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Hoje Macau 22 JAN 2019 #4215

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TERÇA-FEIRA 22 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4216

ARRENDAMENTO ILEGAL

EM ESTADO DE CHOQUE

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SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINA 6

FESTIVAL FRINGE

TÁXIS

A “FESTA” CONTINUA

A DAR AS ÚLTIMAS EVENTOS

ÚLTIMA

hojemacau

Desafios de sempre O novo cônsul-geral de Portugal em Macau, Paulo Cunha Alves, diz não ter encontrado no território emigração económica, ao contrário de outros países por onde passou. Olha para o futuro da RAEM como ponto de ensino do português para os chineses da região da Grande Baía, enquanto no consulado enfrenta os mesmos desafios do seu antecessor: baixos salários e falta de pessoal. Obras de reparação no edifício consular e no Bela Vista são algumas das prioridades assumidas.

ENTREVISTA

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GCS

TIAGO ALCÂNTARA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 ENTREVISTA

PAULO CUNHA ALVES

“Não encontrei emigração económica” Há quatro meses como cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves garante que Vítor Sereno deixou poucos trabalhos pendentes. Os desafios continuam a ser os baixos salários e a falta de pessoal, para os quais ainda não há solução. Estão também a ser elaborados relatórios sobre a necessidade de obras nos edifícios do consulado e do Bela Vista

Porque é que decidiu enveredar pela carreira diplomática? Foi uma profissão que sempre quis? Foi, desde muito jovem. Sempre tive interesse por culturas de outros países, línguas estrangeiras, e geografia. Por estranho que pareça, este amor pelos mapas fez-me descobrir o mundo muito jovem, ainda antes de começar a viajar. Lembro-me de quando tinha 10 ou 11 anos já passeava pelo mapa mundo e conhecia os países todos de cada continente. É capaz da génese vir daí. Um dia mais tarde, quando já estava no fim do liceu, fiz um teste psicotécnico, porque estava um pouco hesitante, e acabei por ficar com a certeza absoluta de que o queria mesmo estudar era relações internacionais. Quando fiz o 12º ano não havia, sequer, curso de relações internacionais em Lisboa, apenas na Universidade do Minho. Estava hesitante porque não era comum os jovens saírem de casa para estudar, até porque eu também gostava de fazer história da arte. O curso abriu na antiga Universidade Técnica de Lisboa, em 1982, com 40 vagas. Acabei em 1986, depois fiz o mestrado entre 1986 e 1988, mas aí já tinha entrado para a carreira. Concorri em 1986, e em 1987 comecei a trabalhar. Qual foi o primeiro cargo que teve? Quando começamos entramos sempre como adidos de embaixada. Fui colocado no serviço de informação e imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os meus primeiros passos na casa foram dados na área da comunicação social. Quando assumiu pela primeira vez um posto diplomático fora de Portugal? Foi em Bruxelas, em Abril de 1993, na embaixada de Portugal, onde fiquei quatro anos e meio. Essa foi a primeira longa experiência no estrangeiro. A assinatura do tratado de adesão de Portugal à CEE aconteceu em 1985. Quando esteve em

Bruxelas, como se viviam esses períodos de integração europeia do país? Portugal tem uma missão separada para a União Europeia. Depois viria a trabalhar mais tarde [nessa área], em 2004, mas na embaixada [em 1993] seguíamos apenas matérias do foro bilateral. Mas era uma Europa muito diferente, muito mais pequena também, pois o grande alargamento só aconteceu em 2004. Era uma época interessante, mas menos viva em termos de debate europeu, nessa altura não se falava tanto de alargamentos. E eu também não era especialista no acompanhamento dessas matérias. Hoje, 2019, é um momento muito interessante para estar em Bruxelas. De todos os postos diplomáticos por onde passou, que diferenças aponta, ao nível da adaptação ao trabalho e da comunidade portuguesa em si? Cada posto é muito diferente um do outro. Quando saí da embaixada em Bruxelas fui para Moçambique, Maputo, onde estive três anos e meio. Foi uma experiência muito interessante e diversificada. Foi completamente diferente, apesar de ser também um posto bilateral, mas mais virado para a cooperação. Sendo um país dos PALOP, para nós tinha uma outra dimensão. Às vezes perguntam-me qual foi o posto diplomático que mais gostei, e pelo conjunto, no trabalho e vertente pessoal, acho que foi

“Cada posto é muito diferente um do outro. Quando saí da embaixada em Bruxelas fui para Moçambique, Maputo, onde estive três anos e meio. Foi uma experiência muito interessante e diversificada.”

“Portugal tem mais valias em termos de recursos humanos, temos professores de português e podemos colocá-los aqui nas universidades e escolas nos próximos cinco a dez anos.” Moçambique. Foi muito gratificante e aprendi bastante do ponto de vista humano e da relação com os outros. Nós, ocidentais, vivemos rodeados de coisas que não fazem falta e quando se vive em África aprende-se a viver com o essencial e a dar valor ao que é importante. O trabalho mudou-o como pessoa? Diria que fez-me crescer como pessoa, o facto de ter tido essa experiência. E dou-lhe só um exemplo: íamos à padaria comprar o pão e quando saíamos com o saco havia crianças cá fora com dificuldades, a pedir, e começávamos a distribuir o pão. No segundo dia, passámos a comprar o dobro do pão necessário, porque havia outros clientes lá fora à espera. Essa foi uma experiência única. Além do crescimento profissional, pelo facto de ter lidado com matérias diferentes com que tinha lidado em Bruxelas. Todos os postos são diferentes e têm os seus desafios. Boston foi também muito interessante do ponto de vista pessoal e profissional, embora já tivesse tido responsabilidades antes, Boston foi a primeira missão que chefiei e o contacto era muito mais intenso. Era uma comunidade portuguesa muito vasta, muito dispersa e tinha à minha guarda 150 mil pessoas. O estado de Massachusetts tem quase 300 mil pessoas, quase todas dos Açores. Tinha quase 50 associações [portuguesas] que me obrigavam a um trabalho muito intenso, de semana e aos fins-de-semana, na estrada.

O que é essencial para se ser um bom diplomata? (Risos) É preciso muita coisa, mas, em primeiro lugar, é preciso bom senso. Uma pessoa com bom senso consegue calcular o que é essencial no momento certo, com a pessoa certa. Um bom diplomata tem de saber adaptar o seu discurso e postura consoante o interlocutor. É preciso alguma razoabilidade e flexibilidade de pensamento na forma como se transmitem as ideias. Para se ser um bom embaixador é importante ter a experiência prévia de um cônsul-geral. Acho importante um contacto directo e próximo das nossas comunidades, e isso só é feito no cargo de cônsul-geral. Teve de lidar com algum processo complicado? É difícil seleccionar. Há sempre coisas que são mais complicadas. Relações pessoais, por exemplo. Às vezes, há membros da comunidade que são complicados e é preciso usar muitos paninhos quentes, ou fazer ouvidos de mercador a algumas críticas. Do ponto de vista político, também há situações que é preciso acompanhar. Há situações em que os portugueses ficam retidos nos aeroportos e depois telefonam-nos para casa às duas da manhã a dizer que precisam de apoio. São situações de emergência e é preciso estarmos sempre disponíveis e preparados. A última coisa que podemos esperar é um emprego das 9h às 17h. Isso nunca acontece. Agora está em Macau e, decerto, já terá tomado o pulso à comunidade portuguesa. Como a descreve? É uma comunidade bastante diversa e multifacetada. Quase que arriscaria a chamar-lhe complexa. Mas deveria começar por dizer que, no fundo, não há uma comunidade, há várias comunidades. Há a comunidade dos expatriados, a comunidade dos macaenses, a comunidade chinesa, que é portadora de passaporte.

SOFIA MARGARIDA MOTA

CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM MACAU E HONG KONG


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Ou seja, é um conjunto de grupos. Sim, exactamente. É por isso que temos quase 170 mil passaportes portugueses. São chineses, macaenses e portugueses, e todos eles têm as suas especificidades e necessidades. Uns porque não dominam a língua portuguesa e precisam de apoio, outros têm o peso histórico de fazerem parte da sociedade. Os macaenses merecem uma atenção especial nessa medida, porque podem ser a chave para a compreensão da nossa presença aqui e do que Portugal pode fazer em Macau. Há, depois, os portugueses, os cerca de sete mil que vivem aqui expatriados. Em termos gerais, são pessoas altamente qualificadas, não encontrei até agora emigração

“Não encontrei até agora emigração económica, ao contrário de outros postos diplomáticos por onde passei. Todas as pessoas que encontro têm qualificações e um emprego.” económica, ao contrário de outros postos diplomáticos por onde passei. Todas as pessoas que encontro têm qualificações e um emprego. Macau não será o sítio ideal para os portugueses que não têm emprego virem procurar trabalho.

Isso faz da comunidade portuguesa diferente das outras? Faz. É, para mim, e no geral, pelo que tenho conversado com os meus colegas que passaram por aqui. É uma comunidade portuguesa sui generis e com especificidades. O nosso papel enquanto cônsul-geral é acompanhar a comunidade, ouvindo as suas preocupações e anseios. Quando chegou, o que faltava arrumar na casa? Quais os desafios com que se deparou, que dossiers estavam por concluir? Diria que me deparei mais com desafios. Quando se trabalha para o Estado é muito difícil ter prazos curtos para concluir tarefas. Há problemas que vão

sendo resolvidos a pouco e pouco, mas depois surgem sempre outros. Quando pensamos que o quadro de recursos humanos

“Vou tentar contactar empresas e o Instituto Cultural, para que, em conjunto, possamos preservar o edifício do Bela Vista. Se nos descuidarmos, daqui a quatro ou cinco anos, quando eu sair, pode estar a cair, e não pode ser.”

está completo, de repente há alguém que rescinde o contrato e vai embora. Os desafios são os recursos humanos e os salários insuficientes. O salário de um funcionário ainda ronda as 11 mil patacas? Não tenho números concretos, mas comparativamente a trabalho idêntico executado no Governo ou em casinos é bastante inferior. Essa é uma questão que quer eu, quer os meus antecessores, informámos Lisboa por escrito, e sabemos apenas que a questão está a ser avaliada. Temos também o desafio da manutenção das instalações. (Continua na página seguinte)


4 entrevista

SOFIA MARGARIDA MOTA

22.1.2019 terça-feira

Há problemas, são necessárias obras de reparação? São dois edifícios muito grandes. Em ambos há problemas de infiltração de água, problemas nos terraços, telhados, na parte eléctrica. Mas esses são problemas que estão a ser objecto de relatórios e vamos ter os resolver, não tão rapidamente como eu gostaria, porque não temos dinheiro para isso. Vou tentar chamar a atenção de empresas portuguesas que estejam aqui activas no domínio da construção e engenharia, apelar a benfeitores, para ver se criamos uma equipa, e também com o apoio do Instituto Cultural, que é responsável pela protecção do património. Tudo para que, em conjunto, possamos preservar o edifício do Bela Vista. Se nos descuidarmos, daqui a quatro ou cinco anos, quando eu sair, pode estar a cair, e não pode ser. Falávamos das dificuldades sentidas pela comunidade portuguesa. Disse em entrevista ao Plataforma, que nota uma estagnação na emigração portuguesa para Macau nos últimos dois anos.Adificuldade

na obtenção do BIR tem existido, acredita que os dois factos estão relacionados? Penso que isso se deve, sobretudo, à melhoria da situação económica em Portugal e ao facto de termos saído da crise financeira internacional. O que está a acontecer é que alguma emigração está a regressar. Dificuldades com o BIR, tenho lido mais sobre o assunto na imprensa do que ouvido da boca de membros da nossa comunidade. Obviamente que ficarei atento ao que as pessoas disserem. Diria apenas que as pessoas têm de ter consciência de que, num ambiente de pleno emprego, obviamente que quem tem as melhores qualificações é quem é seleccionado. Daí ser muito importante aos mais jovens apostarem nas qualificações. Na mesma entrevista disse que foi nomeada uma delegada para o Fórum Macau em regime de exclusividade? É Maria João Bonifácio? É. Ainda não foi formalmente comunicado, teremos de fazer uma nota para o Fórum, mas o que está a ser previsto é que a partir do dia 1 de Fevereiro a doutora Maria João,

“O nosso objectivo enquanto Estado português é que o Fórum Macau seja mais pró-activo, que conte com mais iniciativas, apoie mais projectos.” que, no fundo, já era representante no Fórum, passe a sê-lo sem acumulação de funções. Ela terá muito mais tempo disponível para acompanhar projectos e missões e para fazer valer a nossa voz dentro do Fórum Macau. Não posso dar-lhe exemplos concretos de trabalho, mas o nosso objectivo enquanto Estado português é que o Fórum Macau seja mais pró-activo, que conte com mais iniciativas, apoie mais projectos. Vamos ver como as coisas correm, este é um trabalho de equipa. Os 40 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China celebram-se já a 8 de Fevereiro. Xi Jinping esteve recentemente em Portugal. Espera

grandes mudanças no papel que tem sido atribuído a Macau? Foi uma visita de carácter excepcional. O presidente da China não visita todos os anos os países com quem tem relações diplomáticas, o que mostra que esta foi uma visita especial. É uma relação secular, mas não só. Penso que temos uma relação económica e comercial profunda, e agora com os protocolos que foram assinados, e o projecto “Uma Faixa, Uma Rota” vai certamente aproximar-nos mais. Quanto ao papel de Macau é fundamental, porque é de charneira. A China considera Macau uma plataforma e acho que, na perspectiva de Lisboa, Macau é um dos principais elos de ligação. A nossa comunidade e o nosso papel, aqui, podem vir a ser desenvolvidos e aprofundados. Com a criação do projecto da Grande Baía, será importante ver como é que as regiões administrativas especiais poderão dar o seu contributo para desenvolver mais o sul da China. Ao nível da comunidade portuguesa, Macau poderá vir a ser, no futuro, considerado como um ponto para o ensino do português, mas para os chineses da China continental, em

particular para aqueles que vivem na Grande Baía. Pode ser um pólo de desenvolvimento, um sítio onde as pessoas podem vir estudar. Acha que há know-how suficiente, nessa e outras áreas, para responder a esse desafio? Macau tem de dar um salto maior do que aquele que está a dar? É preciso que todas as partes se envolvam. Portugal tem mais-valias em termos de recursos humanos, temos professores de português e podemos colocá-los aqui nas universidades e escolas nos próximos cinco a dez anos. Em termos de apoio dos bancos às empresas, tem de ser visto caso a caso, mas seria bom que houvesse mais empréstimos para empresas que queiram investir aqui ou na zona da Grande Baía. Relativamente ao pedido de mudança do nome do consulado por Pequim, há alguma novidade? Não há novos desenvolvimentos. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 22.1.2019

Governo não se compromete com instalação de videovigilância nos centros de explicações, mas encoraja a criação de base de dados com informações dos explicadores para apertar o aparato de segurança

DSEJ EXIGIDA BASE DE DADOS SOBRE DOCENTES A CENTROS DE EXPLICAÇÕES

centros de explicação com CCTV, apelando para o cumprimento das leis.

Trancas na porta

REVISÃO DA LEI

Segundo a resposta do Governo, assinada pela subdirectora da DSEJ, Leong Vai Kei, o Executivo está neste momento a trabalhar para rever o regime de licenciamento e fiscalizar os centros particulares de apoio pedagógico complementar.

A DSEJ exige aos centros de explicações que actualizem a informação relativa ao estado do exercício de funções do pessoal docente, criando uma base de dados sobre os seus formadores

A

Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) exige aos centros de explicações a criação de bases de dados actualizadas sobre os formadores e que a informação seja actualizada constantemente. Esta é uma das medidas adoptadas pelo Governo para combater o fenómeno dos abusos sexuais nos centros de explicações. “A DSEJ continua a aperfeiçoar o mecanismo de verificação [de qualificação dos formadores], exigindo aos centros de explicações que actualizem, atempadamente, a informação relativa ao estado do exercício de funções do pessoal docente, criando uma base de dados sobre os seus formadores”, pode ler-se no documento de resposta às perguntas do deputado Lam Lon Wai. Aos centros é ainda pedido que “recolham as queixas e opiniões dos cidadãos” sobre o seu funcionamento de forma a propiciar “um ambiente pedagógico seguro, confortável e excelente aos alunos”.

Em relação à instalação de câmaras de videovigilância nas salas de explicações, com o objectivo de evitar situações de abusos, a DSEJ não toma uma posição, apenas frisa que é preciso

Obras Públicas Ng Kuok Cheong questiona custos

Os custos de várias obras, como o mercado abastecedor da Nam Yue, são o alvo de uma interpelação escrita do deputado Ng Kuok Cheong, que procura justificações para o aumento dos preços. Em causa está o facto de se terem verificado derrapagens orçamentais que o pró-democrata diz não conseguir compreender e que ainda não foram explicadas. Segundo o legislador, é preciso apurar se tem havido desperdício dos recursos públicos quando se registam derrapes orçamentais.

respeitar a lei: “A instalação deve observar as disposições da lei de protecção de dados pessoais, bem como obter o consenso do sector e, ainda, ter em consideração o equilíbrio entre a prevenção

de incidentes e a protecção e respeito da privacidade”, é referido. Por outro lado, a DSEJ deixa em aberto a possibilidade da CCTV ter efeitos negativos, apontando que compete às insti-

tuições de ensino “avaliar a influência da vigilância no crescimento mental das crianças, desde terna idade e a longo prazo”. Ainda neste capítulo, a DSEJ deixa um aviso aos

Segundo a informação revelada, os requisitos das habilitações académicas, distribuição de pessoal, aumento das multas, cancelamento de registos, e fiscalização de serviços de refeições e transporte são algumas das áreas que vão sofrer alterações. O Governo diz que o objectivo passa por fazer entrar na Assembleia Legislativa o documento com “a maior brevidade”. A interpelação de Lam Lon Wai foi escrita em 23 de Novembro, após ter sido revelado um caso em que um explicador de Hong Kong terá, alegadamente, abusado de cinco alunos. Todas as vítimas tinham menos de 14 anos. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

PENSÕES ILEGAIS CHAN TAK SENG DEFENDE CRIMINALIZAÇÃO

O

presidente da Associação de Gestão Imobiliária de Macau e dirigente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, Chan Tak Seng, defende a criminalização das pensões ilegais. As declarações foram publicadas ontem pelo jornal em língua chinesa Exmoo, em reacção ao caso da pensão ilegal que funcionava dentro da Universidade de Macau. Segundo Chan, cuja associação está representada na Assembleia Legislativa através

dos deputados Si Ka Lon e Song Pek Kei, este é um problema que se arrasta devido à inacção do Executivo. O responsável mostrou igualmente preocupação

com a possibilidade de pessoas entrarem e saírem sem controlo da Universidade de Macau, o que além dos danos em termos da reputação, pode gerar igualmente situações de roubo. O presidente da Associação de Gestão Imobiliária de Macau considera que o Governo de Chui Sai On tem ignorado os perigos das pensões ilegais e que se tem limitado “a pontapear as ondas”, ao mesmo tempo que gasta o tempo a repetir discussões.

Ainda de acordo com Chan Tak Seng, o problema das pensões ilegais é uma “praga” que há muito afecta os proprietários dos edifícios de Macau. Esta é uma realidade, diz Chan, que nos últimos anos proporcionou actos de vandalismo, disputas entre senhorios e inquilinos e até mesmo agressões. O membro da associação de Chan Meng Kam disse ainda acreditar que a acção da polícia é fundamental para se resolver este problema.


6 política

22.1.2019 terça-feira

Comissão Eleitoral Publicada lista dos 16 representantes da CCPPC Foi publicada ontem, em Boletim Oficial, a lista dos representantes dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês do 4.º sector da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, eleitos pelos novos representantes dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do

Povo Chinês, mediante sufrágio interno, resultante da mudança de mandato. Os 16 membros são Lei Heong Iok, Edmund Ho, Lawrence Ho, David Chow, Chan Meng Kam, Chan Kam Meng, Suen Yan Kwong, Hoi Kin Hong, Leong Wa, Leong Lai, Zhang Zongzhen, Cheong U, Tina Ho, Liu Chak Wan, Leonel Alves e Sio Tak Hong.

Comissão Eleitoral Leong Meng Ian substitui Pun Hon Veng no subsector do trabalho

Um aviso do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial, torna público a perda da qualidade de membro da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, do subsector do trabalho do 3.º sector, de Pun Hon Veng, por morte. Pun Hon Veng é substituído por Leong Meng Ian, candidata não eleita que obteve o maior número de votos do subsector em causa.

UNIVERSIDADE DE MACAU ALEXIS TAM “CHOCADO” COM CASO ARRENDAMENTO ILEGAL

superior de modo a prevenir a repetição de casos semelhantes. “Por isso, daqui para a frente, vamos repensar a nossa área de actuação e se calhar é necessário fazer outro tipo de promoção junto de diferentes locais que podem oferecer residência”, apontou.

Alexis Tam mostrou-se chocado com o alegado caso de arrendamento ilegal de um quarto na residência de estudantes da Universidade de Macau. O secretário adiantou ainda que a instituição está a investigar a situação. Também Helena de Senna Fernandes admitiu que o arrendamento ilegal de quartos de estudantes universitários seria impensável dado o alegado controlo de acesso a estas instalações

INSPECÇÃO DE FORA

Nódoa no melhor pano Neste aspecto, importa referir que a Universidade de Macau comunicou que vai rever o mecanismo de acesso às residências.

NUNCA ESPERADO

A perplexidade é partilhada pela directora dos Serviços de Turismo,

Maria Helena de Senna Fernandes. “Acho que até agora nunca pensámos que podia haver este tipo de pensões ilegais nas universidades”, apontou a dirigente. A razão é a presumida existência de “um sistema de controlo e uma segurança em que é proibida entrada de outras pessoas

que não sejam os estudantes autorizados”, acrescentou a responsável. Com a notícia do caso de arrendamento ilegal ocorrido na UM, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) vai promover campanhas de sensibilização junto das instalações residenciais de ensino

GCS

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, afirmou estar “chocado” com o caso de arrendamento ilegal de um quarto numa residência da Universidade de Macau. “Quando soube [no domingo] deste caso fiquei surpreendido, fiquei chocado. Como é possível uma residência universitária servir de pensão ilegal? Não é aceitável, fiquei muito chocado. Já falei com reitor da universidade e, muito em breve, vai apresentar um relatório de investigação”, disse Alexis Tam à margem do Fórum Internacional de Gastronomia. Apesar do caso, o secretário acredita que se trata de uma situação isolada e admite deu instruções a outras instituições de ensino superior para fiscalizarem o que se passa nas suas residências. “Para mim, o caso da Universidade de Macau (UM) é um caso individual, mas já pedi a todas as instituições do ensino superior para fazerem o melhor possível. Este caso não pode voltar a acontecer”, sublinhou. No entanto, o secretário acredita que a situação não é generalizada. “Só temos um caso e não podemos agora dizer que as residências universitárias de Macau são pensões ilegais”, apontou.

Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura “Como é possível uma residência universitária servir de pensão ilegal? Não é aceitável, fiquei muito chocado. Já falei com reitor da universidade e, muito em breve, vai apresentar um relatório de investigação.”

Helena de Senna Fernandes revelou ainda que a DST recebeu a queixa acerca do alegado arrendamento ilegal na UM na semana passada e, como tal, enviou inspectores ao local. No entanto, sendo uma zona reservada a estudantes, os agentes de segurança da residência não permitiram a entrada dos fiscais. “Não conseguimos entrar porque os inspectores não são estudantes e, claro, que a segurança também nos disse que é proibido ali entrar sem se ser estudante residente, e neste caso seria necessário um mandato judicial. Acho que o que temos que fazer é saber o que se passa junto da universidade”, revelou a responsável. A investigação está agora a cargo da UM que terá que enviar o relatório do sucedido o “mais breve possível, referiu Alexis Tam. Recorde-se que no domingo, uma publicação da associação de estudantes da Universidade de Macau, o Orange Post, informou que a instituição ordenara a expulsão de um aluno de mestrado por este ter arrendado ilegalmente o quarto da residência universitária na plataforma online de alojamento particular Airbnb. Em duas publicações no Facebook, escritas em chinês, o Orange Post indicou que o preço pedido rondava pouco mais do que 300 patacas (cerca de 30 euros), que o estudante negou estar a cometer qualquer ilegalidade e que o departamento de recursos estudantis assegurou que a gestão da residência universitária será amplamente analisada e que a sensibilização dos alunos será reforçada. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


sociedade 7

terça-feira 22.1.2019

TURISMO ALEXIS TAM QUER DIVERSIDADE DOS VISITANTES DE MACAU

Elogio da diferença Macau precisa de turistas de “qualidade” e capazes de apreciar a cultura local, afirmou ontem o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam

O julgamento do caso das apostas ilegais durante o Mundial de Futebol de 2014 foi adiado para 12 de Fevereiro. A primeira audiência estava marcada para ontem, mas o Tribunal Judicial de Base (TJB) entendeu que o empresário malaio Paul Phua, antigo junket em Macau com ligações a Las Vegas, alegado líder da rede de apostas ilegais, não foi devidamente notificado. O empresário vai acusado de exploração ilícita de jogo, um crime punível com pena de prisão de até três anos. O processo junta mais 14 arguidos.

TIAGO ALCÂNTARA

Futebol Adiado julgamento do caso das apostas ilegais

TUDO CONTROLADO

No ano passado o território recebeu mais de 35 milhões de visitantes sendo a maioria oriundos da China continental. Recordado pelos jornalistas de que há quatro anos Alexis Tam revelava que seria sua intenção limitar a entrada de visitantes do interior da China, o responsável afirma agora que tal não é necessário visto já existirem limitações a este respeito. “Já temos controlo de turistas individuais do continente. Apenas os cidadãos de 49 cidades podem vir a Macau com mais facilidade. O resto da China não pode. Macau não está aberto para todas as cidades chinesas”, sublinhou.

“A nossa política é sempre para atrair melhores turistas para Macau: turistas europeus, portugueses, espanhóis, ingleses que vêm a Macau para apreciar a cultura chinesa e a cultura mista entre Portugal e a China.”

Obras ilegais Demolidas duas construções em terraço de edifício

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) informou ontem que duas construções clandestinas nos terraços e um portão na escada comum de acesso de um edifício situado na Rua de Leôncio Ferreira, perto do Jardim Lou Lim Ioc, foram demolidas. A acção, levada a cabo pelo Grupo Permanente de Trabalho Interdepartamental para Demolição e Desocupação das Obras Ilegais, teve lugar após uma queixa. A DSSOPT emitiu ordens de embargo e exigiu aos infractores que procedessem, por iniciativa própria, à demolição e reposição do terraço dentro do prazo fixado, mas em vão. Expirado o referido prazo e sem que a demolição se tivesse concretizado, havendo mesmo indícios que as construções clandestinas estavam a ser utilizadas, o grupo procedeu à sua demolição.

entre Portugal e a China”, acrescentou o governante.

ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA

O

elevado número de turistas no território não é preocupação para o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e o importante agora é a diversificação dos visitantes e conseguir atrair “turismo de qualidade”. A ideia foi deixada ontem pelo governante à margem do Fó-

rum Internacional de Gastronomia. “Não digo para não recebermos mais turistas, essa não é a ideia do Governo. Penso que o que é importante agora é atrair mais turistas de qualidade, ou seja melhores turistas para virem a Macau apreciar o nosso património mundial e a nossa gastronomia e cultura” afirmou o secretário.

O alvo é o turista oriundo da Europa na medida em que representa uma população capaz de apreciar o que Macau tem para oferecer. “A nossa política é sempre para atrair melhores turistas para Macau: turistas europeus, portugueses, espanhóis, ingleses que vêm a Macau para apreciar a cultura chinesa e a cultura mista

Alexis Tam participou ontem no Fórum Internacional de Gastronomia que reuniu no Hotel Marriot 21 cidades criativas da gastronomia da Unesco. De acordo com a especialista sénior em programas de políticas culturais e desenvolvimento do sector cultural da Unesco, Denise Bax, Macau vai ser avaliado em 2021 por esta entidade internacional. Nessa altura, o Governo vai ter que apresentar o plano para os quatro anos subsequentes que englobe, além dos projectos na área da gastronomia, acções noutras áreas criativas. Recorde-se que Macau entrou para a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área da Gastronomia a 31 de Outubro de 2017, tornando-se na terceira cidade na China, a seguir a Chengdu e Shunde, a desempenhar esse papel. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

CRIME TRABALHADORA DE CASINO VÍTIMA DE TENTATIVA DE VIOLAÇÃO NO PASSADO SÁBADO

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M homem de 23 anos foi detido, depois de ter tentado violar uma trabalhadora de um casino, às 05h00 da manhã, no passado sábado. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ). De acordo com a informação,

tudo aconteceu quando a mulher, residente local de 30 anos, se preparava para ir trabalhar para um casino e estava junto da sua viatura. Nesse momento, um tailandês de 23 anos, trabalhador não-residente em Macau, puxou-a por trás e tentou

fazer com que ela entrasse novamente no carro, com o intuito de a violar. Durante o ataque, a mulher nunca parou de dar luta ao sujeito e de gritar por socorro. Terá sido a resistência da vítima que fez com que o homem fugisse do local.

Após ouvir a vítima e recorrer ao sistema de videovigilância a polícia conseguiu identificar o suspeito e prendê-lo junto ao Parque Central da Taipa, na tarde de sábado. Segundo as autoridades, quando o homem foi confrontado com os

acontecimentos acabou por admitir a prática do crime. Em relação à mulher, relatou ontem o jornal Exmoo, os relatórios iniciais indicam a existência de ferimentos na zona mais alta das pernas. Já o homem apresenta ferimentos à volta dos olhos olhos,

que terão sido causados pela mulher, quando lutava para evitar a violação. Segundo a PJ, o caso já foi entregue ao Ministério Público (PJ) e o homem vai acusado da prática de um crime de violação, que é punido com uma pena de prisão que vai de 3 a 12 anos.


8 eventos

Instituto Cultural Abertas inscrições para apoios à produção musical

Quem quiser inscrever-se no “Programa de Subsídios à Produção de Álbuns de Canções Originais 2018”, lançado pelo Instituto Cultural (IC), tem até às 17h do dia 31 de Janeiro para o fazer. O projecto de apoio à criação musical tem como “objectivo cultivar mais talentos musicais locais nas áreas da criação e da produção musicais”, assim como incentivar “músicos a produzirem e a publicarem mais trabalhos de qualidade, preparando-se para a expansão do mercado”, refere em comunicado o IC. No total, vão ser atribuídos subsídios a oito propostas, que podem receber até 150 mil patacas.

Literatura Shee Vá apresenta “Boi Cabeça, Cavalo Cara”

Na próxima sexta-feira, às 18h30, a Galeria da Livraria Portuguesa apadrinha o lançamento do novo livro de Shee Vá “Boi Cabeça, Cavalo Cara”. A nova obra do autor e médico, natural de Moçambique, tem como protagonista Sebastian Tsé, um médico obstetra nascido em Macau e educado no Canadá que se suicida para ajustar contas com os vivos e com Deus. A narrativa leva o personagem ao mundo dos mortos, onde assiste ao seu próprio funeral. O tema morte não é estranho na obra do autor, uma vez que é uma realidade com a qual contacta na sua prática clínica.

22.1.2019 terça-feira

A programação do 18.º Festival Fringe desta semana tem como destaque uma instalação multimídia inspirada nos contos de Hans Christian Andersen, intitulada “The Icebook” e uma peça de teatro que parte do mundo dos sonhos. A última semana do festival tem ainda em cartaz um concerto da banda da Casa de Portugal, teatro e um workshop de mímica

A recta

ARTES PERFORMATIVAS FESTIVAL FRINGE ENTRA NA ÚLTIMA SEMANA

The Icebook

FILIPINAS TRADIÇÃO DO "SANTO NIÑO" FOI CELEBRADA EM LISBOA

C

ERCA de cem pessoas assistiram domingo, em Lisboa, à celebração do “Santo Niño”, uma tradição filipina, que evoca a chegada do navegador Fernão de Magalhães à ilha de Cebu, e o baptismo católico dos soberanos e de 800 autóctones. “A festa do 'Santo Niño', que celebramos no terceiro domingo de Janeiro, evoca a chegada de Fernão de Magalhães, a Cebu, e que entregou uma escultura do Menino Jesus aos locais, e demonstra a devoção das

Filipinas ao Menino Jesus”, disse à agência Lusa a embaixadora das Filipinas em Lisboa, Celia Anna Feria, que assistiu à festa, seguida da celebração da eucaristia. No adro da basílica da Estrela, em Lisboa, figurantes evocaram a chegada do navegador português ao serviço de Espanha, em Abril de 1521, a Cebu, o baptismo dos reis locais, Hara Amihan e Humabon, que passaram a ostentar os nomes de Joana e Carlos, e várias danças em honra do “Santo Niño”.

A celebração tem origem na ilha de Cebu, uma das maiores da região central filipina de Visayas, mas “estendeu-se a todas as partes das Filipinas”, como explicou a diplomata. No adro da basílica da Estrela foram apresentadas três danças tradicionais, uma delas com origem na tradição local, que era de agradecimento pelas colheitas a um deus da mitologia insular, mas com a adopção do catolicismo, passou a ser em honra de

"Sinulog", que na língua nacional filipina, o tagalog, significa Jesus. Entre outras individualidades, à cerimónia assistiu o núncio apostólico em Lisboa, o arcebispo Rino Passigato. Segundo Celia Anna Feria em Portugal a comunidade filipina “é de menos de 2.000 pessoas, a maioria reside em Lisboa”. A eucaristia na basílica da Estrela foi celebrada em tagalog, inglês e português.


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terça-feira 22.1.2019

final

NA

O

Festival Fringe atingiu a maioridade e a edição deste ano entra na recta final à medida que os derradeiros eventos que marcam a última semana do cartaz se aproximam. Na próxima quinta-feira, dia 24, começa a exibição da instalação teatral “The Icebook”, que poderá ser visitada em cinco locais diferentes, todos os dias, até domingo. Inspirado no conto de Hans Christian Andersen “A Rainha da Neve”, “The Icebook” assume-se como o primeiro livro pop-up de vídeo mapping a ser exibido no mundo inteiro. A instalação teatral, cuja narrativa avança em silêncio, é da autoria dos artistas britânicos Davy e Kristin McGuire. O espectáPUB

culo, que tem duração de apenas 17 minutos, centra-se na relação entre uma misteriosa princesa que tem o coração feito de gelo e um rapaz que atrai para obter algum calor. As figuras são feitas a partir de recortes de papel que se agigantam através de projecções de luz de forma a proporcionar à audiência um ambiente intimista e imersivo. “The Icebook” é uma obra difícil de definir, um pouco à imagem do Fringe Festival, que fica algures entre o cinema, o teatro e a animação. No entanto, o resultado promete arrebatar emoções e transportar o espectador para o mundo de fantasia dos contos de Hans Christian Andersen. Na quinta-feira, “The Icebook” será exibido no Ngai Chon

505 Studio 1, das 17h às 21h30, a cada trinta minutos. No dia seguinte, no mesmo horário, o local escolhido é o Centro de Educação de Vida Sadia na Avenida Nova da Areia Preta. No sábado e domingo, das 14h às 18h30, será exibido no Centro de Actividades Polivalentes do Lago e na Livraria Portuguesa, respectivamente. A entrada para ver o espectáculo custa 50 patacas.

CANTIGAS E MIMOS

“Once upon a time Singing in Portuguese” é o título do concerto da banda da Casa de Portugal em Macau, que ao longo de uma

Banda da Casa de Portugal

Inspirado no conto de Hans Christian Andersen “A Rainha da Neve”, “The Icebook” assume-se como o primeiro livro pop-up de vídeo mapping a ser exibido no mundo inteiro hora oferece ao público, em atmosfera familiar, um conjunto de clássico intemporais da música portuguesa, clássicos da Disney

e alguns originais retirados do disco infantil “Castelos no Ar”. A banda composta por Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Luís Bento, Paulo Pereira e Ivan Pineda terá em palco a colaboração de convidados. O concerto tem como público alvo crianças e os seus pais e está marcado para as 16h de sábado no Largo de Camões na Taipa. Na sexta-feira e no sábado a partir das 20h, o segundo andar do Edifício do Antigo Tribunal recebe a peça de teatro “Bæd Time”, de autoria da companhia de Taiwan Myan Myan Studio. A peça tem como ponto de partida duas raparigas que se lançam numa discussão sobre vida, morte e existência. Da conversa resulta a revelação da verdadeira identidade de uma das jovens e o sofrimento da interlocutora vítima de bullying. A entrada custa 120 patacas. Também no Edifício do Antigo Tribunal, o francês Edi Rudo vai dar um workshop de mímica no próximo sábado e domingo, das 10h30 às 12h30. A divertida formação tem como lotação máxima de 10 pares de crianças acompanhadas por um adulto e custa 100 patacas. João Luz

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22.1.2019 terça-feira

ECONOMIA CRESCIMENTO DE 6,6% EM 2018, O PIOR RESULTADO DESDE 1990

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DEMOGRAFIA POPULAÇÃO CHEGA A 1.395 MILHÕES DE HABITANTES

Natalidade em queda

A China registou em 2018 o menor número de nascimentos desde o ano 2000. Apesar do fim da política do filho único, em 2016, e dos incentivos à natalidade, a população activa continua estagnada e o número de habitantes do sexo masculino traduz ainda um excedente de 30 milhões

A

população da China aumentou 15,23 milhões, para 1.395 milhões de habitantes, em 2018, segundo dados oficiais ontem divulgados, prolongando a contínua queda na taxa de natalidade do país mais populoso do mundo. Trata-se do número de nascimentos mais baixo desde 2000 e um abrandamento de 3,81%, face ao ano anterior, apesar de Pequim ter abolido a política de filho único, em 2016. O país onde vive cerca de 18% da humanidade, aboliu a 1 de Janeiro de 2016 a política de “um casal, um filho”, pondo fim a um rígido controlo da natalidade que durava desde 1980. Pelas contas do Governo, sem aquela política, a China teria hoje quase 1.700 milhões. Mas a população em idade activa estagnou, enquanto o rácio de dependência - o número de trabalhadores em relação à população que não trabalha (sobretudo crianças e reformados) continua a aumentar. As autoridades chinesas estimam que a população do país atingirá o pico de 1,442 milhões, em 2029, e que entrará em declínio no ano seguinte. Entretanto, e fruto da tradição feudal que dá preferência a filhos do sexo

masculino, a política de filho único gerou um excedente de 30 milhões de homens. Segundo a actual política de natalidade, que substituiu a de “um casal, um filho”, a maioria dos casais chineses pode ter apenas duas crianças. Em 2016, o primeiro ano desde a abolição da política de filho único, o número de nascimentos aumentou, de 16,55 milhões, no ano anterior, para 17,86 milhões. Desde então, a taxa de natalidade caiu sucessivamente, apesar de Pequim ter deixado de promover abortos forçados e multas, e passando a oferecer incentivos à natalidade.

A queda no número de nascimentos deve-se sobretudo à redução no número de mulheres em idade fértil, um grupo que perde entre cinco e seis milhões de pessoas por ano, e aos altos custos e falta de tempo para criar uma criança

Em 2017, o número total de nascimentos fixou-se em 17,23 milhões, menos 630.000 do que no ano anterior.

ÍNDIA A CRESCER

O cuidado com os idosos passou a ser uma preocupação crescente do governo, já que a percentagem de população em idade activa continua a cair. Segundo especialistas, a queda no número de nascimentos deve-se sobretudo à redução no número de mulheres em idade fértil, um grupo que perde entre cinco e seis milhões de pessoas por ano, e aos altos custos e falta de tempo para criar uma criança. A actual restrição de dois filhos pode assim vir a ser também abolida, permitindo que as famílias tenham vários filhos, pela primeira vez em décadas. Mas apesar das projecções de declínio no país mais populoso do mundo, as Nações Unidas estimam que a população global continue a crescer. Um relatório de 2017 estima que, em 2030, chegue aos 8,6 mil milhões, e que, até ao final do século, alcance os 11,2 mil milhões. A Índia deve superar a China como o país mais populoso até 2024, segundo a ONU.

economia da China, a segunda maior do mundo, cresceu 6,6%, em 2018, ou seja, ao ritmo mais lento dos últimos 28 anos, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas do país. Trata-se do menor crescimento desde 1990, quando se fixou em 3,7%, devido às sanções económicas internacionais impostas na sequência da sangrenta repressão do movimento de Tiananmen, em 1989. Representa também uma desaceleração de duas décimas face ao crescimento registado em 2017, mas dentro da meta definida pelo Governo, de “cerca de 6,5%”. No último trimestre do ano, a economia chinesa registou um crescimento homólogo de 6,4%, menos uma décima do que nos três meses anteriores. A liderança chinesa está a encetar uma transição no modelo económico do país, visando uma maior preponderância do sector dos serviços e do consumo,

em detrimento das exportações e construção de obras públicas. Mas a desaceleração tem sido mais acentuada do que o previsto, levando Pequim a reduzir as restrições no acesso ao crédito e a aumentar a despesa pública, visando evitar a destruição de empregos, o que poderia resultar em instabilidade social. A actividade económica permaneceu robusta durante a maior parte do ano, apesar de a guerra comercial que espoletou, no Verão passado, com Washington, e suscitada pelas ambições chinesas para o sector tecnológico. No entanto, as exportações caíram em Dezembro, reflectindo os efeitos da entrada em vigor de uma segunda ronda de taxas alfandegárias nos Estados Unidos, sobre cerca de 200.000 milhões de dólares de bens oriundos da China. Em termos nominais, o valor do Produto Interno Bruto chinês ascendeu a 90,03 biliões de yuan.

ALPINISMO LIMITADO NÚMERO DE AUTORIZAÇÕES PARA ESCALAR EVEREST

A

China vai reduzir, este ano, em um terço, o número de alpinistas que autoriza a escalar o Monte Everest, a partir do norte, como parte dos planos para limpar a montanha mais alta do mundo. O número total de alpinistas que tentam alcançar o topo do Everest, a 8.850 metros de altitude, a partir do norte, serão limitados a menos de 300, e a temporada de escalada será restringida à Primavera, informou a agência noticiosa oficial Xinhua. Os esforços de limpeza incluirão a recuperação dos corpos de alpinistas que morreram a mais de 8.000 metros de altitude, detalha a agência. O Everest divide-se entre a China e o Nepal. AChina montou estações para classificar, reciclar e recolher lixo da montanha, que

inclui latas, sacos plásticos, equipamentos de cozinha, tendas e tanques de oxigênio. Do lado nepalês, os organizadores de expedições de montanhistas começaram a enviar sacos de lixo com os alpinistas, que durante a temporada de escalada colectam o lixo, que é depois transportado por helicóptero. Vários alpinistas morrem todos os anos a tentar escalar o Everest, sobretudo na “zona de morte”, acima de 8.000 metros de altitude, onde o nível de oxigénio é insuficiente para alimentar o corpo humano. Em 2017, quase 700 pessoas chegaram ao topo do Everest, incluindo 202 do lado norte, de acordo com a organização sem fins lucrativos Himalayan Database. No mesmo ano, seis pessoas morreram na montanha.


região 11

terça-feira 22.1.2019

Tóquio Shinzo Abe em Moscovo para discutir ilhas disputadas com Rússia

O primeiro-ministro do Japão viajou ontem para Moscovo, em visita oficial, para tentar resolver o impasse sobre as ilhas Curilas, no Pacífico, disputadas entre os dois países há mais de sete décadas. “As negociações com a Rússia estão pendentes há 70 anos e não serão fáceis”, disse Shinzo Abe aos jornalistas antes de embarcar no avião que o levará a Moscovo, onde se encontrará com o Presidente russo, Vladimir Putin, na terça-feira. Moscovo e Tóquio estão há mais de sete décadas sem assinar o tratado de paz depois do conflito armado devido ao contencioso territorial sobre quatro ilhas, retiradas ao Japão pela então União Soviética. “Quero falar honestamente com Putin para poder avançar o máximo possível na negociação do tratado de paz”, sublinhou o primeiro-ministro nipónico. As negociações não se adivinham nada fáceis. Na semana passada, O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, insistiu que o Japão deve reconhecer que as disputadas ilhas Curilas, no Pacífico, são parte do território russo como ponto de partida para as negociações. A declaração do ministro russo, depois de conversações com o seu homólogo japonês, Taro Kono, reflectem os esforços de Moscovo para moderar as expectativas japonesas de um acordo iminente.

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AIS de dois milhões de filipinos da comunidade de maioria muçulmana no sul do país foram ontem chamados a participar num referendo para tornar esta região mais autónoma, como solução para acabar com cinco décadas de conflito. O porta-voz da comissão eleitoral James Jimenez afirmou que “o início do processo eleitoral parece estar a desenrolar-se bem”, logo após a abertura das mesas de voto, onde cerca de 2,1 milhões de filipinos podiam votar. A votação centrou-se nas províncias de Basilan, Lanao del Sur, Maguindanao, Sulu e Tawi-Tawi, que compõem a Região Autónoma Muçulmana de Mindanao (ARMM), que resultam do armistício de 1996 com a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI). No referendo é pedida aprovação da lei orgânica de Bangsamoro, assinada em Julho pelo Presidente filipino, Rodrigo Duterte, que vai pôr em prática o acordo de paz alcançado em 2014 com a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI). Maior grupo rebelde muçulmano do país, a FMLI vai governar Bangsamoro, depois de ter deposto as armas e renunciado às aspirações independentistas.

Caminhos da paz Filipinos muçulmanos em referendo que pode terminar com conflito separatista

Com 20 milhões de habitantes, cerca de 20% dos quais muçulmanos, Mindanao tem sido cenário, há décadas, de conflitos entre o Governo e grupos extremistas islâmicos, bem como a guerrilha comunista do Novo Exército do Povo

Esta lei é vista como a solução para a paz no sul do arquipélago, que viveu cinco décadas de conflito armado e onde continuam a actuar milícias de grupos extremistas como o Abu Sayyaf, os Lutadores pela Libertação Islâmica de Bangsamoro, ou o Grupo Maute, opostos a qualquer acordo de paz. Fundado em 1991 por alguns ex-combatentes da guerra do Afeganistão contra a antiga União Soviética, são atribuídos ao Abu Sayyaf alguns dos mais sangrentos atentados dos últimos anos nas Filipinas e vários sequestros com os quais se financia. Em 6 de Fevereiro é a vez dos cerca de 600.000 habitantes de Lanao del Norte decidirem pela aprovação, ou não, da lei orgânica de Bangsamoro. Com 20 milhões de habitantes, cerca de 20% dos quais muçulmanos, Mindanao tem sido cenário, há décadas, de conflitos entre o Governo e grupos extremistas islâmicos, bem como a guerrilha comunista do Novo Exército do Povo.

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Amélia Vieira

22.1.2019 terça-feira

Minha táctil intensidade é tanta

Vasco de Lima Couto

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EMBRO-ME dos desenhos à Cocteau com poemas em pratos brancos e recordo o quanto gostava deles, das frases, dos poemas, de tudo aquilo. Depois, olhei-o, e pareceu-me inesperadamente belo e associando temas musicais soube que era ele. Cocteau parecia-me muito menos interessante e infinitamente menos poético do que este Vasco, com seu perfil daquela portugalidade de homem do seu tempo, como Adriano, de belas cabeças imperiais que passaram entre nós para lembrar que uma cicatriz na beleza define os homens. Ele, que passou quase indelével no registo literário, tinha no entanto uma espécie de instinto admirável pela natureza do acto poético, sabia distinguir a qualidade, o sentimento trágico, e tinha uma disposição progressista num maravilhoso perfil romântico. Foi actor, um actor exigente e prolífero, representou peças de Miller, António José da Silva, Steinbeck, Ionesco, e ainda teve o seu maior êxito no «Mercador de Veneza». Divulgador da poesia contemporânea num programa de rádio chamado «Cantar de Amigo» em Angola, creio que todas elas perdidas numa urdidura em que não achou uma defesa à altura das suas múltiplas capacidades . A sua obra poética deve-o muito ao retiro em Constância onde talvez usufruísse da calma necessária para o diálogo consigo mesmo, parecendo de sólidas amizades e de confiantes dias de camaradagem, é quase sempre um homem afável, porém distante de um centro de reconhecido e justo mérito, o que o deve ter sujeitado a uma tristeza qualquer que ao invés de o azedar adensou a sua rara sensibilidade. A sua obra poética reparte-se por quase uma dezena de títulos, como « Canto de vida e morte» 1980, o «Silêncio quebrado» 1959, «Recado Invisível» 1950, «Bom dia meu amor» 1974, «Deixando discorrer os dias» 1991, já póstumo, e outros, mais antigos, uma vez que o poeta nascera em 1924 no Porto e dele se foi desamarrando aos entraves burgueses de um país severo e parado para a sua ânsia de viver e de expandir. «Um Pássaro contra as grades» ele - que precisava de espaço para ser feliz - um poema belíssimo que só uma alma larga, com asas, pode ter escrito, um legado de liberdade e de respeito por aquilo que são as relações humanas, esses contactos espaciais que por tão rotineiros quase não dão conta da invasão que provocam. E vale a pena transcrever alguns excertos: ter palavras certas no sol do caminho e beber, a rir, o doirado vinho. Misturar a vida, misturar o vento... E, nas madrugadas quando o povo abraço, para estar contigo: PRECISO DE ESPAÇO!

tivesse tido ensejo para a manutenção da vida que requer tantas concessões. Viveu como um poeta, pois são estes os poetas, os que correm o risco também de viver poeticamente. É sempre, quando dele nos acercamos, alguém com grande coerência e uma elegância quase desaparecida, aquela parte que faz dos poetas esses seres aristocráticos e estranhos, é um rejuvenescimento, de ternura, de despreendimento. Nós, vamos esquecendo, o tempo apaga, fulmina, estrategicamente encobre...mas o que é bom é sempre subitamente belo, bem o disse Safo. E neste súbito e inaugural renascer ele aparece tão novo como se fosse um propósito por vir: minha mãe, eu canto a noite porque o dia me castiga; minha mãe eu grito a noite, neste amor em que me afundo, porque as palavras da vida minha mãe, já não têm outro mundo, minha mãe eu grito a noite neste amor em que me afundo.

Fluía nele também um lado quase religioso sentia-se que não estava deslocado dessa fina teia da indagação teológica que firma os efeitos de uma consciência poética, e são de grande beleza muitas das suas ora indagações, ora gratidão, ora silencioso desespero face ao enigma incognoscível da palavra quando o verso adeja, em Oração, encontramos esta inquietação sempre total: «Senhor, eu não te peço felicidade...seria condenar a minha vida/ a uma inútil graça de ilusão/ nem te peço que faças dos meus versos desejos de cantigas para

os outros/ ...... O que te peço é que me dês o alento/ das frases que eu não sei se tu disseste! » Coisas estas demasiado belas para esquecermos. Quase que por um trilho na percepção entende uma alegria nova, a Revolução dos Cravos, mantém-se entusiasta e envolvido, mas nem antes nem depois a sua situação de homem melhora, e acaba sempre por viver como pode aceitando os trabalhos que lhe dão, há na nova ordem um descaso que certamente o magoa e entende isso talvez com pesar, por isso morreu cedo, e por isso talvez não

Sabemo-lo boémio, amante das noites e dos cantos, sabê-lo por aí, o Fado, mas poucos sabem que passou por aqui, este homem tão especial que deu por concluído o seu testemunho antes mesmo de ter um florescente recomeço. Nestas vidas encontra-se o melhor. Não estão presas a si mesmas e tudo neles parece sempre novo, contemporâneo, quase eterno, agora mesmo o sinto tão próximo como um anjo de asas frescas sussurrando um canto protector: Vive... que eu no pensamento viverei contigo/ Sonha, que no meu sentimento te darei alento/ Sofre... Que no meu sofrimento, terás toda a minha alma, a dizer-te um Poema/ - Mas não penses nunca neste meu dilema! Hoje, estamos plenos de palavras, Vasco, e nenhumas são tão bonitas como aquelas que disseste para que eu as diga de ti neste momento. Não precisamos de muito. Mas temos saudades daquilo que no dizer se imortaliza. Sente-se uma imergência sadia de liberdade e uma zona sempre de espaço alargado no movimento de uma natureza que suporta mal o dirigismo das sociedades, e isso, é a sua marca mais conseguida de homem livre: Outubro de 68 Que Povo é este, que Povo, que é Poeta e se alimenta de tanta maré vazia. no mar que ele próprio inventa? Que Povo é este, que Povo, que tenta um sonho esmagado? ...É o Povo de onde venho todo por dentro amarrado! São de Amor todos os poemas.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 22.1.2019

Carlos Morais José

N

ÃO há facilidade em nenhuma escrita que se interrogue, não somente sobre o seu objecto como sobre si própria. E, nessa estranha dança entre formas e conteúdos, joga-se mais que uma vida: um momento de discernimento ou um mergulho na boçalidade. E seja: um momento pode valer por uma eternidade. Aliás, será também a eternidade um momento, por exemplo para Deus, como o é para quem já abandonou este espaço de efemeridades. Tijolo a tijolo, página a página, palavra a palavra, beijo a beijo, aparentemente o tempo passa, embora seja apenas visível no nosso corpo ou na face enrugada da Terra. Valha-nos a invenção da idade para podermos ir compreendendo um pouco mais as coisas, ao mesmo tempo que o saber acumulado se transforma numa espécie de corrida pela cegueira. Crescer significa, afinal, deixar de ver. E, sabendo como e porquê, existe o advento da morte, essas pequenas mortes que diariamente nos rodeiam, as mortes ínfimas. De seres e trajectos. De ideias. De mistérios. Sabendo como e porquê, abandonamos para voltar a encontrar. Existem metamorfoses do descanso no sono insatisfeito. Há um ruído, de dentes rangidos, de onda agigantada para nunca rebentar. Voltaremos a casa e aos espelhos familiares. Ao calor do forno onde se consome a lenha amável. Ao charco fétido, à lama de chocolate onde na infância se reflectia a esguia lua, às cabanas silenciosas, às estradas por asfaltar. A isso tudo voltaremos. Sabendo como e porquê.

Sabendo como e porquê PICASSO, AU LAPIN AGILE

Antropofobias

Valha-nos a invenção da idade para podermos ir compreendendo um pouco mais as coisas, ao mesmo tempo que o saber acumulado se transforma numa espécie de corrida pela cegueira. Crescer significa, afinal, deixar de ver


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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente FRINGE 43 | MÚSICA URBANA INTERACTIVA Praça Jorge Álvares | Até 27/01

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5 4 8 6 1 9 7 2 0 EXPOSIÇÃO ZHAO4 QIAN 8 2 7 | “A3STATE 9 OF0BLISS”5DE 6 Fundação Rui Cunha | Até 21/01 4 3 9 2 5 6 8 7 1 1 0 | PAISAGEM 6 7 MUTANTE 8 3 5 9 2 EXPOSIÇÃO Museu | Até 10/02 7 de2Arte4de Macau 0 9 8 3 1 5 3 1 5 8 6 2 4 0 7 EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE 0 de8Arte1de Macau 3 4| Até 24/02 7 2 6 9 Museu 9 6 7 5 2 1 0 3 4 EXPOSIÇÃO | “REENCARNAÇÃO” DE ALLEN WONG 6 5 0 1 7 4 9 8 3 Creative Macau 8 9 2 4 3 0 1 5 6

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EXPOSIÇÃO | OBRAS PRIMAS DE ARTE RUSSA MAM | Até 22/4

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3 6 5 1 4 8 7 0 Cineteatro 6 7 9 5 0 4 8 2 1 3 6 4 7 9 2 8 9 2 1 3 8 5 0 7 5 0 4 9 2 1 3 6

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GLASS SALA 1

GLASS [C] Um filme de: M.Night Shyamalan Com: Bruce Willis, James McAvoy, Samuel L.Jackson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

INSTANT FAMILY [B] Um filme de: Sean Anders Com: Mark Wahlberg, Rose Bryne, Isabela Moner, Julianna Gamiz 14.30, 16.45, 21.30

A DOG’S WAY HOME [A] Um filme de: Charles Martin Smith Com: Bryce Dallas Howard, Ashley Judd,

MAX

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O CARTOON STEPH 46

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HUM

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Alexandra Shipp 14.30, 16.30, 21.30 SALA 3

MORE THAN BLUE [B]

3 0 4 6 7 1 5 9 8 2

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 46

2 3 0 5 6 7 9 1 4 8

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PROBLEMA 47

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5 9 0EXPOSIÇÃO 3 2 6 7 4 1HOJE 8 UMA 4 6 8 7 1 3 9 0 2 5 2 9 1 7 3 8 6 0

4 3 2 0 1 7 5 8

7 1 3 6 5 9 4 2

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6 4 9 3 8 5 0 7

O Museu de Arte de Macau (MAM) exibe pela primeira vez um conjunto de obras primas de arte russa. Os 70 trabalhos, que fazem parte do espólio da Galeria Estatal Tretyakov, representam algumas das obras mais em-

THE POOL [C]

www. hojemacau. com.mo

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PENSÕES ILEGAIS

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46fenómeno das pensões ilegais foi O sempre 3 5um tema recorrente, 2 nomeadamente abordado por uma ala de 4 6a quem o8problema7sempre1 deputados, despertou especial atenção. 0 No entan-7 to, particularmente desde Novembro, 7 8 1 5 2 quando a apresentação das Linhas de 7 Governativa 9 5 acabou1por ficar4 Acção marcada pela divergência de0 opiniões 6 4 5 no seio do Governo sobre a melhor 7 o problema, 6 9 4ganhou8 forma de resolver novo ímpeto. Não sou 8 4 especialista e, portanto, desconheço se criminalizar 8 a9panaceia, 3 mas a4proposta2 de6 será 2 um levantamento 5 dos registos3 fazer de todas as fracções arrendadas parece uma medida bastante acertada. Com 48 agora, ficou a saber-se que o efeito, fenómeno 9 0das pensões 2 ilegais 6 chegou 4 1 à Universidade de Macau e – espante7 De facto, 9 foi o -se – veio o choque. primeiro do tipo (a ser conhecido), 2 8 1 mas provavelmente não foi/será o 1 5veio a público 0 graças 8 único. O caso 4 8 pelo9 a 1uma2 investigação realizada jornal da associação estudantil 7 0 8 1 da3 Universidade de Macau e as autorida5 6 a assegurar 4 tratar7 des apressaram-se -se8 de um episódio4excepcional nas 0 residências universitárias de Macau. 9 Com base2em que Quem o garante? informações? 8 2 De casos 3 4únicos9está7 Macau cheio. Diana do Mar

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FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 21.30

FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Ping Lumpraploeng Com: Theeradej Wongpuapan, Ratnamon Ratchiratham 16.30, 19.30

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22.1.2019 terça-feira

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8 7 3 6 4 2 B A H T 08. 2 5 4 Y U 9 A N1 1 .01 9 3 0 6 9 8 5 2 0 9 5 VIDA DE CÃO 8 5 9 6 7 8 O MOMENTO DAS 4 8 2 0 7 6

DE

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“OBRAS PRIMAS DA ARTE RUSSA DA COLECÇÃO DA GALERIA ESTATAL TRETYAKOV”

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blemáticas daquele país.Aexposição inclui pinturas a óleo e esculturas do período entre finais do século XVIII até à contemporaneidade. A mostra fica patente ao público até ao próximo dia 22 de Abril. Diana do Mar

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 15

terça-feira 22.1.2019

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

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Pensões ilegais

ECENTEMENTE, um homem de 68 anos do interior da China, residente numa pensão ilegal, morreu devido a inalação de monóxido de carbono. A causa da morte foi determinada após análise forense. O homem habitava uma divisão que em tempos tinha sido uma cozinha, e que foi posteriormente convertida num quarto, mas onde ainda estava instalado um esquentador. A filha do falecido declarou que, quando chegou ao local, às 10.00 da manhã, a porta e a janela estavam fechadas. O pai estava deitado na cama, inconsciente. A mulher dirigiu-se de imediato à gerente para pedir socorro. O pai foi levado de ambulância para o hospital, onde o óbito foi confirmado. Posteriormente, os bombeiros foram chamados para analisar as instalações. Aperceberam-se que a porta e as janelas tinham estado fechadas com o esquentador ligado, e, desta forma, o monóxido de carbono foi-se acumulando na divisão. Esta foi, sem dúvida, a causa da morte. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, declarou que um grande número de agentes é enviado regularmente para verificar as condições de segurança das pensões ilegais. Os funcionários do Gabinete do Turismo, durante as inspecções a estes locais, são acompanhados por agentes da polícia, para sua protecção. Este caso chamou a atenção das pessoas para o problema das pensões ilegais. Foram levantadas diversas questões, como por exemplo: Devido às diárias muitos elevadas dos hóteis credenciados, os turistas procuram alternativas. Por outro lado, os imigrantes ilegais em Macau fazem aumentar a procura de locais baratos para viverem. Estes factores fazem aumentar o crescimento das pensões ilegais. Deveremos exigir responsabilidade criminal aos donos das pensões? Supondo que sim, teremos capacidade para investigar este tipo de casos? Além disso, é necessário distinguir as funções dos funcionários do Gabinete de Turismo das da polícia, para que não haja duplicação de tarefas. E ainda existe uma outra questão: em relação aos proprietários destas pensões, deverá será abolida a responsabilidade civil, face à existência da responsabildade criminal? Nesta equação temos ainda a considerar os agentes imobiliários que encaminham as pessoas para estas pensões. Se a responsabilidade criminal for decretada para os proprietários, também deverá ser imposta a

estes agentes, na medida em que são fomentadores e cúmplices do processo. Há ainda quem sugira em alternativa o alojamento local. Este tipo de alojamento é mais barato que um hotel e bastante atractivo. Seria uma forma de controlar o crescimento das pensões ilegais. Não há dúvida que é uma boa ideia que poderia resolver grande parte deste problema. No entanto, onde é que vamos encontrar alojamento local em número suficiente, para dar resposta à procura dos turistas? Estes locais também têm de obedecer a normas de segurança, nomeadamente protecção contra incêndios, pelo que facilmente se

compreende que a maior parte das casas de Macau não será adequada para este fim. Mas, mesmo que o fossem, é preciso não esquecer que a lei do arrendamento foi alterada. Como os contratos passaram a ser de três anos, a maior parte dos senhorios não os quer assinar, porque se vêem privados da possibilidade de aumentar as rendas a cada dois anos. Além disso, para se implementar o alojamento local em Macau, era necessário que os residentes tivessem casas suficientes para viver e ainda um excedente para alugar. Daqui a menos de um mês, estaremos a celebrar o Ano Novo Chinês. Nessa altura Macau será invadida por turistas. Eles serão

Sejam quais forem as decisões que se tomem, o problema das pensões ilegais não vai ser resolvido a tempo. Se ocorrer mais alguma tragédia num destes locais durante as celebrações do Ano Novo, a reputação de Macau será seriamente afectada

os clientes alvo das pensões ilegais. Basta ver os sites das pensões, onde aparecem anúncios deste género, “Oferecemos ótimas condições de segurança. Somos uma residencial de cinco estrelas.” Sejam quais forem as decisões que se tomem, o problema das pensões ilegais não vai ser resolvido a tempo. Se ocorrer mais alguma tragédia num destes locais durante as celebrações do Ano Novo, a reputação de Macau será seriamente afectada. Talvez fosse aconselhável, por exemplo, ao nível das autoridades aduaneiras, aconselhar os turistas a não procurarem este tipo de pensões. O Gabinete de Turismo poderá reforçar também as inspecções, para verificar se as normas de segurança estão a ser cumpridas. Entretanto, o Chefe do Executivo já designou a secretária para a Administração e Justiça para coordenar a revisão da lei que irá regular estes hóteis. Os resultados serão brevemente anunciados.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


As coisas mais belas são ditadas pela loucura e escritas pela razão. André Gide

PALAVRA DO DIA

terça-feira 22.1.2019

Bandeirada em alta TÁXIS CASOS DE COBRANÇA ABUSIVA DE TARIFAS SUBIRAM 20,94 POR CENTO EM 2018

Direitos Humanos Evento faz reviver criação da Declaração Universal

Venezuela Detido grupo de militares que se rebelou contra Maduro

As Forças Armadas da Venezuela anunciaram ontem a detenção de um grupo de militares que horas antes divulgou um vídeo apelando à população para não reconhecer o governo do Presidente Nicolas Maduro. Em comunicado, as Forças Armadas afirmam tratar-se de um “grupo reduzido” de militares da Guarda Nacional e acusam os militares do roubo de um lote de armas de guerra, durante a madrugada, e do sequestro de quatro militares. A operação permitiu “recuperar armas roubadas e, neste momento, os indivíduos estão a prestar declarações aos serviços de informações e à justiça militar”, afirma no comunicado o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino. “Somos soldados profissionais da Guarda Nacional, opositores deste regime, que repudiamos completamente, e precisamos do vosso apoio, saiam à rua”, declarou no vídeo um homem que se identificou como sargento Armando Figueroa, da Guarda Nacional. O vídeo foi divulgado nas redes sociais.

Open da Austrália Djokovic bate Medvedev e segue para os quartos

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O tenista sérvio Novak Djokovic, líder do ‘ranking’ mundial, qualificou-se ontem para os quartos de final do Open da Austrália, primeiro ‘Grand Slam’ do ano, ao bater em quatro ‘sets’ o russo Daniil Medvedev. Djokovic, campeão por seis vezes em Melbourne (2008, 2011, 2012, 2013, 2015 e 2016), impôs-se ao 19.º da hierarquia e 15.º cabeça de série, por 6-4, 6-7 (5-7), 6-2 e 6-3, em três horas e 14 minutos. Nos quartos de final, o sérvio, de 31 anos, vai medir forças com o japonês Kei Nishikori, nono jogador mundial e ‘carrasco’ de João Sousa, que bateu o espanhol Pablo Carreño-Busta, 23.º ATP, por 6-7 (8-10), 4-6, 7-6 (7-4), 6-4 e 7-6 (10-8).

A

S irregularidades praticadas por taxistas continuam a aumentar. Dados da PSP indicam que, ao longo do ano passado, foram sinalizados 3.846 casos de cobrança abusiva de tarifas, ou seja, uma média superior a dez por dia.

A cobrança abusiva de tarifas representa seis em cada dez irregularidades detectadas que, em termos anuais, sofreram um aumento de 11,56 por cento para 6.126 casos. Em sentido inverso esteve a prática de recusa de transporte – diminuiu 15,12 por cento para 1.336

ocorrências, segundo estatísticas do trânsito divulgados pela PSP. Em termos gerais, os mesmos dados indicam que as estradas de Macau foram palco de 13.763 acidentes de viação, ou seja, menos 6,47 por cento do que em 2017. Não obstante,

TIAGO ALCÂNTARA

Alertar os residentes para os direitos humanos é o objectivo da iniciativa levada a cabo hoje por Carlos Picassinos, Morgan O´Hara e Billy Hiu Kok Kun. O evento divide-se em duas sessões independentes, uma das 14h30 às 16h30 na Rua Jorge Alvares No. 5, Edifício Pou Chou, 5A, e outra das 20h às 22h no Edifício Industrial Nam Fong (Bloco 1), 12A. O objectivo é convidar os interessados a reescreverem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Dezembro de 1948, e com isso sensibilizar as pessoas para esta matéria.

A cobrança abusiva de tarifas representa 6 em cada 10 irregularidades detectadas que, em termos anuais, sofreram um aumento de 11,56 por cento para 6.126 casos

houve um aumento dos casos fatais: dez mortes contra oito em 2017. Já o número de feridos recuou de 4.706 para 4.380, ainda que mais tenham carecido de internamento hospitalar (106 contra 91). As infracções à Lei do Trânsito Rodoviário e ao Regulamento do Código da Estrada diminuíram (de 875.268 para 868.805), mas o valor total das multas aumentou quase um quinto de 175,59 milhões em 2017 para 209,38 milhões de patacas no ano passado. O estacionamento ilegal (em vias públicas ou em lugares de estacionamento com parquímetros), que representou a maioria, aumentou ligeiramente (0,36 por cento) em termos anuais homólogos. Já os casos de remoção e de bloqueamento de veículos (em vias públicas ou lugares de estacionamento tarifados ou com parquímetros) sofreram um aumento na ordem de um terço. A condução sob influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas desceu 40 por cento para três ocorrências. Em baixa esteve também o número de casos de falta de uso do cinto de segurança durante a condução (5.917 ou menos 7,81 por cento). Em sentido contrário, em 2018, foram detectados mais casos de uso de telemóvel (5.352 ou mais 20,84 por cento). D.M.

RD CONGO CHINA RECONHECE FÉLIX TSHISEKEDI COMO PRESIDENTE

A

China reconheceu ontem a vitória do candidato opositor Félix Tshisekedi nas eleições presidenciais de Dezembro na República Democrática do Congo (RDC), depois de, no domingo, o Tribunal Constitucional ter ratificado os resultados. “Respeitamos a eleição do povo da RDC e felicitamos o novo Presidente. É um aconteci-

mento importante para o futuro político do país”, disse ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, em conferência de imprensa. “Esperamos também que todas as partes fora do país possam criar condições para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento da República Democrática do Congo”, acrescentou.

O Tribunal Constitucional da RDC confirmou, no domingo, Félix Tshisekedi como Presidente do país, após rejeitar todos os recursos interpostos contra os resultados provisórios das eleições. O Tribunal Constitucional ratificou a vitória de Félix Tshisekedi, que obteve cerca de 38,57% dos votos contra 34,86% do candidato do principal

partido da oposição, Martin Fayulu, de acordo com os dados provisórios divulgados pelo Comité Eleitoral do país em 10 de Janeiro. Tshisekedi, 55 anos, será o sucessor de Kabila, que preside aos destinos do país desde 2001. O candidato classificado em segundo lugar nas eleições presidenciais da RDCongo, Martin Fayulu, que tinha apre-

sentado o recurso junto do Tribunal Constitucional, rejeitou a decisão e apelou a protestos em todo o país e à comunidade internacional para que “não reconheça um poder que não tem legitimidade nem capacidade jurídica para representar o povo congolês”. Fayulu afirmou-se como “o único Presidente legítimo” da RDCongo.


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Hoje Macau 22 JAN 2019 #4215 by Jornal Hoje Macau - Issuu