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SEGUNDA-FEIRA 21 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4215 ISAAK BRODSKY
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
AMBIENTE
AS FONTES DO MAL
hojemacau
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PÁGINA 9
ESPÉCIES
JARDINS PROIBIDOS PÁGINA 8
Auto dos físicos A licenciatura em medicina da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST) foi apresentada no sábado. Apesar do valor das propinas, 55 mil patacas anuais, foram já recebidas 80 candidaturas ao curso que terá parcerias com as universidades do Porto e de Lisboa. Manson Fok, director da Faculdade de Ciências da Saúde da MUST, sublinha a importância de ter bons alunos e descarta a ideia de um excesso de formação de médicos. GRANDE PLANO
MUSEU DE ARTE DE MACAU
TESOUROS DA RÚSSIA EVENTOS
2 grande plano
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evento atraiu a atenção de tanta gente que foi necessário marcar outra sala para acolher alunos e professores interessados em saber todos os detalhes da nova licenciatura em medicina e cirurgia que arranca já no próximo ano lectivo 2019/2020 na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa). Sob o slogan “formar os médicos do amanhã” realizou-se no sábado uma sessão de esclarecimento sobre o novo curso. Sophia Liu, natural de Jiangsu, já é estudante do curso de hotelaria e gestão na MUST, mas gostaria de um dia ser médica. “Estou interessada, e acho que os meus pais iam gostar que entrasse no curso”, contou ao HM. “Com este curso poderia ajudá-los caso tenham algum problema de saúde. Além disso, o curso vai ter bons professores que nos podem transmitir muitos conhecimentos”, apontou. Sophia foi uma entre os muitos alunos que marcaram presença no auditório da MUST Durante a apresentação da licenciatura, Manson Fok, director da Faculdade de Ciências da Saúde da MUST e filho do magnata Henry Fok, quis deixar claro que o objectivo primordial é a qualidade dos docentes, mas, sobretudo, dos alunos. “Queremos que os alunos pensem, que não se limitem a estudar e decorar informações. O nosso primeiro objectivo é ter 50 estudantes no primeiro ano. Não basta termos bons professores e um programa curricular, também precisamos de bons alunos.” Além disso, Manson Fok também deixou alguns recados aos futuros estudantes. “Têm de estar preparados para estudar, porque o curso de medicina é muito exigente. O ensino será sempre feito em grupo e não individualmente”, apontou. O acesso ao curso será também aberto a pessoas com mais de 23 anos, mas é exigida determinada nota nas disciplinas de química e biologia, sem esquecer a matemática e as línguas, tais como o chinês e inglês. Os alunos que realizaram os exames finais do ensino secundário em Hong Kong e Malásia também se podem candidatar, apesar da primazia dada aos que nasceram em Macau. Além das notas, os candidatos serão depois submetidos a uma entrevista onde lhes são exigidos conhecimentos não apenas do sistema médico do território como de todas as regiões que integram o projecto de cooperação da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
MEDICOS DE AMANHA ´
MUST
NOVA LICENCIATURA EM MEDICINA RECEBEU 80 CANDIDATURAS NO PRIMEIRO DIA
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No dia de abertura de inscrições para o novo curso de medicina, a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau recebeu 80 candidaturas. Manson Fok, director da Faculdade de Ciências da Saúde da MUST, disse que a Universidade do Porto vai ser uma das instituições do ensino superior parceiras, além da Universidade de Lisboa, e rejeitou a possibilidade de virem a ser formados médicos em excesso para as necessidades do território
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“NÚMEROS SÃO NÚMEROS”
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Durante a apresentação foi ainda reiterado que os licenciados serão reconhecidos pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM) e que, durante o curso, poderão escolher realizar o estágio do sexto ano em países como Austrália, Reino Unido, Portugal ou Estados Unidos. Estes estágios são fruto de parcerias anteriormente estabelecidas, garantiu Manson Fok. “Várias universidades com quem mantemos protocolos questionaram-nos porque que Macau não tinha um curso de medicina”, referiu na sua apresentação.
CORRIDA AO CURSO
Apesar de querer apenas meia centena de estudantes, Manson Fok adiantou à margem do evento que a MUST recebeu 80 candidaturas no dia em que abriram as inscrições. Isto apesar do valor da propina do curso ser de 55 mil patacas anuais, para uma licenciatura de seis anos. Neste aspecto, o director da Faculdade de Ciências da Saúde comprometeu-se a apoiar financeiramente os estudantes que necessitem. “As propinas são elevadas e a nossa universidade vai-se responsabilizar pelos custos. Qualquer apoio do Governo será sempre no formato bolsas de estudo e espero que a população de Macau também veja a faculdade de medicina como parte do seu serviço para a comunidade e dê o seu apoio. Os professores não vão servir apenas para formar os alunos, mas também os médicos especialistas que já exercem”, justificou.
Manson Fok não teme que os alunos de Macau optem por estudar medicina em Portugal pelo facto de serem portadores do passaporte português. Nas universidades portuguesas as propinas são mais baixas do que os valores cobrados pela MUST, mas existem outros factores a equacionar. “Em Portugal, se não estou em erro, nem todos os estudantes que querem seguir medicina conseguem entrar, porque os critérios de acesso são muito rígidos. Aqui queremos seleccionar os melhores alunos e queremos concentrar os nossos recursos para formar bons alunos,
“Se olharmos para a proporção (de médicos em relação à população), continuamos com níveis muito baixos face ao resto do mundo.” “Queremos que os alunos pensem, que não se limitem a estudar e decorar informações. O nosso primeiro objectivo é ter 50 estudantes no primeiro ano.” MANSON FOK MUST
para que se transformem em bons médicos habilitados também a trabalhar no estrangeiro.” Apesar da MUST ser uma das universidades privadas que mais fundos públicos recebe, sobretudo da Fundação Macau, Manson Fok não negou que o apoio do Governo é fundamental para garantir a qualidade formativa. “O nosso dever não é apenas disponibilizar um bom currículo, mas também ter os melhores recursos. Com mais recursos podemos enviar os melhores alunos para as principais instituições em todo o mundo. Mas isso vai estar limitado pelos recursos disponíveis. Os custos principais serão suportados pela universidade, esse é o nosso compromisso.” Durante cinco anos, os alunos vão ter uma componente teórica e prática feita em hospitais e clínicas estrangeiras. “O currículo que será ensinado é aquele que já é ensinado nas universidades da região”, disse Manson Fok. “A diferença é que, num período que corresponde entre três semanas a seis meses, os alunos serão enviados para vários sítios no exterior para terem contacto com outras patologias”. Na Austrália, Europa e Estados Unidos, os estudantes terão acesso “a diferentes tipos de ensino e aprendizagem”, acrescentou Manson Fok, que deu o exemplo do cancro de pele como uma doença rara em Macau que implica formação no exterior. Aos jornalistas, o director da Faculdade de Ciências Médicas
“Com este curso poderia ajudar os meus pais caso tenham algum problema de saúde. Além disso, o curso vai ter bons professores que nos podem transmitir muitos conhecimentos.” SOPHIA LIU ESTUDANTE
deixou claro que os hospitais e clínicas do território não têm capacidade para acolher estagiários ávidos por adquirir conhecimentos sobre patologias diversas. Além da aposta na internacionalização, a MUST assume querer investir também na localização. “Os médicos formados na China regressam, mas aqui existem regulamentos diferentes. Por exemplo, na China eles podem receitar medicamentos ocidentais e medicamentos da medicina tradicional chinesa, mas em Macau não. Na nossa formação não haverá esse problema, pois só adoptamos padrões internacionais”, admitiu. Aliás, no capítulo da internacionalização importa salientar que as faculdades de medicina das universidades de Lisboa e do Porto vão ser instituições parceiras da MUST. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
PESAR do Governo ter dado luz verde ao novo curso recentemente, a verdade é que a MUST começou a preparar a licenciatura há cerca de três anos. As parcerias estão estabelecidas, o corpo docente formado e tudo parece estar a postos para receber os primeiros alunos já em Setembro. Manson Fok optou por não responder directamente se acreditava que, à partida, o Executivo iria aprovar o pedido de um novo curso. “Se perguntar à comunidade, não há dúvidas de que as pessoas querem médicos melhor formados. Macau tem vindo a ter progressos e vai tornar-se numa cidade internacional, e os nossos médicos também precisam ter uma perspectiva internacional. É isso que queremos trazer para a comunidade.” Para o futuro, a MUST deverá cooperar com a Academia Médica, um projecto do Governo a ser operacionalizado pelos Serviços de Saúde. “Claro que vamos trabalhar com toda a comunidade médica de Macau. Esperamos que a nossa faculdade seja apoiada, porque não queremos que seja apenas uma faculdade da MUST. Temos hospitais e clínicas, e queremos partilhar todos os recursos para formar médicos. Os médicos que vamos formar vão servir toda a Macau e não apenas o hospital da MUST.” Confrontado com as críticas de que em poucos anos o curso irá formar médicos a mais, tendo em conta a pequena dimensão do território, Manson Fok referiu que “números são números”. “Se olharmos para a proporção (de médicos em relação à população), continuamos com níveis muito baixos face ao resto do mundo. Cerca de 20 por cento dos médicos estão a aproximar-se da idade da reforma e vamos ter um novo hospital daqui a uns anos, que vai exigir uma grande quantidade de médicos”, concluiu o director da nova faculdade.
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O Governo continua a tomar medidas de reorganização do sector financeiro e desta vez vai fundir as classes dos contabilistas e dos auditores. O objectivo é seguir a tendência mundial e evitar confusões para os investidores
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FINANÇAS GOVERNO QUER CONTABILISTAS E AUDITORES NUMA SÓ CLASSE
É mais simples
MULTAS ATÉ MEIO MILHÃO
De acordo com as alterações propostas pelo Governo, os contabilistas e as sociedades de auditores que cometerem infracções disciplinares podem ser multados com uma quantia entre 5 mil e 5 milhões de patacas. Nos casos mais leves a punição poderá passar por uma advertência e nos casos mais graves, em que se prova a existência de dolo, a sanção passa pelo cancelamento do registo ou licença para exercer a profissão. Sobre os valores das multas, Iong Kong Leong explicou que houve uma actualização face a 1999 de acordo com o índice de preços no consumidor.
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Governo apresentou uma proposta de lei que vai fazer com que as profissões de contabilistas e auditores de contas se transformem numa única classe. A proposta foi apresentada pelo Conselho Executivo, na sexta-feira. Segundo o porta-voz deste organismo, Leong Heng Teng, a medida vai permitir que a profissão no território “se coadune ainda mais com as práticas internacionais”. “O objectivo é estabelecer um regime de registo e exercício da profissão de contabilistas aplicável às pessoas singulares que pretendam obter qualificações profissionais e a qualificação de contabilistas, e às pessoas que se queiram registar como sociedades de auditores”, afirmou o porta-voz. A proposta de lei em apreço vai substituir o actual Estatuto dos Auditores de Contas e o Estatuto dos Contabilistas Registados. Os dois diplomas encontram-se em vigor desde 1999. Segundo as explicações do Director do Serviços de Finanças, Iong Kong Leong, também presente na conferência de imprensa, o facto de actualmente haver contabilistas e auditores de contas em Macau provoca confusão. Com o novo estatuto vai ser também criada uma Comissão de Registo dos Contabilistas, um órgão colegial que vai implementar o regime de acreditação, registo e emissão de licenças para o exercício da profissão. Além disso, a entidade vai supervisionar as normas de conduta dos profissionais
Actualmente, estão registados 119 auditores e 188 contabilistas no território. Há ainda 14 sociedades auditoras e 3 empresas de contabilidade Ainda no que diz respeito às pessoas que pretendam aceder à profissão, quem se encontra a desempenhar as funções vai ser registado automaticamente. No entanto, os novos candidatos têm de provar que têm dois anos de experiência relevante no sector e têm de obter aprovação nas provas contabilistas reconhecidas pela Comissão de Registo dos Contabilistas. Por último, as sociedades de auditores ficam obrigadas a ter, pelo menos, dois accionistas. Actualmente, estão registados 119 auditores e 188 contabilistas no território. Há ainda 14 sociedades de auditoria e 3 empresas de contabilidade. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Ensino Superior Apoio para material escolar sobe para 3.300 patacas O Governo vai aumentar o “subsídio para a aquisição de material escolar a estudantes do ensino superior” para 3.300 patacas. O valor em questão é referente ao ano lectivo de 2018/2019. Esta é a primeira vez desde o ano 2012/2013 que o montante, que antes
do sector. Neste sentido, a principal diferença é que a comissão que anteriormente estava sob a alçada da Direcção dos Serviços de Economia passa a ser independente. A escolha dos membros só vai ser definida em regulamento administrativo mais tarde, mas terá representantes provenientes da Administração Pública, profissionais e académicos da área da contabilidade.
era de 3.000 patacas, é actualizado. O apoio é disponibilizado aos alunos do ensino superior com Bilhete de Identidade de Residente que estejam matriculados neste ano lectivo. Os interessados devem registar-se para receber o apoio público entre 29 de
Janeiro e 15 de Março. De acordo com o Governo, a medida vai abranger cerca de 34 mil pessoas e irá custar 112,2 mil patacas aos cofres da RAEM. Este subsídio foi criado no ano lectivo de 2011/2012. À altura, o valor era de 2.000 patacas.
Medicina chinesa Deputados visitam hoje a Ilha da Montanha Os deputados deslocam-se hoje ao Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong e Macau. Inaugurado oficialmente em 2011, o
Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, com uma área de 0,5 quilómetros quadrados, localiza-se na zona de desenvolvimento tecnológico da Ilha da Montanha. Foi
o primeiro projecto de construção implementado oficialmente no âmbito da cooperação entre Guangdong e Macau, desde a assinatura do Acordo-Quadro de Cooperação, no mesmo ano.
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A ASSISTENTES SOCIAIS EXIGIDAS 45 HORAS DE FORMAÇÃO A CADA TRÊS ANOS
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TIAGO ALCÂNTARA
S assistentes sociais vão ter de acumular 45 horas de formação contínua a cada três anos. Esta é uma exigência feita pelo Governo na nova versão da lei que vai regular a profissão. Segundo Chan Chak Mo, presidente da comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir o diploma, na primeira versão da lei apenas era exigido que fosse realizada formação contínua sem haver requisitos ao nível do tempo exigido. A nova versão apresentada pelo Governo veio resolver o problema. Um outro aspecto que a comissão também queria ver resolvido e que não tem, para já, solução é a distinção entre assistentes sociais do sector público e privado. Os deputados pretendiam um regime universal para ambos os tipos de trabalhadores. Contudo, o Governo explicou que a função pública não tem uma carreira específica para assistentes sociais e que vai ter de continuar a haver uma distinção. Por este motivo, os funcionários que trabalhem para o Governo na área social ficam dispensados de fazer o registo na profissão. Já os trabalhadores do sector privado vão ter de cumprir essa obrigação para poderem aceder ao título profissional.
S opiniões sobre a alteração à lei do hino por parte da Associação de Jornalistas de Macau (AJM) são “bem-vindas”, mas o parecer já foi assinado e vai ser levado à votação no Plenário. Foi desta forma que os deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa recusaram eliminar o artigo da futura lei que permite ao Governo “solicitar” aos órgãos de comunicação social que ajudem na promoção do hino nacional. Segundo o presidente da comissão, Ho Ion Sang, a carta com a sugestão da associação foi distribuída aos deputados antes da reunião de sexta-feira. Mas o facto de os órgãos de comunicação social “não precisarem de assumir responsabilidades”, caso optem por não cooperar com o Governo, fez com que os legisladores concordassem com Sónia Chan. Na quinta-feira, a secretária para a Administração e Justiça tinha justificado que não ia haver mais discussão [sobre a lei], uma vez que o artigo criticado pela Associação de Jornalistas de Macau não tinha qualquer punição para quem não cumprir com as solicitações. Ainda de acordo com a governante, esta parte da lei serve essencialmente para responsabilizar o Governo por tomar a iniciativa de procurar a cooperação dos órgãos de comunicação social. Na quinta-feira, a AJM tinha divulgado uma carta a defender que o artigo em causa restringe a liberdade dos órgãos de comunicação social e a recusar que os média sejam utilizados como ferramentas de propaganda da ideologia do Governo. Contudo, o documento vai agora ser votado na especialidade e, caso seja aprovado pelos deputados, vai entrar em vigor no dia a seguir à publicação no Boletim Oficial da RAEM.
HINO DEPUTADOS ACEITAM ARGUMENTO DO GOVERNO E LEI VAI AO PLENÁRIO
CARIMBOS COMO NO INTERIOR
O facto de os órgãos de comunicação social “não precisarem de assumir responsabilidades” [...] fez com que os legisladores concordassem com Sónia Chan
De acordo com o parecer da comissão, uma das dúvidas levantadas pelos deputados durante a discussão do diploma foi o facto dos emblemas nacionais não constarem nos carimbos da RAEM, uma vez que são utilizados os emblemas regionais. A dúvida foi suscitada pelos deputados, após compararem a lei do hino do Interior da China com a lei que agora vai ser aplicada em
Siga para bingo
Sónia Chan tinha dito que não haveria mais discussão sobre a hipótese do Executivo solicitar a cooperação dos média na divulgação do hino e os deputados concordaram. O diploma retorna à AL apesar da Associação de Jornalistas pedir a revisão deste ponto
Macau e que surge na sequência da actualização da lei no Interior. Segundo a explicação do Executivo, tal deve-se ao facto da RAEM não ser um órgão nacional, antes um órgão regional, o que faria com que não fosse adequado o uso de carimbos com o desenho do emblema nacional. Ao mesmo tempo, o Governo considera que o formato actual, com a utilização da flor do Lótus é suficiente para identificar
ETAPM Função pública consultada sobre segunda fase de revisão Os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) realizaram uma consulta junto dos serviços públicos e das associações dos trabalhadores no âmbito dos trabalhos da revisão do Estatuto dos Trabalhadores
da Administração Pública de Macau (ETAPM). A segunda fase de revisão do ETAPM, após a primeira ter entrado em vigor a 1 de Janeiro, centrar-se-á no regime de subsídios e abonos com vista a que “o ETAPM possa
a RAEM: “além do desenho do emblema regional, existe ainda o texto e a designação dos respectivos serviços públicos, conseguindo-se assim, em princípio, o efeito de identificação”, consta no parecer, sobre a resposta do Governo.
adaptar-se às necessidades de funcionamento e gestão administrativa dos serviços públicos actuais e salvaguardar os direitos dos trabalhadores”, indicaram os SAFP em comunicado. Além do envio do documento de con-
João Santos Filipe joaof@hojemacau.com
sulta aos serviços públicos, os SAFP também realizaram quatro sessões de esclarecimento que reuniram mais de 500 participantes. A consulta da segunda fase de revisão do ETAPM termina no próximo dia 31.
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HONG KONG SF EXPRESS RECUSOU ENVIAR MATERIAL RELIGIOSO PARA MACAU
Aviação Estudo custou quase 800 mil patacas
Foi à empresa Flight Ascend Consultancy, que integra a Flight Global, que o Governo de Macau encomendou o estudo sobre o futuro da aviação em Macau. O projecto foi adjudicado em Maio de 2017 por 774.805 patacas, segundo dados publicados no portal da Autoridade de Aviação Civil (AACM). O estudo, cujas principais conclusões não são públicas, serviu de fundamento à opção pela abertura do mercado da aviação civil local e, por conseguinte, à não renovação do contrato exclusivo com a Air Macau, que expira em Novembro de 2020. A companhia aérea de bandeira da RAEM vai, no entanto, continuar a operar voos após essa data como operador aéreo registado em Macau.
Cruzes, credo!
ESTADO DE CHOQUE
A filial de Hong Kong da empresa SF Express recusou o envio de uma encomenda com cruzes para a RAEM por se tratar de “material religioso”. O gestor da empresa acabou demitido e a companhia admitiu que situação foi um erro
A
filial de Hong Kong da SF Express, empresa de entregas por correio de Shenzhen, recusou enviar uma encomenda para Macau, por haver “material religioso” entre os itens, nomeadamente cruzes feitas à mão. A notícia foi confirmada pela própria empresa, depois de uma investigação interna e do caso ter vindo parar os jornais do território vizinho. O caso terá sucedido na quarta-feira passada, quando um voluntário católico foi à loja da
SF Express de To Kwa Wan, em Kowloon, para enviar uma encomenda com presentes, cartões e cruzes feitas à mão para um evento católico que ia decorrer em Macau. Contudo, um funcionário da loja informou o voluntário que a encomenda não poderia ser entregue na RAEM, uma vez que tinha “material religioso”. Na sequência da sua natureza ou finalidade, os objectos acabaram por não ser aceites pela SF Express. Após a divulgação do caso, a empresa iniciou uma investigação
comunicado citado pelo portal Hong Kong Free Press.
e na sexta-feira fez um pedido de desculpas. “De acordo com os requisitos legais, os padrões para o recebimento e a entrega de encomendas têm de estar de acordo com as leis aplicáveis nas alfândegas dos territórios envolvidos. Contudo, o gestor da SF Express Hong Kong falhou em perceber os requisitos legais e em treinar de forma adequada os trabalhadores, fazendo com que os empregados tivessem padrões mais exigentes do que aquilo que seria necessário”, explicou a companhia, num
A SF Express afirmou ainda estar “chocada” com o ocorrido e prometeu tomar medidas para que estes casos não se repitam. “O nosso grupo decidiu que o administrador geral da SF Express Hong Kong vai assumir a responsabilidade e demitir-se. O nosso grupo pede as mais sinceras desculpas às pessoas afectadas e agradece a atenção dos órgãos de comunicação social para este caso”, é acrescentado no comunicado. Em relação ao envio de materiais de e para Macau não são conhecidos casos semelhantes. No entanto, no Domingo, 13 de Janeiro, o autor Leung Man-Tao, de Hong Kong, tinha-se queixado que a empresa tinha recusado enviar três livros de Taiwan para Hong Kong. Na altura, terá sido dito a Leung que havia “restrições ao nível do conteúdo de livros aplicadas pelo Governo Chinês”. Também neste caso a empresa veio a público admitir que tinha havido um erro e negou qualquer restrição no envio de livros de Taiwan para Hong Kong. João Santos Filipe
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Mundial 2014 Julgamento sobre apostas ilegais arranca hoje
O julgamento do caso da rede de apostas ilegais durante o Mundial de 2014, envolvendo o empresário malaio Paul Phua, começa hoje. Segundo a Rádio Macau, o antigo ‘junket’ em Macau com ligações a Las Vegas vai acusado de exploração ilícita de jogo, punível com pena de prisão até três anos. O processo, que arranca hoje no Tribunal Judicial de Base, tem mais 14 arguidos.
Comunicado empresa “O gestor da SF Express Hong Kong falhou [...] em treinar de forma adequada os trabalhadores, fazendo com que estes tivessem padrões mais exigentes do que aquilo que seria necessário.”
BURLA INVESTIDORES PERDEM 400 MILHÕES DE YUAN EM PROJECTO EM ZHUHAI
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PROXIMADAMENTE 300 investidores, de Hong Kong, Macau e da China, perderam um total de 400 milhões de yuan depois de os planos de desenvolvimento de um centro comercial perto de Zhuhai terem desabado. A notícia foi avançada ontem pelo South China Morning Post (SCMP) que indica que
os investidores adquiriram espaços comerciais à empresa Zhaohong Shengshi Industrial que começou a construir um ‘shopping’, de 690 mil pés quadrados, no distrito de Xiangzhou. Contudo, o promotor utilizou outra empresa para dissuadir os investidores a avançarem com o dinheiro,
indicou a Federação de Sindicatos de Hong Kong (FTU, na sigla inglesa), que tem estado a ajudar aproximadamente três dezenas de vítimas. A subsidiária alegadamente conseguiu então que assinassem um contrato de arrendamento prometendo um retorno lucrativo, mas muitos re-
clamam ter recebido muito pouco. A FTU deu conta de que as vítimas de Hong Kong foram enganadas em cerca de 20 milhões de yuan. “Desde a abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, os agentes imobiliários e outras empresas têm tentado activamente convencer os empresários
de Hong Kong a investir em propriedades comerciais, prometendo elevado lucro. Mas, infelizmente, muitos acabam por cair numa armadilha”, afirmou Poon Chi-fai, director do braço do centro de serviços da FTU em Zhongshan, em declarações ao SCMP. Segundo o mesmo responsável, os in-
vestidores não têm hipótese de reaver o dinheiro porque o projecto não se concretizou e dado que a subsidiária com a qual assinaram o contrato é uma empresa fantasma. Ou seja, trata-se de uma firma sem activos significativos usada como fachada para a obtenção de financiamento ou evasão fiscal.
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COMÉRCIO MULTAS POR NEGÓCIOS DE ESPÉCIES EM VIAS DE EXTINÇÃO COM VALOR RECORDE
Orquídeas selvagens
As multas aplicadas por violações à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção ascenderam a pelo menos 370 mil patacas no ano passado, um valor recorde. A maioria dos casos envolveu o comércio de orquídeas
estrita que evite uma exploração incompatível com a sua sobrevivência”. Animais como crocodilos e pangolins e plantas, sobretudo da família dos cactos, integradas no apêndice I, representaram “uma pequena proporção” dos casos de violações à CITES, detalhou a DSE. O apêndice I elenca espécies ameaçadas de extinção que são, ou poderão ser afectadas, pelo comércio. Uma delas é precisamente o pangolim, o mamífero mais traficado do mundo.
Multas por violação à CITES aplicadas nos primeiros 11 meses de 2018 mais de 20 vezes superior às registadas em todo o ano de 2017 Ao elevado montante das multas aplicadas por violação à CITES não será alheio o confisco, em Setembro último, pelos Serviços de Alfândega, de aproximadamente 100 quilogramas de escamas de pangolim, um ingrediente muito procurado pela medicina tradicional chinesa.
A
PESAR da descida do número de violações à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES, na sigla em inglês) sinalizadas ao longo do ano passado, as multas aplicadas atingiram um valor recorde. Dados facultados pela Direcção dos Serviços de Economia (DSE) ao HM indicam que, até 11 de Novembro, foram detectadas 31 violações que resultaram em multas de 371.498 patacas. Isto quando, em 2017, as multas aplicadas pelos 103 casos de violações à CITES totalizaram 16.984 patacas. O “drástico aumento da multa deve-se a uma multa mais elevada imposta pela Lei 2/2017”, justificou a DSE, em resposta ao HM, fazendo referência à lei de execução da CITES (assinada em Washington em 1973), cuja aplicação em Macau era assegurada
200 VIOLAÇÕES EM 5 ANOS
por um decreto-lei que remonta à década de 1980. A nova lei, em vigor desde 1 de Setembro de 2017, veio agravar as multas, versando particularmente sobre as espécies cujo comércio é absolutamente proibido e que pode atingir montantes até às 500 mil patacas.
Segundo a DSE, a maioria dos casos envolveu orquídeas, que caem no apêndice II relativo a “espécies que, apesar de não estarem ameaçadas de extinção, poderão vir a estar se o comércio dos espécimes dessas espécies não estiver sujeito a regulamentação
Banca Pedro Cardoso vai ser responsável por área internacional do Bison Bank Pedro Cardoso, anterior presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU), vai ser o responsável pela área internacional do Bison Bank, antigo Banif - Banco de Investimento, adquirido à Oitante pela Bison Capital Financial Holdings em Novembro
de 2018. Segundo o Jornal Económico, Pedro Cardoso foi inicialmente proposto para ser presidente executivo do Bison Bank, mas o banco acabou por optar pelo chinês Bian Fang, face ao risco de chumbo das avaliações de idoneidade do
gestor português no Banco de Portugal. De acordo com o jornal, o risco de chumbo está relacionado com a auditoria forense à Caixa Geral de Depósitos no período entre 2000 e 2015, altura em que Pedro Cardoso foi administrador.
Nos últimos cinco anos, a DSE registou um total de 206 casos de violação da CITES, dos quais 85 por cento associados a plantas vivas, principalmente às orquídeas. A maior parte dos restantes teve a ver com animais vivos, sobretudo serpentes e tartarugas, havendo alguns também relacionados com produtos secos do reino animal, como crocodilos, cavalos-marinhos e pangolins, indicou a DSE, dando conta de que em 181 foram já aplicadas multas no valor global de 464.844 patacas. Todos os casos foram descobertos nos postos fronteiriços, com os bens a serem transportados, de forma escondida, em bagagens, mercadorias e em veículos. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
CAPITAIS TRANSACÇÕES SUSPEITAS DE BRANQUEAMENTO AUMENTARAM 20,45% EM 2018
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S autoridades de Macau registaram, ao longo do ano passado, 3.716 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais e/ou de financiamento do terrorismo, mais 20,45 por cento do que em 2017. Trata-se do número mais elevado registado pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF). De acordo com dados publicados pelo GIF, “a variação deveu-se principalmente ao aumento significativo do número de transacções suspeitas reportadas por instituições financeiras e companhias de seguros e outras entidades”. O jogo continuou a figurar como a actividade que deu origem a mais denúncias – 2.087 contra 2.074 em 2017–, mas a sua proporção no total sofreu uma diminuição de 11 pontos percentuais – de 67,23 para 56,16 por cento. Em sentido inverso, aumentaram as transacções suspeitas reportadas por instituições financeiras e companhias de seguros – que cresceram de 746 para 1.122, passando a ocupar um peso de 30,19 por cento, contra 24,18 por cento em 2017. Outras instituições representaram, por seu turno, 13,65 por cento das denúncias (507) em comparação com a ‘fatia’ de 8,59 por cento (265) registada em 2017. Os sectores referenciados, como os casinos, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. O número de participações tem vindo a subir ao longo dos últimos anos, salvo pontuais descidas: aumentou de 725 em 2007 para 838 em 2008 e para 1156 em 2009. Em 2010 foram reportadas 1220, no ano seguinte 1.563 e em 2012 um total de 1840. Em 2013, o número diminuiu para 1595 denúncias, mas aumentou para 1.812 em 2014. Em 2015, caiu ligeiramente para 1807, voltando a subir para 2321 em 2016 e para 3.085 em 2017. D.M.
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Saúde Alexis Tam garante que situação da gripe está a estabilizar
O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, afirmou, à margem de um evento público, que a situação da gripe em Macau tende a tornar-se estável. “Nos últimos dias diminuiu o número de pessoas que contraíram gripe e recorreram ao Centro Hospitalar Conde de São Januário”, refere um comunicado, sendo que, para Alexis Tam, este facto resultou do plano de vacinação gratuita contra a gripe sazonal implementado desde o ano passado. Segundo a mesma fonte, a taxa de vacinação entre estudantes do ensino primário e secundário variou entre os 70 por cento e os 80 por cento, pelo que se considera uma cobertura de vacinação satisfatória e que produziu os seus efeitos preventivos.
Yongjie Li, Universidade de Macau “Sem evidências científicas não será possível uma política eficaz sobre como controlar as emissões.”
AMBIENTE IDENTIFICAR FONTES DE EMISSÃO DE POLUENTES É PRIORITÁRIO
Em busca das origens O investigador Yongjie Li, da Universidade de Macau, defende que a identificação das principais fontes de emissão de poluentes tem de ser uma prioridade, na medida em que só assim será possível elaborar políticas eficazes
“A
maior prioridade da nossa cidade deve ser a aposta na identificação das fontes de emissão e captar um quadro geral da situação”, afirmou à Lusa Yongjie Li. Para o especialista em poluição atmosférica, “sem tais evidências científicas não será possível uma política eficaz sobre como controlar as emissões”, pelo que as autoridades têm de ser mais proactivas. Dados oficiais indicam que, em 2017, registaram-se em quase todas as estações que medem o índice de
qualidade do ar (AQI, na sigla inglesa) mais de 20 dias insalubres. “Este é um grande desafio e o Governo de devia colocar [a qualidade do ar] numa prioridade maior do que a que está a fazer”, defende o professor. Na mesma linha do especialista ambiental, que apontou falhas na identificação e captação das fontes de emissão de poluentes, têm surgido na última semana críticas por parte da sociedade civil e de activistas ambientais, que apontam falhas nos dados sobre a qualidade do ar recolhidos pelo Governo.
“Infelizmente, o que o Governo está a fazer em Macau não é suficiente em termos de política sustentável, que ainda está muito atrasada em relação ao resto do mundo”, afirmou à Lusa Annie Lao, um dos principais rostos de uma petição que reuniu milhares de assinaturas contra o plástico descartável. O Relatório do Estado do Ambiente de Macau de 2017 indica que as emissões de dióxido de carbono (CO2) subiram 6,2 por cento entre 2007 e 2016. “A percentagem das emissões estimadas de gases com efeito de estufa
em 2016 aumentou 5,9 por cento comparando com 2015. Tal deve-se, principalmente, ao aumento da emissão estimada de CO2 resultante da incineração de resíduos, dos transportes marítimos e da produção local de energia eléctrica”, lê-se no relatório.
METAS PARA 2019
Nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2019, o Governo estabeleceu, entre outras metas, controlar o crescimento do número de veículos para que a taxa de crescimento anual se fixe em 3,5 por cento em 2020,
prometeu o aumento de lugares de carregamento de veículos eléctricos para 210 até 2019 e que 40 por cento da iluminação pública seja feita através de luzes LED. Macau tem aproximadamente 230 mil veículos motorizados, não tem metro, e os transportes movidos a energias sustentáveis são reduzidos. Até Setembro, havia 43.928 pessoas com dois ou mais veículos, numa população de sensivelmente 660 mil habitantes. Existem ainda 1.498 táxis, dos quais apenas 30 eléctricos, segundo dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Outra das preocupações de Annie Lao prende-se com os casinos por serem os maiores utilizadores de recursos como “água, energia e plástico”. “Banir palhinhas de plástico por parte dos casinos é apenas um pequeno passo, mas não é de todo suficiente porque os hotéis usam um grande número de plásticos descartáveis e muitos deles não podem ser reciclados”, apontou a activista.
GASTRONOMIA HELENA DE SENNA FERNANDES CONFIANTE NA DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA
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gastronomia é uma das apostas da capital mundial do jogo para diversificar a indústria do turismo, disse à Lusa a directora dos Serviços de Turismo de Macau, à margem de uma iniciativa que reuniu ‘chefs’ internacionais no território.
Na véspera de se ‘apagar’ o Festival de Luzes e menos de dois meses após o Festival de Gastronomia, uma série de demonstrações públicas em Macau de cerca de 30 ‘chefs’ de mais de 20 Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas
para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) traduz a estratégia do território em mostrar aos turistas que há mais vida para além do jogo, segundo Helena da Senna Fernandes. A aposta parece estar ganha e a organização admite
repetir a iniciativa, adiantou a responsável, embora seja necessária “uma avaliação por parte de todos os parceiros”, ressalvou. “O tempo está a ajudar e há muita adesão da população local. (…) O alvo é atrair mais turistas para ficarem
mais tempo em Macau, e não só nos casinos, daí esta aposta na cultura, no nosso legado gastronómico, e em aproveitar constantemente todas as oportunidades”, salientou. “Temos que avaliar o sucesso do evento com os nossos parceiros, mas julgo
que temos toda a possibilidade de repetir a iniciativa”, concluiu Senna Fernandes, reiterando a ideia de que “a gastronomia é um ponto forte de Macau”.
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21.1.2019 segunda-feira
OXFORD UNIVERSIDADE SUSPENDE FINANCIAMENTOS DA HUAWEI
A rede proibida
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Universidade de Oxford anunciou sexta-feira a suspensão de bolsas de investigação e financiamentos provenientes da Huawei, perante as crescentes preocupações de segurança sobre o grupo chinês de telecomunicações. Em comunicado, a Universidade de Oxford, uma das mais importantes instituições de ensino do Reino Unido, indica que decidiu, em 8 de Janeiro, que "não vai procurar novas oportunidades de financiamento" com a Huawei ou com empresas relacionadas. A decisão, que se aplica tanto ao financiamento de contratos de investigação como a doações filantrópicas, foi tomada "à luz das preocupações do público
A
mulher do ex-presidente da Interpol o chinês Meng Hongwei, detido na China por corrupção depois de desaparecer de forma misteriosa quando viajava para Pequim em Setembro, vai pedir asilo a França porque se sente ameaçada. "Preciso que o Governo francês me proteja, me ajude, a mim e aos meus filhos", disse sexta-feira a esposa de Meng, em declarações à France Info.
levantadas nos últimos meses" em torno das parcerias do Reino Unido com a empresa. O comunicado da Universidade refere que dois projectos de investigação existentes no valor de 692.000 libras vão continuar. "Esperamos que estes assuntos possam ser resolvidos em breve e observamos a própria vontade da Huawei em tranquilizar os governos sobre o seu papel e as actividades", salienta o comunicado.
Por seu turno, o grupo chinês de telecomunicações Huawei disse que "não foi informado desta decisão" e aguarda a explicação completa da Universidade.
SOB SUSPEITA
O secretário de defesa do Reino Unido e o seu responsável pelos serviços de informação expressaram preocupações no mês passado sobre o envolvimento da Huawei no lançamento de redes 5G no país.
“Esperamos que estes assuntos possam ser resolvidos em breve e observamos a própria vontade da Huawei em tranquilizar os governos sobre o seu papel e as atividades.” COMUNICADO DA UNIVERSIDADE DE OXFORD
A face do medo
Mulher de Meng Hongwei diz-se ameaçada
Explicou que está "com medo de ser sequestrada", que recebeu "telefonemas estranhos" e que foi seguida por um casal de chineses até ao hotel onde está hospedada. Nas imagens de vídeo-vigilância do hotel, vê-se um homem e uma mulher a entrar e a pedirem o nú-
mero do quarto da esposa de Meng Hongwei com a desculpa - falsa – de que tinham um compromisso. Pouco depois, o mesmo homem é visto a correr atrás do carro da mulher de Meng para fotografar a matrícula. Por isso, a mulher do antigo presidente da Interpol diz que vai formalizar
A Huawei esteve sob investigação pelo Congresso dos Estados Unidos, que num relatório de 2012 considerou que a empresa tem uma relação próxima com o Partido Comunista Chinês, e que facilita a espionagem chinesa. Fundada em 1987, por Ren Zhenfei, um ex-engenheiro das forças armadas chinesas, a Huawei é hoje o maior fabricante global de equipamentos de rede. As redes sem fios 5G destinam-se a conectar carros autónomos, fábricas automatizadas, equipamento médico e centrais elétricas, pelo que vários governos passaram a olhar para as redes de telecomunicações como activos estratégicos para a segurança nacional. Na semana passada, a agência de contraespionagem da Polónia deteve o director de vendas da Huawei, por suspeitas de espionagem, depois de, no mês passado, a diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, ter sido detida em Vancouver, a pedido das autoridades dos Estados Unidos.
o pedido de asilo junto do escritório francês para a protecção de refugiados apátridas.
EM PARTE INCERTA
Meng era vice-ministro de Segurança Pública da China quando foi eleito presidente da Interpol, em 2016, perdeu o contacto com a família depois de embarcar num avião para a China no passado dia 25 de Setembro. Depois de vários dias de silêncio sem que a família
VISITA DE MEMBROS DO PARTIDO DE BOLSONARO GERA POLÉMICA
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EMBROS do Partido Social Liberal (PSL), do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, viajaram para a China para tomarem conhecimento sobre tecnologias de reconhecimento facial, o que está a provocar polémica nas redes sociais. A controvérsia prende-se com as relações do Estado brasileiro com a China, o primeiro parceiro comercial do país sul-americano, acusado durante a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro de querer "comprar o Brasil". A polémica surgiu no seio da extrema-direita brasileira. Daniel Silveira, membro do PSL, publicou na noite de quinta-feira um vídeo no qual diz ter sido convidado pelo Governo chinês, a par de outros membros parlamentares, para se familiarizar com técnicas de reconhecimento facial, com o objectivo de as "aplicar no Brasil". Olavo de Carvalho, um escritor brasileiro que vive exilado nos Estados Unidos da América, apresentado como o guru de Jair Bolsonaro, e que é responsável pela indicação de dois ministros do actual Governo, foi o primeiro a tecer críticas à viagem à China. Segundo a agência France-Presse, o escritor descreveu os membros parlamentares em causa como "camponeses", "palhaços", "semianalfabetos" e "idiotas". "Vocês estão a cometer uma loucura, vocês estão a entregar o Brasil para a China (...). O Executivo vai deixar essas pessoas entregarem o Brasil para o sistema chinês dessa maneira?" questionou Olavo de Carvalho. Também os apoiantes do Presidente brasileiro usaram a internet para criticar a viagem dos deputados ao país.
recebesse notícias de Meng e face à pressão internacional, a Comissão Nacional de Supervisão da China confirmou a detenção. De acordo com o Ministério de Segurança Pública da China, a investigação a Meng foi aberta depois de as autoridades chinesas terem dito que detectaram que ele aceitou um suborno e violou a lei estadual com um comportamento que causou "sérios danos" ao partido e à segurança nacional.
Em 21 de Novembro, a Assembleia Geral da Interpol decidiu substituir Meng pelo sul-coreano Kim Jong Yang. A organização policial internacional tinha recebido no dia 7 de Outubro uma carta de renúncia e uma comunicação de Pequim informando que Meng não seria o delegado da China naquele organismo.
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segunda-feira 21.1.2019
ECONOMIA REFORÇADA COOPERAÇÃO FINANCEIRA COM ALEMANHA
PIB CRESCIMENTO REVISTO EM BAIXA EM 2017
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China reviu em baixa o ritmo de crescimento do produto interno bruto (PIB), em 2017, para 6,8 por cento, em vez dos cálculos iniciais de 6,9 por cento, anunciou sexta-feira o Gabinete Nacional de Estatísticas (ONE) chinês. Em comunicado, o GNE informou que a economia cresceu 6,8 por cento, em termos homólogos, fixando o valor do PIB em 82,27 biliões de yuans, menos 636.700 milhões de yuan do que no cálculo anterior. O cálculo do PIB utilizado pela China divide-se em duas fases: uma preliminar, divulgada em Janeiro de 2018, e que fixou o crescimento em 6,9 por cento; e outra no final do ano - cujos resultados foram publicados sexta-feira, explicou o GNE em comunicado. Os sectores que registaram maior redução são os serviços de transmissão e tecnologia da informação e 'software' (menos 4,2 pontos percentuais), aluguer e serviços para empresas (menos 1,1 por cento) e construção (menos 0,8 por cento). Outros foram revistos em alta, incluindo o sector imobiliário (1%), alojamento e restauração (0,7 por cento) ou transporte, armazenamento e serviços postais (0,4 por cento). Esta revisão foi divulgada a apenas três dias de a China divulgar o ritmo de crescimento económico no último trimestre de 2018 e o valor total acumulado do ano passado. A desaceleração económica global e a guerra comercial com os Estados Unidos são dois factores que podem levar a um abrandamento no ritmo de crescimento do PIB para um valor aquém da meta definida por Pequim, de 6,5 por cento.
Parceiros unidos
Os dois países comprometeram-se a alargar a colaboração na área da regulamentação financeira, num sinal contrário ao unilateralismo promovido por Donald Trump
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LEMANHA e China prometeram esta sexta-feira abrir mais os seus mercados aos bancos e seguradoras de cada um dos países, num sinal positivo de Pequim, face às críticas dos Estados Unidos e da União Europeia. Os dois lados reafirmaram ainda o seu apoio ao sistema multilateral de comércio, numa aparente reacção ao unilateralismo adoptado por Washington desde a ascensão ao poder de Donald Trump. As declarações, proferidas após a reunião anual entre os responsáveis máximos pelos assuntos económicos da Alemanha e da China, ilustram a determinação de Pequim em avançar com reformas que visam reduzir a sua dependência face aos Estados Unidos e tornar a sua economia mais produtiva. A China tentou sem sucesso recrutar a Alemanha como aliada nas suas disputas comerciais com Trump. Berlim expressou o seu apoio ao livre comércio, mas a chanceler Angela Merkel enfatizou que o seu Governo não toma o partido de nenhum dos lados. China e EUA aumentaram já as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um. Trump exigiu que Pequim ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as
cruciais para elevar o estatuto global do país.
PORTAS MAIS ABERTAS
Delegações lideradas pelo ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, e pelo vice-primeiro-ministro chinês encarregue da Economia, Liu He, assinaram acordos de cooperação na área da regulamentação financeira. Não foram revelados detalhes, mas Liu disse que Pequim dá as boas-vindas aos "melhores bancos alemães para participarem na abertura e inovação do mercado financeiro chinês". Pequim prometeu repetidamente avançar com os compromissos feitos quando se juntou à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, de abertura do seu mercado financeiro, mas tem adiado a adopção de medidas concretas.
Liu disse que Pequim dá as boas-vindas aos “melhores bancos alemães para participarem na abertura e inovação do mercado financeiro chinês”
firmas do país em importantes actores em actividades de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos,
ameaçando o domínio norte-americano naquelas áreas. Mas o Partido Comunista Chinês está relutante em abdicar dos seus planos, que considera
Em 2017, o governo prometeu que iria passar o limite de propriedade estrangeira em gestores de valores mobiliários, fundos e futuros dos actuais 49 por cento para 51 por cento, permitindo que empresas estrangeiras tenham posições maioritárias, mas não avançou ainda com regulação detalhada. Os reguladores chineses suspenderam, entretanto, a emissão de licenças para empresas norte-americanas no sector das finanças, devido às disputas comerciais com Washington. Pequim enfrenta também pressão por parte da União Europeia, por alegadamente forçar a transferência de tecnologia em troca de acesso ao seu mercado.
ESTADOS UNIDOS TRUMP AFIRMA QUE É POSSÍVEL UM NOVO ACORDO COMERCIAL COM A CHINA
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou sábado que é possível um novo acordo comercial com a China, em resultado das negociações entre as duas potências, mas negou estar a estudar levantar as tarifas sobre o país asiático. "Realmente tivemos um número extraordinário de reuniões e um acordo poderia
muito bem acontecer com a China. Está a correr bem", disse o Presidente aos jornalistas antes de partir para
Dover (Delaware, EUA) para se reunir com as famílias dos quatro soldados norte-americanos mortos num ataque jihadista na Síria. "Se chegarmos a um acordo, certamente não teremos sanções e, se não chegarmos a um acordo, vamos ter", advertiu Trump, citado pela EFE. Trump salientou que "as coisas estão a correr
muito bem com a China e o comércio", considerando como “informações falsas” a notícia divulgada esta semana pelo The Wall Street Journal segundo a qual os Estados Unidos estavam a estudar levantar as tarifas impostas ao gigante asiático. A segunda ronda de negociações com vista a terminar com o conflito bilateral terá
lugar em Washington dias 30 e 31, num encontro entre as delegações lideradas pelo vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, e pelo representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer. Sobre as negociações com a Coreia do Norte, nomeadamente sobre a desnuclearização do país asiático, Donald Trump disse aos jornalistas que foi
conseguido “um progresso tremendo”. “Fizemos muitos progressos sobre os quais a comunicação social não noticiou, fizemos muitos avanços sobre a desnuclearização e falámos sobre muitas coisas diferentes, mas temos um progresso tremendo que não foi relatado, infelizmente ", disse o Presidente norte-americano.
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Em tres temp MAM OBRAS PRIMAS DA ARTE RUSSA EM EXPOSIÇÃO ATÉ 22 DE ABRIL
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São cerca de 70 as obras de arte que vieram da Galeria Estatal Tretyakov para o Museu de Arte de Macau e que pretendem mostrar ao público as criações de três períodos históricos e artísticos. De acordo com a curadora Svetlana Usacheva trata-se de uma mostra única e que apresenta ao público pinturas que nunca antes tinham sido reveladas
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a primeira vez que Macau recebe um conjunto de obras primas de arte russa. Os 70 trabalhos, que estão em exposição no Museu de Arte de Macau até 22 de Abril, fazem parte do espólio da Galeria Estatal Tretyakov e representam algumas das obras mais emblemáticas daquele país. A exposição apresenta os principais estilos artísticos e tendências na arte russa de acordo com três períodos distintos e que vão do final do séc. XVIII a meados do séc. XX. O primeiro momento, dedicado ao classicismo e romantismo dos finais do séc. XVIII e primeira metade do séc. XIX, inclui as obras de relevo criadas após a fundação da Academia Russa de Arte, em 1757 em São Petersburgo. “A academia foi responsável pela promoção de diferentes géneros artísticos daquela época, incluindo naturezas mortas, cenas históricas e do quotidiano, ou seja, os trabalhos eram o espelho daquela altura da história russa”, apontou a curadora Svetlana Usacheva ao HM.
Desta altura, Usacheva destaca a pintura da famosa Praça Vermelha em Moscovo do artista Pyodor Yakovlevich Alekseyev um dos primeiros grandes mestres russos da paisagem urbana. “O quadro datado de 1800 mostra a praça rodeada de edifícios de diferentes épocas e de diferentes estilos arquitectónicos, onde se destaca, além do Kremlin, a Catedral de Pokrovsy e a Catedral de São Basílio”, conta. Por outro lado, e dada a presença de várias cenas com pessoas, “o quadro espelha as impressões do artista não só da arquitectura de Moscovo mas também dos residentes da cidade,
sendo que as numerosas cenas que se podem ver com moscovitas lhe confere um realismo que lhe confere propriedades documentais”, apontou. Já a primeira metade do séc. XIX, também considerada a “idade de ouro” da cultura russa está presente em obras como a escultura de Alexander Pushkin e o retrato de Nikolai Gogol . Mas, nas paredes do MAM surge em destaque a “Menina colocando uma vela de fronte de um ícone” de Grigory Mikhailov. “A cena tem lugar no interior de uma igreja e ao fundo está um relicário de Nossa Senhora de Kazan
“Os seus fundadores [da sociedade de pintores itinerantes] acreditavam no poder social e moral da arte e na sua capacidade para criar uma sociedade melhor . Ao romper com a tradicional escola da academia, estes artistas privilegiavam o realismo e a descrição da vida popular e das paisagens naturais da sua terra natal.” SVETLANA USACHEVA CURADORA
decorado com contas, pedras preciosas e fitas”, conta. Para a curadora, “a elegância cromática e o estilo de pintura reflectem as características da arte académica de salão da época”. Também de relevo é a cena do quotidiano do “Retrato de família” de Timofey Myagkov, de 1844. A pintura mostra uma família de Moscovo a tomar chá, “um dos passatempos favoritos dos moscovitas e tradição entre a nobreza e os mercadores da época”. À mesa estão três irmãs e o marido de uma delas e sobre a mesa, coberta por uma toalha de pano, está um samovar – utensílio para aquecer água – e um conjunto de porcelana que demonstra a importância do ritual do chá também para os russos das classes mais altas da época.
OS VAGABUNDOS
O segundo momento é dedicado ao movimento dos itinerantes e às escolas emergentes da segunda metade do séc. XIX e dos primeiros anos do séc. XX. São exemplo disso as obras que reflectem o impressionismo,
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ver com o espírito do tempo, em que “a própria ciência se redescobria”.
ARTE DA REVOLUÇÃO
A exposição encerra com as obras da era soviética que marcaram o período pós-revolução de 1917. “As obras de arte da década de 1920 a 1960 reflectiam anseios de um pensamento artístico independente , de estilo austero em que os artistas queriam revelar a personalidade dos seus personagens e
ao mesmo tempo, define o cânone de grandes retratos de líderes e membros do Politburo”, acrescenta a curadora. Mais do que fazer um retrato, este quadro, tal como outros da mesma época pretendem transmitir ao observador o estado de espírito do retratado. É também nesta secção que o diálogo intercultural tem lugar com obras como “retrato de uma menina chinesa” de Andrei Mylnikov. Na mesma secção pode ver-se um quadro com um homem
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ISAAK BRODSKY
pos
o modernismo e mesmo movimento avant garde da época. Trata-se de um período de destaque para a pintura russa altura em que foi criada “A sociedade de pintores itinerantes” também conhecida por Vagabundos, em 1870. “Os seus fundadores acreditavam no poder social e moral da arte e na sua capacidade para criar uma sociedade melhor. Ao romper com a tradicional escola da academia, estes artistas privilegiavam o realismo e a descrição da vida popular e das paisagens naturais da sua terra natal”, explica Svetlana Usacheva. Também nesta fase histórica da arte russa se destacam obras como o retrato de Lev Tolstoy de Nikolai Nikolaevich Ge. Segundo a curadora, o pintor foi muitas fezes comparado ao escritor russo até porque “também ele apelava à rebeldia, ao acordar das almas e ao chegar aos sentimentos das pessoas”. Nas cenas rurais os destaques da curadora vão para a obra “Crianças fugindo de uma tempestade” de Konstantin Makovsky produzida em 1872. O artista aderiu á conhecida “revolta dos 14” também conhecidos como os itinerantes mas “as ideias dos jovens reformistas eram-lhe estranhas pelo que acabou por criar o seu próprio estilo”, contou. Já Vladimir Makovsky apresenta “Vagabundos”, uma obra icónica do autor que marcou a sua obra através dos retratos dramáticos. Nesta obra podem ver-se dois homens, marginais, à beira de um rio. No entanto, a obra desta secção mais relevante, para Svetlana Usacheva, é “Pinheiros ao Sol” de Ivas Shishkin. Trata-se de um pintura que se assemelha a “uma fotografia capaz de colocar o observador dentro da tela”. “Tem as fragrâncias da floresta, o ambiente de Verão e uma natureza vibrante”, acrescenta. Esta semelhança com o real tem ainda que
CINEMA CARLOS CONCEIÇÃO E RITA AZEVEDO GOMES EM BERLIM
reflectir o espírito do tempo”, conta a curadora. O resultado foi uma pluralidade de estilos que mantinham em comum a “rigidez realista”. O retrato de Maxim Gorky pintado por pelo amigo Issak Brodsky aperece aqui em destaque. “A pintura apresenta um fundo dinâmico, o mar que bate contra as rochas, o céu de trovoada iluminado com as nuvens ao sol e um albatroz. O retrato segue a tradição do retratos de grandes dimensões do neoclassicismo russo e,
no espaço e que pela primeira vez é mostrado ao público. “Não é uma pintura realista, mas reflecte uma época”, refere Svetlana Usacheva. Fazem parte do espólio da Galearia Estatal Tretyakov de Moscovo mais de 180 mil obras, sendo a maior colecção de arte russa do mundo. Fundada em 1856 pelo coleccionador Pavel Mikhailovich Tretyakov, todo o espólio acabou por ser doado ao estado após a morte do coleccionador em 1892. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
S filmes “A portuguesa”, de Rita Azevedo Gomes, e “Serpentário”, de Carlos Conceição, vão ser exibidos em Fevereiro no Festival de Cinema de Berlim, no âmbito do programa paralelo “Fórum”. O 49.º Fórum apresentará uma escolha de 39 filmes que “tentam experimentar, assumem uma posição e recusam comprometer-se”. “Alguns olham para a história do século XX, enquanto outros focam-se no que está ainda para vir, mesmo que estejam ancorados no ‘aqui e agora’”, lê-se na nota de imprensa. Entre os seleccionados está “A Portuguesa”, um filme de época que é uma adaptação de um conto de Robert Musil, com argumento de Agustina Bessa-Luís e de Rita Azevedo Gomes, e interpretação de Clara Riedenstein. “Serpentário” é a primeira longa-metragem de Carlos Conceição, sobre “um rapaz que vagueia por uma paisagem africana pós-catástrofe, em busca do fantasma da sua mãe”. O filme assinala ainda a estreia da produtora Mirabilis, de António Gonçalves e do próprio realizador. O Fórum contará ainda com três filmes brasileiros: “Chão”, de Camila Freitas, “Querência”, de Helvécio Marins Jr., e “A rosa azul de Novalis”, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro. O Festival de Cinema de Berlim cumprirá a 69.ª edição, entre 07 e 17 de Fevereiro.
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Como estou só no mundo! Como tudo Paulo Maia e Carmo texto e ilustração
Kuncan meditando numa árvore
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AO Xueqin, o celebrado autor do mais influente romance do século dezoito, acabou os seus dias de forma humilde no campo a Oeste de Pequim, sobrevivendo com a venda das suas pinturas. Se a sua biografia é incerta quanto às datas do seu nascimento e morte, em Nanquim – 1715 ou 24, e Pequim em 1763 ou 64 a sua obra, o Honglou Meng, título que pode ser traduzido por «O Sonho do Quarto Vermelho» alcançaria tal projecção que todo um ramo da hermenêutica nasceria só a ela dedicado (Hong Xue). Guiando a complexidade da obra, que
estilo daoísta, percorrendo a região de Taoyuan, associada ao mítico jardim descrito por Tao Yuanming, no século IV. Aos 26 anos cortou o cabelo e em 1654 passa a viver no templo Daoben, em Nanquim, onde se tornaria discípulo do monge Juelang (1592-1659) com quem colaboraria na edição do Cânone Budista Chinês. Datam desse tempo as suas primeiras pinturas conhecidas mas o seu período mais produtivo será a partir de 1659 quando passará a residir no templo Youqi, no monte Zutang de onde não sairá senão para algumas peregrinações, nomeadamente a que fez durante mais
Kuncan (1612-1673) um dos «Quatro Monges Pintores» que viveram com mágoa a última transição dinástica, também usou o nome Shixi, partilhando o primeiro caracter shi (pedra) com Shitao, pelo que por várias afinidades seriam os dois agrupados como «As duas Pedras» possui referências à mitologia, à poesia, à cultura em geral, a personagem central Jia Baoyu vai experimentando sentimentos de perda, que são o desmoronar de uma concepção de sociedade, que é a desagregação de uma família, a perda de um amor. O protagonista desiludido termina abandonando a vida social, peregrinando em busca da iluminação espiritual, o improvável destino do bebé que nasceu com a marca da dádiva divina, uma pedra de jade na boca. Daí o título alternativo do romance: «História da Pedra». Kuncan (1612-1673) um dos «Quatro Monges Pintores» que viveram com mágoa a última transição dinástica, também usou o nome Shixi, partilhando o primeiro caracter shi (pedra) com Shitao, pelo que por várias afinidades seriam os dois agrupados como «As duas Pedras». Desde cedo terá sentido o apelo da vida monástica ao
de um ano na Montanha Amarela. Embora a pintura de paisagens, inspiradas nomeadamente nas dos grandes mestres do século X, fosse o seu tema principal também pintou figuras e monges budistas, alguns entendidos como autorretratos. Como na pintura «Monge meditando numa árvore», na qual escreveu um longo comentário, como sempre fez: «Perguntam-me como aqui cheguei e eu não sei dizer,/ Vivo no alto desta árvore e, olhando para baixo, sinto-me livre como um pássaro no ninho. Há quem ache que sou uma pessoa perigosa mas eu respondo-lhes: vocês é que se parecem com diabos.» Uma conclusão a que a personagem Jia Baoyu poderia ter chegado. Também no alto da árvore, pássaros parecem hesitar entre ficar e voar, espelhando a agitada narrativa onde muitos caminhos se bifurcam. É possível que a obra que Cao Xueqin deixou inacabada fosse um labirinto.
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José Simões Morais
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Regulamento de 1872 sobre a emigração fora elaborado por uma comissão composta por Jerónimo Pereira Leite, Júlio Ferreira Pinto Basto, Lúcio A. da Silva, P. G. Mesnier, Hermenegildo Augusto Pereira Rodrigues e J. E. Scarnichia, sendo esse uma compilação de disposições dispersas em portarias e regulamentos, harmonizadas e acrescentadas conforme se julgou mais próprio para combinar a liberdade do emigrante com as garantias que deve dar o contratador. “Macau ficou com o monopólio do fornecimento de trabalhadores chineses para algumas repúblicas americanas; triste e precário resultado, para nós, depois de três séculos de trabalhos e lutas. Uma população numerosa, activa e inteligente, esteriliza-se em especulações sem futuro, vivendo com pouca dignidade à sombra de capitais estrangeiros (espanhóis e peruanos). A instrução pública vai-se anulando porque tais empregos, os únicos que se oferecem, não demandam cultura intelectual, e a população portuguesa de Macau achar-se-á reduzida à mais triste incompetência no dia em que a América disser: <Não precisamos de mais cules>. Nesse dia, que todos julgam mui distantes, há-de forçosamente chegar e é tempo que principiemos a tomar precauções. É necessário que a emigração chinesa se torne pouco a pouco a mais insignificante fonte de receita para os habitantes de Macau, desenvolvendo-se quanto for possível os recursos comerciais desta colónia que melhor lhe podem assegurar um futuro estável”, segundo a Gazeta de Macau e Timor. Ainda neste semanário aparece transcrito do jornal The Weekly Herard de New York de 5 de Outubro: <Havana, 27 de Setembro de 1872. Quinhentos cules, com $70.000 de suas economias voltaram para os seus lares na China.> “Naturalmente estes chineses já terão chegado, ou estão a chegar às suas terras, tendo vindo pelos paquetes da companhia de mala do Pacífico, como já têm vindo muitos outros. Quando ardeu recentemente em Yokohama, o vapor America, se conheceu que muitos passageiros chineses traziam consigo grandes somas de dinheiro, tendo alguns até mais de 3000 patacas. Regressavam eles naturalmente de Havana ou de Peru, tanto assim que um deles era casado com uma peruana. À vista destes factos, se atreverão ainda a dizer que os chineses que vão para Havana e Peru, não voltam mais à sua Pátria?” “Em 1873 fez-se uma emenda a favor dos trabalhadores contratados, reduzindo o prazo do seu contrato de oito para seis anos [e findo este, a condição de terem a passagem de regresso]. Além disso, os cônsules portugueses em Cuba e no Peru comunicavam ao governo de Macau as condições dos emigrantes à chegada e, tanto quanto possível, velavam pelo seu bem-estar lá”, Montalto de Jesus (MJ). “Os governos europeus de Hong Kong e de Macau aperceberam-se claramente da necessidade de acabar com a rede de inter-
Fim da emigração por contrato em Macau
mediários e com a satisfação de interesses internacionais assentes na emigração contratada. Os tempos e os modos de reacção foram diferentes, como diferente tinha sido o começo da actividade. Hong Kong proíbe primeiro a emigração por contrato, para fora do Império Britânico, em 1866, confirmando a lei em 1868, 1870 e 1873. Macau mantém por mais uns tempos a situação, disciplinando-a com múltiplas advertências do Executivo”, Beatriz Basto da Silva. Em 1873, o governo de Hong Kong promulgou três portarias, Ordinances “para cortar a ligação de Hong Kong com o tráfico de cules em Macau e para proteger os emigrantes chineses, dos dois sexos, que partiam de Hong Kong”, segun-
do Liu Cong e Leonor Diaz de Seabra, que referem, “a 24 de Agosto interditou que se abastecessem e equipassem os navios de cules no porto de Hong Kong e ordenou a sua expulsão, levando estes a mudarem-se para Huangpu.” (...) “Até Setembro de 1873, Macau ficou bloqueado pelos navios de guerra chineses e por ordem do vice-rei, todos os navios que entravam e saiam deste porto eram inspeccionados pelos oficiais chineses. Se fossem descobertos cules a bordo, os navios seriam levados para Huangpu.” O Vice-rei de Cantão então proibiu todos os barcos com cules dos países com ou sem tratado de fundearem nesse porto e em Setembro ordenou ao inspector interino da alfândega de Cantão, H. O.
Desde 27 de Março de 1874 estava proibida a emigração por contrato a partir do porto de Macau, mas fora aprovado ainda em 31 de Janeiro um novo regulamento para a emigração livre, julgando o Governador “pôr-se a coberto das graves acusações feitas quando deu o seu consentimento para a emigração para Costa Rica”, como refere José da Silva no Independente
Brown, a expulsão de Huangpu de sete navios peruanos e em Outubro, de um belga e outro italiano.
POUSADAS EM VEZ DE BARRACÕES
A 20 de Dezembro de 1873 o ministro da Marinha e Ultramar, João Andrade Corvo comunicava a proibição da emigração contratada por Macau e a 27, o Governador publicou a portaria fixando para daí a três meses [27 de Março de 1874] o seu termo definitivo. No Boletim de Província de 31/1/1874 foi promulgado o Regulamento dos Passageiros Asiáticos e seu Transporte pelo Porto de Macau, a entrar em vigor a 1 de Abril, por não se poder “negar a nenhum indivíduo em pleno gozo de liberdade, o direito de tomar passagem neste porto para outro qualquer a que se destine, devendo todavia velar pela sua conservação no estado livre e assegurar-se ao mesmo tempo das boas condições a todos os respeitos dos navios que tenham de transportar um crescido número de passageiros”. Em 18 de Março foi extinta a Superintendência da Emigração Chinesa, criada a 30 de Abril de 1860, assim como se acabam com “os depósitos e só serão permitidas para alojamento e pousada de transeuntes chineses, simples hospedarias devidamente licenciadas e registadas na procuratura dos negócios sínicos.” No B.O. dessa data, o Governador Visconde de Sam Januário declara que os denominados corretores, ou quaisquer outros indivíduos chineses que se empregavam na emigração, por acordo feito com o Vice-Rei de Cantão e por sua declaração oficial, “podem voltar livremente ao território chinês sem que sejam perseguidos pelas respectivas autoridades pela intervenção que tiverem tido nos negócios da mesma emigração, até à data do seu acabamento definitivo.” “Todo ou quase todo o pessoal estrangeiro envolvido na emigração desapareceu com a extinção desta”, segundo Almerindo Lessa, “Os 5534 indivíduos que o recenseamento de 1871 mostra terem afluído ao Bazar, em 1878 desaparecem daquele bairro, deixando-o na cifra que tinha em 1867.” MJ refere, “Em Macau, o resultado dessa medida altruísta foi simplesmente catastrófico: várias ramificações de comércio legal extinguiram-se, milhares de pessoas foram atiradas para o desemprego e, face ao êxodo que se seguiu, as propriedades foram seriamente desvalorizadas.” Assim, desde 27 de Março de 1874 estava proibida a emigração por contrato a partir do porto de Macau, mas fora aprovado ainda em 31 de Janeiro um novo regulamento para a emigração livre, julgando o Governador “pôr-se a coberto das graves acusações feitas quando deu o seu consentimento para a emigração para Costa Rica”, como refere José da Silva no Independente. Alguns agentes, escudados por esta nova ordem de coisas, prepararam-se para promover a saída de passageiros asiáticos e restaurar o tráfico de cules, apenas substituindo os depósitos em barracões por estalagens.
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NQUANTO a Federação Internacional do Automóvel (FIA) e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau discutem qual o rumo a dar à prova de Fórmula 3 do Circuito da Guia, o construtor italiano Dallara, que venceu todas as edições da prova desde 1993, alerta para o facto da prova ter um estatuto a manter e, por isso, deverá ter cuidado na escolha que vai fazer para a sua prova de monolugares. É do conhecimento público que há duas opções em cima da mesa, ambas produzidas pela Dallara, para a continuidade da prova de Fórmula 3 no Circuito da Guia. A primeira é dar as boas-vindas aos novos carros de Fórmula 3 que darão corpo exclusivamente ao novo Campeonato Internacional FIA de F3 e a segunda é manter os monolugares já vistos a competir nas pretéritas edições e que têm homologação até ao final do ano. A primeira opção seria aparentemente uma escolha fácil, se esta não acarretasse obras no circuito, principalmente a nível de segurança, pois os novos Fórmula 3 são mais potentes e rápidos que os da geração anterior. Se a decisão recair em manter em 2019 os carros vistos em 2018, então novas dúvidas poderão surgir já em 2020, podendo a prova ter de recorrer, em último caso,
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AUTOMOBILISMO CONSTRUTOR ITALIANO DALLARA DEIXA RECADO AO GP MACAU
Cuidado com o estatuto aos monolugares dos regionais de Fórmula 3, menos potentes e espectaculares. Perante este cenário, o construtor de Varano de’ Melegari está a pensar construir um carro, que deverá ser um Fórmula 3 com uma nomenclatura diferente, capaz suprir esta lacuna, tanto em Macau, como noutros palcos internacionais. “Não quero prever nada, mas o nosso proposto novo fórmula está em termos de posição ligeiramente abaixo do que será o carro da F3 Internacional e acima dos carros dos regionais”, disse Jos Claes, o
líder do projecto de Fórmula 3 da Dallara, à revista inglesa Racecar Engineering. “Cabe ao Grande Prémio de Macau decidir o que quer. Se quiserem manter as pessoas na sala de imprensa, e isso é o resultado de vários anos da presença de pilotos muito importantes com o carro da F3 Internacional, irão manter a qualidade. Mas se trazem o campeonato regional asiático ou qualquer coisa parecida, então a atenção será muito diferente.” O belga, que há muitos anos é o cérebro por detrás da operação de sucesso da Dallara na categoria,
“Cabe ao Grande Prémio de Macau decidir o que quer. Se quiserem manter as pessoas na sala de imprensa, e isso é o resultado de vários anos da presença de pilotos muito importantes com o carro da F3 Internacional, irão manter a qualidade. Mas se trazem o campeonato regional asiático ou qualquer coisa parecida, então a atenção será muito diferente.” JOS CLAES LÍDER DO PROJECTO DE FÓRMULA 3 DA DALLARA
aproveitou também para lembrar que a prova do território tem um estatuto a manter. “Como Grande Prémio, ter o direito de usar o título Grande Prémio sem carros de Fórmula 1, tens que ter cuidado para não desceres muito.” O Grande Prémio de Macau e o Grande Prémio da Nova Zelândia são os únicos dois eventos com o estatuto FIA de “Grande Prémio” para além das provas do mundial de Fórmula 1.
QUESTÃO DE PESO
A decisão sobre o futuro da prova de Fórmula 3 no território é esperada para breve, sendo que a FIA nunca escondeu que gostaria de manter a Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 na RAEM e para isso a prova terá que certamente abraçar os novos carros. Por isso mesmo, o novo Campeonato Internacional FIA de F3 termina em finais de Setembro para dar às dez equipas tempo para preparar a viagem a Oriente, tendo estas no seu calendário provisório uma visita a Macau em Novembro.
O Circuito da Guia tem a homologação Grau 3 da FIA, o que lhe permite albergar qualquer tipo de competição automóvel com uma relação peso/potência de dois a três quilos por cada cavalo de potência. O novo Fórmula 3 tem 350 cavalos de potência, mas o seu peso é por enquanto uma incógnita. Contudo, um peso mínimo de 700 kg seria necessário para atender aos requisitos actuais do Circuito da Guia, o que é pouco provável já que estes deverão ter um peso mínimo igual ou inferior aos Fórmula 1 (660 kg). Visto que tornar os carros mais pesados só para estes competirem em Macau parece fora de questão, melhorar a segurança da pista, para que esta possa receber a homologação de Grau 2, é a alternativa mais viável. Receios sobre a velocidade de ponta acima dos 300 km/h que estes carros podem atingir, após o aparatoso acidente de Sophia Floersch, podem ser minimizados pelas palavras Didier Perrin, o director técnico da FIA para a F3, que em declarações à revista AUTO referiu: “vamos limitar o downforce dos carros nas corridas. Para os treinos-livres e qualificação, os pilotos podem usar o potencial máximo do downforce, mas para a corrida iremos limitar o ângulo da asa traseira para termos a certeza que a distância de travagem será um pouco mais longa.” Sérgio Fonseca
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MUITO
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente FRINGE 38 | MÚSICA URBANA INTERACTIVA Praça Jorge Álvares | Até 27/01
7 1 6 5 2 9 4 3 8 EXPOSIÇÃO 0 8 | “A3STATE 4 OF9BLISS”6 DE5ZHAO7QIAN2 Fundação Rui Cunha | Até 21/01 5 4 9 6 0 7 2 8 1 2 7 | PAISAGEM 1 8 MUTANTE 3 5 6 4 0 EXPOSIÇÃO Museu 10/023 6 4 9 de2Arte7de Macau 1 5| Até 0 4 3 8 0 6 1 7 9 5 EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE 8 de6Arte2de Macau 3 7| Até 4 Museu 24/020 1 9 1 5 0 9 4 3 8 2 7 EXPOSIÇÃO | “REENCARNAÇÃO” DE ALLEN WONG 6 0 4 2 1 8 9 5 3 Creative Macau 3 9 5 7 8 2 1 0 6
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EXPOSIÇÃO | OBRAS PRIMAS DE ARTE RUSSA MAM | Até 22/4
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GLASS SALA 1
GLASS [C] Um filme de: M.Night Shyamalan Com: Bruce Willis, James McAvoy, Samuel L.Jackson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
INSTANT FAMILY [B] Um filme de: Sean Anders Com: Mark Wahlberg, Rose Bryne, Isabela Moner, Julianna Gamiz 14.30, 16.45, 21.30
A DOG’S WAY HOME [A] Um filme de: Charles Martin Smith Com: Bryce Dallas Howard, Ashley Judd,
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Alexandra Shipp 14.30, 16.30, 21.30 SALA 3
MORE THAN BLUE [B]
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UM FILME HOJE
18 1 7 04 20 2 3 69 6 9 6 53 5 2 08 0 4 71 4 9 01 60 76 87 8 3 5 57 25 2 83 18 1 06 90 9 1 57 85 8 9 20 62 6 34 2 03 60 6 4 79 57 5 18 83 68 6 59 45 4 21 72 7 0 2 14 71 67 56 5 8 3 6 0 79 7 3 45 4 1 82 45 4 8 12 31 3 9 07 0
3 1 0 4 6 9 5 8 2 7 4 5 8 6 9 1 7 2 3 0 5 7 2 4 3 1 0 9 8 6
Há filmes feitos para serem vistos mais do que uma vez. “Os suspeitos do costume” é um deles. O filme Bryan Singer é de 95 mas é daqueles que não tem tempo. Com interpretações de Stephen Baldwin, Gabriel Byrne, Benicio Del Toro, Kevin Pollak, Kevin Spacey, Chazz Palminteri e Pete Postlethwaite , a
FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 21.30
THE POOL [C] FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Ping Lumpraploeng Com: Theeradej Wongpuapan, Ratnamon Ratchiratham 16.30, 19.30
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VIDA DE CÃO
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Há dias azuis, dias de sol, dias cinzentos e mesmo dias verdes na Primavera. Mas aqui em Macau descobri os dias amarelos. Não o amarelo vibrante e luminoso, como se poderia imaginar quando se pensa nesta cor, mas sim um amarelo fosco, pálido quase morto. Se na terra de onde venho, o amarelo é a chamada cor da fome, aqui pode ser mais a cor da asfixia. É simples. Os dias amarelados de Macau são aqueles em que respirar é mais difícil, não pelo calor ou pela humidade, mas porque há uma névoa, que nos impede de absorver o tão desejado oxigénio e que o deixa ser sorvido a meio gás, aos golinhos pequenos e misturado com sabe-se lá o quê. Com a existência quase permanente destes dias acaba por ser irónico certo tipo de campanhas, nomeadamente aquelas que alertam para o fumo passivo, até porque nestes dias de névoa fosca não há quem se possa abrigar em salas destinadas à poluição. Seria interessante começar a ver multas dirigidas a quem é verdadeiramente responsável por este mal estar comum, por esta agonia permanente, por este entrave à visão e aos pulmões. Mas, entretanto, há que gramar com tudo. Criminosos são os fumadores, e por aí ficamos. Sofia Margarida Mota
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“OS SUSPEITOS DO COSTUME” | BRYAN SINGER
pelicula traz ao ecrã o interrogatório de Roger “Verbal” Kint, criminoso e um dos únicos sobreviventes de um massacre realizado num navio. O filme passa-se entre a sala de interrogatórios e o regresso aos acontecimentos, e vai sendo apimentado com acontecimentos inesperados. Sofia Margarida Mota
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
22 opinião
21.1.2019 segunda-feira
BARRY EICHENGREEN*
A
1 de Dezembro, em Buenos Aires, o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, acordaram uma moratória de 90 dias sobre os aumentos das tarifas aduaneiras para estabelecerem uma janela para negociações. Infelizmente, esta abordagem à mediação não é sempre bem-sucedida, e os investidores não ficaram impressionados – como ficou evidente com a queda de 800 pontos do índice Dow Jones Industrial, a 4 de Dezembro. E se os mercados estavam cépticos na altura, estarão ainda mais cépticos agora, com a detenção da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, por violação das sanções impostas pelos EUA ao Irão. A abordagem dos dois Presidentes ao alívio das tensões comerciais tem um vasto precedente, mas estes episódios dão poucos motivos para esperança. Em Fevereiro de 1930, a Liga das Nações organizou uma conferência internacional em Genebra para enfrentar o problema do proteccionismo crescente, que “obstruía o desenvolvimento da produção em grande escala e impedia a recuperação europeia” e era geralmente implementado como “arma de guerra económica”. Trinta países enviaram delegações. Os Estados Unidos, embora não sendo membros da Liga, enviaram Edward C. Wilson, o primeiro-secretário da embaixada dos EUA em Paris. Previamente às negociações, o Comité Económico da Liga redigiu uma convenção para uma trégua aduaneira de dois anos. Mas os delegados não aceitaram este projecto de convenção, nem uma versão revista em baixa posteriormente apresentada pelos franceses. Os novos estados com planos ambiciosos de industrialização não estavam preparados para abandoná-los (algo similar ao “Made in China 2025”). Os países com défices crónicos estavam reticentes em celebrar um acordo que não incluísse o compromisso de outros países receberem mais exportações suas (uma objecção que encontrará eco em Trump). Nada de substancial foi acordado. Quando os EUA, em resposta a pressões políticas internas, adoptaram a Lei Smoot-Hawley quatro meses mais tarde, os indignados governos europeus responderam à altura. O resto, como se diz, pertence à história. O planeamento da Smoot-Hawley iniciara-se bastante antes da Grande Depressão. Mas o início da Grande Depressão aumentou a pressão para fazer alguma coisa – qualquer coisa – que pudesse aliviar o
STOCK PHOTOS
A falsa trégua EUA-China
colapso do consumo interno. Dadas as discussões anteriores, a solução mais plausível seria o aumento das tarifas. Hoje, com o arrefecimento do mercado imobiliário e a contracção das condições financeiras nos EUA, não está posta de parte uma recessão nos EUA. Juntamente com um decréscimo no mercado bolsista, uma tal recessão aumentaria a pressão sobre Trump para parecer que faz alguma coisa – qualquer coisa – para estimular a economia. Muito provavelmente, essa solução seria à custa da China. Parte do problema em 1930 foi que os países participantes na conferência de Genebra tinham perspectivas muito diferentes sobre o que estavam a acordar, o que parece ser o que também acontece hoje. Enquanto a administração Trump espera uma evolução rápida na redução do défice comercial bilateral, a imprensa estatal chinesa refere-se à conveniência de uma redução “gradual”. Enquanto o comunicado de imprensa da Casa Branca especifica um prazo de 90 dias para negociações, a China não menciona qualquer prazo específico. Do mesmo modo, enquanto a declaração oficial da Casa Branca afirma que a China adquirirá exportações agrícolas, industriais e de energia “muito substanciais” aos EUA, a declaração da China diz apenas que importará mais mercadorias dos EUA. Mas claro que isso acabará sempre por acontecer, sem qualquer acção política,
A reforma do regime da PI (Propriedade Intelectual) é uma preocupação válida dos EUA. Na verdade, é a questão mais importante. Mas o fortalecimento das protecções da PI obrigará a uma mudança fundamental do modelo económico da China. As hipóteses de isso acontecer em 90 dias são nulas
assumindo que a economia chinesa continua a crescer, o que é praticamente certo, dado o recente estímulo fiscal e monetário. Mais perturbadoras são as diferenças relativas à propriedade intelectual. Segundo a declaração dos EUA, a China negociará imediatamente a transferência forçada de tecnologia e a protecção da PI. Pelo contrário, a declaração chinesa apenas diz que os dois países trabalharão conjuntamente para alcançar um consenso em questões comerciais. A reforma do regime da PI (Propriedade Intelectual) é uma preocupação válida dos EUA. Na verdade, é a questão mais importante. Mas o fortalecimento das protecções da PI obrigará a uma mudança fundamental do modelo económico da China. As hipóteses de isso acontecer em 90 dias são nulas. Então, que rumo poderão tomar as negociações? Um dos cenários é que os chineses comprem mais alguma soja americana. Trump caracteriza isso como uma grande vitória. Assim que o Presidente dos EUA mostre a bandeira branca, a guerra comercial termina. Nada de importante terá mudado, mas pelo menos os ataques diplomáticos e comerciais e a incerteza disruptiva terão terminado. Mais uma vez, esta situação tem vários precedentes, já que a renegociação do Acordo de Comércio Livre Norte-Americano foi concluída deste modo. Em alternativa, poderíamos imaginar um resultado parecido ao da reunião de Trump com o líder norte-coreano, Kim Jong-un: a China anuncia, ou pelo menos a administração Trump imagina que a China anuncia uma transformação profunda da sua economia. Mas esta crença numa reviravolta é ilusória. Com efeito, nada de substancial se alterou. Quando Trump e os seus conselheiros despertarem para esse facto, as tensões voltarão a crescer, e a guerra comercial recomeçará. Qual dos cenários será mais provável? Tal como em 1930, a resposta depende de como se desenvolver a situação económica dos EUA. Se a expansão tardia continuar, como aconteceu durante a renegociação do NAFTA, Trump poderá estar inclinado a aceitar concessões cosméticas, que possa caracterizar como o “maior, mais significativo, moderno e equilibrado acordo comercial da história”. Mas se a economia dos EUA apresentar sinais de estar em recessão, Trump precisará de culpar alguém. E, neste caso, podemos estar relativamente certos sobre quem recairão as culpas. © Project Syndicate www.project-syndicate.org
* Professor de Economia na University of California, Berkeley. O seu último livro é The Populist Temptation: Economic Grievance and Political Reaction in the Modern Era.
https://global.oup.com/academic/product/the-populist-temptation-9780190866280?cc=mo&lang=en&
opinião 23
segunda-feira 21.1.2019
reencarnações
P
ARA que fique claro de uma vez por todas. O jornalista não é um megafone, papagaio, caixa-de-ressonância, porta-voz, moço de recados ou qualquer outro meio oficial de difusão informativa. Apesar das crises éticas nascidas da mercantilização da comunicação, da vertigem do clickbait, do controlo dos meios de informação por grandes grupos económicos e de todos os mercadores que tentam vender verdades pessoais, não é muito complicado explicar qual o propósito da profissão. Por isso, dedico esta humilde página à sensibilização de quem ainda não percebeu com clareza qual o propósito do jornalismo. Na semana passada, realizou-se o tradicional almoço entre Chui Sai On e os directores dos meios de comunicação de Macau que antecipa as festividades do Ano Novo Chinês. Depois de garantir que o Governo tem todo o respeito pela liberdade de imprensa, o Chefe do Executivo reiterou uma ideia que me deixa perplexo sempre que a ouço. Num golpe de profunda incongruência, passo a servir momentaneamen te de megafone do Governo com um par de citações proferidas por Chui Sai On. Mas prometo que são por uma boa e pedagógica causa. Aqui vão dois breves trechos do discurso do homem que está no topo da hierarquia política do território: “O Governo da RAEM respeita a liberdade de expressão dos residentes de Macau, respeita a liberdade de imprensa e de publicação e ouve as opiniões e as sugestões dos órgãos de comunicação social.” Importa esclarecer que a comunicação social tem como missão informar, esmiuçar a realidade e trazer ao de cima factos de valor informativo, em vez desta bizarra função de órgão consultivo. Mas estas não foram, no meu entender, as palavras mais problemáticas do discurso do Chefe do Executivo. “O Governo continuará, como sempre o fez, a apoiar vigorosamente o sector no desenvolvimento da sua actividade, para que os profissionais do sector possam, num bom ambiente social, desempenhar cabalmente as funções de canal de comunicação entre o Governo e a população e proporcionar serviços informativos mais diversificados ao público, com a fim de juntos contribuirmos para o desenvolvimento da RAEM.” Este é o parágrafo mais preocupante, com a irónica agravante de
Megafone ALBERTO RUGGIERI
JOÃO LUZ
ter sido proferido depois do enaltecimento do princípio “um país, dois sistemas” e da liberdade de imprensa. Sejamos claros. Este não é, nunca foi, nem nunca será o papel do jornalismo. Aliás, a missão do jornalista é o completo oposto desta perigosa asserção. Se fossemos meros veículos de propaganda, servis megafones do poder, qual a necessidade da liberdade de imprensa? Que sentido faria defender a independência do jornalismo? Aliás, se formos um mero canal de comunicação, uma espécie de relações públicas do Governo, para que serve o GCS? Colocando de parte tiques autocráticos, importa recordar que a imprensa é o quarto poder. Tem o direito e obrigação de fiscalizar os poderes instituídos e trazer ao de cima a verdade, independentemente do incómodo que possa
Se fossemos meros veículos de propaganda, servis megafones do poder, qual a necessidade da liberdade de imprensa? Que sentido faria defender a independência do jornalismo?
causar a quem manda. Outro dos títulos frequentemente usados para descrever o papel do jornalista é o “cão de guarda” do poder. Reparem que não é um chihuahuade de colo. Faz parte das nossas mais essenciais incumbências vigiar o poder para que este não se torne absoluto, corrupto e à margem da factualidade. Não nos interessa criticar, dar sugestões, ou o quer que seja no campo opinativo, apesar da comunicação social estar impregnada de opinião, devidamente separada e identificada fora do campo noticioso. A nossa função é informar. Naturalmente, faz também parte do nosso ofício noticiar o que é proposto ou anunciado pelo Governo. Neste capítulo, a profissão dita que se dê contexto ao que está a ser proferido, que se denunciem hipocrisias e se desmascarem mentiras ou deturpações da realidade. O desejo ardente de ser chato e as paixões ideológicas não fazem parte do nosso ADN profissional. A busca pela verdade não tem propósitos subjectivos, nem pretende atacar ninguém. A veracidade não é emotiva, não quer fazer amigos nem tem apetência para servir de megafone para as vozes com mais alcance nas esferas de comando.
Desterra de ti desejos e receios e nada terás que te tiranize. Epicteto
segunda-feira 21.1.2019
PALAVRA DO DIA
O grande corrupio A CHINA ESPERA QUASE 3.000 MILHÕES DE VIAGENS DURANTE O ANO NOVO LUNAR
Japão Homem mais velho do mundo morre aos 113 anos
O homem mais velho do mundo morreu aos 113 anos em sua casa, numa pousada com fontes termais, no norte do Japão. A família informou que Masazo Nonaka morreu na madrugada de ontem enquanto dormia em casa, em Ashoro, na ilha de Hokkaido, no norte do Japão. Os seus familiares disseram ainda que Nonaka morreu pacificamente, de causas naturais. O centenário, cuja família administra uma pousada com fontes termais há quatro gerações, foi certificado no ano passado como o homem mais velho do mundo aos 112 anos e 259 dias. Nascido a 25 de Julho de 1905, Nonaka cresceu numa grande família e sucedeu aos seus pais na administração da pousada, que agora é gerida pela sua neta. A mulher e três dos filhos de Nonaka já tinham falecido.
China vive a partir da próxima semana a maior migração interna do planeta, com uma previsão de 2.990 milhões de viagens, ao longo dos 40 dias antes e após o Ano Novo Lunar. Por estrada ou por mar, de avião ou de comboio, milhões de chineses rumam à sua terra natal para festejar a passagem do Ano Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. Entre 21 de Janeiro e 1 de Março, o país conta registar quase 3.000 milhões de deslocações internas, um aumento homólogo de 0,6 por cento, anunciou o vice-director da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Lian Weiliang, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua.
Três pessoas morreram e outras sete estão desaparecidas nas montanhas dos Himalaias, Caxemira, na sequência de uma avalanche de neve, adiantaram sexta-feira as autoridades locais. A avalanche atingiu o desfiladeiro de Khardung La, região remota de Ladakh, e encurralou 10 pessoas na neve, segundo Baseer Khan, um administrador local. Três corpos foram recuperados, enquanto as equipas de resgate, polícia e militares do exército continuavam à procura dos desaparecidos, disse Tashi Wangial, membro da polícia local. De acordo com Tashi Wangial, as vítimas trabalhavam na zona quando foram apanhados pela avalanche. Avalanches e deslizamentos de terra são comuns na Caxemira, que é dividida entre a Índia e o Paquistão e reivindicada por ambos. No ano passado, 11 pessoas morreram depois do veículo em que seguiam ter sido atingido por uma avalanche na área noroeste de Kupwara.
DIAS DE FESTA
O feriado do Ano Novo Lunar começa este ano a 4 de Fevereiro, sob o signo do porco,
um dos doze animais do milenar zodíaco chinês. Todas as escolas, do ensino primário ao superior, fecham durante um mês. Para muitos trabalhadores, as folgas e feriados concedidos nesta quadra pelo Governo e as empresas constituem as únicas férias do ano. É por isso também a única altura em que muitos das centenas de milhões de trabalhadores migrantes empregados nas prósperas cidades do litoral chinês regressam a casa e revêem os filhos. Na China, e em todas as 'chinatown' espalhadas pelo mundo, os edifícios são engalanados com lanternas vermelhas, enquanto nas ruas se lançam petardos e fogo-de-artifício para "afugentar os maus espíritos'. Com quase 1.400 milhões de habitantes, a China é o país mais populoso do mundo.
EPA
Himalaias Três mortos devido a uma avalanche
Durante este período, o país terá em funcionamento cerca de 4.800 comboios, entre os quais 3.500 em linhas de alta velocidade, um aumento de 17 por cento, face ao ano anterior, reflectindo a rápida expansão da malha ferroviária de alta velocidade do país, que compõe já dois terços do total do mundo. O número de voos aumentará 10 por cento, com cerca de 532.000 travessias aéreas programadas durantes os quarenta dias. Citado pela Xinhua, Lian Weiliang explicou que os viajantes contarão com a ajuda de 230.000 voluntários, durante o pico das viagens.
México Incêndio faz 79 mortos
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O número de mortos no incêndio após a explosão num oleoduto em Tlahuelilpan, no estado mexicano de Hidalgo, aumentou para 79 pessoas, com a morte de seis pessoas que estavam hospitalizadas. “Foram somados mais seis mortos aos 73 (do balanço anterior), assim podemos confirmar que 79 mexicanos morreram como resultado dessa explosão”, disse o ministro da Saúde mexicano, Jorge Alcocer, em conferência de imprensa. A explosão no oleoduto da empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) provocou um incêndio de grandes dimensões na sexta-feira, na cidade de Tlahuelilpan, no estado central de Hidalgo. De acordo com as autoridades mexicanas, o oleoduto terá explodido horas depois de um grupo ter perfurado a tubulação ilegalmente para roubar combustível. O Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, declarou uma ofensiva contra o roubo de combustível e convocou todos os sectores do Governo para prestar assistência às vítimas.
Entre 21 de Janeiro e 1 de Março, o país conta registar quase 3.000 milhões de deslocações internas, um aumento homólogo de 0,6 por cento
TAILÂNDIA DOIS MONGES MORTOS EM ATAQUE A TEMPLO BUDISTA
U
M ataque conduzido presumivelmente por forças insurgentes contra um templo budista localizado numa região de maioria muçulmana no sul da Tailândia matou, na noite de sexta-feira, dois monges e feriu outros dois religiosos, foi sábado divulgado. O primeiro-ministro tailandês, Prayut Chan-ocha, con-
denou o ataque e ordenou o início de investigações com o objectivo de encontrar os responsáveis. O ataque ocorreu na província de Narathiwat, na fronteira com a Malásia, e foi realizado por cerca de uma dúzia de presumíveis insurgentes, munidos de armas automáticas, que abriram fogo no recinto religioso.
Este ataque, que foi precedido pela detonação de duas bombas que visaram patrulhas militares e que provocaram outros seis feridos na mesma província, aconteceu uma semana depois de o Governo tailandês ter convidado representantes insurgentes para conversações mediadas pela Malásia. O último Governo eleito
da Tailândia iniciou em 2013 um diálogo com os insurgentes desta região, de maioria malaia e muçulmana, mas o processo seria interrompido após o golpe de Estado de 2014. A junta militar que governa a Tailândia desde então tentou retomar as negociações com os veteranos militantes no exílio, mas uma parte do principal
grupo insurgente, a Frente Nacional Revolucionária, demarcou-se do processo. Os rebeldes denunciam a discriminação que têm sofrido por parte da maioria budista e exigem a criação de um Estado muçulmano que integre as três províncias que formam o antigo sultanato de Pattani e que a Tailândia anexou há um século.