento electrónico, medida que ficou na gaveta.
Além destas inspecções aos locais, o Governo vai monitorizar as redes sociais, em busca de publicações que mencionem situações de preços anormais e queixas da população. Por outro lado, é afirmado que o Conselho dos Consumidores actualiza constantemente a aplicação “Posto de Informações de Preços de Macau”, assim como a lista de custo de produtos no portal online, permitindo à população pesquisar o preço máximo e mínimo, a diferença de preços e o sítio de venda de mesmo produto.
Além disso, o consumidor tem ainda à disposição a plataforma electrónica “Consumidor Online”, onde se podem apresentar queixas (e consultar o andamento dos processos) e emitir opiniões. Ontem e na quarta-feira, o Governo organizou três sessões de esclarecimento sobre o plano de benefícios de consumo por meio electrónico no Centro de Actividades do Patane, com o objectivo de apresentar aos representantes das instituições de serviço social o conteúdo do plano, a forma de inscrição e utilização. N. W.
sexta-feira 23.4.2021
sociedade 7
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VACINA REPORTADOS DOIS “EVENTOS ADVERSOS”, UM RESULTOU EM INTERNAMENTO
Ganhar e perder a face N A noite de quarta-feira, o centro de coordenação de contingência do novo tipo de coronavírus declarou dois “eventos adversos ligeiros” que afectaram uma mulher e um homem, ambos com 34 anos, resultando em internamento devido a um problema renal e paralisia facial, respectivamente. No primeiro caso, a mulher foi vacinada a 5 de Abril com a segunda dose da vacina da BioNTech num centro de saúde. Dez dias depois, terminada uma sessão de exercício físico numa bicicleta estática, sentiu fraqueza nas coxas, sensação que passou a dor, que se intensificou nos dias seguintes. No dia 19 de Abril, a paciente decidiu fazer exames médicos no Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia. No dia seguinte, as análises ao sangue acusaram um aumento significativo de creatina quinase e mulher foi encaminhada para as urgências do Centro Hospitalar Conde
Uma mulher e um homem, ambos com 34 anos, sofreram eventos adversos depois da administração de vacinas da BioNTech e Sinopharm, respectivamente. Apesar da necessidade de internamento da mulher e da paralisia facial do homem, os casos foram considerados ligeiros e as autoridades não encontraram nexo de causalidade com a vacinação
de São Januário, onde ficou internada na enfermaria de casos agudos. O diagnóstico era rabdomiólise, uma síndrome que pode resultar em lesão renal aguda. De acordo com as autoridades, “a doente encontra-se
em estado estável e a creatina quinase está a diminuir gradualmente.”
O meu lado esquerdo
O caso mais recente, afectou um homem inoculado com a primeira dose da
CARTÕES DE CONSUMO CARITAS PEDE INCLUSÃO DOS TNR
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ITTY Tam Siu Sin, directora do centro “WelAnser”, ligado à Caritas, disse ao jornal Ou Mun que os trabalhadores não residentes (TNR) deveriam estar incluídos no novo programa de cartões electrónicos, uma vez que, na primeira fase do plano, chegaram a estar incluídos. Segundo a responsável, os TNR estavam satisfeitos e sentiram que os “seus esforços e contribuições em termos de trabalho em Macau tinham sido reconhecidos pelo Governo”. No entanto, o Executivo voltou atrás e retirou os TNR deste plano de apoio, que ficou apenas destinado aos residentes. A directora do centro lembrou que muitos dos TNR trabalham como em-
pregadas domésticas ou funcionários de limpeza, e sofrem com a inflação. Kitty Tam Siu Sin pede também que o Executivo tenha em consideração a existência de várias comunidades em Macau e faça uma comunicação institucional em várias línguas, uma vez que desde o início da pandemia muitas mensagens foram transmitidas apenas em chinês e português, as duas línguas oficiais. A responsável alertou ainda para o problema das empregadas domésticas que ficam em Macau retidas e sem contrato de trabalho, uma vez que a lei de contratação dos TNR causa dificuldades aos empregadores para recrutar novamente estas pessoas.
vacina da Sinopharm no passado domingo. Dois dias depois começou a sentir “diminuição da força oclusal no lado esquerdo e a pálpebra esquerda fechada sem tendência de agravamento”, o que
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o levou às urgências do Centro Hospitalar Conde de São Januário onde foi diagnosticado com paralisia de Bell, conhecida como “Paralisia do nervo facial”. Depois de receber tratamento, teve alta sem necessitar de internamento. O centro de coordenação explica que “a causa desta doença é desconhecida” e que “a maioria de doentes começa a recuperar o nervo facial após 2 semanas do início dos sintomas e recupera a normalidade entre três e seis meses”. É também referido que os diagnósticos nestes dois casos não são detectados “com mais frequência em indivíduos vacinados contra a covid-19 do que na população geral”. Os casos foram remetidos para o grupo de trabalho de avaliação de eventos adversos e a “relação causal entre o evento e a vacinação foi considerada incerta”. João Luz
Zhuhai Maioria da população já foi vacinada
Zhuhai tornou-se na primeira cidade chinesa com mais de 80 por cento da sua população vacinada contra a covid-19, tendo em conta os últimos dados da vacinação relativos a terça-feira. Isto porque um total de 1.42 milhões de pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e 59 anos, já levaram a dose da vacina, segundo o portal City of Zhuhai. As autoridades da cidade vizinha passaram da administração de 5,700 doses diárias da vacina para mais de 100 mil, tendo estabelecido mais de 450 postos de vacinação na cidade, por oposição aos 64 que existiam no início de Março. Além de Zhuhai, outras cidades da província de Guangdong, como Guangzhou, Shenzhen, Dongguan e Foshan também estão a levar a cabo campanhas de vacinação em massa.
ENTRADAS EM MACAU AUMENTAM NO MÊS DE MARÇO FACE AO MÊS DE FEVEREIRO
O passado mês de Março o número de visitantes a entrar em Macau aumentou 76,7 por cento em relação a Fevereiro e 255,4 por cento quando comparado com o ano anterior. No total, a RAEM foi visitada por 754.541 pessoas no mês passado. Olhando para o universo total de visitantes, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) informa que o número de turistas foi de 404.936 e o de excursionistas 349.605, o que representou, respectivamente, aumentos acentuados de 221,6 por cento e 304,6 por cento, em termos anuais.
Quanto ao período médio de permanência, em Março situou-se em 1,6 dias, uma quebra de 1,4 dias em relação ao mesmo mês do ano passado. Dividindo o período médio de permanência entre turistas (2,9 dias) e excursionistas (0,1 dias), verificou-se uma quebra de 1,8 dias e 0,1 dias respectivamente. Apesar da aparente tendência positiva dos números divulgados pela DSEC, se for tido em conta os três primeiros meses do ano, como o início de 2020 não foi afectado pela pandemia o cenário muda de figura. No primeiro trimestre de 2021 chegaram a Macau 1.738.428
visitantes, menos 46 por cento, face ao mesmo trimestre do ano transacto. Realça-se que os números de turistas (919.192) e de excursionistas (819.236) decresceram 39,6 por cento e 51,8 por cento, respectivamente. Quanto à origem dos visitantes, os oriundos do Interior da China totalizaram 688.353, o que correspondeu a um aumento de 674,4 por cento, em termos anuais. Realça-se que o número de visitantes oriundos das nove cidades da Grande Baía foi de 388.094, dos quais 48,5 por cento eram originários de Zhuhai. J. L.
8 eventos
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23.4.2021 sexta-feira
Um olhar cui
FOTOGRAFIA “DESVELO • 關愛 • ZEAL”, DE GONÇALO LOBO PINHEIRO, LAN
AVEIRO PREMIADOS DOCENTES DO INSTITUTO CONFÚCIO COM “VOLUTÁRIO DE EXCELÊNCIA”
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OIS docentes do Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro, Chen Xiaoping e Kang Siyu, receberam o prémio “Professor Voluntário de Excelência 2020”, atribuído pelo Centro de Intercâmbio e Cooperação Sino-estrangeiro de Línguas, noticiou ontem a Lusa. “O Instituto Confúcio (IC-UA) viu o seu trabalho reconhecido internacionalmente com a atribuição de mais
este prémio, a poucos dias de celebrar o 6.º aniversário”, refere uma nota de imprensa da Universidade de Aveiro. O instituto foi distinguido noutras ocasiões, nomeadamente com os prémios “Confúcio do Ano 2018”, atribuído pelo Hanban (Chengdu, 2018) e “Director do Ano”, atribuído pelo Hanban a Carlos Morais (Changsha, 2019). Inaugurado a 23 de abril de 2015, o IC-UA vai assinalar o
sexto aniversário com a plantação de uma Ginkgo biloba (árvore originária da China, considerada um fóssil vivo) e a inauguração de uma instalação artística alusiva ao aniversário, da autoria de José Oliveira. Faz ainda parte do programa, o ciclo de conferências “Rotas a Oriente”, que acontece a 29 de Abril. Lola Xavier, do Instituto Politécnico de Macau, vai falar sobre representações literárias do
quotidiano de Macau e a apresentação de Vera Borges, da Universidade de São José, vai abordar o tema “Poesia de Macau: as várias faces de uma mesma moeda?”. O ciclo de conferências conta ainda com a participação de Yao Jing Ming, da Universidade de Macau, numa apresentação intitulada “traduzindo a literária China”. De acordo com a Lusa, as principais missões do Institu-
to Confúcio da Universidade de Aveiro passam por “apoiar e promover o ensino da língua e da cultura chinesas em Portugal”, reforçar a cooperação na área da educação entre a China e Portugal e desenvolver actividades de investigação “que contribuam para melhorar a compreensão mútua e a amizade entre estes dois países distantes, mas unidos por seculares relações históricas”.
sexta-feira 23.4.2021
idado
NÇADO DIA 29
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As fotografias captadas no lar da Santa Casa da Misericórdia de Macau e no Asilo de Santa Maria, da Caritas, estão agora compiladas no livro “DESVELO • 關愛 • ZEAL”, de Gonçalo Lobo Pinheiro, que será lançado na próxima quinta-feira, dia 29, na Livraria Portuguesa. No dia seguinte, as fotografias estarão também expostas na cidade do Porto
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UM território onde a pandemia da covid-19 tem estado plenamente controlada, o fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro teve de ver além do óbvio. Daí, a ter decidido retratar o dia-a-dia de um dos grupos de risco da pandemia, os idosos, e dos seus cuidadores, foi um passo. Vários prémios e distinções depois, esta reportagem fotográfica ganha nova dimensão com o livro “DESVELO • 關愛 • ZEAL”, apresentado na próxima quinta-feira, dia 29, pelas 18h30 na Livraria Portuguesa. No dia seguinte será inaugurada uma exposição na cidade do Porto, em Portugal, no espaço Mira Fórum. O trabalho realizado em 2020, no lar da Santa Casa da Misericórdia de Macau e no Asilo de Santa Maria, da Caritas, foi “o mais importante que fiz relacionado com a covid-19 em Macau”, disse ao HM Gonçalo Lobo Pinheiro. “A pandemia não teve aqui grande expressão, felizmente, e tornou-se complicado para mim encontrar motivos de fotografar. Acabei por optar por ir aos lares, a par de fazer fotografia do quotidiano. Fui fazendo um levantamento possível, mesmo não havendo casos. Os Serviços de Saúde não permitiram que fizéssemos fotografias na linha da frente, então fui por outras vias, além de que os idosos são um dos grupos de risco desta pandemia.” Neste ano as fotografias estiveram presentes em algumas exposições, além de terem ganho o primeiro prémio do concurso de fotografia da revista Macau Closer. Também obtiveram algumas menções honrosas em prémios internacionais.
O fotojornalista, que também escreve poesia, tendo inclusivamente publicado alguns livros, foi buscar à sua “alma poética” o nome deste livro. “Gosto de poesia e achei que [a palavra Desvelo], nesta óptica do cuidador, do cuidar dos idosos, pudesse ser mais poética para explicar, para não ser tão claro na minha abordagem.” Na próxima quinta-feira, a apresentação da obra estará a cargo do arquitecto Francisco Ricarte, que também faz fotografia de forma amadora. Carlos Morais José, director do HM, assina o prefácio.
Portas abertas
Se Gonçalo Lobo Pinheiro não teve acesso aos hospitais para fotografar a covid-19 de perto, pôde fazê-lo com todo o apoio nestas instituições. “A primeira história foi captada a 29 de Abril de 2020, precisamente um ano antes do dia do lançamento do livro, no Lar da Nossa Senhora da Misericórdia da Santa Casa da Misericórdia de Macau. O lar abriu-me portas e pude
“A pandemia não teve aqui grande expressão, felizmente, e tornou-se complicado para mim encontrar motivos de fotografar. Acabei por optar por ir aos lares, a par de fazer fotografia do quotidiano.” GONÇALO LOBO PINHEIRO
IPM APRESENTADO PRIMEIRO LIVRO DE CHINÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA
A
editora Commercial Press, situada em Pequim, acaba de lançar o livro “Ensino de Chinês como Língua Estrangeira (nível elementar I), uma edição de Lei Heong Iok, ex-presidente do Instituto Politécnico de Macau (IPM). Trata-se “do primeiro livro didáctico de ensino de chinês como língua estrangeira feito em Macau, assim
como o primeiro material trilingue de ensino de chinês dentro e fora do país”. O IPM considera, em comunicado, que o lançamento desta obra “ajudará a promover o desenvolvimento do ensino de chinês como língua estrangeira em Macau, elevando o nível da qualidade de ensino dos aprendentes dos países de língua portuguesa”.
Esta é a primeira obra publicada no contexto do lançamento de uma série de materiais didácticos do curso de licenciatura em Ensino da Língua Chinesa como Língua Estrangeira (destinado a falantes não-nativos de Chinês) da Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM. O livro destina-se aos alunos de língua materna
não chinesa, especialmente os falantes nativos de português do primeiro ano, e aborda conteúdos fonéticos, lexicais, gramaticais, assim como a escrita e a cultura chinesas. O IPM dá conta da “escassez de materiais didácticos para o ensino de língua chinesa para aprendentes estrangeiros”, uma vez que "os manuais existentes não abordam conveniente-
mente as diferenças de ordem linguística e cultural para públicos específicos como os falantes de português”. Desta forma, o lançamento deste livro “marcou um passo muito significativo em direcção à realização deste objectivo e estabeleceu novas expectativas para o futuro”.
testemunhar como os cuidadores estão, mais do que nunca, firmes no apoio aos idosos, muitos deles com várias deficiências.” A segunda reportagem fotográfica foi feita no lar da Caritas a 8 de Maio de 2020. "A madre Louis Mary Sesu Ratnam conduziu-me numa visita ao asilo exclusivo para mulheres idosas. Louis Mary falou de como é ajudar no lar durante a pandemia. Explicou que os cuidadores são essenciais, principalmente nestes momentos. Se não fossem os cuidadores, quais curandeiros, estes idosos ficariam desamparados. ‘Fazemos o que podemos, mas fazemos com cuidado e seriedade’, confessou-me na altura”, adiantou o fotojornalista. Gonçalo Lobo Pinheiro lembrou que as histórias captadas com a sua lente “falam de pessoas, de idosos e dos seus cuidadores”. “Os idosos são um grupo de risco da pandemia que assola o mundo e para o qual só agora começam a surgir esperanças para o seu combate efectivo, ainda que em diversas partes do mundo a doença não esteja controlada”, notou ainda o autor. “DESVELO • 關愛 • ZEAL” é uma edição da Ipsis Verbis e terá uma edição em português, inglês e chinês. A obra conta com o apoio do projecto The Other Hundred – Healers, no qual este trabalho acabou por ser finalista, tendo sido publicado em livro na Malásia e já exposto em algumas cidades no mundo. Além disso, o fotojornalista contou com o apoio do Banco Nacional Ultramarino e do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. A.S.S.
Hac Sá Feriado com actividades
O Parque da Praia de Hac Sá acolhe dia 1 de Maio as “Actividades Recreativas do 1.º de Maio na Praia de Hac Sá 2021”, entre as 13h e as 18h. Em comunicado, o Instituto do Desporto (ID) descreve que a iniciativa inclui actividades aquáticas, zona de simulação das modalidades com bola, jogos recreativos e desportivos de praia. Além disso, estão abertas as inscrições para um concurso de esculturas em areia, com equipas de quatro a oito pessoas. O tema é livre, mas o regulamento define que os conteúdos são “obrigatoriamente saudáveis e criativos”. As inscrições são por ordem de entrega, enquanto houver vagas disponíveis. “A Organização pretende com esta iniciativa encorajar a população para a prática regular da actividade física que conduz à melhoria da sua condição física”, descreve a nota.
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23.4.2021 sexta-feira
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Edital (23/FGCL/2021) Nos dos pedidos: 45/2021, 46/2021, 47/2021, 48/2021, 55/2021, 56/2021, 59/2021, 60/2021, 61/2021, 69/2021, 70/2021, 71/2021, 72/2021, 74/2021, 75/2021, 80/2021
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “SERVIÇOS DE CONSULTADORIA CONCIERGE DE LUXO LIMITADA”, com sede na Avenida Comercial de macau, 251A-301,AIA Tower, 10 Andar, Sala 1003, Macau, o seguinte: Relativamente aos 16 ex-trabalhadores(Wong Wai Chung David, Siu Kai Ming, Lao Su Nei, Chong Sok Meng, Kong Hin Hung, Ho In Iong, Leong Oi Lam, Chan Chat Fong, Sam Sin I, Chim Man, Lei Hio Tong, Fung Sio Pek, Mak Chi Meng, Sit Keng Chio, Ning Lan e Mok Se Fai), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 28 de Abril de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $1 856 069,30(Um milhão, oitocentas e cinquenta e seis mil e sessenta e nove patacas e trinta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento do adiantamento para aquele ex-trabalhadora, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento do adiantamento, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 20 de Abril de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Edital
(24/FGCL/2021) Nos dos pedidos: 39/2021, 40/2021, 41/2021
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “COMPANHIA DE ENGENHARIA PACIFIC TECHNICIAN LIMITADA”, com sede na Rua de Xangai, nº175, Edf. Da Associação Comercial De Macau, 14 Andar G-K, Macau, o seguinte: Relativamente aos 3 ex-trabalhadores (Chua Yan Long, Yuen Chi Wai, e Leong Kin Weng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 19 Abril de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $119 243,90(Cento e dezanove mil e duzentas e quarenta e três patacas e noventa avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquelas extrabalhadoras, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 20 Abril de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
sexta-feira 23.4.2021
china 11
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COVID-19 PAÍS ADMINISTROU CERCA DE 200 MILHÕES DE DOSES DE VACINAS
Velocidade de cruzeiro Milhões de injecções estão a ser diariamente administradas em todo o país. Apesar de um início de vacinação lento, a China estima ter cerca de 560 milhões de pessoas vacinadas até meados de Junho
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ERCA de 200 milhões de doses da vacina para a covid-19 foram administradas até à data na China, com ênfase em funcionários da saúde, estudantes e pessoas que vivem em áreas fronteiriças, disseram ontem as autoridades. A China está a aumentar os esforços de vacinação, após um início lento, que se deveu em parte à eliminação de surtos domésticos do novo coronavírus. Apenas dois casos locais foram registados na terça-feira, ambos na cidade de Ruili, que faz fronteira com o Myanmar (antiga Birmânia). Nas últimas 24 horas reportadas, seis novos casos foram diagnosticados, todos oriundos do exterior. A China aprovou cinco vacinas desenvolvidas internamente e exportou milhões de doses, embora alguns cientistas acreditem que estas têm menos eficácia do que as da Pfizer, Moderna eAstraZeneca. As vacinas chinesas têm um intervalo de eficácia entre 50,7 por cento e 79,3 por cento, com base em dados das empresas, o que é inferior aos níveis produzidos pelos seus pares estrangeiros. A grande maioria das vacinas administradas na China requer duas doses, enquanto um número menor de vacinas que requerem apenas uma dose ou três doses também estão disponíveis. As autoridades não detalharam quantas pessoas estão agora
vacinadas com todas as doses necessárias. “Os esforços de vacinação em áreas-chave e grupos populacionais chave estão a progredir sem problemas, no geral”, disse Cui Gang, funcionário do Centro de Controlo de Doenças, em conferência de imprensa. Cerca de 80 por cento dos funcionários de saúde do país já recebeu pelo menos uma dose da vacina, disse Cui.
Sob controlo
Cidades em toda a China têm relatado escassez, com algumas pessoas a dizerem que não conseguiram uma consulta para receber a segunda dose, disse o porta-voz da Comissão Nacional de Saúde, Mi Feng. As autoridades de saúde reconheceram as dificuldades e afirmaram que os governos locais devem garantir que a segunda injecção das vacinas de duas doses é fornecida com um intervalo máximo de oito semanas. A China está a aplicar milhões de injecções por dia e a sua meta é vacinar 560 milhões dos 1,4 mil milhões de habitantes do país, até meados de Junho. AChina tem controlado o vírus por meio de controlos rigorosos nas fronteiras e bloqueios rápidos sempre que surgem novos surtos. O uso de máscaras em ambientes internos permanece quase universal e as aplicações de rastreamento de saúde devem ser mostradas na maioria das lojas, escritórios e edifícios públicos.
AUSTRÁLIA PEQUIM CONSIDERA “PROVOCATÓRIO” CANCELAMENTO DE ACORDOS
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China criticou esta quarta-feira o que chamou de “medida irracional e provocatória” tomada pela Austrália, que anunciou o cancelamento de um acordo alcançado pelo estado de Victoria para o projecto da Rota da Seda. A ministra dos Negócios Estrangeiros australiana, Marise Payne, anunciou quarta-feira o cancelamento de acordos relacionados com duas gran-
des iniciativas de construção de infraestruturas do estado de Victoria, assinadas com Pequim em 2018 e 2019. “Eu considero esses quatro acordos incompatíveis com a política externa da Austrália ou desfavoráveis às nossas relações externas”, explicou Payne. Num comunicado, a embaixada chinesa na Austrália reagiu dizendo que a medida “mostra
que o Governo australiano não é sincero quando diz pretender melhorar as relações” tensas entre Pequim e Camberra. As relações bilaterais com a China começaram a deteriorar-se em 2018, quando Camberra excluiu a empresa chinesa de telecomunicações Huawei de um concurso para a rede 5G, alegando razões de segurança nacional.
A tensão diplomática aumentou nos últimos meses, depois de o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, ter pedido uma investigação internacional sobre as origens da pandemia de covid-19. No ano passado, em retaliação a China tomou uma série de medidas de sanção económica contra mais de uma dúzia de produtos australianos, incluindo cevada, carne bovina e vinho.
Diplomacia MNE chinês reúne via vídeo com homólogo alemão
O conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, reuniu-se na quarta-feira com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas, via videoconferência. Observando que as relações China-Alemanha permaneceram estáveis no geral desde o ano passado, Wang disse que, como parceiros estratégicos em todos os aspectos, a China e a Alemanha devem sempre seguir o importante princípio e a valiosa experiência de respeito mútuo, manter o tema do diálogo e cooperação e enviar sinais positivos de abertura, cooperação, benefício mútuo e resultados de ganho recíproco. Os dois lados devem rejeitar conjuntamente o revés do chamado “desacoplamento” e ser defensores do multilateralismo e contribuintes para o desenvolvimento global, acrescentou Wang. Maas disse que a Alemanha atribui grande importância às relações com a China e está disposta a intensificar o diálogo bilateral em vários campos, fortalecer a cooperação pragmática e, em conjunto, lidar com questões e desafios globais. PUB.
Aviso de pedido para junção de restos mortais em sepultura perpétua
Eu, Sonia Teresinha de Jesus Palmer, nos termos da alínea 5) do n.º 1 e dos n.ºs 2 a 4 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento o pedido relativo à junção das cinzas de Aida Rafaela da Rosa de Jesus, que era cônjuge de Manuel Maria de Jesus, inumada na sepultura n.º SM-1-1145 do Cemitério de S. Miguel Arcanjo, nessa sepultura. Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso, ao IAM. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos de cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito dentro do prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 23 de Abril de 2021 Sonia Teresinha de Jesus Palmer
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h
expectoração
SARA F. COSTA
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23.4.2021 sexta-feira
Ginásio Mental
Kasimir Malévich. Quadrado negro sobre fundo branco (1913)
NÃO COMPREENDO EM QUE ALTURA DEIXAMOS DE SER CAPAZES DE EXPRESSAR A NOSSA MAIS PROFUNDA INDIVIDUALIDADE E COMEÇÁMOS A CRIAR, NÃO COMO QUEM DESAFIA, MAS COMO QUEM DEVOLVE A TODOS A SUA PRÓPRIA IMAGEM
Li num artigo que a geração Z vai mais ao ginásio. Alcançar uma aparência física desejável beneficia a auto-estima e outra coisa que faz muito bem também é produzir mais likes no Instagram. Conseguir bons ângulos para posar em frente a um telemóvel. Possuir determinados objetos que fazem de nós seres civilizados. Alcançar objetivos que nos atribuam valor, mas, acima de tudo, que sejam visíveis. Passamos de um período a que Walter Benjamin definia como “o culto da arte” para “a arte exibicionista”. Em “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica” ele vai mais longe, chegando mesmo a concluir que qualquer forma de exibição é necessariamente ideológica. Distraidamente ideológica. Afinal, que tipo de pensamento político se consegue expor num post do twitter para além de ideologia pura e dura sem qualquer nuance? E esta personagem que criamos de nós mesmos, o que é que estamos exatamente a vender ao reproduzir mensagens simplificadas até ao tutano? É este o nosso novo produto artístico, nós mesmos, num post? Porque eu quando penso em arte penso no “Quadrado Negro” de Kazimir Malevich. É uma obra que é uma provocação. É pensar a arte enquanto ausência. Ponderar sobre esta nossa existência tão livre que pode até ser tanto que não é nada. Um quadrado negro. É este nível de reflexão que exige algo que está a cair em desuso - a concentração e a deliberação . Num sistema onde um artista tem que se adaptar à forma mais eficaz de produção massiva, perde uma grande parte da sua autoridade enquanto criador. Já não é a arte que nos absorve, nós
absorvemos a arte. O artista já não se consegue impor com autoridade porque esse esforço de ir ter com a arte torna-se impraticável. A nossa condição num sistema sócio-político obcecado com a produção material não nos permite parar. Ler ou ir a uma galeria de arte é um ato isolado que requer concentração e disponibilidade mental para que as formulações de ideias tenham densidade. Contudo, se essas várias facetas da vida produtiva nos deixam demasiado ocupados para deixarmos de percepcionar a arte a um nível individual (a arte visual, o livro) e a consumimos passivamente a um nível colectivo como o é o cinema Blockbuster, mas também o é o Instagram e o YouTube, onde vamos enfiar esta coisa massiva que é a subjetividade da experiência humana? Sentir a chuva a cair na pele não é a mesma coisa que ver uma foto da chuva a cair e também não é o mesmo que ver um vídeo da chuva a cair. A chuva a cair na pele só se pode viver, não se pode exibir. Todo este bem-estar físico e bem-estar mental não passa exclusivamente por uma cultura do exibicionismo. Não encontro a autenticidade de alguém numa selfie. Não compreendo em que altura deixamos de ser capazes de expressar a nossa mais profunda individualidade e começámos a criar, não como quem desafia, mas como quem devolve a todos a sua própria imagem. Ir ao ginásio faz bem mas não nos esqueçamos de treinar também os músculos da mente porque enquanto nos tornamos espectadores passivos de ideias, alguém está, certamente, muito ativo a criar todo o nosso pensamento por nós.
sexta-feira 23.4.2021
entre oriente e ocidente
GONÇALO M. TAVARES
Haiku na cidade moderna. Abril, doze sínteses. O olho tenta ver. 1.
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o copo vazio dá sede - viajante gentileza com pressa - grosseria pesa demasiado na mochila - o oráculo o estrondo não chega ao ouvido concentrado estrondo é silêncio - ouvido concentrado engenheiros desenham uma mulher nua - pausa nos números os imortais inventam um jogo lento o ébrio acorda - encontra sapatos mas não os pés o comboio chega à estação - os corações partem estica os lábios e cala-se - beijo
10. mãos com vinho tocam na árvore verde-clara 11. aprendeu a assobiar para ter companhia do cavalo 12. um cego encontra um amigo
ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO
Doze haiku para Abril
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 14
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PROBLEMA 15
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BAHT CINETEATRO
OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER JOHANN WOLFGANG VON GOETHE
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DETECTIVE CONAN: THE SCARLET BULLET [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chika Nagaoka 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
SEOBOK [C]
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C I N E M A
SALA 1
Tiro de partida do romantismo, pun intented, “Os Sofrimentos do Jovem Werther” é uma história de amor não correspondido, que degenera 8em obsessão e suicídio. Um bom livro para o Verão. A publicação, em 1774, catapultou Goethe para uma espécie de estrelato literário setePorém, a natureza doentia da narrativa 6centista. e o retrato da espiral descendente do personagem principal acabou por ditar a proibição da obra de Goethe. Para tal contribuiu a “Febre de Werther”, uma vaga de suicídios alegadamente inspirados no livro. Entre o mito e a realidade, conta-se que os desesperados amantes eram envestidos como o jovem Werther, com 2contrados o livro ao lado do corpo. Se isto não é razão para ler um livro, não sei que o que será. João Luz
YUAN
FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Lee Yong Zoo Com: Gong Yoo, Park Bo Gum Jo Woo Jin, Jang Young Nam 14.30, 21.30
STAND BY ME DORAEMON 2 [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Ryuichi Yagi, Takashi Yamazaki 16.45, 19.30 SALA 3
ALL YOU NEED IS LOVE [C]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Vincent Kok Com: Louis Koo, Tony Leung, Francis Ng, Jackie Chan 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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confeitaria
opinião 15
João Romão
BOLA AO CENTRO ANUNCIADA COM pompa e inevitável soberba, a superliga do futebol europeu parece ter morrido antes de nascer: um torneio onde o pedigree iria definir o acesso, com alegados precedentes históricos a determinar direitos futuros e participação garantida para os membros fundadores, auto-consagrados como os mais prestigiados do planeta futebolístico, já detentores das maiores riquezas mas à procura de uma apropriação ainda maior dos benefícios globais que o espetáculo da bola vai gerando, entre bilhetes para os estádios, direitos televisivos, mercadorias promocionais, subscrição de canais digitais ou outras formas de rentabilizar marcas de notório sucesso e visibilidade. Não é nova, evidentemente, esta tentativa de transformar em rendas garantidas benefícios que teriam que ser disputados em arenas - ou mercados - com alguma concorrência, ainda que altamente desequilibrada: esta é, na realidade, uma característica marcante do capitalismo tardio que nos tocou viver, já com escassos recursos e mercados por explorar e oportunidades de lucro insuficientes para a avidez dos mais agiotas do planeta. Escasseiam também progressos tecnológicos susceptíveis de transformar empresas em figuras singulares e inimitáveis, criadoras dos seus próprios monopólios, e por isso dos seus rendimentos rentistas, apesar de tudo conseguidos à custa de inteligência e criatividade. Podemos olhar para o primeiro caso - o do esgotamento das oportunidades de exploração intensiva de recursos, como Marx antecipou: a inevitável tendência para a descida da taxa de lucro que havia de matar o capitalismo. Ou podemos olhar para a segunda hipótese, a do esgotamento das possibilidades de inovação, tal como Shumpeter definiu: a burocratização de uma economia que apenas se reproduz, incapaz de gerar novas rupturas e desequilíbrios criativos. Olhemos por um ou por outro prisma, as consequências são semelhantes: é notória nas últimas duas décadas a concentração do capital em enormes empresas transnacionais, com sucessivas fusões e aquisições, mais ou menos hostis, nos mais diversos sectores de actividade, concentrando o poder económico e político em cada vez menos entidades ou pessoas e naturalmente diminuindo a tal concorrência que devia ser apanágio dos mercados livres das economias contemporâneas. Outro exemplo é o da privatização sucessiva de serviços públicos ou de sectores estratégicos das economias, incluindo transportes, energia, educação, saúde, habitação, enfim a mercantilização de tudo o que é essencial à vida humana. Transformando a prestação de serviços públicos em monopólios privados parasitários criam-se novos rendimentos rentistas que dispensam a concorrência e consolidam a
quaisquer outras veleidades da meritocracia - e da tal competição, que supostamente seria o essencial destes torneios alegadamente desportivos. De resto, na agenda dos agiotas estava também a limitação dos salários e do valor das transferências dos jogadores, aproveitando os super-poderes patronais que a ausência de concorrência consagra na sua plenitude. Não correu bem, no entanto: levantaram-se muitas vozes com determinação suficiente para neutralizar o processo, pelo menos por enquanto: grandes clubes da Alemanha e da França não acederam ao convite, clubes médios com legítimas aspirações à elite protestaram desde o primeiro momento, praticamente todas as instituições reguladoras do futebol europeu, e mesmo os adeptos de alguns clubes supostamente beneficiados vieram rapidamente para a rua gritar. O recuo dos clubes ingleses parece ter neutralizado esta intentona monopolística, a que se seguiram também clubes ingleses e espanhóis. Se a concentração do poder futebolístico continuar, será por outras vias, que não a da imposição administrativa de torneios exclusivos e fechados à competição. De resto, não é a primeira vez que no futebol se nota uma rejeição das tendências contemporâneas do capitalismo tardio que infelizmente não se observa noutros domí-
Veremos num futuro próximo em que resultam estas intenções de criação de uma superliga de privilegiados. Não se nota grande coisa noutros domínios da economia, da sociedade ou da política, mas quando toca ao futebol, ainda se levantam as vozes contra o liberalismo vigente. Antes isso
concentração da riqueza de quem já a tem à custa da vulnerabilidade e das necessidades básicas da maioria da população. Um exemplo flagrante desta violência económica, social e política é o das vacinas que supostamente irão neutralizar a maior pandemia que jamais afectou a humanidade: com patentes que privaram os benefícios da sua comercialização, resolvem um problema de saúde enriquecendo ainda mais um reduzido número de empresas com ampla hegemonia no mercado global de saúde, neste caso a operar em quase-monopólio, com uma procura global francamente superior à capacidade de oferta e um poder quase absoluto para decidir preços e margens de lucros: cá estamos para pagar o que for preciso, por interpostos governos, para que nos livrem do terrível vírus. Tem sido assim com o resto da saúde, naturalmente: já é pequeno o papel
do estado na apropriação do conhecimento e no controle dos processos de produção, ainda que continue a ser um agente essencial à educação, formação, investigação e desenvolvimento científico, neste como noutros sectores essenciais à vida humana. A criação da tal superliga de futebol europeu inscreve-se com facilidade nesta lógica predatória de aceleração e intensificação dos processos de dominação e controle de mercados: um torneio que dispensa boa parte da competição, como outros monopólios dispensam a concorrência económica: até poderia haver umas vagas para quem tivesse méritos devidamente comprovados, mas estariam reservados para a eternidade os lugares ocupados pelos clubes fundadores, essa auto-denominada aristocracia do futebol europeu, com direitos históricos adquiridos por inerência que ultrapassam
nios das nossas economias e sociedades: já há alguns anos, também foram grandes os entraves à liberdade de transferência de jogadores, quando já a globalização dos mercados e a liberdade de circulação de pessoas e capitais se expandiam pelo planeta em sucessivos acordos comerciais, económicos e políticos. Na altura, um jogador chamado Bosman havia de se tornar ponta de lança de progressos legislativos que haviam de trazer ao futebol os processos de liberalização condizentes com os do resto da economia. Veremos num futuro próximo em que resultam estas intenções de criação de uma superliga de privilegiados. Não se nota grande coisa noutros domínios da economia, da sociedade ou da política, mas quando toca ao futebol, ainda se levantam as vozes contra o liberalismo vigente. Antes isso. Bola ao centro!
sexta-feira
“A arrogância precede a ruína, o espírito altivo, a queda.” PALAVRA DO DIA
Do oito ao oitenta
GIF Chu Un I visita gabinete do Banco Central em Pequim
Estados Unidos alteram classificação e colocam Macau na lista vermelha de alerta de turismo
TIAGO ALCÂNTARA
Chu Un I, coordenadora do Gabinete de Informação Financeira (GIF), realizou, no passado dia 13 de Abril, uma visita ao Gabinete contra o Branqueamento de Capitais do Banco Popular Central em Pequim. Segundo um comunicado, o encontro serviu para os representantes das duas entidades “trocarem opiniões sobre os diplomas legais no âmbito do combate ao branqueamento de capitais, e financiamento ao terrorismo”. Chu Un I reuniu-se também com o director do Gabinete contra o Branqueamento de Capitais, Chao Kejian, e o subdirector, Bao Mingyou. Ambos “reconheceram os esforços empenhados pelo Governo na área de combate ao branqueamento de capitais, indicando que continuam a apoiar aos trabalhos relacionados e reforçar as relações de cooperação bilateral, a fim de elevar a eficácia no âmbito do combate ao branqueamento de capitais”.
23.4.2021
Provérbios 16,18
Japão Aumento radical de meta de redução de CO2 até 2030
O
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GETTY IMAGES
Japão aumentou o objectivo de redução das suas emissões de CO2 de 26 por cento para 46 por cento até 2030 em relação aos níveis de 2013, anunciou ontem o primeiro-ministro, Yoshihide Suga. “Queremos baixar as nossas emissões de gás com efeito de estufa para 46 por cento no ano fiscal de 2030 (que se inicia a 1 de Abril), por comparação com o ano fiscal 2013”, declarou Suga numa reunião. O anúncio da terceira economia mundial ocorre pouco antes do início da cimeira virtual mundial sobre o clima organizada pelos Estados Unidos, que devem apresentar também um objectivo mais ambicioso em relação à redução das suas emissões de gás com efeito de estufa. O Japão era em 2019 o quinto país entre os maiores emis-
sores de CO2 no mundo, atrás da China, Estados Unidos, Índia e Rússia, segundo a plataforma ‘online’ Global CO2 Atlas. O arquipélago nipónico continua muito dependente de energias fósseis (gás natural que importa liquefeito e carvão, nomeadamente), especialmente porque limita muito o recurso à energia nuclear desde a catástrofe de Fukushima em 2011. Suga anunciou no ano passado a meta de alcançar a neutralidade de carbono no Japão até 2050, alinhando-se com o calendário da União Europeia, mas ainda não pormenorizou vários passos importantes para o conseguir. Na quarta-feira, a União Europeia prometeu uma redução de pelo menos 55 por cento das suas emissões de gases com efeito estufa até 2030 em comparação com 1990.
Macau está agora no nível quatro, com a indicação “não viaje”. Antes das alterações, a RAEM estava no extremo oposto da escala, no nível um, o mais seguro de todos
O
S Estados Unidos colocaram Macau na lista de alerta vermelho para deslocações de turismo, devido à evolução da situação da covid-19. As alterações do Governo dos EUA foram feitas na madrugada de ontem e, segundo a Associated Press, afectaram 116 países e regiões, entre as quais a RAEM. De acordo com a escala americana, as regiões e países são classificadas através de uma escala de um a quatro. O nível um é o mais seguro e o quatro o mais perigoso. Macau está agora no nível quatro, com a indicação “não
viaje”. Antes das alterações, a RAEM estava no extremo oposto da escala, no nível um, o mais seguro de todos que é definido como “viaje com as precauções normais”. Com as alterações, Macau é tida como uma região mais insegura do que Hong Kong. A RAEHK está classificada com o nível três, definido como “reconsidere a viagem”.
Nova escala
As mudanças já tinham sido antecipadas na segunda-feira, quando o Departamento de Estado anunciou que ia fazer uma revisão das classificações. As alterações
foram justificadas com a necessidade de “reflectir um sistema de alerta de viagens” mais baseado na avaliação do Centro de Controlo e Prevenção das Doenças dos Estados Unidos. Na comunicação de segunda-feira foi igualmente explicado que a actualização das classificações não reflectia a existência de uma nova avaliação aos países e regiões afectados. O ajustamento, de acordo com a Reuters, fez com que a lista de países e regiões classificadas com a escala quatro subisse de 34 para cerca de 150 países e regiões. Portugal também está no nível quatro.
Apesar das novas recomendações, os cidadãos americanos não são obrigados a seguir os conselhos, o que faz com que ainda possam viajar para Macau. Porém, só poderão entrar na RAEM se forem residentes ou por motivos de reunião familiar, com a aprovação dos Serviços de Saúde. Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, até ontem os Estados Unidos tinham registado 31,4 milhões de casos de infecção por covid-19 que resultaram em 562 mil mortes. O Centro de Controlo e Prevenção da Doença de Macau registou 49 casos e zero mortes. J.S.F.
CLIMA PRESIDENTE XI JINPING PEDE RESPEITO POR MULTILATERALISMO E "RESPONSABILIDADE DIFERENCIADA"
O
Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem que o combate às alterações climáticas deve seguir os princípios do "multilateralismo e do direito internacional" e que os países devem assumir "responsabilidades diferenciadas" conforme a sua prosperidade económica. Intervindo na cimeira climática de líderes promovida pelo Presidente norte-americano,
Joe Biden, Xi Jinping afirmou que a China quer "trabalhar em conjunto com a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos". O líder chinês afirmou que o seu país está "comprometido com o multilateralismo" e defende que o trabalho de combate às alterações climáticas se deve basear "no direito internacional" e a colaboração entre os países ser feita no âmbito das Nações
Unidas, seguindo a sua convenção-quadro para as alterações climáticas e o Acordo de Paris dela decorrente, bem como os objectivos de desenvolvimento sustentável definidos para 2030. Manifestou também o compromisso chinês para com o princípio de "responsabilidade comum, mas diferenciada, com reconhecimento pleno da contribuição dos países em desenvolvimento, respeitando as
suas dificuldades e preocupações específicas". Os países desenvolvidos devem "aumentar as suas ambições climáticas e ajudar os países em desenvolvimento a acelerar as suas transições" para modelos económicos que não estejam assentes na exploração de combustíveis fósseis, acrescentou. Xi recordou que a China se comprometeu a começar a reduzir as emissões de gases de
efeito de estufa ainda durante esta década e que pretende atingir a neutralidade carbónica antes de 2050, "num espaço de tempo muito mais reduzido do que conseguiria a maior parte dos países desenvolvidos".