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Hoje Macau 23 MAR 2021 #4734

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Regressados a Hong Kong

COVID-19

As falhas de um sistema

hoje macau Nº 4734

TERÇA-FEIRA 23-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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MOP$10

O Cartão do Idoso surgiu com novas funcionalidades electrónicas ligadas às vantagens especiais asseguradas aos portadores do documento. Mas, para Paul Pun, a introdução dos benefícios é insuficiente. O responsável da Caritas defende que o documento deveria também conter os dados do utlizador para facilitar a vida dos idosos com maiores dificuldades de comunicação. PÁGINA 4

MARCUS SCHÜTZ

NA PISTA DA ROTA DA SEDA ENTREVISTA

SULU SOU

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KAFKA E O MEDO DO ANONIMATO PAULO JOSÉ MIRANDA

FERNÃO DE MAGALHÃES JOSÉ SIMÕES MORAIS

MÁRIO CRUZ

EM DEFESA DOS DIREITOS BÁSICOS CRIME

MESTRES DA FALSIFICAÇÃO PUB.

PÁGINA 7

IPOR | FESTIVAL

LETRAS AMBIENTAIS EVENTOS

CONCENTRAÇÃO ANABELA CANAS

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Os dados não estão lançados


2 entrevista

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23.3.2021 terça-feira

“Queremos despolitizar esta iniciativa” MARCUS SCHÜTZ

PROFESSOR LIGADO AO PROJECTO “SILK AND ROAD EXPLAINED”

Desmistificar ideias e explicar os passos a adoptar para investimento e cooperação são os objectivos principais do projecto “Silk and Road Explained”, que conta com a colaboração de académicos de vários países associados à política chinesa “uma faixa, uma rota”. Marcus Schütz, professor universitário e especialista em investimentos chineses no âmbito desta política, é um dos responsáveis pelo projecto. Defende que, nesta matéria, Macau tem um papel cultural e diplomático, enquanto que Hong Kong não conseguiu inovar além do seu papel de centro financeiro


terça-feira 23.3.2021

Como surgiu a ideia de criar este projecto? A primeira ideia foi reunir um grupo de académicos e colaboradores que trabalham com projectos relacionados com a política “uma faixa, uma rota”. Cedo percebemos que havia diferentes entendimentos daquilo que é esta política. Para mim, é mais uma narrativa, é uma forma de coordenar fundos e projectos, e não apenas chineses. É um esforço multilateral, embora tenha tido origem na China. Diria que a visão ocidental desta iniciativa está muito politizada e queremos estar afastados disso. O nosso objectivo é desmistificar algumas das narrativas que há por aí em torno desta política, mas isso nem sempre é fácil. Queremos despolitizar esta iniciativa com as explicações que damos e convidar mais participantes da China para esta discussão. Queremos mesmo ter uma visão neutra. Querem aproximar-se mais de uma visão económica, talvez? O Global Policy Institute, em Londres, que é um dos nossos colaboradores, tem uma visão das políticas que levam a melhores relações comerciais, a uma melhor integração e ligação em matéria de importações e exportações. Olham para os sistemas financeiros onde estamos inseridos, temos o dólar americano, o euro, o renmimbi. Esta é a parte das políticas, mas depois temos o lado prático, da implementação, que visa responder à pergunta: “se eu quero fazer parte disto, se me quero candidatar ao financiamento de um projecto, que passos tenho de dar?”. E há depois uma terceira parte, relacionada com as oportunidades que esta política pode proporcionar. Agora olhamos sobretudo para as oportunidades das empresas ocidentais. Coloca-se a questão da dependência financeira de alguns países em relação à China, graças aos empréstimos concedidos? A dependência desenvolve-se sempre quando se tem um parceiro de negócios.

entrevista 3

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“Ninguém está a pedir a Macau para ter uma função específica, porque não é possível. O que é pedido é que seja um elo de ligação em matéria cultural e diplomática com outras regiões.” Vemos muitas vezes o argumento de que a China deliberadamente empresta dinheiro a países com mais fragilidades para que haja dificuldades em pagar esse empréstimo, para aumentar o impacto nas políticas internas desses países. Por exemplo, nos países africanos, uma investigação recente da Universidade John Hopkins olha para os empréstimos concedidos aos países africanos e não foi encontrada uma evidência de que isto tenha sido feito para aumentar a dependência desses países. Com a pandemia, acredita que a política “uma faixa, uma rota” enfrenta gran-

“Hong Kong, para mim, falhou no desenvolvimento de ferramentas e capacidades, para ser verdadeiramente útil fora do sector financeiro.”

des mudanças na forma de como os investimentos são feitos? Na área da construção civil, por exemplo, a coisa boa é que este sector conseguiu manter-se à parte e foi um dos poucos que não sofreu com a pandemia. Quando olhamos para os investimentos na área das infra-estruturas não há nenhuma mudança, as coisas continuam. O único obstáculo da política “uma faixa, uma rota”, que eu penso ser significativo, é que a média de financiamento que a China pode atribuir a outros países é relativamente baixa. Neste momento, quando olhamos para estes projectos, vemos que têm sido financiados na sua maioria por entidades chinesas, e há depois uma participação muito pequena de outros países. Portugal é um parceiro importante da China nesta política. Como olha para o futuro desta relação bilateral? É um país suficientemente competitivo? Penso que não é necessário ser-se competitivo para participar [nesta política], porque há muitos países diferentes a participar, com modelos distintos. Pode-se ser um parceiro de investimentos, um país que serve de trânsito ao comércio ou aos mercados europeus. Portugal, geograficamente, está um pouco afastado, então a questão que se levanta é que tipo de acordos é que o país está à procura. Portugal está integrado na União Europeia e depende um pouco de como a discussão decorre e de como os Estados-membros se posicionam em relação à política “uma faixa, uma rota”. Um exemplo é a Grécia e o porto de Pireu. Isto é uma narrativa e podemos ter o nosso papel nessa narrativa. Qual o papel das regiões administrativas especiais chinesas nesta política? Macau não é um centro financeiro como Hong Kong, mas aparece bastante no discurso político pela relação que pode ter com os países de língua portuguesa. Os papéis de Macau e de Hong Kong devem ser

“O único obstáculo da política “uma faixa, uma rota”, que eu penso ser significativo, é que a média de financiamento que a China pode atribuir a outros países é relativamente baixa.” muito diferentes. Vejo Macau como uma ponte de ligação aos países de língua portuguesa devido à herança portuguesa. Hong Kong é diferente, é um centro financeiro e tem uma moeda indexada ao dólar americano. Mas, por outro lado, apesar de ser um centro financeiro, não tem muito para oferecer à política “uma faixa, uma rota”. Quando olhamos em termos logísticos, para o lugar dos portos de Hong Kong e de Shenzhen, o PUB.

porto de Hong Kong já não é estratégico nesta matéria. Vou a Hong Kong uma vez por ano onde dou aulas numa universidade, precisamente sobre a política “uma faixa, uma rota”. E sinto que Hong Kong está a enfrentar dificuldades na sua participação. É um centro financeiro, mas quando falo com parceiros de lá noto muitas questões sobre aquilo que esta política deveria ser e qual o papel que devem assumir. A situação política em Hong Kong também deverá contribuir para essas dificuldades. Macau tem sido tratado com mais simpatia pela China do que Hong Kong devido a essa situação. Falo com os estudantes, sei o que sentem e sinto que em Hong Kong há um grande descontentamento pela forma como as coisas estão a acontecer. A Grande Baía pode ajudar a trazer alguma aproximação, mas não vejo esta política a ser parte da iniciativa “uma faixa, uma rota”. Hong Kong está sem dúvida a

enfrentar dificuldades em várias frentes. Mesmo em relação ao projecto da Grande Baía há constrangimentos. Hong Kong, para mim, falhou no desenvolvimento de ferramentas e capacidades, para ser verdadeiramente útil fora do sector financeiro. Isso é algo difícil de conseguir. Não há tecnologia, inovação, todas estas coisas não acontecem e também não acontecem na área financeira, o que é mais ridículo. Mas Macau também procura uma diversificação económica, por exemplo, porque continua sem mais nada além do jogo. Ninguém está a pedir a Macau para ter uma função específica, porque não é possível. O que é pedido é que seja um elo de ligação em matéria cultural e diplomática com outras regiões. Não vejo ninguém a exigir que os casinos participem na política “uma faixa, uma rota”. Macau tem os seus próprios problemas, e um deles tem a ver com a dimensão do território. Andreia Sofia Silva


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23.3.2021 terça-feira

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SOFIA MARGARIDA MOTA

ECOTURISMO DST PONDERA ORGANIZAR VISITAS DE OBSERVAÇÃO

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Paul Pun “O IAS deveria permitir que este cartão desse acesso não apenas a benefícios, mas que integrasse os dados dos utilizadores do cartão.”

CARTÃO DO IDOSO DEFENDIDA INTEGRAÇÃO DE DADOS SOBRE UTILIZADORES

Não bastam benefícios O Cartão do Idoso tem agora novas funcionalidades electrónicas, mas Paul Pun, secretário-geral da Caritas, defende que este deveria incluir também dados sobre os utilizadores para ajudar, por exemplo, os idosos com demência, ao invés de conceder apenas benefícios. O deputado José Pereira Coutinho diz que se trata de uma medida burocrática

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Governo publicou ontem em Boletim Oficial (BO) um despacho que dá conta das novas funcionalidades electrónicas do Cartão de Benefícios Especiais para Idosos, também intitulado de Cartão do Idoso. Atribuído a idosos com mais de 65 anos, este cartão confere “benefícios ou facilidades assegurados por entidades públicas e privadas que, com o Instituto de Acção Social (IAS), celebrem acordos para esse efeito”.

No entanto, Paul Pun, secretário-geral da Caritas, defendeu ao HM que este cartão poderia conter mais dados sobre os utilizadores, ao invés de lhe atribuir apenas benefícios. “O IAS deveria permitir que este cartão desse acesso não apenas a benefícios, mas que integrasse os dados dos utilizadores do cartão. Imagine-se, a apresentação deste cartão poderia dar acesso a todos os dados relacionados com as questões da velhice. Alguns idosos têm demência e não conseguem

Cartão de Consumo Secretário para a Economia nega 3.ª ronda Uma comitiva da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) reuniu ontem com o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, para discutir as dificuldades financeiras e laborais trazidas pela pandemia. Segundo a presidente da associação, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, Lei Wai Nong terá negado a possibilidade de lançar a terceira ronda do cartão de consumo. O grupo, onde se incluíram os deputados Leong Sun Iok e

Lam Lon Wai, reiterou o recorrente pedido de prioridade a trabalhadores residentes e de substituição de não-residentes, além de ter pedidos isenções fiscais, incluindo em impostos que incidem sobre veículos comerciais. À saída da reunião, a presidente da FAOM, Ho Sut Heng, referiu que o desemprego de recém-licenciados foi um dos tópicos discutidos, e que o Governo está a negociar a possibilidade de serem contratados por empresas de Zhuhai.

dar muitas informações, como a morada. Este cartão poderia ajudar a facilitar esse tipo de contactos”, defendeu.

Muita burocracia

Por sua vez, o deputado José Pereira Coutinho acredita que esta é uma medida burocrática e que as funcionalidades do cartão do idoso poderiam ser integradas no Bilhete de Identidade de Residente (BIR). “O actual BIR já deveria servir para provar a identidade e a idade. Mais burocracia e mais um cartão na algibeira. Neste momento basta apresentar o BIR nos centros de saúde e no hospital público para provar ser beneficiário dos cuidados de saúde”, exemplificou. Pereira Coutinho defende ainda que o cartão deveria chamar-se cartão sénior. Actualmente, os portadores do cartão do idoso podem ter acesso a benefícios em locais tão díspares como associações de apoio social, bancos, cabeleireiros, lojas de roupa, entidades de interesse público ou companhias de seguros, entre outras. Andreia Sofia Silva

Direcção dos Serviços de Turismo (DST) está a equacionar a organização de visitas de observação em pontos turísticos relacionados com ecossistemas naturais, “dedicadas aos órgãos de comunicação social e ao sector do turismo”. Em resposta a uma interpelação escrita enviada por Ho Ion Sang em Fevereiro, o Director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Tam Vai Man, afirma que, à luz das necessidades de desenvolvimento do Plano Director de Macau, será igualmente promovida “uma melhor integração dos recursos turísticos de Macau com os recursos ecológicos e ambientais”. Isto, com o objectivo de promover o ecoturismo no território e criar um “ambiente favorável ao turismo de Macau”. Recorde-se que na interpelação escrita enviada no mês passado, o deputado questionou o

Governo acerca daquilo que está a ser feito para reforçar a promoção de programas turísticos relacionados com a protecção ambiental e ecológica de Macau. Na resposta, Tam Vai Man aponta ainda que, na concepção dos novos projectos a DST tem em conta “elementos diferentes” para promover a ecologia natural e o lazer, tal como aconteceu em 2020 no programa “Vamos Macau! Excursões locais”, na iniciativa “Memórias da Vila da Taipa” e nos roteiros turísticos “Sentir Macau passo-a-passo”. Por último, o director da DSPA avança ainda que, segundo dados do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), já foi cumprido o objectivo de plantar mais de 15.000 mudas de mangue na orla costeira, perto da Zona da Lazer da Marginal da Taipa, previsto para o período entre 2016 e 2020. P.A.

CCAC NELSON KOT CRITICA FALTA DE RESPONSABILIZAÇÃO

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ELSON Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, critica a actuação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) na investigação que realizou à substituição das portas corta-fogo no Edifício Bairro da Ilha Verde. Segundo o Jornal do Cidadão, Nelson Kot defende que o documento não refere os assuntos mais importantes e que não menciona quais os funcionários que, dentro da Administração, não cumpriram com as suas responsabilidades. “Se o relatório não aponta quem não cumpriu os deveres funcionais, então para que serve a investigação?”, questionou. O relatório do CCAC, divulgado na última sexta-feira, acusa a Direcção dos Serviços

de Solos, Obras Públicas e Transportes, bem como o Corpo de Bombeiros e o Instituto da Habitação, de falharem ao nível da comunicação e na apresentação de alternativas à substituição das portas, o que levou o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas a gastar erário público. No entanto, não foram apontados nomes de responsáveis. Além disso, Nelson Kot defende que o Governo deve substituir as pessoas responsáveis por estas falhas e criar uma equipa para acompanhar o caso. Uma vez que não houve o cumprimento dos deveres funcionais, Nelson Kot espera que os funcionários públicos em causa sejam penalizados segundo os regulamentos em vigor.


terça-feira 23.3.2021

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UMA publicação no Facebook, Au Kam San instou o público a recusar um sistema de crédito social em Macau. O deputado alertou que o momento em que o director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR) assumiu funções e disse que quer estudar a possibilidade de introduzir o sistema de crédito social do Interior da China em Macau, agravou as desconfianças das pessoas, por ser na mesma altura do lançamento do plano de cupões de consumo. “O sistema de crédito social é tipicamente uma ferramenta de controlo social. Quando se é identificado por este sistema como tendo falta de ‘crédito’, pode ser mais difícil para a pessoa avançar com a vida ou até mesmo sobreviver”, diz o deputado. Au Kam San classifica como “mais assustador” que o sistema não se limite a contabilizar factores económicos como impostos e abranja todo o comportamento humano. “Pessoas com diferentes opiniões políticas (oposição aos cupões de consumo também constitui uma opinião política diferente do Gover-

no) podem certamente ser vistas como não sendo de confiança”, escreveu. O deputado chamou também a atenção para a possibilidade de dedução de créditos sociais a quem participa em reuniões e manifestações ou expressa opiniões consideradas inconsistentes com a orientação do Governo. “Não percebemos porque é que, assim que abriu a boca, o director do DSEPDR disse que que queria estudar a introdução de um sistema de crédito social. É necessário criar o pânico social, perturbar a sociedade e demolir o Governo da RAEM e o princípio ‘um país, dois sistemas’?”, questionou. No seu entender, deve-se “recusar” a implementação deste sistema, apontando que é uma provocação numa altura em que a epidemia ainda está presente a recuperação da sociedade depende de cupões de consumo. Importa esclarecer que o novo director do DSEPDR, Cheong Chok Man, mencionou o crédito social em resposta a uma pergunta da comunicação social, não dando detalhes ou data para iniciar qualquer tipo de trabalho sobre esse mecanismo.

Serviços públicos Proposta de lei sobre carreiras pronta para o plenário

Foi ontem assinado o parecer da proposta de lei sobre o regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos, que foi analisada pela 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). De acordo com o canal chinês da TDM-Rádio Macau, o deputado e presidente da comissão, Chan Chak Mo, recordou que a lei que irá agora ser votada em plenário, para além de prever a fusão das carreiras de assistente técnico administrativo e de adjunto técnico, visa optimizar procedimentos relativos aos concursos públicos. Segundo o deputado, o diploma elimina a obrigatoriedade de um período experimental de seis meses para o pessoal em cargos de direcção ou chefia, por “não ser oportuno”.

RÓMULO SANTOS

CRÉDITO SOCIAL AU KAM SAN ALERTA PARA SISTEMA DE CONTROLO

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MANIFESTAÇÕES SULU SOU CONFRONTA GOVERNO COM CENSURA POLÍTICA

À procura de liberdade

Apontando o direito de reunião e manifestação como ferramenta valiosa” na luta por direitos fundamentais, Sulu Sou questionou o Governo sobre os contornos que levaram a não autorizar reuniões e manifestações. O deputado perguntou se é admissível as autoridades policiais exercerem “censura política”

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ULU Sou assinou uma interpelação escrita para apurar a posição do Governo quanto às rejeições de pedidos de reunião e manifestação pelas autoridades policiais. O deputado questionou se “concorda que a polícia não deve exercer censura política”, para que em futuras iniciativas “não se corra risco de obstrucção de forma ilegal e irrazoável”. “O direito de reunião e manifestação é uma ferramenta valiosa. Não é apenas um direito básico individual, mas também é usado para manter, lutar e conquistar outros direitos básicos. É particularmente importante para dissidentes e quem perdeu o direito a falar por ser desfavorecido ou marginalizado”, diz o documento. Sulu Sou frisou que o direito em questão é usado por cidadãos para se expressaram sobre, por exemplo, temas políticos, habitação ou protecção ambiental.

Além disso, Sulu Sou observa que em 2018, a lei foi alterada transferindo do Instituto para os Assuntos Municipais para o Corpo de Polícia de Segurança Pública a recepção de avisos prévios de reuniões e manifestações. E apontou a natureza de algumas iniciativas pode levar a que deixem de considerar como “direitos e liberdades que devem ser protegidos” e passem a ser “incidentes de segurança que devem ser monitorizados”. O documento frisa que com a entrada em vigor da nova regra, “a forma como a polícia lidou com reuniões e manifestações gerou controvérsia, especialmente a conduta de censura política nos

temas das reuniões e manifestações fora das provisões legais”.

Fora da lei

O deputado recordou que alguns cidadãos que avisaram a polícia da intenção de fazer uma manifestação relacionada com o movimento pró-democracia do Myanmar “foram forçados a retirar” o pedido, gerando “preocupações sobre a protecção do direito de reunião e manifestação pacífica em Macau”. Sulu Sou indicou que foi noticiado que os promotores da iniciativa foram alertados pela polícia para “possíveis contradições entre prós e contras do incidente” “a posição do governo chinês”, e a forte possibilidade de

“O direito de reunião e manifestação é uma ferramenta valiosa. Não é apenas um direito básico individual, também é usado para manter, lutar e conquistar outros direitos básicos.” SULU SOU DEPUTADO

a manifestação não ser autorizada. Uma postura para “dissuadir”, que o deputado considera ir além da autoridade legal. Na interpelação são também pedidas informações ao Governo sobre o número de pedidos rejeitados e de promotores que retiram avisos prévios por iniciativa própria. Sulu Sou também quer saber se em caso de se provar que alguém dissuadiu o promotor por motivos que excedem a lei, se é garantido que o responsável “assume responsabilidades criminais e disciplinares”. A interpelação defende que na era da globalização os cidadãos de outras partes do mundo não devem ser deixados sozinhos e que sendo uma cidade internacional, vivem em Macau comunidades de diferentes etnias. Assim, rejeita ser pouco comum desenvolverem-se actividades para expressar preocupações e opiniões sobre eventos internacionais ou regionais. Salomé Fernandes e N.W.


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23.3.2021 terça-feira

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COVID-19 VISITANTE CHINÊS ENTRA EM MACAU, APESAR DE ESTAR EM VIGILÂNCIA

Depois de um homem listado no Interior da China como alvo de vigilância ter entrado em Macau, Leong Iek Hou frisou em que nunca se podem evitar riscos a 100%. O teste nucleico do indivíduo deu negativo. Já quanto ao plano de vacinação, foram ontem entregues os primeiros cartões comprovativos da toma das duas doses da vacina

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Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus indicou que, segundo o Departamento Municipal de Saúde de Zhuhai, um homem que esteve internado num hospital em Xi’na e que foi listado como “alvo importante de vigilância e monitorização”, entrou em Macau. O indivíduo, natural do Interior da China, fez o teste de ácido nucleico, com resultado negativo, e encontra-se em observação médica, avançaram ontem as autoridades de saúde. A RAEM foi notificada no domingo, um dia depois de o homem ter entrado no território. Na habitual conferência da saúde, a coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença defendeu que não é possível anular todos os riscos. Leong Iek Hou explicou que quando o Governo de Macau foi avisado, numa primeira instância, o

TIAGO ALCÂNTARA

O homem quase invisível

Economia Assegurada estabilidade de preços Tai Kin Ip, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), garantiu, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Song Pek Kei, que tem garantido a estabilidade do índice de preços dos combustíveis, carne de porco e produtos alimentares nos supermercados. No que diz respeito à carne de porco, e citando dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Tai Kin Ip adiantou que o índice de preços baixou 8,09 por cento em Janeiro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos supermercados o peso da carne de porco fresca, ao invés de congelada, também aumentou 34,3 por cento, quando em 2017 era apenas de nove por cento. Relativamente aos combustíveis, entre Janeiro de 2020 e Março de 2021 o preço baixou 2,2 por patacas por litro, enquanto que em Hong Kong e Zhuhai aumentou de 0,77 patacas e 0,83 patacas, respectivamente.

Turismo Aumento de quase 3000% de visitantes com visto individual

indivíduo não sabia que era alvo de vigilância, nem que no hospital onde esteve foi confirmada um caso de covid-19 e já teria entrado em Macau. Actualmente, encontra-se nas instalações dos Serviços de Saúde e serão feitos testes para “garantir a segurança da sociedade”. A coordenadora observou que ao entrar no território é necessário apresentar código de saúde e declarar se houve contacto com casos confirmados. No entanto, os mecanismos de prevenção não são infalíveis. “Tudo isso é para evitar a entrada dos potenciais casos ou contactos e assim podemos reduzir quanto possível os riscos para Macau. Claro que nada é perfeito. Não podemos evitar a 100 por cento” descreveu. A médica acrescentou que “em Macau não estamos com risco a nível zero, é por isso que apelamos aos residentes para tomarem a vacina e todas as precauções contra a epidemia”. Um amigo do indivíduo em questão e um taxista foram tam-

bém submetidos a teste de ácido nucleico, ambos com resultados negativos. Note-se que o homem não está identificado como contacto próximo e o centro de coordenação aponta que “o risco de infecção não é elevado e representa baixo risco para Macau”.

Passar cartão

Ontem foi o primeiro dia de administração da segunda dose da vacina. Quem foi inoculado rece-

“Não estamos com risco a nível zero, é por isso que apelamos aos residentes para tomarem a vacina e todas as precauções contra a epidemia.” LEONG IEK HOU NÚCLEO DE PREVENÇÃO E DOENÇAS INFECCIOSAS

beu um cartão de registo da vacina. “Tem duas páginas, com registo em inglês, chinês e português, nome de utente, dados pessoais, tipo de vacina, fabricante, número de lote e data de vacinação. A parte traseira tem código QR, que dá acesso aos dados pessoais do utente”, descreveu Tai Wa Hou, coordenador do plano de vacinação. Até ontem, menos de 38 mil pessoas tinham tomado a vacina, de 77.587 registos de agendamento. “No futuro pode facilitar ter este cartão na mão, se se dirigir ou deslocar a qualquer sítio exterior”, disse Tai Wa Hou, apesar de ressalvar que “por enquanto, os outros países ainda estão numa fase muito inicial para negociar sobre este acesso com duas [doses das] vacinas”. Além disso, ainda não se iniciaram negociações para que a toma das duas doses da vacina dispense o teste de ácido nucleico na passagem de fronteiras. Salomé Fernandes

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que o número de visitantes com visto individual, em Fevereiro deste ano, foi de 163.157, um aumento de 2.702 por cento face a Fevereiro de 2020, data do início da pandemia. Quanto à origem dos visitantes, o número de quem veio do Interior da China fixou-se em 380.649, um aumento “notável” de 426,4 por cento em relação a 2020, aponta a DSEC. Em Fevereiro deste ano, Macau recebeu 245.309 turistas e 181.813 excursionistas, um aumento de 225,8 por cento e 124,2 por cento, respectivamente, face a Fevereiro de 2020. O aumento de visitantes, em termos gerais, foi de 173,1 por cento em relação ao início da pandemia. Por comparação a Janeiro deste ano, houve uma redução do número de turistas em 23,3 por cento.

Covid-19 Nova ronda de máscaras domingo

Entre 28 de Março e 26 de Abril decorre uma nova ronda de distribuição de máscaras, foi ontem anunciado. Os cidadãos podem adquirir 30 máscaras. Desde que o plano começou, foram vendidas 192 milhões de máscaras.


terça-feira 23.3.2021

CPSP Estudante detido por fotografar debaixo de saias Um estudante de 24 anos foi detido por suspeitas do crime de devassa da vida privada, mais concretamente por ter captado imagens, clandestinamente e ao longo de vários anos, por baixo das saias de várias vítimas. Segundo relatou o canal chinês da TDM-Rádio Macau, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) terá encontrado inúmeras fotografias alojadas em telemóveis, computadores, discos rígidos portáteis e contas na “nuvem”. Segundo a

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mesma fonte, para captar as imagens, o homem terá, alegadamente, colocado câmaras no interior de garrafas de plástico que, por sua vez, eram colocadas numa bolsa situada na parte de fora de uma mochila. O enquadramento era controlado através de um monitor externo, através de tecnologia Bluetooth. A detenção terá sido espoletada, após uma mulher ter apresentado queixa, na sequência de suspeitar ter sido fotografada numa loja na Taipa.

Macau Water Dez milhões para reparar infraestruturas em edifícios antigos A Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) vai subsidiar a manutenção e reparação das infraestruturas de fornecimento de água em edifícios antigos com mais de 20 anos e menos de sete andares, noticiou o canal chinês da Rádio Macau. Os subsídios podem atingir 80 por cento do montante total ou 50 mil patacas. Esta medida

FALSIFICAÇÃO RESIDENTE DETIDO EM CASO DE CONTRATAÇÃO ILEGAL DE TRABALHADORES

As aparências desiludem A Polícia Judiciária deteve um homem de 40 anos suspeito de falsificar vários tipos de documentação, com o objectivo de contratar ilegalmente trabalhadores não residentes para o sector da construção civil. Entre os documentos apreendidos, estão Bilhetes de Identidade de Residente, bluecards, salvos-condutos e comprovativos da DSI. Uma vítima foi ainda desfalcada em 200 mil patacas Um mês após a chegada dos trabalhadores a Macau, o porteiro do estaleiro de obras onde se encontravam trabalhar, apercebeu-se POLÍCIA JUDICIÁRIA

U

M residente de Macau, comerciante de 40 anos, foi ontem detido pela Polícia Judiciária (PJ), por suspeição da prática de crimes de falsificação de documentos de especial valor e de contratação ilegal de mão-de-obra. De acordo com as informações avançadas ontem pela PJ, em conferência de imprensa, o alerta para o caso foi dado após uma vítima ter apresentado queixa às autoridades, levando consigo, um total de 12 documentos falsos, que terão sido utilizados para permitir a contratação ilegal de trabalhadores não residentes oriundos do Interior da China para a construção civil. Contas feitas, além de vários Bilhetes de Identidade de Residente falsos, foram ainda entregues dois bluecards, três salvos-condutos, comprovativos de identidade emitidos pela Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) e duas unidades do chamado ”Cartão de Formação em Segurança Ocupacional para a Construção Civil”. Segundo a vítima, um investidor dedicado a angariar pessoas para trabalhar em Macau, tudo começou em Junho de 2019 quando, através de um amigo, conheceu o suspeito. Na altura, este terá dito que as obras que tinha a cargo em Macau careciam de investimento e de mão-de-obra. Perante o pedido, a vítima acedeu, tendo investido 300 mil renminbis e iniciado os contactos para trazer trabalhadores do Interior da China, dispostos a vir para Macau.

de que os documentos apresentados pelos mesmos eram falsos. No seguimento da descoberta, os trabalhadores foram impedidos de

continuar a laborar e a vítima pediu ao comerciante para devolver o dinheiro investido. Apesar de ter concordado, o suspeito acabaria,

arranca já em Abril e deverá representar um custo total de 10 milhões de patacas para a empresa, além de abranger entre 400 a 500 edifícios no prazo de três anos. Prevê-se que cada consumidor terá de pagar entre 100 a 200 patacas pela reparação das infraestruturas do seu prédio, sendo esse montante descontado na factura seguinte.

no entanto, apenas por devolver 100 mil renminbis do total do montante injectado.

A ponta do icebergue

Iniciada a investigação no local, a PJ conseguiu apurar que existem, pelo menos, 17 trabalhadores envolvidos no mesmo caso. Além disso, o porta-voz da PJ avançou ainda que vários destes trabalhadores terão entrado em Macau apenas na posse do passaporte e sem qualquer outro documento legal para trabalhar no território. Nas buscas realizadas na residência do suspeito, foram ainda apreendidos três computadores, sendo que num deles, estavam alojadas 90 imagens relacionadas com o caso, incluindo de documentos de identidade e salvos-condutos. Após a detenção, o suspeito recusou-se a colaborar com a polícia, e não respondeu a qualquer questão.

Foram ainda apreendidos 3 computadores, sendo que num deles, estavam alojadas 90 imagens relacionadas com o caso Quanto aos 17 trabalhadores envolvidos no caso, apenas alguns se encontram ainda em Macau, tendo afirmado perante as autoridades, desconhecer que os documentos facultados para que pudessem trabalhar em Macau, seriam falsos. Segundo a PJ, os mesmos trabalhadores revelaram ainda que tiveram de pagar 2.000 patacas para tratar dos documentos e que recebiam 60 patacas por dia. O caso seguiu para o Ministério Público (MP), onde o suspeito irá responder pelo crime de falsificação de documentos de especial valor e crimes relacionados com emprego. De acordo com a legislação em vigor, a confirmar-se o primeiro crime, o suspeito poderá ser punido com pena de prisão de 1 a 5 anos. Já por ter estabelecido relações laborais com indivíduos que não são titulares dos documentos exigidos por lei para serem admitidos como trabalhadores, pode ser punido com uma pena de prisão até dois anos e, em caso de reincidência, entre 2 a 8 anos. Pedro Arede


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23.3.2021 terça-feira

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Primeiro cap O Instituto Português do Oriente apresentou ontem a primeira edição do Festival Letras & Companhia, com o qual pretende promover o diálogo entre gerações, com particular foco na protecção e sustentabilidade ambiental. O objectivo da organização é tornar o evento num acontecimento anual

A

promoção da leitura e do livro, da cultura e da educação está na base do festival literário para pais e filhos intitulado Letras & Companhia. A iniciativa organizada pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), que se realiza de 2 a 25 de Abril vai decorrer em várias escolas de Macau, e em locais como a Livraria Portuguesa, as instalações do Instituto Português do Oriente (IPOR), Casa Garden e a Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais. Para o ano de inauguração do festival, que se pretende ser anual, o tema escolhido (“De Pés na Terra, Cabeça no Ar”) recai sobre o plástico, a problemática da sua utilização na actividade humana e o impacto sobre o ambiente e ecologia mundial, de acordo com o IPOR. Com o projecto Letras & Companhia procurou-se “a melhor maneira de formar crianças

Meio ambiente e fotografia

e jovens, […] numa envolvência familiar”, para além do que já é feito em contexto escolar, explicou o director do IPOR, Joaquim Coelho Ramos, em conferência de imprensa, salientando a importância da educação para a cidadania, assim como a capacidade de as crianças influenciarem os pais. O primeiro Letras & Companhia oferece um alargado leque de

iniciativas, incluindo o Mercado das Letrinhas, uma feira do livro infanto-juvenil com publicações de editoras locais e portuguesas. A feira terá lugar na Livraria Portuguesa, entre 2 e 26 de Abril, e vai disponibilizar obras em português, chinês e inglês. No dia 3 de Abril, às 11h, no mesmo local, Catarina Mesquita irá apresentar um workshop de escrita criativa para jovens, com o objectivo

CINEMA INICIADA A RODAGEM DE “BEAUTIFUL GAME”

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rodagem do filme “Beautiful Game”, realizado por António Faria e produzido por Tracy Choi, arrancou oficialmente na semana passada. Com o futebol a estar no centro da equação, o realizador português fez questão de sublinhar que é um apaixonado pelo desporto-rei, esperando que “o futebol possa servir de ponte de

de incentivar hábitos de redacção e estimular a criatividade narrativa. Também no dia 3 de Abril, sábado, mas às 17h, a Livraria Portuguesa será palco para contar histórias. A sessão de leitura, a cargo de Susana Esmeriz e Lin Hsiang chun, será realizada em português e cantonês. Haverá também espaço para a sétima arte, com a exibição do filme “Papel de Natal”, da autoria de José Miguel Ribeiro, na Casa Garden, no dia 10 de Abril, às 17h. Um dos eventos mais originais desafia jovens a passar uma noite em três locais onde serão narradas histórias dramatizadas e dominadas pelo fantástico, suspense e surpresa. A actividade destinada a leitores dos 8 aos 15 anos terá lugar na Livraria Portuguesa, na Biblioteca Camilo Pessanha do IPOR e na Casa Garden.

MÁRIO CRUZ

IPOR FESTIVAL LITERÁRIO PARA PAIS E FILHOS ESTREIA EM ABRIL

entendimento entre a China e Portugal”. “Beautiful Game” conta a história de uma criança cujo sonho passa por jogar futebol. Segundo um comunicado oficial, durante a cerimónia que marcou o início das filmagens, por seu turno, Tracy Choi apontou que esta é uma “rara oportunidade” de começar a rodar um filme, tendo em

conta a pandemia e que espera que a obra se torne num “activo importante” para as indústrias criativas e culturais de Macau.

A equipa de produção é composta por um grupo de jovens cineastas locais que “através do futebol” estão também a viver o “sonho” de fazer parte da criação da obra. A produção de “Beautiful Game” é financiada através do Programa de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens do Instituto Cultural (IC).

Outro dos destaques do Letras & Companhia é uma exposição de fotografia, intitulada Living Among What’s Left Behind, de Mário Cruz, com curadoria de João Miguel Barros. A mostra, que estará patente na Galeria do IAM, no Edifício do Leal Senado, entre 18 de Abril e 2 de Maio, tem como personagem principal o rio Pasig, que atravessa o outrora centro económico de Manila. Além do retrato de pobreza e de desigualdade social, a exposição coloca a nu os problemas ambientais no coração da capital das Filipinas. Com actividades para todos os gostos, o festival procura “promover

Um dos destaques será uma exposição de João Miguel Barros, patente na Gale

competências de leitura e literacia nas faixas mais jovens, com recurso a dimensões comunicacionais e criativas da língua portuguesa”, segundo a organização. Por outro lado, visa “impulsionar, junto de diferentes públicos locais, abordagens pluridisciplinares à criação cultural e artística, em particular à de matriz portuguesa e macaense”. Finalmente, pretende-se aproximar, sobretudo os mais jovens, “das

IPM APRESENTADA NOVA SÉRIE DE MANUAIS

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Instituto Politécnico de Macau (IPM) anunciou ontem o lançamento de uma nova série de manuais didáticos sobre interpretação e tradução chinês-português, para ajudar o território “a transformar-se numa base de formação de talentos bilingues”. Os cinco manuais “têm como temas a teoria e a prática da tradução, a literatura e a medicina tradicional chinesa, e foram redigidos pelo grupo docente da Escola Superior

de Línguas e Tradução. “Nos últimos anos, a especialização em tradução entre as línguas chinesa e portuguesa tem-se desenvolvido a ritmo acelerado e tem-se verificado a insuficiência de materiais didácticos locais”, assinalou o IPM, em comunicado. “Os resultados da presente edição correspondem precisamente ao preenchimento de uma lacuna de livros no âmbito do estudo de tradução chinês-português e das


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de fotografia, intitulada Living Among What’s Left Behind, de Mário Cruz, com curadoria eria do IAM, no Edifício do Leal Senado, entre 18 de Abril e 2 de Maio

artes e da produção cultural como ferramenta para a compreensão da realidade e da comunicação com os outros”. A Fundação Oriente, o Instituto Camões, o Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, a Casa de Portugal de Macau e a Livraria Portuguesa são parceiros do projecto “transversal e multidisciplinar, dirigido a pais, educadores, professores, crianças em idade escolar”,

de forma a “mobilizar e convocar, efectivamente, todas as faixas etárias da comunidade”. O Festival, que conta com o apoio da Fundação Macau, contempla também sessões de histórias, oficinas de arte e ambientais, um espectáculo de sombras, um debate sobre integração da protecção ambiental na educação dos jovens de Macau, um concerto da Banda da Casa de Portugal e um espectáculo de marionetas. João Luz

S DIDÁCTICOS EM CHINÊS E PORTUGUÊS respectivas técnicas de tradução, fornecendo assim recursos pedagógicos preciosos”, pode ler-se na mesma nota. O instituto lembrou ainda que a “Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, com uma longa história e um corpo docente distinto em Macau, é o centro e o modelo de formação de tradução chinês-português na região da Grande China”. As cinco publicações em causa são: “Introdução à Interpretação

Chinês-Português”, “Sete Comentários Críticos de Tradução”, “Literatura, Arte e Sociedade em Portugal: da Modernidade à Contemporaneidade”, “Terminologia de Interpretação (Chinês-Português/ Português-Chinês): Medicina Tradicional” e “Martírios e Massacres: Fazer da Morte uma Vitória”. Dos cinco, quatro já foram publicados e o manual “Sete Comentários Críticos de Tradução” vai ser publicado em meados de 2021.

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HONG KONG DETIDOS EM SHENZHEN REGRESSAM A CASA INCLUINDO JOVEM LUSO-CHINÊS

De volta à casa de partida O ITO activistas de Hong Kong detidos há sete meses em Shenzhen, no Interior da China, foram ontem entregues às autoridades da antiga colónia britânica. O grupo deverá incluir também o jovem luso-chinês Tsz Lun Kok. A deportação dos activistas, detidos por travessia ilegal das águas da China continental no dia 23 de Agosto de 2020, foi confirmada pela Polícia de Hong Kong, em comunicado a que a Lusa teve acesso. “Hoje [ontem] a polícia de Hong Kong recebeu oito suspeitos das autoridades da China continental no porto da baía de Shenzhen [na fronteira com aquela região administrativa especial], em grupos separados”, pode ler-se na nota, que não identifica os detidos deportados pelas autoridades chinesas. Contudo, o South China Morning Post (SCMP) divulgou os nomes dos activistas entregues às autoridades de Hong Kong, citando fonte policial, uma lista que inclui

Os oito membros de um grupo inicial de 12 activistas detidos em Shenzhen foram deportados, após terem cumprido os sete meses de prisão a que foram condenados, a 30 de Dezembro de 2020, por “travessia ilegal” das águas da China continental

Tsz Lun Kok, com dupla nacionalidade portuguesa e chinesa, de 19 anos. Os oito membros de um grupo inicial de 12 activistas detidos em Shenzhen foram deportados, após terem cum-

prido os sete meses de prisão a que foram condenados, a 30 de Dezembro de 2020, por “travessia ilegal” das águas da China continental. Os activistas, a maioria ligados aos protestos antigo-

PENÍNSULA DA COREIA PEQUIM DIZ A PYONGYANG QUE QUER CONTINUAR A TRABALHAR PARA A PAZ

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Presidente chinês, Xi Jinping, comunicou ontem ao líder norte-coreano, Kim Jong-Un, que a China está disposta a trabalhar com a Coreia do Norte e “outras partes implicadas” para resolver o problema da Península da Coreia. De acordo com aAgência Nova China, Xi Jinping e Kim Jong-Un “trocaram mensagens verbais” na embaixada de Pyongyang em Pequim dois dias depois das conversações no Alasca entre as delegações dos Estados Unidos e da República Popular da China. “A China está disposta a fazer novas contribuições para a paz, estabilidade e desenvolvimento e prosperidade regionais”, disse Xi Jinping. Por outro lado, segundo o jornal Global Times, Kim Jung-Un assegurou que de-

seja fortalecer «os laços entre a China e a Coreia do Norte, numa postura inquebrável do país e do povo». Nos contactos diplomáticos que decorreram no Alasca, reunião que começou de forma fria mas que terminou com a criação de um grupo de trabalho sobre alterações climáticas, os assuntos sobre a Coreia do Norte foram abordados pelas duas partes, informou no sábado a televisão chinesa CCTV. O Presidente da Coreia do Sul, Mon Jae-in, disse em

Janeiro que o Governo de Seul continua disposto a reunir-se com representantes norte-coreanos “onde e quando seja” para reactivar os laços e o processo de desarmamento de Pyongyang, num momento em que o diálogo está praticamente congelado. O líder norte-coreano não fechou a porta ao restabelecimento do diálogo com Seul, mas instou a Coreia do Sul a abandonar as manobras militares conjuntas com os Estados Unidos como condição para voltar a retomar os contactos. Desde o fracasso da Cimeira de Hanói sobre o programa nuclear, em 2019, entre Kim Jong-Un e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, Pyongyang endureceu posições face a Seul.

vernamentais de 2019, em Hong Kong, foram detidos quando a lancha em que seguiam com destino a Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo, foi interceptada pela guarda costeira chinesa.

Dois deles, Quinn Moon e Tang Kai-yin, deverão continuar detidos em Shenzhen, até cumprirem as penas a que foram condenados, de dois e três anos de prisão, após terem sido considerados culpados

de organizar a passagem ilegal da fronteira. Os restantes dois jovens do grupo inicial de 12 já tinham sido devolvidos a Hong Kong, no final do ano passado, por serem menores de idade.

Futuro incerto

Andy Li foi o primeiro do grupo a regressar a Hong Kong, após ter cumprido os sete meses de prisão a que foi condenado, segundo o SCMP. Li foi entregue às autoridades de Hong Kong e chegou à estação de polícia de Tin Shui Wai por volta 10h30 de ontem, devendo permanecer detido. Os membros do grupo antigovernamental deverão ainda enfrentar acusações em Hong Kong pela participação nos protestos de 2019, não sendo certo se vão continuar detidos, enquanto aguardam julgamento. O jovem com dupla nacionalidade portuguesa e chinesa, natural de Hong Kong, já tinha sido detido no território a 18 de Novembro de 2019, e mais tarde libertado, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica. Kok, que estudava engenharia noutra universidade, é acusado de motim, por ter alegadamente participado numa manobra para desviar as atenções das forças de segurança, com o objectivo de permitir a fuga de estudantes refugiados no interior, segundo o seu advogado em Hong Kong.

LÍNGUA PORTUGUESA DISTINGUIDAS TRÊS LICENCIATURAS COMO DE “PRIMEIRA CLASSE”

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Ministério da Educação chinês distinguiu pela primeira vez três licenciaturas em língua portuguesa lecionadas em universidades chinesas como sendo de “primeira classe”. A Universidade de Línguas Estrangeiras de Dalian, no nordeste da China, foi a última a anunciar, no domingo, que o seu curso de português foi escolhido, juntamente com um programa de inglês para negócios. O ministério chinês da Educação não divulga publicamente a lista das licenciaturas de “primeira classe”. A lista é enviada a todas as instituições de ensino superior do país, que podem escolher divulgar os seus cursos que foram distinguidos.

No início de Março, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, província do sul da China adjacente a Macau, já tinha anunciado a inclusão na lista da sua licenciatura em português. Poucos dias depois, foi a vez da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai revelar que o seu programa de língua portuguesa tinha também sido escolhido. O ministério chinês criou em Abril de 2019 um plano para distinguir, até 2021, 10 mil licenciaturas de “primeira classe” a nível nacional e 10 mil licenciaturas de “primeira classe” a nível provincial e regional. No início de Março, a Universidade de Estudos

Internacionais de Xi’an, anunciou que a sua licenciatura tinha sido considerada de “primeira classe” pela província de Shaanxi, no centro da China. O Ministério da Educação chinês autorizou a abertura de duas novas licenciaturas em língua portuguesa, elevando para mais de 30 o número deste tipo de cursos na China continental. Os dois novos departamentos de português foram criados na Universidade Normal de Hebei e na Universidade Normal de Hunan. As licenciaturas arrancam oficialmente em Setembro. No total, mais de 1.500 estudantes chineses frequentam agora cursos de português no país asiático.


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uma asa no além

PAULO JOSÉ MIRANDA

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Kafka e o medo do anonimato

Alfred Perkins Jr. (1923-2001) foi professor de literatura comparada na universidade de Stanford durante décadas, publicando vários livros e textos em revistas da especialidade, até ao aclamado «Medo do Anonimato», em 1996. Neste livro, na primeira parte, Perkins Jr. traça uma evolução do romance ao longo dos séculos e, na segunda, mostra-nos como a ideia de anonimato sempre foi o grande propulsor do romance. Perkins Jr. conduz-nos através de uma dialéctica subterrânea que se estabelece entre o medo do anonimato e as personagens que o escritor cria. Antes de mais, temos de ver aquilo que o autor define como anonimato: «No escritor, o medo do anonimato não é o medo de não se tornar conhecido, mas antes o medo de não se conhecer a si mesmo, de não encontrar a “sua voz” como escritor. Assim, anonimato é ser igual aos outros, mesmo que se seja muito conhecido. No fundo, aquilo que acontece a tantos escritores de sucesso. O caso mais paradigmático é o de Kafka. Mais do que querer ser conhecido, ele queria conhecer-se, não no sentido do filósofo, mas no sentido de encontrar a sua expressão autêntica, a sua identidade. Porque a identidade do escritor firma-se na página escrita.» Alfred Perkins Jr. estabelece então, ao longo de toda a segunda parte de «Medo do Anonimato», uma dialéctica entre as personagens dos romances de Kafka e o medo do anonimato. «No escritor, o medo do anonimato transforma-se na vontade de superação de si mesmo ou, de um modo que assenta melhor no que aqui está em causa, o medo do anonimato leva o escritor a “tornarse aquilo que se é”, como escreve Nietzsche em “Ecce Homo”. O medo do anonimato é, assim, não apenas o propulsor do escritor, mas fundamentalmente o propulsor do romance. É no exercício da escrita que o escritor deixa o anonimato.» Este medo espoleta uma dialéctica entre escrita e escritor ao ponto de as personagens se tornarem, elas mesmas, campo de batalha entre o «anonimato» e o «tornar-se quem se é», como nos casos exemplares – segundo o autor – de K. em «O Castelo» e «O Processo» ou Gregor Samsa em «Metamorfose». Leia-se esta passagem acerca deste último livro: «Desde o início, Gregor Samsa é a expressão máxima do medo de não vir a ser quem é, não apenas pela família que carrega às costas, pelo trabalho que lhe ocupa todo o tempo ou pelo mau patrão que tem, acima de tudo o medo do anonimato advém de desperdiçar a vida que tem por pôr a responsabilidade pelos outros acima da responsabilidade pela vida que lhe deram. Saber quem é é a tarefa a que não pode furtarse, mas à qual se tem furtado continuamente. Por isso, e como uma espécie de maldição, não apenas acorda transformado num insecto desconhecido, mas tem de viver até à morte a tentar compreender não apenas o que é, mas como lhe aconteceu vir a ser o que é. No fundo, aquilo que deveria ter feito antes da transformação.» As análises de Alfred Perkins Jr. surpreendem-nos continuamente ao longo do

livro, principalmente na segunda parte, onde pairam as sombras de Platão, de Kierkegaard, de Nietzsche e de Heidegger, ainda que o autor só faça menção a esses pensadores e não reflexões acuradas. Veja-se, como exemplo, esta passagem sobre K. de «O Processo»: «Contrariamente a Gregor Samsa, K. não acorda transformado num insecto, mas num anónimo infinito. Gregor, desde o início, que é instigado a descobrir quem é, K. acorda tendo a noção clara de não saber nem quem é nem o que está a fazer e o que estão a fazer com ele. K. é a expressão acabada do “das mann” de Heidegger em “Ser e Tempo”. [Podemos traduzir “das mann” por “o impessoal” ou até por “os muitos”, para ligarmos à expressão de Platão “oi polloi”, mas “das mann” é traduzido literalmente pelo “on” francês. Como escreve, Alfred Perkins Jr.: «No fundo, trata-se de não ter voz»] Se não fosse o romance de Kafka, K. nunca chegaria a descobrir que não é ninguém. K. não é instigado a tornar-se ele mesmo ou a descobrir quem é, é notificado de que não é ninguém, de

AS ANÁLISES DE ALFRED PERKINS JR. SURPREENDEM-NOS CONTINUAMENTE AO LONGO DO LIVRO, PRINCIPALMENTE NA SEGUNDA PARTE, ONDE PAIRAM AS SOMBRAS DE PLATÃO, DE KIERKEGAARD, DE NIETZSCHE E DE HEIDEGGER, AINDA QUE O AUTOR SÓ FAÇA MENÇÃO A ESSES PENSADORES E NÃO REFLEXÕES ACURADAS

que não tem voz. É como se K. recebesse uma notificação do estado a dizer-lhe: “Você não tem voz. É um dos muitos, indistinto, impessoal. Você não chega a ser pessoa.” Ou melhor, ele é uma pessoa que não chega a ser pessoa, como a esmagadora maioria de nós todos.» Curiosamente, na primeira parte do livro, o autor identifica os textos da Bíblia como os primeiros textos em que se expressa o medo do anonimato. Leia-se: «O anonimato é definido apenas em relação a si mesmo, ao identificar Deus como a origem de si mesmo, o escritor está a lembrar ou a sublinhar a importância de descobrir a sua própria voz. Só ao encontrarmos a nossa própria voz, podemos ser ouvidos por Deus. Desde a Bíblia, o medo do anonimato não se define pelo medo de não ser ouvido pelos outros, mas por Deus.» Ao longo do tempo, Deus muda de face, de identidade, até deixar de existir, mas nunca se transforma nos outros. Um exemplo que Perkins Jr. dá, ainda na primeira parte do livro, é o das personagens de «À Espera de Godot», de Samuel Beckett. Escreve: «Aqui, Deus é o Absurdo. O escritor sabe que chegar até a si, até à sua voz, é chegar ao “absurdo”. “Absurdum” não é apenas aquilo que é contrário à razão, mas aquilo que não se consegue ouvir (ab-surdum). Assim, o escritor tem a noção clara de que se encontra num tremendo paradoxo: a voz própria que procura, ele mesmo, não se pode fazer ouvir. O escritor suspeita que não está mais só com Deus e nem sequer só com ele mesmo, está só com nada. Ele mesmo não pode ser ouvido. E este não poder ser ouvido não é apenas pelos outros, é por ele mesmo. O absurdo é ele mesmo, que não se pode fazer ouvir e nem sequer ouvir-se a si mesmo». No momento em que se celebram os 20 anos da morte de Alfred Perkins Jr. e os 25 anos de publicação de «O Medo do Anonimato», sugiro que se volte a ler esta preciosidade.


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JOSÉ SIMÕES MORAIS

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23.3.2021 terça-feira

Fernão de Magalhães no Índico

Este artigo complementa o publicado a 25 de Janeiro cujo título era ‘Fernão de Magalhães com Francisco de Almeida’, tendo então Afonso de Albuquerque conquistado em 1507 Ormuz. O Vice-Rei D. Francisco de Almeida, “embora fosse sua intenção desde o início submeter o rei de Ormuz à suserania portuguesa, pretendia fazê-lo por meios diplomáticos, sem violência nem conquistas, pelo menos enquanto não tivesse garantido o <assentamento> do Malabar”, segundo Joaquim Candeias Silva, que refere, “demonstra aqui o seu grande pragmatismo de administrador, mais do que de político, defendendo um Estado economicamente sólido, mercantilista, com a balança comercial favorável.” Já sobre Afonso de Albuquerque diz, “manifestara grandes dificuldades para se impor, quer aos seus subordinados [três dos cinco capitães em Ormuz abandonaram-no em Fevereiro de 1508 por discordarem dos seus métodos] quer aos chefes locais”, que o achavam pessoa de má-fé e sem palavra pois, mesmo negociada a paz com Cogeatar, vizir e capitão de Ormuz, continuava a mover-lhe guerra. Ocupado a construir o forte em Ormuz, Albuquerque descurara o serviço que lhe competia, tanto no policiamento marítimo da entrada do Mar Vermelho, como encontrar lugares onde fosse proveitoso o assentamento comercial, preferindo a guerra às pacíficas conversações para o trato. Assim, por seu desleixo, a armada do Sultão do Egipto entrou no Mar Arábico sem ter sido detectada e em Março de 1508 apanhou de surpresa Lourenço de Almeida em Chaul, matando-o, após derrotar a frota dentro do porto. “Em finais de Outubro de 1508 chegaram a Cochim algumas naus do Reino e por elas soube o vice-rei que D. Manuel o mandava regressar a Portugal na nau S. João, que para o efeito fora expedida de Lisboa a 9 de Abril, sob o comando geral de Jorge de Aguiar. Nesta nau iam também os pormenores acerca da transmissão de poderes ao novo governador <& o mais que avia de fazer>”, refere Joaquim Candeias Silva, que adita, “Jorge de Aguiar ia nomeado para andar de armada no cabo Guardafui [entrada do Mar Roxo], em substituição de Afonso de Albuquerque, e para lhe suceder quando este completasse o seu triénio de governador.”

Na Índia, os servidores do Vice-Rei viram como divina providência a nau S. João terse perdido, pois viviam já numa intranquilidade e medo perante o que lhes reservava o futuro com o próximo governador, de temperamento irascível e vingativo, e por isso pediam ao ainda chefe para ficar e não entregar o comando a Afonso de Albuquerque, por ser inábil para a governança. Estava-se na segunda semana de Dezembro de 1508 e como Albuquerque ainda não chegara a Cochim, o Vice-Rei, por ser já tarde para apanhar a monção favorável e fazer em segurança a viagem de regresso ao reino, decidiu ir ao território de Cambaia vingar a morte do filho Lourenço. Magalhães acompanhou-o no ataque a Dabul e a 2 de Fevereiro de 1509 a Diu. D. Francisco de Almeida a 8 de Março regressou em glória a Cochim, onde já Albuquerque o esperava e logo lhe exigiu, antes de passar por a porta da fortaleza, a entrega do governo. Como era ainda Vice-Rei, mandou ficar para depois essa conversa, pois precisava de descansar e dar de jantar aos que com ele vinham. Os dias seguintes foram de festa e celebração, recebendo congratulações do Rei de Cochim. Entretanto, deixou bem claro só ali ainda estar pois o barco para o levar de volta não aparecera, determinando partir no início do Verão, quando chegassem as

MAGALHÃES EMBARCOU EM COCHIM COM O AMIGO FRANCISCO SERRÃO NA EXPEDIÇÃO DE LOPES DE SEQUEIRA, (...) PASSARAM PELAS ILHAS DE NICOBAR, POR OS PORTOS DE PACÉM E DE PEDIR NA GRANDE ILHA DE SAMATRA, ARQUIPÉLAGO DA INDONÉSIA, ANTES DE CHEGAREM A 11 DE SETEMBRO A MALACA. AÍ, OS LOCAIS PREPARARAM UMA CILADA AOS PORTUGUESES

naus do reino, mas só ao embarcar entregaria o governo a quem o Rei D. Manuel mandasse. No preparo da carga para levar, o Vice-Rei teve bastante dificuldade em conseguir pimenta, pois esta não aparecia devido à sabotagem dos subordinados de Albuquerque. Estes induziram também o Rei de Cochim a deixar de reconhecer D. Francisco de Almeida como legítimo governador, mostrandolhe a carta-patente que D. Manuel mandara a dar-lhe conta da ordem de substituição. MAR DE BENGALA Fernão de Magalhães estava em Cochim desde que viera de Diu, assistindo a toda esta agitação política e diplomática, quando a 20 de Abril de 1509 chegou a expedição de Diogo Lopes de Sequeira com quatro navios a caminho de Malaca, onde ia estabelecer um tratado comercial, por ser o mais importante dos portos na ligação entre o Índico e o Pacífico. Até então, a acção dos portugueses quedara-se no Mar Arábico e só por uma vez se fizera a tentativa de explorar o resto do Oceano Índico, quando Lourenço de Almeida procurou navegar no Mar de Bengala. Refere Damião Peres, em História dos Descobrimentos Portugueses, “O Cabo Comorim, extremidade austral da península indiana, foi atingido nos fins de 1505, por uma frota em cujo comando o Vice-Rei da Índia investira seu filho, D. Lourenço de Almeida, incumbindo-o de fiscalizar nas Maldivas o comércio naval que dos portos do Índico Oriental e

das ilhas da Indonésia por ali se fazia. Errando caminho, a frota foi arrastada por correntes marítimas àquele Cabo, mandando então o capitão-mor velejar para a ilha de Ceilão, atingido no seu setentrional porto de Gale.” Foram estes os primeiros portugueses no Índico oriental, mas a exploração do Golfo de Bengala só ocorrerá em 1516 por João Coelho, quando atingiu o delta do Rio Ganges. Magalhães embarcou em Cochim com o amigo Francisco Serrão na expedição de Lopes de Sequeira, a qual foi reforçada com alguns navios e partindo em Agosto de 1509, passaram pelas ilhas de Nicobar, por os portos de Pacém e de Pedir na grande ilha de Samatra, arquipélago da Indonésia, antes de chegarem a 11 de Setembro a Malaca. Aí, os locais prepararam uma cilada aos portugueses que, avisados por os chineses do plano para destruir a frota, conseguiram os dois amigos, Sequeira e outros, fugir em dois barcos para a Índia, deixando dezoito portugueses prisioneiros em Malaca. De novo em Cochim, ainda o Vice-Rei não entregara o governo a Afonso de Albuquerque, que só tomaria posse a 29 de Outubro de 1509, ou a 4 de Novembro, segundo Joaquim Candeias Silva, em O Fundador do Estado Português da Índia D. Francisco de Almeida 1457(?)-1510, de onde provem muitas das informações deste artigo. O 1.º Vice-Rei da Índia Francisco de Almeida (1/11/150529/10/1509) partia de Cochim a 19 de Novembro de 1509 e dirigindose “a Cananor, onde acabou de abarrotar, dali desaferrou no primeiro dia de Dezembro desse ano de 1509.” Após dobrar o Cabo da Boa Esperança, foi à Aguada do Saldanha onde a 1 de Março de 1510, devido ao roubo de gado por uns marinheiros, os habitantes mataram 65 portugueses, entre eles D. Francisco de Almeida e mais dez capitães. Afonso de Albuquerque tornouse Governador do Estado da Índia portuguesa e como prioridade estabeleceu conquistar Ormuz, Goa e Malaca, para erguer o grande império no Oriente. Em Ormuz deixara em 1508 o forte meio feito; Goa era um importante porto a meio da costa ocidental da Índia com fortes ligações à Arábia; e Malaca, onde estavam 18 portugueses presos, dava acesso ao Oceano Pacífico.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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ANABELA CANAS

terça-feira 23.3.2021

cartografias

ANABELA CANAS Vagueio pela casa de mim orvalhada não sei se eu se esta vida aqui disposta. De um certo poema de vazio. E é como se por muitos dos momentos em que me contento em enfrentarme tudo reparando finalmente que em mim existo me diga que é pouco quando queria de mim fazer a suficiência que não vem de outras paragens. Onde andam os outros que tanto se ausentam onde andam os espelhos cobertos de invisibilidade eu neles eles de mim e assim mais sós esvaziados de imagens que dizem como estou a gastar-me. Nada é monótono nem contínuo desfiar de dias sempre encontrar as mesmas páginas irresolutas e sempre este grito que não sai por civismo e hábito. As palavras custam a encontrar o timbre prolongado de socorro e acusação. Ao que de outro não chega ao que de outro se alimenta da minha respiração. Em que me concentro devagar. Mas nem sei se de mim há ar puro que sirva a alguém quando assim me vejo com as palavras diárias sem novidade sem

Concentração extensão que as liberte daquilo que disparam. Deviam liberdade a esta boca cheia do que desce de uma mente em círculos. Maldigo-as porque são pobres que sempre voltam sem os ter ensinado a ser independentes. Na mesma pobreza insuficiente. O que se quer das palavras senão que resolvam se revolvem devem alivia se descrevem devem entender e se compreendem devem sair para viver. E não voltar. Ideias amantes têm connosco uma relação de hábito. Dão-se ares de que nos pertencem à casa, reclamam dos vinhos e reparam

MAS NEM SEI SE DE MIM HÁ AR PURO QUE SIRVA A ALGUÉM QUANDO ASSIM ME VEJO COM AS PALAVRAS DIÁRIAS SEM NOVIDADE SEM EXTENSÃO QUE AS LIBERTE DAQUILO QUE DISPARAM

numa ruga nova mas recusam um novo recanto. Um parágrafo, um itálico. Do corpo. Penso-as hipócritas a maquilhar rostos degradados repetidos e vãos. Espreitam em vão de escada por isso a passagem e voltam a enrolar-me os braços em volta e voltam a repetir-me falsas cumplicidades aos ouvidos cansados. Mas eu não as queria mais e por vergonha por não querer ferir-me na sua hipotética lealdade duvidosa mas possível tenho no fundo um medo de que se forem não voltem nunca mas mesmo nunca mais e delas venha a precisar. Que há tantas outras mas algumas me são amantes do costume e não sei se sei passar a outros braços e a outros fluidos de aroma diferente. É um vício o conforto de uma intimidade. Um abismo tudo o que se avizinha em volta uma temida dificuldade em descobrir o desconhecimento e uma apavorada dúvida de poder ser aceite amada e desvendada. Por outras palavras feitas. Ideias que cheguem desconhecidas e bravas em estado bruto. Mesmo se de desvendar já não se faz o gesto de anteriores

palavras. Amantes. Não as deveria deixar andar com a chave de casa para entrarem e saírem a seu capricho e gosto. Há dias em que não as quero. Há dias em que não quero outras. Há aqueles dias em que me são indiferentes e precipita-se a vertigem de um certo não sei o quê de afecto pela superfície das coisas. Não quero as profundidades sempre presentes e não quero os rostos maquilhados delas a encobrir a idade. Tão velhas a ficar como tudo ou mesmo eu. Repetidas e gastas e de dentro algo tende a rebelar-se das novas gerações de mim como em juvenil revolta de afirmação. De retrocesso de não querer o gato irisado na pele nem o tédio de tanto sentir sem saída. Em que eu preciso de revirar todo o eu sacudir de pernas para o ar como roupa despida para extrair dos bolsos toda a carga meio esquecida a fermentar poeiras e a dar de um certo eu esta ideia vencida. Depois eu penso qualquer outra coisa como ou naquela expressão da Pina Bausch: “Dance, otherwise you’re lost.”. E danço.


8 1 6 9 7 0 3 4 2 2 7 5 1 6 4 8 3 9 3 4 9 6 5 2 0 7 8 14 0 3[f]2utilidades 4 1 7 9 8 5 4 6 1 8 2 3 5 0 7 9 0 7 5 8 6 4 1 3 7 5 8 2 0 9 1 6 4 1 2 0 3 9 8 7 5 6 T5E M 9 P4O 7 N3 U1B L6A D2 O0 6 8 3 0 4 5 2 9 1

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0 2 9 5 6 4 7 2 1 0 6 1 7 0 8 2 1 7 9 5 7 8 6 3 9 0 3 1 4 6 1 www.hojemacau.com.mo 9 8 4 5 9 2 4 8 3 9 6 2 7 1 7 5 9 0 2 3 5 4 1 0 8 6 3 5 4 2 3 0 6 2 3 4 8 7 9 5 4 1 9 7 1 0 6 3 8 H U M 5 0 9 0 % 8 0 5 2 3 5•´ 9 E0U R6 O1 4 7 3 8 4 6 8 5 2 7

C I N E M A

3 6PROPERTIES 9 1[C] STIGMATIZED 56 FALADO EM JAPONÊS LENGEDADO EM2 CHINÊS8 06Hideo Um filme de: 4Nakata 7 9 Com: Kazuya Kamenashi, 5Koji Seto 4 11 7 Nao, 14.30, 16.45, 21.30 7 30 0 51 SOUL [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO 4 EM1CHINÊS2 04 Um filme de: Pete Docter 19.30 9 7 65 2 ENDGAME 6 [C]8 56 4 Um filme de: Rao Xiaozhi Com: Andy Lau, Xiao Yang, 8Qian 0 4 68 Wan 14.30, 19.15, 21.30 2 51 3 86 1 9 79 3 4 6 8 SALA 1

TOM 5 FALADO 8 &EM4JERRY 0[A] 7 2 CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS 31 Um60filme 7 de: Tim 4 Story 1 9 5 53 Com: Chloe Grace Moretz, Michael Pena, Colin Jost 0 16.45, 2 Ken19.308Joeng, 9 06 3 14 RAYA 46 AND 25THE6LAST9DRAGON 8 8 [B] FALADO EM CANTONÊS 9 LEGENDADO 3 67EM 5 7 CHINÊS8 Um filme de: Don Hall, Carlos Lopéz Estrada 80 16.30, 5219.30 0 13 3 4 WAY DOWN [B] 75 Um14filme 3 22 0 9 de: Jaume Balagueró Com: Famke Janssen, Freddie Highmore, 2 7 Astrid90Bergès-Frisbey 3 5 1 14.30, 21.30 63 98 12 7 49 0 4 0 5 88 2 6 2 7 1 3 0 SALA 3

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0 9de 6milénio, 7 8MF5 Na2viragem DOOM, mais2elusivos 1 3um4dos 5 0 7 e mistérios nomes do hip hop, 5 o2seu6primeiro 0 1disco 9 a4 lança solo “Operation: Doomsday”, 5 na 1 história 2 3 do6gé-8 que0ficaria nero. Com produção 4 7 8 9 5caseira, 3 2 a remar contra a maré, a so7 9 do3álbum 1 de8 estreia 4 6 noridade de DOOM é uma salada de 3 4sacados 2 7de desenhos 6 5 0 samples animados (como Scooby-Doo 8 1 0 3 4 7 9 e Fantastic Four), batidas sim9 salpicadas 6 5 8por 0tonalida2 1 ples, des suaves de soul e smooth jazz. Por cima da reinvenção de ritmos familiares, o flow das palavras de MF DOOM empurram 8 3 este 4 clássico 9 2 disco 0 7 do hip hop underground para 2 1de 8imortalidade, 3 5 6 um7patamar um6legado que o rapper 5 0 2 4 deixa 1 9 aos fãs. João Luz

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terça-feira 23.3.2021

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macau visto de hong kong

opinião 15

David Chan

PLANO DE ESTABILIZAÇÃO ECONÓMICA PARA 2021 (I) A 15 DE MARÇO o Governo anunciou o lançamento o “Plano de Garantia de Emprego, Estabilização da Economia e Asseguramento da Qualidade de Vida da População para 2021”, que inclui distribuição de verbas, plano de promoção do consumo loal (plano PCL), aperfeiçoamento das competências profissionais e medidas para beneficiar a população a nível individual e a nível empresarial. O primeiro ponto do plano 2021 é a comparticipação pecuniária. O Governo espera, a partir de Abril, vir a investir 7,235 mil milhões de patacas, atribuindo a cada residente permanente 10.000 patacas anuais e 6.000 a cada residente não permanente. O Plano de Comparticipação Pecuniária, que já vigora em Macau há vários anos, mantém-se este ano e continua a ser muito bem recebido. Embora tenha havido rumores de que este montante iria ser atribuído na forma de cartões de consumo, esta modalidade acabou por não prevalecer e o apoio continua a ser dado em dinheiro. Anteriormente, o cartão de consumo tinha um limite de 300 patacas diárias, e era difícil pagar bens ou serviços de valor superior a este limite. Além disso, as 10.000 patacas anuais que cada residente permanente recebe já se tornaram parte integrante do orçamento das famílias. O cancelamento desta comparticipação só iria desconcertar as pessoas. A manutenção do Plano de Comparticipação Pecuniária

prova que o Governo de Macau tem em consideração a vontade popular. O segundo ponto do plano 2021 é a promoção do consumo local (PCL), e subdivide-se em três acções: descontos no cartão de consumo (DCC), descontos para séniores e ainda alimentação, alojamento e viagens para os residentes de Macau. O Governo espera investir no plano DCC, a lançar em Maio e que estará em vigor até ao final do ano, 5 mil milhões de patacas. Terá a duração de 8 meses. Os residentes, os trabalhadores imigrados, e os estudantes de fora de Macau também podem ser integrados neste plano.Após gastarem 50 patacas, podem receber 5 cupões de 10 patacas cada; se gastarem 100 patacas podem receber 10 cupões, e assim sucessivamente. Posteriormente, depois de gastarem 30 patacas podem usar um cupão de 10; se gastarem 60, podem usar dois cupões, sempre nesta proporção. Os cupões são válidos por 15 dias. O limite mensal em cupões é de 600 patacas e o limite diário de gastos que podem usufruir deste benefício é de 200 patacas. Com base nas 600 patacas diárias, cada residente de Macau pode obter 4.800 patacas em cupões ao longo destes 8 meses. O objectivo do plano DDC é triplicar o consumo. Este plano é muito bom. Estimula a economia premiando exponencialmente o consumo. Mas, mesmo assim, ainda há quem lhe aponte alguns defeitos. Os críticos afir-

Os cartões de consumo que usámos o ano passado não triplicavam o valor das compras. Do ponto de vista da recuperação da economia e da promoção do consumo, o plano dos cupões será melhor do que os cartões de consumo

mam que a pandemia afectou profundamente várias pessoas. Se não houver um subsídio ao consumo inicial (para além da comparticipação pecuniária), como é que as pessoas podem obter os cupões subsequentes? Mas mesmo que haja este subsídio, subsiste a necessidade de estar constantemente a fazer cálculos aritméticos para perceber a melhor forma de obter cupões, que expiram ao fim de 15 dias. Todos estes inconvenientes podem diminuir a vontade de consumir. Assim, a melhor maneira seria poder deduzir os cupões directamente na primeira compra. Não seria uma novidade, porque o cartão sénior funciona desta forma. Claro que se voltassemos aos cartões de consumo eliminariamos estes problemas. No entanto, os cartões de consumo que usámos o ano passado não triplicavam o valor das compras. Do ponto de vista da recuperação da economia e da promoção do consumo, o plano dos cupões será melhor do que os cartões de consumo. Continua na próxima semana Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


“Só um idiota pode ser totalmente feliz.” PALAVRA DO DIA

O

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consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong anunciou ontem nas redes sociais o início do serviço de atendimento remoto para os cidadãos portugueses que residem em Hong Kong e que, neste momento, se vêem impossibilitados de renovar a sua documentação devido ao fecho de fronteiras. “Depois de ultrapassadas todas as questões técnicas e de segurança informática, teve hoje [ontem] início o novo serviço de permanências consulares por atendimento remoto entre este Consulado-Geral e o Consulado Honorário de Portugal em Hong Kong.” O comunicado acrescenta ainda que esta é uma “solução provisória para satisfazer as necessidades e os pedidos mais urgentes para renovação de passaporte e de cartão de cidadão aos utentes nacionais residentes na RAEHK”. Esta medida estará em vigor “até ao momento em que for possível retomar as normais permanências consulares mediante a deslocação da funcionária deste Consulado-Geral ao Consulado Honorário em Hong Kong, logo que sejam canceladas as restrições fronteiriças entre as duas Regiões Administrativas Especiais”. No comunicado são ainda deixados contactos para quem tiver urgência na renovação de documentação: info@hkportugalcon.org ou do telefone +852 2587 7182. Conforme o HM noticiou a semana passada, há vários cidadãos portugueses em Hong Kong que necessitam de um novo passaporte para poderem ter o visto de trabalho renovado, além de que há muitos pais que ainda não conseguiram registar os seus filhos como cidadãos portugueses.

Sob o signo da violência P

ELO menos sete pessoas foram detidas e 20 polícias ficaram feridos na sequência de protestos ocorridos no domingo em Bristol, no Reino Unido, contra um novo projecto-lei relativo à acção policial e que degeneram em violentos distúrbios. A polícia de Avon e Somerset informou ontem que durante os incidentes, que se prolongaram até às primeiras horas desta segunda-feira, uma minoria provocou danos materiais e investiu contra os agentes policiais destacados em Bristol, cidade no sudoeste de Inglaterra, ferindo pelo menos 20 agentes policiais, dois deles hospitalizados com ferimentos graves. Os incidentes ficaram igualmente marcados por sete detenções, mas o chefe da polícia da região sudoeste de Inglaterra, Andy Marsh, admitiu ontem que irão existir “muitas mais detenções” nos próximos dias, após as forças policiais finalizarem a análise das imagens dos sistemas de videovigilância. O representante também instou a população local a

Patel, classificou a violência registada em Bristol como “inaceitável”, reforçando: “Comportamentos violentos e a desordem de uma minoria nunca serão tolerados”. O presidente de câmara de Bristol, o trabalhista Marvin Rees, também usou a palavra “inaceitável” para classificar os distúrbios. Marvin Rees destacou que esta reacção violenta “não irá servir” para impedir a aprovação do projecto-lei, uma vez que o actual executivo conservador tem maioria parlamentar, indicando que até pode ter um efeito contrário e dar “argumentos” aos que querem ampliar o poder policial.

ajudar a identificar os agitadores. Segundo explicou Andy Marsh, cerca de 3.000 pessoas participaram no domingo numa manifestação em Bristol convocada para contestar um novo projecto-lei relativo à acção policial, actualmente em análise no parlamento britânico, que prevê, entre outros aspectos, dar mais poderes às autoridades perante manifestações não violentas. O protesto decorria de forma pacífica quando um grupo de cerca de 400 pessoas começou a recorrer à violência, tendo ateado fogo a vários veículos da polícia e provocado vários danos materiais, de acordo com a mesma fonte. “Acho que a acção de protesto foi sequestrada por extremistas, pessoas que estavam determinadas em causar danos, gerar um sentimento negativo em relação à polícia e agredir os nossos agentes”, afirmou o chefe da polícia da região sudoeste de Inglaterra. Figuras de todas as forças políticas britânicas e vários representantes já condenaram os acontecimentos.A ministra do Interior britânica, Priti

23.3.2021

Mario Vargas Llosa

REINO UNIDO SETE DETIDOS E 20 POLÍCIAS FERIDOS EM DISTÚRBIOS

Hong Kong Consulado anuncia atendimento remoto para comunidade portuguesa

terça-feira

Confrontos sucessivos

Estes incidentes em Bristol aconteceram um dia depois de um protesto em Londres, convocado para contestar as medidas restritivas impostas no país por causa da pandemia da doença covid-19, ter acabado com a detenção de pelo menos 36 pessoas e com o registo de feridos entre as forças policiais. No fim de semana anterior, uma vigília liderada principalmente por mulheres em homenagem a Sarah Everad, uma mulher de 33 anos que foi raptada e assassinada, alegadamente por um agente policial, quando voltava sozinha para casa, terminou em confrontos com a polícia e detenções. Como resultado desta acção policial, que recebeu críticas na altura, mais de 60 deputados enviaram uma carta à ministra do Interior britânica, Priti Patel, a pedir à representante para “isentar expressamente a realização de protestos das restrições” introduzidas devido à pandemia, de forma a preservar sempre esse direito no que diz respeito às normas estabelecidas no combate contra o novo coronavírus.

Myanmar Junta militar declara ilegal “governo” formado por deputados eleitos

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junta militar de Myanmar (antiga Birmânia) declarou ilegal o “governo civil” formado na clandestinidade por deputados eleitos nas legislativas de Novembro último, após o golpe de Estado de 1 de Fevereiro. Segundo o jornal local Global New Light of Myanmar, a junta acusa o Comité de Representantes da Assembleia da União (CRPH), também conhecido como “governo civil”, de ameaçar “o Estado de direito, a paz e a estabilidade” do país. Anteriormente, a junta militar acusou alguns membros do CRPH de alta traição, incluindo o seu representante especial na Organização das Nações Unidas (ONU), actualmente no exílio. Composto por cerca de 20 parlamentares eleitos nas eleições de Novembro passado, o CRPH foi criado poucos dias após o golpe militar liderado pelo chefe do exército, general Min Aung Hlaing. A maioria dos seus membros fazem parte da Liga Nacional para a Democracia, o partido da líder deposta, Aung San Suu Kyi, vencedora das mais recentes eleições. O CRPH apelou à desobediência civil e declarou a junta militar, oficialmente conhecida como Conselho deAdministração do Estado, um “grupo terrorista”, após a violenta repressão dos protestos contra o golpe de Estado, que já fez pelo menos 250 mortos. Além disso, contratou o escritório de advogados Volterra Fietta para levar a junta birmanesa à Justiça internacional, um ambicioso processo que será conduzido pelo advogado espanholAlvaro Nistal, segundo a agência de notícias espanhola Efe.


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Hoje Macau 23 MAR 2021 #4734 by Jornal Hoje Macau - Issuu