FUNDAÇÃO RUI CUNHA
PÁGINAS DA CIDADE
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Nº 4783 QUINTA-FEIRA 22-4-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
EVENTOS
MACAU | GRANDE BAÍA
TRANSPORTES INSATISFATÓRIOS PÁGINA 6
UM PAÍS, DOIS SISTEMAS
Face à fraca adesão ao plano de vacinação, o Governo decidiu avançar para uma política de proximidade e inocular a população por grupos. Professores e alunos do ensino superior serão os primeiros a serem abrangidos pelo novo programa, seguindo-se os trabalhadores de empresas de “larga escala” e depois, o pessoal e pacientes dos lares de idosos. PÁGINA 7
EM PRINCÍPIO TUDO BEM PÁGINA 5
CHINA
TESLA RECUA E PEDE DESCULPAS PÁGINA 10
STENDHAL
PHILIPPE SOLLERS
O TEMPO DO DESEJO LUÍS CARMELO
NADA ESTÁ PERDIDO GONÇALO WADDINGTON
CIMEIRA DO CLIMA
A CRIAR BOM AMBIENTE GRANDE PLANO
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Apontar agulhas
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22.4.2021 quinta-feira
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CLIMA XI JINPING PARTICIPA HOJE EM CIMEIRA ORGANIZADA POR BIDEN
Contra o mau O Presidente chinês faz hoje um “discurso importante” numa cimeira global sobre o clima promovida pelo seu homólogo norte-americano, numa altura em que as relações entre os dois países são afectadas por um ambiente de tensão contínua. Dois académicos portugueses defendem que Joe Biden está a tentar recuperar a tradição norte-americana do liberalismo tradicionalista que Trump abandonou, bem como a estabelecer a “abertura de uma frente unida” com países aliados, em resposta ao crescente poder da China
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I Jinping participa hoje na cimeira virtual do clima organizada pelo seu homólogo norte-americano, Joe Biden, informou ontem o ministério dos Negócios Estrangeiros da China. O chefe de Estado chinês vai fazer um "discurso importante" via videoconferência, a partir de Pequim, revelou o ministério, poucos dias depois de os dois países se comprometerem a "cooperar" na questão das alterações climáticas. Joe Biden convidou cerca de 40 líderes mundiais para a cimeira que se estende até sexta-feira. A China e os Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, a fonte do aquecimento global. O acordo entre os dois países é, portanto, considerado crucial para o sucesso dos esforços internacionais na
redução das emissões. Os dois países comprometeram-se no sábado a "cooperar" na questão do clima, após uma visita a Xangai do enviado dos EUA para o clima, John Kerry, que se encontrou com o seu homólogo chinês, Xie Zhenhua.
“Podem acontecer conflitos que envolvam grandes potências, mas que sejam localizados e contidos, como por exemplo no Mar do Sul da China ou no Mar do Leste da China.” DIANA SOLLER UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do Acordo de Paris para o clima. Após assumir o poder, em Janeiro, Joe Biden retrocedeu nessa decisão. Grande consumidor de carvão, a China é, em termos absolutos, o maior emissor mundial de gases de efeito estufa, mas também o país que mais investe em energias renováveis. "Não podemos resolver esta crise climática sem a China na mesa de negociações", disse Kerry, na semana passada, durante a sua viagem a Xangai. Pequim prometeu começar a reduzir as suas emissões de CO2 "antes de 2030" e alcançar a "neutralidade nas emissões de carbono" até 2060, ou seja, absorver tanto quanto emite.
Contra o isolacionismo
Este encontro, ainda que virtual, acontece poucos meses depois da tomada de posse de Joe Biden como Presidente dos EUA. O cenário de isolacionismo e proteccionismo decretado por Donald Trump parece ter-se alterado de forma significativa e Biden quer agora associar-se a aliados com uma filosofia diplomática comum, conforme defendeu ao HM Jorge Tavares da Silva, professor da Universidade de Aveiro (UA) e especialista nas questões da China-Taiwan. “Joe Biden mantém uma postura intransigente em relação à China, sobretudo nos assuntos comerciais, tecnológicos e de investimento, mudando a sua estratégia internacional. O novo Presidente americano, ao contrário do isolacionismo da era de Donald Trump, tem vindo a reforçar as ligações com os aliados.” Jorge Tavares da Silva é um dos oradores da palestra online “China, Ásia e Mundo”, que acontece hoje e que conta ainda com a participação da académica Diana Soller, da Universidade Nova de Lisboa (UNL), e Nuno Magalhães, do Instituto de Defesa Nacional. Para Tavares da Silva, “Joe Biden é, ao contrário do seu antecessor, politicamente muito experiente, tem um longo currículo
de relações com a China, conhece pessoalmente Xi Jinping, conversaram os dois de forma informal tanto na China como nos Estados Unidos”. Joe Biden e Xi Jinping devem ter “posturas assertivas”, sendo que “não é de excluir que, de um momento para o outro, se encontrem soluções de cooperação”, adiantou o professor da UA. Isto porque “as hostilidades não trazem benefício para ninguém”. “Ambos os países estão interessados em cooperar, embora no futuro as relações económicas internacionais se
tenham de basear em regras maior reciprocidade”, previu.
Regresso ao passado
Para Diana Soller, Joe Biden está, na relação com a China, a tentar recuperar o passado. “A grande inovação que a Administração Trump trouxe para os EUA foi romper com uma longa tradição de liberalismo internacionalista que vinha desde Woodrow Wilson e do início do século XX. Esta interrupção causou uma grande estranheza. Biden tenta retomar essa tradição de liberalismo internacionalista.”
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ambiente Suga, foi o primeiro a visitar a Casa Branca na última sexta-feira, antes do arranque do Fórum Boao para a Ásia, que terminou ontem. Biden está também, segundo a académica, a tentar apostar na “divisão do mundo entre democracias e autocracias, sendo que as autocracias pela sua natureza são os rivais naturais das democracias. Biden quer juntar o mundo livre para se opor a que as autocracias, especialmente a China e a Rússia (em segundo lugar) tenham um papel importante no sistema internacional futuro”. Quanto à guerra comercial, Diana Soller acredita que vai manter-se, até porque “não há novos contornos”. “Há um desacoplamento da economia americana face à economia chinesa que já vinha de Trump e transita para Biden. A segunda estratégia tem a ver com a reorganização e reforma das organizações internacionais que regulam a vida económica internacional, que os EUA estão a tentar transformar com o apoio dos aliados europeus e asiáticos, mas que está muito dependente dos aliados económicos que os EUA podem ter”, frisou.
Joe Biden convidou cerca de 40 líderes mundiais para uma cimeira internacional sobre o clima, que se vai realizar por videoconferência até sexta-feira
uma nova Guerra Fria. “A pandemia da covid-19 tornou mais claro para as pessoas em todo o mundo que devemos opor-nos a uma nova ‘Guerra Fria’ e a um confronto ideológico sob quaisquer formas.”
E a Europa?
europeus "estão um bocadinho reticentes em apoiar os EUA na reforma das instituições económicas”, uma vez que “têm interesses económicos já relacionados com a China, especialmente a Alemanha”. “A Europa não vai poder dar-se bem com deus e o diabo, independentemente de quem for deus e o diabo nesta equação. Mais tarde ou mais cedo vai ter de escolher o aliado que quer ter, e espero que essa escolha sejam os EUA, por razões não de preferência pessoal, mas porque a Europa tem uma ligação muito importante com o país, relacionada com a manutenção da sua própria segurança através da NATO.” Relativamente à área da Defesa, Diana Soller acredita que a Europa, por si só, “não consegue defender-se num mundo competitivo como aquele em que estamos a entrar”. O continente não pode “dar-se ao luxo, por razões económicas ou outras, de perder o seu guarda-chuva de segurança”, até porque “não parece existir vontade política nem tempo por parte da Europa para criar forças armadas competitivas”. “A prioridade europeia deve ser garantir que não se coloca numa posição de fragilidade”, tendo em conta os polos de conflito que vão surgindo, concluiu Diana Soller. Andreia Sofia Silva
No meio deste cenário, Diana Soller acredita que os aliados
Guerra “pouco provável”
A académica defende que esta aposta da Administração Biden visa “a recuperação da ordem liberal internacional, mas mais globalizada, com a inclusão de mais países, e que não se centre no eixo atlântico como antigamente”. Há também a “renovação das alianças com as democracias, não apenas com os Estados europeus mas com as democracias asiáticas que fazem parte do quadro quadrilateral, como o Japão, Índia ou a Austrália”. Diana Soller recorda que o primeiro-ministro japonês, Yoshihide
Joe Biden e Xi Jinping devem ter “posturas assertivas”, sendo que “não é de excluir que, de um momento para o outro, se encontrem soluções de cooperação.” JORGE TAVARES DA SILVA UNIVERSIDADE DE AVEIRO
O mundo vive hoje vários focos de tensão entre diversas potências, mas a académica da UNL não prevê que venhamos a assistir a uma guerra global. “Isso é altamente improvável. Podem acontecer conflitos que envolvam grandes potências, mas que sejam localizados e contidos, como por exemplo no Mar do Sul da China ou no Mar do Leste da China, onde a tensão tem aumentado bastante nos últimos meses.” Outra possibilidade de conflito, é na fronteira dos Himalaias, “onde a tensão entre China e Índia já foi bastante elevada”. No fundo, “pode haver aquilo que acontecia na Guerra Fria, uma espécie de guerras de procuração”, adiantou Diana Soller. De frisar que esta terça-feira, por ocasião do Fórum Boao para a Ásia, Xi Jinping deixou claro que a China não quer enveredar pelo caminho diplomático traçado por
PERIGOS QUE VÊM DO ESTREITO Na palestra de hoje Jorge Tavares da Silva vai falar da relação entre a China e Taiwan. O docente da Universidade de Aveiro acredita que “não podemos hoje assegurar que um conflito armado não possa acontecer”. “Há um novo clima no Estreito de Taiwan, de uma China ferida pela história, desiludida pelo rumo político de Taiwan e fortalecida pelos resultados do seu crescimento, traduzido em poder. Depois do período de governação de Ma
Ying-jeou, Taiwan volta a ter no governo o Partido Democrático Progressista, de tendências independentistas, o que desagrada fortemente a Pequim”, disse ao HM. Para o académico, “a reunificação de Taiwan pela via pacífica tornou-se muito difícil”. “As instituições democráticas taiwanesas estão fortalecidas. As manifestações em Hong Kong foi o pior que aconteceu a Xi Jinping na sua tentativa de recuperar Taiwan”, concluiu.
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TELECOMUNICAÇÕES NOVA LEI SÓ DEVE CHEGAR À AL A PARTIR DE OUTUBRO
AL Chan Tak Seng vai liderar lista para as eleições
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22.4.2021 quinta-feira
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HAN Tak Seng, antigo mandatário da candidatura de Chan Meng Kam e ex-membro da Aliança de Instituição do Povo de Macau, é candidato às eleições legislativas de Setembro e vai liderar uma lista. O anúncio foi feito ontem, aquando da entrega das assinaturas para a constituição da comissão de candidatura, e relatado pelo jornal Ou Mun. Sobre os integrantes da lista, Chan Tak Seng afirmou que está a convidar pessoas e espera atrair membros de vários sectores profissionais e com conhecimento em assuntos jurídicos. Quanto às principais prioridades para a lista, Chan escolheu o planeamento urbano, pensões ilegais e os casamentos falsos.
No que diz respeito ao planeamento, o candidato partilhou os receios do corredor visual da Colina da Penha ser bloqueado. Sobre as pensões ilegais, criticou o Governo por não ter alterado as leis e resolvido o problema que afecta a oferta de casas no mercado. Finalmente, o deputado atacou os casamentos falsos, porque considera que as pessoas que obtiveram residência de forma ilegal têm acesso a habitação pública e fundos públicos, e prejudicam os verdadeiros residentes. Por isso, além da punição pelo crime, Chan Tak Seng defende que as pessoas que casaram falsamente devem ser obrigadas a devolver o dinheiro que receberam, como a comparticipação pecuniária. PUB.
AVISO N.° 45/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:---------- 1. Mandado de Notificação n.° 296/AI/2021: MAN YUK LING, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° P9802xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 129/DI-AI/2019 levantado pela DST a 14.05.2019, e por despacho da signatária de 30.03.2021, exarado no Relatório n.° 339/DI/2021, de 15.03.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 1163-C, La Oceania, 12.° andar E, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 297/AI/2021: XIE HUIRONG, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C34944xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 131/DI-AI/2019 levantado pela DST a 14.05.2019, e por despacho da signatária de 30.03.2021, exarado no Relatório n.° 340/DI/2021, de 15.03.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Pequim n.° 36, Edf. I Chan Kok, 10.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.-----------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Abril de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
À procura de rede A nova Lei das Telecomunicações promete reformar o sector e lançar as bases para os próximos anos. No entanto, a discussão na Assembleia legislativa não deverá acontecer antes de Outubro
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O final do ano terminam as licenças da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) e da Companhia de Comunicações MTEL para o serviço da rede fixa de telecomunicações. O Governo ainda está a ponderar e a negociar uma resolução, mas promete uma decisão até ao final de Dezembro. O cenário foi traçado ontem pela Directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), Derby Lau, à margem da apresentação de três emissões especiais de selos. “O contrato caduca no final do ano. Por isso, qualquer decisão terá de ser tomada antes do final do contrato. Estamos a discutir, neste momento, algumas alternativas, mas não há uma decisão final. Quando for tomada uma decisão será comunicada”, afirmou Derby Lau. Adirectora dos CTT reconheceu também, quando questionada sobre a possibilidade de haver uma renovação temporária, que o prazo começa a apertar: “[A renovação temporária] pode ser uma alternativa, mas vai depen-
der das negociações. O tempo é muito apertado e ninguém se pode dar ao luxo de não considerar os diferentes cenários”, justificou. O Governo está actualmente a trabalhar numa reforma do sector, que vai ser realizada com a nova Lei das Telecomunicações. O diploma está a ser debatido no Conselho Executivo, mas Derby Lau considera difícil que fique concluído até Agosto, até porque tem de ser aprovado
pela Assembleia Legislativa. Com o mandato dos deputados a terminar a 15 de Agosto, qualquer lei que não seja aprovada até essa data vai ter de ser novamente votada, mas só a partir de Outubro, quando o hemiciclo retoma a actividade. “Julgo que não é possível [aprovar a lei até Agosto]. Mas, a lei está a ser discutida no Conselho Executivo, por isso a intervenção dos
“Se alguém nos disser que se pode fazer um regulamento administrativo independente para atribuir licenças, pode ser uma alternativa.” DERBY LAU DIRECTORA DOS CTT
CTT no processo já chegou ao fim”, esclareceu.
Licenças provisórias?
Com a nova Lei das Telecomunicações vão ser definidos regimes para a emissão das licenças para prestar o serviço de 5G, assim como as licenças para os serviços de convergência de serviços, conhecido como triple-play, ou seja oferta de televisão, com telefone e internet. Porém, e como falta aprovar a lei, o que deverá demorar meses, não está afastada a possibilidade de serem atribuídas licenças às operadoras através de regulamentos administrativos. “A lei começou a ser preparada em 2017, e prevê a convergência de serviços e o licenciamento 5G. Agora, se alguém nos disser que se pode fazer um regulamento administrativo independente para atribuir licenças, pode ser uma alternativa”, reconheceu a director dos CTT. “Mas, até agora, não temos estas indicações”, ressalvou. Os CTT apresentaram ontem três emissões de selos com os seguintes temas: “Bibliotecas de Macau – 2.ª Edição”, “Procissão de Nossa Senhora de Fátima” e Festividades – Dia do Buda”. As colecções ficam disponíveis a partir de 23 de Abril, 13 de Maio e 19 de Maio, respectivamente. João Santos Filipe
PIDDA “CONTABILIDADE” AUMENTA EXECUÇÃO EM MAIS DE 10 POR CENTO
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A terça-feira, os deputados elogiaram o Governo por ter atingido valores recordes das taxas de execução orçamental e utilização do orçamento do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA). Segundo os dados apresentados pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas, presidida por Mak Soi Kun, a taxa de execução orçamental foi de 95,8 por cento e a taxa de utilização orçamental cifrou-se nos 97,5 por cento em 2020. Mas, sem as alterações ao orçamento geral, feitas a
meio do ano, as taxas de execução e de utilização teriam sido de 80,8 por cento e 82,2 por cento, respectivamente. O relatório da comissão, disponibilizado
ontem, mostra que as taxas elogiadas pelos deputados ficaram-se a dever a dois motivos: a redução do orçamento de 2019 para 2020; e o cancelamento de 2,16 mi
milhões de patacas que estavam orçamentados para no ano passado. Em 2019, o orçamento do PIDDA foi de 17 mil milhões de patacas e houve um gasto efectivo de 12,3 mil milhões. Contudo, em 2020 o orçamentado foi reduzido para 11,6 mil milhões de patacas, entre os quais foram executados 11,1 mil milhões. Também o orçamento de 2020 foi alterado com o ano a decorrer, como reconhece o parecer da comissão. “É de salientar que, através da referida terceira alteração orçamental, [...] o Governo cancelou um montante de 2,16 mil
milhões de patacas orçamentado no PIDDA, o que levou a uma descida do orçamento autorizado para 11,6 mil milhões de patacas”, é indicado no documento. “Se se comparar o orçamento autorizado no valor de 13,76 mil milhões de patacas (sem o referido cancelamento), com a despesa efectiva de todo o ano de 2020 no valor de 11,11 mil milhões e com o valor de 11,31 mil milhões de patacas da cabimentação, constata-se que a taxa de execução orçamental e a taxa de utilização do orçamento baixariam para 80,8 por cento e 82,2 por cento”, é acrescentado. J. S. F.
quinta-feira 22.4.2021
O
princípio “Um País, Dois Sistemas” tem sido devidamente cumprido e respeitado em Macau desde a transição, na óptica de José Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM), e do embaixador jubilado Duarte de Jesus. Os especialistas são dois
“UM PAÍS, DOIS SISTEMAS” ESPECIALISTAS DIZEM QUE PRINCÍPIO TEM SIDO RESPEITADO
Nós por cá todos bem TIAGO ALCÂNTARA
José Sales Marques e o embaixador jubilado Duarte de Jesus defendem que o princípio “Um País, Dois Sistemas” tem sido respeitado em Macau. Duarte de Jesus diz mesmo que o território “não sofre intervenções de potências externas que queiram criar problemas no seu relacionamento com a China”. Os dois especialistas falam hoje numa palestra online promovida pelo Instituto do Oriente da Universidade de Lisboa
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dos cinco oradores que falam hoje na palestra online “China/Macau: ‘Um País, Dois Sistemas’”, promovida pelo Instituto do Oriente, ligado ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-UL). Ao HM, José Sales Marques disse que em Macau “continuamos a ver aplicado esse princípio de uma forma que respeita a sua essência”. “Macau tem os seus direitos, liberdades e garantias protegidos e obviamente que em 2021 vivemos uma situação em todo o mundo que é diferente da que se viveu em 1999. O que vou procurar reflectir é o facto de a situação em Macau dever ser vista tendo em conta todo o contexto histórico, político e social”, acrescentou.
Obras Públicas Raimundo do Rosário visitou Pequim
O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, deslocou-se a Pequim entre 18 e 20 de Abril. A visita incluiu a passagem por diferentes Ministérios, nomeadamente do Ambiente Ecológico, dos Recursos Hídricos, dos Recursos Naturais, dos Transportes e o Gabinete para Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado. Em comunicado, o gabinete do secretário indicou que a delegação da RAEM se reuniu para trocar opiniões sobre projectos e obras no âmbito da cooperação entre o Interior da China e Macau.
Trânsito Aberto concurso para periferia da quarta ponte
O Governo anunciou ontem a abertura do concurso público para a construção da estrada na periferia dos pontos de partida e chegada da quarta ponte entre Macau e a Taipa. O concurso não define um preço base, mas estabelece que as propostas têm de respeitar o prazo máximos de 640 dias para realizar todos os trabalhos. Além disso, são definidas quatro metas obrigatórias que os interessados estão obrigados a cumprir. Os candidatos têm até 12 de Maio para apresentar propostas e ficam obrigados a pagar uma caução de 8,8 milhões de patacas.
Questionado se o caso da TDM pode levar a uma eventual mudança de paradigma neste ponto, o presidente do IEEM afasta a possibilidade. “A questão da TDM refere-se a uma relação entre uma entidade patronal e os jornalistas que trabalhavam para ela. Não tem uma dimensão que permita extravasar ou tirar qualquer tipo de conclusões em relação ao que Macau é neste momento.” Sales Marques destacou a posição de Ho Iat Seng, Chefe do
Executivo, que reforçou a ideia do respeito pela liberdade de imprensa e de expressão. “Continua-se a aplicar o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’. Tudo está em vigor. Não é uma questão para se especular ou retirar demasiadas conclusões sobre uma situação que é localizada.”
Sem interferências externas
Também o embaixador jubilado Duarte de Jesus, que cumpriu serviço diplomático em Pequim,
“Macau não tem sofrido intervenções de potências externas que tenham interesse em criar problemas no seu relacionamento com a China.” DUARTE DE JESUS EMBAIXADOR JUBILADO
garantiu que este princípio tem sido “cumprido sem atropelos à sua substância”, tendo em conta “os quadros e circunstâncias diversas”. Quanto ao papel que as autoridades portuguesas devem ter neste domínio, o embaixador jubilado defende que não vê “como Portugal deveria intervir para fazer aplicar algo que está a ser aplicado”. “Macau não tem sofrido intervenções de potências externas que tenham interesse em criar problemas no seu relacionamento com a China, pelo que as coisas têm evoluído de modo bem diferente daquele que estamos a assistir noutras regiões”, referiu. Para Duarte de Jesus, “Deng Xiaoping avançou para esta solução política para resolver de modo pacífico os problemas de Hong Kong e Macau, dentro de um quadro totalmente consistente com paradigmas da cultura chinesa”. “Estes paradigmas devem constituir referências importantes para o mundo ocidental saber continuar um diálogo, em que o que muda é a circunstância, mas não a substância”, acrescentou. A palestra de hoje conta também com intervenções de Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, Raquel Vaz Pinto, professora da Universidade Nova de Lisboa e Heitor Romana, presidente do conselho científico do ISCSP-UL. Andreia Sofia Silva
PROTECÇÃO CIVIL HOTÉIS OBRIGADOS A DAR INFORMAÇÕES SOBRE CLIENTES
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última versão da proposta de Lei da actividade dos estabelecimentos hoteleiros obriga a que sejam fornecidas informações à Direcção dos Serviços de Turismo (DST), em situações ligadas à protecção civil. A proposta está em discussão na 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, presidida por Chan Chak Mo. “Sem esta obrigatoriedade não precisa de colaborar, agora têm de fornecer. Se não o fazem há uma consequência legal”, comentou o deputado. “Quando a DST solicita aos hotéis informações necessárias à
protecção civil, perante os incidentes súbitos de natureza pública referidos no regime jurídico de protecção civil, estes têm de as fornecer”, disse Chan Chak Mo. Os hotéis que rejeitem cooperar
arriscam uma multa de 10 mil a 20 mil patacas. Por exemplo, em caso de simulação de incêndio, o Governo pode perguntar quantos hóspedes tem o estabelecimento.
Chan Chak Mo deu também como exemplo a pandemia. “Durante a [covid-19], tem o dever de conservar estas informações para não haver transmissão do vírus ou causar até implicações
para o interesse público. Portanto, de acordo com a proposta de lei, têm deveres de facultar estas informações à DST”, disse aos jornalistas. Recorde-se que a proposta prevê que os hotéis registem o nome do cliente, nacionalidade, tipo e número do documento de identificação, local de residência e correio electrónico, bem como a data e hora de chegada e de partida. O Governo pretende que estes elementos sejam armazenados por um período de cinco anos, caso precisem de ser consultados pela DST ou entidades policiais. S. F.
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ECONOMIA COMERCIANTES COM MAIS NEGÓCIO EM FEVEREIRO
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M Fevereiro, 93 por cento dos proprietários de restaurantes afirmaram ter registado a estabilização do volume de negócios, em comparação com o período homólogo. Os números foram revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), no âmbito do “Inquérito de Conjuntura à Restauração e ao Comércio a Retalho referente a Fevereiro de 2021”. No comunicado emitido ontem, a DSEC realça que “as proporções dos proprietários dos restaurantes japoneses e coreanos, bem como dos proprietários dos restaurantes chineses, manifestaram aumentos homólogos ou estabilizações homólogas no volume de negócios, atingiram 100 por cento e 98 por cento, respec-
tivamente”, é sublinhado. No comércio a retalho, a proporção de entrevistados que declaram acréscimos ou estabilização nos volumes de negócios face ao período homólogo foi de 88 por cento. A DSEC destaca que todos os retalhistas do sector dos produtos cosméticos e de higiene, relógios e joalharia, assim como de artigos de couro, manifestaram aumentou ou estabilização do volume de negócios. Os números revelados ontem foram explicados com “os efeitos do Ano Novo Lunar e à base de comparação relativamente baixa do mês de Fevereiro de 2020”. Em Fevereiro do ano passado, vários estabelecimentos encerraram devido às medidas para controlar a pandemia da covid-19.
Turismo Ocupação hoteleira de 80% prevista para Primeiro de Maio
Cheong Kin Chong, presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, prevê que durante a semana dourada de 1 de Maio os hotéis registem uma taxa de ocupação de 80 por cento, apesar do negócio não ter recuperado totalmente e de depender dos visitantes da China Continental. Segundo o Ou Mun, Cheong Kin Chong indicou que o volume de visitantes continua a ser crescente e a fonte principal são turistas com visto individual. Sobre os preços dos quartos, apontou que se ajustam segundo a procura do mercado e que durante o período que abrange o dia 1 de Maio só aumentaram dez por cento, um nível que ainda considera atractivo.
Covid-19 Sugerida importação de empregadas de países com baixo risco
Wong Kit Cheng pretende que o Governo autorize pedidos de entrada de empregadas domésticas dos países com baixo risco de covid-19, respeitando critérios rigorosos de saúde pública. Segundo o jornal Ou Mun, a deputada da Associação Geral das Mulheres concorda que o Governo dever adoptar medidas de prevenção da pandemia ao flexibilizar a entrada destas trabalhadoras, exemplificando que o nível de risco da pandemia no Vietname está baixo, enquanto na Indonésia se voltou a agravar, com mais de quatro mil novos casos a 18 de Abril, e as Filipinas têm mais de 10 mil casos diários desde essa data. Wong Kit Cheng recordou que há em Macau 1.100 empregadas domésticas sem contrato de trabalho, notando que mesmo que todas sejam recrutadas não é possível preencher as vagas que abriram.
TURISMO REDE DE TRANSPORTES “INSATISFATÓRIA” PENALIZA MACAU E ZHUHAI
Calcanhar de Aquiles
Um estudo de dois académicos da Universidade de Jinan indica que Macau e Zhuhai precisam de melhorar a rede de transportes e a ligação a outras regiões do Interior, para se desenvolverem como núcleo de turismo da Grande Baía
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AR A verdadeiramente se tornarem num dos grandes eixos de turismo na Grande Baía, Macau e Zhuhai vão ter de melhorar acessos para turistas, a nível dos transportes. A conclusão é de um estudo do Academic Journal of Humanities & Social Sciences intitulado “Pesquisa sobre Acessos de Transporte e Desejo de Turismo na Grande Baía”, da autoria de Li Tsanman e Chen Qiudi, dois académicos da Universidade de Jinan. No documento publicado este mês, os académicos utilizaram duas fórmulas para comparar os acessos de transporte às 11 principais cidades da Grande Baía e avaliar a vontade dos turistas de visitarem essas cidades. A vertente dos transportes é a que mais penaliza Macau. A RAEM surgem no 10.º lugar ao nível de acesso e é ainda destacada como o único destino turístico que não têm uma ligação directa da rede ferroviária de alta velocidade. Apesar destes constrangimentos, Macau bate Zhuhai, que dispõe de uma ligação de alta velocidade. No entanPUB.
Anúncio Em conformidade com o artigo n.º 12.º do Regulamento Administrativo n.º 43/2020, a 21 de Abril do corrente ano, têm sido publicadas as Orientações sobre os requisitos de desenvolvimento profissional contínuo dos contabilistas, e para o efeito de consulta e descarregamento das mesmas, tem sido feito o seu carregamento nas Notícias recentes sobre a Comissão Profissional dos Contabilistas da página electrónica da Direcção dos Serviços de Finanças (www.dsf.gov. mo/cpc). Para quaisquer informações, faça o favor de entrar em contacto através dos números telefónicos 8599 5343 ou 8599 5344 durante as horas normais de expediente. 21 de Abril de 2021
22.4.2021 quinta-feira
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O Presidente da Comissão Profissional dos Contabilistas Iong Kong Leong
to, as cidades são as piores classificadas. Guangzhou, Shenzhen, Foshan, Zhongshan e Hong Kong ocupam os primeiros lugares da tabela, por esta ordem. Os autores consideram assim que núcleos de turismo Guangzhou-Foshan e Shenzhen-Hong Kong estão bem definidos e que podem ser o principal motor da indústria na Grande Baía. Caso as ligações de transportes melhorem, Zhuhai e Macau podem assumir um papel semelhante. “A pesquisa indica que Zhuhai e Macau podem servir como um núcleo de turismo, mas as acessibilidades a nível de transportes não são satisfatórias”, é sublinhado. “Todavia, o problema está identificado e o Governo está gradualmente a resolvê-
-lo através da construção da Ponte Hong Kong – Zhuhai - Macau e de mais linhas ferroviárias”, é acrescentado.
O quinto mais desejado
No ranking que mede a vontade para visitar as cidades como turista, Macau surge no quinto lugar. O ranking tem por base 523 questionários. No primeiro lugar volta a surgir Guangzhou, seguida por Shenzhen, Foshan e Hong Kong.
No ranking que mede a vontade para visitar as cidades como turista, Macau surge no quinto lugar
Para os autores, Macau e Hong Kong beneficiam do princípio “Um País, Dois Sistemas” e da mistura de culturas chinesa e ocidentais. “Hong Kong consegue um melhor ranking que Macau porque beneficia da proximidade com Shenzhen e oferece aos turistas melhores facilidades a nível de transporte e passagem nas fronteiras”, é explicado. Por outro lado, os académicos defendem que Zhuhai tem beneficiado muito da proximidade com Macau. Devido à necessidade de parar em Zhuhai para se deslocarem à RAEM, os turistas do Interior sentem-se mais tentados a fazer uma paragem no outro lado da fronteira, com ganhos para a cidade vizinha. João Santos Filipe
quinta-feira 22.4.2021
Coloane Governo recupera terreno
COVID-19 PEDIDOS MAIS SERVIÇOS DE APOIO PSICOLÓGICO
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saúde mental da população em contexto de pandemia levanta preocupações à deputada Angela Leong, que quer saber se foram criados serviços específicos a nível de aconselhamento psicológico nos hospitais e centros de saúde. “A epidemia, além de constituir uma ameaça à saúde física e mental da população, afecta ainda o desenvolvimento socioeconómico, sendo fácil provocar turbulência emocional entre as pessoas”, aponta numa interpelação escrita. Esta é a primeira interpelação escrita submetida por Angela Leong na sessão legislativa corrente, sendo preciso recuar a Julho do ano passado para encontrar registo da última. A preocupação manifestada pela deputada passa pela possibilidade de as pessoas voltarem “a ter ansiedade antes de se livrarem das emoções negativas”, tendo em conta alterações à situação da epidemia no Interior da China e em Macau e a um quarto surto no exterior. A deputada aponta que foi criada uma linha aberta destinada a estudantes e operadores de jogo, questionando o Governo se foram “criados serviços de apoio e de aconselhamento psicológicos que correspondam à natureza e ao conteúdo do seu trabalho” para os trabalhadores da linha da frente, como profissionais de saúde e polícias. No seu entender, “é mais fácil” que estes profissionais enfrentem problemas físicos e psicológicos por causa dos riscos que correm. Angela Leong refere que uma instituição educativa realizou recentemente um inquérito sobre o estado de saúde mental da população devido à pandemia, tendo os resultados mostrado que “70 por cento considera que a pandemia afecta profundamente a sua vida” e mais de um quarto tinha cansaço médio a alto depois do pico da pandemia. Entre os participantes, foram também registados casos de depressão, e de ansiedade. S.F.
sociedade 7
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O Governo recuperou ontem um terreno em Coloane com uma área de 1.736 metros quadrados, de acordo com um comunicado oficial. Segundo a informação do Executivo, no terreno situado na Estrada de Hac Sá, estava “construída uma obra clandestina composta por paredes de tijolos e cobertura metálica”. Além disso, tinha sido depositada “uma grande quantidade de materiais de construção” e outros objectos. Segundo a Direcção dos Serviços de Solos Obras Públicas e Transportes, a operação interdepartamental foi desencadeada depois de terem sido esgotados todos os meios de contacto com os responsáveis pela ocupação ilegal do terreno. O local foi, entretanto, vedado.
Saúde Recolhido medicamento para o colesterol Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) anunciaram ontem que o medicamento Cholesterol Balance F.C. Tablets 10mg, utilizado para baixar o colesterol, está a ser recolhido pela empresa Yu Sheng Pharmaceutical Co., Ltd, de Taiwan. Segundo os SSM, a recolha partiu da empresa que anunciou que os comprimidos têm “um teor de impurezas
anormal e não atende aos padrões de qualidade”. Os medicamentos com impurezas foram vendidos para Macau e, por isso, os SSM “já solicitaram às farmácias, firmas de
importação, exportação e venda por grosso deste produto em Macau para que procedam à sua recolha”. Ainda de acordo com o comunicado, “os cidadãos que possuam ou tenham obtido este lote de medicamento através das farmácias comunitárias podem consultar os farmacêuticos para que estes sejam tratados em conformidade”.
COVID-19 GOVERNO AVANÇA COM PLANO PARA ACELERAR VACINAÇÃO
Prego e agulha a fundo Para contrariar a fraca adesão às vacinas, o Governo vai dar início a um plano de proximidade para inocular a população por grupos sociais. Em primeiro lugar serão vacinados professores e alunos do ensino superior, numa segunda fase trabalhadores de empresas de “larga escala” e, mais tarde, pessoal e pacientes de lares de idosos
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TÉ agora, apenas 8 por cento da população de Macau tomou a primeira dose da vacina contra a covid-19, o que corresponde a cerca de 57 mil pessoas, números que não correspondem às expectativas do Governo. Assim sendo, vai arrancar o plano de proximidade, para vacinar sectores da sociedade por etapas, revelou ontem o coordenador do Plano de Vacinação contra a covid-19, Tai Wa Hou, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. “A primeira fase será dirigida ao ensino superior, já entrámos em contacto com as universidades e depois passamos para vacinação em empresas de grande escala. Os lares de idosos ficam para uma fase posterior”, informou o responsável, citado pela TDM – Rádio Macau. O plano de proximidade, como foi designado, não será aplicado aos restantes níveis de ensino, porque as vacinas disponíveis em Macau só podem ser administradas a jovens com mais de 16 e 18 anos. Quanto à vacinação de idosos, Tai Wai Hou recordou a inversão da admissibilidade de administrar vacinas a maiores
de 60 anos, depois do parecer da Comissão Nacional de Saúde, e que apenas podem ser vacinados em Macau pessoas maiores de 60 anos depois de avaliadas pelas autoridades e comprovada a sua boa saúde.
Nem te reconheço
“A primeira fase será dirigida ao ensino superior, já entrámos em contacto com as universidades e depois passamos para vacinação em empresas de grande escala. Os lares de idosos ficam para uma fase posterior.” Tai Wa Hou, coordenador do plano de vacinação
Para já, Tai Wa Hou avançou que as autoridades estão a avaliar a possibilidade de acrescentar locais onde são administradas vacinas, depois de ser anunciado que o Hospital de Kiang Wu passaria a estar incluído no plano. Uma coisa é certa, o Governo quer inverter a baixa taxa de vacinação, que o coordenador considera “prejudicial à prevenção da pandemia” e um empecilho ao reconhecimento mútuo das vacinas com o Interior da China. Até ontem, o centro de coordenação de contingência do novo tipo de coronavírus contou ontem 145.906 agendamentos para tomar a vacina e 86.653 doses administradas. No total, apenas 30.902 tomaram a segunda dose da vacina. Até ontem, as autoridades de saúde reportaram um total 373 casos de reacções adversas às vacinas, dois deles considerados graves.
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22.4.2021 quinta-feira
FRC MACAU A PARTIR DE MIGUEL REAL E JOÃO MORGADO
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STE final de tarde terá Conversas Ilustradas com Música na Fundação Rui Cunha (FRC). A partir das 18h30, celebra-se o centenário de nascimento do célebre tenor italiano Franco Corelli, na quinta edição do ciclo de conversas dedicas às efemérides da ópera. A apresentação vai estar a cargo de Raul Pissarra. Em comunicado, a FRC descreve Franco Corelli como “um dos mais afamados tenores do séc. XX”, que “actuou nos mais renomados teatros do mundo, entre os quais o Scala de Milão, o Royal Opera House - Convent Garden em Londres, a Ópera Estatal de Viena, o Metropolitan Theatre de Nova Iorque, etc”. O tenor actuou várias temporadas no Teatro de São Carlos, em Lisboa, “em 1955 foi D. José em Carmen de Bizet, em 1957 foi André Chernier na ópera com o mesmo nome de Giordano, em 1959 foi Calaf em Turandot de Puccini e Manrico em Il Trovatore de Verdi, despedindo-se em 1973 como Cavaradossi na Tosca de Puccini)”. Franco Corelli personificou, principalmente, os heróis líricos do repertório romântico oitocentista da ópera italiana e formou assídua parceria com Maria Callas, que era sua fã incondicional. Pela figura e carisma, talento teatral e voz, mereceu o cognome de “Príncipe dos Tenores”.
Música IC apoia nove projectos
O Instituto Cultural (IC) escolheu nove projectos musicais para receber apoio financeiro no âmbito da segunda fase de selecção do 5.º Programa de Subsídios à Produção de Álbuns de Canções Originais. Segundo um comunicado, foram escolhidos os projectos de Chang Heng Ian Leong Chi Long, Pang Weng Sam, para a categoria álbum, e ainda seis para a categoria de mini-álbum, de Choi Kuok Chu, Deng Wan Pin, Chan Wai Man, Jay Peterson Cuevas Elma, Lio Ka U, Lo Ka Man. Cada projecto vai receber um subsídio que varia entre as 135 e 270 mil patacas, bem como a “orientação profissional dos membros do júri para efeitos de execução dos seus projectos de produção dos álbuns”. Do júri fizeram parte Edward Chan, produtor musical de Hong Kong, Chow Yiu Fai, letrista de Hong Kong, Ronald Ng, director musical e compositor de Hong Kong, Kelvin Ngai, produtor musical de Hong Kong, e Liu Chi Wah, director-adjunto da Divisão A&R (Artistas e Repertório) do Emperor Entertainment Group.
A cidade na l
Na próxima segunda-feira, dia 26, a Fundação Rui Cunha acolhe a confe do”, apresentada por Ana Paula Dias. Inserido na celebração do 9.º aniv de Macau”, de João Morgado, e “A Cidade do Fim”, livro que nasce de u
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ARA celebrar os nove anos de existência, a Fundação Rui Cunha (FRC) realiza na próxima segunda-feira uma palestra sobre literatura organizada em parceria com a Associação dos Amigos do Livro, intitulada “Macau na obra de Miguel Real e João Morgado”, e que contará com a presença de Ana Paula Dias, doutorada pela Universidade Aberta e especialista em ensino e aprendizagem de língua estrangeira, educação intercultural e pedagogia da paisagem linguística, entre outras áreas relacionadas com políticas de língua em Macau. A palestra acontece às 18h30 e será realizada em língua portuguesa. No caso da obra “Contos de Macau”, João Morgado compila um vasto conjunto de histórias criados a partir do material recolhido aquando da sua estada em Macau, em 2017. Segundo um comunicado da FRC, tratam-se de contos que espelham “um lirismo em estado puro, animado de uma prosa poética, que diferencia este livro dos seus romances históricos”. E este lirismo vem “do realismo social que identifica e singulariza Macau na sua geografia, tradição, história do século XX, grupos sociais diferenciados, sobretudo os portugueses e os chineses”. Trata-se de uma “prosa poética que valoriza mais os sentimentos que a racionalidade, mais o voo da imaginação que a descrição fotográfica da realidade, mais a heterodoxia e a rebeldia do que a hierarquia social e, sem desprezar o elemento masculino, valoriza sobretudo os desejos e os anseios do elemento feminino”, considera a FRC. João Morgado esteve em Macau na qualidade de escritor participante de uma das edições do Festival Literário Rota das Letras. Numa entrevista concedida ao jornal Ponto Final, o autor revelou ter ficado deslumbrado com o território. “Ainda estou naquela fase do espanto, de boca aberta, e estou agora a descobrir Macau, que me parece fascinante. Vou estar por aqui alguns
JOSÉ CARLOS CARVALHO
ÓPERA FRC CELEBRA HOJE O CENTENÁRIO DE FRANCO CORELLI
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ANDRÉ KOSTERS
literatura
erência “Macau na obra de Miguel Real e João Morgaversário da Fundação, o evento analisa a obra “Contos uma investigação histórica realizada por Miguel Real PLATAFORMA
dias e certamente alguma inspiração virá. Para já, tenho um compromisso com o próprio Festival de escrever um conto para a próxima revista do próximo ano [2018], mas certamente escreverei mais sobre Macau e penso voltar cá um dia destes com mais tempo para fazer investigação e trabalho. Desta vez estou cá mais em termos de participação no Festival. Estive na Escola Portuguesa de Macau e vou estar no Instituto Português do Oriente, mas espero um dia poder cá voltar com tempo para fazer pesquisas e trabalhar nesta área literária.”
“Rigorosa investigação”
No caso do livro “A Cidade do Fim”, de Miguel Real, nasce de uma “rigorosa investigação histórica que celebra os 500 anos de relações entre Portugal e a China”, e onde o autor decide relatar num romance de amor a história de Macau a par de uma biografia ficcionada de Fátimo Martins, professor de Português radicado em Macau em 1941. Esta obra é “homenagem de Fátimo (o protagonista) à sua língua natal, à pátria que o adoptou e, claro, à pequena flor de lótus que fez desabrochar”.
Este evento visa “mostrar a multiplicidade de olhares sobre esta cidade e a forma como os mesmos se reflectem na literatura, dando origem a diversas obras” Para a FRC, este evento, além de celebrar o aniversário desta entidade, procura “mostrar a multiplicidade de olhares sobre esta cidade e a forma como os mesmos se reflectem na literatura, dando origem a diversas obras”.
Funeral das artes Profissionais da Cultura contestam abandono junto ao parlamento português com flores e um caixão
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O M um caixão branco e uma coroa de flores, alguns profissionais da Cultura manifestaram-se ontem, junto à Assembleia da República, em Lisboa, para lembrar o abandono a que o sector foi deixado em tempos de pandemia. “Não estamos completamente mortos, ainda podemos acordar. Mas estamos numa situação muito complicada”, disse Joana Saraiva, audiodescritora e actriz, à agência Lusa. “Estamos muito cansados e estamos a dizer as mesmas coisas há muito tempo”. O protesto, em forma de velório, começou às 10h e estender-se-á até às 17h, em várias cidades do continente e ilhas. Em Lisboa, ao fundo da escadaria da Assembleia da República, foi colocado um caixão branco, com uma coroa de flores e uma faixa onde se lê “Aqui jazem profissionais da Cultura, Artes e Eventos”. Junto ao caixão, vestidos de preto, estiveram, no começo do protesto, seis profissionais da Cultura, que fazem parte do grupo informal Vigília Cultura e Artes, surgido já em contexto de pandemia. O velório simbólico é por “todos aqueles que foram deixados
ao abandono durante o último ano, todos aqueles que desistiram. Houve muita gente que neste ano teve de fazer muita coisa. Alguns deles nem sequer voltarão [às artes]”, disse Joana Saraiva.
Luta pela sobrevivência
A actriz e professora de teatro conta que também ela recorreu aos apoios sociais extraordinários, em Janeiro, e ainda está a aguardar resposta. “São apoios à sobrevivência. Não estamos a pedir subsídios. Estamos a pedir um apoio à sobrevivência, extraordinário, para um tempo extraordinário. Temos carreira contributiva e nos momentos em que somos impedidos de trabalhar, seria expectável que houvesse um apoio universal e não cheio de cláusulas de exclusão que deixa de fora a maioria das pessoas”, lamentou. Das medidas políticas pensadas a longo prazo, que já deveriam estar em marcha, Joana Saraiva citou o estatuto do profissional e o mapeamento do sector. “O mapeamento do sector é vital, porque é muito complexo, muito precário e muito pouco regulamentado. Estamos muito cansados e estamos a dizer as mesmas coisas há muito tempo”, afirmou.
10 china
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fabricante norte-americana de automóveis Tesla pediu ontem desculpa, após ter sido criticada pela imprensa estatal da China devido ao alegado mau serviço prestado aos seus clientes no país asiático. A presença da Tesla no salão automóvel de Xangai, a "capital" económica da China, foi esta semana ofuscada por manifestantes que alegavam que os veículos da Tesla têm "travões com defeito". O incidente atraiu a atenção dos visitantes, antes de os seguranças terem retirado os manifestantes. A empresa disse que uma cliente da Tesla que participou da demonstração solicitou reembolso, após um acidente em Fevereiro, alegadamente causado por uma falha nos travões. As negociações pararam depois de a proprietária do automóvel ter recusado uma investigação de terceiros sobre o acidente para apurar se foi causado por um defeito ou por excesso de velocidade. A Tesla acrescentou que se responsabilizaria por quaisquer problemas com os
XANGAI TESLA PEDE DESCULPA APÓS CRÍTICAS DA IMPRENSA ESTATAL
Com travões a fundo
seus carros, ressalvando que não se compromete com "reclamações injustificadas". A reacção da Tesla atraiu críticas da imprensa estatal chinesa e motivou um pedi-
do de desculpas por parte da fabricante automóvel. "Pedimos profundas desculpas por não termos resolvido o problema com a proprietária do carro com PUB.
rapidez", escreveu a Tesla na sua conta oficial no Weibo, o equivalente ao Twitter na China. Uma equipa foi criada para lidar com o caso e cooperar com "qualquer investigação governamental".
Sucesso minado
A reviravolta ocorreu depois de a empresa ter sido acusada de "fugir às suas EDITAL Edital n.º : 17/E-BC/2021 Processo n.º : 529/BC/2017/F Assunto: Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local: Travessa dos Anjos n.º 22, Edf. Mei Lok, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar C, Macau. Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 06/SOTDIR/2020, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 11, II Série, de 11 de Março de 2020, faz saber que ficam notificados o dono da obra ou seu mandatário, bem como os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Local 1.1
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Parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar C
Obra Construção de um compartimento composto por cobertura metálica, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de vidro e suporte metálico.
Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.
2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 10 de Setembro de 2018, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. 3. Sendo o terraço do edifício considerado caminho de evacuação, deve o mesmo conservar-se permanentemente desobstruído e desimpedido, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 8) do n.º 1 do Despacho n.º 06/SOTDIR/2020, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 11, II Série, de 11 de Março de 2020, e por meu despacho de 15 de Abril de 2021 exarado sobre a informação n.º03335/DURDEP/2021, ordena aos interessados que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à respectiva demolição e à reposição do local afectado, bem como à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Uma vez iniciados os trabalhos, os infractores não poderão solicitar o seu cancelamento. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e do n.º 7 do Despacho n.º 06/SOTDIR/2020, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 11, II série, de 11 de Março de 2020, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 15 de Abril de 2021 Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong
responsabilidades" sempre que era criticada, segundo um artigo da Comissão Central da China para os Assuntos Políticos e Jurídicos, a principal autoridade legal do Partido Comunista. A popularidade da Tesla na China vem do prestígio da marca junto dos consumidores, "mas a arrogância e a falta de respeito pelo
A popularidade da Tesla na China vem do prestígio da marca junto dos consumidores, “mas a arrogância e a falta de respeito pelo mercado e pelos consumidores da China, não pode ser a resposta a esse prestígio” COMISSÃO CENTRAL DA CHINA PARA OS ASSUNTOS POLÍTICOS E JURÍDICOS
mercado e pelos consumidores da China, não pode ser a resposta a esse prestígio", apontou. A agência noticiosa oficial Xinhua questionou: "Quem é que dá à Tesla a confiança para não se comprometer". O Modelo 3 da Tesla foi o carro elétcrico mais vendido na China, em 2020, e o seu recentemente lançado veículo desportivo compacto Modelo Y também provou ser um sucesso. As vendas da Tesla no país asiático ascenderam a 6,7 mil milhões de dólares, no ano passado, tornando a China o seu segundo maior mercado a seguir aos Estados Unidos. O escrutínio público das empresas ocidentais que atendem aos consumidores chineses não é incomum e muitas vezes é alimentado pela imprensa estatal. Isto ocorre também numa altura em que a Tesla enfrenta concorrência crescente no emergente mercado chinês de veículos eléctricos. A 'startup' de veículos eléctricos chinesa NIO Inc. revelou um quarto modelo de produção, no mês passado. A Li Auto Inc. e a Xpeng Inc, duas outras 'startups' chinesas, também estão a introduzir novos modelos no mercado. Uma série de manchetes negativas nas últimas semanas ameaça minar o sucesso da Tesla no país. Alguns complexos militares em Pequim proibiram, no mês passado, os proprietários de veículos da Tesla de estacionar dentro dos seus condomínios fechados, por temerem que as câmaras dos carros possam representar uma ameaça à segurança.
COVID-19 XI DIZ QUE PAÍS COOPERARÁ COM INDONÉSIA CONTRA "DIVISÃO DE VACINAS"
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Presidente da China, Xi Jinping, disse esta terça-feira que a China, enquanto promove a vacinação dentro do país de forma abrangente, continuará a promover a cooperação com a Indonésia, ajudará a Indonésia a construir um centro regional de produção de imunizantes e resistirá em conjunto à "divisão de vacinas". Numa conversa por telefone com o Presidente indonésio, Joko Widodo, Xi salientou que, tanto a China como a Indonésia, dão grande importância à vida e à saúde da população e se opõem à política nacionalista de vacinação, observando que a cooperação em matéria de vacinas entre os dois países está na vanguarda mundial. A China, acrescentou Xi, incluiu os cidadãos
estrangeiros no seu território, entre os quais os da Indonésia, no seu plano de inoculação, e espera que a Indonésia também forneça apoio activo aos cidadãos chineses no país. Face às mudanças profundas e a uma pandemia de dimensões mundiais nunca vistas, enfatizou Xi, a China está pronta para se unir à Indonésia para aumentar a confiança mútua estratégica, aprofundar o consenso estratégico, fortalecer a coordenação estratégica, defender o multilateralismo, salvaguardar a equidade e a justiça, promover a governança climática global, defender os interesses comuns dos países em desenvolvimento e avançar na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.
quinta-feira 22.4.2021
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Stendhal, o italiano (1994) Em Julho de 1817, apareceu em Paris, em dois volumes, uma estranha História da pintura em Itália1. Assinada com as iniciais M.B.A.A., que é necessário decifrar: Monsieur Beyle, ex-Auditor. Em Setembro do mesmo ano, eis um outro livro do mesmo autor: Roma, Nápoles, Florença. Mas, desta vez, a assinatura mudou: é Stendhal. Onde está Stendhal em 1817? Politicamente, depois da epopeia napoleónica, é como se estivesse exilado, ou quase. A lembrança do Imperador encarcerado em Santa Helena desvanece-se (mas a corajosa dedicatória não o trai: «Os vossos vis inimigos não serão conhecidos senão pela felicidade que tiveram em ser vossos inimigos.»). A Restauração está por toda a parte, quer dizer, o dinheiro, a hipocrisia, as intrigas, os lugares. A História voltou a adormecer. Stendhal sabe que é suspeito, socialmente mas também pessoalmente. Ele sente de outra maneira, pensa de modo diferente, ama de uma forma que só a ele pertence, precisa de admirar, quer tornarse digno de admiração. Tem trinta e quatro anos. Não se sente bem. Está entre Ângela (que o trai) e Matilde (que será a grande paixão da sua vida). A Itália? Ah sim, mais do que nunca a França é insuportável, um dilúvio de suspeitas, de pequenos interesses, de velados, provincianos acertos de contas. A arte? Cada vez mais, pois é o mesmo que o amor. Mas que arte agora? Para dizer o quê? E com que corpos? Voltar aos gregos, como é habitual após os grandes colapsos? Sem dúvida, mas os Italianos (ainda sabemos tão pouco sobre eles) fizeram algo diferente do mau-gosto neoclássico revolucionário ou imperial. Não devemos imitar o Antigo, não devemos querer outra coisa senão o que somos. Como assim? Stendhal tem um fraco pela fisiologia. No início, é o temperamento, o resto deriva dele. Vejamos, existe o sanguíneo, o bilioso, o fleumático, o atlético, o nervoso, o melancólico. Stendhal é já um romancista, ele observa, aponta, classifica, faz retratos, diverte-se: «Movimentos constrangidos, decisões carregadas de hesitação e reserva revelam o melancólico. Os seus sentimentos estão sempre reflectidos, os seus desejos parecem atingir o alvo apenas por desvios. Se entrar num salão, deslizará rente às paredes.» O sanguíneobilioso é o temperamento mais feliz (é o dos Franceses, tanto melhor). Por outro lado, o «bilioso-melancólico, variedade tão comum em Espanha, em Portugal, no Japão, pareceme, pelo contrário, o temperamento da infelicidade em todas as suas formas». A situação histórica é melancólica? Vamos portanto chamá-la à ordem pelo espírito lógico e matemático (é o que Stendhal quer ser) mas capaz, ao mesmo tempo, de ir ao fundo do sentimento (é assim que Stendhal se imagina). Uma palavra resume esta síntese original que corre o risco de desaparecer na apatia e na busca de interesses medíocres: a energia. Assim, faremos a apologia, senão
PHILIPPE SOLLERS
(tradução de Emanuel Cameira)
Henri-Marie Beyle, mais conhecido pelo pseudónimo Stendhal (1783-1842)
de Napoleão (afinal de contas, muitas mortes para nada e demasiada Administração), pelo menos de Francisco I de França (a «energia da Liga semeia grandes homens»). Francisco I de França, contra Luís XIV que não compreende Bernini, é «italiano». A prova? Leonardo da Vinci. Luís XIV, e a comitiva, é talvez um erro em relação a Roma. O quê? Roma? Os papas? Sim, Júlio II, por exemplo, mas não só ele. E depois, claro, a Florença de Lourenço de Médicis: «Os seus poemas revelam uma alma apaixonada pelo amor, e que amou Deus como uma amante, aliança que a natureza apenas coloca nas almas que destina à união com os maiores génios. Ele costumava dizer: “Que aquele morreu já nesta vida, que não acredita na outra.” Com o mesmo estilo arrebatador, ora canta hinos sublimes ao Criador, ora venera o objecto de seus prazeres.»
A ITÁLIA? AH SIM, MAIS DO QUE NUNCA A FRANÇA É INSUPORTÁVEL, UM DILÚVIO DE SUSPEITAS, DE PEQUENOS INTERESSES, DE VELADOS, PROVINCIANOS ACERTOS DE CONTAS. A ARTE? CADA VEZ MAIS, POIS É O MESMO QUE O AMOR. MAS QUE ARTE AGORA? PARA DIZER O QUÊ? E COM QUE CORPOS?
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E aqui está o grande herói desses dois volumes deslumbrantes de clareza, de julgamento e de sensação (não, não, ninguém os leu, inútil dizer o contrário): Miguel Ângelo. O gosto por Miguel Ângelo renascerá, diz Stendhal (que não imagina a existência, um dia, de Rodin). É preciso ver como ele tenta entender as linhas de força que levam a um resultado tão humano, concentrado, único. Stendhal, porém, não possui a fibra bíblica, ele «leu Voltaire aos doze anos». Mas a Sistina prende-o, fascina-o, inquieta-o: «Um tolo aparece na Capela Sistina, e a sua vozinha perturba o silêncio augusto com o som das suas palavras vãs; onde estarão essas palavras? onde estará ele mesmo dentro de cem anos? Passa como pó, e as obras-primas imortais avançam silenciosamente ao longo dos séculos que virão.» Este é realmente Stendhal, não Chateaubriand. Profecia? Não: evidências. Stendhal está às cinco horas da manhã na Basílica de São Pedro, em Roma («Avisamos o porteiro na véspera»). Tenta analisar por que razão essa história (com seus excessos, seu derramamento de sangue, sua mística, suas blasfémias) pôde gerar essas obras. Stendhal e o culto dos grandes homens? Claro, e como ele está certo. Como materialização de «energia», é preciso dizer que Leonardo e Miguel Ângelo são casos a considerar à parte: «Miguel Ângelo passou vários meses a desenhar na capela de Masaccio. Lá, como em todo o lado, ele era superior, o que, claro, foi pago com um sentimento geral de ódio.» O que fascina Stendhal, que é tudo menos um amador ou um crítico de arte, é a luta entre poderes temporais e espirituais: o jogo, aqui, é bizarro, já que o papa encarna o temporal e Miguel Ângelo o espiritual. Ora, neste caso, o espiritual impõe-se «Desde aquele momento, Júlio III amou-o quase tanto quanto Júlio II outrora... Sobrevivendo-lhe, como a ordem da natureza parecia anunciar, quis embalsemá-lo, para que o seu corpo fosse tão imortal quanto as suas obras». Estranho plano para um artista por parte de um papa, não é? Eis Stendhal começando a existir em Itália. Isso o levará bem longe, é sabido. «O essencial, enquanto cá estivermos, é fugir dos estúpidos e mantermo-nos felizes.» E isto, stendhalíssimo: «O Amor está em Itália, não nos Estados Unidos da América ou em Londres... Em Inglaterra, jogar às cartas ao domingo ou tocar violino é um sacrilégio revoltante. O capitão do navio que levou Bonaparte a Santa Helena fez-lhe este extravagante anúncio.» Tradução de: Sollers, Philippe [1994], “Stendhal l’Italien”, in La Guerre du Goût, Paris, Gallimard, 1996, pp. 559-563. ¡- Em torno de Leonardo da Vinci; Em torno de Miguel Ângelo (Endnotes) 1 I – Em torno de Leonardo da Vinci; II – Em torno de Miguel Ângelo.
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retrovisor
LUÍS CARMELO
Fora do crucial domínio da necessidade e da dupla obrigação-dever, esta última uma área de grande elasticidade e aberta à transgressão, o tempo que cada pessoa é ocupa-se de formas diversas que se entrelaçam (e que, na maior parte das vezes, se confundem como uma máscara em tudo igual a um rosto). Em primeiro lugar, através da chamada reprodução social (também conhecida por “habitus” ou “fluxos”); em segundo lugar, através de preenchimentos vários e, em terceiro lugar, através de desejos que, de modo auto-suficiente, têm o condão de se poder projectar e expandir na vida. No primeiro caso, uma pessoa inclui-se em práticas de conjunto com a ilusão de que se trata de uma decisão apenas sua (fluxos de consumo, fluxos de turismo, fluxos televisivos, fluxos da net, fluxos do corpo, fluxos de linguagens simplificadas, etc. etc.). Estas participações tornam uma pessoa operacional e com o ser aparentemente preenchido (no que poderia caracterizar-se por felicidade descentrada). O segundo caso decorre de situações em que a pessoa se debate consigo mesma (ou com uma forte disrupção de sentido do que é estar no mundo) e esse embate, por diversas razões, acaba por ser substituído por actividades que preenchem a disforia e a angústia. A pessoa passa a viver por dentro dessas actividades (que podem, ou não, coincidir com as dos fluxos), mesmo sem constatar que elas estão vez de outras, de cariz interior e adiadas sine die. O terceiro caso é o de uma pessoa que consegue, em consciência e em certas circunstâncias (trata-se de algo que é acatado, de início, como um regime provisório), demarcar-se dos estados de fluxos e também dos estados de preenchimentos. Nessa suspensão poderá então emergir a projecção autónoma de desejos que se podem virar para o outro (paixão, amor, etc.) como para um grande leque de ocupações e de tarefas específicas do mundo. Perguntar o que é o desejo é quase o mesmo que perguntar o que pode uma pessoa ser. Avancemos
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22.4.2021 quinta-feira
O tempo do desejo que também somos
devagar: o desejo não se coíbe ao corpo. O desejo precede e sucede o corpo, mas não o consuma. Pode saciá-lo e regressar logo ao que não o revela, pois o desejo jamais dá a perceber as figurações que o traduzem. O desejo é o móbil do gesto, mas não o gesto. O desejo passa entre as fissuras e as
nódoas de todas as linguagens e só se pressente, tal como se prediz a atmosfera de um tornado. O desejo é uma segunda sombra que o corpo projecta no indefinido e, de modo nem sempre claro, em coisas e em seres particularmente definidos. Entender estes locais de definição é tentar conquistá-
O DESEJO É UMA SEGUNDA SOMBRA QUE O CORPO PROJECTA NO INDEFINIDO E, DE MODO NEM SEMPRE CLARO, EM COISAS E EM SERES PARTICULARMENTE DEFINIDOS. ENTENDER ESTES LOCAIS DE DEFINIÇÃO É TENTAR CONQUISTÁ-LOS
los. Conquistar aqui implica entrar na gravitação, por vezes hesitante, com que o desejo se dirige aos projectos e às metas em que se instalou. A hesitação é o posto de comando onde geralmente se cruzam desejos. Os espaços onde os humanos hesitam são vizinhos ou estão próximos das regiões onde o desejo incide em coisas e em seres definidos. O desejo estará sobretudo no volume da seta que perpassa os ares. Compreender a intensidade de uma vida é saber escutar o ar atravessado pelos muitos atritos do desejo que, no fundo, a elucidam.
quinta-feira 22.4.2021
GONÇALO WADDINGTON
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Nada está perdido
SEGUNDO ACTO CENA 4 Os dois militares ficam em silêncio, nada mais há para dizer a propósito do assunto Os Panteras vs Os Pantufas. O Major volta a cruzar os pés em cima do tampo da secretária e reacende o seu canhão Cubano. O Capitão acende um cigarro. Os dois fumam em silêncio. Gonçalo continua a articular o seu discurso, inaudível, mexendo a boca, e só a boca, incessantemente. O Major olha-o, intrigado. Major [indicando Gonçalo] E agora temos ali aquele peixe fora d’água… raios m’ partam! De onde é que ele apareceu? Capitão [suspira] Está cá desde ontem… ninguém o viu entrar. Não se sabe como é que ele entrou. Major Mas ele… surgiu… apenas? Isto é uma base militar altamente secreta… Ou pensávamos nós que era! Está a dizer-me que aquele indivíduo, com roupas estranhas - será uma farda militar desconhecida? - passou despercebido por todos os portões e todas as portas, sem dar cavaco a ninguém e deitou-se aqui para dar à guelra? Capitão Meu Major, parece-me impossível que alguém possa chegar aqui sem ser identificado, pelo menos, em três pontos: o portão principal, o portão intermédio - antes de começarmos a descer aos pisos subterrâneos - e a porta azul, antes desta sala onde nos encontramos agora. E isto é num dia calmo… eu já cheguei a ser identificado sete vezes antes de aqui chegar. Major [interrompendo] E muito bem! Capitão E muito bem, sim, meu Major! Major [rindo] Ó homem, relaxe. Capitão [sorrindo, atrapalhado] Sim, meu Major… Major O som do coro bem melado nada tinha de meloso… Capitão [confuso] Perdão? Major [rindo] O som do coro bem melado nada tinha de meloso. Capitão [a medo] Não percebo.
ARTES, LETRAS E IDEIAS
Major Pois não… Mas a culpa não é sua. [pausa] Nem minha…! O som do coro bem melado nada tinha de meloso… [pausa] Coisas minhas… Gosto de poesia, sabe. [pausa] Significa que o som do coro, o que quer que cantavam, fosse a letra ou a melodia, era doce, mas não era piegas… que era suave, mas não era insípido. Capitão Compreendo… Major [indica Gonçalo] Bem pode ser isto o que aquele pobre peixe está para ali a borbulhar. O som do coro bem melado nada tinha de meloso… Capitão Já sabemos o que ele está a dizer, meu Major. Major [surpreendido] Desde quando? Capitão [hesitante] Desde hoje de manhã? Major E falava de quê? Capitão Balbuciava… sobre vícios. Fumar, roer as unhas… vícios de boca, dizia ele. Major [olha desconfiado para Gonçalo] Vícios de boca… será algum código? Capitão [baralhado] Código, meu Major…? Major [humilhado] Sim, código, porra… sabe o que é um código?! A águia aterrou!?
[pausa] A marreta está no ar?! Dêem-lhes música?! Capitão Sim, meu Major! Major E ENTÃO?! Capitão Não nos parece ser um código… Major [desconfiado] E como é que souberam o que ele estava a dizer? Capitão Um dos oficiais tem um filho surdo-mudo e aprendeu leitura labial e língua gestual portuguesa… Major Língua quê!? Capitão Língua gestual portuguesa, meu Major. Major Certo… e sabe ler lábios? Capitão Sei, meu Ma… SABE, MEU MAJOR! Major Não grite! Capitão Perdão, meu Major! Major Mas, afinal, quem é que sabe ler os lábios e falar não-sei-quê Portuguesa… é você?! Capitão [inseguro] Eh… O Major levanta-se, pousa os punhos no tampo da secretária e continua a falar com o canhão Cubano entredentes. Major Sabe quem é que lê muito bem lábios? Capitão [apanicando] Não, meu Major…
[ CONTINUA ]
Major [sorrindo, malicioso] SÃO AS PUTAS E OS PANELEIROS! O Major desata a rir alarvemente até se engasgar num pedacito de tabaco mais maroto que saiu do charuto em direcção ao seu goto. Tosse tanto que às tantas começa a ficar muito vermelho e a bater com os punhos no tampo da mesa. O Capitão aproxima-se para o auxiliar, preocupado, e dá-lhe uma pancada nas costas para o desengasgar. O Major responde com um socão no queixo do pobre coitado que veio em seu auxilio, deixando-o estendido no chão. O Major recompõe-se, bebendo água do seu cantil. Depois, despeja o resto da água na cara do Capitão. Este acorda em pânico, como se tivesse sido arrancado das portas do inferno. Levanta-se a custo e recompõe a farda. Major Mas o que é que ele estará a dizer agora? Capitão [assustado] Ele fala… [pausa] É muito lento, demora duas a três horas para completar uma frase. É quase como se estivesse… [hesita]… como se estivesse… Major Desembuche! Capitão Como se estivesse desfasado… Major Desfasado?! Capitão Sim, meu Major? Major De quê? Capitão Dele mesmo, meu Major. [pausa] Tudo nele indica estar numa normalidade, perdoe-me a expressão. O discurso é lógico, embora irrelevante. Não há razão para acreditar que se trate de um código… os peritos assim o disseram. Não encontram um padrão reconhecível ou disfarçado, nada… Além de que não há ninguém para o ouvir, ou ler, neste caso, apenas o meu Major e eu. Major Certo… [pausa] Mas, afinal, quem é o oficial que sabe ler os lábios e a gestual-não sei-quê? Capitão [a medo] Sou eu, meu Major. Major Já desconfiava! [pausa] Perdoe-me a insensibilidade de há pouco… das putas e não sei que mais… às vezes sou um porco.
14 [f]utilidades
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UM DISCO HOJE S U D O K U 14 4
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 13
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STAND BY ME DORAEMON 2 [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Ryuichi Yagi, Takashi Yamazaki 16.45, 19.30
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chika Nagaoka 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Celebra-se esta ano o 30.º aniversário do lançamento de “Incesticide”. Três redondas décadas. A compilação de temas inéditos, lados b de singles e versões, foi posta à venda há pouco mais de um ano depois do lançamento do icónico “Nevermind”, apresentando aos muitos recentes fãs da banda de Cobain e companhia músicas que ajudaram a moldar o som dos Nirvana. O disco foi encarado pela banda como uma “cash cow”, ou galinha dos ovos de ouro, revelando a relação complicada com a crescente popularidade. Independentemente disso, “Incesticide” é um belíssimo disco e testemunho da viragem para a década que enterrou o século XX. Voltou à minha playlist de chuveiro sem qualquer razão para tal. João Luz
YUAN
C I N E M A
SALA 1
DETECTIVE CONAN: THE SCARLET BULLET [B]
PROBLEMA 14
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SALA 3
ALL YOU NEED IS LOVE [C]
SALA 2
SEOBOK [C]
FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Lee Yong Zoo Com: Gong Yoo, Park Bo Gum Jo Woo Jin, Jang Young Nam 14.30, 21.30
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Vincent Kok Com: Louis Koo, Tony Leung, Francis Ng, Jackie Chan 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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in esquerda.net
opinião 15
José Manuel Pureza
DEMOCRACIA CONTRA A CORRUPÇÃO UMADEMOCRACIA que se leva a sério não transige no combate à corrupção. E uma estratégia de combate à corrupção para ser levada a sério tem de ter no centro a perseguição do rasto do dinheiro. A corrupção não é um favorzito, é dinheiro a mover-se para conseguir vantagens. Por isso, se não houver a lucidez de pôr no centro do combate à corrupção uma lei que permita seguir o rasto do dinheiro e se não houver a determinação de dotar as polícias dos meios para o fazer, então estaremos a brincar ao combate à corrupção e estaremos a manter a resposta à corrupção num registo pouco mais que formal. A corrupção que mina a democracia – a dos milhões muito mais que a dos tostões – é cada vez mais ágil no recurso aos mecanismos de lavagem que a globalização engendrou, como os vistos gold ou os offshores. Todos sabem disso e, no entanto, perpetuam-se os discursos justificativos que perpetuam essas lavandarias de dinheiro da corrupção com o pretexto de que “é mau, é sujo, mas é nosso e dá-nos muito dinheirinho”.Aprovar que a luta contra a corrupção tem menos aliados firmes do que se supõe. Por tudo isto, é crucial dar o passo da criminalização da ocultação da riqueza para permitir seguir o rasto do dinheiro. Que a proposta governamental de estratégia nacional de combate à corrupção a tenha deliberadamente excluído alegando que não é de mais lei que precisamos é uma escolha sob a forma de desculpa. Diante da evidência da imprescindibilidade dessa criminalização, o bloco central invoca outra desculpa: consagrá-la agora seria legislar a quente – como se as tentativas de dotar o país dessa ferramenta essencial não tivessem década e meia… E não, não há nenhuma inconstitucionalidade inevitável na criminalização da ocultação de riqueza. Se precisássemos de provas de que assim é, bastaria a proposta avançada pela Associação Sindical dos Juízes que adiciona à obrigação de declaração do património dos titulares de altos cargos públicos uma obrigação de justificação de incrementos patrimoniais, juntando ao crime de desobediência qualificada que resulta da não declaração, um crime de ocultação de riqueza que resulta da não justificação e a perda dos referidos incrementos a favor do Estado. Um combate eficaz à corrupção não tem alas mágicas nem panaceias. Precisamos de tudo: educação, instituições de controlo a funcionar com meios técnicos e humanos adequados, regimes apertados de incompatibilidades que previnam o uso de cargos públicos para benefício privado. E precisamos de lei, sim senhor. De uma lei que incomode quem se abotoa com milhões para tomar decisões, que garanta que o rasto do dinheiro não é apagado. O combate à corrupção é decisivo para a luta da democracia contra os que a querem frágil. Já vamos tarde. Mas é sempre tempo.
A corrupção que mina a democracia – a dos milhões muito mais que a dos tostões – é cada vez mais ágil no recurso aos mecanismos de lavagem que a globalização engendrou, como os vistos gold ou os offshores
quinta-feira
“As desventuras servem de lição aos homens.” PALAVRA DO DIA
Galaxy Apresentado esquema de reforma antecipada para funcionários
Contribuições FSS alerta para responsabilidades criminais
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presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, indicou, na terça-feira, que alguns funcionários do Galaxy tinham sido convocados para uma reunião onde lhes foi apresentado um esquema de reforma. A iniciativa é dirigida a funcionários que querem reformar-se antecipadamente ou mudar de emprego. A mensagem foi divulgada por Cloee Chao através do “Youtube”. “Achamos que o esquema é de boa-fé. Em primeiro lugar, não é obrigatório, em segundo lugar, oferece uma indemnização”, adiantou a responsável. Cloee Chao exemplificou que os supervisores podem obter 380 mil patacas, enquanto os gestores de projecto podem receber 520 mil patacas. A indemnização para os croupiers ainda não é conhecida, mas a líder associativa recebeu a dica de que pode rondar as 260 mil patacas. “Estimamos que o montante seja semelhante a 13 meses de salário”, apontou. Lei Man Chao, vice-presidente da associação, pediu atenção aos detalhes da proposta. “Superficialmente, é mais atractivo do que a indemnização da Lei laboral. Mas ainda precisamos de saber os detalhes, como as alíneas, a duração e as condições”, avisou. “Sobre o esquema de reforma lançado de boa-fé para reduzir os recursos humanos, a associação mostra-se a favor, mas tal como Lei disse, é preciso saber que alíneas compõem o acordo. Diz-se sempre que o diabo está nos detalhes”, frisou Cloee Chao. A responsável associativa recordou que durante a pandemia a associação recebeu queixas sobre empresas de jogo, por exemplo, que transferiram funcionários para outros cargos de modo a forçá-los a apresentar demissão. PUB PUB.
22.4.2021
Esopo
COVID-19 PUTIN QUER IMUNIDADE DE GRUPO ATÉ AO OUTONO
Com trio d’ataque
O
Presidente russo, Vladimir Putin, fixou ontem o objectivo de alcançar a imunidade de grupo contra a covid-19 até ao Outono e definiu como uma das maiores prioridades aumentar os rendimentos dos cidadãos. “A vacinação tem hoje uma importância capital (...) para permitir desenvolver a imunidade de grupo até ao Outono”, disse Putin no seu discurso anual sobre o estado da Nação, no qual saudou ainda o “verdadeiro avanço” científico da Rússia ao desenvolver três vacinas contra a doença. “Os nossos cientistas realizaram um verdadeiro avanço. A Rússia dispõe agora de três vacinas fiáveis contra a coronavírus”, disse. Destacando a “contenção” dos seus compatriotas, que “respeitaram as medidas de precaução esgotantes” contra a covid-19, Putin pediu-lhes que se vacinem, numa altura em que a
Coloane Mais câmaras na prisão
O Estabelecimento Prisional de Coloane tem instaladas 120 câmaras em várias zonas da prisão, incluindo celas. Contudo, à TDM Rádio Macau, a Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) contou que pretende aumentar os equipamentos de videovigilância para fazer face a uma “situação prisional cada vez mais complicada”. Segundo a emissora, o primeiro plano da instalação de câmaras já foi concluído em Janeiro, e agora o plano passa por instalar câmaras adicionais em “celas de observação dos reclusos recém-entrados, celas da enfermaria e celas disciplinares, fora das áreas de casa de banho”.
campanha de vacinação está atrasada devido à desconfiança da população. Putin afirmou ainda que irá manter “todas as fronteiras sob controlo para atrasar a propagação do vírus”. No mesmo discurso, Putin definiu como uma das grandes prioridades do Governo fazer crescer o rendimento dos russos, anunciando, a meses das legislativas, uma série de ajudas financeiras às famílias com crianças. “O mais importante agora é assegurar o crescimento dos rendimentos
“Os nossos cientistas realizaram um verdadeiro avanço. A Rússia dispõe agora de três vacinas fiáveis contra a coronavírus.” VLADIMIR PUTIN PRESIDENTE RUSSO
dos cidadãos, restabelecê-los”, disse o chefe de Estado, numa altura em que o poder de compra dos russos está em queda há anos, tendo ainda sofrido os efeitos da pandemia.
Esperanças e discrepâncias
Putin prometeu ainda novas medidas para encorajar a natalidade e para aumentar a esperança de vida, reconhecendo que a pandemia exacerbou as tendências demográficas na Rússia. A Rússia registou 8.000 e 9.000 novos casos de contaminação por dia no mês de Abril, e Moscovo, a cidade mais afectada, registou cerca de 2.000 novos casos diários nos últimos dias. Os números da mortalidade divergem segundo a fonte: o Governo reconheceu ontem 106.706 mortes, enquanto a agência de estatísticas Rosstat registou pelo menos 224.000 até ao final de Fevereiro, o que coloca a Rússia entre os países mais afectados pela pandemia no mundo.
Índia Vinte e dois pacientes morrem por falta de oxigénio
Vinte e dois pacientes morreram num hospital indiano quando o suprimento de oxigénio foi interrompido devido a uma ruptura num tanque, anunciou ontem uma autoridade no oeste da Índia. Suraj Mandhar, uma autoridade distrital, disse que o suprimento de oxigénio foi retomado posteriormente para os demais pacientes do hospital. O oficial dos bombeiros Sanjay Bairagi disse que o problema foi resolvido pelos bombeiros em 15 minutos, mas houve interrupção no fornecimento de oxigénio no Hospital Zakir Hussain, em Nashik, Mais de 170 pacientes estavam a receber oxigénio no hospital, de acordo com os meios de comunicação locais. A Índia anunciou ontem mais de dois mil mortos com covid-19 e quase 300 mil casos em 24 horas, um recorde nacional e um dos mais altos números diários do mundo desde o início da pandemia.
Fundo de Segurança Social (FSS) indicou em comunicado que foi recentemente julgado um caso pelo Tribunal “em que a pessoa envolvida foi condenada a pena pela prática de crime de burla de valor elevado”, frisando a necessidade de empregadores e trabalhadores residentes declararem os dados reais quando pagam contribuições. E lançou o alerta: “caso contrário, tal pode constituir responsabilidade criminal”. Na nota, o FSS aponta que os empregadores devem declarar os dados de movimento de emprego dos trabalhadores “em conformidade com a realidade” e fazer o pagamento das contribuições em seu nome. Residentes com idade superior a 18 anos, podem inscrever-se no regime facultativo e fazer as contribuições, se tiverem permanecido no território 183 dias durante os 12 meses anteriores. “O FSS dispõe de um mecanismo de verificação, se descobrir que o respectivo indivíduo pretende obter para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, por declaração de dados falsos ou utilização de declaração falsa, tal será comunicado ao Ministério Público para fins de processamento”, observou. O organismo dá o exemplo de um indivíduo que foi condenado pela prática de crime de burla de valor elevado por ter apresentado declarações falsas sobre o tempo de permanência em Macau, e defraudar o FSS num montante de pensão para idosos superior a 120 mil patacas.