DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Q U I N TA - F E I R A 2 3 D E O U T U B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 9 9
POLÍTICA COM ELAS
São sete as deputadas que actualmente marcam presença no hemiciclo local. Uma nova realidade de mulheres de poder dividas entre a política e a família. REPORTAGEM PÁGINAS
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hojemacau LEI DE ALOJAMENTO ILEGAL REVER E CRIMINALIZAR
PENSAO LOGO EXISTEM
Deputados e associações pedem acções mais severas no combate às pensões ilegais que proliferam, sem punição, em Macau. A prometida revisão da lei continua sem calendário, entre estudos e avaliações. São cada vez mais as vozes que pedem uma intervenção imediata para acabar de vez com esta actividade. PUB PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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Estranhos interesses ANIMA envia carta à Assembleia Legislativa sobre a proposta de lei que vai ser votada sexta-feira. O presidente, Albano Martins, fala de favorecimentos no canídromo.
POLÍTICA PÁGINA
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ANIMAIS
UNIVERSIDADE
Sexo e liberdade
Jason Chao e ex-alunos da UM promovem uma acção de protesto no campus da Ilha da Montanha contra o assédio sexual e pela liberdade académica.
SOCIEDADE PÁGINA
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REPORTAGEM
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
H
OJE em dia, a Assembleia Legislativa (AL) conta com a presença activa de sete deputadas, ainda que nem todas tenham entrado ao mesmo tempo. Kwan Tsui Hang é quem há mais tempo se mantém no círculo pela lista União pelo Desenvolvimento, lutando pela melhoria da qualidade de vida dos residentes operários. A mais recente aquisição da AL é Song Pek Kei que, na casa dos 20, ocupa um dos 33 assentos pela lista Aliança do Povo de Instituição de Macau, ao lado de Chan Meng Kam. Para a professora de Estudos de Género da Universidade de Macau (UM), Victoria Lei, a emancipação das mulheres de Macau e o seu estatuto actual na comunidade está relacionada com a evolução da China. Embora a académica considere que há pontos a ser melhorados – os números de mulheres vítimas de violência doméstica, por exemplo – admite que a presente situação é benéfica para o território e para o sexo feminino.
“Fiquei surpreendida e contente por saber que a grande maioria das deputadas também tem filhos” VICTORIA LEI Professora de Estudos de Género da UM
“Acho que é uma coisa boa, mas há sempre lugar para mais”, disse Victoria Lei ao HM, quando questionada sobre o número de deputadas no hemiciclo local. “Fiquei surpreendida e contente por saber que a grande maioria das deputadas também tem filhos” acrescentou
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
MULHERES NA POLÍTICA LOCAL: EM DIRECÇÃO À IGUALDADE
Senhoras do seu cariz A Assembleia Legislativa conta actualmente com sete deputadas na sua constituição mas nem sempre foi assim na história do território. Como começaram Song Pek Kei, Ella Lei ou Kwan Tsui Hang a interessar-se pela política local? Como é hoje visto o poder das mulheres na política? a académica, considerando que é importante que haja um equilíbrio entre a cadeia familiar e a carreira. A professora formada no Reino Unido aproveitou ainda para referir um facto curioso: é que a esmagadora maioria das deputadas pertence à classe média e não é abastada. “Isto é um factor positivo e que ajuda à representatividade da população, mostrando às pessoas que há efectivamente alguém semelhante a dar a voz por elas”, colmatou Victoria Lei.
cidadãos na AL. Na perspectiva da deputada, a Mulher está cada vez mais participativa em termos políticos. Além disso, diz, a sociedade moderna apela para o esbatimento do preconceito entre os dois sexos. “Podemos ver que, depois da transferência, muitos trabalhos
“Podemos ver que, depois da transferência, muitos trabalhos importantes ao nível social são dominados pelas mulheres”
É DE PEQUENINA...
O HM falou com três das deputadas que neste momento ocupam lugares no hemiciclo. Para Ella Lei, tudo começou no escritório da deputada Kwan Tsui Hang, mas a política não era algo que a fascinasse particularmente. “Inicialmente, não pensava envolver-me efectivamente na política, mas já trabalhava como assistente, desde 2003, no escritório da deputada [Kwan Tsui Hang]. Sentia-me bem e sabia que era significativo ajudar os residentes que nos pediam ajuda”, conta. Assim foi até 2008, tendo entretanto assumido o cargo de chefe do departamento de Direitos e Interesses dos Trabalhadores da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM). Hoje em dia, Lei confessa-se “feliz” por poder expressar as necessidades dos
ELLA LEI Deputada
HOJE MACAU
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importantes ao nível social são dominados pelas mulheres”.
REGIME “BASTANTE ABERTO”
O especialista de Política e Administração Pública da UM, Eilo Yu, considera “positivo” o facto de haver cada vez mais mulheres envolvidas na política local. “Se olharmos para a constituição da AL, há cada vez mais mulheres no hemiciclo e cada vez mais novas”, comenta o académico. Ao HM, Eilo Yu diz ainda que o regime político do território é “bastante aberto” ao sexo feminino e não apenas na AL, mas sim noutros serviços governativos. Além disso, referiu ainda a existência de várias associações lideradas por mulheres e que se focam nos mais diversos assuntos sociais.
Como deputada, Ella Lei é reivindicadora por natureza e não deixou, por isso mesmo, de apontar os ainda existentes males na sociedade local, no que diz respeito à desigualdade entre sexos. “É preciso melhorar o serviço das creches e centros para idosos, ajudando melhor as famílias em que ambos os pais precisam de trabalhar”, refere, frisando que não apenas na área da Política, mas também do Jogo. “O estado actual da sociedade e algumas das leis e conceitos mais recentes só mostram o estado de evolução que as coisas devem ter”. Ella Lei promete continuar a lutar pelos direitos de quem mais precisa, nomeadamente no campo dos assuntos laborais.
COM BICHO
Ao contrário de Ella Lei, o bichinho da política já habitava em Song
A LIDERAR NA FUNÇÃO PÚBLICA De acordo com dados dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), as mulheres são o sexo forte em termos de números, ocupando mais de metade dos cargos das Secretarias de Economia e Finanças e Assuntos Sociais e Cultura, bem como de outros serviços que incluem o Comissariado contra a Corrupção e a Assembleia Legislativa. Os números confirmam que, actualmente, 41,9% dos trabalhadores da Administração são do sexo feminino, sendo a Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura a que mais mulheres integra, com um total de 11751 funcionárias. Em 1996, os SAFP – incluindo serviços administrativos e Forças de Segurança – contavam com 6091 mulheres num universo de quase 17 mil trabalhadores, o que se traduz em 36% do total de funcionários da Administração, nessa altura portuguesa. Também os valores de há dez anos eram semelhantes, sendo que o sexo feminino perfazia 35,6% de todos os trabalhadores da Administração de Macau.
reportagem 3
EMANCIPAÇÃO, PARA QUE TE QUERO?
HOJE MACAU
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
“No início do século XX, as mulheres ganharam uma voz bastante activa na sua própria emancipação. A liberdade para continuar os estudos, ingressar no serviço militar e contribuir economicamente catapultou as mulheres de casa para a praça pública”, explica Karilyn Moeller, autora de um artigo sobre as mulheres na China. É que a emancipação das mulheres chinesas adveio da necessidade de colocar mais pessoas a trabalhar no campo, devido às várias reformas da governação de Mao Tse Tung. “Hoje em dia, as mulheres da China têm os mesmos direitos e oportunidades dos homens. A educação está disponível de igual forma. As mulheres têm direitos iguais em termos de casamento, propriedade e herança, tal como oportunidades iguais em termos do governação e política”, continua Moeller.
Pek Kei desde muito jovem. Na escola secundária, a actual deputada participava já em actividades sociais. No entanto, foi só depois de licenciada que compreendeu a importância da Política nos serviços sociais, o que permitiu que o seu interesse pela área crescesse exponencialmente. Para Song, é cada vez mais comum as mulheres assumirem um papel político
“A procura de mulheres tem aumentado exponencialmente em termos de recursos humanos e, hoje em dia, tudo tem que ver com as habilitações e capacidades das pessoas” HOJE MACAU
SONG PEK KEI Deputada
activo e terem marido e filhos em simultâneo. “De certa forma, os cargos oferecidos às mulheres e aos homens são iguais”, explica a deputada, em declarações ao HM. Sobre a tão discutida dualidade entre sexos, Song considera que o conceito de inferioridade da mulher face ao homem é obsoleto. “Raramente se ouve dizer que a capacidade do sexo feminino é inferior à do masculino. A procura de mulheres tem aumentado exponencialmente em termos de recursos humanos e, hoje em dia, tudo tem que ver com as habilitações e capacidades das pessoas”, referiu a deputada. Questionada sobre a eventualidade de sair do hemiciclo, Song Pek Kei confessou ao HM que irá sempre dedicar-se às necessidades sociais dos residentes. “A AL é apenas uma plataforma para melhor servir os residentes, mas mesmo antes de ser deputada, trabalhava numa associação, servindo a comunidade”, disse. Para a deputada, não há diferenças na ajuda prestada dentro ou fora do cargo que actualmente ocupa. “É uma questão de mentalidade”, acrescenta.
ONDE FICA A FAMÍLIA?
No entanto e tal como tudo, também a ascensão do sexo feminino dentro da política local tem efeitos menos positivos, como é a escassez de tempo para a família, em detrimento da necessidade de fazer face às responsabilidades profissionais. Se, por um lado, a mulher já deixou de ser vista como necessariamente dedicada aos filhos e às lides da casa, por outro, debate-se com o facto de ter que atender a todas as responsabilidades, seja na Assembleia Legislativa ou no seio familiar. Para Eilo Yu, há que ter em conta os problemas familiares que mães e esposas passam devido à pressão para equilibrar os afazeres da profissão e da família. Para Ella Lei, a emancipação feminina tem precisamente duas faces de uma mesma moeda. É que, de certo modo, possibilita uma maior representatividade da sociedade, mas por outro, deixa menos espaço e tempo para a família, nomeadamente para o casamento e educação dos filhos. “Há mais pressão entre os campos profissional e familiar”, refere Ella Lei.
KWAN TSUI HANG NO MESMO ASSENTO DESDE 1999
Somos todos iguais? A
O contrário de Ella Lei e Song Pek Kei, a deputada mais antiga da AL, Kwan Tsui Hang, lidou com problemas sociais na primeira pessoa, tendo começado a trabalhar ainda durante a infância. Foi com cerca de 16 anos que começou a aperceber-se das principais necessidades e direitos dos operários, considerando que a protecção dos trabalhadores deve ser executada através da política. Assim começou o interesse de Kwan, deputada da AL desde 1999. Quando questionada sobre a performance das duas ex-presidentes do hemiciclo, Anabela Ritchie e Susana Chou, a deputada disse nunca fazer distinções entre homens e mulheres, sendo a capacidade profissional de cada um que satisfaz, ou não, o cargo. “Nunca fico surpreendida com o facto de uma
mulher poder assumir o cargo de presidente da AL. No meu ponto de vista, não acho que as mulheres devam ser privadas de coisa alguma, o que equivale para o sexo masculino também”, revelou Kwan ao HM.
DESEQUILÍBRIOS
A deputada aponta, contudo, que ainda não se atingiu um
“No meu ponto de vista, não acho que as mulheres devam ser privadas de coisa alguma, o que equivale para o sexo masculino também” KWAN TSUI HANG Deputada
nível de igualdade em termos profissionais, justificando o baixo número de deputadas, comparativamente ao número de deputados. “Antigamente, não se dava atenção à educação das mulheres, que apenas serviam para cuidar da família. Outros dos aspectos era a contribuição das mulheres para a economia, antes reservado aos homens”, continua a deputada por dizer. No que diz respeito ao aumento do número de mulheres candidatas a cursos de ensino superior, Kwan vê o facto como “positivo”, opinião que é partilhada por Victoria Lei. É que além de considerar que há mais vontade, por parte das mulheres, em obter mais conhecimento, acredita que a educação é “pedra basilar” para a tomada de igualdade entre sexos.
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POLÍTICA
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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S deputados e membros de associações estão cansados de esperar. Song Pek Kei, Leong Veng Chai e Chan Tak Seng, por exemplo, querem que as pensões ilegais sejam punidas de forma mais severa e criminalmente. Tse Heng Sai voltou recentemente a assegurar que está a ser ponderada a criminalização da actividade de alojamento ilegal, algo que já tinha sido dito pela directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes. Contudo, a directora substituta da DST assegura não ter qualquer data ou decisão concreta para dar. Numa resposta a uma interpelação escrita da deputada Song Pek Kei – feita em Setembro, mas que só ontem foi tornada pública – a responsável do Turismo volta a dizer o que já tinha sido referido este ano na Assembleia Legislativa.
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
LEI DE ALOJAMENTO ILEGAL PEDIDA REVISÃO E CRIMINALIZAÇÃO
Um imperativo inadiável
usadas como pensões ilegais que, depois de serem bloqueadas durante sete meses, tornam-se outra vez pensões ilegais”.
CRIMINALIZAR JÁ
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Recorde-se que, actualmente, é a DST a entidade responsável por fazer cumprir a lei. Contudo, devido à falta de um poder semelhante aos das autoridades policiais, este organismo não pode fazer muito mais do que encerrar as fracções e chamar a atenção dos infractores. Por isso, Leong Veng Chai acredita que a revisão da lei deve oferecer mais poder à DST, para que os inspectores tenham direito a investigar e a nem sequer ter de chamar a polícia para abrir as portas. Song Pek Kei também diz que devem ser “as autoridades com poder penal” a fazer acusações e a aplicar sanções penais, assim como devem ser “os tribunais a tomar uma decisão”. Gabriel Tong, deputado, referiu ao HM que “há inúmeras possibilidades” no que diz respeito à forma como esta actividade de alojamento ilegal pode ser considerada crime. O deputado não assume quem poderá ser a entidade a executar a lei, mas concorda que o Governo deve dar mais esclarecimentos sobre o assunto.
de alojamento ilegal que estão
MUITO TEMPO
A falta de sanções penais para quem tenha pensões ilegais leva a que sejam cada vez mais as vozes que pedem a criminalização desta actividade. Só assim, dizem, é possível haver um efeito dissuasor, até porque as reincidências acontecem devido à falta de punições
é o número de fracções suspeitas também indiciadas por infracções penais. Isto representa 48% do total das 501 violações à lei contadas até 24 de Abril deste ano
“Considerando a complexidade da questão em causa e seus impactos, merece ser feito um estudo científico sobre as medidas mais eficazes para pôr termo à prestação ilegal de alojamento”, começa por apontar Tse Heng Sai. “O estudo poderá ponderar, entre outras vertentes, a criminalização do acto ilícito, a tomada em paralelo das sanções penais e das sanções administrativas e qual será o serviço mais adequado para o desempenho do papel de entidade executora principal.”
REVER, SIM
As declarações das responsáveis do Turismo não agradam aos deputados. Song Pek Kei, por exemplo, diz ao HM que a atitude do Governo e da DST está a ser a “de não fazer nada”, mas a deputada frisa que a culpa até nem é da DST, uma vez que não é este o organismo responsável pela revisão da lei. “Parece-me que é preciso comunicar mais. A DST exerce a lei, pelo que entende melhor os problemas existentes, mas a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) é quem tem de fazer a revisão da lei. Só que
esta não está na linha da frente e, por isso, deve comunicar com a entidade que realmente executa a lei”, começou por apontar ao HM a deputada. Song Pek Kei diz-se desapontada pelo facto de não lhe ter sido dada qualquer resposta face a um calendário para a revisão da Lei de Alojamento Ilegal, em vigor
HÁBITOS ALTERADOS Na resposta a Song Pek Kei, Tse Heng Sai diz ainda que o modo de funcionamento da actividade de prestação ilegal de alojamento sofreu alterações nos últimos anos, sendo que a maioria das pessoas apanhadas a infringir a lei já não têm “pensões” que se destinam a turistas, mas sim as que “estão mais ligadas às actividades associadas ao Jogo e a diversas ilicitudes”.
desde 2010, e garante que esta deveria passar por criminalizar a actividade. “É difícil dizer [se vai ou não ser criminalizada], mas espero absolutamente que esse conceito seja realizado”, frisa. Quem concorda é Leong Veng Chai. Em declarações ao HM, o deputado afirma que “se as autoridades tiverem vontade, conseguirão criminalizar a actividade de alojamento ilegal”. Leong critica o facto de as sanções atribuídas pela DST a quem infringe a lei serem “demasiado leves”, mas lança mais aspectos negativos. “Os inspectores fazem muito, mas não há resultados, porque não têm o direito de bloquear os sítios ou prender as pessoas, pelo que a [eficácia] é baixa e eles só podem esperar pelos polícias”, aponta o deputado. “Os infractores conseguem até fazer negócio com a actividade de pensões ilegais.”
AJUDA PRECISA-SE A responsável do Turismo garante que é preciso ajuda dos residentes para que se consiga distinguir que residências estão a servir de pensões ilegais. “Sendo que os actos que envolvem crimes muitas vezes têm lugar em fracções residenciais, uma das condições cruciais para o sucesso das acções policiais reside na recolha de informação e no recebimento oportuno da denúncia. Assim, faz-se necessário que o público em geral preste atenção às anomalias que acontecem à sua volta e faça por iniciativa própria a denúncia.”
Leong Veng Chai partilha da mesma opinião de Song Pek Kei: há falta de comunicação entre os departamentos do Governo. O deputado dá até como exemplo “os casos de residências que são
Para Chan Tak Seng, director da Aliança do Povo de Instituição de Macau, esta actividade não só deve ser criminalizada, como se deve fazer a revisão da lei “de imediato”. Para Chan, a falta de sanções penais faz com que quem infrinja a lei o faça mais do que uma vez, sem qualquer receio. “A lei já entrou em vigor há quatro anos, mas existem ainda tantas falhas, que influenciam a nossa vida e até a ordem da sociedade. Podemos ver que muitos casos de pensões ilegais envolvem crimes de droga ou prostituição, o que influencia também a imagem da RAEM”, realça. “A DST não deve dizer constantemente que ‘pondera todos os factores’, tem que rever a lei imediatamente.” Chan considera também que uma das falhas da lei é a permissão de reincidências, uma vez que os infractores não são sancionados penalmente. As afirmações de que a lei iria ser revista já se fazem ouvir desde 2013. Nesta resposta, contudo, pouco ou nada é adiantado. A directora substituta da DST diz apenas que o organismo “tem uma postura aberta quanto às medidas a tomar no combate à prestação ilegal de alojamento”, estando disposta a recolher opiniões da sociedade. Para já, contudo, continua a “não haver um calendário” para a revisão da lei, sendo que vão ser feitos mais estudos e avaliações sobre o assunto.
política 5
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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EPOIS das declarações feitas à imprensa, a Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) vai entregar formalmente uma carta à Assembleia Legislativa (AL) onde revela a sua posição sobre a proposta de Lei de Protecção
T
ANIMAIS ANIMA ENVIA CARTA À AL SOBRE LEI DE PROTECÇÃO
Proposta mal tratada TIAGO ALCÂNTARA
A Sociedade Protectora dos Animais vai entregar uma carta ao hemiciclo que expressa a sua posição sobre a proposta de lei que será debatida e votada esta sexta-feira, chamando a atenção para a ineficaz protecção dos direitos dos animais
Apesar de destacar alguns aspectos positivos a associação denuncia que a proposta de lei é uma cópia do documento elaborado em 2008, e alerta para o facto de não ser considerado abandono a entrega de animais nos canis. “A ANIMA acha que o melhor caminho a seguir é limitar a oferta de animais e o licenciamento desses operadores [lojas] e penalizar fortemente quem os abandona, mesmo que seja em centros de recolha ou no próprio canil”, aponta.
GALGOS E GATOS
dos Animais. Recorde-se que os deputados vão votar o diploma na generalidade esta sexta-feira. A carta começa por lembrar que o diploma deveria chamar-se “Lei de Defesa dos Direitos dos Animais”. A lei “não situa a questão da protecção dos animais no quadro do que modernamente se intitula de direitos de animais. Em nenhuma parte da lei alguma vez se faz refe-
ENDO em conta a necessidade da redução de resíduos, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) informou ontem, em comunicado à imprensa, que o Governo pretende elaborar mais diplomas legais sobre este assunto, sendo que a criação de um regime onde quem polui mais, paga mais, está em cima da mesa. No comunicado ontem enviado, a DSPA assegura que o Governo “irá dar mais importância à redução de resíduos a partir da fonte”. Pelo que, futuramente, o Executivo irá “através do aperfeiçoamento do planeamento, do desenho e da gestão de construção” criar condições para que exista uma redução dos resíduos dos materiais de construção. Sob as orientações definidas pela política de tratamento de resíduos sólidos contempladas no plano de redução de resíduos na fonte e reciclagem de recursos, que pretende diminuir a pressão existente no Aterro para Resíduos de Materiais de
rência a direitos dos animais. Fala-se de maus tratos, de vez em quando de crueldade, mas não se típica as situações de maus tratos”, pode ler-se na carta, uma versão inicial do
documento que será entregue no hemiciclo e que consiste na “primeira posição daANIMA com opiniões recolhidas até agora”, como explicou o seu presidente, Albano Martins.
A entidade chama ainda a atenção para a permissividade face às corridas de galgos, posição que Albano Martins já tinha revelado ao HM. A carta diz mesmo que as corridas de galgos no Canídromo, “a fazer fé nas suas contas oficialmente publicadas, têm acumulado prejuízos até 2007 e só recentemente começaram a gerar lucros, mas as receitas para o Governo são absurdamente insignificantes”. “Em 1985, o Canídromo pagava 50% dos impostos sobre receitas brutas, em 1988 passou a pagar apenas 35% e em 2005 passou a pa-
“Em 1985, o Canídromo pagava 50% dos impostos sobre receitas brutas, em 1988 passou a pagar apenas 35% e em 2005 passou a pagar apenas 25%. Claramente que se estão a favorecer interesses estranhos a Macau”, acusa a ANIMA
AMBIENTE DIPLOMA BASEADO EM REGIME DE “POLUIDOR-PAGADOR”
Diz-me quanto sujas... Construção, o Governo irá lançar um novo regime.
GERIR A LONGO PRAZO
Segundo o documento, o Executivo pretende, a longo prazo, “elaborar um regime de gestão de resíduos dos materiais de construção com base no princípio do ‘poluidor-pagador’, nomeadamente o plano de cobrança de taxas de tratamento de resíduos e a elaboração de diplomas legais relacionados”. A DSPA informa ainda que brevemente será lançada uma consulta pública que pretende reunir as opiniões e sugestões de todos os interessados sobre este assunto. Paralelamente a estes novos planos, a DSPA informa ainda que estão concluídas as “Instruções para a Separação dos Resíduos nos Locais de Construção”, de
forma a atingir os objectivos a que o Governo se propôs e permitindo também a atenuação da “pressão sobre a operação das instalações de infra-estruturas ambientais”. O organismo apela assim ao
sector da construção civil para “cumprir, com seriedade” todo o trabalho de separação de resíduos da fonte, reutilizando e efectuando tratamentos apropriados dos resíduos recuperáveis. - F.A.
gar apenas 25%. Claramente que se estão a favorecer interesses estranhos a Macau”, acusa a ANIMA. AANIMA defende ainda o licenciamento dos gatos, como previa o projecto de lei de 2008. “A razão é simples: a China é uma região endémica de raiva, que não se transmite apenas através dos cães. Havendo mais gatos nas ruas e nos lares do que cães, seria importante que isso fosse acautelado, seguindo-se a nossa sugestão de permitir que o licenciamento desses pequenos animais fosse gratuito para evitar o seu abandono maciço”, refere.
DA CRUELDADE
É ainda apontado o dedo às experiências com animais em laboratório, sendo a ANIMA “totalmente contra elas”. Contudo, “aparecendo no texto da lei, nunca deveriam ser colocadas da forma como são no artigo 19, em que se aceita que possam ser cortados membros ou retirados órgãos para esse tipo de experiências, admitindo mesmo que daí resulte sofrimento, caso em que se preconiza o abate do animal. A isso chama-se crueldade”, frisa a ANIMA. No geral, a entidade defende que Macau “precisa de um quadro legislativo integrado no que respeita a animais, pois não há regulamentação de veterinários, lojas de animais, clínicas”.
EMISSÃO DE GASES COM REGULAMENTO Além do Plano de Apoio Financeiro para o Abate de Veículos Altamente Poluidores, o Governo diz ainda estar também a efectuar outros trabalhos dedicados ao ambiente. Na sequência da publicação das normas de emissão de gases de escape aplicáveis aos novos automóveis aquando da sua importação e do lançamento do benefício fiscal para incentivar as pessoas que necessitam de adquirir veículos a optarem prioritariamente por eco-veículos em 2012, foram também efectuados, no início de 2013, trabalhos de consulta sobre as normas de emissão de gases de escape de veículos em circulação e o aperfeiçoamento do regime de inspecções, que fazem parte das medidas de controlo a longo prazo. Agora, a DSPA e a DSAT asseguram “estar a analisar as opiniões recolhidas durante a consulta e dizem que terminaram o estudo complementar, esperando que o projecto do regulamento administrativo esteja concluído ainda este ano.”
6 política
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
FIC WONG KIT CHENG PEDE ALTERAÇÃO DE REQUISITOS
A deputada dá voz às associações que dizem que o Fundo das Indústrias Culturais impõe medidas demasiado rígidas e dá apoios insuficientes CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
deputada Wong Kit Cheng sugeriu ontem ao Governo que alterasse os requisitos de qualificação para a atribuição do Fundo das Indústrias Culturais (FIC) ou utilizasse alguns terrenos ou propriedades para criar uma zona dedicada às artes e às indústrias culturais e criativas. Isso mesmo foi referido PUB
em interpelação escrita, onde a deputada criticou a rigidez de critérios para a atribuição deste subsídio. “Houve associações das indústrias culturais e criativas que me disseram que o apoio do Governo aos agentes do sector é insuficiente e as medidas instauradas dificultam a promoção e desenvolvimento deste sector”, lê-se no documento. Segundo Wong Kit Cheng, falta um espaço fixo para o trabalho e criação nesta área, bem como uma plataforma de promoção e um local de venda de produtos. Além disto, a deputada reforça ainda que o pedido do FIC está dependente de um processo complicado. “Se a situação continuar assim, o desenvolvimento do sector vai ser afectado”, explica. A falta de um estúdio de trabalho, diz Wong, deve-se ao aumento exponencial das rendas. “Os trabalhadores têm que estar sempre a mudar de local de trabalho, porque não conseguem encontrar um local ideal. Isto pode obrigá-
HOJE MACAU
Exigências a mais, espaços a menos
Os requisitos devem servir para bem seleccionar os pedidos e aproveitar o dinheiro público de forma correcta. Contudo, estes são demasiado rígidos e o fundo considera apenas as oportunidades comerciais, ignorando a criação artística e cultural -los a abandonar a sua carreira”, adverte a deputada. Wong Kit Cheng sugeriu ao Executivo que fosse criado um plano de revitalização de prédios industriais, de modo a que os trabalhadores
pudessem fazer face ao aumento das rendas.
CRITÉRIOS COMERCIAIS
Por outro lado, Wong também considera que o FIC também criou
requisitos demasiado rígidos para os concorrentes. “Os requisitos devem servir para bem seleccionar os pedidos e aproveitar o dinheiro público de forma correcta. Contudo, estes são demasiado rígidos e o fundo considera apenas as oportunidades comerciais, ignorando a criação artística e cultural, porque são poucas as pessoas que estão elegíveis”, explica a deputada, em interpelação. “Será que as autoridades vão alterar os requisitos dos pedidos, baseando-se na situação real de Macau?”, questionou a deputada, referindo que tal medida poderia ajudar à um maior número de obtenção do subsídio, assim desenvolvendo o sector. Wong Kit Cheng perguntou ainda ao Executivo se será possível ceder terrenos públicos para a criação de espaços de arte e estúdios, exemplificando com a “casa de vidro, no Tap Seac” e espaços de lazer junto dos lagos Nam Van. Finalmente, a deputada sugeriu que estes mesmos espaços fossem, simultaneamente, espaços de criação e de turismo.
SOCIEDADE
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
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UM JASON CHAO ORGANIZA PROTESTO NO CAMPUS DA ILHA DA MONTANHA
Pela liberdade e contra o assédio sexual FILIPA ARAÚJO*
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
J
ASON Chao anunciou ontem que vai realizar um protesto em conjunto com ex-alunos da Universidade de Macau (UM) pela liberdade académica e contra o assédio sexual. Depois de tornados públicos documentos confidenciais que terão estado na origem da saída de Bill Chou, ex-docente de Ciência Política, da instituição académica ao fim de 12 anos, Jason Chao considera que esta é a altura oportuna para um novo protesto pela liberdade académica. O encontro com data marcada para 31 de Outubro, e início às 18h30, tem como espaço escolhido as “ruas e pracetas do novo campus da universidade”, situado na Ilha da Montanha. “Não estamos a falar das instalações da própria universidade, mas sim das ruas e pracetas. Será o primeiro protesto alguma vez organizado na Ilha da Montanha”, disse o activista. No comunicado enviado mais tarde aos jornalistas, a Praça da Biblioteca Central é o local escolhido para o encontro.
Ex-alunos da UM unem temáticas diferentes e organizam um protesto no campus da instituição, na Ilha da Montanha. Ainda sem o aval do IACM, Jason Chao pretende chamar o maior número de pessoas num encontro agendado para o último dia do mês de realização do ‘referendo civil’ nas ruas de Macau, que foi negado pelo IACM. Esta autorização tem de ser pedida tendo em conta que o es-
paço destinado a Macau na Ilha da Montanha está sob alçada e legislação do Governo da RAEM. Tal como o activista indicou ontem, o protesto tem dois pontos
ÉRIC SAUTEDÉ AUSENTE Questionado pelo HM se iria marcar presença no protesto, o ex-docente da USJ, Éric Sautedé, informou que “não sabe” se se irá juntar porque não se considera “um activista”, apesar de ter sido “vítima de descriminação política”. “Eu não acredito que haja algum plano do perseguição por parte do Governo a académicos”, afirmou, defendendo que o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior “deveria ter avançado com uma investigação mas não o fez”, nem no caso do seu colega Bill Chou, nem no seu. “Achei altamente pouco ético, em todo o caso não é o mesmo que falar de perseguição política”.
À ESPERA DO SIM
Relativamente à autorização obrigatória do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e da Polícia da Segurança Pública (PSP) para a organização de qualquer tipo de actividade em espaços públicos, Jason Chao explica que irá apresentar o pedido. O activista diz que, caso este seja negado, irá recorrer, mais uma vez, ao tribunal. Chao fez o mesmo com o pedido
FANTASIAS
Jason Chao insurgiu-se ainda contra declarações emitidas pela UM face ao caso de Bill Chou, de que “os académicos são meros observadores passivos” no que a assuntos políticos diz respeito.
“Há um número notável de académicos que são também activistas, no Ocidente. O argumento [da UM] não é mais do que uma desculpa para justificar a opressão à liberdade e à liberdade de expressão dos académicos”, sublinha Chao em comunicado. “Consideramos que o processo disciplinar contra Bill Chou foi injusto (...). Uma ‘universidade de classe mundial’ deve existir na fantasia da administração da UM e em mais lado nenhum”, ironizou ainda o activista, em referência ao novo lema da UM. - * com Joana Freitas
ASSÉDIO SEXUAL PELA EDUCAÇÃO NAS UNIVERSIDADES
“Convidada a ter sexo com professor” professor da [Faculdade de Ciências Sociais], que é do continente, a ter sexo com ele. Depois de uma investigação, o professor foi suspenso apenas por 12 dias”, pode ler-se no email enviado por Haochi Kiang, que assina como director geral de uma associação de estudantes da UM. “Como um grupo de estudantes que amam a UM, importamo-nos com estas questões de desigualdade [no tratamento] dos géneros, até porque isto deveria ser um dos valores a ter em conta nas universidades de qualquer parte do mundo.”
Gostaríamos que todas as pessoas que estão sensíveis ao tema da liberdade académica, e também do assédio sexual, participassem neste protesto Apesar do protesto ser organizado por ex-alunos da UM, Jason Chao acredita, e espera, que “muito mais gente se una ao encontro”. “Gostaríamos que todas as pessoas que estão sensíveis ao tema da liberdade académica, e também do assédio sexual, participassem neste protesto”, explicou.
de manifesto: além do assédio sexual (ver texto abaixo), a liberdade académica, altamente relacionada com os casos dos ex-docentes Bill Chou e Eric Sautedé, este último, docente da Universidade de São José despedido por fazer comentários políticos.
EXPLICAÇÕES FURADAS
FILIPA ARAÚJO
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JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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OMO referiu ontem Jason Chao, o protesto na Ilha da Montanha será também contra o alegado caso de assédio sexual de um professor a uma aluna da instituição. O caso foi avançado pela Associação Novo Macau (ANM) na semana passada, mas ao que parece aconteceu o ano passado.
Um grupo de alunos da UM publicou esta semana num grupo do Facebook dedicado a assuntos da instituição uma fotografia que pedia “para se parar com os casos de assédio sexual na UM”. Os alunos revelaram emails enviados à direcção da UM, onde indicavam que a aluna foi convidada a ter sexo com o professor e pediam mais esclarecimentos sobre o assunto. “[Isto] tem levantado preocupação pública. O ano passado, uma aluna foi convidada por um
Os alunos pedem explicações: se o caso aconteceu porque é que a punição foi apenas uma suspensão de 12 dias. “Os alunos esperam uma universidade que nos dê respostas e preste contas [sobre estes casos].” A UM, contudo, não disponibiliza quaisquer informações. Nos emails a que o HM teve acesso, como resposta lê-se apenas que se “trata de todos os casos de acordo com a lei” e que “tendo em conta que o grupo não está directamente envolvido, não se podem dar mais informações sobre o caso”. O email vinha assinado por Sylvia Ieong, directora do gabinete do reitor. A responsável disse apenas que “em qualquer caso de processos disciplinares, só as pessoas directamente envolvidas ou com interesse legítimo” poderiam ser informadas e citava os artigos do Código de
Procedimento Administrativo que indicam que “os particulares têm o direito de ser informados pela Administração, sempre que o requeiram, e sobre o andamento dos procedimentos em que sejam directamente interessados” e que “não podem ser prestadas informações sobre peças ou elementos que estejam classificados como secretos ou confidenciais”.
EDUCAÇÃO SEXUAL NAS UNIVERSIDADES
Jason Chao considera que este é um assunto que deve ser levado para a praça pública e, por isso, diz que faz todo o sentido que o protesto assuma esta temática. “Não considero que os dois motivos do protesto entrem em confronto, acho até que são dois temas com os quais a população se deve preocupar”, disse. Jason defende ainda que “é necessário que a UM assuma uma posição e explique aos alunos o que aconteceu”. O activista, que vai, então, realizar um protesto por estes motivos, diz ainda que apoia a necessidade de existir uma “educação sobre os abusos sexuais”, sejam eles de que tipo forem, nas universidades. Até porque, como referiu anteriormente o activista, não há leis que criminalizem estes actos. Jason Chao falou à imprensa nas instalações daANM, associação que, na voz do presidente, Sou Ka Hou, “apoia este protesto”.
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hoje macau quinta-feira 23.10.2014
GALAXY MAIS TEMPO DE CONSTRUÇÃO APÓS REVISÃO DO CONTRATO Uma revisão no contrato de concessão da Galaxy permite à operadora “Por requerimento apresentado em 15 de Outubro de 2012, a contransformar um cessionária solicitou a junção dos hotel inicialmente lotes I e II e a consequente revisão do contrato de concessão, de forma previsto para ser de a uma melhor adequação do desenvolvimento dos lotes (...)”, começa quatro estrelas para por explicar o despacho. “ Em 21 de Janeiro de 2014, a concessioum de cinco estrelas nária apresentou um novo pedido e dá mais tempo de revisão da concessão com vista a eliminar [nos lotes I e II] as à operadora finalidades ‘hotel-apartamento de 4 estrelas’ e ‘estacionamento do para construir hotel-apartamento de 4 estrelas’,
Cinco estrelas na Taipa
passando as respectivas áreas brutas de construção a integrar as finalidades ‘hotel de 5 estrelas’” e respectivo estacionamento.
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Governo autorizou a alteração da finalidade de dois lotes da Galaxy Macau no Cotai, sendo que esta revisão passa a dar mais tempo à operadora para construir. De acordo com um despacho ontem publicado em Boletim Oficial e assinado pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, PUB
PRAZO ALARGADO Lau Si Io, foi permitido à Galaxy transformar o hotel destinado para os lotes I e II da operadora no Cotai num de cinco estrelas, mais uma do que o inicialmente previsto. Mas, mais ainda, a empresa vai poder ter novos prazos para construir.
175,3
milhões de patacas, valor do prémio adicional ao contrato de concessão pago pela Galaxy
Contudo, não foi apenas isto que foi autorizado. “[A concessionária apresentou um pedido de] alteração do prazo para apresentação do projecto de arquitectura de cada um dos lotes e conclusão das respectivas obras”, indica ainda o despacho.
Estas autorizações vão permitir à Galaxy mais tempo para a construção: com a concessão do terreno em 2009, a operadora tinha até 2017 para aproveitar os terrenos e finalizar as construções, mas com esta revisão passa a ter mais entre dois a três anos. “O aproveitamento do terreno deve ficar concluído até 20 de Outubro de 2020. O aproveitamento global [do lote I/II] deve ficar concluído até 31 de Dezembro de 2019, o do lote III deve ficar concluído até 31 de Dezembro de 2018 e o do lote IV deve ficar concluído até 20 de Outubro de 2020.” Os lotes I e II – que a Galaxy já tinha por concessão por arrendamento – passam a estar unidos, mas o terreno total fica com o mesmo tamanho – 440,248 metros quadrados. As autorizações já entraram em vigor – tendo tido a concordância de Francis Lui e Jorge Neto Valente, como administradores representantes da Galaxy - e a operadora teve de pagar um prémio adicional ao contrato de concessão, no valor de 175,3 milhões de patacas. A Galaxy traz, assim, ao Cotai quatro hotéis, um apart-hotel, um casino e um centro de convenções, tendo agora mais 180 dias para a apresentar os projectos de arquitectura para o terreno.
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hoje macau quinta-feira 23.10.2014
FINANÇAS MAIOR CUSTO DE VIDA, MENOS ESPÍRITO DE POUPANÇA
Sessão de apoio para quem quer estudar na Suíça
Os alunos que pretendam continuar os seus estudos superiores na Suíça vão ter direito a uma sessão de esclarecimento gratuita, promovida pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). A sessão vai decorrer no próximo dia 8 de Novembro, entre as 15h30 e 17h00, no Centro dos Estudantes do Ensino Superior.
HKS Consultoria para novo hospital
O ateliê de arquitectura HKS volta a colaborar num projecto de concepção do novo Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), caberá ao ateliê HKS – Arquitectura Limitada o trabalho de consultoria de design do novo hospital. Recorde-se que a atribuiÁ„o da concepÁ„o do Hospital das Ilhas foi feita a Eddie Wong atravÈs de um concurso por convite. Agora, o HKS presta consultadoria. Contudo, não são revelados valores a pagar pelo Governo. O ateliê tem representações não apenas em Macau mas também no continente, Brasil ou México.
Ao ritmo da economia
Jovens e adultos encontram cada vez mais dificuldades para conseguirem chegar ao fim do mês e pôr algum dinheiro de lado CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
desenvolvimento rápido da economia, o aumento das rendas das lojas e casas e a inflação leva a que muitos estudantes do ensino secundário e até do ensino superior tenham de ter um trabalho a tempo parcial para suportar as despesas do dia-a-dia. Isso mesmo diz o jornal Ou Mun, num artigo onde vários jovens revelam que os seus hábitos de
consumo estão a mudar, uma vez que não conseguem poupar no fim do mês. Wong, um aluno que estuda na zona de Toi Son, disse ao Ou Mun que gasta cerca de duas mil patacas por mês em alguns encontros com amigos ou compras. Contudo, se apenas dependesse do dinheiro que a família lhe dá, não seria suficiente. Por isso Wong afirma trabalhar a tempo parcial. Lam, outra estudante, afirma que trabalha a tempo parcial num casino onde ganha seis mil patacas
por mês, como empregada numa sala VIP. Diz ainda que 70% dos gastos mensais vão para a compra de roupa e cosméticos, sendo que não gasta muito com refeições. “Não tenho o hábito de poupança e gasto quase tudo o que ganho. No fim do mês tenho sempre de reduzir as despesas, porque não me sobra muito”, disse Lam ao jornal.
COMER FORA
Outra razão que origina o fenómeno da ausência de poupança são o número de refeições fora de casa.
ADVOGADOS DE MACAU PRESENTES EM CONGRESSO NO BRASIL • Uma delegação de advogados da RAEM participou no III Congresso Internacional dos Advogados de Língua Portuguesa, que terminou ontem no Rio de Janeiro. Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), presidiu à sessão de abertura do congresso, que reuniu cerca de 500 advogados, presentes em seis painéis de debate. O congresso também contou
Dez trabalhadores sem cartão de segurança O novo Regime do Cartão de Segurança Ocupacional para os Trabalhadores da Construção Civil entrou em vigor no passado dia 6 e, segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), de um total de 181 trabalhadores, dez foram encontrados sem terem o cartão em sua posse, sendo que o processo da aplicação da multa já foi iniciado. A DSAL garantiu ainda que há mais de 90 mil trabalhadores que possuem este cartão. Recentemente muitos trabalhadores do Jogo apresentaram várias exigências a este departamento, mas a DSAL garante que, até agora, não foi descoberta nenhuma situação contra a lei, sendo que não é necessário abrir um processo.
A senhora Chan, que trabalha no sector do Jogo, contou que, como tinha de trabalhar por turnos, era difícil fazer refeições em casa. “As três refeições principais tenho de fazer em restaurantes e como há muitas pessoas que têm uma vida parecida com a minha, é normal que os restaurantes tenham sempre clientes e que os preços subam”, disse. Contudo, Chan admitiu que, como o salário nos casinos é um pouco mais elevado do que noutros sectores, o aumento das despesas ainda é “aceitável”. Porém, a funcionária refere que, com o aumento do custo de vida, é cada vez mais difícil às pessoas pouparem, defendendo que os jovens normalmente gastam tudo quanto ganham. “Especialmente nos últimos anos, em que os produtos electrónicos se tornaram mais populares, é difícil os jovens não os comprarem, o que faz com que seja mais difícil pouparem”, disse Chan.
com a presença de uma delegação de advogados oriundos do continente.
T
RÊS arquitectos portugueses decidiram criar o CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, que ficará sediado na zona do Porto Interior, onde o arquitecto Nuno Soares, um dos fundadores, tem o seu ateliê. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o CURB pretende, sobretudo, focar-se em estudos e trabalhos sobre o território. O objectivo é “desenvolver estudos e investigações no âmbito da arquitectura, urbanismo, design e cultura urbana”, com o “intuito de contribuir para a produção de conhecimento e divulgação da cultura arquitectónica e urbana de Macau”. O CURB quer
ARQUITECTURA CENTRO PARA ESTUDAR O TERRITÓRIO
Mais esboços sobre Macau ainda que estes estudos tenham um contexto global, com uma ligação à China e países de língua portuguesa, incluindo Portugal.
PARA A HISTÓRIA
Outro dos objectivos do CURB é ainda “constituir uma biblioteca e centro de documentação com base de dados e arquivos de publicações, imagens, projectos e documentos sobre arquitectura e urbanismo de Macau”, pode ler-se nos estatutos.
Além da constituição do acervo documental, o CURB quer também “promover o ensino nos campos da arquitectura, urbanismo, design e cultura”, bem como a realização de eventos, exposições e competições na área, sem esquecer o estabelecimento de “parcerias e programas de intercâmbio e cooperação”. A entidade pretende fornecer serviços de consultadoria para universidades e para o próprio
Governo. “Internacionalizar a associação através do estabelecimento de pólos noutras cidades estratégicas, com o intuito de contribuir para a afirmação internacional da cultura arquitectónica e urbana de Macau” é ainda outro desejo dos profissionais. O HM tentou chegar à fala com o arquitecto Nuno Soares por forma a saber mais informações sobre esta entidade, mas até ao fecho da edição não foi possível. - A.S.S.
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EVENTOS
hoje macau quinta
Fotografia Obras premiadas no jardim Lou Lim Ieoc
A 19ª edição da Feira Internacional de Macau volta a receber o Macau Fashion Festival. Ana Cardoso vai mostrar a colecção de Primavera-Verão da sua marca, a ‘Anna Noir’, com menos preto e mais cortes clássicos
As obras premiadas no concurso de fotografia “Momentos felizes da vida em Macau” vão estar expostas no jardim Lou Lim Ieoc, a partir de amanhã e até à próxima segunda-feira, das 9 às 19 horas. No auditório Chun Chou Tong estarão patentes as 51 obras premiadas de entre as mais de mil que foram a concurso, da autoria de 242 residentes locais. No entanto, foram Chan Chi Hong, Ng Hoi Kei e Vong Kuok Kei que chegaram aos três primeiros lugares do pódio. O concurso e a exposição foram organizadas pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS) e 12 associações locais e de média, incluindo a Associação de Fotógrafos de Macau, a Associação de Arte Fotográfica de Macau e o Clube FotoArtístico de Macau. As películas premiadas deverão servir para ilustrar a capa e o interior do Livro do Ano editado pelo GCS.
Caligrafia Zhang Biao no Fórum de Macau
Inaugurou ontem no átrio principal do Fórum de Macau, no Centro de Actividades Turísticas, a “Exposição de Caligrafia de Zhang Biao em Memória da Guerra Sino-Japonesa de 1984”, uma actividade que conta com a organização da Fundação Macau, Associação de Amizade Estrangeira da China e Associação de Amizade da China em Macau. No total, estarão patentes cerca de cem trabalhos do calígrafo oriundo do interior da China, podendo ser visitados pelo público até ao próximo sábado, dia 25. No ano em que se comemoram 120 anos da Guerra Sino-Japonesa Zhang Biao escreveu e caligrafou um texto com cerca de 19 mil caracteres para lembrar o acontecimento. Zhang Biao é conselheiro da Associação de Calígrafos da China e presidente da delegação de Zhong Zhi da mesma associação.
MIF ANA CARDOSO MOSTRA COLECÇÃO
Brocados
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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EM só de negócios se vai fazer a 19ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF), que arranca hoje no Venetian. Tal como já é habitual, o Macau Fashion Festival vai ter lugar no meio de pavilhões de produtos e serviços vindos de todo o mundo, por forma a mostrar o que de melhor se faz na indústria da moda local. A estilista macaense Ana Cardoso vai apresentar, no sábado, dia 25, a colecção Primavera-Verão da marca ‘Anna Noir’, intitulada “Romantismo”. Conforme disse a designer ao HM, vão subir à passerelle 15 conjuntos que pretendem ser diferentes do que Ana Cardoso tem vindo a mostrar até então. “É uma colecção apenas feminina, com inspiração nos séculos XVIII e XIX, onde foram predominantes o estilo Rococó, Barroco e Romântico. Então, vou ter sedas e brocados. A ‘Anna Noir’ é uma marca que utiliza muito o preto, mas como vai ser uma colecção de Verão, vou usar cores mais leves, como os brancos e os beiges, para
além de misturar com o preto, que é o logótipo da marca”, explicou a designer.
TRABALHO E MODERNIDADE
Ana Cardoso garante que o público poderá assistir a um desfile onde as peças serão mais trabalhadas, quase a
fazer lembrar um trabalho de alta-costura, mas ainda assim sem abandonar por completo o pronto-a-vestir. “Será uma colecção com um trabalho de melhor qualidade, digamos assim. Como o século XVIII e XIX puxa mais pelos corpetes, então vou ter camisas
‘ANNA NOIR’ PRESENTE EM DESFILE DE SOLIDARIEDADE É já no próximo domingo, dia 26, que a marca ‘Anna Noir’ se vai juntar aos projectos Cocoberryeight, da estilista Bárbara Barreto Ian, e de Cristina Vinhas, por forma a realizar o evento “Pinktober”. O desfile, acompanhado de um menu de jantar no Hard Rock Café, pretende servir de solidariedade e apoio para com as vítimas do cancro da mama.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS PÁSSAROS • Valter Hugo Mãe
O vento anda muito sozinho a soprar pelos céus. Muito cansado dessa solidão, resolve então ensinar a voar algumas criaturas - uns passarocos e umas galinholas que andam a bicar o chão. Escolhe uns que sejam bem leves, pois assim será mais fácil elevá-los no ar, e dá-lhes uns empurrõezinhos até eles se conseguirem manter sozinhos a voar. Foi assim que tudo começou e é por isso que hoje os nossos céus estão cheios de aves de todos os tipos.
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“ROMANTISMO”
s na passerelle
Livros Designer portuguesa vence prémio mundial
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“Livro (de actividades) para Massajar a imaginação”, de Catarina Gomes, acaba de vencer o grande prémio do concurso internacional “Art Books Wanted”. Nesta terceira edição, a organização do concurso recebeu cerca de 250 propostas de 37 países. O júri atribuiu o grande prémio do concurso, dividido em 11 categorias, ao livro de Catarina Gomes. O anúncio do prémio foi formalizado, no início de Outubro, durante a Semana de Moda e Design, que decorreu em Praga (República Checa). Na página do ‘Art Books Wanted’, o júri explica que selec cionou o livro da autora portuguesa porque as suas páginas “relembram os jovens ou adultos as sensações que sentiam ao ler livros para crianças (…) uma vez que oferece uma boa ligação entre texto e imagem e estimula a participação do leitor”. Oferecendo várias actividades, “o livro convida o leitor a completar as páginas com desenhos ou pequenas frases. É um livro que celebra o desenho e a singularidade que existe em cada um de nós”, acrescenta a organização do prémio. Catarina Gomes, de 31 anos, tirou o
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mais elaboradas. São peças com um ponto de modernidade, mas misturadas com peças mais elaboradas e diferentes do que há no mercado.Acho que o público da Ásia gosta mais de coisas trabalhadas”, disse a mentora da marca ‘Anna Noir’. No mesmo dia em que desfila a colecção “Romantismo”, outros designers locais prometem mostrar as suas colecções, como é o caso das marcas Dress Crafter, L.A.C.Y ou NB Nubiano. De frisar que outros designers, saídos dos cursos do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), irão apresen-
“É uma colecção apenas feminina, com inspiração nos séculos XVIII e XIX, onde foram predominantes o estilo Rococó, Barroco e Romântico. Então, vou ter sedas e brocados tar os seus trabalhos, bem como outros estilistas que receberam apoios do Instituto Cultural. Para Ana Cardoso, a presença de mais estilistas de Macau é positiva para o sector. “É bom para mostrarmos mais trabalhos. Acho também que o público está sempre à espera de algo novo. A marca tem sempre a sua linha, mas
dentro disso com um tema, ou uma nova inspiração, o público pode ver coisas novas e era mais por aí que eu queria projectar. O ano passado tive mais vestidos e saias, este ano vou mais para calças e vou mostrar outra coisa ao cliente. Tenho peças que não tenho mostrado em colecções anteriores”, disse a designer.
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A CONFISSÃO • John Grisham
A poucos dias de ser executado, só um assassino o pode salvar. Em 1998, numa pequena cidade do Texas, Travis Boyette raptou, violou e estrangulou uma rapariga da sua escola. Enterrou o seu corpo para que nunca fosse encontrado e em seguida, assistiu com espanto à prisão e condenação de Donté Drumm, uma estrela local do futebol. O Corredor da Morte foi o seu destino. Agora, nove anos depois, Donté está a quatro dias da sua execução e Travis, pela primeira vez na vida, decide fazer o que está certo e confessar. Mas como pode um homem culpado convencer advogados, juízes e políticos de que estão prestes a executar um homem inocente?
curso de Design Gráfico na Universidade do Porto e fez Erasmus na cidade de Bratislava (Eslováquia). A jovem autora recebeu um prémio monetário de 1.000 euros pela distinção e viu o seu livro exposto na semana de Moda e Design ao lado de outros projectos distinguidos.
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CHINA
Do encontro entre estudantes e as autoridades da ex-colónia britânica pouco ou nada saiu
hoje macau quinta-feira 23.10.2014
HONG KONG PROTESTOS SEM FIM À VISTA APÓS NEGOCIAÇÃO
Na estaca zero
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S líderes estudantis dos protestos em Hong Kong acusam as autoridades locais de não oferecerem algo de significativo que possa levar ao fim das manifestações e dizem estar a considerar abandonar as negociações. As negociações entre os manifestantes e o Governo de Hong Kong têm sido apontadas como o único meio de pôr fim a um protesto que já dura há quase um mês, sem ter de recorrer à força. No entanto, a primeira negociação formal, que aconteceu na terça-feira, não surtiu efeitos e terminou com os estudantes a acusar o Governo de ser “vago” nos compromissos que está disposto a fazer.
“Ainda não está decidido se haverá mais negociações no futuro”, disse ontem Alex Chow, secretário-geral da Federação de Estudantes de Hong Kong. “O Governo tem de arranjar uma maneira de resolver este problema, mas o que oferece não envolve
qualquer conteúdo prático”, acrescentou Chow, garantindo que os manifestantes não vão deixar as ruas num futuro próximo.
PROMESSAS QUE SABEM A POUCO
Os estudantes estão contra a proposta apresentada pePUB
-lo Governo central para a eleição do chefe do executivo em 2017, que prevê que os candidatos sejam pré-seleccionados por uma comissão. A nomeação civil pedida pelos estudantes foi afastada pelos representantes do Governo local, durante o encontro de terça-feira, que insistiram que Pequim jamais autorizaria esse cenário. Prometeram, no entanto, informar as autoridades da
China Continental sobre os mais recentes acontecimentos e sugerir que fosse criada uma plataforma para discutir a reforma política além de 2017. Os líderes estudantis consideraram estas ofertas pouco concretas e pediram que o Governo local avançasse com informação clara sobre as consequências dessas promessas.
“O Governo tem de arranjar uma maneira de resolver este problema, mas o que oferece não envolve qualquer conteúdo prático” ALEX CHOW Secretário-geral da Federação de Estudantes de Hong Kong
“O Governo deve indicar, até ao fim da semana, o que este relatório [para Pequim] vai incluir e como é que a nova plataforma pode resolver os problemas que temos agora”, disse Joshua Wong, líder do movimento Scholarism.
Mong Kok Polícia impede taxistas de retirar barricadas
Um grupo de taxistas de Hong Kong derrubou ontem as barreiras colocadas por manifestantes em Mong Kok, mas não conseguiu abrir o trânsito na totalidade devido à intervenção da polícia. Caixotes do lixo, placas de madeira e varas de bambu foram retiradas por membros de uma associação de taxistas e colocadas em carrinhas, ao mesmo tempo que os manifestantes tentavam impedir a destruição das barricadas, sentandose sobre o material ou abraçando os objectos, descreve o South China Morning Post. A polícia interveio para acalmar os ânimos e evitar violência. “Conseguíamos remover as barreiras, mas a polícia disse que iria causar o caos”, disse Eddir Ng Yip-pui, director-geral da Associação de Operadores e Condutores de Táxis, acrescentando que os taxistas não vão regressar ao local para nova tentativa, mas devem avançar com um pedido para o tribunal “estender a medida cautelar na sexta-feira”. O taxista não excluiu a possibilidade de uma acção “de grande escala”, se a decisão do tribunal for favorável.
BOICOTE AOS ARTISTAS QUE APOIAM MANIFESTANTES
Celebridades a arder A
Liga da Juventude Comunista da China está a apelar ao boicote aos trabalhos dos artistas que apoiam o movimento pró-democracia em Hong Kong, um apelo respondido por mais de 200.000 cibernautas até ontem. Os apelos visam particularmente os actores Anthony Wong e Chapman To e a cantora Denise Ho, também conhecida pela defesa dos direitos dos homossexuais. Os três artistas são pouco conhecidos no ocidente, mas celebridades na China. A Liga, que lançou o apelo na sua conta oficial de blogue, tem a missão de promover a ideologia comunista entre os adolescentes e jovens adultos chineses. Este órgão do Partido Comunista Chinês sugere assim a censura na Inter-
Chow Yun-fat
net dos nomes dos artistas que apoiam os militantes democratas dos protestos pró-democracia em Hong Kong. É igualmente proposta a ideia de neutralizar as contas de blogues dos artistas em questão.
CAUTELAS
Vários artistas, de Hong Kong e Taiwan, adoptaram uma postura prudente sobre as manifestações em Hong Kong, por receio de serem banidos no interior da China, escreve a AFP.
Muitos disseram desejar que a situação não se deteriore, sem no entanto assumirem um apoio público aos manifestantes. A indústria cinematográfica de Hong Kong está bastante dependente da distribuição das obras no interior da China. Os actores Andy Lau e Chow Yun-fat, citados pela imprensa, desaprovaram o uso de gás lacrimogéneo pelas forças da ordem de Hong Kong, enquanto a estrela dos filmes de kung fu Jackie Chan manifestou-se preocupado com o custo económico do movimento de ocupação do centro financeiro e comercial da antiga colónia britânica. Wang Zang, o artista de Pequim que publicou um foto em apoio aos manifestantes de Hong Kong, foi detido no início de Outubro.
DESPORTO
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LIU KWAI CHI REPRESENTA MACAU NA COMPETIÇÃO
Elenco de luxo luta por vitória no feminino MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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fase decisiva da edição de 2014 do Open de Squash de Macau arranca ao início da tarde de hoje e entre os atletas que disputam a competição estão alguns dos melhores praticantes da modalidade à escala global. Este ano – a exemplo do que sucedeu, de resto, há um ano – as atenções deverão concentrar-se sobretudo na prova feminina. O torneio traz ao território algumas das principais referências mundiais do squash feminino, a começar pela líder do ranking da Women’s Squash Association, a malaia Nicol David. A atleta, que conquistou a medalha de ouro há pouco mais de um mês na 17ª edição dos Jogos Asiáticos, é a prinPUB
cipal candidata ao triunfo no certame do território e estreia-se na prova frente à indiana Joshana Chinappa. As egípcias Raneem El Welily e Nour El Sherbini deverão ser os principais obstáculos de Nicol David no que se adivinha que possa vir a ser a caminhada rumo ao título. El Welily venceu a edição de 2014 do Open de Squash da Malásia, consolidando a terceira posição no ranking mundial da mo-
O torneio traz ao território algumas das principais referências mundiais do squash feminino
dalidade. Nour El Sherbini, terceira cabeça-de-série do torneio do território, ocupa actualmente a nona posição do ranking da Women’s Squash Association, mercê do triunfo alcançado nos Estados Unidos da América, na última edição do Open do Texas. Em Macau, Nour El Sherbini vai tentar garantir a presença nos quartos-de-final do torneio do território frente à inglesa Emma Beddoes, vigésima colocado do ranking mundial. Raneem El Welily reedita o duelo Egipto-Reino Unido ao final da tarde, frente a Emily Whitlock, atleta que saiu incólume das andanças do qualifying e garantiu a presença na fase decisiva do Open de Squash de Macau depois de ter derrotado a norte-americana Latasha Khan pelos parciais de 117,11-4 e 11-7.
décima sexta posicionada da tabela da Women’s Squash Associaition. A Liu Kwai Chi cabe a responsabilidade de representar o território na fase decisiva da competição. A jovem atleta estreia-se na prova frente a Annie Au, da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong.
DOS HOMENS
Victoria Lust e Delia Arnold foram as duas outras atletas que conseguiram garantir a presença no leque das dezasseis finalistas do Open de Squash do território. A atleta britânica derrotou Liu Tzs-ling da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong, por 11-5, 11-9 e 11-4. A malaia Delia Arnold, por sua vez, garantiu o acesso à fase mais apetecida
do certame com um triunfo sobre Tong Tsz-wing, de Hong Kong, pelos parciais de 11-7, 11-4 e 11-3. Esta tarde, Delia Arnold volta aos courts frente à irlandesa Madeline Perry, décima primeira classificada do ranking mundial. Victoria Lust, por sua vez, tenta a passagem aos quartos-de-final da competição frente à compatriota Jenny Duncalf,
No quadro masculino, o grande candidato à vitória é o egípcio Tarek Momen. Dos atletas que disputam o Open de Squash de Macau, Momen é o único a integrar o top ten dos melhores jogadores da actualidade. Omar Mosaad, atleta que venceu há um ano a edição de 2013 do Open de Squash do território e que agora regressa para defender o título, deverá ser o principal adversário de Momen na corrida pelo triunfo na competição.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Ramiro Teixeira
MÁRIO CLÁUDIO
TRIUNFO DO AMOR PORTUGUÊS
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ÃO sei se o que vou proferir é presunção, mas creio-me pioneiro na percepção de que a vasta obra de Mário Cláudio respeita mais aos ambientes e às atmosferas que identifica no corpo dos seus textos, nomeadamente na ausência do tempo no tempo ou no rumor das coisas e das vozes que por ele trespassam, do que propriamente às histórias que narra. De uma maneira geral, a personagem nos seus textos é sempre uma figura simbólica interligada à cultura ou aos grandes e pequenos feitos históricos, da mesma forma que a história se caracteriza quase sempre por uma especulação intimista e cultural do próprio escritor, que se espraia mais por um imaginário sempre inconcluso e propenso à fixação do mito, do que à realidade autêntica das personagens a que recorre. É pois pelo recurso aos ambientes circunstanciais, à explanação do inefável e mais ao espírito subjacente a estes recursos, que Mário Cláudio organiza as suas narrativas e recria os seus heróis, corporizando-os e sublimando-os à margem do realismo vero das suas existências e percursos, impondo-nos, se me é permitida a expressão, a crença sobre acontecimentos que talvez nunca tenham existido. Assim este conjunto de histórias de amor, recriadas a partir de alguns ícones amorosos afins à nossa sensibilidade, nada biográficas porque inteiramente criativas. Há uma expressão de Camilo, a que aliás Mário Cláudio recorre como epígrafe do seu romance, “Camilo Broca”, que assegura o seguinte: A vida é uma farsa de cordel e o homem um cordel com muitas farsas... Nestas doze estórias que Mário Cláudio nos apresenta a farsa corre a meias com o amor e este com a sexualidade. Refere Agustina Bessa-Luís, no prefácio, que esta obra com todo o seu desprendimento da realidade e de grau histórico dos factos, é uma obra de espírito – ao que acrescenta na página seguinte em complemento: o espírito diviniza a vida - atribuindo ao mesmo uma actualidade pura sob o efeito duma magia de valores ligados ao amor eterno (pp.10). Que o presente título de Mário Cláudio é uma obra de espírito, é coi-
sa evidente para quem a ler, tal como a asserção de que o espírito diviniza a vida. Agora que o mesmo se adapte à sublimação do amor português, em razão destas narrativas, é pretensão controversa, porventura mais afim aos escritos de Camilo senão mesmo aos de Júlio Dantas.
Na verdade, o que está em causa verdadeiramente nestas narrativas, para além da visão pessoal do escritor e da irónica e bem-humorada desmistificação que sobre as mesmas exerce, ainda que num ou noutro caso afine pela sublimação enternecida, é a função que o ser exerce sobre o seu oposto, macho
ou fêmea, a coberto do poder, do seu estatuto ou condição, a par ou não da imposição da libido. Amor puro, eterno, nestas narrativas, só o da primeira que, não por acaso, tem por génese uma história infanto-juvenil, na qual a donzela convive com um monstro e ao beijá-lo o faz ressuscitar como príncipe encantado. Eventualmente poderemos encarar a condição de amor eterno à narrativa que dá a conhecer os amores de Tomás António de Gonzaga, enquanto Dirceu, e a Marília de sua invenção, que vulgarmente é dada como recriação de Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, a jovem enamorada de Gonzaga em terras brasileiras. Acontece, porém, que tal convicção não possui sustentabilidade capaz, quer pelo motivo de Gonzaga caracterizar a amada tanto morena como loira, quer, ainda, pelo facto de ter sido um dos conjurados da capitania de Minas Gerais, acabando preso e degredado para Moçambique, tendo aí casado com a filha de um negreiro e aí também falecido, rico e considerado, sem nada mais constar sobre os seus amores primeiros. Esta sua Marília visivelmente não passa de uma figura simbólica decorrente do processo literário imitativo da poesia dos antigos. De forma que se amor puro, eterno, nesta narrativa existe, resulta somente do imaginário do poeta que se deu à fantasia de recriar a existência bucólica e romântica de dois pastores amorosos. De resto, Mário Cláudio ao abordar o tema compraz-se, por um lado, em sublimar o amor de Gonzaga pela jovem brasileira, e por outro, por via da separação dos amantes, dá o primeiro casado com uma megera, filha de um negreiro, que inclusive o sova habitualmente com um pau de embondeiro, e a segunda em vida sexual desregrada à medida que avança na idade e no estado de solteira. Podemos adicionar a esta visão de amor eterno, a outra narração afecta aos amores de Robert Machin e Ana de Arfet, referidos por D. Francisco Manuel de Melo, na “Epanáfora Amorosa”, que descreve a lenda da descoberta da Madeira por estes amantes fugitivos de Inglaterra, mas que, pelo exposto, não cabem na utopia do amor português triunfante. Mais afim se me afiguram os amores de D. Pe-
artes, letras e ideias 15
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dro V e Dona Estefânia, que na visão do escritor nunca se consumaram pela afecto da carne, antes pela gentileza e mocidade dos nubentes, a par da fragilidade da jovem rainha e da extrema delicadeza do rei, que parece ter assumido a coroa como uma cruz, impondo-lhe um modelo de responsabilidade tal que destruiu a sua condição de simples humano e o impediu de trocar fluidos carnais com a esposa até ocorrer a morte de ambos.
HÁ UMA EXPRESSÃO DE CAMILO, A QUE ALIÁS MÁRIO CLÁUDIO RECORRE COMO EPÍGRAFE DO SEU ROMANCE, “CAMILO BROCA”, QUE ASSEGURA O SEGUINTE: A VIDA É UMA FARSA DE CORDEL E O HOMEM UM CORDEL COM MUITAS FARSAS... No comum das demais narrativas o que emerge e melhor caracteriza as personagens é a sexualidade, a posse e o domínio do macho sobre e fêmea ou vice-versa, as mais das vezes de forma irracional, transgressora e amoral. Regressando ao prefácio de Agustina, diz ela: Podemos constatar, no livro de Mário Cláudio, uma sublimação da libido que não é reconhecível nas suas obras anteriores. Assim Pedro e Inês, que muito tem preenchido o imaginário de outros romancistas, biógrafos, poetas e cineastas, com os quais comungamos na crença do amor eterno, subvertendo não digo os amores ilícitos entre ambos, mas a loucura de D. Pedro na irracionalidade e no horror da exumação e coroação de Inês, cujo cadáver, no dizer de Mário Cláudio, foi objecto do seguinte tratamento: Ordenou El-Rei que empreendessem a tarefa de religar o esqueleto, juntando-lhe com cordel a caveira ao resto, de feição a que configurasse o cavername de uma figura humana. Narrada esta história por discurso indirecto, pelo dizer do filho de D. Pedro e de sua mulher legítima, Dona Constança, na caminhada que se inicia de Coimbra a Alcobaça, nela vamos tomando conhecimento de outras possíveis transgressões, seja o do encantamento de D. Afonso IV por Inês antes do de seu filho, seja, finalmente, a sugestão de amores ilícitos entre Dona Constança e Inês.
De transgressão total é o episódio que autor consagra a Leonor Teles e a João Andeiro, particularmente pelos desvarios libidos de Leonor, que facilmente enfeitiça o pobre de D. Fernando, alquebrado e debilitado pela doença, fazendo dele um bobo nas suas mãos e artes sexuais. Bem mais comedido é o episódio sobre Camões, cujas bravatas, poesias e ousadias, visam fascinar a Infanta D. Maria, mas de final inconclusivo. Por aqui, seguramente, esta narrativa não mereceria o desagravo de quaisquer deputados no parlamento no tempo do outro senhor, como foi a ocorrência a propósito do livro de Aquilino, “Príncipes de Portugal. Suas grandezas e misérias.” Dos amores de Mariana e Chamily, se acaso foram verdadeiros, temos a visão particularmente interessante de Mário Cláudio sobre a freira de Beja no estado de velhice, através das reflexões de uma outra, noviça ou irmã, que parece ter por missão acudir-lhe diariamente nas suas necessidades: lavar-lhe os pés, vesti-la, ouvi-la no despejo das suas memórias, etc. Trata-se duma narrativa de grande sensibilidade e que equaciona esta pergunta terrível: como foi possível que um corpo a caminho do fim tenha algum dia seduzido um galante apaixonado? De feição bem diferente é a narrativa sobre Dom João V e madre Paula.
NESTAS DOZE ESTÓRIAS QUE MÁRIO CLÁUDIO NOS APRESENTA A FARSA CORRE A MEIAS COM O AMOR E ESTE COM A SEXUALIDADE Desde logo pela excelência do relato, verdadeira obra-prima de escrita barroca, associada a pormenores incomuns, irónicos e satíricos, fazendo dela uma festa de imaginação e de assento obrigatório na história da nossa literatura. E assim também a dos amores da Severa e do Conde de Marialva, valiosa pela explanação dos costumes da época, onde a chulice emparceira com a sensibilidade e a boa vivência dos poderosos. Diferente, a todos os títulos e de grande intensidade dramática, é o relato (a)fim aos amores de Camilo e Ana Plácido. Apresentado sob a forma do depoimento de Ana Plácido, Mário Cláudio dá-nos uma visão terrível do que foi a existência desta mulher em fins de vida de Camilo. Sobre ela tudo recai, desde a manutenção da casa e das terras às crises violentas de Jorge ou às exigências de Nuno, que aparece em casa com uma malta do piorio, jogadores, cocheiros, mulheres perdidas e contrabandistas, na procura de mais dinheiro e animálias, fora os cuidados
com Camilo, uma alma penada, hipocondríaco, que nunca sabe o quer e que se queixa de tudo, exigindo-lhe toda a sorte de serviços, seja o de descobrir em que obra antiga existe uma passagem que necessita para o que está a escrever, à leitura de outra que ele já não alcança com a visão, senão mesmo sobre os rascunhos que produz, incapaz já de os ler, a par do que pretende comer, dos banhos, das consultas médicas, da correspondência, etc. Mas o
que mais a inferniza são as maldições e as condenações que ouve da sua boca, a par da ausência de amor que os filhos lhe manifestam. Erro e maternidades amaldiçoadas, amor e culpa instalados no quotidiano dos amantes de outrora, mais do que visões infernais são condenações existenciais recriadas pelos próprios, cada qual convivendo com a culpa que em vão tenta endossar para o outro. Assim Camilo, que nesta narrativa parece ter por castigo o espectro de Pinheiro Alves, sob a ameaça de por ele ser garrotado, e em razão do qual insulta, amaldiçoa e tortura Ana Plácido, dando-a como culpada do inferno em que vivem. A obra conclui-se com a narrativa da amizade entre António Nobre e Alberto de Oliveira, que é duma delicadeza estreme, narrando uma quase aventurança entre estes dois seres, apesar de nas entrelinhas surgir, a espaços, as angústias terríveis que Nobre experimenta face à crescente autonomia de Alberto de Oliveira em relação a si. Nobre teve sempre como certo, com muita dose de ingenuidade e não menos narcisismo, ser capaz de dominar as paixões dos outros, fazê-los apaixonar por si, torná-los rendidos ao seu fascínio, estabelecendo as regras do jogo, desde o começo das amizades às do abandono. No caso da Purinha, como do condezinho de Tolstoi, assim denominava ele Alberto de Oliveira, sempre acreditou no domínio sobre ambos, não lhe passando pela cabeça que algum deles pudesse romper sem ele o permitir. Concluído que está a leitura sobre esta obra de Mário Cláudio, importa reconhecer ao escritor o seu preclaro perfeccionismo. No caso em apreço, para além dos registos que aqui se comentam, nomeadamente os pormenores circunstanciais com que são decoradas as personagens e as situações de que resultam, há subjacente na construção das narrativas uma estrutura que dá ao conjunto o carácter de quase enciclopédica de estilos de escrita, afins ao tempo ou época das personagens que recria. Assim, desde logo, o modo infanto-juvenil da primeira, prolixo em diminutivos e fantasias. Depois segue-se o modo medieval, o estilo barroco, romântico, realista, etc., dando-nos a sensação de estarmos a usufruir um presente intemporal através de todas as vivências e nostalgias que temos em memória e mais o seu duplo sentido simbólico e especular. (Ficha: Triunfo do Amor Português, Mário Cláudio. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2014. 2ª edição)
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VISOR DO CINEMA ASIÁTICO APRESENTA “UMA VEZ EM QUCHI” (TAIWAN) Centro Cultural de Macau, 19h30 60 patacas
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CINEMA
FURY FURY [C]
Um filme de: David Ayer Com: Brad Pitt, Shia LaBeouf, Logan Lerman 14.00, 16.30, 19.00, 21.30
ALEXANDER AND THE TERRIBLE, HORRIBLE, NO GOOD, VERY BAD DAY [B]
THE GIVER [C]
Um filme de: Damien Chazelle Com: Miles Teller, J.K.Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist 19.30
LET’S BE COPS [C]
Um filme de: Luke Greenfield
ACONTECEU HOJE
I MUSICI APRESENTAM “ÓSCARES E FANTASIA DE DESENHOS ANIMADOS” (FIMM) Teatro D. Pedro V, 20h00 200 a 250 patacas
SALA 3
WHIPLASH [C]
SALA 2
• Amanhã
Com: Jake Johnson, Damon Wayans Jr. 19.30
Um filme de: Phillip Noyce Com: BrentonThwaites, Odeya Rush, Jeff Bridges 14.30, 16.30, 19.3, 21.30
Um filme de: Miguel Arteta Com: Steve Carell, Jennider Garner 14.30, 16.00, 17.45, 21.30
ESPECTÁCULO DE MÚSICA E DANÇA DOS PALOP Largo do Senado, 19h00 – 23h00 Entrada livre
23 DE OUTUBRO
Nasce Pierre Larousse, pedagogo que transportou o conhecimento ao povo
VISOR DO CINEMA ASIÁTICO APRESENTA “A RAVINA DO ADEUS” (JAPÃO) Centro Cultural de Macau, 21h30 60 patacas
• Sábado
VISOR DO CINEMA ASIÁTICO APRESENTA “EM FLOR” (GEÓRGIA) Centro Cultural de Macau, 16h30 60 patacas I MUSICI APRESENTAM “AS QUATRO ESTAÇÕES” (FIMM) Teatro D. Pedro V, 20h00 200 a 250 patacas VISOR DO CINEMA ASIÁTICO APRESENTA “CARVÃO NEGRO, GELO FINO” (CHINA) Centro Cultural de Macau, 21h30 60 patacas
H O J E H Á F I L M E “PERFUME DE MULHER” (MARTIN BREST, 1992)
• Diariamente
OKTOBERFEST (ATÉ DIA 25/10) MGM, 18h00 às 24h00 120 patacas
Mais uma vez, e como em tantas outras, Al Pacino dá vida a uma das personagens mais marcantes da década de 90, numa personagem simultaneamente doce, incompreendida e amargurada. É com “Perfume de Mulher” que o actor da famosa sequela de “O Padrinho”, mostra o seu lado mais sensível no papel de Frank Slade, um ex-militar que fica invisual durante um incidente com uma granada enquanto dava uma formação no exército. Esta obra ilustra os valores da amizade entre um jovem e um homem amargurado e ferido pelo passado. Contracenando com Al Pacino está Chris O’Donnell, o jovem Charlie Simms, contratado para auxiliar o ex-militar durante os dias que espera serem os seus últimos. “Perfume de Mulher” é baseado numa obra italiana de nome homónimo, realizada em 1974. - Leonor Sá Machado
FESTIVAL DE GASTRONOMIA MACAENSE (ATÉ 5 DE NOVEMBRO) Hotel Four Seasons, Cotai 18h00 às 22h00 498 patacas por adulto, 249 para crianças até aos 12 anos EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre
WORLD PRESS PHOTO (ATÉ 2 DE NOVEMBRO) Casa Garden Entrada Livre
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SALA 1
“PINKTOBER” – CONCERTO DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS PARA VÍTIMAS DO CANCRO DA MAMA COM A BANDA CONCRETE/LOTUS Hard Rock Café Macau, 21h00 150 patacas, com oferta de uma T-Shirt
“VIAGEM À TERRA DOS SONHOS” DE SU JIAN LIANG (ATÉ DIA 23/10) Galeria da Fundação Rui Cunha Entrada livre
BAHT
Cineteatro
O QUE FAZER ESTA SEMANA • Hoje
10.2
w
• Hoje é dia de recordar Pierre Larousse, pedagogo, editor e enciclopedista francês, que se deparou com métodos e manuais de ensino que considerou arcaicos e partiu para uma obra que persiste, como marca de conhecimento, na actualidade. Pierre Larousse nasceu em 23 de Outubro de 1817, na cidade de Toucy, França. Aos 16 anos, ganhou uma bolsa para concluir os estudos em Versalhes e com 21 anos, volta à terra natal para trabalhar como professor. Os métodos arcaicos do ensino funcionam como estímulo para a sua grande obra. Em 1840, abandonou a escola em que leccionava para se dedicar à sua vocação. Em virtude dos parcos recursos, aproveita cursos gratuitos, numa altura em que não havia diplomas para ‘oficializar’ cursos. Pierre Larousse era um autodidacta. Em 1848, publica a primeira obra, uma gramática, chamada ‘A Lexicologia das escolas’, uma obra pioneira. Quatro anos mais tarde, ao lado do professor Augustin Boyer, funda a livraria Larousse & Boyer. Estava dado o primeiro passo para a verdadeira revolução do ensino protagonizada por Pierre Larousse, que estimulava a criatividade, a inteligência e a capacidade de raciocínio das crianças. O ‘Novo Dicionário da Língua Francesa’ é lançado a seguir, com grande êxito, o que funciona como incentivo para que Larousse materializasse o grande projecto que tinha guardado na memória: a elaboração de uma enciclopédia de prestígio. Pierre Larousse pretendia, com esta obra, que “fosse possível encontrar, por ordem alfabética, todo o conhecimento que enriquece o espírito humano”, não para uma elite, mas a toda a sociedade, para “instruir a o mundo sobre todas as coisas”. Esse projecto é criado a 27 de Dezembro de 1863, com o lançamento do primeiro fascículo do Grande Dicionário Universal. Mas o destino foi cruel para com Pierre Larousse, que sofreu uma embolia cerebral, causada por excesso de actividade, e em 1871 é afectado por uma paralisia. Morre a 3 de Janeiro de 1875, aos 57 anos, sem chegar a ver sua obra finalizada.
João Corvo
E não há machado que corte o nariz ao parlamento?
fonte da inveja
OPINIÃO
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LEOCARDO
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bairro do oriente
S
ER estrangeiro num local tão distante e culturalmente tão antagónico como a China significa submeter-se a um fútil mas interessante exercício de adaptação a certos valores, alguns deles absolutamente intragáveis à luz do que consideramos serem princípios elementares, e sem os quais não é possível sustentar as relações humanas. Estes princípios foram-nos emanados por períodos ou episódios da História que não tiveram na China um paralelo que lhes sirva como referência, e mais importante do que isso, que os torne quantificáveis – os chineses só levam em conta aquilo que se pode quantificar. A este ponto é possível que já haja quem me esteja a acusar de estar a cometer uma generalização injusta, e que em última instância possa ter que pagar por isso. Aí está, é exactamente aqui que reside a grande diferença entre as nossas culturas, e é essa reacção que esperam de nós: impetuosa, derivada de um juízo que é feito logo após a segunda frase do texto, e uma repreensão com num intimidatório implícito, um sermão que ninguém encomendou. Aquilo que nós chamamos de “racismo” é algo que para os chineses adquire a qualidade de “abstracto”, não se quantifica e portanto não serve um fim específico – é portanto “inútil”. O povo chinês faz uma diferenciação entre a sua própria etnia com base na origem, condição social, e se for mesmo pertinente, a ancestralidade ou o apelido. Se isto já é complicado, o que seria caso tivessem um contraponto que ao mínimo “toque” levantasse a questão da descriminação e do princípio da “igualdade”? Este é um raciocínio que por muito que eles tentem entender não conseguem tirar o sentido: qual igualdade, se a primeira noção que adquirem é a do indivíduo, e de que a diferença é algo que é dado a saber logo pelo sentido da visão? E o que é isso, “descriminação”? Alguma vez viram os chineses da diáspora a fazer “lobby” no sentido de serem integrados no país de acolhimento, ou a queixarem-se que são “guetizados”, ou outra designação que nós ocidentais nos damos ao trabalho de produzir e com isso levantar questões que levam debates intermináveis, onde existe necessariamente um agressor e uma vítima? Quando se comete a audácia de fazer uma análise a este povo há algo que temos que ter sempre em conta: são uma civilizaçāo com um passado de cinco mil anos, e onde não houve nada semelhante a um Renascimento ou uma Revolução Francesa. Não significa que os chineses não prezem valores como a liberdade, ou valorizem a justiça, mas é tudo encarado de uma forma tão pragmática que não permite deambulações do foro ideológico, e onde as convicções valem o que valem. Reparem como os autores chineses de referência continuam a ser Confúcio e Sun Tzu – a obediência, ou em alternativa a guerra, o vencedor e o vencido, o poder
“THE MASK OF FU MANCHU”, CHARLES VIDOR, CHARLES BRABIN
Simpáticos antípodas
Reparem como os autores chineses de referência continuam a ser Confúcio e Sun Tzu – a obediência, ou em alternativa a guerra, o vencedor e o vencido, o poder que se conquista pela espada. Onde estão os equivalentes chineses de Montesquieu, de Shakespeare, de Voltaire ou de Nietzsche? que se conquista pela espada. Onde estão os equivalentes chineses de Montesquieu, de Shakespeare, de Voltaire ou de Nietzsche? Mesmo a poesia era uma audácia reservada aos intelectuais caídos em desgraça – ninguém foi estudar para se tornar poeta. Du Fu era um oficial do governo afastado devido ao seu carácter íntegro que o tornou incorruptível, Li Bai é pelos padrões actuais considerado um “louco”, quem bastava olhar para a Lua para fazer um poema, e vivia praticamente de esmolas oferecidas por quem procurava entretenimento. Sax Rohmer, escritor inglês do início do século XX celebrizou-se por ter criado o
personagem do Dr. Fu Manchu, o estereótipo do vilão oriental, neste caso o chinês. Como o próprio nome indica, este Fu Manchu era um médico, ou cientista (a origem do personagem foi sendo alterada de acordo com a própria história da China), um génio do mal, metódico, calculista, conhecedor da mente humana e especializado em venenos, e eventualmente tinha duas ambições: a riqueza material e o segredo da imortalidade. Rohmer nunca terá viajado pela China, ou sequer por Hong Kong, e inspirou-se nas qualidades que observou nos chineses e que parecem mais evidentes depois do choque cultural: a ambição desmedida, a perfídia,
a ausência de valores considerados próprios da cultura cristã, casos da misericórdia ou da compaixão. Nada disto é racional, claro, mesmo que interpretemos algumas das diferenças que nos separam como vestígios deste arquétipo – é a reacção normal de quem não se identifica com algo e impulsivamente vê nisso uma luta entre o bem e o mal. Não surpreende portanto que a tabela com que avaliamos certas atitudes, comportamentos ou juízos de valor nos deixem muitas vezes chocados e a pensar por vezes que existe qualquer coisa de desumano em tudo isto, algo que é identificado mas poucos procuram entender a razão de ser. Essa é uma tarefa que se reveste de uma presunção tamanha que seria o mesmo que tentar encontrar o princípio e o fim do universo. Mas podemos aprender sempre mais um pouco, e enquanto eles não ambicionam a ser igual a nós, vão dando umas pistas enquanto se divertem a observar como as seguimos, utilizando a lógica como régua e esquadro para desenhar o seu perfil. Somos um Li Bai à procura do Dr. Fu Manchu.
18 opinião
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próximo oriente
ELLIOTT NUGENT, THE CRYSTAL BALL
HUGO PINTO
Fim da história
N
UNCA, como por estes dias, me pareceu tão acertada a ambiguidade devidamente velada daquele provérbio chinês sobre os “tempos interessantes”, algures entre a bênção e a maldição. Tudo o que se tem passado em Hong Kong remete para esses “tempos interessantes”, agitados, turbulentos e inquietos. Desassossegados. Mas o que uns vêem como ameaça, insegurança, instabilidade e perigo, outros, menos interessados na placidez da harmonia que não mexe nem por nada, entendem ser um rumor, uma impaciência, um anseio que vem com o sonho e a esperança. Uma espécie de mal necessário. Por esta altura, sobre o que estará em causa no conflito já só se poderá lamentar a impossibilidade de que o espaço que separa uns e outros não possa ser reduzido por um diálogo genuíno e construtivo, em que, de parte a parte, se revele abertura e disposição para negociar. E, claro, ceder. Todavia, não há surpresa. Sabe-se há muito que, da China, se vê o futuro. Há um
caminho traçado e não se admitem desvios. Mas o que poderia ser clarividência é apenas poder (que é sempre fátuo). É isso que se receia. O Partido Comunista continua comprometido com a sua “meritocracia” de tecnocratas, um sistema que se diz estar enraizado profundamente (como explica Zhang Weiwei no famigerado artigo “Meritocracy Versus Democracy”, publicado no New York Times) na tradição do Confucionismo e que se reflecte desde o antigo sistema Keju, apresentado como o primeiro exame de selecção de funcionários públicos (que em tempos se chamavam mandarins). Além deste “saber só de experiências feito”, argumenta-se, ainda, que neste modelo há limitação de mandatos e formas de prevenir a concentração de poder nas mãos de uma só pessoa, numa liderança colectiva em que os escolhidos têm que passar com distinção por práticas governativas. Em todo o mundo, não faltam defensores deste sistema e enquanto a robustez económica da China continuar mais aparecerão. A natureza e justificação económicas
Sabe-se há muito que, da China, se vê o futuro. Há um caminho traçado e não se admitem desvios. Mas o que poderia ser clarividência é apenas poder (que é sempre fátuo). É isso que se receia desta “meritocracia” não são secretas, nem na China, nem em Hong Kong (ou Macau), como o próprio chefe do Executivo C. Y. Leung mostrou, sem qualquer pudor, afirmando que um sistema democrático, ou seja, representativo da vontade popular, iria fazer com que a política do território fosse dominada pelos mais pobres, que certamente não partilham os mesmos interesses dos magnatas, uma minoria que deve ser protegida. A todo o custo. É o devir histórico da “livre concorrência, com uma organização social e política cor-
respondente, com a supremacia económica e política da classe burguesa”. Marx e Engels sabiam o que diziam. Mas além de podermos questionar o funcionamento de um mercado que, supostamente, favorece a livre concorrência mas gera um dos maiores índices de desigualdade, há algo que não devemos esquecer e que é anterior a todas as classes, tornando fúteis quaisquer distinções entre proletários e burgueses, pobres e ricos: não há meritocracia que nos salve da natureza humana que corrompe e se deixa corromper. Pode haver, sim, contudo, um primado da lei e instituições judiciais independentes, direitos e garantias que assegurem, para todos, valores básicos e essenciais como a educação. E liberdades: de pensar, falar e de apontar o dedo ao que está mal e aos que não têm mérito. Mas estes são deveres apenas de um sistema político representativo, não de uma “elite” que estará permanentemente ocupada a defender os privilégios e a fazer crer que não somos todos iguais. Se a economia é realmente o indicador que merece ser mais valorizado, então têm toda a razão. Fim da história.
DIÁRIO DE BORDO
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POR CARLOS MORAIS JOSÉ
ontem macau
mauspensamentos Sou dos sentidos perdidos, das notas por ecoar e vagueio dividido, por leito onde ancorar. Sou dos destinos boçais, emigrante de promessas, servo de muitas morais, habitante de travessas. Ri o demo e ri-o eu, quase caindo da frágua, riso em vão me prometeu, cruzar limpo o mar da mágoa. Se tudo à volta expira ou respira sem fervor, só faz sentido o que tira, só me faz sentir a dor. Por isso não vale a pena a triste consumação, acreditar nesta cena, neste passo ou no milhão. Prefiro então as alturas, programar a derisão e em terras de farturas, evitar o beija-mão. Tenho por certo o castigo de tanta audácia infeliz e se olho pró umbigo, vejo a ponta do nariz. Ao menos sabe-me a sal, a pimenta de outra terra, e por mais que faça mal, nada por aqui me aterra.
“Se os maus taxistas apresentarem centenas de assinaturas, queremos apresentar mais. Queremos que as pessoas de Macau mostrem que, de facto, querem uma mudança” ANDREW SCOTT • Presidente da MTPA sobre as mudanças no sector dos táxis
EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT
“Às vezes, os passageiros têm de esperar muito tempo por um autocarro, mas também não podemos aumentar mais a frequência, porque já estamos no máximo da capacidade. Penso que é necessário aumentar a frequência dos autocarros em 20% para responder às necessidades gerais dos passageiros”
ATLETAS competem nos Jogos Paralímpicos Asiáticos de Incheon, na final de corrida de homens de cinco mil metros. Os Jogos decorrem no Asiad Main Stadium, em Incheon, na Coreia do Sul
horah
CHAN HIO IEONG • Directora da Transmac
“Será possível sair do hemiciclo daqui a três anos, por causa da idade. Mas, mesmo que não esteja na AL, se tiver capacidade, farei o máximo trabalho possível pelos assuntos sociais, incluindo a ajuda aos residentes”
“Há casos de residências que são usadas como pensões ilegais que, depois de serem bloqueadas durante sete meses, tornam-se outra vez pensões ilegais”. Leong Veng Chai, deputado | P. 4
KWAN TSUI HANG • Deputada
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édito
O ridículo não mata... mas mói A AGRESSÃO ao motorista da Transmac não se trata de um acto isolado, como também não faz parte de nenhuma conspiração contra a empresa dos autocarros, do género da que existiu contra a Reolian. A verdade é que, à medida que a qualidade de vida dos residentes de Macau desce a olhos vistos, os níveis de agressividade tendem a aumentar. Sobretudo, quando falamos de transportes públicos. Para quem se desloca de um lado para o outro, sobretudo em trabalho e com horários marcados, esta cidade revela-se um verdadeiro pesadelo. Os táxis não param e se param pretendem espoliar os passageiros. E os autocarros não apresentam um mínimo de racionalidade e não cumprem o calendário determinado. Logo, os níveis de ansiedade sobem e, cada vez mais, tendem a transformar-se em agressividade. Confesso que eu próprio já estive à beira do disparate quando tento apanhar um táxi. Dá vontade de pegar num calhau e esmagar um vidro, dar um pontapé numa porta ou qualquer acto estúpido deste género. Felizmente que, num esforço de racionalização, tal nunca me aconteceu. Mas que me passou pela cabeça, passou. Por isso compreendo os acontecimentos recentemente ocorridos. E podemos esperar mais e talvez pior. Entretanto, o Governo faz estudos e consultas públicas. Fala com este e com aquele, com fulano, sicrano e beltrano. Resultado: continua tudo na mesma. No caso dos táxis, bastaria aplicar a lei ou, através de um novo regulamento administrativo, acabar com o estado lastimável e vergonhoso em que nos encontramos. Já a questão dos autocarros é diferente. Se o Governo gosta de dar dinheiro a ganhar às empresas privadas, tudo bem. Contudo, deveria ser ele próprio a definir as rotas e os horários, de modo a transformar aquilo que é um caos num assomo de ordem. Macau é uma cidade pequena, logo não conseguir resolver um problema desta natureza é, no mínimo, ridículo. É também certo que o ridículo não mata. Mas mói e mói sobretudo quem precisa de apanhar transportes públicos. E agora, pelos vistos, também começa a moer os próprios condutores de autocarros.
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PROTECÇÃO AMBIENTAL INSTRUÇÕES PARA CONSTRUÇÕES “SÃO IGNORADAS”
Cumpra se estiver para aí virado Ho Wai Tim e Mak Soi Kun alinham pela mesma bitola e declaram que as instruções de protecção ambiental exibem inúmeras fraquezas flora.fong@hojemacau.com.mo
A
Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental lançou seis instruções para a avaliação do impacto ambiental, mas Ho Wai Tim e Mak Soi Kun consideram que o âmbito das instruções para além de não ser amplo, não tem força. O presidente da Associação de Ecologia de Macau e o deputado juntam vozes para dizer que as pessoas não se sentem na obrigação de cumprir as instruções. Em declarações ao canal chinês da rádio Macau, os dois sugeririam que o Governo elaborasse um calendário para fazer uma lei desta avaliação obrigatória aquando da feitura de obras, como forma de contorno dessa inércia. Ho Wai Tim, presidente da Associação de Ecologia de Macau, considerou ainda que devem existir mais duas instruções de avaliação do impacto ambiental. “O fluxo de ar é mais importante, deve por isso fazer parte do relatório da avaliação. Tal como a polémica gerada pela ‘Lei de Sombra’ que está relacionada com a qualidade do ar. Portanto, sugiro que sejam adicionadas duas instruções, sendo elas, a “Instrução para avaliação
de fluxo de ar” e a ‘Instrução para avaliação de visão de paisagem”, explicou. O especialista acrescentou que a avaliação do impacto ambiental irá ser usada em obras públicas e privadas, mas a eficácia da lista é muito limitada, por isso na sua opinião, “é preciso fazer uma avaliação obrigatória”, caso contrário, afirmou o presidente, as instruções não serão significativas.
TIAGO ALCÂNTARA
FLORA FONG
NO MESMO TOM
“Macau não tem um curso especializado na protecção ambiental e por isso torna-se impossível formar especialistas locais” MAK SOI KUN Deputado
Igual opinião tem Mak Soi Kun, que se mostrou defensor das instruções apresentadas por Ho Wai Tim, apelando por isso à elaboração do tal calendário, “o mais rápido possível”. O sistema da educação, acha o deputado, deve também coordenar-se com a protecção ambiental, para que se formem talentos nessa área. “As actuais empresas capazes de fazer avaliação do impacto ambiental em Macau são provenientes de Hong Kong, porque Macau não tem um curso especializado na protecção ambiental e por isso torna-se impossível formar especialistas locais. Espero que o território possa ter uma equipa para elaborar o nosso relatório de avaliação, consolidando a racionalidade, exactidão e credibilidade do relatório”, concluiu.
Governo Mudanças “podem ter impacto” nos processos legislativos
O
deputado à Assembleia Legislativa (AL), Chan Chak Mo, afirmou ontem ter receios quanto ao impacto que as mudanças na equipa governativa podem vir a ter nos projectos legislativos em curso. Segundo a Rádio Macau, o deputado eleito pela via indirecta e presidente da 2.ª Comissão Permanente acredita, contudo, que o diálogo entre deputados e Executivo não vai ser afectado por uma mudança de Secretários. Chan Chak Mo falava aos jornalistas depois da reunião que serviu para analisar a proposta de lei do Regime de Prevenção e Repressão dos Actos de Corrupção do Comércio Externo. Segundo Chan Chak Mo, o diploma “não é complicado”, mas o deputado teme que os dois meses até à tomada de posse do novo Governo não sejam suficientes para levar o diploma ao plenário. “A possibilidade de adiamento depende do andamento
Cheong U ausente por lesão
DSAT Esclarecer repetição de obras
cartoon por Stephff
O Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, informou ontem que o Secretário sofreu uma queda na corrida de estafetas, uma das modalidades desportivas dos primeiros Jogos Desportivos Populares de Macau que se realizaram no sábado passado, o que lhe provocou uma lesão no pulso esquerdo. Depois de exames pormenorizados e tratamento médico, regressou ao trabalho. Contudo, está ligado e com um suporte de braço, não sendo aconselhável a sua participação em eventos públicos. Prevê-se um certo período para a sua recuperação completa, segundo o comunicado do Gabinete.
do trabalho, porque pode haver uma remodelação ao nível da equipa do Governo e temos de ver, temos de combinar melhor com o Executivo e com o presidente da AL, para ver se devemos acelerar o trabalho para que fique concluído antes da mudança do Governo ou se podemos estender para além do novo Executivo”, afirmou, segundo declarações reproduzidas pela Rádio Macau. Em relação à proposta de lei, Chan Chak Mo disse que “muitos membros da Comissão e também o vice-presidente da AL, que esteve presente na reunião, perguntaram se o articulado pode ser mais detalhado, para ser mais explícito, especialmente sobre o conceito de empresas públicas e sobre as pessoas que desempenham, participam ou colaboram numa actividade compreendida na função pública, administrativa e jurisdicional.”
Em resposta a uma interpelação assinada pelo deputado Chan Meng Kam, apresentada em Agosto, que questionava o Governo sobre a razão que levou à repetição das obras de escavação nas estradas do território, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) vem agora responder explicando que são sempre necessárias algumas obras de manutenção, devido aos comuns rebentamentos de tubos e cabos. O director da DSAT, Wong Wan, explica ainda que esse tipo de obras, por norma, não ocupam muito tempo. O responsável indica ainda que as autoridades se esforçam por cumprir os prazos e que, de todas as obras aprovadas pelo Governo desde 2012, apenas 78, entre as quatro mil, não cumpriram o prazo reflectindo-se, então, em multas aos empreiteiros. Na mesma resposta, Wong Wan explica que já foi criado um Grupo de Coordenação das Obras Viárias, permitindo uma melhor coordenação de técnicas e prazos para as obras.