TIAGO ALCÂNTARA
GCS
LEI DO JOGO
MEIA BOLA E FORÇA PÁGINAS 4-5
ENSINO
EXAMES CONFIRMADOS PÁGINA 7
24 DE JUNHO
PROGRAMA SEM FESTAS ÚLTIMA
OPINIÃO
ORGULHO É A SOLUÇÃO TÂNIA DOS SANTOS
HOJE MACAU MOP$10
Nº 5034
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Em modo de pausa
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HOJE MACAU
QUARTA-FEIRA 22-6-2022
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Serviços públicos fechados, empresas com trabalhos interrompidos, aulas online e restaurantes só com serviço de take-away. A cidade volta a entrar em estado de suspensão. Confinamento geral está, para já, descartado. Macau conta actualmente com 49 casos positivos, 11 zonas vermelhas e 5 amarelas. Isoladas em casa, estão agora 1824 pessoas. PÁGINAS 2-3
2 especial covid-19
22.6.2022 quarta-feira
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PANDEMIA FUNÇÃO PÚBLICA DISPENSADA ATÉ SEXTA-FEIRA. AFASTADO CONFINAMENTO GERAL
Vidas interrompidas
Funcionários públicos sem funções urgentes estão dispensados do serviço até sexta-feira. Ainda não há data para o regresso das aulas presenciais e o Governo aconselha a avaliação contínua. Autoridades afastam possibilidade de confinamento geral do território. Quem tem voos marcados não pode deixar zonas seladas
A
S autoridades decidiram prolongar até sexta-feira a suspensão do trabalho para todos os funcionários públicos que não desempenhem funções essenciais ou de linha da frente. A garantia foi dada ontem na habitual conferência de imprensa do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), com base no despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, que entra hoje em vigor. “Os trabalhadores suspensos do serviço devem cumprir o seu dever e permanecer em casa. As empresas que não prestem serviços urgentes devem suspender os trabalhos, enquanto que os restaurantes devem disponibilizar apenas o serviço de take-away. Segundo os resultados dos testes em massa, temos 21 amostras mistas, por isso apelo aos cidadãos para permane-
cerem em casa”, adiantou. Mesmo com regras relativas a distanciamento social e com encerramento de serviços, as autoridades afastam, para já, a possibilidade de o território entrar em confinamento geral. “Temos um plano de gestão comunitária circunscrita que não queremos ainda activar. Estamos a observar a situação e não é necessária preocupação. Não precisam de açambarcar os produtos [nos supermercados], basta que sigam as nossas instruções”, apontou o responsável dos Serviços de Polícia Unitários (SPU). A situação torna-se mais complicada para quem tem voos marcados para fora de Macau e esteja agora em zonas vermelhas, uma vez que não pode sair, mesmo com teste negativo à covid-19. “Estas pessoas não podem sair das zonas de confinamento porque temos de assegurar que a epidemia não se propaga para fora de Macau e têm de ficar
em casa. Se apanharem voos ou outros transportes quer dizer que seremos responsáveis pela propagação do vírus fora de Macau”, adiantou Alvis Lo.
Testes hoje
Tendo em conta que a testagem em massa terminou ontem, as autoridades pediram à população para fazer hoje testes rápidos em casa. “A próxima etapa será a realização, amanhã, dia 22 [hoje] de testes anti-génio para todos os residentes. Vamos dividir algumas zonas onde serão feitos testes de ácido nucleico e vamos ainda analisar quantas pessoas estão envolvidas.” Já quem vive em determinadas áreas afectadas terá de realizar hoje testes de ácido nucleico. Quem vive ou trabalha na zona delimitada pela Av. Horta e Costa; Rua do Almirante Costa Cabral; Estrada do Repouso; e Avenida do Almirante Lacerda deve efectuar marcação ainda hoje até às 21h, através
do link https://eservice.ssm. gov.mo/allpeoplernatestbook informaram as autoridades de saúde ao fim da noite. Ainda assim, as autoridades não afastam a possibilida-
“Os trabalhadores suspensos do serviço devem cumprir o seu dever e permanecer em casa. As empresas que não prestem serviços urgentes devem suspender os trabalhos, enquanto que os restaurantes devem disponibilizar apenas o serviço de take-away.” ALVIS LO DIRECTOR DOS SSM
de de realizar outra ronda de testes à população, conforme a evolução pandémica. “Temos de fazer primeiro uma avaliação dos resultados. Amanhã [hoje] apelamos a que as pessoas façam testes rápidos e coloquem o resultado na plataforma. Se detectarmos mais casos positivos, teremos mais uma ronda de testagem em massa. Como selámos os edifícios em risco e temos dois grupos de pessoas em análise, pedimos apenas, de momento, o teste rápido”, disseAlvis Lo. As autoridades continuam sem saber quem é o paciente zero, mas assumem que “o mais importante é encontrar todos os pacientes e pessoas de contacto próximo”. “Muitas vezes, na China, nunca é encontrada a origem do surto. Mesmo que façamos as investigações é sempre necessário tempo”, frisou Alvis Lo.
Aulas sem data
Luís Gomes, responsável da Direcção dos Serviços de
Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), afirmou que ainda não existe uma data para o regresso das aulas presenciais. Caso as aulas se mantenham online, e uma vez que o ano lectivo está perto do fim, as autoridades educativas aconselham os docentes a recorrer à avaliação contínua. “Não podemos dizer nada, para já, porque temos de acompanhar a situação, mas o princípio fundamental é a segurança dos estudantes. Se não tivermos mais tempo para o regresso das aulas presenciais, poderemos considerar o recurso à avaliação contínua.” A DSEDJ assegura que serão disponibilizadas “soluções de ensino” para que as escolas façam a “avaliação multidisciplinar”. “Ao longo do ano lectivo não houve suspensão de aulas pelo que os alunos conseguiram ter aproveitamento até esta altura. As escolas podem aproveitar esta avaliação contínua”, assegurou Luís Gomes. Andreia Sofia Silva
TRANSPORTES APRESENTAÇÃO DO CÓDIGO DE SAÚDE CAUSA PROBLEMAS A RESIDENTES IDOSOS E A TNR NA
D
ESDE que a apresentação do código de saúde de cor verde passou a ser obrigatória na segunda-feira para frequentar autocarros, táxis e o Metro Ligeiro, residentes idosos e trabalhadores não-residentes têm encontrado constrangimentos na utilização de transportes públicos.
De acordo com a TDM - Canal Macau, muitos passageiros de autocarros foram apanhados de surpresa pela medida, implicando atrasos e a necessidade de encontrar alternativas de transporte. Um trabalhador não-residente do Interior da China que se encontrava
numa das paragens de autocarro da Praça Ferreira do Amaral contou não ser capaz de gerar o código saúde e que, por isso, iria chegar atrasado ao trabalho. Um casal de residentes idosos admitiu ter sido obrigado a pedir ajuda à filha para se deslocar na
cidade, pois a mulher não possui um telemóvel com acesso à internet capaz de gerar o código de saúde. “A minha mulher tem um telefone antigo, sem internet e, por isso, não consegue fazer o código de saúde. Só eu tenho o código de saúde e vamos ter que pedir à nossa
quarta-feira 22.6.2022
especial covid 19 3
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CRIANÇAS ACOMPANHADAS
300 NO HOTEL FORTUNA
49 POSITIVOS, 15 SINTOMÁTICOS
Tendo em conta o caso positivo relativo a uma professora da Escola Primária Hou Kong, que contactou com mais de 300 alunos, bem como o da sua filha que é aluna do Jardim de Infância do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, que poderá ter contactado com mais de 60 crianças, as autoridades ainda estão a avaliar quantas crianças irão cumprir quarentena em hotéis. Ficou garantido que, caso isso aconteça, serão acompanhadas pelos pais. “Teremos de ver a
Um dos novos locais sinalizado como zona vermelha é o Hotel Fortuna, que neste momento tem 300 hóspedes e 80 trabalhadores, alguns deles da zona do casino. “Se os quartos estiverem disponíveis as pessoas podem lá ficar, caso contrário serão transferidas para hotéis de quarentena. Temos primeiro de realizar os testes após selar a unidade.” De frisar que o parque de estacionamento está aberto ao público. O encerramento do Hotel Fortuna deveu-se ao facto de
Macau está neste momento com 49 casos confirmados de covid-19, sendo que apenas 15 pessoas apresentam sintomas e 34 estão assintomáticos. Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), prometeu divulgar os resultados dos testes em massa até à meia noite de ontem, mas até ao fecho desta edição os dados não tinham sido divulgados. Ontem de manhã, de um total de 677.586 testes, 564.297 apresentaram resultado negativo, existindo 21 amostras mistas com um resultado positivo. Os 49 casos dividem-se em dois
disponibilidade dos hotéis e o percurso comum, se houve um período mais longo, para vermos se se justifica enviar para a quarentena. As nossas regras dizem que as crianças com menos de 18 anos são acompanhadas pelos pais.”
um trabalhador ter testado positivo, bem como mais três homens que estão no grupo de casos confirmados associados a trabalhadores não-residentes. Além disso, um trabalhador do Hotel Fortuna, que está em Zhuhai, também testou positivo, aumentando para cinco os casos associados à unidade hoteleira.
grupos, sendo que o primeiro está ligado a 28 trabalhadores não residentes, enquanto que outro grupo é composto por um trabalhador do Estabelecimento Prisional de Coloane e familiares, num total de 19 pessoas. Segundo Alvis Lo, duas pessoas estão a ser investigadas por, alegadamente, terem uma ligação a estes dois grupos, que estão interligados em termos de contágio. As autoridades classificaram 11 zonas vermelhas, de onde as pessoas não podem sair, e cinco zonas amarelas. De momento, estão 1824 pessoas isoladas em casa.
MACAU ZONAS VERMELHAS CONTROLO SELADO Edifício Yim Lai: Rua de Manuel de Arriaga 66-66C Padre Modern Cuisine (Edifício Tak Fung): Avenida da Praia Grande 251 Edifício Tat Cheong: Rua de Afonso Albuquerque 33-35G RÓMULO SANTOS
Edifício Parkway Mansion (Bloco 2): Rua do Almirante Costa Cabral 146 Centro Chiu Fok: Rua de Pedro Coutinho 23 Lake View Garden: Praça de Lobo de Ávila 16-18 Carnes Assadas Lam Kei: Rua da Emenda 10 Centro Internacional de Macau (Torre VI): Rua de Malaca 124, Rua do Terminal Marítimo 93-103, Travessa da Amizade 82 Edifício Jardim Iat Lai (Bloco 6): Rua Central de Toi San 302 Edifício Man Lei (Bloco S,T): Rua Três do Bairro da Areia Preta 6 Hotel Fortuna: Rua de Cantão 49-63, Rua de Foshan 48A-78,Praça de D. Afonso Henriques 76-90
ZONAS AMARELAS ZONA DE PREVENÇÃO Edifício Son Lei: Rua de Manuel de Arriaga 64-64B Edifício Chun Fong: Rua de Afonso de Albuquerque 38-40A Edifício Tak Fong: Avenida da Praia Grande 241-253 Edifício Tak Weng: Rua de Afonso de Albuquerque 37-45
UTILIZAÇÃO DE TRANSPORTES PÚBLICOS filha para nos transportar”, disse. Uma outra residente que também esperava a chegada do autocarro, admite ter sido apanhada de surpresa pela exigência, mas sublinha ser necessário “cooperar com o Governo porque há um surto no território”.
Além disso, ao longo de segunda-feira foi comum ver os autocarros a demorar-se mais em cada paragem, dada a fila de passageiros que se inevitavelmente se formava para preparar e apresentar, o código de saúde ao condutor do veículo. P. A.
Edifício Man Heng: Rua de Afonso de Albuquerque 31C-31G
IAS Apelo “veemente” à vacinação de idosos O Instituto de Acção Social (IAS) voltou a solicitar aos cidadãos idosos que se vacinem contra a covid-19, porque “apesar de ficarem permanentemente no domicílio e não saírem de casa, é provável que os idosos fiquem infectados com a covid-19, transmitido pelos familiares ou seus cuidadores”. O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, afastou ontem a hipótese de tornar a inoculação obrigatória. “Relativamente
à obrigatoriedade, não posso ainda dizer que as pessoas serão obrigadas a vacinarem-se, porque é difícil”, afirmou. Até às 21h do dia 20 de Junho, a taxa de vacinação dos idosos em diversos grupos etários que administraram pelo menos uma dose de vacina foi de: 79,9 por cento para idades de 60 a 69 anos; 74,8 por cento para 70 a 79 anos; 50,4 por cento para o grupo etário de 80 anos ou mais.
TAIPA ZONAS VERMELHAS CONTROLO SELADO Flower City – Lei Pou Kok: Avenida Olímpica 177259, Rua de Évora 10-72
4 assembleia legislativa
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22.6.2022 quarta-feira
JOGO NOVA LEI APROVADA APÓS DEBATE COM APENAS CINCO DEPUTADOS
GCS
Pontapé para a
Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças “Se conseguirmos conceder a redução e fazer expandir os mercados estrangeiros, isto vai acarretar mais receitas para o Governo.”
AL AGENDA REDUZIDA À LEI DO JOGO DEVIDO À PANDEMIA
A
sessão plenária de ontem começou com o presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, a propor aos deputados o cancelamento do habitual período reservado às intervenções antes da ordem do dia e da discussão e votação da lei sobre intercepção e protecção de comunicações.
Segundo Kou Ho In, perante o actual surto de covid-19 que se vive em Macau, o objectivo foi reduzir ao máximo a duração da reunião. “Com o objectivo de discutir e aprovar a nova lei do jogo e encurtar a duração da reunião plenária propomos cancelar a discussão e votação regime
jurídico da intercepção e protecção de comunicações e o período de intervenções antes da ordem do dia. Se os deputados aprovarem a proposta, ficamos apenas com um ponto único na nossa ordem do dia”. Após a proposta ter sido aprovada por unanimidade pelos 32 deputados presentes, Kou
Hoi In pediu ainda aos deputados para não tirarem a máscara “mesmo durante as intervenções” e lembrou que foram tomadas medidas extraordinárias para que a reunião plenária fosse realizada no actual contexto, permitindo a presença de jornalistas e impedindo a presença de público.
DICJ Mais quadros e aposta na tecnologia O secretário para a Economia e Finanças Lei Wai Nong assegurou ontem que, para cumprir os requisitos de fiscalização impostos pela nova lei do jogo, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) vai contratar mais colaboradores e apostar na tecnologia. “A DICJ alterou a sua lei orgânica e alargou o seu quadro. Portanto, no futuro, para além de aumentar o pessoal, vamos também reforçar a aplicação de
tecnologias informáticas. Com tudo isto, esperamos fazer melhor o nosso trabalho (…) e reforçar a nossa gestão. Sabemos que a dimensão dos casinos é muito diferente do passado e, por isso, vamos aumentar o pessoal. Após a aprovação da proposta de lei vamos também destacar pessoal para cumprir as atribuições legalmente previstas”, apontou o secretário em resposta ao deputado José Pereira Coutinho.
quarta-feira 22.6.2022
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frente Pereira Coutinho, Ron Lam, Che Sai Wang, Ella Lei e Iau Teng Pio foram os únicos a participar na discussão da nova lei do jogo, que viria a ser aprovada por unanimidade. Entre as principais preocupações estão as responsabilidades sociais das concessionárias e a isenção de contribuições. Lei Wai Nong prometeu detalhes nas novas licenças de jogo, garantiu que não haverá cortes no FSS e apontou que a angariação de clientes estrangeiros é o futuro
A
proposta de lei que mais discussão gerou nos últimos tempos na Assembleia Legislativa foi ontem aprovada, na especialidade e por unanimidade, ao final de cerca de duas horas, tendo contado apenas com a participação de cinco deputados durante o debate que precedeu a sua votação. Perante as preocupações apresentadas por José Pereira Coutinho, Ron Lam Che Sai Wang e Ella Lei, sobre a falta de critérios, detalhes e mecanismos a respeito do cumprimento das responsabilidades sociais das concessionárias, onde se insere o apoio às PME e a protecção do emprego, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong assegurou que, aquando do concurso para a atribuição das novas licenças de jogo as “regras” vão ser definidas com maior detalhe. “Os quatro deputados mostraram-se preocupados com o emprego e aqui temos um consenso. Este artigo está feito de forma abstracta e, no futuro, quando abrirmos o concurso isso vai ser definido nas regras. Além disso, nas discussões com as concessionárias aquando do concurso, vamos ter em conta todos os interesses da RAEM. O novo concurso está relacionado com aquilo que será o nosso futuro nos próximos 10 anos”, explicou o secretário.
Antes disso, perante o contexto adverso marcado pela pandemia, Ella Lei mostrou-se particularmente preocupada com a “garantia de ascensão profissional de trabalhadores locais” e de “aposentação”, mecanismo de transição de trabalhadores durante a entrada em vigor das futuras licenças de jogo e os postos de trabalho dos funcionários dos casinos-satélite. Pereira Coutinho, considerou o articulado “vago” e classificou a alínea referente ao apoio à diversificação económica “apenas um slogan”. Já Che Sai Wang apelou por mecanismos que garantam o cumprimento da protecção ambiental e Ron Lam defendeu a definição de “critérios qualitativos e quantitativos” que assegurem o cumprimento das responsabilidades sociais das concessionárias.
Olhos no exterior
Outro dos pontos da nova proposta de lei que mais debate gerou, prendeu-se com a possibilidade de o Chefe do Executivo poder reduzir ou isentar as concessionárias do pagamento das contribuições complementares de 5,0 por cento, caso estas apostem na angariação de clientes vindos do estrangeiro. Ella Lei e Ron Lam mostram-se preocupados com o facto de a medida poder comprometer a injecção futura de verbas no Fundo de Segurança Social (FSS),
se as receitas brutas de jogo vierem a diminuir. Contudo o secretário assegurou que não haverá cortes no FSS e que o Governo não vai hesitar em “estender a mão” para ajudar os mais necessitados. “Muitos estão preocupados que as verbas para o FSS vão sofrer cortes. Temos de pensar na composição das receitas, são 35 por cento mais cinco por cento. Se conseguirmos conceder a redução e fazer expandir os mercados estrangeiros, isto vai acarretar mais receitas para o Governo. Nos últimos anos, a situação económica é adversa, mas o Governo não reduziu o dinheiro para a educação e para o FSS. Macau posiciona-se como Centro Mundial de Turismo e Lazer e esta medida é definida em prol dos interesses de Macau e da expansão dos mercados de clientes estrangeiros. Só assim podemos fazer um ‘bolo maior’ para que a população de Macau saia mais beneficiada”. A pedido de Ron Lam, o número do artigo em questão acabou por ser votado à parte, tendo contado com o voto contra do deputado. No seguimento do pedido de Ron Lam, o deputado nomeado por Ho Iat Seng, Iau Teng Pio pediu a palavra para mostrar apoio ao Governo e lembrou que a autorização do pedido de isenção carece da consulta da Comissão especializada do Sector dos Jogos de Fortuna ou Azar. Pedro Arede
assembleia legislativa 5
De tempos idos
Coutinho diz que actividade de Junkets não tem futuro em Macau
P
EREIRA Coutinho considerou que a nova lei do jogo aprovada ontem irá levar à extinção da actividade dos promotores de jogo em Macau. Isto, defendeu o deputado, tendo em conta que o diploma prevê que cada promotor de jogo só possa exercer actividade com uma concessionária, tornando as duas figuras “concorrentes” entre si. “Se calhar é melhor eliminar esta norma, porque [na lei] não há espaço para o desenvolvimento das actividades de promoção de jogo”, começou por dizer. “No futuro, o promotor vai então concorrer com a concessionária, que tem os seus próprios panos individuais. Esta situação é muito parecida com a questão das comissões dos promotores. O senhor secretário disse que não quer alargar [a actividade] mas eles têm um desenvolvimento sustentável e querem ter mais clientes. Estamos a falar de trabalhadores que vão ficar sem salários. Não estou a entender porque é que aqui isto aparece de forma tão rigorosa e no passado era possível trabalhar com várias concessionárias. Se há acções ilegais podemos abrir um processo. Há dias dialoguei com alguns jovens que me disseram que vão desenvolver esta actividade no Japão e na Tailândia, porque a forma como a lei está redigida é para eles fecharem as portas”, acrescentou. Na réplica, Lei Wai Nong explicou que apesar de a actividade dos promotores de jogo estar a ser re-
gulada noutra proposta de lei, era obrigatório que no diploma aprovado ontem houvesse uma “menção geral” aos junkets. O secretário rejeitou ainda a ideia de que promotores de jogo e concessionárias sejam concorrentes e defendeu que a nova legislação “garante uma relação mais clara e evita interpretações sem limites”. “São parceiros. Queremos que os promotores de jogo angariem clientes para servir melhor as concessionárias”, acrescentou.
Fantasmas do passado
Por seu turno, Adriano Ho, responsável máximo da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) justificou o articulado com “a necessidade de fiscalizar melhor a actividade” e com actos ilegais ocorridos nas salas VIP, que escaparam à intervenção das operadoras nos últimos 20 anos. “No passado, houve casos criminosos que tiveram a ver com as actividades ilegais dos promotores. Então, para garantir o desenvolvimento sustentável e saudável do sector do jogo tivemos de adoptar medidas para fiscalizar as actividades dos promotores, porque nas salas VIP instaladas nas concessionárias pelos promotores (…) as operadoras não tiveram uma intervenção profunda (…), mas com esta lei as concessionárias passam a ter o dever de fiscalizar as actividades dos promotores”, vincou. P.A.
SURTO LO CHOI IN PEDE MAIS UM CHEQUE PECUNIÁRIO
A
deputada Lo Choi In considera que face ao novo surto é necessário prestar maior assistência financeira à população e sugere assim que seja distribuído um novo cheque pecuniário. As declarações foram prestadas ontem por Lo Choi In à margem do Plenário da Assembleia Legislativa, e citadas pelo jornal Ou Mun. Na opinião de Lo, o impacto do novo surto vai ser muito profundo, e em conjunto com o estado actual da economia, tem de ser combatido com uma nova ronda de medidas de apoio económico. No entanto, a deputada avisa que os apoios não podem ser só para as empresas ou para os cidadãos, têm de ser abrangentes. No que diz respeito aos cidadãos, a legisladora aponta que a melhor solução seria um novo cheque pecuniário. Mas, no caso de o Executivo não gostar da ideia, a opção de lançar mais uma fase do cartão de consumo electrónico também é vista como muito positiva por Lo Choi In . Em matéria de emprego, Lo pede que o período do subsídio do desemprego deve ser aumentado.Actualmente, quem tiver sido despedido pode pedir um subsídio de 150 patacas por dia, com um limite máximo de 90 dias, o que significa 13.500 patacas. Recebido esse montante, tem de esperar até ao próximo ano para poder voltar a receber o subsídio. A deputada vem agora dizer que face ao estado da economia o valor deve ser aumentado. Além disso, Lo apelou ainda aos senhorios para que baixem o valor das rendas, e considerou que o Governo devia insistir mais neste aspecto.
22.6.2022 quarta-feira
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CASINOS-SATÉLITE DAVID CHOW DEFENDE CRIAÇÃO DE LEGISLAÇÃO
Sair do cinzento
O empresário considera que há vários aspectos que precisam de ser clarificados para garantir o futuro dos casinos-satélite. A competição com as concessionárias é um aspecto que também preocupa David Chow
D
HOJE MACAU
AVID Chow, co-presidente e director não-executivo da Macau Legend, considera que o Governo deve criar legislação específica sobre a situação dos casinos-satélite. As declarações foram prestadas pelo empresário ao jornal Ou Mun, na sequência do anúncio do fecho dos casinos dos hotéis Rio e Presidente. Também o casino do Hotel Emperor tinha anunciado que fecharia portas, mas vai afinal ser explorado até ao final do ano pela concessionária SJM Resorts. Segundo o empresário, após os casinos-satélite terem garantido a sobrevivência com a nova lei, agora é necessário resolver as questões pendentes e definir bem as áreas de cooperação entre as concessionárias e as operadoras dos casinos-satélite, que utilizam mesas de jogo e empregados das concessionárias. Entre os assuntos a necessitarem de clarificação, David Chow defendeu que os casinos-satélite devem poder continuar a operar sem terem de prestar informações sobre os clientes às concessionárias, por uma questão de segredo comercial e para evitarem que estas tenham informações privilegiadas e lhes “roubem” os clientes. O co-presidente da Macau Legend mostrou-se também preocupado com o
futuro dos casinos-satélite, quando as licenças das concessionárias não se renovarem ou forem retiradas. Para David Chow, é preciso deixar claro numa lei própria se os casinos-satélite podem operar com as licenças de outras concessionárias ou se deixam de poder operar.
Contratos mais longos
Ainda no que diz respeito às políticas para os casinos-satélite, o empresário explicou que a indústria só pode ser sustentável com um ambiente de negócios favorável. Por isso, acredita que todos os casinos devem ter uma licença que permita operar a longo prazo, que deve ser de dez anos.
David Chow defendeu que é necessário que os casinos-satélite possam continuar a operar sem terem de prestar informações sobre os clientes às concessionárias Ainda no que diz respeito ao sector, Chow criticou o modelo actual que permite às concessionárias decidirem o montante que recebem dos casinos-satélite, para que estes possam operar. No entender do empresário, o modelo adoptado favorece em demasia as concessionárias, que ficam com todo o poder negocial, mesmo que os casinos-satélite estejam a perder dinheiro. Sobre a situação financeira dos casinos-satélites, Chow alertou para a situação de que grande parte contraiu empréstimos bancários, e que, caso não consigam pagar as dívidas, o sistema pode ficar ameaçado.
Nunu Wu e João Santos Filipe
CASO ALVIN CHAU JULGAMENTO ARRANCA A 2 DE SETEMBRO
O
caso que envolve o julgamento do antigo presidente do grupo Suncity, Alvin Chau, terá início no dia 2 de Setembro. De acordo com informações apuradas pela TDM-Rádio Macau, os valores envolvidos em apostas ilegais são de mais de 823 mil milhões de dólares de Hong Kong, levando o grupo a lucrar ilegalmente, entre 2013 e 2021, mais de 21 mil milhões de dólares de Hong Kong. Recorde-se que Alvin Chau
é acusado de ter liderado uma sociedade secreta dedicada ao branqueamento de capitais e à promoção de jogo ilegal, tanto online como em apostas paralelas nos casinos de Macau. Segundo a mesma fonte, as acções de branqueamento de receitas e das apostas reais levadas a cabo pelo grupo, terão resultado no desfalque de milhões junto das concessionárias e, indirectamente, do próprio Governo, dado ter
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6 sociedade
deixado de receber os impostos sobre os montantes reais. Segundo a TDM-Rádio Macau, algumas operadoras já começaram a reclamar os prejuízos, sendo expectável que o Executivo proceda da mesma forma no futuro. Recorde-se que Alvin Chau foi detido em Novembro de 2021, sendo um dos 21 arguidos envolvidos no caso. O processo está nas mãos da juiz presidente, Lou Heng Ha.
MGM Foco na licença e na saúde pública
Jonathan Halkyard, director financeiro da MGM International, empresa que controla a concessionária MGM China, afirmou que a companhia está focada na renovação da licença e no seguimento das políticas de saúde, em vez de pensar na exploração comercial. As declarações foram prestadas durante o evento Jefferies Global Consumer Conference, quando Halkyard abordou a situação internacional da empresa. “Na frente internacional temos um cenário misto. O que quero dizer é que em Macau os nossos esforços têm sido orientados mais para o processo de renovação da licença”, afirmou. “Em relação ao negócio em si, tem sido conduzido pelas considerações de saúde pública e, em particular, pelas restrições, ou levantamentos, que acontecem em Macau”, acrescentou.
Fronteira Dois detidos com mais de 80 telemóveis
Dois homens foram detidos pelas autoridades, a 17 de Junho, quando tentaram passra a fronteira de Qingmao com telemóveis não-declarados, de acordo com um artigo do jornal Ou Mun. Segundo o relato, o primeiro homem passava pelo corredor para pessoas que não têm nada a declarar e entrar no Interior, quando foi interceptado pelas autoridades com 60 telemóveis escondidos na cintura e nas pernas. Poucos momentos depois do primeiro interceptado, outro homem foi igualmente detido. Trazia consigo 26 telemóveis, escondidos entre a roupa.
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quarta-feira 22.6.2022
TNR Hoteleiros prometem manter preços dos quartos
O presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Cheung Kin Chung, promete ajudar o Governo a arranjar acolhimento para trabalhadores não-residentes impedidos de regressar ao Interior e que os membros da associação não vão subir o preço dos quartos. Importa referir que a associação faz parte do mecanismo de emergência para surtos comunitários. Os hoteleiros comprometeram-se igualmente com o esforço de ajudar os retidos em Macau com refeições, transportes, entre outras necessidades. Além disso, em termos do cancelamento de quartos, Cheung Kin Chung apontou ao jornal Ou Mun que ainda não existe uma tendência óbvia de desistência das reservas, até porque em Macau o Verão não é um dos períodos mais populares para turismo. Por último, Cheung indicou que os apoios de 10 mil milhões de patacas do Executivo são “uma boa ajuda”. SOFIA MARGARIDA MOTA
Manuel Machado
Ensino EPM ouvida por Conselheira das Comunidades
A direcção da Escola Portuguesa de Macau, liderada por Manuel Machado, esteve reunida com a presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia, Rita Santos, para uma sessão de “de esclarecimento e actualização das actividades na RAEM, bem como das futuras aspirações e objectivos”. A informação foi divulgada ontem através de um comunicado do Gabinete dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas do Círculo China, Macau, Hong Kong, e terá acontecido a 16 de Junho. A reunião serviu para Rita Santos se preparar e transmitir as informações mais recentes sobre a realidade local na reunião de amanhã que vai ter, por videoconferência, com o secretário de Estados das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo.
EDUCAÇÃO EXAMES DECORREM NA ESCOLA PORTUGUESA APESAR DE SURTO
e prolongam-se até 6 de Julho, data em que é feito o exame de História B. A segunda fase começa a 21 de Julho, com a prova de Físico e Química A, e termina a 27 de Julho, com os exames de Alemão, Espanhol, Francês e Mandarim.
A Escola Portuguesa de Macau está a tomar medidas especiais de segurança, como a realização de autotestes a professores e alunos. Apesar do estado de prevenção imediata, as autoridades locais autorizaram a realização dos exames nacionais
No terreno
Seguir em frente
A
Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi autorizada a realizar os exames nacionais, apesar dos estabelecimentos de ensino locais estarem encerrados devido ao novo surto de covid-19, afirmou na segunda-feira o director da instituição. “Foi-nos permitido realizar os exames, porque os serviços de Educação sabem que são exames nacionais e que se não forem feitos nesta altura, depois é mais complicado para os alunos
realizá-los”, afirmou à Lusa o director da EPM, Manuel Machado. O responsável explicou que para cumprir o calendário das provas - que têm de ser feitas no mesmo horário que em Portugal - a escola teve de “obedecer a um conjunto de regras de segurança”, impostas pelas
autoridades locais da Saúde e da Educação. “Facilitaram-nos a realização dos exames desde que fossem feitos autotestes a todos os alunos e a todos os professores intervenientes no processo, com as devidas separações de um metro entre os alunos que estão a realizar os exames
“Facilitaram-nos a realização dos exames desde que fossem feitos autotestes a todos os alunos e a todos os professores intervenientes no processo.” MANUEL MACHADO EPM
enquanto estão à espera de ser chamados para as provas”, explicou. O director do estabelecimento de matriz portuguesa realçou ainda que a escola permanece em “contacto muito próximo” com as autoridades e que, neste momento, não tem informações sobre os passos a dar a partir de hoje. A primeira fase dos exames nacionais, que servem como critério para a selecção dos candidatos às universidades em Portugal, começou a 17 de Junho, com a prova de português,
Macau decretou no domingo de madrugada o estado de prevenção imediata, depois da cidade ser afectada por um novo surto de covid-19, e decidiu avançar para a testagem em massa da população de mais de 680 mil habitantes em 48 horas. As autoridades aplicaram medidas de isolamento em algumas zonas da cidade, onde é proibida a saída de todas as pessoas das residências. Entre as várias medidas, foi anunciado o encerramento das escolas até pelo menos quarta-feira. À semelhança do Interior da China, a região segue uma política de “zero casos”, em que os assintomáticos não entram para as contas oficiais do Governo, apesar de serem igualmente obrigados a cumprir as medidas de isolamento.
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MARIA ONDINA BRAGA IMPRENSA NACIONAL PUBLICA OBRAS COMPLETAS
A vida em três As autobiografias ficcionais de Maria Ondina Braga (19322003) compõem o primeiro volume das Obras Completas da escritora, de que a Imprensa Nacional inicia a publicação e que apresenta, na terça-feira, em Braga, cidade natal da autora
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STÁTUA de Sal”, “Passagem do Cabo” e “Vidas Vencidas” são os títulos reunidos neste primeiro volume que faz parte da programação das comemorações do centenário do nascimento da autora de “A China Fica ao Lado”, de acordo com o anúncio da Imprensa Nacional (IN). A obra de Maria Ondina Braga encontrava-se “há muito esgotada no mercado editorial português”, escreve a IN, no comunicado divulgado ontem, adiantando que a sua produção literária será publicada em sete volumes, sob a coordenação dos professores Isabel Cristina Mateus e Cândido Oliveira Martins, e contará também com “a colaboração de estudiosos da obra da escritora, de várias universidades internacionais”. Cândido Oliveira Martins, especialista em Teoria da Literatura, é o editor responsável pelo primeiro volume, que “permite ao leitor contemporâneo ‘descobrir a escritora mais cosmopolita da literatura em língua portuguesa do século XX’”, detentora de “um percurso multicultural único e uma voz pioneira na afirmação de uma escrita no feminino, anterior à sua polémica irrupção nas vésperas de Abril”. O segundo volume das Obras Completas será dedicado a “biografias femininas”, o terceiro, a “romances”, o
Maria Ondina Braga deixou um comentário à sua própria obra: “‘Estátua de Sal’ foi decerto um dos mais belos textos que escrevi.”
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quarto e o quinto, a “narrativas breves”, o sexto, a “outros textos” e, o sétimo e último volume, a “inéditos e dispersos”. Num excerto de uma carta inédita da escritora Agustina Bessa-Luís, datada de 1968, a autora de “A Sibila”, sobre Ondina Braga, afirmou: “A minha impressão mantém-se; é uma escritora e não uma informadora de achaques da sensibilidade, como outros e outras são. Só desejaria que pudesse escrever mais”.
Lições de vida
Sobre este primeiro volume, Cândido Oliveira Martins afirma, no prefácio, que “faz todo o sentido a reunião destes três livros num volume inicial das suas Obras Completas — ‘Estátua de Sal’, ‘Passagem do Cabo’ e ‘Vidas Vencidas’”. “Escritos e publicados em épocas bem distintas da sua vida, estas autobiografias ficcionais aproximam-se a nível da temática, da estilística e da mundividência que caracterizam esta poética auto-ficcional, assente num contrato ou pacto de leitura específico, com uma dicção literária muito própria, singularizando-se claramente face às outras obras da autora”, que “escolheu resolutamente para si uma vida singular — escritora, professora, tradutora”, acrescenta o investigador do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Universidade Católica de Braga. Maria Ondina Braga foi preceptora de crianças na Grã-Bretanha, onde concluiu estudos de língua inglesa na Royal Society of Arts, e em França, onde prosseguiu os estudos na Alliance Française. Foi professora em Angola, Goa, Macau e Pequim, além de tradutora. “O seu percurso de vida e literário confunde-se com a ideia de deslocação ou viagem, numa cartografia que passa pelos quatro continentes, do Brasil ao Sri Lanka ou Singapura. Esta condição itinerante e multicultural constitui a marca de água de uma escrita que experimenta vários géneros, da crónica ao conto, das memórias ao romance, além da poesia e diários ou notas de viagem. Com destaque para a autobiografia e autoficção, além das biografias breves de várias mulheres escritoras (algumas delas inéditas): Virginia Woolf, Irene Lisboa, Selma Lagerlöf, Katherine Mansfield, George Sand, Rosalía de Castro, Sei Shonagon e Anaïs Nin, entre outras”, escreve Cândido Oliveira Martins.
Nas folhas amplas
Maria Ondina Braga colaborou em vários jornais, nomeadamente Diário de Notícias, Diário Popular, n’ACapital, e também em revistas, como Panorama, Mulher, Ação e Colóquio/Letras. Numa entrevista à jornalista e escritora Maria Teresa Horta, em Abril de 1992 (Diário de Notícias), Maria Ondina Braga declarou: “Penso que a única coisa que me deu gosto na vida, o que na verdade me interessou, foi escrever”. Maria Ondina Braga recebeu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, o Prémio
Maria Ondina Braga foi preceptora de crianças na Grã-Bretanha, e em França, onde prosseguiu os estudos na Alliance Française. Foi professora em Angola, Goa, Macau e Pequim, além de tradutora Eça de Queirós e o Grande Prémio de Literatura ITF/dst. Sobre os títulos reunidos neste primeiro volume, o cocoordenador do projecto recorda que “Passagem do Cabo” foi publicado pela primeira vez em 1965, pela ex-Agência-Geral do Ultramar, na sua colecção “Unidade”, sob a direção de Luís Forjaz Trigueiros, com o título de “Eu Vim para Ver a Terra”. Em 1994 voltou a ser publicado, pela Editorial Caminho, com “muito significativas alterações, incluindo um novo título, embora a belíssima frase do título original se mantenha no ‘incipit’narrativo da obra”, assinala Cândido Oliveira Martins, acrescentando que o “livro foi objecto de outras mudanças consideráveis, com destaque para a introdução de novos textos, sobretudo significativamente alterados face à 1.ª edição”.
“A minha impressão mantém-se; é uma escritora e não uma informadora de achaques da sensibilidade, como outros e outras são. Só desejaria que pudesse escrever mais.” AGUSTINA BESSA-LUÍS
“De facto, o aturado trabalho de reescrita opera uma revisão muito profunda do texto original de cada capítulo. No trabalho que preside à nova edição foram acrescentadas quatro secções, cujos títulos reforçam a ideia de etapas de uma viagem ou itinerário, desde África até Macau, bem como a inclusão de frequentes epígrafes poéticas, próprias e alheias (de Fernando Pessoa, Agostinho Neto, Vimala Devi, Camilo Pessanha,Almada Negreiros). Ao mesmo tempo, a reedição de ‘Passagem do Cabo’ é ainda enriquecida com múltiplas epígrafes entremeando os vários capítulos”, escreve Oliveira Martins, sugerindo que “seria muito elucidativo e proveitoso um trabalho de crítica genética que cotejasse analiticamente todo este trabalho de revisão”.
Solidão alheada
Quanto a “Estátua de Sal”, escrito em Macau, em 1963, foi editado pela primeira vez em 1969, pela Sociedade de Expansão Cultural. “Entre outras particularidades, nesta edição inaugu-
ral, na capa e folha de rosto, continha apenas o nome de ‘Maria Ondina’, alterando depois para Maria Ondina Braga. Ao mesmo tempo, esta edição inicial contava com o elogioso prefácio de um prestigiado escritor nortenho, intitulado ‘Algumas palavras de Tomaz de Figueiredo’, texto prefacial onde a franca apreciação de qualidades da jovem escritora coexiste com um natural paternalismo do consagrado escritor, também ele de raízes bracarenses e minhotas”, escreve Cândido Oliveira Martins. Cândido Oliveira Martins revela que, num exemplar da primeira edição, actualmente na posse da família da escritora, Maria Ondina Braga deixou um comentário à sua própria obra: “‘Estátua de Sal’ foi decerto um dos mais belos textos que escrevi. Palavras, pois, que pedi ao grande escritor Tomaz de Figueiredo, e assim com ele encontraria eu um verdadeiro livro. Acabei, pois, por ser simplesmente como sua filha que me chamava ‘alma’ e eu a pertencê-lo ao mundo do ‘alheamento e da solidão’”. “Vidas Vencidas”, terceiro título incluído neste volume, foi editado uma única vez, pela Caminho, em 1998, na coleção “O Campo da Palavra”. “Está estruturado em 17 capítulos breves, recorrendo à estratégia citacional de colocação de algumas epígrafes, apenas do poeta António Nobre”, afirma o coordenador do projeto.
Nocturno vs diurno
Quanto ao “processo de fixação do texto destas três obras, seguimos as edições mais recentes, publicadas em vida pela autora, embora sem desconhecer a [sua] evolução”, explica Cândido Oliveira Martins, sobre o trabalho de coordenação desenvolvido com a professora da Isabel Cristina Mateus, do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, especialista em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. De contos e crónicas como os reunidos em “Amor e Morte”, “A Revolta das Palavras” e no derradeiro “O Jantar Chinês”, à novela e ao romance, como em “A Personagem”, a obra de Maria Ondina Braga reúne perto de duas dezenas de títulos como “Os Rostos de Jano”, “Estação Morta”, “A Casa Suspensa”, “Noturno em Macau”, “A Rosa de Jericó” e “Filha do Juramento”, além de “Angústia em Pequim”, relato de uma vivência expatriada, como leitora de português. Uma “sagaz e ‘distanciada’ biógrafa da sensibilidade feminina, em conflito com as regras obsoletas, por vezes ferozes, por vezes ridículas, de uma sociedade masculina arcaica e repressiva”, escreveu Urbano Tavares Rodrigues, o autor de “Bastardos do Sol”, sobre a obra de Maria Ondina Braga, num artigo sobre a escritora, no antigo Jornal do Comércio. A sessão de apresentação do primeiro volume das Obras Completas de Maria Ondina Braga realizou-se ontem às 21h (14h em Macau), na Galeria do Paço, em Braga.
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A Conferência de CORNO DE ÁFRICA CHINA PROMETE REFORÇAR AJUDA EM REUNIÃO COM SEIS PAÍSES Paz da China e do Corno de África teve início esta segunda-feira, em Adis Abeba, focada O assessor de segurança nacioem temas como a nal do primeiro-ministro etíope, Hussein, agradeceu a paz e a segurança, o Redwan Pequim o seu apoio para garantir paz e a segurança na região, desenvolvimento e a aabalada por conflitos armados, ataques de islâmicos boa governação dos e a pior secaextremistas dos últimos 40 anos. países de região Bing disse que a China conti-
Por terras sangrentas
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A região do Corno de África é palco de vários conflitos, nomeadamente a guerra entre o Governo central da Etiópia e os rebeldes da Frente Popular de Libertação de Tigray (FPLT), que em mais de dois anos deixou cerca de 9,4
“A China está a fazer muito para apoiar o Corno de África, onde existem desafios provocados pela pandemia de coronavírus, a seca, a guerra e as migrações.” XUE BING RESPONSÁVEL CHINÊS PARA O CORNO DE ÁFRICA
milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária. No Sudão do Sul – que enfrenta uma guerra há nove anos, apesar dos acordos de paz de 2018 -, os serviços sociais mais básicos, como a saúde ou a educação, dependem em grande medida das organizações não-governamentais. O grupo ‘jihadista’ Al Shabab, afiliado no grupo extremista Al Qaida desde 2012, perpetra ataques frequentes na capital da Somália, Mogadíscio, e em outros pontos do país para derrubar o Governo central e instaurar pela
força um Estado islâmico ultraconservador. Estes extremistas realizaram também atentados em outros países da região, como o Quénia e o Uganda. Ao problema da insegurança juntou-se uma intensa seca, que está a deixar milhões de pessoas numa situação limite. Segundo um relatório publicado em Maio pelas organizações não-governamentais Save The Children e Oxfam, mais de 23 milhões de pessoas enfrentam já “fome extrema” na Etiópia, Somália e Quénia
Cidades no vermelho
Níveis de chuva recorde levam à retirada de mais de 220.000 pessoas
fornecimento estão já sob pressão devido às restritivas medidas de prevenção adoptadas pela China, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19. A cidade de Shaoguan, localizada a cerca de 200 quilómetros a norte de Cantão, a capital da REUTERS
ÍVEIS de precipitação recorde na China causaram inundações e deslizamentos de terra no sul do país, assim como a retirada preventiva de centenas de milhares de pessoas, informou ontem a imprensa estatal. Chuvas fortes são frequentes no final da Primavera e início do Verão, principalmente no centro e sul da China, regiões onde também estão localizadas cidades industriais importantes. Nos últimos dias, fortes chuvas atingiram a província de Guangdong, no sudeste da China, ameaçando os serviços logísticos e produção manufactureira, numa altura em que as cadeias de
Guerra e seca
província, emitiu ontem um alerta vermelho para inundações, o nível mais alto do serviço meteorológico chinês. As escolas foram transformadas em abrigos temporários e centenas de instalações provisórias foram montadas num cen-
tro desportivo, segundo imagens divulgadas pela imprensa. A região vizinha de Guangxi, no sul, foi atingida pelas piores chuvas desde 2005, segundo a imprensa local. Os moradores foram retirados, à medida que as águas lamacentas inundaram áreas residenciais. De acordo com os serviços meteorológicos locais, 28 rios da região subiram para níveis considerados perigosos. Em Fujian, no leste da China, mais de 220 mil pessoas foram também retiradas, como medida
A China tem vindo a revelar um interesse crescente em África, tornando-se o primeiro parceiro comercial do continente. Segundo dados da Universidade John Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, entre 2000 e 2019 as entidades chinesas assinaram mais de 1.100 compromissos de empréstimo avaliados em 153.000 milhões de dólares com governos africanos ou com empresas estatais do continente. Além disso, Pequim abriu em 2017 a sua primeira base militar no estrangeiro num país do Corno de África, o Djibuti.
preventiva, desde o início do mês, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.
Altas cargas
As chuvas em Guangdong, Fujian e Guangxi atingiram uma média de 621 milímetros entre o início de Maio e meados de Junho, o nível mais alto desde 1961, de acordo com o boletim meteorológico da China. Em 2021, a China sofreu inundações severas, com chuvas muito fortes no centro do país, que resultaram em mais de 300 mortos. A maioria morreu em inundações e deslizamentos de terra na cidade de Zhengzhou, onde muitos motoristas ficaram presos, pelo aumento repentino das águas em túneis rodoviários.
Caminhos-de-ferro Linha de alta velocidade Pequim-Wuhan a 350 km/h
Uma linha de caminho-de-ferro de alta velocidade que liga Pequim a Wuhan, capital da Província de Hubei, entrou em operação com uma velocidade de 350 km/h na segunda-feira, disse a China State Railway Group Co., Ltd. Com a velocidade aumentada de 310 km/h para 350 km/h, a viagem mais curta entre Pequim e Wuhan foi reduzida em cerca de meia hora para três horas e 48 minutos, segundo a empresa, citada pela Xinhua. A capacidade geral de transporte da secção deverá aumentar em 7 por cento, totalizando cerca de 18 mil assentos por dia, acrescentou. Actualmente, a China possui cerca de 3,2 mil km de linhas de alta velocidade com velocidade operacional de 350 km/h, como a Ferrovia de Alta Velocidade Pequim-Xangai, Ferrovia Intermunicipal Pequim -Tianjin e Ferrovia de Alta Velocidade Pequim -Zhangjiakou.
AP
A
China prometeu esta segunda-feira reforçar o apoio de Pequim ao Corno de África, afectado por desafios como a pandemia, a guerra e a seca, disse o enviado especial da China numa reunião em Adis Abeba. “A China está a fazer muito para apoiar o Corno de África, onde existem desafios provocados pela pandemia de coronavírus, a seca, a guerra e as migrações”, disse o responsável chinês para o Corno de África, Xue Bing, no discurso de abertura da primeira Conferência de Paz da China e do Corno de África, que começou segunda-feira na capital da Etiópia com a presença de altos representantes de seis países da região - Djibuti, Quénia, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Uganda. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia anunciou, num breve comunicado, que a conferência se centrará em temas como a paz e a segurança, o desenvolvimento e a boa governação dos países do Corno de África.
nuará a reforçar o seu apoio aos países desta zona e a cooperar em sectores como a segurança alimentar, o desenvolvimento tecnológico, as infraestruturas e a luta contra o terrorismo.
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Conselho de Imprensa de Timor-Leste anunciou ontem a criação de um novo prémio de jornalismo Max Stahl que reconhecerá anualmente o melhor documentário produzido no país, informou o órgão. “Decidimos em plenário criar um novo Prémio de Jornalismo Max Stahl que é também uma forma de honrar e reconhecer o jornalista Max Stahl, uma figura nacional, herói para todo o povo de Timor-Leste”, disse Virgílio Guterres. “O prémio reconhecerá documentários, trabalhos audiovisuais, com mais de 30 minutos produzidos sobre conteúdos de direitos humanos, conteúdos que elevam a dignidade das pessoas, publicado em órgão de comunicação social, televisão, rádio ou online”, frisou. O jornalista australiano Max Stahl, que morreu em Outubro de 2021, foi fundamental na cobertura do conflito armado em Timor-Leste, nomeadamente do massacre no cemitério de Santa Cruz, provocado pelas tropas indonésias, em 12 de Novembro de 1991.
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Palavras de honra Conselho de Imprensa timorense cria Prémio Max Stahl
“Decidimos em plenário criar um novo Prémio de Jornalismo Max Stahl que é também uma forma de honrar e reconhecer o jornalista Max Stahl, uma figura nacional, herói para todo o povo de Timor-Leste.” VIRGÍLIO GUTERRES CONSELHO DE IMPRENSA
A organização atribui ainda o Prémio Grega Shackelton para trabalhos de televisão, o Prémio Bernardino Guterres para fotojornalismo e o Prémio Conselho de Imprensa para o melhor órgão de comunicação social. Os prémios anuais têm todos uma compensação de 1.500 dólares.
Mais cinco
O novo prémio soma-se a cinco outros já atribuídos pelo Conselho
de Imprensa, incluindo o Prémio Adelino Gomes, que reconhece obras em língua portuguesa e o prémio Borja da Costa, para trabalhos da imprensa escrita.
Max Stahl
Seul Coreia do Sul lança primeiro foguetão espacial
A Coreia do Sul lançou ontem o seu primeiro foguetão espacial construído no país, meses após o fracasso de um primeiro lançamento, anunciaram as autoridades locais. O Korea Satellite Launch Vehicle II, um foguetão de combustível líquido de 200 toneladas, informalmente chamado de Nuri, foi lançado de Goheung às 16:00. Na primeira tentativa, em Outubro passado, o aparelho atingiu a altitude desejada de 700 quilómetros, mas não entrou em órbita. Se o lançamento for bem-sucedido, a Coreia do Sul tornar-se-á na 10.ª nação do mundo a colocar um satélite no espaço com a sua própria tecnologia. A Coreia do Sul, a 10.ª maior economia do mundo, é o principal fornecedor de automóveis e smartphones nos mercados mundiais, mas o seu programa de desenvolvimento espacial fica atrás dos seus vizinhos asiáticos China, Índia e Japão.
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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 10/P/22
IRMANDADE DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE MACAU SUBSÍDIO DE PROPINAS Prosseguindo o apoio às famílias de menores recursos financeiros, vem a Irmandade tornar público que a partir do próximo dia 1 de Julho poderão ser levantados nos Serviços Administrativos os boletins de candidatura ao subsídio de propinas a alunos da Escola Portuguesa de Macau, para o ano lectivo de 2022/2023. Os boletins devidamente preenchidos devem ser devolvidos nos Serviços Administrativos da Irmandade, sitos na Travessa da Misericórdia, no. 7, impreterivelmente, até ao dia 15 de Agosto do corrente ano. Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau, aos 13 de Junho de 2022. O Provedor, António José de Freitas
Faz-se público que, por despacho do Ex.ma Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 10 de Junho de 2022, se encontra aberto o Concurso Público para « Fornecimento de Perfusão Intravenosa aos Serviços de Saúde », cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 22 de Junho de 2022, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, Rua do Campo, n.º 258, Edificio Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP74,00 (setenta e quatro patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 25 de Julho de 2022. O acto público deste concurso terá lugar no dia 26 de Julho de 2022, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 16 de Junho de 2022 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long
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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO
Dos Juízos Correctos Os vulgares provedores da doutrina dizem: “Yao e Shun abandonaram o trono e o cederam a outros”. Mas não é assim. No que respeita ao Filho do Céu, o seu poder e posição são supremamente reverenciados, não tendo rival em todo o mundo. A quem poderia, então, ceder o trono? O seu modo de seguir o Caminho [dao] e a virtude [de] é puro e completo. A sua sabedoria e benevolência são profundas e luminosas. Voltado para sul, toma decisões para todo o mundo, e todos os que vivem como plebeus sentem-se instados a sujeitarem-se e a obedecer, assim se transformando e pondo-se inteiramente de acordo com ele. No mundo inteiro, não há homens bem-criados que se escondam, nem homens bons que tenham sido esquecidos.1 Aquilo que a ele se conforma é afirmado, aquilo que dele diverge é repudiado. Como poderia abandonar o mundo? Alguns dizem, “No momento de morrer, Yao e Shun cederam [o trono]”. Mais uma vez, não é assim. Quando um reisage governa em cima, distribui patentes depois de avaliar a virtude, atribui cargos oficiais segundo as capacidades [de cada um], em ambos os casos assegurando que as pessoas se encarregam das tarefas certas e cada uma recebe o que lhe cabe. Aqueles que são incapazes de usar yi [justiça] para superar o seu desejo de lucro, ou aqueles que são incapazes de aplicar esforço deliberado para tornar bela a sua natureza, são relegados ao estatuto de plebeus. Quando um reisage morre, e não restando no mundo qualquer outro
VI
sage, simplesmente não há ninguém capaz de receber um mundo que lhe fosse cedido. Restando no mundo um sage, e encontrando-se este entre os descendentes do rei, então o mundo não o deserta. A corte não muda de lugar. O estado não altera os seus regulamentos. O mundo permanece calmo, igual ao que era antes. A um Yao sucede outro Yao; como seria isso uma mudança? Se o sage não se encontrar entre os descendentes do rei, mas sim entre os três duques, então o mundo se coloca a seu lado, como se devolvesse e restaurasse um antigo líder ao trono. O mundo permanece calmo, igual ao que era antes. A um Yao sucede outro Yao; como seria isso uma mudança? Ele muda a corte e altera os regulamentos, mas com relutância. Por isso, enquanto o Filho do Sol viver, o mundo o exalta, comportando-se em suprema conformidade e extrema ordem. Ele distribui patentes depois de avaliar a virtude e, quando morre, quem tiver capacidade de assumir responsabilidade pelo mundo dele decerto tomará posse. Quando as divisões sociais conformes ao ritual [li] e yi são implementadas por completo, qual seria a utilidade de abandonar o trono e o ceder a outros?
1 - Em alturas de má governação, era frequente os oficiais virtuosos se demitirem e viverem em reclusão, podendo dar-se o caso de outras pessoas virtuosas serem preteridas ou mesmo nunca empregues pelo líder.
Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
O Sol desce AMÉLIA VIEIRA
DUANE MICHALS
Desce e sobe o glorioso Sol Nado que agora aqui se levanta até ao grande meio-dia, o zénite da sua hora solar que sobe nesta altivez de Solstício com suas festas-fogueiras, que a Estrela arde, e seu reflexo é por ela acender chamas. São assim os Santos da temporada, para quem a flama é o brilho que falta para que tudo fique da altura dos efeitos consagrados. Grande foi a enxurrada de labaredas que veio como uma goela do inferno por esta altura num pequeno país cujo elemento é todo mar, como se de uma revolução solar se tratasse para nos lembrar que não controlamos o Fogo. Ninguém salta fogueiras destas que ressuscitam em nós o efeito da tragédia que é uma dimensão bastante mal interpretada nestas paragens. Advento, poderemos assim chamar a tais realidades, talvez manifestação assombrosa daquilo que se foi fazendo ao tempo das Inquisições, ecos de imagens que muita liturgia impôs aos olhos incautos dos que não sabiam que se poderia criar realidade através da criação, e não só; efeitos de má gestão que se esqueceu da terra e a foi usando sem sentido, um território que se afundou no drama de ninguém saber como adequar cultivos, restaurar funções e abrir caminhos. Debruçado sobre si mesmo nas honras marítimas, veloz a mudar o rumo da embarcação para os interesses continentais, tudo esqueceu, tendo que ser desperto pela absoluta forma de um desastre.
Este é também o locar levado pela « Barca dos Loucos» que por via europeia entrou na deriva de maus e implacáveis ventos, que eles acendem Fogueiras, e destroem os verdes pinhos que sustinham as areias, que o mar também pode triunfar pela terra adentro como uma língua de fogo contra a costa se tudo for de facto a medida que falta a uma reposição que perto anda desta fronteira, mesmo que a Lua fique sorumbática a ser observada de viés pelos telescópios de alta precisão nos seus eclipses audazes e suas cores de cereja, quem não a encontrar por dentro, e ao Sol, e às coisas no osso, e aos vestígios disto tudo numa superfície maior, nada entenderá, e rápido esquece o que aconteceu. Que nós já nem podemos avançar agora com a nossa presença na vida uns dos outros. – Não se pode estar com ninguém! Abalroámos os dons de saber estar por causa das superabundâncias de fluxo personalista. Creio mesmo que tendemos para o canibalismo de massas, que os taumaturgos ficaram esquecidos nas ordens das vestes naturais. Um Estado que se agarra ao mantra das tribos (núcleos e clãs) não está vocacionado para compreender o bem individual e os seus direitos quando essas arcaicas associações faltam. Mas é esta componente que não foi implantada enquanto capacidade maior que impede que um território
seja considerada uma Nação. Laxismo severo, que o desdém toca enquanto processo moral para o nivelamento. Gravitar depois disto nestas cinzas pode retirar as competências de que a vida sempre se reveste para se reinventar, que a intriga é sujeito passivo onde até a plebe aparentemente ilustrada acaba por fixar as bases da sua própria ruína. Não há muita noção, a ver pela desproporcionalidade do lixo fabricado, de como separá-lo mesmo agora, e esse entulho do pequeno rectângulo galvanizado pelo muito que o desperdício traz, encherá de novo as piras por onde todos os Infernos gostam de passar. Gestos simples que o quotidiano agradece para não sucumbirmos às Fúrias. Que os nossos olhos dançaram nas páginas mais bonitas... e nos momentos aflitos elas nos saltam pelas fontes sagradas que fazem da dor presença bemdita, e nesses instantes entendemos do essencial como se sentíssemos através das lágrimas o dom de continuar vivo, apenas e só, graças a elas. Não hás-de sofrer mais sede muito tempo, Meu coração queimado! Anda no ar uma promessa, .... - A grande frescura vem... Mantém-te forte, meu valente coração! Não perguntes: por quê? F. NIETZSCHE - in- O Sol desce...
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7 9 9 8 6 1 3 8 1 6 03 5 20 7 0 1 4 8 9 3 5 2 6
3 5 8 0 7 7 8 2 4 4 95 6 16 4 3 9 6 7 2 5 8 0 1
1 4 3 9 8 5 7 2 0 35 0 6 4 8 9 3 1 7 5 2
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1 7 8 5 4 0 2 6 9 3
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 53
53
9 8 7 4 5 6 3 1 2 0 4
PROBLEMA 54
4 6 2 5 1 9 6 3 8 7
2 7 0 5 4 1 6 3 9
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1 6 8 3 7 9 2 0 5
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6 9 0 5 2 1 7 0 4 8 5 9 3 0 6 4 7 3 1 6 5 2 8 7 0 4 9 2 1 6 2 8 www. 9 7 4 3 hojemacau. com.mo 8 5 3 1
7 9 6 8 5 4 0 1 2
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1 7 4 3 5 8 4 9 2 2 6 3 8 0 5 0 8 9 7 4 1 6 3 0 ALTO) 9 1 7 5 2 6
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CINETEATRO
DEATH IN PARADISE | ROBERT THOROGOOD | 2011
1 6 4 5 9 8 3 7 2 0
5 6 4 7 2 1 0 8 9 5 0 8 2 1 7 9 5 3 0 6 3 9 0 3 1 4 6 5 7 8 22.6.2022 4 5 9 2 4quarta 8 3 -7feira 6 0 7 1 7 5 9 0 2 6 3 4 1 0 8 6 3 5 4 1 2 7 6 2 3 4 8 7 9 0 5 1 9 7 1 0 6 3 8 2 4 9 8.53 BAHT 0.22 YUAN 1.20 2 3 5 9 0 6 1 4 8 2 8 4 6 8 5 2 7 9 1 3
6 9 1 5 8 4 0 2Uma 8 pacata 9 3e bonita 6 7 ilha 4 4nas1Caraíbas, 7 0 Saint-Ma2 8 9 rie, é assolada por 3 0 5 1 4 vários 2 6 homicídios resolvidos de 1forma 2 eficaz 0 9e inteligente 3 6 5 pela equipa de 7 6 2 8 5 polícia 0 1 local, sempre liderada 8por5um 4 7 1 oriundo 3 2 detective 0do 4Reino 6 2Unido. 7 9Nem 3 sempre este detective, 5vindo 3 da 8 cidade 6 9e da 1 Eu7 9ropa, 7 se3 adapta 4 0ao5calor 8
e aos costumes locais, o que dá azo a situações caricatas. Uma série leve, 4descontraída 6 7 5 e9 diverti1 2 da, que vale a pena ser 1vista, 7 nem 2 6que0seja3para 4 nos deliciarmos com as 9 2 0 8 4 7 3 paisagens paradisíacas. 3 Andreia 1 5 4Sofia 8 Silva 9 6
7 1 6 9 8 3 0 5 4 2
SALA 1
I N E M A Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard,
[B] Dern, Jeff Goldblum 2LIGHTYEAR 8 7 16.30,4Laura 1 3 0 5 FALADO EM CANTONÊS 6 21.459 Um filme de: Angus MacLane 514.30, 16.30, 19.30, 21.30 2 0 9 THE 6LOST7CITY [B] 8 5 3 1 Um filme de: Adam Nee, Aaron Nee Com: Sandra Bullock, Channing Tatum, 3TOP GUN: MAVERICK 1 5Radcliffe, 2 Brad0Pitt 7 6 9 [B] 3 4 Daniel Um filme de: Joseph Kosinski 14.30, 16.30, 21.45 Cruise, 8Com: Tom 5 2 6 0 1 9 4 8 3 Jennifer Connely, Val Kilmer, 7 Miles Teller 0 5 1 EVERYTHING 3 EVERYWHERE ALL2 AT ONCE [C]6 8 7 4 14.00, 19.15 Um filme de: Daniel Kwan, Daniel Scheinert 4JURASSIC WORLD: DOMINION 4 7 [B] 8 Com:9Michelle 5Yeoh,3Stephanie 2 Hsu,1 0 Ke Huy Quan, James Wong Um filme de: Colin Trevorrow 19.00 9 7 9 3 1 8 4 6 5 2 1 3 4 2 7 6 5 0 9 8 0 8 1 0 3 4 7 9 2 6 6 9 6 5 8 0 2 1 4 7 SALA 2
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3 7 1 8 2 4 3 8 0 8 3 4 9 2 0 7 5 1 4 9 8 3 5 6 8 5 9 7 2 1 8 3 5 6 0 9 6 2 3 7 0 1 5 6 1 6 5 0 2 4 1 9 7 8 5 1 7 2 8 9 0 2 7 9 0 3 5 8 7 LIGHTYEAR 1 6 4 0 8 2 9 4 5 4 8 0 6 3 1 2 9 7 5 1 9 2 6 0 4 3 8 7 9 6 4 1 3 0 6 2 5 9 0 7 8 1 4 3 4 6 8 3 7 2 5 9 0 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia 1 3 5 6 7 8 1 7 9 4 2 3 5 8 0 6 0Sofia7Silva;5João1Santos 6 Filipe; 9 Pedro 4 Arede, 2 3 Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 7Julie5Oyang; 0 Paulo 4 Maia 9 e3Carmo; Rosa Coutinho 7 Cabral; 0 4Rui Cascais; 1 9Sérgio 2 Fonseca; 6 5 Colunistas 3 8 André Namora; David 2 1Chan;6João0Romão; 9 Olavo 3 Rasquinho; 8 4 5 8Paul0Chan6Wai 5Chi; Paula 1 2Bicho; Tânia dos Santos 2 Grafismo 5 8 Paulo 3 Borges, 1 6 Rómulo 0 7Santos9 Agências 4 Lusa; Xinhua3Fotografia 8 7Hoje4Macau; 5 Lusa; 6 GCS; 0 Xinhua 1 2 Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 2Morada 4 Pátio 9 da0 Sé,6n.º22,7Edf. Tak Fok, R/C-B, 9 Macau; 6 3 8 28752401 7 5 Fax 4 28752405; 0 1 e-mail 2 info@hojemacau.com.mo; 5 4 9Sítio7www.hojemacau.com.mo 1 8 2 3 6 Telefone
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quarta-feira 22.6.2022
opinião 15
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sexanálise
Tânia dos Santos
O ORGULHO É A SOLUÇÃO NAS PRIMEIRAS horas de 28 de Junho de 1969 em Greenwich Village, na cidade de Nova Iorque, a polícia fez uma incursão ao bar gay Stonewall Inn. A polícia, ao contrário de outras vezes, encontrou resistência. Esta durou vários dias. O bairro mais gay da cidade de Nova Iorque estava farto que os tentassem invisibilizar. Os seus moradores não aceitavam as incursões de uma suposta polícia ‘da moralidade’ ou que lhes dissessem que não podiam ser como se sentiam ser. A série de eventos desse dia ajudou a impulsionar a luta dos direitos LGBTQI+ como a conhecemos hoje. No primeiro aniversário dos eventos de Stonewall em 1970 protagonizou-se uma marcha em várias cidades dos Estados Unidos, que em 1972 foi transportada para Londres. Anos mais tarde estenderam esta causa a todo o mês de Junho. Junho dedica-se ao tema do orgulho, dos direitos e das constantes lutas da comunidade LGBTQI+. É celebrado em tantos pontos do globo que nem eu, nem a internet, conseguimos precisar quantos. Tive a sorte de estar em Nova Iorque neste mês tão especial para a cidade – ainda que desolada por não ficar para a marcha. As conquistas eram visíveis. Por entre algumas casas de banho que não tinham uma categorização binária de género para maior inclusão, e por entre tantas pessoas que se sentiam verdadeiramente à vontade de serem elas próprias, vi bandeiras de orgulho LGBTQI+ por todo lado, na loja de instrumentos musicais e na loja de donuts. Também as vi pespegadas nas fachadas de igrejas de várias congregações, que tanto me surpreendeu. Poucos dias de observação fizeram-me crer que a aceitação, ali, podia ser sustentada e partilhada. Não me senti testemunha de ‘tolerância’ como muitos acreditam ser a única solução. Pareceu-me testemunhar a solidariedade que só pode vir do reconhecimento que a diversidade sexual e de género são parte integral da experiência humana. Neste caso, e não esquecendo esta particularidade, reconhecendo também que faz parte da história e experiência daquela cidade. Claro que também vi muitas empresas a apoiar a causa, desde a Google, à Starbucks ou a Levi’s. A bandeira do orgulho estava por todo o lado ainda que as políticas empresariais de certas marcas não reflictam os valores ou as preocupações do mês. Se tive a oportunidade de ver igrejas católicas a apoiar a causa, também pude testemunhar o mês de orgulho como parte de um repertório mercantil, circunscrito no tempo. Afinal, onde está a representatividade no resto do ano, nas empresas e nos seus anúncios? Há mais de 50 anos que o orgulho continua a importar. Estamos muito longe de
A história revela-se bem mais complexa e longa, mas na sua génese e sustento está o orgulho, que desafiando tudo e todos, consegue mudar pequenos mundos
conseguir criar sociedades que consigam resolver a violência sistémica e sucessiva pela qual a comunidade LGBTQI+ ainda passa. Uma em cada cinco pessoas transgénero já se viu sem abrigo nos Estados Unidos. A taxa de suicídio na comunidade LGBTQI+ é três vezes maior à dos heterossexuais. São muitos os dados que confirmam que é preciso marchar nas ruas e revindicar o direito de se estar alinhado com a natureza, desejo e fantasias de cada um. Mas ainda assim, em Nova Iorque há liberdade. Pelos corpos e vozes dos dissidentes que que se revoltaram contra a opressão numa madrugada de Junho de 1969, e de tudo o que veio a seguir, ganhou-se espaço e visibilidade. A história revela-se bem mais complexa e longa, mas na sua génese e sustento está o orgulho, que desafiando tudo e todos, consegue mudar pequenos mundos.
“O medo é o pai da moralidade.” PALAVRA DO DIA
22.6.2022
RÓMULO SANTOS
A Habitação social Zheng Anting quer novos critérios de candidatura
Zheng Anting espera que o Governo altere os critérios da candidatura à habitação social, para que as compensações por acidente de trabalho e indemnização por despedimento não sejam incluídas no cálculo de rendimento do candidato. Em declaração ao jornal Exmoo, o deputado afirmou que a alteração deveria ser tida em conta para não resultar na desqualificação de candidaturas. O pedido surgiu depois de o legislador ter tomado conhecimento de um caso de um morador de habitação social ter ficado incapacitado após um acidente de trabalho. Apesar de o residente usar os montantes atribuídos pelo seguro no tratamento médico, o Instituto de Habitação considerou a verba compensatória como rendimento, ultrapassando o limite de acesso à habitação social. O morador acabou por perder o direito a residir na habitação social. PUB.
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Nietzsche
quarta-feira
S comemorações do quarto centenário da Batalha de Macau contra a invasão dos holandeses e o Dia de S. João, que deveriam arrancar amanhã, serão canceladas sem que haja uma nova data prevista para a sua realização. A garantia foi dada por fonte próxima do Instituto Internacional de Macau (IIM) ao HM. Para amanhã, estava agendada uma sessão na Fundação Rui Cunha (FRC) com a presença da historiadora Beatriz Basto da Silva, numa parceria com a Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial. Este evento foi adiado para Julho, confirmou o HM junto da FRC. A missa de Acção de Graças, salvo informação em contrário, deverá acontecer sexta-feira, às 18h, contando com a actuação do Coro de São Tomás, em colaboração com a Associação dos Antigos Alunos do Seminário de S. José de Macau. Para sábado, 25, o IIM iria acolher uma sessão, entretanto, também cance-
Outras batalhas Celebrações do 24 de Junho foram canceladas
lada, onde se falaria sobre a importância de recordar o 24 de Junho, acompanhada de um sarau musical com o grupo “Macau no Coração”, que iria apresentar danças folclóricas portuguesas, canções em patuá com Gabriel e John
Ho e ainda uma actuação de Giulio Acconci.
Até final do ano
O programa das celebrações, que conta com a participação de diversas associações ligadas à comunidade macaense e
que tem o patrocínio da Fundação Macau, decorre até ao final do ano. Para o dia 3 de Julho, irá decorrer a palestra com Flora Chan, da Associação Diocesana das Artes Performativas e Culturais de Macau, sobre “A importância do Dia
de São João Baptista em Macau e a vitória de Macau contra a tentativa de invasão dos holandeses”. Esta sessão, que não está, para já, cancelada, decorre apenas em chinês, no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau. Até ao final do ano serão realizadas palestras junto de escolas secundárias e universidades sobre o significado do dia de S. João de Macau. A.S.S.