DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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HONG KONG
PORTUGUÊS RESIDUAL
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RAÍZES E COPAS JOÃO PAULO COTRIM
PRIMEIRO AMOR NUNO MIGUEL GUEDES
As dúvidas de Susana PÁGINA 5
OPINIÃO
José Pereira Coutinho perguntou e o Governo respondeu: desde 1999 foram criadas 151 comissões, conselhos e fundos que agregam 1.895 membros. O
Gillette TÂNIA DOS SANTOS
LIGA DE ELITE
deputado critica aquilo que diz ser um excesso de organismos com sobreposição de tarefas e levanta dúvidas sobre a gestão dos recursos.
NANA CHEN
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PÁGINA 17
CHINA | PETIÇÃO
LIBERDADE PARA OS CANADIANOS PÁGINA 12
CASAS | CORONEL MESQUITA
Faça favor de entrar PÁGINA 9
FOTOGRAFIA HÁ VIDA NO GUETO EVENTOS
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Caderno de encargos
GRANDE BAÍA
STEPHAN CONROY
V EXORTAÇÕES
hojemacau
GRANDE PLANO
Pontapé de saída
MOP$10
QUARTA-FEIRA 23 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4217
2 grande plano
Em Hong Kong, ensina-se português graças à iniciativa de um pequeno grupo de privados e instituições. O Club Lusitano organiza cursos apenas para membros, enquanto que Alexandre Lui decidiu arrendar duas salas para ensinar a língua. Nota-se um ligeiro aumento da procura dos cursos por questões familiares, económicas e até históricas, mas Hong Kong continua a não aderir ao sucesso que o português faz pelo mundo
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ENSINO
DA AUSENCIA E
LÍNGUA PORTUGUESA COM POUCA RECEPTIVIDADE EM HONG KONG
STUDAR português num território onde o idioma não é língua oficial, como é o caso de Hong Kong, é um desafio que poucos abraçam, apesar da popularidade do idioma um pouco por todo o mundo. Nem o facto de Hong Kong ter uma comunidade portuguesa ou fortes ligações à comunidade macaense aumentou a procura pela língua de Camões. São poucos a aprender, mas fazem-no por várias razões. Roy Tse, natural de Hong Kong, é casado com uma mulher de Macau e nunca teve qualquer ligação com a cultura portuguesa ou o país. Mas está tão desiludido com a situação sócio-económica do território que pondera ir viver para Portugal daqui a três anos. “Aprender português é obrigatório para se viver em Portugal”,
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“É muito diferente encontrar lições ou um professor para aprender português em Hong Kong [face a Macau]. Em Hong Kong é mais fácil encontrar cursos de espanhol, holandês ou até grego.” ROY TSE ESTUDANTE DE PORTUGUÊS NATURAL DE HONG KONG
contou ao HM. “Perdemos a esperança. Estamos desapontados com o Governo de Hong Kong, que não está a servir as necessidades dos que são de cá. Viver em Hong Kong
é muito difícil e muito caro. Tanto a cidade como o próprio Governo estão cheios de mentiras. Então é mais fácil mudar para termos uma vida mais simples, e não apenas por causa do dinheiro”, acrescentou. Roy Tse foi um dos alunos de Alexandre Lui, natural de Hong Kong mas nascido no Brasil graças à mudança dos pais para São Paulo. Quando voltou, e depois de ter estudado o curso de tradução e interpretação do Instituto Politécnico de Macau (IPM), decidiu apostar na organização de cursos lúdicos de português em 2016, que ainda acontecem em dois locais na zona de Wan Chai. Ainda que não seja oficialmente uma escola, o projecto chama-se “Língua Portuguesa em Hong Kong”. “Neste momento, não consigo expandir mais [o projecto] para ter uma escola, porque, como o portu-
guês em Hong Kong não é língua oficial, é difícil atrair o pessoal para vir sempre às aulas. Comecei ontem [17 de Janeiro] um curso novo, mas esperei quase quatro meses para conseguir arranjar dez pessoas”, frisou. Uma das ambições de Alexandre Lui era expandir o projecto até Shenzhen, não só pela proximidade com Hong Kong, mas também pela existência de muitas empresas, com ligações aos países de língua portuguesa. Antes de vir para Macau tirar a licenciatura, de onde saiu porque não conseguiu obter o bilhete de identidade de residente, Alexandre já dava aulas em Hong Kong devido ao contacto com o português que teve desde criança. Chegou a dar aulas no instituto CAC, ligado à Federação dos Operários de Hong Kong,
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DE TRADICAO ´ ˜
viver para Hong Kong devido à mudança profissional do marido e, desde cedo, percebeu que existia uma lacuna na oferta formativa em português. A aposta agora é abrir uma escola onde se ensine português. “Abri a minha actividade há poucos meses para poder começar como freelancer no ensino da língua e também noutros serviços linguísticos como tradução, interpretação e escrita de conteúdos. A minha ideia é expandir mais tarde, quando for o momento para isso”, garantiu ao HM. Para Isabel Pinto, há várias razões que podem ser apontadas para esta escassa oferta formativa. “A comunidade portuguesa parece ser bem menos representativa em Hong Kong do que em Macau. Geralmente, são pessoas com competências muito específicas e difíceis de encontrar na zona, como as áreas de engenharia, medicina e hotelaria. É raro encontrar pessoas da área das humanidades, e aquelas que o são podem já ter carreiras intensas que não lhes dão motivos para começar a ensinar português.” Além disso, “também vejo alguma falta de interesse, também por não haver uma tradição de querer aprender português em Hong Kong”. “Tenho visto procura por línguas como o japonês, espanhol ou francês. O português aqui não tem raiz histórica importante como em Macau; é uma língua de nicho”, assegurou.
VISTOS GOLD E AFINS
Jason Santos chegou a dar aulas no St. Joseph’s College, uma escola que “há 140 anos era portuguesa”. Contudo, “hoje em dia esse legado praticamente não é conhecido ou referido” que disponibiliza vários cursos de línguas e na área das artes. O HM tentou chegar à fala com a federação, que nos disse não prestar declarações a jornalistas.
AULAS SÓ PARA MEMBROS
Além do instituto CAC e das aulas privadas de Alexandre Lui,
o centro SPACE, ligado à Universidade de Hong Kong, também disponibiliza aulas de português. Contudo, o responsável pelos cursos recusou responder às perguntas do HM por estar ocupado com outros planos. O Club Lusitano arrancou o ano passado com a primeira edição do curso de português, do nível básico ao mais avançado, mas as inscrições destinam-se apenas a membros do clube e convidados. “O nosso clube tem origem portuguesa e era importante organizarmos este curso. Temos muitos membros que, ao longo de gerações, foram perdendo a prática de falar e escrever português, e decidimos apostar nesta vertente, procurando professores. Tínhamos uma grande procura por parte de 34 membros e das suas famílias”, adiantou Steve Andley,
responsável pelo curso. Também ele é aluno, uma vez que, apesar das raízes portuguesas por parte da mãe, nunca aprendeu a língua. Foram organizados quatro cursos, com dez pessoas em cada turma, mas a segunda edição está suspensa devido ao facto da docente, Isabel Pinto, se encontrar em Portugal. Mas tal deverá ser uma realidade no próximo ano. O curso tem, contudo, uma contrapartida: apenas aceita membros do clube, que por sua vez só podem convidar seis pessoas cada. Alexandre Lui critica o facto do Club Lusitano não se abrir mais à comunidade neste campo. “É difícil [o curso] divulgar porque o clube está um pouco fechado a pessoas que não sejam membros. A associação brasileira em Hong Kong, pelo contrário, tem feito muitas coisas. É pena que o
“O nosso clube tem origem portuguesa e era importante organizamos este curso. Temos muitos membros que, ao longo de gerações, foram perdendo a prática de falar e escrever português, e decidimos apostar nesta vertente.” STEVE ANDLEY RESPONSÁVEL PELO CURSO DE PORTUGUÊS DO CLUB LUSITANO
Club Lusitano não tenha um maior acesso à comunidade.” Isabel Pinto, a professora de português do Club Lusitano, foi
Isabel Pinto defende que o seu público alvo está, sobretudo, na ilha de Hong Kong, onde reside a maior parte dos expatriados, mas não ignora o interesse que os chineses possam vir a ter. “Todos partilham um interesse por Portugal. Há um legado cultural e emocional por explorar, ou um objectivo profissional ou financeiro. Quando digo financeiro, é preciso notar que a política dos vistos Gold é um claro atractivo para esse público.” Também Alexandre Lui defende que a procura por aulas de português nos próximos tempos vai depender do sucesso da política dos vistos Gold em Portugal. “Graças à política de emigração dos vistos Gold, tenho muitas pessoas que querem aprender a língua, porque querem investir ou viver em Portugal. Eles não têm uma visão positiva sobre o futuro de Hong Kong, então procuram outras saídas.” Ainda assim, Alexandre Lui prefere por organizar os interessados nos cursos de português em três grupos. “A maioria das pessoas aprendem por motivos de emigração, em segundo pelo trabalho, porque há pessoas que (Continua na página seguinte)
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HOJE MACAU
econômicos. “Alguns têm vistos Gold e compraram casa em Portugal, ou desejam ter um visto.”
PERDA DE IDENTIDADE
Alexandre Lui e Anita Wong
trabalham em empresas portuguesas ou brasileiras, e depois há quem estude mesmo pelo interesse. A Anita quis estudar, e foi uma das minhas primeiras alunas, por interesse, porque gosta mesmo de Portugal.” Anita Wong, que acompanhou Alexandre Lui na entrevista ao HM, escreveu um guia turístico em chinês sobre Portugal e entregou na passada sexta-feira alguns exemplares em Macau. Quando decidiu partir para uma nova aventura linguística, Anita Wong tentou o Instituto CAC, mas não teve aulas de imediato. “O português não é a língua mais popular, então tive de esperar três vezes para que tivessem alunos suficientes para abrir o curso.” Anita Wong decidiu aprender português por mero interesse, depois de ter conhecido um amigo luso através do seu blogue na plataforma Yahoo, em 2009, onde escrevia sobre a sua equipa de futebol preferida: a Juventus. Hoje, viaja para Portugal todos os anos,
apesar de saber dizer algumas palavras na língua de Camões.
NÚMEROS “INSIGNIFICANTES”
Jason Santos, nascido no Canadá, é outro dos portugueses que reside em Hong Kong e que, em tempos, investiu numa escola de línguas que fechou o ano passado por questões financeiras. “Não fechei por falta de alunos, porque tinha muitos, felizmente, sobretudo de inglês. Fechei devido a problemas de renda. Não quero voltar a tentar porque os custos em Hong Kong, seja onde for, são muito altos e o próprio investimento inicial é demasiado elevado. Tenho sempre querido fazer as coisas com qualidade”, contou ao HM. Jason Santos nota que “há mais gente que procura [o ensino do português] mas incomparavelmente menos que outras línguas europeias”. Ao contrário do que pensam Alexandre Lui e Isabel Pinto, Jason Santos não vê um aumento de interesse associado aos vistos Gold.
“No que toca a Hong Kong, não posso concordar com a afirmação de que tenha qualquer relacionamento com vistos Gold e afins. Pelo que tenho visto e ouvido, os alunos são movidos por uma série de razões bastante pessoais, desde antigas famílias ou membros de família que vieram a dada altura de Macau, por exemplo, ou pelo facto dos descendentes sentirem interesse pessoal ou por outras
“Vejo alguma falta de interesse, também por não haver uma tradição de querer aprender português em Hong Kong. Tenho visto procura por línguas como o japonês, espanhol ou francês.” ISABEL PINTO PROFESSORA DE PORTUGUÊS
razões. Haverá gente que procura português simplesmente por querer algo diferente.” Perdido no meio de tantas línguas europeias, os números da procura pelo português continuam a ser “insignificantes”, assegura o professor, hoje a trabalhar numa escola pública. “A haver um aumento seria muito pequeno e por razões anómalas, e não uma tendência.” Steve Andley nota algum interesse pela língua por questões económicas, mas assegura que no Club Lusitano os objectivos dos membros são diferentes. “O nosso clube representa isso, temos essa ligação à comunidade portuguesa, quer sejam nacionais ou de Macau. Para nós, [a situação] é diferente da generalidade do resto do público, porque os nossos membros querem voltar a ter uma ligação a Portugal e à cultura ao invés de quererem sair de Hong Kong.” Ainda assim, o responsável nota mais interesse pela língua da parte de chineses que não só querem aprender coisas novas como têm interesses
Jason Santos dá outro exemplo de como o português na região vizinha é mesmo um nicho, apesar de se notar uma ligeira procura. O professor chegou a dar aulas no St. Joseph’s College, uma escola que “há 140 anos era portuguesa”. Contudo, “hoje em dia esse legado praticamente não é conhecido ou referido”. “Existem antigos alunos com quem tive a oportunidade de falar que se motivaram a aprender português devido a esse sentimento de pertença que tinham para com a escola, e daí saíram grandes oportunidades de negócios. Mas continuam a ser muito poucas as pessoas a querer estudar a língua.” Isto porque “um indivíduo com passaporte de Hong Kong consegue entrar na União Europeia com relativa facilidade, são pessoas sempre mais viajadas que os compatriotas do outro lado da fronteira”. “Todos os dias falo com pessoas que querem emigrar, Portugal nunca vem à tona”, frisou Jason Santos. Gonçalo Ramos, a residir em Hong Kong há 11 anos, acredita que “há cada vez mais pessoas à procura [de aulas de português], de dentro e fora da comunidade”. “Há pessoas que pedem para ser adicionadas ao grupo ‘Portugueses no Facebook’, com intenção de procurarem quem as possa ensinar. Há também indicações de quem ensina português que diz não ter tempo livre e que inclusive procuram encaminhar solicitações para outros educadores.” Casado e com duas filhas, Gonçalo Ramos tem, ele próprio, dificuldade em encontrar um professor para elas. Na sua visão, além das aulas do Club Lusitano, que “tiveram uma boa resposta”, deveria haver mais oportunidades. “As ofertas resumem-se a iniciativas privadas de indivíduos ou de poucas escolas e institutos”, assegurou. Roy Tse conta que ele próprio teve dificuldade em encontrar alguém que o ensinasse. “É muito diferente encontrar lições ou um professor para aprender português em Hong Kong [comparativamente com Macau]. Em Hong Kong é mais fácil encontrar cursos de espanhol, holandês ou até grego. Felizmente, encontrei o Alexandre no grupo ‘Portugueses em Hong Kong, mas não tenho a certeza se ele é o melhor tutor, pois é do Brasil.” O estudante de português assegura que, pelo menos, Alexandre Lui transmitiu-lhe os sons da Bossa Nova. “Também me falou da história de Portugal e de Macau. Seria óptimo se me ensinasse mais sobre fado”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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GRANDE BAÍA SUSANA CHOU POUCO OPTIMISTA COM PROJECTO DE INTEGRAÇÃO
Com sombra de dúvida
A ex-presidente da Assembleia Legislativa aponta as diferentes leis entre as regiões da Grande Baía como um desafio às relações comerciais. As dúvidas foram levantadas num evento sobre a Lei Básica, em que o vice-director do Gabinete de Ligação elogiou a comunidade macaense
A
empresária e ex-presidente da Assembleia Legislativa, Susana Chou, revelou ontem que não está optimista em relação ao projecto da Grande Baía. Foi na sessão de perguntas e respostas de um evento organizado
pela Associação de Promoção da Lei Básica de Macau, sobre a miniconstituição local, que a empresária expressou o ponto-de-vista. Num evento que contou com a presença do vice-director do Gabinete de Ligação, Zhang Rongshum, de acordo com o canal chinês da
TDM, Susana Chou afirmou não estar optimista com o projecto e explicou o cepticismo pelo facto da Grande Baía envolver três jurisdições diferentes. Sobre este assunto, Susana Chou disse esperar que o Gabinete de Ligação tome as rédeas
do processo e que desenvolva as medidas necessárias para que estes obstáculos jurídicos sejam ultrapassados. Na resposta à intervenção, Zhang, vice-director do Gabinete de Ligação, frisou que as três regiões envolvem zonas frontei-
Zhang Rongshun afastou o cenário de legislar o artigo [42 da Lei Básica] porque e justificou que o Governo Central dá muita importância aos costumes e cultura macaense
O
deputado José Pereira Coutinho solicita ao Governo que avance com legislação para proibir a importação e comercialização de produtos embrulhados em plástico descartáveis. O pedido é feito em interpelação escrita onde Pereira Coutinho solicita esclarecimentos acerca das medidas a tomar para a redução doméstica e empresarial deste tipo de material. Em causa estão produtos como sacos de plástico, garrafas de água, palhinhas, “utensílios descartáveis, caixas de esferovite para comidas, pauzinhos de cotonetes, talheres, pratos, agitadores de bebida, copos para café ou água, ou taças”. A par da proibição deste tipo de produtos, Pereira Coutinho quer que a legislação contemple ainda o incentivo do “uso de
Malefícios do plástico Pedida proibição da importação de produtos descartáveis
materiais biodegradáveis” ou a substituição dos produtos plásticos por outros feitos de “fibras vegetais naturais” e o “uso de louça reutilizáveis”, lê-se.
EM ATRASO
Em causa está o que considera ser fundamental para a protecção ambiental, matéria quanto à qual entende que Macau está ainda muito atrasada. O deputado dá exemplos de países que têm liderado em termos de reciclagem: “A Alemanha é a líder mundial em tecnologias e políticas de reaproveitamento de resíduos sólidos e desde 2005 que é proibida a remessa de
lixo doméstico e industrial sem tratamento quer para os aterros quer às incineradoras diminuindo drasticamente o volume de lixo
doméstico e industrial” refere. Mais perto está o Japão, “outro dos países mais desenvolvidos na redução do volume de resíduos sólidos vigorando desde 1970 a Lei de Gestão de Resíduos que regulamenta e controla toda a cadeia de produção e destino final do lixo baseados nos conceitos de
riças diferentes e que devido ao respeito pelo princípio “um país, dois sistemas” não vai haver uma uniformização total das leis. Contudo, o dirigente comprometeu-se a estudar uma forma como as legislações locais podem ser articuladas para aproveitar as vantagens do projecto nacional. A Grande Baía é um projecto, principalmente económico, que aspira a ser o motor de desenvolvimento desta região da China. Além de Macau, Hong Kong e Cantão integra ainda as cidades de Shenzhen, Jiangmen, Huizhou, Dongguan, Foshan e Zhaoqing.
DIREITOS ADQUIRIDOS
Rita Santos, Conselheira das Comunidades Portuguesas, marcou igualmente presença no evento. A macaense confrontou o vice-director da Gabinete de Ligação sobre a eventual necessidade de legislar o artigo 42 da Lei Básica. Este artigo define que “os interesses dos residentes e ascendência portuguesa em Macau são protegidos” e que os seus “costumes e tradições culturais devem ser respeitados”. Em resposta à questão, Zhang Rongshun afastou o cenário de legislar para este artigo. O responsável justificou que o Governo Central dá muita importância aos costumes e cultura macaense e que isso dispensa a necessidade de criar uma lei específica. Rita Santos contou ainda, ao HM, que Zhang estimou ainda que o número de macaenses seja de aproximadamente 20 mil e garantiu que os costumes da comunidade macaense e portuguesa vão sobreviver durante vários anos. O vice-director do Gabinete de Ligação sublinhou ainda que a comunidade macaense e portuguesa tem um papel a desempenhar no desenvolvimento nacional. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
reduzir, reciclar e reaproveitar e com objectivo de reduzir as emissões de dioxinas”. De acordo com Pereira Coutinho, o plástico é um produto que está, neste momento, a ameaçar o ambiente e mesmo a sobrevivência de animais e pessoas. “O plástico acumula-se vários anos nos oceanos e deteriora-se dando origem a pequenas partículas que são ingeridas pelos animais e peixes e podem levar à sua morte. Através da ingestão dos plásticos pelos peixes os micro-plásticos chegam a cadeia alimentar dos seres humanos potenciando doenças graves e cancerígenas”, refere o deputado. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo
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ANÚNCIO Concurso Público n.º 026/SZVJ/2018 “Prestação de serviços de arborização e manutenção da Zona Norte” Faz-se público que, por autorização da Secretaria para a Administração e Justiça, dada no dia 7 de Janeiro de 2019, se acha aberto o concurso público para a Prestação de serviços de arborização e manutenção da Zona Norte. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos durante os dias úteis, dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 19 de Fevereiro de 2019. Os concorrentes devem entregar as propostas e restantes documentos necessários no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, e prestar, de acordo com o objecto do concurso, uma caução provisória no valor de MOP 40.000,00 (Quarenta mil patacas). A caução provisória deve ser entregue na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, por depósito em numerário, cheque ou garantia bancária, em nome do «Instituto para os Assuntos Municipais». O acto público do concurso realizar-se-á no Centro de Formação do IAM, sito na Avenida da Praia Grande, Edifício China Plaza, 6.º andar, pelas 10:00 horas do dia 20 de Fevereiro de 2019. O IAM realizará uma sessão de esclarecimento às 10:00 horas do dia 28 de Janeiro de 2019 no Centro de Formação do IAM. Os respectivos documentos do concurso público podem ser descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www.iam.gov.mo). Os concorrentes que pretendam fazer o descarregamento dos documentos acima referidos assumem também a responsabilidade pela consulta de actualizações e alterações das informações na nossa página electrónica durante o período de entrega das propostas. Aos 16 de Janeiro de 2019. A Administradora do Conselho de Administração do IAM Isabel Jorge www. iam.gov.mo
PRECISA-SE Colaborador/a com interesse pelas notícias de Macau e que domine as línguas portuguesa e cantonesa.
POR FAVOR CONTACTAR JORNAL HOJE MACAU
TEL: 2875 2401 • EMAIL: info@hojemacau.com.mo
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Assembleia Legislativa Estatuto de escolas privadas vai ser votado esta quinta-feira Os deputados da Assembleia Legislativa (AL), votam esta quinta-feira, na generalidade, o estatuto das escolas particulares do ensino não superior, que visa rever uma lei de 1993 e que foi alvo de uma consulta pública em 2013. Na altura, o Governo decidiu partir para uma revisão do diploma “tendo em
conta a realidade e necessidades de desenvolvimento da sociedade”. O plenário desta quinta-feira vai também servir para votar, na generalidade, a revisão da lei de prevenção e controlo do ruído ambiental, aprovada em 2014, bem como a lei do hino, que será votada na especialidade. Os deputados vão
GCS
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também votar na especialidade o regime de benefícios fiscais para a reconstrução de edifícios, além de que será apreciado o parecer da 2ª comissão permanente da AL sobre a execução orçamental de 2017. Será ainda votada uma resolução relacionada com o Regimento da AL.
O deputado José FUNÇÃO PÚBLICA EXECUTIVO CRIOU 151 COMISSÕES E FUNDOS DESDE 1999 Pereira Coutinho considera um número excessivo verno ao deputado José Com um orçamento de 613 haver uma simplificação dos levantam-me muitas dúvidas e fala em Pereira Coutinho, a que o mil patacas, o Conselho dos organismos: “há um Conselho sobre o aproveitamento dos HM teve acesso, e tem a Magistrados Judicias é quem Consultivo para a Reforma recursos”, afirmou Coutinho. proliferação de informação existente até 12 menos gasta. da Administração Pública, O deputado questiona organismos com de Dezembro. Neste docudepois há a Comissão de Ava- igualmente se todos os 151 surgem listadas todas NÚMERO “EXCESSIVO” liação dos Serviços Públicos, organismos elencados têm acsobreposição de mento as comissões do Governo, Para o deputado José Pereira também há a Comissão de tividade. “Acho que se formos orçamentos e Coutinho, o número de co- Coordenação da Reforma da a ver e tivermos em conta os tarefas. Lista do respectivos número de elementos. En- missões, comités e fundos Administração Pública... Há resultados finais, verificamos Governo mostra tre os 1.895 membros nas é “excessivo”. O legislador mais casos em áreas seme- que em muitos casos nem há comissões existem nomes considera mesmo que poderia lhantes... Todos estes nomes uma avaliação do trabalho”, que Conselho que se repetem, uma vez que a mesma pessoa pode estar Técnico de em duas ou mais comissões. Ainda em relação aos Credenciação membros, o Conselho para Desenvolvimento Econónão tem qualquer omico, que está sob a alçada do Chefe do Executivo, é membro TIAGO ALCÂNTARA
Para todos os gostos
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ESDE o estabelecimento da RAEM o Governo criou 151 comissões consultivas, comissões e conselhos funcionais e ainda fundos, incluindo os que têm autonomia administrativa e financeira. Entre estes apenas 36 têm orçamentos próprios, que no ano passado corresponderam a um valor de 17,49 mil milhões de patacas. Os dados constam numa resposta enviada pelo Go-
o que tem o maior número com 51. No pólo oposto, o Conselho Técnico de Credenciação, órgão consultivo sob a alçada do Secretário para os Transporte e Obras Públicas aparece com zero membros. Entre os 151 organismos apresentados, apenas 36 têm orçamentos próprios. O Fundo de Segurança Social surge com o maior montante de 4,76 mil milhões de patacas. Segue-se a Fundação de Macau, com 2,89 mil milhões e o Fundo de Pensões, com 2,45 mil milhões.
José Pereira Coutinho, deputado “Existe uma proliferação de conselhos, que estão todos interligados entre si e em que cada um rema para o seu lado. Isto se remarem mesmo!”
justificou. “Existe uma proliferação de conselhos, que estão todos interligados entre si e em que cada um rema para o seu lado. Isto se remarem mesmo!”, frisou. O deputado eleito pela via directa considerou que um bom indicador para conhecer as actividades das comissões são os respectivos portais online. “Há um bom indício para tentar perceber a actividade dos conselhos, basta olhar para as páginas electrónicas. Se não têm páginas, é normal que se suspeite que não têm actividade porque não têm nada para divulgar”, opinou. José Pereira Coutinho foi eleito deputado com o apoio da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), a que preside. Sobre este assunto deixou críticas ao actual Conselho para osAssuntos de Habitação Pública: “É um que até hoje nada disse sobre a habitação pública para os trabalhadores da função pública. Não tem nenhuma página electrónica para sabermos as suas actividades e tem 20 membros... O mínimo que devia fazer era divulgar às pessoas o que fazem”, apontou. A resposta ao deputado vem assinada pelo director dos Serviços dos Assuntos da Função Pública e demorou cerca de seis meses a ser elaborada. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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Faz-se saber que no concurso público n. 47/P/18 para o «Fornecimento e Instalação de Arquivos Deslizantes Modulares», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, II Série, de 27 de Dezembro de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 15 de Janeiro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Faz-se saber que no concurso público n.o 48/P/18 para a « Substituição e Testes de onze (11) Unidades de Tratamento Primário do AR (P.A.U.) da Unidade de Internamento do Edifício da Clínica Médico-Cirúrgica », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, II Série, de 27 de Dezembro de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 15 de Janeiro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
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8 sociedade
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NÚMERO DE CASAS VENDIDAS SUBIU, APESAR DO AUMENTO DO PREÇO
Mais por menos TIAGO ALCÂNTARA
Ao longo do ano passado, foram transaccionadas 10.585 fracções para habitação, apesar do aumento do preço médio por metro quadrado que atingiu 111.237 patacas. Quase um terço dos residentes que compraram casa já tinha pelo menos um imóvel
Apesar de em termos gerais, o número de fracções destinadas à habitação ter aumentado face a 2017, o desempenho do mercado imobiliário teve nuances consoante a zona. Na península, por exemplo, foram vendidas menos 351 casas, apesar da subida do preço médio por metro quadrado (mais 12.791 patacas). Já na Taipa o preço médio por metro quadrado (menos 3139 patacas) diminuiu, assim como as casas transaccionadas (menos 717), ao passo que em Coloane foram vendidas mais 1.201 do que em 2017, não obstante o aumento (de 7.879 patacas) do preço médio por metro quadrado. Já em termos de área útil, a média das fracções transaccionadas foi de 61 metros quadrados no ano passado, ou seja, mais seis do que em 2017. As casas vendidas na península eram mais pequenas (54 metros quadrados contra 58 em 2017), seguindo-se as de Coloane (67 metros quadrados contra 106 em 2017) e as da Taipa (86 metros quadrados contra 90 em 2017).
MAIS DO QUE UMA CASA
Um terço dos residentes de Macau que adquiriram casa no ano passado já tinham pelo menos um imóvel
O
preço médio por metro quadrado das casas continuou a aumentar no ano passado, alcançando 111.237 patacas, ou seja, mais 10.668 patacas do que em 2017. Apesar da subida, foram transaccionadas 10.585 fracções
autónomas destinadas à habitação, isto é, mais 133. Segundo dados publicados no portal da Direcção dos Serviços de Finanças, contabilizados a partir das declarações para liquidação do imposto de selo por transmissões de bens, a península figura como a ‘campeã’de vendas – com
7.410 – contra 1.639 na Taipa e 1.536 em Coloane. Cenário ao qual não terá sido alheio também o facto de o preço médio por metro quadrado ser o mais baixo: 10.194 patacas em 2018. Já na Taipa correspondeu a 112.176 patacas, enquanto em Coloane ascendeu a 137.396 patacas.
Economia Taxa de inflação sobe pela primeira vez ao fim de três anos A taxa de inflação fixou-se em 3,01 por cento no ano passado, traduzindo um aumento de 1,78 pontos percentuais face a 2017. A subida inverte a tendência de descida da taxa de inflação registada desde 2015, ano em que caiu para 4,56 por cento. No ano seguinte, recuou para 2,37 por cento, caindo finalmente para 1,23 por cento em 2017. Dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indicam que o aumento do Índice de
Preços no Consumidor (IPC) geral foi impulsionado sobretudo pela subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa, das rendas, das tarifas dos parquímetros dos lugares de estacionamento público, das propinas, vestuário e gasolina. Já os índices de preços das secções de comunicações e das bebidas alcoólicas e tabaco diminuíram. O IPC Geral permite conhecer a influência da variação de preços na generalidade das famílias de Macau.
Os dados publicados pelos Serviços de Finanças indicam ainda que, ao longo do ano passado, dos 10.035 residentes de Macau que adquiriram uma fracção autónoma destinada à habitação, quase um terço tinham pelo menos um imóvel. Em concreto, 1.705 (16,99 por cento) já possuía uma casa; enquanto 1.522 (15,17 por cento) tinha mais de uma. Uma proporção que, em 2017, superava a metade, dado que 5.533 (ou 54,7 por cento) dos 10.099 residentes de Macau que adquiriram uma fracção destinada à habitação nesse ano já estava na posse de um ou mais imóveis com a mesma finalidade. Diana do Mar
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Nero de aluguer
Prisão preventiva para suspeito de fogo posto em parque de estacionamento
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M homem, de Hong Kong, foi colocado em prisão preventiva pela alegada prática de fogo posto no parque de estacionamento de um complexo habitacional da Taipa e ofensas a uma segurança, informou ontem o Ministério Público (MP), em comunicado, dando conta de que há outros suspeitos em fuga. Segundo a investigação preliminar, o homem é suspeito da prática de vários crimes, como de incêndio, explosões e outras condutas especialmente perigosas, ofensa simples à integridade física e dano qualificado, bem como consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. Crimes pelos quais o suspeito arrisca, respectivamente, uma pena máxima de um a dez anos de prisão ou pena de multa. Dada a “natureza e gravidade dos crimes que, em particular, ameaçam a segurança pública” e “no intuito de impedir o possível perigo de fuga”, uma vez que “os outros arguidos ainda não foram interceptados”, o juiz de Instrução Criminal aceitou a proposta da delegada do Procurador, ordenando a aplicação da medida de coacção mais grave: a prisão preventiva. O caso remonta à semana passada, altura em que a Polícia Judiciária (PJ) recebeu uma informação do Corpo de Bombeiros dando conta de duas viaturas danificadas por líquido inflamável. O suspeito terá alegadamente tentado atear-lhes fogo com um isqueiro, mas sem sucesso, pelo que recorreu a um balde para danificar uma das viaturas e colocou-se em fuga. Três dias depois, no domingo, a PJ recebeu outra queixa de fogo posto no mesmo local que resultou no incêndio de duas viaturas. O guarda apanhou o homem e entregou-o à PJ antes de ser atacado pelo suspeito, em cuja mochila foram encontrados dois frascos com líquido inflamável e 0,277 gramas de ketamina, bem como vídeos da sua actuação gravados no telemóvel. Após ser detido, o homem admitiu a prática do crime, tendo recebido, como compensação, 20 mil dólares de Hong Kong para atear fogo em Macau. De acordo com a PJ, os dois casos resultaram em prejuízos na ordem das 680 mil patacas. D.M.
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quarta-feira 23.1.2019
CORONEL MESQUITA CASAS ABERTAS PARA CELEBRAR 20 ANOS DA RAEM
Gás pimenta PSP equaciona usar outras medidas no futuro
Leong Man Cheong, comandante-geral da Polícia de Segurança Pública (PSP), disse ontem que as autoridades poderão vir a recorrer a outros meios de combate ao crime além do gás pimenta. “A polícia vai equacionar introduzir outros meios de dissuasão além do gás pimenta, caso seja necessário no futuro”, apontou o responsável à margem da inauguração do posto de comissariado da Praia Grande e centro de apoio a turistas. Leong Man Cheong assegurou que cerca de dois mil polícias já receberam formação para usar o gás pimenta.
Salões de festa
As casas da Avenida Coronel Mesquita que estão sob a alçada do Instituto Cultural (IC), vão estar este ano abertas ao público para comemorar o vigésimo aniversário da transferência de soberania, apontou ontem o presidente do IC. No entanto, a responsável não adiantou datas para o efeito e ainda não se sabe se a cedência destes espaços vai ser concedida a associações ou a particulares
Burla Queixas sobre imobiliária já são 51
Subiu para 51 o número de queixas relativas à alegada burla em empréstimos concedidos a uma agência imobiliária detida pela empresária Isabel Chiang. Do total de queixas, 49 foram apresentadas por residentes de Macau, enquanto as restantes duas por indivíduos de Hong Kong e da China, de acordo com dados actualizados, divulgados ontem pela Polícia Judiciária (PJ). Os queixosos terão sido lesados no valor global de 270 milhões de dólares de Hong Kong, com os prejuízos individuais a oscilarem entre 4 e 60 milhões de dólares de Hong Kong. O caso estalou depois de o empresário e membro do Conselho Executivo Chan Meng Kam ter dito que foi enganado após ter concedido um empréstimo de 96 milhões à imobiliária ligada ao bairro criativo localizado perto da Rua dos Ervanários. O antigo deputado não terá, no entanto, apresentado queixa junto das autoridades.
Crime Prisão preventiva para tailandês suspeito de violação
Um homem, de nacionalidade tailandesa, foi colocado em prisão preventiva por suspeita de violação. Em comunicado, divulgado ontem, o Ministério Público (MP) indica que a medida de coacção mais grave – proposta pelo MP e aceite pelo juiz de Instrução Criminal – foi aplicada dada a “a natureza e a gravidade do crime que, em particular, ameaça a tranquilidade pública” e “no intuito de impedir o possível perigo de fuga”. A violação é punível com pena de prisão de prisão de 3 a 12 anos.
os trabalhos “de artistas locais”, apontou. Na altura, a responsável referiu ainda que uma daquelas casas seria aproveitada como memorial do compositor chinês Xian Xing Hai. Mok Ian Ian salientou também que em 2019 vão ser abertos dez locais para apresentação dos trabalhos levados a cabo por associações culturais. O objectivo é combater a falta de espaço que estas entidades enfrentam no território para desenvolver as suas actividades.
PROFESSORES DE IMPROVISO
Entretanto, a contratação de professores para a Escola de Teatro do Conservatório de Macau só vai acontecer no próximo mês de Setembro. O processo de recrutamento de três docentes está a decorrer desde 2016 e a demora é justificada por Mok Ian Ian, pela dificuldade em encontrar profissionais capazes de preencher os requisitos, sendo que a falta de docentes tem vindo a ser colmatada por funcionários do IC. “Estes colegas também têm, de certa forma, experiência na área de teatro. Neste momento têm competências para a formar novos estudantes”, referiu a responsável. Por último, Mok Ian Ian salientou que o IC não contribuiu com qualquer verba para o Festival da Travessa do Armazém Velho que envolve o nome da empresária local acusada de burla Isabel Chiang. Recorde-se que Cheang Ka Hang (tradução fonética), sobrinho de Isabel Chiang, é presidente da direcção da Associação de Promoção ao Desenvolvimento de Distritos Históricos de Macau, que tem vindo a organizar o festival. Desde o ano passado que Isabel Chiang está desaparecida. O sobrinho adiantou à TDM que esta não se encontra em Macau. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Mok Ian Ian “Este ano celebram-se os 20 anos da RAEM pelo que vamos abrir ao público, de forma faseada, as casas da Avenida Coronel Mesquita”
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S casas de arquitectura portuguesa que serviram de residência a funcionários públicos na altura da administração portuguesa, situadas na Avenida Coronel Mesquita, vão estar abertas ao público já este ano. A informação foi adiantada ontem pela presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian à margem da cerimónia de tomada de posse
do novo vice-presidente daquela entidade, Chan Kai Chon. “Este ano celebra-se o estabelecimento dos 20 anos da RAEM pelo que vamos abrir ao público, de forma faseada, as casas da Avenida Coronel Mesquita” apontou. No entanto, ainda não há datas nem inquilinos definidos para todas as moradias. “Ainda não se sabe se será para serem aproveitadas por associações
culturais ou por pessoas particulares”, acrescentou. Recorde-se que, segundo declarações no passado mês de Setembro da então vice- presidente do IC, Leong Wai Man, quatro das 12 vivendas situadas ao longo da Avenida do Coronel Mesquita estavam agendadas para abrir no início deste ano, estando em processo de restauração para que ficassem disponíveis para acolher
IC NOVO-VICE PRESIDENTE TOMA POSSE O
novo vice-presidente do Instituto Cultural (IC), Chan Kai Chon, tomou ontem posse numa cerimónia presidida por Mok Ian Ian. Chan vai assumir os trabalhos das áreas da museologia, indústrias culturais e criativas, e educação artística. Chan Kai Chon assumiu funções como director do Museu de Arte de Macau em 2017. Licenciado em Economia pela Universidade de Jinan e mestre em Letras (Belas Artes) pela Universidade de Nanjing Normal, o novo vice-presidente do IC possui também um doutoramento na mesma área pela Academia Central de Belas Artes.
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A olho 23.1.2019 quarta-feira
“Chungking Mansions: Photographs from Hong Kong’s last ghetto” é o título do livro da fotógrafa Nana Chen. A obra retrata o lado humano e cru de uma das mais degradadas zonas de Kowloon que apaixonou artistas como Wong Kar-wai
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UEM passa na Nathan Road, em Tsim Sha Tsui, e dá de caras com o prédio que ocupa os números 36 a 44 não pode ficar indiferente ao ambiente de um dos prédios mais iconográficos de Hong Kong. Chungking Mansions, depois de inspirar inúmeros artistas, onde se destaca o cineasta Wong Kar-wai, volta a ser matéria de reflexão criativa. Desta feita, o edifício serviu de musa urbana à lente da fotógrafa Nana Chen, que lançou há semanas o livro “Chungking Mansions: Photographs from Hong Kong’s last ghetto”. Em declarações ao HM, a artista revela que a principal mensagem da sua fotografia “é a busca do significado de lar e a partilha das formas como se pode atingir o sucesso apesar da condição de outsider”. Hoje em dia, Kowloon vive uma época de relativa
NANA CHEN
FOTOGRAFIA NANA CHEN REVE
paz, pelo menos em relação aos índices de criminalidade de outros tempos. Ainda assim, Chungking Mansions
“Fiquei muito curiosa com o sítio e na minha cabeça ficou a pergunta de quem quereria viver um prédio com tão má reputação.” NANA CHEN FOTÓGRAFA
E-LEARNING UNIVERSIDADE DE LISBOA LANÇA CURSO DE PORTUGUÊS
É
hoje lançado em Lisboa um curso online de português para estrangeiros, que irá funcionar em regime de e-learning. O projecto tem o nome “O Meu Português” e parte da iniciativa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) em parceria com a Distance Learning Consulting.
De acordo com um comunicado divulgado pela FLUL, “a partir desta semana, aprender português como língua estrangeira vai tornar-se mais fácil e acessível, podendo ser feito na palma da mão em qualquer ponto do globo”. A plataforma permite o acesso a um “curso online, multimédia e interactivo, disponível em
computador, tablet e smartphone suportado por uma das mais inovadoras plataformas de eLearning do mundo”. O curso tem a certificação da FLUL e tem “como público-alvo todos os que querem aprender português em qualquer parte do mundo de forma rápida e com carimbo académico”. Além disso,
possui “unidades temáticas e actividades claras e sistematizadas”, além de que “assegura a aquisição de competências de compreensão e de produção oral e escrita”. “O Meu Português” está disponível numa plataforma em oito línguas e permite a escolha do português europeu ou português brasileiro.
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quarta-feira 23.1.2019
ELA A FACETA INTIMISTA DE CHUNGKING MANSIONS
continua a ser um local de perdição onde, no meio de restaurantes baratos e pensões com condições higiénicas duvidosas, se traficam drogas, sexo e produtos que desafiam os limites da imaginação e da lei. A má fama do local não intimidou Nana Chen. Muito pelo contrário. “Fiquei muito curiosa com o sítio e na minha cabeça ficou a pergunta sobre quem quereria viver num prédio com tão má reputação”, conta a fotógrafa oriunda de Taiwan. Desde 2009 que a artista começou a explorar o edifício para um projecto artístico, percorrendo os corredores munida da sua máquina fotográfica. Apesar da degradação, o local continua a ter um forte poder de atracção. Como tal, Nana Chen acha que, apesar do contínuo desenvolvimento de Hong Kong, “é importante manter o registo da história do local,
seja através de fotografia, filme ou palavras”.
HISTÓRIAS COM GENTE
Enquanto percorria os corredores esconsos de Chungking Mansions, a fotógrafa conheceu alguns dos seus moradores. Uma das pessoas a que marcaram foi Basnet, um nepalês que começou a sua nova vida num pequeno quarto de um apartamento partilhado por várias famílias. “Ele acabou por conseguir comprar o apartamento inteiro, mas manteve o quarto como estava, incluindo o velho sofá onde dormia e que foi a primeira peça de mobiliário que comprou quando começou a sua nova vida em Hong Kong”, revela Nana Chen. Aos poucos, a fotógrafa foi encontrando beleza no local, à medida que ia compilando imagens de ambiente e retratos das pessoas que o habitam. Uma das características visí-
veis nas películas que agora tomam a forma de livro é a miríade de culturas que circulam em Chungking Mansions. Nepaleses donos de pensões, trabalhadores do Bangladesh, paquistaneses que vendem telemóveis aos comerciantes nigerianos que, por sua vez, contratam companhias de carga indianas para importar bens para vender a ingleses expatriados. Uma espécie de Nações Unidas nos limites da marginalidade. “Chungking Mansions: Photographs from Hong Kong’s last ghetto” é um ensaio visual e um livro de memórias presentes, uma obra que coloca a nu as características vibrantes de um local iconográfico que pode ser esmagado, a qualquer momento, pela imparável e voraz marcha dos interesses imobiliários. Andreia Sofia Silva com João Luz info@hojemacau.com.mo
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Líquen-da-Islândia Nome botânico: Cetraria islandica (L.) Acharius s.l. Família: Parmeliaceae. Nomes populares: LÍQUEN; MUSGO-AMARGO; MUSGO-DA-ISLÂNDIA; MUSGO-ISLÂNDICO. Tal como o nome indica, o Líquen-da-Islândia não é uma verdadeira planta, mas um líquen. Os líquenes são seres vivos muito complexos, resultantes de uma associação simbiótica entre um fungo e uma alga. Desprovidos de folhas e raízes, adaptam-se ao frio rigoroso e à secura extrema, e podem permanecer em estado de vida latente durante mais de um ano, constituindo um exemplo de sobrevivência. Líquen deriva do grego, eikhén, e significa planta rastejante. Nativo das regiões frias e montanhosas da Europa, o Líquen-da-Islândia cresce nos solos, rochedos e cascas de árvores, sobretudo de coníferas, formando tufos e coberturas espessas, elásticas e resistentes; em Portugal, embora raro, pode encontrar-se na Serra da Estrela. Apresenta um talo erecto, que pode alcançar 12 cm de altura, profundamente dividido em lóbulos desiguais; os lóbulos são de cor verde-azeitona a verde-acastanhada na parte superior e, na parte inferior, verde-prateada ou verde-acastanhada; nos lóbulos terminais podem observar-se na face superior minúsculos discos amarelados – são receptáculos onde se formam os elementos reprodutores (apotécias). Conhecido desde a Antiguidade como remédio contra a tosse, o Líquen-da-Islândia foi igualmente recomendado como planta medicinal por Lineu no século XVIII. Este líquen é também utilizado pelos lapões do Norte da Escandinávia desde tempos antiquíssimos. Em fitoterapia são usados os talos secos.
constipação, gripe, laringite, traqueíte, bronquite e asma. Combate as bactérias que provocam a tuberculose o que o torna útil, como adjuvante, na tuberculose pulmonar. Muito amarga, esta planta estimula a secreção salivar, aumenta o apetite e favorece a digestão; detém os vómitos, facilita a excreção da bílis no duodeno, suaviza, acalma e tonifica os intestinos e ajuda a expulsar os vermes intestinais. Está indicada na perda de apetite, anorexia, digestões difíceis, enjoos, náuseas e vómitos, acidez, mau funcionamento da vesícula, gastrenterites, diarreias e síndrome do cólon irritável; pode igualmente ser útil na fadiga e estados de convalescença. Outras propriedades Usado externamente, o Líquen-da-Islândia suaviza a pele e tonifica-a, sendo empregue em inflamações da pele, peles secas ou desidratadas, e na prevenção ou tratamento de queimaduras.
Composição Polissacáridos (liquenina, isoliquenina), goma, mucilagens em elevada quantidade, lactonas de ácidos gordos e constituintes amargos (ácidos cetrárico e úsnico). Aroma suave a algas, sabor muito amargo.
Como tomar Uso interno: • Infusão: 1 colher de chá por chávena de água fervente. Tomar uma chávena antes das principais refeições. Como aperitivo. • Decocção: 10 a 20 gramas por litro de água, 2 minutos de fervura. Para eliminar os constituintes amargos, mudar a água e tornar a ferver em 1,5 litros de água até reduzir a um litro. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia, quentes. Podem adoçar-se com mel. • Em xarope, cápsulas e spray oral, em simples ou fórmulas, para o tratamento da tosse seca e irritativa, catarro, dor de garganta, rouquidão e afecções respiratórias de origem infecciosa ou alérgica em geral. Uso externo: • Banho de imersão: 100 gramas de Líquen-da-Islândia em pó para 10 litros de água tépida. Colocar o pó numa bolsa fina e manter na água do banho. Como suavizante da pele. • Em champô, desodorizante, colutório e dentrífico.
Acção terapêutica Com actividade emoliente, o Líquen-da-Islândia é um suavizante e protector das mucosas respiratórias, acalmando as irritações e a tosse seca; além disso, também é expectorante, antiespasmódico e tem actividade antimicrobiana face a diversas bactérias, vírus e fungos. É muito recomendado no tratamento de vários tipos de tosse (tosse seca, tosse convulsa, catarro), irritação ou inflamação da mucosa oral e da faringe,
Precauções Devido ao elevado conteúdo em constituintes amargos, o Líquen-da-Islândia está contra-indicado em caso de gastrite e úlcera gastroduodenal. Não deve ser usado durante a gravidez e lactação, pela falta de dados sobre a sua segurança. Em peles sensíveis, por vezes, é sensibilizante. Fazer tratamentos de forma descontínua, intervalando com períodos de repouso. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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23.1.2019 quarta-feira
PETIÇÃO ACADÉMICOS E DIPLOMATAS PEDEM LIBERTAÇÃO DE CANADIANOS
Carta de recomendação O documento, assinado por mais de cem individualidades, enaltece o papel dos dois canadianos no desenvolvimento e criação de laços entre a China e o resto do mundo e deixa o aviso de que estas detenções vêm minar a confiança de quem tem a China como objecto de estudo e necessita de visitar o país
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AIS de cem académicos e antigos diplomatas pediram à China que liberte dois canadianos, detidos numa aparente retaliação pela prisão da directora financeira da Huawei no Canadá, na sequência de um pedido dos Estados Unidos. De acordo com a petição, assinada por especialistas sobre a China e dirigida ao Presidente chinês, as detenções dos dois canadianos, por “prejudicarem a segurança nacional da China”, são um sinal preocupante para aqueles que fazem pesquisa sobre o país. Em Dezembro passado, Meng Wanzhou, directora financeira da Huawei, foi detida em Vancouver, a pedido dos EUA, por suspeita de que o grupo de telecomunicações
ALTOS SIGNATÁRIOS
Michael Kovrig
Michael Spavor
chinês tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as leis norte-americanas.
PEQUIM LIBERDADE PARA MENG WANZHOU
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China pediu ontem aos Estados Unidos que não apresentem um pedido formal de extradição da directora financeira do grupo chinês de telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, que permanece sob vigilância no Canadá. “Pedimos ao Canadá que a liberte imediatamente e que proteja os seus direitos e interesses legítimos, e aos EUA que cancelem o mandado de prisão e não apresentem qualquer pedido formal de extradição ao Canadá”, afirmou a porta-voz
O documento enalteceu o papel de ambos na construção de pontes, entre a China e o mundo, e afirmou que as detenções vão levar os especialistas a avaliar com “mais cautela” se devem visitar o país. “Os encontros e os intercâmbios constituem as bases de uma pesquisa rigorosa e da diplomacia, em todo o mundo, inclusive para os académicos e diplomatas chineses”, segundo o texto. “As detenções de Kovrig e Spavor enviam a mensagem de que este tipo de trabalho construtivo não é bem-vindo e é mesmo arriscado na China”, apontou. A carta lembrou que as prisões vão dar origem a “menos diálogo e maior desconfiança, além de minarem os esforços para gerir desentendimentos e identificar pontos em comum”. Assim, “a China e o resto do mundo vão ficar em pior situação”.
do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying. O embaixador canadiano nos EUA revelou a intenção de Washington de solicitar formalmente a extradição de Meng, processo cujo prazo expira em 30 de Janeiro, avançou ontem a imprensa canadiana. “Nós responderemos em consonância com qualquer acção adicional tomada pelo lado americano”, disse a porta-voz, alertando que “cada lado deve assumir responsabilidades pelo que faz”.
Após terem ameaçado o Canadá com “graves consequências”, caso não libertasse Meng, as autoridades chinesas detiveram Michael Kovrig, antigo diplomata canadiano, e Michael Spavor, empresário que organiza viagens turísticas e eventos desportivos na Coreia do Norte. Um tribunal no norte da China anunciou ainda a repetição do julgamento do canadiano Robert Lloyd Schellenberg, condenado, em 2016, a 15 anos de prisão, por tráfico de droga. Na semana passada, no último veredicto, o tribunal condenou Schellenberg à pena de morte.
DESCONFIANÇA GERAL
Divulgada na segunda-feira, a carta lembrou que Kovrig é um ex-diplomata, a desenvolver pes-
quisas sobre a Ásia, na unidade de investigação do International Crisis Group, e que Spavor dedicou a vida a construir relacionamentos entre a Coreia do Norte, China, Canadá e os EUA.
A carta lembrou que as prisões vão dar origem a “menos diálogo e maior desconfiança, além de minarem os esforços para gerir desentendimentos e identificar pontos em comum”
Mais de 20 diplomatas, oriundos de sete países, e mais de cem académicos e investigadores, oriundos de 19 países, assinaram a petição. O ex-embaixador do Canadá na China Guy Saint-Jacques assinou a carta, e afirmou que Otava está a trabalhar para obter apoio internacional neste caso. “Isso será notado em Pequim, e espero que fique claro para [os líderes chineses] que as prisões de Kovrig e Spavor não são apenas um problema entre a China e o Canadá, mas também têm um impacto na imagem e na reputação da China», afirmou. Os signatários incluem ainda os ex-ministros dos Negócios Estrangeiros de Inglaterra e da Austrália Malcolm Rifkind e Gareth Evans, respectivamente, e o antigo governador britânico em Hong Kong Chris Patten. O ex-embaixador dos EUA na China Winston Lord e o antigo Secretário do Comércio norte-americano Gary Locke também assinaram o documento.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 16/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HUANG YOUJU, portadora do Passaporte da RPC n.° E88050xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 129/DI-AI/2017 levantado pela DST a 31.05.2017, e por despacho da signatária de 09.11.2018, exarado no Relatório n.° 630/DI/2018, de 18.10.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 341, Edf. Kam Yuen, 14.° andar B.------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Janeiro de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
XI JINPING ALERTA PARA IMPREVISTOS QUE PODEM PREJUDICAR REFORMAS
O
Presidente da China, Xi Jinping, alertou para “cisnes negros” e “rinocerontes cinzentos”, susceptíveis de prejudicarem o processo de reformas estruturais encetado pela liderança do país, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua. “Precisamos de manter um alto grau de vigilância, devemos estar atentos a qualquer ‘cisne negro’e também adotar medidas para evitar os ‘rinocerontes cinzentos’”, afirmou Xi, num discurso du-
rante a abertura de uma sessão de estudos na escola do Partido Comunista Chinês (PCC). “Cisne negro” refere-se a um evento imprevisto, que geralmente tem consequências extremas, enquanto “rinocerontes cinzentos” significam ameaça óbvia, mas ignorada. O líder chinês exortou os altos quadros do PCC a “fortalecerem a sua capacidade”, visando “prevenir e reduzir” esses riscos, para “garantir um desenvolvimento económico
sustentável e saudável” e a “estabilidade social”. Xi considerou que o PCC deve “reconhecer plenamente” a “intensidade e gravidade” dos potenciais perigos, como a “falta de unidade, incompetência, distanciamento face ao povo, inação e corrupção”. “Há eventos imprevisíveis e um ambiente externo complicado e sensível. A nossa tarefa é manter a estabilidade, à medida que prosseguimos com as nossas reformas”, vincou.
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quarta-feira 23.1.2019
Taiwan Alpinista de ‘biquiní’ morre em queda
As autoridades de Taiwan anunciaram ontem terem encontrado o corpo de uma montanhista que se tornou conhecida nas redes sociais por tirar fotos em biquíni no topo das montanhas e que tinha caído de um desfiladeiro no sábado. Gigi Wu, 36, apelidada de ‘alpinista de biquíni’, usou um telefone via satélite no sábado para avisar os amigos que tinha caído num desfiladeiro no Parque Nacional de Yushan em Taiwan e que se encontrava gravemente ferida. Segundo as autoridades, que encontraram Wu sem vida na segunda-feira, a montanhista disse aos seus amigos que caíra de uma altura de 20 a 30 metros e que não conseguiu mover a parte inferior do corpo, tendo morrido, aparentemente, de hipotermia. Taiwan tem muitas montanhas que frequentemente ultrapassam três mil metros. No Inverno, as temperaturas caem regularmente abaixo de zero. A jovem formou um grande grupo de seguidores, publicando auto-retratos em biquíni quando chegava ao alto das montanhas, depois de subir em roupas de caminhada.
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Negócio selvagem ONG diz que Hong Kong deve fazer mais para combater tráfico animal
apreensões mundiais de marfim e quase metade das apreensões de pangolin registaram-se na antiga colónia britânica. Apesar dos números significativos, o contrabando de animais selvagens não é punível sob a legislação do crime organizado, como o tráfico de drogas ou tríades, e as multas impostas aos contrabandistas não são suficientemente pesadas, apontou a ONG.
TRISTES NÚMEROS
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MA organização nã o -g o v e rn a mental advertiu ontem as autoridades de Hong Kong a fazerem mais contra o tráfico de animais selvagens, num território que tem cerca de 25% do total de apreensões
mundiais de marfim nos últimos dez anos. “Há falta de investigações policiais sobre crimes contra os animais selvagens”, disse a professora da Faculdade de Direito de Hong Kong, uma das autoras do relatório “A lei de Hong Kong não
considera o tráfico de vida selvagem um crime”, divulgado pela Hong Kong Wildlife Trade Working Group (HKWTWG). De acordo com esta organização, uma coligação de associações do território, nos últimos dez anos um quinto das
De acordo com o relatório, desde 2013, com base nas apreensões feitas em Hong Kong, os investigadores estimam que três mil elefantes, 65 mil pangolins e 51 rinocerontes foram mortos por traficantes. Hong Kong tem desempenhado o papel de porta de entrada para a China continental, onde a procura órgãos de espécies ameaçadas é enorme. A China é já um dos principais destinos para partes de animais em risco de extinção, incluindo marfim e pele de elefante, ou carne e escamas de pangolim.
Nos últimos dez anos um quinto das apreensões mundiais de marfim e quase metade das apreensões de pangolin registaram-se na antiga colónia britânica Segundo os Serviços de Alfândega de Hong Kong, o tráfico de animais aumentou em 1.600% nos últimos dez anos. O número de espécies ameaçadas contrabandeadas aumentou em 57%. No final de 2017, a China proibiu as vendas de marfim. Já Hong Kong decidiu aboli-las um ano depois, progressivamente, até 2021. Hong Kong endureceu recentemente as penas para contrabando de animais selvagens, cuja moldura penal é até dez anos de prisão e dez milhões de dólares de Hong Kong em multa.
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23.1.2019 quarta-feira
Manda a vontade, que me ata ao leme
A Poesia Completa de Li He
感諷五首
Cinco Exortações
其 四
IV
星 盡 四 方 高 , 萬 物 知 天 曙 。 己 生 須 己 養 , 荷 擔 出 門 去 。 君 平 久 不 返 , 康 伯 遁 國 路 。 曉 思 何 譊 譊 , 闤 闠 千 人 語 。
Já esmoreceram as estrelas, é alto o céu, A natureza inteira sabe que outro dia desponta. Nascido neste mundo, tenho de me alimentar e,1 Por isso, saio o portão com o meu fardo. Jun-ping partiu há muito sem regressar, Kang-bai fugiu, foi-se pela estrada estatal.2 “Que lugar caótico!”, penso à aurora. Às portas do mercado, mil homens palram.
其 五 石 根 秋 水 明 , 石 畔 秋 草 瘦 。 侵 衣 野 竹 香 , 蟄 蟄 垂 葉 厚 。 岑 中 月 歸 來 , 蟾 光 掛 空 秀 。 桂 露 對 仙 娥 , 星 星 下 雲 逗 。 淒 涼 梔 子 落 , 山 璺 泣 晴 漏 。 下有張仲蔚,披書案將朽。
Luz-sapo suspende-se graciosa no céu.3 A cássia orvalhada frente à fada,4 Gotículas cintilantes caem das nuvens ociosas. Fria e só, a gardénia deixa cair suas sementes, Uma fenda de montanha choraminga lágrimas cristalinas. Lá em baixo vive Zhang Zhong-wei – 5 Ao abrir seus livros, descobre que a secretária se vai desfazendo.
1
V
2
Aos pés da fraga, fulgurante água outonal, Ao lado da fraga, esguia erva outonal. Aroma de bambu selvagem entranha minhas roupas, Milhares de folhas dependuradas, luxuriantes. Sobre os cumes regressa a lua,
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Dizia-se que Yen Zun, de seu cognome Jun-ping, fora mestre do próprio Lao Zi. Para sobreviver lia sortes no mercado de Chengdu. Kang-bai vendia medicamentos no mercado de Chang-an e ganhou tal reputação de honestidade que o próprio Imperador o mandou chamar. Porém, Kang escapou-se. A lua era, supostamente, habitada por um sapo. Chang-e, deusa da lua, com sua árvore de cássia. Um erudito-eremita dos Han Tardios.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quarta-feira 23.1.2019
WEB, NENHURES, 5 JANEIRO O meloso natalício não muda grande coisa na folhagem das árvores despidas, menos ainda nos múltiplos brancos contidos na neve que nem tomba na cidade. Com a estação chegam os tiques próprios das ditas, como este de comprar a correr disquito ou livrito para oferecer, à falta de melhor. Multiplicam-se as listas dos melhores do ano, fingindo que se lê por cá ou ao menos que se respeitam os livros. Enfim, a miséria habitual, que apesar de costumeira se amisera mais e sem piedade. Contudo, brilham excepções. A mais divertida, atenta e reveladora de extremo amor ao livro encontra-se no blogue do Henrique [Manuel Bento Fialho], «Antologia do Esquecimento»: http://universosdesfeitos-insonia. blogspot.com/2019/01/o-melhor-dos-livros-em-2018.html A melhor lista dos melhores contém mais de trinta itens confirmando que, para o seu autor, o livro é um mundo a ser abordado de todas as perspectivas, por menores que sejam. Não creio que inclua livros de cujo conteúdo não tenha gostado, mas pega-lhes pelas minúcias do contentor: capas e contracapas, primeira e segunda badana, cortes superior, dianteiro e inferior, lombada, guardas, sobrecapa e cinta, formato e impressão, folha de rosto e índice, cólofon e notas de rodapé, mas também título, texto de contracapa ou epígrafe ou dedicatória ou agradecimento, além de prefácio e posfácio. Isto além das mais tradicionais capas, ilustrações, fotografias, colecções, tradução ou… livro do ano, que no caso foram dois e de imagens. Um divertimento, que nem por isso deixa de desenhar panorama dos mais completos. HORTA SECA, LISBOA, 6 JANEIRO Falho redondamente, como convém aos anafados, os desejos: descansar e planear. As urgências, ainda elas, muitas que resultam do incumprimento do planeado. Desprezando a electrónica, a minha arrumação assenta em papel, profusos papéis, que desenham do ano ao momento. O electrocardiograma dos meus dias sai em folhas A6, nas quais assinalo rugas, ideias, afazeres, telefonemas, pagamentos, nomes, projectos, gatafunhos. Não seria mais fácil em cadernos, que também frequento? Talvez, mas estes fragmentos são portáteis, podem tanto gritar-me o imediato como sussurrar o horizonte. Consigo juntá-los para harmonizar um mapa, uma hierarquia de prioridades. Embora resulte dissonância, alegre, mas dissonância. Ler os que foram sobrando relembra-me o óbvio. Afinal, não evitam o atropelo ou o esquecimento, menos ainda o acumular de irresolvidos. Pela simples razão de
Raízes e copas que não esticam o tempo. Quanto perdi com esta inutilidade? CASA DA CULTURA, SETÚBAL, 11 JANEIRO Esta sessão da «Filosofia a pés juntos» tinha a Justiça por tema e logo a radical arqueologia do António [de Castro Caeiro] revelava uma surpresa. Para o grego, a injustiça resulta da humana ambição de querer ter mais, de fazer disso o seu horizonte. Até ao ponto ganancioso do meu tudo metamorfosear em nada o do outro. Injustiça continha, então e sobretudo, a ideia de denúncia. E pessoal. O processo visava que o injusto entendesse o erro e o confessasse publicamente. Dizê-lo era
haver. Depois o papel rasgou-se janela, e surgiu um contínuo de umbrais feitos de cor e paciência. A repetição não tem que ser o igual multiplicado. Bebemos longo café e falámos ainda de Philip Glass. Vem aí exposição. POVO, LISBOA, 14 JANEIRO Para sessão em torno da «Poesia do KWY», o Alex [Cortez] chamou-me ao microfone. Em ambiente aprimorado pelo Nuno [Miguel Guedes], e comentado propiciamente pelas cordas do [Vítor] Rua, que transliterou e pensou encontrar-se em Bukoswki, ouviram-se as vozes da Paula André enquadrando o relâmpago que foi projecto único, que dizia o portuguesinho Ká Wa-
palcos (de teatro, que os de concerto são outra música) perdem, sem o saber, contacto com a realidade, com o oxigénio. Por isto. O Henrique [Manuel Bento Fialho] resolveu recomeçar o ciclo lunar do «Diga 33 – Poesia no Teatro» com os supermanos, António [de Castro Caeiro] e José [Anjos]. A singeleza da encenação (foto na página de Graça Ezequiel) potenciou a cumplicidade entre os dois, com leituras, comentários e música. O Henrique manuseou a curiosidade como ferramenta e pôs o António a explicar-nos que o destino se faz corda de ringue nas nossas mãos, sendo o boxe apenas uma das possibilidades, cada qual tendo na mão a escolha de modalidades, com-
GRAÇA EZEQUIEL
diário de um editor
João Paulo Cotrim
meio caminho para a resolução. O acento punha-se no trabalho interior do próprio, mais que em acusação externa. Daí a conclusão maior de que melhor seria sofrer uma injustiça do que cometê-la. A conversa expandiu-se, e muito, mas este pensamento-raiz ainda brilha que nem copa. ACÁCIO DE PAIVA, LISBOA, 12 JANEIRO Manhã de sábado em Alvalade, com uma luz de fazer esquecer o frio. Ambiente ideal para espreitar os trabalhos mais recentes do multi-talentoso Simão [Palmeirim]. Não falo agora nem da música, nem das investigações em torno da geometria ou sobre Almada [Negreiros], mas das pinturas. Vi-me em paisagens de tom negro onde o monumental não abafa a minúcia, o gesto, a composição. Entrei no miolo de máquinas, transmudadas do absoluto concreto para um abstracto contido. Cada pasta parecia mala devolvida de mundos por
mos Yndo com letras que não havia, do tonitruante Manuel João [Vieira], brincando com anónimos e o episódico João Garcia de Medeiros, e do Miguel [Feraso Cabral] a evocar Manoel de Castro. Pensando nas contaminações (imagem, palavra, nomes) levei nos lábios para estragar o Helder [Macedo], capaz de descrever como ninguém o que foram aquelas lúcidas noites, o António José Forte, com sorrisos a doer-lhe nos lábios, e o José Manuel Simões: «Um quadro, como um poema, é demasiado pequeno para conter um coração. Por isso ele cresce, ilude os limites estreitos do caixilho, expande-se e fica a flutuar, qual cúpula, globo ou aquário, palpitante e rubro, exposto aos olhares clínicos e turísticos de quem se aproxima e contempla.» TEATRO DA RAINHA, CALDAS DA RAINHA, 15 JANEIRO A noite aconteceu, enorme. E lúcida. Os que se afastem do convívio com os
bates, até de adversários. Ilustrou depois os versos ditos do Anjos à viola, antes de o fazer com lanterna, no fecho: «um quadrado de terra na cidade/ um verão de amendoeira/ uma flor, uma pedra luminescente no peito/ da igreja/ a respiração ainda quente de uma boca derrotada/ um dia cruel/um gato de sombra que nasceu da invenção/ de uma escada/ e a sombra de um gato que morreu/ como a divisão de uma casa// a dor à volta da qual tudo se constrói.» HORTA SECA, LISBOA, 18 JANEIRO A Escola de Escritas do Luís [Carmelo] abriu «Crateras», colecção que recolhe textos dos que se vão cruzando aquela ideia. Começou com o «Tenham uma Boa Vida», do Francisco Resende, que evoca experiência do lugar, e a Ana Margarida de Carvalho, que em «Primeira Linha de Fogo», investiga o (sem) sentido das fronteiras em que nos entrincheiramos.
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DIVINA COMÉDIA Nuno Miguel Guedes
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23.1.2019 quarta-feira
O mito do primeiro amor
Á dias em que o mundo nos exige que paremos, que pousemos as armas e as angústias nem que seja por um instante. Contemplar apenas o que está próximo e, se for necessário, escrevê-lo sem ambições de falar de temas maiores. “Há um certo meio de começar uma crônica por uma trivialidade”, escreveu Machado de Assis aos 38 anos. E depois prosseguia, explicando que bastaria dizer, por exemplo, “Calor! Que desenfreado calor!”. O genial brasileiro escrevia em 1877 sob a canícula do Verão do Rio de Janeiro: percebe-se como a trivialidade se torna essencial naquele momento. Estando muitíssimo (e infelizmente…) longe dos escritos do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas esta crónica tende a ser trivial. Fala de amor, do amor dito romântico; e o amor é trivial porque é comum e existe. Não porque não seja precioso mas porque não é raro. Pode é não nos acontecer – e isso sim, é tragédia maior. Mas de todas as matizes amorosas que experimentamos na
vida – e agora sim, chegamos ao cerne da conversa – a mais sobrevalorizada é a força irrepetível do primeiro amor. A ideia de que não há amor como o primeiro é publicidade enganosa. O primeiro amor é um princípio normalmente titubeante que nos prepara para a montanha-russa das paixões – isto se tivermos sorte. George Bernard Shaw dizia que o primeiro amor é apenas um pouco de tolice e muita curiosidade e o aforismo parece-me que acerta na batata. É verdade que a arte e a literatura em particular ajudaram à difusão deste mito; mas pensem em Romeu e Julieta: será que o desfecho da história seria tão trágico se os amantes tivessem
um pouco mais de bagagem amorosa de experiências prévias? E por outro lado: como poderia Camões ter escrito o magnífico soneto “Tanto do meu estado me acho incerto” se não soubesse bem do que falava? Como poderia Sinatra cantar com tanta verdade o que cantou se não tivesse atravessado por inúmeras vezes o coração negro das paixões verdadeiras? Admito que se trate de uma posição radical mas no primeiro amor não vejo inocência e candura – apenas medo do desconhecido e do terrível momento em que tudo se irá esboroar. A revisão nostálgica dessa época que parece perfeita a tanta gente está contaminada por
Admito que se trate de uma posição radical mas no primeiro amor não vejo inocência e candura – apenas medo do desconhecido e do terrível momento em que tudo se irá esboroar
uma idealização que pode aleijar. Num livro de que todos conhecem a magnífica frase inicial (“The past is a foreign country; they do things differently there”), o protagonista de sessenta anos relembra o seu primeiro amor e a consequente perda de inocência que o irá marcar para o resto da sua vida. Não é uma história optimista e romântica – antes pelo contrário. Pela minha parte lembro-me bem do meu primeiro amor correspondido (e generosamente deixo de fora as paixonetas que me consumiram em silêncio até lá chegar). Vejo um rapaz desengonçado e aterrorizado a tentar ganhar coragem no whisky-cola e a falar bastante depressa. Lembro um desespero optimista, um suspiro de alívio mesmo antes do apocalipse. Felizmente chegou o segundo amor e alguns outros depois desse. Foram necessárias várias provações para poder chegar à pequena sabedoria com que hoje vivo: a modesta ambição de quem ama outrem não é ser o primeiro mas o último. E é nisso em que todos os dias me empenho.
desporto 17
quarta-feira 23.1.2019
uma garantia de golos para a formação.
TATIANA LAGES
TÉNIS | JOÃO SOUSA “TRABALHO DURO COMPENSA”
SEGUNDA LINHA
J
OÃO Sousa assumiu ontem sentir-se recompensado pelo “trabalho duro” efectuado, depois de se ter tornado o primeiro tenista português a apurar-se para as meias-finais de um torneio do Grand Slam, na categoria de pares do Open da Austrália. “Jogar os quartos de final de um Grand Slam é um grande prazer, especialmente num ‘court’ como este [Margaret Court Arena]. Jogámos um grande encontro e estamos muito contentes por passar às meias-finais. Servimos muito bem, respondemos bem e estamos muito contentes com o nível jogado durante toda a semana”, destacou o vimaranense, de 29 anos, após a vitória por 6-4 e 7-6 (8-6), em cerca de uma hora e 30 minutos. Depois de eliminar o neozelandês Michael Venus e o sul-africano Raven Klaasen, sextos cabeças de série e finalistas de Wimbledon em 2018, João Sousa, que fez dupla com o argentino Leonardo Mayer, revelou sentir que “o trabalho duro compensa”. Apurados para as meias-finais, Sousa e Mayer vão agora discutir a passagem à final com os vencedores do encontro entre os pares Jamie Murray/ Bruno Soares, terceiros cabeças de série, e Henri Kontinen/John Peers.
LIGA DE ELITE ARRANQUE COM BENFICA E CHAO PAK KEI COMO FAVORITOS
Ano de mudanças
O principal campeonato arranca hoje, com o jogo entre Sporting e Hang Sai, às 19h00. Logo a seguir, o Benfica de Macau, com uma formação bastante diferente da época anterior, tem pela frente o Ka I
Futebol Avião com Emiliano Sala desaparece no Canal da Mancha
Um avião privado, no qual na qual viajava o futebolista argentino Emiliano Sala, que já alinhou nos campeonatos distritais de Portugal e actualmente representa o Cardiff, desapareceu na segunda-feira, no Canal da Mancha. A polícia francesa confirmou que Emiliano Sala, de 28 anos, era um dos dois passageiros do aparelho, informando que as buscas para encontrar o Piper PA-46 foram retomadas ontem de manhã, depois de terem sido interrompidas devido às más condições climatéricas. Emiliano Sala, que na época de 2009/10 representou o FC Crato, dos campeonatos distritais em Portugal, transferiu-se recentemente do Nantes para o Cardiff, por 17 milhões de euros, protagonizando a transferência mais cara do clube galês. Segundo a polícia das ilhas do Canal, ainda não foram localizados destroços do avião, que desapareceu dos radares numa altura em que chovia e o vento era considerado moderado. O clube galês já se manifestou “seriamente preocupado” com a situação, afirmando estar à espera de receber mais informações sobre o assunto.
A
L i g a de Elite arranca esta tarde e Benfica de Macau e Chao Pak Kei são vistos como os principais candidatos. Enquanto as águias procuram a sexta vitória consecutiva, o C.P.K. espera traduzir o investimento com a contratação de alguns nomes sonantes em vitórias. Nesta luta não é ainda de excluir uma intromissão do Ching Fung, equipa que finalizou a Liga de Elite do ano passado no quarto lugar. “Apesar das alterações, o Benfica de Macau é o favorito e continuar a ser uma das equipas mais fortes. Está ao mesmo nível de um C.P.K., um clube que se reforçou bem e tem um bom equilíbrio ao nível de jogadores locais e estrangeiros”, disse, ao HM, Joseph Tam, treinador do Monte Carlo. “Estas duas equipas vão
ser os favoritos, mas não podemos excluir o Ching Fung da luta, até porque se reforçou bem com o William Gomes. É um clube ambicioso. Uma potência emergente no futebol local”, acrescentou. Esta é uma leitura semelhante à do técnico do Sporting de Macau, Pedro Lopes, que espera um grande equilíbrio entre os três clubes. “Nin-
guém tem dúvidas que o Chao Pak Kei está muito forte. O Benfica de Macau, apesar da perda de alguns jogadores importantes em outras épocas, também vai continuar forte. E depois temos o Ching Fung que aposta forte, já o ano passado foi quarto, e que tem tudo para melhorar”, explico Pedro Lopes, ao HM. “São três equipas que vão
JOGOS DA 1.ª JORNADA HORA
DIA 23 Janeiro
(19h00)
Sporting de Macau
Hang Sai
(21h00)
Ka I
Benfica de Macau 24 Janeiro
(19h00)
Chao Pak Kei
(21h00)
Sub-23
Ching Fung Tim Iec 25 Janeiro
(19h00)
Monte Carlo
Polícia
Nota: Todos os jogos decorrem no Canídromo
estar taco-a-taco no topo da Liga”, frisou. No que diz respeito aos pentacampeões, os principais reforço são o atacante Danilo, ex-avançado do C.P.K., e o meio-campista Ortega, ex-Ching Fung. No sentido oposto registam-se as saídas de Tetteh, Okello, Hugo Silva, Gil, Edgar Texeira, Pang Chi Hang, Iuri Capelo e Tony Lopes. Já Alison e Leonel Fernandes estão inscritos, mas encontram-se a estudar em Pequim. Em relação ao Chao Pak Kei, a contratação de Pang Chi Hang ao Benfica de Macau foi a principal novidade do mercado, além do guarda-redes Juan Castro e do central Lei Ka Him. Já o Ching Fung manteve a estrutura da equipa do ano passado, numa clara aposta pela continuidade, e reforçou-se com o avançado William Gomes,
A seguir aos favoritos surge uma segunda linha da equipas que deverão animar a luta pelo quarto lugar. Neste grupo estão Monte Carlo, Sporting de Macau, Ka I e Hang Sai, que é uma das grandes incógnitas da época. “Não podemos excluir o Sporting de Macau, Ka I e Monte Carlo. São equipas que estão numa segunda linha mas que podem causar surpresas”, considera Joseph Tam. “Neste grupo poderá ainda ser incluído o Hang Sai. Reforçaram-se muito”, apontou. Também Pedro Lopes considera que Monte Carlo, Ka I e Sporting de Macau serão “outsiders”. Mas mesmo no cenário em que os desempenhos destas formações não correspondam a um nível tão elevado, o técnico avisa que poderão sempre influenciar a luta pelo título, ao “roubar” pontos aos candidatos. Apesar deste cenário, o treinador dos leões assume como meta para o Sporting de Macau a manutenção da Liga de Elite. Na luta pela permanência, antevê-se nesta fase que Polícia e os recém-promovidos Sub-23 e Tim Iec sejam os principais protagonistas. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
SPORTING ENFRENTA “INCÓGNITA”
“U
ma incógnita”. Foi desta forma que o treinador Pedro Lopes definiu o encontro de hoje, às 19h00, diante do Hang Sai, no Canídromo. Na base desta dúvida está o facto do treinador não saber que jogadores vai ter disponíveis para o encontro e pelo adversário se ter reforçado bem. “O Hang Sai fez um investimento muito forte. Tinha um jogador estrangeiro e agora tem quatro ou cinco. Não sabemos o que temos pela frente”, reconheceu. O técnico criticou também o facto do encontro ocorrer demasiado perto da hora de trabalho. “Não sei que jogadores vou ter disponíveis”, admitiu.
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18 7 1 (f)utilidades 6 5 2 9 4 3
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Fundação Cunha1| 17h30 5 7Rui 2 8
9 4 0 3 4 9 0 3 6 2 1 7 8 Sexta-feira LANÇAMENTO 2 0 DO 6 LIVRO 4 1 5 7 3 9 “BOI, CABEÇA, CAVALO, CARA”, DE SHEE VA 7 5 9 8 3 6 0 2 1 Galeria da Livraria Portuguesa | 18h30 8 4 7 2 5 1 9 6 0 Diariamente 1 6 3 0 9 8 5 4 7 FRINGE | MÚSICA URBANA INTERACTIVA Praça 6 Jorge 3 Álvares 4 9| Até727/010 2 8 5 0 8 1 5 2 4 3 9 6 EXPOSIÇÃO | “A STATE OF BLISS” DE ZHAO QIAN Fundação 3 2Rui 5Cunha6| Até021/017 8 1 4 9 1 8 7 4 3 6 5 2 EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE
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Museu de Arte de Macau | Até 10/02
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EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE Museu 1 de6Arte8de Macau 0 7| Até 24/02 3 2
5 4 2 4 | “REENCARNAÇÃO” 5 3 9 6DE ALLEN 1 0 EXPOSIÇÃO WONG7 Creative Macau 9 1 7 2 8 0 4 6 3 4 5 | OBRAS 0 6PRIMAS 3 DE7ARTE9RUSSA2 8 EXPOSIÇÃO MAM | Até 22/4 6 0 3 7 2 1 8 9 5 8 9 1 5 4 2 6 7 0 5 8 9 1 0 4 7 3 2 Cineteatro 3 7 2 4 6 9 5 8 1 0 2 4 9 5 8 3 1 6 7 3 6 8 1 5 0 4 9
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95 09 0 23 62 6 47 14 1 4 6 78 7 1 93 9 0 2 2 4 7 80 18 1 3 5 96 9 13 51 5 6 02 80 8 4 21 2 43 4 5 87 8 96 09 07 0 86 8 9 15 1 32 43 3 51 65 6 0 49 74 7 8 8 7 9 42 04 0 6 1 35 6 5 94 9 7 28 2 3 0 80 28 2 31 43 4 95 79 7
PROBLEMA 48
UM DISCO HOJE
GLASS SALA 1
GLASS [C] Um filme de: M.Night Shyamalan Com: Bruce Willis, James McAvoy, Samuel L.Jackson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
INSTANT FAMILY [B] Um filme de: Sean Anders Com: Mark Wahlberg, Rose Bryne, Isabela Moner, Julianna Gamiz 14.30, 16.45, 21.30
A DOG’S WAY HOME [A] Um filme de: Charles Martin Smith Com: Bryce Dallas Howard, Ashley Judd,
Alexandra Shipp 14.30, 16.30, 21.30 SALA 3
MORE THAN BLUE [B]
Ok, a referência ao disco é uma mera formalidade. Rødhåd, DJ e produtor sediado em Berlim, é um dos rostos do tecno mais negro e profundo das mais selectas pistas de dança. Um dos nomes de maior sucesso da editora Dystopian, Rødhåd conseguiu o reconhecimento
FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 21.30
THE POOL [C] FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Ping Lumpraploeng Com: Theeradej Wongpuapan, Ratnamon Ratchiratham 16.30, 19.30
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96 9 35 13 71 87 8 24 2 0 5 4 68 16 9 1 7 9 7 2 0 3 72 7 3 9 0 5 6 8 4 8 1 84 8 7 2 0 5 3 91 9 6 4 4 93 9 5 2 6 5 6 7 8 7 0 1 0 2 2 80 8 9 4 6 75 7 13 1 1 1 60 6 7 8 3 9 5 9 4 2 4 7 31 63 6 5 48 24 2 0 9 M I N 271422 4M9A X 2 0 H U M 4 0 7 5 % R9O 1 096. 10835 B3A H T 0 . 2 5 Y U A N 8 8 42• 4E9U 0 89 8 1 3 5 1 5 6 71 13 5 1 5 6 8 2 6 2 0 4 7 0 7 9 3 3 05 0 61 96 9 82 8 47 4 0 0 18 1 3 4 7 6 2 6 5 9 5 1 26 02 0 7 93 59 5 4 8 VIDA DE CÃO 9 9 76 7 2 5 1 2 1 3 0 3 8 4 8 5 5 93 9 4 8 2 60 6 71 7 56 5 0 1 7 4 9 3 8 3 2 70 7 6 5 3 4 1 89 8 2 SÍNDROME 49 4 81 28 02 70 7 63 6 5 8 9 42 3 4 0 3 1 0 1 5 6 7
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Amanhã INAUGURAÇÃO 40 DA EXPOSIÇÃO “SCENES OF MACAU”, DE GU YUE E LIU SHENGLI
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www. hojemacau. com.mo
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DE ESTOCOLMO
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S U D O K U
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Os casos de cobrança abusiva de tarifas de táxis aumentaram mais de 20 por cento no ano passado. Estamos a falar de um incremento de mais de um 1/5, um feito digno de registo, mas que parece não afectar em nada o poder negocial que a classe tem junto de deputados e Governo. Não vou especular de onde vem esta capacidade persuasiva, aposto que não faltam teorias aos nossos leitores, mas esta situação lembra-me casos de rapto. Desde que estou por cá, tento ao máximo evitar os táxis. Não quer isto dizer que não tenha já apanhado vários motoristas simpáticos e aparentemente honestos. O que me choca é ainda se admitir a boa-fé da classe, e a tentativa de salvar a face através da teoria inusitada da ovelha negra. Bem, parece que as ovelhas negras são a parte do rebanho que mais rapidamente se reproduz, a acreditar nos números da PSP. As reivindicações das associações de taxistas, conhecidas durante a discussão na especialidade do diploma que vai regular o sector, são um dos mais egrégios exemplos de privilégio e falta de noção. É como se Macau sofresse do Síndrome de Estocolmo. Parece que os poderes decisórios da cidade se apaixonaram de morte pelos seus captores e não conseguem recusar as mais irrazoáveis exigências. Termino com três palavras: Centro Mundial de Turismo. João Luz
ANXIOUS | RØDHÅD
de músicos como Robert Hood, Jeff Mills, Ben Klock, Laurent Garnier e Sven Väth. Além do disco, quem gosta de música de dança com um travo pesado deve procurar os seus sets no Youtube, em especial as aparições nas Boiler Room. João Luz
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
quarta-feira 23.1.2019
sexanálise
TÂNIA DOS SANTOS
STEPHAN CONROY
O
objecto de uso comum virou polémica. Os agentes de marketing da grande marca multinacional - que em português nem é nome de marca, mas do objecto cortante em si, -resolveram dar que falar ao criar um anúncio que põe a masculinidade em causa. Não é a masculinidade de todos, mas a de um tipo em especial: a masculinidade tóxica. Mas a contestação da masculinidade tóxica já nos é bem conhecida. Por isso duvido que tenha sido com surpresa que a empresa tenha visto o anúncio - que só tenta mostrar a possibilidade de uma outra masculinidade – a agradar, mas também a consternar o público ao ponto dos fiéis clientes ameaçarem boicotar a marca. As pessoas ventilaram o seu desgosto nas redes sociais ao pegar nas suas amorosas histórias de como a gillette entrou nas suas vidas de puberdade, a quem crescem pêlos faciais para, com desgosto, excluir a gillette da masculinidade hegemónica e normativa. Eu percebo que a toxicidade de um conjunto de características que está ligada, muito na generalidade, à comunidade masculina seja vista como ofensiva. Mas melhor ou pior, eu até verti uma lágrima neste tão emocional anúncio que propõe que os homens podem chorar ou mostrar-se frágeis. E que acima de tudo podem estar à frente na mudança de perspectivas retrógradas do que o homem pode ser. Se já poucos concordam que o papel da mulher é na cozinha, também concordarão, certamente, que o homem não é sempre o bully, o forte e o responsável. A masculinidade não pressupõe que uma criança de 4 anos, ao ficar sem pai se julgue o ‘homem da família’ como já vi acontecer. De alguma forma, a discussão tem tomado formas bastante polarizadas, das quais já extensivamente reflecti neste espaço. Mas eu sou daquelas que não achou o anúncio da gillette particularmente ofensivo a quem quer que seja. Achei-o bonito e motivador e uma forma interessante de pôr na esfera pública os motivos e os desejos de mudança para uma masculinidade diferente. Mas nem tudo são rosas, senhores e senhoras. A gillette não deixa de ser uma marca a trabalhar em função de lucros e publicidade gratuita. Por isso, não querendo soar demasiado desconfiada acerca das boas intenções de uma campanha tão emocional e actual – para além da intenção de doar milhões para organizações para causas que desconstroem a masculinidade tóxica – má publicidade, é sempre publicidade. Porque é bem verdade, e não querendo soar ingrata, que a gillette ao longo dos anos contribuiu com a obsessão da (ausência de) pilosidade feminina também. Há quem tenha realçado o
Gillette
papel determinante da publicidade da gillette para que as mulheres sentissem os seus pêlos como pouco higiénicos e não estéticos. Para além de toda a polémica da ‘taxa rosa’ que faz com que as lâminas com uma capa rosa, i.e., para as mulheres, sejam mais caras do que a simples lâmina masculina. Moral da história: se a gillette quer mesmo puxar os
limites do género teria que fazer alguma coisa para contrariar a tendência que é produzir lâminas (que têm exactamente o mesmo propósito!) de forma estereotipicamente distinta para o mercado feminino e masculino. Até pode começar com os seus anúncios, colocando mulheres com pêlos (de verdade) a serem rapadas – e não a patetice
Hoje em dia o consumo vem pautado de preocupações ambientais, conceptuais e éticas e com ele vem o desejo que se produza algum tipo de mudança. Mas, parece-me, que esta lógica não deixa de ser a da atracção para o consumo
que é vermos mulheres de pele sedosa a passarem uma lâmina pelo desnecessário. Como vêem ainda há tanto que deve e pode ser feito, que nem um anúncio polémico vem resolver metade dos problemas que a gillette em si poderá produzir. Só que as empresas são espertas. Hoje em dia o consumo vem pautado de preocupações ambientais, conceptuais e éticas e com ele vem o desejo que se produza algum tipo de mudança. Mas, parece-me, que esta lógica não deixa de ser a da atracção para o consumo. Podia ser pior, sempre se provoca alguma discussão. Agora... se produz mudança social de facto – isso é que já é outra história.
Pensar é fácil. Agir é difícil. Agir conforme o que pensamos, isso ainda o é mais. Goethe
Trabalho ilegal 52 suspeitos em Dezembro
Durante o mês de Dezembro foram detectados 52 trabalhadores ilegais, indicou o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) em comunicado. Os suspeitos foram detectados em operações efectuadas em conjunto e individualmente pelo CPSP, Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e outros serviços. Essas operações de fiscalização tiveram lugar em 282 locais, nomeadamente em estaleiros de obras de construção civil, residências, e estabelecimentos comerciais e industriais, de acordo com o CPSP.
Madrid Cristiano Ronaldo ouvido em tribunal
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Nem uma hora esteve Cristiano Ronaldo no Tribunal da Audiência Provincial, em Madrid, onde marcou presença ontem de manhã, acompanhado por Georgina Rodríguez e o advogado José António Choclán. O internacional português saiu sorridente, acenou aos presentes e até deu alguns autógrafos. Na audiência, Ronaldo terá assumido culpa de quatro delitos fiscais entre 2011 e 2014 – durante a sua passagem pelo Real Madrid –, aceitando pagar 18,8 milhões de euros de multa, além de 23 meses de prisão, com pena suspensa.
PALAVRA DO DIA
quarta-feira 23.1.2019
SAÚDE MAIS TRÊS CASOS DE GRIPE COM COMPLICAÇÕES
O
Os suspeitos introduziram máquinas ‘point-of-sales’, usando-as para disfarçar a localização dos levantamentos, ajudando à movimentação de 30 mil milhões de yuan
Pecado de capital CASINOS DESMANTELADA REDE DE TRANSFERÊNCIA ILÍCITA DE DINHEIRO
A
polícia da China desmantelou uma rede criminosa que usou os casinos de Macau para transferir ilicitamente 30 mil milhões de yuan, naquele que é um dos maiores casos de fuga de capitais da China. Segundo o jornal South China Morning Post, que cita a agência oficial chinesa Xinhua, os suspeitos introduziram as máquinas ‘point-of-sales’ (POS) em Macau, usando-as para
A
disfarçar a localização dos levantamentos de dinheiro, ajudando à movimentação de 30 mil milhões de yuan da China para Macau. Segundo o jornal, foram levados a cabo raides em simultâneo em Pequim, Hebei, Hubei, Guangdong e Macau, antes de 39 suspeitos serem detidos, numa operação que remonta a 7 de Janeiro. O grupo, liderado por um suspeito de apelido Xu, traficou terminais portáteis registados na China para Macau, colocando-os ao
S trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa atingiram 134,98 mil milhões de dólares nos primeiros 11 meses do ano passado, traduzindo um aumento de 25,27 por cento comparativamente ao período homólogo de 2017. Dados dos Serviços de Alfândega da China, publicados na segunda-feira no portal do Fórum Macau, indicam que a China comprou aos países de língua portuguesa bens avaliados em 96,67 mil milhões de dólares – mais 29,31 por cento – e vendeu produtos no valor de 38,31 mil milhões de dólares – mais 16,10 por cento em termos anuais homólogos.
dispor de jogadores para poderem levantar dólares de Hong Kong ou patacas, de acordo com a Xinhua. Mais de quatro milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro vivo foram confiscados durante os raides, a par com quatro viaturas, 32 máquinas POS adulteradas, computadores e uma série de cartões bancários. A polícia congelou ainda 150 milhões de yuan e 24 milhões de dólares de Hong Kong de um número não especificado de contas bancárias.
As investigações que levaram aos raides conjuntos tiveram início em Novembro, quando foi montado em Zhuhai um gabinete operacional para monitorizar os movimentos na fronteira dos membros da rede. A polícia de Macau colaborou na emboscada, recolhendo provas e identificando os locais do crime, indicou a Xinhua. As transacções permitem contornar os apertados controlos de fluxo de capitais da China.
Trocas estão em alta
Comércio entre China e países lusófonos subiu 25,27%
O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, com o volume das trocas comerciais bilaterais a cifrar-se em 101,55 mil milhões de patacas, mais 26,89 por cento do que nos primeiros 11 meses de 2017. As exportações da China para o Brasil atingiram 30,88 mil milhões de dólares, reflectindo um aumento de 17,65 por cento; enquanto as importações totalizaram 70,66 mil milhões de dólares, mais 31,40 por cento em termos anuais homólogos.
Com Angola, o segundo parceiro lusófono da China, as trocas comerciais cresceram 22,78 por cento, atingindo 25,36 mil milhões de dólares. Pequim vendeu a Luanda produtos avaliados em 2,04 mil milhões de dólares – menos 2,36 por cento – e comprou mercadorias avaliadas em 23,31 mil milhões de dólares, reflectindo uma subida de 25,62 por cento. Com Portugal, terceiro parceiro da China no universo dos países de língua portuguesa, o comércio
S Serviços de Saúde foram notificados ontem pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) e pelo Hospital Kiang Wu para a ocorrência de três casos de gripe acompanhado com pneumonia ou com outras complicações, incluindo um, cuja situação clínica é considerada crítica. O caso grave foi diagnosticado num paciente, com 80 anos, com historial de doenças crónicas. O homem foi internado, no passado dia 15, no Hospital Kiang Wu devido à doença cardíaca. Durante o internamento, no domingo, o paciente apresentou sintomas de febre. No dia seguinte manifestou falta de ar e testou positivo a influenza A, acabando depois por ser diagnosticado com pneumonia dupla. Segundo os Serviços de Saúde, ontem, o paciente foi transferido para Unidade Cuidados Intensivos devido a insuficiência respiratória, necessitando de ventilação assistida, sendo o seu estado clínico considerado crítico. O paciente não foi submetido à vacina contra a gripe sazonal de 2018-2019. Desde Setembro até ontem foram registados 43 casos de gripe acompanhados com pneumonia ou com outras complicações, incluindo um mortal. Nove pacientes continuam hospitalizados.
bilateral entre Janeiro e Novembro do ano passado cifrou-se em 5,53 mil milhões de dólares – mais 7,49 por cento – numa balança comercial favorável a Pequim. A China vendeu a Lisboa bens na ordem de 3,44 mil milhões de dólares – mais 7,05 por cento – e comprou produtos avaliados em 2,08 mil milhões de dólares, mais 8,23 por cento face aos primeiros 11 meses de 2017. Nos primeiros 11 meses do ano passado, as trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa ultrapassaram já o apurado no cômputo de 2017, ano em que o comércio sino-lusófono foi de 117,58 mil milhões de dólares. D.M.