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Hoje Macau 21 JAN 2014 #3015

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MOP$10 AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

TERÇA-FEIRA 21 DE JANEIRO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3015

RUI LEÃO

SURTO DE CONSTRUÇÃO PERMITE ARREFECER O IMOBILIÁRIO ENTREVISTA PÁGINAS 2 E 3

Tudo bons rapazes A Associação Novo Macau reuniu os documentos que alegadamente indiciam que Chan Meng Kam e Chui Sai Cheong já sabiam que a finalidade de um terreno na Taipa iria mudar. Quando o compraram o seu destino era a agricultura. Agora vão construir. Em jogo, meras centenas de milhões de patacas POLÍTICA PÁGINA 4

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ENTREVISTA

Um surto de construção levará a que o mercado imobiliário esfrie, entende o arquitecto Rui Leão, que sublinha ainda a necessidade de planeamento e de cumprir as leis. Perante a nova AL, confessa ser contra o populismo

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RUI LEÃO, ARQUITECTO E EX-CANDIDATO À AL, MANTÉM POSTURA CÍVICA

“O populismo é a recusa da

RITA MARQUES RAMOS Rita.ramos@hojemacau.com.mo

Como olha para o novo plano de reordenamento da zona norte da Taipa apresentado pelo Governo a dois meses da entrada em vigor da lei de planeamento urbanístico? Este plano estava a ser feito, mas em suspenso há muitos anos, desde a passagem de soberania. Havia com certeza muitas razões pelas quais não foi concluído. Sei que uma dessas razões prendia-se com o registo dos terrenos, por não estarem de uma forma regular. Houve uma série de expropriações que não estavam registadas e uma série de coisas que não eram claras e que comprometiam seriamente o plano. Legalmente não havia uma base de registo da propriedade em ordem para implementar o plano. A Associação Novo Macau diz, no entanto, que esses registos se mantêm pouco claros e vêm beneficiar alguns empresários... Não sei o que terá sido negociado ou acordado entre as partes. O que imagino é que haja uma quantidade de situações que já estejam acordadas, de modo a que se ponha em desenvolvimento parte do plano. E que benefícios vem trazer este plano? O plano da Taipa é importante porque a cidade precisa de crescer e aquele lado da baixa até ao cemitério tem um potencial de aproveitamento de terrenos para habitação muito grande e vem consolidar aquela zona. O facto da Taipa Norte ter ficado em águas de bacalhau estes anos foi positivo porque, entretanto, a Taipa está mais qualificada, já teve uma série de investimentos a nível de espaço público, requalificação, tipo de comércio e já não é um subúrbio.

O Cotai desenvolveu-se e a Taipa ganhou uma certa centralidade, portanto, é uma altura boa porque o tipo de construção será um investimento em propriedades mais qualificadas do que se tivesse sido tudo construído ao mesmo tempo. Não há agora esse risco? Abertas as portas para construção por parte dessas construtoras... A cidade precisa porque está a rebentar pelas costuras e o facto de haver um surto de construção permite potencialmente arrefecer os preços do imobiliário. A ideia, no entanto, é que não se ponha este plano em prática antes

Na Praia Grande, há expectativa de ver um estudo para saber o que foi pensado, saber o que foi feito e avaliado para assegurar toda a zona, preservando o valor de espaço público da entrada em vigor do novo diploma, que sempre traz algumas garantias de interesse público? Claro. Acho que o plano da Taipa Norte está para ser publicado há alguns anos a esta parte - depois de revisto e estudado o inicial mas está à espera de ser aprovado juntamente com o plano da Ilha Verde há muito tempo. Da Praia Grande é que desconheço se há

estudo de revisão ou alternativo. E são situações diferentes. Na Praia Grande, há expectativa de ver um estudo para saber o que foi pensado, saber o que foi feito e avaliado para assegurar toda a zona, preservando o valor de espaço público privilegiando e melhorando a qualidade de espaço de lazer e passeio panorâmico. Não é só os lotes passarem a ser aprovados e

haver toda a construção. Há uma expectativa de planeamento de fundo antes disso vir ao de cima e imaginei que fosse algo que se passasse a seguir à lei do planeamento urbanístico entrar em vigor. Convém que sejam transparentes os projectos a implementar na Praia Grande? As plantas de alinhamento não necessariamente, mas o plano e o estudo sim. De acordo com a lei, deviam ser apresentados de maneira a que fossem sujeitos a consulta pública. Sobre os bairros antigos, já que nos encontramos no meio deles


entrevista 3

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responsabilidade moral” edifícios ou conjuntos pudessem ser parcialmente mantidos e em que se pudesse introduzir uma nova escala, uma nova construção numa meia medida. Há imensas intervenções destas pelo sudeste asiático, que tem a ver com o compromisso de se manter parte do património, mas introduzir-se novos programas de lazer nessa zona. O exemplo mais famoso é Xintiandi em Xangai, feito há 15 anos num bairro industrial.

Há algumas atitudes xenófobas que me preocupam porque não têm genuinidade e não percebo bem o que está por detrás, mas vai contra tudo o que Macau representa para mim

[perto da Rua dos Mercadores], o que julga necessário pensar num novo diploma entregue pelo Governo à Assembleia Legislativa? Há dois tipos de operação que julgo importantes para os bairros antigos. Os planos de pequena escala a nível de condomínio - que lhes permitissem aceder a crédito para fazer a manutenção das zonas de condomínio e do aspecto exterior dos edifícios - para que os bairros tivessem um ar mais qualificado sobretudo nos que há valor patrimonial; outro tipo de operação importante seriam os projectos de “adaptive reuse” (“reutilização adaptável”) em que

A que zonas poderia ser adaptado em Macau? É uma questão do Governo permitir o mínimo enquadramento – com ou sem a lei dos bairros antigos– em que, perante estudos a uma zona de bairro antigo se possam criar soluções. Isto é importante porque, se há uma lei de património e planeamento, tem de estar tudo a cair dentro daquela lei. Se eu quiser fazer um Xintiandi em Macau, não vou poder porque é uma zona patrimonial e tem de ficar na mesma altura. Estas não permitem um enquadramento de excepção para fazer uma operação de “adaptive reuse”. Em muitas situações, o proprietário fica de mãos atadas porque não há nenhum tipo de projecto que possa implementar, que lhe dê uma perspectiva de lucro ou de manutenção. O que se passa de momento é que há uma série de bairros em que os proprietários estão a perder dinheiro porque têm de manter os edifícios que estão a cair aos pedaços, os inquilinos pagam umas rendas irrisórias e o máximo que conseguem é despejá-los. O que também acaba por ser grave porque enquanto há inquilinos, os edifícios estão a ser usados e mantêm-se. Os edifícios ficando vazios é que entram em estado de ruína. E não havendo uma possibilidade de produzir lucro com aquele conjunto de edifícios, as zonas todas vão ficar a ruir. E

aí somos todos responsáveis pelo património desaparecer.

tínhamos esperado o suficiente por iniciativa própria.

Mas, ainda assim, o Governo tenta ter mão em parte desses edifícios, requalificando-os... Sim, em bairros chineses na zona do Porto Interior. O Instituto Cultural tem feito uma obra notável. Anda a recuperar alguns através de acordos, arranja o espaço público, as fachadas, o madeiramento, estão a fazer um trabalho realmente de mérito. Agora há o risco de se eu não quiser entregar o edifício ao Governo, que alternativas me restam? Nem o enquadramento de deitar tudo abaixo e fazer seis ou vinte pisos, nem ficar tudo no mesmo. O Governo não pode ficar tão musculado que tome conta do património todo. Tem de se criar responsabilidades, enquadramento e uma cultura de distribuir essa missão pela comunidade, pelas associações, bairros e por aí fora.

Há outros projectos ou iniciativas da Docomomo Macau? O Docomomo Macau foi uma proposta feita à Docomomo Internacional, que foi aceite e aprovada em Assembleia Geral na Finlândia, em 2012, e depois procedemos à formalização localmente. Já começámos a fazer o trabalho de base de dados das fichas com informação de edifícios modernistas. Temos uma lista preliminar, prioritária, e estamos a preparar as fichas para estarem em condições de serem submetidas quando forem propostas ao Instituto Cultural.

Vai também entrar em vigor a lei de património, a par de uma renovada lista patrimonial. Há muitos edifícios que deveriam ser classificados como bens patrimoniais? O Porto Interior está cheio de pequenas bolsas que ainda estão bastante qualificadas e que precisavam não só de ser classificadas, mas de planos pormenor. Por exemplo, no bairro de São Lázaro a política tem sido boa. A zona toda do centro e da Almeida Ribeiro, 5 de Outubro, a Praia do Manduco que precisam muito de um plano pormenor, em que se precisavam de implementar projectos-pilotos que fossem criando esse lastro em que devagarinho as coisas fossem crescendo à sua volta. Mas, concretamente, há edifícios que querem ver classificados, como a Escola Portuguesa de Macau. Há alguma resposta do Governo à Docomomo – Centro de Pesquisa e Documentação? Não recebemos resposta formal, mas o departamento de informação da televisão contactou o Instituto Cultural e eles acusaram a recepção da carta da Docomomo e estavam atentos a isso e, a partir de 1 de Março, iam dar resposta ao assunto. Escrevemos a carta porque, supostamente, o parecer do Governo português como parceiro da EPM seria trazido pelo vice-ministro Paulo Portas na visita a Macau e como já se tinha ido embora e tardava a haver uma publicação do governo português, achámos que

A ideia é serem parceiros com o Instituto Cultural? Sim, a ideia é fazer este trabalho de assessoria para o IC e passar-lhes este levantamento de documentação e conservação do movimento moderno. Ainda não temos uma data de entrega.

Há uma série de bairros em que os proprietários estão a perder dinheiro porque têm de manter os edifícios que estão a cair aos pedaços, os inquilinos pagam umas rendas irrisórias e o máximo que conseguem é despejá-los Há outras actividades planeadas? Sim, um ciclo de conferências sobre Manuel Vicente e uma exposição também dedicada à sua vida e obra, no primeiro e segundo semestre deste ano. O reaproveitamento da Casa de Vidro, o que lhe parece? Acho importante que seja aproveitado e utilizado porque se os espaços públicos da cidade não são suportados por uma actividade que seja dinamizada e implementada, fica-se com a impressão de que o espaço público não serve para nada. O espaço do Tap Seac é

sempre utilizado porque o IC está ali e fez bem em tomar conta com a praça e fazer festivais e as feiras de artesanato, o que transforma a vida daquela zona da cidade. É importante porque passamos a ir lá em massa e há uma série de pequeno comércio que começa a aparecer ali. Isto porque, por exemplo, a praça que desenhámos à frente da Torre [de Macau], o facto de não terem sido construídos outros lotes ali à volta é altamente prejudicial porque está o espaço público qualificado com acesso ao lago, com parque, marginal, mas depois ninguém lá vive o que a torna uma zona desterrada, o que leva a que a praça não tenha manutenção. Enquanto ex-candidato à AL, como vê a prestação dos novos deputados nesta legislatura? Para além do que ficou como antes, há algumas atitudes xenófobas que me preocupam porque não têm genuinidade e não percebo bem o que está por detrás, mas vai contra tudo o que Macau representa para mim. Sempre foi uma cidade aberta, apesar da sua pequena escala, nunca foi tacanha, sempre foi uma cidade que sempre soube lidar com grandiosidade em relação à história, soube receber bem as pessoas, soube-se fazer com história. Isto de repente é uma recusa em relação a tudo, é querer ter uma parede e estar aqui às cegas como se isso levasse a algum lado. E preocupa-me porque é uma coisa muito populista. O cargo de político tem uma responsabilidade moral e o populismo é a recusa da responsabilidade moral. Relativamente ao mercado imobiliário que preocupa a população em geral, houve um novo projecto-lei apresentado e chumbado relativo a um regime de actualização de rendas dos bens imóveis. Merecia ter sido avaliado pelos deputados? Não vi exactamente os moldes do projecto, mas parecia-me importante. É uma situação que parece não ter maneira de se segurar por si e parece-me importante isso ficar regulado de alguma maneira. Na plataforma do Observatório Cívico, da Agnes Lam, tínhamos proposto um programa de quotas que levaria a que cada projecto de construção teria de cumprir em prol da população local, uma vez regulado pelo Instituto de Habitação. Ou seja, haveria uma percentagem de habitação económica em todos os edifícios de habitação. A inteligência disso era que o Governo não teria de estar a produzir toda a habitação económica. É uma forma de não segregar os grupos menos privilegiados nas zonas menos qualificadas da cidade e distribuir esse encargo pelo sector imobiliário todo.


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POLÍTICA

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

C

ONFORME prometido a semana passada, Jason Chao anunciou ontem quais são os nomes das associações tradicionais que estão envolvidas no novo plano de ordenamento na zona norte da Taipa. Mas, para além das associações, o presidente da Associação Novo Macau (ANM) falou ainda de três nomes ligados a uma empresa privada. São eles os deputados Chan Meng Kam e Chui Sai Cheong, e ainda a empresária Amber Li, sobrinha da ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou. Estes três nomes estão ligados, segundo a ANM, à Companhia de Fomento Imobiliário e Investimento Cheong On, que será proprietária de um terreno na zona. De frisar que estes três nomes são administrativos da empresa e membros da comissão eleitoral que elege o Chefe do Executivo. Para além de deputado, Chan Meng Kam é ainda membro do Conselho Executivo e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. “Antes apenas podíamos dizer que o Governo dá benefícios aos seus amigos e às associações tradicionais. Mas neste caso vemos que os nomes estão ligados ao centro do poder político e ainda temos o nome do irmão mais velho do Chefe do Executivo. Como são todos membros da

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TERRENOS DA TAIPA NOVO MACAU DENUNCIA ALEGADO CASO DE CONLUIO

Os suspeitos do costume

Os dois deputados à Assembleia Legislativa, Chan Meng Kam e Chui Sai Cheong, e Amber Li, sobrinha de Susana Chou, estarão interessados em desenvolver um terreno cuja finalidade era a agricultura quando o compraram mas que o Governo deverá reclassificar. A Associação Novo Macau acusa os envolvidos de terem acesso a informação privilegiada Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, temos razões para suspeitar de que o Chefe está a dar benefícios a quem tem direito a votar nele para as eleições deste ano”, disse Jason Chao. Sou Ka Hou, membro da ANM, e que foi número dois da lista de Au Kam San

às eleições, frisou que, há quatro anos, na eleição do Chefe do Executivo, o na altura candidato Chui Sai On foi questionado acerca das ligações que a sua família tinha com empresas e entidades privadas. “A resposta dele foi: eu faço o meu trabalho e eles fazem

TAIPA CHAN MENG KAM ADMITE POSSUIR DOIS TERRENOS Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o deputado Chan Meng Kam admitiu possuir dois terrenos na zona norte da Taipa desde 2009, mas garante que apenas fez a compra do ponto de vista do investimento, e que não sabia que os terrenos eram agrícolas. O deputado revelou que fez um pedido de desenvolvimento dos mesmos após os ter adquirido, mas que o Governo nunca o aprovou. Chan Meng Kam mostrou-se insatisfeito em relação à modificação que o Governo quer fazer ao plano, e que lhe vai retirar cem metros quadrados ao terreno, situação que descreveu como sendo “inaceitável”, e que está a tratar do caso com o seu advogado. O deputado diz “não ter opinião” sobre a possibilidade de se retirar o plano de modificação dos terrenos, mas diz-se satisfeito sobre o facto do Governo quer desenvolver o norte da Taipa. Algo que, defende, vai resolver a falta de habitação.

o trabalho deles. Mas hoje dia podemos ver os que os seus familiares ainda podem saber as decisões políticas atempadamente e que até podem ter benefícios por causa da proximidade ao Chefe do Executivo.”

ANM INVESTIGA

Os dados foram divulgados em conferência de imprensa e são o resultado de uma investigação que a ANM começou em 2012. O antigo deputado Paul Chan Wai Chi já tinha feito duas interpelações escritas para saber mais informações sobre dois terrenos, um deles da empresa citada. “Durante dois anos o Governo não conseguiu responder à interpelação do deputado, mas quando realizámos uma conferência de imprensa a dizer que a Companhia de Construção e Investimento Ho Chun Kei era suspeita de ser a proprietária, as Obras Públicas emitiram um comunicado

onde admitiam que os dois terrenos eram privados”, esclareceu Jason Chao. Com base nos números de registo predial fornecidos pela DSSOPT, Jason Chao descobriu que o terreno, com uma área de mais de 3.500 metros quadrados, era usada para fins agrícolas. A empre-

“Quem é que pode saber se há seis anos atrás o Governo iria desenvolver a zona e tinha coragem para comprar um terreno agrícola por tanto dinheiro?” JASON CHAO Presidente da ANM

sa Cheong On comprou 70% do terreno aos proprietários de então, a Associação de Moradores da Taipa e a Associação de Agricultores de Macau. Estas estão ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) e à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). O valor da compra foi de 206 milhões de patacas e está registado na Conservatória. “Mas o que eu sabia é que o valor se situava nas 400 milhões de patacas. A empresa Cheong On foi criada em 2007, e isso não deve ser apenas uma coincidência. A questão é esta: quem é que pode saber se há seis anos atrás o Governo iria desenvolver a zona, e tinha coragem para comprar um terreno agrícola por tanto dinheiro?”, continuou o presidente da ANM, que cita uma fonte bem informada. Contudo, o caso muda de figura. Com base nos planos anunciados pelo Executivo, o mesmo terreno pode ter outra finalidade e até construir edifícios residenciais com o máximo de 90 metros de altura. Outro terreno, com uma área superior a oito mil metros quadrados, e também de uso agrícola, é da propriedade da Sociedade de Investimento Luen Kong. O seu director-geral é Ho Weng Pio, que também é vice-presidente da Associação de Beneficência do Kiang Wu. A terra foi comprada em 1989.

RETIRAR O PLANO

Perante estes dados, a ANM quer que o Governo retire o plano de ordenamento, porque já envolve interesses privados, sendo que, na sua óptica, nenhum residente vai tirar benefícios. “No fórum, realizado domingo com os moradores da zona, estes queixaram-se que ninguém foi consultado, mas o Governo disse que o plano é apenas para os beneficiar. Mas agora sabemos que são só benefícios para os empresários e para o próprio Governo”, disse Jason Chao. Bill Chou, académico e membro da ANM, disse ao HM que as declarações de rendimentos dos altos dirigentes, incluindo membros do Conselho Executivo, não estão completas. “Chan Meng Kam já publicou muitas propriedades, mas ainda não sabíamos que a sua empresa, na qual tem o cargo de director-geral, tem uma propriedade na zona norte da Taipa.”


política 5

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TIAGO ALCÂNTARA

A culpa morre solteira

O

deputado José Pereira Coutinho escreveu uma interpelação escrita ao Governo onde aponta “erros gravíssimos” no caso do contrato de concessão com a TV Cabo. Coutinho começa por questionar “quem vai ser responsabilizado pelo pagamento das 200 milhões de patacas do erário público

que tanto as estâncias judiciais como o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) afirmam que é resultado da culpa e responsabilidade do Governo, nomeadamente a continuada violação da lei e do contrato durante 14 anos”. Mais. No processo em tribunal, Coutinho questiona “como se explica que tenha perdido a acção no Tribunal

Administrativo por nem sequer saber quem o deve representar em tribunal? Quem vai ser responsabilizado por estes erros gravíssimos?” Em relação à renovação do contrato de concessão com a empresa, Coutinho pergunta como é que o Governo justifica “ter arrastado o processo durante dois anos e agora, a três meses do prazo, ainda nem sequer sabe se vai haver renovação e em que termos será o contrato”. Face ao pacote de canais básicos, os quais terão “custos elevados para o Governo e que visa conceder à população o direito à informação e ao entretenimento”, Coutinho quer saber quais os critérios a adoptar para a sua futura transmissão. “A quem é que o Governo vai transmitir os canais básicos? Somente à população ou pretende oferecer grátis a transmissão de canais a casinos, saunas, hotéis, sociedades comerciais, lojas, negócios e condomínios residenciais de luxo?”, rematou - A.S.S.

CHAN MENG KAM FALTA ESTACIONAMENTO NA TAIPA

Ano Novo mais confuso CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Governo cancelou a construção de 90 lugares de estacionamento temporários junto à Rua dos Pinheiros, na Taipa, devido às obras de construção de um centro comunitário. Na sua mais recente interpelação escrita entregue ao Governo, o deputado Chan Meng Kam afirma que essa decisão só vai trazer mais problemas, uma vez que existe “escassez” de estacionamento, o que só vai trazer “grande confusão” na época do Ano Novo Chinês, que se aproxima. “O centro comunitário no futuro vai proporcionar mais de 200 lugares de estacionamento para automóveis e outros 200 para motas, tratando-se de uma política de longo prazo para resolver a escassez de lugares de estacionamento. Porém, com a suspensão temporária do estacionamento, o Governo tem a responsabilidade de criar condições ou uma política para diminuir os impactos junto dos residentes o mais possível.” Para além disso, o deputado mencionou ainda a questão dos poucos lugares de estacionamento junto à habitação social na Taipa. O parque, com capacidade para 40 ou 50 lugares, foi suspenso há mais de um ano sem que tenha sido apresentada uma razão. “Não há um aviso do serviço nos Assuntos de Trânsito (DSAT) junto à

MINISTÉRIO DO COMÉRCIO INSPECCIONA PRODUTOS AGRÍCOLAS EM MACAU

Qualidade com visto de Pequim A

vice-ministra do Ministério do Comércio da China, Gao Yan, liderou uma delegação, em visita à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), para fazer uma inspecção da oferta

de produtos agrícolas da China continental àquela região. Durante a visita, a delegação reuniu-se com o secretário de Economia e Finanças da RAEM, Tam Pak Yuen, e os representantes do Instituto para os

Assuntos Cívicos e Municipais e da Direcção de Serviços de Economia. Segundo Gao Yan, o governo chinês tem dado “grande importância” à oferta de produtos agrícolas a Macau, ao longo desses anos. Os departamentos governamentais de Pequim criaram um mecanismo efectivo de comunicação e de contactos com o governo da RAEM. Além disso, o governo central chinês inaugurou uma equipa de gestão e construiu algumas bases de produção especialmente dedicadas à oferta de produtos agrícolas a Macau. Assim apenas as produções inscritas no departamento de inspecção e quarentena podem exportar os seus produtos para a RAEM. Todas essas medidas visam garantir a segurança alimentar dos habitantes em Macau, assegurou a vice-ministra. Com a aproximação do Ano Novo Chinês, o Ministério do Comércio está a coordenar acções para fazer as preparações da festa, de forma a garantir o fornecimento estável dos produtos agrícolas em Macau e a qualidade dos mesmos.

TIAGO ALCÂNTARA

TV CABO PEREIRA COUTINHO FALA DE “ERROS GRAVÍSSIMOS”

porta do parque de estacionamento, e os moradores do edifício também não foram avisados pelas autoridades. O Instituto da Habitação (IH) foi contactado, mas foi referido que o parque de estacionamento já passou para a alçada do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Contudo, o IACM terá dito que a responsabilidade continua a ser do IH.” Chan Meng Kam quer uma resposta correcta para a questão da suspensão do estacionamento da habitação social na Taipa, e questiona se o Governo considera abrir o parque para uso público. Assim, pode complementar a falta de lugares de estacionamento na zona. O deputado questiona ainda a quantidade de lugares vagos existentes junto à piscina olímpica e o estádio da Taipa, e recomenda ao Governo a abertura de mais espaços para uso dos residentes.

Ambiente Atenção popular ajuda DSPA a vetar Jardins de Lisboa

A 2ª fase do empreendimento Jardins de Lisboa, na Taipa pequena, tem merecido a os olhares atentos e críticos da população há, pelo menos, quatro anos. Muito por força do escrutínio público dado ao projecto a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) continua a vetar repetidamente o relatório de avaliação de impacto ambiental, que, escrutinado pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), revela falta de normas ambientalistas. A justificação, do caso que voltou à tona esta semana, foi tornada público ontem pelo organismo tutelado por Cheong Sio Kei, que explica que “a DSSOPT, desde o ano 2010, tem facultado o respectivo plano de obras e os dados do relatório de avaliação de impacto ambiental do projecto em causa à DSPA”. “A DSPA procedeu à análise sobre o relatório de avaliação de impacto ambiental e apresentou, em Janeiro de 2014, pareceres técnicos no âmbito ambiental à DSSOPT em relação à última versão do relatório para a respectiva ponderação integrada da entidade da aprovação”. A DSPA assegura ainda que “irá continuar a acompanhar os possíveis impactos no ambiente provocados pelo projecto”, fazendo nota de que o “Governo compreende a preocupação da comunidade sobre a preservação do ambiente”. - R.M.R.

Obras Públicas negam baixa eficácia no tratamento de queixas

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) respondeu à interpelação escrita do deputado Si Ka Lon, negando que exista uma baixa taxa de eficácia na resposta às queixas dos cidadãos. O organismo negou que no ano passado tenha recebido mais de quatro mil queixas, e afirma que recebeu apenas 2172, quando em 2012 tinham sido 2800. Citando a Carta de Qualidade da DSSOPT, Si Ka Lon afirmava que, em 2012, a entidade “falhou em várias matérias” e que o Executivo “precisa de tomar medidas mais eficazes, nomeadamente ao nível dos técnicos”. Contudo, a resposta da DSSOPT fala de que não existem problemas entre o registo dos técnicos e o seu desempenho em conformidade. - C.L.


SOCIEDADE

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

E

M 2013, os Serviços de Saúde (SS) receberam 4768 notificações sobre doenças de declaração obrigatória – menos do que no ano passado, mas quase 84% da mediana de casos registados nos últimos cinco anos. À semelhança de anos anteriores, a infecção por enterovírus lidera a lista, contabilizando 2166 casos sozinha. Contudo, há novos dados que mostram que 2013 foi ano em cheio para as doenças do foro sexual e alimentar. Apesar de não serem as doenças com mais situações registadas, casos como a sífilis ou a gonorreia batem recordes comparativamente, pelo menos, aos últimos cinco anos. O ano passado sozinho contabilizou 64 casos de sífilis congénita, 12 casos de infecções gonococicas (gonorreia) e três casos de infecções por herpes genital. O mesmo sucede para doenças relacionadas com a alimentação. Os SS contabilizaram 92 casos de intoxicação alimentar bacteriana – um recorde face a todos os anos anteriores, onde a média ao longo dos últimos cinco anos se ficou pelos 30 casos -, 80 casos

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DOENÇAS SEXUAIS E DO FORO ALIMENTAR BATEM NOVOS RECORDES EM 2013

Quem petisca, arrisca

Não é o ano que mostra mais casos de doenças de declaração obrigatória, mas 2013 bate recordes face ao número de doenças do foro sexual e de infecções alimentares. O enterovírus, no entanto, continua a liderar a lista de gastroenterite pelo agente de Norwalk, cinco casos de infecção intestinal por vírus e 84 casos de infecção por salmonelas.

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casos de sífilis foram registados em 2013, para além de 1 caso de lepra

VÍRUS E MAIS VÍRUS

Dados disponibilizados no site dos SS – e analisados pelo HM – mostram que 2012 bateu o maior recorde de sempre face ao global das doenças de declaração obrigatória – com mais de 8500 casos de doenças declaradas -, mas o ano passado apresenta também

APLICAÇÃO DO ORÇAMENTO DA CEM Projectos relativos às infra-estruturas de transmissão e distribuição de electricidade

480 MILHÕES DE PATACAS (74% do total) Projectos relacionados com instalações de produção de electricidade

80 MILHÕES DE PATACAS (13%) Aspectos relacionados com serviços ao cliente

35 MILHÕES DE PATACAS (6%) Estudo e optimização do sistema de despacho de electricidade

20 MILHÕES DE PATACAS (4% do total)

aumentos face a anos anteriores. Em 12 meses, as doenças com mais incidências de casos – além do enterovírus – são a “influenza” [gripe], segunda na lista com 1045 casos e a tuberculose pulmonar, com 397 situações. A tuberculose pulmonar – característica por aparecer em locais com más condições de higiene ou ambientais – é uma das doenças de declaração obrigatória em Macau, a par de outras cerca de 80. Esta doença tem aumentado em flecha no território. Por exemplo, 2012 e 2013 contabilizam juntos mais de 800 casos de tuberculose pulmonar – a média dos últimos 26 anos ficou-se nos 342 casos. Há ainda a registar 60 notificações de outros tipos de

TIAGO ALCÂNTARA

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tuberculose, sendo que 33 deles afectaram os órgãos das vítimas. As infecções por enterovírus – que afectam o sistema nervoso central, pâncreas e fígado -, chegaram a mais de 2000 casos no ano passado, um número maior do que a média dos últimos cinco anos, que se fica pelos 1349 casos. Mas, a lista das doenças a declarar obrigatoriamente é longa. Nas estatísticas, encontram-se ainda reportados 225 casos de enterite por rotavírus, uma doença característica por atacar especialmente bebés e crianças, provocando diarreias fortes, dois casos de malária – que já não aconteciam há, pelo menos, cinco anos -, 22 casos de infecção pelo HIV, nove casos de SIDA, um caso de lepra, 13 de Hepatite A, cinco de Hepatite B e três de Hepatite C. Há ainda a registar o maior número de casos de escarlatina também dos últimos cinco anos – 80 situações foram dadas a conhecer no ano passado aos SS. 
As doenças de declaração obrigatória – que têm de ser dadas a conhecer no prazo de 48 horas – permitem que as autoridades de saúde consigam aperceber-se do estado de saúde da população, implementado até medidas para travar novas infecções.

CEM 70% DE ORÇAMENTO PARA CONSTRUÇÃO DE INFRA-ESTRUTURAS

O lado imóvel da luz P ROJECTOS relacionados com infra-estruturas de electricidade, melhorias no sistema e serviço ao cliente são as áreas de aposta para os 640 milhões de patacas que a Companhia de Electricidade de Macau (CEM) tem disponíveis para este ano, menos 24% do que no ano passado. Grande fatia do investimento – mais de 70% - vai ser utilizado na construção e optimização das infra-estruturas de transmissão e distribuição de electricidade. O Plano de Desenvolvimento Anual da companhia foi apresentado ao Executivo já no ano passado, tendo sido obtida aprovação do orçamento. Ontem, um comunicado do Executivo afirma que o objectivo desta aposta nas infra-estruturas é “garantir a segurança e a estabilidade do fornecimento de electricidade no futuro”, uma vez que a CEM prevê que a procura de

electricidade em Macau vá aumentar 6%. “Para responder às necessidades de aumento da capacidade de transmissão e distribuição de electricidade, serão aplicados cerca de 480 milhões de patacas, representando 74% do orçamento total.” Um dos principais problemas de Macau é a impossibilidade de virem a ser construídas mais centrais eléctricas para geração de energia. Parte dos investimentos da CEM têm, por isso, de ser na ligação local entre redes eléctricas, algumas delas provenientes

da China. “É necessário continuar a reforçar a capacidade de transmissão e de distribuição de electricidade da rede eléctrica de Macau, de forma a que seja possível importar electricidade e fazer face à procura de energia eléctrica, o que implica a construção de infra-estruturas (...), a reconfiguração da rede de distribuição eléctrica existente e o reforço da capacidade de despacho da rede eléctrica.”

ORÇAMENTO RECUSADO

Ainda que aprovados mais de 600 milhões de patacas,

LÂMPADAS POR UM FUTURO MELHOR A CEM vai começar a substituir gradualmente as lâmpadas das ruas por outras, de LED. A ideia é poupar energia, uma vez que estas gastam menos, além de precisarem de menos reparações e terem um tempo de vida mais prolongado. No total, são 18017 lâmpadas que terão de ser substituídas, cujo custo será de 60 milhões de patacas. Mais de 2700 vão ser substituídas este ano.

o Executivo baixou o investimento inicial pedido pela CEM em mais de 50% - a companhia tinha pedido aprovação de 1,2 mil milhões de patacas. A intenção, diz o comunicado, é reduzir o curso de fornecimento da electricidade. Mas não só. “[Alguns] dos projectos de investimento propostos não são, de momento, considerados urgentes, nem necessários e [algumas] informações prestadas pela CEM não conseguiram mostrar a razoabilidade dos projectos de investimento.” A CEM vai poder, portanto, concretizar 21 projectos em redes eléctricas, cujo valor ultrapassa os 550 milhões de patacas, cerca de 87% do total aprovado – 11 deles estão já a ser desenvolvidos e dez são novos. - J.F.


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LÍNGUA PORTUGUESA ANA PAULA DIAS EM ARTIGO DE ANÁLISE

Os princípios da plataforma “não se reflectem” nas escolas Ex-coordenadora do Centro de Língua Portuguesa do IPOR afirma que há entraves junto de professores e alunos no ensino do português e que existe o “risco de desaparecimento progressivo” da língua junto da comunidade macaense ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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PESAR dos frequentes discursos políticos de Pequim fazerem o apelo à promoção do português, colocando ainda Macau num lugar de destaque para desempenhar essa função, a verdade é que a meta está longe de ser atingida junto do sistema educativo local. A opinião é de Ana Paula Dias, actual técnica dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), e antiga coordenadora do Centro

orientados para a promoção da competência global dos alunos”.

LÍNGUA OPCIONAL E NÃO OBRIGATÓRIA

de Língua Portuguesa do Instituto Português do Oriente (IPOR). “Embora por iniciativa do governo central da China tenha sido criado, em 2003, o Fórum Macau (...) para dinamizar o papel de Macau como plataforma de ligação, (...) como interlocutor privilegiado para o diálogo com os países de língua portuguesa, nenhum destes princípios se reflectiu ou concretizou entretanto no sistema educativo de Macau”, pode ler-se num artigo de análise publicado na mais recente edição da revista Administração. Para Ana Paula Dias, o confronto de idiomas que povoam o dia-a-dia de Macau não está a ser bem desenvolvido nas escolas. “O ensino de Macau tem um

longo caminho a percorrer no que toca à compreensão e integração desta grande diversidade de realidades étnicas, culturais e linguísticas.” “Veja-se que tendo sido sempre um território multiétnico desde a sua formação, a circunstância do português

ser língua oficial em Macau nunca se viu reflectido no sistema educativo. O ensino e a divulgação da língua portuguesa só tardiamente foram preocupações centrais da antiga administração portuguesa.” Por isso, as escolas devem “construir currículos

“Embora haja em Macau a consciência da importância que o ensino e o domínio da língua portuguesa, assim como a aprendizagem da cultura portuguesa e macaense devem assumir nos currículos escolares, o facto de 93 das 106 escolas do território serem privadas dificulta a implementação de mudanças.” ANA PAULA DIAS in Revista Administração

Ambiente DSPA quer levar reciclagem ao COTAI

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instalação de mais pontos de reciclagem na zona do COTAI parece ser o objectivo principal da segunda fase do programa “Pontos Verdes – efectuar a separação de resíduos pode ser divertido”, da responsabilidade da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Existem actualmente dez pontos de reciclagem em Macau, sendo que, até ao momento, participaram cerca de 5900 pessoas nas actividades ligadas ao programa, aponta um comunicado. Para a zona do COTAI, estão previstas “acções ambientais e diversão com

pontos verdes, onde a equipa de guias presta o serviço de guia de visitas na Zona Ecológica do COTAI, desenvolvendo uma função pedagógica”. As actividades tiveram inicio no passado dia 19. “Numa primeira fase já se recrutaram cerca de 40 pessoas, entre os quais estudantes, trabalhadores em actividade e reformados. Já se procedeu à formação de guias de visita para a Zona Ecológica, no COTAI, procurando juntar as forças verdes das diferentes camadas sociais para, solidariamente, trabalharem na linha de frente, prestando o serviço de guia aos visitantes.”

Na opinião da autora, a falta de uma mudança curricular faz com que o idioma de Camões não passe hoje de uma disciplina, na sua maioria, escolhida por alguns. “A disciplina é apenas oferecida com carácter obrigatório na secção portuguesas das escolas oficiais luso-chinesas e optativo nas escolas particulares que integram a DSEJ.” Para além das poucas horas que o português ocupa nos horários semanais, Ana Paula Dias fala ainda da existência de outras “condicionantes”, como a “falta de

professores com formação específica em português como língua estrangeira”, “uso da mesma metodologia que é usada para o português como língua materna”, “falta de materiais didácticos” e “expansão rápida do inglês”. Quanto as consequências das poucas horas de aulas, a responsável fala de desistências por parte dos alunos, “falta de estímulo por parte dos professores”. Ana Paula Dias vai mais longe e defende que “o não desenvolvimento de programas educativos específicos para o público em questão tem como consequência o desaparecimento progressivo da língua portuguesa no seio da comunidade macaense”. Dado o panorama, o futuro avizinha-se, na sua opinião, difícil. “Embora haja em Macau a consciência da importância que o ensino e o domínio da língua portuguesa, assim como a aprendizagem da cultura portuguesa e macaense devem assumir nos currículos escolares, o facto de 93 das 106 escolas do território serem privadas dificulta a implementação de mudanças.”

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ANÚNCIO HM - 2ª vez - 21.01.14

Execução Ordinária

CV3-08-0075-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A. (anteriormente designado BANCO SENG HENG, S.A), sociedade anónima com sede na Avenida da Amizade, Edifício Macau Landmark, 18.º andar da Torre do Banco ICBC.----EXECUTADOS: HOI WENG TONG, residente em “澳門老子高 街 3 樓 A”, e outro.----------------------------------------------------------*** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos da executada para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens penhorados sobre que tenham garantia real, e que são os seguintes: ------BENS PENHORADOS Depósitos bancários, descontos no vencimento e quantias de comparticipação pecuniária, titulados pela Executada.-------------------*** Macau, 14 de Janeiro de 2014 ***


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CHINA

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Numa área de vanguarda, aos poucos, as firmas chinesas vão comendo uma fatia cada vez mais larga dos mercados

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Á muito tempo que a China é a fábrica que produz produtos electrónicos populares em série para as empresas do mundo inteiro, mas os produtos com tecnologia do próprio país raramente são vistos como inovadores. Isto está a começar a mudar. As empresas de tecnologia chinesas estão cada vez mais a desafiar os líderes de mercado e a definir tendências nos sectores de telecomunicações, dispositivos móveis e serviços on-line. Ao mesmo tempo que bloqueiam as concorrentes globais no seu imenso mercado doméstico, estão também a contratar executivos de Sillicon Valley e a expandir-se no exterior com campanhas de marketing agressivas protagonizadas por atletas e celebridades. Em muitas partes do mundo, as empresas chinesas ainda enfrentam problemas de percepção dos consumidores, que acham que os seus produtos não têm a mesma qualidade dos demais. Alguns concorrentes estrangeiros alegam que o governo chinês oferece vantagens injustas através de subsídios, financiamento barato e controlo cambial.

TECNOLOGIA EMPRESAS CHINESAS DESAFIAM GIGANTES OCIDENTAIS

Golias contra Golias Mas muitos executivos de empresas chinesas e ocidentais afirmam que o sector de tecnologia da China está a atingir uma massa crítica de especialidade, talento e poder financeiro que pode realinhar a estrutura de poder da indústria global de tecnologia nos próximos anos. “As empresas chinesas costumavam copiar as ocidentais, mas agora estamos a começar a assistir

a uma verdadeira inovação “, diz Colin Light, sócio da PricewaterhouseCoopers.

INVESTIMENTO EM INVESTIGAÇÃO

A ascensão da indústria de tecnologia da China é alimentada em parte pelo investimento crescente em investigação e desenvolvimento. Segundo um estudo do Instituto Battelle Memorial, uma ONG americana de fomento à ciência,

os gastos em P&D, (Pesquisa e desenvolvimento), na China devem alcançar cerca de 2.2 biliões de patacas este ano, mais 22% do que em 2012. O número compara-se à estimativa de um avanço de apenas 4% nos EUA, para cerca de 3.6 biliões de patacas. A previsão é que a China supere a Europa em P&D até 2018 e os EUA até 2022. Os gastos com P&D da Huawei Technologies Co, segunda maior

fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo por receita, atrás da sueca Ericsson, subiram mais de 14 vezes em dez anos, para 40 mil milhões de patacas em 2013. Neste período, a Huawei superou rivais ocidentais, como a Nokia e a Alcatel no mercado de equipamentos de telecomunicações. Isto deve-se em parte à forma criativa que os seus engenheiros encontraram para modernizar redes sem fio usando software em vez de substituir componentes de hardware caros, diz Peter Zhou, executivo de negócios de equipamentos sem fios da Huawei. A Huawei agora tem um centro de P&D em Xangai que

Poluição da China pode ser vista do espaço

China quer organização de cooperação energética asiática

Petróleo Reservas de Xinjiang representam 22% do total da China

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NVESTIGADORES belgas e franceses anunciaram na passada sexta-feira ter mapeado, pela primeira vez, a poluição do ar na China a partir do espaço, um acontecimento que deve ajudar na luta contra este atentado à saúde. Os cientistas usaram um sensor infravermelho a bordo do satélite climático europeu MetOp para mapear nuvens de material com partículas e de dióxido de carbono, dióxido de enxofre e amónia sobre a planície norte da China, que abrange Pequim, Tianjin e a província de Hebei, em Janeiro de 2013.

ERMINOU no domingo em Hong Kong o “Seminário internacional sobre transformação da ordem mundial e cooperação internacional de energia”, organizado pelo Comité do Fundo de Energia da China. O secretário-geral, He Zhiping, afirmou que a procura de energia dos países emergentes asiáticos é muito grande. Por esta razão, “é urgente criar uma organização de cooperação energética na região”. He disse esperar que os líderes políticos, empresários, especialistas em energia e organizações não-governamentais possam sentar-se para discutir a proposta, que visa reforçar a cooperação entre países asiáticos, em áreas de exploração, transporte e reserva energética, além de elevar o poder o negocial e direito de falar sobre os avanços dos países asiáticos no mercado energético mundial.

Ministério de Terras e Recursos da República Popular da China publicou os resultados da avaliação dos recursos de petróleo e gás de Xinjiang, informando que os recursos do petróleo de Xinjiang representam 22% no cômputo total dos recursos petrolíferos do país, de 22.8 mil milhões de toneladas, que teve aumento de 7.7 mil milhões de toneladas em comparação com os resultados de 2007. Segundo a mesma fonte, a bacia de Tarim conta com 12.1 mil milhões de toneladas de recursos de gás, tendo crescimento de 4 mil milhões de toneladas face a 2007, e a bacia de Junggar, crescido 3.4 mil milhões de toneladas. Além disso, o volume dos recursos de gás desta região alcançou a 17.5 biliões de metros cúbicos e ocupa 28% no país, o que mostrou aumento de 7.6 biliões de metros cúbicos em comparação com o de 2007.


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emprega mais de 10.000 engenheiros. A Glory Global Solutions Ltd., fabricante britânica de máquinas usadas por bancos para contar notas de dinheiro, abriu um centro de pesquisa em Xangai em 2011. Os seus engenheiros chineses estão a desenvolver um sensor tecnológico para identificar várias características de segurança que existem nas notas para detectar falsificações, combinando programas de software, engenharia de hardware e métodos científicos como espectrometria.

Em 2012, a Lenovo assinou um contrato de três anos para patrocinar a Liga Nacional de Futebol Americano Trabalhar em tecnologia de ponta com os engenheiros chineses cria o risco de estes deixarem a empresa e irem para as concorrentes locais, diz o director-geral da Glory Global, Paul Adams. Mas os engenheiros chineses estão a trazer novas ideias.

SER O NÚMERO 1

Na área de produtos de consumo, poucas empresas chinesas conseguiram impor-se mundialmente. Mas a fabricante de computadores pessoais Lenovo que no ano passado ultrapassou a Hewlett-Packard como a maior fabricante de PCs em unidades vendidas, está a estabelecer um novo precedente com uma agressiva expansão global em smartphones. No terceiro trimestre de 2013, a Lenovo ocupava o terceiro lugar em vendas globais, a seguir à Samsung e à Apple, segundo a empresa de sondagens Gartner. A Lenovo, que comprou a área de PCs da IBM em 2005, lançou o seu primeiro smartphone na China em 2010. Contratou muitas pessoas da indústria dos sectores de telecomunicações e internet para injectar “sangue novo”, segundo o director de estratégia, Zhou Qingtong. Em 2012, a Lenovo assinou um contrato de três anos para patrocinar a Liga Nacional de Futebol Americano. Também fez da estrela de basquetebol Kobe Bryant o rosto da propaganda do seu smartphone na Ásia e contratou o actor Ashton Kutcher para a sua nova campanha de marketing nos EUA. Em Dezembro, a Lenovo inaugurou um novo centro de pesquisa, desenvolvimento e produção de smartphones e tablets, na cidade de Wuhan. “Queremos decididamente ser a número um em smartphones, mas ainda vai levar bastante tempo”, disse o director-presidente da Lenovo, Yang Yuanqing, em entrevista ao The Wall Street Journal.

ECONOMIA CHINESA MANTÉM CRESCIMENTO DE 7,7% EM 2013

Estabilidade sustentável A

segunda economia mundial anunciou ontem um crescimento de 7,7% em 2013, igualando o desempenho do ano anterior, que foi já o mais baixo desde o final da década de 1990. “De um modo geral, a economia chinesa teve um bom momento de estável e moderado crescimento, o que é um resultado difícil de alcançar”, disse o Gabinete Nacional de Estatísticas da China ao divulgar os resultados económicos de 2013. Contudo, o director do Gabinete, Ma Jiantang, alertou que “alguns problemas profundamente enraizados continuam por resolver”. No quarto trimestre de 2013, o crescimento abrandou 0,1 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, de 7,8% para 7,7%, mas continuou a exceder a meta de 7,5% fixada pelo governo para o conjunto do ano. As vendas a retalho, um dos principais indicadores do consumo interno, aumentaram 13,1% em relação a 2012. O aumento maior

46,3% dos chineses vivem em áreas rurais

(14,6%) ocorreu nas áreas rurais, onde vivem cerca de 46,3% da população. A produção industrial cresceu 9,7%, menos 0,3 pontos percentuais do que em 2012, apesar

2014 REFORMA DAS ZONAS RURAIS E NA SEGURANÇA ALIMENTAR

Prioridades definidas A

S prioridades da política da China em 2014 serão a melhoria do ambiente rural e a manutenção da segurança alimentar, segundo um documento do Partido Comunista Chinês (PCCh), divulgado este domingo pela agência chinesa de notícias Xinhua. O “documento número um”, emitido em Janeiro pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, define as prioridades da política do país

para o ano, e tem estado centrado nas questões rurais desde 2003. Pequim tem-se preocupado com o ambiente urbano depois de uma série de graves problemas de poluição atmosférica, mas também reconheceu que a contaminação industrial da água e do solo, juntamente com o uso excessivo de pesticidas e fertilizantes, tem causado graves problemas ambientais nas zonas rurais. A luta contra a

poluição rural faz também parte dos esforços da China para garantir que existem terras suficientes, água e mão-de-obra rural para alimentar uma população urbana crescente, sem ter de recorrer aos mercados exteriores. Na semana passada, os líderes do PCCh prometeram manter políticas económicas estáveis para alcançar um crescimento económico razoável em 2014, enquanto o país

da acentuada subida do sector automóvel (14,9%). O investimento em activos fixos, que mede nomeadamente a despesa do governo em infra-estruturas, abrandou 1,1 pontos percentuais, para 19,6%. A inflação situou-se nos 2,6%, abaixo dos 3,5% previstos pelo governo, e, mais uma vez, as exportações chinesas superaram as importações. Pelas contas chinesas, a China registou o ano passado um excedente comercial de cerca de 2 biliões de patacas. Quanto aos novos postos de trabalho criados em 2013, o Gabinete Nacional de Estatísticas apontou “mais de 10 milhões”. Em 2010, a China tornou-se a segunda maior economia mundial, ultrapassando o Japão, mas os índices de crescimento de dois dígitos parecem ter passado à história. O crescimento do Produto Interno Bruto chinês abrandou para 9,3%, em 2011 e para 7,7% no ano seguinte, o valor mais baixo desde 1999. Trata-se de um valor considerado “mais sustentável” e também “mais amigo do ambiente”, uma área muito sacrificada ao longo das últimas três décadas de acelerado crescimento económico.

continua a avançar com reformas, noticiou a rádio estatal após uma reunião à portas fechada do Comité Central. A China manterá uma política monetária prudente e uma política fiscal pro-activa no próximo ano, segundo a emissora, citando um comunicado divulgado após a anual Conferência Económica da China, que reúne líderes do partido, ministros do governo e autoridades das províncias. “Manteremos a estabilidade e a continuidade nas políticas macro-económicas. Manteremos o crescimento apropriado do Produto Interno Bruto”, indica o comunicado.

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MACAU ANGLICAN COLLEGE

O esquecimento de Deus

Zhou Youguang, o ‘pai’ do PinYin (escrita fonética do mandarim), completou 109 anos na semana passada. Famoso escritor e linguístico (claro), participou da criação da escrita alfabética do mandarim. Em entrevista a um jornal de Pequim afirmou: “Deus distraiu-se e esqueceu-se de mim por aqui”.

PARENTS ARE WELCOME TO ATTEND A PARENTS’ INFORMATION MEETING FOR ENROLING K1 PUPILS AT MACAU ANGLICAN COLLEGE AV. PADRE TOMÁS PEREIRA, NO. 109-117, TAIPA, MACAU THIRD FLOOR, SCHOOL HALL ON TUESDAY, FEBRUARY 18th 2014, 7:30 P.M. *Four new K1 classes commence in September 2014. *100 places will be offered to new K1 pupils aged 3, in 4 classes of 25. *English and Putonghua are the main languages of instruction. *Assessment Day, March 8th 2014, from 9:00 a.m. (Details to follow). *Creative teaching styles; child centred learning.


JOGOS

DA

LUSOFONIA

hoje macau terça

FOTOS GONÇALO LOBO PINHEIRO

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GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo Em Goa, Índia

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S equipas de ténis-de-mesa da RAEM tiveram, ontem, sortes diferentes no recém-construído pavilhão de Peddem, em Mapusa (Goa). Do lado masculino, as hipóteses de chegar ao pódio, que já não eram muitas à partida, caíram por terra com a dupla derrota por 3-0 perante as selecções da Índia e de Portugal, que, ao fecho desta edição, ainda jogavam entre si para apurar o vencedor do torneio masculino por equipas. Já do lado feminino a conversa foi outra. As meninas de Macau surpreenderam com uma vitória categórica sobre a equipa portuguesa por 3-1 e conquistaram o bronze para o território. O jogo entre as portuguesas e as atletas de Macau começou de feição para as cores lusas, como aliás seria de esperar muito por culpa dos currículo das jogadoras intervenientes, com Joana Mota

TÉNIS-DE-MESA EQUIPA DE MACAU COM SORTES DIFERENTES

Mulheres de bronze, homens de barro a levar de vencida a chinesa Wong Sio Leng à melhor de cinco jogos por 3-2. Apesar da vitória, logo aqui se antevia que a vida das atletas lusas não seria fácil, até porque no

primeiro ‘set’ Macau chegou a estar a vencer por 2-0 antes da espectacular recuperação da atleta portuguesa. Em seguida o rumo natural da história inverteu-se. Wong

RESULTADO DE MACAU HOMENS (Chang Hoi Wa, Ng Ka Hou, Cheok Lei Chon, Che Weng Heng e Chak Iat Kou) • Macau 0 – 3 Índia • Macau 0 – 3 Portugal

MULHERES (Wong Sio Leng, Wong Choi Chi, Cheong Cheng I) • Portugal 1 – 3 Macau

Choi Chi (por duas vezes) e Cheong Cheng I tratariam de dar a inesperada vitória para o lado das cores verdes da RAEM, treinadas pelo chinês Shi Zhenke. Do lado luso, o treinador Serafim Vitorino, que no dia anterior se mostrava confiante num lugar no pódio, depois de duas vitórias em dois jogos, batendo o Sri Lanka por 3-2 e Angola por 3-0, era ontem o espelho de uma enorme desilusão depois da derrota com a Índia (0-3). “Era esperado perder com a Índia. O que não estava nas contas era perder com Macau. Ficámos em quarto lugar por um único ‘set’. É uma pena

mas umas vezes perde-se e outras ganha-se.”

IMBERBES E INEXPERIENTES

Já a prestação da equipa masculina da RAEM foi fraca demais para o poderio e experiência da selecção portuguesa, que no dia anterior tinha derrotado o Sri Lanka por 3-0. Os também treinados por Shi Zhenke claudicaram e não mostraram o sangue frio e a experiência necessária para o embate contra os lusos. Comandados por Alexandre Gomes, os jogadores portugueses revelaram ser candidatos fortes à vitória final e ao almejado ouro. Em três jogos disputados venceram todos por 3-0 deixando os atletas de Macau sem qualquer hipótese de disputar mano-a-mano cada ‘set’. André Silva – vencedor da competição individual masculina dos Jogos da Lusofonia de 2009 em Lisboa - despachou o melhor da RAEM, Cheok Lei Chon. Já Diogo Silva e Jorge Costa bateram de seguida Che Weng Heng e Chak Iat Kou, respectivamente.

CLASSIFICAÇÃ FINAL FEMINI POR EQUIPAS

1- Índia (medalha de ouro)

2- Sri Lanka (medalha de p

3- Macau (medalha de bro 4- Portugal 5- Angola


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prata)

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FUTEBOL JOGO CONFRANGEDOR NA VITÓRIA MÍNIMA DO SRI LANKA

Macau em curto-circuito S

E a Selecção de Macau de futebol pudesse ser comparada a uma instalação eléctrica muito provavelmente podíamos afirmar que esteve em curto-circuito completo no seu primeiro jogo diante do Sri Lanka, no qual perdeu pela margem mínima (0-1), no Estádio Tilak Maidan, em Vasco da Gama. Futebol aos repelões, passes falhados, falta de ligação entre os sectores, lentidão, descrença, comodismo, e mais adjectivos houvesse. A selecção de Macau não foi competente perante a igualmente fraca Selecção do Sri Lanka, proporcionando um jogo medíocre que, muito a espaços, lá conseguia soltar aos espectadores uma ou outra salva de palmas. O que se assistiu foram 90 minutos de futebol sofrido onde Macau só conseguiu rematar à baliza

da congénere do Sri Lanka apenas aos 43 minutos da primeira parte, já depois do Sri Lanka, dois minutos antes, ter marcado o seu único tento, numa desatenção que começou no meio-campo da Selecção da Flor de Lótus. Ao intervalo, os comandados por Leung Sui Wing devem ter ouvido das boas no balneário e, apesar de não conseguirem explanar o seu parco futebol, apareceram mais afoitos e conseguiram o seu primeiro pontapé de canto do jogo ao minuto 56. Depois disso foi correr atrás do prejuízo. Macau podia ter chegado ao empate pelo que jogou na segunda parte, mas não conseguiu, sofrendo até um susto já perto do final quando um jogador do Sri Lanka podia ter sentenciado o jogo por completo. Exibição a rever. - G.L.P.

CHEFE DA MISSÃO PORTUGUESA CRITICA ORGANIZAÇÃO DOS JOGOS

Artur Lopes cáustico O

Prata para o voleibol feminino de Macau

Numa competição disputada entre três equipas – que esteve em risco de não se realizar por falta de participantes -, a selecção de voleibol feminino de Macau conquistou o segundo lugar. Depois de ter perdido, na véspera, com a selecção organizadora Índia (0-3), as cores da RAEM venceram ontem Moçambique (3-0) com os parciais de 25-20, 25-18 e 25-10, num jogo em que os africanos não conseguiram fazer frente ao jogo incisivo de Macau e que foi disputado no Estádio Multiusos do complexo da Universidade de Goa, em Dona Paula (Goa).

chefe da missão portuguesa nos Jogos da Lusofonia criticou este domingo a organização do evento, afirmando que há situações que “urge questionar”. “A organização tinha, de facto, possibilidades porque gastou mundos. Fez uma cerimónia de apresentação lindíssima, como se viu, [mas] depois tem algumas coisas que urge questionar”, afirmou Artur Lopes, em declarações aos jornalistas, à margem de um jantar da comitiva lusa num hotel de Calangute, ao norte da capital Pangim. Uma das críticas levantadas por Artur Lopes prende-se com o uso da Língua Portuguesa, muitas vezes relegado para segundo plano. “Aqui é o inglês e, às vezes, existe uma tradução portuguesa. Bati o pé, acho mal, não estou nada satisfeito e, portanto, isso é bastante negativo”, destacou. O chefe de missão portuguesa também aludiu à cultura do povo indiano. “Em paralelo, a própria organização, dada a cultura do povo - e temos que perceber que estamos na Índia, apesar de Goa ser, de longe, a zona, região, estado mais evoluído, mas, apesar de tudo, é a cultura da Índia: eles dizem que sim mas não sabem, nunca dizem que não, dizem que vão tratar mas esquecem-se. Eu suponho que nunca tenham enfartes do miocárdio? É ne-

cessário compreendermos tudo isto e a organização peca por isso.” Artur Lopes constatou ainda que “se investiu muito dinheiro” nas novas infra-estruturas, mas que, apesar disso, “parecem utilizados há muito tempo, sujos e sem qualidade nos acabamentos”. Seja como for, o responsável luso não deixou de sublinhar a importância destes jogos que são “uma maneira de o desporto ser o transportador da lusofonia, a qual não se esgota na língua, tradição, história ou costumes”. - G.L.P.

Artur Lopes


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EVENTOS

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“Arte sem Fronteiras” na Fundação Rui Cunha

CLAUDIO ABBADO (1933-2014)

O maestro das causas perdidas N ASCIDO em Milão, em 1933 numa família de músicos (o seu pai foi mesmo o seu primeiro professor), Claudio Abbado estudou entre a sua cidade natal, Viena e Siena. Entre finais dos anos 50 e inícios da década de 60 ganhou alguns prémios internacionais como jovem maestro, um deles (o Dimitri Mitropoulos Prize) permitindo-lhe dirigir a Filarmónica de Nova Iorque durante cinco meses. Ganhou experiência e notoriedade em passagens pelo La Scala (Milão) e à

frente de orquestras como a Filarmónica de Viena, a London Symphony Orchestra (que chefiou entre 1979 e 1988) ou a Chicago Symphony Orchestra (sobretudo entre 1982 e 86). Em 1989 sucedeu a Karajan à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim, através da qual alargou a sua discografia. Em 2002, dois anos após ter-lhe sido diagnosticado um cancro, abandonou a orquestra, mantendo contudo actividade intensa quer na direcção de orquestras (formou, por exemplo, a

Orquestra do Festival de Lucerna, em 2003).

PERSONALIDADE REVOLUCIONÁRIA

A Itália classificou como “extraordinário” o director de orquestra e recordou a

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sua personalidade “revolucionária”, sempre disposta a promover a música clássica entre os mais jovens. Num breve comunicado, a família informou que Abbado morreu “serenamente” às 8h30 locais, após ter cancelado todos os seus concertos dos próximos dias. “Abatuta revolucionária”, diz na sua edição digital o jornal “La Repubblica”, ao lembrar as críticas de Abbado ao “egoísta sistema económico actual” e os seus elogios ao sistema venezuelano, que criou centenas de pequenas orquestras no país. Para Abbado, a música servia de “resgate social” e a sua experiência na Venezuela, em 2010, onde dirigiu a Orquestra Juvenil Simón Bolívar da Venezuela, permitiu que confirmasse que “a música salva os jovens da criminalidade, da prostituição e das drogas”. Abbado tinha sido nomeado senador vitalício da Itália em 30 de Agosto e o seu salário era destinado à Escola de Música da pequena cidade de Fiesole, na região central da Toscana, o seu último gesto para promover a música clássica. Por isso, um dos primeiros a lamentar a morte do mestre foi o secretário-geral do Partido Democrata e prefeito de Florença, capital da Toscana, Matteo Renzi, que destacou “a sua generosidade para com a cidade” e a sua “extraordinária grandeza”.

A MÚSICA REABILITA

Durante sua vida, Abbado realizou dezenas de projec-

tos para levar a música clássica às prisões e pediatrias de hospitais, ao considerar que “a educação musical é, na realidade, a educação do homem”. “Um extraordinário músico e um homem valente”, assim o definiu a vice-ministra de Cultura italiana, Ilaria Borletti Buitoni. “A cultura italiana perde um de seus grandes representantes no mundo”, expressou o presidente da Comissão de Relações Exteriores no Senado, Pier Ferdinando Casini. O director do teatro Piccolo de Milão, Luca Ronconi, que tinha colaborado com Abbado em vários projectos, resumiu como “uma dor insuportável” o falecimento do mestre. O jornal “Corriere della Sera” destacou outra de suas famosas declarações: “Voltaria a dirigir o teatro Scala de Milão se me pagassem plantando 90 mil árvores”. “Ele merece todo o nosso agradecimento por ter dado prestígio à cultura italiana, levando-a aos teatros e salas de concertos mais importantes do mundo. Agradecemos a paixão que se empenhou em contribuir no crescimento cultural das gerações mais jovens”, afirmou a presidente do Senado, Laura Boldrini. Boldrini lembrou também que sua escolha como senador vitalício “premiou justamente uma vida na qual a arte foi a ferramenta usada para contribuir com suas responsabilidades civis”.

A Associação Arte sem Fronteiras celebra o seu 5º aniversário com a apresentação a partir de hoje e até 15 de Fevereiro próximo, na Fundação Rui Cunha, de uma exposição de obras dos seus membros e de alunos de Macau. O convite aberto, com base em Originalidade, Arte, Criatividade e Plenitude, foi organizado pela Arte sem Fronteiras destinado às obras artísticas do alunos da escola secundária com o objectivo de encorajar os adolescentes a participar nas exposições artísticas e estimular a sua criatividade e os seus interesses artísticos, informa o comunicado de imprensa da organização. A mostra inclui, pintura, fotografia, escultura, instalação, vídeo, cerâmica, de 17 membros e nove candidatos. A “Arte sem Fronteiras” conta com mais de 30 membros, onde se incluem artistas plásticos, fotógrafos, escritores e compositores, entre outros.

Lei do Património Cultural no IC O Instituto Cultural de Macau (IC) está a realizar desde o final do ano passado uma série de sessões de esclarecimento especializadas sobre a Lei de Salvaguarda do Património Cultural, que entrará em vigor a 1 de Março do presente ano. As sessões terão lugar nos dias 21, 25 e 27 de Janeiro, pelas 10:00 horas, no Auditório do Museu de Macau, sendo as mesmas conduzidas em chinês (cantonense) com tradução simultânea para português, informa o comunicado de imprensa da organização. No âmbito das três sessões, o IC irá apresentar a Lei de Salvaguarda do Património Cultural junto de proprietários e administradores de construções classificadas, associações e serviços públicos, promovendo uma troca de opiniões no sentido de criar uma base sólida para a futura implementação da lei, acrescenta a nota de imprensa. Para o mês de Fevereiro estão agendadas novas sessões de esclarecimento.


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a revolta do emir

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Pedro Lystmann

MA bebida que inclui sumo de tomate e molho worcestershire não pode, felizmente, agradar a todos. Se os gostos fossem universais a Chartreuse Verde já estaria extinta. Não vale também a pena insistir na sua potencial exclusividade. O que ultrapassa o ordinário é que esta bebida extraordinária não tenha inspirado imitações que se tenham imposto como hábito. Entre as copiosas variações conhecidas, nenhuma, das mais excêntricas às mais tímidas conseguiu alcançar a estação cimeira e a exclusividade das suas instalações mais básicas. Os bebentes de Bloody Mary continuam a passear a sua pose petulante, enquanto os comentadores de bebidas continuam (escapa-se-me a razão desta doentia insistência) a tentar procurar na história íntima dos cocktails, uma legitimação histórica que os enobreça. Seria pretencioso estar a impor uma receita própria. Trata-se de uma bebida com inúmeras variáveis, alvo constante de alterações exageradas por parte de mixordeiros de fim de semana e vaidades mais ou menos competentes. Como poucas, esta bebida obriga a experimentar. Uma maneira de fazer uma apresentação decente e honesta será talvez a de indicar quais os ingredientes mais habituais e nucleares, e dar a entender que a partir desta base há terreno para alguma adaptação (ao contrário de um dry martini, o melhor cocktail do mun-

O BLOODY MARY do, que não admite brincadeiras parvas), dentro de limites de decência. Não convém igualmente inventar pretensões numa bebida que é uma bebida simples e cuja base alcoólica se cumpre com um produto banal, que é o vodka. Como esta base não tem valor enquanto sabor mas enquanto produto alcoólico que excitará a embriaguez, qualquer marca honesta servirá. Em Macau, os hotéis e os casinos que abrigam bares garantem a qualidade dos produtos. Como num único dia um casino arrecada rendimentos superiores aos que os seus bares acumularão em 20 ou 30 anos, sobre estes não se estende a suspeita (que é uma certeza noutros lugares) da impropriedade das bebidas constituintes dos cocktails. Sendo irrelevante a receita dos bares, podemo-nos entregar à sua generosidade paternal sem quaisquer reservas. Este tem sido um enorme avanço conseguido nos últimos anos. A concupiscência e a vanglória não nos deixarão passar mal. O outro líquido que entra na composição do Bloody Mary é sumo de tomate, o ingrediente mais importante, aquele que lhe define a personalidade e lhe garante a qualidade. Se é possível fazer um bom Bloody Mary com vodka banal não é possível fazê-lo com sumo de tomate que não esteja à altura.

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Este dipsógrafo, em casa, usa Kagome, um produto japonês de alcance fácil, mas esta preferência não impede outras (que, no entanto, no mercado local, não aconselha). Fazê-lo na proporção de 2 partes do primeiro (vodka) e 5 do segundo (sumo de tomate) é uma aproximação sensata mas pode lembrar-se que na sua juventude este brutal cocktail misturava estes dois líquidos em partes iguais. A estas duas bebidas acrescentam-se o molho worcestershire, o sumo de limão e/ou laranja, o tabasco, a pimenta cayenne ou normal e o sal (há muitas variações, há quem acrescente xerez, por exemplo; a receita de Kingsley Amis, por outro lado, inclui ketchup). Decora-se muitas vezes com um ramo de aipo, que serve igualmente para mexer. Não vejo razão para não continuar a fazê-lo. O modo e ordem de mistura lê-se em centenas de livros, revistas e páginas electrónicas. Uma comiseração que alguns poderão achar deslocada obriga-me a declarar o seguinte: este é dos cocktails que mais semelhante resulta quando feito virgem, isto é, sem álcool. Pode usar-se tomates frescos, só admitindo, no entanto, fruta de qualidade impecável. Pode, na versão com vodka ou na versão triste, ser feito em jarros e servido

ao ar livre como refresco, a crianças e adultos, acrescentando-se gelo na altura. Institui-se deste modo como colorida bebida de jardim. Espalhou-se igualmente a ideia que alivia, no dia seguinte, os excessos do dia anterior e é servido, sublinhando esta sua pretensa faculdade curativa, em brunchs - já ouvi, contudo, argumentos mais sérios para se legitimar beber vodka de manhã. O Bloody Mary tem uma enorme vantagem sobre outros cocktails de maior fama, e elegância superior, como o Manhattan ou o melhor cocktail do mundo, o Dry Martini (duas das seis famosas instalações que Embury instituiu como as básicas e que aqui em breve serão objecto de embriagada apreciação). Bebem-se 6 Bloody Marys com à-vontade, até mesmo 8, posologia que as outras duas mixórdias não permitem. Acrescenta-se uma outra. Este é um cocktail que não sugere uma apreciação selecta. Como tal podemos tratá-lo com grande à-vontade, mesmo, por vezes, com uma desconsideração afável ou mesmo com a vertigem sanguínea que a cor da fruta promove. Ao contrário, mais uma vez, do Dry Martini, o sublime paradigma, que não admite demasiadas familiaridades (este ciente do seu poder destrutivo) ou excessos de confiança. Os respectivos processos de confecção espelham estas duas categorias da amizade. O Dry Martini ressente-se de qualquer erro na sua confecção, sendo a minúcia indispensável. Serve-se, como o Manhattan, num copo que intimida os neófitos. A sua cor é fria, quase setentrional na sua transparência. No Bloody Mary os erros corrigem-se com facilidade, com pequenas adições, e é permitido fazer-se com brutalidade. Pode servir-se em vários tipos de copos, pode-se até improvisar. No bar do Hotel Star World este serve-se, muito bem, num copo baixo tipo old fashioned, no Lan, no Hotel Crown Towers, é muito bem servido num copo mais alto, do género highball. No Macallan não recordo mas é, certamente, igualmente muito bem misturado e apresentado. A sua cor é quente, sanguínea, antropofágica, quase tribal. Ironicamente, para uma bebida que tem, na sua versão básica, bastantes ingredientes, é muito fácil de concluir com sucesso em casa. Não choca ir provando e acrescentando mais molho ou mais pimenta. Aconselha-se, no entanto, antes disso, um Bloody Mary Crawl pelos bares da cidade. Só assim se ganhará o indispensável sentido do equilíbrio dos picantes, da acidez e da robustez que é característica deste preparado.


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Pepe Escobar IN ÁSIA TIMES

FLORENÇA

MAQUIAVEL REVISITADO

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014 acaba de raiar, e estou, numa tarde fria e chuvosa, na Piazza della Signoria em Florença, olhando para a placa redonda, no piso - ignorada pelas legiões de turistas chineses -, que assinala o local onde foi enforcado e queimado o monge Savonarola, dia 23/5/1498, condenado por conspirar contra a República Florentina. 

 Mas estou pensando - e como não pensaria? - em Maquiavel. Naquele dia fatídico, Maquiavel tinha apenas 29 anos. Estaria em pé, a alguns passos de onde estou. O que estaria pensando? 

Maquiavel viu como Savonarola, popular pregador dominicano, fora saudado como salvador da República: re-escrevera a Constituição, para dar poder à classe média. Querem saber? Não haveria então movimento (a favor do povo) mais arriscado e perigoso que aquele. Aliou Florença à França. Mas não teve como resistir, quando o papa Alexandre VI, pró-Espanha, impôs terríveis sanções económicas que feriram fundo a classe dos mercadores florentinos (antecipação, séculos antes, das sanções dos EUA contra os bazaaris iranianos). 

 Savonarola também regeu a fogueira das vaidades original, cuja pirâmide flamejante incluía perucas, potes de rouge, perfumes, livros com poemas de Ovídio, Bocage e Petrarca, bustos e pinturas de temas “profanos” (até - horror dos horrores - alguns de Botticelli), cítaras, violas, flautas, esculturas de mulheres nuas, figuras de deuses gregos e, cúmulo dos cúmulos, uma efígie de Satã.

No final, os florentinos cansaram-se das lições de puritanismo linha dura de Savonarola - e uma sentença sombria da Inquisição papal selou o negócio. Quase vejo Maquiavel, o famoso sorriso enviesado - enquanto a fogueira ardia, exactamente um ano antes, no mesmo local onde Savonarola arderia depois em chamas. O veredicto: não há lugar para realpolitik, numa “democracia” comandada por Deus. Deus, por falar dele, nem mudava coisa alguma. Só a natureza humana é capaz de decidir de que modo sopram os ventos; na direção da liberdade ou na direção da servidão. 
 Eis, pois, o que aconteceu naquele dia na Piazza della Signoria em 1498 - no mesmo ano, morreu Lourenço O Magnífico, e Cristóvão Colombo cruzou o Atlântico na sua terceira viagem para “descobrir o Novo Mundo”: nada menos que o nascimento da teoria política ocidental, na cabeça do jovem Nicolau.

ESTUDE A HUMANIDADE, MEU JOVEM 

 Florença é o primeiro estado moderno em todo o mundo, como Jacob Burckhardt diz bem claramente no seu magistral “A Cultura do Renascimento na Itália”,[1] deslumbrado ante “o fulgurante espírito florentino, ao mesmo tempo finamente crítico e artisticamente criativo”. 

 Os florentinos demoraram muito tempo para tecer a orgulhosa, patriótica tradição de república que se auto-governava; um quadro muito aristotélico, segundo o qual “o fim do estado

não é a mera vida, mas uma boa qualidade de vida”. Muito cooperativa, com todos envolvidos, completamente diferente da República de Platão, cujas regras eram impostas do alto. 

 No alvorecer do século XV, os florentinos leitores de Aristóteles que muito desejavam celebrar a própria liberdade civil e política estavam ocupados na tarefa de esculpir - contando com as fabulosas obras de realismo pictórico e a paixão pela arquitectura clássica - nada menos que o que viria a ser conhecido como “a Renascença”. 

 Por que inventou Florença a Renascença? A resposta de Vasari serve, como outras serviriam: “O ar de Florença tornava naturalmente livres as mentes, sem se satisfazerem com mediocridades.” Ajudou também, que a educação fosse focada nos studia humanitatis - o “estudo da humanidade” (já praticamente esquecido no início do século XXI), com estudos de história (para compreender a grandeza da Grécia e da Roma antigas); retórica; literatura grega e romana (para aprimorar a eloquência); e filosofia moral que era a Ética de Aristóteles. 

 Maquiavel, nasceu em 1469, no mesmo ano em que subiu ao poder, depois da morte de seu pai Piero, o jovem Lorenzo de Medici (Lourenço, O Magnífico); foi protegido do avô de Lorenzo, Cosme [Cosimo] de Médici, O Velho; e viveu a maior parte da vida numa Florença dos Médici. Entendeu, portanto, a natureza (viciada) do jogo; como diz o brilhante historiador Francesco Guic-

ciardini, Lorenzo foi “tirano benevolente numa república constitucional”. 

 A família de Maquiavel não era rica - mas integralmente dedicada ao ideal do humanismo civil. Diferente de Lorenzo, Nicolau pode não ter recebido a mais fina educação humanista disponível, mas estudou latim e leu os filósofos e especialmente os historiadores antigos - Tucídides, Plutarco, Tácito e Lívio, cujos trabalhos encontravam-se nas livrarias de Florença. Nos antigos heróis gregos e romanos, ele viu exemplos de grande virtude, coragem e sabedoria; que lastimável contraste com a corrupção e a estupidez de seus contemporâneos (pode-se dizer o mesmo, meio milênio depois). 

 Mas, se Maquiavel era aristotélico, Lorenzo era, em certo sentido, platónico. Mas quem melhor explica isso é o filósofo Marsilio Ficino, protegido de Cosimo, coordenador da Academia Platónica; Lorenzo não acreditava em Platão: ele usou Platão. E, além do mais, entendia de espectáculo - por exemplo, instalou o espectacularmente ambissexual David, de Donatello,[2] no seu pedestal, no cortile do Palácio Médici, e promovia avidamente no seu círculo de amigos o filósofo ‘da moda’, Pico della Mirandola, conhecido como “o homem que sabia tudo” - ou, pelo menos, todo o conhecimento humano disponível na Renascença desde a queda de Constantinopla em 1453. 

 E então, apenas um mês depois da execução de Savonarola na fogueira, o


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homem de olhos negros, redondos, cabeça pequena e nariz aquilino, descrito por seu biógrafo Pasquale Villari como “observador muito fino, de mente atilada”, conseguiu um emprego. E por 14 anos foi leal servidor da república florentina restaurada, sempre a cavalo, em missões sensíveis, negociando, dentre outros, com o papa Júlio 2º, com o rei da França Luiz XII, o imperador Maximiliano I do Sacro Império Romano, e o imprevisível, inacreditável, maior que a vida César Bórgia, segundo filho ilegítimo do homem que viria a ser o papa Alexandre VI. Maquiavel foi encarregado da política externa de Florença; definitivamente, nunca foi o que hoje conhecemos como “especialista’ de think-tank e poltrona, de Washington. 

 Enquanto Maquiavel andava às voltas com César Bórgia, tornou-se amigo do engenheiro-militar-chefe de Bórgia, ninguém menos que Leonardo da Vinci. Faz falta um Dante, para imaginar o diálogo entre eles: um, que ia criando a nova ciência da política; o outro a mais refinada mente científica que a Renascença conheceu; na bifurcação do espírito humanista, da arte, poesia e filosofia, para a realidade - política e ciência.

“SÁTIRA” OU “LIVRO VIVO”?

 Sentado na minha enoteca favorita em frente ao Palácio Pitti para reler O Príncipe,[3] mexi também com outras fontes; houve um dilúvio de livros sobre Maquiavel nos 500 anos de O Príncipe, concluído em apenas quatro meses, no final de 1513. O melhor deles é O Sorriso de Nicolau, de Maurizio Viroli, historiador de Princeton.[4] Viroli estabeleceu, de vez, que Maquiavel nunca foi fantoche dos Médici. 

 Antes de tornar-se secretário da Segunda Chancelaria, em Junho de 1498, Maquiavel já vivia, e ele próprio admite, bem próximo de Lourenço, O Magnífico. Pouco depois da volta dos Médicis ao poder em Florença, depois de um período de exílio (em Veneza e Pádua), Maquiavel passou pela tortura do strappado - tortura à florentina, em que as mãos são amarradas às costas e o corpo é puxado e erguido e depois jogado, para estatelar-se no chão, nunca menos que seis vezes. Nem por isso virou rato: então, deixaram-no, para morrer; depois de 22 dias foi libertado da cela na torre de Bargello, no início de 1513, por intervenção de dois apoiantes dos Médici. 

 No final da vida, Maquiavel ainda prestou vários serviços ao papa Clemente VII, ninguém menos que Giulio de Giuliano de Médici. Mas o resumo disso tudo é que Maquiavel nunca foi

ELE SABIA QUE NADA SOMOS, QUE SÓ TEMOS PAPEL INSIGNIFICANTE NESSA HUMANA, DEMASIADO HUMANA, COMÉDIA medicista, seguidor dos Médici: queria, mais que qualquer outra coisa, que os Médici seguissem seus conselhos. 

 Então, saiu da cadeia, pobre mas não quebrado; retirou-se para sua pequena quinta e pôs-se a escrever. O Príncipe resultou livro de história - não de teoria política. Rousseau declarou que seria “uma sátira”. Gramsci o apresenta como “um livro vivo” - uma celebração de um Príncipe utópico “mediante tantos elementos apaixonados, míticos, que ganha vida na conclusão, na invocação de um príncipe realmente existente”.[5] Maquiavel de facto desenhou o mito do fundador e do redentor de uma república livre - imaginando que a redenção do estado seria sua própria redenção, depois de ter sido demitido do posto de secretário, num comunicado lacónico e de, adiante, ter sido acusado de estar conspirando. 

 Foi uma bênção reler O Príncipe e os Discursos[6] - os quais, à época, converteram-se em guia intelectual e político de todos que acalentavam o ideal da liberdade republicana na Europa e nas Américas. Os Discursos é a fusão, feita por Maquiavel, de Políbio e Aristóteles. Os romanos haviam descoberto que qualquer grande império estará sempre condenado, se não mantiver equilíbrio aristotélico entre monarquia, aristocracia e democracia. Maquiavel deu um passo adiante: todas as repúblicas

existentes estão, de facto, condenadas. Numa república livre, como na Grécia e na Roma antigas, ou em Florença antes dos Médici, excesso de prosperidade, de sucesso, de ganância - e o inchaço - distorce o impulso do homem para o auto-enriquecimento (ou dissolve-o em complacência), muito mais do que o mantém a serviço do Estado. A podridão cresce de dentro para fora - não de algum poder externo. Pense-se na antiga União Soviética. Pense-se no actual declínio do Império dos EUA. Mas, como sempre, também aí há os excepcionalistas medíocres que não captam o grande quadro: Leo Strauss, da University of Chicago, ensinou, nos anos 1950s, que Maquiavel teria sido “professor do mal”.

 Com a podridão crescendo de dentro para fora, é aí que entra o Príncipe. É como O Último Homem [orig. Last Man Standing[7]] - muito distante da figura idealizada do rei-filósofo ou de um professor platónico. É o governante que arranca uma sociedade corrupta de seus caminhos autodestrutivos e a empurra de volta à vida política de bases mais firmes - e à proeminência. (Maquiavel pensava especificamente em alguém que salvasse a Itália dos invasores estrangeiros e de sua própria casta de governantes cegos, surdos e imbecis). 

 E se o Príncipe tiver de recorrer à violência para defender a república, a violência não poderá ser jamais gratui-

ta, mas sempre subordinada a uma bem construída e argumentada ragion di stato [razão de Estado] (o ataque e a ocupação do Iraque pelos EUA, em 2003, obviamente não satisfaz esse requisito). Mas o Príncipe não é um messias político; é, mais, um misto de raposa (“para perceber as armadilhas”) e leão (“para assustar e espantar os lobos”). A mais adequada versão contemporânea seria Vladimir Putin. 

 Naquele fatídico dia de Maio de 1498, Maquiavel viu, na execução de Savonarola, como o fundamentalismo religioso é incompatível com uma sociedade comercial e politicamente viável (os príncipes da Casa de Saud nunca leram O Príncipe). E nos mostrou o muro de desconfiança que separa a ética e a ciência de governar - traçou como um mapa resumido do caminho para o futuro da hegemonia global da civilização ocidental. 

 O mais curioso é que a dinastia Médici tanto tenha rejeitado O Príncipe à época; afinal, foi o culminar em matéria de manual do que fazer para converter-se no Poderoso Chefe (político) na pós-Renascença e dali em diante. E penso... O que os sábios cortesãos da dinastia Ming teriam feito de O Príncipe? Provavelmente, imperialmente, ignorá-lo. 

 Pois foi assim que celebrei o meio milénio de aniversário de O Príncipe; partilhando taças de Brunello, como se estivéssemos numa osteria florentina no início do século 16, com o espírito de um muito importante funcionário público sénior da República Florentina, que saiu demitido do seu gabinete, exactamente como ali entrara: pobre, incorruptível, com a dignidade intacta. Só posso admirar o sorriso enviesado no canto da boca, que mal disfarça a dor - mas, mais uma vez... Ele sabia que nada somos, que só temos papel insignificante nessa humana, demasiado humana, comédia. 1] BURCKHARDT, Jacob [1860], A Cultura do Renascimento na Itália. Trad. Sergio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, 504 pp. ISBN 9788535913613.
 [2] Veem-se imagens em http://goo.gl/HOyEcE [NTs]
 [3] MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Col. Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril, 1973 [há outras edições].
 [4] VIROLI, Maurizio, O Sorriso de Nicolau. Biografia de Maquiavel. São Paulo: Ed. Estação Liberdade, 2013. Tradução de Valéria Pereira da Silva, 312 pp.
 [5] GRAMSCI, Antonio. Maquiavel, a Política e o Estado Moderno. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978 [há outras edições]. “O caráter fundamental deO Príncipe é o de não ser um tratado sistemático, mas um livro ‘vivo’, no qual a ideologia política e a ciência política fundem-se na forma dramática do ‘mito’”. Assim começam as Breves notas sobre a política de Maquiavel, que Antonio Gramsci escreve no cárcere entre 1932 e 1934 e que constituem o essencial das suas reflexões sobre Maquiavel.” (Em “Gramsci, leitor de Maquiavel”, Juan Carlos Portantiero - Julho 2009, Tradução: Josimar Teixeira, in Gramsci e o Brasil,http://www.acessa.com/gramsci/?page= visualizar&id=1113) [NTs].
 [6] MAQUIAVEL, Nicolau, Discursos Sobre a Primeira Década de Tito Lívio, São Paulo: Ed. Martins Fontes, 514 pp., 2007, ISBN 10: 853362316X e ISBN 13: 9788533623163
 [7] Bon Jovi tem uma gravação com esse título. Ouve-se (com tradução ruim, mas ajuda a ler), em http://letras.mus.br/bon-jovi/117185/ traducao.html. Há também um filme e um seriado norte-americanos com o mesmo título


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DESPORTO

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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serenidade e a disciplina táctica foram as armas com que o onze da Casa de Portugal em Macau garantiu uma estreia auspiciosa na edição de 2014 do Campeonato de Futebol da II Divisão. A formação de matriz portuguesa exorcizou os fantasmas da última época com a imposição de uma goleada inequívoca ao Grupo Desportivo Artilheiros. Com um grupo de trabalho renovado, a formação orientada pelo são-tomense Pelé esmagou o adversário por cinco golos sem resposta, num desafio em que Miguel Botelho esteve em evidência. O dianteiro marcou três dos cinco tentos da partida e

CASA DE PORTUGAL GOLEOU ARTILHEIROS POR 5 – 0

Pelé confiante numa boa temporada deu o mote a uma temporada que se quer de redenção desportiva. Pelé espera que o emblema que dirige possa apagar a má imagem que a equipa deixou na última temporada (o Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal só na última jornada do campeonato garantiu a permanência no segundo escalão) e se possa colocar o mais cedo possível em posição de lutar pela ascensão ao convívio dos grandes do futebol do território: “Há dois anos estivemos a oito minutos de garantir

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ACAU irá ter um representante no Campeonato Britânico de Fórmula 3 em 2014. Chang Wing Chung, mais conhecido por ‘Andy’ Chang, assinou com a equipa inglesa Double R Racing para a época vindoura, facto confirmado a semana transacta pela formação liderada por Anthony ‘Boyo’ Hieatt através de um comunicado de imprensa. Após ter feito seis corridas do Campeonato Britânico de Fórmula Ford em 2013, Chang, que com o apoio do Instituto do Desporto (IDM) e da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) também foi piloto oficial da Tonykart na Europa por duas

a participação na Liga de Elite. A situação acabou por fazer com nutríssemos demasiadas expectativas na última época. As coisas começaram a correr mal e a temporada foi um desastre”, reconhece o jovem treinador. “Era importante entrar no Campeonato a ganhar, até para dar confiança à equipa, mas, com toda a sinceridade, nunca esperei que pudéssemos golear. Se conseguirmos manter o nível frente à Alfândega creio que poderemos começar a olhar para os nossos ob-

jectivos com outros olhos”, sublinha Pelé. No fim-de-semana, frente ao Pau Peng, a Casa de Portugal dominou sem grandes percalços, mas só na recta final da primeira parte conseguiu traduzir em golos uma maior superioridade. A formação de matriz portuguesa saltou para a frente do marcador aos 41 minutos, na sequência de uma falta cometida por um defesa do Grupo Desportivo Artilheiros no seu último reduto. Chamado a cobrar a grande penalidade, Miguel

Botelho não desperdiçou a oportunidade de colocar o Organismo Autónomo Desportivo em vantagem. O marcador só se voltou a alterar na etapa complementar. Á passagem da hora de jogo, o veterano Paulo Conde deixou a sua marca no desafio e exponenciou a superioridade de que a Casa dispunha no marcador, na cobrança exímia de um livre directo. Nove minutos foi quanto bastou para que o conjunto orientado por Pelé apontasse o terceiro golo, numa grande iniciativa de

PILOTO DE MACAU VAI CORRER NO CAMPEONATO BRITÂNICO DE 2014

Chang promovido à Fórmula 3 épocas consecutivas, irá dar assim o maior passo na sua curta carreira. Aos 17 anos, Chang deverá ter uma temporada de aprendizagem antes de se estrear na Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 no final do ano em Macau. Recorde-se que Chang estreou-se no Circuito da Guia no 60º Grande Prémio, terminando no oitavo lugar da corrida da Formula Masters China Series. “Este é um grande passo para ele, mas com um bom plano de testes em ordem, estamos confiantes que ele vai atingir depressa a rapidez necessária”, disse Boyo, o director

desportivo da formação inglesa que nos últimos anos tem estado longe de impressionar no Grande Prémio de Macau. “Ele ainda não conduziu o carro mas já mostrou que anda bem nos carros que correu anteriormente, e está claro, ele tem um bom currículo no karting. Estamos confiantes que ele vai melhorar ao longo do ano na preparação para o Grande Prémio de Macau”, concluiu. O campeonato britânico arranca no primeiro fim-de-semana de Maio em Rockingham, passando depois por Silverstone, Snetterton,

Spa-Francorchamps na Bélgica, Thruxton, Brands Hatch e Donington. Depois de dois anos de crise profunda e ter mesmo estado às portas da morte, a competição de monolugares de referência de terras de Sua Majestade apenas permite este ano a utilização dos Dallara F308 da geração anterior e F312 limitados por uma questão de contenção de custos e revitalização do campeonato. Chang será o terceiro piloto da RAEM a correr no britânico de Fórmula 3, depois de Cheong Lou Meng ter competido em 2005 e Rodolfo Ávila em 2006.

Francisco Aranha. O médio apontou o melhor golo da noite, ao visar de fora da área o ângulo superior esquerdo da baliza do Pau Peng. Com o triunfo assegurado, o emblema de matriz portuguesa teve ainda tempo de celebrar novamente por duas ocasiões, em iniciativas com a chancela de Miguel Botelho. O dianteiro apontou o segundo da conta pessoal aos 77 minutos e completou o hat-trick três minutos depois, encerrando também a marcha do marcador. O resultado deixou Pelé e o grupo de trabalho da Casa de Portugal confiantes numa boa prestação da equipa na temporada que teve no fim de semana o seu início. Agradado com o desempenho dos seus jogadores, o jovem técnico são-tomense diz, ainda assim, que o plantel ainda tem margem para evoluir, até porque alguns atletas ainda não puderam dar o seu contributo à equipa: “Há dezasseis jogadores novos na Casa de Portugal e eu não estava de todo à espera que a equipa, por ter sido re-estruturada, jogasse com a qualidade com que jogou. Fique agradado com alguns dos novos reforços. Com a chegada do Nicholas Friedman e com o regresso aos relvados de jogadores como Carlos Vilar ou Anacleto Cabaça creio que teremos condições para apresentar uma equipa promissora”, sustenta Pelé. Entre os reforços mais sonantes para a nova temporada estão o angolano Anacleto Cabaça (que representou o Futebol Clube do Porto de Macau durante várias temporadas) e o irlandês Thomas Bunker, que alinhava no Evergreen, clube que milita no campeonato distrital da região de Kilkenny. Nos restantes desafios da jornada inaugural do Campeonato de Futebol da II Divisão, destaque para o triunfo por três bolas a zero daAlfândega sobre a Selecção de Sub-18 da Associação de Futebol de Macau e para a vitória do Hong Ngai por 2-1 sobre o Man Fung Hong. O Chuac Lun derrotou o Hong Lok pela margem mínima, ao passo que Roma e Hong Nam dividiram pontos, ao empatarem a três bolas.


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

10

MAX

16

HUM

30-65%

•

EURO

10.8

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

SALA 2

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 19.30

AS THE LIGHT GOES OUT [B] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Derek Kwok Com: Nicholas Tse, Shawn Yue, Simon Yam, Hu Jun, Bai Bing 16.30, 21.30 SALA 1

CONTROL [C]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00, 21.30

THE LEGEND OF HERCULES [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 19.45

SALA 3

GIRL IN THE SUNNY PLACE [B] (FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 19.15

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Lembrar o próximo (migrante)...

Uma cartão na mala • O bilionário chinês Guangbiao Chen tornou-se uma referência na internet desde que uma foto do seu cartão de visita foi publicada em redes sociais, mostrando uma extensa lista de “qualidades” que o magnata teria para oferecer. Entre os detalhes que Chen faz questão de apresentar, estão itens que o definem como “pessoa mais influente da China, filantropo mais proeminente da China, líder moral do país”, e até “herói de resgate de um terramoto da China”. Guangbiao, que trabalha com empresas de reciclagem no país, ficou famoso ao declarar que tinha a intenção de comprar o tradicional jornal norte-americano “The New York Times”.

Homem é condenado por organizar bacanal gay • Um homem foi condenado na semana passada, em Xangai, na China, por organizar um bacanal gay num quarto de hotel no distrito de Xuhui, em Setembro de 2013, com sete homens. Segundo o “Shangai Daily”, os homens “fora descobertos nus no quarto de hotel”. Eles tinham entre 20 e 40 anos e os sete foram seleccionados pelo organizador, identificado apenas como Wu, por meio de uma rede chamada QQ. Todos receberam penas administrativas e Wu foi punido com cinco meses de prisão administrativa. Este é um tipo de punição que não envolve acção judicial e é considerada mais branda, apesar de ser cumprida, ao que parece, num centro de detenção.

VICTORIA’S SECRET É com certeza no lingerie ousado que reparamos quando miramos esta fotografia da modelo russa Irina Vorodina. Na pêra, nas laranjas e nos objectos (talvez Alessi). E, ao pensamento exaltado, vem-nos a memória das cozinhas da nossa aldeia e o cheiro a fumo do xaile das velhas.

fonte da inveja

Não te revoltes contra nada antes de te revoltares contra ti próprio.

João Corvo

Num fim-de-semana dedicado aos emigrantes, por força do Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados não passa incólume o recente caso da indonésia, deslocada em Hong Kong, brutalmente espancada pela sua patroa. A senhora, na realidade uma jovem de 20 e poucos anos, apresentava cortes e queimadoras no corpo, nomeadamente mãos e pés, quando foi descoberta antes de seguir para ser tratada no seu país natal, num hospital na Ilha de Java. Os abusos prolongaram-se por oito meses, desde que em Maio chegou a Hong Kong, à procura de uma melhor qualidade de vida, distante daquela que possivelmente alguma vez poderia almejar na sua terra natal. Felizmente, a comunidade migrante e activistas mobilizaram-se em prol deste caso, instando as autoridades a pôr os olhos nesta brutalidade (infelizmente) com precedentes. O caso lembra uma outra rapariga que já tinha sido enjaulada – qual animal - em casa de um casal residente em Hong Kong. Não cabe na cabeça o tratamento que é dado a estas trabalhadoras. Aos milhares, são tratadas como autênticas bestas e escravos, sujeitas aos ataques de insanidade de empregadores e presas por não terem outro sustento longe de casa. Os casos lembram a falta de protecção dos trabalhadores destas comunidades, não só da região vizinha, mas na cidade onde vivemos, sujeitas a maus-tratos de patrões que as têm nas mãos quase 24 horas, dos sete dias da semana. A Amnistia Internacional, há alguns tempos, chegou mesmo a apelidar esta prática – cometida não só por empregadores mas também por agências de recrutamento, que atraem as mulheres com condições longe das que irão ter e que as extorquem sem o mínimo pudor, - de “escravatura moderna”. É imperativo acabar com esta situação de flagelo iminente. É necessário que se criem regras e leis para acabar com as monstruosidades que devem ocorrer com uma regularidade maior do que a noticiada. É necessário moral e consciência para apontar o dedo, para denunciar. É preciso pôr fim a esta desumanização selvática em regiões ditas desenvolvidas e internacionais.


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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL Contribuição Predial Urbana São, por este meio, avisado os contribuintes que pretendam beneficiar, relativamente ao exercício de 2013, da dedução da despesas de conservação e manutenção, prevista nos artigos 13º e 16º do Regulamento da Contribuição Predial Urbana, em vigor, de que deverão apresentar, no mês de Janeiro, uma declaração do modelo M/7, em separado para cada prédio ou parte dele. Ficam dispensados da apresentação da referida declaração. quanto aos prédios não arrendados, no exercício de 2013. O impresso da declaração será fornecido por estes serviços, no Edifício “Finanças”, no Centro de Serviços da RAEM e Centro de Atendimento Taipa, ou podem ser descarregado através do endereço electrónico www.dsf.gov.mo , podendo ainda a declaração acima referida ser apresentada através do serviço electrónico desta direcção de serviços. Aos, 4 de Dezembro de 2013. A Directora dos Serviços, Vitória da Conceição

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 18/AI/2014 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora CHANG, IOK KAN (portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 13729XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 1/DI-AI/2013, de 04.01.2013 levantado pela DST e por despacho da signatária de 13.01.2014, exarado no Relatório n.° 19/DI/2014, de 03.01.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Travessa da Encosta n.º 18, Sun Fung Court 13.º andar L e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Janeiro de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernades

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.º 13/AI/2014 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAN, David (portador de Hong Kong Permanent Identity Card n.° G2164xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 31/DI-AI/2012 de 27.03.2012, levantado pela DST, por prestação ilegal de alojamento da fracção autónoma situada na Rua de Paris n.° 167, Edf. Seng Hoi Hou Teng, 8.° andar T, bem como por despacho da signatária de 13.01.2014, exarado no Relatório n.° 11/DI/2014, de 03.01.2014 lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.°1 do artigo 10.° e n.°1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.----------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Janeiro de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 21/AI/2014 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor SY, Lin Ting (portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da Hong Kong n.° D2695XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 39/DI-AI/2012 de 29.04.2012 levantado pela DST, por controlar a fracção autónoma situada na Travessa da Amizade n.° 82, Edifício Centro Internacional de Macau, Bloco 9, 10.° andar B e utilizada para a prestação ilegal de alojamento, bem como por despacho da signatária de 13.01.2014 exarado no Relatório n.° 22/DI/2014 e 02.01.2014, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e n.° 1 do artigo 15.°, todos da Lei n.° 3/2010.------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010.----------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Janeiro de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


OPINIÃO

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CARLOS MORAIS JOSÉ

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a outra face

O universo é indiferente e eu também

S

E entendermos que o Homem também faz parte da Natureza e é vincadamente natural, então teremos de admitir que essa mesma Natureza se transformou em algo de muito estranho aos nossos olhos. O universo, como dizia Sagan, é indiferente. A ele tanto lhe faz uma paisagem verde ou um campo esgotado de petróleo; o mar azul ou um oceano de plástico. Ambas as realidades fazem parte dele e ele não as rejeita. Simplesmente transforma-as. A própria energia nuclear, que horroriza a vida, é parte integrante e normal do universo, estando presente por toda e qualquer parte onde envelheçam as estrelas. Admitamos, pois, que as criações humanas são, em toda a sua extensão, naturais, ainda que possam ser contrárias a um dos aspectos mais interessantes da natureza: a vida. ¿Mas isso que importa, no grande esquema das coisas? ¿É a vida importante para o universo? Não, é-lhe indiferente: in-

dependentemente de existir neste ou naquele planeta, o universo continuará o seu eterno resfolegar, assistindo impávido e sereno ao desfazer de galáxias, à extinção de planetas, ao desarranjo de sistemas estelares. Só num plano moral estrito – estritamente cultural –, uma criação humana pode ser entendida como perniciosa. E mesmo nesta dimensão, resta saber quem se toma como referência objectiva: se o indivíduo, se um grupo, se a espécie, pois o julgamento das acções poderão, consoante essa referência, dotar-se de tonalidades diversas. Logo, perante esta natural incerteza face a uma realidade infinita e amoral, resta-nos aceitar os desmandos contemporâneos, empenhados em fazer tábua rasa de tudo o que não tiver valor de troca. (Parte da tristeza contemporânea advém do facto de até a arte se legitimar nesse mesmo valor de troca.) ¿Quem sabe que plano natural se esconde na destruição sistemática de uma identidade cultural e civilizacional, às mãos dos agentes do lucro? ¿Que desígnio histórico

rumina, afinal, à sombra da menorização do património? ¿Que utopia esconde a poluição sistemática do ar e a eliminação de mamíferos através de doenças respiratórias? ¿Não serão o lucro, a ganância e o monóxido de carbono, todos eles, naturais? Como naturais são todos os crimes e todas as acções. Deixemos então fazer. Deixemos a hu-

Perante esta natural incerteza face a uma realidade infinita e amoral, resta-nos aceitar os desmandos contemporâneos, empenhados em fazer tábua rasa de tudo o que não tiver valor de troca

manidade dar largo espaço às suas vontades, ainda que elas a conduzam à extinção ou a uma segunda etapa na qual não nos reconheceríamos. Deixemos construir, arrasar velhas cidades, eliminar os museus. Aceitemos de bom grado que prolifere a poluição e os mamarrachos. Aceitemos a miséria, as grandes deslocações de populações, os campos de refugiados, a guerra e a doença. Aceitemos tudo o que nos vendem e, em rigor, nós vendemos aos outros. Aceitemos o fim dos olhares entre pessoas, aquele momento em que se reconhece uma natural semelhança, sob a capa da diversidade. Aceitemos a tecnologia da solidão, a hipnose televisiva. No limite, nada nos fará realmente mal. Nem a repetição, nem a obesidade. Claro que o facto de termos uma consciência, na qual o universo se espelha e dele dá conta, deverá ser um aspecto de somenos. Não tiremos daí nenhuma conclusão moral não vá ela atrapalhar mais um brilhante projecto para as cada vez mais escassas zonas verdes de Coloane.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Macau Empréstimos à habitação caíram 16,9% em Novembro

O valor dos novos empréstimos hipotecários para habitação caiu, em termos anuais, 16,9% em Novembro de 2013 para um total de 2.967,2 milhões de patacas, foi ontem anunciado. Dados da Autoridade Monetária de Macau indicam que no mês de Novembro os residentes locais pediram 2.855,7 milhões de patacas para adquirirem casa, menos 16,6% do que no mesmo mês de 2012, ou menos 9.9% do que em Outubro de 2013. Já os não residentes de Macau contraíram empréstimos no valor global de 111,4 milhões de patacas, mais 283,5% do que em Outubro, mas menos 26,8% do que em Novembro de 2012. Os empréstimos concedidos para fracções autónomas habitacionais em construção, assumidos apenas por residentes, totalizaram 126,22 milhões de patacas, um crescimento de 126,8% face a Outubro, mas a traduzir uma queda de 42,8% contra Novembro de 2012, acrescentam os mesmos dados.

Shenzhen Salário mínimo sobe

O salário mínimo na zona económica especial de Shenzhen vai subir 13% em Fevereiro, para 1.808 yuan, tornando-se o mais alto do país, disse a agência oficial chinesa. Para os trabalhadores a tempo parcial, o salário mínimo por hora irá subir 13,8%, para 16,5 yuan (dois euros), indicou a mesma fonte, citando o governo local. O anterior recorde, neste domínio, pertencia a Xangai, com 1.620 yuan por mês. Na China, o valor do salário mínimo varia de província para província. Desde 2010, tem subido em média cerca de 20% ao ano, mas nas províncias mais pobres continuam abaixo dos 1.000 yuan (120 euros).

Índia testou míssil de longo alcance

A Índia testou ontem com êxito o míssil terra-terra Agni IV de longo alcance e com capacidade nuclear, informaram fontes oficiais. O míssil, de 20 metros de comprimento, 17 toneladas de peso e com um alcance de 4.000 quilómetros, segundo as fontes oficiais, foi lançado a partir de uma base militar de Odisha, no leste da Índia. O último teste com o Agni IV teve lugar em Setembro de 2012.

por Stephff

ALERTA DE TERRORISMO PARA OS JOGOS OLÍMPICOS

GALGOS ANIMA SUSPEITA DA BOA-FÉ DA YAT YUEN

Gira o galgo e volta ao dono? O programa de adopção dos galgos lançado recentemente pela Companhia Yat Yuen do Canídromo está a ser criticado pela ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais. A sociedade põe em causa a boa-fé do Canídromo, uma vez que foram diversas as tentativas de criar um programa semelhante, durante os últimos dois anos. Uma das críticas, por exemplo, é a de que a adopção do galgo – anunciada recentemente pelo Canídromo – foi feita “pelo próprio veterinário” do espaço. Mais ainda, o HM sabe que poderá haver a hipótese de que esse

mesmo veterinário possa ser o anterior proprietário do cão – de acordo com o registo de propriedade do Canídromo, o veterinário tem oito cães de corrida. Devido à hora tardia, não foi possível ao HM confirmar a situação com a Yat Yuen. Ontem, em comunicado, a ANIMA traça a cronologia das tentativas de criar um sistema de adopção em colaboração com o Canídromo (ver caixa). Uma das hipóteses colocadas por quem tem vindo a criticar o recente mecanismo de adopção da Yat Yuen é o facto de, no próximo ano, estar em causa a renovação

da licença da concessão. Até este ano, o Canídromo matou cerca de 30 cães por mês, sem nunca se ter mostrado aberto a autorizar adopções. “Agora, depois de tantos meses de campanhas internacionais difíceis, organizadas pela Grey2kUSA Worldwide, Animals Asia , Animals Australia e, mais tarde, a AFA (Asia for Animals ), depois do envio de mais de 20 mil cartas e e-mails para o nosso Chefe do Executivo e para o primeiro-ministro da Austrália é que o Canídromo anuncia o seu programa de adopção?”, escreve a ANIMA em comunicado.

MARCAS FAMOSAS USAM PRODUTOS TÓXICOS EM ROUPAS INFANTIS

Há monstros no armário U MA nova investigação do Greenpeace lançada nesta terça-feira, em Pequim, China, revela que uma série de marcas famosas de vestuário infantil – como Disney, Adidas e Burberry – estão produzindo roupas e calçados com produtos químicos perigosos que estão a ser descartados no meio ambiente. O relatório “A Little Story About the Monsters in Your Closet” (“Uma pequena história sobre monstros no seu armário”, em livre tradução) mostra os resultados de testes feitos em produtos de 12 marcas da indústria, incluindo GAP, Nike e American Apparel. Foram detectados ele-

mentos químicos em roupas de todas as empresas. Nas análises, foram encontrados altos níveis de substâncias como PFOAs, Phthalates e NPEs – elementos tóxicos que, durante o processo de produção, estão sendo irresponsavelmente descartados no meio ambiente, e que podem gerar impactos nos sistemas reprodutivo, hormonal e imunológico dos seres humanos. “Em qualquer parte do mundo, comprar roupas infantis livres de substâncias químicas virou um pesadelo. De Pequim a Berlim, esses elementos estão poluindo nossos cursos d’água”, afirmou Chih An Lee, da campanha Detox, do Greenpeace,

no sudeste asiático. “É urgente que a indústria da moda deixe de usar essas substâncias em sua produção, para o bem da actual e das próximas gerações. Pais, fãs de moda e comunidades locais podem ajudar a colocar um ponto final nisso, exigindo das marcas que parem com a poluição”. Chih An Lee ainda lembrou que algumas marcas famosas já começaram a caminhar para uma produção mais limpa. “Graças à mobilização de pessoas no mundo inteiro, algumas das maiores marcas de roupa já se comprometeram a desintoxicar sua produção, tornando sua cadeia produtiva mais transparente e livre de substâncias tóxicas”.

Seul retira asilo a “falsa” lésbica

A justiça da Coreia do Sul anulou ontem o asilo concedido a uma mulher do Uganda por ser lésbica, depois de ter considerado como provado que contactou com vários homens na Internet. A decisão do Tribunal Superior de Seul supõe a deportação da jovem africana para o Uganda, onde os homossexuais são alvo de uma forte perseguição. Sob o argumento de que não existem provas da sua homossexualidade, o tribunal anulou a decisão tomada numa instância mais baixa que tinha concedido o estatuto de refugiada a esta mulher de 28 anos, que pediu asilo em Fevereiro de 2011 alegando que os membros da sua família tinham sido assassinados pelos vizinhos por ela ser lésbica. A decisão foi tomada com base em provas de que tinha conhecido vários homens na Coreia do Sul através de uma agência de encontros na Internet. A mulher pode ainda recorrer desta decisão. O Uganda aprovou em Dezembro uma lei que prevê 14 anos de prisão para quem tiver relações com pessoas do mesmo sexo e prisão perpétua para actos homossexuais com agravantes.

Ribéry e Benzema julgados por prostituição de menores Os internacionais franceses Franck Ribéry, do Bayern de Munique, e Karim Benzema, do Real Madrid, estão desde ontem, segundafeira, no banco de acusados de um tribunal de Paris, em França, acusados de prostituição de menores, por suposta contratação dos serviços sexuais de uma menor de 18 anos. Recorde-se que, ainda em 2009, Ribéry admitiu ter gasto 700 euros para ter relações com Zahia Dehar, na altura com 17 anos, embora o jogador tenha sempre afirmado que desconhecia que a rapariga era menor. Já Benzema, negou sempre a acusação de que terá pago 500 euros, em 2008, para ter relações sexuais com a mesma menor, isto numa altura em Zahia tinha apenas 16 anos. Caso venham a ser condenados, os dois internacionais franceses incorrem numa pena de três anos de prisão e 45 mil euros de multa.


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Hoje Macau 21 JAN 2014 #3015 by Jornal Hoje Macau - Issuu