GONÇALO LOBO PINHEIRO
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
QUARTA-FEIRA 21 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4356
hojemacau
JOSÉ CESÁRIO
EM NOME DA DIÁSPORA ENTREVISTA
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Noites longas Sete pessoas ficaram na esquadra mais de cinco horas levadas, segundo a polícia, para participar numa investigação sobre a qual, no entanto, a PSP não revela detalhes. Enquanto as autoridades negam qualquer
detenção, analistas e comentadores são unânimes na condenação dos acontecimentos de segunda-feira, no Leal Senado, que qualificam como despropositados e característicos de regimes autocráticos.
BRUNO SAVEEDRA
PÁGINAS 4-5
CONDOMÍNIOS
RENOVAÇÃO ADIADA PUB
PÁGINA 9
LONDRES
FUNCIONÁRIO DESAPARECIDO ÚLTIMA
EXPOSIÇÃO
DE LISBOA PARA MACAU EVENTOS
OS IMORTAIS LI HE
SABEREI ESPERAR JOÃO PAULO COTRIM
DO FAZER NADA NUNO MIGUEL GUEDES
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JOSÉ CESÁRIO
ENTREVISTA
José Cesário volta a candidatar-se ao lugar de deputado da Assembleia da República pelo Círculo Fora da Europa nas eleições legislativas de Outubro. Lamenta que o funcionamento dos consulados se tenha degradado ainda mais e espera colocar os conteúdos pedagógicos da Escola Portuguesa de Macau na sua agenda política Que balanço faz desta legislatura na Assembleia da República (AR)? Foi muito marcada por alguns problemas muito específicos, isto falando na área das comunidades portuguesas. Foi uma legislatura muito condicionada pela questão da Venezuela, uma situação que evoluiu de forma anormal e que se mantém grave. O Brexit fez com que mantivéssemos uma grande atenção face à evolução da situação no Reino Unido na óptica do acompanhamento da nossa comunidade. Foi uma legislatura em que sentimos necessidade de manter o Governo sob uma grande pressão porque achámos, a partir de determinada altura, que a resposta dos nossos serviços administrativos na relação com os portugueses da diáspora, sobretudo no plano consular, foi uma resposta que ficou muito aquém do necessário e que, aliás, se foi degradando de forma muito visível. Registou-se um atraso nas marcações nos postos
consulares, bem como enormes e brutais atrasos em Portugal que são essenciais para o funcionamento dos consulados, ligados à emissão de documentos e com a questão da nacionalidade. Esses atrasos passaram de três meses para dois anos. Houve muitas condicionantes, mas evidentemente que demos alguns passos. Quais? Um dos passos dado foi no plano da legislação eleitoral, tendo sido introduzidas algumas alterações na lei que acho que facilitam um pouco a votação dos portugueses na diáspora. Foi a regulamentação da lei da nacionalidade, embora não tenha sido a regulamentação que nós desejámos. Mesmo com a reprovação de várias propostas nossas neste domínio que visavam a simplificação dos procedimentos de aquisição de nacionalidade originária por parte dos netos dos descendentes portugueses, a verdade é que se deu um passo positivo, pois as pessoas já podem apresentar os seus pedidos e em alguns casos vão vê-los despachados favoravelmente. No âmbito da lei da nacionalidade há muitos pedidos em Macau? Macau tem pedidos, mas não lhe posso particularizar se são muitos ou poucos. As grandes alterações que se fizeram nos últimos tempos não são alterações que se repercutam muito em Macau, porque são direccionadas para as segundas gerações, os netos de cidadãos nacionais. Mas sei que mesmo no domínio da inscrição para nacionalidade de filhos portugueses já há muita gente de Macau e de Hong Kong, e sei que há alguns atrasos. Mantiveram-se os problemas de funcionamento do consulado em Macau. Gostava de ter visto uma melhoria neste campo? O que se passou em Macau passou-se noutros postos consulares, mas de facto a situação degradou-se muito. Sabemos que neste momento as marcações para a renovação de documentos estão com um período de espera de vários meses e isto tem a ver com vários factores que se arrastam desde o tempo em que estivemos no Governo, sobretudo as questões ligadas aos salários dos funcionários. Mas há novos factores, como a alteração do horário de trabalho dos funcionários sem que isto tenha sido acompanhado de um recrutamento de um número significativo de pessoas. O Governo quis tomar uma atitude simpática para com os
GONÇALO LOBO PINHEIRO
CANDIDATO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PELO CÍRCULO FORA DA EUROPA
“A EPM tem de estar na agenda política” “O que se passou em Macau passou-se noutros postos consulares, mas de facto a situação degradou-se muito.”
funcionários, mas isso traduziu-se numa redução de um sexto ou um sétimo dos trabalhadores nos postos consulares. Não tendo havido esse recrutamento, e não se tendo recorrido mais a uma terciarização de serviços, é evidente que o resultado foi negativo. Macau é um desses casos, mas não é o único. No encontro anual do PSD sobre emigração, que decorreu este fim-de-semana em Portugal, quais foram os maiores problemas apontados? Discutiram-se opções políticas relativamente ao que faremos no futuro uma vez eleitos, quer
na óptica de sermos Governo ou de ficarmos na AR. Essas opções serão divulgadas em breve, mas traduzem-se numa linha de continuidade com aquilo que tem sido a nossa acção. Existe a necessidade da legislação sobre a nacionalidade continuar a evoluir para que os processos sejam mais expeditos e menos burocratizados. Também é preciso que a rede de escolas portuguesas no estrangeiro continue a desenvolver-se e a legislação eleitoral ser mais ajustada à realidade actual. O voto electrónico tem de ser encarado de forma muito clara. São aspectos que no devido tempo serão discutidos e apresentados às pessoas. Sobre as próximas eleições legislativas. Volta a candidatar-se ao lugar de deputado, e Augusto Santos Silva é candidato pelo PS ao Círculo Fora da Europa. Que expectativas deposita neste acto eleitoral? A nossa expectativa é simples, é ganhar as eleições. É isso que está
em causa e esperamos ganhá-las em Macau e no resto do círculo para onde me candidato. É evidente que respeito muito a candidatura de Santos Silva e tenho muita consideração por ele, acho que é um ministro com muita visibilidade. É um homem competente mas acho que no domínio das comunidades teve algumas falhas, até no domínio da proximidade com as pessoas. Mas é um adversário que valoriza muito este confronto eleitoral. Que falhas mais especificas aponta? Hoje os consulados estão a funcionar muito pior do que quando estava no Governo, não há comparação possível. Houve promessas que foram feitas no domínio da rede de escolas portuguesas. Ele (Augusto Santos Silva) assumiu, com data de início, a escola portuguesa de São Paulo e ainda hoje nada existe. No domínio da legislação eleitoral, o Governo não quis que se fosse mais longe
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votos do que nas últimas eleições. Tenho muito receio que a abstenção seja brutal. Macau tem um contexto específico de ter muitas pessoas com capacidade de voto nas eleições portuguesas que não dominam a língua. É necessário que os partidos tenham maior aproximação e mais medidas para estas pessoas, que passem pela tradução dos programas políticos? Claro que sim, por isso é que o meu partido tem procurado que nas suas estruturas locais haja pessoas com o domínio da língua chinesa, para poder haver uma interacção. Essa é uma realidade incontornável na China, Macau e Hong Kong, onde residem 30 mil portadores de passaporte português, mas é valido também na Índia, EUA ou Canadá, onde temos milhões de luso descendentes que não falam português. Neste sentido, a secção do PSD em Macau tem feito um bom trabalho ou podia ser mais activa? Esta resposta não lha posso dar como deputado pois têm de ser os militantes do partido a responder. A minha opinião pessoal é de que tem sido desenvolvido um trabalho interessante.
do que se foi. Poder-se-ia ter ido mais longe e uniformizado, pelo menos, o método de votação para todas as eleições e não apenas para as legislativas. Por exemplo, a opção pelo voto presencial não foi divulgada e o Governo era obrigado a fazê-lo. Hoje, na área social, há menos apoios para as comunidades carenciadas do que quando estávamos no Governo. Santos Silva era o ministro (dos Negócios Estrangeiros), sei que estava mais preocupado com outras questões, mas aí falhou. Um estudo académico diz que o voto dos emigrantes portugueses tem menor representatividade face ao voto dos que residem em Portugal, e que os partidos são culpados disso. Qual o seu comentário sobre esta matéria? Desconheço o estudo. O que posso dizer é que houve mais propostas do que aquelas que foram aprovadas e que se deram passos positivos. Muitas não mereceram consenso por uma questão de fun-
do, pelo facto de haver posições de princípio na sociedade portuguesa, nomeadamente da parte de partidos de esquerda, que não permitem, por exemplo, que os cidadãos da diáspora possam votar nas mesmas condições em que votam os que residem em Portugal, com medo que isso altere completamente os resultados de actos eleitorais, como a eleição para o Presidente da República e o Parlamento Europeu sem que o círculo seja único. Este aspecto é basilar e fez com
“O meu partido (PSD) tem procurado que nas suas estruturas locais haja pessoas com o domínio da língua chinesa, para poder haver uma interacção.”
que, durante muito tempo, esses partidos de esquerda não aceitassem os votos dos não residentes em Portugal para a Presidência da República. A história não se reescreve, está escrita e dá-nos os factos. Essas forças políticas mais à esquerda têm estado a anos luz daquela que é a realidade da integração na diáspora na vida política portuguesa. Preocupa-se com a possibilidade de a abstenção voltar a ser elevada nestas eleições? Assusta-me, fico muito preocupado. Até porque há outro aspecto que é preciso ter em consideração, que é o facto de os sistemas de correios estarem a funcionar pior na generalidade dos países face ao que funcionavam há alguns anos. Em países como o Brasil ou a Venezuela os correios praticamente não funcionam. Admito que isso venha a influenciar fortemente o resultado final, que muita gente queira votar e não consiga, embora eu esteja à espera de mais
Caso seja eleito, quais os pontos principais que terá na sua agenda? Há um aspecto muito importante em Macau que se prende com a Escola Portuguesa de Macau (EPM), e que tem de ser colocado de forma muito clara na agenda política, e eu vou continuar a insistir nesse ponto. Diz respeito ao projecto pedagógico da EPM, pois esta tem de ser olhada como uma escola que serve públicos muito diferenciados, pois há muitos possíveis alunos da escola que não vão prosseguir os seus estudos em Portugal. Esse projecto pedagógico tem de considerar esta parte oriental, mas que dá à EPM uma dimensão muito maior do que aquela que tem hoje. No domínio dos consulados e da resposta administrativa do Estado português, uma questão à qual me vou dedicar muito é sobre a possibilidade do passaporte português passar a ter uma maior data de validade do que aquela que tem hoje. Tem cinco anos de validade e poderia ir para dez anos ou um prazo superior. Assunção Cristas, líder do CDS-PP, defendeu a criação de um novo círculo eleitoral, destinado aos países lusófonos. Macau não é um país mas é um território onde se fala português. Qual a sua posição sobre esta matéria?
“A EPM tem de ser olhada como uma escola que serve públicos muito diferenciados, pois há muitos possíveis alunos da escola que não vão prosseguir os seus estudos em Portugal. Esse projecto pedagógico tem de considerar esta parte oriental, mas que dá à EPM uma dimensão muito maior do que aquela que tem hoje.” Essa ideia não é nova, já foi discutida várias vezes. Não vou dizer como Macau ficaria porque só poderia ser analisada depois. Mas desejaria que o CDS-PP pudesse ter tido uma participação mais activa na discussão e aprovação deste tipo de legislação eleitoral. Foi o único partido que não votou favoravelmente sobre nenhuma das disposições que estiveram em cima da mesa, nem a gratuitidade do voto, o automatismo do recenseamento, a adopção do voto presencial e postal nas legislativas, a adopção do voto electrónico. O CDS-PP esteve muito longe de tudo isto e também das alterações à lei da nacionalidade. Acho que o partido é importante neste domínio, mas não basta atirar para o ar uma ideia ou outra. O que tem a dizer sobre a reacção das autoridades políticas portuguesas ao que se está a passar em Hong Kong, sobretudo face à forma como isso pode afectar as comunidades portuguesas residentes em Hong Kong e Macau? Estava à espera de uma melhor resposta? Nessa matéria nada nos separa do Governo, pois neste momento não existe a proposta em causa, porque foi retirada de discussão. Temos o princípio de respeito pela soberania de outros países e quebramos o nosso silêncio quando estão em causa de forma clara e inequívoca direitos fundamentais. Faríamos isso numa situação muito grave e extrema. Como a proposta foi retirada, não merece discussão. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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Rotina excepcional VIGÍLIA ACTUAÇÃO DA POLÍCIA NA NOITE DE SEGUNDA-FEIRA À MARGEM DA LEI
A polícia nega ter detido qualquer pessoa na noite de segunda-feira, depois do forte aparato policial que deixou a zona do Largo do Leal Senado sitiada. Comentadores ouvidos pelo HM apontam para o excesso de drama, o insólito e tendências autocráticas ilegais na actuação da polícia. Ho Iat Seng afasta qualquer indício de repressão nos acontecimentos
N SOFIA MARGARIDA MOTA
Anoite de segunda-feira, um considerável contingente policial foi destacado para a zona do Largo do Leal Senado na sequência de uma vigília contra a violência policial em Hong Kong. A vigília não foi autorizada, nem aconteceu, mas as autoridades inundaram o local e pediram identificação a quem passava pela movimentada zona.Acabaram por levar para um parque de estacionamento cerca de três dezenas de pessoas e para a esquadra sete indivíduos, quatro deles residentes que por lá ficaram mais de cinco horas. No entanto, as autoridades negam que tenha ocorrido qualquer detenção. No dia seguinte, a questão ainda paira no ar: O que
é que aconteceu realmente na noite de segunda-feira nas imediações do Largo do Leal Senado? A pergunta dirige-se, como é natural, à actuação do Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) de Macau. Entre “aberrantemente ilegal”, “exagero”, “situação com drama a mais”, passando pela convicção de que “a polícia tem capacidade de julgamento”, uma certeza desponta: na noite de segunda-feira ninguém foi detido, pelo menos oficialmente. Esta é a ilação que se tira das declarações do porta-voz do CPSP proferidas ontem em conferência de imprensa. Sete pessoas foram levadas às instalações da polícia para colaborar numa investigação. Qual? Não se sabe, porque “não é adequa-
do revelar informações em detalhe”, disse Lei Tak Fai, mas era importante apurar a identificação dos “colaboradores”. O porta-voz justificou a actuação das autoridades com a “experiência policial e instruções internas”. Três das pessoas que foram levadas para a esquadra levantaram suspeita entre os agentes que “consideraram a possibilidade de terem intenção de participar ilegalmente na vigília” que não foi autorizada. Como tal, Lei Tak Fai considera “razoável pedir o seu auxílio para a investigação”. Um dos residentes tinha em sua posse um autocolante alusivo aos protestos em Hong Kong e um residente da RAEHK filmou o que se passava no Leal Senado.
“Todas as pessoas detidas ou molestadas pela PSP deviam relatar “pormenorizadamente o que aconteceu e apresentar queixa junto do MP. Seria importantíssimo apurar responsabilidades disciplinares, criminais e políticas por esta acção própria de uma ditadura.” ANTÓNIO KATCHI ACADÉMICO
PERGUNTEM À AAM
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orge Menezes entende que a Associação dos Advogados de Macau (AAM) deveria fazer um comunicado a repudiar estas violações da Lei Básica e do Código de Processo Penal. “A polícia tem de obedecer à lei: foi a polícia, não os detidos quem violou a lei e deveria ser a polícia a ser investigada por este abuso.” O advogado considera que as declarações
Quanto ao tempo que passaram nas instalações da polícia, o porta-voz argumentou ter sido “devido à verificação dos documentos de identificação, à confirmação dos registos policiais e à investigação, que como é relativamente rigorosa precisa de tempo”. Quanto aos restantes indivíduos ouvidos num parque de estacionamento, a Polícia Judiciária confirmou ter interceptado três dezenas de pessoas naquilo que descreveu como “uma operação regular anticrime”, que não foi motivada por qualquer queixa e sem relação com a vigília.
do presidente da AAM foram lamentáveis. “A proibição da manifestação é ilegal. De resto, deveriam perguntar ao Dr. Neto Valente e aos demais que se apressaram a defender a ilegalidade da manifestação o seguinte: se a manifestação é ilegal por ter fim contrário à lei, qual é essa lei? Porque é que ninguém diz qual é a lei que eles teriam violado?”, questiona.
A versão das autoridades coincide com as declarações de Ho Iat Seng. O candidato a Chefe do Executivo disse ontem não ter informação sobre a matéria, por não ter estado no local.Ainda assim, acredita “que a polícia tem capacidade de julgamento para lidar bem com o assunto”.
TIQUES DE DITADURA
Ho Iat Seng entende ainda que as autoridades não actuaram de forma repressiva, afastando a hipótese de “terror branco”. Tese com a qual o académico António Katchi não poderia estar mais em desacordo. O especialista em Direito Constitucional enquadra o que
se passou com o clima político de Hong Kong. Se o descontentamento e o “levantamento revolucionário das massas populares em Hong Kong” não alastrar a outras regiões, estará votado ao fracasso. Assim sendo, “é vital isolar o mais possível a população de Hong Kong. Neste contexto, o Governo de Macau, vê-se obrigado a cortar cerce qualquer ligação entre os democratas de Macau e os democratas de Hong Kong. É claro que, com isto, o Governo de Macau está a semear o terror (o “terror branco”) entre a juventude de Macau, tentando expulsá-la do activismo político e matar nela os sentimentos mais generosos e o lado mais altruísta”. Apesar das autoridades, e do futuro Chefe do Executivo, terem reiterado que não houve detenções, o advogado Jorge Menezes não alinha na argumentação apresentada: “A polícia disse que as pessoas não estavam detidas, mas isso é falso. Qualquer pessoa que não esteja livre para fazer o que quiser e ir embora para casa está detida. Detenção é, desde logo, estar privado da liberdade de movimento. Isso é brincar com as palavras. É
HOJE MACAU
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naquelas circunstâncias, nem ter os telefones apreendidos, quando o objectivo for simplesmente identificar pessoas. A ilegalidade das revistas é algo ainda mais grave, violando direitos fundamentais das pessoas que se deslocam em liberdade na via pública, no centro de Macau.” Indo um pouco mais além, Jorge Menezes não compreende os acontecimentos de segunda-feira à noite como “repressão, nem prevenção de qualquer crime”. A actuação dos agentes da CPSP teve como objectivo “espalhar o medo, assustando a população com métodos policiais ilegais”.
RAINHAS DO DRAMA
SOFIA MARGARIDA MOTA
quer junto de deputados democratas à Assembleia Legislativa”. O constitucionalista considera que “seria importantíssimo apurar todas as responsabilidades disciplinares, criminais e políticas por esta acção própria de uma ditadura”.
VERDADE E CONSEQUÊNCIA
A ilegalidade estende-se à actuação da polícia na noite em que se deveria ter realizado a vigília, na óptica de António Katchi: “Convém que todas as pessoas detidas ou molestadas pela PSP ontem [segunda-feira] à noite relatem pormenorizadamente o que aconteceu e apresentem queixa, quer junto do Ministério Público, quer de deputados democratas à Assembleia Legislativa. Se-
“Acho que houve uma dramatização absolutamente desnecessária. Não há que temer em Macau qualquer força estrangeira que venha perturbar seja o que for.”
TIAGO ALCÂNTARA
uma detenção ilegal e ao dizer que não é detenção a polícia tenta fugir à responsabilidade por uma medida ilegal.” Aliás, o facto de algumas pessoas terem sido identificadas três vezes, “outras detidas durante horas ilegalmente, revistadas e telemóveis vistos ou apreendidos”, tudo isto “são ilegalidades típicas de regimes autoritários”. Na óptica de António Katchi, a actuação das autoridades é reflexo da realidade política de Macau. Para apurar responsabilidades, o académico entende que “todas as pessoas detidas ou molestadas pela PSP” devem relatar “pormenorizadamente o que aconteceu e apresentar queixa, quer junto do Ministério Público,
MIGUEL DE SENNA FERNANDES ADVOGADO
ria importantíssimo apurar todas as responsabilidades disciplinares, criminais e políticas por esta acção própria de uma ditadura.” O académico confessa-se chocado com a actuação da polícia, que considera “aberrantemente ilegal”, e as imagens que viu na televisão que revelam a humilhação a que as pessoas foram submetidas. Quanto ao argumento do CPSP de que os residentes
“A polícia disse que as pessoas não estavam detidas, mas isso é falso. Qualquer pessoa que não esteja livre para fazer o que quiser e ir embora para casa está detida. Detenção é, desde logo, estar privado da liberdade de movimento. Isso é brincar com as palavras.” JORGE MENEZES ADVOGADO
de Macau teriam em sua posse autocolantes que denunciavam a presença em protestos em Hong Kong, António Katchi afasta essa justificação para terem sido interrogados. “O transporte de autocolantes alusivos a manifestações não é proibido por qualquer lei - nem o seu transporte, nem a sua produção, nem a sua aquisição, nem a sua posse, nem a sua exibição, nem a sua distribuição”. Outra questão legal reporta-se à forma como as pessoas foram interrogadas e obrigadas a mostrarem identificação. “O facto de alguns cidadãos terem sido interrogados só mostra com isto foi tudo uma farsa: a polícia não estava meramente a identificar pessoas, mas a investigar ilegalmente.
Ninguém é interrogado num procedimento de identificação”, revela Jorge Menezes. Ainda em relação aos pedidos para mostrar documentos de identificação, o advogado entende que “a lei diz que a polícia pode proceder à identificação de pessoas que estejam em lugares abertos ao público ‘habitualmente frequentados por delinquentes’. Tal não é o caso do Leal Senado”. Além disso, segundo a interpretação do jurista só as podem levar para a esquadra se as pessoas forem ‘incapazes de se identificar ou se recusarem a fazê-lo’. Tal não parece ter sucedido, o que torna a detenção e o procedimento de identificação grosseiramente ilegal. Outro aspecto que falhou prende-se com o facto de a detenção para identificação ter um prazo. “Só podem obrigar as pessoas a permanecer o tempo estritamente necessário à identificação (e nunca mais de 6 horas). A identificação de quem tem um BIR ou Passaporte faz-se em minutos. Isto é uma crassa violação da lei. Ninguém poderia ter sido revistado
Sulu Sou deslocou-se na noite de segunda-feira à esquadra onde estiveram detidos residentes de Macau depois de ter sido contactado pelos seus familiares e de ter acompanhado a situação através da comunicação social. “Acho que foi um exagero da polícia. Todos sabemos que não autorizaram a vigília. Apesar das muitas questões levantadas pela justificação dada para não permitir o protesto, o organizador aceitou a decisão da PSP”, comenta o deputado que reitera não ter estado envolvido na organização da vigília, nem de se ter deslocado ao Leal Senado. Em relação às três dezenas de pessoas identificadas num parque de estacionamento, o pró-democrata entende que se as autoridades foram informadas de que poderia haver violência contra os manifestantes, a responsabilidade da polícia seria proteger os participantes na vigília. Já Miguel de Senna Fernandes categoriza os acontecimentos da noite de segunda-feira “um bocado insólitos”, uma situação “nunca vista”. “Acho que houve uma dramatização absolutamente desnecessária. Foi um espectáculo absolutamente desnecessário com pessoas interrogadas numa garagem. Isto é uma situação absolutamente com drama a mais. Não há que temer em Macau qualquer força estrangeira que venha perturbar seja o que for”, considera o jurista. João Luz (com S.M.M. e J.N.C.) info@hojemacau.com.mo
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Concurso Público N.º 22/ID/2019 «Empreitada da Obra n.º E1 – Instalação de sistemas eléctricos e de ar comprimido para a 66.ª Edição do Grande Prémio de Macau»
Concurso Público N.º 21/ID/2019 «Empreitada da Obra n.º E2 – Instalação de sistemas audiovisuais para a 66.ª Edição do Grande Prémio de Macau» 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.
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Entidade que preside ao concurso: Instituto do Desporto. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: Edifício do Grande Prémio de Macau, garagens provisórias e Circuito da Guia. Objecto da empreitada: instalação de sistemas de difusão sonora, de sistemas para o processamento e distribuição do sinal de televisão, de sistemas de vídeo em circuito fechado CCTV e de ecrãs LED de grande dimensão no Circuito da Guia e em vários pontos da cidade. Prazo máximo de execução: seguir as datas limites constantes no caderno de encargos. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global (os itens «Se necessários» mencionados no Anexo IV – Lista de quantidades e do preço unitário do Índice Geral do Processo de Concurso são retribuídos por série de preços através da medição das quantidades executadas). Caução provisória: $400 000,00 (quatrocentas mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Fundo do Desporto) aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Sessão de esclarecimento: a sessão de esclarecimento terá lugar no dia 28 de Agosto de 2019, quarta-feira, pelas 11,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio de Macau, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a sessão de esclarecimento será adiada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 10 de Setembro de 2019, terça-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 11 de Setembro de 2019, quarta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no artigo 13 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo do concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total da obra: 60% - Prazo de execução da obra: 5% - Plano de trabalhos: 15% - Experiência em obras semelhantes: 15% - Equipamentos e materiais a utilizar na obra: 5% Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.
Instituto do Desporto, 21 de Agosto de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun
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Entidade que preside ao concurso: Instituto do Desporto. Modalidade de concurso: concurso público. Local de execução da obra: Edifício do Grande Prémio de Macau, garagens provisórias e Circuito da Guia. Objecto da empreitada: instalação dos sistemas eléctricos, de comunicação telefónica, das luzes de partida, de ar-comprimido e a manutenção/reparação do sistema de ventilação do silo de automóveis do Terminal Marítimo do Porto Exterior. Prazo máximo de execução: seguir as datas limites constantes no caderno de encargos. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por preço global (os itens «Se necessários» mencionados no Anexo IV – Lista de quantidades e do preço unitário do Índice Geral do Processo de Concurso são retribuídos por série de preços através da medição das quantidades executadas). Caução provisória: $400 000,00 (quatrocentas mil) patacas, a prestar mediante depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do Fundo do Desporto), garantia bancária ou seguro caução (emitida a favor do Fundo do Desporto) aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condições de admissão: serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição. Neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Sessão de esclarecimento: a sessão de esclarecimento terá lugar no dia 28 de Agosto de 2019, quarta-feira, pelas 10,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio de Macau, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a sessão de esclarecimento será adiada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora limite para a apresentação das propostas: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora limite: dia 12 de Setembro de 2019, quinta-feira, até às 12,00 horas. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Dia e hora: dia 13 de Setembro de 2019, sexta-feira, pelas 9,30 horas. Em caso de adiamento da data limite para a apresentação das propostas de acordo com o mencionado no artigo 13 ou em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da respectiva cópia: Local: Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau. Hora: horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Na Divisão Financeira e Patrimonial do Instituto do Desporto, podem obter cópia do processo do concurso mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total da obra: 60% - Prazo de execução da obra: 5% - Plano de trabalhos: 15% - Experiência em obras semelhantes: 15% - Equipamentos e materiais a utilizar na obra: 5% Junção de esclarecimentos: Os concorrentes devem comparecer no Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, até à data limite para a apresentação das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.
Instituto do Desporto, 21 de Agosto de 2019. O Presidente, Pun Weng Kun
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quarta-feira 21.8.2019
Saúde Governo nega descriminação de doentes através de receitas Os Serviços de Saúde (SS) defendem que a medicação prescrita aos utentes é sempre a considerada a mais adequada para os problemas em causa e não sofre interferências relacionadas com o grau de proximidade entre o médico e o doente. Numa carta enviada ao programa “Macau Fórum”,
H
O Iat Seng já disse que, por enquanto, as empregadas domésticas vão continuar excluídas da proposta de salário mínimo universal, mas as visadas querem insistir com o futuro Chefe do Governo para que possam ser consideradas. A garantia foi dada por Jassy Santos, ligada à Progressive Labor Union of Domestic Workers, ao HM. “Vamos continuar a insistir com o próximo Governo, queremos uma resposta aos nossos pedidos e vamos continuar a insistir até que o Executivo de Macau perceba que o trabalho doméstico também é trabalho”, apontou. Apesar desta faixa de trabalhadores continuar a lutar por um direito que considera fundamental, as esperanças de mudança são poucas. “Temos poucas expectativas, ninguém nos quer incluir nos benefícios dados a outros trabalhadores”, lamentou.
AJUDA INVISÍVEL
Relativamente à posição de Ho Iat Seng, Jassy Santos também não se mostrou surpreendida até porque segue a tendência daqueles que não entendem a “importância das empregadas domésticas para Macau”. “Ho Iat Seng não reconhece a luta desta faixa da sociedade, não reconhece a importância que as empregadas domésticas têm para a comunidade local em que as famílias ganham muito dinheiro porque têm em casa a empregada e a cozinheira para ajudar”, referiu. Recorde-se que o futuro Chefe do Executivo, apontou na semana passada que tenciona dar continuidade às políticas do actual Governo, referindo-se à exclusão das empregadas domésticas do salário mínimo. “Se for eleito, o Governo vai manter as políticas respectivas nesta questão e, de acordo com as me-
os SS dizem não descriminar os doentes, através de receitas diferentes e que os médicos “não dão medicamentos melhores às pessoas que conhecem” acrescentando que estão atentos à qualidade dos medicamentos utilizados de modo a garantir uma “elevada qualidade” de serviços à população.
SALÁRIO MÍNIMO TRABALHADORAS DOMÉSTICAS PROMETEM PRESSIONAR PRÓXIMO CHEFE DO EXECUTIVO
Novo Governo, mesma luta Apesar de Ho Iat Seng já ter apoiado a exclusão das empregadas domésticas da lei do salário mínimo universal, esta faixa de trabalhadoras continuar a insistir na sua inclusão. Para Jassy Santos, é necessário que as entidades competentes considerem que o trabalho doméstico é fundamental para a economia local
didas já tomadas, as empregadas domésticas vão continuar a ser excluídas do salário mínimo”, disse o futuro Chefe do Executivo. Ho mantém-se assim firme no seu propósito, e apesar das recentes críticas da Organização Internacional do Trabalho à proposta de lei sobre o salário mínimo universal, as empregadas domésticas vão continuar de fora, visto ser este “o consenso social”, justificou na semana passada a subdirectora dos Serviços para os Assuntos Laborais, Ng Wai Han. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Querido plástico
Lojistas preocupados com restrição ao uso de sacos
H
Á comerciantes preocupados com a restrição ao uso de sacos de plástico, uma medida que entra em vigor no próximo mês de Novembro. De acordo com o sector, “os consumidores não vão entender a cobrança por cada saco de plástico”, apontam ao Jornal do Cidadão. Estes comerciantes sugerem ainda que o primeiro saco seja gratuito e que o pagamento só se faça a partir do segundo saco utilizado numa compra. Lei, responsável por uma papelaria afirmou que apesar de apoiar os trabalhos de protecção ambiental, está preocupada com a reacção dos clientes ao ser-lhes cobrado o saco de plástico onde levam as suas compras. Como alternativa à restrição ao uso deste material, Lei aponta a necessidade de medidas para aumentar a consciência dos cidadãos, adiantando que “para mudar os hábitos, são necessárias medidas coercivas e meios económicos que levem as pessoas a pensar realmente na necessidade de sacos”. Já Chan, dono de uma loja de roupa, acredita que cobrar uma pataca por saco é um limite razoável para os consumidores, na medida em que mais do que isso, “não seria aceitável”. “A maioria dos residentes reutilizam os sacos para o lixo doméstico, e se não houver distribuição gratuita, vão utilizar sacos de lixo, portanto não será uma grande mudança”, frisou, para justificar a sua oposição à medida. “O problema está nos sacos fornecidos em mercados que são utilizados abusivamente, pelo que é razoável cobrar a partir do segundo saco”, acrescentou.
PROBLEMA INTERNO
Por outro lado, um funcionário de uma loja de sacos plásticos disse que, tendo por referência os dados das regiões vizinhas, a cobrança pode reduzir a quantidade nas vendas no sector. Para este funcionário, as restrições ao plástico podem provocar “o abuso de sacos de tecido ou de papel, que podem causar ainda mais poluição do que o plástico bem como provocar um desperdício de recursos”. O mesmo responsável sugere ainda que a medida seria mais bem aplicada caso fosse dirigida ao uso de embalagens descartáveis. “A lei vai definitivamente afectar o volume de vendas de sacos”, rematou.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 450/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora NGUYEN THI THUY, portadora do Passaporte do Vietnam n.° B9000XXX, que na sequência do Auto de Notícia n.° 8/DI-AI/2018, levantado pela DST a 11.01.2018, e por despacho da signatária de 06.08.2019, exarado no Relatório n.° 336/DI/2019, de 10.07.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Dois Bairro Iao Hon n.° 50, Edf. Son Lei, 1.° andar C, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 6 de Agosto de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 479/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora MAI THI HIEN, portadora do Passaporte da Vietnam n.° N1641xxx e portadora do Titulo de Identificação de Trabalhador Não-Residente n.° 13929xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 77/DI-AI/2018, levantado pela DST a 11.04.2018, e por despacho da signatária de 12.08.2019, exarado no Relatório n.° 357/DI/2019, de 29.07.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 3, 4.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Agosto de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 493/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIAO YINGHUA, portadora do Passaporte da RPC n.° E69498xxx e portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C47859xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 241/DI-AI/2017, levantado pela DST a 20.10.2017, e por despacho da signatária de 27.05.2019, exarado no Relatório n.° 205/DI/2019, de 29.04.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210-212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 18.° andar M onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 7 de Agosto de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 513/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor PAN DI, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C05737xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 242/DI-AI/2017, levantado pela DST a 24.10.2017, e por despacho da signatária de 27.06.2019, exarado no Relatório n.° 268/DI/2019, de 10.06.2019, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Malaca n.° 172, Edf. Centro Internacional, Bloco 11, 14.° andar A, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Agosto de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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quarta-feira 21.8.2019
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Tribunal de Segunda Instância (TSI) deu razão a um residente que viu ser-lhe anulado, por parte do Instituto de Habitação (IH) o contrato de arrendamento assinado em 2011 que lhe dava acesso a uma habitação social. De acordo com o acórdão, ontem tornado público, o residente necessitava viver com o filho, o que levou o Governo a anular o contrato. Contudo, o TSI considerou que o IH se precipitou na decisão tomada. “Vislumbra-se demasiada precipitação na prática de o Instituto de Habitação refutar a explicação de A e, em consequên-
CONDOMÍNIOS DECISÕES SÓ DEPOIS DE CONSULTA PÚBLICA
Espera sentado
Ainda não houve uma resolução final sobre as percentagens de condóminos necessárias à aprovação de obras e demolições de edifícios degradados. O Conselho de Renovação Urbana vai deixar a resolução para consulta pública, mas o processo já não fica resolvido até ao final do ano
voto favorável de 90 por cento dos condóminos, enquanto aqueles que tiverem mais de 40 anos precisam de 85 por cento de aprovações”. A proposta, cuja aprovação estava anunciada para breve, não chegou a ir para a frente. O atraso deveu-se a “questões de resolução complicada”, para as quais foi “preciso tempo”, por envolver sensibilidades diversas, como foi dito pelo governante na altura. A alteração à percentagem ideal de condóminos para o aval das obras é, para o Executivo, a condição essencial para a agilização dos projectos de reconstrução.
PRAZO ADIADO HOJE MACAU
secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, afirmou ontem no final da 3ª reunião plenária de 2019 do Conselho de Renovação Urbana (CRU), que a pendente revisão da percentagem necessária de condóminos que estejam de acordo com a execução de obras ou demolição de edifícios, deverá ficar para decidir em consulta pública. A primeira fase do estudo encomendado pelo Executivo à consultora Deloitte foi agora discutida e mereceu o “parecer favorável” dos membros do CRU, segundo Raimundo do Rosário. A Deloitte elaborou um levantamento das experiências das regiões vizinhas quanto às políticas de renovação urbana, nomeadamente “as que estão mais adiantadas do que nós, como Singapura, Taiwan e Hong Kong”, mas a transposição para um modelo local vai ter ainda que ser analisada. A questão das percentagens, cujos números finais estiveram para ser aprovados em meados de 2017, depois do aparente acordo alcançado entre o Governo e o CRU, continua sem estar definida. “É uma questão que seguramente fará parte da consulta pública, portanto as pessoas serão chamadas a pronunciar-se e a dizer o que pensam sobre uma eventual alteração do sistema actual. Agora, como sabem, para demolir um edifício é preciso 100 por cento [de aprovação dos condóminos privados]”. O documento que esteve para avançar, há dois anos atrás, apesar de não se tratar de uma versão final, pressupunha a alteração do número de condóminos que têm que concordar com a realização
A Deloitte elaborou um levantamento das experiências das regiões vizinhas quanto às políticas de renovação urbana, nomeadamente “as que estão mais adiantadas do que nós, como Singapura, Taiwan e Hong Kong”, mas a transposição para um modelo local vai ter ainda que ser analisada
de obras em imóveis degradados, que até aqui exige a totalidade dos proprietários. Como afirmava Raimundo do Rosário na altura, “o
consenso alcançado é de que todos os edifícios com menos de 30 anos, se tiverem de ser submetidos a um processo de demolição ou renova-
ção, vão precisar da aprovação de 100 por cento dos condóminos. Mas para os prédios que têm entre 30 e 40 anos, terá de ser reunido o
Depressa e bem não há quem Tribunal dá razão a residente que viu ser-lhe retirada casa social
cia, de resolver o seu contrato de arrendamento de habitação social, sem que tivesse, primeiro, verificado se a necessidade dos cuidados se devia à avançada idade ou se a doença permanente era a razão por que permitira ao seu filho (não membro do agregado familiar inscrito) residir na respectiva habitação social.” Nesse sentido, está em causa uma “violação dos princípios da boa-fé, da cooperação e do inquisitório”.
Na visão do tribunal, o residente deveria ter apresentado provas de que necessitava de viver acompanhado, no entanto, também cabia ao IH “abordar o caso e ter tido em consideração a idade avançada do recorrente”. A entidade, liderada por Arnaldo Santos, por ter o objectivo de “servir os cidadãos”, deveria “ter actuado em conformidade com os princípios da boa-fé e da cooperação, no sentido de notificar, por sua iniciativa, o recorrente para apresentar
provas pertinentes, em vez de lhe negar a sua clarificação e rescindir o seu contrato de arrendamento de habitação social por causa da não apresentação de prova”. Neste sentido, o IH está obrigado, por lei, “a averiguar todos os factos”, mesmo que o residente não tenha apresentado todas as provas.
OUTROS JUIZOS
O residente chegou a apresentar um esclarecimento por escrito junto do
A decisão vai ficar agora na mão das comunidades locais, o que ainda levará algum tempo. A data de conclusão do processo, que na última reunião do CRU estava prevista para o final deste ano, já não parece provável, explicou aos jornalistas o secretário. “Não acabamos, porque estamos em Agosto, e aprovar isto é mais um mês ou dois, depois será feito o documento de consulta, que terá que ser aprovado por nós, e a consulta pública em Macau são 45 dias ou 60 dias, portanto não acaba no fim do ano de certeza”. Entretanto, o Conselho vai continuar a analisar a política de renovação urbana que faz sentido para o território, que “no fundo é saber que caminho vamos trilhar”, procurando os exemplos das regiões que já o estão a fazer há mais tempo. “Estamos a ver se tiramos daqui uma bissectriz qualquer. Temos que encontrar o nosso caminho”, concluiu Raimundo do Rosário. Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
IH, que invocava “a necessidade (de viver com o filho) em virtude dos cuidados que a doença permanente exigia”, mas o IH entendeu que tal “não justificava a não observância das normas legais”. O contrato acabou por ser anulado em 2016. O Tribunal Administrativo, numa primeira decisão, entendeu que o fim do contrato de arrendamento de habitação social e as correspondentes consequências jurídicas “tinham origem na violação desse contrato pelo recorrente, e absolutamente, não na culpa da entidade recorrida (o IH)”. Contudo, o TSI acabou por dar razão ao residente. A.S.S.
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quarta-feira 21.8.2019
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OI em 2017 que Bruno Saveedra decidiu apresentar as fotografias que integraram a exposição “Made in China”, sobre a comunidade chinesa residente no bairro do Intendente, em Lisboa. Desta vez, a exposição emigra para Macau, ficando patente na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) entre os dias 2 e 11 de Setembro. Ao HM, o fotógrafo, que residiu em Macau durante três anos, fala de uma iniciativa não só da FRC mas também da Casa de Portugal em Macau (CPM), que entretanto foi alvo de mudanças, uma vez que a mostra ganhou três novas fotografias. “Em Lisboa a exposição estava numa espécie de instalação em que uma parede estava pintada com jornais vermelhos chineses. E em Macau a exposição não vai ter essa instalação, será algo mais clássico onde irei mostrar três fotografias novas”, contou ao HM.
“Quis tentar encontrar e entender quem são os chineses que vivem no bairro do Intendente em Lisboa. Durante dois meses andei à procura dessas pessoas e da sua identidade.” BRUNO SAVEEDRA FOTÓGRAFO
Ao fotografar, Bruno Saveedra tentou retratar a frieza que diz existir no seio da comunidade chinesa em Portugal, sobretudo junto dos mais velhos. “Estas imagens transmitem um olhar fotográfico muito próprio meu sobre essa comunidade. Quando estava a fotografar senti que é uma comunidade muito fria e distante. Tinha vindo de Macau há pouco tempo e quando lá estive tive o cuidado de me integrar, e através do meu olhar tentei transmitir também essa frieza. Era como se houvesse sempre uma barreira. Através de pequenos pormenores tentei transmitir isso. Infelizmente não consegui ultrapassar essa barreira enquanto cidadão.” Com este trabalho, o fotógrafo quis entender os rostos por detrás das fotografias. “Quis tentar encontrar e entender quem são os chineses que vivem no bairro do Intendente em Lisboa. Durante dois meses andei à procura dessas pessoas e da sua identidade para tentar encontrar e perceber que tipo de pessoas
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Os sino-lisboetas FOTOGRAFIA “MADE IN CHINA”, DE BRUNO SAVEEDRA, NA FRC EM SETEMBRO
De Lisboa para Macau. “Made in China” é o olhar do fotógrafo Bruno Saveedra sobre a comunidade chinesa residente na capital portuguesa e que acaba por viver numa verdadeira “Chinatown”, sem se relacionar com os portugueses ou outras comunidades. A exposição chega à Fundação Rui Cunha em Setembro
vivem lá, e encontrei pessoas com histórias incríveis.” Nas mais velhas reside o sonho do regresso à China, mas no seio das novas gerações os sentimentos são bem diferentes. Os mais jovens “não se identificam com os costumes e a cultura chinesa e vivem como os portugueses cá, quase que rejeitam essa cultura”. “Achei isso muito engraçado e tentei encontrar o paralelo entre as duas formas de viver em Lisboa. Foi a partir daí que desenvolvi o projecto”, acrescentou.
NOVO PLANO
Bruno Saveedra confessa que passou por várias dificuldades para conseguir fotografar os membros da comunidade chinesa em Lisboa que surgem retratados em “Made in China”. “Com este trabalho quero mostrar que existe uma China dentro de Lisboa, porque eles vivem completamente isolados. É uma Chinatown dentro de um bairro de Lisboa, e mesmo que haja uma multiculturalidade nesse bairro a comunidade chinesa vive praticamente isolada.” “Tive muitas dificuldades, porque entrava nas lojas e supermercados e tentava comunicar com eles e parecia que eles não queriam falar em português. É isso que eu quero mostrar. Estou muito ansioso, é a primeira vez que vou fazer uma exposição em Macau e regresso a um local onde vivi três anos. Vai ser incrível. Quero sentir o cheiro do ar, que é muito específico”, apontou. O regresso é vivido com tanta expectativa que o fotógrafo está mesmo a planear fazer um novo projecto com a comunidade macaense. “Vou ficar em Macau durante 15 dias e quero desenvolver alguma coisa lá, mas não sei muito bem o quê, pois estou a tentar perceber como vai ser o meu regresso e a forma como vou agora olhar Macau. Acho que Macau está muito diferente de quando saí de lá. E coloco a hipótese de ser um projecto com a comunidade macaense”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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21.8.2019 quarta-feira
Apesar das limitações impostas pelos Estados Unidos, o fundador da gigante tecnológica chinesa não teme pelo futuro da empresa e recusa qualquer alívio das restrições se em troca a China tiver de ceder na guerra comercial que trava com os EUA
O
fundador do grupo chinês Huawei disse ontem em entrevista à Associated Press que não espera um alívio das restrições sobre a exportação de tecnologia chave pelos Estados Unidos, mas expressou confiança no futuro da empresa. PUB
TECNOLOGIA HUAWEI NÃO ESPERA QUE WASHINGTON ANULE RESTRIÇÕES
Sem concessões
luta pela sobrevivência", afirmou.As restrições sobre a Huawei significam também a perda de milhares de milhões de dólares em vendas anuais para fornecedores norte-americanos. Mas a empresa tem vindo a trabalhar no desenvolvimento dos seus próprios ‘chips’, sistema operacional e outras tecnologias que podem reduzir a dependência dos fornecedores norte-americanos. Aempresa gastou 15 mil milhões de dólares no ano passado em pesquisa e desenvolvimento, mais do que as norte-americanasApple e Microsoft. No primeiro semestre deste ano, as vendas da Huawei aumentaram 23,2 por cento, em relação ao mesmo período do ano anterior.
EM REVISÃO
Ren Zhengfei disse ainda que não quer um alívio das sanções impostas por Washington se em troca a China tiver que fazer concessões na guerra comercial que trava com os EUA, mesmo que isto signifique que a sua filha, que foi detida no Canadá, tenha que permanecer mais tempo sob prisão domiciliária. Em entrevista à agência de notícias As-
sociated Press, Ren, de 74 anos, disse que a Huawei acredita que as restrições dos Estados Unidos à venda de tecnologia continuem, apesar do anúncio de um período de suspensão da medida, de 90 dias. O fundador da Huawei considerou que ninguém em Washington se arriscará a defender a empresa. O maior impacto será nos fornecedores norte-americanos de ‘chips’ (cartões inteligentes) e outros componentes para a Huawei, a PUB
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 27/P/19 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 25 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento de Reagentes Exclusivos para o Serviço de Patologia Clínica dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 21 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 56,00 (cinquenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 20 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 23 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 15 de Agosto de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
maior fabricante de equipamentos de rede para empresas de telecomunicações, considerou. Washington colocou a Huawei numa lista de empresas estrangeiras que precisam de permissão oficial para comprar tecnologia norte-americana. "Quer a 'lista de entidades' seja ampliada ou não, isso não terá um impacto substancial nos negócios da Huawei", disse Ren. "Podemos sair-nos bem sem depender das empresas norte-americanas", sustentou.
NA LINHA DA FRENTE
A Huawei Technologies Ltd., a primeira marca global de tecnologia da China, está no centro de uma guerra comercial e tecnológica, que ameaça abalar a economia mundial. As autoridades norte-americanas acusam a empresa de usurpar tecnologia e facilitar a espionagem chinesa, acusações que a empresa nega. A directora financeira do grupo, Meng Wanzhou, que também é filha de Ren, foi detida em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que a Huawei tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis. O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a interdição sobre a Huawei pode ser relaxada, no âmbito de um acordo comercial. Ren rejeitou essa possibilidade e disse que a Huawei não pode ser incluída num acordo susceptível de prejudicar os interesses do país. "Eu não admitiria que pessoas pobres sacrificassem os seus próprios interesses em benefício da Huawei", disse. "Talvez a minha filha sofra mais. Mas prefiro isso a sacrificar as pessoas mais pobres da China na sua
O seu presidente, Liang Hua, disse em Julho que a Huawei está a rever os seus principais produtos para garantir que todos podem ser entregues sem depender de componentes norte-americanos. "A um nível estratégico, a lista de entidades dos EUA é útil para a Huawei", disse Ren. Este mês, a Huawei revelou o seu próprio sistema operacional para ‘smartphones', que pode substituir o sistema Android, da Google. Os telefones da Huawei ainda usam o Android, mas a Google está impedida de oferecer suporte a mapas, músicas e outros serviços. No início deste ano, a Huawei lançou o seu próprio ‘chip’ para ‘smartphones’de próxima geração e o primeiro telefone baseado nesse chip.
Ren Zhengfei disse que não quer um alívio das sanções impostas por Washington se em troca a China tiver que fazer concessões na guerra comercial que trava com os EUA, mesmo que isto signifique que a sua filha, que foi detida no Canadá, tenha que permanecer mais tempo sob prisão domiciliária "Eu acho que está a funcionar", afirmou. Questionado sobre os protestos pró-democracia em curso em Hong Kong, que faz fronteira com Shenzhen, Ren disse que a violência "não é boa para a sociedade e para o povo", mas não que afecta a Huawei. "Não há impacto nenhum para os negócios da Huawei", disse.
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quarta-feira 21.8.2019
ÁSIA PEQUIM ADVERTE PARA PERIGO DE CORRIDA ÀS ARMAS
Testes de fogo
Em Fevereiro passado, os Estados Unidos começaram a retirar-se do tratado, acusando a Rússia de estar a desenvolver mísseis que não cumprem o que estava estabelecido no pacto.
instalação de mísseis de médio alcance na Ásia por Washington impulsionará uma corrida às armas, avisou ontem a China, advertindo ainda para "uma escalada de conflitos militares", após os Estados Unidos testarem um míssil na Califórnia. Militares norte-americanos testaram no domingo
Assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachov, então Presidentes dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, respectivamente, o tratado aboliu o recurso a um conjunto de mísseis de alcance, entre os 500 e os 5 mil quilómetros, e pôs fim à crise desencadeada na década de 1980, com a instalação dos SS-20 soviéticos, visando capitais ocidentais. Após a retirada do tratado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos disse que quer instalar mísseis convencionais de médio alcance na região Ásia-Pacífico, "dentro de alguns meses". O Governo chinês disse então que "não vai ficar de braços cruzados" e que vai tomar contra-medidas, sem avançar mais detalhes.
A
um míssil de médio alcance na costa da Califórnia - um lançamento que seria ilegal há apenas três semanas, antes de Washington se ter retirado do Tratado de Armas Nucleares de Médio Alcance com a Rússia, que existia desde 1987. O teste "terá consequências graves para a segurança regional e internacional" e "prova que o verdadeiro ob-
jectivo da retirada americana era (...) avançar sem restrições para o desenvolvimento de mísseis" e "para a superioridade militar unilateral ", afirmou Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. O porta-voz chinês alertou que a medida de Washington "revitalizaria a corrida às armas e levaria à escalada de confrontos militares".
A RASGAR
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O teste (lançamento de míssil) “terá consequências graves para a segurança regional e internacional” e “prova que o verdadeiro objectivo da retirada americana era (...) avançar sem restrições para o desenvolvimento de mísseis”
Laos Treze chineses morrem em acidente
Treze cidadãos da China morreram e outros 31 ficaram feridos, após um autocarro que transportava dezenas de passageiros chineses no Laos se ter despistado na segunda-feira, informaram ontem as autoridades chinesas. O autocarro transportava 44 cidadãos chineses na estrada que liga Vienciana, a capital do Laos, e a cidade turística de Luang Prabang, no norte do país, confirmou a embaixada chinesa no Laos. A mesma fonte detalhou que dois dos passageiros sofreram ferimentos graves e estão a receber tratamento. Membros da unidade médica do Exército de Libertação Popular da China, que estavam no Laos para um evento em conjunto com o governo do Laos, dirigiram-se de avião para Luang Prabang para ajudar no tratamento dos feridos, revelou a embaixada.
JOSHUA WONG PRESENÇA DE EXÉRCITO CHINÊS INCERTA
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co-fundador do partido pró-democrata Demosisto, Joshua Wong, disse ontem em entrevista à Lusa que não se pode esperar que o Presidente chinês seja racional sobre a possibilidade de enviar tropas para Hong Kong. “Não podemos esperar que o Presidente Xi Jinping aja com racionalidade, portanto, há muita incerteza” sobre a possibilidade de uma intervenção de Pequim no território semi-autónomo, a ex-colónia britânica administrada desde 1997 pela China. Confrontado com protestos que têm sido marcados por violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes antigovernamentais e pró-democracia, Pequim mobilizou milhares de tropas para a cidade vizinha de Schenzen, fazendo crescer os receios de uma intervenção chinesa. No domingo, contudo, o último grande protesto que a organização diz ter reunido mais de 1,7 milhões de pes-
soas, não registou qualquer incidente de maior. “Quando a polícia não se mistura com a multidão, não há confrontos”, sustentou o activista. Wong foi libertado em Junho da prisão, na sequência das manifestações de 2014 em Hong Kong, conhecidas como a “Revolução dos guarda-chuvas”, uma campanha de desobediência civil que durou mais de dois meses e na qual se exigia o sufrágio universal na ex-colónia britânica administrada pela China. Desde então, voltou a envolver-se num movimento pró-democracia “para fazer pressão sobre o Governo”, apostado “em mostrar ao mundo a determinação do povo de Hong Kong para lutar pela liberdade”, explicou. Wong disse que se vê como “um facilitador do movimento pró-democracia” no actual momento dos protestos em Hong Kong, cujas reivindicações passaram a incluir como derradeiro objectivo o sufrágio universal.
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21.8.2019 quarta-feira
Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos
A Poesia Completa de Li He
仙 人 彈琴石壁上,翻翻一仙人。 手持白鸞尾,夜掃南山雲。 鹿飲寒澗下,魚歸清海濱。 當時漢武帝,書報桃花春。
Os Imortais Tocando o alaúde, alto sobre um penhasco, Um sílfide imortal batendo as asas. Penas brancas da cauda de um simurgue nas mãos, Varre as nuvens nocturnas do monte Meridional. Os veados deveriam beber nas ravinas geladas, Os peixes nadar de volta para as costas do claro mar. Porém, no reinado do Imperador Wu de Han O que enviou foi uma carta sobre os primaveris pessegueiros em flor.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
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quarta-feira 21.8.2019
Diário de um editor João Paulo Cotrim
HORTA SECA, LISBOA, 28 JULHO Escavações arqueológicas nos arredores de Londres extraíram-nos do passado. Com cerca de 132 mm e datado de 70 A.C., o “stylus”, já por si raro, torna-se extraordinário por conter inscrição bem-humorada, que liga Londres a Roma, a Cidade. Na tradução do especialista, Roger Tomlin: «Vim da Cidade. Trago-te um presente de boas-vindas com uma ponta afiada na esperança de que te lembres de mim. Pergunto, assim me permita o destino, se posso (dar) de forma tão generosa como longo é o caminho e os meus bolsos vazios». Uma recordação, portanto, que, apesar de pobre, atravessou os séculos e os destinos para dizer que os bolsos vazios não travam caminho. Deve ser mania, mas leio nestes vestígios a vocação do editor. A ruína, nos seus vários sentidos, estendem-se enquanto horizonte. Que marca e que pele sobrará? HORTA SECA, LISBOA, 2 AGOSTO Nem foram os primeiros élepês do Zeca que tive, mas aqueles últimos ficaram-me gravados. Aliás, comecei por beber canções, servidas pela irmandade que me governou («Venham Mais Cinco», lembras-te Paulo [Caldinho Gomes]?). Tocando as correntes subterrâneas, dou comigo a tentar perceber quês e porquês, a pretexto de aniversário. A luxúria das paisagens sonoras, por exemplo. São bastante distintos, mas estes «Como Se Fora Seu Filho» e «Galinhas do Mato» andam de par nos confins do recordativo. Nada se perde do Zeca anterior, com o constante mergulho nas raízes, qualquer que fosse a terra, de aquém ou além-mar, de litoral ou interior. Mas acontecem curto-circuitos com outros géneros, do jazz a tropicalismos de vários tons. Também na lírica se manteve a leitura da história e a sabedoria panteísta, a ironia cortante e a aspiração política. Ou dançando tudo, como quando, em «Papuça», o verso «a revolução é para já» solta os ritmos da dança. «Utopia» tornou-se um clássico instantâneo, de simplicidade e pureza. O que então me espantou foi a pujança do surrealismo, os nexos poéticos estabelecido pelo absurdo, rasgando fendas no quotidiplano. «Era Um Redondo Vocábulo», uma das minhas eleitas, comprova que esse modo de ler mundos era omnipresente, mas brilhou por aqui e para mim com outras intensidades. Apesar de episódico fulgor, andamos pela obscuridade, lugar de conforto por estes dias feitos noite. Por isso se vai chegando a mim, que nem companheira-gerúndio, esta «Canção da Paciência»: «Muitos sóis e luas irão nascer/ Mais ondas na praia rebentar/ Já não tem sentido ter ou não ter/ Vivo com o meu ódio a mendigar// Tenho muitos anos para sofrer/ Mais do que uma vida para andar/
Saberei esperar? Beba o fel amargo até morrer/ Já não tenho pena sei esperar // (…) As águas do rio são de correr/ Cada vez mais perto sem parar/ Sou como o morcego vejo sem ver/ Sou como o sossego sei esperar». Saberei? HORTA SECA, LISBOA, 12 AGOSTO Que raio! Cinco anos depois, as perguntas continuam a nascer em jardim, mais ou menos cultivado, com o lado agreste das daninhas também a merecer o (celebrado) cuidado da desatenção. Dóris, queria dar-te uma satisfação, mas a intenção não se aplica e explicação já cabe no saco das respostas. Bem sei que tenho que editar o teu volume de contos, ao menos isso, a que deste o belo título de «As Perguntas». Cinco anos depois, tudo se meteu à frente, pudores e desatinos com dinheiro, a orgânica desorganização, a tusa pelo novo, a crença no impossível. Dóris, venho apenas dizer-te que não desisti. Não leves a mal as gralhas que deixámos escapar, também esse projecto de casar atenções e leituras ficou adiado. Somos óptimos a procrastinar, bem sabes. Não deixámos, garanto, de semear perguntas, um pouco por todo lado, mesmo onde
não é suposto crescerem. Fui reler o teu prólogo, e encontrei lascas de pensamento que me apeteceu discutir. Posso adiar a conversa por instantes, tu interpelaste de tão estranho modo com esse teu gesto? Dizes tu: «insistimos, e esta nossa insistência conduz-nos para longe de nós. Existimos aqui, mas sempre em fuga, como se não quiséramos ser na aleatoriedade de ter nascido. Sempre a perguntar, sempre a ousar responder, entretendo, assim, o medo de existir. Porque existir é ser entre um ponto e outro ponto, linha do horizonte sem lado de lá para onde deixar de ser visto e lado de cá que nos possa ver. Somos, para nós, um horizonte invisível, segmento de recta cuja medida desconhecemos. Temos medo de existir pela consciência da morte que há em nós. Só conhecemos o finito e tememos, não por ele, mas dele. A nossa condição não opera o incomensurável, não se sintoniza com o infinito, mesmo que o saibamos. O universo contém mas não é contido. Estamos fracos perante o insondável, alienados que somos pela matéria. Mais ainda quando dizemos deus. Por isso perguntamos. Solicitamos
respostas para o que sabemos ser apenas um entretenimento do pensamento. Ocupamo-lo. Por vezes, inconsequentes, damos respostas. É apenas um jogo de alternâncias: respondemos para a seguir poder perguntar de novo, mais. Julgamos interrogar tudo. Mas o tudo não está ao nosso alcance.» HORTA SECA, LISBOA, 14 AGOSTO O humano escolheu para principal actividade a construção de ideias feitas. Ou melhor, com extremo detalhe confunde casa e lugar-comum, mas disperso logo a abrir. Queria apenas dizer que géneros literários como a banda desenhada, a novela ou o romance gráfico são oceanos de enorme biodiversidade. Max, autor atípico e de grande valor, produziu «Vapor» (folha de rosto algures na página, ed. Levoir), perdoe-se a rima, e que só agora me foi dado ler, não por caso. Nicodemos, figura mística, muda-se para o deserto para fugir das distracções e procurar em si o que pudesse conter de humano. Preto e branco, massa e traço, sombra e corpo, humor e delírio, pensamento e desenho, perguntas e interrogações. Eis a matéria para que o nosso mundo se deixe pensar, se deixe representar. O diálogo de Nicodemos com a sua sombra merecia constar de antologia acerca do nosso lugar no mundo, de cada um em si. O mesmo esforço foi feito, óbvio, em cinema e teatro e romance e poesia, mas consegue aqui algo distinto, muito distinto, de tão profundamente simples: traço sobre a página, dedo na areia, olho no céu. COSTA DA CAPARICA, ALMADA, 15 AGOSTO Uma das mais novas lá da rua Castelo fez cinquenta. Ia escrever que fui ao passado, mas não voltamos nunca ao que não existe. Recriamos, mapas, por exemplo. Trocámos memórias, mas somos pequenos na maior parte delas. Encolhemos, tal o velho quarto. São de somenos, detalhes de distúrbio e desafio. Toque e fuga de campainhas. Soltou-se que nem perfume leve reflexões acerca de tais encontros, o percurso feito, o lugar onde chegámos, apenas patamar. Para o Pedro [Brito] realizar, orquestrado pelo Humberto [Santana], e muito musicado pelo João [Lucas], compus um «Fado do Homem Crescido», no qual o António Zambujo cantou, a propósito: «Soube logo pela manhã que seria tal e qual/ Mas acreditei porque fomos um bando./ Devia estar de costas, não vi chegar o mal/ Parecia navalha a rasgar, era só tempo passando.» O sol lá se repetiu pondo laranja no oceano enquanto velho pai exalava orgulho, distribuía afectos e dava a mão de modo só seu.
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21.8.2019 quarta-feira
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JODIE PRICE
quarta-feira 21.8.2019
Divina Comédia Nuno Miguel Guedes
A
SSIM: uma brisa leve, um calor inoportuno, indesejado e imprevisível. Uma rua serena, aliviada pelo abandono de Agosto. Ninguém na rua. Permitam que repita com um leve sorriso nos lábios, único ser humano que tudo pode confirmar, escudado numa esplanada do bairro ainda irredutível: ninguém na rua. Então a entrega possível. Olhem, amigos: sem dever nem prazo, pegar num livro que de tanto lido e de tanto amado não pode ser desprezado. Todos temos um. Vários, direi. A boa notícia: nunca será o mesmo. Crescem connosco e nós, se formos espertos e sortudos, crescemos com eles. Não tenho dúvidas sobre esta matéria: é urgente um Plano Nacional de Releitura. Haverá certamente outras prioridades. Mas não agora, não agora que me reencontro com o major Scobie de O Nó do Problema (The Heart Of The Matter) de Graham Greene. Quantas vezes terei lido o livro? Muitas. Conheço-o como a mim próprio, este característico anti-herói greeneano que confunde amor com compaixão. Um homem com uma ambição semelhante a Bartleby, pecador
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Do fazer nada agostiniano na sua doce recusa à vida. O seu objectivo maior é estar sozinho; e só as paixões e Deus estão no seu caminho. O mesmo que o condena. Mas não quero fazer aqui recensão literária. Este meu Greene, sublinhado e amarfanhado com o uso mas ainda com a possibilidade e a vida para poder fazer mais notas, é apenas um prazer recorrente, como acredito que os melhores prazeres devam ser. E, até deparar com a realidade absurda, a coisa estava a correr bem, um leitor apaixonado com tempo e sentindo a cidade que ainda respira de
alívio devido à deserção da população de Agosto. Não, amigos: conhecendo a minha sorte sabia que mais cedo ou mais tarde iria levar com qualquer coisa que me maçasse. Assim foi: os meus olhos depararam, numa pausa de leitura, com mais um sinal extraordinário destes dias. E assim, eu que estava sem horas nem intenção sentado numa cadeira fui violentamente contrariado naquilo que achava que estava a fazer: nada. Pior: soube que para fazer nada era preciso seguir uma “disciplina” ou “filosofia”. Até várias: a coisa começou na Dinamarca, com algo
O leitor dirá: para quem se dedica a querer não fazer nada, tudo isto parece dar muito trabalho. O leitor diz bem, e não está preparado para o que vem: o nyksen, uma “visão” holandesa que, de forma surpreendente, recomenda o que fazer para não fazer nada: vaguear, ouvir música, estar sentado – desde que seja sem propósito
a que chamaram hygge e que se definia por “ficar em casa sossegado” (a sério). Não contentes com isto, os maldosos escandinavos inventaram uma declinação do conceito e – hop! – apresento-vos ao lagom, uma “filosofia” sueca cuja o princípio maior é o de “ver a vida com moderação”. O leitor dirá: para quem se dedica a querer não fazer nada, tudo isto parece dar muito trabalho. O leitor diz bem, e não está preparado para o que vem: o nyksen, uma “visão” holandesa que, de forma surpreendente, recomenda o que fazer para não fazer nada: vaguear, ouvir música, estar sentado – desde que seja sem propósito. Até hoje não fazia ideia de que era um exímio praticante de nyksen combinado com todas as outras variantes. Provavelmente terei neste momento direito a um honoris causa. E nem me apetece dizer que o otium romano – a condição filosófica mais sublime – já anda por aí há algum tempo. Não, nem que seja só por hoje a minha irritação com estes dias, em que mesmo o que não tem destino precisa de GPS vai ter que ser interrompida por vontade própria. Até porque tenho muito nada para fazer.
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1 7 0 2 3 4 6 7 6 2 5 1 9 7 4 0 8 3 6 1 7 8 5 9 7 4 9 8 0 3 1 5 2 6 9 8 5 6 2 3 1 7 3 2 5 4 6 8 0 9 5 3 4 1 8 0 TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS 0 6 4 5 8 1 9 7 3 2 2 9 0 7 MIN 1 4 5 1 0 3 7 2 8 9 6 4 4 7 9 2 3 6 2 8 7 4 6 9 0 3 5 1 3 6 1 5 9 8 5 2 6 FAZER 3 8 7 1 9 0 7 5 8 0 4 2 O4 QUE 8 3 1SEMANA 9 4 0 2 6 7 5 8 4 6 3 0 1 ESTA 9 0 6 7 1 5 3 2 4 8 1 0 2 9 7 5
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Diariamente 3 EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” | CASAS DA TAIPA Galeria 6 | 8Até 22/09 2
9 7 1 4 3 0 4 0 | “O7VAGABUNDO” 5 9 3 8 6 2 EXPOSIÇÃO Casas da Taipa – Exterior 3 5 6 1 4| Até86/102 0 7 EXPOSIÇÃO 1 7 | “JARDIM 0 4DAS5DELÍCIAS 2 TERRENAS” 3 9 6 Wynn Macau | Até 6/10 2 9 8 3 0 6 5 7 1 EXPOSIÇÃO DA BONDADETERNA” 7 4 | “CONTEMPLAÇÃO 5 2 6 9 1 8 3 Museu de Arte de Macau | Até 6/10 0 3 1 6 8 7 9 4 5 EXPOSIÇÃO | “BANHANDO-SE NA BRISA 8 6 – 9PINTURAS 0 DE 1 LIU5MENGKUAN” 7 2 4 PRIMAVERIL MAM 5| Até225 de4Agosto 8 3 0 6 1 9 9 1 | “HOT 3 FLOWS 7 2– PEARL 4 RIVER 0 5 8 EXPOSIÇÃO DELTA ARTS RETROSPECTIVE” Armazém do Boi | Até 13 de Outubro
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Cineteatro
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C I N E M A
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1 8 2 0 6 4 7 9 6 3 1 5 9 4 7 5 3 0 4 2 8 2 0 9 8 5 1 6MÍSSIL 7 3
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8 1 9 1 4 3 2 2 1 0 7 0 9 2 6 4 MAX 32 HUM 5 6 3 9 0 5 8 6 7 4 0 8 6 9 1 5 2 7 5 3 3 8 4 7
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SALA 1
Com: Simon Yam, Gigi Leung, Him Law, Charlie Yeung, Angela Yuen 14.30, 19.30, 21.30
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Shinnosuke Yakuwa 14.30, 16.30,19.30
TOY STORY 4 [A]
DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION [B]
BODIES AT REST [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Renny Herlin Com: Nick Cheung, Richie Jen, Yang Zi 21.30
7 0 1 5 2 3 9 8 4 6
3 8 9 4 6 1 2 5 7 0
SALA 2
LITTLE Q [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Law Wing Cheong
Voz do gospel moldada para a música pop, Whitney Houston teve uma carreira fulgurante sempre pautada pelo consumo excessivo de drogas e pela relação conturbada com Bobby Brown. O documentário “Can I Be ME” mostra o outro lado de uma das maiores cantoras pop de todos os tempos e aborda também o desfecho trágico da filha de ambos, Bobbi Kristina, que morreu vítima de overdose pouco tempo depois do falecimento da mãe. Andreia Sofia Silva
SALA 3
THE ANGRY BIRDS MOVIE 2 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Thurop Van Orman 14.30, 16.30,19.30
CRAYON SCHINCHAN 2019 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Masakazu Hashimoto 21.30
www. hojemacau. com.mo
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tensões militares, mas nós não vamos ceder à provocação”, disse ontem o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, citado pelas agências de notícias russas.
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 6
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Cooley 16.30
2 9 5 8 6• 3 4 0 7 1
4 6 0 7 3 8 7 0 9 3 2 5 6 4 1 8 3 5 1 9 3 4 5 8 0 1 6 2 7 9 0 5 8 4 2 1 2 4 5 6 9 7 3 0 8 6 4 7 9 8 6 0 9 7 4 5 1 8 2 3 3 2 1 0 6 2 6 3 1 8 7 9 0 5 4 1 9 2 8 4 7 5 8 0 2 3 4 9 1 6 9 7 6 5 0 4 9 6 3 1 0 2 5 8 7 7 1 3 6 5 9 8 1 4 5 6 0 7 3 2 2Moscovo 0 acusou 9 3Washington 7 de provocar 0“uma1escalada 7 das 2 tensões 9 8militares” 3 4na sequência 6 5 do primeiro teste de um míssil norte-americano de médio alcance após o fim da Guerra Fria. “Lamentamos 5o que8está4a acontecer. 5 3 de2maneira 6 flagrante, 7 4o caminho 8 1da escalada 9 0das 2 1Os Estados Unidos tomaram, 5 2 4 7 8 6 0 9 3 1
4 1 6 3 0 8 5 7 9 2
UM DISCO HOJE
THE ANGRY BIRDS MOVIE 2
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AMERICANO 6 8 4 5 2 9 0 6 3 1 7
5 0 4 7 26 8 1 2 3 9 6
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5 62 84 4 7 8 0 8 6 93 19 1
PROBLEMA 7
3 76 8 01 44 17 59 0 22 5
50 1 63 6 79 45 2 38 4 07
9 7 52 85 0 4 43 06 1 8
7 0 45 33 2 8 91 29 6 4
06 8 99 4 31 53 5 17 0 22
9
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2 4
2 15 71 8 3 9 0 64 57 6
4 3 6 99 7 2 18 1 5 0
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A coluna de hoje é um elogio à contradição. Na noite de segunda-feira, a polícia lançou uma operação de larga escala na Praça do Leal Senado para 7 um 4 acontecimento 3 2 0 8que 6não 9 controlar deixou 1 acontecer. 9 0Temeu 7 que 5 uma 6 vigília 8 4 contra a violência tivesse consequências 6 Como 8 9tal,5e para 3 proteger 2 4 a1 violentas. estabilidade de Macau, decidiu destabili5 0 4 1 7 9 2 3 zar a noite de todos os que circundaram 8praças 6 mais 2 3movimentadas 1 4 7da 0 uma das cidade. De forma a proteger a harmonia 3 2 8 6 9 1 0 5 que reina no território agiu de forma desequilibrada, 2 7 5detendo 9 4pessoas 0 1por 6 terem autocolantes em mochilas. Com 9 5de conter 1 4 a contaminação 8 7 3 2 o objectivo contestatária 4 3de 7Hong0 Kong, 6 5a polícia 9 8 de Macau fez exactamente o contrário 1 6com8gasolina 2 3um fogo 5 7 e tentou0apagar em vias de extinção. Quem teme o enfraquecimento do segundo sistema, 8 fica mais descansado com operanão ções policiais deste calibre, nem com 5 a0direitos 3 3 90 fundamentais 1 7 87 6 o atropelo com 4 justificações 2 72que4ficam 8 entre 9 a6vidência 59 1 do pré-crime e as razões holísticas de uma 6 8 podre, 5 35sustentada 42 03 no29medo 1 e6 harmonia na mordaça. Portanto, sejamos honestos 6 18 5 20 36 4 73 0 quando apregoamos aos sete ventos as 70 únicas 91 0trazidas 69 5pelo1segundo 37 82 vantagens sistema. Outro paradoxo no meio disto 43 25 1 06 84 3 91 59 tudo foi o ajuntamento de malta de camisola branca 9 a80cirandar 6 51pelas28redondezas. 7 46 3 Pelos vistos, uma forma de expressão 78 9 69 55 8 0 0 e3pacífica silenciosa é3o suficiente para 2 meter todos 5 43os quadrantes 2 3 1do status 9 05quo7 político e social em pé de guerra. O con17 de6harmonia 84 7 é qualquer 4 00 coisa 2 96 ceito local de extraordinário. João Luz
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S U D O K U
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4 1 HOUSTON , CAN I BE ME 3| NICK 2 BROOMFIELD 0 8 6 2017 9 WHITNEY 9
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1 7 0 4 3 5 9 1 6 0 2 1 5 4 2 9 9 0 3 7 5 1 7 5 1 9 2 0 9 6 9 3 1 7 8 9 0 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Sofia Margarida 0António 8 Castro Caeiro; 9 António 7 Falcão;4Gisela Casimiro; 2 Gonçalo Lobo Pinheiro; João3Paulo Cotrim;9José6 5 José 8 Navarro 4 Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; Drummond; de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; 1 David0Chan;3João Romão; 7 Jorge 8 5 2 Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia 7 6 Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 5 7 1 6 7 4 0 2 3 5 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
quarta-feira 21.8.2019
JOSÉ MANUEL PUREZA in Esquerda.net
Uma segurança não-securitária
P
OR estes dias, a propósito – e, sobretudo, a despropósito – da greve dos camionistas, multiplicaram-se as vozes a clamar pelo imperioso dever do Governo de defender a segurança dos portugueses e a estabilidade do país. A preocupação é justa, independentemente das circunstâncias: a segurança das pessoas é um bem social de carácter sempre prioritário. Essa segurança a tempo inteiro é social e quotidiana, em contraste com a natureza excepcional de uma segurança meramente reactiva com uma lógica, em última análise, policial. Encarar a segurança como uma resposta de fim de linha, mais do que como um fundamento da organização social, faz facilmente dela um instrumento do estado de excepção. Antes da resposta houve uma série de escolhas que não foram feitas ou que falharam. E quando só resta responder,
facilmente se responde de qualquer maneira, facilmente se resvala para a aceitação de coisas que, por regra, não são aceitáveis. Por exemplo, muitos dos que argumentaram com a defesa da segurança das pessoas para criticar a greve dos camionistas, facilmente aceitaram limitações inaceitáveis ao direito à greve. Não porque muitas dessas pessoas sejam contra o direito à greve ou a favor da sua contração, mas porque foram incapazes de discutir esta greve como uma greve deve ser discutida: uma contraposição entre interesses de trabalhadores e de patrões a requerer uma resposta justa e equilibrada e sem desvarios emocionais. A preocupação principal de quem tem em mente a segurança das pessoas tem
A preocupação principal de quem tem em mente a segurança das pessoas tem que ser a das ameaças “normais’’ à estabilidade da vida da grande maioria. E isso é salário, é pensão, é serviços públicos
que ser a das ameaças ‘normais’, e não ‘excepcionais’, à estabilidade da vida da grande maioria. E isso é salário, é pensão, é serviços públicos. Querem defender a estabilidade das pessoas e, com ela, defender a segurança comum? Defendam a justiça social, os direitos de quem deles é privado por falta de poder económico e social, a equidade das políticas. Defender a segurança de fim de linha é – como quase tudo o que é de fim de linha – o mais fácil e também o mais enganador. Um governo que exibe determinação máxima perante uma greve com consequências económicas certamente sérias, ao mesmo tempo que mostra toda a compreensão com jornadas de trabalho absolutamente excessivas dos trabalhadores que decidiram parar e fórmulas remuneratórias que ludibriam a lei e fogem ao fisco e à segurança social é um governo que falha no que diz estar a acautelar: a defesa das pessoas. Exibições de força deste tipo, que vão de mão dada com uma cuidada dramatização mediática, podem dar resposta ao imediato e podem até render votos, mas não garantem a estabilidade que realmente importa: aquela que dá a cada um projecto de futuro animador.
O homem de hoje não é heróico. Basta-lhe sentir-se poderoso. Mercè Rodoreda
PALAVRA DO DIA
quarta-feira 21.8.2019
HK ACTIVISTAS DESCONFIAM DE PLATAFORMA DE DIÁLOGO ANUNCIADA PELO GOVERNO
A
Viagem sem regresso Londres “extremamente preocupada” com desaparecimento de funcionário
O
ministério britânico dos Negócios Estrangeiros disse ontem que está “extremamente preocupado” com o desaparecimento de um funcionário do seu consulado em Hong Kong durante uma viagem à China continental. Em comunicado, o ministério revelou que já pediu informações às autoridades de Hong Kong e da província de Guangdong, no sul da China, sobre o paradeiro do funcionário, que foi detido quando regressava a Hong Kong, a partir da cidade fronteiriça de Shenzhen. A imprensa britânica identificou o funcionário como Simon Cheng Man-kit. Segundo a sua conta oficial no LinkedIn, Cheng trabalhava como director de investimentos e comércio na Scottish Development International, uma agência de investimento da Escócia, no Consulado Geral Britânico de Hong Kong. O funcionário deslocou-se a Shenzhen para participar num evento de negócios, em 8 de Agosto, mas nunca mais regressou a Hong Kong, apesar do seu regresso estar previsto para o mesmo dia. As autoridades chinesas não comentaram ainda es-
tas informações. Segundo o jornal Financial Times, Cheng escreveu uma mensagem à namorada a pedir que rezasse por ele antes de ficar incontactável.
DA EXTRADIÇÃO
Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental. No início do ano, a China deteve um empresário e um antigo diplomata canadia-
O funcionário deslocou-se a Shenzhen para participar num evento de negócios, em 8 de Agosto, mas nunca mais regressou a Hong Kong, apesar do seu regresso estar previsto para o mesmo dia
nos, após a directora financeira do grupo chinês das telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, ter sido detida em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que a Huawei tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis.Ambos os cidadãos canadianos foram detidos por “prejudicarem a segurança nacional”. O Reino Unido e a China têm trocado algumas críticas, à margem dos quase três meses de protestos na antiga colónia britânica. A China criticou já o secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Dominic Raab, no início do mês, após este ter falado com a líder de Hong Kong, Carrie Lam, sobre os protestos, e pedido uma “investigação totalmente independente” à actuação da polícia, para reconstruir a confiança. “É simplesmente errado que o governo britânico fale directamente com a presidente do Executivo de Hong Kong para exercer pressão”, afirmou então um porta-voz da diplomacia chinesa.
“plataforma de diálogo” anunciada ontem pela chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, foi recebida com desconfiança por activistas pró-democracia contactados pela agência Lusa. “Já vimos isto anteriormente (…) e ficamos com a sensação de que se tratará de uma falsa consulta, (…) mas não uma verdadeira resposta” às reivindicações dos manifestantes, defendeu a porta-voz Frente Cívica de Direitos Humanos, que tem liderado os protestos em Hong Kong. Bonnie Leung, que é também vice-coordenadora do movimento, afirmou que pela experiência de controvérsias anteriores, o modelo de diálogo será “muito limitado em termos de tempo” e “com muitos sectores pró-Pequim”. Ao mesmo tempo que reiterou a vontade de se avançar para “negociações sérias”, Leung criticou que na conferência de imprensa, ontem de manhã, de Carrie Lam não tenha sido dada PUB
qualquer resposta às reivindicações do movimento. A activista sublinhou que a plataforma será “inútil se não se apostar na comunicação com os diversos representantes pró-democratas”. Já o fundador do partido pró-democrata Demosisto, Joshua Wong, elogiou a decisão, mas colocou sérias dúvidas sobre a capacidade de Carrie Lam para liderar esta plataforma. “É uma boa decisão e boa oportunidade para as pessoas de Hong Kong encetarem um diálogo com os decisores de poder”, começou por
comentar o activista. “Mas perguntamo-nos se Carrie Lam é realmente a pessoa certa”, sustentou. O Governo de Hong Kong anunciou a criação imediata de uma “plataforma de diálogo” com “pessoas de todas as áreas sociais”, dois dias após um protesto pacífico que juntou, segundo a organização, 1,7 milhões de pessoas. Em conferência de imprensa, Lam recusou avançar com um inquérito independente para investigar a alegada violência policial, uma das reivindicações dos manifestantes.