INTEGRAÇÃO
DE FUJIAN COM AMOR PÁGINA 6
HOJE MACAU TERÇA-FEIRA 21-6-2022
RESTAURAÇÃO
SEM PAI NEM MÃE PÁGINA 7
UM MÊS SEM LISBOA PUB.
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
O elo mais fraco
Com o número de casos positivos a chegar aos 36, as autoridades dividiram as infecções em dois grupos com um possível elo de ligação numa zona próxima dos Três Candeeiros, apesar de faltarem certezas quanto à origem do surto. Entretanto, o caso positivo de uma professora do ensino básico resultou na quarentena de, pelo menos, 300 crianças. JOSH APPEL | NETPASR | BMQ | UNSPLASH
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SOUBE A POUCO ANÁLISE ÀS MEDIDAS DE APOIO ECONÓMICO PÁGINAS 2-3
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CHINA
Nº 5033
MOP$10
2 especial covid-19
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ECONOMIA
APOIOS LANÇADOS PELO GOVERNO CONSIDERADOS INSUFICIENTES E SEM NOVIDADE
Sem encher as medidas Assim que foram registados os primeiros casos do surto de covid-19 que afecta Macau, o secretário para a Economia e Finanças anunciou medidas de apoio económico para residentes e empresas. No entanto, economistas, deputados e dirigentes associativos entendem que os estímulos são insuficientes numa economia estrangulada
“[A eficácia] destes empréstimos depende muito se a empresa sobrevive para ter melhores dias de negócio. Se a empresa entrar em insolvência antes do fim da pandemia, [os custos e perdas] vão ser muito maiores.” JORGE VALENTE EMPRESÁRIO
Recorde-se que os restaurantes e outros estabelecimentos de comida estão a ser incentivados a funcionar apenas em regime de take-away, embora tal não seja para já obrigatório. No entanto, Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), assegurou no domingo que tal poderá ser obrigatório caso a situação pandémica assim o justifique. Coutinho defende ainda que a bitola deve estar também do lado da banca, que deve ter “uma responsabilidade social” face a pagamentos de empréstimos. “O Governo tem de estabelecer moratórias, o que poderia ajudar famílias com dificuldades financeiras, monoparentais, ou que têm a seu cargo idosos.” O deputado não tem dúvida de que este novo surto, e a forma como as autoridades estão a lidar com ele, constitui “um grande rombo na economia, com um grave impacto psicológico nas pessoas”. Quem também considera as medidas insuficientes é o economista José Sales Marques, embora “sejam sempre um paliativo”. “Há algum tempo que vivemos em recessão, as perspectivas começavam a tornar-se optimistas e de
repente surge algo como aquilo que estamos a passar. As medidas não são suficientes e o sentido delas é apenas minorar os problemas, dar alguma folga às PME, nomeadamente no que diz respeito à bonificação de juros e devolução de alguns impostos cobrados. Os montantes não são significativos e dão apenas um certo conforto paliativo”, acrescentou. SOFIA MARGARIDA MOTA
tas empresas impedindo as pessoas de fazer as refeições dentro dos estabelecimentos. Estas restrições são extremamente prejudiciais para as PME”, declarou. SOFIA MARGARIDA MOTA
O
Governo anunciou no domingo medidas de apoio a pequenas e médias empresas (PME) e residentes assim que as autoridades começaram a registar os primeiros casos de covid-19 do surto que fez parar Macau. Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças, anunciou sete medidas, no valor total de dez mil milhões de patacas, que passam sobretudo pelo adiamento da devolução dos empréstimos pedidos ao Governo e de impostos cobrados, sem esquecer outros benefícios fiscais. No entanto, tendo em conta que a economia está em recessão há muitos meses, analistas consideram que o pacote de medidas não basta. “O Chefe do Executivo disse que quando a maioria da população estivesse vacinada Macau voltaria à normalidade. Temos de o fazer”, adiantou o deputado José Pereira Coutinho ao HM. “Estas medidas são insuficientes porque se mantém a devolução dos empréstimos, além de outros benefícios fiscais não chegam. É preciso clarificar a situação das PME na área da restauração, para que tenham alguma actividade. Não se resolvem dificuldades des-
Sales Marques considera fundamental dar ânimo aos números económicos, para que se verifique um crescimento sustentável. “Espero que esta crise não se prolongue e se limite aos casos que já existem, e que não sejam impostas novas limitações. A economia vive da procura externa e do jogo, das actividades ligadas à exportação de bens e serviços. Esta tem de começar a funcionar de novo, porque continuaremos a viver com dificuldades.”
Resposta rápida
“O Governo tem de estabelecer moratórias, o que poderia ajudar famílias com dificuldades financeiras, monoparentais, ou que têm a seu cargo idosos.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO
Ouvido pelo jornal Ou Mun, o deputado Ho Ion Sang, ligado aos Kaifong e presidente do Centro de Sabedoria Colectiva, defendeu que as medidas visam resolver, de forma urgente, os problemas que os diversos sectores da economia e os residentes sentem. Ho Ion Sang recordou que a situação pandémica nas regiões vizinhas tem causado impactos negativos no turismo e outras indústrias associadas a este sector. Chui Sai Cheong, deputado e presidente da Associação Comercial de Macau, disse concordar com o pacote de apoios lançado pelo secretário Lei Wai Nong,
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Associações dos Moradores de Macau (Kaifong), disse ao jornal Cheng Pou que as medidas são oportunas e que podem dar resposta às necessidades da população. Uma vez que o surto levou a uma nova suspensão de muitas actividades, como o programa de excursões locais para residentes, Chan Ka Leong destaca o enorme impacto para as PME e empregados que dependiam desse plano de fomento turístico. Olhando para o pacote das medidas anunciadas no domingo, Chan Ka Leong entende que o subsídio para a compra de combustível atribuído aos taxistas pode ajudar muito o sector. Jorge Valente, empresário, entende que reduzir taxas e impostos é sempre uma boa medida. No entanto, uma vez que os impostos sempre foram baixos em Macau, onde as concessionárias de jogo dão o grande contributo em matéria fiscal, trata-se de uma medida “que não ajuda muito”, pois estão envolvidos pequenos montantes. “O principal problema que enfrentamos é a falta de actividades económica, de pessoas e
turistas que possam consumir. Relativamente à medida de apoio aos taxistas, só funciona se os táxis tiverem muitos clientes. Se o veículo estiver quase sempre parado, e se, ainda por cima, houver muitos carros eléctricos GONÇALO LOBO PINHEIRO
sendo esta decisão “necessária e oportuna” e algo que permite aos mercados ganharem alguma confiança. No entanto, tendo em conta o actual estado da economia, Chui Sai Cheong entende ser necessário que as autoridades avaliem a eficácia das medidas, uma vez que a estabilidade das PME é essencial para uma economia onde a confiança predomine. Un Sio Leng, presidente da Associação Geral das Mulheres, defendeu que as medidas mostram, acima de tudo, uma resposta rápida e urgente por parte do Governo perante as dificuldades da população. A dirigente sublinhou que as PME dão emprego aos residentes que são muito importantes para o desenvolvimento económico do território, pelo que as medidas anunciadas, logo no início do surto, são um incentivo. Un Sio Leng espera ainda que o Governo pondere a criação de um subsídio de apoio às despesas familiares, alunos, idosos e famílias com maiores dificuldades, além de medidas de apoio complementares para desempregados e pessoas em licença sem vencimento. Por sua vez, Chan Ka Leong, presidente da União Geral das
ou híbridos, creio que é uma medida que não ajuda quase nada”, apontou ao HM. Como medida “bastante boa” Jorge Valente destaca o facto de as PME só pagarem, até 31 de Dezembro de 2023, os juros dos empréstimos concedidos pelo Governo e não os montantes. “[A eficácia] destes empréstimos depende muito se a empresa sobrevive para ter melhores dias de negócio. Se a empresa entrar em insolvência antes do fim da pandemia, [os custos e perdas] vão ser muito maiores”, frisou.
Reserva q.b.
“Se a ‘política de tolerância zero’ continuar, isso fará com que Macau continue com poucos visitantes, níveis baixos de taxa de ocupação hoteleira, quebra nas receitas do jogo ou aumentos sem significado.” FÉLIX PONTES ECONOMISTA
O economista José Félix Pontes entende que as medidas em questão “trazem algum alívio, embora temporário” às PME, residentes e algumas profissões liberais, tendo como ponto de referência “as medidas tomadas nos dois anos anteriores” e, portanto, sem novidade. “Quanto ao montante dos fundos públicos envolvidos (dez mil milhões de patacas), provenientes, mais uma vez da Reserva Financeira, a sua adequação dependerá da alteração da denominada ‘política de tolerância
zero’. Esta, a manter-se, fará com que Macau continue com poucos visitantes, níveis baixos de taxa de ocupação hoteleira, quebra nas receitas do jogo ou aumentos sem significado.” Félix Pontes traça ainda o cenário do crescente desemprego, com mais empresas, de pequena ou grande dimensão, a encerrarem portas, o que resultará “num Produto Interno Bruto anémico”. Na óptica do economista, a Reserva Financeira da RAEM deve ser destinada “a projectos relevantes na área económica e social” e não como uma espécie de “amortecedor ou ‘tapa buracos’ da economia local”. Como tal, a alternativa passa por elevar a taxa de vacinação contra a covid-19 com três doses. Félix Pontes entende que deveria mesmo obrigar-se toda a população a vacinar-se contra a doença. Só assim “não seriam necessários os confinamentos, ainda que localizados, e a realização de testes em massa sempre que haja um certo número de casos”, concluiu. Andreia Sofia Silva e Nunu Wu
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Agulhas no palheiro SURTO
Passadas mais de 24 horas desde o início dos testes, as autoridades detectaram 36 casos comunitários. Entre os infectados está uma professora da Escola Primária Hou Kong, que teve contacto com mais de 300 alunos, e uma aluna do Jardim de Infância do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, que poderá ter estado em contacto com mais de 60 crianças
RÓMULO SANTOS
NÚMERO DE INFECÇÕES LOCAIS SOBE PARA 36 COM TESTES EM MASSA
à hora agendada: “Quando fazemos o teste, temos de ter consciência que há o risco de sermos infectados, por isso temos de chegar à hora marcada e manter o distanciamento adequado, para quem está à frente e atrás”, indicou Alvis Lo.
N
AS últimas 24 horas os casos comunitários de covid-19 subiram para 36 ocorrências e havia ainda três conjuntos de 10 amostras em revisão, o que levanta a possibilidade de nas próximas horas serem confirmados mais casos positivos. Os números mais recentes foram actualizados ontem pelo Governo, numa altura em que tinham sido testados mais de 459.687 cidadãos, com 269.628 resultados negativos. Entre os novos casos identificados encontra-se uma professora que dá aulas na Escola Primária Hou Kong e que poderá ter estado em contacto com 300 alunos. Ontem, a médica e coordenadora do centro de contingência Leong Iek Hou não foi capaz de confirmar o número de pessoas afectadas, mas garantiu que algumas estão de quarentena. “A professora da escola Hou Kong foi confirmada como infectada, e as turmas da escola também podem ter sido infectadas, pelo que vão ficar em quarentena médica. Todos os alunos das turmas dessa professora estão em quarentena”, afirmou a médica. “Não tenho um número exacto de quantas pessoas foram afectadas, mas falamos de centenas, mais de 300 e algumas já estão em quarentena”, acrescentou. Além de professora, a mulher é igualmente mãe de uma aluna do Jardim de Infância do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, que testou igualmente positivo e que esteve em contacto com cerca de 60 crianças, que também foram colocadas em quarentena.
Ponto de contacto
Na conferência de imprensa de ontem, que contou com a presença de Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, foi admitida a dificuldade em encontrar a origem do surto. No entanto, foi divulgado o que se acredita ser o “elo de ligação” entre os dois grupos de infectados existentes.
Testagem Autoridades reconhecem risco de infecção Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, reconheceu ontem que os residentes correm risco de serem infectados quando se deslocam aos centros de testes. Por isso, apelou para que as pessoas apenas compareçam no local dos testes
RÓMULO SANTOS
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Apesar das dificuldades, o responsável deixou uma mensagem de confiança: “Toda a população vai de mãos dadas vencer este desafio e ultrapassar esta situação epidemiologia, em conjunto, dentro de pouco tempo”, afirmou.
Covid-19 FAOM sugere diálogo para evitar viagens A presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Ho Sut Heng, defende que os trabalhadores devem dialogar com patrões para
evitarem saídas de casa desnecessárias, incluindo para trabalhar. Em declarações ao jornal Ou Mun, a dirigente elogiou o Governo pela resposta rápida e
transparente durante o surto de covid-19 em relação ao passado, o que permite que a população conheça todas as informações e os procedimentos a adoptar.
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MACAU ZONAS VERMELHAS CONTROLO SELADO Edifício Yim Lai: Rua de Manuel de Arriaga 66-66C Padre Modern Cuisine (Edifício Tak Fung): Avenida da Praia Grande 251 Edifício Tat Cheong: Rua de Afonso Albuquerque 33-35G Edifício Parkway Mansion (Bloco 2): Rua do Almirante Costa Cabral 146 Centro Chiu Fok: Rua de Pedro Coutinho 23 Lake View Garden: Praça de Lobo de Ávila 16-18 “Carnes” Assadas Lam Kei: Rua da Emenda 10
ZONAS AMARELAS ZONA DE PREVENÇÃO Segundo o Governo, o surto foi identificado em dois grupos distinto de pessoas. Num dos grupos, estão incluídas 17 pessoas, entre os quais 13 trabalhadores não-residentes que vivem juntos, e no outro cerca de dez pessoas, entre os quais um trabalhador do estabelecimento prisional e a esposa, a mulher que trabalha na escola Hou Kong. Segundo as investigações preliminares, os indivíduos incluídos nos dois grupos distintos terão estado em contacto na Rua de Emenda. Isto porque um dos membros de um dos grupos trabalha como vendedor de carne assada numa loja nesta rua, e um membro do outro grupo frequenta, na mesma rua, uma loja de fruta. As
autoridades acreditam assim que os dois se terão cruzado e que o contágio terá acontecido nessa altura. “Não temos a certeza máxima sobre se este foi mesmo o elo. Mas uma investigação preliminar indica nesse sentido e mostra que estão a ser descobertas algumas peças do puzzle”, afirmou Alvis Lo. Para reforçar a tese, foi igualmente indicado que um dos casos identificados em Zhuhai, e supostamente importado de Macau, também terá estado na loja de carne
Falta de informação
Ao contrário de outras ocasiões, as informações sobre o percurso dos infectados não foi revelado, à excepção de um residente e de nove trabalhadores não-residentes oriundos do Myanmar. E mesmo para aceder a estas informações surgiram problemas, uma vez que o portal de Internet onde
A identidade das escolas afectadas só foi revelada depois de os representantes do Governo terem sido questionados directamente pelos jornalistas
TNR Pedido apoio para quem está retido Wong Kok Seng, vice-presidente da Associação Comercial de Macau, pediu aos empregadores para auxiliarem os trabalhadores não-residentes (TNR) retidos
assada. Contudo, as autoridades não conseguem dizer que grupo foi primeiramente contaminado, ou a qual foi a fonte da infecção.
em Macau, esperando que seja dado apoio na realização dos testes de despistagem à covid-19. Segundo o jornal Ou Mun, o dirigente espera unidade e cooperação
para que Macau regresse à normalidade, mas também que patrões e trabalhadores tenham um diálogo franco, em nome da harmonia e do bom ambiente comercial.
estaria a informação esteve offline, ao mesmo tempo que decorria conferência de imprensa. Ontem, à hora de fecho do HM, a versão em português ainda não estava disponível. Também a identidade das escolas afectadas só foi revelada depois dos representantes do Governo terem sido questionados directamente pelos jornalistas. A adopção de critérios dispares levou a que surgissem questões sobre a participação de altos membros do Governo num banquete onde esteve uma infectada e que teriam um percurso comum, o que implicaria a obrigação de quarentena. Contudo, Leong Iek Hou recusou revelar se havia “figuras públicas” no banquete ou a adiantar o local
onde ocorreu: “Foram acompanhadas mais de 900 pessoas [por contacto próximo], não sei o nome dos convidados. Mas, não é relevante porque não fazemos distinção entre as pessoas”, garantiu. Leong Iek Hou não deixou que apontar que se registaram atrasos na divulgação dos percursos, porque os trabalhadores do Myanmar não sabem ler cantonês, apesar de falarem, o que dificultou a identificação dos locais frequentados, mesmo quando nove dos 10 percursos revelados dizem respeito a estres trabalhadores. Este aspecto deixou também espaço para críticas às lojas por não obrigarem os clientes a fazer o código de saúde com localização. João Santos Filipe
Zhuhai 13 detidos por violação de regulamentos Um total de 13 pessoas vindas de Macau foram acusadas pelas autoridades de Zhuhai de violação de regulamentos de prevenção da pandemia, ficando detidas por um período de dez dias. Segundo um comunicado oficial, estas pessoas são acusadas de não
cumprirem o período de quarentena em casa e terem frequentado espaços públicos sem autorização, o que constitui o risco de surto. As autoridades de Zhuhai adiantam que as 13 pessoas frequentaram um spa, um hotel e um bar no passado domingo.
Edifício Son Lei: Rua de Manuel de Arriaga 64-64B Edifício Chun Fong: Rua de Afonso de Albuquerque 38-40A Edifício Tak Fong: Avenida da Praia Grande 241-253 Edifício Tak Weng: Rua de Afonso de Albuquerque 37-45 Edifício Man Heng: Rua de Afonso de Albuquerque 31C-31G
TAIPA ZONAS VERMELHAS CONTROLO SELADO Flower City – Lei Pou Kok: Avenida Olímpica 177259, Rua de Évora 10-72
6 política
RÓMULO SANTOS
IDOSOS INSTALADOS EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA EM 8.000 CASAS
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O
Instituto de Acção Social (IAS) instalou equipamentos de segurança em oito mil casas de idosos até Abril deste ano, no âmbito do “programa de avaliação de segurança domiciliária e de financiamento para a aquisição de equipamentos para idosos”. A informação consta na resposta a uma interpelação da deputada Song Pek Kei. O programa, aponta Hon Wai, presidente do IAS, tem como objectivo “implementar, a título experimental, o novo modelo de serviços para pessoas séniores nos apartamentos para idosos, introduzindo serviços e equipamentos inteligentes”. Relativamente aos “cuidados transfronteiriços para idosos”, o Governo assegura que “aqueles que residem de forma permanente no Interior da China e reúnam os requisitos legais podem continuar a receber a pensão e subsídio para idosos, bem como a pensão e o subsídio de invalidez, sem esquecer a comparticipação pecuniária e o apoio económico, entre outros benefícios sociais de Macau”. No que diz respeito aos prestadores de serviços, as autoridades de Guangdong “já definiram as políticas para que estes tenham acesso aos mesmos benefícios que as instituições do Interior da China gozam em matéria de acesso ao mercado, disponibilidade de espaços, redução e isenção de impostos, entre outras medidas”. No entanto, até à data, “o IAS não recebeu nenhum pedido de informação sobre o assunto”. Sobre o projecto do “Novo Bairro de Macau”, a nascer na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o IAS confirma a criação de centros de serviços para idosos que irão assumir “um papel pioneiro”, além de permitirem “explorar e acumular a experiência obtida na criação de equipamentos de serviços de apoio a idosos no Interior da China”.
INTEGRAÇÃO CHAN MENG KAM ELOGIA COMUNIDADE DE FUJIAN
Mais e mais amor
Chan Meng Kam sublinhou o contributo das mais de 120 mil pessoas de Fujian para a integração de Macau “no desenvolvimento nacional”. O ex-deputado enalteceu ainda o aumento do número de residentes oriundos de Fujian que ocupam cargos importates na RAEM
A
comunidade de Fujian é a espinha dorsal do campo patriota de Macau e é fundamental para promover a integração da RAEM no desenvolvimento nacional. A opinião foi defendida pelo ex-deputado, e ex-membro do Conselho Executivo, Chan Meng Kam durante a 7.ª Conferência Mundial de Negócios de Fujian, e citada pelo Jornal do Cidadão na edição de ontem. O político e empresário natural de Fujian, foi um dos oradores,
e não esqueceu as suas origens, falando da província-natal como um dos pilares do patriotismo de toda a China, inclusive com uma grande expressão em Macau.
Chan destacou que a espinha dorsal do campo patriótico em Macau é constituída na maioria por residentes oriundos de Fujian
Na visão de Chan Meng Kam, a maior parte dos residentes da RAEM tem uma forte ligação ao país e mantém as tradições de amar a pátria, apoiar a orientação política Macau governada por patriotas, e defender a prosperidade e estabilidade “a longo prazo” da RAEM. O político destacou também a preponderância dos seus conterrâneos na orgânica de Macau e o facto de cada vez mais naturais de Fujian se afirmarem como “membros da Assembleia Legislativa e do Conselho do Executivo”, o que, no seu
entender, mostra que contribuem para o desenvolvimento da pátria.
Colheita patriota
Chan Meng Kam afirmou também que a integração das pessoas de Fujian na comunidade e o papel no campo patriota mostra o valor dos naturais da província chinesa e a missão histórica assumida pela comunidade do Interior, que o ex-deputado disse ser reconhecida por toda a China. Além de vários elogios ao desempenho do Partido Comunista da China no desenvolvimento de Fujian, o ex-deputado indicou também que a província e Macau devem aprofundar a cooperação, no âmbito da construção da Grande Baía. Neste sentido, partindo da premissa de que o empresário encara Fujian como um pólo de desenvolvimento tecnológico apontou que Macau pode ser uma plataforma para aumentar as trocas económicas com os países de língua portuguesa e promover maiores ligações da China com estes países. Dessa forma, Chan Meng Kam encara Macau como uma excelente porta para que Fujian aumente a sua participação na iniciativa internacional “Uma Faixa, Uma Rota”. João Santos Filipe
JUSTIÇA ENVIO ELECTRÓNICO DE PEÇAS PROCESSUAIS A PARTIR DE SETEMBRO
A
partir de 1 de Setembro, as partes processuais e os mandatários que preencham os requisitos legais podem recorrer à via electrónica para enviar peças aos tribunais e efectuarem o pagamento de
custas. A medidas faz parte da lei recentemente aprovada na Assembleia Legislativa e segundo Gabinete do Tribunal de Última Instância resulta de um trabalho conjunto elaborado pelos tribunais e o Governo.
O envio das peças e o pagamento pode ser feito “independentemente do horário de expediente dos tribunais e das instituições financeiras”, de acordo com o comunicado emitido ontem. “As peças
processuais em suporte de papel que forem digitalizadas e enviadas através da plataforma electrónica dos tribunais têm os mesmos efeitos jurídicos dos respectivos documentos em suporte de pa-
pel”, é garantido. No entanto, o juiz pode exigir que sejam apresentados os documentos originais em formato físico, se assim o entender. No caso de processos de natureza penal, a entrega por
via electrónica é apenas aplicável a partir da recepção dos autos pelo tribunal competente na fase de julgamento e “desde que se mostre compatível com a observância dos princípios do processo penal”.
terça-feira 21.6.2022
Analistas acreditam que receitas de jogo vão ser praticamente nulas nos próximos dias
O
S bancos de investimento que acompanham a indústria do jogo do território acreditam que o impacto do novo surto vai fazer com que as receitas sejam praticamente nulas nos próximos tempos. Este foi o cenário traçado pelo banco de investimento JP Morgan Securities que apontou que devido “ao maior surto local dos últimos dois anos” as receitas do jogo “vão provavelmente atingir níveis muito próximos de zero”. “Os casinos mantêm-se operacionais, mas não ficaríamos surpreendidos se as receitas baixassem para níveis próximos de zero durante, pelo menos, algumas semanas, até que a situação se mantenha sob controlo”, pode ler-se no relatório sobre Macau da JP Morgan Securities, citado pelo portal GGR Asia. O relatório destaca também a previsão de que o número de visitantes nos próximos dias deve ser muito baixo ou inexistente. Desde que surgiu o surto em Macau, as autoridades de Zhuhai passaram a exigir quarentena para quem entra no Interior vindo de Macau.
Avisos comuns
RÓMULO SANTOS
Além deste aspecto, os analistas avisaram que nos
próximos meses vão dar maior atenção à situação financeira das concessionárias e como estão “a queimar dinheiro” com a situação de Macau. Neste capítulo, a SJM Holdings e a Sands China foram apontados como tendo a menor liquidez financeira. Também o banco de investimento Sanford C. Bernstein avisou que as receitas vão sofrer um impacto muito significativo com o novo surto, mesmo que os casinos se mantenham abertos. Segundo a corretora, o volume de visitantes vai ser “severamente limitado” e pode ser “bloqueado por completo”. Por isso, também a Sanford C. Bernstein espera que as receitas “encolham para níveis próximos de zero durante pelo menos a próxima semana”. Contudo, a expectativa é que o impacto se faça sentir ao longo de várias semanas. Os analistas Vitaly Umansky, Louis Li e Shirley Yang acreditam assim que o impacto para as receitas do jogo se vai fazer sentir não apenas em Junho e Julho. J. S. F.
Turistas Quebra acentuada em Maio No mês passado entraram em Macau 600.748 visitantes, ou seja, uma redução de 30,6 por cento, em termos anuais e um decréscimo de 1,0 por cento, em termos mensais. Os números foram revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC). Neste período, os números de excursionistas (358.920) e de turistas
(241.828) baixaram 8,5 por cento e 49,0 por cento, respectivamente, em termos anuais. O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 0,9 dias, menos 0,7 dias, em termos anuais. O período médio de permanência dos turistas foi de 2,1 dias, o que significa que decresceu 0,8 dias e que o dos excursionistas foi de 0,1 dias, mantendo-se.
RESTAURAÇÃO NEGÓCIO CAÍU 90%. SECTOR ESPERA DIAS DIFÍCEIS
Barriga a dar horas Logo após a declaração do estado de prevenção imediata e o anúncio dos primeiros casos de covid-19, o negócio dos restaurantes de Macau caiu entre 80 e 90 por cento no domingo, dia do Pai. O sector espera negócio “muito fraco” durante, pelo menos, meio mês e o cancelamento de dezenas de banquetes previamente agendados FACEBOOK
Ode à destruição
sociedade 7
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À
medida que o novo surto de covid-19 em Macau se começou a materializar, a maioria dos restaurantes da cidade, muitos deles com todas as mesas reservadas devido às celebrações do dia do Pai, viram, no domingo, a maioria das marcações canceladas e o negócio reduzido entre 80 e 90 por cento. De acordo com o gerente de um restaurante de yum cha citado pelo jornal Ou Mun, depois da entrada em vigor do estado de prevenção imediata e do anúncio dos primeiros casos confirmados na madrugada e manhã de domingo, praticamente todos os clientes que tinham mesas reservadas para o período da manhã e da tarde acabaram por cancelar as marcações. Contudo, o mesmo responsável apontou que, dado que o anúncio do Governo aconteceu às primeiras horas do dia, foi possível ajustar as quantidades dos bens fornecidos, evitando assim prejuízos maiores.
Por outro lado, sem negócio e com grandes incertezas no horizonte, o mesmo gerente lamenta a situação, sobretudo numa altura em que o limite para banquetes foi recentemente aumentado pelos Serviços de Saúde de 200 para 400 pessoas e o estabelecimento já tinha recebido pedidos de agendamento para mais de 30 eventos do género.
Pratos vazios
Na mesma linha, o gerente de outro restaurante ou-
Perante o risco de transmissão comunitária, Elsie Ao Ieong U apelou à população para ficar, tanto quanto possível, em casa e aos estabelecimentos não essenciais para fecharem portas
vido pelo jornal Ou Mun, confirma ter perdido por completo todo o negócio que a celebração do dia do Pai fazia antever. Isto quando a lotação do espaço estava esgotada ao longo do dia. Perante o cenário de emergência epidémica e os apelos do Governo para a população permanecer em casa, o dono do restaurante prevê que o negócio seja “muito fraco” durante, pelo menos, meio mês, com várias dezenas de banquetes a ser cancelados nos próximos dias. Além disso, depois da sugestão das autoridades para que os restaurantes suspendam, temporariamente, o consumo de refeições no interior dos estabelecimentos, o responsável considera que o volume de venda de refeições para fora é uma “ajuda pequena” face à baixa vontade de consumo dos residentes nesta fase. Apesar de estar disposto a colaborar com as autoridades em termos de prevenção contra a covid-19, segundo o Ou Mun, o gerente mostra-
-se “muito preocupado com o futuro” Um outro proprietário conta que, o novo surto de covid-19 em Macau o fez perder, no imediato, cerca de 60 por cento dos clientes que costumava ter no período da manhã. Contudo, por ter ajustado o volume dos bens a adquirir aos fornecedores atempadamente, diz ter evitado prejuízos maiores. Recorde-se que, no domingo, perante o risco de transmissão comunitária, Elsie Ao Ieong U apelou à população para ficar, tanto quanto possível, em casa e aos estabelecimentos não essenciais para fecharem portas. “Excepto, supermercados e outros locais de venda de bens essenciais, apelamos aos outros estabelecimentos para fecharem. Apelamos aos residentes para se manterem em casa e colaborarem com as medidas de prevenção da pandemia”, disse a secretária. Pedro Arede e Nunu Wu
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Quatro século 24 DE JUNHO CCCM CELEBRA DATA HISTÓRICA COM CONFERÊNCIA
Foi há 400 anos que as forças portuguesas venceram os holandeses na célebre batalha de 24 de Junho de 1622, mantendo Macau sob administração portuguesa. Em Lisboa, o Centro Científico e Cultural de Macau recebe, na sexta-feira, uma palestra em jeito de celebração
O
Centro Cultural e Científico de Macau (CCCM) promove na sexta-feira uma conferência de celebração do aniversário da vitória das forças portuguesas sobre os holandeses, na célebre batalha por Macau. “24 de Junho de 1622: História e Memória” é o nome da iniciativa que decorre em Lisboa, que terá como oradores Rui Loureiro, investigador do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, também associado ao Centro de História Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa; e Mariana Pereira, doutoranda do Cambridge Heritage Research Centre, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e também investigadora associada do Instituto Internacional de Macau (IIM). Segundo um comunicado da organização, o CCCM pretende “assinalar a passagem dos 400 anos da celebrada data
do 24 de Junho”, um dia “com indiscutível relevância histórica e patrimonial para Macau”.
As visões de uma data
Mariana Pereira irá falar dos “Retratos do 24 de Junho Macaense em Portugal: uma visão patrimonial”. Recorde-se que a investigadora lançou o projecto de um website dedicado ao acontecimento histórico, apoiado pelo IIM. Mariana Pereira, macaense e arqueóloga, está actualmente
O CCCM pretende “assinalar a passagem dos 400 anos da celebrada data do 24 de Junho”, um dia “com indiscutível relevância histórica e patrimonial para Macau”
a fazer um doutoramento na área do património cultural. Ao HM, aquando do lançamento do site, no ano passado, disse esperar que, no futuro, este se torne “numa plataforma onde se possa colocar informação disponível sobre o 24 de Junho, que se desdobra em muito mais do que aquilo que as pessoas veem e as celebrações que decorrem”. Por sua vez, a intervenção de Rui Loureiro tem como tema “Macau e a ameaça holandesa: génese do ataque de 1622”. O evento encerra com um debate onde se prevê “a participação de intervenientes da comunidade macaense e outros, sobretudo orientado para os aspectos patrimoniais”, que terá a moderação de Mariana Pereira. Aquando do lançamento do website, a investigadora declarou ao HM que estão em causa “vários tipos de 24 de Junho”, tendo em conta que é o “único evento macaense” que não se celebra em mais nenhum outro lugar, estando ainda “associado à história de Macau como cidade”. “O que está a acontecer é que o 24 de Junho está muito associado a uma festa portuguesa que parece ser mais recente do que a celebração da batalha. O arraial [ocorrido em Macau] começou a ter mais visibilidade e gostaríamos de trazer algum equilíbrio, com outras componentes, porque tudo forma o 24 de Junho em Macau”, acrescentou. Andreia Sofia Silva
FAROL DA GUIA UNESCO ADMITE LEVAR A PEQUIM QUEIXA DE GRUPO ACTIVISTA
U
M grupo para a salvaguarda do património de Macau disse que a UNESCO admitiu levar a Pequim a queixa sobre a altura de construção de um edifício perto do Farol da Guia, monumento de influência portuguesa. “O Centro do Património Mundial da UNESCO [Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], enquanto Secretariado do Comité do Património Mundial, vai chamar a atenção do Estado-membro da China para este facto”, respondeu a UNESCO numa carta divulgada ontem pelo Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia. “Estamos
muito gratos por a UNESCO tomar uma posição firme sobre os limites de altura dos edifícios em torno do Farol da Guia”, reagiu a associação, em comunicado. Na carta endereçada na quinta-feira passada ao organismo da ONU, o Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia defendeu que a altura
de um edifício inacabado na Calçada do Gaio devia “ser reduzida para 52,5 metros” em vez dos 82,32 metros actuais, “um compromisso assumido pelos governos da China e da RAEM com a comunidade internacional e os cidadãos”. “O acompanhamento lento ou ineficaz da UNESCO já causou sérios
danos à integridade visual e às principais linhas de visão do Farol da Guia. Um prédio novo, enorme e alto na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues bloqueou efetivamente a ligação visual entre a Guia Farol e Arco do Oriente, outro marco histórico de Macau”, realçou o Grupo na mesma carta.
CRIME REALIZADO
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realizador e argumentista canadiano Paul Haggis, vencedor de um Óscar pelo filme de 2005 “Crash”, foi detido ontem em Ostuni, Itália, suspeito de abusar sexualmente de uma mulher durante dois dias, anunciou a imprensa italiana. Suspeito dos crimes de violência sexual e de
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DIA DE FESTA, SOFIA BOST
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Chamadas ao ecrã Curtas portuguesas no ICA em Londres
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S realizadoras Sofia Bost e Mariana Gaivão vão participar num debate na quinta-feira no Institute of Contemporary Arts (ICA), em Londres, após a projecção de três curtas-metragens no âmbito de um ciclo de cinema português promovido pela instituição britânica. A sessão tripla inclui “Dia de Festa”, de Sofia Bost, vencedora do festival Set’Curtas em 2018 e seleccionada para o festival de Cannes em 2019, “Ruby”, de Mariana Galvão, vencedor do Prémio para Melhor Realização no Curtas Vila do Conde em 2019, e “Cães que Ladram aos Pássaros”, de Leonor Teles, que se estreou no Festival de Veneza em 2019. Obra de estreia de Bost, “Dia de Festa” conta a história de uma mãe que prepara uma festa de aniversário para a filha de 7 anos, até que um telefonema da própria mãe perturba a felicidade da ocasião. Em “Ruby”, Mariana Galvão acompanha a ansiedade de uma jovem nascida de pais britânicos, mas a viver no interior de Portugal nos dias antes de a melhor amiga, Millie, regressar a Inglaterra. As questões da gentrificação e da especulação imobiliária são abordadas em “Cães que Ladram aos Pássaros”, na qual Leonor Teles segue o caso de Vicente, um jovem forçado a sair da cidade natal, o Porto. A “trilogia cativante”, segundo o ICA, é a quinta sessão dedicada ao cinema
OR CANADIANO PAUL HAGGIS DETIDO EM ITÁLIA POR ABUSO SEXUAL danos pessoais agravados, Paul Haggis encontra-se na cidade italiana da região de Apúlia para participar no festival “Allora Fest”, segundo a televisão pública RAI, que cita um comunicado do Ministério Público de Brindisi. As autoridades consideram que o realizador,
alegadamente, forçou uma jovem mulher estrangeira a ter relações sexuais durante dois dias, abandonando-a depois no aeroporto Papola Casale, perto de Brindisi, apesar das condições físicas e psicológicas “precárias” em que se encontrava. A mulher foi assistida por funcionários do aeroporto
e pela polícia aduaneira, tendo sido transportada para o hospital de Brindisi, onde foi activado o protocolo para casos de vítimas de violência sexual, adianta a agência EFE. Paul Haggis, de 69 anos, vencedor do Óscar pelo filme “Crash” e de guiões como “Million Dollar Baby”
(2004) ou “Casino Royal” (2006), está detido em prisão preventiva, de acordo com o despacho emitido pelo procurador Antonio Negro. “De acordo com os elementos recolhidos, o investigado teria forçado a jovem, conhecida dele há muito tempo, a ter relações sexuais”, referem as autoridades.
Em Janeiro de 2018, quatro mulheres nos Estados Unidos acusaram o cineasta de episódios que vão de agressão sexual a assédio ou violação, na sequência de uma denúncia apresentada em Nova Iorque pela publicitária Haleigh Breest.
português contemporâneo no âmbito de uma iniciativa em colaboração com as produtoras Terratreme e Uma Pedra no Sapato. Intitulado “Mobilização Coletiva”, o programa começou em maio com “Visões do Império”, de Joana Pontes, e já apresentou “Amor Fati”, de Cláudia Varejão, “No Táxi do Jack”, de Susana Nobre, e “Desterro”, de Maria Clara Escobar”.
Espalhados pelo reino
Cada uma das oito sessões é acompanhada por conversas presenciais ou virtuais com os cineastas. O programa prossegue com “Prazer Camaradas!”, de José Filipe Costa, em julho, «Suzanne Daveau”, de Luísa Homem, em Agosto, e encerra em Setembro com “Mato Seco em Chamas”, co-realizado porAdirley Queirós e Joana Pimenta. Após as projecções, durante pelo menos uma semana no ICA, os filmes ficam disponíveis para exibição em salas de cinema ou de outro tipo em todo o Reino Unido e Irlanda. A Terratreme é um colectivo sediado em Lisboa e fundado em 2008 por um grupo de jovens cineastas que já colaborou antes com o ICA, enquanto Uma Pedra no Sapato, criada no mesmo ano, é apresentada como uma produtora com o objectivo de apresentar perspectivas inovadoras sobre as realidades portuguesas a audiências internacionais.
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TAIWAN SISMO NÃO PROVOCA VÍTIMAS
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M sismo de magnitude 6 na escala de Richter atingiu ontem a região de Hualien, no leste de Taiwan, avançou o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês). Segundo a imprensa de Taiwan, não há até ao momento registo de nenhuma vítima ou danos significativos do terramoto, que foi sentido em toda a ilha. O terramoto aconteceu a cerca de 10 quilómetros de profundidade às 09h05 locais, avançou o USGS. Um abalo de menor intensidade foi registado cerca de meia hora depois, de acordo com o Serviço Meteorológico de Taiwan. O serviço de metropolitano na capital Taipei foi brevemente interrompido, de acordo com um passageiro, citado pela agência France Presse. O USGS classificou como “verde” o risco representando pelo terramoto que atingiu Taiwan, prevendo poucas vítimas e danos. Este é o quarto
sismo de magnitude 6 ou superior na escala de Richter a atingir Taiwan desde o início de 2022. Em Março, um sismo de magnitude 6,7, registado ao largo de Taiwan, a cerca de 70 quilómetros a sul de Hualien, causou um ferido e destruiu uma ponte em construção nessa região. A ilha de Taiwan é regularmente atingida por terramotos por se encontrar perto da junção de duas placas tectónicas. Sismos de magnitude 6 ou mais podem implicar um elevado número de vítimas mortais, mas os efeitos dependem da localização e da profundidade a que ocorrem. Em 2018, um sismo de magnitude 6,4 causou 17 mortos e mais de 300 feridos em Hualien, um popular ponto turístico de Taiwan. A catástrofe natural mais mortífera da história da ilha ocorreu em Setembro de 1999, quando um sismo de magnitude 7,6 matou cerca de 2.400 pessoas.
Defesa Teste de interceptação de mísseis realizado com sucesso
O Governo chinês disse ontem ter realizado com sucesso um teste de interceptação de mísseis, aumentando a sua capacidade de reagir a intervenções estrangeiras, num período em que exerce crescente assertividade nas suas reivindicações territoriais. Em comunicado, o Ministério da Defesa chinês informou que o teste foi de natureza “puramente defensiva” e não visou nenhuma nação estrangeira. Os mísseis são uma componente importante da defesa da China e constituem a espinha dorsal do programa espacial de Pequim, que aposta no lançamento de astronautas e de componentes para a estação espacial em órbita do país.
A China mantém as fronteiras praticamente encerradas desde Março de 2020, autorizando apenas um voo por cidade e por companhia aérea, o que reduziu o número de
COVID-19 AUTORIDADES CHINESAS SUSPENDEM VOO DIRECTO A PARTIR DE PORTUGAL
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S autoridades chinesas anunciaram ontem a suspensão da ligação aérea entre Portugal e a China, pelo período de um mês, após detectarem dez casos de covid-19, em 12 de Junho, num voo oriundo de Lisboa.
A ligação aérea entre Lisboa e Xi’an foi suspensa por um mês depois de terem sido detectados 10 casos positivos de covid-19 em passageiros vindos da capital portuguesa. A suspensão decretada pela Administração de Aviação Civil da China entra em vigor a 27 de Junho
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ligações aéreas internacionais para o país em 98 por cento, face ao período pré-pandemia
voar Em comunicado difundido no seu portal oficial, a Administração de Aviação Civil da China informou que o voo entre Lisboa e a cidade chinesa de Xi’an, operado pela companhia aérea Beijing Capital Airlines, passa a estar suspenso a partir de 27 de Junho. Os voos para a China estão sujeitos à política do “circuit breaker” (‘interruptor’, em português): quando são detectados cinco ou mais casos a bordo, a ligação é suspensa por duas semanas. Caso haja dez ou mais casos, a ligação é suspensa por um mês.
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Ao abrigo da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19, a China mantém as fronteiras praticamente encerradas desde Março de 2020. O país autoriza apenas um voo por cidade e por companhia aérea, o que reduziu o número de ligações aéreas internacionais para o país em 98 por cento, face ao período pré-pandemia.
Suspensão natalícia
A ligação aérea entre Portugal e a China foi retomada precisamente no dia 12 de Junho, com a frequência de um voo por semana, após ter estado suspensa durante mais de seis meses. As autoridades de Xi’an, a capital da província de Shaanxi, no centro da China, suspenderam a ligação com Lisboa no dia 25 de Dezembro passado, numa altura em que a região enfrentava um surto de covid-19. A cidade só retomou este mês as ligações internacionais. Quem chega à China tem que cumprir ainda uma quarentena de até três semanas, em instalações designadas pelo Governo.
S transacções online foram o motor da procura interna a partir do já tradicional “feriado” das compras de meio do ano. Durante o festival “618”, um grande evento de compras online realizado no período que antecedeu o dia 18 de Junho, o valor das encomendas no JD.com totalizou 379,3 mil milhões de yuan, contra 343,8 mil milhões de yuan no mesmo período do ano passado, segundo os dados mais recentes. Também a procura em centros comerciais e lojas físicas ganharam um novo ímpeto, impulsionado pelas políticas pró-crescimento e promoções de vendas durante o festival, um dos vários equivalentes ao “Black Friday”, segundo a agência Xinhua. Os armazéns da marca Intime registaram o maior fluxo de clientes no segundo trimestre durante o festival, com as vendas de algumas marcas a crescerem mais de 30 por cento em termos anuais. No entanto, as vendas a retalho da China diminuíram em Maio 6,7 por cento em relação ao mesmo mês do ano passado, e caíram 4,4 por cento em comparação com o último mês de Abril. “A recuperação do consumo acelerará à medida que a vida das pessoas voltar à normalidade”, disse Fu Linghui, porta-voz do Gabinete Nacional de Estatística, citado pela Xinhua. Uma repartição dos dados de consumo mostrou que as compras de produtos de alta gama, como electrodomésticos inteligentes e cuidados de saúde, registaram desempenhos muito positivos. As vendas de televisores inteligentes, jogos e de frigoríficos
O festim da procura Recuperação ganha ímpeto com compras online
combinados de grande capacidade aumentaram em 87 por cento e 65 por cento, respectivamente, segundo os dados do retalhista Suning.com.
Carros e sapatos
“O consumo desempenhará um papel cada vez mais importante no ciclo económico”, disse Wang Yun. Graças ao apoio político, o mercado interno de veículos na China tornou-se rapidamente em Maio com a produção e vendas a aumentar 59,7 e 57,6 por cento, respectivamente, em relação ao mês anterior, impulsionando o consumo de serviços relacionados, tais como manutenção e reparação de automóveis.
O consumo de serviços da China registou um rápido crescimento nos últimos anos, observou Wang, apelando à introdução de políticas específicas para explorar ainda mais o potencial do mercado. Face aos desafios trazidos pela epidemia da covid-19, as empresas aproveitaram as tecnologias digitais para melhorar a resiliência da cadeia de fornecimento. A marca de sapatos Onemix lançou produtos personalizados em JD.com, no período que antecedeu o “618”. Para cativar um público jovem, a empresa utilizou mega-dados para ir de encontro às necessidades da procura e conceber estilos e cores.
HK AUTORIDADES DIZEM QUE HOSPITAIS ESTÃO PRONTOS
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Autoridade Hospitalar de Hong Kong disse ontem que está bem preparada para tratar mais pacientes infectados com covid-19 se for necessário, uma vez que Hong Kong registou mais de mil novas infecções durante um sexto dia consecutivo. O Governo da RAEHK deu ontem conta de 1.327 novas infecções por coronavírus - 141 das quais foram importadas e
anunciou a morte de um doente infectado com o novo tipo de coronavírus. Sara Ho, da Autoridade Hospitalar, afirmou que embora até agora não tenha havido sinais de um surto no número de
pacientes que necessitam de isolamento ou cuidados intensivos, os hospitais públicos estão preparados para receber mais milhares de pacientes, se necessário. “Nas últimas duas semanas, assistimos a uma pequena tendência de aumento do número de infecções. Foi por isso que orientámos os nossos grupos para estarem preparados. Caso a situação
pandémica se torne grave, teremos camas prontas para os pacientes”, disse ontem em conferência de imprensa na região vizinha. O Centro de Protecção da Saúde, por seu lado, anunciou que as escolas relataram mais de 400 casos, mas cerca de 300 diziam respeito a infecções detectadas no fim-de-semana ou na semana anterior.
Hainan Exposição de Produtos de Consumo 2022 abre em Julho A segunda Exposição Internacional de Produtos de Consumo da China será realizada em Haikou, capital de Hainan, no sul do país, de 26 a 30 de Julho, anunciou o Conselho Internacional de Negócios da província. A feira serve como uma importante plataforma para promover a abertura de “alto nível”, segundo
a Xinhua, facilitar a circulação dupla doméstica e internacional, promover a modernização do consumo e impulsionar a construção do porto de livre comércio de Hainan. A área de exposição da feira de produtos de consumo deste ano abrange 100.000 metros quadrados, incluindo 80.000 metros quadrados de
área de exposição internacional, que serão usados por mais de 700 expositores e 1.300 marcas de 58 países e regiões. A França será o país convidado de honra da expo deste ano. A primeira Exposição Internacional de Produtos de Consumo da China foi realizada em Haikou em Maio de 2021.
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As poetas cortesãs e a orquídea de Zheng Sixiao PAULO MAIA E CARMO
texto e ilustração
«Partimos velas em Bashan, a montanha dos desejos sinceros, sem imaginarmos a dor da separação,/ Despedi-me de ti, e o perfume delicado das orquídeas foi o remo que te guiou através do rio do esquecimento./ Como desejaria ser em breve essa orquídea plantada na região de Xiaoxiang,/ Enviarei através da leve brisa primaveril este desejo a Xue Tao.»
Xue Tao (c.770-832) a preclara poeta cortesã dos Tang que se distinguiu num mundo das letras dominado por homens, terá nos seus últimos dias, tomado as vestes das religiosas daoístas como visível sinal de independência conquistada através do talento, a sua fragilidade escondida só se intuía, despretensiosa como o aroma delicado das orquídeas. Nas narrativas da sua existência inspiradora não faltam relatos de fecundas conversações poéticas com os mais admirados poetas do tempo com um dos quais, Yuan Zhen (779-831) existe mesmo a suspeita de um não concretizado caso amoroso. Ele que é autor de celebrados flébeis poemas lamentando separações e ela que escreveu por exemplo: «No sopé do monte Emei as águas do rio brilham como o azeite,/ Como é doloroso saber que os nossos corações coincidem mas os barcos não estão ancorados./ Quando chegará o dia em que, as velas arvoradas, partiremos de Chengdu, a cidade dos brocados,/ E, juntos, cantaremos a mesma canção das árvores respeitosas no meio das águas.» Séculos depois, sábias poetas cortesãs do recôndito bairro Qinhuai, na actual cidade de Nanquim, tomariam para si, esse exemplar precedente de relacionamento literário. A célebre cortesã Bian Yujing que viveu até 1663 recordou-a: «Quebrámos velas em Bashan, o monte dos desejos sinceros, sem imaginarmos a dor da separação,/ Ao despedir-me de ti, o perfume delicado das orquídeas foi o remo que te guiou através do
rio do esquecimento./ Como desejaria ser em breve essa orquídea plantada na região de Xiaoxiang,/ Enviarei através da leve brisa primaveril, esse pedido a Xue Tao.» O poema acompanharia uma pintura de uma orquídea, que se perdeu como as outras pinturas de Bian Yujing. Houve um pintor porém, que seria admirado por uma única pintura de flores de orquídea. Zheng Sixiao (1241-1318) fez essas evanescentes orquídeas com a liberdade do gesto do pulso que movimenta o pincel, desenraizadas como que flutuando e assemelhando-se à manjusaka, a flor budista de longos estames salientes que voando, guia as almas até às nascentes amarelas (Huangquan). Nessa pintura (rolo horizontal, tinta sobre papel, 25,7 x 42,4 cm) que está no Museu Municipal de Belas Artes de Osaca, onde estão duas flores entre folhas, ele parece figurar a verdade da impermanência que caracterizou a vida do autor que viveu de costas para o poder invasor que estava no Norte e que está evidente na sua assinatura no rolo: «O homem velho que olha para o sul» (Suonan weng). Como as das duas poetisas cortesãs, e como as orquídeas que florescem na obscuridade, a sua vida só exposta na pintura percebese como um fragmento de um diálogo no tempo, sentido numa secreta fragrância. Discreta como o papel odorífero corde-rosa, feito com uma pasta misturada com flores de hibisco esmagadas, que Xue Tao usava para escrever os seus poemas.
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terça-feira 21.6.2022
Quando em Maio de 1922 ocorreu em Macau o incidente da Ponte Chip Seng, na China existia desde 1917 dois governos rivais, o do Norte, reconhecido internacionalmente e dominado por os senhores da guerra e o do Sul, apoiado por o Partido Nacionalista liderado por Sun Yat-sen. Este, depois da queda da dinastia Qing para o qual muito lutara, tornou-se em Nanjing o primeiro Presidência da República da China a 1 de Janeiro de 1912, mas por não contar com grandes apoios, após um mês e meio renunciou ao cargo e entregou-o ao antigo general imperial Yuan Shikai (1859-1916). Representante dos interesses dos senhores das terras no Norte, Yuan Shikai foi eleito a 15-2-1912 Presidente Provisório da República e a 13-12-1915 autoproclamou-se Imperador. Após a sua morte a 166-1916, o país ficou entregue aos senhores da guerra, assumindo em Beijing Li Yuanhong a presidência da República, sendo forçado a resignar em 1917 a favor de Feng Guochang. Ainda em Março de 1916 ocorreu no Sul uma revolução contra Yuan Shikai, tentando Sun Yat-sen, líder do Partido Revolucionário Chinês, reinstalar-se em Guangzhou, onde em Julho de 1917 criou o Movimento de Protecção Constitucional. Em Agosto, o Movimento decidiu a criação em Guangzhou de um governo militar com Exército e Marinha e para líder Sun Yat-sen, que a 1 de Setembro foi eleito General Marechal do Governo Militar. Para se opor ao Governo do Norte Beiyang, dez dias depois o governo do Sul tomava posse com Li Liejun como chefe geral, Li Fulin comandante-chefe do exército e Chen Jiongming, comandantechefe do primeiro exército. Por sabotagens dos senhores da guerra do Sudoeste da China ao Movimento de Protecção Constitucional, a 4-5-1918 Sun resignou ao lugar de General Marechal do Governo Militar, ficando sete generais ao comando do Movimento, controlado pela facção de Guangxi e Yunnan, seguindo Sun para Shanghai. Mas em meados de 1920 o governo militar do Movimento de Protecção Constitucional terminava e rendia-se à obediência de Beijing. Era Xu Shichang desde 1918 Presidente da República da China, lugar que ocupou até 1922. Em Outubro de 1920, Chen Jiongming conquistava Guangzhou e afastava de
Golpe de 16 de Junho em Guangzhou BAIDU
JOSÉ SIMÕES MORAIS
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Guangdong a antiga facção dos senhores da guerra de Guangxi, tornando-se o Governador Civil de Guangdong até 1922. Em Novembro de 1920, Sun Yatsen reorganizava o Governo Militar do Sul para continuar com o Movimento de Protecção Constitucional e em Guangzhou, a 12-1-1921 implantava o Governo Nacionalista, que em reunião de 2 de Abril terminava com o Governo Militar do Sul e organizava o Governo da República da China. Eleito a 7 de Abril, Sun Yat-sen tornou-se a 5 de Maio de 1921 Presidente Extraordinário,
“A 16 DE JUNHO DE 1922, O EXÉRCITO YUE, QUERENDO VOLTAR A TER COMO CHEFE CHEN JIONGMING, MANDOU DURANTE O DIA UM ENVIADO À CASA DO PRESIDENTE SUN YATSEN PARA LHE COMUNICAR A REALIZAÇÃO NESSA NOITE DE UMA PACÍFICA MANIFESTAÇÃO, ONDE SEGUIRIA UMA COMITIVA PARA FALAR COM ELE.”
fazendo a sua sede em Guangzhou. Então, Chen Jiongming, esperando dar unidade à região em torno de Guangdong, foi para Guangxi, mas encontrou grande oposição, ficando-se apenas nas áreas de Qinzhou e Lianzhou, enquanto o resto da província permanecia nas mãos da facção de Guangxi, com Lu Rongting como chefe. Quando Chen Binhun perdeu Wuzhou para Chen Jiongming, este conseguiu controlar os rios da província e em Julho de 1921 forçar a retirada de Lu. No mês seguinte Chen e as forças de Guangdong ocupavam Nanning e o resto de Guangxi, onde permaneceram até Abril de 1922. Com Guangxi nas mãos de Chen Jiongming, em Março de 1922 o Presidente Extraordinário Sun Yat-sen ordenou-lhe ir combater as forças Beiyang em Hubei, mas com a justificação de ser preferível fortalecer militarmente Guangdong, Chen recusou seguir as ordens e despediu-se dos cargos. Sun só a 21 de Abril lhe retirou a Presidente da Província e o comando do Exército de Guangdong e este foi nesse dia para Huizhou. Com Chen Jiongming fora do cargo, Ye Ju a 20 de Maio ficou ao comando do exército Yue, trazendo-o de Guangxi para Guangdong. A 16 de Junho de 1922, o exército Yue, querendo voltar a ter como chefe Chen Jiongming, mandou durante o dia um enviado à casa do Presidente Sun Yat-sen para lhe comunicar a realização nessa noite de uma pacífica manifestação, onde seguiria uma comitiva para falar com ele. Sem interesse em aceitar Chen Jiongming de novo no comando do Exército de Guangdong, para não dar explicações fugiu e refugiou-se num barco, para ir a Shanghai. A comitiva de uma dezena de soldados ao chegar a Yue Xiu Shan, casa do Presidente da República, é recebida a tiro pelos guardas de Sun Yat-sen, tendo todos morrido. Os militares revoltados, pois antecipadamente tinham prevenido o que iriam fazer e dito ser uma caminhada simbólica a favor do regresso ao cargo do seu ex-chefe, ao verem os companheiros mortos começaram a disparar contra a casa onde ainda se encontrava a segunda esposa de Sun Yat-sen, Soong Ching-ling (em mandarim, Song Qing Ling e nome
ARTES, LETRAS E IDEIAS
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inglês, Rosamond), então grávida. Com uma diferença de 24 anos, tinham-se casado em Tóquio a 2510-1915. Na fuga, Song Qing Ling abortou e desde então não pôde ter mais filhos. EM MACAU O incidente na tarde de 28 de Maio de 1922 na Rua Tercena no Bazar provocado por um soldado moçambicano se meter com uma chinesa, fez alguns jovens chineses indignados sovarem o militar. Pela polícia foram levados para interrogatório três chineses e Zhou Jing condenado a doze dias de prisão. A comunidade chinesa ficou furiosa e muita gente foi até ao posto da polícia da Rua da Caldeia, onde estava preso o chinês, e o cerco ao edifício desencadeou um tiroteio grave. Tal conduziu à troca de explicações entre o Governo de Macau e a autoridade de Cantão, levando ao castigo de militares envolvidos, bem como à retirada de Macau do contingente de forças africanas. Após esses distúrbios, seguiuse uma greve geral e o êxodo dos chineses de Macau deixou quase deserta a cidade, sem mantimentos e abastecida unicamente por Hong Kong, sendo os bombeiros a distribuir as rações à população portuguesa. Foi a acção de LuLim-Iok, um dos dois únicos capitalistas que aqui ficaram, com o seu dinheiro, prestígio e influência nas autoridades chinesas ribeirinhas da zona, a contribuir muito para tudo voltar à normalidade e na solução da crise, pondo como condição nada ficar escrito a esse respeito. O Boletim Oficial do Governo da Província de Macau n.º 25 de Sexta-feira 23 de Junho de 1922 teve um suplemento a 25 de Junho que referia, a desmobilização dos homens válidos e a extinção do Comando Militar da Cidade. Estava solucionado um dos piores momentos de Macau, mas a greve durou três meses. Mais tarde Sun Yat-sen, Presidente da República Chinesa, censurou Macau, atribuindo-lhe a culpa dos distúrbios, mas a opinião portuguesa, aquando da notícia de Sun Yat-sen, em consequência da sua derrota em Cantão, ter procurado obter asilo em Macau, acusava-o de ter orientado, provocado e tornado possível o acto sedicioso de 29 de Maio. Após esse incidente, o governo português aplicou medidas mais apertadas no controlo da população chinesa e assim, começou para os chineses de Macau tempos complicados, tornando-se nos anos seguintes ainda mais difíceis.
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DAYS GONE | BEND STUDIO | 2019
6 8 9 5 1 0 2 7 3 4
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4 7 2 1 0 8 9 2Days 1 Gone 7 9é um 5 jogo 3 de 0 0mundo 3 1aberto 4 e6aventura 5 7 que decorre num cenário 9pós-apocaliptico 2 4 8 3no estado 7 6 7do 5Oregon, 9 0nos2 Estados 6 3 Unidos. Num mundo cheio 8de zombies, 6 3 5o protagonis4 1 2 3ta principal, 4 8 7 Deacon 9 0 St. 5 John, vai tentar encontrar 1a namorada, 0 6 3que8presumia 2 4 5morta, 9 mas 0 que 6 afinal 1 4pare8 ce estar viva. Além disso, 6 8 5 2 7 9 1
o motoqueiro tem ainda de fazer várias missões para ajudar dois campos que visita frequentemente e de hu8onde7alguns 4 9grupos 1 3 0 manos tentam sobreviver. 0 João 9 6Santos 7 8Filipe 5 3
C I N E M A
5 6 8 0 4 7 1 9 2 3
SALA 1
[B] 3LIGHTYEAR FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Angus MacLane 414.30, 16.30, 19.30, 21.30 2TOP GUN: MAVERICK [B] Um filme de: Joseph Kosinski Cruise, 1Com: Tom Jennifer Connely, 8 ValMilesKilmer, Teller 14.00, 19.15 9JURASSIC WORLD: DOMINION [B] 6Um filme de: Colin Trevorrow 5 7 0 SALA 2
Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Laura Dern, Jeff Goldblum 16.30, 21.45
THE LOST CITY [B]
Um filme de: Adam Nee, Aaron Nee Com: Sandra Bullock, Channing Tatum, Daniel Radcliffe, Brad Pitt 14.30, 16.30, 21.45 SALA 3
EVERYTHING EVERYWHERE ALL AT ONCE [C]
Um filme de: Daniel Kwan, Daniel Scheinert Com: Michelle Yeoh, Stephanie Hsu, Ke Huy Quan, James Wong 19.00
5 8 4 0 7 2 6 5 2 3 6 7 4 1 5 2 1 4 0 2 8 9 6 3 1 3 4 5 2 0 7 6 9 8 1 4 2 6 9 8 5 2 6 0 1 9 4 8 3 7 LIGHTYEAR 9 3 6 5 8 7 0 5 1 2 3 6 8 7 4 9 8 5 0 1 3 4 4 7 8 9 5 3 2 1 0 6 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais 7 1 3 2 0 9 7 9 3José1Editores 8 João 4 Luz; 6 José 5 C.2Mendes 0 Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 2Julie7Oyang; 9 Paulo 3 Maia 5 e1Carmo; Rosa Coutinho 3 Cabral; 4 2Rui Cascais; 7 6Sérgio 5 Fonseca; 0 9 Colunistas 8 1 André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 6Paul9Chan1Wai7Chi; Paula 4 0Bicho; Tânia dos Santos 8 Grafismo 1 0 Paulo 3 Borges, 4 7 Rómulo 9 2Santos6 Agências 5 Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 4Morada 0 Pátio 5 da8 Sé,2n.º22,6Edf. Tak Fok, R/C-B, 9 Macau; 6 5 8 28752401 0 2 Fax 1 28752405; 4 7 e-mail 3 info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Telefone 5 6 8 4 3 0 2 9 1 7
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terça-feira 21.6.2022
opinião 15
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macau visto de hong kong
David Chan
NA SEMANA PASSADA, um deputado salientou na Assembleia Legislativa de Macau, a importância de existir um sistema de maior protecção para o Gabinete do Chefe do Executivo. O Comissariado contra a Corrupção e o Comissariado de Auditoria têm respectivamente um Comissário Assistente e um Assistente do Auditor Geral. Só o Secretário-Geral não têm um adjunto. Desta forma, a eficácia do trabalho pede ser afectada quando o Secretário está de férias ou se desloca ao estrangeiro. De acordo com a tradição, quando o Secretário-Geral se vê incapacitado de exercer o seu cargo por um período alargado, o Chefe do Executivo chama a si essas funções, mas não está previsto nenhum mecanismo para suprir uma ausência a curto prazo. Este deputado sugeriu que se crie o cargo de Secretário-Geral Adjunto para aperfeiçoar o sistema. O Secretário-Geral é o principal funcionário do Governo de Macau e ocupa um cargo de grande importância. O Artigo 55 da Lei Básica de Macau estipula que quando o Chefe do Executivo não pode desempenhar as suas funções por um curto período de tempo o Secretário-Geral ocupa essas funções interinamente. O Secretário também deve zelar para que se respeite o Artigo 49.º da Lei Básica de Macau. O Artigo 49 estipula que o Chefe do Executivo que não tem o direito de residência num país estrangeiro durante o seu mandato, não deve estar envolvido em qualquer negócio de caracter privado e deve declarar os seus bens ao Tribunal de Última Instância. Estas disposições legais refletem a importância do Secretário-Geral da RAEM. A criação do cargo de Secretário-Geral Adjunto vai depender das necessidades operacionais do Governo de Macau, se se apurar que a criação desse cargo é necessária, tal deverá ser comunicado ao Governo Central e esperar a sua decisão. Independentemente do resultado, há alguns pontos que merecem a nossa consideração sobre a questão da criação do cargo de Secretário-Geral Adjunto. Em primeiro lugar, o novo Chefe do Executivo do Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, John Lee, tomará posse a 1 de Julho deste ano. Anteriormente, John Lee sugeriu ao Governo Central a lista dos principais funcionários do Governo da RAE de Hong Kong. Na lista, podemos ver que estão incluídos o Secretário-Chefe Adjunto, o Secretário-Adjunto das Finanças e o Secretário-Adjunto para a Justiça. Estes cargos são todos recém-criados. John Lee fez uma proposta ao Governo Central e obteve aprovação para criar estes cargos devido
RÓMULO SANTOS
SECRETÁRIO-GERAL ADJUNTO
às presentes necessidades operacionais do Governo da RAE de Hong Kong. Com a de Hong Kong, se o Governo de Macau tiver essa necessidade, o Governo Central irá certamente considerá-la cuidadosamente. Em segundo lugar, O Secretário-Geral têm um raio de acção alargado e lida com muitos assuntos. Se existir um Secretário-Geral Adjunto, a sua carga de trabalho pode, naturalmente, ser reduzida e deixa de haver a preocupação de assegurar o cargo do Secretário Geral quando se este ausente por algum tempo. Portanto, em termos operacionais, só o Governo de Macau saberá se essa necessidade existe. Os pareceres do Governo da RAE de Macau a este respeito são determinantes.
Em terceiro lugar, se o cargo de Secretário Adjunto for realmente criado de futuro, quando o Secretário se ausentar, o Secretário-Geral Adjunto assumirá as suas funções. O Artigo 63 da Lei Básica de Macau estipula que os principais funcionários do Governo da RAE de Macau devem viver em Macau continuamente por um período de pelo menos 15 anos, devem ser cidadãos chineses e residentes permanentes de Macau. O Secretário Geral é o principal funcionário do Governo de Macau e, naturalmente, deve cumprir as disposições do artigo 63º. Uma vez que o Secretário-Geral Adjunto poderá ser Secretário-Geral interino e vir a desempenhar as funções relevantes, é razoável exigir que também cumpra as disposições do Artigo 63º.
Existem prós e contras na criação do cargo de Secretário-Geral Adjunto. Além de reduzir a carga de trabalho do Secretário-Geral e preencher o vazio do cargo na sua ausência, também pode fazer formação num curto período de tempo, para que os funcionários públicos possam entender melhor o âmbito do trabalho dos seus superiores. Estes pontos são naturalmente benéficos. A criação do cargo de Secretário-Geral Adjunto irá aumentar as despesas salariais do Governo e aumentar os encargos financeiros do Governo de Macau por um largo período de tempo. Estes aspecto também deverá ser considerado pelo Governo da RAEM. Em todo o caso, o parecer do Governo de Macau constitui a parte mais importante para a resolução deste assunto.
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria ao homem tal como é: infinito.” PALAVRA DO DIA
O
CNN PORTUGAL
ministro da Economia português disse ontem que o país quer atrair grandes empresas que pretendem sair da Ásia, devido às tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Rússia e China, e garantiu que a questão da carga fiscal “está a ser tratada”. António Costa Silva falava durante um debate promovido pela CNN Portugal, em Lisboa, no qual apontou que as actuais tensões geopolíticas entre os Estados Unidos, a Rússia e a China estão a “fragmentar o mercado mundial”, dando o exemplo de um estudo feito na Alemanha, que concluiu que “muitas” empresas que estão na Ásia querem relocalizar as suas unidades. Questionado pelo moderador do debate, Anselmo Crespo, sobre como vai convencer aquelas empresas a instalarem-se em Portugal, tendo em conta a elevada carga fiscal, Costa Silva apontou as “600 empresas alemãs” em Portugal como argumento. Adicionalmente, o ministro da Economia e do Mar garantiu que “a questão fiscal está a ser tratada”, dando como exemplo a medida prevista pelo Governo de reduzir o “diferencial do IRC para as empresas que reinvestem os seus lucros na sua actividade, que investem na inovação e para aquelas que investem na captação de mão-de-obra qualificada, sobretudo jovem”.
Problema que se agiganta Combate à covid-19 leva China a enfrentar montanhas de lixo hospitalar
CHINE NOUVELLE | SIPA | NEWSCOM
PORTUGAL GOVERNO QUER ATRAIR EMPRESAS QUE PRETENDAM SAIR DA ÁSIA
William Blake
Para Jin Dong-yan, professor da Escola de Ciências Biomédicas da Universidade de Hong Kong, os testes generalizados de PCR são “ineficazes e caros”. “Não funciona. É como mandar milhões de dólares ao lixo”
T
ODOS os dias na China, agentes vestidos com protecção completa utilizam centenas de milhões de zaragatoas descartáveis para realizar testes de PCR em larga escala. O problema é que tudo isto gera uma enorme quantidade de resíduos médicos. Com a sua estratégia de “covid zero”, o é a única grande economia a tentar prevenir infecções a qualquer custo, oficialmente para evitar que os hospitais fiquem sobrecarregados com a baixa taxa de vacinação dos idosos. No seu arsenal constam quarentenas obrigatórias, confinamentos selectivos e testes em massa, que se tornaram quase diários em alguns lugares. De Pequim a Xangai, passando por Shenzhen, sede de inúmeras multinacionais de tecnologia, as cidades agora estão cheias de postos que oferecem testes PCR gratuitos. Centenas de milhões de pessoas são obrigadas a fazer os testes a cada dois ou três dias e, em alguns casos, diariamente. Os testes PCR, que criam uma enorme massa de resíduos médicos, constituem um fardo económico crescente para as comunidades locais, já fortemente endividadas,
que devem gastar dezenas de milhões de dólares com eles. “A quantidade de lixo hospitalar que é gerado diariamente é de uma magnitude quase sem precedentes na história da humanidade”, estima Yifei Li, especialista em questões ambientais da Universidade de Nova Iorque, em Xangai. A China comprometeu-se a alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060, meta ambiciosa e incerta, tendo em conta a dependência do gigante asiático do carvão — e a generalização dos testes representa um novo desafio ambiental. Para algumas dezenas de casos positivos detectados todos os dias na China, são testadas centenas de milhões de pessoas — com a utilização de tubos, zaragatoas, invólucros e combinações de protecção. Se não forem descartados adequadamente, estes resíduos hospitalares podem contaminar o solo e os rios.
A 15 minutos
De acordo com uma contagem da AFP, as cidades e províncias chinesas onde vivem um total de 600 milhões de pessoas anunciaram de uma forma ou de outra testes gerais e regulares à sua população. Não há dados nacionais disponíveis, mas as autoridades de Xangai
Cereais Bloqueio russo a exportações é “crime de guerra”, afirma Borrell
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O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, acusou ontem a Rússia de praticar “um verdadeiro crime de guerra”, com o bloqueio das exportações de cereais ucranianos a contribuir para aumentar a fome no mundo. “É um verdadeiro crime de guerra, não posso imaginar que [o bloqueio] vá durar muito tempo”, disse
Borrell, em declarações à entrada do Conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo. O alto responsável para a Política Externa e de Segurança da UE referiu ainda ser “inimaginável que milhões de toneladas de trigo continuem bloqueadas na Ucrânia quando o resto da população mundial sofre de fome”, apontando a
responsabilidade total à Rússia pela guerra de agressão à Ucrânia. Borrell tem acusado as tropas de Moscovo do bombardeio, exploração e ocupação de terras aráveis na Ucrânia, destruindo equipamentos e bloqueando os portos ucranianos, impedindo a exportação de milhões de toneladas de cereais para os mercados mundiais.
disseram no mês passado que 68.500 toneladas de resíduos médicos foram produzidas durante o confinamento da cidade entre meados de Março e início de Junho. Tal representa uma quantidade diária seis vezes maior do que o habitual. De acordo com a legislação chinesa, as autoridades são responsáveis por seleccionar, desinfectar, transportar e armazenar esses resíduos antes de descartá-los, geralmente por incineração. Algumas comunidades locais, contudo, podem não saber como tratar essa enorme quantidade de resíduos, ou simplesmente armazena-os em aterros sanitários, estima Benjamin Steuer, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong. Questionado pela AFP, o ministério da Saúde chinês indica que formulou “exigências específicas relativas à gestão de resíduos hospitalares”. O governo exige que as capitais provinciais e cidades com pelo menos 10 milhões de habitantes implementem locais onde sejam realizados testes a uma distância de 15 minutos a pé de cada morador. Mas generalizar os testes regulares e obrigatórios para toda a China pode custar entre 0,9 por cento a 2,3 por cento do PIB do país, estimaram analistas do banco Nomura no mês passado. Para Jin Dong-yan, professor da Escola de Ciências Biomédicas da Universidade de Hong Kong, esses testes generalizados de PCR são “ineficazes e caros” e forçam as comunidades locais a renunciar a outros investimentos úteis no sector de saúde. As autoridades também correm o risco de ignorar casos positivos, já que a variante ómicron se espalha muito rapidamente e é mais difícil de detectar, segundo o académico. “Não funciona. É como mandar milhões de dólares ao lixo”, conclui.
terça-feira
21.6.2022
AVIAÇÃO COMPANHIAS EUROPEIAS ESPERAM VERÃO QUASE NORMAL
A
Airlines for Europe (A4E), a maior associação de companhias aéreas europeias, espera que já este Verão o tráfego aéreo atinja 90 por cento dos níveis de 2019, antes da pandemia, prevendo ainda “longas filas de espera” nos aeroportos europeus. Numa altura em que vários aeroportos na União Europeia (UE) registam elevada procura e tempos de espera acima do normal, a A4E afirma numa posição enviada à agência Lusa que “durante o próximo período de pico do Verão, espera-se que o tráfego atinja 90 por cento dos níveis de 2019 e que o exceda para alguns destinos”, sendo que “algumas companhias aéreas já estão a apresentar um desempenho acima dos volumes pré-covid-19”, recorrendo às estimativas da Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (Eurocontrol). Porém, como “esta recuperação está a acontecer mais rapidamente do que o ritmo a que a indústria, particularmente os aeroportos, pode contratar pessoal e as autoridades nacionais são capazes de realizar verificações dos antecedentes do pessoal”, estão a registar-se então atrasos para os passageiros, que são “agravados por um mercado de trabalho limitado”, acrescenta a associação à Lusa. A estimativa da A4E é que, nos próximos meses, “estes desafios operacionais possam resultar em atrasos acrescidos, […] longas filas de espera em todo o terminal, e, no pior dos casos, passageiros a perder o seu voo”. À semelhança do que acontece em Lisboa, a associação exemplifica na posição enviada à Lusa que o aeroporto de Schiphol, na cidade holandesa de Amesterdão, já solicitou às companhias aéreas que cancelassem voos ou impedissem novas reservas para evitar a sobrelotação no terminal, enquanto o aeroporto alemão de Frankfurt planeia operar com capacidade reduzida em Junho e Julho, tendo feito solicitações semelhantes às transportadoras.