FRINGE
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EVENTOS
Hong Kong e Macau de 2012 a 2022
hoje macau Nº 4935
SEXTA-FEIRA 21-1-2022 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Com asas para voar
Ao contrário do que era temido, a proibição de entrada em Macau de voos do exterior da China vai mesmo acabar no domingo. A confirmação chegou esta madrugada através de um comunicado do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus: “Esta medida terminará às 23h59 do dia 23 de Janeiro de 2022”. PÁGINA 5
MOP$10
COVID-19
DOIS ANOS EM MACAU GRANDE PLANO
O CAMINHO DA LIDERANÇA XUNZI
RED CLIFF DE JOHN WOO JULIE OYANG ÚLTIMA
RENDIMENTOS
OS DONOS DISTO TUDO
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CASINOS SATÉLITES
A OLHAR PARA O ABISMO PÁGINA 6
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21.1.2022 sexta-feira
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Do sucesso à COVID-19
Faz amanhã dois anos que Macau registou o primeiro caso de infecção com o novo vírus SARS-Cov-2, que leva à doença covid-19. Quase um ano depois da chegada do primeiro lote de vacinas ao território, a taxa de vacinação continua a não ser a desejável e as medidas que, aos olhos de alguns, são demasiado restritivas, não deixam a economia avançar. Em dois anos, muitas famílias deixaram o território mais cedo do que esperavam face a este cenário
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OI a 22 de Janeiro de 2020 que Macau registou o primeiro caso de covid-19. A primeira infectada foi uma paciente com 52 anos de idade de Wuhan, a cidade chinesa que foi o epicentro do novo vírus SARS-Cov-2, que origina a covid-19. O somatório de casos é hoje de 79, sem qualquer caso mortal, e com a ocorrência de alguns surtos comunitários que obrigaram a rondas de testagem em massa, fecho temporário de fronteiras e confinamento de algumas zonas da cidade. Em Fevereiro de 2020, ocorreu o impensável: o fecho dos casinos durante 15 dias, num território onde as apostas nunca tinham parado desde a liberalização do jogo. Ao longo destes dois anos, foram encerrados, por diversos períodos, escolas, teatros, cinemas, parques e ginásios, o que trouxe alguns constrangimentos à economia e às pequenas, médias e grandes empresas. O Governo lançou cartões de consumo para incentivar a população a comprar no
pequeno comércio e criou linhas de empréstimos às empresas sem juros. Foram ainda atribuídos subsídios aos profissionais liberais. Se no início as medidas impostas pelas autoridades para lidar com a pandemia foram elogiadas em todo o mundo, a verdade é que começaram a surgir críticas e descontentamento em relação a algumas políticas consideradas demasiado restritivas, como a imposição de quarentenas de 21 dias.
“Podemos dizer que as medidas tomadas foram acertadas, pois Macau conseguiu manter-se como um lugar seguro do ponto de vista sanitário. Mas sem dúvida que a política de zero casos exige uma grande perseverança.” JOSÉ SALES MARQUES ECONOMISTA
PRIMEIRO CASO FOI HÁ DOIS ANOS. RESIDENTES LAMENTAM MEDIDAS RESTRITIVAS
Além disso, continua a não se vislumbrar, a curto prazo, a possibilidade de viajar até Hong Kong sem cumprir quarentena ou, pelo menos, com algumas medidas restritivas. Nestes meses, muitos portugueses e estrangeiros deixaram Macau perante a impossibilidade de verem os seus familiares com a frequência habitual, por não terem dias de férias suficientes para uma quarentena tão longa. Disso dá conta Marisa Peixoto, directora do jardim de infância D. José da Costa Nunes, que não vê a sua família há mais de dois anos. “Obviamente que me custa, é difícil, mas emigrar foi uma opção que tomei. Estamos a sentir, na escola, em relação ao pessoal docente, agentes de ensino e famílias, que há pessoas a ir embora mais cedo do que iriam se continuássemos com as facilidades [de viagem] que tínhamos antes”, contou ao HM. Marisa Peixoto considera “exagerado” o período de quarentena, principalmente tendo em consideração que quem chega da China cumpre, na maioria dos casos, um isolamento que não vai além de 14 dias. Relativamente s medidas no jardim de infância, a directora recorda que, no início, foi “um pouco confuso”, seguindo-se um período de natural adaptação. “As directrizes que recebemos da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) foram entrando na nossa rotina, na dos pais e crianças. Hoje continuamos a fazer o mesmo que fazíamos há dois anos.” Francisco Ricarte, arquitecto e fotógrafo, está neste momento a cumprir quarentena de 21 dias num quarto de hotel, sendo submetido a vários testes de ácido nucleico por semana e sem ter qualquer contacto com o exterior. Na sua visão, a taxa de vacinação dos idosos em lares ou centros de acolhimento, na ordem dos 30 por cento, é uma “situação problemática. “A pandemia e o conhecimento que temos evoluíram muito nestes dois anos”, defendeu o arquitecto, resignado por essa evolução não ter sido acompanhada pelas autoridades e população de Macau. “Dois anos mudaram mentalidades, modos
de procedimento. Começaram as primeiras situações que encaro com alguma perplexidade, que é o facto de não ter havido uma adesão imediata à vacinação.” O residente lamenta que o Governo não tenha assumido “uma posição pró-activa no sentido de comunicar aos residentes que a vacina é um método seguro e eficaz”. Hoje continuam a existir “medidas de prevenção extremamente
restritivas e detalhadas”. “As pessoas que vêm de fora estão sujeitas a um escrutínio extremamente rigoroso em termos de saúde. O código de saúde passou de ser um mecanismo de mera gestão para ter um outro nível de rastreio, pois permite detectar onde as pessoas estiveram.”
Regresso a casa
Albano Martins, economista e presidente honorário da ANIMA - So-
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perplexidade ciedade Protectora dos Animais de Macau, está de regresso à sua terra natal, Évora, depois de décadas a residir em Macau. Voltou por motivos de saúde, embora a pandemia o tenha afectado. “Voltei em definitivo por não me rever mais na Macau de hoje. Sob o manto da segurança, estamos a entrar em áreas muito perigosas”, alertou. O responsável destaca que, no início da pandemia, as autoridades tomaram as decisões mais correctas.
“Macau seguiu o caminho mais doentio, que é o de restringir as saídas das pessoas e, ao mesmo tempo, não se conseguir convencer a população a vacinar-se.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA
“Os primeiros meses de intervenção do Governo foram inteligentes, mas a partir de determinada altura deixou-se comandar toda a economia por decisões muito discutíveis. Ficámos confinados convencidos de que é possível ter uma política de casos zero, mas não é possível.” Para Albano Martins, Macau acabou por seguir “o caminho mais doentio, que é o de restringir as saídas das pessoas e, ao mesmo tempo, não
se conseguir convencer a população a vacinar-se”. “As restrições são naturais, o que não é natural é a quarentena de 21 dias, mais o período de auto-gestão de saúde. As pessoas, do ponto de vista psicológico, estão a ficar muito abaladas.” José Sales Marques, economista, confessa que “já perdeu a noção do tempo” desde que a pandemia começou. “Podemos dizer que as medidas tomadas foram acertadas, pois Macau conseguiu manter-se como um lugar seguro do ponto de vista sanitário. Não têm havido praticamente casos comunitários em Macau. Mas sem dúvida que a política de zero casos exige uma grande perseverança, que tem uma lógica própria que devemos respeitar.” Para Sales Marques, Macau “tem tido pouca sorte”, pois ocorrem surtos nas regiões vizinhas perto das épocas festivas que, por norma, atraem mais visitantes a Macau, como foi o caso da semana dourada, em Outubro, e agora no ano novo chinês, com a ocorrência do surto em Zhuhai. “O Governo conseguiu acumular algumas reservas que são agora fundamentais para a continuidade da sua capacidade de produzir medidas e levar a cabo políticas públicas de apoio à economia, mas há muitas empresas mais pequenas que não têm essa capacidade [de recuperação]. O pequeno comércio e restauração tem vindo a mudar de seis em seis meses, mas não deixa de haver alguma vontade de procurar soluções.” O economista e presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau destaca, contudo, que a população tem sabido reagir com alguns projectos de empreendedorismo. “Houve mexidas e vemos a tentativa de encontrar soluções através de um certo tipo de empreendedorismo. [Essas pessoas] podem basear-se em empréstimos ou investimentos de capital acumulado, mas vemos uma forte tentativa de resposta.” Em relação ao sector do jogo, fortemente abalado pela pandemia, Sales Marques destaca a chegada ao hemiciclo da nova proposta de lei do jogo, que permite pôr fim a uma situação que não estava clarificada.
“Tem havido uma reacção positiva do mercado em relação a isso e ajuda a trazer alguma esperança. Se houver uma certa recuperação do jogo e alguma abertura… todos pensávamos numa abertura com Hong Kong e de repente as coisas acontecem. É tudo imprevisível.”
“As pessoas que vêm de fora estão sujeitas a um escrutínio extremamente rigoroso em termos de saúde. O código de saúde passou de ser um mecanismo de mera gestão para ter um outro nível de rastreio.” FRANCISCO RICARTE ARQUITECTO
Em relação às comunidades estrangeiras, “é evidente a pressão psicológica”. “Há famílias e pessoas que depois de tantos anos de Macau acabam por ir embora, quando talvez ficassem mais tempo”, apontou. Recorde-se que, em Novembro, as imposições de quarentena foram criticadas pelo epidemiologista português Manuel Carmo Gomes. Apontando o dedo à política de zero casos, seguida pela China, Macau e Hong Kong, o especialista destacou que “é muito difícil, sem ter uma [taxa] de vacinação muito alta, aguentar com medidas dessas”. “Estão apenas a atrasar o inadiável”, frisou. “Países que apostaram na política de zero casos rapidamente perceberam que a população não adere à vacinação, porque não sente que existe um perigo real. É o caso da Nova Zelândia e da Austrália, que já abandonou a política de casos zero e está a apostar na vacinação. Se houver muito poucos casos devido a esses confinamentos muito rigorosos as pessoas não sentem necessidade de se vacinar”, reforçou. Andreia Sofia Silva
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RÓMULO SANTOS
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HABITAÇÃO PÚBLICA DEPUTADO QUER DAR PRIORIDADE PARA FAMÍLIAS COM MENORES
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AL KOU HOI IN DECLARA SER PROPRIETÁRIO DE OITO HABITAÇÕES
O homem de negócios
Chan Hou Seng, deputado ligado à cultura, não fica atrás do presidente da AL e declara a propriedade de quatro apartamentos, quatro estacionamentos e duas lojas na RAEM
O
presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, é proprietário de oito habitações, entre as quais seis apartamentos e duas moradias. A informação consta da declaração de rendimentos entregue no âmbito das funções como deputado e presidente do hemiciclo, destinado a assegurar a transparência e idoneidade de quem ocupa cargos de elevada responsabilidade na RAEM. Todo o imobiliário declarado por Kou Hoi In é detido a meias com a mulher, e, ao contrário de outros deputados, o presidente optou por omitir a localização das casas e apartamentos na declaração. O que é possível saber é que entre os apartamentos, dois encontram-se arrendados. O histórico mostra ainda que desde que começou a preencher as declarações de rendimentos,
em 2013, ao património do também empresário apenas foi acrescida uma fracção, que se encontra arrendada. Ao nível de participações em sociedade Kou Hoi In declarou ser dono de uma participação de 60,7 por cento na Companhia de Produtos da China, avaliada em cerca de 2,8 milhões de patacas, tendo em conta o capital social total que é de 4,41 milhões de patacas. Ainda no capítulo empresarial, Kou declarou uma participação de 20 por cento na Companhia de Investimento Internacional Seng Chit Limitada,
Song Pek Kei não declarou qualquer imobiliário, o que contrasta com as declarações anteriores
que, com base no capital social total de um milhão de patacas, vale 200 mil patacas. A nível de vida associativa o presidente da AL exerce cargos de direcção em 34 associações locais, entre as quais a posição de vice-presidente da Associação Comercial de Macau desde 23 de Novembro de 2021. Porém, o empresário confessa não saber o número exacto.
Riqueza cultural
Por sua vez, Chan Hou Seng, deputado estreante nomeado pelo Chefe do Executivo, declarou ser proprietário de quatro apartamentos em Macau, para uso próprio e arrendamento. O legislador ligado à área da cultura, apontou ter ainda quatro estacionamentos na RAEM, que utiliza e arrenda, assim como duas lojas, estas últimas detidas “com um familiar”.
Segundo a declaração de rendimentos, Chan Hou Seng não é proprietário de qualquer participação em empresas, mas é presidente da Sociedade de Selos de Macau e ainda investigador dos Centros de Investigação de Livros e Pinturas, de Intercâmbio Cultural entre de Investigação da Cidade Proibida a China e os Países Estrangeiros da Academia. Também a deputada Song Pek Kei apresentou a declaração de rendimentos. Apesar de estar na AL desde 2013, Song não declarou qualquer imóvel, o que contrasta com as declarações anteriores quando tinha uma fracção habitacional. Tal pode indicar que Song transferiu o imóvel para um familiar, o que faz com que não o tenha de declarar. João
Santos Filipe
deputado Lam Lon Wai defende que famílias com menores devem ter pontuação extra e prioridade no acesso a habitação social. A ideia foi divulgada ontem em interpelação escrita, em que questiona o Governo sobre a possibilidade de alterar lei. “No passado, a maior parte dos candidatos à habitação social eram idosos e pessoas com deficiências. Por isso, é compreensível que tivessem prioridade na atribuição deste tipo de habitação”, reconheceu Lam. “No entanto, será que as autoridades podem agora considerar alterar a legislação em vigor, para que as famílias com filhos menores tenham igualmente tratamento preferencial?, questionou. A habitação social é distribuída pela população de acordo com um sistema de pontuação. O pedido de Lam Lon Wai implica a alteração de critérios, para atribuir uma pontuação maior a famílias com menores. Na mesma interpelação, Lam perguntou pela atribuição do arrendamento das habitações sociais. Segundo os dados mais recentes, entre as últimas 4 mil candidaturas metade tinha sido alojada. O deputado pergunta qual é o ponto da situação.
Polícia Judiciária Sit Chong Meng reconduzido
A comissão de serviço de Sit Chong Meng, como director da Polícia Judiciária, foi renovada por um ano. A informação foi avançada através de Boletim Oficial, num despacho do secretário para a Segurança, assinado pela chefe de gabinete, Cheong Ioc Ieng. Sit vai assim manter-se nas funções que assumiu em 2018 até 31 de Janeiro do próximo ano.
Grande Baía Macau e Hong Kong investiram 196 milhões no Interior
Segundo a Comissão de Desenvolvimento e Reforma de Guangdong, até ao final do ano passado, registaram-se 5.800 transacções que envolveram 486 milhões de renminbis, no âmbito da gestão financeira transfronteiriça. De acordo com o jornal Ou Mun, 3.802 transacções, de 196 milhões de renminbis, foram feitas de investidores de Hong Kong e Macau para o Interior. No pólo oposto, houve 2053 transacções, que implicaram 290 milhões de renminbis. Os dados indicam também que a província de Guangdong emitiu 50 mil milhões de renminbis em obrigações em Hong Kong e 22 mil milhões de renminbis em Macau.
sexta-feira 21.1.2022
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VOOS ESTRANGEIROS SUSPENSÃO CHEGA AO FIM NO PRAZO PREVISTO
Com licença para voar A suspensão dos voos estrangeiros para Macau acaba mesmo no domingo e não será prolongada. Ontem à tarde, as autoridades afirmaram que ainda estavam a analisar o assunto, mas horas depois confirmaram o regresso dos voos de fora da China a partir da meia-noite de segunda feira
À
S 17h de ontem, o Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus não tinha ainda uma decisão sobre o fim ou o prolongamento da suspensão dos voos estrangeiros para Macau. “Até este momento ainda estamos a analisar a decisão e quando tivermos uma decisão final iremos anunciar em diferentes meios e não apenas através da conferência de imprensa. Compreendo que há uma urgência, mas ainda estamos a analisar a situação”, disse Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro. No entanto, já cerca da meia noite, foi divulgada uma nota relativa ao fim da suspensão a partir da meia-noite de segunda-feira, dia 24. Estas pessoas devem “cumprir os requisitos vigentes relativas a teste de ácido nucleico e vacinação contra a covid-19”. Quem viaje de países considerados de extremo alto risco, como o Brasil, EUA, Indonésia ou Nepal, numa lista que não inclui Portugal, terá de apresentar três certificados de testes com resultado negativo realizados nos últimos cinco dias. “Os referidos certificados devem ter pelo menos 24 horas de intervalo entre cada amostragem”, devendo ser realizada uma quarentena de 28 dias à chegada ao território. No caso dos restantes países, deve ser apresentado o certificado negativo do teste de ácido nucleico com amostragem recolhida nas últimas 48 horas, e ser realizada uma quarentena de 21 dias. Além disso, pessoas com idade igual ou superior a 12 anos devem apresentar o certificado que ateste a vacinação completa há pelo menos 14 dias,
com a última dose da vacina a ser administrada num período de sete meses.
Regras escolares
Relativamente às aulas presenciais dos alunos transfronteiriços, do ensino superior e não superior, serão suspensas, a partir de hoje e até final do Ano Novo Chinês, adiantou Wong Ka Ki, chefe do departamento do ensino não superior da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).
“Cerca de 80 por cento das escolas realizam exames esta semana e podem, assim, adiantar as férias sem prejudicar a aprendizagem [dos alunos]. Para os encarregados de educação que tenham dificuldades a cuidar das crianças em casa, as escolas podem prestar serviços de apoio até ao terceiro ano. As restantes escolas podem optar por adiar os exames. As instituições do ensino superior podem fazer ajustamentos segundo a sua situação real, pois vão iniciar férias esta
ENSINO SUPERIOR DUAS DOSES OU TESTES Os funcionários e os alunos do ensino superior serão obrigados a ter duas doses da vacina para entrarem nestas instituições a partir de hoje. Há ainda a possibilidade de poderem apresentar um teste PCR negativo, foi ontem anunciado na conferência de imprensa. No caso do ensino não superior, esta medida é apenas exigida aos funcionários das escolas. Wong Ka Ki, da DSEDJ, referiu que no ensino superior 88,2 por cento de professores e funcionários têm uma dose da vacina.
Os responsáveis do Centro de Coordenação e de Contingência foram ainda questionados sobre a existência de pessoas com código de saúde amarelo que nunca estiveram em zonas de risco em Zhuhai ou Zhongshan. Leong Iek Hou prometeu que estas situações serão analisadas. “O código ficou amarelo porque as pessoas declararam que foram a esses locais, e depois alteraram, dizendo que não tinham ido. Nestes casos o código fica amarelo. Também recebemos informações do interior da China dizendo que essas pessoas tinham ido a esses locais. Não sei de casos concretos, mas talvez tenha havido um desentendimento. Temos uma plataforma para as pessoas fazerem uma declaração sobre esse assunto, e vamos ver se é possível converter o seu código numa outra cor tendo em conta as informações por eles fornecidas.”
Já cerca da meia noite, foi divulgada uma nota relativa ao fim da suspensão (de voos oriundos do estrangeiro) a partir da meia-noite de segunda-feira, dia 24. Estas pessoas devem “cumprir os requisitos vigentes relativas a teste de ácido nucleico e vacinação contra a covid-19”
semana. Podem ser substituídas as aulas presenciais por aulas online ou adiantar as férias do Ano Novo Chinês”, referiu o responsável.
As recomendações
Acerca dos casos de contacto próximo com infecções registadas nas cidades de Zhuhai e Zhongshan, há 1363 pessoas a realizar quarentena, sendo que quatro desses contactos estão em Macau e um na China. Há ainda um total de 295 casos de contacto próximo pela via secundária. Até ao momento, os resultados de testes de ácido nucleico destas pessoas foram todos negativos. “Também adoptámos medidas de controlo para as pessoas que estavam no mesmo autocarro dos casos de contacto próximo, com resultados de testes negativos”, adiantou Leong Iek Hou.
Sobre a verificação do código de saúde pela via da redigitalização, Leong Iek Hou relembrou que esta medida é obrigatória para entrar em serviços públicos, sendo que para o sector privado é apenas feita uma recomendação. “Não temos uma regra mas encorajamos que estes estabelecimentos tomem medidas para ajudar os cidadãos a registarem o seu itinerário”, concluiu a coordenadora do Centro. Andreia Sofia Silva
COVID-19 MACAU DOOU MATERIAIS DE PROTECÇÃO PARA PESSOAL MÉDICO EM HENGQIN
O
primeiro carregamento de material de protecção contra a covid-19 vindo de Macau chegou a Hengqin no início desta semana, de acordo com uma nota publicada pelo governo municipal de Zhuhai. “Graças ao elevado grau de eficiência na comunicação entre Hengqin e Macau
na prevenção e controlo conjunto da pandemia, apenas um dia após o pedido de assistência, chegou a Hengqin um carregamento com 10.000 peças de vestuário de protecção médica, 10.000 máscaras N95, e 10.000 pares de luvas médicas”, referiram as autoridades da cidade
vizinha. Os materiais foram distribuídos por cinco hotéis designados para quarentena, tendo como destinatários pessoal médico da linha de frente que luta para conter a pandemia em Zhuhai. Desde que se verificou o surto em Zhuhai, Hengqin tem ajudado no combate,
aceitando cerca de 600 pessoas designadas como contactos secundários, vindas o distrito de Xiangzhou, desde domingo. Há uma semana que uma comitiva de Macau está a fazer voluntariado em locais de testes de ácido nucleico. A equipa é composta por pessoal do Centro de Ser-
viço Integral de Hengqin dos Kaifong, do Gabinete de Ligação do Governo Central Popular na RAEM e da Associação Geral das Mulheres de Macau. O governo municipal de Zhuhai aponta ainda que Hengqin e Macau vão estabelecer um mecanismo conjunto
para resposta a emergências, como prevenção de incêndios, acidentes e desastres naturais Será também formulado um padrão integrado de operação Hengqin-Macau, de acordo com Ye Zhen, vice-director do Gabinete de Hengqin do Governo da província de Guangdong. J. L.
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CASINOS SATÉLITES TEMEM DESPEDIMENTOS E VENDAS FORÇADAS DE HOTÉIS
A vida a andar para trás A proposta do Governo para a revisão da lei do jogo pretende acabar com os casinos satélites, ou seja, os que funcionam em hotéis que não pertencem às concessionárias. O sector alerta para o aumento do desemprego se a medida for para a frente
O
S casinos satélites estão preocupados com a proposta do Governo à revisão à Lei do Jogo, que obriga a que os casinos só possam ser instalados em imóveis detidos pelas seis concessionárias. De acordo com esta proposta de lei, os proprietários de casinos como Golden Dragon, Ponte 16, ou Legend Palace, ou seja, que resulta de uma parceria de privados com as concessionárias, vão ter de vender os imóveis às operadoras ou fechar as zonas de jogo. No entanto, segundo o jornal Ou Mun, a proposta está a causar mal-estar entre os casinos satélites, como noticiado nos últimos dois dias, através de fontes anónimas, identificadas como “responsáveis por casinos satélites”. Segundo um dos interlocutores ouvidos, os donos deste tipo de espaços estão muito preocupados, porque consideram a proposta injusta e lesiva. O documento define um período para a venda de três anos, após a entrada em vigor da lei que sair da Assembleia Legislativa. Este responsável explicou que os proprietários fizeram investimentos elevados nos diferentes hotéis e vão ser forçados a vender numa posição de fragilidade, uma vez que, por um lado, têm de concluir os negócios em três anos, e, por outro, têm de vender numa altura em que a indústria está desvalorizada, pela situação pandémica.
Contra esta venda forçada, foi ainda indicado que mesmo para as concessionárias faltam os fundos de outros tempos, pelo que poderá não haver capacidade para pagar um montante justo pelos investimentos feitos no passado.
Mais desemprego
Outro problema que pode ser criado por esta proposta, é o aumento do desemprego. O responsável ouvido
MACAU LEGEND “RESPEITAR A HISTÓRIA” Melinda Chan, directora-executiva da empresa Macau Legend, que gere o casino com o mesmo nome, considera que a questão dos casinos satélite merece ponderação. Em declarações, citadas pelo canal chinês em Rádio Macau, a empresária e ex-deputada deixou igualmente o desejo que no futuro seja possível “respeitar a histó-
ria”. Melinda destacou também que há várias Pequenas e Médias Empresas que dependem dos casinos satélites e que o encerramento pode ameaçar o tecido comercial. A directora-executiva admitiu também que a empresa pode participar no concurso de atribuição das novas concessões, se “o governo de Macau der oportunidade às empresas locais”.
indicou que, neste momento, o casino satélite que gere é responsável por cerca de mil funcionários, muitos dos quais são a única fonte de rendimentos das famílias. Contudo, se tiver lugar uma venda forçada, o responsável avisou que muitas dessas pessoas vão acabar despedidas, uma vez que as concessionárias ficarão com excesso de funcionários. Neste sentido, foi deixado o alerta de que muitos dos trabalhadores com os lugares ameaçados têm idades avançadas e podem enfrentar situações de desemprego para o resto da vida, com consequências dramáticas para as famílias. Ainda como parte dos argumentos contra a medida, foi explicado que este tipo de casinos traz uma vida aos diferentes bairros onde se situam e contribuem para gerar uma dinâmica económica
Um responsável pelo casino satélite indicou que a empresa tem cerca de mil funcionários, muitos dos quais são a única fonte de rendimento das famílias positiva ao revitalizar outros sectores do comércio. Sobre o impacto económico, ao jornal Ou Mun, um agente imobiliário indicou que, por exemplo, as lojas na ZAPE dependem dos clientes dos hotéis e dos casinos satélites. Em caso de encerramento, o agente reconheceu que haverá um grande impacto para as lojas e rendas nos locais. João Santos Filipe e Nunu Wu
TURISMO NÚMERO DE VISITANTES SUBIU QUASE UM TERÇO EM 2021
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URANTE o ano passado, entraram em Macau 7,7 milhões de visitantes, um número que representa um aumento de 30,7 por cento em relação a 2020, ainda assim uma descida significativa (mais de 80 por cento face a 2019), indicam dados revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em termos de agregado anual, o número de excursionistas aumentou 52 por cento para um total de 4 milhões, enquanto os turistas que entraram em Macau no ano passado foram 48 por cento das entradas, totalizando quase 3,7 milhões de visitantes. As duas categorias registaram aumentos de 30,4 por cento e 31 por cento, respectivamente, em termos anuais. O período médio de permanência também subiu ligeiramente em 2021, situando-se em 1,6 dias, mais 0,2 dias do que em 2020. Neste capítulo, registou-se alguma discrepância entre o tipo de entrada, com os turistas a permanecerem em média no território 3,2 dias (aumento de 0,4 dias comparado com 2020), enquanto os excursionistas baixaram para 0,1 dias em média. Em relação à origem, no ano passado entraram em Macau 7,04 milhões de visitantes vindos do Interior da China, um aumento de 48,2 por cento em relação a 2020, dos quais 2,45 milhões tinham visto individual (mais 31,3 por cento em relação ao ano transacto). Deste universo, a maior fatia de visitantes veio das nove cidades do Delta do Rio das Pérolas da Grande Baía, totalizando 4,12 milhões, número que representou uma subida de 59,9 por cento. Porém, o fecho das fronteiras fez com que o número de visitantes de Hong Kong (589 mil) e Taiwan (70,9 mil) descessem 30,1 por cento e 31,9 por cento, respectivamente, em relação a 2020. Em termos mensais, no passado mês de Dezembro chegaram a Macau 820.870 visitantes, número que significou uma subida de 2,4 por cento em termos mensais e 24,5 por cento em comparação com Dezembro de 2020. J. L.
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CRIME ESTUDANTE DETIDA POR BURLA MILIONÁRIA
U
MA estudante universitária, de 21 anos, foi detida pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de pertencer a uma rede criminosa que praticou uma burla telefónica no valor de 13 milhões de dólares de Hong Kong. O esquema começou quando uma residente de Macau recebeu uma chamada, em Setembro do ano passado, de um sujeito que se fazia passar por empregado bancário que perguntou se a residente fez compras em Pequim usando um cartão de débito. Após a vítima ter negado, a chamada foi transferida para um outro indivíduo que se apresentou como polícia de Pequim. Nesse ponto, a vítima foi avisada de que poderia ser acusada de branqueamento de capitais. Mais tarde, a residente recebeu outra chamada de alguém que se fez passar por funcionária do Comissariado contra a Corrupção, que lhe terá enviado o mandato de detenção em seu nome. Lançado e mordido o anzol, a vítima acabou por facultar informações bancárias ao grupo. É aqui que entra a estudante universitária, que terá recebido 25 transferência bancárias de contas da vítima ao longo de três meses. A estudante terá também aberto cinco contas bancárias que usou para transferir o dinheiro para bancos de Hong Kong. Segundo a PJ, a detida recebeu 13 mil dólares de Hong Kong para participar no esquema. Do outro lado do Rio das Pérolas, as autoridades da RAEHK detiveram dois homens suspeitos de estarem envolvidos no esquema.
FSS Quase metade dos patrões não pagou
Cerca de 10 mil empregadores, ou seja, 40 por cento do total, falharam o pagamento das contribuições obrigatórias do regime da segurança social, referentes ao 4.º trimestre do ano passado. O número foi revelado ontem em comunicado pelo Fundo de Segurança Social, que emitiu um alerta: “Caso o pagamento pelos empregadores seja efectuado fora do prazo, é preciso pagar juros de mora e multa”, foi sublinhado. Por outro lado, o FSS, pediu que os pagamentos sejam regularizados de forma electrónica, de forma a evitar um congestionamento dos serviços. “Considerando que no final do mês irá haver um grande fluxo de pessoas a dirigir-se aos postos de atendimento, pelo que, com vista a elevar a eficácia, o FSS apela aos empregadores e residentes para utilizar mais os meios electrónicos de pagamento de contribuições e o serviço de marcação prévia”, foi pedido.
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JOGO STEVE VICKERS ALERTA PARA “RISCO POLÍTICO” DEVIDO À SEGURANÇA NACIONAL
De olhos bem abertos
O consultor e analista de jogo Steve Vickers considera que os investidores estrangeiros devem ter em conta os “riscos políticos”, uma vez que a segurança nacional será um factor a ter em conta pelas autoridades para a atribuição de licenças de jogo
A
PRESENTADA a nova proposta de lei do jogo na Assembleia Legislativa (AL), o analista de jogo e consultor Steve Vickers emitiu esta quarta-feira um comunicado onde comenta as principais alterações trazidas com o diploma. A mais premente, para o responsável, é o facto de o Chefe do Executivo poder anular uma concessão de jogo caso exista uma ameaça à segurança nacional. “O maior risco que as operadoras de jogo enfrentam não é do ponto de vista regulatório, mas sim político. As autoridades de Macau e da China, quando avaliarem a renovação das licenças, vão ter claramente como critério a segurança nacional. Por exemplo, o fluxo de capital pode ser considerado, especialmente quando estiver ligado às operadoras norte-americanas que procuram repatriar os seus dividendos.” Desta forma, para este analista, “o Governo de Macau poderá agir em matéria de partilha de dividendos, considerados excessivos, particularmente se forem registados grandes fluxos de capital da China, trazendo preocupações
Steve Vickers, consultor e analista de jogo “O maior risco que as operadoras de jogo enfrentam não é do ponto de vista regulatório, mas sim político.”
em matéria de segurança nacional a Pequim”. No comunicado divulgado, Steve Vickers considera também que “a compreensão e a capacidade para equilibrar o risco político [por parte dos investidores] é mais importante do que nunca”. Além disso, “a nova proposta de lei inclui obrigações do ponto de vista operacional e exigências para responder a um ‘desenvolvimento saudável’, bem como outras questões não directa-
mente relacionadas com o negócio que não são familiares para os operadores estrangeiros”.
Sector VIP em mudança
Relativamente ao concurso público para a atribuição de novas licenças, o consultor defende que “um calendário mais realista [para a sua realização] seria em finais deste ano, ou mesmo em 2023”, o que iria obrigar as autoridades a prolongar as actuais concessões.
“O Governo de Macau poderá favorecer os campeões domésticos, ou pelo menos exigir alterações na estrutura accionista das entidades controladas por estrangeiros, o que pode ser problemático para eles. Além disso, nem todas as actuais concessões vão sobreviver ao processo”, prevê o analista. No sector dos junkets haverá mais restrições face à partilha de ganhos, aponta Steve Vickers. A proposta de lei em causa “torna claro que a ligação da indústria
do jogo aos junkets para o fornecimento de jogadores VIP irá chegar ao fim”, tendo em conta a detenção de Alvin Chau, CEO do grupo Suncity, em Setembro. Para o responsável, “estas medidas vão, provavelmente, restringir um crescimento a curto prazo” do sector. Por sua vez, Colin Mansfield, analista de jogo da agência de rating Fitch, disse à Lusa que a proposta de lei do jogo foi “bem recebida”, existindo ainda riscos que permanecem como o processo de licitação de novas licenças. “A divulgação foi bem recebida pela clareza no que diz respeito ao ambiente regulamentar pós-licitações. Nada do que foi divulgado na proposta de lei foi, na nossa opinião, excessivamente surpreendente ou negativo.” O especialista considerou ainda que um factor a favor desta proposta de lei foi o facto de não ter havido alterações materiais na taxa do imposto sobre jogos e não estarem estabelecidos impedimentos materiais à capacidade de pagamento de dividendos por parte dos operadores. Andreia Sofia Silva com Lusa
POLÍCIA JUDICIÁRIA DOIS DETIDOS POR BURLAR E RECEBER PRODUTOS ILÍCITOS
U
M homem de 29 anos e uma mulher de 34 anos foram detidos por se terem envolvido numa burla com produtos de maquilhagem. Segundo o jornal Ou Mun, a 13 de Janeiro, a Polícia Judiciária (PJ) recebeu uma chamada vinda da Holanda, em que uma mulher que se apresentou como cidadã chinesa se queixava de poder ter sido burlada. De acordo com a vítima, a 7 de Janeiro tinha visto uma publi-
cação das redes sociais em que um homem de Macau oferecia o serviço de transporte de produtos para o Interior. Sem desconfiar do anúncio, a mulher requisitou os serviços para a entrega a vários clientes no outro lado da fronteira, dizendo-lhe onde podia recolher os produtos de maquilhagem, avaliados em 54 mil renminbis, e quais os destinos. Contudo, dias depois, a vítima descobriu que o suspeito nunca
tinha enviado os produtos para o Interior, além de ter ficado totalmente incontactável. Sem alternativa, a mulher contactou a PJ e fez queixa do homem. Por sua vez, o homem foi interrogado pelas autoridades e confessou que tinha vendido os produtos por 7,8 mil renminbis. Porém, após uma busca à casa do suspeito foram encontrados outros produtos do género, que as autoridades acreditam tratar-se de
material não vendido. O suspeito está indiciado do crime de burla, que implica uma pena de três anos de prisão. Além do suspeito, foi igualmente detida a compradora que pagou 7,8 mil renminbis. A mulher recusou cooperar e foi indiciada pelo crime de receptação, ou seja, compra de objectos que se sabe serem roubados, com uma moldura penal que pode chegar a 5 anos de prisão.
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21.1.2022 sexta-feira
ARTES FESTIVAL FRINGE DESPEDE-SE DA CIDADE ESTE FIM-DE-SEMANA
Últimas criações
A 21.ª edição do Festival Fringe chega ao fim no domingo, mas até lá, a festa das artes performativas, com Teatro, exposições interactivas e experiências sensoriais vai continuar na rua
A
2 1 . ª edição do Festival Fringe está a chegar ao fim, com os derradeiros eventos marcados para domingo, restando três dias de performances e actividades espalhados pelos bairros comunitários. Dentro do cartaz do Fringe deste ano, existe como que um outro festival paralelo, o Todos Fest, com uma profusão de actividades que rompem preconceitos e barreiras. Uma delas é a exposição “Arte para Todos”, que vai estar no coração do Fai Chi Kei, zona de lazer da Praça das Orquídeas, até domingo, das 12h às 20h, e que funde artista e público num único corpo comunitário. A ideia por trás da iniciativa, é a apresentação de trabalhos para exposição no local onde a exposição itinerante está. “Sem prestar atenção a preconceitos de bom, mau, belo ou feio, a mostra visa permitir que a criação em si volte a ser a essência da arte. Um recorte em papel sem pretensões, ou duas linhas de poesia na inspiração do momento… Tudo merece ser apreciado”, descreve o Instituto Cultural (IC). Bem no centro de um dos bairros mais populosos da península, a exposição “Arte para Todos” abre um espaço onde não existem limitações de forma ou tema e onde a criatividade é a única coisa que importa. “Envie a sua obra de arte e nós lhe daremos o devido destaque! Será providenciada uma área de impro-
visação para poder dar asas à sua criatividade”, sugere o IC. Amanhã e domingo, às 15h, o jardim da Fundação Oriente será o palco de “Corpo Específico”, que junta um grupo de artistas com “características físicas únicas”, que irão realizar sequências de danças sob a direcção de Yuenjie Maru, um artista de Hong Kong. A performance dá o poder a artistas portadores de deficiência, que se exprimem através do método “danceability”, juntando elementos de dança simbiótica. Os participantes pertencem ao Centro Lustroso da Caritas de Macau.
Coronavírus e imersão
“A Loucura Pós-pandémica” é um espectáculo multidisciplinar, que junta elementos de teatro físico, multimédia, exposição e instalação, interpretado em cantonense por Heidi Ng, Somen Sou e Kathy Ng. Como o nome indica, a peça convida à reflexão dos espectadores “sobre o
Amanhã e no domingo, às 15h, o jardim da Fundação Oriente será o palco de “Corpo Específico”, que junta um grupo de artistas com “características físicas únicas”, que irão realizar sequências de danças
meio ambiente, a sociedade, a vida quotidiana e a relação entre o homem e a natureza na era pós-pandemia”. O Edifício Industrial Yau Seng é um dos palcos pouco convencionais que caracteriza o Fringe, onde será apresentado “Transeunte”, uma peça que mistura teatro com marionetas.
O espectáculo decorre no prédio, sito na Rua Número 1 do Bairro Iao Hon, amanhã e domingo, em quatro sessões (14h30, 15h, 15h30 e 16h). Interpretado por Vong Meng Chong e Lai Chi Ieng, a peça lança uma reflexão sobre o passado e o futuro do bairro do Iao Hon. “Qual
poderia ser o futuro do Iao Hon? O Iao Hon passou por transformações graduais, desde os aterros, às terras agrícolas e finalmente uma zona residencial, com um fluxo constante de moradores. À medida que a pressão para o desenvolvimento se torna mais forte, tudo no bairro se
sexta-feira 21.1.2022
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RESTAURAÇÃO MACAU TEM 15 RESTAURANTES COM ESTRELAS MICHELIN
M
torna uma memória e gradualmente desaparece”, descreve o IC. Até ao final da 21.ª edição do Festival Fringe, haverá ainda tempo para teatro de fantasia, hoje a amanhã (em duas sessões às 19h30 e 21h30), no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais N.º 2, com
a peça “Fragmento” de Cheng Ka Man, uma instalação que retrata “O Vendedor de Bonecos de Arroz”, no Largo da Sé”, entre outros eventos. João Luz
ACAU perdeu três restaurantes com estrelas Michelin, totalizando 15 estabelecimentos na edição deste ano do Guia para Macau e Hong Kong, esta quarta-feira apresentado. Três restaurantes de Macau, “Robuchon au Dôme” e “The Eight Restaurant”, ambos no hotel-casino Grand Lisboa, e o “Jade Dragon”, no City of Dreams, mantiveram as classificações de 2021, com três estrelas (‘uma cozinha única, justifica a viagem’) cada um, escreveu a organização do guia gastronómico no ‘site’. Macau conta ainda com cinco restaurantes com duas estrelas (‘cozinha excelente, vale a pena o desvio’) e sete com uma estrela Michelin (‘cozinha de grande nível, compensa parar’). Numa entrada directa para o grupo dos restaurantes com duas estrelas, o “Sichuan Moon”, criado pelo ‘chef’ de Taiwan André Chiang e liderado pelo ‘chef’ executivo da Malásia Zor Tan no ‘resort’Wynn Palace, destacou-se “com uma ementa que desafia preconceitos sobre a comida de Sichuan [província chinesa no centro do país], e pratos que podem ser definidos como obras de arte”, indicou a organização. Com uma estrela, obtida no ano passado, o restaurante de comida cantonense “Wing Lei”, no ‘resort’ Wynn Macau, conquistou agora a segunda, “sob a liderança estável” do ‘chef’ Chan Tak Kwong, acrescentou. Na distinção “Bib Gourmand”, conferida aos restaurantes que oferecem menus de três pratos por menos de 400 patacas, mantêm-se sete estabelecimentos em Macau, entre eles o português “O Castiço”. Além destes, destaque em Macau para oito estabelecimentos de ‘street food’, 20 restaurantes seleccionados e uma estrela verde (que distingue uma cozinha sustentável), conquistada no ano passado pelo Restaurante Educacional do Instituto de Formação Turística. “Nesta edição de 2022, aplaudimos os cozinheiros e restauradores de ambos os territórios por mostrarem coragem, resiliência e criatividade em tempos de incertezas. Estamos orgulhosos de celebrar os mais brilhantes talentos de Hong Kong e Macau enquanto preparam o caminho para dois dos mais excitantes e diversificados destinos culinários do mundo”, sublinhou o director internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullennec.
O corpo e a arte Performances ao vivo e vídeo na nova edição do MIPAF
É
já amanhã que decorre a nova edição do Festival Internacional de Artes Performativas de Macau (MIPAF, na sigla inglesa), uma iniciativa organizada pelo Armazém do Boi. Ao HM, o curador do evento, Ng Fong Chao, presidente do Armazém do Boi, garantiu que o principal objectivo é “explorar a relação entre a “arte corporal” e a “imagem”. O programa dá ênfase à arte performativa ao vivo, onde o corpo assume um papel primordial. Além do MIPAF decorre em simultâneo o Festival de Vídeo Experimental de Macau (EXiM, na sigla inglesa). “Vamos mostrar performances ao mesmo tempo que são exibidos vídeos, sendo que os artistas vão poder gerar outro tipo de arte através do seu trabalho”, referiu o responsável. Entre as 18h e as 20h de amanhã, os espectáculos podem ser vistos no espaço Macau Art Garden, na avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, com entrada livre. Para o cartaz deste ano, foram convidados artistas da China, como é o caso de He Libin e Tang Weichen, de Kunming, Tan Tan, de Wuhan e Long Miaoyuan, de Shenzhen. Todos eles vão apresentar as suas performances elaboradas com base no tema “Image in Body Art”. “Os artistas terão a liberdade de integrar vídeos nas suas performances. Desta forma, tentámos encontrar artistas com experiência
nestas áreas, como é o caso de Tan Tan e Long Miaoyuan.” O curador acrescentou ainda que “os artistas têm necessidade de trabalhar com a ideia de ‘o que mostrar’com duas formas artísticas diferentes”. Desta forma, “o público poderá olhar para os trabalhos do MIPAF e os vídeos do EXiM, ter diferentes experiências e interpretá-las de diferentes formas”.
A culpa é da covid
Ng Fong Chao declarou também que o MIPAF sempre quis ter uma vertente internacional e ser uma plataforma para os artistas de todo o mundo revelarem o seu trabalho. Esta é a reacção a uma crítica apresentada pelo ex-deputado Au Kam San, que na página de Facebook do evento disse que não havia quaisquer artistas de fora da China no cartaz. “Temos tido muita pressão devido à pandemia ao longo destes dois anos. Temos procurado uma melhor altura para nos ligarmos a diferentes países desde o início deste ano, mas os custos em termos de saúde, tempo e recursos são muito altos.” O curador adiantou que a ocorrência de surtos de covid-19 na China obrigou a organização do festival a dividir o programa em duas partes. Depois da primeira parte do evento, que teve apenas artistas locais, ter acontecido em Dezembro, surge agora a segunda parte. A.S.S.
FRC Recital de piano “Som de França” amanhã às 17h Acontece amanhã, sábado, às 17h, na Fundação Rui Cunha (FRC), o recital de piano a quatro mãos intitulado “Som de França” com as pianistas Vicky Tong e Diamantina Kok, professores e co-fundadoras da Associação de Performance Musical
de Macau. O concerto irá durar cerca de uma hora e o programa inclui músicas de compositores clássicos franceses como Claude Debussy, Gabriel Fauré ou Francis Poulenc, entre outros. Muitos dos temas tocados ao vivo são da preferência pessoal
das duas pianistas, que fizeram a selecção das músicas apresentadas. A associação em causa, dedica-se à missão de “proporcionar oportunidades de actuação a jovens músicos de Macau”, aponta um comunicado. A entrada é gratuita.
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Especialistas afirmam que as relações entre a China e os países de língua portuguesa podem atingir um novo patamar em 2022
21.1.2022 sexta-feira
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ESTUDO COOPERAÇÃO CHINA-PLP AJUDA PAÍSES A SUPERAREM PANDEMIA
Na partilha está o ganho
F
ACE à pandemia da covid-19, a China e os países de língua portuguesa (PLP) apoiaram-se e cooperaram para superar as dificuldades colocadas pelo novo vírus, escrevendo um capítulo histórico na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, apontou um estudo publicado na terça-feira. O "Relatório de Desenvolvimento dos Países de Língua Portuguesa (2021)", elaborado pelo Centro Chinês de Estudos dos Países de Língua Portuguesa (CEPLP) do Instituto de Estudos Regionais da Universidade de Economia e Negócios Internacionais, abrange as situações globais e tendências económicas e sociais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste de 2019 a 2020.
Wang Cheng’an, especialista-chefe do CEPLP
Na cerimónia de lançamento do documento, os especialistas disseram que a cooperação China-PLP pode atingir um novo patamar em 2022. Wei Jianguo, especialista do Centro de Intercâmbios Económicos Internacionais
da China e ex-vice-ministro do Comércio, participou na reunião por videoconferência e disse que os PLP têm grande potencial de fortalecer a cooperação tecnológica com a China. "Portos, pontes, aeroportos, rodovias, comboios
COMÉRCIO TROCAS COMERCIAIS COM ÁFRICA ATINGEM VALOR RECORDE EM 2021
O
comércio entre China e África subiu 35 por cento, no ano passado, para o valor recorde de 254 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados ontem pelas alfândegas da China. A subida homóloga equivale a um aumento de 65 mil milhões de dólares nas trocas comerciais, atestando a crescente importância da China nas cadeias de abastecimento. O país asiático foi o primeiro a superar a pandemia da covid-19, após ter adoptado restritas medidas de prevenção, incluindo o isolamento de cidades com milhões de habitantes, no primeiro trimestre de 2020. Os exportadores chineses beneficiaram com a permissão para retomar a actividade, enquanto os concorrentes estrangeiros enfrentaram restrições. Esta vantagem foi mantida em 2021, à medida
que outros governos renovaram as medidas de contenção em resposta à disseminação de novas variantes do coronavírus. O aumento das trocas comerciais reflecte assim, sobretudo, o aumento das exportações da China para África. Nos anos anteriores, a balança comercial manteve-se equilibrada, com cerca de 100 mil milhões de dólares em compras e vendas de cada lado. No ano passado, porém, a China exportou um total de 148 mil milhões de dólares e importou apenas 106 mil milhões. De acordo com os dados da Administração Geral das Alfândegas da China, Angola foi o segundo país africano que mais exportou para a China, ultrapassado apenas pela África do Sul. Luanda facturou 21 mil milhões de dólares em vendas para a China.
de alta velocidade, entre outros. Ainda temos muito para fazer", destacou. Ji Xianzheng, secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, ressaltou que, face à covid-19, o órgão realizou várias iniciativas de coope-
ração no combate à pandemia e intercâmbios de cunho comercial e cultural com as partes para consolidarem a amizade através de solidariedade recíproca, o que veio a aprofundar o papel de Macau como plataforma na ligação entre a China
e os PLP, e implementar, com acções concretas, o conceito de comunidade de futuro compartilhado para a humanidade. "Este é o segundo ano da construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau
XANGAI ULTRAPASSADA MARCA DE 4 BILIÕES DO PIB EM 2021
O
produto interno bruto (PIB) de Xangai ultrapassou os quatro biliões de yuans em 2021, disseram as autoridades locais esta quinta-feira. A metrópole no leste da China viu o PIB aumentar 8,1 por cento anualmente, para 4,32 biliões de yuans no ano passado, de acordo com o relatório de trabalho do governo entregue pelo líder da cidade, Gong Zheng, na sexta sessão em andamento da
15.ª Assembleia Popular Municipal de Xangai. Durante o último ano, face ao complicado ambiente externo e à instável situação pandémica, Xangai conseguiu um bom começo no período do 14.º Plano Quinquenal (2021-2025) através da promoção de vida alta qualidade, de governança de alta eficiência e da consolidação das conquistas actuais de prevenção epidémica e do desenvolvimento económico, disse Gong. Novos motores de crescimento continuaram a impulsionar a economia de Xangai. A produção das três principais indústrias -- circuitos integrados, biomedicina e inteligência artificial -- aumentou 18,3 por cento em 2021. Xangai teve também um bom desempenho em termos de comércio externo no ano passado:
as importações e exportações totais da cidade ultrapassaram 4 biliões de yuans, aumentando 16,5 por cento em relação a 2020. Embora sob a vacilante economia global devido à pandemia, Xangai, cidade na primeira linha da reforma e abertura da China, atribui grande importância à atracção de investidores estrangeiros. Em 2021, a utilização real do investimento estrangeiro atingiu US$ 22,55 mil mihões, um aumento de 11,5 por cento em relação a 2020. Xangai abriga agora 831 sedes regionais de empresas multinacionais, incluindo 60 recém-estabelecidas em 2021, disse o responsável. A cidade espera registrar um crescimento anual do PIB de cerca de 5,5 por cento este ano, de acordo com o relatório de trabalho do governo.
sexta-feira 21.1.2022
em Hengqin. Espero que a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa abram um espaço mais amplo na nova situação", acrescentou.
Tempos difíceis
Em resposta ao futuro da cooperação China-PLP, Wang Cheng'an, especialista-chefe do CEPLP, alertou que as situações políticas, económicas e sociais dos países de língua portuguesa estão a atravessar um período de profundas mudanças.
Wang afirmou estar confiante na cooperação China-PLP e diz acreditar que os PLP contarão com a sua própria capacidade para levar a cabo uma cooperação internacional frutífera e para superar as dificuldades "Em 2022, os países de língua portuguesa distribuídos em quatro continentes ainda estão num período difícil de desenvolvimento e o impacto da pandemia continuará a existir. Levará algum tempo para que esses países ultrapassem a recessão económica." Apesar disso, Wang afirmou estar confiante na cooperação China-PLP e diz acreditar que os PLP contarão com a sua própria capacidade para levar a cabo uma cooperação internacional frutífera e para superar as dificuldades. O Centro Chinês de Estudos dos Países de Língua Portuguesa foi criado em 16 de Janeiro de 2012 na Universidade de Economia e Negócios Internacionais. Desde 2017, o CEPLP organizou conjuntamente com o Instituto Brasileiro de Estudos da China e Ásia-Pacífico e o Instituto Internacional de Macau, uma série de reuniões anuais de estudo, contribuindo para a cooperação académica entre a China e os países de língua portuguesa, informou Wang Qiang, vice-reitor da universidade.
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Região TAILÂNDIA ISENÇÃO DE QUARENTENA DE VIAJANTES VACINADOS EM FEVEREIRO
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Tailândia anunciou ontem que vai voltar a isentar os viajantes vacinados da quarentena a partir de 1 de Fevereiro, uma esperança para a indústria do turismo, em crise desde o início da pandemia de covid-19. Temendo a propagação da variante Ómicron, o país restabeleceu uma quarentena obrigatória no final de Dezembro. Mas apenas alguns milhares de casos são registados oficialmente todos os dias e a taxa de mortalidade permanece estável. Estes dados levaram as autoridades a reavaliar a situação. A partir de 1 de Fevereiro, os visitantes vacinados terão agora de fornecer um teste à covid-19 negativo no país de origem, fazer um segundo teste à chegada, e um final no quinto dia, disse Taweesin Visanuyothin, porta-voz
do centro de gestão do coronavírus. Os testes em solo tailandês terão de ser feitos num hotel aprovado. Se o resultado for negativo, o viajante poderá circular livremente no país. Se houver um aumento dos casos, a situação será novamente reavaliada, disse Taweesin Visanuyothin. Após mais de 18 meses de encerramento, o país reabriu as suas fronteiras no início de Novembro aos turistas vacinados, mediante a apresentação de um simples teste PCR negativo. Algumas dezenas de milhares de visitantes tiraram partido desta flexibilização das restrições. Antes da pandemia, o país era um dos mais visitados do mundo, com quase 40 milhões de chegadas em 2019. O Ministério do Turismo espera receber este ano cinco milhões de visitantes.
NUCLEAR PYONGYANG AMEAÇA RETOMAR TESTES
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Coreia do Norte ameaçou ontem retomar os testes nucleares e de mísseis balísticos de longo alcance numa reunião do gabinete político sob a liderança de Kim Jong-un. Pyongyang não realizou quaisquer ensaios nucleares de mísseis balísticos de longo alcance desde 2017, dando prioridade ao diálogo com os EUA, com o líder norte-coreano a encontrar-se por três vezes com o então Presidente dos EUA, Donald Trump. Desde a fracassada cimeira de Hanói de 2019 entre os dois líderes, as negociações estagnaram. A Coreia do Norte rejeitou todas as ofertas de conversações enquanto retomava testes, como o lançamento de mísseis hipersónicos. Os EUA impuseram na semana passada novas sanções a Pyongyang. "A política hostil e a ameaça
militar dos Estados Unidos atingiram um limiar perigoso que já não pode ser ignorado", adiantou a agência oficial da Coreia do Norte, a KCNA. Por esta razão, a reunião do gabinete político do comité central do Partido dos Trabalhadores "ordenou (...) que se examinasse rapidamente a questão do reinício" de todas as actividades que foram objeto de uma moratória. O possível recomeço dos testes nucleares e balís-
ticos ocorre num momento sensível para a região, com eleições presidenciais marcadas para março na Coreia do Sul, e na China, o único grande aliado da Coreia do Norte e que se prepara para acolher os Jogos Olímpicos de Inverno em Fevereiro. Desde a tomada de posse do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, há um ano, Pyongyang rejeitou as várias propostas de diálogo apresentadas pela administração norte-americana.
PUB.
AVISO N.° 1/AI/2022
AVISO N.° 2/AI/2022
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:----------------------------------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 1055/AI/2021: LIANG DEHUI, portador do passaporte da RPC n.° E39315xxx , que na sequência do Auto de Notícia n.° 341/DI-AI/2019 levantado pela DST a 25.11.2019, e por despacho da signatária de 03.11.2021, exarado no Relatório n.° 1033/ DI/2021, de 21.10.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Travessa da Encosta n.° 18, Sun Fung Court, 13.° andar I onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------ 2. Mandado de Notificação n.° 1056/AI/2021: ZHANG XIAOZHE, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C73541xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 13.1/DIAI/2020 levantado pela DST a 09.01.2020, e por despacho da signatária de 26.10.2021, exarado no Relatório n.° 949/DI/2021, de 13.09.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Estrada Nordeste da Taipa n.° 54, Jardim Hoi Wan, 3.° andar I.--------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.----
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:----------------------------------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 1044/AI/2021: LI YANYU, portador do Passaporte da RPC n.° EE5454xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 72/DI-AI/2020 levantado pela DST a 17.03.2020, e por despacho da signatária de 30.12.2021, exarado no Relatório n.° 1136/ DI/2021, de 01.12.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida de Sagres n.° 58, Edf. Complexo “Iat Hou Kuong Cheong” (One Central) - 32.° andar T5/B onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 1060/AI/2021: ZHOU FANGMING, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CC0436xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 297.1/DIAI/2019 levantado pela DST a 07.11.2019, e por despacho da signatária de 29.12.2021, exarado no Relatório n.° 1144/DI/2021, de 17.12.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Bruxelas n.° 169, Jardim Nam Ngon, Bloco 4, 6.° andar P.------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.----
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Janeiro de 2022.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Janeiro de 2022.
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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XUNZI
Se alguém não for capaz, mas apesar disso o líder o empregar, então é porque o líder está nas trevas. Se um ministro não for capaz, mas apesar disso se vangloriar de o ser, então é porque o ministro se dedica ao embuste. Quando, em cima, o líder se encontra nas trevas e, em baixo, os ministros se dedicam ao embuste, o dia da aniquilação não está longe, sendo este um caminho que conduz à destruição dos dois. Quanto ao Rei Wen, não se trata de que não tivesse familiares a quem estimasse. Não se trata de que não tivesse filhos ou irmãos mais novos. Não se trata de que não tivesse favoritos. Num acto extraordinário, elevou o Grão-Duque acima dos seus conterrâneos e empregou-o1. Como poderia tal tratarse de uma instância de favorecimento pessoal? Talvez se pudesse pensar que fossem familiares? Mas os líderes dos Zhou tinham Ji por apelido e o apelido do homem era Jiang. Talvez se pudesse pensar que o fez por serem conhecidos de longa data? No entanto, nunca se tinham conhecido antes. Talvez se
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21.1.2022 sexta-feira
ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO
O Caminho da Liderança
pudesse pensar que o fez por gostar da sua aparência? Porém o homem tinha já mais de setenta e dois anos e era calvo e desdentado. A razão pela qual o empregou apesar de tudo, foi por pretender estabelecer um caminho nobre e fazer brilhar uma nobre reputação, de modo a mostrar bondade para com todos debaixo do Céu, mas também por sentir que não o podia fazer sozinho. Não fosse aquele homem e ninguém teria bastado para ser elevado a tal cargo. E, assim, o Rei Wen elevou-o e empregou-o e, desse modo, o seu nobre caminho foi deveras estabelecido e a sua nobre reputação se tornou deveras evidente de um modo cintilante. Controlou a todos debaixo do Céu de um modo inclusivo. Criou setenta e um estados, cinquenta e três dos quais a cargo exclusivo de homens de apelido Ji. Todos, de entre os filhos e netos da linhagem Zhou, e à excepção daqueles que eram imprudentes e extraviados, se tornaram senhores feudais de grande eminência em todo o mundo. Ser capaz de conseguir este género de situação é ser capaz de cuidar do
PARTE IX
povo. E, assim, o Rei Wen se ateve ao mais elevado caminho do mundo, estabelecendo o maior feito do mundo, só depois estendendo generosidade àqueles por quem tinha pena e àqueles de quem gostava. Mesmo os seus inferiores no clã foram capazes de se tornar senhores feudais de grande eminência por todo o mundo. Por isso se diz, “Só um líder iluminado pode cuidar daqueles de quem gosta. Um líder que estiver nas trevas só criará perigo para aqueles de quem gosta”. Isto exprime o que quero dizer.
1 - Referência a um incidente no qual, segundo as histórias tradicionais, o Rei Wen reconheceu grande virtude e talento num simples pescador chamado Lü Shang, fazendo-o primeiro ministro; esse homem ficaria conhecido por Grão-Duque, um título que lhe foi aplicado retrospectivamente, pois Lü Shang não era Grão-Duque quando o Rei o elevou acima dos seus pares.
Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.
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les beaux yeux noirs
JULIE OYANG
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Cinema espiritual: Red Cliff de John Woo
O Cinema é um formato belo e único. É simultaneamente um jogo e um transformador desse mesmo jogo. Nesta série, a autora e pensadora visual, Julie Oyang, apresenta 12 realizadores chineses, as suas obras e as suas invenções estéticas, que acabam por se revelar as invenções estéticas de antigos filósofos.
John Woo é um realizador imensamente prolífico, além de escritor e produtor. Realizou 37 filmes desde a sua estreia em 1968. Embora tenha nascido na China continental, Woo estava mais associado à indústria cinematográfica de Hong Kong quando ingressou em Hollywood. O mestre dos filmes de acção é também conhecido pela elaboração e pelo realismo que põe em cada cena. No entanto, a sua segunda carreira nos Estados Unidos frustrou-o e, já há muito tempo, decidiu voltar às películas de temática chinesa. O seu filme Red Cliff ilustra uma batalha épica travada durante a guerra que teve lugar há 18 séculos. Red Cliff não é um filme de Hong Kong estilisticamente promíscuo, embora – inevitavelmente – seja um filme de época que retrata um romance célebre. Red Cliff não parece ser suficientemente avassalador e caótico para nos fazer evocar a lama, o sangue e o terror de um cenário de combate. Enquanto escrevo estas palavras, sinto que, de alguma forma, há algo que me escapa. Esta saga com milhares de figurantes, que se concentra apenas em quatro personagens, não pretende alcançar o espectáculo da guerra nem um estilo artístico extravagante, à la Zhang Yimou. A história baseia-se em acontecimentos reais. Cao Cao, o desagradável primeiroministro do Império Han (séc. III DC), tinha ambição de conquistar dois pequenos reinos. Nesse sentido, enviou uma armada através do rio Yangtze para atacar os governantes desses territórios, Liu Bei e Sun Quan, que desempenham papéis secundários no filme. A aliança crucial contra Cao Cao foi estabelecida entre os dois líderes estratégicos, Zhuge Liang e Zhou Yu. A quarta personagem principal é a bela Xiao Qiao, mulher de Zhou Yu. Cao Cao há muito que cobiçava Xiao, e por isso ela é a opção lógica para desviar as atenções do invasor, enquanto Zhuge e Zhou preparam o contra-ataque final. Entretanto, vamos assistindo ao bramir das espadas em câmara
A NÃO PERDER:
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
lenta, à recitação de poesia, à caligrafia, à cerimónia do chá, e pombas que representam a paz celestial no meio da carnificina terrena. Assistimos ainda ao surgimento de uma intensa e espirituosa amizade masculina durante um dueto de cítara. Depois de terem chegado a um entendimento, os dois estrategas começam a planear as duas grandes linhas de acção do filme. Na primeira, usam “a formação tartaruga” para repelir e finalmente cercar os soldados de Cao Cao, em número superior. A segunda linha de acção envolve barcos, fogos e uma mudança oportuna da direcção dos ventos. Zhuge revela-se um metereologista com um conhecimento de primeira sobre o comportamento e a natureza dos ventos. Considerado o filme chinês mais caro de sempre, Red Cliff impressiona pela amplitude, escala e precisão. Todo o aparato do filme lembra-me um jogo Go no mundo real. O Go é mais simples que o xadrez e no entanto mais complexo. Mais simples porque todas as peças são iguais, embora existam peças brancas e peças pretas. Neste jogo as peças não se movem através do tabuleiro. Aqui, o Go, como um sistema bem equilibrado que tivesse uma falha, permite que um jogador mais forte (Cao Cao) jogue em pé de igualdade com um jogador mais fraco (Aliança Zhuge & Sun Quan) e que seja vencido.
Red Cliff é suficientemente grandioso para entreter, mas emocionalmente distante e pouco profundo para chegar a ser emocionante. A narrativa também parece estar mais focada na táctica militar do que na dinâmica do desenvolvimento das personagens, nas batalhas psicológicas ou na dimensão moral. Woo tenta ser um pioneiro do espiritualismo – mostrar o “coração” oriental ou o “coração” chinês, por assim dizer – o que pode acabar por ser uma forma entediante, mas bastante aventureira de fazer cinema. CITAÇÕES FAMOSAS DE JOHN WOO PARA RETER • Posso usar o cinema como uma linguagem. Não só posso enviar uma mensagem positiva, como posso transmitir às pessoas o que penso, como vejo o mundo, como vejo a cor, como vejo a música, como vejo todas as coisas. • Os filmes que gosto de fazer são muito ricos e repletos de paixão. Algumas pessoas vêem-me como um realizador de filmes de acção, mas a acção não é o único elemento dos meus filmes. Gosto sempre de mostrar a natureza humana – qualquer coisa de profundo dentro do coração. • Também quero que as pessoas saibam que na verdade o futebol começou na China há cerca de 3.000 anos. • Penso que fui rotulado em Hollywood como realizador de filmes de acção, por isso só me davam argumentos desse género. • Os meus filmes têm sempre a ver com a família, a amizade, a honra e o patriotismo.
THE KILLER (1989), FACE/OFF (1997), RED CLIFF: PARTE 1 (2008), RED CLIFF: PARTE 2 (2009) Writer | Artist | Namer of clouds | www.julieoyang.com | Instagram: _o_writes
Julie Oyang é uma autora de naturalidade chinesa, artista e argumentista. É ainda colunista multilingue e formadora em criatividade. As suas curtas metragens foram selecciondas para o Festival de Vídeo de Artistas Femininas e também para a Chinese Fans United Nations Budapest Culture Week. Actualmente, é professora convidada da Saint Joseph University, em Macau. Gosta especialmente de partilhar histórias inesperadas, contadas a partir de perspectivas particularmente distintas. Divide a sua vida entre Amsterdão, na Holanda, e Copenhaga, na Dinamarca.
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THE OFFICE | RICKY GERVAIS E STEPHEN MERCHANT
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SPIDER-MAN: NO WAY HOME [B] Um filme de: Jon Watts Com: Tom Holland, Zendaya, Benedict Cumberbatch 14.30, 18.30, 21.15
de duas décadas depois, “The Offi3Mais ce” continua a fazer-me rir até às lágri-
SALA 2
mas. Algo muito especial nasceu de uma ideia que roça o cúmulo da banalidade, 8 apresentando ao mundo Ricky Gervais e 7 8Stephen Merchant. No epicentro da abso3 5 4 9 luta loucura está David Brent, um patrão 1 9 3 5imaturo, obcecado pela ideia de ser popular, deixando a nu as suas falhas. “The 0 Office” também é sobre relações huma2 8 4nas que se estabelecem numa empresa 4 7 3 1que vende produtos de papel. Um trabalho chato, num subúrbio sem interesse 7 0 2 dos arredores de Londres é o cenário improvável de20 uma comédia que apetece revisitar de tempos 5 3 7 2 9 0 8 1 8a tempos, 2 6 como 3 7 se0fosse 4 um velho amigo. João Luz
ALINE [B]
Um filme de: Valerie Lemercier Com: Valerie Lemerier, Sylvain Marcel, Danielle Fichaud 14.30, 19.15
TILL WE MEET AGAIN [C]
FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO
EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Giddens Ko Com: Kai Ko, 16.45, 21.30
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PIL’S ADVENTURES [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Julien Fournet 14.30, 16.30, 19.30
THE KING’S MAN [C]
Um filme de: Matthew Vaughn Com: Ralph Fiennes, Harris Dickinson, Stanley Tucci 21.30
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um grito no deserto
opinião 15
Paul Chan Wai Chi
PENSO QUE toda a gente ouviu dizer que certo profeta terá afirmado que o mundo ia acabar em 2012. Durante o Inverno de 2012, viajei até Xangai e Hangzhou, na China. Apesar do frio, o lago Ocidental de Hangzhou estava repleto de turistas. O mundo não acabou em 2012 e a receita bruta de Macau sobre o jogo excedeu as 300 000 000 000 patacas. Hong Kong e Macau prosperavam e nas duas cidades as pessoas viviam em paz. Nenhum profeta previu o fim do mundo em 2022. No entanto, Abhigya Anand, uma criança astróloga indiana, fez as seguintes previsões para o corrente ano: a indústria imobiliária vai ser afectada, as relações entre a China e a Índia vão estar tensas, vão existir rupturas nas cadeias de abastecimento e vão ocorrer inundações devastadoras. O profeta francês Nostradamus previu que haveria oito desastres significativos em 2022, mas nenhuma menção ao fim do mundo. No entanto, 2022 vai ser definitivamente um ano muito mais conturbado do que foi 2012. Quanto a Macau, em 2021 a receita bruta dos jogos de fortuna atingiu os 86,8 mil milhões de patacas, bastante abaixo da previsão de 130 mil milhões de patacas feita pelo Governo, valor que equilibraria as despesas do Executivo. A rápida propagação da variante Ómicron deu origem em todo o mundo à quinta vaga de surtos de Covid-19. O fim da quarentena para quem viaja entre Hong Kong e Macau não está à vista e se a pandemia se agravar, Macau pode entrar a qualquer momento em confinamento em relação à China continental. A previsão do fim do mundo é aterradora, mas incomparável aos impactos devastadores da Covid-19 na sociedade e na vida das pessoas. Alguns especialistas acreditam que a pandemia de Covid-19 irá continuar em 2023. E durante mais quanto tempo vão os residentes de Macau aguentar a retracção da economia? Não sou profeta, mas quando observamos as mudanças que ocorreram em Hong Kong e em Macau ao longo destes dez anos, salta à vista que a atmosfera social já não é tão pacífica como costumava ser. Sob o princípio orientador “Hong Kong governado por patriotas” e “Macau governado por patriotas”, os agentes políticos das duas RAEs são “uniformemente” aprovados enquanto patriotas. Na ausência de oposição e de dissidência, o comboio da administração conduzido pelo Chefe do Executivo corre suave e eficientemente. No entanto, se o comboio não tiver travões, vai descarrilar mais cedo ou mais tarde. Além disso, os relatórios recentemente publicados pelo Comissariado contra a Corrupção e o Comissariado da Auditoria de Macau fizeram soar o alarme de negli-
TIAGO ALCÂNTARA
DE 2012 A 2022
Desde que consigamos encontrar uma forma de sobreviver em 2022, já nos podemos considerar bem-sucedidos. E se conseguirmos permanecer fiéis aos nossos ideais, seremos vencedores
gência por parte do Governo da RAE. Os quatro sectores industriais para a promoção da diversificação adequada da economia de Macau, a ser realizada na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, em Hengqin, estão ainda numa fase inicial de desenvolvimento. Contudo, é uma realidade que os residentes de Macau que compraram apartamentos em Hengqin se vêem impedidos de se instalar nas suas propriedades porque os seus direitos e interesses legítimos na aquisição de imóveis sitos em Distrito de Hengqin não foram protegidos. Mesmo o Conselho de Consumidores de Macau é incapaz de fazer o que quer que seja em relação a esta situação. Assim sendo, como é que a população de Macau pode ter a confiança necessária para investir e participar no desenvolvimento dos quatro sectores industriais in Zona de Cooperação Aprofundada? Politicamente falando, podem ser usados muitos meios para atingir uma oposição nula. Mas isso não significa que a administração do Governo venha a ser altamente proficiente, na medida em que não existe oposição nem monitorização do Quarto Poder. Assemelha-
Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático
-se à situação de uma pessoa a quem faltam glóbulos brancos, que corre um risco maior de morte. Quanto à segurança nacional, é preciso lembrar que as maiores crises de poder na História foram causadas pelos fracos desempenhos das equipas governativas, como foi o caso das Dinastias Ming e Qing e durante o período da República da China. Assim, governantes que aceitam e conjugam os diversos elementos e que caminham de mãos dadas com o povo são a melhor garantia de segurança nacional e regional. Em 2022, sob o impacto da quinta vaga desta pandemia, vai ser difícil assistir à recuperação da economia. Politicamente, existe apenas “uma voz”, por isso não se espera grande agitação na governação. Existe um provérbio chinês que nos diz, “da maior das desgraças nasce a felicidade”, que significa que quando a situação já não pode piorar, muda para melhor. Posto isto, desde que consigamos encontrar uma forma de sobreviver em 2022, já nos podemos considerar bem-sucedidos. E se conseguirmos permanecer fiéis aos nossos ideais, seremos vencedores. Quanto às outras questões, Deus lá saberá como lidar com elas.
“O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas.” PALAVRA DO DIA
MEDITERRÂNEO 400 RESGATADOS EM DOIS DIAS
O
navio humanitário ‘Geo Barents’, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), resgatou ontem 109 migrantes no Mediterrâneo, somando-se às 87 pessoas salvas na quarta-feira, e as 208 resgatadas pela embarcação ‘Mare Jonio’, da estrutura humanitária Mediterranea Saving Humans. No total, os navios das organizações não-governamentais (ONG) resgataram 404 pessoas no mar Mediterrâneo em dois dias. “O ‘Geo Barents’ acaba de resgatar 109 pessoas depois de receber um alerta do Alarm Phone [estrutura que recebe as chamadas de emergência feitas por embarcações de migrantes]”, escreveu a ONG Médicos Sem Fronteiras nas redes sociais. A MSF indicou ainda que a sua equipa está a tratar “várias pessoas com hipotermia ligeira”, mas assegurou que “todas estão bem” e relatou que os resgatados tinham passado “a noite no mar depois de fugir da Líbia”. O navio já tinha acolhido na quarta-feira outras 87 pessoas, incluindo duas crianças, que fugiram da Líbia, disse a ONG. Paralelamente, o navio ‘Mare Jonio’, da Mediterranea Saving Humans, resgatou, nas últimas horas, 208 pessoas, entre mulheres, homens e crianças. Aprimeira operação de resgate durou cerca de quatro horas, já que enfrentou várias dificuldades: os migrantes navegavam num bote de madeira que estava a afundar-se e alguns deles já estavam na água quando o navio humanitário chegou à zona para os ajudar, explicou a ONG. Na segunda operação, realizada ontem de manhã, mais de 100 migrantes, entre os quais 14 mulheres e duas crianças com um ano de idade, foram encontrados em perigo a bordo de uma embarcação de madeira. “Já estão seguros” e agora só “precisam de um porto seguro para desembarcar”, referiu a ONG na rede social Twitter. No ano em curso, o número de migrantes que aportaram em Itália cresceu para 410 pessoas, em comparação com as 358 que o tinham feito no mesmo período de 2021, segundo dados recentes do Ministério do Interior italiano.
Fernando Pessoa
MAR DA CHINA PEQUIM PROTESTA CONTRA PRESENÇA DE NAVIO MILITAR DOS EUA
Agitação marítima
Comunicado do exército chinês “Exigimos solenemente que os Estados Unidos cessem imediatamente essas provocações. Caso contrário, vão expor-se às consequências graves e imprevisíveis desses incidentes.”
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M navio militar norte-americano cruzou ontem o Mar da China próximo de um arquipélago controlado por Pequim, situação que o exército chinês considerou tratar-se de um “acto de provocação”, exigindo a saída do vaso de guerra. Segundo a Marinha dos Estados Unidos, o “destroyer”
USS Benfold “está na plenitude dos seus direitos e liberdades de navegação nas proximidades das ilhas Paracel, em conformidade com o direito internacional”. O arquipélago é um grupo de pequenas ilhas e recifes, no Mar da China Meridional, a cerca de um terço da distância do Vietname ao norte das Filipinas e são também reivindicadas por
Hanói, embora seja controlado há mais de 50 anos pela China. Num comunicado, o exército chinês denunciou a entrada “ilegal” e “não autorizada” do navio nas águas das ilhas Paracel. A Marinha e a Força Aérea da China, prossegue o comunicado, receberam ordens para “rastrear, vigiar, alertar e afastar” o navio. “Exigimos solenemente que os Estados Unidos cessem imediatamente essas provocações. Caso contrário, vão expor-se às consequências graves e imprevisíveis desses incidentes”, acrescentou o exército chinês. A China afirma ter sido a primeira nação a descobrir e a nomear as ilhas do Mar da China Meridional, por onde passa grande parte do comércio marítimo atual entre a Ásia e o resto do mundo, reivindicando quase toda a área marítima. No entanto, vários países vizinhos (Filipinas, Vietname, Malásia e Brunei) têm reivindicações concorrentes de soberania, que às vezes se sobrepõem. Em 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA) em Haia, decidiu que as reivindicações históricas de Pequim no Mar do Sul da China são infundadas. A China, porém, ignorou a decisão, considerando a instituição incompetente para decidir sobre disputas territoriais.
Fonte de disputa
Este mar é um dos principais pontos de atrito entre chineses e norte-americanos, cujas relações também estão tensas em torno do futuro de Taiwan e de Hong Kong, direitos humanos ou questões comerciais. Ao longo de vários anos, Pequim consolidou o controlo sobre certas ilhas e atóis no Mar da China Meridional, principalmente no arquipélago de Spratly, realizando obras de expansão para montar instalações militares.
Medicina Sucesso em transplante de rins de porco para humano
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Dois rins de um porco geneticamente modificado foram transplantados, com sucesso, para o corpo de um humano que estava em morte cerebral, revela um estudo ontem publicado no American Journal of Transplantation. O transplante de órgãos suínos em humanos promete aumentar o número de órgãos disponíveis para transplante e evitar milhares de mortes nos
EUA todos os anos devido à escassez de órgãos, de acordo com a publicação científica. “Embora o stresse fisiológico no corpo não fosse um ambiente ideal para sustentar a função renal, os rins produziram urina e não foram rejeitados no curto prazo”, lê-se no documento ontem divulgado a propósito do trabalho dos cientistas agora publicado.
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ÍNDICO IRÃO, RÚSSIA E CHINA EM MANOBRAS CONJUNTAS
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RÃO, Rússia e China iniciam hoje exercícios navais conjuntos de três dias no Oceano Índico, com o objectivo principal de fortalecer a “segurança comum”, anunciou ontem um porta-voz da Marinha de guerra iraniana. O anúncio das manobras militares ocorre numa altura em que o Presidente iraniano, Ebrahim Raisi, está em Moscovo para uma visita oficial em que já afirmou estar determinado em fortalecer as relações com a Rússia. As manobras também surgem no meio das negociações em Viena para salvar o acordo nuclear internacional iraniano concluído em 2015, mas que está moribundo desde a retirada unilateral dos Estados Unidos em 2018, e restabelecimento de sanções económicas por Washington ao Irão. “Os três dias de exercícios contarão com a participação de 11 unidades navais do Exército do Irão, três da Marinha da Guarda Revolucionária (exército ideológico da República Islâmica), três da Rússia e duas da China”, afirmou o porta-voz das manobras, o almirante iraniano Mostafa Tajeddini, à televisão estatal. As manobras, prosseguiu, começam esta sexta-feira no norte do Oceano Índico, numa área de 17.000 quilómetros quadrados. “[Os exercícios militares] visam melhorar a capacidade de combate e a prontidão, fortalecer os laços militares entre a marinha iraniana e a China e a Rússia, garantir a segurança comum e combater o terrorismo marítimo”, afirmou Tajeddini. Numa intervenção ontem perante os deputados da Duma, câmara baixa do Parlamento russo, Raisi afirmou que o reforço das relações entre o Irão e a Rússia “fortalecerá a segurança regional”. Em fins de 2019, num período de tensões elevadas no Golfo, Irão, China e Rússia realizaram exercícios navais conjuntos de quatro dias no Oceano Índico e no Golfo de Omã, para “mostrar que o Irão não pode estar isolado”, acrescentou Tajeddini.