MOP$10
VIC SHING
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Q U A R TA - F E I R A 2 2 D E J A N E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 1 6
hojemacau
Diário do Povo critica Plano Pecuniário
Xeque ao cheque De forma discreta, a propósito de um elogio às LAG de C.Y. Leung, Chefe do Executivo de Hong Kong, o Diário do Povo realça o fim dos cheques na ex-colónia britâni-
ca e a utilização do dinheiro com quem realmente precisa. Por seu lado, Macau é apresentado como exemplo de cooperação com o continente.
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PÁGINAS 2 E 3
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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ENTREVISTA António Vale da Conceição explica porque razão Macau satura
CRIME 2013
Juventude sem roque SOCIEDADE PÁGINA 7
TERRENOS CONCESSÕES
HO ION SANG PEDE PRIMADO DAS LEIS POLÍTICA PÁGINA 6
EXECUTADO!
Homem chinês mantinha seis escravas sexuais CHINA PÁGINA 9
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ENTREVISTA
ANTÓNIO VALE DA CONCEIÇÃO, MÚSICO, MEMBRO DA BANDA TURTLE GIANT
JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo
“A grande medida não passa por incentivos económicos” VIC SHING
N
ASCIDO em Macau, António Vale da Conceição (ou Kico, como é vulgarmente conhecido) graduou-se em Cinema e Televisão, na Universidade do Porto, mas desde cedo que a música é parte integrante da sua vida, quando começou a dar os primeiros acordes na guitarra do pai. Em casa ouvia-se Bob Dylan, Simon &Garfunkel, Pink Floyd e Beatles, nomes que foram referências de base para o actual guitarrista e baixista dos Turtle Giant, que se encontram a gravar o seu terceiro álbum no Teatro D. Pedro V. Embora com inúmeros concertos ao vivo e digressões no currículo, a sua paixão não deixa de ser “estar junto dos microfones e dos instrumentos, num ambiente mais privado, mais criativo...” Para contornar as dificuldades que as bandas locais enfrentam no território, mais do que medidas ou incentivos económicos, Kico defende uma mudança de atitude que ajude a cidade a crescer artisticamente.
hoje macau quarta-feira 22.1.2014
Começando pelo princípio, como é que a música entrou na sua vida? Foi uma coisa que aconteceu naturalmente, através dos meus pais e daquilo que se ouvia em casa. Mais tarde fui desenvolvendo o gosto pela música no sentido de querer tocar. Comecei com uns primeiros acordes na guitarra do meu pai e a partir daí fui desenvolvendo, tentando tocar as músicas que gostava de ouvir. Depois tive a primeira banda no liceu e foram aparecendo outros projectos individuais até chegar aqui. Toca guitarra e baixo, entre outros instrumentos. O baixo também foi uma escolha natural? Não sei... sempre gostei de tocar vários instrumentos, tentei sempre fazê-lo. Não posso dizer que toque muitos, mas o baixo, que toco agora neste projecto dos Turtle Giant, veio colmatar uma necessidade. Não que toque apenas baixo, também toco guitarra e outros instrumentos, tal como os outros membros da banda que não tocam um instrumento em exclusivo. O baixo acaba por servir a necessidade do projecto, não querendo dizer que seja sempre eu a tocá-lo. Mas tem algum instrumento preferido, onde se sinta mais confortável? Sim, a guitarra. Embora também me sinta muito bem com o baixo, por exemplo.
Não sei muito bem. As influências vão mudando progressivamente, os pontos de referência também, mas sem dúvida que a geração folk norte-americana dos anos 50 me marcou muito. Foi por aí que comecei. O meu pai ouvia muito folk e mais tarde a minha mãe que era mais “roqueira” deu-me a ouvir outras coisas: Pink Floyd, Beatles, Paul Simon. Quanto ao folk, ouvia várias bandas: Peter Paul and Mary, Bob Dylan, Simon and Garfunkel... todos eles acabaram por ser as minhas bases, embora a geração de 90 também me tenha marcado muito. O que aconteceu é que depois da geração de 90 voltei outra vez a buscar música mais antiga e também por influência dos meus companheiros da banda a ouvir mais música dos anos 60 e 70. Por isso as referências estão sempre a mudar...
Quais são as suas principais referências musicais? Aquelas que acabaram por ter alguma influência no seu crescimento enquanto músico?
Por falar na sua banda, como é que aconteceu a sua entrada nos Turtle Giant? Nós já nos conhecíamos, eles tinham estado em Macau durante
um período muito curto, depois foram para Barcelona e tinha sempre ficado no ar o desejo de tocarmos juntos. Eles acabaram por regressar a Macau e mal chegaram puseram a hipótese de eu os acompanhar e eu obviamente que não hesitei. Já era um desejo meu de há algum tempo, pelo menos de há um ano, e acabou por se dar esta união. Estão neste momento a gravar o terceiro álbum da banda. Como é que está a correr o trabalho? E
Nós, os Turtle Giant, acabamos sempre por tentar procurar outros mercados, outros públicos, porque este, para além de pequeno, acaba por se saturar
quando é que é possível ouvi-lo? O trabalho está a correr bastante bem, mas não sei exactamente quando é que vai ser possível ouvi-lo...(risos)... não podemos para já prometer uma data, mas será certamente para breve, não creio que vá demorar muito tempo. Como é que decorre o vosso processo criativo? Quando partem para as gravações de um novo álbum, já têm uma ideia definida à partida daquilo que vão fazer ou baseiam-se muito na improvisação, naquilo que vai surgindo durante os ensaios? Acaba por ser uma mistura das duas coisas. Neste momento estamos a gravar no Teatro D.Pedro V e acabámos por desenvolver novas ideias...fazemos várias sessões de improviso, experimentamos coisas novas... este período de gravação acaba por ser também um período de criação, não obstante termos ideias claras trazidas dos ensaios. Têm feito várias digressões e muitos concertos ao vivo. Onde
é que se sente melhor? No palco ou quando estão a criar em estúdio, ou num teatro, como é agora o caso? Pessoalmente gosto mais do processo de criação, do processo de gravação. Obviamente que me dá muita satisfação tocar ao vivo e ir a sítios diferentes e visitar outros países, mas a minha paixão, digamos assim, é estar junto dos microfones e dos instrumentos, num ambiente mais privado, mais criativo e não tão performativo. O que não quer dizer que não goste de dar concertos, pelo contrário, adoro! Há algum concerto ou alguma digressão que, por algum motivo, o tenha marcado mais? Sim, o “South by Southwest Festival”, nos Estados Unidos, no ano passado. Foi uma experiência óptima. Nunca tinha ido aos Estados Unidos e este festival era uma das nossas metas do ano passado e foi com muita satisfação que fomos lá. Foi um plano realizado e também o alcançar de uma meta que quase todos os artistas, todos
entrevista 3
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A qualidade de vida melhora quando existe música, arte,à nossa volta... a música é apenas uma das componentes os músicos que querem fazer rock querem alcançar, que é estar nos Estados Unidos. Voltando ao plano do processo criativo, quando é que sente que uma música está pronta, que não se deve mexer mais? Se é que é possível dizer isto... ou será que uma música nunca está finalizada? Pois, não sei ...(risos)... acaba por ser muito... por tentativa e erro... é um bocado estranho. Não sei se sou eu que determino que a música está acabada ou se é a própria música que se revela acabada. É muito difícil, existem algumas ideias que temos há anos e que nem nos preocupamos em gravar porque sabemos que a música gravada vai ser uma coisa diferente do que quando é tocada ao vivo. Portanto, nesse aspecto é uma música que nunca será acabada, é uma música que se estende. No processo criativo e nas gravações em concreto, também não há uma regra, também não há uma equação que nos assegure que assim é que está bem. Pessoalmente não consigo dizer “isto está acabado, já não se pode fazer mais nada” . A maior parte das vezes volto a ouvir as músicas e penso que se calhar alterava algumas coisas...o que poderá estar determinado e que se poderá dizer que a música está testada será na parte da composição. Aí podemos dizer, “ok, esta estrutura está fechada, estas dinâmicas estão encerradas, a melodia está encaixada e portanto é com isto que vamos trabalhar, agora vamos para a outra parte”. Este talvez seja o momento mais próximo de podermos dizer que uma música está finalizada. Olhando agora para este território, para Macau, como é que vê o panorama musical na cidade? Quais são as maiores dificuldades?
Não há muitos espaços para tocar ao vivo... é também uma cidade onde a cultura da música ao vivo não é vigente, não existe essa referência cultural de ter entretenimento musical diário ou semanal
As dificuldades são conhecidas. Não há muitos espaços para tocar ao vivo... é também uma cidade onde a cultura da música ao vivo não é vigente, não existe essa referência cultural de ter entretenimento musical diário, ou semanal, digamos assim. E não existindo esta cultura de música ao vivo acaba por ser muito difícil de se considerar que existe uma indústria musical. A indústria musical é o que move a música, quer queiramos, quer não. Nós, os Turtle Giant, acabamos sempre por tentar procurar outros mercados, outros públicos, porque este, para além de pequeno, acaba por se saturar. Não existem muitos sítios para tocar e corremos sempre o risco de tocarmos demasiadas vezes em Macau e sempre nos mesmos locais. O que podia ser feito para ajudar as bandas locais a crescer e a sobreviver? Todas as medidas são bem vindas mas, mais do que uma medida, acho que é uma questão de atitude. A atitude do consumidor poderia, ou poderá, ser diferente, na medida em que considero que a música é um bem necessário para o seu bem estar. A qualidade de vida melhora quando existe música, arte à nossa volta... a música é apenas uma das componentes. As artes, sobretudo promovidas por iniciativas privadas, para que haja também uma diversificação de programas que sejam oferecidos a toda a gente, podem fazer com que Macau possa ter um grande espaço para crescer, no campo da indústria musical ou na indústria das artes em geral. Portanto, penso que a grande medida não passa por incentivos económicos ou por facilidades para a criação, passa por “hard work”, trabalho duro, e por uma atitude diferente na sociedade de Macau em geral para considerar que a criatividade é um bem essencial para garantir a sua qualidade de vida. As artes têm um espaço, não só para os criativos, mas também para o público ter a oportunidade de contactar com as artes e por sua vez isso dar os seus frutos. O público tornar-se por sua vez um agente criativo ou, simplesmente, desfrutar daquilo que lhe agrada mais. Para além das gravações em curso, quais os projectos no futuro mais imediato dos Turtle Giant? Temos um concerto em Hong Kong no dia 21 de Janeiro (ontem) e em Fevereiro vamos dar um salto Brasil para umas actuações ao vivo.
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POLÍTICA
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DIÁRIO DO POVO ELOGIA SUSPENSÃO DE PLANO PECUNIÁRIO EM HONG KONG
Os peixes a quem precisa de comer O
jornal de Pequim Diário do Povo, considerado o mais influente do país, faz no seu número de ontem uma comparação entre Hong Kong e Macau, a propósito do facto do governo da RAEHK ter extinguido o plano de comparticipação pecuniária anual, que orçava em seis mil HKD por cidadão. O Diário do Povo refere que o plano causou “polémica na sociedade de Hong Kong” mas agora o “Chefe do Executivo da RAEHK C.Y. Leung disse no dia 18 de Janeiro que a política dos cheques vai acabar. Embora o Governo tenha capacidade financeira, foi decidido usar o dinheiro com ‘alguém que tenha realmente necessidade’”. C.Y. Leung, na sua “Carta a Hong Kong”, explicou as suas Linhas de Acção Governativa (LAG), publicadas no dia 15 de Janeiro. Nestas LAG, o Executivo apresentou uma série de política à ajuda dos pobres. Nas LAG o Governo da RAEHK dará subsídio para as famílias de trabalhadores (600 a 2600 HKD para as famílias que tem dois ou mais pessoas empregadas). A despesa desta política orçará em três mil milhões de HKD. Além disso, o governo da RAEHK ainda vai fortalecer
Se os cidadãos forem habituados a receber o cheque, vão estar sempre à espera dele e a estender a mão para receber do Governo – ora isso é contra os valores nucleares de Hong Kong IN DIÁRIO DO POVO
o financiamento aos alunos e aos idosos pobres, incluindo um aumento de 30% do subsídio de apoio ao estudo neste
ano lectivo; oferecer o máximo de 15.000 HKD anuais para os alunos de Hong Kong que estudam no continente. O
subsídio aos idosos também irá aumentar para os mais pobres que decidam passar a sua terceira idade na província de Guangdong. O jornal discorre a seguir sobre como aproveitar uma “economia que se desenvolveu estavelmente”. “Em 2011, o cheque do Governo causou uma grande polémica. A política aos pobres na LAG neste ano obteve o reconhecimento geral. As opiniões da sociedade consideram que a nova política é ‘seguir opinião pública, uma acção decisiva’, sendo um movimento raro nos últimos anos que beneficia as camadas mais baixas e desfavorecidas.” “Sempre disse, sinceramente, à população: mesmo que a receita seja boa, não defendo a distribuição de dinheiro para todos os cidadãos. Considero que o dinheiro precisa de ser usado nas pessoas que têm mais necessidades, para melhorar a qualidade da vida de todos os residentes, para aumentar a competitividade de Hong Kong, para formar as próximas gerações e um investimento de longo prazo”, lê-se na “Carta a Hong Kong” de C.Y. Leung, citado pelo Diário do Povo. Depois chega a vez da RAEM ser referida: “Desde 2008, Macau já fez por nove vezes a distribuição
de dinheiro aos residentes. A sociedade de Hong Kong tinha inveja de Macau mas, desde 2011, quando o governo aprendeu com o governo da Macau a distribuição de dinheiro, resultou em muitas críticas”, refere o jornal.
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Universidades ou hospitais poderia HK ter construído com um ano de Plano Pecuniário
“A opinião pública disse que o governo de Hong Kong distribuiu 200 mil milhões de HKD, uma quantidade de dinheiro que poderia construir 30 Universidades de Tecnologia e Ciência ou 30 Hospitais Queen Mary. Se os cidadãos forem habituados a receber o cheque, vão estar sempre à espera dele e a estender a mão para receber do Governo — ora isso é contra os valores nucleares de Hong Kong, onde o povo de Hong Kong deve ser diligente no trabalho e auto-suficiente”, sublinha o Diário do Povo. “Embora em Macau exista também um saldo positivo nas receitas, a situação é diferente da de Hong Kong”, re-
gista o jornal. Assim, Macau tem capacidade suficiente para distribuir dinheiro aos residentes, principalmente com o crescimento veloz da economia. Entre 2010 e 2012, o crescimento médio de Macau foi 19,5%. Citando a imprensa de Hong Kong, o Wen Wei Po, o Diário do Povo refere que o crescimento é devido ao alto valor de imposto do jogo e, por outro lado, porque Macau aproveita as medidas de apoio dadas pelo Governo Central, cooperando activamente com o continente e deixando a economia diversificar-se gradualmente. O desenvolvimento da Ilha da Montanha é dado como um exemplo. O artigo do Wen Wei Po considera que Hong Kong tem condições melhores do que Macau mas, nos últimos anos, caiu no “pântano da fricção política”, o que resultou em “declínio da competitividade”, particularmente nas medidas e projectos de desenvolvimento entre continente e Hong Kong, proporcionadas pelo Governo Central para apoiar a RAEHK. Terá sido o “ambiente politizado” a má influência que impediu essa cooperação. Para o Wen Wei Po, Hong Kong deve aprender com a experiência de desenvolvimento de Macau, excluindo a interferência política, baixando o nível dos conflitos e procurando o desenvolvimento comum, a fim de consolidar e aproveitar vantagens de que usufrui. - HM
HO ION SANG PEDE QUE GOVERNO NÃO CONCEDA MAIS TERRENOS ANTES DE ENTRADA EM VIGOR DAS LEIS
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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O Ion Sang diz que o desenvolvimento urbanístico de Macau não está a considerar um desenvolvimento sustentável e está a destruir montanhas e paisagens, fazendo Macau perder as suas características. Em declarações ao Jornal do Cidadão, o deputado fala sobre a recente polémica em torno de uma construção junto aos lagos Nam Van, onde um prédio de 175 metros de altura poderá tapar a paisagem da Colina da Penha. Ho Ion Sang critica o Governo, dizendo que este apenas vê o que tem agora, mas não olha para o
futuro em termos de planeamento urbanístico. O deputado insta o Executivo a dar mais importância aos interesses da população e de acordo com um desenvolvimento sustentável. O deputado pede que não se faça mais concessões ou se aprove projectos antes da Lei de Planeamento Urbanístico, Lei do Património Cultural e Lei de Terras
entrarem em vigor. “Depois de se ter lançado o plano de ordenamento da zona norte da Taipa, a sociedade tem mostrado mais preocupações com outros eventuais projectos. O Governo deve ser responsável e responder às dúvidas da população, se não, os rumores vão continuar a expandir e o Governo vai perder a confiança da sociedade.”
GOVERNO VAI EXPLICAR CASO DA TAIPA EM DOIS DIAS Ontem, o Gabinete do Chefe do Executivo disse ao HM que, neste momento, o Chefe do Executivo não tem comentários pelo facto do seu irmão mais velho estar envolvido na polémica dos terrenos da Taipa. Contudo, acrescentou, daqui a dois dias, o Governo vai dar uma explicação à sociedade sobre o assunto.
TIAGO ALCÂNTARA
Macau a perder características
política 5
TIAGO ALCÂNTARA
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NG KUOK CHEONG FALA DE DESPERDÍCIO EM ESTUDOS ACADÉMICOS
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
deputado Ng Kuok Cheong acusa as instituições académicas de usarem uma grande quantidade de financiamento para fazer estudos que são, na sua opinião, “desperdício de dinheiro público”. As críticas são feitas numa entrevista que o deputado concedeu ao Jornal do Cidadão. Ng Kuok Cheong disse à publicação de língua chinesa que, nos últimos anos, o Governo gastou muito dinheiro a encomendar a essas instituições académicas estudos e pesquisas sobre assuntos sociais e políticos. Refere especificamente o caso da Universidade de Macau (UMAC) que realizou
Muita massa, pouca uva o relatório do edifício Sin Fong Garden, ou o relatório sobre “terras para residentes de Macau”, encomendado também ao Instituto Politécnico de Macau (IPM). “O estudo sobre os serviços de televisão ou o traçado do Metro Ligeiro também não trouxeram resultados para a satisfação do povo, e muitos resultados dos estudos trouxeram polémica para a sociedade.” O deputado diz mesmo que o Governo não diz quais são os ob-
jectivos a atingir com os referidos estudos, e que por isso os resultados não são satisfatórios. “No inicio o Chefe do Executivo definiu, nas Linhas de Acção Governativa (LAG), que ia usar os novos aterros para cumprir o principio de terras para residentes, mas quando a proposta chegou às mãos do secretário Lau Si Io, já se previa que quaisquer instalações podiam ser alvo da proposta do Governo, mesmo fora do âmbito dos novos aterros.”
Em relação aos estudos sobre o traçado do Metro Ligeiro, nos últimos anos foram feitos trabalhos, mas o deputado considera que nenhum é adaptado à realidade, e que até ao momento não existe um calendário concreto para as obras do projecto. “O Governo fez muitos estudos inúteis porque tem demasiado dinheiro. Além disso, os dirigentes têm uma capacidade limitada, e não sabem quais as razões concretas dos referidos estudos, e isso resulta
na realização de estudos desnecessários”, diz Ng Kuok Cheong. O deputado, que também está ligado à Associação Novo Macau, pede na mesma entrevista que o Governo dê maior atenção para a questão do uso do dinheiro público. “Antes de encomendar um estudo a essas entidades deve primeiro saber qual a necessidade real para a sociedade e as opiniões do povo, saber os motivos, para que as entidades académicas possam estudar as políticas e medidas que estejam próximas do coração das pessoas.” Ng Kuok Cheong considera ainda que os dirigentes devem “colocar o povo no coração” de cada vez que pretendem implementar uma política. “Se a economia piorar, o Governo deve saber como poupar o dinheiro gasto nos estudos”, ironizou.
LEONG VENG CHAI FALA DE EMPREGADOS DESPEDIDOS SEM JUSTA CAUSA
deputado à Assembleia Legislativa (AL) e número dois de José Pereira Coutinho, Leong Veng Chai, entregou mais uma interpelação escrita ao Governo onde fala da situação de despedimentos de empregados importados ao exterior. Com base em queixas recebidas no seu escritório de atendimento, o despedimento será feito sem justa causa e resulta em dividas à respectiva agência de
emprego, que terão de ser pagas pelo trabalhador. “Surgem dúvidas sobre a existência de conluio entre as agências de emprego e as empresas empregadoras, que se aproveitam das quotas de importação para ficar com o dinheiro dos trabalhadores. O Governo vai dar a devida atenção a este assunto?”, questiona o deputado. Leong Veng Chai quer ainda saber “que medidas dispõe o Governo para, em
TIAGO ALCÂNTARA
Haverá “conluio” entre agências e empresas? O colaboração com as autoridades do interior da China, evitar que as empresas em causa abusem do actual regime de importação da mão-de-obra? Tem sido tensa a situação das relações laborais (...) quando é que o Governo vai, de acordo com a Lei Básica, criar a Lei Sindical e a Lei de negociação colectiva?” Os casos citados pelo deputado dizem respeito a trabalhadores que começam a trabalhar em empresas de Macau e que, “passado meio
ano, nalguns casos dois e três meses, foram despedidos alegando falta de negócio e dificuldades de exportação. O que merece mais atenção é que tiveram de pagar àquelas agências de emprego cerca de 1250 RMB e mais 3750 patacas. Nunca lhes passou pela cabeça que iam ser despedidos sem justa causa ao fim de poucos meses, e que as suas poupanças não iam ser suficientes para pagar às agências”, escreve ainda o deputado. - A.S.S.
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SOCIEDADE
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HABITAÇÃO E PRODUTOS ALIMENTARES SOBEM ACIMA DA TAXA ANUAL DE INFLAÇÃO EM 2013
Flecha contra bolso dos consumidores A taxa de inflação anual atingiu os 5,5% em 2013. Apesar da quebra pouco significativa face a 2012, os dois componentes com mais peso nas despesas familiares – habitação e combustíveis, produtos alimentares e bebidas não alcoólicas - subiram acima do valor da inflação. O economista Albano Martins não tem dúvidas, com estes dados “dificilmente a inflação será atenuada nos próximos meses e anos” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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S dados mostram alívio na pressão da inflação em Macau. Em 2013, a taxa anual atingiu os 5,5%, ficando 0,6% aquém do valor do ano anterior. No entanto, este ligeiro abrandamento (consequência da desaceleração no continente) não traz ventos de bonança porque, tal como indicam os dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), a “habitação e os combustíveis” cresceram 9,95% e, logo após, os “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” encareceram 6,63%. Estes foram dois dos quatro
componentes acima do valor geral da inflação e são aqueles que “por terem mais de 55% de peso no cabaz das despesas familiares puxam a inflação para cima”, indica o economista Albano Martins ao HM. “Com estes indicadores - os sectores com mais peso na inflação - a crescerem mais do que a inflação, dificilmente a inflação será atenuada nos próximos meses e anos. Têm de conseguir actuar numa parte do imobiliário e actuar numa parte dos produtos alimentares que vêm da China.” Tal parece, porém, pouco expectável por parte do Governo. Permitindo-se um mercado imobiliário desregulado e o “livre” arbítrio por parte das grandes
em matéria de rendas. O mercado é livre a favor dos proprietários e não a favor dos arrendatários porque as pessoas são confrontadas com a situação de ‘ou pagas ou vais para a rua’. Por outro lado, na parte de produtos alimentares existem grandes oligopólios na China, que não trazem transparência na fixação dos preços, que são afectados pelo facto de que quem distribui ter a última palavra no mercado de preços. Este é que é o chamado mercado livre que o Governo entende.” cadeias alimentares chinesas que fornecem Macau, não se conseguirá uma diminuição na subida galopante dos preços. “O facto de não haver norte
“DUPLA INFLAÇÃO IMPORTADA”
A indexação da pataca ao dólar de Hong Kong que, por sua vez, está indexado ao dólar americano (a desvalorizar) também não ajuda
à contas, que se agravam com a valorização do yuan. “Temos uma dupla inflação importada porque os produtos que vêm da China são mais caros e porque são ainda mais caros porque temos de pagar mais yuans”, explica o economista. “Todos os produtos que importamos estão mais caros, a nossa inflação tende a subir acima da inflação da China e depois temos a falta de transparência no mercado.” No entanto, o Índice de Preços do Consumidor (IPC) Geral (aquele que é levado em conta) camufla uma situação menos animadora: o IPC-A, um indicador de famílias com despesas entre as 6900 e as 9999 patacas, que representa 49% das famílias residentes. O IPC-A, que em regra é superior ao Geral, foi de 6,09% o que significa que “a inflação para as pessoas com menos posses é maior do que a traduzida pelo índice geral”. Ainda assim, parte da inflação de Macau está camuflada nos subsídios atribuídos pelo Governo porque se “se fosse a tirar essa capa de subsidiação, os preços subiriam”.
EMPRESA APRESENTOU AO GOVERNO “LISTA MUITO LONGA DE PROJECTOS”
CEM desvaloriza corte no orçamento para 2014 ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
Companhia de Electricidade de Macau (CEM) vê com naturalidade o corte de 24% que sofreu no seu orçamento para 2014, que será de 640 milhões de patacas. A empresa tinha apresentado um plano de investimentos na ordem de 1,2 mil milhões de patacas, mas muitos projectos tiveram mesmo de ficar de fora. “Fazemos propostas, umas são aprovadas e outras requerem uma maior análise. Em alguns casos pediram mais detalhes e vamos tentar entender os requisitos que estão a ser solicitados. Vamos analisar os projectos um por um e vermos se há ou não possibilidade de adiar”, disse Franklin Willemyns, presidente da comissão executiva da CEM, à margem do almoço de primavera realizado com a comunicação social. “É normal. Faz parte do processo que acontece todos os anos. Nos anos anteriores
Franklin Willemyns
também foi aprovado um conjunto de projectos, e outros foram para uma segunda reconsideração”, disse ainda. Arnaldo Santos, coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE), também afirmou que “a CEM todos os anos tem de apresentar o seu plano de investimento, esse é o processo normal. Tem sido semelhante aos outros anos, e no ano passado fizemos uma revisão e sofreu um corte parecido.”
“Os investimentos que foram aprovados são os necessários para garantir o fornecimento seguro e estável da cidade. Há sempre investimentos que a CEM se propôs a fazer e achamos que podem não ser realizados este ano, mas futuramente.”
PROJECTOS NÃO ESPECIFICADOS
Na hora de falarem dos planos que ficaram de fora, tanto o Governo como a CEM preferem não adiantar mais por-
menores. “É difícil lembrar, são muitos investimentos”, disse Arnaldo Santos. Já Franklin Willemyns falou de “uma lista muito longa de projectos”. “De qualquer forma os principais, temos sempre a preocupação de fazer investimentos responsáveis e compatíveis com o real desenvolvimento de Macau e das necessidades.” Um deles passa pela construção de novas sub-estações de electricidade com ligação ao Metro Ligeiro. “Tínhamos
CEM MELHORAR CAPACIDADE DE PRODUÇÃO O responsável do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) admitiu ontem que a estratégia de longo prazo do Executivo passa pela importação de electricidade de Cantão e não tanto pela produção local. Franklin Willemyns, presidente da comissão executiva da CEM, concorda, mas afirma que gostaria que as suas unidades de produção tivessem uma maior capacidade energética. “Algumas das nossas unidades são muito pequenas e não são muito eficientes, e gostávamos de poder avaliar mais profundamente se não seria interessante substituir algumas unidades por outras de alta eficiência”, disse o
responsável à margem do almoço de primavera, adiantando que, para este ano, a empresa prevê a realização de alguns estudos de viabilidade do projecto. Arnaldo Santos adiantou que a compra de energia ou a sua produção local depende sempre dos preços envolvidos. “A política do Governo a longo prazo é a importação de electricidade e manter os geradores de Macau como reserva. A política não é construir mais centrais eléctricas em Macau, e a longo prazo o fornecimento através da importação é a maneira mais segura. Vamos continuar a manter os equipamentos existentes como garantia. Tudo depende do preço. Se eu disser que a produção de electricidade a
partir do gás natural é mais cara, então temos a importação.” Também Franklin Willemyns fala de “condições económicas” na hora de importar electricidade. “O que para nós é importante é a vantagem de Macau ter opções e não uma dependência absoluta de uma só fonte. Dependemos muito de preços internacionais, e se em certas ocasiões é mais económico importar...Foi o que aconteceu em 2013, os preços eram tais que favorecia o aumento da importação. Temos continuado a investir em estruturas de conexão, mas a situação pode mudar. Em anos anteriores era mais económico produzir localmente, e nesses casos favorecíamos a produção local.” - A.S.S.
previsto investimentos para a península de Macau e esses planos não estão ainda completamente definidos. São projectos que estão intimamente ligados ao avanço desta infra-estrutura, se sofrer atrasos não vejo inconveniente para nós atrasarmos a construção das sub-estações.” Contudo, o responsável da CEM adianta que “há investimentos que nós consideramos importantes para o desenvolvimento de Macau”. “Sabemos que há grandes projectos em andamento e que se tudo acontecer segundo os prognósticos, entendemos que o crescimento da procura nos próximos cinco anos é significativo. Há projectos importantes e vamos continuar o diálogo com as autoridades, como fazemos todos os anos”, disse. Dados da CEM apontam para um aumento de 110% no consumo energético em dez anos. Prevê-se o aumento do consumo entre 4,7% e 9,9%, com o pico do consumo a atingir os 5,2% e 10,8% nos próximos dois anos.
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Os crimes detectados CRIME PJ APRESENTA DADOS QUE MOSTRAM MAIS OCORRÊNCIAS E MAIS JOVENS ENVOLVIDOS pela PJ no ano passado subiram, face ao ano de 2012 e o consumo de alguma gravidade, que merece a e trafico de droga CASOS DE 2013 FACE A 2012 atenção da sociedade e uma profunda estão a preocupar reflexão da sociedade”, referiu ontem Sio Chak Wong, director da PJ. as autoridades por + Dados apresentados por esta Sequestro 39 casos polícia mostram que, no ano passahaver mais casos Extorsão 60 casos do, houve “um grande aumento” no Indivíduos presentes ao MP 2419 tráfico de droga – 137 casos foram e mais jovens Tráfico de droga 137 casos detectados, mais 47,3% do que no envolvidos. O Consumo de droga 191 casos ano de 2012 – e uma subida de 49 casos (191) no consumo de droga. Crimes relacionados como jogo 2599 casos director da PJ admite Quase 280 pessoas foram presentes Usura e agiotagem 161 casos ao Ministério Público (MP) por conTráfico de pessoas 35 dificuldades em sumo – dez eram jovens com idades entre os 16 e os 18 anos. Outros dez detectar os jovens Homicídio 1 caso menores, um deles com apenas 15 Fogo posto 19 casos consumidores anos, foram detidos por tráfico. Roubo por esticão 28
Juventude insaciável
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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S casos de droga em Macau continuam a subir e a Polícia Judiciária (PJ) está preocupado com o facto de, além do aumento de consumo e transporte, se terem detectado o envolvimento de menores nestas situações. “A participação de vários estudantes do secundário no trafico de estupefacientes em 2013 indica que o cometimento de crimes de droga em Macau é um fenómeno
Apesar de assegurar que Macau continua a ser um mais um porto de passagem do que propriamente um destino para estupefacientes, Sio Chak Wong admite que é tem sido complicado lidar com a situação do consumo de drogas por jovens. “Eles gostam de consumir a droga em casa e é difícil entrar nos apartamentos para apanhar esses jovens. Precisamos da ajuda da população e que os vizinhos denunciem”, disse, acrescentando que há, inclusive, jovens a consumir nas escolas. Os estupefacientes mais comuns em Macau são a cocaína, heroína, ketamina e a metanfetami-
Furtos em residências Roubo
322 casos 123
(mais 16) (mais 28 casos) (mais 432) (mais 45) (mais 59) (mais 529) (mais 11) (mais 17) (menos dois) (menos quatro) (menos 14) (menos 122) (menos 13)
CRIMES POR TELEFONE E INTERNET AUMENTAM EXPONENCIALMENTE EM 2013
Nudez, telefones e burlas O S crimes relacionados com a tecnologia aumentaram no ano passado. Dados da Polícia Judiciária (PJ) mostram que as burlas por telefone e via internet subiram “notavelmente”, numa altura em que as autoridades admitem serem necessários reforços tanto na protecção da rede, como na formação dos cidadãos. Em 2013, houve um total de 338 casos de burlas pela internet – uma subida de 93%, comparativamente a 2012 – e um total de 327 casos de burla, mais 55,7%. Destes, as fraudes e as extorsões telefónicas aumentaram em oito vezes, para mais de cem casos. Para o director da PJ, a situação é facilmente justificável. “É por haver uma tendência de se utilizar a tecnologia mais avançada nos crimes de burla. Há também mais complexidade e tratam-se, frequentemente, de crimes transfronteiriços.” Wong Sio Chak assegura que os residentes precisam de mais noções sobre as técnicas de burlas, até por-
que, muitas vezes, ou não compreendem o engodo de que estão a ser vítimas, ou têm medo. “Um senhor contou que lhe ligaram a dizer que ele tinha que pagar uma indemnização, porque quem lhe ligou tinha a filha dele. O senhor pagou 20 mil patacas, mesmo não tendo filhos”, exemplificou o responsável. “A no-
“Um senhor contou que lhe ligaram a dizer que ele tinha que pagar uma indemnização, porque quem lhe ligou tinha a filha dele. O senhor pagou 20 mil patacas, mesmo não tendo filhos”
ção de prevenção contra as burlas e a maneira de reagir às situações de emergência por parte da população devem melhorar. [Os casos de burla pela internet] demonstram a necessidade urgente de se intensificar o trabalho de sensibilização acerca da segurança da rede.” Só em burlas por extorsão, a PJ detectou 82 casos em 2013. Através de internet, as autoridades anunciaram ter detectado 32 casos onde a extorsão se deu depois de conversas através de ‘chats’ onde existiram cenas de nudez. Dentro dos tipos de burla informática, a PJ abriu 163 inquéritos relacionados com cartões bancários, 99 relacionados com emails e redes sociais e 55 por criação de sites falsos. Wong Sio Chak diz que o principal problema é que as pessoas não protegem bem os seus dados pessoais, permitindo “aos criminosos” aceder a esses. - J.F.
na. O ano passado, recorde-se, a PJ conseguiu fazer a maior apreensão de sempre de cocaína – cerca de 50 quilos. Houve ainda três casos de transporte de droga no corpo humano detectados no aeroporto e 25 pessoas tentaram passar nas Portas do Cerco com estupefacientes. Wong Sio Chak frisa, contudo, que é preciso ter em conta que o aumento de casos relacionados com droga pode não estar directamente ligado a existir mais substâncias em Macau, mas sim ao facto de ter havido mais reforços na luta contra este flagelo.
SOBE, SOBE E SOBE
No geral, a PJ viu-se a braços com mais situações ilegais no ano passado, tendo instaurado mais de dez mil processos – um aumento de 11% face a 2012. Houve uma diminuição de crimes graves, como de fogo posto ou homicídio, mas, novamente, um grande número de jovens envolvidos em ilegalidades: 12 menores de 16 anos foram presentes ao MP, em conjunto com outros 43, com idades entre os 16 e os 18 anos. Mas a tendência de apresentar suspeitos ao MPnão aumentou só nos menores de 18 anos. No ano passado, mais 432 pessoas foram presentes ao organismo do que em 2012, num total de 2419 pessoas. “Isto mostra que os casos são cada vez mais complexos e que há melhorias da investigação e da eficiência de execução de trabalho desta instituição”, referiu Sio Chak Wong. Os crimes relacionados com o jogo são os que mais ajudam na tabela dos aumentos, com uma subida de 47,3%, para 2599 ocorrências. O ano passado contabilizaram-se 39 casos de sequestro relacionados com o jogo e 161 de agiotagem. Para o director da PJ, a situação deve-se ao aumento de jogadores e ao maior patrulhamento dos casinos. Sio Chak Wong admite ser necessário encontrar mais soluções para evitar o aumento destas ocorrências no futuro, quando Macau vir abrir portas, pelo menos, mais cinco casinos/resorts.
O crime veio do lado
Tem vindo a aumentar o número de crimes cometidos por estrangeiros em Macau, com os da China continental a liderarem a fasquia. Em 2013, disse ontem a PJ, 1757 pessoas do continente foram apresentadas ao MP – mais 69% do que em 2012 -, enquanto a procuradoria foi também responsável por 19 suspeitos de Taiwan, 56 das Filipinas e 41 do Vietname. Sio Chak Wong considera “natural” este aumento, devido ao aumento de turistas que Macau vê anualmente. O director da PJ diz mesmo que há hipótese de se verem mais aumentos de criminosos estrangeiros no território. - J.F.
Tráfico humano duplica.Vítimas causam problemas De 18 para 35 casos. O tráfico humano quase duplicou o ano passado, comparativamente a 2012, mas Sio Chak Wong alerta para um problema com que a Polícia Judiciária (PJ) tem vindo a deparar-se, com alegadas vítimas, que vêm para Macau por vontade própria e só pedem ajuda às autoridades por interesse pessoal. “São, sobretudo, provenientes da China. As mulheres vieram para Macau voluntariamente, mas depois, por causa de lucros ou disputas, denunciaram que estavam numa rede de tráfico de pessoas. Uma das vítimas veio para Macau por quatro vezes e de todas as vezes apresentou queixa. É um desperdício de recursos humanos investigar esse tipo de casos”. - J.F.
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CHINA
hoje macau quarta-feira 22.1.2014
A China é um dos motores mais potentes do crescimento mundial, mas este motor já não funciona a todo vapor
que as exportações para os EUA começaram a aumentar, mas que ainda é difícil gerar lucros. O aumento do custo da mão de obra e dos materiais e a valorização da moeda chinesa “são uma grande dor de cabeça”, diz .
CRÉDITO MAIS DIFÍCIL
E
STAsegunda-feira, Pequim informou que o seu PIB subiu 7,7% em 2013, o mesmo crescimento de 2012. Os economistas especialistas em China prevêem também para este ano um crescimento económico entre 7% e 8%. Estes números estão abaixo da expansão de dois dígitos registada pela China ao longo dos últimos 30 anos. O governo chinês está a começar a enfrentar os custos do crescimento rápido: poluição, desperdício de verbas, corrupção e fragilidade financeira. Mas as reformas consistem de medidas que inibem o crescimento, como a contenção do crédito, o encerramento de fábricas em sectores que sofrem de excesso de capacidade e o saneamento das finanças dos governos provinciais e municipais. “A liderança chinesa reconheceu que a China precisa mudar o seu modelo de crescimento”, disse o ex-presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, que se reuniu ontem em Pequim com autoridades do governo e líderes empresariais. Zoellick acredita que o processo não será realizado de um momento para o outro. “Vamos ver, ao estilo chinês, uma série de passos se forem bem-sucedidos, podem ganhar impulso”, disse Zoellick, líder do conselho consultivo internacional do Goldman Sachs.
CRESCIMENTO DESACELERA
No quarto trimestre de 2013, a economia chinesa cresceu 7,7% em relação a um ano atrás, mais lentamente que os 7,8% registados no terceiro trimestre, segundo dados divulgados segunda-feira pela Agência Nacional de Estatísticas da China. Aexpansão no quarto trimestre traduz-se num crescimento anual de 7,4% face ao terceiro trimestre, na forma com que a maioria das principais economias do mundo registam o crescimento.
2014 CRESCIMENTO VAI DEPENDER DE EXPORTAÇÕES E REFORMAS
O insustentável peso do crescimento imoderado Vários economistas esperam que esta desaceleração continue no primeiro trimestre do ano, à medida que o investimento diminuir e a China procurar esvaziar o que parece ser uma bolha imobiliária nas suas maiores cidades. Em Março, espera-se que o país adopte uma meta de crescimento para este ano — provavelmente 7,5%, dizem os economistas — o que poderia sinalizar a forma como o governo pretende equilibrar o crescimento e as reformas. Os líderes chineses disseram que querem reformar a economia de modo a torná-la menos dependente dos fortes investimentos nos sectores do imobiliário, infra-estruturas, indústrias de capital intensivo e exportações. Estão a ser esboçadas propostas para impulsionar o consumo doméstico, dando aos camponeses mais direitos à terra e afrouxando o controlo
no sector financeiro para que mais empréstimos sejam direccionados para as pequenas empresas. Até agora tem havido pouco movimento nestas frentes. Em vez disto, as primeiras iniciativas dos líderes, incluindo o combate à corrupção e aos gastos ostensivos do governo, chegou a prejudicar o crescimento. As vendas a retalho avançaram 13,1% em 2013, uma descida em relação aos 14,3% de 2012, e o crescimento mais modesto desde 2005.
MEDIDAS ANTI-CORRUPÇÃO TAMBÉM ARRREFECEM
Su Peng, um vendedor de flores de Pequim, diz que a sua empresa teve prejuízo em 2013 por causa de uma queda na vendas que, segundo ele, foi causada pelos esforços anti-corrupção. “Não houve lucro no ano passado”, diz. “Tentamos apenas manter o negócio a funcionar.”
Uma área promissora para a China este ano é o comércio internacional, que deve beneficiar da melhoria nas economias dos Estados Unidos e da Europa. O Banco Mundial estima que o comércio mundial cresça 4,6% em 2014, comparado com um crescimento de 3,1% em 2013. Outros analistas prevêem um avanço ainda maior. A China deve tornar-se o país de maior volume de comércio do mundo, já que provavelmente terá ultrapassado os EUA em 2013. As exportações chinesas subiram 7,9% no ano passado em relação a 2012. Louis Kuijs, analista para a China do banco britânico Royal Bank of Scotland, projecta que as exportações do país aumentarão em pelo menos um ponto percentual. Xiang Xiaoyun, administrador da empresa de calçados Kaicheng Shoes, sediada na cidade de Wenzhou, no sudeste da China, diz
Outros factores poderiam limitar este crescimento. No segundo semestre do ano passado, a China começou a reduzir o ritmo de novos empréstimos e a fechar empresas de siderurgia, uma iniciativa que visa diminuir a vulnerabilidade financeira do país. Durante os últimos cinco anos, o crescimento do crédito na China — parte do qual se destinou a financiar o sector da siderurgia e outras indústrias assoladas pelo excesso de capacidade — foi semelhante ao de bolhas registadas nos EUA, Europa, Coreia do Sul e Japão, bolhas essas que provocaram profundas recessões nestes países. Poucos economistas no mercado prevêem que a China entrará em crise este ano. Mas qualquer esforço do governo para desacelerar a expansão do crédito poderia prejudicar o crescimento a curto prazo. Os investimentos em activos fixos, como prédios e equipamentos industriais, totalizaram cerca de 50 biliões de patacas, no ano passado, um avanço de 19,6% face a 2012. O número é menor do que a subida de 20,7% de 2012 em relação a 2011 e menor que o de qualquer crescimento anual nos últimos dez anos, segundo a Moody’s Analytics. Kuijs, do RBS, espera que o governo continue a conter o crédito, mas de uma forma mais moderada, devido ao receio de que uma mão muito pesada possa enfraquecer a economia. No ano passado, foi o desempenho do sector imobiliário que surpreendeu. Os preços e as vendas de imóveis nas principais cidades chinesas dispararam depois dos compradores perceberam que o governo estava a relaxar as restrições às propriedades. As vendas de imóveis residenciais e comerciais em 2013 totalizaram cerca de 9 biliões de patacas, mais 26% do que em 2012. Mas poucos analistas acreditam que este ritmo irá manter-se. James Macdonald, chefe de investigação da Savills China, uma consultoria do sector sediada em Xangai, estima que os preços e as vendas de imóveis terão um crescimento “moderado este ano”.
china 9
hoje macau quarta-feira 22.1.2014
A
S taxas do mercado monetário da China caíram com força nesta terça-feira quando o banco central do país injectou mais de 255 mil milhões de yuan no sistema financeiro, aliviando as preocupações em relação ao crédito. O banco central, perante sinais de que as taxas referenciais poderiam subir, anunciou na segunda-feira que forneceu dinheiro directamente a alguns bancos através de um mecanismo de empréstimo de curto prazo e que injectaria mais fundos nesta terça-feira. Analistas do mercado disseram que é virtualmente sem precedentes que o banco central declare abertamente suas intenções de injectar ou retirar fundos em operações abertas do mercado regularmente.
BANCO CENTRAL INJECTA MILHÕES NO MERCADO
Cavalo mais descansado “Agora podemos atravessar o feriado do Ano Novo Lunar em paz” OPERADOR DA BOLSA DE XANGAI
A medida parece ser uma resposta às críticas de que o BC mantém os operadores no escuro sobre os seus planos para o mercado, o que no passado resultou em reacção exagerada dos mercados quando uma acção foi tomada.
PIB SERVIÇOS ULTRAPASSAM A INDÚSTRIA
Economia em mudança O
sector dos serviços representou 46,1% do Produto Interno Bruto chinês em 2013, ultrapassando pela primeira vez a indústria, assinala o relatório anual do Gabinete Nacional de Estatísticas da China, divulgado na segunda-feira. “A economia e a sociedade chinesas entraram numa nova fase”, disse um perito do Centro de Informação do Conselho de Estado, Niu Li, citado pela agência noticiosa oficial. Em 2013, a percentagem do sector dos serviços no PIB
chinês aumentou 8,3%, mais 0,5 pontos percentuais do que a subida registada no sector secundário. No total, a indústria representa agora 43,9% do PIB chinês e o sector primário (a agricultura) 10%. A economia chinesa - a segunda maior do mundo, a seguir à dos Estados Unidos da América - cresceu 7,7% em 2013, igualando o desempenho do ano anterior. O fosso entre ricos e pobres diminuiu, mas mantém-se acima do nível considerado socialmente
perigoso, revela o mesmo relatório. Em 2013, o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, atingiu os 0.473, menos do que os 0.472 registados no ano anterior e muito abaixo do recorde de 0.491 apurado em 2008. “Se o coeficiente de Gini se situa acima de 0.4 isso significa que a economia tem ainda muito a fazer para melhorar a distribuição dos rendimentos”, comentou o director do Gabinete Nacional de Estatísticas da China, Ma Jiantang.
POPULAÇÃO ACTIVA A DIMINUIR
Um fenómeno inédito A
China tem mais 33,8 milhões de homens do que mulheres e logo à nascença há 117 rapazes por 100 raparigas, revela o relatório anual do Gabinete Nacional de Estatísticas do país, divulgado esta segunda-feira. No final de 2013, a China tinha 1.360 milhões de habitantes (mais cerca de 6,6 milhões do que há um ano), 697,28 milhões dos quais do sexo masculino e 663,44 milhões do sexo feminino. O ratio entre homens e mulheres à nascença considerado normal é 107/100. No conjunto, a percentagem
da população urbana continuou a subir em 2013, para 53,73% (mais 1,16 pontos percentuais do que em 2012), ultrapassando já os 730 milhões. A China é país mais populoso do mundo, com mais de o dobro da população de toda a União Europeia, e a segunda maior economia, a seguir aos Estados Unidos da América. Em 2013, o Produto Interno Bruto chinês cresceu 7,7%, igualando o crescimento do ano anterior. O mesmo relatório revela ainda que a população activa da China diminuiu em 2013 pelo segundo ano consecutivo, para
919,54 milhões, menos 2,44 milhões do que em 2012. O número diz respeito aos chineses entre os 15 e 59 anos que no final do ano passado constituíam 67,6% dos cerca de 1.360 milhões de habitantes do país, menos 1,6 pontos percentuais do que em 2012. Trata-se de um fenómeno inédito até 2012, mas segundo alertaram na altura os especialistas, deverá repetir-se durante “um considerável período de tempo” A percentagem da população com mais de 60 anos, entretanto, atingiu 14,9%, somando 202,43 milhões, e 9,7% têm mais de 65 anos, indica o relatório.
“Uma injecção enorme”, disse um operador de Xangai. “Agora podemos atravessar o feriado do Ano Novo Lunar em paz.” A média ponderada para a taxa referencial de recompra de títulos de sete dias, considerada o melhor indicador das condições gerais de liquidez, caiu mais de 1 ponto percentual nesta terça-feira após as injecções, recuando para 5,4075% ante 6,5920% no fecho de segunda-feira. Outras taxas registaram quedas similares. Amais recente injecção de dinheiro para acalmar os mercados acontece nas vésperas do feriado doAno Novo Lunar chinês, quando a procura por dinheiro aumenta fortemente e os mercados financeiros do país permanecem fechados por uma semana no início de Fevereiro.
EXECUTADO SEIS MULHERES COMO ESCRAVAS
Sexo, sangue e vídeos A
China executou nesta terça-feira um homem que manteve seis mulheres num calabouço como escravas sexuais por períodos até 21 meses, durante os quais coagiu três delas a matar as outras duas, revelou uma autoridade judicial. Uma das três foi posteriormente sentenciada a três anos pelo seu papel nas mortes. O executado Li Hao, de 36 anos, escavou uma prisão sob uma cave que comprou em Agosto de 2009 e enganou as mulheres que trabalhavam em salões de beleza, bares de karaoke e uma casa de massagens para que fossem com ele ao local, informou a Xinhua.
Li violou repetidamente as mulheres, que ficaram presas entre dois e 21 meses. Segundo a polícia, ele queria ganhar dinheiro forçando as mulheres a prostituir-se e a aparecer em transmissões online obscenas. A sua prisão, na cidade de Luoyang, na Província de Henan, foi finalmente descoberto quando uma das mulheres escapou e recorreu à polícia. As duas mulheres que morreram foram assassinadas por outras três, sob instruções de Li. Estas também foram acusadas de assassinato, segundo a Xinhua. Descobriu-se que uma das mulheres, cujo sobrenome foi divulgado como
Duan, matou outras duas e por isso foi condenada a três anos, enquanto as outras duas foram postas em liberdade vigiada, disse a Xinhua. Quando Li foi preso em Setembro de 2011, era um homem casado com um filho de oito meses. Construíra a prisão num complexo residencial longe de sua casa, indicaram matérias publicadas na época. Li era um escriturário no gabinete de supervisão técnica de Luoyang, um departamento do governo que lida com controlo de qualidade. A Xinhua disse que Li foi condenado por assassinato, estupro, detenção ilegal, prostituição organizada e produção de pornografia, com o objectivo de lucro. Ele foi sentenciado à morte em Novembro de 2012, além de ter sido privado dos seus direitos políticos e ter sido multado em US$ 1.640. Li forçou as mulheres a aparecer em transmissões online obscenas de Março a Abril de 2011 e forçou-as a manter relações com “clientes” entre o final de Agosto e início de Setembro daquele ano, segundo a Xinhua.
JOGOS
GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo Em Goa, Índia
D
EPOIS de no dia anterior a equipa feminina de voleibol da RAEM ter garantido a medalha de prata, ontem foi a vez dos homens terem ficado em terceiro e último local da competição. Sem grandes expectativas, a equipa liderada por Sou Tong Man não fez grande mossa perante o poderio da Índia, considerada a terceira melhor equipa da modalidade no continente asiático depois da China e do Irão. Macau acabou por perder os dois primeiros ‘sets’ por diferenças acima dos dez pontos e só consegui equilibrar a contenda do último ‘set’ quando, até perto do final, se encontrava empatado com a selecção do país organizador da 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia. Como uma selecção nova, da qual os melhores e mais experientes jogadores permaneceram em Macau, as cores da RAEM acabaram por vir até Goa pelo convívio e pela aprendizagem. “Sabíamos que não tínhamos capacidade par competir
DA
LUSOFONIA
Depois da prata, o bronze RESULTADOS DO VOLEIBOL HOMENS 1 Índia vs. Moçambique
3-0
2 Macau vs. Moçambique
0-3
3 Índia vs. Macau
3–0
de igual para igual com as outras selecções. Na verdade, a vinda à Índia foi no sentido destes atletas poderem aprender com os melhores”, referiu o treinador das cores do Lótus. Um dos estreantes da equipa do território foi Rafael Cuerva. O chinês com ascendência espanhola mostrou-se muito satisfeito com a experiência. “É a primeira vez que represento a equipa de voleibol de Macau internacionalmente. Tive a oportunidade de
Como sei falar português, i redobrado. Pode ser que ai próxima edição. Farei isso pela Lusofonia e pela Líng
MULHERES 1 Índia vs. Macau
3-0
2 Macau vs. Moçambique
3-0
3 Índia vs. Moçambique
3-0
LEI SIN KUAN Jogadora de voleibol
IGREJA DE PANGIM CELEBRA MISSA EM PORTUGUÊS AOS DOMINGOS
Os tempos que já não voltam G OA surpreende-nos a cada esquina. A “presença” de Portugal é notória e o território, com centenas de igrejas e conventos erguidos pelos portugueses, é um misto de culturas que nos leva até a um tempo que terminou em 1961 quando a Índia invadiu Goa, Damão e Diu, prendendo e expulsando os portugueses do território. Mas acabou por não expulsar a religião católica, disseminada pelo povo luso por mais de 400 anos. E mesmo depois da anexação de Goa, a comunidade continuou a ir à missa de forma, literalmente, religiosa. O mais engraçado é que, ainda hoje, para além, naturalmente das liturgias em konkani ou inglês, é possível, aos domingos e pelas 10h30 na Igreja da Imaculada Conceição no centro de Pangim, assistir a uma missa totalmente em português e desenganem-se os que pensam que a igreja fica às moscas. Não. À celebração a que o HM teve a oportunidade de assistir acorreram mais de 60 pessoas.
hoje macau quarta
VOLEIBOL MACAU ARRECADA MAIS UMA MEDALHA
GONÇALO LOBO PINHEIRO
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Não me interprete mal. Odeio ditaduras, sejam elas quais forem, mas aqui em Goa, Salazar não era uma pessoa mal-amada. E, por exemplo, nem a PIDE tinha um papel forte aqui. Nós dizíamos e fazíamos o que queríamos
MESSIAS PEREIRA Médico goês
O padre, um goês já velhinho, lá dizia a ladainha de forma compassada mas sempre solene como lhe compete. E os fiéis, esses, respondiam ao apelo e à homilia. No final, todos mostravam sur-
presa pela presença dos jornalistas portugueses vindos de Macau. Contudo, todos quiseram falar e dar o seu testemunho. “Vivo na Suíça, tenho casa em Portugal e venho a Goa durante alguns meses. Como católico que sou nunca falto à missa em português, claro”, disse ao HM, Messias Pereira, médico radicado no país dos chocolates e dos relógios. Messias Pereira, ladeado de Óscar Monteiro, outro goês a viver no estrangeiro, deixa escapar as saudades que tem do tempo em que Goa era de Portugal. “Eram tempos maravilhosos. Goa era linda. Não é que tenha deixado de ser mas era diferente”, começou por dizer antes de referir algum saudosismo pelos tempos do Estado Novo. “Não me interprete mal. Odeio ditaduras, sejam elas quais forem, mas aqui em Goa, Salazar não era uma pessoa mal-amada. E, por exemplo, nem a PIDE tinha um papel forte aqui. Nós dizíamos e fazíamos o que queríamos.” Óscar Monteiro, radicado no Canadá, concorda com as palavras do seu amigo. “Sim, tenho saudades dos outros tempos de Goa apesar de já estar radicado no Canadá há muitos anos. Contudo, não perco uma oportunidade de aqui voltar sempre que posso.” A missa estava terminada. A manhã de domingo ficou assim reservada ao culto do Catolicismo e às saudades de outros tempos. “Tempos que já não voltam”, desabafou Messias Pereira. – G.L.P.
Governante português desvaloriza oposi
O
secretário de Estado do Desporto e Juventude de Portugal, Emídio Guerreiro, faz um balanço positivo desta curta visita que fez a Goa durante os primeiros dias da 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia e desvaloriza as oposições que sur-
giram no seio do Governo indiano antes do começo do evento que faziam reminiscência ao tempo do colonialismo. “ É enorme o esforço e investimento que o Governo de Goa está a fazer nestes Jogos. A própria concretização dos Jogos, o envolvimento dos dirigentes de cá e o investimento de muitos milhões de euros é uma demonstração clara de que isso não faz sentido”, referiu aos jornalistas. O governante português, para clarificar o seu ponto de vista, acrescentou que “os jogos não são clandestinos, pelo contrário, têm uma presença activa nos jornais, estão a ser transmitidos em directo na televisão. Acho que aquilo que está a acontecer contraria muito aquilo que se dizia que ia ser e ainda bem para todos”.
Moçambique disponível para acolher Jo
M
OÇAMBIQUE está disponível e tem capacidade e infra-estruturas para organizar a próxima edição dos Jogos da Lusofonia, em 2017, mas há “aspectos a ponderar”, afirmou ontem o ministro da Juventude e Desportos moçambicano, Fernando Sumbana Júnior. “Há uma proposta no sentido de Moçambique acolher os próximos Jogos, mas ainda vamos trabalhar no sentido de avaliar as responsabilidades. Nós temos de ver na mesa a proposta especificamente: ver responsabilidades do ponto de vista financeiro, material e humano”, apontou o ministro, em declarações à agência Lusa, em Goa, à margem da 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia. Capacidade e disposição existem
em Moçambique, “mas temos de ponderar esses aspectos para ter a certeza de que tudo vai correr bem”, completou. Uma delegação deslocar-se-á para colocar essa questão formalmente a Moçambique que, só a partir desse momento, é que poderá dar uma resposta, explicou Fernando Sumbana Júnior, frisando que “não se pode antecipar a esse assunto”, quando questionado sobre uma decisão formal sobre o país anfitrião da próxima edição dos Jogos da Lusofonia, a terem lugar em 2017. “Com certeza, temos interesse de abrir o espaço e de ter o convívio com todos os países lusófonos, por isso é que estamos aqui [Goa] e trouxemos uma delegação de peso, mas teremos
jogos da lusofonia 11
a-feira 22.1.2014
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MEDALHAS PAÍS
OURO PRATA BRONZE TOTAL
1 – Índia
4
0
0
4
2 – Macau
0
1
2
3
3 – Moçambique
0
1
1
2
4 – Sri Lanka
0
1
1
2
5 – Portugal
0
1
0
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jogar alguns minutos e estou muito satisfeito. É um orgulho e um grande passo para mim enquanto atleta.”
MULHERES PRATEADAS
Apesar da segurança do segundo lugar, as atletas de Macau só ontem puderam receber as almejadas meda-
isso torna-se num orgulho inda consiga participar na com orgulho, por Macau, gua Portuguesa
lhas. Para a capitã Lei Sin Kuan, a única que fala português “por causa do emprego na função pública”, a medalha de prata é um “orgulho e um sonho”. “Estamos muito felizes com esta conquista. Penso que é muito importante ter ganho esta medalha num evento como este.” Lei Sin Kuan já vai na terceira participação em Jogos da Lusofonia e não se cansa de participar. “Como sei falar português, isso torna-se num orgulho redobrado. Pode ser que ainda consiga participar na próxima edição. Farei isso com orgulho, por Macau, pela Lusofonia e pela Língua Portuguesa.”
ições à realização do evento Em relação ao evento propriamente dito, Emídio Guerreiro, que partiu ontem para Portugal, refere que se trata de uma “porta de entrada para a estratégia” lusófona. “A mensagem que se leva é que, de facto, vale a pena apostar aqui porque há empatia entre os dirigentes, entre as pessoas e isso ajuda a desbloquear muitas coisas e penso que o desporto é uma excelente ferramenta para ajudar a cumprir esse desejo”, afirmou. O secretário enalteceu ainda a importância do desporto como uma das estratégias para a cooperação entre as comunidades falantes de Língua Portuguesa. “Temos uma estratégia clara de aposta nas questões da lusofonia a vários níveis e este Governo tem apostado em usar também muito o desporto como um
abridor de portas, porque de facto esbate-se muito as barreiras que existem.” Emídio Guerreiro, durante os dois dias de permanência em Goa, além de assistir à participação portuguesa nos Jogos, também visitou o Instituto Camões e a Fundação Oriente. Para o secretário de Estado, foi “muito interessante” ter oportunidade de verificar como se vai mantendo a presença portuguesa neste canto do mundo”, bem como perceber que há cerca de 1.000 jovens que estudam português nos vários níveis de ensino e uma actividade cultural que se vai espalhando ao longo do ano que, de alguma forma, asseguram uma continuidade e uma presença permanente aqui e que tem tido bastante êxito”, referiu. – G.L.P.
ogos da Lusofonia em 2017 de olhar para os aspectos práticos, olhar como podemos levar a cabo a acção”, realçou. Segundo o ministro moçambicano, “não se tratam de questões de carácter técnico nem de infra-estruturas, trata-se simplesmente de recebermos
a proposta, de a analisar e tomar uma decisão. A proposta que há de vir tem de ser específica. É assim que nós funcionamos em Moçambique: há uma proposta, pondera-se todos os aspectos e põe-se na mesa”, acrescentou o mesmo responsável. “Nós temos capacidade e já demonstrámos isso com desafios como os Jogos Africanos [em 2011] – em que participaram perto de meia centena de países –, num evento que “nos permitiu desenvolver infra-estruturas e a capacidade de organização”, sustentou. Mesmo assim, faltam quatro anos e há pelo menos infra-estruturas e um “bom povo, sempre aberto” e que “gosta de receber”, assinalou Fernando Sumbana Júnior. - Lusa
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hoje macau quarta-feira 22.1.2014
ARTES, LETRAS E IDEIAS
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I A TIRANIA DO SONHO Nesta cidade a chuva lambe gulosa o asfalto, o empedrado, as esquinas angulosas; devora rasa as paredes dos grandes prédios. Os olhos dos homens, refractários, atrás de grandes janelas de vidro, usufruindo da tormenta; aparentemente protegidos mas sufocados por uma ideia que lhes queima o peito e a garganta. Calam-se as conversas de ocasião nos passeios. Nos rastos da chuva que deslizam pelos vidros dos automóveis sorriem os néons, embaciando condutores embevecidos de escovas negras, pendulares, rentes aos olhos, a estrada transformada num sonho apático. A água amolece as almas e afasta o mundo. Toda a água converge para um único rio e honrados serão os seus caminhos. Chovia. As gotas amavam grossas o asfalto e os zincos. Choverão três dias, sem que ocorra o Dilúvio e se altere o curso das coisas. Fiel à neblina e à água, suspeitando da existência de prados verdes e felizes, quedar-me-ei encolhido à porta de uma casa qualquer, apro-
Carlos Morais José
O LEAL SENADO veitando o telheiro, enquanto espero o fim da chuva. Detesto sentir as roupas molhadas mesmo quando faz calor. Trepida no zinco quente, trépida, e depois escorre, cortina frente aos olhos, esfumando a rua, os chapéus que passam. A chuva suaviza a urbe, dulcifica os metais. “Estranha... a condição do estrangeiro...”, penso... enquanto sinto um fio de suor, a descer, fervente, pelo pescoço. * O tempo escoa-se na luz pelas paredes da Praça do Senado, esvai-se entre as pedras negras e brancas da calçada. Sobra então uma mescla de línguas, uma Babilónia arrependida. As imprecações sonoras do cantonense, o sibilar do mandarim, o português e o russo guturais, o inglês inevitável, o tagalo e meia-dúzia de dialectos improváveis. Rescende o odor turvo e venenoso de comida sacrílega. O resto, deslizando até à igreja amarelada, são lojas de roupa manhosa. Esta massa de gente, estranha, es-
trangeira, radicalmente distante uns dos outros. As figuras distendem-se agora pela Praça, recortes negros nos edifícios. Passam raros casais. * Aquela fria e lúcida tarde, em que um sol magro, quase transparente, me aquecia ao de leve os ombros, passara demasiado depressa. As ruas estreitas, que ladeiam a Praça do Senado, escoavam gentes, de olhos dormentes, sob o efeito cru da luz. Ponto de fuga, a tarde sedenta, sem amargura visível: apenas o mesmo entrelaçar de pessoas pela calçada negra e branca. Ponto de cruz, de gente tricotada, à maneira da amável tecedeira. Tricotava a vida alheia e ninguém reparava na sua febre óptica, nessa tarde, no Senado. Viria sozinha, talvez da China, de onde vem tudo, de onde sopra o vento Norte, de onde é deitada a sorte nos balcões de pedra de Taishan. Aquela fria e lúcida tarde termina-
va e o sol descia ruborizado, entre os prédios. É verdade que algo se passa em Pequim, alguém faz um negócio em Xangai, que em Hong Kong se depena uma galinha, em Cantão desagua um comboio a abarrotar. Mas aqui no Senado apenas brilha o sol vespertino, à medida da tecedeira, do ritmo ágil dos olhos, e só nos interessa a realidade desta praça. E o frio envergonhado que aguça lascas de pedra, a pedra esculpida no coração. Ah, o frio... escultor de gente, de posturas, de frases interrompidas num gemido baixo mas sentido. Chega-te a mim — poderia sussurrar — se um suspiro ecoasse mais alto que o tufão. Reina o silêncio na Praça plena de gente. Passamos só como se não passássemos. Que é isso o frio: uma canção que ecoa para dentro, um estremecer sem sentimento, um lugar despovoado. Saímos, finalmente, do Senado. * A cidade é um entrançado de ruelas, sem ordem e de asseio irregular, iluminadas de letreiros de um comércio baço, repreensível, e pelas lanternas vermelhas dos altares daoístas. Pelo dia, as gentes arrastam-se sob uma es-
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AQUI NO SENADO APENAS BRILHA O SOL VESPERTINO, À MEDIDA DA TECEDEIRA, DO RITMO ÁGIL DOS OLHOS, E SÓ NOS INTERESSA A REALIDADE DESTA PRAÇA
tranha luz, coada por nuvens cinzentas e baixas, mergulhadas numa humidade sufocante. À noite, o céu avermelha e, sem que a temperatura desça, o ar torna-se um pouco mais respirável. É então quase agradável contemplar o rio e uma vírgula de lua, entrever entre os prédios as pontes que ligam a cidade à ilha da Taipa e a um aeroporto plantado sobre o mar. Os jogadores de Hong Kong e da China acotovelam-se em filas na fronteira para depois encherem os casinos com uma febre moderada nos olhos. Em Macau não há glamour, nem chic: simplesmente se joga, sem outra ostentação que não seja a do dinheiro e da cobiça. A roleta gira e os dados desocultam os seus números, as cartas saem de caixas onde reside o segredo de não existir nenhum segredo, que não seja o da probabilidade de em tudo mandar, só por uma volta mais da roleta, mais uma face impassível de um dado ou uma figura cruel de uma carta de jogar. Apesar de todos estes detalhes sem importância de monta, em Macau tudo pode acontecer como em qualquer outro lugar do mundo. Talvez não aconteça da mesma maneira: debaixo de um céu próximo e persistentemente nublado, de um ca-
lor ensurdecedor e de uma humidade irrespirável, um ínfimo acontecimento, detalhe, observação, dedução, adquirem um sobrenatural poder de entorpecimento e cada um vive, prisioneiro feliz, sob a tirania do sonho. II A PELE DA PRAÇA A Praça principal, dita do Senado. É fácil invocar os deuses mórficos para banquetes de movimentos lentos onde as uvas descem devagar entre fileiras de dentes amarelados e brumas de incenso anunciam o fim dos corpos, anulam o cheiro dos sexos frios. No chão amolece o sangue em postas. Servirá para graffitis nos muros mais altos da praça, no Edifício dos correios, na Igreja amarelada. Ao longe, pregado colina verde há um grande retrato em néon de Mao Zedong que os marinheiros dos jactoplanadores saudarão à distância. Um cortejo de dragões entra timidamente na Praça. Não podem cuspir fogo para não correrem o risco de chamuscar os convidados. Faz parte das regras mais antigas do banquete. Os dragões dançam então uma partitura minimal re-
petitiva, enternecedores nos seus tutus rosa e demonstrando especial sensibilidade nos exercícios com espadas. Chegam as entidades oficiais, as que oficiam a morte de grandes búfalos violeta. Rapazes enlutados martelam grandes tambores. Pais e mães foram assassinados a semana passada, restam-lhes os irmãos. Cai uma chuva ténue que não chega ao solo, não humedece as ondas do mar de pedra embutido na calçada. A Praça do Senado não lembra o mar: é um lago muito parado, apesar dos peixes e escorpiões que navegam por entre as pedras num frenesim parvo. Discretamente, raparigas fardadas levam nas suas mãos o consolo aos convidados. Acariciam-nos suavemente, usando penugens entaladas nos engastes prateados de magníficos anéis de rubi. Os homens contorcem-se sem querer perder um momento do espectáculo. A um canto roda o ópio em cachimbos de laca vermelha. Desfazem-se, pouco a pouco, certamente pelo uso incessante da fornalha. Está demasiado quente. Gotas de laca caem nas pedras brancas e pretas da calçada, formam regatos rubros e discretas nuvens de fumo elevam-se ao céu no maior dos despudores. Há um poeta que se suicida. Deixou escrita uma
palavra que resume a Praça, sendo que esta se transforma em Largo. Key Largo. Ainda se distingue uma igreja. Um último dragão voa do céu altíssimo para o centro da Praça. Jovens pederastas acendem-se pelos bancos. Conversam devagar e os olhos riem, fixos nos homens que passam. Mulheres de Cantão, de Xangai, do Yunnan exibem os seios flácidos de fome. Transportam famílias imaginárias nos ombros de camponesas milenares. Bebés são vendidos a estrangeiros vermelhuscos de luxúria. As crianças choram nuvens arroxeadas que pairam perto do solo. Cadáveres de búfalos são despejados em grandes incensórios de latão. Existe a cal e cheiro de nardo e açucenas. É afinal doce a visão da besta desfeita, dos músculos, dos ossos pontiagudos, dos nervos retesados. Atiram antidepressivos à multidão embasbacada. São hóstias falsas, amanhadas num Convento que fica para os lados da Ilha. Seres de máscara insultam a multidão. As raparigas estão cansadas. É tempo de regressar a regressar a casa. A festa terminou e ninguém se veio. Chega a noite quando ainda são quatro da tarde. — É o eclipse — expele a alma de um astrónomo imperial que segura, debaixo do braço, a sua cabeça decepada.
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h HUAI NAN ZI Da Guerra – 62 Quando as virtudes são iguais, os muitos prevalecem sobre os poucos. Quando os poderes são comparáveis, os inteligentes prevalecem sobre os tolos. * * * Quando mil pessoas partilham as mesmas ideias, obtêm o poder de mil pessoas; quando dez mil pessoas não partilham as mesmas ideias, então, ninguém é verdadeiramente útil. Apenas se pode batalhar contra um oponente quando os comandantes, soldados, oficiais e cidadãos operam como um só corpo. Por isso, entra em acção depois de teres determinado uma estratégia. Quando os comandantes não têm esquemas dúbios, os soldados não são indecisos. Não haverá sinais de descuido na acção nem discurso áspero, nem hesitação nas operações. A resposta aos oponentes será rápida, e lesta a mobilização. Assim, o povo é o corpo dos comandantes e os comandantes o coração do povo. Se o coração for verdadeiro, os membros e o corpo o seguirão de perto. Se o coração for suspeito, os membros e o corpo estarão fora de controlo. Se o coração for indeciso, o corpo não regulará a sua força. Se os comandantes não forem sinceros nas suas necessidades, os soldados não serão corajosos e ousados. * * * Aquilo que é prezado na Via é a sua ausência de forma. Sê informe e não poderás ser reprimido ou oprimido; não poderás ser medido nem descortinado. * * * Aqueles que são hábeis na defesa não suprimem ninguém; aqueles que são hábeis na guerra não lutam contra qualquer um. Quando àqueles que compreendem a Via do que deve ser proibido e permitido, do que se deve abrir e do que se deve fechar, esses cavalgam o ímpeto dos tempos e usam o desejo do povo para conquistar o mundo.
Da Guerra – 63 Quando a cultura não tem mais do que uma influência superficial, o poder tem um efeito limitado. Quando a virtude é libe-
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淮南子
O LIVRO DOS MESTRES DE HUAINAN
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Sê informe e não poderás ser reprimido ou oprimido; não poderás ser medido nem descortinado.
ralmente aplicada, o reino da autoridade é extenso. * * * Quando as pessoas seguem ordens com sinceridade, mesmo havendo só um pequeno número delas não haverá medo. Quando as pessoas não seguem ordens, mesmo havendo muitas serão como poucas. * * * Quando os oficiais e soldados são dedicados e puros, quando os bons são seleccionados e os talentosos empregues, quando os oficiais são a gente certa, quando se fazem aferições e se decidem planos, quando se percebe o que seria mortífero e o que promove a vida, quando a acção e a contenção têm o seu tempo próprio – então, não haverá inimigo que deixe de se espantar. Assim, se um exército não se mexe até estar certo da vitória, se não sai a cercar aquilo que não está certo de poder tomar, se luta apenas depois de determinadas as configurações do poder e se move só depois de estabelecidas directivas, se se reúne e não se dispersa sem eficácia – então, quando sai nunca regressa sem nada ter conseguido. A única esperança é que um tal exército não se ponha em marcha, pois se o fizer desafiará os céus e fará tremer a terra, moverá as mais altas montanhas e varrerá os quatro mares. Fantasmas e espíritos se afastarão; aves e bestas fugirão. Contra ele não haverá exército capaz e nenhum país que possa defender as suas cidades. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho
Huai Nan Zi (淮南子), O Livro dos Mestres de Huainan foi composto por um conjunto de sábios taoistas na corte de Huainan (actual Província de Anhui), no século II a.C., no decorrer da Dinastia Han do Oeste (206 a.C. a 9 d.C.). Conhecidos como “Os Oito Imortais”, estes sábios destilaram e refinaram o corpo de ensinamentos taoistas já existente (ou seja, o Tao Te Qing e o Chuang Tzu) num só volume, sob o patrocínio e coordenação do lendário Príncipe Liu An de Huainan. A versão portuguesa que aqui se apresenta segue uma selecção de extractos fundamentais, efectuada a partir do texto canónico completo pelo Professor Thomas Cleary e por si traduzida em Taoist Classics, Volume I, Shambhala: Boston, 2003. Estes extractos encontram-se organizados em quatro grupos: “Da Sociedade e do Estado”; “Da Guerra”; “Da Paz” e “Da Sabedoria”. O texto original chinês pode ser consultado na íntegra em www.ctext.org, na secção intitulada “Miscellaneous Schools”.
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DESPORTO
MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
N
O final do arco-íris há sempre um tesouro à espera e foi à procura do caldeirão de felicidade a que julga ter direito que Thomas Burke deixou, há pouco mais de dois meses, os verdes prados da Irlanda. Carão esquálido, semblante suave, o irlandês não sabe ainda se foi a pálida iridiscência do arco-da-aliança ou o murmúrio eléctrico dos néons dos casinos que o trouxeram até ao outro lado da esfera celeste, a um rincão do mundo a fervilhar de gente, de luz e de possibilidades, tão nos antípodas da sua Kilkenny natal. Engasgada no coração da Irlanda, a meio termo entre Dublin e o mar (mas longe demais tanto da efusividade da capital quanto da assanhada brandura do Muir Éireann, o braço do Atlântico a que Roma civilizou com o nome de Oceanus Hibernicus), Kilkenny foi durante décadas sinónimo da mais vibrante das cervejas irlandesas, uma ruiva de excelência, corpo arcaico e paladar suave. PUB
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THOMAS BURKE É REFORÇO NA CASA DE PORTUGAL
De Kilkenny para o fim do arco-íris
Na última década, os cumulonimbus de austeridade que irradiaram de Bruxelas e estacionaram com maquiavélico desdém sobre a Europa periférica não pouparam os aguaçais da Irlanda e Kilkenny, a cidade, foi tão afectada que nem a melhor das conselheiras – Kilkenny, a cerveja – se afigurou estímulo suficiente para dar sumiço ao rol de mágoas acumulado pelo estreitar de oportunidades que acompanharam as nu-
vens negras do desmilagrar europeu. Enterrada que está a epifania do milagre irlandês (em 2004, a economia da República da Irlanda foi a economia europeia que mais cresceu), os irlandeses re-aprenderam a emigrar e Thomas Burke foi apenas um dos mais de oitenta mil jovens que no último ano se despediram das imponentes falésias da Ilha Esmeralda com destino incerto, convictos ainda assim da existência
de um caldeirão de oportunidades no local exacto onde o arco-íria abraça o futuro. A Thomas Burke, o ténue reflexo de um ensejo de esperança empurrou-o para Macau. Aos 22 anos, com uma licenciatura em química na bagagem, Burke encontrou no território o capital de possibilidades que a Irlanda não proporcionou: “Acabei a Universidade, estudei no University College de Cork e vim para Macau e consegui emprego. É uma cidade inebriante e os tempos que se avizinham prometem ser também inebriantes. Estou muito empolgado com tudo o que me aconteceu ao longo dos últimos meses”, afiança o jovem irlandês. Hipnotizante, o murmurar eléctrico dos néons dos hóteis e dos casinos de Macau não saciou por completo a nostalgia que um irlandês que se preze carrega sempre consigo.
No verde ululante das paisagens da ilha forja-se o carácter dos filhos da Irlanda e à falta de prados, aguaçais e léguas de cevada é nos relvados do território que Thomas Burke tenciona dirimir as saudades de Kilkenny. O irlandês é um dos novos reforços do onze da Casa de Portugal em Macau para a nova temporada: “Joguei durante algumas temporadas no Evergreen, uma equipa dos campeonatos distritais da Irlanda. Há cerca de três quatro anos deixei de jogar para me concentrar nos estudos, mas agora que essa fase da minha vida já faz parte do passado, sinto vontade de voltar a jogar. Não quero que a minha passagem por Macau sirva apenas para trabalhar e o futebol tem um potencial fantástico como mediador de relações humanas. Conhecia um amigo que conhecia alguém na Casa de Portugal e quando esta oportunidade
surgiu fiz questão de não a deixar escapar”, remata o médio ofensivo. Pelé agradece. O treinador do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal tem pela frente a difícil tarefa de exorcizar os fantasmas de uma última época desastrosa e a julgar pelo que viu no passado fim-de-semana, Thomas Burke poderá ser uma peça-chave na estratégia da equipa para a nova temporada: “Foi, sem dúvida alguma, o nosso melhor jogador. Faltáva-nos um jogador que pudesse dar consistência ao meio-campo e o Thomas, pelo que vi, tem o que é necessário para ser esse jogador. É um médio com um grande sentido de equipa, com uma visão de jogo madura e mostra uma rara capacidade de liderança”, salienta Pelé, o treinador que no final do arco-íris desencantou talento irlandês.
FUTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
9
MAX
15
HUM
35-65%
•
EURO
10.8
BAHT
0.2
YUAN
17
1.3
POR MIM FALO Pu Yi
SALA 2
HOURS [B]
Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 19.30
AS THE LIGHT GOES OUT [B] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Derek Kwok Com: Nicholas Tse, Shawn Yue, Simon Yam, Hu Jun, Bai Bing 16.30, 21.30 SALA 1
CONTROL [C]
(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00, 21.30
THE LEGEND OF HERCULES [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 19.45
SALA 3
GIRL IN THE SUNNY PLACE [B] (FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 19.15
HOURS [B]
Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
O Osso Vermelho
Amante de Hollande em topless • Julie Gayet é conhecida como a “amante de Hollande”, mas provou que consegue ser mais do que isso. A actriz, em topless, é a capa da conhecida publicação espanhola ‘Interviu’. As fotografias sensuais de Julie foram tiradas em 1998 e demonstram o espírito alegre da actriz, que na altura tinha 26 anos.
Bárbara Guimarães vive no silêncio • Cerca de três meses depois do divórcio de Manuel Maria Carrilho, Bárbara Guimarães decidiu quebrar o silêncio e revelar o porquê de não ter falado sobre a ruptura. “Decidi habitar no silêncio. Foi importante para mim”, explica a apresentadora, acrescentando: “Há momentos na nossa vida que só podem ser nossos.” Sobre a grande exposição mediática a que esteve sujeita, Bárbara garante à revista ‘Vogue’ de fevereiro: “Não podemos ignorar o que se passa à nossa volta, mas gosto de me proteger um pouco do que se fala. Sempre tive uma óptima relação com o facto de ser figura pública e não é agora que isso vai mudar. Tudo tem um lado bom e um lado mau”. Rosto do ‘Factor X’, a apresentadora está confiante em 2014. “Tenho a consciência de que este vai ser o verdadeiro Ano Novo. Vou ter de o conquistar e saber fazer parte dessa mudança.”
FACA NA LIGA Malena Costa é suposto ter conhecido, no sentido bíblico, Cristiano Ronaldo. Desde então insiste em transportar uma faca na liga. Para a próxima, Malena, não olhe para esse cara, não... ou qualquer outro futeboleiro sem vergonha... ou terá de passar a andar de... pistola.
fonte da inveja
Quem vê lençóis, não vê colchões.
João Corvo
Por causa da guerra na Síria tenho andado preocupado, num alvoroço que me tira o sono. Julga o frugal leitor que estou preocupado com a sorte da malta do Assad ou dos mercenários, vulgo rebeldes? Puro engano. O que eu reparo é que ninguém se preocupa com os bichinhos que também são vítimas da guerra. Será que imaginam quantos cães ficaram sem abrigo em Allepo ou em Damasco? E o que comem esses amáveis animalejos? Ora impulsionado pelo feliz exemplo da ANIMA em Macau, também eu não quero deixar de dar o meu contributo para tão bestial causa. Por isso deixo aqui uma ideia. Porque não se cria uma nova associação, desta feita de cariz internacional, para salvar a bicharada vítima dos conflitos guerreiros dos humanos? Boa ideia, hein? Poder-se-ia chamar Osso Vermelho Internacional (em inglês, Red Bone International), assim como se fosse uma espécie de Cruz Vermelha ou Crescente Vermelho, mas dedicada unicamente aos animais. Já estou a imaginar a carrinha, oferecida por Steve Wynn, a percorrer as esburacadas estradas da Síria, a recolher os pobres cães que tão afectados foram pela guerra. Já estou a imaginar os voluntários a recolher os bichinhos e a dar-lhes amorosamente as primeiras latas de “Whiskas”, prudentemente vestidos com batas brancas que, orgulhosamente, ostentam o Osso Vermelho (no caso das senhoras, podemos igualmente admitir um lenço, muito útil em países islâmicos, com o ossinho vermelho, claro está). O primeiro passo será reconhecer a associação junto do estado de Israel, não vão eles não reconhecer o osso vermelho desenhado no tecto da carrinha e mandar uma daquelas bombinhas de curtos efeitos colaterais. O segundo a criação de campo de refugiados para animais, onde a bicharada poderá encontrar refúgio até a guerra ir pregar para outra freguesia. Digam lá que não se trata de uma piedosa ideia?
OPINIÃO
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HENRY FUSELI, O PESADELO
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Por que é que o Governo tem medo?
D Cecília Lin
E cada vez que se fala do novo plano de ordenamento para a zona norte da Taipa, o secretário Lau Si Io gosta de dizer que “ninguém o pressionou” e que o facto de se lançar o novo plano antes da nova lei de planeamento urbanístico entrar em vigor é uma questão de “urgência”. Também disse nada saber sobre os planos para as zonas
C e D junto aos lagos Nam Van, porque se trata de uma responsabilidade da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). Contudo, quando o director da DSSOPT, Jaime Carion, é questionado pelos jornalistas sobre o mesmo facto, diz sempre não poder assumir um compromisso sobre esse assuntos e que desconhece o projecto para a zona da Taipa pequena. No passado domingo, a vice-directora dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) disse aos jornalistas que o projecto para a Taipa Pequena não foi aprovado por falta de relatório ambiental sobre o mesmo. No
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MACAU ANGLICAN COLLEGE
PARENTS ARE WELCOME TO ATTEND A PARENTS’ INFORMATION MEETING FOR ENROLING K1 PUPILS AT MACAU ANGLICAN COLLEGE AV. PADRE TOMÁS PEREIRA, NO. 109-117, TAIPA, MACAU THIRD FLOOR, SCHOOL HALL ON TUESDAY, FEBRUARY 18th 2014, 7:30 P.M. *Four new K1 classes commence in September 2014. *100 places will be offered to new K1 pupils aged 3, in 4 classes of 25. *English and Putonghua are the main languages of instruction. *Assessment Day, March 8th 2014, from 9:00 a.m. (Details to follow). *Creative teaching styles; child centred learning.
Mistério é a palavra de ordem para estes três planos de ordenamento dia seguinte, o jornal Cheng Pou publicou uma notícia sobre um comunicado que corrige o discurso da vice-directora. Parece que o mesmo relatório já tinha passado pela DSSOPT, com a respectiva aprovação do relatório ambiental. No fundo, mistério é a palavra de ordem para estes três planos de ordenamento.
Os jornalistas perguntam directamente ao Secretário e ao director, mas nem dos máximos dirigentes conseguem ser obtidas respostas. Se calhar é esta a maneira de trabalho do nosso Governo. E junto das relações públicas dos mesmos serviços, o trabalho não fica mais facilitado. Enviamos vários e-mails, esperamos muitas semanas e fazemos telefonemas, mas nunca recebemos todas as respostas. E nem sequer podemos ter a certeza se vamos ter alguma resposta. A conclusão que eu tiro disto é que, no mínimo, o Governo tem medo de responder.
opinião 19
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CORREIA MARQUES
a paliçada
Inseguranças aquilo que o Homem tem de pior dentro de si. Homem, o lobo do homem, de Thomas Hobbes. +++++ Tendo vindo à baila o colonialismo, não podia deixar de desengavetar algo que escrevi, em 1977, e que demonstra aquilo que sempre pensei sobre esta questão. Passados meia dúzia de dias sobre a madrugada gloriosa de Abril, ainda em Portugal o General Spínola alimentava as ideias neocolonialistas do referendo ao Povo da Guiné sobre se este queria ser livre e independente e já os soldados portugueses confraternizavam com os guerrilheiros do PAIGC. Os «turras» como eram designados pelo regime e pintados da forma mais sinistra
pelos departamentos de ação psicológica das forças armadas, surgiam agora aos olhos dos «nossos» como seres humanos, como homens que sofriam, mas também sabiam sorrir. Começou-se a compreender o porquê e a insensatez daquela guerra. Após os primeiros contactos pessoais a guerra não era mais possível continuar. Nós não a faríamos mais! Recordo o meu primeiro contacto, cara a cara, sem armas, com os homens do PAIGC. Os dias nascem cedo e quentes no clima tropical. Eram cerca das 6 horas da manhã, de um dos últimos dias de abril ou dos primeiros de maio. A época das chuvas, e também a mais quente, começava. Os pés de milho na horta cresciam ao ritmo de uma mão de travessa por dia. As moscas de asa deixavam-se atrair pelas luzes até perderem
THOMAS HART BENTON, SOLDADO NEGRO
V
IVEMOS tempos em que, como nunca antes, o Mundo enfrenta processos de interdependência e de interação entre os povos, não só a nível económico, como também em termos de influências políticas e de intercâmbio cultural, facilitados por uma cada vez maior facilidade em viajar. E isso deveria contribuir para um maior e melhor conhecimento entre gentes diversas e para uma maior tolerância dos países de acolhimento para com os imigrantes e os refugiados e para melhorar as condições de vida das pessoas, a nível global, e não para uma cada vez maior concentração da riqueza nas mãos de uns poucos, e para o consequente aumento da miséria e da pobreza. Na verdade, como invoca o Papa Franscisco, na sua mensagem ao Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, cumprido no passado dia 19: «Cada pessoa, afinal, pertence à humanidade e partilha a esperança de um futuro melhor com toda a família dos povos». Mas não, parece que os homens cegaram de ganância, e que a intolerância aumenta, com o reavivar dos aspetos xenófobos contra os imigrantes, seja por intíma convicção ideológica e racista, seja por mero oportunismo e populismo político, mesmo em casos como o de Macau em que temos pleno emprego e a economia do jogo não funcionaria sem mão-de -obra estrangeira. Recuso-me a usar a palavra «importada» porque as pessoas não são mercadoria! A par disso, cresce em muitos lugares, o sentimento hostil contra os povos antes colonizadores, como é o caso a que assistimos em Goa por parte de alguns políticos locais, contra a realização dos Jogos da Lusofonia (criados em Macau, por gente sem complexos relativamente ao passado histórico, para serem um elo de ligação entre os povos). Isto como se não tivesssem passado já mais de 50 anos sobre a saída (forçada pelas armas indianas) dos Portugueses. Criar, ou manter, inimigos externos foi sempre uma arma dos políticos para encobrir internamente as suas próprias culpas e insuficiências, como bem nota Nicolau Maquiavel no «Príncipe» ou Umberto Eco em «Construir o Inimigo». Esta sociedade neoliberal, erigindo como bem maior o poder e o dinheiro como forma de o obter, e elegendo o individualismo egoísta e exacerbado como método, estratégia e tática para alcançar aqueles fins, sem olhar a meios, está a trazer à tona
Esta sociedade neoliberal, erigindo como bem maior o poder e o dinheiro como forma de o obter, e elegendo o individualismo egoísta e exacerbado como método, estratégia e tática para alcançar aqueles fins, sem olhar a meios, está a trazer à tona aquilo que o Homem tem de pior dentro de si
as asas e pejarem o chão transmutadas em formigas. No meu quarto compartilhado com mais três camaradas já só estava eu, deitado, na ressaca de uns uisques com água de sifão, quando de repente irrompe o soldado Basílio, o homem da basuca, forte que nem um toiro, um destemido gandarês de raça, gritando: - Alferes, eles estão lá em cima no arame farpado, na saída para Empada. - O quê?, perguntei, não acreditando no que ouvia. - Parece-me que vieram escoltar uns tipos para fazerem «psico» à população da tabanca, dise o Basílio. Levantei-me de um salto. Vesti uns calções e enfiei os pés nos chinelos de plástico «Made in Macau» e lá segui, com ele, para o local indicado. Efetivamente estavam lá quatro jovens, mais ou menos da minha idade, desarmados. Na mata vislumbrei muitos mais e armados «que o seguro morreu de velho» e gato escaldado até de água fria tem medo. Dirigi-me a um dos quatro que me pareceu ser, pela sua postura, o comandante (vim mais tarde a saber, pela nossa conversa, que era o comandante do grupo e desertor das forças africanas do exército português) e perguntei-lhe: - Então «pessoal» estão contentes por finalmente estarmos a acabar com esta guerra (havia já um cessar fogo tácito). - Estamos sim, meu alferes, respondeu. Gostaria de me ter podido ver ao espelho, nesse momento, para saber de que cor fiquei, pois eu ia em tronco nu e sem qualquer distintivo ! Ainda surpreso, perguntei: - Como sabes que eu sou alferes? - Ainda na quinta feira passada os vi passar no carreiro de Uane, disse sorrindo com um ar sereno, mas malandro. Depois de tanta trapalhada, que será feito dele? Obrigado irmão negro. Da tua luta, quanta claridade nasceu em mim. Obrigado Djaló, Obrigado anónimo combatente das bolanhas. Enfim, Convosco aprendi quanto vale a força da razão, Convosco senti quanto pode um povo em armas, Convosco conheci a verdadeira dimensão, Do Homem e do Mundo. Este artigo é escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau quarta-feira 22.1.2014
Rua da Felicidade Restauro alvo de consulta pública
O Instituto Cultural (IC) realiza uma consulta pública sobre o “Projecto de Restauro das Fachadas de um Conjunto de Construções Classificadas na Rua da Felicidade e no Beco da Felicidade”, na próxima quinta-feira, pelas 16 horas, na Biblioteca Sir Robert Ho Tung. Em comunicado, o IC justifica a consulta pública com o facto de o projecto ter uma “grande dimensão” e “impacto”. “As construções localizadas na Rua da Felicidade, no Beco da Felicidade e no Pátio da Felicidade, foram já integradas na lista do património classificado e as autoridades têm prestado grande atenção”. Em 1996, a “Administração portuguesa procedeu ao reordenamento em grande escala da Rua da Felicidade, mudando a cor das portas e janelas das construções para o actual vermelho, pintando as suas paredes exteriores de cor cinzenta e montando tendas. Decorrendo uns dez anos, alguns edifícios sofreram danos.” O comunicado chega um dia depois de o IC ter também anunciado que ia prosseguir com as obras de construção da future Biblioteca do Patane, que será criada através de sete construções históricas localizadas na Rua da Ribeira do Patane.
TCM choca com autocarro da Sands
Um autocarro da companhia TCM colidiu ontem, por volta das oito da manhã, com um shuttle bus da operadora de jogo Sands China à saída da Ponte da Amizade, em direcção à Taipa. O acidente provocou 12 feridos, com idades compreendidas entre os 27 e os 63 anos, que foram transportados para o Serviço de Urgência do hospital Conde de São Januário. Segundo um comunicado oficial lançado pelos Serviços de Saúde, num diagnóstico preliminar, os lesados foram transportados para o hospital por sofrerem de escoriações, contusões, fracturas e tonturas. Sem mais informações até ao fecho da edição do jornal, sabe-se que apenas dois feridos necessitavam de permanecer no hospital para observação, sendo que os restantes tiveram alta hospitalar. O acidente, que paralisou o trânsito por duas horas e meia, levou a que o Governo activasse de imediato o Programa de Contingência de Catástrofe para o processamento rápido dos feridos.
CANTORES DE MACAU FAZEM MÚSICA DE ANO NOVO Um grupo de cantores de Macau produziu uma canção original de Ano Novo Chinês chamada “The Lucky Song”, como forma de dar as boas-vindas ao ano do Cavalo. A ideia é desejar sorte, saúde e prosperidade a todos os residentes de Macau. A música – produzida pela SP Entertainment - foi composta e produzida por AJ, a letra escrita por Hyper Lo e cantada por David Chan, Anabela Ieong, Hyper Lo, Cherry Ho, José Rodrigues, Fanny Cheung, AJ e Josie Ho. “The Lucky Song” está já a ser oficialmente promovida na Rádio e nas plataformas principais de música desde segunda-feira.
CONDENADO TAXISTA QUE NÃO AJUDOU VÍTIMA DE ATROPELAMENTO
Toca e foge no Cotai U M taxista foi condenado por não ter prestado assistência a um peão, que atropelou na passadeira. De acordo com um acórdão do Tribunal Judicial de Base, o homem vai ficar um ano e três meses na cadeia por crime de ofensa à integridade física por negligência, além de estar proibido de conduzir por um ano e de ter ainda de pagar 50 mil patacas de indemnização à vítima. O caso remonta a Setembro de 2012, quando o taxista atropelou o peão numa passadeira da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental. O motorista não terá conseguido travar a tempo e abalroou a vítima, que acabou por cair e ferido
a cabeça, de onde ficou a sangrar. O tribunal diz que o taxista ainda saiu do carro, mas que não ficou para ajudar. “Depois do embate, o arguido desceu do táxi para verificar a situação. Bem sabendo que o ofendido estava ferido e deitado no chão, o arguido não ficou no local para tratar do acidente, mas subiu de imediato ao táxi e deixou o local.” Diz ainda o tribunal que, na audiência de julgamento, o homem assegurou que abandonou o local por pensar “que o ofendido estava bem” e não porque queria fugir às responsabilidades. O TJB não acatou. “O arguido não cumpriu a obrigação de conduzir com cautela, uma vez que não moderou
a velocidade na aproximação da passadeira de peões, nem parou o automóvel para deixar passar o ofendido que se encontrava a atravessar. (...) Tendo causado o acidente, [o taxista] não ficou a aguardar o tratamento, nem prestou qualquer assistência ao ofendido que tinha sangue a sair da cabeça, mas deixou o local.” O tribunal acrescenta ainda que não poderia dar uma outra pena que não a de privação da liberdade, dado as circunstâncias em que ocorreu o acidente, à culpa do taxista e ao facto de, considera o TJB, “a conduta do arguido de abandonar a vítima do acidente ter trazido influências negativas evidentes à ordem social”. - J.F.
JOGO PENA SUSPENSA PARA INSPECTORES CONDENADOS
Salvos pelo tribunal D ESDE 2004 que o caso se arrasta, mas só agora dois inspectores da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DCIJ) foram condenados a pena de prisão suspensa pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI). De acordo com um comunicado do tribunal, os dois homens foram condenados por abuso de poder. É que os inspectores estavam num casino, quando pediram dinheiro a uma assistente de relações públicas do próprio local, sob pena de que iriam ser criados problemas com o seu trabalho caso esta não lhes pagasse. Nessa altura, os dois homens foram condenados pelo Tribunal Judicial de Base – que decretou também pena suspensa por três anos-, mas o Ministério Público pediu recurso da decisão, alegando que se devia anular a suspensão da execução da pena, por forma a condenar os arguidos a penas de prisão efectiva. O TSI, por sua vez, entendeu que não suspender iria prejudicar as necessidades de censura e prevenção da criminalidade. “É necessário ter em plena consideração as especialidades do caso e as diferenças em termos de factos e circunstâncias do crime. Neste caso concreto, eram apenas 500 patacas os benefícios ilícitos obtidos por cada arguido, sendo relativamente baixo o grau de ilicitude. E a circunstância de terem
praticado crime na qualidade de funcionário público já se assume como um elemento constitutivo do tipo de crime por que foram condenados, não podendo ser ponderada mais uma vez, pelo que apenas se pode valorar os impactos e prejuízos que o próprio crime terá causado à ordem sócio-jurídica de Macau.” Mais ainda, o tribunal diz que, como os factos ocorreram há cerca de dez anos, esses danos, com certeza, foram atenuando-se pelo decurso do tempo. “Acresce que os arguidos, na pendência do respectivo processo, já fizeram introspecção, sem que tenham cometido novo crime.” O tribunal manteve, portanto, a decisão de pena suspensa, mas aumentou o tempo. “Tendo em vista que tal tipo de crime, com efeito, prejudica a imagem do Governo, a fim de assegurar a revelação da ordem jurídica de Macau, à suspensão da execução da pena decretada, é necessário acrescentar mais condições por forma punitiva. Neste sentido, entende-se que deve ser aumentado para quatro anos o período de suspensão da execução da pena, e dobrado o montante da indemnização a pagar ao território.” Os homens terão de cumprir de quatro a nove meses de pena suspensa por quatro anos e de pagar 160 mil patacas à RAEM, em conjunto. - J.F.
Filipinas Aves da China proibidas
As Filipinas anunciaram ontem a proibição de importação de aves e produtos relacionados da China após a confirmação da existência de um surto de gripe aviaria na província chinesa de Hebei. A medida foi implementada pelo ministro da Agricultura filipino, Proceso Alcala, e abrange todas as aves, bem como ovos e sémen de aves originárias da China, depois de as autoridades chinesas terem confirmado o surto da estirpe H5N2 do vírus da gripe aviaria em três localidades de Hebei. A proibição é temporária, mas não tem data para ser levantada. Em 2013, a China teve 144 casos de gripe aviaria, dos quais 46 resultaram em mortes, segundo dados oficiais. Este ano, já houve registo de, pelo menos, seis mortes devido à gripe aviaria na China continental, segundo a imprensa local.
China Detido editor de Hong Kong
Um editor de Hong Kong, que trabalha na publicação de um livro de um dissidente sobre o Presidente chinês, Xi Jinping, está detido na China há três meses, revela o South China Morning Post (SCMP). Yao Wentian, da Morning Bell Press, ficou sob custódia a 27 de Outubro depois de ter sido “atraído” com um falso pretexto à cidade chinesa de Shenzhen, vizinha da ex-colónia britânica. O diário, que cita uma pessoa que falou com a mulher de Yao, afirma que o editor ficou formalmente preso em Novembro. A polícia não tinha, até ontem, divulgado as acusações contra o editor, que segundo o jornal podem incluir contrabando e evasão de tarifas de importação. Na altura da sua detenção, Yao, de 73 anos, estava em conversações com o autor Yu Jie, residente nos Estados Unidos, sobre a publicação de um livro sobre o Presidente chinês, sob o título “O padrinho chinês Xi Jinping”. Yu é autor de outro livro, “O melhor actor da China: Wen Jiabao”, sobre o ex-primeiro-ministro chinês.
Rússia Excluir Irão é um erro
A Rússia considera um erro a decisão da ONU de retirar o convite ao Irão para participar na conferência de paz sobre a Síria, que começa hoje na Suíça, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov. «Está claro que é um erro», afirmou Lavrov. «Sempre dissemos que todos os actores externos tinham que estar representados», acrescentou. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, decidiu excluir o Irão da conferência, menos de 24 horas depois de o ter convidado. A razão da exclusão foi a recusa iraniana em apoiar a constituição de um governo de transição que viabilizasse o fim da guerra no país.