Skip to main content

Hoje Macau 21 DEZEMBRO 2021 #4916

Page 1

Nº 4917 HOJE MACAU

TERÇA-FEIRA 21-12-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hoje macau

GCS

MOP$10

CARLOS PITEIRA

IDENTIDADE E RESISTÊNCIA GCS

ENTREVISTA

UM CASO ENCERRADO PÁGINA 4

HONG KONG

ELEIÇÕES SEM SURPRESAS

PUB.

PÁGINA 8

Em dia de celebração do 22.º aniversário da RAEM, o Chefe do Executivo deixou uma mensagem de confiança no futuro, apesar do cenário de incerteza que paira sobre o mundo. Ho Iat Seng pediu a união de esforços dos residentes para levar a cabo o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e concretizar “o sonho chinês de revitalização da nação”. PÁGINAS 2-3

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

METRO | PARQUE

A força da união


22.º aniversário

21.12.2021 terça-feira

www.hojemacau.com.mo GCS

2 raem

Por dentro e para fora O

Chefe do Executivo afirmou ontem que a recuperação económica e o caminho para o futuro exigem que toda a população se mostre confiante face aos desafios internacionais. A mensagem foi deixada no discurso oficial, no âmbito das celebrações do 22.º Aniversário da Transferência de Soberania. “O mundo vive actualmente uma era de grandes ajustamentos, grandes mudanças e de grande desenvolvimento. Estamos perante imensas oportunidades, mas também inúmeros desafios”, começou por dizer Ho Iat Seng. “Contando com a atenção e o apoio do País e, ainda, com a união de esforços concertados dos residentes, o futuro de Macau será certamente mais promissor.

Precisamos estar cheios de confiança e congregar vontades e esforços”, apelou. Segundo o líder do Governo, só com os esforços de uma população unida será possível criar “um novo cenário” e “escrever um novo capítulo na prática bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau”, o que contribuirá para a “a concretização do sonho chinês da grande revitalização da nação chinesa”. Sobre a pandemia, Ho elogiou a postura dos residentes: “Ao longo do ano, todos os sectores da sociedade e residentes de Macau sempre cooperaram e apoiaram activamente o Governo no combate à epidemia e no processo de recuperação da economia, demonstrando plenamente a excelente tra-

dição da solidariedade, da defesa do interesse comum e da entreajuda, e revelando um espírito de combate à epidemia caracterizado pela abnegação, resiliência e união”, considerou. “Esta tradição e este espírito não são apenas uma parte importante da barreira de prevenção e controle da epidemia, mas também uma força valiosa que nos inspira a continuar a enfrentar desafios e superar dificuldades”, destacou.

Apelo à união nacional

Apesar da menção à situação do território, o nacionalismo e a defesa da segurança nacional foram os principais focos do discurso de Ho Iat Seng, que não poupou elogios aos feitos do Partido Comunista da China. “As enormes conquistas no desenvolvimento nacional,

GCS

Na celebração do 22.º Aniversário da RAEM, o líder do Governo apelou à união dos residentes para fazer face aos desafios internacionais e construir um futuro melhor para a pátria e Macau

GCS

COVID-19 HO IAT SENG QUER POPULAÇÃO COM CONFIANÇA NA RECUPERAÇÃO ECONÓMICA

DE PARTIDA PARA PEQUIM

“Uma vez mais, reforçaram-se os sentimentos de identidade com o Partido Comunista da China, de pertença à grandiosa Pátria e de orgulho em ser chinês.” HO IAT SENG CHEFE DO EXECUTIVO

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, vai estar entre hoje e 24 de Dezembro em Pequim, para “reportar aos dirigentes do país o trabalho desenvolvido pela RAEM no último ano” e “os principais pontos das Linhas de Acção Governativa para o Ano Financeiro de 2022”. A informação foi divulgada em comunicado do Gabinete de Comunicação Social. Durante a ausência de Ho Iat Seng, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, exercerá, interinamente, as funções de líder do Governo.


terça-feira 21.12.2021

grande plano 3

www.hojemacau.com.mo

HK QUOTAS DE VIAGEM COM PRIORIDADE A NECESSITADOS

E

LSIE Ao Ieong U apelou aos residentes para que não corram para Hong Kong, quando se der a reabertura das fronteiras. Segundo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, a reabertura com a RAEHK, cuja data não foi revelada, vai ter um limite de quotas diárias, e a prioridade deve ser dada às pessoas que precisam de viajar por motivos de saúde.

ENFERMEIROS ELOGIADOS

a brilhante perspectiva da grande revitalização da nação chinesa e, em particular, as grandes conquistas e experiências históricas na luta centenária do Partido [...] deixaram os residentes de Macau profundamente inspirados e encorajados”, garantiu.

Ao mesmo tempo, o Chefe do Executivo destacou a identidade dos residentes com o partido, que no discurso surgiu antes das menções à pátria: “Uma vez mais, reforçaram-se os sentimentos de identidade com o Partido Comunista da China, de pertença à gran-

diosa Pátria e de orgulho em ser chinês dos residentes e a sua confiança em percorrer inabalavelmente o caminho da aplicação com sucesso de ‘Um País, Dois Sistemas’”, vincou. Sobre o balanço deste ano, Ho referiu que “prosseguiu seriamente o espírito

Saber surfar a onda Lei Wai Nong acredita na continuidade dos junkets

O

culdades em definir onde está a “linha vermelha” para prosseguir a actividade, Lei Wai Nong apontou que está tudo “muito claro” e frisou, uma vez mais, que o mais importante é respeitar a lei. “Acho que é muito claro. Em Macau, quando se dedicam a esta actividade, os junkets têm de respeitar a lei de Macau e, fora daqui, têm de respeitar a lei dessa localidade”, disse. GCS

secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong considera que os promotores de jogo podem continuar a desempenhar um papel no sector, após um período de ajustamento e em consonância com “os avanços do tempo”. À margem das comemorações do 22º aniversário do estabelecimento da RAEM, o responsável lembrou que as salas VIP também são salas de jogo e que o documento de consulta pública da nova lei do jogo faz referência aos junkets. “No documento de consulta da nova lei do jogo existe uma referência sobre os promotores de jogo. Acho que, no futuro, também vai haver um ciclo de ajustamento, em conformidade com os avanços do tempo”, começou por dizer Lei Wai Nong. “Vamos aceitar e apreciar os pedidos que sejam apresentados, caso reúnam todas as condições necessárias (…) e estejam de acordo com a lei. Quanto à relação entre as operadoras e promotores de jogo, temos um regime que garante esta relação e vai ser tudo feito de acordo com a lei”, reforçou. Questionado sobre o facto de os promotores de jogo encontrarem difi-

Sobre os trabalhadores que perderam o emprego a reboque do caso Suncity, o secretário revelou que até domingo, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) recebeu, no total, 461 pedidos de ajuda

dos importantes discursos e instruções do Presidente Xi Jinping” e cumpriu as responsabilidades constitucionais ao defender a soberania, a segurança e os interesses do país”. João Santos Filipe

envolvendo questões relacionadas com indeminizações e rescisões de contrato, dos quais 441 pessoas precisam de um novo emprego.

Garantir a estabilidade

Perante o cenário, Lei Wai Nong reiterou que os direitos e interesses laborais dos trabalhadores prejudicados “têm de ser garantidos” e que os ajustes entre concessionárias e junkets tem de ser tratados “da melhor forma”. Quanto aos trabalhadores contratados directamente pelos junkets, o responsável afirmou que “essa responsabilidade não pode passar para a sociedade”. O secretário recusou-se, no entanto, a assumir se o encerramento das salas VIP irá afectar as estimativas de receitas de jogo de 130 mil milhões de patacas apontadas no orçamento do próximo ano. Recordando que, até Novembro, as receitas de jogo aumentaram 40,4 por cento e que o PIB cresceu 27,5 por cento até Setembro, Lei Wai Nong apontou ser expectável que o número de turistas aumente progressivamente, contribuindo assim para a melhoria das finanças do território. “Com menos incertezas, esperamos continuar a fazer tudo para melhorar a recuperação e estabilização económica e garantir o emprego”, resumiu. P.A. | J.S.F.

Após as acusações de assédio sexual contra um enfermeiro, no âmbito da vacinação contra a covid-19, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura destacou o empenho de toda a classe profissional. “O enfermeiro está suspenso. Mas, como é um caso excepcional, espero que os residentes não olhem para a classe dos enfermeiros só através deste episódio”, apelou Elsie Ao Ieong U. “A população deve ter em conta o esforço dos enfermeiros, assistentes sociais e todos aqueles que se esforçam diariamente para contribuir para a sociedade”, considerou.

“Apelo aos residentes que não tenham muita urgência, que não se inscrevam logo online. Vamos ter quotas e espero que seja dada prioridade a quem precisa de fazer deslocações essenciais, como por motivos de saúde”, afirmou ontem secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, à margem das

celebrações do 22.º aniversário do estabelecimento da RAEM. “Como disse, espero que deixem as quotas para doentes crónicos que querem ir a Hong Kong fazer um tratamento. Não tenham pressa”, acrescentou. As quotas vão estar acessíveis através de um portal, e todos se poderão inscrever desde que cumpram os seguintes requisitos: estar inoculado com as duas doses da vacina contra a covid-19, ter um teste de ácido nucleico com resultado negativo e conseguir uma vaga. Sobre este procedimento, e à excepção da exigência da medida de vacinação, Elsie Ao Ieong considerou-o normal e de acordo com os padrões da retoma de circulação com o Interior, no ano passado. “As medidas vão ser semelhantes às que foram instauradas, no ano passado, aquando da reabertura com o Interior”, justificou. Por outro lado, a responsável admitiu o cenário de pessoas de contacto próximo com infectados virem a Macau, o que considerou normal, dada a circulação. “Nos últimos tempos verificámos contactos próximos ou por via secundária, que vieram a Macau”, reconheceu. “Com a ajuda da polícia, encontrámos esses doentes. Mas, temos de ter sempre em mente que podem entrar em Macau pessoas de contactos próximos ou de contacto por via secundária”, alertou. J.S.F.


4 política

21.12.2021 terça-feira

GCS

www.hojemacau.com.mo

Reforma Rosário justifica recusa de pensão

Em Setembro deste ano, Raimundo do Rosário optou por não acumular o salário de secretário com a reforma relativa às funções exercidas na Função Pública. Com esta a decisão, o secretário abdicou de cerca de 3,3 milhões de patacas, se cumprir o actual mandato até ao fim. Ontem justificou a decisão: “Foi uma decisão meramente pessoal, achei que enquanto estivesse nestas funções que não devia receber os pagamentos [da pensão]. É uma decisão exclusivamente pessoal”, afirmou Raimundo Rosário.

DSSOPT Chan Pou Ha ainda sem substituto

O secretário para os Transportes e Obras Públicas ainda não decidiu o nome do sucessor de Chan Pou Ha, directora dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), que se reforma a 14 de Janeiro. “Ainda não escolhi um substituto”, reconheceu. Por outro lado, Rosário disse não ter insistido para que a directora adiasse a reforma e ficasse mais tempo no cargo, à imagem do próprio secretário, que já podia estar aposentado. “O direito de aposentação é um direito de todos os funcionários, por isso, se as pessoas querem aposentar-se... são razões pessoais, e sobre motivos pessoais não falo”, respondeu.

Wai Long Avenida pode ter habitação “intermédia” Raimundo Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas “Tanto quanto sei o interessado [China Road and Bridge Corporation] retirou a acção.”

METRO CHINA ROAD DESISTE DE ACÇÃO MILIONÁRIA

Valores mais altos A empresa estatal chinesa foi prejudicada por um erro no concurso de atribuição das obras do Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro. Contudo, depois de avançar para os tribunais, abdicou do processo de indemnização

A

China Road and Bridge Corporation desistiu da queixa contra a RAEM que decorria nos tribunais e que envolvia um pedido de compensação milionário, devido a um erro no concurso para a construção do Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro. A informação foi avançada ontem pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, à margem das celebrações do 22.º aniversário da RAEM. “O caso do Parque de Materiais e Oficinas está terminado. Tanto

quanto sei, o interessado [China Road and Bridge Corporation] retirou a acção”, afirmou o secretário, quando questionado sobre o assunto. Raimundo Rosário garantiu igualmente que não houve nenhum acordo para fazer pagamentos à empresa. “O processo está terminado e concluído. Não pagámos mais nada”, sublinhou. Em Julho de 2016, num concurso por convite, o Governo decidiu atribuir a obra para o Parque de Materiais e Oficina à Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau), por 1,07 mil

milhões de patacas. A decisão teve por bases vários critérios, como o preço e a experiência das empresas. Contudo, a China Road and Bridge Corporation, que tinha uma proposta mais baixa, de 912 milhões de patacas, contestou o que disse ter sido um erro no cálculo da sua pontuação pela Comissão de Avaliação de Propostas. O caso seguiu para tribunal, com a Última Instância a dar razão à contestatária. Quando foi anunciada a decisão, a Companhia de Engenharia e de Construção da China tinha as obras praticamente concluídas,

pelo que o Governo invocou “causa legítima de inexecução” para não cumprir a ordem do tribunal.

Sem acordo

Com o Governo a reconhecer o erro, que levou o secretário para os Transportes e Obras Públicas a pedir desculpa à população e aos deputados naAssembleia Legislativa, seguiram-se meses de negociações com a empresa prejudicada. No entanto, as conversações nunca chegaram a bom porto, e o secretário acabou por reconhecer que a China Road and Bridge Corporation tinha recorrido à via judicial, para ser compensada, também numa sessão da AL. O valor da indemnização pedido pela empresa junto do Tribunal Administrativo nunca foi revelado, e o próprio secretário recusou várias vezes revelar o mesmo, mas, de acordo com a informação de ontem não foi pago. A queixosa, China Road and Bridge Corporation, e a Companhia de Engenharia e de Construção da China têm o mesmo proprietário, uma vez que ambas são empresas estatais chinesas. João Santos Filipe

O Governo está a estudar a possibilidade de construir habitações “intermédias”, ou seja, para a classe sanduíche, na Avenida Wai Long. O cenário foi adiantado ontem pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas. “Admitimos a possibilidade de mudar a habitação na Avenida Wai Long de económica para intermédia”, disse. Contudo, antes de haver obras é necessário aprovar a lei para regular este tipo de habitação. O objectivo passa por fazer o diploma entrar na Assembleia Legislativa até Julho do próximo ano. Raimundo do Rosário criticou igualmente o nome da classe sanduíche, adoptado pela população para as classes da classe média/alta. “Gostava que as pessoas deixassem de utilizar a definição classe sanduíche, porque não devemos colocar a questão em termos das classes”, pediu.

Lei do jogo Pedida revisão mais célere

O deputado Ho Ion Sang defendeu, segundo o jornal Ou Mun, uma maior celeridade na revisão da lei do jogo. Para o deputado, o Governo deve divulgar o mais cedo possível o número de concessões que serão atribuídas e por quanto tempo, para que a sociedade e o sector do jogo conheça o rumo que os casinos vão tomar. O deputado, ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau, referiu que o caso do grupo Suncity trouxe um impacto no mercado laboral e que a economia tem ainda um rumo incerto, pelo que é essencial manter a confiança do mercado com o desenvolvimento sustentável do sector do jogo, sempre em articulação com o projecto para a ilha de Hengqin. Ho Ion Sang pede que o Executivo apoie os desempregados com a atribuição de subsídios e a criação de acções de formação. Exige também que seja reforçado o ensino patriótico nas escolas.


terça-feira 21.12.2021

sociedade 5

www.hojemacau.com.mo

NATAL RESTAURANTES PORTUGUESES AJUDAM A MATAR SAUDADES

Wynn Macau Confirmado fim de junkets

A directora executiva do Wynn Macau, Linda Chen, confirmou ontem que a concessionária vai terminar a cooperação com junkets que operavam salas VIP nos seus casinos até ao fim do ano, acrescentando que a mudança beneficia o desenvolvimento de Macau a longo prazo. À margem das celebrações do 22.º aniversário do estabelecimento da RAEM, a responsável da operadora destacou que o negócio principal da Wynn Macau é o jogo de massas, segmento que este ano representou 75 por cento das receitas, e que esse será o foco das operações do grupo no futuro. Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Linda Chen apontou que os junkets têm espaço no mercado se tiverem capacidade para se adaptarem a novas finalidades que sirvam o público de massas com ofertas diversificadas.

China Famosa influencer punida por fuga aos impostos

Viya, uma das mais famosas influencers chinesas nas redes sociais e promotora da cidade de Macau, foi condenada ao pagamento de uma multa de 1,3 mil milhões de yuan por fuga aos impostos na província de Zhejiang. Segundo um comunicado da autoridade tributária dessa província, entre 2019 e 2020 Viya não declarou os seus rendimentos pessoais ou prestou mesmo provas falsas do seu património. A fuga ao fisco cifrou-se em 643 mil milhões de renmimbis. Caso Viya pague a multa não irá incorrer num crime fiscal. A nomeação de Viya como promotora de Macau foi feita pelo secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, sendo que as vendas de produtos de Macau por si promovidas resultaram em 85 milhões de renmimbis.

Sonhos e bacalhau com todos

Os restaurantes portugueses em Macau querem ajudar a comunidade portuguesa, que não pode sair do território devido à covid-19, a esquecer as saudades de ‘casa’ neste Natal

N

ORMALMENTE, por esta altura, era comum a comunidade portuguesa que reside em Macau regressar a Portugal por ocasião do Natal para passar as férias com as suas famílias. Contudo, pelo segundo Natal consecutivo, milhares de portugueses não o poderão fazer: Macau, que tem seguido a política de zero casos de covid-19, impõe quarentenas de regresso que podem chegar a 35 dias dentro de um quarto de hotel e não permite sequer a entrada a quem teve covid-19 nos últimos dois meses. “Peru, leitão, cabrito e uns bolinhos: rabanadas, bolo de cenoura com frutos secos e o nosso pão de ló habitual”, é a receita que o restaurante Mariazinha vai levar a mais de 50 famílias portuguesas no dia 24 de Dezembro, contou à Lusa Nelson

Rocha, o responsável do estabelecimento da península de Macau, a poucos metros das famosas Ruínas de São Paulo e do Largo do Senado. “Preparamos o take away para as famílias, muita gente opta por ficar em Macau, especialmente este ano que não há hipótese de sair com facilidade, e nós fazemos sempre bastante comida para o dia 24 para as pessoas levarem para casa e fazerem o seu jantar de Natal em casa”, explicou, esperando que isso seja uma ajuda para que a comunidade ‘mate’ um bocadinho as saudades de Portugal.

Já no icónico O Santos, o restaurante situado há 32 anos no coração da ilha da Taipa, a promessa, além das encomendas para fora, é estar de portas e braços abertos para acolher a comunidade na véspera de Natal. “Este Natal é um Natal muito diferente para mim e para quase toda a nossa comunidade que vivemos aqui nesta teia de protecção por causa da covid-19, já o ano passado assim foi e este ano também”, admitiu o senhor Santos, prometendo “estar de braços abertos à espera de todos e desejar a todos um feliz Natal” “E quando entrarem aqui já sabem que têm aquele abraço apertadinho (…) se quiserem vir aqui jantar na noite de Natal estarei aqui à vossa espera de braços abertos”, frisou Santos, uma das figuras mais conhecidas da comunidade portuguesa residente no antigo território administrado por Portugal. O alentejano de Montemor-o-Novo

“Peru, leitão, cabrito e uns bolinhos: rabanadas, bolo de cenoura com frutos secos e o nosso pão de ló habitual”, é a receita que o restaurante Mariazinha vai levar a mais de 50 famílias portuguesas no dia 24 de Dezembro

admitiu que estes dois últimos anos não têm sido de todo fáceis para a comunidade e que tenta ajudar o mais que pode, na medida do possível: “todos os natais eu estou aqui e então estes dois mais que nunca agarrado à nossa comunidade, à malta de Macau portuguesa e há muita malta que não pode sair daqui. Ou melhor, pode sair, mas para voltar vai ter de cumprir aquelas regras”, afirmou.

Quarto minguante

O poder de compra e o próprio número de portugueses no território tem criado dificuldades aos restaurantes portugueses, admitiram os dois responsáveis. Nelson Rocha sente que as pessoas estão a fazer reservas menores para este ano, fruto “da componente financeira, as pessoas também estão um bocado preocupadas e eu acho que não gastam tanto”. Já Santos, nota que cada vez tem vistos mais portugueses a irem despedir-se ao seu restaurante. “A nossa comunidade cada vez é menor, cada vez há menos trabalho”, sublinhou.

DSAL / CONSTRUÇÃO CIVIL PROMOVIDA CONTRATAÇÃO DE 927 TRABALHADORES ATÉ FIM DE OUTUBRO

A

S sessões de habilitação profissional da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), afectas à construção civil, resultaram na contratação de 927 trabalhadores, entre Janeiro e Outubro de 2021. O valor, representa 21,4

por cento do total de 4.324 pessoas contactadas pelo organismo para participar nas sessões, sendo que destas, apenas 1.809 maracaram efectivamente presença nas iniciativas. Em resposta a uma interpelação escrita enviada

pela deputada Song Pek Kei, a DSAL apontou que a não contratação de candidatos ficou a dever-se, entre outros, “à não aprovação no teste de técnicas profissionais, à desistência no teste, ao facto de o posto de trabalho ter sido ocupado,

à exigência de uma remuneração mais elevada e de um ambiente de trabalho mais confortável para o candidato. Sobre o que está a ser feito para garantir a contratação prioritária de mão-de-obra local, o organismo salientou

que, desde 2020, a percentagem de trabalhadores locais contratados, passou a ser considerada na apreciação de propostas para concursos públicos e as empresas do sector são fiscalizadas quanto ao recrutamento de trabalhadores.

Por escrito, a DSAL revelou ainda que o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) está a trabalhar em 48 obras, das quais 30 envolvem mais de 100 milhões de patacas. Destas 30, nove serão iniciadas em breve. P.A.


6 entrevista

www.hojemacau.com.mo

21.12.2021 terça-feira

CARLOS PITEIRA ANTROPÓLOGO

Carlos Piteira lançou um novo artigo académico a defender que a identidade chinesa das regiões do sul da China vai sofrer mudanças com a modernização progressiva, graças a projectos como a Grande Baía. No momento em que se celebra o 22.º aniversário da implementação da RAEM, o académico lamenta que se olhe para os portugueses de Macau como emigrantes e defende que a comunidade é fundamental para que os macaenses mantenham a sua singularidade

HOJE MACAU

“Macau sempre foi um

O seu novo artigo traz a ideia de que a identidade chinesa nesta região está em mudança. Em que aspecto? Há uns anos fiz uma apresentação sobre os efeitos da modernização na questão da identidade. Depois reformulei e tentei generalizar mais essa questão do impacto na própria reformulação da identidade chinesa. Este é um problema com o qual a China vai ter de se defrontar, e que ainda não percebeu não se tratar de uma questão política, mas social. Que é a integração destas identidades no sul da China.

Exactamente. Macau e Hong Kong são laboratórios, e temos Zhuhai e Shenzhen, em termos de modernização, e depois a Grande Baía. Há um núcleo económico que vai trazer modernização ao movimento social. Falamos de duas coisas paralelas e que podem ser coincidentes ou não. A dinâmica social poderá sobrepor-se às vontades políticas, porque a modernização vai trazer bem-estar e estilos de vida. Mas problemas também. Claro, mas sem carga ideológica. Macau é um exemplo disso, porque teve um processo de modernização

mais cedo, assim como Hong Kong, o que levou a um modo de vida diferenciado que se traduz na identidade regional ou local. Independentemente do regime, as pessoas querem é sentir-se bem, esse é um direito que as populações têm. Terem emprego… Bem-estar, habitação. É o que Macau e Hong Kong oferecia, bem como Cantão e Shenzhen. Esse bloco do sul da China vai ser a garantia de que o país vai ser uma potência económica. O foco está ali e a modernização terá os seus efeitos. Daí que defenda, neste

artigo, que esse efeito acarreta a reformulação da identidade dos chineses. E não só dos macaenses. Porque essa já está a sofrer alterações. Hong Kong e Macau são laboratórios sociais interessantes para quem analisa o efeito de uma dinâmica social, independentemente do modelo político. A China já se apercebeu disto, mas ainda não sabe como vai analisar. O país paralisou no tempo, esteve fechado ao mundo, e não há mais experiências deste tipo. Há uma dinâmica social que é alheia às vontades.


terça-feira 21.12.2021

entrevista 7

www.hojemacau.com.mo

ma terra de pecados” tada na qualidade de vida, e é isso que a China promete com o projecto da Grande Baía. As casas para idosos… E a riqueza. Não faz sentido desligar isto do projecto nacional. Por isso digo que Macau, ao ser sugado pela Grande Baía, algo que acontece por imperativos da própria China, coloca-se a questão regional na nacional. Mas como vamos, no meio disto tudo, manter a presença singular da lusofonia? Esta é a questão central, porque está determinada na forma de integração de Macau. E como é que isso pode ser feito? Aí o trabalho é do Governo português, e não de Macau. O trabalho que está em aberto é o das autoridades portuguesas, e ainda temos 30 anos. Tenho esperança que as coisas possam acontecer. Tenho uma certa simpatia pela capacidade que os portugueses que estão em Macau têm de resistir, porque é uma resistência absurda. Estão completamente sozinhos. É algo muito individual e em alguns casos até se põe a vida em jogo nessa capacidade de resistir. Porque Macau não perdeu qualidade, a vida das pessoas não se alterou muito. Mas temos a questão dos valores. Nunca podemos ver a presença portuguesa em Macau como se fossem emigrantes. Este foi um erro de base. Isso foi visto pelas autoridades portuguesas desde a transição. Foi sempre. A lógica, depois da transição, foi ver a comunidade como emigrantes. Isso nunca deveria ter sido feito, porque é uma presença portuguesa numa tentativa de manter um legado que, provavelmente, até poderia ir além dos 50 anos. Têm sido feitos estudos que concluem que a maioria dos chineses locais têm ligação identitária à nação. Isso será mais evidente, o sentir-se menos chinês de Macau e mais chinês da China? Diria que o reforço vai ser nas duas vertentes. Uma coisa é a identidade nacional, o patriotismo, e essa é a tradição histórica. Em paralelo, surgiram identidades regionais em Macau e Hong Kong e que se vão alastrar a zonas como Cantão. As pessoas vão reclamar uma identidade paralela à nacional, e isso vai assentar nos efeitos da modernização. Não é algo ideológico. Será muito supor-

Falamos de pessoas que ficaram, permaneceram, e que voltaram após 1999. E há alguns que apostam já na vida dos seus filhos, numa lógica de legado. Esta é a grande lacuna 22 anos depois. Os macaenses sobrevivem devido à presença da comunidade portuguesa. E por resistência também? Sim. O macaense não tem a necessidade de sair de Macau, mas a comunidade portuguesa tem sempre um plano B para regressar a Portugal. O macaense tem ligações com o poder chinês para se manter e para ele não há essa questão de

Macau se transformar na China, porque sempre foi inevitável. Mas como é que essa pequena etnia e comunidade se consegue diferenciar. Vai ter de fazer estratégias, e já se nota. Como por exemplo? Alguns macaenses já se deslocam para a matriz chinesa. A mudança de identidade chinesa também acontece aí. Há essa simbiose. A comunidade chinesa modifica-se, porque quer ser de Macau. Temos chineses que já se auto-denominam como macaenses e temos macaenses que já se ligam a essa identidade mais de matriz chinesa, mas querendo manter uma diferenciação dentro desse grupo. Até à transição, os macaenses eram portugueses, mas eram diferentes. Agora podem ser chineses, mas também diferentes. A gastronomia e o patuá estavam esquecidos na história, e de repente saíram das casas das pessoas. Há elementos identitários da comunidade macaense que necessitam de ser explorados? A religião é um desses elementos, com raízes portuguesas e filipinas também, as procissões e o carnaval. O festejar o carnaval é algo macaense, bem como o Chá Gordo. Há aqui coisas que podem ser ressuscitadas como um traço singular dos macaenses. A comunidade vai muito por aí, mas tem um instinto de sobrevivência.

“Tenho uma certa simpatia pela capacidade que os portugueses que estão em Macau têm de resistir, porque é uma resistência absurda. Estão completamente sozinhos.”

Sempre teve... Sempre teve. Este instinto é que vai levar a reformulações na identidade macaense. Na geração pós-transição as coisas têm sido diferentes, porque esta vive num mundo global e tem ligações não apenas com Portugal. Mas se desaparece a comunidade portuguesa é um problema para os macaenses, porque é isso que reforça a lógica de ligação, mesmo não tendo essa matriz tão garantida. Se a comunidade portuguesa desaparecer… [A comunidade macaense] fica monolítica. Neste momento, há um equilíbrio, porque esta inverteu as relações de poder com os chineses, mas os portugueses, a sua alma, estão lá. Se os portugueses saírem, os macaenses viram-se para a comunidade chinesa. Mas, 22 anos depois da transição, a comunidade portuguesa está em profunda transição. Há muitos quadros qualificados a deixarem o território, por exemplo. O processo está a ser acelerado e não era para ser assim. Era para ser um processo mais gradual, quase sem darmos por isso. Poderíamos chegar ao fim dos 50 anos e Macau ser um espaço singular capaz de ser culturalmente diverso. Falando da educação. Disse-me que uma das grandes transformações será neste sector. Há dias saiu uma notícia sobre a vontade de Pequim de aumentar o domínio do mandarim no ensino. O que vai acontecer? Os programas escolares vão ter de ser alterados, e também ao nível da história de Macau. Mas essa já está feita por investigadores chineses. A consequência natural seria sempre reformular os valores através da educação. A Escola Portuguesa de Macau [EPM] vai ser apanhada por isto, e vão ter de introduzir programas. O ensino do mandarim tem ainda pouca expressão. Mas vai ser forte. Aqui, o Ministério da Educação em Portugal tem de se pronunciar. A particularidade de uma escola portuguesa em Macau é a possibilidade de os chineses estudarem essa estrutura curricular. Se lhe tiram isto, tiram tudo, passa a ser uma escola normal. A estrutura curricular poderia ter disciplinas obrigatórias e opcionais, por exemplo, fora do programa

“Não falamos de uma identidade espontânea. O que está na agenda é que temos de ser chineses, mas isso sempre esteve.” oficial. Não tenhamos ilusões: o programa oficial é para entrar. Na rua pode ser o cantonês, mas quem vai para a escola tem de aprender mandarim. Macau vai ser um sítio onde os futuros dirigentes chineses vão ser formados e há a questão tecnológica e das universidades. Afirma, no artigo, que as autoridades de Macau estão a dar novas directrizes à população para que esta tenha novas referências identitárias. Estas mudanças não acontecem espontaneamente? Diria que poucas coisas são espontâneas nos chineses. Mas é uma imposição numa lógica de reposição de valores nacionais. Não falamos de uma identidade espontânea. O que está na agenda é que temos de ser chineses, mas isso sempre esteve. O seu artigo deixa também a ideia de que a mudança de identidade passa também por alterar a ideia de que já não se pertence a um lugar dominado pelo jogo. O jogo vai mudar, e há sinais disso. Veja-se o paralelismo entre a brecha que se abriu no jogo e a construção da tecnologia na Ilha da Montanha, com a criação de novos empregos. A aposta será na tecnologia e nas PME, mas não sei se isso resulta. Para quem está atento, o desenho está feito. Mas Macau tem a tradição do jogo desde os primórdios, que não tem nada a ver com o pensamento político. Sempre foi uma terra de pecados. Andreia Sofia Silva


8 china

www.hojemacau.com.mo

TÉNIS PENG SHUAI NEGA ALEGAÇÕES DE ABUSO SEXUAL E CULPA “MAL-ENTENDIDOS”

A

tenista chinesa Peng Shuai disse que “nunca acusou ninguém de abuso sexual” e que a sua publicação na rede social Weibo a 2 de Novembro era um “assunto privado” sobre o qual as pessoas têm “mal-entendidos”. Estas declarações, gravadas em vídeo, foram feitas ao órgão de comunicação de Singapura Lianhe Zaobao. A tenista esteve em Xangai a participar num evento com outras estrelas do desporto chinês, como o antigo jogador de basquetebol Yao Ming. Na sua declaração de Novembro, Peng revelou

que teve um caso durante anos com o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli a quem acusou de a ter abusado sexualmente numa ocasião. No vídeo agora publicado, Peng parece intrigada quando a repórter lhe pergunta se esteve em casa em Pequim “livremente” e sem vigilância e diz: “Porque haveria alguém a observar-me? Tenho estado em casa em liberdade”. A tenista também confirmou a autoria de uma carta que escreveu ao presidente da WTA, Steve Simon: “Escrevi a versão

HONG KONG CANDIDATOS PRÓ-PEQUIM DOMINARAM ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

chinesa e, como o meu inglês não é muito bom, a CGTN publicou uma versão traduzida com o mesmo significado que o original”, disse. Nessa carta, Peng assegurou que estava “bem e descansada” e negou as alegações de abuso sexual. Além disso, Peng realizou uma videochamada com Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), na qual relatou que estava bem e que estava em Pequim, insistindo mais uma vez para que a sua privacidade fosse respeitada.

Região MYANMAR SENTENÇA DE AUNG SAN SUU KYI ADIADA PARA 27 DE DEZEMBRO

U

M tribunal de Myanmar adiou ontem o anúncio da sentença de um dos processos apresentados contra a líder birmanesa deposta Aung San Suu Kyi para 27 de Dezembro, afirmou uma fonte judicial citada pelas agências internacionais. O juiz, que devia anunciar esta segunda-feira a sentença sobre a acusação relacionada com a posse sem licença de vários ‘walkie-talkies’ e de um bloqueador de sinal por parte da líder deposta no golpe de Estado de Fevereiro passado, escusou-se a especificar o motivo do adiamento, disse, em declarações à agência espanhola EFE, uma fonte próxima ao processo. Neste processo específico, Aung San Suu Kyi enfrenta a acusação de violação da lei de telecomunicações, podendo incorrer numa pena de prisão de um ano, e da lei de exportação e importação, crime passível de uma pena de prisão de até três anos.

21.12.2021 terça-feira

Aung San Suu Kyi, galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 1991, já foi condenada em 6 de Dezembro a quatro anos de prisão, reduzidos posteriormente a dois anos por um perdão da junta militar, pelo crime de incitamento a distúrbios públicos e de violação das normas impostas devido à pandemia da doença covid-19. A condenação impede a política birmanesa de concorrer no futuro a um possível acto eleitoral, caso os militares mantenham a promessa de realizar eleições em 2023. Após a sua detenção, a líder deposta passou vários meses em prisão domiciliária na sua residência oficial na capital e, posteriormente, foi transferida para um local não revelado, segundo os seus advogados. Além disso, Suu Kyi, de 76 anos, é acusada de outros crimes, como violação da lei de segredos oficiais e várias acusações de corrupção, puníveis com uma pena até 15 anos de prisão. PUB.

‘‘De volta ao caminho certo’’ A Chefe do Executivo, Carrie Lam, mostrou-se satisfeita com o processo eleitoral, afirmando que a cidade retomou o rumo correcto de ‘um país, dois sistemas’”

O

S candidatos pró-Pequim dominaram as eleições legislativas de Hong Kong, derrotando moderados e independentes na primeira eleição depois de Pequim ter aprovado uma resolução para alterar as leis eleitorais no território. Os candidatos leais a Pequim ganharam a maioria dos lugares nas eleições de domingo depois de as leis terem sido alteradas para garantir que apenas “patriotas” pudessem dirigir a cidade. A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse durante uma conferência de imprensa ontem que estava “satisfeita” com as eleições, apesar de uma participação de 30,2 por cento dos eleitores - a mais baixa desde que os britânicos entregaram Hong Kong à China em 1997. A responsável disse que o número de eleitores registados atingiu 92,5 por cento, um recorde em comparação com as eleições de 2012 e 2016, quando cerca de 70 por cento dos eleitores se tinham registado. “Para os eleitores recenseados, decidirem se querem exercer os seus direitos de voto numa determinada eleição é inteiramente uma questão para eles próprios”, disse.

Trabalho “excitante”

Ao abrigo das novas leis, o número de legisladores eleitos directamente foi reduzido de 35 para 20, mas a legislatura foi alargada de 70 para 90 assentos. A maioria dos legisladores foi nomeada por órgãos em grande parte pró-Pequim, assegurando que estes constituíssem a maioria da legislatura.

Todos os candidatos foram também avaliados por uma comissão antes de poderem ser nomeados. O campo da oposição criticou as eleições, com o maior partido pró-democracia, o Partido Democrata, a não apresentar candidatos pela

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse (...) que estava “satisfeita” com as eleições, apesar de uma participação de 30,2 por cento dos eleitores

primeira vez desde a transferência de soberania de 1997. Lam disse que espera que o trabalho com os 90 legisladores continue a ser “muito excitante” porque eles têm opiniões diferentes sobre muitas questões sociais. Espera-se que Lam viaje para Pequim para fornecer um relato completo sobre a mais recente situação política e económica em Hong Kong. “Espero cobrir uma vasta gama de questões sobre esta visita de serviço particular, porque através de dois actos muito decisivos das autoridades centrais, Hong Kong está agora de volta ao caminho certo de ‘um país, dois sistemas’”, afirmou.


terça-feira 21.12.2021

XUNZI O líder é a fonte do povo. Se a fonte for pura, o que dela flui será puro. Se a fonte estiver enlameada, aquilo que dela flui será enlameado. Assim, se alguém que possuir altares de solo e cereal não for capaz de cuidar do povo e não for capaz de beneficiar o povo, mas desejar que o povo trabalhe e morra por si, isso não conseguirá. Se os seus soldados não forem vigorosos e as muralhas da sua cidade não forem firmes, mas ele desejar que os seus rivais não o venham assolar, isso não conseguirá. Se os seus rivais o vierem assolar, mas ele procurar evitar o perigo, ver o seu território reduzido ou ser destruído, isso não conseguirá. Quando as condições para ficar em perigo, ver o seu território reduzido ou destruído estiverem todas reunidas perante si, mas ele procurar conforto e alegria – essa é uma pessoa que vive de forma temerária, e quem vive de forma temerária não precisará aguardar nem um momento para ser queimado. Se o líder dos homens desejar força, segurança, conforto e alegria, nada é melhor

www.hojemacau.com.mo

h

9

ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

O Caminho da Liderança do que regressar à fonte destas coisas no povo. Se desejar a fidelidade dos seus subordinados e unificar o povo, então nada é melhor do que regressar à fonte destas coisas na governação. Se desejar cultivar a governação e melhorar o estado, nada é melhor do que procurar a pessoa certa. Quanto àqueles homens que são de tal forma que quem os sustenta e os reúne terá sucesso em todas estas coisas – esses homens nunca estão ausentes em nenhuma época. A “pessoa certa” é tal que vive no mundo de hoje, mas as suas intenções assentam nos modelos de tempos antigos. Se no mundo não existirem reis e duques que apreciem esses modelos, ele o fará apesar disso. Se ninguém no mundo desejar esses modelos, ele os praticará apesar disso. Mesmo que quem aprecie esses modelos passe fome; mesmo que quem os pratique passe dificuldades, ainda assim ele os praticará por si próprio, sem nunca se deter por um momento. Só ele sabe claramente por que os reis do passado

PARTE IV

sucederam ou falharam, e só ele sabe aquilo que fará um estado estar seguro, ou em perigo, ou ser bom ou mau, com tanta facilidade como quem distingue o preto do branco. Essa é a “pessoa certa”. Se um líder a empregar num cargo elevado, todos debaixo do Céu se unirão e os senhores feudais se tornarão seus ministros. Se o líder a empregar num cargo inferior, ela inspirará espanto aos seus estados vizinhos e rivais. Mesmo que o líder não a consiga empregar num cargo oficial, mas se assegurar de que ela não deixe as fronteiras do estado, este não sofrerá incidentes graves até ao fim dos seus dias enquanto líder. Assim, se o senhor dos homens cuidar do povo, então estará seguro. Se apreciar homens bemcriados, então terá glória. Todavia, se não tiver qualquer destas características, então perecerá. As Odes dizem: Do grande homem vem a tua paliçada. Das massas se fazem os teus bastiões. Isto exprime aquilo que quero dizer.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


55

9

56

6 0 1 7

4 5 0 2 4 6 8 21.12.2021 terça-feira 5 6 7 1www.hojemacau.com.mo 0 3 3 6 2 4 8 5 1 5 1 3 2 7 8 8 1 4 8 9 0 3 1 2 0 7 9 8 7 1 6 5 9 9 1 2 6 TEMPO PERÍODOS DE CHUVA MIN 13 MAX 17 HUM 75-98% UV 2 (BAIXO) • EURO 9.07 BAHT 0.23 YUAN 1.26 7 5 8 3 6 2 8 9 ´ 1 7 8 0 3 5 1 2 3 9 6 4 0 7 CINETEATRO 6 1 2 5 8 0 1 7 8 2 0 4

10 0 [f]utilidades

S U D O K U UM JOGO HOJE 2 0 9 7 3 5 2

9

5 9 0

7

0 6 1

0 6 3 5 8 2

PROBLEMA 57

57

6 9 8 6 5 5 3 7 2 8 9 4 6 9 5 0 1 7 4 6 2 0 5

5 59 6 3 8 2 0 7 4 9 1

58

PUB.

8 6 5 7 2 1 0 9 4 3

60 9 4 5 8 1 6 2 0 7 3

0 4 7 2 1 0 8 9 5 4 6 3 7 6

7 9 8 4 3 9 0 6 1 5 2 7 8 6 5 1

1 5 6 2 3 1 7 0 0 6 9 4 8

9 7 8 6 7 6 8 4 2 5 4 3 03 19 20

2 8 5 8 0 7 7 6 4 1 1 39 02 96

4 1 9 0 6 5 5 8 63 78 2 3

3 0 3 1 9 2 7 7 2 46 50 8 6 9

6 2 6 7 4 1 9 3 8 15 5 0 2

8 3 0 5 1 6 9 2 7 4

0 3 1 9 4 5 6 8 2 7

9 4 0 3 7 8 1 5 6 2

2 5 6 1 3 9 7 4 0 8

7 8 2 4 0 6 3 1 5 9

5 2 8 0 6 7 9 3 1 4

3 1 9 8 5 4 2 0 7 6

4 7 3 2 8 0 5 6 9 1

6 9 4 5 1 2 8 7 3 0

1 0 7 6 9 3 4 2 8 5

7 6 0 3 9 8 4 1 5 2

1 3 2 0 5 9 6 8 4 7

2 8 4 1 7 0 9 6 3 5

5 7 3 6 4 2 0 9 8 1

8 9 7 5 2 3 1 4 6 0

6 0 1 7 8 5 3 2 9 4

3 2 6 4 0 7 8 5 1 9

4 5 9 2 6 1 7 3 0 8

0 1 8 9 3 4 5 7 2 6

8 5 7

9 2 7 5 3 4 8 2 3 7 3

2 5 8

1 7 6

6 1 3 9 5 8 5 4 0 6 2 0 5 1 7 3 3 7 9 4 0 5 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 56

56

58

GUILTY GEAR STRIVE | ARC SYSTEM WORKS | 2021

60

9

1 6 3

5 8 7 9

Strive é o sétimo jogo da série luta Guilty Gear, considerado de culto no Japão. Lançado em Junho para PC e Playstation 4 e 5, Strive destaca-se por apresentar uma revolução completa no tradicional motor de luta 2D, no que parece ter sido uma aposta ganha, a fazer fé na crítica. Também a animação não desilude os fãs. Quanto à história, segue os acontecimentos após o fim do jogo Guity Gear Xrd, o quinto da série, no que pode ser visto como um salto para um “passado”. João Santos Filipe

C I N E M A

SALA 1

SPIDER-MAN: NO WAY HOME [B] Um filme de: Jon Watts Com: Tom Holland, Zendaya, Benedict Cumberbatch 14.00, 18.45, 21.30

SWORD ART ONLINE THE MOVIE - PROGRESSIVE - ARIA OF A STARLESS NIGHT [B] (FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Ayako Kono 16.45 SALA 2

ANITA [C]

(FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Longman Leung Com: Louise Wong, Lau Chun Him, Fish Liew, Louis Koo, Lam Ka Tung 14.15, 19.15

SPIDER-MAN: NO WAY HOME [B] Um filme de: Jon Watts

Com: Tom Holland, Zendaya, Benedict Cumberbatch 16.30

FATE / GRAND ORDER - FINAL SINGULARITY GRAND TEMPLE OF TIME: SOLOMON [B]

(FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS) Um filme de: Toshifumi Akai 21.45 SALA 3

CLIFFORD THE BIG RED DOG [B] Um filme de: Walter Beeker Com: Jack Whitehall, Darby Camp, Tony Hale, Sienna Guillory 14.30, 16.30, 19.30

SWORD ART ONLINE THE MOVIE - PROGRESSIVE - ARIA OF A STARLESS NIGHT [B] (FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Ayako Kono 21.30

3 0 2 5 5 4 1 8 SPIDER-MAN: NO WAY HOME 1 7 1 4 2 3 Propriedade 6 2 3 Fábrica de Notícias, 4 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 9 Gonçalo M.Tavares; 3 Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais, Julie Oyang; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; www. Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 0 6 Rasquinho; Paul 2 Chan Wai Chi;7Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; hojemacau. de 5 4 Xinhua 8 Secretária 6 1 redacção 0 e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia com.mo Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 3 7 1 0 9 6

A ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS, REFORMADOS E PENSIONISTAS DE MACAU DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL


terça-feira 21.12.2021

www.hojemacau.com.mo

macau visto de hong kong

opinião 11

David Chan

ÓMICRON

A ÓMICRON, a nova variante do coronavirus, está a alastrar rapidamente. No Reino Unido, já se registaram cerca de 15.000 casos. Tendo em conta o crescimento acelerado desta variante nas Ilhas Britânicas, a França vai endurecer as regras de entrada e saída entre os dois países. Muitos turistas ingleses têm afluído a terras gaulesas antes que as novas medidas sejam implementadas. Também já se registaram casos da nova variante em cerca de 40 estados dos EUA. As autoridades sanitárias avisaram que a Ómicron poderá tornar-se a estirpe dominante dentro de poucas semanas. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças exorta a população a vacinar-se o mais brevemente possível. A Coreia do Sul também registou infecções provocadas pela Ómicron. Devido à evolução da epidemia, o Governo restringiu o número de participantes nos vários serviços religiosos. Se não estiverem vacinadas, podem estar presentes até 299 pessoas, ou seja, 30 por cento da capacidade das salas. Se todos tiverem a vacinação completa, a taxa de ocupação pode subir para 70 por cento. Para se defender da Ómicron, a China implementou a política de “tolerância zero”, o que significa que mal um caso é detectado, a transmissão do vírus deve ser controlada de imediato e a pessoa infectada, e aqueles com quem contactou, devem ficar em isolamento. Os seviços de Saúde de Macau salientaram que a cidade adoptou o mesmo tipo de medidas preventivas.

Em face desta severa pandemia, os ministros da saúde dos sete países mais industrializados reuniram-se e emitiram um comunicado, onde se salienta que a Ómicron é actualmente a maior ameaça à saúde pública, pelo que pediam a cooperação de todos os países. Nos Estados Unidos, a Pfizer criou uma vacina pediátrica, para ser administrada a crianças dos 2 aos 4 anos. Todos os países apelam a que os seus cidadãos tomem a terceira dose da vacina. E porque é que a terceira dose previne a infecção pela Ómicron? O Imperial College of London estudou cerca de 330.000 casos entre 29 de Novembro e 11 de Dezembro, dos quais 120.000 infecções provocadas pela variante Delta e mais de 1.800 provocadas pela Ómicron. O estudo demonstrou que as pessoas que já tinham tido infecções prévias têm 5,4 vezes mais probabilidade de contrair a Ómicron do que de contrair a variante Delta. O estudo demonstra que a imunidade das pessoas que já contraíram o vírus é de apenas 19 por cento em relação à Ómicron, semelhante à que adquirem com duas doses da vacina. Mas após a administração da terceira dose, estima-se que a imunidade suba para valores entre os 50 por cento e os 80 por cento. Além disso, as pesquisas demonstram que o risco de hospitalização não é inferior à da variante Delta. Dados da Pfizer demonstram que a terceira dose da vacina BNT pode multiplicar por 25 os anti-corpos contra a Ómicron. A British Health and Safety Agency realizou um estudo que concluiu que as pessoas que

Esperamos que os Governos da China, de Hong Kong e de Macau possam tomar em conjunto medidas preventivas que todos possam aceitar e implementar. Em caso de aparecimento de casos de infecção, poderemos responder de forma concertada para impedir a propagação do vírus

receberam a terceira dose BNT da Moderna obtêm um grau de imunidade de 70 a 75 por cento à Òmicron. A Pfizer calcula que a epidemia dure até 2024 e o vírus acabará por se tornar endémico, à semelhança da gripe. A Ómicron é agressiva e mais transmissível do que a Delta. Todos a temem. Convém lembrar que de Agosto a Outubro, Macau foi repetidas vezes atingida pela epidemia e a economia foi muito afectada. Com o apareci-

mento de novas variantes, vamos aprendendo gradualmente a lidar com este vírus. Todos os vírus têm mutações, os cientistas precisam de tempo para estudar as novas variantes, para criarem novas vacinas e novos medicamentos. É inevitável que as pessoas aguardem estes resultados com alguma expectativa. Dentro de alguns dias entramos em 2022 e as pessoas vão juntar-se na rua para celebrar o novo ano. No final de Janeiro, comemora-se o Ano Novo chinês, e é muito provável que as fronteiras de Hong Kong com a China e com Macau abram brevemente. Todos estes factores vão contribuir para um aumento significativo do fluxo de pessoas que vão atravessar as fronteiras entre a China, Hong Kong e Macau. Se não forem tomadas medidas anti-epidémicas em conjunto, se surgir um caso de infecção pela estirpe Ómicron, o confinamento vai voltar e a economia ressentir-se-á outra vez. Perante este cenário, esperamos que os Governos da China, de Hong Kong e de Macau possam tomar em conjunto medidas preventivas que todos possam aceitar e implementar. Em caso de aparecimento de casos de infecção, poderemos responder de forma concertada para impedir a propagação do vírus. Só desta forma todos se podem sentir seguros e as empresas podem ficar mais tranquilas. A Pfizer prevê que a epidemia acabe em 2024. Esperemos que esta previsão se concretize, que o mundo recupere o mais rapidamente possível e que a humanidade deixe de estar ameaçada pelo coronavírus.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


“Fico abismado com a facilidade com que pessoas desinformadas chegam a certezas.” PALAVRA DO DIA

HOJE MACAU

William Golding

terça-feira

21.12.2021

PJ CÚMPLICE DE FURTO MILIONÁRIO DETIDO AO REGRESSAR A MACAU

A

A

PUB PUB.

S previsões para 2022 em Macau parecem assombradas por uma inquietação existencial e um consenso: duvida-se que se avance com o concurso para exploração do jogo, dá-se como seguro o funeral dos ‘junkets’ e do mercado VIP. O Governo da capital mundial dos casinos continua a marcar no calendário de 2022 um dia para o concurso público de atribuição de novas licenças do jogo, mas analistas ouvidos pela agência Lusa suspeitam que falta tempo e que a conjuntura não é a melhor. Basta olhar para os últimos dois anos.Acovid-19 praticamente acabou com os turistas, infectou as contas dos casinos e gripou a economia da capital mundial do jogo. E esse cenário aconselha a um adiamento do concurso e consequente extensão das actuais licenças, por um ano, estimam. O jurista Carlos Lobo, que foi assessor do Governo de Macau, participou na elaboração da lei do jogo e integrou em 2001-2002 a comissão do primeiro concurso público de concessão dos casinos, resume assim a probabilidade: “Será quase impossível”. Mas a acontecer, ressalva, “será, sem dúvida, o evento do ano”, até porque, “tal como em 2001-2002”, o concurso “vai determinar o que será Macau nas próximas duas décadas”. Uma coisa parece certa: “Em 2022, será mais que pro-

A caminho de 2022 Da dúvida sobre o concurso do jogo à aposta certa no funeral dos ‘junkets’

vável a erradicação do sistema dos ‘junkets’”, as empresas de angariação de grandes apostadores. Razões não faltam, sublinha, exemplificando: o facto de a concessão de crédito aos apostadores ter os dias contados em Macau e os constrangimentos que recaem sobre as operadoras devido à “nuvem negra que paira sobre esse sistema em relação ao cumprimento das obrigações jurídicas”. Afinal, nenhum casino “pode dar-se ao luxo de operar num sistema que o próprio Governo central chinês veio dizer que actua de forma ilegal”, sendo que “o maior deles está alegadamente envolvido em actividades criminosas”.

No mesmo tom

Tal como Carlos Lobo, o economista José Sales Marques duvida também que o concurso avance no próximo ano, até porque “uma extensão permitiria lançá-lo numa conjuntura diferente” daquela que a pandemia criou, de crise económica geral e de perdas sem precedentes para os casinos. Mas, a acontecer, há uma convicção que destaca: “O modelo em que assentava o jogo, de dependência em relação ao

mercado VIP, vai mudar de certeza”, o que se traduz “na necessidade de atrair o mercado de massas, (…) um mercado mais híbrido, cujo perfil não será a 100 por cento de jogo”. A questão do crédito aos jogadores, enfatiza, é mais uma mensagem clara de Pequim, em sintonia com a grande motivação da China, “que está a apertar com o jogo para controlar a saída de capitais”.

“Em 2022, será mais que provável a erradicação do sistema dos ‘junkets’” CARLOS LOBO JURISTA

“É um problema cada vez mais claro, sendo que o descontrolo sobre o movimento de capitais é visto não só como uma questão económica, mas de segurança de Estado”, acrescenta. A necessidade de diversificação tem tanto de discurso motivacional dos governos local e central, como de aviso à navegação, têm apontado analistas como Albano Martins, que chega a admitir a ideia de

que Pequim quer mesmo acabar com o jogo em Macau.

Tempo para Hengqin

Contudo, a prometida regeneração económica com a aposta em Hengqin, a ilha vizinha da China continental para onde Macau deverá crescer nas próximas décadas, numa parceria com a província de Guangdong, ainda vai demorar, ressalva Sales Marques. As autoridades afirmam que o projecto é essencial para combater a dependência da indústria do jogo, que actualmente representa 55,5 por cento do PIB e 80 por cento das receitas do território, e prometem apostar no desenvolvimento de indústrias em áreas como saúde, financeira, tecnologia de ponta e turismo. Mas isso “leva algum tempo para ganhar suficiente dimensão, para crescer”, reitera. A haver tempo, o concurso público poderá dissipar algumas das dúvidas já em 2022. Sendo certo que não haverá lugar para mais operadores na indústria do jogo, fica por perceber se é mesmo para ‘emagrecer’ o número de casinos, de cujas receitas depende o orçamento do Governo e é hoje refém a economia da Las Vegas da Ásia. Lusa

Polícia Judiciária (PJ) anunciou no domingo a detenção de um residente de Macau suspeito de envolvimento no roubo de um armazém na zona norte da península, de onde foram subtraídas 900 caixas de cosméticos avaliadas em 920 mil patacas, noticiou ontem o jornal Ou Mun. As autoridades policiais receberam no dia 13 de Dezembro queixa de um funcionário que acabara de chegar ao armazém, indicando que, além da avultada perda de mercadoria, quatro câmaras de videovigilância foram destruídas, dano a que se juntou uma porta arrombada. O suspeito, um funcionário de relações públicas de um casino, foi detido na quinta-feira passada, quando tentava atravessar a fronteira de regresso a Macau depois de, alegadamente, ter fugido na sequência do furto. O homem de 31 anos, de apelido Wong, confessou o crime e contou que os dois restantes suspeitos que não foram detidos (de uma quadrilha de quatro elementos), lhe disseram que o armazém em questão tinha muitas mercadorias de elevado valor e que Wong seria bem pago pela sua participação. Assim sendo, na madrugada de 12 de Dezembro, o residente e outro suspeito arrombaram a porta do armazém e retiraram a mercadoria usando um carrinho de transporte de carga. De acordo com as autoridades, Wong contactou vários contrabandistas para transportarem os cosméticos para o Interior da China, aos poucos, para não alertar as autoridades. Logo na manhã de dia 12 de Dezembro, a PJ indicou que a mercadoria subtraída foi entregue do outro lado da fronteira. Dois dias depois, a polícia deteve um suspeito de 26 anos, que terá sido o outro elemento que roubou o armazém. Os residentes são suspeitos da prática do crime de furto qualificado. As autoridades acrescentam que Wong foi encaminhado para o Ministério Público, à semelhança do que já havia acontecido com o outro suspeito. Os dois restantes suspeitos continuam a monte e são procurados pelas autoridades. N.W. | J. L.

Tufão Rai Pelo menos 375 mortos nas Filipinas

O número de mortos do Tufão Rai subiu para 375 nas Filipinas, disse a polícia nacional ontem, num novo balanço, tornando-se um dos fenómenos naturais mais mortíferos do país nos últimos anos. Pelo menos 500 pessoas ficaram feridas e 56 estão ainda desaparecidas após a passagem devastadora do Rai pelas regiões sul e centro do arquipélago, acrescentou a polícia nacional. Mais de 400.000 pessoas fugiram das suas casas desde quinta-feira. O ramo filipino da Cruz Vermelha relatou uma "carnificina completa" nas zonas costeiras.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 21 DEZEMBRO 2021 #4916 by Jornal Hoje Macau - Issuu