Director carlos morais josé antónio falcão
sofia bobone expõe na F.o.
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s e g u n d a - f e i r a 2 3 d e n o v e m b r o d e 2 0 1 5 • ANO XV • N º 3 4 5 9
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Promessas não têm conteúdo política Página
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governo volta atrás no caso das hipotecas para idosos Macau? Nem uma pataca pub
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Agência Comercial Pico • 28721006
Senso e sensibilidade
Ricardo Salgado
MARJORY VENDRAMINI
directora da associação berço da esperança
Rosenqvist
Sabor a dobradinha pub
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Tudo começou quando encontrámos uma criança no lixo entrevista Páginas
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entrevista
São mais de 20 anos a cuidar dos filhos dos outros. Duas décadas de dedicação a crianças com marcas psicológicas e registos de vários tipos de violência. Do Brasil até Macau, a missão tornou-se a causa maior da vida da directora Marjory Vendramini
Marjory Vendramini directora da Associação Berço da Esperança
“Uma instituição nunca Como era o cenário de Macau há 22 anos, quando avançou com a ideia de criar esta associação? O que nos fez começar este projecto foi o caso de um bebé abandonado num contentor do lixo, tornado público pelos jornais. Nessa altura, depois de ler a notícia, fiquei motivada em ajudar aquela criança. Entrei em contacto com o Instituto de Acção Social (IAS) e percebi que não existia em Macau nenhum orfanato, nenhuma instituição que cuidasse de crianças os zero aos três. Nada. Levou a criança para sua casa? Sim, durante quatro meses. Foi a primeira família de acolhimento em Macau e esse era o programa que se gostaria de iniciar na altura. A questão é que surgiram mais crianças e - eu e o meu marido – decidimos não ficar mais em casa, porque eu já tinha cinco crianças, mais o meu filho. Depois disso, arrendámos um apartamento pequeno, na Taipa, e ficámos lá como associação de Março de 1994 até ao final de 1996. Mas continuaram a crescer... Sim, muito. Cada vez havia mais crianças. Foi depois de 1996 que o IAS nos doou o primeiro espaço que era na Nova Taipa. Mas as necessidades mantiveram o ritmo, e cresciam cada vez mais, o número de crianças aumentava sempre. O que não é de estranhar porque somos a única associação desta faixa etária em Macau.
Por mais que tentes ser profissional não consegues: são filhos, são pessoas, são da casa. A saída destas cinco crianças, principalmente estas três, fazem-me olhar para trás e pensar que se calhar até fizemos um bom trabalho
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Mas com o crescimento das crianças a base da vossa associação mudou. Pois, é verdade. No início as crianças eram para ficar temporariamente, a curto prazo. Aos três anos voltavam para a família ou teriam de ser adoptados. Mas esta última opção era uma problemática, porque grande parte destas crianças tinhas as suas famílias, não podiam ser adoptadas. Assim estas crianças tinham de ir para algum lugar, mas não podiam ficar connosco porque só tínhamos licença até aos três. Com esta problemática nas mãos surgiu a ideia de criarmos um novo espaço para as crianças mais velhas. Foi um processo, porque não conseguíamos encontrar o lugar apropriado. Até que um dia recebemos a visita do Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, que veio entregar-nos uma prenda de natal que era uma carrinha. Foi um momento de muito emoção e lembro-
-me de ele me perguntar quais as nossas maiores dificuldades e o que estávamos a precisar. E eu contei-lhe que algumas crianças teriam de sair da nossa tutela porque não tínhamos encontrado um espaço.
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Quantas crianças tinham nessa altura? Nessa altura estávamos acima daquilo que esperávamos e devíamos. Tínhamos uma licença de 18 crianças mas connosco estavam 26, das quais nove já ultrapassavam os três anos. Foi então que a Fundação Oriente doou o novo espaço? Sim, ele ouviu a história, olhou para mim e disse que tinha um espaço ideal. Ele próprio tinha adoptado 12 crianças e tinha esta intenção de doar o espaço para esta causa, só ainda não tinha encontrado a instituição. Foi assim que aconteceu. Depois de obras, tudo isto em 2000, abrimos aquele espaço para podermos manter as crianças até aos 12 anos, que depois cresceu para os 18. Licença que se mantém até agora. Quantas crianças estão à guarda da associação neste momento? No Berço e na Fonte Esperança, nos dois espaços, temos 72 crianças, 30 com idades entre os zero aos seis, e 42 dos seis até aos 18. Temos lugar até 84 crianças. Imaginava tantos casos de crianças em risco quando quis ficar com aquele bebe em 1993? Não, nunca. No início pensámos em adoptar aquela criança, mas depois começámos a perceber que o problema era bem maior do que aquele que parecia ser. Não era só uma criança, eram muitas. São muitas. Quais são as maiores dificuldades que a associação sente e ultrapassa neste momento? Os dois maiores problemas é a falta de mão-de-obra e os problemas que as crianças têm apresentado, a solução para esses problemas. São questões emocionais, psíquicas. Mas existem profissionais especializados para o tratamento destas crianças? Temos uma psicóloga. Uma apenas. Vem de Hong Kong, porque Macau não tem este tipo de profissionais preparados para lidar com estas questões. Tem uma psicóloga no hospital, que
é muito profissional, mas é só uma, e está cheia de trabalho. Já nos ajuda no que pode. De forma particular vem então a psicóloga de Hong Kong, mas só uma vez por semana. Temos também assistentes sociais que têm de trabalhar nesta parte, mas claro não é suficiente. Há aqui uma grande questão de preparação também, que é o facto dos profissionais recém-formados não estarem preparados para esta realidade, nem sabem o que significa este trabalho.
O recrutamento é difícil? Muito difícil. Não há muitas pessoas que queiram trabalhar aqui. Devido ao horário de trabalho, aos problemas que se encontram. A própria estrutura do trabalho, não é fácil trabalhar com crianças. É preciso um perfil especial, não é qualquer pessoa que consegue. É difícil de encontrar alguém em Macau. Também pelas ambições que cada profissional tem para si. Se pudéssemos gostaríamos, por exemplo, de ter professores para
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é o lugar ideal ” O que mais queremos é quebrar o ciclo de miséria, de pobreza, de violência. Todos este valores se envolvem uns com os outros, parecem sempre todos encaixados uns nos outros que as fazem estar aqui, mas uma instituição nunca é o lugar ideal para uma criança. Até pelas coisas pequenas, por exemplo a mudança dos pessoal trabalhador, isso cria instabilidade emocional para a criança, em termos de segurança e confiança. Ferramentas muito necessárias para que as crianças consigam criar uma ligação, e só assim é que é possível trabalhar com elas. Não pode haver medo. Sentimento comum na educação chinesa... Sim, mas aqui não permito isso. O pessoal aqui não pode trabalhar com a regra de impor o medo, aqui não há esse tipo de trato. Fazemos muito treino e formação nessa área. Como é que acompanha 72 casos tão delicados? Eu tento acompanhar. Faço metade do meu tempo nos dois espaços, no Berço e na Fonte, e vou-me metendo a par de cada caso. É importante referir que estas crianças não estão para adoptar. Sim, estas não. É errado pensar que estas crianças estão para processo
trabalhar com as crianças, mas é difícil, não conseguimos encontrar ninguém. E os voluntários? Sim temos, o trabalho voluntário e de grande importância, pois fazem o trabalho de coração. Há várias pessoas que nos ajudam como por exemplo: cabeleleiros profissionais, que uma vez por mês vêm ao nosso lar e cortam o cabelo às crianças. Também a escolinha de futebol do Benfica que dá aulas
as crianças gratuitamente, sem falar em várias senhoras do clube International de senhoras de Macau que vêm ao nosso lar para passear e fazer atitvidades com os bebés. Assim como muitos advogados que nos dão assistência profissional, sem cobrar qualquer honorário. Até pelo ambiente... Exactamente, estar numa instituição não é o ambiente ideal. O ideal seria estar em família, se estivessem bem, claro. São os problemas
Carlos Monjardino ouviu a história, olhou para mim e disse que tinha um espaço ideal. Ele próprio tinha adoptado 12 crianças e tinha esta intenção de doar o espaço para esta causa, só ainda não tinha encontrado a instituição
de adopção. Não. Elas foram retiradas ou entregues pelas famílias que não conseguem educá-las. Estão aqui num regime provisório, que às vezes acaba por ser até aos 18 anos. A designação correcta para a nossa associação é Lar Residencial. Há 22 anos a acompanhar estas vidas, são muitas os momentos intensos vividos... Tantos. Este ano é um ano desses. Cinco crianças que nos foram entregues ainda em fase bebé fizeram agora 18 anos e, claro, tiveram de seguir sua vida. É muito difícil, muito. Pelo menos três delas já cá estavam com menos de três anos. Por mais que tentes ser profissional não consegues: são filhos, são pessoas, são da casa. A saída destas cinco crianças, principalmente estas três, fazem-me olhar para trás e pensar que se calhar até fizemos um bom trabalho. Mas continuam a acompanhar estes jovens? Claro. Quero ver como é que estas crianças seguem. Estas não foram as primeira a ir embora, já tivemos crianças que voltaram para casa mais cedo, para as suas famílias. E comparando os casos, quais as conclusões? Se comparamos as crianças que fizeram os 18 anos aqui com as crianças que saíram antes, posso dizer que as primeiras estão num caminho muito melhor. A maioria, não são todas. Estas que fizeram todo o seu percurso aqui vejo que têm o seu futuro planeado. Dos cinco, uma voltou para casa, outra está na China, a estudar na Universidade, outros dois estão a estudar também em Taiwan e uma está em Macau. Esta última tem sido um presente para todos nós. Foi uma criança que conseguiu uma bolsa de estudo, é muito aplicada e estudiosa. E todos os restantes estão a ser bons alunos. Essa é a maior recompensa para a associação... Sim. O que mais queremos é quebrar o ciclo de miséria, de pobreza, de violência. Todos este valores se envolvem uns com os outros, parecem sempre todos encaixados uns nos outros. A negligência, com a miséria, com a pobreza, com a doença, vício. Estas são sempre as raízes. Uma coisa atrai a outra. Por receber crianças tão novas é mais fácil de trabalhar? Pois, o número de casos de crianças com estes problemas é menor, porque são mesmo muito pequeninas. Mas em 2007, 2008 começamos a receber crianças mais velhas e este tipo de criança viu coisas, passaram por coisas. Violência, foram maltratadas, passaram fome. Há bem pouco tempo uma das crianças olhou para mim e disse “não tinha o que comer”. Não tinha água, não tinha banho, não tinha onde dormir.
Como é que uma criança supera isso? É muito difícil uma criança transmitir estas ideias e as situações pelas quais passou. É preciso ser feito um trabalho muito, muito mesmo, profundo, para que ela consiga começar a falar. É muito raro uma criança conseguir falar, o que denúncia os seus traumas é o comportamento. Na escola, a agressividade, a atitude deles para com as outras crianças. Nos mais velhos é difícil. Qual é o papel da família depois da criança ser entregue à vossa associação? Há um procedimento, mas, claro, cada caso é um caso. Quando a criança chega, a família pode visitar, mas isto só acontece depois de um período de tempo. Normalmente seis meses. Nos primeiros meses a família só pode visitar com o acompanhamento de um assistente social e dependendo da atitude da criança com os pais, eles podem começar a ir à rua. Mas tudo depende da reacção. Depois se acharmos que está tudo bem, eles começam a visitar sem acompanhamento do profissional. Enquanto isto, nós, associação, vamos fazendo e estudando as reacções das crianças. Se gostam, se estão confortáveis. No final de seis meses talvez a criança possa ir para casa, se a família estiver em condições. E aí são feitas visitas às casas. É muito difícil tomar esta decisão, porque são os pais e eles têm os direitos, mas a associação quer garantir a segurança da criança. Como se sente depois de 22 anos desta missão? Não consigo avaliar, não tenho muito tempo para pensar nisso. Mas é um trabalho pesado, tem sido. Porque são muitas necessidades e o meu trabalho é muito exigente. Já por mim eu preciso de contacto com as pessoas para perceber e ser profissional. E depois há todo o trabalho de gestão e liderança. Para o ano seremos 63 profissionais. É muita coisa para gerir, muita responsabilidade e nós queremos fazer tudo muito bem, claro. Tem sido superexigente. Vai escrever um livro? Sim, nos próximos três ou quatro anos. Quero acompanhar aquelas cinco crianças que referi. São 15 anos com aquelas crianças e perceber a nossa missão. É um livro sobre todo o meu trabalho. Uma das minhas paixões é transmitir aquilo que tenho feito para outras pessoas. Tenho feito várias formações na China, Malásia e Tailândia. Sempre que dou palestras, por exemplo, o feedback é sempre muito bom. Partilhar faz-nos perceber que não estamos sozinhos, que passamos todos por situações muito parecidas ou até iguais. Filipa Araújo
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política
Governo quis implementar mas afasta agora ideia. Medida de hipoteca é difícil para um território que tem por base “guardar para os filhos”. Bancos dizemse preparados se Governo assumir o seu papel
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Plano de hipoteca da casa de idosos, afinal, é hipótese “arriscada”
A arte de fazer marcha atrás
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ideia foi lançada na semana passada, mas agora, uma semana depois, o Governo apresenta muitas dúvidas. Em causa está a medida que o Governo afirmou ter vontade de implementar: atribuir a possibilidade aos idosos, em dificuldades monetárias e proprietários de um imóvel, em avançar com uma hipoteca à sua casa. O objectivo era claro: o idoso em causa receberia um apoio monetário pela hipoteca, facilitando-lhe o pagamento das suas despesas pessoas e à sua morte a casa ficaria na posse do próprio Governo. Questionado pelo HM, o Instituto de Acção Social (IAS) admite, agora, que a ideia é de difícil implementação, muito por causa da cultura local. “O Governo já discutiu sobre a criação da medida para pedido de hipoteca, mas isto é um plano entre os proprietários dos imóveis – os idosos – e as instituições bancárias. Ainda assim o Executivo considera que esta medida levanta várias questões
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Tribunal Administrativo (TA) proibiu o Instituto da Habitação (IH) de rescindir o contrato de arrendamento que havia feito com uma residente de 73 anos, doente de cancro. A situação teve início em Janeiro de 2012, quando o IH recebeu uma denúncia de que a residente, que estava a arrendar uma habitação pública, tinha mais pessoas a viver no apartamento do que aquelas que o contrato de arrendamento permitia. Depois de investigar o caso e fazer algumas inspecções ao local, o IH concluiu que a residente da casa esteve ausente do território entre Janeiro de
que merecem a sua ponderação exaustiva.
Viver para os meus
Na resposta enviada, o IAS argumenta que no âmbito cultura os “idosos de Macau não querem, nem têm em mente hipotecar as suas próprias casas, pois a compra
de um imóvel é um investimento futuro para que os seus filhos possam usufruir depois da mortes dos pais”. Também os filhos, diz o IAS, preferem a hipótese de herdar a propriedade do que os pais pedirem uma hipoteca. A idade, tendo em conta que a medida é direccionado para idosos,
“Os idosos de Macau não querem, nem têm em mente, hipotecar as suas próprias casas, pois a compra de um imóvel é um investimento futuro para que os seus filhos possam usufruir depois da mortes dos pais” Instituto de Acção Social
é também um risco apresentado pelo Governo. Quanto mais velho, mais risco de morte próxima, logo mais risco na hipoteca. Motivo que os faz, aos idosos, não querer arriscar. “A medida de hipoteca envolve questões complicadas, tais como o risco de hipoteca, o nível de aceitação de idosos e dos próprios residentes de Macau. O papel, a responsabilidade e o direito das partes interessadas são pontos complicados. O Governo vai estudar a viabilidade de medida de hipoteca dentro do plano de actividades de dez anos para serviços de idosos”, indicou o IAS. As instituições bancárias contactadas pelo Governo admitiram
que é possível avançar com a tentativa mas o próprio Executivo terá que assumir um papel de protecção final. De acordo com o modelo de experiências práticas de outras regiões, os idosos podem, na maioria das vezes, ganhar mais despesas de vida através de hipoteca de imóveis do que ganhar qualidade de vida, argumenta ainda o Governo. Sem pagamento total da hipoteca, os bancos poderiam leiloar os imóveis que poderia ser adquiridos, através de um nova compra, pelos próprios familiares, ideia que não vai de acordo aos interesses das famílias.
Tribunal nega ao IH a retirada de casa a idosa
Um final quase feliz 2012 e Outubro de 2013, enquanto a sua filha e neto lá viviam. “Em 9 de Outubro de 2013, o pessoal do IH recebeu, por telefone, uma queixa que disse suspeitar que residissem na referida fracção pessoas não inscritas no contrato”, escreve o TA em acórdão. Tal levou a que o presidente substituto do IH decidisse rescindir o contrato com a idosa, que havia sido submetida a uma cirurgia para retirar um cancro intestinal. A justificação do IH é
que a idosa havia infringido normas do regulamento de Atribuição, Arrendamento e Administração de Habitação Social e por isso deveria perder o direito àquela habitação. O apartamento em questão localiza-se no edifício Cheng Chong da Ilha Verdade e apenas a residente estava autorizada a lá residir.
Permanecer a sofrer
Em sua defesa, a residente alegou, numa carta dirigida ao IH, que a sua filha e neto só vieram para Macau para a
auxiliar durante o período de convalescença da operação a que havia sido submetida. No entanto, a entidade não ficou satisfeita com o argumento dado e seguiu com o pedido de rescisão de contrato. No entanto, a idosa recorreu ao TA e pediu a suspensão deste acto, referindo que a sua pensão de 3000 patacas a impossibilitava de arrendar uma habitação no mercado privado, a isto acrescendo o facto de precisar de estabilidade enquanto estava em tratamento.
“Adiantou a requerente ao mesmo tempo que, vivendo da pensão para idosos no valor de 3.000 patacas, ela não tem capacidade económica para arrendar um prédio colocado no mercado privado, ao que acresce que a imediata execução do respectivo acto determinará afectação grave da saúde dela”, refere o documento do TA.
Filipa Araújo (com Flora Fong) filipa.araujo@hojemacau.com.mo
O tribunal determinou então que a requerente, que é já de avançada idade, está doente e precisou de ir ao continente para estar com o marido, também mal de saúde, deveria continuar naquela casa. “Não se pode negar completamente que, no caso duma pessoa doente e em situação económica desfavorecida, a execução de tal acto vai deixá-la com receio de perder a habitação, causar-lhe pressões psicológicas e, por conseguinte, provocar, certas influências ou prejuízos à sua saúde, todos esses traduzidos em prejuízos de difícil reparação”, define o acórdão. Leonor Sá Machado
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Reforma legislativa Ng Kuok Cheong critica inacção do Executivo
Governo das promessas quebradas O Governo promete várias reformas nas leis mas o que as LAG deixam, na opinião do deputado, são pouco mais do que promessas vazias reforma política desfasada e faz com que o funcionamento de cada pasta do Governo esteja menos suave. O pró-democrata avançou que as LAG prometeram
lexis Tam está confiante de que a proposta de revisão do regulamento da Comissão dos Assuntos das Mulheres e Crianças seja aprovada já para o ano. O objectivo é dar a esta comissão a possibilidade, o mais rápido possível, de coordenar também problemas relacionados com crianças. “[Alexis Tam] referiu ainda que está em curso a revisão da proposta de regulamento administrativo para a criação da Comissão dos Assuntos das Mulheres e Crianças, acrescentando que tem confiança na aprovação, em 2016, da referida proposta com vista à criação da referida Comissão. O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura deixou o apelo durante a mais recente reunião da Comissão das Mulheres (CAM), que fez no sábado dez anos. A partir de 2016 a Comissão dos Assuntos das Mulheres vai passar a chamar-se Comissão dos Assuntos das Mulheres e Crianças. A decisão foi anunciada pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, no âmbito da realização da segunda reunião ordinária de 2015 da Comissão. A mudança implica que as matérias relacionadas com os mais novos passam a ser debatidas neste órgão consultivo. Segundo um comunicado, Alexis Tam referiu aos jornalistas que “a Comissão dos Assuntos das Mulheres foi criada há mais dez anos, e perante o desenvolvimento social existem opiniões que defendem a criação de uma comissão que acompanhe os assuntos relacionados com as crianças”. Com base em análise das “referências internacionais”, toda a tutela chegou à conclusão
que o Regime de Previdência Central não Obrigatório entraria em processo legislativo no próximo ano, enquanto se tenta que o Regime de Credenciação e Inscrição
para o Exercício de Funções de Assistente Social seja legislado na mesma altura. No entanto, apontou que no anexo do relatório sobre as propostas de lei
As LAG prometeram rever a Lei das Relações Laborais, permitindo adicionar licenças de paternidade, bem como melhorar a Lei de Contratação de Trabalhadores não residentes. Contudo, no mesmo anexo, também não estão mencionadas
do Governo para 2016 não estão as propostas destes dois regimes. “A preparação e elaboração dos Regimes de Previdência Central não Obrigatório e de Credenciação e Inscrição para o Exercício de Funções de Assistente Social já foram trabalhos realizados no último mandato, ainda com o antigo Governo. Por que é que só promete entrar no processo legislativo no próximo ano? E porque é que
não são parte das propostas de lei do Governo para o próximo ano?”, questionou. Além disso, Ng Kuok Cheong avançou que as LAG prometeram rever a Lei das Relações Laborais permitindo adicionar licenças de paternidade, bem como melhorar a Lei de Contratação de Trabalhadores não residentes. Contudo, no mesmo anexo, também não estão mencionadas. O deputado quer ainda saber quais os calendários concretizados para a elaboração ou revisão dessas mesmas propostas. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
organismos envolvidos na protecção dos direitos das crianças (...) em prol da criação de um ambiente favorável à educação, bem como, ao crescimento e desenvolvimento saudável das crianças de Macau”, acrescenta um comunicado da CAM. Durante o encontro, a directora assistente da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau apresentou o relatório da primeira fase do estudo “Objectivo do desenvolvimento das mulheres de Macau”, ainda em curso.
gcs
O
deputado Ng Kuok Cheong criticou o atraso da reforma legislativa em Macau demonstrado no relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2016. Para o deputado o documento mostra de forma clara a falta de acção na legislação dos regimes de previdência central não obrigatórios e de credenciação e inscrição para o exercício de funções de assistente social. Opinião também partilhada pela deputada Ella Lei numa interpelação escrita. Em reacções à apresentação do relatório, pela voz de Chui Sai On, Chefe do Executivo, Ng Kuok Cheong indica agora que o documento está carregado de promessas vazias quando comparadas com as propostas de lei em análise. Isto, diz o deputado, causa uma
Ser mulher custa
Alexis Tam quer Comissão das Crianças criada para o ano
Diga lá o que é uma criança “que o melhor seria integrar os assuntos das crianças na referida Comissão”. A passagem da pasta está já a ser levada a cabo, assegurou o Secre-
tário durante o debate. Isto inclui a coordenação entre os Serviços de Saúde, os Serviços de Educação e Juventude, o Instituto de Acção Social, entre outros.
“A respeito aos trabalhos futuros dos assuntos das crianças, o Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura irá reforçar a coordenação entre os
A reunião focou-se ainda em definir o conceito de “criança” em termos de idade, pelo que todos os membros da Comissão concordaram que estabelecer este novo grupo de trabalho seria a melhor forma de lidar com as problemáticas relativas a esta faixa etária da população. Foram ainda referidos assuntos como a pressão sentida pelas mulheres no trabalho e harmonia familiar, tendo Alexis Tam concordado com a sugestão de um dos intervenientes, de criar uma academia para mulheres. “[Alexis Tam], com a necessidade de reforçar os estudos sobre o género da sociedade, achou que deveria considerar cuidadosamente a sugestão da criação de uma academia para as mulheres”, lê-se no comunicado. O mesmo governante prometeu ainda o reforço das acções de sensibilização sobre doenças mentais e um maior apoio aos residentes que necessitem de ajuda psicológica por causa destas maleitas. Leonor Sá Machado (com A.S.S) leonor.machado@hojemacau.com.mo
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Sociedade
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SIDA Mais de 30 casos desde Janeiro. Macau abaixo do risco
Prevenir para sorrir
O número de casos detectados de SIDA ultrapassa os 30, valor contado desde Janeiro e que mantém Macau num “nível baixo” de taxa de infecção. Ainda assim é preciso intensificar a promoção e prevenção, diz o Governo
S
ão 31 os casos de infecção por HIV declarados desde Janeiro do presente ano em Macau. Os números são dos Serviços de Saúde (SS), que indicam que, do total, 19 correspondem a residentes de Macau e os restantes a não residentes. “Nos 19 casos de infecção nos residentes de Macau o contacto sexual foi a via principal de transmissão. Foram registados dez casos infectados por contactos heterossexuais, oito casos por contactos homossexuais ou bissexuais e num caso identificado a via de transmissão é desconhecida”, indicam em comunicado à imprensa. Lam Chong, secretário-geral da Comissão de Luta Contra a SIDA, indicou que a taxa de
infecção de SIDA em Macau tem registado um nível baixo. O representante falava durante o Fórum Comunitário de Sida em Macau, que aconteceu na passada sexta-feira. Em dez anos de existência, a Comissão, tem desenvolvido “diversos programas e medidas de prevenção com resultados notáveis, incluindo aquelas que visam criar condições para promover e ensinar o público a encarar correctamente a infecção, a submeter-se ao teste e a eliminar formas de descriminação”.
90-90-90
Ainda assim, disse Lam Chong, é preciso intensificar a promoção, a
prevenção e os testes de SIDA na comunidade e nos grupos-chaves se Macau quiser atingir a meta – proposta até 2020 – de atingir os 90-90-90 - ou seja 90% dos infectados conhecem a sua situação de infecção, 90% dos infectados que conheçam a sua situação recebem o tratamento e 90% dos infectados que recebem o tratamento podem inibir eficazmente a doença do próprio organismo. Só com um maior empenho na prevenção é que o território poderá “detectar precocemente os casos de infecção e proporcionar tratamento adequado e atempado”, frisou. Zhou Kai, assessora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV (UNAIDS),
presente no mesmo fórum, alertou “que para concretizar as três metas é necessária a participação das organizações comunitárias já que estas ocupam um lugar preponderante e um papel insubstituível em vários aspectos, particularmente na promoção e educação sobre a SIDA, promoção e detecção, elevação da adesão ao tratamento, carinho e apoio, eliminação de discriminação, entre outros”. Números globais indicam que, desde a detecção do primeiro caso de SIDA em 1981 até 2014, foram registados no mundo dois milhões de novos casos de infecções por HIV. “Há 36,9 milhões de doentes infectados por HIV e 22 milhões doentes não conseguiram aceder às terapias”, apontou. O Fórum teve como directivas a situação epidemiológica e estratégia de prevenção da SIDA no mundo e nas três regiões – Macau, Hong Kong e China continental -, prevenção e controlo da SIDA na adolescência, prevenção e controlo nos toxicodependentes, eliminação da discriminação. Do momento fizeram parte assistentes sociais, profissionais de saúde e estudantes do ensino superior. Filipa Araújo
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TCM e Nova Era lançam aplicação A empresas de autocarros Nova Era e Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM) estão a apontar para Dezembro o lançamento de uma aplicação móvel com informações das horas de chegada dos autocarros a cada paragem, estando a mesma em fase de teste. A aplicação chamase “Autocarros Públicos de Macau” e as duas empresas montaram um sistema de GPS nos veículos para oferecer aos cidadãos a possibilidade de saberem a que horas chegam os autocarros a cada paragem. A aplicação está ainda em fase de teste e ainda não satisfaz os padrões. Na maioria das vezes, a aplicação indica que os autocarros “ainda estão à espera de partir” quando já chegaram às paragens. Contudo, a aplicação poderá ser oficialmente lançada já no próximo mês. As duas empresas pretendem ainda acrescentar um sistema de recolha de queixas e opiniões e de perdidos e achados. F.F.
Canídromo SJM quer desenvolver PME e indústrias criativas
ngela Leong, directora executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) afirmou que já apresentou ao Governo várias propostas sobre o futuro no Canídromo de Macau, cujo contrato acaba já no próximo mês. A directora mostra-se esperançosa quanto ao futuro e conta renovar a licença por mais dois ou três anos. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Angela Leong referiu, ontem, que está a negociar com o Governo sobre o futuro da Companhia de Galgos Yat Yuen, mas que ainda não há decisão. Ainda assim a directora afirmou que espera que possa renovar o contrato de exclusividade por mais dois ou três anos, de forma temporária. A directora executiva avançou que a SJM já apresentou
Tiago AlcÂntara
Além de galgos, haverá jovens A
várias propostas para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas (PME) e indústrias culturais e criativas no Canídromo, sugerindo construir uma
“residência de jovens” ao lado do Canídromo para que arrende os imóveis a jovens com uma renda mais barata. Questionada sobre o valor de novo investimento e de construção de novas instalações, Angela Leong disse apenas que depende do período de renovação aprovado pelo Governo. Ao Governo, em Setembro passado, foi entregue uma petição da autoria da Anima – Sociedade Protectora de Animais, para o encerramento do Canídromo. Iniciativa que recolheu 340 mil assinaturas só através das redes sociais. Em reacção, Angela Leong diz que é necessário que o Governo recolha opiniões de residentes para estudar o seu desenvolvimento. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Centro de Ciência Erro na soldadura provoca um incêndio espectacular
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m incêndio deflagrou na tarde de sexta-feira no Centro de Ciência de Macau, sendo que a origem do fogo se deveu a trabalhos de soldadura, fruto das obras de manutenção do local. De acordo com a Rádio Macau, cerca de 260 pessoas tiveram de ser retirados do espaço quando o incêndio começou. Os bombeiros foram chamados ao local às 14h18 e o incêndio só foi controlado duas horas depois. No total, 54 soldados da paz combateram o incêndio, auxiliados por 13 viaturas. O fogo aconteceu no topo do Centro de Exibições e, segundo a rádio, que cita o director do centro, Shao Hanbin, não foi ainda possível avaliar os estragos. O Centro vai ficar encerrado por algum tempo e só será reaberto ao público depois de ter sido feita uma avaliação do impacto do incêndio. O director defendeu que foram respeitadas todas as medidas de segurança e que o edifício foi evacuado de forma ordeira, não se tendo registado feridos.
sociedade 7
hoje macau segunda-feira 23.11.2015
Proibido fumar Um ano depois, quais as consequências?
Atrás da cortina de fumo Nas salas VIP, ainda se fumega. Até quando não se sabe. E no mercado de massas, que efeito teve a proibição?
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ais de um ano depois da interdição de fumar nas zonas comuns dos casinos de Macau, as operadoras de jogo tentam travar uma proibição total, que abranja as salas VIP, com receio de diminuição das receitas. A interdição parcial de fumo de outubro de 2014 deixou de fora as salas VIP dos casinos, dos grandes apostadores, e abrangeu apenas as áreas comuns do denominado mercado de massas. O receio é que a proibição de fumar nas salas VIP agrave ainda mais a tendência de queda das
receitas dos casinos, que caem ininterruptamente desde Junho de 2014. E o mercado de massas? “É virtualmente impossível quantificar com precisão o impacto negativo da interdição de fumar no mercado de massas”, em vigor há pouco mais de um ano, observou Grant Govertsen, analista da Union Gaming, recordando que as receitas dos casinos já estavam em queda quando a legislação começou a ser aplicada, influenciadas pela convergência de uma série de fatores, como a campanha anticorrupção lançada por Pequim ou o abrandamento da economia chinesa.
“Dito isto, e baseado em conversas com membros da indústria, parece que houve provavelmente um impacto negativo de três ou quatro pontos percentuais nas receitas do mercado de massas”, afirmou. Ricardo Siu, professor da Universidade de Macau, com artigos publicados sobre a indústria do jogo, afina pelo mesmo diapasão, quando estima um impacto directo de idêntica ordem e também com a ressalva de que, “de facto, muitos factores misturados e em conjunto contribuíram para a queda das receitas de jogo”. “O impacto da proibição parcial de fumar nas receitas de jogo
do mercado de massas pode não ser significativo em comparação com outras medidas restritivas tomadas pelo governo chinês”, realçou. A queda das receitas dos casinos de Macau deve-se, por outro lado, aparentemente, a um maior declínio no segmento VIP. “Se forem permitidas salas para
cigarros electrónicos Proibir de vez e para sempre Lin Tai Hin, professor da área da saúde pública da Universidade de Hong Kong, participante no seminários sobre a abstenção do fumo, organizado pela Associação para a Abstenção do Fumo e Protecção da Saúde, defendeu a proibição é a única forma de controlar o consumo e abuso de consumo dos cigarros electrónicos. Ao olhar para outros países são “vários os que legislaram os cigarros electrónicos, sendo que agora
qualquer vendedor é obrigatório a ter uma licença de venda e os alertas para o período dos produtos que vendem”. “Há muitos tipos de cigarros electrónicos e ainda é difícil fiscalizar a venda do cigarro electrónico, por isso acredito que a venda deste tipo de aparelhos é a única maneira de evitar o aumento do seu consumo”, argumentou o professor, citado pelo Jornal Ou Man. Johnny Au, secretário-geral da Associação para a Abstenção do
Fumo e Protecção da Saúde, também acredita que proibir de forma total os cigarros electrónicos poderá prevenir problemas futuros de aumento de consumo. “No mundo ocidental o número de consumo deste tipo de cigarros novos aumentou, tem vindo a duplicar”, defendeu o secretário-geral, argumentando que segundo os últimos dados os jovens que fumam cigarros electrónicos tornam-se no futuro fumadores de cigarros convencionais.
“Embora o número de fumadores esteja em queda, infelizmente, o número de mulheres e jovens que fumam está a subir. Especialmente agora em que o número de fumadores excedeu os dos não fumadores”, argumentou Johnny Au. Durante um seminário foram vários os profissionais e especialistas da área convidados a participar na partilha de experiências e debates para o futuro.
fumadores para o segmento VIP, o efeito negativo nas receitas brutas do jogo poderia ser menor”. Mas “só vai ser possível avaliar os efeitos reais quando os detalhes dos regulamentos relacionados forem confirmados”, observou Ricardo Siu. O Governo de Macau estima que a proibição total do fumo nos casinos em geral tenha um impacto nas receitas de jogo de entre 2,76 e 4,6 por cento, segundo uma avaliação preliminar dos Serviços de Saúde e da Direção de Inspecção e Coordenação de Jogos. As operadoras de jogo têm alertado para o impacto negativo na economia de tal medida, tendo, com base num estudo conjunto encomendado à consultora internacional KPMG, avançado a possibilidade de fazer cair o Produto Interno Bruto (PIB) em 16%, defendendo, portanto, a manutenção de salas de fumo.
Advogados de Ricardo Salgado desmentem desvio de dinheiro para Macau
Nem uma pataquinha para amostra O s advogados de Ricardo Salgado, ex-banqueiro do antigo Banco Espírito Santo, actualmente em prisão domiciliária, desmentem o desvio para Macau de 30 milhões de euros em Dezembro de 2013. Num comunicado enviado ao jornal Sol – que avançou com a notícia -, fonte oficial da defesa do antigo presidente do BES diz que a notícia é falsa. A informação do desvio de dinheiro consta de um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, citado pelo mesmo semanário. De acordo com a notícia, o montante teria sido transferido para uma conta bancária no território oito meses antes do colapso do BES, fase em que o supervisor bancário em Portugal já tinha detectado a existência de um buraco financeiro nas contas da holding do Grupo Espírito Santo (GES). Apesar da defesa ter desmentido a notícia, o acórdão revela que o
ex-banqueiro tinha na sua agenda pessoal anotações como “chegaram a Macau 30mE”, “39 Ok” e “Saldo Suisse”, detectadas pelos investigadores a 11 de Dezembro de 2013. Segundo o Sol, Ricardo Salgado terá sido confrontado com estas informações a 20 e 24 de Julho deste ano, mas não deu explicações às autoridades.
“O arguido não apresentou justificação para um conjunto de inscrições na sua agenda de 2013, do qual aparentemente se extraem movimentos com destino a uma conta em Macau”. Salgado não terá conseguido decifrar o conteúdo da agenda, mas referiu que a informação
“poderá dizer respeito a movimentos de clientes”. Contudo, o Ministério Público terá referido que “resta explicar por que razão é feita alusão a esta operação na sua agenda pessoal”. A fortuna que Ricardo Salgado terá no estrangeiro já não é novidade, tendo sido noticiado recentemente a possível existência de fundos em Singapura e Brasil, os quais serão na ordem dos 26,5 milhões de euros. O acórdão da Relação de Lisboa citado pelo jornal Sol dá ainda conta da existência de duas contas abertas por Ricardo Salgado na Suíça, nas instituições UBS e CreditSuisse, em Agosto de 2012. O Ministério Público referiu que as contas “têm valores com proveniências ainda não apuradas, e de expressão elevadíssima”. A.S.S.
Meia centena de trabalhadores ilegais no mês passado Num total de 257 locais fiscalizados pelas autoridades policiais e pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais foram encontrados 57 trabalhadores ilegais. As operações de fiscalização foram concentradas nos terrenos de obras de construção civil, residências e estabelecimentos comerciais e industriais.
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eventos
hoje macau segund
Pintura Sofia Bobone com Salpicos na Funda
Pequim Arrancam obras do parque de diversões da Universal
A mulher e
Fantasia na capital A
produtora de cinema norte-americana Universal já arrancou com os trabalhos de construção, em Pequim, do seu primeiro parque de diversões na China, cuja abertura está prevista para 2020, avançou a semana passada a imprensa estatal. O parque, o sexto daquela empresa no mundo e o terceiro na Ásia, depois de Singapura e Osaka, no Japão, envolve um investimento de oito mil milhões de dólares. As obras arrancaram no início deste mês, assinalou a Comissão Municipal de Desenvolvimento e Reforma de Pequim, o departamento encarregue pela planificação económica da cidade, segundo noticia o jornal oficial China Daily. A abertura deste parque temático é um projecto antigo da Universal, que desde 2009 tem tentando obter a autorização do Governo, entretanto conseguida no final do ano passado. A construção do complexo, que terá uma extensão de 1,2 milhão
de metros quadrados e espera receber anualmente dez milhões de visitantes, será feita em parceria com o consórcio público de Pequim Shouhuan Cultural Tourism Investment. O espaço irá combinar atracções inspiradas em filmes da produtora, como o “Parque Jurássico” ou “Gru, O Maldisposto”, com elementos
tradicionais chineses nos hotéis, restaurantes e lojas. Em Xangai, a capital económica do país, está a ser construído o sexto parque temático Disneyland do mundo, com data de inauguração prevista para 2016, e que será o segundo da multinacional norte-americana na China, depois do recinto de Hong Kong, a funcionar desde 2005.
Músico da RAEHK dá workshop na Cinemateca Paixão
A
Cinemateca Paixão acolhe, a partir das 11h30 do próximo sábado, um workshop sobre a composição de bandas sonoras para cinema, liderado pelo músico de Hong Kong, Tomy Wai. “Na palestra, irá falar sobre a sua experiência de cooperação com diferentes realizadores no início da sua carreira, partilhar a sua experiência de trabalho sobre bandas sonoras de filmes e através de estudos de caso e exemplos interactivos, mostrar aos participantes como usar uma combinação de som e luz para tocar o público”, explica o Instituto Cultural em comunicado. Wai compôs bandas sonoras para mais de 100 filmes e séries televisivas, incluindo New Police Story, Visible Secret e As the Light Goes Out. No entanto, foi com Temptation of a Monk que o artista venceu o prémio de Melhor Banda Sonora de Cinema no Festival de Cinema de Hong Kong e nos Prémios Cavalo Dourado de Taipei. A palestra tem entrada gratuita, mas o IC recomenda que os interessados reservem os seus lugares quanto antes, devido à elevada procura. Estes devem efectuar a reserva através de envio de email para info.dpicc@ icm.gov.mo até à próxima sexta-feira. L.S.M.
À venda na Livraria Portuguesa Os Tambores da Chuva • Ismail Kadare
Muralhas ensanguentadas que milhares de homens tentam, apesar de tudo, escalar; um comandante-chefe, cujo destino está dramaticamente ligado à tomada daqueles muros; uma angústia constante sob um sol tórrido. Estes acontecimentos desenrolam-se no século XV e a praça sitiada é uma cidadela albanesa que pode evocar Tróia, mas remete mais seguramente para a situação da Albânia moderna, dos anos 1960, sujeita a um bloqueio implacável por parte dos países socialistas. Com a precisão de um processo verbal, esta crónica impiedosa de uma sucessão de dias cheios de calor, crueza e morte introduz-nos lentamente na sua angústia, uma angústia estranha plena de uma luz que encandeia.
A designer Sofia Bobone estreia-se com a sua primeira exposição a solo de pintura na Casa Garden. Em foco estão telas de cavalos e corpos femininos que podem ser apreciadas até meados de Janeiro
A
designer portuguesa Sofia Bobone inaugura uma exposição a solo de pinturas originais intitulada “Salpicos” na Fundação Oriente. Formada em Design, seguiu carreira na área da publicidade, mas também de design gráfico e de joalharia. Foi há cerca de dois anos que nasceu o gosto pela pintura, tendo Sofia Bobone frequentado cursos e workshops leccionados pela Casa de Portugal em Macau. Um ano depois, foi convidada para participar na parada do Ano Novo Chinês do Cavalo, organizada pelo Venetian. Para a iniciativa, entrou com um cavalo alado feito de arames. Esta é a sua primeira exposição individual e Salpicos prioriza o retrato animal, especificamente de cavalos. No entanto, há ainda espaço para a representação do corpo humano, à imagem do artista britânico Lucian Freud. De acordo com a coordenadora da Delegação de Macau da FO, Ana Paula Cleto, Sofia Bobone é “artista desde sempre, mas de expressão algo tardia”, pois o talento para a tela só foi descoberto há cerca de dois anos. “Os motivos dominantes desta exposição são a mulher e o ca-
valo, dois elementos comummente aceites como sinónimo de beleza, mas também de grande força e sensualidade”, explica a coordenadora da entidade cultural. “No seu conjunto, as obras que a artista exibe distinguem-se pelo equilíbrio entre o figurativo e o abstracto, o belo e o disforme”, completa Ana Paula
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
A Vista Desarmada, o Tempo Largo Antologia • Poetas em homenagem a Vasco Graça Moura
No ano em que se comemoravam os cinquenta anos de vida literária de Vasco Graça Moura, trinta e três poetas portugueses dedicam-lhe um poema inédito. O livro é uma parceria entre a Quetzal Editores e o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra.Autores:Ana Hatherley, Fernando Pinto do Amaral, Pedro Tamen, Jorge Sousa Braga, Luís Quintais, Armando Silva Carvalho, Ana Luísa Amaral, Luís Filipe Castro Mendes, A.M. Pires Cabral, Nuno Júdice, Maria Teresa Horta, Manuel Alegre, Yvette Centeno, Jaime Rocha, Hélia Correia, Maria do Rosário Pedreira, entre muitos outros.
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da-feira 23.11.2015
pub
ação Oriente
e o cavalo
“Os motivos dominantes desta exposição são a mulher e o cavalo, dois elementos comummente aceites como sinónimo de beleza, mas também de grande força e sensualidade” Ana Paula Cleto Delegada da Fundação Oriente
Cleto. A mostra, que se estreia na Casa Garden às 18h30 do próximo dia 3 de Dezembro, fica patente até 10 de Janeiro de 2016, com entrada gratuita.
O interesse de aprendiz
À conversa com o HM, Sofia Bobone confessa estar “ainda a aprender” e acrescenta que há nisso várias vantagens. Há, por exemplo “muito para explorar” no universo da pintura. Em exposição estarão entre 16 a 18 obras com recurso a técnicas mistas incluindo pastel. “Os cavalos são uma paixão minha e de família, até
porque inicialmente comecei a desenhá-los para os meus filhos e para o meu marido”, explica Sofia Bobone. A representação deste animal é, acrescenta a designer, um contraste com as telas de mulheres volumosas que estarão patentes na FO. O gosto pela pintura esteve sempre latente, mesmo desde a universidade, quando a artista teve aulas de pincel e lápis na mão. Várias delas tinham modelos humanos como base e foi essa, a par com o trabalho de Lucian Freud, a inspiração da portuguesa. Leonor Sá Machado
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Economia
hoje macau segunda-feira 23.11.2015
Fórum Macau Colóquio sobre inspecção comercial junta 21 participantes
Salários Relatório prevê marasmo no sector privado
Rosas só para alguns U m relatório internacional mostra que Macau está em penúltimo lugar, de entre uma lista de 20 países e regiões asiáticos, quando se fala do aumento do salário médio no próximo ano. O mesmo documento prevê que o ordenado oferecido pelas empresas privadas locais não vai aumentar de forma significativa. Segundo do jornal Ou Mun, o órgão consultivo internacional para a gestão de recursos humanos, ECA, publicou um relatório sobre tendências de salário, onde se afirma que o ordenado médio mundial deverá aumentar 5,1%, sendo a percentagem mais baixa dos últimos anos. No ranking asiático, Macau encontra-se no fim da linha, abaixo de si ficando somente o Myanmar. Um especialista de Economia – cujo nome não foi identificado – citado pelo jornal chinês considera que “o aumento da taxa salarial se baseia na informação e nos dados do ambiente económico, inflação e salário das várias profissões”, mas está pouco confiante de que a tendência se pub
P
alastre para o sector laboral privado. “Havia um crescimento económico negativo, e é louvável que o salário dos funcionários públicos seja alvo de um aumento no próximo ano, mas o mercado privado não deve seguir a tendência do Governo”, disse o mesmo especialista. “Como Macau é uma região desenvolvida, o salário médio fixa-se num nível mais alto.As empresas privadas não contrariam a inflação de acordo com o crescimento de salário”, finalizou.
A morte das carteiras
São factores como a campanha anti-corrupção do Governo Central, o declínio no negócio dos casinos, a diminuição do imposto sobre o Jogo e a queda das receitas dos sectores aliados ao dos casinos que justificam a manutenção do mesmo salário médio do sector privado. Também os sectores adjacentes ao Jogo verão, diz o economista, uma diminuição da força laboral. Há ainda a hipótese da percentagem de desemprego vir a crescer. Ultimamente, as operadores de Jogo têm apostado mais na formação dos profissionais já empregados
para responder às necessidades dos consumidores sem recorrer a contratações extras. Estes funcionários podem assim ser transferidos de uma área de especialização para outra sem necessidade de mais mão-de-obra, explica o Ou Mun. Tomas Chio
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ortugal trouxe a Macau quatro profissionais da área de inspecção comercial e económica para participarem no 5º colóquio organizado pelo Centro de Formação do Fórum Macau. De acordo com uma das representantes da Autoridade de Segurança Alimentar (ASAE) portuguesa, o país veio aqui trocar impressões sobre o modelo utilizado para inspeccionar este tipo de negócios. “Há uma diversidade de aplicação e articulação aqui na RAEM distinta da que temos em Portugal. Mas também não nos podemos esquecer que temos realidades completamente diversas. Portugal tem (...) regras muito bem definidas para países que fazem parte da UE”, disse à TDM uma das participantes do colóquio, Cristina Caldeira. “O que tiramos daqui é essa partilha e forma de estar que também nos ensina, de alguma forma, a melhorar o nosso desempenho em Portugal”, continuou. O colóquio, que aconteceu entre os dias 8 e 22 de Novembro, juntou 22 representantes do Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. O brasileiro Felipe Carvalho foi outro dos participantes.
A representar o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, assegura ter vindo ao território para ter Macau “como exemplo”. As delegações vieram à RAEM para ver como se fazer os serviços de inspecção por estes lados. “O Brasil é um país muito grande, muito diverso e temos diversas entidades de níveis políticos diferentes e por isso a inspecção das actividades económicas e comerciais é muito mais dispersa”, acrescentou. Os visitantes visitaram vários serviços públicos e instituições de ensino como a Universidade de São José, entidade co-organizadora do colóquio. De acordo com declarações da Coordenadora do Gabinete de Apoio ao Secretariado do Fórum Macau, Cristina Morais, estão pensados mais três colóquios para breve. “Prevemos organizar cerca de três colóquios. Actualmente os temas ainda estão a ser considerados no seio do Secretariado Permanente porque vamos dar prioridade à organização da 5ª Conferência Ministerial do próximo ano”, disse a responsável à TDM. Leonor Sá Machado
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china
hoje macau segunda-feira 23.11.2015
A história do português que juntou o “melhor de dois mundos”
Uma imoderada paixão A paixonado por arte e mobiliário antigo, o empresário português José Guedes desenvolve há dois anos e meio um projecto turístico de características únicas, em duas pequenas vilas piscatórias situadas na costa leste da China. “Juntámos o melhor de dois mundos: a riqueza cultural da China, sobretudo das suas peças de madeira, e a modernidade e o conforto da vida europeia”, diz sobre os quatro hotéis que dirige com a mulher chinesa, na província de Jiangsu. Da “vida europeia” fazem parte, por exemplo, o café, vinho e sumos importados de Portugal. Natural da Figueira da Foz, José Guedes, 63 anos, chegou à China em 2003 para dirigir uma fábrica de componentes automóveis do grupo espanhol CIE Automotive, em Xangai, a
capital económica do país. Há três anos, reformou-se: “O problema foi que ao fim de quatro meses a descansar, já estava cansado de tanto descanso”. Virou-se então para a hotelaria. “O ramo do turismo está no ADN português”, explica. “É qualquer coisa com que se calhar nascemos”. Já a
paixão pela mobília chinesa tem outra origem: “No dia em que cheguei, tive uma reunião com um representante do governo basco que me marcou; ele tinha uma secretária lindíssima. E eu disse: ‘também quero comprar uma destas’”. Desde então, e em 12 anos a viajar pela China,
luiz felipe scolari vence Liga dos Campeões da Ásia
E o burro sou eu...
adquiriu várias dezenas de móveis antigos, a maioria fabricados durante a Dinastia Qing (1644 e 1911) e o período Min Guo (1912-1949). Um dos hotéis, o Tingshang Guyun, ocupa um edifício residencial com 300 anos. Todos os móveis, incluindo as janelas e as portas, assim como as peças decorativas, são antiguidades e velharias chinesas. “Não existe uma racionalidade económica para este investimento”, admite José. “Não se justifica comprar peças tão caras para pôr num hotel”. Três dos espaços que dirige estão localizados em Jinxi, uma vila milenar, rodeada por cinco lagos e cortada por múltiplos canais, onde à noite se dilui o reflexo das lanternas vermelhas que iluminam as margens. “É o escape ideal para quem precisa de descanso”, nota um turista chinês, acabado de chegar de Xangai, a megacidade na foz do rio Yangtse, a menos de uma hora de carro. Além pub
O
Guangzhou Evergrande, equipa chinesa comandada pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, conquistou ontem, em casa, a Liga dos Campeões asiáticos, ao derrotar na segunda mão da final o Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, por 1-0. Depois do empate a zero na primeira mão, a equipa do ex-seleccionador de Portugal conquistou o troféu graças a um golo do brasileiro Elkeson, aos 54 minutos.
Pouco depois, a expulsão de Salmin Khamis, aos 66, deixou o Al Ahli reduzido a 10 e sem a mesma capacidade de reacção. O Guangzhou Evergrande, cinco vezes campeão da China, conquistou o seu segundo título continental depois da vitória alcançada em 2013, enquanto Scolari reencontrou o sucesso quase 15 meses após a humilhante derrota do Brasil nas meias-finais do Mundial de 2014 (7-1) tendo ‘Felipão’ como seleccionador.
da bicicleta, o único meio de transporte utilizado em Jinxi são pequenos barcos a remo. “Vive-se muito com a água”, realça José. O outro hotel fica em Tongli, um povoado vizinho, e igualmente distante do cosmopolitismo das grandes cidades chinesas. Em ambos os sítios, José aprendeu a ser o único estrangeiro residente. “Não me sinto descriminado”, diz. Pelo contrário: “AChina é uma terra de oportunidades”. O essencial é “ter capacidade de adaptação”. “A China não é e nunca será uma realidade similar à europeia ou à portuguesa”, nota. A entrevista decorreu num café/galeria propriedade do casal Guedes e decorado com dezenas de quadros de prestigiados pintores chineses. Junto à entrada, cartões-postais de paisagens portuguesas foram deixados para quem quiser levar. Em 2014, 113.200 chineses visitaram Portugal - o dobro de há dois anos - e gastaram 54 milhões de euros, quase 20 milhões a mais do que em 2013. “Ainda é algo incipiente”, nota José. E sugere: “Precisamos de gente com experiência na China, que defina produtos para os chineses em Portugal”. Por enquanto, o futuro passa por Jinxi: “Eu aqui vivo otimismo!”. Na sua casa, com a mulher, fala-se inglês, mas à hora do jantar os sabores foram outros: sopa de legumes, arroz de pato e um vinho tinto português aproximaram por momentos José das origens. “Estou disponível para ajudar qualquer iniciativa de Portugal”, garante. “Se quiserem podem contar comigo”. “Já estou é velho para muitas coisas”, conclui. João Pimenta Lusa
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Teerão em alta velocidade
A China planeia construir um comboio de alta velocidade que vá até Teerão, ligando o país à Ásia Ocidental, escreve hoje o diário oficial China Daily. Esta linha ferroviária, proposta pelo operador do país, a Corporação de Ferroviária da China, sairia de Urumqi (no oeste do país) e passaria por Almaty (Cazaquistão), Bishkek (Quirguizistão), Thashkent e Samarcanda (Uzebequistão), bem como Ashgabat (Turquemenistão) até chegar à capital iraniana. O plano faz parte da Nova Rota da Seda, uma iniciativa de Pequim para reforçar a posição da China como potência económica asiática e a presença internacional das suas empresas.
China e Índia contra terrorismo
Os governos da China da Índia acordaram reforçar a cooperação na luta contra o terrorismo, após os recentes atentados de Paris e Bamako, escrevia ontem o jornal oficial Global Times. Numa reunião entre representantes do Ministério de Segurança Pública chinês e o Ministério do Interior indiano, celebrada este fim de semana em Pequim, os dois países anunciaram a criação de um mecanismo antiterrorismo conjunto. A partir de agora, a China e a Índia vão partilhar informação sobre actividades terroristas, sobre os grupos que as praticam e as relações entre eles, comprometendo-se também a trocar experiências sobre incidentes concretos, como sequestros. As duas nações comprometeram-se a celebrar encontros a cada dois anos, alternadamente em Pequim e Nova Deli.
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artes, letras e ideias
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J
ing Hao “Bifa Ji”
Notas Sobre o Método do Pincel
Existem também as Catalpas, os Casta-
gantas, paredes íngremes e precipícios; por
nheiros da Índia, os Carvalhos, Olmeiros,
entre e debaixo dos precipícios há grutas.
Salgueiros, Amoreiras e Acácias do Japão
Passagens côncavas que conduzem até às
e cada uma delas é diferente no que res-
montanhas são chamadas fossas, mas se
peita à forma e características naturais1.
não dão passagem são chamadas ravinas. A
São como pensamentos divergentes que
água nas ravinas forma ribeiros mas a água
têm que ser harmonizados2.
que escorre das montanhas forma corren-
Os aspectos formais das montanhas devem
tes. Os picos que emergem sobre todo o
ser combinados com os efeitos de um es-
resto devem estar isolados, mas as cordi-
pírito vivo. Daí que as formas pontiagudas
lheiras e as colinas por baixo, contínuas. As
são os picos, as niveladas são chamadas ca-
nascentes da floresta podem estar visíveis
beças, as arredondadas formam as colinas,
ou escondidas dependendo de as árvores
enquanto as que estão ligadas são chama-
crescerem num conjunto denso ou se estão
das cordilheiras. Existem cavernas ou gar-
perto ou longe.
1 - Árvores comuns no nosso universo linguístico, com excepção da Catalpa Amarela da China, ou catalpa ovata, da família bignoniaceae (em mandarim Zi) que é endémica das regiões temperadas de muitas províncias chinesas. Mais pequena que outras, tem vistosas flores pálidas amarelas e é por vezes utilizada como árvore ornamental. 2 - A ideia de identificar as formas naturais com pensamentos será sintetizada numa frase de Hua Lin (activo nos meados do século XIX): «Os Antigos diziam;”A literatura é, na sua essência, uma
realização da Natureza de que certos artistas, os mais dotados, percebem alguma coisa através de coincidências”. Eu diria o mesmo para a pintura». (in Hualun Congkan, p. 498, cit. Por Pierre Ryckmans em Les Propos sur la Peinture du Moine CitrouilleAmère, Plon, France, 2007, p 124) O objectivo será sempre o que está expresso na segunda das «Seis Regras Essenciais», chamada Harmonia (ou Ressonância): delimitar a aparência exterior (hua) compreendendo a substancia interior (shi) para alcançar a verdade (zhen).
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artes, letras e ideias 13
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
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baht
0.22
Cineteatro
O que fazer esta semana Diariamente
8.49
yuan
1.25
Cinema
Sala 1
The Hunger Games: Mockinghay Part 2 [B]
Filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
The Hunger Games: Mockinghay Part 2 [3D][B]
Filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth 19.15 Sala 2
Return of the cuckoo [B] Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Patrick Kong
Com: Chi Lam Cheung, Charmaine Sheh, Joe Chen, Nancy Sit 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 3
Lost in Hong Kong [b]
Falado em Mandarin e Cantonense Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Zheng Xu Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 14.30, 16.45, 21.30
Our times [b]
Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Zheng Xu, Wei Zhao, Bei-Er Bao, Juan Du 19.00
Abertura Macau Food Festival (até 24/11) Lagos Nam Van Entrada livre
Aconteceu Hoje
23 de novembro
Morreu Larry Hagman Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau Entrada livre Exposição de Zhou Chunya MAM Entrada livre Exposição “Refugiados de Xangai” Arquivo Histórico de Macau Entrada livre Exposição “A Jornada de Um Mestre” Albergue SCM Entrada livre
U m d i s co h o j e Bande à Part (Nouvelle Vague)
Exposição “Salão de Outono”, obras de 29 artistas locais (até 28/11) Fundação Macau Entrada livre Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas
Não precisa de apresentações. Nouvelle Vague é um grupo de músicos liderados por Marc Collin e Olivier Libaux que nasceu para reinventar músicas dos anos 70 e 80. Nem sempre é fácil gostar de covers, conseguir arrancar do ouvinte a versão que o fez apaixonar pela música parece-nos um alvo difícil de alcançar, mas Nouvelle Vague consegue na sua esmagadora maioria. Bande à Part, de 2006, é um álbum de trabalho muito bem estruturado com versões de Blondie, Echo and the Bunnymen, New Order ou Billy Idol com uma cover divertida da Dancing With Myself. Filipa Araújo
• 1221 - Nasce, em Toledo, o futuro rei de Castela Afonso X, o Sábio, organizador da maior compilação poético-musical em galaico-português, “As Cantigas de Santa Maria”. 1608 - Nasce D. Francisco Manuel de Melo escritor, historiador, militar, autor das “Obras Métricas”. 1889 - A primeira jukebox entra em funcionamento, no “saloon” Palias Royale de São Francisco, EUA. 1914 - O Congresso da República Portuguesa aprova a participação na Grande Guerra 191418, ao lado do Reino Unido. 1918 - Regressam a Lisboa as primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português, na Grande Guerra de 1914-18. 1936 - Sai o primeiro número da Life Magazine, criada por Henry R.Luce. 1964 - O Vaticano publica a abolição do latim como língua dos ofícios católicos. 1965 - O Conselho de Segurança da ONU reconhece o direito dos povos dos territórios sob administração portuguesa à autodeterminação e independência e declara a política colonialista portuguesa uma “séria perturbação” da paz e segurança internacionais. 1970 - É publicado pela primeira vez o jornal satírico Charlie Hebdo. 1971 - A China torna-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. 1976 - Morre André Malraux, escritor e político francês, herói da Resistência à ocupação nazi, durante a II Guerra Mundial, ministro da Cultura em 1960. 1991 - O Senado norte-americano aprova, por unanimidade, a resolução de condenação da Indonésia, pelo massacre de Santa Cruz, em Timor-Leste 1995 - Morre o cineasta francês Louis Malle, 63 anos, realizador de “O Sopro no Coração” e “Trinta Anos Esta Noite”. 2002 - Rebenta o chamado “escândalo Casa Pia”, sobre o abuso sexual de menores à guarda da instituição. O antigo ditador chileno Augusto Pinochet é acusado de fraude fiscal e colocado em prisão domiciliária, no âmbito do inquérito sobre contas bancárias secretas. Morre Isabel de Castro, 74 anos, actriz, 58 de carreira, “estrela” do cinema espanhol (1950-60), nome para a emergência do Cinema Novo português. Morre Phillippe Noiret, 76 anos, ator francês, o poeta e diplomata de “O Carteiro de Pablo Neruda”, operador de “Cinema Paraíso”, coprotagonista de “A Grande Paródia” ou “Zazie no Metro”. Morre Elizabeth Söderstrom, soprano sueca, intérprete privilegiada de Richard Strauss, 82 anos. 2012 - Morre Larry Hagman, ator norte-americano que ficou célebre por ter desempenhado o papel de J.R. Ewing na série televisiva “Dallas”. Tinha 81 anos.
fonte da inveja
Tanto Grande Prémio para nada.
João Corvo
opinião
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David Chan* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
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macau visto de hong kong
Plagiomas – novos episódios
N
a semana passada, falámos sobre o caso do Vice-Presidente e Administrador da Universidade Lingnan, sediada em Hong Kong, o Sr. Herdip Singh, suspeito de ter cometido plágio na sua tese de doutoramento. Herdip Singh doutorou-se através da Universidade State, Filipinas, mas frequentava em Hong Kong o “Lifelong College”, parceiro daquela Universidade. A sua tese de doutoramento era muitíssimo semelhante a uma tese de mestrado, em administração e gestão de empresas, escrita pelo estudante chinês, Wu Chunshui, em 2010, na Universidade Lund, Suécia. Acabou por se demitir, a semana passada, das suas funções na Universidade Lingnan. No entanto, os casos de suspeita de “plágio” e “dissertações obscuras” não terminaram com a demissão de Singh. Como seria de esperar, algumas Universidades de Hong Kong, procederam de imediato à verificação dos curricula dos seus professores, e aperceberam-se que alguns eram formados pela Universidade Tarlac, bem como, pela Universidade Bulacan, ambas nas Filipinas. O website “apple.nextmedia. com” divulgou esta notícia no passado dia 13, e o website “hk.on.cc”, também mencionou o assunto na terça-feira 17, adiantando o número de professores, dessas Universidade, formados na Bulacan: • professores (including 1 em part-time) da Universidade Shue Yan University, Hong Kong • professor, em part-time, da Escola de Comércio, Hang Seng School • professor da Universidade Hong Kong City • professor do SCOPE, da Universidade Hong Kong City
Em Macau está a ser preparada a lei para o ensino superior. Parece-me boa ideia incluir algumas cláusulas sobre fraudes académicas, quer sejam cometidas por estudantes, quer por professores dia 11, que, em termos académicos, o plágio é um delito muito grave. Não é permitido, nem a estudantes, nem a professores. Se um docente cometer plágio, pode ver-se privado do seu título de “Professor”. No caso do estudante, uma vez a fraude descoberta, não passará na sua apresentação. Os artigos acima mencionados, também referiam que, em 2012, três professores da Universidade Politécnica de Hong Kong, tinham copiado 500 palavras, de três artigos diferentes. O caso foi descoberto e os professores foram acusados. Também foi apurado que, Pal Schmitt, Presidente da Hungria, tinha cometido plágio na sua dissertação de doutoramento. Na sequência desta descoberta, foi-lhe retirado o título académico e, mais tarde, demitiu-se da presidência. Também, em 2013, a Directora do Departamento Alemão para a Educação, Annette Schavan, foi acusada de plágio, tendo,
cartoon por Stephff
igualmente, perdido o seu grau académico e as suas funções directivas. O segundo ponto aborda a questão da “falsificação de documentos”, nomeadamente, a falsificação “da data de admissão”. Esta “manobra” permite “validar” formações em tempo recorde. Só para dar um exemplo, suponhamos que um estudante obteve a sua graduação em Dezembro de 2013 e, que o tempo de formação que aparece no certificado, é de três anos e meio. No entanto, falsificando a data de admissão, o tempo efectivo em que esteve a estudar, pode ter sido apenas, de um ou dois meses. Usando esta técnica, o estudante forma-se num ápice. O Dr. Lok Wai-hung, advogado de Hong Kong, adiantou ao website “apple.nextmedia.com”, no passado dia 12, que, nestes casos, quer o estudante, quer a escola, se sujeitam a ser acusados de crimes como falsificação de documentos, utilização de documentos falsificados, entre outros, podendo, em ambos os casos, incorrer numa pena até 14 anos de prisão. O terceiro ponto é sobre “a negligência do estudo”. É prática corrente nas Universidades, a dispensa de frequência de matérias que os alunos já tenham dado noutra Universidade. Este acordo pode encurtar o tempo de formação. Por exemplo, se um aluno tiver estudado Lei Comercial, durante o Bacharelato, não precisa de repetir esta matéria posteriormente. No entanto, esta dispensa tem certos limites e, não é muito provável que um estudante seja dispensado de muitas matérias. Mas descobriu-se que
a Universidade Tarlac State concedeu dispensas para além do normal ao membro do Conselho Distrital (acima referido) o que torna este caso, no mínimo, duvidoso. Actualmente, em Hong Kong, o caso “Diploma Mill” é do conhecimento público. Alguns elementos do Conselho Legislativo solicitaram ao Chefe do Executivo uma investigação, mas ainda não receberam resposta. Não é esperado que o Chefe do Executivo compareça a nenhuma das cerimónias de graduação, a realizar nas diversas Universidades de Hong Kong. Além disso, o Departamento de Educação de Hong Kong enviou uma carta ao Lifelong College, a solicitar documentos para investigação. Porque é que os doutorados por estas duas Universidades filipinas, eram bem-recebidos em Hong Kong? Segundo algumas opiniões, um doutoramento, abre as portas a uma promoção. Para além disso, se o Colégio se está a preparar para ter estatuto de Universidade, é natural que os funcionários sejam mais pressionados. É natural, nestas circunstâncias, que quem se queira doutorar, escolha uma escola onde seja mais fácil ser-lhe concedido o doutoramento. Como todos sabemos, em Macau está a ser preparada a lei para o ensino superior. Parece-me boa ideia incluir algumas cláusulas sobre fraudes académicas, quer sejam cometidas por estudantes, quer por professores. A experiência de Hong Kong pode servir nesse sentido. *Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau
unidos
Para além de professores universitários, também alguns altos funcionários e, alguns políticos, se formaram na Universidade Bulacan. O website “apple.nextmedia.com” divulgou, quinta-feira 12, que um dos membros do Conselho Distrital de Hong Kong, se tinha formado na Tarlac State. A popular, Sisley Choi, Miss Hong Kong 2013, também recebeu a sua formação na Bulacan. Existem três pontos em análise neste caso, conhecido por “Diploma Mill”, sendo o primeiro as consequências do plágio. “Plagiar” é “copiar”. Se uma pessoa copia um artigo escrito por outra, e reclama a sua autoria, está a cometer plágio. O Professor Kwan Shu Kee, da Universidade chinesa de Hong Kong (já reformado) escreveu no website “apple.nextmedia.com”, no passado Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos; Thomas Lim Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo