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Director carlos morais josé • segunda-feira 21 de março de 2011 • ANO X • Nº 2333
tempo com abertas min 18 max 25 humidade 75-99% • câmbios euro 11.4 baht 0.26 yuan 1.23
Deputados querem menos “shuttle bus”
Acabar com o caos nas ruas
Um espaço, mil ideias Um empresário local está a dar cartas num novo conceito de diversão: um clube de 7000 metros quadrados onde é possível fazer de tudo. Um programa de rádio, uma sessão fotográfica, uma jornada de jogos noite adentro, concertos, exposições e muito mais. > Página 12
São centenas e andam dia e noite de um lado para o outro a levar visitantes aos casinos. Os deputados acham que há demasiados “shuttle bus” no território e estão a pressionar o Governo para alterar a legislação em vigor. Agora, qualquer hotel de três estrelas pode ter o seu próprio autocarro, sem pagar nenhum tipo de imposto por isso. A DSAT, no entanto, diz que transportes não atrapalham assim tanto e até ajudam no desenvolvimento. > Página 5
Desespero pelo sal
mais olhos que barriga leva a revenda • página 6
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Governo promete aumentos • página 4
opinião Gilberto Lopes
tempo de acções concretas • página 15
Entrevista | Frederico Gil
CONHECER A TERRA ONDE O PAI VIVEU • páginaS 10 E 11
gonçalo lobo pinheiro
Pensão de velhice
segunda-feira 21.3.2011 www.hojemacau.com.mo
2 Sobreviventes milagrosos Nove dias após o sismo e tsunami que arrasaram o nordeste do Japão, foram ontem encontrados dois sobreviventes na cidade devastada de Ishinomaki. Uma mulher de 80 anos e um adolescente de 16 anos foram encontrados com vida debaixo dos escombros. Ambos estavam naturalmente fracos, mas conscientes, e foram transportados de helicóptero para o hospital. Ontem tinha sido avançada a notícia de uma outra sobrevivência “milagrosa”, quando um jovem foi descoberto numa casa, mas veio depois a saber-se que ele estava num centro de acolhimento e que tinha decidido regressar a sua casa, onde foi encontrado pelas equipas de socorro. Contaminação Seis trabalhadores da central nuclear de Fukushima 1 foram expostos a níveis elevados de radiações, mas continuam a trabalhar. Os funcionários foram expostos a radiações superiores a 100 millisieverts, segundo Takeo Iwamoto, da Tokyo Electric Power Company (Tepco) que disse desconhecer em que operações os trabalhadores ficaram contaminados. O Governo japonês tinha começado por fixar em 100 milliSieverts a dose máxima admitida em operações de urgência numa central nuclear, mas esse valor subiu para 250 durante a crise em Fukushima 1, em curso desde o sismo e “tsunami” de 11 de Março. Em situações normais, a dose máxima admitida é de 50. Olá Taiwan Níveis de radioactividade foram detectados ontem, pela primeira vez, em Taiwan, em feijões importados do Japão. As radiações foram encontradas em 14 quilos de feijões provenientes de Kagoshima, no sul do arquipélago, acrescentou Tsai Shu-chen. Olá Califórnia Pequenas quantidades de material radioactivo da central nuclear de Fukushima foram detectadas pela estação norte-americana de pesquisa de radiação localizada em Sacramento, na Califórnia. Segundo o secretário-executivo do Tratado para a Proibição Completa dos Testes Nucleares, Tibor Toth, as quantidades ainda não representam risco para a saúde humana. Ainda assim, o anúncio provocou na Califórnia uma grande procura por pílulas de iodeto de potássio, usadas para prevenir a absorção de iodo radioactivo, o que reduz a ameaça de sofrer de cancro de tiróide por causa da radioactividade.
sismo no japão Número de mortos e desaparecidos não pára de subir
Última conta: 20 mil
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sismo e o tsunami que devastaram o nordeste do Japão no passado dia 11 de Março fizeram 8.133 mortos e 12.272 desaparecidos, segundo um novo balanço provisório da polícia nacional revelado ontem. O balanço final deverá, porém, ser ainda mais grave. “Vamos precisar de sítios onde guardar mais de 15 mil corpos”, declarou o chefe da polícia da prefeitura de Miyagi, uma das mais afectadas pela catástrofe, citado pela agência Jiji. O sismo de dia 11, de magnitude 9 na escala de Richter, é o mais potente alguma vez registado no Japão, tendo sido seguido por um tsunami igualmente devastador. Até ao momento os socorristas
encontraram muito poucos sobreviventes nas áreas varridas pelo maremoto. As catástrofes naturais de dia 11 são as mais mortíferas registadas no Japão desde 1923, quando um sismo abalou a região de Kanto que engloba Tóquio - e que fez 142 mil mortos.
Diminuir pressão
O sismo e consequente tsunami provocaram igualmente uma ameaça nuclear na central de Fukushima 1. Logo após o acidente houve momentos em que as autoridades temeram uma catástrofe, mas as situações parecem agora estar a melhorar, indicou ontem um portavoz governamental. Soube-se, porém, que os traba-
Análises mostram que radioactividade está a alastrar-se
Leite, água e espinafres contaminados F
oram detectados nos últimos dias vestígios de iodo radioactivo na água de Tóquio e de outras localidades. Paralelamente, foram detectados níveis de radioactividade acima daqueles que são permitidos por lei no leite oriundo da região de Fukushima e nos espinafres da região de Ibaraki. Foram ainda detectados vestígios de iodo radioactivo e césio na água de pelo menos mais seis cidades, mas em quantidades inferiores às estipuladas por lei, indicou o ministério da Ciência citado pela agência Kyodo. “O ministério começou a medir a qualidade da
água corrente durante o dia de sábado e foram detectados vestígios de iodo radioactivo e de césio”, explicou à AFP um responsável desse ministério, encarregado de fazer os testes à água. Foi detectada a presença destas substâncias na água corrente de Tóquio, Tochigi, Gunma, Saitama, Chiba e Niigata, precisou o mesmo responsável, sublinhando que estes valores estão abaixo do previsto por lei. As normas japonesas estipulam que a quantidade de iodo radioactivo na água não poderá ultrapassar os 300 becquerels. Já a quantidade de césio não poderá ultrapassar os 200 becquerels por quilo, segundo o ministério da Saúde. Por outro lado, o porta-voz do governo Yukio Edano indicou que foram detectados níveis de radioactividade que excedem o limite legal no Japão numa amostra de leite proveniente da prefeitura de Fukushima e em seis amostras de espinafres provenientes da prefeitura de Ibaraki. Estes níveis de radioactividade não são perigosos para a saúde, sublinhou Edano, que pediu à população para manter a calma. “Mesmo que alguém se pusesse a beber leite contaminado durante um ano, a dose de radiações que receberia seriam o equivalente às que se recebem durante um scanner feito num hospital”, disse. “Mesmo que uma pessoa continuasse a comer espinafres contaminados durante um ano, a dose de radiações que receberia seriam o equivalente a um quinto da dose recebida durante um scanner”, acrescentou.
lhadores da central estão a preparar a saída controlada de gases do reactor 3, a fim de evitarem um sobreaquecimento no seu interior e uma pressão excessiva. A agência nuclear japonesa fez saber que, apesar de ontem terem sido lançadas dezenas de toneladas de água do mar para arrefecer o reactor, a pressão no interior tem vindo a aumentar. Os técnicos garantem que vão primeiro libertar os gases para um contentor adjacente ao reactor, a fim de limitarem a libertação de substâncias radioactivas para a atmosfera. Se a pressão não diminuir desta forma, as autoridades irão nesse caso libertar gases directamente para o exterior. A empresa que opera a central nuclear, a Tokyo Electric Power Company, adiantou que os trabalhadores que tentam deitar mais água nos reactores e que se esforçam por voltar a ligar a energia eléctrica na central serão removidos antes da libertação destes gases.
Elevado nível do acidente nuclear e novo dado sobre tsunami
O Japão elevou o nível do acidente nuclear no complexo de Fukushima, que passou de 4 para 5 na Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES), que vai até 7, informou a Agência Internacional de Energia Atómica. Isto significa a gravidade é equivalente ao do acidente ocorrido em Three Mile Island , EUA, em 1979, e terá “amplas consequências”. Já a Autoridade Francesa de Segurança Nuclear considerou que o acidente corresponde ao nível 6. O nível 7, o mais elevado da escala, foi alcançado pelo acidente de Chernobyl , em 1986. O primeiroministro japonês Naoto Kan afirmou que estão a ter enormes dificuldades para arrefecer os reactores da central nuclear, situada a 250 quilómetros a nordeste de Tóquio. O Governo japonês, porém, assegura que os níveis de radiação da central não representam uma ameaça a saúde fora de uma zona de exclusão de 20 quilómetros, apesar de os níveis registados no início desta semana em Tóquio terem sido ligeiramente elevados.
Onda de 23 metros O tsunami gerado pelo violento sismo de 11 de Março que devastou a costa nordeste japonesa atingiu uma altura de 23 metros, e não apenas 10, revelou um estudo do Instituto de Investigação sobre Portos e Aeroportos do Japão, divulgado pelo jornal japonês “Yomiuri Shimbun”.De acordo com esse diário, o maior tsunami registado no Japão ocorreu em 1986, tendo atingido 38,2 metros de altura. A área devastada pelo tsunami de 11 de Março foi de pelo menos 400 quilómetros quadrados, anunciou a Autoridade Geoespacial do Japão. Segundo esse organismo, é apenas uma estimativa, que pode aumentar, uma vez que falta analisar cerca de 20% das fotografias aéreas sobre as zonas afectadas.
A primeira reunião da comissão mista Macau-Portugal vai decorrer na RAEM no próximo dia 6 de Abril. Finalmente, pois há muito que se aguarda que Lisboa e Macau passem das declarações de “grande amizade” e de um “relacionamento excelente”. Mas é tempo de acções concretas e não apenas de reuniões, com declarações simpáticas no final, mas que, por norma, não têm resultados positivos. Gilberto Lopes, P. 15
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ezenas de reactores nucleares em todo o mundo estão localizadas em regiões sísmicas, 14 dos quais em áreas de alto risco, revela um artigo de investigação do “Wall Street Journal” (WSJ). A maioria destes reactores está localizada apenas em dois países: Japão e Taiwan, ilhas com riquezas naturais limitadas que optaram pela energia nuclear em vez de ficarem dependentes de fontes de energia externas. O WSJ decidiu atentar na localização de mais de 400 reactores nucleares em todo o mundo - e de 100 que ainda estão a ser construídos ou planeados - usando para tal os dados fornecidos pela World Nuclear Association. Na posse destes dados, o jornal comparou a localização das centrais com as áreas do globo que enfrentam maiores riscos sísmicos usando informações do Global Seismic Hazard Program, um estudo de 1999 levado a cabo pelo U.S. Geological Survey e o Swiss Seismological Service. O objectivo foi o de determinar o risco sísmico que enfrenta cada reactor nuclear. pub
Dezenas de reactores nucleares em zonas sísmicas
Perigo sobre a terra
De acordo com a análise levada a cabo pelo jornal, 48 reactores nucleares em funcionamento no mundo (11%) estão localizados em zonas que têm uma actividade sísmica considerada, no mínimo,
como “moderada”. Os reactores de Fukushima 1 ficaram incluídos nestes 48, segundo esta análise. O estudo concluiu igualmente que 14 destes reactores (o equivalente a 3%) estão localizados em áreas de alto risco sísmico. Destes, 10 estão localizados a uma distância inferior a dois quilómetros da costa, ficando assim mais vulneráveis a tsunamis. Destes 14 reactores nucleares em zonas de alto risco sísmico, 10 estão localizados no Japão e Taiwan. Outros dois estão localizados nos EUA (Diablo Canyon, na Califórnia). Os restantes dois estão na Eslovénia e na Arménia (que tem mais uma central em construção). Apesar de tudo, a maioria dos países com energia nuclear preferiu construir as suas centrais em zonas com pouca actividade sísmica.
“Não há assim tantos sítios onde os reactores estejam construídos em zonas de fractura. O Japão será, provavelmente, o caso excepcional”, indicou ao WSJ o geólogo da Universidade do Michigan, Ben van der Pluijm. Especialistas da indústria nuclear sustentam, porém, que as centrais nucleares são construídas de forma a aguentarem os mais poderosos sismos e que, em cima disto, ainda levam um reforço de segurança, para o caso de as piores projecções falharem. Mas os cientistas subestimam muitas vezes a potência destruidora dos sismos. O tremor de terra de 9 na escala de Richter que danificou a central de Fukushima foi dez vezes mais forte que a capacidade que tinha sido testada para aguentar. Em 2007, a maior central nuclear do mundo - a japonesa Kashiwazaki-
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3 Kariwa - ficou danificada depois de ter sido abalada por um sismo muito mais potente do que tinha sido antecipado nos estudos preparatórios. Activistas anti-nuclear japoneses há muito que avisam que os reactores nacionais são mais vulneráveis a sismos do que os operadores, autoridades e reguladores querem admitir. Em Taiwan este assunto também é polémico e alvo de críticas por parte dos ambientalistas. Todos os quatro reactores nucleares existentes no país estão localizados junto a zonas de grande actividade sísmica. Após o sismo no Japão, Taiwan poderá começar, aliás, a repensar a sua estratégia. Uma sondagem levada a cabo na passada segundafeira concluiu que 55% dos inquiridos têm pouca confiança nas instalações nucleares do país. O regulador de Taiwan garante, porém, que todos os seus reactores estão capazes de aguentar sismos de magnitude 7 ou superior e tsunamis com vagas até 15 metros.
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política
Gonçalo Lobo pinheiro
segunda-feira 21.3.2011
Governo promete ajustes nos montantes de apoio económico social
A trabalhar para os que precisam A implementação de medidas para ajudar a população mais carenciada liderou o segundo dia de plenário da Assembleia Legislativa (AL). Para os deputados a necessidade de aumentar o índice de subsistência e o apoio aos mais carenciados deve ser prioridade da Administração, numa altura em que Macau sofre de aumento da inflação. O Governo prometeu alterações que beneficiam a população, sem deixar de fora a implementação de novos planos para a saúde Joana Freitas
“E
joana.freitas@hojemacau.com.mo
m Abril de 2011 vai ser reajustado o índice mínimo de subsistência.” Quem lançou a promessa foi Iong Kong Io, presidente do Instituto de Acção Social (IAS). O limite mínimo de subsistência foi definido em 2008 e é actualmente de 2640 patacas. Em resposta às interpelações dos deputados, no segundo dia de plenário da Assembleia Legislativa, o responsável disse ainda fazer parte dos planos da Administração alterar o limite máximo dos subsídios de renda e apoio económico temporário. No entanto, referiu Iong Kong Io, estes só serão alterados em 2012, uma vez que o Governo espera um estudo do Instituto Politécnico de Macau (IPM), pronto no final do ano, que servirá como referência para o reajustamento destes valores.
Mak Soi Kun, deputado da AL, não gostou da resposta de Iong Kong Io. “Quando estará concluído o estudo do IPM? É que se o resultado demora um ano, a implementação demora ainda mais”, criticou o deputado, acrescentando ainda que a falta de rapidez na introdução destes ajustamentos faz com o yuan valorize cada vez mais. Mak Soi Kun acusa o Governo de estar a usar o estudo do IPM como uma forma de “escudo”, para se proteger das obrigações e responsabilidades no que diz respeito ao apoio à população. “O que é preciso é inteirar-se dos resultados, em vez de estar presente em cerimónias públicas, fale directamente com os moradores dos bairros”, atirou o deputado ao responsável do IAS. Os idosos também não foram esquecidos pelo deputado, Ng Kuok Cheong, que salientou a importância da pensão de velhice não poder ser inferior ao índice mínimo de subsistência. Actualmente a pensão para os idosos do território
situa-se nas 1700 patacas, valor muito inferior às 2640 definidas como necessárias à subsistência. “Devido à riqueza financeira do Governo da RAEM e à subida sucessiva da inflação, a Administração está a estudar rigorosamente a possibilidade de aumentar o valor da pensão para idosos”, salientou Iong Kong Io. No entanto, o responsável referiu que, devido ao aumento do número de idosos beneficiários da pensão, que passa de 38 mil para 59 mil este ano, há influência na actualização do montante. Ip Peng Kin, presidente do Fundo de Segurança Social (FSS), afirmou, por isso, ser necessária a revisão das contribuições da população, uma vez que existem outros serviços de apoio que são totalmente pagos pelo Governo. O presidente do FSS fala tendo em conta “uma estabilidade financeira”, apesar de reconhecer que as famílias mais pobres necessitam de ajuda. A Administração relembrou
os deputados que continua a ter em conta os mais carenciados, salientando as medidas implementadas para este ano: “distribuir alimentos, subsidiar o pagamento das rendas (entre 300 a 800 patacas mensais) e incentivos à integração no mercado de trabalho”, que passa por não contabilizar parte dos rendimentos salariais para o limite máximo de subsídios.
Mais e melhor saúde
Entre as actualizações de pensões e a discussão sobre a melhoria e implementação na segundo metade de 2011 do regime de segurança social, Ho Ion Sang interpelou o Governo acerca da falta de um sistema de saúde afecto a toda a população. “Falta um sistema de seguro de cuidados médicos para toda a população e as regalias na área de assistência médica limitamse apenas a um grupo determinado de beneficiários e a doentes graves”, avançou o deputado. O director dos Serviços de Saú-
de, Lei Chin Ion, salientou que toda a população pode ser assistida nos centros de saúde gratuitamente, acrescentando que este ano 530 mil pessoas já se registaram para beneficiarem de uma redução de 30% nos cuidados de saúde básicos, à parte das crianças, idosos e doentes com cancro que são automaticamente atendidos de forma gratuita. Lei Chin Ion avançou com dados estatísticos referentes ao ano passado, onde dava conta de 7000 operações efectuadas, das quais apenas 16% foram pagas e 7200 consultas e mais de mil internamentos gratuitos no Hospital Kiang Wu. Para este ano o Kiang Wu, prevê o responsável, poderá atingir as 11 mil consultas grátis. O ano passado, e desde a sua implementação em 2009, mais de 90% da população utilizou os vales de saúde. A Administração avançou ainda com a ideia de implementar um plano de seguro médico, mas sem fornecer mais dados acerca desta medida.
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5 falta de fiscalização dos “shuttle bus”
À boleia do benefício P
aram nas fronteiras por períodos prolongados, ocupam os espaços públicos e os parques de estacionamento, aumentem o trânsito do território e dificultam a circulação rodoviária, podendo ainda gozar do benefício de isenção tributária. As queixas foram avançadas por Lee Chong Cheng no plenário de sexta-feira, na Assembleia Legislativa (AL), e referemse aos autocarros de turismo que circulam livremente pelo território, sendo alguns utilizados como “shuttle bus” dos casinos. Entre os deputados elevaram-se as críticas ao facto de as agências de viagem e os hotéis a partir de três estrelas puderem usufruir de importação deste tipo de autocarros, o que, salienta Lee Chong Cheng, “causa um grande aumento no seu número, de forma irracional e sem lei que distinga os autocarros de turismo dos shuttle bus, o que dificulta saber o número correcto [de cada um].” Os deputados asseguram que com a isenção fiscal que lhes é atribuída, o Governo não consegue controlar o número destes veículos que, na opinião dos membros da AL, “são mais do que os espaços de estacionamento existentes”, factor que contribuiu
para um engarrafamento rodoviário no território. Paul Chan Wai Chi comparou mesmo os autocarros dos casinos aos carros do Grande Prémio de Macau pela velocidade insegura que atingem nas estradas do território. Lleong On Kei juntou-se às críticas, salientando que no 12.º Plano Quinquenal do Governo Central “foram elaboradas medidas que visavam ordenar o trânsito e os transportes, mas que [na RAEM] nada ainda foi feito”. Os deputados interpelaram o Governo sobre uma eventual definição de um diploma que regule o número, itinerários, número de passageiros e locais de estacionamento dos “shuttle bus”. Algo que, de acordo com o director dos Serviços para os Assuntos do Tráfego (DSAT), já está a ser feito. “A DSAT tem manifestado preocupação relativamente a isto, pelo que a política geral do trânsito e transportes terrestres de Macau considerou também como objectivo faseado a revisão das normas regulamentares de exploração e gestão dos veículos especiais dos hotéis e casinos e de turismo”, apontou Wong Wan. Contudo, o responsável afirma que “tem de ser tido
em conta que estes veículos são bons para o desenvolvimento dos hotéis” e que devido ao número crescente de visitantes se justifica a existência de um aumento também no número destes veículos. Apesar de confessar ser difícil dizer com exactidão o número de autocarros de turismo e “shuttle bus”, Wong Wan afirma que actualmente existem estacionamentos em número suficiente para os veículos: “contam-se cerca de 2011 veículos de passageiros, dos quais 1700 são pesados, e existem cerca de 2200 lugares de estacionamento público”. O Governo diz estar a implementar medidas “estratégicas” e de acordo com o planeamento urbanístico, que passam, por exemplo, por ampliar o número de estacionamentos nos postos fronteiriços. O terminal marítimo de Macau e o novo terminal de Pac On são já dois dos locais onde se prevê um alargamento dos locais de paragem. Também a circulação destes autocarros nas vias exteriores sem grande fluxo de trânsito e peões e um controlo mais apertado na fiscalização não só no número mas também nas infracções dos veículos de turismo são promessas deixadas pelo responsável da DSAT. - J.F.
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6 Kahon Chan
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uas expressões contraditórias – corrida ao sal e devolução de sal – entraram na “hotlist” da agência chinesa Xinhua das mais procuradas na Internet na semana passada, com 120 mil resultados no moto de busca Baidu, enquanto milhares de consumidores exigiam a devolução do dinheiro que gastaram em sal superinflacionado, apenas dois dias depois de se terem esgatanhado todos por tantos quilos quantos conseguiram comprar, na sequência de rumores enganosos de iminente escassez relacionada com o desastre nuclear no Japão. A normalidade foi restabelecida nos supermercados de toda a China e Macau no fim-desemana após a caótica corrida ao sal de mesa. Os consumidores começaram a procurar que os comerciantes os reembolsassem pelo excesso injustificado de sal adquirido a preços indecentes. O amargo de boca da senhora Wang, uma mulher de Nanjing que comprou 50 embalagens de sal a oito yuans (9,8 patacas) cada, apareceu quando os supermercados voltaram a “forrar-se” de sal de mesa embalado a um yuan o pacote. “Lamento! É muito lamentável. De certeza que não volto a ser assim
sociedade Chineses querem devolver mercadoria
O engano do sal
tão estúpida, mas o que podia eu fazer? Como o tempo de armazenamento pode durar um ou dois anos, podíamos consumir pouco a pouco”, lastimou-se. Partindo do princípio de que os três membros da família Wang
consumiriam seis gramas de sal por dia em casa, levariam ainda assim quatro anos a limpar o estoque comprado na semana passada. Muitos outros consumidores quiseram ser compensados pelo seu acto de ignorância, com exigências
furiosas de reembolso – a “hotline” na província de Guangdong para tratar de questões relacionadas com etiquetagem de preços já recebeu mais de 12 mil chamadas em apenas dois dias desde a sextafeira passada. Os comerciantes
recusam-se a comprar de volta o sal vendido. Diferentes retalhistas estão a adoptar diferentes posturas perante as exigências da “comunidade do reembolso do sal”, de acordo com reportagem da MASTV, uma vez que a menos que os produtos alimentares estejam contaminados ou com algum problema de qualidade, não há lei que force os comerciantes a reembolsar os consumidores e os retalhistas podem enfrentar o risco de voltar a pôr artigos devolvidos na prateleira. A agência Xinhua escreveu ontem no seu artigo sobre os termos mais pesquisados na Net na semana passada que os consumidores deveriam “reflectir sobre a sua ignorância quando forem fazer filas por reembolso”. Uma dona de casa entrevistada pelo canal Zhejiang Satellite TV no meio de uma multidão de consumidores em frente a um supermercado provavelmente terá seguido a recomendação. “Somos pessoas incivilizadas e não sabemos nada. Pensávamos que desde que tivéssemos sal, estaria tudo bem”. Mas o lojista também deu a sua versão sobre os acontecimentos da semana passada quando as pessoas se acotovelaram pelo sal, todas contentes pelo supermercado lhes ter vendido a 10 yuans a embalagem, quando havia outros lugares a vender a 100.
Jovens dos casinos perdem paciência com clientes
Galaxy já tem 4000 trabalhadores do território
Geração Rotatividade
Afinal os locais apareceram
Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
É
cada vez mais recorrente. Os empregados mais jovens dos casinos estão a perder a paciência com os jogadores, a ponto de se demitirem, indicou o Instituto Politécnico de Macau (IPM), que revelou os resultados de uma série de estudos sobre a indústria do jogo. Nos últimos anos, os casinos têm focado nos aspectos tecnológicos da formação dos seus funcionários da linha da frente, mas têm descurado o desenvolvimento da relação entre os empregados e os apostadores. Alguns empregados jovens e inexperientes dos casinos de Macau têm-se demitido à medida que a sua paciência com os clientes esgota, indicou Siu Kam Hung, professor assistente do Centro de Ensino e Investigação sobre o Jogo, do IPM. O desenvolvimento da relação empregado-jogador é uma área que, na opinião do especialista, deve ser reforçada. Segundo Siu Kam Hung, as equipas da
linha da frente nos casinos têm tido uma formação mais centrada nas técnica e regras, do que propriamente na relação com os clientes. Entre os recém-contratados, os empregados mais jovens são normalmente atraídos pelos altos salários, mas não têm a paciência para permanecer muito tempo. Por isso, há ente eles uma alta taxa de mudança de emprego passado pouco tempo. Por outro lado, os empregados mais velhos e experientes tendem a ser mais tolerantes com os jogadores e são mais pacientes ao servi-los. Lei Heong Iok, decano do IPM, disse ter seleccionado os resultados de dez dos mais recentes estudos sobre o jogo, incluindo: a indústria de jogo de Macau, sobretudo a evolução da estrutura industrial; estudo comparativo entre as indústrias de jogo de Macau e Las Vegas; a investigação da interacção entre a exposição de Macau e o jogo; a aplicação de tecnologias de informação na indústria do jogo; formação de empregados para casinos; o futuro do Jockey Clube; entre outros.
O
Galaxy conseguiu a aprovação para importar 2000 trabalhadores para o seu mega-resort do Cotai. O coordenador do Gabinete de Recursos Humanos (GRH), Wong Chi Hong, garantiu que a operadora do jogo já está a empregar mais de 4000 residentes da RAEM, o que perfaz o número
exigido para a autorização de completar os quadros com 2000 importados. Segundo o responsável, os trabalhadores locais estão já a receber acções de formação, ao mesmo tempo que o Galaxy formalizou um pedido para recrutar não residentes, que já foi aceite pelo Executivo. Wong Chi Hong frisou, contudo, que caso a empresa não cumpra com as exigências da lei em manter esse número, a licença de contratação de importados será revogada. A operadora alegou que não conseguia encontrar por cá todos os trabalhadores necessários no sector do turismo e entretenimento para ter o resort a funcionar em condições. O GRH apontou que o Galaxy comprometeu-se a respeitar as quotas, mesmo depois da chegada dos 2000 trabalhadores de fora. Ainda assim, caso apareçam candidatos locais para as vagas, deverá ser dada prioridade a eles. Wong Chi Hong apontou, de acordo com registos oficiais, que o Galaxy tinha, até ao dia 28 de Fevereiro, contratado 4000 trabalhadores locais. - V. L.
Chinês preso por roubo e violação
Um homem do interior da China está detido no Estabelecimento Prisional de Macau por roubo e violação. O suspeito, de nome Yuan, tem 34 e é imigrante ilegal. Em Janeiro deste ano teria forçado entrada no quarto da vítima, arrendado numa pensão ilegal da Taipa, Yuan era também arrendatário. O homem roubou valores em dinheiro e ouro, um telemóvel e violou a vítima, posteriormente a ter usado uma arma branca para intimidar a mulher. O valor dos objectos roubados rondava as vinte mil patacas, montante que foi todo perdido no jogo. Yuan foi apanhado pelas autoridades depois de ter regressado ilegalmente ao território no dia 10 deste mês. O suspeito foi acusado de crime de roubo, violação e prestação de declaração falsa e aguarda agora julgamento.
Sands | Provas de “manifesta influência” perante Governo de Macau
Adelson em maus lençóis
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heldon Adelson, patrão da Las Vegas Sands, foi constituído arguido no processo que envolve a empresa e a sua subsidiária Sands China. Tudo porque o ex-chefe de operações da Sands China Steve Jacobs considera ter sido demitido injustamente. No processo que decorre num tribunal do estado de Nevada, Jacobs acusa a empresa de Las Vegas e o seu patrão de não terem agido legalmente naquilo que sempre considerou como “indevida e injusta demissão”. O processo sofreu uma alteração na quarta-feira passada. Segundo o Wall Street Journal, Adelson está a ser acusado de difamação depois das sua declarações ao jornal, através do seu porta-voz Ron Reese.”Embora eu tenha ficado durante muito tempo em silêncio
sobre este assunto, chegou a hora de abordar algumas questões. Temos uma lista substancial de razões pelas quais Steve Jacobs foi demitido por justa causa e, curiosamente, ele nunca desmentiu uma única delas. Em vez disso, tem tentado explicar a sua demissão usando mentiras descaradas e ilusórias”, pode ler-se no Wall Street Journal. Jacobs, que exige uma indemnização de cerca de 10 milhões de dólares americanos, tem acusado a Las Vegas China de ter exercido pressão ilegal sobre elementos do Executivo da RAEM. Nesta guerra, Adelson é particularmente visado em todo o processo. Jacobs associa o seu despedimento ao facto de, alegadamente, ter recusado entrar em jogos “dúbios e ilegais”. Das várias farpas que lança, Jacobs, afirma ter recebido instruções
directas de Adelson para realizar “investigações secretas” sobre os membros do Governo de Macau. Aparentemente, tais investigações serviriam para obter informações negativas que pudessem vir a ser utilizadas contra a equipa liderada por Fernando Chui Sai On. Entretanto, toda esta polémica já despoletou outras investigações. pub
Governo recupera lotes ocupados ilegalmente
Dois anos, 20 terrenos
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os últimos dois, as Obras Públicas conseguiram reverter 20 terrenos ocupados ilegalmente, que no total perfazem uma área de 77.600 metros quadrados. Na sexta-feira, mais um lote – de 480 metros quadrados entre a rua Marginal da Concórdia e a estrada do Dique Oeste – foi recuperado, o que significa o terceiro desde o início deste ano. Regra geral, os novos “proprietários” dos lotes ocupam-nos, armam um estaleiro, são apanhados por fiscais e prometem sair da terra o quanto antes. O
prazo expira sem que tenha havido qualquer mudança, o que leva as Obras Públicas, em conjunto com a PSP e os Bombeiros, a usarem a força para a desocupação. Alguns, contudo, decidem proceder pela via mais pacífica e deixar o terreno no prazo legal. Ocupar ilegalmente um terreno pesa muito no bolso. Desde o início deste ano, as despesas com a acção de despejo são superiores a 2 milhões de patacas. Há, no entanto, um caso mais grave, que irá custar 3,7 milhões de patacas. O infractor fez gran-
de escavações numa colina na estrada de Cheoc Van, em Coloane, que geraram um afrouxamento do solo e afastarem o trilho de Long Chau Kok. Em outras palavras, há agora risco de derrocada caso haja uma forte chuva. “Todas as infracções que lesem gravemente o interesse público, como a ocupação ilegal dos terrenos, danificação da colina, obstrução dos trabalhos da Administração de protecção florestal e reparação e manutenção ilegal de edifícios serão severamente combatidos”, alertam as Obras Públicas num comunicado, garantindo que têm implementado um sistema mais eficaz para cobrar o valor do despejo e para encontrar terrenos ocupados de forma ilegal. O Governo irá propor, além das coimas, que os infractores sejam processados no âmbito do crime penal. O objectivo é só um: aumentar substancialmente as despesas para desencorajar novos ocupantes.
A “Securities and Exchange Comission” do Departamento de Justiça dos EUA, através do FBI, pretende apurar quão verdade são as acusações de Jacobs. As autoridades querem descobrir se a Las Vegas Sands violou a lei sobre Práticas de Corrupção no Estrangeiro, legislação criada para fiscalizar as empresas norte-americanas que efectuam pagamento a governos estrangeiros por modo a obter benefícios. As coisas não estão a acontecer de feição para a Las Vegas Sands que viu indeferido, pelo Tribunal Distrital do Condado de Clark, um pedido de anulação da acção judicial interposta por Steve Jacobs em Outubro do ano passado. Para a juíza que tem o processo em mãos há provas suficientes da “manifesta influência” do grupo nas operações da subsidiária de Macau.
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7 Despesas até Fevereiro de 25% da receita O Executivo gastou apenas 25,48% do total da receita arrecadada nos dois primeiros meses de 2011, fechando a contabilidade pública com um saldo positivo de cerca de 11,65 milhões de patacas. Dados oficiais provisórios disponíveis na página electrónica dos Serviços de Finanças indicam que entre Janeiro e Fevereiro Macau registou receitas públicas totais de 15.633,8 milhões de patacas, mais 46,1% face ao mesmo período de 2010 e 21% do previsto para os 12 meses do ano. Já as receitas correntes cifraram-se em 15.603,6 milhões de patacas, mais 46,7% do que entre Janeiro e Fevereiro do ano passado e correspondente a 22% da previsão para o ano de 2011. Entre as receitas correntes, os impostos directos sobre o sector do jogo aumentaram 46,4% para 13.563,1 milhões de patacas e estão já executados em 22,9% da previsão para 2011, um número muito conservador já que o valor inscrito como receita de impostos de jogo para 2011 é inferior ao total arrecadado em 2010.
vida
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A
probabilidade de ocorrência de mega-ondas de calor na Europa pode aumentar cinco a dez vezes nos próximos 40 anos, segundo um estudo liderado por investigadores da Universidade de Lisboa, publicado na sexta-feira na revista Science. Mas um episódio extremo como o que se verificou na Rússia em 2010 é pouco provável de se repetir antes da segunda metade deste século. Segundo o estudo, o Verão de 2010 – que provocou 55 mil mortes, um milhão de hectares de áreas ardidas em incêndios e 25% de redução na produção agrícola – foi excepcional, ultrapassando em vários níveis, a onde de calor de 2003. As temperaturas máximas e mínimas bateram recordes em várias cidades da Rússia, o epicentro do calor. Em termos médios, foram ultrapassados os máximos dos últimos 140 anos não só na Rússia, mas também na Bielorrússia, Ucrânia e Cazaquistão. Entre Julho e Agosto, cerca de dois milhões de quilómetros quadrados – 22 vezes a área de Portugal – suaram sob influência da canícula. Para 2003, a estimativa é de um milhão de quilómetros quadrados, com o centro em França. Comparando 2010 com observações e reconstruções de temperaturas do passado, o estudo conclui que foi
Portugal concorda com redução de e
Portugal e seis países comunitários defendem o aumento da meta de redução de emissões de dos actuais 20%, um objectivo que consideram ser do interesse da União Europeia e possível governamentais pelo Ambiente de Portugal, Espanha, Grécia, Alemanha, Dinamarca, Suécia e que “as razões para aumentar a meta de redução para 30% em 2020 são agora mais fortes”.
Ondas de calor podem aumentar cinco a dez vezes na Europa até 2050
Termómetros vão bater recordes
o Verão mais quente dos últimos 510 anos. Os outros quatro mais quentes também ocorreram na década passada – 2003, 2002, 2006 e 2007, em ordem decrescente de magnitude. A última década foi de tal forma importante que redesenhou o mapa
dos verões excepcionais na Europa. Segundo uma análise espacial e temporal feita pelo estudo desde 1500 até 2000, apenas algumas zonas da Europa tinham batido em décadas recente os seus recordes de temperatura média – como a Península Ibérica, Rússia
e Turquia. Outras áreas mantinham os recordes fixados noutros períodos, alguns até no século XVI.
Recordes
Incluindo os anos de 2001 a 2010 no mapa, o estudo conclui que não
só a maior parte da Europa passou a ter os recordes na última década, como as anomalias das temperaturas – ou seja, a sua diferença em relação à média do período de referência (1970-1999) – tornaramse maiores. “Tivemos uma década excepcional em termos de verões quentes”, afirma o autor principal do estudo, David Barriopedro, do Instituto Dom Luiz, da Universidade de Lisboa. O calor de 2010 foi em parte provocado pelo bloqueio persistente de um anticiclone sobre a Rússia ocidental. Mas outro factor poderá ter contribuído: a fraca precipitação na Primavera e uma menor cobertura de neve também nesse período. Com menos humidade no solo, o calor em si pode ter sido exacerbado – como alguns estudos científicos mostram ter acontecido no Verão de 2003. “Em 2010, julgamos que também possa ter tido alguma importância. Mas isto ainda não foi avaliado”, afirma o investigador Ricardo Trigo, também do Instituto Dom Luiz e co-
Folha Solta
Desenvolvimento sustentável na China Gonçalo Alvim* O objectivo mundial de alcançar um desenvolvimento sustentável tem sido amplamente divulgado, mas a forma de o conseguir não parece evidente. O tema integra realidades ecológicas, económicas e sociais difíceis de se harmonizarem, o que dificulta a acção dos agentes envolvidos e a compreensão das populações. Mas está sempre na ordem do dia, como um problema recorrente que exige solução. No último Congresso Nacional Popular da República Popular da China, durante o qual foi definido o plano de desenvolvimento do país para os próximos cinco anos, o primeiro-ministro Wen Jiabao referiu que “a economia da China é vista há muito tempo como desequilibrada, descoordenada e insustentável” e que o país deve agora ajustá-la de forma a que os “problemas de longa data possam ser corrigidos e possa haver uma boa correspondência entre desenvolvimento económico, população, ambiente e recursos”. É evidentemente positivo que um país com a importância da China tenha incluído o tema do desenvolvimento sustentável na sua agenda política, mas será isso suficiente? E é possível uma “boa” correspondência entre desenvolvimento económico, população, ambiente e recursos? Recuemos um pouco no tempo para recordarmos de onde surgiu o conceito e o que ele nos veio propor: Até meados do século XX não houve uma preocupação significativa com os recursos naturais, confiando-se na possibilidade das contrariedades poderem ser resolvidas pela tecnologia. Porém, nos anos 60, o desenvolvimento acelerado e a rápida difusão dos meios de comunicação social tornaram evidentes uma série de problemas ambientais e sociais que se estavam a avolumar no planeta. Na sequência dessas preocupações foram surgindo, ao longo dos anos
70, alguns grupos contestatários ao desenvolvimento desequilibrado a que se assistia e admitiu-se pela primeira vez questionar o crescimento económico. Começaram então a difundir-se ideias anticrescimento ou de crescimento limitado. As diversas reuniões das Nações Unidas dedicadas ao meio ambiente que se sucederam durante os anos 70 e 80 tiveram em conta a realidade que se vivia e procuraram re agir aos propósitos de reduzir o crescimento, que foram considerados irrealistas, radicais ou exagerados. O conceito de desenvolvimento sustentável foi então lançado no relatório Our Common Future, publicado em 1988 e conhecido como relatório Brundtland. Este documento, que sintetiza o pensamento de um vasto leque de personalidades, esclarece que o que o que se pretende com o proposto desenvolvimento sustentável é procurar responder às necessidades e aspirações do presente sem comprometer a possibilidade de as futuras gerações o fazerem também. A definição, embora amplamente divulgada, não deixa de ser bastante vaga, tendo despoletado inúmeras questões por parte de elementos mais críticos: Quais as ‘necessidades’ das populações que devem ser satisfeitas? Em que ponto se deve estabelecer a fronteira entre ‘necessidade’ e desejo? Qual a atitude a adoptar para com a natureza e a vida selvagem quando não correspondam a uma ‘necessidade’ perceptível do Homem? Qual a dimensão máxima que a população humana pode ter sem que se ponha em causa a ‘sustentabilidade’ do planeta? E várias outras questões foram sendo postas até ao ponto em que se começou a colocar em causa o próprio objectivo de desenvolvimento sustentável: É alcançável? Não se procura com ele disfarçar a seriedade da degradação ambiental a que estamos a assistir? É possível haver um desenvolvimento da economia, necessariamente assente nas
‘necessidades’ crescentes das populações, sem se comprometer a possibilidade de as gerações futuras terem condições de subsistência? Com objectividade, devemos perceber que há limites para o que desenvolvimento sustentável é ou pode vir a ser e que a prossecução dos seus objectivos, ou o emprego do conceito, remete mais para a esfera política. Por exemplo, seria errado comprar um carro eléctrico por se pretender contribuir para o ‘desenvolvimento sustentável’, desde logo porque os efeitos negativos para o ambiente de comprarmos um carro não advêm apenas do monóxido de carbono que ele liberta. Foi sugerido outro conceito que ultrapassa a esfera governativa e permite incluir cada um de nós: responsabilidade ambiental. Sem metas definidas à partida, sem caminhos perfeitos, sem generalidades, leva-nos considerar que o futuro do planeta passa também pelas nossas acções. E o carro eléctrico, a haver suficiente necessidade de o comprar, acaba por ser um mal menor, fruto de uma acção mais responsável. Wen Jiabao traçou as grandes linhas da actuação política da China para os próximos anos e é positivo que pretenda “sustentabilidade” no desenvolvimento do país. Mas, na prática, talvez assistamos apenas a alguma desaceleração da crescente degradação ambiental – e não estou a dizer que ela aconteceria de qualquer forma em consequência da prevista desaceleração económica. Com efeito, dadas as crescentes ‘necessidades’ dos consumidores e as naturais expectativas de crescimento económico do povo chinês, não podemos ter ilusões sobre a possibilidade de se atingir no futuro próximo a desejada sustentabilidade, em particular no que respeita ao ambiente. Mas podemos colocar-nos a questão: até que ponto somos responsáveis pelo problema?
*Arquitecto paisagista
emissões
e dióxido de carbono para 30% em 2020, em vez cumprir. Numa carta subscrita por responsáveis e Reino Unido, que teve a iniciativa, é referido
autor do estudo – assinado ainda por investigadores das universidades de Giessen (Alemanha), Complutense de Madrid (Espanha) e ETH Zurique (Suíça). Um artigo publicado este mês na revista Geophysical Research Letters atribui a onda de calor da Rússia sobretudo ao bloqueio atmosférico, que manteve afastadas durante semanas as tempestades de Verão que normalmente vêm do Pólo Norte. As alterações climáticas, segundo esse artigo de investigadores norteamericanos, não podem ser aqui invocadas. Para o futuro, porém, a situação pode ser diferente. Com base em modelos regionais de simulação do clima e num único cenário de emissões de CO2 até 2100, o estudo agora publicado na Science faz uma estimativa do que poderá acontecer à frequência das mega-ondas de calor num mundo mais quente. Episódios como o de 2003, raros no século XX, poderão ocorrer, em 2020-2049, com um período de retorno de 10 anos na Europa do Leste e de 15 anos na Europa Ocidental. A repetição de uma onda de calor como de 2010 até 2050 é improvável. Mas no final do século, os modelos apontam para a sua ocorrência uma vez a cada quatro ou oito anos. David Barropiedro afirma que é preciso
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Planeta em números
150.000 cabras serão distribuídas, durante este ano, pela área do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Duero-Douro para ajudar a limpar os terrenos dos matos.
olhar com cautela para os números absolutos. “Temos de ter cuidado, porque há muitas incertezas”, afirma. Mas, no cenário analisado, as simulações apontam no mesmo caminho. “O que os modelos apresentam é um aumento da probabilidade de mega-ondas de calor”, acrescenta o investigador. O estudo fala na “probabilidade crescente” da sua ocorrência “sobre áreas da Europa densamente povoadas”. E conclui: “Dados os desastrosos efeitos de 2003 e 2010, estes resultados apontam para sérios riscos de efeitos adversos simultâneos sobre amplas áreas, se não forem adoptadas estratégias de adaptação”.
Click ecológico
Sobrevivência • Uma mulher com uma criança às costas procura comida num aterro de lixo na cidade de Mombasa, no Quénia Foto: Timothy Allen
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ícones português
gonçalo lobo pinheiro
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do desporto
Gonçalo Lobo Pinheiro
A
glp@hojemacau.com.mo
rubrica volta hoje com um tenista. Apesar dos seus 25 anos é já o melhor tenista português de todos os tempos ao conseguir atingir o 66.º lugar do ranking ATP. Esteve quase a vencer o Estoril Open 2010. Acredita muito no seu trabalho e quer continuar a consolidar as aprendizagens. Não conhece Macau apesar do seu pai e parte da família terem cá vivido. Defrontar Rafael Nadal deu-lhe muito prazer e elege Roland Garros como o seu sonho. Aí está Frederico Gil. Em 2009, tornou-se no tenista português com melhor ranking de sempre no ATP (66.º), superando Nuno Marques (86.º) e o seu treinador, João Cunha e Silva (108.º). O que significou para si esse momento? Foi um marco, muito importante. Mas mais importante que isso é o dia-a-dia, a dedicação que é preciso e o trabalho que tenho pela frente, isso sim vai trazerme os resultados e performances que quero ter. Passo a passo...
Entrevista | Frederico Gil, 25 anos, tenista
“Dêem-me algum tempo” Depois disso tem subido e descido. O que falta para manter a regularidade atingida anteriormente ou, quiçá, subir ao top 50? Falta mais regularidade, muitas vezes ainda não sou suficientemente consistente ao meu melhor nível, mas é nisso que estou a focalizar as minhas energias. E tenho de melhorar o meu jogo. Acredito que vou conseguir. Teve tudo para vencer o Estoril Open 2010 contra Albert Montañés. Seria como que uma cereja no topo de um bolo na sua carreira. Não menosprezando o adversário, o que falhou no dia 3 de Maio desse ano? Foi pena realmente, estive muito perto. Gostava muito de ter ganho, mas novas
oportunidades virão, estou certo. É preciso aprender com essas experiências e tirar o máximo para as seguintes. Muitas vezes levo algum tempo a consolidar as aprendizagens, mas estou bastante melhor nisso. Faltou alguma calma quando tive 3-0 e com dois breaks de vantagem. A edição deste ano do Estoril Open vai ter um Frederico Gil decidido a levantar de uma vez por todas o caneco de vencedor? Vou fazer por isso, mas antes de pensar nisso está o dia-adia, todos os torneios antes do
Estoril Open e cada treino. Tenho imensas coisas para trabalhar no meu jogo e é nisso que estou concentrado. Jogo a jogo, não vale a pena pensar mais que isso porque só cria mais expectativa, mas posso garantir que vou dar o meu melhor. O seu ‘prize money’ é até ao momento, segundo dados do ATP, cerca de 922.773 dólares americanos. É suficiente para viver única e exclusivamente do ténis ou é apenas dinheiro que permite andar a competir pelo mundo?
“Sinto que agora é que a minha carreira está a começar a sério, até aqui ganhei muita experiência e agora posso utilizá-la bem. Não conheço os meus limites. Vou trabalhar duro e com tudo. Vamos ver onde vou chegar”
Neste momento, as minhas despesas são altíssimas, tenho imensos gastos com treinadores, viagens e equipamentos. Tenho de ter outros patrocínios para continuar - Prince (raquetes e cordas), Asics (roupa) e Flexipiso (pavimentos desportivos). Desde que chegou à profissionalização, em 2003, que o saldo de vitórias e derrotas é quase nulo (44 vitórias e 48 derrotas). Para quando um Frederico Gil a vencer mais consistente? É realmente isso que falta, essa consistência mental vai fazer a diferença, estou a trabalhar nesse campo, dêem-me algum tempo. Qual o jogo até hoje que mais prazer lhe deu jogar? Quando jogo agressivo e faço o meu jogo, dá-me sempre muito prazer, seja contra quem for. Quando defrontei o Rafael Nadal, em Miami, foi um desses casos. Qual o momento mais importante para si: a estreia em 2010 na relva de Wimbledon ou a estreia em 2009 em Roland Garros?
Van Basten apresentado como treinador de Bruno Carvalho
Marco Van Basten foi apresentado este sábado como o treinador do candidato Bruno de Carvalho, em conferência de imprensa presenciada in loco por algumas centenas de adeptos leoninos. A antiga estrela holandesa prometeu empenho para “devolver o Sporting topo”. “É muito bom ver o entusiasmo entre os adeptos. O Sporting é um grande clube, espero devolver o clube ao topo, que é o seu lugar”, disse Van Basten em inglês, muitas vezes interrompido pelas palavras de incentivo dos adeptos. “Espero que possamos trabalhar bem, comprar bons jogadores e ser um bom adversário de FC Porto e Benfica. Os adeptos merecem um Sporting campeão”, afirmou o holandês, ladeado por Bruno de Carvalho e Augusto Inácio. “Espero viver bons momentos em Lisboa”, desejou.
“Eu sou eu, faço o meu melhor todos os dias, muitas vezes gostava já de saber mais, mas isso acho que todas as pessoas são assim, a vida é uma aprendizagem e cada dia aprendemos algo ou muito...” São dois torneios muito diferentes, ambos do Grand Slam, e adoro os dois. Dei-me melhor em Wimbledon, mas Roland Garros é o meu sonho. Cada Grand Slam tem as suas características: Wimbledon jogar todo de branco, Paris é a catedral da terra batida... E perspectivas para este ano? Agora jogo a Taça Davis contra a Eslováquia em Lisboa. Vai ser muito difícil ganhar mas estamos confiantes. Depois segue-se Guadalupe Challenger e Miami Masters. Sinto-me a jogar muito bem, vou com calma. Quais são os seus ídolos do desporto? Gosto muito de um tenista, Frederico Gil! (risos) Quem é o Frederico Gil como pessoa e fora do desporto? Gosto muito de jogar golfe, Playstation, estar no computador, estar com os amigos, família e descansar, ver filmes e séries de TV.
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Já esteve em Macau? Nunca estive. O meu pai e família sim, viveram aí, mas nunca estive, gostava de conhecer. Pode ser que o ténis me leve lá ou então, um dia, irei visitar. Está a chegar aos 26 anos. Quais são as suas metas para os próximos anos? Sinto que agora é que a minha carreira está a começar a sério, até aqui ganhei muita experiência e agora posso utilizá-la bem. Não conheço os meus limites portanto não lhe sei responder. Vou trabalhar duro e com tudo. Vamos ver onde vou chegar. Vê-se como uma embaixador do desporto português, ao nível de Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernando Mamede, Luís Figo ou Eusébio? Eu sou eu, faço o meu melhor todos os dias, muitas vezes gostava já de saber mais, mas isso acho que todas as pessoas são assim, a vida é uma aprendizagem e cada dia aprendemos algo ou muito. Para mim esses nomes são exemplos, cada um tem diferentes coisas óptimas e gostava de saber mais sobre eles. Uma palavra à comunidade portuguesa de Macau. Muito obrigado por esta entrevista. Um dia, gostava de conhecer a vossa terra.
Quem é Frederico Gil? • Nome completo João Frederico Limpo Franco Gil • Modalidade de Atletismo Ténis • Data de Nascimento 24 de Março de 1985 (25 anos) • Naturalidade Lisboa • Nacionalidade Portugal • Peso: 70 kg • Altura: 1,77 m
Frederico Gil perde para Albert Montañes na final do Estoril Open 2010
Palmarés Prize money
922.773 dólares americanos
Singulares Vitórias-Derrotas Títulos Melhor ranking
47-51 (48%) 0 66.º (25 de Maio de 2009)
Resultados de Grand Slam Open da Austrália Open da França Wimbledon U.S. Open
2R (2011) 1R (2008, 2009) 1R (2008, 2009, 2010) 1R (2008, 2009)
pares Vitórias-Derrotas Títulos Melhor ranking
17-24 (41%) 0 105.º (20 de Setembro de 2010)
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cultura
Clube oferece formas diferentes de entretenimento na cidade
Quem é que pediu uma alternativa? Num ano fez-se aposta ganha e não precisou de fichas, chama-se Village Macau e convida à criatividade e ao convívio com muita música à mistura Filipa Queiroz
N
filipa.queiroz@hojemacau.com.mo
ão raras vezes quem reside em Macau dá por si a reclamar que não tem nada para fazer. Não raras vezes também, ao queixar-se, há quem venha com ideias de criar espaços de convívio, onde só passa música ao seu gosto e pode passar tempo útil de forma divertida com os amigos. Window Lei era uma dessas pessoas, a diferença é que há um ano ele decidiu passar das palavras à acção. O resultado foi o Village Macau, a pequena “aldeia” criativa construída de raiz na antiga Rua Ribeira do Patane.
Palavra de ordem: conviver
O que é que um jogo de snooker, uma partida de matraquilhos ou um jogo de mesa têm em comum? “Todos exigem o contacto cara a cara, aqui interessa-nos afastar as pessoas dos ecrãs dos computadores, dos iPads e dos telemóveis e fazê-las conviver e partilhar, olhos nos olhos”, diz Window Lei. À entrada do espaço Village Macau, salta à vista uma enorme estante
repleta dos mais diversos jogos de mesa, desde os de estratégia ao Mikado ou ao Uno, estilo japonês, alemão ou chinês. Para os mais individualistas, não falta o cubo mágico. “São o tipo de divertimento que tínhamos quando éramos pequenos mas que deixámos de usar por causa das novas tecnologias”, recorda Lei. “Macau mudou tanto e tão rapidamente. Ainda na semana passada durante um jantar num restaurante reparei que tinha uma família ao lado que praticamente não falava, as pessoas estavam entretidas com o iPad, a Playstation portátil ou o telemóvel.” No Village Macau, além dos citados em cima, há duas salas reservadas a um outro jogo, o “Assassino”. Com um número limite de 16 jogadores, o jogo consiste na criação de uma espécie de enredo fictício onde cada jogador assume uma personagem secreta diferente, entre elas um “assassino”. O objectivo é que os jogadores
vão desmascarando a identidade uns dos outros sem revelar quem são e usando apenas o diálogo e o ‘bluff’. Para jogar é preciso ser membro e custa um “dólar Village” por hora, ou seja, 12 patacas. “Temos clientes que ficam a jogar noite adentro”, conta, explicando que, por agora, só há versões em mandarim e cantonês, mas estarão para breve uma versão em inglês ou até em português. “Há portugueses que costumam cá vir e pessoas de outras nacionalidades também”, atira.
Ao vivo
De entre todas as actividades, a música tem um papel especial no Village Macau. O espaço inclui uma rádio, um palco e um estúdio de gravação para quem quiser mostrar livremente os seus dotes musicais. Só é preciso que levem a voz e boa disposição. “As pessoas só têm de dizer o que querem fazer que nós ajudamos a concretizá-lo”, aponta Window Lei que há mais de uma
década chegou ele próprio a produzir um CD inteiramente da sua autoria. “As pessoas até podem pensar ‘ah, se ele pode cantar e gravar um disco eu também posso’, mas é exactamente isso que eu quero que elas pensem, que podem e que nós estamos aqui para ajudar.” O palco também está completamente equipado, tem instrumentos, colunas e microfones para fazer espectáculos género “unplugged”, como diz o dono do espaço. “São mais intimistas e não há muitos sítios em Macau com este tipo de espectáculo”, explica. O estúdio de rádio funciona à vista de quem passe e os programas são difundidos através do Facebook aos já mais de quatro mil “amigos” do Village. “É aberto a quem quiser experimentar”, frisa o criador do espaço onde ainda cabe um estúdio de fotografia, uma galeria “para quem quiser expor os seus trabalhos de pintura ou fotografia” e até um atelier de moda. “É um sítio muito positivo para as pessoas conviverem em vez de passarem a noite a beber, jogar nos casinos ou ir ao karaoke”, considera Lei.
Eles falam, falam...
Financeiramente suportado inteiramente por si, com a ajuda da namorada Kiki com quem divide a gerência do Village, Lei diz que contactou o Governo no sentido de conseguir apoios mas sem qualquer sorte. “Disseram que era um conceito demasiado novo”, conta. “Eles dizem que vão apoiar as indústrias criativas e tal, mas quando eu enviei a proposta e disse que havia muitas pessoas a gostar bastante
do espaço eles recusaram ajudarme”, conta. O jovem de “trinta e poucos anos” conta com o apoio de alguns parceiros e genuína vontade de levar adiante o projecto que nasceu precisamente da sensação de vazio de espaços para entretenimento na cidade, alternativos aos casinos e bares comuns. “Sei que não é um conceito novo, muita gente já tinha imaginado um sítio assim, só que nunca ninguém deu o primeiro passo.” Lei arriscou e há meio ano reconstruiu de raiz o espaço de sete mil metros abandonado à sua sorte, na zona industrial da Ribeira do Patane. “O que vale é que a renda é baixa”, confessa, já que outra das características do clube é ter preços acessíveis. O sustento vem da venda de bebidas e do aluguer das salas, materiais e espaço. Para se tornar membro o cliente paga 30 patacas e neste momento já são mais de mil. Lei deixou o emprego de dez anos como assistente social para se dedicar a tempo inteiro ao projecto que, se depender dele, vai crescer. “Vou continuar a tentar encontrar apoios e, entretanto, tentar aproveitar o espaço ao máximo.” O dono do Village pondera abrir inscrições para workshops, cursos de guitarra e também começar a ter comida à venda. “Vou continuar enquanto puder, fiz isto para provar que era possível e estou muito satisfeito com a receptividade das pessoas”. Para conhecer melhor o Village Macau, basta aceder à página no Facebook onde, apesar de as pessoas não se comunicarem cara a cara há-as aos montes e o sistema é tal e qual o das aldeias, passando a palavra, de mural em mural.
[f]utilidades Cineteatro | PUB
[ ] Cinema
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Sala 2
the adjustment bureau [b] Preço: Mop50.00 Um filme de: George Wolfi Com: Matt Damon, Emily Blunt 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3
Sala 1
World Invasion [b]
Preço: Mop50.00 Um filme de: Jonathan Liebesman Com: Aaron Eckhart, Michelle Rodriguez, Ramon Rodriguez 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
the rite [c]
Preço: Mop50.00 Um filme de: Mikael Hafstrom Com: Anthony Hopkins, Colin O’Donoghue, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
VERTICAIS: 1-Casaco de homem. Capa. 2-Faixa bordada. Árvore do Brasil. 3-Habitantes da Letónia Unidade de peso que, na China, tem valor monetário. 4-Gritar. Antes, sarar. 5-Símbolo químico do astato. Peço de petardo. Género de árvore bignoniáceas do Brasil e da África. 6-O que alonga. 7-Início de uma nova ordem de coisas. Espécie de lança, usada pelos Sabinos. Algarismo que representa o primeiro. 8-Abrev. de senhor. Quantia de dinheiro. 9-Espécie de zimbro. Dar forma de pipa a. 10-Peixe da Guiana inglesa. Primitivamente, composição poética para ser cantada. 11-Forma popular de irmão. Construcções.
Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-COLMA. ENCHE. 2-AJEITAR. AAR. 3-BATA. LANDIM. 4-I. ORNO. HEMA. 5-SUE. ONCO. OO 6-ASSEGURAR. 7-BI. ALAR. PEO. 8-ACTA. DESI. B. 9-DIARIO. OPOR. 10-EME. PRUMADA. 11-MALTE. MARES. VERTICAIS: 1-CABIS. BADEM. 2-OJA. UAICIMA. 3-LETOES. TAEL. 4-MIAR. SAAR. T. 5-AT. NOEL. IPE. 6-ALONGADOR. 7-ERA. CURE. UM. 8-N. NHOR. SOMA. 9-CADE. APIPAR. 10-HAIMORE. ODE. 11-ERMAO. OBRAS.
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior
Su doku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Nome de duas árvores medicinais, na ilha de São Tomé. Cobre. 2-Acomodar-se. Rio da Suíça. 3-Partes acolchoadas e paralelas do lombilho. Língua de Lourenço Marques, língua dos Landins. 4-Freixo em flor. Elemento de origem grega que significa sangue. 5-Nome de muitas plantas brasileiras. Elemento de origem grega que significa tumor. Berço. 6-Afirmar com segurança. 7-Bilhete de identidade. Arrastar ou guiar barcos à sirga. Correia para falcão. 8-Registo do que trata numa reunião. Desde ai, desde então. 9-Jornal ou periódico que se publica todos os dias. Proceder contrariamente a. 10-Nome da letra m. Vertical da linha de prumo. 11-Cevada que se faz germinar e secar, e que serve para a fabricação da cerveja. Grande porção de água salgada, pl.
[Tele]visão www.macaucabletv.com
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(MCTV 41) HBO 19:35 STOP! OR MY MOM WILL SHOOT Informação Macau Cable TV
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opinião
O nojo! Paulo Granjo * in Antropocoiso
Q
ue o professor jubilado Aníbal Cavaco Silva nunca tenha dito uma palavra contra a ditadura do “Estado Novo” e justifique isso por não ser um menino rico e não se poder dar a esses luxos, revela-nos um cobardolas como muitos milhares, capaz de esconder essa característica por detrás da desvalorização e insulto aos que não se calaram. Que, para aceder a um emprego, tenha escrito preto no branco estar em consonância com o regime vigente (o tal da altura), até pode ter constituído uma mentira ou semi-verdade, reveladora da falta de espinha vertebral ou da sua capacidade de fazer a sua vidinha, fosse qual fosse o regime político em que vivesse. Que o presidente da república (desculpem a ausência de maiúsculas mas, hoje, não as consigo escrever) Aníbal Cavaco Silva tenha chamado ao 10 de Junho “Dia da Raça”, até poderia ter sido, com muito boa vontade da parte de quem ouvisse, um lapso de quem tão facilmente se adaptou aos tempos da outra senhora.
ca r t o o n por Steff
“Este presidente não é apenas um erro de casting pela forma como se comportou antes de 1974 e pelas discordâncias políticas que com ele se tenham no presente” Mas que em 2011 exorte “os jovens” (essa vaga entidade que de novo se tornou politicamente apetecível) a empenharemse “em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar” vai para lá de qualquer imbecilidade, falta de cultura democrática ou de visão histórica. É cuspir nos jovens de hoje, é cuspir nos jovens de ontem que foram obrigados a travar essas 3 guerras, é cuspir nos mortos e mutilados físicos e psicológicos que delas resultaram, é cuspir nos povos tiranizados pelo colonialismo e naqueles que contra ele se levantaram, é cuspir naqueles que
derrubaram a ditadura tendo o fim dessas guerras como um dos seus três objectivos fundamentais, é cuspir no regime democrático que disso resultou e que este senhor é suposto presidir e representar. Também por lá andou, como muitos? Sim. Mas isso não desculpa (tal como a sua declaração escrita de apoio à ditadura não o justifica) o branqueamento da história,
desconfortável mas nossa, com base no próprio discurso fascista. Este presidente não é apenas um erro de casting pela forma como se comportou antes de 1974 e pelas discordâncias políticas que com ele se tenham no presente. De cada vez que abre a boca acerca do passado (ou de qualquer coisa que com ele esteja relacionada), fica mais claro que não foi apenas uma pessoa demasiado cobarde para criticar a ditadura, ou sequer demasiado conformista para se sentir desconfortável por viver nela. Fica mais claro que é lá que estão as suas referências políticas e sociais profundas, e não no Portugal democrático em que, com todas as suas limitações, vivemos. Nem vale a pena, suponho, lembrar as consequências que declarações como estas teriam em qualquer país democraticamente decente. E, afinal, elas fazem com que saudar, no mesmo discurso, os “militares de etnia africana” pareça quase uma calinada irrelevante. * antropólogo
ataque à líbia
É melhor
casar do que arder no Inferno.
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Padre Manuel teixeira [1912-2003]
”
Dito da semana: Governo central tem ideia clara para Macau
“Só o Governo Central tem uma ideia clara sobre o modelo de desenvolvimento para o futuro de Macau, porque o Governo da RAEM apenas sabe como sobreviver do jogo e nada mais”. PAUL CHAN WAI CHI IN “HOJE MACAU”
ol h a d el a Gilberto Lopes
A FIGURA DA SEMANA Rua Francisco Figueira
O eixo Macau-Lisboa • A primeira reunião da comissão mista Macau-Portugal vai decorrer na RAEM no próximo dia 6 de Abril. Finalmente, pois há muito que se aguarda que Lisboa e Macau passem das declarações de “grande amizade” e de um “relacionamento excelente”. Criada no âmbito do acordoquadro de cooperação, assinado em 2001, nunca se realizou e espero que a eventual crise política portuguesa - está hoje mais próxima do que na semana
passada – não venha a adiar novamente o encontro. Alexis Tam fala no intercâmbio cultural, área em que Portugal pode dar apoio a Macau. Há um longo caminho a percorrer, já que Lisboa tem experiência e quadros preparados que podem ser muito úteis, por exemplo, no desenvolvimento das indústrias criativas. Numa fase em que se fala tanto do plano de investimentos na área da saúde seria bom que se voltasse a apostar na
ACONTECIMENTO DA SEMANA • • O Governo tem procurado explicar as decisões que toma, o que pretende fazer, o que está a concretizar. É nesse linha de raciocínio que se deve compreender a criação do sistema de porta-voz, as várias conferências de imprensa que Alexis Tam e outros responsáveis têm promovido. As relações com os deputados parecem ser, por agora, o parente pobre da política de comunicação do Executivo. O que, de resto, foi evidente esta semana, já que vários deputados voltaram a queixar-se
formação dos profissionais que vão ter que assegurar, a curto e médio prazo, vários serviços de urgências, um hospital novo, etc. Lisboa pode dar - como fez no passado - uma boa colaboração, mas para isso é necessário ter uma política bem definida. O que não parece existir nos Serviços de Saúde. Portugal pode também tirar partido da fase de crescimento que Macau atravessa e explorar as oportunidades que a cooperação com Guangdong, via
ilha da Montanha, pode vir a proporcionar. Os jovens licenciados, que não têm hoje emprego, podem ter aqui uma hipótese de trabalho, contribuindo para o aumento da presença lusa e responder, de certa forma, à falta de quadros qualificados com que se debate a RAEM. Mas é tempo de acções concretas e não apenas de reuniões, com declarações simpáticas no final, mas que, por norma, não têm resultados positivos.
• Não conheci pessoalmente Francisco Figueira, mas pelo que tenho lido e pelos depoimentos que ouvi, é mais do que justo que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais coloque o “pai do património” de Macau na toponímia da Região Administrativa Especial. Na passada quarta-feira, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, vários oradores recordaram o trabalho em prol da identidade de Macau e o que representou o seu esforço na defesa da essência do território. Além de enaltecerem as qualidades, que eram muitas, de um homem que, como frisou Neto Valente, “tinha traços de genialidade, que não exibia, porque era discreto e muito reservado, um solitário”. Não posso deixar de destacar a presença na sessão memorialista do director do jornal “Ou Mun”, Lei Pang Chu, que reconheceu que Francisco Figueira lutou pela defesa do melhor que têm as culturas portuguesa e chinesa. Os tempos são outros, Macau mudou muito, mas figuras como Francisco Figueira fazem falta à RAEM. Podem contribuir para evitar alguns atentados a que temos assistido. Macau deve saber reconhecer os que lutaram pela suas características específicas. Para compreender o presente e projectar o futuro temos que conhecer o passado. Continuar a preservar a nossa identidade é, em certa medida, a melhor homenagem que se pode - e deve - prestar a Francisco Figueira.
Mais e menos + As universidades portuguesas reconheceram
ontem o papel da Universidade de Macau (UM) ao atribuir ao seu reitor títulos “honoris causa”. Não tenho, porém, a certeza que estas distinções venham no tempo devido, pois continuo a ter muitas dúvidas sobre o papel que o professor Wen Zhao tem tido na UM. O programa de mestrados e doutoramentos do departamento de português vai ser liderado por uma académico luso. Uma boa decisão. Falta agora acertar também no substituto de Alan Baxter.
Governo versus deputados
da maneira como se processa o relacionamento entre o Governo e os membros do Hemiciclo. As respostas às questões levantadas pelos deputados demoram e nem sempre são esclarecedoras. Chegou o momento de repensar o sistema e, provavelmente, criar uma estrutura que a horas e com qualidade diga o que se passa. Os deputados e a população em geral devem saber o que está a ser pensado, a ser concretizado e o que justifica esta ou aquela decisão.
É possível que haja falta de quadros, com experiência, para concretizar esse desiderato. Num tempo em que a comunicação orienta e determina as nossas vidas, é preciso modernizar, evoluir, estar sintonizado com os tempos que correm. Para isso é urgente reforçar as equipas que têm a missão de responder aos deputados e à população em geral, através dos órgãos de comunicação social. Uma tarefa muito mais importante do que pensar em rever o que é bom e tem funcionado.
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A candidatura do patuá a património universal intangível da UNESCO não tem avançado, assegurou ao “Ponto Final”, Miguel Senna Fernandes. É tempo de existir um plano de acção, de se trabalhar para concretizar esse objectivo. Não se compreende que pouco ou nada se tenha feito desde que em 2006 se assinou o protocolo para a preparação da candidatura.
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Líbia | EUA, França e Reino Unido atacam Tripoli e Bengasi
Khadafi prevê guerra “longa” e “vitoriosa” O
líder líbio Muammar Khadafi previu hontem uma “longa guerra” no país, afirmando que “todos os cidadãos líbios têm armas” e que ele irá “vencer”, numa mensagem difundida pela televisão oficial. “Nós somos os vitoriosos, vocês são os derrotados. Nós nos afastamos do campo de batalha, porque nós iremos defender a nossa terra e a nossa dignidade”, disse o dirigente líbio. A operação militar, baptizada “Odisseia Amanhecer”, que começou no sábado à tarde e que está a ser liderada pela França, Reino Unido e EUA, não deu tréguas durante a madrugada e voltou ontem aos ataques. Após os primeiros bombardeamentos por terra e por ar, contra zonas próximas de Bengasi, bastião dos revoltosos, e na área de Tripoli, onde o coronel Khadafi permanece entrincheirado, voltaram a ouvir-se, nas últimas horas, fortes explosões em torno da capital, enquanto os sistemas antiaéreos do regime tentaram repelir a ofensiva dos aliados. Simultaneamente, a cadeia de televisão Al Jazeera informa que os aviões de Khadafi estão novamente a bombardear Bengasi, que já tinha sido atacada no sábado. Paralelamente, a televisão estatal líbia avançou que 48 pessoas morreram e 150 ficaram feridas em consequência dos ataques aéreos dos aliados. Ainda não houve confirmação independente destes números. Os primeiros disparos da operação “OdisseiaAmanhecer” foram lançados por um avião militar francês quando eram 00h45 de domingo em Macau. Horas depois foram disparados mais de 110 mísseis Tomahawk que destruíram vários tanques das forças de Khadafi. A Líbia está debaixo de fogo de uma força internacional que pretende pôr fim ao conflito que já se prolonga há mais de um mês. Estados Unidos, França e Reino Unido foram os primeiros países a avançar com a operação militar na Líbia, dois dias após a aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU de “todas as medidas necessárias” para travar a violência no país. O Pentágono confirmou o lançamento de 110 mísseis contra alvos militares e os ataques deverão intensificar-se nas próximas horas. Mas Khadafi promete resistir. O coronel que governa a Líbia há mais de 40 anos ameaçou igualmente atacar objectivos “civis e militares” no Mediterrâneo e disse que os depósitos de armas estão prontos para defender a Líbia. Pediu ainda a africanos, árabes, latino-americanos e asiáticos que apoiem o povo líbio contra a agressão dos “cruzados colonizadores”, e ameaçou transformar o Mediterrâneo “num campo de batalha”. Não se sabe quanto tempo a operação, “Odisseia Amanhecer”, irá durar. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês,Alain Juppé
disse que a acção militar irá prolongar-se até que Khadafi cumpra “à letra” a resolução da ONU e adiantou que o objectivo da intervenção é “apoiar a libertação do povo líbio”. Barack Obama, que já tinha apelado à retirada imediata de Khadafi, disse que os EUA estão “a responder aos apelos de um povo ameaçado”, e anunciou que deu luz verde a uma acção militar “limitada”, que não envolverá, por exemplo, a mobilização de tropas norte-americanas para o solo líbio. Pouco depois seria a vez de o primeiroministro britânico, David Cameron, justificar a intervenção do Reino Unido com as declarações de Khadafi, que tinha ameaçado intensificar os ataques contra os rebeldes que têm combatido pelo fim do seu regime. “Todos vimos a brutalidade do coronel Khadafi para com o seu povo. Em vez de aplicar um cessar-fogo falou de intensificar os ataques e a brutalidade”, disse Cameron. Apesar de o regime líbio ter anunciado um cessar-fogo, nos últimos dois dias chegaram da Líbia relatos de avanços das tropas de Khadafi sobre Bengasi, o bastião dos rebeldes.
Fuga para o Egipto
Milhares de carros apinhados de civis em fuga do conflito armado na Líbia deram ontem os primeiros sinais de um esperado êxodo maciço da Líbia Oriental rumo à fronteira com o Egipto - já asfixiada pelo fluxo de refugiados estrangeiros de há três semanas. Pelo menos duas mil pessoas passaram a fronteira para território egípcio, das quais metade são líbios, vindos sobretudo das cidades de Bengasi e Ajdabiya, na linha da frente no Leste da Líbia, precisou o representante no Cairo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Mohamed Dayri. “Isto constitui uma ligeira alta em relação ao dia anterior, em que 824 pessoas passaram a fronteira”, avançou. No total desde quarta-feira, eram já mais de cinco mil pessoas que tinham entrado no Egipto.
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