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Hoje Macau 21 AGO 2015 #3399

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Mop$10

www.hojemacau.com.mo gonçalo lobo pinheiro

Director carlos morais josé

edifício peng meng

Ou cai ou racha sociedade página 7

s e x ta - f e i r a 2 1 d e a g o s t o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 3 9 9

isabel lopes

Na ponta da Língua entrevista páginas 2-3

hoje macau

pub

Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau

pub

Ter para ler

empregadas domésticas aceitam lista negra. pedem o mesmo para patrões

Luta de classes Após a convocação de um protesto agendado para dia 30 contra as empregadas domésticas, veio a Associação Geral das Mulheres de Macau apresentar um pedido para que se crie um registo criminal das

profissionais do sector. Estas, dizem não ter nada contra este registo, desde que seja justo e, para que haja igualdade de tratamentos, se elabore também uma lista negra de patrões.

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h

opinião

Conceito de internacional Meninas más vêm de fora

Conquista de Ceuta

andré ritchie

isabel castro

josé simões morais

banguecoque

O terror visto de cá sociedade página 8

Do horizonte quase nada anabela canas


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entrevista

hoje macau sexta-feira 21.8.2015

Isabel Lopes directora substituta do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM

Isabel Lopes chegou ao Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa e vê no ensino do português em Macau um desafio imperdível. Confirma haver diferenças na aprendizagem da língua por chineses no mundo, sublinhando que há mais motivação na China do que na RAEM. O Acordo Ortográfico, defende, não é “o desastre”, mas também tem defeitos “A grande diferença é o contexto de imersão, mas a motivação que tenho visto nos alunos que aprendem no continente é notável. É incrível como é que alunos que estão fora do contexto de imersão, conseguem uma proficiência em português absolutamente extraordinária”

Como é que surgiu a oportunidade de vir para Macau integrar o Centro e dar formação de Português como língua estrangeira? Convidaram-me para integrar a equipa do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa e aceitei imediatamente, por várias razões. Era, desde logo um desafio irrecusável por ser relevante e importante em termos profissionais. Há muito que estou ligado ao ensino do português como língua não-materna e linguista e tudo isto era um novo desafio, vivenciar um momento histórico, que é o que está a acontecer nesta altura na China, esta procura pelo português. Em que medida considera essa procura importante, tanto para Macau como para Portugal? A procura do português na China tem, naturalmente, uma razão funcional e instrumental de mercado, mas não vejo nisso um mal. Obviamente que tem consequências, quando levado a um extremo, mas o conhecimento de uma língua transforma-a a si própria numa expressão de cultura. Como linguista, entendo que a língua não se ensina na sua estrutura apenas, mas também enquanto cultura. Quem fala disto, fala de literatura e de tudo o resto que é expressão. Mas na China, a questão da cultura fica um pouco aquém, já que não é possível experienciá-la... Depois de conhecer uma série de instituições de ensino superior na China, de dar formação a professores de português [chineses] que estão na China, tenho vindo a destruir essa ideia, sobretudo porque eles querem também saber questões relacionadas com cultura e vivência do dia-a-dia, não só dos portugueses, mas também dos angolanos e dos brasileiros. Gostam e pedem que falemos de questões relacionadas com a literatura desses países lusófonos. A ideia que se passa não é tão certa como se pensa. Há uma procura pelo português que realmente acontece por razões meramente instrumentais e económicas, mas – e a história prova-o – ao aprender uma língua, nasce muitas vezes a motivação para saber e entender a cultura que lhe está associada. Os professores da China estão, neste momento, também a procurar esses conhecimentos. Porque é que acha que isto acontece? Pessoalmente, porque muitos dos professores tiveram uma formação em Portugal e neles há a vontade

de conhecer outras culturas lusófonas e isso é nítido. Estivemos recentemente em Xangai e os professores de lá solicitaram-nos informações sobre o que se passa no Brasil, em Angola, até mesmo em termos linguísticos... É muito interessante ver como é que eles bebem essa informação.

gonçalo lobo pinheiro

“Acredito que a nossa língua, por si só, já Também foi professora de português como língua não-materna na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Quais são as grandes diferenças entre ensinar alunos com as mesmas características, em dois locais distintos? É muito diferente e essa é uma das reflexões que mais tenho feito. De facto, ensinar português como língua estrangeira em Portugal cria-nos desafios muito diferentes daqueles que cria ensinar o mesmo aqui e na China, onde também há diferenças. Um aprendente de língua materna chinesa que esteja em Portugal está em contexto de imersão, o que não acontece com os alunos da China continental e no primeiro caso, há um ambiente e uma necessidade que não se verifica estando em Xangai ou Pequim, onde o contexto se resume ao tempo da sala de aula. Considera que a aprendizagem em Macau ou na China é mais difícil do que em Portugal? A minha experiência diz-me que há, por parte dos alunos, uma atitude diferente perante a língua estando na China ou em Portugal. Não tenho uma resposta final para a pergunta, porque estou cá há pouco tempo e tenho a experiência de Portugal, que era, confesso, cheia de estereótipos. Em Coimbra tive muitos alunos estrangeiros, nomeadamente chineses e revelavam-se diferentes, sobretudo por interagirem mais entre eles e não tanto com outros alunos. Aquele contexto de imersão que eu achava total, afinal não o era, mas sim parcial. A grande diferença é o contexto de imersão, mas a motivação que tenho visto nos alunos que aprendem no continente é notável. É incrível como é que alunos que estão fora do contexto de imersão, conseguem uma proficiência em português absolutamente extraordinária. Que papel desempenha a motivação no contexto da aprendizagem? A motivação é fundamental na aprendizagem das línguas e há uma tradição de estudar na cultura chinesa, pelo que [estes alunos]

conseguem saber a estrutura da língua portuguesa na ponta da língua. Acredito até que estes alunos [da China] conseguem atingir níveis mais satisfatórios até do que os que estudam em Macau. A ideia de arranjar um emprego está muito vincada na China e o curso de português em algumas universidades chinesas é mesmo considerado um “Curso de Ouro”

“Como linguista, entendo que a língua não se ensina na sua estrutura apenas, mas também enquanto cultura. Quem fala disto, fala de literatura e de tudo o resto que é expressão”

por ser o passaporte para um “emprego de Ouro”. Macau tem vantagens enquanto local de estudo face a cidades da China, por ser um local que junta as culturas portuguesa e chinesa? Aqui temos um ambiente em que a televisão e os jornais são em português e a língua forma ícones e anda nas ruas, como o património edificado. Isto facilita uma apreensão mais global da língua e da cultura, mas o facto do Português não ser [no ensino secundário] uma língua obrigatória faz alguma diferença. Há quem defenda que o português pode vir a ser internacionalizado como é o inglês ou como já foi o francês. Concorda? Acredito que a nossa língua, por si só, já está internacionalizada, com 250 milhões de pessoas a falarem-na no mundo. Tem um capital histórico e simbólico associado em todos os continentes e tem vindo


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hoje macau sexta-feira 21.8.2015

está internacionalizada”

sidade de Macau e a sua dimensão permitem-no, o IPM tem tido um trabalho extraordinário no domínio da língua portuguesa, sem esquecer a abertura do novo curso de Relações Comerciais entre a China e os Países Lusófonos... O presidente do Centro [Lei Heong Iok] vaticinava em 1984, ainda como técnico superior da DSEJ, aquilo que está a acontecer, dizendo que o Português era preciso. Foi quase como uma profecia. Há é necessidade de criar uma estrutura para acolher esta procura do português, mas também de outras áreas. Diria é que o Português é uma marca de Macau, que pode permitir criar a tal plataforma que se quer. Existem aqui todas as condições para transformar Macau num centro de Ensino Superior de excelência. Julgo que a criação dessa plataforma tem mesmo pernas para andar, até porque de acordo com dados do GAES, há um aumento de 5% na procura de cursos em instituições de ensino superior locais. Isto mostra que é preciso investir no ensino em Macau, até porque faz sentido para a China. Considera que há recursos humanos suficientes? Penso que estão a ser adquiridos, com a vinda de vários professores e as formações. Aqui no Centro temos vários professores doutorados e, ao contratar pessoas de fora, está a fazer-se um investimento. É um caminho de crescimento que não se faz, claro, sem dores de crescimento, mas faz efectivamente parte da estratégia do Governo local e da China. Haverá coisas a melhorar, mas há uma vontade assumida de evoluir.

a promover um factor curioso: a China e quem trabalha com a língua portuguesa está a contribuir para essa internacionalização, até em termos do português em termos língua de Ciência. Num dos fóruns em que estivemos recentemente a qualidade das comunicações foi muito elevada e foram feitas em português e versavam sobre isso, por professores chineses de português. O que ali aconteceu foi a internacionalização da língua portuguesa enquanto língua de ciência.

referências bibliográficas, grande parte sendo estudos de professores chineses.

Passou então de um patamar do quotidiano para a Academia... Exactamente. Acho que a língua portuguesa vai ganhar muito com esta geração de professores chineses que falam em chinês, investigam e desenvolvem teses sobre o português. No nosso portal Ponto de Encontro, organizei uma bibliografia à medida que as coisas vão nascendo e crescendo. Neste momento, temos compiladas 201

Chegou há pouco mais de um ano. Que diferenças nota entre o ambiente do Ensino de Portugal e de Macau? Acredito que Macau está no bom caminho para se assumir – e talvez seja uma ideia arrojada – como terceira economia no sector do ensino superior. Ou seja, pode tornar-se, se o caminho que está a ser trilhado der efeitos, numa região de Educação de excelência. A própria Univer-

Considera que a longo prazo, o português poderá vir a ser uma das principais línguas da Ciência? Acredito que tem essa capacidade, mas naturalmente o inglês tem, no seio da comunidade científica, tem muito mais expressão. É importante é perceber que também já se faz Ciência e investigação em português.

“Acredito até que estes alunos [da China] conseguem atingir níveis mais satisfatórios até do que os que estudam em Macau. A ideia de arranjar um emprego está muito vincada na China e o curso de português em algumas universidades chinesas é mesmo considerado um ‘Curso de Ouro’”

Que coisas podem melhorar? O caminho está a ser seguido essencialmente para o ensino superior, mas se formos para o ensino secundário, é diferente. O ensino superior é um reflexo do secundário e os alunos que chegam ao ensino superior para aprender português sem terem tido bases antes, vêm, naturalmente, com um défice. Faria sentido estender o ensino do português para o secundário? Essa é uma questão para os dirigentes porque é mais política. Nós, enquanto professores e especialistas, podemos dizer que se houvesse escolarização em português, os alunos teriam muito mais facilidade em fazer um curso de ensino superior. Tem formação e experiência em Linguística. Como é que vê a questão do Acordo Ortográfico e a sua expressão na aprendizagem do português? Essa é uma questão quente. Tenho um livro publicado sobre isso, que não toma uma posição, mas explica as mudanças que aconteceu no Português Europeu. Confesso que não consigo ver o Acordo como “o desastre” de Vasco Graça Moura,

“Acredito que Macau está no bom caminho para se assumir – e talvez seja uma ideia arrojada – como terceira economia no sector do ensino superior. Ou seja, pode tornar-se, se o caminho que está a ser trilhado der efeitos, numa região de Educação de excelência” mas também não sou uma pessoa que ache que tudo nele faz sentido. Tenho uma visão de linguista nesta questão: ninguém conseguiria hoje ler Camões nem Eça de Queirós nas suas versões originais. A língua é um organismo vivo e evolui na medida em que é usada, portanto há momentos em que é preciso não uniformizar, mas sim “pôr ordem na casa”. A evolução da língua mostra-nos que não é “um desastre” e sei que é uma questão polémica, mas gosto de dizer aos meus alunos, principalmente na China, que o Acordo trouxe benefícios. Ainda não conseguimos é ter abertura suficiente para os vermos, porque temos uma relação afectiva com a língua. Esta passa pelo lema de que “a língua que eu aprendi é que é boa”. Tudo o que venha perturbar esta relação é, de alguma forma, ferir a susceptibilidade. Há muita falsa informação, até porque muitas vezes surge, nos meios de comunicação portugueses, “facto” sem C, quando este não cai. Em todo o caso, acho que o Acordo tem várias virtualidades. Há quem diga que é uma questão política ou económica... Para mim é uma questão em que vale a pena pensar de forma desapaixonada. Caso contrário, caímos em extremos. Em 2049, Macau passa a ser oficialmente parte da China, pelo que estamos ainda num período de transição. Acredita que nessa altura o português pode desaparecer? Não, porque tem sido dito tanto pelo Governo Central como pelo local, que o português é uma condição complementar e essencial para Macau se assumir como plataforma. Se assim o é agora, vai continuar a ser daqui a uns anos. Há razões para acreditar, tendo em conta o investimento que tem sido feito, que a aposta no Português é para continuar e não acredito que este Centro, cuja ambição é crescer, não tenha uma missão para continuar a cumprir. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


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política tiago alcântara

Leong Veng Chai recorda o recente caso da carne estragada no continente e teme que Macau seja alvo deste tipo de contrabando, com a maior expansão de postos fronteiriços

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deputado Leong Veng Chai entregou uma interpelação escrita ao Governo onde teme o aumento de alimentos contrabandeados, nomeadamente carne, com a abertura de novas fronteiras. “A entrada da carne contrabandeada (sem ser submetida a qualquer tipo de inspecção) é uma grande ameaça para a segurança alimentar em Macau, portanto quais são os resultados do regime anti-contrabando em vigor? Com o aumento dos postos fronteiriços, aumenta também a possibilidade de entrada de carne contrabandeada. As autoridades já procederam a alguma avaliação da situação e à optimização das respectivas medidas, no sentido de impedir a entrada de carne contrabandeada em Macau?”, questionou o número dois de José Pereira Coutinho na Assembleia Legislativa (AL). Para além disso, Leong Veng Chai pede maior independência na

hoje macau sexta-feira 21.8.2015

Fronteiras Deputado teme aumento do contrabando de carne

Impróprio para consumo inspecção dos alimentos. “No que respeita à inspecção dos produtos alimentares importados, o Governo da RAEM depende dos certificados de inspecção emitidos pelos locais de origem dos alimentos, mas na prática é difícil aferir a veracidade

desses documentos. Mais ainda essa inspecção feita de forma unilateral pode não obedecer aos nossos requisitos. O Governo da RAEM deve instituir um regime independente para a inspecção aos produtos alimentares, a fim

“O Governo da RAEM deve instituir um regime independente para a inspecção aos produtos alimentares, a fim de oferecer uma dupla segurança aos nossos produtos alimentares. Vai fazê-lo?” Leong Veng Chai Deputado

de oferecer uma dupla segurança aos nossos produtos alimentares. Vai fazê-lo?”, questiona.

Ultracongelada

Recentemente foi descoberto na China um caso de carne contrabandeada que estava congelada há cerca de 30 anos e que estaria a ser vendida ilegalmente em toda a China. “A sociedade ficou estupefacta, pois ninguém imaginava que a carne fora do prazo pudesse ser servida à mesa, mas até agora ainda não se conseguiu detectar a origem dessa carne.” Para o deputado, esse caso pode pôr em causa a segurança dos ali-

mentos consumidos no território. “A carne vendida em Macau é principalmente importada da China. Então as consequências daquele caso podem ser uma ameaça para a segurança alimentar em Macau. Mais ainda a nossa inspecção aos produtos alimentares importados depende, essencialmente, dos certificados de inspecção emitidos pelos locais de origem dos alimentos”, apontou o deputado. Leong Veng Chai aponta que, com o processo de revisão do “Regulamento do licenciamento dos estabelecimentos para a venda a retalho de carnes, pescado, aves e vegetais” “será muito maior a pressão do pessoal responsável pela fiscalização, e vão criar-se preocupações no seio da população sobre a capacidade da Administração, se esta consegue ou não garantir a total segurança alimentar”.

O

Pedido Regime de Formação para empregadas domésticas

Chan Hong, deputada da Assembleia Legislativa, quer que o Governo crie um regime de formação para as empregadas domésticas, acompanhado por um regulamento sobre a prestação do serviços prestados pelas profissionais. Numa interpelação escrita, ainda só em chinês e tornada pública pelo canal chinês da Rádio Macau, a deputada explica que o caso recente dos alegados maus tratos de uma empregada doméstica vietnamita a um bebé de dois meses não é uma situação incomum e que há mais casos destes a acontecer (ver página seguinte). Chan Hong alega que há empregadas a agir incorrectamente de forma consciente para que possam ser despedidas e procurarem novos trabalhos. A deputada espera que o Governo possa rever três leis: a Lei das Relações Laborais, Lei da Contratação dos Trabalhadores Não Residentes e o Regime de Emissão de licenças para as Agências.

deputado Si Ka Lon quer saber se o Governo de Macau pode colaborar com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para a elaboração de instruções claras de protecção da paisagem da Colina da Guia e da Penha, tendo em conta os projectos que vão nascer nos novos aterros. Numa interpelação escrita entregue ao Governo, Si Ka Lon lembrou que os bairros antigos de Macau foram classificados na Lista do Património Mundial da UNESCO há dez anos, sendo que a Colina de Guia entrou na lista do património classificado do Governo por ter alto valor histórico, sendo o símbolo de um porto antigo surgido em Macau. No entanto, o deputado apontou que existem lacunas nos regulamentos em relação à salvaguarda da paisa-

gem desse património, tendo em conta o desenvolvimento da cidade, sem esquecer a altura dos edifícios que serão construídos no lote A da Doca dos Pescadores e zona B dos novos aterros, incluindo as zonas C e D, junto a Nam Van. “Os lotes não estão dentro do âmbito da protecção do património cultural, o que faz com que a altura dos edifícios possa destruir as vistas das Colinas de Guia e da Penha. É necessário que o Governo crie instruções mais concretas para ganhar um equilíbrio entre a protecção do património e o desenvolvimento da cidade.” Assim, Si Ka Lon pede para o Governo, aquando da elaboração do plano director para os novos aterros, reveja o âmbito das zonas de protecção do património, combinando as diferentes características. F.F.

tiago alcântara

UNESCO Si Ka Lon quer instruções claras para novos aterros

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


sociedade

hoje macau sexta-feira 21.8.2015

Domésticas Empregadas aceitam registo criminal com condições

Que seja para todos nós Um registo criminal sobre as empregadas domésticas é o que pede a AGMM. Afastando a ideia de ‘lista negra’ a associação apela a um regime mais claro e com mais informações. Empregadas não se importam, mas a existir que seja também criado um para os patrões

N

o início desta semana, a União de Empregadores dos Serviços Domésticos avançou com a notícia de um protesto – a acontecer no dia 30 do presente mês – contra as empregadas domésticas, que conta, segundo explicou a união em causa, com mais de mil inscrições. O mote são os alegados maus tratos de uma empregada doméstica, natural do Vietname, a um bebé de dois meses. Aliado a este movimento, a Associação Geral das Mulheres de Macau (AGMM), segundo o jornal Tribuna, entregou um parecer à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), pedindo a criação de uma lista negra das profissionais, a divulgação do registo criminal das empregadas e ainda a diminuição da permissão de permanência das mesmas no território. “É preciso esclarecer que não se trata de uma lista negra, não é isso. O que pedimos ao Governo é que as agências de trabalho tenham um registo criminal das empregadas, mais informações do que aquelas que têm agora, que achamos nós, são poucas”, começa por esclarecer ao HM, Wong Kit Cheng, presidente da AGMM. Para a presidente o mais recente caso dos maus tratos ao bebé é só mais um exemplo. “Não é o único caso, já aconteceu mais vezes, por isso é que é importante perceber que tipo de empregada doméstica os empregadores estão a contratar”, explica, exemplificando “imagine que uma empregada comete um crime, bate, rouba, seja ele qual for, depois foge para o seu país e passados uns meses quer voltar a Macau, essas informações devem estar no seu registo, para que o empregador saiba que ela já cometeu crimes”. A elaboração deve ser feita, diz Wong Kit Cheng, pela própria agência, mas o Governo têm de assumir um papel activo nesta questão. “É preciso que também os serviços de migração tenham acesso ao registo criminal das empregadas, mas mais do que isso é preciso que o Governo acelere todos os processos quanto aos regulamentos relativamente à contratação de empregadas doméstico”, adianta.

Segundo números avançados pela própria associação ao HM, neste momento Macau conta com mais de 20 mil empregadas domésticas que não estão em concordância com o regime em vigor. “Se são 20 mil empregadas isto

quer dizer que são 20 mil famílias a serem prejudicadas pela falta de um bom regime”, defende. Quando questionada sobre o protesto a realizar no final do mês, Wong Kit Cheng acredita que o mesmo servirá para pressionar o

Executivo e fazer com que “ele trabalhe mais rápido”. Mas ainda assim esta não é a melhor forma. “Depois da reunião com a DSAL percebemos que o Governo está com vontade de trabalhar e melhorar esta questão. Acho que o protesto não é a melhor forma para expressar as opiniões”, diz.

Outros registos

Em declarações ao HM, Diana La, empregada doméstica, natural das Filipinas não se mostrou contra a criação de um registo criminal ou ao pedido de mais informações por parte das agências de trabalho. “Concordo, mas as situações devem ser muito bem explicadas e não ter registo criminal só porque o patrão acha que houve crime”, clarificou. A empregada doméstica adianta que o registo deve “depender da gravidade dos casos”, se assim for, Diana concorda “que exista esta espécie de lista de informações”. Também Vivian Ui, empregada doméstica, concorda com a existência deste registo. “Não me importo nada que haja este registo, mas tudo depende da situação, depende do caso, se for um crime, claro que sim, agora se for um mal entendido não acho que deve ir para o registo”, defende. Mas para atingir a “igualdade e a justiça de tratamento é necessário que também haja um registo do tipo de empregadores, se eles já tiveram problemas ou foram acusados de crimes por maus tratos às empregadas domésticas”, defende.

“É preciso esclarecer que não se trata de uma lista negra, não é isso. O que pedimos ao Governo é que as agências de trabalho tenham um registo criminal das empregadas” Wong Kit Cheng Presidente da AGMM

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“Somos seres humanos, devemos ser tratados como tal e, sim, acho que deve haver um registo criminal, mas para empregadas e patrões, assim também para que eles aprendem a lição e nós, empregadas, sabermos se este ou aquele é um bom ou mau patrão” Vivian Ui Empregada doméstica

“Aqui em Macau são poucos casos que tenho ouvido, mas quando trabalhava em Hong Kong todos os dias ouviam histórias de empregadas domésticas a sofrerem de maus tratos. Maus pagamentos, más condições, violência, são muitos os casos que ouvi e tomei conhecimento”, relata Vivian Ui. Também Chat Su, empregada há mais de 10 anos, construiu a sua vida em Macau e já ouviu algumas histórias de maus tratos às empregadas domésticas. “Não coisas muito violentas, mas maioritariamente é a falta de pagamento dos salários, ou até salários muito baixos. Também há aqueles patrões que não dão férias às empregadas, e nós queremos ver a nossa família, também queremos ir ao nosso país”, conta. “Somos seres humanos, devemos ser tratados como tal e, sim, acho que deve haver um registo criminal, mas para empregadas e patrões, assim também para que eles aprendem a lição e nós, empregadas, sabermos se este ou aquele é um bom ou mau patrão”, termina Vivian. Questionada sobre a criação de um registo também para os empregadores, a presidente da associação disse que não faria muito sentido. Filipa Araújo (com Flora Fong) filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Macau Legend Development com prejuízos de 68,4 milhões dólares de Hong Kong

O

grupo Macau Legend registou prejuízos de 68,4 milhões de dólares de Hong Kong no primeiro semestre do ano, que atribuiu à diminuição das receitas brutas nos seus casinos. O grupo opera dois casinos sob a bandeira da Sociedade de Jogos de Macau (SJM). Em comunicado divulgado na quarta-feira, o presidente e director-executivo da Macau Legend, David Chow, contextualizou os resultados na

tendência de queda registada nos casinos da região no primeiro semestre de 2015. Entre Janeiro e Junho, as receitas de jogo totais ascenderam a 698,2 milhões de dólares de Hong Kong, menos 219,3 milhões de dólares de Hong Kong ou 23,9% do que no período homólogo de 2014. Já as receitas do jogo caíram 31,3% para 449,9 milhões de dólares de Hong Kong e as receitas extra jogo baixaram 5,4%

para 248,3 milhões de dólares de Hong Kong. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) foi de 128,4 milhões de dólares de Hong Kong, menos 70,4% em relação aos primeiros seis meses de 2014. Além da diminuição das receitas brutas dos casinos, a Macau Legend justifica as perdas com o aumento das despesas operacionais – em particular os custos

de pessoal; com o aumento na depreciação global relacionada com os investimentos na abertura do Hotel Harbourview – a 2 de Fevereiro deste ano –; e com amortizações. A empresa anunciou também que o número de visitantes do empreendimento da Doca dos Pescadores, junto à qual está localizado o novo Harbourview, atraiu mais 2,7% de visitantes para um total de 1,9 milhões de pessoas. HM/LUSA


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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 506/AI/2015 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora KOU IOK CHENG, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 51725xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 116/DI-AI/2013, levantado pela DST a 08.10.2013, e por despacho da signatária de 12.08.2015, exarado no Relatório n.° 550/DI/2015, de 06.08.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada em Macau, na Rua de Bruxelas, n.os 240-242, Jardim Hang Kei, Bloco 1, 4.° andar B onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ----------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Agosto de 2015. A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai

Anúncio Nos termos dos artigos 68º, 70º e n.º 2 do 72º do Código de Procedimento Administrativo, notifica-se o interessado Seng Ka Ip, portador do BIRP n.º 5183xxxx que, de acordo com o Despacho do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, de 8 de Maio de 2015, por motivo da desistência de Seng Ka Ip da frequência do Curso de formação para o ingresso na categoria de guarda da carreira do Corpo de Guardas Prisionais, nos termos do n.º 5 do artigo 29º, do Regulamento Administrativo n.º 23/2011, o interessado é excluído da lista classificativa final e é anulado o despacho de autorização do provimento por contrato de assalariamento do mesmo. O interessado Seng Ka Ip pode apresentar reclamação do referido despacho, para o Secretário para a Segurança, bem como, interpor recurso contencioso para o Tribunal de Segunda Instância, respectivamente, no prazo de 15 dias ou 30 dias, a contar da data da publicação do presente anúncio. Estabelecimento Prisional Macau, aos 14 de Agosto de 2015. O Director do EPM Lee Kam Cheong

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Toi San Problemas na estrutura de prédio cada vez maiores As rachas do edifício Peng Meng, localizado na Rua Central de Toi San, estão cada vez entretanto suspensas, mas não têm parado de crescer, aponta o diário maiores e nem a chinês. A película de protecção coSTDM, proprietária, locada pela Direcção dos Serviou o Governo ços de Solos, Obras Públicas e (DSSOPT) já saiu apresentam soluções. Transportes do lugar, tendo sido deslocados diversos cabos de electricidade. A Aliança do Povo Um dos moradores, de apelido Cheang, contou ao Ou Mun que da Instituição de muitas vezes caem pedaços de cimento nos corredores. Mas até Macau exige maior ao momento nem a STDM nem o comunicação Governo intervieram. ou mun

Discórdia cimentada

O

jornal Ou Mun noticia na sua edição de ontem o estado de degradação a que chegou um prédio da Rua Central de Toi San, propriedade da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) e onde residem 40 pessoas. As fendas começaram a surgir com as obras para a habitação pública do terreno ao lado,

É

já na próxima segunda-feira que o ano lectivo arranca no Instituto de Formação Turística (IFT) com a entrada de mais de 350 novos alunos, que não será no ano de estreia que irão usufruir das novas instalações do instituto. Em declarações à imprensa local, a presidente do IFT, Fanny Vong, explicou que a inauguração não será este ano devido a aos trabalhos de renovação necessários. “Estão em boas condições”, disse, referindo-se aos 21 andares do prédio que pertencia à Universi-

“A STDM já não cobra renda aos inquilinos e acredito que isso é para nós sairmos à vontade. Mas ganho muito pouco e não tenho capacidade para arrendar uma casa lá fora”, relata o morador. Em Abril do ano passado, o HM visitou o edifício e pôde constatar o elevado grau de degradação do prédio. Ao falar com moradores, foi-nos dito que temiam ser expulsos pela STDM, para que a empresa pudesse desenvolver um

empreendimento naquele lugar. Contudo, até ao momento, não voltaram a receber novas cartas. A possibilidade de um despejo foi denunciada pelos moradores à Aliança do Povo de Instituição de Macau. Um ano depois, Chan Tak Seng, presidente, confirma uma pior situação no edifício Peng Meng e diz que a explicação

da DSSOPT não convence. “Não pode dizer que as rachas são um problema estrutural do edifício”, disse ao HM. A última visita que a associação fez ao edifício foi o ano passado, com a deputada Song Pek Kei, numa altura em que a Escola de Nossa Senhora de Fátima foi reconstruída. Os moradores sentiram

IFT Novos hotéis, grandes oportunidades

Inauguração a meio gás dade de Macau. Mas ainda assim são precisos “alguns trabalhos de renovação, como pintar as paredes para que os alunos possam usufruir do dormitório. Depois, os restantes pisos vão ser usados para escritórios, salas de aula, centros de actividades para alunos e espaço para actividades culturais e recreativas”. Vanny Fong acredita que

as instalações irão estar prontas já no próximo ano lectivo.

Uma boa opção

Luana Pereira, de 18 anos, é uma das alunas que começa agora a sua licenciatura Gestão Hoteleira. As várias opções que se apresentam no território fizeram com que a aluna escolhesse esta área de formação. A aluna considera

que o IFT está equiparado a todas as outras escolas superiores da áreas. “A base é igual em todo lado”, disse. Também Benjamim Noruega, que escolheu a área de hotelaria para a sua formação, acredita que o IFT é uma das “melhores opções”. “Há uns anos até poderia não ser muito bom, mas agora, depois de fazer uma pesquisa, e dos professores que tem, acho que

o chão a tremer com as obras e sentiram medo. “Consegue-se colocar um tijolo dentro das rachas, por isso podemos imaginar o nível dos danos. Com as chuvas e o passar do tempo, acho que existe um certo perigo”, disse Chan Tak Seng.

Urgente resolver

Para o responsável, o Governo deve apresentar uma medida preventiva para o edifício, sendo que não deve demorar mais tempo com estudos feitos por especialistas. “A análise pode estar longe da realidade, porque podem ocorrer danos ou mortes se não se resolver o problema de forma activa. Não devemos ter uma atitude como o tratamento que foi dado no caso do Sin Fong Garden.” Chan Tak Seng pede ainda que o Executivo comunique mais com a STDM para encontrar uma solução, mas não deve permitir que sejam apenas os moradores a falar com a empresa. “A resposta deles deve ser apenas que deixam sair as pessoas do edifício, mas isso não ajuda. O ângulo do Governo deve ser sempre proteger os interesses públicos.” O HM tentou consultar a STDM para saber a situação e os planos para o edifício, mas não obteve uma resposta até ao fecho da edição.

é uma escola muito boa”, defende. Um dos aspectos mais positivos são os intercâmbio que o IFT oferece. “Quero estudar aqui dois anos e depois fazer o intercâmbio para a Suíça”, remata. O futuro, mesmo com a baixa nas receitas do Jogo, que poderá mexer com o número de contratações, não preocupa os jovens, que acreditam que Macau continuará a ter muitas oportunidades. “A taxa de desemprego continua a ser muito baixa e nos últimos anos Macau esteve muito constrangido em termos de recursos huma-

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

nos. Claro que as receitas do Jogo estão a cair, mas temos esperança de que vão precisar de pessoas para as outras áreas – as extra-Jogo, como a restauração, actividades recreativas e de lazer, que os operadores estão a tentar adicionar aos novos resorts”, defendeu ainda Fanny Vong, em declarações à margem da cerimónia do início do ano lectivo, dando a construção do novos empreendimentos turísticos como motes de vagas para os alunos formados pelo IFT. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 501/AI/2015

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 505/AI/2015

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor TUNG, Ah Choi, portador do Hong Kong Permanent Identity Card n.° D3360xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 15/DIAI/2014 levantado pela DST a 25.01.2014, e por despacho da signatária de 12.08.2015, exarado no Relatório n.° 546/DI/2015, de 23.07.2015, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Praceta de Um de Outubro n.os 119-131-B, Edf. I Keng 6.° andar H onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora 王婧, portadora do passaporte da RPC n.° E02552xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 116/DIAI/2013, levantado pela DST a 08.10.2013, e por despacho da signatária de 12.08.2015, exarado no Relatório n.° 549/DI/2015, de 06.08.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada em Macau, na Rua de Bruxelas, n.os 240-242, Jardim Hang Kei, Bloco 1, 4.° andar B onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ----------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Agosto de 2015.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Agosto de 2015. A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai

A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai


8 sociedade

Gabinete de Gestão de Crises de Turismo (GGCT) confirmou ao HM que os dois residentes de Macau que pediram ajuda para sair de Banguecoque decidiram, afinal, continuar a sua viagem. Numa resposta escrita, o gabinete confirmou que “após contactado a companhia aérea sobre a possibilidade de anteciparem o regresso, foram informados pela mesma que não seria possível, uma vez que não existem vagas disponíveis no regresso. Os mesmos decidiram continuar a sua viagem, uma vez que estavam em segurança”. “O GGCT relembrou aos dois residentes de Macau para terem em conta as devidas precauções de segurança de modo a salvaguardarem a sua segurança pessoal”, aponta o organismo, que garante que não voltou a receber pedidos de ajuda, apenas um total de 162 pedidos de informação. Entretanto a Air Macau lançou ontem um comunicado onde dá conta do ajuste dos voos para os passageiros que compraram as viagens antes do dia 18, para voos a realizar até 31 de Outubro. Quem

U

m total de 16 funcionários do grupo Melco Crown queixaram-se ao departamento dos recursos humanos sobre a promoção que lhes foi prometida. Ronald Lou, líder de do grupo “Novo poder de Melco Crown”, criado recentemente, referiu que existem mil funcionários que estão a ser afectados pelo mau mecanismo de promoção da companhia. O líder do grupo Forefront of the Macao Gaming, Ieong Man Teng e a ex-secretária-geral, Cloee Chao, juntamente com os trabalhadores dos casinos Altira e City of Dream, entregaram uma petição ontem ao departamento dos recursos humanos da Melco-Crown. Ieong Man Teng explicou aos meios de comunicação que existem cerca de mil funcionários na posição de “HD Dealer” nos casinos. Esta posição está equiparada a um cargo de estagiário, por não ser fixa, e pela mobilidade de funções

Tailândia Residentes decidem seguir viagem

Paz explosiva

Os dois residentes de Macau que pediram ajuda para sair de Banguecoque não o conseguiram fazer por dificuldades na marcação do voo. A Air Macau vai permitir ajustes nas viagens já compradas. Tailandeses em Macau temem impacto negativo no turismo comprou bilhetes poderá alterar a data ou a rota até 30 de Novembro.

Vozes de naturais

Ao HM, três tailandeses a residir em Macau contaram o que sentiram quando souberam do incidente à distância. Alice, a viver no território há 34 anos, onde trabalha num restaurante, confessa ter chorado quando viu as notícias.

“Há sempre muitos turistas a visitar o templo (Erawan), porque é que isso aconteceu? O tempo foi destruído mas pode ser reparado, as pessoas que morreram é que já não podem voltar”, contou ao HM por telefone. Quem também chorou foiAmanda Kathapitak, recém-licenciada. “Vi as notícias no Facebook quatro horas após o incidente. Cresci em

Banguecoque e claro que fiquei chocada. Vi o vídeo e de imediato comecei a chorar. Liguei aos meus familiares e amigos mais próximos e sei que estão bem, mas o incidente foi tão inesperado que nunca pensei que pudesse acontecer na minha cidade natal”, disse ao HM. Todos consideram que, mais do que as mortes e o clima de medo, o atentado trouxe, sobretudo, problemas ao turismo, principal actividade económica da Tailândia. “Não é algo bom para nós, tailandeses. Recebemos muitos turistas chineses, de Hong Kong e Macau e depois disto ouvi dizer que muitos residentes de Hong Kong estão mais cuidadosos em fazer viagens para a Tailândia. Isso é mau para o país”, disse Justin, ex-estudante da Universidade de São José. “Não faço ideia se o país vai continuar a ser seguro. A explosão afectou muito as coisas e vai fazer com que os turistas tenham receio em visitá-lo”, considerou Alice. Para já as autoridades tailandesas falam de dez pessoas que poderão estar implicadas no atentado, recusando associar o incidente ao terrorismo. “É improvável que seja o trabalho de um grupo terrorista

internacional. Os cidadãos chineses não eram um alvo directo”, disse Winthai Suvaree, porta-voz da junta militar, citado pela Lusa. “Há muitas razões que podem ter levado a isto. Estamos sob lei marcial e com um governo militar. A maioria das pessoas na Tailândia sentem-se reprimidas. Muitos dizem que pode ter sido alguém tailandês, mas também foi dito que o Governo não foi a razão”, considerou Amanda Kathapitak. Justin não nega a possibilidade do ataque poder ter sido engendrado por chineses uigures, uma vez que a Tailândia deportou oito pessoas desta etnia chinesa muçulmana para a Turquia, em Julho. “Há muitas especulações, muitas que dizem que pode haver ligações ao Estado Islâmico, outros acham que os uigures querem vingar-se do Governo tailandês. O Governo e as pessoas estão a tentar o melhor para ajudar as vítimas locais e estrangeiras. Poderá ser alguém que quer destruir a nossa economia, ou alguém que quis que a sua voz fosse ouvida de forma violenta, o que é errado e tirou muitas vidas inocentes.”

Melco Crown Funcionários queixam-se de falta de promoção justa

O cargo não atingido consoante o dia de trabalho. Estes funcionários podem assumir responsabilidades de croupier ou pit supervisor, caso seja necessário, mas nunca são recompensados monetariamente como tal, existindo uma diferença – quando comparados com os funcionários que ocupam esses mesmos cargos – de milhares de patacas.

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hoje macau sexta-feira 21.8.2015

Falsas expectativas

“Quando a Melco Crown anunciou a publicidade para recrutamento, garantiu aos trabalhadores que a possibilidade de promoção para os novos funcionários seria de 25%. No entanto, entre os mil funcionários em posição de HD Dearlers, apenas cerca de 70 foram promovidos, ou seja, a proporção nem sequer atingiu os 10%. Alguns trabalham para a companhia há cinco anos,

parece um estágio eterno. Para além de que esta promessa de promoção nunca fui cumprida”, argumentou Ieong Man Teng. Além disso, o líder de um grupo “Novo poder de Melco Crown”, Ronald Lou

, que actualmente ocupa o lugar de pit supervisor, nunca foi promovido depois de trabalhar durante vários anos, ganhando experiência para ser promovido, mas de um dia para outro voltou a assumir funções de HD

dealer, uma posição abaixo da que ocupava no início. Para o líder não existe um mecanismo transparente na promoção entre os trabalhadores e muitas vezes, defende, quem trabalha pior é que é promovido e aqueles

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

que trabalham bem ficam muitas vezes esquecidos. Se o comportamento e conduta da operadora se mantiver em igual registo, diz o líder, os trabalhadores deixaram de ter confiança no entidade patronal. O funcionário Knight Wong é um dos exemplos da posição HD Dearlers. Knight contou ao HM que já trabalha há três anos, e assistiu a muitas situações em que os próprios colegas se exibiam como excelentes profissionais aquando a presença dos seus superiores só para conseguirem subir de cargo. No entanto, diz, existem colegas que sempre foram muito profissionais mas nunca atingiram a promoção. A petição entregue ontem contém ainda 300 assinaturas de funcionários da Melco Crown. O grupo não exclui a hipótese de realizar uma manifestação no futuro, caso a operadora não responda a esta solicitação de forma activa. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo


china

hoje macau sexta-feira 21.8.2015

Tianjin Câmara assume responsabilidades

Chefe dá a cara O presidente da câmara da cidade chinesa de Tianjin, Huang Xingguo, assumiu na quarta-feira a responsabilidade pelas explosões ocorridas no terminal de contentores há uma semana, informou a agência oficial Xinhua. “Como chefe do governo municipal e do Partido [Comunista] em Tianjin, tenho uma responsabilidade inquestionável”, disse Huang. As explosões, cuja causa ainda não foi revelada, aconteceram num armazém da companhia Ruihai International Logistics, pouco antes da meia-noite do passado dia 12 de Agosto, e causaram pelo menos 114 mortos, mais de 700 feridos e 65 desaparecidos, números que oscilam diariamente. Entre os desaparecidos estão vários bombeiros, bem como entre os mortos, a quem Huang chamou “heróis”. O presidente da Câmara instou a que se aplique “tolerância zero” à empresa e às pessoas responsáveis pelo ocorrido “sem se ter em conta quem são e que contactos têm”. Vários dirigentes de nível médio do porto estão a ser investigados e o organismo anti-corrupção do Partido Comunista abriu inquéritos sobre Yang Dongliang, responsável pela Segurança Laboral do país, e Xiong Yuehui, um alto cargo do Ministério de Protecção do Meio Ambiente. Xiong Yuehui foi vice-presidente da Câmara de Tianjin, sob as ordens do actual vice-primeiro-ministro chinês, Zhang Gaoli, um dos sete membros do Comité Permanente do Partido Comunista.

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Curso sobre o regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo Objectivo:

Nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 67.º do Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo, no n.º 1 do artigo 36.º e no artigo 37.º da Regulamentação do Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo, pretende-se ministrar acções de formação especial sobre procedimentos administrativos, legislações aplicáveis, assim como especificações técnicas para os profissionais do sector privado não inscritos ou inscritos há menos de um ano, à data da entrada em vigor do Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo (dia 1 de Julho de 2015) que planeiem proceder à inscrição ou à renovação da inscrição na DSSOPT para exercerem funções de elaboração de projectos, de direcção de obras ou de fiscalização de obras. Destinatários: Os profissionais do sector privado que preencham os seguintes requisitos: (1) Titulares dos graus académicos referidos na alínea 1) do n.º 1 e no n.º 2 do artigo 2.º do Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo; (2) Nunca estiveram inscritos ou encontravam-se inscritos na DSSOPT há menos de um ano à data da entrada em vigor da referida lei (dia 1 de Julho de 2015); (3) Aqueles que, para efeitos de exercício de funções de elaboração de projectos, de direcção de obras ou de fiscalização de obras, planeiam proceder à inscrição ou à renovação da inscrição na DSSOPT. Sendo o número de vagas limitado, os candidatos que reúnam os requisitos sobreditos serão admitidos conforme a ordem de inscrição.

Admissão:

Entidade organizadora:

“Como chefe do governo municipal e do Partido [Comunista] em Tianjin, tenho uma responsabilidade inquestionável”

Turma

Data

A

16 e 17 de Setembro de 2015

B

14 e 15 de Outubro de 2015

C

11 e 12 de Novembro de 2015

Cantonês (com interpretação simultânea em Português)

D

25 e 26 de Novembro de 2015

Cantonês (com materiais em Chinês)

Economia a salvo

Huang sublinhou que são necessários “mais cálculos” para avaliar os danos causados pelas explosões, mas garantiu que não vão afectar os pilares da economia de Tianjin cujo porto é o mais importante do norte da China. “Nas áreas afectadas só há 176

empresas e a maioria delas não realizava negócios de importação e exportação”, acrescentou. A agência de ‘rating’ Fitch Ratings estimou há dos dias um possível custo entre “1.000 e 1.500 milhões de dólares” para as seguradoras, e considerou que a tragédia pode tornar-se “uma das indemnizações por catástrofe mais dispendiosas” para o sector na China, nos últimos anos.

Nível de cianeto 356 vezes superior ao permitido Amostras de água recolhidas na zona da explosão da semana passada em Tianjin, norte da China, apresentaram um nível de cianeto de sódio 356 vezes superior ao permitido, informaram ontem as autoridades. “Um nível excessivo de cianeto foi detectado em oito pontos (de água) diferentes,

o mais alto dos quais atingia 356 vezes” o nível permitido, informou o Gabinete de protecção ambiental de Tianjin. O gabinete precisou que foram recolhidas amostras de água em 25 locais diferentes do interior da zona “de isolamento” em volta do local da explosão.

Língua veicular Cantonês (com materiais em Chinês)

Horário

09H30-12H45, 15H00-17H00 4.ª e 5.ª - feiras (2 Dias)

Local: Estrada de D. Maria II, N.º 33, 5.º andar,Sala Polivalente

Huang Xingguo Presidente da Câmara de Tianjin

As investigações a Yang e Xiong não foram oficialmente ligados às explosões.

DSSOPT

Prazo de inscrição: De 20 de Agosto de 2015 a 04 de Setembro de 2015 (Não serão aceites inscrições fora do prazo) Formalidades de inscrição: Os interessados que reúnam os referidos requisitos podem entregar na Secção de Atendimento e Expediente Geral situada no rés-do-chão da DSSOPT o formulário de inscrição devidamente preenchido, juntamente com a fotocópia do BIR de Macau, durante o horário de expediente. O formulário de inscrição pode ser descarregado na página electrónica da DSSOPT (http:// www.dssopt.gov.mo) ou levantado pessoalmente no rés-do-chão da DSSOPT situada na Estrada de D. Maria II, N.º 33. Gratuita Taxa: Certificado de frequência: Os participantes com 100% de frequência recebem certificado emitido pela DSSOPT . Informações: Observações:

Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Endereço: Estrada de D. Maria II, N.º 33, Macau Tel.: 85903800 Página electrónica: http://www.dssopt.gov.mo Horário de expediente: De 2.ª a 5.ª feira, das 09H00 às 17H45 (sem interrupção) 6.ª feira, das 09H00 às 17H30 (sem interrupção) Em caso de litígio, a DSSOPT reserva-se o direito de decisão final.

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eventos

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Filmes de Jacques Tati restaurados regressam às salas

Bem-vindo Sr. Hulot T

odo o cinema do realizador francês Jacques Tati será exibido, pela primeira vez, em Portugal, em versão digital restaurada, ao longo das próximas semanas, desde ontem, em Lisboa, e a partir de 1 de Setembro, no Porto. O ciclo dedicado a Jacques Tati, “mestre francês da comédia”, como descreve a Leopardo Filmes, contará com todas as seis longas-metragens que realizou e ainda sete curtas-metragens de exibição inédita em Portugal e que o cineasta escreveu ou interpretou. A retrospectiva, começou ontem, no Espaço Nimas, em Lisboa

- e tem início a 1 de Setembro, no Teatro Campo Alegre, no Porto -, com “Sim, Sr. Hulot” (1971) e acontece depois de a cinematografia de Jacques Tati ter sido alvo de restauro digital em 2013 e edição em Blu-ray. A acompanhar o ciclo, o Espaço Nimas acolherá uma exposição de cartazes das longas-metragens de Jacques Tati, reinterpretadas pelos ilustradores portugueses André Letria, Marta Monteiro, Madalena Matoso, Sara-a-dias, João Fazenda e Catarina Sobral. No ciclo, além de “Sim, Sr. Hulot” serão ainda exibidos “Há festa

na aldeia” (1949), “As férias do Sr. Hulot” (1953), “O meu tio” (1958), “Playtime - Vida moderna” (1967) e “Parade”, o último filme, feito em 1974 para a televisão sueca. A eles juntam-se as curtas-metragens “Procura-se brutamontes” (1934), de Charles Barrois, “Domingo animado” (1935), de Jacques Berr, “Cuida do teu gancho esquerdo” (1936), de René Cleement, “A escola de carteiros” (1946), de Tati, “Aulas noturnas” (1967), de Nicoolas Ribowski, “Especialidade da Casa” (1976), de Sophie Tatischeff (filha, montadora e assistente de Jacques Tati), e “Força, bastia” (1978), feito a meias entre pai e filha.

Eterno protagonista

Jacques Tati, que tinha ascendência russa, francesa e holandesa, protagonizou todos os seus filmes. Se, em “Há festa na aldeia”, era o distraído carteiro François, nas restantes longas-metragens (exceptuando “Parade”) assume uma das mais conhecidas personagens, que, para sempre, se lhe colou à pele: o desconcertante Sr. Hulot, de chapéu, cachimbo e gabardine. A primeira vez que Jacques Tati se filmou como Sr. Hulot foi em “As férias do Sr. Hulot”, filme exibido em Cannes e nomeado para os Óscares. Seguiu-se a comédia “O meu tio”, que lhe valeu em 1959 a estatueta dourada de Hollywood de melhor filme estrangeiro. Depois dos ambientes campestres, dos tempos de veraneio e em família, Tati filmou a vida moderna numa grande cidade, Paris, em “Playtime” - um ícone do cinema, mas um fracasso de bilheteira que levou o realizador à falência -, e “Sim, Sr. Hulot”, sobre uma aventura nas autoestradas de França e da Bélgica, em direção a uma feira automóvel. Em “Parade”, o filme com que se despediu na década de 1970, Jacques Tati presta um tributo ao mundo do espectáculo e do circo. Jacques Tati morreu em 1982, vítima de uma pneumonia, deixando por concluir o projecto “Confusion”.

À venda na Livraria Portuguesa A Anatomia do Segredo • Leslie Silbert

Inglaterra 1593: Três semanas antes da sua enigmática morte, o famoso e sedutor Christopher Marlowe goza um enorme sucesso como dramaturgo. Rival de Shakespeare e espião ao serviço da Rainha da Inglaterra, Marlowe conhece o submundo de Londres como a palma das próprias mãos. Nova Iorque, actualidade: Kate Morgan, uma jovem licenciada em história da arte, trabalha como detective numa agência privada com ligações à CIA. A hábil e encantadora Kate é contratada pelo jovem milionário Medina para desvendar o mistério de um tomo escrito há mais de 400 anos que tem em seu poder. Quando as páginas amareladas começam a desvendar os seus segredos... o que esconderá este manuscrito? O que fará com que séculos mais tarde ainda leve alguém a matar?

Bruno Saavedra expõe fotografias em Port

Sabores à O brasileiro, ex-residente em Macau, apresenta pela primeira vez em Portugal uma mostra do seu trabalho com a máquina fotográfica. “Flavors” chega à zona de Almeirim em Setembro

O

fotógrafo luso-brasileiro Bruno Saavedra, ex-residente de Macau, expõe pela primeira vez em Portugal, em Setembro, apresentando fotografias de corpos envolvidos em ingredientes culinários. A mostra, constituída por 30 fotografias, intitula-se “Flavors” (Sabores), e é inaugurada no dia 5 de Setembro, na Galeria Municipal de Almeirim, no Ribatejo, ficando patente até ao final o mês. Em declarações à Lusa, Bruno Saavedra afirmou que apresenta “fotografias de corpos envolvidos em ingredientes culinários, que se mo-

vem em torno do universo que cada modelo escolheu, naquele momento, para o tempero da sua carne”. “O seu olhar, a expressão do rosto, das mãos, do corpo são a apresentação de um ser feito alimento”, reforçou o artista. “Num espaço branco como uma janela de luz, cada um e cada uma sente a sua pele - toca-lhe, cheira-a, prova-a. Com ela combina odores, texturas, sabores que a temperam e a transformam num objecto novo, sedutor ou apenas provocador, manchado ou abjecto, mas sempre sensual”, explicou o fotógrafo, de 28 anos.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

A Arca • Victoria Hislop

Tessalonica, 1917. No dia em que Dimitri Komninos nasce, um incêndio devastador varre a próspera cidade grega, onde cristãos, judeus e muçulmanos vivem lado a lado. Cinco anos mais tarde, a casa de Katerina Sarafoglou na Ásia Menor é destruída pelo exército turco. No meio do caos, Katerina perde a mãe e embarca para um destino desconhecido na Grécia. Não tarda muito para que a sua vida se entrelace com a de Dimitri e com a história da própria cidade, enquanto guerras, medos e perseguições começam a dividir o seu povo.


eventos 11

a-feira 21.8.2015

Orquestra recria baladas do cinema mundial

A Associação de Regentes de Banda de Macau vai recriar, num concerto a 9 de Setembro, as melodias mais conhecidas de inconfundíveis filmes mundial como são o ‘Titanic’, o ‘Forrest Gump’ ou o ‘Tigre e o Dragão’. Os bilhetes para o evento, que tem início às 20h00, já estão à venda e custam 100 patacas. É a Banda Sinfónica Juvenil de Macau que vai actuar no palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) para apresentar uma série de “músicas temáticas” de filmes considerados clássicos. “A característica principal deste concerto é a combinação das músicas dos filmes clássicos com as produções originais, ou seja, não só poderá recordar as histórias bem conhecidas como também poderá ficar a conhecer uma nova história (...) além disso, as letras e as narrações introduzirão diversas histórias com temas bem diferentes”, afirma a organização.

tugal

à frente da lente A exposição desenvolve-se em torno dos sabores e alimentos do dia-a-dia, procurando “chamar à atenção, de uma forma artística, para todos desperdícios alimentares no mundo”. Na composição das fotografais foram utilizados alimentos como leite condensado, caldo verde, borras de café, mostarda ou puré de batata.

Fora de prazo

Todos “os alimentos utilizados estavam fora do prazo de validade”, realçou o fotógrafo à Lusa. “O projecto ‘Flavors’ começou a ser desenvolvido em Janeiro com pessoas de vivência comum que se mostraram disponíveis para fazer algumas experiências”, disse o fotógrafo. “Numa tentativa de quebrar barreiras, convidei duas pessoas com deficiência auditiva para fazer parte do projecto - para mim foi um desafio e uma experiência inesquecível poder fotografar essas pessoas e perceber que a arte pode ultrapassar

“Num espaço branco como uma janela de luz, cada um e cada uma sente a sua pele - toca-lhe, cheira-a, prova-a. Com ela combina odores, texturas, sabores que a temperam e a transformam num objecto novo, sedutor ou apenas provocador, manchado ou abjecto, mas sempre sensual”

qualquer forma de linguagem”, contou Saavedra. Questionado sobre a escolha de Almeirim para a sua primeira

exposição, o fotógrafo, natural de Itamaraju, no Estado brasileiro da Bahia, afirmou que foi a primeira localidade que o acolheu quando chegou a Portugal, em 2004, e “daí fazia todo o sentido apresentar ali a primeira exposição”. Para a cerimónia de inauguração, o fotógrafo afirmou que se realizará uma “performance” surpresa, “envolvendo sensações sabores e sons”. Em 2010, a convite da Casa de Portugal em Macau, Bruno Saavedra colaborou com a instituição nas programações cultural e artística, e, no ano seguinte, começou a estudar fotografia com o fotógrafo António-Mil-Homens. Regressado a Portugal em 2014, e depois de uma formação em maquilhagem, na Make Up School, começou a desenvolver vários projectos artísticos. Em Maio último desenvolveu o projecto artístico para o espectáculo de homenagem à fadista Argentina Santos, “Gosto da Parreirinha”, levado à cena no Centro Cultural de Belém. HM/LUSA

FIMM Bilhetes à venda a partir de Domingo

Os bilhetes para a 29ª edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) estão à venda a partir deste Domingo. O evento acontece entre os dias 4 de Outubro e 1 de Novembro, com uma oferta de 23 espectáculos. No dia de abertura das bilheteiras, a venda de bilhetes é limitada a um máximo de 10 ingressos por espectáculo e por pessoa, havendo igualmente um limite de dois bilhetes por espectáculo e por pessoa para os espectáculos de entrada com bilhete gratuito. Estão disponíveis, de acordo com a organização, descontos de 40% na compra antecipada de bilhetes entre 23 e 30 de Agosto para quem compre para quatro ou mais espectáculos diferentes.

Teatro Associação Artística Godot em palco no CCM

É no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) que a Associação Artística Godot apresenta, às 20h00 desta sexta-feira e sábado, “A Maneira de Salvar o Mundo”. Trata-se de uma peça de teatro experimental inspirada numa obra do romancista Haruki Muramaki e no ataque terrorista de 9 de Setembro. Os bilhetes para o espectáculo variam entre as 80 e as 100 patacas, com desconto para idosos e crianças. A organização explica que esta peça teatral se baseia nos números 512, 912 e 911, datas que os homens nunca podem esquecer. “Os desastres naturais, destruição de vidas humanas e guerras estão a acontecer a cada segundo em diferentes partes do mundo”, define a companhia de teatro. A história acontece em quatro diferentes regiões do globo e três famílias distintas, que se cruzam devido a um desastre humano. A peça é constituída por três monólogos que versam sobre o ataque terrorista às Torres Gémeas e o romance ‘Super-Sapo Salva Tóquio’, de Muramaki.

Jazz cancelado na Fundação Rui Cunha

A Fundação Rui Cunha informou que foi cancelado o Saturday Night Jazz do dia 22 de Agosto. O concerto agendado para aquela data terá lugar na semana seguinte, no dia 29 deste mês.

Fotografia Biblioteca Central acolhe mostra sobre resistência durante a guerra

A

Biblioteca Central acolhe, pelas mãos do Instituto Cultural, uma exposição fotográfica que versa sobre a Guerra da Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa, há 70 anos. À comemoração da data alia-se a vitória contra o fascismo, de acordo com a organização.

“A Vida da Sociedade de Macau durante a Guerra da Resistência Contra aAgressão Japonesa” está patente de 4 a 30 de Setembro e debruça-se sobre as condições de vida dos residentes locais naquela época. “O Governo português da altura adoptou uma polí-

tica de neutralidade durante a guerra, pelo que Macau se tornou num destino de refugiados de diversos pontos”, adianta o IC. A cidade traduziu-se assim num refúgio para várias pessoas, processo que levou a que as capacidades do territórios escasseassem, como são bens

alimentares, alojamento, educação e segurança pública. Tal, refere o IC, teve “um profundo impacto na vida” de quem por cá nasceu. As fotografias expostas retratam uma série de “comoventes histórias” sobre a resistência à guerra. São mais de 20, as fotografias expostas,

disponibilizadas pelo Museu de Macau, pelo Centro de Estudos das Culturas Sino-Orientais do Instituto Politécnico de Macau e pela Associação dos Coleccionadores de Antiguidades de Macau. A entrada é gratuita e a mostra pode ser vista diariamente, até às 20h30. LSM


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A CONQUISTA DE CEUTA FOI HÁ 600 ANOS

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assam hoje seiscentos anos da conquista de Ceuta pelos portugueses, que ocorreu a 21 de Agosto de 1415 e poucos dias após essa vitória sobre os mouros, o Rei D. João I aí armou cavaleiros os seus filhos, o príncipe herdeiro D. Duarte e os infantes D. Pedro e D. Henrique. Esta conquista foi considerada por Joaquim Veríssimo Serrão e muitos outros historiadores como o primeiro marco da expansão portuguesa. Ceuta situada entre dois mares, olhando de frente para Gibraltar, segundo Gomes Eanes de Zurara era a chave de todo o Mediterrâneo. À entrada do Mar Mediterrâneo, era “ponto de confluência das rotas das caravanas no Saará Ocidental, na Baixa Idade Média e urbe vigilante da mais importante rota marítima da Europa de então, a que ligava o Mediterrâneo às costas atlânticas, que conduziam ao canal da Mancha e ao Mar do Norte” como nos foi apresentada na Exposição Temporária na cidade do Porto ‘Ontem Ceuta - 600 Anos de Encontro de Culturas entre Atlântico e Mediterrâneo’. Já Luís Filipe Thomaz, referenciando Jaime Cortesão no livro ‘De Ceuta a Timor’ escreve: “a chave de dois universos mercantis, o mediterrâneo e levantino e o magrebino e sudanês. Para além do seu valor como escala de comércio há, porém, que não esquecer o seu valor estratégico, como testa de ponte para a conquista de Marrocos, ou mesmo para a de Granada e como base o corso marítimo”. Afastada a guerra com Castela, após a vitória em Aljubarrota a 1385 e o Tratado de Paz de Ayllón em 1411, ficavam os nobres e as classes emergentes portuguesas sem lugar para mostrar a sua valentia e por actos heróicos ganhar acesso a terras e títulos e assim serem armados cavaleiros, num acto medieval da nobreza. Precisavam de guerras, onde se enriquecia pelas pilhagens, ou despojos e se adquiriam títulos de cavaleiros. Já com o território possível conquistado, a Portugal só sobrava o mar. Por isso, nada melhor que ir ao terreno muçulmano, no outro lado da entrada do Mediterrâneo, conquistar as praças marroquinas do Norte de África. Essas conquistas por parte dos portugueses, indirectamente desanuviariam o Reino de Castela da pressão que lhe fazia o

islâmico Reino de Granada, ainda no interior da Península Ibérica. D. João I, o Rei de Boa Memória, reinou desde 6 de Abril de 1385 a 14 de Agosto de 1433 e foi o primeiro de uma nova dinastia, a de Avis, em que a família real portuguesa se ligava à da realeza inglesa. Do casamento entre D. João I e Dona Filipa de Lencastre nasceu a Ínclita Geração, com novos horizontes e atenta ao que se passava pelo mundo, sendo com ela que se deu o início da expansão marítima portuguesa.

Ceuta de portas abertas Em 1410, Portugal encontrava-se próximo de celebrar um tratado de paz com Castela e nesse ano “teve D. João I o propósito de organizar umas festas reais para armar cavaleiros os três filhos mais velhos: o príncipe herdeiro D. Duarte, com 19 anos, e os infantes D. Pedro e D. Henrique que contavam, respectivamente, as idades de 18 anos e 16 anos.” E continuando com Veríssimo Serrão: “Mas tendo notícia do projecto objectaram os infantes que não queriam aceitar o grau de cavalaria numa cerimónia festiva, mas em luta contra os Mouros em África.” Com a Paz de Ayllon de 1411, segundo Veríssimo Serrão, os portugueses prestaram ajuda militar à coroa de Castela, em guerra contra Granada e D. João I teve a garantia de poder organizar a expedição a Marrocos, sem receios de uma invasão de Castela. A empresa de conquistar Ceuta começou a ser planeada em 1409 e “Pressionado pelos seus filhos e pelo vedor da sua fazenda João Afonso, D. João I, que aspirava desde algum tempo a realizar uma expedição a Marrocos, voltou então os olhos para a cidade de Ceuta. Mais arriscada do que a de Granada, porque cortada da retaguarda cristã, a conquista de Marrocos servia melhor (...) a política de afirmação e de prestígio dinástico que a nova casa real, maculada de bastardia, projectava conduzir; para ali se poderia exportar também a nobreza excedentária, conservando-a muito embora sob a suserania portuguesa. Aparentemente a maioria dos membros desta preferia o empreendimento de Granada; mas a recusa castelhana não lhe deixava outra alternativa”, como refere Luís Filipe Thomaz na sua obra ‘De Ceuta a Timor’.

Só foi comunicada à Alta Nobreza do Reino a empresa de conquistar Ceuta no Conselho Régio de Torres Vedras em 1414. Informação do Guia da Exposição Temporária na cidade do Porto ‘Ontem Ceuta - 600 Anos de Encontro de Culturas entre Atlântico e Mediterrâneo’ e com a qual seguirei para relatar esse episódio, descrito por Gomes Eanes de Zurara na ‘Crónica da Tomada de Ceuta’. Em Lisboa, a Peste Negra em 19 de Julho de 1415 levava deste mundo a Rainha Dona Filipa de Lencastre, o que devido ao luto fez adiar o início da empresa para a qual chegavam barcos e homens de Castela, da Biscaia, da Flandres, da Alemanha, da Bretanha e da Inglaterra. Os preparativos no Porto desenvolveram-se sob a orientação do Infante D. Henrique, aí nascido há vinte anos e devido ao seu sucesso no desempenho conseguido com o envio para Lisboa de mais de setenta naus e barcas, “uma frota bem preparada, como por homens que tem vontade de me servir” segundo palavras de D. João I, terá desde logo se posicionado como um excelente dinamizador de uma empresa maior já planeada pelo menos desde D. Dinis, quando este rei da primeira dinastia mandou plantar pinhais de verde pinho, investiu na construção naval, abriu a Universidade e transformou os Templários na Ordem de Cristo. A 25 de Julho partiu de Lisboa a galera real com D. João I e a fina flor portuguesa, onde não faltavam Nuno Álvares Pereira e os três filhos mais velhos do rei, incluindo o próprio príncipe herdeiro, D. Duarte. A armada tinha aproximadamente duzentos barcos (cinquenta e nove galés, trinta e três naus e cento e vinte pequenas embarcações) e cerca de vinte mil homens. Foi só na escala em Lagos que “numa solene pregação é dado conhecimento público do destino da empresa”. Navegando pelas águas do Atlântico, fazendo escala em Faro e em Tarifa, a frota ficou dispersa ao ser atingida por um temporal e veio a reunir-se na Baía de Algeciras. A 13 de Agosto tem à vista a península de Ceuta e o Mediterrâneo para Leste. Todas as embarcações sob o comando de D. João I e D. Pedro colocaram-se em frente à Praia de Santo Amaro, onde no dia 21 fundearam. Tal levou a população da ci-

dade a correr para esse lado, enquanto do lado oposto, pela ainda aberta porta de Fuente Cabalo conseguiram entrar, sem grande resistência para o interior da fortaleza, os que vinham com D. Henrique e D. Duarte. “Logo no instante em que Vaz de Almada hasteou a bandeira de São Vicente na Torre da Vela, nos arredores do que é hoje a Porta Califal, os assaltantes tomaram posse da cidade” como refere Gabriel Fernandez Ahumada em ‘Desembarque dos Príncipes’.

A Mesquita Alhama passa a igreja Nesse próprio dia, 21 de Agosto de 1415, os portugueses sem dificuldade submeteram a praça marroquina de


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José Simões Morais texto e foto

Ceuta, abrindo assim no Norte de África, um novo destino para Portugal. “Poucos dias depois, na antiga mesquita, já consagrada como templo cristão, o rei arma cavaleiros os seus filhos e, sucessivamente, também vários participantes na empresa. Nomeado capitão da praça D. Pedro de Meneses, o monarca regressa à Península a 2 de Setembro”, segundo Luís Adão da Fonseca, Comissário da Exposição Temporária ‘Ontem Ceuta - 600 Anos de Encontro de Culturas entre Atlântico e Mediterrâneo’. E continuando com Gabriel Fernandez Ahumada, no Guia da Exposição Temporária: “Os dias 22 e 23 de Agosto foram dedicados à consolidação e limpeza dos subúrbios que havia dentro da zona conquistada, isto é, estes foram saqueados e os habitantes que ainda restavam foram expulsos; tudo isto foi feito com uma grande violência, espalhafato e falta de previsão, uma vez que foram destruídas casas e foram derramados grão, azeite e outros produtos que teriam dado muito jeito às tropas que ficaram a proteger a cidade.

Com a tomada de Ceuta dava-se o primeiro passo para encontrar um caminho alternativo à rota do Mediterrâneo, controlada pelos mamelucos que governavam o Egipto e venezianos, que iam buscar as mercadorias a Alexandria e as distribuíam pela Europa No dia 24 procedeu-se à limpeza da Mesquita Alhama, foram pendurados dois sinos que tinham sido subtraídos numa razia que teve lugar na vila de Lagos e foi transportado da Galera Real um altar para a solene cerimónia de armar os Infantes cavaleiros no dia seguinte.” E recorrendo ainda à informação dos textos da exposição, no dia seguinte, domingo, dia 25 de Agosto, o monarca mandou aí colocar a imagem que trouxera de Nossa Senhora do Vale

e celebrar uma missa solene, tendo feito o Frei João Xira um longo sermão. Finda a “cerimónia religiosa, foram armados cavaleiros os três Infantes e o conde de Barcelos, e muitos outros. Vale a pena recordar o comentário de Zurara a respeito do monarca: <De el-Rei não dizemos nada, porque fez a tantos (no sentido de armou tantos) até que, com enfadamento os deixou de fazer>”. “Todos (em palavras de Zurara) vestidos mui ricamente por honra de tamanha festa.” E regressando a Gabriel Fernandez Ahumada: “entre os dias 26 a 31, após a demolição das casas anexas à muralha do Frente de Terra, que estavam a obstaculizar a visão do inimigo, o Rei iniciou a fase de consultas para designar um capitão de praça que ficasse em Ceuta à frente das forças militares, constituídas por dois mil e setecentos homens e duas embarcações que deveriam ser capazes de resistir a qualquer ataque por terra e por mar.” Dom Pedro de Meneses era Alferes do Infante D. Duarte e ofereceu-se como voluntário para ser Governador, cargo que ocupou durante vinte e dois anos, até à sua morte, a 22 de Setembro de 1437. Ainda em 1415, ligado à empresa de tomar o lugar dos muçulmanos, dá-se o início do Padroado, que foi confiado à Ordem de Cristo e não a Portugal, sendo o Vigário de Tomar, Prior-mor da Ordem de Cristo, o primeiro a dirigir o Padroado. Logo a seguir à conquista, o Rei D. João I solicitou ao Papa a criação em Ceuta de um bispado, o que foi aceite em 1420, altura em que se ergueu a Sé, ficando como primeiro bispo, o Frei Aimaro de Aurillac, franciscano inglês trazida pela Rainha Dona Filipa de Lencastre. “De facto, (já) em 1299, o papa criava, simbolicamente, um bispado em Marrocos, atribuindo o direito da apresentação alternativamente aos reis de Castela e

Portugal” de Filipe Thomaz como informação de A. Dias Dinis.

Um flash ao momento Com a tomada de Ceuta dava-se o primeiro passo para encontrar um caminho alternativo à rota do Mediterrâneo, controlada pelos mamelucos que governavam o Egipto e venezianos, que iam buscar as mercadorias a Alexandria e as distribuíam pela Europa. Ao Egipto chegavam os apetecíveis produtos da Ásia, via Mar Vermelho, vindos pelo Oceano Índico. No outro lado do mundo, na China durante esse período, o Imperador Yongle (1403-1424) enviara o Almirante Zheng He para divulgar, aos países tributários e amigos, a chegada ao Trono do Dragão da nova dinastia Ming. Essas embaixadas chinesas foram realizadas de 1405 a 1433, em sete expedições marítimas ao Sudeste Asiático, à África Oriental e ao Mar Vermelho. Só para se ter uma noção, quando ocorreu a conquista de Ceuta, acabava de chegar a Nanjing a quarta viagem, realizada desde Dezembro de 1413 até Julho de 1415 e que vinha de Mogadíscio, na África Oriental. “A afirmação política da dinastia de Avis, junta ao ideal da Cruzada, foi determinante no objectivo da empresa. Mas outras causas, sociais, económicas e marítimas, têm sido apontadas na génese da Expansão: a posse de Ceuta como zona cerealífera, para ocorrer aos défices frumentários da Metrópole; a conquista de uma base naval para impedir os ataques da pirataria mourisca ao Algarve; a aproximação, por meio de Ceuta, Argel e Tunes, das fontes auríferas do Sudão; e a necessidade de obter um campo de luta em Marrocos, para ocupar a nobreza ociosa desde a paz com Castela”, segundo refere Joaquim Veríssimo Serrão. Com a conquista de Ceuta em 1415, o Infante D. Henrique, já armado cavaleiro, dava início à empresa de tomar o lugar dos muçulmanos no Norte de África, em território marroquino, ficando “desde 1416 encarregue da defesa e provimentos de Ceuta, o que implicava o controlo da actividade corsária portuguesa na área do Estreito.” E continuando com Luís Filipe Thomaz: “De 1415 a 1422, (...) a armada tem por base Ceuta e actua (provavelmente com galés) na zona nevrálgica do Estreito, fazendo guerra do corso à navegação muçulmana e provavelmente periódicos ataques às costas de Granada e da Barbaria.” Ceuta só deixou de ser portuguesa pois a Espanha não a entregou após o Tratado de Lisboa de 1668, que reconhecia aos portugueses a sua independência perdida em 1580.


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Do horizonte, quase nada

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u nasci no mês de Agosto. À noite, quase num dia de semana mas ainda nos restos nocturnos de domingo. Quase em noite de lua cheia. Tudo isto deve ter moldado a minha alma melancólica mas tão precisada de luz e calor. E da liberdade que, veio a verificar-se, só me espera neste mês do ano. O mês cheio de dias que rondam o dia em que nasci, desarrumação que, embora só a mim, ainda hoje me perturba. Esta é a semana do meu aniversário, rodeada para trás e para a frente do mês que sempre me remete para o lado tormentoso que me caracteriza. Vim à luz com um barómetro e um termómetro e vários outros instrumentos de medida exorbitantes para os quais passei todo este tempo, a ganhar aptidão para gerir os dados. Que me dão a percepção do facto de ter nascido, como um enorme turbilhão da natureza, uma tormenta de vagas alterosas da qual só eu sinto os efeitos e em particular nesta altura do ano. Abala-me, desorienta-me, derruba-me a partir do interior mas como se de forças naturais e com base nos elementos exteriores a mim, se tratasse. E ainda estivessem em rebuliço. Quando é que isto começou, lembro-me muito bem. Quatro décadas lá atrás. Numa noite em que depois de uma festa familiar improvisada para celebrar o meu dia, deitada na cama me desfiz em lágrimas. E foi a primeira vez. E entendi. A falta de sentido que me iria assolar para sempre, como a muitos outros, e que se torna sempre presente infalível e pontualmente pela aproximação daquele dia. A angústia da vida a termo indefinido. Rilke disse que só a consciência da morte nos permite valorizar as coisas da vida, o amor. Terá razão em muitos dias do ano. Nos outros, será sempre every other day. Neste, muitas vezes ou sempre, só o atordoamento torna suportável o paradoxo por definição que é a vida. Em que existimos realmente e apenas no momento presente, não quantificável em qualquer tipo de duração. E para morrer. Vivemos no nada e partiremos para um nada mais denso que o nada. Não conhecendo então o paradoxo do niilismo universal, esforço inglório, foi o que pensei já nessa altura, em desalento. A diferença é que, nessa altura e provavelmente sem o saber, eu me sentia o rio. Enquanto hoje, muitas vezes sou mais a margem e sento-me muitas vezes simplesmente na margem. Deste Tejo enorme que banha a cidade e desagua mais à frente. E de outras, acompanho-lhe o caminho final até à foz, e nela antevejo o que me espera. De diluição. Ou fixo-me na linha do horizonte a mais circunstancial de todas, intangível e fugidia. A fuga para a frente. E a maior crueldade ou partida da memória, reside no facto de nunca se poder voltar ao lugar de onde nunca se partiu. Mesmo querendo desesperantemente. Não parti daquele ser que nasci, mas também não posso voltar a ele. Como se nunca tivesse existido. Tudo tão fragmentado neste meio da vida. Meio como possibilidade teórica. Terei sempre que reconhecer que pelo menos um terço desse todo, será improvável. Um século de vida, é o limite daquilo a

que na melhor das hipóteses, mas assustadoramente também por vezes na pior delas, um ser humano pode aspirar. Na verdade, as probabilidades estatísticas dizem-me que terei vivido já dois dos terços da vida. E naqueles dias em que o maior anseio de alma é mergulhar sem retorno nas profundezas escuras do oceano, poisar no fundo e encalhar aí como um velho galeão, o único cuidado a ter é mantermo-nos cuidadosamente nas margens. De tudo. Não vá o elástico que nos catapulta e reenvia ao lugar soltar-se. A corda em que caminhamos em pontas, quebrar. E o abismo que visitamos, guardar-nos para sempre. O abismo a simbolizar a profundidade interior do homem, a sua apetência e medo do conhecimento de si, em quem se reconhece uma necessidade de transcendência e em que se auto-representa por vezes como imenso, o que leva a uma outra consequência simbólica quase simétrica – O ser como símbolo de abismo. E a partir deste, a possível validade das formas enquanto símbolos do ser - presente na contemplação – do seu dinamismo psíquico, ou ainda do abismo como projecção ou símbolo deste. E porque o ser é redondo, redondas são por vezes as formas de lugares abismais… O lugar sem fundo ou o não lugar. Ou o vazio como lugar do todo em devaneios de infinito…Tantas citações de Nietzsche possíveis tantas páginas depois e vejo-me de novo à beira dele, de tão vasto e já escrito. Sinónimo de voragem, se se lhe der o poder da vertigem. Mas tirando os grandes abismos da terra, geologicamente falando, é sempre do ser que parte a inevitabilidade da formulação do abismo. Na sua irreprimível dimensão psíquica, e no seu alternado dinamismo no sentido do longínquo aparentemente exterior, reverso das profundezas íntimas de penoso acesso. Como sempre chega-se à ambiguidade inter-permutável dos opostos. O que é amplo e o que é confinado. O que é exterior e o que é profundamente interior e se vê no entanto de fora, à imagem de tantas metáforas nietzschianas. O que é o centro, a forma redonda centrada e centrífuga, e o que é a transcendência de si. E a instabilidade destas dinâmicas. Ou ambos nas duas extremidades de um elástico. O permanente desenvolvimento de um dinamismo psíquico inerente ao estado de consciência à imagem do movimento de um elástico em diferentes graus de tensão. Concentrado e identificável à forma circular. A imagem do elástico ou a vocação pendular da introspecção. O retorno como reflexo, e o retorno para detrás do olhar. Um sentimento de que inevitavelmente o ser se confronta com uma dimensão interior de si que é abismal, em paralelo com uma visão do que é exterior a si – o universo – igualmente abismal, e como tal assustadora, a atracção para mergulhar nessas dimensões que o transcendem, e que é compulsiva, parece espelhar a absoluta consciência da sua finitude. Mas a finitude pode ser apresentada como um sentimento incontornável enquanto contingência existencial embora não desesperado, na medida em promete o mesmo infinito que recusa. Assim, se por um lado o saber revela ao homem dados que lhe são de

algum modo exteriores e anteriores, que o parecem situar como nada mais do que um “objecto da natureza” ou “um rasto que deve desvanecer-se na história”, por outro lado é no conjunto das positividades empíricas do homem e limitações concretas à existência humana - o corpo na sua espacialidade, como modo de ser da vida, o desejo enquanto “abertura” como modo de ser da produção, e a linguagem, veículo do pensamento suportada no tempo - que simultaneamente se revela a sua finitude mas também a esperança ou a superação desta mesma finitude. O corpo, porque na sua inexorável relação diária com a morte, que imperceptivelmente o consome, precisamente se apresenta como o veículo para a vida empírica, o desejo porque através dele o homem se relaciona com os outros e com sistemas de produção, mas também é através dele que as coisas se tornam desejáveis, a linguagem, porque é suportada pelo tempo, que simultaneamente a corrói e desgasta, mas também a estende para lá do dominável. Nestes fundamentos enraíza-se o sentimento de finitude, mas é também neles que o homem se transcende. Por que terá o homem atracção pelo que é profundo, imenso ou mesmo infinito, a simbologia do abismo como estrutura de localização do eu individual, ou uma espécie de topografia do ser auto-consciente, o desconforto ontológico face às coordenadas espaço-tempo com que o ser se debate: onde habitar, como se situar, onde se refugiar, são as questões que se colocam neste trabalho. Porque, no que é profundo dentro de si, no que é imenso dentro e fora de si, encontra os fundamentos da sua angústia fundamental, da sua finitude. E porque no que é assustador encontra também a única via de superação da angústia. Mascarada de domínio, coragem, ou somente de inevitabilidade, a apetência pelo abismo manifesta a possibilidade do homem, através dos seus mecanismos conscientes ou inconscientes, de se esquecer momentaneamente os seus limites e pela mesma lógica com que os apercebe, deles se libertar. Tal como tem consciência da finitude, possui também uma enorme vontade de a superar ou, de se superar nessa finitude, mesmo que seja através do discurso, de qualquer discurso como alienação. Parece fazer parte da sua natureza sensível e intelectual exprimir e partilhar esses sentimentos traduzindo-os em diferentes linguagens, imbuindo-os de uma forma que os torna parcialmente comunicáveis. Onde se funda afinal a mais simples razão deste labor da escrita. Aqui, todas as semanas a mesma coisa. Deveria escrever talvez mil palavras e começo por escrever duas mil. Repesco umas quinhentas daqui e dali. Recomeço noutro ângulo e são mais três mil. Das quais retiro mil e avanço até às quatro mil. Das quais recuo por excessivas. E apagando sucedem muitas outras. Até se definir o caminho que quero. Indecisa e insegura da pertinência de tudo. Vou percorrendo ao longo de um ou dois dias uma espécie de labirinto de fragmentos de textos, de lugares. Até ao momento em que lhe encontro a saída. Há luz do lado de fora. É luz natural, mas nem sempre sei em que país me encontro. Sei sempre, no entanto, em que casa estou.


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de tudo e de nada

Anabela Canas

anabela canas

Tantas coisas a dizer. Vivo cercada de pequenos papelinhos, cadernos bonitos e confortáveis, diários gráficos, documentos word abertos para apontar a vida. Palavras sempre a mais porque não há tempo de as completar a todas. E sempre a menos na sua imperfeição, comparando com as que me assolam a qualquer momento. Acabo por fazer proliferar cada vez mais papéis soltos, pedaços de folhas, cantos de listas da vida, envelopes de contas da casa. Contas da vida. Porque não lhes quero assumir algum carácter definitivo de importância. Essas palavras que caiem ali como lágrimas pontuais. Como suspiros. Como perguntas para pensar mais tarde. Perplexidades ou pretensões. Tudo com o mesmo valor à partida. Adiado. E há um propósito com que as desarrumo. Uma rejeição qualquer. São exponenciais como gavetas dentro de gavetas, dentro de gavetas. Ou dentro de mesas, de casas, de prédios, de cidades, de continentes. De… Outras vezes uma emergência. E essas presenças imperfeitas e condicionais, angustiam-me. A sua inutilidade. A sua fragmentação e nela a da minha vida, do meu dia. São esperas que se desmultiplicam. Mente-se tanto. Mesmo quem tenha esta compulsão da sinceridade. Tudo o que se revela é insuficiente e carecia de um ‘mas’, a articular com a outra ou as outras faces de uma mesma lua. Quantas coisas que digo seriam igualmente rigorosas se pelo meio houvesse a palavra quase. Aquela que sendo a antecâmara de uma sala, seja qual fôr, é porventura em certos lugares capaz de mudar em tudo um sentido. Inverter mesmo. Quando se diz: esqueci, antecedido de um quase, produz-se aquela alquimia de passar a dizer que se recusa o esquecimento que está já ali. Que se tentou mas foi uma disposição fraca para tanto que a recordação evoca. Que se mudou a vontade de querer. Que não se conseguiu. E no entanto, ‘quase’ é aquele não chegar a ser. É o nada que não chegando a ser algo, reforça o seu oposto. Nada definitivo, nada eventualmente perfeito, não conclusivo, mas tudo no estado de absoluta confusão ou arrumação possível para o momento da estreia. Quer-se o melhor, a perfeição dos meios, o apuro da expressão do sentido, mas o que está ao nosso alcance é justamente e só, o ponto a que se chegou no momento. Humildemente mas com as tripas na mão e o coração em desalinho, as roupas a maquilhagem os cabelos, todos os adereços de cena a postos para o ensaio geral. Mas a estreia sempre adiada. No último minuto. Estes são dias em que me revolvo por dentro. Assaltada de todos os lados por recordações. Perdas. Pelo passado todo e pelo futuro tão pouco. Pela falta de sentido de tudo. Em que perco o equilíbrio. Em que o procuro apurar o segundo que passa, imparável, e divisível em três. Cada parte dessas igualmente divisível por três. E sempre cada uma das partes, passado presente e futuro. Em que o presente se vai substituindo ao futuro. Um comboio fantasma em movimento. O nada que não existe. Desfoco. E procuro no meio de tanta tralha e lastro existencial, alguma coisa. Indefinida. Sei que procuro. Sei que nunca encontrei. Mas não sei o quê…


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opinião

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André Ritchie

sorrindo sempre

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m navegação inconsequente no Facebook deparei-me com o seguinte artigo, que mereceu milhares de likes e resmas de comentários: “Benefits of Being Bilingual”. E a minha primeira reacção foi: mas, o quê, então ainda existem pessoas que não falam mais do que uma língua?.. Não me entenda mal, caríssimo leitor, não se trata de arrogância da minha parte. É claro que essas pessoas ainda existem, sobretudo as que pertencem a uma geração mais antiga. E não há nada de errado aqui, pese embora a minha avó ter 90 anos e ser bilingue. O que me levou a ter aquela reacção foi o facto de (1) o artigo ser escrito por uma jovem universitária, (2) o visível e assumido entusiasmo e show-off pelo facto de ser bilingue, como se fosse algo do outro mundo, e (3) a autora do artigo ser norte-americana. Uma das experiências mais ricas da minha vida foi o meu 4º ano da faculdade que foi em Nápoles, em conjunto com cinco colegas do Porto, ao abrigo de uma bolsa do programa Erasmus da União Europeia. Foi um ano de (alguma) absorção académica e (muito) convívio com colegas universitários dos vários cantos da Europa. E, naturalmente, também com colegas locais, já que a nossa língua veicular era

o italiano. Muitas são as histórias desses tempos que, infelizmente, não podem ser aqui contadas. Não obstante, o que merece a pena ser aqui contado é que nós, portugueses em Nápoles, ganhámos rapidamente a fama de ser os que mais línguas estrangeiras falavam. E junto de toda a gente: na faculdade, junto dos professores e dos alunos; na noite, junto da comunidade dos bolseiros Erasmus onde se contavam espanhóis, alemães, austríacos e gregos, entre outros. Por incrível que possa parecer, na faculdade os professores e alunos com quem tivemos contacto dominavam apenas uma língua: o italiano. Pelo que, quando vieram a saber que nós, portugueses, falávamos também inglês e algum francês – tendo-lhes até explicado que em Portugal era normalíssimo, já que no nosso sistema de ensino são duas as línguas estrangeiras – ficaram pasmados pois, em conjunto com o italiano, isto fazia de nós trilingues (e quadrilingue no meu caso, com o chinês). Mas será que isso acontece pelo facto de nós, portugueses, termos mais inclinação para línguas? Não. Fundamentalmente, existem aqui, para mim, dois factores que devem ser analisados. Em primeiro lugar, há que perceber que Portugal é um país pequeno, com uma população de 10 milhões de habitantes. O nosso mercado doméstico tem pouco peso, pelo que em muitos aspectos consumimos e dependemos do que vem de fora. pub Na faculdade, por exemProject Manager - Civil Engineer plo, habituei-me a estudar com livros em francês, espaDegree in Civil Engineering • Min 18 years experience in engineering management and project nhol ou inglês, pois era vulgar management não existir versão em portu• Knowledge of: Microsoft Project, AutoCAD, Primavera guês das obras dos grandes • Must have experience in hospitality and commercial projects mestres. Aliás, que me lem• Excellent communication skills both written and verbal. • Strong focus on quality. bre, os poucos livros em por• Ability to plan and organize a team effort. tuguês que tive na faculdade • Good client management and goodwill building ability. eram na verdade traduções de • Capacity to motivate, lead and boost morale of the teams. • Effective time management and logical decision-making ability. português do Brasil. Este sim, • Capacity to handle pressure. um país com um grande merResponsible for: cado. 1. Oversee the construction project from start to finish on multiple Em segundo lugar, talvez parcels pelo facto de sermos origi2. Perform a key role in project planning, budgeting, and identification of resources needed. nários de um pequeno país, 3. Create the teams, develop the objectives/goals of each and assign somos humildes e temos um individual responsibilities. comportamento que se calhar 4. Project accounting functions including managing the budget, os outros povos nem sempre tracking, minimizing exposure and risk in the project 5. Ensure that construction activities move according to têm: raramente adoptamos a predetermined schedule. atitude do “és tu que tens de 6. Devise the project work plans and make revisions as and when me compreender”, pois fun need arises. cionamos ao contrário, “sou 7. Communicate effectively with the contractors responsible for completing various phases of the project. eu que tenho de te compreen8. Co-ordinate the efforts of all parties involved in the project, which der”. include the architects, consultants, contractors, sub-contractors. Ora, que língua fala o 9. Monitor the progress of the construction activities on a regular basis and hold regular status meetings with all the sub-contractors. português quando está em 10. Maintain strict adherence to the budgetary guidelines, quality and Espanha? Fala portunhol, cer safety standards. to? E o espanhol em Portugal, 11. Regular inspection of construction sites. tem a mesma atitude? Não, 12. Ensure project documents are complete. 13. Identify the elements of project design and construction likely to não tem. give rise to disputes and claims. Pelo que, em Nápoles, Interested parties please inquire within at ricardo@legend-tec.com éramos seis portugueses em

Fritz Lang, Metropolis

Para um conceito de “internacional”

Itália e procurámos falar italiano desde o início e sem complexos. Muito improvisámos no começo, tipo portunhol, já que nenhum de nós tinha tido aulas de italiano, ao contrário dos alemães ou espanhóis, enfim, mais bem preparados e organizados que nós. Mas isso nunca nos impediu de avançarmos sem medos, não fossemos nós, portugueses, os campeões no campo da improvisação. Estou-me a lembrar de um amigo meu que disse uma vez “quarta-fieri” no lugar de “mercoledí”. Foi uma risota total. Há também a história de andarmos na faculdade à procura do “gabineti di relazioni internazionali” e, seguindo as informações de um funcionário que nos indicou o caminho, fomos parar a umas casas de banho. Ora, em italiano correcto o que procurávamos era o “ufizzio dei rapporti internazionali”. Pois “gabinetto” em italiano significa casa de banho... Demos as nossas cabeçadas, é verdade. Mas em pouco tempo tornámo-nos verdadeiramente fluentes em italiano e perfeitamente integrados no meio. Não sei se o Mourinho passou pelo mesmo. O que sei é que duas semanas após a sua chegada a Itália como treinador do Inter, surpreendeu tudo e todos quando se expressou fluentemente em italiano na sua primeira conferência de imprensa. Em contrapartida, Fabio Capello, na qualidade de treinador da selecção nacional inglesa de futebol, sempre se demonstrou incapaz de se expressar em inglês nas conferências de imprensa, explicando caricatamente aos jornalistas ingleses as suas opções e tácticas futebolísticas em italia-

Caríssimo leitor, seja justo e diga-me aqui, entre nós, em português e com sinceridade: afinal, no meio disto tudo, quem é que é o verdadeiro “internacional”?

no, dando origem a um cenário hilariante no mínimo. Coitadinho. Há que compreender que, em Itália, tudo funciona em italiano. Um dia, os meus amigos italianos convidaram-me a ir ao cinema para assistir a um filme chamado “Il Miglio Verde”. Pensava que se tratava de uma produção local. Qual quê. Era na verdade o “The Green Mile”, um filme americano. E foi tudo dobrado: pela primeira vez na minha vida vi Tom Hanks a falar italiano. Incrível. Posteriormente, foi-me explicado que em Itália a dobragem é em si uma arte reconhecida e a voz em italiano de determinada estrela de Hollywood é sempre interpretada pelo mesmo artista. E esse artista é, em seu pleno direito, uma estrela em Itália – porque é a voz “oficial” daquela estrela de Hollywood. Ou seja, se fosse assistir ao “Foresta Gump”, iria ouvir a mesma voz em italiano da boca do Tom Hanks. Surreal, não? A verdade é que é assim em muitas partes do mundo. Ouvi histórias semelhantes dos meus amigos espanhóis. Aliás, todos nós já ouvimos falar do “Juanito Andante” nos bares espanhóis e dos grupos musicais “Las Pedras Rolantes” ou “Las Chicas Piri-piri”, certo? (*) No entanto, como nós, portugueses, temos a sorte de vir de um pequeno país com pouca importância no palco internacional, e dada também a humildade acima explicada, habituámo-nos a não poder contar com a nossa língua para muita coisa. Pelo que falamos também as línguas dos outros. (**) Porque muitos desses outros estão habituados a ter um comportamento diferente que se define por uma certa arrogância na imposição da sua língua como critério universal a seguir. Tornam-se então extremamente redutores e, em particular, no que concerne aos ilustres de língua materna inglesa, tendem a camuflar a coisa toda com um conceito de “internacional” globalmente estabelecido o qual, para mim e até certo ponto, não passa de uma grande treta. Não há dúvidas de que o inglês é a língua comum mais vulgar quando indivíduos de línguas maternas diferentes têm de interagir entre si. Contudo, estou farto de pessoas que me vêm dizer que no passado


opinião 17

hoje macau sexta-feira 21.8.2015

Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

recente Macau se transformou numa cidade “internacional”. E depois há também as escolas “internacionais”. Ora, esse conceito de “internacional”, quer me parecer, prende-se unicamente com o uso da língua inglesa e nada mais. Por essa razão, para esses ilustres monoglotas, Hong Kong e Singapura são cidades “internacionais”. Assim, para provocar, vou até ignorar o facto de Hong Kong e Singapura serem praças financeiras internacionais e deixar aqui escrito que muitos consideram essas cidades “internacionais” pelo simples e superficial facto de o inglês ser uma língua comum nesses territórios, do domínio de todos. Pelo que, o gwailou que não fala outra língua senão o inglês, integra-se bem nessas cidades que, por conseguinte, são por ele classificadas como “internacionais”. Em contrapartida, como em Macau nem todos falam inglês – e mais, alguns nativos até falam uma língua estranha que se chama português e que ninguém consegue mesmo entender para que serve – essa cidade já não é “internacional”. Talvez daí, por isso, todo o fogo-de-artifício da autora do “Benefits of Being Bilingual”. Pois no universo fechado e simultaneamente “internacional” da autora, falar mais do que uma língua é algo de transcendental e motivo de celebração flamejante no Facebook. Caríssimo leitor, seja justo e diga-me aqui, entre nós, em português e com sinceridade: afinal, no meio disto tudo, quem é que é o verdadeiro “internacional”? Vou lançar um foguete. Sorrindo Sempre Em tempos dediquei um artigo às caricatas e absurdas situações que tenho de enfrentar pelo facto de o meu nome não bater certo com a minha cara. A saga continua, mas agora trata-se do meu filho que, com apenas 4 anos, já atura o que o papá atura. Interacção entre um funcionário de um hotel na cidade “internacional” de Hong Kong, o meu filho e eu: - Hello little boy! What’s your name? - Diogo. - Diego? - No! Diogo! - Should be Diego, right? - Well, Diego is Spanish and Diogo is Portuguese. (devolvi simpaticamente) - Oh, I see... And what made you give him a Portuguese name? (com ar de engraçadinho e sorriso cínico) - Because we are fu**ing portuguese. (dito em segredo, a 32 cm do ilustre e com os olhos nos olhos) Sorrindo sempre. (*) The Rolling Stones e Spice Girls. (**) No entanto, o português em Macau não fala chinês. Por motivos particulares que vou deixar para outro artigo.

E

u gostava de ter uma revista, daquelas que as pessoas lêem e guardam até deixarem de ter espaço em casa. Também gostava de ter um jornal. Uma revista e um jornal. E uma rádio, que sem rádio não vivo. Gostava de ter estas coisas que são o meio em que trabalho porque gosto de projectos, de ver os projectos a assumirem contornos, a ganharem conteúdo, a tornarem-se mais do que projectos. Mas eu não tenho nem uma revista, nem um jornal, nem uma rádio. Acontece assim. O patronato não é para todos, é só mesmo para alguns, e estas coisas dos projectos têm muito que se lhe diga, a começar pelo capital. Os jornais e as revistas precisam de gente que os faça, as pessoas que fazem os jornais e as revistas precisam de salário para viver, e isto de ser empresário não é para todos. Apesar de, em Macau, os requisitos serem outros. As regras do jogo aqui são diferentes.

Quem não quer correr riscos ou sabe que não os pode correr, não corre. A gente unida contra as empregadas domésticas tem bom remédio: recambia quem contratou e dedica-se a esfregar sanitas Acho imensa piada ao discurso de quem, tendo um negócio aberto, luta contra os direitos mais básicos dos trabalhadores por causa do impacto que essas pequenas regalias terão na folha de Excel no final do ano. Têm a tenda aberta, mas são contra uma licença de maternidade digna desse nome e opõe-se à criação de uma licença de paternidade. Fazem um chinfrim de cada vez que se fala na revisão da lei das relações de trabalho – pior, mandam os seus na Assembleia Legislativa dizer em voz alta que é preciso mudar a legislação, para que o patronato seja verdadeiramente protegido. Não que as preocupações do patronato me passem ao lado, apesar da minha falta de vocação para mandar: é inegável que as empresas de pequena e média dimensões têm sofrido com os aumentos das rendas, com o aumento dos custos, com o aumento de quase tudo o que faz mal ao bolso de quem tem a porta aberta. Quem anda à chuva corre sempre o risco de se molhar. Tenho uma notícia: a vida também ficou mais cara para quem trabalha por conta de outrem. E tenho ainda outra notícia: há quem queira muito ter o seu negócio e não o possa fazer. Eu não tenho a minha revista. Nem o meu jornal. Nem a

Basic Instinct

As meninas más vêm de fora darem de patrão se estiverem descontentes. Se saírem à rua contra os patrões, podem começar a fazer as malas e a preparar o passaporte, se estiverem na posse dele. A história do bebé maltratado é trágica, como todas as histórias de maus-tratos, principalmente aos mais indefesos. Levam-nos sempre ao umbilical pensamento de que podíamos ser nós as vítimas da situação. Mas sobre esta história ainda há muito para perceber e não compete a ninguém que não a um colectivo de juízes julgar quem tem de ser julgado. Quem não quer correr riscos ou sabe que não os pode correr, não corre. A gente unida contra as empregadas domésticas tem bom remédio: recambia quem contratou e dedica-se a esfregar sanitas, lavar-estender-e-passar a roupa a ferro, fazer as camas, aspirar, lavar a frota automóvel da família, fazer o almoço e o jantar, ir buscar as crianças à escola, dar banho às crianças e ao cão, ir passear o cão, ir passear as crianças, aturar a birra das oito da manhã do mais novo, tão queridinho e tão chatinho, aturar a birra das oito da noite do mais velho, tão bonitinho e tão parvinho, pôr as crianças a dormir e lavar a louça do jantar, que esta noite houve convidados e é tudo a quadruplicar. A vida é assim: até para se ser patrão é preciso ter jeito. Pena que os desta terra nem mandar saibam que, para se mandar com resultados, é preciso saber, antes de mais, o que significa o respeito.

minha rádio. Escrevo e falo nos dos outros. É uma chatice? Não. É a vida. Em Macau existe uma certa mania da perseguição aos trabalhadores, vinda de alguns sectores que não consigo classificar – até porque existe, cada vez mais, uma certa promiscuidade social a alguns níveis. Esta mania da perseguição aplica-se aos trabalhadores locais, em questões como aquelas que já aqui escrevi, e também – ou sobretudo – aos trabalhadores que chegam de fora. Esta semana, os jornais contaram-nos que a União dos Empregadores Domésticos de Macau – cuja existência desconhecia e cujo trabalho continuo a desconhecer – vai fazer uma manifestação contra as empregadas domésticas. Na origem deste invulgar protesto está um caso complicado: um bebé de dois meses terá sido maltratado por uma empregada doméstica que, à data em que este artigo é publicado, é inocente. O julgamento ainda não aconteceu. Os patrões das empregadas domésticas vão, portanto, sair à rua para se manifestarem contra as pessoas a quem deram trabalho. Seria mais ou menos a mesma coisa que eu sair para a rua a gritar contra a redacção da minha hipotépub tica revista. Pelo que me foi dado a conhecer, esta união Senior Project Manager - Architecture de gente preocupada com as Degree in Architecture • Min 20 years experience in architectural design, design pessoas que mete em casa management and project management considera que deve haver • Knowledge of: Microsoft Project, AutoCAD, Primavera legislação especial para as • Must have experience in hospitality and commercial projects • Excellent communication skills both written and verbal. empregadas domésticas. E • Strong focus on quality and architectural detailing uma lista negra das meninas • Ability to plan and organize a team effort. más. São a favor de uma • Good client management and goodwill building ability. • Capacity to motivate, lead and boost morale of the teams. diminuição dos direitos, • Effective time management and logical decision-making ability. algo que não consigo sequer • Capacity to handle pressure. imaginar: como toda a gente Responsible for: sabe, os direitos das empre1. Oversee the architectural design management from start to finish on multiple parcels gadas domésticas são quase 2. Coordinate the architectural and theming consultants nenhuns e os que existem são 3. Oversee the design management process to ensure the design frequentemente violados. quality 4. Perform a key role in project planning, budgeting, and Há histórias de empre identification of resources needed. gadas internas a dormir 5. Create the teams, develop the objectives/goals of each and assign com cães. Há histórias de individual responsibilities. 6. Ensure that construction activities move according to empregadas domésticas que predetermined schedule. são obrigadas a devolver 7. Devise the project work plans and make revisions as and when parte do salário que lhes é need arises. 8. Communicate effectively with the contractors responsible for depositado, a forma esperta completing various phases of the project. que os patrões encontraram 9. Co-ordinate the efforts of all parties involved in the project, de contornarem a obrigatowhich include the architectural consultants, contractors, subcontractors. riedade do depósito bancário. 10. Monitor the progress of the construction activities on a regular Há histórias de empregadas basis and hold regular status meetings with all the sub-contractors. 11. Maintain strict adherence to the budgetary guidelines, quality domésticas que não descan and safety standards. sam as horas suficientes que 12. Regular inspection of construction sites constam da lei. E há outras 13. Ensure project documents are complete. 14. Identify the elements of project design and construction likely to histórias, piores ainda. Às give rise to disputes and claims. empregadas domésticas nem Interested parties please inquire within at ricardo@legend-tec.com sequer é dado o direito de mu-


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O que fazer esta semana

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Cinema

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hitman: agent 47 [c] Filme de: Aleksander Bach Com: Rupert Friend, Hanna Ware, Thomas Kretschmann 14.15, 16.05, 17.55, 21.30

attack on titan [c]

Falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Shinji Higuchi Com: Haruma Miura, Kiko Mizuhara 19.45 Sala 2

pixels [3d] [b]

legendado em chinês Filme de: Chris Columbus Com: Adam Sandler, Kevin James, Michelle Monaghan 19.30 Sala 3

doraemon the movie: nobita and the space heroes [a]

Falado em cantonês legendado em chinês Filme de: Yoshihiro Osugi 14.15

wild city [c]

pixels [b]

legendado em chinês Filme de: Chris Columbus Com: Adam Sandler, Kevin James, Michelle Monaghan 14.30, 16.30, 21.30

Falado em cantonês e mandarim legendado em chinês e inglês Filme de: Ringo Lam Com: Louis Koo, Shawn Yue, Tong Liya 16.05, 17.55, 19.45, 21.45

Diariamente Exposição de Fotografia de Velhos Templos de Macau Museu de Arte de Macau (até 31/12) Entrada livre Exposição “Artefactos de Excelência – Gravações de Carimbos por Luo Shuzhong” Museu de Arte de Macau, das 10h00 às 19h00 (até 28/2) Entrada livre

Aconteceu Hoje

Morre o poeta surrealista Alexandre O’Neill

exposição “I am my own landscape” de Crystal Chan Albergue SCM, 18h30 (até 22/08) Entrada livre Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 20/08) Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

21 de agosto

U m d i s c o h o j e One (Aga, 2014) Este é o segundo álbum da cantora de Hong Kong, Aga, que contem apenas três canções – “One”, “One plus One” e uma segunda igual a “One”, mas com monólogo. A ideia das músicas deste trabalho discográfico é “encontrar um único parceiro durante toda a vida”. A jovem cantora nasceu numa família com ligações à música – o pai é músico numa banda espanhola e a mãe sabe tocar piano. Aga conseguiu, assim, realizar o sonho de cantora que tinha desde a infância. Flora Fong

fonte da inveja

• Hoje é dia de recordar Alexandre O’Neill, poeta português com forte contributo para o movimento surrealista. Descendente de irlandeses, O’Neill nasceu em Lisboa, a 19 de Dezembro de 1924, na mesma cidade que o viu morrer, a 21 de Agosto de 1986. A 21 de Agosto assinala-se a morte de Alexandre O’Neill, um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa, corrente onde começa o seu caminho literário, que marcaria toda a sua obra – poesia, prosa, traduções, antologias e até publicidade. Pertence a O’Neill o conhecido ‘Há mar e mar, há ir e voltar’, uma frase publicitária que se transformou em provérbio. Os primeiros versos de Alexandre O’Neill foram publicados quando o autor tinha apenas 17 anos, num jornal de Amarante. Já no Movimento Surrealista de Lisboa, usa o dom da palavra para contestar o regime e acaba preso pela PIDE. O’Neill nunca aceitou a censura na escolha dos trabalhos que iriam compor certames literários e chegou a retirar a sua contribuição. A polícia política usou a força para reprimir. O Movimento Surrealista de Lisboa viria a dar lugar ao Grupo Surrealista Dissidente. ‘A Ampola Miraculosa’ é lançada por O’Neill por esta altura. Trata-se de um trabalho de imagens e legendas sem nexo, que se transformaria no paradigma do surrealismo português. A década de 1960 torna-se na mais produtiva, sobretudo com livros de poesia, antologias de outros poetas e traduções. A poesia de O’Neill alia a vanguarda com a influência da tradição literária. Os textos deste autor são uma verdadeira sátira a Portugal e aos portugueses, à vida mesquinha, e ao sofrimento do quotidiano. Alexandre O’Neill escreve sobre solidão, amor, sonho. Em 1976, sofre um ataque cardíaco, que o poeta admitiu dever-se à vida desregrada que adoptara. Manteve o seu estilo de vida e em 1984 sofre um acidente vascular cerebral. Dois anos mais tarde, volta a sofrer um AVC e que o leva a um internamento prolongado. Morre em Lisboa, a 21 de Agosto desse ano. E por isso hoje é dia de recordar Alexandre O’Neill.

João Corvo

Ontem adormeci nos braços cansados de um tufão.


Perfil

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Yujin Katsube, jornalista e editor do “The Macau Shimbun”

“Interessa-me o futuro desenvolvimento de Macau” E

m 1997 ficou para a história a visita oficial da Princesa Diana a Angola, para conhecer de perto o drama das minas de guerra e as vítimas feitas ao longo destes anos. Na sua casa, em Quioto, a visita também ficaria para sempre na mente de Yujin Katsube. Este jornalista japonês, residente em Macau, já então queria escrever histórias e ajudar as pessoas, mas a visita da “Princesa do Povo” acabaria por ser determinante na sua escolha do percurso. Actualmente residente em Macau, Yujin Katsube é editor do órgão de informação “The Macau Shimbun”, virado para o público japonês que quer conhecer mais sobre Macau. Actualmnte sente-se a concretizar o sonho de uma vida, mas não esquece o momento em que, no final da década de 90, se decidiu pelo estudo da língua portuguesa. Hoje, com um sorriso tímido, lá vai dizendo algumas palavras da língua de Camões, depois de ter esquecido muitas outras. “Os japoneses sentem-se muito próximos à língua portuguesa, porque mante-

mos uma longa amizade desde os tempos dos Descobrimentos. Quando andava na escola secundária na minha cidade, Quioto, já sonhava em ser jornalista. Para aumentar os meus conhecimentos decidi aprender uma língua e cultura estrangeira. Quioto é a antiga capital do Japão e mantém um estilo de vida mais tradicional e conservador, então senti que seria muito difícil concretizar os sonhos lá. Decidi ir viver para Tóquio e tirar o meu curso superior”, conta ao HM. A decisão de aprender português teve muito a ver com o seu pai, professor e auto-didacta da cultura pop dos Estados Unidos. “Perguntei-lhe que línguas é que deveria aprender, e ele recomendou-me as românicas. Disse-me que o inglês era muito popular e que não era nada de especial, e eu estava muito interessado na história portuguesa, especialmente a época dos Descobrimentos e o futebol, então pensei que se aprendesse português teria mais oportunidades de me tornar jornalista.”

Estudou na Universidade Sofia, fundada pelos jesuítas, onde aprendeu o idioma com professores de Portugal e do Brasil. Assim que acabou o curso começou a trabalhar na área editorial, a editar uma revista e a coordenar um conjunto de guias de viagem, que incluíam viagens a Macau e a Hong Kong. Apaixão por Macau foi imediata. Visitou o território em 2006 e não mais o largou. Hoje é casado com uma residente local e tem um filho, que já domina o cantonês. “Tornei-me um grande fã de Macau e quis conhecer mais sobre a cidade. Em 2007, a empresa onde trabalhava planeou o lançamento de uma nova revista em Macau, Hong Kong e China. Procuravam alguém que coordenasse o projecto, tive muita sorte.” No “The Macau Shimbun”, Yujin Katsube garante que não escreve apenas sobre o sector do jogo, “mas também do turismo e da cultura de Macau, para que o público japonês tenha mais interesse. Através do meu trabalho penso que posso construir uma ponte entre Macau e o Japão.”

“Enquanto jornalista interessa-me o futuro desenvolvimento de Macau e quero ver com os meus próprios olhos o desenvolvimento dos actuais projectos que estão a ser feitos no Cotai. Também me interessa o que a China espera de Macau enquanto plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. É um papel único que Macau pode fazer”, conta ao HM. O filho de Yujin acabou de entrar na escola e Macau é o lugar onde se sente em casa. Os pais preferem a pequenez do território ao frenesim constante de Hong Kong, mas já tomaram a decisão de ir ficando, consoante a vontade do filho. “Espero que o meu filho possa ter amigos e oportunidades para ficar mais ligado à cultura portuguesa. Estou à procura de uma equipa de futebol onde ele possa jogar. Os jogadores portugueses sempre atraíram a atenção dos japoneses e se o meu filho jogar à bola com eles, vou ficar muito feliz”, remata. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Coreias Sul dispara obuses em resposta ao Norte

cartoon por Stephff

A

Coreia do Sul disparou ontem dezenas de obuses contra a Coreia do Norte, em resposta a um possível ataque com um míssil por parte de Pyonyang, anunciou o Ministério da Defesa sul-coreano. Pouco antes das 16:00, os sul-coreanos detectaram a trajectória de um míssil disparado de território norte-coreano, da secção ocidental da fronteira que divide a península coreana, disse um porta-voz à agência noticiosa francesa AFP. “Em resposta, o nosso exército disparou dezenas de obuses de 155 mm em direcção ao local de onde as tropas norte-coreanas lançaram o míssil”, de acordo com um comunicado do ministério. “Reforçamos o nosso nível de alerta e vigiamos atentamente os movimentos do exército norte-coreano”, acrescentou o texto. Até ao momento, desconhece-se qual a unidade sul-coreana visada, ou mesmo se soldados sul-coreanos foram visados, e não foi assinalado qualquer impacto em território da Coreia do Sul. Um representante das autoridades locais do município de Yeoncheon, a cerca de 60 quilómetros a norte de Seul, disse que os habitantes de várias aldeias fronteiriças receberam ordens para se protegerem em abrigos antiaéreos. Os dois países atravessam novamente um novo momento de tensão, depois de, no início do mês, dois soldados sul-coreanos terem ficado gravemente feridos na explosão de minas colocadas na zona sul da fronteira coreana.

Macau Encontrados 70 trabalhadores ilegais em Julho

pub

Inspecções da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e da Polícia de Segurança Pública (PSP) permitiram descobrir um total de 70 trabalhadores ilegais no passado mês de Julho. Um comunicado aponta ainda que foram efectuadas inspecções a 291 locais, em locais como terrenos de obras de construção civil, residências e estabelecimentos comerciais e industriais.

China Emissões de dióxido de carbono sobreavaliadas

A

GP Internacional de Karting chega em Dezembro

Apostar em grande A RAEM voltará a organizar este ano um evento internacional de Karting, o Campeonato CIK-FIA KF Ásia-Pacifico. Esta prova, a que a Associação Geral Automóvel de Macau China (AAMC) se candidatou no início do Verão do passado e foi aceite pela Comissão Internacional de Karting no final de 2014, estava prevista para ter lugar de 8 a 11 de Outubro, no entanto, será realizada de 10 a 13 de Dezembro. De acordo com a Comissão Internacional de Kart da Federação Internacional de Automobilismo (CIK-FIA), “o organizador, a Associação Geral Automóvel de Macau - China, pediu uma reunião no início do ano com as partes envolvidas, sobre o timing e a (nova) data proposta é provavelmente de maior interesse para pilotos e equipas internacionais, incluindo os europeus”. Sabendo que as categoria KF e KF-Junior não têm números elevados na região e que a categoria KZ não goza de particular sucesso neste ponto do globo, a participação europeia é

extremamente importante para o evento do território. Por outro lado, dado que o transporte da Europa demora pelo menos duas semanas, não era possível às principais equipas enviar o seu material a tempo para Macau se esta fosse disputada a 10 de Outubro, pois o Campeonato do Mundo KF e KF-Junior termina a 27 de Setembro em La Conca (Itália).

De volta à ribalta

Este evento marcará o regresso do à ribalta do karting inter-

nacional do Kartódromo de Coloane, aquela que é reconhecidamente uma das melhores infra-estruturas no continente asiático para a prática da modalidade. A AAMC vai novamente apostar forte neste evento e quer atrair uma panóplia forte de concorrentes estrangeiros. A CIK-FIA publicou uma nota no final de Julho na sua página electrónica dizendo que a AAMC vai oferecer aos pilotos internacionais das classes KZ/ KF um subsidio em dinheiro no valor de pelo menos 3,000 dólares americanos, cerca de 24,000 patacas por participante. Para além disso, cada concorrente irá ter direito a dois quartos duplos por cinco noites na Pousada Marina Infante. Transporte e desalfandegamento local estão incluídos, e serviço de transporte do Kartódromo de Coloane até ao hotel oficial da prova durante o evento também parte do pacote que terão direito os concorrentes que se deslocarem a Macau. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

s emissões de dióxido de carbono da China podem ter sido “consideravelmente sobreavaliadas” nos últimos anos, afirma um estudo na revista Nature, que mantém a China como o maior contribuinte para o efeito de estufa. De acordo com a professora da Universidade Britânica de East Anglia Corinne Le Quéré, as emissões totais da China “estão ainda bem acima das emissões do segundo maior emissor, os Estados Unidos”, mas podem ter sido significativamente sobreavaliadas nos últimos anos. “Para o período entre 2000 e 2013, as nossas estimativas revistas de emissões de carbono acumuladas provenientes da China são mais baixos cerca de 2,9 gigatoneladas”, escrevem os autores do estudo levado a cabo por uma equipa internacional. Este valor representa menos 14,9% do que as estimativas das Nações Unidas para a China, que é responsável por mais ou menos um terço do total das emissões de dióxido de carbono, o maior contribuinte para a emissão de gases de efeito de estufa. A publicação do estudo surge nas vésperas da reunião de 195 países, no final do ano em Paris, para tentarem chegar a acordo sobre um limite ao aquecimento global.


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Hoje Macau 21 AGO 2015 #3399 by Jornal Hoje Macau - Issuu