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Hoje Macau 21 NOV 2018 #4177

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUARTA-FEIRA 21 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4178 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

hojemacau

A pior formação Um formador, de 35 anos, foi detido na segunda-feira pela Polícia Judiciária. É suspeito da prática de violação, coacção sexual e abuso

sexual de menores. Em causa estão cinco rapazes, com mais de 10 anos, que frequentavam um centro de explicações no Fai Chi Kei.

CRIMINALIDADE

Violência cai PÁGINA 6

FILIPINAS

PONTO DE ENCONTRO GRANDE PLANO

JARDIM DA FLORA

ADEUS BOBO PÁGINA 9

Nuvem eh deserto JOÃO PAULO COTRIM

PÁGINA 7

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA

Nove longas histórias ESPECIAL MIFF


2 grande plano

21.11.2018 quarta-feira

REGIÃO

MELHORES AMIGOS O teor fraterno das palavras entre os presidentes da Filipinas e da China nos dias de hoje faz esquecer um dos pontos mais baixos nas relações entre os dois países, que se verificou há cerca de dois anos, na sequência de disputas territoriais no Mar do Sul da China. Aliás, o litígio chegou mesmo à barra da justiça internacional. É neste contexto que Xi Jinping chegou ontem a Manila, para uma visita oficial que termina hoje. À sua espera estava um líder com quem mantém, actualmente, uma relação muito próxima. Aliás, em Abril, Rodrigo Duterte fez uma autêntica declaração de amor ao líder chinês: “Eu simplesmente amo Xi Jinping. Ele compreende os meus problemas e está disposto a ajudar-me. Portanto, eu digo: Obrigado, China”. Na segunda-feira, a véspera da viagem para Manila, Xi divulgou uma nota oficial a retribuir o afecto do Presidente filipino. “As nossas relações estão numa fase de arco-íris depois da chuva. Em pouco mais de dois anos, a China tornou-se no maior parceiro comercial das Filipinas e a segunda maior fonte de turistas”, lê-se num comunicado divulgado na Xinhua. No entanto, Xi não deixou de parte o passado recente de quezílias diplomáticas, apesar de apontar o caminho futuro de entendimento, nomeadamente quanto ao litígio marítimo, um dos pontos mais importantes na agenda da visita. “Precisamos resolver de forma adequada através do diálogo e cooperação nos assuntos marítimos, de forma a tornar o Mar do Sul da China num mar de paz, amizade e cooperação que verdadeiramente beneficie os povos de ambos os países”, referiu o Presidente chinês. Apesar do tom afectuoso na linguagem, do encontro espera-se que se encontre definição para questões complexas, nomeadamente a reaproximação a Pequim e os apoios chineses para ultrapassar algumas das dificuldades socioeconómicas endémicas de que o país sofre. Uma coisa parece certa: Xi deve levar na bagagem promessas bilionárias de acordos e negócios para seduzir Duterte, na sequência da primeira visita que fez

“Eu simplesmente amo Xi Jinping. Ele compreende os meus problemas e está disposto a ajudar-me. Portanto, eu digo: Obrigado, China.”

PRESIDENTIAL PHOTOS

Xi Jinping está em Manila, num período em que as relações entre a China e as Filipinas atravessam o período mais positivo desde há muito tempo. Do encontro, o primeiro em 13 anos, devem resultar acordos milionários de investimento chinês e a discussão acerca das disputas territoriais no Mar do Sul da China. A visita de Xi é encarada como a definitiva aproximação de Pequim a Manila, deixando de parte um tradicional aliado das Filipinas: os Estados Unidos

XI JINPING VISITA AS FILIPINAS NUM MOMENTO DE APAZIGUAMENTO DIPLOMÁTICO

RODRIGO DUTERTE

a Pequim quando assinou uma bateria de acordos para futuros investimentos chineses. Na altura, Duterte anunciou que “a América perdeu” na esfera militar e económica, numa rejeição óbvia à parceria histórica que Manila mantinha com Washington. Em contrapartida, há analistas que entendem que o Presidente filipino está a tentar agradar a gregos e troianos, num jogo perigoso entre as duas maiores potências económicas do mundo.

CANTIGA DO BANDIDO

No entanto, os investimentos chineses na Filipinas continuam por se concretizar na realidade. Desde o estabelecimento de acordos, apenas uma fracção dos 24 mil milhões de dólares prometidos foram aprovados e implementados. Em declarações ao The New York Times, Jay Batongbacal, professor da Faculdade de Direito da Universidade das Filipinas, referiu que “as políticas de Duterte, desde 2016, não corresponderam às expectativas nem convenceram as pessoas da sua eficácia”. Na sequência da moderação de Duterte nas disputas do Mar do Sul da China, Pequim continua a construir bases militares em ilhas

também reclamadas por Manila. Em 2016, numa decisão surpreendente, um tribunal internacional deu razão às pretensões filipinas

CARTOON DE PROTESTO

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ma onda de protesto inundou as redes sociais com memes do Winnie the Pooh, o personagem de banda desenhada usado para satirizar Xi Jinping, como forma de manifestar desagrado perante a visita do Presidente chinês a Manila. Um dos post mais partilhados mostrava o ursinho Pooh, que se prostra perante um espelho enquanto “Hail Satan” pisca no ecrã. Noutro post, o ursinho flutua perto de uma ilha artificial, aparentemente construída por Pequim, numa alusão às zonas marítimas disputadas no Mar do Sul da China.

e negou as intenções de Pequim quanto às disputas territoriais arguidas pela administração do antecessor de Duterte, Benigno S. Aquino III. A dois dias da decisão judicial, Duterte tomou posse. Desde então, o Presidente recusou pressionar Pequim no sentido de cumprir o que ficou definido na sentença, apesar do precedente legal estar do lado das pretensões da anterior administração. Leila de Lima, uma das caras principais da oposição ao regime actual, emitiu uma declaração onde refere que “na realidade, as Filipinas sob a liderança de Duterte podem ter desperdiçado a mais sólida base


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quarta-feira 21.11.2018

PARA SEMPRE

pescadores, que protestou em frente à embaixada chinesa em Manila ontem de manhã. De acordo com agências noticiosas, cerca de 150 pessoas protestaram a chegada do Presidente chinês empunhando cartazes que diziam, por exemplo, “As Filipinas são nossas, sai China”. Um dos argumentos de Duterte assenta na ideia de que a exploração conjunta é a única forma de aproveitar os recursos que estão debaixo das águas disputadas. Em contrapartida, o Governo de Manila confirmou no início desta semana um acordo com um consórcio liderado pela China Telecom que permitirá à gigante chinesa tornar-se na terceira operadora de telecomunicações nas Filipinas. A Comissão Nacional de Telecomunicações anunciou na segunda-feira que a Mislatel, que reúne várias operadores chinesas e a Udenna Corp, detida pelo milionário filipino Dennis Uy, será “o novo grande player no mercado das Filipinas”.

“As nossas relações estão numa fase de arco-íris depois da chuva. Em pouco mais de dois anos, a China tornou-se no maior parceiro comercial das Filipinas e a segunda maior fonte de turistas.” XI JINPING

legal contra Pequim na conflito do Mar do Sul da China”. É de salientar que Leila de Lima se encontra detida, num caso em que activistas dos direitos humanos consideram que se cometeram inúmeros atropelos à lei.

CIMEIRA BIPARTIDA

Durante a cimeira ASEAN, que decorreu em Singapura há dias, Duterte aparentemente minimizou as pretensões da administração que o antecedeu, ao referir que “a China já está na posse” das águas contestadas. O Presidente filipino aconselhou ainda Washington a evitar criar fricções depois dos norte-americanos

terem enviado navios de guerra para o Mar do Sul da China. A acção foi explicada pelo Pentágono como uma forma de chamar a atenção para as pretensões de outros cinco países em relação às águas em disputa.

Cerca de 150 pessoas protestaram a chegada do Presidente chinês empunhando cartazes que diziam, por exemplo, “As Filipinas são nossas, sai China.”

A posição de Rodrigo Duterte nesta matéria não está alinhada com a opinião pública, pelo menos de acordo com sondagens. Um inquérito realizado pela Social Weather Stations, revela que cerca de 85 por cento dos ouvidos estão contra a inacção do Governo face às movimentações de Pequim no Mar do Sul da China, nomeadamente depois das forças chinesas terem aterrado caças em ilhas disputadas, e instalado baterias de mísseis ar-terra. Clarita Carlos, ex-presidente do Colégio de Defesa Nacional das Filipinas, considera esta posição “um golpe duro na imagem de pragmatismo do Governo” e entende que a postura de Duterte é

“uma capitulação que se aproxima da traição”.

PESCAS E COMUNICAÇÕES

Os pescadores são outro bloco de oposição à política de suavidade de Duterte face às intenções chinesas no litígio marítimo. Uma das razões argumentadas pelos representantes do sector das pescas é o ventilado plano de exploração de gás e petróleo nas águas contestadas. Aliás, profissionais do sector das pescas protestaram a chegada de Xi Jinping a Manila devido “à total rendição do controlo do território marítimo rico em recursos naturais”. As palavras são de Fernando Hicap, líder de uma associação sindical de

O consórcio ganhou os direitos de franchise a partir de 7 de Novembro, mas enfrentou a oposição de dois rivais, a empresa filipina PT&T que recorreu ao Supremo Tribunal para contestar a sua derrota no concurso. Também este negócio tem sido alvo de críticas por parte dos adversários políticos, que questionam a transparência do negócio, principalmente pelo facto de Dennis Uy ter sido um dos maiores aliados empresariais de Duterte durante as eleições de 2016. Aliás, a fraca qualidade dos serviços de telecomunicações tem sido uma fonte constante de desagrado entre a população filipina. É neste contexto que os dois líderes se encontram. Múltiplas declarações de entendimento e apreço pessoal, negócios duvidosos, territórios em disputa de que, de repente, se abre mão e um tsunami de yuans que muitos analistas consideram uma “armadilha de dívida”. Na reconfiguração do xadrez geoestratégico, Pequim parece estar a levar a melhor sobre Washington no que toca ao sudeste asiático. João Luz (com agências) info@hojemacau.com.mo


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21.11.2018 quarta-feira

CHINA LIFE INSURANCE (OVERSEAS) CO., LTD. MACAU BRANCH

RELATÓRIO DE AUDITOR INDEPENDENTE SOBRE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS PARA À GERÊNCIA DA CHINA LIFE INSURANCE (OVERSEAS) COMPANY LIMITED – SUCURSAL DE MACAU (SOCIEDADE POR ACÇÕES DE RESPONSABILIDADE LIMITADA, REGISTADA EM REPÚBLICA POPULAR DA CHINA) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da China Life Insurance (Overseas) Company Limited – Sucursal de Macau (a <<Sucursal>>) relativas ao ano de 2017, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 13 de Abril de 2018, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2017, a demonstração de

resultados, a demonstração de alterações na conta de sede e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas.

Com o elevado reconhecimento e o apoio dos clientes locais, a Sucursal de Macau da China Life Insurance (Overseas) Company Limited (doravante designada “Sucursal de Macau”) auferiu 11,4 mil milhões de patacas em termos de prémios no ano de 2017, e registou um lucro depois de impostos de 78,83 milhões de patacas, sendo a primeira e a única companhia de seguros que conseguiu a receita de mais de 10 milhões em Macau. O montante total de investimento por parte das sucursais de Macau e Hong Kong no Projecto de Pre-IPO da Lung Ming Mining Co., Ltd (adiante denominada “Lung Ming Mining”) foi 200 milhões de dólares. Em 2016, a Companhia transferiu o saldo total do investimento da sucursal de Hong Kong na Lung Ming Mining à de Macau, sendo 339 milhões de patacas de quotas e 895 milhões de patacas de empréstimos. Devido à mudança violenta da situação económica global, a queda significante do preço do minério de ferro bem como o ambiente não satisfatório de investimento do mercado global de capitais, Lung Ming Mining não conseguiu abrir o capital como esperado. Tomando em conta a incerteza da recuperação do investimento no Projecto da Lung Ming Mining e

no princípio da prudência operacional e financeira, as provisões para a depreciação de activos relativamente a esse investimento ficaram 508 milhões de patacas no ano em apreço, entre as quais sendo 474 milhões de patacas para a provisão de incobráveis e 34 milhões de patacas para a depreciação de acções de Lung Ming Mining. Após a provisão para a depreciação, o saldo contábil da nossa Companhia sobre Lung Ming Mining foi 799 milhões de patacas. Em 2017, a companhia devolveu à sucursal de Hong Kong o empréstimo de 470 milhões de patacas do Projecto de Pre-IPO da Lung Ming Mining e o saldo contábil passou a ser 398 milhões de patacas. Foi criado grupo de trabalho destinado à efectuação da comunicação activa com Lung Ming Mining e à tomada de medidas eficazes para aumentar a recuperação do investimento, não excluindo a possibilidade de continuar a depreciação nos próximos anos e a de afectar os lucros da companhia. No entanto, mesmo nas situações mais desfavoráveis, i.e, a previsão para a depreciação do saldo total do investimento neste projecto, a nossa companhia

As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas.

Para a melhor compreensão da posição financeira da Sucursal e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young – Auditores Macau, aos 13 de Abril de 2018

RELATÓRIO DE ACTIVIDADES irá manter a boa solidez financeira e a capacidade suficiente de liquidação. Estamos em Macau há 28 anos, com a filosofia corporativa de “Lifelong Promise, Lifelong Partner”, conseguindo o activo total de 48,2 mil milhões de patacas até aos finais do ano de 2017. Foram atribuídas à China Life Insurance (Overseas) Company Limited o rating A11 da Solidez Financeira de Seguros pela Moody`s e o rating A2 do Crédito de Emitente de Moeda Local a Longo Prazo e da Solidez Financeira de Seguradora pela Standard & Poor´s. Tendo os activos de 3,59 trilhões de RMB nos finais de 2017, a companhia-mãe China Life Insurance (Group) Company ocupa o número 42 das 500 maiores companhias do mundo. No futuro, iremos continuar a dar esforços no sentido de proporcionar aos cidadãos de Macau serviços de boa qualidade de seguros de vida e contribuir ao desenvolvimento e à construção de Macau para agradecer o apoio e a confiança dos cliente. 1 até a 22 de Novembro de 2017 2 até a 30 de Janeiro de 2018


política 5

quarta-feira 21.11.2018

RÓMULO SANTOS

TERRAS APROVEITAR TERRENOS RECUPERADOS

A

METRO LIGEIRO DEPUTADOS QUESTIONAM PODERES DOS AGENTES DE FISCALIZAÇÃO

Autoridade pesada

O Governo vai ter de justificar aos deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa as razões para a concessão do estatuto de autoridade pública aos agentes de fiscalização do Metro Ligeiro. Uma situação inédita em Macau. Há também dúvidas sobre a entidade que decide o valor das tarifas

O

S deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa voltaram ontem a insistir numa questão que já tinha sido abordada na reunião plenária que aprovou, na generalidade, a proposta de lei de sistema de transporte do metro ligeiro: os poderes dos futuros agentes de fiscalização. Desta forma, o Executivo terá de se deslocar ao hemiciclo para prestar esclarecimentos adicionais sobre esta matéria. “A assessoria chamou-nos a atenção para os poderes concedidos aos agentes, que gozam do estatuto de autoridade pública. Isso significa que eles podem deduzir e notificar a acusação ao infractor. Estamos atentos a isso”, disse Vong Hin Fai, deputado que preside à comissão. De acordo com o deputado, trata-se de uma situação inédita no território. “Em Macau, no terminal marítimo ou no aeroporto, os seguranças ou fiscais não dispõem deste tipo de poderes e não há uma lei que atribua esse estatuto de

autoridade pública. Houve algumas dúvidas por parte dos deputados quanto ao estatuto que esses agentes de fiscalização vão passar a ter.” Além disso, os membros da comissão permanente desejam saber qual será a entidade responsável pela credenciação dos agentes. “É necessário ter pré-requisitos ou que frequentem acções de formação? Precisamos pedir informação ao Governo, para saber porque é que foram concedidos grandes poderes aos agentes”, apontou Vong Hin Fai. O Executivo terá também de explicar as futuras funções dos fiscais. “O que vão fiscalizar ao certo? Vão ver se os passageiros têm bilhete? A proposta de lei não regula as funções principais dos agentes

e, por isso, vamos pedir informações detalhadas.”

QUANTO CUSTA?

O valor dos bilhetes do Metro Ligeiro será decidido através de um despacho complementar, mas os deputados desejam saber qual a entidade responsável pela fixação do valor. “Será a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) ou a própria concessionária? Os deputados querem saber porque se trata de um valor de interesse público”, adiantou Vong Hin Fai. Outra falha apontada na actual proposta de lei prende-se com o facto do diploma não regular as várias modalidades de pagamento existentes. “Quanto ao pagamento electrónico dos bilhetes, sabemos que há países que utilizam cartões SIM e tam-

“Em Macau, no terminal marítimo ou no aeroporto, os seguranças ou fiscais não dispõem deste tipo de poderes e não há uma lei que atribua esse estatuto de autoridade pública.” VONG HIN FAI DEPUTADO

bém se utiliza o sistema Alipay. Em Macau também existem essas modalidades de pagamento mas a proposta de lei não regula isso.” Além disso, é necessário regular as medidas preventivas de acidentes na proposta de lei, lembraram os deputados, uma vez que as normas existentes “são simples”. Outro ponto abordado na reunião de ontem prende-se com o facto do Governo ter copiado, sem qualquer alteração, algumas normas da lei da investigação de acidentes e incidentes da aviação civil e da protecção da informação de segurança aérea, implementada em 2013. “Muitos artigos são transpostos das normas contidas nessa lei. Vamos questionar o Governo, porque há aspectos da aviação civil que são semelhantes ao transporte de Metro Ligeiro, mas será que todas são semelhantes? O Governo quase uniformizou as normas”, rematou Vong Hin Fai. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

deputada Wong Kit Cheng pede ao Governo uma plano de aproveitamento para os terrenos recuperados. Em interpelação escrita, a deputada recorda que a sociedade espera que o Executivo tome atitudes neste sentido, dada a falta de terra em Macau e o número crescente da população. A inacção por parte do Governo resulta num desperdício de recursos, e acarreta outros problemas para a sociedade, considera. “Deixar os terrenos públicos vazios não só é um desperdício de recursos, como pode levar à proliferação de mosquitos e larvas, à acumulação de lixo, ao cultivo ilegal e à ocupação indevida de terrenos, o que afecta a qualidade de vida dos residentes”, apontou. Por outro lado, os planos para construção de habitação pública já anunciados pelo Governo não se destinam ao aprovei-

tamento de terrenos recuperados, lamenta a deputada. Outro aspecto que Wong Kit Cheng considera preocupante é o foco da atenção do Executivo no aproveitamento de terrenos de grande dimensão e, enquanto isso, outras parcelas ficam esquecidas. Como tal, e tendo em conta os vários casos em que o Tribunal de Última Instância declarou a caducidade de concessões, Wong Kit Cheng apela ao Executivo o planeamento, tão rápido quando possível do aproveitamento dos terrenos recuperados e os que possam vir a ser no futuro. Paralelamente, a deputada apela ainda à divulgação dos terrenos recuperados que possam servir para a construção de habitação pública e sugere o aproveitamento das parcelas mais pequenas para instalações de lazer, desportivas e de estacionamento temporário. V.N.

Habitação Solicitada aplicação de taxas para casas vazias

A deputada Agnes Lam entregou uma interpelação escrita onde pede a cobrança de taxas relativas às casas vazias que foram adquiridas como primeira habitação. “Comparando com o Governo de Hong Kong, as autoridades de Macau têm uma atitude muito passiva na elaboração de políticas, o que causa frustração junto da população”, escreveu. A medida de cobrar taxas foi apresentada o ano passado pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, no âmbito da apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa para este ano. Contudo, não foi ainda apresentada qualquer proposta neste sentido. Agnes Lam deseja saber também se o Executivo vai ter como termo de referência as medidas adoptadas pelo Governo de Hong Kong para incentivar a venda de fracções residenciais recentemente construídas. A deputada deseja também saber o resultado da implementação de políticas no âmbito da alteração do regulamento da contribuição predial urbana e da lei do imposto do selo sobre a aquisição de casas após a primeira habitação.


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4.600 TAXISTAS MULTADOS

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ntre Janeiro e Setembro, a Polícia de Segurança Pública autuou 4.600 taxistas, o que perfaz uma média de 511 por mês. O valor traduz um aumento de 21,7 por cento (+819) face aos primeiros nove meses do ano passado. Quase dois terços (2.840 infracções) diziam respeito a cobrança excessiva, sendo que 1.013 (+22 por cento) tinham que ver com recusa de tomada de passageiros e 138 com prestação de serviço de transporte ilegal (-88,1 por cento). Os dados foram facultados durante o balanço da criminalidade, com o secretário a afirmar ser “convicção” das autoridades de que, após a entrada em vigor do regime relativo aos táxis, actualmente em análise em sede de especialidade na Assembleia Legislativa, “se conseguirá reprimir eficazmente os actos ilícitos”. De recordar, porém, que deputados e Governo chegaram a acordo para reduzir o aumento de multas aplicáveis aos proprietários das licenças de táxis de 30 mil para 9 mil.

SEGURANÇA CRIMINALIDADE VIOLENTA CAIU SENSIVELMENTE NOS PRIMEIROS NOVE MESES DO ANO

Os números do costume ADN ALVO DE CONSULTA

GCS

Descidas de dois dígitos no universo de crimes como sequestro, roubo e violação contribuíram para o abrandamento significativo da criminalidade violenta nos primeiros nove meses do ano

21.11.2018 quarta-feira

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criminalidade violenta sofreu uma descida de 23,9 por cento entre Janeiro e Setembro, impulsionada por uma queda praticamente em toda a linha dos delitos desta natureza. O abuso sexual de menores foi um dos que contrariou a tendência. O balanço da criminalidade foi apresentado ontem pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, em conferência de imprensa. Do universo da criminalidade violenta destacam-se os sequestros, dado que representaram mais de metade das ocorrências (232 em 452), o que perfaz uma média de 25 por mês, isto apesar de terem diminuído 31,6 por cento face aos primeiros nove meses do ano passado. A maioria dos sequestros – 218 em 232 – teve origem na prática do crime de usura (vulgarmente conhecida como agiotagem). A diminuição dos casos de roubo (47 contra 72), de violação (de19 contra 24) e de tráfico de droga (91 contra 99) também ajudou ao recuo da criminalidade violenta. Já o número de homicídios manteve-se (2). Em termos gerais, a criminalidade desceu ligeiramente (1,8

+‘SITES’DEBLOQUEADOS 130 A

Polícia Judiciária (PJ) solicitou a empresas de domínio localizadas no estrangeiro para bloquear ou remover um total de 237 ‘sites’ de jogo ilegal, afirmou ontem o secretário para a Segurança, dando conta de que, até ao momento, mais de 130 tiveram esse destino. Wong Sio Chak não revelou, porém, se os dados se referem apenas a 2018. “Nos últimos anos, há grupos criminosos que aproveitam o renome do sector do jogo de Macau para estabelecer ‘websites’ falsos ou praticar o crime de burla, que prejudicam gravemente a imagem da cidade”, realçou.

Droga Carro com estupefacientes caiu de encosta

O automóvel que há uns dias caiu de uma encosta, em Coloane, continha no interior metanfetaminas e folhas de alumínio. A revelação foi feita pela polícia, de acordo com o jornal Ou Mun, que identificou o proprietário do veículo. Contudo, o dono explicou que na altura do acidente tinha emprestado a viatura a um familiar. Segundo o jornal, na origem do sinistro terá estado o facto desse familiar, com mais de 30 anos, estar a conduzir sob o efeito de estupefacientes. No entanto, de acordo com o jornal, a PJ não conseguiu dar este facto como provado. Ainda assim, o homem foi entregue ao MP, por fuga à responsabilidade, uma infracção à lei de trânsito, que pune as pessoas que tentem “furtar-se à responsabilidade civil ou criminal em que eventualmente tenham incorrido”.

por cento), resultando em 10.559 inquéritos criminais, ou seja, menos 192 face aos primeiros nove meses do ano transacto. Seis em cada dez crimes foram contra o património (6.525), como burla e usura, ambos com subidas superiores a 20 por cento. A esmagadora maioria dos crimes de usura – 390 em 403 – estava relacionada com o jogo, ou seja, mais 24,2 por cento em termos anuais homólogos. Apesar de o número de furtos ter diminuído ligeiramente (2.129 ou menos 46) nos primeiros nove meses, registou-se um aumento da prática por carteiristas em vias públicas (de 144 para 189) e nos transportes públicos (de 132 para 205).

proposta de lei que define o regime jurídico da base de dados de ADN, que segundo o relatório das Linhas de Acção Governativa já foi remetida ao Conselho Executivo, vai a consulta pública no próximo ano, indicou o secretário para a Segurança. “É um meio muito importante para a investigação”, realçou Wong Sio Chak, que entende que sem o regime que permite a base de dados, a recolha de amostras fica dificultada, uma vez que carece de consentimento. Tal como noticiou ontem o HM, a intenção de criar uma base de dados de ADN foi anunciada no Verão de 2012 por Wong Sio Chak, que era então director da Polícia Judiciária (PJ) e ficou plasmada nas LAG para o ano seguinte. Contudo, devido à “complexidade” do processo de produção legislativa, os trabalhos arrastaram-se no tempo. Em Portugal, por exemplo, a base de dados de perfis de ADN, criada há oito anos, permite fazer o cruzamento de amostras recolhidas no local do crime, ou mesmo de vítimas, com os perfis já identificados e registados, e recolher amostras de ADN em pessoas ou cadáveres e compará-las com as de parentes ou a base de dados, com vista à sua identificação.

Furtos praticados por carteiristas em vias públicas e autocarros com subida Em contrapartida, os crimes contra a pessoa (1.988), contra a vida em sociedade (687) e contra o território (622) diminuíram em comparação com os primeiros nove meses de 2017.

DELINQUÊNCIA JUVENIL EM ALTA

Já a delinquência juvenil subiu de 30 para 40 casos e envolveu 64 jovens (mais 29). Do total, 12 casos foram remetidos para o Ministério Público (MP), contra três em igual período do ano passado. Em termos globais, entre Janeiro e Setembro, foram detidos e presentes ao MP 4.680 indivíduos,

ou seja, menos 559 em termos anuais homólogos. Do balanço da criminalidade destaca-se ainda a descida superior a 30 por cento do número de imigrantes ilegais. Até Setembro foram detectados 600, a grande parte dos quais da China (473) e do Vietname (115). Já em excesso de permanência foram descobertos 20.653, isto é, mais 610 do que em igual período de 2017. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


sociedade 7

quarta-feira 21.11.2018

Tempo Temperaturas baixas a partir de hoje

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) alertam para a aproximação da costa meridional da China de uma frente fria que vai resultar numa descida de temperaturas, a partir de hoje. “Espera-se que a temperatura desça e a mínima ronde os 16 graus celsius, havendo dispersos períodos de chuva. Nos dias a seguir, no início da manhã e à noite, o tempo será, relativamente, frio”, referem os SMG em comunicado, pelo que aconselham a população a estar atenta às variações de temperatura e a tomar as devidas precauções.

IC Museu da História da Taipa e Coloane encerra

O Museu de História da Taipa e Coloane vai encerrar portas temporariamente entre 27 de Novembro e 17 de Dezembro. A razão, aponta o Instituto Cultural (IC) em comunicado, deve-se a obras de melhoria das instalações de modo “a oferecer ao púbico um melhor ambiente”. As obras incluem a pintura das paredes do exterior do edifício e mudança de equipamentos no interior, de acordo com a mesma fonte.

Foshan Luso Internacional com sucursal aberta

O Banco Luso Internacional abriu esta segunda-feira uma nova sucursal em Foshan, na província de Guangdong, noticiou ontem o jornal Ou Mun. De acordo com o diário de língua chinesa, a nova sucursal vai prestar serviços financeiros como a concessão de empréstimos transfronteiriços e gestão de activos de clientes não apenas de Foshan mas também de Hong Kong e Macau. O director-geral da sucursal, Guo Yiming, referiu que o banco planeia, dentro de três a cinco anos, marcar presença nas cidades principais que constituem o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na faixa económica do rio Yangtze, para estender a sua rede de serviços.

Turismo Despesa fora dos casinos subiu

Excluindo o dinheiro gasto em casinos, os visitantes que escolheram Macau como destino entre Julho e Setembro gastaram 18,35 mil milhões de patacas, um aumento de 15,2 por cento em termos anuais homólogos, segundo dados divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A par do aumento global verificou-se também uma subida de 5,9 por cento dos gastos ‘per capita’ para 2.039 patacas. Os visitantes procedentes da China foram os que mais abriram os cordões à bolsa, com a despesa ‘per capita’ a corresponder a 2.306 patacas – mais 5 por cento comparativamente ao terceiro trimestre do ano passado. Entre os gastos dos visitantes, excluindo em jogo, predominaram as compras (50,3 por cento), seguindo-se o alojamento (24,2 por cento) e alimentação (18,2 por cento).

CRIME EXPLICADOR SUSPEITO DE ABUSO SEXUAL DE MENORES

Muito mal formado Um homem, de 35 anos, oriundo de Hong Kong, foi detido pela suspeita de abuso sexual de cinco menores de idade num centro de explicações, onde era formador

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INCO menores de idade terão sido vítimas de abusos sexuais por parte de um formador do centro de explicações que frequentavam no Fai Chi Kei. O homem, detido na segunda-feira pela Polícia Judiciária (PJ), é suspeito da prática de violação, coacção sexual e abuso sexual de crianças. O HM contactou o Ministério Público (MP) para saber as medidas de coacção aplicadas, mas até ao fecho desta edição não obteve resposta. O caso – tornado ontem público – foi reportado à PJ por uma das alegadas vítimas no domingo. Segundo a PJ, o rapaz, de 14 anos, que fez a participação, afirmou que o formador o obrigou a fazer sexo oral, por seis vezes, desde Outubro, sob a ameaça de que revelaria aos seus pais que tinha uma namorada. Na sequência da

investigação, a PJ chegou a outros quatro menores – também todos do sexo masculino – que também terão sido forçados a práticas como sexo oral e masturbação. Segundo a PJ, o explicador, de 35 anos e oriundo de Hong Kong, tê-los-á intimidado, dizendo que contaria aos seus progenitores que não estavam atentos nas aulas ou que os seus resultados académicos eram fracos. A PJ entrou em contacto com os pais dos quatro meninos, todos com mais de 10 anos, bem como com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) que convocou uma conferência de imprensa para prestar mais esclarecimentos relativamente ao caso.

ACTIVIDADES SUSPENSAS

Os alegados crimes ocorreram dentro do centro de explicações, localizado no Fai Chi Kei e com alvará desde 2015, cujas activida-

des foram entretanto suspensas. Segundo o chefe do Departamento de Ensino da DSEJ, Kong Ngai, o organismo tentou ontem contactar o proprietário da instituição particular, mas sem sucesso. A última vistoria ‘in loco’ levada a cabo ao centro de explicações, com capacidade máxima para 24 alunos, foi realizada em Outubro. Relativamente ao formador, trabalhador não residente de Hong Kong, a DSEJ indicou que o suspeito, que não está inscrito noutras instituições de ensino,

Suspeito de abusos sexuais foi detido na segunda-feira, desconhecendo-se as medidas de coacção aplicadas

vai ver o seu nome suspenso do registo. Existem, no entanto, divergências relativamente à data em que o formador começou a trabalhar no centro de explicações: a PJ diz que foi em 2016, enquanto DSEJ referiu 2017. Um cenário que levou Wong Chi Iong, chefe da Divisão de Extensão Educativa da DSEJ, a colocar a possibilidade de o suspeito ter trabalhado ilegalmente durante um período. Após ter sido informada pela PJ, a DSEJ iniciou uma investigação administrativa para apurar “mais detalhes” sobre o formador e os alunos, no âmbito da qual serão convidados a prestar declarações os demais tutores do centro de explicações. De resto, a DSEJ – que “censura veemente” o caso – garante que irá prestar “todo o apoio necessário” aos estudantes e promete mais acções de sensibilização no quadro da educação sexual, colocando a tónica na importância de se ensinar às crianças a auto-protecção. Na conferência de imprensa, a DSEJ sublinhou que actua com base no regime do licenciamento e fiscalização dos centro de apoio pedagógico complementar particulares, um decreto-lei de 1998 que, segundo adiantou, se encontra actualmente a ser revisto. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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quarta-feira 21.11.2018

O

MUITO BEM ACOLHIDO

Foi em 1984, segundo os registos do IACM, que o urso Bobo foi salvo. Na altura, o ursinho tinha menos de um ano e estava numa pequena jaula, à porta de um restaurante, na Rua da Felicidade. Harald Bruening, director do

MEMÓRIA BOBO MORREU AOS 35 ANOS E VAI SER EMBALSAMADO

O urso que era uma figura

Era para ter terminado no prato de um restaurante, mas quis o destino que fosse salvo e colocado no Jardim da Flora. Ao longo de mais de 30 anos, o urso Bobo foi uma das principais atracções dos passeios de domingo para várias gerações. Mas ontem, com 35 anos, foi declarado morto devido à degradação da sua saúde “Falei com as forças de segurança, que me explicaram que não podiam fazer nada. Só que no mesmo dia prometeram-me que iam falar com o Leal Senado. Depois disso, não houve novidades nos dias seguintes, mas mais tarde o ursinho foi colocado no Jardim da Flora”, contou. “Se bem me recordo, o animal pode ser apreendido pelo IACM porque o restaurante não tinha licença de importação”, recordou. Foi também no Jardim da Flora que o pequeno urso ganhou o nome de Bobo. Era esta a forma de tratamento das crianças que o visitavam e que com o tempo foi adoptada.

ANTÓNIO FALCÃO

urso Bobo morreu ontem de manhã, depois de quase 35 anos a viver no Jardim da Flora, onde era a principal atracção para as crianças. Na segunda-feira à noite o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) já tinha emitido um comunicado a alertar para a degradação de saúde do animal, que já mal conseguia comer, e ontem confirmou a sua morte, que ocorreu por volta das 11h00. “O nosso urso-asiático Bobo morreu esta manhã [ontem] às 11h00 e tal. O urso-asiático normalmente vive 30 anos, mas o nosso morreu com 35”, disse Isabel Jorge, administradora do Conselho de Administração do IACM. “Nos últimos dias a situação de saúde dele piorou e ficou mais fraco. Os nossos tratadores e veterinários acompanharam de perto a situação, mas esta manhã faleceu”, acrescentou. Em cima da mesa está agora a possibilidade de Bobo ser embalsamado, numa medida para sublinhar a importância das espécies em vias de extinção. O urso-preto asiático é uma espécie considerada vulnerável, a categoria menos grave das espécies ameaçadas. “Queremos continuar com o trabalho da protecção e conservação dos animais, e em princípio o corpo do nosso urso vai ser embalsamado. Depois vamos colocá-lo num jardim, mas ainda não sabemos qual”, explicou a responsável. Em relação ao Jardim da Flora, o espaço vai continuar a receber animais, mas de pequeno porte. Segundo Isabel Jorge entre as espécies consideradas para continuar a levar as crianças ao jardim está o porquinho-da-índia.

JAULA MAIOR E COMPANHEIRA

Wong residente com 30 anos “O Bobo faz parte das memórias de infância das pessoas que cresceram em Macau. Ele acompanhou o crescimento de várias gerações.”

jornal Macau Post Daily, deu o alerta às autoridades. “Nos meados dos anos 80, estava com um grupo de jornalistas, o ex-director do Va Kio, Chiu Iu Nang, e Adam Lee, que na altura era o correspondente no South China Morning Post. Estávamos a passar na Rua da Felicidade e a certa altura vimos uma concentração de pessoas à frente de um

restaurante, porque estava ao pé da porta uma jaula muito pequena com um ursinho bebé”, recordou Bruening, ao HM. “Era uma atracção, mas todos sabíamos que o destino dele ia ser a cozinha. Por isso, e devido às condições em que estava a ser mantido, havia muita gente chocada”, relatou. Como o alemão domina a língua portuguesa, na altu-

ra Chiu e Adam pediram-lhe para falar com as forças de segurança locais. Foi o que Bruening fez, embora o que se seguiu não tivesse sido simples. Isto porque em 1984 não havia uma lei de protecção dos animais, e Bobo só pode ser apreendido devido ao facto do restaurante não ter licença para importar animais daquele género.

Com o passar dos anos, as condições para o urso Bobo melhoraram, principalmente em 2000. Além de um espaço maior, com um lago para nadar, o urso recebeu igualmente uma companheira vinda do Interior da China. O casal nunca procriou e a fêmea acabaria por morrer após alguns anos, devido a dificuldades em adaptar-se às condições do clima de Macau. Agora, com 35 anos, foi a vez do urso-negro asiático morrer, numa altura em que já muito raramente aparecia no exterior da sua jaula. A partir de hoje, o IACM vai manter uma zona junto à jaula de Bobo para que as pessoas façam as suas despedidas. Já ontem tinham sido instaladas flores brancas junto à estátua de Bobo. Após ter sido revelada a morte do urso, o HM ouviu

alguns residentes que se encontravam no Jardim da Flora. “Quando era nova via sempre o Bobo, agora como tenho uma filha também costumava levá-la de vez em quando para o ver”, disse Cheang, funcionária, com cerca de 30 anos, de uma loja de roupa à entrada do jardim, ao HM. “Não posso dizer que tenha um sentimento muito especial em relação ao Bobo, mas claro que lamento a sua morte. Também acho que a população costumava visitá-lo, mas não se pode dizer que o apreciasse verdadeiramente”, acrescentou. Para Lei, moradora local com 50 anos, o urso Bobo está muito presente no imaginário de Macau. “É verdade que ele nos últimos tempos já não aparecia muito do lado de fora da jaula. Mas muita gente fazia questão de visitá-lo, quando passavam no jardim. Acho que faz parte da memória das pessoas que vivem em Macau”, considerou. Opinião semelhante foi partilhada pelo jovem Wong, com cerca de 30 anos: “É uma notícia triste. O Bobo faz parte das memórias de infância das pessoas que cresceram em Macau. Ele acompanhou o crescimento de várias gerações e eu não fui excepção”, contou, ao HM. “Quando era pequeno vinha sempre aqui para visitá-lo e por isso hoje sinto-me triste com esta notícia”, finalizou. João Santos Filipe (com V.N.)

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MIFF

LONGAS METRAGENS COMPETIÇÃO PRINCIPAL TRAZ FILMES PARA TODOS OS GOS

A secção principal de competição do Festival Internacional de Cinema de Macau (IFFAM) mantém os requisitos: são seleccionadas apenas as primeiras ou segundas longas metragens de novos realizadores. O objectivo é dar a conhecer e premiar novos talentos. Este ano a secção é composta por nove filmes em que diversidade e qualidade são as palavras de ordem. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

ALÉM DO DESERTO

ESCONDIDOS NO SILÊNCIO

Eva Trobisch é a realizadora de “All Good” que trata das consequências antagónicas que o silêncio pode ter. “All Good” é a história de Jannes que, depois de ser assediada pelo patrão do seu cunhado, resolve manter o incidente escondido. Mas não é por isso que as coisas caem no esquecimento. Muito pelo contrário. Nascida em Berlim, em 1983, Eva Trobisch estreia-se nas longas metragens com “All Good”, O filme teve a sua premiére no Festival de Munique no passado mês de Junho onde conquistou os galardões para o Novo Talento Alemão nas categorias de melhor realização e de melhor actriz.

“Ága” é a co-produção búlgara, alemã e francesa que traz ao ecrã da principal secção de competição do IFFAM as transformações na vida de Nanook e Sedna, um casal que vive num yurt, algures no deserto. Isolados, vêem-se obrigados a mudar as rotinas de sustento quando a caça que lhes dá de comer começa a escassear com a morte inexplicável dos animais e os degelos sazonais antecipados. Entretanto, Chena é a única ligação do casal ao mundo exterior e mesmo à filha, Ága, que abandonou o inóspito lar e nunca mais regressou. Mas quando a saúde de Sedna começa a deteriorar-se, Nannook decide trazer a filha de volta e parte ao encontro de Ága. “Ága” é realizado pelo búlgaro Milko Lazaro que, nesta edição do festival, teve o seu segundo filme seleccionado. A primeira longa do realizador, “Alienation”, que conta a história de um homem grego que se desloca à Bulgária para comprar um bebé recém-nascido, estreou no Festival de Veneza em 2013.

CASOS PROIBIDOS

Do Reino Unido vem “Scarborough” que tem realização de Barnaby Southcombe. O filme conta a história de dois casais com amores proibidos que se encontram na cidade costeira de Scarborough. Liz mantem uma relação com Daz, de 16 anos de idade. Também menor é Beth que mantem uma relação com Aiden, um artista muito mais velho. É em “Scarborough” que os casais conseguem fugir aos olhares reprovadores. No entanto, depois da euforia, a realidade desponta. Com ela começam os conflitos e o sofrimento. “Scarborough” é a segunda longa metragem de Barnaby Southcombe depois do sucesso de “Anna” (2012), protagonizado por Charlotte Rampling, Gabriel Byrne e Hayley Atwell. “Anna” teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim e participou na competição oficial no Festival Internacional de Cinema de Xangai.

NOV vezes PROFECIAS PESSOAIS

TUDO POR UM FILHO

A festa do cinema segue com “Clean Up” do coreano Kwon Man-ki. O argumento acompanha a história de Jung-Ju, uma mãe que perde o filho devido a doença cardíaca. Inconsolável, Jung-Ju passa os dias a trabalhar numa empresa que presta serviços de limpeza, a beber e a ir à igreja. Mas, tudo muda quando é admitido na mesma empresa Min-gu, um jovem recém saído da prisão, com aparência de mendigo e a cara coberta de cicatrizes. Jung-ju reconhece Min-gu, o menino que raptou 12 anos atrás para, com o dinheiro do pedido de resgate, poder pagar uma intervenção cirúrgica do filho. A culpa arrebata Jung-ju que agora quer saber mais sobre o jovem que a faz confrontar com o crime cometido. Kwon Man-ki nasceu em Busan, em 1983 e estudou cinema na Sangmyung University e na Graduate School of Advanced Imaging Science da Chung Ang University. A sua curta-metragem de 27 minutos “Telepata” (2015) ganhou o maior prémio no Festival de Curtas-Metragens independentes de Daegu. “Clean Up” é a primeira longa metragem de Kwon Man-ki . O filme teve estreia mundial em Busan, no mês passado e ganhou o prémio New Currents.

Da China continental chega “Suburban Birds” do jovem cineasta Qiu Sheng. Um abatimento de terras numa área suburbana leva Hao, juntamente com uma equipa de engenheiros, a deslocaram-se ao local para investigar o sucedido. Durante a investigação, Hao encontra um diário dentro de uma escola primária. O caderno narra a história da separação de um menino do que parecia ser o seu grupo íntimo de amigos. Hao percebe que este diário pode conter profecias sobre a sua própria vida. Qiu Sheng licenciou-se em Engenharia Biomédica na Tsinghua mas foi no cinema que encontrou o sucesso com esta sua primeira longa metragem, “Suburban Birds”. O filme, que estreou este ano, ganhou o prémio de Melhor Argumento no Xining FIRST International Film Festival e participou na competição de realizadores do Festival Internacional de Locarno, em Agosto.

À PROCURA DE CULPADOS

“The Guilty” é a primeira longa metragem do dinamarquês Gustav Möller que contou com estreia na secção de competição do Sundance Film Festival. O filme trata a saga do ex-policia Asger Holm quando, depois de responder a uma chamada de emergência de uma mulher que terá sido sequestrada, avança para a resolução do caso. No entanto, o crime é bem maior do que o que parece inicialmente. “The Guilty” é realizado por Gustav Möller que se estrou no grande ecrã com a curta “In Darkness” que acabou por ganhar o prémio Next Generation, no Festival Internacional de Cinema da Noruega em Haugesund.


STOS

OVOS s nove ADOLESCENTES PERIGOSOS

“School´s Out”, de Sébastien Marnier, traz à tela a vida conturbada de um professor de liceu, Pierre, obcecado por descobrir o que se passa com alguns dos seus alunos. Pierre é o substituto de um professor que se atirou da janela de uma sala de aulas à frente dos seus alunos. Apesar da tragédia, seis adolescentes presentes não reagiram ao sucedido. Pierre é o novo professor que se apercebe que este grupo de miúdos está a congeminar um plano misterioso e resolve descobrir qual é. O novo professor acaba por ver a vida transformada num inferno. School’s Out é a segunda longa-metragem de Sébastien Marniere e teve estreia mundial, este ano, no Festival de Veneza. Antes de se dedicar ao cinema, Marnier publicou três romances e co-escreveu uma série de animação para televisão baseada na sua novela gráfica “Salaire Net Et Monde”.

8 DE DEZEMBRO LORO 14:00 - Cinemateca Paixão

Do México vem “The Good Girls”. O filme realizado por Alejandra Marquez Abella conta a história de Sofia, um rapariga “perfeita”, menina de elite que vê a posição social ameaçada por uma crise económica. Sofia tem que manter aparências ao mesmo tempo que reconhece a inevitabilidade da perda de status, num momento em que aprende a viver sem dinheiro, uma coisa que sempre teve como certa. Alejandra Marquez Abella nasceu em San Luis Potosi A sua curta-metragem “5 Memories” (2009) foi exibida em mais de 140 festivais e a sua primeira longa-metragem “Semana Santa” (2015) teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto. “The Good Girls” é a segunda longa da realizadora mexicana que também estreou em Toronto no passado mês de Setembro.

CAUGHT IN THE WEB 21:45 - Torre de Macau

SCHOOL'S OUT 15:00 – Pequeno auditório do CCM

11 DE DEZEMBRO

THE SISTERS BROTHERS 19:00 – Torre de Macau

JOURNEY TO THE WEST: THE DEMONS STRIKE BACK 15:00 - Cinemateca Paixão

THE GUILTY 19:00 - Cinemateca Paixão

MANTA RAY 18:30 - Cinemateca Paixão

GREEN BOOK 20:30 - Centro Cultural de Macau

MARY QUEEN OF SCOTS 19:00 - Centro Cultural de Macau

SINK OR SWIM 21:00 - Pequeno auditório do CCM

SUBURBAN BIRDS 19:00 - Pequeno auditório do CCM

TUMBBAD 21:15 - Cinemateca Paixão

212 WARRIOR 19:30 - Centro Cultural de Macau

DIAMANTINO 21:45 - Torre de Macau

IN FABRIC 21:15 - Cinemateca Paixão

9 DE DEZEMBRO AN AUTUMN AFTERNOON 15:00 - Cinemateca Paixão OLD BOYS 15:00 - Centro Cultural de Macau

EMPIRE HOTEL 21:30 - Torre de Macau WHITE BLOOD 21:45 - Pequeno auditório do CCM

12 DE DEZEMBRO THE TRUMAN SHOW 16:00 - Cinemateca Paixão

CLEAN UP 16:00 - Pequeno auditório do CCM

ARUNA & HER PALATE 19:00 - Pequeno auditório do CCM

THE FAVOURITE 18:00 - Centro Cultural de Macau

THE WITCH: PART 1. THE SUBVERSION 19:00 - Torre de Macau

BABY 18:30 - Torre de Macau

ESTATUTOS PERDIDOS

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PROGRAMA

BUYBUST 15:00 - Torre de Macau

MALDITA COCAÍNA

A argentina Barbara Sarasola-Day realiza “White Blood”. O filme conta a história de Martina e Manuel, uma dupla de narco-traficantes que cruzam a fronteira da Bolívia com a Argentina como “mulas” que transportam cocaína. No entanto, depois de passada a fronteira, quando se refugiam num hotel, Manuel morre de overdose devido às cápsulas que tinha ingerido. A organização criminosa para a qual trabalham exige, no entanto, a entrega da totalidade do produto que ambos transportavam. Martina precisa de ajuda e só pode recorrer a ajuda do pai, Javier, que nunca conheceu. Nascida na Argentina em 1976, a realizadora Barbara Sarasola-Day estudou ciências da comunicação na Universidade de Buenos Aires. Trabalha na área do cinema desde 2000 e realizou a sua primeira curta-metragem, “El Canal”, em 2005. A sua primeira longa “Deshora” (2013), uma - co-produção entre a Argentina, a Colômbia e a Noruega teve estreia mundial no Festival de Berlim. “White Blood” é seu segundo filme.

quarta-feira 21.11.2018

THE GOOD GIRLS 19:00 - Pequeno auditório do CCM THE PLUTO MOMENT 19:00 - Cinemateca Paixão MANDY 21:00 - Torre de Macau NOBODY NOSE 21:00 - Centro Cultural de Macau U-JULY 22 21:30 - Cinemateca Paixão

10 DE DEZEMBRO ÁGA 18:45 - Pequeno auditório do CCM COBAIN 19:00 - Cinemateca Paixão

XIAO MEI 19:00 - Cinemateca Paixão HARD BOILED 21:30 - Cinemateca Paixão ALL GOOD 21:45 - Pequeno auditório do CCM

13 DE DEZEMBRO UP THE MOUNTAIN 18:00 - Cinemateca Paixão DEAR EX 21:30 - Torre de Macau HAPPY NEW YEAR, COLIN BURSTEAD 21:30 - Pequeno auditório do CCM

14 DE DEZEMBRO

FLY BY NIGHT 19:00 - Torre de Macau

LAWRENCE OF ARABIA 15:00 - Cinemateca Paixão

LOST, FOUND 19:30 - Centro Cultural de Macau

PAPI CHULO 20:00 - Cinemateca Paixão

SCARBOROUGH 21:00 - Pequeno auditório do CCM CLOSE ENEMIES 21:30 - Cinemateca Paixão


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21.11.2018 quarta-feira

Fundação Oriente Aniversário comemorado com guitarras Os 30 Anos da Fundação Oriente vão ser comemorados com um concerto do quarteto de guitarras Concordis, na próxima sexta-feira, às 20h, na Casa Garden. O Quarteto Concordis foi criado em 2005 e conta, na sua constituição actual, com Eudoro Grade, João Nunes, Jorge Pires e Pedro Rufino. “Da cumplicidade entre estes músicos e

das suas personalidades e influências diversas emerge como tónica a beleza tímbrica e sonora em geral que as quatro guitarras proporcionam em conjunto”, refere a organização em comunicado. Do repertório a apresentar destacam-se temas de Carlos Paredes, Fernando Lapa, José Afonso, Manuel de Falla e Chet Atkins and Boudleaux Bryant.

Televisão Telenovela portuguesa “Ouro Verde” vence Emmy A telenovela portuguesa “Ouro Verde”, da produtora Plural Entertainment Portugal, foi distinguida na segunda-feira nos International Emmy Awards, em Nova Iorque, numa noite em que a protagonista foi a série espanhola “A Casa de Papel”. “Ouro Verde”, da autoria de Maria João Costa e protagonizada por Diogo Morgado e Joana de Verona, disputava a categoria Telenovela

FOTOGRAFIA “TEMPOS TRANSITÓRIOS” DE RICARDO MEIRELES INAUGURA A 29 DE NOVEMBRO

Parar para reconhecer

A Creative Macau vai receber, a partir do próximo dia 29, a exposição de fotografia de Ricardo Meireles, “Tempos Transitórios”. De acordo com o autor, a mostra pretende “parar” as pessoas para que se apercebam do lugar que habitam e onde se movem

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ROPORCIONAR um momento de pausa é a proposta do fotógrafo Ricardo Meireles com a exposição “Tempos transitórios” que será inaugurada no próximo dia 19 na galeria da Creative Macau. O objectivo é dar às pessoas um espaço para “parar, olhar e obser-

var” a cidade que habitam e que, muitas das vezes, não têm tempo para absorver, apontou Ricardo Meireles ao HM. Para o efeito, o fotógrafo foi à procura da cidade, das suas características e movimentos. “Quis captar aqueles momentos da cidade que são mais característicos e que estão mais relacionadas com a

memória local e com a identidade através da arquitectura, da construção”, começou por explicar o também arquitecto. Por outro lado, não existe cidade sem as pessoas que nela circulam e para transmitir esta ideia, o fotógrafo optou pelo desfoque das figuras humanas em contraponto com o foco das construções. “Estou a

focar o elemento da cidade e estou a desfocar as pessoas porque são um elemento transitório, que passa”, explicou. “As pessoas movem-se de um lado para o outro e a cidade continua”, acrescentou. Em última instância, Meireles pretende, com as imagens que apresenta em “Tempos transitórios”, sintetizar a ideia de um momento

Ricardo Meireles “Em termos de fluxo humano, Macau é um pouco desordenado. As pessoas vivem no seu dia a dia e acabam por passar muitas vezes pelos mesmos lugares e não param, não reconhecem e não sentem a cidade.”

com “Cesur ve Guzel”, “Istanbullu Gelin”, ambas da Turquia, e “Paquita La Del Barrio”, do México. “Ouro Verde” foi emitida na TVI entre Janeiro e Outubro do ano passado. A primeira telenovela portuguesa distinguida com um Emmy Internacional foi “Meu Amor”, em 2010, emitida na TVI e protagonizada por Margarida Marinho, Alexandra Lencastre e Rita Pereira.

de pausa em que as palavras de ordem são “agora pára, olha e observa». A razão, sublinhou tem que ver com a própria dinâmica local. “Em termos de fluxo humano, Macau é um pouco desordenado. As pessoas vivem no seu dia a dia e acabam por passar muitas vezes pelos mesmos lugares e não param, não reconhecem e não sentem a cidade. Acabam por não perceber o que é Macau em si em termos de espaço e de sociedade”, justificou.

TRÊS TEMPOS

A mostra está dividida em três momentos distintos. Numa primeira parte estão patentes ao público um conjunto de doze imagens a preto e branco e de grande formato. A ideia é mostrar o resultado do movimento rápido que é a captura de uma imagem. Segundo o autor, trata-se “do registo do movimento dos fluxos pedonais, num testemunho que foca um certo elemento perene da cidade” com características que incluem a memória e identidade locais. A apresentação de um vídeo com cerca de cinco minutos integra o segundo momento da exposição. Aqui, “o registo é idêntico ao das fotografias”, disse. “Estou a focar a cidade e capto o movimento das pessoas em longas exposições. As pessoas estão lá mas em movimento”, acrescentou. A última parte da mostra é dedicada a uma instalação em que as imagens, ao contrário dos momentos anteriores, se mostram a cores. Aqui as fotografias são essencialmente dedicadas a Macau antiga, “onde estão mais memórias”. A instalação é constituída por um painel que agrupa uma série de imagens pequenas e constitui um momento que dá ao público várias opções de observação: “as pessoas podem focar-se numa imagem em particular, ou no conjunto”, apontou. Mas o público também se pode rever e integrar quer no contexto da obra que no contexto da exposição. Isto porque faz parte da instalação a suspensão de lamelas de acrílico que podem servir de mediador entre o público e o trabalho exposto, mas podem ainda ser um espelho e um projecto de cada um. “Acabamos por estar a observar e a ser observados porque fazemos parte do mesmo contexto”, rematou o fotógrafo. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


china 13

quarta-feira 21.11.2018

De acordo com o Governo de Angola, a dívida total do país ronda os 70 mil milhões de dólares, divida entre 60 por cento externa e 40 por cento interna, sendo cerca de 23 mil milhões de dólares devidos à China; o FMI, por seu turno, coloca o rácio da dívida pública face ao PIB nos 80 por cento, este ano.

EM MÃOS CHINESAS

MOODY’S ANGOLA PODE PERDER CONTROLO DE ACTIVOS NA RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA

Relações de alto risco

A

agência de notação financeira Moody’s alertou ontem que Angola está entre os países da África subsaariana que estão mais vulneráveis à perda de controlo dos activos estratégicos quando negoceiam uma reestruturação da dívida com a China. “Os países ricos em recursos naturais, como Angola, Zâmbia e a República Democrática do Congo [RDC], ou com infraestruturas estrategicamente importantes, como portos ou caminhos de ferro no Quénia, são os mais vulneráveis ao risco de perderem o controlo de importantes activos em negociações com os credores chineses”, lê-se numa análise desta agência de ‘rating’. No documento, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas da Moody’s escrevem que “mesmo que a reestruturação alivie as pressões de liquidez, a perda de receitas dos recursos naturais é negativa do ponto de vista da análise do crédito”. Angola, continuam, é o país que mais recebeu investimento externo da China entre 2002 e 2017, recebendo 30 por cento de todos os investimentos do gigante asiático no continente

africano, e mesmo relacionando o investimento com o tamanho das economias africanas, Angola continua a figurar no pódio dos principais receptores de investimento chinês. “Mais de metade da dívida externa de Angola é devida à China, já que a China providenciou extensos empréstimos desde o final da guerra civil angolana, em 2002”, diz a Moody’s, apontando que “em Angola o rácio entre os juros [dos empréstimos] e as receitas vai exceder os 20 por cento neste e no próximo ano”, o que significa que mais de 1 em cada 5 kwanzas de receitas fiscais vai directamente para o pagamentos de juros dos empréstimos.

Angola é o país que mais recebeu investimento externo da China entre 2002 e 2017, recebendo 30 por cento de todos os investimentos do gigante asiático no continente africano

No relatório, com o título ‘Empréstimos da China sustentam crescimento, exacerbam as pressões orçamentais e externas na África subsaariana’, os analistas desta agência de ‘rating’, que coloca a qualidade da dívida soberana de Angola abaixo da recomendação de investimento (‘lixo’, como é normalmente referida), reconhecem que os empréstimos são importantes para alavancar a construção de infraestruturas necessárias ao desenvolvimento da maioria dos países desta região. No entanto, e mesmo vincando que Angola é um dos países que o Banco Mundial diz que mais precisa de investimentos estruturantes, alertam que as grandes quantias em termos de pagamento de dívida a partir de 2022 vão contribuir para níveis de dívida mais elevados que na primeira metade desta década, o que se agrava num contexto de depreciação das moedas, como é o caso de Angola, cujo kwanza caiu mais de 50 por cento face ao dólar desde o início do ano. “Angola, Zâmbia e RDC estão entre os países mais endividados junto dos credores chineses”, nota a Moody’s, alertando que “para países com bases de exportação muito limitadas, ou que dependem de uma só matéria-prima, como Angola, o aumento da dívida externa associado aos empréstimos chineses pode não ser sustentado pelas receitas em moeda externa no futuro”. O relatório, que surge numa altura em que Angola está a renegociar os vários empréstimos em moeda externa, nomeadamente com a China, e negoceia um pacote de ajuda externa do FMI no valor de 4,5 mil milhões de dólares, reconhece a importância da relação entre os dois países. “De uma forma geral, concentrar a exposição a um único credor, com pouca transparência sobre os termos das reestruturações financeiras, aumenta os riscos de contágio, enfraquecendo a posição orçamental, mas as relações da China com vários países da África subsaariana foram construídas ao longo de décadas”, tornando-os parceiros estratégicos da segunda maior economia do mundo. “Angola, por exemplo, é fornecedora de cerca de 12 por cento das importações de petróleo da China”, nota a Moody’s, concluindo que apesar de “estas relações de longo prazo e de interesse estratégico parecerem indicar uma vontade da China de reestruturar a dívida quando as pressões se tornam ingeríveis”, a falta de informação sobre os termos das propostas é negativa do ponto de vista da análise da qualidade do crédito.

GREENPEACE PEDIDAS MEDIDAS DE COMBATE AO DEGELO DOS GLACIARES CHINESES

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associação ambientalista Greenpeace pediu ontem ao Governo chinês que avance com políticas de avaliação e prevenção do rápido degelo dos glaciares na região, alertando para as graves consequências deste fenómeno. No relatório “Os glaciares da China e o impacto das alterações climáticas”, a organização não-governamental adverte que um quinto dos glaciares no país já desapareceu por completo. Estas massas de gelo, que fornecem água a cerca de 1.800 milhões de pessoas, estão a “derreter rapidamente”, pelo que o executivo de Pequim deverá “melhorar as avaliações de risco a longo prazo e o planeamento das estratégias face ao aumento da temperatura global”. A Greenpeace denunciou em Agosto do ano passado que, em algumas partes do oeste da China, as temperaturas médias anuais aumen-

taram em três ou mais graus desde o início dos anos 1950 e, por isso, 82% dos glaciares na China foram afectados. “A menos que sejam tomadas medidas drásticas para reduzir a velocidade do aumento da temperatura, dois terços dos glaciares nas altas montanhas da Ásia deverão desaparecer até ao final deste século”, observou a ONG.

PUB HM • 2ª VEZ • 21-11-18

ANÚNCIO Execução Ordinária n.º

CV1-17-0001-CEO

1.º Juízo Cível

Exequente: VENETIAN MACAU, S.A., com sede em Macau, na Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, The Venetian Macau Resort Hotel, Executive Offices-L2, Taipa. -------------------------Executados: 1. JIN YING PROMOTOR DE JOGO SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA, com sede em Macau“氹仔成都街447號濠景花園27座牡丹苑9樓E” ; 2. NIE JINRONG, casado, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M. e Passaporte da República Popular da China, com última residência conhecida em Macau, na Estrada Governador Nobre de Carvalho, no. 762-A, The Greenville, Bloco 1, 12.º andar A, ora ausente em parte incerta. -------------*** -----FAZ-SE SABER que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos dos Executados para, no prazo de QUINZE DIAS, que começam a correr despois de finda a dilação de vinte dias, contados da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens penhorados sobre que tenha garantia real e que são os seguintes: -----1.º Quota no valor nominal de MOP$1.000,00 (mil patacas), juntamente com todos os direitos patrimoniais a ela inerentes, que LIN, LING 林玲, mulher do 2º Executado , Nie Jinrong e com ele casada no regime da comunhão de adquiridos, possui na mesma sociedade comercial “FÁBRICA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS JU REN TANG (MACAU) LDA”, com sede em Macau, na 澳門高利亞海軍上將大馬路11號激成工業大廈第3期3樓U, registada na Conservatória dos Registos Comerciais e de Bens Móveis (“CRCBM”) sob o nº 16412, 2.º Quota no valor de MOP$25.000,00 (vinte e cinco mil patacas) que o 2º Executado, Nie Jinrong detém na sociedade unipessoal, JIN YING PROMOTOR DE JOGO SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA com sede em Macau 氹仔成都街447號濠景花園27座牡丹苑9樓 E” ; primeira executada nos presentes autos, registada na conservatória dos registos comerciais e bens móveis de Macau sob o n. 33958, juntamente com todos os direitos a ela inerentes. 3.º Quota no valor nominal de MOP$99.000,00 (noventa e nove mil patacas), juntamente com todos os direitos a ela inerentes, que o 2º Executado, Nie Jinrong possui na sociedade comercial “FÁBRICA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS JU REN TANG (MACAU) LDA.”, com sede em Macau, na 澳門高利亞海軍上將大馬路11號激成工業大廈第3期3樓U, registada na Conservatória dos Registos Comerciais e de Bens Móveis (“CRCBM”) sob o nº 16412, com o capital social de MOP$100.000,00. 4.º Quota no valor nominal de MOP$920.000,00 (novecentas e vinte mil patacas) juntamente com todos os direitos patrimoniais a ela inerentes, que o 2º Executado, Nie Jinrong ,possui na sociedade comercial “GRUPO DE DIVERSÕES CHUN YING LIMITADA”, com sede em Macau, em 澳門氹仔成都街447號濠景花園27座牡丹苑9樓E, registada na CRCBM sob o nº 30546, com o capital social de MOP$1.000.000,00. 5.º Contas bancarias e outros créditos.---------------------------------------------------------------------Na R.A.E.M., 19/10/2018


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21.11.2018 quarta-feira

já não necessito de ti.tenho a companhia nocturna dos animais e a peste

A Poesia Completa de Li He

昌谷北園新筍四首 籜落長竿削玉開,君看母筍是龍材。 更容一夜抽千尺,別卻池園數寸泥。 斫取青光寫楚辭,膩香春粉黑離離。 無情有恨何人見,露壓煙啼千萬枝。 家泉石眼兩三莖,曉看陰根紫陌生。 今年水曲春沙上,笛管新篁拔玉青。

Quatro Poemas Sobre os Novos Rebentos de Bambu no Meu Jardim Setentrional em Chang-gu 1

A casca de bambu separa-se das longas varas Como tiras de jade. Vós, senhor, vede como há nesta mãe-bambu O vigor de dragões.1 Vede como cresce mil pés Numa só noite, Deixando para trás polegadas de lama Junto ao lago do jardim.

古竹老梢惹碧雲,茂陵歸臥嘆清貧。 風吹千畝迎雨嘯,鳥重一枝入酒樽。

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Raspo seu lustro verde Para inscrever as minhas Canções de Chu.2 Sobre rico aroma, pó de primavera, Coleante a tinta negra. Tranquilo e triste – Quem verá meus poemas? Subjugados por orvalho, enlutados de névoa, Estes incontáveis ramos.

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Pelas rachas das pedras em torno ao nosso poço de família – Dois ou três rebentos de bambu.

Na aurora lobriguei suas raízes escondidas Crescendo por uma vereda púrpura. Este ano, sobre as areias primaveris, Junto a meandros aquáticos Descascarei o jade e o verde Dos novos bambus.

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Antigos bambus cujas envelhecidas pontas Titilam nuvens esmeralda. Como Mao-ling, regressei a casa para repousar e suspirar Com a minha pura pobreza.3 Uma rajada de vento e mil acres Silvando acolhem a chuva. Tão pesados pousam pássaros nesta vara Que se vem molhar no meu cântaro.

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Os rebentos de bamboo são chamados long-sun – “netos do dragão”. He comparava frequentemente os seus poemas às Chu Ci (“Canções de Chu”) O poeta Si-ma Xiang-ru retirou-se para Mao-ling quando adoeceu.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 21.11.2018

Diário de um editor João Paulo Cotrim

EL CORTE INGLÉS, LISBOA, 9 NOVEMBRO Um dos objectos mais quotidianos acontece ser a conversa. Desatentos, não damos pelas palavras a explodirem ao nosso redor, demasiado perto apesar de alheias, a ecoarem autónomas do seu sentido, a despertarem indignações, quase sempre caladas, mas também as do comércio do espírito, soltas da nossa boca por receio do silêncio, para atapetar a urbanidade. Mas conversa séria acontece para além das palavras. O modo como são ditas, como o corpo as interpreta, brinca com elas, gargalhando, repetindo, hesitando, sublinhando, sussurrando, provocando, acolhendo, sugerindo, comovendo, oferecem tanta informação como o resto, feito apenas ponto (e logo penso em Reinaldo Ferreira). «Mínimo sou,/ Mas quando ao Nada empresto/ A minha elementar realidade,/ O Nada é só o resto.» Recordo pouco, para defesa da razão, mas guardo como privilégio do que vou vivendo assinaláveis conversas, meros pontos que, no momento, fazem do resto pouco mais que nada. E ecoam. Acaba de acontecer com o António [Valdemar], esse portador da chama da memória que incendeia a minha mítica Lisboa. Encontramos sempre lugar onde encaixar figura, ou vice-versa. Pode ser um sátiro de Canto da Maia, uma passagem de Aquilino ou os olhos de Almada. Hoje passeámos bastante por Almada, o que quer Lisboa e o resto. As palavras, claro, mas sobretudo os olhos de ver ao longe. O que importa vai ficando dito pelo António. Preciso, para mim e para efeitos básicos de orientação, que me o António me faça, um destes dias, o mapa das famílias que há muito estendem redes, latitude e longitude, sobre este ponto de acostagem. Falo da cidade ou de cultura? SANTA BÁRBARA, LISBOA, 10 NOVEMBRO Tons de amarelo, mais ou menos torrado pelo sol. Não há América do Sul (nem realismo, mais ou menos neo) sem torreira do sol. De que cor se veste a solidão? A adolescência acontece a Norte? «cem/ anos/ de solidão», minúsculas assim partidas em três linhas, a bold, a fazer cama para meio general ao baixo, quadriculado quase por inteiro, como se as mãos fossem medalhas, com muitas mãos por ser de baralho e, portanto, espelhado. À esquerda, quase a caber na altura da palavra «cem» lá aparece, cortando mais que o sabre do general: GABRIEL/ GARCIA/ MARQUEZ, maiúsculas assim partidas em três linhas. E o mundo mudou. O 13.º volume da preciosa colecção D (ed. Imprensa Nacional), do Jorge [Silva], anda por aí a mostrar fragmentos de Dorindo Carvalho (Lisboa, 1937). Muito trabalho de salva-

Entre nuvem e deserto ca. Este colosso da iconosfera foi pioneiro em dezenas de aspectos, mas, por estar tudo dito algures e me sentir nostálgico, vou apenas procurar os meus Spiderman, mais torrados que amarelos. Proponho apenas um quadradinho (algures na página), que, até por não ser apenas dele, afirma logo que esta linguagem resulta de singulares colaborações: entre palavra e imagem, gesto e reflexão, mas também entre criador e leitor. Conseguiu, por isso, atingir o âmago do humano, esse vértice das narrações. Stan Lee inventou a interactividade, ali nas páginas baratas das revistas que voavam abaixo do radar. Respondia às cartas dos leitores, pedia e aceitava sugestões, prolongava o fascínio tornando-o palpável. E no momento em que cada um dos adolescentes, perdido em mundo que os não entendia, sonhava em ser super-herói e assim resolver a enorme confusão da vida, Stan Lee cria o Homem-aranha, herói perdido na mais clássica das tragicomédias: que fazer com este destino? «Sai daí, não sejas empecilho do progresso.»

guarda do património gráfico nacional acontece discretamente por aqui, dando atenção ao que a academia (quase) sempre despreza ou menoriza. Que importa o desenhador do logotipo da colecção Três abelhas, ou das capas dos Livros de Bolso Europa-América? Ou do logo da Assírio & Alvim bem como as capas ilustradas dos Cadernos Peninsulares dessa mesma editora? De que cor se veste a memória, amarelo-torrado? SANTA BÁRBARA, LISBOA, 11 NOVEMBRO Vivi perto de Évora, nem cidade nem campo, lugar perdido do intermédio. Nunca antes havia experimentado o sol, mormente aquele que se faz entorno e nos sustém. Nunca antes tinha visto nuvens, sobretudo a diversidade que ora pasta no azul, ora vem prenhe de tempestade. Não longe, a Cartuxa de Évora, cujos muros nunca transpus. Tenho ideia que tentei, mas a memória esvai-se-me. O duplo volume «Nuvem» (ed. Chili Com Carne), do Francisco Sousa Lobo, dedicado à Cartuxa, abriu-me espaços sobre a paisagem da inquietação, esse deserto. Um dos lados, com uma toada jazzística, de curtas e sucessivas aproximações, não apenas ao universo cartuxo, mas ao sagrado. O outro lado, que se chama «De-

serto», funciona ora como prefácio, ora posfácio, à vontade do freguês, que para tanto ajuda o facto de serem dois volumes invertidos umbilicalmente colados pelas contracapas. O Francisco desenha com ponto de interrogação. Faz autobiografia, como a melhor da banda desenhada contemporânea, mas muito para além do recurso diarístico de episódios mundanos ou circunstanciais. Reflecte-se, no duplo sentido de se espelhar e de se pensar. E fá-lo combinando textos breves, simples, despojados, com uma estética minimal, a duas cores, na qual a criteriosa composição estética procura sublinhar não tanto a narrativa como o pensamento. Sim, temos uma banda desenhada de ensaio, que não se furta a questionar a própria linguagem que pratica. Mas são detalhes, se comparados com a rara atmosfera que do volume se solta, interpelações incluídas, algures entre nuvem e deserto. REDES, ALGURES, 12 NOVEMBRO Morreu Stan Lee (1922-2018), o inventor do pós-modernismo. O Umberto Eco percebeu antes de toda a gente, mas agora que o cinema vive da inesgotável máquina de produzir e questionar narrativa e heróis percebeu-se a realidade da fantasia. Ou melhor, a potência da narrativa gráfi-

ALMEIDA GARRETT, PORTO, 18 NOVEMBRO Um dia a caminho de [Manuel António] Pina tinha que começar assim: o destino era o Porto, para o celebrar nos seus 75 anos. Ia com a inevitável companheira destas andanças e amizade, Inês [Fonseca Santos]. Chamei o táxi e a motorista, não tão comum no feminino, chamava-se Inês Santos. O gato sorriu-me, como só eles sabem, e segui. O Pina fez-se lugar, cada vez mais frequentado. Encontro-me sempre melhor em Pina, seja ele onde for. Antes de irmos à biblioteca tratar de «desimaginar o mundo», fomos comer ao Convívio e lá estava ele, modestamente iluminado em dia cinzento. As árvores tinham uma cor que não consegui investigar devidamente, entre outono e inverno, um trato por resolver entre a água e o frio. O Pina desconcertava muito. Oiço dizer que foi dos poetas que mais vestiu os versos de perguntas. Rio-me só de imaginar que alguém os andou a contar, aos versos. E aos gatos, sabidamente pontos de interrogação. A ideia de obra era-lhe estranha. E ter começado pelos livros para putos deve tê-lo afastado das ribaltas. E depois praticou o teatro e a crónica e a poesia (em bulas de medicamentos e outros papéis menores). Sem esquecer a conversa, arte maior. Até que choveu e se começou a reparar no Pina. Mas ele não ligava nenhuma. O Pina ligava às pessoas e aos gatos. E às palavras, mal se tornam desobedientes. Entrar no Pina, mesmo sem ser pela janela da amizade, era limpar os olhos. Sei lá com os restantes, os que fazem mundo, mas comigo mudou-me a maneira de ver os dias. Espanto-me mais, muito mais.


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Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

Elegance against ignorance Difference against indifference Wit against shit Middle-class heroes, The Divine Comedy

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ESCONFIO de tempos com demasiadas bandeiras, épocas em que tudo é passível de ser interpretado como uma posição entrincheirada. Apesar de mim esse é o tempo em que vivo agora e mesmo não gostando tenho como mínima obrigação de sobrevivência aprender a lidar com isso. Mas é difícil. Tento, com denodo, aplicar a ironia, o sarcasmo, a auto-depreciação para temperar conversas inflamadas em que não existe debate – apenas combate. Habituado à nuvem da diletância – que insisto em confundir com liberdade – percebo que o humor é muitas vezes mal vindo numa discussão informal em que sempre parece estar em causa o futuro do universo. Cansa, garanto-vos.

21.11.2018 quarta-feira

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Direito à diletância Talvez a culpa – se é de culpa de que se está a falar, e duvido – seja minha. Desde cedo alimentado com Oscar Wilde aprendi que só o supérfluo pode ser essencial. Que muitas vezes é no paradoxo que reside a verdade e que mesmo esta última é uma entidade mítica e por vezes demasiado vulnerável. Há quem tenha ambições mais grandiosas e certamente mais perenes do que a minha, que é a de servir um aforismo decente ou uma frase com piada numa mesa ao jantar. Sei do mundo e é provável que o mundo me conheça; apenas não consigo levar ninguém muito a sério, a começar por mim. E, caro leitor, nos dias de hoje esta posição é tudo menos popular.

Pior: é perseguida. Num tempo de neo- literais – os que acreditam cegamente no que vêem e lêem sem questionar seja o que for, não admitindo qualquer tipo de polissemia – o humor ou a desmistificação da seriedade (o que provavelmente é a mesma coisa) é visto quase como um crime, um desinteresse maligno sobre os Grandes Temas Que Nos Regem E Que Normalmente Aparecem No Facebook. Não é que este clima seja novo: a auto-ironia ou a busca de uma forma perfeita para transmitir um conteúdo sempre foi vista como uma atitude distanciada e menor face à suposta militância que seria essencial para resolver os problemas da

Uma sociedade que tem vindo a matar a ironia e a diletância é uma sociedade perigosa. É a que recusa a inteligência e a voz do outro em favor de uma literalidade contínua e sujeita a uma ortodoxia feroz

Humanidade. Ai do filósofo, académico, crítico de arte e etc. que se atreva a escrever longe do jargão a que está preso e que não mostre uma inegável vontade de deixar uma “mensagem” – é um diletante, alguém que não pensa nem leva a sério o que diz. Hoje, moralistas da envergadura de um Chesterton, Bernard Shaw ou Voltaire tendem a estar condenados à reserva dos engraçadinhos de serviço, gente com meras frases ornamentais que ficam bem mas não servem para nada. Uma sociedade que tem vindo a matar a ironia e a diletância é uma sociedade perigosa. É a que recusa a inteligência e a voz do outro em favor de uma literalidade contínua e sujeita a uma ortodoxia feroz. É o que está a acontecer, sob vários nomes. O célebre “politicamente correcto” pode ser um deles (e um dia voltaremos a falar sobre isso) mas não é o único. Prefere-se agora a politização da arte à arte da política. É o triunfo dos neo-literais. Combata-se, entre outras formas, com o garantir do direito à diletância.


desporto 17

quarta-feira 21.11.2018

Nações unidas Governo espanhol propõe a Marrocos candidatura ao Mundial de 2030 juntamente com Portugal

O

primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, propôs segunda-feira a Marrocos a apresentação de uma candidatura conjunta com Portugal à organização do Mundial de futebol de 2030, noticia o jornal El País. Segundo fontes da presidência do governo espanhol, citadas pelo diário, a proposta de Pedro Sánchez foi bem acolhida pelo primeiro-ministro marroquino, Saadedín Al Othmani, e pelo rei Mohamed VI. O El País informa que o primeiro passo foi dado em 13 de Setembro, dia em que o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, visitou o primeiro-ministro espanhol na companhia do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e lhe pediu apoio para uma candidatura ao Campeonato do Mundo de 2030 ou ao Euro2028. O jornal sublinha que a presença de Infantino significava um apoio implícito do organismo que tutela o futebol mundial.

Nesse momento, a ideia da RFEF contemplava a possibilidade de uma candidatura conjunta com Portugal, como já tinha acontecido no tempo Ángel María Villar, antecessor de Rubiales, para o Mundial de 2018, que acabou por ser atribuído à Rússia. Segundo o El País, um dos argumentos da RFEF eram as boas relações entre Rubiales e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, mas não se ponderava a hipótese de incluir Marrocos. Este país candidatou-se ao Mundial de 2026, cuja organização foi atribuída a Canadá, Estados Unidos e México, e na sua proposta destacava o facto de Marrocos estar no cruzamento do oriente com o ocidente e onde a Europa se encontra com África.

TODOS JUNTOS

A última grande competição internacional de futebol organizada pela Espanha foi o Mundial de 1982, enquanto Portugal teve a seu cargo o Europeu de 2004.

Uma eventual candidatura dos países ibéricos com Marrocos iria juntar-se à proposta conjunta apresentada por Argentina, Paraguai e Uruguai em Julho de 2017. A Coreia do Sul deu eco da vontade se aliar a Coreia do Norte, Japão

e China, enquanto o Reino Unido e a Irlanda também já manifestaram vontade de avançar, apadrinhados pelo presidente da UEFA, Alexander Ceferin. Marrocos também já tinha colocado a hipótese de se juntar a Argélia e Tunísia.

O único Mundial de futebol organizado por mais de um país foi o de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, e o segundo será o de 2026, mas em nenhum dos casos envolveu nações de duas confederações.

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ANÚNCIO

Prestação de Serviços de Limpeza dos Sanitários Públicos dos Parques e Jardins

Concurso Público n° 17/SFI/2018

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão, de 19 de Outubro de 2018, se acha aberto concurso público para a “Prestação de Serviços de Limpeza dos Sanitários Públicos dos Parques e Jardins”. O programa do concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 12 de Dezembro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 27.000,00 (vinte e sete mil patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.°804, Edf. China Plaza, 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 13 de Dezembro de 2018. Macau, aos 7 de Novembro de 2018. A Administradora do Conselho de Administração Isabel Jorge WWW. IACM.GOV.MO


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O QUE FAZER ESTA SEMANA

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Hoje CONFERÊNCIA “UE E OS DESAFIOS DO POPULISMO”, COM 2

VICTOR ÂNGELO | Fundação Rui Cunha | Das 18h30 às 20h30

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Amanhã 9 1 2 5 4 6 0 8 3 7 AFRO-BAILE COM CELESTE MARIPOSA – TIMC 2 Navais 4 32 | Das 7 19h00 5 às822h00 1 Oficinas

0 6 9 8 0 9 1 6 2 3 5 7 4 GLOBAL CREATIVE NETWORK TALK – TIMC 4 Navais 5 12 | Das 2 19h00 0 às320h00 7 9 8 6 Oficinas 3 8 7 6 9 0 4 2 5 1 LANÇAMENTO DO LIVRO “STEPS OF GREATNESS: THE 6 7 OF4OBOR”, 9 DE2FRANCISCO 1 5 JOSÉ 3 LEANDRO 0 8 GEOPOLITICS Clube Militar | Das 18h30 às 20h00 1 3 5 0 8 9 6 7 4 2 5 9 6 3 1 7 8 4 2 0 Sexta-feira UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA 0 2 8 4 7 5 9 6 1 3 Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00 Oficinas 6 Navais 8 92 | Das 0 19h00 5 às222h00 7

4 3 1 7 PARTY 3 BY4CELESTE 1 2MARIPOSA 0 8 6 5– TIMC 9 AFTER & DJ KITTEN Discoteca D2 | Das 00h00 às 5h00 8 7 6 3 1 5 9 2 4 0 0 2 5 4 9 8 3 7 1 6 DIARIAMENTE EXPOSIÇÃO 4 1 KEITH 2 HARING 6 7MAZE9MACAO 0 5 8 3 Venetian Expo Hall F | Até 31/12 3 9 0 5 8 6 4 1 7 2 EXPOSIÇÃO 1 6 SALÃO 3 DE9OUTONO 4 7 5 0 2 8 Casa Garden | Até 30/11 2 5 8 7 0 3 1 9 6 4 EXPOSIÇÃO 5 0 | PAISAGEM 1 8 MUTANTE 6 4 2 3 9 7 Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019 9 4 7 2 3 1 6 8 0 5

“FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro

4 3 9 6 8 0 Cineteatro 2 6 1 7 4 3 8 9 6 1 7 5 0 2 7 5 1 8 9 0 2 3 5 4

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Sábado 4 CONCERTO WANG WEN E FORGET THE G - TIMC

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UMA SÉRIE HOJE

58 75 97 6 9 1 6 2 1 0 2 4 0 4 0 0 43 24 12 5 1 6 5 7 6 7 9 8 5 2 81 48 74 0 7 0 3 9 “Tókio Trial” é a mini série 7 0 2episódios, japonesa, 6 9 de3quatro 7 2 5 4 1 que traz a saga do julgamento 19 1 5 6 8 4 2 Militar 4 3Internado7Tribunal cional para 5 6o Extremo 84 8 2 3 1 0 5 9Oriente liderado pelos Aliados no 3 processo 8 1 0 8 9dos 3 4 1de5acusação 0 lí-9 6 2 7 6deres 2 japoneses 6 9 07por8crimes 0 8 de3 5 1 5 guerra. Uma abordagem his9 07pós II0Guerra 6 5 3 84 8 2 tórica, Mundial, momento 1de4um 1 62 6que7 0 9 0 8 23delicado, põe em causa os limites das

2 5 0 7 9 1 3 8 6 4 3 9 6 8 0 7 2 4 1 5

1 01 20 2 9 5 8 36 73 47 67 6 34 3 8 90 9 52 5 6 75 07 0 1 43 84 8 9 9 9 82 48 4 3 57 65 6 01 5 1 86 98 49 34 3 0 2 0 70 7 3 2 4 1 8 69 56 3 19 1 7 6 2 50 5 4 8 04 0 25 92 9 17 1 3 2 8 69 6 7 15 1 4 0 4 34 3 5 01 60 6 2 87 98

PROBLEMA 10

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MEDO DA CASA DO LIXO 8 4 3 2 9 6 0 5 1 7

S U D O K U

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21.11.2018 quarta-feira

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A Assembleia Legislativa aprovou na generalidade a Lei da Habitação Económica e as críticas ao diploma focaram o aspecto que proíbe pessoas com menos de 25 anos de se candidatarem à compra de uma fracção deste género. Compreende-se quemuitosdeputadostenhammencionado este aspecto, devido aos eleitorados. No entanto, e à primeira vista, a proposta do Governo parece-me equilibrada, com o objectivo de impedir que haja especulação e fazer com que as casas, quando no futuro forem vendidas, tenham como destinatários os residentes que se encontram na fila de espera para a habitação económica. Contudo, o principal desafio nesta altura é tentar perceber como os deputados vão conseguir mudar a lei.Aúnica certeza é que as alterações vão ser feitas para penalizar as pessoas e beneficiar os empresários e amigos. Sob a protecção das comissões à porta fechada, a lei dos táxis que é mais dura do que a actual, já está a transformar-se numa versão suave. Sobre o facto de Si Ka Lon – um dos membro da comissão que tem o diploma em mãos – ter sido apoiado por Chan Meng Kam, empresário que é o ex-número da lista de Si e que tem interesses directos no sector nem uma palavra... E este é só um exemplo. Naquelas salas, para favorecer os amigos, uma boa lei é transformada numa fonte de rendimentos para empresários e amigos. Vamos ver se a situação não se repete com esta lei que é essencial para resolver o principal problema da RAEM. João Santos Filipe

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91 29 2 75 47 4 08 60 6 3 “TÓKIO TRIAL” | PIETER VERHOEFF E ROB W. KING 46 4 8 0 3 1 7 59 5 2 75 7 4 89 68 6 3 02 10 1 30 3 61 6 2 47 4 98 59 5 9 5 6 08 30 3 2 1 7 4 3 1 27 2 4 50 5 6 8 9 2 30 73 7 9 65 46 4 1 8 68 6 5 14 91 9 0 23 2 7 7 92 9 3 6 8 51 5 04 0 84 8 10 1 5 92 9 37 63 6

convenções internacionais. Baseada no julgamento que demorou mais de dois anos, a série retrata as abordagens de 11 juízes motivados por diferentes objectivos, se calhar, todos válidos. Sofia Margarida Mota

FANTASTIC BEASTS: THE CRIMES OF GRINDELWALD SALA 1

SALA 3

Um filme de: David Yates Com: Eddie Redmayne, Johnny Depp, Jude Law, Katherine Waterson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masaki Nishiura Com: Yamashita Tomohisa, Aragaki Yui,Toda Erika 14,15, 19.00

FANTASTIC BEASTS: THE CRIMES OF GRINDELWALD [B]

CODE BLUE: THE MOVIE [C]

SALA 2

THE CURED [C]

MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B]

Um filme de: David Freyne Com: Sam Keeley, Ellen Page, Tom Vaughan-Lawlo 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 16.45, 21.30

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opinião 19

quarta-feira 21.11.2018

FRANCISCO LOUÇÃ in Esquerda.net

Nem dentro nem fora, e como todos perdem

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OIS ministros responsáveis pelo Brexit demitidos em seis meses, o governo dividido, a bancada conservadora revoltada, a coligação maioritária esfarelada, as oposições em choque com May, o Brexit tornou-se uma lotaria. Começou mal e acabará mal, com a União Europeia a responder da pior forma à sua maior crise de sempre.

e a garantia de que não existiria um “objetivo de integração política”. As duas regras são perigosas: a primeira porque favorece a pressão xenófoba e nela inclui os cidadãos europeus, violando de facto as normas legais, e o segundo porque seria sempre vulnerável, dado que qualquer nova norma europeia poderia sempre ser descrita como avanço de “integração política”. Ou seja, os governos europeus ofereceram a Cameron munições de demagogia e de violação de regras europeias, para o ajudar a ganhar um referendo difícil. E perderam todos. Para a UE, é a sua pior derrota política de sempre e é irreparável.

A MÃO DO CONSELHO

O Brexit foi aprovado com 52%, tendo sido a maior votação de sempre na democracia britânica. Na sequência desta derrota, Cameron demitiu-se e foi substituído por May, que convocou eleições e que as ganhou com mais dois milhões de votos do que os obtidos pelo seu antecessor, a maior votação conservadora desde que Thatcher provocou a guerra das Malvinas em 1983. Só que, com Corbyn, o Partido Trabalhista também recuperou eleitorado jovem e popular, de modo que May ficou em minoria no parlamento, tendo-se então aliado à direita unionista da Irlanda do Norte.

Em 2013, David Cameron prometeu um referendo sobre a permanência na União, para responder às pressões na direita, com o ascenso do UKIP e dos euro-céticos dentro do seu próprio Partido Conservador. A promessa era razoavelmente irrelevante, pois a coligação com os liberais-democratas dava ao parceiro o poder de veto contra o referendo. Mas, em 2015, porventura impulsionado pela promessa, Cameron ganhou as eleições com maioria absoluta, os liberais-democratas desvaneceram-se e ficou obrigado a cumprir. O que não seria de esperar é que as autoridades europeias favorecessem esta jogada política, motivada por arranjos internos dos tories. Mas em janeiro de 2016 Tusk, em nome do Conselho, assinou uma carta de compromisso que oferecia a Cameron dois temas para a sua campanha eleitoral: o direito a usar um “travão de emergência” restringindo os direitos dos imigrantes europeus antes de quatro anos de permanência no Reino Unido,

UMA VOTAÇÃO MARCANTE

A política de terra queimada revela também que interessa mais a Merkel e Macron o que dirão os seus jornais do que manter a ponte com a segunda maior economia europeia. Em suma, todos querem o desastre

Todo o mapa do imbróglio atual está aqui desenhado: a UE favoreceu uma jogada suicida de Cameron, May tentou salvar o partido prosseguindo o resultado do referendo, os demónios da xenofobia foram sendo libertados, a direita irlandesa determina as condições do governo, os trabalhistas simpatizam com a crítica à UE mas desconfiam da aliança May-Trump que é oferecida em troca.

O JOGO DOS REFERENDOS

Na volatilidade destes dias de crise, May afirma que prefere que não haja acordo com a UE a haver novo referendo, que alguns conservadores e Tony Blair propõem. É facto que já houve referendos a corrigir referendos: a Dinamarca rejeitou em 1992 o Tratado de Maastricht e foi forçada no ano seguinte a novo referendo, depois de alguns ajustes para justificar a operação; o mesmo aconteceu com a Irlanda, que em 2008 recusou em referendo o Tratado de Lisboa e no ano seguinte o aprovou. Mas este procedimento é humilhante para o Estado que a isso se submete, denunciando que a sua democracia fica instrumentalizada pelo objetivo fixado pelas autoridades europeias.

Noutros casos não houve recuo: a Noruega decidiu em 1994 não entrar na União e a Dinamarca (em 2000) e a Suécia (em 2003) recusaram por referendo entrar no euro e assim ficaram. Em todo o caso, essas decisões incidiam em escolha do próprio país. Teve mais impacto na política europeia a rejeição da Constituição Europeia nos referendos francês e holandês de 2005, que determinaram o fim desse projecto, que era a espinha dorsal da ideia do supra-Estado europeu. Ninguém na Comissão se atreveu a exigir-lhes que repetissem o referendo sobre a Constituição, cujo principal redator era aliás um ex-presidente francês, Giscard D' Estaing. Se o Reino Unido agora aceitasse repetir o referendo, qualquer que fosse o resultado ficaria sempre menosprezado na relação internacional.

JOGO DE TERRA QUEIMADA

Neste contexto, a atitude negocial da Comissão e do Conselho Europeu foi violenta: tentaram sistematicamente impedir um acordo com May, condicionar os tempos do Brexit, multiplicar incidentes e provocar a crise em Londres. A leitura dessa estratégia é só uma, tratava-se de punir o Reino Unido pela decisão de sair e de mostrar, desse modo, o custo que cairá sobre qualquer estado que tome decisão semelhante. É uma escolha muito arriscada pois, com a saída anunciada de Merkel e com Macron em vias de ser vencido nas eleições europeias por Le Pen, este jogo depende de exibir força europeia, que é tudo menos o que se vê. Autoridade insegura é lepra na política internacional. A política de terra queimada revela também que interessa mais a Merkel e Macron o que dirão os seus jornais do que manter a ponte com a segunda maior economia europeia. Em suma, todos querem o desastre.

direito de resposta Exmo. Sr. Director do Jornal Hoje Macau,

que a EPM é uma instituição de ensino de Macau, que se rege também pela legislação local, o que implica um trabalho de compatibilização legislativo, que o autor não refere no texto, e não apenas a aplicação da lei portuguesa sem mais.

A Associação de Pais e Encarregados da Escola Portuguesa (“APEP”) vem, na sequência do artigo de opinião com o título “Novos Desafios para a Escola Portuguesa de Macau”, publicado na vossa edição de 19 de Novembro de 2018, no exercício do direito de resposta, solicitar a publicação do seguinte: 1. Um artigo de opinião é, como o próprio nome indica, um artigo no qual o autor disserta sobre um determinado tema, apresentando-o e dando o seu ponto de vista, não devendo, nem podendo, ser aproveitado para, de forma indirecta, criticar pessoas ou instituições nem divulgar factos dos quais não tem, voluntária ou involuntariamente, conhecimento, passando aos leitores uma ideia errada da realidade. 2. À APEP, como a qualquer outra associação de pais, compete acompanhar os trabalhos de revisão curricular realizados pela instituição de ensino, podendo apresentar as propostas que considere relevantes, mas a última palavra cabe à instituição de ensino, à entidade tutelar, e às entidades administrativas competentes.

3. No âmbito das suas competências e aproveitando as possibilidades oferecidas pela nova legislação portuguesa, a APEP já apresentou à Direcção da EPM uma proposta a ser desenvolvida no próximo ano lectivo, proposta que abrange todos os ciclos de escolaridade e que se apoia precisamente na possibilidade de flexibilização curricular prevista na lei. 4. A APEP está bem ciente da nova legislação em vigor em Portugal e das potencialidades da mesma, mas não esquece

5. Como pessoa informada que é, o autor deve saber também que a implementação da nova legislação em Portugal não está a ser pacífica, havendo vários problemas de articulação com outra legislação em vigor, nomeadamente no que diz respeito à legislação de acesso ao ensino superior, que já levou os representantes dos directores das escolas públicas e das escolas privadas a virem a público afirmar que deve ser repensado o peso dos exames nacionais, o mesmo tendo já sido feito pela OCDE. 6. Para a APEP, no que se refere ao bem-estar e à educação dos alunos da EPM, bem como às ansiedades, dificuldades e queixas dos encarregados de educação, não há assuntos TABU. Os assuntos são é discutidos, como total transparência para os interessados, nos locais próprios e não em praça pública. A APEP


Uma boa cabeça é melhor do que cem mãos fortes. Thomas Fuller

Médicos debaixo de fogo Justiça italiana pede sequestro do navio Aquarius por transporte ilegal de residúos tóxicos

LOT PEDIDO A PASSAGEIROS QUE PAGUEM REPARAÇÃO DE AVIÃO PARA DESCOLAR

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companhia aérea polaca LOT pediu aos passageiros, que esperavam no aeroporto de Pequim para embarcar num voo para Varsóvia, que pagassem trabalhos de reparação no avião, informou ontem o portal de notícias chinês Caixin. Segundo a Caixin, os empregados da LOT recolheram cerca de 2.500 yuan, entre os passageiros, após o mecânico exigir o pagamento em dinheiro, para reparar a bomba hidráulica do avião. Os trabalhos de reparação demoraram dez horas e a LOT devolveu o dinheiro aos passageiros após aterrarem na Polónia. O porta-voz da companhia aérea, Adrian Kubicki, culpou o representante da empresa, em Pequim, por não ter levado cartão de crédito ou dinheiro. O voo da LOT, desde Pequim, tem uma frequência de três vezes por semana, num Boeing 787 Dreamliner. No portal oficial, a empresa promete um voo em condições de “luxo” e com um ambiente “amável”. “A nossa tripulação, da melhor categoria, garantirá a sua comodidade do primeiro ao último minuto”, lê-se.

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justiça italiana pediu o sequestro do navio humanitário Aquarius, actualmente bloqueado em Marselha, sob a acusação de tratamento ilegal de resíduos perigosos, anunciou ontem a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo a imprensa italiana, os investigadores suspeitam que o navio humanitário, fretado desde 2016 pelas organizações não-governamentais SOS Méditerranée e MSF para resgatar migrantes ao largo da costa da Líbia, fez passar um total de 24 toneladas de resíduos potencialmente tóxicos por resíduos convencionais. As contas bancárias do MSF na Itália também foram bloqueadas pela justiça.

A investigação coordenada pelo Ministério Público de Catânia, na Sicília, refere-se ao tratamento de resíduos - vestuário de migrantes, resíduos alimentares e resíduos sanitários - nos portos italianos, onde o Aquarius e também o Vos Prudence (outro navio fretado por MSF em 2017) desembarcaram milhares de migrantes resgatados no mar. O Ministério Público italiano está a investigar 24 pessoas, na sua maioria ligadas à MSF, entre os quais dois agentes da Guarda Marítima. A Guardia de Finanza, que conduziu as investigações junto com a polícia italiana, estabeleceu “que houve tratamento ilegal de resíduos em 44 ocasiões e num

total de 24.000 quilos de lixo”. “Todas as nossas operações portuárias, incluindo a gestão de resíduos, sempre seguiram o procedimento padrão. As autoridades competentes não contestaram esses procedimentos ou identificaram qualquer risco para a saúde pública desde que iniciamos nossas operações no mar”, respondeu a organização MSF num comunicado. “O único crime que vemos hoje no Mediterrâneo é o total desmantelamento do sistema de busca e salvamento”, denunciou Gabriele Eminente, directora-geral da MSF em Itália, alertando para “dois anos de campanhas difamatórias” contra organizações não governamentais.

Gabriele Eminente “O único crime que vemos hoje no Mediterrâneo é o total desmantelamento do sistema de busca e salvamento.”

CINEMA “HOTEL IMPÉRIO” DE IVO M. FERREIRA ESTREIA EM PORTUGAL A 18 DE ABRIL

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filme “Hotel Império”, de Ivo M. Ferreira, rodado em Macau, onde o realizador português vive há vários anos, estreia-se nas salas de cinema portuguesas a 18 de Abril, anunciou ontem a produtora O Som e a Fúria. O filme conta a história de uma portuguesa nascida na cidade – interpretada por Margarida Vila-Nova – que, juntamente com

outras pessoas, habita um antigo hotel em vias de ser destruído para dar lugar a um edifício moderno. “Hotel Império” teve estreia mundial em Outubro, no Festival de Cinema de Pingyao, na China, tendo sido também exibido na Mostra Internacional de São Paulo. Em 2016, quando apresentou o projecto do filme no Festival Internacional de Cinema de Macau, Ivo

M. Ferreira explicou que a longa-metragem tem como pano de fundo um tema recorrente e muito presente na vida da cidade: a mudança acelerada do espaço, impulsionada pelo desenvolvimento económico. “O hotel, evidentemente, que tem uma carga simbólica sobre Macau, vai ser destruído para ser construído um hotel-casino. Tem que ver com (…) a erosão da cidade [que] poderá criar

quarta-feira 21.11.2018

PALAVRA DO DIA

uma identidade, a erosão poderá unir-nos, unir vizinhos que não se falavam. Acho que o filme gravita muito à volta desse ambiente, de que a destruição pode unir para proteger a cidade”, explicou na altura o realizador. Além de Margarida Vila-Nova, o filme conta com a participação de Rhydian Vaughan, um actor taiwanês de ascendência britânica, e vários actores de Macau.

SEUL COREIA DO NORTE DESTRUIU PARTE DOS SEUS POSTOS FRONTEIRIÇOS

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Coreia do Sul anunciou ontem que a Coreia do Norte destruiu alguns dos seus postos de controlo fronteiriços como parte dos acordos estabelecidos para atenuar as tensões entre os dois países. O Ministério da Defesa informou que os seus militares confirmaram o desmantelamento ontem de 10 postos de guarda norte-coreanos e destacou que a Coreia do Norte informou o Sul dos seus planos com antecedência. Na semana passada, a Coreia do Norte retirou 636 minas antipessoais na fronteira com a Coreia do Sul, no âmbito de uma operação acordada entre Seul e Pyongyang em setembro. A Coreia do Sul dispunha de 60 postos na Zona Desmilitarizada (DMZ na sigla em inglês) e alguns postos militares remotos, enquanto a Coreia do Norte tinha mais de 160 desses postos, segundo dados divulgados pelo ministério da Defesa da Coreia do Sul. As duas Coreias acordaram desmantelar até ao final de Novembro 11 postos de guarda ao longo da sua fronteira comum, com o objectivo potencial de retirar mais tarde todos os outros, anunciaram altos responsáveis militares. O acordo concluído entre generais do Norte e do Sul insere-se na melhoria de relações entre os dois países que tem vindo a ocorrer desde Janeiro, após dois anos de subida de tensão devido aos programas nucleares e balísticos de Pyongyang. Durante a sua terceira cimeira, em Setembro, o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, comprometeram-se a tomar medidas para reduzir as tensões ao longo da sua fronteira. As duas Coreias estão ainda tecnicamente em guerra, dado o conflito de 1950-53 ter terminado com um armistício e não com um acordo de paz.


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Hoje Macau 21 NOV 2018 #4177 by Jornal Hoje Macau - Issuu