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Hoje Macau 20 JULHO 2021 #4813

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PUB.

TIAGO ALCÂNTARA

TIAGO ALCÂNTARA

AUTOCARROS

REGIME POLÉMICO

EPM

PROFESSORES DE PARTIDA

ARMAZÉM DO BOI

PÁGINA 4

PÁGINA 5

EVENTOS

hoje macau

Nº 4813 TERÇA-FEIRA 20-7-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

Chave da salvação

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GCS

REPENSAR O ESPAÇO

A ESPERA FOI LONGA PARA MUITAS DAS 60 FAMÍLIAS QUE ASSINARAM ONTEM OS CONTRATOS DE ARRENDAMENTO DE FRACÇÕES DE HABITAÇÃO SOCIAL EM MONG HÁ E QUE LHES PERMITE VIVER FINALMENTE COM OUTRO CONFORTO E MAIOR SEGURANÇA ORÇAMENTAL. GRANDE PLANO

VIAGENS DE GULLIVER PAULO JOSÉ MIRANDA

VERDADEIRO REI XUNZI

UM CERTO PANASSIÉ BORIS VIAN


2 grande plano

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20.7.2021 terça-feira

HABITAÇÃO SOCIAL PRIMEIRAS FAMÍLIAS ASSINAM CONTRATOS PARA EDIFÍCIO EM MONG HÁ

Sessenta famílias assinaram ontem os primeiros contratos de arrendamento para o edifício de habitação social de Mong Há. No total, serão disponibilizadas 768 fracções, com predominância para a tipologia T2. Entre o universo de beneficiários de habitação social, cerca de 90 por cento não paga renda

“E

SPEREI perto de quatro anos por este momento”, desabafa Hong, um dos primeiros arrendatários de um T2 no Edifício Mong Tak, o complexo de habitação social de Mong Há. Hong, um dos candidatos vencedores, compareceu ontem à celebração dos primeiros contratos de arrendamento entre o Instituto de Habitação (IH) e cerca de 60 famílias que vão estrear o edifício com 768 apartamentos. Mesmo com chuva e tempo cinzento, Hong chegou ao edifício da Rua de Francisco Xavier Pereira bem-disposto. O residente, que partilha casa com a mãe (que tem 60 anos), providencia o único rendimento do agregado familiar. Mãe e filho planeiam mudar-se para a casa nova já no início de Agosto. Apesar de ter submetido a candidatura em 2017, Hong entende que o tempo de espera foi mais curto do que esperava. Para já, o residente suspira de alívio com a folga orçamental que a mudança de casa lhe vai trazer. “Estava a pagar quase 6.000 patacas mensais, enquanto aqui vou pagar cerca de 1.300 patacas”, conta. O Edifício Mong Tak, na Rua de Francisco Xavier Pereira, tem

37 andares, com três pisos de cave, está dividido entre 256 fracções T1 e 512 apartamentos com tipologia T2, com 35,92 metros quadrados e 42,36 metros quadrados de área, respectivamente. Em termos de instalações, os moradores têm 16 lojas no piso térreo, um parque de estacionamento público no terceiro piso da cave com capacidade para 450 veículos ligeiros e 240 motociclos. Os primeiros três pisos do edifício são ocupados por uma gama de serviços sociais, como um Centro de Serviços Integrados Familiares e Comunitários, uma creche, Centro de Alojamento e Serviço Integral para Deficientes, assim como um Gabinete dos Serviços Sociais e um Centro Ambiental Alegria. O quarto piso está vocacionado para lazer e desporto, com um terraço ajardinado, com áreas recreativas e desportivas e zonas com sombras para descansar. Sem nunca formar uma multidão, cumprindo escrupulosamente as medidas sanitárias típicas dos tempos de pandemia, os futuros arrendatários foram chegando gradualmente ao edifício da Rua de Francisco Xavier Pereira, formando uma fila na sala do porteiro. À medida que iam assinando os

FOTOS GCS

Com as chaves


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grande plano 3

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na mão

Liu confessa que ter conseguido o apartamento no Edifício Mong Tak foi como agarrar uma tábua de salvação, oportuna, quando a hipótese de viver na rua começava a ganhar contornos de realidade contratos, os residentes recebiam logo as chaves. O primeiro a chegar foi um idoso, que recusou falar aos jornalistas, mas que denotava evidentes sinais de nervosismo. Liu, uma residente na casa dos 50 anos, vai finalmente morar com os dois filhos depois de já ter perdido a esperança de conseguir uma casa no prédio de habitação social. No entanto, no momento de receber as chaves, tinha a felicidade espantada no rosto. “Tive muita sorte”, comentou acrescen-

MIL POR ANO Arnaldo Santos prevê que o Instituto de Habitação receba por ano cerca de 1.000 candidaturas à habitação social e que o tempo de espera desde a apresentação do pedido até receber as chaves seja de quatro anos. Quanto às 5.254 fracções de habitação económica na Zona A dos Novos Aterros, o director do organismo apontou que os agregados familiares com pais mais jovens podem ter prioridade.

PROJECTOS DE HABITAÇÃO SOCIAL EMPREENDIMENTOS

Nº DE FRACÇÕES

ANDAMENTO DE CONSTRUÇÃO

Mong Há – Edifício Mong Tak

768 fracções

Conclusão da construção em Junho de 2021

Tói San – Edifício Toi Fai

510 fracções

Previsto fim da construção no 1.o trimestre de 2022

Avenida de Venceslau de Morais

1.590 fracções

Estão a ser feitas obras de fundações e cave e foi aberto concurso público para obra de superestrutura, prevendo-se conclusão em 2024

Zona A dos Novos Aterros Urbanos

Cerca de 4.000 fracções

Construção segundo o concurso público

Total

Cerca de 6.868 fracções (Mais cerca de 400 fracções devolvidas e renovadas anualmente)

tando que com a pandemia ela e o filho mais velho, com 25 anos, apenas podiam contar com salários de emprego a tempo parcial. Com o rendimento familiar a mal chegar para pagar a renda de oito mil patacas mensais, Liu confessa que ter conseguido o apartamento no Edifício Mong Tak foi como agarrar uma tábua de salvação, oportuna, quando a hipótese de viver na rua começava a ganhar contornos de realidade. Devido à complicada situação financeira, a família de Liu ficou isenta, temporariamente, de pagar renda.

Quase 50 por cento

A sobriedade e simplicidade são as imagens de marca para quem entra num apartamento do Edifício Mong Tak. Com uma vista desafogada para a zona ribeirinha, as fracções são equipadas com gás natural, aparelhos economizadores de água, enquanto as áreas comuns e zonas públicas utilizam equipamentos de luz economizadores de energia. Ainda no capítulo dos equipamentos, o IH informa que o prédio tem uma série de instalações adaptadas para pessoas portadoras de deficiência. Nos elevadores estão instalados botões de comando para deficientes, a entrada e saída do átrio contam com acessos sem barreiras e no terraço ajardinado está instalado piso táctil direccional.

O IH referiu que entre os actuais 13.245 arrendatários de habitação social, 12.684 estão isentos de pagar rendas até ao valor máximo de isenção mensal de 2.000 patacas De todas as fracções do edifício de habitação social de Mong Há, o Instituto de Habitação atribuiu mais de 360 residências, e garante reunir condições para assinar cerca de seis dezenas de contratos por dia. O organismo liderado por Arnaldo Santos afirmou ontem o empenho no atendimento às necessidades de habitação das famílias economicamente desfavorecidas. Desde que foram abertas as candidaturas permanentes para habitação social, em Agosto do ano passado, o IH recebeu 3.500 pedidos (dos quais, cerca de 200 foram submetidos electronicamente). Perto de 1.400 foram aceites, após confirmação da elegibilidade dos candidatos,

O Edifício Mong Tak tem 37 andares, com 3 pisos de cave, está dividido entre 256 fracções T1 e 512 apartamentos com tipologia T2, com 35,92 metros quadrados e 42,36 metros quadrados de área, respectivamente sendo-lhes atribuída pontuação. Cerca de 600 foram rejeitadas, ou estão em disputa através de processo judicial pendente, principalmente devido a alegados rendimentos brutos mensais superiores aos limites legais, ou por os candidatos serem proprietários de imóveis e já beneficiarem de habitação pública ou da bonificação de juros de 4 por cento. De momento, cerca de um milhar de candidaturas ainda estão a ser analisadas.

Para quem precisa

Desde a publicação da lista definitiva de espera da candidatura a habitação social de 2017 até ao presente, entre as 6.354 candidaturas, foram analisadas 5.380, das quais 3.280 estão habilitadas (cerca de 60 por cento do total). Ainda a aguardar análise, estão cerca de 550 candidaturas, trabalho que deve ser concluído no próximo ano, de acordo com o IH. O tempo médio de espera pela análise das candidaturas de 2017, segundo o organismo público, é de 420 dias (cerca de um ano e dois meses), e o tempo máximo de espera foi de 870 dias (cerca de dois anos e cinco meses). “Foi mantida a isenção de pagamento das rendas de quase 90 por cento dos arrendatários de habitação social durante todo o ano em curso, para aliviar a pressão de recessão económica enfrentada pelos arrendatários”, garantia o secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa de 2021 da sua tutela. O IH corroborou o compromisso de Raimundo do Rosário, referindo entre os actuais 13.245 arrendatários de habitação social, 12.684 estão isentos de pagar rendas até ao valor máximo de isenção mensal de 2.000 patacas. “Os agregados familiares que estão isentos do pagamento das rendas representam cerca de 90 por cento do total dos arrendatários”. João

Luz e Nunu Wu


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O regime “4+4” visa consiste na realização de dois turnos de quatro horas intervalados por um período de descanso entre três a quatro horas

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Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) assegurou que o regime de turno “4+4” dos motoristas estabelecido pelas companhias de autocarros não desrespeita a Lei das Relações de Trabalho. Em resposta a interpelação escrita enviada pela deputada Agnes Lam, onde é abordada a morte de um motorista da Transmac que levantou dúvidas acerca do tempo de descanso dos trabalhadores, o director substituto da DSAT, Chiang Ngoc Vai explicou que o regime “4+4” visa “responder ao grande volume de passageiros nas horas de ponta, de manhã e à noite” e consiste na realização de dois turnos de quatro horas intervalados por um período de descanso entre três a quatro horas. “O horário de trabalho é, em média, de 9 a 10 horas, estando o período de descanso em conformidade com o disposto na Lei das Relações de Trabalho. [A DSAT] exigiu às companhias de autocarros que cumpram rigorosamente a Lei

AUTOCARROS DSAT DIZ QUE TURNOS DE MOTORISTAS SÃO LEGAIS

Feitos num oito

No rescaldo da morte do motorista da Transmac que trabalhava no regime de turno “4+4”, a DSAT assegurou que, tanto o horário de trabalho como o período de descanso estão de acordo com a Lei das Relações de Trabalho. Respondendo a Agnes Lam, o organismo diz que tem instalado casas de banho e salas de descanso e aumentado as regalias para atrair novos trabalhadores das Relações de Trabalho e cooperem activamente com a fiscalização dos serviços competentes”, pode ler-se na resposta. Recorde-se que Agnes Lam questionou o organismo se os turnos garantem aos trabalhadores as dez horas consecutivas de descanso por dia previstas na lei.

AL Abertura de comissões em discussão A Comissão de Regimento e Mandatos vai reunir-se na quinta-feira para discutir uma petição que exige a abertura das comissões da Assembleia Legislativa. A reunião vai decorrer durante a parte da manhã, à porta fechada, surge na sequência de uma petição entregue por um residente, identificado como Adelino Sousa. O pedido da abertura das comissões da AL não é novo, masamaioriadosdeputadostêmsidocontraaalteração. Segundo explicações anteriores do Presidenda Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, a abertura depende da votação das próprias comissões.

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Sobre a melhoria das condições de descanso dos condutores, cada vez em maior conflito, segundo a deputada, com a crescente complexidade e congestionamento das estradas de Macau, a DSAT garantiu estar atenta às necessidades dos trabalhadores e concessionárias, tendo instalado

Estudo de Políticas Hengqin apontado como futuro de Macau

casas-de-banho e salas com ar condicionado nos terminais de autocarros das estações da Barra, Rua dos Currais, Pérola Oriental e Praceta 24 de Junho. Quanto ao descanso no final de cada frequência, a DSAT aponta que “exigiu às companhias de autocarro que não determinassem

A Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau na Ilha de Hengqin não serve apenas para diversificar a economia da RAEM, mas é o futuro dos residentes de Macau em termos de emprego e melhoria da qualidade de vida. A mensagem foi deixada por Cheong Chok Man, director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), em resposta a interpelação da deputada Wong Kit Cheng. Ainda de acordo com o director do DSEPDR, o Governo vai preparar vários projectos transfronteiriços, que serão anunciados de acordo com o andamento dos trabalhos de cooperação com a congénere do outro lado da fronteira.

o número de frequências de cada turno” e que, a cada frequência, “deve ser concedido um período de descanso de, pelo menos, 5 a 10 minutos aos condutores”.

A pensar no futuro

Perante a falta de vontade demonstrada pelas gerações mais novas em aderir ao sector, a DSAT revelou estar empenhada em melhorar o ambiente de trabalho e elevar as regalias oferecidas. “Para captar o interesse dos residentes para a carreira, as duas companhias de autocarros, nestes últimos anos, têm vindo a elevar empenhadamente as regalias e a optimizar o ambiente de trabalho, de forma a atrair o ingresso de novos trabalhadores”, apontou Chiang Ngoc Chai. A DSAT adiantou ainda que vai cooperar com os respectivos seviços para criar condições para quem pretende trabalhar no sector, mas não tem carta de condução de pesados de passageiros. Pedro Arede

PME Reiteradas medidas para impulsionar Desde o ano passado, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) diz ter ajudado as Pequenas e Médias Empresas (PME) com várias medidas, como empréstimos sem juros, prorrogação do pagamento do empréstimo, lançamento do cartão do consumo, plano de benefícios do consumo por meio electrónico, entre outras. A posição de Chan Tze Wai, directora substituta da DSEDT, surge em resposta a uma

interpelação da deputada Song Pek Kei, que questionava os apoios dados pelo Governo às PME. Na mesma interpelação, Song questionou o Executivo sobre incentivos para que os residentes assumam funções de trabalhadores domésticos. Porém, Chan afirmou que os locais não têm intenção de procurar empregos na área, nem os empregadores têm vontade de recrutar residentes para este tipo de trabalho.


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EPM PANDEMIA E FECHO DE FRONTEIRAS LEVA À SAÍDA DE OITO PROFESSORES

Estão de malas aviadas

Visitantes Número volta a ultrapassar barreira dos 30 mil

Guangdong Código de Saúde passa a incluir registo de vacinação

O sistema do código de saúde de Guangdong foi ontem actualizado para integrar novas informações dos pacientes, como as datas de inoculação das vacinas contra a covid-19 e se, do seu histórico, fazem parte infecções com a doença. Após terem sido notificados pelas autoridades chinesas, os Serviços de Saúde (SS) lançaram um apelo para que os indivíduos com necessidade de atravessar a fronteira entre Macau e o Interior da China, preencham a declaração de saúde antes da chegada ao posto fronteiriço, gerando antecipadamente o título para a passagem alfandegária do Código de Saúde de Cantão (Guangdong), para passar assim a fronteira “de forma mais rápida”.

Consumo Volume de negócios cai mas mantém tendência positiva

O volume de negócios de 57 por cento dos proprietários da área da restauração aumentou em Maio relativamente ao ano passado. No entanto, face a Abril o número de proprietários do sector que viram o negócio melhorar, caiu 16 pontos percentuais. Ao nível do comércio a retalho, os dados divulgados ontem pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), demonstram ainda que a proporção dos entrevistados que declararam acréscimos homólogos no volume de negócios de Maio foi de 76 por cento, menos sete pontos percentuais, face à do mês anterior. De acordo com a DSEC, o facto de o índice de desempenho de negócios na restauração (65,1) e no comércio a retalho (78,2) terem sido superiores a 50 significa que “o desempenho dos negócios de ambos os ramos no mês em análise foi melhor do que o de Maio do ano anterior”. Quanto ao futuro perspectivado, na altura, para Junho, 52 por cento dos proprietários da restauração e 39 por cento dos retalhistas previram que o volume de negócios caísse em termos mensais.

Um total de oito professores vai deixar a Escola Portuguesa de Macau por questões pessoais. O fecho das fronteiras e a ausência prolongada da família são alguns dos motivos adiantados para a partida. O presidente da direcção da escola, Manuel Machado, pensa que mais docentes poderão sair caso a situação se prolongue

O

encerramento das fronteiras de Macau com o resto do mundo, devido à pandemia da covid-19, está a levar docentes da Escola Portuguesa de Macau (EPM) a deixarem a instituição e o território. A notícia foi avançada pelo semanário Expresso e confirmada ao HM pelo presidente da direcção da escola, Manuel Machado. “Saem oito professores da EPM e as razões prendem-se fundamentalmente com a situação que se atravessa e com a vontade de reencontrarem a família. Felizmente conseguimos assegurar a sua substituição.”

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Alavancado pelo aumento da validade dos testes de ácido nucleico para a passagem da fronteira com Guangdong de dois para sete dias, o número de visitantes a entrar em Macau voltou a ultrapassar a barreira dos 30 mil. De acordo com a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), citada pelo canal chinês da TDM-Rádio Macau, na passada sexta-feira entraram 33 mil visitantes e no sábado, 32 mil, sendo a primeira vez desde 28 de Maio que a barreira dos 30 mil visitantes é ultrapassada. Segundo o organismo, desde o início do ano, a recuperação do turismo de Macau tem dado “sinais positivos”, dada a tendência crescente do número de chegadas e da taxa média de ocupação hoteleira. Esta última fixada em 52,1 por cento, contabilizando a primeira metade de Julho.

Manuel Machado adiantou que saíram também alguns alunos pelo facto de as suas famílias terem decidido sair do território por motivos semelhantes, mas não soube precisar números. Caso as fronteiras continuem fechadas, o responsável admite que mais docentes ou estudantes possam sair. “É uma coisa muito pessoal,

mas admito que sim, [que mais] possam sair no final do próximo ano lectivo. Vamos ver, tudo depende do número de pessoas que se forem embora, a que grupos disciplinares pertencem, há várias variáveis.” Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da EPM, referiu apenas esperar que “as substituições [de docentes]

“Saem oito professores da EPM e as razões prendemse fundamentalmente com a situação que se atravessa e com a vontade de reencontrarem a família. Felizmente conseguimos assegurar a sua substituição.” MANUEL MACHADO PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DA EPM

sejam asseguradas por pessoas competentes”.

A contragosto

Um dos docentes de saída, e que falou ao Expresso, foi João Basto da Silva, que dá aulas de educação física. “Esta terra também é minha. Não será fácil a adaptação a Portugal. Mas pronto, o regresso teria de ser um dia.” “Não tem ajudado estarmos aqui fechados sem perspectivas de conseguirmos sair. Já não vou a Portugal há dois anos”, disse o professor, que será integrado nos quadros de uma escola no país.

NOVAS PROPINAS Apesar da contestação da Associação de Pais da EPM, os novos valores de propinas já estão em vigor. A informação foi confirmada ao HM por José Sales Marques, administrador e porta-voz da Fundação da EPM, que não prestou mais esclarecimentos. Recorde-se que os pais foram informados em Junho de que as propinas iriam sofrer um aumento que, segundo Filipe Regêncio Figueiredo, “tem um peso real no bolso dos pais que varia entre 34,05 e 46,19 por cento, dependendo do ciclo de ensino”. O Governo, através da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, financia parte destes valores, mas apenas para os portadores de BIR.

“Esta saída traz-me alegria, porque vou reencontrar a minha família, mas também me custa porque vou deixar a terra.” Maria João Pires, professora de educação musical, também está de partida. “A pandemia está a restringir a nossa liberdade de circulação. Estamos bem, temos de ver o lado positivo, não há covid, mas sinto-me mais fechada e sozinha e está a ser complicado de gerir. Tenho emprego em Portugal e por isso estou mais à vontade. Se não fosse a pandemia, sem dúvida que ficaria mais tempo”, frisou. Ao semanário, Manuel Machado explicou que o número de saídas “ultrapassa os valores registados em anos anteriores, em que a média rondava os dois docentes”. “Agrande maioria acelerou o regresso a Portugal devido à pandemia e à vontade de se reencontrar com a família”, rematou. Andreia Sofia Silva


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JOGO DEFENDIDO ADIAMENTO DE CONCURSO PÚBLICO PARA NOVAS LICENÇAS

Uma questão de imagem Num artigo publicado na revista International Masters in Gaming Law, o jurista António Lobo Vilela defende que o Governo “enfrenta dois sérios obstáculos” para a realização do concurso público no próximo ano para a renovação das licenças de jogo, que passam pelo não controlo dos prazos do hemiciclo e pela falta de regulação para a realização do próprio concurso

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E S MO que a situação da pandemia fique resolvida já no próximo ano, “o Governo de Macau estará inclinado a estender as actuais concessões e subconcessões” de jogo. A ideia é deixada pelo jurista e especialista em jogo António Lobo Vilela, num artigo recentemente publicado na revista International Masters on Gaming Law (IMGL). “A pandemia poderia ser a desculpa perfeita para adiar o concurso público, dando a oportunidade de prepará-lo de forma apropriada e com detalhe suficiente (…). Um adiamento parece ser o caminho correcto, se levar a um concurso bem-sucedido no futuro”, aponta ainda. Vilela fala também de “dois grandes obstáculos” para o Governo para a realização do referido concurso público, independentemente da covid-19. Um deles prende-se com os prazos da Assembleia Legislativa e com o facto de não existir “uma base legal e administrativa criada em primeiro lugar para um concurso público constituir um erro sério quando o futuro das empresas que operam na indústria de dominante de Macau,

são dos casinos”, uma vez que há propriedades que ainda não estão registadas “apesar de estarem operacionais há anos”. O mesmo artigo refere também que a proposta do Executivo sobre esta matéria só faz sentido “se o Governo de Macau tiver planos para reduzir ou aumentar o actual número de operadoras de jogo”. “Caso contrário, apenas necessita de rever a lei do jogo e estender o prazo das actuais concessões sem a necessidade de abrir um concurso público”, pode ler-se. António Lobo Vilela explica que, segundo a lei do jogo em vigor, “é inevitável” a realização de um concurso público, que é estabelecido como princípio no diploma, sem que haja possibilidade de ajustes directos.

O poder às PPP

António Lobo Vilela, jurista “A pandemia poderia ser a desculpa perfeita para adiar o concurso público, dando a oportunidade de prepará-lo de forma apropriada e com detalhe suficiente (…). Um adiamento parece ser o caminho correcto, se levar a um concurso bem-sucedido no futuro”

que emprega centenas de pessoas, está em risco”. O especialista denota que “a regulação do concurso público está omitida da lista de leis e regulamentos que o Governo pretende alterar durante o ano de 2021”. “Essa regulação necessita de ser revista, pelo menos no que diz respeito aos critérios para a obtenção de uma

concessão”, aponta António Lobo Vilela, sobretudo no que diz respeito “ao prémio anual, à proposta de contribuição para uma fundação pública e o desenvolvimento urbanístico, a promoção do turismo e a segurança social, a experiência operacional na gestão e operação de jogos de fortuna e azar, ou outro tipo de jogos, e o investimento

nas prioridades da RAEM”. Para Vilela, os novos critérios deveriam passar pela “diversificação económica e a responsabilidade social corporativa”. O jurista dá conta que, além destes dois obstáculos, o Governo “tem ainda algumas questões pendentes por resolver”, sendo que uma delas passa “pela rever-

O especialista em jogo aponta ainda que, nos últimos anos, não houve “um necessário planeamento e desenvolvimento da cidade”, existindo “falta de infra-estruturas e da provisão de serviços básicos”. Uma vez que “os governos são pobres e ineficientes na construção de infra-estruturas, especialmente quando o dinheiro não é uma questão”, e tendo em conta a “burocracia e os procedimentos legais rígidos com os contratos públicos”, o autor do artigo denota que “em algumas situações, as parcerias público-privadas (PPP) são preferidas”. As PPP poderiam “também prevenir erros de planeamento, como a perversa desarticulação entre as estações do metro ligeiro no Cotai e os casinos, hotéis e resorts que servem”. Além disso, “a coordenação com as operadoras de jogo poderia trazer grandes eficiência ao projecto de expansão do aeroporto”, que “poderia ser desenhado para tirar pleno partido da posição privilegiada de Macau no sudeste asiático”. Andreia Sofia Silva

SOCIEDADE DE JOGOS DE MACAU LISBOETA PODERÁ VIR A TER CASINO, DIZ AMBROSE SO

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MBROSE So, vice-presidente e director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), disse ao jornal Ming Pao, de Hong Kong, que o empreendimento Lisboeta Macau poderá vir a ter um casino. Em declarações,

citadas pelo portal GGRAsia, o empresário adiantou que os casinos no Lisboeta Macau e no Grande Lisboa Palace vão procurar chegar a “diferentes segmentos de clientes”, não tendo sido adiantados mais detalhes sobre a operação destes

espaços de jogo. Ambrose So acrescentou também que a SJM não chegou ainda a nenhum acordo com o proprietário do Lisboeta, a Macau Theme Park and Resort Ltd, de Arnaldo Ho, filho de Angela Leong. Além deste acordo, a SJM também

necessita de aprovação do regulador para operar um casino no Lisboeta Macau. Ao Hong Kong Economic Journal, Ambrose So disse ainda que não vai esperar pela reabertura de fronteiras com Hong Kong para abrir o Grand Lisboa

Palace, no Cotai, uma vez que este empreendimento será inaugurado por fases. Sobre o casino Diamond, um satélite da SJM, Ambrose So confirmou que as suas operações terminam a 1 de Agosto. A SJM opera actualmente 13 casinos

satélite no território, bem como cinco casinos directamente ligados à operadora. O Casino Taipa, no Regency Art Hotel, está temporariamente fechado, uma vez que o empreendimento está a ser usado para a realização de quarentenas.


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Zhuhai Encontrados dois corpos em túnel inundado

As autoridades de Zhuhai anunciaram ontem ter encontrado dois corpos na sequência das operações de resgate para salvar 14 trabalhadores que ficaram encurralados túnel de Shijingshan, em Zhuhai, desde quinta-feira passada. O anúncio foi feito ontem às 15h pelo comando de socorro, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, quando a equipa de resgate se encontrava a cerca de um quilómetro e até ao fecho da edição não houve informação adicional.

BANCA HAITONG BANK DE LISBOA ABRE SUCURSAL EM MACAU

O

Haitong Bank S.A., antigo Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), foi autorizado a abrir uma sucursal em Macau, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. Segundo o documento, a sucursal de Macau do Haitong vai ter poderes para efectuar as seguintes actividades: “transacções, efectuadas por conta própria ou por conta de clientes, sobre instrumentos dos mercados monetário e cambial, instrumentos financeiros a prazo e opções e operações sobre divisas ou sobre taxas de juro e valores mobiliários”, “participação em emissões e colocações de valores mobiliários e prestação de serviços correlativos”, “actuação nos mercados interbancários”, “consultoria financeira” e ainda “prestação de informações comerciais”. Criado em 1993, como Espírito Santo – Sociedade de Investimentos, e com sede em Lisboa, o BESI expandiu-se para várias praças financeiras internacionais, como Londres, Nova Iorque, São Paulo ou Mumbai. Com a dissolução do Grupo Espírito Santo, o BESI foi vendido à correctora estatal chinesa, Haitong Securities Company Limited, em 2015, por 379 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente a 3,58 mil milhões de patacas. Actualmente, o Haitong Bank S.A. tem sede é Lisboa e é liderado por Wu Min, presidente da Comissão Executiva, e Lin Yong, presidente do Conselho de Administração. O Haitong é a instituição responsável pela colocação no mercado do empréstimo obrigacionista da Benfica SAD, que pretende financiar as águias com 35 milhões de euros.

COTAI DETIDO PELA PRÁTICA DE PROSTITUIÇÃO COM MENOR

Males maiores

Um homem de 35 anos foi detido num hotel do Cotai, após ter pago por sexo a uma menor com 17 anos. O responsável por explorar o negócio foi também detido. Num dos quartos alugados, que servia de centro de operações, foram ainda apreendidos 96 preservativos e mais de 10.000 dólares de Hong Kong em dinheiro

A

Polícia Judiciária (PJ) deteve no passado domingo, no Cotai, um homem de 35 anos oriundo do Interior da China suspeito de ter tido relações sexuais com uma prostituta com 17 anos, ou seja, menor de idade. Na mesma ocasião, foi também detido um homem de 27 anos, responsável por explorar o negócio de prostituição, tendo trazido para Macau uma segunda mulher envolvida no caso. Um outro cliente, que se encontrava no local no momento das detenções, foi classificado como testemunha. De acordo com as informações reveladas ontem em conferência de imprensa, a PJ iniciou investigação no seguimento de uma solicitação enviada pelo Ministério Público (MP), que

avançou haver indícios da prática de prostituição por uma menor com 17 anos. Segundo a PJ, na tarde da passada quinta-feira, o proxeneta entrou em Macau pelo posto fronteiriço das Portas do Cerco, fazendo-se acompanhar por duas

“As duas mulheres do Interior da China passearam-se pelas áreas comuns e corredores do complexo hoteleiro, tendo abordado dois homens, que acabaram por levar para os seus quartos.” PJ

mulheres. Os três seguiram para um hotel no Cotai, onde ficaram alojados, tendo, de imediato, dado início à actividade através da angariação de clientes. “Nesse mesmo dia, as duas mulheres do Interior da China passearam-se pelas áreas comuns e corredores do complexo hoteleiro, tendo abordado dois homens, que acabaram por levar para os seus quartos”, referiu o porta-voz da PJ. Três dias depois, no domingo, a PJ iniciou uma operação no referido hotel, tendo interceptado no interior de um quarto, as duas mulheres e o proxeneta. Num outro quarto, os agentes destacados para o caso depararam-se ainda com dois homens que admitiram ter tido relações sexuais com as mulheres do primeiro quarto, momentos antes.

Durante a operação foram ainda apreendidas 96 embalagens de preservativos, juntamente com mais de 10.000 dólares de Hong Kong em dinheiro. Apesar de os dois homens terem inicialmente sido classificados como testemunhas, um deles acabaria por ser detido por ter relações com a menor de 17 anos, em troca de dinheiro. Durante a investigação, revelou a PJ, ficou ainda excluída a possibilidade de as mulheres terem sido trazidas para Macau como resultado de um esquema de tráfico humano.

Uma questão de idade

Contas feitas, tanto o proxeneta como o cliente de 35 anos foram detidos pela PJ. As duas mulheres, incluindo a menor, e o segundo cliente interceptado durante a operação estão em liberdade, tendo os três sido classificados pelas autoridades como testemunhas. O caso seguiu ontem para o MP, sendo que o homem de 35 anos irá responder pelo crime de “recurso à prostituição de menor”. A confirmar-se, o suspeito pode ser punido com pena de prisão até três anos. Por seu turno, o proxeneta irá responder pelos crimes de “lenocínio” e “lenocínio de menor”, pelos quais pode vir a ser punido com pena de prisão entre 1 a 5 anos por cada um dos crimes de que é suspeito. Pedro Arede


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ARMAZÉM DO BOI EXPOSIÇÃO DE UN SIO SAN INAUGURA AMANHÃ

Estás aqui, estás ali Com o título “There is no There There”, Un Sio San pretende levar as pessoas a repensarem a noção de espaço e ligar Macau ao arquipélago de Svalbard, no Árctico. A exposição inclui poemas, vídeos e fotografias e outros materiais recolhidos pela artista durante um período de residência artistística nas Ilhas da Noruega

como o Hato. Quando pensamos no aquecimento global não existe aqui e ali, o aquecimento global não é algo distante. Vivemos no mesmo mundo e partilhamos o espaço”, justificou. A ligação não se fica por fenómenos naturais, a destruição do ali é também apresentada com uma componente humana, através da economia global. Este aspecto é apresentado na exposição com a instalação de uma mini loja de conveniência em Macau, mas com produtos de outras zonas, como uma cerveja com sal do mar do Ártico.

Poesia como arte extrema

Com a exposição “There is no There There”, a poetisa Un Sio San opta também por abarcar outros meios de expressão artística, que vão além do texto e das palavras. Com formação em Literatura Chinesa e Cinema, Un organizou a exposição com a poesia no centro e o vídeo, as instalações e as fotografias como complemento.

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mais recente exposição da artista Un Sio San é inaugurada amanhã às 18h30 e vai poder ser vista até 22 de Agosto no Armazém do Boi. Com o título “Não existe ali, ali” (“There is no There There”, em inglês), a poetisa local utiliza não só as palavras, mas também instalações, fotografias e vídeos para repensar a noção de “espaço”, através da desconstrução do ali e da relação entre Macau e as Ilhas de Svalbard, na Noruega. “Quando visitamos Svalbard e o Árctico pode-se cair na tentação de considerar que é um espaço parado, que não acontece muita coisa, o que é uma ideia errada. Há muita coisa a acontecer”, contou Un Sio San, ao HM. “Essa tentação é mais presente quando vivemos em Macau, uma terra onde a mutação da paisagem urbanística é constante”, continuou. “Mas faço uma ligação entre os dois territórios através do espaço. É este

“A poesia não deve ser vista apenas como um texto, mas como um meio de expressão que assume diferentes formas.” UN SIO SAN ARTISTA

o tema da exposição que convida os interessados a pensar no espaço e no tempo da vida quotidiana”, acrescentou. E que elementos fazem a ligação entre dois terrenos tão distantes? O

DD3 Verandah Homenagem a Amy Winehouse sexta-feira Os DJs Benny e ABELX, em conjunto com as cantoras Ari e Betchy, vão homenagear a cantora Amy Winehouse, na sexta-feira, num evento que decorre na disco-

teca DD3 Verandah. Segundo os organizadores, a iniciativa tem como objectivo recordar a cantora e celebrar tudo o que deu ao mundo, em geral, e em particular

à industria da música. Amy Winehouse morreu a 23 de Julho de 2011, depois de ter lançado dois álbuns: Frank (2003) e Back to Black (2006), onde

aquecimento global é um exemplo. Durante um período de três semanas de residência artística em Svalbard, Un assistiu aos efeitos das alterações climáticas. “É muito chocante ver icebergues com milhares de anos

consta um dos maiores sucessos da cantora, “Rehab”. A carreira de Amy ficou marcada pela dependência do álcool e drogas, o que levou inclusive à sua morte.

a derreterem. Mostra-nos que o aquecimento global é uma realidade e está a acontecer”, explicou “Nesse aspecto, a ligação com Macau é notória, como podemos assistir com a intensificação dos tufões,

A lógica com vários meios foi adoptada para transmitir melhor a mensagem, no entanto, Un acredita que toda a arte pode ser considerada poesia. “Eu acredito na expressão: ‘a fronteira de todas as artes é a poesia’. Quando as artes são levadas ao extremo tornam-se poesia”, defendeu. “A poesia não deve ser vista apenas como um texto, mas como um meio de expressão que assume diferentes formas”, complementou. João

Santos Filipe

Sands Carnaval de Compras arranca a 23 de Julho A cerimónia de abertura do Carnaval de Compras das operadora Sands vai realizar-se na sexta-feira, pelas 15h. O evento que decorre na Sala de Exposições no Cotai do Casino Venetian vai prolongar-se durante o fim-de-semana, e tem como objectivo

ajudar as Pequenas e Médias Empresas a venderem os seus produtos e a promoverem-se, durante a crise pandémica. Ao longo de três dias, vão ser mais de 560 as bancas de venda disponíveis para os interessados, entre actividades para orientadas

para a família, gastronómicas e jogos. Além das actividades, segundo a concessionária organizadora, as lojas presentes oferecem descontos especiais para os residentes só a pensar neste evento e nos cupões de consumo electrónico.


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20.7.2021 terça-feira

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DIPLOMACIA CHINA PROPÕE SOLUÇÃO EM QUATRO PONTOS PARA QUESTÃO SÍRIA

Caminhos para a paz

Os esforços diplomáticos da China, com vista a tentar encontrar uma solução que traga de volta a harmonia a Damasco, foram protagonizados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, em conversa com o seu homólogo sírio na capital do país, no passado sábado

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conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, disse sábado que a China apresentou uma proposta em quatro pontos para resolver a questão síria. O alto diplomata chinês detalhou a proposta no encontro com seu homólogo sírio, Faisal Mekdad, em Damasco, capital da Síria. Wang observou que a chave para resolver de forma abrangente a questão síria é a implementação do princípio “liderado pela Síria, pertencente à Síria”, estabelecido pelo Conselho de Segurança da ONU. O governante acrescentou que todas as partes relevantes devem fazer esforços concertados para avançar efectivamente na solução abrangente da questão síria. A este respeito, disse o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, a China apresentou uma proposta em quatro pontos. Em primeiro lugar, a soberania nacional e a integridade territorial da Síria devem ser respeitadas. A China exige o respeito pela escolha do povo sírio, o abandono da ilusão de uma mudança de regime e deixar que o povo sírio determine independentemente o futuro e o

destino de seu país. A China apoia firmemente a Síria na exploração independente de um caminho de desenvolvimento e salvaguarda da unidade e dignidade nacional, disse Wang. Em segundo lugar, o bem-estar do povo sírio deve ser prioritário e o processo de reconstrução deve ser acelerado. A China acredita que a forma fundamental de resolver a crise humanitária na Síria está na suspensão imediata de todas as sanções unilaterais e do bloqueio económico contra a Síria. A ajuda internacional à Síria deve ser prestada com base no respeito à soberania nacional síria e em consultas com o governo sírio, a assistência humanitária transfronteiriça deve ser ampliada, a transparência das operações de resgate entre fronteiras deve ser aumentada e a soberania e a integridade territorial da Síria devem ser protegidas, apontou Wang. Em terceiro lugar, deve ser mantida uma posição firme no combate eficaz ao terrorismo. A China defende que todas as organizações terroristas listadas pelo Conselho de Segurança da ONU devem ser reprimidas e a duplicidade de padrões deve ser rejeitada.

O papel de liderança do governo sírio no combate ao terrorismo no seu território deve ser respeitado, os esquemas de provocar

O bem-estar do povo sírio deve ser prioritário e o processo de reconstrução deve ser acelerado. A China acredita que a forma fundamental de resolver a crise humanitária na Síria está na suspensão imediata de todas as sanções unilaterais e do bloqueio económico contra a Síria

divisões étnicas sob o pretexto de combater o terrorismo devem ser combatidos, e o sacrifício e a contribuição da Síria para a luta antiterrorista deve ser reconhecido, afirmou Wang. A China apoiará a posição antiterrorista da Síria e unir-se-á ao país para reforçar a cooperação global antiterrorista, disse.

Por último

Em quarto lugar, deve ser promovida uma solução política inclusiva e conciliatória para a questão síria. A China conclama o avanço da solução política da questão síria liderada pelos sírios, superando as diferenças entre todas as facções através do diálogo e consultas, e estabelecendo uma base política sólida para a estabilidade, desenvolvimento e revitalização da Síria a longo prazo.

A comunidade internacional deve fornecer assistência construtiva à Síria neste sentido e apoiar as Nações Unidas no desempenho de seu papel como o principal canal de mediação, disse Wang. Por sua vez, Mekdad disse que a Síria concorda com a proposta em quatro pontos da China e está disposta a fortalecer ainda mais sua coordenação com a China sobre a questão síria. A China como um importante membro da comunidade internacional sempre esteve do lado da justiça, disse o diplomata sírio, que também expressou a esperança de que a China tenha um papel de maior peso na solução da questão síria e de outros assuntos internacionais.

CHUVAS TORRENCIAIS DUAS BARRAGENS COLAPSAM NO NORTE DO PAÍS

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UAS barragens colapsaram, no domingo, devido às fortes chuvas na região da Mongólia Interior, norte da China, sem causar mortes mas destruindo infraestruturas e afectando milhares de pessoas, anunciou ontem o Ministério

de Gestão de Emergências da China. Pelo menos 16 mil pessoas foram atingidas pelas enchentes, que danificaram ainda pontes e estradas e 216 quilómetros quadrados de terras agrícolas, segundo o comunicado oficial das autoridades lo-

cais, difundido através da rede social Wechat. As autoridades activaram o estado de emergência após “chuvas torrenciais”, que começaram no sábado, de acordo com o ministério. Seguindo os protocolos estabelecidos, os habitantes

de lugares que poderiam ser afectadas pelo rompimento das barragens de Yongan e Xinfa, localizadas na cidade de Hulunbuir, foram retirados das suas casas. Os reservatórios tinham capacidade combinada de 46 milhões de metros cúbi-

cos, de acordo com o jornal oficial do Partido Comunista, Diário do Povo. De acordo com o Ministério, as tarefas de resgate e inspecção continuam nas áreas a jusante para evitar mais acidentes e perdas económicas.


terça-feira 20.7.2021

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uma asa no além

PAULO JOSÉ MIRANDA Nós vivemos fechados num ponto de vista pelo qual nunca perguntamos. Chegamos ao mundo e ele é assim e agimos em conformidade com o que vemos sem nos perguntarmos por nada. Repare-se em outra passagem em Brobdingnag: «O gigante estacou repentinamente e, olhando à sua volta e para o chão certo tempo, com a precaução de quem tenta apanhar um animal daninho, para que não arranhe nem morda, como eu próprio fiz, algumas vezes, em Inglaterra, quando tentava agarrar uma doninha. [...] temia a cada momento me lançasse violentamente no chão, tal como fazemos com qualquer animalzinho odioso que pretendemos destruir.» (83) Nós nem nos perguntamos por uma formiga, tomamos por certo que não é importante, que não faz mal que desapareça, que não faz mal matá-la. E do mesmo modo que acontece de nós em relação aos seres menores que nós, também acontece connosco em relação às vivências usuais. Por exemplo, não nos damos conta dos cheiros, porque nos habituámos, e o mesmo podemos dizer em relação às formas. Veja-se esta passagem: «Por fim, a ama [...] dar-lhe de mamar. Devo confessar que nunca vi um objecto que me causasse tanta repugnância como aquele seio monstruoso [...]. Aquela visão fez-me pensar nas peles brancas das damas inglesas, que nos parecem tão belas só porque são do nosso tamanho e os defeitos não podem ser apreciados por meio de uma lente de aumentar, ainda que, por experiência, saibamos que até as peles macias e brancas são ásperas, grosseiras e de cor feia. // Recordo-me de quando estava em Lilliput a cútis daquele povo diminuto me parecia a mais bela do mundo; e discutindo este assunto com uma pessoa de estudos daquele país, meu amigo íntimo, ele afirmou que a minha cara tinha uma aparência muito mais bonita e suave quando ele me olhava do chão do que quando me olhava de um ponto mais próximo.» (87) Acrescente-se mais este exemplo, à página 103: «Uma vez aconteceu o seguinte: no verão, o reino fica infestado de moscas, e estes insectos odiosos – tão grandes como uma cotovia de Dunstable – não me deixavam tranquilo durante o jantar, zumbindo continuamente à volta dos meus ouvidos. Pousavam às vezes na comida, onde deixavam o excremento ou ovas, que me causavam náuseas, o que eu conseguia ver claramente, ainda que os nativos do país – cuja visão era, para objectos minúsculos, infinitamente mais limitada do que a minha – não vissem.» Ou seja, isto que acontecia com os habitantes de Brobdingnag é o que acontece connosco no dia a dia. E tal como com os habitantes desse reino distante também nós não vemos os excrementos e as ovas das moscas. E a pele de cada um de nós ou o cheiro não causa repulsa, porque estamos ajustados à escala. Em Brobdingnag, Gulliver vivia como se tivesse olhos de microscópio. Mas essa realidade microscópica existe, embora nós não a vejamos no nosso dia a dia. Estamos completamente condicionados não apenas no comportamento, através dos hábitos que adquirimos, mas também através do nosso equipamento sensorial. Por isso não nos enoja os cheiros ou a visão do que fazem as moscas. Jonathan Swift mostra-nos que estamos sempre num contexto prévio, de uma escala prévia com a qual medimos o mundo em que

As Viagens de Gulliver TERCEIRA PARTE somos. Séculos mais tarde, Heidegger dirá que antes de mais nós estamos lançados no mundo, agimos nele sem pensar. Nós usamos as coisas do modo que estamos habituados a ver serem usadas. Não perguntamos, não pensamos. Só o fazemos quando algo corre mal, isto é, quando o usual é interrompido. Imaginemos que se trata da fechadura de uma porta ou de uma torneira de água, nós usamo-las sem nos perguntar pelo seu funcionamento ou questionarmos o seu fabrico ou eficácia, só quando elas não abrem, isto é, quando deixam de se comportar como usualmente, é que somos obrigados a pensar nelas, a perguntar por elas e pela relação que se estabelece entre nós e as fechaduras e as torneiras. Mas isto que acontece em relação às coisas também acontece em relação a nós, àquilo que pensamos de nós. E é isso que lemos em as duas primeiras partes de As Viagens de Gulliver. É quando o ponto de vista usual é interrompido que ele se dá conta do seu ponto de vista usual. O que acontece em relação às coisas, acontece também em relação ao pensamento, como podemos ver neste exemplo em Liliput. Leia-se: «Mostrou-se admirado do barulho contínuo que o relógio fazia. Assim como dos movimentos do ponteiro dos minutos, que ele conseguia perfeitamente ver – a visão deles é muito mais penetrante do que a nossa –, e pediu as opiniões dos eruditos, que foram diversas e vagas, como o leitor pode muito bem imaginar sem que eu as repita [...].» (33) Acerca do relógio é também deliciosa a parte em que os lilliputianos se inclinam a pensar tratarse de um deus. Reparem que eles interpretam a relação de Gulliver com o relógio como sendo oracular. Leia-se: «Chamou-lhe o seu oráculo, dizendo que indicava o tempo para todas as acções da sua vida.» E nós só não vemos assim um relógio porque nos habituamos ao seu uso, à sua utilidade. Repare-se também como os liliputianos não acreditavam que o mundo pudesse ser à nossa altura, à altura de

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Gulliver, pois nada nos seus livros o dizia. Leia-se: «Ouvimo-lo afirmar que há outros reinos e estados no mundo, habitados por seres humanos tão corpulentos como o senhor, mas os nossos filósofos mostram-se duvidosos, e preferem pensar que veio da Lua ou de uma das estrelas [...]. Além disso, as nossas histórias oficiais, que abrangem um período de seis mil luas, não mencionam quaisquer outras regiões que não sejam as dos dois grandes impérios de Lilliput e de Blefuscu [o reino rival e inimigo].» (44) Como vêm, tal como nós, os lilliputianos têm dificuldade de imaginar o que não sabem, de aceitar o que não se sabe. Preferimos não saber a aceitar uma realidade diferente. Preferimos a ignorância de um texto escrito quando nada se sabia a aceitar a verdade. A verdade é difícil. Só aceitamos a verdade se ela já tiver sido escrita, se ela nos assentar bem, como um fato feito à nossa medida. Nós estamos configurados, não apenas com o aparelho sensitivo que temos, visão, olfacto, etc., mas também configurados pelo que sabemos. Estas duas primeiras partes de As Viagens de Gulliver são uma viagem ao humano, ao modo como na realidade estamos completamente condicionados não apenas pelos nossos sentidos, isto é, pelo nosso equipamento sensorial de captação da realidade, mas também pelo que sabemos ou julgamos que sabemos. Neste sentido, as duas primeiras partes do livro depõem-nos face a face com a nossa natureza, através de duas viagens a países completamente opostos na escala: um onde somos gigantes outro onde somos homúnculos. É neste confronto, nesta contraposição de escalas que Gulliver se dá conta de si mesmo e do humano, de que nós somos completamente relativos, isto é, que aquilo que sabemos e valorizamos só o fazemos porque estamos presos, configurados a uma escala precisa. Acerca da ironia como expressa a nossa condição humana, o risível da nossa condição e de como começamos grande parte das nossas guerras ou discussões, remeto-vos para a leitura da passagem do final do capítulo IV da primeira parte, à página 44, acerca da discussão dos ovos. Não podemos deixar de fazer um riso amarelo ao ler esta passagem. Quão tristes somos ao começarmos guerras por causa do lado em que se deve ou não partir um ovo, isto é, como quase todas as guerras começam. Quase no final dessa passagem, é referido o «Alcorão dos liliputianos» para depois falar da distorção que é feita do texto, como no fundo acontece tantas vezes no Alcorão e na Bíblia. Mas o que uma vez mais está em causa é o nosso ponto de vista relativo, e isto acontece pela nossa natureza intermédia entre a ignorância e o conhecimento. Se nestas duas primeiras partes Swift nos confronta com o nosso ponto de vista, nas terceira e quarta partes confronta-nos com a nossa maior ilusão, a de que somos seres racionais. Swift não apenas nos confronta com o nosso ponto de vista, fazendo-nos ver que não fazemos a mínima ideia de como funcionamos ou por que razão funcionamos como funcionamos – que é o que aconteceu nestas primeiras partes do livro – como ainda nos vai virar do avesso, fazendo confrontar-nos com a nossa maior ilusão: a de que não somos animais racionais, apesar de termos razão, e isto mais de 100 anos antes de Kierkegaard. (Continua na próxima semana)


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XUNZI

Se o senhor dos homens estabelecer um alto padrão de correcção ao criar as bases da sua corte e o fizer adequadamente, e se a pessoa que empregar para dirigir as cem tarefas for deveras um homem de ren [humanidade], então, estará descansado e o estado será bem ordenado. Os seus feitos serão grandes e a sua reputação excelente. No seu auge, poderá tornar-se um verdadeiro rei, ou, pelo menos, um tirano. Se o senhor dos homens estabelecer um alto padrão de correcção ao criar as bases da sua corte, mas não o fizer adequadamente, e se a pessoa que empregar para dirigir as cem tarefas não for um homem de ren, então, ficará desgastado e o seu estado será caótico. Os seus feitos serão desperdiçados e a sua reputação cairá em desgraça. Os seus altares de solo e cereal estão decerto em perigo. Este aspecto, é o ponto crucial para o senhor dos homens. Por isso, se conseguir encontrar a pessoa certa, poderá conquistar o mundo inteiro. Se não conseguir encontrar a pessoa certa, os seus altares de solo e cereal estarão em perigo. E não há forma de persuadir as pessoas de que, por qualquer razão, não se conseguiu encontrar a pessoa certa neste caso, mas que noutro qualquer se conseguiriam encontrar cem ou

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20.7.2021 terça-feira

ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

O Verdadeiro Rei e o Tirano

mil dessas pessoas. Que esforços se teriam de fazer para conseguir encontrar a pessoa certa? Batas soltarmos as nossas vestes para o mundo inteiro se resolver. Assim, Tang empregou Yi Yin. O Rei Wen empregou Lü Shang. O Rei Wu empregou o Duque de Shao. O Rei Cheng empregou o Duque de Zhou. Quando a exemplos de casos inferiores, temos os cinco tiranos. Nos seus aposentos privados, o Duque Huan de Qi mandou haver entretenimento musical e outras extravagâncias, cultivando apenas o seu próprio deleite. Não há debaixo do Céu ninguém que o considere uma pessoa culta. Contudo, nove vezes convocou uma reunião dos senhores feudais, fez alinhar o mundo e foi o maior de todos os cinco tiranos. A única razão para tal foi ter confiado todo o governo a Guan Zhong. E este é o ponto em que os senhores dos homens se devem concentrar. Os que compreendem isto se esforçarão por implementá-lo e os seus feitos e fama serão verdadeiramente grandes. Se abandonarmos isso, o que mais valerá a pena alcançar? E assim, aqueles antigos que tiveram grandes feitos e fama foram, decerto, os que escolheram este por seu caminho. Aqueles que perderam os seus estados e se puseram em perigo foram,

PARTE VIII

decerto, os que fizeram o oposto. Por isso Confúcio disse: “O entendimento daqueles que são sábios abarca certamente muitas coisas. Todavia, usam-no para abarcar apenas poucas coisas – como poderiam então viver sem arguta sagacidade?” O entendimento dos insensatos só abarca decerto algumas coisas, Todavia, usam-no para abarcar muitas coisas – como podem não agir insensatamente? Isto exprime o que quero dizer. Na ordenação do estado, quando as divisões hierárquicas estão estabelecidas, o líder, o primeiro ministro, os ministros subordinados e os vários funcionários atêm-se cuidadosamente àquilo que são supostos ouvir, não trabalhando para ouvir aquilo que não são supostos ouvir. Atêm-se cuidadosamente àquilo que são supostos supervisionar, não trabalhando para ver daquilo que não são supostos supervisionar. Quando aquilo que ouvem e aquilo que supervisionam está claro, então nem entre aqueles que vivem em locais isolados e obscuros, nem entre o povo comum, haverá um só que ouse desrespeitar os lugares que lhes foram atribuídos, mas todos seguirão as regras de tal forma que serão transformados pelos seus superiores. Este é o sinal de um estado ordenado.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


terça-feira 20.7.2021

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Um certo Panassié Em França, no jazz, a querela dos Antigos e dos Modernos ganhou uma dimensão deveras especial graças à existência de um mago. Desiludido por André Hodeir ter descoberto Parker e Gillespie antes de si, inclinado desde sempre a resistir a qualquer evolução, incapaz de voltar atrás sem perder a face em matéria de palavras tão violentas quanto imprudentes, encerrado num sistema de contradições multiplicadas, o Senhor Panassié(*) consegue dar à discussão estética uma volta um tanto ou quanto particular. Instaurador do Hot Clube de França na companhia de Charles Delaunay, de quem se livrou para reinar sozinho, este profeta de extrema-direita imitando Léon Bloy encontrou à sua frente um Boris Vian inabalável. Fundador de uma seita religiosa («Os Servos de Maria Medianeira»), associada, há algum tempo, aos ritos da Comunidade de Fátima, grão-detector dos endemoninhados, o Senhor Panassié é um personagem que, regra geral, poucos conhecem. Vian, que o apelidava de Palhaço Peine-à-Scier [Difícil-deSerrar], nunca o levou a sério. Sucede, por um estranho e bizarro acaso, que esta primeira crónica coincida com o aparecimento de acontecimentos jazzísticos de grande importância, que tentarei relatar: não poderia, de resto, haver melhor introdução. O jazz (esclareçamos desde já que não se trata da chamada música de dança, mais ou menos melosa, com que os maníacos especiosos da rádio francesa sistematicamente se esforçam para nos dissuadir de tudo o que possa parecer-se, de uma maneira ou de outra, com o verdadeiro jazz) é defendido entre nós, desde há doze anos, pelo Hot Clube de França, o primeiro de todos os Hot Clubes. Organizado de início sob uma certa barafunda, o H. C. F. desenvolveu-se aos poucos, sob o impulso do seu Presidente, Hugues Panassié, e do seu secretário-geral, Charles Delaunay. Até 1940, o todo funciona um pouco mais ou menos. Por volta de 1940, cansado de mudar de opinião todos os anos, Panassié retirase definitivamente para a província e Charles Delaunay assume, individualmente, a responsabilidade pela defesa

BORIS VIAN

(TRADUÇÃO DE EMANUEL CAMEIRA)

Boris Vian (Paris, circa 1945)

do jazz durante a ocupação. Vem a Libertação: tudo recomeça lentamente (e de que maneira!). A revista Jazz Hot reaparece. Estamos em 1947. Após sete anos de inércia, acreditando ter chegado a hora de fazer valer os seus privilégios reais, Hugues O Montalbanês abandona a sua reforma, doutrina os valentes presidentes dos Hot Clubes regionais, infiltra-se no Hot Clube de França introduzindo aí

as suas traiçoeiras criaturas e, atacando Charles Delaunay sob pretextos no mínimo ridículos e falaciosos, trazendo o debate para o terreno pessoal, consegue destituir Delaunay do seu cargo de secretário-geral, durante a Assembleia Geral de 2 de Outubro. Direi uma palavra sobre os pretextos: Delaunay publicou, há poucos meses, um número especial da Jazz 47,

UMA NOVA ERA NA LUTA PELO JAZZ ESTÁ A COMEÇAR, E EMBORA SEJA LAMENTÁVEL VER VELHOS AMIGOS MATANDO-SE EM PÚBLICO, É CERTO QUE AMBAS AS PARTES IRÃO REDOBRAR AS SUAS ACTIVIDADES, O QUE SERÁ TALVEZ A OCASIÃO DE OUVIR UM POUCO MAIS DE BOM JAZZ E DE ASSISTIR A ESPECTACULARES BRIGAS COM GOLPES DE JUDO À BOA MANEIRA DE GILLESPIE

inteiramente consagrado ao jazz e à América, e no qual figuravam: 1.º) uma fantasia deste vosso súbdito, ilustrada com uma montagem fotográfica, género surrealista, de Jean-Louis Bédouin, onde, horror!, a cabeça de Zutty Singleton, baterista, emparelhava com o corpo quase nu de Rita Hayworth, e 2.º) a reprodução de um quadro de Félix Labisse, quadro bastante conhecido e deveras despido. Nisto, Panassié gritou escândalo e com os seus dedos, bastante afastados, tapou a cara, corada de alto a baixo. Na verdade, havia na Jazz 47 um excelente artigo de Sartre que – com toda a justeza – tinha primazia sobre o de Panassié. Por outro lado, certos interesses comerciais misturavam-se indecentemente com as motivações do presidente. Era portanto de se temer que a cisão ocorrida levasse (como diria Madame de La Fayette) ao total desmoronamento do trabalho até então realizado. No entanto, o Hot Clube de Paris, de longe o mais importante, depositou toda a sua confiança em Charles Delaunay no último sábado. Nesse movimento, foi seguido por certos Hot Clubes regionais que desaprovavam as manobras manhosas do Grande Hughes. A revista Jazz Hot continua, como no passado, a ser dirigida por Delaunay. Os concertos da Escola Normal vão continuar, e inúmeros projectos estão ora em estudo, ora em plena realização. Contactar-vos-ei em tempo útil, convocando-vos para esses divertimentos simultâneos, se trouxerem algo para beber. De momento, é esta a situação. Uma nova era na luta pelo jazz está a começar, e embora seja lamentável ver velhos amigos matando-se em público, é certo que ambas as partes irão redobrar as suas actividades, o que será talvez a ocasião de ouvir um pouco mais de bom jazz e de assistir a espectaculares brigas com golpes de judo à boa maneira de Gillespie. Outubro 1947 Tradução de: Vian, Boris, “Un certain Panassié” [1947], in Chroniques de Jazz, Paris, Éditions La Jeune Parque, 1967, pp. 271-274. (*) De Hugues Panassié publicou-se, em Portugal, História do Verdadeiro Jazz (em Outubro de 1964, na Portugália Editora, com tradução de Raul Calado).


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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 12

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PROBLEMA 13

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AVISO 103/AI/2021 1 8 5N.° 2 6 7 4 8 3 1 6 2 5 6 7 8 9 0 7 5 4 0 2 1 7 8 1 9 7 3 2 5 2 4

C I N E M A

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BLACK WIDOW [B]

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LADYBUG RUINS [B]

Um filme de: Cate Shortland Com: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour 14.00, 16.30, 19.00, 21.30

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroki Shibata 16.30, 17.45

SALA 2

SALA 3

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Malcolm D.Lee Com: LeBron James, Don Cheadle, Khris Davis 14.15, 19.15, 21.30

Um filme de: Adam Robitel Com: Taylor Russel, Logan Miller 14.15, 17.45, 21.30

SPACE JAM: A NEW LEGACY [A]

BUTT DETECTIVE THE MOVIE: THE CASE OF THE COURAGEOUS CURRY + MYSTERY OF THE

ESCAPE ROOM: TOURNAMENT OF CHAMPION [C]

LUCA [A]

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Enrico Casarosa 14.30, 16.30, 19.30

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Disponível na plataforma Netflix, Losers aborda a experiência de atletas que vivenciaram 16 a derrota e conseguiram transformá-la em algo positivo para si e paras as famílias. Com vários elementos cómicos, mas também sérios, o telespectador acom0 4 atletas 9 ou2equipas, 8 3 num igual número de episódios. Apesar panha5oito7 histórias de do título, 6 é um9 engano pensar que1os atletas 4 retratados na maior parte dos episódios foram1perdedores, pelo contrário, são vários 3 7 9 os que conseguiram títulos, inclusive mundiais ou europeus, nas respectivas modalidades. João Santos Filipe

SPACE JAM: A NEW LEGACY

9 1 0 5 9 4 3 1 7 2 Propriedade Fábrica 0 de Notícias, 8 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel 8 Cameira; 3 5Gonçalo 1 M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; www. Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 3 1 6 2 Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; hojemacau. 0 7 Xinhua Secretária de 8 redacção5e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia com.mo Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 2 8 6 7 1 3 4 0 18

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LOSERS | MICKEY DUZYJ | 2019

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6 9 3 5 2 4 7 1 0 9 8 5 AVISO N.° 104/AI/2021 9 4 6 3 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo 0 proceder à8respectiva notificação pessoal, 7pelo presente2 possível notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------7Notificação n.° 615/AI/2021: LI4YANJIAO,5 ----- 1.3Mandado de portador do Passaporte da RPC n.° E59192xxx, que na sequência do Auto de2 Notícia DST a 6n.° 363/DI-AI/2019, levantado9pela 8 04.12.2019, e por despacho da signatária de 08.07.2021, exarado no Relatório8n.° 676/DI/2021, 4 de9 22.06.2021, 0 7em conformidade 6 com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado3procedimento 1 6sancionatório por suspeita 2 0de controlar 7 a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 80, Kam Fung Tai ---------Ha, Bloco 1, 5.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.3 8 ----- 2. Mandado de Notificação n.° 647/AI/2021: LUO MOUYONG,

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:---------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 562/AI/2021: WONG IO WENG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 51563xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 222/DI-AI/2019 levantado pela DST a 13.08.2019, e por despacho da signatária de 28.06.2021, exarado no Relatório n.° 617/DI/2021, de 03.06.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 341, Kam Yuen, 10.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 663/AI/2021: CHAN HENG CHEONG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 12733xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 149/DI-AI/2019 levantado pela DST a 30.05.2019, e por despacho da signatária de 20.05.2021, exarado no Relatório n.° 532/DI/2021, de 05.05.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $270.000,00 (duzentas e sete mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210 - 212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 13.° andar N onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------

portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Taiwan da RPC n.° L09452xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 17/DI-AI/2020, levantado pela DST a 10.01.2020, e por despacho da signatária de 27.05.2021, exarado no Relatório n.° 527/DI/2021, de 30.04.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.os 297-303, L’Arc MACAU, 32.º andar F onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------ 3. Mandado de Notificação n.° 675/AI/2021: CHAN HENG CHEONG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 12733xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 298/DI-AI/2019, levantado pela DST a 07.11.2019, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 04.06.2021, exarado no Relatório n.° 538/DI/2021, de 07.05.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Bruxelas n.º 169, Jardim Nam Ngon, Bloco 4, 6.º andar Q onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Julho de 2021.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Julho de 2021.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


terça-feira 20.7.2021

opinião 15

www.hojemacau.com.mo

macau visto de hong kong

David Chan

SEGURO DE SAÚDE OBRIGATÓRIO A SEMANA passada, uma organização não governamental levou a cabo uma sondagem junto da população sobre várias questões de ordem social. O evento teve lugar na Rotunda de Carlos da Maia. Alguns inquiridos afirmaram que, à medida que envelheceram, as despesas com a saúde aumentaram, tornando-se um peso significativo no orçamento familiar. Outros referiram que embora nos hospitais públicos possam ter acesso a consultas especializadas, o tempo de espera é muito dilatado e acabam por ter de procurar ajuda em hospitais privados ou em clínicas fora de Macau, o que implica enormes despesas. Estes problemas têm de ser abordados com clareza. Ao abrigo do actual sistema de saúde de Macau, para os residentes permanentes os cuidados de saúde primários estão assegurados gratuitamente. Estão também isentas as grávidas, as crianças até aos 10 anos de idade e os estudantes do ensino primário e secundário. As pessoas a partir dos 65 anos, que se encontrem numa situação de pobreza extrema também podem receber cuidados médicos gratuitos. Estão igualmente isentos os pacientes do foro psiquiátrico e oncológico. No entanto, as diálises e as cirurgias cardíacas são cobradas. Há algum tempo, o Governo de Macau encomendou um estudo à Universidade sobre a possibilidade de se criar um seguro de saúde obrigatório (SSO). O estudo revelou que apenas 33 por cento das pessoas concordava com a sua implementação e que 67 por cento dos inquiridos estava satisfeito com o sistema actual. O SSO garante cuidados de saúde através da mediação de uma seguradora, que permitiria a todos os residentes cuidados nesta área, libertando-os da preocupação com as despesas no caso de virem a adoecer. O princípio é bom, mas coloca-se a questão de quem deveria pagar os prémios dos seguros, se deveriam ser os cidadãos, o Governo, ou se deveria ser uma responsabilidade partilhada. Após a implementação do SSO, os residentes esperam poder continuar a desfrutar dos actuais cuidados de saúde gratuitos. Agora coloca-se a dúvida se o Governo terá capacidade financeira suficiente para a implementação do SSO. O estudo acima referido menciona que as despesas com a saúde representam 10 por cento do orçamento do Governo. Em Hong Kong e em Taiwan esta área representa respectivamente 16 por cento e 25 por cento dos orçamentos de cada um dos Governos. Em Macau, esta percentagem é mais baixa porque os serviços básicos de saúde são relativamente bons e a procura por serviços especializados não é muito alta. Se tivermos como referência Taiwan, as despesas do Governo de Macau

com a saúde podem vir a aumentar após a implementação do SSO. Referi nesta coluna a passada semana o relatório “Previsão sobre a População de Macau para 2016-2036”, assinalando que em 2026, a percentagem de pessoas com mais de 65 anos seria de 16 por cento, um total de aproximadamente 157.600 indivíduos. No segundo trimestre de 2020, as pessoas

De forma a lidar com os problemas de saúde causados pelo envelhecimento gradual da população, além da manutenção do sistema actual, deveríamos considerar fortalecer os cuidados médicos para o grupo etário entre os 51 e os 64 anos

com mais de 65 anos representavam 12.9 por cento da população, um número que se aproxima do padrão estabelecido pelas Nações Unidas para identificar uma sociedade com uma população envelhecida. Quanto mais velhos ficamos maiores são as hipóteses de adoecermos. A estatística demonstra que os residentes de Macau estarão cada vez mais dependentes do sistema de saúde, uma situação que merece ser analisada. A implementação do SSO garante a todos os residentes cuidados de saúde mesmo que não tenham capacidade financeira, mas este sistema não resolve a questão da qualidade dos serviços. E se a qualidade não puder ser assegurada, mesmo que todos os residentes de Macau venham a ter acesso aos cuidados de saúde? A epidemia afectou os rendimentos dos residentes bem como os do Governo. Embora o princípio do SSO seja bom, é possível que não seja realista investir uma grande quantidade de fundos neste momento. Nesta fase, de forma a lidar com os problemas de saúde causados pelo envelhecimento gradual da população, além da manutenção do sistema actual, deveríamos considerar fortalecer os cuidados médicos para o grupo etário entre os 51 e os 64 anos, reduzindo o tempo de espera para as consultas de especialidade. Este grupo beneficiaria em termos imediatos e de igual forma beneficiaria toda a sociedade de Macau.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


“Muito estudo não ensina compreensão.” PALAVRA DO DIA

terça-feira

20.7.2021

Heráclito

Relatos do desespero REUTERS

Oposição em Myanmar fala de vaga de covid “fora de controlo” e pede ajuda à ONU

episódio 39

O Jogo das Escondidas

O

um folhetim por Fernando

Sobral

tenente sabia que Sofia Palha detinha informação muito útil. Mas o seu jogo era perigoso. E Amoroso, nesse momento, não queria arriscar. - Podemos ficar por aqui na nossa agradável conversa. Irei saber se o que me diz corresponde à verdade. - É a verdade. O tenente fez uma ligeira vénia e foi em direcção do local onde ainda se dançava. Foi despedir-se do Governador e da sua mulher. A noite chegava. À porta do hotel entrou num riquexó que o levou até à Rua da Felicidade. 10.

Governo de Unidade Nacional de Myanmar “Os hospitais estão a ficar sem camas e recusam-se a aceitar doentes com covid-19. Há relatos de uma crescente falta de fornecimento de oxigénio aos serviços de saúde, bem como a flagrante e desumana apreensão da produção de oxigénio pelas forças de segurança.”

O

Governo de Unidade Nacional de Myanmar (antiga Birmânia), que se opõe à junta militar, pediu às Nações Unidas assistência humanitária urgente para enfrentar uma nova vaga de covid-19 que estará “fora de controlo”. Formado por políticos e activistas que se opõem ao regime instaurado pelos militares, após o golpe de Estado de 1 de Fevereiro, o Governo de Unidade Nacional (NUG) alertou que a actual vaga do vírus está “fora de controlo, com o número diário de mortos a aumentar, devido à má gestão da junta militar”, disse o grupo numa carta à ONU. A oposição, que afirma ser o governo legítimo e mantém fidelidade à líder deposta, Aung

San Suu Kyi, diz que os dados oficiais emitidos pela junta militar são “a ponta do icebergue”, devido a falhas na recolha de dados, testes limitados e uma campanha de vacinação deficiente. No domingo, foram comunicados 5.285 novos casos de covid-19 e 231 mortes, números que os especialistas dizem não reflectir a realidade. “Os hospitais estão a ficar sem camas e recusam-se a aceitar doentes com covid-19. Há relatos de uma crescente falta de fornecimento de oxigénio aos serviços de saúde, bem como a flagrante e desumana apreensão da produção de oxigénio pelas forças de segurança”, acusou o NUG. Ontem, o jornal pró-governamental The Global New

Habitação económica Exigida emissão de certificado de rendimentos

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Através de uma interpelação escrita, Leong Sun Iok perguntou se o Governo está a ponderar medidas para obrigar os empregadores a emitir o certificado de rendimentos, exigido para apresentar candidaturas à habitação económica, aos funcionários que apresentaram a demissão. Tendo em conta que a legislação em vigor não prevê a obrigatoriedade de emitir o certificado de rendimentos nesses casos e de ter havido queixas nesse sentido, o deputado defendeu que o Governo deve melhorar os diplomas legais, para que os empregadores emitam os certificados de rendimento da sua própria iniciativa. Adicionalmente, é sugerido que o Governo permita a apresentação de documentação alternativa no momento da apresentação de candidaturas à habitação económica para tornar o processo mais fácil.

Light of Myanmar publicou fotografias de camiões transportando tanques de oxigénio e entregando-os a hospitais, e afirmou que um navio da Marinha tinha sido destacado para transportar a produção.

À espera de respostas

O NUG denunciou ainda a perseguição dos militares aos trabalhadores do sector da saúde, que entraram em greve por tempo indeterminado, após o golpe, e se recusam a trabalhar sob a ditadura militar. O cardeal do país, Charles Maung Bo, apelou a pôr de lado o conflito para combater a “ferocidade” da pandemia. “Milhares estão infectados, centenas são enterrados apressadamente em cemitérios sobrelotados. Dia e noite a nossa

gente espera por oxigénio nas ruas”, descreveu, numa carta. Na quinta-feira, o relator especial das Nações Unidas para os direitos humanos em Myanmar alertou que a nova vaga de covid-19 no país, ligada à variante Delta, exige uma resposta internacional de “emergência”. “A crise (...) é particularmente letal devido à desconfiança generalizada em relação à junta militar”, sublinhou Tom Andrews em comunicado, apelando à ajuda da comunidade internacional para estabelecer um órgão politicamente neutro para coordenar a resposta à pandemia em que “os birmaneses podem confiar”.

“Cempaka” Sinal 8 poderá ser içado

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) afirmaram ontem ao final do dia que a possibilidade de içar o sinal 8 de tempestade tropical entre a madrugada e esta manhã, relativo à passagem do tufão “Cempaka”, é “moderada a relativamente alta”. Até ao fecho desta edição, os SMG estimavam que se pode evoluir para um “ciclone tropical severo”. Prevê-se que possam ocorrer “períodos dispersos de aguaceiros fortes”, com o vento a atingir o nível 6 na escala “Beaufort”, com “rajadas fortes ocasionais”. Na madrugada de hoje o “Cempaka” terá atingido o ponto mais próximo de Macau, a cerca de 100 quilómetros a sudoeste, prevendo-se a sua deslocação para uma área situada entre a Ilha Xiachuan e Yangjiang. Na mesma nota, é referido que a tempestade “ficou mais forte do que o esperado”, tendo a sua trajectória mudado mais para norte, esperando-se, por isso, a ocorrência de inundações nas zonas baixas do Porto Interior na manhã de hoje. A altura máxima da água, nas inundações, deverá ser de 0,5 metros.

Os olhos de Ding Ling eram muito escuros. Mas, para Félix Amoroso, olhálos era como ver o fundo do mar. Vemos tudo, sem saber nada. Tal como eles, a sua alma era insondável. Se fossem claros, de um jade muito límpido, poderiam deixar ler o que ela pensava? O tenente não tinha a certeza, mesmo naquele momento em que a sua mão estava colada em cima do seio esquerdo dela e Ding Ling parecia vulnerável como nunca. Os seus corpos estavam quentes, cobertos de transpiração e colados um ao outro. Ela soergueu-se e beijou-o na boca e no peito. Depois voltou a deitar-se, totalmente encostada a Amoroso. A sua respiração voltara a ganhar a serenidade que ele conhecia, depois de momentos de exaltação. Quando se tinham deitado ela colocarase em cima dele. As suas mãos seguraram-lhe o peito. Tinha soltado o cabelo e, enquanto se movia lentamente, este caíra-lhe para a face, escondendolhe os olhos. Amoroso tentou erguerse para se perder nos cabelos dela, procurando os seus lábios para a beijar. Não conseguiu, porque a força de Ding Ling empurrava-o para trás. E ela, parecendo frágil, era mais forte porque também usava a força do tenente. Havia algum desespero na forma como os seus corpos chocavam. Depois deixaram-se cair, em silêncio. Nem sempre os sentimentos podem esperar, sussurrou Ding Ling. Como se admitisse alguma culpa, coisa que nela era improvável. A sua fortaleza erguia-se sobre a intimidade e a lealdade. Era isso que, mesmo contra o vento, oferecia a Amoroso. Não era pouco. A mão dele voltou a explorar a pele dela, deslizando até ao sexo, onde ficou. Ela não se mexeu. Mas ele sentiu que o seu corpo passara a estar vigilante. (continua)


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Hoje Macau 20 JULHO 2021 #4813 by Jornal Hoje Macau - Issuu