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Hoje Macau 23 OUT 2015 #3439

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José simões morais

Um carro ao seu serviço

Fios de seda, linhas da mão

Agência Comercial Pico • 28721006

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anabela canas

uber

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Golfe e gula A culpa e a fotografia isabel castro

s e x ta - f e i r a 2 3 d e o u t u b r o d e 2 0 1 5 • A N O X V • N º 3 4 3 9

advogados

páginas 17-18

h

Templários

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

opinião

Director carlos morais josé

paul chan wai chi

inquérito

Diploma a sair da gaveta?

O ser ou não ser macaense

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hojemacau

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Ter para ler

relatório dsat e iacm actuam com normas caducadas

Fora de prazo O último relatório do Comissariado Contra a Corrupção denuncia várias ilegalidades administrativas da parte de alguns organismos públicos. Em causa está a aplicação de sanções com base em regulamentos

caducados há mais de 14 anos. Esta prática chega a provocar, segundo o CCAC, situações contraditórias e de desfasamento entre a realidade dos nossos dias as matérias regulamentadas.

hoje macau

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pequenas e médias empresas

Dores de crescimento reportagem


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reportagem

hoje macau sexta-feira 23.10.2015

O número das PME Empreendedorismo PME sofrem com crise chinesa, mas há mais apoios do Governo locais tem vindo a crescer bastante e os apoios do Governo são cada vez maiores. Mas o dinheiro não é tudo. Servem de ponte de distribuição, É que a China está importação e exportação para produtos internacionais de e para Macau. a cortar as asas à internacionalização Serviços em barda Exemplo disso é a Batilo Trading, e é preciso empresa fundada há dez anos por Yuki Huang, empresária nascida criar parcerias em Macau que optou por fazer da importação e exportação a com empresas sua vida. A líder faz dinheiro internacionais para com duas vertentes distintas: a primeira e mais antiga dedica-se que as marcas e à disponibilização de serviços de importação e exportação e a mais produtos não se recente, criada este ano, foca-se fiquem só por Macau na venda de produtos estrangeiros fotos hoje macau

Todos precisamos

H

á mais pequenas e médias empresas (PME) em Macau, mas algumas delas dizem que tem sido cada vez mais complicado expandirem-se além-RAEM. Tal, dizem, é consequência da crise económica da China e da queda das receitas no mercado do Jogo da região. Segundo dados dos Serviços de Economia (DSE) para este ano, foram aprovados pedidos de financiamento a 380 PME só entre Janeiro e Março deste ano, com o Governo a despender mais de cem milhões nesta vertente. O HM entrou em contacto com sete destas empresas. A esmagadora maioria comercializa serviços, não bens.

“O negócio das PME está a crescer exponencialmente devido à crescente ajuda do Governo local e pelo facto dos custos alfandegários de exportação para a China estarem a baixar cada vez mais” Yuki Huang Empresária

nesta zona do globo. Para Yuki, há duas medidas que têm vindo a ajudar à melhoria deste sector: são eles a diminuição dos custos de Alfândega e os apoios públicos. “O negócio das PME está a crescer exponencialmente devido à crescente ajuda do Governo local e pelo facto dos custos alfandegários de exportação para a China estarem a baixar cada vez mais”, começa a empresária por dizer. Entre a venda de mel da Tasmânia, vinho de casca de árvore, cereais da Austrália e chá do Nepal, Yuki debate-se com um problema que lamenta ser crescente: “nos últimos dois a três anos, o negócio não tem estado assim tão bom, porque as políticas económicas da China estão a estrangulá-lo”. No entanto, a sorte calha a alguns e Macau foi uma das regiões sortudas. Segundo a empresária, este é um dos territórios “que mais benefícios tem”, quando comparado com outros locais como Hong Kong, Taiwan ou certas províncias chinesas. Neste momento, Yuki está à procura de distribuidores para expandir a sua rede de venda. Por mês, a sua mais recente empresa lucra entre 50 mil e cem mil patacas e a antiga está em declínio devido “às medidas impostas pela China”. Já encontrou algumas potenciais empresas distribuidoras, de e-commerce, a quem pretende aliar-se para expandir o seu novo negócio.

Dinheiro não chega

Todos os empresários entrevistados pelo HM afirmam que o sector das PME está bastante melhor do que há dez ou cinco anos, quando fundar uma empresa destas levava ao declínio quase certo. “Os apoios do Governo eram muito menores e quase ninguém os recebia. Talvez por não sa-

berem da sua existência porque também não havia a divulgação de hoje em dia”, explica Kevin Chan. Fundador de uma empresa especializada na concepção de puzzles educativos sobre a cidade, o empresário afirma que o ambiente de negócios “está melhor agora, mas mesmo assim não é o ideal”,

Fuhong Society

atribuindo à queda das receitas do Jogo este problema. Com dois anos de existência, Chan e a sua funcionária Yammy Cheong fazem o melhor que podem para vender estes puzzles onde podem. “Vendemos em lojas das indústrias criativas, algumas de brinquedos e livrarias”, esclare-


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hoje macau sexta-feira 23.10.2015

de um parceiro nos ajude a expandir o negócio”, começam por dizer. “O dinheiro do Governo é muito bem-vindo, mas depois de estabelecermos o negócio com a montagem dos materiais, é preciso criarmos parcerias com quem os ponha no mercado”, continuam. E isso acontece, mas não ao passo que ambos gostavam. “A crise económica da China e do Jogo [em Macau] faz com que as empresas maiores queiram investir menos em negócios mais pequenos”, lamentou Chan. Esta parece ser a tendência comum para as PME que precisam de quem as ajude a crescer. Trata-se de um ciclo vicioso que começa e acaba lá fora, especificamente na China. A crise económica sentida no país provocou uma onda de ponderação no mundo empresarial asiático, cortando as asas àquilo que poderia ter sido o sucesso de várias empresas. A Fuhong Society dá a entender, como o nome indica, que é uma associação, mas é uma PME como qualquer outra. Ou quase, pelo menos. O intuito do seu fundador é dar a conhecer a cadeias de lojas conhecidas, o conceito especial sobre o qual criou a marca. Mais importante do que vender os brinquedos, carteiras, acessórios de moda e toalhas de banho produzidos, a Fuhong Society preocupa-se em mostrar ao mundo que ajudam pessoas com necessidades especiais. Grande parte dos produtos foi enfeitada com o desenho feito por um jovem residente autista. “Queremos mostrar que as pessoas portadoras de deficiência também têm criatividade e talento, somos o exemplo disso”, esclareceu uma das funcionárias. Para isso, diz, “é preciso que as grandes lojas disponibilizem espaços e aceitem o conceito da nossa marca com a divulgação” dos produtos da marca. Para a Fuhong, o foco está na divulgação destes trabalhos, que a empresa defende só ser possível se outras maiores ajudarem. cem. Neste momento, procuram distribuidores e pontos de venda. A razão é simples: mesmo com apoios do Governo na ordem das 300 mil patacas, é preciso ajuda de quem se importa com o desenvolvimento da empresa. “O dinheiro só não chega e agora estamos à procura de quem

PME ajudam PME

Outras, no entanto, não tiveram ainda tempo para se expandir. É o caso da Great Chance International Group Limited, detida por Ramble Chan. Há três anos, desenvolveu a PME com mais quatro fundadores, onde trabalham sete pessoas. A marca mais recente

determinados trabalhos ao estrangeiro e passam a escolher PME locais para estes trabalhos”.

Um mar de marcas

Produtos importados

dá pelo nome de Swim Macao e dedica-se à criação de mapas da cidade feitos à mão que podem ser aplicados de diferentes formas. “Agora, temos só o mapa, mas também criámos a marca só este ano. No futuro, queremos incluir [no mapa] algumas empresas criativas locais para lhes dar amplitude no mercado”, explicou Ramble Chan ao HM. Questionado sobre o estado actual do mercado das PME, o fundador lamenta que a queda das receitas esteja a ferir a possível expansão de vários negócios. Ramble Chan confirma, no entanto, que a crise económica pode ter os seus benefícios para as PME: “as grandes empresas, de casinos por exemplo, deixam de encomendar

“O dinheiro do Governo é muito bem-vindo, mas depois de estabelecermos o negócio com a montagem dos materiais, é preciso criarmos parcerias com quem os ponha no mercado” Kevin Chan Empresário

“As empresas como a nossa foram criadas enquanto alternativa ao Jogo, como forma de diversificar a economia e o Governo está a apostar cada vez mais nisto”, frisa. Só este ano, o grupo internacional Great Chance recebeu do Executivo 200 mil patacas para a nova marca. As duas outras marcas da empresa dedicam-se ao design gráfico e publicidade e a uma plataforma online para dinamizar o empreendedorismo na Ilha da Montanha. “Fazemos a ponte de comunicação entre empresas-mãe e potenciais compradores no WeChat”, esclarece Chan. Entre as 143 PME locais presentes na Feira Internacional de Macau (MIF) 2015, contam-se pelos dedos as que se dedicam à exploração das indústrias culturais e criativas. Entre material de cozinha, vinhos gaseificados importados do Japão, produtos alimentares de pastelaria coreanos, marcas de produtos de higiene oral e de aparelhos dedicados à fisioterapia, contam-se pelos dedos aqueles que são realmente locais. A grande maioria das PME criadas em Macau funciona para importar e exportar. A Macau Pure Delights tem três pessoas a trabalhar e vende somente produtos de Hong Kong, Coreia do Sul e do Vietname. “Vendemos produtos que fazem bem à saúde, com características medicinais e a principal razão pela qual são todos estrangeiros é que aqui não é possível criar este tipo de coisas, é muito caro”, justifica um dos funcionários. Criada há quatro anos, tem vindo a expandir-se a passos de bebé. Agora, procuram quem queira vender produtos que compraram a empresas estrangeiras. “É uma espécie de venda a retalho”, brinca o mesmo funcionário, que preferiu não ser identificado.

Macau não é global

Há dois anos, em meados de 2013, nasceu a Lovelina, pelas mãos da sua criadora de nome quase homónimo, Alina. Questionada sobre o actual estado do sector das PME no cenário geral da região, a fundadora afirma que a crise económica causada pela queda das receitas “provocou uma queda, em simultâneo, da vontade das pessoas arriscarem em novos produtos e compras”, pelo que lamenta que a

“As empresas como a nossa foram criadas enquanto alternativa ao Jogo, como forma de diversificar a economia e o Governo está a apostar cada vez mais nisto” Ramble Chan Empresário

Lovelina não tenha já aberto asas e voado até outros países. A casa da empresa será sempre Macau e isso mesmo garante Alina, que se mostra orgulhosa do seu pequeno império de malas totalmente originais. “Em média, fazemos 60 a 80 mil patacas por mês, mas queremos ir mais além, dando a conhecer os nossos produtos ao público, mas a presença da nossa PME aqui [na MIF] surgiu da necessidade em arranjarmos parcerias de co-working”, explica. É que, acrescenta, estar em Macau “não é internacionalizar a marca”. Mais uma vez, o rodopio de uma marca local pelo mundo passa, essencialmente, pela criação de parcerias no sentido de levar os nomes mais longe, talvez até uns quilómetros além da fronteira. A ideia de Alina é partilhada por Kevin Chan, que afirma ser difícil ganhar fama se a marca se ficar por terras macaístas. Até porque para o criador de puzzles da cidade, tudo começou nos EUA. “Estive lá a estudar e foi quando percebi que as pessoas não faziam ideia de onde era Macau. Foi nessa altura que decidi associar-me à empresa internacional 4D Cityscape”. Tal decisão, assegura, pretende colocar Macau “no mapa global”. O dinheiro é, assim, essencial para o nascimento de qualquer negócio, mas a opinião das PME é unânime: é preciso criar parcerias com empresas internacionais e até mesmo outras locais para que as marcas e produtos voem além-mar. A maioria dedica-se à disponibilização de serviços do mundo para o mundo, passando por Macau. Talvez a região possa realmente transformar-se na plataforma de que tantos milhares hoje falam. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


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Política

hoje macau sexta-feira 23.10.2015

Governo confiante na dinâmica económica de Macau

Um bom sítio para negócios

O

Governo está confiante na economia de Macau, garantindo que ainda se mantém dinâmica e próspera. Num discurso de abertura da Feira Internacional de Macau (MIF), Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, assegurou que as oportunidades de negócio em Macau ainda não desapareceram. “Mesmo atravessando uma fase de ajustamento económico, com o surgimento de alguns problemas de profundas influências, Macau continua a ser uma economia dinâmica e próspera, que apresenta oportunidades e vantagens atractivas para explorar novas oportunidades de negócio”, começou por dizer Leong, que acrescenta que o Governo está preparado e “tem condições e capacidade para lidar com as adversidades”. O Secretário admitiu que a RAEM enfrenta neste momento

PIB Novas indústrias não contribuem

Tiago Alcântara

Lionel Leong acredita que a economia do território ainda é apetecível a quem cá queira investir e diz que, apesar das quebras das receitas, a dinâmica e a prosperidade económicas de Macau se mantêm

Num outro comunicado, Lionel Leong admite que as novas indústrias de Macau ainda “não conseguem contribuir para a recuperação do volume do PIB”, que se perdeu, diz, devido ao ajustamento económico. “Por isso é que todos os sectores precisam de se unir num esforço conjunto para agarrar as oportunidades que surgiram com o ajustamento económico”, refere Leong, que acrescenta que a economia “é muito vulnerável pois é influenciada pelas regiões vizinhas”, especialmente o sector do turismo e do jogo, as indústrias principais de Macau.

uma queda económica depois de “mais de uma década de crescimento acelerado” e reconhece que há desafios pela frente, mas afirma que estes poderão ser positivos. “[Proporcionam] especialmente novas condições e oportunidades para a reestruturação económica e a promoção do desenvolvimento sustentável. Nesta altura, o Governo, o sector empresarial e a população estão empenhados no melhor aproveitamento das oportunidades derivadas da reestruturação económica, com vista a aumentar a

vitalidade económica de Macau em vários aspectos”, frisou.

Diversificação-chave

A diversificação da economia não ficou de fora do discurso do Secretário, que voltou a referir a necessidade de cooperação regional e a liberalização do sector dos serviços entre Macau e a China continental, entre outros projectos. Tudo para que, diz, Macau venha a ter novas condições e espaço para desenvolvimento. Depois de um ano com as receitas dos casinos a cair, Lionel Leong fez

“Macau continua a ser uma economia dinâmica e próspera, que apresenta oportunidades e vantagens atractivas para explorar novas oportunidades de negócio”

questão de reiterar que a indústria das convenções e exposições é “um sector que contribui activamente para a adequada diversificação da economia local e para a construção de uma plataforma regional de comércio e serviços económicos”. No primeiro semestre do ano, recorde-se, o PIB caiu 25,4% em termos reais. Já as receitas públicas, nos primeiros nove meses do ano, caíram para 82.051 milhões de patacas, o que representa menos 32,2% em termos anuais homólogos. A Administração continua com saldo positivo de 30.964 milhões de patacas, excedendo o previsto para todo o ano, mas ainda assim o Governo implementou medidas de austeridade, que prevê cortes nas despesas da Administração, mas que não afectam áreas sociais. Joana Freitas

Lionel Leong Secretário para a Economia e Finanças

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Miguel Frasquilho Macau é centro privilegiado para as exportações portuguesas

O

presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Miguel Frasquilho, disse ontem que Macau está a tornar-se num “centro privilegiado para as exportações portuguesas” e que “há margem de progressão”. Frasquilho falava aos jornalistas na abertura da 20.ª Feira Internacional

de Macau (MIF, na sigla em inglês), que este ano conta com a maior representação portuguesa de sempre. “Temos 133 expositores [e] mais de 120 são empresas. Temos também associações e autarquias. Muitas destas instituições estão pela primeira vez na Feira Internacional de Macau e isto revela bem, penso eu, o significado que esta feira tem para o nosso país e como Macau se está a tornar num centro privilegiado para as exportações portuguesas”, afirmou. O presidente da AICEP sublinhou a “multiplicidade de sectores” na representação portuguesa deste

ano na MIF, apesar de se manter a “predominância” habitual do sector agro-alimentar. “É o resultado da qualidade dos nossos produtos, da estratégia que tem sido prosseguida e nós pensamos que não vamos ficar por aqui, pensamos que há margem de progressão para que, por exemplo, na próxima edição da MIF esta presença portuguesa seja ainda maior”, acrescentou. Frasquilho destacou ainda que as trocas comerciais entre Portugal e Macau e entre Portugal e a China no seu conjunto têm crescido todos os anos e que a expectativa é que a tendência se mantenha. “A República

Popular da China é a economia do mundo onde a AICEP já tem mais delegações e é bem possível que não fiquemos por aqui”, disse ainda, sem dar mais pormenores e depois de questionado sobre a possível abertura de uma delegação em Cantão, onde Portugal vai abrir um consulado geral. Segundo dados revelados este mês pela delegada do AICEP em Macau, entre Janeiro e Julho, as exportações portuguesas para Macau ascenderam a pouco mais de 15 milhões de euros, reflectindo um crescimento de 22% face ao período homólogo do ano passado e em linha com os últimos anos cinco anos. LUSA/HM

Fórum Macau Cristina Morais inicia funções a 3 de Novembro

Foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) o despacho que oficializa a nomeação de Cristina Morais como coordenadora do Fórum Macau, em substituição de Echo Chan. Cristina Gomes Pinto Morais, com uma licenciatura em Gestão de Empresas pela Universidade de Washington e mestrado na mesma área pela Universidade de Macau (UM), vai exercer o lugar pelo período de um ano, a partir do próximo dia 3 de Novembro. Desde 2009 que Cristina Morais era chefe do departamento de relações económicas externas da Direcção dos Serviços de Economia (DSE). Entre 1997 e 1998, foi assistente do chefe da Delegação de Macau em Bruxelas.

LAG Chui Sai On apresenta políticas a 17 de Novembro

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, vai à Assembleia Legislativa (AL) no dia 17 de Novembro para apresentar o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano de 2016. O anúncio é feito em comunicado, onde se fica ainda a saber que no dia seguinte, como é hábito, o líder do Executivo vai ao hemiciclo para responder a questões dos deputados. No mesmo dia da apresentação das LAG – políticas que servem de linhas mestras para o ano seguinte -, Chui Sai On estará ainda presente numa conferência de imprensa. A apresentação das LAG será transmitida em directo na rádio e na televisão.


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Governo Obras De nova sede arrancam este ano

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Quinta de Coloane

E

ste ano deverão arrancar as obras de reabilitação de um velho edifício em Coloane - também conhecido como a “Quinta de Coloane” - que vai servir de sede ao Governo. O mesmo foi confirmado ao HM pelo gabinete de Chui Sai On, Chefe do Executivo, depois do nosso jornal ter dado conta da autorização para a construção pela empresa de Fong Chi Keong, deputado. “Até à transferência de soberania, as instalações em questão eram de uso exclusivo do Governador de Macau, de modo que há mais de dez anos que se

Considerando que não é possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, via telefónica, nem por outro meio, nos termos do artigo 68.º, do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, bem como dos respectivos procedimentos sancionatórios regulados no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, de acordo com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, os infractores, constantes da tabela desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias:

gonçalo lobo pinheiro

O Executivo decidiu reabilitar a antiga “Quinta de Coloane” para que possa vir a ser a nova casa do Governo. O Gabinete de Chui Sai On explica que a obra foi atribuída por ajuste directo à empresa do deputado Fong Chi Keong devido ao pouco tempo para o projecto e à experiência da empresa

Notificação n.º 005/SS/GPCT/2015

Em conformidade com o artigo 25.º da Lei n.º 5/2011 (Regime de prevenção e controlo do tabagismo), e tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas, a existência de culpa e não existência de qualquer circunstância agravante confirmada, o Director dos Serviços de Saúde determina que: Foram aplicadas aos infractores, constantes da Tabela I em anexo, as multas previstas no artigo 23.º da Lei n.º 5/2011, no valor de 400 patacas (MOP 400,00) (cada infracção):

1.

Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no artigo 4.º, porquanto resultam da prática de actos de “fumar em locais proibidos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) 2.

Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios junto do autor do acto, no prazo de quinze (15) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos do artigo 145.º, do n.º 1 do artigo 148.º e do artigo 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido Código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo Código, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto, salvo disposição legal em contrário.

encontravam em estado de abandono. Com o objectivo de recuperar o prédio e evitar maiores danos ao mesmo, o Governo decidiu realizar obras de restauração total da ‘Quinta’, dedicando-a doravante a funções de natureza cerimonial ou quaisquer outras que lhe sejam apropriadas”, pode ler-se na resposta escrita enviada. Segundo o despacho publicado em Boletim Oficial (BO) na passada segunda-feira, a obra foi atribuída por ajuste directo, ou seja, sem a realização de concurso público, à empresa do deputado nomeado Fong Chi Keong, a empresa de construção civil Man Kan. O valor do projecto está orçado em quase 30 milhões de patacas.

Tempo e experiência

Confrontado com a ausência de concurso público, o Governo explicou que tal se deve à rapidez do projecto e ao facto da Man Kan já ter efectuado diversas obras do género, incluindo renovações no interior do edifício da Assembleia Legislativa (AL). “Há a expectativa da sede do Governo de que as instalações em Coloane possam ser utilizadas com a brevi-

A empresa de construção civil Man Kan tem um longo historial de obras feitas por ajuste directo, aprovadas pelo Chefe do Executivo. Em 2012 coube a Fong Chi Keong realizar a empreitada de remodelação do edifício dos Secretários, pela quantia de 44 milhões de patacas

dade possível, o que obriga a empreiteira contratada a iniciar suas operações num período exíguo de tempo. Tendo em vista esse conjunto de factores, tomou-se a decisão de confiar a obra, através de ajuste directo, a uma companhia que já tivera prestado serviço de mesma natureza à Sede do Governo”, referiu o Gabinete de Chui Sai On. A decisão foi analisada em conjunto com a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Conforme os procedimentos estipulados em lei e outros regulamentos aplicáveis, a DSSOPT tomou em consideração algumas especificidades da obra, como as dependências internas e equipamentos dispostos em prédios do Governo estarem sujeitos a exigências de segredo, também existindo medidas de segurança para que a localização de parte dos departamentos governamentais não seja divulgado ao público”, rematou o Executivo. A empresa de construção civil Man Kan tem um longo historial de obras feitas por ajuste directo, aprovadas pelo Chefe do Executivo. Em 2012 coube a Fong Chi Keong realizar a empreitada de remodelação do edifício dos Secretários, pela quantia de 44 milhões de patacas. Um ano depois caberia ao deputado, na altura eleito pela via indirecta, a remodelação do edifício de apoio à sede do Governo, obra que valeu à empresa Man Kan a quantia de 27 milhões de patacas. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

3.

Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, junto do Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 27.º do referido Código.

4.

Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos das disposições do n.º 7 do artigo 29.º da Lei n.º 5/2011, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de trinta (30) dias, a partir da data de publicação desta notificação, no Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, sito na Estrada de S. Francisco n.º 5, Macau. Caso contrário, os Serviços de Saúde submeterão o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para efeitos da cobrança coerciva, de acordo com o artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 30/99/M e o artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M.

5.

Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes da tabela anexa tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação.

6.

Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 2855 6789 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. 22 de 09 de 2015. O Director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion Tabela I

Nome 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

INDRAJIT GURLING GAN,YAMING WENG MUJIN ZENG BINWEN ZOU HUIXIANG CHEN LI CHAN SHU YAU HU DALU ZUO YANLIN YE DONGXUN WANG JUN WU CHIU CHI GU JI LONG MAOHAI GLASSPOOL,ROBERT LOK-MING FAN BIN BAI GUOCAI WEI LING LING LI WEIWEI TAO YU ZHU BO YANG HUOFA LIN BAOWEI 张镇

Nome 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41

SOU KUOK WA LIU, JIANYOU WONG NGAI CHON SIN KUOK HOU IEONG CHI VENG KE YONG FENG LI ZHU KOIRALA DAMBAR BAHADUR TRAN XUAN TIEN CHUI WENG CHON KUAN WENG TONG WONG PEK IAN LEONG WENG SON YANG JAENAM IGNACIO EMELINDA MARIN DAI JINJI CAO JIYIN

Nota﹕ (*1) (*2) (*3) (*4) (*5) (*6) (*7) (*8)

Sexo M M M M M M M M M M M F M M M M M M M M M M M M Sexo M M M M M M M M M M M M M M F M M

Tipo e n.º do documento de identificação (*8) (*3) (*2) (*2) (*2) (*2) (*4) (*3) (*2) (*2) (*3) (*4) (*3) (*2) (*4) (*2) (*2) (*2) (*3) (*2) (*3) (*2) (*3) (*3)

20661XXX E41808XXX C14981XXX W97478XXX C15158XXX W94966XXX K3486XX(X) E25770XXX C02579XXX C15179XXX E30749XXX V0643XX(X) E16215XXX W52251XXX P4067XX(X) W96885XXX W75300XXX W93583XXX E23066XXX W76165XXX G24970XXX W77643XXX G43876XXX E45511XXX

Tipo e n.º do documento de identificação (*1) (*2) (*1) (*1) (*1) (*3) (*2) (*8) (*7) (*1) (*1) (*1) (*1) (*5) (*6) (*2) (*3)

74450XX(X) C11360XXX 13050XX(X) 12279XX(X) 50940XX(X) E33639XXX C13084XXX 13157XXX 1061/2015/XXX 12488XX(X) 12238XX(X) 13528XX(X) 13798XX(X) M23994XXX EC0681XXX C18587XXX G47612XXX

N.º da acusação

Data da infracção

Data em que foram exarados os despachos de aplicação das multas

100353982 100237851 100276089 100353330 100365842 100365193 100341311 100374170 100204547 100366248 100365624 100365636 100204559 100204585 100374592 100365721 100365757 100380018 100366466 100384309 100203430 100199425 100370815 100203466

2015/04/03 2015/04/06 2015/04/11 2015/04/11 2015/04/11 2015/04/11 2015/04/11 2015/04/16 2015/04/17 2015/04/18 2015/04/19 2015/04/19 2015/04/23 2015/04/24 2015/04/24 2015/04/25 2015/05/02 2015/05/02 2015/05/03 2015/05/06 2015/05/07 2015/05/08 2015/05/08 2015/05/09

2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22

N.º da acusação

Data da infracção

100373243 100199437 100264202 100375891 100372764 100366743 100366767 100366997 100385442 100380153 100385888 100390621 100182335 100388567 100381028 100392326 100365494

2015/05/12 2015/05/13 2015/05/13 2015/05/15 2015/05/19 2015/05/25 2015/05/31 2015/05/31 2015/06/05 2015/06/06 2015/06/12 2015/06/17 2015/06/17 2015/06/19 2015/06/20 2015/06/27 2015/06/28

Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau Salvo-conduto de residente da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau Passaporte da República Popular da China Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Hong Kong Passaporte da República da Coreia Passaporte da República das Filipinas Notificação do Serviço de Migração Título de Identificação de Trabalhador Não-Residente

Data em que foram exarados os despachos de aplicação das multas 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22 2015/09/22


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sociedade

Em Maio, Jorge Neto Valente anunciou a vontade da Associação dos Advogados em criar um diploma que regularize as sociedades de advogados. O projecto está na gaveta há vários anos mas os causídicos anseiam para que veja a luz do dia

hoje macau sexta-feira 23.10.2015

“Congratulo-me pela iniciativa da Associação em submeter ao Governo ou à assembleia a proposta de criação de sociedades de advogados, que é uma odisseia em que venho participando activa e passivamente desde 1993 e que nunca veio à luz do dia até hoje”

Advogados anseiam por legalização de sociedades

Leis na gaveta

Frederico Rato Advogado

diplomas, defende que “o caminho é esse”. “Creio que toda a gente deve concordar que as [sociedades] devem ser legalizadas. Algumas já existem na prática e é preciso dar mais esse passo e formalizar uma realidade que é inevitável”, frisou.

M

uitos projectos e debates depois, aAssociação dos Advogados de Macau (AAM) parece estar disposta a criar um diploma que regularize as sociedades de advogados no território, no âmbito da revisão do Estatuto do Advogado. Quatro causídicos ouvidos pelo HM revelam aceitar uma lei que há muito está na gaveta. O último projecto terá sido elaborado em Dezembro de 2012. “Congratulo-me pela iniciativa da Associação em submeter ao Governo ou à assembleia a proposta de criação de sociedades de advogados, que é uma odisseia em que venho participando activa e passivamente desde 1993 e que nunca veio à luz do dia até hoje. Do ponto de vista profissional fico muito satisfeito”, disse o advogado Frederico Rato. Também Pedro Leal lembrou que há décadas que se fala da possibilidade de legalizar as sociedades de advogados. “Há 15 anos que oiço falar das sociedades de advogados em Macau. Todos dizem que está sob estudo, mas nunca houve von-

tade de ir para a frente [com esse assunto]. Para mim não vejo grandes problemas [na sua implementação]. O que se passa com os advogados hoje em dia é que muitas vezes as procurações são passadas a vários advogados, mas aí passava-se a uma sociedade”, exemplificou. Pedro Leal diz não compreender “porque é que aqui em Macau ainda não se avançou com isso”. E chama a atenção para a necessidade de legalizar o que já existe na prática. “Já existem sociedades de advogados há muito tempo e valia a pena regulamentá-las.” “A situação manteve-se sem nenhuma legalização, porque na

prática muitos escritórios já funcionam em termos de sociedade”, lembrou Miguel de Senna Fernandes. “Temos a situação de ter escritórios e advogados em nome individual e é uma situação que não corresponde à realidade”, frisou. Em Maio, na conferência de imprensa de apresentação das actividades do Dia do Advogado, Jorge Neto Valente, presidente da AAM, revelou existir a intenção de trabalhar nesse projecto. “Até agora não houve oportunidade de pôr em vigor [esse diploma]. O que a AAM propõe é que sejam permitidas parcerias em sociedade civil, com responsa-

bilidade ilimitada. Mas na Europa e América há sociedades com responsabilidade limitada. Se formos para a responsabilidade limitada, é preciso articular isto com um seguro que cubra os danos causados por uma sociedade de advogados aos seus clientes, porque não será o património dos sócios a responder”, disse o presidente da AAM. Em causa estará a criação de um seguro de responsabilidade civil na ordem das duas milhões de patacas.

Algo “inevitável”

Henrique Saldanha, que chegou a fazer parte de uma comissão encarregue de analisar um dos

ADM Lançado inquérito sobre identidade macaense

Passar a pasta aos pequenos A

Associação dos Macaenses (ADM) lançou, na passada quarta-feira, um inquérito online que pretende recolher a opinião dos usuários quanto à identidade macaense. A iniciativa surgiu das mãos de José Gonçalo Silva, membro da Associação, que se mostra muito positivo quanto à adesão. “Só na primeira manhã vi que 65 pessoas já tinham preenchido o inquérito”, adiantou ao HM. O inquérito abre portas ao já habitual colóquio, organiza-

do anualmente pela ADM, que acontecerá na última quinzena do próximo mês. Esta edição, avança o presidente da Associação, Miguel de Senna Fernandes, está subordinada ao tema dos jovens. “A questão da identidade macaense não se vai colocar [no colóquio], não é isto que está em causa. O mote principal desta edição é o passar da pasta aos jovens, para a próxima geração. Este é o desafio”, adiantou. Relativamente ao inquérito, o presidente considera ser um

passo importante para despertar a participação. “É fundamental que haja uma maior participação das pessoas, é questionar e não solucionar e por isso este inquérito não é mais do que instrumento que vem desafiar as pessoas para tomar uma posição sobre determinados assuntos”, explica o presidente, referindo-se à definição da identidade macaense que muita discussão tem provocado. Pensando numa recolha de opiniões unânimes, José Gonçalo

Silva não avança com prognósticos, mas admite que nunca deixará de tentar procurar um opinião consensual. O inquérito está disponível através do página do Facebook da ADM e, segundo indica o associado, deverá estar disponível até ao colóquio. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

“Creio que toda a gente deve concordar que as [sociedades] devem ser legalizadas. Algumas já existem na prática e é preciso dar mais esse passo e formalizar uma realidade que é inevitável” Henrique Saldanha Advogado

Questionado sobre as razões que terão levado à ausência de um diploma anos depois de tantos debates em assembleias-gerais, Henrique Saldanha prefere apontar a falta de tempo. “Não sei em que estado está o projecto. Houve alguns debates muito participados em assembleias e começou-se a trabalhar numa minuta que chegou a ser apresentada à assembleia. Isso importa a alocação de um tempo muito significativo dos advogados ao projecto para que ele vá adiante, e como temos de integrar isso com o trabalho que temos, às vezes as coisas ficam pelo caminho”, rematou. O HM contactou outros advogados que se recusaram prestar declarações devido ao facto do assunto ainda estar a ser analisado. Foram feitas tentativas de chegar à fala com Paulino Comandante, secretário-geral da AAM, mas até ao fecho da edição o causídico mostrou-se indisponível. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Algumas distracções

O CCAC indica que os organismos podem estar inclusive a cometer “ilegalidades administrativas” ao estarem a aplicar leis que estão caducadas. O Comissariado diz

Relatório DSAT e IACM com regulamentos caducados e desfasados

Regras de tempos que já lá vão A DSAT andava a aplicar sanções com base num regulamento caducado desde 2001 e o IACM também não respeita algumas regras face aos mercados municipais. Tudo, porque os organismos não repararam nos regulamentos, que já vinham da altura dos órgãos municipais, e que são agora ineficazes e motivo para “ilegalidades administrativas” tiago alcântara

lguns organismos do Governo funcionam com regimes caducados e desfasados da realidade actual. É a conclusão do mais recente relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que indica num relatório de investigação um caso do Centro de Exames de Condução como o mais flagrante. “Na análise sobre as posturas e regulamentos municipais ainda vigentes, o CCAC verificou que um número significativo de normas se encontra desactualizado e que se verificam até situações de contradição entre a realidade e as matérias ali regulamentadas”, começa por indicar o relatório. A título de exemplo, o CCAC fala na análise de um caso apresentado contra a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e investigado no âmbito da Provedoria de Justiça do organismo. DSAT terá multado instruendos de condução que teriam violado o Regulamento do Centro de Aprendizagem e Exames de Condução, não fosse este, contudo, estar caducado desde o dia 2 de Junho de 2001. Este Regulamento faz parte do conjunto de posturas e regulamentos promulgados pelos antigos órgãos municipais, mas outro dos principais problemas é que estaria nestas condições já aquando da “criação da DSAT”, como informa o organismo dirigido por André Cheong. E este não é o único. O Regulamento do Licenciamento dos Estabelecimentos para Venda a Retalho de Carnes, Pescado, Aves e Vegetais é outro exemplo. O diploma prevê que os estabelecimentos só possam vender um tipo de género alimentício. “Por exemplo, nos estabelecimentos autorizados a vender carnes, não é permitida a venda de pescados, aves, vegetais e frutas. Esta norma obviamente já não corresponde às necessidades da vida da população e ao ambiente económico da sociedade actual de Macau”, explica o CCAC, que diz ser “óbvio que o Regulamento tem já algumas normas desactualizadas ou não aplicáveis”. Além de não estarem em conformidade com a situação real, o facto de estes regimes estarem assim impede a fiscalização e sanções eficazes, levando o CCAC a indicar que há até matérias regulamentadas de forma “demasiado simples e vaga”. “Este diploma é incapaz de produzir os efeitos necessários para a regulamentação da operacionalidade e funcionamento d os mercados”, atira o relatório.

não perceber a contínua utilização de regulamentos fora do prazo, sublinhando ainda que, no caso do Regulamento da DSAT, ele é tão complexo “que se duvida dos seus efeitos práticos”. No total, e no caso da DSAT, foram aplicadas cerca de 16 sanções com recurso ao Regulamento caducado há mais de 14 anos. Sanções que, diz o CCAC, são “actos administrativos nulos”. E tudo porque a DSAT não elaborou nem promulgou qualquer um novo regulamento que o viesse a substituir, porque “o pessoal da DSAT não prestou atenção ao facto de que o regulamento estava caducado”.

“Esta ‘negligência’ foi motivada por questões de gestão interna, de formação de pessoal e de interpretação das normas jurídicas. Além disso, a verdade

é que o problema pode ter origem na época da Câmara Municipal de Macau Provisória”, escreve o CCAC, acrescentando que “a DSAT não devia continuar a aplicar

“Na análise sobre as posturas e regulamentos municipais ainda vigentes, o CCAC verificou que um número significativo de normas se encontra desactualizado e que se verificam até situações de contradição entre a realidade e as matérias ali regulamentadas”

este diploma na gestão do Centro de Aprendizagem e Exames de Condução e para que os interesses e direitos dos cidadãos não sejam prejudicados neste período de vácuo legal a DSAT deve proceder o mais breve possível à elaboração de um novo.” O CCAC recomenda ainda ao IACM que reveja o Regulamento dos Mercados “o mais cedo possível”, bem como de outras posturas e regulamentos municipais. Isto porque, indica, estes “estão estreitamente ligados à vida quotidiana dos residentes”. Joana Freitas

Relatório do CCAC

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Serviços de transporte em carros privados chega a Macau

Uber vem-me buscar

A

Uber está no mercado de Macau, tendo iniciado a fase experimental. Foi através de uma resposta via email que a empresa confirmou, ao HM, a sua presença no território. “É com grande satisfação que vos informamos que o serviço

Uber foi lançado em Macau. Estamos muito entusiasmados por trazer este novo sistema de transporte de alta qualidade aos residentes de Macau e turistas”, lia-se na resposta. A empresa indicou ainda que depois de receber centenas de perguntas sobre a existência do serviço em Macau e depois de mais de 127 mil acessos à aplicação móvel em Macau, foi decidido implementar o serviço no território. Ainda em período de teste, a empresa de transporte privada já está a circular pelas estradas de Macau, podendo haver,

por agora, “carros limitados para o serviço”.

Alta procura

Tomás Campos é o nome do responsável pelo lançamento do serviço no território. “A procura em Macau, mesmo antes da aplicação ser lançada, era tremenda. Até hoje, 127 mil usuários abriram a aplicação em Macau para ver se conseguiam aceder ao serviço, incluindo centenas de residentes locais e usuários de 70 países. Estamos muito entusiasmados por finalmente estarmos aqui”, cita o comunicado enviado pela empresa.

O cantor pop chinês Siufay foi a cara escolhida para testar o serviço e fez a sua primeira viagem num carro destes na manhã de ontem. “A experiência Uber é absolutamente incrível – o carro chegou em apenas três minutos”, pode ler-se. Para poderem requisitar o serviço, os interessados têm de fazer o download da aplicação para iPhone ou Android, criar uma conta e registarem o cartão de crédito. Depois, é só esperar que o seu condutor o venha buscar. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


8 sociedade

A AMCM diz que a Bitcoin não está sujeita à sua supervisão e indica apenas que não é uma moeda legal. Para especialistas ouvidos pelo HM, deve existir uma regulamentação, evitando crimes e assegurando a segurança do investimento

A

Autoridade Monetária de Macau (AMCM) assegura ao HM que a Bitcoin não está sujeita à sua supervisão. A resposta surge depois do envio de uma carta do activista Jason Chao à autoridade, pedindo mais regulamentação sobre o uso da moeda digital. Es-

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Bitcoin Pedida regulamentação. AMCM diz não ser responsável

Fora de jurisdição pecialistas no sector da economia pedem a regularização da Bitcoin por, dizem, ser mesmo necessário. Ao HM, a AMCM diz que a Bitcoin “constitui uma mercadoria virtual, não sendo a mesma uma moeda legal, nem instrumento financeiro” que fique sujeito à supervisão da entidade. Na mesma resposta, o organismo adianta que a “utilização moedas virtuais envolve riscos, incluindo mas não se limitando aos riscos relacionados com o branqueamento de capitais e o financeiro do terrorismo”, pelo que é necessário os utilizadores “terem cautela” no uso da moeda. Este é, aliás, o único aviso dado pelo organismo, não se percebendo como é que o uso da Bitcoin acontece em Macau. Para Jason Chao o assunto é claro: “é necessária uma regulamentação” devido à necessidade de garantir a segurança na utilização desta mercadoria virtual, assim como para evitar crimes de capitais. Ao HM, a AMCM indica que não pode dizer se respondeu ou não ao activista, mas este diz que ainda espera obter resposta da

AMCM, continuando à espera que as autoridades clarifiquem qual a posição do Governo perante a situação. É que Macau é a região com maior número de caixas de troca de Bitcoin por dinheiro. No total, são quatro as máquinas que se assemelham às de multibanco normal, três delas instaladas em lojas de penhores na zona dos NAPE.

Zona cinzenta

“Claro que é necessário regular esta situação”, começa por pub

defender o economista Albano Martins. O profissional mostra-se totalmente contra este tipo de “meio que possam criar situações de fraudulência”. “Não estou muito dentro do assunto, mas de facto isto parece ser uma espécie de Dona Branca. Isto não é controlado”, reforça. De saudável, as Bitcoins, diz, não têm nada. “Nem de saudável, nem de equilíbrio, nem de protecção”, acrescenta. Questionado sobre a necessidade do Governo

Piscina do Parque Central da Taipa encerrada

Devido a uma avaria no sistema de filtragem e “para salvaguardar a saúde pública”, a Piscina do Parque Central da Taipa vai estar temporariamente encerrada para a execução de “obras urgentes de reparação”, diz um comunicado do IACM. A data da reabertura será comunicada após a sua conclusão.

tomar uma posição, Albano Martins defende que “se existir um esquema de Dona Branca a circular fora dos Bitcoins a AMCM acaba por intervir, então porque é que neste caso não o faz?” A regulamentação é por isso “mais que precisa”, até porque, defende, é preciso “dar também garantia às pessoas que são mais ingénuas” aquando da sua aplicação e utilização. “Pode nem sequer existir nenhum problema, e estar tudo bem, mas é importante que haja pelo menos um mínimo de regulamentação que proteja os investidores”, remata. Fonte do HM ligada ao Direito e com interesse no mundo da moeda virtual explicou que a regulamentação “é sempre necessária, porque existe uma espécie de zona cinzenta”. “Quem tentar perceber o mundo das Bitcoins, e até assistir a conferências, vai perceber uma lacuna na explicação de toda a história. Como é que surgiu, se há ou não controlo e, também, em termos de segurança. A compra e venda desta moeda digital é anónima, logo mesmo que haja crime de capitais nunca se saberá”, explicou. Este tipo de aplicação tem de facto vantagens, diz, mas os riscos também são elevados. Algo que poderia terminar caso o “Governo decidisse actuar”. “É o Governo e a Assembleia Legislativa que devem decidir”, remata. Até ao fecho desta edição o Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, não apresentou qualquer resposta às perguntas colocadas por este jornal. Filipa Araújo (com Joana Freitas) filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Sands perde quase metade das receitas

O

s lucros líquidos da Sands China caíram 46,8% no terceiro trimestre do ano para 343,2 milhões de dólares norte-americanos. Segundo um relatório da empresa-mãe, a Las Vegas Sands, publicado no site oficial na noite de quarta-feira, entre Julho e Setembro, a Sands China arrecadou receitas líquidas de 1,66 mil milhões de dólares, ou seja, menos 28,8% comparativamente ao período homólogo do ano passado. Em comunicado, o presidente da Sands, Sheldon Adelson, comenta o “ambiente desafiante” nos segmentos de jogo VIP e de massas ‘premium’ em Macau e reafirma a “confiança” na liderança no mercado de massas das suas propriedades na strip do Cotai- As receitas dos casinos de Macau estão

em queda desde Junho de 2014. Setembro marcou o 16.º mês consecutivo de quedas homólogas, registando o valor mais baixo dos últimos cinco anos. Em teleconferência, após a divulgação dos resultados, o patrão das Las Vegas Sands observa “sinais de estabilização” no segmento de massas, embora se mantenha apreensivo relativamente à perspectiva global de Macau. Considerando “virtualmente impossível” dizer o que pensa sobre Macau, o magnata de 82 anos, citado pela Bloomberg, refere: “É uma incógnita para qualquer um de nós. É um grande ponto de interrogação para qualquer operador hoje em dia e vai continuar” a ser.


China

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China comprometeu-se quarta-feira a assumir uma posição accionista de um terço na primeira central nuclear britânica construída em décadas, com o primeiro-ministro, David Cameron, a saudar o “acordo histórico” no projecto liderado pela francesa EDF. O anúncio foi feito durante o segundo dia da vista do Presidente chinês, Xi Jinping, ao Reino Unido, que tem sido dominada pelos negócios, tendo já Cameron afirmado que os acordos assinados até agora ascendem a 40 mil milhões de libras (55 mil milhões de euros). Em comunicado, a EDF anunciou o acordo nuclear, assinado na presença de Xi Jinping e David Cameron, com Londres a estender a passadeira vermelha aos investidores chineses e a apresentar projectos conjuntos, como o das emissões zero por parte dos clássicos autocarros vermelhos e táxis negros londrinos.

Pequim financia um terço de central nuclear no Reino Unido

Acordos para a História

David Cameron, PM britânico

“Estamos a assinar um acordo histórico para construir a central nuclear de Hinkley”, afirmou Cameron, durante uma conferência de imprensa conjunta com Xi, em Downing Street. Este projecto deve criar 25 mil empregos e fornecer energia a seis milhões de habitações, segundo o Departamento britânico de Energia e Alterações Climáticas. Mas os opositores britânicos do projecto de Hinkley criticam os elevados custos de construção e o tempo que vai ser preciso para que comece a fornecer energia, bem como a duração do período do preço garantido (92 libras por megawatt durante 35 anos).

O acordo para o gigantesco projecto nuclear, estimado em 18 mil milhões de libras, deve ser finalizado nas próximas semanas. A eléctrica EDF vai construir dois reactores, de uma terceira geração, considerados dos mais avançados e seguros do mundo, em Somerset, no sudoeste da Inglaterra.

U

Aestatal chinesa China General Nuclear Corporation (CGN) vai financiar seis mil milhões de libras, com a EDF a colocar as outras 12 mil milhões de libras. A EDF é a líder de projecto, com uma posição inicial de 66,5%, que pode baixar para 50% se se verificar a entrada de novos investidores, ficando a CGN com 33,5%.

“Estamos a assinar um acordo histórico para construir a central nuclear de Hinkley”

Em curso

ma investigação às condições das fábricas de iPhones na China revela que os funcionários trabalham até 90 horas extraordinárias por mês por menos de dois dólares à hora, vivem em dormitórios superlotados e quase não têm tempo para comer. Segundo a organização de defesa dos direitos laborais China Labour Watch (CLW), os abusos persistem nas fábricas chinesas onde se produzem os populares telefones da norte-americana Apple. A CLW focou-se, em particular, numa fábrica em Xangai da empresa taiwanesa Pegatron, que já tinha investigado em 2013, que emprega 100.000 pessoas e onde as condições de trabalho quase não registaram melhorias. O relatório “Algo está mal aqui” volta a evidenciar os abusos laborais

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CLw denuncia condições de trabalho em fábricas de iPhones

“Algo está mal aqui” do sector: turnos de dez horas e meia por dia, a que se somam mais de duas horas extra obrigatórias, sem as quais os trabalhadores não recebem um salário mínimo para viver (de cerca de 318 dólares ou 280 euros por mês).

Visto por dentro

A organização ilustra as condições de trabalho com um testemunho em primeira mão de um investigador da CLW que se infiltrou como empregado na Pegatron. Entre outras coisas, o investigador revela como a empresa não cumpre com medidas de segurança básicas, como informar os funcioná-

rios sobre as saídas de emergência – portas que o próprio investigador nunca conseguiu encontrar. O testemunho incide também sobre a sobrecarga de trabalho, com turnos em que não há praticamente tempo para comer. A falta de informação abrange também os produtos químicos que os

funcionários manuseiam. Apesar de a empresa lhes dar uma lista dos produtos perigosos com que trabalham, não indica onde estes se encontram ou como devem ser tratados. A CLW conclui que “nada mudou” desde 2013, com excepção de uma situação: a discriminação no que toca à contratação de membros de etnias minoritárias, apesar de a organização ressalvar que a empresa contrata agora ilegalmente metade dos trabalhadores de forma temporária, quando apenas pode fazê-lo para 10% da equipa. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Ministro chinês da Defesa recebe homólogo moçambicano

O conselheiro de Estado e ministro da Defesa da China, Chang Wanquan, recebeu ontem em Pequim o seu homólogo moçambicano, Atanásio Salvador M’tumuke. Na ocasião, Chang Wanquan disse que nos 40 anos após o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Moçambique, as relações amistosas têm sido elevada de forma saudável, e que as duas partes registaram êxitos notáveis em diversos sectores. A China está disposta a promover, de mãos dadas com Moçambique, o intercâmbio pessoal e a cooperação militar.


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EVENTOS

-feira 23.10.2015

O FUSO Projecto de José Drummond no festival de Lagos

“Love is the scariest thing of all” (O amor é a coisa mais assustadora do mundo) é o nome do projecto do artista local José Drummond que vai estar presente no FUSO – Festival Verão Azul, no Centro Cultural de Lagos, em Portugal. A iniciativa dura até ao dia 24 de Outubro e tem como curadores Jean François Chougnet e António Câmara Manuel. Membro da Art for All Society (AFA), presente em Macau e Pequim, José Drummond é também director do VAFA, festival internacional de vídeo e arte de Macau. O trabalho que vai estar patente na cidade de Lagos representa uma “dualidade entre a o visível e o invisível e o espaço entre a fantasia e a realidade”, onde o amor, a perda e a solidão são temas constantes.

Cinema USJ organiza workshop de técnicas de iluminação

A Universidade de São José vai acolher um workshop de técnicas de iluminação para Cinema no âmbito do Festival Som e Imagem, a realizar-se entre os dias 26 e 28 de Novembro, das 19h00 às 22h00. O curso vai explorar vários aspectos da iluminação de fotografia, como técnicas de iluminação, fotometria e exposição, teoria da cor, breve história de estilos de iluminação e papel do cinematógrafo. O workshop tem entrada gratuita e é aberto ao público em geral. É Pedro Cardeira quem vai conduzir a iniciativa, totalmente leccionada em Inglês por um profissional português radicado em Macau. Cardeira já trabalhou com vários cineastas mundialmente conhecidos e fundou a Inner Harbour Films. Os interessados deverão inscrever-se até 20 de Novembro e pagar 200 patacas de depósito, montante que será devolvido se o aluno comparecer a 80% das aulas. São bem-vindos todos os interessados em Cinema com mais de 16 anos.

Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) continua este fim-de-semana, com uma programação apresentada por grupos de jovens artistas. A acontecer na Fortaleza do Monte e no Teatro D. Pedro V, os concertos de O-Kai Singers e Charatay e do Stradivari Quartett chegam de Taiwan, Hong Kong e Suíça. Os O-Kai Singers são uma banda proveniente de Taiwan, que sobe ao palco no território na companhia do grupo Charatay, da região vizinha de Hong Kong. Os dois grupos, diz a organização, “prometem uma festa de som aos entusiastas da música”, mesmo que sejam considerados fruto de estilos musicais distintos. Criados em 2004, os O-Kai Singers são um “grupo aborígene de Taiwan” que conquistou o primeiro lugar na categoria nacional do Festival Internacional Contemporâneo deACapella da Formosa. Desde então, o grupo recebeu um total de 23 prémios em Taiwan e no estrangeiro e, explica a organização, “foi convidado para partilhar o palco com grupos de topo de canto A Capella”, tendo ainda gravado um álbum com premiados com Grammy. “O seu melhor álbum de estreia recebeu o prémio de Melhor Álbum Indígena na 24º edição dos Prémios Melodia de Ouro de Taiwan.” De acordo com a organização, o estilo de canto tradicional dos aborígenes de Taiwan é transmitido pelos O-Key, um grupo que “injecta vitalidade” nos círculos de música Pop.

FIMM Fim-de-semana recheado de músicos jovens

Graça e paixão

Stradivari Quartett

Os membros de Charatay, que sobem ao palco com os O-Key, formaram o grupo há 16 anos. Apesar de não terem qualquer álbum publicado ainda, os Charatay dedicam-se a entreter o público com “sentido de humor e paixão”, apresentando o melhor da música Pop da RAEHK.

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edro Jorge Gomes foi um dos atletas de culturismo de Macau convidado para participar na competição Mr. Olympia, em Hong Kong, a acontecer entre os dias 24 a 25 de Novembro. Realizado pela primeira vez na Ásia, o momento pretende juntar atletas de todo o mundo, tendo a organização convidando culturistas da

À venda na Livraria Portuguesa Flores • Afonso Cruz

Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014. Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo – e constatar o quanto a sua vida se afastou dela – decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas. Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. Um romance comovente sobre o amor e o que este precisa de ser para merecer esse nome.

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Na Fortaleza e no Teatro

O-Kai Singers

Os bilhetes para o concerto custam cem patacas, sendo que o início está marcado para as 20h00 na Fortaleza do Monte. No mesmo dia e no dia seguinte sobem ao palco do Teatro D. Pedro V o Stradivari Quartet, da Suíça. O

grupo formado por quatro jovens apresenta-nos recitais de violino com peças de Mozart, Webern, Brahms, Beethoven e Ravel. “Estes músicos de grande talento são capazes de extrair a elevação e profundidade das emoções que a

música consegue expressar”, diz a organização. Os bilhetes para o espectáculo que começa às 20h00 custam entre as 200 e as 250 patacas. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Culturismo Atleta de Macau vai a Hong Kong para competição China, Macau, Hong Kong, Japão e de outros países também fora do continente asiático. “Estou muito contente por participar neste momento, pela primeira vez na Ásia. Ainda por cima é só por convite, o que seria mais difícil para participar. Pelo que sei, de Macau

foram convidados cinco atletas”, explica ao HM Pedro Jorge Gomes. Mr. Olympia, conta, é a competição internacional que “muitos atletas ambicionam”. “Não sei se existe um prémio final, mas de qualquer das formas é muito importante a participação nesta competição para

mim e para todos os atletas. Este é a melhor competição do mundo”, remata. Hong Kong foi o cenário escolhido para a primeira edição do Mr. Olympia, que acontece no Centro Internacional de Convenções e Exposições em Kowloon Bay. F.A.

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O Selvagem da Ópera • Rubem Fonseca

Romance, biografia, argumento cinematográfico: “O Selvagem da Ópera” é tudo isto, pela pena brilhante de Rubem Fonseca. Tem como protagonista o compositor Antônio Carlos Gomes, autor de “O Guarani” e de outras óperas outrora famosas e hoje esquecidas, como “Fosca”, “Salvator Rosa”, “Maria Tudor” e “Il Schiavo”. Ao relatar a trajetória do músico brasileiro – a sua partida do Rio de Janeiro imperial, sob os auspícios do imperador D. Pedro II, a sua ida para Milão, os seus inúmeros casos amorosos, o reconhecimento da sua arte pelos maiores nomes da ópera de então, compositores, maestros e cantores, garantindo o seu lugar num mundo em que circulam Verdi, Puccini, Ponchielli e Wagner, e os difíceis anos finais marcados por tragédias familiares e esterilidade criativa –, Rubem Fonseca faz-nos entrar no extraordinário panorama do mundo operático do final do século XIX e descreve as vicissitudes da vida de um grande artista que, tal como nas grandes óperas dramáticas, tocou os extremos do êxito e da tragédia.


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DA ORDEM DO TEMPLO À DE CRISTO

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ara complementar os dois anteriores artigos, “O Lavrador do Mar Português” e “Por Cima do Hábito, a Armadura”, seguimos com o episódio da passagem dos Templários para a Ordem de Cristo durante o reinado de D. Dinis. Para situar o período em que D. Dinis viveu, no ano do seu nascimento, 1261, os bizantinos reconquistaram Constantinopla aos Cruzados. A cidade fora saqueada e tomada em 1204 durante a IV Cruzada, desviada do Egipto pelo Doge de Veneza, tornando-se a capital do Império Latino. Os gregos, com a ajuda dos genoveses, em 1261 restauraram o Império Bizantino. Em 1276, o português Pedro Hispano foi eleito Papa e tomou o nome de João XXI, mas a 20 de Maio do ano seguinte faleceu em Viterbo, devido aos ferimentos provocados pelo desabamento de uma parte do palácio pontifício. Já na China, em 1276 os mongóis marcharam sobre Hangzhou, a capital da dinastia Song do Sul e ocuparam-na, levando para Norte como prisioneiro Gong Di, que em 1274 com cinco anos se tornara o Imperador Zhao Xian. O restante da corte fugiu para Sul e durante essa viagem foram sagrados dois novos imperadores, os últimos da então nómada dinastia Song do Sul. Perseguida pelos mongóis, veio a dinastia terminar em 1279 na batalha naval de Yamen, embocadura do Rio Xi próximo de Macau. Assim, no primeiro ano do reinado de D. Dinis, 1279, na China subia ao trono o mongol Kublai Khan, que se tornou o primeiro imperador da dinastia Yuan com o nome Shi Zu (1279-1294). Passaram os mongóis a dominar e unificaram um vasto território, que ia do Pacífico à fronteira com a Europa. Andava o mercador veneziano Marco Polo pela China para em nome de Kublai Khan investigar e fazer-lhe relatórios do que via. Já na Europa e ainda durante o reinado de D. Dinis, a 18 de Julho de 1290 Eduardo I promulgou o decreto que consagrou a expulsão dos judeus da Inglaterra e dezasseis anos depois, em 1306 foram eles expulsos de França. Em 1291 era fundada a Confederação Helvética, com a união de Uri, comunidade livre do vale de Schwyz e Nidwalden. Em Portugal, a Ordem de Avis foi por bula papal criada em 1319, mas a

independência desta Ordem em relação a Calatrava só se deve ter consumado no reinado de D. João I.

Para D. Dinis chegar ao poder Em 1279 morreu o Rei Afonso III e o seu filho D. Dinis ficou com a coroa de Portugal, apesar das lutas que seu irmão D. Afonso lhe moveu e de todos os entraves colocados pelo clero. Seguimos agora narrando um pouco sobre os factores e acasos que levaram D. Dinis a ser rei. De salientar os muitos D. Afonsos que nesta história vão aparecendo e que justificam a razão da primeira dinastia de Portugal ser denominada Afonsina. Após a morte em 1248 do Rei D. Sancho II e como não deixara filhos, o seu irmão D. Afonso de Bolonha (1210-1279), que desde 1245 era regente de Portugal, foi aclamado rei. Segundo filho de D. Afonso II, aos dezasseis anos a tia materna D. Branca de Castela, rainha de França, mandou-o chamar para viver na corte de Luís IX, onde foi armado cavaleiro. Em 1238 casou com a Condessa D. Matilde de Bolonha, tornando-se por isso conde e vassalo do rei de França, a quem acompanhou em 1243 na Batalha de Saintes contra Henrique III de Inglaterra, distinguindo-se como cavaleiro. D. Afonso III, que reinaria de 1248 a 1279 com o cognome O Bolonhês, organizou o reino na parte económica, política, administrativa e social. Em 1253 casou-se com D. Beatriz de Gusmão, filha bastarda de Afonso X, apesar de D. Matilde ainda se encontrar viva. Esse casamento de oportunidade veio resolver o conflito sobre a posse do Algarve, que o Rei de Castela Afonso X considerava por direito pertencer-lhe. Tal casamento, só mais tarde veio a ser conhecido pela primeira esposa D. Matilde, que recorreu à cúria pontifícia para que fosse anulado, por bigamia do rei “e por existir um parentesco em quarto grau entre os cônjuges, o que também contrariava o estipulado pelo direito canónico”, segundo Bernardo Vasconcelos e Sousa. Por tal, desde 1254 encontrava-se D. Afonso III sobre forte pressão de ser excomungado por quem anteriormente lhe entregara a governação de Portugal, tendo o Papa Alexandre IV lançado o interdito sobre o reino. D. Afonso, Conde de Bolonha, do primeiro casamento com a Condessa

Matilde não tivera descendência e após repudiá-la, já como rei teve de D. Beatriz sete filhos, entre os quais D. Branca (1259), D. Fernando nascido em 1262, mas que morreu ainda nesse ano, D. Dinis (1261), D. Maria e D. Afonso (1263). “Só após a morte de Matilde em 1258, os bispos portugueses solicitaram ao papa o levantamento da sanção, que viria a ter lugar e a permitir a legitimação do casamento de Afonso III com Beatriz de Castela, em 1263”, como esclarece Bernardo Vasconcelos e Sousa. Assim, desses filhos do segundo casamento, só os nascidos após 1263 eram legítimos. Por tal razão, D. Afonso considerava-se com direito ao trono de Portugal e não D. Dinis, que à nascença era ainda bastardo, logo sem grandes hipóteses de vir a ser rei. Sendo o Infante D. Afonso o primeiro filho legítimo deveria ser ele o herdeiro da coroa. No entanto, foi D. Dinis que ficou rei desde 1279, apesar das lutas que seu irmão D. Afonso lhe moveu e de todos os entraves colocados pelo clero. “O reinado de D. Dinis, entre os anos de 1279 e 1325, representa o grande impulso para a formação da consciência nacional, que se complementa nos finais do século XIV. O chamado <rei dos três arados> valorizou a agricultura, com a secagem de pântanos e a plantação de pinhais na Estremadura; a marinha, com a renovação da esquadra de guerra e medidas em prol do comércio externo; e a cultura, com a criação do Estudo Geral de Lisboa, nos anos de 1288-1290, que foi o primeiro tronco da Universidade Portuguesa” Portugal e o Mundo de Joaquim Veríssimo Serrão.

O fim da Ordem do Templo Foi com D. Dinis que ocorreu a passagem dos bens dos Templários para a Ordem de Cristo, tal como este rei tentou “tornar independentes de províncias não portuguesas as ordens militares que existiam no nosso país, excepto a do Hospital (a de Avis já era propriamente portuguesa, apesar de seguir a regra de Calatrava)”, como refere José Matoso. A Ordem militar do Templo fora fundada em Jerusalém no ano de 1119 com a finalidade de defender a Terra Santa e os peregrinos que visitavam

o Santo Sepulcro. Em 1128, no Concílio de Troyes foi-lhes dado o manto branco, sendo acrescentada a cruz vermelha. Como na Península Ibérica também se realizava a reconquista cristã, esta Ordem, para além das outras referidas no artigo anterior, colaborava com os monarcas cristãos do extremo ocidental da Europa. Desde 1128, D. Teresa ofereceu-lhes o castelo de Soure e muitos outros bens mas, o empenho desta Ordem foi diminuto, tendo mesmo sido derrotada em 1144 próximo do seu castelo. Só após a conquista de Lisboa e Santarém se empenharam, talvez pela oferta dos direitos eclesiásticos desta última cidade. Tendo-lhes sido entregue “um vasto território em volta de Tomar, os Templários começaram a edificar vários castelos na fronteira do Tejo e a recrutar cavaleiros de origem portuguesa, que organizaram com maior cuidado as actividades militares, o que levou o rei a conceder-lhes novas terras e privilégios, no momento mais intenso da Reconquista” José Matoso. Devido a problemas com o Bispo de Lisboa, os Templários cederam os direitos eclesiásticos de Santarém “em troca de extenso território em torno do castelo de Cera, onde, em 1160, começaram a construir o castelo de Tomar”. Já em 1157 tinha sido nomeado como mestre procurador o português Gualdim Pais, que até 1195 governou a Ordem e além de mandar construir os castelos de Pombal, Tomar, Almourol, Castelo de Zêzere, Idanha e Monsanto, “deu foral a Redinha, e à maioria das povoações fundadas em torno dessas fortalezas, assegurando assim a exploração agrícola nos mesmos lugares e a fixação de povoações que podiam resistir eficazmente aos ataques muçulmanos” Matoso. Por tal, a Ordem do Templo tinha em Portugal inúmeros privilégios, assim como lhe foram doados para defender e consolidar amplos senhorios nas áreas conquistadas. A história que pretendemos narrar, começou depois de 1291, após a queda de Acre, o último reduto cristão na Palestina, tendo por isso a Ordem do Templo abandonado o Próximo Oriente. A sua sede passou para o Chipre e o Rei Filipe IV de França convidou o Grão-Mestre da Ordem, Jacques de Molay, a instalar-se próximo de Paris, para onde foi levado o espólio templário.


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José Simões Morais texto e fotos

Em 22 de Novembro de 1308, o Papa enviou por carta uma Bula a todos os reis e príncipes europeus, ordenando a prisão dos Templários e o confiscar dos seus bens, assim como estes fossem julgados por um tribunal provincial. Dessas inquirições, todas as comissões se manifestaram a favor da inocência e apenas a francesa os acusou. Mas no Concílio de Vienne (1312) em França, Filipe IV obrigou o Papa a abolir a Ordem. Com a extinção da Ordem do Templo em 3 de Abril de 1312, muitos dos seus bens em toda a Europa foram para a Ordem dos Hospitalários e outro clero. Em Itália, em Nápoles e Piemonte foram perseguidos, na Sicília absolvidos. Na Alemanha fundaram a Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, sendo os bens também distribuídos aos senhores feudais. Na Inglaterra foram absolvidos e os bens ficaram para a Coroa. A 18 de Março de 1314, o Grão-Mestre dos Templários após a leitura pública que o acusava a ele e aos da Ordem de “blasfémia e heresia”, lançou, já envolto em chamas, ao Rei e ao Papa a sentença de comparecerem, com ele, dentro de um ano, perante o Tribunal divino. O Papa Clemente V morreu no mês seguinte e o Rei Filipe IV em Novembro desse mesmo ano.

A criação da Ordem de Cristo

Castelo de Tomar

Quando os Cavaleiros Templários, de alto valor militar, regressaram aos seus países de origem, tornaram-se uma fonte de preocupação para esses monarcas. Também a Ordem, para além de ter importantes fortalezas por toda a Europa, possuía muitas riquezas, fazendo empréstimos aos senhores de terra e aos monarcas europeus nas frequentes crises financeiras que sofriam. Por tudo isso, a Ordem do Templo estava em condições de vir a ser perigosa para a organização social da época. De salientar que o Rei Filipe IV (1285-1314), o Belo, era um dos muitos devedores insolventes da Ordem e pretendia, além disso, apoderar-se dos seus bens. Assim, num acordo secreto com Clemente, ainda este não era Papa, o rei planeou extinguir a Ordem do Templo, pois com as finanças reais muito em baixo, não conseguia pagar o grande emprésti-

mo de dinheiro que os Templários lhe tinham feito, estando o prazo a terminar. Por interesses estratégicos, o Papa francês Clemente V foi coroado em Lyon a 5 de Junho de 1305, deixando-se ficar em França por não ter apoio em Roma e em 1309 instalou-se em Avignon, controlando assim Filipe IV a Cúria romana. Decidido a suprimir a Ordem do Templo, o rei de França inventou e empolou uma série de crimes, como idolatria, blasfémia e sodomia, fazendo com eles uma acusação ao Papa. Assim, no dia 13 de Outubro de 1307, com um mandato da Inquisição apareceu à mesma hora a polícia real em todas as sedes da Ordem e em nome do Rei Filipe IV e do Papa Clemente V prenderam os Cavaleiros do Templo franceses. Perto de dois mil Templários foram sujeitos à tortura, tendo muitos morrido e outros terminado na fogueira.

Com uma sequência diferente José Matoso refere: “Em 1307, as acusações suscitadas por Filipe, o Belo, contra os seus membros levaram Clemente V a mandar celebrar na Hispânia um concílio que averiguasse as suas responsabilidades efectivas. Os padres reunidos em Salamanca (...) concluíram pela sua inocência. Apesar disso, o papa mandou sequestrar os seus bens na Península, e alguns eclesiásticos, como os Cónegos Regentes de Santa Cruz e o bispo da Guarda, quiseram apoderar-se deles. O rei não consentiu (1308), mas depois instaurou um processo judicial com o objectivo de os incorporar na coroa, obtendo sentença favorável em 1310. Neste mesmo ano reuniu-se novo concílio em Medina del Campo, e a seguir um outro em Salamanca, tendo este a presença de prelados portugueses”. Assim, em Portugal no dia 27 de Novembro de 1309 todos os bens reverteram para a Coroa. O clero reclamava um dote para si e então, D. Dinis, aliando-se com Fernando IV de Castela, fez a Convenção de Salamanca, em Janeiro de 1310, na qual mais tarde o Reino de Aragão entrou, para conseguirem manter os bens da Ordem dos Templários na Coroa, ainda que o Papa

ordenasse o contrário. Já no Concílio de Vienne (1312) o pontífice permitia que os domínios da Ordem na Hispânia não tivessem que ser entregues aos Hospitalários. Isabel Morgado Silva refere: D. Dinis, “mais preocupado com a aplicação dos bens templários existentes no seu território a favor de uma entidade não nacional, a Ordem do Hospital do que com o próprio processo desencadeado contra a Ordem de Templo, fundamenta a necessidade da criação de uma milícia – à qual seriam entregues os bens do Templo - na guerra santa e justa.” “Manobra de grande habilidade político-diplomática”. Dante, na Divina Comédia, escrita entre 1302 e 1321, condenou os reis da Península Ibérica por estes se terem apoderado e tomado para si os bens da Ordem. Mas o que Dante desconheceu foi o trabalho de D. Dinis na transposição do legado dos Templários para a nova Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo formada em 1315 e institucionalizada a 14 de Março de 1319 pela bula Ad ea quibus do Papa João XXII, “atribuindo-lhe a regra de Calatrava, sujeitando-a à jurisdição espiritual do abade de Alcobaça e colocando a sua sede em Castro Marim. Em Novembro desse mesmo ano, foi eleito o primeiro mestre e em 1321 foram aprovados os primeiros estatutos. O rei seguia, assim, o exemplo do de Aragão, que, com o património dos templários valencianos, criou a Ordem de Montesa, embora entregasse o restante do património aragonês aos Hospitalários. O rei de Castela incorporou na coroa a maioria dos domínios dos extintos cavaleiros do Templo. Como se vê, D. Dinis seguiu em todos estes passos uma política de nacionalização extremamente coerente e de tal modo determinada que se pode considerar como precursora de processos de concentração das forças políticas nacionais usados depois pelas monarquias da segunda metade do século XV”, José Matoso. Entre 1319 e Fevereiro de 1324 ocorreu em Portugal uma intermitente guerra civil, muito devido à revolta do Infante D. Afonso (o futuro Rei Afonso IV) contra o seu pai D. Dinis, pois considerava estar a ser preterido na sucessão do trono pelo irmão bastardo D. Afonso Sanches. Como D. Dinis durante todo o seu reinado tinha combatido o partido senhorial da alta nobreza, esta juntou-se a D. Afonso, acabando o rei por ceder a várias das suas exigências. Com a morte de D. Dinis em 1325, sucedeu-lhe o filho como Rei D. Afonso IV (1291-1357), que reinou de 1325 a 1357 com o cognome O Bravo.


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Fios de seda, linhas da mão Ele acordou caído com estrondo de costas na cama. Uma espécie de explosão no interior do crânio, ou então o fim do mundo. E o impacto violento de todo o corpo como uma prancha vinda de cima e abalando fortemente a cama no impacto. Com cem vezes o seu peso, e cem vezes cem segundos passaram até a respiração voltar ao ritmo normal. Uma ténue figurinha, ou talvez só o resto de uma forma fluida a negro, ainda por uma fracção ínfima de segundo, deslizou-lhe dos olhos para o interior das paredes. Ou outra coisa qualquer. E de novo acordou nessa mesma sensação de ansiedade, nervosismo e desapontamento, embalado pelo motor do carro, noite fora, ainda longe de chegar. Ao lado ela olhava-o. “Olha para o caminho.” Disse. Ou talvez tenha sido: “Olha por onde vais…”. E ela tenha dito: “Sei para onde vou, sei de onde venho” Agora. Ou então: “Olho para ti e é como olhar para a frente e olhar para trás. Olhar para ti agora.” E vê-lo fechar irreprimivelmente os olhos de novo. Caído mansamente num sono de sonhos. Agitados aí. Virar-se na cama sem tréguas. Na cama vazia. Revolver a roupa até não restar mais nada a que se agarrar sobre o corpo. Um campo de batalha. Ela, que compõe os lençóis entre sonhos. Que mesmo aí pressente e verifica a ordem geométrica e rigorosa da dobra do lençol. Que arruma as roupas de cada vez que se vira. Vira-se de lado, fecha os olhos e respira fundo. Espera que venha sonhá-la. Quando adormecer um sono de valeriana, um sono de camomila. Tília. Um sono de roseiras bravas. Pequeninas, de um branco rosado manchado e muitos espinhos quase invisíveis. Eram roseiras. E ele pensara que com as unhas lhe arranhara o peito. E ficou zangado para sempre. E acordou de novo alagado em suor e inquietação. Zangado. Mas o problema não eram os espinhos. Eram as rosas. Ela percorre as ruelas que ladeiam os canais. Pequenos túneis que afastam os passos momentaneamente dos brilhos insalubres da laguna, e os voltam a aproximar inevitavelmente. O som cavo dos saltos nas pedras largas e incertas, por vezes a soar a oco. Uma porta estreita. Uma escada empinada. E o quarto. Ferver ervas num pequeno fogão ao canto. Acreditar, talvez, que lhe hão-de trazer algum entorpecimento. Suficiente se os pensamentos serenarem. Da janela olha fixamente as águas escuras e espessas àquela hora.

Amanhã Tintoretto na Academia. Uma emoção rara por dia é mesmo assim quase demais. E uma noite de cada vez. Cento e dezoito ilhas, cento e sessenta canais e mais de quatrocentas pontes são dados suficientes para deanabela canas

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avia um roupão de seda preta. Cetim. Longo e fluido com um líquido suave e tépido. Que se colava ao corpo, escorrendo fresco e quente. Fresco quando estava quente. E cálido quando soprava uma aragem já fresca. Como a primeira pele sem outra. Seda antiga. De muitos anos. Ele não podia ir-se embora zangado com o seu corpo, zangado com os seus lábios. Zangado com o seu amor. Tocado de uma zanga maior que o momento. Com algo que era outra coisa. Ela viu-se subitamente descalça, envolta no roupão de seda negra, com os pés inadvertidos e imprevidentemente indiferentes, nas pedras escuras da rua. Escura, silenciosa, muda como ela. De corpo e alma. Porque ele não podia ir-se embora zangado. E ficar a ver da janela a fúria a apequenar-se rua fora. Por isso correu sem pensar em mais nada do que isso. Mas a rua estendia-se para ambos os lados, vazia. Mais vazia do que em qualquer noite em que ele não a tivesse percorrido. E agora, como se se tivesse evaporado à saída da porta. Mergulhando na inexistência impossível. Por haver ausência. E esta se opor àquela. Tudo da seda para o interior era exposto em sangue, vísceras, carne e osso. O teatro anatómico que ninguém viu. Ainda correu no sentido do trânsito. Talvez para lá da esquina o vulto escuro em fuga. Não voltou a vê-lo. Foi assim. Ele virou-se com uma agitação adormecida e quase convulsiva, desarrumando mais os lençóis da cama. Uma mão pesada caiu-lhe sobre o peito. A sua, na reviravolta abrupta. Acordou alagado. Um curto pânico que logo se resumiu a uma angústia indefinida. A cama larga sem obstáculos para ambos os lados. Ninguém, como na rua ainda agora. Pensou em telefonar para ouvir simplesmente a voz que não estava lá. Talvez uma sonata de piano irreconhecível em fundo. Pelo menos. A voz de quem não sabia quem era. Ele. Não sabia. De quem era. A voz. Muda, com piano por trás. Nem o número para ligar de volta. A voz inaudível que lhe dizia: -Sabes quem eu sou. Ela esperou que adormecesse e voltou. Instalou-se de novo a vê-lo partir no sono. Voltou a vê-lo doridamente partir no sonho dele. Sentada de lado. Virando-lhe as costas para sentir. Agora lentamente e de novo, desaparecer no ar. Inconsolável minuto sólido, gelado. Fim do tempo.

senhar uma carta, mas nunca o mapa dos sentidos. Menos ainda das emoções. Esse exige uma cartografia própria em cinzas e sonoridades cavas. Em ocres deslavados e rosas velhos aclarados pela poluição, e mesmo a


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de tudo e de nada

do sentir tóxico. Uma cidade de uma beleza que rescende de reminiscências doentias de ausências e impossibilidades. Que pode até exalar aromas fétidos dependendo das marés. Porque de tão inebriante e onírica, só serve de cenário aos sonhos mais utópicos e paradigmáticos. Nada a menos do que isso. Ir a Veneza, mesmo que seja para chorar já é semear nas pedras antigas mais voragem de memórias.

Cada canal percorrido ladeado a passos acariciantes, é como uma linha da mão. Um destino cumprido e traçado no desenho da laguna. Uma ideia que fica como uma camada ténue a somar a todas as que se pressente formarem a textura quase orgânica. Esta no mar ali ao lado e este no seu maior interior. Ser um mar interior a continentes deve ultrapassar em muito a beleza do azul que o define e atirar para um

interior incorporal. Um mar interior também nela. Sim. Voltar a Veneza sempre que se perdeu a vontade de sonhar. Como um reencontro em dois. Mesmo para ver partir alguém e muito mais para esperar. Dali do coração da europa. E o reencontro é caro de um preço semelhante ao que os antigos se dispunham a pagar pelo segredo da seda. Na sua rota desde muitos séculos atrás. A rota

Anabela Canas

continental do norte, dos confins da Ásia, no mundo antigo. E, por onde entrou a magia da seda entra a magia do sonho. Feitos ambos de fios paradoxais. Finos, ténues, versáteis, luminosos, fortes e adaptáveis. Há qualquer coisa em comum, de líquido, nas cidades que se prestam ao sonho. Qualquer coisa de seminal, vivo. Que segrega como fluidos orgânicos, murmúrios e segredos quase palpáveis. Teias e padrões de séculos ou de instantes. O tempo em retrocesso, voluptuoso, luxurioso. Há tanto tempo que sonha ir sonhá-lo, a sonhá-la em Veneza. Isso nunca aconteceu. Fora do espaço que reserva a isso. A seda é uma outra pele. Uma construção. Que aquece na sua exacta medida. Suficiente ou insuficiente. Com limites. Mas aquém deles é de um enorme poder sugestivo. Ao tacto. De um inefável conforto, quase consolo. Quase carícia. Ele inclina-se com uma pequena guinada do volante e apanha o lenço que caiu. Seda de um amarelo saturado. E foi quando ela fez o gesto a pedi-lo que ele reparou nas estranhas linhas que lhe cruzavam a mão como um mapa. Como se o lenço fosse pretexto. Visão fugaz que não teve tempo de processar nem pediu para rever. Não ia entendê-las, de qualquer modo. Mas eram talvez o único chão possível. O mapa do chão. O tempo diria. Alguém disse: “Se chegares a onde vais não vais querer voltar aonde partiste. Se partires do sítio exacto chegas aonde vais sem erro e sem remição. Vai simplesmente, e retorna ao ponto de partida próprio todos os dias para voltares a partir de um lugar diferente. E chegas, se chegares com a coragem de quem não tem certezas. Chegas e partes. É o mesmo lugar. O tempo um círculo perfeito.” Leu nas entrelinhas da mão que se lhe expõe e foi suficiente. Mas era a mão dela. De linhas estranhas. Discretamente olhou a sua e caiu na sonolência boa que o embalo do rolar na estrada lhe insinuava nos olhos pesados, nos músculos cansados e na alma exausta de dilemas insolúveis. Mas de novo aquele roupão de cetim preto acusatório e sem permissão de tréguas. Olha-o por detrás do espelho retrovisor. Do lado de cá do espelho. Reflectido no vidro. Na água. No copo onde bebe. E será sempre assim mesmo que o não diga. As pessoas não gostam de ser observadas. Afasta-se da janela mas retorna irresoluta. De novo mergulha nas águas estreitas e misteriosas. Não sabe o que fazer ao tempo. A esta hora, o comboio em que viaja já chegou talvez a Trieste.


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Cineteatro

O que fazer esta semana Hoje

Abertura do Festival da Lusofonia Casas-Museu da Taipa Entrada livre

Bridge of spies Sala 1

Goosebumps [b]

Filme de: Rob Letterman Com: Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush 14.30

Sala 2

Bridge of spies [B]

Playland (actividades para crianças) BABEL / MAP Centro de Ciência de Macau, 10h00 às 18h00 Entrada livre

Filme de: Steven Spielberg Com: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan, Alan Alda 14.30, 16.45, 21.30 Sala 3

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 16.30, 19.15, 21.45

crimson peak [C]

Filme de: Guillermo Toro Com:Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston 14.30, 21.30

Goosebumps [b]

Filme de: Rob Letterman Com: Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush 16.45, 19.30

Aconteceu Hoje

Exposição de Arte Contemporânea de Nu Barreto Casa de Exposições temporárias da Avenida da Praia, Taipa, 20h00 (até 08/11) Entrada gratuita

22 de outubro

Nasce Pierre Larousse, pedagogo que transportou o conhecimento ao povo

Amanhã

Festival da Lusofonia Casas-Museu da Taipa Playland (actividades para crianças) BABEL / MAP Centro de Ciência de Macau, 10h00 às 18h00

Domingo

Festival da Lusofonia Casas-Museu da Taipa

Diariamente

Oktoberfest (até 25/10) MGM Macau Bilhetes a 130 patacas com direito a uma bebida Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas

ho j e h á f i l m e World Press Photo Casa Garden Entrada livre

1.25

Cinema

Our times [b]

Exposição “Suspensão”, de Hoi Chong (até 31 outubro) Creative Macau Entrada livre

yuan

“Os homens do Presidente” (Alan J. Pakula, 1976) O retrato dos dois jornalistas que denunciaram o caso Watergate. Robert Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) são os corajosos do Washington Post, que põem a descoberto o presidente norte-americano Richard Nixon, e o filme retrata o seu trajecto juntando os factos e tomando decisões que podem ser muito perigosas para a sua carreira. Um filme espectacular. Joana Freitas

fonte da inveja

•Hoje é dia de recordar Pierre Larousse, pedagogo, editor e enciclopedista francês, que se deparou com métodos e manuais de ensino que considerou arcaicos e partiu para uma obra que persiste, como marca de conhecimento, na actualidade. Pierre Larousse nasceu em 23 de Outubro de 1817, na cidade de Toucy, França. Aos 16 anos, ganhou uma bolsa para concluir os estudos em Versalhes e com 21 anos, volta à terra natal para trabalhar como professor. Os métodos arcaicos do ensino funcionam como estímulo para a sua grande obra. Em 1840, abandonou a escola em que leccionava para se dedicar à sua vocação. Em virtude dos parcos recursos, aproveita cursos gratuitos, numa altura em que não havia diplomas para ‘oficializar’ cursos. Pierre Larousse era um autodidacta. Em 1848, publica a primeira obra, uma gramática, chamada ‘A Lexicologia das escolas’, uma obra pioneira. Quatro anos mais tarde, ao lado do professor Augustin Boyer, funda a livraria Larousse & Boyer. Estava dado o primeiro passo para a verdadeira revolução do ensino protagonizada por Pierre Larousse, que estimulava a criatividade, a inteligência e a capacidade de raciocínio das crianças. O ‘Novo Dicionário da Língua Francesa’ é lançado a seguir, com grande êxito, o que funciona como incentivo para que Larousse materializasse o grande projecto que tinha guardado na memória: a elaboração de uma enciclopédia de prestígio. Pierre Larousse pretendia, com esta obra, que “fosse possível encontrar, por ordem alfabética, todo o conhecimento que enriquece o espírito humano”, não para uma elite, mas a toda a sociedade, para “instruir a o mundo sobre todas as coisas”. Esse projecto é criado a 27 de Dezembro de 1863, com o lançamento do primeiro fascículo do Grande Dicionário Universal. Mas o destino foi cruel para com Pierre Larousse, que sofreu uma embolia cerebral, causada por excesso de actividade, e em 1871 é afectado por uma paralisia. Morre a 3 de Janeiro de 1875, aos 57 anos, sem chegar a ver sua obra finalizada.

João Corvo

Quantas vezes gritei blasfémia, rasgando as roupas? — As suficientes para hoje ficar calado.


opinião

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Isabel Castro

contramão

BBC, Monty Python

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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Do golfe e da gula

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alvez Steve Wynn não tenha razão. Talvez Steve Wynn tenha razão. Para quem vive fora deste peculiar mundo dos negócios que o jogo é, há razões que a razão desconhece. Steve Wynn queixa-se, basicamente, de não saber as regras do jogo que aí vem. Quem cá está desde o início disto tudo lembra-se bem da postura eu-quero, posso-e-mando do magnata que baptizou o império que construiu com o seu nome e fiou-se na virgem, neste caso nada virgem e chamada mercado VIP. Mas quem cá está há um bom par de anos também já percebeu que o Governo, salvo raras excepções, não é um exemplo em termos de comunicação e é mestre no fingimento. A lei do tabaco é um bom exemplo, com trocas e baldrocas e intenções de mudança a cada passo, com exigências a cada passo também. Agora é Sheldon Adelson que, após a divulgação dos descendentes resultados da Sands, veio dizer que não sabe o que esperar de Macau. É uma incógnita, é um ponto de interrogação. O octogenário dono da Venetian que, como bem sabemos, também não fez fortuna pela sua moderação e ponderação, foi menos acutilante do que o colega Wynn, mas não deixou, no entanto,

de apontar a incerteza que se vive no jogo. E se há incertezas no jogo, há incertezas no resto de Macau. Bem-vindos à RAEM, Steve Wynn e Sheldon Adelson. Bem-vindos a Macau. Em traços gerais, nos últimos anos, os que mandam no jogo e nas empreitadas estiveram bem habituados: sabiam com o que podiam contar e aquilo com que puderam contar foi sempre mais, sempre a crescer. Não foi este o caso para o povo, para quem não faz contas aos milhões. Depois das incertezas da transferência de administração, das incertezas dos primeiros anos de um novo Governo, Macau cresceu sem que nos explicassem para onde se estava a caminhar. Um crescimento incerto, opaco, sem uma ideia que o orientasse, em que as únicas certezas foram chegando até nós nos números das rendas das casas, nos preços dos produtos mais básicos do supermerca-

do, na conta da luz, na dificuldade em nos mexermos, na dificuldade em respirarmos. E no preço que tudo isto vale, porque tudo nesta terra tem um preço. Agora são os senhores do jogo que, vindos de fora, não sabem com o que podem contar. Acho mal que assim seja, porque tanto a gente grande no dinheiro que tem, como a gente pequena nas poupanças que não faz devia saber mais ou menos com o que pode contar. Mas bem-vindos a Macau, que Macau há muito que foi nisto que se transformou. No fim-de-semana passado, um antigo ministro da Economia de Portugal passou por cá para falar de criatividade e deixou a ideia de que se Macau não enriquecer do ponto de vista humano, de nada lhe valerá enriquecer com o jogo. Steve Wynn e Sheldon Adelson têm, como é óbvio, outras preocupações no que toca ao enriquecimento e muitas das pessoas que cá vivem também: isso da

É melhor não mexer no golfe de Macau, actividade predilecta do antigo Chefe do Executivo. Quanto à gula, se Macau ouvir a mãe-pátria, não há na cidade nutricionistas que cheguem. Uma dieta não fazia mal a muito boa gente. E a gente menos boa também

riqueza de espírito não enche barrigas, não compra bons carros, nem enche de rechonchudos diamantes os dedos das esposas e menos-esposas. Agora que o jogo já deu mostras de ser um chão para dar uvas finitas, uvas certas conforme o mês da colheita, façam-se outras contas, para que os próximos anos não sejam tão incertos como foram os últimos 15. Explique-se aos investidores o que se espera deles e diga-se ao povo o que se pode esperar de Macau. Façam-se contas ao que se ganhou, mas reconheça-se que muito se tem perdido – os dedos das mãos não chegam para esta contabilidade. Da China chegam novas que nos dizem que lá em Pequim o luxo é uma coisa em desuso. Não cai bem. Já sabíamos que era assim e isso reflecte-se nas contas dos casinos e de quem pulula em torno deles. Desde esta semana, a golfe e a gula passaram a ser pecados quase mortais para o Partido Comunista Chinês. É melhor não mexer no golfe local, actividade predilecta do antigo Chefe do Executivo. Quanto à gula, se Macau ouvir a mãe-pátria, não há na cidade nutricionistas que cheguem. Numa terra de incertezas, em que quase tudo é um ponto de interrogação, sabe-se porém que uma dieta não fazia mal a muito boa gente. E a gente menos boa também.


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hoje macau sexta-feira 23.10.2015

paul chan wai chi*

um grito no deserto

H

á algum tempo criei com os meus alunos um grupo de chat no Wei Xin (uma aplicação grátis para mensagens de voz) onde fiquei conhecido por “Tofu Man”. A culpa desta alcunha pode ser atribuída a uma fotografia, onde apareço como meu carro e que publiquei no chat. Os alunos deram-me este nome por causa de uma personagem, dono de uma loja de tofu, do filme “Initial D” (sobre carros de corrida). Tirei esta fotografia à porta de uma garagem, no bairro Ilha Verde, com o carro que tinha há vários anos como se fosse um com velho camarada. O mecânico tinha-me dito que o carro estava tão velho que o problema já não tinha arranjo e que o melhor era mandá-lo para a sucata. Por isso tirei a fotografia antes de me desfazer dele. Os carros são bastante diferentes das pessoas, na medida em que as pessoas têm sentimentos e os carros são apenas objectos. Na verdade as pessoas nem deveriam nutrir grandes sentimentos por objectos. Mas de facto, às vezes, as pessoas são mais insensíveis que os objectos e estes são realmente fiéis aos seus donos. O carro era um Volkswagen em segunda mão, que já tinha sete ou oito anos quando o comprei. Grande parte dos Volkswagen fabricados nesta altura tiveram de ser remodelados devido a problemas na caixa de velocidade ou no sistema de ar condicionado. O meu carro não foi excepção e, as despesas que tive com arranjos ao longo dos anos, foram superiores ao que paguei para o comprar. As peças avariadas foram substituídas por outras retiradas de carros antigos. O mecânico tinha-me avisado para não comprar um carro europeu porque não são desenhados para o mercado asiático e a reparação das peças é muito cara. Com mais de 10 anos o meu velho Volkswagen começou a perder potência. Sempre que o conduzia tinha de ter muito cuidado, porque como andava tão devagar podia provocar acidentes no meio do trânsito. No entanto a condução era muito segura e sempre que tinha um problema com alguma peça dava sempre sinal. O chassi sólido transmitia uma sensação de calma e segurança. Não se recusava a sair mesmo que houvesse uma tempestade e acatava sempre as ordens do dono. Parava no meio da estrada para dar protecção à motorizada que tivesse caído à sua frente. Um carro consegue estas coisas, mas as pessoas nem sempre o conseguem. As pessoas, muitas vezes, dizem abertamente apoiar determinadas estratégias, mas na verdade, de forma encapotada, opõem-se à sua implementação. E em períodos de

Robert Stevenson, the love bug

A culpa foi da fotografia

“As pessoas, muitas vezes, dizem abertamente apoiar determinadas estratégias, mas na verdade, de forma encapotada, opõem-se à sua implementação. E em períodos de dificuldade é comum abandonarem-nos. De certa forma os carros são mais fiáveis do que as pessoas” dificuldade é comum abandonarem-nos. De certa forma os carros são mais fiáveis do que as pessoas. O caso mais inesquecível que se deu com o meu Volkswagen foi precisamente

há dois anos quando estava para ser enviado para a sucata. Foi a 15 de Outubro de 2013, no último dia em que exerci funções como deputado na Assembleia Legislativa. No mês que se seguiu após ter tomado conheci-

mento que não iria ser reeleito, continuava a apresentar-me no Gabinete de Deputados às sextas-feiras à noite. Embora só trabalhasse como professor a meio tempo, ofereci a este Gabinete metade do meu salário de Outubro como deputado e submeti interpelações escritas nesta qualidade. A minha última interpelação foi submetida a 15 de Outubro. Depois de ter cessado as minhas funções de deputado, não compareci à reunião habitual da Associação de Novo Macau que teve precisamente lugar na noite de 15 de Outubro. Pedi a uma pessoa para entregar a minha carta de demissão na Associação (pedia a exoneração do Comité Permanente) e fui dar uma volta de carro com a minha família à zona dos Novos Aterros do Porto Exterior. Quando o carro já estava estacionado no segundo andar do parque de estacionamento, fez um som como se se tivesse partido qualquer coisa e vi que o chão estava coberto por um líquido vermelho e branco. O depósito de água tinha-se partido. Liguei de imediato para o mecânico que, depois de o examinar, me disse que tinha de ser levado para a oficina. Vi o meu carro ser levado, um carro que tinha estado comigo durante tantos anos e que me tinha sempre sido leal. Ao início tinha intenção de o mandar arranjar independentemente dos custos. Mas o mecânico avisou-me que o depósito de água estava seriamente danificado. Como o carro era bastante antigo, mesmo que se substituísse por um depósito novo, não podia garantir que o problema não se voltasse a repetir. Levando em consideração quer a minha segurança quer a dos outros, acabei por concordar em enviá-lo para a sucata. A fotografia publicada no Weixin foi a última que tirei com o meu carro. Como não ganho muito dinheiro com o meu trabalho a meio tempo como professor, comprei um carro em segunda mão, com mais de 10 anos, para substituir o meu Volkswagen e que ainda hoje conservo. Pensei escrever uma história sobre o meu Volkswagen, mas depois achei que não era apropriado falar sobre os meus assuntos pessoais. Mais tarde li, num jornal mensal, uma entrevista a dois membros da Associação de Novo Macau. Na entrevista Ng Kuok Cheong afirmava “a luta pode ser uma forma de energia” ao passo que Cheang Meng Him declarava, “as lutas na Associação são uma perda de tempo”. Estes comentários fizeram-me lembrar as palavras de Mao Zedong, “da luta com a Natureza retiramos imenso prazer ; da luta com a terra retiramos imenso prazer; da luta com as pessoas retiramos imenso prazer”. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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facebook

Sara Justino, Engenheira do Ambiente

“Fico cá enquanto sentir que estou a aprender” M

acau é um lugar sui generis e Sara Justino é bem capaz de saber isso. Mais do que uma experiência totalmente aventureira, esta cidade trouxe à jovem portuguesa um primeiro e fresco olhar para a Ásia. Algo que se assumiu como o início de uma óptima experiência, tanto profissional como pessoal. Sara tem, certamente e como vários outros emigrantes portugueses na região, família e amigos lá bem longe, mas quando se quer muito uma coisa, dizem, é preciso mergulhar de cabeça. A jovem, agora na casa dos 20 e poucos anos, conta com uma licenciatura e um mestrado feitos em Portugal e foi numa parceria neste último programa académico que Sara conheceu esta terra que diz ser “bastante familiar”. No âmbito de um estágio, foi parar à Macao Water, empresa onde actualmente trabalha. “Gosto muito de Macau e mesmo muito do que faço”, disse. É que Engenharia do Ambiente não parece ser uma área fácil, principalmente para quem lida com as águas do território. O mais complicado, revela, foi lidar com o choque cultural em termos de idiomas. “Continua a ser muito complicado comunicar, mas no início foi ainda mais difícil porque trabalho maioritariamente com pessoas chinesas e a comunicação pode ser difícil”, diz. No entanto, Sara parece ter-se adaptado bastante bem à realidade local – ao contrário de outros tantos. Se nos três meses do estágio

viveu nas residências da Universidade de Macau, actualmente mudou-se sozinha para uma casa numa zona que, curiosamente, não atrai muitos estrangeiros. “Moro perto da Ilha Verde, junto ao trabalho, num bairro completamente chinês, em que nenhum dos meus vizinhos é ocidental”, revela. “Tem as suas coisas boas, como poder sair à rua de pijama e ser uma coisa perfeitamente normal”, brinca.

Há voltas e regressos

“No início [da proposta para ficar em Macau] não sabia bem se queria mesmo ficar, até porque Macau é do outro lado do mundo”, confessou. EmAbril passado foi quando Sara se decidiu a pôr pela segunda vez os pés nesta terra. A sua primeira experiência em Macau começou de forma meio atabalhoada. A viagem inaugural, em Setembro de 2014, aconteceu precisamente no dia seguinte à defesa da tese, momento que marca o estudante, mais que não seja pelo passo académico que representa. Quando as asas do avião deixaram mostrar Hong Kong, Sara percebeu que era época de feriados, mais conhecida como a Semana Dourada. As ruas abundavam de gente e sacos, pessoas e saquinhos. O tempo foi deixando que Sara se ambientasse e fizesse amigos, conhecesse pessoas na universidade e no local de trabalho. Cedo percebeu que era um local agradável para viver. “É um ambiente familiar”, reforça na conversa com o HM. “A primeira impressão? Que calor!”.

“Apesar de ser tudo muito diferente e de ser a única estrangeira, tenho muita sorte com a empresa onde estou”, adianta. É que Sara sente-se a trabalhar com uma equipa que valoriza o seu trabalho. “Eles adoptaram-me, por assim dizer, e às vezes na brincadeira, até digo que são a minha família chinesa”, revela. Por enquanto, está-se bem por aqui. Ou pelo menos é essa a ideia transmitida pela especialista em Ambiente. Assegura que fica por estes lados até que seja preciso mais para evoluir. “Fico cá enquanto sentir que estou a aprender e a partir do momento em que não é possível evoluir mais, penso em ir embora”, frisa.

Debaixo de um guarda-chuva

Para Sara, o mais complicado de ultrapassar é mesmo a barreira linguística, mas acredita que “se se quiser muito cá viver e ficar a longo prazo, é fácil ter aulas e aprender em alguns meses” de muito esforço. No entanto, fossem esses todos os males. É que, ao contrário de muitos outros lugares, Macau parece trazer a várias pessoas a sensação de conforto e uma familiaridade que, diz Sara, “não tem nada a ver com o sítio de onde vimos”, mas está presente a cada canto, esquina de prédio, pastelaria e restaurante. Caso a ideia fosse ficar por aqui por tempo indefinido, a jovem confessa que gostaria de ter “uma casa em Coloane”, aquela que considera ser “a zona mais bonita de Macau”. O território tem, diz, “ainda muito por onde

evoluir” na área da poluição e de formas de ajudar o ambiente. Quando questionada sobre momentos estranhos, que só teriam lugar em Macau, Sara não demora a recordar aquele que considera melhor espelhar o choque cultural entre a China e Portugal. Um dos episódios mais caricatos que marcam a estada de Sara no território aconteceu debaixo de uma chuva torrencial, com um grande amigo seu de naturalidade local. Chinês de alma e sangue. “Estávamos os dois debaixo do mesmo guarda-chuva, estava a chover imenso e eu, num gesto de amizade, cruzei o braço ao dele para não ficarmos desfasados debaixo do chapéu. Mas ele ficou agitadíssimo, a dizer que não podíamos fazer aquilo porque a namorada ia pensar que existia alguma coisa”, recordou, ao mesmo tempo que se ria. Quando Sara finalmente explicou ao seu amigo a natureza altamente inócua da acção, riram-se os dois ao perceber que também na amizade existia uma espécie de “protocolo cultural”. Sara sabe que tem ainda “imensa coisa para ver e aprender” por essa Ásia fora, especialmente aqui ao lado. “Adorava pegar numa mochila e fazer uma viagem pela China, mas sei que não sabendo Mandarim não ia correr bem”, lamenta. Assim, as viagens vão-se fazendo ao passo de quem trabalha e aproveita o tempo livre. Por enquanto, Sara parece feliz com o que faz, mas essencialmente, com quem é. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 23.10.2015

GP Dani Juncadella vai tentar repetir o feito de 2011 em F3

Exposição de Rui Paiva adiada para segunda-feira

Inicialmente prevista para sábado, a inauguração da exposição do Rui Paiva terá afinal lugar na próxima segunda-feira às 18 horas, na Livraria Portuguesa. A Inauguração será seguida de uma conversa sobre A Curadoria das Artes nas Indústrias Criativas: a perspectiva do artista-curador. Rui Paiva é um artista plástico nascido em Moçambique cuja vida profissional, enquanto economista, já o trouxe por três vezes a Macau, onde realizou as suas primeiras exposições. É actualmente Gestor do Património Artístico do Grupo Millenium BCP.

Um regresso inesperado A edição deste ano da Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 do Grande Prémio de Macau terá um inesperado convidado de última hora. É ele Dani Juncadella. O piloto espanhol, que aqui triunfou em 2011, vai tentar vencer a prova pela segunda vez e igualar o recorde que ainda pertence a Edoardo Mortara, o único piloto a vencer por duas vezes esta corrida. O piloto espanhol do DTM, que triunfou em Macau com a Prema Powerteam em 2011, assinou com a Fortec Motorsport e vai substituir o brasileiro Pietro Fittipaldi, neto de Emerson

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) implementou no inicio deste mês novas “Normas que definem o regime contabilístico para os promotores de Jogo”, tendo realizado sessões de esclarecimento com operadores junket. Em comunicado, a DICJ esclarece que “a partir do ano de 2016 os promotores de Jogo devem dispôr de contas mensais para se sujeitarem à verificação a qualquer momento pela DICJ”. Para além disso, devem “apresentar dados dos principais empregados hierarquicamente superiores que exercem funções financeiras”. A DICJ decreta ainda que “as informações e sistemas das contas devem ser guardados em Macau para se sujeitarem à verificação a qualquer momento pela DICJ”. No mesmo comunicado o organismo promete maior fiscalização a este sector, garantindo que o “desenvolvimento saudável da indústria de jogos de fortuna ou azar é um factor que beneficia o desenvolvimento económico em geral da RAEM”.

quinto lugar na edição ganha pelo português António Félix da Costa. Para se qualificar para a corrida de final de época da Fórmula 3, o espanhol fará a prova da Euroformula Open (ex-Campeonato de Espanha de Fórmula 3) em Barcelona no dia 1 de Novembro. Juncadella não será o único piloto em pista que tentará igualar o recorde de Mortara, pois o vencedor da edição de 2014, o sueco Felix Rosenqvist, será uma das estrelas da edição deste ano.

Easton muda de equipa

Stuart Easton não vai defender as cores da Paul Bird Motorsport no Grande Prémio de Macau

de Motociclismo. Segundo a imprensa inglesa especializada, o escocês, que iria fazer equipa com Ian Hutchinson, vai correr com uma Yamaha da equipa SMT alugada à equipa SMR. Esta troca de equipa para a prova do Circuito da Guia deveu-se ao contrato que Easton, que dominou nas ruas de Macau de 2008 a 2010, assinou para a próxima temporada no Campeonato Britânico de Superbikes. “Será uma grande oportunidade para mim tripular a Yamaha mais cedo, mesmo sendo um circuito citadino”, disse Easton ao site bikesportnews.com. Sérgio Fonseca

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gonçalo lobo pinheiro

Junkets obrigados a ter contas mensais a partir de 2016

Fittipaldi, que decidiu não se estrear no Circuito da Guia este ano. O acordo foi conseguido na segunda-feira com a bênção da Mercedes-Benz Motorsport, que fornece motores à Fortec Motorsport e com quem o ex-piloto de testes da Force India Formula 1 tem contrato. Juncadella será companheiro de equipa do piloto da RAEM Andy Chang e do chinês Martin Cao. Esta será a segunda tentativa de Juncadella para repetir o feito. Já na qualidade de campeão europeu da especialidade, Juncadella tentou vencer esta prova por uma segunda ocasião em 2012, mas ficou aquém do esperado, tendo terminado no

Limites aos microrganismos em leite para bebés

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O Conselho Executivo já aprovou mais um regulamento administrativo criado no âmbito da Lei de Segurança Alimentar, implementada em 2013. Desta vez foi elaborado o diploma que regula o “limite máximo de microrganismos patogénicos das fórmulas infantis”, ou seja, leite em pó para bebés. Em comunicado, o Governo explica ser “de extrema importância a salvaguarda da segurança das fórmulas infantis”. “Uma vez que as fórmulas infantis não são produtos estéreis, pode vir a ocorrer a sua contaminação por diversos tipos de microrganismos patogénicos, quer na matéria-prima do leite em pó, quer por aditivos, prejudicando a saúde infantil”, explica o comunicado. A lei visa crianças com idade igual ou inferior a 12 meses e entendem-se por fórmulas infantis “os substitutos do leite materno em pó, especialmente os formulados para satisfazer os requisitos nutricionais de lactentes nos primeiros meses”. A lei proíbe a existência de microrganismos como o Enterobacter Sakazakii (espécie Cronobacter) e Salmonella.

Fundação Macau “Cultura Macaense” necessária e essencial

D

ecorreu no domingo passado uma reunião na Fundação Macau sobre a cultura macaense. O momento serviu para os especialistas trocarem opiniões relativamente à direcção e trabalhos a desenvolver, concretamente sobre a “Colectânea das Crónicas das Dez Artes e Cultura– Tomo de Macau” , quanto à recolha de materiais das artes macaenses, nomeadamente

cantigas, danças, provérbios e frases idiomáticas, histórias colectivas, ópera, artes folclóricas, de maneira a que sejam protegidos e transmitidos a futuras gerações. Num comunicado à imprensa, a Fundação cita Rufino Ramos, Secretário-geral do Instituto Internacional de Macau, propôs que “após se organizarem os respectivos recursos populares, poder-se-

-á considerar a publicação em várias línguas como o chinês, inglês, português e até em patuá, o que fará todo o sentido para a divulgação da cultura de Macau”. O director do Centro de Desenvolvimento das Artes e Cultura Étnicas e Folclóricas do Ministério Cultural da China, Li Song, realçou que “cada colectânea do Tomo Macau deve integrar elementos culturais macaenses e que este

projecto nacional é elaborado em chinês, pelo que todas as canções populares e cantigas em português precisam ser traduzidas para chinês, com a indicação do sinal fonético para melhor compreensão e transmissão a futuras gerações e também gostaria de convidar os macaenses a visitar o Centro em Pequim, com vista a melhor conhecer a compilação das colectâneas”.


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Hoje Macau 23 OUT 2015 #3439 by Jornal Hoje Macau - Issuu