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Hoje Macau 23 OUT 2017 #3920

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEGUNDA-FEIRA 23 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3920

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

hojemacau

POLYTEC

Em último recurso

HATO ACADÉMICOS DIVIDEM RESPONSABILIDADES

MIF

Negócio fechado PÁGINA 7

Hong Kong recebeu um grupo de académicos de Macau para apresentar estudos sobre a gestão dos efeitos da passagem do tufão Hato pela RAEM. As conclusões são unânimes: as falhas não podem ser apenas atribuídas a Fung Soi Kun, antes resultam da ineficácia de todo o Governo. Coutinho fala de alertas ignorados.

MACAU | PAÍSES LUSÓFONOS

Fraco comércio PÁGINA 9

SOFIA MARGARIDA MOTA

GRANDE PLANO E P.5

Retornado OPINIÃO | JOÃO LUZ

HOTEL 13

À procura dos milhões PUB

ÚLTIMA

LUSOFONIA A FESTA DE TODOS EVENTOS

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Culpas repartidas

PÁGINA 4


2 grande plano

O

último relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) veio abalar a reputação de Fung Soi Kun, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, acusando-o de todos os males ocorridos durante a passagem do tufão Hato pelo território. Contudo, um grupo de académicos de Macau considera que o Governo, no seu todo, falhou nas respostas tardias que deu e na forma como geriu a catástrofe. Os estudos foram apresentados no último sábado no âmbito da conferência anual da Associação de Ciência Política de Hong Kong, que reuniu dezenas de oradores de Macau e da região vizinha no Hang Seng Management College, instituição localizada nos Novos Territórios. O tufão Hato foi um assunto amplamente abordado no painel “Linguagem e Políticas relacionadas com o tufão em Macau”, onde participaram nomes como Bill Chou, Brian Ho, Newman Lam e Eilo Yu. Eilo Yu, professor da Universidade de Macau (UM), apresentou o estudo “Crise de gestão em Ma-

NAO, NAO ´ SOU O UNICO “O Chefe do Executivo tem estratégias para nada fazer. Penso que foi tardio [nas respostas que deu].” NEWMAN LAM DOCENTE DA UM

O docente da UM frisou que tem existido, nos últimos anos, uma “ausência de reformas”, sem esquecer “os problemas

TUFÃO HATO

PARA OS ACADÉMICOS, A CULPA NÃO É SÓ DE FUNG SOI KUN

de longa data do Governo. “A Administração falhou ao não fazer melhorias constantes e ao não promover uma cooperação interdepartamental”. Eilo Yu apontou sobretudo o dedo ao facto de existirem diversos conselhos consultivos sem que existam resultados práticos das suas reuniões. “Durante o mandato de Chui Sai On houve tentativas de realização de reformas e foram criadas comissões, que são presididas pelos secretários. Reúnem cerca de duas vezes por ano e não vemos mudanças significativas a acontecer.” Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, presidiu ao painel e concluiu, no final, que “a coordenação [no seio do Governo] é muito pobre desde o início da RAEM”. “Tem piorado [nos últimos tempos] e agora ninguém toma decisões.” Sobre a vinda do exército chinês, o ex-secretário adjunto da Educação do Governo de Vasco

GONÇALO LOBO PINHEIRO

cau, a reforma do sector público e a integração com o continente: as implicações do tufão Hato”, e concluiu que a culpa de todos os estragos foi de Fung Soi Kun, mas não só. “Vi muitos voluntários a limpar as ruas no dia seguinte. Eu próprio fui uma das vítimas e fiquei sem água durante vários dias. Mas o Governo parecia não estar a explicar às pessoas o que tinha acontecido. Vários funcionários públicos disseram-me que não sabiam o que fazer e que não estavam a receber indicações ao nível da coordenação”, disse na sua apresentação. Eilo Yu afirmou que aquilo que se viu nas ruas entre a tarde de quarta-feira e a sexta-feira foi resultado da ausência de reformas nos últimos anos. “O Governo tem tentado reformar a Função Pública, mas não resolveu ainda o problema da falta desta cooperação entre departamentos. A crise do Hato mostrou que falhamos na comunicação.”

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HOJE MACAU

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HOJE MACAU

Um grupo de académicos de Macau esteve em Hong Kong a apresentar estudos sobre a gestão das consequências do tufão Hato. Concluíram que a culpa não foi apenas de um só homem, Fung Soi Kun, mas de todo o Executivo e da falta de reformas adoptadas nos últimos anos

23.10.2017 segunda-feira

“A coordenação [no seio do Governo] é muito pobre desde o início da RAEM. Tem piorado [nos últimos tempos] e agora ninguém toma decisões.” JORGE RANGEL PRESIDENTE DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAU


grande plano 3

segunda-feira 23.10.2017

do que melhorar a nossa capacidade de auto-suficiência, temos de pensar em como melhorar a nossa comunicação com a China. Existe uma agência em Guangdong que lida com desastres naturais e unidades de emergência. Temos de nos coordenar com essa unidade no futuro.”

HOJE MACAU

Rocha Vieira lembrou que “não devemos colocar pressões” sobre essa questão, uma vez que noutros países são comuns as situações de ajuda internacional.

NÃO FAZER NADA

Newman Lam, também docente da UM, falou sobre o “Desenvolvimento económico e político de Macau à luz das recentes mudanças”, onde o tufão Hato também foi abordado. À margem da palestra, Newman Lam confessou ao HM que o tufão Hato não representa um ponto de partida em termos de uma mudança social mais profunda, mas fez as pessoas darem um murro na mesa. “As pessoas estão descontentes com o Governo há muito tempo. Mas uma das características da mentalidade das pessoas de Macau é a capacidade de perdoar, embora pense que com o tufão Hato algo aconteceu e esse perdão não aconteceu porque morreram dez pessoas. É um grande número e isso tornou-se indesculpável”, confessou. Newman Lam aponta directamente o dedo a Chui Sai On, Chefe do Executivo. “O Chefe do Executivo tem estratégias para nada fazer. Penso que foi tardio [nas respostas que deu]. Mas as queixas sobre a má performance do Governo não são de agora, o tufão é que forçou as pessoas a ver isso. De repente percebeu-se que, se continuarmos a ignorar o facto do Governo não agir, podemos ter consequências severas.” Brian Ho, também da UM, abordou a “Gestão de Tufões em Macau” e falou sobretudo da inacção do Chefe do Executivo. “O Chefe do Executivo fez um pedido de desculpas público um dia depois da tempestade, mas anunciou a saída do director dos SMG, Fung Soi Kun. Foi uma decisão tomada de forma muito veloz e rápida”, considerou o docente, para quem a passagem

“O Chefe do Executivo fez um pedido de desculpas público um dia depois da tempestade, mas anunciou a saída do director dos SMG, Fung Soi Kun. Foi uma decisão tomada de forma muito veloz e rápida.”

Albert Wong

BRIAN HO DOCENTE DA UM

Eilo Yu

do Hato “trouxe a necessidade de compreender a questão da gestão de crises no território.

A CENTRAL E A POLUIÇÃO

Eilo Yu deixou bem claro que Macau não consegue sobreviver sem uma boa cooperação com as autoridades de Guangdong.

A

passagem do tufão a dias das eleições legislativas (ocorridas a 17 de Setembro) poderá ter determinado alguns dos resultados, mas dois académicos que participaram na conferência anual da Associação de Ciência Política de Hong Kong não estabeleceram uma ligação directa entre estes dois acontecimentos. Segundo o estudo de Albert Wong, investigador independente de Macau, as eleições “representavam a única oportunidade que os cidadãos tinham para exprimir as suas posições na política local”.

Impõem-se, no entanto, alternativas: seria possível construir mais uma central eléctrica em Coloane, para que o território produzisse 81 por cento da sua electricidade? O projecto iria levantar outras problemáticas. “Será que deveríamos ter a nossa própria central eléctrica? Onde ficaria essa

estação? Macau é um pequeno território mas precisamos de uma grande central eléctrica. Temos três centrais, deveríamos ter mais uma em Coloane? E como ficaríamos em termos de poluição? Esta é a interrogação que se impõe.” A melhor solução é fortalecer actos com os nossos vizinhos. “Mais

Albert Wong, um investigador independente e consultor, fez referência ao facto do Governo ter criado, dias após a tempestade, a Comissão para a Revisão do Mecanismo de Resposta a Grandes Catástrofes e o seuAcompanhamento eAperfeiçoamento, quando, na verdade, já tinha criado um grupo de trabalho muito semelhante em 2012. O mesmo orador lembrou que “os sinais de tempestade foram içados muito tarde”, tendo referido ainda as diferentes posturas do sector do jogo. “Uma das concessionárias, a Melco Crown, doou milhões de patacas e organizou grupos de voluntários de entre os seus funcionários para ajudar a limpar as ruas. Já a Galaxy chamou voluntários para a limpeza das suas piscinas.”

Ventos eleitorais Um impacto que “não deve ser subestimado”

Contudo, “o impacto do tufão não pode ser subestimado”. Bill Chou, actualmente a dar aulas na Universidade Chinesa de Hong Kong, apresentou o trabalho “As eleições para a Assembleia Legislativa no rescaldo da crise do tufão Hato”. Em declarações ao HM, Bill Chou, que fez este estudo em parceria com outros académicos, defendeu que os resultados não dependeram directamente do tufão,

muito menos da qualidade da acção governativa do Governo. Verificou-se “um paradoxo”, uma vez que os resultados eleitorais “não dependem do desempenho do Governo, mas sim das políticas de união do Governo chinês em termos de mobilização de grupos de interesses e organizações nas eleições. Este é o ponto principal”. “Os candidatos de Fujian [Si Ka Lon e Song Pek

Kei] foram os mais pró-activos na ajuda nas ruas, mas não tiveram um bom resultado nas eleições. Há outros candidatos que estavam a competir com este campo de Fujian, uma vez que, para muitos deles, era quase impossível obterem um assento”, exemplificou. Para Bill Chou, se as eleições legislativas dependessem do desempenho do Governo, as associações do campo tradicional, como é o caso

Andreia Sofia Silva (Hong Kong) andreia.silva@hojemacau.com.mo

da Federação das Associações dos Operários de Macau, ou a União Geral das Associações de Moradores (Kaifong) também teriam maus resultados, o que não foi o caso. “Se a performance do Governo tivesse influência, o campo mais tradicional não teria tantos votos, porque trata-se do campo mais próximo do Executivo. A imagem dessas associações iria ficar prejudicada”, rematou. De frisar que a FAOM conseguiu eleger dois deputados pela via directa, enquanto que Mak Soi Kun arrecadou mais de 17 mil votos. A.S.S.


4 política

Visita Sede com Governo abriu ao público este fim-de-semana

GCS

23.10.2017 segunda-feira

Durante sábado e domingo a sede do Governo, sita na Avenida da Praia Grande, abriu as portas ao público. O Chefe do Executivo que deu as boas-vindas aos visitantes, conversou e prestou-se a tirar algumas fotografias. De acordo com o Gabinete de Comunicação Social, o número total de visitantes foi 14,811.

Demência Alexis Tam pretende construir “rede de serviços”

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, discursou ontem num fórum sobre a Demência, organizado em parceria com o Instituto de Acção Social e Serviços de Saúde. O secretário frisou que existem em Macau cerca de quatro mil doentes com este diagnóstico, “número que irá aumentar com envelhecimento da sociedade”. Neste contexto, o Executivo tem vindo a empenhar-se “na construção de uma rede de serviços de demência em Macau, partindo de cinco vertentes: prevenção, detecção, diagnóstico, tratamento e apoio precoces”. Alexis Tam apresentou ainda dados sobre o Centro de Avaliação e Tratamento da Demência que receberam 231 novos casos no primeiro semestre, depois de uma avaliação de 718 pessoas efectuada pelos Serviços de Saúde. Estes números “mais que duplicaram comparativamente ao período homólogo do ano passado, reflectindo um resultado significante”, aponta um comunicado.

PEARL HORIZON POLYTEC RECORRE PARA O TRIBUNAL DE ÚLTIMA INSTÂNCIA

CONGRESSO PCC ANGELA LEONG QUER MUDANÇAS EM MACAU

Esperança derradeira

A

deputada e empresária Angela Leong emitiu ontem um comunicado onde comenta o discurso proferido por Xi Jinping, Presidente da China, na abertura do 19º Congresso do Partido Comunista Chinês. Para a directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau, Xi Jinping “mostrou a estratégia para o futuro do país”, pelo que o Governo de Macau “deve inovar e ter coragem para que haja uma abertura”. “Os funcionários públicos das camadas superior e de base devem estudar e compreender de forma profunda o discurso do presidente Xi Jinping”, lê-se no comunicado, que faz menção aos estragos que ainda se verificam após a passagem do tufão Hato. “Alguns parques de estacionamento públicos ainda não funcionam correctamente e há problemas nos transportes públicos. Estas questões internas são de grande importância para o país. É importante que Macau, um lugar pequeno com muito turismo, possa desenvolver metas”, escreveu Angela Leong. Para que haja uma verdadeira mudança, a deputada reeleita à Assembleia Legislativa considera que o Governo precisa de “resolver com seriedade o problema de governação em Macau e elaborar políticas e medidas específicas”. O discurso proferido por Xi Jinping e as suas ideias “são de uma grande necessidade para os funcionários do Governo da RAEM, académicos e até para a comunidade”, pois “todos devem reflectir em conjunto sobre a actual falta de liderança”.

No entanto, a decisão do Tribunal Administrativo está dependente da decisão final sobre o recurso agora interposto pela empresa. O documento emitido está assinado pelo presidente da Polytec, Or Wai Sheun, e a administração compromete-se a “tomar as acções necessárias e apropriadas para proteger os interesses da Companhia”. A Polytec é representada, neste caso, pelo advogado e ex-deputado Leonel Alves.

ADMINISTRAÇÃO QUESTIONADA

Na decisão do TSI, revelada na quinta-feira, foi considerado que o “Chefe do Executivo não podia deixar de agir como agiu”, ou seja declarando a caducidade da concessão. “Agiu bem, pois assim lho impunha o regime legal e contratual das concessões. Não tinha outra solução, nem alternativa”, consideraram os juízes.

Contudo, a forma como o Governo da RAEM conduziu o processo não deixa de levantar dúvidas ao TSI, porque durante a concessão foram acrescentadas exigências à empresa, que não estavam estipuladas no contrato inicial. Também a demora da DSSOPT para intervir, sempre que era necessário, causou estranheza. De acordo com as contas da Polytec, após 2006, altura em que

Na decisão do TSI participaram, como adjuntos, dois dos mais mediáticos juízes desta instância, nomeadamente Lai Kin Hong e Tong Hio Fong

houve uma revisão da concessão para que fosse construído o Pearl Horizon nos moldes actuais, a empresa teve nove anos e nove meses para terminar o projecto. Porém, desse período, oito anos foram gastos para que o Governo aprovasse o projecto final e permitisse o início dos trabalhos, nos novos moldes. Na decisão do TSI participaram, como adjuntos, dois dos mais mediáticos juízes desta instância, nomeadamente Lai Kin Hong e Tong Hio Fong. O primeiro é presidente do TSI e fez parte, excepcionalmente, do colectivo de juízes Tribunal de Última Instância que condenou Ho Chio Meng. Tong Hio Fong foi o presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa, cujas decisões estiveram longe de ser consensuais. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

A

Polytec vai recorrer para o Tribunal de Última Instância da decisão do Chefe do Executivo, que declarou o fim da concessão do terreno onde estava a ser construído o empreendimento Pearl Horizon. O recurso é a última esperança da Polytec para resolver o assunto a seu favor através dos tribunais e foi revelado num comunicado à bolsa de Hong Kong, na passada sexta-feira. “A 19 de Outubro, o Tribunal de Segunda Instância da RAEM rejeitou o recurso da Polytec para considerar inválida a decisão do Chefe do Executivo da RAEM, que terminou a concessão do projecto [Pearl Horizon]. De acordo com as opiniões legais obtidas pela Companhia, a Polytec tem fundamentos suficientes para ainda recorrer para o Tribunal de Última Instância”, foi escrito no comunicado da empresa. “O Tribunal da RAEM deve considerar e avaliar os pontos essenciais sobre o atraso causado pelo Governo da RAEM e o direito da Polytec reclamar uma extensão do prazo para acabar os trabalhos de construção e entregar as fracções aos respectivos compradores”, é acrescentado. No mesmo comunicado é explicado que o outro processo entregue no Tribunal Administrativo para que a empresa seja compensada com uma extensão da concessão continua suspenso. Em causa está o facto da Polytec culpar o Governo por parte dos atrasos, e querer um prolongamento do prazo como compensação do tempo em que não pode avançar com as obras, porque tinha de aguardar decisões do Executivo.

TIAGO ALCÂNTARA

Após a derrota na Segunda Instância, a empresa responsável pelo Pearl Horizon vai recorrer da decisão do Chefe do Executivo, que declarou terminada a concessão do terreno onde estava a ser construído o empreendimento, para a Última Instância


política 5

segunda-feira 23.10.2017

SMG PEREIRA COUTINHO DIZ QUE GOVERNO NADA FEZ PARA ALTERAR MÁ GESTÃO

Deputado não prevê surpresas nas presidências das comissões da AL

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EPOIS de conhecida a distribuição dos deputados da sexta legislatura pelas devidas comissões, resta saber quem vai presidir aos órgãos que acompanham os dossiers mais quentes e que analisam as propostas e projectos de lei na especialidade. A questão torna-se mais interessante tendo em conta as retiradas de Kwan Tsui Hang e Cheang Chi Keong das lides legislativas. Hoje é votada em plenário a composição desses órgãos, sendo que os presidentes serão escolhidos na primeira reunião interna, que ainda não tem data marcada. Neste aspecto, o deputado Pereira Coutinho não prevê grandes surpresas nas escolhas para liderar as comissões de trabalhos da Assembleia Legislativa (AL). “Aquilo está tudo cozinhado desde o princípio. Aliás, as presidências das comissões são combinadas entre os deputados influentes no hemiciclo”, comenta. No entender de Pereira Coutinho, a escolha dos presidentes deveriam recair sobre os deputados com maior representatividade popular. Para o deputado que viu o seu mandato renovado por mais quatro anos, “os presidentes são, entre aspas, sempre os mesmos”. Apesar de duas das três comissões permanentes terem ficado sem líderes, Pereira Coutinho antevê que o lugar ocupado por Cheang Chi Keong à frente da 3ª comissão permanente pode calhar a Ip Sio Kai. É de referir que o Vice-Director-Geral da sucursal de Macau do Banco da China e presidente da Associação de Bancos de Macau cumprirá o seu primeiro mandato como deputado.

MAIS DO MESMO

Apesar de ser uma cara nova na AL, Pereira Coutinho entende que é o habitual “vira o disco e toca o mesmo”. O deputado português acrescenta ainda que os presidentes das comissões nunca surpreendem. “Alguma vez Ng Kuok Cheong foi presidente de uma comissão qualquer, um deputado que está lá há quase trinta anos? Ele é o deputado mais veterano e nunca teve direito a liderar uma comissão”, recorda. A antiguidade poderia ser um critério para a selecção dos cargos nas comissões da AL, aliás, como foi feito com a escolha de Kou Hoi In, o mais veterano do hemiciclo, que foi seleccionado para primeiro secretário da AL. Pereira Coutinho é da opinião que o único critério sólido para as escolhas é a conveniência do poder. “É por isso que os artigos da lei básica são aplicados quando mais convém, quando não é conveniente utilizam outro método”, comenta o deputado. J.L.

Chui Sai On ignorou os avisos para a situação de má gestão nos Serviços Meteorológicos, em 2016, mas agora o Governo atira todas as responsabilidades para o ex-director, Fong Soi Kun. A acusação é do deputado José Pereira Coutinho

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ERNANDO Chui Sai On foi alertado em 2016 para a situação de autoritarismo e má gestão nos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), mas preferiu ignorar os avisos. A acusação foi feita ontem, em declarações ao HM, pelo deputado José Pereira Coutinho, que recordou a entrega de uma petição em Agosto de 2016, depois da passagem do Tufão Nida, por parte da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). O membro da Assembleia Legislativa, que também esteve ontem no programa Fórum Macau dos canais chineses da TDM (ver texto secundário), defende que está na altura dos titulares dos altos cargos do Governo começarem a assumir as suas responsabilidades. “Em 2016, a questão dos principais titulares de cargos públicos terem de assumir as responsabilidades já tinha sido levantada. No entanto, na altura, o Governo fechou-se em copas. Fui eu que levantei essa questão logo em 2016, após a passagem do tufão Nida. Na altura apresentamos uma petição junto do Chefe do Executivo e caiu em saco roto. Ninguém nos ligou”, disse ontem José Pereira Coutinho, ao HM. “Agora apareceu o tufão Hato e o Governo deu a mão à palmatória e empurrou todas

ANTÓNIO FALCÃO

Líderes pré-cozinhados

Alertas em saco roto

as responsabilidades para o director. Ma antes ignoraram os nossos alertas, as nossas denúncias para a má gestão e o abuso de poder nos SMG”, acrescentou. José Pereira Coutinho defende que o relatório publicado pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), na quinta-feira, e que responsabiliza Fong Soi Kun pela situação dos SMG, veio confirmar “quase na integra” situações que Pereira Coutinho e Leong Veng Chai, ex-colega de bancada do deputado da ATFPM, já tinham denunciado. “O relatório menciona uma atitude prepotente e autoritária do ex-director, que não dialogava com os colegas. Mas isto são tudo queixas que já tinham sido relatadas em 2016”, frisou.

Além de Pereira Coutinho, estiveram no programa da TDM os deputados Au Kam San, Wong Kit Cheng, Angela Leong e Song Pek Kei. Durante a conversa, os deputados defenderam um tratamento igualitário para as pessoas afectadas pelo tufão, principalmente no pagamento das compensações pelos prejuízos directos.

LEI SINDICAL

Na semana passada tornou-se do conhecimento público que o projecto de lei sindical, sugerido por José Pereira Coutinho, tinha sido aceite pela mesa da Assembleia Legislativa. No entanto, ainda não está definida a data da discussão do projecto de lei em plenário. Esta tarde os deputados reúnem-se para

“Agora apareceu o tufão Hato e o Governo deu a mão à palmatória e empurrou todas as responsabilidades para o director. Ma antes ignoraram os nossos alertas, as nossas denúncias para a má gestão e o abuso de poder nos SMG.” PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

votar a constituição das diferentes comissões do órgão legislativo. Quando questionado sobre as verdadeiras hipóteses do diploma ser aprovado, depois de ter sido chumbado nas oito vezes em que foi proposto, José Pereira Coutinho sublinhou que cumpre o seu programa eleitoral. “Eu cumpro o meu dever como deputado e cumpro o programa eleitoral. O resto não tem nada a ver comigo, os outros deputados que façam o que quiserem com o diploma, eles sabem bem o que devem fazer”, afirmou José Pereira Coutinho. “Eu cumpro religiosamente a Lei Básica e o artigo 27, agora se os outros não querem cumprir a Lei Básica, não tem nada a ver comigo”, acrescentou. Apesar da Lei Básica reconhecer o direito dos residentes se organizarem em “associações sindicais”, na prática não há sindicatos, por falta de uma lei que regule o funcionamento dos mesmos. João Santos Filipe

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23.10.2017 segunda-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 718/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 671/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora ZHANG ZAO, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.º C22543xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 144.1/DI-AI/2015 levantado pela DST a 07.12.2015, e por despacho da signatária de 13.10.2017, exarado no Relatório n.° 722/DI/2017, de 20.09.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Cantao n.° 72-R, Edf. I San Kok, 20.° andar F.---------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Ou tubro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAN WA TENG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 73933xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 39/DI-AI/2016, levantado pela DST a 28.03.2016, e por despacho da signatária de 13.10.2017, exarado no Relatório n.° 678/DI/2017, de 05.09.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 1321, Hung On Center, Bloco 3, 4.° Andar T onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma. -----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Outubro de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Outubro de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

1.

2. 3.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua 1 de Maio, n.ºs 308 a 394, Rua Central da Areia Preta, n.ºs 158 a 648 e Rua da Pérola Oriental, n.ºs 33 a 101, em Macau (Edifício La Cite); - Alameda Dr. Carlos D´Assumpção, n.ºs 9 a 51, Rua Cidade de Braga, n.ºs 396 a 498, Avenida Sir Anders Ljungstedt, n.ºs 10 a 52 e Avenida Dr. Sun Yat-Sen, n.ºs 1349 a 1443, em Macau, (Edifício Vista Magnífica Court); - Alameda Dr. Carlos D´Assumpção, n.ºs 235 a 287, Avenida Sir Anders Ljungstedt, n.ºs 238 a 284, Rua Francisco H. Fernandes, n.ºs 4 a 112 e Rua Cidade de Coimbra, n.ºs 397 a 503, em Macau, (Edifício China Civil Plaza); - Alameda Dr. Carlos D´Assumpção, n.ºs 315 a 363, Avenida Anders Ljungstedt, n.ºs 316 a 362, Rua Cidade de Santarém, n.ºs 396 a 506 e Rua Francisco H. Fernandes, n.ºs 3 a 113, em Macau, (Edifício Hot Line); - Avenida Dr. Mário Soares, n.º 47 e Rua do Dr. Pedro José Lobo, n.ºs 1 a 3A, em Macau, (Edifício Banco Luso Internacional). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento.

Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 25 de Setembro de 2017. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong

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sociedade 7

segunda-feira 23.10.2017

FERNANDO PIRES

BRILHANTE DIAS FAZ BALANÇO “MUITO POSITIVO” é muito positivo” disse o “Obalanço secretário Estado para a Interna-

no âmbito trilateral, na sequência do memorando firmado pela China e Portugal”, referiu Eurico Brilhante Dias aos jornalistas. O secretário de Estado considera ainda que a presença de Portugal na 22.ª edição da MIF foi mais relevante do que nas edições anteriores. “É a maior representação externa no quadro dos países de língua portuguesa aqui na MIF e este ano com uma dimensão que, além do factor numérico, tem um elemento qualitativo que, devo dizer, é muito interessante”, referiu. “Além dos produtos de tradição onde se encontram os agro-alimentares, temos hoje um leque de serviços bastante mais sofisticados que oferecemos ao mundo”, rematou.

vem de um lugar saudável pode ser um factor relevante”, considera.

hoje. “Tanto na importação como na exportação temos com a China um grande espaço para que os negócios passam ser promovidos e há cada vez mais países a querem fazer negócio com o continente. Nós, que também temos um mercado imenso, somos igualmente vistos como um alvo pelas empresas chinesas”, disse.

cionalização de Portugal, Eurico Brilhante Dias aos jornalistas à margem do Fórum Económico “Cidades Sustentáveis”, uma iniciativa integrada na 22.ª Feira Internacional de Macau (MIF na sigla inglesa). Para o governante português, o evento fez com que fosse possível” cumprir com os objectivos fundamentais” e reforçou o papel do território na ligação entre Portugal e China. “O primeiro objectivo alcançado foi o de reforçar o sinal claro de que Portugal percebe a identidade particular da Região Administrativa Especial de Macau e que está disposto a reforçar a cooperação também

MAIS QUE UM CONTINENTE

MIF EVENTO CONCRETIZA O PAPEL DO TERRITÓRIO ENQUANTO PLATAFORMA

A união faz a força

A Feira Internacional de Macau volta a sublinhar o papel do território como ligação entre o continente e os países da lusofonia. Foram assinados 67 protocolos em que o mercado português e da América Latina reforçam a colaboração com empresas locais

A

22ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF na sigla inglesa), culminou mais uma vez na assinatura de uma série de protocolos que permitem agilizar as relações comerciais e de investimento entre a China e os países da Lusofonia, tendo o território como plataforma de ligação. No total foram 67 documentos, entre protocolos e memorandos de colaboração, que, tendo empresas locais como mediadoras garantem, não só a presença de mais relações com Macau, como representam

uma porta aberta para o mercado chinês. O leite Terra Nostra é um exemplo. O protocolo foi assinado na sexta-feira e a parceria é feita com uma empresa sediada em Macau. “Com esta colaboração vamos avaliar a possibilidade de começarmos a vender o nosso leite de pastagem no território”, disse ao HM Ana Gonçalves, representante da BEL Portugal, empresa responsável pela distribuição do produto. No entanto, é o mercado chinês que está na mira. “Achamos que se trata de um produto com um grande

potencial de aceitação no mercado do continente e Macau, por ter uma ligação especial com a lusofonia, é uma porta de entrada para esse efeito”, referiu a responsável. Por outro lado, o leite Terra Nostra, considera Ana Gonçalves, vai ao encontro das tendências dos consumidores em procurar cada vez mais produtos naturais. A China não é excepção e “em grandes cidades como Xangai e Pequim, onde as pessoas vivem com a poluição todos os dias, ter a oportunidade de que se está a consumir um produto natural que

Dos protocolos assinados, o Brasil também marcou uma forte presença na MIF. Lígia Lui é sino brasileira e veio à feira internacional formalizar a colaboração no sector da consultadoria entre o grupo que lidera e uma empresa com sede em Macau e representação no continente. A ideia é que, “através de Macau, exista uma ponte entre a China e o Brasil que possa ser expandida a outros países lusófonos”, apontou ao HM. O território representa, para Lígia Liu, “uma verdadeira plataforma”. “Já temos vários projectos em andamento que incluem a promoção de negócios e de investimento”, sublinhou. A medicina chinesa já é um produto exportado para o Brasil e o investimento na cultura é uma prioridade. “Temos trabalho feito no que respeita à tradução de livros académicos chineses para português para que mais países lusófonos possam entender a China e a sua forma de pensamento”, explicou Lígia Liu. Já Carolina Valente, presidente da Federação Ibérico Americana de Jovens Empresários (FIJE) quer levar as relações com a China mais longe, “não só aos países da lusofonia como a todos os que integram a América Latina e mesmo a Espanha e a Andorra”, referiu a representante da federação. O continente é um mercado que não pode ser descurado nos dias de

“Tanto na importação como na exportação temos com a China um grande espaço para que os negócios passam ser promovidos e há cada vez mais países a querem fazer negócio com a continente. Nós, que também temos um mercado imenso, somos igualmente vistos como um alvo pelas empresas chinesas” CAROLINA VALENTE PRESIDENTE DA FIJE

Macau representa a ligação óbvia até porque “fortalece, cada vez mais, a relação com os países de língua portuguesa”, rematou Carolina Valente. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

RECICLAGEM SUSTENTABILIDADE PASSA POR COOPERAÇÃO REGIONAL

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ACAU está no caminho da sustentabilidade, mas as dificuldades ainda são muitas, associadas com as características próprias do território. Por limitações ligadas à falta de espaço, a

solução para problemas como a reciclagem passa pela cooperação regional. A ideia foi deixada pelo presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), José Tavares, à margem do

Fórum Económico “Cidades Sustentáveis”, uma iniciativa integrada na 22.ª Feira Internacional de Macau (MIF na sigla inglesa). “Não temos espaço no território para tratar os lixos e o aterro está praticamente

cheio” afirmou José Tavares. Para o responsável, Macau pode até “fazer uma primeira triagem antes de enviar o lixo para os sítios específicos e estes serem depois reutilizados”, apontou o responsável.

No entanto, “a questão é que não temos capacidade nem espaço aqui e o projecto tem de ser regional. Sou apoiante disso”, sublinhou o presidente do IACM.

José Tavares garantiu ainda que o novo mercado de Saec Pai Van vai ter as portas abertas no próximo ano apesar dos atrasos causados pelos estragos com a passagem do tufão Hato pelo território.


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23.10.2017 segunda-feira

THINK NOVA PLATAFORMA ONLINE VISA PROMOVER DEBATE ENTRE JOVENS TIAGO ALCÂNTARA

O dia de amanhã

Chama-se “Think – Just for Youth” e é uma plataforma a funcionar no Facebook que visa aumentar a consciência cívica dos jovens, pela via do debate de matérias sociais e políticas. Alguns dos membros fazem parte da Associação Nova Juventude Chinesa

Tufão Hato Templos e igrejas afectados quase recuperados

Economia Taxa de inflação fixa-se nos 1,14 por cento

De acordo com os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o Índice de Preços no Consumidor (IPC) aumentou sobretudo devido à subida nos índices de preços das secções da educação (+7,14 por cento) e de bebidas alcoólicas e tabaco (+5,08 por cento). Nos últimos 12 meses que terminaram em Setembro, a taxa de inflação ficou nos 1,14 por cento, quase metade do valor registado em 2016. No ano passado, a taxa de inflação de Macau foi de 2,37 por cento, a mais baixa desde 2009, ano em que se fixou em 1,17 pontos percentuais. Segundo as mais recentes projecções do Fundo Monetário Internacional, a taxa de inflação de Macau deve fixar-se em 1,5 por cento este ano e 2,2 pontos em 2018.

Colina da Taipa Elevador voltou a avariar

O elevador inclinado da Colina da Taipa Grande registou a segunda avaria, na quinta-feira, depois de ter começado a operar no início do mês. De acordo com a informação colocada a circular nas redes sociais, na quinta-feira um dos dois ascensores estava isolado com um sinal indicativo à frente da porta, apenas escrito em chinês, que explicava que não podia ser utilizado porque precisava de ser reparado. Esta é a segunda avaria, depois do mesmo equipamento ter tido problemas a 5 de Outubro, tendo na altura ficado com 10 pessoas presas no interior.

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FIRMAM não ter pretensões políticas, pelo menos para já. Com mais de 1500 gostos na página de Facebook, a plataforma “Think – Just for Youth” pretende levar os jovens, maiores ou menores de idade, a debaterem as questões da actualidade de Macau, sejam do foro social ou político. O projecto, que surgiu pouco antes das eleições legislativas, conta com um total de 20 membros, muitos deles também ligados

à Associação Nova Juventude Chinesa. Chan Chi Weng, que conversou com o HM sobre este projecto, é um deles, mas assume que a plataforma “Think – Just for Youth” não está directamente ligada à associação. “Alguns membros são da associação, mas se existe uma ligação directa à Associação Nova Juventude Chinesa, temos de questionar. Temos membros desta associação mas temos muitos membros da sociedade.”

“Tivemos como objectivo principal começar esta plataforma para que haja uma maior ligação com os jovens e também com os adolescentes, para que tenham um espaço onde possam discutir e expressar as suas ideias e pensamentos”, contou Chan Chi Weng, que também é membro do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários para a Zona Norte. A página vai sendo actualizada com a ajuda de nove membros a quem cabe a responsabilidade de lançar os temas de debate,

HOJE MACAU

O Instituto Cultural informa que os trabalhos de recuperação e limpeza dos templos e igrejas de Macau que foram danificados pela passagem do tufão Hato pelo território se encontram bem encaminhados. As obras seguiram uma ordem de prioridade sendo que no primeiro lote estão incluídos 18 edifícios onde se procedeu à remoção de destroços perigosos, reparação de instalações eléctricas e recuperação de fachadas exteriores. O segundo lote compreende 28 projectos de limpeza e reforço estrutural e também está perto da conclusão. O terceiro lote, com trabalhos ainda em curso, prevê a recuperação de 24 edifícios que necessitam de restauro mais especializado.

incluindo a publicação de vídeos. Alguns deles são gravados na rua, em jeito de vox-pop sobre os mais variados temas. Pode ser a eleição de Agnes Lam para a Assembleia Legislativa ou o aumento das tarifas dos autocarros, por exemplo. Para Chan Chi Weng, esta participação online pode levar o Governo a melhorar a implementação de diversas políticas. “Temos nove conselheiros que fazem o trabalho principal. Depois temos alguns membros que fazem pesquisa, que acompanham a parte de produção dos vídeos. Tentam levantar algumas questões online e também promover discussões sobre esses assuntos”, apontou um dos responsáveis pelo projecto.

POLÍTICA LOGO SE VÊ

É difícil a Chan Chi Weng explicar se, daqui a quatro anos, a “Think – Just for Youth” poderá ou não gerar um candidato para as eleições legislativas. O objectivo não é, para já, esse. “As próximas eleições são daqui a quatro anos e não podemos ter a certeza de que vamos ‘formar’alguém que possa vir a ser candidato. Seria muito prematuro afirmar que vamos desenvolver essa acção. O objectivo principal desta plataforma é fazer com que as pessoas estejam mais consciencializadas das questões sociais, que haja mais discussão no seio dos jovens. Talvez no futuro alguém possa ser um candidato através desta plataforma. Iríamos ficar muito orgulhosos”, explicou um dos fundadores. Ainda que a “Think – Just for Youth” tenha um olho mais social do que político, Chan Chi Weng também denota uma maior participação cívica dos jovens, algo que se verificou nas últimas eleições. “Há mais jovens a participar e a discutir este tipo de assuntos. Temos mais meios para falar, nas redes sociais por exemplo, ou nas actividades [que vamos organizando]. Isto é muito importante, porque são os jovens de hoje que vão governar Macau no futuro”, concluiu Chan Chi Weng.

Chan Chi Weng, fundador “O objectivo desta plataforma é fazer com que as pessoas estejam mais consciencializadas das questões sociais.”

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

TRANSPORTES PRIMEIRAS CARRUAGENS DO METRO A CAMINHO DE MACAU

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GORA é de vez. Espera-se a qualquer momento a chegada das primeiras composições do metro ligeiro a Macau. De acordo com informação veiculada pela Lusa, as carruagens foram enviadas do Japão na sexta-feira sendo eminente a sua chegada ao território. Em comunicado, o Gabinete para as Infraes-

truturas de Transportes (GIT) informou que vão ser realizados “todos os trabalhos de ensaio do sistema” de modo a coordenarem-se com a meta de entrada em funcionamento em 2019. Prevê-se que as carruagens cheguem à Estação do Oceano do metro ligeiro no início de Novembro.

Prometido há vários anos, o metro ligeiro, que sofreu uma série de atrasos e derrapagens orçamentais, divide-se entre a linha da Taipa e a da península de Macau. Segundo as previsões oficiais, a primeira deve estar concluída em 2019, mas a segunda ainda não tem data. As carruagens do comboio do metro ligei-

ro têm 11,8 metros de comprimento, largura de 2,8 metros, altura de 3,8 metros e pesam cerca de 15 toneladas. Considerando que é necessário passar por algumas artérias principais do centro da cidade durante a entrega, a equipa de construção já começou a proceder à simulação do transporte, de modo a

garantir a sua segurança e fluidez na realidade. O Governo de Macau celebrou, em 2011, com a Mitsubishi Heavy Industries um contrato para a prestação dos serviços de fornecimento dos comboios e do sistema do metro ligeiro por 4,6 mil milhões de patacas.


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segunda-feira 23.10.2017

ECONOMIA FÉLIX PONTES CRITICA A FRACA RELAÇÃO COMERCIAL ENTRE MACAU E CPLP

O estreitar de relações comerciais entre Macau e os países lusófonos é um dos chavões mais ouvidos quando se discute o comércio externo do território. Porém, os números da balança externa não revelam essa realidade. O economista António Félix Pontes realça esta falha e mostra-se favorável à abertura de linhas de crédito para fomentar os negócios

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economista António Félix Pontes defende que Macau deve “criar condições”, como facilitar o financiamento de projectos, perante a “dimensão frustrante” do comércio com os países de língua portuguesa, que “em nada” reflecte as expectativas das manifestações políticas. “É um facto indesmentível que o relacionamento comercial entre Macau e os países de língua portuguesa tem tido uma dimensão frustrante, não traduzindo em nada as expectativas emergentes das frequentes manifestações políticas nesse sentido”, disse à Lusa Félix Pontes, interveniente na sexta-feira num fórum económico integrado na Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), que terminou ontem. “Os números são insignificantes, são ridículos. Temos de ser realistas e falar verdade e com seriedade”,

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Uma verdade inconveniente

afirmou, salientando que o saldo acumulado “nestes últimos três anos, até Agosto, vai em 1,6 mil milhões de patacas negativos para Macau”. Além disso, observou, o número de parceiros comerciais no universo lusófono é reduzido: a título de exemplo, entre Janeiro e Agosto, Macau exportou apenas para quatro dos oito países de língua portuguesa (Portugal, Moçambique, Brasil e Angola). “Quando há um grande défice têm de se criar instrumentos para tentar reverter a situação”, enfatizou Félix Pontes, actualmente presidente do Instituto de Formação Financeira depois de, em 2015, se ter aposentado ao fim de 35 anos ao serviço do antigo Instituto Emissor de Macau e da Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

CRÉDITO ÀS EXPORTAÇÕES

“Há que criar condições”, como “facilitar o financiamento de pro-

“O relacionamento comercial entre Macau e os países de língua portuguesa tem tido uma dimensão frustrante”, comentou António Félix Pontes, acrescentando que “os números são insignificantes, são ridículos.” jectos, seja de exportação [ou] de investimento”, sustentou o economista à margem da MIF. “O seguro de crédito pode desempenhar uma função importante, […] porque acarreta muitas vantagens para os exportadores, mas também a concessão de linhas de crédito. A China já fez o seu papel:

tem linhas de crédito para todos os países, está a ter retorno – não só financeiro, mas também em termos políticos”, argumentou. Neste âmbito, saudou o acordo, firmado na quinta-feira, entre a seguradora de créditos portuguesa Cosec e aAMCM, que lança as bases para criar “uma agência de crédito à exportação para apoiar empresas que pretendam operar nos países lusófonos”. Porém, espera que “não fique no papel”, à semelhança de outros assinados no passado. Independentemente de ser uma seguradora governamental, como existe em Hong Kong ou na China, ou uma agência de crédito à exportação, igualmente com suporte do governo, Félix Pontes defendeu a aposta com “maior urgência” na criação efectiva, porque, ao cobrir os riscos políticos, faz com que os empresários “tenham menos relutância” particularmente em relação a novos mercados.

“Os exportadores de Macau têm a percepção de que os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste são países de elevado risco. Grande parte dos empresários locais considera que pelo menos alguns acarretam elevados riscos e têm razão”, explicou Félix Pontes, indicando que “na classificação de risco de países da OCDE grande parte dos países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste está no grau 5 a 7, que é o máximo”. “Até o Brasil, neste momento, também acho que está no nível 5 ou 6 e, portanto, os empresários têm uma certa retracção em exportar”, embora alguns também reconheçam que existem “muitas oportunidades”, acrescentou. Para Félix Pontes, há uma série de políticas que Pequim tem proporcionado, como o CEPA (Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau) ou a iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota” que “criam imensas oportunidades para as empresas de Macau actuarem como intermediárias” entre a China e os países de língua portuguesa. No entanto, perante os riscos políticos e comerciais, é “determinante” que tenham à sua disposição um mecanismo de seguro de crédito – o que já ocorre em grande parte das jurisdições em todo o mundo” –, dado que “continuam numa situação de desvantagem competitiva nesse capítulo comparativamente às de Hong Kong e da China”. Em paralelo, Félix Pontes defendeu a concessão de linhas de crédito à exportação pela AMCM aos bancos centrais africanos de língua portuguesa e Timor-Leste: “Creio que seria benéfico para se enveredar definitivamente para um certa diversificação da economia de Macau”. “Desde que cheguei a Macau em 1980 que já se falava da diversificação, mas, no entanto, só fica no papel ou então em meras manifestações políticas”, frisou. Lusa


10 eventos A FESTA DA GENTE

23.10.2017 segunda-feira

São 20 anos de Lusofonia.A festa que traz ao território um pouco de cada país de expressão portuguesa, mostra agora que a população local não a deixa passar ao lado . São cada


segunda-feira 23.10.2017

vez mais os filhos da terra, e nรฃo sรณ, que por lรก passeiam, que a integram e nela participam

eventos 11 FOTOS SOFIA MARGARIDA MOTA


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23.10.2017 segunda-feira

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NALISTAS consideram quae a China quer assumir-se como grande potência, tornando-se mais interventiva além-fronteiras, num novo perfil diplomático atribuído à governação de Xi Jinping, que confirma esta semana o estatuto de mais forte líder chinês das últimas décadas. Para o analista David Kelly, o país asiático “vai reclamar a posição de grande potência” e tentar “preencher o vazio” na governação das questões globais, alegadamente deixado pelos Estados Unidos com a ascensão ao poder de Donald Trump. O Presidente norte-americano foi eleito com uma agenda isolacionista e nos primeiros meses de governação retirou os EUA do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e do acordo transpacífico de comércio livre. Kelly falava nas vésperas do início do XIX Congresso do Partido Comunista da China (PCC), que esta semana reúne, na capital chinesa, os mais poderosos do regime chinês. No discurso inaugural do mais importante evento da agenda política chinesa, proferido perante centenas de delegados do PCC, a maioria homens de fato escuro que aplaudiram sincronizadamente, Xi anunciou o início de uma “nova era”, em que a China “erguer-se-á entre todas as nações do mundo”. “Será uma era em que a China se aproximará do palco principal e fará maiores contribuições para a humanidade”, apontou Xi. Durante o congresso, as teorias de Xi Jinping devem ser incluídas na constituição do partido, reflectindo o seu estatuto como mais poderoso líder chinês, desde Deng Xiaoping. “A China vai trazer para o mundo moderno a sua sabedoria milenar e recuperar a grandeza de outrora. Vai oferecer ao mundo uma solução chinesa”, disse David Kelly, director da unidade de investigação China Policy, sobre a nova narrativa do regime chinês. “Isto vai ser atribuído a Xi, por ter criado o seu próprio pensamento” afirmou. “A ele será atribuído uma inovação teorética ao nível de Mao Zedong [o fundador da República Popular], ou mesmo superior”.

TOCA A ANDAR

Desde que ascendeu ao poder, em 2013, Xi Jinping visitou 58 países, e passou 193 dias no estrangeiro. Neste período, Pequim lançou um novo banco internacional e um gigante plano de infraestruturas que pretende reactivar a antiga via comercial entre a China e a

Salvador da pátria

Xi Jinping elogiado por “travar golpe” de facção do PCC

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ANÁLISE CHINA INICIA “NOVA ERA” COMO POTÊNCIA PRONTA A INTERVIR EM QUESTÕES GLOBAIS

O mundo à mão de semear Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático. A moeda chinesa, o RMB, avançou para a internacionalização. No espaço de um ano, o país acolheu a cimeira do G20 e do bloco de economias emergentes BRICS. A imprensa oficial do país passou a referir a China como “líder da agenda global”. Lançado este Verão, “Wolf Warrior II” (Lobo Guerreiro II), o filme mais visto de sempre na China, parece ilustrar a nova visão do país asiático sobre si mesmo. O filme conta a história de um soldado chinês numa zona de guerra em África, onde salva

centenas de pessoas de uma chacina conduzida por mercenários ocidentais, que tentam apoderar-se do país. “É o típico enredo de um filme de acção de Hollywood, mas desta vez é um chinês a defender a justiça e assegurar a paz no mundo”, descreveu a BBC. Para David Kelly, Lobo Guerreiro II é uma “forte metáfora política”. “Com base em alguns aspectos do filme, acho que é claro que vamos assistir a mais intervenção chinesa além-fronteiras”, afirmou. A segunda economia mundial tem, no entanto, reticências

“A China vai trazer para o mundo moderno a sua sabedoria milenar e recuperar a grandeza de outrora. Vai oferecer ao mundo uma solução chinesa.” DAVID KELLY DIRECTOR DE INVESTIGAÇÃO DA UNIDADE CHINA POLICY

em abdicar do princípio de não intervenção, explicou Xue Li, investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais. “A China não quer também que outros países interfiram nos seus assuntos domésticos”, disse o académico à agência Lusa. “Se mudarmos, abrimos um precedente para que outros países interfiram nas questões do Tibete, Xinjiang ou Taiwan”, referiu, considerando que “o Governo chinês seria apanhado numa armadilha”. Xue concordou, porém, que “existe um conflito entre a política de não-intervenção e a necessidade de proteger os interesses nacionais”. “Existem hoje tantos chineses a viver além-fronteiras” lembrou, referindo que “o Governo chinês terá de proteger os seus cidadãos e activos”.

presidente da Comissão Reguladora de Valores da China, Liu Shiyu, afirmou sexta-feira que uma facção do Partido Comunista (PCC) conspirava para tomar o poder e enalteceu o Presidente chinês, Xi Jinping, por travar “o golpe”. Liu, que falava durante um painel de discussão no XIX Congresso do PCC, afirmou que Xi salvou o partido, informou o jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP). Entre os líderes da suposta facção, Liu Shiyu destacou Sun Zhengcai, antigo chefe do PCC no município de Chongqing, que era visto como candidato a ser um dos líderes máximos da China ao longo da próxima década. Sun foi expulso do Partido e está a ser investigado por corrupção. O director do órgão regulador citou ainda o antigo ministro do Comércio Bo Xilai e o antigo chefe da Segurança Pública Zhou Yongkang, ambos condenados à prisão perpétua. “Eram altamente corruptos e planeavam usurpar a liderança do Partido e o poder do Estado”, afirmou. Liu referiu ainda, na intervenção, Ling Jihua, ex-director do Comité Central do PCC e adjunto do antigo presidente Hu Jintao. “A liderança central, com o secretário-geral Xi como núcleo, salvou o Partido, o exército e o país durante os últimos anos. [Xi] salvou o socialismo”, afirmou Liu. No final do ano passado, o responsável pelo órgão máximo de disciplina do partido, Wang Qishan, visto como o segundo líder mais poderoso da China, disse que alguns altos quadros do PCC tentaram apoderar-se da organização. A campanha anticorrupção lançada por Xi, após ascender ao poder, em 2013, castigou mais de um milhão e meio de funcionários públicos e investigou 440 altos quadros do regime. Observadores consideraram que as afirmações de Liu sugerem que a expulsão da organização e condenação à prisão perpétua dos nomes mencionados tiveram também motivos políticos, e expõem a existência de lutas internas no PCC.


região 13

FILIPINAS EXÉRCITO COMBATE ÚLTIMA DEZENA DE ‘JIHADISTAS’ EM MARAWI

EPA

segunda-feira 23.10.2017

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exército filipino está a lutar contra uma dezena de ‘jihadistas’ em Marawi, naquela que poderá ser a última operação contra o Estado Islâmico (EI) na cidade, um conflito que começou há cinco meses, disseram ontem fontes militares. O porta-voz das Forças Armadas, Restituto Padilla, disse que pelo menos dois estrangeiros poderiam fazer parte do último grupo rebelde que está entrincheirado em cinco edifícios daquela cidade do sul do país. “Estamos a tentar terminá-lo […] e os nossos relatórios recolhidos pelos nossos colegas na principal zona de batalha colocam o foco nesses cinco edifícios”, disse Padilla num entrevista à rádio filipina dzBB, citado pela EFE. O porta-voz acrescentou que os insurgentes mantinham pelo menos uma dezena de reféns, mas acrescentou que estão “encurralados” e que não têm mais influência sobre o resto da cidade. O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, declarou na quarta-feira que Marawi ficou livre, dois dias depois de o exército ter morto os dois principais líderes rebeldes. O conflito em Marawi matou mais de mil pessoas, incluindo 897 rebeldes, 164 soldados e 47 civis, e fez deslocar 395 mil pessoas, que foram alojadas em acampamentos e terrenos desportivos nas aldeias próximas, de acordo com fontes oficiais.

Malásia Sete mortos em deslizamento de terras

As autoridades da Malásia elevaram ontem para sete o número de mortos num deslizamento de terras que soterrou, no sábado, 11 trabalhadores num estaleiro de obra. Cerca de 220 operacionais da polícia, equipas de resgate e pessoal médico procuram os desaparecidos por debaixo da lama que se desprendeu de uma colina adjacente à zona de obras em Tanjung Bungah, no estado de Penang, no noroeste do país. Um porta-voz da protecção civil confirmou ao jornal The Star que um sétimo cadáver foi recuperado a meio da manhã de ontem, juntando-se a outros três encontrados durante a noite e três descobertos pouco depois do incidente. Os mortos são trabalhadores indonésios, bangladeshianos e birmaneses, que juntamente com os quatro desaparecidos, incluindo um supervisor malaio, ficaram soterrados pela lama que caiu de uma ladeira, de 35 metros de altura. O director do departamento de Fogos e Resgate de Penang, Saadon Mokhtar, disse que o acidente aconteceu quando os operários trabalhavam nas fundações da obra.

ELEIÇÕES / JAPÃO VITÓRIA PROVÁVEL DE SHINZO ABE

Sucesso anunciado

O

primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, deverá garantir um novo mandato à frente da terceira economia do mundo, nas legislativas antecipadas que o próprio desencadeou, e cujos resultados eram ainda desconhecidos no fecho desta edição. As últimas sondagens davam uma vitória folgada ao Partido Liberal Democrata (PLD) de Abe, no final de uma campanha dominada pelas questões económicas e pela ameaça da Coreia do Norte, que falou de afundar no oceano o arquipélago sobre o qual já fez sobrevoar mísseis. A vitória permitirá a Abe manter-se na chefia do Governo até 2021, se conquistar também a presidência do PLD no próximo Verão. O envolvimento em escândalos de favoritismo afectou a popularidade do primeiro-ministro japonês, que sofreu uma derrota histórica do partido nas eleições autárquicas em Tóquio, em Julho, perante a formação da carismática governadora Yuriko Koike da capital nipónica. Perante este cenário, Abe, de 63 anos, decidiu dissolver a Câmara dos Representantes (baixa) do parlamento mais de um ano antes da data prevista para o escrutínio.

PROJECTO ESVAZIADO

Algumas horas antes do anúncio oficial das legislativas anteci-

padas, Koike anunciou que ia chefiar um novo movimento político, o Partido da Esperança. Esta mulher de direita, de 65 anos, antiga vedeta da televisão e antiga ministra de Abe, acordou no espaço de poucas semanas a cena política japonesa letárgica e obrigou a uma recomposição da paisagem política. O principal partido da oposição, o Partido Democrático, dissolveu-se e um grande número dos seus membros voltou-se para o Partido da Esperança, enquanto um dos principais líderes, Yukio Edano, defensor da ala esquerda, criou o Partido Democrático Constitucional do Japão.

As últimas sondagens davam uma vitória folgada ao Partido Liberal Democrata (PLD) de Abe, no final de uma campanha dominada pelas questões económicas e pela ameaça da Coreia do Norte, que falou de afundar no oceano o arquipélago sobre o qual já fez sobrevoar mísseis

Algumas sondagens favoráveis depois, Koike parece ter perdido o vigor e os eleitores sentiram-se defraudados com a decisão de não se candidatar ao cargo de primeiro-ministro. A Constituição japonesa impõe que o chefe do Governo seja escolhido entre deputados ou senadores. “Qualquer partido, para ser credível, deve ter um candidato ao cargo de primeiro-ministro. Devia ter sido ela. Como recuou, temos um navio subitamente sem capitão”, comentou Michael Cucek, professor na Universidade Templo de Tóquio e politólogo japonês. Face ao envelhecimento da população, à deflação, que mina a economia há duas décadas, e ao crescimento lento, Abe apresenta a sua política económica feita de liberdade orçamental e de uma política monetária que consiste em alimentar o mercado com liquidez. Estas medidas pretendem contrariar a tendência do recuo dos preços que abranda a actividade das empresas e dos consumidores, tentados a adiar investimentos e despesas à espera de novas reduções de preços. O Japão conhece actualmente o maior período de crescimento consecutivo em dez anos. No entanto, a baixa taxa de desemprego mascara uma crescente precarização.

Ao “abenomics” (a política económica de Abe), Koike contrapôs o que apelidou de “yurinomics”, numa crítica à concretização de reformas estruturais e com uma promessa de congelar um projecto de aumento de dois pontos percentuais do IVA, para 10%. A governadora de Tóquio distingue-se também pela vontade de pôr fim à aposta na energia nuclear, na sequência do acidente da central de Fukushima, em 2011. Tal como Abe, Koike é favorável à alteração da Constituição pacifista, ditada em 1947 pelos Estados Unidos depois da rendição do Japão no final da Segunda Guerra Mundial. O artigo nono da Constituição consagra a renúncia “para sempre” à guerra. De acordo com as últimas sondagens, o PLD vai conseguir sozinho menos de 300 lugares, mas a coligação com o aliado Komeito dará a Abe uma maioria de dois terços, necessária para convocar um referendo para alteração da Lei fundamental. Uma centena de milhões de eleitores são chamados a renovar os 465 lugares da assembleia (menos dez dos que na anterior eleição).


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23.10.2017 segunda-feira

Estou vazio como um poco seco. ´ Não tenho verdadeiramente realidade nenhuma.

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura

Distinções Entre Paisagens. As montanhas na Primavera parecem estar alegres. As montanhas do Verão parecem exprimir rivalidade. As montanhas no Outono parecem que sofrem. As montanhas de Inverno parecem que estão a meditar. Pincel e Tinta. É muito difícil harmonizar o pincel com a tinta. Quando se faz o esboço e se colocam as rugas, a sua clareza ou a sua confusão depende do uso do pincel, enquanto o modo como aparecem e desaparecem (o relevo) depende da tinta. Mi Fu (1051-1107) usava a po mo (tinta salpicada ou esparramada) de Wang Xia1, e combinava-a com po mo (tinta quebrada), ji mo (tinta empilhada) e jiao mo (tinta preta queimada). Deste modo obtinha efeitos etéreos e de vapor.

1 - Lendário pintor também conhecido por Wang Mo, ou seja, «Wang, a Tinta». Zhu Jingzhen (Zhu Jingxuan) no Tangchao minghua lu «Pinturas famosas da dinastia Tang», descreve o seu método: «Era bastante selvagem, geralmente começava por beber vinho para se preparar para iniciar a pintura. Quando já estava bêbado começava por derramar a tinta, rindo e cantando o tempo todo. Pontapeava, sujava o papel ou a seda com as mãos, vagueava com o pincel pela superfície ou esfregava, aqui com a tinta leve, ali mais carregada. Depois seguia as configurações assim criadas aleatoriamente para fazer as montanhas ou as rochas ou nuvens ou a água. A resposta da mão ao pensamento era tão rápida como a própria Criação. Ele fazia aparecer nuvens e nevoeiro com o desenho ou criava vento e chuva com aguadas de um engenho divino. Se olharmos de perto não descobriremos nem traços dos

borrões de tinta, um facto que toda a gente acha bastante extraordinário.» (Citado por Michael Sullivan, in Chinese landscape painting, University of California, Press, Berkley, 1980, p.73) Wang Mo faleceu na era Zhenyuan (785-805) em Runzhou, Jiangsu, quando levantaram o seu caixão parecia estar vazio: na altura todos disseram que ele deveria ter-se transformado num espírito. Não existem hoje obras originais dele e Zhang Yanyuan não vendo nele nada de extraordinário, preferiu chamar-lhe Mo, o mesmo som mas com um significado diferente: «Wang, o obscuro». Noutras classificações académicas, no entanto, ele é apontado como exemplo da classe yi, espontânea, referente à origem primordial da criação cósmica. Michael Sullivan (op.cit. p.22) apontando o exemplo de Jackson Pollock (1912-1956) escreveu: «Wang era aquilo a que podemos chamar um «action painter».


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 23.10.2017

poesia • Georg Trakl Tradução de António de Castro Caeiro

A jovem criada3 De noite, sobre o prado nu, Ela agita-se em sonhos febris. Amuado lamenta, no prado, o vento, E a lua está à escuta nas árvores Logo empalidecem as estrelas em redor E, exaustas de queixumes, As suas faces de cera empalidecem. Uma podridão exala da terra. Triste, sussurra o canavial na lagoa E, encolhida sobre si, gela de frio. Ao longe, canta um galo. Sobre a lagoa Dura e cinzenta, estremece a manhã.

Die Junge Magd3 Nächtens übern kahlen Anger Gaukelt sie in Fieberträumen. Mürrisch greint der Wind im Anger Und der Mond lauscht aus den Bäumen. BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia

Balde rings die Sterne bleichen Und ermattet von Beschwerde Wächsern ihre Wangen bleichen. Fäulnis wittert aus der Erde. Traurig rauscht das Rohr im Tümpel Und sie friert in sich gekauert. Fern ein Hahn kräht. Übern Tümpel Hart und grau der Morgen schauert.

A jovem criada4 Na forja, retine o martelo, E ela apressada pelo portão passa. Incandescente o martelo o criado brande, E ela olha para ele como se estivesse morta. Como num sonho, ela é atingida pelo seu riso E cambaleia em direcção da forja. Agacha-se envergonhada com aquele riso, Duro e grosseiro como o martelo As centelhas espalham-se claras pelo espaço E com gestos impotentes, Ela procura agarrar as selvagens centelhas E cai aturdida por terra.

Die Junge Magd4 In der Schmiede dröhnt der Hammer Und sie huscht am Tor vorüber. Glührot schwingt der Knecht den Hammer Und sie schaut wie tot hinüber. Wie im Traum trifft sie ein Lachen; Und sie taumelt in die Schmiede, Scheu geduckt vor seinem Lachen, Wie der Hammer hart und rüde.

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.

THE CHOCOLATE GIRL, JEAN-ÉTIENNE LIOTARD

Hell versprühn im Raum die Funken Und mit hilfloser Geberde Hascht sie nach den wilden Funken Und sie stürzt betäubt zur Erde.


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23.10.2017 segunda-feira

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cidade ecrã Rui Filipe Torres*

DOC 2017

Purge This Land - Lee Anne Schmitt 2017. EUA. 80’ De 19 a 29 de Outubro, as salas do magnífico S. Jorge na Av. Da Liberdade, da Cinemateca Portuguesa na Rua Barata Salgueiro, Auditórios no edifício sede da Caixa Geral de Depósitos na rua do Arco Cego, e/ou do cinema Ideal na rua do Loreto ( largo do Camões), iluminadas pela luz reflectida no grande ecrã, transportam o muito público a revelações, partilhas, a representações do mundo conhecido, pressentido, inesperado, à experiência imersiva do cinema partilhado em sala escura. Mais significante do que uma enumeração quantitativa para uma aproximação a esta edição, são as palavras dos diretocres Cíntia Gil e Davide Oberto , dizem eles: “A motivação mais profunda para programar filmes nasce de uma certa curiosidade, mesmo fascinação pelo que os filmes nos podem fazer. Encontrar um estranho corpo, poroso e instável, que esteja entre o que os filmes são, o que somos capazes de receber deles, e o que eles nos fazem ver e sentir quanto às vidas que vivemos e ao mundo que habitamos. Se o cinema pode ser útil, é apenas na medida em que, com os filmes, as coisas aparecem com novas cargas de sentidos que nos permitem enfrentá-las com um pouco mais de coragem, de fé ou de amor. O cinema do real só o é na medida em que os filmes nos ligam às coisas - independentemente dos métodos utilizados para tal. É-o na medida em que o real é partilhado enquanto vir-

Números

11 dias; 231 filmes, 44 países, 11 filmes portugueses em competição, 52 estreias mundiais, 13 estreias internacionais, 4 estreias europeias

tualidade, fantasma e matéria, conjunto ilimitado de imagens que nos devolvem à nossa finitude. Decidimos abrir com Ramiro, de Manuel Mozos, e encerrar com Era uma vez Brasília, de Adirley Queirós. Da comédia popular ao filme performático, abrimos e fechamos com dois filmes que desafiam e abrem a programação do festival, sugerindo caminhos e leituras possíveis do todo da programação. Programar este festival é para nós muito longínquo de trabalhar na eficácia, no paternalismo e no esquematismo a que a ordenação fácil dos filmes por géneros nos habituou. Os festivais não servem para confirmar as categorias em que os filmes são encaixados, mas para as inquietar e revolver. Os festivais não canonizam nem idolatram, não organizam nem explicam, antes questionam, provocam, põem lado a lado e frente a frente os filmes uns com os outros e as pessoas com os filmes. As retrospectivas são de certa forma experiências dessa espécie de filia que nasce nos e com os filmes.”

O mundo quase todo em Lisboa Uma outra América – O singular cinema do Quebec É assim titulada a retrospectiva do cinema que me muito é resultado das políticas do National Filme Board, entre 1960 e 1970. Boris Nelepo acompanhar-nos-á na descoberta desta filmografia. Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, traz um conjunto de cinco filmes que nascem de encontros entre cineastas, em que cada filme parece trazer uma pulsão de vida ou morte - como em La Bête Lumineuse, de Pierre Perrault, em que a poesia convive com a dor, a violência, o confronto entre almas. O ‘Velho Mundo’ e o ‘Novo Mundo’ surgem nestas duas viagens, ajudando-nos a ver melhor de onde vimos e de onde vêm as nossas interrogações contemporâneas. “Nas competições, entre a total diversidade de formas, temáticas, linguagens, países, todos os filmes são gestos de intensidade afirmativa, procurando a justeza sem fazer justiça, experimentando de forma comprometida o universo que se propuseram, inventando para si e para nós o desejo de cinema. É também esse movimento que anima os filmes mostrados na secção Verdes Anos - um espaço em que, mais do que apresentar novos realizadores, queremos reconhecer a importância e a seriedade dos primeiros filmes e gestos. A secção Passagens foi este ano desenhada por Pedro Lapa, num diálogo com a equipa do Museu Berardo, tem como convidada Sharon Lockhart, que trabalha entre a fotografia, o filme, a instalação, convocando permanentemente os laços afectivos que vamos criando nas situações do quotidiano.”

Vera Chytilová É a cineasta a que é consagrada uma das retrospectivas nesta edição. Figura central da Nova Vaga Checa, foi a mais radical do movimento. Os seus filmes são abordagens cheias de ironia e ruptura com os códigos de representação vigentes no realismo social. Mulher lutadora e obstinada, criou uma obra provocadora e plena de atenção aos detalhes dos humanos, aos pequenos gestos, aos pequenos assuntos, trazendo-os para o lado das questões aparentemente maiores da ordem política, do trabalho, do feminismo. Outros festivais a reconheceram, Veneza, Oberhausen, Moscovo, Chicago. Foi condecorada com a medalha de mérito da República Checa e da ordem das Artes e Letras do governo francês. Em 2017 o doc. Lisboa dá a ver o seu cinema numa extensa retrospectiva.

cimo ao custo na bilheteira. É sempre magnifico esta grande sala cheia de gente à procura de novos encontros com a vida no ecrã. Para mim é uma sala especial, recebi aqui a minha única medalha por ser um aluno a distinguir, e ainda hoje não sei se foi porque nesse dia foi à escola ( estava no 1º ano do ciclo preparatório na Francisco de Arruda - Alto de Stº Amaro) , e faltava alguém a quem medalhar, ou se lá estive porque me tinham convocado, nesse tempo tudo era novo e estava sempre em descoberta e aproximação, mas aconteceu ou seja, a tal medalha que não sei onde se perdeu e vinha numa encadernação dos Lusíadas, foi para mim. Também foi neste S. Jorge, que programei o 1º Festival Internacional de Cinema Chinês e Lusófono , que se tornou edição única, mas que serviu para que outros avançassem, com novo festival nesta relevante direção. A luz da sala desce, e Grace Jones surge no ecrã, como a recordava, de quando no final do séc. XX a ouvia e dançava nas noites quentes e eróticas de Lisboa a testar a sua movida, ao lado da de “ Madrid Me Mata”. Com ela o filme leva-nos à Jamaica, uma Jamaica de verdade, longe do marketing turístico. É à sua à família com origem étnica Africana, onde nasceu, que chegamos. Uma família onde matriarcado, patriarcado, amor, submissão, religião, tem especificidades concretas cozidas a sangue, a amores ilícitos e vínculos que ultrapassam a espuma e o efémero dos dias. É um filme com uma verdade que nos questiona sobre as configurações da dominação e o lugar sempre inesperado da emancipação. Grace Jones, é esse lugar, um corpo território poderosamente habitado pela memória afectiva e pela rebeldia lugar de emancipação. Um corpo performativo poderoso, uma voz, um som, que enche um palco, incendia a noite. Selvagem e andrógina – Grace Jones, dá-se a ver também como amante, filha, mãe, irmã e até avó, sujeita-se sem defesas ao nosso olhar e permite compreender de que é feita , a tecida a amor, dor, e prazer, a sua máscara. http://www.doclisboa.org/2017/filmes/ grace-jones-bloodlight-and-bami/

Heart Beat – Grace Jones: Bloodlingth and Bami - 2017, Irlanda, Reino Unido, 120’ A enorme sala Manuel de Oliveira estava esgotada. O bilhete foi comprado fora da bilheteira, como nos grandes jogos de futebol, felizmente sem acrés-

* - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.


desporto 17

segunda-feira 23.10.2017

ASIAN TOUR

Canarinhos muito tenros Cheng Fung derrota Monte Carlo e é candidato às meias-finais de Futebol de Sete

O

GAGANJEET BHULLAR CONQUISTA MACAU OPEN DE GOLFE

Prova de força

O golfista indiano teve um domingo irrepreensível no Macau Golf and Country Club e mostrou à concorrência que ninguém lhe ia retirar a segunda vitória no Macau Open de golfe so recuperar a boa-forma, não teve problemas e em cinco buracos conseguiu ficar sempre uma pancada abaixo do par, com cinco birdies. “Após o bogey no primeiro buraco do dia fiquei completamente bloqueado. Mas decidi manter-me com o plano que tinha definido e aproveitar eventuais oportunidades que surgissem. E para ser sincero depois do

bogey as coisas acabaram por ficar mais simples para mim”, afirmou Gaganjeet Bhullar, no final do torneio, de acordo com o jornal tailandês The Nation. “Acho que ao longo do torneio tive boas tacadas e consegui fazer os buracos de acordo com os meus planos. Posso dizer que o primeiro buraco de hoje [ontem] foi complicado, mas foi

O tailandês Pavit Tangkamolprasert, vencedor do ano passado, finalizou a competição no 12.º lugar, com 282 tacadas, mais 11 do que Gaganjeet Bhullar

imagem dos quatro dias de competição, que foram muito difíceis. É provavelmente o único torneio em tive de jogar com condições tão ventosas ao longo de todos os dias”, acrescentou.

SONHO DO CIRCUITO EUROPEU

Além da segunda vitória em Macau, depois da conquista em 2012, Bhullar garantiu igualmente a oitava vitória em torneio do Circuito Asiático. Com mais uma taça na mão, admitiu que o objectivo passa por apostar numa participação no Circuito Europeu. Todavia, antes de tentar essa meta,

frisou quer terminar a temporada com mais vitórias. “Ganha-se muita experiência sempre que se lidera um torneio do princípio ao fim, mesmo quando se perde também há lições para tirar. Como jogador quero viver estes momentos e crescer mais. Até ao final do ano ainda vou disputar muitos torneios do Circuito Asiático e quero começar já a preparar a próxima vitória”, indicou Bhullar. No segundo lugar ficaram Angelo Que e Ajeetesh Sandhu com 274 tacadas, seguidos por Hung Chien-Yao, em quarto. O taiwanês ainda esteve na luta pelo torneio, mas teve um último dia muito negativo, terminando o domingo com 72 tacadas, ou seja uma acima do par. Finalmente, o tailandês Pavit Tangkamolprasert, vencedor do ano passado, finalizou a competição no 12.º lugar, com 282 tacadas, mais 11 do que Gaganjeet Bhullar. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

GRANDES PARA DEPOIS

No grupo B, o grande encontro Sporting-Benfica foi adiado porque vários jogadores das águias estão envolvidos nos compromissos da selecção. Assim, na sexta-feira, apenas se realizou o encontro entre Chiba e Polícia A, que terminou com um empate por 1-1. A formação da PSP foi a primeira a marcar, aos dez minutos, por Un Tak Ian. Na segunda parte o Chiba empatou, aos 28 minutos, por Kuok Meng Chon, resultado com que a partida chegou ao fim. O Grupo B continua a ser liderado pelo Sporting com 6 pontos, seguido por Benfica e Ka I, com 3 pontos cada. Na cauda do grupo surgem Polícia A e Chiba com 1 ponto. As equipas voltam a acção na quarta-feira, com Sporting e Ka Ia a defrontarem-se. Uma vitória dos leões pode garantir a passagem às meias-finais. Também no Grupo B, a Polícia A vai defrontar o Benfica. No outro grupo, o Monte Carlo tem pela frente o Lam Pak e Cheng Fung defronta a Polícia B. J.S.F. TATIANA LAGES

O

indiano Gaganjeet Bhullar venceu o Macau Open pela segunda vez, ontem, depois de ter liderado a prova do princípio ao fim. No final das contas, o golfista de 29 anos acabou os quatro dias com um total de 271 tacadas, ou seja menos três do que os atletas que ficaram no segundo lugar nomeadamente, Angelo Que, das Filipinas, e Ajeetesh Sandhu, Indonésio. A vitória esteve longe de ser um passeio para o indiano. No início do segundo dia, Bhullar tinha quatro tacadas de vantagem para os mais directos adversários. Só que no sábado somou 74 tacadas, o que fez com que Sandhu e o taiwanês Hung Chien-Yao, ambos no segundo lugar, ficassem apenas a uma pancada de distância, quando faltava um dia de competição. Ontem, no último dia do torneio no Macau Golf and Country Club, as coisas até começaram mal ao indiano de 29 anos, que no primeiro buraco do dia fez um bogey, ou seja ficou uma tacada acima do par. No entanto, quando foi preci-

Cheng Fung está mais perto das meias-finais do Torneio de Futebol de Sete, após ter derrotado o Monte Carlo por 2-0, na sexta-feira, no Estádio do Canídromo. Perante um Monte Carlo constituído principalmente por jogadores jovens, o Cheng Fung não facilitou e com dois golos de Ronieli Nascimento somou a segunda vitória, em igual número de partidas. Por sua vez, os canarinhos entraram muito mal no encontro, e no primeiro minuto permitiram logo que Ronieli colocasse o Monte Carlo na frente. O outro golo chegou na segunda parte, aos 32 minutos, e colocou um ponto final na discussão pelo jogo. No outro encontro do Grupo A, os Sub-23 e a Polícia B empataram 0-0, sendo que nesta jornada, as equipas Kei Lun e Lam Pak não jogaram. Após três jornadas, Kei Lun e Cheng Fung lideram o grupo A, com 6 pontos, cada. No terceiro lugar surge a Polícia B, também conhecida como Obra Social da PSP, com dois pontos. Atrás destas formações surgem Lam Pak e Sub-23 com um ponto, cada, com o último lugar a ser ocupado pelo Monte Carlo, com zero pontos.


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

23.10.2017 segunda-feira

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

CONFERÊNCIA “EUROPE, FACING THE FUTURE” Fundação Rui Cunha | 18h30

Amanhã

MIN

19

MAX

25

HUM

45-75%

•

EURO

9.46

BAHT

Quarta-feira

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | SELVAGEM Cinemateca Paixão | 19h00

O CARTOON STEPH

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O FLORIR DE ONTEM Cinemateca Paixão | 21h30 FIMM | SOWETO GOSPEL CHOIR Fortaleza do Monte | 20h00

Sexta-feira

EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “O TEMPO MEMORÁVEL – AS INDÚSTRIAS TRADICIONAIS DE MACAU” MAM KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | TONI ERDMANN Cinemateca Paixão | 20h00 FIMM | CONCERTO DE LUKAS GENIUSAS CCM | 20h00

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 144

Sábado

UM FILME HOJE

FIMM | WILLIAM SO AND THE MACAO CHINESE ORCHESTRA Venetian Theatre | 20h00

Há muito que se esperava por este filme. Imagine-se o que seria produzir-se agora uma sequela de “2001 – Odisseia no Espaço”. O canadiano Denis Villeneuve, um dos novos meninos de ouro de Hollywood, ficou com a responsabilidade de pegar no que há de melhor no legado fílmico de Ridley Scott. “Blade Runner 2049” é muito bem conseguido em termos visuais ao longo das mais de duas hora e meia de filme. Uma das maiores diferenças para a obra-prima que nos apresentou Deckard e os replicants é a densidade narrativa. O primeiro filme conseguiu a eternidade com uma história simples que multiplica possibilidades interpretativas. A sequela tem um enredo mais intricado, passível de se esgotar mais depressa. Não deixa de ser um grande filme, mas vejamos como amadurece. João Luz

FIMM | GUIMARÃES STRING QUARTET Teatro D.Pedro V | 20h00

Domingo

FIMM | CONCERTO DE JAZZMEIA HORN Fortaleza do Monte | 20h00 FIMM | THE GOLDEN PEAK CCM | 20h00

Diariamente

OKTOBERFEST MGM Macau | Até hoje EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11

Cineteatro SALA 1

C I N E M A

GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

SKY HUNTER [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Chen Li Com: Chen Li, Bingbing Fan, Qianyuan Wang, Jiahang Li 14.30, 16.45, 19.30

WIND RIVER [C]

Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 21.45 SALA 3

WISH UPON [C] Fime de: John R. Leonetti Com: Joey King, Ryan Phillippe, Ki Hong Lee 14.15, 18.00, 21.45

WIND RIVER [C] Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 16.00, 19.45

www. hojemacau. com.mo

PROBLEMA 145

SUDOKU

DE

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | PAULA Cinemateca Paixão | 19h00

1.21

NÃO TARDA NADA

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O CENTRO DO MEU MUNDO Cinemateca Paixão | 21h30

Quinta-feira

YUAN

PÊLO DO CÃO

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | NEVOEIRO EM AGOSTO Cinemateca Paixão | 19h00

KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O MEU ENCONTRO COM A VIDA Cinemateca Paixão | 21h30

0.24

Meu mundo, Finalmente encontrei-te ou assim sonhei esta noite. Vi-te de longe, na tua habitual pose e atingiu-me o triste facto de seres pequeno, insignificante, desprezível, na grande ordem das coisas. Como não dei por isso antes? Iludi-me, não quis ver. Tinha os olhos enevoados de amor, dirão, mas eu bem sei não ser assim. Construi-te, criei-te diverso do que eras, erigi-te em deus, em ídolo, em espantalho. Eras tudo porque eu te fiz infinito para ocupares todo o espaço à minha volta. Não havia outro como tu. Daí todos te quererem, pensava. Como não haveria de ser assim? E delirava, ciumento das tuas cores, da tua variedade imparável. És o mar, dizia-te, és as estrelas, és o deserto e as planícies, os ribeiros e as montanhas, és as cidades e és o Sol, a Lua, és os cometas e os planetas a haver. E tu afastavas-te, com um sorriso descaído nos lábios: belo, inexcedível, cruel. Voltavas tarde e a noite abraçava-me. Sei agora de outro modo. Sei-te nada além de mim. Sei, esparso, desta culpa e deste lenho na pele, infectado. Nunca me senti tão sozinho, a pensar se vale a pena estar vivo. Fiquei com uma doença, a visão desfocada e decadente ineficácia. Aos poucos, esvaem-se-me os sentidos. Sobraste como memória, por vezes terna, doutras dolorosa. Ainda no fim, queria copiar-te. Como te imaginei e como te imagino agora: uma mera memória. Vou ter contigo, ser como tu, meu mundo. Não tarda nada. O único amor que tive fui eu. Carlos Morais José

BLADE RUNNER 2049 | DENIS VILLENEUVE

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 23.10.2017

reencarnações

M

ATÉRIA, energia, pessoas e corpos celestes seguem um percurso que os impele a volver. Seja de uma forma cíclica ou esporádica, o retorno é quase uma inevitabilidade de tudo o que é dinâmico, de tudo o que vive. Regressar a Portugal pela primeira vez foi uma das viagens mais densas em termos emocionais e psicológicos que fiz, como se tivesse condensado um ano em três semanas de nostalgia fresca. Macau adicionou um factor de distorção temporal e significado à minha vida, ao ponto de achar ser possível ter saudades do que nunca vi e de sentir familiaridade esvair-se de uma ferida conhecida. Rumei para a Ásia há pouco tempo, mas parece que sempre estive cá. Por outro lado, o retorno a Lisboa trouxe reflexões novas. Talvez seja pensamento em excesso, algo curável com um trabalho braçal que não implique reflexão. O facto é que cidade onde morei nas últimas duas décadas continuava lá, alva e suja em simultâneo, paradoxal como sempre. O Largo da Severa, o Vale do Silêncio, a Almirante Reis, o Tejo a anunciar a margem sul. Mesmo o uterino Alentejo adquiriu um travo de irrealismo banhado a luz intensa. Pode uma pessoa perder-se em lugares que conhece? Onde está o meu torrão, a minha quota-parte de terra? Nenhum pedaço de planeta é meu, porém, até a Marte me arrogo. Sou um “cosmofundiário”, tudo me pertence em parceria com todos, ao mesmo tempo que não sou dono de absolutamente nada. Vistas bem as coisas, vivemos todos este socialismo de alma territorial alargado às estrelas, tornando as fronteiras em conceitos aberrantes e contranatura, imbecilidades que ignoram a força do grande íman que nos puxa e repele. Portugal é agora um sonho, uma terra quimérica onde a realidade se vestiu com trajes oníricos, uma colectânea de déjà-vus com origem definida, onde cada novo detalhe se agiganta e se transforma num factor de mudança de paradigmas. Aquilo que sempre conheci, as ruas que parecem ter nascido comigo, a língua falada com rispidez, o queixume que condimenta a psique nacional, tudo se tornou exótico. No fundo todos os pormenores que conheço intimamente tornaram-me num estrangeiro na minha própria casa. O Oriente tem essa capacidade de transformar o que é familiar e íntimo numa projecção de sonho, como se estivéssemos a passear por uma outra vida dirigida por Wong Kar-wai. Por outro lado, a estranheza enigmática e incompreensível desta terra transmite um conforto indefinível, excepto talvez pela mais inspirada poesia.

O retornado THE GREEN QUEEN, VALIGURSKY

JOÃO LUZ

A lógica de pertença esgueira-se para um local onde as pessoas são a única verdadeira âncora, indiferentes a tempo e espaço, cristalizando gargalhadas, banalidades e coisas profundas em momentos eternos. Agora regresso para Macau, seguindo como um louco a agulha que aponta para Oriente e cumprindo

Onde está o meu torrão, a minha quota-parte de terra? Nenhum pedaço de planeta é meu, porém, até a Marte me arrogo. Sou um “cosmofundiário”, tudo me pertence em parceria com todos, ao mesmo tempo não sou dono de absolutamente nada

o básico desígnio de regressar. Reconheço a fatal realidade e obedeço ao imperativo das leis naturais que regem coisas, bichos e o mundo invisível da física e química. É assim que funcionamos. Vamos, até onde houver mar, para onde o vento nos levar, ir é o nosso destino, ir para regressar. Vir traz o clímax de nos fazermos de novo, da reconstrução orgásmica noutra longitude, num meridiano sonhado de olhos abertos. Quando começou este vaivém? Talvez quando o Universo iniciou a grande expansão, quando da energia se fez matéria. Quando uma estrela se esgota e colapsa, explode e cria energia, dispersa matéria, vai e retorna a aglomerar-se numa valsa desordenada de detritos do passado que formam o futuro. Assim opera o espírito humano, com revoluções e contra-revoluções, acção e reacção, buscando equilíbrio nas antípodas, tudo polarizando para encontrar o cerne, o ponto óptimo, a paz que alvejamos. Vivemos para morrer da mesma forma que partimos para regressar.


Caipirinha e pontaria não cabem na mesma circulogia.

O

BRAS por concluir, dificuldades de financiamento, projecto atrasado até, pelo menos, 31 de Março do próximo ano, e incerteza sobre a autorização para instalar mesas de jogo. É esta a situação do Hotel 13, que procura gerar 1,96 mil milhões de dólares de Hong Kong com três operações financeiras, incluindo empréstimos. O ponto de situação foi feito pela empresa 13 na passada quinta-feira à noite, num comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong. Desde Julho de 2017 que as obras do Hotel 13 estão paradas PUB

Um grande 31

Hotel 13 procura financiamento de dois mil milhões

por falta de financiamento. Neste momento, estima a empesa, o projecto está concluído a 90 por cento, mas por falta de verbas não é possível concluir os trabalhos. Por essa razão a companhia anunciou três operações financeiras com o objectivo de garantir um financiamento de 1,96 mil milhões de dólares de Hong Kong. As operações são a oferta de mais acções aos actuais accionistas,

a um preço com descontos que chegam a 87 por cento face ao preço do mercado, e dois empréstimos. Com a primeira operação a empresa quer gerar pelo menos 973 milhões e com os empréstimos: 740 milhões e 250 milhões, respectivamente.

RAÍZES DO PROBLEMA

As dificuldades no acabamento do projecto são explicadas três factores: dificuldades no processo

de emissão das licenças necessárias para o hotel, redução da quota para a importação de trabalhadores não-residentes e, finalmente, melhoria da fase número dois do exterior do edifício, que, segundo a empresa, está por concluir. Outro dos pontos mais relevantes do comunicado é o facto da empresa 13 ter um princípio de acordo com uma das seis operadoras do território para instalar mesas de jogo no hotel. O nome da operadora não é revelado, mas o princípio de acordo foi assinado em Abril de 2008, e a última confirmação da vigência do mesmo data de Fevereiro deste ano. “É esperado que o acordo formal seja assinado entre as duas partes dependendo, entre outras coisas, do Operador Licenciado [concessionária do jogo] obter a aprovação do Governo de Macau para que o Hotel 13 possa ter actividades de jogo”, é explicado no documento. No entanto, a própria empresa 13 admite que o processo envolve uma grande incerteza: “a autorização para instalar e operar um casino no Hotel 13 depende da aprovação do Governo de Macau, por isso o sucesso da operação é incerto”, é apontado.

Tesoura das ilhas

segunda-feira 23.10.2017

ANGOLA BANCO SOL VAI ABRIR EM MACAU

O

banco angolano SOL pretende abrir, “nos próximos dias”, um escritório de representação em Macau, disse aos jornalistas o presidente do conselho de administração, Coutinho Nobre Miguel. “Pensamos que nos próximos dias podemos contar aqui [em Macau] com um escritório de representação para, de facto, permitir que possamos estudar melhor o mercado asiático, procurar explorar as oportunidades que oferece e a partir delas apoiar o nosso tecido empresarial angolano”, afirmou, referindo-se em particular às micro e pequenas e médias empresas. Coutinho Nobre Miguel falou à margem do Fórum Económico “Cidades Sustentáveis”, uma iniciativa integrada na 22.ª Feira Internacional de Macau (MIF na sigla inglesa), evento que tem Angola como “país parceiro”. Trata-se da segunda manifestação de interesse por parte de um banco angolano no território em menos de uma semana, após o anúncio de que o BIC Angola vai apresentar, no próximo mês, um pedido para se instalar em Macau. A entrada de Macau na agenda da internacionalização do banco SOL, estabelecido em 2001, surge no quadro do desígnio atribuído por Pequim a Macau como uma plataforma económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.


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Hoje Macau 23 OUT 2017 #3920 by Jornal Hoje Macau - Issuu