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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
TRÂNSITO
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MOP$10
Ter para ler
DIRECTOR CARLOS DEOUTUBRO OUTUBRO DE DE 2013 2013 •• ANO ANO XIII XIII •• Nº DIRECTOR CARLOS MORAIS MORAIS JOSÉ JOSÉ• •QUARTA-FEIRA TERÇA-FEIRA 1523DE Nº 2959 2953
CARTAS DE CONDUÇÃO DA CHINA PODEM VIR A SER RECONHECIDAS NA RAEM
PÁGINA 4
LEI DA DROGA DEVERÁ ESTAR CONCLUÍDA ATÉ AO FINAL DO ANO, REVELA O EXECUTIVO PÁGINA 6
• GOVERNO VS TV CABO
Exclusividade continuará a ser tratada no tribunal PÁGINA 3
CHINA TURISMO DE MASSA ESTÁ A AFECTAR ARROZAIS DE YUNNAN PÁGINA 8
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Por um futuro mais dourado Em entrevista ao HM, a presidente do Partido Socialista, que está em Macau no âmbito de uma conferência sobre droga e família, considera o visto ‘gold’ um “instrumento interessante” mas acredita que isso é apenas um dos muitos mecanismos de investimento externo em Portugal. De regresso a Macau, cidade que conheceu “muito pequena e muito limitada em ter-
Maria de Belém Roseira concorda com a política do visto ‘gold’ mas deseja um investimento em Portugal que permita criação de emprego
mos de oportunidades”, Maria de Belém Roseira deseja mesmo que quem invista em Portugal possa criar mais postos de trabalho. Uma palavra ainda para o Orçamento de Estado para 2014 que considera “intolerável” e para as relações de Portugal com Angola, onde há mais para ganhar do que para perder. “Temos de ultrapassar os problemas.” PÁGINAS 12 E 13
POLÍTICA
JOANA FREITAS*
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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ESDE que saiu a publicação dos bens e rendimentos de membros do Governo na Internet que a situação de declarações em falta tem estado sob escrutínio dos jornais. Fong Chi Keong, Au Kam San e Mak Soi Kun eram os três únicos deputados da anterior legislatura que não tinham qualquer bem declarado na documentação tornada pública. Mas, se Au Kam San garantiu ontem ao HM que não tem nada para declarar, Fong Chi Keong não se mostrou disponível para falar - apesar de ter garantido à imprensa chinesa que declarou os imóveis que possui. Já Mak Soi Kun diz não ter medo da publicação e garante que preencheu a declaração – tendo, inclusive mostrado o documento ao jornal Ou Mun. O problema foi que a sua assistente fez um erro ao entregá-la “devido a um mal entendido do TUI”. Na segunda-feira, o TUI enviou um comunicado ao HM onde assegura que Mak Soi Kun não entregou nada. “O deputado Mak Soi Kun não apresentou informações relativas aos bens patrimoniais. É verificado de novo pela secretaria do TUI que, da parte IV da Declaração de Bens Patrimoniais e Interesses, apresentada pelo deputado Mak Soi Kun, constam apenas as informações relativas ao membro de organizações não lucrativas,
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TIAGO ALCÂNTARA
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DECLARAÇÃO DE BENS MAK SOI KUN DEFENDE-SE, DIZENDO QUE SECRETÁRIA NÃO PREENCHEU DECLARAÇÃO NO LOCAL CERTO
Uma questão de espaços
Mak Soi Kun assegura que deixou todas as informações sobre os seus bens nas mãos da secretária, que errou no preenchimento da Declaração, fazendo com que esta não pudesse ser visível online. O deputado não tem dúvidas: tanto a sua assistente como o TUI têm culpas no cartório mas não são preenchidos os espaços destinados aos imóveis ou às empresas comerciais ou estabelecimentos industriais, quotas, acções, participações ou
outras partes sociais do capital em sociedades civis ou comerciais”, frisa o comunicado, que acrescenta ainda que não procedeu a qualquer alteração ao seu
teor. O problema da falta de entrega ou preenchimento desta declaração reside no facto de, desde Abril, esta ser obrigatória por lei e os membros do Executivo esta-
rem sujeitos a punições, em caso de não mencionarem propositadamente os bens. Mak Soi Kun afirma que tem três casas, onde se inclui uma vivenda que
SANTA ROSA DE LIMA É A PRIMEIRA ESCOLA COM O CONCEITO DE “VERDE VERTICAL”
Bairros antigos podiam ser os próximos O colégio de Santa Rosa de Lima é a primeira escola de Macau a assumir o conceito “verde vertical”, ou seja a colocação de canteiros com plantas – ou apenas plantas – ao longo das paredes, janelas e até terraços dos edifícios. O conceito é novidade em Macau, mas para Mak Soi Kun, deputado e presidente da Associação de Indústria da Construção de Proteção Ambiental de Macau, os bairros antigos seriam o local ideal para aproveitamento de espaço com o “verde vertical”, de forma a “reduzir o efeito de ilha de calor na cidade”, bem como para purificar o ar e reduzir o ruído. “De facto, agora nos edi-
está a ser reconstruída, dois escritórios, oito lugares de estacionamento, uma loja e quatro empresas. Recorde-se que o deputado é da área da construção civil, sendo administrador da Sociedade de Engenharia Soi Kun e assumindo o cargo de gerente-geral da Nam Kwong. O deputado diz que, no dia 17 deste mês, deixou as informações na mão da secretária, que terá preenchido a Declaração de forma errada. Ao que tudo indica, depois de sair de o deputado ter saído de Macau “em trabalho”, a assistente colocou os bens e rendimentos do deputado e empresário na parte II da Declaração, quando tem de ser na parte IV. O gabinete do TUI, explica Mak Soi Kun, depois de ver as informações, respondeu ao deputado que as informações relacionadas com os bens não podiam ser escritas naquele espaço da declaração. Mak Soi Kun considera que a sua secretária “não entendeu o que quis dizer o TUI” e que pensou que “quando se preenche a segunda parte, não precisa de se preencher a quarta parte.” O deputado já enviou uma carta para o TUI, assegura, onde requer o re-preenchimento da quarta parte e explicando a situação. Mak Soi Kun diz que, agora ainda espera uma resposta do presidente do tribunal – responsável pela publicação da Declaração -, mas confia que nos próximos dias as suas informações estejam actualizadas. - *com Cecília Lin
fícios mais novos, como o Centro de Ciência e o City of Dreams, existe o verde vertical. Mas é, sobretudo, para decoração. Além dos bairros antigos, os edifícios dos departamentos do Governo também podiam usar plantas para absorver o ruído, bem como para dar uma melhor paisagem ao ambiente.” Mak Soi Kun aponta que o desenvolvimento da cidade precisa de cada vez mais terrenos, que já são escassos e o verde vertical poderia ser uma forma de fazer com que houvesse mais verde em Macau. Para o arquitecto Omar Yeung, que assistia à palestra de ontem da associação, o Governo está a promover o verde vertical, mas, segundo o regulamento do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, ainda há muitos limites. Por isso, diz, o Governo devia ajustar a lei para ser possível mais promoção do verde no território. - C.L.
política 3
TIAGO ALCÂNTARA
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JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Governo vai interpor recurso de uma decisão do Tribunal Administrativo que, em Dezembro passado, condenou a Administração ao pagamento de 200 milhões de patacas à TV Cabo. O anúncio foi feito pelo tribunal, já na semana passada. Os problemas entre Governo e TV Cabo arrastam-se há anos e tudo devido ao facto de a Administração não estar a cumprir o contrato de exclusividade com a empresa, uma vez que permite que os anteneiros continuem a operar em Macau. No ano passado, a TV Cabo já tinha intentado uma acção contra o Governo, onde reclamava 500 milhões de patacas que dizia ser o valor referente ao prejuízo tido pela empresa. Na altura, Luís Almeida Pinto, advogado da operadora, explicou aos jornalistas que a acção em tribunal se deveu ao facto de os anteneiros retransmitirem os canais da TV Cabo, sem qualquer tipo de direito ou licença para tal, cobrando preços
GOVERNO INTERPÕE RECURSO CONTRA DECISÃO DO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO LIGADO À COMPENSAÇÃO À TV CABO
E dura... e dura... e dura... muito menores do que o custo do pacote básico de televisão fornecido pela empresa, além da óbvia violação de direitos de autor. A TV Cabo, avançava ainda, contabilizava prejuízos acumulados de cerca de 200 milhões de patacas só até 2011. A acção foi intentada em Março de 2012, mesmo após alguns dos anteneiros terem anunciado que iriam terminar com cerca de oito canais, depois de ter entrado em vigor uma lei que regulava os direitos de autor. Na altura, a TV Cabo dizia não estar satisfeita porque ainda existiam muitos canais que continuavam a pôr em causa direitos de autor e a transmissão em exclusivo que foi concedida à TV Cabo. O caso continuou a arrastar-se. Entre 2011 e o ano passado, a TV Cabo Macau escreveu uma carta ao Governo, requerendo a
resolução do litígio através de um Tribunal Arbitral. “A 18 de Novembro de 2011, foi constituído o Tribunal Arbitral que era composto pelos árbitros designados solidariamente pela TV Cabo Macau e pelo Governo e por um presidente designado conjuntamente por ambas as partes”, relembra o tribunal. “A 18 de Dezembro do ano passado, o Tribunal Administrativo proferiu decisão em relação ao caso do contrato de franquia celebrado entre a RAEM e a TV Cabo Macau, condenando a RAEM a indemnizar a demandante, TV Cabo Macau, na quantia de 200 milhões de patacas, pelo incumprimento permanente do contrato de exclusividade.”
GOVERNO COM ESPERANÇA
Foi em 1999 que a TV Cabo assinou o contrato com o
Governo, que se estende até Abril do próximo ano. Recentemente, recorde-se, foi feito um acordo entre anteneiros e TV Cabo que pressupõe que as empresas de antenas comuns possam retransmitir alguns canais
da empresa. Um acordo que surgiu depois de uma ordem do Tribunal de Segunda Instância que obrigava os anteneiros a parar a transmissão de sinais televisivos até Agosto. Posteriormente, Au Kam
Os problemas entre Governo e TV Cabo arrastam-se há anos e tudo devido ao facto de a Administração não estar a cumprir o contrato de exclusividade com a empresa, uma vez que permite que os anteneiros continuem a operar em Macau. No ano passado, a TV Cabo já tinha intentado uma acção contra o Governo, onde reclamava 500 milhões de patacas que dizia ser o valor referente ao prejuízo tido pela empresa
San, deputado da AL, viu ser chumbada uma proposta sobre uma eventual rescisão do contrato do Governo com a TV Cabo e a negociação de uma indemnização. Agora, e depois de o Tribunal Administrativo ter indeferido uma acção do Governo contra a decisão arbitral em Abril, a Administração volta à carga e pede recurso da decisão do Tribunal Administrativo. “No despacho liminar de Abril do corrente ano, o juiz entendeu que a RAEM se encontrava em situação de representação irregular e tal vício ainda não estava sanado, pelo que decidiu abster-se de conhecer do pedido e absolver a [TV Cabo] da instância proveniente da decisão arbitral, por falta de personalidade ou de capacidade judiciária da parte que deduziu a excepção dilatória.” A RAEM interpôs recurso para o Tribunal de Segunda Instância do despacho de absolvição e é este que está, agora, em andamento. O HM tentou contactar Luís Almeida Pinto para obter mais esclarecimentos, mas tal não foi possível.
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TIAGO ALCÂNTARA
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NOTIFICAÇÃO EDTAL (Trabalho ilegal – Exercício do direito de defesa)
Nº : 103/13
Considerando que se revela ser impossível notificar, nos termos dos artigos 10.º e 58.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os indivíduos abaixo mencionados, pessoalmente, por ofício telefone, ou outra forma, sobre a matéria acusada pela eventual infracção ao Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho llegal, de 14 de Junho e à Lei n.º 21/2009 – Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes, Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), manda que se proceda, nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, conjugado com o artigo 94.º do mesmo código, à notificação dos indivíduos abaixo mencionados, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte ao da publicação do presente édito, exercerem por escrito o seu direito de defesa, em virtude de terem eventualmente cometido infração ao disposto no Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal e à Lei n.º 21/2009 – Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes. Os eventuais infractores abaixo mencionados poderão levantar, dentro das horas de expediente, a respectiva nota de culpa no DIT, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, em Macau, sendo também facultada a consulta dos respectivos processos. Findo o prazo acima referido, os processos seguirão as respectivas tramitações nos termos do Código do Procedimento Administrativo. 1. Relativamente ao processo n.º 3352/2012, TAN GUANMENG (titular do título de identificação de trabalhador não-residente), que apesar de estar autorizado a permanecer na RAEM na qualidade de trabalhador, é suspeito de prestar actividade para empregador diferente daquele para o qual havia sido autorizado, cometendo eventualmente infracção ao disposto na alínea 2) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes. 2. Relativamente ao processo n.º 5155/2012, 孫潔蘭(romanizado em Sun Kit Lan) (clandestina), suspeita de ter exercido actividade em proveito próprio, sem a competente autorização administrativa para esse efeito, cometendo eventualmente infracção ao disposto na alínea 4) do artigo 2.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal. 3. Relativamente ao processo n.º 8883/2012, CHEN CULING (titular do passaporte da República Popular da China), suspeito de ter exercido actividade em proveito próprio, sem a competente autorização administrativa para esse efeito, cometendo eventualmente infracção ao disposto na alínea 4) do artigo 2.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal. 4. Relativamente o processo n.º 3193/2013, BI JING (titular do passaporte da República Popular da China), suspeita de ter exercido actividade em proveito próprio, sem a competente autorização administrativa para esse efeito, cometendo eventualmente infracção ao disposto na alínea 4) do artigo 2.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal. 5. Relativamente ao processo n.º 3194/2013, LI HONGXIA (titular de Salvo Conduto para Hong kong e Macau da República Popular da China), suspeita de ter exercido actividade em proveito próprio, sem a competente autorização administrativa para esse efeito, cometendo eventualmente infracção ao disposto na alínea 4) do artigo 2.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativa n.º 17/2004- Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 16 de Outubro de 2013.
A Chefe do DIT Luerdes Maria Sales
CARTAS DE CONDUÇÃO DA CHINA PODERÃO RODAR EM MACAU
Um Conselho Executivo do Trânsito “prudente” D OIS grupos “especializados” que pertencem ao Conselho Consultivo do Trânsito (CCT) começaram ontem a discutir com o Executivo a possibilidade das licenças de condução do interior da China poderem ser reconhecidas em Macau, com base no regime de reciprocidade. Contudo, as opiniões permanecem divergentes no seio do CCT, aponta um comunicado oficial. Os receios de mais acidentes nas estradas da RAEM e congestionamento no trânsito persistem. “Outros consideram que a pressão do trânsito rodoviário é já bastante grande, estando preocupados com o agravamento do problema com esta medida.” Por isso, pedem à Direcção para os Assuntos de Tráfego (DSAT) que faça uma “ampla auscultação das opiniões dos vários sectores sociais”, “tratando com prudência a questão”. Há ainda quem considere que “o reconhecimento recíproco das cartas sem necessidade de prestar exame de
condução, é uma tendência geral”, uma vez que entre Hong Kong e Guangdong isso já acontece desde 2004. Esse deverá ser, segundo os especialistas, o modelo a seguir.
LIGEIRO EM MACAU
Caso a ideia avance, os portadores de cartas de condução de categoria B poderão fazer a troca com a carta de condução C1 da China, que também corresponde aos automóveis ligeiros, bem como a carta C2, de automóveis ligeiros com caixa de velocidades automática. Para da dispensa de exame de condução, os portadores das licenças estão também dispensados das formalidades de registo no Departamento de Trânsito do Corpo de Polícia de Segurança Pública. Para tal, é necessário ser-se portador do Bilhete de Identidade de Residente de Macau e da carta de condução de veículo motorizado do Interior da China. Luís Gageiro, da DSAT, considerou que se trata de “uma das medidas mais importantes e convenientes
para os cidadãos” e lembrou os diversos projectos de cooperação regional que estão a ser desenvolvidos neste momento, o que fomenta uma maior ligação dos habitantes e permite “o controlo sobre os veículos no trânsito transfronteiriço”. As opiniões continuam, contudo, a divergir noutras questões ligadas a esta medida. “Uns entendem que, sendo Macau membro aderente da Convenção sobre o Trânsito Rodoviário, os residentes de Macau podem conduzir em diferentes territórios com carta de condução internacional, enquanto os turistas dos outros países e territórios podem utilizar a sua carta de condução internacional em Macau para o efeito.” O reconhecimento das licenças fomentará o desenvolvimento económico das duas regiões, segundo os vogais do CCT. “Só que, para tal, o Governo deve fazer bem o seu controlo, evitando que alguém aproveite essa conveniência, fazendo surgir outras questões de trânsito.” - A.S.S e C.L.
SOCIEDADE
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APENAS TRÊS BANCOS ANALISADOS DESDE 2007, DIZ GPDP
Phishing a cartões de crédito pode aumentar Não existem “casos graves”, mas Chan Hoi Fan, coordenadora do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais, afirma que há uma tendência de aumento dos casos de roubo de dados de cartões de crédito e ataques cibernéticos. Quanto à lei, deveria conter regras mais rigorosas para “dados sensíveis” o que acontece nesses casos. Há muitos ataques de hackers e de phishing, cada vez mais, porque tecnologicamente (os autores dos crimes) têm um nível bastante superior.” Apesar da tendência, a directora do GPDP diz que, em Macau, “não há situações graves com os cartões de crédito”. “Recebemos alguns casos sobre o tratamento indevido dos dados dos titulares dos cartões, como por exemplo algumas empresas comerciais que pediram uma cópia do cartão de identificação. Houve ainda casos de perda de cartões por parte dos bancos quando foram transferidos de Hong Kong para Macau.”
ANDREIA SOFIA SILVA* andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
directora do Gabinete de Dados Pessoais (GPDP) não tem dúvidas de que os casos de fraudes electrónicas de roubo de dados de cartões de crédito (phishing) ou outro tipo de ataques a websites (hackers) podem acontecer cada vez mais em Macau. Contudo, Chan Hoi Fan, coordenadora do GPDP, não vê necessidade de fazer mais investigações a bancos emissores de cartões de crédito. Só três foram alvo de análise desde que o GPDP foi criado, em 2007. “Sim (há uma tendência de aumento), mas isso não é da nossa competência, mas sim da Polícia Judiciária (PJ). De acordo com a Lei de Protecção de Dados Pessoais as medidas de segurança (a aplicar) dependem do tipo de dados pessoais que estão no sistema. se forem dados sensíveis, a lei não exige medidas muito rigorosas”, disse aos jornalistas à margem de um seminário sobre “segurança de dados e tendência de criminalidade de cartão de crédito”. Nesse sentido, Chan Hoi Fan defende medidas mais apertadas na actual legislação. “Com os ataques de hackers é sempre necessário haver mais segurança no sistema, e tanto os bancos como os operadores de cartões de crédito têm de ver
GPDP RECEBEU QUEIXAS
Com os ataques de hackers é sempre necessário haver mais segurança no sistema, e tanto os bancos como os operadores de cartões de crédito têm de ver o que acontece nesses casos. Há muitos ataques de hackers e de phishing, cada vez mais, porque tecnologicamente (os autores dos crimes) têm um nível bastante superior CHAN HOI FAN Coordenadora do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais
Metro Alternativas de traçado para Macau até ao final do ano
É
até ao final do ano que o Gabinete para as Infra-Estruturas de Transportes (GIT) vai apresentar alternativas para o traçado do sistema de metro ligeiro na península de Macau, disse à Rádio Macau André Ritchie, coordenador-adjunto do organismo responsável pela construção da infra-estrutura. Numa notícia avançada pela rádio, fica a saber-se que o Executivo
“está a fazer uma análise interna relativamente às possibilidades do traçado”, sendo que a “análise está já quase na fase de conclusão”, e “o Governo irá anunciar ainda dentro deste ano os resultados da análise”. Ritchie recorda que “as obras do lado da Taipa tiveram início já há mais de um ano”, havendo por isso um desfasamento temporal de um ano e seis meses
relativamente ao traçado de Macau, cujas obras ainda não começaram. O atraso deve-se em parte, diz, ao relatório apresentado pelo Comissariado Contra a Corrupção. “O GIT fez uma análise interna relativamente aos comentários feitos, fez um estudo aprofundado sobre todos os impactos possíveis. Há algumas alternativas que são apresentadas, mas neste momento não quero
adiantar muito mais do que isso.” Em Setembro do ano passado, o CCAC divulgou um relatório de investigação sobre a alteração do percurso do metro na zona do NAPE, considerando que não foram apresentados “fundamentos convincentes” nem “qualquer suporte científico e técnico” para substituir a Avenida Dr. Sun Yat Sen pela Rua de Londres no traçado.
No total foram feitas um total de 14 queixas junto do GPDP sobre “a inadaptação na recolha de dados” dos cartões de crédito ou a perda dos mesmos, confirmou Chan Hoi Fan. A maior parte das queixas, 13, já viu concluída a respectiva investigação. O GPDP já lançou, entretanto, um guia para a melhor utilização dos dados pessoais nos cartões de crédito. No seminário estiveram ainda presentes um responsável da PJ e outro da Associação de Cartões de Pagamento de Macau, cuja apresentação foi feita em chinês. No final, os autores das apresentações recusaram a cedência dos discursos aos jornalistas. - *com Cecília Lin
“HÁ SEMPRE NECESSIDADE DE REVER A LEI” Chan Hoi Fan acredita que há “sempre a necessidade de rever e alterar a lei (de dados pessoais), porque foi publicada em 2005 e entrou em vigor há muitos anos”. Será então essa revisão mais urgente à medida que o sector do jogo for aumentando? “Isso não depende se há ou não mais casinos. A aplicação dos dados tem sempre novas tendências a nível internacional. Nesse sentido precisamos de ver o que está a funcionar em termos internacionais. Mas temos sempre necessidade de rever a lei.”
GPDP RECEBEU 300 PEDIDOS PARA CCTV A directora do GPDP garantiu ainda que as lojas já enviaram 300 pedidos de registo para terem uma câmara de videovigilância, tendo Chan Hoi Fan garantido que há sempre uma análise quanto ao local de instalação da câmara e que existem recomendações criadas para os proprietários. Contudo, ainda não existem casos de violações a esse nível.
ENTIDADES PRIVADAS LIDERAM CASOS No que diz respeito a novos casos tratados pelo GPDP, o organismo já analisou 85 entidades privadas, o que representa 75,9% da totalidade dos casos. Por outro lado, entidades públicas foram apenas 19. Chan Hoi Fan garantiu que, até ao momento, nenhum departamento do Governo foi analisado, mas não quis especificar quais são as entidades públicas que constam no documento fornecido aos jornalistas. As razões das investigações prendem-se com “a falta de legitimidade no tratamento dos casos” (59,8%) ou a “não observação dos princípios no tratamento de dados” (25,9%).
6 sociedade
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REVISÃO DA LEI DA DROGA PODERÁ SER CONCLUÍDA ATÉ AO FINAL DO ANO, DIZ GOVERNO
Crime mantém-se, penas agravam-se
O IAS está a preparar a revisão da lei que proíbe o consumo e tráfico de drogas “até ao final do ano”. O agravamento das penas sobre tráfico e o reforço do tratamento para consumidores são as questões prioritárias já que “a descriminalização” do consumo ainda “tem um longo caminho a percorrer” em Macau, diz Celeste Mui RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
A
descriminalização do consumo de drogas é pensada por muitos responsáveis como o caminho para o sucesso no combate à toxicodependência. Mas nem todas as sociedades estão preparadas para a sua implementação. Macau parece ser um desses casos, pelo menos, para já. A vice-presidente do Instituto de Acção Social (IAS) não exclui a descriminalização como tópico a ser estudado pelo Governo e, especificamente, pela Comissão de Luta contra a Droga, mas admite, em opinião pessoal, que “em Macau ainda falta muito tempo” para fazer desta política uma realidade. “Reconheço alguns aspectos positivos da descriminalização mas, de acordo com a lei, não será fácil [descriminalizar]”, adianta aos meios de comunicação Celeste Vong Yim Mui, à margem da conferência mundial sobre as drogas e a família, com lugar até ao dia 25 de Novembro no Westin, em Coloane. “Ainda não me atrevo a dizer que sim ou não”, frisou. Segundo a responsável, a Comissão de Luta contra a Droga, subordinada à secretaria tutelada por Cheong U, está encarregue de avaliar junto com o IAS “até ao final do ano” a lei que proíbe o consumo e tráfico de estupefacientes e muitos tópicos estão em cima da mesa, nomeadamente, a própria descriminalização. “Perguntaremos a opinião dos membros e dos departamentos governamentais respeitantes. Depois, teremos uma conclusão sobre as opiniões no final do ano e, chegado a um consenso, apresentaremos ao Conselho Executivo para revisão do diploma”, garantiu vice-presidente do IAS. “Um dos pontos poderá ser as penalizações para o tráfico e a nova lei, lançada em 2009, depois de quatro anos percebemos que há coisas que devem ser melhoradas. E preocupamo-nos com o tratamento. Esperamos que quando temos em mãos estes casos - quer através das autoridades ou de assistentes sociais - tenham tratamento condicional. [Os potenciais toxicodependentes] terão para isso de ser sujeitos a um exame”, adiantou Mui. Actualmente, a moldura penal para o tráfico
Augusto Nogueira
ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas é punido com pena de prisão entre três e 15 anos.
DESPENALIZAÇÃO COM “BONS RESULTADOS”
A Cecília Mui não escapa o caso de Portugal. E, nesse aspecto, foi a Maria de Belém Roseira a quem coube apresentar a “despenalização” das drogas, coberta pela legislação de 2001, e os seus “bons resultados” na mesma conferência, ontem à tarde. “Não deixa de ser crime o consumo de droga mas não há aplicação de pena em determinadas circunstâncias”, começa por definir a ex-ministra da Saúde. Ou seja, “a detenção para consumo próprio”, depois de definidas as quantidades limiares de posse de estupefacientes permitidas, “não é objecto de pena”. “Um toxicodependente é um doente e tem de ser abordado nesse sentido para garantir o seu tratamento e a sua reintegração. A abordagem da toxicodependência através do sistema criminal não resolve o problema”, salienta a também fundadora da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. As consequências desta política, decidida numa cooperação entre ministérios, são conhecidas e “tem levado a que haja um decréscimo do consumo perigoso”. “Tem levado também a um decréscimo das doenças infecciosas ligadas às drogas”, frisou Maria de Belém, sobre uma legislação que é “objecto de teses em países exigentes como os Estados Unidos da América e Inglaterra”.
Nuno Jorge
No entanto, antevê, se à data o processo foi complexo e alvo de muitas objecções, Macau não deverá ter melhor sorte. “Foi uma abordagem muito difícil, uma discussão que se alongou já depois de sair do Governo e entrar no Parlamento Europeu [...] na altura foi muito flagelada pelos partidos mais à direita com acusações das mais diversas e projecções das mais catastróficas.”
Outro dos programas em que Portugal foi pioneiro refere-se à “troca de seringas”. Neste campo, Augusto Nogueira, presidente da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), entende que é matéria para ser revista em Macau. “A nível prioritário, seria importante rever a lei dos utensílios para que o programa de troca de seringas possa funcionar na sua plenitude e acho que não faz sentido existir se a lei criminalizar a posse de seringas”, explicou ao HM. Por outro lado, é também no campo das penalizações que não faz sentido equacionar a sua revisão em alta. “Não faz sentido aumentar as penas porque mesmo que se aumente, se compararmos com a China e outras regiões, onde existe sentença de morte, Macau continua a ser o sítio ideal para o tráfico. Tem de haver avaliações da forma como a droga passa ou entra em Macau porque os traficantes estudam todos os pormenores e atentam a todos os detalhes. Acho que devíamos endereçar mais os nossos esforços para prevenção e tratamento. Punição por dissuasão seria o modelo mais abrangente e saudável para podermos ajudar as
EM HONG KONG NÃO SÃO “ESTIGMATIZADOS”, DIZ CIENTISTA SOCIAL “As grandes punições não estão a resultar. As pessoas continuam a correr riscos. Mesmo em países com a sentença de morte. Não tem a ver com aumentar as penas mas por que a sociedade cria oportunidades para pessoas tão vulneráveis”, evidencia ao HM Gemma Law, directora de Educação e Treino da Associação de Hong Kong de Profissionais Especializados em Aconselhamento sobre Vício, ao defender que “a legalização de substâncias psicotrópicas deve ser cautelosa”. O importante, defende é a educação. “Em Hong Kong, providenciamos um conhecimento básico sobre as drogas e também com o tabaco, conseguindo uma redução do consumo.” E, por outro lado, a não punição em qualquer caso e a inclusão. “Alguns jovens infractores estão apenas a ser usados logo consideramos que não estão no negócio e tentamos ajudá-los para perceberem que o que fizeram é errado. Tentamos não estigmatizá-los. Não pomos toda a gente na prisão, dependendo se consomem ou traficam”, explica sobre a situação legal na região vizinha.
NOVA LEI DE DROGA NÃO DIMINUIU O CRIME, DIZ MP A delegada do procurador do Ministério Público (MP), Lau Ian Chi, admite que a nova lei de droga foi implementada há quatro anos mas não teve os efeitos esperados. Os números do crime aumentaram, sobretudo, em casos que envolvem adolescentes. Lau sublinhou que em vez da moldura penal para as violações de menores, o mais importante é ajudá-los na reintegração na sociedade e, ao mesmo tempo, fortalecer a educação preventiva.
pessoas e ao mesmo tempo forçá-las”, sugeriu. No campo da despenalização, Portugal é entendido como referência. “Gostaríamos que houvesse a despenalização do consumo com o acompanhamento como em Portugal de uma comissão dissuasora, portanto, onde houvesse acompanhamento ao jovem a nível de tratamento. Se é possível ou não em Macau? Há um longo caminho a percorrer. Há mentalidades a mudar. E de melhoramento de tratamento”, frisa, até porque “a sida reduziu bem como número de overdoses e mais pessoas procuraram tratamento”. “A legalização não será o melhor método para eliminar por completo os quartéis de droga porque eles têm tempo, dinheiro e temos de lidar com tudo isso e mais a corrupção de oficiais e policiais.”
INFRACÇÕES DE ACORDO COM O TIPO DE TRÁFICO, DIZ NUNO JORGE
A mesma posição é defendida por Nuno Jorge, presidente da Federação Internacional de Organizações Não-governamentais para a Prevenção das Drogas e Abuso de Substâncias (IFNGO) e da Organização das Famílias para a Ásia e Pacífico (OFAP), entidades organizadoras desta segunda conferência mundial com lugar em Macau, depois da de 2007. “Não faz sentido pôr um jovem por uma pequena infracção, por uma coisa de juventude na cadeia onde vai sair doutorado em crime e, mais do que isso, melhor do que nas universidades, vai sair com crime e com emprego”, entende o responsável destas duas entidades com estatuto especial junto das Nações Unidas. “Temos de distinguir o tipo de tráfico. Uma coisa é o consumidor que venda pouca quantidade de droga e outra coisa é o crime organizado , que tem muitos outros problemas - tráfico humano, branqueamento de capitais, fundo de corrupção.” A despenalização, sustenta, embora com reservas sobre os diferentes níveis de evolução e controlo das sociedades, é o caminho. “Mas nem todas as drogas podem estar ao mesmo nível [...] Pelo menos as drogas leves devem ser despenalizadas e sobre as outras é preciso ver as circunstâncias”, explica.
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JOGO GRANT BOWIE FALA DO PAPEL DO GOVERNO
“MARATONA DA ESPERANÇA” ACONTECE NO DOMINGO
“O regulador não Caridade para o Kiang Wu deveria ser o colector” H A ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
S responsabilidades devem ser partilhadas entre Governo, operadoras e sociedade no que ao jogo responsável e aos problemas mentais decorrentes desta actividade dizem respeito. A ideia é defendida por Grant Bowie que, embora reconheça o esforço do Governo, entende que “as estratégias que estão a ser planeadas em Macau não são céleres e o programa de colaboração não é tão eficiente”, frisou ontem na conferência mundial sobre a droga e família. Por outro lado, o director-executivo da MGM, questiona ainda se deveria ser o Governo a ter o papel conjunto de colector de impostos e regulador do mercado do jogo. “O regulador não deveria ser o operador e provavelmente nem mesmo o colector de impostos porque as regulações são levadas para o aumento dos impostos e não para criar uma sustentabilidade social e económica”, destacou na apresentação sobre “As tentações da vida”. Aos jornalistas, o empresário justificou o comentário com a “tensão teórica e académica” em que o Governo assume ambos os papéis quando essas “funções são separadas”. “Esses mecanismos costumam funcionar na maioria dos ambientes e acho que em Macau está a desenvolver-se com o tempo. A secretaria dos Assuntos Sociais e Cultura e mesmo a Administração estão mais envolvidas nos assuntos associados ao jogo”, revela. “O jogo responsável é uma iniciativa que está agora a ser seriamente debatida em Macau e tem de ser continuada mas precisa de ser uma colaboração entre a comunidade, operadores e o Governo.”
2 A 3% DE PATOLÓGICOS
Questionado sobre se há uma ideia do número de jogadores patológicos na estrutura de clientes do MGM, Grant Bowie fala apenas numa estimativa universal. “Há muitos estudos globais e a indicação é de que entre dois a três por cento de todos os jogadores podem ser patológicos. É uma percentagem pequena mas eles tendem a gastar
muito dinheiro. Afecta muito a rede de ligações dessas pessoas e, por isso, não deve ser subestimado”, revela. Numa visão mais particular sobre Macau, Bowie identifica que “particularmente os jovens, que são novos na indústria, podem ser susceptíveis a esse tipo de actividades”. E, por essa razão, há já programas de acompanhamento - desenvolvidos sobretudo por organizações não-governamentais e apoiados pelos casinos. “Tentamos providenciar informação além de instalações e serviços de aconselhamento mas reconheço que enquanto comunidade amplamente activa deve ser algo onde devemos perder mais tempo”, sustenta. Grant Bowie não tem dúvidas ainda de qual o papel dos operadores nesta matéria. “A nível de informação e educação mas também de estratégias de intervenção a adoptar. Em termos de reabilitação e aconselhamento, temos um papel a desempenhar ao levarmos as pessoas a procurarem ajuda mas se pensarmos, na pessoa que se precisa de reabilitar, esse processo tem de ser independente de nós. Na cabeça de muita gente, nós somos um dos problemas”, salienta. O CEO da MGM realçou também um fenómeno “sensível” sobre situações prejudiciais “não apenas aos locais mas a comunidades na China”. E, nessa matéria, além da cooperação já definida com o governo local não deu conta de novas sinergias. No âmbito da conferência, questionado pela audiência sobre formas de prevenir “pobres” de jogarem, o responsável da MGM foi claro: não há. “Há um tempo em que podem fazer uma escolha. Como é que se protege alguém de tomar decisões quando se lhes é dado o direito de escolha?”, deixou em aberto.
Lei do Tabaco 16 casinos falharam nos testes e declaram objecção
O director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chi Ion, afirmou, ontem, que no segundo exame à qualidade do ar dos casinos, os 16 que “chumbaram” apresentaram declarações de objecção aos SS. Será aberto o processo para responder às declarações de cada um, depois então decidiremos e comunicaremos se vai ser reduzida a área de fumo dos casinos infractores. Desde a implementação da Lei do Tabaco, 28 casinos não passaram no primeira exame e de entre os 16 casinos que falharam o segundo exame a maioria são da Sociedade de Jogo de Macau (SJM).
Á quatro anos que o centro de investigação do cancro do hospital Kiang Wu recebe doações da “Maratona da Esperança” (em inglês, Run for Hope) e este ano a ajuda deverá manter-se. Royal Rowe, director-geral do hotel Four Seasons, que organiza a corrida, explica que em 2012 foram doados cerca de 100 mil patacas para o centro, valor que pode mesmo subir nesta edição. No total, a corrida gerou 200 mil patacas, divididas em 50% com o orfanato Evangelize China Fellowship. “Até agora já temos 110 mil patacas, mas acredito que possamos obter mais dinheiro até Domingo. A maior parte do dinheiro ainda está por chegar, por isso não posso dar um número certo de quanto podemos conseguir. Mas muito dinheiro não vem das doações, mas sim dos patrocínios”, disse ao HM. Questionado sobre a ajuda a um hospital privado que recebe muito dinheiro da Fundação Macau (FM) e do próprio Governo, tal como a Associação de Beneficência do Kiang Wu, Royal
Rowe justifica a manutenção do apoio. Isto porque o objectivo da “Run for Hope” sempre foi dar apoio nesta área. “Pensamos, em primeiro lugar, que um hospital público possa ter acesso a mais fundos. Além disso, queremos fazer doações na área do cancro para a equipa de investigação. O dinheiro distribuído pode ajudar e é, de facto, aplicado em novos equipamentos.” Segundo dados recentes publicados em Boletim Oficial e noticiados na imprensa, o hospital Kiang Wu recebeu 54,42 milhões de patacas dos Serviços de Saúde (SS) no último verão, sendo que 46,34 milhões foram para o hospital e o restante montante para o Instituto de Enfermagem. Entre Janeiro e Março, todas as entidades ligadas ao Kiang Wu absorveram 81,07% dos subsídios concedidos pelos SS. No primeiro trimestre do ano, a Fundação Macau (FM) deu cerca de 80 milhões de patacas em apoios financeiros. Em Junho do ano passado, por ocasião de uma visita dos responsáveis da FM ao Kiang Wu, Fong Chi Keong, deputa-
do e presidente da associação de beneficência, disse que “as despesas com a reparação e manutenção dos equipamentos do hospital são bastante elevadas e são um dos principais encargos da associação”. “Embora o Governo apoie parcialmente os custos, o hospital deverá assumir um valor elevado nesta componente”, disse, com base num comunicado oficial.
AJUDAS NA ORGANIZAÇÃO
Este ano a “Run for Hope” conta com algumas novidades, e uma delas é a introdução de novos organizadores. “Nos primeiros anos sempre organizamos a corrida sozinhos, até que percebemos que iríamos precisar de ajuda”, disse Royal Rowe. Esta chegou este ano da parte da Escola Internacional de Macau (International School of Macao) e da Câmara de Comércio do Canadá em Macau. A 5.ª edição da “Run for Hope” acontece no Domingo e são esperadas cerca de 400 pessoas, “quase o dobro do número de participantes do ano passado”. Para além de outras actividades, os participantes podem optar pela corrida individual de cinco quilometros ou pelo passeio familiar de três quilómetros. Para já, as instituições a receber apoio deverão manter-se. “Provavelmente não (vamos expandir). O grande objectivo da Run for Hope é ajudar na luta contra as doença cancerígenas e gostaríamos de manter essa linha.”A“Run for Hope” nasceu há 30 anos no Canadá e é inspirada no jovem canadiano Terry Fox, que lutou contra a doença e percorreu o país a pé para angariar fundos de combate à patologia.
Palestra chama a atenção sobre a falta de educação sexual
A
palestra “Menores e o sexo” discutiu na segunda-feira o crime sexual dos menores. O presidente da Associação de Pesquisa de Delinquência Juvenil de Macau e Hong Kong, Cheng Cheuk Ming, lamenta ter convidado cerca de 100 escolas para assistir ao evento mas apenas uma escola se mostrou disponível. Cheung defendeu que o abuso a menores deve ser crime público pelo que se impõe uma lei independente. O Governo, as escolas e os pais defendem que o crime sexual se deve à falta de educação, diz o responsável. Mas
Cheng Cheuk Ming entende que o ensino sexual nas escolas não é suficiente e que é recomendável formarem-se mais agentes profissionais e regular as aulas, além de que o Governo deve fortalecer a promoção. Segundo a Lei de Bases do Sistema Educativo Não Superior, os Serviços de Educação e Juventude não têm poder para obrigar as escolas a implementarem a educação sexual. Cheng Cheuk Ming disse que o ensino começa a promover a disciplina embora apenas 10% das escolas públicas. A nível privado, o ensino religioso recusa-se a dar conhe-
cimentos sobre as relações sexuais, no âmbito da disciplina, e a maioria das escolas tradicionais recusam-se a incluir a educação sexual no programa curricular. O académico da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, Tam Chi Keong, disse que alguns pais são ainda “mais reservados do que os padres ou irmãs” no que ao sexo diz respeito. Contudo, a presidente da Associação de Educação de Macau, Ho Sio Kam, defende que algumas escolas religiosas e tradicionais estão na vanguarda ao providenciarem a educação sexual. - C.L.
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CHINA
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e os pesticidas não entram e os fertilizantes são naturais. Todas as manhãs, os agricultores, mulheres e homens, descem à sua parcela pelos caminhos serpenteados entre os degraus.
PAISAGEM PROTEGIDA
TURISMO DE MASSA COMEÇA A AFECTAR A CULTURA HANI EM YUNNAN
Arrozais a património mundial MARIA JOÃO BELCHIOR Em Pequim
A
paisagem faz lembrar uma pintura com cores que se alteram consoante a luz do sol. Matizes que se espalham pelos degraus de água, delimitados pelos pequenos caminhos de terra que os dividem e separam. Em cada degrau, um arrozal. E milhares a compor a tela onde os arrozais alagados nos socalcos das montanhas fazem dos vales num reflexo do céu. Os caminhos que atravessam as culturas de arroz sobem e descem num cenário labiríntico de repetição. Para as minorias Hani e Yi, as maioritárias na região, não há que enganar. Sabe-se a quem pertence cada porção de terra e qual o caminho mais curto para chegar até ela. Yuanyang, no sul da província de Yunnan, guarda o intemporal das grandes paisagens. Desconhecidos dos turistas durante muitos anos, os arrozais junto ao rio Hong, estão agora rodeados de aldeias em processos de reconstrução. Parte do
plano de colocar os arrozais na lista de património da Unesco, a modernização da região trouxe estradas, casas novas, hotéis, uns com mais personalidade que outros, vivendas de gente de fora, e escolas. E um bilhete de entrada com um preço de 100 Renminbi para visitar os miradouros onde é a luz do sol que coordena qual a melhor paisagem e hora para as fotografias.
UM ARROZ QUE CRESCE MUITO
Com uma área de mil quilómetros quadrados, a região de Yuanyang começou a ser habitada pelo povo Hani há quase 1300 anos atrás. Vindos do norte, os Hani estabeleceram-se entre as montanhas de Ailao e criaram nestas a sua própria subsistência. É a harmonia que resultou desse encontro entre o homem e a natureza que foi agora assinalada pela Unesco com a entrada de Yuanyang para a lista de paisagens culturais mundiais. OS terraços em cascata chegam a dividir-se em mais de três mil desde o topo até ao sopé da montanha. Vê-se uma maqueta com vários andares na qual o sistema de
irrigação imaginado há centenas de anos continua a funcionar. Junto ao rio Hong, que significa vermelho em mandarim, o arroz que ali se cultiva é para consumo da região. E chamam-lhe o arroz vermelho pela cor que tem, embora se trate de uma gradação de um castanho claro que lhe dá o nome. “Em Pequim não se come este arroz” diz um habitante da região. “Mas em tempos foi precioso” continua. O arroz vermelho tem a particularidade de “crescer mais”, como explicam. Nos tempos da grande fome com um punhado daquele arroz conseguia-se comida para muito mais pratos do que com o comum arroz branco. E era a comida mais necessária para os mais pobres naquela região que durante tanto tempo esquecida. Mas os tempos são outros e com eles as vontades, e o arroz é visto agora como uma iguaria da região, mas que não tem o sabor nem a qualidade do arroz branco. “É como se fosse comida apenas para pobres hoje em dia” dizem. “Só se come por ser daqui porque de outra forma, não tem estatuto”.
Mas se não chega para impressionar quem vem das cidades longe, o arroz totalmente orgânico de Yuanyang continua a ser a alimentação dos Hani e dos Yi. Com uma ou duas parcelas por família, é cultivado seguindo métodos tradicionais onde as máquinas
Se por um lado, a chegada de mais turistas traz mais dinheiro à região, o perigo, da massificação de visitantes, à semelhança do que sucedeu noutros locais da província de Yunnan, coloca dúvidas sobre o futuro dos arrozais
Durante séculos a passagem do tempo não alterou a paisagem nem as formas tradicionais de vida.Amuitos locais só se chega pelas estradas de terra e quanto mais longe, mais alta a probabilidade de encontrar quem fale mandarim corrente. No encontro mundial da Unesco que teve lugar em Phnom Pehn no Cambodja em Junho deste ano, os arrozais Hani de Yuanyang entraram na lista do património mundial na categoria de paisagem cultural. Para algumas das cerca de 82 vilas da região, cada uma com 50 a 100 casas, a notícia leva tempo a chegar. A área dos arrozais em Yuanyang cobre mais de 16 mil hectares. Muitas pequenas aldeias estão literalmente escondidas nas florestas e quem ali vive sabe pouco de mandarim. Os dialectos continuam a ser a regra e não a excepção. Apesar do desenvolvimento dos últimos anos, nas aldeias entre os terraços de arrozais a vida continua a estar cingida ao muito básico. A entrada na lista da Unesco, um projecto que já durava há alguns anos, promete vir a mudar isto. Mas há dois lados da moeda. Se por um lado, a chegada de mais turistas traz mais dinheiro à região, o perigo, da massificação de visitantes, à semelhança do que sucedeu noutros locais da província de Yunnan, coloca dúvidas sobre o futuro dos arrozais. Os hotéis já chegaram, mas em muito pequeno número. Continua a ser fácil escolher em que sítio dormir devido à oferta ser tão pouca. Os edifícios em construção são como um aviso do que vai acontecer. Com mais hotéis, o comércio tradicional que acontece apenas no mercado, dará lugar a lojas de souvenirs da região, o que por sua vez, pode levar ao abandono do trabalho na terra. Consciente dos erros já cometidos noutros locais, a mensagem da Unesco alerta para a necessidade de não desvirtuar a cultura local e proteger o meio ambiente. Investir na comida orgânica, no comércio tradicional e na preservação da arquitectura tradicional, são avisos que ficam. Por enquanto, os sinais em inglês estão limitados a algumas aldeias e a maioria dos habitantes continua a pertencer às minorias Yi e Hani. Mas os bilhetes de entrada para os miradouros sob os terraços já têm data de validade e avisam que por um bilhete só se pode entrar uma vez em cada um dos locais. As fotos ainda são livres. E um motorista da etnia Yi já começa a ver o outro lado do negócio ao dizer – “eu posso levá-los a sítios onde ainda não se paga para ver”.
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PEQUIM TENTA DEFINIR TAMANHO DA DÍVIDA DE GOVERNOS LOCAIS
Quem controla? O Governo da China deverá divulgar nas próximas semanas o resultado de um ambicioso esforço para calcular um número aparentemente simples, ou seja, o montante dos empréstimos bancários e de investidores que os Governos locais do país fizeram nos últimos anos. As estimativas variam tanto que são quase inúteis. Autoridades do Governo, analistas e economias citaram valores que vão desde cerca de 20 biliões de patacas a 40 biliões de patacas, equivalentes a 30% e 60% do Produto Interno Bruto (PIB). “O mais assustador é que mesmo o Governo central não sabe ao certo o tamanho da dívida dos Governos locais”, comentou Hu Yifan, economista da corretora chinesa Haitong International. As incertezas sobre o volume da dívida revelam um outro problema que ameaça o sistema financeiro da China: a falta de controlo do Governo central sobre os empréstimos feitos pelos municípios. PUB
Segundo os últimos dados do Escritório de Auditoria Nacional da China, a dívida de Governos locais no final de 2010 estava em cerca de 11 biliões de patacas, ou 27% do PIB. Mas o recurso aos empréstimos cresceu muito desde então, com os municípios a procurarem manter o ritmo de crescimento face à redução dos estímulos que Pequim havia adoptado para compensar os efeitos da crise financeira global. As dívidas de Estados
Importações de têxteis portugueses crescem 37%
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e municípios nos EUA, em comparação, é de cerca de 24 biliões de patacas, de acordo com o Federal Reserve de St. Louis, correspondendo a cerca de 18% do PIB. “A dívida de Governos locais (chineses) tem vindo a crescer a um ritmo anual de quase 20% nos últimos dois anos. Se esta tendência continuar, vai definitivamente trazer riscos sistémicos para a economia da China”, afirmou o economista Zhiwei Zhang, da Nomura.
S importações de têxteis e vestuário portugueses para a China cresceram cerca de 37% nos primeiros oito meses de 2013, ultrapassando os 500 milhões de patacas. “Há uma dinâmica muito positiva neste sector”, disse o delegado em Xangai da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Filipe Santos Costa. Filipe Santos Costa falava a propósito da “Intertextile Xangai 2013’, um dos mais importantes certames mundiais do sector, que começou esta segunda-feira na capital económica da China com cerca de 3700 expositores de 35 países e regiões, entre os quais Portugal. Oito empresas portuguesas (mais duas do que em 2012) participam este ano na feira: Arco Texteis, Gierlings Velpor, Lemar, Riopele, Somelos, Teviz, Têxtil Serzedelo e Troficolor. Segundo Filipe Santos Costa, “Portugal tem tido sucesso como fornecedor
de grandes marcas internacionais”, mas “há cada vez mais empresas portuguesas com presença directa na China e a exportar sob as suas próprias marcas”. No ano passado, a directora executiva da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Sofia Botelho, tinha explicado este crescimento: “Os chineses são fortes na confecção devido à mão de obra barata, mas as marcas chinesas de gama média e alta precisam de mais qualquer coisa que lhes dê valor acrescentado e que as diferencie uma das outras”. “Eles reconhecem-nos como europeus, ao lado dos italianos, com um nível de preços e de qualidade idêntico”, acrescentou na altura a especialista, que representa também a Associação Selectiva Moda, o organismo da ATP encarregue de promover o país nas feiras internacionais. A Intertextile Xangai 2013, que decorre até à próxima quinta-feira, é organizada pela Messe Frankfurt.
Três chefes de Governo de visita à China
Três chefes de Governo - da Rússia, da Índia e da Mongólia - iniciaram ontem visitas oficiais à China, numa rara coincidência e que ilustra a crescente projecção global da nova potência emergente na Ásia Oriental. “Este ano, a diplomacia chinesa tem revelado ousadia e determinação, adquirindo maior iniciativa na cena internacional apesar da existência de complexos e aparentemente irresolúveis problemas”, comentou um jornal do Partido Comunista Chinês. A série de visitas começou ao princípio da manhã (hora local) com a chegada do primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, seguida da aterragem à capital chinesa dos chefes de Governo da Mongólia e da Índia, Norov Altankhuyac e Manmohan Singh, respectivamente. A China faz fronteira com estes três países e nos últimos anos tornou-se um dos seus maiores parceiros comerciais.
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JAPÃO
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A CONFUSÃO NO METRO DE TÓQUI
Humanos que T
ÓQUIO é mundialmente famosa pela sua densidade populacional e isso torna-se evidente quando chega a hora de apanhar o metro. Quem ainda não viu vídeos de seguranças japoneses a empurrarem a multidão para dentro do transporte, de forma a que todos caibam lá dentro? Desta vez, a situação chamou a atenção de Mi-
chael Wolf, fotógrafo alemão que vive entre Hong Kong e Paris. O artista é conhecido por captar a forma como as pessoas se movem dentro de grandes centros urbanos e compilar fotografias em livro. A série no metro de Tóquio – chamada de Tokyo Compression – faz parte de um terceiro volume publicado por Wolf, onde as fotografias – nunca antes vistas – mostram o
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IO PELA LENTE DE MICHAEL WOLF
e se moldam desconforto, o cansaço, o suor e o incómodo que sente quem usa o metro na capital japonesa todos os dias. Wolf explica que pretende que quem olhe para as fotografias se conecte imediatamente ao lado emocional destas ‘vítimas’ da urbe, independentemente de ter ou não já presenciado e vivido na pele esta experiência. Alguns cerram os olhos,
outros olham directamente para a lente da câmara fotográfica. Seja como for, é desconcertante: não passam de sujeitos presos dentro de um vidro de uma carruagem, corpos atrás de corpos empurrados para um mesmo ambiente - um comboio a abarrotar – onde a localização das pessoas se torna tão irrelevante que, aos olhos de quem vê, elas parecem meros fantasmas.
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ENTREVISTA
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MARIA DE BELÉM ROSEIRA APLAUDE O “VISTO GOLD” MAS QUER MAIS
“É precisa uma política de investimento
GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo
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presidente do Partido Socialista está em Macau no âmbito de uma conferência mundial sobre a droga e família que está a decorrer no Westin até à próxima sexta-feira. Ao HM falou, entre outras coisas, do seu regresso ao território, do Orçamento de Estado português, do problema entre Portugal e Angola e da política do “visto gold”: “o que nós precisávamos de ter, para além do “visto gold” era uma política de investimento em Portugal que permitisse a criação de emprego, principalmente para os nossos quadros mais elevados que, infelizmente, estão a abando-
nar o país e a comprometer o nosso desenvolvimento futuro.” Um regresso a Macau. Como é que se sente e vê o território? Sinto que Macau é sempre uma surpresa. Uma surpresa pela dinâmica que aqui se assiste. Uma dinâmica no sentido de um desenvolvimento económico que deverá ser sempre associado um desenvolvimento humano, no meu entender, e naquilo que é a minha leitura das coisas. Macau é uma região da China que é próspera e que tem garantido sucesso económico e o sucesso económico deve sempre estar associado, como disse, ao sucesso do desenvolvimento humano. Essa é a minha perspectiva. É sempre muito agradável regressar ao ter-
ritório. Estive aqui há quase 30 anos. Conheci uma Macau ainda muito pequena, muito limitada em termos das oportunidades. Hoje há mais oportunidades e quando isso acontece também podem acontecer mais riscos. Portanto, a nós, interessa-nos sempre investir no sentido das oportunidades positivas, tentando diminuir os riscos. Esta conferência também trata disso. Trata do problema das dependências. Não apenas das dependências de substâncias mas das dependências em termos de comportamentos aditivos, como é a questão do jogo que está muito presente em Macau. Aqui se está a reflectir sobre problemas sociais, problemas humanos que são problemas em qualquer parte
do mundo e que aqui também não são algo de isolado. Esta dependência económica excessiva do jogo é prejudicial a Macau? Não conheço essa matéria e sobre o que não conheço bem não gosto de me pronunciar. Portanto, acho que estão aqui, em Macau, muitas pessoas com funções que lhes permitem conhecer esse problema e reflectir sobre ele, bem como encontrar formas inteligentes e sensíveis de lidar com ele. A lei do erro médico está para ser discutida na Assembleia Legislativa de Macau. O Governo propõe uma Comissão de Perícia para investigação apenas quan-
do requerida pela vítima. Da sua experiência na área da saúde em Portugal, como vê esta posição? Em Portugal temos um sistema de avaliação por pares. O poder disciplinar cabe à Ordem dos Médicos e, como é evidente, o Estado tem os seus mecanismos próprios de fiscalização como, por exemplo, a Inspecção das Actividades da Saúde. Para além disso, a Entidade para a Regulação da Saúde também tem responsabilidades neste domínio. Os profissionais da saúde tem essa garantia de avaliação dos erros cometidos na prestação de cuidados médicos. Seja como for, e como é evidente, têm que haver regras de boa prática que são impostas pelas associações públicas e muitas vezes o incumprimento
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que permita a criação de emprego” dessas regras é mais avaliável pela vítima do que propriamente, à priori, por comportamento oficioso dessas entidades. Mas uma coisa não dispensa a outra. Tem que haver comissões de pares que façam essa avaliação e depois, tem que haver uma atenção muito grande de todas as vítimas e às situações que elas apresentam. Tem de ser uma actuação de ambos os lado. Mudando de assunto. Dom Duarte Pio disse em entrevista ao HM, recentemente, que o Estado português só atrapalha em termos de investimento externo. Quer comentar? E é verdade. O actual Governo acabou com um programa muito intenso, que existia, de desburocratização que era muito importante para facilitar a vida às empresas e às pessoas em geral. Aliás, não há nem nenhum programa de desburocratização, nem nenhum programa de reforma de Estado, ao contrário do que foi anunciado, e os prazos para a sua apresentação têm sofrido sistematicamente derrapagens.Acho gravíssimo que o entendimento que o Governo de Portugal tem em relação a uma reforma do Estado é apenas uma política assente em cortes que podem desequilibrar completamente um funcionamento que se pretende harmonioso e, por outro lado, também acho absolutamente inaceitável que a desburocratização – como grande eixo estratégico no sentido de tornar o País mais competitivo para investimento externo – tenha sido abandonada. Os resultados estão à vista pois tivemos uma redução de investimento na ordem dos 30%, o que é algo absolutamente inaceitável num país que precisa desesperadamente dele para se desenvolver. O herdeiro da Casa Real portuguesa também referiu que Macau ainda poderia ser de
Portugal se não fossem as más políticas da República. Ora bem. Acho que toda a política das Nações Unidas foi no sentido da auto-determinação e acabar com domínios estrangeiros de territórios nacionais de um determinado país. A entrega de Macau à administração chinesa foi um processo natural e à altura dos tempos, e foi, sobretudo, um processo que correu bem. Penso, aliás, que foi bem apreciado quer do lado de Portugal, quer do lado da China. E isso é bom, porque administrar um território que não nos pertence nem é uma coisa fácil, nem é, muitas vezes, uma coisa desejável. O que é importante é que a história que passou cimente relações de confiança e um conhecimento mais aprofundado dos dois países. Voltando ao investimento, como vê a política do “visto gold”? A política do “visto gold” foi uma política que mereceu o apoio de todos os partidos representados a nível parlamentar. Nós consideramos importante que haja uma possibilidade de dar um sinal de reconhecimento a quem pretende, sobretudo numa época como esta de grandes dificuldades para Portugal, colocar capitais no nosso País para nos ajudar a equilibrar as finanças públicas e, desde que seja tudo feito de um modo transparente, considero que é um instrumento interessante mas não é o único instrumento, evidentemente. Na verdade, o que nós precisávamos de ter, para além do “visto gold” era uma política de investimento em Portugal que permitisse a criação de emprego, principalmente para os nossos quadros mais elevados que, infelizmente, estão a abandonar o país e a comprometer o nosso desenvolvimento futuro. O investimento tem sido mais no sentido da compra de imobiliário.
Portugal tem a ganhar com uma boa relação com Angola. Angola também tem a ganhar com uma boa relação com Portugal. Temos relações multi-seculares. Temos investimentos angolanos em Portugal e investimentos portugueses em Angola. O embaixador de Angola em Portugal, em entrevista recente, já veio tranquilizar no sentido de que há problemas mas vamos ultrapassá-los. Temos mesmo que os ultrapassar
Também é importante porque nós gostamos que nos procurem até porque temos uma tradição de saber receber bem a quem procura o nosso país para residir. Agora, isso é apenas uma pequeníssima parte daquilo que, em meu entender, tem de ser muito incentivado que é a captação de investimento que crie emprego. Essa é a nossa verdadeira prioridade. Como vê a presidente do maior partido da oposição o facto dos portugueses terem de enfrentar mais austeridade com o Orçamento de Estado para 2014? É aquilo que já é conhecido. Uma proposta inaceitável para o Partido Socialista na medida em que faz opções que em nossa perspectiva são erradas e de uma receita que tem dado péssimos resultados. E, quando algo dá péssimos resultados, ainda se insiste no erro isso é algo incomportável e intolerável. Este Orçamento vai acentuar gravíssimas clivagens na sociedade portuguesa. Aliás, já citei a classificação que o director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro, disse uma vez sobre este Orçamento, e que eu acho que é muito expressiva, e que este “Orçamento é feito com a pele da classe média, as veias dos funcionários públicos, os ossos dos pensionistas – e a manha dos políticos na comunicação”. Os portugueses foram enganados com uma conferência de imprensa feita por Paulo Portas e pela ministra das Finanças, no sentido que tinha acabado a austeridade e, logo a seguir, conheceu-se o tal ataque às pensões contributivas de sobrevivência, conheceu-se o brutal ataque aos rendimentos dos funcionários públicos, que começam a ser envolvidos nos esforços a partir dos 600 euros brutos, num país onde tudo tem aumentado. Inclusive, este Orçamento vai aumentar os impostos, pois não alterou as tabelas e não as corrigiu em termos de inflação, e cria a taxa para a televisão à custa, mais uma vez, dos contribuintes e insiste em políticas muito penalizadoras dos rendimentos das pessoas e o PS considera isso inaceitável. Estamos perante um processo rapidíssimo de depauperização de Portugal e de destruição da classe média. Toda a gente sabe que não há subsistência económica sem uma classe média que seja capaz de consumir. Tudo aquilo que está a ser feito está errado e os resultados estão à vista. Insistir
A entrega de Macau à administração chinesa foi um processo natural e à altura dos tempos, e foi, sobretudo, um processo que correu bem. Penso, aliás, que foi bem apreciado quer do lado de Portugal, quer do lado da China. E isso é bom, porque administrar um território que não nos pertence nem é uma coisa fácil, nem é, muitas vezes, uma coisa desejável. O que é importante é que a história que passou cimente relações de confiança e um conhecimento mais aprofundado dos dois países
no erro é até, lembrando-me de Confúcio, uma coisa inimiga da inteligência. Como é que o PS pode ser, neste momento, uma alternativa de Governo? O PS tem desenvolvido uma política de ser oposição com propostas concretas apresentadas e vai continuar a fazê-lo. O PS não é um partido de alternância mas é um partido de alternativa. Tem que aparecer com políticas diferentes, com respostas diferentes aos problemas e, sobretudo, com uma visão estratégica para o País. O secretário-geral anunciou este sábado, durante a reunião da Comissão Nacional, que foi realizada na sequencia da mais expressiva vitória em eleições autárquicas que algum partido teve em Portugal em termos de número de presidências de Câmara e de Juntas de Freguesia, com sinais muito importantes como a perda de bastiões do PSD, não só no Continente, como também na Região Autónoma da Madeira. E, portanto, o PS tem especiais responsabilidades e vai lançar proximamente um movimento que é o da elaboração do seu programa de Governo, onde a substanciação, digamos assim, faz um apelo a todas as pessoas que queiram colaborar. Como é evidente, a partir de um documento de base que traça os grandes princípios daquilo que deve ser uma governação socialista para o século XXI e no contexto europeu. Angola terminou parceria estratégica com Portugal. O Jornal de Angola tem sido caustico nas acusações ao Estado português e, ontem [anteontem] colocou em questão a palavra Lusofonia num editorial. Portugal tem um grande problema em mãos? Tem havido problemas. Sabemos que estes problemas recentes foram despoletados por aquela infeliz e inaceitável entrevista que o ministro Rui Machete deu em Angola. Esperemos que as coisas se acalmem. Portugal tem a ganhar com uma boa relação com Angola. Angola também tem a ganhar com uma boa relação com Portugal. Temos relações multi-seculares. Temos investimentos angolanos em Portugal e investimentos portugueses em Angola. O embaixador de Angola em Portugal, em entrevista recente, já veio tranquilizar no sentido de que há problemas mas vamos ultrapassá-los. Temos mesmo que os ultrapassar.
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VIDA
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NOVO RESULTADO PERMITE EXPLICAR POR QUE OS BEBÉS DE MÃES SEROPOSITIVAS NÃO CONTRAEM MAIS VEZES O VÍRUS
Proteína no leite humano capaz de neutralizar o VIH C
IENTISTAS norte-americanos descobriram, no leite materno humano, uma substância que poderá proteger os bebés que são amamentados da infecção pelo vírus da sida. Os seus resultados foram publicados ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Esta substância natural e inata — uma proteína chamada tenascina-C ou TNC, descoberta nos anos 1980 por um dos co-autores do estudo — já era conhecida por promover a cicatrização das feridas. Mas, até aqui, não tinha sido detectada no leite — e não se lhe conheciam propriedades anti-microbianas. A amamentação é uma das vias de transmissão do vírus da sida das mães para os seus bebés. Em 2011, segundo as estimativas da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 330 mil crianças no mundo terão sido infectadas pelo VIH durante a vida fetal, à nascença ou pouco depois, incluindo através da amamentação. Para prevenir esse contágio, utilizam-se medicamentos anti-retrovirais. Mas, para além da sua PUB
potencial toxicidade e do desenvolvimento de estirpes resistentes do VIH que o seu uso pode acarretar, o acesso a estes fármacos é, na realidade, bastante limitado. Nem todas as mulheres grávidas fazem um teste de despistagem do VIH e, nos países com poucos recursos, menos de 60% das grávidas beneficiam de tratamentos preventivos para protegerem os seus bebés. Um dos objectivos que foram estabelecidos a nível global pelas organizações internacionais de saúde consiste, precisamente, em eliminar a transmissão mãe-filho do VIH. E nesse sentido,
começou-se a procurar alternativas terapêuticas seguras e acessíveis que possam substituir os anti-retrovirais. Há muito que se sabe que o leite materno possui qualidades protectoras capazes de inibir a transmissão mãe-filho do vírus da sida — e isso apesar das repetidas exposições dos bebés ao vírus, por vezes durante anos, através da lactação. Mais geralmente, aliás, sabe-se que, nos países em desenvolvimento, nos primeiros seis meses de vida de um bebé, a amamentação aumenta seis vezes a hipótese de sobrevivência e evita
a diarreia e infecções pulmonares. Mas, em relação à sida em particular, não se conhecia ao certo a origem desse efeito protector. Sallie Permar, da Universidade Duke (EUA), e colegas, que estavam à procura deste tipo de alternativas aos anti-retrovirais contra a sida, decidiram analisar o leite materno. E agora, estes cientistas poderão ter descoberto uma das substâncias responsáveis pelo efeito anti-VIH do leite materno. Os cientistas expuseram, in vitro, o leite de mulheres seronegativas a uma série de estirpes do VIH e constataram que o efeito protector parecia ser devido a uma proteína de grande tamanho. A seguir, graças a um processo de sucessivas separações das proteínas do leite, identificaram a responsável: a TNC. Uma análise mais aprofundada revelou que a TNC neutraliza o VIH ligando-se ao invólucro viral. “A TNC é um componente da matriz extra celular”, explica Permar em comunicado da sua universidade. “É uma proteína que desempenha um papel na reparação dos tecidos.
Também se sabe ser importante para o desenvolvimento fetal, mas a sua presença no leite materno e as suas propriedades anti-virais nunca tinham sido descritas.” É provável que a TNC actue em conjunto com outros factores anti-VIH do leite, salienta a cientista. Mas, mesmo assim, “dada a actividade de largo espectro da TNC contra o vírus, poderá ser possível desenvolver uma terapêutica preventiva, administrável por via oral aos bebés antes da amamentação, tal como se faz de forma rotineira, nas regiões em desenvolvimento, com os sais de reidratação”. “A descoberta do efeito inibidor do VIH desta proteína do leite materno fornece uma possível explicação para o facto de os lactantes nascidos de mães seropositivas não serem infectados mais frequentemente”, diz Barton Haynes, director do Instituto de Vacinas Humanas da mesma universidade. “Também permite pensar que é possível induzir no leite factores inibidores do vírus ainda mais potentes, tais como anticorpos, capazes de proteger totalmente os bebés da infecção pelo VIH.”
CULTURA
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JACKIE CHAN SONHA COM PAPÉIS DRAMÁTICOS EM HOLLYWOOD
Idade não perdoa A estrela de cinema de artes marciais de Hong Kong, que no ano passado anunciou no Festival de Cinema de Cannes, na França, que ia abandonar as produções de acção, diz agora que depois de mais de uma década a reflectir sobre a sua saída de cena, vai deixar que o corpo decida. “Quando eu tinha 40 e poucos anos, a imprensa perguntava-me e eu dava mais cinco anos, e depois, mais cinco anos, e mais cinco, até agora”, disse o actor de Kung Fu, numa entrevista para promover o seu filme chinês “Zodíaco Chinês”, de 2012, que estreará nos cinemas dos Estados Unidos esta sexta-feira. “Mais seis meses e farei 60 anos”, declarou Chan. “E verei até onde poderei ir até que o meu corpo me diga.” Chan, famoso pelas suas manobras de alto voo e golpes fortes, actuou em mais de 100 películas e actualmente escreve, produz e dirige os seus próprios filmes na Ásia. “Fico muito desgastado”, disse o actor, ao fim de 50 anos de chutos e pontapés. “É realmente cansativo, já não é como costumava ser.” O único sinal exterior realmente visível do envelhecimento de Chan são alguns pés de galinha à volta dos olhos. Obviamente que ainda está em grande forma, mas não revela os segredos para continuar assim. Mas, agora que começa a entrar nos anos do crepúsculo, Chan lamenta que a prática de Hollywood, de sempre seleccionar actores para o mesmo
tipo de papel, pode forçá-lo a ter de começar a recorrer a um duplo nas suas cenas acrobáticas, já que acredita que os estúdios de Hollywood nunca o iriam chamar para papéis dramáticos. “Espero que os espectadores, depois de dizerem ‘Jackie, este é um duplo!’, me perdoem”, disse Chan, com o seu estilo peculiar de falar que é a sua imagem de marca. “Então, posso continuar com a minha carreira porque, coitado de mim, ninguém em Hollywood me contrata para fazer um ‘Kramer vs. Kramer’ ou algo como a “Música no Coração”. Na verdade, eu sou de facto um cantor muito bom e ninguém me contrata para fazer este tipo de filmes”, afirmou Chan, referindo-se ao drama familiar de 1979 e ao musical de 1965, ambos vencedores do Óscar. Chan já adicionou ao seu currículo o perfil de “actor dramático”, com o drama histórico chinês “1911”, filmado em 2011 e que trata da revolução que derrubou a última dinastia imperial da China. “Espero realmente que algum dia em Hollywood algum produtor ou realizador me contratem só para fazer drama”, disse Chan. “Gostaria realmente que isso acontecesse.” Mas Chan sente que tal nunca acontecerá. “Porquê?”, pergunta retoricamente, com um suspiro. “Porque a plateia simplesmente não está acostumada a ver Jackie Chan a fazer dramas.”
BIBLIOTECAS PORTUGUESAS ENTRE AS MAIS IMPRESSIONANTES
Obras de arte em livro de académico U M livro da autoria do académico James Campbell, da Universidade de Cambridge, apresenta as bibliotecas mais “impressionantes” do mundo. Portugal está duplamente representado na lista, com a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra e a do Palácio Nacional de Mafra. Com 320 páginas, ‘A Biblioteca’ (‘The Library’, no original) é o primeiro volume alguma vez escrito com a história completa dos edifícios deste género. Para a sua produção, James Campbell visitou mais de 80 bibliotecas em 20 diferentes países, todas elas ilustradas em fotografias capazes de tirar o fôlego a qualquer um. Ao fim de cinco anos de pesquisa, três dos quais a viajar pelo
mundo com o fotógrafo Will Pryce, o resultado do trabalho deste especialista em arquitectura foi a mais complexa obra publicada sobre as maiores bibliotecas do mundo. O objectivo era mostrar aquilo que, outrora, as sociedades - para quem conhecimento era, literalmente, poder - estavam dispostas a investir num centro do género.
A preferida do autor, segundo conta, é a de Abbey Admont, na Áustria, a biblioteca mais antiga do mundo num mosteiro. No entanto, entre as incríveis fotos documentadas em ‘A Biblioteca’, há dois edifícios portugueses cuja riqueza não passou despercebida ao autor de 45 anos. São elas a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra e a do Palácio Nacional de Mafra. “As bibliotecas públicas estão cada vez mais sob ameaça e já se fala sobre se o seu fim estará ou não em causa”, refere James Campbell, citado pelo Daily Mail. “Mas eu adoro-as e fiz questão de mostrar a história surpreendente que há por detrás delas.” “A percepção que cada um tem das bibliotecas é, maiori-
tariamente, feita com base nas experiências que têm com elas. Por isso, por isso a maioria das pessoas não tem ideia de como parecem uma biblioteca romana ou medieval. O objectivo era juntar todos estes edifícios num só volume”, diz Campbell. O autor explica que “durante centenas de anos, as bibliotecas foram construídas com a mais alta estima, com investimentos megalómanos, quer por questões de orgulho pessoal, quer por serem um símbolo da importância cultural numa determinada sociedade”. “Por isso é que há bibliotecas que são apenas um espaço para armazenar livros e outras que são autênticas obras de arte só por si”, conclui.
Teatro D. Pedro V parcialmente encerrado
A segunda análise para o Programa de Subsídios à Criação de Amostras de Design de Moda 2013, organizado pelo Instituto Cultural, irá decorrer no dia 26 de Outubro de 2013, no Teatro D. Pedro V. O Programa recebeu um total de 27 propostas, das quais 15 trabalhos de design de moda foram seleccionados para a ronda final, depois de uma fase de selecção inicial. A segunda análise irá decorrer à porta fechada, na Galeria dos Espelhos do Teatro D. Pedro V. Por este motivo, a Galeria dos Espelhos estará encerrada durante o período de selecção, enquanto as restantes instalações permanecem abertas, informa o comunicado de imprensa da organização.
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DESPORTO
Robbie Fowler
Patrick Berger
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Dietmar Hamann
Lee Sharpe
FUTEBOL RELVADO DA MUST ACOLHE TREINO MUITO ESPECIAL
Lendas da Premier League vêm a Macau MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
O
que têm em comum antigos craques dos relvados como Robbie Fowler, Patrick Berger, Dietmar Hamann ou Lee Sharpe? Todos eles cumpriram os melhores anos da carreira na Premier League inglesa e todos eles estarão em Macau na próxima sexta-feira para orientar uma sessão de treinos destinada às crianças das escolinhas de futebol do Instituto do Desporto. Promovida pelo IDM em parceria com a Associação de Futebol de Macau e com a Sands China, a
iniciativa traz ao território várias antigas glórias de dois dos mais prestigiados clubes do mundo, o Liverpool e o Manchester United. Para além de Robbie Fowler, de Patrick Berger, de Dietmar Hamann e de Lee Sharpe, o evento traz também a Macau Steve Harkness, Keith Gillespie, o norueguês Ronny Johnsen e o checo Vladimir Smicer. Velhos conhecidos dos relvados ingleses, os oito ex-futebolistas estarão no relvado do Campo da Universidade de Ciência e Tecnologia para trabalhar de perto com os alunos da Academia de Futebol tutelada pelo Instituto do Desporto. A sessão de treinos tem o início agendado
para as seis e meia da tarde e deve prolongar-se apenas por uma hora, dando a oportunidade aos pequenos craques do território de aprender com o talento e a determinação que fizeram de Robbie Fowler, de Smicer e companhia alguns dos mais bem sucedidos futebolistas das últimas duas décadas. Dos oito atletas com presença confirmada no evento da próxima sexta-feira, Robbie Fowler é porventura o que melhores recordações suscita junto dos entusiastas do desporto-rei do território. O antigo internacional inglês, que pendurou as chuteiras há um ano depois de ter representado os tailandeses do Muangthong
United por uma temporada, apontou um total de 193 golos ao longo de dezanove anos de carreira. Cento e vinte dos 193 tentos apontados por Fowler foram marcados ao serviço do Liverpool, clube no qual cumpriu os melhores anos da carreira. Em 2001, Fowler ajudou a formação da cidade dos Beatles a quebrar um jejum europeu de quase duas décadas, contribuindo com um golo para o triunfo do Liverpool sobre o Deportivo Alavés na final da edição de 2000-2001 da extinta Taça UEFA. Da formação à época orientada por Gerard Houllier faziam parte também o alemão Dietmar Hamann e os checos Patrick
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Berger e Vladimir Smicer, antigos craques que acompanham Robbie Fowler na deslocação a Macau. Dos ex-futebolistas com presença confirmada no território, apenas um tem afinidades directas com o futebol português. Depois de ter representado o Liverpool durante dez temporadas, Steve Harkness assinou contrato com o Benfica, tendo vestido a camisola do clube da Luz por nove ocasiões antes de regressar a Inglaterra para alinhar pelo Blackburn Rovers. Para além da vinda a Macau, Lee Sharpe, Keith Gillespie e Ronny Johnsen têm em comum passagens pouco brilhantes pelo Manchester United.
FUTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:30 18:00 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 23:45 00:45 01:15
TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Entrevista (Repetição) Vingança Telejornal Montra do Lilau Memória Chinesa Caminho das Índias TDM News Resumo Liga dos Campeões A Guerra Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO
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Telejornal Madeira Biosfera Portugal Tal & Qual Correspondentes Bom Dia Portugal Entre Pratos Portugueses Pelo Mundo O Teu Olhar (Telenovela) Podium Jornal da Tarde O Preço Certo Correspondentes Portugal no Coração
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HUM
40-75%
•
EURO
] C I N E M A SALA 1
THE BEST PLAN IS NO PLAN [C]
Um filme de: Patrick Kong Com: Sammy Sum, Justin Cheung, Hanjin Tan, Shiga Lin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
ABOUT TIME
SALA 2
GRAVITY [B]
Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 14.30, 21.30
ABOUT TIME [B]
Um filme de: Richard Curtis
10.9
40 - FOX Movies 11:40 Grown Ups 13:25 Scary Movie 4 14:50 Underworld: Rise Of The Lycans 16:25 Pirates Of The Caribbean 18:55 The Day After Tomorrow 21:00 Zombieland 22:30 Vamps 00:05 The Details 41 - HBO 12:10 The Matrix Revolutions 14:20 Courageous 16:30 Something New 18:10 Serangoon Road 19:05 Killer Elite 21:00 Dark Shadows 22:50 True Blood 42 - Cinemax 12:45 House At The End Of The Street 14:30 Jurassic Attack 16:00 The Vengeance Of She 17:45 Maverick 20:00 American History X 22:00 The Blob 23:35 Psycho Iv: The Beginning
YUAN
1.3
Com: Rachel McAdams, Domhnall Gleeson, Bill Nighy 16.30,19.15 SALA 3
DIANA [B]
Um filme de: Oliver Hirschbiegel Com: Naomi Watts, Naveen Andrews 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Foto: Joana Freitas
POR MIM FALO
Pu Yi
CTM, aqui vamos nós outra vez
30 - FOX Sports 13:00 Liga Bbva 2013/14 Athletic Club de Bilbao vs. Villarreal CF 14:30 Dutch Eredivisie 2013/14 Twente Enschede vs. Ajax Amsterdam 16:00 Sickline Extreme Kayak World Champs 2013 17:00 Shriners Hospitals For Children Open 18:00 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 La Liga 2013/14 Real Madrid CF vs. Malaga CF 21:00 Shriners Hospitals For Children Open 22:00 UFC Unleashed 23:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 31 - STAR Sports 13:00 FINA Aquatics World 2013 13:30 Golf Focus 2013 14:00 Auto GP World Series 15:30 Golf Focus 2013 16:00 Max Power 2013 17:00 FINA Aquatics World 2013 17:30 Liga Bbva 2013/14 Athletic Club de Bilbao vs. Villarreal CF 19:00 Golf Focus 2013 19:30 ATP - If Stockholm Open 21:00 Smash 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Rolex Spirit Of Yachting 2013 22:30 Smash 2013 23:00 Dutch Eredivisie 2013/14 Highlights
0.2
Cineteatro
M A C A U [ S Ã ] A S S A D O MAS QUE BELEXA
BAHT
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• Pui Si abriu um centrq de belexa. É verdade. E se quiser ficar mais bonita (ou bonito) pode por ali passar. É uma belexa. Se não ficar mais bonito, temos pena, terá que nascer de novo.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA LIGHTS & DARKS • Rita Redshoes
“Lights & Darks”, composto na íntegra por Rita Redshoes, revela-nos uma artista mais matura, desprendida e directa nas suas canções, e que confirmam em definitivo Rita Redshoescomo uma singer-songwriter de excepção. De acordo com a artista, “Lights & Darks” foi “inspirado em sítios por onde passei nos últimos 10 meses e em livros que fui lendo ao longo deste mesmo período”. Parte dessas inspirações foram retiradas das mais variadas áreas: na pintura, de ambientes e texturas do Renascimento; na literatura, de escritores como D. H. Lawrence, Albert Camus ou Florbela Espanca; e na música, de alguns compositores como Les Baxter, Henry Mancini ou Arthur Lyman. De realçar uma extensa lista de convidados como Dana Colley, o saxofonista da mítica banda Morphine no tema “One Cold Day”; Pedro Gonçalves (Dead Combo) no contrabaixo em quatro temas do álbum; as guitarras de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e Ricardo Fiel (ex-Phase, David Fonseca) em “One Cold Day”; Paulo Borges, músico da banda de Rita, no piano em “It’s A Honeymoon” e “Marching In This Life”; e ainda José Pino, guitarrista que iniciou a sua carreira nos anos 60, membro dos grupos “Conjunto Mistério” (os Shadows portugueses) e “The Blue Jeans Band”, em “It’s A Honeymoon”.
OBRIGADA • Teresa Salgueiro
Estreia a solo da interprete dos Madredeus, Obrigada! apresenta 14 colaborações gravadas entre 1990 e 2005, com participações de Orfeão Dr. Edmundo Machado de Oliveira, Carlos Maria Trindade, Jah Wobble, Angelo Branduardi, Carlos Nuñez e Zeca Baleiro, entre outros. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
Num telefonema feito cá da redacção para uma porta-voz da CTM, a certa altura ouvi uma jornalistas cá do sítio a dizer “a sério? Então não deve usar a CTM de certeza!”. Não tinha percebido muito bem o que se estava a passar, porque ontem foi um dia em que não utilizei muito o meu ‘catbook’, aliás como ultimamente tem acontecido. Mas, rapidamente percebi. CTM, aqui vamos nós outra vez. Talvez até o caro amigo leitor tenha reparado... andamos outra vez a falhar. A falhar redondamente nos nossos acessos à internet, não por culpa nossa, mas por culpa dos malditos cabos, do maldito monopólio desta empresa e da maldita DSRT que nada faz a não ser enviar o seu director para ser assessor de obras públicas. Ora, aqui vamos nós outra vez: ligação super lenta, sem ligação, ligação aos soluços, ligação para ti, mas nada para mim. Entretanto, ao telefone com a CTM para perceber que problemas estamos a ter em Macau desta vez, a minha colega ouviu a porta-voz dizer “a sério que estão com problemas? Não demos conta de nada, nem temos tido queixas”. Ora, pois claro que não. Cerca das dez pessoas com quem me cruzei ontem na rua estavam a criticar a CTM. E todas pela mesma razão: ninguém consegue trabalhar, ninguém consegue esperar menos de dez minutos para abrir uma página do Google. Fantástica rede da CTM. A mim cheirame que os funcionários da CTM não andam a utilizar a mesma rede que nós. Talvez tenham uma rede secreta, cabos diferentes dos que nos dão a nós para usar, ou cabo, desculpem, que nós só temos um. E funciona mal. Enfim. Continuamos assim, a queixar-nos, a ver passar navios, mas sem poder ‘postar’ no Facebook que os andamos a ver. Porque a net não anda. Mete água. E cá vamos nós outra vez, CTM.
OPINIÃO
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O palavreado das más notícias
A
Fernando Santos In Jornal de Notícias
cena perdurará como uma marca do consulado de Vítor Gaspar no Ministério das Finanças. Durante um Conselho de Ministros destinado a controlar gastos, mesmo a reduzir despesas, Gaspar ter-se-á exasperado uma e outra vez com a resistência de um parceiro de governo em emagrecer as contas e encerrou a discussão do modo mais simplório possível. “Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebeu?”, terá atirado Vítor Gaspar em jeito de xeque-mate. Real ou ficcionado, o episódio contém uma virtude: mensagem claríssima, linearidade de raciocínio. Deveria ser encarado como uma vulgaridade mas tornou-se famoso precisamente por contrariar o vocabulário cada vez mais hermético usado pelas classes dirigentes e do qual resulta um tratamento ofensivo do mais comum dos cidadãos. A tendência para esconder, sobretudo as más notícias, dá muitas vezes a impressão de considerar cada um de nós como atrasados mentais. Entre a tentativa de ocultar e a pura modernice, abundam os exemplos da comunicação falaciosa da parte de quem tem responsabilidades no país. Tratar a recessão como crescimento negativo é, já de si, um sintoma de tontice. Junte-se-lhe, por exemplo, as insolvências como modo simpático de referenciar falências e eis-nos num cadinho de fantasia. Dispensável. Os mais bem-aventurados espíritos considerarão inexistir algum mal no artifício comunicacional. Há, porém, situações nas quais o objectivo é puramente, à falta de coragem, a de substituir a originalidade da comunicação por outra capciosa. E esse é o ponto. Os últimos dias são paradigmáticos da tentativa de driblar o impacto de decisões governamentais tão controversas quanto punitivas de alguns sectores da sociedade. O caso dos cortes nas pensões de sobrevivência introduziu um novo linguajar: o da condição de recurso. Blá,blá, o plafonamento obedece a regras, referenciou o criativo Paulo Portas, aludindo de seguida à tal condição de recurso como salvadora do condicionamento de pensões. Eufemismo, puro e duro!, destinado a confundir a opinião pública. A condição de recurso, em certa medida, não é mais do que um atestado de pobreza, igualzinho ao exigido para efeitos de RSI e outros subsídios. Simplesmente falta coragem ao Governo para agarrar o boi pelos cornos! Os cortes dos ordenados dos funcionários públicos são também exemplificativos de uma tendência para o não uso da franqueza. Sabendo-se do risco de o Tribunal Constitucio-
PAUL CÉZANNE, O MEU PAI LENDO AS NOTÍCIAS
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O caso dos cortes nas pensões de sobrevivência introduziu um novo linguajar: o da condição de recurso. Blá,blá, o plafonamento obedece a regras, referenciou o criativo Paulo Portas, aludindo de seguida à tal condição de recurso como salvadora do condicionamento de pensões. Eufemismo, puro e duro! nal chumbar a proposta no caso de não haver razões substantivas que provem tratar-se de uma decisão provisória, que disse Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças? Em vez de repetir o episódio de Gaspar e o célebre “não há dinheiro”, enveredou por uma dialéctica intragável. Os cortes “são transitórios” mas
“não são anuais”, disse ela. A fórmula só pode dirigir-se a quem a ministra julga ser estúpido, a começar pelos juízes do Palácio Ratton. Assim como assim, do alto de qualquer cátedra é sempre possível dizer que a vida de Maria Luís, como a de qualquer um de nós, é provisória; não se sabe é até quando...
opinião 19
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Ricardo Pinho
disse-me um passarinho...
twitter.com/ricardo
Melancolia é a melodia do mal do dia. 义來
Preâmbulo: Vivo há apenas 12 anos em Macau, nada se comparado com a história secular do território ou com alguém aqui nascido de gerações vividas. Contudo, e para todos os efeitos, para mim representa quase um terço da minha vida. Isso também significa que estou aqui há tempo suficiente não só para sentir a terra quase como um autóctone e para ela desejar o melhor, como também para perceber o risco que significa dizermos o que pensamos nesta sociedade de interdependências quase incestuosas que, frequentemente, levam à subserviência ou ao mutismo. Porque o contrário pode trazer problemas e até afectar modos de sobrevivência. Mas seja, pois há coisas que o dinheiro não compra como o direito à indignação, à intervenção e ao de alertarmos para aquilo que consideramos incorrecto, ou injusto, independentemente da nossa condição particular. Assim, escrevo este artigo na qualidade de um cidadão de Macau que pretende não destruir mas sim contribuir para a construção de Macau e de alguém que, como muitos outros, pretende ver uma grande China afirmar-se positivamente no mundo. Mas também na qualidade de um cidadão indignado. (fim de preâmbulo)
T
EM sido com profundo desânimo que vou acompanhando a (in)actividade do Gabinete de Promoção das Indústrias Criativas do Instituto Cultural (GPIC). Todavia, o que se passou neste último domingo constituiu a proverbial gota de água. Incapacidade e incompetência, se bem que indesculpáveis para quem é pago para prestar um serviço, ainda por cima público, até podemos (com esforço, confesso) passar ao lado. Mas quando a coisa assume foros discriminatórios, outra música toca, outros valores se levantam. Pois bem, esses moiros de trabalho do GPIC que andam há quase dois anos a fornicar uma montanha para nem um rato parirem, numa das raras vezes em que se envolvem nalguma coisa que pode, de facto, ajudar a indústria do cinema de Macau ao darem suporte a um colóquio promovido pela associação CUT (em boa hora) sobre o financiamento de filmes de média dimensão entenderam por bem não providenciar a (que deveria ser) obrigatória tradução simultânea em português. Como se isso não bastasse, ainda tiveram o descaramento de solicitarem actividades semelhantes a outras entidades mas na condição de que as prelecções fossem proferidas exclusivamente em chinês. Existia quem pudesse contribuir em português mas isso não interessava aos doutos senhores. Que se pode chamar a semelhante gente?
FERNANDO ELOY
A gota de água Anormais? Actos destes podem, e devem, ser classificados de discriminatórios o que é não apenas inaceitável do ponto de vista humano e social como ainda colidem de frente com as leis da RAEM e minam o trabalho que outros departamentos do Governo, e Pequim, têm vindo a desenvolver no sentido da afirmação de Macau como plataforma de contacto entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Senti-me indignado, porque discriminado, explodi, mandei-os bugiar e abandonei o colóquio, em plena Feira Internacional de Macau, independentemente da minha vontade de aprender, mas valores mais altos se levantaram! E este episódio acontece precisamente quando Macau se prepara para acolher a 4.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau e celebrar o seu 10.º aniversário. Não há plataformas sem conteúdo de facto. No dia em que nós, os que falamos português ou partilhamos da cultura de raiz lusófona, ficarmos fartos de ver o idioma maltratado, e mesmo desprezado, quando nós cidadãos de Macau que amamos e sentimos a cidade como local histórico e de confluência de culturas, por não a querermos mais ver transformada num centro comercial pastiche de coisa nenhuma, numa cidade gerida ao sabor de ambições imbecis, quando nós cidadãos de Macau que ainda vamos dando sentido à plataforma nos sentirmos finalmente excluídos e nos fartarmos e formos embora, quando a raiz lusófona de Macau estiver definitivamente arrancada e assim o território perder a sua singularidade na bruma dos tempos, todo o esforço da política externa de Pequim neste sentido também irá por água abaixo porque Macau, enquanto plataforma de contacto com o mundo lusófono, perderá todo o sentido. Como facilmente se infere, a afirmação das culturas lusófonas no território está na base da definição daquilo que Macau é e pretende ser, pelo que a atitude dos senhores do GPIC assume uma importância relevante sendo eles, para o bem e para o mal, representantes do Instituto Cultural da RAEM. É óbvio que todos temos vindo a observar como o português é mal traduzido aqui e ali, mas isso até confere um sabor exótico à terra e é quase irrelevante. A coisa fica mais séria quando começamos a ver (cada vez) mais lojas a ostentarem as suas designações sem tradução, a coisa fica (muito) mais séria quan-
do são os próprios departamentos públicos (como este) a desprezarem sistematicamente o estatuto do português como língua oficial da RAEM - concursos públicos e consultas (mais frequente) emitidos exclusivamente em chinês, esclarecimentos de concursos, colóquios, campanhas, seminários e afins sem tradução, etc. etc. – então quando os tiros no porta-aviões são dados pelo Instituto Cultural e porque quem tem por missão, entre outras, apoiar o desenvolvimento do cinema local, factor cultural decisivo, como se sabe, na aproximação dos povos, o processo entra ainda no foro do ridículo porque isso não apenas mina a essência de Macau como ainda promove a desigualdade entre os seus cidadãos - para quem gosta tanto de copiar os exemplos de Hong Kong é estranho que não tenham ainda percebido que, por lá, o estatuto do inglês como idioma oficial é (mesmo) levado a sério...
chá muito verde que lhes permitam crescer independentes de subsídios. Neste caso, o do cinema, a indústria faz-se com produtores e não com realizadores (a quem o tal concurso foi dirigido), faz-se com seminários sobre investimento no sector, bolsas de contactos, programas de crédito bonificado para o desenvolvimento de projectos negociados com a banca ou disponibilizados pelo próprio governo, apoios à escrita de guiões, protocolos com distribuidores, políticas transversais que envolvam outros departamentos do governo como a Economia e os seus braços armados, IPIM e DSAL, fazem-se com o envolvimento da classe para recolha de informação, com formação profissional, etc. etc. etc. Com inclusão e não com discriminação. No fundo, tudo aquilo que eles não fazem. Seis milhões dariam para cobrir uma grande parte destas sugestões. As casas não se começam pelo telhado, mas como os senhores do GPIC não conseguem sequer distinguir ‘pato ali na mesa’ de ‘Pato à Milanesa’ não alcançam essa ideia e abençoam-nos constantemente com a sua ultrajante ignorância e indefectível autismo e uma incapacidade funcional para fazerem o que quer que seja de notável para o desenvolvimento das indústrias criativas de Macau.
Como facilmente se infere, a afirmação das culturas lusófonas no território está na base da definição daquilo que Macau é e pretende ser, pelo que a atitude dos senhores do GPIC assume uma importância relevante sendo eles, para o bem e para o mal, representantes do Instituto Cultural da RAEM Voltando à actividade do GPIC (ou à falta dela), para além das atitudes discriminatórias que os vão caracterizando, o resto é profundamente deprimente. Prova disso, o caricato concurso para longas metragens que aquelas (in)esclarecidas mentes – que de produção de cinema nada entendem – recentemente apresentaram num total de seis milhões de patacas, para a realização de quatro longas metragens (!) com um regulamento tão ignorante que nem numa escola secundária levaria nota positiva. Por isso, estes senhores não apenas discriminam como contaminam. Talvez o problema comece na própria designação pois antes de promover conviria desenvolver. Mas isso eles não sabem. Também não conseguem atingir um conceito muito simples: indústria. As indústrias não se concretizam com bodos aos pobres mas sim com programas de base
Quando se pensa estrategicamente, quando se assume um papel executivo num governo, deve-se pensar de uma forma abrangente e englobante, de maneira a que a sociedade, no seu todo, evolua e não de uma forma redutora, ignorante e pouco ou nada inclusiva. Quando se lançam bases deve-se pensar não apenas nos que agora aqui andam mas, acima de tudo, em como as futuras gerações poderão vir a beneficiar de um lançamento apropriado de programas de desenvolvimento sectoriais e de diversificação sustentada da economia. Porém, como estes energúmenos do GPIC não conseguem vislumbrar um palmo à frente do nariz, mesmo com um foco de 20 kilowatts ligado, não é possível esperar que as indústrias criativas sejam sequer ejaculadas com esta gente, quanto mais fecundadas. Se quem tem a responsabilidade não dá um murro na mesa...
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau quarta-feira 23.10.2013
Nações Unidas criticam tratamento aos refugiados
A ONU criticou o tratamento de que são alvo refugiados na Hungria, cujo número tem aumentado consideravelmente. Só no segundo trimestre deste ano, os pedidos de asilo aumentaram 25 por cento, sendo que no primeiro semestre houve pouco mais de 16.000 requerimentos, oito vezes mais do que em 2012. A maioria dos refugiados estará só de passagem pela Hungria, sobretudo para chegar à Alemanha. No início do mês, o Grupo de Trabalho da ONU sobre a Detenção Arbitrária reconheceu que os seis centros de acolhimento da Hungria têm excesso de refugiados. Kosovares, paquistaneses e sírios são as nacionalidades com maior número de refugiados nos centros de acolhimento, devido aos traficantes de seres humanos da Turquia, Sérvia, Bulgária ou Roménia. Num desses acampamentos, 50 refugiados africanos iniciaram uma greve de fome, denunciando as condições «comparáveis às de uma prisão».
cartoon por Stephff
ESCÂNDALO DA NSA
Aung San Suu Kyi recebe finalmente prémio Sakharov
UM DOS MELHORES FOTOJORNALISTAS DE TODOS OS TEMPOS
Robert Capa, 100 anos depois R
OBERT Capa, um dos mais célebres fotógrafos de guerra, faria hoje 100 anos. Capa cobriu alguns dos mais importantes conflitos da primeira metade do século XX: desde a Guerra Civil Espanhola, à Segunda Guerra
Mundial na Europa (em Londres, na Itália, a Batalha da Normandia em Omaha Beach, incluindo a libertação de Paris), passando pela a Guerra israelo-árabe de 1948 e a Primeira Guerra da Indochina. Robert Capa, nascido
em Budapeste, a 22 de Outubro de 1913, morreu em Thai-Binh, a 25 de Maio de 1954, na Guerra da Indochina, ao pisar uma mina. Como disse Capa, «se as fotos não são suficientemente boas, é porque não estive suficientemente perto».
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Rihanna convidada a sair de mesquita devido a fotos inapropriadas
A cantora Rihanna foi convidada a sair do complexo da mesquita Sheikh Zayed, em Abu Dhabi, na sequência de uma sessão de fotos que a direcção da mesquita considerou inapropriada. Os responsáveis do local de culto não gostaram das fotografias onde Rihanna aparecia com um lenço na cabeça e em várias poses: numa das imagens a cantora aparecia com um fato de treino preto, batom e verniz vermelho; noutra estava deitada de costas no pátio da mesquita e noutra aparecia sentada no chão com os braços cruzados sobre o peito.
A activista birmanesa Aung San Suu Kyi recebeu esta terça-feira o prémio Sakharov de Liberdade de Expressão, concedido pelo Parlamento Europeu há 23 ano, mas que somente agora conseguiu receber. O plenário do Parlamento dedicou-lhe uma ovação de pé. Suu Kyi, 69 anos, sofreu durante mais de 20 anos devido a perseguição política em Myanmar, antiga Birmânia, tendo passado grande parte do tempo em prisão domiciliar. Foi libertada há 3 anos e é agora deputada da oposição no parlamento birmanês.
Brasil Maioria das agressões a jornalistas é feita por polícias
De acordo com a Associação Brasileira de Jornalistas de Investigação (Abraji), 74% das agressões executadas contra jornalistas desde Junho são da responsabilidade da polícia. Da lista de 96 agressões, constam as quatro ocorridas esta segundafeira, durante a manifestação que se deu no Rio de Janeiro contra a venda em leilão da maior empresa petrolífera do país. A Abraji considera «inaceitável» o número de casos de violência contra jornalistas em cerca de quatro meses, e defende que este índice não é compatível com a democracia e fere o direito da sociedade à informação».
Herta Müller, Nobel da Literatura, foi hospitalizada
Três dos ícones fotográficos com que Capa brindou o mundo
Uma perfuração intestinal levou à hospitalização da vencedora do Prémio Nobel da Literatura 2009, Herta Müller, anunciou o editor da própria esta terça-feira. De acordo com o jornal alemão Berliner Zeiung, a escritora foi operada de urgência num hospital em Mullheim, a poucos quilómetros das fronteiras suíça e francesa. A escritora alemã de origem romena já tinha cancelado todos os compromissos literários para 2013, alegando motivo de doença.