PARQUE DA CONCÓRDIA
Diversificar é preciso PÁGINA 5
Casas a preço de mercado
hoje macau Nº 4815
QUINTA-FEIRA 22-7-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
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VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
EM DEFESA DO BEM COMUM
Último capítulo
GRANDE PLANO
O desfecho era o esperado. A CAEAL rejeitou os argumentos apresentados pelos pró-democratas para contestarem a desqualificação das eleições, considerando haver “provas suficientes de que os candidatos em causa praticaram actos que não defendem a Lei Básica ou não são fiéis à RAEM”. Ng Kuok Cheong e Paul Chan Wai Chi vão recorrer da resolução para o TUI. Quanto a Sulu Sou, além de defender que as alegações da CAEAL não são razoáveis, nada mais se sabe. PÁGINA 4
HOSPITAL CONDE DE SÃO JANUÁRIO
MANHÃ SUBMERSA ÚLTIMA
A AMIGOLOGIA NUNO MIGUEL GUEDES
CRUZ E SOUSA ANTÓNIO CABRITA
ARTE MACAU
HARMONIA NO GRAND LISBOA EVENTOS
2 grande plano
22.7.2021 quinta-feira
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AMBIENTE
O único caminho SOROMENHO-MARQUES DIZ QUE “CHINA NUNCA BATEU COM A PORTA” À COOPERAÇÃO
Numa palestra promovida pelo Centro Cultural e Científico de Macau, o filósofo e investigador Viriato Soromenho-Marques defendeu que o mundo atingiu “uma zona de desastre”, em relação às alterações climáticas, e que a China sempre percebeu “o princípio da cooperação obrigatória” neste domínio. O académico considera fundamental criar uma convenção-quadro para a luta às alterações climáticas
V
IRIATO Soromenho-Marques, filósofo e professor catedrático da Universidade de Lisboa, falou esta terça-feira sobre a gravidade do estado global do ambiente e de como a China nunca virou costas a esta problemática, mesmo quando não era ainda um dos principais países poluidores mundiais. Num ciclo de palestras promovido pelo Centro Cultural e Científico de Macau (CCCM), intitulado “A filosofia asiática em Portugal e em Macau”, Soromenho-Marques defendeu, na intervenção “Olhares da China e do ocidente sobre a emergência ambiental e climática” que é necessário “criar uma convenção quadro que reconheça o sistema terra e a
atmosfera como um bem comum da humanidade”. Caso contrário, “as negociações sobre o ambiente e o clima continuarão a ser totalmente fracassadas”. “Temos de criar uma dignidade jurídica porque só isso pode apoiar políticas públicas bem-sucedidas”, referiu o académico, que adiantou estar a trabalhar neste projecto em parceria com uma associação internacional, embaixadas e com a própria Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos a tentar organizar um grande evento, no ano que vem, quando se comemorar [o aniversário] da conferência de Estocolmo de 1972. Não tenho a certeza se os EUA têm capacidade para aderir a essa convenção, ou se a Índia vai aderir. Mas penso que a
China será um dos parceiros neste processo”, referiu. O palestrante afirmou que o apoio da China às políticas de combate às alterações climáticas parte de “uma visão do todo, da tradição confuciana que está pre-
sente na liderança política actual”, acrescentando que “a China tem uma tradição, e tem estado à altura dela, desde 1949, de respeito do sistema internacional.” Viriato Soromenho-Marques deu o exemplo da única vez em
“Acho muita graça quando alguns dirigentes europeus e norte-americanos falam do perigo do belicismo chinês, quando a política externa dos EUA, França e Grã-Bretanha está cheia de cadáveres.”
que o país se viu envolvido num conflito bélico, com o Vietname do Norte em 1979. “Acho muita graça quando alguns dirigentes europeus e norte-americanos falam do perigo do belicismo chinês, quando a política externa dos EUA, França e Grã-Bretanha está cheia de cadáveres, basta ver a tragédia dos últimos 20 anos. O derrube do Kadhafi, a tentativa de intervenção da Síria, o Iraque, o Afeganistão. Uma tragédia de violência e de intervencionismo.” Nos que ao ambiente diz respeito, "a China percebe que, no sistema internacional, estamos todos com o garrote ao pescoço, e não me parece que o regime ou o povo chinês queiram aceitar essa ameaça sem luta”, adiantou.
China vs George W. Bush
Viriato Soromenho-Marques falou nas primeiras vezes que escreveu sobre as alterações climáticas, em 1976 e 1986, quando o panorama já era considerado grave. Desde então, só piorou. “Hoje estamos numa situação de descontrolo e num processo de mutação planetária, ou seja, estamos a construir um planeta diferente e hostil à possibilidade de uma civilização complexa como a nossa. Estamos numa situação em que, mais do que nunca, importa a união e a colaboração entre todos os países e indivíduos para minimizarmos aquilo que já é inevitável.” Neste aspecto, o orador descreveu a China como um país que “nunca bateu com a porta” e que sempre “percebeu o princípio da cooperação obrigatória”. “Há um princípio que a China percebe muito bem, tal como muitos europeus, e que é o da cooperação obrigatória. Já não se trata de sustentabilidade, mas sim de sobrevivência. Haverá uma altura em que a cooperação não é facultativa, será obrigatória.” Isto porque “podemos considerar a crise ambiental e climática como se fosse uma dívida pública”. "A diferença fundamental é que as dívidas públicas dos países podem ou não ser pagas. A crise ambiental e climática é uma dívida que vai ser paga em sofrimento”, acrescentou. Viriato Soromenho-Marques mencionou também a sua participação na cimeira do “High Level Group on Energy and Climate Change”, realizada em 2007, que visava criar um novo protocolo global que substituísse o protocolo de Quioto, cuja validade terminou em 2012. “O objectivo era conseguir um novo protocolo não caíssemos no vazio, que foi precisamente o que aconteceu”, lembrou, recordando que o diálogo com os EUA, à época presidido por George W. Bush, foi “breve”, dada a sua Administração “incompetente e ignorante”.
quinta-feira 22.7.2021
grande plano 3
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O “pacto de suicídio” EUA exortam Pequim a cooperar na área ambiental
O E aqui verificaram-se diferenças de postura em relação à China. "Os EUA, embora no tempo de Al Gore e Clinton, tivessem sido activos no período do protocolo de Quioto, deixaram de o ser depois. A China não tinha, de acordo com esse protocolo, a obrigação de reduzir emissões, mas apoiou intensamente, e interessou-se, como se interessa ainda hoje, pelo processo negocial climático.” Entretanto, foi assinado, em 2015, o Acordo de Paris, que apontou a meta de limitar o aumento da temperatura média mundial “bem abaixo” dos 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento a 1,5ºC. “Hoje em dia, a China é o principal emissor global, contribui com mais de 90 por cento das emissões, mais do que a soma dos EUA com a Índia”. No entanto, “historicamente a China continua a ter um contributo inferior à União Europeia (UE) e aos EUA. Por isso a questão não pode ser resolvida através do bater com a porta, e a China nunca bateu com a porta, tem feito reduções a que não está obrigada, porque é do seu interesse.” Neste sentido, “o país tem trabalhado muito com a UE para acelerar o seu investimento na descarbonização da economia. A UE pretende atingir a neutralidade carbónica em 2050, a China aponta para 2060”, frisou o académico.
Impacto social e político
O professor universitário não deixou de lembrar que as alterações
“Hoje estamos numa situação de descontrolo e num processo de mutação planetária, ou seja, estamos a construir um planeta diferente e hostil à possibilidade de uma civilização complexa como a nossa.” climáticas e a crise ambiental têm provocado profundos impactos sociais e políticos, bem visíveis com as vitórias de Donald Trump e de Jair Bolsonaro. “O aspecto cultural é muito importante, o fenómeno Trump ou de Bolsonaro é um exemplo de como a crise ambiental já entra na cabeça das pessoas. O estado de degradação do sistema institucional é de tal ordem que uma grande democracia como a americana produz criaturas como Trump, como já tinha produzido criaturas como George W. Bush.” O responsável adiantou que tal não se deve “à falta de informação científica”, pois hoje “sabemos o
“A diferença fundamental é que as dívidas públicas dos países podem ou não ser pagas. A crise ambiental e climática é uma dívida que vai ser paga em sofrimento.”
que está a acontecer mais do que em 1986 ou nos anos 90”. Actualmente, as crises ambientais e as alterações climáticas “não têm comparação” com outras e são “planetárias, com características de irreversibilidade”. Estas “têm uma dimensão de aceleração cumulativa que já está a provocar a insegurança política, instabilidade social, cultural, o desaparecimento de um Estado funcional em muitas partes do mundo”. Há, portanto, "o risco, seja de uma guerra civil ou de uma guerra civilizacional”. Hoje tenta-se “organizar uma comunidade internacional completamente fragmentada, desorganizada, caótica, para enfrentar um problema absolutamente comum”, devido à "assimetria brutal entre um problema esmagador que nos está a atingir a todos e a pulverização total”. Tendo em conta que esta terça-feira Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo e fundador da Amazon, realizou a sua viagem ao espaço, Soromenho-Marques criticou duramente o papel destes “actores económicos” nas questões do clima. “Além dos Estados, temos os supermilionários que gerem bens comuns como se fossem deles. Esta corrida dos milionários ao espaço é um crime ambiental e contra a humanidade. E não há nenhuma reacção, os governos calam-se e os cientistas e técnicos estão ansiosos por fazer parte da lista de pagamentos dos milionários”, rematou. Andreia Sofia Silva
enviado especial norte-americano para o clima, John Kerry, exortou esta terça-feira Pequim a cooperar com Washington na luta contra as alterações climáticas, defendendo que este “teste” à escala global deve envolver “aliados, parceiros, concorrentes e até adversários”. “A crise climática é o teste dos nossos tempos, e embora possa estar a desenrolar-se em câmara lenta, para alguns, este teste é tão agudo e existencial quanto qualquer outro anterior. O tempo está a esgotar-se”, afirmou John Kerry, nomeado em Novembro de 2020 pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, para o cargo de enviado especial de Washington para as questões climáticas. O antigo secretário de Estado norte-americano falava num evento nos jardins botânicos Kew Gardens em Londres, declarados em 2003 Património Mundial da UNESCO (agência da ONU), onde cientistas se encontram a trabalhar na protecção das plantas perante o aquecimento global. John Kerry desafiou os líderes mundiais a acelerarem as acções necessárias para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, para travar o aumento das temperaturas e para tirar o mundo da “beira do abismo”, mencionando as alianças internacionais que reconstruíram a Europa após a Segunda Guerra Mundial como
um modelo de luta contra as alterações climáticas. “Aliados, parceiros, concorrentes e até adversários” devem trabalhar juntos, reforçou o representante, descrevendo a próxima década como “decisiva”. A China, os Estados Unidos da América (EUA) e a Índia são os maiores emissores mundiais de gases com efeito de estufa, o que significa que todos os esforços para controlar as alterações climáticas poderão fracassar caso estes três países não liderem a redução das emissões.
Uma relação tensa
John Kerry abordou a relação tensa entre os EUA e a China, defendendo, no entanto, que o futuro depende da cooperação entre Washington e Pequim. Segundo o responsável, os dois países também precisam de elevar as suas ambições em matéria ambiental. “Não é um mistério que a China e os EUA têm muitas diferenças. Mas sobre o clima, a cooperação é a única forma de libertarmo-nos do actual pacto de suicídio partilhado do mundo”, sublinhou. E reforçou: “Tanto o Presidente Biden como o Presidente Xi [Jinping] declararam inequivocamente que cada um irá cooperar em matéria de clima, apesar de outras diferenças consequentes. A América precisa que a China tenha sucesso na redução das emissões. A China precisa que a América faça o mesmo”.
4 política
É oficial: a Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa rejeitou as reclamações das listas lideradas por Scott Chiang, Paul Chan Wai Chi e Sulu Sou em relação às desqualificações para o sufrágio. Ng e Chan Wai Chi vão recorrer desta decisão para o Tribunal de Última Instância, mas Sulu Sou não confirmou, para já, esse passo
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CAEAL REJEITADAS RECLAMAÇÕES DE PRÓ-DEMOCRATAS
Siga para o TUI
Decisão “não é razoável”
Em declarações ao HM, Ng Kuok Cheong referiu que a decisão da CAEAL “não é razoável”. “Achamos que não temos culpa e, numa lógica de legalidade, devemos ganhar. Mas se o caso tiver apenas como base uma forte decisão política, então não importa o número de recursos que apresentarmos, vamos sempre perder”, acrescentou.
“As alegações da CAEAL não são razoáveis e abalam a autoridade das eleições à AL.” SULU SOU
A
Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) considerou improcedentes as reclamações apresentadas pelas listas encabeçadas por Sulu Sou, Scott Chiang e Paul Chan Wai relativamente à desqualificação para as eleições legislativas de 12 de Setembro. A CAEAL considerou em comunicado que “existem provas suficientes de que os candidatos em causa praticaram actos que não defendem a Lei Básica da RAEM ou não são fiéis à RAEM” sem, no entanto, avançar mais detalhes quanto à matéria probatória que motivou a desqualificação. Os candidatos foram ontem notificados da decisão, poden-
A
Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 48 anos por suspeitas de difamar uma actual deputada e candidata às eleições legislativas de Setembro, através das redes sociais e recorrendo à afixação de cartazes na via pública. De acordo com o canal chinês da TDM - Rádio Macau, a queixa que levou a PJ a iniciar a investigação, terá sido apresentada pela própria deputada. Através do sistema de videovigilância “Olhos no Céu”, a polícia conseguiu localizar os cartazes afixados em paragens de autocarro e passagens superiores da zona da Praia Grande
Scott Chiang. Paul Chan Wai Chi encabeçava a listaAssociação do Progresso de Novo Macau. No total, as três listas albergavam 15 candidatos. Após a rejeição das reclamações, as eleições para a Assembleia Legislativa contam com 128 candidatos pelo sufrágio directo, distribuídos por 14 listas, bem como 12 candidatos ao sufrágio indirecto, distribuídos por cinco listas.
do recorrer até amanhã para o Tribunal de Última Instância (TUI). Ao HM, o deputado Ng Kuok Cheong, número dois da lista liderada por Scott Chiang, e Paul Chan Wai Chi confirmaram que vão recorrer. Sulu Sou optou
por não confirmar. “Se houver notícias recentes, estas serão divulgadas”, disse apenas. Scott Chiang confirmou ao HM que o advogado Jorge Menezes será o representante da lista na apresentação do recurso para o TUI.
Escárnio e maldizer Detido por difamar deputada nas redes sociais e com afixação de cartazes
e em paragens de autocarro da Zona Norte. Segundo a PJ, o material difamatório afixado na via pública é em tudo semelhante ao conteúdo divulgado nas redes sociais. No decurso da investigação, as autoridades dirigiram-se na terça-feira à residência do suspeito, onde foram apreendidos 16 cartazes com conteúdo alegadamente difamatório. Além disso, foram ainda encontrados instrumentos
dedicados à produção e tratamento de imagens.
Exclusão de partes
Segundo a PJ, durante a investigação o suspeito recusou-se a colaborar com as autoridades, tendo inclusivamente captado imagens dos agentes destacados para tratar do caso. Perante o sucedido, os agentes pediram ao suspeito para apagar as imagens, mas este recusou-se a fazê-lo.
Sulu Sou, deputado eleito pela primeira vez em 2017, liderava a lista Associação do Novo Progresso de Macau, enquanto que o deputado veterano Ng Kuok Cheong aparecia em número dois na lista Próspero Macau Democrático, liderada por
Também antes da detenção, o homem terá divulgado “comentários insultuosos e difamatórios sobre a polícia” em duas redes sociais. O homem é suspeito da prática dos crimes de difamação, ofensa a pessoa colectiva que exerça autoridade pública e gravação ilegal de imagens. O HM procurou confirmar o caso com as deputadas que se encontram actualmente em funções na Assembleia Legislativa, com Agnes Lam e Song Pek Kei a negar envolvimento no caso. Por parte das deputadas Ella Lei, Angela Leong, Wong Kit Cheng e Chan Hong, não foi obtida qualquer resposta. P.A. e N.W.
Já Paul Chan Wai está “optimista” numa decisão “imparcial e justa” por parte do TUI. “A CAEAL rejeitou a minha candidatura porque participei na vigília [sobre Tiananmen]. Outra das razões para me desqualificarem foi sustentada por cartazes usados pela União para o Desenvolvimento da Democracia na vigília, mas nada mais me foi explicado. Fui um espectador e não tive uma relação directa [com a organização].” Além disso, o ex-deputado recorda que a decisão do TUI sobre a vigília, que dá razão às autoridades para a sua proibição, apenas se foca “nos conteúdos dos cartazes e não nos participantes”. Por sua vez, Sulu Sou defende que a CAEAL fez “uma revisão”, uma vez que, numa primeira fase, avançou com uma “conclusão falsa e depois falou das chamadas ‘provas’ para suportá-la, o que obviamente serve fins políticos e não a lei”. Para o deputado e candidato excluído, “a lei e o ‘patriotismo’são apenas desculpas para um conjunto de fins políticos”. “As alegações da CAEAL não são razoáveis e abalam a autoridade das eleições à AL”, adiantou Sulu Sou, que continua a querer “insistir nos factos”. “Participei em algumas actividades que recordam cidadãos chineses mortos no passado, o que não significa que eu defenda o derrube do poder instituído”, frisou, tal como a sua participação “em actividades civis sobre a eleição do Chefe do Executivo no passado não significa que eu queira derrubar o actual sistema político”. Andreia Sofia Silva e Nunu Wu
quinta-feira 22.7.2021
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PARQUE DA CONCÓRDIA GOVERNO QUER PROMOVER DIVERSIFICAÇÃO INDUSTRIAL
Negócios por semear TDM Ma Kam Keong nomeado para o conselho de administração
O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, nomeou Ma Kam Keong para o conselho de administração da TDM, em substituição de José Manuel Rodrigues. Ma Kam Keong é, desde 2008, administrador do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), tendo iniciado funções no Leal Senado em 1985. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), foi ainda renovada a nomeação de Lo Song Man como membro do mesmo conselho de administração por um prazo de três anos. A responsável é actualmente presidente da comissão executiva da empresa e vice-presidente do conselho de administração. Estas nomeações entram em vigor no próximo dia 4 de Agosto.
Take-away Pedida implementação de regulamentação
O presidente da Associação de Qualidade Verde Marca, Lei Iam Leong, defende que o governo deve regulamentar as plataformas de take-away, para criar medidas que obriguem à compra de seguros para os distribuidores. Ao Jornal do Cidadão, o presidente justificou que o desenvolvimento das plataformas take-away criou vários desafios, uma vez que os rendimentos dos distribuidores dependem do número de entregas. Esta relação faz com que os trabalhadores acelerem em demasia nas estradas e não tomem as devidas precauções, justificou Lei. Por outro lado, Lei Lam Leong considerou que o Governo deve alargar os regulamentos legais para a área financeira, com vista a evitar as situações em que as plataformas de take-away pagam com atraso aos restaurantes.
O Executivo apresentou ao Conselho do Planeamento Urbanístico um estudo sobre a revisão do planeamento do Parque Industrial da Concórdia. A altura dos edifícios vai poder chegar aos 50 metros e existe a esperança que o novo plano atraia indústrias verdes
O
Governo apresentou uma proposta para rever os condicionamentos de construção no Parque Industrial da Concórdia, onde espera que surjam novas indústrias para diversificar a economia. O plano de revisão foi apresentado ontem aos membros do Conselho do Planeamento Urbanístico e sugere que a altura máxima dos edifícios actuais seja aumentada de nove para 50 metros. O limite de construção não é todo igual e no terreno mais a sul dos 11 que fazem parte do parque, por ficar mais perto dos Estaleiros de Lai Chi Vun, o limite é de 20,5 metros. Os sete lotes mais junto à costa ficam com a construção limitada a 31,5 metros, enquanto nos restantes três, mais no interior, o limite sobe para 50 metros, por estarem mais perto da zona habitacional. Com as alterações, o Governo espera que a Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau (SDPIM) consiga atrair indústrias para aquela zona. Esta é a empresa que gere o espaço desde 1993, na altura com o nome Sociedade do Parque Industrial da Concórdia, e tem poderes para sub-concessionar parte dos lotes. Actualmente, operam na zona empresas ligadas aos têxteis, farmacêutica e lavandaria. “Estamos a trabalhar para lançar novas indústrias em Macau, com um alto rendimento e uma baixa emissão de carbono. Os projectos para a zona ainda não estão definidos, e vão depender dos serviços competentes e da companhia que gere o parque industrial”, explicou, no final da reunião, Chan Pou Ha, directora dos Serviços de Solos,
Obras Públicas e Transportes, e presidente do CPU. O tipo de indústrias para aquela área não está ainda definido, sendo que o Governo mantém uma postura de abertura, mas deixa uma garantia: não vai haver habitação no parque. Foi o que afirmou a directora da DSSOPT.
Investimento público?
Após a reunião, Chan Pou Ha foi questionada sobre se o Governo ia investir na expansão do parque, porém, a directora da DSSOPT limitou-se a apontar que essas questões não são da competência do CPU. Durante a sessão, Omar Yeung, membro do CPU, questionou a utilidade do parque, dizendo que
o futuro de Macau passa pela Ilha da Montanha, onde a mão-de-obra para as empresas é mais barata e existem outros benefícios. “Será que vamos competir com a Ilha da Montanha? [...] Muitos empresários de Macau preferem a Ilha da Montanha, que tem condições
“Estamos a trabalhar para lançar novas indústrias em Macau, com um alto rendimento e uma baixa emissão de carbono.” CHAN POU HA PRESIDENTE DO CPU
melhores condições”, apontou o arquitecto. “Sabemos que o parque [da Concórdia] tem uma excelente localização e temos de considerar muito bem a finalidade. Se calhar, a finalidade industrial não deve ser a única do parque. Temos de pensar mais”, apelou Omar. A intervenção mereceu uma resposta de Iao Teng Piu, vice-presidente do conselho e deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, que sublinhou que apesar de haver perspectivas de cooperação através da Ilha da Montanha não se vai abdicar do desenvolvimento de Macau. Iao falou ainda da importância do parque receber indústrias como a medicina tradicional chinesa ou centros de dados. João Santos Filipe
TURISMO RETORNO DA MÉDIA DIÁRIA DE 30 MIL VISITANTES POR DIA
A
Direcção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou ontem que Macau voltou a receber uma média diária de 30 mil visitantes, algo que não acontecia desde desde
28 de Maio. Nos dias 16 e 17 de Julho (sexta-feira e sábado) entraram em Macau mais 33 mil e 32 mil visitantes, respectivamente. O Governo refere também que nos primei-
ros cinco meses do ano, o número de visitantes seguiu uma tendência de subida, fenómeno que se verificou igualmente na taxa de ocupação hoteleira, com particular destaque para a
primeira metade do mês corrente. Entre 1 e 15 de Julho, a taxa de ocupação hoteleira atingiu 52,1 por cento, o que representou uma subida de 8,4 por cento em relação a Junho.
Para esta estatística, a DST realça o contributo das excursões locais “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”, que representou cerca de 38 mil hóspedes em hotéis. “O número
de residentes que participam nas excursões durante as férias de Verão continua a subir, o que permite apoiar a recuperação da indústria turística e da economia local”, refere a DST. J.L.
6 sociedade
HABITAÇÃO PARA IDOSOS RENDAS NÃO ANDARÃO LONGE DO PREÇO DE MERCADO
Brinde a uma vida longa vida activa da cidade. O responsável adiantou que os mais de 80 mil residentes acima dos 65 anos, cerca de 12 mil estão inseridos no mercado de trabalho. Entre o universo de trabalhadores “seniores”, perto de 20 por cento, ou seja 2.400, ocupa cargos de gestão, supervisão, em indústrias tão variadas como o turismo, restauração e gestão imobiliária.
TIAGO ALCÂNTARA
Ainda não existem valores para as rendas da habitação para idosos, mas o presidente do IAS dá a entender que vão ser próximas dos valores de mercado. Por outro lado, dos mais de 80 mil idosos residentes em Macau, cerca de 12 mil estão no mercado de trabalho. Destes 2.400 ocupam cargos de gestão
22.7.2021 quinta-feira
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O director do IAS indicou que as residências para idosos vão ficar entre a habitação para a classe sanduiche e o mercado privado, ou seja, no segmento mais elevado de residências disponibilizadas com o apoio do Governo
A
S vagas para a habitação para idosos só começam a ser preenchidas em 2024, mas, para já, os responsáveis do Instituto de Acção Social indicam que os candidatos devem ter alguma base financeira para gozarem do benefício, o que aponta no sentido contrário ao de uma renda baixa. Porém, o processo está longe de decisões finais. O ponto de situação foi dado ontem por Hon Wai, director do Instituto de Acção Social (IAS), no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, que afirmou que o valor das rendas poderá ir a reboque das flutuações do mercado imobiliário. Em Janeiro deste ano, Hon Wai afirmava, em resposta a interpelação de Song Pek Kei, que as rendas
Casa do Mandarim Iniciada recuperação de parede
Mok Ian Ian, presidente do Instituto Cultural (IC), garantiu ontem, à margem de um evento público, que já foi iniciado o processo de recuperação de uma das paredes da Casa do Mandarim danificada após a passagem de um veículo. A responsável referiu que “há opiniões que defendem o reforço da parede, mas depois da nossa análise achamos que isso não é o mais apropriado”. “Trata-se de um caminho estreito, e se colocarmos esta parede não vai ajudar à circulação do ar nem à permeabilidade. Colocamos lombadas e sinais de aviso, bem como câmaras de videovigilância no local, e isto de acordo com opiniões da sociedade. O caso já foi denunciado à polícia e está a ser acompanhado”, acrescentou Mok Ian Ian. Questionada sobre a protecção do templo de Sin Fong, devido à queda de chuva intensa, a responsável referiu que este fica numa zona baixa e que, por isso, é mantida uma comunicação estreita com os gestores do espaço.
cobradas nos edifícios residenciais para idosos serão abaixo dos valores praticados no mercado, “para que possam suportar as despesas.” No entanto, o responsável do IAS indicou ontem que o conceito habitacional em questão ficará entre a habitação para a classe sanduiche e o mercado privado, ou seja, o segmento mais elevado de residências disponibilizadas com o apoio do Governo.
Neste tipo de apartamentos, a prioridade será a saúde dos moradores, os cuidados e assistência, a prevenção de quedas e a oferta de instalações recreativas para os idosos.
Vida activa
Importa recordar que os lotes onde serão construídos os edifícios para residências de idosos são no antigo local destinado ao empreendimen-
to Pearl Horizon, na Areia Preta. A empreitada para conceber o projecto foi adjudicada em Novembro à Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau), pelo preço de 2,1 mil milhões de patacas. O prazo para concluir a obra é 860 dias. Outro dado destacado pelo presidente do IAS, foi a vivacidade como a terceira idade de Macau participa na
Hon Wai considera que a tendência de presença no mercado de trabalho deste tipo altamente experiente de mão-de-obra deverá manter níveis estáveis, enquanto o seu papel social deverá ganhar cada vez maior importância. Outro facto destacado pelo responsável, é a motivação demonstrada pelos idosos na participação de acções de formação do IAS em alta tecnologia e uso de aplicações de telemóvel. João Luz
GRANDE BAÍA DEPUTADO PEDE SOLUÇÕES PARA BURLAS COM IMÓVEIS
O
deputado Leong Sun Iok interpelou o Governo sobre a necessidade de criar um novo mecanismo que facilite a resolução de disputas relacionadas com burlas no âmbito da compra de imóveis na China por parte de residentes de Macau. Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), disse ter recebido várias queixas de residentes que investiram em espaços comerciais em Hengqin, mas que as fracções não correspondiam às características inicialmente apresentadas aos potenciais compradores.
Nesse sentido, o deputado deseja que o Governo melhore o mecanismo de resolução de disputas nesta área, uma vez que as burlas relacionadas com a aquisição de imóveis não estão previstas nas leis de
defesa dos direitos dos consumidores da China e de Macau. O Governo prometeu, entretanto, comunicar com as autoridades de Zhuhai a fim de disponibilizar apoio legal aos burlados, o que
levou Leong Sun Iok a questionar em que fase está este processo. Recorde-se que, além de Leong Sun Iok, também o deputado José Pereira Coutinho tem alertado, nos últimos anos, para casos de burlas com
a compra de imóveis no interior da China.
Não ao telemarketing
Ainda no que diz respeito à venda de imóveis na China, vários residentes queixaram-se junto de Leong Sun Iok de que têm recebido, nos seus telemóveis, mensagens de telemarketing a promover fracções habitacionais na Ilha de Hengqin. Neste sentido, o deputado exige que sejam criadas restrições a estas acções de telemarketing, e se é possível criar um mecanismo regulatório com as restantes cidades que compõem a Grande Baía.
quinta-feira 22.7.2021
AUTOCARROS NOVOS HORÁRIOS E CARREIRAS EM AGOSTO
A
Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que os horários de algumas carreiras de autocarros serão ajustados já a partir do próximo mês, a fim de “elevar a qualidade dos serviços e responder às necessidades de deslocação da população”. A proposta de ajustamento foi feita pelas duas empresas, a Transmac e a TCM, tendo em conta “os termos dos novos contratos”. Desta forma, a primeira fase de ajustamento arranca já a 7 deAgosto, e diz respeito à zona periférica do posto fronteiriço de Qingmao, uma vez que haverá “um aumento do volume de passageiros” após a sua entrada em funcionamento. Segundo um comunicado, “os percursos de várias carreiras de autocarros serão ajustados ou estendidos para abranger cinco paragens” nesta zona, pelo que passam a ser 16 o número de carreiras a circular. A segunda fase de ajustamento terá início dia 14 e engloba “ajustamentos sobre percursos e modelos de algumas carreiras de autocarros e o aumento do número de paragens, bem como a optimização da localização das mesmas”, sem esquecer “a alteração à disposição de algumas carreiras especiais com o prolongamento do horário de serviço”. A18 deAgosto será acrescentada uma carreira especial, a 71S, que circulará entre a Universidade de Macau e a Praça de Ponte e Horta nas horas de ponta, de segunda a sexta-feira (excepto feriados). O objectivo é “dar resposta às necessidades de deslocação entre a zona da Praia do Manduco e o campus universitário”, explica a DSAT.
Covid-19 Quarentena para quem vem de Nanjing
O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus decidiu impor uma quarentena obrigatória a todos os indivíduos que tenham estado, nos 14 dias anteriores à sua viagem para Macau, em algumas localidades da cidade de Nanjing, província de Jiangsu. Estas zonas são os bairros residenciais de Xiecun, Baiyunlu, Vila de Shidian, subdistrito de Lukou e distrito de Jiangning, bem como a vila administrativa de Jiutang do subdistrito de Shiqiu, do distrito de Lishui. A medida entrou em vigor às 14h de ontem.
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PROSTITUIÇÃO NOVA DETENÇÃO POR LENOCÍNIO DE MENORES
Segundo assalto
Dias depois, a Polícia Judiciária reportou um novo caso de prostituição envolvendo menores do Interior da China. Desta feita, apenas foi detido um homem por suspeitas de “lenocínio de menor”, dado que os clientes já não se encontram em Macau. Menor com 17 anos envolvida no caso admitiu receber 1.200 dólares de Hong Kong por cada serviço
(HKD) e 4.500 renminbis (RMB) em dinheiro. As duas mulheres, classificadas como testemunhas pela polícia, confessaram a prática de prostituição. A menor admitiu mesmo receber 1.200 dólares de Hong Kong por cada serviço, tendo atendido entre sábado e terça-feira, um total de cinco clientes. Do lucro total de 6.000 HKD, a menor pagou ao proxeneta uma comissão de 1.200 HKD. Por seu turno, a mulher de 35 anos cobrava 1.500 dólares de Hong Kong a cada cliente, tendo lucrado, no total, 4.500 HKD e 1.800 RMB por cinco serviços. Ao suspeito pagou uma comissão de 1.000 dólares de Hong Kong. Quanto aos clientes que, pelo pagamento de dinheiro em troca de sexo com menores de idade, podem ser acusados do crime de “recurso à prostituição de menor”, a PJ revelou não ter sido capaz de avançar com as detenções por estes já não se encontrarem em Macau.
Do lucro total de 6.000 dólares de Hong Kong, a menor pagou ao proxeneta uma comissão de 1.200 dólares de Hong Kong Durante a investigação, ficou ainda excluída a possibilidade de as mulheres terem sido trazidas para Macau como resultado de um esquema de tráfico humano.
E vão dois
A
Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada terça-feira, num hotel do Cotai, um homem de 43 anos oriundo do Interior da China por suspeitas de explorar um negócio de prostituição em Macau, que envolveu a entrada de duas mulheres no território, entre elas uma menor com 17 anos. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, a PJ iniciou a investigação na sequência de um requerimento avançado pelo Ministério Público (MP) sobre
uma denúncia apresentada por um hotel do Cotai. No decurso da operação, foi apurado que uma menor com 17 anos do Interior da China que tinha estado anteriormente em Macau, voltou a entrar no território pelo posto fronteiriço das Portas do Cerco no passado sábado, desta feita acompanhada pelo proxeneta, que viria mais tarde a ser detido, e por uma mulher de 35 anos. Nessa mesma noite os três dirigiram-se a um hotel do Cotai, onde ficaram alojados num quarto. Nos dois dias seguintes, apurou também a PJ, as duas mulheres
“passearam-se no interior das instalações de vários hotéis do Cotai”, tendo ido ao quarto de vários clientes para ter relações sexuais em troca de dinheiro. Na passada terça-feira, dando início a uma operação no terreno, a PJ dirigiu-se ao quarto onde, tanto o proxeneta como as duas mulheres estavam alojados, tendo avançado para a detenção do homem. No quarto foram ainda apreendidos 123 preservativos, 307 folhetos publicitários alusivos à venda dos serviços sexuais e ainda 3.500 dólares de Hong Kong
Recorde-se que, em pouco mais de dois dias, esta é a segunda detenção envolvendo a prática de prostituição com menores. Isto, quando no passado domingo, a PJ deteve também um homem de 35 anos oriundo do Interior da China suspeito de ter tido relações sexuais com uma prostituta com 17 anos e um homem de 27 anos, responsável por explorar o negócio. O caso revelado ontem pela PJ seguiu para o MP, sendo que o proxeneta irá responder pelos crimes de “lenocínio” e “lenocínio de menor”, pelos quais pode vir a ser punido com pena de prisão entre 1 a 5 anos por cada um dos crimes de que é suspeito. Pedro Arede
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Cocktail de culturas ARTE MACAU
OBRAS DE ARTISTAS LOCAIS NO GRAND LISBOA E GRAND LISBOA PALACE
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serve como introdução para a grande exposição que vai acontecer na altura da inauguração do Grand Lisboa Palace, onde os artistas irão apresentar trabalhos específicos produzidos no último ano e meio”, acrescentou. Sem revelar detalhes, Marreiros partilhou ainda que as obras da sua autoria que poderão ser vistas a partir de dia 28 de Julho contem-
FOTOS HOJE MACAU
NQUADRADA na Bienal Internacional de Arte de Macau 2021, foi ontem inaugurada no Grand Lisboa a exposição “Harmonia do Oriente e Ocidente”, uma mostra que engloba obras de sete artistas locais e pretende assumir uma fusão de trabalhos artísticos chineses e ocidentais, recorrendo a estilos, texturas e abordagens diversas. A mostra inaugurada ontem no Grand Lisboa inclui obras de Carlos Marreiros, Ambrose So, Ung Vai Meng, Konstatin Bessmertny, Denis Murrel, Eric Fok e Cai Guo Jie e só ficará completa no próximo dia 28 de Julho, altura em que serão adicionados novos trabalhos produzidos exclusivamente para a ocasião. As obras ficarão expostas no lobby do Grand Lisboa até 31 de Agosto, seguindo depois para o Grand Lisboa Palace, a ser inaugurado em breve, onde serão exibidas entre 1 e 31 de Outubro. Uma das obras que pode ser vista desde ontem no Grand Lisboa dá pelo nome de “Corrida para a Glória” e é da autoria de Carlos Marreiros. Ao centro da obra produzida em 2012, é possível ver o poeta Luís de Camões. Segundo Marreiros, este é um exemplo do estilo em constante mutação característico da sua pintura. “A minha pintura muda sempre. Ora é abstracta e de grandes dimensões, ora opto por fazer figuração, estou sempre a pesquisar. Sou novo demais para ter um estilo próprio”, começou por dizer ao HM Carlos Marreiros. “A obra que podemos ver nesta exposição é de 2012 e
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plam “uma peça em azulejo português” e uma outra em acrílico de “dimensões brutais” com temas relacionados com Macau. Outro dos artistas presentes na inauguração, Denis Murrell, apontou que a obra “sem título” que pode ser vista no Grand Lisboa foi feita de propósito para a ocasião e que, como é seu apanágio “não segue temas”.
Sete artistas locais deram ontem o mote para a inauguração da exposição “Harmonia do Oriente e Ocidente” no Grand Lisboa, que só ficará completa a partir do dia 28 de Julho com as obras produzidas exclusivamente para a mostra que poderá também ser vista no Grand Lisboa Palace. Carlos Marreiros revelou que, na calha, está uma peça em azulejo português e outra de grandes dimensões em acrílico
“Não exploro temas em específico, pinto simplesmente o que me vem à cabeça. Não sigo temas, apenas sigo a técnica. O único objectivo é criar uma pintura que seja interessante para as pessoas. É um estilo de pintura abstracta espontânea”, referiu.
Cultivar a cultura
Durante o discurso que marcou a inauguração da exposição, Angela Leong, directora da SJM Resorts, sublinhou a importância de apoiar eventos culturais e artísticos, não só como forma de contribuir para o desenvolvimento de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer, mas também para apoiar os novos artistas locais. “Estamos honrados por colaborar com tantos artistas locais, colocando ao centro a harmoniosa mistura entre a cultura chinesa e ocidental. Vibrantes e coloridas, as obras de arte abrangem um espectro alargado de suportes através dos quais os artistas retratam habilidosamente [essa] maravilhosa mistura”, apontou Angela Leong. A responsável disse ainda que a exposição é demonstrativa da “riqueza da cultura chinesa” e do “poder da arte contemporânea”, servindo como janela para as trocas culturais entre o Oriente e o Ocidente. Paralelamente, também no Grand Lisboa e no Grand Lisboa Palace, estará patente uma exposição de cerâmica de Heidi Lau intitulada “Reformulação do Império”. Pedro Arede
Carlos Marreiros, artista “Sou novo demais para ter um estilo próprio.”
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22.7.2021 quinta-feira
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DEMOGRAFIA CHINA DEVE CONTINUAR A REGISTAR QUEDA DE NASCIMENTOS
Fertilidade em baixa
Apesar da permissão para ter um terceiro filho, as famílias chinesas continuam a registar fracos índices de nascimentos. Os receios sobre o envelhecimento da população acentuam-se, enquanto o Governo implementa medidas para facilitar a educação das crianças e proteger os empregos das mulheres
O
número de nascimentos na China vai continuar a cair em 2021, estimaram ontem as autoridades, apesar de Pequim ter passado a permitir que as famílias tenham um terceiro filho, o que vai acelerar o envelhecimento da população. O Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e o Conselho de Estado chinês anunciaram ainda que as famílias com mais de três filhos não vão ser multadas, ao contrário do que acontecia no passado, quando os casais tinham mais de um filho. A China praticou a política “um casal, um filho” entre 1979 e 2015. Nos últimos anos passou a permitir dois filhos por casal, mas acabou por subir o limite para três, este ano, devido à baixa taxa de natalidade. O vice-director da Comissão Nacional de Saúde, Yu Xuejun, garantiu, em conferência de im-
prensa, que as novas políticas visam “evitar uma queda ainda maior do número de nascimentos” nos próximos anos. Em 2020, o número de nascimentos caiu pelo quarto ano consecutivo, com 12 milhões, face aos 14,65 milhões registados em 2019, enquanto a taxa de fecundidade se fixou em 1,3 filhos por mulher, abaixo dos 2,1 estimados pelas Nações Unidas para manter uma população estável. Yu lembrou as grandes oscilações que a taxa de natalidade na China experimentou na última década e destacou o aumento do número de nascimentos em 2017 e, principalmente, em 2016, quando se registaram mais de 18 milhões novos bebés. Com base no acompanhamento do número de partos no primeiro semestre deste ano, prevê-se que a queda continue em 2021, segundo o alto funcionário da Comissão Nacional de Saúde.
O responsável disse acreditar que, no “curto prazo”, aquela tendência vai-se inverter, libertando o “potencial da fertilidade” na China. O sucesso, de acordo com Yu, dependerá de as políticas de apoio às famílias “serem implementadas de maneira adequada”.
Contra o envelhecimento
De acordo com os censos divulgados em Maio e elaborados a cada 10 anos, a China tem agora cerca de 1.400 milhões de habitantes, mas o envelhecimento e as baixas taxas de natalidade preocupam Pequim. A liderança chinesa disse que vai reduzir o custo de criar e educar crianças e fortalecer as protecções trabalhistas para as mulheres nos próximos cinco anos, de acordo
com um documento político elaborado pelo Partido Comunista da China e que foi publicado na terça-feira pela agência noticiosa oficial Xinhua. O documento, que ofereceu directrizes gerais, mas deixou os detalhes sobre a implementação para as autoridades locais, segue a decisão de Pequim de Maio passa-
A liderança chinesa disse que vai reduzir o custo de criar e educar crianças e fortalecer as protecções trabalhistas para as mulheres nos próximos cinco anos
HONG KONG RTHK PROÍBE EXPRESSÕES COMO “PRESIDENTE DE TAIWAN”
A
emissora de serviço público RTHK, de Hong Kong, proibiu os seus funcionários de se referirem à líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, como “Presidente” ou ao seu executivo como “governo”, de acordo com as novas directrizes editoriais. Em nota enviada na terça-feira a todos os funcionários, e citada pela agência France Presse, a administração da RTHK especificou as novas instruções editoriais relativas a Taiwan. O memorando especifica que os funcionários agora estão proibidos de usar expressões “inadequadas”, como “Presidente de Taiwan”
ou “Governo de Taiwan”, no conteúdo transmitido por rádio, televisão ou Internet. “Terminologia inadequada como ‘país’, ‘República da China’, ‘ROC’ (...) não pode ser usada em relação a Taiwan. Em nenhuma circunstância Taiwan pode ser apresentado ou percebido como um Estado soberano”, ditou o texto. Esta directriz foi emitida dias depois de um político de Hong Kong do campo pró Pequim acusar a RTHK de violar a lei quando se refere a Taiwan. A RTHK recusou-se a comentar as razões para a emissão desta directriz.
do de permitir que todos os casais tenham até três filhos. Economistas alertaram que a mudança demográfica da China pode criar desafios para a segunda maior economia do mundo, ao prejudicar a produtividade e sobrecarregar o sistema de pensões - a China está projectada para ter 300 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2025. Cai Fang, membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão máximo legislativo da China, e um dos mais proeminentes especialistas em população do país, alertou, num discurso recente, que o agravamento do perfil demográfico da China enfraqueceria as exportações, o investimento e o consumo, o que poderia levar a China a estagnar.
Apple Daily Detido mais um ex-editor do extinto diário
A polícia de Hong Kong anunciou ontem a detenção de mais um ex-editor do jornal Apple Daily, obrigado a encerrar em Junho, por publicar artigos que alegadamente violavam a lei de segurança nacional. Em comunicado, a polícia disse que o antigo editor, de 51 anos, foi detido por “conluio com forças estrangeiras”, um crime previsto na lei da segurança nacional que Pequim impôs ao território, no ano passado. De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), que citou fonte policial, trata-se de Lam Man-chung, responsável pela última edição do diário. Lam é o nono funcionário do jornal a ser detido desde Junho, ao abrigo da lei da segurança nacional. Conhecido pelas críticas ao Governo chinês e ao executivo local, o diário foi obrigado a encerrar em 24 de Junho, após 26 anos de existência, depois da detenção de vários funcionários e o congelamento dos bens do grupo de comunicação a que pertencia.
quinta-feira 22.7.2021
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UASE 200 mil pessoas foram retiradas de Zhengzhou, a cidade do centro da China atingida por enchentes que fizeram pelo menos 12 mortos e milhares de desalojados, informaram ontem as autoridades locais. A evacuação da cidade, que conta mais de 10 milhões de habitantes, ocorreu após as chuvas torrenciais de terça-feira terem deixado parte da rede de metropolitano submersa e terem transformado ruas em canais com um rápido fluxo de água. O exército foi convocado para reforçar as operações de resgate na capital da densamente povoada província de Henan, que recebeu, em três dias, quase o equivalente ao que normalmente seria um ano de chuva. Quase 36.000 pessoas “foram afectadas” pelas enchentes, segundo as autoridades locais. A cidade “passou por uma série de tempestades raras e severas, causando o acumular de água no metro de Zhengzhou”, referiram as autoridades na rede social Weibo, acrescentando que 12 pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas. Zhengzhou foi colocada em alerta vermelho na terça-feira, o nível mais alto para condições climatéricas adversas na China.
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Cidade submersa Quase 200 mil pessoas retiradas de Zhengzhou devido a inundações
O exército foi convocado para reforçar as operações de resgate na capital da densamente povoada província de Henan, que recebeu, em três dias, quase o equivalente ao que normalmente seria um ano de chuva
A televisão estatal CCTV mostrou as ruas da cidade submersas em água lamacenta, enquanto os moradores, com água pela altura dos joelhos, empurravam os seus veículos por artérias inundadas. De acordo com o Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês, o mau tempo causou o desabamento de casas, mas
foi sobre o metropolitano que surgiram os vídeos mais dramáticos: as imagens difundidas nas redes sociais por utilizadores mostram passageiros numa carruagem, em cima dos assentos, e com água pela cintura. Um passageiro contou na rede social Weibo que as equipas de resgate abriram o tecto da sua
carruagem para permitir a retirada das pessoas encurraladas. Outra filmagem mostrou um passageiro, sentado no tecto de uma carruagem, meio submerso.
Tragédia iminente
O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu a mobilização dos meios do Estado face ao mau tempo.
“As barragens colapsaram, causando ferimentos graves, mortes e danos. A situação é extremamente grave”, afirmou, de acordo com declarações divulgadas pela CCTV. Ainda em Henan, próximo à antiga capital Luoyang, o exército anunciou que uma barragem ameaça ruir, após surgir uma brecha de 20 metros na estrutura. Luoyang, a oeste de Zhengzhou, tem uma população de cerca de 7 milhões de pessoas. O colapso de Yihetan “pode acontecer a qualquer momento”, advertiram os militares. Soldados posicionaram-se ao longo de outras vias navegáveis da região para reforçar as margens com sacos de areia. Segundo as autoridades chinesas, a chuva atingiu uns históricos 457,5 milímetros em 24 horas, um valor sem precedentes nos últimos 60 anos, desde que há registos. Inundações atingem a China regularmente no Verão. Em 1998, milhares de pessoas morreram na região do rio Yangtsé. Zhengzhou e Luoyang estão perto do rio Amarelo, mais a norte. Os cientistas acreditam, no entanto, que as mudanças climáticas estão a aumentar o risco de inundações em todo o mundo.
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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREDIAL URBANA 1. 2.
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A única prestação da Contribuição Predial Urbana referente ao exercício de 2020, é cobrada nos meses de Junho, Julho e Agosto do ano corrente. No mês de pagamento, se os Srs. contribuintes não tiverem recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM ou ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas – Atendimento Fiscal, trazendo consigo conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do conhecimento de cobrança. Por outro lado, os contribuintes que sejam titulares do Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem recorrer aos quiosques desta Direcção de Serviços para efectuar a impressão de 2.ª via do conhecimento de cobrança pessoal. O pagamento pode ser efectuado, até ao último dia do mês indicado no conhecimento de cobrança (Junho, Julho ou Agosto), nos seguintes locais: – Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Edifício Long Cheng, do Centro de Serviços da RAEM, ou do Centro de Serviços da RAEM das Ilhas; Os impostos/contribuições podem ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino; pelos cartões de crédito e débito UnionPay emitidos pelos estabelecimentos bancários de Macau, para cada pagamento só é permitida a utilização de um único cartão e o valor de pagamento depende do limite determinado pelo banco emissor. Pode-se, também, optar pelo pagamento através dos cartões “Quick Pass” e “MACAUpass”, sendo que o valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$1.000,00; também se podem utilizar o BOCPay e o Tai Fung Pay, sendo o valor do pagamento conforme os termos e condições dos estabelecimentos bancários. – Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China Banco Comercial de Macau Banco de Guangfa da China Banco Luso Internacional Banco OCBC Weng Hang Banco Nacional Ultramarino Banco Delta Ásia Banco Industrial e Comercial da China Banco Tai Fung Banco Well Link – Nas máquinas ATM da rede Jetco de Macau, assinaladas com a indicação «Jet payment»; – Nos seguintes bancos através de transacção electrónica : Banco da China* Banco Nacional Ultramarino* Banco Comercial de Macau Banco Industrial e Comercial da China Banco Tai Fung Banco de Guangfa da China Banco Luso Internacional Banco OCBC Weng Hang *Utilize a aplicação móvel (MACAU TAX) da DSF para digitalizar o QRcode de conhecimento de cobrança, para ligar-se à plataforma de pagamento móvel do estabelecimento bancário em causa ou Mpay e efectuar o pagamento do imposto. – Nos seguintes bancos por via telefónica “banca por telefone” : Banco da China Banco Tai Fung Se o pagamento for efectuado por meio de cheque, a data de emissão não pode ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da «Direcção dos Serviços de Finanças», nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$ 50.000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Não é possível enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, a fim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovativo do pagamento. Note-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques: - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo. Aos 26 de Maio de 2021. O Director dos Serviços Iong Kong Leong
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divina comédia
NUNO MIGUEL GUEDES
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A amigologia
“Which of all my important nothings shall I tell you first?” - Jane Austen
Ah, leitores. Se de facto ainda têm a benevolência de entregar um pedaço da vossa vida às palavras que por aqui vão saltitando, eu louvo e agradeço. E derivada dessa que para mim é uma inexplicável atenção (mas que, pronto, da qual vou dependendo) saberão quase ad nauseam que entre mim e o mundo existe uma relação – para usar um adjectivo científico – “complicada”. Estamos a dar um tempo, eu e o mundo. O fenómeno, devo confessar, é pessoal e cíclico; mas pela idade, tédio, inadequação, falta de pachorra ou tudo junto a coisa tem vindo a agravar-se. Há muitas, muitas luas, sentindo a mesma angústia, cheguei a tentar ingressar – espaço para gargalhada do público – numa ordem religiosa que, pensava eu, me iria garantir tudo: oração, silêncio, leitura e beleza. Sem surpresa não me aceitaram. Percebo: eu teria feito o mesmo e sem a pedagogia e doçura. Mas agora, mas agora? Tudo me cansa, amigos. Se ouso abandonar por um instante os meus refúgios solitários – a literatura, a filosofia, a música, a fé – sou atropelado pelo que existe. E o que existe é aquilo que o profeta Nelson Rodrigues há muito vaticinou: o triunfo do idiota. Num clima tão extremado como o que vivemos em que a ideia de debate ou da possibilidade do outro começa a ser um ramo de arqueologia é natural que isso possa acontecer. Mas irrita. Agarradas às circunstâncias sanitárias que vivemos começam a medrar e a ter eco as linhas chalupistas que sempre estiveram latentes: curas através de calhaus judiciosamente esfregados nas costas; desaparecimento de doenças terminais através da meditação ou da convocação de “energias positivas”; diagnósticos através da “aura”; a certeza de que a “Mãe Terra”, bem invocadinha, irá substituir a ciência. E por aí fora. Cautela: eu não acho que por mais obnóxias que pareçam – e serão – muitas destas “teorias” devam ser dispensadas sem sequer serem ouvidas. Eu tenho
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QUE SE DANEM AS GRANDES CAUSAS, DESCULPEM: PREFIRO DOIS MINUTOS DE TRIVIALIDADES COM AMIGOS. PREFIRO AS PESSOAS AO QUE AS PESSOAS SÃO. E ESTOU DISPOSTO A EMBARCAR NESSE RISCO E, COMO O ESTOU A FAZER AGORA E CONTRA A MINHA NATUREZA, EXORTAR A QUE O FAÇAM
o meu Against The Current de Isaiah Berlin aqui ao meu lado e sei bem o que implica a ausência de voz e de resposta. Mas ainda assim. Então para vos dizer o quê? Que não sou imune. Que também tenho direito às minhas teorias e proclamá-las com a vantagem de não querer discípulos. E num mundo em que se prefere a Humanidade ao humano, a massa ao indivíduo, eis o que vosso oferecer: a amigologia. Não se trata de uma ciência – se o fosse seria a mais inexacta; não se trata de uma ideologia porque os dogmas não são universais; não se trata de uma arte, porque existe muito para lá do prazer estético. E no entanto é tudo isso e ainda mais baseada no maior risco e privilégio que nos é atribuído: a possibilidade da escolha. A mesma maravilha que nos salva todos os dias é a que nos condena e fere quando as coisas correm mal. E no entanto, e no entanto. Reparai o pouco que nos custa: quando a amizade é natural não exige assiduidade: os anos de ausência são transformados em segundos no momento do reencontro. Não há perguntas nem julgamentos a não ser esta: «Estás bem? E se não, o que posso fazer?». Exige trabalho, certamente. Dói, tantas vezes, quando a perdemos. Talvez mais do que o amor. Mas nesta altura é provável que possa ser santuário e redenção. A amigologia apenas observa, não ensina. Mas a sua mera presença lembra-nos do tanto que ganhamos num pequeno ou grande gesto que não exige reciprocidade, apenas reconhecimento. De forma que é isto. Num mundo em que toda a gente parece mobilizada para salvar prefiro refugiar-me e esforçarme por aqueles que estimo, que posso ajudar e me ajudam. Que se danem as grandes causas, desculpem: prefiro dois minutos de trivialidades com amigos. Prefiro as pessoas ao que as pessoas são. E estou disposto a embarcar nesse risco e, como o estou a fazer agora e contra a minha natureza, exortar a que o façam. O resto, com sorte, virá depois. Ou então não e não faz mal.
quinta-feira 22.7.2021
diário de próspero
ANTÓNIO CABRITA
20/07/21 Está prestes a sair em Portugal uma antologia do verdadeiro introdutor do simbolismo no Brasil, Cruz e Sousa. A organização e o aparato crítico são do poeta Alexei Bueno, um excelente indicador porque Alexei é um criador sempre em diálogo com os clássicos e de um estro técnico inexcedível, o que se traduz numa enorme segurança nas suas análises. Cruz e Sousa foi um visionário que morreu aos trinta e sete anos na miséria, acicatado pela inveja e o preconceito, dado ser negro – outro desses seres de escol de origem africana que o Brasil produziu no século xix (bastaria lembrar Lima Barreto e o Machado de Assis) e que depois passou um século a querer branquear (até a cédula de nascimento de Machado foi falsificada, para se esconder os seus genes africanos). A fulgurante qualidade de Cruz e Sousa, no âmbito do simbolismo em língua portuguesa, talvez só tenha par em Camilo Pessanha, dois poetas que viveram a condição de uma “diáspora interior” e a quem a vida, literalmente, lapidou a expressão. Seria igualmente curioso fazer paralelismos, de vida, de destino trágico, de imersão nas mesmas atmosferas poéticas para uma transfiguração plena de conseguimentos artísticos, entre Cruz e Sousa e o poeta JeanJoseph Rabearivelo (1901–1937), o primeiro poeta moderno da África, o maior artista literário de Madagascar, e uma vítima da colonização francesa. Como em certos poemas de Pessanha, antecipa-se no plinto de Cruz e Sousa, nalguns poemas, os laivos expressionistas e até um salto estilístico da música (avant toute chose) dos versos para o regime do olhar, como se atesta aqui: «ÉBRIOS E CEGOS, Fim de tarde sombria./ Torvo e pressago todo o céu nevoento./ Densamente chovia./ Na estrada o lodo e pelo espaço o vento.// Monótonos gemidos/ Do vento, mornos, lânguidos, sensíveis:/ Plangentes ais perdidos/ De solitários seres invisíveis...// Dois secretos mendigos/ Vinham, bambos, os dois, de braço dado,/ Como estranhos amigos/ Que se houvessem nos tempos encontrado.// Parecia
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Cruz e Sousa
que a bruma/ Crepuscular os envolvia, absortos/ Numa visão, nalguma/ Visão fatal de vivos ou de mortos.// E de ambos o andar lasso/ Tinha talvez algum sonambulismo,/ Como através do espaço/ Duas sombras volteando num abismo.// Era tateante, vago/ De ambos o andar, aquele andar tateante/ De ondulação de lago,/ Tardo, arrastado, trêmulo, oscilante.// E tardo, lento, tardo,/ Mais tardo cada vez, mais vagaroso,/ No torvo aspecto pardo/ Da tarde, mais o andar era brumoso.// Bamboleando no lodo,/ Como que juntos resvalando aéreos,/ Todo o mistério, todo/ Se desvendava desses dois mistérios://Ambos ébrios e cegos,/ No caos da embriaguez e da cegueira,/ Vinham cruzando pegos/ De braço dado, a sua vida inteira.(...)» Um outro excerto nos sirva de isca: «Em vão fui perguntar ao Mar que é cego/ A lei do Mar do Sonho onde navego.// Ao Mar que é cego, que não vê quem morre/ Nas suas ondas, onde o sol escorre...// Em vão fui perguntar ao Mar antigo/ Qual era o vosso desolado abrigo.» Um livro a não perder.
21/07/21 De convalescença, arrumo papéis, folheio cadernos com esboços e notas. Acho uma longa sinopse de um filme que seria um EVANGELHO SEGUNDO MÍRIAM, cuja acção se localizaria nas Minas de S. Domingos, na actualidade. E no interior do filme haveria outro filme, uma história de amor, envolvendo um antepassado do protagonista do plot principal e que se passaria em 1938, em plena Guerra Civil espanhola: «Um anarquista, para escapar ao massacre de Badajoz, escapase a vau para o Alentejo e vive escondido, pois sabe a Guarda Republicana de simpatias franquistas. Um dia a Custódia, uma rapariga bonita e de espírito vivo, sempre com a resposta na ponta da língua, marca encontro com o filho do patrão, Luciano, num velho moinho de água. Luciano era uma má rês que, segundo o padre, “adubava o pecado e a maldade nas raparigas”. Como era boa figura causava quase sempre efeito. A Custódia sabia-lhe a
A FULGURANTE QUALIDADE DE CRUZ E SOUSA, NO ÂMBITO DO SIMBOLISMO EM LÍNGUA PORTUGUESA, TALVEZ SÓ TENHA PAR EM CAMILO PESSANHA, DOIS POETAS QUE VIVERAM A CONDIÇÃO DE UMA “DIÁSPORA INTERIOR” E A QUEM A VIDA, LITERALMENTE, LAPIDOU A EXPRESSÃO
fama mas era mais curiosa que precavida. Contudo, ele falta ao encontro, havia ficado de véspera na jogatina e ingeriu tanta aguardente que não acordou para o encontro. Custódia, farta de esperar, ouve barulho dentro do moinho e resolve ir espreitar. Encontra Diego, ferido; na véspera tivera um mau encontro com um javali. Diego conta-lhe que é um professor primário, fugido aos malefícios da guerra. Está esfomeado, anda a águas há vários dias. Ao princípio ela assusta-se, mas os modos do espanhol inspiram confiança e resolve ajudá-lo. É o seu segredo. Traz-lhe uma merenda e com umas ervas do campo fez um unguento que lhe cura as feridas. Dura isto vários dias e vão-se aproximando. Ele conta-lhe a sua aventura, as esperanças que teve e a mortandade que se seguiu. Neste novelo apaixonam-se, ainda que ela rejeite chegar a “vias de facto”. Diego respeita-a nisso, o que só intensifica a paixão. Passam a chamar ao monte e ao moinho onde se desenrola o seu amor CABEÇA DE DEUS. O pior é que Luciano desatou a cismar. Não estava acostumado a que lhe dissessem que não e fazialhe espécie que ela primeiro lhe tivesse acenado com um sim para depois ser tão recticente, negando-lhe um, dois, três encontros. Desatou a segui-la e um dia descobriu-os. No dia seguinte, Diego era entregue à Guarda Espanhola. Lá ficou na prisão à espera de ser fuzilado. Não contavam era com a determinação de Custódia. Numa madrugada, armou uma trouxa, e andou cinquenta quilómetros em dois dias, até chegar à vilória onde Diego estava preso. Depois entrou decidida no gabinete do chefe do posto e negociou com ele a liberdade de Diego. Como? Ofereceu-lhe a virgindade. O chefe de posto abusou dela mas honrou a palavra e escoltouos até à fronteira. Diego tornou-se o melhor professor primário daquelas regiões, tendo educado muitos filhos de camponeses. Luciano é morto em Angola, pelo leão que caçava.»
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7 8 2 3 9 2 44 6
4 5 8 www.hojemacau.com.mo 1 3 8 6 0 3 5 5 8 4 1 9 5 1 3 0 4 5 8 7 31 5 H U6M 7 0 - 9 5 % ´ • 1M A X 0 3 2 9 1 3 2 1 8 2 6 7 3
S U D O K U UMA CANÇÃO HOJE 2 8 5
8 4 1 0 8 6 9 5 3 4 8
17 1
2 9 7 2 0 8 4 3 5 9 6 7 4 1 5
16
6 5 7 8 7 2 8 9 6 4 3 0 1 2
3 9 3 4 5 1 6 0 1 7 8 7 9 2
7 1 4 0 6 8 5 4 8 5 2 3 7 9
4 3 9 8 5 7 3 1 7 0 4 5 2 6
5 8 2 4 2 9 1 6 8 3 0 0 1 7
0 6 8 3 2 6 1 5 7 2 9 8 3 4
8 0 0 6 1 7 4 2 5 1 7 9 2 3
2 7 5 1 9 3 6 8 9 6 4 5 0 4
9 4 6 5 3 0 2 7 0 2 1 68 85
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 14
14
1 9 7 1 3 5 2 4 2 6 5 3 2 6 3 1 6 1 4 8 9 5 4 2 8 7 2 5 0 4
PROBLEMA 15
15
1
PUB.
5 7 0 1 4 9 6 2 8 3 6 2 9 0 8 3 7 1 5 4 1 3 4 6 5 2 8 0 7 9 8 4 3 9 1 0 5 7 2 6 9 6 8 4 2 7 3 5 0 1 ANÚNCIO 7 5CONCURSO 1 2 9 6 0 4 3 8 PÚBLICO N. 22/P/21 4 0Faz-se2público 8 que, 3 por5despacha 1 6da Ex.9 Senhora 7 Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 9 de Julho 3de 2021, 1 se5 encontra 7 0aberto8o Concurso 4 9 Público 6 2para o «Fornecimento e Instalação de um Sistema de Angiografia 0por Subtracção 9 7 3 6 do 4Projecto 2 de8Concepção 1 5e da Digital, Respectiva Empreitada de Remodelação ao Serviço de 2Urgência 8 dos 6 Serviços 5 7 de1Saúde», 9 cujo 3 Programa 4 0 do o
ma
Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 21 de Julho de 2021, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP110,00 (cento e dez patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 26 de Julho de 2021, às 10,00 horas para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 6 de Setembro de 2021. O acto público deste concurso terá lugar no dia 7 de Setembro de 2021, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP450.000,00 (quatrocentas e cinquenta mil patacas), a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente.
18 5 1 4 8 0 3 7 2 9 6
0 6 7 9 5 1 2 8 3 4
3 9 2 4 8 7 6 5 1 0
2 3 1 5 9 8 0 4 6 7
6 8 0 7 4 2 1 9 5 3
1 7 9 2 3 6 5 0 4 8
4 5 8 0 6 9 3 7 2 1
8 2 3 6 7 4 9 1 0 5
9 4 5 3 1 0 8 6 7 2
7 0 6 1 2 5 4 3 8 9
Serviços de Saúde, aos 15 de Julho de 2021 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long
22.7.2021 quinta-feira
EURO
9.42
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CINETEATRO
STAYIN’ ALIVE | BEE GEES| 1977
16 Para quem se quer manter à tona 5 7 0 4 9 2 sem descurar o estilo e a boa 6 9 disposição, mesmo quando os 1 tempos parecem incertos. Lan1 3 çado em 1977 pelos 9 1Bee0Gees 5 como parte integrante da banda 9 4 3 sonora do filme “Saturday Night 7 “Stayin’ Alive” 2 0 Fever”, rapidamente alcançou reconhecimento 8 3 5 1 internacional, tendo permane3 1 cido durante quatro semanas 0 7no topo da tabela 8 consecutivas “Billboard Ainda 3 2 8 Hot 6 100”. 7 1 hoje, “Stayin’ Alive” continua a 19 sobreviver ao tempo como uma 18 4 5 6mais8 populares 3 0 2de 7 das canções 2 ocupando 0 9 6a 189ª 46 7 11 3 sempre, posição na tabela das 500 melhores 8 76 19 03 5 9 obras 35 22 musicais de todos os tempos da 3 Stone. 27 7 51Pedro 10 89Arede 68 4 Rolling
BAHT
YUAN
C I N E M A
SALA 1
SALA 3
THE BOSS BABY: FAMILY BUSINESS [B]
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Enrico Casarosa 14.30
BUTT DETECTIVE THE MOVIE: THE CASE OF THE COURAGEOUS CURRY + MYSTERY OF THE LADYBUG RUINS [B]
BLACK WIDOW [B]
Um filme de: Cate Shortland Com: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour 21.30
1 8 6 2 5 4 0
LUCA [A]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tom McGrath Com: Alec Baldwin, Jeff Goldblum, Ariana Greenblatt, Jimmy Kimmel 14.30, 16.30, 19.30
8 3 4 7 9
1.23
SALA 2
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroki Shibata 16.30, 18.00, 19.30
SNAKE EYES: G.I. JOE ORIGINS [C] Um filme de: Robert Schwentke Com: Henry Golding, Andrew Koji, Úrsula Corberó, Samara Weaving 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
ESCAPE ROOM: TOURNAMENT OF CHAMPION [C] Um filme de: Adam Robitel Com: Taylor Russel, Logan Miller 21.30
20
1 9 5 1 0 7 3 9 4 2 8 6 8 5 2 8 4 1 6 0 5 9 7 3 44 6 6 3 9 0 8 2 7 5 4 1 95 0 7 9 6 8 1 3 2 4 5 0 BLACK WIDOW 5 69 84 2 7 4 9 06 33 1 8 7 3 9 4 5 6 1 0 2 90 4 38 1 6 5 0 87 7 22 4 0 5 3 2 6 1 8 9 7 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; 73 1 07 9 Salomé 8 2Fernandes 4 54 6 35 0 Morais 2 1 4 7 8 9 3 6 5 Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel 2 6 9 8 1www. 8 5 3 Cameira; 0 6 Gonçalo 7 9M.Tavares; 2 4Gonçalo Waddington;3Inês4Oliveira; 7 João 5 Paulo 9 1Cotrim;0 José6 Simões 2 Morais; 8 Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 8 4 9 0 7 6 6 9 4 7 Rasquinho; 2 3 Paul 5 Chan 1 Wai 0 Chi; 8 Paula Bicho; Tânia1dos5Santos2 Grafismo 6 0Paulo4 Borges, 8 7 3 Santos 9 Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rómulo hojemacau. Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 3 1 6 2 0 7 com.mo 0 3 2 4 Welfare 9 1Morada 8 Pátio 6 da5Sé, 7n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 9 6Macau; 8 Telefone 2 528752401 7 3Fax 28752405; 0 1 4e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 3 8
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6 5 0 3 2 4 8 7 1 9 2 8 4 1 0 9 7 3 6 5 1 7 9 0 6 5 3 4 8 2 3 9 6 7 1 8 4 2 5 0 AVISO N.° 92/AI/2021 8 4 7 6 9 2 5 0 3 1 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente 0 2os infractores 1 5abaixo7discriminados:-----------------------3 9 6 4 8 notifique-se ----- 1. Mandado de Notificação n.° 545/AI/2021: SONG 4 3 5portador2do Passaporte 8 0 da RPC 1 n.°9E46033xxx 7 6e XIANGSHENG, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C13467xxx, que na sequência do Auto de Notícia 9 0 3 4 5 1 6 8 2n.° 97/7 DI-AI/2019 levantado pela DST a 12.04.2019, e por despacho da signatária 5 de621.06.2021, 2 8exarado3no Relatório 7 0n.° 597/DI/2021, 1 9 de4 31.05.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma 7de $200.000,00 1 8 (duzentas 9 4mil patacas) 6 por 2 controlar 5 a0fracção3 multa
22
9 0 5 1 3 2 7 4 8 8 2 6 4 9 5 0 3 7 7 3 4 9 6 8 1 0 5 1 7 2 3 5 4 6 8 0 AVISO N.° 93/AI/2021 6 1 9 7 2 0 8 5 4 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente 5as infractoras 8 3abaixo0discriminados:-----------------------4 1 9 6 2 notifique-se ----- 1. Mandado de Notificação n.° 579/AI/2021: VU THI HOI, 4 0da Vietnam 6 7 3 5e portadora 1 do9 portadora 2 do Passaporte n.° N1804xxx Título de Identificação de Trabalhador Não-Residente da RAEM n.° 22014xxx,4 que na6sequência do Auto de Notícia n.° 177/DI-AI/2019 1 8 0 9 2 7 3 levantado pela DST a 27.06.2019, e por despacho da signatária de 22.06.2021, exarado no Relatório n.° 637/DI/2021, de 09.06.2021, 2 e do1n.° 17do artigo 3 15.°,9ambos6 nos termos0do n.°51 do 8 artigo 10.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 3 (duzentas 9 mil7patacas) 5 por8controlar 6 a fracção 4 autónoma 2 1
6 1 2 9 3 7 8 5 4 0
AVISO N.° 96/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:----------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 599/AI/2021: LI DEWU, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C85174xxx e portador do Passaporte da RPC n.° E78761xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 230/DI-AI/2019 levantado pela DST a 21.08.2019, e por despacho da signatária de 28.06.2021, exarado no Relatório n.° 659/DI/2021, de 17.06.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki, n.° 50-A, Jardim San On, Bloco 2, 12.° andar H onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 616/AI/2021: XIE GUANGYONG, portador do passaporte da RPC n.° G54341xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 184/DI-AI/2019 levantado pela DST a 04.07.2019, e por despacho da signatária de 29.06.2021, exarado no Relatório n.° 677/DI/2021, de 23.06.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 341, Edf. Kam Yuen, 4.° andar B, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------
autónoma situada na Taipa, Avenida Olimpica n.° 172, Jardim de Wa Bao, Bloco 3, 13.° andar R onde se prestava alojamento ilegal.------------ 2. Mandado de Notificação n.° 546/AI/2021: GAO YARONG, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C31669xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 97/ DI-AI/2019 levantado pela DST a 12.04.2019, e por despacho da signatária de 21. 06.2021, exarado no Relatório n.° 598/DI/2021, de 31.05.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Avenida Olimpica n.° 172, Jardim de Wa Bao, Bloco 3, 13.° andar R.--------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------
situada na Rua Quatro Bairro Iao Hon n.° 27, Heng Long, 1.° andar D (G112) onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 598/AI/2021: ZHANG XIUYUN, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C71373xxx e do passaporte da RPC n.° EF0497xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 126.1/ DI-AI/2019 levantado pela DST a 08.05.2019, e por despacho da signatária de 24.06.2021, exarado no Relatório n.° 658/DI/2021, de 16.06.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.° 1142-M, Centro Internacional de Macau, Bloco 12, 9.° andar F, Macau.----------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------Desta decisão pode as infractoras, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 01 de Julho de 2021.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 01 de Julho de 2021.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 05 de Julho de 2021.
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
23 9 4 2 3 0 6 8 7 1 5
1 8 6 4 2 5 7 3 0 9
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5 0 7 8 2 3 4 1 6 9
9 6 5 2 7 0 3 4 8 1
1 7 8 9 5 4 6 2 3 0
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quinta-feira 22.7.2021
opinião 15
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in Regional Rapport
Saikat Bhattacharyya
PROPRIEDADE PRIVADA, ESTATAL E SOCIAL NO COMUNISMO primitivo, existe a propriedade individual. Isto significa um arco utilizado apenas por um caçador específico. Mas a caça que é morta pelo arco é distribuída de acordo com as necessidades de toda a tribo. Assim, o serviço do arco de propriedade individual continua a ser social. Portanto, esta propriedade individual é propriedade social e não propriedade privada. • Aparecimento da Propriedade Privada Mas quando a tribo ruiu e a caça era agora apenas do proprietário do arco e era ele quem determinava quanto deve ser dado a quem. É então que o serviço do mesmo arco, ou seja, a propriedade individual se torna privada. A mesma propriedade individual torna-se então a propriedade privada e perde o seu carácter de propriedade social. Assim, apenas quando se começa a ver o serviço de um meio de produção da perspectiva de troca equivalente (pagamento de acordo com a capacidade laboral), é que um meio de produção se torna propriedade privada. Quando o serviço de um meio de produção é distribuído de acordo com as necessidades da sociedade e não de acordo com a capacidade daqueles que controlam os meios de produção, é propriedade social. Historicamente, a ascensão da agricultura baseada na terra e na criação de animais e o crescimento da divisão do trabalho devido ao aumento do comércio e de várias indústrias (artesãos, artesãos, etc.) deram a opção ao controlador dos meios de produção de trocar o seu produto ou serviço com o que necessita ou deseja. Isto era impossível antes, quando a gama de produtos era bastante menor. Assim, podemos dizer que com o aumento da agricultura, comércio e indústrias, a propriedade privada tornou-se cada vez mais forte. Se a sociedade tem direito ao serviço dos meios de produção (pagamento de acordo com as necessidades), chamamos-lhe propriedade social. Se apenas o utilizador/controlador dos meios de produção tem direito ao serviço a partir dele (pagamento de acordo com a capacidade laboral), chamamos-lhe propriedade privada. A propriedade social tornou-se propriedade privada quando o conceito de troca de mercadorias, ou seja, troca equivalente (pagamento de acordo com a capacidade de trabalho) começou a crescer. Cresceu principalmente quando as forças produtivas se desenvolveram até ao nível em que a agricultura/criação de animais se tornou o principal meio de subsistência e a caça/recolecção se tornou marginal. • Ascensão da classe juntamente com a propriedade privada Juntamente com a propriedade privada, emergiu na sociedade uma distinção de classe. Pela literatura marxista, a classe aparece quando algumas pessoas podem forçar a maioria da população a trabalhar involuntariamente para os seus próprios fins. Aquelas poucas pessoas que estão a
trabalhadora igualmente avançada pode dar aos seus próprios homens no conselho de administração da propriedade privada o direito de controlar os capitalistas. Da mesma forma, manter viva a propriedade privada, mas controlá-la através de instituições financeiras estatais, pode ser outra forma. Controlando empresas privadas inovadoras através do controlo de patentes detidas pelo Estado. O controlo privado através do uso de médicos, académicos, a religião também pode estar presente. Os últimos 170 anos de desenvolvimento económico ensinaram-nos que a propriedade estatal funciona de forma excelente em projectos de investimento de longa gestação (infra-estruturas, escolas, universidades, I&D, finanças) enquanto que a propriedade privada funciona melhor em bens de consumo e serviços onde os consumidores revelam a sua preferência por esses produtos, oferecendo preços. O lucro, no caso posterior, actua como um indicador de sustentabilidade. É por esta razão que a privatização desenfreada desindustrializou a Rússia. Mas manter a propriedade estatal em sectores centrais e permitir produtos de consumo privados tornou a China/Vietname próspera. forçar outros a trabalhar involuntariamente, seja por ameaça/punição ou luxúria/recompensa, são chamadas de classe dominante e aquelas que estão a ser forçadas a trabalhar são chamadas de classe dominada. A classe dominante cria a instituição chamada Estado para controlar e reprimir a classe dominada. Assim, a troca de mercadorias (propriedade privada) e a classe (estado) são dois ramos de crescimento das forças produtivas quando a sociedade de caçadores-colectores se tornou marginal. Assim, tanto o Estado como a propriedade privada são filhos de uma época histórica definida, que os marxistas acreditam que irá desaparecer com o tempo. O comunismo é uma fase em que os humanos se envolvem apenas em actividades voluntárias e, por isso, não há nenhuma troca equivalente (quando os humanos estão a desfrutar de uma actividade, ele ou ela não vai querer ser pago para o fazer, especialmente se a procura de pagamento reduz a possibilidade de fazer tal actividade) nem haverá qualquer classe (uma vez que a automatização faz todas as actividades necessárias mas não apreciadas e, portanto, nenhum humano terá qualquer necessidade de qualquer outro humano para fazer essas actividades). Uma vez que não haverá nenhuma troca equivalente, não haverá nenhuma propriedade privada e uma vez que não há nenhuma classe, não haverá nenhum Estado. O ponto básico é que tanto a propriedade privada como o Estado murcharão com o tempo, uma vez que as forças produtivas elevarão o nível de automatização a um alto nível. Assim, transformar a propriedade privada em propriedade estatal não é uma forma de
O socialismo tem de contar durante muito tempo com pilares gémeos de propriedade privada e estatal até as forças produtivas se tornarem suficientemente altas para acabar com a propriedade privada e o Estado. Transformar toda a propriedade privada em propriedade estatal nunca irá funcionar. A abordagem chinesa é quase perfeita
alcançar o comunismo, porque ambos são problemas iguais para os marxistas. • Papel do Estado e da Propriedade Privada no Socialismo O socialismo é a fase intermédia entre o capitalismo e o comunismo. No socialismo, o Estado torna-se um instrumento (não apenas um instrumento) da classe trabalhadora avançada que pode ser usado contra a classe capitalista, feudal, especuladores, imperialistas e capitalistas. Assim, a propriedade estatal das indústrias e outros meios de produção pode ser utilizada pelos comunistas após a tomada do poder estatal. Mas a classe
• CONCLUSÃO
Os Estados socialistas devem continuar a aumentar as forças produtivas. Isto resultará numa acumulação excessiva de capital quando a procura ficar aquém da oferta na economia. Isto cria a condição material que tornará os investimentos rentáveis dependentes de uma procura não lucrativa, criando investimentos. O socialismo deve lutar para reduzir as diferenças de classe e de género dentro do país e as diferenças no desenvolvimento das forças produtivas entre os diferentes países e deve cuidar do ambiente. No passo seguinte, o Estado socialista deve também criar espaço para que cada vez mais pessoas trabalhem, amando o trabalho em vez de trabalharem por dinheiro. Assim, mais pessoas devem ser encorajadas e capacitadas para se tornarem investigadores, inovadores, animadores. Quanto mais actividades não apreciadas mas necessárias podem ser automatizadas, mais espaço para actividades agradáveis pode ser proporcionado à humanidade. A automatização pode ser conseguida não só inventando coisas novas, mas também aplicando essas invenções em bens e serviços consumíveis, comercializando esses bens e serviços consumíveis em necessidades sociais, e deixando as invenções, bens, serviços, e seres humanos fluir para um estado socialista de e para o exterior. Assim, o socialismo tem de depender de pilares gémeos de propriedade privada e estatal durante muito tempo até que as forças produtivas se tornem suficientemente altas para acabar com a propriedade privada e o Estado. Transformar toda a propriedade privada em propriedade estatal nunca vai funcionar. A abordagem chinesa é quase perfeita.
“Procura amar enquanto vives. Não se encontrou nada de melhor.” PALAVRA DO DIA
Máximo Gorky
quinta-feira
22.7.2021 episódio 41
O Jogo das Escondidas
Covid-19 Casos em Tóquio no nível mais elevado em seis meses
um folhetim por Fernando
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As infecções com covid-19 em Tóquio atingiram ontem o máximo dos últimos seis meses, com a cidade anfitriã das Olimpíadas a registar 1.832 novos casos apenas dois dias antes da abertura dos jogos. A capital japonesa vive, neste momento, o seu quarto estado de emergência, que se manterá até 22 de Agosto, abrangendo a duração total dos Jogos Olímpicos, que começam na sexta-feira e terminam a 8 de Agosto. Os adeptos estão banidos de todos os locais na área de Tóquio. O presidente da Associação de Médicos do Japão, Toshio Nakagawa, afirmou que este surto era esperado, independentemente dos Jogos Olímpicos. Os especialistas indicam que os casos entre as pessoas mais jovens não-vacinadas estão a aumentar drasticamente, numa altura em que o ritmo da campanha de vacinação japonesa está a abrandar devido à incerteza sobre o fornecimento de vacinas. Cerca de 23 por cento dos japoneses têm a vacinação completa.
Actos falhados Centro Hospitalar Conde de São Januário
Anomalias informáticas levam a cancelamento de consultas e vacinas
Cheias em Henan SJM doa 10 milhões com ajuda do Gabinete de Ligação
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A Sociedade de Jogos de Macau (SJM) fez um donativo de dez milhões de patacas para os trabalhos de recuperação dos estragos causados pelas cheias em Zhenghou, província de Henan (ver página 11). Segundo um comunicado, a doação foi feita com a coordenação do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. Daisy Ho, presidente do conselho de administração da SJM, endereçou “os melhores desejos para aqueles que foram afectados pelas cheias”. “Esperamos que cheias possam abrandar rapidamente e que os residentes possam regressar o mais cedo possível às suas vidas normais”, declarou.
F
ALHAS no sistema de marcação levaram ao cancelamento de consultas externas ontem de manhã no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) e em todos os centros de saúde de Macau, segundo informação veiculada pelos Serviços de Saúde (SSM) e relatos de utentes ouvidos pelo HM. As filas de utentes generalizaram-se no hospital público e afectaram inclusive os serviços de vacinação. Segundo um comunicado dos SSM, “a avaria foi causada por uma anormalidade desenvolvida na pesquisa dos dados de marcação de consultas externas, que tornou muito lento o processo de consulta dos dados no sistema. Após a intervenção técnica o sistema voltou ao funcionamento normal por volta da 13h”. Os serviços liderados por Alvis Lo Iek Long garantem que durante o incidente não houve perda de dados e que foi activado “um plano de contingência para lidar com os diversos serviços afectados”.
O caso foi relatado ao HM por um utente, que preferiu não se identificar, que acorreu ao Hospital São Januário antes das 11h, onde encontrou uma atmosfera de confusão. Face ao panorama, dirigiu-se para o piso onde em condições normais se daria a consulta. Pelo caminho, até à zona dos elevadores, formavam-se filas “com cerca de 30 pessoas, amontoadas, sem distanciamento social. “Disseram-me que o sistema tinha caído, que não há hipóteses de hoje [ontem] haver consultas e que iria receber uma
“A avaria foi causada por uma anormalidade desenvolvida na pesquisa dos dados de marcação de consultas externas, que tornou muito lento o processo de consulta dos dados no sistema.” SSM
mensagem no telefone com a marcação para outro dia”, contou. Até ao fecho da edição, a fonte do HM ainda não tinha recebido qualquer mensagem.
Remediar as falhas
Ainda segundo as autoridades de saúde, quem teve a vacinação contra a covid-19 cancelada pode dirigir-se ao local da marcação original nos próximos quatro dias, com o talão de marcação original, para ser inoculado sem necessidade de nova marcação. Quanto ao serviço de consultas externas no CHCSJ, os SSM garantem que os utentes afectados serão informados das novas marcações nos próximos quatro dias úteis através de telefone ou mensagem. O mesmo esquema será utilizado para os centros e postos de saúde. Até ao fecho da edição, às autoridades de saúde não revelaram ao HM quantas consultas foram canceladas na sequência da falha informática. J.L.
Sobral
ORMOSA como um anjo, mas com um punhal na boca”, dissera-lhe ele um dia. Era sorrira. Ding Ling nunca lhe pedira nada em troca das noitas em que o seu corpo oferecia o prazer que Amoroso ambicionava para poder repousar. Durante quase uma hora deixaramse estar ali, murmurando perguntas e respostas, com o coração a responder ao coração, os olhos a ler os olhos, e as mãos procurando o corpo do outro. Até que por fim Ding Ling se levantou e foi acender uma vela que deixava apenas um pequeno rasto de luz. Assim o seu corpo nu era mais misterioso e ela deixou-se ficar, por momentos, encostada a uma parede enquanto ele a contemplava. - Gostarias que eu cantase para ti? - Não. Isto é, gostaria, mas tu também estás cansada. - Disparate. Dormi bastante esta manhã. Posso cantar, muito baixinho. Assim fez. A sua voz recordou uma canção melancólica que aprendera, talvez em Xangai. Falava de amores perdidos na noite, que desapareciam como fantasmas e depois regressavam através de outros corpos. Mas o amor era o mesmo. Depois sentou-se numa cadeira de bambu e deixou ficar-se ali, sem se vestir. - Está escuro. Queres mais luz? - Gosto de te ver assim. Impossível de decifrar totalmente. Ele levantou-se e aproximou-se dela. Afagou-lhe a face e o pescoço e ela encostou a cabeça ao corpo dele. Ele contou-lhe a conversa que tivera nesse final de tarde com Sofia Palha. Ding Ling levantou-se para o fitar nos olhos. - É difícil que confies neles. Nela ou no marido. Cada um faz o seu jogo. Talvez o mesmo jogo, com cartas diferentes. Eles são mestres do subterfúgio, idolatram a intriga, a sedição. E a sedução. Trairão qualquer pessoa para conseguirem o que querem. Amanhã serás tu. No dia a seguir o senhor Wolf. Ela poderia ter interesse no corpo do senhor Silva. Mas a carne é, muitas vezes, a porta de entrada para a alma. E o senhor Silva era muito frágil. Li Bei sabia isso. - Achas que algum está ligado ao alemão? - Não duvido. Se chegasses a Macau com uma ideia de negócio como o senhor Wolf, quem procurarias conhecer? Palha é um homem com muitas conexões. E a mulher não olha a meios para conseguir atingir os seus fins. Um deles, senão os dois, estão ligados a ele. E talvez o senhor Silva estivesse também, por via disso. (continua)