PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
MOP$10
MUNDIAL 2014
DIRECTOR CARLOS DE OUTUBRO OUTUBRO DE DE 2013 2013 •• ANO ANO XIII XIII •• Nº Nº 2953 2958 DIRECTOR CARLOS MORAIS MORAIS JOSÉ JOSÉ •• TERÇA-FEIRA TERÇA-FEIRA 22 15 DE
Ter para ler
PORTUGAL JOGA PLAY-OFF A DUAS MÃOS COM A SUÉCIA EM NOVEMBRO
PÁGINA 16
Professores universitários estão cada vez mais envolvidos na política
Atitude cívica O HM foi tentar perceber o que leva cada vez mais os professores universitários a terem posições de cariz social e político na sociedade. Agnes Lam, Lou Shenghua, Chan Cheuk Wah, Larry So ou Bill Chou são apenas os exemplos mais conhecidos de um fenómeno que tem crescido nos últimos anos.
• JULGAMENTO LA SCALA
Teses do CCAC continuam a ser rebatidas pela defesa PÁGINA 4
PUB
A luta por um maior civismo e por uma melhor acção governativa são as principais ideias que movem os académicos nas suas intervenções. Todos garantem que a independência face à instituição de ensino superior onde trabalham é total. PÁGINA 5
NG KUOK CHEONG QUER DINHEIRO DA FUNDAÇÃO MACAU APLICADO NO FUNDO DE SEGURANÇA SOCIAL PÁGINA 2
• CONTRATAÇÃO PÚBLICA
Gastos excederam sempre os orçamentos previstos PÁGINA 3
• APERFEIÇOAMENTO CONTÍNUO
Problemas no programa levam a 19 processos PÁGINA 6
2
POLÍTICA
hoje macau terça-feira 22.10.2013
NG KUOK CHEONG PEDE QUE SEJA RETIRADO DINHEIRO À FUNDAÇÃO MACAU PARA SER APLICADO NO FSS
Mais para pensões, menos para subsídios
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
N
G Kuok Cheong entregou ontem uma interpelação escrita ao Governo na qual propõe que seja retirada uma percentagem do financiamento à Fundação Macau e que este seja transportado para o Fundo de Segurança Social (FSS) a fim de oferecer um mecanismo a longo prazo para cobrir as pensões. O deputado indica que o FSS precisa urgentemente de uma ga-
O Governo da RAEM deveria considerar limitar algum financiamento da receita do jogo para Fundação Macau e usá-lo antes como apoio financeiro para o FSS. Desta forma, pode garantir a emissão de pensões
TIAGO ALCÂNTARA
O dinheiro que é dado à Fundação Macau é muito e mal gerido. A opinião é de Ng Kuok Cheong que sugere que parte do financiamento seja transferido para o Fundo de Segurança Social. Por outro lado, entende que o Governo ao atribuir pensões antecipadas não deve retirar os idosos da lista da habitação social
NG KUOK CHEONG Deputado
rantia de recurso estável e que, por outro lado, a Fundação Macau tem uma verba disponível maior do que a que seria devida. Ng justifica a sua opinião com as conclusões recentes do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) e do Comissariado da Auditoria (CA) que apontam falhas no mecanismo de regulação de financiamento ao organismo. Segundo explica, a verba da FM vem de 1,6% do lucro bruto das receitas das empresas do jogo pelo com o aumento de cerca de 20 vezes da receita nos últimos dez anos, o dinheiro de Fundação Macau aumentou consideravelmente. “O Governo da RAEM deveria considerar limitar algum
financiamento da receita do jogo para Fundação Macau e usá-lo antes como apoio financeiro para o FSS. Desta forma, pode garantir a emissão de pensões”, sugere. Numa reunião plenária de Agosto, o Chefe do Executivo admitiu que mais de 30 mil idosos
que pediram pensões antecipadamente têm uma penalização nas suas pensões, ao não receberem os aumentos anuais nos valores das pensões. Ng Kuok Cheong fez as contas e apurou que estes perdem 45 mil patacas face aos idosos que só levantam as suas pensões aos
MAIS DE 18 MIL CONTAS DE PREVIDÊNCIA COM VERBAS O FSS recebeu 40562 pedidos de levantamento de verbas de contas individuais de previdência, entre as quais, foram apreciados 18872 entregues por idosos com idade igual ou superior a 75 anos ou residentes que recebem a pensão de invalidez há mais de um ano o subsídio de invalidez especial do Instituto de Acção Social. As respectivas verbas vão ser creditadas nas contas bancárias hoje, tendo o FSS notificado também os indivíduos referidos.
65 anos. O deputado questionou novamente se o Governo tem medidas para compensar os idosos. Além disso, o deputado também deu atenção aos idosos que perdem a qualificação de candidatura às habitações sociais por causa do aumento de pensões. Segundo o deputado, alguns idosos já viram canceladas ao seu lugar na lista de espera para a habitação social porque levantam antecipadamente as pensões. Uma vez que este valor foi incluído nos rendimentos, os idosos vêm assim ultrapassado o limite máximo para se candidatarem a uma habitação social. “O Governo deixa os idosos que têm necessidades levantar as pensões antecipadamente mas ao mesmo templo não alterou a lei para que a pensão não seja considerada como parte do rendimento. Não deveria o Chefe do Executivo alterar este despacho?”, questionou.
CHAN MENG KAM E SONG PEK KEI FAZEM INTERPELAÇÃO ESCRITA EM CONJUNTO
Saída de Tou é sinal de responsabilização? O director de Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT) deixou o seu cargo para ser assessor de Lau Si Io e, apesar de o secretário ter explicado aos jornalistas que a mudança foi normal, a situação levantou dúvidas perante dois deputados da AL. Os dois membros da Aliança do Povo de Instituição de Macau, Chan Meng Kam e Song Pek Kei, fizeram uma interpelação escrita em con-
Tou Veng Keong
junto a questionar se a saída de Tou Veng Keong é uma forma de mostrar responsabilização dos cargos principais do Governo. Os dois deputados consideram que o sistema de responsabilidade tem falta de transparência e que a responsabilização administrativa e política não são claras. “Quando os directores passam a ser assessores, normalmente o Governo não publica a razão da transferência. A sociedade tem muitas dúvidas sobre
a função dos assessores, será que esse cargo é para colocar os directores falhados?” Os deputados de Fujian também apontam uma dúvida que também já Ho Ion Sang tinha colocado: porque é que a pior opção no relatório de avaliação dos cargos é apenas “deve melhorar”, sendo que não há qualquer categoria de “falhou”? Os dois acreditam que, se existir esta hipótese no sistema de avaliação, os dirigentes que falham no trabalho precisam
de ser responsabilizados depois da avaliação. “Uma sociedade justa deve ter tanto a recompensa, como a multa. Se os dirigentes fizeram bem, podem ter promoção, os que falham têm que descer ou sair dos cargos. Apesar dos cargos principais, o resto também precisa ter alguma responsabilidade, isso tem que ser definido claramente.” Chan e Song pedem uma explicação mais clara para a mobilidade de Tou e, ao mesmo tempo, questionam se o Governo tem maneira para aperfeiçoar a mecanismo de avaliação e responsabilização dos cargos principais. - C.L.
política 3
hoje macau terça-feira 22.10.2013
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
SSINAR um contrato público entre uma empresa e o Executivo significa prever uma despesa e inclui-la na lista dos encargos financeiros que o Governo tem todos os anos. Contudo, e com base num artigo de Tat Weng Tang publicado na revista da Administração, a maioria dos projectos realizados em Macau, entre 2000 e 2010, foram sempre além dos orçamentos inicialmente previstos. Doutorado em Direito pela Universidade de Ciência Política e de Direito da China, Tat Weng Tang afirma que os montantes previstos na contratação pública excederam, em média, um terço do que constava na lista dos encargos plurianuais. Tal significa que “dois terços das despesas remanescentes provenientes da contratação pública não pertencem aos encargo plurianuais legais”, tratando-se, assim, de despesas excedentárias que não entraram nos orçamentos iniciais. No artigo pode ver-se a tabela que serve de comparação aos valores entre 2000 e 2010. E as derrapagens com contratos públicos aconteceram quase sempre: se em 2000 constava nos encargos anuais um montante de 66,92 mil patacas, as despesas com projectos de contratação pública cifraram-se nas 2.579 milhões de patacas. O recorde aconteceu em 2010, com uma diferença de 3.732 milhões de patacas de montantes previstos para uma despesa efectiva de 11.505 milhões.
DOIS TERÇOS DOS GASTOS EM CONTRATOS PÚBLICOS NÃO SÃO DECLARADOS
Gastar além do previsto
Em dez anos, os gastos com contratos públicos excederam sempre, em média, um terço do orçamento previsto inicialmente. Isto significa que dois terços do dinheiro extra que foi saindo dos cofres do Governo ficou de fora das previsões iniciais. As conclusões constam num artigo assinado por um académico do continente pessoa entender as situações de execução de todos os contratos públicos”, escreve ainda Tat Weng Tang. Contudo, o académico lembra que “cada pagamento deve ser registado em conformidade com as disposições da Lei do Orçamento da RAEM e do Regime de Administração Financeira Pública em vigor”.
BENS IMÓVEIS EM PRIMEIRO LUGAR
O autor aponta que “os projectos de contratação pública realizados pelo Governo têm vindo a aumentar continuamente, tanto a nível de quantidade como de qualidade no âmbito do desenvolvimento social, cultural e económico da região”.
Independentemente dos projectos de contratação pública serem abertos, a sua situação de execução após a adjudicação e celebração do contrato só é do conhecimento de ambas as partes contratantes Tat Weng Tang lembra que “os projectos de contratação pública são aprovados e publicados por despacho do Chefe do Executivo. Mas a natureza das despesas e o período de pagamento relacionado com o montante adjudicado devem preencher os requisitos dos encargos plurianuais legais. Se não, os montantes adjudicados dos projectos não poderão ser publicados legalmente”.
SEM “TERCEIRAS PESSOAS”
Ao contrário do que têm vindo a defender muitos deputados da Assembleia Legislativa (AL), o autor
DESPESAS AO RITMO DO PIB A análise de Tat Weng Tang, com base nos aumentos do Produto Interno Bruto (PIB) e nas despesas nos contratos públicos, revela que “ambos são quase idênticos por coincidência”. Significa que “o ritmo da implementação dos trabalhos referentes à contratação pública e os montantes participados com o desenvolvimento é o mesmo”, com “tendências evolutivas semelhantes”. O académico diz ainda que “o aumento contínuo do total das contratações públicas deveria representar, de facto, uma maior proporção do PIB, promovendo directamente o aumento do PIB na óptica da despesa”. Em dez anos, a média da taxa proporcional dos contratos públicos no mercado cifra-se em 6,17%. Por taxa proporcional entende-se o peso que esses contratos ocupam nas “actividades comerciais da região” e o “grau de influência dos trabalhos da contratação pública sobre a economia regional”. Em 2010, essa taxa atingiu os 5,14%.
do artigo defende que a análise da execução dos contratos públicos, mesmo em termos de orçamento, deve ser feita apenas entre o Governo e a entidade contratada. “Independentemente dos projectos de contratação pública serem abertos, a sua situação de execução após a adjudicação e celebração do contrato só é do conhecimento de ambas as partes contratantes.” “Atendendo que nos trabalhos práticos não há uma entidade supervisora geral, não cabe a uma terceira
Os projectos de contratação pública são aprovados e publicados por despacho do Chefe do Executivo. Mas a natureza das despesas e o período de pagamento relacionado com o montante adjudicado devem preencher os requisitos dos encargos plurianuais legais. Se não, os montantes adjudicados dos projectos não poderão ser publicados legalmente Olhando para os números dos últimos dez anos, o Executivo tem vindo a apostar em “projectos de construção de bens imóveis”, seguindo-se a contratação de empresas de consultadoria para o “estudo, coordenação e fiscalização relativos à execução das obras”. Seguem-se “os projectos de gestão, funcionamento, segurança e limpeza das instalações”.
4 política
hoje macau terça-feira 22.10.2013
LA SCALA CCAC APRESENTA TESE DE QUE VENDA DE TERRAS À MOON OCEAN PREJUDICOU O GOVERNO
Mais um capítulo no julgamento de Steven Lo e Joseph Lau, empresários de Hong Kong a ser julgados por alegada corrupção a Ao Man Long, com o CCAC a tentar mostrar que a venda dos terrenos em frente ao aeroporto à Moon Ocean deu prejuízo ao Governo JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
F
OI Ao Man Long quem planeou tudo para a venda dos cinco lotes de terrenos em frente ao aeroporto e fê-lo com o objectivo de travar negócios com Joseph Lau e Steven Lo, os dois empresários de Hong Kong responsáveis pelo
empreendimento La Scala. A tese é do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) e foi ontem ouvida em mais uma audiência do chamado caso La Scala. Foi um dia tenso para as defesas de Lau e Lo – responsáveis da Chinese Estates Holdings e da Moon Ocean, subsidiária desta -, devido às acusações feitas
por Iu Fu Chun, técnico superior do CCAC, que ontem testemunhou pela terceira vez. É que, se enquanto o inspector deu garantias de que o Governo teve prejuízos com a venda dos lotes à Moon Ocean, por exemplo, a defesa insiste que a conclusão não faz sentido, tendo em conta que – das três propostas entregues para o concurso a convite para a compra das terras – a empresa de Lo foi a que ofereceu o preço mais alto. “A testemunha disse [na quarta-feira] que o Governo teve um prejuízo de 800 milhões de patacas, já que em 2005 os terrenos foram vendidos por 1,3 mil milhões de patacas e, em 1999, valiam 2,05 mil milhões. Mas onde está a avaliação feita em 1999?”, questionou Jorge Neto Valente, defensor de Steven Lo. Iu Fu Chun estava, segundo o que se veio
PUB
TIAGO ALCÂNTARA
Valores incomparáveis, diz defesa
a concluir no decorrer da audiência, a comparar o preço da transferência dos terrenos para as cinco sociedades que passaram a detê-los na altura da transição, com um relatório de avaliação das terras feito entre 2004 e 2005 pela Savills. Recorde-se que os terrenos em causa pertenciam ao aeroporto que estava endividado e, de forma a que essas dívidas fossem saldadas, a ainda administração portuguesa decidiu vendê-los, constituindo, para isso, uma sociedade – a Lei Pou Fat – que passou a deter as terras.
O CCAC tentava provar que a venda dos terrenos em 2005 à Moon Ocean tinha sido feita devido a subornos de 20 milhões de patacas ao ex-secretário – o ponto principal da acusação neste caso. Já momentos antes, Luís Mesquita Melo, defensor de Lau, tinha contrariado as acusações. “Qualquer um dos valores das propostas [das empresas que concorreram ao convite] era mais alto do que a avaliação da Savills. Como é que pode dizer que o Governo ficou a perder? Bem pior teria sido para o Governo se não
DOCUMENTOS -PROVA DO CCAC “ILEGAIS”? A audiência de ontem do chamado Caso La Scala gerou uma onda de dúvidas entre os advogados de defesa. Após a apresentação de um documento “da CTM” pela testemunha do CCAC, Joana Teixeira, Ana Fonseca e Rui Sousa puseram em causa a legalidade de alguns dos documentos apresentados pelos inspectores do organismo, que têm vindo a ser arrolados como testemunhas de acusação. O problema prendeu-se com o facto de Iu Fu Chun, a testemunha de ontem, ter afirmado que um dos papéis apresentado na sessão ter sido obtido “através do sistema do CCAC”, ou seja sem serem pedidos às empresas envolvidas ou sequer sem estarem assinados. Os advogados rapidamente se insurgiram, considerando o que a acusação chama de provas “de documentos ilegais” e pedindo ao tribunal que confirmasse todas provas apresentadas nas mesmas
circunstâncias. “Desde a primeira hora que arguimos a legitimidade destes documentos”, começou por dizer Joana Teixeira, que representa dois dos arguidos do caso das ETAR. “Porque razão todos os registos dos outros arguidos vêm em papel timbrado da CTM e a este é dado um tratamento diferente?”, indagou Rui Sousa, referindo-se a um papel em branco com um texto escrito a computador que o CCAC garante ser prova que liga um dos arguidos a um alegado intermediário com Ao Man Long. Recorde-se que a situação das provas não é nova nos casos conexos ao escândalo de corrupção Ao Man Long, uma vez que a defesa se queixa que grande parte das provas foram obtidas sem estar ninguém em casa do ex-secretário na altura das buscas, há documentos anónimos a servirem de prova e ainda excertos de documentos que não passaram para a defesa até há pouco tempo.
tivesse vencido a proposta mais alta, que foi a da Moon Ocean.” Mas Iu Fu Chun não se ficou por aqui. O inspector afirmou ainda que quem indicou as empresas convidadas para a obtenção das terras – onde se encontra a STDM, que era também uma das sociedades detentoras dos lotes – foi Ao Man Long e que quem tomou a decisão de as entregar à empresa de Lo foi também o ex-secretário, ainda que através de ordens dadas aos membros da Comissão de Avaliação das Propostas. A acusação levou os advogados de Joseph Lau a torcer o nariz, que afirmam que, segundo as actas, a Moon Ocean mereceu aprovação de todos por unanimidade. “Então, eram todos cúmplices de Ao Man Long? Porque é que não são arguidos então?”, interrogou Luís Mesquita Melo. À semelhança do que tem acontecido em sessões anteriores, o CCAC voltou a reiterar a tese de que Ao Man Long mantinha “contactos indirectos” com Steven Lo, através de Ho Meng Fai, empresário de Macau já condenado num caso conexo a este. A afirmação – que Iu Fu Chun garante ser verdadeira, apesar de não ter qualquer documento que o prove – levou Steven Lo a abanar a cabeça por várias vezes no julgamento. O CCAC assegura que, conjugando vários factores, como registos de entradas e saídas das fronteiras e registos de contactos telefónicos, por exemplo, se conclui que Steven Lo mantinha contactos e encontros com o ex-secretário, no período em que se estava a fazer o relatório de avaliação. “[Lo] sabia que ia haver concurso de certeza absoluta”, chegou mesmo a afirmar Iu Fu Chun. A defesa diz que não passam de conjugação de factos. “Não prova nada, coisíssima nenhuma”, atirou Neto Valente. Os advogados chegaram a referir que o facto de Steven Lo vir ao território não pode ser tido como prova, uma vez que, desde 1980, que Lo tem negócios em Macau, sendo alguns inclusive com Ho Meng Fai.
SOCIEDADE
hoje macau terça-feira 22.10.2013
5
O QUE LEVA UM PROFESSOR UNIVERSITÁRIO A CRIAR UMA ASSOCIAÇÃO?
Da sala de aula para o activismo de rua Muitas das associações que promovem actividades de cariz social e político são lideradas por professores de universidades públicas. A luta por um maior civismo e por melhor acção governativa são os motores que os fazem correr. Ao HM, garantem que a independência face à instituição onde trabalham é total
Agnes Lam nunca sentiu pressão por parte da UMAC, mas sim de um grupo de pessoas que “atacou” o seu “grupo político” e não a associação. “As minhas acções não tiram horas ao trabalho na universidade e nem uso as suas instalações. Continuo a fazer o meu trabalho.” O sociólogo Larry So defende que, “em teoria”, “há uma liberdade académica que deve ser respeitada”. “Pode haver alguma pressão da parte da administração da universidade, mas do meu ponto de vista, e eu não estou envolvido directamente com associações, não sinto nenhum tipo de pressão para travar algumas iniciativas.”
E OS ALUNOS?
Agnes Lam garante que não fala dos seus ideais com os alunos que ainda frequentam as suas aulas, mas apenas com os que já saíram da universidade. Ao HM, o sociólogo Larry So lembra que pode haver uma certa “influência” na relação entre professor e aluno. “Muitos dos professores quando falam com os seus alunos devem manter a objectividade quando dão estas informações. Há uma certa ligação e os professores devem seguir uma orientação. Temos de respeitar o facto dos alunos terem a sua própria maneira de pensar, especialmente na universidade. Podem ser facilmente influenciáveis pelos seus professores.” No geral, Larry So acredita que é quase inevitável um docente não se envolver neste tipo de actividades, uma vez que são professores de áreas ligadas à sociedade. “Não podemos não estar envolvidos nessas iniciativas, não deve ser essa a nossa atitude.”
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
CECÍLIA LIN
cecília.lin@hojemacau.com.mo
O
caso Ao Man Long despertou-lhe a consciência e fê-la agir em prol da sociedade. “Eu e os meus amigos começámos a pensar que era necessário algum poder cívico em Macau.” Nascia assim a Associação Energia Cívica de Agnes Lam. Docente no departamento de comunicação da Universidade de Macau (UMAC), Agnes Lam é o maior exemplo de activismo político e social fora da sala de aula: em Setembro, concorreu pela segunda vez às eleições legislativas, mas perdeu. A docente é das poucas com uma forte presença no meio político, mas tem outros colegas de profissão que, sem concorrerem às eleições, seguem os seus passos activistas. Organizam manifestações, preparam estudos alternativos aos projectos do Executivo e realizam inquéritos de rua que são notícia, como é o caso da Associação Nova Visão de Macau (ANVM). A ANVM é liderada por dois docentes do Instituto Politécnico de Macau (IPM). Lou Shenghua, professor do curso de Administração Pública, explicou ao HM como tudo começou. “Criámos esta associação para dar uma
NÃO QUEREM SER POLÍTICOS
nova visão aos fenómenos e Macau. Fazemos muitos inquéritos, porque descobrimos que havia falta de questionários com continuidade. São sobretudo sobre os deputados ou as Linhas de Acção Governativa.” “Somos professores desta área e precisamos de estudar os assuntos políticos e sociais. Com a visão dada pela profissão fazemos os inquéritos”, diz ainda ao HM. Promotora do projecto alternativo ao já falecido mercado nocturno de Sai Van, a Associação de Política Pública de Macau (APPM) é também liderada por Chan Cheuk Wah, docente da mesma área de Lou Shenghua. “Queríamos reformar a consciência civil dos jovens
e dar algumas recomendações para as políticas do Governo. Damos as nossas opiniões, do ponto de vista cientifico, aos assuntos sociais.” A associação vive de voluntários, como arquitectos, directores de escolas ou médicos, e, mais do que fazer estudos, organiza palestras. Ainda não pediram nenhum financiamento ao Governo. Colega de Agnes Lam, Bill Chou, professor de ciência política, foi protagonista das notícias no último verão, quando abraçou as iniciativas do grupo Macau Consciência. Chegou mesmo a ser falado como candidato às eleições ao lado de Jason Chao, presidente da Associação Novo Macau. Contudo, até ao fecho da edição, não
foi possível chegar à fala com o académico.
UNIVERSIDADES NÃO SE IMPORTAM
Ao HM, os docentes garantem que não há qualquer pressão ou impedimento da parte das universidades onde trabalham face aos seus projectos. “A nossa associação é privada e o IPM não liga nada ao que fazemos fora da instituição, nem nos impede”, conta Chan Cheuk Wah. Lou Shenghua tem a mesma posição. “A universidade não impede o nosso trabalho, nem mesmo as entrevistas que damos aos meios de comunicação social. O IPM financia alguns dos nossos estudos, mas os inquéritos são pagos pela associação.”
Apesar da presença que as suas iniciativas podem ter na sociedade, os líderes destas associações (com excepção de Agnes Lam) não desejam estar, um dia, sentados na Assembleia Legislativa (AL). “Não estou a pensar seguir o caminho político. Nesta fase apenas damos opiniões ao Governo, e apoiamos o desenvolvimento da democracia”, disse Chan Cheuk Wah. Lou Shenghua, oriundo do continente, explica que só conseguiu o cartão de residente não permanente este ano, pelo que a corrida à política está, por enquanto, posta de parte. “Eu sou um novo imigrante e a associação é apenas uma das direcções do meu estudo académico. Macau não tem associações como em Hong Kong. Aqui, a sociedade vive de associações.”
6 sociedade
hoje macau terça-feira 22.10.2013
APERFEIÇOAMENTO CONTÍNUO 19 PROCESSOS INSTAURADOS E TRÊS ENTREGUES AO MP
Instituições fraudulentas Em mais de dois anos de Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, quase no fim da primeira fase, o balanço não é positivo. Houve 19 processos instaurados, três dos quais encaminhados para o Ministério Público para investigação. Ainda assim, o programa que gastou aos cofres do Governo mais de revelou-se 454 milhões de patacas, revelou-se um “sucesso”, segundo a Policy 21 Limited, uma empresa de Hong Kong que avaliou o seu funcionamento RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
S
UBIRAM os processos instaurados contra instituições aptas a fornecer cursos ao abrigo do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. Até Novembro do ano passado, houve dez processos de investigação abertos e, passado cerca de um ano, mais três foram instaurados. No total, e passados mais de dois anos da abertura do programa, há 19 casos sob investigação, entre os quais, três entregues ao Ministério Público (MP) por suspeita de algum tipo de fraude. “Até ao dia 15 de Setembro, fizemos mais de 6000 visitas ‘in loco’ e já instaurámos 19 processos. Mandámos advertências escritas. Suspendemos a organização de certos cursos”, explicou ontem ao final da tarde Kong Ngai, chefe substituto da divisão de extensão educativa da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), após uma reunião plenária do Conselho de Educação para o Ensino não Superior. “Três foram enviados ao Ministério Público. Sobre esses casos não podemos revelar o conteúdo mas, no geral, estiveram relacionados com a substituição de
formandos para assistir às aulas ou com a utilização do BIR de outras pessoas. E também com a junção de cursos, que decorriam em diferentes locais e horários, e foram depois unificados. Não pode haver uma declaração de dois cursos no mesmo horário leccionados pelo mesmo formador”, explicou o responsável. Sobre os processos, não há conclusões a retirar pelo que não é possível perceber quanto dinheiro “perdeu” o Governo por via de apoios indevidos. Mas a DSEJ, titular do programa, diz estar atenta e promete redobrar a fiscalização, ao mesmo tempo que pede informações sobre “alterações de cursos” de modo a “prevenir a junção de cursos”. “Vamos também fazer uma apreciação de documentos. Concluído o curso temos os trabalhadores habilitados a telefonar aos formandos para verificar se as situações corresponderam aos objectivos do curso”, ressalvou Kong Ngai.
NÚMEROS DO APERFEIÇOAMENTO 454.657.161 patacas 323
instituições e associações aderentes
130.996 participantes 283000 actividades 47326
participantes a totalidade das 5000 patacas
CURSOS FINANCIADOS NO EXTERIOR* Pedidos 12098 Autorizados 11251 Educação contínua
1067 autorizados
Ensino superior
10106 autorizados
Credenciação 68 autorizados * Programa abrangido a instituições de ensino superior e outras subordinadas ao Governo
Em período de balanço face àquela que foi considerada a primeira fase do programa, de Julho de 2011 a 31 de Dezembro, o responsável avançou novos dados. As 323 instituições e associações que participaram neste programa receberam um total de cerca de 454,7 milhões de patacas. E, por outro lado, beneficiaram deste apoio quase 131 mil participantes, sendo que se inscreveram em mais de 283 mil actividades, ou seja, os beneficiários inscreveram-se em mais do que um curso. Destes, 36,1% (ou 47326)
usufruíram da totalidade do subsídio no valor de 5000 patacas. Ainda assim, houve 400 mil pessoas que estavam habilitadas a subscrever um dos cursos mas preferiram não fazer uso deste montante. Houve ainda lugar a financiamento para residentes que frequentaram cursos no exterior, sendo que dos 12098 pedidos quase 93% teve autorização de financiamento.
COM PERNAS PARA ANDAR
A DSEJ encarregou a “Policy 21 Limited”, uma empresa de Hong Kong, para avaliar
o programa, numa altura em que se discute os moldes da sua continuidade. As conclusões foram claras: o programa deve existir e num âmbito “diversificado”, nomeadamente, reforçando “apoios dados às modalidades das áreas de formação profissional e técnicas”. “Entrevistámos 190 instituições que nos deram algumas opiniões e fizemos uma amostra aleatória com 1000 pessoas. Acreditamos que deve haver um reforço de cursos nas artes liberais e educação profissional”, explicou o director da empresa, Yip Hak Kwong. A indicação é dada tendo em conta, sobretudo, o facto de “mais de 90% dos formandos também pretender continuar com o programa” pelo que “se concluiu que o programa teve sucesso”.
20% COM REGIME SAL ARIAL ESCALONADO O Governo anunciou o aumento para este ano lectivo dos subsídios de escolaridade gratuita e de propinas atribuídos às escolas, bem como o apoio à aquisição de manuais escolares, por forma a ajudar as escolas a concretizar o “Quadro Geral do Pessoal Docente das Escolas Particulares do Ensino não Superior”, nomeadamente, a
aplicação da diferença salarial de 1,3 vezes entre os docentes do escalão mínimo e do máximo (seis níveis). Segundo Wong Kit Mou, chefe do Departamento de Estatutos e Recursos Educativos da DSEJ, explicou ontem que “20% das escolas já concretizaram” esta política, pelo que 80% deverão fazê-lo este ano. “Desde que se
começaram a definir seis níveis salariais, verificámos que os professores com o nível mais elevado não vão deixar a escola. Não percebemos que com a implementação desta medida isso possa afectar os docentes de nível seis”, frisou, antes de dizer que hoje mais de 50% dos professores admitidos têm menos experiência.
O programa, é já certo, vai mesmo continuar. E as datas já estão praticamente certas. A abertura de pedidos começa em Abril de 2014 e termina a 31 de Dezembro de 2016, contudo ainda está tudo em equação. “Estamos na fase de recolha de opiniões e aproveitámos hoje [ontem] para ouvir as opiniões de conselheiros”, disse Kong Ngai. Apenas uma coisa parece estar confirmada: a aposta em “cursos profissionais, sobretudo de línguas, elevando a qualidade dos cursos”. Os polémicos cursos de condução ainda não estão seguros na lista de actividades financiadas uma vez que a DSEJ também gostaria de analisar a “opinião do relatório de avaliação intercalar”. Por outro lado, o aumento do montante é uma realidade mas, falta saber, qual o cálculo a utilizar. “Vamos ajustar se tivermos condições tendo em conta a inflação e índice dos preços de consumo”, referiu o responsável. Estes dados serão, segundo Kong, anunciados o “mais breve possível”.
sociedade 7
hoje macau terça-feira 22.10.2013
MIF TERMINOU COM 98 PROJECTOS DE COOPERAÇÃO ASSINADOS
Plataforma a funcionar A 18.ª Feira Internacional de Macau, em que participaram mais de 1.900 expositores de cerca de 50 países, terminou no domingo com 98 projec-
tos de cooperação assinados e mais de 116 mil visitantes, informou a organização. “Depois de quatro dias de actividades, a 18.ª Feira Internacional de Macau terminou satisfatoriamente
e atraiu a participação de 116 mil pessoas em média, mais 12% face à edição anterior, tendo-se conseguido grande adesão do público tanto nas exposições, como nas vendas ‘in loco’”, refere
LIXO EMPRESA VAI DAR 20 MILHÕES AOS FUNCIONÁRIOS
CSR “lamenta” recurso judicial da Urbaser É
certo que o Executivo já decidiu a assinatura do contrato com a Companhia de Sistema de Resíduos de Macau (CSR) por um período de seis meses. Mas ainda assim, a empresa mostra-se insatisfeita pelo facto do recurso judicial no Tribunal de Segunda Instância (TSI) interposto pela Urbaser (uma das empresas concorrentes no concurso público para a recolha do lixo) ter atrasado a sua estratégia. “O Governo da RAEM encontra-se legalmente impedido de celebrar um novo contrato com a CSR, o que veio afectar o plano original de distribuição aos seus actuais funcionários do prémio de fidelidade”, pode ler-se num comunicado enviado ontem às redacções. Mais, a empresa diz lamentar a decisão da Urbaser. “Não obstante lamentar o facto de uma das empresas participantes no concurso ter recorrido judicialmente do resultado do concurso (...), o que impediu até à data que o Governo possa celebrar um novo contrato e vem causando prejuízos à população de Macau e aos nossos funcionários, a CSR envidará todos os esforços para assegurar que os serviços de limpeza urbana e recolha e transporte de resíduos não sejam afectados.”
Ainda assim, a empresa promete distribuir 20 milhões de patacas pelos funcionários respeitantes ao “prémio de fidelidade”, o qual será distribuído de forma antecipada no próximo dia 31 deste mês. Os trabalhadores vão receber apenas uma parte do prémio, que corresponde a 36% do valor total, explica a empresa. Fica ainda a garantia de que “o valor remanescente do prémio de fidelidade será pago aos funcionários no prazo de um mês após a celebração do novo contrato de prestação de serviços”. A CSR afirma ainda estar “atenta ao desenvolvimento da situação” e diz importar “prestar informações correctas e actuais sobre o desenrolar dos processos judiciais a todos os funcionários”. - A.S.S.
Inflação fixou-se em 5,42% em Setembro
A
taxa de inflação em Macau fixou-se em 5,42% no ano terminado em Setembro face aos 12 meses imediatamente anteriores, revelam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, registaram-se acréscimos significativos nos índices de preços das secções habitação e combustíveis (9%), produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (6,77%) e saúde (6,73%). Por oposição, os índices de preços das secções educação e comunicações caíram 2,68% e 2,02%, respectivamente. Só em Setembro, o Índice de Preços no Consumidor fixou-se em 6,12% face ao mesmo mês do ano passado, na sequência da subida dos preços das refeições adqui-
ridas fora de casa, dos produtos hortícolas e das rendas de casa, de acordo com os dados oficiais. No terceiro trimestre, o Índice de Preços no Consumidor geral médio aumentou 5,60% face ao período homólogo de 2012 e, nos nove primeiros meses do ano, subiu 5,37%, em termos anuais. A inflação de Macau é justificada, em parte, pelo facto de o território ser uma economia dependente das importações, especialmente da China continental, que, em Setembro, registou uma inflação de 3,1%. A Região Administrativa Especial chinesa teve, entre o final da década de 1990 e até 2004, um período de deflação, situação que se alterou desde então com uma subida gradual dos preços.
um comunicado do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). O certame contou com mais de 2.000 sessões de negócios, o que representa um acréscimo de 11,7% em relação ao ano passado, de que resultou a “assinatura de 98 projectos de cooperação”, mais 11,3% do que em 2012, e com 51 fóruns, conferências e seminários de promoção. Os protocolos assinados reflectem “a relevância do papel de plataforma comercial da Feira Internacional de Macau e da função importante de Macau na promoção da cooperação regional e na expansão do negócio nos mercados da grande China e estrangeiro”, concluiu a organização. Numa área de mais de 30 mil metros quadrados da zona de convenções e exposições do Venetian estavam
PUB
instalados mais de 1.900 expositores de cerca de 50 países, como Portugal, que tinha um pavilhão próprio e o maior de sempre na feira, em que se promoveram mais de 80 empresas. Alguns expositores portugueses consideraram que o certame lhes proporcionou “uma excelente oportunidade para perceberem melhor a situação de investimento em Macau e como podem
expandir o seu negócio para o interior da China através da plataforma de Macau como ligação para a cooperação comercial luso-chinesa”, refere a nota do IPIM. Países como a Rússia, Itália e Moldávia participaram este ano pela primeira vez no certame. A 19.ª edição da Feira Internacional de Macau está prevista para os dias 23 a 26 de Outubro de 2014. - Lusa
8
CHINA
O
S planos do presidente da China, Xi Jinping, para evitar a qualquer custo que a economia do país decresça, significam que o aumento do PIB chinês no próximo ano vai depender tanto das decisões políticas como das condições económicas no país e no exterior. Depois da China ter anunciado, na sexta-feira, que o crescimento do PIB no terceiro trimestre acelerou para 7,8%, na comparação ano a ano, face a 7,5% no trimestre anterior, as autoridades chinesas disseram que o país teria dificuldades para sustentar este ritmo mais acelerado. Este mês, Xi passou a ser a mais alta autoridade do país a sugerir que a China vai reduzir a sua meta de crescimento para 2014 dos 7,5% projectados para este ano para 7%. O líder do Partido Comunista, disse numa reunião de líderes regionais que esta taxa de crescimento menor é suficiente para duplicar o rendimento per capita entre 2010 e 2020, um objectivo fixado pelo governo há bastante tempo. Uma meta de crescimento mais modesta daria espaço à China para reformular a economia, mesmo que as mudanças provoquem uma desaceleração no curto prazo. Embora um crescimento de 7% seja um ritmo muito mais rápido do que qualquer outra grande economia consegue obter, representa metade da taxa de crescimento da China desde 2007 e seria um problema para as empresas que têm visto o gigante asiático como uma terra de oportunidades quase infinitas. Nas últimas semanas, a Wal -Mart Stores Inc. anunciou que está a fechar algumas lojas na China, enquanto que a Macy’s Inc. adiou os seus planos de expansão. Raymond Tsang, consultor da Bain & Co., diz que milhares de pequenas empresas no sul da China fecharam as portas nos últimos anos. Ainda assim, Xi parece empenhado em reformular a política económica de modo a que o crescimento do PIB não seja a única medida do sucesso. Xi tem vindo a pressionar as autoridades a passar por sessões de autocrítica — uma prática da era de Mao Tse Tung —, como forma de impor metas do Partido Comunista. Hoje em dia, focar-se demais no
hoje macau terça-feira 22.10.2013
CRESCIMENTO ECONÓMICO DEPENDE DE UMA REFORMA POLÍTICA
À procura da sustentabilidade
crescimento é motivo de censura. Numa sessão de autocrítica em Setembro na província de Hebei, no nordeste da China, um alto funcionário do governo local confessou que “se dava demasiada importância ao crescimento económico”, segundo o “Diário Popular”, o principal jornal do Partido. “Não dei atenção suficiente às preocupações das pessoas normais.”
A sessão realizada em Hebei, amplamente coberta pela televisão e pelos jornais chineses, “passou a ser a referência”, disse He Fan, economista sénior da Academia Chinesa de Ciências Sociais, centro de estudos governamental. “Não se pode mais louvar o crescimento do PIB; pelo contrário, os colegas vão criticá-lo por estar amarrado ao velho modelo de crescimento e
só se preocupar com a sua promoção”. Estudiosos da China dizem que há muitos anos que as autoridades provinciais procuram superar a meta de PIB do governo central como uma forma de avançar na carreira.
MUDANÇA DE ESTRATÉGIA
O exame de consciência e o esforço para direccionar o crescimento para um caminho mais sustentável
criaram ajustes. Em Julho, depois da desaceleração que ameaçou estagnar o país, Pequim recorreu a uma velha receita para estimular o crescimento: acelerar os gastos do governo em infra-estruturas e o primeiro-ministro Li Keqiang prometeu que os líderes do país não permitiriam que o PIB ficasse abaixo de um mínimo não especificado. Mas, como exemplo da
procura por um crescimento mais sustentável, a China está a considerar deixar os preços da energia ajustarem-se mais rapidamente às mudanças no mercado mundial, de modo a administrar melhor a procura, reduzir a poluição e aumentar a eficiência da indústria. O crescimento do terceiro trimestre reflectiu o reforço dos gastos em infra-estruturas, a melhoria nas exportações e os efeitos de um aumento maciço nos empréstimos no início do ano, dizem os economistas. Um porta-voz do gabinete de estatísticas da China observou, porém, que o ritmo de crescimento desacelerou em Setembro. “A economia vai enfrentar alguma pressão para manter a tendência ascendente vista no terceiro trimestre”, disse Sheng Laiyun. Os líderes chineses também estão a procurar formas de incentivar as empresas a tornarem-se mais competitivas — até agora com histórias de sucesso e fracasso. Em Taizhou, cidade na costa leste da China, Zheng Hui, director geral da Taizhou Ganen Car Appliance Co., fabricante de cadeirinhas de automóvel para crianças, disse que as encomendas duplicaram este ano depois da empresa ter abandonado as suas linhas de produtos mais básicos e investido mais em design e marketing. “As nossas encomendas subiram muito depois disto, devido à menor concorrência na faixa de produtos de alta qualidade”, disse. As considerações políticas vão predominar a partir do mês que vem, quando os líderes do Partido Comunista se reunirem em Pequim para lançar o plano de reforma que guiará a economia da China pela próxima década. O governo pode dar andamento a mudanças que aumentam os custos para as empresas, como aumentos salariais, impostos dirigidos para o seguro social e controlo sobre a poluição. Mas se o plano não aumentar a produtividade — por exemplo, abrindo sectores agora dominados por gigantes estatais, o efeito poderá ser um crescimento mais lento.
china 9
hoje macau terça-feira 22.10.2013
XI JINPING PEDE A TALENTOS EDUCADOS NO EXTERIOR QUE CONTRIBUAM PARA O SONHO CHINÊS
Servir a nação O
presidente chinês Xi Jinping pediu esta segunda-feira que os talentos educados no exterior contribuam para a concretização do sonho chinês de rejuvenescimento nacional, quer estejam no país ou no exterior. Xi Jinping fez o pedido no 100.º aniversário do estabelecimento da Associação dos
GRUPO CHINÊS ADQUIRE EDIFÍCIO FAMOSO EM NOVA IORQUE
Sede do banco Chase U M grupo chinês comprou por cerca de 5,7 mil milhões de patacas o One Chase Manhattan Plaza, prédio em Nova Iorque de 60 andares que durante mais de meio século foi sede do banco Chase e do seu sucessor, o JPMorgan Chase. O negócio foi realizado pelo grupo Fosun, que pretende manter o edifício como um prédio de escritórios. A aquisição representa mais um avanço das empresas chinesas no mercado imobiliário norte-americano, especialmente em Nova Iorque. Os chineses lideram as compras de propriedades
por estrangeiros no mercado nova-iorquino este ano, com cerca de 110 mil milhões de patacas (sem contar com a aquisição do One Chase). Um destes marcos foi a compra de parte do edifício General Motors, em Manhattan, pela empresária Zhang Xin e pela família Safra, de origem brasileira, no início de Junho. Esta busca por propriedades imobiliárias nos EUA é também parte do desejo do governo chinês de diversificar os seus investimentos. Os chineses são os principais credores dos EUA, com mais de sete biliões de patacas em títulos do
governo, mas estes papéis geram um retorno baixo. Nas últimas semanas, a possibilidade de insolvência americana, devido ao impasse no Congresso sobre a elevação do tecto da dívida e a aprovação do Orçamento, fez as autoridades de Pequim elevarem o tom das críticas contra Washington. “Os EUA estão cientes das preocupações da China com o impasse e da solicitação para que garantam a segurança dos investimentos chineses”, disse o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao, no início deste mês, antes dos parlamentares americanos chegarem a um acordo ainda que provisório.
Académicos Regressados do Ocidente. O governo apoia estudantes e académicos a estudar no exterior, incentiva-os a retornar à China, garante-lhes a liberdade de ir e vir, e apoia-os no uso dos seus talentos, disse o presidente ao discursar na cerimónia que contou com a participação de cerca de três mil pessoas. O Partido Comunista da
China (PCC) e o governo do país respeitam as escolhas dos estudantes, disse o Presidente chinês. “Vocês serão recebidos calorosamente caso retornem à China. Se ficarem no exterior, continuaremos a apoiá-los para que possam servir o país de diversas maneiras”, acrescentou. Xi Jinping disse esperar que os estudantes permaneçam patrióticos, integrando
o seu desenvolvimento no crescimento nacional. Os académicos são incentivados a aproveitar as suas vantagens para promover intercâmbios entre a China e outros países a fim de que a China possa obter mais entendimento e apoio no mundo, disse. Há mais de cem anos que a China começou a enviar estudantes e académicos para estudar no exterior. Muitos destes talentos têm contribuído para a revolução, o desenvolvimento e a reforma da China. Em 1978, a China aumentou o número de estudantes enviados para o exterior. Até o final de 2012, 2,64 milhões tinham saído do país para estudar, entre os quais 1,09 milhão retornaram.
FÓRUM DE IDEIAS CHINA-ÁFRICA ARRANCA EM PEQUIM
Para desenvolver o relacionamento bilateral A
cerimónia inaugural da 3.ª reunião do Fórum de Ideias China-África realizou-se ontem em Pequim, com a presença do conselheiro de Estado, Yang Jiechi. Para além de Yang Jiechi , mais de 200 representantes da comissão chinesa do Fórum de Ideias China-África, representantes dos países africanos e estudiosos chineses e africanos compareceram na cerimónia. Na ocasião, Yang Jiechi felicitou a organização do evento e a activação do Programa de Parceria 10 a 10 do ‘think-tank’ China-África. Yang sublinhou que o fórum serve de plataforma de intercâmbio entre a China e a África e a activação do programa vai elevar o nível de cooperação entre as duas partes. Yang Jiechi espera que os estudiosos chineses e africanos aproveitem os recursos e as oportunidades e reforcem a investigação nas relações sino-africanas, de forma a oferecer apoio intelectual ao desenvolvimento do relacionamento bilateral. O Programa de Parceria 10 a 10 do ‘think-tank’ China-África foi criado entre as dez instituições de investigação de assuntos africanos mais famosas do país e 10 ‘think-tank’ de África, a fim de promover o intercâmbio intelectual e cultural entre os dois lados.
Segundo a Forbes Pequim é a cidade com mais ricos da China
De acordo com o site da revista norte-americana Forbes, entre os 400 chineses mais ricos apontados pela publicação em 2013, 58 vivem em Pequim. A capital do país continua a ser a cidade com o maior número de chineses ricos. Xangai e Shenzhen são outras das cidades que também atraem pessoas com dinheiro. Entre os 400 chineses mais ricos do país, 37 e 34 vivem nestas duas cidades.
TRADIÇÃO
JOSÉ SIMÕES MORAIS info@hojemacau.com.mo
A
NTES de fazermos referência às celebrações realizadas ontem no templo de Sin Fong do Aniversário de Ao Guang (敖广), o Rei-Dragão do Mar do Leste, teremos de falar sobre a Cultura do Rei-Dragão. A crença sobre o Rei Dragão (LongWang 龙王) é muito popular na China, tanto pelos governantes como pelo povo. Segundo as lendas, o Dragão é um animal que controla as águas, podendo criar nuvens e fazer chover, formando tempestades, levantar altas ondas, ou amansar as águas do mar.
JOSÉ SIMÕES MORAIS
10
hoje macau terça-
REI DRAGÃO DO MAR DE LESTE CELEBROU-SE ESTA SEGUNDA-FEIRA
Ao 17 da nona Lua
Ao contrário do que acontece no Ocidente, o Dragão é um animal benéfico que produz chuva e representa o princípio da fecundidade A criação do animal imaginário dragão deu-se há 6000 anos, tendo sido adoptado como totem do povo chinês durante a soberania do Imperador Amarelo. A imagem do dragão foi-se especificando e por isso passou a ter novas formas. De um dragão com a cabeça de porco (ligado ao início da agricultura na civilização chinesa), ao estilizado em C (quando prestes a encerrar um ciclo), encontrando-se referenciado pela Astronomia, quando voa para o Céu depois do Equinócio da Primavera e mergulha nas águas no Equinócio de Outono. Ao contrário do que acontece no Ocidente, o Dragão é um animal benéfico que produz chuva e representa o princípio da fecundidade. As cinco direcções, que começaram a ser usadas durante o período dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.e.), tinham correspondência com Cinco Dragões. Para o Leste, o Dragão Verde/Azul (QingLong), para o Sul, o Dragão Vermelho (HongLong), para o Centro, o Dragão Amarelo (HuangLong), para o Oeste, o Dragão Branco (BaiLong) e para o Norte, o Dragão Preto (HeiLong)
O Budismo, proveniente da Índia, ao entrar no século I na China, precisou de se integrar na cultura local e não tendo a figura do Dragão aproveitou o Naga (serpente que protegeu Sidarta) para ao fazer as traduções dos Sutras o transfigurar nesse mitológico animal chinês, denominando-o Rei-Dragão (Long Wang). Na dinastia Tang, estando o Budismo no seu apogeu, muitos dos imperadores, que seguiam essa filosofia, ofereciam sacrifícios ao Rei-Dragão. Tal cerimónia passou a usar o mesmo sistema das celebrações de sacrifícios para trazer chuva durante o
tempo do Imperador Tang Xuan Zong (712-755). Este imperador mandou construir um templo com o lago-dragão, que representava o Palácio do Rei-Dragão, para aí serem feitas as cerimónias.
Ainda reinava o imperador Xuan Zong quando durante muito tempo não choveu. Vendo não haver comida no seu país, sem soluções, o imperador resolveu no ano 726 enviar emissários para
fazer sacrifícios nas cinco montanhas sagradas e nos quatro templos dos deuses do Mar (do Oeste, do Sul, do Leste, e do Norte). Já anteriormente, ainda na dinastia Tang (618-907),
o robe Rei-Dragão tinha começado a ser usado pela imperador Wu Zetian (684-705). A dinastia Song continuou a utilizar o mesmo sistema dos Tang para oferecer sacrifícios ao Rei-Dragão. No reinado
-feira 22.10.2013
tradição 11
东海龙王 Rei Dragão do Mar do Leste Tongzhi (1862-1874) ofereceu o título ao Rei-Dragão como protector do Grande Canal.
OS CINCO REIS-DRAGÃO
do imperador Song TaiZu (960-976) passou a cerimónia a ser realizada aos Cinco Reis-Dragão. Ainda na dinastia Song, em 1108, o imperador HuiZong (1100-1125), fervoroso daoista, ofereceu a posição de Rei aos Cinco Reis-Dragão. Para o Rei-Dragão do Leste o título GuangRenWang (广 仁王), para o Rei-Dragão do Sul, JiaZeWang (嘉泽王), para o Rei-Dragão do Centro, FuYingWang (孚应王), para o Rei-Dragão do Oeste o título YiJiWang (义济王) e para o Rei-Dragão do Norte, LingZeWang (灵泽王). Nas dinastias Ming e Qing, os imperadores con-
tinuaram a dar títulos ao Rei-Dragão, relacionando-os com tudo o que era formado por água. Em 1723, no segundo ano do reinado de Yongzheng (1722-1735), o terceiro imperador da dinastia Qing, o Rei-Dragão do Mar de Leste era chamado XianRen (显 仁), o Rei-Dragão do Mar
do Sul era ZhaoMing (昭 明), o Rei-Dragão do Mar do Oeste era ZhengHeng (正 恒) e o Rei-Dragão do Mar do Norte, ChongLi 崇礼, informação que vinham das Crónicas “TaiWanXianZhi” (台湾县志) do décimo sétimo ano do período QianLong (1741). Em 1863, o imperador
Segundo as lendas, o Dragão é um animal que controla as águas, podendo criar nuvens e fazer chover, formando tempestades, levantar altas ondas, ou amansar as águas do mar
Para o livro daoísta “TaiShangDongYuanShenZhouJing” ( 太上洞渊神咒经) as cinco diferentes direcções têm cinco Reis-Dragão e quando ligados aos mares/oceanos estão diferenciados em quatro Reis-Dragão. Com base no Céu (Tian 天) e na Terra (Di 地) a Natureza está dividida por 54 diferentes Reis-Dragão e 62 Deuses Reis-Dragão. Há várias séries de Reis-Dragão dos quatro mares, que dependendo da filosofia (daoista ou budista) usam diferentes nomes, mas a mais generalizada classificação é a do Budismo, também utilizada no romance “Jornada ao Oeste” (Xi You ji, 西游 记) escrito por Wu Chengen durante a dinastia Ming. No Budismo, Ao Guang ( 敖广) é o Rei-Dragão do Mar do Leste, Ao Qin (敖钦) é o Rei-Dragão do Mar do Sul, Ao Run (敖闰) é o Rei-Dragão do Mar do Oeste e Ao Shun (敖 顺) é o Rei-Dragão do Mar do Norte. Para o Daoismo, os Reis-Dragão dos quatro mares tinham outros nomes. Assim o Rei-Dragão do Mar do Leste era Ao Guang (敖广), o Rei-Dragão do Mar do Sul era Ao Ming (敖明), o Rei-Dragão do Mar do Oeste era Ao Shun (敖 顺) e o Rei-Dragão do Mar do Norte era Ao Ji (敖吉). Interessante é todos os Reis-Dragão, tanto para o Daoismo como para o Budismo, usarem o mesmo apelido, Ao ( 敖), assim como o Rei-Dragão do Mar de Leste ter o mesmo nome Ao Guang, sendo ele o mais importante entre todos. Apesar de o Rei-Dragão ter, tanto no Budismo como no Daoismo, uma posição muito elevado, ele nunca está representado dentro dos grandes templos, aparecendo apenas nos pequenos templos, como os dedicados a Tu Di. No caso de Macau, Ao Guang, o Rei-Dragão do Mar de Leste, encontra-se no templo de Sin Fong localizado na Travessa de Coelho do Amaral. Ontem, segunda-feira, 17 da nona Lua realizou-se a celebração do Aniversário do Rei-Dragão do Mar de Leste e apesar de não contar com nenhuma individualidade do Governo da RAEM, aí se deslocaram um pouco mais de uma centena de devotos para oferecer sacrifícios a Ao Guang.
12 publicidade
hoje macau terรงa-feira 22.10.2013
VIDA
hoje macau terça-feira 22.10.2013
POLUIÇÃO ÍNDICE DE QUALIDADE DO AR ESTÁ “INSALUBRE”
Clima impróprio para cardíacos A qualidade do ar não está sob níveis recomendáveis. Não é considerada “perigosa” para a saúde, explica Fong Soi Kun, director dos SMG, mas não é aconselhável que pessoas com problemas cardíacos e pulmonares façam ginástica enquanto o ar se mantiver “insalubre” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
A
má qualidade do ar arrasta-se desde o fim-de-semana. Quem anda a pé pelas ruas de Macau facilmente nota que há uma neblina que paira no ar. A razão está na concentração de partículas em suspensão.Apágina oficial dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) tem, por isso, dado conta de que o ar se tem mantido “insalubre” (numa previsão feita a cada 24 horas). Fong Soi Kun adianta que “a poluição acentuada sente-se em
toda a zona do Rio das Pérolas, sobretudo, na foz” e por consequência da continuação do bom tempo e do vento fraco também a qualidade do ar se manterá em risco nos próximos dias. “A concentração de partículas PM2,5 está muito elevada”, salienta o director dos SMG. “Mais de metade da província de Guangdong sente o mesmo problema bem como Hong Kong.” A previsão do índice de qualidade do ar para o dia de hoje mantém-se insalubre, com valores entre os 105 e os 140, nas três estações de mediçáo, em Macau, Taipa e Coloane.
NÍVEIS EM MACAU Em Macau, o IQA é determinado tendo em conta os graus de concentração de partículas inaláveis em suspensão (PM10), dióxido de enxofre (SO2), dióxido de azoto (NO2), monóxido de carbono (CO) e de ozono (O3), os mesmos que a Organização Mundial de Saúde (OMS) toma como referência. No sítio online da SMG, as partículas PM10 - o poluente que mais afecta os seres humanos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) - situaram-se entre as 21 horas de ontem e as 21 horas de hoje, entre as 100 e as 200 μg/m3 e está previsto um pico às 17 horas de hoje (300 μg/m). A OMS entende que a média anual recomendável de valores é de 20 μg/m3. Por outro lado, o NO2 situam-se a uma média de 110 μg/ m3 na Rua do Campo (uma das estações de medição da qualidade do ar - Berma da Rua), neste período de 24 horas, e acima das 50 μg/m3 na Taipa e das 70 μg/m3 em Coloane. A OMS recomenda que se situe nos 40 μg/m3 por ano.
O
programa português Isto é Matemática, transmitido aos sábados à noite na SIC Notícias, foi premiado pela Mostra Internacional de Ciência na TV VerCiência2013, que promove a divulgação de programas televisivos sobre ciência produzidos em todo o mundo e a discussão de estratégias de divulgação científica junto do grande público, através da televisão e de outros meios audiovisuais. O prémio será entregue esta segunda-feira, ao apresentador do programa, o professor de matemática Rogério
13
As partículas com diâmetro de 2,5 micrómetros são mais perigosas do que as PM10 - um dos indicadores que entra em consideração no cálculo do Índice da Qualidade do Ar (IQA) (ver caixa) - já que podem atingir directamente os alvéolos pulmonares. Por essa razão, o responsável lança algumas recomendações. “Apopulação deve preparar-se para fazer menos ginástica, sobretudo, as pessoas que sofrem problemas cardíacos e pulmonares devem evitar fazer exercícios físicos durante esta altura.” “Não é necessário o uso de máscaras porque ainda não há uma grande concentração que faça assim tão mal à saúde. Atinge ligeiramente mas ainda não é considerada perigosa”, assegura Fung Soi Kun. A poluição agrava e contribui para um aumento das doenças cardíacas e principalmente respiratórias - nomeadamente alérgicas, como a asma e a bronquite - já que uma vez que é um tóxico inalável os primeiros órgãos afectados são os pulmões. A perspectiva é que o tempo assim se mantenha. Embora, a previsão seja diária, há certos factores que perspectivam que a poluição se sinta mais durante esta semana. “O tempo está muito estável. Há bom tempo, o vento está muito fraco e quando sopra de norte, como está a acontecer, é muito fácil haver esta poluição intensa.” Os dias de sol podem, por isso, ser animadores. Mas a cautela é recomendada, sobretudo, numa zona onde o índice de raios ultra-violeta é por norma elevado. Isto porque Macau se encontra a uma latitude baixa, junto aos trópicos, o que torna a exposição solar - por mais de 15 minutos - perigosa.
MOSTRAR A MATEMÁTICA EM TUDO O QUE NOS RODEIA, DE FORMA DIVERTIDA
Programa português premiado no Brasil Martins, na cerimónia de abertura da mostra, no Rio de Janeiro, informa a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), que há um ano procura assim ajudar os portugueses “a encontrar matemática em tudo o que os rodeia, de uma forma clara e divertida”. O prémio Homenagem Especial VerCiência 2013 é atribuído “pela excelência dos programas produzidos, apresentando tópicos da matemática de forma
atraente e divertida”. “É uma grande honra receber este reconhecimento do outro lado do Atlântico, principalmente tendo em conta a lista de anteriores homenageados, como a BBC ou David Attenborough”, sublinha Rogério Martins, num comunicado da SPM. “É uma prova de que vale a pena arriscar em televisão numa área aparentemente tão árida e mal-amada como
é a matemática, e ainda por cima apresentá-la de uma forma inovadora.” Promovido pela SPM, o programa tem produção da Sigma 3 e o apoio da Agência Ciência Viva, do Compete (Programa Operacional Factores de Competitividade), do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder).
14
CULTURA
hoje macau terça-feira 22.10.2013
U
M concerto da fadista Cuca Roseta, um festival de cinema lusófono e outro de gastronomia goesa estão previstos na quinta edição da Semana da Cultura Indo-Portuguesa em Goa, que lançará ainda o primeiro clube de fado na região. “A novidade [desta edição] é que vamos ter um concurso de fado [...] para promover um clube de fado”, contou à Lusa o cônsul-geral de Portugal em Goa, António Sabido Costa, adiantando que já há mais de 50 concorrentes inscritos. O diplomata explicou que o fado, especialmente o de Lisboa, tem muitos adeptos naquele estado indiano, que até 1961 foi uma colónia portuguesa. Já existem muitos intérpretes de fado na região e há mesmo uma noite de fado por mês em Pangim, capital de Goa, mas o objectivo é seleccionar um núcleo de jovens artistas que venham a estar na base do clube de fado que será lançado no final da Semana da Cultura para dar formação musical e organizar noites de fado noutras partes de Goa. A Semana da Cultura, que começa a 25 de Outubro, encerra a 18 de Janeiro, para coincidir com o início dos Jogos da Lusofonia, um evento desportivo que junta atletas dos países de língua portuguesa e que este ano decorre também em Goa. Embora em 2008 tenha durado uma semana, este
M
CUCA ROSETA E CONCURSO DE FADOS EM GOA VISAM PRESERVAR HERANÇA PORTUGUESA
Manter a chama viva ano a iniciativa foi estendida por três meses para permitir um maior acompanhamento, contendo ainda assim sete eventos. O certame começa com uma exposição de pintura dos artistas goeses Rajesh Salgaoncar, Harshada Kerkar, Salvador Fernandes e Loretti Pinto, e inclui um
UITO antes do aparecimento da Internet e dos “reality shows” na televisão, Andy Warhol (1928-87), o “pai da Pop Art”, intuiu que “no futuro, toda a gente será mundialmente famosa durante 15 minutos”. A frase, ela própria já “mundialmente famosa”, é o título da maior exposição de Andy Warhol realizada na Ásia, com cerca de 300 pinturas, fotografias, desenhos, serigrafias e outras peças, patente na Academia Central de Belas Artes da China, em Pequim, até meados de Novembro. Trata-se de uma colecção do Museu Andy Warhol de Pittsburg, a terra natal do artista, e depois de Pequim seguirá para Tóquio, última etapa de um périplo que incluiu Singapura, Hong Kong e Xangai. Como em Xangai, e ao contrário do que aconteceu nas outras cidades, o retrato do antigo Presidente chinês Mao Zedong que Warhol pintou centenas de vezes
evento de ‘tiatr’ em concanim, produzido pelo “mais reputado tiatrist”, Tomazinho Cardozo. “Tiatr é uma espécie de teatro de revista muito popular em Goa, sobretudo entre a comunidade cristã, tendo sido desde a sua criação, nos finais do século XIX, um dos principais veículos
da promoção da língua concanim em Goa”, explicou o cônsul-geral. Um festival de gastronomia tradicional goesa e indo-portuguesa, outro de cinema lusófono, com a participação do Consulado-Geral do Brasil em Bombaim, e um concerto da fadista Cuca Roseta, que
visita o estado indiano pela primeira vez, são outros momentos previstos. O especáculo da fadista cumpre uma tradição da Semana da Cultura, que tem tido sempre a participação de um artista de Portugal. Os fadistas Ana Maria Bobone e Miguel Capucho e os Deolinda foram alguns dos artistas que por ali passaram em edições anteriores. Organizada e quase totalmente financiada pela sociedade civil goesa, nomeadamente os clubes associativos Vasco da Gama, Nacional e Harmonia, a Semana da Cultura “visa preservar a influência portuguesa e
ANDY WARHOL EM PEQUIM, SEM OS RETRATOS DE MAO MAS COM MOSCAS
Quinze minutos de fama na década de 1970, com cores diferentes, não faz parte do catálogo de Pequim. O director do Museu Andy Warhol, Eric Shiner, não precisou se os retratos foram “censurados”, referindo apenas que “há certo imaginário que ainda não pode ser exibido na China”.
Num gesto que Warhol certamente apreciaria, na inauguração da exposição, um artista todo vestido de branco (calças, camisa e casaco e sapatos) - largou milhares de moscas: 20.000, segundo comentários na Internet. As fotografias da performance, publicadas no site chinês http:// news.artron.net mostram as paredes e o chão da galeria salpicadas de pontos negros, mas o número exacto é, obviamente, impossível de apurar. O artista, até então desconhecido do grande público, chama-se Hua Weihua. Foi detido pela segurança do museu, mas já não é desconhecido. “Sentimo-nos como se Andy Warhol tivesse voltado”, disse Eric Shiner.
O comentário não é inteiramente metafórico: Andy Warhol visitou Pequim em 1982, durante dois dias, convidado por um coleccionador de Hong Kong. O Partido Comunista Chinês (PCC) já tinha adoptado uma nova política, muito diferente da que Mao advogava, mas a “Reforma Económica” e “Abertura ao Exterior” estavam ainda a dar os primeiros passos. “Não havia batom para pintar os lábios, nem música pop, discotecas, homossexualidade, automóveis ou apartamentos privados, e também não havia, claro, luxo ou corrupção”, assinalou o artista plástico e dissidente chinês Ai Weiwei num álbum fotográfico sobre a viagem de Warhol, publicado em 2008.
ocidental em Goa”, disse o cônsul-geral. Mais de 50 anos depois da saída dos portugueses da Índia, a cultura portuguesa continua presente em Goa, com um número crescente de estudantes de português nos últimos anos. Actualmente, mais de 30 escolas e universidades têm a Língua Portuguesa nos currículos, havendo duas licenciaturas em português, além de um mestrado em estudos portugueses, este último na Universidade de Goa. A música, as tradições e a gastronomia de influência portuguesa mantêm-se presentes em muitas famílias e António Sabido Costa estima que “grosso modo, cerca de 10 mil pessoas estejam, de uma forma ou outra, envolvidas nas actividades que visam preservar a cultura de influência portuguesa”. O objectivo Semana da Cultura é por isso “manter viva a herança portuguesa”, que ao fim de “um longo interregno quase sem relações Portugal-Goa corria o risco de se perder”, disse o cônsul. As instituições portuguesas, nomeadamente o consulado-geral, o Camões e a Fundação Oriente estão associados ao evento, articulando as suas actividades culturais de forma a serem compatíveis com esta semana, mas o certame decorre “quase sem encargos para o Estado português”, sublinhou ainda António Sabido Costa.
Quando os seus anfitriões lhe disseram que Pequim não tinha nenhum McDonalds, Warhol retorquiu: “Não tem, mas terá”. Nos últimos vinte anos, coincidindo com a acelerada conversão do PCC à economia de mercado e aos “avançados métodos de gestão dos países desenvolvidos”, aquela cadeia de ‘fast food’ abriu cerca de 1.500 restaurantes na China - uma média de um por semana! Entretanto, uma nova geração de artistas plásticos chineses também se tornou “mundialmente famosa” e alguns dos seus nomes mais conhecidos, como Ai Weiwei ou Wang Guangyi, são admiradores confessos de Andy Warhol. E como Warhol igualmente apreciaria, a chamada “Pop Política” chinesa, que mistura o logo da Cola-Cola e de outras multinacionais com os ícones da antiga propaganda revolucionária, vende-se hoje por dezenas ou centenas de milhares de dólares.
cultura 15
hoje macau terça-feira 22.10.2013
JOÃO GIL E JOSÉ SALGUEIRO QUEREM REPETIR “JUNÇÃO” MUSICAL ENTRE PORTUGAL E CHINA
Já com saudades de Macau U M dia depois de actuarem na Fortaleza do Monte no âmbito do Festival Internacional de Música de Macau, os músicos José Salgueiro e João Gil querem voltar a actuar na cidade e procuram projectos de junção musical das culturas portuguesa e chinesa. Em entrevista à agência Lusa, João Gil garante não ter esquecido a primeira vez que pisou um palco em Macau, no ano de 1986, quando esteve no território integrado no grupo Trovante para as comemorações locais do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Vinte anos mais tarde voltou à cidade para, com a Ala dos Namorados e depois de “nove dias de ensaios à
séria”, tocar com a Orquestra Chinesa de Macau. “Foi muito interessante e fizemos um trabalho maravilhoso”, disse o músico que agora liderou o Quinteto Lisboa no espectáculo na Fortaleza do Monte. João Gil considera o Quinteto Lisboa um projecto “único e gratificante” porque “é quase como uma soma das várias experiências tanto da parte do Zé Peixoto e do Fernando Júdice nos Madredeus” como da sua parte tanto nos Trovante como na Ala dos Namorados e que permite “sintetizar” todas essas experiências num só conjunto. Desejoso por voltar a actuar em Macau com a Orquestra Chinesa, João Gil gostaria de regressar com o seu novo projecto: “Missa Brevis”. “Agora vejam vocês o que
pode acontecer: um encontro de culturas, um encontro de civilizações com o latim em fundo, como se voltássemos a pôr um marco, desta vez não de granito, não de pedra a dizer que chegámos e isto é nosso, mas sim isto (Macau) é um ponto de encontro de tolerância e de comunicação entre os povos”, concluiu. Também José Salgueiro, cujo projecto “Aduf” encerrou a noite de domingo na Fortaleza do Monte e chegou a partilhar o palco com o Quinteto Lisboa, quer manter na cidade os adufes gigantes construídos propositadamente para o Festival de Música de Macau. “Gostaria muito que este projecto ficasse em Macau. Pelo menos vai ficar por cá estacionado à espera de o poder fazer ou na periferia
ou voltar a fazer em Macau”, explicou à Lusa o percussionista que pretende “encontrar uma plataforma de trabalho com percussionistas chineses e assim fundir a cultura portuguesa com a cultura chinesa no campo de percussão”. Salientando que a música é uma “linguagem universal”, José Salgueiro não esconde a paixão pela Ásia e a inspiração japonesa e chinesa para o projecto Aduf. “Este espectáculo é muito inspirado na Ásia, (…) foi feito inspirado não só na forma de tocar do Japão como nos tambores e nos timbres que se usam muito na China e nos instrumentos chineses e eu acho que é perfeitamente possível encontrar aqui uma forma de juntar as duas culturas”, concluiu. - Lusa
ORQUESTRA GULBENKIAN APLAUDIDA EM PEQUIM
Direito a dois ‘encore’ A OrquestraGulbenkian foi aplaudida durante cerca de 10 minutos no maior teatro de Pequim no domingo à noite, terminando a sua tournée na China com dois ‘encore’. Foi a terceira digressão da orquestra pela China em cerca de três décadas e, desta vez, “o público foi muito mais entusiasta”, disse um elemento da comitiva que acompanhou a anterior tournée, em 1999. Além de duas peças
conhecidas do reportório clássico (as sinfonias ‘Pastoral’ de Beethoven e ‘Novo Mundo’ de Dvorák), o programa incluiu uma obra do compositor português Luís de Freitas Branco (“Duas Melodias”) e um Concerto para Marimba e Orquestra do percussionista brasileiro Ney Rosauro, com o solista chinês Li Biao. Antes de chegar à capital chinesa, a orquestra tocou em Macau e em Cantão, no sul do país, sob a direcção
do seu novo maestro titular, Paul McCresh. O último concerto decorreu no Grande Teatro Nacional da China, um dos novos ícones arquitectónicos de Pequim, desenhado pelo francês Paul Andreu. “Somos uma orquestra portuguesa e trouxemos uma lembrança de Portugal”, disse o maestro Paul McCresh ao introduzir o primeiro ‘encore’ da noite, uma peça de Joly Braga Santos. A seguir, e como a maioria do público era composta
por estudantes do ensino secundário, a orquestra tocou uma música de embalar de Robert Schumann. “É bom ver tantos jovens na assistência”, comentou o maestro. A orquestra, com cerca de 70 músicos, viajou acompanhada pelo presidente da Fundação Gulbenkian, Artur Santos Silva, a administradora Teresa Gouveia e o director do Serviço de Música da instituição, Risto Nieminen. Fundada em 1962, a Orquestra Gulbenkian tocou pela primeira vez na China em 1980, pouco depois de o Partido Comunista Chinês ter adoptado a política de “Reforma Económica e Abertura ao Exterior”.
PUB
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 311/AI/2013
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora 蘇戴艷紅(portadora de Hong Kong Permanent Identity Card n.° P7245xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 37.2/DI-AI/2011 de 26.05.2011, levantado pela DST, por controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo, n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 3, 12.° andar B e utilizada para a prestação ilegal de alojamento, bem como por despacho da signatária de 08.10.2013, exarado no Relatório n.° 381/DI/2013, de 23.09.2013, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e n.° 1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010.-----------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual
será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de dias, conforme estipulado na alínea do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.-------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício Centro Hotline , 18.° andar, Macau.------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 08 de Outubro de 2013. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 317/AI/2013 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora CHEN MINGHUA (portadora do passaporte da R.P.C. n.° G35449XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 50/DI-AI/2012, de 31.05.2012, levantado pela DST e por despacho da signatária de 08.10.2013, exarado no Relatório n.° 387/DI/2013, de 16.09.2013, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 898, Edf. Amizade, 7.° andar A e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.-------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em
direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.---------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício Centro Hotline , 18.° andar, Macau.------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 08 de Outubro de 2013. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
16
DESPORTO
hoje macau terça-feira 22.10.2013
MUNDIAL 2014 SALDO DE CONFRONTOS COM OS SUECOS É DESFAVORÁVEL AOS LUSOS
Portugal defronta Suécia no play-off A Suécia é o adversário de Portugal no play-off de acesso ao Mundial de futebol 2014. O sorteio realizado em Zurique, nesta segunda-feira, colocou frente a frente duas selecções que, ao longo da história, já se defrontaram por 15 vezes. Os jogos do play-off realizam-se a 15 e 19 de Novembro, primeiro em Portugal, no Estádio da Luz, e depois na Suécia. De resto, a selecção nacional nunca conseguiu bater os nórdicos em território português: nos 15 encontros entre as duas equipas, o saldo é de três vitórias portuguesas, seis empates e seis triunfos suecos. De qualquer modo, nos últimos três encontros, as duas equipas empataram e a selecção nórdica não vence Portugal desde 1984. As duas selecções nunca se cruzaram em fases finais
bateu-se quase de igual para igual com os germânicos, com os quais protagonizou os dois grandes jogos do apuramento (empate 4-4 em Berlim, derrota por 3-5 em Solna). O principal deslize dos suecos aconteceu frente à Áustria, em Viena, onde perderam por 2-1. Em 2013, a Suécia efectuou 13 partidas, somando sete vitórias, três empates e três derrotas. Para além das duas registadas no Grupo C, a terceira aconteceu frente à Argentina (2-3), em Fevereiro, num jogo particular. Zlatan Ibrahimovic, a grande figura da equipa, marcou, desde o início do ano, sete dos 22 golos da selecção.
de grandes competições e, em fases de apuramento, Portugal levou a melhor na caminhada rumo aos Mundiais de 1986 e de 2010. Actualmente, a selecção
nórdica ocupa o 25.º lugar do ranking da FIFA, 11 posições abaixo da equipa portuguesa. Na qualificação para o Brasil 2014, terminou o Grupo C no segundo lu-
gar, com 20 pontos, menos oito do que o vencedor, a Alemanha. Nessa caminhada rumo ao play-off, a selecção orientada por Erik Hamren
PAULO BENTO ANTEVÊ “DOIS JOGOS EQUILIBRADOS”
A primeira reacção ao sorteio partiu do seleccionador português, Paulo Bento: “Vão ser dois jogos bastante complicados, dois jogos
AUTOMOBILISMO CONSTRUÇÃO IMOBILIÁRIA AMEAÇA FUTURO DO CIRCUITO
Nuvens pairam no ar de Zhuhai A
TRAVÉS da sua subsidiária Dragon Hill Corp Ltd, o grupo malaio LBS Bina Group adquiriu por um dólar americano a Lamdeal Investment Ltd, a empresa que detinha 60% do capital do Circuito Internacional de Zhuhai (ZIC, na sigla inglesa). O grupo malaio que já geria o circuito e tem agora posição maioritária no mesmo, os restantes 40% pertencem a uma empresa de capitais públicos da cidade de Zhuhai, tem já planos para o circuito e que em nada estão relacionados com a utilidade da infra-estrutura erguida nos anos noventa.
Situado numa zona aparentemente apetecível para construção imobiliária, o destino do circuito poderá estar traçado a curto ou médio prazo. “A decisão de trazer o Circuito Internacional de Zhuhai novamente para o grupo manterá a presença do grupo em Zhuhai e talvez no futuro proporcione uma nova oportunidade para o grupo se aventurar nos negócios de imobiliário”, disse Datuk Lim Hock San, o director geral do LBS Bina Group. Antes da exercer a opção de compra, Lim já tinha deixado claro os interesses
da sua companhia, que também gere o campo de golfe adjacente ao circuito, passam por construir nos 264 hectares ocupados pelo actual circuito, afirmando à imprensa do seu país que o circuito pode ser recolocado noutros terrenos mais baratos. “O LBS acredita no potencial das terras do ZIC. Esta aquisição chega numa altura em que o grupo acredita que vai beneficiar desta aquisição devido à falta de terrenos de primeira qualidade em Zhuhai”, disse Lim no dia do anúncio da compra à bolsa da Malásia.
O Circuito Internacional de Zhuhai, localizado a cerca de trinta minutos das Portas do Cerco, nasceu em 1997, foi o primeiro circuito permanente da República Popular da China quando o país tentou pela primeira vez assegurar um Grande Prémio de Fórmula 1. Apesar de nunca ter acolhido o “Grande Circo”, o circuito da cidade continental chinesa foi palco de provas internacionais de campeonatos tão variados como o FIA-GT, A1 GP – Taça das Nações, ou mais recentemente do Intercontinental Le Mans Series. O Circuito Internacional de Zhuhai, que serve de base a várias equipas alicerçadas na RAEM que por lá operam, também recebeu por várias ocasiões os campeonatos de Macau de Carros de Turismo, no entanto, devido aos elevados custos cobrados no transporte das viaturas para o circuito, deixou de fazer parte do roteiro obrigatório dos pilotos do território.
SORTEIO • PRIMEIRA MÃO (15 de Novembro) PORTUGAL - Suécia Ucrânia - França Grécia - Roménia Islândia - Croácia • SEGUNDA MÃO (19 de Novembro) Suécia - PORTUGAL França - Ucrânia Roménia - Grécia Croácia - Islândia
equilibrados. É uma equipa que, apesar de ter um dos melhores avançados do mundo, vale pelo colectivo”, afirmou ao site da Federação Portuguesa de Futebol. “[A Suécia] ficou em segundo num grupo que tinha um dos grandes candidatos à vitória nas grandes competições, que é o caso da Alemanha. Mas nós, independentemente do adversário, competiremos com o objectivo de estar no Mundial”, promete o treinador.
Paulo Gonçalves vence Rali de Marrocos e sagra-se campeão mundial O português Paulo Gonçalves sagrou-se, este sábado, campeão mundial de todo-o-terreno, ao vencer o Rali de Marrocos, última prova do campeonato mundial. O piloto da Honda partiu para o último dia de prova a 4,39 minutos da liderança, na posse do seu companheiro de equipa Joan Barreda, e 14 segundos de vantagem sobre o seu direto rival na luta pelo título mundial, o também espanhol Marc Coma. Gonçalves terminou em segundo na etapa (o australiano Ben Grabham foi o vencedo), mas garantiu a vitória final na prova, assegurando também o título mundial. É o segundo português a alcançar tal feito, depois de Hélder Rodrigues, em 2011.
Ranking ATP João Sousa cai três posições no ranking
João Sousa continua a ser o português mais bem classificado no ranking ATP, caindo contudo três posições, para o 53.º lugar, na actualização semanal divulgada esta segunda-feira. No topo da classificação não houve alterações significativas, com Roger Federer a recuperar novamente o sexto lugar por troca com o checo Tomas Berdych. O também suíço Stanislas Wawrinka é agora oitavo, trocando com o francês Jo-Wilfried Tsonga.
FUTILIDADES
hoje macau terça-feira 22.10.2013
TEMPO
MUITO
NUBLADO
[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:30 17:50 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:30 01:00
TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Desporto (Repetição) Vingança Telejornal TDM Entrevista (Irmãos e Irmãs Sr.4) Caminho das Índias TDM News Portugal Aqui tão Perto Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO
RTPi 82 14:00 14:35 14:45 15:10 15:40 16:00 17:00 17:35 18:20 19:10 20:00 21:15 22:05 22:30
Telejornal Madeira 5 Minutos Num Instante Solares de Portugal Iniciativa A Estrela Lá de Casa Bom Dia Portugal Grande Reportagem-Sic 2012 Portugueses Pelo Mundo O Teu Olhar (Telenovela) Viva a Música Jornal da Tarde O Preço Certo Profissões Portugal no Coração
MIN
[
22
MAX
28
HUM
40 - FOX Movies 12:15 Six Days, Seven Nights 14:00 Love And Honor 15:40 What To Expect When You’Re Expecting 17:30 Shallow Hal 19:25 Vamps 21:00 The Expendables 2 22:45 The Walking Dead 23:30 Underworld: Rise Of The Lycans 41 - HBO 12:00 Rock Of Ages 14:00 The Adventures Of Tintin 15:45 A Monster In Paris 17:20 Wild Hogs 18:55 The Matrix Revolutions 21:00 Final Destination 5 22:30 Serangoon Road 23:30 Dream House 42 - Cinemax 12:15 IlTango Della Gelosia 14:00 Love Bites 15:45 Ski School 17:15 Windprints 19:00 Midnight Cowboy 21:00 A Midnight Clear 23:00 Love Bites 00:45 Sweet Smell Of Success
•
EURO
] C I N E M A SALA 1
30 - FOX Sports 13:00 Liga Bbva 2013/14 Valencia CF vs. Real Sociedad 14:30 Liga Bbva 2013/14 RCD Espanyol vs. Atletico de Madrid 16:00 Dutch Eredivisie 2013/14 Go Ahead Eagles vs. Feyenoord Rotterdam 17:30 Liga Bbva 2013/14 Weekly Review 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Dutch Eredivisie 2013/14 Highlights 21:00 Singha Football Crazy 21:30 Liga Bbva 2013/14 Highlights 22:00 The Ultimate Fighter 23:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 31 - STAR Sports 13:00 Planet Speed 2013/14 13:30 Motorsports@ Petronas 14:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 1 & 2 16:00 International Motorsport News 2013 17:00 Motorsports@ Petronas 17:30 FIA World Rally Championship 2013 - Event Highlights 18:25 (LIVE) AFC Cup 2013 East Bengal vs. Kuwait SC 20:30 Motorsports@ Petronas 21:00 Golf Focus 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Singha Football Crazy 22:30 Golf Focus 2013 23:00 Liga Bbva 2013/14 Weekly Review 23:55 (LIVE) AFC Cup 2013 Al Faisaly vs. Al Qadsia
55-80%
THE BEST PLAN IS NO PLAN [C]
Um filme de: Patrick Kong Com: Sammy Sum, Justin Cheung, Hanjin Tan, Shiga Lin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
ABOUT TIME
SALA 2
GRAVITY [B]
Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 14.30, 21.30
ABOUT TIME [B]
Um filme de: Richard Curtis
10.9
0.2
YUAN
1.3
Cineteatro Com: Rachel McAdams, Domhnall Gleeson, Bill Nighy 16.30,19.15 SALA 3
DIANA [B]
Um filme de: Oliver Hirschbiegel Com: Naomi Watts, Naveen Andrews 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
M A C A U [ S Ã ] A S S A D O O SEGREDO É LAVAR AS MÃOS NO... URINOL
BAHT
17
Foto: Rita Marques Ramos
POR MIM FALO
Pu Yi
Nôm pódi
• Macau continua a surpreender. Desta vez, ali quase a paredes meias com a sede do Governo da RAEM, alguém – terá sido o próprio Executivo? -, montou uma série de casas de banho provisórias dando-lhes o nome de lavatório. Como se não bastasse não ser, ali, o local para instalar tais estruturas ainda lhes tinham de dar um nome pomposo. É urinol, casa de banho provisória, mictório, o que vocês quiserem meus senhores... lavatório é que não.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ELO • Maria Rita
Maria Rita está de volta com o quarto álbum de estúdio da sua carreira, “Elo”. Alguns temas deste novo disco - produzido pela própria artista - são inspirados no alinhamento da tour intimista que a cantora realizou em 2010, como os casos de “Nem Um Dia”, “Perfeitamente”, “Conceição dos Coqueiros” e “Santana”; outras canções são uma estreia absoluta e surgem de encontros musicais inesperados*, como o caso de “Pra Matar meu Coração”, “A Outra”, ou “Coração em Desalinho”.
GOLDEN ERA • Rita Redshoes
“Dream on Girl” é a sua primeira afirmação: um novo talento apresentado pela colectânea “Novos Talentos – FNAC 2007”, uma música que rapidamente se tornou no single deste disco, com destaque em algumas rádios nacionais e referência com uma das canções do ano. Fez parte dos Atomic Bees, Foi uma das finalistas do concurso Jovens Criadores em 1999, com o projecto Rebel Red Dog, onde tocava baixo. Nesse mesmo ano começa a desenvolver o seu talento para tocar piano, no seu projecto a solo: Photographs. Desde 2003 que integra a banda de David Fonseca, tendo mais recentemente partilhado o tema “Hold Still” incluído em “Our Hearts Will Beat As One”. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
A publicação do património dos altos cargos da RAEM na Internet está a gerar um grande debate na sociedade. A maioria das pessoas não acredita que Fong Chi Keong não tenha uma casa privada, uma vez que a sua profissão é construtor civil. Também ninguém acredita que Mak Soi Kun seja pobre, uma vez que há quem saiba que possui uma vivenda em Coloane. Afinal em que ficamos? Enquanto uns dizem tudo, ou quase tudo, e outros não dizem nada, ou quase nada, Larry So, académico do IPM, aproveita para acusar publicamente os deputados de desonestidade. Na verdade, para o professor universitário, a “luz do sol” badalada pelo Governo não foi completamente implantada. Por outro lado, à minha cabeça pequenina faz muita confusão os valores obscenos do património desta gente. Uma pessoa com 50 casas significa o quê? Para que servem as casas? Para aumentar ainda mais a especulação imobiliária? Para alugar? Para vender? Ou simplesmente para ter, só porque sim, num modo bárbaro de ostentação de riqueza? Numa terra onde a habitação escasseia e onde o Governo constrói casas de baixa qualidade, tudo isto é, a meu ver, uma forma de gozar com quem precisa. E estão estes senhores no poleiro. Como se já não bastasse as suas fortunas pessoais, é preciso ainda garantir que essas fortunas de mantenham intactas ou, se possível, engordem ainda mais. Isto de um empresário ocupar um cargo de poder é, no mínimo, um acto de arrogância. A maioria deles estão lá para servirem apenas os seus interesses. E o povo? Agora que me lembro das promessas dos deputados durante as campanhas eleitorais só me apetece é rir. Alguém, no seu pleno discernimento, acredita nestas conversas? Obviamente que não. Macau precisa de responsabilidade. Não existe. Não sejamos ingénuos. Os políticos são mentirosos todos os dias e disso não tenho qualquer dúvida. Não consigo, é certo, apontar dedos concretos. E, na verdade, sou um mero gato que gosta é de ronronar. Por isso, prefiro apenas dizer “nôm podi”, como diria um amigo meu macaense, em patuá. Miau...
OPINIÃO
hoje macau terça-feira 22.10.2013
FERNANDO VINHAIS GUEDES
desporto e não só
Um novo patamar
R
ETOMANDO o tema do desporto de Macau e um pouco no seguimento na entrevista que dei ao HM em Maio passado, afigurasse-me que, só com novas ideias, com novos projectos e novas estratégias, adaptados às especificidades de Macau será possível galgar um novo patamares de desenvolvimento desportivo sustentado numa base alargada e sólida. De contrário o desporto de Macau jamais sairá do marasmo em que se encontra. Nem mesmo o acenar com o profissionalismo, que a Administração endinheirada está disposta a pagar, irá alterar a situação, que se vive desde há muitos anos na RAEM! A profissionalização é antecedida de duas etapas: a formação e especialização que, em muitas modalidades desportivas, ocupam mais de dez anos de treinos. Nos recentes campeonatos do mundo de natação, Missy Franklin, arrecadou seis medalhas de ouro, com dezoito anos e não era profissional. Era estudante de liceu e recusou já convites para se profissionalizar! Não se pense que todos os atletas são profissionais! Muitos dos que lá chegam, treinaram e estudaram simultaneamente, com um grande espírito de sacrifício e de amor à modalidade que escolheram. Um dos problemas do desporto de Macau está no facto de haver bastantes adultos a fazer competição (recreativa) e muitíssimo poucos a treinarem, sequer duas ou quatro horas semanais! Macau, já teve em tempos não muito longínquos, um treinador profissional oriundo de um país campeão do mundo de hóquei em campo, dispunha de espaço de relva artificial do melhor que havia, mas não tinha atletas para treinar! Ao fim de algum tempo o senhor partiu desiludido para o seu país, sem deixar obra feita. Podem-se ter as melhores instalações desportivas do mundo e os melhores treinadores, mas se não houver atletas para treinarem, nunca haverá desporto! Em Macau como em qualquer parte do mundo, os potenciais atletas estão nas Escolas e é com eles que a entidade responsável pelo desporto da RAEM tem que contar. Existem formas para lá chegar, assim haja vontade política e uma estratégia adequada. Como é costume dizer-se «quando a montanha não vai ter com Maomé, é Maomé que vai ter com a montanha» Também no passado havia uma grande falta de espaços para a prática desportiva. No presente continua a ser a falta de instalações, que afligem os responsáveis, muito embora se tivessem construído verdadeiros «elefantes brancos» para três grandes eventos, que muitos já esqueceram!
GEORGE BELLOWS, DEMPSEY E FIRPO
18
A profissionalização no desporto é o vértice duma enorme pirâmide, que tem como base, todo o desporto seja ele associativo, escolar, para todos, de competição ou mera recreação Actualmente, Macau necessita de instalações desportivas mais acessíveis, mais polivalentes, mais baratas e até mais próximas da população. A solução passa, como já o afirmei, pela construção tipo auto-silo. Infra-estruturas arejadas, sem ar condicionado com valência para três tipos de modalidades. Quando na RAEM, existirem competições nos escalões de juvenis e juniores, em diferentes modalidades, então sim, pode pensar-se num verdadeiro salto para um novo patamar. Relativamente a atletas profissionais, Macau teve-os em 1981/82/e 83 na modalidade de futebol de onze, pagos pelos presidentes dos respectivos clubes, mas nunca pelo governo do Território. Aos respectivos serviços de então, coube a tarefa de apoiar e incentivar um campeonato no escalão de juniores, onde participaram seis equipas, isto no tempo em que os recursos financeiros, eram escassos. Falar em profissionalização no contexto em que se encontra o desporto de Macau, é um erro de «casting» só admissível a quem não tem presente os princípios de uma política escorreita de desenvolvimento desportivo.
A profissionalização no desporto é o vértice duma enorme pirâmide, que tem como base, todo o desporto seja ele associativo, escolar, para todos, de competição ou mera recreação. As situações de prática de um desporto a tempo inteiro, estão já a verificar-se em várias academias e centros de alto rendimento, onde se abandona a escola sem acautelar a formação escolar e académica dos jovens, com o perigo de existem vários factores imponderáveis, que podem condicionar o sucesso de uma carreira profissional. Em vez de um estatuto de atleta-profissional, porque não a categoria de estudante/ atleta? Este estatuto permitiria, por exemplo, atribuir bolsas de estudo a jovens, que se destacassem numa ou noutra modalidade, continuando naturalmente os seus estudos. A RAEM não é um país, mas somente uma Região Administrativa Especial. Em termos desportivos cabe à R.P.C. representar a grande Nação e ela é já a segunda potencia Mundial. Se o objectivo da alta competição é dar visibilidade a Macau, essa visibilidade já existe à escala mundial pelo jogo e pelos casinos!
opinião 19
hoje macau terça-feira 22.10.2013
Ricardo Pinho
disse-me um passarinho...
twitter.com/ricardo
O contrário dum dogma é outro dogma.
UEM manda na RAEM, financeira, administrativa e politicamente - que são exactamente os mesmos tem todo o direito de ir dificultando, progressivamente, o uso da língua portuguesa. Inclusivamente, tem outros direitos: o de dizer umas vulgaridades sobre os países de língua portuguesa, outras vulgaridades sobre a comunidade portuguesa ou de língua portuguesa residente em Macau, e mais umas quantas vulgaridades, mais ou menos sentidas ou não, sobre as relações com toda esta gente do grande universo lusófono. Desconheço se será para inglês ver, se para chinês ver, se para os de língua portuguesa verem. Ou se para Pequim ver. Pessoalmente, perante a sucessão de alguns factos em várias frentes, há uns tempos que tirei as minhas conclusões. De momento não me apetece pormenorizá-las, até porque, pelo que sei, muitos, e não somente de língua portuguesa, vêm tirando conclusões semelhantes. Ainda ontem José Rocha Dinis, sob o título “Mancha”, mencionava no seu jornal o facto, apenas surpreendente para alguns, de na cerimónia inaugural da Feira Internacional de Macau não ter havido “uma única palavra dita em português”, tendo a organização - que é oficial - entendido como “suficiente a passagem nos ecrãs da tradução do discurso do Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, e o resto da cerimónia decorreu em cantonês e inglês”. Estas opções vão-se vulgarizando, multiplicando, principalmente nos últimos três para quatro anos. Precisamente quando, aparentemente amadurecida a existência de uma grande estrutura criada por Pequim, que é o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, e atendendo ao simpático discurso oficial entre todas as partes, e também a uma certa prática, se poderia concluir que seria dado um salto maior e melhor no uso da língua e, por dedução, no mais expressivo respeito consequente pela presença secular portuguesa nesta região - presença obviamente permitida pelo poder central. A realidade tornou-se outra. Se não existir vontade de alterar, ninguém na RAEM, nem os mais distraídos ou sobreviventes de vénia, vai esperar muito para sentir o sufoco total da língua portuguesa nesta região. Só mais um bocadinho e, excluindo as instituições de matriz portuguesa, enquanto
Língua de palmo cá estiverem, apenas sobrarão, por algum tempo mais, as placas com os nomes das ruas em bilingue, as pontuais intervenções de alguns responsáveis da PJ, das Forças de Segurança, de Tribunais ou do Instituto Politécnico, professores de português (porque os alunos, esses são para exportação), alguns escritórios de advogados e, com imensa sorte, um outro profissional médico
ou paramédico no único hospital oficial para servir, em algumas situações sabe-se como, muitas centenas de milhar de cidadãos. Ah, e numa ou outra fugaz formalidade cerimonial para a plateia sorrir com imensa e oriental condescendência. No presente já existe muito a dizer sobre esta questão, sobre comportamentos de pessoas em vários planos, sobre traições,
PIETRO LONGHI, O CHARLATÃO
Q
HELDER FERNANDO
Os investigadores desse pedaço particular da História recente de Macau, também detectarão discursatas balofas, alguma bazófia, um certo aproveitamento de circunstâncias, promessas não cumpridas, vira-casacas e uns finórios incompetentes. Estes, nunca pagarão o mal que fizeram à língua, com língua de palmo
à flor da pele hipocrisias, mentiras, oportunismos. Haverá mais, o prezado leitor sabe disso. E sabe que um dia será dito. Por certo, também deduz que alguns destes e destas a quem se fica devendo, a diferentes níveis, o afogamento progressivo da língua portuguesa na RAEM, serão os primeiros a sentir as consequências quando não mais forem precisos os seus préstimos. Tão certo como o ovo sair do cuzinho da galinha. Os que, sendo residentes radicados, não são naturais de Macau, mas pertencem à língua portuguesa, provavelmente transportam angústia e, muitos deles, ingénua perplexidade. Também já fui. À medida que se aproximam os 31 anos de residente permanente, é altura de confessar que, nestas matérias, deixei de ser ingénuo. Mas, para ser sincero, não me vejo mais com direito a manifestar-me ostensivamente contra a realidade aqui referida, principalmente junto dos naturais de Macau. Esses sim, de origens lusófonas ou não, se estiverem interessados, que façam ouvir as suas opiniões - discordantes ou, saudável sabermos, concordantes. Sugestão aos investigadores e analistas da História: Pesquisem e analisem não apenas o comportamento oficial, institucional e privado sobre a língua portuguesa nestes últimos quase 14 anos, mas ainda o que se fez e quem, o que se desfez e quem, o que não foi feito porquê e por quem, antes de Dezembro de 1999, bastando os derradeiros 30 anos de administração portuguesa. Muito de grandioso, de esforço hercúleo, de total e inteligente entrega pessoal, competência, foi e é realizado no âmbito da língua portuguesa. Os investigadores desse pedaço particular da História recente de Macau, também detectarão discursatas balofas, alguma bazófia, um certo aproveitamento de circunstâncias, promessas não cumpridas, vira-casacas e uns finórios incompetentes. Estes, nunca pagarão o mal que fizeram à língua, com língua de palmo. Não tenham receio de serem confrontados com a aparente contradição que é a ajuda financeira, o belo e conhecido argumento destes nossos ricos dias: a esta instituição foram entregues estes milhões, àquela mais uns quantos, e ainda há uns trocos para as associações lusófonas, a Festa da Lusofonia, o Fórum... Dinheiros não significam políticas, convicções, rotinas organizadas com objectivos. Dinheiros, muitos dinheiros, não significam uma única ideia cultural. Denotam apenas cofres a abarrotar sem necessidade de extracção petrolífera ou diamantífera. A sorte que a RAEM vai tendo.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau terça-feira 22.10.2013
Paris pede explicações aos EUA por alegada espionagem
Fukushima Chuvas fizeram transbordar água radioactiva
As fortes chuvas que atingiram o Japão levaram a que a água contaminada da central nuclear de Fukushima, transbordasse os limites em 12 pontos em torno do reservatório de líquido radioactivo, informou ontem um porta-voz da Tokyo Electric Power (Tepco) à agência EFE. Eram esperados 30-40 milímetros de chuva mas este valor chegou aos 127, o que provocou uma falha nos mecanismos previstos para diminuir a água da precipitação. «Tentamos bombear a água, mas não foi suficiente», explicou o portavoz da empresa. «Neste momento estamos a analisar os danos mas ainda não temos conhecimento da quantidade de água que tenha escoado para oo oceano», lamentou um responsável da Tepco.
Uma forte neblina causada pela poluição fez com que a cidade de Harbin, capital da província de Heilongjiang, cuja população chega a quase 10 milhões, no nordeste da China, ficasse esta segundafeira paralisada. Várias escolas e o aeroporto foram fechados, e o trânsito foi afectado, conta a agência Reuters. Quem sai à rua é obrigado a usar máscara. Em alguns pontos, a visibilidade era de apenas de 10 metros e a nuvem de poluição deve manter-se nas próximas 24 horas. Em termos técnicos, o índice PM2.5, que mede partículas, chegou a apresentar resultados de mil em algumas partes da cidade – sendo que um índice maior que 300 é considerado perigoso e a Organização Mundial de Saúde recomenda um nível diário que não passe de 20.
VAGA DE INCÊNDIOS cartoon por Stephff
O governo francês pediu esta segunda-feira explicações aos Estados Unidos depois da publicação, pelo jornal Le Monde, de que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) gravou secretamente milhares de ligações feitas no país. O ministro da Administração Interna, Manuel Valls, classificou as revelações da alegada espionagem, feitas a partir de documentos do ex-analista Edward Snowden, como «chocante», em entrevista à rádio Europe 1. Laurent Fabius, ministro dos Negócios Estrangeiros, anunciou a convocação de forma «imediata» do embaixador dos Estados Unidos em Paris. «Convoquei de forma imediata o embaixador dos Estados Unidos, que será recebido ainda esta manhã no Quai d`Orsay», sede do Ministério francês, disse Fabius antes de uma reunião europeia no Luxemburgo. Segundo o Le Monde, a agência americana gravou 70,3 milhões de chamadas telefónicas durante um período de 30 dias - entre 10 de Dezembro de 2012 e 8 de Janeiro de 2013, com recurso ao programa «US-985D». Aparentemente, quando certos números de telefone são utilizados, é desencadeada automaticamente a gravação de determinadas conversas. Este método de vigilância grava também SMS com base em palavras-chave. Também o México tem razões de queixa: o Der Spiegel revelou que a NSA entrou na conta pessoal de email do antigo presidente Felipe Calderon.
Poluição “paralisa” cidade de Harbin
JORNAL DE ANGOLA RESPONSABILIZA CÚPULA DO ESTADO PORTUGUÊS
“Agressão intolerável” O diário estatal Jornal de Angola escreveu ontem em editorial não ser aconselhável realizar qualquer cimeira com Portugal “enquanto persistir a onda de deslealdade e agressão que vem de Lisboa”. O texto retoma o tom fortemente crítico a Portugal, intensificado depois do anúncio feito, há cerca de uma semana, pelo Presidente angolano José Eduardo dos Santos no parlamento sobre a suspensão da construção da parceria estratégica luso-angolana. Sob o título “Adeus lusofonia”, o editorial do único jornal diário de Angola acusa directamente os órgãos de soberania portugueses de deslealdade. “A cúpula em Portugal, Presidência da República, Assembleia da República, Governo, Tribunais, tem pesadas responsabilidades no actual clima de agressão a
Angola, que recrudesceu nas últimas semanas e atingiu níveis inaceitáveis”, destaca-se no editorial. Daí que o Jornal de Angola conclua que, “enquanto persistir a onda de deslealdade e agressão que vem de Lisboa, não são aconselháveis cimeiras”. “E é um rotundo erro desvalorizar a posição tomada pelo nosso Chefe de Estado. Com isso, estão a enganar as pessoas. Dizem cinicamente que já está tudo bem, enquanto ao mesmo tempo o Ministério Público faz mais manchetes nos jornais e são violados os entendimentos feitos com Angola”, acrescenta. A concluir, o editorial acentua que “Portugal já não está nas grandes obras públicas (...) Não está no petróleo. Não está na transferência de tecnologias. Aí estão a China e o Brasil”. Portugal “parece estar apenas
reduzido à chantagem e à falta de respeito”, numa situação que o Jornal de Angola considera como fortemente prejudicial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O editorialista - o texto não é assinado – manifesta logo no início o desagrado angolano pelo termo “lusofonia” que, “não havendo melhor, foi aceite como plataforma de suporte à comunidade”. “Faz lembrar a ‘francofonia’, um instrumento fundamental para perpetuar os interesses de França nas suas antigas colónias”. A CPLP é, no entanto, considerada pelo jornal muito importante porque “permitiu congregar afectos, boas vontades e políticas capazes de cimentar os laços entre todos os que falam a língua de Agostinho Neto, José Craveirinha, Eugénio Tavares, Alda do Espírito Santo ou Camões”.
Laos Recuperados 43 corpos das 49 vítimas de acidente aéreo
As equipas de resgate já conseguiram encontrar os corpos de 43 das 49 pessoas, de 11 nacionalidades, num acidente de avião no sul do Laos, na passada quarta-feira. Através de comunicado, a companhia Lao Airlines informou que foram encontrados, esta manhã, mais dois corpos no rio Mekong, a 25 quilómetros do local do acidente. No domingo, outros três cadáveres tinham sido recuperados e a nota da transportadora aérea sublinhava que as equipas de resgate continuam o trabalho de identificação das vítimas.
Cérebro de John Kennedy terá sido roubado pelo irmão
Um livro que sairá em breve nos Estados Unidos apresenta uma nova teoria para o desaparecimento do cérebro do antigo presidente John F. Kennedy. Segundo James Swanson, autor da obra «End of Days: The Assassination of John F. Kennedy», o cérebro, desaparecido desde 1966, terá sido roubado pelo irmão Robert para esconder o degradado estado de saúde do presidente norte-americano. «A minha conclusão é que Robert roubou o cérebro do irmão - não para esconder provas de conspiração, mas talvez para esconder provas da verdadeira extensão da doença do presidente Kennedy ou talvez para esconder provas da quantidade de medicamentos que este tomava», defende o autor. Até agora, as teorias defendiam que o desaparecimento do cérebro estaria relacionado com a tentativa de esconder factos relativos ao assassinato de JFK, a 22 de novembro de 1963, em Dallas, mais precisamente a origem do disparo fatal.