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Hoje Macau 22 NOV 2018 #4178

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EVENTOS

Educador na prisão PÁGINA 7

OPINIÃO

A luta contra a selecção de feriados, proposta pelo Governo nas alterações à Lei Laboral, conhece um novo capítulo

TÂNIA DOS SANTOS

PÁGINAS 4-5 JOÃO MARTINHO

Gino-fobia

no próximo domingo com um protesto na rua a que se juntam os deputados da FAOM Ella Lei e Leong Sun Iok.

GRANDE PRÉMIO DE MACAU

Todas as imagens PÁGINA 17

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FUNDAÇÃO ORIENTE UMA HISTÓRIA COM TRÊS DÉCADAS GRANDE PLANO

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CRIME

DANIEL DIMICK

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QUINTA-FEIRA 22 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4179


2 grande plano

30 FUNDAÇÃO ORIENTE

A Fundação Oriente nasceu há 30 anos como contrapartida de um contrato de jogo assinado com a STDM durante o Governo de Carlos Melancia. Esteve envolvida em polémica até ao final da transição e, para alguns analistas, deixou uma mancha nas relações entre Portugal, Macau e China, apesar do extenso trabalho cultural feito em Lisboa e nas delegações

O

tema é ainda polémico e nem todos querem falar dele. Há quem tenha passado pela Fundação Oriente (FO) e tenha decidido encerrar para sempre esse capítulo. Criada oficialmente em 1988, a entidade surgiu durante o Governo de Carlos Melancia como contrapartida incluída num contrato de jogo assinado com a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM). Recorde-se que, à altura, o actual presidente da fundação, Carlos Monjardino, era secretário-adjunto da administração Melancia. No contrato assinado com a STDM, uma cláusula previa a criação de uma fundação que iria receber, até 2001, 1,6 por cento das receitas brutas obtidas pela concessionária, o que levantou dúvidas e uma chuva de críticas junto da comunidade chinesa e dos deputados da Assembleia Legislativa (AL). A FO arrancou com um fundo inicial de 212 milhões de patacas, montante ao qual acrescia uma contribuição de 100 milhões de patacas. Contudo, a FO deixou de estar ligada ao contrato de jogo da STDM no dia 1 de Janeiro de 1996, graças às negociações no âmbito do Grupo de Ligação Luso-Chinês. Como tal, a cláusula que daria 1,6 por cento das receitas à fundação foi suspensa. Este foi, portanto, um tema que se arrastou até à Administração de Vasco Rocha Vieira, último Governador português de Macau. Na sua biografia “A todos os portos a que cheguei”, lê-se que quando Rocha Vieira tomou posse, em 1991, “a polémica em torno da FO estava a crescer como uma bola de neve”. Isto porque “o grosso da opinião pública do território e as autoridades de Pequim contestavam

22.11.2018 quinta-feira

ANOS DEPOIS

A POLÉMICA E AS TRÊS DÉCADAS DE EXISTÊNCIA

a legitimidade de um contrato nos termos do qual uma entidade com sede em Lisboa era alimentada com recursos gerados em Macau”. O caso chegou a atingir as relações diplomáticas entre Portugal e China, como recorda o historiador Jorge Morbey ao HM. “Do que eu conheço, a FO constituiu um empecilho no relacionamento entre Portugal e China”, frisou. “Estava em Pequim quando Mário Soares, à data presidente

da República, visitou a China, e a presença do presidente da FO na mesma comitiva criou problemas extremamente desagradáveis na preparação da visita. Os chineses não queriam, de maneira nenhuma, reconhecer a FO, e também a sua presença na delegação portuguesa.” Três décadas depois, Jorge Morbey considera que muita coisa ficou por fazer por parte da fundação. “Tendo em conta os estatutos da FO, temos é de perspectivar o bom

e o mau que fez em Macau. Considero que o que fez se revelou uma frustração, tendo em conta os pressupostos iniciais e fundacionais e a realidade”, frisou. Para Morbey, o caso “pode estar esquecido, mas não deixa de ser desagradável”. Na biografia de Rocha Vieira, lê-se que, aos olhos de Pequim, a FO “não era uma instituição privada e o Governo de Macau deveria ter direito a fiscalização sobre a sua actividade”.


grande plano 3

quinta-feira 22.11.2018

JOÃO AMORIM MEMBRO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA FO

Protocolo com IC foi “empurrãozinho político” Que balanço faz dos 30 anos de existência da FO? Trinta anos é muito tempo e obviamente que o balanço é positivo. A fundação foi criada a partir de Macau e, na década de 90, criámos as delegações de Macau e da Índia. Criámos depois a delegação em Timor-Leste e em 2008 conseguimos criar o nosso projecto, que foi pensado e construído ao longo de dez anos: o Museu do Oriente. Foi algo que nos trouxe uma nova visibilidade aqui [em Portugal], porque até aí não tínhamos um local próprio para poder mostrar as nossas colecções e desenvolver outras actividades culturais.

Carlos Monjardino, Stanley Ho (STDM) e o então Presidente da República, Mário Soares

CARTAS DE NG KUOK CHEONG

Mesmo com a tentativa de evitar um descalabro político, a polémica chegou à AL, tendo sido analisado pela Comissão de Administração e Finanças Públicas, à época presidida pelo advogado e deputado Rui Afonso, já falecido. Os deputados questionavam a ausência de uma comissão instaladora da FO.

“Questionei o facto do Governo de Macau atribuir uma grande quantidade de dinheiro a uma fundação portuguesa, e se isso se justificava. De acordo com a lei os ganhos do Governo [com o jogo] deveriam ficar em Macau.” NG KUOK CHEONG DEPUTADO

Acriação desta entidade originou “um crescente azedume na sociedade macaense”, além de que a comunidade chinesa “forçou a entrada dessa questão na agenda diplomática das relações entre Lisboa e Pequim”, que culminou com a decisão da saída do Grupo de Ligação Luso-Chinês, já nos anos 90. Quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, o deputado Ng Kuok Cheong chegou a entregar-lhe uma carta, apoiada por “nove associações macaenses”, questionando as razões para a criação da FO, mas, segundo adiantou ao HM, nunca recebeu qualquer resposta. O episódio também é relatado no livro de Rocha Vieira.

“Questionei o facto do Governo de Macau atribuir uma grande quantidade de dinheiro a uma fundação portuguesa, e se isso se justificava. De acordo com a lei, os ganhos do Governo [com o jogo] deveriam ficar em Macau. O Governo nunca me respondeu de forma oficial, e mais tarde fui informado de que os fundos tinham deixado de ser enviados para Portugal devido à atenção pública sobre o caso.”

Houve então um novo fôlego? Sim. Em Macau, houve uma certa mudança de estratégia, não muito acentuada, entre a Administração portuguesa e chinesa, e mantivemos actividades ligadas ao ensino do português. O ensino do português é algo a que estamos ligados desde o princípio, em Macau, Índia e mais recentemente em Timor. A nível cultural desenvolvemos as nossas actividades nessas delegações e aqui em Lisboa temos o museu, que é um organismo vivo. Temos

FO E XI JINPING

O aniversário da FO coincide com a primeira visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal. Além disso, este ano celebrou-se o primeiro protocolo entre a FO e o Instituto Cultural. Para o analista político Arnaldo Gonçalves este é um sinal da aproximação de relações tardias. “Quase 20 anos depois, celebrou-se este acordo e isso está ligado à visita do presidente Xi Jinping. Há hipóteses dele visitar a FO. Seria desagradável o presidente da China visitar uma fundação que é uma exaltação da cultura chinesa e o Governo da RAEM e as suas instituições estarem divorciadas da FO.” Arnaldo Gonçalves destaca o conteúdo rico do Museu do Oriente e acredita que o “papel da FO tem sido desvalorizado”. “Lamento isso. Independentemente do que aconteceu no passado, parece um espírito curto e é uma pena que não haja um desenvolvimento. É um bocado desapropriado esse distanciamento”, concluiu. O aniversário da FO tem sido celebrado com diversas actividades no Museu do Oriente, em Lisboa. Em Macau, os trinta anos da fundação celebram-se esta sexta-feira com a realização de um concerto, “Concordis”, na Casa Garden. Andreia Sofia Silva (com J.S.F.)

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A criação da FO esteve envolta em alguma polémica. 30 anos depois, esse capítulo está encerrado? Não diria que a criação esteve envolta em polémica. Houve alguma no período que antecedeu a transição de Macau, e resolveu-se o problema com o Grupo de Ligação Luso-Chinês. A FO sempre foi portuguesa, mas o pensamento dos chineses não era exactamente igual ao nosso e foi necessário negociar o estatuto da FO em Macau, já que em Portugal nunca esteve em causa. Esse período coincidiu com a minha passagem por aí, na qualidade de responsável pela delegação, e foi, diria, muito interessante. Tudo se resolveu bem, tivemos que fazer umas escolhas, mas foi bom resolvermos isso com um acordo entre as duas partes, porque potenciou a continuação da ligação da fundação à China. Sinal disso é que mantemos, desde 1998, o protocolo com o Ministério da Cultura da China.

FUNDAÇÃO ORIENTE

O último Governador de Macau tentou “gerir o melhor possível a situação, não só para evitar que ela contamine a acção governativa mas também para ajudar a encontrar uma saída para o diferendo, através de um compromisso com a China”.

um programa de espectáculos, fazemos muitas conferências, workshops. O nosso centro de documentação funciona para dar apoio a investigadores.

“A FO sempre foi portuguesa, mas o pensamento dos chineses não era exactamente igual ao nosso e foi necessário negociar o estatuto da FO em Macau, já que em Portugal nunca esteve em causa.”

Foi assinado recentemente um protocolo com o Instituto Cultural (IC). Porquê tanto tempo para assinar um acordo desta natureza? Que actividades serão desenvolvidas? Não fazia muito sentido termos um protocolo de cooperação cultural com a China e não termos com Macau. Demorou muito tempo, mas também as duas partes não tinham pensado nisso de modo muito activo. Há uns dois anos, com a visita do secretário a Portugal [Alexis Tam], ficou decidido que faria todo o sentido. O protocolo abre as portas para uma colaboração mais institucionalizada, e o que vamos fazer cabe agora às duas partes. Vamos propor actividades de Macau em Portugal e vice-versa, e queríamos explorar parcerias com os museus de Macau. O protocolo é mais um empurrãozinho político. Uma questão formal que estava por concretizar. Tem significado político e é importante continuarmos as boas relações que temos com Macau. É continuar o trabalho que tem vindo a ser feito. Daqui a semanas o presidente Xi Jinping estará em Lisboa. Está prevista alguma visita ao Museu do Oriente? Não fomos contactados para esse efeito. Fizemos alguns contactos para a realização de eventos ligados à visita do presidente, nomeadamente o lançamento de um livro do próprio presidente chinês. Por uma questão de espaço, o lançamento será feito no Palácio Nacional da Ajuda. Com esta visita talvez se fortaleçam investimentos e relações político-económicas entre os dois países, e dá-me impressão que o Governo português acordou agora para essa realidade. Sobre a delegação da FO em Macau, quais os planos para o futuro? Prevêem-se mudanças no modelo de funcionamento? Em equipa que ganha não se mexe. É natural que daqui a um ano ou assim possamos fazer uma avaliação do trabalho e, eventualmente, explorar novas coisas. Mas nesta matéria não há muito a inventar. A gestão da fundação é bastante descentralizada, e as delegações podem propor o que acham melhor e nós aqui analisamos. A.S.S.


4 assembleia legislativa

22.11.2018 quinta-feira

A luta continua

RÓMULO SANTOS

FERIADOS DEPUTADOS DOS OPERÁRIOS JUNTAM-SE A PROTESTO NO DOMINGO

O

Governo quer criar uma lei para regular as empresas de capitais públicos e os trabalhos deverão arrancar durante o próximo ano, revelou ontem o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, na Assembleia Legislativa, justificando a medida com a necessidade de aumentar a transparência na utilização das verbas públicas. “Creio que no curto prazo vamos elaborar orientações internas para melhorar a situação financeira e o grau de transparência da utilização dos dinheiros públicos.

Proposta de orçamento aprovada Governo vai trabalhar em lei para empresas de capitais públicos

Ainda em 2019 temos de começar a ver como vamos legislar uma lei para as empresas de capitais públicos”, afirmou Lionel Leong, durante o debate da proposta de Lei do Orçamento para 2019, aprovada na generalidade, por unanimidade. O assunto tinha sido trazido para a discussão por deputados como Agnes Lam e Zheng Anting,

que se mostraram interessados na fiscalização das empresas de capitais públicos. Contudo, Lionel Leong garantiu que companhias como Macau Investimento e Desenvolvimento, que investe num parque de Medicina Tradicional Chinesa na Ilha da Montanha, têm a sua contabilidade analisada por auditorias independentes por uma questão de transparência.

Segundo a proposta de orçamento, o Governo prevê ficar 19,04 mil milhões de patacas mais rico, no final do próximo ano, dado que estima que as receitas globais ascendam a 122,3 mil milhões de patacas (+13,3 por cento) e que as despesas atinjam 103,3 mil milhões de patacas (+2,2 por cento). Leong prometeu ainda “manter o montante das despesas abaixo da receitas”,

uma exigência da Lei Básica, e apenas “gastar o necessário”.

MAIS 1158 TRABALHADORES

Outro dos pontos discutidos foi o aumento no número de funcionários públicos contratados. Ella Lei tentou obter explicações para a razão de haver um aumento em cerca de 1158 trabalhadores. Segundo a deputada, os Serviços de Alfândega e a Polícia Judiciária, assim como o sector da saúde, serão os principais responsáveis pelo aumento. Também José Pereira Coutinho abordou o assunto da contratação e


assembleia legislativa 5

quinta-feira 22.11.2018

A

luta continua. Após o ataque concertado, há uma semana, por parte de toda a bancada dos Operários contra o Governo devido à polémica em torno da transferência de gozo de feriados obrigatórios, Ella Lei e Leong Sun Iok voltaram ontem à carga durante o período de intervenções antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa (AL) e, no próximo domingo, juntam-se a um protesto no Jardim Vasco da Gama, confirmou o HM junto de um dos deputados. No centro da polémica figura a chamada proposta “três em quatro” no âmbito das mexidas à lei laboral, à luz da qual três de quatro feriados obrigatórios podem ser gozados em dias de feriados não obrigatórios. A saber: Fraternidade Universal (1 de Janeiro), Cheng Ming (Dia dos Finados), dia seguinte ao Chong Chao (Bolo Lunar) e Chong Yeong (Culto dos Antepassados). Uma medida que a ala laboral recusa por entender

questionou o facto do Comissariado Contra a Corrupção necessitar de mais 60 funcionários. Na resposta, Lionel Leong explicou que as contratações são avaliadas por si, depois de ouvir os Serviços de Administração e Função Pública e que é sempre tida em conta a capacidade dos serviços para suportarem as despesas com o aumento dos trabalhadores. Por outro lado, o secretário para a Economia e Finanças deu uma prova de confiança aos colegas: “Acredito que os meus colegas são responsáveis”. J.S.F.

que as garantias mínimas dos trabalhadores saem beliscadas. Nas intervenções de ontem a tónica de ambos foi para as consequências que o nó górdio da selecção de feriados acarreta. “O Governo apresentou a proposta da ‘escolha de três em quatro’ e juntou-a a outras que já reúnem consenso social, caso da sobreposição de feriados e da licença de paternidade remunerada”, apontou Leong Sun Iok. “Esta medida atrasou significativamente o processo legislativo, desiludiu a parte laboral e não cumpre o compromisso assumido pelo Chefe do Executivo”, realçou. Ella Lei bateu na mesma tecla: “Afinal, qual é o objectivo de se legislar esta proposta em pacote com as restantes alterações à lei? É para obrigar a parte laboral a optar entre duas propostas? Ou seja, aceitar a ‘escolha de três em quatro’ imposta pelo Governo ou abandonar a compensação para os feriados sobrepostos e a licença de paternidade?”

CONCERTAÇÃO A 5 DE DEZEMBRO

Aos jornalistas, na AL, enquanto decorriam as intervenções antes da ordem do dia, o secretário para Economia e Finanças, Lionel Leong, insistiu que espera que as partes cheguem a acordo, apostando as fichas na reunião do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS), convocada para o próximo dia 5 de Dezembro. “Esperemos que através da reunião, convocada para apresentarem as suas preocupações e opiniões, possam chegar a consenso o mais breve possível”, afirmou. Lionel Leong realçou que tem mantido o diálogo com ambas as partes – laboral e patronal – e insistiu – em linha com a garantia dada na semana passada pelo Chefe do Executivo – que os direitos adquiridos dos trabalhadores não vão ser prejudicados. “Todo o trabalho prestado nos dias seleccionados de entre os feriados públicos será pago conforme o estipulado na lei, isto é a triplicar”, reiterou. Já sobre a possibilidade de tal condicionar a escolha dos trabalhadores – face à

Grande Prémio Son Pek Kei sugere dias de feriado

FACEBOOK

Os dois deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau eleitos por sufrágio universal voltaram ontem a atacar o Governo na Assembleia Legislativa devido à polémica selecção de feriados no âmbito das mexidas à lei laboral e, no próximo domingo, saem à rua em protesto

A legisladora Song Pek Kei defendeu ontem a necessidade de se criarem feriados durante os dias do Grande Prémio, com o objectivo de afastar os inconvenientes para a população da realização do evento. “Na minha opinião, se no futuro se conseguir realizar o Grande Prémio e, ao mesmo tempo, reduzir as inconveniências para a população, será uma vantagem para o Governo, residentes e amantes da actividade”, frisou a deputada. “Sugiro o aumento dos feriados para gozar durante o Grande Prémio, incentivando os cidadãos a participarem nas actividades relacionadas com a competição”, afirmou. “Com a introdução desses feriados, pode resolver-se o problema das deslocações dos cidadãos e aliviar o trânsito, isto é, matam-se dois coelhos duma cajadada só”, acrescentou.

Ella Lei e Leong Sun Iok vão juntar-se a um protesto no próximo domingo contra a selecção de feriados sua capacidade negocial perante os patrões –, Lionel Leong respondeu com uma pergunta: “Obviamente que ambas as partes têm opiniões diferentes. Como podemos minimizar as divergências?” O secretário para a Economia e Finanças abriu, porém, a porta à possibilidade de separar a selecção dos feriados das restantes seis alterações à Lei das Relações de Trabalho, de modo a que os pontos consensuais – como a licença de paternidade remunerada possam seguir primeiro para a AL – se as duas partes se entenderem a respeito no seio do CPCS. Com efeito, antes da reunião do CPCS, os deputados Ella Lei e Leong Sun Iok vão juntar-se a um protesto, a ter lugar no domingo no Jardim Vasco da Gama, convocado nas redes sociais por um grupo denominado de aliança dos trabalhadores que estão contra a selecção de feriados. A informação foi confirmada por Leong Sun Iok ao HM: “Recebemos um convite do organizador e vamos participar porque a reivindicação é igual à nossa”. Diana do Mar (com J.S.F. e V.N.)

info@hojemacau.com.mo

Eles não deixam nada Wu Chout Kit queixa-se de pouca participação de empresas locais nas grandes obras

O

deputado Wu Chou Kit considera que as empresas locais estão a ser afastadas, devido à sua dimensão, das grandes obras em Macau e pede ao Governo para ajudar o sector. O pedido foi feito pelo legislador nomeado pelo Chefe do Executivo, ontem, na Assembleia Legislativa (AL), antes da ordem do dia. “Em resultado da abertura do mercado do jogo e da realização de grandes empreendimentos, diversas empresas do Interior da China e estrangeiras vieram investir e construir em Macau”, começou por dizer Wu. “Mas as empresas de construção civil de Macau, devido à sua pequena dimensão e falta de experiência, não têm conseguido participar nos grandes empreendimentos de construção, uma vez que, em termos de dimensão, se têm mantido como ‘micro-empresas’”, considerou. Wu recordou também que no passado o Chefe do Executivo tinha prometido que seriam implementadas medidas para promover a cooperação entre empresas do exterior e locais, com o objectivo de desenvolver o sector do território. Ao mesmo tempo, seriam igualmente tomadas medidas para que os profissionais de Macau tivessem oportunidades para aprender e participar nas grande obras. Contudo, o deputado diz que a construção civil local considera que as medidas ainda estão por ser adoptadas: “As empresas e profissionais locais da construção civil anseiam pela implementação das referidas políticas, porque através da colaboração e da prática é que conseguem aprender novas técnicas para servir Macau”, vincou. Por outro lado, o legislador indicou que se obtiverem experiência nas grandes obras, as empresas locais vão poder participar “nos projectos de construção de Zhuhai e de Hengqin, e até nos empreendimentos da

Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau”.

BOMBA-RELÓGIO

Também o deputado e construtor Mak Soi Kun abordou a situação das obras, nomeadamente a necessidade de avançar com a renovação urbana. O legislador criticou ainda as construções antigas, devido à falta de qualidade. “Os prédios com mais de 30 anos, tendo em conta o passar do tempo e os materiais e as técnicas de construção de pouca qualidade daquela época, apresentam uma qualidade muito inferior aos que existem actualmente, por isso, facilmente há infiltrações de água, desprendimento de betão e problemas estruturais”, defendeu o empreiteiro. “Se estes prédios não forem reparados atempadamente, poderão tornar-se em ruínas, transformando-se numa bomba-relógio na sociedade”, alertou. Mak sugeriu assim que sejam tomadas medidas como a inspecção obrigatória dos edifícios com mais de 30 anos e que seja alterada a lei para que os trabalhos de renovação nos prédios sejam facilitados, quando precisam da aprovação do condomínio. J.S.F.


6 política

Vai ser criada uma linha telefónica exclusiva para a denúncia de funcionários do sector do jogo que se encontrem em casinos fora do horário de trabalho. A medida foi anunciada ontem por Ho Ion Sang, após a última reunião de análise na especialidade da proposta de alteração à lei do condicionamento da entrada de trabalhadores do jogo nos casinos

22.11.2018 quinta-feira

JOGO CRIADA LINHA PARA DENUNCIAR TRABALHADORES QUE ESTEJAM EM CASINOS FORA DO EXPEDIENTE

Chamadas fora de horas

A

Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) vai criar uma linha telefónica exclusiva para denúncias de suspeitas de trabalhadores do sector jogo que estejam dentro de casinos fora do seu horário de trabalho. A medida foi ontem anunciada pelo presidente da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Ho Ion Sang, no final da última reunião de discussão na especialidade da proposta de alteração à lei do condicionamento da entrada dos trabalhadores do jogo nos casinos. “Já existe uma linha de denúncias, mas esta que vai ser criada será exclusiva para queixas de suspeitas de trabalhadores que estejam em casinos de forma irregular”, revelou Ho. A linha estará aberta 24 horas por dia, sendo que “no horário de trabalho é atendida por operadores, enquanto nos períodos nocturnos as queixas serão gravadas” acrescentou o presidente da comissão. A medida integra um conjunto de três acções que pretendem promover a fiscalização da entrada de trabalhadores do sector do jogo em casinos.

O

S deputados Chan Hong, Ho Ion Sang, Ella Lei, Wong Kit Cheng e Song Pek Kei comunicaram à secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, que os lesados no caso Pearl Horizon pretendem que o valor que pagaram pela fracção comprada seja devolvido o mais rapidamente possível e apelam ao direito de receber uma indeminização. A informação foi dada à secretária numa reunião com os deputados em que foram debatidos assuntos ligados ao arresto

de bens da Polytex e à proposta do regime jurídico de habitação para alojamento temporário e de habitação para troca no âmbito da renovação urbana, de acordo com um comunicado da deputada Ella Lei. Segundo a mesma fonte, Sónia Chan manifestou o seu apoio aos lesados para que solicitem nos termos da lei a devolução do pagamento de casa e indemnização. No que respeita à possibilidade destes lesados se candidatarem à habitação para troca prevista

na proposta de lei em causa, Sónia Chan reiterou que o regime irá abranger os compradores de fracções no Pearl Horizon. A secretária adiantou ainda que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes está a dar seguimento aos trabalhos do regime jurídico que prevê a troca de habitação. Sónia Chan garantiu ainda que vai comunicar com deputados e compradores de fracções pelas vias previstas de modo a resolver a situação o mais breve possível. V.N.

GCS

PEARL HORIZON DEPUTADOS REUNIRAM COM SÓNIA CHAN

“Já existe uma linha de denúncias, mas esta que vai ser criada será exclusiva para queixas de suspeitas de trabalhadores que estejam em casinos de forma irregular.” HO ION SANG DEPUTADO

Além da linha telefónica, a DICJ vai ainda fazer uma lista com os nomes de possíveis suspeitos e alertar as concessionárias para estarem atentas aos trabalhadores que possam estar ilegais nas salas de jogo, até porque “as concessionárias e subconcessionárias dominam bem a identidade dos seus trabalhadores”, disse o deputado.

CONTAS CERTAS

Foram ainda esclarecidas na reunião de ontem as regras para a reversão de prémios e de receitas das apostas feitas por trabalhadores do

sector joguem ilegalmente. Neste sentido, quem obtiver ganhos, quer seja a operadora ou o jogador, os valores revertem a favor da RAEM. De acordo com Ho Ion Sang, este ponto da proposta foi clarificado de modo a “permitir uma melhor execução da lei”, explicou. Outro esclarecimento que esteve na agenda da comissão foi procurar saber como seriam tratados os casos de trabalhadores que, depois de saírem do serviço, tenham por “motivo de urgência” de regressar ao casino sem incorrer em infracção. Ho Ion Sang apontou o exemplo de “o esquecimento de um telemóvel”. Para resolver a situação, o Governo garantiu que as operadoras vão ter tempo para se preparar para este tipo de situações e que poderão criar condições, como corredores específicos para trabalhadores e depósitos de objectos, que evitem a entrada do funcionário no casino. Afase seguinte do processo legislativo é a elaboração de parecer que deverá estar pronto, de acordo com Ho, no próximo mês de Janeiro. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Grande Baía Chui Sai On e Li Xi reiteram colaboração

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, teve ontem um encontro com o secretário do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês (PCC), Li Xi. Na reunião, os dois dirigentes acordaram trabalhar juntos para promover “ainda mais a construção da Grande Baía Guangdong, Hong Kong e Macau”,

aprofundar a cooperação entre as duas regiões e apoiar a diversificação da indústria local, de acordo com o comunicado oficial. O Chefe do Executivo adiantou que planeia reforçar a cooperação com Guangdong nos domínios de construção de infra-estruturas, na criação de medidas para benefício dos residentes e na inovação tecnológica no quadro da construção da Grande Baía. No encontro, Li Xi afirmou que o objectivo principal do encontro foi a implementação do “espírito das importantes indicações do secretário-geral, Xi Jinping, de modo a aprofundar a cooperação entre Guangdong e Macau”, lê-se.


sociedade 7

quinta-feira 22.11.2018

Faça-se algo Deputados pedem fiscalização a estabelecimentos de ensino devido a casos de abuso sexual

N

A sequência do recente caso de abusos sexuais alegadamente ocorridos num centro de explicações no Fai Chi Kei, deputados e dirigentes associativos apelam a uma maior fiscalização de todo o tipo de instituições de ensino locais, onde se incluem os centros de explicações. A intenção é prevenir a repetição de casos como o divulgado na passada terça-feira que envolve um professor e cinco alunos menores. Em declarações ao jornal Ou Mun, Lam Lon Wai confessou estar chocado com o comportamento do docente em causa. Como tal, o deputado sugere que os centros de explicações instalem câmaras de videovigilância de forma a garantir a segurança dos alunos. O legislador avança ainda para a necessidade de promover a educação sexual entre os mais novos, de modo a que possam estar alerta para este tipo de comportamentos que ponham em causa a sua integridade. Wong Kit Cheng também se manifestou relativamente ao recente caso de alegado abuso sexual de crianças. À mesma fonte, a deputada fez o alerta para o crescente número deste tipo de casos no território nos últimos meses. Para Wong é imperativo o reforço da fiscalização em todo o tipo de estabelecimentos de ensino de modo a garantir o profissionalismo dos docentes.

MAIS LEGISLAÇÃO

TIAGO ALCÂNTARA

Já a directora da comissão para os assuntos das mulheres dos Kaifong (União Geral das Associações dos Moradores de Macau), Che Mei Leng, apela à criação de um regime jurídico que previna com mais eficácia este tipo de crimes e proteja as crianças, segundo o Jornal Ou Mun. Por sua vez, Webster Ng, membro da Aliança de Povo de Instituição de Macau, exige que o Governo dê seguimento ao caso e disponibilize serviços de aconselhamento para reduzir os problemas de foro psicológico que podem ser causados por este tipo de abusos. Segundo o responsável, o abuso sexual de menores pode deixar nas vítimas consequências e traumas difíceis de ultrapassar pelo que é urgente a tomada de medidas para ajudar as vítimas.

Formador é suspeito da prática dos crimes de violação e coacção sexual, ambos na forma agravada

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NCONTRA-SE em prisão preventiva o homem, de 35 anos, oriundo de Hong Kong, detido na segunda-feira pela Polícia Judiciária (PJ) pela suspeita de abuso sexual de cinco menores num centro de explicações, onde era formador. A informação foi divulgada ontem pelo Ministério Público (MP) através de um comunicado, um dia depois da divulgação do caso. A aplicação da mais grave medida de coacção foi proposta pelo MP e aceite pelo juiz de instrução criminal, atendendo à “natureza e a gravidade” do caso, ao “‘modus operandi’ dos crimes” e ao “impacto provocado sobre a ordem pública no âmbito da protecção dos direitos e interesses dos menores em Macau”.

CRIME FORMADOR SUSPEITO DE VIOLAÇÃO E COACÇÃO SEXUAL DE MENORES FICA EM PRISÃO PREVENTIVA

A cela menor

Educador suspeito de abuso sexual de cinco menores de idade num centro de explicações no Fai Chi Kei foi colocado em prisão preventiva O indivíduo é suspeito da prática dos crimes de violação e coacção sexual, ambos na forma agravada, detalhou o MP. À luz do Código Penal, o crime de violação é punido com pena de prisão de 3 a 12 anos, enquanto no caso da coacção sexual a moldura penal vai de 2 a 8 anos. No entanto, uma vez tratando-

-se de vítima menor de 16 anos, ambas as penas previstas são agravadas de um terço nos seus limites mínimo e máximo.

OUTROS CASOS

O caso – tornado público na terça-feira – foi reportado no domingo por uma das alegadas vítimas. Segundo a PJ, o

rapaz de 14 anos que fez a participação afirmou que o formador o obrigou a fazer sexo oral, por seis vezes desde Outubro, sob a ameaça de que revelaria aos seus pais que tinha uma namorada. Na sequência da investigação, a PJ chegou a outros quatro menores – todos do sexo masculino – que terão

sido igualmente forçados a práticas como sexo oral e masturbação. De acordo com a PJ, o explicador tê-los-á intimidado, dizendo que contaria aos seus progenitores que não estavam atentos nas aulas ou que os seus resultados académicos eram fracos. Os alegados crimes ocorreram dentro do centro de explicações, localizado no Fai Chi Kei e com alvará desde 2015, cujas actividades foram entretanto suspensas. De acordo com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), o tutor, que segundo a PJ começou a trabalhar no centro em 2016, não estava registado noutras instituições de ensino de Macau. Diana do Mar

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8 sociedade

FRONTEIRAS LEI SOBRE DECLARAÇÃO DE DINHEIRO SÓ COM UMA INFRACÇÃO

Gota no oceano apresentada para responder a uma das 40 recomendações do Grupo de Acção Financeira (GAFI), emitidas em 2012 e actualizadas quatro anos depois. No Relatório de Avaliação Mútua de 2017, aprovado pelo

Grupo Ásia/Pacífico contra o branqueamento de capitais, Macau obteve um resultado descrito como “excepcional” quer no domínio do cumprimento técnico em termos do quadro normativo vigente com os padrões inter-

nacionais, quer no domínio da eficácia na implementação das medidas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

TIAGO ALCÂNTARA

Desde a entrada em vigor, há um ano, da lei que obriga à declaração nas fronteiras do transporte de dinheiro no valor igual ou superior a 120.000 patacas foi detectada apenas uma infracção. Em causa um homem de Hong Kong que trouxe mais de três milhões em dinheiro vivo

22.11.2018 quinta-feira

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UEM entra em Macau transportando numerário ou instrumentos negociáveis ao portador, como cheques ou livranças, no valor igual ou superior a 120 mil patacas tem de o declarar sob pena de multa. Desde a entrada em vigor da lei em causa, a 1 de Novembro de 2017, foi detectada apenas uma infracção, indicaram os Serviços de Alfândega (SA) ao HM. O episódio em causa foi protagonizado por um residente de Hong Kong que entrou em Macau através do Terminal Marítimo do Porto Exterior com o equivalente a 3,1 milhões de patacas em dinheiro vivo. O homem, travado pelos verificadores alfandegários, foi multado em 30.200 patacas por não ter apresentado a devida declaração. Ao abrigo da lei, a prestação de informação incompleta, de declarações que não correspondam à verdade ou o não preenchimento da declaração constitui infracção administrativa punível com multa correspondente a 1 a 5 por cento do valor que exceda o montante de referência (120 mil patacas), mas nunca inferior a mil nem superior a meio milhão de patacas.

FRACO RESULTADO

Esta lei, pensada para prevenir e combater as actividades de branqueamento de capitais e de financiamento do terrorismo, foi

Homem de Hong Kong multado em 30.200 patacas por não ter declarado que transportava mais de três milhões

Alfândega Chau Kin Oi nomeada adjunta

A intendente alfandegária Chau Kin Oi foi nomeada para o cargo de adjunta dos Serviços de Alfândega (SA), pelo período de um ano, indica um despacho do Chefe do Executivo, Chui Sai On, publicado ontem em Boletim Oficial. A designação produz efeitos a partir de 16 de Dezembro. Chau Kin Oi desempenha desde 2017 o cargo de adjunta dos SA em regime de substituição.

Inflação Taxa fixou-se em 2,81 por cento em Outubro A taxa de inflação em Macau foi de 2,81 por cento nos 12 meses terminados em Outubro, em relação a igual período do ano anterior, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços

de Estatística e Censos (DSEC). O Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou as maiores subidas nos índices de preços das secções do vestuário e calçado (+5,7 por cento), dos transportes (+5,1 por

cento), da saúde (+4,7 por cento) e da educação (+4,4 por cento). Só em Outubro, o IPC geral cifrou-se em 3,35 por cento, traduzindo uma descida de 0,16 pontos percentuais em termos mensais.

Em lume brando PIB cresceu 1,6 por cento no terceiro trimestre do ano

A

economia de Macau cresceu 1,6 por cento, em termos reais, no terceiro trimestre, face a igual período do ano passado. O forte abrandamento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou a dever-se à descida contínua do investimento em construção e à contracção significativa do aumento das exportações de serviços, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A procura externa recuou, com as exportações de serviços a aumentarem apenas 6,3 por cento em termos anuais, impulsionadas pelos aumentos de 5,8 por cento nas exportações de serviços do jogo e de 11,4 por cento noutros serviços turísticos, enquanto as de bens caíram 8,8 por cento. A procura interna também apresentou um comportamento frágil, com uma retracção homóloga acentuada (20,1 por cento) no investimento, pese embora subidas homólogas na despesa de consumo privado (4,1 por cento), na de consumo final do Governo (5,4 por cento) e nas importações de bens (2,9 por cento). O investimento do sector privado registou uma queda anual de 17,8 por cento, particularmente no ramo da construção devido à diminuição significativa das obras dos grandes empreendimentos. Desempenho idêntico teve o investimento do sector público que assinalou uma descida anual de 32,7 por cento, devido à descida significativa de 45,7 por cento em obras públicas, sobretudo devido à conclusão sucessiva dos projectos de infra-estruturas. O deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, registou um crescimento anual de 3,8 por cento. Nos três primeiros trimestres, a economia de Macau sofreu um aumento homólogo de 5,6 por cento, em termos reais, com o PIB a alcançar 320.868 milhões de patacas no final de Setembro. A taxa de crescimento económico do primeiro trimestre foi de 9,4 por cento, enquanto a do segundo correspondeu a 5,9 por cento, segundo dados revistos. Actualizada foi também a taxa de crescimento do PIB no ano passado de 9,1 para 9,7 por cento, informou a DSEC. D.M.


sociedade 9

FINANÇAS PÚBLICAS RECEITAS ATÉ OUTUBRO ULTRAPASSAM O PREVISTO PARA TODO O ANO

HOJE MACAU

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Administração fechou os primeiros dez meses do ano com receitas de 109.541 milhões de patacas, mais 15,1 por cento em termos anuais homólogos, ultrapassando o orçamentado para todo o ano (105.287 milhões), indicam dados provisórios divulgados ontem no portal da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Os impostos directos sobre o jogo – 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 88.150 milhões de patacas, reflectindo uma subida anual de 15,6 por cento e uma execução de 107 por cento relativamente ao orçamento autorizado para 2018. A importância do jogo encontra-se patente no peso que detém no orçamento: 80,4 por cento nas receitas totais, 81,7 por cento nas correntes e 92,8 por cento nas derivadas de impostos directos. Já as despesas cifraram-se em 59.875 milhões de patacas até Outubro. Cumpridas em 60,9 por cento, aumentaram 7,5 por cento face ao período homólogo do ano passado. Neste capítulo, destacam-se os gastos ao abrigo do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) que alcançaram 10.250 milhões de patacas, valor que reflecte um aumento de 20,1 por cento. A taxa de execução correspondeu, por seu turno, a 48,5 por cento. Entre receitas e despesas, a Administração acumulou nos primeiros dez meses do ano um saldo positivo de 49.665 milhões de patacas, mais 25,8 por cento face a igual período de 2017. No entanto, a almofada financeira excede largamente o orçamentado para todo o ano (6,9 mil milhões de patacas), com a taxa de execução a corresponder a 717,4 por cento. D.M.

Annie Lao, activista ambiental

DSAP REUNIÃO DESILUDE ACTIVISTAS CONTRA O USO DO PLÁSTICO

Cair em saco roto

O director dos Serviços de Protecção Ambiental encontrou-se com Agnes Lam e activistas ambientais para encontrar soluções para o abuso do plástico. A reunião desiludiu Annie Lao, responsável por uma petição que pediu respostas ao Executivo para o uso excessivo de plástico

“O

director apenas nos prometeu que iriam fazer algo em conjunto com os supermercados, como premiar a superfície comercial mais amiga do ambiente”, conta Annie Lao, activista ambiental depois de uma reunião com Raymond Tam, director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Annie Lao saiu desiludida do encontro porque, no seu entender, a posição das autoridades “limita-se a recompensar as pessoas por fazerem o que está certo, quando seria muito mais importante e eficaz impor regulações restritivas” para limitar o abuso do plástico.

Indústrias culturais Receitas de 7,08 mil milhões em 2017 As receitas geradas pelas indústrias culturais atingiram 7,08 mil milhões de patacas no ano passado, traduzindo um aumento anual de 4,8 por cento, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O valor acrescentado bruto

(VAB), que reflecte o contributo económico, fixou-se em 2,38 mil milhões de patacas (+6,9 por cento), representando 0,6 por cento do VAB de todos os ramos de actividade económica em 2017. Macau contava, no ano passado, com 2.088 organismos nas indústrias culturais

A activista considera que os índices de poluição em Macau estão no limite, e que apenas medidas restritivas podem parar o uso excessivo do plástico descartável, “algo que o Governo, nesta altura, não considera uma prioridade”. Em comunicado, Raymond Tam afirmou concordar com as opiniões sobre os trabalhos “para a redução de plástico apresentadas pelos participantes na reunião”. O director da DSPA referiu ainda que

“o Governo tem o mesmo objectivo que a sociedade, para além de aprofundar os trabalhos legislativos e efectuar acções de sensibilização e educação”, espera que a sociedade possa, “por sua iniciativa”, praticar “actos amigos do ambiente no âmbito da redução de plástico”. Uma das medidas elencadas por Raymond Tam para combater os efeitos originados por este tipo de poluente foi a iniciativa “Reduzir o uso de sacos de plástico poderá dar

“O Governo tem dinheiro para o fazer [banir plástico descartável], em vez disso limita-se a dar dinheiro aos residentes em vez de o gastar com critério... é Macau.” ANNIE LAO ACTIVISTA AMBIENTAL

– mais 175 – abrangendo as áreas de design criativo, exposições e espectáculos, colecção de obras artísticas e ‘media’ digital. Ao serviço das indústrias culturais estavam 11.702 funcionários, ou seja, mais 6,4 por cento em termos anuais, de acordo com a DSEC.

prémios”, que contou com mais de 260 mil participantes. É o sexto ano consecutivo que se promove esta iniciativa, recebida com cepticismo pelos activistas ambientais.

ALÉM DOS SACOS

Para Annie Lao, a forma de combater o uso excessivo de sacos e materiais de plástico implica uma actuação concertada com as superfícies comerciais, algo que vai muito além da atribuição de prémios pontuais. No relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2019 está inscrita a intenção de incentivar “a redução da utilização do plástico”. “Importaremos máquinas para a recolha de garrafas de plástico e pretendemos concluir, no próximo ano, o processo legislativo da ‘limitação do uso de sacos de plástico’. O resultado deverá surgir em forma de regulamento administrativo. Quanto à apresentação das LAG, a activista mostra-se “bastante desiludida com as medidas anunciadas para combater a poluição com plásticos”. Annie Lao é da opinião que o Governo deveria banir o uso de plástico descartável, que se usa só uma vez, e promover a utilização de materiais biodegradáveis. “O Governo tem dinheiro para o fazer, em vez disso limita-se a dar dinheiro aos residentes em vez de gastar com critério... é Macau”, conclui a activista ambiental. João Luz

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NTRE os dias 4 e 9 de Dezembro, o Teatro Dom Pedro V recebe o Festival Internacional de Curtas-Metragens Sound & Image Challenge. De entre os 90 filmes em exibição, oriundos de todo o mundo, 34 pertencem à secção de ficção e a organização levantou o véu de 15. As projecções têm início dia 5 de Dezembro, às 18h. Esta primeira sessão abre com “Into the blue” da realizadora croata Antoneta Alamat Kusijanovic. O filme aborda a temática do trauma e da sua relação com a violência em que uma adolescente que sofre de abusos, procura o amor. Mas a crueldade dos amigos desperta a violência que transporta consigo e de onde desesperadamente tenta escapar. A esta curta de cerca de 22 minutos, segue-se “Black Mamba”. Realizado pelo tunisino Amel Guellaty , o filme conta a história de Sara, uma jovem de classe média da Tunisia, que tem uma vida de acordo com os planos da família: frequenta aulas de costura e irá casar com um bom rapaz. Mas a realidade é outra e a

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jovem tem planos para escapar aos ditames da tradição. Depois de Sara entra em cena Liana, a única criança da família chinesa Tangerang. Segundo os costumes, Liana tem que ser virgem se quiser casar-se, ou então sofrerá as consequências. A rapariga que não for virgem para o casamento será eliminada pelos antepassados e pela família do marido. A história de Liana é retratada em “Red Paper”, a película indonésia do realizador Revin Palung. A sessão termina com “Y” da alemã Gina Wenzel. A curta conta com mais uma mulher como protagonista, desta feita com Laura, uma jovem autoconfiante e membro da “Me Me Me Generation” ou “Geração Y”. Laura não se pode queixar e tem muitas opções e caminhos que pode dar à sua vida, pelo que não precisa de pensar em objectivos ou ideais. Mas, num encontro que tem com Safi, tudo pode mudar.

SESSÃO DA NOITE

No mesmo dia, às 20h continuam as projecções das curtas de ficção. A sessão abre com

“Blanca” da venezuelana Mariana Peña. Blanca uma escritora em formação e tem apenas um dia para terminar uma história para um concurso de literatura. No entanto, o fim do prazo coincide com a data de aniversário do seu casamento o que faz com que tenha que mover-se entre os planos pessoais e as tradições de uma familiar peculiar. Segue-se “Crabgirl” uma história que retrata o drama de um jovem de 23 anos que não consegue ter um relacionamento íntimo com a namorada. Decidido a deixar de ser virgem faz um ultimato à companheira e acaba por descobrir a verdade por detrás das rejeições que tem sofrido. Crabgirl vem da Ucrânia e é realizado por Sergiy Pudich. Na mesma sessão há ainda espaço para a curta polaca “Jet Lag” de Grzegorz Piekarski, numa adaptação do romance de Gustav Flaubert “Madame Bovary”. O dia fecha com “Happy” deAlex Petroff. O escritor Felix Penn não podia estar melhor tendo atingido o auge na carreira e nas relações amorosas e profissionais. O desafio agora PUB

Pequenas i

SOUND & IMAGE DIVULGADA PARTE DAS CURTAS DEDICADAS À FI

Está aí mais uma edição do Sound & Image Chal Curtas-Metragens. Depois de ser dado a conhecer a organização começou a divulgar os filmes selec


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ilusões

ICÇÃO

llange, Festival Internacional de o cartaz dos filmes de animação, ccionados na área de ficção

é descobrir como manter este momento e o escritor acabar por encontrar um método para conseguir o seu objectivo.

MACAU A DUPLICAR

No dia seguinte a primeira sessão tem lugar às 19h30. O primeiro filme a ser projectado é “Acid” do francês Just Philippot. A curta conta a saga da fuga de uma população quando é assombrada por uma nuvem de ácido. “Bridge” é o filme seguinte. Realizado por Niels Bourgonje traz o impasse de Jos e Ad. Os protagonistas aproximam-se de uma ponte, cada um de um dos lados e a passagem é dada, através de um sinal a Jos, que a passa. Nenhum se decide. Uma surpresa mal sucedida e capaz de levar ao limite os seus protagonistas é a proposta de “Impact” de Hèctor Romance. O cinema segue para um lado mais negro com “Lamb”. O filme é do realizador local Oliver Fa e conta o drama de duas personagens que vão para uma clínica. Chegados à instituição, descobrem que se trata de um estabelecimento ilegal que se dedica à extração de órgãos humanos.

De entre os 90 filmes em exibição, oriundos de todo o mundo, 34 pertencem à secção de ficção e a organização levantou o véu de 15 Nas ficções do Sound and Image Challange há também espaço para super heróis. É o caso de “Super Juan” de Rubén Dené. O herói desajeitado protagoniza uma comédia em que tem que vencer uma mutação que está a invadir os cérebros humanos dos principais líderes mundiais. Antes da sessão terminar há ainda espeço para “The Island” de Martin Van Hassel.Apelícula apela ao surrealismo ao trazer a história de quatro estranhos que se vêem presos dentro de uma ilha situada no meio de uma estrada. A impedir estas personagens de sair do impasse, está uma mulher macabra, na berma, vestida de negro. A última película do dia também é de Macau. “The Last Scene” é realizada por Vong Kuan Chak e o argumento conta como um cineasta que se dedica a produção de documentários descobre a verdade acerca da morte do seu pai ao ver as últimas imagens de um vídeo. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Onagra Nome botânico: Oenothera biennis L. Família: Onagraceae. Nomes populares: CANÁRIAS; ERVA-DOS-BURROS; EVENING PRIMROSE (inglês); PRÍMULA; ZÉCORA. Originária da América do Norte, a Onagra está naturalizada na Europa, onde, nos princípios do século XVII, foi introduzida como planta ornamental devido à fragância das suas flores. Cresce nas bermas dos caminhos, baldios e caminhos-de-ferro, sobretudo em terrenos arenosos e húmidos, sendo também cultivada. Trata-se de uma herbácea bienal, que pode alcançar um metro de altura no segundo ano, de caule erecto com manchas vermelhas, ligeiramente ou nada ramificado, porém folhoso; possui folhas alongadas e pubescentes e grandes flores amarelas com quatro pétalas, que crescem de forma isolada nas axilas das folhas. É uma planta curiosa, pois as flores só se abrem ao anoitecer – tal como alude o seu nome em inglês –, sendo fecundadas por lepidópteros (borboletas) nocturnos. Quando, no século XVII, Nicholas Culpepper descreveu pormenorizadamente os benefícios da Onagra, já esta planta era há muito usada, como alimento e remédio, pelos povos indígenas norte-americanos (Algonquinos, Cherokees, Ojibwas, Potawatomis). Os Algonquinos, por exemplo, esfregavam a pele com as sementes esmagadas para combater as erupções cutâneas. Por sua vez, nos séculos XVIII e XIX, as suas raízes serviram aos camponeses para atenuar a fome provocada pelas guerras que assolaram a Europa Central. Actualmente é uma planta muito prestigiada e o óleo das sementes, obtido por pressão a frio, é amplamente usado em fitoterapia. Composição O óleo é rico em ácidos gordos essenciais polinsaturados, sendo de destacar o ácido linoleico e o ácido gama-linolénico, ambos da série ómega-6; contém ainda outros ácidos gordos – como o oleico, esteárico e palmítico –, além de fitosteróis, carotenóides e tocoferóis. Acção terapêutica Os benefícios da Onagra devem-se à sua riqueza em ácidos gordos essenciais e, sobretudo, ao elevado conteúdo em ácido gama-linolénico. Este ácido gordo, também presente no leite materno, é um precursor químico das prostaglandinas, substâncias que exercem numerosas funções no organismo. O ácido gama-linolénico e a prostaglandina E1 (PGE1), seu derivado imediato, têm um papel relevante nos

processos anti-inflamatórios, estabilização das membranas celulares, regulação dos processos da coagulação sanguínea, desenvolvimento do sistema nervoso e equilíbrio do sistema hormonal, entre outros. A Onagra reduz os níveis de colesterol e outras gorduras no sangue, impede a agregação das plaquetas e a formação de trombos, dilata as artérias, baixa a tensão arterial e melhora a circulação sanguínea, sendo muito útil nas hiperlipidemias, hipertensão arterial e prevenção das doenças cardiovasculares; pode igualmente ser benéfica na claudicação intermitente e outros transtornos da circulação. Pela sua actividade reguladora hormonal, esta planta é muito utilizada na síndrome pré-menstrual, perturbações da menstruação (ciclos irregulares, dores associadas) e transtornos da menopausa. De realçar é também a sua administração (como adjuvante) em caso de neuropatia diabética, esclerose múltipla e esquizofrenia, sendo ainda recomendada na hiperactividade das crianças, doença de Alzheimer, de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas. Outras propriedades Com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antialérgicas, a Onagra é usada nas perturbações da resposta imunitária, como alergias, asma, eczema atópico, artrite reumatóide, síndrome de Sjögren e colite ulcerosa. Em uso interno e/ou externo, é também muito empregue no alívio do prurido, secura da pele, crosta láctea dos bebés, eczema, neurodermatite, envelhecimento da pele, estrias, rugas, e fragilidade das unhas e cabelo, pela acção antioxidante, nutritiva e emoliente. Como tomar • Uso interno: Em cápsulas, em simples ou fórmulas, para a síndrome pré-menstrual, menopausa, cuidados da pele e demais indicações da planta. • Uso externo: Em óleo ou creme, para aplicar topicamente. Precauções Desprovida de toxicidade, a Onagra é habitualmente bem tolerada nas doses terapêuticas. Por vezes, pode provocar perturbações digestivas (náuseas, perda de consistência das fezes, dispepsia), dores de cabeça e erupções cutâneas, e, mais raramente, reacções alérgicas. Não é recomendada a sua administração durante a gravidez e lactação, por bebés com menos de um ano e em caso de epilepsia. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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FILIPINAS ASSINADO MEMORANDO PARA EXPLORAÇÃO DE GÁS NO MAR DO SUL

Que ricas águas

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S autoridades chinesas detiveram 576 pessoas por contrabando de lixo procedente do estrangeiro, entre Janeiro e Outubro, informou ontem a imprensa local, depois de a China ter deixado de importar vários tipos de resíduos sólidos. No total, as autoridades do país confiscaram 1,46 milhão de toneladas de lixo, detalha a agência noticiosa oficial Xinhua. A China baniu, no início deste ano, a importação de 24 tipos de resíduos sólidos, incluindo plásticos, papel e tecido, visando combater os danos para o ambiente e a saúde pública. “É da responsabilidade de todos os países e regiões lutar contra o contrabando transfronteiriço de resíduos sólidos”, afirmou o director da Administração Geral das Alfândegas da China, Ni Yuefeng.

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HINA e Filipinas anunciaram ontem um memorando de entendimento para exploração conjunta de petróleo e gás no Mar do Sul da China, demonstrando uma aproximação entre Pequim e Manila após anos de disputa pela soberania daquele território. Na primeira visita de Xi Jinping a Manila, tradicional aliado estratégico de Washington, o memorando, que tem vindo a ser negociado nos últimos meses, foi assinado, apesar dos protestos da oposição. O Tribunal Permanente de Arbitragem, com sede em Haia, concedeu em 2016 às Filipinas a soberania das águas em questão, que incluem várias ilhotas e atóis ocupados pela China. No entanto, sob a presidência do actual Presidente filipino, Rodrigo Duterte, as Filipinas têm sido mais permissivas, face às promessas de investimento chinês no país, de quase 24 mil milhões de dólares. Nos últimos meses, vários membros do gabinete de Duterte admitiram a existência de negociações com uma empresa estatal chinesa para exploração daquelas águas. “A China e as Filipinas são vizinhos próximos, com uma história de intercâmbios com milhares de anos. Boa vizinhança, amizade e cooperação é a única escolha correcta para nós”, afirmou Xi, após reunir-se com Duterte no palácio de Malacañang, a sede da presidência filipina. Duterte descreveu a visita de Xi como um “momento marcante” na “história comum” dos dois países. “Viramos uma nova página e estamos prontos a escrever um

novo capítulo de abertura e cooperação”, afirmou.

CORO DE PROTESTOS

Os detalhes do memorando para exploração conjunta não são ainda públicos. No entanto, a oposição nas Filipinas, incluindo a vice-presidente, Leni Robredo, exigiu que se publique integralmente o texto, alertando para a possibilidade de uma cedência na soberania nacional e violação da Constituição do país. “É inaceitável e traiçoeiro”, afirmou a senadora de oposição Risa Hontiveros. “Reverte a nossa vitória histórica no [tribunal] de Haia e dá a soberania das Filipinas no mar do Oeste das Filipinas”, considerou. Manila foi também palco de vários protestos durante a visita de Xi, face à disputa pela soberania do mar do Sul da China.

AMBIENTE DETIDAS 576 PESSOAS POR CONTRABANDO DE LIXO ESTRANGEIRO

Os manifestantes, que se reuniram em frente à embaixada chinesa em Manila, denunciaram ainda que os empréstimos concedidos por Pequim poderão criar uma situação insustentável para o país. Os dois chefes de Estado assinaram, no total, 29 acordos e memorandos de entendimento, nos sectores das finanças, banca, investimento, comércio, agricultura, infraestrutura, educação e cultura. A visita de Xi foi a última paragem de um périplo por três nações asiáticas, onde se tem comprometido a financiar a construção de infraestruturas e defendido o livre comércio, parte de uma disputa por influência regional com Washington. Antes de regressar a Pequim, Xi reuniu-se com o presidente do Senado, Vicente Soto, e a presidente da Câmara dos Representantes, Gloria Macapagal-Arroyo.

O país asiático converteu-se no maior importador mundial de lixo desde que começou a importar resíduos para reciclar nos anos 1980, criando um fornecimento extra de metais e materiais que faltavam no mercado doméstico. A China recebia, por exemplo, dois terços dos resíduos de plástico do Reino Unido. As autoridades de Pequim consideram agora que os problemas criados pela importação de lixo ultrapassam em muito os benefícios, apontando que, apesar do proveito industrial e da criação de emprego, tem um impacto “muito negativo” para o ambiente. O país já informou a Organização Mundial do Comércio que, a partir de 2019, a proibição irá alargar-se a outros artigos, como titânio, madeira, ferragens, barcos ou aço inoxidável.

CORRUPÇÃO GIGANTES TECNOLÓGICAS REFORÇAM LUTA INTERNA

A

empresa chinesa de anúncios ‘online’ 58.com revelou ontem que dois dos seus altos executivos foram detidos por alegada corrupção, ilustrando os esforços do setor tecnológico chinês no combate ao crime económico, em linha com Pequim. O jornal chinês Caixin revelou ontem que o vice-presidente e o director da divisão de negócios da empresa, Song Bo e Guo Dong, respectivamente, foram detidos por alegadamente terem aceitado subornos. Com sede em Pequim, o 58.com é usado por internautas para publicar classificados ‘online’. A empresa explicou que a “má conduta” foi detectada após uma inspecção interna, no início

deste ano, e que envolve valores “enormes” de dinheiro, sem detalhar quanto. Outras empresas tecnológicas chinesas realizaram inspeções, nos últimos anos, à medida que Pequim aposta nos sectores de alto valor agregando, visando transformar a economia do país de manufactura barata para potência tecnológica. Desde 2016, o motor de busca Baidu despediu 30 funcionários por corrupção, enquanto, em Agosto passado, o gigante do comércio electrónico JD.com denunciou 17 funcionários por corrupção e desvio de fundos, entre os quais quatro foram detidos pela polícia para investigação criminal.

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rampa da Taipa Grande, n.ºs 135 a 275, na Ilha da Taipa, (Edifício One Grantai); - Estrada Governador Nobre de Carvalho, n.ºs 730 a 802, na Ilha da Taipa (Edifício The Greenville). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 6 de Novembro de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong

1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 129A a 129BA, em Macau, (Edifício Hung Van Kok); - Ramal dos Mouros, n.ºs 8 a 10B e Estrada de D. Maria II, n.ºs 5 a 5B, em Macau, (Edifício O K Garden); - Ramal dos Mouros, n.ºs 12 a 14E, em Macau, (Edifício Chan Chu Kok); 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 6 de Novembro de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


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retrovisor Luis Carmelo

22.11.2018 quinta-feira

A velhice é um vento que nos toma

Afinal está tudo na net

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MA vez passeava de barco num dos canais da cidade de Utreque e, a alguns metros de mim, percebi que dois barcos iriam inevitavelmente colidir. A velocidade e a direcção em que ambas as embarcações seguiam tornava inevitável o choque. E aconteceu. No entanto, durante aqueles breves instantes que antecederam o embate, fui invadido pela conhecida sensação de quem não consegue acreditar no que está a ver. Foi como se agora desse com Theresa May encostada à nespereira do meu pátio a fumar erva. Para acreditar não basta que as coisas possam ter ou não sentido, é necessário sobretudo que quem acredita sinta na mão o leme que não é o seu e o articule com o desejo. Isto é, quando acredito, desdobro-me (no ‘outro’ ou em ‘outrem’) e logo regresso ao meu próprio encontro. Um ‘boomerang’ que decorre num ápice, a maior parte das vezes de modo involuntário. Naquele dia, em Utreque, eu não consegui rever-me na quilha das embarcações que iriam embater entre si e o meu desejo, parece, estava longe de acompanhar o arroubo do contratempo. As propósito destes vaivéns, verdadeiros anjos da guarda que nos colam ou descolam da vida, soube, na passada semana, de um caso particularmente interessante: uma amiga minha recebeu em casa um livro de poesia acabadinho de vir da gráfica e o filho, com doze anos de idade, agarrou no livro, folheou-o de ponta a ponta e inquiriu: “Ó mãe, foste mesmo tu que escreveste isto, ou viste na net?”. O rapaz também não queria acreditar na colisão de Utreque e muito menos na desenxabida aparição de Theresa May. Aproveitemos a concordância para permanecer em Utreque, cidade a que costumava chegar de comboio, todas as manhãs, durante alguns anos. Relembro ainda que a palavra holandesa “beeldenstorm” significa literalmente “tempestade de imagens”, mas, na realidade, é utilizada no dia-a-dia para designar a guerra contra as imagens que começou em 1566 e que se estendeu à região de Utreque no verão de 1580. A revolta levou o poder protestante a cortar cabeças de santos em diversas esculturas da catedral do Dom. Uma iconoclastia anti-católica que deixa ainda hoje à mostra, na capela Van Arkel, superfícies rasas e brancas por cima dos pescoços das imagens. A primeira vez que vi aquelas decapitações nem queria acreditar. Eu estava como o rapaz de doze anos, que se chama Duarte, mas sem qualquer net para poder atribuir a autoria de tais sórdidos actos. Os iconoclastas daqueles tempos praticavam actos à talibã, porque a coisa rimava com fé. Uma pessoa, quando crê, não se imagina a desdobrar-se ou a desejar seja lá o que for; apenas disfere, dispa-

ra, investe. Nem interessa em que direcção, pois, de um lado, o mundo é negro e do outro torna-se logo redentor. Coisa perigosa. Crer é bem distinto de acreditar, acreditem-me. Se não vejamos: no início deste ano, num famoso museu de Manchester, a direcção achou por bem retirar da exposição um quadro de William Waterhouse, intitulado ‘Hilas e as Ninfas’ (1896). O ‘pecado’, aparentemente, não se baseava em questões de fé, nem teria resultado da faina de possíveis plágios. O que estava em causa era a “forma decora-

tiva passiva” com que as mulheres haviam sido registadas pelo pintor vitoriano (que deveria sofrer de patologia contemplativa). Para que não se pensasse que o arrojo pudesse ter conotações de crença talibã, a curadoria do museu comunicou publicamente a iniciativa iconoclasta como se fosse, ela mesma, uma obra de arte. Eu nem queria acreditar e fiquei com dúvidas, se foi o curador que teve a ideia, ou se ‘viu aquilo na net’. Entendamo-nos: “ver na net” quer dizer, no nosso tempo, bem mais do que

“Ver na net” quer dizer, no nosso tempo, bem mais do que copiar ou do que cumprir uma simples moda ou ensinamento. “Ver na net” significa essencialmente viver, respirar e até acreditar. Num caso limite, implicará “crer”, separar, disferir. “Ver na net” é imitar tendências e fazê-lo cegamente e em fluxo: repetir, reverberar, reiniciar

copiar ou do que cumprir uma simples moda ou ensinamento. “Ver na net” significa essencialmente viver, respirar e até acreditar. Num caso limite, implicará “crer”, separar, disferir. “Ver na net” é imitar tendências e fazê-lo cegamente e em fluxo: repetir, reverberar, reiniciar. A perífrase “Ver na net” estará mais em linha com um certo modo de rectifcar o mundo, tornando-o mais ‘correcto’. Como se fosse um imenso shopping digital em que tudo se expõe de uma maneira formatada, precisa, higiénica. Há uma proto-ideologia em crescimento no planeta, de que um pós-‘millenial’ como o Duarte dá conta que nem peixe na água, que nos diz que as embarcações de Utreque vão mesmo embater uma na outra. Iremos ainda, um dia destes, ver quadros de Picasso retirados dos museus, azulejos taurinos recolhidos das estações da CP e pinturas de batalhas famosas irradiadas dos salões. Iremos ainda ver um mundo sem autoria seja de quem for, mas todo ele esquematizado, denunciado e sem qualquer ironia (com excepção para aquela menina que faz os anúncios da Trivago). As mãos que arrasaram as esculturas de Gerrit Splintersz na catedral de Utreque e as mãos que privaram um museu de Manchester do quadro de William Waterhouse têm em comum um ideal de pureza. Mas uma pureza que exclui a conhecida sensação de não conseguir acreditar no que se está a ver. Banhados por esse brilho de pureza, ver torna-se sinónimo de crer. Coisa perigosa. Quer no devir protestante, quer no devir da correcção ‘millenial’, a realidade é uma plasticina criada pela re-arrumação permanente de bits (antes designados através do fogoso ímpeto do ‘espírito santo’). E já se sabe que, no tempo digital, uma simples imagem numérica, não analógica, livre de referentes e apenas subordinada à linguagem que a gera, decompõe ou programa… pode fazer de cada um de nós um iconoclasta em potência, ou até, no limite, um internauta com claras inclinações talibãs. Afinal de contas, o Duarte tinha razão: está tudo na net.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 22.11.2018

Diário de próspero António Cabrita

Ars moriendi para o José Navarro de Andrade

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M produtor americano, depois de visionar o material da primeira semana de rodagem, levou as mãos à cabeça, impotente, e disse ao realizador: “Nos primeiros cinco minutos dás-nos dezanove mortos. Não vejo o que possa acontecer mais no resto do filme!” O número de armas que pululam nos filmes extenua o folego de qualquer maratonista etíope. Ninguém dissuade ninguém, atirando-lhe à mona a Suma Teológica do S. Tomás de Aquino, é de balázio para cima, e ficamos convencidos do que me dizia o Gilinho, amigo do meu prédio de infância: “só matam as balas que não querem enferrujar!” Faço zapping e colecciono os mortos: uma doçaria excelsa, é um verdadeiro “mil-mortes” com uma barra de diabetes por cima. Nem persuasão, nem perdão: ninguém ouve o Unchain my Heart, do Joe Cocker? Quando muito a morte adia-se pagando, sendo a vida outro modo de designar o juro - sempre a acumular. O que afinal não difere do modo platónico de encarar o corpo como o túmulo da alma; o cinema devolveu-nos ao ponto de onde nunca saímos. Admira que o Sloterdijk nos esclareça que, para esta tradição, pensador que se preze é uma espécie de morto em férias? É bem-apanhado e próximo do que dizia o Godard quando adiantava que o cinema é o aparato que “filma a morte no trabalho”. Uma morta em férias: a mulher de Michel Piccolli, no fantástico Dillinger Morreu, do Marco Ferreri, que exasperava os espectadores por ser todo em tempos reais. Era assim: Glauco, um desenhador industrial, chega a casa e encontra a sua mulher já a dormir e uma refeição fria. Resolve confeccionar qualquer coisa e comer sozinho, vendo a televisão. Depois projecta vários filmes de férias e mima idiotamente alguns momentos. Por acaso, encontra na dispensa um revólver embrulhado numa velha reportagem sobre a morte do gansgster americano Dillinger. Pinta a arma de vermelho com bolinhas brancas. Depois da tinta secar sobe ao quarto, mete uma almofada sobre o rosto da mulher e dispara dois tiros. Sai, guia até ao porto e vê que num iate um marinheiro morto é lançado à água. Nada então até ao iate e pergunta quem morreu, respondem-lhe que o cozinheiro e ele oferece-se para ocupar o lugar. Volto a fazer zapping. Para o cinema mais comercial, que encharca os

canais do meu pacote televisivo, a vida é uma retrete abandonada, um epitáfio inacabado. Conheço um livro brilhante de epitáfios dum poeta italiano, Giorgio Bassani, Epitafio, talvez na esteira do americano Edgar Lee Masters, mas preferia o livro do transalpino, que infelizmente extraviei. Há pouco tempo também escrevi um epitáfio. Reza assim (o verbo não podia ser mais justo): “Meu querido, enquanto não me enviares os teus pulmões em encomenda registada eu não abro mão da tua laje no jazigo da família!”. Deve-se a outro poeta, o checo Miroslav Holub, esta Breve reflexão sobre a morte: «Agitam-se alguns/ como se ainda não tivessem nascido./ Entretanto um dia/ Williams Burroughs, intimado por um estudante a dar/ opinião sobre uma/ eventual vida póstuma, replicou:/ - Mas quem lhe disse que você não está já morto?» Holub foi um poeta e eminente imunologista checo, a quem a especialidade não resguardou da crua pergunta de Burroughs, feita pela própria morte em 1998. Sugere o poema que estamos sempre desconectados, num estado de extenso sonambulismo, e pouco nos é dado fazer, para além de nos agitarmos demais ou de colocarmos perguntas desnecessárias, ie., rebarbativas: póstumas. Talvez consigamos aceder momentaneamente à consciência que nos cede o poema, num breve interregno, ao flagrante de uma sintonia, mas estou certo de que Holub, ainda para mais com a sua especialidade, não declinou num assédio de consciência: terá sido mais à má fila, por um efeito adverso, que a morte o visitou. Há várias formas de partir da vida e de chegar ao último apeadeiro. Vitorino

Há várias formas de partir da vida e de chegar ao último apeadeiro. Vitorino Nemésio no hospital, conta-se, tinha um medo que se pelava. Para os indianos a morte é apenas o lambril de um palácio cuja planta está por desenhar

Nemésio no hospital, conta-se, tinha um medo que se pelava. Para os indianos a morte é apenas o lambril de um palácio cuja planta está por desenhar. Desconsidero-me um arquitecto a tal altura. E seria preciso a energia de imaginar a experiência da morte multiplicada por éne, labirinto em que me vejo mais escamado do que a barracuda na banca de Neptuno. Contento-me com uma morte que o poeta moçambicano Heliodoro Baptista definiu bem, deste modo: “Antes da merda obnóxia me exaurir de todo”. Todavia, reconheço-o, surpreendem-se várias faces para a morte, como esta que achei nos meus diários: «O livro olhava para mim, da estante. Bebi o café e comi a torrada, repimpado na cama, mas o livro não desarmava. Fitava-me, de esguelha (ou de lombada), na estante. Depois da última golada de café decidi-me, fui buscá-lo. Uma antologia (em espanhol) alentada do poeta polaco Tadeus Rózewicz, nascido em 1921 e uma das vozes mais

autênticas da “anti-poesia” universal. Como o chileno Nicanor Parra, ou, das Balcãs, Vasko Popa. Abro o livro ao calha e sai-me isto: CORREÇÃO/ A morte não corrigirá/ nem uma linha de um verso/ não é uma correctora/ não é uma benevolente/ redactora// uma má metáfora é imortal//o mau poeta que morreu/ é um mau poeta morto// o aborrecido trás a morte aborrece/ o estúpido vomita cretinices/ desde a própria tumba. Estupidificado na própria cama, abala-me o susto. Uma má metáfora é imortal. De quantas já fui responsável, de quantos milhares? Imortal? Como os vírus, afinal? Há uma ecologia para o verbo a que de facto não ligamos. Devíamos ser mais parcos, posto que na verdade não ressuscitaremos para corrigir qualquer coisinha, enquanto o ranço das más metáforas é imortal. Alguém tem por aí um aparador de relva que me empreste?» Aparador não tenho, mas tenho à mão este verso do Heliodoro: “Já alguém deu de comer ao vento?”. Refrigeração.


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estendais Gisela Casimiro

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O primeiro dia, ela leva-me para o escritório e fecha a porta à chave atrás de si, apesar dos dois seguranças do lado de fora, sorridentes e prestáveis. Na verdade, lembram mais polícias do que outra coisa. A casa tem vigilância 24 horas por dia, explica. A nossa conversa interrompida por gritos e risos vindos do corredor e, depois, por batidas cada vez mais fortes e pedidos cada vez mais desesperados de um dos rapazes tentando entrar. Como se fosse arrombar a porta. Como se fosse a coisa mais importante, mais urgente do mundo, entrar por aquela sala adentro. Para quê? Explicações, justificações e desculpas enquanto alterna o que nos trouxe ali com pedidos para que se acalme, e espere. Nada. Ele continua e, eventualmente, consegue entrar. Parece perturbado por alguma coisa ou alguém. Parece encurralado, tentando escapar. Parece em perigo, a precisar de ser salvo. Ela pergunta, finalmente, o que é que ele quer, e ele responde conseguindo-o: um abraço. Aquele rapaz, nos seus treze anos e quase um e oitenta de altura, caracóis dourados e olhos claros, capaz de tamanha brutalidade para com uma porta, apenas exige, apenas quer do mundo um abraço. Assino os papéis. Gostas de mim? Silêncio. Ouviria esta pergunta dezenas de vezes por dia nas próximas semanas. Pijama polar azul, olhar fixo sobre a rua, à espera de ver os outros regressar, com telemóveis novos nos bolsos ou mais uma expulsão da escola. A mesma força bruta e incomensurável de antes. Força essa que o levaria a passar dois dias no hospital, ao partir a cabeça de propósito contra uma janela, por querer visitar um dos companheiros, que lá está por doença. Sempre a mesma pergunta e, quanto

22.11.2018 quinta-feira

Titanic

mais ele a coloca, maior a tendência para passar do silêncio ao sim, e de essa resposta passar de conveniente a verdadeira. Claro que gosto de ti. Desço para a rua. Nas escadas ecoa um assobio cujo dono eu ainda não sei reconhecer. Ao tema, sim: My heart will go on, de Céline Marie Claudette Dion. Tenho tempo antes de começar. Como um gelado na praça, nas únicas vezes talvez em que não reparo em ninguém. Dois euros, três sabores à escolha e natas. Quero esvaziar a cabeça ou ganhar coragem. Estar preparada. Como se fosse possível. Há sempre futebol quando venho. Dois ou três fazem questão de estar em casa nesses finais de tarde. Ocupam o sofá, mandam os outros calar. Sento-me a ver com eles. Nos intervalos, jogam hóquei de mesa. Noutra noite, participarei numa peça de teatro sem guião e sem público, repetida incansáveis vezes. Perucas brilhantes, de cores extravagantes, e vozes feitas grossas para a ocasião, muita gesticulação e um médico louco, que nos persegue no lusco-fusco. É suposto que nos deixemos vencer por um destino cruel ao som de gargalhadas maléficas. Há um rapaz de quem toda a gente me fala, mas o tempo passa e não nos cruzamos. Parece que ninguém sabe o que fazer com ele e, como se comporta, deixam-

-no no que julgam ser em paz. Entretanto, deixo-me ficar com os dois irmãos: um joga no computador (carros), enquanto ouve rap tuga sobre como é difícil a vida nas ruas. Ensurdecedora, pelos vistos. O outro, o que me ofereceu chocolates uma vez, lê a Bíblia. Às vezes não sabe dela e não sossega enquanto um dos outros não a descobre e lha devolve. Normalmente, está no andar de cima, onde nunca chegarei a ir. Quando volto, na semana seguinte, ele já não está lá. Foi transferido para outro lugar. Na parede, nas mesas, vestígios da festa de despedida do dia anterior: fotografias a cores dos rapazes e da equipa, felizes. Bolos, sandes, frango de churrasco, sumo. Agora foi-se o líder. Agora que íamos ouvir música, escrever e rever canções juntos. Agora que eu lhe ofereci o meu pin do Muhammad Ali. Agora que eu estava a tentar convencê-lo a regressar à escola. Agora que eu o fizera sorrir, e falar-me dos temas do rap que fazia e da rapariga de quem gostava. Agora que volta a ser um nome suspirado por todos os adultos e recordado respeitosamente por todos os miúdos. Eu não sei o que fazer e, como tal, escolho o que sempre faço nessas situações: um bolo. A oito mãos, impacientes e conflituosas, curiosas e inexperientes, que vão

No quarto, lemos juntos, à vez. Confessa, às vezes tenho uma escuridão dentro de mim. Daí a Bíblia. Tem medo, e um dos sorrisos mais bonitos que já vi. À nossa volta, posters e mais posters do filme Titanic, o seu preferido. Vê-o todos os dias. Chora sempre. Convida-me para o seu aniversário, daí a dois dias. Deixo-o descansar

seguindo as minhas indicações com mais ou menos nuvens de farinha no ar. Mas isto não é sobre o bolo, embora eu espere que as cabeças que surgem à porta com olhar de gula, desprezo e maldizer, sejam compreensíveis caso não esteja como querem. É, ainda, a estreia do forno que não consigo entender de imediato como funciona. Ajudam-me. Ainda há muito por fazer e por limpar. Alguns recebem telefonemas da família. Outros, encontram-na nos que ali trabalham e estão presentes todos os dias. Alguém suspira. Alguém comenta o quão nova era a casa ainda agora e o quão destruída vai ficando a cada dia, conforme as energias negativas, de que me dizem estar cheios, vão sendo libertadas. “Se eles puderem roubar-te, não vão hesitar.” Quem confiará em quem primeiro? Há um momento de tensão, e outro, e outro. Alguém separa adulto e adolescente. Em breve, ela, a adulta, estará de baixa, oferta da casa. Mas voltará. Voltará sempre, porque entende. Porque escolheu estar ali. “Quem és tu?” Apresentam-me. Apresento-me. “Deve ser a nova estagiária.” Já no sofá, em sossego, continua: “Tens filhos?” Respondo. “Não te preocupes, miúda, um dia ainda vais ser mãe.” E mal tenho tempo de processar isto quando regressam os outros, como quem tivesse estado à escuta: “Vieste buscá-lo? És a tia dele?” Contam-me que uma ex-funcionária tentou adoptá-lo mas não conseguiu a aprovação. Queria levá-lo de novo para a terra onde nasceu, mas acabou por desistir. “Era a oportunidade de ele sair daqui. Vai sempre depender de alguém. Não sei o que vai ser dele.” Ele. Tenho carinho por ele. Quando vou a casa dos meus pais, na semana seguinte, resgato o velhinho 20,000 Léguas Submarinas. No quarto, lemos juntos, à vez. Confessa, às vezes tenho uma escuridão dentro de mim. Daí a Bíblia. Tem medo, e um dos sorrisos mais bonitos que já vi. À nossa volta, posters e mais posters do filme Titanic, o seu preferido. Vê-o todos os dias. Chora sempre. Convida-me para o seu aniversário, daí a dois dias. Deixo-o descansar. Saímos os três para a noite fria. Estou de totós, que outro dia aprendi dizer-se Maria-Chiquinha, no Brasil. “Pareces a Harley Quinn”. Fico a olhar para ele e digo a mim mesma: disfarça, não queres que deixe de pensar que és fixe. Continuamos a volta ao bairro. Estão a aprender a dar a quem precisa. Levam comida para quem a não tem. Eles que já têm tão pouco, e de quem apenas se espera o pior. Mas a verdade é que perto, longe, onde quer que estejamos, tornam-se facilmente os nossos miúdos preferidos. Mesmo quando se peidam sem pudor e evitam tomar banho por tanto tempo quanto possível. Mesmo se o autismo, a delinquência, o abandono, a deficiência. Ah, rapazes perdidos. Fosse o mundo assim tão puro.


desporto 17

quinta-feira 22.11.2018

GRANDE PRÉMIO PUN WENG KUN NEGA INTENÇÃO DE ENCOBRIR ACIDENTES

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piloto alemã Sophia Floersch, que sofreu um violento acidente na curva do Hotel Lisboa no domingo, na corrida de fórmula 3, deixou, na terça-feira, uma mensagem nas redes sociais depois de uma operação à coluna, em que promete que vai voltar às pistas. “Sobrevivi a uma operação que demorou 11 horas e que foi bem sucedida. Espero que a partir de agora as coisas melhorem. Terei de ficar mais uns dias em Macau até conseguir ser transportada. Quero agradecer a todos os meus fãs pelas mensagens de apoio que só agora vou começar a ler”, escreveu. Sophia Floersch disse que as mensagens que recebeu nestes dias lhe deram “motivação e coragem” e deixou uma palavra de apoio aos restantes quatro feridos no acidente. “Os meus pensamentos estão também com todos aqueles que estiveram envolvidos no acidente. Espero que todos estejam bem.” Os dois fotógrafos, o comissário de pista e o piloto japonês Sho Tsuboi também estão internados em observação, estando numa situação estável. Garantindo que vai voltar, a piloto, de 17 anos, agradeceu ainda à sua equipa, bem como à equipa de salvamento da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), sem esquecer as pessoas que lhe prestaram apoio nos primeiros minutos após o acidente. “Houve pessoas muito simpáticas que ainda recordo. Obrigada pelo encorajamento e palavras de conforto nos primeiros minutos que estive no carro após o acidente. Os meus maiores agradecimentos para a equipa médica de Macau pelo tratamento profissional e amigável”, afirmou.

Nada a esconder

O coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau garante que há indicações para que todos os acidentes sejam transmitidos, à excepção das imagens do trabalho das equipas de socorro. Pun admitiu ainda que é a comissão que define os conteúdos transmitidos

O

coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM), Pun Weng Kun, nega que tenha havido qualquer intenção de esconder dos telespectadores o acidente da piloto Sophia Floersch, durante a corrida de Fórmula 3, que decorreu no domingo passado. Em declarações ao HM, o também presidente do Instituto do Desporto (ID) admite que há instruções da organização para não se filmar os trabalhos de salvamento, mas que há luz verde para mostrar os acidentes, os momentos dos impactos e repetições.

EFEITO SURPRESA

“Não nos passou pela cabeça esconder as imagens dos acidentes, até porque hoje em dia sabemos que as pessoas que estão nas bancadas têm os telemóveis e conseguem gravar.” PUN WENG KUN

“Ficou a sensação a quem assistiu à prova pela televisão que houve intenção de esconder as imagens do acidente. Mas nunca nos passou pela cabeça esconder os acidentes”, afirmou Pun Weng Kun, ontem, ao HM. O responsável pela prova explicou que existem instruções para não se mostrar os trabalhos de salvamento porque as imagens

CHCSJ Alexis Tam visitou os feridos O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, deslocou-se ontem ao Centro Hospitalar Conde de São Januário para visitar os cinco feridos no 65.º Grande Prémio, incluindo a piloto alemã Sophia Floersch, que teve um acidente na curva do Lisboa. Segundo

VÍDEO AMADOR

SOPHIA FLOERSCH CONFIANÇA NO REGRESSO ÀS PISTAS

um comunicado oficial, Alexis Tam manifestou-se “muito satisfeito” pela recuperação, mas deu conta da “corrida contra o tempo” para formar de imediato um grupo médico para diagnóstico, exame e tratamento cirúrgico atempado que permitiu depois a realização

podem ferir susceptibilidades e também para proteger a imagem dos pilotos. Pun contou ainda que estas instruções foram tomadas em consenso com a Federação Internacional do Automóvel (FIA), mas que a decisão coube à COGPM. Segundo o coordenador do COGPM, a maior parte dos pilotos

com sucesso da cirurgia de fixação cervical com enxerto de osso ilíaco. Alexis Tam visitou também dois pilotos britânicos do GP de motos, bem como um comissário de pista local e um fotógrafo da China, que ficaram feridos no acidente, desejando rápidas melhoras a todos.

proteger os mais sensíveis”, afirmou. “Não nos passou pela cabeça esconder as imagens dos acidentes, até porque hoje em dia sabemos que as pessoas que estão nas bancadas têm os telemóveis e conseguem gravar e divulgar o que se passa”, justificou. Por outro lado, Pun Weng Kun diz que quando aconteceu o acidente com a piloto alemã que a total prioridade da COGPM estava focada em garantir que a jovem era salva o mais depressa possível e não em controlar as imagens: “Honestamente quando ocorre um acidente deste tipo, no centro de controlo a nossa maior preocupação é garantir que as equipas de salvamento chegam ao local o mais depressa possível”, defendeu.

e as famílias também estão de acordo com que não se mostrem os momentos de salvamento. “Há um consenso há vários anos. Quando ocorre este tipo de acidentes existe a possibilidade de haver imagens que podem ferir as susceptibilidades dos telespectadores. A COGPM considera que se devem

Em relação ao facto de durante a corrida de Fórmula 3 nunca terem sido mostradas imagens do impacto, nem repetições, Pun diz acreditar que até o operador ficou surpreendido. “Talvez por ter sido um acidente com uma dimensão que já não se verificava há vários anos, ninguém conseguiu reagir a tempo. Mas a verdade é que no sábado os acidentes foram transmitidos, todos”, vincou. No sábado a corrida de motociclos foi interrompida algumas voltas mais cedo depois de um acidente entre os concorrentes Ben Wylie e Phillip Crowe. A transmissão televisiva apenas mostrou as motos dos pilotos no chão. O coordenador do COGPM diz que tal ficou a dever-se ao facto das câmaras terem tendência para acompanhar os pilotos da frente. “Temos que perceber que as imagens também estão mais focadas na frente da corrida e que pode acontecer os operadores não captarem esses momentos, porque são pilotos que vêm mais atrás. Mas posso garantir que não há instruções para que os operadores não transmitam as imagens dos acidentes”, realçou. “Agora pode acontecer que a certa altura os operadores não consigam filmar todos os momentos dos acidentes”, concluiu. Pun Weng Kun afirmou também que se no futuro houver acidentes, o que disse não desejar, que vão continuar a ser transmitidas as imagens, como aconteceu até aqui. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Fórmula 3 Investigação ao acidente vai levar semanas A investigação ao acidente, ocorrido no domingo na prova de Fórmula 3, envolvendo a piloto alemã Sophia Floersch, “levará várias semanas”, afirmou ontem o director de corridas de Fórmula 1 da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). “É muito cedo para tentar estabelecer a causa. Nós sabemos porque [a piloto alemã Sophia Floersch)

perdeu o controlo do carro, mas temos que nos dar a uma análise muito mais cuidada”, disse Charlie Whiting à agência France-Presse. O director da Fórmula 1 para a área de segurança acredita que as barreiras, mesmo partidas, diminuíram um pouco o ritmo do carro e a solidez da célula de segurança também protegeu a piloto de 17 anos.


18 (f)utilidades MUITO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA

Hoje CONFERÊNCIA “UE E OS DESAFIOS DO POPULISMO”, COM 7

VICTOR ÂNGELO | Fundação Rui Cunha | Das 18h30 às 20h30

3 5 8 2 6 0 9 7 1 4 Amanhã 4 1 0 9 7 8 5 3 2 6 AFRO-BAILE COM CELESTE MARIPOSA – TIMC 2 0 1 19h00 4 às5 22h00 7 8 9 3 Oficinas Navais62 | Das 8 7 3 5 9 1 4 2 6 0 GLOBAL CREATIVE NETWORK TALK – TIMC 7 2 12 | Das 3 19h00 5 às9 20h00 0 6 4 8 Oficinas Navais 6 4 9 8 0 7 1 5 3 2 LANÇAMENTO DO LIVRO “STEPS OF GREATNESS: THE 0 8 OF7OBOR”, 6 DE 1 FRANCISCO 2 3 JOSÉ 4 LEANDRO 5 9 GEOPOLITICS Clube Militar | Das 18h30 às 20h00 5 9 2 4 3 6 8 1 0 7 1 6 4 0 8 3 2 9 7 5 Sexta-feira UMA 9NOITE 3 COM5 PIANO 7 NA2GALERIA 4 6 0 8 1 Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

Oficinas Navais82 | Das 5 6 7 19h00 3 às0 22h00 9

4 1 2 9 2 4 0 1 8 7 6 3 5 AFTER PARTY BY CELESTE MARIPOSA & DJ KITTEN – TIMC Discoteca 00h002às 5h00 6 4D2 |7Das 8 9 1 3 5 0 3 9 1 5 0 4 6 2 8 7 Diariamente EXPOSIÇÃO 7 1 KEITH 3 HARING 4 6MAZE5MACAO 8 0 2 9 Venetian Expo Hall F | Até 31/12 2 5 0 9 8 6 3 7 4 1 EXPOSIÇÃO 0 8 SALÃO 5 DE1OUTONO 7 2 4 9 6 3 Casa Garden | Até 30/11 4 3 6 2 9 1 0 5 7 8 EXPOSIÇÃO 1 0 | PAISAGEM 2 3 MUTANTE 4 7 5 8 9 6 Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019 8 7 9 6 5 3 2 1 0 4 “FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro

8 5 7 9 0 3 4 2 Cineteatro 5 2 1 8 6 9 3 0 7 8 2 4 1 0 6 5 3 4 5 1 2 6 9 7 9 7 0 6 4 1 8 3

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 10

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Celibatária por opção, e 0com3toda dedicação 1a 6 2 7 pelo país que governa, 9 5 6 0 de3 Elizabeth é a8 rainha Inglaterra que faz de 3 1 7 2 4tudo0 para defender o seu povo. No 2 entanto, 0 3vítima 7 de9 um5 complô do rei de Espanha 8 por 6 colocar 5 4o país 1 em9 acaba risco. Apesar dos receios, 7 2 9 3 6 8 Elisabeth vai para o campo de4 batalha 8 0participando 1 5 2 na derrota da armada espanhola. “Elizabeth” é um filme de época que se assume pela beleza estética e pela brilhante interpretação de Cate Blanchet. Sofia Margarida Mota

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PROBLEMA 11

22.11.2018 quinta-feira

7 0 1 2 3 2 7 5 0 8 9 3 5 0 8 1 7 0 3 0 9.18 BAHT 0.24 YUAN 1.16 4 6 5 7 0 3 3 3 4 1 8 5 9 2 3 VIDA DE CÃO 1 0 7 7 4 3 2 8 9 3 5 4 8 0 2 0 9

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Sábado 9 CONCERTO WANG WEN E FORGET THE G - TIMC

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S U D O K U

TEMPO

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10 a postos para uma mão cheia de nada. Tudo Depois de Chui Sai On e das suas indicações 1 0 2 3 7 gerais, as Linhas de Acção Governativa (LAG) 6 para o próximo 3 ano seguem 9 agora5 com as “grandes novidades” de cada secre7 0jáocupouasexpectativas. 4 8 taria. O cepticismo Mas atenção, em jogo vai estar, 9 8 4 5como6em anos anteriores, o normal jorrar de chavões. 8 9maior4vai3para tudo Nesta edição a aposta o que inclua “Grande Baía”. Os planos que6 0 7 juntem estas duas palavras já ultrapassam 1 sido a grande favorita: 5 a aquela que tem tão querida política “Uma Faixa, Uma 0 2 9 1 Rota”, que se vê assim destronada depois de um longo período 6 nas prioridades 1 das intenções governativas. No entanto, nada 3 o sempre 0 de4 descurar actual6“Um Centro,8 Uma Plataforma” que promete estar mais uma vez em destaque. É um caso que serve 12 tudo, é à vontade do freguês. “Capital para de Turismo e Lazer” não deve no entanto 9 2 nestas7LAG4de 2019,0até6 ficar esquecida porque 4 fica sempre bem. Enfim, tudo será5 feito para alimentar estas pequenas frases que 5 7os objectivos8locais.6Para que seja0 inundam um0trabalho 3 bem feitinho, 6 nada como 4 prever9 a realização de muitos estudos para os quais 0 3 e grupos de vão ser criadas muitas comissões trabalho de modo a garantir que nada fique 2 5 por ver e rever, nem que isso demore até ao infinito. Para3 já as polémicas estão6 apazigua7 4 das com o sempre também muito apreciado 6do cheque pecuniário. 1 9 Nada como2 aumento umas 7 patacas9tiradasdestaárvorefictícia5para alimentar mais uns anos de continuidade de 4 do8mesmo. As 1 apostas continuam 9 no3 mais próximo ano. Sofia Margarida Mota

“ELIZABETH” | SHEKHAR KAPUR

THE CURED SALA 1

SALA 3

Um filme de: David Yates Com: Eddie Redmayne, Johnny Depp, Jude Law, Katherine Waterson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: K. Kamihoriuchi, T. Shibazaki 14.30, 16.30, 19.30

FANTASTIC BEASTS: THE CRIMES OF GRINDELWALD [B]

KAMEN RIDER BUILD x UCHU SENTAI KYURANGER THE MOVIE [B]

SALA 2

THE CURED [C]

MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B]

Um filme de: David Freyne Com: Sam Keeley, Ellen Page, Tom Vaughan-Lawlo 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

quinta-feira 22.11.2018

sexanálise

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MA tentativa falhada de neologismo, ou talvez nem tanto. Estou na sala de espera do hospital, à espera de uma consulta. Estou à espera há imensas horas, porque aconteceu eu ter uma vida e atrasar-me. Se calhar atrasei-me de propósito. O que interessa é que puseram-me no final da fila e agora tenho, quantas, uma dezena de vaginas à minha frente? Não sei, estou à espera há duas horas para a minha ser ‘inspeccionada’ ou verificada, nem sei que verbo é o mais adequado. Não sei porque é que as pessoas à minha volta têm um ar tão relaxado – serei só eu a irradiar tensão e desconforto? Quem é que no seu perfeito juízo quer tirar as cuecas, deitar-se de costas, abrir as pernas e deixar um estranho mexer-lhe nas parte íntimas? Mesmo que seja um estranho de bata branca, continua a ser um estranho. A verdade que esta é a segunda vez na minha vida que estou numa sala de espera para ver um ginecologista. A primeira foi há dez anos atrás e a coisa correu muito mal. Prometi a mim mesma que não voltaria. O raio da Gineco era bruta como tudo, e por isso acho que... traumatizei. Daí o pobre neologismo no título, que, na verdade, quer dizer ‘fobia de mulheres’. Não é bem o caso, tenho é medo da Ginecologista. Esta não é a minha história, tenho outra(s). Mas o medo não é incomum: pessoas detentoras de vaginas que tomam calmantes, pessoas que têm que respirar fundo e outras que estão absolutamente tranquilas com toda a experiência. Há imensos factores que podem moldar esta ida – extremamente importante à saúde feminina – à Gineco. Primeiro, a relação paciente e profissional de saúde é uma relação que pode ser complicada. Uma das razões é que nós temos um corpo que o sentimos, mas o outro é que percebe mais sobre o nosso corpo, apesar de não o sentir. Digamos que é uma experiência muito pouco participativa. Há quem tenha problemas com essa dinâmica e há outros que não. O cerne da questão é que temos que ter a sorte em arranjar um bom médico que nos ouça com atenção - daí as pessoas detentoras de vaginas procurarem recomendações. Segundo, continuamos a anos luz de perceber bem a saúde feminina, aqui no reino do conhecimento diário e mundano. Há coisas do conhecimento técnico que não passam para o reino dos comuns mortais. Vivemos com a sombra do cancro que nos assola frequentemente – e por isso a insistência em campanhas de sensibilização para se tomarem medidas e rastreios como mamo-

Gino-fobia DANIEL DIMICK

TÂNIA DOS SANTOS

grafias e citologias. Mas há tantas outras condições que podiam ser mais discutidas. Como por exemplo HPV (e as suas verrugas vulvares), herpes genital, cândida, vaginites e vaginoses. Ir ao médico ginecologista regularmente é extremamente importante porque o nosso corpo detentor de vagina – cíclico – passa por muitas transformações e desafios ao longo do tempo. Mas para quem tem medo de ir, há vários dilemas que se criam. O que é que é melhor? Eu não encarar a condição

Parece-me bastante natural que estas idas a especialistas do órgão sexual reproductor não sejam fáceis pelo simplesmente facto de já ser difícil falar sobre o sexo, educação sexual, direitos sexuais e reprodutivos no espaço público

da minha vagina ou submeter-me a uma carga de nervos aterrorizadora? Parece uma decisão simples, mas percebo perfeitamente que não seja. Acho que o primeiro passo é compreender este terror. Há imensa gente que tem medo de ir ao dentista. Mas por alguma razão, fala-se mais disso do que do medo da Gineco. Uma pesquisa rápida em bases de dados em artigos científicos mostra-me que há mais literatura desenvolvida sobre o medo do dentista, do que o medo do Ginecologista – que sugeriu zero resultados. O medo do urologista também sugeriu zero resultados – apesar de ser a especialidade mais odiada pelos homens. Parece-me bastante natural que estas idas a especialistas do órgão sexual reproductor não sejam fáceis pelo simplesmente facto de já ser difícil falar sobre o sexo, educação sexual, direitos sexuais e reprodutivos no espaço público. Tenho cá para mim que talvez deva ser um tópico mais discutido, se não for na academia, que seja entre amigos ou com profissionais de saúde. A ‘ginecologio-fobia’ será real?


A vida é um beijo doce em boca amarga. Mia Couto

TAP ACCIONISTA CHINÊS ABDICA DA URUMQI AIRLINES PARA FAZER FRENTE A DÍVIDA

ÍNDIA INDÍGENAS MATAM TURISTA QUE ACEDEU ILEGALMENTE À SUA ILHA

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I

conglomerado chinês HNA, accionista da TAP através da Atlantic Gateway, anunciou ontem que vai vender a sua posição maioritária na companhia aérea Urumqi Airlines, numa altura em que enfrenta problemas de liquidez. A empresa vai reduzir a sua participação na UrumqiAirlines de 70 por cento para 30 por cento. O governo de Urumqi, cidade no extremo noroeste da China, vai comprar a posição. O grupo HNA tem vindo a alienar investimentos e a cancelar negócios, incluindo na indústria da aviação, que é parte fundamental da empresa. No início deste mês, o grupo cancelou a compra de uma participação de 60 por cento na companhia aérea chinesa Chongqing Western Airlines. Segundo o jornal Financial Times, a empresa planeia ainda vender a Lucky Airlines, uma companhia aérea regional, a duas firmas estatais chinesas. Este ano, a empresa falhou já o pagamento de uma dívida superior a 43 milhões de dólares contraída a um fundo de investimento chinês. O HNA falhou já também em vários empréstimos constituídos junto de individuais, através de plataformas ‘online’ de financiamento directo (P2P, na sigla em inglês). A entrada em incumprimento ocorre apesar do grupo ter vendido mais de 15 mil milhões de euros em activos, este ano, visando enfrentar uma grave crise de liquidez. Em Portugal, o HNA detém uma participação na Atlantic Gateway, consórcio que detém 45 por cento da TAP. O Estado português é dono de 50 por cento da TAP, estando os restantes 5 por cento do capital nas mãos dos trabalhadores.

Auditório Cidade de León

Projecto da futura biblioteca de Macau

Consciência tranquila Arquitecto Carlos Marreiros nega ter copiado edifício no projecto da futura biblioteca

O

arquitecto Carlos Marreiros nega ter copiado o Auditório da Cidade de León na elaboração do projecto da futura biblioteca de Macau, que vai ser construída no edifício do Antigo Tribunal. Ontem surgiram várias publicações em diferentes grupos de conversa nas redes sociais, nas línguas chinesa e portuguesa, a comparar os dois projectos e houve mesmo alguns utilizadores a avançar a possibilidade de plágio. Em declarações ao HM, o arquitecto negou haver qualquer cópia e admitiu não ter conhecimento do edifício que fica situado em Espanha. “Não sei que edifício é este. Eu posso ir investigar e mais tarde falar [...] Uma coisa posso dizer para já: estou de consciência tranquila. Não imitámos edifício nenhum quando fizemos o projecto”, disse Carlos Marreiros. “Quem me conhece sabe que sou uma

pessoa extremamente afirmativa, independente, criativa e original para não fazer uma coisa destas. Por amor de Deus!”, acrescentou. Em termos geométricos, na “composição do bloco de cima” da nova biblioteca, Carlos Marreiros foi buscar inspiração à Capela de Notre Dame du Haut em Ronchamp (França), do arquitecto Le Corbusier. Uma obra que, explicou, se destaca por ter “uma parede muito espessa, com muitas janelas, com muitos buracos e os vãos com aquelas inclinações”. O Auditório Cidade de León foi inaugurado em 2002 e teve como arquitectos os espanhóis Luís Moreno Mansilla, já falecido, e Emilio Tuñon Álvarez. Em 2003 foi galardoado com o Prémio de Arquitectura Espanhola e foi finalista do Prémio Mies van der Rohe de Arquitectura Contemporânea da União Europeia. Este último

foi um prémio que Siza Vieira conquistou em 1988, com a sede do Banco Borges e Irmão, em Rio Ave. O ateliê do arquitecto Carlos Marreiros foi o escolhido para desenhar a nova biblioteca central de Macau, que vai ocupar o edifício do Antigo Tribunal (na Avenida da Praia Grande) e a ex-sede da Polícia Judiciária (na Rua Central). Por este projecto, o arquitecto vai receber 18,68 milhões de patacas e terá um prazo de execução de sensivelmente nove meses. A futura biblioteca, de 11 andares e 45 metros de altura, vai ter capacidade para acolher até um milhão de livros, oferecendo 1.125 lugares sentados nos espaços dedicados à leitura. Estão também previstos espaços lúdicos, como um anfiteatro, sala de exposições e um café, com aproximadamente 800 lugares. João Santos Filipe (com D.M.)

Grande Prémio de Macau Quatro detidos por venda de bilhetes falsos A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve quatro indivíduos do continente durante a realização do Grande Prémio por suspeita de falsificação de carimbos de acesso ao evento. Os detidos cobravam 500 patacas por cada carimbo e foram levados ao Ministério Público (MP) por suspeita da prática de burla e de falsificação de notação técnica. PUB

quinta-feira 22.11.2018

PALAVRA DO DIA

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Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a PSP recebeu a denúncia da companhia responsável pelos serviços de segurança durante o evento. As autoridades acabaram por chegar a dois suspeitos que declararam estar a falsificar os carimbos de entrada. Mais tarde detiveram mais dois indivíduos na zona do ZAPE.

NDÍGENAS mataram um turista norte-americano que se arriscou a chegar a uma ilha indiana remota no arquipélago de Andamão e Nicobar, no Oceano Índico, com acesso proibido para proteger o povo que a habita, disse fonte policial. “O turista é cidadão norte-americano e foi visto pela última vez no passado dia 16 de Novembro pelos pescadores que o acompanharam até à ilha Sentinela do Norte”, explicou Jatin Narwal, porta-voz da Polícia de Andamã, na baía de Bengala. Os pescadores que o levaram anunciaram o ocorrido a um “amigo local”, que por sua vez alertou as autoridades, acrescentou a fonte. A polícia local procedeu então a uma investigação que determinou que John Chau, 27 anos, morreu assassinado pelos indígenas. As autoridades desconhecem até agora de que forma o turista morreu, ainda que segundo a imprensa local a vítima tenha morrido pelo impacto de flechas, pouco depois de ter posto os pés na ilha. Frequentemente descritos como a tribo mais isolada do planeta, os habitantes da ilha Sentinela do Norte vivem em autarcia nessa ilha. O governo indiano proíbe a aproximação a menos de cinco quilómetros da ilha. “A ilha de Sentinela do Norte é uma área proibida, a entrada nessa ilha está restringida pela regulação para a Protecção das Tribos Aborígenes, ninguém tem permissão de lá ir”, disse o porta-voz da polícia. Segundo a organização não-governamental ‘Survival International’, em 2006, os indígenas que habitam a ilha há 55.000 anos mataram dois pescadores que se aproximavam da costa.


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Hoje Macau 22 NOV 2018 #4178 by Jornal Hoje Macau - Issuu