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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
HOJE MACAU
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
S E X TA - F E I R A 2 1 D E M A R Ç O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 5 5
h
A ceia e a imperfeição PÁGINAS 16 E 17
À SUA SORTE Jogo, álcool e violência doméstica são alguns dos factores que levam pais a abandonar os seus filhos ou filhos a serem retirados aos seus pais. A vida de 21 crianças órfãs no Instituto Helen Liang deixadas à sorte, mas felizes.
CARAVAGGIO, A CEIA EM EMAÚS (PORMENOR)
REPORTAGEM
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REDE UNIONPAY
Detidos por uso de POS ilegais
MINISTÉRIO PÚBLICO PÁGINA
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IMOBILIÁRIAS VS GOVERNO
Polémico conflito ainda por resolver KWAN TSUI HANG PÁGINA
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EDUCAÇÃO CONTÍNUA
Estudantes não querem estudar PÁGINAS 2 E 3 PUB
PESQUISA REVELA PÁGINA
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REPORTAGEM
A casa nascida dos esboços do arquitecto português Manuel Vicente já não é um espaço para órfãos mas sim para crianças quase deixadas à sua sorte pelos pais e família. Filhos dos novos emigrantes vindos do continente, tiveram de fugir a vidas preenchidas com jogo, álcool e violência doméstica
hoje macau sexta-feira 21.3.2014
CRIANÇAS RESIDEM NO EDIFÍCIO CONCEBIDO POR MANUEL VICENTE
Os filhos do Helen Liang ANDREIA SOFIA SILVA* andreia.silva@hojemacau.com.mo
O
relógio do pátio salpicado por um céu cinzento bate as cinco da tarde e a hora ainda não é de descanso. Enquanto uns meninos continuam com o uniforme escolar a fazer os trabalhos de casa, as meninas, mais velhas, sobem aos quartos para tomar o banho do dia. Uns saem para jantar, outros permanecem a rodopiar nos corredores. É assim o dia-a-dia no Instituto Helen Liang, que tem portas abertas desde a década de 60 e que é gerido pelas Missionárias Dominicanas do Rosário. O espaço está preparado para receber 70 crianças,
mas apenas 21 vivem ali, mas não se sabe até quando. Um dos projectos mais emblemáticos do arquitecto português Manuel Vicente em Macau vai deixar de ser um orfanato para passar a ser uma creche com 200 vagas, anunciou o Instituto de Acção Social (IAS) em Outubro do ano passado. Anita Wong, directora do Helen Liang, pouco sabe sobre os contornos da iniciativa do Governo, não existindo ainda uma data para a transferência destas crianças para outros centros de acolhimento. O regresso a casa para junto da família é também uma hipótese, mas como a própria disse ao HM só será realizada com base numa avaliação prévia do IAS a cada caso. “Este ano temos entre três e
quatro crianças que podem voltar para casa, com menos de 12 anos. Trata-se de uma decisão do Governo e não sabemos de nada, mas já disse que se querem uma mudança têm de ser responsáveis a transferir estas crianças. Depois disto vamos voltar para a igreja e continuar o nosso trabalho (as Missionárias Dominicanas do Rosário têm uma escola e um centro religioso).” O Helen Liang serve de porto de abrigo a crianças cuja vida familiar está marcada pelo jogo, o trabalho nos casinos, o consumo de drogas ou de álcool. A maioria dos pais fazem parte do grupo de novos emigrantes que Macau recebeu nas décadas de 80 e 90, vindos do continente. Muitos trabalham
como croupiers e no final do dia pouco tempo sobre para cuidar dos filhos, devido aos horários por turnos que mudam com frequência. No edifício situado na avenida da Praia Grande, com vista para o lago Nam Van, as crianças encontram um espaço onde comer e dormir, com acompanhamento antes e depois das aulas. Há um assistente social e professores que dão explicações a tempo parcial. “Em Macau praticamente não existem orfanatos, porque as crianças não são abandonadas. Os centros de acolhimento que existem é para crianças com problemas. Os familiares jogam muito ou vivem com problemas de violência doméstica. Há ainda familiares que tomam drogas. Antes havia famílias pobres mas agora quase toda a gente tem emprego. O problema é que a vida dos residentes é complicada, porque muitos trabalham no jogo e isso causa muitos problemas em casa”, conta Anita Wong. “Se houver condições voltam para casa ao fim-de-semana. A
reportagem 3
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HOJE MACAU
Anita Wong
maioria das crianças vai, mas há seis crianças que ficam aqui, mesmo no ano novo chinês. Em casa há situações de violência doméstica e as condições não são boas.”
PAIS “DEVIAM TER RESPONSABILIDADE”
Os ponteiros do relógio continuam a galope a anunciar o fim da tarde, mas uma sala de aula improvisada ainda tem as luzes acesas. Os mais pequenos chegaram das aulas e, de cadernos abertos nas pequenas mesas de madeira, ouvem os ensinamentos da professora.
É dia de Ho Hou Hei, de seis anos, deixar de viver no Helen Liang e voltar para a sua casa. Mas, cabisbaixo e tímido, confessa estar triste, porque gosta de brincar com os amigos e colegas. Tom, de oito anos, está no terceiro ano do ensino primário e vive sem a família há cinco anos. Não sabe qual é a profissão dos pais, mas sabe que “estão a ganhar dinheiro”. Apesar do sorriso nos lábios, não tem dúvidas quando diz que é em casa que gostava de estar. Ivan, o colega da mesa ao lado, é filho de pais filipinos. Com um rosto tímido, conta que vive ali
Um dos projectos mais emblemáticos do arquitecto português Manuel Vicente em Macau vai deixar de ser um orfanato para passar a ser uma creche com 200 vagas, anunciou o Instituto de Acção Social (IAS) em Outubro do ano passado
há um ano e que está a aprender português na escola, mas o ensino de poucos meses não o deixa dizer uma única palavra. Como ele só há outro filipino a residir no orfanato, ambos nascidos em Macau. Todos querem mostrar, com orgulho, os cadernos escolares com o seu nome. Candy Sam, de 12 anos, mostra o seu e conta-nos o que está a estudar: o património de Macau. Para se mostrar uma menina empenhada, começa a enumerar os espaços icónicos que conhece. As ruínas de São Paulo, o largo do Leal Senado e a Casa do Mandarim são os primeiros que vêm à memória. Judy, de nove anos, reside ali há quatro anos com a irmã, um ano mais velha do que ela. Aos fins-de-semana é tempo de regressarem a casa para estar com a família, mas preferem nada dizer quando perguntamos se gostam de viver ali. Anita Wong diz que os seus pupilos “têm todos boas notas”, embora existam alguns “preguiçosos”.
“Fico contente quando brincam, mas quando estudam é sempre uma confusão”, diz, sorridente. Os dias começam cedo, com o despertar a acontecer perto das 6h45. Às 9h30 é hora de recolher nos quartos que estão hoje, na sua maioria, com as camas vazias. Apesar da gestão estar ligada a esta entidade religiosa, cabe ao IAS coordenar e financiar o espaço, o que faz com que refeições, estadia e livros sejam gratuitos. “Os pais e familiares também deviam ter responsabilidades e pagar uma parte, como o uniforme, por exemplo. A maioria não paga nada, mas há pais que trabalham. Podiam pagar pouco, nem que fosse 500 patacas por mês, deviam ter essa responsabilidade”, defende a directora do Helen Liang.
ADULTOS REGRESSAM PARA VISITAR
Poucos são os pais que entregam ali directamente os seus filhos. Quando o fazem “é porque sabem que aqui podemos cuidar deles”.
Muitos dos filhos do Helen Liang tornaram-se adultos com uma vida comum. Trabalham nos casinos e hotéis como outrora os seus familiares fizeram, e são ainda bombeiros, polícias, cozinheiros. Sempre que recebem uma chamada de Anita correm a ajudar no que for preciso “A maioria das crianças não tem noção dos problemas que têm em casa, por isso é que os deixo ir a casa visitar a família para não haver uma separação. Às vezes as crianças perguntam porque é que os pais não estão aqui mas dizemos sempre que não têm tempo, não dizemos a verdade.” Todos os anos surgem sempre uma ou duas crianças que, a partir do momento em que entram no Helen Liang, deixam de ter contacto com a família de origem. Cabe então à direcção do orfanato pedir a guarda dos menores em tribunal. Tantos anos de funcionamento ao serviço dos mais pequenos sem abrigo vão ficar registados nas paredes cor de tijolo e na memória de Anita Wong. Já olhou por tantos miúdos que é difícil recordar histórias passadas naqueles corredores. Mas não deixa de se lembrar de um pupilo que, um dia, magoou o braço e que teve de acompanhar ao hospital. No dia em que deixou orfanato, o rapaz escolheu levar a fotografia tirada com o braço ao peito, por lhe lembrar a bondade da irmã Anita. Muitos dos filhos do Helen Liang tornaram-se adultos com uma vida comum. Trabalham nos casinos e hotéis como outrora os seus familiares fizeram, e são ainda bombeiros, polícias, cozinheiros. Sempre que recebem uma chamada de Anita correm a ajudar no que for preciso. Nas festas de Natal a família do Helen Liang reúne-se num jantar na Torre de Macau, feito há dez anos. Trocam-se prendas, sorrisos, memórias. Poucos se viraram para a criminalidade, mas já houve casos de antigos pupilos presos, que Anita diz reconhecer mal folheia as folhas de jornal. “Houve alguns que se tornaram criminosos mas isso não é culpa deles, porque não tiveram qualquer orientação da família. Por isso é que é muito importante a família cuidar e digo sempre que estes adultos também devem cuidar dos seus filhos.” - *com Cecília Lin
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POLÍTICA
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RUÍDO COMISSÃO DA AL PROPÕE AO GOVERNO HORÁRIOS MAIS CURTOS PARA OBRAS EM PRÉDIOS RESIDENCIAIS
Deputados ligados ao sector opõem-se
A proposta agrada à maioria dos deputados mas aqueles que estão ligados ao ramo da construção civil torcem o nariz. A AL continua a estudar a proposta de Lei de Prevenção e Controlo do Ruído Ambiental e os períodos de ruído em obra podem mesmo ser alterados JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
A
1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa – que estuda na especialidade a proposta de Lei de Prevenção e Controlo do Ruído Ambiental – quer encurtar o tempo em que podem ser feitas obras de construção e remodelação em edifícios residenciais. A proposta foi deixada ao Governo, ainda que haja deputados do sector da construção civil que se mostraram contra. “De acordo com a lei actual, é proibido fazer obras que produzam ruídos perturbadores aos domingos e feriados e aos dias de semana entre as 8h e as 20h”, começou por explicar Kwan Tsui Hang. “Mas será que é adequado? Não será demasiado cedo? Discutimos com o Governo
CHUI APADRINHA ROTA DAS LETRAS
O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, esteve, ontem, presente na inauguração do III Festival Literário de Macau “Rota das Letras” e tirou uma foto com os participantes para a posteridade.
e a comissão foi consensual, queríamos que os horários passassem a ser entre as 9h da manhã e as 18h. É melhor reduzir, porque também há pessoas que trabalham por turnos, por exemplo. O Governo diz que vai estudar a proposta.” Ora, se a proposta agrada “à maioria dos deputados”, há também quem não só se oponha, mas também que prefira alargar os horários para as obras e não reduzir. É o caso de “deputados do sector da construção civil”, diz a presidente da Comissão, que não adiantou, contudo, nomes. “Não concordam, dizem que afecta o sector e, pelo contrário, só querem aumentar o horário.” Kwan Tsui Hang relembra que a ideia da lei é salvaguardar o descanso da população e, apesar de “compreender o problema do sector”, avisa que a proposta da
comissão não proíbe obras. “Não estamos a proibir, estamos a tentar que seja reduzido o barulho perturbador das obras, é diferente. Mas não podemos incomodar as pessoas.” Outra das questões levadas à reunião de ontem com o Executivo foi a da aplicação da lei pelas entidades do Governo. Os deputados preferem que seja apenas a Direcção dos Serviços para a Protecção Ambiental (DSPA) a executar a lei, com a ajuda da polícia se necessário, mas estão preocupados com a questão dos recursos humanos. O Governo garante que está tudo bem. “O Governo entende que é viável [ter recursos humanos para a fiscalização]. Agora há 11 inspectores efectivos da DSPA e, no futuro, vão haver mais 15 para trabalhar em turnos de 24 horas.
TERRAS PARA RESIDENTES RECOLHA DE OPINIÕES PODE ARRANCAR EM ABRIL
Política deve mudar no futuro W
ONG Chan Tong, chefe do Gabinete de Lau Si Io, afirmou ontem aos jornalistas que a população pode começar a ser ouvida em Abril sobre a política “terras de Macau, para residentes de Macau”. O responsável da secretaria das Obras Públicas e Transportes, que falou aos jornalistas à margem de uma reunião na Assembleia Legislativa, disse “esperar ter todas as condições reunidas para que a auscultação pública comece no próximo mês”. A política, recentemente anunciada, foi alvo de dois estudos – um pela Universidade da Macau e outro pelo Instituto Politécnico de Macau -, que o Governo diz irem agora servir de base à formulação da política. O nome, avisa Wong Chan Tong,
pode mudar no futuro. “Acho que a política no futuro vai mudar e a intenção desta é beneficiar os residentes de Macau no que diz respeito à habitação. Agora, o Governo está a analisar a natureza da política, a relação entre a habitação pública e o mercado privado e elaboração de um texto, uma proposta para consulta.” O responsável frisa que, cerca de 36% das famílias beneficiam já de habitação pública ou subsídios, mas, diz, isso não impede que o Governo leve avante a proposta sobre terras de Macau serem para residentes de Macau. Wong Chan Tong assegura que as duas universidades – que disseram que uma grande maioria quer esta política – tiveram toda a liberdade no estudo, que “servirá apenas de referência ao Governo”. - J.F. com C.L.
política 5
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Muitas das agências AGÊNCIAS IMOBILIÁRIAS KWAN TSUI HANG DIZ QUE RESPOSTA DO GOVERNO É “BUROCRÁTICA” imobiliárias que não correspondem aos novos requisitos da lei de mediação forma a resolver as dificuldades mediação imobiliária. A deputada, sentidas pelas agências. “Mas a resligada à Federação das Associações imobiliária correm de Operários de Macau (FAOM), posta do Governo é apenas a dizer o risco de fechar pretende saber porque é que o conque vai acompanhar activamente flito continua sem resolução à vista. os casos e procurar uma solução portas. A deputada Na sua mais recente interpeo mais depressa possível. Passou lação escrita, Kwan Tsui Hang mais de um mês e os casos não têm Kwan Tsui Hang vê lembra que, no ano passado, enviou nenhum avanço prático. O Governo tem uma resposta burocrática. nisso um problema uma interpelação com as mesmas dúvidas. A origem do conflito perOs agentes imobiliários continuam e pede ao Governo manece, uma vez que as agências a receber sucessivamente do IH que não correspondam aos novos avisos que dizem que a sua licença que resolva o requisitos correm o risco de fechar, de profissão vai ser cancelada.” fim a negócios com cerca de Há cerca de duas semanas mais polémico conflito de pondo 20 anos e a muitos empregos. “A profissionais do sector se manifesresposta do Instituto da Habitação taram à porta desta entidade em uma vez por todas TIAGO ALCÂNTARA
Conflito continua por resolver
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
deputada Kwan Tsui Hang continua a dar atenção ao polémico conflito entre Governo e agências imobiliárias, o qual continua sem resolução desde a entrada em vigor da nova lei de
(IH), de Janeiro, apenas menciona que o Governo não quer matar o negócio neste sector, mas não respondeu às minhas perguntas”, aponta a deputada. Também no mesmo mês os deputados tiveram uma reunião com o secretário das Obras Públicas e Transportes, Lau Si Io, onde entregaram uma proposta com dez assinaturas de membros do hemiciclo a pedir uma revisão da lei, por
DADOS DO GOVERNO SI KA LON QUESTIONOU TRANSPARÊNCIA DAS INFORMAÇÕES
HOJE MACAU
Alexis Tam rebate
O
porta-voz do Governo considera que as informações relativas a projectos públicos e à respectiva execução orçamental já estão disponíveis nos websites dos departamentos. Esta é uma reacção de Alexis Tam à interpelação escrita do deputado Si Ka Lon, que afirmou que cada departamento deveria publicar dados sobre a gestão financeira de projectos e sistema de concessão.
Alexis Tam disse que os departamentos, incluindo a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) ou Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) já publicam essas informações nos respectivos websites. O conteúdo dessas informações diz respeito a concursos públicos e resultados, preços das propostas
apresentadas e número de concessões, dados que o público “pode consultar a qualquer momento”, defende o porta-voz do Governo. Si Ka Lon tinha dito na sua interpelação escrita que muitos dados eram publicados em Boletim Oficial (BO), plataforma que não é alvo da atenção da população. Além disso, “a maioria dos websites não têm as informações actualizadas”, acusou o deputado. Si Ka Lon falou ainda de notícias que lançam a suspeita de filtro de algumas informações sobre pagamento de concessões, e que os departamentos não publicariam todas as informações. Alexis Tam sublinhou que cada departamento público tem de seguir a lei, executar o respectivo orçamento e o sistema de concessão. Em relação à proposta do deputado para criar um modelo uniforme de todos os tipos de valores nos contratos e as fontes de orçamento, Alexis Tam garantiu que o Governo iria “estudar a proposta”. - C.L.
protesto contra a recusa da emissão de licenças para as agências que se encontrem situadas em prédios industriais ou residenciais. Quem protestou pedia a permissão para continuar a fazer os negócios nos espaços habituais e afirmaram que não querem perder o emprego. Mais tarde o IH emitiria um comunicado onde disse que ia “procurar uma solução para os actuais problemas”.
FUNÇÃO PÚBLICA REGIME DE GARANTIAS SÓ PARA CARGOS QUE TIVERAM CARREIRA
Uma questão sensível A actual proposta para o Regime de Garantias para o Chefe do Executivo e os Titulares dos Principais Cargos não prevê que funcionários que não tenham tido carreira na função pública tenham direito a regalias. A questão está a levantar controvérsia entre os deputados que estudam na especialidade o regime. De acordo com Chan Chak Mo, presidente da Comissão Permanente responsável por analisar o diploma, os deputados não querem que os apoios financeiros previstos na proposta de lei – por exemplo, em casos de doenças ou morte por razões profissionais - não devem ser apenas para os governantes que foram, antes de ocuparem altos cargos, funcionários públicos. O deputado utilizou mesmo um caso actual e verídico: o secretário Fran-
cis Tam, secretário para a Economia e Finanças, era empresário antes de assumir a pasta. “No caso do secretário Francis Tam, que deixou as funções que exercia para ser secretário, segundo a proposta não há garantias para ele. Há dias, a nossa assessoria também colocou esta questão junto do Governo.”
Chan Chak Mo diz mesmo recear que, se a lei continuar assim, não haja pessoas com vontade de enveredar na carreira política. “Muitos talentos já não querem ser secretários, porque não há garantias na aposentação.” O assunto vai ser debatido hoje em mais uma reunião com o Executivo. - J.F.
6 política
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O
S dirigentes da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) organizaram ontem o jantar anual de primavera que serviu de mote á recolha de opiniões sobre o primeiro mandato de Chui Sai On, que já anunciou a sua intenção de se recandidatar às eleições em Setembro. Ao HM, José Pereira Coutinho, deputado e presidente da ATFPM, disse que o acto eleitoral deste ano se trata de “uma questão importantíssima”. “Esteve o núcleo duro da organização que conseguiu eleger dois deputados (à Assembleia Legislativa, nomeadamente Coutinho e Leong Veng Chai). Gostaríamos de ouvir as opiniões quanto ao primeiro mandato e as questões que podem ser melhoradas. É uma responsabilidade e gostaríamos de auscultar o máximo possível.” A iniciativa não contará apenas com dirigentes da ATFPM mas também do Conselho das Comunidades Portuguesas, ao qual pertence José Pereira Coutinho e o médico Fernando Gomes. “Vamos ouvir as opiniões e depois faremos uma conclusão. O Chefe do Executivo vai muito proximamente elaborar o seu programa para a eleição do segundo mandato e vai-nos auscultar de certeza absoluta”, explicou Coutinho, que disse ser “uma pena não haver mais candidatos”. Isto porque “o debate de
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ELEIÇÃO DO CHEFE DO EXECUTIVO ATFPM ORGANIZOU AUSCULTAÇÃO
Opiniões em marcha TIAGO ALCÂNTARA
ANDREIA SOFIA SILVA
hoje macau sexta-feira 21.3.2014
ideias quanto ao primeiro mandato seria essencial para a tomada de decisões de voto para o novo mandato”. Coutinho não quis traçar o balanço do trabalho de Chui Sai On, no Governo desde 2009. Mas a sua possível reeleição será algo “importantíssimo”. “O jogo vai cada vez mais alargando a sua margem de penetração no mercado. Macau está cada vez mais dependente do jogo e vamos ouvir o que as pessoas pensam sobre isso.”
OPERADORAS A CONSTR UIR CASAS E CRECHES, PEDE DEPUTADO Pereira Coutinho quer que os casinos tenham obrigação de construir habitação para os seus funcionários. Isso mesmo expressou o deputado, numa interpelação enviada ao Governo. Pereira Coutinho acredita que, por terem elevados lucros que lhes permitem investir noutros países e regiões, as operadoras “esquecem-se da responsabilidade social que deviam ter para com os residentes locais”, nomeadamente no que diz respeito à construção de habitação para os seus trabalhadores, asilos e creches e instalações de apoio aos deficientes e famílias monoparentais. O deputado insta o Executivo a exigir às operadoras que façam isto, aquando da revisão dos contratos de concessão de jogo.
SOCIEDADE
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Macau obteve certificado de erradicação do sarampo
TIAGO ALCÂNTARA
O Ministério Público anunciou. Dois homens foram detidos por envolvimento em criminalidade organizada. De acordo com as autoridades, terão usado máquinas de cartão multibanco da UnionPay para fazer transacções para “clientes”
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Os Serviços de Saúde (SS) divulgaram, ontem, a RAEM obteve a certificação de erradicação do sarampo. De acordo com a Comissão de Verificação Regional de Sarampo da Organização Mundial de Saúde da Região do Pacífico Ocidental (adiante designada por OMS), a par de Macau, também a Austrália, a Mongólia e a Coreia do Sul arrecadaram a distinção. De acordo com os SS, a obtenção desta certificação é o fruto do esforço conjunto a longo prazo entre o Governo, bem como das instituições de saúde não governamentais e os profissionais de saúde.
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
F
OI descoberto em Macau mais um caso relacionado com as máquinas da UnionPay, dias depois de notícias darem conta de esquemas de lavagem de dinheiro ligados à organização bancária. O anúncio foi feito ontem pelo Ministério Público (MP). Desta vez, dois homens do interior da China foram apanhados num hotel do Cotai. Ji e Ren, os suspeitos, foram denunciados à Polícia Judiciária (PJ), que encontrou cinco máquinas de cartão multibanco (POS) da UnionPay, mais de 300 cartões bancários, 580 facturas, contadores de notas, calculadoras e mais de 3,4 milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro. Os homens estão envolvidos em criminalidade organizada e faziam transacções para “clientes”, que lhes pagavam uma remuneração pelo trabalho. De acordo com o MP, já há seis meses que o esquema estaria em vigor no território. Ri e Jen conseguiram várias máquinas POS da China continental, que enviaram por correio para Macau, de forma a evitar que a rede da UnionPay percebesse que as transacções estavam a ser feitas fora da China continental. “Eles estavam a levantar dinheiro para clientes e ganhavam a taxa de 0,2% da operação normal.
UNIONPAY DOIS DETIDOS POR USO ILEGAL DE MÁQUINAS PODEM ESTAR A OPERAR EM MACAU HÁ MEIO ANO
Esquemas no Cotai Mais de 900 transacções foram feitas, envolvendo um montante total de 38 milhões de [yuan]”, frisa o MP. Os homens terão conseguido amealhar mais de 58 mil yuan e despistaram as autoridades mudando de quartos de hotel e comprando novas máquinas multibanco.
ESFORÇOS SUFICIENTES?
Recentemente, e como admitiu o próprio MP, têm
sido detectados vários casos de uso ilegal de terminais de cartões da UnionPay. A organização bancária chinesa assegura que tem apertado o controlo das transacções suspeitas de dinheiro na RAEM, num anúncio feito dias depois de uma reportagem da agência de notícias Reuters que dava conta do uso ilegal dos cartões de crédito da UnionPay para a obtenção de dinheiro
através de compras falsas. A Reuters dizia haver um grande número de chineses que usavam a UnionPay para transferir dinheiro da China para Macau, para evitar o controlo das autoridades aos limites de levantamento de mais de 20 mil yuan diários impostos por Pequim. A UnionPay assegura fazer “todos os esforços” para impedir estas ilegalidades.
O esquema é simples: ourivesarias e joalharias em redor dos casinos, por exemplo, permitem aos clientes trocarem falsas aquisições por dinheiro, entregando o cartão aos funcionários e recebendo em dinheiro o valor de uma peça que supostamente teria sido comprada. Só em 2012, o valor total das transacções da UnionPay feitas nas ourivesarias e joalharias de Macau chegou aos 45 mil milhões de dólares americanos, um valor que ultrapassou até as receitas totais do sector do jogo nesse mesmo ano. A UnionPay, que falou através de uma porta-voz que pediu o anonimato, diz que tem um mecanismo
para controlar as transacções que envolvam grandes quantidades de dinheiro e assegura que impoe limites às transacções com cartões de crédito em Macau. O MP afirma ainda que os dois suspeitos usaram um computador para operar ilegalmente o serviço de levantar dinheiro, o que, diz a procuradoria, “causou danos à ordem económica e financeira e aos interesses económicos das instituições financeiras”. O MP considera haver fortes indícios dos crimes de burla informática e aplicou medidas de coacção aos indivíduos – não referindo quais. O caso foi entregue à PJ para mais investigação.
Justiça Não residente sem direito a receber indemnização exigida
O
tribunal decidiu que um trabalhador não residente (TNR) não tem direito a receber indemnização da empresa que o contratou, a Venetian, uma vez que um contrato a termo assinado com um TNR não se pode transformar num contrato sem termo. O caso remonta a Fevereiro de 2006, quando o trabalhador estran-
geiro assinou contrato com a empresa para o cargo de director financeiro na Venetian, o qual teria a duração de três anos. Contudo, o mesmo contrato só entraria em vigor no dia em que o trabalhador recebesse o seu blue card, o que só aconteceu no dia 31 de Agosto de 2008. No dia 7 desse mês, a Venetian
renovou contrato com o trabalhador, mas conflitos posteriores em relação às passagens aéreas a que o TNR teria direito fizeram com que a Venetian tenha informado que o contrato iria acabar no dia seguinte. O trabalhador recorreu da decisão exigindo o pagamento de uma indemnização no valor de seis me-
ses de salário base, mas o tribunal entendeu que, apesar da renovação proposta pela Venetian, “as partes entraram numa relação contratual de facto, a que podia ser posto termo em qualquer ocasião, por qualquer delas, não tendo, pois, o recorrente direito a indemnização”, pode ler-se no acórdão.
8 sociedade
hoje macau sexta-feira 21.3.2014
SIN FONG GARDEN LEONEL ALVES AVISA MORADORES QUE PROCESSO PODE CHEGAR AOS MILHÕES DE PATACAS
Relatórios de investigação precisam-se
JOANA FREITAS*
joana.freitas@hojemacau.com.mo
N
ÃO há ainda condições para calcular o orçamento que o processo relacionado com o edifício Sin Fong Garden poderá custar, mas casos semelhantes podem chegar aos dez milhões de patacas. Quem o diz é Leonel Alves, deputado e advogado, que presta consultadoria jurídica aos moradores do prédio da Rua do Patane, evacuado em 2012 por se encontrar em risco de ruína. À margem de uma reunião na Assembleia Legislativa (AL), Leonel Alves assegurou que as partes deveriam tentar comunicar para resolver o problema.
TIAGO ALCÂNTARA
Processo relacionado com o edifício Sin Fong Garden pode custar bem caro aos bolsos dos moradores. Quem o diz é Leonel Alves, que tem prestado consultadoria jurídica no caso Os moradores, no entanto, já contactaram com o advogado para que este continue a prestar auxílio jurídico e, desta forma, o causídico diz que há possibilidade de se perder em tribunal, o que aumentará o valor do processo. “Segundo a minha experiência, os casos complicados podem atingir os dez milhões de patacas. Mas, considero que o mais importante não é o valor e nunca referi antes [o preço exacto]. O que disse foi que pode custar milhões e há possibilidade de atingir os dez milhões de patacas. Se ganharem, não precisam de gastar nada, mas é meu dever avisar os proprietários sobre quanto pode custar, caso o processo falhe”, disse aos jornalistas.
SALVAMENTO NAS ALTURAS
O Corpo de Bombeiros e a Torre de Macau efectuaram um exercício conjunto do salvamento em grandes alturas na torre durante dois dias. O treino executou-se em áreas interiores e áreas ao ar livre entre os andares 64º. e 88º. da Torre, simulando turistas indispostos que não eram capazes de regressar ao interior, quando estavam a participar numa escalada ao ar livre. Cerca de 40 indivíduos participaram no treino, que as autoridades dizem ter corrido bem.
Questionado sobre se os moradores têm possibilidade de ganhar o processo, Leonel Alves ironizou, dando o exemplo do Manchester United. “O clube
perdeu e toda a gente dizia que não ia ganhar o jogo [de quarta-feira]. Mas, hoje [ontem] de manhã, quando me levantei, vi que ganhou o jogo e com três
golos. Isto, para dizer, que o caso é difícil de prever.” O advogado e deputado macaense explica ainda que ainda se esperam os resultados das investigações pedidas pelo Governo à Universidade de Macau, o que, enquanto não acontecer, impede que haja desenvolvimentos ao nível judicial. Leonel Alves aponta que, caso os proprietários queiram compensação para a reconstrução do prédio, o relatório da Universidade de Macau tem que recomendar esta reconstrução. O advogado disse ainda que os moradores e proprietários dos apartamentos têm que insistir para que o Governo publique todos os relatórios e que estes têm de ser completos, caso contrário não se satisfazem as dúvidas técnicas, o que complica o processo. Recorde-se que os moradores não quiseram resolver a questão por via de arbitragem, o que, diz Alves, é normal pelo facto de serem muitos e de ser difícil alcançar um consenso. O advogado, contudo, assegura que esta seria a via preferível, mas os condóminos não se sentam à mesa para falarem sobre isto. - *com Cecília Lin
CSR CONTRATO ENTRA EM VIGOR EM ABRIL. GOVERNO GARANTE FISCALIZAÇÃO
Vira a página na recolha de resíduos O novo contrato de serviços de limpeza urbana, remoção e transporte de resíduos vai entrar em vigor a partir de 1 de Abril e o Governo garante que será a abertura de uma nova página na prestação de serviços de limpeza urbana no território. A CSR – Companhia de Sistemas de Resíduos foi a empresa escolhida para estar à frente do trabalho, uma empresa que, de resto, tem esta função a seu cargo há mais de dez anos. A renovação do contrato com a CSR – envolvida no caso Ao Man Long – levantou alguma polémica, mas a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) asseguram que vão comunicar “activamente com a empresa operadora”, no sentido de garantir um bom funcionamento dos serviços a prestar e elevar a qualidade e o
nível de serviços prestados. O Executivo garante que a empresa vai ser alvo de uma “fiscalização contínua” e afirma que vai fazer muitas exigências à empresa. “O novo contracto a ser realizado dentro em breve
cuida muito o regime de garantias dos trabalhadores. O Governo exige da empresa operadora que assuma a responsabilidade social, que cumpra as promessas feitas na sua proposta de concurso, que garanta a execução do
programa de transição dos trabalhadores efectivos na actual empresa operadora e os níveis de remunerações e regalias dos mesmos.” O novo contrato exige, por exemplo, que a empresa alargue as redes de reciclagem e os tipos de resíduos recuperáveis. Recorde-se que, após a escolha da CSR para se manter à frente da recolha dos resíduos, a Companhia Urbaser S.A., empresa que ficou em segundo lugar no concurso, interpôs uma providência cautelar contra a empresa em tribunal. A Urbaser alegava ter havido “erros de avaliação que deram benefícios à CSR”, até porque, disse na altura, tinha melhores condições do que essa empresa. O Governo ainda foi obrigado a suspender a execução do acto de adjudicação, mas o Tribunal de Segunda Instância indeferiu a acção, pelo que o Executivo dá luz verde à CSR. - J.F.
sociedade 9
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CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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ERCA de 33% dos jovens de Macau dizem não ter motivação para estudar, porque não têm tempo, indica um estudo da Federação da Juventude de Macau que incide sobre a situação da educação contínua entre os 15 e os 45 anos. Feito entre o final do ano passado e o início deste ano, o estudo inquiriu cerca de “1152 jovens entre os 15 e os 45 anos”. O resultado mostra que cerca de 55% dos entrevistados tiraram ou ainda estão PUB
ESTUDO ASSOCIAÇÃO PEDE MUDANÇAS NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTÍNUA
Jovens sem tempo para estudar TIAGO ALCÂNTARA
Mais de 30% dos jovens de Macau dizem não ter motivação para estudar. O número, preocupante, faz com que a Federação da Juventude de Macau peça mudanças ao Governo
a tirar cursos de educação contínua e mais de 11% dizem que vão fazê-lo em três anos. Contudo, há 33% dos jovens que dizem que não têm nenhum plano para estudar, porque não têm tempo nenhum. A vice-presidente da associação, U Wai Ang, propôs que, quando o Governo lançasse a próxima fase do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, deveria expandir os locais do curso, ou até deixar que os alunos tirem cursos através da internet.
33%
dos jovens que dizem que não têm nenhum plano para estudar
O estudo ainda descobriu que os jovens consideram que o nível dos professores nos cursos que foram financiados pelo Fundo da Educação Contínua é mais baixo do que no geral. Cerca de 56% dos entrevistados consideram que o
Governo deveria dar mais atenção à qualidade dos cursos. U Wai Ang recomenda que o Governo fortaleça a fiscalização à qualidade dos cursos financiados pelo fundo. A maioria dos entrevistados, 70%, quer que o montante de subsídio aumente entre as três e as cinco mil patacas. Actualmente, mais residentes preferem tirar cursos de línguas - 49,5% -, seguido dos cursos de formação profissional. A associação sugere que, na próxima aprovação dos cursos, o Governo incentive as organizações a criar mais cursos sobre exposições, indústrias culturais e criativas, medicina chinesa, tecnologia da informação, aumentando a participação na formação profissional, a fim de aumentar a sua competência no mercado laboral. A associação não esquece que Macau vai ser um centro mundial de turismo e lazer e plataforma lusófona, recomendando, por isso, que o Governo abra mais cursos nestas áreas, de forma também a que haja mais recursos humanos.
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CHINA
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HONG KONG NOVO ATAQUE CONTRA JORNALISTAS AUMENTA RECEIOS
Liberdade de imprensa em risco O cerco aperta, dizem os jornalistas. Os ataques que têm ocorrido na região vizinha de Hong Kong começam a causar algum malestar no seio da classe e há quem volte a colocar em questão a liberdade de imprensa
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S receios relativos à liberdade de imprensa em Hong Kong intensificaram-se após dois profissionais de comunicação social terem sido agredidos com barras de metal, com um jornal da ex-colónia britânica a descrever ontem um “ambiente de cerco”. O ataque contra dois executivos do Hong Kong Morning News Media Group ocorreu na quarta-feira, poucas semanas depois de um outro perpetrado contra Kevin Lau, antigo editor-chefe do jornal Ming Pao, que continua no hospital na sequência dos ferimentos graves
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ANIFESTANTES barricados pelo terceiro dia consecutivo no parlamento taiwanês ameaçaram intensificar as suas acções caso o Governo ratifique um acordo de livre comércio com a China. Mais de 200 manifestantes, a maior parte estudantes, furaram as barreiras de segurança na noite de quarta-feira e instalaram-se no parlamento, naquela que foi a primeira situação do género na história do país. O dirigente dos estudantes, Chen Wei-ting, indicou que os manifestantes tomarão “outras acções” se o Presidente Ma Ying-jeou não responder ao seu pedido até sexta-feira. “Pedimos que o acordo sobre os serviços - e todos os outros acordos ou negociações em curso com a China - sejam suspensos até à aprovação de uma lei
causados pelo esfaqueamento de que foi alvo a 26 de Fevereiro. Ambos os ataques ocorreram em plena luz do dia e fizeram soar o alarme de que os jornalistas em Hong Kong se encontram em perigo. Dois alegados autores do ataque contra o jornalista Kevin Lau foram presentes ontem a um tribunal da Região Administrativa Especial chinesa pela primeira vez. Em causa, Yip Kim-wah e Wong Chi-wah, de 37 anos, permaneceram calmos e inexpressivos enquanto era lida a acusação, que, além de ofensa física grave, inclui o furto do motociclo, alegadamente usado na fuga do local do ataque. Ambos falaram apenas para dizer que tinham entendido a acusação. A imprensa local, que cita as autoridades do interior da China, indicou que os suspeitos fazem parte da tríade Shui Fong, tendo recebido, cada um, um milhão de dólares de Hong Kong para levar a cabo o ataque contra Kevin Lau. Um editorial do The Standard surge ontem com o título “Novo ataque traz um ambiente de cerco”. “Enquanto os detalhes do mais recente ataque não são completamente claros, estamos preocupados com uma série de incidentes ao longo do último ano que parecem ter como alvo figuras dos ‘media’ de Hong Kong”, disse a porta-voz do Departamento
de Estado norte-americano, Jen Psaki, citada pela AFP.
MUITA PREOCUPAÇÃO
A Associação de Jornalistas de Hong Kong manifestou a sua “séria preocupação”, enquanto o Clube de Correspondentes Estrangeiros destacou, por seu lado, o crescente receio em torno da segurança dos profissionais dos média. “Após o ataque contra Kevin Lau, que
continua no hospital com graves ferimentos, este recente incidente apenas reforça a ‘profundidade’ das sombras que têm sido lançadas contra o horizonte dos ‘media’ em Hong Kong, da violação, intimidação à interferência dos interesses políticos e comerciais”, indicou, em comunicado, o Clube de Correspondentes Estrangeiros. Lei Lun-han, vice-presidente do Hong Kong Morning News Group,
e Lam Kin-ming, coordenador de notícias, foram atacados por quatro homens, com barras de metal no movimentado distrito comercial de Tsim Sha Tsui. Os dois profissionais, que sofreram ferimentos ligeiros, saíram entretanto do hospital, segundo informações facultadas ontem uma porta-voz da polícia. O Hong Kong Morning News, em língua chinesa, cujo primeiro número deverá sair até ao final do ano, emitiu um comunicado em que indica que o lançamento irá adiante como previsto, não obstante o ataque contra o seu pessoal, de acordo com a imprensa local. O jornal referiu num comunicado, datado de Fevereiro, que todos os seus fundos serão angariados “localmente” - dando a entender que o interior da China não estará envolvido - e que a equipa do jornal irá “trabalhar duro para falar para o povo de Hong Kong”. “Um jornal equilibrado e credível é necessário no actual ambiente noticioso de Hong Kong”, aponta-se no comunicado, publicado no portal da antiga colónia britânica House News. O ataque contra Kevin Lau ocorreu pouco tempo depois de ter sido substituído, em Janeiro, por um editor pró-Pequim da Malásia, o que gerou críticas pelos colegas de trabalho, que temiam alterações à linha editorial do jornal, a qual pugnava pelo jornalismo de investigação. O seu afastamento gerou uma onda de indignação e crescente preocupação relativamente à erosão da liberdade de imprensa em Hong Kong e a eventuais tentativas de Pequim para aumentar o controlo na Região Administrativa Especial.
TAIWAN MANIFESTANTES NO PARLAMENTO DE TAIWAN FAZEM ULTIMATO
Acordos com Pequim suspensos, pedem que examine de perto esses acordos”, declarou. A acção dos manifestantes está a ter grande cobertura por parte das televisões de Taiwan. O tratado com a China, primeiro parceiro comercial da ilha, passou um primeiro obstáculo legislativo ao ser validada na segunda-feira por uma comissão parlamentar. Três membros do Partido Progressista Democrático (DPP) da oposição entraram em greve de fome por três dias. O tratado comercial decorre do acordo-quadro entre a China e Taiwan para a Cooperação Económica, assinado em 2010.
O acordo prevê a abertura às empresas taiwanesas de 80 sectores de serviços na China, e de 64 sectores de Taiwan às empresas chinesas. Os territórios da China e Taiwan seguiram caminhos distintos desde o final da guerra civil em 1949, quando o Partido Comunista tomou o poder no continente chinês e o antigo Governo, dirigido pelo Partido Nacionalista, se refugiou na ilha. O Partido Comunista Chinês defende a “reunificação pacífica” com Taiwan segundo a mesma formula adoptada para Hong Kong e Macau (“um país, dois sistemas”), mas ameaça “usar a força” se a ilha declarar a independência.
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Governo chinês anunciou a proibição de “qualquer tipo de detenção” contra peticionários, as pessoas que na China tentam protestar frente aos edifícios públicos ou manifestar as suas queixas pessoalmente junto dos responsáveis, informou ontem a agência Xinhua. “Órgãos políticos e legais regularão mais a gestão das petições, e evitarão a todo o custo usar qualquer medida para bloqueá-las”, lê-se num comunicado do Conselho de Estado, o órgão máximo do executivo, publicado pela agência oficial, após a reunião semanal que o Governo realiza à quarta-feira. A decisão surge depois da morte de uma célebre peticionária, a activista Cao Shunli, no dia 14 de Março após seis meses de detenção por protagonizar uma concentração frente ao Ministério dos Assuntos Exteriores chinês. Os peticionários são pessoas com todo o tipo de queixas sobre temas civis (desde problemas ambientais a laborais, sociais ou de saúde), que consideram que as autoridades da sua localidade não atenderam adequadamente as suas queixas e tentam levar o seu caso a instâncias mais altas. Muitos deles viajam até Pequim para tentar apresentar os seus problemas ao Governo central, uma prática inspirada na tradição imperial das audiências com os súbditos, mas que nas últimas décadas levou a milhares de detenções para “evitar tumultos”.
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M ex-líder das Forças Armadas chinesas, general Xu Caihou, foi detido em Pequim, juntamente com a mulher, a filha e o secretário, tornando-se a mais alta patente do país suspeita de corrupção, anunciou ontem um jornal de Hong Kong. Xu Caihou, 71 anos, ex-vice-presidente da Comissão Militar Central, estava internado num hospital de Pequim quando dezenas de agentes da polícia armados o foram prender, no sábado passado, disse o China South Morning Post. A Comissão Militar Central, chefiada pelo secretário-geral do Partido Comunista Chinês e Presidente da Republica, Xi
PETICIONÁRIOS GOVERNO PROÍBE DETENÇÃO
Mais abertura? A decisão surge três meses após o Governo chinês abolir formalmente os campos de reeducação pelo trabalho Nos últimos anos tem sido denunciada a utilização de “cárceres negros”, centros de detenção ilegais cuja existência era negada pelo Governo e onde estes peticionários
seriam confinados, especialmente em épocas sensíveis para o regime, como plenários do Congresso do Partido Comunista. Segundo a circular do Conse-
lho de Estado, a partir de agora o confinamento ilegal ou indirecto de peticionários está “estritamente proibido”, e os altos responsáveis e autoridades terão a responsabilidade de receber os peticionários e ouvir os seus casos. Já existe na China o chamado Gabinete Estatal de Cartas e Petições para atender este tipo de activistas, embora os peticionários costumem pedir para se reunir com responsáveis de mais alto nível. O próprio gabinete reconhece, segundo o comunicado publicado ontem, que o sistema de atendimento através dos seus balcões é pouco eficiente, e “muitas instituições locais e as autoridades frequen-
temente prejudicam os interesses dos peticionários, ou ferem os seus sentimentos”. A circular pede um tratamento mais personalizado destes peticionários, com audiências perante as autoridades, em vez do tradicional sistema de envio de cartas, que muitos dos activistas consideram um estratagema do regime para evitar os protestos públicos. A decisão surge três meses após o Governo chinês abolir formalmente os campos de reeducação pelo trabalho, outro modo de detenção sem julgamento prévio de que foram vítimas durante décadas tanto peticionários como presos políticos ou crentes religiosos, entre outros.
CORRUPÇÃO ANTIGO LÍDER MILITAR DETIDO, DIZ JORNAL DE HONG KONG
Xu Caihou em maus lençóis Jinping, tem um poder superior ao do Ministério da Defesa. Xu Caihou foi membro do Politburo do PCC até ao XVIII Congresso do Partido, em Novembro de 2012, que elegeu uma nova liderança, encabeçada por Xi Jinping, 60 anos, e pelo primeiro-ministro, Li Keqiang, 57 anos. A queda de Xu Caihou ocorre na sequência das investigações em torno de um dos seus subordinados, o general Gu Junshan, ex-vice-chefe do departamento
de Logística das Forças Armadas chinesas, que no exercício daquele cargo terá alegadamente recebido milhões de yuan em subornos. Há alguns anos, por ocasião do casamento da filha de Xu, o general Gu Junshan ofereceu à noiva um cartão de multibanco com um saldo de 20 milhões de yuan, disse uma das fontes ouvidas pelo South China Morning Post. O General Gu Junshan está detido desde o início de 2012 num centro de detenção secreto do PCC, sob o chamado regime de Shuan-
ggui, um sistema disciplinar interno usado para interrogar membros do PCC suspeitos de corrupção. O combate à corrupção tem sido uma das principais prioridades da nova liderança do PCC e como Xi Jinping prometeu, a campanha visa “as pequenas moscas” e também “os grandes tigres”. Na área militar, o general Xu Caihou, que chegou a pertencer também à Comissão Central de Disciplina do PCC, é, até agora, o maior tigre atingido pela campanha anti-corrupção.
Há uma semana, no final da sessão anual da Assembleia Nacional Popular, o primeiro-ministro chinês prometeu “tolerância zero” para os quadros corruptos e assegurou que a campanha anti-corrupção “vai continuar com perseverança”. “O Governo está firme na sua vontade e determinação para combater a corrupção (…) Toda a gente é igual perante a lei”, disse Li Keqiang. Segundo o South China Morning Post, o general Xu estava internado no famoso Hospital Militar 301, que trata habitualmente os mais altos líderes chineses, por lhe ter sido diagnosticado “um cancro terminal”, em 2013.
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EVENTOS
ARRANCA SEGUNDA EDIÇÃO DO FESTIVAL DE VINHOS E GASTRONOMIA DE MACAU
Mas que boa vida! A
segunda edição do festival de vinhos e gastronomia de Macau arrancou ontem com a participação de 32 expositores que pretendem mostrar os “bons vinhos” e a gastronomia presente na cidade até domingo, disse a organização. Hugo Bandeira, Grão Escanção da Confraria dos Enófilos de Macau, organizadores do evento, salientou que o festival, que se realiza no complexo Venetian, pretende “aproximar a gastronomia e os vinhos da população”, mostrando “parte do que existe de bom na cidade num ambiente descontraído”. “Aproveitamos o interesse do Venetian, um dos operadores de jogo, para mostrar que Macau não é só casinos e jogo e este é um papel que estes operadores devem desempenhar na cidade que tem um conjunto de interesses como a gastronomia e os vinhos que também são importantes no sector do turismo”, disse Hugo Bandeira.
Com uma presença variada, com especial incidência para os vinhos portugueses, Hugo Bandeira lembra também outras paragens como vinhos da África do Sul, “novos mercados que vieram quebrar a predominância dos vinhos portugueses na cidade”, mas que “não retiraram a sua importância nem o seu reconhecimento”. Para o festival de 2014, Hugo Bandeira gostaria de “duplicar” os 10.000 visitantes da primeira edição em 2013. Para o futuro, Hugo Bandeira disse que gostaria de ver o festival de vinhos e gastronomia de Macau como uma das referências da cidade, embora reconheça que as mostras de Hong Kong atraem mais expositores e mais visitantes. “Claro que gostávamos de ter algo nosso, de Macau, que fosse uma referência local com reconhecimento internacional e vamos continuar a trabalhar para isso neste e noutros eventos, em que não faltam os seminários que são importantes para promover um maior conhecimento técnico dos vinhos disponíveis localmente”, concluiu Hugo bandeira.
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Cannes Curta portuguesa seleccionada para Art Film Fest O filme ‘15 Biliões de Fatias de (-T) + Deus’, de Cláudio Jordão, é um dos seleccionados para participar no Art Film Festival. Dedicado ao cinema de arte, o evento decorre de 15 a 21 de Maio, em simultâneo com o Festival de Cinema de Cannes, em França. A curta-metragem de animação sobre a origem do universo encontra-se entre os mais de 60 filmes seleccionados para a edição deste ano do Art Film Festival, criado em 2008 enquanto feira de arte contemporânea dedicada às artes visuais em vídeo. Agora que evoluiu para festival dedicado ao cinema mais experimental, o mesmo conta com ‘15 Biliões de Fatias de (-T) + Deus’ entre os candidatos a melhor filme. O mesmo é assinado pelo realizador Cláudio Jordão, estando a produção a cargo do Cine-Clube de Avanca, do Kotostudios e Filmógrafo. Com música de Joaquim Pavão e vozes dos actores Teresa Chaves, Carlos Duarte e Nelson Martins, o filme, que recorre à ‘imagem de síntese’, vai agora ser avaliado pelo júri do festival, presidido pelo artista visual chinês Yang Zhenzhong. Em 2012, ‘15 Biliões de Fatias de (-T) + Deus’ abriu o Festival Avanca, tendo já sido exibido em festivais no Brasil, Chile, França, Grécia, Índia, Itália, Letónia e Alemanha, onde acabou por ser premiado.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA TERRORISTAS APAIXONADOS • Ken Ballen
Imagine um mundo onde os sonhos de um rapaz ditam o comportamento de guerreiros e militares em batalha, onde a morte é a única liberdade possível para o amor proibido de um jovem casal, onde o extremismo religioso, o ódio cego e a corrupção endémica se combinam para formar uma ideologia letal que pode manietar para sempre a vida de um ser humano. Com a ajuda das autoridades da Arábia Saudita e de vários jornalistas bem posicionados, Ballen entrevistou, durante cinco anos, mais de 100 antigos jihadistas. Esta pesquisa serviu de base a este livro, no qual o autor se concentrou no perfil de seis terroristas com vidas complexas e completamente diferentes, que expressaram os seus sonhos, as suas frustrações pessoais e o porquê da lealdade para com os líderes religiosos.
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escritor e jornalista Khushwant Singh, autor do romance “Comboio para o Paquistão” sobre a partição do sub-continente indiano, morreu ontem em Nova Deli aos 99 anos devido a problemas respiratórios, informou a família. Conhecido pelo seu humor ácido e pelas suas posições políticas liberais, Singh morreu na sua casa na capital indiana de modo “muito, muito tranquilo”, disse o seu filho Rahul Singh à televisão local NDTV. Nascido a 02 de Fevereiro de 1915 em Hadali, hoje em território paquistanês, Singh foi forçado a migrar para a Índia após a divisão do sub-continente em 1947 por ser de religião sikh, embora tenha sido ateu e mantido posições seculares durante toda a sua vida. Autor dos mais prolíficos do país, escreveu mais de 100 livros, alguns dos quais escandalizaram a Índia devido às suas descrições de sexo explícito. Entre as incontáveis colunas de jornal de que foi responsável, inclui-se a intitulada “Com malícia para todos”. Em Portugal estão editados pela Cavalo de Ferro os romances “Comboio para o Paquistão” e “Deli” e o livro de contos “Uma Esposa para o Sahib”. “I Shall Not Hear the Nightingale”, “Burial at Sea”, “The Company of Women” e “Truth, Love and a Little Malice” são outros dos seus livros mais conhecidos. O jornalista, que escrevia em inglês, dirigiu várias revistas nas décadas de 1970 e 1980, depois de ter exercido advocacia e de ter passado pelo serviço diplomático. Em 1974, foi condecorado pelo Governo indiano com a medalha Padma Bhushan, que devolveu em 1984 em protesto contra o ataque do exército ao Templo Dourado, o mais importante lugar de culto dos sikhs. “Gostava de chamar as coisas pelos seus nomes. Detestava a hipocrisia e o fundamentalismo”, recordou hoje o seu filho. Singh deixou escrito o seu epitáfio: “Aqui repousa quem não poupou os homens nem Deus / Não desperdicem as vossas lágrimas, ele era um patife / Escrevendo coisas indecentes que via como divertidas / Graças a Deus está morto este filho da mãe”. O corpo do escritor foi cremado ontem ao final da tarde em Nova Deli.
LITERATURA INDIANO KHUS
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RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
MISTER NORRIS MUDA DE COMBOIO • Christopher Isherwood
Situado em Berlim, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, este romance semiautobiográfico combina ficção e factos no relato das histórias – frequentemente pícaras – das extraordinárias personagens que animavam a efervescente cena boémia e artística daqueles anos: berlinenses e expatriados a viver no limite com a ameaça do terror político em pano de fundo.
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SHWANT SINGH MORRE AOS 99 ANOS
malícia para todos
China Music Awards em Abril no Venetian
Os prémios da música da China vão estar pelo terceiro ano consecutivo no Venetian. Algumas das maiores estrelas da música do país irão marcar presença na Arena do Cotai no próximo dia 23 de Abril, anunciou ontem a organização em conferência de imprensa. “Há três anos consecutivos que trabalhamos em conjunto com a Star China para trazer até Macau os prestigiosos China Music Awards,” disse o presidente do Sands China, Edward Tracy, “A nossa parceria continua a dar frutos e este tipo de eventos é puma parte importante da nossa estratégia de contribuir para que Macau seja um destino mundial de lazer e entretenimento”, acrescentou Edward Tracy. O China Music Awards foi criado em 1994 e desde então que reúne algumas das maiores estrelas industria musical chinesa em cidades como Pequim, Xangai, Hong Kong.
Entre Nós: Projecto cultural liga Lisboa e Paris
Lisboa e Paris vão-se fundir num projecto cultural que está a decorrer, em simultâneo, nas duas cidades. Uma antropóloga francesa e uma fotógrafa portuguesa estão a retratar a vida na rua do Benformoso, no Intendente, e a vida da rua Myrha, no bairro Goutte d’Or. O resultado final deste projecto será exibido publicamente, já no mês de Julho. Hélène Veiga Gomes nasceu em França mas as suas raízes mantiveramna, desde menina, próxima de Portugal. Com uma avó lusa e um avô de Cabo Verde, a jovem antropóloga vinha muitas vezes a Portugal passar férias. Há quatro anos, decidiu mudar-se de malas e bagagens para o nosso país, onde está a fazer uma tese de doutoramento sobre a zona do Intendente. No seu percurso por Lisboa, o caminho de Hélène cruzou-se com a da fotógrafa Pauliana Pimentel. Juntas decidiram avançar para um projecto artístico, apoiado pela Direcção Geral das Artes (dgArtes), que consiste em registar, em vídeo e em fotografia, o dia-a-dia dos moradores destas duas ruas.
ARTE DE RUA LISBOA NAS MELHORES CIDADES
Portugal distinguido com dois Prémios Europa Nostra
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programa radiofónico “Encontros com o Património”, da direcção-geral do Património Cultural e emitido na TSF, e a Rota Histórica das Linhas de Torres estão entre os 27 distinguidos com o Prémio Europa Nostra, foi ontem divulgado. A cerimónia de entrega dos prémios acontecerá no dia 05 de Maio, no Burgtheater, em Viena, quando serão também conhecidos os vencedores do Grande Prémio, no valor 100.000 patacas, escolhido entre os 27 distinguidos,
e o do Prémio do Público, resultante da votação on-line. Os 27 vencedores nas diferentes categorias - conservação; investigação; contribuições exemplares; educação, formação e sensibilização -, foram seleccionados entre 160 projectos candidatos de 30 países. A Rota das Linhas de Torres, referente às fortificações portuguesas no contexto das Invasões Francesas (1807-18011), uma candidatura apresentada pela Câmara de Loures,
foi distinguida na categoria “Conservação”, ao lado de outros projectos, como o Programa das Cooperativas Vinícolas na Catalunha (Espanha) e o Teatro Sociale, em Bérgamo, na Itália. O programa “Encontros com o Património” foi escolhido na categoria “Educação, formação e sensibilização”, ao lado do projecto Património Cultural sem Fronteiras -- Campos Regionais de Restauro, da Albânia, e do Projecto Atjaro, da Hungria, entre outros.
Asas à criatividade L
ISBOA é uma das dez melhores cidades do mundo para ver e praticar arte de rua. Quem o diz é o portal de notícias australiano News.com. au, para quem a capital portuguesa ocupa a sexta posição no ‘ranking’ dos melhores sítios onde se dá asas à criatividade, com resultados absolutamente “incríveis”. “Esta bela cidade estende-se ao longo de várias e grandes colinas. Se um dia inteiro a caminhar sobre as pedras da sua calçada parece tarefa difícil, porque não deixar que um dos famosos eléctricos amarelos nos dão boleia até ao topo, onde se tem as melhores vistas sobre o
rio Tejo?”, escreve o jornal, em jeito de apresentação da cidade de Lisboa. A acompanhar o breve parágrafo dedicado a Lisboa surge fotografia de um utilizador do Flickr com uma das muitas pinturas de rua que se podem encontrar pela capital portuguesa, nomeadamente em edifícios antigos, históricos e abandonados. As restantes sugestões passam por locais como Bristol (Reino Unido), Havana (Cuba), Berlim (Alemanha), Granada (Espanha), Paris (França), Penang (Malásia) Los Angeles (EUA), Moscovo (Rússia) e Oslo (Noruega).
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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ELOS antigos jornais publicados em Macau, há muito deitados fora depois de servirem para embrulhar peixe, encontram-se inúmeras histórias que ficaram esquecidas, apesar de serem intemporais. Ao vasculhar essas páginas encerradas num tempo, descobrimos narrativas que hoje pretendemos desenterrar para as recolocar na memória e assim, puderem sobreviver pois ainda não perderam actualidade. Como qualquer pessoa pode ver, ao andar por Macau e especialmente na China, à entrada dos edifícios públicos, templos, residências de famílias ricas, ou pavilhões ancestrais, há muitas vezes um par de leões, normalmente esculpidos em granito. Servem eles como guardiões e talismãs para afugentar os demónios. No lado esquerdo está o leão masculino, com a pata direita sobre o globo, que simboliza a unidade e a leoa, colocada no lado direito, tem a pata sobre o filhote, como que a coçá-lo na brincadeira. Os leões (shizi) não pertencem à fauna original da China e aqui foram integrados na categoria de animais fantásticos, servindo de guardas contra todos os males visíveis e invisíveis. Chegaram trazidos pelo Budismo, que o tem como animal protector devido à sua força e génio defensor, pois segundo uma lenda hindu, quando Buda nasceu, soltou um rugido semelhante ao do leão. Após esta introdução, passamos agora a transcrever uma dessas histórias com o título “Quando chorarem os leões de pedra” tendo o seu autor assinado o artigo com a letra G. “...Houve uma ocasião em que correu insistente e perturbadoramente pela cidade de Cantão o rumor de que no dia em que os leões de pedra vierem a chorar, as inundações constituirão uma grande calamidade. Ora tal rumor nasceu de uma profecia feita por Uóng Ié-Iân, célebre mago taoísta, natural de Nám-Hói e que, antes de se espiritualizar na serra de Ló-Fau, não era conhecido por ninguém. Mais tarde, Uóng, tendo-se transformado em espírito, passou a empregar a sua arte de mago para se divertir à custa dos homens. Um dia, encontrava-se numa várzea a conversar com os lavradores, quando estes, que estavam entretidos com a sua conversa, se lembraram de que tinham deixado passar a hora do jantar. Uóng disse-lhes então que não estivessem preocupados e, nisto, enfiou a sua mão direita dentro da larga manga do outro braço, donde extraiu uma grande variedade de iguarias e diversas espécies de vinhos.
José Simões Morais
TEXTO E FOTOS
QUANDO CHORAREM OS LEÕES DE PEDRA
Refastelaram-se os aldeões com tão opíparo e inesperado repasto, findo o qual, Uóng recomendou-lhes que regressassem ao trabalho da ceifa, porque, dentro de pouco tempo, aquela região iria ser assolada por uma inundação de violência sem precedentes.
Perguntaram-lhe os aldeãos, quando viria a dar-se tão temeroso flagelo, e o mago respondeu que, no dia em que os leões de pedra viessem a brotar lágrimas dos seus olhos. Tão enigmática resposta deixou bastante intrigados os aldeões que persistiram em querer saber a data precisa. Uóng, aborrecido com as suas insistentes perguntas, levantou-se, pondo-se a caminhar e, daí a segundos, desaparecia de vista sem que ninguém conseguisse alcançá-lo. Entretanto, tal profecia foi-se propalando de aldeia em aldeia, até que chegou à cidade de Cantão, onde o vice-rei, achando que tal atoarda não só estava causando grande desassossego no ânimo timorato dos habitantes como podia ser causa de alguma rebelião, ordenou, em edital, a captura daquele que considerava um agitador e provocador da alteração da ordem pública. Uóng, ao ter conhecimento do facto, sem medo nenhum, apareceu na residência do vice-rei a solicitar uma audiência e, quando este ululante de ira o assacara de pretender alterar a ordem pública com os seus falsos rumores, o mago respondeu-lhe que a sua profecia era a perfeita expressão da verdade e, se não o acreditasse, que esperasse, pois, dia viria em que se corroboraria a sua previsão. Encolerizado com tamanha imprudência, o vice-rei ordenou aos aguazis que o prendessem mas, antes que estes pudessem aproximar-se, Uóng, deu três voltas sobre si mesmo e desapareceu para nunca mais ser visto. Entretanto, a população inquieta não despegava do terreno que ficava em frente da residência do Vice-rei, para poder espiar os olhos dos dois leões de pedra que ornamentavam a entrada da residência daquela autoridade. Uma noite, um peixeiro descrente de tão ridícula profecia, tendo verificado que as pessoas que tinham ficado a velar os leões não conseguiram resistir ao sono, foi buscar algum sangue de peixe e com ele pintalgou os olhos dos dois inofensivos leões. Na manhã seguinte, quando os atalaias descobriram que aqueles animais de pedra não só estavam a chorar, como dos seus olhos vertiam lágrimas de sangue, fizeram um grande alvoroço e, rapidamente se espalhou
o pânico na cidade, procurando os mais timoratos remover o que podiam para as regiões mais altas das circunvizinhanças. Apressaram-se os áulicos a levar aos ouvidos do vice-rei o acontecido e este ainda incrédulo encaminhou-se até à
artes, letras e ideias 15
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porta, para se certificar, pessoalmente, quando, de súbito principiou a chover com toda a violência, sendo tão grossas as bagas de água que caíam do céu que, dentro de poucos momentos, a água que enchia as ruas deixou de correr para o rio, o qual, por sua vez, transbordando fora do leito foi, a pouco e pouco, inundando a cidade e as terras vizinhas, arrastando com a impetuosidade da sua corrente, vidas e haveres. Consta que, desde há muito, que não houve memória de tão grande desastre. Aterrorizado, o vice-rei tratou de mandar procurar por toda a parte Uóng-Ié-Iân para debelar tão grande calamidade mas não conseguiu encontrá-lo. Três dias depois, as águas começaram a baixar e a refluir para o rio. Aqueles que a previdência levou a refugiarem-se nos montes próximos, quando regressaram à cidade, mandaram erigir várias capelas dedicadas ao mago com o fim de lhe testemunharem a sua gratidão.”
era para oferecer em dádiva de sacrifício a Buda. Ao ouvir tal, a deusa ficou muito contente e disse-lhe para ir prestando atenção aos olhos dos leões de pedra (shishizi) que estavam
OLHOS VERMELHOS NO LEÃO DE PEDRA
A outra história é proveniente de Hebei e narra que próximo de Pequim, naquele tempo havia uma cidade próspera onde, no centro, vivia uma grande quantidade de gente muito rica. Tinham o costume de em cada dia do ano, uma diferente família oferecer um lauto jantar e assim, viviam rodando de casa em casa, pelos 365 dias, em repastos opíparos. Já a população dos
VERSÕES DIFERENTES DE OUTRAS PROVÍNCIAS
Ao ler esta história, lembramo-nos de ter ouvido narrativas semelhantes durante as nossas viagens. No entanto, estas estavam relacionadas, não com Uóng-Ié-Iân, mas com a Deusa da Misericórdia e Compaixão (Guan Yin em mandarim, ou Kun Iam, como é conhecida em Macau), ligada tanto ao Budismo como ao Daoismo, que a tomou como um Imortal. Assim tentaremos reproduzir as diferentes versões escutadas em Henan e Hebei. Certa vez a Deusa da Misericórdia lá do alto, ao entrar no Céu, parou na soleira da porta para escutar o clamor do mundo e vislumbrou uma povoação onde as pessoas apenas estavam interessadas nos bens materiais. Viviam numa ânsia de rapidamente enriquecer, pensando apenas em ganhar cada vez mais dinheiro, sem olhar para os que ao lado estavam e assim, não davam importância ao outro (- o que falta descobrir em nós). Por tal razão, ninguém ia ao templo oferecer sacrifícios a Buda. Para testar as pessoas desse lugar, disfarçou-se de mendiga e de porta em porta pediu comida, recebendo sempre um não como resposta. Desapontada, deixou a aldeia quando, já no campo, viu uma idosa senhora a oferecer incenso em frente da imagem de Buda. Dirigindo-se a ela, voltou a pedir algo para comer e obteve como resposta, que só lhe podia dar metade do arroz, pois a outra parte
os dias, ao passar em frente ao templo, ela perscrutava os olhos dos leões. Um dia, alguém que quis gozar com a idosa senhora pintou de vermelho os olhos destes. Quando ali passou, ao ver que a profecia se realizara, correu a avisou toda a gente para fugir e ir para a montanha. Todos se riram da pobre senhora ao observarem-na a fugir colina acima. Chegando a meio do monte, virando-se para olhar a aldeia lá no fundo, reparou estar o vale completamente inundado. Esta é a versão relatada na província de Henan.
levou-a para casa onde a mãe, vendo o estado depauperado da mendiga, foi logo cozinhar para lhe arranjar alimentos. Ali viveu ela durante dez dias, sem nada falar, apenas comia e dormia, mas a família que a acolhera continuou a tratá-la bem. Um dia, esta quebrou o silêncio e falou ao homem que a tinha trazido para casa, avisando-o para tomar atenção aos olhos do leão de pedra situado em frente ao templo de Guan Di. Quando estes sangrassem, uma inundação aconteceria. Depois entregou-lhe uma miniatura de um barco dizendo-lhe que, usando-o, ele e a mãe ficariam a salvo das águas. Ao olhar para o pequeníssimo barco feito de uma folha de trigo, ficou apreensivo, mas nada pode perguntar pois a mendiga fora embora. Todos os dias, ao passar pelo templo, dirigia-se para os leões colocados à frente da porta e olhava-os com atenção, o que despertou a atenção das pessoas. Estas, curiosas, perguntaram o porquê da quotidiana romagem e
UMA NOITE, UM PEIXEIRO DESCRENTE DE TÃO RIDÍCULA PROFECIA, TENDO VERIFICADO QUE AS PESSOAS QUE TINHAM FICADO A VELAR OS LEÕES NÃO CONSEGUIRAM RESISTIR AO SONO, FOI BUSCAR ALGUM SANGUE DE PEIXE E COM ELE PINTALGOU OS OLHOS DOS DOIS INOFENSIVOS LEÕES
em frente ao templo. Aconselhou-a a fugir para o cume da montanha quando visse vermelhos os olhos dos leões. No dia seguinte, a idosa espalhou o aviso por entre os habitantes, mas ninguém lhe deu crédito e ainda dela se riram pela tamanha tontice. Todos
arredores, que para eles trabalhava de sol a sol, vivia em extrema pobreza, passando grandes privações pois o que lhes pagavam, não dava sequer para enganar o estômago. Embriagados pelos seus luxos, os eivados seres, com um sentimento de superioridade, não prestavam atenção aos seus semelhantes, desprezando-os pela sua condição de subalternos. Um dia, a Deusa da Misericórdia, ao atravessar por cima da cidade, percebeu que uma grande inundação iria ocorrer. Disfarçando-se de mendiga, foi a cada uma das lojas pedir comida, mas todas as pessoas, apesar de ricas, recusaram-se a oferecer algo e houve mesmo quem lhe batesse. Ao escutar quão ruim e pobre era o coração desta gente senhorial, saiu do centro da cidade e quando caminhava pelos arredores, tropeçou numa pedra e caiu. Um vendedor de tofu, que na altura passava, carregando-a às costas,
então ele revelou o que lhe tinha sido confidenciado. Ninguém acreditou e alguém se lembrou de lhe pregar uma partida. Assim, uma noite pintaram com tinta vermelha os olhos do leão e no dia seguinte, quando o vendedor de tofu passou pelas estátuas e reparou nos olhos vermelhos dos leões, logo ali deixou o tabuleiro de tofu e correu para casa. Ao chegar, já a água lhe cobria os pés. Colocando o pequeníssimo barco na água, este ficou com o tamanho para duas pessoas e assim ele e a mãe nele se refugiaram. A água subia assustadoramente e ao olharem para a povoação já não a viram, pois estava completamente submersa. Se não fosse a presença dos leões de pedra, diríamos estarem estas três histórias relacionadas com a Festividade do Aprovisionamento do Princípio Masculino, também conhecida pela celebração do Duplo 9, já anteriormente descrita nas páginas deste jornal.
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Michel Reis
DIPLOMACIA CULTURAL É UMA QUESTÃO DE EMPENHO II UM DOS QUADROS MAIS FAMOSOS DO MUNDO “A CEIA EM EMAÚS” DE CARAVAGGIO – EXIBIDO EM HONG KONG
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A EXPOSIÇÃO INCLUI AINDA OBRAS DE QUATRO ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS DE HONG KONG QUE MOSTRAM COMO AS TÉCNICAS ENCONTRADAS NAS PINTURAS DE CARAVAGGIO FORAM ADOPTADAS SÉCULOS MAIS TARDE
SO HING-KEUNG, SOUTH CHINA PORTRAITS, 1995-1996
Consulado Geral da Itália em Hong Kong e Macau e a Asia Society Hong Kong Centre apresentam, pela primeira vez na Ásia, um dos quadros mais famosos do mundo, avaliado em 460 milhões de dólares de Hong Kong – “A Ceia em Emaús” do artista italiano Michelangelo Merisi, mais conhecido por Caravaggio. A exposição, intitulada “Light and Shadows – Caravaggio • The Italian Baroque Master” está patente nas estupendas instalações da Asia Society – Hong Kong Centre (9, Justice Drive, Admiralty, Hong Kong), desde o passado dia 12 de Março e até ao dia 13 de Abril. Apresentar esta obra em Hong Kong custou a módica quantia de 4.82 milhões de dólares de Hong Kong e só foi possível graças ao generoso apoio do The Hong Kong Jockey Club Charities Trust, para além da iniciativa e apoio do Consulado Geral de Itália e do Instituto Cultural Italiano, em colaboração com o Ministério dos Bens e da Actividade Cultural e Turismo e da Pinacoteca di Brera, em Milão, da qual o quadro saiu pela primeira vez. A entrada é livre mas a organização aconselha os visitantes a obterem ingressos com antecedência (visto que a Asia Society Hong Kong é um sítio patrimonial protegido e tem uma capacidade limitada). A exposição, supervisionada pelo Prof. Frank Vigneron do Departamento de Belas-Artes da Universidade Chinesa de Hong Kong, inclui ainda obras de quatro artistas contemporâneos de Hong Kong – Chow Chun-fai, So Hing-keung, Tsang Kin-wah e Wucius Wong – que mostram como as técnicas encontradas nas pinturas de Caravaggio foram adoptadas séculos mais tarde. Organizada à volta dos temas das “sombras”, da “teatralidade”, do “mistério” e do “realismo”, esta exposição ilustra diferentes características do estilo de Caravaggio, que foram de tal forma influentes que dominaram as práticas de pintura de muitos artistas europeus posteriores. As “sombras” enfatizam escolhas estéticas enraizadas na tradição litúrgica europeia do seu tempo; a projecção de textos em movimento de Tsang Kin-wha relaciona-se tanto com a escuridão como cenário, ligada à técnica do “tenebrismo” (que consiste no uso de um fundo escuro, algumas vezes completamente negro, onde faz a incidência de focos de luz sobre os detalhes da pintura que quer destacar) desenvolvida por Caravaggio, como ilustra o seu conteúdo ideológico. A “teatralidade” não apenas se relaciona com os fortes contrastes entre a luz e a escuridão mas também com a escolha de gestos poderosos e simples para acentuar a acção da pintura; as montagens fotográficas de Chow Chun-fai constituem uma abordagem muito pessoal a este estilo dramático. O “mistério” representa um sentido de espiritualidade que emana das pinturas de Caravaggio. As pinturas de Wucius Wong exemplificam uma escolha filosófica enraizada num conceito que foi beber à fi-
losofia taoista e que pode ser comparado à escuridão da cosmologia cristã. O “realismo” é uma característica da pintura de Caravaggio que teve uma influência profunda em toda a arte europeia; os retratos fotográficos de So Hingkeung são reminiscentes do interesse de Caravaggio no uso de personagens privadas de direitos civis como modelos das suas figuras históricas e religiosas. Através da interacção da obra famosa de Caravaggio com obras de quatro artistas de Hong Kong, cada um representando um aspecto das práticas artísticas contemporâneas, o público pode ter uma perspectiva contemporânea sobre a arte de um dos maiores e mais influentes artistas de todos os tempos. Foi também organizado um programa educativo e cultural sobre arte italiana, tornado possível pela doação do Hong Kong Jockey Club Charities Trust, destinado a suscitar o interesse do público nas obras de Caravaggio e nas artes italianas. Trata-se de uma oportunidade única para ver uma das obras mais importantes e impressionantes de Caravaggio, um dos artistas mais marcantes da Renascença e um pioneiro da pintura moderna.
artes, letras e ideias 17
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CARAVAGGIO, A CEIA E A IMPERFEIÇÃO Michel Reis
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STA representação de Caravaggio de “A Ceia em Emaús”, uma de duas que produziu e uma das suas obras mais belas, foi pintada entre 1605 e 1606, um período negro na vida do artista, quando este se viu forçado a fugir de Roma por ter sido acusado de assassinar Ranuccio Tomassoni. Um retrato de uma humanidade imperfeita, vulnerável ao pecado e que expressa o desejo de salvação do artista através da fé em Cristo, a pintura representa Jesus Cristo revelando-se aos discípulos Cléofas e Pedro (possivelmente) numa das suas primeiras aparições após a sua ressurreição, na cidade de Emaús.
Este tema muito popular na arte narra a passagem bíblica em que os discípulos, entristecidos com a morte do Mestre, resolvem caminhar até Emaús. Durante o trajecto, um desconhecido junta-se-lhes. Ao chegar a Emaús, o pequeno grupo detém-se numa estalagem para comer. Antes da ceia, os dois discípulos surpreendem-se ao ver o desconhecido abençoar o pão, descobrindo que se trata de Cristo ressuscitado, que repete o mesmo gesto feito na Última Ceia. O episódio está descrito em Lucas 24:13-35, onde se lê também a expressão “fica connosco, Senhor” (em latim: Mane nobiscum Domine), que inspirou diversos textos, orações e canções.
Na primeira composição do pintor de “A Ceia em Emaús”, pintada em 1601 (hoje exposta na National Gallery em Londres), que se estrutura em torno do gesto eucarístico do Mestre, Caravaggio retrata quatro personagens: Cristo, os dois apóstolos e o estalajadeiro, todos a meio corpo. A cena
UM RETRATO DE UMA HUMANIDADE IMPERFEITA, VULNERÁVEL AO PECADO
é mostrada no exacto momento em que Jesus abençoa os alimentos. Para qualquer um dos personagens que se olhe, os seus gestos apontam ao observador a figura de Jesus. Na segunda versão, que podemos apreciar na galeria da Asia Society, Caravaggio acrescenta mais uma personagem: a mulher do estalajadeiro. Em comparação com a primeira, os gestos das figuras são muito mais contidos, tornando a presença mais importante do que o desempenho. Esta diferença possivelmente reflecte as circunstâncias da vida do pintor naquele momento, ou apenas a evolução contínua da sua arte.
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Thomas Lim*
FAZER UM FILME EM MACAU: DO GUIÃO ÀS FILMAGENS Capítulo II: O Guião
“Escrever um guião não custa dinheiro nenhum, mas precisa de muita paciência e muito esforço. Se o fizer, certifique-se que o faz bem”
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EPOIS do primeiro capítulo desta minha aventura – que falava sobre a escolha de Macau para filmar – passamos hoje à segunda parte. Depois de decidir fazer um filme, naturalmente, o passo seguinte será escrever o guião. Todos os filmes começam com o guião e, normalmente, os investidores não nos apoiam financeiramente se não estiverem convencidos de que este é um bom guião. Se é novo nisto, há muitos livros que o podem ensinar a escrever um guião e todos eles têm algo em comum: encorajam-no a escrever sobre algo que conhece bem, com que esteja familiarizado. Para o meu filme, o Roulette City, decidi criar uma história cuja estrutura assenta naquilo por que Macau é conhecido: os casinos. Casinos são muitos em Macau, isso já não é novidade, e podemos vê-los em todo o lado, mal pomos cá os pés. Mas, não sou jogador. Nem sequer sei nada sobre isso, pelo que não queria fazer do meu tema do filme o jogo. Assim, comecei a observar todas as histórias que rodeiam os casinos. Que outros temas poderiam ser escolhidos? Tendo em conta as histórias das pessoas que fazem parte dos casinos – e que estão
dentro ou em redor deles – descobri a minha mensagem. Aquilo que queria transmitir. Comecei a aperceber-me que os casinos de Macau têm diferentes significados, consoante as pessoas... para os chineses do continente – cuja presença nos casinos é de mais de 90% -, para os locais – que neles trabalham. É certo que os casinos são a maior fonte de receita para Macau e os seus residentes, mas é certo que são as pessoas do continente quem aposta as poupanças de uma vida apenas pela oportunidade de enriquecerem da noite para o dia. Foi esta observação que se tornou o tema e a mensagem do meu filme. Mas, um tema não é uma história. O desafio da escrita – o desafio de escrever um bom guião – é conseguir criar uma história que melhor consiga transmitir a nossa mensagem. No caso do Roulette City, decidi que a história deveria ser facilmente acessível a todas as audiências. Com isso em mente, empacotei o meu tema numa história de amor entre um homem da China continental, que chegou a Macau para jogar, e uma jovem de Macau que trabalha como croupier. O romance entre eles realça as diferenças entre o que os casinos de Macau significam para as pessoas de cá e os outros, do lado de lá da fronteira. Levei cerca de um ano para escrever o guião para o Roulette City e en-
corajo todos os que queiram fazer um guião a realmente investir tempo nisso. Sem medos, com trabalho árduo. Se um guião for bom, o filme terá uma maior hipótese de ser bom também. Escrever um guião não custa dinheiro nenhum, mas precisa de muita paciência e muito esforço. Por isso, se o fizer, certifique-se que será bem feito. Leve o seu tempo. É também importante mostrar o guião a pessoas em quem confiamos, que nos possam dar a sua opinião. Nos EUA, onde também filmei, os escritores enviam rascunhos dos seus guiões aos chamados “script-doctor”, que são pagos para apontar as nossas falhas. Nunca ouvi falar deste tipo de profissionais em Macau, mas, à falta deles, pode mostrar o seu guião a cineastas experientes, que saibam como lhe dar um ‘feedback’ construtivo. Mas, nunca nos podemos esquecer: nunca se deixe influenciar até ao ponto de desanimar ou perder a paixão na história que escolheu contar, na mensagem que sempre quis passar. O ‘feedback’ que chegar até si deve alimentar a sua história original e, pura e simplesmente, ajudá-lo a contá-la da melhor forma, não para a mudar. * actor, guionista e director do filme “Roulette City”, em exibição nos cinemas
DESPORTO
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XADREZ CONSISTÊNCIA E O SEU ACTUAL PRIMEIRO LUGAR
Anand na senda do sucesso JOÃO VALLE-ROXO info@hojemacau.com.mo
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NAND continua a liderar a classificação com meio ponto de vantagem sobre a concorrência, decorridas que estão seis rondas do torneio de candidatos, em Khanti-Mansyisk, Rússia, onde se defrontam oito dos maiores xadrezistas da actualidade. O vencedor terá o direito a desafiar o actual número um e campeão do mundo, o norueguês Magnus Carlsen, que colocará o seu título em disputa no próximo mês de Novembro. Ao longo de todo o torneio, temos visto excelente xadrez de todos os candidatos mas também se vem a notar alguma irregularidade no jogo de quase todos. Anand e Karjakin são as excepções. Particularmente imprevisíveis têm sido Peter Svidler e Topalov. O primeiro esteve completamente perdido contra o segundo na ronda cinco, mas Topalov não conseguiu concretizar a sua grande vantagem posicional e a partir de certo momento já bem dentro do jogo começou a fazer lances duvidosos, o que lhe custou a derrota. Vingou-se na ronda seguinte contra o seu arqui-rival, Vladimir Kramnik, enveredando por um jogo algo especulativo, com um bluff em que Kramnik, que estava num mau dia, caiu, acabando por perder a partida. Estes dois jogadores protagonizaram uma das maiores polémicas num campeonato do mundo (o infame Toiletgate), quando se defrontaram para decidir o título de 2007, que acabou por ser então revalidado por Kramnik. Desde aí, não tornaram a apertar as mãos antes ou depois da partida e evitam sequer jogar. Na verdade, desde há seis anos que não se defrontavam em partidas clássicas. Sucedeu o mesmo anteontem e até deram conferências de imprensa em separado. Felizmente um caso único. Já Svidler, recusou uma proposta de empate de Aronian na ronda quatro e logo a seguir enganou-se e perdeu, o mesmo acontecendo anteontem na ronda seis, contra Mamedyarov. Este último, depois da derrota às mãos de Aronian na ronda dois e de Anand na ronda quatro, recompôs-se e, embora bafejado por alguma sorte contra Svidler, ganhou as duas últimas partidas e saltou para o segundo lugar. Aronian também podia ter ganho a partida de ontem contra Andreikin mas, inexplicavelmente, deixou fugir a oportunidade. No fim, em conferência
Partida entre Topalov (brancas) e Kramnik
de imprensa, disse que devia ter enlouquecido por um momento, enquanto Andreikin confessava ter escapado sem o estar à espera. Andreikin, desiludiu um pouco já que, apesar de ser o jogador menos cotado, havia quem visse poder vir dele a grande surpresa do torneio. Karjakin está a jogar consistentemente e sólido, mas não consegue ganhar jogos e já perdeu um. Também fruto da consistência, mas tendo já averbado duas vitórias, Anand tem patenteado um xadrez de bom quilate e realista, sorrindo, de cima do seu primeiro lugar.
Hoje é dia de descanso e prevê-se que amanhã seja uma grande sétima ronda. Quem estiver interessado pode seguir as partidas ao vivo e em tempo real no website da FIDE: www.fide.com, carregando seguidamente na janela “FIDE world candidates tournament” e, uma vez lá, na janela “Broadcast”, que inclui dois comentadores de serviço, que vão acompanhando todas as partidas. Transmitem também as conferências de imprensa dos jogadores, que têm lugar logo após o fim de cada partida. A partir das 17h locais. Outra hipótese é o website www.chessdom.com ou
simplesmente via Twitter. Hoje, entre outros jogos, destaque para a partida entre os dois grandes favoritos, o número dois e o número três do mundo, Aronian vs Kramnik, jogando este último de brancas.
COMPETIÇÃO EM MACAU AMANHÃ
Também amanhã, começa o campeonato de xadrez de Macau, o qual consistirá em nove rondas, a terem lugar aos sábados nas instalações do Instituto do Desporto na Taipa, entre as 15 e as 19h, estando abertas as inscrições a todos quantos queiram participar. Não há necessidade de qualquer pagamento, bastando
estarem no local no próximo sábado meia-hora antes do início dos jogos e apresentarem um documento de identificação, para a realização da respectiva inscrição. Também podem contactar com José Silveirinha pelo telemóvel 66686898. Há jogadores de todos os géneros, idades e força de jogo, desde amadores e principiantes até alguns mais experientes. Um bom fim-de-semana, quem sabe se com uma partida de xadrez à tarde e uma noite no Festival de Jazz de Macau ou nos concertos da Rota das Letras. Até terça-feira e bom xadrez.
CLASSIFICAÇÃO APÓS SEIS DAS 14 RONDAS PREVISTAS 1. Anand (Índia) 4 pontos 2. Aronian (Arménia) 3,5 3. Kramnik (Rússia) 3 3. Topalov (Bulgária) 3 3. Svidler (Rússia) 3 3. Mamedyarov (Azerbeijão) 3 7. Karjakin (Rússia) 2,5 8. Andreikin (Rússia) 2
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FUTILIDADES
TEMPO
C H U VA
MIN
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MAX
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HUM
70-95%
•
EURO
11.1
POR MIM FALO
BAHT
0.2
Cineteatro
YUAN
1.3
CINEMA
Pu Yi
DIVERGENT SALA 1
DIVERGENT [C]
SALA 3
NEED FOR SPEED [B]
Um filme de: Neil Burger Com: Woodley, Kate Winslet, Maggie Q, Zoe Kravitz 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
Um filme de: Scott Waugh Com: Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots 14.30, 16.45, 21.30
300: RISE OF AN EMPIRE [C]
SALA 2
NON-STOP [B]
Um filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Julianne Moore 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Bandeira duma nação
Um filme de: Noam Murro Com: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey 19.30
Bandeira hasteada tão tocante desfraldar propenso à ovação, colorido rejubilar elegante entre cada superior abanão.
Canadiano preso por furar preservativos
Passagens elevadas sorrateiras apregoar denodo cativante, epílogo tombado pelas asneiras levantar do caminhar rastejante. Voz do seu hino em dedicatória, preceito da melodia aprovado, simbologia da fecunda memória. Fundamento para qualquer tratado valências em engodos da história glória alheia ao furor ventilado.
COM LENA GERCKE, ATÉ A LESÃO DE KHEDIRA PASSA MAIS DEPRESSA Khedira contraiu uma lesão grave ao romper os ligamentos cruzados num joelho em Novembro de 2013, e desde então tem estado afastado do Real Madrid e da selecção alemã. Mas quando o médio de 26 anos tem como namorada a sensual Lena Gercke, até a mais grave lesão passa num instante. De volta às páginas da conceituada revista GQ, a modelo germânica, que recentemente também completou 26 anos, frequentou com o companheiro um especialista em terapia para casais, de forma a resolver os problemas amorosos trazidos a público pela imprensa alemã. Agora, o casal voltou a aparecer em público, aparentemente feliz. Será que Lena Gercke também pode trazer a cura para os seus males e fazê-lo feliz?
fonte da inveja
• O caso não é novo mas só agora chegou ao fim. Os tribunais canadianos condenaram em 2006 Craig Jaret Hutchinson a 18 meses de prisão por “fraude sexual”, acusado de furar os preservativos que usava para ter sexo com a sua noiva numa tentativa de a engravidar. A mulher ficou finalmente grávida e Hutchinson confessou-lhe que havia sabotado os preservativos que utilizava. Após a confissão, a mulher apresentou queixa contra Hutchinson à policia, que o acusou de “assalto sexual”, e abortou. Hutchinson, justificou as suas acções como sendo para salvar a sua relação, foi condenado em Dezembro de 2011 a 18 meses de prisão, mas recorreu pois achou a pena excessiva, argumentando que a sua noiva consentiu manter relações sexuais com ele. Não teve sucesso...
Mulher de 39 anos morre após injectar vaselina nos seios • Sonia Llanzon sofreu uma embolia pulmonar, depois de injectar vaselina nos seios. A argentina, de 39 anos, deu entrada no hospital de Santa Rosa com diversas lesões. Os médicos revelam que a mulher negou o acto, mas viria a assumir, pouco depois, que aplicou vaselina no corpo. “Nunca na minha vida tinha assistido a algo semelhante”, disse o médico Julio Plá Cárdenas. Sonia Llanzon era uma mulher muito preocupada com a imagem. Na Argentina, há um fenómeno de crescente procura de operações de estética, o que já suscitou uma reflexão dos médicos locais.
João Corvo
Eça de Queirós não só usou a ironia como foi largamente usado por ela.
OPINIÃO
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Paulo Granjo* NQUANTO pessoa e cidadão, aquilo que mais me irrita na recente farsa acerca da co-adopção por parte de casais do mesmo sexo não é sequer a hipocrisia demonstrada por muitos representantes eleitos do país e a falta de espinha dorsal de vários outros. É, antes, o facto de a co-adopção (tal como , aliás, a adopção ‘tout court’) não dever sequer ser uma questão, em termos legais e políticos, nem matéria de opinião e de consciência individual. Isto porque o que está em causa não são opiniões, sentimentos e valores morais acerca do estilo de vida de cada um, mas a discriminação no acesso a direitos e, dessa forma, a salvaguarda ou o desrespeito por um dos mais fulcrais princípios do contrato social que serve de base às sociedades em que nos reconhecemos - aqui e agora, mas também da matriz cultural que partilhamos e desde há mais de dois séculos. Sou heterossexual. Não por opção nem por pressão social, mas porque sou assim. É por mulheres que sinto atracção sexual e sempre foi por mulheres que me apaixonei. Simplesmente. Também sou pai. E, porque o meu trabalho é frequentemente arriscado, eu e a minha mulher escrevemos um documento legal que atribui a tutoria da minha filha, em caso de morte de ambos, a duas pessoas. Uma delas partilha, desde há décadas, a sua vida com alguém do mesmo sexo. Esse detalhe não foi deliberado, nem muito menos uma tomada de posição política. Nunca faríamos política com a vida e o futuro da nossa filha. Simplesmente, escolhemos as duas pessoas com quem mais nos identificávamos e confiávamos para essa tarefa de a educar e acompanhar, se morrêssemos. Do tal detalhe só nos lembrámos depois de fazer a escolha, e reparámos nele como numa mera curiosidade. Assim sendo, a minha opinião acerca da adopção por parte de homossexuais, sejam indivíduos ou famílias, não levantará dúvidas a ninguém. Também é fácil imaginar que não acredito que a homossexualidade “se pegue” por convívio ou educação, nem que (mesmo que fosse esse o caso) as crianças devam ser “protegidas” da orientação sexual que descubram como sua. Menos dúvidas ainda levantará a minha opinião acerca de uma coisa tão simples como um membro de um casal poder adoptar os filhos do outro cônjuge. Ou sobre as vantagens disso para as crianças e para o casal, no presente e no futuro. Aliás, criado numa família onde eu era o único filho de ambos e em que os meus irmãos eram tratados de forma diferente por cada um dos meus progenitores, conforme eram ou não seus filhos (experiência que muito terá a ver com a minha intolerância
FASSBINDER, QUERELLE
Direitos e opiniões
visceral para com qualquer injustiça que veja ou sofra), antes diria “abençoadas as crianças que se sabem filhos de facto e de coração do outro pai, ou da outra mãe!”. Mas a minha opinião acerca destes assuntos é irrelevante. Tal como é irrelevante a opinião de quem tema pelo futuro e bem-estar de tais crianças, de quem se sinta desconfortável ou enojado/a com pessoas que amem e façam amor com outras do mesmo sexo, ou de quem simplesmente ache que não, “porque sim”. Todas essas opiniões são irrelevantes, em casos como este, porque é de igualdade de direitos e de discriminação no acesso a eles que se trata. O “país” (e aquilo que cada um de nós acha ou deixa de achar) não tem que “estar preparado” para que as mulheres votem, para que pessoas de pele escura sejam chefes de outras mais claras, para que muçulmanos e comunistas trabalhem nos serviços secretos, ou para que homossexuais se casem e adoptem crianças. A partir do momento em que o contrato social que rege a nossa vida colectiva e a própria legitimidade do exercício do poder assume que são inaceitáveis discriminações com base no género, na ‘raça’, na idade, nas convicções políticas e religiosas, na orientação sexual ‘and so on’, elas tornam-se ilegítimas. A partir do momento em que esse contrato social plasma a proibição de tais discriminações na Constituição, elas tornam-se ilegais - mesmo que sejam lei e por muito que sejam costume.
Poderia ser discutível (embora não na minha opinião) se a proibição do casamento de pessoas do mesmo sexo era inconstitucional ou não. Mas é indiscutivelmente inconstitucional que, sendo esse casamento reconhecido, os casais que dele resultem não possam adoptar - não pelas restrições a que todos os outros têm que se submeter, mas por serem homossexuais.
Tão pouco deveria ser matéria dependente dos humores parlamentares. Ou sequer objecto das opiniões e estados de espírito dos deputados e respectivos partidos Aliás, compreendendo embora a hipocrisia política e a cobardia partidária que estão na base da inclusão de uma tal proibição na lei, nunca consegui perceber porque é que ainda ninguém suscitou a apreciação formal da sua tão clara inconstitucionalidade. Afinal, mesmo se vivemos tempos em que a resolução de tantas e tão graves coisas é tão importante e urgente para todos, é-me sempre difícil apontar algo que possa ser politicamente mais importante e urgente do
que a salvaguarda, por todos, dos direitos de cada um de nós. Isto não é, claro está, assunto para referendos. A discriminação no acesso a direitos não se referenda; elimina-se. Tão pouco deveria ser matéria dependente dos humores parlamentares. Ou sequer objecto das opiniões e estados de espírito dos deputados e respectivos partidos. Qualquer discriminação inconstitucional no acesso a direitos que fosse detectada nas leis existentes deveria ser obrigatória e automaticamente corrigida. Pela Assembleia da República, está bem de ver, quanto à sua formulação e “promulgação”; mas, repito, obrigatória e automaticamente. Para este tema, como para muitas outras questões sociais, laborais e políticas em que o princípio da não-discriminação, ou outros fundamentais, fossem violados. Junto com outra questão candente (essa coisa de não existirem formas institucionais de apear um governo que aplique políticas indesejadas e contrárias ao programa que o fez ser eleito, caso não impluda e conte com o apoio do Presidente da República), se há clarificação que falta e urge na Constituição, é essa. Através de que exactos mecanismos, assegurados de que forma, já são pormenores. *Antropólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
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JORGE RODRIGUES SIMÃO
perspectivas
Descarbonização da economia mundial “Earth by human activities, particularly since the industrial age began around 1800, leading to stress on many aspects of the Earth System. There is a fundamental connection between the carbon (C) cycle and the transformation of the Earth by humankind”
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Rattan Lal Ecosystem Services and Carbon Sequestration in the Biosphere
Índice de Economias de Baixo Carbono calcula o ritmo de descarbonização da economia mundial necessário para controlar o aquecimento global de 2°C. O Grupo de Peritos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla inglesa) publicou o quinto relatório de avaliação, em 2013, o qual inclui um orçamento de carbono até ao final do século, com a possibilidade racional de controlar o aquecimento global até 2°C. Tendo por base esse orçamento de carbono, a economia mundial deve reduzir a sua intensidade de carbono em 6,1 por cento anualmente, desde o presente até 2100. É um repto colossal, dado que as taxas de descarbonização actuais são apenas de 0,68 por cento anualmente e caso se duplicassem, levaria a uma situação de aquecimento superior a 4°C em 2100. O primeiro relatório sobre o Índice de Economias de Baixo Carbono efectuado em 2009 analisa o progresso das economias dos países do G20 face ao orçamento de carbono a nível mundial para um aquecimento global de 2°C. A premissa fundamental é de que o PIB actual é muito intensivo em carbono e caso o crescimento económico se não separar das emissões de carbono, o planeta sofrerá um aquecimento significativo que terá efeitos sérios e de largo alcance. O Quinto Relatório de Avaliação do IPCC (AR5), publicado em 27 de Setembro de 2013, é o estudo mais exaustivo referente à ciência do clima efectuado nos últimos seis anos. Os relatórios de avaliação, em termos históricos caracterizaram metas significativas no desenvolvimento das políticas internacionais referentes às mudanças climáticas. O Primeiro Relatório de Avaliação do IPCC (AR1), publicado em 1990, precedeu à adopção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC). O Segundo Relatório de Avaliação do IPCC (AR2) reuniu os esforços para adoptar o Protocolo de Quioto, em 1997. O Quarto Relatório de Avaliação do IPCC (AR4), publicado em 2007, teve a obrigação de elaborar um acordo em Copenhaga dois anos mais tarde, e exortou muitos dos importantes emissores a comprometerem-se a respeitar os limites de emissão de carbono. O relatório AR5 tem todas as possibilida-
des de prosseguir as negociações e elaborar um acordo consistente em Paris, em 2015. O relatório AR5 estabelece quatro orçamentos de carbono que correspondem a diferentes níveis de aquecimento até 2100. O objectivo actual acordado pelos países, sugerido na CQNUMC é limitar o aumento da temperatura a valores não superiores a 2°C. Tendo por base os orçamentos de carbono calculados pelo IPCC, foi revisto o Índice de Economias de Baixo Carbono com vista a avaliar os progressos das economias dos países do G20 no cumprimento desse objectivo. A fim de atingir o cenário mais moderado de aquecimento descrito no relatório AR5, as emissões acumuladas de dióxido de carbono derivadas da queima de combustíveis fósseis deve ser desde o presente até 2100 de aproximadamente 270 GtC, ou seja, cerca de 990 GtCO2. Se compararmos este valor com o número total de emissões ligadas à energia de 32 GtCO2 em 2012 e tendo como base as projecções económicas actuais, a economia global precisará de descarbonizar-se a uma taxa do 6,1 por cento anualmente até o 2100, para permanecer dentro deste orçamento de carbono, o que equivale a reduzir a intensidade de carbono a metade nos próximos dez anos, e a reduzi-la a um décimo dos níveis actuais até 2050. O sistema energético mundial no final do nosso século deverá ser carbono zero. É de considerar seriamente que esta taxa de descarbonização é basicamente maior do que os 0,7 por cento alcançado nos últimos cinco anos, com políticas e tecnologia que não conseguem separar o crescimento económico das emissões de carbono na economia mundial. O orçamento de carbono previsto para o período de 2012 a 2100, se o mundo continuar com as actuais taxas de descarbonização, estará esgotado em 2034. O orçamento de carbono concedido para oitenta e nove anos seria consumido em menos de uma quarta parte desse período. A taxa de descarbonização actual se atingir 1,5 por cento, enquadraria a situação extrema prevista pelo IPCC, com um aquecimento global potencial próximo dos 4°C, em 2100. As previsões realizadas a existirem essas condições é da produção de efeitos adversos para os seres humanos e ecossistemas, na forma de stress hídrico, riscos na segurança alimentar, inundações costeiras devido à elevação do nível do mar, modificações catastróficas nos ecossistemas e extinção de espécies tanto em terra como no mar. O relatório do Banco Mundial denominado de “Turning Down the Heat” apresenta mais pormenores sobre a razão pelo qual não seria um futuro promissor e desejável. O modelo existente crê num crescimento económico moderado a longo prazo nos países de economias emergentes e em desenvolvimento, e um crescimento lento e estável nos países de economias desenvolvidas. É de prever que o tamanho da economia mundial será três vezes maior que a actual em 2050, e doze vezes maior em 2100. A grande
questão posta é a de saber se esse suposto crescimento a longo prazo é razoável e compatível com um futuro no qual falhamos em controlar e reduzir as mudanças climáticas. O Índice de Economias de Baixo Carbono tem seguido as alterações na intensidade de carbono mundial e dos países do G20 desde 2008, pouco depois da publicação do anterior AR4. Apesar das advertências dos cientistas, de que as mudanças climáticas criarão impactos danosos sem precedentes em todo mundo, o crescimento das emissões de gases de efeito de estufa continua constante. O relatório do Índice de Economias de Baixo Carbono referente a 2012 prevê que a economia mundial necessita de reduzir a intensidade de carbono (a quantidade de emissões de carbono por unidade de PIB) em cerca de 5 por cento anualmente para limitar o aquecimento a 2°C e apenas a Austrália, Estados Unidos e Indonésia conseguiram reduzir em 2013, sendo que nenhum país do G20 conseguiu atingir tais valores de descarbonização no período de 2007 a 2012. A medida de intensidade de carbono em todos os países do G20 indica que existe um enorme espaço para reduções. O país com maior intensidade de carbono é a Arábia Saudita que apresenta uma intensidade cinco vezes maior que a França, que é o país que apresenta intensidade mais baixa.
O orçamento de carbono previsto para o período de 2012 a 2100, se o mundo continuar com as actuais taxas de descarbonização, estará esgotado em 2034 A comparação entre as economias dos países do G7 e E7 é interessante. O ano passado, os países do G7 tiveram uma média de 2,3 por cento de redução na intensidade de carbono, enquanto o grupo de países do E7 (que inclui grande parte do suporte industrial da economia mundial) só conseguiu 0,4 por cento. A intensidade de carbono dos países do E7 foi 70 por cento mais alta que a média dos países do G7 em 2012, demonstrando que as emissões de carbono estão ligadas basicamente à estrutura económica dos países. O AR5 é o estudo mais conceituado da ciência das mudanças climáticas efectuado, e conta com um processo intensivo de revisão e análise dos resultados. Ainda que possam ser discutidos alguns pormenores, a mensagem principal do relatório é clara, ou seja, a intervenção humana sobre o clima global é uma séria realidade e se não for controlada terá consequências negativas de grande alcance, sendo necessário que os países e as empresas trabalhem para encarar os possíveis riscos. O AR5 contém outras mensagens como a abordagem à questão denominada por
pausa no aquecimento global, ou seja, de que a percepção do ritmo de aquecimento se tornou mais lento desde 1998. Faz notar que a propensão é clara durante várias décadas e que devido à variação natural, as previsões baseadas em registos de períodos curtos são muito sensíveis às datas de início e fim, e em geral não reflectem as tendências climáticas a longo prazo. Ao considerar o ano de 1998 (um ano muito quente pelo fenómeno El Niño) como início dessa pausa não oferece uma visão completa da previsão do aquecimento nas três últimas décadas. A referência aos três anos a seguir a 1994 como datas iniciais dão resultados mais uniformes no que diz respeito à previsão dos últimos trinta anos. É a primeira vez que o IPCC publica orçamentos de carbono relacionados com as diferentes trajectórias das emissões, denominadas por Vias de Concentração Representativas (RCP na sigla inglesa). O AR5 assinala que o total das emissões de dióxido de carbono a partir da segunda metade do século XIX não deveria ser superior a 800 GtC para atingir o objectivo de controlar o aquecimento global de 2°C. As emissões em 2011, foram aproximadamente de 531 GtC, deixando um orçamento muito limitado entre o presente e 2100 para se poder atingir a meta de 2°C. O aquecimento do clima é inegável, e muitos das mudanças observadas desde a década de 1950 não têm precedentes em décadas e inclusive milénios. A atmosfera e o oceano têm maiores temperaturas, as quantidades de neve e gelo diminuíram, o nível do mar elevou-se, e aumentaram as concentrações de gases de efeito de estufa. O aquecimento dos oceanos domina o aumento de energia armazenada no sistema climático; representa mais do 90 por cento de energia térmica acumulada no período de 1971 a 2010. A influência do homem sobre o clima global é clara, sendo visível pelo crescimento das concentrações de gases de efeito de estufa na atmosfera, o forçamento radioactivo positivo, o aquecimento que se observa, e pela nossa compreensão do sistema climático. As contínuas emissões de gases de efeito de estufa causarão maior aquecimento e mudanças em todos os componentes do sistema climático. Presumivelmente a mudança na temperatura global da superfície terrestre no final do nosso século será superior a 1.5°C tendo como referência o período de 1850 a 1900 para todos os cenários das RCP. O aquecimento global continuará após 2100 em todos os cenários das RCP. As emissões acumuladas de dióxido de carbono, na sua maioria, determinarão o aquecimento médio global de superfície terrestre no final deste século e no seguinte. A maioria dos aspectos das mudanças climáticas perdurará durante vários séculos, mesmo se forem controladas as emissões de dióxido de carbono, o que representa um acordo fundamental com as mudanças climáticas, de vários séculos, criado pelas emissões de dióxido de carbono passadas, presentes e futuras.
opinião 23
hoje macau sexta-feira 21.3.2014
PAUL CHAN WAI CHI*
um grito no deserto
O pânico da habitação económica
A
última fase de candidaturas para a habitação económica terminou no dia 17 de Março de 2014, com mais de 40000 pedidos recebidos nos departamentos do Governo. No último dia das candidaturas, registou-se uma enorme afluência de gente a entregar os seus pedidos, o que só demonstra o medo que as pessoas têm de não conseguirem ter uma casa que possam pagar. O pânico deve-se ao facto de o Governo não ter feito uma lista de espera com base nas candidaturas existentes. Sempre que há novos concursos de habitação económica as pessoas têm de se inscrever como se fosse a primeira vez. Mais ainda, não existe um calendário que indique quando é que vai abrir um novo concurso. O que aconteceu no passado, foi que houve 15000 candidaturas para 1400 habitações económicas. Os últimos números indicavam agora 42000 pedidos para 1900 habitações económicas (T1, T2 e T3). As principais razões do pânico prendem-se com a actual Lei da Habitação Económica, que impõe uma série de medidas irracionais
e retrógradas para se adquirir unidades de habitação económica. Por exemplo, a necessidade recandidatura de cada vez que abre um novo concurso faz com que as pessoas tenham que ficar em filas intermináveis desnecessariamente. Quanto aos jovens solteiros, serão sempre eternos candidatos uma vez que os candidatos admitidos são graduados por grupos prioritários. Mais ainda, segundo a política de habitação do Governo de “tendo a habitação social um papel principal e a habitação económica um papel secundário”, o problema habitacional de Macau nunca será resolvido. Por outras palavras, a Lei da Habitação Económica existente é uma das principais razões para a existência do pânico. Fui recentemente entrevistado por alguns estudantes sobre a política do Governo de “tendo a habitação social um papel principal e a habitação económica um papel secundário”. Deparei-me com a seguinte questão: O número de pobres em Macau subiu, ou desceu, desde a transferência de soberania? Segundo os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, desde a transferência de soberania, a taxa de desemprego diminuiu, o vencimento médio dos trabalhadores subiu, e, de uma forma geral,
Na questão habitacional, tem havido sempre uma maior procura de habitação económica do que de habitação social. Neste contexto, a política de habitação do Governo é desorientada e constitui outra razão para o pânico as condições económicas dos residentes melhoraram. Com base neste dados, o número de pobres deve ter diminuído. Se isto for verdade, porque é que se tem de continuar a construir tantas unidades de habitação social? Mais ainda, na questão habitacional, tem havido sempre uma maior procura de habitação económica do que de habitação social. Neste contexto, a política de habitação do Governo é desorientada e constitui outra razão para o pânico. O Governo é constituído por pessoas, e as
cartoon por Stephff
leis são também feitas por pessoas. Em 2011, quando a Assembleia Legislativa aprovou a Lei da Habitação Económica, eu e outros deputados votámos contra várias cláusulas da proposta de lei, como o estabelecimento de limites de rendimentos e a distribuição de unidades de habitação por sorteio entre os grupos de candidatos. Apesar disto, a lei foi aprovada por larga maioria. Na altura, nas opiniões da 3.ª Comissão Permanente sobre a Lei da Habitação Económica, argumentei que o estabelecimento de grupos prioritários destruiria as hipóteses de sucesso dos candidatos solteiros, mesmo que se candidatassem sucessivamente. Em Agosto de 2013, na interpelação escrita sobre política de habitação, sublinhei mais uma vez que a orientação “tendo a habitação social um papel principal e a habitação económica um papel secundário” era claramente errada e irrealista. Ao fim e ao cabo, tinha feito aquilo que podia fazer e dito o que podia dizer. As minhas preocupações acabaram por se tornar uma realidade e a sociedade está a sofrer com isso. O problema é que a composição da Assembleia Legislativa não reflecte a opinião das pessoas. A Assembleia Legislativa é conduzida por deputados nomeados e por deputados indirectos. São como um carimbo que aprova as leis do Governo. Quando a democracia não passa de um efeito decorativo, deixa de ser funcional e torna-se apenas numa questão de cosmética. Para mais, o Governo da RAEM nasce duma eleição de entre um pequeno círculo de pessoas. Estas autoridades representam apenas um pequeno grupo de interesses. Sem o sufrágio universal, em que todos podem votar, não há maneira de se restringir ou confinar o poder dos que têm interesses estabelecidos. O atraso do sistema político e as anomalias administrativas constituem a terceira razão para o pânico da habitação económica. A última causa, que penso ser a questão central, é que a sociedade não consegue fiscalizar o Governo e a Assembleia Legislativa de forma efectiva. A sociedade não consegue implementar o espírito de que quem decide e governa deve ser o povo. A população de Macau deixa os seus direitos civis nas mãos dos seus pseudo-representantes ou satisfaz-se inconscientemente com a falsa realidade de uma prosperidade económica, até ser atingida por uma crise e entrar em pânico. Para se acabar com o pânico da habitação económica tem de se olhar para as razões acima mencionadas e fazer as mudanças necessárias. Mas sem perder de vista que as mudanças começam em nós próprios e não vêm de fora nem dependem das pessoas erradas. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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COMISSÃO REGIONAL DO NORTE NO CENTRO DA CHINA
Casa de Portugal em Henan A
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte de Portugal (CCDR-N) abriu ontem na China o primeiro escritório de representação fora do espaço europeu, destinado a promover a região e o país na segunda maior economia mundial. “É um posto avançado para fazer a ponte entre Portugal e a China”, disse Carlos Neves, vice-presidente da CCDR-N, acerca da “Casa de Portugal inaugurada esta manhã (hora local) em Zhengzhou, capital da província chinesa de Henan, no centro do país. A cooperação defendida pela CCDR-N tem “três dimensões”, adiantou o responsável: ensino, autarquias e empresas. “Queremos o estimular o investimento chinês em Portugal. O Douro, que é a região mais emblemática do Norte de Portugal, é muito atractivo”, disse Carlos Neves A Casa de Portugal em
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Zhengzhou, situada na nova zona da cidade, inclui um espaço para exposição de produtos portugueses, nomeadamente vinho, calçado e têxteis. Trata-se de uma iniciativa da Liga dos Chineses em Portugal, em colaboração com
o Conselho Empresarial do Tâmega e Sousa. Radicado em Portugal há mais de meio século, o presidente da Liga, I Ping Chow considera que “as relações económicas luso-chinesas melhoraram muito nos últimos anos e vão melhorar ainda mais”. A inauguração da “Casa de Portugal” em Zhengzhou contou também com a presença de autarcas e empresários do Tâmega e Sousa, e de responsáveis do Instituto Politécnico do Porto. A província de Henan, atravessada pelo Rio Amarelo, é uma das mais populosas da China, com quase 100 milhões de habitantes. Segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, a China é também a maior potência comercial, com um volume de exportações e importações que em 2013 excederam os quatro biliões de dólares.
Malaysia Airlines Austrália encontrou no mar objectos possivelmente ligados a avião O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, disse ontem que dois objectos possivelmente relacionados ao avião da Malaysia Airlines desaparecido há quase duas semanas foram encontrados. Abbot fez a revelação no parlamento e disse que já tinha informado o homólogo malaio. Os objectos, um deles com cerca de 24 metros, foram registados por imagens de satélite e o primeiro-ministro afirmou que um avião da Força Aérea já foi enviado ao local para os tentar localizar. Os possíveis destroços foram encontrados o sul do Oceano Índico, a aproximadamente dois mil quilómetros ao sudoeste de Perth, no oeste da Austrália. Entretanto, o governo da Malásia qualificou como “nova pista” os dois objectos encontrados pelas autoridades australianas no Oceano Índico,
a cerca de 2 mil quilómetros de Perth, que podem pertencer ao avião desaparecido a 8 de Março com 239 pessoas a bordo. “O primeiro-ministro Najib Razak recebeu esta manhã um telefonema de seu colega australiano, Tony Abbott, informando sobre a descoberta de ´dois objectos relacionados com as buscas´ do voo MH370 no sul do Oceano Índico», afirmou em comunicado o ministro dos Transportes, Hishammuddin Hussein. O ministro disse que são consideradas credíveis, mas carecem de confirmação. Aviões da força aérea australiana e navios norte-americanos estão no local para confirmar se os objectos encontrados fazem parte da aeronave. A Malásia desviou 4 aeronaves para a região mas, ao final do dia, todas as buscas foram interrompidas.