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Hoje Macau • 2010.08.20 #2193

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Expo 2010 | O pavilhão da Hungria passado a pente finíssimo por tiago quadros centrais

O que há para fazer no fim de semana? Basicamente nada centrais

tempo aguaceiros ocasionais min 22 max 32 humidade 60-95% câmbios euro 10.3 baht 0.24 yuan 1.18 pub

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Director carlos morais josé • sexta-feira 20 de agosto de 2010 • ANO IX • Nº 2192

Tudo sobre rodas O governo sentou-se à mesa com as companhias e conseguiu resolver o problema que vinha do dia em que foram entregues as propostas a concurso. Depois de várias queixas em tribunal, finalmente, ficou solucionada a questão dos transportes públicos na RAEM. E todos estão satisfeitos. >páginas 6 e 7

Direitos de autor

Google

Emprego

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Internet agora também conta

Street View proibido em Macau

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António Falcão | bloomland.cn

Transportes Públicos | Negociação política extrajudicial resolve imbróglio

Trabalho aumenta, salários diminuem


sexta-feira 20.8.2010 www.hojemacau.com

2 Chuvas provocam acidente ferroviário

Pelo menos duas carruagens de um comboio de passageiros caíram num rio depois de as cheias que se fazem sentir na China terem destruído a ponte por onde circulava a composição. Até agora, não há vítimas mortais a registar. O acidente teve teve lugar em Guanghan, cidade que fica a cerca de 50 quilómetros a norte da capital de Sichuan, Chengdu, onde as cheias acabaram por destruiu a ponte de Shitingjiang. O site oficial do governo provincial afirma que não houve vítimas mortais resultantes deste acidente. O comboio fazia a ligação entre Xi'na e Kunming. A China tem sido bastante fustigada com cheias e deslizamento de terras nos últimos meses, que já provocaram centenas de mortos e devastaram aldeias inteiras.

Iphone4 vai ser vendido na China

A China Unicom, segunda maior operadora de telecomunicações da China, poderá começar a vender o iPhone 4 da Apple no país a partir de Setembro, afirmou ontem a televisão estatal. "A China Unicom chegou a um acordo com a Apple e o iPhone 4 chegará ao mercado à partir do mês que vem", referiu a CCTV , citando um comunicado da empresa divulgado durante a China Internet Conference, em Pequim. Representantes da China Unicom em Pequim e Hong Kong preferiram não comentar o assunto. A Apple também não esteve disponível para comentar. A Apple abriu sua segunda loja na China no mês passado e caminha para ter um total de 25 unidades no país até o fim do próximo ano.

actual 800 milhões de chineses ascenderam à classe média

O grande salto em frente Cerca de 800 milhões de asiáticos, sobretudo chineses e indianos, deverão aceder à classe média nos próximos 20 anos caso continue ao mesmo ritmo o desenvolvimento económico do continente, de acordo com um estudo do Banco Asiático do Desenvolvimento. A transição da pobreza para a classe média "poderá apresentar muitos desafios mas também trará novas oportunidades sem precedentes na região e no mundo", estima a instituição. O relatório, que analisa todos os países da região à excepção do Japão e da Coreia, define um membro da classe média como uma pessoa que tenha entre 2 e 20

dólares por dia. Segundo o estudo, existem muitas semelhanças entre a classe média da Ásia e a dos países ocidentais: é educada, vive em zonas urbanas, tem poucos filhos e defende os valores progressistas. A classe média gosta ainda de comprar carros e produtos electrónicos mas está cada vez mais obesa. O crescimento da classe média na Ásia vai acontecer sobretudo na Índia e na China. A China é o país que mais pessoas tem conseguido tirar da pobreza: 63 por cento da sua população, o equivalente a 817 milhões, juntaram-se à classe média em 2008, tendo esta classe alcançado 1,9 mil milhões de pessoas.

Na Índia, em 2008, a classe média tinha 274 milhões de habitantes, um quarto da população (1,1 biliões). "As projecções sugerem que até 2030, uma boa parte da Ásia em desenvolvimento atingirá o estatuto de classe média e classe superior", disse o economista-chefe do Banco Asiático do Desenvolvimento Jong-Wha Lee numa conferência de imprensa realizada hoje. A Ásia vai passar de "maior produtor mundial a maior consumidor mundial", acrescentou. Por outro lado, esta mudança apresenta também desafios: degradação ambiental, alterações climáticas ou o acesso a recursos como a água, sublinha a instituição.

Mais de 23 mil site vendem produtos online na China

Comércio na internet aumenta

As vendas na internet aumentaram 60 por cento na China no primeiro semestre de 2010, comparativamente com o mesmo período de 2009, atingindo os 2250 mil milhões de yuan , segundo um estudo publicado na quarta-feira. As transacções on-line incluem as vendas a particulares e a empresas, bem como os negócios feitos entre consumidores. No total, entre janeiro e junho, as vendas on-line da China dispararam para os 2250 mil milhões de yuan, de acordo com o relatório do

centro de pesquisa chinês para o comércio em rede, citado pelo jornal China Daily. Em 2009, as vendas na internet na China movimentaram 3600 mil milhões de yuan, disse o director adjunto do gabinete de informação do governo chinês, Qian Xiaogian. O número de sites de comércio em rede ascendia a 20.700 no fim de junho, mas poderá chegar aos 23 mil até ao fim do ano, acrescentou. Também o número de cibernautas na China, actualmente cerca de 420 milhões,

continua a crescer e muitas empresas foram impulsionadas por este mercado com grande potencial. A Adidas anunciou esta semana a inauguração de uma loja on-line no maior site de vendas e leilões da China, o Taobao. Qian Xiaogian estimou que o crescimento das vendas em rede no mercado chinês deverá ser cerca de 35 por cento nos próximos anos, à medida que se desenvolvem novos meios de pagamento on-line

Jovem amputado chinês é fenómeno no YouTube

Pianista toca com dedos dos pés Um jovem chinês que teve os braços amputados comoveu milhões de telespectadores ao interpretar peças musicais no piano, utilizando os dedos dos pés, durante um programa de televisão do país, um “reality show” que é cópia da produção britânica que deu fama internacional a Susan Boyle. A interpretação de Liu Wei, de 23 anos que perdeu os dois braços quando tinha 10 anos após um choque eléctrico, levou às lágrimas o público do programa "China's Got Talent". O vídeo da apresentação já foi visto mais de 200.000 vezes no YouTube.

"Não entendo por que é que as pessoas sempre pensam que minha vida é terrível porque não tenho braços", declarou o jovem ao jornal Shanghai Daily. "Sou um homem feliz, que tem uma vida interessante, como os outros jovens", completou. Liu começou a tocar piano aos 19 anos. O seu primeiro professor interrompeu as aulas por considerar que era impossível tocar com os dedos dos pés. Mas o jovem não desistiu e aprendeu sozinho. Liu explicou que o número de peças que pode interpretar é limi-

tado pelo tamanho dos dedos dos pés. Mas a limitação não impediu que ele conquistasse a audiência do programa e provocasse choros entre os membros do júri ao interpretar uma composição do pianista Richard Clayderman. Liu foi seleccionado como um dos 40 finalistas e transformou-se num fenómeno similar ao da escocesa Susan Boyle, que se tornou uma estrela mundial depois de cantar uma canção do musical "Os Miseráveis" no programa "Britain's Got Talent". Liu Wei participará novamente do programa no dia 29 de agosto.


Devemos saber como recusar ou manter a distância das tentações; devemos saber como passar pela introspecção e ser perseverantes nos momentos em que o coração fraqueja. No entanto, abalado pela natureza humana ao ver o seu lado repugnante, sinto-me ferido e esmagado por emoções tumultuosas. Macau, com apenas meio milhão de habitantes e com uma receita anual de milhares de milhões, tinha a obrigação de proporcionar uma boa vida a cada um dos seus residentes. Paul Chan Wai Chi P19

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Bicicleta com explosivos provoca sete mortos

Atentado em Xinjiang

A detonação de uma bicicleta carregada de explosivos na região chinesa de Xinjiang provocou ontem sete mortos e 14 feridos, segundo o governo desta localidade do noroeste do país. A polícia já prendeu um sus-

peito - o condutor da bicicleta - no local da explosão, no subúrbio da cidade de Aksu, informou à AFP Hou Hanmin, porta-voz do governo desta região autónoma. O suspeito, que está ferido, perten-

ce à etnia uigur, assim como a maioria das vítimas, referiu Hou. A lei marcial foi declarada e um grande número de policias foram mobilizados na cidade, segundo o Centro de Informação sobre os Direitos Humanos e a Democracia, que tem sede em Hong Kong. Em finais de Junho, a polícia chinesa anunciou o desmantelamento de um grupo terrorista em Xinjiang e acusou os integrantes do mesmo por um violento atentado durante os Jogos Olímpicos de Pequim-2008. O grupo, de mais de 10 pessoas, cometeu alguns atentados desde 2008 nesta região que tem uma minoria muçulmana, onde segundo as autoridades chinesas existe uma ameaça "separatista". Em Xinjiang, os uigures, uma minoria muçulmana de língua turca, denunciam há décadas a opressão política, religiosa e cultural das autoridades da China. Xinjiang tem sido palco de conflitos étnicos nos últimos anos, incluindo motins no verão passado quando tensões entre uigures (muçulmanos) e a maioria chinesa han. De acordo com o Governo, 197 pessoas morreram e centenas foram detidas, tendo cerca de 20 sido condenadas à morte. Entretanto, o activista uigure Dilxat Raxit, que está exilado na Alemanha, alertou para a repressão das autoridades estar a incentivar ainda mais violência. “Desde os motins do ano passado que temos visto sistemáticas opressões e provocações”, disse Raxit.

Pyongyang confirma ter apreendido navio

Pesqueiro sul-coreano localizado A Coreia do Norte confirmou ontem ter em seu poder um pesqueiro sulcoreano que desapareceu numa zona de fronteira, anunciou a agência oficial norte-coreana KCN. "As Forças Armadas norte-coreanas apreenderam em 8 de Agosto um barco sul-coreano que estava a pescar na nossa Zona Econômica Exclusiva (ZEE) no mar do Japão", afirma um comunicado da agência. "Uma investigação preliminar mostrou que o barco, a bordo do qual estavam quatro sul-coreanos e três chineses, tinha entrado em nossa ZEE (...) As investigações prosseguem", acrescente a nota. A apreensão do pesqueiro "Dae-

seung 55" aumentou a tensão entre os dois países, no momento em que Seul executava importantes manobras navais perto da fronteira entre os dois países. As manobras eram consideradas pela Coreia do Sul uma advertência ao regime comunista de Pyongyang, que Seul acusa de ter afundado em Março um navio de guerra sul-coreano, provocando a morte de 46 marinheiros. Pyongyang nega qualquer envolvimento no naufrágio. Na segunda-feira, 56.000 soldados sul-coreanos e 30.000 americanos iniciaram uma nova série de manobras militares conjuntas, apesar da oposição da China e das ameaças de represálias da Coreia do Norte.

Produtores de vinho juntam forças

Cartaxo e Pengai de bago dado O município do Cartaxo vai estabelecer um protocolo de geminação com a cidade chinesa de Penglai, de 450 mil habitantes, inserida na região daquele país onde se encontra a principal produção de uvas de alta qualidade e de vinho. A parceria entre as duas cidades foi aprovada na última reunião de câmara. Interesses comerciais, de valorização da riqueza cultural na área da vinha, do vinho e do mundo rural, são vantagens que poderão resultar das relações a estabelecer com aquela cidade chinesa. Enquadrado no âmbito do Projecto Cartaxo - Capital do Vinho, o protocolo de geminação dá continuidade à realização de parcerias com cidades dentro e fora do espaço europeu em que o vinho e a sua cultura são o móbil. O vereador responsável pelo projecto Projecto Cartaxo Capital do Vinho, Pedro Gil, recordou que Penglai está já geminada com outras regiões com expressão mundial na área do vinho, como Napa

Valley, nos Estados Unidos, ou Bordéus, em França. O que vem reforçar ainda mais a importância desta geminação. Penglai faz fronteira com os mares de Bohai e Amarelo e está localizada na província de Shandong, península de Shandong. Tem uma área de 1128,6 quilómetros quadrados e possui 60 quilómetros de costa. Penglai é considerada uma das Sete Costas de Vinha no mundo, por se localizar junto ao mar. É na região de Penglai que se encontra a principal produção de uvas de alta qualidade e de vinho na China. A área de plantação de uva é de cerca de 41.333 hectares com uma produção anual de vinho de mais de 80.000 toneladas, representando 20 por cento da produção total nacional. Ocupa ainda o primeiro lugar na produção de vinho seco na China, o que faz de Penglai um dos 10 “clusters” agrícolas na província de Shandong. A cidade conta com cerca de 45 empresas vitivinícolas.


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4 Vanessa Amaro

hojemacau@yahoo.com

Não há dados de quantas queixas houve nos últimos dez anos, mas ainda assim o Governo decidiu avançar para alterações no regime jurídico do direito de autor e dos direitos conexos. A proposta de lei, que foi ontem apresentada pelo Conselho Executivo e irá ser discutida na Assembleia Legislativa em Setembro, quer agora regular o que se viola nos meios digitais. Isso quer dizer que, por exemplo, fazer o download de músicas, filmes ou jogos através da Internet e usá-los para fins comerciais poderá ser considerado crime, caso o autor faça uma queixa. Está fora dos planos a criação de um departamento especial para lidar com estes novos casos e continuará a caber aos Serviços de Alfândega proceder as investigações. No entanto, violar direitos autorais apenas para fins pessoais não implica crime, caso o detentor desses direitos nunca venha a formalizar uma denúncia. “Descodificar videojogos e usá-los a título privado, sem propósito comercial, não implica responsabilidade penal”, exemplificou Chan Tze Wai, chefe do Departamento da Propriedade Intelectual da Direcção dos Serviços de Economia. Até provar-se ser o autor de algo que circula na Internet e que considera ter sido “pirateado”, há uma longa estrada a percorrer. Como

política

Governo altera legislação de direitos de autor para lidar com novos crimes

Internet debaixo de olho

em Macau não há nenhum tipo de registo de direitos autorais, cabe aos detentores armarem-se com o máximo de provas para que, caso sintam-se lesados, possam formalizar queixa e ver um processo aberto. “Um manuscrito com data da criação da obra poderia servir de prova de que se é o dono de

determinados direitos”, diz Chan Tze Wai, sem querer aprofundar-se no tema. O porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, frisou que o diploma não sofreu grandes alterações, apenas “estendeu a sua área de actuação para os meios digitais”. O actual regime foi criado em

China testa módulo de estação espacial

Espaço cada vez mais chinês A China completou o primeiro módulo da sua futura estação espacial, e está a testar os sistemas electrónicos antes de o lançar em órbita no ano que vem. A agência de notícias estatal Xinhua divulgou o cronograma de actividades do módulo nesta terça-feira. A agência também noticiou que um foguete Longa Marcha 2F está a ser modificado para transportar o módulo Tiangong 1, de 8,5 toneladas,

ao espaço. A nave espacial Shenzhou 8 vai conectar-se ao módulo no segundo semestre de 2011, com as missões Shenzhou 9 e 10 seguindo-se em 2012, disse a Xinhua. O posto orbital será parte do programa espacial tripulado chinês, mas não foram divulgadas datas para o fim das obras em órbita ou para o início da ocupação humana da estação. A China também planeia

lançar uma segunda sonda à Lua em Outubro, e realizar uma alunagem - não tripulado - em 2012. Uma possível missão lunar com astronautas foi proposta para 2017. Pequim lançou a sua primeira nave espacial tripulada, a Shenzhou 5, em 2003, tornando-se o terceiro país a dominar a tecnologia de enviar seres humanos ao espaço, depois da Rússia e dos EUA.

1999 e, desde então, não sofreu mudanças. “Com o desenvolvimento rápido da Internet, da tecnologia digital e da reprodução de obras, o regime tradicional de protecção do direito de autor tem vindo a enfrentar o desafio da tecnologia digital de reprodução e pela tecnologia de transmissão

pela Internet. A necessidade mais premente de elaborar um novo regime vinculativo da protecção do direito de autor enfrentou o desafio das tecnologias de ponta”, disse. Se aprovada, a lei vai permitir que os titulares dos direitos de autor de uma obra, bem como os intér-

pretes e produtores, possa difundi-la e controlar a sua transmissão na Internet de forma indiscriminada, desde que tenham pré-autorizado a tal. Para os que compram um programa original para o computador e queiram reproduzi-lo, adaptá-lo ou traduzi-lo, não depende do aval de ninguém para o fazer, contanto que não comercialize cópias. Alterar consolas e caixas de descodificadores de televisão fica proibido. “Isto é, quem desactivar ou suprimir, sem autorização do titular de direito, aquelas medidas tecnológicas, como suprimir os dispositivos contra jogos de pirataria ou desbloquear os dispositivos encriptados pré-instalados nas máquinas de jogos, incorre em responsabilidade penal”, explica o Conselho Executivo. Prevê-se ainda que a definição de reprodução passe a abranger obras digitais, sendo alterada a expressão “fonograma ou videograma” para “fixação”, no sentido de que se abranjam as obras produzidas pela tecnologia digital. Os que fornecerem conteúdos ilegais através da Internet incorrem em sanções penais, que podem chegar aos três anos de prisão.

Xu Zongheng acusado de corrupção e abuso de poder

Shenzhen sem governador O Partido Comunista de China anunciou ontem a destituição oficial de Xu Zongheng, governador da cidade de Shenzhen, principal centro de indústria tecnológica do país, após ter sido considerado culpado de corrupção. A agência noticiosa oficial Xinhua noticiou que Xu Zongheng, de 55 anos, foi obrigado a demitir-se por “aceitar subornos” e ter cometido “outros abusos”. Ao antigo governador da cidade de Shenzhen, no sul da China, foi também retirada a militância no Partido Comunista por “violações graves da disciplina e

da lei”. Xu Zongheng foi eleito em 2005 governador de Shenzhen, quarta cidade mais povoada da China, com 8,5 milhões de habitantes, e vizinha de Hong Kong. O antigo governador estava a ser investigado pela Comité Central de Investigação Disciplinar do Partido Comunista desde Junho do ano passado por suspeitas de corrupção no exercício de cargo público. As conclusões divulgadas referem que Xu Zongheng se aproveitou do seu cargo para beneficiar familiares e amigos e aceitou grandes somas de dinheiro em luvas.


Enviada da China foi a Pyongyang discutir desnuclearização
 O representante da China para a Península Coreana, Wu Dawei, foi esta semana a Pyongyang para discutir o possível reatamento do diálogo a seis para a desnuclearização norte-coreana, confirmou nesta quinta-feira o governo chinês. Wu "discutiu pontos de vista com a parte norte-coreana sobre a manutenção da paz e a estabilidade da Península", destacou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em breve comunicado. Pyongyang realizou os seus primeiros testes com armas nucleares em 2006, apesar das conversações realizadas desde 2002, com a China como nação anfitriã.

A novela do Google Street View conheceu ontem uma novo capítulo em Macau. O Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP) decidiu proibir a empresa norte-americana de voltar a pôr a sua carrinha de colecta de dados na rua, por ainda estar a investigar se o recolhimento de dados envolve violação da privacidade. O Google Greater China enviou uma carta ao GPDP, a pedir autorização ao Governo para pôr o veículo do Street View a circular pela cidade a partir de Setembro e por um período dentre quatro e seis semanas. A solicitação referia que a empresa não iria recolher informações sobre as redes de Internet sem fios desprotegidas. Ainda assim, a resposta do organismo local foi desfavorável ao Google. “Tendo ponderado as circunstâncias, o GPDP entende que, estando este gabinete a investigar a pub

Governo proíbe Google de andar pelas ruas a fotografar

Com a cara na porta

incompatibilidade ou não entre a Lei da Protecção de Dados Pessoais e as condutas praticadas anteriormente pelo Google, as quais abrangem recolhimento dos dados de imagens de transeuntes, de números de matrículas de automóveis na rua e dos

dados não encriptados da rede Wi-Fi, o Google não pode, de novo, filmar em Macau”, diz a entidade em comunicado. No entanto, um novo desfecho pode ser conhecido, já que o GPDP admite que esta não é a sua decisão final.

A norma vale enquanto continuar a investigação sobre a quebra de privacidade, “sob pena de se responsabilizar pelas consequências legais a surgirem”. Em Março deste ano, a empresa norte-americana informou que já havia percorrido 1293 quilómetros a fotografar a cidade e que as imagens com vistas panorâmicas de 360° na horizontal e 290° na vertical já estavam disponíveis. Pouco tempo depois, o Google assumiu que os seus carros recolheram por engano informação das redes sem fios de ligação à Internet. O GPDP abriu um inquérito para avaliar que informações haviam sido armazenadas sem autorização e pediu mais dados à companhia. – V.A.

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5 Outros desfechos • Portugal A CNDP (Comissão Nacional de Protecção de Dados) informou que o Google não está autorizado a colectar fotos de rua em Portugal. A Google diz que o serviço é legal e não informou se vai suspendê-lo ou não. A decisão foi tomada depois de se terem registado várias queixas de quebra de privacidade. • Coreia do Sul A polícia da Coreia do Sul revistou os escritórios da Google em Seul e apreendeu material, para investigar se a empresa armazenou dados privados ilegalmente, o que violaria a lei de telecomunicações relacionada com a protecção da privacidade. • Alemanha Os alemães podem pedir que as suas informações sejam apagadas do serviço. Para isso, é necessário que o usuário preencha um formulário, com informações precisas sobre o local onde mora, manifestando o desejo de que a sua casa, no Street View, sofra o efeito ‘blur’ e não possa ser mais vista por outras pessoas que usam o serviço. • Espanha Um tribunal espanhol abriu, esta semana, um processo de investigação contra o Google, depois de uma denúncia de uma associação que acusa a norte-americana de recolher ilegalmente dados privados de redes wireless desprotegidas nas ruas de Madrid. • Inglaterra Um homem britânico acusa o Street View da Google de ter fotografado a sua mulher 43 vezes. A mulher foi apanhada pelos automóveis do serviço enquanto passeava o cão e acabou por surgir em 43 fotografias seguidas, segundo as suas contas.


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sociedade

Negócio por fora do concurso pode ser saída para impasse judiciário

kahon chan

TCM tira 13 rotas à Reolian

parcial” do concurso. A Secção 3, que deveria ir para a Reolian, conforme foi proposto pelo comité de avaliação, será retirada do processo de concurso e atribuída à TCM através “de ajuste directo” e solicitação de propostas. Interesse público

Kahon Chan

hojemacau@yahoo.com

O Governo de Macau decidiu atribuir um dos cinco serviços públicos de autocarros à TCM fora do concurso público. Em troca, a empresa terá de retirar todas as acções em tribunal contra o Executivo, pondo

assim um fim ao impasse burocrático causado pelo longo procedimento judicial. A Reolian, uma “joint-venture” franco-macaense que supostamente iria receber as rotas atribuídas à TCM, aceitou a “decisão política” e deixou de lado a “disputa legal” para se concentrar nos seus interesses a longo pra-

zo. A Transmac, por seu lado, “percebe” a necessidade de minimizar os custos sociais (ver outro artigo). O deputado da AL Ng Kuok Cheong questionou se a decisão verdadeiramente servia o interesse público, embora outros deputados tenham apoiado a decisão do Governo.

Transmac na mesma • Ganhos: É a menos afectada pelo novo acordo • Perdas: Atraso na aquisição de novos autocarros; Novos autocarros sub-utilizados no futuro A Transmac irá operar 21 percursos (secções 1 e 4) sob o novo contrato, menos 15 do que opera actualmente, perdendo as rotas 2, 3, 3A e 7 para outros operadores, mas a escala de operação e o tamanho da força de trabalho deverão manter-se muito próximos dos actuais graças ao incremento das frequências em todos os percursos. Além disso, o acordo fechado na semana passada não resulta na perda de percursos à margem do concurso como aconteceu com a Reolian. Chan Hio Ieong, directora-executiva da Transmac, afirmou que a companhia “percebia” a medida tomada pelo Governo tendo em conta os “custos sociais” causados pelo endurecimento dos litígios jurídicos, assim como a estabilidade nas perspectivas da empresa. Questionada sobre a razão de a proposta de orçamento apresentada ser substancialmente mais elevada do que a de um concorrente que ainda nem tinha os veículos, Chan afirmou que a empresa previa o disparar nos salários dos motoristas, que passarão a ser

muito procurados, enquanto a sua equipa estará também sujeita a pensões mais dispendiosas se a Transmac perder o concurso sete anos mais tarde. A Transmac adiou a aquisição de mais de cem novos autocarros que irão operar a partir do lançamento do serviço, enquanto muitos dos recém-adquiridos autocarros de médio porte ficarão em sub-utilização com o novo contrato. Chan referiu também a existência de vários obstáculos para o melhoramento dos padrões do serviço, como motoristas que não têm receio de perder o emprego e o crescente número de autocarros de casinos a circular pelas ruas congestionadas apenas para fazer “publicidade”. A responsável propôs a interdição à circulação desses autocarros pelas ruas mais movimentadas. O actual contrato de concessão temporária do serviço de autocarros será estendido por um período de seis meses a um ano, mas Chan disse que a data definitiva estava ainda dependente de um estudo mais aprofundado.

Desde que a TCM foi desqualificada do concurso para o novo serviço de autocarros devido à apresentação tardia de um documento para o processo de candidatura, a empresa não baixou os braços aproveitando todas as oportunidades para invalidar a decisão do Governo, tendo sido apresentado um recurso no Tribunal de Última Instância (TUI) no passado dia 12, na sua última jogada. De acordo com a informação fornecida pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego

(DSAT), no entanto, a TCM manteve sempre em aberto as negociações para chegar a uma solução fora do processo de concurso (ver cronologia). Com o acordo de todas a partes alcançado a 13 de Agosto, depois de ter sido autorizado pelo chefe do Executivo em Maio, o Governo irá agora atribuir quatro das cinco “secções” (ou grupos) de percursos de autocarro aos dois concorrentes aprovados no concurso, com a Reolian a garantir os dois lotes mais apetecíveis, como “concessão

A decisão foi tomada com base no Artigo 19.2 do regulamento do concurso, que estabelece que “a entidade adjudicante reserva-se o direito de adjudicação parcial ou de não adjudicação sempre que se entenda conveniente ao interesse público”. O director da DSAT, Wong Wan, enumerou vários factores de interesse público para justificar o uso da “varinha mágica”, incluindo a eliminação da incerteza (quanto ao tempo de lançamento) devido ao arrastar do processo judicial, a segurança do emprego para os condutores de autocarros da TCM, uma antecipação do serviço de qualidade melhorada com os novos contratos e descontos no trânsito entre autocarros dos dois operadores. Quando a Transmac e a Reolian foram informadas pela primeira vez da proposta, a DSAT recebeu alguma “reacção negativa”. Mas como a DSAT advertiu que os procedimentos em tribunal podiam empurrar a data de lançamento para lá de 15 meses, a partir de meados de Outubro de 2010, Wong Wan disse que o “novo operador” começou a mostrar receptividade tendo em conta os pesados custos de manter o negócio sem receitas por mais de um ano – embora a Reolian não tenha admitido que esse fosse um problema.

TCM encolhe • Ganhos: Garante manter-se em funcionamento sem o risco de perder o recurso no tribunal • Perdas: Vai funcionar com uma escala mais reduzida no futuro; teve de apresentar proposta de orçamento reduzido A TCM irá operar 13 percursos sob o novo contrato, tendo emitido um comunicado antes das 1h00 de ontem para confirmar a retirada da acção em tribunal. “Após sérias negociações e reflexão, a TCM decidiu abolir todos os recursos judiciais relacionados com o Concurso Público para Prestação de Serviço Público de Transportes Colectivos Rodoviários de Passageiros de Macau e aceitar o pedido de proposta feito pela agência governamental responsável.” A TCM acrescentou que a mão-de-obra actual será estabilizada para

assegurar a operação normal antes do lançamento do novo serviço. Conforme revelou a Transmac, a TCM irá perder a rota número 10 e 10B para a Reolian, assim como a 17 e a 25 para a Transmac. Além disso, só pôde fazer uma oferta mais reduzida e melhor do que a melhor oferta apresentada no concurso público. As ofertas da TCM feitas no âmbito do concurso público não chegaram a ser reveladas uma vez que o dossiê se manteve fechado até agora. A TCM será o mais pequeno operador de autocarros em Macau.


Pensões ilegais continuam a ser caçadas a todo o gás O grupo de trabalho inter-serviços inspeccionou ontem 13 apartamentos suspeitos de prestação ilegal de alojamento, tendo aposto selo em duas fracções e oito pessoas detidas. Desde a entrada em vigor da lei de “Proibição de prestação ilegal de alojamento”, no dia 13 de Agosto, foram inspeccionadas um total de 170 fracções autónomas, de entre as quais 10 eram fracções residenciais e 24 suspeitas de prestação ilegal de alojamento. Entre as fracções autónomas alvo de investigações, parte já foram desocupadas ou não têm ninguém a viver, e em outras ninguém abriu a porta. No caso das fracções autónomas em que ninguém abriu a porta e que são suspeitas de prestação ilegal de alojamento, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e o Corpo da Polícia de Segurança Pública vão continuar a vigiar e investigar os casos.

A expectativa dos três “concorrentes” em relação aos novos contratos de serviço de autocarros foi também uma motivação-chave para a negociação, uma vez que Wong admitiu que se três candidatos fossem aceites na corrida e um quarto fosse afastado em circunstâncias semelhantes às da TCM, o Governo deveria “basicamente” não optar por uma concessão parcial. A TCM, como premissa fixada pela DSAT para selar o negócio à margem do concurso, deve fornecer uma quota mais baixa do que a oferta mais reduzida feita pela Reolian com garantias de serviço superiores. A empresa ofereceu 811 milhões de patacas para operar 13 percursos durante sete anos, o que é cerca de um milhão abaixo do proposto pela DSAT. Nos sete anos após o início do novo serviço, o Governo de Macau irá pagar mais de 4,7 mil milhões de patacas aos três operadores para prestarem o serviço de autocarros e uma vez que as tarifas se manterão inalteradas, as viagens pagas pelos passageiros recolhidas pelo Governo apenas irão cobrir metade dos custos do serviço. O novo serviço deverá arrancar em meados de 2011. Em conferência de imprensa, Wong Wan foi repetidamente desafiado a comentar se a acção interferia com o poder do Judi-

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Uma guerra por 4 minutos 2009 23 de Setembro • Abertura do concurso público. Todos os percursos de autocarros são divididos em cinco gsecções h, prevendo a possibilidade de funcionarem cinco operadores. 24 de Novembro • A recepção de candidaturas encerrou às 17h. A TCM entrega o seu dossiê na recepção às 17h04. 26 de Novembro • A DSAT recusa-se a aceitar a candidatura da TCM devido à submissão tardia. A Transmac e a Reolian são aceites no concurso. A TCM interpõe recursos junto da Administração.

2010 5 de Janeiro • A DSAT confirma que o apelo da TCM ao chefe do Executivo foi indeferido.

ciário, devido à tentativa de “diminuir os factores indefinidos resultantes da sentença judicial”, ou se as duas abordagens para assinar os mesmos contratos de concessão não eram injustas para todos os candidatos. Wong Wan defendeu que a acção recolheu o acordo de todos os consultores legais do Governo com a presença de um forte interesse público. No entanto, Wong admitiu que o “interesse público”

era uma coisa difícil de quantificar. A análise de Ng

O deputado da AL Ng Kuok Cheong pôs em causa que se tivesse tido em conta o interesse público no litígio do concurso de autocarros. Descrevendo a atitude do Governo como colocando um “tigre à frente e uma cobra atrás” com um manto negro a cobrir o meio, o deputado declarou, na sua página no Facebook, que o Tribunal

Reolian feliz • Ganhos: Gera receitas mais cedo pelo seu investimento em Macau • Perdas: Com o acordo, perde 13 percursos para a TCM Se a TCM perdesse todos os recursos no final, a Reolian iria operar percursos nas secções 2, 3 e 5, tornando-se no maior operador de autocarros de Macau, com uma frota só de veículos novinhos em folha. Como parte do acordo, no entanto, a secção 3 será transferida para a TCM, para pôr um fim aos processos, acabando a Reolian a ficar com apenas 24 percursos sob a nova concessão. A Reolian organizou uma conferência de imprensa na sede da HN Holdings (H. Nolasco) ontem, mas a “joint-venture” entre a firma local e o gigante francês Veolia deixou claro que os planos operacionais só estariam disponíveis em Setembro após consentimento do Governo, não havendo muito a adiantar neste momento. “Não iremos comentar questões legais do passado envolvendo a STCM e o Governo, mas sim olhar confiantes para o futuro”. Cedric Rigaud, responsável da Veolia futuro director-geral da Reolian, leu a declaração na conferência: “Queremos ver os cidadãos de Macau desfrutarem dos nossos serviços o mais cedo

possível. Sendo um parceiro que apoia o Governo, a Reolian espera ajudar a dar uma perspectiva de um início breve do novo sistema de transportes.” A Reolian recusou-se a indicar como iria fazer funcionar uma frota de autocarros totalmente novos com custos mais reduzidos do que os de um operador estabelecido, nem revelou os custos extraordinários com que iria arcar devido ao lançamento adiado do serviço. Cedric Rigaud disse que a empresa podia trocar perdas a curto prazo por uma visão de futuro. “Claro que preferíamos ter três secções, mas esta é uma decisão política e nós respeitamos o Governo”, disse. “O nosso alvo principal é servir o público. Por isso mesmo que percamos uma secção, estamos felizes por ter outras duas e tornarmo-no um dos [dois] principais operadores.” O novo operador avançou que planos de contingência para todos os desafios previstos tinham sido bem delineados e que estava confiante em preencher 400 vagas de motorista de autocarro até ao arranque do serviço.

de Segunda Instância (TSI) também apoiou o Governo na sua política, no final de Julho e o acordo aparentemente não era necessário. “Se o tribunal julgasse procedente o recurso da TCM, a DSAT teria uma grande desculpa para atribuir à TCM o contrato e avançar com o novo sistema, mas infelizmente, o tribunal negou provimento ao recurso – um evento inesperado para os responsáveis e empresários”. Mas também há apoiantes dentro da AL. Ung Choi Kun soube da notícia pelo Hoje Macau e o seu primeiro sentimento foi muito positivo, uma vez que acredita que o interesse da população é o núcleo fundamental para regular a governação, e embora seja totalmente apropriado que as disputas sejam resolvidas em tribunal, é inegável que os procedimentos judiciais são um fardo para a população, que está a sofrer com um serviço de autocarros ineficiente. “É um bom tratamento e a chave aqui é a não transferência de interesses nem a transacção por baixo da mesa”, afirmou. A deputada Kwan Tsui Hang também apoiou a medida, acreditando que a experiência da TCM não terá de se repetir em futuros concursos de serviços públicos.

18 de Janeiro • O comité de avaliação do concurso termina a apreciação das duas candidaturas aceites. A Reolian, conforme proposto, iria operar as rotas das secções 2, 3 e 5, enquanto a Transmac ficaria encarregada da 1 e da 4. 26 de Janeiro • A DSAT suspende os trabalhos no processo de concurso, com o TSI a informar a direcção sobre a gabertura do processo em relação ao procedimento cautelar da suspensão de eficácia do concurso público requerido pela TCM. 4 de Março • O TSI julga gimprocedente h o procedimento cautelar da suspensão de eficácia. A DSAT começa a considerar uma solução à margem dos procedimentos legais. 7 de Maio • O chefe do Executivo autoriza, por despacho, a adjudicação parcial e o início do processo de ajuste directo, como uma das alternativas viáveis. No mesmo dia, a DSAT efectua uma consulta escrita junto de todos os concorrentes, tendo solicitado à TCM uma proposta de preço. 14 de Maio • O TUI julga procedente o recurso da TCM; a DSAT suspende as negociações. 17 de Maio • A DSAT recebe a resposta da consulta escrita e a proposta de preços da TCM. 29 de Julho • O processo 82/2010 sobre o recurso contencioso citado pelo TCM foi julgado improcedente pelo TSI. A DSAT efectuou o despacho de 7 de Maio sobre a adjudicação parcial e o início do processo de ajuste directo. 12 de Agosto • A TCM interpõe recurso ao processo 82/2010. 13 de Agosto • Realiza-se uma reunião entre a DSAT e as companhias proponentes sobre a alternativa da adjudicação parcial e o início do processo de ajuste directo, e chega-se a um acordo mútuo com as companhias proponentes. 19 de Agosto • A DSAT revela a decisão e a TCM concorda em retirar todas as acções em tribunal.


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sociedade

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Metro Ligeiro chega ao Largo do Pagode da Barra A exposição ao ar livre sobre o Metro Ligeiro vai passar amanhã para o Largo do Pagode da Barra, continuando a apresentação para fomentar o conhecimento dos residentes sobre o planeamento do novo transporte. O GIT já realizou, de Junho a Agosto, uma exposição , o Metro Ligeiro na Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção e Jardim de Vasco da Gama e esta exposição será apresentada a partir de dia 21 de Agosto até 20 de Setembro no Largo do Pagode da Barra. O Sistema do Metro Ligeiro a circular em Macau é um sistema de correr num viaduto de betão, com rodas dotadas de pneus de borracha e sem condutor, movido a energia eléctrica, com própria via, tem virtude segura, pontual, conveniente, de alta capacidade de transporte, de baixa poluição e ausência de barreiras arquitectónicas.

Cresce o número da população activa, cai o de desempregados e os salários diminuíram

Mais gente a trabalhar, mas a ganhar menos No segundo trimestre deste ano, a população activa atingiu os 326 mil, o que representa um acréscimo de 3100 pessoas em relação ao trimestre anterior. A taxa de desemprego sofreu uma leve redução, passada de 2,9% nos primeiros três meses do ano para 2,8 entre Abril e Junho. De acordo com um relatório da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) ontem divulgado, do total da população activa 317 mil pessoas estão empregadas, enquanto que as 9300 restantes estão desempregadas. Relativamente ao trimestre antecedente, registou-se uma subida de 3300 indivíduos na população empregada, enquanto que a população

desempregada diminuiu 200. Na distribuição do emprego por ramos de actividade, a maioria da população empregada dedicava-se a actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços (23,8%), enquanto 13,9% trabalhava nos hotéis, restaurantes e similares. Em termos de profissão, os empregados administrativos (incluindo os “croupiers”, fiscais de bancas e operadores de serviços de apostas) e o pessoal dos serviços, vendedores e trabalhadores similares compunham a maior parte da população empregada, que representavam 26,1% e 22,8%, respectivamente. A mediana do rendimento mensal da população

empregada global cifrou-se nas 8.500 patacas, menos 500 patacas em relação ao trimestre anterior, enquanto a mediana do rendimento mensal dos empregados residentes situou-se nas 10

mil patacas, tendo mantidose no nível registado no trimestre precedente. No trimestre em análise, a população subempregada foi de 6,2 milhares de indivíduos, dos quais 77,2%

dedicavam-se à construção e 7,2% ao sector dos hotéis, restaurantes e similares. Os desempregados que se encontravam “à procura de novo emprego” representavam 92,5% do total da

população desempregada, enquanto 7,5% eram pessoas desempregadas que se encontravam “à procura do primeiro emprego”. No que respeita aos níveis de escolaridade, 34% das pessoas empregadas tinham habilitação inferior ou equivalente ao ensino primário; 28,8% ao ensino secundário geral e 25,6% ao ensino secundário complementar. Em termos de distribuição dos desempregados por ramo de actividade económica anterior, 33,4% dos desempregados que se encontravam “à procura de novo emprego” trabalhavam na construção e 17,3% nas actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços. Quanto à profissão anterior dos desempregados “à procura de novo emprego”, 26% eram trabalhadores da produção industrial e artesãos, enquanto que 22,4% eram empregados administrativos.

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Notificação n° 009/DLA/SAL/2010 (Aviso sobre apresentação de audiência escrita) Considerando que não é possível notificar directamente o interessado, por ofício ou telefone, para efeitos de apresentação de audiência escrita, nos termos dos artigos 10° e 58° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do nº 2 do artigo 72º e do artigo 94º do referido código, o interessado abaixo mencionado, para, no prazo de 12 dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação desta notificação, apresentar, no Centro de Serviços do IACM, situado na Avenida da Praia Grande, nº 804, Edifício China Plaza, 2º andar, Macau, uma audiência escrita, relativamente à infracção seguinte: De acordo com o auto de notícia n.º 89/DFAA/SAL/2010, de 13/01/2010, e auto de notícia n.º 323/DFAA/SAL/2010, de 28/05/2010, Lei Kin Kei (portador do BIR nº 5065xxx(5)), proprietário do “Centro de Música Berlin”, é suspeito de ter infringido o artigo 19º da Lei n.º 7/89/M, de 4 de Setembro, por haver instalado material publicitário sem licença emitida pelo IACM. A não apresentação da respectiva audiência escrita ou o adiamento da sua entrega sem qualquer motivo justificável, não impede este Instituto de aplicar as decisões sancionatórias. De acordo com a alínea d) do nº1 do artigo 27º da Lei n.º7/89/M, aos infractores são aplicadas multas entre as duas mil (MOP2,000.00) e as doze mil patacas (MOP 12,000.00). Aos 10 de Agosto de 2010. O Presidente do Conselho de Administração, Substituto Lei Wai Nong

EDITAL Edital n.º: 216/E/2010 Processo n.º: 20/DC/2010/F Assunto: Início do procedimento de audiência pela ocupação ilegal do terreno Local : Terreno situado em frente dos postes de iluminação n.º 918C20 e n.º 918C13 da Povoação de Hác Sá na ilha de Coloane (demarcado a tracejado na planta em anexo) Jaime Roberto Carion, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber por este meio aos ocupantes ilegais desconhecidos do terreno indicado em epígrafe, o seguinte: 1. A DSSOPT, no exercício dos poderes de fiscalização conferidos pela alínea b) do n.º 3 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 29/97/M, de 7 de Julho, verificou que foram depositados materiais no terreno indicado em epígrafe para ocupação do terreno, sem que tenha sido emitida pela DSSOPT a licença de obra, bem como sem que tenha sido atribuída ao(s) ocupantes licença de ocupação temporária nos termos dos artigos 69.º a 75.º da Lei n.º 6/80/M, de 5 de Julho (Lei de Terras). Por isso, foi instaurado o procedimento administrativo n.º 20/DC/2010/F, de desocupação e restituição do terreno à posse da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 2. De acordo com a certidão da Conservatória do Registo Predial (CRP), de 19/07/2010, sobre o terreno demarcado a tracejado na planta em anexo não se encontra registado a favor de particular (pessoa singular ou pessoa colectiva), direito de propriedade ou qualquer outro direito real, nomeadamente concessão, por aforamento ou por arrendamento, pelo que o mesmo considera-se propriedade do Estado, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 3. Com efeito, a ocupação de propriedade do Estado por ocupantes que não disponham de contrato de concessão ou licença de ocupação temporária prevista na Lei de Terras que autorize a sua posse determina que o mesmo (terreno) seja entregue, livre e desocupado, ao Governo da RAEM, órgão responsável pela gestão, uso e desenvolvimento dos solos e recursos naturais, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da RAEM, cabendo ao Chefe do Executivo praticar o respectivo acto, ordem de desocupação e restituição do terreno, ao abrigo do disposto na alínea o) do artigo 41.º da Lei de Terras. 4. Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 191.º da Lei n.º 6/80/M (Lei de Terra), de 5 de Julho, quem a ocupar por dolo ou má fé, terreno vago do Território, é sancionável com multa de $5 00,00 a $ 5 000,00 patacas. 5. Considerando a matéria referida nos pontos 3 e 4 do presente edital,

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podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro. 6. O processo pode ser consultado durante as horas normais de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, 2.º andar, Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, aos 04 de Agosto de 2010. O Director dos Serviços Jaime Roberto Carion Processo no: 20/DC/2010/F Local : Terreno situado em frente dos postes de iluminação n.º 918C20 e n.º 918C13 da Povoação de Hác Sá na ilha de Coloane (demarcado a tracejado na planta em anexo) Planta em anexo :


desporto Triatlo | Miguel Fernandes conquista ouro em Singapura Miguel Fernandes foi um dos elementos que integrou a equipa Europa 1 que ontem conquistou a Medalha de Ouro na prova de Triato por Equipas dos Jogos Olímpicos da Juventude em Singapura. O triatleta português Miguel Fernandes, que há três dias tinha sido 4º na prova individual, cumpriu o segundo sector da estafeta Europeia que esta madrugada conquistou a Medalha de Ouro na prova de Equipas Mistas. A decisão da prova só aconteceu no sprint final, tendo a equipa batido a Oceânia sobre a linha de meta. Cada equipa foi composta por dois elementos femininos e dois elementos masculinos. Cada elemento da equipa disputou uma prova na designada distância super-sprint (250 metros de natação, 7km de ciclismo e 1.5km de corrida) passando o testemunho ao colega seguinte. O quarto elemento da equipa cruzou a linha de meta, definindo o resultado do conjunto. A equipa Europeia foi composta pela húngara Eszter Dudas, pelo português Miguel Fernandes, pela israelita Fanny Beisaron e pelo austríaco Knabl. As mudanças na liderança da prova foram constantes tendo Miguel Fernandes sido um dos elementos que, em termos absolutos, melhor tempo registou na sua prova. Para o triunfo da equipa Europa 1 valeu a ponta final do austríaco Alois Knabl (bronze na prova individual) que lhe permitiu deixar para trás o vencedor da prova individual, Aaron Barclay. Tendo conseguido recuperar das mazelas sofridas na prova individual Raquel Rocha integrou a equipa Europa 5 que veio a terminar no 10º lugar final.

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Liga dos Campeões | Braga 1 – Sevilha 0

Um resultado promissor

No poker, a expressão “grinding” aplicase aos jogadores que praticam durante muito tempo um estilo de risco mínimo e de lucros modestos. Os resultados são, como sempre neste tipo de jogos, imprevisíveis, mas são poucos os adeptos do género que abandonam a mesa em último lugar, com poucos bolsos para tantas fichas.
 
Apresentou-se assim o Sp. Braga frente ao Sevilha, claramente o jogador da mesa com mais fichas – e com uma tendência natural para desencantar as melhores sequências. Ao intervalo, os números eram claros como a água: 66 por cento de posse de bola para os visitantes, quase a mesma equipa que há dias tinha derrotado o Barcelona. 

 A equipa de Domingos escondeu-se no “grinding” não por estratégia, mas por recurso. Porque a equipa de Antonio Álvarez tem cartas que não estão à disposição do treinador português. A essa equação junte-se um estranho

Benfica consegue jogador cobiçado pelo FC Porco

Foi Salvio por um fio Eduardo Salvio vai mesmo representar o Benfica, por empréstimo do Atlético Madrid até ao final da época. Os "encarnados" conseguiram, portanto, resistir ao "ataque" do FC Porto e segurar mais um reforço para Jorge Jesus. A revelação foi feita pela namorada do extremo argentino, que, através da rede social Twitter, confirmou o ingresso de Salvio na da Luz. "Benfica espera-nos", disse Magali Aravena. Entretanto, através de comunicado no site oficial, o Atlético Madrid confirmou que chegou a acordo com o Benfica para a cedência de Salvio, por empréstimo até ao final da temporada. Rui Costa mostrou-se, ontem, satisfeito com o negócio firmado com o Atlético de

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Madrid pelo avançado argentino Salvio, sublinhando que este "é mais um jogador ambicioso para ajudar a equipa". Sobre o facto de o jogador também ter sido sondado pela formação “azul e branca”, o responsável benfiquista lembrou que "quando se parte para negociações de grandes jogadores tem de se partir do princípio que pode haver outros clubes interessados". "Importa saber qual a vontade do jogador. (...) Desde a primeira hora foi clara uma grande vontade de (Salvio) representar o Benfica", acrescentou na conferência de imprensa de apresentação do jogador, transmitida pela Benfica TV, sublinhando que o clube "encarnado" foi "determinado" em querer assegurar o jogador.

magnetismo entre a bola e os jogadores do Sevilha, detalhe que obrigou o Sp. Braga a recuar poucos segundos depois de tentar armar os ataques. Durante a primeira parte, os adeptos só viram um com princípio, meio e fim, mas Matheus, perdido lá na frente, não evitou o corpo de Palop.

 O nervosismo do Sp. Braga era inegável. Sílvio lá entrou (Miguel Garcia não podia nem com o cartão amarelo nem com Dabo), Luis Aguiar lá saiu (Lima procuraria atalhar por outros caminhos) e o Sp. Braga acreditou nas novas cartas.
 Quando espreitou, Domingos tinha uma mão apetecível. Sequência à vista: cruzamento de Sílvio, correcção de Paulo Sérgio ao segundo poste, palmada de Palop 
e cabeceamento simples e eficaz de Matheus.

 O velho Sp. Braga deu então um ar da sua graça. Não exageradamente. O estilo manteve-se conservador. Mas o Sevilha tinha que arriscar, tinha que ir a jogo fosse qual pub

fosse a sua mão. E o Sp. Braga sabia disso. Ganhou espaço de manobra. Podia ter aproveitado para acumular mais umas fichas, para chegar a Sevilha de bolsos cheios e de peito feito (aquele remate de Lima sobre a hora...). Terá que optar pela sua versão humilde.


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cultura

Pavilhão da hungria

Tiago Quadros

hojemacau@yahoo.com

Da autoria do arquitecto Tamás Lévai, o pavilhão da Hungria, denominado de Gömböc, ajuda a compreender o espaço vazio, a reconhecer a sua singularidade e grandeza. Umberto Eco conta-nos que “há duas maneiras de caminhar num bosque. A primeira é escolher um de vários caminhos (…) A segunda é caminhar com o objectivo de descobrir o bosque, porque é que alguns caminhos são acessíveis e outros não”. A descoberta do caminho inacessível está na génese do pavilhão húngaro. A questão da natureza imaterial, representativa de um não-caminho, é abordada por Tamás Lévai através de materialidades intangíveis: o espaço vazio, a luz, o som. Pautado por uma orientação estética que evoca o minimalismo e a espacialidade de Donald Judd, em conjugação com os princípios construtivistas que aliam a arquitectura ao design na criação de uma arte útil que permite organizar a acumulação de formas geométricas segundo parâmetros funcionais, Tamás Lévai concebe o pavilhão da Hungria na Exposição Universal de Xangai, através das regras da cenografia. Na sua demanda pelos valores arquitectónicos da funcionalidade, do rigor e da racionalidade, o arquitecto húngaro elege como essência objectual, elementos identificadores das artes de palco. Enquanto que a arquitectura pressupõe uma lógica interna que autoriza o seu uso totalmente livre, a cenografia desvia essa liberdade para o interior do espectáculo. Forçado à cenografia como prática quase substitutiva do desenho de obra, Tamás Lévai desenvolve um tipo de intervenção que por adição, se pode dizer, propicia a poliformia da sua arte e esbate as fronteiras entre as duas disciplinas. Ao potenciar o

Projecto-paisagem espaço vazio, ao desenvolver uma linguagem de objectos soltos, peças coreográficas da mise-en-scène, Gömböc surge como Projecto-paisagem. Mas apesar de existirem estes pontos de contacto, a obra de arquitectura e cenografia têm características próprias. Desenhar um objecto do quotidiano não é o mesmo que desenhar outro de vida efémera. Entre outras questões, destacamos as de carácter técnico, como o peso, a montagem ou o transporte, que impõem

condições diferenciadas às peças de cenografia. Gömböc, o objecto que dá nome à representação húngara é o elemento central da exposição. Com dois metros de altura, a sua solidez contrasta com o seu cinetismo dinâmico. Trata-se do primeiro objecto homogéneo concebido com um ponto estável e outro instável, dois pontos de equilíbrio sobre o mesmo plano horizontal portanto. O espaço do pavilhão da Hungria é definido com base

na homogeneidade, na abstracção e na dinâmica. Tamás Lévai desenha uma área aberta sob uma matriz tridimensional de tubos de madeira que se movem produzindo sons. Estamos perante um bosque musical. Gömböc evita a cultura de entretenimento, dando destaque à produção criativa da nação húngara. A este propósito, Richard Mohr, comissário-geral adjunto do pavilhão da Hungria na Exposição Universal de Xangai refere: “a criatividade

é o motor para o progresso da humanidade – o núcleo da cultura húngara – e pode também ser incorporada na descoberta de Gömböc – o átomo de todas as formas”. A noção de equilíbrio e harmonia transmitida no pavilhão da Hungria encontra paralelo no Yin e no Yang. De acordo com Tamás Lévai “é esse sentido que os húngaros desejam alcançar no desenvolvimento urbano”. O movimento harmonioso do Gömböc traduz-se também no

movimento dinâmico de todos os elementos verticais, na densidade dos tubos de madeira, nos sons produzidos. O espaço interior do pavilhão é inundado de luz natural durante o dia, enquanto um céu estrelado pelo homem ilumina o espaço durante o período nocturno. Os pontos de luz surgem associados aos tubos de madeira como que estrelas num céu. Tamás Lévai licencia-se em 1999 na BME (Budapest University of Technology and Economics). Prossegue estudos na HUT (Helsinki University of Technology). Reside em Budapeste onde trabalha como arquitecto e professor. Em Março de 2010 vence, em parceria com Ágnes


O artista que não esconde nada Numa cidade de volúpia como a de Macau um salão em que o tema seja sexo será porventura uma aposta imediata de sucesso, e já o é há vários anos, tanto mais porque mais uma vez traz esse “artista” chamado Prickasso que, como o nome indica, é a simbiose de dois termos desiguais, se bem que Picasso também tinha jeito para outras telas. E é verdade o “pintor” faz com o seu “utensílio” o que muitos artistas por esse mundo fora andam a tentar há muito com as duas mãos e não conseguem. Talvez uma visita ao “Asia Adult Expo” ajude.

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O roteiro pela boca dos seus utentes

Jószai, o concurso para o novo centro de arte moderna de Maribor na Eslovénia. A linha conceptual definida por Tamás Lévai para o pavilhão da Hungria procura reflectir o espírito contemporâneo de hibridação e experimentalismo, as questões da efemeridade e transformação, assim como o cruzamento de matérias ou conhecimentos provenientes de diferentes áreas disciplinares. Em Gömböc pretende-se expor a apetência relacional dos espaços cénicos no contexto de uma clara disponibilidade de referências que transcorre diversos campos disciplinares e cuja amplitude se estende do universo significante da encenação, do ritual, do simbólico, ao território de valores virtualmente abstractos, como os de um certo funcionalismo racionalista decorrentes da arquitectura modernista ou da radicalidade das vanguardas artísticas do século XX. A criação de paisagens abstractas desterritorializa a acção e desloca-a para o campo do imaginário, cabendo ao espectador partir da sua interpretação pessoal e de lugares activados pela memória. Este modo de pensar o espaço, como uma figuração abstracta, enquadra-se em correntes como o abstraccionismo, o simbolismo ou o construtivismo e contraria abertamente o modelo naturalista, baseado na representação ilustrativa e realista, na simulação ou no signo. O mais singular em Tamás Lévai talvez seja a sua capacidade de transferir experiências do âmbito da cenografia para a arquitectura. Gömböc assegura uma espécie de melancolia final. Numa aproximação mais objectual, “o palco” possui qualidades espectrais num material terreno: a madeira. *Arquitecto. Mestre em Cor na Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa

António Falcão

hojemacau@yahoo.com

Depois de uma longa semana de trabalho chega o merecido descanso em que se esquece a forma da secretária e as resoluções profissionais. Claro, isto é fácil de dizer se a “inteligência” fosse um pequeno armário onde se tira a gaveta dos dias úteis e se coloca a do fim-de-semana. Seja como for, o calendário marca os sábados e domingos como os dias dedicados ao lazer. Nesse âmbito fomos perguntar a alguns residentes do território de Macau como vão eles ocupar o fim-desemana, que está mesmo aqui à porta. Rodrigo é freelancer e como tal os seus horários não são as usuais “9 às 5”. Depois de uma semana ocupada irregularmente, o fim-desemana entra ao sabor do vento. “Jantar e copos”, até que o olhar comece a ver a dobrar. “Se calhar vou ver as Go-Chic no Sábado”, afirma não muito convencido do que acaba de dizer. Jenny é funcionária pública, olhando para o seu rosto não se sabe bem a sua proveniência, há laivos de todo o mundo. “Sou de Macau”, atesta sem nenhuma dúvida. O seu emprego é como um relógio. Horas certas para almoçar, o cartão magnético para marcar o minuto certo a que se entra e a que se sai. “Vou passar o Sábado a Hong Kong, não tenho nada marcado, almoço lá e venho na mesma noite.” Depois explica: “Quero sempre fazer muita coisa, ir aqui e ali, mas no final acabo por fazer o mesmo: compras!” O território vizinho é usualmente uma boa oportunidade para ver novos espectáculos, ir ao cinema ou “ver como param as modas.” Jenny previne-se. “Vejo sempre o que está a acontecer, informo-me sobre os filmes que chegaram a Hong Kong e se há alguma coisa que não se pode perder.” E isso é motivo para mudar a trajectória. “Mas este Sábado vou sem rumo, mais para me distrair.” E

António Falcão | bloomland.cn

“O que vais fazer este fim-de-semana?”

para o Domingo? “Ainda não pensei nisso”, revela. “Se estiver bom tempo talvez dê um salto a Coloane, mas apetece-me descansar, já sei que um dia em Hong Kong me deixa sempre estafada.” O lazer de Paulo, também ele a trabalhar para o governo, é santo. A sua filha a cruzar agora os quatro anos de idade é a menina dos seus olhos e o fim-de-semana nesta fase não importa muito, é passado com ela, aproveitando o tempo que não tem durante os outros dias por causa do emprego para estar com “a minha filhota”, diz, decerto já a contar as horas que faltam para que isso aconteça. Fusos, vernissages e bicicletas

A família de Vasco acabou de chegar de férias de Portugal e o “jet lag” domina os acontecimentos. Foi um ano preenchido cheio de estudo e trabalho em simultâneo, mas o esforço valeu a pena e o diploma já está guardado. Depois de uma madrugada a ver futebol na televisão os pés ainda não estão bem em terra. “O fim de semana infelizmente é sempre curto e para além de ter que colocar as horas em dia há as deslocações da praxe obrigatórias por via das actividades dos miúdos.” Mas mesmo assim ainda há espaço para um jantar sem crianças no Sábado à noite, “o que aqui por

“Estava habituado a Lisboa, e sinto que aqui há muito poucas coisas para se fazer. Devia haver mais concertos, mais exposições.” Este é um sentimento que não é novidade, o “sentir que devia haver mais”, que sugere outras reflexões. Mas é algo que demora a aparecer. casa já vai sendo um hábito”, confessa. “Estou a ambientar-me ao horário de Macau. Quanto ao que há de novo para ver ainda tenho que pôr a informação local em dia. De qualquer forma procuro um fim-de-semana tão calmo quanto possível.” Para além da dor, calma também é única coisa que Carlos tem escrita no seu menu. Um acidente há umas semanas atirou-o para o estaleiro durante pelo menos 3 meses e com o ombro a precisar de conserto até o esforço do “rato” já dá que fazer. Como tal não se perspectiva um fim-

de-semana muito excitante, apenas leves exercícios de mobilização. Não é desta que vai ver o Hip-Hop no Centro Cultural, nem a exposição de Matteo Ricci no MAM, nem passar pelos Chippendales no Venetian, ou a fantástica aventura da Hello Kitty. Rodrigo está pronto para pub

tudo e pergunta: “Há alguma coisa nova para fazer? Alguma vernissage?” Mas as questões são mais um sintoma de resignação. “Estava habituado a Lisboa, e sinto que aqui há muito poucas coisas para se fazer. Devia haver mais concertos, mais exposições.” Este é um sentimento que não é novidade, o “sentir que devia haver mais”, que sugere outras reflexões. Mas é algo que demora a aparecer. “Quando se chega aqui, tudo é maravilhoso, nem pensas nisso, pensas em conhecer a cidade.” E o tempo passa, semanas, meses, anos. “Depois, começas a sentir a falta das coisas a que estavas habituado... e dás por ti a ir ver um concerto dos SNAP!” Esqueci-me de lhe dizer que neste fim-de-semana há o salão erótico no Venetian, mas pode ser que ele leia este artigo e não se esqueça de lá ir. O que vale é que Macau, por si, é sempre uma cidade de cultura, com estas misturas de aromas e caras dos quatro cantos do planeta. Ocidente e Oriente num só, é o que dizem. Talvez para o próximo fim-de-semana o panorama seja mais concorrido. Vamos estar atentos.


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ideias

Quando há ardil de qualquer espécie não há qualquer relação com a graça.

Capítulo 114 Lao Tzu disse: quando progenitores desvelados cuidam das suas crianças, não é por esperarem delas recompensa, mas por não conseguirem deixar de pensar nelas. Quando líderes sábios sustentam seu povo, não é para o empregarem em seu favor pessoal, mas porque são incapazes, por natureza, de fazerem o contrário. Quando as pessoas contam com o poder dos líderes e presumem o mérito dos líderes, inevitavelmente chega-se a um impasse. Quando há ardil de qualquer espécie não há qualquer relação com a graça. Quando recorres ao que agrada às massas, então, ganhas o poder das massas. Se promoves o que as massas apreciam, então, ganhas os corações das massas. E, assim, conheces o fim quando vês o princípio.

Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online em www.gutenberg.org.


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vanessa amaro

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sexta-feira 20.8.2010

Agostinho Leong | técnico de análises clínicas

Quando a bicicleta era o único problema Vanessa Amaro

hojemacau@yahoo.com

Agostinho António Leong tem nomes bem portugueses. Mas não os escolheu e nunca percebeu ao certo o porquê da mãe não o ter baptizado com um nome chinês. Não há nenhum tetravô, bisavô, avô, tio ou qualquer outro parente de origem portuguesa. A família é completamente chinesa, os hábitos em casa eram chineses. Fora do lar, no entanto, o técnico de análises clínicas do hospital Conde de São Januário era um autêntico ocidental. Os pais optaram por dar-lhe toda a formação em escolas portuguesas, a pensarem que o futuro estava em ter uma educação europeia devido à presença dos portugueses em Macau por mais de 400 anos. “Desde a pré-primária até ao ensino superior fui educado em português. Não sei quase nada da cultura chinesa”, conta. Em casa, misturavase aquela que se transformou na sua língua materna e o chinês. “Falávamos um pouco de tudo. Além de mim, o meu irmão também estudou em escolas portuguesas, mas as minhas duas irmãs foram para o ensino em chinês e inglês.” Na hora de deixar recados aos pais, o chinês era um obstáculo. “Não sabia ler nem escrever. Apesar de falarmos muito cantonês,

quando escrevia mensagens para a família tinha de ser em português”, lembra a rir-se. Nascido há 42 anos em Macau, Agostinho recorda do pai estar constantemente a puxar-lhe as orelhas por ser “um bocado preguiçoso” na adolescência. “Só fazia o suficiente, nunca mais. Estudava na véspera dos exames e tinha de levar com o meu pai a comparar-me com o meu irmão, que era muito mais concentrado nos estudos. Ficava maluco, mas sabia que era verdade.” A mãe, funcionária pública, tinha de gastar os fins-de-semana a percorrer Macau de carro à procura do seu menino. Até aos 18 anos, Agostinho estava proibido de andar de bicicleta. A família achava perigoso demais. “Era a única restrição que tinha. Naquela altura, não se ouvia falar de drogas, nem de crimes. Por isso, a única preocupação dos meus pais era não me deixar andar de bicicleta!” Às escondidas, Agostinho comprava bicicletas, que escondia em compartimentos que considerava secretos dentro do seu prédio. No entanto, o desfecho da sua traquinice quase nunca era positivo. “Havia um vizinho que estava sempre de olho em mim e apanhava-me. Ia a correr contar para os meus pais que eu tinha uma bicicleta

escondida. Lá tinha eu de inventar grandes histórias para livrar-me dos castigos.” Os amigos da juventude ainda não lhe perdoam as “mentirinhas”. “Quando era apanhado, dizia aos meus pais que a bicicleta era de fulano ou sicrano. Eles então iam comigo bater à porta dos meus amigos para devolvermos o que supostamente não era meu. E eram eles que levavam com o sermão da minha mãe, que insistia em dizer que andar de bicicleta por Macau era um perigo.” Aos 17 anos, Agostinho ponderou ir estudar para uma universidade em Portugal. A mãe, entretanto, cortou-lhe as asas, a prever que o filho iria fazer de tudo, menos dedicar-se ao curso superior. “Ela achava que eu ia andar só na paródia e aconselhou-me a ficar por cá.” Foi então que decidiu então para a antiga Escola Técnica dos Serviços de Saúde, hoje transformada no Instituto Politécnico de Macau, para formar-se em técnico de diagnóstico e terapêutica da área laboratorial. Ainda teve alguns percalços – “uma vez a minha mãe foi chamada à escola porque eu andava a faltar demais por não conseguir acordar a horas”, lembra a rir-se -, mas acabou o curso aos 21 anos com notas altas. Entrou para a saúde pública e de lá nunca

saiu, mas, certa vez, a ideia fê-lo perder o sono. “À medida que a transferência de Portugal para a China aproximava-se, surgiam muitas dúvidas de como seria a vida em Macau. No final de 1998, preenchi então os papéis para mudar-me para Portugal. Mas, conforme a data da transferência ia aproximando-se, eu fui tendo a certeza que não queria virar costas a Macau. Afinal, foi aqui que cresci e me formei e achei que tinha de continuar a servir este povo acontecesse o que for.” Voltou atrás no processo e nunca mais pensou em fazer as malas. “Macau é a minha terra. Tenho cá tudo o que preciso e não sinto necessidade de ir-me embora.” É um amante de vinhos, joga futebol, hóquei em campo e acumula cargos em associações de todos os géneros, desde as que têm a ver com a sua área profissional até as desportivas. Quando o telefone toca e surge um convite para jantar, os amigos já sabem: comida portuguesa está no topo das preferências. “É a número um para mim. Até gosto da culinária chinesa, mas não para comer todos os dias.” Benfiquista ferrenho – o seu Glorioso está sempre em primeiro lugar - Agostinho Leong é completamente português.


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entrevista

ELISA VILAÇA, DOCENTE, MESTRE EM ESTUDOS PORTUGUESES, INVESTIGADORA

“Os jovens de Macau devem conhecer Após mais de 20 anos em Macau, não se pode dizer que Elisa Vilaça já cá não esteja. Dois dos três filhos nasceram aqui. Iniciou actividade no início dos anos 80 no Colégio D. Bosco, como educadora de infância, passou pela Escola do Magistério para a formação dos educadores, a seguir na direcção do D. José da Costa Nunes, depois na velha Taipa, com alunos dos bairros de lata que felizmente já não existem, passou a coordenadora do Centro de Recursos na área de Produção, integrou uma pequena equipa que fez os programas para o Ensino, que supostamente iriam continuar cinco décadas após 1999, e até 2002 docente em escolas luso-chinesas. Pelo meio, uma diversidade de iniciativas, como a feitura de fantoches e marionetas, que considera “ferramenta muito importante” na sua actividade profissional ligada ao Ensino. Entende-se como esta região está sempre presente em Elisa Vilaça, ou por familiares que aqui estão, ou por obras que aqui venha apresentar, ou por convites para workshops, ou por trabalhos de investigação relacionados com o seu próximo Doutoramento em Museologia, a sua presença é quase constante. Mulher apreciada pela voluntariedade na busca de novos conhecimentos, e também novos empreendimentos, tem um gosto especial em transmitir o saber acumulado. Sobre a Escola Portuguesa de Macau, aponta para um sistema de internacionalização sem perda da componente portuguesa, tal como no Jardim de Infância. “Nos últimos anos dividome muito entre dois lugares, o meu Portugal onde nasci, de que gosto muito, onde estão muitos laços familiares e, deste lado, a grande relação afectiva, de inabalável amizade por esta Macau profunda, por toda a sua envolvência, apesar das naturais alterações próprias dum processo de evolução, mas onde ainda há

de sombras que é extremamente rico porque continua a ter uma mensagem, uma intenção de espiritualidade, para além da parte meramente lúdica. Por vezes são necessários sete ou oito anos para que seja possível trabalhar com os bonecos perante assistência de público. Quantos bonecos é que tem lá em casa? Cerca de trezentos, são bonecos de colecção que fui e vou adquirindo nos países por onde viajo, maioritaria-

montei o meu próprio atelier em Macau, onde ia produzindo as minhas coisas, isto até 2002 quando fui para Portugal. Normalmente fazia uma exposição por ano, também mandava peças para pequenos concursos. Para além de estar a preparar o doutoramento em Museologia, continua em funções na área do ensino? Sim, não propriamente como educadora. Estou ligada ao Agrupamento onde trabalho, que é o

A cultura desta região não pode passar somente pelo jogo. O jogo é uma fonte, temos de ser muito claros, mas porque não, tentar-se a possibilidade de transmitir aos visitantes a profunda realidade de Macau, que são as suas componentes sócioculturais?

os espaços de sossego, de paz; Macau é uma terra que está e estará sempre comigo” - É com esta energia e emoção que Elisa Vilaça exprime o que sente por esta parte do delta do Rio das Pérolas, onde aponta para a necessidade dos jovens locais conhecerem a cultura desta sua terra. Como que em paralelo à sua função de educadora, leva um quarto de século a estudar marionetas, os últimos 10 de forma muito mais profunda, como a própria nos revela. Sempre “de alma e coração”.

Bonecos, marionetas. Vê-la, por mais de uma ocasião, no meio destes trabalhos, ensinando e executando, é fácil deduzir que é assunto que já traz consigo há muito tempo. É verdade! Desde muito pequena que me apaixonei por estas coisas, ia à praia e havia os Robertos, esses bonecos engraçadíssimos, manipulados, que me fascinavam. Ainda em Portugal, na área do ensino, trabalhei com bonecos. Em Macau tive oportunidade de acesso

a uma vertente cultural na área de marionetas, alargando assim as minhas ambições nesta matéria. As técnicas variam bastante? Existem técnicas comuns a todos os lados onde se cria este género cultural, dependendo do tipo de boneco que está em causa, se é um boneco de fios, de sombras, se é um boneco de garrote, de luva, etc. Há várias técnicas de manipulação. Na Ásia há uma área muito especializada no âmbito do teatro

mente trabalhos originários de países orientais e da América Latina. Irei reforçar a minha colecção com bonecos de mais países da Europa. Nos últimos anos, a sua frequência por Macau, para além dos gestos afectivos, é para investigar e dar acções de formação em joalharia, cerâmica, bonecos... Sempre digo: Macau foi, para mim, uma riqueza muito grande, porque apesar do território ser pequeno, consegui ter oportunidade de explorar aquilo de que sempre gostei, ou seja coisas ligadas à arte. Por isso nunca deixei de tentar adquirir conhecimentos mínimos em diferentes técnicas relacionadas com as várias artes. Daí ter feito e, sempre que possível, continuar fazendo, um bocadinho de escultura, gravura, joalharia, cerâmica tradicional chinesa. No fundo, a joalharia foi a que se manteve mais, porque tinha possibilidade de montar um pequeno espaço para trabalhar, de modo que em 1991,

Agrupamento de Escolas de Gondomar e sou assessora da direcção. Basicamente faço coordenação dos diferentes projectos, desde Jardim de Infância até ao 3º ciclo, envolvendo cerca de dois mil e duzentos alunos e cento e noventa e seis professores. Paralelamente, vou fazendo um pouco de acompanhamento na área de biblioteca com a animação na hora do conto, onde continuo a utilizar muito, cá está, os fantoches neste tipo de evento, onde os alunos também trabalham, construindo as suas próprias peças; uma forma de maior interactividade com os alunos, circunstância que hoje não é fácil em muitos lados. Essa dinâmica, é muito própria em si, apesar das tremendas críticas, quase permanentes, que são feitas ao ensino em Portugal. É muito difícil, porque tudo está numa grande transformação. A crise é universal, na Europa nota-se profundamente, e Portugal não pode fugir disso, pelo contrário,


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com Helder Fernando

a cultura da sua terra” se calhar até é mais afectado. Cada vez existem mais famílias que, trabalhando o dia inteiro, não têm possibilidade de dar mais apoio aos filhos. Há crianças com dificuldades e sem possibilidade de terem apoios específicos, apoios esses que são normalmente dados na escola. O acompanhamento que os alunos têm é dentro da escola, esta não é somente o elemento que lhes vai dar formação académica, funciona também como um pouco de mãe, um pouco de pai, um pouco de família. Muitas vezes, o carinho vem mais de dentro da escola do que de fora da escola. Por outro lado, as crianças dos nossos dias, que já nasceram perante factos diferentes do passado, têm os meios de comunicação, as novas tecnologias; ora isso faz com que muitos desses miúdos não tenham apetência para ler um livro, preferindo estar horas na internet, por exemplo. Nós, professores, é que temos de possuir a capacidade de equilibrar, de dar um pouco a volta, de pugnar para que haja um ensino de qualidade, sabendo que cada vez isso é mais difícil. Periodicamente existem umas estatísticas... Não podemos olhar unicamente para dados estatísticos e decidir passar os alunos todos, independentemente de eles saberem ou não. Assim acontecendo, vamos estar a fazer uma geração de “analfabetos”. Entram, sem bases, numa faculdade que, por si, também se sente pressionada por toda a concorrência, e começamos a ter um ensino de fraquíssima qualidade. Só se pensa em programas para recuperar os alunos, talvez passá-los mesmo com quatro ou cinco negativas. Enquanto os alunos que realmente quiseram aprender, estudaram todo o ano, tiveram boas notas, começam a verificar que os outros colegas que nada se esfor-

çaram, nada lhes acontece e também passam. Tem de ser repensado tudo isto, tem de valorizar-se quem trabalha, quem estuda, quem oferece qualidade, pois qualidade é o que mais se deve desejar para o ensino. Ainda resistem estabelecimentos de ensino de qualidade? Claro que sim. Temos a Universidade de Aveiro, a de Braga, tantos, com investigações a nível de campos científicos, só que muitas vezes não aproveitamos bem, vindo outros de fora buscar os nossos melhores. Nunca foi tentada a continuar em Macau, mesmo com outras responsabilidades na área do ensino, por exemplo na Escola Portuguesa? Posso dizer que tive abordagens nesse sentido. Mas estou quase no tempo de aposentar-me, são 31 anos de serviço que me amadureceram bastante, tanto na maneira de estar como na metodologia de ensino. Neste momento, há vertentes que eu desejo valorizar. Sem dúvida que em Macau está a existir uma viragem para um ensino muito mais

internacionalizado, porque a comunidade portuguesa está a desaparecer aos poucos, não havendo possibilidade de continuarmos a dizer que queremos uma escola portuguesa. Teremos uma escola internacional, tal como o Jardim de Infância que também tem de ser internacional. Onde haja a componente portuguesa, absolutamente fundamental, mas que se dêem também outras componentes, caso contrário os lusófonos aqui residentes reflectirão sobre se a língua portuguesa é uma saída local para os seus filhos. Penso que terá de se ir por esse caminho na Escola Portuguesa, não perdendo o contexto histórico, o enquadramento cultural, antropológico, que não deve ser esquecido. A nível do ensino, recebendo uma proposta que a satisfizesse, voltaria a trabalhar em Macau? A nível do ensino, só se existisse uma proposta completamente diferente. Mas evidentemente que ponho a hipótese de vir até Macau fazer alguma coisa na área da museologia, que é o que, de momento me está a envolver

bastante, tendo em vista o Doutoramento. O que a levou a optar por um Doutoramento com esse tema? Após a licenciatura em Ciências da Educação, como estava em Macau e como sempre me fascinou todo este cruzamento cultural, tive a possibilidade de fazer um Mestrado em Estudos Portugueses, variante História. No fundo a História continua ligada a toda esta terra. Como as marionetas eram e são uma grande paixão, há muito que desejo montar, ou contribuir para a criação de um Museu de Marionetas, ainda não perdi a esperança. Mas um Museu de Marionetas com algumas características enquadradas no contexto actual e com um espólio, renovado periodicamente, inserido numa área de exposição permanente, mas também com ligação forte à própria comunidade local, ou seja com workshops para os jovens aprenderem a construir as peças, integrando esses bonecos numa arte cénica e, ainda com a componente pedagógica, estabelecer um sistema de intercâmbio

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com as escolas, onde estas teriam a possibilidade de se deslocarem ao Museu, tal como o Museu se deslocaria às escolas. Atendendo a que, no presente, temos aqui grandes produções de espectáculos, acredito que a parte cénica também está a ser influenciada e a desenvolver-se. Muito interessante podermos sensibilizar os jovens de hoje na arte cénica de modo a articular todas estas realidades do presente. Que tese tenciona apresentar nesse Doutoramento em Museologia? Sobre o Museu Luís de Camões. Um museu que passou por vários locais, que chegou a ser considerado uma miscelânea de objectos adquiridos. As suas diferentes fases, controvérsias e polémicas. Um museu importante que atravessa vários contextos políticos e históricos, de 1940, mais ou menos, até ao pós 25 de Abril, o seu próprio encerramento, o seu espólio, enfim! É importante existir um estudo sobre isto tudo. Quem sabe se, para o ano, não requeira uma licença sabática e venha até Macau para estudar e investigar esta componente que pretendo para o Doutoramento? Deseja contribuir para a criação de um museu com essas características em algum local especial? Em Macau ou em Portugal. Em Portugal é extrema-

A Casa de Portugal tem feito um trabalho extremamente louvável. Para mim, tem sido um elemento de referência fundamental, desejando eu que sempre continue a envolver a comunidade portuguesa e não só, como tem acontecido.

mente difícil por todas as circunstâncias que se sabem. Por isso, talvez o meu pensamento fosse um Museu de Marionetas em Macau. De cada vez que aqui vem, e fá-lo com bastante frequência, tem sempre trabalhos para fazer, ensinar e apresentar, nomeadamente através das iniciativas da Casa de Portugal. É verdade! Aproveito e sublinho que a Casa de Portugal tem feito um trabalho extremamente louvável. A dra. Amélia António é uma pessoa de grande humanidade, extremamente persistente, não desiste dos objectivos para este barco que é a Casa de Portugal. Objectivos que são a preservação da cultura portuguesa, nos seus mais variados aspectos. Para mim, a Casa de Portugal em Macau tem sido um elemento de referência fundamental, desejando eu que sempre continue a envolver a comunidade portuguesa e não só, como tem acontecido. Como observa o presente e o futuro da Lusofonia em Macau? De modo positivo. É a grande diferença histórica de Macau. A cultura desta região não pode passar somente pelo jogo. O jogo é uma fonte, temos de ser muito claros, mas porque não, tentar-se a possibilidade de transmitir aos visitantes a profunda realidade de Macau, que são as suas componentes sócio-culturais? Se uma camioneta com turistas os leva a uma loja de bolachas, a uma loja de relógios e a uma loja não sei de quê, realmente isso pode ser importante economicamente, mas se levarmos as pessoas às zonas históricas que são um grande património de influência chinesa e portuguesa, se os levarmos a exposições que possam ser feitas, se quem nos visita for informado sobre este casamento cultural, por certo que levarão de Macau a imagem de uma terra com cultura rica. Existindo sensibilidade maior da parte do governo para estes aspectos, todos ficamos a ganhar. Sem esquecermos os jovens, sensibilizarmos os jovens para a cultura da sua própria terra.


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o Hoje [r]ecomenda

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[f]utilidades Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Velha, gasta. Reclame pela força ou em virtude de um direito. 2-Alga filamentosa das águas doces. Também. 3-Abonavas. 4-O macho e a fêma. Unidade de pressão. Sufixo. (abrev.). 5-Eles. Apertos, embaraços (Fig.). Hipótese. 6-Estar para acontecer ou chegar. Sabor. 7-A pessoa que fala. Anulei. Oh!. 8-Nor-nordeste (abrev.). Riba. Árvore de raiz medicinal. 9-Aquele que tem hidrúria. 10-Deixa de andar. Punição. 11-Colocara asas. Retesados. VERTICAIS: 1-Povoação em Oliveira de Azeméis. Pó fino contido na antera das plantas. Rapaz. (Pop.). 2-Acompanhes. Lâminas córneas que revestem as extremidades dos dedos. 3-Adorar, odolatrar. Terreiro onde se junta o sal que se tira das marinhas. 4-Sofrimento moral. Solteirona. Conceder. 5-Resistir a. 6-Anual. Bomba, granda. 7-Parte traseira do lar ou da lareira. 8-12 (rom.). Vai para fora. Nome de várias plantas do Brasil e da África. 9-Partidas., Ergas, levantes. 10-Apelido. Ozónio (Pref.). 11-Amerício (s.q.). Mulher. Corifeu.

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-USADA. EXIJA. 2-LIMO. A. IDEM. 3-GARANTIAS. 4-PAR. BAR. SUF. 5-OS. TALAS. SE. 6-L. VIR. SAL. M. 7-EU. ABOLI. OE. 8-NNE. ABA. IZA. 9-HIDRURICO. 10-PARA. S. PENA. 11-ASARA. TESOS. VERTICAIS: 1-UL. POLEN. PA. 2-SIGAS. UNHAS. 3-AMAR. V. EIRA. 4-DOR. TIA. DAR. 5-A. ABARDAR. A. 6-ANAL. OBUS. 7-E. TRASLAR. T. 8-XII. SAI. IPE. 9-IDAS. L. ICES. 10-JESUS. OZONO. 11-AM. FEMEA. AS.

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

‘Assume Crash Position’ é apenas o segundo álbum deste colectivo, mas é já uma prova definitiva da importância do Konono nº 1 no contexto de uma world music cada vez mais pop. O título do álbum é uma tradução directa do nome da banda em dialecto Kikongo e explica, em grande parte, o que é o som destes intérpretes da música urbana do Congo: ele são chapas de metal percutidas ou peças de automóveis abandonados à mistura com instrumentos ‘tradicionais’ como baixos e guitarras.

[ Te l e ] v i s ã o

TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg Rewind 07:30 NBC Nightly News 08:00 CCTV News – LIVE 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:00 Watson's 2010 FIVB World Grand Prix - Hong Kong (USA vs Germany) 16:30 Dennis and Gnasher 17:00 Escape From Scorpion Island 17:30 Ben 10 Alien Force 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Transworld Sport 19:00 Vertical City 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Watson's 2010 FIVB World Grand Prix - Hong Kong (China vs Thailand) 21:30 Summer Fun: Robots 22:30 Marketplace 22:35 Summer Fun: Robots 23:25 World Market Update 23:30 News Roundup 23:45 Earth Live 23:50 Dolce Vita 00:20 America's Next Top Model (XII) 01:10 A House Of Consumers 01:35 Football Asia 02:05 European Art At The MET 02:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News

STAR SPORTS 31 13:00 Ace 2010 13:30 Game 14:00 Max Power 2010/11 15:00 Le Mans Series Magazine Show 15:30 Hot Water 2010/11 16:30 MotoGP World Championship 2010 - Main Race Grand Prix Ceske Republiky 18:00 Ace 2010 18:30 World Sport 2010 19:00 Ricoh Women's British Open 2010 Day 4 21:00 Football Asia 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 Inside Racing 2010 22:30 MotoGP World Championship 2010 - Highlights Grand Prix Ceske Republiky 23:30 Intercontinental Rally Challenge 2010 – Magazine

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REGRAS |

‘Assume Crash Position’, Konono nº 1

DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Blind Driving 14:00 Fight Quest - Mexico 15:00 Belly Of The Beast - Helicoptors 16:00 Emperor Of The Seas: The Voyages Of Zheng He 17:00 Dirty Jobs - Penguin Keeper 18:00 Factory Made 19:00 Everything You Need To Know - The Brain 20:00 Mythbusters 21:00 Inside 22:00 I Almost Got Away With It - Got Caught In The Shower 23:00 Crimes That Shook The World 00:00 Inside NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Ice Vegas 14:00 The Philippines 15:00 Giant Stingray 16:00 Caught In The Act 17:00 Street Monkeys - Girl Gang 18:00 Most Extreme Moments 19:00 Fatal Fix 20:00 Ice Vegas 21:00 Nat Geo Amazing! - 3 22:00 Chupacabra 23:00 Most Extreme Moments 00:00 Fatal Fix ANIMAL PLANET 52 13:00 Running With Wild Dogs 14:00 Chernobyl: Life In The Dead Zone 15:00 Butaan: The Lost Dragon 16:00 Soda Lakes And Inland Seas 17:00 Animal Battlegrounds 18:00 Animal Witness 19:00 The Most Extreme - Freaky Fliers 20:00 The Whales' Tale 21:00 Weird Creatures With Nick Baker 3 - Slow Loris 22:00 The Great Rift - From Hell To The Holy Land 23:00 Animal Battlegrounds 00:00 The Whales' Tale

(MCTV 51) National Geographic Channel 22.00 Chupacabra

STAR MOVIES 40 12:30 The Delphi Effect 14:05 The Santa Clause 2 15:55 Make It Happen 17:35 The Hottie And The Nottie 19:15 Nim'S Island 21:00 Kill Switch 22:45 Three Men And A Baby 00:35 88 Minutes HBO 41 13:00 Made Of Honor 14:45 Clueless 16:20 Duma 18:00 Blind Date 19:30 Bob'S Weekend 21:00 The Unborn 22:30 Hellboy Ii 00:30 House Of Saddam - Part Iii

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CINEMAX 42 12:00 The Day The World Ended 13:30 Solo 15:00 In Harm'S Way 18:00 Them! 19:30 Speed Racer 21:45 Epad On Max 73 22:00 Shoot 'Em Up 23:25 Tmz 304 23:45 Earthquake MGM 43 13:00 Psych-Out 14:30 Fish Don't Blink 16:00 Yellowbeard 17:45 Malone

Informação Macau Cable TV


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[O]bjectiva Manuel Malzbender

17 Raio [X] Cambalhotas na cama Fernando Esteves Pinto

feira

Para[ ]comer • Pérola 3/F, Sands, Largo de Monte Carlo, no.203 8983 82222888 3352 http://www.sands.com.mo • VINHA Alm Dr. Carlos d' Assumpção 393 r/c AC 2875 2599vinha@macau.ctm.net http://www.vinha.com.mo • FAT SIU LAU (SINCE 1903) Av.Dr.Sun Yat-Sen,Edf.Vista Magnifica Court Rua de Felicidade No.64, R/C Macau 2857 3585fsl1903@macau.ctm.net http://www.fatsiulau.com.mo

• Casa Carlos Bispo Medeiros 28D 2852 2027

• HAC SA PARK Hac Sa Park-Hac Sa Beach Coloane 2888 2297 http://www.yp.com.mo/hacsa

• António (TP) R, dos Negociantes 3 28999998

• SOL NASCENTE (TP) Av Dr Sun Yat Sen No.29-37 R/C 2883 6288 http://www.yp.com.mo/solnascente • TENIS CIVIL (LEON) Av.da República N°14 1° Macau 2830 1189 http://www.yp.com.mo/leon • Platão Trav. São Domingos No.3 2833 1818 reservation@plataomacau.com • Banza (Tp) Nam San Bl.5, GH 28821519

• Galo (Tp) Clérigos 45 2882 7318 http://www.yp.com.mo/domgalo • Riquexó Av Sid Pais 69 2856 5655

• Clube Militar Av Praia Grande 795 2871 4000 cmm@macau.ctm.net • Espaço Lisboa Lda (Col) Gaivotas 8 2888 2226 2888 1850 • Camilo Av Sir Anders Ljungsted 37 2882 5688

• Dom Galo Vista Magnifica Court 2875 1383 domgalo@yp.com.mo http://www.yp.com.mo/domgalo • O Santos (TP) R. do Cunha 28827508 • Porto Exterior Ed Chong U 2870 3276 http://www.portoext.com.mo • Restaurante Fernando (Col) Praia Hác Sá 9 2888 2264

• Ó MANEL (Tp) Fernão M Pinto 90 2882 7571

• Litoral Restaurante Lda Alm Sérgio 261 2896 7878 2896 7996 http://www.yp.com.mo/litoral

• A PETISQUEIRA (TP) S João 15A 2882 5354

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Aquamarine Thai Café (Taipa) Jardim Nova Taipa Bl. 21 Tel. 2883 0010

• O Porto Interior Alm Sérgio 259B 2896 7770 • A Lorcha Alm Sérgio 289 2831 3195

Um filme de: Lee Unkrich 19.30

• Restaurante Thai Abreu Nunes 27E 2855 2255 • LA COMEDIE CHEZ VOUS Ed Zhu Kuan S/N G (Oppsite Cultural Centre) 2875 2021

• Bar Oporto Tv Praia 17 2859 4643 • Maria’s Comida Portuguesa Patane 8A 2823 3221

• LE BISTROT (Tp) Nova Taipa Garden Block 27, G/F 2884 37392884 3994

• Restaurante Pinocchio (Tp) Regedor 181-185 2882 7128 • Canal dos Patos Parque Municipal Sun Yat Seng 2822 8166

• CHURRASCÃO Nova Taipa Garden, Block 27 G/F, Taipa 2884 37392884 3994 • Yin Alª Dr Carlos d’Assumpção 33 2872 2735

Sala 1 Inception [C] Um filme de: Christopher Nolan Com: Leonardo Dicaprio, Ellen Page 14.15, 16.45, 21.30 falado em Cantonês

• Bangkok Pochana Ferrª Amaral 31 2856 1419 • Kruatheque Henrique Macedo 11-13 2835 3555

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[ ] Cinema

SALA 2 crayon shin-chan: super-dimmension! the storm called my bride [B] falado em Cantonês

Um filme de: Akira Shigino 14.15, 16.00, 17.45, 19.30

the sorcerer’s apprentice [B] Um filme de: Jon Turteltaub Com: Nicolas Cage, Jay Baruchel 21.30

Sala 3 the last airbender [b] Um filme de: M. Night Shyamalan Com: Noah Ringer, Nicola Peltz 14.15, 18.00, 19.45, 21.45 Doraemon: nobita’s great battle of the mermaid king [a] falado em Cantonês

Um filme de: Kôzô Kusuba 16.15

M estava desorientada, e uma mulher neste estado bate inconscientemente contra os vidros da sua própria razão, estilhaçando tudo à sua volta. Telefonou dois dias depois e confessou com alguma amargura e revolta que fazia sexo intensamente com o companheiro quando ele chegava das noitadas com a amante. Questionava-se, entre soluços, como é que ele aguentava tanto sexo. M obrigava-o a ter relações com ela, num cocktail de angústia, desespero e vingança. Esta imposição sexual arruinava-a no seu íntimo, mas mesmo assim continuava com o esquema humilhante de querer salvar uma relação através das suas debilitadas emoções. M é uma mulher fraca por natureza, e numa situação destas a sua fraqueza transformava-se numa força negativa e conflituosa. Queria saber como era a outra na cama, se o fazia como ela, posições e fantasias; nada escapava à sua forma de inquirir como se procurasse nas respostas do companheiro (muitas delas suspeitas e desvalorizadas pelo ambiente tenso que se instalara entre eles) um motivo que realmente esclarecesse a violação de fidelidade que ele lhe devia. Por mais cambalhotas que desse na cama, M nunca conseguiria descobrir um indicador de preferência da parte do companheiro que a pusera naquele estado e transformara a sua vida para sempre. Não daquela forma tão baixa de enfrentar um caso de adultério. A sexualidade em M não era uma resolução em si, mas um problema a agravar-se em cada noite que passava. A imagem que ela transmitia era a de uma mulher fragmentada em muitas histórias de mulheres que já passaram pelo mesmo. Em M o sexo era o ponto estratégico e o seu meio de defesa, porque era pelo sexo que ela pretendia recuperar o seu lugar de mulher única e ao mesmo tempo esgotar no companheiro todas as formas de diversão extra conjugais. Por fim, tinha uma voz de sexo estafado quando nos disse antes de desligar que nunca na vida o tinha tanto como agora.

[Fernando é escriturário]


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opinião edi tor i a l Carlos Morais José

As condições técnicas O governo chinês não deu autorização ao Navio Escola Sagres para atracar em Macau. Tal facto desencadeou uma série de especulações porque as explicações oficiais são, no mínimo, desajeitadas. Isto para ser simpático. “Condições técnicas”, “imbróglio jurídico” e outras frases misteriosas surgiram nas bocas de responsáveis dos dois lados. Os chineses, com a contenção que lhes é apanágio, não se alargaram em mais detalhes. Surpreendentemente, os portugueses também não. Vá-se lá saber porquê. Hipótese selvagem: será que atempadamente não foi pedida a respectiva autorização ao governo chinês por se terem esquecido que este território já não faz parte do império? Afinal, ali em Hão Cão, os nossos sínicos amigos deixaram atracar barcos de guerra americanos, os mesmos que patrulham o Estreito de Taiwan, ou seja, os que, eventualmente, assegurariam a defesa da ilha no caso de existir uma invasão chinesa. Navios que comportam cerca de cinco mil marinheiros capazes de incendiar os bares de Wan Chai com o mesmo à vontade com que causam danos colaterais no Iraque.

ca r t o o n por Steff

Há que considerar o passado e se calhar são os bares de Macau que não têm “condições técnicas” para os nossos latagões. De facto, da última vez que por aqui pernoitaram não se pode dizer, para ser gentil, que tivesse sido uma presença pacífica. Ainda me lembro de ver alguns seitosos locais a beber água das sanitas no defunto Moulin Rouge. Já a Sagres, com os seus 200 marujos, não me parece que fosse difícil de controlar. Bom, há que considerar o passado e se calhar são os bares de Macau que não têm “condições técnicas” para os nossos latagões. De facto, da última vez que por aqui pernoitaram não se pode dizer, para ser gentil, que tivesse sido uma presença pacífica. Ainda me lembro de ver alguns seitosos locais a beber água das sanitas no defunto Moulin Rouge. O que sei é ser esta ausência dos marujos profundamente lamentada por muitas das meninas

locais, as mesmas que se queixam da falta de elementos masculinos na noite desta cidade. Vá-se lá saber porquê... Brincadeiras à parte, todos gostaríamos que existissem explicações cabais para este episódio pouco edificante da já vetusta Histórias das relações entre Portugal e a China. Os portugueses de Macau merecem-nas e os chineses também, digo eu em grego. Contudo, porque quase jurava a pés juntinhos que estas nunca aparecerão, resta-nos especular mais e mais, um dos divertimentos mais comuns por estas bandas,

ONU ajuda paquistão

elaborar teorias conspirativas, uma das raras emoções que por aqui se vivem, isto enquanto as moçoilas se terão de contentar com a estafada prata da casa. Feito o balanço, é lamentável que o mais belo navio da armada portuguesa faça uma viagem de circum-navegação e não aporte em Macau, local simbólico das nossas aventuras marítimas de antanho e, concomitantemente, exemplo de como as relações entre os povos podem ser pacíficas e sem confrontos, com benefícios para ambas as partes. A acreditar no comandante da Sagres, a recepção em Xangai terá excedido as expectativas e tal prova que não existe qualquer animosidade entre os dois países. Antes pelo contrário, chineses e portugueses dão-se melhor que a chama e o pavio, que o vento e a vela, que a agulha e a linha. Muito nos agrada esta maravilhosa situação, digna de loas dos historiadores, dos políticos e dos aventureiros que por aqui, neste Oriente distante, se orientam. Pronto, não vem Sagres, ficamos com a Superbock. * O primeiro relatório do CCAC, sob a batuta do juiz Vasco Fong, chegou e veio bravo. De salientar o puxão de orelhas ao Gabinete de Comunicação Social a propósito do negócio da exposição em Pequim, atribuída à Primedia, até porque ali se denotava uma ligação remota ao actual Chefe do Executivo. Seja como for, existe no relatório um facto muito interessante: o CCAC recebeu mais de 900 queixas; contudo, desta avalanche de de-

núncias, só dez mereceram investigação. Caramba! Esta sociedade introjectou mesmo a mentalidade bufa e, agora, por tudo e por quase nada, as pessoas escrevem ao organismo de Fong, denunciando o que entendem serem práticas administrativas menos correctas e até – imagino eu – casos de corrupção. Só que, ao que parece, caiu-se claramente no exagero da delação. Denuncio o funcionário porque ele estava mal disposto e denuncio o não sei quem porque a cor da gravata era cor de burro quando foge. Chice... como se diz em mandarim... Se as coisas continuarem nesta senda – e considerando que agora o CCAC também analisa à lupa casos relacionados com os privados – Vasco Fong terá de aumentar os seus recursos humanos e desumanos para dar vazão a esta avalanche de bufaria. As mamãs, zangadas com o uso incorrecto dos faichis, poderão mesmo ameaçar os filhos com o juiz Fong, cuja semelhança com o juiz Pau é ter o dito na mão. Que não se lhe canse o braço, pois nesta eira desavergonhada há muito onde malhar. * Nas transmissões televisivas do futebol inglês reina um estranho caos. A TV Cabo transmite, a TDM transmite e isto é o nosso grande azar. Ao contrário do que acontecia no passado, o jogo acaba e não pronto: nada de golos, nada de momentos mais importantes da partida, nada de comentários. Que saudades daqueles pundits, chefiados pelo competente John Dykes, na ESPN. Agora é uma secura, um deserto e nem um camelito ou dois para nos distrair. E isto para não falar na insuperável Jamie, esse monstro sagrado do futebol da Ásia, comentadora desportiva linda de morrer em frente ao televisor. Por mim, mal por mal, já me contentava com o Vítor Rebelo, o Marco Carvalho, o Pedro Cortês, o Pedro Maia, o Rui Cid ou o Jorge Vale. Assim é que não vale. E já agora porque razão a TDM não transmite os jogos da Liga Sagres? São caros? Ou será por não existirem “condições técnicas”?


Palavras de amizade pela frente, mas que maldições por Padre Manuel teixeira [1912-2003]

trás.

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u m gr i to n o des er to Paul Chan Wai Chi*

T

eria completado o meu primeiro ano de trabalho na Assembleia Legislativa (AL) no dia 15 de Agosto. Mas durante o intervalo de dois meses de férias parlamentares, creio que teria tido mais trabalho e uma vida mais agitada que o normal, uma vez que o Governo da RAEM se tem dedicado a produzir um monte de problemas, de facto. À medida que passava da floresta para o salão do templo, experimentei diferentes sensações e passei por provações. Algumas destas provêm das tentações da vida real, outras nascem da fraqueza de espírito e, aparentemente, muitas outras foram choques recebidos ao olhar para a natureza humana. Devemos saber como recusar ou manter a distância das tentações; devemos saber como passar pela introspecção e ser perseverantes nos momentos em que o coração fraqueja. No entanto, abalado pela natureza humana ao ver o seu lado repugnante, sinto-me ferido e esmagado por emoções tumultuosas. Macau, com apenas meio milhão de habitantes e com uma receita anual de milhares de milhões, tinha a obrigação de proporcionar uma boa vida a cada um dos seus residentes. Infelizmente, a realidade não é o que deveria ser. A razão por trás disso é que os corações daqueles que têm interesses estabelecidos estão cheios de ganância por riqueza e poder. Se a sociedade for considerada uma propriedade privada, é impossível alcançar uma distribuição justa. Ao longo dos últimos 12 meses, vi todo o tipo de fenómenos e comportamentos estranhos de diferentes pessoas. Muitas vezes ponderei sobre o porquê de a natureza humana se ter tornado tão feia. Desde que o terceiro mandato do Governo da RAEM está em curso, muitas novas comissões e comités foram estabelecidos, mas os seus membros são sempre os mesmos

Da selva para o templo Se a candidatura a chefe do Executivo de Macau é atribuída a um parente de primeira geração da família Ho, a um membro de segunda geração da família Chui, ou a um descendente de terceira geração da família Ma; ou se os postos de presidente e vice-presidente da AL forem sempre garantidos a pessoas dos sectores empresarial ou laboral, alternadamente, seria Macau ainda assim capaz de evoluir? poucos eleitos. Essas pessoas são os representantes que são nomeados ou eleitos por determinadas associações/organizações. Um governo oficial muitas vezes se encarrega de que vários ou um único representante de certas associações tenham muitos títulos. Esse tipo de ecologia política, que chega a ser uma “endogamia”, é uma causa directa da quebra de qualidade dos administradores e ameaça estrangular o futuro de Macau. Se a candidatura a chefe do Executivo de Macau é atribuída a um parente de primeira geração da família Ho, a um membro de segunda geração da família Chui, ou a um descendente de terceira geração da família Ma; ou se os postos de presidente e vicepresidente da AL forem sempre garantidos a pessoas dos sectores empresarial ou laboral, alternadamente, seria Macau ainda assim capaz de evoluir? Sem competição, não haverá progresso enquanto o ambiente político de Macau se estiver a tornar gradualmente num tanque de água estagnada. Para Macau se desenvolver saudavelmente, é necessário livrar Macau da monopolização política além de ter uma economia aberta. É necessário acelerar o processo de introdução de um sistema de eleições directas para chefe do Executivo e para a AL, bem como expandir o alcance das eleições directas. E o mais importante de tudo: criar uma sociedade cívica saudável,

em vez de deixar o Governo transformar Macau numa sociedade populista. Ao ler as notícias sobre os deslizamentos de terras que tiveram lugar na região chinesa de Gansu, senti-me aflito pelas vítimas e, ao mesmo tempo, pude ver o quão absurdos têm sido os desenvolvimentos na China nos últimos 50 anos. O Governo de Pequim tem colocado muita ênfase no facto de o desenvolvimento ter causado uma redução dramática na área arborizada – de 67 para 20 por cento – devido à derrubada de demasiadas árvores. Embora o Governo tenha parado de cortar árvores e realizado reflorestamento durante a última década, a qualidade dos solos de muitas regiões tem sido arruinada e dificilmente haverá forma de os recuperar de volta à sua condição geológica original. Estas servem como verdadeiras lições de vida

para Macau tomar como referência durante o curso do seu desenvolvimento. Hong Kong apresentou recentemente nove directrizes destinadas a arrefecer o mercado imobiliário, com as taxas dos bancos a serem mantidas anormalmente baixas durante um longo período de tempo. Com essas orientações, tenta-se preparar Hong Kong para evitar que sofra de bolhas económicas criadas pelo sobre-endividamento. No caso de Macau, o Governo não tem ainda planos para regular o mercado imobiliário sobreaquecido. Uma proposta destinada a regular o mercado imobiliário só deverá ser apresentada no próximo mês de Setembro. A atitude e eficiência do Governo da RAEM é a principal causa de muitos problemas de Macau ficarem por resolver. Qual o propósito de permanecer vivo? Essa foi uma questão levantada pelo professor da aula de catequese durante os meus anos de escola primária. A resposta a essa pergunta era: para salvar a nosa alma e as dos outros. Mas depois que me mudei da selva para o templo, percebi que tenho de estar sempre com a mente limpa, caso contrário não serei capaz de salvar nem a minha alma, porque o diabo anda aí à solta, e esconde-se por trás do poder e da riqueza. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

PB

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José editor Paulo Reis Redacção António Falcão; Kahon Chan; Rodrigo de Matos; Vanessa Amaro Colaboradores Carlos Picassinos; Francisco Isöo; João Carlos Barradas; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Severo Portela Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Duarte Santos; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte; Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Zélia Ribeiro Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges; Catarina Lau Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (hojemacau@gmail.com) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail hojemacau@yahoo.com Sítio www.hojemacau.com


a fechar sexta-feira 20.8.2010

Terras abandonadas em revisão legal

O chefe da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Jaime Roberto Carion, disse ter recebido respostas de mais de 20 concessionários de terrenos que falharam no cumprimento dos requisitos contratuais. A DSSOPT concluiu a análise de alguns casos e encaminhou-os para o departamento jurídico para a revisão legal. Uma data para a conclusão da revisão não está ainda disponível, mas Carion prometeu que o resultado seria revelado em breve. Entretanto, o responsável acredita que o comprador dos dois lotes leiloados no Fai Chi Kei se está a preparar para apresentar novos projectos, mas a DSSOPT ainda não os recebeu. Os dois lotes foram vendidos a uma empresa detida por Liu Hei Wan, que também está à frente da companhia de autocarros TransMac e desenvolveu o projecto imobiliário The Praia, no Fai Chi Kei, num leilão aberto realizado em 2008.

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Moradores da Ilha Verde queixam-se por irregularidades em armazém

Gás de cambalacho

Centro de Ciência embolorado

A “concha” desenhada pelo arquitecto I.M. Pei continua reluzente, mas a pintura está a descascar e o mofo tem vindo a alastrar no tecto branco no interior do Centro de Ciência, que recebeu mais de 230 mil visitantes desde a sua abertura há apenas sete meses. De acordo com a TDM, um bolor verde vivo está a crescer entre os painéis do tecto branco do átrio, sendo claramente visível a olho nu. Yip Chee Kuen, administrador-delegado do centro, explicou ontem à TDM que sendo um “edifício novo”, leva “algum tempo de operação” para que os problemas no revestimento interior apareçam. O problema com o mofo será “estudado por especialistas” e reparado para assegurar que o mesmo se mantenha em bom estado.

Aprender latim a cantar na Igreja de S. António

Esta é uma oportunidade única, a de aprender latim em Macau. Tem início hoje, na Igreja de Santo António, um pequeno curso que vai ensinar a pronúncia em latim, os significados das palavras e melodias das canções, que vão ajudar à sua compreensão. O latim é uma antiga língua indo-europeia originalmente falada na região em redor de Roma. Foi amplamente difundida, especialmente na Europa, como a língua oficial do Império Romano e após a conversão deste último ao cristianismo. Embora o latim seja hoje uma língua morta, com poucos falantes fluentes e sem que ninguém o tenha por língua materna, ainda é empregue pela Igreja Católica. No entanto, continua a exercer influência sobre diversas línguas vivas, ao servir de fonte vocabular para a ciência, o mundo académico e o direito. Os interessados podem contactar o 28571629 ou o email cpsamacau@gmail.com.

Assaltantes com técnica original

A polícia francesa deteve duas adolescentes de 14 anos que, para roubarem mostravam os seios, desviando a atenção das pessoas que utilizavam os multibancos (MB). O esquema era simples. O primeiro ataque aconteceu na semana passada e, enquanto uma «mostrava os seios» e agarrava os genitais a um homem que levantava dinheiro, a outra roubava as notas do MB. Primeiro tentaram usar um jornal para desviar a atenção da vítima, mas como não resultou, as adolescentes recorreram a métodos mais «explícitos». Uns dias depois usaram a mesma fórmula, numa vítima do sexo feminino, e conseguiram roubar perto de 500 euros. As adolescentes vão ser acusadas e foram entregues ao Ministério Público francês, em Paris. Mas as menores tinham uma cúmplice ainda mais jovem, de apenas 12 anos de idade, que foi entregue aos pais.

Kahon Chan

hojemacau@yahoo.com

Após anos de protestos e pedidos para serem eliminados os armazéns de garrafas vazias de gás de petróleo liquefeito (GPL), os residentes da Ilha Verde dizem-se ainda perplexos por terem descoberto que os terrenos foram ilegalmente ocupados e utilizados nos últimos seis anos. Através da Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde, uma carta foi entregue ao Chefe do Executivo na tarde de ontem, na sequência do relatório do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), divulgado na quarta-feira.

Caiu como uma bomba a conclusão de que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) não apenas “autorizou tacitamente” uma ocupação irregular de terrenos, como também permitiu que não fosse instalado qualquer sistema anti-incêndio, sem justificação aparente, colocando em perigo a segurança dos moradores. Isto apesar de em 2003 um grave incêndio ter sido um alerta para isso. A Direcção dos Serviços de Economia (DSE) também permitiu que o fornecedor de GPL operasse sem licença durante cinco anos. A DSSOPT permitiu a ocupação a longo prazo pela empresa do respectivo terreno, sem licença para o efeito, não sentindo os serviços envolvidos, de acordo com a explicação dada, “qualquer preocupação em relação à devolução do terreno ocupado a título precário pela referida empresa, pelo facto de não existirem ainda projectos de aproveitamento do respectivo terreno por iniciativa do Governo”. O CCAC não engoliu a explicação, uma vez que os moradores da Ilha Verde solicitaram a remoção de todos os armazéns temporários na zona na sequência do grande incêndio que ocorreu em 2003 e a DSSOPT é responsável pela aplicação das leis a serviço do público. “Traduzindo-se a atitude

dos serviços respectivos numa ‘omissão’ (uma vez que não se iniciou o processo da devolução de terreno) consideramos terem os mesmos agido negligentemente em relação aos apelos feitos pelos residentes e pela associação dos moradores da zona da Ilha Verde contra a construção de armazéns intermediários na referida zona”, explica o CCAC no relatório. “Tanto a associação como os moradores estão chocados e desiludidos com a fraca aplicação da lei e por todas as irregularidades. Estamos extremamente descontentes em relação a esta séria negligência de segurança dos moradores do bairro da Ilha Verde”, queixaram-se os residentes. No documento enviado a Fernando Chui Sai On, é pedido que os responsáveis sejam penalizados por tais “omissões da verdade”. Questionam também se não haverá mais armazéns irregulares de cilindros de GPL em outras zonas de Macau. Em relação a um novo espaço para armazenar as garrafas de gás na Ilha Verde, os moradores querem formar uma comissão que supervisione todas as questões de segurança da obra. Apesar desta abertura, os moradores preferiam não ter de lidar com nenhum reservatório de gás próximo às suas casas, a recear um desastre a qualquer momento.

Televisões usadas modificadas no coração da floresta de Coloane

Uma oficina pirata por entre as árvores A PSP e a DSAL descobriram uma grande oficina clandestina que modificava aparelhos usados – televisões convencionais (de tubo de raios catódicos) e monitores de computador – em Coloane. Debaixo de um telhado de zinco no meio da selva, viviam e trabalhavam 68 imigrantes ilegais. Os aparelhos seriam trazidos para a oficina pirata em Macau para posteriormente serem contrabandeados para países em desenvolvimento. Localizada no meio da floresta em Coloane, a oficina apenas era acessível através de um estreito trilho na encosta a partir da Estrada do Altinho de Ká Hó. A PSP começou por receber denúncias de emprego ilegal, mas acabou por descobrir toda uma oficina sem licença dedicada à modificação de aparelhos de televisão e monitores. De acordo com a reportagem da MASTV, os trabalhadores

apenas se deram conta da acção quando os agentes da força especial da PSP irromperam pela oficina num camião e, apesar de muitos terem tentado fugir, aparentemente todos terão sido capturados. Entre os 68 detidos no local, apenas um possuía um documento de identificação

válido, e um outro era residente de Hong Kong. Os trabalhadores eram identificados com crachás consoante as tarefas desempenhadas. Cerca de 100 mil peças de diversos componentes electrónicos, sobretudo televisores e os seus comandos remotos eram

armazenados no solo a céu aberto e em abrigos simples, havendo também um grande número de caixas de cartão novas para aparelhos de TV. Pelo menos duas cintas automáticas estavam instaladas dentro das oficinas abrigadas, aparentemente formando duas linhas de montagem para os monitores usados. Havia também dormitórios precários para os trabalhadores, equipados com frigoríficos e casas de banho, com condições de higiene que deixavam muito a desejar. A polícia acredita que a oficina recebia aparelhos de TV contrabandeados para realizar o trabalho de modificação. Os produtos eram então embalados como se fossem novos e enviados para revenda em países em desenvolvimento. O caso permanece sob investigação e a PSP continuava no encalço do proprietário da oficina, até ao fecho desta edição. - K.C.


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Hoje Macau • 2010.08.20 #2193 by Jornal Hoje Macau - Issuu