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Hoje Macau 21 MAI 2015 #3335

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q u i n ta - f e i r a 2 1 d e m a i o d e 2 0 1 5 • ANO X I V • N º 3 3 3 5

terras em busca de lotes que pertenceram a stanley ho

Caca ao terreno ´

Meio século depois o Governo quer recuperar cinco terrenos que Stanley Ho transferiu para cinco sociedades diferentes. São mais de 18 mil metros quadrados na Avenida Kwong Tung,

na Taipa, e segundo os despachos do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, servirão para albergar prédios habitacionais e equipamentos sociais.

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hojemacau

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Director carlos morais josé

chefe online

Pouca parra pouca uva política página

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O romance total mário vargas llosa

visita

A sétima de Cesário página 3

caso eleições

As prendas que não te dei política página

tiago alcântara

página 6

aberto concurso para mais 200 táxis

Com o pé no acelerador sociedade Página

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diário de bordo

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hoje macau quinta-feira 21.5.2015

por carlos morais josé

Trabalhar para o Boneco

ontem macau

Começa a ser comum em Macau tecer considerações sobre “trabalhar para o Boneco”. Quer isto dizer, que existe por aí muito boa gente, bem paga e de excelentes famílias, cuja vida e esforço se passa a trabalhar para o Boneco. Não se julgue que não se ganha bem nesta singular ocupação. Pelo contrário, ao que se diz, quem trabalha para o Boneco é fantasticamente bem pago. E pago para fazer coisas interessantes como relatórios a propósito de obras públicas, de universidade deslocadas, entre outras tarefas ciclópicas. E eles fazem, com toda a diligência e perfeição.Atrevem-se até, diz-se, a levar o barco, por vezes, para além da

“Na zona das ruínas de São Paulo há senhorios a pedir meio milhão, um milhão, dois milhões e até três milhões de HKD. Claro que fugimos logo”

“Trata-se de uma medida positiva e o Governo finalmente começou a tomar medidas acertadas para o melhor funcionamento das estruturas públicas, por forma a coordenar melhor os trabalhos”

meta traçada. E, sejamos justos, nunca lhes ouvimos quaisquer queixas. Pelos vistos, não se importam nada de trabalhar para o Boneco. Por vezes, deparam-se com críticas, mais ou menos veladas ou mais ou menos abertas. Mas, desde que trabalham para o Boneco, tais imprecações parecem deslizar com habilidade pelas couraças da indiferença que abundantemente exibem. E defendem-se: “A gente cumpre o nosso dever. Não temos culpa de trabalhar para o Boneco”. A verdade é que muitos que por aí andam de faca afiada contra eles também gostariam de trabalhar para o Boneco. E sentem-se muito miseráveis por

não terem essa oportunidade. “Tu é que tens sorte”, segredam, “porque trabalhas para o Boneco. Assim, nunca há verdadeiramente uma ponta por onde se te pegue”. Ele há más línguas que se atrevem a avançar com uma teoria conspirativa: a maior parte da administração trabalha para o Boneco, cuja influência seria muito mais vasta do que se poderia crer à primeira vista. Não o cremos, embora muitos indicadores mostrem que poderá existir alguma verdade na atroz suspeita. O problema é que quem recolhe esses indicadores e chega a científicas conclusões também trabalha para o Boneco.

Uma mulher do Camboja chora durante uma cerimónia para relembrar as vítimas da liderança do Khmer Vermelho no Camboja. O país comemora no dia 20 de Maio o “Anger Day”, que assinala os mais de dois milhões de cambojanos que se estima terem morrido de 1975 a 1979. FOTO EPA/MAK REMISSA

Marco Policarpo • Proprietário do restaurante “Boa Mesa”, sobre as rendas dos restaurantes

édito

horah

Pereira Coutinho • Deputado, sobre a fusão da DSAJ com os Serviços de Reforma Jurídica

“O Governo não fiscalizou as companhias. [O que aconteceu] foi por causa de negligência, preguiça ou de propósito, para beneficiar certas companhias ou pessoas?” Kwan Tsui Hang • Deputada, sobre os problemas na construção do Parque da Taipa

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“Seria interessante se houvesse, não digo promessas, mas algum tipo de visão transmitida em termos políticos. Especialmente nesta altura, em que estamos a sofrer um impacto negativo da quebra das receitas do Jogo, essa rubrica poderia ser usada para transmitir aquilo que o Governo está a pensar fazer” Eric Sautedé, antigo docente de Ciência Política da USJ, sobre a rubrica “Palavras do Chefe do Executivo” | P. 4

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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hoje macau quinta-feira 21.5.2015

José Cesário Recenseamento e pedidos de residência em foco O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas chegou esta semana a Macau para a sétima visita ao território desde que assumiu funções. Reuniu com o Secretário para a Segurança, o Conselho das Comunidades um modo geral, pelo que sei, os pro“Neste momento blemas têm vindo a ser resolvidos e Portuguesas e a começa a ser há total disponibilidade para resolver APOMAC, tendo aquilo que tem solução, dentro das evidente um regras existentes”, acrescentou aos sido debatidos declínio claro microfones da rádio. problemas do número Portugal, em Agosto Durante a tarde de ontem, José Cerelacionados com de pessoas sário reuniu ainda com os membros a procurar a residência e do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), onde os proautorização recenseamento blemas com os pedidos de residênde residência” também foram analisados. Ao eleitoral. Temas que cia José Cesário HM, José Pereira Coutinho, um Secretário de Estado vão ser abordados dos conselheiros, aponta o dedo das Comunidades ao Governo de Macau. Portuguesas em Agosto, “Houve muitas pessoas que desistiram dos seus processos, devido com uma visita ao atraso na aprovação dos pedidos, ou viram mesmo os pedidos recusados conselheiros dos. O decréscimo tem muito a ver a Portugal com o atraso nos pedidos de autoriza-

A sétima viagem

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resença mais que habitual na RAEM, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, chegou terça-feira ao território para mais uma visita oficial, onde ficará até sábado. A agenda arrancou com um encontro com Wong Sio Chak, Secretário para a Segurança, onde foi revelado o decréscimo dos pedidos de residência por parte dos portugueses. “Neste momento começa a ser evidente um declínio claro do número de pessoas a procurar autorização de residência. De 2013 para 2014, há uma redução muito significativa, de mais de 30%. E para 2015, pelos números que também temos – mesmo em relação a 2014, em que já tinha havido uma redução –, estamos a falar talvez de números próximos de 50% a menos. Corresponde ao que verificámos em vários países”, disse José Cesário à Rádio Macau. O governante acredita que o Executivo local está a fazer os possíveis para resolver essa situação. “Pedimos sempre para haver o máximo de atenção possível, por vezes para uma situação mais delicada e mais difícil, porque sabemos que há pessoas que vivem em circunstâncias difíceis. Daí a importância desses contactos. De

ção”, disse o também deputado, que confirmou que “os conselheiros vão estar em Agosto em Portugal para debater o assunto com as autoridades portuguesas (Governo e presidência da República)”. No encontro, o Conselho deu ainda atenção ao recenseamento eleitoral, iniciativa promovida pelo Consulado-geral de Portugal em Macau. “Falámos sobretudo das alterações à Lei do Recenseamento Eleitoral, que causou problemas a muitas pessoas para se poderem recensear até 6 de Setembro, data em que deverão acontecer as eleições para o CCP. É a data mais provável e que foi avançada pelo Secretário de Estado”, disse Coutinho. “Os conselheiros vão continuar a incentivar as pessoas de Macau

“Da parte da APOMAC, vamos cingir o recenseamento aos nossos associados, não queremos caçar votos” Jorge Fão Membro da direcção da APOMAC

visita

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e esperamos que da parte do consulado haja mais informações”, acrescentou.

Boatos e informalidades

Para além do encontro com o CCP, José Cesário almoçou com os dirigentes da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), onde também foi abordado o projecto do recenseamento eleitoral, num encontro “informal”.Ao HM, Jorge Fão, membro da direcção, afirma ter alertado Cesário para a existência de boatos sobre o recenseamento eleitoral, em que os portadores do passaporte português, de etnia chinesa, terão sido avisados de que corriam o risco de perder a nacionalidade ou a reforma, caso não fossem ao Consulado recensear-se. “Da parte da APOMAC, vamos cingir o recenseamento aos nossos associados, não queremos caçar votos”, disse Jorge Fão, sem precisar o número certo de pessoas que ainda não fizeram a sua inscrição para votar. “Muitos dos nossos associados já estão recenseados, ainda temos mais umas semanas, e acredito que mais pessoas vão aparecer. Mas dei a entender [ao Secretário de Estado] que não há aqui muitos interessados nas questões de Portugal. Os que estão cá há mais tempo já não estão muito interessados. Quanto aos chamados portugueses de passaporte, também não estão interessados, a começar pelo facto de não dominarem o Português e de não terem acesso às questões de Portugal”, explicou. Jorge Fão transmitiu ainda sinais positivos a José Cesário sobre a crise em Portugal. “Em relação à política portuguesa, acreditamos que Portugal está um pouco melhor e que vai recuperar. Os cortes nas nossas pensões feitos no passado deixaram de existir.” Confrontado com a existência destes “boatos”, Pereira Coutinho não quis comentar. “Os boatos só surgiram porque o Consulado não se tem empenhado na divulgação das informações correctas. Perante esses boatos o Consulado deve dar acções de formação aos seus funcionários. O facto de se ter dito no website que o recenseamento não era obrigatório afastou muita gente e também sabemos de casos de pessoas que foram mandadas embora porque os funcionários não souberam interpretar as informações. Espero que estas situações não se voltem a repetir.” O dia terminou com uma entrega de medalhas a personalidades portuguesas do território, como a médica Paula Pimenta ou o presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM), Augusto Nogueira. Hoje, José Cesário continua a fazer o périplo pelo Consulado-geral de Portugal em Macau, Instituto Português do Oriente e AICEP, onde terá reuniões de trabalho. No sábado, parte para Pequim. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política

Governo Politólogos criticam rubrica “Palavras do Chefe do Executivo”

Mensagens com pouca substância

Ideias políticas são essenciais

T

rês habituais comentadores da política local consideram que a nova rubrica disponível no website do Gabinete do Chefe do Executivo, intitulada “Palavras do CE”, não serve os objectivos para a qual foi criada: um contacto mais próximo com a população. Na sua primeira mensagem, intitulada “Sereno e tranquilo, ele observa o andar das coisas com sabedoria”, Chui Sai On escolheu para primeiro tema a quebra das receitas do Jogo, tendo deixado uma série de ideias soltas sobre os desafios sentidos pela sociedade. Para Eric Sautedé, antigo docente de Ciência Política da Universidade de São José (USJ), seria melhor apostar nas redes sociais Facebook ou Twitter para contactar com os cidadãos. “Parece mais um comunicado do que algo pessoal. Poderia ser

“Parece mais um comunicado do que algo pessoal. Poderia ser uma mensagem mais substancial, com algum tipo de compromisso. Mensagens mais curtas, via Twitter, por exemplo, poderiam ser mais interessantes, uma vez que a ideia é contactar as pessoas”

Larry So diz mais. “É difícil identificarmo-nos com as suas palavras e toda a mensagem, as pessoas não conseguem ter opinião específica”. O HM contactou o Gabinete do Chefe do Executivo, no sentido de procurar explicações para o facto de ainda não ter sido publicada uma nova mensagem desde o passado dia 10, uma vez que se trata de uma rubrica semanal. Um dos assessores garantiu que o novo texto será publicado “num futuro próximo”, sendo que o atraso se deve ao facto do Chefe do Executivo se encontrar em viagem oficial a duas províncias do interior da China.

lusa

Está numa plataforma online ultrapassada, deveria existir no Twitter ou Facebook, e não contém uma mensagem política clara. São estas as opiniões de três politólogos sobre a nova rubrica “Palavras do Chefe do Executivo”, onde Chui Sai On pretende falar directamente com a população

gonçalo lobo pinheiro

hoje macau quinta-feira 21.5.2015

uma mensagem mais substancial, com algum tipo de compromisso. Mensagens mais curtas, via Twitter, por exemplo, poderiam ser mais interessantes, uma vez que a ideia é contactar as pessoas”, disse ao HM. Para Eric Sautedé, o website está um “pouco ultrapassado”, uma

Acordo Ortográfico Governo sem reacção sobre a matéria

A Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, não faz qualquer comentário quanto à possibilidade do Governo da RAEM fazer uma proposta ao Governo Central para a ratificação do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, já obrigatório em Portugal. A sugestão tinha sido feita ao HM por Maria Antónia Espadinha, vice-reitora da Universidade de São José (USJ), que revelava ter esperança em ver algum tipo de iniciativa por parte do novo Executivo.

vez que a maioria dos políticos em todo o mundo tem uma conta no Twitter e tem comunicações mais imediatas e contemporâneas. “Ter uma conta no Twitter ou Facebook seria uma forma mais fácil de estar em contacto”, realça. Também Larry So, ex-docente de Administração do Instituto Politécnico de Macau (IPM), diz que a rubrica mais parece um comunicado de imprensa, sendo uma simples mensagem e não uma forma de comunicação. “Não me parece que esta rubrica possa ajudar muito numa maior comunicação com a população. Se o objectivo desta rubrica é chegar aos jovens, penso que estes preferem que haja uma comunicação no Facebook ou noutras redes sociais, em vez de serem publicadas em websites oficiais.”

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Eric Sautedé Antigo docente da USJ

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Para Eilo Yu, docente de Administração Pública da Universidade de Macau (UM), a nova rubrica peca por não conter uma mensagem política clara. “Não consigo ver se este tipo de comunicação vai ser efectivo. Há alguma sugestão do Governo, ou alguma solução apresentada? Neste momento não conseguimos ver projectos ou ideias concretas. Esta rubrica do Chefe do Executivo até pode analisar as coisas que estão a acontecer, mas, [perante uma] preocupação, o que vai ser feito?”, apontou ao HM. A escolha da quebra das receitas do Jogo para primeiro tema desta rubrica é, para os politólogos contactados, um sinal claro de que existem preocupações para os lados do Governo e que este também é um assunto fundamental para a população. Contudo, deveriam vislumbrar-se medidas concretas. “O Governo pode providenciar mais ideias sobre aquilo que vai fazer e atrair as atenções do público. Espero que essa rubrica sirva para gerar ideias e opiniões junto da sociedade. O Chefe do Executivo fala do sector do Jogo, mas o que é que o Governo vai fazer para lidar com esse problema a longo prazo?”, questionou Eilo Yu. “Seria interessante se houvesse, não digo promessas, mas algum tipo de visão transmitida em termos políticos. Especialmente nesta altura, em que estamos a sofrer um impacto negativo da quebra das receitas do Jogo, essa rubrica poderia ser usada para transmitir aquilo que o Governo está a pensar fazer em relação a essa questão, para que todos sintam que as Secretarias estão a trabalhar nesse sentido, de forma mais activa. Do que vi da mensagem, não dá essa impressão”, concluiu Eric Sautedé.

“Se o objectivo desta rubrica é chegar aos jovens, penso que estes preferem que haja uma comunicação no Facebook ou noutras redes sociais” Larry So Ex-docente de Administração do IPM hoje macau

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“Não consigo ver se este tipo de comunicação vai ser efectivo. Há alguma sugestão do Governo, ou alguma solução apresentada? Neste momento não conseguimos ver projectos ou ideias concretas” Eilo Yu Docente de Administração Pública da UM


política 5

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Caso Eleições Reserva em restaurante cancelada após acção do CCAC

Vamos lá dividir a conta

O caso da alegada compra de votos que envolve os deputados Chan Meng Kam, Song Pek Kei e Si Ka Lon levou ontem mais testemunhas ao tribunal. O gerente de um restaurante disse que chegou a ter uma grande reserva de mesas que foi cancelada após as investigações do CCAC. Membros da associação acabaram por marcar presença no jantar, mas na porta colocaram um cartaz a apelar ao pagamento individual de cada refeição “como forma de apoiar eleições limpas”

numa nota escrita num caderno que serviu para a investigação do CCAC podia ler-se “ocupação da sala para o senhor Ung Choi Kun no Dia das Eleições”.

Apesar disso, a entidade que terá assinado o contrato da reserva com o restaurante tinha o nome Associação deAvanço dos Jovens Chineses e não o de Ung Choi Kun, referiu o gerente.

Crime Secretário admite problemas no combate transfronteiriço

À espera dos acordos O Secretário para Segurança, Wong Sio Chak, admitiu ontem estar a enfrentar muitos problemas face ao combate de crimes transfronteiriços. No programa Fórum Macau, o responsável assegurou que a Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, já conseguiu reunir consenso com o Governo

Central sobre os acordos de cooperação judiciária, ainda que não haja datas para a execução destes. “A sociedade de Macau é diversificada e internacional e os conflitos são cada vez mais complicados, as formas de [cometer] crimes são diferentes e os crimes transfronteiriços aumentaram muito. No entanto, Macau ainda

Mais câmaras a caminho Wong Sio Chak afirmou ainda que está a negociar com a Alfândega e os Serviços de Polícia Unitários (SPU) sobre mais uma fase de instalação dos sistemas de videovigilâncias, que deverão ser instalados em locais frequentemente utilizados para imigração ilegal, incluindo os postos fronteiriços e os muros do campus da Universidade de Macau (UM) na Ilha de Montanha. O Secretário afirma que a instalação e a utilização de dados de videovigilância são regulamentados pela lei e limitadas aos serviços que deles tratam, pelo que, diz, “os dados pessoais vão ser protegidos”. No total, são 1620 as câmaras a ser instaladas em quatro fases. A instalação destas câmaras de videovigilância “é uma medida necessária para garantir a segurança da sociedade”, referiu Wong Sio Chak.

não assinou acordos de cooperação judiciária com outras regiões”, lamentou Wong Sio Chak. As negociações relativas a acordos bilaterais em matéria de cooperação judiciária não existem entre Macau e a China continental, nem Macau e Hong Kong, estando em discussão há mais de dois anos. Há quem peça até que haja retroactividade neste âmbito, de forma a que condenados destes locais que recebam sentença em Macau possam realmente cumprir pena. Wong Sio Chak apontou que a maior dificuldade do seu novo trabalho é “compreender e resolver os desafios e crimes novos que vão chegando sempre”. Wong Sio Chak foi ainda confrontando com a questão das multas de estacionamento ilegal de veículos, com vários ouvintes a criticarem a existência de autocarros de turismo na Rua de

Após o início da investigação do CCAC, diz ainda Ngai, três dias antes do dia das eleições, o gerente recebeu um pedido de cancelamento da reserva da sala. A Associação teve de indemnizar o restaurante em 13 mil patacas, mas Ngai referiu que “não sabia bem” se este cancelamento teve a ver com “as várias vezes” que o CCAC se deslocou ao local para investigação. Embora a reserva tivesse sido cancelada, o restaurante recebeu clientes da Aliança do Povo de Instituição no dia das eleições. Segundo o gerente, os clientes pagaram pela comida que pediram e, no restaurante, estava um cartaz onde se podia ler “apoie eleições honestas, pague as suas próprias refeições”. Em resposta às perguntas de advogados e juízes, Ngai referiu que não tinha visto “um líder a pagar a comida de outros”, nem

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estemunhas ontem ouvidas no Tribunal Judicial de Base (TJB) confirmaram ter recebido chamadas de funcionários da Associação de Apoio a Chan Meng Kam com ofertas e que houve uma reserva feita por Ung Choi Kun no dia das eleições. Reserva que acabou cancelada, após uma investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). No âmbito do caso que colocou duas pessoas em tribunal por alegadamente terem incitado à compra de votos para os deputados Chan Meng Kam, Si Ka Lon e Song Pek Kei, foram ouvidos um membro da mesma associação e o dono de um restaurante. Depois dos dois funcionários terem negado esta semana ter oferecido refeições gratuitas e transporte como forma de comprar votos para os três deputados da Aliança do Povo de Instituição de Macau durante as eleições da Assembleia Legislativa (AL) em 2013, uma das testemunhas ouvidas foi o dono de um restaurante, onde alegadamente os dois funcionários, de apelido Ho e Wong, iriam oferecer os almoços, como forma de comprar votos. A testemunha, de apelido Ngai, é o gerente geral do Restaurante Dragons e declarou que tinha recebido um telefonema para uma reserva de Ung Choi Kun - ex-deputado da equipa de Chan Meng Kam - para uma “sala grande” do restaurante, no dia das eleições da AL de 2013, a 15 de Setembro. Ngai referiu que tinha percebido que o objectivo da reserva “era para um seminário”, contudo,

Tomás Vieira - atrás das Ruínas de S. Paulo – que, dizem, não foram multados. O director dos SPU, também presente no programa, afirmou que já criou uma equipa para fazer patrulha, esperando melhorar a situação de trânsito da zona. F.F.

houve “clientes que perguntaram por refeições gratuitas”.

Prendas para todos

Outra das testemunhas ontem ouvida em tribunal diz que recebeu uma chamada, ainda que a oferta não tenha sido um almoço gratuito, mas “prendas”. No tribunal, onde o HM esteve presente, a mulher, de apelido Chan, declarou ser membro da Associação de Apoio de Chan Meng Kam e afirmou “que tinha recebido uma chamada de uma voz masculina da mesmaAssociação durante o período de campanha”, dizendo que “iriam oferecer-lhe prendas” e que esta podia ir buscar as ofertas à Aliança do Povo de Instituição. No entanto, a mulher diz que o telefonema não especificava o objectivo da oferta, nem mencionou refeições gratuitas ou transportes. Chan acabou por não ir buscar, diz, a prenda. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Regime de Garantias “Não há condições para que volte”

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, afirmou que actualmente ainda não há condições em voltar a pegar na legislação do Regime de Garantias por existirem muitas outras leis relativas à vida da população que “são mais urgentes”. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Chui Sai On foi questionado na província de Fujian sobre o futuro do Regime de Garantia dos Titulares do Cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos – que levou mais de 20 mil à rua – e o líder do Governo respondeu que “sentiu algo muito forte” quando viu tantas opiniões na sociedade. Como não queria ver uma tão grande divergência, disse, Chui Sai On defendeu que apesar de ser necessário elaborar o Regime, actualmente não há condições para voltar “a apresentar a proposta”. Caso o Regime volte a ser enviado para o hemiciclo, diz, deve, em primeiro lugar, “fazer-se consultas públicas”.


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sociedade

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Terrenos Governo quer recuperar lotes que foram de Stanley Ho

Cinquenta anos depois

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Secretário para os Transportes e Obras Públicas deu ordem de recuperação dos cinco terrenos onde iriam nascer torres de habitação, conforme noticiou o HM em Agosto passado. Todos eles estão situados na Avenida de Kwong Tung, na Taipa, e pertenciam a Stanley Ho, que os transferiu a cinco sociedades diferentes. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, assinado por Raimundo do Rosário, as cinco empresas ficam, agora, sem os lotes, que totalizam 18.422 metros quadrados. Isto, porque o responsável considera “que as concessionárias não cumpriram com a obrigação de realizar o aproveitamento do terreno no prazo estipulado”. Foi em Outubro de 1964 que o terreno foi cedido a uma empresa gerida por Ho. Os lotes, que se situam entre os edifícios Jardim Nova Taipa e Nam San, foram transferidos à Companhia de Investimento Hamilton Limitada, à Companhia de Investimento Predial Pak Lok Mun, à Sociedade de Fomento Predial Predific, à Sociedade de Fomento Predial Socipré e à Companhia de Fomento Predial Hoi Sun a pedido do magnata do Jogo que, em 1992, submeteu à apreciação da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) estudos prévios correspondentes ao reaproveitamento de cada um dos lotes, com ideia de pedir a revisão do contrato de concessão. Nesta altura, surgiram problemas, resolvidos através destas transmissões. “O processo de revisão do contrato protelou-se no tempo por não serem apresentados os documentos necessários à sua instrução

gcs

Por ordem de Raimundo do Rosário, o Governo vai tentar recuperar os cinco terrenos da Avenida Kwong Tung que pertenciam a Stanley Ho antes de serem transmitidos a cinco empresas diferentes. O arrendamento terminava em Outubro de 2014, cinquenta anos depois e, ainda que pudesse ser “sucessivamente” prolongado até 2049, os mais de 18 mil metros quadrados poderão passar, agora, para as mãos do Executivo

De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, assinado por Raimundo do Rosário, as cinco empresas ficam, agora, sem os lotes, que totalizam 18.422 metros quadrados. Isto, porque o responsável considera “que as concessionárias não cumpriram com a obrigação de realizar o aproveitamento do terreno no prazo estipulado” e pelo arrastado período de conversações entre os representantes da concessionária e os representantes do Governo sobre o aproveitamento daqueles lotes”,

pode ler-se num despacho publicado num Boletim Oficial de 1999, a que o HM teve acesso em Agosto passado. “A concessionária veio a requerer, por razões de

ordem técnica e financeira, que a revisão da concessão contemplasse a transmissão dos lotes para sociedades comerciais distintas, embora com os mesmos interesses

Banco Weng Hang autorizado a constr uir prédio comer cial O Banco OCBC Weng Hang vai poder construir um edifício comercial com seis pisos junto ao Pátio do Cotovelo, em Macau. A autorização foi dada por Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, depois de pedidos de alteração da arquitectura e da finalidade do terreno por parte do banco. Assim, a concessão por aforamento do terreno de 185 metros quadrados foi revista: o terreno é agora reaproveitado para a construção de um edifício de seis pisos, sendo um em cave, destinado a comércio (455 m2) e escritório (594 m2).

comerciais e cujos sócios eram os principais accionistas da sociedade concessionária [Fábrica de Artigos de Vestuário Estilo].”

Arrendamento para sempre

De acordo com os mesmos dados, cada empresa tinha – desde 1999 – 42 meses para reaproveitar os terrenos - algo que nunca chegou a ser feito - sob pena de pagamento de multas. O prazo de arrendamento dos terrenos terminava em Outubro de 2014 – 50 anos após a concessão -, mas poderia ser

renovado “sucessivamente” até 2049, segundo informações de Boletins Oficiais dos anos 1990. De acordo com o que confirmou a DSSOPT ao HM na altura, iriam nascer torres de habitação - duas dezenas conforme conseguimos apurar. A DSSOPT não se mostrou, em Agosto, cooperante em ceder informações sobre o espaço, já que a uma primeira questão do HM sobre a quem pertencia o terreno e o que iria ser construído no local, foi respondido apenas que o “terreno foi concedido por arrendamento e que a concessionária estava a efectuar a desinfestação de mosquitos”. Numa segunda resposta, o organismo dizia que nada mais tinha a acrescentar à informação anteriormente dada, sendo que apenas após insistência do HM é que foi dito que iriam ser construídos prédios habitacionais e equipamentos sociais no local, como também indicam os despachos agora emitidos por Raimundo do Rosário. O preço da transmissão entre a concessionária e as empresas chegou a ser colocado em causa pela DSSOPT, porque não foi “o combinado entre as partes”. Por um lado, as sociedades diziam que o valor seria “apenas simbólico devido ao elevado prémio de reaproveitamento do terreno”, por outro a DSSOPT pediu novas reuniões. “Esta questão foi analisada no âmbito da Divisão de Apoio Técnico da DSSOPT que considerou o preço indicado pelas concessionárias demasiado baixo”. O valor foi então alterado e, só em 1999, se avançou com a transmissão. Agora, mais de cinquenta anos depois, as cinco empresas vêem os lotes serem revertidos ao Governo, ainda que tenham 30 dias para reclamar da decisão. Ao que o HM conseguiu apurar, as cinco sociedades têm gerentes diferentes. No caso da Pak Lok Mun e da Hamilton, por exemplo, João Tang e Cheong Cam Hei são os responsáveis, enquanto da Predific e a Socipré são Anthony Chan e Andrew Edward Tse. Este primeiro, sobrinho do magnata do jogo, também integra a gerência da Companhia de Fomento Predial Hoi Sun. Joana Freitas

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IAS Gastos 7,4 milhões em desenvolvimento profissional Entre Janeiro e Março deste ano, o Governo gastou mais de 7,4 milhões de patacas para tem em vista o auxílio na participação em acções de formação e faz cobrir mais de parte da distribuição periódica do metade do subsídio IAS a várias associações locais. Os números mostram um aude um plano anual mento face aos anos anteriores: acordo com dados fornecidos de desenvolvimento de pelo IAS há dois anos, o Executivo gastou cerca de 4,5 milhões de paprofissional. tacas na ajuda a mais de 175 assoCriado em 2009, ciações e instituições do território. Segundo as mesmas informações este incentiva as este subsídio pretende facilitar a participação dos especialistas entidades privadas e funcionários em actividades relacionadas com as referidas de serviços sociais associações. “Encoraja as instituia participar em ções particulares de solidariedade a organizar e participar em acções de formação. social actividades de formação que sejam as mais adequadas tendo em contas Ao todo, foram suas necessidades”, referia o IAS concedidos 226 em 2013. milhões de patacas Contas feitas De acordo com o despacho publia centenas de cado em Boletim Oficial ontem, mais de 560 mil patacas foram para associações ias

Carteira na formação

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Instituto de Acção Social (IAS) gastou mais de 7,4 milhões de patacas para cobrir 60% das despesas do Plano de Desenvolvimento Profissional dos Trabalhadores do Serviço Social de diversas entidades. A atribuição, que foi feita entre Janeiro e Março,

centros e instituições da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), destinados à formação de pessoal para trabalhar nas creches, centros de dia e de lazer, lares ou de actividades para jovens. A Equipa de Intervenção Comunitária Para Jovens desta União recebeu 45,6 mil patacas incluídas neste plano do

Amas comunitárias Programa financiado mas sem adesão Embora a deputada Wong Kit Cheng tenha lamentado, numa interpelação escrita, a fraca adesão ao programa do Governo de Amas Comunitárias – que consiste no estabelecimento de um serviço à sociedade totalmente financiado pelo Governo, no qual também este tem o deve de formar as profissionais –, o Instituto de Acção

Água Reciclada Suspensa construção de fábrica em Coloane

Há mais para fazer A

directora dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA) revelou que a construção da fábrica de água reciclada em Coloane vai ser suspensa, porque

o Governo considera que outros projectos relacionados com a vida da população são mais importantes neste momento. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Susana Wong acrescentou que

Executivo, enquanto a creche “O Lago” – também desta associação - recebeu mais de 122 mil patacas. Também a Special Olympics recebeu uma quantia avultada no que diz respeito aos subsídios para este plano. O seu Centro de Apoio ao Emprego para Deficientes Mentais teve direito a 19,2 mil patacas, tendo outras 33,6 mil patacas ido para o Centro de Formação e Estimulação dos Deficientes Mentais de Macau, que também pertencente à Special Olympics. No total, no primeiro trimestre, o IAS atribuiu ainda cerca de 226 milhões de patacas a várias entidades privadas, incluindo associações, centros sociais e instituições. No entanto, este valor foi menos elevado do que o do mesmo período de 2014, no qual foram gastos mais de 237 milhões de patacas. Contas feitas, o IAS poupou 11,9 milhões de patacas face à tranche oferecida este ano a associações locais, em comparação com os números apresentados no ano passado. O decréscimo no valor subsidiado vai ao encontro das afirmações do Governo relativamente aos futuros cortes financeiros. O IAS deverá ser um dos departamentos oficiais a receber estes cortes.

vão continuar a ser produzidos os regulamentos para o estabelecimento dos critérios de água reciclada em Macau. A directora da DSAMA referiu que já comunicou a Raimundo

Social gastou mais de 640,8 mil patacas, atribuídas à Cáritas, à União Geral das Associações de Moradores de Macau e à Associação Geral das Mulheres. Cada uma recebeu exactamente a mesma quantia de subsídio para a formação de profissionais: 213,6 mil patacas durante os primeiros três meses deste ano.

do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a suspensão do projecto, dado as prioridades terem mudado. Além dos avanços nos regulamentos, Susana Wong confirmou que já estão a ser instalados os tubos para a água reciclada. “Os tubos já estão instalados no campus da Universidade de Macau (UM) e no complexo de habitação pública em Seac Pai Van. Outros

tubos serão colocados ao mesmo tempo que são construídas as infra-estruturas em estradas. Assim, quando a água reciclada começar a ser produzida no futuro, poderá ser logo consumida pelo público”, adiantou. Recorde-se que a água reciclada foi prometida pela DSAMA, sendo que apenas a habitação pública de Seac Pai Van e o campus da UM têm, para já, este tipo de água. Questionada sobre se a suspensão do projecto pode levar à corrosão das instalações já feitas, Susana Wong garantiu que não haverá desperdício de recursos, por os tubos se encontrarem ligados aos tubos de torneiras já existentes nos edifícios. Quanto ao pedido de aumento de tarifas por parte da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM), Susana Wong frisou que ainda não há uma data para a decisão, sendo necessário mais tempo para uma avaliação. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo


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moeda de Macau continua a não ter um peso representativo nos mercados financeiros internacionais. Dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) adiantam que também as actividades internacionais de Macau na área bancária diminuíram de Janeiro a Março. A AMCM frisa que a moeda local não é a unidade principal nas transacções bancárias internacionais, sendo que, em Março de 2015, por exemplo, a pataca tinha “uma quota de apenas 0,7% no total do activo financeiro internacional e 2% no que ao total do passivo” dizia respeito. Números bem diferentes das moedas da região vizinha de Hong Kong e da China continental, com a primeira a ser uma das melhores para investimento. “O dólar de Hong Kong [tinha] um peso de 39,6% do total

Bancos Actividades nos mercados internacionais diminuem

Pataca com pouca força do activo internacional, o dólar dos Estados Unidos, o renminbi e outras moedas estrangeiras, [tinham] um peso de 37,1%, 15,8% e 6,8%, respectivamente”, pode ler-se num comunicado da AMCM ontem emitido. A quota do total “da responsabilidade internacional” é de 44,8% no caso do dólar de Hong Kong, de 33,7% no caso do dólar americano e de 13,1% no caso do yuan.

Sobe e desce

A AMCM indica ainda que, em Março deste ano, o total dos activos

internacionais do sector bancário de Macau atingiu 1,4 mil milhões, o que representou um “crescimento” relativamente ao trimestre anterior de 2,6% e um avanço de 11,3% em relação ao ano anterior. Mas, se os activos locais em moedas estrangeiras correspondem

a 762,7 mil milhões de patacas, as actividades internacionais de Macau neste sector desceram. “Nas estatísticas apresentadas pela AMCM constata-se que a proporção das actividades internacionais do sector bancário de Macau desceu durante o primeiro

Os depósitos em moedas estrangeiras dos residentes e do Governo nos bancos locais continuaram a representar a maior componente no total das responsabilidades internacionais

“Mas tudo vai correr bem” A projectados, há cinco anos, ninguém antecipou a descida no mercado de Macau”, disse Scott, referindo-se aos 11 meses de quedas consecutivas das receitas dos casinos. Ainda assim, o director-executivo garantiu que a empresa se encarregou de “aprimorar os projectos para garantir que se adaptam ao actual cenário”. “Tudo vai correr bem”, assegurou.

Outros jogos

Trata-se de ir ao encontro da vontade do Governo Central, comentou. Scott, que vive em Pequim há cinco anos, não acredita que o Governo chinês seja contra o Jogo, mas quer vê-lo dominar menos a economia de Macau. “Se o Jogo fosse fundamentalmente contra a política chinesa, não o autorizariam num dos seus

territórios. Os chineses gostam de jogar e não há nada de errado nisso, desde que o façam de forma responsável. Não é um pecado, não é um vício. O que querem é uma oferta mais vasta em Macau, além do Jogo. Querem artes e cultura (...), querem um desenvolvimento sustentável para Macau”, explicou. Apesar de defender que a China aceita o Jogo, o responsável da MGM aconselha à “discrição” neste momento. “Esta não é uma boa altura para mostrar riqueza no contexto de jogo na China. Este é um tempo para se ser mais reservado”, comentou. Questionado pelos jornalistas no final da conferência, Scott garantiu que não há qualquer intenção por parte da MGM de vender os seus investimentos na MGM China.

Continentes estratégicos

Segundo a AMCM, a actividade bancária internacional de Macau distribuiu-se principalmente pela Ásia e Europa, sendo que, até final de Março, “as quotas das disponibilidades do sistema bancário de Macau em Hong Kong, no interior da China e em Singapura eram de 34,8%, 30,8% e 1,9%, respectivamente”. Já em Portugal, estas quotas eram de 5,1%. Os depósitos em moedas estrangeiras dos residentes e do Governo nos bancos locais continuaram a representar a maior componente no total das responsabilidades internacionais, tendo aumentado 6,2% para 424,2 mil milhões de patacas em Março de 2015, em comparação com os 399,5 mil milhões registados no ano anterior. J.F.

Melco Crown abre curso de “Gestão de Casinos”

MGM Campanha anti-corrupção mudou segmento VIP

MGM acredita que a campanha anti-corrupção na China pode ter alterado permanentemente o segmento VIP, mas assegura que “tudo vai correr bem” se as operadoras se adaptarem. “O segmento VIP pode muito bem ter mudado permanentemente, mas o segmento de massas não está assim tão mau”, disse ontem William Scott, presidente da MGM Ásia-Pacífico, durante a edição deste ano da feira de jogo G2E Asia. No primeiro trimestre deste ano, as receitas dos casinos de Macau caíram 36,6% para 64,7 mil milhões de patacas, com o Jogo VIP, dos grandes apostadores, a contrair 42%. “Toda a gente sabia que o crescimento explosivo não podia durar para sempre. [No entanto,] quando os empreendimentos do Cotai foram

trimestre de 2015. A quota das aplicações financeiras nos mercados internacionais, no activo total do sistema bancário, desceu de 86% no final de 2014 para 85,9% três meses depois. Ao mesmo tempo, as responsabilidades externas no passivo total do sistema bancário desceram ligeiramente. No final de 2014 foram de 81,6% para 81,1%.”

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“A MGM não tem qualquer intenção de vender. Estamos totalmente empenhados, estamos a gastar três mil milhões de dólares num resort, passámos os últimos quatro ou cinco anos a investir em Macau e na China. Vender os investimentos que temos em Macau? Acho que o oposto é mais verdadeiro, a MGM gostava de aumentar o investimento na MGM Macau”, afirmou. LUSA/HM

erca de 43 empregados da operadora de Jogo Melco Crown Entertainment vão inaugurar o curso de “Gestão de Casinos”, o qual vai decorrer duas vezes por semana, durante um ano, em horário pós-laboral.Ainiciativa vai decorrer em parceria com a Universidade de Macau (UM), sendo que, no final do curso, os funcionários ficarão com um diploma cedido pela Melco Crown Learning Academy. Lawrence Ho, director-executivo da operadora, referiu que “como uma empresa com profundas raízes e herança em Macau, a Melco Crown sempre se dedicou a desenvolver os talentos locais”, pelo que esta iniciativa faz parte dessa dedicação. “Procuramos sempre novas iniciativas para equipar as nossas pessoas e prepará-las para

as responsabilidades de gestão. Acreditamos que o desenvolvimento dos talentos locais é essencial para a nossa empresa”. Jacky So, director da Faculdade de Gestão de Empresas da UM, referiu, citado por um comunicado, estar “orgulhoso” por participar neste programa de formação. “Como educador, é muito encorajante ver uma empresa privada a trabalhar com uma instituição educativa por forma a providenciar programas de formação internos, como é o caso deste”, explicou. A Melco Crown Learning Academy tem ainda outros 200 cursos de formação para funcionários.


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Renovadas nomeações na TDM

O Chefe do Executivo decidiu renovar as nomeações de José Manuel de Oliveira Rodrigues e Lo Son Man enquanto membros do Conselho do Administração da Teledifusão de Macau (TDM). O despacho, publicado ontem em Boletim Oficial (BO), já se encontra em vigor. José Manuel Rodrigues é o actual presidente Conselho de Administração.

Igreja de Santo Agostinho encerra 20 dias

Já está aberto até 18 de Junho o concurso para a obtenção de licenças de táxi. O Governo prevê que, entre Outubro a Dezembro estejam mais carros a circular

O

concurso público para a concessão dos 200 alvarás de táxis abriu ontem, indicou a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). No total, os novos carros poderão circular

Táxis Aberto concurso público. Mais táxis a circular no fim do ano

Que comece a corrida durante oito anos, sendo que poderão começar já no quarto trimestre do ano. Recorde-se que o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, indicou no início do presente ano que o Governo iria abrir um concurso para 200 novos táxis. Depois de autorizado por Chui Sai On, o concurso abriu finalmente, sendo que o preço base por alvará é de 200 mil patacas, ainda que tenha sido alterada a forma de concurso público, para que se possa, explica a DSAT, acelerar o processo da entrada em funcionamento de táxis. “Os alvarás de táxi objecto deste concurso público não

serão atribuídos em grupos como no passado, para que se possa acelerar o processo da entrada em funcionamento de táxis. A entrada em funcionamento está prevista para o 4.º trimestre”, indica a DSAT. “Visto que [há] 230 alvarás de licença de táxis cujo prazo termina sucessivamente neste e no próximo ano, o Governo está actualmente empenhado na preparação e execução para o aumento da atribuição dos novos alvarás de táxis, complementando oportunamente a quantidade de táxis”, acrescenta o organismo.

O Instituto Cultural vai levar a cabo uma vistoria à Igreja de Santo Agostinho, obrigando a que o local esteja temporariamente fechado ao público. Prevêse que estes trabalhos tenham a duração de 20 dias, mas a data de reabertura da igreja “será publicada oportunamente”, uma vez que depende do resultado da vistoria.

“Os alvarás de táxi objecto deste concurso público não serão atribuídos em grupos como no passado, para que se possa acelerar o processo da entrada em funcionamento de táxis. A entrada em funcionamento está prevista para o 4.º trimestre”

PJ Quatro novas chefias tomam posse

CEM Obras obrigam a desvios na Areia Preta e Toi San

Quatro novos membros para lugares de chefia da Polícia Judiciária (PJ) tomaram posse ontem, conforme indica um comunicado da autoridade. “O inspector de 2.ª classe Chan Kin Hong tomou posse como Chefe do Departamento de Investigação de Crimes relacionados com o Jogo e Económicos, e o inspector Fong Hou In como Chefe do Departamento de Informações e Apoio, já a técnica superior assessora Ieong Chong Lai [fica] como Chefe do Departamento de Gestão e Planeamento e a técnica superior assessora Kou Lai Kun como Chefe da Divisão de Administração Financeira e Patrimonial”, indica o documento. Os quatro novos chefes pertencem à PJ há vários anos, sendo licenciados nas áreas de Direito e Administração Pública.

A

Companhia de Electricidade de Macau (CEM) tornou ontem públicos os novos projecto de expansão e reforço da rede de energia de alta tensão, que vão obrigar a que algumas ruas das zonas da Areia Preta e de Toi San sejam alvo de escavações e colocação de cabos. A ideia é “melhorar a rede de energia de transporte e distribuição, bem como providenciar um fornecimento de energia seguro e estável a Macau”. De acordo com um comunicado da empresa, “o projecto será totalmente finalizado em meados de Julho”, contando com duas fases de obra. À responsabilidade da obra vão estar quatro empreiteiros de forma a reduzir a duração da obra. “Para atender às necessidades dos trabalhos, serão fixadas restrições temporárias ao trânsito nas zonas mencionadas em cima. Espaços de estacionamento de motociclos, zonas de parquímetros, bem como áreas de cargas e descargas nas referidas zonas serão ajustadas ou encerradas temporariamente”, adianta a CEM. Assim, a Avenida 1º de Maio/ Kuong Wa estará encerrada durante o período do projecto e as carreiras 1A, 7, 7A, 28B e 28BX serão desviadas para a Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, com final de paragem temporária na estação “Istmo de Ferreira do Amaral / Jardim Triangular”.

respectiva emissão [e] são insusceptíveis de transmissão. As pessoas singulares portadoras de bilhete de identidade de residente da RAEM ou titulares de direito de residência podem ser admitidas ao presente concurso”, indica ainda o comunicado.

Os interessados têm até dia 18 de Junho para entregar as suas propostas, que serão abertas no dia 23 de Junho. Por cada alvará só é admitida uma candidatura, quer em nome individual quer em nome conjunto. “Os alvarás têm um prazo máximo de validade de oito anos, não prorrogável, a contar da data da

Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

pub

Anúncio HM-2ª vez 21-5-15 PROCESSO: Execução por Custas

CV3-11-0045-CAO-A

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO.-------------------------------------EXECUTADO: HU QI KANG aliás WU KAI HONG, ausente em parte incerta, e com última residência conhecida em Macau, na Rua Luís Gonzaga Gomes, s/n, Edif. “Kam Fung”, 8º andar H.------------------------------------------*** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos dos executados, acima identificados, para no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real, e que é o seguinte:-----------------------------------------------------------------------------------------DIREITO PENHORADO Denominação: 1/3 (um terço) da fracção autónoma designada por “AR/C”;--- Situação: Nº 79-B da Rua Carlos Eugénio, Taipa;-------------------------------- Fim: Para comércio;--------------------------------------------------------------- Número de matriz: 040645.------------------------------------------------------ Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº.11728, a fls. 136 do Livro B31.------------------------------------------------------------------*** Macau, 07 de Maio de 2015 ***


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Já à venda nas livrarias, a obra faz parte de uma uma colectânea de 34 livros e aborda a cultura e história de Macau em múltiplas vertentes

O

livro “Panorâmica sobre as Culturas Regionais da China – Tomo de Macau”, que faz parte de uma colectânea de 34 obras, foi já publicado e distribuído no continente e na RAEM. Com edição da Fundação Macau, o livro fala de Macau enquanto civilização remota, debruçando-se ainda sobre o comércio marítimo, as mudanças do sistema político, a transformações sociais e intercâmbios culturais e as religiões e crenças, a literatura, a música local, as artes, educação, costumes populares, a língua e letras, os estilos arquitectónicos, turismo e jogos, alimentação quotidiana, vida associativa, etc.

Camané canta Fado em rádio americana

Concerto intimista C

Traços exclusivos

“Este livro é uma grande obra de estudos e investigação académica que se baseia em fontes históricas e compreende diversas perspectivas de disciplinas múltiplas. Esta obra

Camané se apaixonou pelo Fado graças à colecção de discos dos pais e começou a cantar ainda na adolescência, acabando “por se tornar uma estrela da sua geração e um nome de destaque num género dominado pelas mulheres”.

Vendas em alta

“Camané já vendeu seis milhões de álbuns no seu país de origem. Há cerca de 10,5 milhões de habitantes em Portugal. Façam as contas”, destaca a NPR, que descreve o Fado como “uma mistura de desejo, perda e melancolia em forma de resignação”. A rádio faz ainda questão de frisar, porém, que a melancolia deste género musical não advém apenas da voz de quem canta o Fado mas, também, do som da “rico e tilitante” da Guitarra Portuguesa, que vai “muito além do acompanhamento”. “Com as suas doze cordas, o instrumento não apenas ‘comenta’ a letra da canção, como entra numa espécie de diálogo sentido com o cantor”, realça a NPR, que aconselha quem assistir ao vídeo da actuação “a prestar atenção ao desempenho de José Manuel Neto, que, com ‘nuance’ e charme’, consegue transportar-nos até uma taberna acolhedora de Alfama”.

À venda na Livraria Portuguesa Os da Minha Rua • Ondjaki Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. “Os da Minha Rua” tem nas suas páginas tudo isso.

Da mús

Mia Couto falha Man B

ADRIAN DENNIS/AFP

amané foi, recentemente, convidado por uma rádio norte-americana para um breve concerto intimista. O músico português cantou o Fado esta semana nos estúdios da National Public Radio (NPR), em Washington, nos EUA, no âmbito dos “Tiny Desk Concerts”, por onde já passaram célebres nomes internacionais. Acompanhado à guitarra portuguesa por José Manuel Neto e à guitarra clássica por Carlos Manuel Proença, Camané apresentou ao público norte-americano os temas “Abandono” (de David Mourão-Ferreira e Alain Oulman), “Cansaço (Fado Tango)” (de Luís Macedo e Joaquim Campos) e “Saudades trago comigo” (composto por António Calém). “Os grandes fadistas cantam como se carregassem aos ombros o peso de todas as tristezas do mundo”, escreve a NPR a propósito da actuação de Camané, explicando que este tipo de música reflecte “uma espécie de sentimento de felicidade em estar triste ao qual os portugueses e brasileiros chamam saudade”. Apesar de ser “um homem de baixa estatura”, a voz “aveludada de barítono” do fadista é “algo de admirar”, elogia a rádio norte-americana, contando que

poderá vir a ser uma iluminação para o desenvolvimento cultural do território, pois tem informações concisas e abrangentes sobre a cultura de Macau, que é uma das características exclusivas, podendo por isso captar o interesse dos leitores em geral”, adianta a organização em comunicado. A Colecção “Panorâmica sobre as Culturas Regionais da China” é um projecto de edição e publicação do Governo chinês, que tem como objectivo compilar um conjunto de livros sobre as culturas regionais das diversas regiões administrativas. Yuan Xingpei e Chen Jinyu são os editores-chefes deste conjunto de livros, sendo que Wu Zhiliang, presidente da Fundação Macau, teve, em conjunto com outros, a tarefa de editar a parte relacionada com Macau. A cobertura temporal da colectânea vai “desde a Antiguidade até à Revolução Republicana de 1911”. O livro custa 170 patacas.

Literatura Publicada o

josé neves catela

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Húngaro “v O

Laszlo Krasznahorkai

escritor húngaro László Krasznahorkai é o vencedor do Man Booker International Prize (MBIP), anunciou esta terça-feira a organização, que tinha seleccionado para finalista o moçambicano Mia Couto. Nascido em 1954, Laszlo Krasznahorkai é conhecido pelo romance Satantango, adaptado para o cinema por Bela Tarr, e The Melancholy of Resistance. “É um escritor visionário de extraordinária intensidade e alcance vocal que capta a textura de existência actual em cenas que são terríveis, estranhas, terrivelmente cómicas e muitas vezes devastadoramente bonitas”, elogiou Marina Warner, durante uma cerimónia no Museu Victoria and Albert, em Londres. César Aira (Argentina), Hoda

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O Assobiador • Ondjaki “ A infinitude do alcance daquele assobio resultava, certamente, de um também enorme conhecimento metafísico da arte de assobiar, que mexesse não só com o ouvido das pessoas, mas alcançasse, de modo incisivo, a profundidade das suas almas, o recôndito canto onde cada um escondia as suas coisas - essa assustadora gruta a que muitos chamam âmago do ser. As pessoas boquiabertavam-se, incapazes dos mínimos movimentos, comentários, vivências conscientes.”


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Morreu Maria Nobre Franco, galerista

obra sobre a cultura de Macau

sica às crenças

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steve entre os que ajudaram as artes portuguesas a transitar rumo à contemporaneidade. Uma presença luminosa, apaixonada e cosmopolita. Maria Nobre Franco, fundadora e directora da Galeria Valentim de Carvalho e primeira directora do Museu Berardo, em Sintra, morreu na madrugada desta terça-feira em Cascais. Tinha 76 anos e estava doente com cancro. Licenciada em Filologia Clássica e Filosofia da Arte, Maria Nobre Franco foi casada com Rui Valentim de Carvalho, pioneiro da indústria musical portuguesa que morreu no final de 2013. Foi num dos espaços da editora, no Palácio das Alcáçovas, que fundou uma das galerias de arte fundamentais para os anos 1980 e princípio da década de 1990. Aberta por uma década, entre 1984 e 1995, num período em que em Lisboa poucos espaços se dedicavam em exclusividade à arte contemporânea, a Galeria Valentim de Carvalho teve “uma actividade enorme e extremamente importante”, recorda o pintor Jorge Martins. Amigo desde o exílio de Paris, antes do 25 de Abril, Jorge Martins foi um dos artistas da galeria, juntamente com nomes de gerações que vinham de trás como René Bértholo, Joaquim Bravo e António Palolo. Juntaram-se-lhes, em exposições pontuais e outras colaborações, Mário Cesariny, Helena Almeida, Ana Jotta, Ângelo de Sousa, Alberto Carneiro e José Escada. Mas Jorge Martins sublinha sobretudo a visibilidade dada aos que eram então novíssimos nomes, como José Pedro Croft, Pedro Calapez e Rui Sanches. Ou ainda Xana e o Grupo Homeoestético. Um cruzamento de gerações e linhagens que haveria de marcar também a direcção do primeiro Museu Berardo e que na galeria foi feita com “largueza e grandeza”, nomeadamente através da edição de catálogos. “A Maria soube fazer isso”, refere Jorge Martins, “era uma pessoa excepcionalmente sensível, generosa, afectuosa. Uma mulher cheia de qualidades e uma capacidade de acção muito grande.”

Booker Prize

visionário” premiado Barakat (Líbano), Maryse Condé (Guadalupe), Amitav Ghosh (Índia), Fanny Howe (Estados Unidos da América), Ibrahim al-Koni (Líbia), Alain Mabanckou (República do Congo) e Marlene van Niekerk (África do Sul) eram os restantes finalistas candidatos ao prémio. Presidido pela escritora e académica Marina Warner, o júri do prémio MBIP 2015, constituído por escritores e académicos, integra a romancista Nadeem Aslam, a romancista, crítica e professora de Literatura Inglesa na Universidade de Oxford Elleke Boehmer, o director da revista New York Classics Series Edwin Frank e pelo professor de Literatura Árabe Comparada na Universidade de Londres Wen-chin Ouyang. O prémio, criado em 2004 e no valor de 60.000 libras, é atribuído

de dois em dois anos, tendo sido no passado ganho por escritores como Lydia Davis, Philip Roth, Alice Munro, Chinua Achebe e Ismael Kadare. Ao contrário do “irmão” Man Booker Prize, o MBIP distingue um autor pelo conjunto da obra e importância a nível internacional e não se centra apenas num livro. Esta foi a primeira vez em que um autor de língua portuguesa foi seleccionado para a lista de finalistas, o que surpreendeu e honrou o próprio Mia Couto. “Recebo a notícia com surpresa, seria uma arrogância e de uma vaidade que não posso ter se dissesse o contrário, trata-se de um prémio com prestígio internacional”, afirmou o autor de Terra Sonâmbula após receber a notícia em Março.

Arte Desenhos de Chan Chi Lek no Centro UNESCO

E

ntre 23 e 31 de Maio, o artista local Chan Chi Lek expõe pela segunda vez individualmente, apresentando a mostra “Desenhos de Chan Chi Lek”. Integrada no Projecto de Promoção de Artistas de Macau e com organização da Fundação Macau, a exposição vai ser inaugurada no dia 22 de Maio às 18h30, na Sala de

Exposições do Centro UNESCO de Macau. A Exposição reúne mais de uma centena de desenhos do artista local, sendo que, na cerimónia, é lançado um álbum com os trabalhos expostos. Chan Chi Lek é natural de Zhongshan e é um arquitecto formado pela Universidade de Huaqiao (Fujian),

sendo também membro da Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau. Tem vindo a trabalhar em diversos gabinetes de arquitectura, em entidades públicas de arquitectura e a participar no design e construção de obras de grande dimensão, tanto de natureza privada como pública. Actualmente trabalha na área de

Protecção dos Patrimónios Culturais. Gosta de desenhar as paisagens de Macau, nomeadamente, as ruas e as avenidas da cidade. Entre 1998 e 2005, as suas obras sobre paisagens de Macau foram expostas numa exposição individual e publicadas em formato de colecção de postais. A entrada é livre.


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ANÚNCIO A Região Administrativa Especial de Macau faz público que, de acordo com o Despacho de 7 de Maio de 2015, do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, foi autorizado o procedimento administrativo para adjudicação da empreitada “Obra Nº 5 – Instalação de Bancadas e Coberturas junto ao reservatório para o 62º Grande Prémio de Macau”. 1. Entidade que põe a obra a concurso: Comissão do Grande Prémio de Macau. 2. Modalidade do procedimento: Concurso público. 3. Local de execução da obra: Zona do passeio pedonal do reservatório. 4. Objecto da empreitada: Planeamento, montagem e desmontagem das bancadas provisórias para espectadores localizadas no passeio pedonal do reservatório, denominadas por “Reservoir Stand” e “Grand stand”, incluindo a construção das fundações e estrutura de suporte da cobertura, o nivelamento do terreno da obra e a construção de acessos, passagens e todos os trabalhos preparatórios. 5. Prazo máximo de execução: datas limite constantes no Caderno de Encargos. 6. Prazo de validade das propostas: 90 dias, a contar do acto público do concurso. 7. Tipo de empreitada: Por Preço Global. 8. Caução provisória: MOP300.000,00 (trezentas mil patacas), prestada, em numerário ou mediante cheque visado, a entregar na Divisão Financeira da Direcção dos Serviços de Turismo, por depósito bancário ou garantia bancária aprovada nos termos legais à ordem da Comissão do Grande Prémio de Macau, devendo ser especificado o fim a que se destina. 9. Caução definitiva: 5% do preço total de adjudicação. 10. Valor da Obra: Sem preço base. 11. Condições de admissão: Entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes na modalidade de execução de obras. 12. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, a sessão de esclarecimento, o termo de entrega das propostas e a abertura das propostas será adiado para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 13. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Comissão do Grande Prémio de Macau, sita em Macau, na Avenida da Amizade n.º 207, Torre de Controlo do Grande Prémio de Macau, 1.° Andar, até às 17.45 horas do dia 9 de Junho de 2015. 14. Sessão de esclarecimento: Os interessados podem assistir à sessão de esclarecimento deste concurso público que terá lugar às 10:00 horas, do dia 27 de Maio de 2015, na sede da Comissão do Grande Prémio de Macau. 15. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Comissão do Grande Prémio de Macau; Dia e hora: 10 de Junho de 2015, pelas 10:00 horas. Os concorrentes deverão fazer-se representar no acto público de abertura das propostas para apresentação de eventuais reclamações e/ou esclarecimento de dúvidas acerca da documentação integrante da proposta. 16. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço: 80%; b) Prazo de execução: 5%; c) Plano de trabalhos: 10% ;e i. Nível de detalhe, descrição, encadeamento e caminho crítico das tarefas: 3%; ii. Adequabilidade à mão-de-obra e meios propostos: 7%. d) Experiência em obras semelhantes: 5% i. Obras executadas deste tipo, de valor e dimensão igual ou superior, com comprovativos de recepção e de qualidade pelos Donos de Obras Públicas: 3%; ii. Currículo de obras públicas e privadas desta natureza: 2%. O cálculo está descrito no artigo 11.° do Programa de Concurso. 17. Local, data, horário para exame do processo e preço para a obtenção de cópia: Local: Comissão do Grande Prémio de Macau Data e horário: Dias úteis, a contar da data da publicação do anúncio até ao dia e hora do Acto Público do Concurso; Preço: MOP500,00 (quinhentas patacas). A Comissão do Grande Prémio de Macau, aos 12 de Maio de 2015. O Coordenador, João Manuel Costa Antunes


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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 330/AI/2015

Direcção dos Serviços de Turismo Anúncio A Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 8 de Maio de 2015, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de “Transporte de Material Pirotécnico, Morteiros e Materiais Sobressalentes destinados ao 27.º Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau”. 1. Entidade que põe a prestação de serviços a concurso: Direcção dos Serviços de Turismo. 2. Modalidade do procedimento: Concurso público. 3. Local de execução dos serviços: Locais mencionados no Caderno de Encargos. 4. Objecto dos serviços: Transporte de Material Pirotécnico, Morteiros e Materiais Sobressalentes destinados ao 27.º Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau. 5. Prazo de execução: Cumprimento das datas constantes no Caderno de Encargos. 6. Prazo de validade das propostas: Noventa dias, a contar da data do encerramento do acto público do concurso. 7. Caução provisória: MOP120.000,00 (cento e vinte mil patacas), mediante 1) depósito bancário à ordem, do Fundo de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau; 2) garantia bancária; 3) depósito entregue nesta Direcção dos Serviços de Turismo em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem do Fundo de Turismo; 4) por transferência bancária na conta do Fundo de Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. 8. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. 9. Preço base: Não há. 10. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.º andar até às 17:30 horas do dia 5 de Junho de 2015. 11. Local, dia e hora do acto de abertura das propostas: Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito no 14.º andar da sede dos serviços, pelas 10:00 horas do dia 8 de Junho de 2015. Os concorrentes ou os seus representantes legais deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para os efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.° do Decreto-Lei n.° 63/85/M, de 6 de Julho. Os concorrentes ou os seus representantes legais poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto de abertura das propostas. 12. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura de propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 13. Critérios de apreciação das propostas: Critérios de adjudicação Preço Maior flexibilidade dos prazos da prestação Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço

Factores de ponderação 40% 30% 20%

Experiência do concorrente 10% 14. Local, dias, horário para a obtenção da cópia e exame do processo do concurso: Local: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.º andar, além disso ainda se encontra igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry. macautourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. Dias e horário: Dias úteis, desde a data da publicação do presente anúncio até ao dia e hora limite para entrega das proposta e durante o horário normal de expediente. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Maio de 2015.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 張聖祿, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 14080xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 102/DI-AI/2013, levantado pela DST a 18.09.2013, e por despacho da signatária de 13.05.2015, exarado no Relatório n.° 372/DI/2015, de 23.04.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B-361-K, Edf. I On Kok, 6.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele auto de notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele auto de notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Maio de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 331/AI/2015 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora 曹少紅, portadora do Passaporte da R.P.C. n.° G61947xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 102/ DI-AI/2013, levantado pela DST a 18.09.2013, e por despacho da signatária de 13.05.2015, exarado no Relatório n.° 373/DI/2015, de 23.04.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B-361-K, Edf. I On Kok, 6.° andar A.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele auto de notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele auto de notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Maio de 2015.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

Aviso Avisam-se todos os interessados que estão abertos os concursos comuns, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento dos seguintes lugares, como pessoal contratado além do quadro da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, de acordo com as condições referidas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 20, II Série, de 20 de Maio de 2015, e cujo prazo de apresentação das candidaturas termina no dia 9 de Junho: - - - - - - - -

Três lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, na área de informática Três lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, na área de comunicação de massas Cinco lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, na área de administração pública Três lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, na área de psicologia/ aconselhamento psicológico Um lugar de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, na área de estatística Um lugar de técnico de técnico principal, 1.º escalão, na área de indústria cultural e criativa Um lugar de técnico principal, 1.º escalão, na área de gestão culinária Um lugar de técnico principal, 1.º escalão, na área de convenções e exposições

Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, aos 14 de Maio de 2015.

A Directora, Leong Lai


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CHINA

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Carlos César Relações luso-chinesas são boas “mas podem ser melhoradas”

Um mar de oportunidades

Na hora da despedida, após a visita de uma semana à China, o presidente do PS deixou no ar o compromisso de fazer das relações entre os dois países um dos melhores exemplos para a União Europeia

O

presidente do Partido Socialista (PS), Carlos César, defendeu ontem que as relações luso-chinesas, consideradas muito boas pelos dois governos, “podem ser melhoradas” e reafirmou a abertura de Portugal ao investimento chinês. “As relações estão muito consolidadas, mas podem ser melhoradas”, disse Carlos César à agência Lusa no final de uma visita de uma semana aquele país, a convite do Partido Comunista Chinês (PCC). “O compromisso que aqui deixei, em nome do Partido Socialista e de um governo liderado pelo PS, é que podemos fazer da relação Portugal-China o melhor

P

ortugal e China vão assinar no início do Verão um protocolo sobre plantas e cereais que “permitirá agilizar” o processo de certificação dos respectivos produtos, revelou ontem à agência Lusa um responsável português do sector. O protocolo será assinado em Pequim, “nos finais de Junho/início de Julho”, entre o Ministério da Agricultura e do Mar de Portugal e a Administração Geral da Supervisão de Qualidade, Inspecção e Quarentena da China (AQSIQ), indicou o secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito. Na mesma altura serão também assinados um memorando sobre

de Carlos César, Maria de Belém Roseira, em Janeiro de 2013, e incluiu um encontro com o vice-presidente chinês, Li Yuanchao.

Do conhecimento

exemplo de boas relações entre um país da União Europeia e a China”, acrescentou. Carlos César chegou na quinta-feira passada a Pequim, acompanhado por onze quadros dirigentes do PS, entre os quais o vice-presidente do Governo Regional dos

Açores, Sérgio Ávila, e o presidente da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e secretario das relações internacionais do partido, Sérgio Sousa Pinto. Foi a segunda visita do género em cerca de dois anos e meio, depois da viagem da antecessora

“Os nossos interlocutores, incluindo o vice-presidente da Republica, demonstraram ser muito conhecedores das riquezas da zona marítima e do papel dos nossos portos, no continente e nos Açores”, referiu o presidente do PS. Questionado sobre um eventual interesse chinês pela base das Lajes, Carlos César disse que “o assunto não foi abordado”, mas indicou que a sua delegação falou das “oportunidades que serão criadas com a facilitação das ligações entre o Atlântico e o Pa-

Acordo com Portugal no domínio agro-alimentar

Pacto cheio de nutrientes vinhos, destinado a proteger as marcas portuguesas, e um protocolo sobre carne de porco e derivados, cuja análise de risco, por parte das autoridades chinesas, “está já na fase final”, adiantou o responsável. “Será um marco muito importante”, afirmou Vieira e Brito acerca do acordo quanto à carne de porco. Foi a quinta reunião daquele governante português com responsáveis da AQSIQ no espaço de três anos, mas segundo Vieira e Brito,

“estes processos nunca são fáceis, qualquer que seja o país”. “No nosso caso, temos sido tratados com a maior simpatia e elevada cordialidade”, acrescentou. Além da carne de porco, Portugal solicitou à AQSIQ autorização para exportar lacticínios, que já foi concedida, e aguarda resposta a idênticos pedidos relativos a cavalos, arroz, uva de mesa, pêra e citrinos e outras frutas. A assinatura do referido protocolo, um documento que “protege

as plantas e envolve aumento da cooperação técnica e administrativa, permitirá agilizar a certificação dos produtos e criará mais confiança em relação aos dossiers ainda em análise”, realçou o secretário de Estado.

Em boa hora

Nuno Vieira e Brito foi o segundo governante português a visitar a China no espaço de uma semana, depois do secretário de Estado-adjunto da Economia, Leonardo Mathias.

cifico e o aumento das rotas atlânticas no transporte marítimo”. “Os portos portugueses, que de momento não estão preparados para isso, carecem de investimento, nacional e estrangeiro, e, nesse contexto, o investimento chinês é desejado por Portugal”, afirmou. Carlos César apontou o turismo e a economia do mar como “sectores emergentes” susceptíveis de atrair também investimentos chineses, como já aconteceu nas áreas da energia, seguros, saúde e banca. “Constatamos o interesse chinês e muito proximamente entraremos numa fase concreta de realização de investimentos nesses sectores”, disse. Quanto a Macau, o líder socialista indicou que as autoridades chinesas concordam que aquele território tem “um papel central” nas relações luso-chinesas e deve “funcionar como uma plataforma logística de investimento e comércio” entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Carlos César regressa a Lisboa na quinta-feira. Além de Pequim, o presidente do PS visitou a província de Shandong, onde nasceu Confúcio, um dos mais conhecidos mestres chineses da Antiguidade, e parte da comitiva de Carlos César irá ainda a Xangai. Antes de Pequim, de onde regressou ontem a Lisboa, o secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-alimentar esteve em Xangai e Macau. A visita coincide com um bom momento das relações económicas e comerciais luso-chinesas, nomeadamente no sector agro-alimentar. Segundo os números indicados à Lusa pelo gabinete de Nuno Vieira e Brito, nos últimos dois anos, as exportações agro-alimentares de Portugal para a China continental cresceram 25%, ultrapassando 20 milhões de euros em 2014, e no primeiro trimestre de 2015 aumentaram 80% em relação a igual período do ano anterior.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.°363/AI/2015 COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaboradores nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2015, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Website”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2015, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se

informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em caso de dúvidas, agradecemos que contacte a CRAC, durante as horas expediente, através dos números de telefone 85995343 ou 85995344. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 8 de Maio de 2015 O Presidente da CRAC Iong Kong Leong

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAN SAM LOK, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 73578xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 73/DI-AI/2013 levantado pela DST a 15.07.2013, e por despacho da signatária de 18.03.2015, exarado no Relatório n.° 147/ DI/2015, de 03.03.2015, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua do Canal Novo, n.° 264, Kam Hoi San, Bloco IX, 10.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício Centro Hotline , 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Maio de 2015.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


china 15

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Dilma Rousseff promete visitar a China em 2016

Bem vinda senhora “Presidenta” A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, afirmou ontem que fará uma visita oficial à China em 2016, num discurso na cerimónia de recepção ao primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em Brasília. Ao todo, 35 acordos de cooperação foram assinados na presença dos dois chefes de governo, entre eles o Protocolo Sanitário, que permite a retoma das exportações de carne bovina brasileira para a China, e da imediata habilitação de oito exportadores.

muito mais para a segurança alimentar dos chineses”, disse Rousseff. Aparceria entre os países abrange também o campo da inovação, com um programa espacial responsável pelo lançamento do satélite conjunto CBERS-4, em Dezembro de 2014.

O Governo brasileiro prevê que, até Junho, 26 plantas frigoríficas exportadoras estejam habilitadas para o comércio com a China. “O nosso pujante sector agro-pecuário tem condições para contribuir

Mundos e fundos

Na reunião de ontem, segundo a Presidente brasileira, foi decidido desenvolver conjuntamente um satélite de controlo remoto. Rousseff anunciou ainda a construção de um fundo conjunto

de 50 mil milhões de dólares para investimentos em infra-estruturas no Brasil, resultado de um acordo entre a Caixa Económica Federal, o segundo maior banco público brasileiro, e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). Os 35 acordos bilaterais em áreas como planeamento, infra-estruturas, comércio, mineração e energia atingem os 53,3 mil milhões de dólares, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil.

Homem com 17 namoradas detido por suspeita de fraude

U

M homem chinês que mantinha secretamente 17 namoradas simultâneas foi detido por suspeitas de fraude, divulgou ontem a comunicação social local. A vida secreta do homem, identificado como Yuan e residente na cidade de Changsha (centro da China), foi revelada pub

em meados de Março, depois deste ter sofrido um acidente de trânsito. Na altura, o homem sofreu ferimentos ligeiros e foi hospitalizado para receber tratamento médico. Após contactadas pela unidade hospitalar, as 17 mulheres foram ao hospital e descobriram que

namoravam todas com o mesmo homem. Depois da descoberta, as mulheres formaram um grupo na Internet chamado “Aliança pela Vingança” para partilharem os detalhes das respectivas relações. Durante essas conversas, as mulheres descobriram que mui-

tas delas tinham dado elevados montantes de dinheiro ao homem. Algumas mencionaram mesmo que se tratava de uma espécie de “salário” mensal. O “Romeu chinês”, como foi apelidado pela comunicação social chinesa, chegou a ter um filho com uma das namoradas.

Cabeça de estátua de Buda volta para casa

Um coleccionador chinês encontrou a cabeça de uma estátua de Buda no Japão, comprou-a e trouxe-a para a Província de Hebei, no norte da China, onde a obra foi unida ao corpo no domingo. A estátua de mármore branco sem cabeça no museu provincial de Hebei, tem quase 70 centímetros de altura. Foi escavada em 2006 e data da dinastia Tang (618-907). “Era uma peça de arte folclórica”, disse Li Jianli, vice-director do museu. “A figura é fina, e por isso podemos deduzir que era do início da dinastia Tang”. O ex-professor de arte da Universidade Normal de Hebei Guo Peng, de 41 anos, viu a estátua numa exposição em 2013 e ficou impressionado. Guo descobriu a cabeça juntamente com um coleccionador japonês, ao concluir que tinha o mesmo material que o corpo. Depois das negociações, comprou a cabeça em Outubro de 2014, mas não revelou o valor.


h

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artes, letras e ideias

16

O

fichas de leitura*

Manuel Afonso Costa

O Romance total

romance Conversa na Cate-dral, que inspirou inúmeros escritores e obras começa por um encontro num restaurante popular, cujo nome é justamente a Catedral. Em boa verdade todo o tempo do romance decorre enquanto decorre esta conversa entre a personagem principal, filho de um ministro e aquele que foi durante muito tempo o motorista particular do ministro. Através de um inusitado uso de analepses e prolepses, por vezes quase em simultâneo, fazendo uso de uma sofisticada técnica narrativa, Vargas Llosa urde toda a intriga e um enorme conjunto de frescos sobre o Peru do século XX. Alguém sublinhou já que a técnica narrativa, onde é justo destacar o poder do diálogo, permite ao autor construir vários romances num só romance. Este é um dos romances da minha galeria pessoal. Mesmo que a minha galeria só tivesse por exemplo cinco romances do século XX, este estaria lá, incólume. Para mim é a genialidade narrativa na sua expressão máxima. Chega a parecer que Llosa abusa dos seus recursos como narrador, entre os quais destacaria desde logo o diálogo, o solilóquio, as digressões permanentes, o monólogo interior, elementos confessionais, o sarcasmo, a ironia, o cómico mesmo, fazendo com que o seu painel da corrupção e desmoralização geral do período da ditadura de Odría seja acompanhado por meio de diálogos intercalados (misturando várias situações), discursos indirectos livres onde se confundem o discurso do narrador e do personagem, diálogos estratégicos. A verdade é que há diálogos dentro de outros diálogos que por sua vez se dão dentro de outros diálogos ainda e tudo isto com uma mestria que para mim roça a perfeição. Lembro-me do capítulo VII da primeira parte em que decorrem em simultâneo quatro situações distintas ao mesmo tempo. O autor nem necessita de grandes explicações ou de narrativas muito longas e descritivas. Não, basta-lhe a intersecção magistral de diálogos. Finalmente tudo isto se dá numa avalanche permanente de surpresas. As personagens possuem vários nomes e chegam a falar ao mesmo tempo, contudo nunca nos sentimos perdidos ou minimamente baralhados. A Conversa na Catedral possui estruturas narrativas que podem servir de modelo técnico e teórico, tal o virtuosismo do autor na mobilização dos seus recursos. A Conversa na Catedral é um romance complexo, que o génio de Vargas Llosa torna simples. Na galeria das personagens destaco, desde logo, Santiago Zavala, o Zavalita, filho do ministro don Fermín e personagem que acompa-

Llosa, Mário Vargas, Conversa na catedral, Dom Quixote, Lisboa, 1993 Descritores: Literatura, Peru, Romance, 461, [1] p.:24 cm, 972-201073-5 Cota: C-2-6-189

Jorge Mário Vargas Llosa nasceu em Arequipa a 28 de Março de 1936 e é um escritor a quem foi atribuído o Nobel da Literatura em 2010. É o único filho de Ernesto Vargas Maldonado e Dora Llosa Ureta. Depois de um período em que viveu longe do pai, a família reconcilia-se e em 1946 muda-se para Lima e só nessa altura viria a conhecer o pai seu pai. Aos 14 anos, ingressa, por vontade do pai, no Colégio Militar Leôncio Prado, em La Perla, como aluno interno, ali permanecendo por dois anos. Essa experiência será o tema do seu primeiro livro, La ciudad y los perros. Em 1953 começa a frequentar a Universidade Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, a mais antiga da América. Ali estudou Letras e Direito, contra a vontade de seu pai, o que aparece com nitidez na sua obra-prima, Conversa na Catedral. Aos 19 anos, casa-se com Julia Urquidi e passa a ter vários empregos para sobreviver. Em 1958 recebe uma bolsa de estudos “Javier Prado” a vai para a Espanha, onde faz um doutoramento em Filosofia e Letras na Universidade Complutense de Madrid. Após isso vai para a França, onde vive durante alguns anos. Em 1964 divorcia-se de Júlia e em 1965 casa-se com a prima Patrícia Llosa, com quem tem três filhos Álvaro, Gonzalo e Morgana. Muitos dos seus livros são autobiográficos, como A cidade e os cães de 1963, A Casa Verde de 1966 e Tia Júlia e o Escrevinhador de 1977. Por A cidade e os cachorros recebeu o Prémio Biblioteca Breve da Editora Seix Barral e o Prémio da Crítica de 1963. A Casa Verde mostra sinais da influência de William Faulkner. O seu terceiro romance e talvez o mais genial, Conversa na Catedral publicado em quatro volumes e que o próprio Vargas Llosa caracterizou como obra completa, narra fases da sociedade peruana sob a ditadura de Odria em 1950. Em 1981 publica A Guerra do Fim do Mundo, sobre a Guerra de Canudos, que dedica ao escritor brasileiro Euclides da Cunha, autor de Os Sertões. Destacam-se ainda outros livros como: Pantaleão e as visitadoras (1973), História de Mayta (1984), Quem Matou Palomino Molero? (1986), O Falador (1987), Elogio da madrasta (1988), Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta, Os Cadernos de Dom Rigoberto (1997), A Festa do Chibo (2000).

nhamos desde os tempos da faculdade até se tornar no jornalista decadente e medíocre que encontra, na catedral, Ambrósio, o antigo motorista do pai. Este Ambrósio era mais do que um simples chauffeur, mas isso vamos sabendo aos poucos como vamos afinal sabendo tudo, porém também ele se encontra agora em fim de linha, decadente e um pouco perdido. Ele que chegou a ser amante de Amália, a mestiça que toldava os sentidos de Zavalita na época juvenil da descoberta da sexualidade. Ele que chegou a ser motorista e homem de mão de Cayo Bermudez, figura estranha e vagamente sinistra de esbirro do regime, aquele que tudo controla, tudo espia e tudo corrompe. Cayo Bermudez sendo humanamente quase ridículo acedeu a um poder tão poderoso, se me é permitida a redundância, que acaba pela sua insignificância por incarnar a banalidade do mal. Vargas Llosa sempre pretendeu que os seus romances se deixassem ler como os livros de aventuras, com avidez e ansiedade, mas apesar disso e de o ter conseguido a verdade também é que os romances de Vargas Llosa possuem todos os ingredientes da modernidade no sentido em que isso é a marca de um Joyce, de um Borges, ou de um Faulkner, quer dizer, o carácter enciclopédico e labiríntico de um texto que ainda assim visa uma forma de totalidade. Vargas Llosa pretendeu como se sabe purgar-se definitivamente de Sartre, uma personalidade que o influenciou muito na juventude, e nessa purga acabou por continuar sartriano, como aliás em muitos momentos da sua obra, em particular na sua obra-prima, esta Conversa na Catedral, pois para além dos diálogos o romance mantém um solilóquio permanente de Zavalita consigo mesmo e num sentido que faz ressaltar a sua perplexidade moral, a sua frustração e até a sua má consciência, onde algo como a má-fé (no sentido sartreano do termo) decorre naturalmente, do desconcerto entre a acção e a consciência. Neste sentido o romance é um brutal e desapiedado exercício de auto análise. A verdade é que a “Conversa na Catedral é um romance total, um daqueles livros absolutos, uma visão caleidoscópica e assombrosa” de uma vida particular mas também de uma experiência colectiva ao longo de uma boa parte do século XX no Peru. *No quadro da colaboração de Manuel Afonso Costa com a Biblioteca Central de Macau-Instituto Cultural, que consiste entre outras actividades no levantamento do espólio bibliográfico da biblioteca e na sua divulgação sistemática, temos o prazer de acolher estas “Fichas de Leitura” que, todas as quintas-feiras, poderão incentivar quem lê em Português.


( F ) utilidades

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Cineteatro

O que fazer esta semana Hoje

Teatro “A Terceira Idade” (Festival de Artes de Macau) Edifício do antigo tribunal, 20h00 Bilhetes a 150 patacas

Amanhã

yuan

17

1.28

Cinema

tomorrowland Sala 1

Seminário “A Ideia da Europa”, por João Serra Pereira Fundação Rui Cunha, 17h00 às 19h30 Entrada livre

tomorrowland [b]

Filme de: Brad Bird Com: George Clooney, John Walker, Britt Robertson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Filme de: George Miller Com: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult 19.15 Sala 3

Sala 2

Teatro “A Terceira Idade” (Festival de Artes de Macau) Edifício do antigo tribunal, 20h00 Bilhetes a 150 patacas

mad max: fury road [3d] [c]

mad max: fury road [c] Filme de: George Miller Com: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult 14.30, 16.45, 21.30

tdragon ball z: resurrection “f” [b] falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Tadayoshi Yamamuro 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Música “Os Contos de Fadas Bizarros” (Festival de Artes de Macau) Teatro D. Pedro V, 20h00 Bilhetes a 120 e 150 patacas

Sábado

Dóci Papiaçam apresentam “Macau tem Talento” Centro Cultural de Macau, 19h30 Bilhetes a 120 e 180 patacas Teatro “A Terceira Idade” (Festival de Artes de Macau) Edifício do antigo tribunal, 20h00 Bilhetes a 150 patacas

Aconteceu Hoje Dá-se o Maio de 1968

Música “Os Contos de Fadas Bizarros” (Festival de Artes de Macau) Teatro D. Pedro V, 20h00 Bilhetes a 120 e 150 patacas “Saturday Night Jazz” Fundação Rui Cunha, 21h00 Entrada livre Orquestra de Macau apresenta “Alma de Macau” (Festival de Artes de Macau) Igreja de São Domingos, 20h00 Entrada gratuita

h o j e h á fi l m e “Comet” (Sam Esmail, 2014)

Domingo

Dóci Papiaçam apresentam “Macau tem Talento” Centro Cultural de Macau, 19h30 Bilhetes a 120 e 180 patacas Música “Os Contos de Fadas Bizarros” (Festival de Artes de Macau) Teatro D. Pedro V, 15h00 Bilhetes a 120 e 150 patacas

Diariamente

Exposição de Artes Visuais de Macau (até 2/8) Pintura e Caligrafia Chinesas Edifício do antigo tribunal, 10h00 às 20h00 Entrada livre

Comet explora o romance e os trilhos da vida de uma forma esplêndida, mostrando que nem tudo é – literalmente – como nos filmes. Este filme, protagonizado por Emily Rossum e Justin Long, parece ter saído da realidade para a ficção. Ao contrário do que a capa possa dar a entender, “Comet” não é Hollywodesco nem Indie, não é uma qualquer tentativa de parecer alternativo, como infelizmente tem acontecido ultimamente com o cinema que se diz independente. Fora filosofias meta-qualquer coisa e bandas sonoras de música clássica, “Comet” é uma história contada ao contrário, em que o fim é o início, mas o mais importante está no meio. À parte de um enredo sólido, é ainda de congratular a equipa de produção e realização pela escolha dos planos de filmagem e diálogos que se parecem com os de todos os dias. “Podíamos ser nós”, pensará quem vir esta peça. Leonor Sá Machado

Exposição “A Última Fronteira: Mistérios do Oceano Profundo” (até 31/05) Centro de Ciência de Macau Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

21 de maio

fonte da inveja

• A 21 de Maio de 1968, dez milhões de franceses fazem greve. Estudantes da Sorbonne e da Naterre foram às ruas para lutar contra a cultura vigente. Pregavam o igualitarismo, o liberalismo e a liberação sexual. Os slogans dos manifestantes eram: “é proibido proibir”, “gozar sem freios” e “nem Deus, nem mestre”. A greve que estalou em França, rapidamente adquiriu um significado e proporções revolucionárias, ainda que desencorajada pelo Partido Comunista Francês, de orientação Estalinista. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores e camponeses -que eram maioria -, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe. Começou como uma série de greves estudantis que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. A tentativa do governo gaulista de esmagar essas greves com mais acções policiais no Quartier Latin levou a uma escalada do conflito, que culminou com a greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França, às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços dos trabalhadores franceses. Os protestos chegaram ao ponto de levar o general de Gaulle a criar um quartel general de operações militares para obstar à insurreição, dissolver a Assembleia Nacional e marcar eleições parlamentares para 23 de Junho de 1968. O governo estava em vias de colapso (de Gaulle chegou a refugiar-se temporariamente numa base da força aérea na Alemanha), mas a situação revolucionária dissipou-se quase tão rapidamente quanto havia surgido. Os operários voltaram ao trabalho e após as eleições, em Junho, o partido Gaullista emergiu ainda mais poderoso do que antes. Hoje comemora-se ainda o Dia da Língua Nacional.

João Corvo

Uma estrela não é um continente, a um deus não dói o dente.


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opinião

hoje macau quinta-feira 21.5.2015

fernando vinhais guedes

desporto e não só

A propósito de uma entrevista

N

o passado dia 22 de Abril, o jornal “A Bola “publicou uma grande entrevista com o Presidente do Comité Olímpico Português (COP), professor José Manuel Constantino (JMC). Na base dessa entrevista, esteve um documento que o COP enviou à Assembleia da República e que o jornalista d’ “A Bola”, António Simões, classificou como intelectualmente brilhante, uma espécie de diagnóstico do desporto em Portugal! O desporto como «um desígnio nacional» defende JMC. Mas parece estar doente diz o jornalista! Não, quem está doente é o país responde José Manuel Constantino, daí a necessidade e a oportunidade de apresentar “um conjunto de linhas de orientação para pôr o País mais forte do ponto de vista desportivo”. Não é meu propósito escrever sobre a longa entrevista publicada, são as duas páginas centrais do diário acima citado, mas tão só puxar para aqui o que me parece mais importante. Assim no que respeita a medalhas nos próximos Jogos Olímpicos em 2016, no Brasil, JMC é cauteloso quando afirma que quem treina e vai competir são os atletas e não ele, cabendo ao COP proporcionar as melhores condições possíveis. Contudo, vai dizendo onde Portugal poderá ganhar se tudo correr bem. Canoagem, judo, ciclismo e taekwondo têm possibilidades, afirmou o Presidente. Por outro lado, JMC é claro numa questão ao afirmar que “Portugal tem um número limitado de modalidades, na primeira linha da alta competição mundial e que os êxitos individuais em Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e Europeus, são devidos ao que chama de exemplares únicos”. A dado passo da sua entrevista, e porque o jornalista comentou que quebrar o paradigma do tal «exemplar único» lhe parecia uma utopia, JMC respondeu: «não há transformação sem utopia. Nunca alcançamos o possível se não tivermos tentado o impossível» (princípio que também se aplica a quem dirige o desporto da RAEM). No que respeita a relações com o governo, queixa-se do Secretário de Estado das Finanças e do vice-Primeiro Ministro, lembrando que «já lá vão dois anos e ainda não tiveram tempo para receber o Presidente do COP»! Na entrevista, como era esperado, JMC deu destaque ao desporto escolar. «Não pode haver investimento no desporto na escola sem componente política, seja ela qual for. Nenhum governo investe milhões no desporto só por desporto. E nenhuma sociedade assiste impávida aos milhões investidos, se não entender que esse investimento é socialmente justificado. (Caminho que resta às autoridades da RAEM para saírem do buraco em que se encontra o desporto

dessa região, que mais parece um doente nos cuidados intensivos sem reagir ao tipo de tratamentos que foi aplicado). JMC defende que levar o desporto ao 1º Ciclo é indispensável. «Ora, antes dos milhões aquilo de que carece o desporto na escola, para sair da sua letargia, é de uma política». Pessoalmente não tenho receio em afirmar que, sem desporto escolar, do 1º Ciclo ao Universitário, jamais será possível construir um país desportivo. Só uma grande base de praticantes permitirá identificar características indiciadoras de um potencial futuro atleta (um princípio que também se aplica à RAEM, onde os clubes são, salvo honrosas excepções, meras equipas de adultos, sem jovens praticantes nas fazes da iniciação e formação, consideradas os alicerces da pirâmide desportiva). Se Portugal tem vivido à custa de «exemplares únicos», como afirma JMC na sua entrevista, que dizer do desporto da RAEM? Já na parte final o jornalista António Simões perguntou ao Presidente do COP

É a minha opinião que não será por falta de perfil, sensibilidade e experiência do Presidente do COP que Portugal ficará afastado das medalhas nos próximos Jogos Olímpicos. Há muitas outras razões bem mais fundas e até complexas, mas descortináveis

se admitia ter havido construções (gimnodesportivas) com «propósitos majestáticos e especulativos.» JMC admite, no documento enviado à Assembleia, que muitos desses equipamentos estão subaproveitados e que esses grandes investimentos não produziram os resultados esperados, chamando-lhe as “ políticas das pedras mortas “ mais fáceis de prosseguir do que as “ políticas de pedras vivas”( Na RAEM também existem «pedras mortas» e o desafio é torná-las «pedras vivas». Essa transformação só será possível, com empenho e com políticas de expansão das praticas desportivas no desporto escolar). Ainda a propósito de infra-estruturas desportivas JMC esclarece: «mais importante do que as instalações, a qualidade dos técnicos e programas de formação a clarividência dos dirigentes ou o valor do investimento público é a diminuta contribuição das grandes empresas ao nível do financiamento do desporto» (neste capítulo a RAEM, não tem dificuldades financeiras para implementar um projecto desportivo, com cabeça, coração e trabalho). Conheço o actual Presidente do COP desde 1970, quando éramos alunos do antigo INEF. O José Manuel Constantino foi um dos melhores alunos que passou por aquela casa! Muito embora jovem, evidenciava qualidades muito acima da média. Tinha já pensamento político e pensamento de política desportiva. Excelente comunicador, defendia com inteligência as suas teses, principalmente nas acaloradas e combativas reuniões gerais de alunos (RGA) no salão nobre do antigo INEF, durante o chamado (PREC). Que me recorde, o José Manuel Constantino passou por todos os patamares até chegar ao cargo que hoje ocupa, por votação das respectivas Federações Nacionais.

Antes tinha, também por eleição, desempenhado o cargo de presidente da Confederação do Desporto de Portugal. Pelo meio ficaram a presidência do Instituto do Desporto e da Juventude e ainda o pelouro do desporto Autárquico em Oeiras, onde desenvolveu um projecto de dinamização desportiva e cultural, que serviu de modelo a muitas autarquias. Se há licenciados em desporto que ocuparam, pela primeira vez, cargos ao mais alto nível, em diferentes áreas da pirâmide desportiva nacional, JMC foi o primeiro a consegui-lo. Presumo também que o actual Presidente do COP terá sido o primeiro a elaborar um documento competente, honesto, objectivo e acima de tudo indicando soluções para os problemas do desporto em Portugal. Não sou optimista ao ponto de acreditar que, mesmo em ano de eleições, algum partido inscreva uma dúzia de linhas do seu programa dedicadas ao desporto do meu País. Contudo, é a minha opinião que não será por falta de perfil, sensibilidade e experiência do Presidente do COP que Portugal ficará afastado das medalhas nos próximos Jogos Olímpicos. Há muitas outras razões bem mais fundas e até complexas, mas descortináveis. Há uma constatação de factos: todos os países que organizaram os Jogos Olímpicos bateram os seus recordes em número de medalhas ganhas! Porquê? Porque para esses jogos duplicaram o investimento (governos e empresas)! Outra vertente da mesma questão: em Inglaterra cerca de 65% da população pratica desporto pelo menos, três vezes por semana, em Portugal, a percentagem não chega a 5%! E por aqui me fico. Desta vez, abusei da vossa paciência. As minhas desculpas.


opinião 19

hoje macau quinta-feira 21.5.2015

Leocardo

bairro do oriente

V

ai fazer agora um ano que teve início a maior crise política dos 15 anos de História da RAEM. Esta crise, dizem em surdina os pragmáticos residentes de língua nativa chinesa, será a razão porque vem agora o Governo dizer que está na hora de apertar o cinto, que onde era tudo rosas não restam senão espinhos, e das fontes por ontem jorrava mel sai agora o mais amargo fel. Com a acentuada quebra nas receitas do jogo e nos números da taxa de ocupação hoteleira, começam a soar os alarmes – os “investidores” não estão a ter o mesmo retorno chorudo, criminoso, quase pornográfico e em vez disso “só” fazem muitos milhões, em vez de...bastantes milhões. Ora isto dos milhões pode ter muita graça para aquelas pessoas que têm hora para acordar, para chegar ao emprego, que levam os filhos para escola, vão trabalhar com nódoas de chupa-chupa no fato, ou no macacão, depende do caso, e com toda a certeza iam comprar imenso pão, arroz e batatas e essas que os trabalhadores comem. Os ricos só conhecem este cenário dos filmes de Fellini, e para eles “milhões” não chegam nem para forrar o assento de madre-pérola da sanita de platina do avião a jacto privado antes de lá sentar o seu tutu bilionário. Os ricos não ganham “um milhão” ou bagatelas desse tipo e vão a correr acender uma velinha a Nossa Senhora, dar graças e dizer “obrigado mas já chega”. Os ricos quando não estão a ganhar milhares de milhões uns em cima dos outros não se vão lembrar do tempo em que isto aconteceu, nem que tivesse sido ontem – os ricos pegam na sua trouxa da Swaine Adeney Brigg e vão para onde os zeros crescem à direita. Para os trabalhadores, paradoxalmente, o trabalho deixa de ser. Não, não deixei a frase incompleta, e era mesmo esta a ideia: o trabalho deixa de ser, e finito, kaputz, it’s over, go home. Numa economia que depende das receitas do jogo (juro que estou prestes a assinalar a vez número 10.000 que escrevo esta frase) é preciso vir quem jogue, e não vão ser os pindéricos de cá que acham um “danish” de 30 patacas que vêem na montra do La Lafayette “caro”, ao ponto de começaram aos guinchos e aos pulos feitos o Daffy Duck. São os tipos da China, que vêm aqui aliviar-se do peso de umas notas que... bem, digamos que “já não querem”, pois agora têm outras novas. Fico por aqui, só para não magoar ninguém, entenda-se. O elevado grau de autonomia que Macau usufrui é sustentado um pouco na base do “não olhe, não oiça e (sobretudo) não faça perguntas”, e durante anos andavam todos cantando e rindo com a política de vistos individuais, que permitia que os nossos compatriotas nos viessem

John Brahm, The Miracle of Our Lady of Fatima

E onde estava você no 25 de Maio?

E agora que penso bem e me recordo daquele dia em que teve o início o Verão quente, tão quente que derreteu a confiança do Governo Central no nosso Executivo, foi um pouco como os milagres de Fátima, só que em vez do sol a dançar tivemos a CTM a oops! “deixar ir abaixo o serviço de internet e SMS – “porque estava muita gente na rua”

visitar, e que visitantes, estes! Não só nos livraram desses enfados que são os táxis, o leite em pó ou a liberdade de andar na rua sem esbarrar passo-sim, passo-não, como ainda levavam como recordação objectos frugais, coisas simples como malas de senhora e relógios de pulso no valor de mais de um milhão de patacas. Devem ser malas e relógios especiais, daqueles que dão...orgasmos múltiplos? Deve ser isso, claro. Mas não contentes com tudo isto, de que o lucro viam quase nada ou nenhum, os nossos residentes resolvem sair em massa no dia 25 de Maio, para “protestar”. Protestar contra o quê, afinal? Uma proposta de lei mirabolante, uma ideia das arábias, e que os seus defensores ainda vieram com uma enorme lata dizer que “é uma lei que existe em todas as jurisdições”. Quer dizer, lá existir, existe, só que provavelmente noutros termos. Duvido, por exemplo, que alguém que exerça durante seis anos o cargo de secretário de estado das hortaliças no Estufistão vá depois usufruir de opulentas regalias para o resto dos seus dias, transmissíveis aos seus sucessores e tudo. Ah sim, ia-me esquecendo deste importantíssimo detalhe: terá também que responder por crimes de delito comum, mesmo durante o tempo de exercício do seu cargo. Mas isto sou eu a falar, claro. Ler as leis, consigo ler, como adulto alfabetizado e mais ou menos sóbrio que sou, mas para interpretar é preciso ter em conta O ESPÍRITO DA LEI, e para isso já é preciso consultar o professor Karamba (já agora se tiver problemas de família, com droga, mau olhado ou impotência sexual aproveite para tratar com desconto) Se estivesse aqui o personagem do Baptista Bastos interpretado pelo Herman José, e me fosse perguntar: “olha lá, ó seu canalha delator e linguarudo, onde é que tu estavas no 25 de Maio?” Eu logo respondia: nas compras. E agora que penso bem e me recordo daquele dia em que teve o início o Verão quente, tão quente que derreteu a confiança do Governo Central no nosso Executivo, foi um pouco como os milagres de Fátima, só que em vez do sol a dançar tivemos a CTM a oops! “deixar ir abaixo o serviço de internet e SMS – “porque estava muita gente na rua”. Pois, “frapé, você não vê?” O sinal batia na multidão e recuava, como explicou aliás o actor António Silva naquela rábula de “A menina da Rádio”. A Praça da Assembleia Legislativa fez de Cova da Iria, e o Executivo acabaria por retirar a lei: “Ora bolas, não deu”, desabafaram. Não, não, desculpem, afinal agora vêm dizer que não estão a pensar em recuperar e proposta tão cedo, porque “têm mais que fazer”. Pois têm: cortes. Mas também, quem nos mandou ser tão ingratos com o bem dos outros? Uns invejoso, é o que nós somos. Assim não vale, pá!


hoje macau quinta-feira 21.5.2015

Internet China investe milhões

cartoon

daesh no iraque

por Stephff

O

Conselho de Estado da China anunciou ontem um investimento de 164 milhões de euros, nos próximos três anos, para financiar o plano de aumento da velocidade de Internet e respectiva expansão em zonas rurais. Este ano vão ser gastos 70.400 milhões de dólares, e em 2016 e 2017 serão destinados 56.000 milhões de dólares, segundo as linhas gerais publicadas ontem pelo Conselho de Estado, que desenvolvem o plano tecnológico aprovado na semana passada. O plano nacional de melhoria do sistema de redes visa aumentar em 40% a velocidade da Internet e torná-la mais barata, medida para a qual o Governo vai pedir o apoio das grandes empresas estatais de telecomunicações. Também está prevista a expansão da rede de banda larga e fibra óptica a 14.000 localidades de áreas rurais do país. Apesar do elevado número de cibernautas (mais de 600 milhões de pessoas) e de já contar com algumas das maiores empresas de ‘software’e Internet do mundo (Tencent, Baidu eAlibaba), a China tem uma velocidade de rede relativamente lenta em comparação com os países desenvolvidos.

EUA Derramados 80.000 litros de petróleo

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Cerca de 80.000 litros de petróleo foram vertidos para o oceano Pacífico esta terça-feira na Califórnia (EUA), na sequência de uma ruptura num oleoduto, tendo sido levadas a cabo operações de controlo e limpeza. A fuga ocorreu por volta do meio-dia e causou um derrame que se estendeu por mais de seis quilómetros no mar, a partir das costas do parque Refugio State Beach, nas imediações de Santa Bárbara, informou a guardacosteira em comunicado. Para o local foram destacados serviços de emergência locais, estatais e federais para proceder ao controlo e limpeza, tendo sido aberta uma investigação para determinar a causa da rotura do oleoduto. Trata-se de um oleoduto operado pela empresa Plains AllAmerican Pipeline, que transporta petróleo ao largo da costa do Pacífico em Califórnia. Na sequência do derrame, o parque Refugio State Beach foi encerrado ao público e alertados os banhistas nas praias mais próximas.

Lei Laboral e TNR Revisão vai impedir trabalhador-turista

O

Saúde Macau reforça cooperação com a China

À espera de melhoras A colaboração de Macau com o interior da China no sector da saúde vai ser intensificada. A garantia foi dada em Genebra ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, pela ministra da Comissão Nacional de Planeamento Familiar e Saúde, Li Bin

A

ministra da Comissão Nacional de Planeamento Familiar e Saúde, Li Bin, disse que o interior da China vai “intensificar a cooperação” com os Governo de Macau e Hong Kong a fim de promover o desenvolvimento do sector da saúde ao nível nacional. As afirmações foram feitas ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, durante a visita deste a Genebra para participar na 68.ª Assembleia Mundial da Saúde. Li Bin explicou que a China pretende reforçar laços na área da medicina tradicional chinesa, na unificação de critérios

na área de saúde, assim como na promoção de um estilo de vida saudável e na adopção de uma alimentação saudável. Por sua vez, Alexis Tam explicou que o Governo local está muito empenhado “em acelerar a reforma do sistema de gestão da saúde, a construção do Complexo de Cuidado de Saúde das Ilhas e o planeamento dos recursos humanos”. Em comunicado à imprensa, o Gabinete do Secretário explica que a Administração espera que através da cooperação com o interior da China se possa prestar “um grande apoio a Macau no âmbito dos profissionais

médicos especializados e das técnicas médicas mais avançadas, assim como na melhoria da qualidade da prestação de cuidados de saúde”. A Ministra garantiu que a Comissão Nacional de Planeamento Familiar e Saúde “está disponível para responder às necessidades de Macau trabalhando empenhadamente na organização e na coordenação”. Li Bin adiantou ainda que a China irá reforçar a criação de uma equipa de operação de resgate e salvamento nos quais os sectores de saúde de Macau e Hong Kong poderão participar. F.A.

director dos Serviços para Assuntos Laborais (DSAL), Wong Chi Hong, garantiu ontem que a revisão da Lei das Relações Laborais e da Lei da Contratação de Trabalhadores Não-Residentes vai ser feita de forma a impedir que pessoas com visto de turismo possam procurar trabalho quando estiverem no território. Em resposta à deputada Song Pek Kei, que numa interpelação escrita apontou a existência de problemas de supervisão das empregadas domésticas, criticando o facto de não haver em Macau um regime para que não existisse renovação de contrato em caso de problemas com os empregadores, o responsável afirmou que o Governo está a fazer revisão das leis e que estes documentos já foram entregues em Março aos representantes de empregadores e trabalhadores da Comissão Executiva do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). Sobre a questão dos turistas que se tornam trabalhadores, Wong Chi Hong referiu que o organismo está a considerar regulamentar os processos de importação através da revisão das duas leis, ainda que o Governo, disse, pretenda recolher mais informações e dados de todos aqueles que entram no território, para que consigam controlar a sua intenção de visita. A revisão do Regime do Licenciamento das Agências de Emprego está também sob a alçada da DSAL, para que futuramente seja proibido que as agências levem a cabo acções de introdução ao trabalho para os turistas que tentam procurar trabalho em Macau. F.F.


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Hoje Macau 21 MAI 2015 #3335 by Jornal Hoje Macau - Issuu