POIESIS
PAULO JOSÉ MIRANDA
AMÉLIA VIEIRA
MASCAGNI MICHEL REIS
HOJE MACAU
TREINAR
hojemacau
A CRISE EM HK E O FUTURO DE MACAU ENTREVISTA
TIAGO ALCÂNTARA
Negros hábitos
JOÃO COSTA PINTO
TDM
OS FACTOS E A LEI PÁGINA 7
GONÇALO LOBO PINHEIRO
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MOP$10
TERÇA-FEIRA 20 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4355
PEREIRA COUTINHO
EM JEITO DE BALANÇO PÁGINA 4
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HOJE MACAU
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Cerca de 50 agentes da PSP foram ontem à noite destacados para o Leal Senado e imediações. A operação, que visava impedir qualquer manifestação contra a violência policial em Hong Kong, resultou na detenção de sete pessoas. Mais de 30 estiveram temporariamente sob custódia num parque de estacionamento das Finanças. A intervenção incidiu especialmente sobre jovens com t-shirts pretas, a cor dos manifestantes em Hong Kong. ÚLTIMA
2 ENTREVISTA
JOÃO COSTA PINTO ECONOMISTA E VICE-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO ORIENTE
“Macau não pode ser vítima do seu sucesso” Ex-secretário adjunto de Almeida e Costa e antigo presidente do BNU, João Costa Pinto acredita que o futuro de Macau passa pelo resultado da resolução da crise política de Hong Kong. Para o responsável, Carrie Lam errou, mas os manifestantes também devem perceber os limites das suas reivindicações. O economista, que fez de tudo no Banco de Portugal, lamenta que o BNU tenha sido absorvido pela Caixa Geral de Depósitos
A sociedade de Macau ainda é muito conservadora, mas isso não o surpreende. Repare, Macau sempre foi uma situação, a muitos títulos, única, mesmo comparando a Hong Kong ou Singapura. Quando cheguei a Macau (em 1981) vivia-se um período de viragem na economia chinesa e na envolvente de Macau.
O país estava a abrir ao mundo. Sim. Era um jovem economista com uma visão muito particular dos problemas económicos e financeiros, muito europeia e ocidental, e devo dizer que me dei conta que a realidade de Macau era única. Macau surgia simultaneamente como um produto da história, o resultado de uma evolução histórica extremamente interessante e única com um mundo envolvente em transformação. A China, pela mão de Deng Xiaoping, iniciava um processo de abertura ao mundo e Macau era uma espécie de situação intermédia entre tradição e passado e a modernidade que estava presente em Hong Kong. Em Macau conviviam três grupos sociais distintos: a população chinesa, a macaense e uma relativamente pequena comunidade portuguesa proveniente da metrópole. Havia uma particularidade, muito portuguesa, uma vez que periodicamente eram feitas mudanças no topo da Administração portuguesa em Macau e chegava outra que partia do zero. Era o que chamei de Administração sem memória. Não havia continuidade de políticas. Não havia. Isso era um problema, pois mesmo que a Administração portuguesa quisesse e soubesse fazer, era difícil que impulsionasse um processo de modernização e de mudança da própria economia e sociedade. Na altura fiquei com toda a área da economia e das finanças. Foi secretário adjunto do governador Almeida e Costa. Sim. Tinha uma formação essencialmente financeira, vinha do Banco de Portugal. Quando cheguei a Macau vivia-se um período em que surgiam por todo o lado movimentos de offshores e de globalização
dos mercados financeiros. Hong Kong era um dos grandes centros de desenvolvimento financeiro do mundo e rivalizava, já naquela altura, com Londres e Singapura. Quando cheguei, uma das minhas ideias era fazer com que Macau pudesse beneficiar deste movimento de integração financeira mundial. O território, de certa maneira, estava parado no tempo. Muito do enquadramento administrativo e legal que existia ainda reflectia em parte o enquadramento colonial português, e as soluções que eram desadequadas para o novo mundo que se estava a desenvolver. Quando percebi que era necessário mudar todo esse enquadramento, modernizar todo o sistema bancário e financeiro, alterar profundamente todo o quadro legislativo que existia, melhorar as telecomunicações, tive sorte porque contei, na altura, com o apoio do Governo e, sobretudo, dos líderes da comunidade chinesa local, nomeadamente de um homem que tinha uma grande importância, o Ho Yin. Também tive o apoio do líder da comunidade macaense, Carlos d'Assumpção.
“Se esta crise acabar por ser resolvida sem problemas de maior em que o enquadramento constitucional é preservado, estou convencido que o futuro de Macau e de Hong Kong vai ser de progresso e desenvolvimento económico e social.” É nesta fase que se instituem as sociedades offshore no território. Também. Criaram-se as novas licenças bancárias, e também estive envolvido na revisão profunda do contrato de jogo, que era outro elemento muito importante, com a STDM. O contrato alargou muito substancialmente as receitas da
Administração, o que permitiu que esta passasse a ter outra capacidade financeira. Foi lançado um concurso internacional relativamente à empresa que viria a controlar as telecomunicações locais, pois, quando cheguei, para se ter um telefone esperávamos meio ano. É evidente que tudo isto iria no futuro depender muito do próprio desenvolvimento da China. Nessa altura também se verificou o lançamento das Zonas Económicas Especiais que iriam ter uma importância extraordinária. Desde o início do grande movimento de modernização da economia chinesa foi claro para mim que as autoridades chinesas perceberam o enorme potencial que representava todo o estuário do rio das pérolas. Era uma plataforma a partir da qual poderia irradiar capital e investimento para outras regiões da China e Macau iria depender sempre desse movimento. Ao fim de quatro anos decidi regressar a Portugal. Foi uma decisão sua? Sim. No entanto, tive a possibilidade de continuar a acompanhar de perto toda a evolução de Macau porque assumi depois a presidência do Banco Nacional Ultramarino (BNU) onde estive quatro anos e meio. Iniciei as negociações que permitiram garantir a permanência do BNU como emissor da moeda mesmo depois da transferência de soberania. O papel do BNU tem sido devidamente aproveitado num novo contexto? Não conheço em detalhe da actuação do banco. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) controla hoje 100 por cento do capital do BNU que, contra a minha opinião, foi absorvido e desapareceu como marca. Foi um erro do Estado português ter concordado e cedido às pressões da administração da CGD para absorver o BNU. Percebo porque é que o fizeram, pois o BNU tinha profissionais de grande qualidade que foram beneficiar a Caixa, mas foi um erro. O BNU poderia ser mantido autónomo, especializado, porque era uma marca conhecida quer na Ásia quer na Europa. Durante o meu mandato tinha reaberto uma sucursal em Londres. Havia um
enorme potencial que infelizmente foi destruído com essa decisão. Foi mais um erro dos muitos que se tem feito. Felizmente foi mantida a autonomia do BNU. Hoje talvez o grupo CGD beneficie imenso devido à crise financeira que se vive em Portugal, por contraste aos excelentes resultados que o BNU tem. Mas podia beneficiar na mesma se o banco permanecesse autónomo, pois a Caixa continuaria a ser dona de cem por cento do capital. Claro que não surgiria nas contas da Caixa, mas sim no consolidado. Felizmente que Macau continua a prosperar e a dar um contributo muito importante para o grupo CGD. Até 2021 as sociedades offshore em Macau vão encerrar. É um passo importante para uma maior transparência e credibilidade junto de entidades internacionais? Repare: é uma fase que corresponde a uma mudança profunda do sistema financeiro internacional. As razões que levaram à criação desses centros offshore alteraram-se profundamente, embora continue a haver centros offshore no interior dos EUA. Mas há um escrutínio cada vez maior sobre os fluxos de capitais e houve nos últimos anos duas grandes preocupações, quer para as agências internacionais e Governos, no sentido de controlo de movimentos ilegais de capitais. Certamente as autoridades de Macau terão chegado à conclusão que para preservarem a qualidade de Macau como centro financeiro tem de se dar esse passo. Acho normal. Vivemos uma guerra comercial entre a China e os EUA. A pataca continua a estar indexada ao dólar americano... Também aí se estão a verificar mudanças, meramente potenciais, e porquê? Porque o enorme desenvolvimento económico e financeiro que se verificou na China nos últimos anos fez com que tenha havido uma alteração, com consequências profundas, que é a existência de duas moedas.Amoeda internacional convertível foi adoptada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e isso
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HOJE MACAU
Não tem massa critica para ter uma autonomia como a de Hong Kong. Não vejo que em Macau os problemas se possam pôr a esse nível. O que vejo é que os riscos que Macau corre é de uma completa descaracterização, pois esse fluxo imenso de gente que se está a verificar em Macau necessita de ser minimamente controlado, se não haverá problemas crescentes de gestão urbana e de condições de vida. Seria uma pena se Macau fosse vítima do seu próprio sucesso. É vice-presidente da Fundação Oriente (FO). Quais os projectos para o futuro? Fui convidado pelo presidente do conselho de administração (Carlos Monjardino) há cerca de dois anos, e aceitei porque sempre considerei que a FO poderia ter um papel importante na manutenção de pontes e ligações entre Portugal e o Extremo Oriente, em particular a China e Macau. Estou muito satisfeito porque constato que é exactamente o que a FO tem vindo a fazer. Portugal é um país pequeno com uma imensa herança histórica e tem imensas limitações para, através dos poderes públicos, ter grandes iniciativas internacionais. A FO dá um contributo muito importante.
vai acabar por ter consequências, porque a China tem hoje reservas enormes do ponto de vista cambiais, estamos a falar de triliões de dólares. O que leva muita gente a interrogar-se se Macau e Hong Kong têm hoje a mesma importância que tiveram no passado para a economia da China. Eu acho que Macau e Hong Kong, de forma distinta, mantêm uma grande importância como ponto de entrada de capitais. No caso de Hong Kong, há um mercado de capitais altamente desenvolvido onde estão cotadas muitas das principais empresas chinesas e internacionais. Mas acredita que, à medida que a moeda chinesa se vá internacionalizando mais, haja uma indexação da pataca à moeda chinesa? É difícil responder. Nada acontecerá à pataca sem acontecer em Hong Kong primeiro. Isto levanta uma questão quase estratégica, que é: interessa às autoridades chinesas manter o sistema financeiro de Hong Kong de alguma forma ligado ao dólar, ou não? Enquanto o dólar mantiver a sua importância como a primeira moeda internacional, estou convencido que interessa à economia chinesa a ligação da moeda de Hong Kong ao dólar internacional. Mas se amanhã a moeda chinesa viesse a rivalizar com o dólar em peso mundial o problema punha-se de maneira distinta. Mas
essa questão vai depender muito do próprio futuro de Hong Kong, que será determinado pelos problemas políticos actuais.
“Sou um democrata e um liberal, mas tenho a percepção de que aqueles que, em Hong Kong, têm aspirações legítimas de democracia, devem ser minimamente realistas.” Está pessimista face ao que está a acontecer em Hong Kong? Estou sobretudo surpreendido e preocupado. Hong Kong tem um enquadramento constitucional e político que decorre dos termos em que a soberania do território foi devolvida à China. É evidente que a relação que iria existir entre a sociedade de Hong Kong e a China iria também ela própria ser muito condicionada pela evolução política interna da China. E não há dúvida nenhuma que o próprio desenvolvimento económico e financeiro extraordinário da China criou um novo quadro,
tensões sociais e até políticas novas. A minha surpresa é face à dimensão e intensidade do problema que se gerou em Hong Kong. É evidente que o Governo local cometeu um erro grave de avaliação.
caminhar para uma situação mais perigosa do ponto de vista político. Espero que o bom senso prevaleça e que a realidade de Hong Kong, que é um produto histórico extraordinário, não seja irremediavelmente afectada.
Na apresentação da proposta de lei da extradição e do seu impacto. Exactamente. Sobretudo face a uma população muito jovem, de educação muito elevada que convive mal e sempre conviveu mal com determinados princípios que estão subjacentes a um quadro constitucional onde Hong Kong vive.
O Governo de Hong Kong já fala do cenário de recessão técnica na área financeira. Macau poderá sofrer consequências? Um dos elementos que explica a enorme prosperidade do mercado de Hong Kong é ser um mercado liberal. Se houver um refluxo desta liberdade ou receios, Hong Kong pode enfrentar uma situação perigosa de uma saída maciça de capitais, riqueza, empresas e de talentos. Isto iria esvaziar Hong Kong e acabaria por ter reflexos sobre Macau, embora Macau tenha uma realidade distinta.
Há também problemas económicos e sociais. Sim, sem dúvida. Sou um democrata e um liberal, mas tenho a percepção de que aqueles que, em Hong Kong, tem aspirações legítimas de democracia, devem ser minimamente realistas para perceber que o território tem uma situação geográfica, histórica e política em que há um equilíbrio mínimo que é preciso preservar. O movimento reivindicativo, que pode ser legítimo, não quer perceber ou não é capaz de perceber a intensidade das pressões que está a desencadear e os desequilíbrios que está a provocar. Estou surpreendido pela incapacidade do Governo de Hong Kong de responder minimamente, de forma a reduzir a pressão política interna. Está-se a
“A Caixa Geral de Depósitos (CGD) controla hoje 100 por cento do capital do BNU que, contra a minha opinião, foi absorvido e desapareceu como marca.”
Em Abril debateu-se, aqui em Lisboa, o futuro de Macau, mas, não sei se concorda, acabou por se falar mais do passado. Pergunto-lhe agora qual vai ser o futuro de Macau tendo em conta o contexto de integração regional que se avizinha? Não me admira que tenha ficado com a sensação de que se falou muito do passado, pois não é fácil falar do futuro, sobretudo de uma realidade com o dinamismo que tem aquela região. Este é um momento chave pelo que está a acontecer em Hong Kong, e o futuro de Macau e daquela região vai depender muito da saída que as actuais tensões tiverem. Se a saída for como todos esperamos, o essencial é preservado. Esperemos que da parte das autoridades chinesas haja prudência e muita paciência, e do lado da sociedade de Hong Kong também haja bom senso... Em que sentido? Há limitações naquilo a que se pode aspirar e exigir para o futuro do território em termos de autonomia. Se esta crise acabar por ser resolvida sem problemas de maior em que o enquadramento constitucional é preservado, estou convencido que o futuro de Macau e de Hong Kong vai ser de progresso e desenvolvimento económico e social. Andreia Sofia Silva
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20.8.2019 terça-feira
BOLETIM OFICIAL SACOS DE PLÁSTICO, DIAMANTES E HABITAÇÃO SOCIAL COM DATAS MARCADAS
O
diploma que regula as “Restrições ao fornecimento de sacos de plástico” foi ontem promulgado em Boletim Oficial (BO) e vai entrar em vigor a 18 de Novembro, 90 dias após a data de publicação. A nova
lei estabelece as normas a aplicar aos estabelecimentos comerciais que forneçam sacos de plástico nas vendas a retalho sem cobrar taxa, que deverá ser de 1 pataca, ainda a fixar por despacho do Executivo.
No mesmo BO foram ontem também publicadas as leis da “Aplicação do Sistema de Certificação do Processo de Kimberley para o comércio internacional de diamantes em bruto” e do “Regime jurídico da habitação social”, cujas
discussões na especialidade ficaram concluídas até ao encerramento da sessão legislativa a 15 de Agosto. O diploma que prevê a aplicação do sistema internacional de certificação, na obtenção de licenças para
os operadores que exercem actividades de importação, exportação, trânsito, compra, venda ou transporte de diamantes em bruto na RAEM, entrará em vigor a partir do dia 1 de Outubro de 2019. Quanto à lei que
vai definir as normas para a atribuição e arrendamento da habitação social, com vista a apoiar os residentes em situação económica desfavorecida, só daqui a um ano irá entrar em vigor, a 19 de Agosto de 2020. R.M.
GONÇALO LOBO PINHEIRO
ainda será elaborada pelo actual Chefe do Executivo, Chui Sai On. “Até lá tudo estará dependente da forma como vão apresentar a proposta de lei”, frisou Coutinho, lembrando que, “neste aspecto, se o Governo de Macau quiser, Portugal pode ser um exemplo em matéria de lei sindical”.
MISTÉRIO DO FUNDO
VIGÍLIA COUTINHO DIZ QUE DECISÃO DA PSP DEVERIA TER “MENOS INGREDIENTES POLÍTICOS”
Duas receitas distintas
José Pereira Coutinho fez ontem o balanço do final da legislatura e defendeu que a Polícia de Segurança Pública deveria ter feito uma melhor apreciação do pedido de vigília contra a violência nos protestos de Hong Kong. O deputado promete voltar a apresentar um projecto de lei sindical e procurar mais respostas sobre o fundo soberano que não chegou a ser criado
A
dias de ser eleito um novo Chefe do Executivo e numa altura em que termina mais uma legislatura no hemiciclo, o tempo é de balanços e análises. O deputado José Pereira Coutinho fez ontem o balanço do seu trabalho como membro da Assembleia Legislativa (AL) e apontou o dedo às autoridades policiais, que não autorizaram a realização de uma vigília, no Largo do Senado, contra a violência policial nos protestos de Hong Kong. “Poderia ser apreciado da melhor forma o pedido, com menos ingredientes políticos”, disse ao
HM. “Foi uma decisão política, não há margem para dúvidas, mas não havia necessidade de decidir assim, na medida em que as duas regiões administrativas especiais são totalmente diferentes em termos de estrutura social, demográfica e de hábitos de reivindicação”, acrescentou o deputado, que defende
estarmos perante “um caso isolado”, que não abre precedentes para que futuros pedidos de vigílias ou protestos venham a ser rejeitados. No que diz respeito a projectos futuros, José Pereira Coutinho pretende manter uma das suas armas de luta, o projecto de lei sindical e de negociação colectiva.
“Foi uma decisão política, não há margem de dúvidas, mas não havia necessidade de decidir assim, na medida em que as duas regiões administrativas especiais são totalmente diferentes.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO
Ho Iat Seng, candidato a Chefe do Executivo, prometeu apresentar a proposta de lei, mas o deputado não baixa os braços. “Tal não impede que eu avance com o meu próprio projecto de lei na próxima sessão legislativa, em Outubro. Vamos analisar e apreciar o timing do próximo Chefe do Executivo, tendo em conta que o estudo encomendado a uma empresa privada sobre esta matéria está nas mãos do Conselho Permanente de Concertação Social.” Pereira Coutinho promete também estar atento à apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2020, matéria que
Pereira Coutinho promete continuar a lutar por mais casas para funcionários públicos, nomeadamente os que pertencem às forças de segurança, bem como a reivindicar a abertura ao público das reuniões das comissões permanentes e de acompanhamento da AL. Mas a retirada da proposta de lei que iria instituir um novo fundo soberano, e obrigar a retirar do orçamento para este ano 60 mil milhões de patacas, também estará na mira do deputado. “O Governo tem de explicar melhor o facto de ter retirado a proposta de lei, pois quando o Chefe do Executivo apresentou a carta ao presidente da AL, de desistência do fundo, nenhum membro do Governo esteve presente.” Para Coutinho, este momento “não seria oportuno” para estabelecer um novo fundo soberano, tendo em conta “a quebra bolsista e a instabilidade das praças financeiras a nível mundial”, sem esquecer “a guerra comercial entre a China e os EUA que se vai agudizar”. Pereira Coutinho assume ter tido falhas na última legislatura, lembrando que há muitas leis a serem aprovadas e que vão contra a Lei Básica. “Podíamos fazer melhor no âmbito da apreciação das propostas de lei apresentadas pelo Governo. Deveria ser dado mais tempo, sobretudo no que diz respeito à compatibilização com Lei Básica.” Isto porque, na óptica do deputado, “muitos dos artigos dos vários diplomas que foram aprovados à pressa pela AL violam de forma grosseira as normas da Lei Básica. E como em Macau não temos um tribunal constitucional ou uma fiscalização das normas jurídicas, é natural que só nos reste a intervenção dos tribunais caso haja litígios”, concluiu. Andreia Sofia Silva
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terça-feira 20.8.2019
GRANDE BAÍA PEQUIM QUER MAIS INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE SHENZHEN, MACAU E HONG KONG
Unidos, como os dedos da mão características chinesas tendo já planeadas medidas que envolvem Macau e Hong Kong, apontaram o Comité Central do Partido Comunista da China e o Conselho de Estado no passado domingo. De acordo com o China Daily, Pequim incentiva Shenzhen a abrir-se a Macau e a Hong Kong, as duas regiões administrativas especiais que integram o projecto de cooperação inter-regional da Grande Baía. Para o efeito, aponta a mesma fonte, estará
em marcha a promoção de actividade conjuntas. As iniciativas têm dois objectivos essenciais: por um lado a participação das três zonas em eventos culturais e artísticos, de modo a que possam preservar a sua identidade cultural, por outro, a participação comum em eventos que promovam o sentimento de identidade chinesa.
CIDADE MODELO
A iniciativa de transformar Shenzhen, território adjacente a Hong
Kong, tem como finalidade “dinamizar a área da Grande Baía e solidificar o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, revela Pequim. Shenzhen pode representar “uma boa maneira para explorar um novo caminho na construção da Grande Baía e apoiar na construção do sonho chinês de rejuvenescimento nacional”, refere o China Daily. Em 2025, “Shenzhen estará entre as principais cidades do
FRONTEIRA HONG KONG SHENZHEN
O Governo Central divulgou no passado domingo um directiva que aponta para a construção de Shenzhen como um exemplo do socialismo com características chinesas. Na forja, está uma maior abertura da cidade a Macau e a Hong Kong e mais intercâmbio cultural entre as três regiões, de modo a proteger as diferentes identidades dentro da partilha do sentimento único de pertença chinesa
HISTÓRIA RELÂMPAGO
Shenzhen evoluiu, nas últimas décadas, de uma pequena vila de pescadores para uma grande metrópole, sendo que o PIB passou de menos de 200 milhões de yuans em 1980 para 2,4 biliões de yuans no ano passado. Com uma população de 12 milhões de pessoas, a cidade do sul da China alberga ainda 14.000 empresas de alta tecnologia , incluindo as gigante Huawei e a Tencent.
O
Conselho de Estado chinês aponta para um maior desenvolvimento da cidade de Shenzhen e da integração da sua cultura e economia com as regiões vizinhas de Macau e Hong Kong. O Governo Central quer fazer de Shenzhen o motor de desenvolvimento da Grande Baía e uma zona piloto do socialismo com
H
O Iat Seng considera que a inclusão das pessoas portadoras de deficiência na proposta de lei do salário mínimo universal pode ter desvantagens e não contribuir para a sua empregabilidade. Num encontro com a Associação de Reabilitação «Fu Hong» de Macau, no Centro Pou Lei o único candidato ao mais alto cargo do Governo apontou que “a introdução de portadores de deficiência na lei de salário mínimo, pode
mundo” no que diz respeito ao crescimento económico, sendo que até lá os esforços vão no sentido de continuar com a construção de “uma cidade moderna, internacional e inovadora” com uma forte aposta cultural e com níveis de serviços públicos e de protecção ambiental que se destacam dentro do panorama internacional. Para uma década depois, em 2035, Pequim aponta Shenzhen como capaz de servir de modelo nacional e de centro de inovação e empreendedorismo reconhecido a nível mundial, servindo como exemplo de uma “China poderosa, socialista e moderna”. De acordo com o documento, o Governo Central apoiará Shenzhen “na implementação de um sistema mais aberto e conveniente para a introdução de talentos estrangeiros e permitirá que colaboradores internacionais invistam em empresas nas áreas da ciência e da tecnologia”. A directriz foi aprovada na 9ª reunião do Comité Central para Aprofundamento da Reforma Geral no passado dia 24 de Julho.
Sofia Margarida Mota
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A iniciativa tem como finalidade “dinamizar a área da Grande Baía e solidificar o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”
Sem a mínima vantagem
Salário mínimo para deficientes não é vantajoso, aponta Ho Iat Seng
reduzir as suas oportunidades de emprego, uma vez que os empregadores estar relutantes e fornecer condições adicionais”, disse. Por outro lado, “em Macau já há outras leis que fornecem subsídios aos patrões para empregar pessoas com deficiência, um modo de apoio que é relativamente directo”.
Recorde-se que a proposta de lei para atribuição de um salário mínimo em Macau avançou com a exclusão das empregadas domésticas e das pessoas portadoras de deficiência. Acerca da atribuição de um subsídio para cuidadores, Ho Iat Seng sugeriu que num primeiro momento se
proceda à implementação de um projecto piloto de modo a analisar a viabilidade e a metodologia para um possível avanço com a iniciativa. “Depois, com esta experiência, pode-se considerar a forma de aplicação que já será mais consistente com a situação real do território”, referiu. Ho recordou
que no passado, houve leis que avançaram antes de estarem “bem estudadas”, tendo existido complicações posteriores de modo a alterar esses diplomas.
ESPAÇOS DISPONÍVEIS
Entretanto, a presidente da assembleia geral da Associação de Reabilitação Fu Hong, Fátima Santos Ferreira, sugeriu ao candidato a construção de um edifício para albergar as empresas sociais, que criam serviços e
emprego para os deficientes, apontando os novos aterros como uma possibilidade para a sua localização. Para ultrapassar a questão de falta de espaço, a também membro do colégio eleitoral sugeriu uma parcela na zona A, dos Novos Aterros. À solicitação, Ho Iat Seng respondeu que podem ser consideradas as zonas A ou E, não assumindo compromissos. J.N.C com S.M.M.
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20.8.2019 terça-feira
GPDP Empresa multada por usar dados pessoais para marketing
O Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP) ordenou a censura pública e aplicou uma multa de 35 mil patacas a uma empresa de serviços de beleza por fazer uso de dados pessoais de um cliente, sem o seu consentimento para efeitos de marketing, anunciou ontem em comunicado. Segundo o GPDP, o organismo recebeu uma queixa de um residente por receber chamadas de marketing respeitantes aos serviços de beleza da Svens Medic Face Skin Centre, apesar de ter apresentado a sua oposição. “O titular dos dados tem o direito de se opor ao tratamento dos dados pessoais que lhe digam respeito previsto pelo responsável pelo tratamento para efeitos de marketing directo ou qualquer outra forma de prospecção comercial, após o exercício do direito de oposição, o responsável pelo tratamento não deve tratar dados relevantes”, aponta o GPDP, justificando a aplicação das sanções.
JOGO SUNCITY PERDE TODAS AS SALAS VIP EM CASINOS AUSTRALIANOS
Onde o sol não brilha O grupo Suncity vai perder as salas VIP que tinha em casinos australianos. A informação vem na sequência da proibição de Alvin Chau entrar na Austrália por suspeita de ligação a organizações criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro
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EPOIS das notícias que ligaram o Suncity ao crime organizado e a esquemas de lavagem de dinheiro, assim como da proibição de Alvin Chau entrar na Austrália, o grupo de junket está perto de perder todos as salas VIP em casinos australianos. A notícia foi veiculada pelo jornal de Melbourne The Age. A The Star Entertainment, o segundo maior operador de jogo australiano, referiu na passada sexta-feira que decidiu “nos últimos 10 dias encerrar a sala VIP que o grupo Suncity tinha no casino bandeira da The Star em Sydney”. A operadora fez questão de salientar que a decisão foi tomada em conjunto com a Suncity. “A sala reservada para a Suncity vai ser descontinuada.
Tinham uma pequena sala, que vai ser encerrada”, anunciou Matt Bekier, CEO da The Star. Segundo fontes citadas pelo The Age, um dos jornais que revelou as ligações do grupo de Macau ao crime organizado, a mesma situação vai-se repetir no casino da Crown em Melbourne, ou seja, a operadora também se vai distanciar da empresa junket e fechar a sua sala VIP. O anúncio da operadora The Star surge depois do conselho da administração da Crown ter difundido
anúncios a enaltecer a relação com a Suncity e outros operadores junket. No entanto, Matt Bekier não quis comentar até que ponto a operadora continuaria a ter relações com o grupo de Alvin Chau depois de encerrar a sala reservada ao grupo de Macau.
VOLTAR ATRÁS
A operadora The Star havia reafirmado há mais de uma semana que não via qualquer inconveniente em continuar a trabalhar com o Suncity Group. “O Suncity é o maior operador junket
A The Star Entertainment, o segundo maior operador de jogo australiano, decidiu, “nos últimos 10 dias, encerrar a sala VIP que o grupo Suncity tinha no casino bandeira da The Star em Sydney”
do mundo inteiro, com quem trabalhamos de uma forma respeitadora da lei. Aliás, reguladores de outros territórios atestam a credibilidade do grupo”, comentou Matt Bekier. Importa referir que na passada sexta-feira a Star Entertainment anunciou um volume de negócio proveniente de apostadores VIP estrangeiros na ordem dos 28,8 mil milhões de dólares nos dozes meses que terminaram a 30 de Junho, o que representou uma quebra de 30,7 por cento em relação ao mesmo período no ano passado. No total, as receitas durante o período em apreço caíram 17,6 por cento. João Luz
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Taobao Vendas de capacetes e lasers suspensas para Macau e Hong Kong
As principais plataformas de comércio electrónico da China suspenderam as vendas para Macau e Hong Kong de utensílios usados nos protestos, incluindo máscaras antigás ou capacetes, à medida que Pequim multiplica esforços para abafar as manifestações. Segundo a agência noticiosa Bloomberg, uma pesquisa por aqueles produtos a partir de Hong Kong no Taobao dá «Item não encontrado». No JD.com o resultado é: «interdito para Hong Kong e Macau». No continente chinês os mesmos bens continuam disponíveis. As empresas de logística de Hong Kong revelaram que vários “itens sensíveis”, incluindo ‘t-shirts’ pretas, lasers e máscaras faciais estão a ser apreendidos na alfândega.
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terça-feira 20.8.2019
Hong Kong Xinhua arrasa dono do Apple Daily Cão e escumalha nacional. Foi assim que a agência oficial chinesa Xinhua descreveu Jimmy Lai, dono da empresa que detém o Apple Daily, num editorial. O jornal de Hong Kong, publicou na passada sexta-feira um anúncio de uma página onde, supostamente, quatro companhias internacionais demonstravam apoio aos protestos que têm invadido as ruas da região vizinha. As empresas em questão,
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Crime Polícia de Hong Kong não investiga falso jornalista de Macau A polícia de Hong Kong recusou-se a investigar o homem que tinha na sua posse um cartão de jornalista falso, em que estava identificado como profissional ao serviço do Jornal Tribuna de Macau. O caso remonta ao início do mês em que a Associação de Jornalistas da região vizinha denunciou este homem depois do jornal em causa ter negado qualquer envolvimento profissional com o suspeito. Apesar da queixa, a polícia argumenta que se trata de um documento falso relativo a uma organização fora de Hong Kong avançando ainda que nada garantia que o documento pudesse vir a ser utilizado.
CENSURA TDM AFIRMA POSIÇÃO EDITORIAL DE ACORDO COM OS FACTOS E A LEI
Não se passa nada
As pressões à cobertura dos protestos de Hong Kong, pelos jornalistas do canal chinês da TDM, noticiadas pelo All About Macau, foram desmentidas ontem pela administração da empresa, que garante objectividade editorial de acordo com a lei. A Associação dos Jornalistas também não conhece as queixas TIAGO ALCÂNTARA
administradora do conselho de administração da Teledifusão de Macau, Lo Song Man, afirmou ontem ao HM que “os trabalhos editorais da TDM são baseados na objectividade dos vídeos e na reportagem dos factos, de acordo com os princípios e regras da profissão. Tudo tem sido feito de acordo com a Lei de Imprensa e com o Regime da Actividade de Radiodifusão, entre outras leis relevantes, cumprindo os códigos editoriais da TDM”. A resposta da responsável, que é também membro da comissão executiva com o pelouro da informação, surge após a divulgação no domingo da notícia veiculada pelo portal “All About Macau” sobre alegadas pressões que os jornalistas do canal televisivo em língua chinesa estão a sofrer, por parte de superiores hierárquicos, quando se trata de reportar os protestos que decorrem há várias semanas na vizinha cidade de Hong Kong. O aparente mal-estar entre os profissionais, que o Jornal Tribuna de Macau também publicou na sua edição de ontem em português, resultava de alguns constrangimentos editoriais na emissão de notícias e imagens das manifestações e dos confrontos com a polícia na ex-colónia britânica. “Os conflitos desencadeados pela Lei da Extradição em Hong Kong estão a ficar cada vez mais sérios e os media da vizinha Macau também andam muito preocupados. A All About Macau recebeu uma queixa de um repórter da TDM, sobre repetidas interferências de superiores indicando que o enfoque na cobertura noticiosa das manifestações deveria ser o da posição oficial de Hong Kong”. O portal acrescentava a obrigatoriedade de incluir imagens dos danos causados pelos manifestantes e dos agentes da polícia
PwC, Deloitte, KPMG e Ernst & Young, distanciaram-se da mensagem publicada, apesar do anúncio estar assinado por “um grupo de empregados anónimos”. No editorial da Xinhua pode ler-se que Jimmy Lai ficará para a história como uma vergonha nacional e o homem que conduziu Hong Kong para o caos. Além disso, a agência oficial chinesa descreve o empresário como um fantoche ao serviço dos Estados Unidos.
feridos, ao mesmo tempo que os excertos sobre os actos de violência policial haviam sido censurados dos textos, com a justificação de que eram demasiado longos e tinham que ser cortados.
“Amoral está baixa” entre a equipa do departamento chinês de informação da TDM, acrescentava a All About Macau, com os jornalistas a evitarem pegar no tema de Hong Kong, para se livra-
rem das pressões. A decisão editorial de não enviar repórteres do canal chinês para as manifestações de Hong Kong foi outra crítica manifestada àquele portal, uma situação contrária ao que se tem ve-
“A comunicação entre a hierarquia do departamento de informação e os jornalistas deveria ser melhor, para as chefias saberem o que os seus profissionais pensam. Caso haja alguma diferença entre as formas de ver o problema, deveriam discutir primeiro entre eles.” MARIA CHEANG PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE MACAU
rificado com os colegas em língua portuguesa, que todas as semanas têm feito reportagens na cidade vizinha.
SEM QUEIXAS
Também contactada ontem pelo HM, a presidente da direcção da Associação dos Jornalistas de Macau revelou desconhecer o caso em concreto. “Não sabia nada disso e ainda ninguém me contactou para falar ou apresentar uma queixa, portanto não sei se são apenas opiniões
de alguns jornalistas ou se do departamento inteiro”. Maria Cheang, que entretanto procurou saber mais informação sobre o caso, afirmaria ao final da tarde de ontem que não pôde aprofundar as causas da notícia, já que “os funcionários da TDM, que são também membros desta Associação, não receberam essas instruções dos seus superiores que vinham escritas na notícia do AAM”. Mas a responsável, que também trabalhou na TDM, acredita que “como o nosso fim é reportar notícias objectivamente, se alguém quiser comentar informação subjectiva junto da imprensa, deveria comunicar primeiro com os seus editores”. Maria Cheang comentou ainda que a comunicação entre a hierarquia do departamento e os jornalistas deveria “ser melhor” para as chefias saberem o que os seus profissionais pensam. “Caso haja alguma diferença entre as formas de ver o problema, deveriam discutir primeiro entre eles”, acrescentou O não envio de repórteres para Hong Kong pode ter sido mais um equívoco de interpretação, segundo a dirigente da Associação de Jornalistas. “A vida de uma pessoa é importante, e eles têm a responsabilidade de garantir a segurança dos seus funcionários, antes de enviar alguém para uma manifestação. Acho que pode ter havido um problema na comunicação com os jornalistas”, frisou. Todavia, insistiu Maria Cheang, “se a situação do departamento envolvido não for boa, espero que (os jornalistas) possam comunicar com a Associação”, e fez votos para “que os superiores da administração não interfiram nas reportagens dos jornalistas, devolvendo-lhes a liberdade de imprensa”. Raquel Moz e Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo
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20.8.2019 terça-feira
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ATURAL de Coimbra, Portugal, Santiago Ribeiro expõe pela primeira vez na China depois de ter percorrido o mundo com o seu trabalho. A sua obra “Industrial of Apples” chega à capital chinesa onde estará presente na Exposição Internacional de Arte Contemporânea, inserida no evento “Art Week in China”, entre os dias 23 e 28 deste mês, organizado pela União das Artes da Eurásia, a Fundação Mundial para as Artes e o Centro Cultural da Rússia, em Pequim. Em entrevista ao HM, o artista fala de como surgiu a oportunidade de expor na China, depois de o seu trabalho ter passado por Belgrado e Moscovo. “Fiquei surpreendido porque essa organização russa foi criando representantes em vários países, e eles é que organizam o mesmo projecto que é feito na Rússia. Têm apoio da Casa da Rússia em Pequim que também apoia esta exposição. Não há apoios de portugueses”, confessou. Santiago Ribeiro adiantou que já há muito desejava expor na China, depois de ter marcado presença em Taiwan. Macau também está nos planos do artista, mas este só expõe “por convite”, assume. Na China, Santiago Ribeiro acredita que o público “vai achar piada” à sua obra. “A minha pintura é abrangente, não tem política e não ataca ninguém, consegue passar em todo o lado. Não sei se irão muitas pessoas ver a exposição, mas acho que vão achar piada ao que faço, porque é um jogo de paciência, o que vai de encontro à célebre paciência de chinês.”
“NÃO PINTO O TRUMP”
Santiago Ribeiro assume-se como “o grande mentor mundial” do movimento surrealista do século XXI, graças a um projecto por si criado em 2010. É a “Surrealism Now”, uma exposição internacional que começou por ter lugar em Coimbra, com o apoio da Fundação Bissaya Barreto, e que hoje agrega trabalhos de mais de 120 artistas, oriundos de 52 países. Esta exposição já passou por várias cidades do mundo. “Ao realizar esta exposição criei muitos contactos internacionais e muitos deles convidaram-me a expor, o que acabou por ser o caso de Pequim.” O artista português assume que aborda, sobretudo, o tema da massificação e das
grandes cidades nos seus quadros. “Não falo de política ou de temas da actualidade directamente. Faço muitas figuras por causa disso, dessa massificação, e cada figura tem um movimento próprio, a sua personalidade, porque não podemos ser números, temos um nome. Hoje as instituições não conseguem tratar-nos de forma personificada.” Santiago Ribeiro diz não fazer retratos de Donald Trump, tal como não faria, à partida, o retrato de Xi Jinping. “Não faço ou uso retratos do Trump. Na minha pintura não faço uma coisa focada na imagem de um político ou de um personagem, mas eles estão na pintura de forma indirecta.” No caso de Xi Jinping, Santiago Ribeiro assume estar perante sentimentos contraditórios. “O Presidente chinês é uma figura bastante simpática, mas a China tem outro sistema, é outro mundo. Pintaria Xi de forma muito
Surrealizar, po EXPOSIÇÃO SANTIAGO RIBEIRO APRESENTA “INDUSTRIAL OF APPLES”, EM PEQUIM
Santiago Ribeiro mostra a partir desta sexta-feira, em Pequ Exposição Internacional de Arte Contemporânea. O criador d conta como sempre se distanciou da ideia do surrealismo e em Paris e depois por nomes como Mário Cesariny e Cruze simpática, vê-se que é uma pessoa afável. Mas não nos podemos esquecer que ele pode ser Presidente para sempre, e isso é andar para trás.” O distanciamento, neste caso, seria fundamental para uma eventual pintura. “Só indo à China é que poderia
retratar melhor o Presidente chinês. Nunca iria pintar o retrato do Presidente chinês sem ele estar a sorrir, porque ele está sempre a sorrir.”
SURREALISMO LIVRE
Apesar de se afirmar como pintor surrealista, Santiago
Ribeiro diz nada ter a ver com os artistas portugueses que deram nome ao movimento em Portugal, como é o caso de Mário Cesariny ou Cruzeiro Seixas. Muito menos com André Breton, que, em 1924, publicou o Primeiro Manifesto Surrealista, em Paris.
Este afastamento não é apenas artístico, mas também ideológico. “Não tenho nada que me aproxime do Cesariny ou do Cruzeiro Seixas, até porque a única coisa que me aproxima deles é o conceito sobre o mito do sonho. De resto, eles falam em liberdade,
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terça-feira 20.8.2019
A medalha que faltava Paula Rego condecorada
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uim, um dos seus trabalhos na do projecto “Surrealism Now” estabelecida por André Breton eiro Seixas em Portugal mas a liberdade deles não tem nada a ver com a nossa, do século XXI.” “Eles seguiam umas ideologias mais de esquerda e quem não partilhasse do seu ponto de vista não era considerado surrealista. No surrealismo do século XXI todos
podem estar numa exposição e ter a sua própria forma de pensar, e não têm de obedecer a uma ideologia sectarista”, acrescentou o artista. A título de exemplo, o projecto “Surrealism Now”, por si criado, afirma-se livre na sua essência. “Não temos
só surrealistas, temos também outros artistas ligados a outras vertentes, como a arte visionária ou a arte fantástica. Estes partilham dos mesmos ideais, que é a liberdade de criar e de pensar.” Santiago Ribeiro acusa André Breton e os seus seguidores de terem ficado parados no tempo. “Na altura do Breton atravessavam-se tempos muito complicados, com guerras mundiais, e eles ainda viviam muito os reflexos da Revolução Industrial. Os surrealistas sectários desses manifestos não deixavam as coisas evoluir, por isso é que diziam que o surrealismo estava morto, porque não evolui.” O artista português considera que o surrealismo não só não está morto como ainda vive, ainda que de uma maneira diferente. “Continua a ter uma componente política como tudo, pois esta está em todo o lado. Mas é uma
“Não tenho nada que me aproxime do Cesariny ou do Cruzeiro Seixas, até porque a única coisa que me aproxima deles é o conceito sobre o mito do sonho.” política onde temos sempre a palavra liberdade, pois somos livres para pensarmos como queremos. Não somos obrigados a pensar de acordo com os mesmos ideais. Acho Freud muito mais importante do que o Breton, pois o Breton era um político. O Freud era um filósofo e cientista que tentou explicar o inexplicável do sonho, e isso é importante para os artistas do século XXI”, exemplifica. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
um gesto simbólico, com tudo o que isso significa, mas faltava este reconhecimento com a Medalha de Mérito Cultural do Governo do seu país, do Governo de Portugal, e que era importante que fosse feito”, disse, sexta-feira, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, após uma visita ao estúdio da artista, na capital britânica. A entrega da condecoração foi feita em privado, com a presença de dois dos filhos de Paula Rego, Caroline e Nick Willing, e da assistente e modelo, Lila Nunes, além do embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes. Graça Fonseca disse que, “de facto, é a última homenagem [que faltava]”, elegendo Paula Rego como “seguramente uma das nossas maiores [artistas portuguesas], senão mesmo a maior. Tenho alguma dificuldade com a maior, porque temos óptimos artistas”. A condecoração coincide com uma grande exposição retrospectiva da obra da pintora em Milton Keynes, cidade a norte de Londres, que a ministra vai visitar na próxima quarta-feira, e que se centra na consciência social e política de alguns dos seus trabalhos. “Paula Rego: Obediência e Desafio”, no museu MK Gallery, abrange a obra desde os anos 1960 até 2011, com mais de 80 trabalhos, desde desenhos e gravuras em papel a colagens e pinturas em grandes telas. A exposição vai estar em digressão, primeiro no museu Scottish National Gallery, em Edimburgo, de 23 de Novembro a 26 de Abril de 2020, e depois para o Irish Museum of Modern Art, em Dublin, de 25 de Maio de 2020 a 1 de Novembro de 2020, sendo a primeira primeira retrospectiva da obra de Paula Rego tanto na Escócia como na Irlanda. Da mostra fazem partes quadros produzidos durante a ditadura portuguesa, como “Salazar a Vomitar a Pátria”,
de 1960, e sobre o aborto, alguns dos quais produzidos após o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, em 1998, repetido em 2007, resultando na despenalização apenas à segunda tentativa.
A MARCAR GERAÇÕES
“Paula Rego marcou-me muito, mas também marcou muitas gerações. A campanha, a série que ela fez sobre o aborto, o quadro extraordinário do Padre Amaro, teve uma importância gigante na altura, porque é uma série que nos abana e que nos faz pensar, que coloca um enfoque completamente diferente numa questão social na altura muito séria e que conquistámos, quem defendia, e em grande parte devemos isso à Paula Rego. Há aqui várias homenagens que devemos à Paula Rego”, disse a ministra. O embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes, realçou que Paula Rego “é uma pintora reconhecida, amada [pelos britânicos], que vai ter uma grande exposição aqui em 2021, e mais que merecedora desta condecoração, aliada a uma personalidade que é fascinante e uma pessoa de uma simpatia e humanidade absolutamente fantásticos”.
PERCURSO DE EXCELÊNCIA
Nascida em Lisboa, Paula Rego, que completou 84 anos em Janeiro deste ano, viajou para Inglaterra aos 16 anos para terminar os estudos secundários numa escola privada e ingressou, no ano seguinte, na Slade School of Fine Art. Desde 2009 que a obra da artista tem um museu dedicado em Cascais, a Casa das Histórias Paula Rego, o qual tem mostrado várias vezes a obra do marido, Victor Willing, falecido em 1988. Possui dupla nacionalidade, portuguesa e britânica, e em 2010 foi distinguida com o grau de Dame Commander of The Order of the British Empire pela rainha Isabel II, pela sua contribuição para as artes.
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20.8.2019 terça-feira
TAIWAN PEQUIM CRITICA OFERTA DE ASILO A MANIFESTANTES DE HONG KONG
Repreensão verbal
Depois de mais uma grande manifestação de descontentamento nas ruas de Hong Kong, o governo central veio condenar a interferência da líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, nos assuntos da antiga colónia britânica, acusando-a de “minar o Estado de direito”. Taipé, que tem apoiado os protestos, ofereceu também asilo político aos manifestantes
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China criticou ontem uma oferta de asilo político por Taiwan aos manifestantes pró-democracia de Hong Kong, um dia após centenas de milhares de pessoas terem marchado pacificamente no território, apesar da pressão de Pequim. Taipé tem apoiado abertamente os protestos e, este fim-de-semana, estudantes de Hong Kong na ilha realizaram eventos de apoio às manifestações. A líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, fez a oferta de asilo no mês passado, embora não seja claro se Taipé recebeu, entretanto, pedidos. Taiwan não possui um mecanismo legal para avaliar e conceder pedidos de asilo, embora tenha concedido residência a vários oponentes do Partido Comunista Chinês oriundos do continente. Ma Xiaoguang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Governo chinês, disse que a oferta de Taipé "encobrirá os crimes de um pequeno grupo de manifestantes violentos"
e encorajará a sua "audácia em prejudicar Hong Kong e transformar Taiwan num paraíso para quem quer fugir à lei", afirmou. Ma exigiu que o governo de Taiwan "pare de minar o Estado de direito" e interferir nos assuntos de Hong Kong.
MULTIDÃO PACÍFICA
Pelo menos 1,7 milhão de pessoas participaram
de uma manifestação no domingo em Hong Kong, segundo os organizadores. A polícia disse que o protesto foi "geralmente pacífico", mas acusou um pequeno grupo de "perturbar a ordem pública", ao ocupar uma importante via pública, atirar objectos contra a sede do governo e apontar lasers contra a polícia.
Hong Kong vive há onze semanas um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.
A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica, enquanto apelam à demissão de Carrie Lam, a chefe do governo e à eleição de um sucessor por sufrágio universal directo, e não nomeado pelo Governo central. Mais de 700 participantes terão sido já presos, desde o início das manifestações, em Junho.
EM PREPARAÇÃO
Para as próximas semanas estão previstas mais manifestações, com vários comícios organizados por contabilistas, trabalhadores do sector dos transportes, estudantes do ensino médio e familiares de polícias. Taiwan funciona como uma entidade política soberana, desde que, em 1949, o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça usar a força caso Taipé declare independência. A China rejeitou todos os apelos externos para discutir os apelos dos manifestantes. Membros da polícia militar estão reunidos na cidade fronteiriça de Shenzhen, alimentando as especulações de que Pequim poderá reprimir os protestos. A polícia de Hong Kong, no entanto, tem afirmado que é capaz de lidar com as manifestações.
Ma Xiaoguang A oferta de Taipé “encobrirá os crimes de um pequeno grupo de manifestantes violentos” e encorajará a sua “audácia em prejudicar Hong Kong e transformar Taiwan num paraíso para quem quer fugir à lei”
Hong Kong Padaria apoia protestos com mensagens em bolos
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MA padaria de Hong Kong está a fazer bolos com mensagens contra o Governo nomeado por Pequim como forma de apoiar o movimento de protesto pró-democracia. A pastelaria Wah Yee Tang mudou este ano o tradicional festival chinês das colheitas, colocando ‘slogans’ de oposição ao governo e promoção da identidade única de Hong Kong, que se tornou popular durante os protestos. Os bolos, conhecidos como ‘mooncakes’ tornaram-se um sucesso e a proprietária da pastelaria espera agora que consigam criar um sentimento positivo numa altura em que as tensões políticas estão a crescer. As mensagens nos ‘mooncakes’ incluem frases como "se não houver retirada [da responsável do Governo de Hong Kong], não haverá dispersão [dos manifestantes]” e “Pessoas de Hong Kong”. Outras versões dizem “Seja água”, referindo-se à filosofia dos manifestantes, inspirada pela falecida estrela de artes marciais Bruce Lee, que defendia uma abordagem fluida nas suas demonstrações.Apasteleira que faz os ‘mooncakes’ disse à agência de notícias norte-americana Associated Press que espera poder “fazer as pessoas de Hong Kong felizes novamente”. Abordado pela AP, o cliente da pastelaria Sandy Lam admitiu que os bolos “representam as vozes” dos manifestantes e considerou que reflectem a “situação real” do protesto.
HUAWEI ESTADOS UNIDOS PROLONGAM NEGÓCIOS POR MAIS 90 DIAS
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Governo norte-americano prolongou ontem por 90 dias as isenções que permitem ao grupo chinês de telecomunicações Huawei continuar a fazer negócios nos Estados Unidos, indicou o secretário do Comércio, Wilbur Ross.
Os Estados Unidos consideraram em Maio que a Huawei constitui uma ameaça à segurança nacional e disseram que queriam banir o grupo dos Estados Unidos, mas acabaram por conceder isenções temporárias a determinadas empresas norte-americanas
que negoceiam com o grupo chinês, permitindo-lhes vender alguns produtos ou mudarem de fornecedores. "Há mais 90 dias para as empresas de telecomunicações norte-americanas, incluindo algumas empresas rurais, que dependem da
Huawei", explicou Ross em declarações na Fox Business. "Vamos dar-lhes mais tempo para se separarem", acrescentou. Horas antes, a China pediu ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "cumpra os seus compromissos" e permita que empresas
norte-americanas continuem a fazer negócios com a Huawei, lembrando que isso tinha sido acertado durante um encontro com o Presidente da China, Xi Jinping, à margem da cimeira do G7, no Japão. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangei-
ros chinês, Geng Shuang, considerou que uma quebra daquele compromisso afectaria a "reputação e credibilidade" de Washington.
terça-feira 20.8.2019
Faco um castelo na areia do futuro ´
Contos para normais Paulo José Miranda
Uma profissão que não precisa de treinar
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ALDEMAR era baixista profissional “freelancer”, no Rio de Janeiro, casado e com dois filhos. Trabalhava para vários estúdios e acompanhava cantores em shows. Nos tempos de folga, que eram poucos, no boteco do Ademar, entre um chopp e outro, queixava-se que a mulher não entendia o seu trabalho. Não era por questões estéticas ou técnicas, ela não entendia o que é ser-se instrumentista. Arlinda não entendia a sua profissão. Quando a mulher chegava do trabalho, do seu salão de beleza, e encontrava Wal a ouvir música ou a tocar o seu instrumento, imediatamente se queixava dele estar de bobeira, em vez de ajudar em casa. Para Arlinda, trabalhar era quando Val ia para o estúdio ou para os shows e recebia dinheiro. Em casa ninguém lhe pagava, nem para tocar e muito menos para ouvir música. Apesar de Val dizer continuamente que ouvir música era parte do seu trabalho, assim como tocar em casa, que era fundamental, Arlinda não queria saber desse papo furado. Não entendia que grande parte do trabalho de um músico é feito sem receber dinheiro. Treina-se anos para tocar alguns minutos em cima de um palco, umas horas a gravar num estúdio. Arlinda dizia: “Você pode treinar quando estiver no estúdio ou quando passa o som antes dos shows”. Aquilo era tão absurdo para um músico, que Val ficava sem resposta. Era como se alguém dissesse para um nadador de competição “você pode treinar no aquecimento, antes da prova”. Arlinda trabalhava muito, é verdade, e cada minuto do seu trabalho era pago. O treino que ela teve foi antes de começar a trabalhar. Aí, sim, não recebia dinheiro, treinava. Depois, quando começou a trabalhar, primeiro como empregada e depois como patroa, acabaram-se os treinos. Todo o tempo da sua vida era a sério, a facturar. Arlinda não conseguia entender como é que alguém que era profissional, competente a executar a sua profissão, tinha de continuar a treinar. Pior ainda: como é que ouvir música fazia parte do seu trabalho. “Ouvir música é diversão ou vagabundagem, não venha cá com trabalho, quem quer
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Arlinda não conseguia entender como é que alguém que era profissional, competente a executar a sua profissão, tinha de continuar a treinar. Pior ainda: como é que ouvir música fazia parte do seu trabalho. “Ouvir música é diversão ou vagabundagem, não venha cá com trabalho, quem quer você enganar?”
você enganar?” E não adiantava que outros colegas de profissão atestassem com Arlinda, que era assim com todos. “Músico rala mesmo”, diziam, “trabalha a semana toda e recebe ao sábado”. Se formos a tentar entender o modo de pensar de Arlinda, ela não estava errada de todo. De facto, os músicos deveriam ser pagos para ouvir música, assim como para treinar, o que aliás acontece com aqueles que fazem parte de orquestras, onde o salário que recebem paga as horas de treino diárias que fazem, que são bastante mais do que as que tocam em palco. No seguimento deste modo de pensar, um amigo de boteco metido a filósofo, o Celso, dizia-lhe: “Não é Arlinda que está errada, nem você, Val, o que está errado é o mundo. O mundo quer beleza, mas não imagina o trabalho que a beleza dá. Quer beleza, mas não quer pagar. E sabe por que isto acontece, Val? Porque se julga que beleza é como mulher bonita, aparece no mundo por obra e graça do Espírito Santo.” Mas Val não entendia bem o seu amigo. O que o preocupava era o estado em que a sua relação com Arlinda estava, pela incompreensão dela com a sua profissão. O problema dele era fácil de equacionar: como é que vai fazer com que a sua mulher perceba que tocar e ouvir música em casa é parte do seu trabalho? Depois desta última conversa no botequim, Val saiu em viagem com uma banda e passaram-se meses sem que alguém botasse a vista em cima dele. Como se diz no Brasil, o que engorda o boi é o olho do dono. Meses sem dar as caras em casa, para mais com a relação no estado periclitante em que a tinha deixado, quando regressou a Arlinda tinha outro. Val teve de deixar a casa nessa mesma noite. Quando regressou ao boteco e contou o que lhe tinha acontecido, o metido a filósofo perguntou se o outro era empresário, se tinha um emprego estável, se era um cara de responsa. Val respondeu: “O cara é ator pornô!” Celso deixa escapar a sua estupefacção: “Pô, ator pornô, Val?” Este respondeu com a indiferença dos condenados, abanando os ombros: “Ué, é profissão que não precisa de treinar.”
IGNACIO FLOREZ
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Amélia Vieira
Che cos´è la poesia?
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EM de um outro lugar, recria tudo, e liberta-se das cintilações e daquilo que para fora sujeita a esfera que o toma - " ele ocorre então, no essencial, sem actividade, sem trabalho, no mais sóbrio pathos, estranho a qualquer produção, sobretudo a criação". Do poema falamos, e o nosso braço vai buscar ainda a antiga asa dos pássaros lembrando que os braços vieram delas e que delas ainda há que dar testemunho. Não vem contar nada, a narrativa escasseia num grande poema, mas abundam estranhezas várias, as suas demonstrações e toda a composição verbal parte ao serviço de um dom absolutamente esquecido do antes da palavra, daí, o ser tão avassalador por vezes a leitura de um poema, onde regra geral, também não devemos em posição de choque perguntar nada, a não ser deixar-nos penetrar de modo desconhecido por esse corpo vivo que nasceu imerso em enigma. O que o separa do acto discursivo é ainda o saber escutar a antiga onomatopeia a que o cérebro acede como um animal que bebe numa fonte granítica as águas da infiltração, e, em magma inteligível, o poema fala. As ligações estão feitas, só falta deixar correr, e aos que não têm sede poder-se-ão saciar com licores, o poema não o carregamos nem deseja que o surpreendam, a manifestação acontece dado que se recria partindo de um ponto remoto ao movimento que o faz soltar-se da nossa mão, o fazedor
20.8.2019 terça-feira
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Poiesis nunca será o gerador do significado, mas aquele que o exercita, distanciando-se da natureza próxima para recriar aléns. Acrescentar, continuar o que não foi testado, é esta a base da sua origem semântica e do seu grande impulso vital, e neste processo, remontar a uma pré-articulação seria uma forma de amputar aquilo que só ele diz sem que tenhamos de o pensar. Assinamos um poema e foi ele que nos sinalizou, ele merece não ser do artesão, e não ser andor para a festa das "criatividades" falamos de uma estrutura mais ambivalente se assim se pode chamar, e bem mais complexa que o simples desejo de termos feito o poema que projectámos. Ainda fazemos muito pouco face a este fenómeno que nos faz, e por nós passa sem que carregue a nossa desconhecida causa. Por outro lado, não o podemos transgredir na medida que a norma não a sentimos presente, de tão longe as correspondências atravessam socalcos
Poiesis significa “fazer” um termo grego, daí o poeta ser o fazedor por excelência. O fazedor é o amador, aquele que se irá transformar pouco a pouco na coisa amada
para alinharem na memória, que pode produzir por si só uma nova ordem recriando-se do caos das intenções, dedicar poemas é por isso um artefacto que não assenta na vertente mais elaborada deste registo, pois que atravessa na dedicatória um esforço para ir em direção a algo ou a alguma coisa ou a alguém, que nos obriga a um desvio e a procurar outro suporte, porventura belo e muito bem escrito, mas, que certamente retirou pelo dirigismo intencional a sua função primeira. Deixemo-lo, ele fará o seu percurso, muitas das vezes nem o queremos ver, por vezes a sua pegada em nós pode levar-nos à prostração - os alinhamentos sangram - ( Poieses também é um termo biológico para designar as células do sangue) e toda esta atmosfera não se vive como se estivéssemos numa luta de razão-acção- emoção, pode não se passar nada disto, pode apenas seguir-se o trilho, e se tocar num ponto brilhante sabemos da torrente fresca em nosso redor, que nos alivia e aligeira como se a acção tivesse produzido uma vida nova e diante de um primeiro idílio despontássemos. Os sistemas têm contudo a capacidade de se recriarem, ou criar algo bem diferente de si, e ao juntarmos tais "metabolismos" enquanto artesãos entramos sem dúvida num grau de consciência bastante mais aperfeiçoado. Sistemas existem que não possuem limites ou tempos autodefinidos, talvez se multipliquem indiscriminadamente repetindo a mesma fórmula, o que ocorre dizer da doença oncológico que
ao não recriar se esgota no seu próprio efeito de repetição, e talvez, numa época tão incrivelmente e mentalmente não "meta-poética" a epidemia mundial seja mesmo o cancro . Um sistema calcinado de circulação fechada que se reproduz sem capacidade moderadora, e, portanto, imprópria para gerar vida nova, vítima de um processo de auto- semelhança onde a única coisa a nascer foi a teoria do caos. Poiesis significa "fazer" um termo grego, daí o poeta ser o fazedor por excelência. O fazedor é o amador, aquele que se irá transformar pouco a pouco na coisa amada, com o decorrer do tempo o amor bebe-se em cálices onde um cérebro cabe inteiro fazendo conexões transformáveis, e talvez se sinta que amplie e que lá bem por dentro esteja a molécula de Deus de onde todos os poemas nascem. Mas, ele não faz ligações à fronte projectada, mas sim aos que começam imperceptivalmente a tomar-lhe o pulso, e que sabem agora que o poema não nasce assim, e que se há esse encanto, por vezes até escarninho face a essa identidade tão rara, é porque sabem as gentes que sabem bem mais do que podem, ou para si mesmo admitem. O dom do poema não cita nada, não tem nenhum título, não faz mais histrionices, ele, sobrevém sem que tu o esperes, cortando o fôlego, cortando com a poesia discursiva e sobretudo literária. Nas próprias cinzas desta genealogia. Não a fénix, não a águia, o ouriço, muito baixo, bem baixo, próximo da terra. Nem sublime, nem incorpóreo, talvez angélico, temporariamente.
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terça-feira 20.8.2019
Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis
Cavalleria rusticana, ópera em um acto
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ópera em um acto Cavalleria rusticana , do compositor italiano Pietro Mascagni, é um melodrama em um acto com libreto em italiano de Giovanni Targioni-Tozzetti e Guido Menasci, e uma das óperas mais representativas do género operático pós-romântico denominado verismo, associado a compositores italianos tais como Umberto Giordano, Francesco Cilea, Giacomo Puccini, e Ruggero Leoncavallo, para além de Mascagni. O libreto é baseado num conto e subsequente peça do romancista Giovanni Verga, um autor verista italiano que, tal como outros do mesmo movimento literário, procurou retratar o mundo com maior realismo, escrevendo sobre temas como a vida dos pobres e os problemas do homem e da mulher contemporâneos, geralmente de natureza sexual, romântica ou violenta, que em geral não eram considerados adequados para a literatura. Em Julho de 1888, o editor milanês de música Edoardo Sonzogno anunciou um concurso aberto a todos os jovens compositores italianos que ainda não tinham visto uma ópera sua representada em palco. Convidou-os a apresentar uma ópera em um acto e as três melhores (seleccionadas por um júri de cinco destacados críticos e compositores italianos) representar-se-iam em Roma, a cargo de Sonzogno. Mascagni ouviu falar do concurso apenas dois meses antes da data final e pediu ao seu amigo Giovanni Targioni-Tozzetti, um poeta e professor de literatura na Real Academia Naval italiana em Livorno, que lhe proporcionasse um libreto. Targioni-Tozzetti escolheu Cavalleria rusticana, um conto popular de Giovanni Verga como a base da ópera. Ele e o seu colega Guido Menasci puseram-se a compor o libreto, enviando-o a Mascagni por partes, às vezes apenas uns poucos versos escritos na parte de trás de um postal. A ópera foi finalmente apresentada no último dia do prazo. No total, apresentaram-se 73 óperas a concurso, e no dia 5 de Março de 1890, o júri seleccionou as três obras finais: Labilia de Niccola Spinelli, Rudello de Vincenzo Ferroni e Cavalleria rusticana. Havia outras duas óperas baseadas na história de Verga que foram a concurso. Uma delas, de Domenico Monleone, foi também baseada na história, e também intitulada Cavalleria rusticana. A ópera não teve êxito no concurso, mas foi estreada mais tarde nesse ano em Amesterdão a que seguiu uma digressão com êxito pela Europa, acabando em Turim. Sonzogno, desejando proteger a lucrativa propriedade em que se havia convertido a versão de Mascagni, empreendeu acções legais e com êxito conseguiu que a representação da ópera Monleone fosse proibida em Itália.
Pietro Mascagni (1863-1945)
Cavalleria rusticana: a ópera-prima de Mascagni
Embora Mascagni tivesse começado a escrever outras duas óperas antes (Pinotta, estreada em 1932 e Guglielmo Ratcliff, estreada em 1895), Cavalleria rusticana foi a sua primeira obra terminada e representada, continuando a ser a mais conhecida das suas quinze óperas e operetas. Para além de Cavalleria rusticana, apenas Iris e L'amico Fritz permaneceram no repertório
standard, com Isabeau e Il piccolo Marat nos limites exteriores do repertório italiano. O seu êxito foi um fenómeno desde a sua primeira representação no Teatro Costanzi em Roma, no dia 17 de Maio de 1890, até à actualidade. Quando Mascagni morreu em 1945, a ópera tinha alcançado, em Itália apenas, as 14.000 representações.
O seu êxito foi um fenómeno desde a sua primeira representação no Teatro Costanzi em Roma, no dia 17 de Maio de 1890, até à actualidade. Quando Mascagni morreu em 1945, a ópera tinha alcançado, em Itália apenas, as 14.000 representações
A primeira representação de Cavalleria rusticana causou sensação, com Mascagni a aparecer 40 vezes a saudar na noite de estreia, ganhando o Primeiro Prémio do concurso. Naquele mesmo ano, depois de se venderem todas as representações no Teatro Costanzi, a ópera produziu-se por toda a Itália e em Berlim. Em Dezembro, Gustav Malher dirigiu a obra em Budapeste. Pouco depois, as cidades de Munique, Hamburgo, S. Petesrburgo, Dresden e até Buenos Aires acolheram a obra. Em Março de 1891, foi apresentada em Viena. Teve a sua estreia em Londres no Teatro Shaftesbury no dia 19 de Outubro de 1891 e no Covent Garden no dia 16 de Maio de 1892. Aos 26 anos de idade apenas, Mascagni tinha-se tornado internacionalmente famoso. Os produtores norte-americanos lutaram entre si, as vezes mesmo através dos tribunais, pela primeira apresentação da ópera naquele país. Cavalleria rusticana finalmente foi estreada em Filadélfia na Grand Opera House no dia 9 de Setembro de 1891, seguida por Chicago no dia 30 de Setembro de 1891. A ópera foi estreada em Nova Iorque no dia 1 de Outubro de 1891 com duas representações rivais no mesmo dia, uma representação vespertina no Casino, dirigida por Rudolph Aronson e uma à tardinha no Liceo Lenox dirigida por Oscar Hammerstein. A ópera estreou no Met no dia 30 de Dezembro de 1891 num programa duplo com um fragmento de Orfeo ed Euridice de Gluck e, desde então, foi aí representada mais de 600 vezes. A acção de Cavalleria rusticana é passada numa aldeia na Sicília, na manhã do Domingo de Páscoa, no séc. XIX. Uma rapariga triste e ansiosa, Santuzza, procura o seu amante Turiddu, recentemente regressado da tropa, que a traiu e voltou para a sua antiga noiva, Lola, que entretanto se tinha casado com o abastado Alfio. Santuzza tenta, em vão, recuperar o seu amante. Louca de ciúmes, conta a Alfio, o marido enganado, sobre Lola e Turiddu, selando, nesse momento, o destino de Turiddu. Alfio desafia-o para um duelo. Após despedir-se da sua mãe, Turiddu parte para o seu encontro fatal… A ópera contém árias famosas como a siciliana “O Lola c'hai di latti la cammisa”, o poderoso hino “Inneggiam, il Signor non è morto...”, o famoso Intermezzo sinfonico, e “...a te ! la mala Pasqua !!!”, entre outras. Cavalleria rusticana continua a ser uma das óperas mais populares hoje em dia; nas estatísticas da Operabase aparece como a n.º 27 das cem óperas mais representadas no período 2005-2010, sendo a 16.ª em italiano e a primeira de Mascagni. SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA • Pietro Mascgani: Cavalleria rusticana • Plácido Domingo (tenor) as Turiddu; Elena Obraztsova (mezzo-soprano) as Santuzza; Renato Bruson (baritone) as Alfio, Fedora Barbieri (mezzo-soprano) as Mamma Lucia; Axelle Gall (actress) as Lola; Coro del Teatro Alla Scala di Milano, Georges Prêtre – Decca: 470570-2
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
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EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” | CASAS DA TAIPA Galeria | Até 22/09 EXPOSIÇÃO | “O VAGABUNDO” Casas da Taipa – Exterior | Até 6/10 EXPOSIÇÃO | “JARDIM DAS DELÍCIAS TERRENAS” Wynn Macau | Até 6/10
EXPOSIÇÃO | “CONTEMPLAÇÃO DA BONDADETERNA” Museu de Arte de Macau | Até 6/10 EXPOSIÇÃO | “BANHANDO-SE NA BRISA PRIMAVERIL – PINTURAS DE LIU MENGKUAN” MAM | Até 25 de Agosto EXPOSIÇÃO | “HOT FLOWS – PEARL RIVER DELTA ARTS RETROSPECTIVE” Armazém do Boi | Até 13 de Outubro
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DE PESO 5
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C I N E M A
THE ANGRY BIRDS MOVIE 2 Com: Simon Yam, Gigi Leung, Him Law, Charlie Yeung, Angela Yuen 14.30, 19.30, 21.30
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Shinnosuke Yakuwa 14.30, 16.30,19.30
TOY STORY 4 [A]
DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION [B]
BODIES AT REST [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Renny Herlin Com: Nick Cheung, Richie Jen, Yang Zi 21.30 SALA 2
LITTLE Q [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Law Wing Cheong
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Cooley 16.30
20 7 6 16 3 6 9 5 3 9 5 6 5 9 5 % 2 2 2 4 4 4 3 63 1 0 7 8 48 5 01 8 4
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720.8.2019 terça-feira
1 9 1 3 9 5 2 7 0 8 23 2 2 6 7 8 9 0 4 3 0 7 0 8 3 6 5 4 9 1 62 6 4 5 0 1 8 3 7 6 B A H T 0 . 2 36 3 96 2 Y4U A 7 N6 11 . 1 3 45 85 8 6 7 1 4 3 8 5 2 04 0 8 CÃO 0 5 2 4 9 6 7 VIDA DE 9 1 5 9 8 3 0 2 1 4 57 5 3 1 2 9 7 6 8 0 MELHOR QUE NADA 8 4 7 4 6 0 1 5 2 9
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uma "vitória histórica" saudada pelos ecologistas. Uma larga maioria de países decidiu limitar rigorosamente as vendas de elefantes selvagens de África a compradores que mantenham os animais no ambiente natural, sendo proibida a captura para estruturas de manutenção em cativeiro.
4 28 92 09 50 65 36 3 71 7 5 3 1 9 6 0 4 8 1 0 84 8 2 73 7 6 59 6 3 79 47 14 51 5 8 2 60 56 5 2 7 8 94 39 13 92 69 6 0 1 7 53 45 84 8 7 41 54 25 92 9 0 6 9 2 38 3 6 10 1 7 45 3 4 0 5 8 9 2 1 7 5 71 67 36 43 84 28 2 90 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 5
UM FILME HOJE
SALA 1
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6 6 28 2 9 7 1 34 3 50 5 81 8 2 95 49 4 6 70 7 3 4 04 0 7 95 39 3 8 26 12 1 0 60 6 24 72 87 38 3 15 91 9 3 5 6 41 84 8 2 0 7 9 7 9 36 3 1 50 5 8 4 2 71 7 40 4 5 32 3 69 6 8 13 51 05 0 2 46 74 97 9 8 92 9 38 03 60 56 5 17 1 4 9 49 4 7 8 5 3 2 01 60 6 47 4 25 62 96 19 1 38 3 0 5 35 3 0 7 6 1 9 82 48 4 30 3 61 6 8 97 9 54 5 2 24 82 18 1 3 79 67 56 5 0 8 6 9 10 51 5 7 2 4 3 2 0 49 4 8 17 1 3 6 5 5 25 2 4 38 03 A Convenção 79Comércio 8 58de Espécies 46 24 02(CITES) 39 no73domingo, 0 6 91sobre 7 Internacional 5 61 Ameaçadas 0 deu, 7 um passo importante para a proibição da venda de elefantes selvagens a jardins zoológicos, 9 9VITÓRIA 31 3 7 2 4 50 5 68 6 76 7 3 09 50 5 8 24 2 1 4
Cineteatro
3 89 8 20 62 6 45 4 71 6 52 15 1 9 47 04 0 8 47 94 89 8 0 13 51 25 62 71 37 3 2 5 4 86 08 0 206 6 M 4 A5X 8 313 9 H7U2M 3 5 1 0 3 7 2 8 9 46 82 78 7 4 6 9 30 53 5 54 25 62 6 3 78 17 91 09 8 13 91 9 4 20 62 6 7 9 60 6 17 51 5 23 2 84
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7 2 5 0 1 8 3 4 6 9
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2 9 0 6
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8 4 35 2 79 90 6 43 1 7
PROBLEMA 6
0 76 3 1 47 59 8 4 02 5
19 7 2 6 34 75 3 1 0 98
71 05 10 58 3 7 94 82 46 69
37 80 91 45 2 3 29 58 74 06
53 8 9 4 86 61 2 5 7 10
5 12 4 7 08 86 0 9 93 1
4 1 76 3 50 28 5 07 9 2
6 3 7 09 15 42 71 0 8 4
S U D O K U
14 (f)utilidades
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2 9 8 0 1 4 7 6 5 3
Diz o deputado José Pereira Coutinho que Portugal pode ser um exemplo em matéria de lei sindical. Pode, de facto, porque em Macau esse direito existe na 8 7 0 9 3 2 5 6 Lei Básica, mas não está sequer legislado. Mas, 3 repare-se 4 5 8no que 0 aconteceu 1 6 2 na última semana: mesmo com uma lei, 1 de2tudo4para5que6os motoristas 9 7 3 tentou-se de matérias 6 0perigosas 9 7não4avançassem 5 1 8 para a greve. Fizeram-se mil e um encon2que6não 3 1 8 o exercício 7 9 0 tros para acontecesse de um 7 direito, 5 que 8 foi0questionado 2 3 4por 9 muitos, apesar de termos uma lei e de 4 numa 9 sociedade 6 3 1 0 2 5 vivermos supostamente livre. Sim, 9 a8lei 1sindical 4 em 5 Portugal 6 0 é7 um exemplo, mas há que reflectir sobre 0 1 7prática 2 e9o olhar 8 3que 4 a sua aplicação políticos e população depositam 5 3 2 6 7 4 sobre 8 1 ela. Não basta a existência de uma lei, é importante a formação cívica. O direito à greve não deve ser encarado com dúvidas ou rejeitado quando for mais conveniente. No caso 5 de 3 Macau, 0 9há muito 7 6que 8a lei 2 sindical é uma batata quente passada de 6 e todos 1 7sabemos 0 8como4 se 5 mão em2mão, lidam com as batatas quentes 4 8 3 2 5 no9territó0 1 rio: passam-se, mas não se comem, que 1 diz, 6 não 5 se3resolvem 4 2os 8 é como7quem problemas. 8 Ao 4 invés, 9 0estuda-se, 2 1estuda6 3 -se eternamente. Ho Iat Seng é, além de 0um7empresário 5 4 ligado 8 3às elites. 1 9 político, Não sei6se está 9 pronto 2 3para1fazer5uma7lei 0 que permita a existência de greves em 8papão 6 que 9 iria 7 afectar 5 4 Macau,3esse0 bicho as bilionárias 9 2 receitas 4 1do jogo 6 0e demais 3 7 sectores da economia. Enquanto isso, os 1 5 sujeitam-se 7 8 4ao que 2 há,9em 6 trabalhadores pleno século XXI. Andreia Sofia Silva
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INGLOURIOUS BASTERDS | QUENTIN TARANTINO
Faz hoje dez anos que “Inglourious Basterds” estreou. Revi o filme este fim-de-semana e atestei a generosidade com que a película amadureceu. Confesso que sou um adepto de histórias baseadas em vingança, emoção primária epidérmica, como um comando de acções movido por impulso. Tudo encaixa bem neste filme, todas as narrativas ficam bem arrumadas num embrulho violento e cómico, abrilhantado por competentes interpretações. Regressar a este filme é ainda uma sequela de “Once Upon a Time in Hollywood”, que ainda não digeri e sobre o qual continuo sem uma opinião formada. Algo que nunca me tinha acontecido antes com filmes de Tarantino. João Luz
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THE ANGRY BIRDS MOVIE 2 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Thurop Van Orman 14.30, 16.30,19.30
CRAYON SCHINCHAN 2019 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Masakazu Hashimoto 21.30
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terça-feira 20.8.2019
macau visto de hong kong
Todos no mesmo barco (I)
N
Opassadodia16,alguns hongkongers lançaram através da internet um apelo designado "816 Withdrawal Day", instando todos os residentes da cidade a levantar o dinheiro do Banco e, de preferência, a trocá-lo por dólares americanos. Este movimento pretende pressionar o sistema financeiro de Hong Kong e forçar o Governo a dar resposta ao cinco pontos da agenda dos manifestantes contra a Lei de Extradição dos Condenados em Fuga. Até ao momento, os Bancos da cidade não registaram qualquer movimentação fora do normal. Hong Kong começou a implementar o sistema indexado de câmbio a 17 de Outubro de 1983. Os três Bancos emissores de moeda em Hong Kong, o Bank of China, o HSBC e o Standard Chartered Bank, precisam de ter em depósito dólares americanos para cobrirem a emissão da moeda local, emissão que é feita sob a supervisão da Autoridade Monetária de Hong Kong. A taxa de conversão é fixa; 1US dólar equivale a 7,8 HK dólares. Até ao momento, o sistema indexado de câmbio tem funcionado bem, sem quaisquer efeitos adversos. A grande vantagem deste sistema é a paridade entre as duas moedas em termos de confiança. Quem confia na moeda americana, confia na moeda de Hong Kong. Os Bancos emissores de moeda em Macau, o BNU e o Banco da China (Filial de Macau) emitem moeda, contra a entrega na Autoridade Monetária de HK dólares. A taxa de câmbio é fixa; 1,03 pataca equivale a 1 HK dólar. No sistema indexado de câmbio, o dólar americano representa a reserva financeira do dólar de Hong Kong, pela mesma lógica, o HK dólar é a reserva financeira na emissão da moeda em Macau, ao abrigo do sistema indexado câmbio desta cidade. Acreditar no valor da pataca significa acreditar no valor do HK dólar e do dólar americano. A confiança é o valor mais importante de qualquer moeda. Quem não confia na moeda, prefere apostar noutros bens, como por exemplo imobiliária, ouro, jóias, etc. E agora há quem queira lançar uma campanha para retirar o dinheiro dos bancos, para criar de forma maliciosa tensões financeiras, caos e mesmo o pânico em Hong Kong. Este movimento tende a afectar directamente o estatuto de Hong Kong como centro financeiro. Estas pessoas
CHRIST IN THE STORM ON THE LAKE OF GALILEE, REMBRANDT
DAVID CHAN
procuram lutar pelos seus objectivos destruindo Hong Kong. Contudo, ao destruirem Hong Kong, também vão afectar Macau. Tudo isto é totalmente desnecessário. Até ao momento, não há notícias de qualquer prejuízo causado em Macau. É sem dúvida algo de positivo. A série de incidentes, desencadeada em Hong Kong pela revisão da Lei de Extradição, não afectou, nem irá afectar Macau. Hong Kong tornou-se um centro financeiro a nível mundial devido aos esforços que desenvolveu ao longo de vários anos. Não é um objectivo que se possa atingir de um dia para o outro. O factor mais importante
Se Hong Kong vier a ter problemas de ordem financeira e perder o seu estatuto de centro financeiro mundial, que mais valia lhe vai restar? Hong Kong não tem recursos naturais, as conquistas que alcançou foram obtidas com muito esforço, durante muitos anos
em qualquer sistema financeiro é a confiança que as pessoas nele depositam. Uma vez que essa confiança se perde, todos os sistemas financeiros colapsam. Se Hong Kong vier a ter problemas de ordem financeira e perder o seu estatuto de centro financeiro mundial, que mais valia lhe vai restar? Hong Kong não tem recursos naturais, as conquistas que alcançou foram obtidas com muito esforço, durante muitos anos. Os hongkongers alcançaram estas metas porque durante muito tempo possuiram espírito de inter-ajuda, encorajamento mutúo e, depois, colheram juntos os frutos do seu suor. Os hongkongers também preferem “navegar no mesmo barco”. Nos anos 70, acreditavam que quem trabalhasse com afinco, teria um futuro brilhante. Por isso, a partir dessa altura Hong Kong desenvolveu o espírito consagrado na canção "Under the Lion Rock". A letra desta canção, interpretada pelo famoso cantor "Luo Wen", já falecido, dizia o seguinte: "Evitem os conflitos e persigam juntos os vossos ideais Estamos no mesmo barco, jurámos não ter medo e permanecer unidos Deste lado do Cabo, demos as mãos e enfrentemos as intempéries, Trabalhamos com afinco e escrevemos a história da Imortal Hong Kong".
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
A ética é a estética de dentro.
‘Brexit’ Sem acordo livre circulação de pessoas termina “imediatamente”
O governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, avisou ontem que vai terminar “imediatamente” a livre circulação de pessoas da União Europeia (UE), caso se verifique um ‘Brexit’ sem acordo, a 31 de Outubro. “A livre circulação que existe actualmente vai terminar a 31 de Outubro, quando o Reino Unido sair da UE. Por exemplo, vamos introduzir imediatamente regras mais rigorosas em matérias criminais para as pessoas que entram no Reino Unido”, indicou uma porta-voz do executivo. A mesma fonte adiantou que o governo conservador pretende introduzir um sistema de pontos, similar ao implantado pela Austrália para controlar a imigração. A acontecer, esta medida é um endurecimento da posição na matéria, visto que a negociação da ex-primeira-ministra Theresa May com a UE, previa um “período de transição” de dois anos, que permitia viagens em trabalho ou para estudar de cidadãos europeus para o Reino Unido, mesmo em caso de saída sem acordo. Porém, esse arranjo foi chumbado pelo Parlamento britânico e, a menos que outro arranjo seja alcançado, o país sai da UE sem acordo, a 31 de outubro.
Japão Exportações caem pelo oitavo mês consecutivo
O Governo japonês anunciou ontem que as exportações do país caíram pelo oitavo mês consecutivo, em Julho, quando as economias asiáticas continuam a sentir os efeitos das políticas comerciais dos Estados Unidos. O Ministério das Finanças nipónico disse que as exportações e as importações recuaram em Julho, comparativamente a igual mês de 2018. As exportações diminuíram 1,6 por cento e as importações 1,2 por cento, o que resultou num défice comercial de 249,6 mil milhões de ienes, ou menos 9,8 por cento. Os mercados globais têm registado grande incerteza devido à guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Um abrandamento da economia chinesa vai reflectir-se em outras economias regionais, incluindo na japonesa.
Ténis Medvedev no ‘top 5’, Pedro Sousa sobe 23 lugares
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O russo Daniil Medvedev, vencedor do torneio Masters 1000 de Cincinnati, nos Estados Unidos, no domingo, ascendeu ao quinto lugar do ‘ranking’ mundial de ténis, ontem actualizado e no qual Pedro Sousa subiu 23 lugares, para 125.º. Medvedev, de 23 anos, que nunca tinha vencido um torneio de categoria Masters 1000, subiu três posições e figura pela primeira vez entre os cinco primeiros da tabela liderada pelo sérvio Novak Djokovic, que foi eliminado pelo ucraniano nas meias-finais de Cincinnati. A uma semana do arranque o US Open, quarto e último torneio do Grand Slam do ano, o espanhol Rafael Nadal, o suíço Roger Federer e o austríaco Dominic Thiem continuam a ocupar as posições imediatas. João Sousa mantém o 43.º posto e continua a ser o melhor português, enquanto Pedro Sousa, vencedor do torneio ‘challenger’ de Meerbusch, na Alemanha, subiu 23 lugares e instalou-se na 125.ª posição.
terça-feira 20.8.2019
PALAVRA DO DIA
HOJE MACAU
Pierre Reverdy
DINAMARCA PM DIZ QUE GRONELÂNDIA NÃO ESTÁ À VENDA
A
Noite negra O
PSP DETEVE E IDENTIFICOU DEZENAS DE PESSOAS NO LEAL SENADO
NTEM à noite, a Polícia de Segurança Pública deteve sete pessoas e manteve sob custódia durante cerca de três dezenas depois de uma operação que envolveu perto de meia centena de agentes na Praça do Leal Senado e imediações. Segundo o All About Macau, entre os detidos há seis homens e uma mulher. Quatro são residentes de Macau, dois do Interior da China e um de Hong Kong. Não havia portugueses entre os detidos. A operação da PSP já se sentia antes das 20h, altura para que estava marcada a vigília silenciosa contra a violência policial em Hong Kong, reconhecida por inúmeras organizações internacionais de direitos humanos. Pelo menos meia centena de polícias posicionou-se em todas as zonas de acesso à Praça do Leal Senado, no centro de Macau, apoiados por várias carrinhas, onde era possível
ver elementos de intervenção especial munidos de escudos. As forças de segurança, que no final da semana passada tinham proibido o protesto em Macau, identificaram sobretudo jovens, em especial quando envergavam ‘t-shirts’ pretas, a cor usada pelos manifestantes antigovernamentais e pró-democracia em Hong Kong.
Pelo menos meia centena de polícias posicionou-se em todas as zonas de acesso à Praça do Leal Senado, no centro de Macau, apoiados por várias carrinhas, onde era possível ver elementos de intervenção especial munidos de escudos
Segundo a TDM Rádio Macau, a Polícia Judiciária encaminhou as cerca de três dezenas de pessoas para um parque de estacionamento no edifício da Direccção dos Serviços de Finanças, na Rua da Sé. Após serem identificadas, as pessoas foram libertadas. Algumas teriam mesmo bandeiras da China. Já ontem à tarde, Polícia de Segurança Pública (PSP) tinha sublinhado que se devia respeitar a decisão de não autorização da vigília contra a violência policial em Hong Kong, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. O HM testemunhou a intensificação da presença das forças policiais no Leal Senado perto da hora marcada para a vigília e os muitos transeuntes a quem foi pedida identificação. A PSP apelou ainda ao público para que respeite a lei e que não participe em assembleias e manifestações não autorizadas, de forma a não infringir a lei. João Luz
info@hojemacau.com.mo
primeira-ministra da Dinamarca disse hoje que a Gronelândia não está à venda considerando a ideia de Donald Trump sobre a compra do território “uma ideia absurda”. Mette Frederiksen visitou ontem a região semi-autónoma onde se encontrou com o responsável pelo presidente do governo local, Kim Kielsen, tendo-se referido ao estatuto da maior ilha do mundo colonizada há mais de 300 anos pelos dinamarqueses. “A Gronelândia não está à venda. A Gronelândia não é dinamarquesa, é da Gronelândia. Espero sinceramente que não tenham sido declarações sérias”, disse Frederiksen à estação pública da Dinamarca (DR) quando questionada sobre os planos norte-americanos para a compra da ilha. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou no domingo as notícias que foram publicadas na semana passada sobre os planos dos Estados Unidos para comprar a Gronelândia admitindo que a “ideia surgiu como conceito” apontado como “estrategicamente interessante”. Mesmo assim, Trump disse que se trata de um assunto que não está em primeiro plano. “É uma discussão absurda e Kim Kielsen já foi claro ao afirmar que (a Gronelândia) não está à venda. A partir daqui termina-se a discussão. Por outro lado, há muitas outras coisas sobre as quais queremos falar com o Presidente dos Estados Unidos”, acrescentou Frederiksen. A primeira-ministra dinamarquesa falou sobretudo acerca das relações entre os dois países que envolvem os interesses estratégicos no Ártico. Donald Trump visita a Dinamarca nos próximos dias 2 e 3 de Setembro.