PETIÇÃO
CASINOS
TAXISTAS AFLITOS
LACUNAS PSICOLÓGICAS PÁGINAS 2-3
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GCS
RÓMULO SANTOS
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EPIDEMIA
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MOP$10
SEXTA-FEIRA 21 DE FEVEREIRO DE 2020 • ANO XIX • Nº4471
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
O LENTO DESPERTAR
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hojemacau
Espera sentado As novas medidas de controlo de entradas nas fronteiras obrigam a esperas de seis a oito horas para quem vem de zonas de alta incidência do Covid-19 ou para residentes com numerosas viagens entre Macau e o continente. Ontem, mais de 500 pessoas optaram por regressar ao Interior da China. Sem mais casos registados ao fim de 14 dias, o risco de epidemia é agora “reduzido”, segundo o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion.
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NÓMADAS
GONÇALO M. TAVARES
SER É QUERER
ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO
UMA VIDA SIMPLES VALÉRIO ROMÃO
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OMELETES S PSIQUIATRAS ALERTAM PARA DEFICIÊNCIAS NO APOIO PSICOLÓGICO A DOENTES NA CHINA
Li Duan e Gang Zhu, médicos do departamento de psiquiatria de um hospital universitário em Shenyang, alertam num artigo publicado na revista científica The Lancet para as deficiências actuais no apoio psicológico dado a pessoas infectadas com o novo coronavírus e aos seus familiares. Os dois especialistas defendem que faltam melhores estratégias, mais recursos humanos e que, muitas vezes, são médicos e enfermeiros que vestem a pele de psiquiatras
A
S pessoas infectadas com o Covid-19, nome dado ao novo coronavírus, não estão a receber o devido acompanhamento psicológico, quer quando estão doentes quer quando têm alta. O mesmo acontece aos seus familiares e demais pessoas relacionadas. A conclusão é de um estudo de dois médicos psiquiatras de um hospital universitário em Shenyang, Li Duan e Gang Zhu, publicado esta quarta-feira na revista científica The Lancet. Em "Intervenções psicológicas em pessoas afectadas pela epidemia do Covid-19”, os dois autores
descrevem que existem directrizes para esta epidemia que, na prática, acabam por não funcionar como seria esperado. “A Comissão de Saúde Nacional emitiu directrizes para a intervenção em crises psicológicas de emergência em pessoas afectadas pelo Covid-19. As instituições médicas e universidades em toda a China abriram plataformas online para providenciar aconselhamento psicológico para os pacientes, familiares e outras pessoas afectadas pela epidemia.” No entanto, “as necessidades de saúde mental que os pacientes diagnosticados com o Covid-19,
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COVID-19
pacientes com suspeita de infecção, familiares que estão de quarentena ou pessoal médico não estão a ser devidamente asseguradas”. No artigo, lê-se mesmo que “a organização e a gestão de modelos de intervenção na China devem ser melhorados”. Os autores começam por apontar falhas de comunicação na implementação de uma estratégia global de apoio psicológico. “É dada pouca atenção à implementação prática das intervenções. O planeamento geral não é adequado. Quando se dá uma crise, não há uma autoridade que crie e planeie as actividades de intervenção
psicológica em diferentes regiões e departamentos subordinados.” Os autores descrevem ainda que “a maior parte dos departamentos médicos começaram as suas actividades de intervenção psicológica sem falarem entre si, desperdiçando recursos na área da saúde mental e falhando com os pacientes no que diz respeito à falta de um diagnosticado atribuído em tempo útil e um pobre acompanhamento dos tratamento e avaliações”.
FALTAM PROFISSIONAIS
Esta não é a primeira vez que as autoridades chinesas criam di-
rectrizes para o reforço da saúde mental em situações de crise, como é o caso das epidemias. Aconteceu em 2004, lê-se no artigo, e essas directrizes “tiveram bons resultados” nas alturas da SARS, por exemplo. No entanto, não só estas práticas são recentes no país, como falham na prática. “A organização e a gestão das actividades de intervenção psicológica contêm vários problemas.” Outro problema apontado no tratamento psicológico prende-se com o facto de muitos dos infectados não receberem o devido acompanhamento após a alta. “A cooperação entre os serviços médicos
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medidas preventivas obrigarem ao afastamento das zonas de internamento do pessoal médico que não é estritamente necessário. “Com restritas medidas de combate à infecção, pessoal não necessário como psiquiatras, trabalhadores sociais na área da saúde mental ou psicólogos são fortemente desencorajados a entrar em zonas de isolamento para doentes do Covid-19. Dessa forma, os trabalhadores da linha da frente tornaram-se aqueles que providenciam apoio psicológico aos doentes nos hospitais.” No entanto, e “devido aos procedimentos de trabalho complicados, horários sobrecarregados e falta de formação padronizada em psiquiatria ou em psicologia clínica, os profissionais de saúde nem sempre sabem como mitigar situações de stress psicológico”, alertam os autores do artigo. Neste sentido, o ideal seria que, nesta crise causada pelo Covid-19, existisse uma “equipa com profissionais de saúde mental”, por ser “a base para lidar com stress emocional e outras desordens mentais causadas pela epidemia e outras emergências de saúde pública”.
NOVAS ESTRATÉGIAS, PRECISAM-SE
e as instituições de saúde mental em algumas províncias e cidades da China têm estado separados. Depois da avaliação feita aos indivíduos afectados pela epidemia, os pacientes não são acompanhados de acordo com a severidade da sua condição e existem dificuldades por parte dos departamentos ou profissionais apropriados para que haja um diagnóstico razoável e feito em tempo útil.” Neste sentido, “depois da resolução da infecção, os pacientes não podem ser transferidos do hospital para uma instituição para continuarem a receber tratamento psicológico.”
Os dois médicos descrevem ainda um panorama em que há falta de profissionais na área da saúde mental nas equipas que lidam com os doentes infectados pelo Covid-19. “Devido à falta de profissionais, a criação de equipas de intervenção psicológica em muitas áreas não é possível. As equipas consistem apenas em conselheiros psicológicos, enfermeiros, voluntários ou professores com cursos na área da psicologia ou outras relacionadas, sem experiência profissional como psiquiatras ou psicólogos.” Além da falta de recursos humanos, coloca-se a questão das
O artigo publicado na The Lancet cita os dados mais recentes do pessoal formado na área da saúde mental na China. O Plano Nacional de Saúde Mental, pensado para os anos de 2015 a 2020, fala da existência de 57.591 enfermeiras na área da psiquiatria, 27.733 psiquiatras (o que perfaz uma média de um psiquiatra para 100 mil pessoas), e mais de cinco mil psicoterapeutas, números relativos a 2015. No ano de 2017, o número de psiquiatras aumentou para 33.400, tendo-se verificado um aumento crescente de enfermeiros, trabalhadores sociais e conselheiros psicológicos. Ainda assim, “os números continuam a ser insuficientes para as necessidades dos pacientes com
doenças mentais”. Nesse sentido, alertam os dois médicos, “a formação de mais profissionais na área da saúde mental, em diferentes níveis, por parte do Governo chinês é absolutamente necessária”. Li Duan e Gang Zhu deixam as suas sugestões para a resolução do problema. “A situação pode ser resolvida com a implementação de políticas relevantes, o reforço da formação profissional, uma optimização de medidas de organização e gestão e uma revisão constante das experiências e práticas.” Os últimos dados apontam para alguma estabilidade na ocorrência de novos casos de infecção na China, mas o número de mortes aumenta diariamente no país. Os dois médicos alertam para o facto de, à medida que a crise epidémica continua, ser necessário desenvolver novos tipos de respostas. “Com a progressão da doença, os sintomas clínicos tornaram-se mais graves e os problemas psicológicos em pacientes infectados irão mudar, então, as medidas de intervenção psicológica deveriam ser orientadas e re-adaptadas.” Isto porque “estudos mostraram que os indivíduos que vivenciaram situações de emergência de saúde pública têm graus variados de stress, mesmo depois do fim do acontecimento, ou mesmo que tenham sido curados e que
A crise epidémica causada pelo novo coronavírus “revelou muitos problemas com a provisão da intervenção psicológica na China”
CHINATOPIX VIA AP
SEM OVOS
“Com a progressão da doença, os sintomas clínicos tornaram-se mais graves e os problemas psicológicos em pacientes infectados irão mudar, então, as medidas de intervenção psicológica deveriam ser orientadas e re-adaptadas.” LI DUAN E GANG ZHU PSIQUIATRAS DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM SHENYANG
já tenham tido alta, o que indica que estas pessoas não devem ser ignoradas”. Para os autores, “o planeamento das intervenções psicológicas na China é, por norma, feito de forma passiva”, uma vez que “poucas medidas preventivas são implementadas antes da ocorrência de questões psicológicas sérias causadas por situações de emergência”. A crise epidémica causada pelo novo coronavírus “revelou muitos problemas com a provisão da intervenção psicológica na China”, rematam os autores. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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TIAGO ALCÂNTARA
21.2.2020 sexta-feira
Pousada Marina Infante Baixas de preços da quarentena
A Pousada Marina Infante reduziu o preço inicialmente cobrado pela quarentena de 14 dias de 8.750 para 5.600 patacas. A informação foi avançada ontem por Inês Chang, representante da Direcção de Serviços de Turismo (DST): “A empresa decidiu assumir parte dos custos e houve uma redução do preço para 5.600 patacas. Foi um acto de responsabilidade social”, afirmou a membro do Executivo. A Pousada Marina Infante é controlada pelo deputado Vitor Cheung Lup Kwan. Contudo, os TNR que fiquem de quarentena podem pedir isenção do pagamento, se provarem que não têm forma de o liquidar.
Diamond Princess Residentes ficam mais 14 dias
Wong Kim Hong, CPSP “Houve uma redução significativa das entradas e saídas, o que confirma que as medidas do Governo estão a ser eficazes”
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O dia em que as medidas de inspecção na fronteira ficaram mais exigentes, 916 turistas e residentes que pretendiam entrar no território foram submetidos a uma observação, de entre seis a oito horas. Esta observação aplica-se às pessoas que vêm de zonas consideradas com alta incidência do coronavírus, como Cantão, ou a residentes com múltiplas entradas e saídas para o Interior da China. Segundo os dados disponibilizados pelo chefe substituto do Departamento para os Assuntos e Residência e Permanência do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), entre os observados, 784 entraram pelas Portas do Cerco, sendo que 738 vieram de zonas de alta incidência. Outros 46 que foram inspeccionados no mesmo local foram residentes com entradas múltiplas. Finalmente, 184 pessoas foram observadas quando entraram na RAEM através do Terminal Marítimo do Pac On. Houve ainda 544 pessoas que quando foram informadas sobre a necessidade de estarem seis horas em observação decidiram regressar ao Interior. Entre os observados, três residentes foram levados para o Centro Hospitalar Conde São Januário, um por apresentar problemas tracto-res-
FRONTEIRAS MAIS DE 900 PESSOAS SUJEITAS A INSPECÇÃO DE SEIS HORAS
Cerco apertado
Entre a meia-noite e as 16h00 de ontem, 916 turistas e residentes tinham sido sujeitos à nova medida de inspecção, em que se fica retido durante um período de seis a oito horas em observação piratórios e dois por se sentirem mal. À hora da conferência, os resultados dos testes ainda não eram conhecidos. Desde a meia-noite de ontem que só havia um lugar de observação, o que gerou queixas, não só pela longa espera, mas também por falta de acessos a água e à concentração de pessoas no local. Porém, Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde de Macau, defendeu que as seis horas são intencionais. “Temos de fazer uma observação activa de seis a oito horas porque existe a possibilidade de haver pessoas que tomaram medicamentos que reduzem os sintomas antes de passar a fronteira. Nós temos de considerar todas as hipóteses para evitar um surto”, justificou o director.
Face à situação, o Governo optou por abrir um segundo campo de observação, que só entrou em funcionamento horas mais tarde.
AVALIAÇÃO POSITIVA
No último dia antes medidas mais restritivas passarem a vigorar, e quando ainda se permitia aos trabalhadores não-residentes (TNR) entrarem em Macau, sem ficarem sujeitos a um período de quarentena, registaram-se 55 mil entradas, entre as quais 32 mil de TNR. Houve ainda 1.500 entradas de turistas e 5,8 mil de residentes. Já ontem, com as novas medidas, contabilizaram-se 406 entradas de TNR, no que representou uma descida de 98 por cento.
“Houve uma redução significativa das entradas e saídas, o que confirma que as medidas do Governo estão a ser eficazes”, considerou Wong Kim Hong. Ainda em relação à situação actual, Lei Chin Ion admitiu que o risco de epidemia actualmente é “reduzido”, mas que é necessário continuar a tomar medidas e manter as precauções, como ficar em casa. “Neste momento Macau tem um risco reduzido, porque foi ultrapassado um período de 14 dias sem qualquer caso na comunidade. No entanto, há um risco devido à situação das regiões vizinhas”, explicou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Os cinco residentes de Macau que estavam em vias de regressar do Japão, onde se encontravam no cruzeiro Diamond Princess ficaram retidos. Isto porque foi detectado mais um infectado no navio, o que fez com que estes residentes fossem considerados “casos de contacto próximo”. Por esse motivo vão ter de voltar a estar 14 dias de quarentena, antes de terem autorização para regressarem à RAEM. Entre os cinco residentes, apenas três tinham mostrado a intenção de regressar a Macau, outros dois tinham optado por ficar em Hong Kong.
Parques e jardins Reabertos por motivos de “equilíbrio”
Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde, admitiu que os parques e jardins públicos foram abertos devido à pressão da população. “Depois de 15 dias sem novos casos de infecção, se não tivéssemos aberto os parques e jardins ia haver muitas opiniões negativas da população”, disse Lei. “O nosso objectivo é diminuir o risco para a população, ao mesmo tempo que abrimos os espaços, uma vez que há famílias com casas pequenas e que querem fazer desporto. Estamos a tomar medidas e a tentar manter um equilíbrio”, acrescentou.
Filipinas Governo sem avião para transportar cidadãos nacionais
Ao contrário do que tinha anunciado anteriormente, o governo das Filipinas não vai fretar um avião para transportar os cidadãos nacionais retidos em Macau de volta ao país. O anúncio foi publicado, ontem, pelo Consulado-Geral das República das Filipinas em Macau, que explica o recuo com os problemas enfrentados pelas operadoras do país para voarem entre as Filipinas e a RAEM.
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sexta-feira 21.2.2020
PETIÇÃO MOTORISTAS QUEREM EXTENSÃO DAS LICENÇAS PARA COLMATAR FALTA DE RECEITAS
Os taxistas também choram
O deputado José Pereira Coutinho entrega hoje uma petição na sede do Governo onde se exige medidas de apoio aos taxistas, que também sofrem os efeitos da crise gerada pelo novo coronavírus. O sector exige ajudas semelhantes às que são concedidas às PME e pedem a extensão do prazo de validade das licenças de concessão do serviço te da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) não fala de valores monetários. “Na petição é referido que os taxistas entendem que este período de inactividade não gerou quaisquer receitas. A maioria dos táxis estão estacionados no parque público da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. À semelhança dos apoios que estão a ser dados às Pequenas e Médias Empresas, também querem que seja encontrada uma solução para a falta de receitas do sector dos táxis”, frisou Coutinho.
RÓMULO SANTOS
O
S taxistas entregam hoje na sede do Governo uma petição dirigida ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, onde pedem apoios para lidar com a falta de receitas causada pelas medidas de quarentena de combate ao Covid-19. Em causa está o pedido de apoios financeiros e da extensão do prazo de validade das licenças concessionadas. “Um dos pontos que pedem é a extensão do período de validade da licença. Pretendem que os prazos de validade possam ser estendidos e que não sejam cobradas taxas, que não seja contabilizado este prazo em que estão parados”, explicou ao HM o deputado José Pereira Coutinho. Esta não é a primeira vez que o sector dos táxis clama por ajuda. No início do mês, um grupo de 12 associações locais relacionadas com os
INFRACÇÕES DIMINUÍRAM José Pereira Coutinho, deputado “Eles querem que o Governo de Macau dê atenção às centenas de famílias que dependem dos salários e das receitas de exploração desta actividade”
táxis juntou-se para pedir cinco medidas de urgência ao Executivo. Entre o pedido, consta a distribuição
de 10 mil patacas a cada taxista e empréstimos de 50 mil patacas sem juros para as empresas e ainda a
distribuição de materiais de esterilização. Contudo, a petição apoiada pelo deputado e presiden-
O peso da justiça
Julgamento do ex-presidente do IPIM agendado para 27 de Abril
J
ACKS ON Chang, ex-presidente do Instituto de Promoção do Comércio do Investimento de Macau (IPIM), vai começar a responder a 27 de Abril pela prática de associação criminosa, corrupção, branqueamento de capitais e violação de segredo. A notícia foi avançada na manhã de ontem pela Rádio Macau, e remete para o alegado esquema de favorecimento na atribuição do estatuto de residente de Macau. O início do julgamento acontece mais de meio ano depois de Jackson Chang ter sido colocado em prisão preventiva. Jackson Chang encontra-se em Coloane, na prisão, acompanhado por outros notáveis anteriormente condenados, como o antigo secretário para os Transportes e Obras Públicas Ao Man Long e o ex-procurador da RAEM, Ho Chio Meng.
No que diz respeito ao crime de associação criminosa, a moldura penal vai dos 3 aos 10 anos. Porém, se Jackson for considerado como o cabecilha, a moldura aumenta para de 5 a 12 anos. No caso de corrupção passiva para acto ilícito, a pena varia entre 1 e 8 anos. Contudo, se for considerado corrupção passiva para acto lícito, o máximo são dois anos de prisão. Em relação ao branqueamento de capitais, Jackson Chang arrisca uma pena que pode chegar até aos 12 anos. O crime de violação de segredo é o que tem penalização mais leve, com o máximo de um ano de prisão.
TUDO EM FAMÍLIA
Jackson Chang não é o único membro da família a ser acusado, o mesmo acontece com a filha e a mulher, num processo que envolve mais de 26 arguidos.
Quem também vai estar no banco dos réus é Glória Batalha Ung, antiga secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum Macau e vogal executiva do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento. Glória Batalha, que regressou ao IPIM depois da medida de coacção de suspensão ter sido levantada, vai responder pelos crimes de abuso de poder e violação de segredo. O MP acusou ainda o antigo director adjunto do Gabinete Jurídico e de Fixação de Residência do IPIM, Miguel Ian Iat Chun, embora a acusação ainda não tenha sido revelada. Os restantes acusados são empresários de diferentes ramos, assim como familiares e pessoas que terão beneficiado do alegado esquema de atribuição indevida de residência por investimento e a técnicos especializados. J.S.F.
José Pereira Coutinho fala de cerca de 200 famílias afectadas por medidas como o encerramento dos casinos por um período de 15 dias ou a quarentena imposta a todos os que habitam o território, que levaram a que as ruas de Macau tenham ficado vazias.
“Eles querem que o Governo de Macau dê atenção às centenas de famílias que dependem dos salários e das receitas de exploração desta actividade”, disse o deputado, que reuniu esta terça-feira com representantes do sector na sede da ATFPM. Questionado sobre se estas medidas de apoio se justificam tendo em conta o mau comportamento de muitos taxistas, o deputado à Assembleia Legislativa disse que, desde a entrada em vigor da nova lei dos táxis que o número de infracções tem vindo a diminuir. “Acreditamos que a maioria dos taxistas são honestos. Dados oficiais mostram que o número de infractores diminuiu drasticamente. Acredita-se que neste momento a situação que existia no passado não tem ocorrido”, concluiu Pereira Coutinho. Andreia Sofia Silva e J.S.F.
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INSTITUTO CULTURAL ROTA DAS LETRAS E OUTROS EVENTOS ADIADOS
O
Instituto Cultural (IC) emitiu ontem uma nota onde dá conta do cancelamento de todas as actividades programadas para o próximo mês, onde se inclui o festival literário Rota das Letras, que habitualmente se realiza em Março. “A epidemia do novo tipo de coronavírus está ainda em fase importante de prevenção e controlo. O IC cancelou todas as actividades externas programadas para Março e considerou que os locais culturais sob a égide do IC são espaços interiores, a fim de reduzir o risco da propagação da epidemia na comunidade e evitar o contacto e a concentração de pessoas, todos os locais culturais permaneceram fechados até novo aviso”, pode ler-se no comunicado. Numa outra nota, a direcção do Rota das Letras explica que,
para já, não existe uma data pensada para a realização do festival. “Iremos acompanhar de perto o desenvolvimento da epidemia e trabalhar de forma próxima com o Governo e com os nossos patrocinadores, a fim de definir uma data exacta após este cancelamento.” Em relação aos bilhetes de espectáculos já comprados pelos espectadores, o IC promete assegurar o reembolso até ao dia 31 de Maio deste ano. Os espectáculos que envolvem a aquisição de bilhetes incluem o Concerto de Cordas “O Fascínio dos Sopros e das Cordas”, pela Orquestra Chinesa de Macau, no dia 14 de Março e o Concerto “Sinfonia do Destino”, pela Orquestra de Macau, no dia 21 de Março. Além disso, vários espectáculos de entrada gratuita serão cancelados e adiados.
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AREIA PRETA PLANTA URBANÍSTICA CONFIRMA CONSTRUÇÃO DE MERCADO NA ZONA
Comércio no horizonte
Habituados a deslocarem-se ao Mercado do Iao Hon, os moradores da Areia Preta vão ter o seu mercado, previsto para ser construído no terreno do Pearl Horizon. A revelação consta na Planta de Condições Urbanísticas para o lote que vai ser desenvolvido pela Macau Renovação Urbana
Segundo dados divulgados pela Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM), no mês de Dezembro, os empréstimos hipotecários para habitação registaram quebras, ao passo que os empréstimos comerciais para actividades imobiliárias subiram. A queda do empréstimo à habitação foi de 11,8 por cento, em relação ao mês anterior. Assim, de um total de 3,0 mil milhões de patacas, 96,6 por cento foram referentes a residentes locais, num total de 2,9 mil milhões, e 2,9 por cento foram referentes a não residentes, num total de 101,5 milhões de patacas, montante que registou um aumento de 244,2 por cento. Em termos trimestrais a queda foi de 6,6 por cento, em comparação com o período de Setembro a Novembro de 2019. Já os empréstimos comerciais, registaram uma subida de 3,4 por cento relativamente ao mês anterior, atingindo um valor total de 2,4 mil milhões de patacas. PUB
AVISO REGIME PARA A SISTEMATIZAÇÃO DO PROCESSO DE CONSULTA DAS EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA RENOVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NA D.S.S.O.P.T. Avisa-se os construtores e empresas que aderiram ao Regime para o Processo de Consulta das Empreitadas de Obras Públicas que, devido a situação epidemiológica da pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus e em consonância com o funcionamento dos serviços públicos, o prazo para renovação de inscrição na DSSOPT do corrente ano foi prorrogado até o dia 31 de Março de 2020, caducando findo este prazo. O impresso para o pedido de renovação poderá ser levantado pessoalmente na DSSOPT, encontrando-se também disponível para download no portal electrónico desta DSSOPT (www.dssopt.gov.mo), sendo também aceite fotocópia do aludido impresso. Assim sendo, ficam desde já notificados os construtores civis e empresas sobre a renovação da respectiva inscrição, pelo que não serão individualmente notificados quanto a este assunto. Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, aos 19 de Fevereiro de 2020. A Directora dos Serviços Chan Pou Ha
O
Governo está a equacionar a possibilidade de ser construído um mercado na Areia Preta, nomeadamente no espaço que estava destinado para a construção do empreendimento de luxo Pearl Horizon. Esta possibilidade está contemplada na Planta de Condições Urbanísticas (PCU) para a futura construção da empresa com capitais públicas Macau Renovação Urbana. Depois de o terreno na Areia Preta ter sido recuperado, o Executivo de Chui Sai On decidiu que o mesmo seria utilizado para a construção de habitação pública e casas para troca no âmbito da renovação urbana, cujos moldes ainda não estão definidos. Mas além da construção de habitações públicas, a PCU prevê a construção de um mercado, assim como equipamentos e instalações públicas, que poderão ser, por exemplo, casas-de-banho. Neste momento, a zona da Areia Preta é servida pelo Mercado do Iao Hon, que fica mais próximo. As outras alternativas para os moradores passam pelo Mercado Vermelho ou o Mercado Tamagnini Barbosa. Ainda de acordo com a planta que vai ser discutida na terça-feira, as alturas das torres habitacionais poderão ser de 160 metros. Além disso, o futuro empreendimento nesta área vai ter de criar zonas de paragens para veículos para
garantir que o trânsito não é afectado por eventuais paragens nas vias de circulação. Após a abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau esta área foi uma das mais atingidas pelo aumento do trânsito. Além disso, é ainda um acesso chave, e único até ao momento, para os Novos Aterros da Zona A.
MAIS DE 1900 CANDIDATOS
O futuro edifício no terreno do Pearl Horizon vai ser utilizado para vender casas aos lesados do empreendimento de luxo. Segundo os dados apresentados pela Macau Renovação Urbana, houve 1932 candidaturas aceites de pessoas que tinham comprado apartamentos do
Pearl Horizon e que mostraram interesse em receber uma fracção habitacional no futuro edifício.
A zona da Areia Preta é servida pelo Mercado do Iao Hon, que fica mais próximo. As outras alternativas para os moradores passam pelo Mercado Vermelho ou o Mercado Tamagnini Barbosa
No entanto, estes lesados, assim como os futuros participantes no programa de renovação urbana, deverão ter de esperar até 2023 para poderem receber uma habitação. O projecto está a ser levado a cabo pela Macau Renovação Urbana, empresa presidida pela empresário do sector Peter Lam, sem fins lucrativos. Além destes trabalhos, a Macau Renovação Urbana viu alterado recentemente o seu estatuto, numa decisão aprovada pelo Conselho Executivo, de que Peter Lam também faz parte, para poder assumir projecto do Novo Bairro de Macau, em Zhuhai. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
TIAGO ALCÂNTARA
Habitação Empréstimos com quebra de 11,8% em Dezembro
CÁRITAS INSTITUIÇÃO PROMOVE ALOJAMENTO PARA 400 NÃO-RESIDENTES
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ERCA de 400 colaboradores da Cáritas Macau, residentes no Interior, estão alojados no território para reduzir os riscos de contágio com o coronavírus Covid-19. A informação foi avançada à Lusa pelo secretário-geral da instituição, Paulo Pun. “Temos 400 colaboradores do Interior em instalações da institui-
ção, em casas de familiares ou amigos para não terem de atravessar a fronteira e, assim, diminuir o risco de serem infectados com o vírus”, explicou Paulo Pun. O secretário-geral da Cáritas Macau afirmou que a instituição está “centrada em manter os serviços principais, de apoio aos mais vulnerá-
veis, pessoas com deficiência, os que precisam de cuidados continuados e de idosos que vivem sozinhos, muitos com problemas de mobilidade e a habitar em prédios que não têm elevador”. Outra das preocupações da Cáritas Macau passa por assegurar a protecção do pessoal e dos cuidadores, tendo
adoptado regras apertadas que vão desde a redução do tempo passado fora da instituição, na rua, até ao uso de máscaras, luvas e uso de desinfectantes. Paulo Pun destacou ainda os donativos que a instituição tem recebido, seja em géneros alimentícios, dinheiro e máscaras, ações que “estão em sintonia com
a filosofia da Cáritas, de ajudar o próximo, de trabalharmos em conjunto enquanto sociedade”, salientou o responsável. A Cáritas Macau providencia serviços sociais que abrangem os mais idosos e deficientes, passando pelo apoio aos mais jovens e menores, até às vítimas de violência doméstica.
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sexta-feira 21.2.2020
É
CASINOS REABERTURA COM APOSTAS MÍNIMAS AJUSTADAS E PARA JOGADORES DE MACAU
Luzes intermitentes
Os casinos voltaram a acender as luzes, mas foram poucos a apostar as suas fichas no dia da reabertura. O HM testemunhou que os jogadores, poucos, são sobretudo residentes de Macau e que, nalguns casos, o valor da aposta mínima nas mesas de bacará desceu para metade utilizadas, devido ao cumprimento das novas medidas de prevenção, como explicou ao HM a supervisora responsável por aquela área de jogo. "Em relação às máquinas também há novas regras e nem todas as máquinas estão a funcionar porque temos de deixar um espaço mínimo de intervalo entre jogadores. Por exemplo numa fileira de três máquinas, a máquina do meio não está ligada ao servidor", explicou Pansy. Por entre cadeiras à espera de ser ocupadas, porém, uma apostadora vestida a rigor para a ocasião com um casaco amarelo e brilhantes a adornar o cabelo vai saltando de mesa em mesa, em busca da sorte, talvez. De luvas postas, a mulher não se inibe de apresentar notas, circulando sem restrições de espaço. Afinal, nunca se sabe quando é que a sorte pode bater à porta, mesmo em tempos de azar.
GCS
um jogo quase sem apostas, aquele que recomeçou ontem. Mas com mais trancas à porta. À entrada a identificação é obrigatória. “Trouxe consigo a declaração de saúde?”, pergunta um segurança do Grand Lisboa, posicionado antes do detector de metais. Pistola de temperatura apontada à cabeça e a entrada está garantida. O cenário é atípico mas a música e o som de fundo do metal digitalizado a cair é inconfundível.As mesas fechadas podem facilmente ser identificadas pelas barreiras de protecção que foram colocadas à sua volta e aquelas que estão abertas não têm mais do que três cadeiras, onde, noutros tempos, seria normal haver cinco. Tudo pensado para manter a distância mínima entre jogadores, como confirmou um trabalhador do bar do Grand Lisboa. "Há muito menos pessoas do que estava à espera, mas sem dúvida que as novas medidas que estão a ser aplicadas são boas em termos de prevenção. Além disso é bom voltar depois de estar duas semanas sem trabalhar. E é muito bom para a empresa também”, contou ao HM. Andando por entre mesas, várias funcionárias de baldes nas mãos, estão encarregues de ir limpando todos os equipamentos de jogo, inclusivamente as cadeiras onde os jogadores estiveram sentados mal acabam de jogar. “Agora temos uma equipa de limpeza a trabalhar durante todo o dia, a limpar as mesas e os assentos dos jogadores”, explicou ao HM um supervisor do casino do Grand Lisboa de apelido Lao. “No mínimo, temos de assegurar que as mesas são limpas a cada 15 ou 30 minutos e de cada vez que os lugares são utilizados”, assegurou o responsável.
Pedro Arede
info@hojemacau.com.mo
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“Há muito pouca gente e não temos jogadores da China.” SUPERVISOR GRAND LISBOA
Recorde-se que desde a meia-noite de quinta-feira, momento a partir do qual os casinos foram autorizados a reiniciar actividade, passaram a ser implementadas medidas extraordinárias de prevenção contra o novo tipo de coronavírus, o Covid- 19, para os espaços de jogo, anunciadas pelo Governo através da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Entre elas, para além de ser obrigatória a utilização de máscara por funcionários e jogadores, é mandatório para entrar, que os clientes passem pelo processo de medição da temperatura corporal e apresentem uma declaração de saúde. Nos espaços de jogo propriamente ditos, tiveram de ser redobradas as operações de limpeza e de desinfecção, aplicada uma maior distância entre mesas e não são permitidas apostas em pé, nem aglomerações, pelo que é determinada uma distância mínima entre jogadores.Além disso, o acesso aos casinos passou também a estar vedado a todas a pessoas que tenham estado na província de Hubei, local onde começou a epidemia.
AJUSTAR EXPECTATIVAS
Mais croupiers do que jogadores compunham a paisagem. O segundo piso estava totalmente encerrado ao público, à excepção das salas de jogo VIP. Os Jogadores, poucos, que na tarde de ontem apostavam nas mesas do casino do Grand Lisboa contavam-se pelos dedos das mãos, sendo raras as vezes em que estavam sentados mais do que três,
COMUNICADO por mesa. A razão, contou ao HM o supervisor do espaço, deve-se a inexistência de jogadores provenientes do Interior da China “Há muito pouca gente e não temos jogadores da China”, explicou Lao. “Hoje praticamente só estamos a receber jogadores de Macau”, acrescentou. O responsável mostrou-se satisfeito por voltar ao trabalho e referiu ainda que os clientes não tinham contestado, para já, as novas medidas de prevenção que começaram ontem a ser aplicadas. Com o número total de mesas limitado no dia da reabertura, a menos de 30 por cento (menos de 1800 mesas), segundo informaram as autoridades, foi ainda assim, visível que as que estavam abertas dificilmente seriam preenchidas. Além disso, o valor pedido para a aposta mínima do bacará foi reduzido para
“O valor das apostas mínimas foi ajustado neste dia de reabertura. No Bacará, por exemplo, passaram de 1000 patacas para 500 patacas.” SUPERVISORA DE MESA GRAND LISBOA
metade nas mesas do Grand Lisboa, como uma supervisora de mesa confirmou ao HM. "O valor das apostas mínimas foi ajustado neste dia de reabertura. No Bacará, por exemplo, passaram de 1000 patacas para 500 patacas", disse uma supervisora de mesa de bacará de apelido Cheng.
APOSTAR A ESPAÇOS
No casino do Wynn, um dos 29 que reabriram ontem portas, o cenário era o mesmo. Os apostadores escasseiam e funcionárias aguardam de pé, com bandejas, à espera que alguém peça uma bebida para levar à mesa. À entrada o mesmo ritual, mas menor azáfama com a higienização do espaço. Aqui o valor da aposta mínima nas mesas de bacará mantém-se inalterado, nas 1000 patacas, confirmou uma recepcionista do casino.Amesma recepcionista não soube dizer se afluência no dia da reabertura é mais alta do que antes do encerramento, mas espera que a situação possa melhorar em breve. "Não tenho a certeza se há mais pessoas no casino do que antes, mas é bom voltar ao trabalho e assim, pelo menos, garantimos o nosso trabalho. Espero que as coisas possam melhorar em breve, talvez daqui a um mês", profetizou. A área destinada às máquinas de jogo também tem novas regras e nem todas podem ser
A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau – APOMAC, vem, dolorosamente, comunicar a todos em geral e aos seus associados em particular que faleceu no passado dia 16 do corrente a ex-sócia e gestora da Cantina dona Victória Baptista, reconhecida na RAEM como sendo uma das figuras mais simbólicas, da sua geração, da fina culinária macaense. A nossa querida Victória, foi em vida, uma figura afável, discreta e amiga de todos, por isso, a sua súbita partida deixou-nos muito consternados. O velório e as cerimónias religiosas tiveram lugar no dia 19 e os seus restos mortais foram cremados no continente Chinês no dia 20. Cremos e fazemos votos por que a sua alma esteja em paz e junto dos seus para o eterno descanso. Aproveitamos para informar que a Cantina está encerrada e será reaberta em data a anunciar oportunamente. Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, aos 20 de Fevereiro de 2020. A DIRECÇÃO
8 coronavírus
21.2.2020 sexta-feira
75751 Infectados
Covi novel cor
4922
11864 Em estado crítico
Casos suspeitos
FONTES: • https://gisanddata.maps.arcgis.com/ apps/opsdashboard/index.html#/ • https://www.who.int/ emergencies/diseases/novelcoronavirus-2019/situation-reports bda7594740fd40299423467b48e9ecf6 • https://www.cdc.gov/coronavirus/2019ncov/index.html • https://www.ecdc.europa.eu/en/ geographical-distribution-2019-ncovcases • http://www.nhc.gov.cn/yjb/s3578/ new_list.shtml • https://ncov.dxy.cn/ncovh5/view/ pneumonia
INFECTADOS POR PAÍS / REGIÃO 74578 104 84 84 67 35 24 22 16 16 15 15 12 10 9 9 8 3 3 3 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1
Interior da China Coreia do Sul Japão Singapura Hong Kong Tailândia Taiwan Malásia Vietname Alemanha Austrália EUA França Macau Emiratos Árabes Unidos Reino Unido Canadá Itália Filipinas Índia Irão Rússia Espanha Nepal Cambodja Bélgica Egipto Finlândia Sri Lanka Suécia
OUTROS
621
Cruzeiro Diamond Princess países com casos de nCov países sem casos de nCov
Infectados
4 MACAU
Infectados
6 Curados
Macau
67
HONG KONG
Infectados
2
HONG KONG
1
Curado
Hong Kong
Mortos
coronavírus 9
sexta-feira 21.2.2020
id-19 ronavírus
2130
16850
HOJE NA CHÁVENA
Curados
Mortos
1-99 10-99 100-499 500-999 1000-9999 +10000 Ocorrências nas áreas afectadas
Dados actualizados até à hora do fecho da edição
Covid-19 vs SARS
CHINA NÚMERO DE INFECTADOS E MORTOS POR REGIÃO
74,000 12,000 10,000 8,000 6,000 4,000 2,000 0
20
dias
40
dias
60
dias
Dia em que a OMS recebeu os primeiros avisos do surto
80
dias
100
dias
120
dias
REGIÃO Hubei Guangdong Henan Zhejiang Hunan Anhui Jiangxi Jiangsu Chongqing Shandong Sichuan Heilongjiang Pequim Xangai Hebei Fujian Shaanxi
INFECTADOS 62031 1332 1265 1175 1010 987 934 631 560 546 520 476 395 334 307 293 245
MORTOS 1789 4 19 0 3 6 1 0 5 3 3 11 4 1 4 0 1
REGIÃO Guangxi Yunnan Hainan Guizhou Shanxi Tianjin Liaoning Gansu Jilin Xinjiang Mongólia Interior Ningxia Hong Kong Taiwan Qinghai Macau Tibete
INFECTADOS 245 173 168 146 131 130 121 91 91 76 75 71 67 24 18 4 1
MORTOS 2 0 4 1 0 3 1 2 1 1 0 0 1 0 0 0 0
10 china
21.2.2020 sexta-feira
a restrição do tráfego internacional de passageiros. AASEAN é composta por Myanmar (Birmânia), Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname.
DOS NÚMEROS
Retno Marsudi, ministro dos Negócios Estrangeiros da Indonésia “A troca de comunicação entre a ASEAN e a China é essencial.”
A
China e dez países do sudeste asiático concordaram ontem em fortalecer a colaboração para combater o novo coronavírus (Covid-19), que deixou mais de 2.100 mortos e mais de 74.000 infectados na China continental, epicentro da epidemia. O anúncio foi feito através de uma declaração conjunta dos dez ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, após uma reunião especial na capital do Laos. Os ministros comprometem-se a trocar informações e tecnologia para combater a epidemia. Prometeram ainda visitas recíprocas
SURTO CHINA E ASEAN JUNTOS NO COMBATE AO COVID-19
Nações unidas de especialistas e a promoção da investigação de medicamentos e vacinas contra o coronavírus. Também concordaram em combater a desinformação e as notícias falsas, além de ajudar os sectores económicos, especialmente as pequenas e médias empresas, afectados pela epidemia. "A troca de comunicação entre a ASEAN e a China é essencial", disse o ministro dos Negócios
Estrangeiros da Indonésia, Retno Marsudi, num comunicado de imprensa separado, pedindo que uma linha directa seja estabelecida entre o bloco e Pequim. Retno também observou a importância de aumentar a educação pública para evitar confusões sobre a epidemia. Wang Yi agradeceu a ajuda de mais de 160 países e 30 organizações internacionais dada à China.
Alguns países da ASEAN, como Singapura, Vietname e Filipinas, proibiram a entrada de viajantes da China, enquanto a Malásia impôs restrições aos que chegavam da província chinesa de Hubei e o Vietname fechou parte da fronteira terrestre com a China. No passado, Pequim descreveu essas medidas excessivas e lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselhou contra
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Região
ECONOMIA BANCO CENTRAL REDUZ TAXA DE JUROS MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 10/AI/2020 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIU, SHUZHEN, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C67872xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 267.1/DI-AI/2017 levantado pela DST a 25.11.2017, e por despacho do signatário de 12.09.2019, exarado no Relatório n.° 426/DI/2019, de 03.09.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 28, Vista Magnifica Court, Bloco 4, 13.° andar R, Macau.----------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 8 de Janeiro de 2020. O Director dos Serviços, Subst.°, Cheng Wai Tong
O
S credores chineses reduziram ontem a taxa de juros base em 0,1 ponto percentual, numa altura em que o país enfrenta o surto do coronavírus Covid-19, que levou ao encerramento de vários negócios. O Banco do Povo Chinês (banco central) reduziu a taxa referencial para créditos de 4,15 por cento para 4,05 por cento, visando aliviar o impacto económico causado pelo novo coronavírus, noticiou a agência oficial Xinhua. A redução na taxa média de empréstimos que os bancos comerciais oferecem aos melhores clientes diminui os custos de financiamento para as empresas chinesas, à medida que lidam com a interrupção causada pelo surto. Pequim lançou ainda dezenas de outras medidas para apoiar as empresas mais afec-
tadas pela epidemia, incluindo empréstimos no total de 300 mil milhões de yuan para as grandes empresas e alguns bancos das províncias mais atingidas, incluindo Hubei, centro do surto. No entanto, analistas previram já uma queda acentuada na actividade económica este ano. A Standard Chartered estimou que a economia chinesa cresça 2,9 por cento, no primeiro trimestre do ano, cerca de metade, em comparação com igual período do ano anterior. Num relatório, a consultora Capital Economics considerou que a redução da taxa de juros vai servir como balão de oxigénio para empresas que estão a sofrer o impacto da crise de saúde pública. "Os cortes são apenas um alívio parcial para os milhões de pequenas empresas que mais sofrem com a epidemia e recebem pouca atenção do sector bancário", apontou o economista Julian Evans-Pritchard. Segundo o analista, um terço dessas empresas pode ficar sem dinheiro nas próximas semanas, a menos que retomem a actividade.
O número de mortos devido ao novo coronavírus subiu ontem para 2.122 na China continental, ao mesmo tempo que foi registado o menor aumento diário de novos casos de infecção em quase um mês, de 394. O número de pacientes fixou-se, no total, em 74.578. No entanto, o número de novos casos diários é o menor desde 25 de janeiro. Por outro lado, a província de Hubei, cuja capital Wuhan é o centro do surto, registou 108 novas mortes e 349 novos casos de infeção. Só Wuhan registou a maioria das vítimas mortais, 1.585, e dos casos de infecção, 45.027. Várias cidades na zona estão em quarentena desde 23 de Janeiro passado, numa medida que afeta cerca de 60 milhões de pessoas. Globalmente, o vírus já infectou mais de 75 mil pessoas. Além dos 2.122 mortos na China continental, morreram duas pessoas na região chinesa de Hong Kong, duas no Irão, uma nas Filipinas, uma no Japão, uma em França, uma na Coreia do Sul e uma em Taiwan.
COREIA DO SUL REGISTADA PRIMEIRA MORTE ASSOCIADA AO COVID-19
A
Coreia do Sul registou a primeira morte pelo novo coronavírus (Covid-19), noticiou ontem a agência Associated Press (AP), que cita a imprensa sul-coreana. Ontem, as autoridades sul-coreanas confirmaram que há 82 casos do novo coronavírus na Coreia do Sul, após 35 novas infecções terem sido registadas, segundo a Associated Press. A agência de notícias EFE referiu, entretanto, que o número de casos subiu para 104, após serem registados 53 novos pacientes infectados pelo vírus.
O autarca de Daegu (sudeste), Kwon Young-jin, disse ontem que a sua cidade e outras vizinhas registaram casos adicionais de infecção pelo novo coronavírus e que, devido a esta situação, pediu ajuda do Governo central. Kwon pediu, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão nacional, que os habitantes da cidade, cerca de 2,5 milhões de pessoas, evitem sair de casa e usem máscara como protecção. Segundo a AP, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da Coreia disse que pelo menos 28 dos 35 novos pacientes foram a serviços religiosos assistidos por um paciente com o vírus ou contactaram-no na mesma igreja em Daegu. Essa paciente é uma mulher sul-coreana, com cerca de 60 anos, que não tem registo recente de viagens ao estrangeiro, segundo autoridades do Centro. A mulher testou positivo para o novo coronavírus na terça-feira.
sexta-feira 21.2.2020
Não perturbes a paz que me foi dada.
entre oriente e ocidente Gonçalo M. Tavares
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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO
Nómadas Paul Virilio, falecido há pouco tempo, estudioso da tecnologia, numa entrevista, falando do Crash da bolsa em 2008 e da crise do preço das casas: “De onde parte a crise atual? Dos subprimes, das casas à venda a crédito em condições impossíveis. Do solo. As vítimas são algumas centenas de milhares de pessoas que perderam as suas casas. A noção de sedentariedade já está posta em causa com os imigrantes, deportados, refugiados, o deslocamento das empresas, etc. “ A ideia importante de que voltámos ao nomadismo. O preço exorbitante das casas, de repente obriga o homem a sair do seu sítio, a deslocar-se sem nada na mão, afastando-se do espaço onde estão os seus familiares mortos. Ou então, mesmo mantendo a casa, aí está o humano a deslocar-se diariamente numa extensão significativa, ou ao longo de horas, para ir trabalhar. Duas/três horas por dia para ir trabalhar e voltar a casa. Um nomadismo diário, nomadismo soft, mas nomadismo. Virilio continuava, nessa entrevista: “O fenómeno vai acentuar-se. Até 2040, um milhão de pessoas serão forçadas a mudarem-se do lugar em que vivem. Eis aí as vítimas. Nós estamos na noção do stop/eject. Paramos e ejetamos.” E a sensação de que não podes parar. Se páras serás ejectado, atirado para fora: é preciso circular. Se páras serás projectado para fora do circuito, esse circuito ininterrupto que é mesmo isso: uma circunferência e não uma recta com horizonte. Uma circunferência não tem horizonte ou tem horizontes falsos. Toda a imobilidade será castigada pelo progresso de dentes afiados, um mandamento contra o qual podia lutar Virilio. Ao fim do dia regressas ao mesmo sítio. Um nomadismo circular, eis a falsa agitação de muitas cidades.
POEMAS DO ORIENTE
Estratégia
Negócios fechados em silencio e imobilidade. Terrenos mudam de dono. Objectos encontram novas mãos. Quem quer não fala nem gesticula. Ninguém fascina se perturbar a calma. Quem quer, espera.
ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES
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Tonalidades António de Castro Caeiro
21.2.2020 sexta-feira
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Ser é querer
S
“
ER é querer” leio no tratado da liberdade humana (Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana, 1809) de Schelling (Friedrich Wilhelm Joseph Schelling 1775-1854). Não é um querer de uma vontade qualquer, dessas que se apregoam nos livros de auto ajuda, como se não fôssemos os objectos preferenciais de ajuda. Nem é o querer da frase batida: “querer é poder”. Não se entendermos a frase como o slogan do empreendedorismo da self-made mulher/homem de sucesso, entendido como o êxito expresso no que pode financeiramente, na vida boa que “tem”. Schelling interpreta este “querer” como o agir acção de uma vontade de um “eu”, não existindo nada que não seja conforme a um “eu”. Toda realidade objectiva estudada pela mecânica pode ser considerada uma natureza morta. Contudo, a natureza morta existe paredes meias com a natureza viva. A inércia existe em tensão com o movimento. São manifestações possíveis de um mesmo sujeito. O inorgânico tem em si partículas subatómicas numa dança louca inimaginável e como quer que pensemos átomos, não é de certeza em sossego. Diz Schelling que o ser humano em particular no fundo do seu ser tem um querer. Querer é ser. Cada pessoa para existir passa por este ser a querer. Todo o viver é interpretado como um querer. O romper da aurora tende ao nascer do dia. O crepúsculo tende ao cair da noite. Ir nas horas tende ao fim de cada uma. O fim de cada hora e de cada tempo é o início de cada outra hora e de cada outro tempo ou fase de tempo. Todo o instante está cheio de um ser que é um querer mesmo quando não pensa que quer ou deixa de querer, mesmo até quando explicitamente não quer ou quer que qualquer coisa não aconteça. Não querer não é nada. Não querer exprime-se em cada pessoa de formas extraordinárias de protesto, em que se diz não, age contra, interdita, proíbe, boicota, cria distância, afasta, desiste, renuncia. Querer testemunha-se de modo extremo quando achamos que não conseguimos, quando sentimos que estamos à beira da desistência, quando parece mesmo que não se é capaz. Querer é oferecer resistência, é não desistir, é insistir. Falamos connosco na segunda pessoa do singular do presente do imperativo “aguenta!”. Pedimos capacidade de resistência e um instante de tempo para perseverar. Um só instante em que “não deitamos a toalha ao chão”, um breve lapso de tempo, pode representar toda uma vida de
Querer é oferecer resistência, é não desistir, é insistir. Falamos connosco na segunda pessoa do singular do presente do imperativo “aguenta!”. Pedimos capacidade de resistência e um instante de tempo para perseverar. Um só instante em que “não deitamos a toalha ao chão”, um breve lapso de tempo, pode representar toda uma vida de sentido
sentido. O momento em que se desiste dura o mesmo tempo que o momento em que se resiste menos aquele brevíssimo instante em que se fica ainda. Esse brevíssimo instante de resistência dá sentido a toda uma vida. O tempo da desistência, mais breve do que o da resistência, estende a sua sombra por toda a nossa vida, é lamentado e temos pena de não ter aguentado. Não ter sido não quer dizer que não “seja”. Aquilo de que desistimos e não fizemos, aquilo a que renunciamos e que não fomos, o “não”, o negativo, a nulidade existe e está encastrado nas nossa vidas. Mas Schelling dá um sentido decisivo ao querer ser de que cada pessoa é portadora. Não é apenas um querer resistir nem um não querer desistir, nem a avaliação complexa das diversas possibilidades que se jogam nas nossas decisões com verdades e consequências, bases, motivos e fundamentos num complexo de relações. Desistir pode ser sensato como resistir. É óbvio. Em todo o caso, parece que é depois de “elas se darem” que podemos fazer um diagnóstico da situação, o que contradiz a própria ideia de diagnóstico, porque vem tarde demais. E não só. Não sabemos bem se poderíamos escolher de outra maneira, adoptar outras medidas diferentes, resolver de outro modo. Ser é querer porque o seu sentido como todo o querer é futuro. Não apenas o que cada um de nós quer não é possuído ou se o é, queremos continuar a ter isso à nossa disposição, como o que move todo o querer é algo que se quer ao manifestar-se a partir do futuro como um polo de atracção que nos atrai para si, que é sexy, tem sex appeal, nos vira para lá, mexe connosco, faz-nos virar para lá, orienta-nos e dirige-nos. Mas o querer do ser não é de uma única coisa, de muitas coisas ou de todas elas. Para o querer do ser é o querer de si, um querer-se a si nas suas manifestações positivas: querer simplesmente e positiva: “não quero mais isto!”. Schelling diz que há em cada ser humano uma saudade que faz vibrar todo o nosso ser, porque é a própria vibração do ser a ser, independente de mim, ti, dela ou dele. É uma saudade do ser que faz querer, um querer de nada em particular mas sempre de um querer-se-a-si, não para continuar a ser o que é, mas que se perspectiva como nunca tendo sido. Querer-se a si descobre-me como não existindo, não tendo sido verdadeiro, não tendo sido o meu potencial. E desse meu eu verdadeiro que não fui ou ainda não fui que o ser tem saudades, afinal eu não fui ainda. As saudades de me parir.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
sexta-feira 21.2.2020
OFício dos ossos
Valério Romão
Uma vida simples
DOROTHEA LANGE, LEARNING TO WALK
pelo qual se consolida paternidade ou maternidade. As mesmas inseguranças, as mesmas dúvidas, a mesma incapacidade de confessar a ocasional vontade de desistir de tudo.
Apesar dos inegáveis avanços técnicos, sociais e culturais que o império a prazo a que chamamos humanidade tem produzido, ainda ninguém nasce herdando qualquer tipo de conhecimento. A enormíssima vantagem do humano – a sua indeterminação cognoscente originária – implica, por outra parte, que cada um tem de aprender tudo outra vez
A
despeito de tudo quanto penso ter aprendido ao longo do titubeante percurso a que chamo “a minha vida até agora” – de certa forma bastante privilegiado por contraste com a vida dos meus pais, por exemplo – há coisas que me descubro a fazer nas quais as figuras de pai e de mãe se intersectam em mim, pequena roda dentada movendo a intemporal engrenagem do cuidado e da preocupação que em cada geração e sob diferentes roupagens transforma um ser humano banalmente autocentrado em mãe, e, com alguma sorte e mais trabalho, em pai. Ao contrário do que imaginava na adolescência, ser mãe ou pai não é de todo fácil. E a dificuldade não reside “nas grandes questões” mediante as quais os adolescentes fazem questão de ridicularizar a geração que lhes precede. O problema, como quase sempre, não são os grandes ideais, o abstracto ou as questões morais da época. O problema
é mesmo o dia-a-dia, as pequeninas coisas que conformam a teia mais ou menos segura da quotidianidade: o lugar da pasta de dentes, a conta da luz, o facto de ninguém se parecer importar com a forma como o tapete fica geometricamente desalinhado em relação à cómoda quando se passa por ele sem ter o cuidado de o endireitar depois. Apesar dos inegáveis avanços técnicos, sociais e culturais que o império a prazo a que chamamos humanidade tem produzido, ainda ninguém nasce herdando qualquer tipo de conhecimento. A enormíssima vantagem do humano – a sua indeterminação cognoscente originária – implica, por outra parte, que cada um tem de aprender tudo outra vez: a andar, a falar, a comer com talheres, a namorar, álgebra e metafísica, a mudar uma fralda, a fazer o luto. Somos todos repetidamente principiantes. E isso nota-se quando se tem um filho: aqueles que nos precederam sentiram aquilo que estamos a sentir em cada fase do processo
É quando muito cedo pela manhã e em modo automático preparo o meu filho para o deixar na escola que mais sinto o quanto cresci enquanto pai (há outras ocasiões em que sinto precisamente o oposto, pelo que o saldo oscila entre neutro e suficiente menos, não dando lugar a qualquer assomo de orgulho). A necessidade acaba por instalar alguma disciplina nos lugares das coisas, nos gestos, na sequência dos actos. A pobre criança, que outrora tinha de acordar muito mais cedo para parecer vagamente humana ao passar pelo portão da escola tem agora a oportunidade de, acordando uma hora mais tarde, sair de casa mais compostinha. Deve ser a isso que os economistas da nossa praça chamam eficiência. Talvez me tenha tornado alemão na questão da paternidade. Há um conto do Tolstói, chamado Padre Sérgio, no qual um clérigo tomado pelas dúvidas em relação ao comportamento adequado em terra para chegar ao céu acaba, depois de muitas atribulações particularmente gráficas, por compreender a simplicidade e a sua necessidade, a segurança da rotina, os pequenos passos indispensáveis para percorrer um caminho que ele queria atalhar num salto grandioso. A vida é muitas vezes isso mesmo: uma difícil e demorada tensão para a simplicidade.
14 (f)utilidades POUCO
POUCO
21.2.2020 sexta-feira
NUBLADO
MASSACRE DIÁRIO
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HUM
Quase 900.000 pangolins, um animal em extinção, foram vendidos ilegalmente nas últimas duas décadas no sudeste da Ásia, um importante centro de tráfico de animais selvagens, disse ontem uma organização não-governamental (ONG). “Não
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EURO
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BAHT
passa um dia sem haver uma captura de animais selvagens no sudeste da Ásia e, muitas vezes, os números são impressionantes”, observou Kanitha Krishnasamy, directora da organização Traffic na região.
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VIDA DE CÃO
CHAVE NA IGNIÇÃO Os sinais são positivos. Ausência de novos casos há mais de uma quinzena. Jardins parcialmente abertos. Mais movimento. Casinos de volta à vida. Admito que, ao contrário do que esperava, ver novamente as luzes dos casinos acesas dá algum alento, apesar de não ter vontade (nunca tive) de fazer apostas. No entanto o sentimento é agridoce. Na rua, os altifalantes continuam a pregar apelos para evitar concentrações e ficar em casa sempre que possível. As grades de muitos estabelecimentos continuam em baixo e atrás delas não é difícil imaginar algumas histórias trágicas, derivadas da ausência de negócio. Não tenho dúvida que daqui a alguns anos vamos voltar a falar dos dias que estamos a viver e da forma como se deu a volta à situação e o que mudou numa cidade, que talvez nunca mais vai voltar a ser mesma e que, como disse até o empresário Jorge Neto Valente, sofreu danos irrecuperáveis a nível económico. Vejamos agora como é que Macau e as suas pessoas irão acolher as inúmeras ondas de choque desta crise, que só agora estão a chegar e deverão fazer vir ao de cima todo o tipo dificuldades, mesmo a nível pessoal, económico ou familiar. Não há receitas certas e mesmo as boas ideias para solucionar problemas podem dar errado mas, pelo menos, há boa vontade e parece começar a haver algum alento, pelo menos, para recomeçar em algumas frentes. Acredito que o motor ainda não começou a andar mas pelo menos a chave já está na ignição. Veremos agora se chega a hora de a rodar ou voltar a tirar para esperar mais um pouco. Pedro Arede
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 1
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PROBLEMA 2
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UM FILME HOJE
HAYAO MIYAZAKI | 1992
Porco Rosso é um veterano da Primeira Guerra Mundial que ganha a vida como caçador de prémios nos mares do adriático fazendo uso do seu vistoso hidroavião escarlate. Produzido por Hayao Miyazaki sob a batuta dos aclamados estúdios Ghibli (Japão), não faltam referências à Itália fascista de Mussolini, onde Porco é um alvo a abater, ao poder matriarcal e ao sentido de união familiar. No meio de tiroteios e voos rasantes por terra e por um mar edílico a fazer lembrar a Cote d´Azur, Porco Rosso acaba por se revelar um herói inesperado de uma mirabolante e, por vezes, rude história digna de um conto de fadas surrealista. Pedro Arede
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opinião 15
sexta-feira 21.2.2020
confeitaria
JOÃO ROMÃO
C
Politicamente correcto
OM mais ou menos acordo sobre normas ortográficas cuja discussão prefiro evitar, mas assumindo-me - por não ter outro remédio - como pessoa relativamente aborrecida e vagamente anacrónica, mantenho profunda simpatia pela ideia de “politicamente correcto”, escreva-se lá como for, por essa tentativa de assumir que os nossos comportamentos quotidianos, as nossas escolhas, as nossas opções de vida, a forma como nos relacionamos com o trabalho e com a sociedade, a nossa linguagem, ou até o que comemos e consumimos, têm frequentemente implicações sobre as outras pessoas, sobre a vida comunitária que temos e a que podíamos ter, sobre o presente em que vivemos e o futuro a que podemos aspirar. Muito do que fazemos é da esfera da política e tem consequências sobre nós e também sobre as comunidades em que nos inserimos. Comportarmo-nos, escolhermos, agirmos, falarmos, votarmos, em função dos nossos valores e das nossas preferências em relação ao tipo de sociedade em que queremos viver é aquilo a que gosto chamar “politicamente correcto”. Tem mais a ver com uma certa decência cívica do que com regras de etiqueta, boa educação e preceitos sociais que nos fazem aceitar, frequentemente com alguma hipocrisia, determinadas normas de linguagem e ação com as quais se harmonizam suficientemente comportamentos sociais dominantes que garantem certa harmonia entre as pessoas nas suas interações quotidianas. São coisas diferentes, portanto: as normas de etiqueta conduzem necessariamente a uma certa homogeneização que tende à eliminação do conflito, por assentarem em regras colectivamente aceites, ainda que de forma implícita; a ação politicamente correta frequentemente conduz (ou devia conduzir) ao conflito, por traduzir valores e consciências políticas individuais, com frequência divergentes e com fundamentos em diversos interesses, individuais ou de grupo, e diversas formas de entender o mundo e a sociedade. Que esse conflito fosse aceite com naturalidade e resolvido tranquilamente seria o mínimo a esperar em sociedades democráticas. Que esse diferenças sejam motivo para que supostas maiorias imponham violentamente a exclusão de comportamentos, acções ou grupos minoritários, há muito que deixou de ser aceitável em democracia. Ou pelo menos assim parecia. Vem isto, evidentemente, a propósito de Marega, acidental ponta-de-lança da defesa dos valores democráticos na sociedade portuguesa, com os dedos do meio em riste e apontados com inequívoca clareza e
determinação à turba alarve e ululante que o foi brindando com reiterados e sistemáticos insultos racistas durante um jogo de futebol. Que magnífica demonstração de correcção política, a do avançado que a seguir abandonou o relvado, deixando subitamente em claro fora de jogo companheiros de equipa, adversários, árbitros, espectadores no estádio e na televisão, enfim, quase todos nós, os que em nome de uma certa pacificação da convivência social vamos aceitando a normalização da alarvidade, do racismo e de tantas outras formas de intimidação e violência sobre quem é tido como mais fraco, seja por estar em minoria, seja por não ter acesso a formas de poder que lhes garantam a proteção necessária frente à boçalidade ou a outras formas mais ou menos evidentes de intimidação e agressão. Os estádios de futebol têm sido zonas francas para esta selvajaria. Paga-se o bilhete e entra-se numa arena onde muito remotamente se aplica a legislação em vigor sobre
Não pode haver tréguas, por parte dos que queremos estar do lado de cá da democracia, no combate politicamente correcto a esta recuperação do fascismo: não é com diálogo, é com o dedo do meio devidamente em riste
o direito ao bom nome ou à proteção perante o insulto, a violência verbal e a intimidação psicológica, quando não física. Tudo faz parte da normalidade de uma tradição alegadamente desportiva e popular, generalizadamente aceite à esquerda e à direita do espectro político. As coisas ficarão mais evidentes quando se vai ao futebol com uma criança pequena, como me aconteceu quando levei o meu filho, na altura com 3 ou 4 anos, a ver um jogo de um obscuro campeonato distrital. Aquilo que seria uma oportunidade de vivenciar um suposto ritual festivo rapidamente se transformou num penoso exercício explicativo – ou evasivo - sobre variantes e nuances da língua portuguesa, ali aplicadas com profunda sabedoria e ampla variedade na agressão e intimidação de quem ouse aparecer pela frente da nossa maravilhosa equipa. Vale tudo nessas bancadas - e sabemos disso, as pessoas que vamos a estádios porque gostamos de futebol ou porque somos adeptos de um formidável clube, muito mais formidável do que qualquer outro. Viria o árbitro da partida a registar em competente acta o ignóbil comportamento dos adeptos em questão. Fica-lhe bem a tardia atenção mas falhou no essencial, que é aplicar as regras do jogo no momento certo: interrupção imediata e derrota da equipa cujos adeptos praticaram reiterada e inequivocamente actos de agressão racista em relação a um jogador adversário, como mandam as leis. Está tudo escrito e é o mínimo que a decência impõe, por muito que façamos de conta que não se passa nada. O mesmo se aplica, de resto, aos colegas de
equipa, treinadores e dirigentes do clube de Marega: lá estiveram eles, diligentes e ufanos, a tentar convencer o jogador a permanecer no rectângulo de jogo. Debalde: não houve grito ou obstáculo que demovesse da sua correcta e sábia decisão o magnífico avançado dos dedos em riste. Ficamos a dever-lhe a lição de civismo e reivindicação dos nossos direitos mais enquanto pessoas. Corremos menos riscos de que as coisas se passem da mesma forma na próxima ocasião. E vai haver uma próxima ocasião, evidentemente. Esta esteve longe de ser a primeira, quer em Portugal quer noutras paragens. Em Inglaterra, por exemplo, esta tem sido uma temporada de recordes no que diz respeito a incidentes racistas contra jogadores. Não será tão estranho como isso, afinal. Vivemos tempos em que a alarvidade da violência racista – e machista, já agora – vai ganhando peso e representação institucional, com cada vez menor dissimulação da linguagem e dos comportamentos intimidatórios.Além de abjectos, estes actos constituem atropelos evidentes aos direitos humanos e crimes claramente definidos por lei. Vivemos tempos em que o autoritarismo e a violência sobre minorias se vêm legitimadas pelo discurso de presidentes, primeiros-ministros, deputados, presidentes de câmara, seja em Portugal, em Itália, em Inglaterra, nos Estados Unidos, na Bolívia ou no Brasil. Não pode haver tréguas, por parte dos que queremos estar do lado de cá da democracia, no combate politicamente correcto a esta recuperação do fascismo: não é com diálogo, é com o dedo do meio devidamente em riste.
O pudor inventou a roupa para que se tenha mais prazer com a nudez. PALAVRA DO DIA
Melco Resorts Aumento de lucros líquidos de 9,7% em 2019
A operadora de jogo Melco Resorts & Entertainment, com quatro casinos em Macau, divulgou ontem lucros líquidos de 373,2 milhões de dólares em 2019, mais 9,7 por cento do registado em 2018. Em comunicado, o grupo liderado por Lawrence Ho, filho do magnata do jogo de Macau Stanley Ho, apontou ainda um lucro operacional de 747,7 milhões de dólares em 2019, comparado com 613,4 milhões de dólares (alcançados no ano anterior, representando um aumento de 22 por cento. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações), em 2019 foi de 1,69 mil milhões de dólares, comparado com os 1,49 mil milhões de dólares registados em 2018. O grupo, que contempla ainda casinos nas Filipinas e no Chipre, obteve de Janeiro a Dezembro de 2019 receitas operacionais de 5,74 mil milhões de dólares, mais 550 milhões de dólares que em 2018. Em 2019, os casinos em Macau obtiveram receitas de 292,46 milhões de patacas, menos 3,4 por cento do que no ano anterior.
ÓBITO PEDRO BAPTISTA, ESCRITOR E ENSAÍSTA
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ORREU o escritor e ensaísta Pedro Baptista, de 71 anos, comissário das comemorações da Revolução Liberal do Porto, que arrancam esta quinta-feira, avançou ontem o Jornal de Notícias. Ao que JN apurou, Pedro Baptista terá sido vítima de doença súbita, na madrugada de ontem, em casa, no Porto. Pedro Baptista era esperado ontem de manhã, às 11 horas, na Casa do Infante, para uma visita prévia à exposição que recorda a Revolução Liberal de 24 de Agosto, no Porto. A autarquia do Porto reagiu com consternação à notícia, conhecida esta manhã, aquando da visita prévia à exposição, inaugurada ontem no Porto. A exposição, na Casa do Infante, vai estar patente até 6 de Setembro. Segundo apurou o JN, a mostra passará a ter um caráter mais simbólico, de homenagem a Pedro Baptista. O autor com ligações a Macau, onde passou parte da vida, foi também colaborador por diversas vezes do Hoje Macau.
HOJE MACAU
Carlo Dossi
sexta-feira 21.2.2020
FITCH DESTACADA “ALMOFADA” FINANCEIRA DE MACAU
A
Carlos Fraga, realizador “Alguns estão dispensados do trabalho durante dois ou três meses, quando são pessoas que nasceram cá ou que vivem cá há vários anos. Não há explicação.”
Temores virais Filme de Carlos Fraga alerta para discriminação de chineses em Portugal
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M grupo de jovens chineses, residentes em Portugal há vários anos, pediu ao realizador Carlos Fraga para fazer um vídeo com o objectivo de combater a discriminação de que a comunidade chinesa em Portugal está a ser vítima devido ao surto do novo coronavírus. O filme passa-se na zona do Chiado, em Lisboa, onde o grupo de jovens, com máscaras, enverga cartazes que apelam à não discriminação. No final, vários transeuntes dão abraços e apertos de mão, solidários com a acção. Ao HM, Carlos Fraga diz que resolveu dar o seu contributo a esta causa por conhecer de perto vários casos de discriminação. “Falo principalmente de discriminação no trabalho. Alguns estão dispensados do trabalho durante dois ou três meses, quando são pessoas que nasceram cá ou que vivem cá há vários anos. Não há explicação. Não
vieram da China, nem estão cá temporariamente. São diversos os empregos que têm, mas trabalham por conta de outrem. Os que têm negócios próprios, como lojas ou restaurantes, também se estão a ressentir seriamente.”
COM FÉRIAS E SEM TRABALHO
Anting Xiang, uma das promotoras do vídeo, vive em Portugal há vários anos e trabalha numa loja de uma conhecida marca de alta costura na Avenida da Liberdade há cinco anos. Apesar de não ter viajado para a China recentemente, os chefes pediram-lhe para tirar férias durante dois meses assim que começou a crise do coronavírus. Anting acabou por tirar apenas um mês de férias. “Ligaram-me a dizer que podia tirar as férias todas naquele momento. Mas tenho uma amiga que tem uma filha na escola e os colegas não querem aproximar-se dela, dizem-lhe coisas más. Os colegas não se querem aproximar no recreio.
Por isso quis fazer este vídeo para dizer às pessoas de todo o mundo para nos dar apoio e para dizer que não somos um vírus”, disse ao HM. A jovem assegura que as lojas na Avenida da Liberdade se ressentiram muito com a falta de turistas chineses. Já Lucas Borges, um colega de trabalho brasileiro, diz ter assistido a muitas cenas na loja, em que clientes estrangeiros evitaram aproximar-se de clientes chineses. Xu Ye, com 23 anos, também participa no vídeo e viu-se obrigado a deixar de trabalhar temporariamente como agente de viagens. Daniela Yin, trabalhadora num escritório de contabilidade, não foi vítima de discriminação, pois o patrão é chinês. Mas a jovem deseja que o racismo não estrague a boa relação que portugueses sempre tiveram com chineses. “A relação entre a China e Portugal é muito boa e vai desenvolver-se”, adiantou ao HM. A.S.S.
Fitch Ratings defende que a ‘almofada’orçamental de Macau é suficientemente grande para resistir à pressão económica, provocada pelo surto do novo coronavírus, e à dependência que o território tem em relação à China continental. Segundo um comunicado da agência de notação financeira, o desempenho económico de Macau, em 2020, será afectado devido ao Covid-19. Mas “os amortecedores orçamentais do território, cerca de 150 por cento do Produto Interno Bruto” (PIB), devem ser suficientes “para resistir a uma interrupção prolongada”, é sublinhado. A agência lembrou que em Dezembro manteve a classificação de ‘AA’ para a economia de Macau, mas reduziu a perspectiva para 2020 de estável para negativa. As razões dizem respeito às “grandes e crescentes ligações económicas, financeiras e sociopolíticas com o Interior”, é acrescentado. Numa análise divulgada na semana passada, a Fitch Ratings sublinhou a resiliência da banca de Macau, e defendeu que está mais imune à queda dos preços de imóveis, agora perante o surto do novo coronavírus chinês, do que aquando da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 que matou 774 pessoas em todo o mundo e atingiu as duas regiões administrativas especiais chinesas. Contudo, deixou um alerta: “os ganhos bancários serão enfraquecidos no curto prazo”. A agência de notação financeira destacou igualmente que, apesar das medidas excepcionais anunciadas pelo Governo de Macau, “é provável que o impacto no PIB no território seja significativo, uma vez que as receitas de jogo contribuem com cerca de 70 por cento para o PIB”. Mas, sublinhou, a repercussão “na qualidade dos activos dos bancos deve ser contida, desde que o impacto no PIB não seja prolongado”.