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Hoje Macau 23 FEV 2021 #4714

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JEAN-MICHEL BASQUIAT

DIREITO DE RESPOSTA PÁGINA 15 ROCK REFLECTION 1 PAULO JOSÉ MIRANDA

NOVAS DOS ICEBERGS ANABELA CANAS

hoje macau

Nº 4714 TERÇA-FEIRA 23-2-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

Raminhos de oliveira

HO IAT SENG

MULHERES AO ALTO

PÁGINA 4

CHINA PROPÕE AOS EUA O REGRESSO À NORMALIDADE

VACINAS

PRIMEIRO DIA SEM PROBLEMAS PÁGINA 7

HIMALAIAS

A PAZ NO TECTO DO MUNDO PUB.

PÁGINA 11

HUANG KAIDI

GRANDE PLANO

NO ÂMAGO DA DANÇA EVENTOS


2 grande plano

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23.2.2021 terça-feira

CHINA PEQUIM APELA AO FIM DA GUERRA COMERCIAL E À REPOSIÇÃO DO QUE TRUMP

Como nos bons O Governo Central quer que a relação entre as duas maiores potências económicas mundiais volte a ser de cooperação em vez de conflito. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, apelou ontem a Washington para abandonar os preconceitos e as suspeitas e restabeleça a racionalidade e o desenvolvimento saúde de uma relação bilateral. O caminho apontado foi o levantamento de restrições comerciais e o fim da interferência injustificada em Taiwan, Hong Kong, Xinjiang e Tibete


terça-feira 23.2.2021

grande plano 3

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s velhos tempos “DESTRUIU”

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OR trás de Wang Yi um banner à largura da sala anunciava o teor do discurso do Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês: “Trazer de volta ao bom rumo as relações entre China e Estados Unidos”. Foi com este pano de fundo que o governante discursou ontem em Pequim, apelando aos líderes políticos norte-americanos para abandonarem preconceitos e suspeitas infundadas, de forma a retomar relações estáveis, saudáveis e racionais entre as duas maiores potências económicas. A anterior Administração norte-americana lançou uma guerra comercial, que incluiu a imposição de taxas alfandegárias punitivas sobre grande parte dos bens importados da China e restrições no fornecimento de tecnologia às empresas chinesas ou nos intercâmbios académicos. Trump também melhorou os laços militares e diplomáticos com Taiwan, enquanto puniu as autoridades chinesas acusadas de abusos contra minorias muçulmanas em Xinjiang e de repressão das liberdades em Hong Kong. Reforçando a ideia de retorno, Wang Yi evocou uma memória histórica. “Há cinquenta anos atrás, o Dr. Henry Kissinger quebrou o gelo diplomático e visitou a China. Com extraordinária resolução política, os líderes da China e Estados Unidos abriram em conjunto uma porta que esteve fechada durante décadas”, recordou Wang. “Cinquenta anos depois, devemos ter o sentido de responsabilidade e tomar decisões sensatas, acrescentou. O governante chinês não deixou de realçar que nos últimos anos, as relações com Washington desviaram-se do caminho normal e enfrentaram grandes obstáculos. Sem grandes rodeios, Wang apontou responsabilidades à anterior administração que, “para satisfazer as suas necessidades políticas, adoptou várias medidas para reprimir e conter a China, infligindo danos incomensuráveis às relações bilaterais”, cita a agência Xinhua.

Futuro mal definido

Embora o novo Presidente norte-americano, Joe Biden, tenha

“Há cinquenta anos, o Dr. Henry Kissinger quebrou o gelo diplomático e visitou a China. Com extraordinária resolução política, os líderes da China e Estados Unidos abriram em conjunto uma porta. Cinquenta anos depois, devemos ser responsáveis e tomar decisões sensatas.” WANG YI MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

prometido colaborar com Pequim e adoptar um tom diferente na diplomacia dos EUA, não é claro se fará mudanças fundamentais nas políticas seguidas nos últimos anos. A reversão pode ser complicada politicamente, uma vez que os dois países enfrentam um momento negro, nunca antes vivido, em termos comerciais, disputas territoriais com vizinhos e acusações de usurpação de tecnologia e espionagem. Além disso, existe um forte apoio bipartidário a Taiwan, assim como em relação as críticas de abuso dos Direitos Humanos da China, especialmente em Hong Kong, Xinjiang e Tibete. Como tal, o governante chinês solicitou que Washington pare de “manchar a reputação do Partido Comunista da China e de conspirar ou mesmo apoiar as palavras e acções erróneas das forças separatistas de Taiwan e

de minar a soberania e segurança da China em assuntos internos relativos a Hong Kong, Xinjiang e Tibete". Sobre o comércio, Wang disse que a China defenderá os direitos das empresas norte-americanas enquanto espera que os EUA "ajustem as suas políticas o mais depressa possível", removam taxas não razoáveis sobre produtos chineses, levantem sanções unilaterais contra empresas chinesas e institutos de pesquisa e educação e abandonem a supressão irracional do progresso tecnológico da China". Os EUA também devem suspender as restrições aos intercâmbios nas áreas da imprensa, ensino ou negócios, para reverter a queda acentuada no número de chineses que estudam nos EUA e as visitas de chineses para turismo ou negócios, disse Wang. "Espero que os dois lados trabalhem juntos para dirigir o navio gigante que é a relação China - EUA de volta ao curso de um desenvolvimento sólido, em direção a um futuro brilhante, com perspectivas ilimitadas", descreveu. Embora o tom do ministro, assim como do conselheiro para a política externa Yang Jiechi ou o Presidente Xi Jinping pareça mais positivo, alguns porta-vozes do Governo Central têm adoptado um tom mais combativo. Em conferência de imprensa, na sexta-feira, a porta-voz Hua Chunying do Ministério dos Negócios Estrangeiros

“Espero que os dois lados trabalhem juntos para dirigir o navio gigante que é a relação China - EUA de volta ao curso de um desenvolvimento sólido, em direção a um futuro brilhante, com perspectivas ilimitadas.” WANG YI MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

“Tudo isto [forma como o Governo americano lidou com a vaga de frio no Texas] nos deu uma compreensão mais profunda do que os Direitos Humanos realmente significam e como melhor protegê-los.” HUA CHUNYING PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

comparou a vaga de frio que atinge o Texas com as interações sociais e económicas observadas na China durante o feriado do Ano Novo Lunar, sem demonstrar qualquer simpatia. "Tudo isto nos deu uma compreensão mais profunda do que os Direitos Humanos realmente significam e como melhor protegê-los. Estamos mais convencidos de que estamos no caminho certo e temos toda a confiança no futuro", disse.

As vistas largas

Um editorial do jornal oficial Global Times, que faz eco de alguns dos pontos de vista do Governo Central, publicou no domingo um artigo que estimava o retorno dos Estados Unidos ao tom conciliatório e à cooperação por não conseguires derrotar a China. Importa realçar que analistas da Câmara do Comércio norte-americana divulgaram na semana passada um relatório, em conjunto com a consultora Rhodium Group, a concluir que se os Estados Unidos venderem metade do seu

investimento directo na China, os investidores norte-americanos poderiam perder cerca de 25 mil milhões de dólares em mais-valias, de acordo com um comunicado da Câmara do Comércio dos Estados Unidos. Seguindo esta lógica, o jornal chinês teceu considerações à participação de Joe Biden na cimeia do G7 e na Conferência de Segurança de Munique, a estreia internacional do novo Presidente, sob o lema do slogan “A América está de volta”. O artigo do Global Times refere que a reconciliação com os aliados tradicionais de Washington, para fazer face aos desafios levantados pela China, “tem sido uma característica da nova administração norte-americana desde que tomou posse”. Porém, o editorial aponta que as mensagens de Biden na passada sexta-feira sugerem que a cooperação estreita entre Washington e os aliados está votada a resultar no compromisso, em vez do acção unilateral dos Estados Unidos contra os seus aliados devido às relações que mantém com Pequim. Em vez do tom de Guerra Fria, as intervenções em ambas as reuniões mencionaram a necessidade de trabalhar com Pequim em algumas áreas. O Global Times acrescenta que “quando fala com os aliados, Biden é claramente mais equilibrado do que quando comunica sozinho com os media norte-americanos”. Segundo a fonte oficial, a principal razão pela qual Washington nada pode fazer em relação a Pequim, e porque a Casa Branca vacila entre a cooperação com os seus aliados para conter a China e trabalhar com a China, prende-se com o facto que um corte decisivo com Pequim e a confrontação total seria demasiado dolorosa para Washington. O romper final da relação entre as duas maiores economias mundiais é retratado pelo Global Times como “uma esperança ilusória”. João Luz com agências


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GCS

Ma Iao Lai promete “participar de forma activa” nas eleições

Ma Iao Lai, presidente da Associação Comercial de Macau, disse que vai “participar de forma activa” nas eleições legislativas deste ano, sem confirmar se é ou não candidato. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável frisou que pretende evitar “disputas e conflitos internos para que Macau se torne mais harmoniosa”, além de defender “um melhor desenvolvimento da economia”. No seu discurso, proferido no âmbito de um almoço de primavera que contou com a presença do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, Ma Iao Lai disse que a associação vai juntar-se aos sectores sociais de Macau para o cumprimento do 14º Plano Quinquenal da China, além de colaborar com a governação do Executivo local. Ma Iao Lai promete trabalhar ao lado das autoridades no combate aos efeitos da pandemia. Sobre o 14º Plano Quinquenal chinês, o dirigente defendeu que este inaugura uma nova jornada em prol da construção de uma nação moderna com características socialistas, isto no ano em que o Partido Comunista Chinês celebra o seu centenário.

FRONTEIRAS QUESTIONADO PLANEAMENTO DE QINGMAO

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deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo por escrito quanto à necessidade de divulgação de um plano de gestão do trânsito junto ao posto fronteiriço de Qingmao. “Muitos residentes apresentaram opiniões junto do meu escritório, alegando que o posto fronteiriço de Qingmao, enquanto outra instalação relevante para desviar o enorme número de passageiros que se encontra no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, carece de um plano de melhoria do tráfego, atendendo à falta de instalações complementares de trânsito, bem como de um centro modal de transportes de grande dimensão.” Para o deputado, o Governo deveria “proceder ao planeamento da construção [de instalações de infra-estruturas em redor do posto fronteiriço de Qingmao], tornando-o público de forma atempada, para eliminar as preocupações públicas”. Coutinho considera também que o Executivo “deve proceder a um planeamento detalhado do tráfego do posto fronteiriço

Ho Iat Seng referiu ser importante continuar a “promover a igualdade entre homens e mulheres e a defender os direitos e interesses das mulheres”

HO IAT SENG PROMETE MAIOR PARTICIPAÇÃO DE MULHERES NA GOVERNAÇÃO

A outra metade do céu

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Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, parece estar disposto a promover uma maior igualdade de género no território. Num evento com a Associação Geral das Mulheres, realizado para assinalar o Dia Internacional da Mulher, Ho Iat Seng referiu que o Governo “vai promover uma participação mais ampla das mulheres nos assuntos sociais e na governação pública, com vista a proporcionar-lhes um espaço cada vez mais vasto de desenvolvimento”. No seu discurso, o governante disse ainda que o objectivo é que as mulheres “desfrutem de igualdade de oportunidades no acesso à educação e ao emprego e que desenvolvam as suas potencia-

lidades nos diferentes domínios, nomeadamente político, comercial e educativo”. Ho Iat Seng referiu ser importante continuar a “promover a igualdade entre homens e mulheres e a defender os direitos e interesses das mulheres”. Quanto ao papel do Governo nesta matéria, o Chefe do Executivo destacou “a implementação de diversas políticas e medidas de apoio às mulheres, de promoção da igualdade e de fomento da convivência e harmonia familiares”. Sobre a associação, que este ano comemora 71 anos de existência, Ho Iat Seng disse esperar que continue a “desempenhar a sua missão de aproximar e unir as mulheres compatriotas”, bem como de-

fender “os direitos e interesses e a prestação de serviços sociais”.

A importância das PME

Ho Iat Seng reuniu também com dirigentes da Associação Comercial de Macau (ACM). O encontro, que aconteceu no domingo para celebrar o Ano Novo Chinês, serviu para o Chefe do Executivo assinalar o papel do sector empresarial durante a pandemia. “Os operadores do sector empresarial, designadamente a Associação Comercial de Macau, imbuídos dos valores do patriotismo e do amor a Macau, uniram-se aos residentes (...), e todos (…) contribuíram para debelar efetivamente a propagação da pandemia (…) e manter a estabilidade da conjuntura sócio-económica local,

que retoma gradualmente a normalidade”, disse. No seu discurso, o governante destacou também o facto de, desde a sua criação, a associação promover “a união dos sectores industrial e comercial, fomentado o seu desenvolvimento”, além de que tem “participado de forma pró-activa nos assuntos sociais e prestado apoio ao Governo”. Para o Chefe do Executivo, este será um ano “marcado pela coexistência de desafios e oportunidades”, pelo que o Governo “irá, unindo todos os sectores de Macau, defender a segurança do País e a estabilidade social”, bem como “persistir na implementação de medidas de prevenção e controlo da epidemia, em prol da recuperação sócio-económica”. Andreia Sofia Silva

TIAGO ALCÂNTARA

Num evento com dirigentes da Associação Geral das Mulheres de Macau, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, declarou que o Governo vai “promover uma participação mais ampla das mulheres nos assuntos sociais e na governação pública”. Num outro encontro com a Associação Comercial de Macau, o governante destacou a importância do sector empresarial no combate à pandemia

Qingmao para evitar que as instalações complementares de trânsito não consigam aliviar, no futuro, a pressão do tráfego resultante do aumento súbito do fluxo de passageiros”. O deputado deu o exemplo do complexo de habitação pública de Seac Pai Van, que quando recebeu os primeiros moradores não tinha ainda as infra-estruturas de trânsito concluídas. “Se, como resultado do actual planeamento insatisfatório, o posto fronteiriço Qingmao passar a ser um novo local de grave congestionamento, como é que o Governo responsabilizará os governantes por esta situação?”, questionou. Coutinho lembrou ainda, com base em números divulgados pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), que as obras do posto fronteiriço de Qingmao custaram cerca de 3,4 mil milhões de patacas, sendo que até setembro de 2020, o Governo já pagou mais de 80 por cento, aproximadamente 2,8 mil milhões de patacas, dos custos. A.S.S.


terça-feira 23.2.2021

política 5

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MIGRAÇÃO QUESTIONADA ARTICULAÇÃO DE RESIDÊNCIA COM POLÍTICAS DA GRANDE BAÍA

Ter um pé em cada lado RÓMULO SANTOS

A proposta do Governo sobre o regime de controlo da migração prevê a revogação de autorização de residência a quem deixar de ter residência habitual no território. Mas os deputados têm dúvidas sobre como é que a medida pode ser conjugada com o desenvolvimento da Grande Baía e a criação de habitação na Ilha da Montanha

O

tempo necessário em Macau para receber autorização de residência voltou a levantar dúvidas, desta vez na 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. A proposta do regime jurídico de controlo de migração e das autorizações de permanência e residência na RAEM prevê que o Chefe do Executivo possa revogar essa autorização quanto o seu titular “deixar de ter residência habitual na RAEM”. Vong Hin Fai, presidente da Comissão, apontou que a proposta não apresenta uma definição sobre o que se entende por residência habitual e que a norma levou deputados a questionar como será articulada com a política de desenvolvimento de Macau em relação à região da Grande Baía. “Concretamente, estamos a ver que o Governo agora está a

METRO LIGEIRO OBRAS DA LINHA PARA HENGQIN DEVERÃO ARRANCAR EM MARÇO

O

secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, disse ontem aos jornalistas que as obras da linha do metro ligeiro em direcção à ilha de Hengqin deverão arrancar em Março, enquanto que a linha leste, em direcção às Portas do Cerco, deverá começar a ser construída até final deste ano. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o secretário explicou que, na linha em direcção a Hengqin, a estação será erguida em Macau, sendo que os passageiros terão de atravessar a fronteira. Sobre a escolha da Nam Kwong para construir este troço, através de uma adjudicação directa de 3,5 mil milhões de patacas, o secretário disse

que não se trata de algo novo, sendo uma medida comum em projectos de cooperação transfronteiriça. O secretário disse também esperar que a linha de Hengqin fique concluída no prazo de quatro anos, conforme o previsto, tendo adiantando que, até ao momento, não houve problemas relativamente à fiscalização da qualidade das obras. A linha de 2,2 quilómetros de Hengqin vai incluir um túnel de 900 metros, um viaduto, um túnel subaquático e duas estações, uma na ponte Flor de Lótus, no Cotai (faixa de casinos entre as ilhas da Taipa e de Coloane), e outra na nova fronteira de Hengqin em Zhuhai.

promover a política de habitação no Novo Bairro para os residentes de Macau na ilha de Hengqin, e se no futuro houver residentes de Macau a viver na ilha de Hengqin e não tiverem residência habitual na RAEM, então como se vai aplicar esta norma?”, lançou Vong Hin Fai. Outra questão a surgir durante a reunião é quantos cidadãos residentes do Interior da China foram autorizados a residir em Macau

“Se no futuro houver residentes de Macau a viver na ilha de Hengqin e não tiverem residência habitual na RAEM, então como se vai aplicar esta norma?” VONG HIN FAI DEPUTADO

desde que se deu a transferência de soberania, e o balanço dessa situação. O presidente da Comissão explicou que o objetivo em saber quantos pedidos destes cidadãos foram autorizados e rejeitados passa por perceber “qual é a política de habitação em Macau”. Recentemente, a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública pediu maior transparência e uma clarificação dos requisitos para a fixação de residência através do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, nomeadamente por causa do tempo de residência no território.

Conceitos abstractos

Por outro lado, a autorização de residência também pode ser revogada a quem tiver sido condenado mais de uma vez por praticar crimes no território, independentemente da moldura penal. Os deputados querem saber se é “demasiado rigoroso” recusar a residência, por exemplo, em situações de incidente ou transgressão da lei de trânsito rodoviário que possa resultar em vítimas ou ferimentos. Os membros da 3ª Comissão vão também questionar o Governo sobre se existem factores prioritários na ponderação da autorização, e se estão ordenados. Além disso, os deputados entendem que o artigo sobre a recusa de entrada e dos pedidos de visto e autorização e pessoas não admissíveis tem “muitos conceitos bastante abstratos quanto à sua aplicação e é bastante abrangente quanto ao seu âmbito de aplicação”. É aí que se inclui a recusa de entrada a quem constitui uma ameaça à segurança interna, por exemplo. A proposta continua a ser discutida na quinta-feira. Salomé Fernandes

HABITAÇÃO SOCIAL PROLONGADO ABONO DE RESIDÊNCIA A FAMÍLIAS MAIS DESFAVORECIDAS

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S famílias em situação económica desfavorecida em lista de espera para habitação social vão continuar a receber um abono provisório. Em comunicado, o Conselho Executivo indica que terminou a discussão do regulamento administrativo sobre a “prorrogação do prazo de aplicação do plano provisório de atribuição de abono de residência a agregados familiares da lista de candidatos a habitação social”. O plano dura entre 1 de Março deste ano e 28 de Fevereiro de 2022, sendo atribuído no máximo um abono de residência de doze prestações mensais. Os agrega-

dos familiares de uma ou duas pessoas, podem receber até 1.650 patacas mensais, subindo para 2.500 patacas nas famílias de três ou amis pessoas. As candidaturas devem ser apresentadas até 31 de Março. São aceites candidaturas os agregados familiares admitidos como candidatos na lista de espera de habitação social para o concurso de 2017, desde que os seus elementos não sejam arrendatários de habitação social, nem tenham rendimentos mensais superiores aos limites para a candidatura a habitação social. A candidatura implica entrega de boletim de

candidatura, fotocópias dos documentos de identificação e os documentos comprovativos do rendimento mensal. “Os actuais agregados familiares benificiários do referido plano devem apresentar, no prazo da candidatura, os documentos comprovativos do rendimento mensal dos seus elementos e, após a verificação de que os mesmos se mantêm habilitados, também se mantém a atribuição do abono de residência”, explica o Conselho Executivo. O regulamento administrativo entra em vigor a partir do próximo mês.


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TIAGO ALCÂNTARA

Homem “obcecado” com colega fotografa-a no wc

Um funcionário de um hotel, de 33 anos, foi apanhado a fotografar uma colega, recepcionista, quando esta estava na casa de banho. Segundo a Polícia Judiciária (PJ), o caso ocorreu no último sábado, quando a mulher percebeu que alguém a tentava fotografar com um telemóvel a partir da casa de banho do lado. De imediato a vítima abordou o homem e chamou um segurança. As autoridades policiais foram contactadas de seguida. O homem confessou a sua obsessão pela colega, tendo sido a primeira vez que cometeu tal acto. Depois de ser apanhado, o homem mostrou-se “muito assustado” tendo apagado as fotos e os vídeos. O caso seguiu para o Ministério Público.

O acordo prevê ainda um bónus no valor de 245 milhões de patacas para “garantir o devido desempenho da China Construction nos serviços relevantes no contrato”, adiantou a Galaxy

GALAXY FAZ ACORDO COM CHINA STATE CONSTRUCTION PARA QUARTA FASE NO COTAI

Ganhar palmos ao céu

A concessionária Galaxy adjudicou à China Construction Engineering (Macau) Co Ltd, uma subsidiária da China State Construction, a quarta fase da construção do empreendimento no Cotai. O acordo tem o valor de 13.01 mil milhões de patacas e está previsto que as obras terminem dentro de três anos

A

Galaxy anunciou este domingo, em comunicado à bolsa de valores de Hong Kong, um acordo com a subsidiária em Macau da China State Construction, a China Construction Engineering (Macau) Co Ltd, para a construção da quarta fase do empreendimento Galaxy Macau, no Cotai. Segundo o portal GGRAsia, o acordo tem o valor de 13.01 mil milhões de patacas, sendo que a obra deverá ter a duração de 1,053 dias, ou três anos, até estar concluída. A Galaxy não informou a data precisa do arranque das obras, tendo adiantado apenas que estas deverão começar “nos sete dias do calendário depois da emissão do projecto de arquitectura”. O acordo prevê ainda um bónus no valor de 245 milhões de patacas para “garantir o devido desempenho da China Construction nos serviços relevantes no contrato”, adiantou a Galaxy.

A construção das fases três e quatro do resort Galaxy, no Cotai, foi anunciada em 2017 por Francis Lui Yiu Tong, vice-presidente da concessionária. A empresa mostrava-se disposta a investir qualquer coisa como 43 mil milhões de dólares de Hong Kong nas duas fases do empreendimento. Prevê-se que a fase 4 do Galaxy no Cotai tenha como público-alvo as famílias e os clientes de classe média.

Investir antes da mudança

O acordo selado para a fase 4 do empreendimento no Cotai surge numa altura em que a renovação das licenças de jogo está prestes a ser uma realidade. A licença de jogo atribuída à Galaxy Entertainment Macau expira em Junho de 2022, juntamente com as restantes cinco licenças. Até ao momento o Executivo ainda não deu certezas do que pretende fazer sobre este dossier, havendo a possibilidade de realizar um novo concurso público ou

prolongar as actuais licenças até um prazo máximo de cinco anos. Num outro comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a 10 de Novembro, a operadora de jogo admitiu que a pandemia da covid-19 poderia trazer um impacto negativo à construção das fases 3 e 4 do Cotai. Para já, espera-se que a fase 3 do projecto esteja concluída no segundo semestre deste ano, prevendo-se a oferta de 1500 quartos de hotel, alguns espaços de jogo, uma arena de espectáculos com 16 mil lugares e ainda uma extensa área destinada a exposições e convenções. No terceiro trimestre do ano passado, as receitas da Galaxy registaram um crescimento de 30 por cento face ao trimestre anterior, tendo, no entanto, apresentado prejuízos de 943 milhões de dólares de Hong Kong. Nessa altura, a empresa disse estar disposta a continuar a investir não apenas em Macau mas também no Japão. A.S.S.

TURISMO DESPESA DE VISITANTES COM QUEDA DE MAIS DE 80 POR CENTO

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despesa total dos visitantes, em 2020, sofreu uma quebra de 81,4 por cento, tendo-se cifrado nas 11,94 mil milhões de patacas, apontam dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) ontem divulgados. Os números anuais devem-se ao facto de o número de visitantes ter sofrido também uma queda de 85 por cento. A DSEC adianta ainda que a

despesa total dos turistas foi de 9,79 mil milhões de patacas, enquanto que a despesa dos excursionistas correspondeu a 2,15 mil milhões de patacas, menos 80,4 e 84,8 por cento. O ano passado a despesa per capita dos visitantes foi de 2.025 patacas, mais 24,5 por cento face a 2019. A despesa per capita dos visitantes do Interior da China

(2.252 patacas), a dos visitantes de Hong Kong (995 patacas) e a dos visitantes de Taiwan (1.378 patacas) cresceram 22,8, 4,3 e 0,1 por cento, respectivamente, em termos anuais. Já a despesa per capita dos turistas (3.468 Patacas) e a dos excursionistas (700 patacas) ascenderam 29,3 e 3 por cento respectivamente, em relação às do ano 2019. A despesa per capita dos

visitantes em compras foi de 1.122 Patacas, subindo 51,1 por cento. Analisando por principal motivo da visita a Macau, a despesa per capita dos visitantes que vieram passar férias (3.376 patacas) subiu 48,8 por cento, em termos anuais. No entanto, a despesa per capita dos que vieram participar em convenções/exposições (3.117 patacas) diminuiu 17,6 por cento.

PANDEMIA GOVERNO ATRIBUIU 8,3 MIL MILHÕES ÀS PME

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Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) atribuiu, o ano passado, 8,3 mil milhões de patacas às pequenas e médias empresas (PME) no âmbito do combate aos efeitos adversos causados pela pandemia. Esse montante foi concedido tendo em conta os 12.971 pedidos recebidos, tendo sido aprovados 10.645. Segundo o jornal Ou Mun, Tai Kin Ip, director da DSEDT, adiantou que no âmbito do Plano de Apoio às PME foram recebidos 6.968 pedidos, o que representa dez vezes mais face ao número de pedidos de apoio apresentados em 2019. Os sectores que mais beneficiaram com esta ajuda do Executivo foram a venda a retalho, construção, restauração e serviços para empresas. Sobre as medidas provisórias lançadas no âmbito da pandemia, nomeadamente o Plano de Apoio Especial às PME e Plano de Bonificação de Juros, o director da DSEDT confirmou que, dos 4.997 pedidos apresentados até 31 de Janeiro deste ano, 4.800 foram aprovados. Em relação ao Plano de Apoio a Jovens Empreendedores, o Governo recebeu apenas 199 pedidos, uma queda de dez por cento em relação a 2019. Tai Kin Ip explicou que, a fim de aliviar a pressão financeira sentida pelas PME, a DSEDT lançou também uma medida de curto prazo de reembolso de mil patacas. Em 2020 foram recebidos 2.790 pedidos para esta medida, tendo sido aprovados 2.758. Houve 146 casos em que o reembolso não foi feito segundo os regulamentos, tendo sido feita uma cobrança coerciva pela Direcção dos Serviços de Finanças.


terça-feira 23.2.2021

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à O havia fila quando ontem de manhã o Centro de Saúde da Areia Preta iniciou a vacinação contra a covid-19 para residentes. Chan, de 59 anos, foi um dos residentes que se inscreveu para receber a vacina ontem. Quis ser vacinado para se sentir protegido. “É uma segurança para mim. Os meus filhos apoiam a vacinação e pedi ao meu filho para me ajudar com a marcação”, descreveu na zona de observação do centro de saúde. Pouco depois de ter levado a primeira dose da vacina e assegurando que não teve reacções adversas, tinha já pedido ao filho para marcar a segunda, que deverá tomar dentro de um mês. “A vacinação foi como uma injecção normal e as enfermeiras explicaram bem [o processo] e perguntaram se tinha febre ou outros reacções alérgicas. O processo foi rápido e não ultrapassou cinco minutos. Quem não estiver atento nem repara que a injecção já terminou”, descreveu Chan. Lou, funcionária num casino, olha para a vacinação como uma forma de cuidar de si e dos outros. “É por segurança. Não só sou responsável por mim, mas também pela sociedade. Como a vacina foi feita pela China, quando as vacinas ficaram disponíveis, fiz de imediato marcação”, descreveu aos jornalistas. Tai Wa Ho, coordenador do plano de vacinação contra a covid-19, disse que 15 mil residentes tinham feito marcação para a vacinação, tendo já sido vacinadas 3.700 que integram o grupo prioritário. O responsável estimava que seriam vacinadas nos próximos dias mais de três mil pessoas. Para hoje, recordava-se de existirem cerca de 1.000 marcações. “O volume aumenta por segundo, diariamente há mais de mil marcações”, descreveu. Actualmente, está apenas disponível a vacina da farmacêutica Sinopharm.

Avaliação à chegada

O coordenador indicou que a vacina da Sinopharm é sugerida para pessoas com idades entre 18 anos a 60 anos, mas quem tem idade superior também pode ser vacinado, se for saudável, não tiver doenças agudas e após avaliação de saúde. “Para já, vários indivíduos com mais de 60 anos marcaram a vacinação, incluindo funcionários da linha frente e residentes. Fazerem a marcação com sucesso na internet não significa que serão

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COVID-19 RESIDENTES VACINADOS DESTACARAM SEGURANÇA COMO MOTIVAÇÃO

Chutos sem pontapés

Decorreu sem acidentes o primeiro dia da vacinação geral contra a covid-19 para residentes da RAEM. Alguns dos cidadãos frisaram que se inscreveram por motivos de segurança. O coordenador do plano de vacinação indicou que há cerca de mil novas marcações por dia

Chan, residente “O processo foi rápido e não ultrapassou cinco minutos. Quem não estiver atento nem repara que a injecção já terminou”

vacinados, é precisa uma avaliação de saúde quando chegam ao posto”, observou Tai Wai Ho. Os residentes com mais de 60 anos são sujeitos a uma avaliação

mais pormenorizada. “Se tiverem febre ou hipertensão no dia de vacinação, não recomendamos a injecção naquele momento e pedimos para regressarem ao posto

SEM EFEITOS SECUNDÁRIOS SEVEROS Durante a manhã de ontem foram vacinadas mais de mil pessoas, nos diversos postos da cidade, de entre um total de 2.600 marcações feitas para o dia de arranque da vacinação para residentes em geral. “Até ao meio dia, já 1.200 [pessoas] receberam vacina sem qualquer problema. Claro que um ou outro efeito secundário, como fadiga ou dores no local de injecção, mas não há nenhum caso severo que precise de acompanhamento”, referiu Alvis Lo Iek Long,

da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, em conferência de imprensa. As autoridades de saúde indicaram que mediante necessidade da população, quando o processo de vacinação “amadurecer”, poderão ser acrescentados postos. Ainda não há data para a 3ª fase de vacinação, dirigida a trabalhadores não residentes e estudantes de fora. Alvis Lo Iek Long disse que é preciso ponderar “a situação da vacinação dos residentes locais” antes

de avançar para a próxima fase. Actualmente não há indicações no sentido de que a vacinação possa substituir algumas medidas de passagem fronteiriça. “Estamos em discussão com as autoridades do Interior da China, estamos atentos à situação dessas regiões. Vamos discutir se há esta possibilidade, mas até este momento ainda não há um plano concreto, depende da viabilidade dos pontos de vista entre as partes”, descreveu o médico.

mais tarde”, notou o coordenador da vacinação. Outra residente que se deslocou ontem ao centro de saúde para ser vacinada foi Au. A mulher de quase 60 anos não se mostrou receosa. “A vacinação é necessária, porque sou funcionária da linha frente, sou zeladora de uma escola e contacto com muitos alunos”, disse. Au acrescentou que não teve dores e que não tinha muitas pessoas à frente porque chegou cedo, tendo contado com a ajuda dos colegas para fazer marcação online para as oito e meia da manhã. Tai Wa Ho indicou que a maioria das pessoas escolheu ser vacinada no Centro de Saúde da Areia Preta, porque ser a zona de maior densidade populacional, mas garantiu que os Serviços de Saúde oferecem vagas suficientes e que

se houver necessidade no futuro serão aumentadas. Como forma de prevenção, os utentes ficam sob observação na meia hora seguinte à vacinação. “Para já não recebemos denúncias dos governadores e do Chefe do Executivo sobre reacções adversas”, disse. Nunu Wu e S.F.

PORTUGUÊS RECEBEU ALTA O residente de Macau com nacionalidade portuguesa que testou positivo à covid-19 depois de regressar ao território proveniente do voo que chegou de Tóquio já teve alta e está agora em período de convalescença no Alto de Coloane. A outra paciente que tinha sido diagnosticada permanece no hospital, porque voltou a testar positivo no dia 19, continuando assim a receber tratamento.


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Dançar com a solidão CCM

“ÂMAGOS”, DA COMPANHIA DE DANÇA TEATRAL XIE XIN, SOBE AOS PALCOS AMANHÃ

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já amanhã e depois de amanhã, dia 24 e 25, que é apresentado no palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) o espectáculo “Âmagos” [From In], da autoria da Companhia de Dança Teatral Xie Xin, de Xangai. Esta peça, coreografada por Xie Xin e interpretada por oito bailarinos, é descrita por um comunicado do CCM como uma “mostra frenética de contrastes”, que compõem um “enigmático e gracioso espectáculo” onde os bailarinos são “figuras magníficas que aparecem e desaparecem, como imagens que se desvanecem num filme”. A coreógrafa explorou, em “Âmagos”, uma “multiplicidade de momentos em que os corpos são levados ao extremo, fluindo na sua elasticidade, produzindo uma estética de suprema elegância”. Apesar da presença em palco de oito bailarinos, o espectáculo assume-se como “ode à solidão e uma expressão emocional da nossa constante busca pelo outro”, ou então uma “descoberta suave que nos toca com a leveza de plumas e a força absoluta da beleza”, descreve o CCM, em comunicado. Mas esta peça faz também lembrar “Cursivo”, tida como a obra prima de Lin Hwai Min, bailarino e coreógrafo de Taiwan, pela forma como explora um ponto de convergência entre as pinceladas dos caracteres chineses e as linhas do corpo humano. Para isso é usado o caracter 人, que se desenha com um traço à esquerda e outro à direita, e que exprime “um sentido poético de solidão”. Em “Âmagos” o público poderá assistir a “movimentos extremamente tensos e explosivos”, que transmitem “uma teia de conotações profundas com a estética oriental”. A peça revela também “movimentos pacíficos e suaves de Tai Chi, a rotina coreografada cria uma aura calmante, mergulhando o público num mundo mágico”.

Dança desde sempre

Xie Xin fundou a sua própria companhia em 2014 e, desde então, que tem revelado o seu “estilo incomparável de bailarina e coreógrafa, enriquecido com colaborações com Sidi Larbi Cherkaoui e muitos outros criadores internacionais”. A coreógrafa de origem chinesa é descrita

CINEMA IC PROMOVE EXPOSIÇÃO E EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “INTERPRETAÇÃO DAS IMAGENS”

O

documentário “Interpretação das Imagens”, um projecto do Instituto Cultural (IC) será exibido em cinco sessões na Cinemateca Paixão a partir do dia 2 de Março, estando abertas as inscrições a partir das 10h deste sábado, dia 27. Este projecto surgiu com o

objectivo de “sensibilizar o público para o cinema local e sectores afins”, funcionando como “uma forma de dar a conhecer o desenvolvimento do sector da exibição cinematográfica em Macau ao longo do século passado”. A direcção do documentário esteve a cargo

de Lao Keng U e mostra “a força criativa por detrás do sector cinematográfico e televisivo local”. Foram realizadas entrevistas a académicos e profissionais de cinema, que revelam a “história das vicissitudes do sector da exibição cinematográfica de Macau e apresenta a

evolução dos cinemas locais ao longo do século passado”. O IC diz esperar que este documentário “contribua para incentivar um maior apoio e atenção por parte do público para o cinema de Macau e indústrias associadas”. Além da exibição do do-

cumentário, irá decorrer em simultâneo uma exposição sobre o sector cinematográfico de Macau que “combinará materiais físicos e visuais”, e que acontece nos números 9 e 11 da Travessa da Paixão. Nesta mostra revelam-se “os indivíduos, episódios e objectos dos bastidores

do cinema que levaram ao desenvolvimento deste sector, apresentando a história da sua evolução ao longo do século passado, assim como as histórias das figuras que fizeram parte do processo”.


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HUANG KAIDI

O Centro Cultural de Macau recebe esta quarta e quinta-feira o espectáculo “Âmagos”, da Companhia de Dança Teatral Xie Xin, de Xangai. A coreografia está a cargo de Xie Xin e é interpretada por oito bailarinos que sobem ao palco “numa mostra frenética de contrastes”, onde a solidão e o Tai Chi se misturam

como uma artista “radical, cheia de talento e com espírito livre”. Com 13 anos Xie Xin entrou no conservatório de dança, onde começou por estudar dança chinesa. Posteriormente, a coreógrafa acabaria por abraçar a expressão contemporânea na Escola de Dança de Guangdong, onde teve como professora Cao Chengyuan, uma das pioneiras da cena vanguardista chinesa. Depois da universidade, Xie Xin viria a trabalhar em companhias de dança teatro como a Jin Xing, a Tao e a Dança de Pequim LDTX. Em 2013, ganhou a medalha de prata e o prémio para melhor desempenho do

segundo Concurso Internacional de Ballet e Coreografia de Pequim. Com os fundos desse prémio prosseguiu os estudos em Nova Iorque, Paris e Berlim ao longo de quatro meses, período durante o qual se focou cada vez mais na coreografia. Depois de “beber” das experiências de pioneiros da dança contemporânea com percursos diversos, Xie Xin alargou os seus horizontes, estimulando o desejo de aprender coisas novas, até fundar a companhia com o seu nome. Desde 2014, o grupo de teatro-dança levou aos palcos peças como “Plus”, cuja primeira incursão no exterior obteve o ouro no Concurso

Internacional de Dança de Roma, Itália, e prata em Hannover, naAlemanha. No leque de espectáculos incluem-se ainda “Desconhecido” e novas coreografias para o Ballet Boyz, um badalado e inovador grupo sediado em Londres. Mas nem só de dança é feita a vida de Xie Xin, que noutra

vertente estética criou a marca Vanguard Boy, uma linha de roupa confortável e individual e que aposta nos tecidos refinados e um design minimalista. Como disse a coreógrafa, “quem ficar perplexo ao ler estas palavras deve esquecê-las e simplesmente

Xie Xin fundou a sua própria companhia em 2014 e, desde então, que tem revelado o seu “estilo incomparável de bailarina e coreógrafa se tem enriquecido através de colaborações com Sidi Larbi Cherkaoui e muitos outros criadores internacionais”

reagir de forma sincera ao que sentir quando assistir ao espectáculo. Se se esquecerem de tudo o resto e se deixarem levar pelo bailado, ou se sentirem uma ligação emocional e física, poderão fazer a vossa própria leitura do nosso trabalho”. Os espectáculos marcados para amanhã e quinta-feira têm início às 19h45, com a última data a ser culminada com uma tertúlia depois da performance. Os bilhetes estão à venda e custam 180 patacas.

Andreia Sofia Silva

BIBLIOTECA DO SENADO ACESSO A ACERVOS ESPECIAIS SÓ COM MARCAÇÃO

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Biblioteca do Senado, situada no edifício do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), fez ajustamentos no seu modo de funcionamento, de forma a receber, apenas por marcação, visitas guiadas e o acesso a acervos especiais apenas com marcação. As novas regras entram em funcionamento a partir do

dia 1 de Março. O objectivo é “preservar melhor os livros e materiais antigos e optimizar o uso do espaço da biblioteca”. O Instituto Cultural explica ainda que o novo método de atendimento “ajudará a optimizar o espaço de armazenamento da Biblioteca do Senado, melhorar o ambiente em que as preciosas colecções antigas

estão armazenadas e oferecer serviços mais especializados para que o público possa visitar e consultar os materiais antigos”. A Biblioteca do Senado, inaugurada em 1929, tem uma área total de 454,9 metros quadrados e conserva documentação ocidental valiosa desde o século XVII até mea-

dos do século XX, bem como jornais portugueses do final do século XIX e início do século XX. A biblioteca abriga uma colecção de aproximadamente 20.000 volumes, 121 títulos de jornais encadernados, que inclui um grande número de livros valiosos, cobrindo cerca de dois terços do espaço da biblioteca.


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ECONOMIA EMPRÉSTIMOS PARA A AMÉRICA LATINA ESTAGNAM

O tiro e a culatra

Em 2020, pela primeira vez em quinze anos, os dois maiores bancos de investimento públicos da China não fizeram novos empréstimos a países da América do Sul, após quase duas décadas de avultados investimentos

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UANDO, em 2010, a economia chinesa registava um crescimento de dois dígitos e as suas empresas estatais procuravam expandir-se globalmente, a América Latina, região com escassez de capital, mas rica em recursos naturais que o país asiático precisa, surgiu como o complemento ideal. Só nesse ano, a China emprestou 35 mil milhões de dólares aos vários países da região. Volvida uma década, a China parece ter adoptado uma postura mais cautelosa, numa altura em que a pandemia da covid-19 obrigou os credores a perdoar ou adiar o pagamento das dívidas dos países em desenvolvimento. Os dados fazem parte de um novo relatório produzido em conjunto pela unidade de investigação Diálogo Interamericano, com sede em Washington, e o Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, que há vários anos seguem os investimentos chineses na América do Sul. A crescente influência económica e diplomática da China na região preocupa as autoridades dos EUA, que não conseguiram conter o seu aumento. A tarefa cabe agora ao Governo de Joe Biden, que alertou já que a influência chinesa na região é uma ameaça à segurança nacional dos EUA. A China substituiu já os EUA como o principal parceiro comercial de vários países sul-americanos. Os EUA podem ter ficado ainda mais para trás durante a pandemia, quando a China doou mais de 215 milhões de dólares em equipamento médico, incluindo luvas cirúrgicas ou máscaras, para os aliados na região, segundo o relatório. Em comparação, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e o Departamento de Estado forneceram 153 milhões de dólares em equipamento médico. A China também realizou testes clínicos ou planos para fabricar vacinas em cinco países -Argentina, Brasil, Chile, México e Peru. “Sem dúvida, parte da resposta à covid-19 na região tem uma face chinesa”, disse Rebecca

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Ray, economista da Universidade de Boston e uma das autoras do relatório. “É uma oportunidade perdida para os EUA, mas face ao continuo declínio do sector manufactureiro dos Estados Unidos, desde a década de 1990, realmente não há como competir”, lembrou. Mas, embora a pandemia tenha aberto as portas à ajuda chinesa, também tornou mais difícil para os governos pagarem as suas dívidas a Pequim. Uma profunda recessão de 7,4% na América Latina e no Caribe, no ano passado, destruiu quase uma década de crescimento da região, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional. No ano passado, o Equador negociou o adiamento por um ano de quase 900 milhões de dólares no pagamento da dívida com remessas de petróleo. A Venezuela - de longe o maior mutuário da região - terá recebido um período de carência semelhante. “Com a região a enfrentar desafios sem precedentes, é improvável que a China faça empréstimos por enquanto”, disse Margaret Myers, chefe do programa Ásia - América Latina no Diálogo Interamericano. “Em vez disso, terá de lidar com um portfólio [de créditos] problemáticos”, apontou. A desaceleração nos empréstimos para a América Latina reflete uma retração global mais ampla, à medida que a China se volta para dentro, para reforçar os seus próprios esforços de recuperação económica.

Bancos estatais e outras instituições da China concederam enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito do plano de infraestruturas ‘uma faixa, uma rota’, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático. Mas Pequim adotou maior cautela, depois de alguns mutuários revelarem dificuldade para pagar os empréstimos.As autoridades dizem que examinarão os projectos e o financiamento com mais cuidado. Embora o fluxo de empréstimos tenha sido suspenso, as compras chinesas de soja, minério de ferro e outros recursos da América Latina permaneceram robustas, ascendendo a cerca de 136 mil milhões de dólares. As empresas estatais chinesas do sector energético também compraram activos agressivamente, aproveitando a queda nos preços. As fusões e aquisições chinesas aumentaram para 7 mil milhões de dólares, em 2020, quase o dobro do volume registado em 2019, de acordo com o relatório pesquisa. Entre os negócios, destaca-se a venda da maior companhia eléctrica do Peru pela Sempra Energy, sediada em San Diego, na Califórnia, à China

Three Gorges Corp, accionista na portuguesa EDP. Outro acordo de 5 mil milhões de dólares deu à State Grid Corp, accionista na portuguesa REN, o controlo de uma grande concessionária no Chile. Para os líderes da região, é difícil resistir aos empréstimos chineses para projectos de infraestrutura de alto custo. As taxas de juros são baixas e, ao contrário dos empréstimos do Banco Mundial e do FMI, há menos restrições e a aprovação é mais rápida, permitindo que os líderes apresentem as obras a tempo para as próximas eleições. As autoridades norte-americanas apontam que a assistência dos EUA no exterior é antiga e mais transparente. “A assistência de Pequim na região é geralmente destinada a promover os interesses comerciais ou políticos da República Popular da China”, avisou o Departamento de Estado norte-americano, em comunicado. Em Janeiro passado, no final do governo Trump, a Corporação de Financiamento do Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos assinou um acordo sem precedentes com o Equador para financiar até 2,8 mil milhões de dólares em projectos de infraestrutura. Mas o financiamento total daquele organismo público - 60 mil milhões de dólares - empalidece em comparação com o bilião que a China reservou para a iniciativa ‘uma faixa, uma rota’. O pacote de empréstimos dos EUA ao Equador foi significativo porque também exigiu que o governo privatizasse activos de petróleo e infraestrutura e banisse a tecnologia chinesa. “Isto definitivamente limita a influência da China”, disse Myers. “Mas, ao sobrecarregar as gerações futuras com mais dívidas e encorajar o uso de combustíveis fósseis, isto realmente ajuda o Equador no longo prazo?”, questionou. “O tiro pode sair pela culatra aos EUA”, disse.

Yuan Maior participação no pagamento externo

A moeda chinesa yuan manteve sua posição como a 5ª moeda mais atraente para pagamentos globais em valor no mês de Janeiro, mas com uma participação maior como moeda de pagamento global, divulgou a Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (SWIFT, em inglês), agência global de serviços de comunicação e padronização de transacções financeiras internacionais. Em Janeiro, a participação do yuan no pagamento global ficou em 2,42%, acima dos 2,15% no mesmo período de 2019, apontou um relatório mensal publicado pela SWIFT. O valor dos pagamentos em yuans aumentou 21,34% no mês passado em comparação com Dezembro de 2020, enquanto no geral todas as moedas de pagamento diminuíram 5,86%, acrescentou o relatório. Hong Kong é o maior mercado para transações offshore do yuan, ocupando 75,93%, seguida pelas economias do Reino Unido, Singapura e Estados Unidos, de acordo com o relatório.

GRANDE BAÍA COMBOIO SUBTERRÂNEO ATÉ GUANGZHOU

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M comboio subterrâneo capaz de atingir uma velocidade acima de 160 quilómetros por hora foi transportado para um depósito no distrito de Nansha, em Guangzhou, capital da província de Guangdong, no domingo. O comboio, fabricado pela CRRC Zhuzhou Locomotive, com sede em Zhuzhou, província de Hunan, irá operar inicialmente entre Nansha e o centro de Guangzhou, após alguns meses em que serão realizados testes de segurança. Este será o primeiro comboio subterrâneo a viajar a 160 km/h ao serviço na área da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. A área da baía abrange nove cidades na foz do Rio das Pérolas, em Guangdong, além de Hong Kong e Macau. O comboio subterrâneo ajudará a reduzir o tempo de viagem entre a Zona de Livre Comércio Piloto de Nansha, na foz do Rio das Pérolas, e o distrito comercial central de Guangzhou. O comboio desempenhará também um papel na promoção da construção económica do distrito de Nansha, o local de uma das três zonas-piloto de livre comércio de Guangdong. Os outros são Qianhai, na zona económica especial de Shenzhen, que faz fronteira com Hong Kong, e Hengqin, na zona económica especial de Zhuhai, que fica ao lado de Macau.


terça-feira 23.2.2021

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Chinês Idioma oficial da Organização Mundial de Turismo A Organização Mundial do Turismo (UNWTO, na sigla inglesa), agência das Nações Unidas especializada em Turismo, e o governo espanhol anunciaram oficialmente que, o chinês se tornou a língua oficial da OMT desde janeiro de 2021. A UNWTO, a organização internacional

de turismo intergovernamental mais influente do mundo, possui 159 países membros e está sediada em Madrid, na Espanha. A China ingressou na organização em 1983. Actualmente, as línguas oficiais da UNWTO são árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol.

Publicado livro de Xi Jinping sobre história do PCC Um livro de Xi Jinping, secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC), sobre a história do PCC, foi publicado pela Editora Central de Literatura do Partido. O livro, compilado pelo Instituto de História e Literatura, contém 40 artigos de Xi, alguns dos quais publicados pela primeira vez, diz um comunicado emitido neste domingo. O livro está disponível em todo o país. Desde o 18º Congresso Nacional do PCC em 2012, Xi pronunciou uma série de importantes discursos sobre a história do Partido, que constituem “uma parte importante do

pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”, assinala o texto. “A publicação do livro é de grande importância para guiar os funcionários e o público a estudarem a história do Partido e embarcarem numa nova viagem para a construção completa de uma China socialista moderna e a realização do sonho chinês de revitalização nacional”, segundo o comunicado.

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CHINA E ÍNDIA ANUNCIAM RETIRADA DE TROPAS EM ÁREA DISPUTADA

Paz no cume do mundo

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HINA e Índia anunciaram ontem a retirada de todas as tropas localizadas junto ao lago Pangong, na região oeste dos Himalaias, onde no Verão passado ocorreram confrontos sangrentos entre soldados dos dois países. Em comunicado conjunto, os Ministérios da Defesa dos dois países explicaram que os comandantes dos dois exércitos se reuniram, no sábado, e “avaliaram positivamente a retirada final tranquila das tropas colocadas na área do lago Pangong”. A mesma nota indicou que a desaceleração das tensões naquela área é uma “boa base” para resolver outras disputas fronteiriças ao longo da zona oeste da chamada Linha Real de Controlo, que separa China

e Índia nas áreas onde mantêm reivindicações territoriais. Os dois comandantes comprometeram-se a manter o diálogo para “estabilizar e controlar” a situação no terreno, e encontrar uma solução “aceitável para ambas as partes” que permita “paz e tranquilidade nas áreas fronteiriças”. A Índia anunciou este mês o início do processo de retirada das tropas da região, onde há cerca de oito meses houve um confronto entre soldados dos dois lados com paus e pedras. Nova Deli indicou que 20 soldados morreram, enquanto Pequim reconheceu quatro mortos, condecorando-os por “se sacrificarem para defender a soberania” chinesa. Os dois países reagiram ao confronto, reforçando a presença militar nas áreas disputadas,

enquanto tentavam resolver a crise por via diplomática, que resultou num acordo para travar a escalada de tensões de forma “gradual, coordenada e verificada”. O tenso impasse nas montanhas Karakoram começou no início de maio, quando soldados indianos e chineses ignoraram os repetidos avisos verbais uns dos outros, desencadeando uma disputa, através do lançamento de pedras e lutas corpo a corpo, na margem norte do Lago Pangong, que é marcado por oito cumes contestados. Em junho, os atritos agravaram-se e espalharam-se para o norte, em Depsang e no vale de Galwan, onde a Índia construiu uma estrada militar ao longo da fronteira disputada. As relações entre os dois países têm sido tensas, em

parte devido àquela fronteira não demarcada. China e Índia travaram uma guerra na fronteira em 1962, que terminou com uma trégua incómoda marcada por confrontos adicionais. Desde então, as tropas protegeram a fronteira indefinida enquanto os soldados se envolviam em confrontos ocasionais. Os dois países concordaram em não se atacar com armas de fogo. A linha de controlo contestada separa territórios controlados por chineses e indianos em Ladakh, no oeste, e no estado indiano de Arunachal Pradesh, que a China reivindica na totalidade. De acordo com a Índia, a fronteira de facto tem 3.488 quilómetros de comprimento, enquanto a China disse ser consideravelmente mais curta.

AVISO N.° 17/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se as infractoras abaixo discriminados:--------------------------------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 161/AI/2021:SHI JINHUA, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C19475xxx e do passaporte da RPC n.° G52487xxx , que na sequência do Auto de Notícia n.° 39/DI-AI/2019 levantado pela DST a 19.02.2019, e por despacho da signatária de 03.02.2021, exarado no Relatório n.° 203/DI/2021, de 26.01.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.°405, Edf. Seng Vo, 11.° andar A.--------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 188/AI/2021:ZENG SUYAN, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C47444xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 236.1/DIAI/2018 levantado pela DST a 03.12.2018, e por despacho da signatária de 19.11.2020, exarado no Relatório n.° 906/DI/2020, de 05.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Roma n.° 96, Tong Nam A Fa Un (Tong Nam A Seong Ip Chong Sam), 6.° andar AF, Macau.-------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 10 de Fevereiro de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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Rock reflection 1

uma asa no além

PAULO JOSÉ MIRANDA

fizeram uma tournée juntos em finais de 1995 início de 1996 e também uma música e vídeos, «I’m Affraid of Americans». É muito provável que a musicalidade de Trent Raznor, e o encontro entre ambos, tenha escurecido o coração de Bowie para sempre. Podem assistir aqui a uma das canções dessa tournée «Reptile», dos Nine Inch Nail, ao vivo com David Bowie: https:// www.youtube.com/watch?v=wJIJzmcc4MY. Ou ao concerto inteiro, aqui: https://www.youtube. com/watch?v=j4sP1CTuIjs. Curiosamente, ou talvez não, dez anos mais tarde Trent Raznor cantaria esta mesma canção, «Reptile» com Peter Murphy: https://www.youtube.com/ watch?v=gvClJOA5lqA JEAN-MICHEL BASQUIAT, UNTITLED (HEAD)

Nesta rubrica «Uma Asa no Além» já escrevi dois ou três textos acerca de livros norte-americanos que fazem parte de uma nova corrente literária chamada «rock reflection». Esta nova corrente, surgida em São Francisco, mas que se espalhou ainda com mais expressividade na costa leste – vimos aqui recentemente um pequeno ensaio de James Goodman «O Futuro Eterno Agora» – são compostos maioritariamente por ensaios acerca da música ou das bandas rock. O universo onde a reflexão se centra, nestes textos, é o rock. Embora de modo geral, os textos tenham uma carácter ensaístico-poético, também há também textos que dividem a reflexão com a ficção, como foi o caso do livro que vimos aqui de um autor de São Francisco, Howard C. Jones, «White Punks On Dope». O livro que nos traz hoje aqui vem da costa leste, mais propriamente de Nova Iorque, e chama-se «O Futuro de Ontem», escrito por Louise Stanley, que nos leva por um dos discos mais importantes na minha juventude: «Remain in Light», da mítica banda novaiorquina Talking Heads. Mas o livro é também um livro charneira para a linha mais radical da «rock reflection», que pensa o movimento como essencialmente musical e cultural, contrariamente ao ponto de vista defendido por James Goodman. Mas a isto voltaremos na segunda parte desta nossa incursão ao mundo de «O Futuro de Ontem». Acerca de «Remain in Light», só recentemente tive conhecimento de que a minha experiência com o disco foi muito similar à de um importante músico pop-rock norte-americano, mais conhecido como vocalista e mentor dos Nine Inch Nails, Trent Raznor. Numa entrevista em 2020, Raznor disse que «Remain in Light» era o melhor disco de sempre. Não apenas o melhor da década de 80, como escreve Louise Stanley – «Estou convicta de que “Remain in Light” é o melhor disco da década de 80.”» –, mas o melhor de sempre. Leia-se o que Raznor disse na entrevista, acerca daquele que é para ele o melhor disco de sempre da história da pop-rock: «Trata-se de um dico que não entendo quando o ouvi pela primeira vez, no início dos anos 80. Nessa altura, vivia numa pequena cidade do interior, sem quaisquer actividades culturais. E, vindo do nada, chega este disco. Uma obra de arte estranha, sintética, polirrítmica, com influências africanas, que me baralharam todo. [...] O que acontece com bons discos quando os ouvimos pela primeira vez, como neste caso, é que nunca sabemos bem com o que estamos a lidar. Não temos medida de comparação. Mas ficamos fascinados por eles, e depois de o ouvirmos seis vezes o disco começa a revelarse. À décima audição estamos completamente apanhados. Mas mesmo quando o ouves pela trigésima vez, descobres coisas novas. Foi com “Remain in Light” que aprendi tudo isto e o vivi pela primeira vez.» A experiência que Trent Raznor descreve é muito similar à minha, embora nem por um momento duvide de que ele escute melhor esse disco do que eu, pois não duvido que tenha melhor ouvido e saiba mais de música pop-rock do que eu, além de ter sido considerado imortal por David Bowie, que tinha grande admiração por Trent. Bowie e Reznor

23.2.2021 terça-feira

Esta breve viagem aos Nine Inch Nails e a David Bowie teve apenas como objectivo sublinhar a importância da escolha do quarto álbum dos Talking Heads como o melhor disco de sempre. Trent Raznor poderia ter escolhido um dos discos Bowie do período de Berlim, que ele tanto gosta, poe exemplo, mas escolheu «Remain in Light». Poderia ter escolhido algo mais obscuro, como a sua música ou aquela que usualmente ouve mais, mas escolheu um disco que é o oposto disso. O que tem este disco de tão especial afinal? Regressando ao livro de Louise Stanley, que foi publicado em 2018, a escritora não pôde ter tido acesso às declarações do vocalista dos Nine Inch Nails acerca do disco dos Talking Heads, embora muito do que Trent Reznor disse musicalmente acerca do disco, ela o tenha dito. Mas além de uma análise musical do disco em geral e das canções em particular, Louise Stanley explora aquilo que ela considera «a grande fenda nacional». Esta fenda nacional, explorada ao longo do livro, é retirada de uma entrevista dada pelo vocalista dos

Talking Heads, David Byrne, quando se refere a «Remain in Light»: «Financeiramente, levámos uma grande tareia com esse disco. Na época, foi muito difícil vendê-lo. Aquilo que nos diziam é que o disco soava demasiado “negro” para as rádios “brancas” e demasiado “branco” para as rádios “negras”.» Aquilo que Louise Stanley nos quer mostrar, ao citar logo no início este excerto de uma entrevista de David Byrne acerca de «Remain in Light», é que «[...] no início dos anos 80, os Estados Unidos da América ainda não se tinham libertado do preconceito que atingira o seu confronto máximo nos anos 60. No início dos anos 89 continuava a haver um fosso a separar a sociedade negra da sociedade branca, assim como os apreciadores de música. “Remain in Light” era um disco revolucionário, não pelas letras, independentemente de serem boas, mas pela música, pelo som. “Remain in Light” desmascarava as divergências, sem palavras, fazia com a falsa divergência fosse ouvida. Os americanos não estavam preparados para um disco sem fronteiras de cor. Seria na Europa que o disco ganharia a reputação de obra prima. Musicalmente, o disco estava muito à frente do seu tempo, principalmente pelas guitarras de Belew, culturalmente expressava uma utopia: ouvidos que não escutassem a cor da música.» Para além dos quatro membros dos Talking Heads – David Byrne na voz e guitarra, Tina Weymouth no baixo e nos teclados, Chris Franz na bateria e Jerry Harrison na guitarra e teclados (nas percussões, todos) –, a banda teve as preciosas colaborações de Brian Eno e do icónico guitarrista Adrian Belew, que tinha tocado com Frank Zappa e David Bowie (no período de Berlim). Além de vários trabalhos de guitarra ritmo, foi responsável pelos estranhos solos de guitarra sintetizadora. Mais do que com notas, Belew solava com sons. Brian Eno, que além de produtor foi também cocompositor de todas as músicas e co-letrista das duas primeiras canções do disco – «Born Under Punches (The Heat Goes On)» e «Crosseyed and Painless» –, tocou todos os instrumentos, excepto bateria, e foi responsável pelos arranjos vocais. Nas vozes secundárias aparecia a incontornável Nona Hendryx, o indiscutível lado negro da voz. Tenho a noção de que não cheguei sequer a falar metade do que poderia, acerca do livro de Louise Stanley. Felizmente no «Hoje Macau» temos espaço e tempo. Continuarei na próxima semana, de modo a vermos melhor o livro que não é apenas acerca da importância musical e cultural de um disco, mas também tenta ser um divisor de águas no movimento «rock reflection». Asseguro-vos que vale a pena continuar a acompanhar este livro da escritora nova-iorquina. Este trabalho propedêutico que aqui foi feito hoje era fundamental. Para que tenham uma melhor noção deste disco e da importância de Adrian Belew, vejam os Talking Heads ao vivo na Alemanha, em 1980, a tocar «Crosseyed and Painless»: https://www. youtube.com/watch?v=ul7I3Z5LA5M. Dois baixos em palco; além de Tina, Busta Jones. A fazer o trabalho que Nona Hendryx fizera em estúdio está Dolette McDonald. Nos teclados, Bernie Worrel. Nas percussões, Steve Scale.


terça-feira 23.2.2021

ANABELA CANAS Ou não. Aquele momento insinuou-se numa poética em cinzas. A poesia que surge em claros cinzentos não é nova e se bem que luminosa, melancólica. Por outro lado, há as pequenas coisas e em cada uma, uma ligação a algo maior. Links. Azuis acinzentados. Uma cor variável muito pouco saturada. O gelo marinho ou as neves, em camadas com uma subtil química diferente. O momento começou assim, mas terminou na densa complementar laranja. Os cinzentos de um drama frio, longe da ribalta, num planeta a aquecer e depois os tons potencialmente quentes do planeta vermelho, frio, frio. A ver o futuro. Em cinzentos. Uma falha enorme, uma linha cortante e progressiva a desenhar a cartografia da desolação na plataforma de gelo de Brunt. Um lugar paradigmático de vazio na Antártida. No silêncio dos brancos nas imagens adivinha-se o som de um estalar quase tectónico e igualmente brutal. Uma rotura que se vai delineando em quilómetros de um desenho imparável, que por estes dias, não se sabe quando, deixa de ser apenas uma linha de fissura irreversível no mapa gelado. E desprende-se do colo gelado materno um novo iceberg, ou talvez dois. Irmãos. Órfãos que iniciam, então, a deriva. Ou a rota previsível do suicídio. Do tamanho de duas cidades de Nova Iorque. Ainda mais do que o necessário para os Martinis gigantes dos deuses que nos contemplam, irónicos. São fotografias da NASA. Mas não as dos deuses. Todos os dias a subliminar apetência à elaboração de mapas, á revisão de planos cartesianos a dimensionar a distância, referências ou camadas de verdade espacial nas coisas sólidas e por inerência nas que são impalpáveis. - Encontramo-nos em Marte. Acedi como sempre ao tom incontornavelmente definitivo e misterioso, do enigma em que não se conhece cota ou afastamento e portanto de geometria impossível. E à recusa subjacente em definir pistas ou desenhar linhas no mapa imaginário. O único à mão. E que, como todos, é formado por camadas de diferentes estratos. Não geológicos, mas de verdades sobrepostas e com uma desfocagem inerente àquilo em que umas, como camadas de transparência, diferem das outras, na multiplicidade de contornos e na variação das linhas que demarcam fronteiras. A história, a política, as religiões e as lutas territoriais, a flutuação dos povos, a sucessão de camadas no tempo, a desfocar a leitura de um mapa. Das fronteiras que variam em função de guerras e também de sentidos. E as histórias que se contam, olhares, contos e pontos que se acrescentam. Ou a terra ela própria a criar uma narrativa de registos visuais. Ler as camadas, Também. Como épocas na história da estética. Um planeta no céu é sempre o ponto de encontro do olhar. Cruzado em cima e lá longe. Não sei se dizia isso quando o disse. A ideia era descobrir no enigma dos dias, a viagem a fazer. E o mapa, de momento, caído como sem vida nas mãos, desdobrado, a desvanecer-se em silêncio e a diluir-se em tonalidades difusas, de pouco mais que invisibilidade. Vejo o seu olhar atento à espera do meu caminho imprevisto. Dos erros. E sinto-me

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Novas dos icebergs 1 ANABELA CANAS

cartografias

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espiada enquanto enceto caminho. Procuro. Talvez guiada pelo óxido de ferro. Aquela cor quente seca e em corrosão como as palavras que não se entendem, as dúvidas. Viajo à beira dos desertos. Do Arizona. A vastidão a secura e o desabitado que é. O vento. A cor. A terra. Um canal de irrigação serpenteia e desenho uma linha de viabilidade na terra desértica do estado. Quando o homem quer, tudo. Lembro de novo a fractura crescente no mapa do gelo. Olho pela janela e no cinzento quase total do dia, a custo algumas cores tímidas e persistentes se afirmam em voz baixa. Aquela terra árida e seca, mas fértil. Somente a precisar de ser regada, acalentada. E os monumentos que a erosão esculpe e que inspiram uma sensação de irmandade que nos repreende de tanto reagirmos ao desgaste da memória. Da dor. Ali, o desgaste construiu. Chamar-lhe nação Navajo, ainda, é uma triste demagogia. Mas ninguém. A paisagem é deslumbrante, desértica e esculpida com minúcia arquitectónica. Monument Valley. Formações rochosas como grandes catedrais, erguidas pela própria terra em homenagem a si. Arenitos. Camadas que são registo da sedimentação, que ecoa a depósitos em rios e mares. Conchas e fósseis e areias de quartzo e feldspato e micas de reflexo luminoso vítreo, aglutinadas por um cimento natural que preserva a memória das eras. A dizer tempos sobrepostos. Perfis. História. No planalto do Colorado, na linha de fronteira entre Utah, Arizona e Novo México. Os quatro cantos. Com os grandes montes rochosos de uma coloração rosada. Dos óxidos de ferro. Os mesmos que em Marte. Daí que possa ter-me perdido no caminho, atraída ilusoriamente pelo mapa de cor. Mas óxido de ferro parece ser a mesma coisa em qualquer ponto do universo. Hematite. Ou,

às vezes ferrugem. Uma coisa bonita mas que estraga, voraz. E dali, daquelas sílabas, como voltando de uma viagem, fomos sentar-nos no sofá da sala, como duas páginas de insónia, cúmplices. Encostámos a cabeça, a ver. Num monitor Marte e no outro os desertos do Arizona. Num filme de John Ford. Os mesmos laivos rosados e ferrosos de terras diferentes e sonhos parcialmente idênticos. A verdade é o que vive no interior da nossa cabeça. Mesmo encostada a outra. E no fundo é indiferente se contemplamos a abóbada esférica e estrelada do planetário, nos confins da infância, a paisagem desértica que nos seca os lábios, ou um paradigma além nuvens, porvir para sempre. Separado por duas atmosferas e gravidades e muito espaço-tempo sideral. No meio de uma tempestade global de areia que envolve o planeta numa nuvem perene e avermelhada, ocultando crateras, cavidades abissais e outros registos cartográficos. É indiferente tudo, menos estar. No veludo puído e alaranjado rosa, do sofá, com todas as descolorações e colorações de muito viver o peso dos corpos sentados ao fim do dia. Encostados. Nas suas verdades estrangeiras. Penso: de todas as ficções, qual é a verdade viva. Dentro. Em que o espaço se abre, de uma forma ou de outra ao olhar e nas suas múltiplas imagens desertas. Marte e essa solidão concreta. Que cenário fabuloso, silencioso, estranhamente familiar, e que solidão verdadeira. Como somente aquela em que se acredita. O paradigma da ausência total. Do humano, dos objectos, da memória, dos vestígios. Marte, os desertos do Arizona e outros desertos. Depois penso nos nomes dos brinquedos a percorrerem Marte. O rover Perceverance e o helicóptero Ingenuity. Olho para o lado e pergunto-lhe se não é lindo…


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NO VALE DE ELAH | PAUL HAGGIS (2007)

Hank Deerfield (Tommy Lee Jones), um investigador aposentado da polícia militar, é confrontado com o desaparecimento do filho, que voltou da Guerra do Iraque. Descrente no trabalho dos militares, Hank decide investigar por si próprio. Ao longo deste processo, Deerfield vai contar com o apoio da agente Emily Sanders (Charlize Theron), naquele que também é um confronto de forças entre polícia regular e militar. Este é um filme que aborda o stress pós-traumático dos cenários de guerra e que procura um significado para as guerras mais recentes norte-americanas. João Santos Filipe

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo


terça-feira 23.2.2021

Maria Ó Bruno Soares, representante legal das vítimas dos crimes de abuso sexual de crianças cometidos por João Tiago Martins, vem exercer o seu direito de resposta à notícia da primeira página do jornal de que V. Exa. é director, publicada em 18-02-2021, sob o título “De culpado a inocente”, na qual é afirmado que a “Justiça portuguesa reverte decisão dos tribunais de Macau”, desenvolvida nas páginas 2 e 3 da mesma edição e assinada pela jornalista Andreia Sofia Silva. 1. Quanto ao antetítulo “Justiça portuguesa reverte decisão dos tribunais de Macau”: Contrariamente ao que se infere do antetítulo da notícia, a Justiça portuguesa não pode, em circunstância alguma, reverter as decisões proferidas pelos tribunais de Macau, os quais pertencem a uma jurisdição autónoma da República Popular da China. Como tal, a Justiça portuguesa não reverteu, nem podia reverter, a decisão proferida pelos tribunais de Macau que, em 5 de Setembro de 2017, condenou João Tiago Martins à pena de 5 anos e 6 meses de prisão efectiva pela prática do crime agravado de abuso sexual dos seus próprios filhos. 2. Quanto ao título “De culpado a inocente”: Este título é inverídico e induz os leitores em erro. A Justiça portuguesa não declarou a inocência, nem sequer questionou a culpabilidade do João Tiago Martins na prática dos mencionados crimes pelos quais foi condenado em Macau. Pelo contrário, o Juízo de Família e Menores de Lisboa deu como provada aquela condenação criminal e a respectiva confirmação pelos tribunais superiores da RAEM. A decisão proferida agora pelo Juízo de Família e Menores de Lisboa, no âmbito de um processo de natureza cível, apenas indeferiu o pedido, instaurado na jurisdição portuguesa, de inibição total das respon-

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sabilidades parentais do João Tiago Martins, através de decisão que não transitou em julgado e está sujeita a recurso. Como tal, para todos os efeitos, o João Tiago Martins é culpado dos crimes em causa e nunca poderá ser considerado inocente, muito menos por uma justiça estrangeira alheia aos tribunais de Macau. 3. Quanto à frase “Em Portugal, o tribunal considerou que o julgamento de João Tiago Martins em Macau careceu de prova suficiente”: Também esta frase vertida na entrada da notícia é inverídica e induz os leitores em erro. Em lado algum da decisão agora proferida pelo referido Juízo de Família e Menores, se concluiu que o seu julgamento em Macau careceu de prova suficiente. Ao invés, o tribunal português afirmou que não lhe cabia “realizar avaliação da forma como os factos foram julgados por outros tribunais.” O motivo pelo qual factos foram dados como não provados na sentença proferida pelo mencionado Juízo é essencialmente formal e , como dela decorre, traduz-se no facto de não ter sido previamente efectuada na jurisdição portuguesa a revisão da sentença penal condenatória proferida pelos tribunais de Macau. 4. “Daí que tenha concedido ao pai a guarda parental dos filhos contra a vontade da ex-mulher”: É também errónea a notícia de que o tribunal português tenha concedido ao pai a guarda parental dos filhos. De resto, tal nem sequer estava sob discussão no referido processo de inibição. Com efeito, a guarda parental dos menores cabe, desde 2011, à signatária desta resposta. Acresce que, na sequência da condenação criminal do João Tiago Martins, este foi inibido totalmente de exercer o poder paternal pelos tribunais de Macau, até à maioridade dos filhos, por decisão de 11 de Dezembro de 2019, ainda antes da data de o mesmo ter sido colocado em liberdade condicional.

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Considerando a gravidade dos crimes em causa e o facto de ser totalmente desprovida de sustentação factual a autoproclamada inocência do João Tiago Martins (na página 2 da referida edição), tal notícia – que inculca nos leitores conclusões inverídicas e erróneas -, atenta contra a dignidade e o direito à reserva sobre a intimidade da vida privada e familiar das vítimas dos crimes, meus filhos, bem como contra a independência e dignidade dos tribunais de Macau e dos Exmos. Senhores Juízes que, nas três instâncias locais, condenaram, sempre por unanimidade, o autor dos crimes a que este jornal dá voz. É de lamentar que, perante uma matéria que envolve dois menores vítimas de crimes cometidos em Macau, o jornal que V. Exa. dirige não tenha contactado a representante legal das vítimas, ou os seus advogados, no sentido de confirmar a veracidade das conclusões extraídas pela jornalista que subscreve a notícia, em omissão clara do dever de verificação dos conteúdos jornalísticos por que é responsável. A signatária reserva todos os direitos que legalmente lhe assistem de recorrer aos meios judiciais para cabal exercício dos direitos dos seus filhos. Maria Ó Bruno Soares

Nota da direção O jornal Hoje Macau não utilizou, de facto, a linguagem jurídica que consta dos processos, tendo interpretado e “traduzido”, em linguagem comum, as afirmações do tribunal português, que rejeitou as pretensões da signatária, apesar de ter tido acesso aos documentos do processo realizado na RAEM. De igual modo, por respeito aos menores envolvidos, tivemos o cuidado de não expor a sua identidade, bem como a identidade da signatária deste direito de resposta. Se, eventualmente, causámos alguma perturbação à signatária, desde já esclarecemos que não foi essa, de todo, a nossa intenção. Os representantes legais em questão nunca responderam às nossas solicitações de esclarecimento deste ou de quaisquer casos em que tenham estado envolvidos. Esperamos que, para a próxima, esses mesmos representantes legais respondam às nossas solicitações ou nos facultem o contacto dos seus clientes que, infelizmente, não possuíamos. Estamos, contudo, disponíveis para ouvir uns e outros e noticiar as suas opiniões e versões sobre os factos em questão.


terça-feira

“Quando uma geração é estéril passa o tempo a entrevistar o seu vazio.” PALAVRA DO DIA

João Loureiro Polícia brasileira pediu informações sobre património

Timor-Leste Ex-padre pedófilo procurado por fraude bancária

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Polícia Federal brasileira, no âmbito da investigação ao caso dos 500 quilos de cocaína apreendidos num jacto privado naquele país, quer saber qual é o património, incluindo o financeiro, de João Loureiro e pediu à congénere portuguesa a sua colaboração para fazer esse levantamento tanto em Portugal como no Brasil. Caso a investigação confirme que há fortes indícios de que esse património do ex-presidente do Boavista é resultante de actividade criminosa, os bens serão apreendidos a favor do Estado. Quem o afirma é Elvis Secco, coordenador-geral do Departamento de Repressão a Drogas e Facções Criminosas da Polícia Federal brasileira, para quem a descapitalização patrimonial e a investigação direcionadas à lavagem de dinheiro são o soco mais duro dirigido ao rosto das organizações criminosas que vivem do narcotráfico. “A apreensão de droga é um meio, não é um fim. A única maneira de desmantelar estas redes é despojá-las dos seus recursos. Para as descapitalizar, precisamos de interromper a sua operação de lavagem de capital. Desta forma, mesmo que eles consigam escapar a uma condenação por tráfico de droga, há ainda outras acusações que os podem manter na prisão”, defende o delegado, que estranha a explicação de João Loureiro dada aos media portugueses de que teria viajado num avião privado para o outro lado do Atlântico para ter uma reunião com um empresário que alegadamente quereria contratá-lo como consultor. “Não é normal, porquê viajar num avião privado, que é muito caro, para ter uma entrevista de emprego? Neste momento, ainda não conseguimos confirmar essa versão”, comenta o homem por trás de alguns dos maiores desmantelamentos de droga no Brasil.

23.2.2021

António Patrício

Pelos quatro cantos Pelo menos 1,6 milhões de oriundos de Macau e luso-asiáticos espalhados pelo mundo

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diáspora oriunda de Macau e luso-asiática, que mantém viva “uma cultura única”, é composta por 1,6 milhões de pessoas, disse à Lusa Roy Eric Xavier, director do Projecto de Estudos Portugueses e Macaenses na Universidade de Berkeley. “Fiz estudos e pesquisas populacionais e colaborei com vários genealogistas e demógrafos e determinámos que há pelo menos 1,6 milhões de macaenses e luso-asiáticos espalhados pelo mundo, que olham para Macau como a pátria cultural”, afirmou o investigador. “É uma cultura única, com elementos específicos”, caracterizou Xavier,

indicando que um dos motivos pelos quais a diáspora macaense se mantém activa é não só a acção das Casas de Macau, mas também a dinâmica dos fóruns, websites e páginas nas redes sociais. O luso-asiático, que publicou recentemente o livro “The Macanese Chronicles: A History of Luso-Asians in a Global Economy”, referiu que “as organizações tendem a incubar e proteger a cultura”. No entanto, Roy Eric Xavier avisou para a necessidade de uma acção concertada mais activa para cativar os jovens. “As associações que é suposto atraírem a diáspora macaense não estão a fazer o seu trabalho”, considerou.

“Têm um acordo com a China para cativar as novas gerações e manter as ligações culturais e potencialmente trabalhar em mais conexões de negócio, mas não têm ido atrás dos membros mais jovens, que são muito mais experientes em tecnologia”. “Não tem havido incentivos para irem atrás de novos mercados”, considerou, sublinhando que algumas organizações “têm sido mais bem-sucedidas que outras”.

Mudança de pele

Segundo o investigador, que nasceu na comunidade oriunda de Macau em Hong Kong e depois se mudou para os Estados Unidos, começa a haver um desligamento das novas gerações. “Não acho que seja permanente, mas

penso que há uma ruptura entre a velha guarda e a nova guarda que está a surgir”, apontou. “Entre a velha guarda, há uma suspeita de que as gerações mais novas não têm a afiliação nem o sentido de história que deviam ter”. Essa é uma das razões pelas quais publicou o livro que abarca oito anos de investigação e muitas entrevistas e faz um retrato da história de Macau, com destaque para o seu papel económico. “É para que as pessoas compreendam a sua história, dentro e fora de Macau”, afirmou. “Não é apenas para macaenses, mas para muita gente que quer compreender como esta região se desenvolveu e que oportunidades potenciais lá existem”.

ex-padre norte-americano, que vai ser julgado em Timor-Leste por abuso sexual de menores, entre outros crimes, é procurado pelos Estados Unidos que pediram à Interpol a detenção por suspeitas de fraude. Na página digital da Interpol pode ler-se que Richard Daschbach é procurado pelas autoridades dos Estados Unidos por pelo menos “três acusações de fraude bancária”, sem apresentar quaisquer dados do processo em causa. A “notificação vermelha” da Interpol, com o número 2019112634, refere que Dashbbach é natural da Pensilvânia, completou 84 anos no final de Janeiro e tem nacionalidade indonésia e norte-americana. Este tipo de notificação da Interpol é emitido para “fugitivos procurados tanto para julgamento como para cumprir uma sentença”, explica a Interpol. Trata-se de um “pedido às autoridades judiciais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente a pessoa em causa à espera de extradição, entrega ou outras ações legais”. A notificação inclui quatro fotografias do ex-padre que começa a ser julgado hoje no Tribunal do enclave de Oecusse-Ambeno, pelos crimes de abuso sexual de menores, pornografia infantil e violência doméstica. Timor-Leste não tem actualmente qualquer acordo de extradição internacional.

QUATRO TNR DO MYANMAR DETIDAS EM PROTESTO CONTRA GOLPE MILITAR

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portal Macau Concelears avançou ontem que quatro trabalhadoras não residentes (TNR), oriundas do Myanmar, foram detidas na zona dos Três Candeeiros na sequência de uma manifestação contra o golpe de estado militar que começou na manhã do dia 1 de Fevereiro. A mesma fonte referiu que elementos do Corpo

da Polícia de Segurança Pública acorreram ao local, onde as mulheres cantavam cânticos birmaneses empunhando fotos de governante deposta Aung San Suu Kyi, e levaram-nas para a esquadra. É também avançado que o portal noticioso terá recebido informações de que as autoridades confiscaram os bluecards e inicia-

ram os trâmites para o repatriamento, assim que houverem voos para tal efeito. O HM contactou o CPSP para aferir a veracidade do relato noticiado pela Macau Concealers. As autoridades remeteram para a divulgação de um comunicado, algo que não aconteceu até ao fecho da edição.


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Hoje Macau 23 FEV 2021 #4714 by Jornal Hoje Macau - Issuu