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Hoje Macau 20 MAIO 2021 #4771

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hoje macau

Nº 4771 QUINTA-FEIRA 20-5-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

MOU MAN TAI

Não há problema em prolongar as concessões de jogo e adiar o concurso público sobre o futuro do sector. É o consenso de economistas e operadoras. A situação atípica originada pela pandemia e os apertos dos prazos legais para cumprir formalidades são aspectos que lembram o ditado popular “a pressa é inimiga da perfeição”. GRANDE PLANO

PONTE HKZM

SABER ETAR PÁGINA 5

NETO VALENTE

NÃO BASTA SER PÁGINA 7

CRIME

APANHADO NO INTERIOR PÁGINA 8

FÓRUM MACAU

VACINAS PARA O POVO ÚLTIMA


2 grande plano

20.5.2021 quinta-feira

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JOGO

OPERADORES E ECONOMISTAS ACHAM QUE CONCESSÕES SERÃO PROLONGADAS E CONCURSO PÚBLICO ADIADO

Depressa e bem não há quem A pouco mais de um ano do fim das actuais concessões de jogo, e face à incerteza no mercado causada pela covid-19, os operadores do sector e economistas locais acreditam que o adiamento do concurso público é cada vez mais uma possibilidade, que acaba por ser mais vantajosa

C

OM as actuais concessões do jogo a terminar em Junho de 2022, os operadores do sector e economistas locais acreditam que o futuro passa pelo adiamento do concurso público. Esta é uma opção cada vez mais encarada como possível, não só devido à pandemia da covid-19, que afectou o sector com quebras de receitas quase únicas, mas também

devido aos procedimentos legais exigidos para fazer uma lei nova. Tudo factores que conjugados parecem materializar o ditado popular “a pressa é inimiga da perfeição”. Na semana passada, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, esteve na Assembleia Legislativa (AL) a ouvir a opinião dos deputados sobre a atribuição das novas concessões. Quando, horas depois, falou sobre o encontro, Lei limitou-se a dizer que o Governo estava a seguir um planeamento e reafirmou que a

consulta pública sobre o futuro do jogo vai ser realizada na segunda metade do ano. Lei Wai Nong foi parco em palavras e não quis revelar se a consulta pública vai começar no terceiro ou no quarto trimestre. No entanto, os prazos para procedimentos formais começam a encurtar. Nesta altura, além da consulta pública, que poderá ter uma grande participação e exigir um maior esforço para organizar a apresentação dos resultados, o Governo vai ter de transpor as


quinta-feira 20.5.2021

Com muita cautela

SOFIA MARGARIDA MOTA

Para o economista José Sales Marques, o Governo tem adoptado uma postura de cautela face ao futuro do sector do jogo, o que o leva a considerar que o prolongamento das actuais concessões, e o adiamento do concurso, deverá ser o caminho seguido. “As circunstâncias actuais parecem indicar que a viabilidade

“As circunstâncias actuais parecem indicar que a viabilidade de se fazer um concurso no próximo ano é cada vez mais difícil. Nada parece ser, ainda, completamente impossível, mas a questão é saber se será desejável.” JOSÉ SALES MARQUES ECONOMISTA

SOFIA MARGARIDA MOTA

conclusões para uma proposta de alteração à lei. A seguir a ser elaborado o documento legal, este terá de passar pela AL, ser aprovado na generalidade, discutido na especialidade, com a elaboração de parecer que poderá ser longo, e submetido a votação final, que é realizada praticamente artigo a artigo. Com vários interesses envolvidos, não é de excluir que os deputados aproveitem a oportunidade para tentar canalizar mais fundos para as suas bases de apoio, o que poderá prolongar a discussão. Após a aprovação da lei, o Executivo vai finalmente poder organizar o concurso público, que exige a escolha de um júri e tempo para que os interessados apresentem propostas. Só depois ficarão a ser conhecidas as futuras empresas do sector, o que pode envolver a entrada e saída de operadores do mercado. O processo ainda poderá sofrer mais atrasos, no caso de alguma operadora optar por recorrer aos tribunais para contestar a decisão do júri.

grande plano 3

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Melinda Chan espera que com as novas concessões se mantenha o mesmo estatuto dos casinos satélite de se fazer um concurso no próximo ano, ou mesmo daqui a dois anos, é cada vez mais difícil. Nada parece ser, ainda, completamente impossível, mas a questão é saber se será desejável”, afirmou Sales Marques, ao HM. “Por isso, penso que a probabilidade de o concurso acontecer [até Junho] e ter um efeito positivo para o futuro do jogo em Macau não é muito evidente”, acrescentou. O economista acredita que a atitude do Governo reflecte “um certo pragmatismo” para entender melhor o valor de uma indústria que está a lidar com os impactos da covid-19 e, ao mesmo tempo, a sofrer mudanças estruturais. “Obviamente que o Governo está a agir de acordo com a conjuntura. [...] O sector ainda não recuperou do impacto da covid-19, embora esteja a dar sinais positivos, e há vários factores cuja evolução é de difícil previsão”, indicou. “Não são factores relacionados apenas com a procura no mercado, mas estão relacionadas com a própria estrutura da procura do jogo. Qualquer observador atento percebe que a estrutura do jogo está a mudar muito no sentido de que o sector VIP vai perdendo peso”, sublinhou. Neste sentido, o economista crê que o Governo está a ganhar tempo para “fazer o concurso numa altura em que a indústria esteja mais consolidada”.

Quanto vale o mercado?

Também o economista José Morgado acredita que o Governo vai seguir o caminho do adiamento do concurso público. Segundo Morgado, todas as partes têm a ganhar com esta opção porque vai permitir a entrada numa fase de “normalidade” perceber melhor o valor do jogo. “O adiamento parece-me adequado e acho que deveria ser

a situação a curto prazo, pelo menos para a indústria normalizar. E depois, com base na normalidade, poderem-se cumprir as previsões de cashflow [fluxos de capital] mais ajustadas à realidade”, afirmou Morgado, ao HM. “Caso não haja adiamento, é complicado para os actuais operadores poderem ajuizar o que vai acontecer no mercado e apresentar propostas bem fundamentadas [no concurso]”, opinou. Em relação aos interesses do Governo, José Morgado acredita que o tempo joga a favor e que vai legitimar maior exigências ao nível da responsabilidade social das concessionárias. “O adiamento seria benéfico para todos, de outra maneira vai estar a jogar-se com base em mais incerteza [...] Com mais tempo, o Governo vai conhecer melhor o valor do mercado e vai ter melhor capacidade para estabelecer as contrapartidas às concessionárias”, disse. Neste cenário, o economista defende o prolongamento do prazo: “Não seria mal prorrogar o prazo durante mais um ano, porque haveria mais segurança em relação ao que se conhece do mercado”, vincou. Apesar da posição, José Morgado acredita que “é possível” fazer o concurso até Junho, “desde que a máquina funcione e haja pessoas capazes de fazerem os procedimentos”. Porém, o adiamento, na opinião do economista, pode con-

“Caso não haja adiamento, é complicado para os actuais operadores poderem ajuizar o que vai acontecer no mercado e apresentar propostas bem fundamentadas [no concurso].” JOSÉ MORGADO ECONOMISTA

Ambrose So, vicepresidente da SJM Holdings, defendeu o prolongamento da concessão pelo período de, pelo menos, um ano tribuir para melhores resultados a todos os níveis.

Prolongamento das concessões

Entre os operadores do sector do jogo existe a opinião que o prolongamento das concessões é a melhor opção. Em declarações ao jornal Hong Kong Economic Journal, citadas pelo portal GGR Asia, Ambrose So, vice-presidente da SJM [Sociedade de Jogos de Macau] Holdings, defendeu o prolongamento da concessão pelo período de pelo menos um ano. Ainda segundo o vice-presidente da empresa responsável pelos casinos Lisboa e Grand Lisboa, o prolongamento permitia às concessionárias recuperar a nível económico do impacto da covid-19, sem prejuízos para a economia local. Ambrose So explicou igualmente que o adiamento permitiria ao Governo ter mais tempo para decidir os critérios do concurso público. Segundo as leis actuais, o Executivo pode prolongar as concessões um máximo de cinco anos, sem ter de recorrer a concurso público. Quanto a argumentos a favor do adiamento do concurso público, o vice-presidente da SJM holdings defendeu que no cenário actual os interessados do exterior estão em desvantagem e que é contranatura realizar um concurso público para atribuir concessões às empresas que já se encontram a operar no sector.

A voz da experiência

A dificuldade de terminar o processo legislativo antes do fim das actuais licenças foi igualmente reconhecida por Melinda Chan, ex-deputada e membro da direcção da Macau Legend, empresa que gere os casinos Macau Legend Palace e Landmark, através de um acordo

com a concessionária Sociedade de Jogos de Macau. Ao portal GGR Asia, Melinda Chan afirmou que finalizar o processo legal para o concurso público a tempo seria “difícil” e não afastou a hipótese de o Governo prolongar as actuais concessões das operadoras de jogo. Por outro lado, Melinda Chan apelou ainda ao Executivo para consultar as operadoras de casinos satélites, como a Macau Legend, na altura de ouvir opiniões sobre o futuro da indústria. Os casinos satélites são geridos por empresas independentes das concessionárias, mas com as quais é acordada a gestão de espaços de jogo. A empresária e ex-deputada deixou ainda o desejo que com as novas concessões se mantenha o mesmo estatuto dos casinos satélite. João Santos Filipe


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20.5.2021 quinta-feira

RELATÓRIO DOS AUDITORES EXTERNOS SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS BANK OF COMMUNICATIONS CO., LTD. — SUCURSAL DE MACAU As demonstrações financeiras resumidas anexas do Bank of Communications Co., Ltd — Sucursal de Macau (a Sucursal) referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2020 resultam das demonstrações financeiras auditadas e dos registos contabilísticos da Sucursal referentes ao exercício findo naquela data. Estas demonstrações financeiras resumidas, as quais compreendem o balanço em 31 de Dezembro de 2020 e a demonstração dos resultados do exercício findo naquela data, são da responsabilidade da Gerência da Sucursal. A nossa responsabilidade consiste em expressar uma opinião, unicamente dirigida a V. Exas. enquanto Gerência, sobre se as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal, e sem qualquer outra finalidade. Não assumimos responsabilidade nem aceitamos obrigações perante terceiros pelo conteúdo deste relatório. Auditámos as demonstrações financeiras da Sucursal referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2020 de acordo com as Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria emitidas pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau, e expressámos a nossa opinião sem reservas sobre estas demonstrações financeiras, no relatório de 22 de Março de 2021. As demonstrações financeiras auditadas compreendem o balanço em 31 de Dezembro de 2020, a demonstração dos resultados, a demonstração de alterações nas reservas e a demonstração dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data, e um resumo das principais políticas contabilísticas e outras notas explicativas. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal. Para uma melhor compreensão da posição financeira da Sucursal, dos resultados das suas operações e do âmbito da nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas em anexo devem ser lidas em conjunto com as demonstrações financeiras auditadas e com o respectivo relatório do auditor independente. Ng Wai Ying Contabilista Habilitado a Exercer a Profissão PricewaterhouseCoopers Macau, 22 de Março de 2021

RESUMO DO RELATÓRIO DO EXERCÍCIO Em 2020, enfrentando os desafios colocados pela pandemia e as inerentes mudanças na conjuntura económica externa, a sucursal permaneceu no sentido de “prestar igual atenção ao desenvolvimento e à gestão e manter o equilíbrio entre desenvolvimento e risco”, na prevenção e controle da epidemia e no desenvolvimento económico. Reforçando o nível de controlo de risco, consolidando a sua carteira de clientes e promovendo a transformação do negócio, alcançou uma economia de escala mais eficiente e resultados notáveis na economia real, com o esforço conjunto dos seus trabalhadores e o apoio de vários sectores da RAEM. No final de 2020 o total dos activos foi de MOP103,400,000,000.00 e o lucro após impostos foi de MOP 696,000,000.00. Mantendo-se estável a qualidade do património. Com o objectivo de “se integrar em Macau e servir Macau” e prosseguindo um espírito empresarial de “empenho e empreendedorismo, responsabilidade e consolidação, inovação e superação”, a sucursal ajustou o desenvolvimento do seu negócio para “prestar um bom serviço a todos os Clientes do grupo do banco, fortalecer as transacções internas e externas, apoiar activamente as empresas de Macau e proporcionar uma excelente gestão de património”, empenhou-se em estabelecer relações de cooperação a longo prazo com grupos empresariais locais de grande dimensão, em apoiar vigorosamente o desenvolvimento sócioeconómico de Macau, acelerar a expansão das interacções transfronteiriças e dos negócios interbancários através da localização regional privilegiada de Macau, realçar as suas qualidades na gestão de patrimónios, proporcionar aos Clientes locais serviços financeiros de qualidade e reforçar a sua metodologia de gestão, adoptando a máxima “Gestão Adequada e Crescimento Saudável”, tendo cumprido escrupulosamente os requisitos legais e gerindo meticulosamente os seus activos. Paralelamente à actividade bancária, a sucursal de Macau tem procurado reforçar os seus vínculos com a comunidade local, participando activamente em eventos de caridade, comprometendo-se com as suas responsabilidades sociais, fazendo doações em dinheiro e materiais para ajudar à prevenção e controlo da pandemia e oferecendo diversas medidas adequadas para os clientes afetados pela pandemia. Em 2021, o Bank of Communications Co., Ltd., Sucursal de Macau vai continuar a expandir os seus negócios apostando na qualidade e desenvolvimento sustentável. Em agradecimento ao apoio da comunidade local e em cumprimento das políticas do Governo da Região Administrativa Especial de Macau para promover modelos modernos de sistemas financeiros, apoiar a construção da Grande Baía Guangdong-Hong KongMacau e a integração de Macau no desenvolvimento nacional, de modo a contribuir para o desenvolvimento, a diversificação e a prosperidade económicas de Macau.

Bank of Communications Co., Ltd., Sucursal de Macau A Presidente da Sucursal Huang Bin 22 de Março de 2021


quinta-feira 20.5.2021

política 5

AMBIENTE LEI CHAN U QUER DATA PARA CONSTRUÇÃO DE ETAR NA PONTE DO DELTA

As questões residuais

O

deputado Lei Chan U quer saber em que fase está o projecto da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Em interpelação escrita, Lei Chan U recordou que o Governo confirmou que a estrutura seria construída para aliviar a ETAR da Península de Macau, e que as obras da nova estação estariam concluídas em 2026. Como tal, o legislador perguntou que detalhes da obra foram planeados. As Linhas de Acção Governativa para 2021 incluem a conclusão dos documentos de concurso público para as obras de construção da ETAR na Zona de Administração de Macau da Ponte do Delta. Lei Chan U indica que no passado o Governo apontou para a necessidade de construir uma ETAR na Zona E1 dos novos aterros, uma vez que as tubagens de esgoto públicas entre Macau, Taipa e Coloane não estão ligadas. Neste sentido, o deputado quer saber se há agenda para construir a estação de tratamento na Zona E1 e quando será iniciada.

Qualidade da água

Lei Chan U recorda que as vezes que transbordaram águas residuais da ZAPE para a área marítima do Terminal Marítimo de Passageiros do

RÓMULO SANTOS

Lei Chan U quer saber quando começa a ganhar forma a ETAR na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Além disso, o deputado ligado aos Operários perguntou também se será construída uma estrutura semelhante na Zona E1 dos novos aterros

A ETAR da Península de Macau foi projectada para tratar 144 000 metros cúbicos de água por dia. No entanto, apenas cerca de 70 mil metros cúbicos recebem tratamento biológico, enquanto as restantes águas residuais são sujeitas a “tratamento básico” antes de serem descarregadas no mar

Porto Exterior porque não podiam ser transportadas para a ETAR da Península de Macau, levando à construção de uma estação temporária de tratamento de águas residuais perto do terminal marítimo. “Espera-se que o esgoto que transborda possa ser interceptado, e conectado às instalações para tratamento e descarregado de forma apropriada, para melhorar a qualidade da água costeira e os problemas de odor”, escreveu o deputado. O legislador dos operários apontou que nos últimos anos a qualidade da água costeira se tornou assunto frequente devido à insuficiência na capacidade de tratamento das águas residuais recicladas, exemplificando que o volume das águas tratado pela ETAR da Península de Macau ultrapassou o limite. A ETAR da Península de Macau foi inicialmente projectada para ter capacidade de tratamento de 144 000 metros cúbicos de água por dia. No entanto, de acordo com dados da página electrónica da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, actualmente apenas cerca de 70 mil metros cúbicos recebem tratamento biológico, enquanto as restantes águas residuais são sujeitas a um “tratamento básico” antes de serem descarregadas no mar.

O Iat Seng reuniu na terça-feira com o coordenador residente das Nações Unidas na China, Siddharth Chatterjee. Segundo uma nota de imprensa, a reunião serviu para a “troca de opiniões sobre o incremento da cooperação multilateral, a concretização do objectivo das Nações Unidas no desenvolvimento sustentável e a formação de quadros qualificados na área da ciência e tecnologia”.

O Chefe do Executivo falou também do Instituto Internacional para Tecnologia de Programação da Universidade das Nações Unidas em Macau, que “tem formado muitos quadros qualificados”. O governante prometeu ainda “pesquisar, em conjunto, formas de desempenhar um papel mais eficaz” na formação. Huang Jingbo, directora do Instituto, manifestou interesse em criar um mecanismo

de formação, no intuito de permitir aos jovens locais e mesmo até os do Interior da China, receberem formação na Universidade das Nações Unidas. Siddharth Chatterjee apontou que Macau pode ser um centro de ciência e tecnologia não só na Grande Baía, como para o Interior da China e para o mundo. Além disso, o território pode desenvolver áreas como o

TURISMO GOVERNO PROMETE MAIOR INTEGRAÇÃO

O

secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, afirmou que o Governo vai melhorar a integração entre turismo e outros sectores da sociedade, bem como impulsionar o desenvolvimento de outras indústrias emergentes. A promessa foi deixada na primeira reunião deste ano do Conselho para o Desenvolvimento Turístico, presidido por Lei Wai Nong. Segundo o jornal Ou Mun, o secretário deixou ainda a esperança que o sector aproveite as oportunidades das férias de Verão, reforçando a ligação turística e lançando promoções para os turistas ficarem mais tempo em Macau. Na reunião, os subdirectores da Direcção de Turismo, Cheng Wai Tong e Hoi Io Meng, divulgaram ainda que o volume de visitantes e a taxa de ocupação nos primeiros quatro meses subiu, de 18 mil visitantes por dia, em Janeiro, para 26,6 mil por dia, em Abril. Em Janeiro a taxa de ocupação média dos hotéis foi de 41 por cento, registo que subiu para 60,1 por cento em Abril. Durante as férias de 1 de Maio, a taxa de ocupação média aumentou para 83,2 por cento. Por outro lado, no âmbito do programa do Governo de incentivo ao turismo, foram distribuídos 3,62 milhões de cupões de consumo, que o Executivo diz terem injectado 888 milhões de renminbis na economia.

Nuno Wu e S.F.

ONU CHEFE DO EXECUTIVO REUNIU COM COORDENADOR RESIDENTE NA CHINA

H

RÓMULO SANTOS

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comércio ou a cooperação académica. O coordenador residente da ONU na China frisou também que o Instituto Internacional para Tecnologia de Programação da Universidade das Nações Unidas em Macau e o Governo da RAEM “poderão abordar, em conjunto, formas de transformar Macau num centro principal de actividade na área da ciência e tecnologia”.

Hotelaria Lei pronta para ser votada na especialidade

Após dois anos, a Segunda Comissão Permanente da Assembleia Legislativa concluiu a análise à Lei da Actividade dos Estabelecimentos Hoteleiros. Na última reunião, que antecede a discussão e votação do diploma na especialidade, o presidente da comissão, Chan Chak Mo, defendeu que a lei visa essencialmente regular os hotéis de baixo custa. Com a nova proposta, os Serviços de Turismo podem emitir autorizações provisórias de seis meses e passam a assumir a fiscalização dos estabelecimentos, que até aqui era responsabilidade do Instituto para os Assuntos Municipais


6 sociedade

20.5.2021 quinta-feira

Jardim da Flora IAM vai manter finalidade de “café shop”

FACEBOOK

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O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) declarou que não planeia alterar as funções do “café shop” no Jardim da Flora. A declaração surge no seguimento de dúvidas partilhadas no Facebook que indicavam que o IAM poderia usar o espaço para outra finalidade. O organismo indicou também que o actual contrato de arrendamento acaba a 21 de Outubro, mas não emitiu qualquer notificação sobre a sua renovação. O inquilino terá enviado uma carta ao IAM na semana passada a indicar que não quer renovar o contrato e pretende fechar a loja mais cedo, a 22 de Julho. No entanto, o IAM contactou-o para conhecer a situação e mesmo que o inquilino opte pelo encerramento o espaço do “café shop” vai destinar-se à mesma função.

Mais de metade da população pediu vales de consumo

Cerca de 350 mil residentes inscreveram-se para receber vales de consumo electrónico, medida para apoiar o comércio local e combater os efeitos da pandemia. A inscrição no novo plano do Governo para incentivar o consumo prolonga-se até 10 de Dezembro, mas desde que arrancou, em 7 de Maio, “mais de 350.000 residentes já concluíram” o processo, anunciaram ontem a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e a Autoridade Monetária e Cambial de Macau. Até 18 de Maio estavam inscritas 354.358 pessoas, o que representa mais de metade da população do território, com cerca de 680 mil habitantes. Os residentes vão receber um subsídio de cinco mil patacas e três mil patacas em descontos imediatos, através de pagamento móvel ou de um cartão eletrónico. No total, podem beneficiar de vales no valor de oito mil patacas entre 1 de Junho e 31 de Dezembro. PUB.

AVISO

ISENÇÃO DO IMPOSTOS DE TURISMO Faz-se saber que, ao abrigo do n.º 3 do artigo 17.º da Lei n.º 27/2020 (Lei do Orçamento de 2021), alterada pela Lei n.º 3/2021, são isentos do imposto de turismo, os serviços prestados pelos estabelecimentos como hotéis, salas de dança, bares, saunas, health clubs, massagens e karaokes, no período entre 11 de Maio e 31 de Dezembro de 2021. Durante o período de isenção acima referido, os sujeitos passivos do imposto ficam, ainda, obrigados a apresentar a declaração modelo M/7 junto da Direcção dos Serviços de Finanças, até ao último dia do mês seguinte àquele a que as operações dizem respeito, nos termos do n.º 2 do artigo 7.º do Regulamento do Imposto de Turismo, aprovado pela Lei n.º 19/96/M, de 19 de Agosto. Considerando que o mês de Maio de 2021 envolve dois períodos distintos, um de cobrança e outro de isenção, os sujeitos passivos do imposto devem declarar, no mês de Junho, os volumes das vendas relativamente à cobrança e à isenção, respectivamente, através das duas declarações modelo M/7 independentes. No caso de cobrança indevida do imposto de turismo junto dos consumidores no período de isenção, sempre que a mesma se verifique, é aplicada uma multa em termos legais, para além do pagamento do respectivo imposto. Aos, 6 de Maio de 2021. O Director da DSF Iong Kong Leong

INDÚSTRIAS CULTURAIS PRIMEIRA EDIÇÃO DISTRIBUI 1,8 MILHÕES DE PATACAS

De olhos nos cifrões

As listas dos vencedores da primeira edição dos “Prémios na área das indústrias culturais” foram anunciadas, reconhecendo o trabalho de oito empresas e quatro projectos. No total, serão distribuídos 1,8 milhões de patacas

O

Fundo das Indústrias Culturais (FIC) vai atribuir 1,8 milhões de patacas na primeira edição dos “Prémios na área das indústrias culturais”, destinados a empresas e projectos específicos que se tenham destacado da concorrência. Além de ficarem vários prémios por atribuir, nenhum dos candidatos arrecada o de maior valor. A iniciativa inclui duas vertentes. De acordo com um comunicado do FIC, 20 empresas apresentaram candidaturas aos “prémios de excelência de empresas na área das indústrias culturais” para a área de design criativo. Por outro lado, seis projectos concorreram aos “prémios de excelência de projectos na área das indústrias culturais”, focados em exposições e espectáculos culturais, e que se dividem-se em grupos de empresas, personalidades e associações. “Após uma análise preliminar, foram remetidas 23 candidaturas qualificadas à Comissão de Avaliação das Candidaturas a Prémios”, informa o FIC.

A Comissão de Avaliação propôs quatro candidatos para os “Prémios de excelência de projectos” e oito para os “Prémios de excelência de empresas”. “De acordo com os regulamentos, caso não haja candidatos qualificados a serem premiados, não haverá atribuição dos respectivos prémios”, descreve o comunicado.

Quatro medalhas

Podiam ser atribuídos pelo FIC um máximo de dez “prémios de excelência de empresas”, incluin-

Ficou por atribuir a medalha de ouro, de 500 mil patacas, e uma distinção. Entre os vencedores destacam-se a Chiii Design Limitada, que recebe a medalha de prata, e a Companhia de O-Moon, Limitada, medalha de bronze

do uma medalha de ouro, prata e bronze do Prémio da Flor de Lótus, com valores entre as 200 mil e 500 mil patacas, bem como sete prémios de distinção no valor individual de 100 mil patacas. Os requisitos ao concurso obrigam a que as empresas pertençam à área de design criativo e tenham sido criadas até ao final de 2016, com operação contínua durante 2017-2019, sendo avaliadas pelo seu crescimento, inovação e impacto. No entanto, ficou por atribuir a medalha de ouro, no valor de 500 mil patacas, e uma distinção. Entre os vencedores destacam-se a empresa Chiii Design Limitada, que recebe a medalha de prata, e a Companhia de O-Moon, Limitada, que arrecada a medalha de bronze. Quanto aos “prémios de excelência de projectos”, estipulava-se um máximo de dez por grupo. Em cada um podia ser atribuída uma medalha de ouro, prata e bronze do Prémio da Flor de Nenúfar, com valores pecuniários a variar também entre 200 mil e 500 mil patacas. Estavam também previstos sete

prémios de distinção de 100 mil patacas. Os projectos candidatos deviam ser espectáculos realizados pelo menos cinco vezes entre 2017 e 2019, com venda de bilhetes ao público. A avaliação incidiu sobre a “originalidade e conteúdo cultural, benefício económico, efeitos no impulso da indústria e benefícios sociais, bem como, efeitos na construção da imagem da marca”. Não houve qualquer prémio atribuído no grupo “personalidades”. Nas empresas, foi galardoado com medalha de prata o projecto “Maybe Funny Magic and Musical Show”, da Manner Cultura Lda., e distinguido o teatro de dança e drama musical de rua TDSM “Eu Sou Cantor”. No grupo de associações, o projecto “Piquenique no Cemitério” da Point View Art Association recebeu a medalha de bronze, enquanto o “Kaléidoscope” da Associação de Representação Teatral Hiu Koc foi reconhecida com um prémio de distinção. Salomé Fernandes


quinta-feira 20.5.2021

NETO VALENTE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NÃO DEVEM FAZER CAMPANHA

Véspera de aniversário O presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), Jorge Neto Valente, disse que não há uma lei que proíba funcionários públicos de subscreverem listas candidatas às eleições, mas acredita que não devem participar em campanhas eleitorais em nome da neutralidade. A AAM celebra 30 anos este fim-de-semana

J

LUSA

ORGE Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM) defendeu na terça-feira que os funcionários públicos não se devem envolver em campanhas eleitorais, apesar de não haver nenhuma lei que os proíba de subscrever listas candidatas às eleições para a Assembleia Legislativa. “Não conheço nenhuma lei que proíba os funcionários [públicos] de subscreverem listas de candidatura. Mas acho que não devem envolver-se em campanha”, começou por dizer o responsável, em declarações à TDM Canal Macau. “Não é que não tenham liberdade de o fazer, mas os funcionários não podem seleccionar os residentes, aqueles que pensam como eles ou os que pensam o contrário. Os funcionários devem ser neutros em política e devem ser vistos como neutros, porque se são vistos como estando encostados a um lado isso pode afectar a credibilidade do serviço. Não se devem envolver em campanhas,

sociedade 7

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mas isso é uma opção pessoal porque ninguém pode controlar o que vai dentro da cabeça das pessoas. Subscrever uma candidatura não é proibido”, adiantou. Jorge Neto Valente falou à margem da apresentação do programa de celebrações do Dia do Advogado e dos 30 anos da AAM, que acontece até domingo. As comemorações começaram ontem, com a celebração de uma missa na Igreja de São Domingos, prolongando-se ao longo do fim-de-semana. Amanhã decorrem também as actividades do Dia do Advogado, com a cerimónia de inauguração e jantar no MGM Cotai a partir das 18h30.

Debate na Universidade

Ao longo do fim-de-semana, haverá lugar para a conferência

“O Cibermundo e o Direito”, no sábado e domingo entre as 15h e 18h30, no auditório do Centro Cultural da Universidade da Cidade de Macau. Os oradores serão advogados de Guangdong, Hong Kong e Macau, bem como juristas e especialistas da RAEM, informa um comunicado da AAM. Jorge Neto Valente defendeu que o cibercrime “é um tema muito vasto e complicado, porque envolve a protecção de dados pessoais, o que suscita alguns problemas e dúvidas”. “Depois temos uma outra parte do último dia sobre a digitalização da justiça, que é uma matéria na qual Macau está muito, mas mesmo muito, atrasado”, frisou o presidente. À TDM Rádio Macau, Neto Valente defendeu que

“Os funcionários devem ser neutros em política e ser vistos como neutros, porque se são vistos como estando encostados a um lado isso pode afectar a credibilidade do serviço.” JORGE NETO VALENTE PRESIDENTE DA AAM

a profissão de advogado passou “o teste do tempo”. “Naturalmente que o estatuto do advogado em 30 anos tem desactualizações, tem situações que hoje poderiam ser reguladas de maneira algo diferente. Mas o essencial não é isso. O essencial é o que está feito e que continua a provar que passou o teste do tempo. Há outras prioridades, e um dia destes se pensará nisso, um dia destes se pensará melhor como regular as situações que temos hoje em dia”, disse. De 80 advogados inscritos em 1999 para 450, incluindo 130 estagiários, a AAM tem hoje mais licenciados locais e, sobretudo, bilíngues. “Passou a haver muito menos candidatos formados em Portugal e passou a haver muito mais licenciados locais e sobretudo muitos mais advogados e estagiários de língua materna chinesa”, concluiu Neto Valente. Andreia Sofia Silva

SJM Angela Leong é a única accionista do hotel-casino L’Arc

Angela Leong tornou-se a única accionista do hotel e casino L’Arc, desde segunda-feira. A informação foi revelada através de um comunicado da SJM Holdings à Bolsa de Hong Kong, empresa que controla a concessionária Socie-

dade de Jogos de Macau. Além de accionista única do L’Arc, Angela Leong é ainda directora da SJM Holdings, o que obrigou a empresa a revelar a compra, para evitar situações de conflito de interesse. O L’Arc e a SJM mantêm uma relação comercial, para que o hotel funcione como casino satélite da operadora. Sobre as medidas para evitar conflitos de interesse, a SJM Holding admitiu no comunicado que está a rever a situação e que vai tomar os procedimentos necessários.

CGA Pensionistas não precisam enviar segunda prova de vida O Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong confirmou com da Caixa Geral da Aposentações (CGA) que os pensionistas que já efectuaram e enviaram à CGA uma “prova de vida” relativa a este ano não precisam de enviar uma segunda. O alerta partilhado no Facebook foi dado no seguimento de “vários pedidos de informação de pensionistas da Caixa Geral

da Aposentações (CGA) residentes em Macau” que receberam novos ofícios. A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) realizou ontem uma sessão de esclarecimento sobre a necessidade de apresentar “prova de vida”. A APOMAC emitiu “um comunicado, bilingue, via sms, a todos os sócios para ignorarem o aviso da CGA sobre este assunto”.

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GABINETE PARA O DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURAS

ANÚNCIO

Concurso público de empreitada de obra pública designada por «Empreitada de melhoramento das instalações electromecânicas da passagem superior para peões junto da ETAR da Península de Macau» 1. Entidade que põe a obra a concurso: Região Administrativa Especial de Macau. 2. Serviço por onde corre o procedimento do concurso: Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. 3. Modalidade de concurso: concurso público. 4. Objecto da empreitada: melhoramento das instalações da passagem superior para peões. 5. Local de execução: na passagem superior para peões junto da ETAR na Avenida da Amizade da península de Macau. 6. Obra dividida por partes: não. 7. Admissibilidade de apresentação de anteprojecto: não. 8. Tipo de empreitada: por série de preços. 9. Prazo de execução da obra: O prazo máximo global de execução é de 230 (duzentos e trinta) dias de trabalho (Indicado pelo concorrente; Deve consultar os pontos 7 e 8 do Preâmbulo do Programa de Concurso). 10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: pessoas, singulares ou colectivas, inscritas na DSSOPT na modalidade de execução de obras, bem como aquelas que à data limite de apresentação de propostas tenham requerido ou renovado a referida inscrição, sendo que neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou em agrupamento, só podem submeter uma única proposta. 12. Modalidade jurídica da associação a adoptar pelo concorrente em agrupamento a quem venha eventualmente a ser adjudicada a empreitada: consórcio externo nos termos previstos no Código Comercial, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. 13. Local e hora para consulta do processo do concurso e obtenção de cópias: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar. Hora: todos os dias úteis, das 9,00 às 12,45 horas e das 14,30 às 17,00 horas. Cópias do processo do concurso: Versão digital, mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 14. Local, data e hora limite para a entrega das propostas: Local: sede do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar. Data e hora limite: dia 10 de Junho de 2021 (quinta-feira), até às 17,00 horas. Em caso de encerramento do Serviço (GDI) na hora limite para a entrega de propostas por motivo de força maior, o prazo para a entrega das propostas é adiado para o primeiro dia útil seguinte à mesma hora. 15. Língua a utilizar na redacção da proposta: a proposta e os documentos que a acompanham (excepto a descrição ou a especificação de produtos) devem estar redigidos numa das línguas oficiais da RAEM. Quando redigidos noutra língua, devem ser acompanhados de tradução legalizada, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos. 16. Prazo de validade das propostas: 90 (noventa) dias, a contar a partir da data de encerramento do acto público do concurso, prorrogável nos termos do artigo 93.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro. 17. Caução provisória: $120 000,00 (cento e vinte mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. 18. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o adjudicatário tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva prestada). 19. Data de realização do acto público do concurso: Local: sala de reunião do GDI, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar. Dia e hora: 11 de Junho de 2021(sexta-feira), pelas 09,30 horas. Em caso de encerramento do Serviço (GDI) para o referido acto público, por motivo de força maior ou qualquer outro motivo impeditivo, a data de realização do acto público do concurso é adiada para o primeiro dia útil seguinte à mesma hora. Os concorrentes ou os seus representantes devidamente mandatados devem estar presentes no acto público para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 20. Critérios de apreciação das propostas: – Preço da empreitada: 50% – Prazo de execução: 30% – Experiência e qualidade em obras: 20% 21. Critério de adjudicação: A adjudicação é efectuada ao concorrente com pontuação total mais elevada e, no caso de haver empate na pontuação total mais elevada, a adjudicação é efectuada ao concorrente com a proposta de preço mais baixo. Região Administrativa Especial de Macau, aos 13 de Maio de 2021. O Coordenador, Lam Wai Hou


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20.5.2021 quinta-feira

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PJ Casal detido por alegada venda de drogas

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um casal suspeito de vender drogas. Segundo o jornal Ou Mun, a PJ recebeu uma denúncia na semana passada sobre uma vietnamita com 36 anos, de apelido Phan, que alegadamente vendeu estupefacientes na zona da Areia Preta. As autoridades encontraram quase 73 gramas de ice, três comprimidos de ma ku, seis comprimidos de ecstasy e materiais para consumo de drogas. Durante a investigação o marido de Phan, residente de Macau, com 31 anos de idade, voltou ao apartamento, tendo sido inquirido pela PJ. Phan admitiu que começou a vender drogas há cerca de três meses, vendendo cada dose por cerca de 900 patacas, tendo já ganho 30 mil patacas. A mulher disse ainda que as drogas foram fornecidas por outra pessoa. O marido alegou nada ter a ver com o caso, mas a PJ acredita que também está envolvido, com base nas provas encontradas no apartamento. Phan deu ainda positivo aos testes de despistagem de consumo de drogas. A PJ está a investigar a origem dos estupefacientes.

Ensino Associação preocupada com papel de centros de explicação CRIME POLÍCIA CHINESA DETEVE SUSPEITO DE HOMICÍDIO NO COTAI

O cinto da morte

O homem de 40 anos sufocou uma mulher no início do mês com um cinto de roupão, durante uma troca ilegal de dinheiro. O suspeito foi detido pela polícia do Interior na Província de Hebei

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Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de um homem no Interior suspeito de ter assassinado uma mulher, no início de Maio, num quarto de hotel no Cotai. A informação foi divulgada ontem, em conferência de imprensa. Segundo as explicações da polícia, depois de identificar o suspeito, a PJ recorreu ao mecanismo de cooperação regional e pediu assistência às autoridades do Interior. Na sequência da troca de informações, o homem foi detido a 10 de Maio, na Província de Hebei, onde foi

encaminhado para o Ministério Público local. Ouvido no outro lado da fronteira, o suspeito, de apelido Huo e com 40 anos de idade, confessou a autoria do crime. Ontem, a PJ anunciou que vai continuar em conversações com as autoridades do Interior para levar o suspeito à justiça.

Ainda em relação ao caso, a PJ anunciou que a investigação revelou que o indivíduo estaria em excesso de permanência, uma vez que tinha entrado em Macau a 9 de Abril e devia ter saído a 16 de Abril.

Troca de dinheiro

Quando apresentou o caso, no dia 7 de Maio, a PJ já havia anunciado

A PJ já havia anunciado que o corpo da mulher de 50 anos foi encontrado num quarto de hotel, por empregados de limpeza, com feridas à volta do pescoço, e que foi excluída a hipótese de suicídio

que o corpo da mulher de 50 anos foi encontrado num quarto de hotel, por empregados de limpeza, com feridas à volta do pescoço, e que foi excluída a hipótese de suicídio. A investigação no local concluiu que a mulher tinha sido sufocada com um cinto de roupão branco, que ainda se encontrava enrolado à volta do pescoço da vítima. Os agentes apuraram que o homem tinha levado a vítima para o seu quarto, no dia 3 de Maio, com o pretexto de trocar de dinheiro ilegal. A entrada no quarto deu-se por volta das 22h30, e o homicídio terá ocorrido cerca de 15 minutos depois, com o suspeito a abandonar o local levando o dinheiro e o telemóvel da vítima. A PJ não sabe o valor do montante subtraído, mas um familiar da vítima disse acreditar que ela tinha cerca de 250 mil dólares de Hong Kong, à altura do crime. Posteriormente, o homem deixou Macau, através das Portas do Cerco, mas primeiro usou o dinheiro para jogar no casino. Nunu Wu (com J.S.F.)

A vice-secretária-geral da Associação de Educação de Macau, Loi I Weng, sugeriu ao Governo que defina claramente as funções dos centros de explicação e dos centros de serviços de cuidados. No Fórum Macau, programa do canal chinês da Rádio Macau, a responsável defendeu que os centros de serviços de cuidados não devem integrar explicações, e que se devem focar em actividades que não o estudo. A responsável mostrou-se ainda preocupada com as crianças, porque actualmente Macau atravessa uma situação em que as famílias inscrevem os filhos nos centros de explicações porque precisam que alguém tome conta deles. No entanto, em vez de terem tempo para brincar, as crianças acabam a ter mais horas de estudo. Por isso, Loi I Weng sugeriu aos pais que levem os filhos a parques.

Educação Sulu Sou sugere que professores declarem horas extra

Sulu Sou considera que o trabalho extraordinário é “comum” entre professores, questionando em interpelação escrita se vai ser implementado um “sistema unificado” para os docentes declararem horas extra. Além disso, perguntou qual é a média do trabalho extraordinário de docentes, tendo por base a auditoria às contas das escolas. O deputado refere que com o desenvolvimento da tecnologia de comunicação, os professores são frequentemente adicionados a grupos de comunicação, o que afecta o direito ao descanso quando saem do trabalho. Recordando que a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude indicou que ia publicar as “Linhas orientadoras para o uso de software de comunicação depois da escola”, Sulu Sou pede também para conhecer o seu conteúdo.


quinta-feira 20.5.2021

O perfil que se quer

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TIAGO ALCÂNTARA

Moody’s manteve classificação de Macau como “Aa3”

agência Moody's manteve a notação de crédito de Macau em “Aa3”, com a perspectiva de que a actividade económica regresse aos níveis pré-pandemia até 2024, impulsionada pela recuperação no sector do jogo. Num relatório divulgado na segunda-feira, a agência refere ainda que “o impacto no mercado laboral, apesar de severo, não será permanente”. “Apesar da natureza altamente volátil do crescimento económico, as vastas reservas fiscais e externas de Macau - significativamente mais fortes do que as dos seus pares com notações semelhantes - e rendimentos ‘per capita’ muito elevados continuam a apoiar o seu perfil de crédito”, indica o relatório. É ainda descrito como os “amortecedores” fiscais e externos permitiram a Macau adoptar medidas de estímulo ao longo do último ano. De acordo com a Moody’s, apesar da perspectiva “estável”, a volatilidade do crescimento económico de Macau está entre as

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mais altas, não esperando que os esforços de diversificação se traduzam em resultados a curto prazo. Esta volatilidade decorre de uma estrutura económica “altamente concentrada”, com o jogo e o turismo a representarem metade do crescimento. A agência internacional aponta que há “um forte grau de interdependência entre as duas indústrias”, observando que 70 por cento dos visitantes são do Interior da China e que as receitas do jogo advêm dos turistas.

Ligação ao interior

“O crescimento do PIB de Macau está intimamente ligado à recuperação na China, incluindo a vacinação no Continente, que poderia permitir um relaxamento das restrições de viagem. Por outro lado, atrasos na recuperação do crescimento ou uma nova onda de infecções na China resultaria num atraso da recuperação económica em Macau”, explica. Além retorno aos níveis habituais de entradas de turistas no território – que a Moody’s prevê que não aconteça até 2023 – são apontados outros factores como apoio à recuperação económica. Entre eles as mudanças estruturais para promover diversificação económica e o investimento público. “As reservas fiscais de Macau

“Apesar da natureza altamente volátil do crescimento económico, as vastas reservas fiscais e externas de Macau - significativamente mais fortes do que as dos seus pares com notações semelhantes - e rendimentos ‘per capita’ muito elevados continuam a apoiar o seu perfil de crédito.” MODDY’S

continuam a ser suficientes para o Governo continuar a apoiar o crescimento, incluindo através de investimento em infraestruturas do sector público”. A manutenção da notação de crédito pela Moody’s também foi divulgada pela Autoridade Monetária de Macau, que explica que as classificações na categoria “Aa” são de alto grau de investimento e sujeitas a um risco de crédito muito baixo. A notação “Aa3” está posicionada em quarto lugar. Salomé Fernandes

PUB.

ANÚNCIO Concurso Público n.º 001/DOI/2021 Aquisição do Direito de Utilização de Software AutoCAD para o IAM

Aviso Faz-se público que, por despacho da Exma. Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Maio de 2021, se acha aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para preenchimento de dois lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, área de administração pública, em regime de contrato administrativo de provimento, do Fundo de Segurança Social. As condições de candidatura podem ser consultadas no Boletim Oficial da RAEM, n.° 20, II Série, de 20 de Maio de 2021 e estão disponíveis nas páginas electrónicas do FSS http://www.fss.gov.mo/ e dos SAFP http://www.safp. gov.mo/. Fundo de Segurança Social, aos 12 de Maio de 2021. O Presidente do Conselho de Administração, Iong Kong Io

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, tomada em 30 de Abril de 2021, se acha aberto o concurso público para a “Aquisição do Direito de Utilização de Software AutoCAD para o IAM”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, durante o horário de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, R/C, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica do IAM (http://www.iam.gov.mo). Se os concorrentes quiserem, podem descarregar os documentos acima referidos, sendo também da sua responsabilidade a consulta de eventuais actualizações e alterações de informações na página electrónica deste Instituto durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 31 de Maio de 2021. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as suas propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, e prestar uma caução provisória de MOP 37.000,00 (trinta e sete mil patacas). A caução pode ser prestada em depósito em numerário ou por garantia bancária. Caso seja efectuada em numerário, a prestação da caução deve ter lugar na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM ou no Banco Nacional Ultramarino de Macau, juntamente com a guia de depósito (em triplicado), havendo ainda que entregar a referida guia na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do Instituto, após a prestação da caução, para efeitos de levantamento do respectivo recibo oficial. Caso seja efectuada sob a forma de garantia bancária, a prestação da caução deve ter lugar, obrigatoriamente, na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM. As despesas resultantes da prestação de cauções constituem encargos do concorrente. O acto público do concurso realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IAM (sita na Avenida da Praia Grande, n.o 804, Edf. China Plaza, 6.º andar), pelas 10:00 horas do dia 1 de Junho de 2021. Aos 12 de Maio de 2021 A Administradora do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Isabel Jorge www. iam.gov.mo


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20.5.2021 quinta-feira

Valsa lenta e pr ALBERGUE SCM “PROFOUND”, EXPOSIÇÃO DE DAVID SHEEKWAN, ABRE HOJE PORTAS

A segunda parte da exposição “Profound”, do artista David Sheekwan, é inaugurada hoje na galeria do Albergue SCM, ao mesmo tempo que a primeira parte se mantém de portas abertas na galeria At Light. No total, o público pode disfrutar de 14 pinturas a óleo do artista de Hong Kong

“P

ROFOUND - Works by David Sheekwan” ab r e hoje portas na galeria A2 do Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) às 18h30. Um total de 14 pinturas a óleo do artista serão exibidas até 4 de Julho, ao mesmo tempo que continua patente a primeira parte da mesma exposição já patente na galeria At Light, da associação Arts Empowering Lab, até ao dia 26 de Junho. A curadoria está a cargo de Joey Ho que, num texto intitulado “Entre a Ilusão e o

res profundas e frias, como o cinzento, preto, azul e verde escuro, na tela de uma forma delicada. Com esta organização, as cores frias apresentam uma atmosfera pacífica e amável”, escreveu ainda Joey Ho.

Sonho”, descreve o trabalho de David Sheekwan como “profundo, simples e abstracto”, quer seja em fotografia, pintura a óleo ou caligrafia chinesa. “David tem uma grande capacidade de organizar co-

“Estou grata por, graças a um acaso do universo, ter conhecido David Sheekwan, um perfeito exemplo de um fantasma. Através das suas experiências e da criação artística, agarrei um verdadeiro vislumbre entre ilusão e sonho.” JOEY HO CURADORA

Natural de Hong Kong, David Sheekwan é um artista multifacetado. Formado em cerâmica e pintura pelo Instituto de Arte de São Francisco em 1955, com o apoio de uma bolsa de três anos, David fez as malas e partiu depois para Paris, onde abriu um estúdio de design. Em 1972 regressou a Hong Kong onde começou a marca de roupa David & David. Coube à David & David a concepção do guarda-roupa do espectáculo “A

Story of White Serpent”, dirigido por Rebecca Pan Dihua, entre outros. Nos anos 80, David Sheekwan tornou-se professor na Parson’s School of Design, ao mesmo tempo que começou a estudar fotografia na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. A primeira obra que assinou nesta área seria publicada em 1999, com o nome "Photographs by David Sheekwan”. Uma nota descreve o artista como alguém curioso “sobre o cosmos desde a infância”, um tema recorrente no seu trabalho actual. “A sua caligrafia abstracta e pinturas revelam uma observação única das cores, linhas e proporções. O seu estilo de pintura é simples mas misterioso - as suas obras deixam sempre espaço para as pessoas pensarem”, lê-se.

Arte sem explicação

Joey Ho destaca a importância do trabalho de David Sheekwan na indústria da moda em Hong Kong e a postura que este assume perante a arte. “Falar com o David é um verdadeiro prazer. Quando discutimos os trabalhos artísticos, os seus olhos brilham com pureza e clarividência, afirmando ‘Quando pinto, o meu cérebro está vazio e não penso em nada. Se a arte pode ser explicada, não existe de todo”, descreveu a curadora. Quando estudou fotografia, em Los Angeles, David Sheekwan já tinha 60 anos de idade, e voltou a pintar com 80. “Estou grata por, graças a um acaso do universo, ter conhecido David Sheekwan, um perfeito exemplo de um fantasma. Através das suas experiências e da criação artística, agarrei um verdadeiro vislumbre entre ilusão e sonho”, rematou Joey Ho. Andreia Sofia Silva


eventos 11

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rofunda

episódio 3

O Jogo das Escondidas

TIAGO ALCÂNTARA

quinta-feira 20.5.2021

T

FUNDAÇÃO RUI CUNHA ARLINDA FROTA DÁ AULA DE PINTURA EM PORCELANA

A

ceramista Arlinda Frota dá amanhã uma masterclass de pintura em porcelana na Fundação Rui Cunha (FRC), às 16h, com entrada gratuita, sem necessidade de inscrição prévia. A iniciativa surge no contexto da exposição “Padrões de Vida”, patente na galeria da FRC até 31 deste mês. Arlinda Frota vai abordar “a história da pintura em porcelana e demonstrar ao vivo as técnicas e materiais no espaço da galeria, dado o interesse geral do público pelo tema e a afluência de visitantes durante esta mostra”, descreve a FRC. Arlinda Frota aponta que “a intenção deste programa é transmitir a consciência das diferentes técnicas de pintura em porcelana, a compreensão do ambiente de trabalho e do estado de espírito necessário à criação de uma obra, e de todos os cuidados inerentes aos diferentes passos da sua produção, desde a escolha da peça a pintar, à definição do desenho pretendido e adaptado à peça, das cores a escolher e sua preparação, dos cuidados relativos à queima das peças”. A artista pretende também “dar a conhecer uma revisão histórica da porcelana e da pintura em porcelana desde a sua criação, durante a dinastia Han, no período 220 a 206 A.C., e desde a chamada Proto-Porcelana”. A artista é professora na Casa de Portugal em Macau desde 2014, tendo frequentado, nos últimos cinco anos, diversos cursos de livres e ateliers de pintura e cerâmica. Arlinda Frota desenvolveu, entretanto, diversas técnicas de pintura em tintas acrílicas e óleos, bem como azulejaria de matriz portuguesa.

Teatro da Broadway Bei Di com a Orquestra Chinesa de Macau no dia 6

No próximo dia 6 de Junho, às 16h, o Teatro da Broadway recebe concerto de teatro musical “Prequela de Varinha Mágica Musical”, protagonizado pela Orquestra Chinesa de Macau (OCM) e abrilhantado pela performance da maestrina chinesa Bei Di. O espectáculo deveria contar com a presença do maestro de Singapura Quek Ling Kiong, mas devido às restrições de viagem implementadas para o combate à covid-19 não foi possível garantir a sua presença em Macau. Houve também uma alteração do espectáculo, que tinha como nome “Aventura da Música III”. Neste concerto a OCM e a jovem maestrina Bei Di vão interpretar diversas obras famosas de teatro musical, incluindo “Luta entre o Boi e o Tigre” de Wang Guojie, “Kung Fu” de Li Bochan e “Cordas Percutidas Exuberantes” de Wang Danhong. Os bilhetes estão à venda desde ontem e custam entre 120 e 200 patacas.

um folhetim por Fernando

Sobral

alvez por isso, quer Benedito Augusto, quer Félix Amoroso, embora parecessem vir de mundos diferentes, tinham tanto em comum. A sua semelhança aproximara-os. Ou um segredo, que, receosos, ambos partilhavam. - Meu caro Amoroso. Eram dois homens. Um, chinês. O outro deveria ser europeu ou americano. Falavam inglês, mas o ocidental, apesar de ser loiro, era de outro país. Nunca o tinha visto. Conversavam em sussuro, num canto. Eu, por acaso, estava na mesa mais próxima, com um pirata que quer reformar-se. Eles falavam de Macau e da sua venda. - Da venda de Macau? - Sim, segundo o ocidental, Portugal vai vender Macau à Alemanha. É um segredo, mas isso vai realizarse brevemente. Parecia preocupado em arranjar dinheiro para comprar a simpatia de quem era importante em Macau para que tudo corresse sem problemas aqui, depois do Governo de Lisboa anunciar a venda. Amoroso franziu a testa. Nunca tinha ouvido nada sobre esse assunto. - E não soubeste mais nada? De onde vinha o chinês? - Ele costuma estar por aqui. Tem um barco. Acho que ou é pirata ou, então, faz contrabando. De arroz, de ópio, de seda. Mas deve dar-se bem com as autoridades e com as tríades, porque não parece ter receio de nada. É preciso que existam piratas para que se justifiquem gastos e custos de muita gente, da administração às empresas de seguros marítimos, não é verdade? - Achas que isso é assim? Benedito Augusto fez um esgar: - Hoje é dificil ser puro e inocente. - Como pretenso padre, deverias acreditar nisso. - Sou padre. Formei-me num colégio jesuíta. Conheci a sua história. Aprendi muito com eles. Sabe como foi, já lhe contei, tenente. Tive de fugir de Portugal, quando chegou a República. Queriam enforcar os padres, como eu, nos candeeiros. Acabei por vir parar aqui. E o tenente, porque veio para Macau? - Para descansar da guerra, meu caro padre. Dos pesadelos e dos fantasmas. - E encontrou paz aqui? - É mais fácil falar com os deuses aqui do que em Lisboa. Félix Amoroso encolheu os ombros. Fungou: - O que me dizes é muito vago. Que posso eu investigar com isso? - Saber se há fumo no meio do fogo, não? Descobrir quem é o ocidental. Deve andar por aí. Quanto ao resto eu acabarei por saber. (continua)


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NUCLEAR CRÍTICAS AMERICANAS, COOPERAÇÃO COM MOSCOVO

As armas e os barões

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embaixador americano na Conferência sobre o Desarmamento acusou a China de se opor a uma negociação bilateral para reduzir o arsenal nuclear dos dois países e expressou esperança de que Pequim mude de atitude. "Até agora, Pequim não quis ter discussões significativas, semelhantes às que temos com a Rússia, e esperamos sinceramente que isso mude", afirmou Robert Wood, em Genebra. Organizações internacionais estimam que a

China tem mais de 300 ogivas nucleares, número superior ao da França ou do Reino Unido, mas bem abaixo das 5.800 ainda activas nos Estados Unidos e das mais de 6.300 na Rússia. O diplomata mencionou o "crescimento dramático do arsenal atómico chinês" e afirmou que os Estados Unidos vão continuar a procurar dialogar com a China em "doutrinas nucleares, acordos de notificação de lançamento de mísseis e melhores canais de comunicação de crises".

Moscovo e Washington concordaram este ano em prorrogar o novo acordo de controlo de armas START por mais cinco anos. O tratado é o último acordo remanescente que limita

OGIVAS NUCLEARES ACTIVAS

Rússia EUA China

6300 5800 300

BRASIL MORTE DE LÍDER CHINÊS PREOCUPA PEQUIM

O

embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, pediu ao novo ministro brasileiro da Justiça e Segurança Pública para reforçar a investigação à morte de um líder da comunidade chinesa em São Paulo. Segundo um comunicado da embaixada, o diplomata disse a Anderson Torres, numa videoconferência, que o assassínio de Zhang Wei gerou “uma preocupação generalizada” entre os chineses que vivem no Brasil. Zhang Wei, presidente da Associação Chinesa do

Brasil, de 53 anos, foi morto a tiro na manhã de 6 de abril, enquanto fazia exercício num parque em São Paulo. A China espera que o Ministério da Justiça e Segurança Pública e as forças de segurança de São Paulo “prestem atenção” ao caso e “entreguem os criminosos à Justiça o mais depressa possível”, disse Yang Wanming. Anderson Torres garantiu que o Brasil “atribui a maior importância” às preocupações chinesas e prometeu que o ministério vai reforçar

a coordenação com as polícias locais para “proteger a segurança e legítimos direitos e interesses das instituições e cidadãos chineses no Brasil”. O ministro disse ainda que o Brasil quer aumentar a cooperação com a China, nomeadamente no combate aos crimes transfronteiriços. Além destes crimes, a China gostaria ainda de trabalhar com o Brasil na apreensão de fugitivos à justiça e na recuperação de bens roubados, disse Yang Wanming. A 8 de abril, dois dias

após a morte de Zhang Wei, o Consulado-Geral da China em São Paulo avisou num comunicado que a situação de segurança pública “continua a deteriorar-se”, devido ao impacto da pandemia da covid-19 e da “instabilidade social”. Os chineses são a quarta maior comunidade estrangeira de São Paulo, com mais de 300 mil pessoas, disse em janeiro o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang.

Zhang Wei

as armas nucleares dos EUA e da Rússia, depois de ter sido assinado, em 2010, pelo Presidente norte-americano, Barack Obama, e pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, para limitar cada país a instalar um máximo de 1.550 ogivas nucleares e restringir a 800 o número de aviões bombardeiros com capacidade de lançar mísseis nucleares.

Ano de cooperar

Entretanto, Moscovo e Pequim iniciaram ontem um projecto de cooperação energética


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assinalados

Shenzhen Arranha-céus evacuado após oscilação

A oscilação de um arranha-céu na cidade de Shenzhen, sudeste da China, levou terça-feira à fuga de centenas de pessoas, revelam vídeos difundidos nas redes sociais chinesas e que estão a ser analisados pelas autoridades. O Gabinete de Gestão de Emergências de Shenzhen está a avaliar as filmagens, que mostram centenas de pessoas a fugir, assustadas, face à oscilação do SEG Plaza, um edifício com 355 metros de altura. A mesma fonte excluiu a ocorrência de um terramoto em Shenzhen ou nas áreas vizinhas. O edifício foi evacuado e encerrado temporariamente. Os bombeiros e a polícia estão a examinar o caso. O SEG Plaza é o 104.º edifício mais alto da China e o 212.º mais alto do mundo.

Comércio Preços da carne de porco em queda

Os preços da carne suína na China caíram na semana passada, quando a oferta excedeu a procura, mostraram os dados oficiais. De 10 a 14 de maio, o índice de preço médio da carne suína em 16 regiões provinciais monitoradas pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais foi de 24,44 yuans por quilo, uma queda de 7,3% em relação à semana anterior. Este número também representou uma queda anual de 32,8%. O governo chinês tomou uma série de medidas no ano passado para aumentar a oferta de carne suína, incluindo a libertação de reservas de carne suína congelada e o aumento das importações. Para aliviar o impacto da epidemia da COVID-19 em 2020, a China aumentou o apoio financeiro, incluindo subsídios e empréstimos, aos principais distritos produtores de suínos para restaurar a produção. PUB.

nuclear. "O início do projecto de cooperação energética nuclear China-Rússia promoverá a actualização dos laços bilaterais", disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês nesta terça-feira. O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin, testemunharam conjuntamente a cerimónia de abertura do projecto por videoconferência na quarta-feira. O porta-voz Zhao Lijian disse que "este ano marca o 20º aniversário da assinatura do Tratado China-Rússia de Boa Vizinhança e Coopera-

ção Amigável, e o evento de quarta-feira será o primeiro intercâmbio online bilateral entre o presidente Xi e o presidente Putin este ano, o que é de grande importância para liderar a parceria estratégica abrangente China-Rússia de coordenação para uma nova era e para manter um alto nível de desenvolvimento". Zhao disse que a energia nuclear é uma área tradicional de "cooperação prioritária" entre os dois países, e que se desenvolveu rapidamente nos últimos anos, atraindo muita atenção dos dois chefes de Estado.

Observando que a energia nuclear é "limpa e eficiente", Zhao disse ainda que as emissões de dióxido de carbono serão reduzidas, reflectindo a firme determinação da China em alcançar o objetivo de "pico de carbono" e "neutralidade de carbono" e demonstrando "o seu forte senso de responsabilidade como um grande país".

HIDROGÉNIO VERDE PORTUGAL QUER COOPERAR COM A CHINA

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Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, disse que Portugal quer cooperar com a China no hidrogénio verde, avançou a Embaixada chinesa em Lisboa. Segundo um comunicado, João Galamba disse que Portugal gostaria de receber mais investimento chinês e alargar a cooperação com a China no sector da energia aos veículos eléctricos e ao hidrogénio verde. O dirigente falava durante uma videoconferência com o novo Embaixador da China em Portugal, Zhao Bentang, na

semana passada. O diplomata disse que a China está disposta a trabalhar com Portugal para reforçar a cooperação na área das energias renováveis. Zhao Bentang sublinhou ainda que a cooperação bilateral tem beneficiado não apenas os dois países, “mas tem também dado frutos” em outros mercados como a América Latina e a África. Portugal pode atingir a neutralidade carbónica antes de 2050, segundo um estudo, em que se preconiza um investimento inicial recupe-

rável a longo prazo. No estudo, elaborado pela consultora McKinsey&Company, defende-se que Portugal precisa de estimular a adopção de veículos eléctricos e o desenvolvimento de novas cadeias de valor, incluindo o hidrogénio verde. A REN, gestora das redes energéticas em Portugal, anunciou na sexta-feira que prevê investir 40 milhões de euros até 2024 para a compatibilização da rede de gás com a injecção de hidrogénio, que faz parte da estratégia nacional de acelerar a transição energética.

A REN tem como principal acionista a eléctrica estatal chinesa State Grid of China, com 25 por cento do capital social. Outro grupo estatal chinês, a China Three Gorges Corporation, é o maior accionista da elétrica portuguesa EDP – Energias de Portugal, com uma participação de 19,03 per cento. No Brasil, as duas empresas construíram em conjunto os projetos hidroeléctricos de Santo Antônio do Jari, de Cachoeira Caldeirão e de São Manuel e 11 parque eólicos.

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 471/AI/2021

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LIANG JIAYU, portador do Passaporte da RPC n.° E97511xxx e portador do SalvoConduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C83555xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 189/DI-AI/2019, levantado pela DST a 15.07.2019, e por despacho da signatária de 15.03.2021, exarado no Relatório n.° 289/DI/2021, de 02.03.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B 361-K, Edf. I On, 7.° andar H onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------No mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau. ----------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 6 de Maio de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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retrovisor

VALÉRIO ROMÃO

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20.5.2021 quinta-feira

Aprender a andar na minha Holanda

A minha primeira perdição foi a fotografia aérea que dava a ver um dique com mais de trinta quilômetros no meio do mar. Constava de um dos livros de geografia que guardo ainda do liceu. O dique, de nome Afsluitdijk, liga ainda hoje o norte da Holanda à Frísia e divide em dois o antigo Mar do Sul (Zuiderzee) que, há dois mil anos, era uma espécie de lago com origem num braço do rio Reno. A construção teve lugar entre 1920 e 1933 e passou a separar o novo mar interior, o Mar de IJssel, do Mar frísio (Waddenzee) que flanqueia as ilhas de Texel a Ameland. A palavra “perdição” é ambígua por natureza. Tanto se refere a uma pessoa ou coisa que desperta uma paixão irresistível por outrem como se refere a vício e até a condenação

eterna. Por outro lado, designa ainda a figura da errância (uma pessoa perde-se, um pensamento perde-se, um mar perde-se, etc.). A palava “perdição” ensina de facto a andar em muitas direcções. Por vezes ensina mesmo a voar. E foi a voar muitas vezes sobre a Holanda que revisitei o abstracionismo geométrico

“A MINHA HOLANDA COMEÇOU POR SER UM PURO ACASO E, DEPOIS, PORQUE NUNCA DELE ME ESQUECI, CRESCEU ATÉ SE TRANSFORMAR NUM MODO DE ME SENTIR EM CASA.”

de Piet Mondrian e as suas teosofias coloridas. Os campos, desenhados por polders de cromatismo sempre diferenciado e recortados por moinhos e canais, ilustram com concreta nitidez aquilo que é o neoplasticismo assim como o rasgo dos artistas que, a par de Mondrian, souberam cativar esta arte das raras proporções, casos de Theo Van Doesburg, Vilmos Huszar, Gerrit Rietveld, Georges Vantongerloo ou de Jan Wils. A paisagem é, de facto, uma enciclopédia de grande limpidez - que alimenta a errância, o vício e a própria paixão - e que sabe transformar o que parece abstracto em tangível, quase palpável. Foi então que percebi que a minha Holanda é uma ilha. Incorporei-a, tal como a floresta incorpora a sua água, muito antes de ter conhecido o

país com o mesmo nome. A minha Holanda é um conceito para a vida, um segundo perfil ou mesmo um contorno que me acompanha. Tudo começou no meu livro de geografia na pré-adolescência e, mais tarde, quando os aviões me levaram a sobrevoar (em ponte aérea de vários anos) o pequeno país onde haveria de viver durante uma década. O acaso e o fascínio atraem o nomadismo interior (a errância) e sabem convertê-lo em sedentarismo. O acaso tem o vigor das eclusas. São elas que permitem à água movimentar-se entre os diques sem que expluda para fora das margens. Pelo seu lado, o acaso permite que certas vivências aparentemente secundárias se esqueçam para que, depois, uma delas emerja e nos dê a sensação de uma coincidência ou até de uma surpresa. A minha Holanda começou por ser um puro acaso e, depois, porque nunca dele me esqueci, cresceu até se transformar num modo de me sentir em casa. Sentir-me em casa foi-se tornando, ao longo dos anos, numa forma de realização que, hoje em dia, nada tem que ver com a geografia. Trata-se sobretudo de um território interior que foge aos encargos da confissão (malabarismo da cultura católica que transforma as pessoas em ecos palavrosos) e que desenha – com a geometria fina de um Mondrian amestrado - uma fronteira entre as correrias e as agendas correntes do mundo e o lugar onde eu sou. Esta forma de liberdade é a minha Holanda. Ela advém de uma ideia de espaço que equilibra a água e a terra com as suas eclusas existenciais e que faz do tempo o sentimento misto próprio de uma perdição. Bem sei que o tempo é a passagem que funda o existir dos humanos no seu estado de devir e de transformação, mas o espaço, esse, é o esteio essencial que permite ao corpo sentir o seu peso sobre a superfície do planeta. Sentir a solidez do próprio corpo a vincar a terra é a comoção mais importante de uma vivência privada. Cada passo dado é sempre a metáfora da respiração toda de uma vida. E foi precisamente nesta minha Holanda interior que eu aprendi - e que ainda hoje aprendo - a andar.


quinta-feira 20.5.2021

diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA

Olho para estes dias a ferro e fogo no Médio Oriente e imagino como o Edward Said viveria a irracionalidade que nessas terras se compraz. Said, mais conhecido pelo célebre “Orientalismo”, era um intelectual para quem entender o mundo pressupunha - anota David Barsamian no prefácio ao livro de entrevistas que saiu no mesmo ano da sua morte, em 2003 e que conheço na edição brasileira, intitulada “A Pena e a Espada” – encontrar «um equilíbrio entre dissonância, consonância e discordância» e que «por esse prisma complicado» se via não como «uma única pessoa corente, mas como várias coisas diversas». A sua disposição é ainda mais suspeita, este intelectual palestino, professor de Literatura Comparada na Universidade Columbia, que fez livros que desmantelaram arreigados mitos ocidentais sobre o (médio) oriente e foi um defensor abnegado da causa palestina mas, ao mesmo tempo, o primeiro a dizer que não reconhecer Israel era um disparate, gostava de se definir como um ser marginal e atreito a uma completa ausência de centro, declarando que se sentia como «um feixe de correntezas fluidas»: «Prefiro isso à ideia de um eu sólido, à identidade à qual atribuem tanto significado; (...) os seres humanos não são recipientes fechados, mas intrumentos pelos quais outras coisas fluem». “A Pena e a Espada” é um livro de uma lucidez mordaz (não porque ele seja ácido, simplesmente nunca se evade de pensar para além das evidências), que se hoje fosse lido pelos seus compatriotas e pelos israelistas talvez servisse de travão ao fanatismo que os encarniça: «Na minha infância, era possível mudar de um país – Líbia, Jordânia, Síria, Egipto – e cruzá-los por terra. Era possível fazer isso. Todas as escolas que frequentei quando garoto eram cheias de gente de raças diferentes. Era completamente natural para mim frequentar uma escola com arménios, muçulmanos, italianos, judeus e gregos, porque aquele era o Levante e essa foi a maneira como cresci. O divisionismo e o etnocentrismo que encontramos agora são um fenómeno relativamente recente que me é absolutamente estranho. E eu o odeio. (...)Em muitos dos meus textos recentes oponhome à ideia, presente em muitas das agendas intelectuais e

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Lembrar Edward Said

políticas dos oprimidos, de que quando chegassem ao poder iriam descontar tudo nos outros. Isso é absolutamente contrário à ideia de libertação. É como se parte do privilégio de vencer fosse o direito de descontar nos outros. Vai directamente contra a razão da própria luta; não posso dizer que concordo com isso. Essa é a outra armedilha do nacionalismo, ou do Fanon chamava a “armadilha

da consciência nacional”. Quando esta se torna um fim em si mesma, quando uma particularidade étnica ou racial ou a “essência” nacional, em grande medida inventada, vira a meta de um civilização, cultura, ou partido político, você sabe que esse é o fim da comunidade humana e que estamos diante de outra coisa». Essa outra coisa é o coração das trevas que por aquelas

“VALE MUITA A PENA LER ESTE “A PENA E A ESPADA”, BEM COMO O SEU LIVRO MAGNÍFICO SOBRE OS INTELECTUAIS, “REPRESENTAÇÕES DO INTELECTUAL” OU O SEU ÚLTIMO ENSAIO, ALIÁS PÓSTUMO, “SOBRE O ESTILO TARDIO”, REFLEXÕES NA ARTE E NA LITERATURA.”

bandas lateja, até se reduzirem mutuamente a pó - pois que retaliação caberá a um fantasma? Saliente-se que Said fundou em 1999 com o seu amigo Daniel Barenboim, maestro argentinoisraelita, uma orquestra de jovens do Egipto, Síria, Líbano, Tunísia e Israel, a “Diwan Oriente-Ocidente” (Barenboim, que ofendeu judeus quando, em Israel, ousou tocar Wagner - o “compositor de Hitler” - e que emocionou palestinianos ao doar o seu Steinway ao Conservatório de Ramallah [que agora tem o nome de Edward Said], destruído pelo Exército israelita, tinha uma admiração profunda pelo amigo com quem partilhou concertos de Mozart, Beethoven, Schubert e Rossini.). Vale muita a pena ler este “A Pena e a Espada”, bem como o seu livro magnífico sobre os intelectuais, “Representações do Intelectual” ou o seu último ensaio, aliás póstumo, “Sobre o Estilo Tardio”, reflexões na arte e na literatura. No livro de entrevista, às vezes somos nocauteados com evidências que deixámos escapar, por “erros de simpatia”, como esta, sobre Camus: «Não menosprezo o seu talento como escritor; Camus é um excelente estilista, certamente um romancista exemplar em muitos aspectos. (...) Mas o que me incomoda é ser lido fora de seu contexto, da sua história. A história de Camus é a de um “colon”, um “pied noir” (...) Os seus romances, na minha opinião, são verdadeiras expressões da situação colonial. Mersault, em “O Estrangeiro”, mata um árabe, a quem Camus não dá nome nem história. Toda a ideia do final do romance, segundo o qual Mersault vai a julgamente é uma ficção ideológica. Nenhum francês jamais foi julgado por matar um árabe, na Argélia colonial. Isso é mentira, é algo que ele inventou. Em segundo lugar, no seu romance, “A Peste”, as pessoas que morrem na cidade são árabes, mas não são mencionadas. As únicas pessoas que importavam para Camus e para o leitor europeu da época, e até de hoje, são os europeus.» É duro, mas faz pensar. Como na generalidade tudo o que escreveu este homem de uma profunda racionalidade e cultura múltipla, que sabia amar o diferente e ser equidistante, embora nunca tivesse perdido de vista as causas.


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diário de um editor

JOÃO PAULO COTRIM

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SANTA BÁRBARA, LISBOA, SÁBADO, 1 MAIO Mês morto, mês posto. Neste reino nem distingo o suserano, presto vassalagem apressada e às cegas sem tempo nem para contar as baixas. A vibração do telefone no seu silêncio canta um desespero que rima com a incapacidade para atender. Nisto de desconseguir devo ser dos melhores. Amigo dos antigos, senhor de brilhante curiosidade e sempre atento às respirações do mundo, descobriu a ligeireza da impressão digital. Tenho algures cartas oriundas da Macau de há trinta anos, lugar de onde o Ricardo [Salomão] mas reenvia agora em formato de livro, ainda que viva e faça viver ali na Costa de Caparica. «Mágica Macau» (ed. Gandaia Edições) contém, diz logo com pressa adolescente na capa, «comoções, emoções e outros sentimemas», essa unidade mínima de sentimento. Mas a meia centena de poemas em prosa vão muito além e colhem frutos de observação madura e acutilante «Dos Sítios», «Das Pessoas» e «Das Outras Coisas», sendo que pessoas, sítios e coisas se encontram e desencontram para além da arrumação. «As árvores crescem com as raízes que caem das folhas que caem no chão onde as árvores crescem.» Macau cresce muito no que de cidade vai caindo no peito dos visitantes. Acontecerá assim em cada ponto do mapa, mas acreditemos ainda no espírito dos lugares, no único que cada soma proporciona. Os portos são cruzamentos de lugares, pessoas e outras coisas e nenhum será igual a outro. «Nós ficamos a ver, do lado de fora./ Olhamos milénios de gestos, mas só vemos paisagens.» Enganadoramente, não tem a ver nem com magia nem com sentimento. O viajante que saiba ficar aprenderá pelo amor a ler. Ou vice-versa. Com muita dificuldade se descobrirá, mas este falso e brevíssimo guia da Cidade do Santo Nome de Deus será das mais fulgurantes introduções ao enigma. Macau a única foi apenas pretexto, ponte de papel, pequeno balão iluminado. «Numa rua que é porto interior atrás dos prédios com cais à beira mar. Avenida de carros e camionetas, serralharias e velhas estâncias de madeiras perfumadas jazendo na penumbra funda de armazéns de poeiras suspensas. Cais e mar nas janelas rasgadas das entranhas dos edifícios. Numa rua que é porto interior, os carpinteiros constroem caixões com formas de

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20.5.2021 quinta-feira

Portos interiores

Yazalde

nenúfar.» Fico sentido que não mo tenhas dado para editar, Ricardo, mas isso é sentimema que se resolve à mesa e com um abraço. HORTA SECA, LISBOA, QUINTA, 6 MAIO Morreu o Cândido Ferreira. Conservo uma das mais emocionantes interpretações que me foi dado ver, para mais temperado com acesso aos bastidores, aos ensaios, meu velho fascínio pelo inacabado, pelo imperfeito, pelo espontâneo. O verbo fez-se carne e o tempo parou para que acontecesse teatro, esse cruzamento quântico das coisas. Foi em «Comunidade», do Luiz Pacheco, com encenação do Antonino Solmer, sendo o chão e céu uma das máquinas de cena do João Brites, cruzamento de barco e gavetão. Mas o Cândido absorveu tudo e da massa fez totalidade. E o espectador siderado. A cada leitura do Pacheco lá me vem, lá me virá sempre o Cândido. Sem querer e por coincidência descobri o parvo texto que escrevi para a ocasião.

«Na tal noite estava marcada viagem no interior da cidade, ao interior do teatro. Inesperadamente vejo-me bater hesitante numa porta grande, fazendo ladrar um cão chamado "actor" e interromper movimentos de personagens em estado de orquestração. O frio tinha-se sentado na plateia. O tabuado era de madeira, assente sobre bancos, esperando uma geografia final de sinais incrustados. Tratava-se de um bastidor. Os gestos estavam incompletos, em construção. O cenário era sugerido pela voz, pelas vozes. Aqui escuro. Além uma máquina. Repete assim. Não, o sapato não. Entras daqui. Há qualquer coisa de ritual, de caboco em obra esboçada. Cheira à pólvora do demiurgo que molda gestos, olhares. Cheira ao hálito dos projectos trazidos aos tombos. São passos em volta.» Saravá, Cândido. CASA DO ALENTEJO, LISBOA, SÁBADO, 8 MAIO Lisboa não deu pelo novel festival literário 5 L (de

“O SPORTING GANHOU. NÃO FOI APENAS O FUTEBOL, O FUTSAL, O HÓQUEI EM PATINS, O TÉNIS DE MESA: VENCEU AS PROBABILIDADES, O DINHEIRO, A MÁ VONTADE, A DESCRENÇA, A BATOTA, O ANTI-JOGO, A ARROGÂNCIA, A PIADOLA, O MAU PERDER, AS FALTAS E AS FALTAS DE JEITO, OS VELHOS DO RESTELO E DE ALVALADE.”

língua, literatura, livros, livrarias, leitura). A cidade ansiava por regressar a si, portanto a espreguiçar-se ao Sol, explodindo em milhentos regressos, peças, concertos, gritos e assim. Mas não aconteceu comunicação e a que existia era de uma dolorosa infantilidade («Ler é fixe», com a mãozinha armada em roqueanrole, a sério?). Alinhámos por razões de amizade e outras estratégicas, contribuindo com Pessoa em cabo-verdiano para deitar a língua de fora ao Dia da Língua; com o nonsense do mano Luis [Manuel Gaspar] para celebrar aquela ideia de cidade que se esvai entre os dedos, como as ruínas da Solmar; com os muitos recomeços que a Ana [Freitas Reis] injecta no sangue dos seus versos. Não consegui deixar de me sentir estrangeiro, ainda que na mesa das funções. Os gestos de encontro saem-nos desajeitados e hesitantes, não nos foi permitida ainda a festa que deve acontecer em cada arremesso, tudo me surgiu deslassado apesar do esforço e alegria dos autores e dos apresentadores, a Inês [Fonseca Santos] e o João [Soares], e até o vírus deu ar de graça ao projectar-se na Linha de Sombra impedindo a Odi Marítimu de levantar âncora. LISBOA, TERÇA, 11 MAIO O Sporting ganhou. Não foi apenas o futebol, o futsal, o hóquei em patins, o ténis de mesa: venceu as probabilidades, o dinheiro, a má vontade, a descrença, a batota, o anti-jogo, a arrogância, a piadola, o mau perder, as faltas e as faltas de jeito, os velhos do Restelo e de Alvalade. Contra tudo e contra todos, por saber fazer com inteligência e coração, em cada um dos que vestem a camisola, treinador que pensa e sorri, capitão que corta e marca com peito e alegria, no guardaredes que defende como quem ataca, no sangue e fresco do meio campo, centro da inteligência e do coração, por saber correr e sofrer nas laterais, por se transcender enquanto equipa dentro e fora de campo, por cruzar inteligência e coração. Por ser o clube de Peyroteo e Yazalde, que jogavam com y (na foto da infância), além dos tantos queridos, aparecidos e desaparecidos. E por ser redonda a bola.


quinta-feira 20.5.2021

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CINETEATRO “DIAMANTES DE SANGUE” | RAFAEL MARQUES | TINTA-DA-CHINA

Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Helen Mirren 14.30, 18.45, 21.30 SALA 2

77 HEARTWARMINGS [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Herman Yau Com: Pakho Chau, Charlene Choi 14.30, 19.30, 21.30

FAST AND FURIOUS 9 [C]

Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez,

32 9 5 3 2 6 7 8 1 4 5 8 2 4 3 6 1 7 9 3 9 1 www. 6 2 8 hojemacau. com.mo 7 4 5

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C I N E M A

SALA 1

FAST AND FURIOUS 9 [C]

Tyrese Gibson, Helen Mirren 16.30 SALA 3

THE MAURITANIAN [C]

Um filme de: Kevin MacDonald Com: Tahar Rahim, Jodie Foster, Shailene Woodley, Benedict Cumberbactch 16.45, 21.30

HOME SWEET HOME [C]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Leste Chen Com: Aaron Kwok, Hsu Wei Ning 14.30, 19.15

“Diamantes de Sangue - Corrupção e Tortura em Angola” é um livro do jornalista angolano Rafael Marques que espelha o cenário de violação dos direitos humanos que se vive diariamente no país no sector da extração dos diamantes. O livro contém relatos de tortura, subserviência de trabalhadores e famílias desesperadas por justiça. Andreia Sofia Silva

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6 7 8 4 2 1 4 9 1 8 3 5 3 2 5 7 9 6 FAST AND FURIOUS 9 9 4 3 6 1 7 8 1 7 9 5 2 2Propriedade 5 6Fábrica3de Notícias, 8 4Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 7Gonçalo6M.Tavares; 2 5Gonçalo 4 Waddington; 8 Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 5Olavo 3Rasquinho; 4 1 7 Wai9 Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Paul Chan GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 1Welfare8Morada 9 Pátio 2 da6Sé, n.º22, 3 Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

33 34 36 2 8 3 6 4 1 7 5 9 2 5 8 4 7 3 6 9 1 9 8 5 4 1 7 2 9 5Governo 3 da6Região 8 Administrativa Especial 3 4de Macau 1 8 6 9 2 7 5 6 7 Fundo de Segurança Social 9 4 6 9 5 1 7 3 8 2 4 1 ANÚNCIO 7 6 9 1 2 5 8 3 4 3 5 6 7 2 Público n. 001/FSS/2021 6 9 7 5 8 1 3 4 2 3 4 8 8 9 1 Concurso de Serviços de Limpeza das Instalações e Equipamentos 1 2Prestação 9 3 5 2do Fundo 3 7de Segurança 9 4 Social 1 8 6 7 7 6 2 5 8 4 1. Entidade que põe o serviço a concurso: Fundo de Segurança Social (FSS). 2. 7 Modalidade 8 4 5 do procedimento: 1 2 3 6Concurso 9 público. 3 1 8 4 6 3 2 9 5 7 93. Objectivo: 1 Prestação de5 Serviços de Limpeza das Instalações e Equipamentos do FSS (incluindo serviços de limpeza fixa de limpeza de Março 6 9 1um período 8 5 com3pessoal 4 destacado 2 9 7no local) durante o período9entre71 de Janeiro 5 3de 20221e 31 6 4 de 2024, 2 8 2 eporserviços 3 de 27 meses. 4. Local, dia e hora limite para a obtenção do processo de concurso e o preço para a obtenção da sua cópia: 5 4 8 1 2das instalações 7 9 do7 3FSS 2 6 8 1 2 9 4 7 5 6 3 1 Local: 5 Recepção no 18.º andar do Edifício China Civil Plaza, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n. 249-263, Macau. 7 3 4 1 5 4 até3ao termo 6 do prazo 2 para 5 a entrega 8 de7propostas. 1 9 7 Data:2Desde9a data6da publicação 6 8do anúncio no Boletim Oficial da RAEM

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Hora: Horário de expediente (segunda a quinta-feira das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:45 horas; sexta-feira das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Os interessados devem pagar a quantia de MOP$100,00 (cem patacas), em numerário, equivalente ao custo da respectiva reprodução para a obtenção da cópia destes documentos, ou fazer a transferência gratuita destes documentos pela Internet na página electrónica do FSS (http://www.fss.gov.mo). Critérios de apreciação: 5.1 Preço proposto: 60% 5.2 Experiência, nos últimos 5 anos, na prestação de serviços de limpeza para escritórios semelhantes: 20% 5.3 Certificação da qualidade do serviço de limpeza prestado pelo concorrente: 5% 5.4 Tempo de exercício da actividade de limpeza: 10% 5.5 Percentagem dos trabalhadores de limpeza residentes em relação ao número total de trabalhadores de limpeza na presente prestação de serviços: 5% Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso. Caução provisória: MOP$30.000,00 (trinta mil patacas), a prestar mediante pagamento em numerário ou mediante garantia bancária. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Recepção das instalações do FSS no 18.º andar do Edifício China Civil Plaza, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 249-263, Macau. Dia e hora limite: 22 de Junho de 2021 (Terça-feira), até às 12:00 horas. Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Sala de reuniões das instalações do FSS no 18.º andar do Edifício China Civil Plaza, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 249-263, Macau. Dia e hora: 23 de Junho de 2021 (Quarta -feira), pelas 09:30 horas. Os concorrentes ou os seus representantes poderão fazer-se representar no acto público de abertura das propostas para esclarecimento de eventuais dúvidas acerca da documentação integrante da proposta. Documentos adicionais de esclarecimento: Os concorrentes deverão consultar a página electrónica do FSS (http:// www.fss.gov.mo), a partir de 20 de Maio de 2021 (Quinta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

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Aos 13 de Maio de 2021, Fundo de Segurança Social. O Presidente do Conselho de Administração Iong Kong Io

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ANÚNCIO Concurso Público n.º 006/DZVJ/2021 Prestação de Serviços de Arborização e Manutenção da Zona Central de Macau Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, tomada em 23 de Abril de 2021, se acha aberto o concurso público para a “Prestação de Serviços de Arborização e Manutenção da Zona Central de Macau”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, durante o horário de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, sito na Avenida de Almeida Ribeiro, n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados gratuitamente da página electrónica do IAM (http://www.iam.gov.mo). Os concorrentes que pretendam fazer o descarregamento dos documentos acima referidos assumem também a responsabilidade pela consulta de eventuais actualizações e alterações das informações na página electrónica deste Instituto durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 7 de Junho de 2021. Os concorrentes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM e prestar uma caução provisória no valor de MOP 80.000,00 (oitenta mil patacas). A caução provisória pode ser prestada em numerário ou garantia bancária. Caso seja em numerário, a prestação da caução deve ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM ou no Banco Nacional Ultramarino de Macau, juntamente com a guia de depósito (em triplicado), havendo ainda que entregar a referida guia na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do Instituto, após a prestação da caução, para efeitos de levantamento do respectivo recibo oficial. As despesas resultantes da prestação de cauções constituem encargos do concorrente. O acto público do concurso realizar-se-á no Centro de Formação do IAM (sito na Avenida da Praia Grande, Edifício China Plaza, 6.º andar), pelas 10:00 horas do dia 8 de Junho de 2021. O IAM organizará uma sessão pública de esclarecimento no Centro de Formação do IAM (sito na Avenida da Praia Grande, Edifício China Plaza, 6.º andar), pelas 10:00 horas do dia 24 de Maio de 2021. Aos 6 de Maio de 2021. A Administradora do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Isabel Jorge www. iam.gov.mo


18 opinião

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perspectivas

20.5.2021 quinta-feira

Jorge Rodrigues Simão

A COVID-19 E AS FALHAS GLOBAIS DE SAÚDE PÚBLICA “Unpurified drinking water. Improper use of antibiotics. Local warfare. Massive refugee migration. Changing social and environmental conditions around the world have fostered the spread of new and potentially devastating viruses and diseases-HIV, Lassa, Ebola, and others.” Laurie Garrett The Coming Plague: Newly Emerging Diseases in a World Out of Balance

A CRISE do coronavírus foi um choque, mas não deveria ter sido uma surpresa. Há anos que os peritos em saúde pública vinham alertando para os perigos das pandemias virais. A SRA, H1N1, Ebola, e MERS tinham destacado os riscos de doenças que atravessavam fronteiras e a necessidade de respostas nacionais e globais eficazes. Não muito antes dos primeiros casos notificados de COVID-19 em Wuhan, China, tanto o Johns Hopkins Center for Health Security como o Kissinger Center for Global Affairs Senior Fellow Dr. Kathleen Hicks tinham organizado exercícios separados que realçaram o quão profundamente um vírus em movimento rápido poderia pôr em perigo o sistema internacional e a segurança nacional dos Estados Unidos. No entanto, estes alertas não foram em grande parte seguidos e o mundo não estava preparado para reagir eficazmente quando a crise começou. A COVID-19 sobrecarregou os esforços nacionais e internacionais para conter a pandemia, expondo ao mesmo tempo falhas profundas nas infraestruturas globais de saúde pública. As instituições mais responsáveis pela saúde pública, a Organização Mundial de Saúde (OMS) para o mundo, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) para os Estados Unidos não tiveram um bom desempenho. O mundo vê diariamente a aumentar o número de casos confirmados de COVID-19. A Índia, os Estados Unidos e o Brasil têm sido os mais duramente atingidos. A ciência e os conhecimentos epidemiológicos em torno do vírus estão a evoluir, novas terapias estão a ser desenvolvidas, e os esforços intensivos que culminaram em várias vacinas proporcionam alguma esperança. A COVID-19 irá dominar o panorama internacional. Mesmo depois de o vírus ser contido, as consequências estarão connosco durante algum tempo. Isto porque a pandemia chegou a um momento especialmente preocupante para o mundo. Nos últimos anos, muitos comentaram o desgaste dos acordos internacionais para proporcionar uma ordem mundial estável, pacífica e próspera. O que se temia há algum tempo era agora visto como uma dura realidade pois muitas das normas, instituições e práticas que sustentavam a ordem internacional liberal e marcaram a liderança americana desde o

fim da Guerra Fria e, em alguns casos, o fim da II Guerra Mundial, estavam sob enorme tensão. As causas são muitas e interligado dado o ressurgimento da rivalidade política de grandes potências, marcada pelo agravamento e crescente toxicidade da relação entre as duas maiores potências, os Estados Unidos e a China; o aumento do populismo e do nacionalismo, bem como uma aparente perda de fé na democracia à medida que o autoritarismo aumenta o seu domínio em muitas partes do mundo; os efeitos vertiginosos e desorientadores das novas tecnologias; e numerosas outras causas. Estes desafios têm-se manifestado à medida que os Estados Unidos polarizados se tornam cada vez mais incertos sobre o seu papel no mundo, à medida que muitos perdem a fé nos benefícios da globalização e da interdependência, e como um conjunto de novas preocupações transnacionais, que vão desde as alterações climáticas à desinformação, revelam as deficiências das instituições internacionais existentes. No entanto, a crise constitui uma oportunidade. Há que fazer um esforço multidisciplinar para avaliar o estado actual da ordem mundial, analisar os efeitos da crise da COVID-19, e oferecer perspectivas e ideias para o futuro. A crise tornou claro que muito trabalho precisa de ser feito para melhorar as nossas capacidades e instituições nacionais e globais de saúde pública, e para elevar a ameaça de doença e pandemia a uma prioridade mais elevada nos nossos quadros de segurança nacional e internacional. Todavia, existe uma premissa maior que é a ideia de que a crise destaca uma série de outros desafios nacionais e globais prementes, em áreas que vão desde as alterações climáticas às relações com a China. Acreditamos que esta crise é potencialmente um ponto pivô crucial, proporcionando uma oportunidade para repensar e talvez revitalizar o nosso actual sistema internacional. Historicamente, os esforços para construir acordos internacionais eficazes emergem após períodos de guerra, crise e tumulto. A Paz de Vestefália pôs fim às guerras viciosas da religião que tinham assolado a Europa e construiu um sistema comparativamente estável baseado no equilíbrio de poder entre os Estados-nação. O Congresso de Viena de 1814-1815 foi marcado pela diplomacia magistral do Conde Metternich da Áustria e Lord Castlereagh da Grã-Bretanha, que trabalhou com outros líderes europeus para dominar as guerras e o fervor ideológico desencadeado pela Revolução Francesa. Estes esforços mantiveram a paz na Europa até à Guerra da Crimeia e impediram qualquer potência europeia de dominar o continente até ao início do século XX. O que restava do sistema do Concerto entrou em colapso com a I Guerra Mundial,

levando a uma série de esforços ao longo das décadas seguintes para reconstruir a ordem mundial. A conferência de Versalhes após a I Guerra Mundial foi inspirada pelo desejo do Presidente americano Woodrow Wilson de construir uma paz baseada na autodeterminação nacional, na diplomacia aberta, no fim das corridas ao armamento e na segurança colectiva através de uma Liga das Nações, as curas, acreditava ele, às patologias do imperialismo, do militarismo e da diplomacia feroz que tinham provocado o conflito. Esta visão falhou quando os Estados Unidos se retiraram do sistema proposto por Wilson enquanto as queixas persistentes e não resolvidas da guerra envenenavam o clima internacional. Uma depressão global, a ascensão de regimes violentos e revolucionários, e o início da II Guerra Mundial destruíram o sistema criado em Versalhes e revelaram a necessidade desesperada de mecanismos eficazes para gerar a ordem mundial. Aprendendo com este fracasso, os planificadores americanos trabalharam com os seus aliados para começar a construir a ordem do pós-guerra antes mesmo de a guerra terminar. Conferências entre os três principais actores, os Estados Unidos, a União Soviética e a Grã-Bretanha em Teerão, Yalta e Potsdam misturaram planos para ganhar a guerra com esforços para coordenar a paz do pós-guerra. Reuniões internacionais em Bretton Woods e Dumbarton Oaks conceberam instituições globais tais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, e as Nações Unidas. Os americanos esperavam uma ordem mundial integrada e sem descontinuidades que reunisse as nações líderes para evitar a guerra e manter uma paz segura e próspera. No entanto, a Guerra Fria estragou esta visão de “Um Mundo” só, e o que emergiu nos anos seguintes não foi uma ordem, mas várias. No domínio económico, a tão chamada ordem de Bretton Woods, centrada no mundo capitalista, criou um sistema que encorajou a revitalização do comércio global mas deu prioridade à reconstrução interna, integração regional, e estabilidade. Este sistema desgastou-se nas décadas de 1960 e 1970, e após um tempo marcado por alguma desordem, foi substituído pelo sistema mais aberto e globalizado que temos agora, baseado em moedas flexíveis e determinadas pelo mercado, investimento e comércio global em larga escala, e o domínio da banca e finanças denominadas em dólares. A segurança internacional evoluiu também em direcções inesperadas. O sistema das Nações Unidas, baseado na soberania dos Estados e em princípios universais, foi ofuscado por um sistema bipolar que assistiu a uma intensa rivalidade ideológica e geopolítica entre dois blocos de superpotência rivais liderados pela União Soviética e pelos

Estados Unidos. Os Estados Unidos acabaram por liderar uma ordem internacional segura e próspera, mas que se limitou ao “mundo livre” e não ao mundo inteiro. No entanto, as superpotências cooperaram para criar uma terceira ordem; uma ordem nuclear muito bem-sucedida, baseada no seu interesse comum em limitar os perigos colocados pela “arma absoluta”. Esta ordem foi construída em torno de uma série de tratados bilaterais e globais de controlo de armas incluindo o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares de 1963, o Tratado de Não Proliferação Nuclear de 1968, e os Tratados de Mísseis Antibalísticos e de Limitação Estratégica de Armas de 1972, bem como normas e práticas menos formalizadas, desde a tolerância ao sobrevoo de satélites pelo inimigo (necessário para reduzir o perigo de ataque surpresa) e um entendimento implícito, que evoluiu ao longo do tempo, de que as armas nucleares não eram meras bombas poderosas, mas que se encontravam numa categoria própria. Apesar de estar sob pressão constante, este elemento de ordem rivais que trabalham para gerir e limitar os perigos das novas tecnologias, foi mais bem-sucedido do que qualquer um esperava e talvez forneça um modelo para os desafios temporários. O inesperado fim da Guerra Fria e o rápido desaparecimento da União Soviética realçaram tanto o sucesso destes acordos pós-guerra como a necessidade de repensar a ordem mundial para uma nova era. Foi também uma época de grande criatividade intelectual, pois estudiosos como John Mearsheimer, Francis Fukuyama, John Ikenberry, Charles Krauthammer, e Samuel Huntington ofereceram molduras conceptuais inovadoras para compreender um mundo em rápida mudança. Os eventos moveram-se rapidamente. A Alemanha foi reunificada pacificamente e o projecto da União Europeia floresceu; democracias surgiram em todo o mundo, e alguns conflitos e guerras civis em ebulição prolongada foram resolvidos pacificamente. Os Estados Unidos, trabalhando através das Nações Unidas, construíram uma coligação impressionante para impor a segurança colectiva e expulsar o Iraque do Kuwait. Para surpresa de muitos, alguns elementos da era pós-guerra, tais como a Organização do Tratado do Atlântico Norte, não só foram mantidos como alargados. Outras instituições, tais como o Fundo Monetário Internacional, foram novamente imaginadas. Com o tempo, ainda outras instituições, tais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Grupo dos Vinte (G20) foram inauguradas. A era pós Guerra Fria foi marcada por uma combinação de multilateralismo e ideais e poder americanos, uma vez que os Estados Unidos se encontravam numa posição de comando nos assuntos mundiais. Na medida em que havia uma ordem mundial


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BANKSY, GAME CHANGER

quinta-feira 20.5.2021

única, foi em grande parte uma expansão e modificação do sistema liberal que se tinha enraizado no mundo não comunista após a II Guerra Mundial. Como este sistema assumiu dimensões cada vez mais globais, foi um tempo de esperança e promessa. Esse período de optimismo parece agora uma memória distante. Os ataques de 11 de Setembro aos Estados Unidos, seguidos de guerras difíceis e controversas no Iraque e no Afeganistão, expuseram novas fontes de insegurança. A guerra no Iraque, em particular, esgotou as energias dos Estados Unidos e abalou o apoio internacional ao poder americano. A crise financeira de 2007-2009 estremeceu a economia global e minou a confiança no mercado. O populismo aumentou e o movimento em direcção à democracia enfraqueceu. À medida que a economia da China floresceu, este país não abraçou, como muitos esperavam, os princípios liberais, mas em vez disso desafiou tanto as normas e instituições regionais como globais, ao mesmo tempo que aprofundou o estatismo. A tecnologia da informação, outrora vista como uma força libertadora, mostrou o seu lado mais sombrio através de ciberataques e campanhas de desinformação; as alterações climáticas pareciam ser um desafio potencialmente existencial. Tanto a votação do Reino Unido para deixar a União Europeia (Brexit) como a inesperada eleição de Donald J. Trump como presidente dos Estados Unidos numa campanha da “América Primeiro” fez de 2016 o ano em que ficou claro que a ordem mundial existente era imperiosa. Os princípios e valores que muitos acreditavam ser a pedra angular desta ordem com abertura e inovação, prática democrática e tolerância, interdependência e globalização foram vistos com desconfiança por grandes faixas da América e do mundo.

A COVID-19 destacou e exacerbou muitas das tensões que já estavam a testar o sistema pós Guerra Fria. A pandemia tem sido tão perturbadora porque explodiu num mundo que já estava cada vez mais desordenado. A questão de como reconstruir a ordem mundial após a COVID-19 envolve lidar não só com a doença, mas também com os problemas de mentira que ela revelou. Como devemos diagnosticar e compreender estes desafios à ordem mundial, e que princípios e políticas devem moldar os nossos esforços para avançar? É inegável que a COVID-19 está a abanar o mundo e a pôr a nu as fraquezas dos acordos e instituições existentes. Mas será que a COVID-19 marcará o fim de uma ordem mundial e a emergência de outra? A resposta acreditamos, não é assim tão simples. Não é uma coincidência que as maiores e mais epocais mudanças na ordem mundial ocorram frequentemente no rescaldo de grandes guerras. Tais cataclismos rompem fatalmente as relações e instituições existentes; reiniciam a distribuição global do poder. Ao nivelar a arquitectura de uma ordem mundial, eles criam novas possibilidades de construção. Que a COVID-19 terá um efeito igualmente transformador parece improvável. A pandemia tem sido monumentalmente traumática, é claro, e todas as apostas estão erradas se o mundo enfrentar múltiplos e cada vez mais letais surtos mesmo depois da cada vez maior evolução das vacinas existentes. Mas, a menos que isso aconteça, a COVID-19 não irá provavelmente alterar dramaticamente a distribuição do poder material. Com toda a certeza, os Estados Unidos saíram-se mal de uma perspectiva de saúde pública e sofreram uma grave diminuição a curto prazo, pelo menos da sua credibilidade e reputação de competência apesar das grandes decisões

nesta matéria tomadas pelo presidente Joe Biden. No entanto, vários aspectos da crise, o papel da Reserva Federal dos Estados Unidos na estabilização da economia mundial, a fuga para o dólar, e outros testemunham efectivamente o imenso poder estrutural da América. Além disso, está longe de ser claro que o principal desafio da América, a China, verá a sua própria posição a longo prazo reforçada, em parte devido à forma como a crise sublinhou as patologias estatistas do país e em parte porque um dos resultados da pandemia pode ser um esforço de contrapeso mais concertado das democracias do mundo. Quando se trata de instituições, a pandemia tem sem dúvida revelado fraquezas profundas no seio de muitos organismos internacionais proeminentes, desde a OMS e OMC até ao G7. A necessidade de reforma tornou-se clara para todos; o mesmo aconteceu com a ausência de estruturas institucionais bem desenvolvidas para lidar com uma variedade de desafios emergentes. Isto não nos deve surpreender pois grande parte da nossa arquitectura de governação global foi criada numa altura diferente, num mundo distinto, para lidar com diferentes desafios. Alguns deles estão agora desactualizados ou mal adaptados às novas ameaças globais. Aqueles com memórias longas compreendem que houve períodos anteriores de subdesempenho institucional, fracasso e adaptação no contexto de ordens particulares. Os papéis e responsabilidades do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial mudaram consideravelmente desde a sua criação; o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio deu lugar à Organização Mundial do Comércio após a Guerra Fria; acordos ad hoc surgiram frequentemente para complementar, em vez de substituir, os organismos existentes em questões como a proliferação nuclear.

opinião 19

Visto contra este precedente, a COVID-19 pode simplesmente estimular um período de reforma e evolução institucional muito necessário, em vez de um novo começo. De facto, longe de destruir a ordem existente, a COVID-19 poderia impulsionar a sua reforma e renovação. Talvez essa ordem seja um pouco mais restrita do que era após a Guerra Fria, pois argumenta-se que a chave é diminuir a dependência da China enquanto se aprofunda a cooperação entre as democracias, um regresso a algo como a abordagem de “dois mundos” da era pós-guerra. Embora essa mudança fosse um afastamento significativo da era pós-guerra fria de integração global, levaria de facto os Estados Unidos de volta às suas raízes de construção de ordem, por assim dizer. Poderia a crise forçar uma mudança significativa da ordem mundial, alterando fundamentalmente a forma como os Estados Unidos e outros países vêem e dão prioridade às principais ameaças internacionais? Se a COVID-19 acabar por matar, apenas dentro dos Estados Unidos, um número de pessoas que é em ordem de magnitude muitas vezes superior ao número de pessoas que morreram em 11 de Setembro, então certamente que as ameaças de segurança “suaves” aumentarão de importância em relação aos desafios de segurança “duros” como o terrorismo e a rivalidade geopolítica. Talvez o equilíbrio militar do poder esteja a tornar-se passado, talvez simplesmente não seja tão relevante num mundo em que os pequenos Estados têm frequentemente feito melhor do que os grandes Estados na supressão da pandemia e onde as graves ameaças à prosperidade humana e ao florescimento não respeitam as divisões geopolíticas. Também aqui, porém, a história não é tão simples. A COVID-19 pode ter elevado a ameaça representada pelas pandemias e outras ameaças não tradicionais. Mas a ameaça colocada por perigos mais tradicionais permanece. A COVID-19 criou novas tentações para os actores autoritários minarem a política e a coesão das sociedades democráticas; poderia muito bem exacerbar o fracasso e a instabilidade do Estado em regiões frágeis em todo o mundo, incluindo o sempre volátil Grande Médio Oriente. A verdadeira retirada da COVID-19 pode ser que as ameaças duras e suaves trabalhem frequentemente em conjunto, potencialmente misturando-se e combinando-se de formas poderosas. A rivalidade geopolítica pode tornar as ameaças transnacionais mais difíceis de combater; as ameaças transnacionais podem acentuar as rivalidades geopolíticas e a instabilidade. A América e outros países não poderão ignorar as ameaças duras ou suaves num mundo pós-COVID-19, porque esses desafios estão profundamente inter-relacionados.


“Não existe vacina contra a estupidez.” Taiwan Governo alerta para situação dos estudantes de Macau

Ásia Confinamentos regressam com aumento de novos casos

O

Governo da RAEM indicou estar atento aos estudantes de Macau que estão em Taiwan. “A Delegação Económica e Cultural de Macau em Taiwan, enviou, ontem (17 de Maio), uma carta à Comissão para os Assuntos da China Continental, na qual menciona que o recente aumento de intensidade da epidemia na Ilha trouxe incerteza e ansiedade aos milhares de estudantes de Macau e aos encarregados de educação”, diz um comunicado do Gabinete de Comunicação Social. A nota indica que a carta também foca a preocupação de alguns alunos com os estudos, condições de vida e assistência médica. É dada a indicação que os estudantes de Macau em Taiwan e os encarregados de educação podem contactar a Delegação Económica e Cultural de Macau em Taiwan ou a linha de informações do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus . De acordo com o jornal Exmoo, o subdirector dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSDEJ), indicou que 807 alunos de Macau que estudam em Taiwan planeiam regressar à RAEM entre Maio e Agosto, 300 deles nos meses de Junho e Julho. Teng Sio Hong, confirmou com a Direcção dos Serviços de Turismo que há dois a três voos diários entre Macau e Taiwan, garantindo que a DSDEJ vai manter contacto próximo com as autoridades de Taiwan para dar apoio aos estudantes. Há cerca de 3.000 a 4.000 estudantes locais a estudar na Formosa.

U

O director dos SSM frisou que “se houver um surto os profissionais de saúde terão de estar empenhados no combate à epidemia e, ao mesmo tempo, acorrer ao aumento súbito da procura da administração da vacina”

Fazer o que é preciso SSM visitou posto de vacinação no Fórum Macau, que abre portas hoje

A

LVIS Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), disse ontem que “se houver um surto epidémico as consequências podem ser muito graves”, em referência à necessidade de Macau atingir maior taxa de vacinação contra a covid-19. Alvis Lo visitou ontem o Posto de Inoculação Comunitário, que abre hoje portas no Fórum de Macau. O médico lembrou que actualmente a situação epidémica em todo o mundo “é ainda muito grave”, e que “a pandemia espalhada por várias regiões vizinhas é uma ameaça séria a Macau”. “A taxa de vacinação em Macau está ainda num nível baixo e não facilita o trabalho

geral de prevenção epidémica”, lembrou ainda. O director dos SSM frisou que “se houver um surto os profissionais de saúde terão de estar empenhados no combate à epidemia e, ao mesmo tempo, acorrer ao aumento súbito da procura da administração da vacina”.

Picas nos casinos

Com marcações disponíveis desde terça-feira, este posto de vacinação terá, para já, duas mil vagas para a vacina da Sinopharm, funcionando entre as 9h e as 17h. Os destinatários são todas as pessoas elegíveis para vacinação gratuita com idade igual ou superior a 18 anos. Todos os postos de vacinação recebem agora pessoas com

Covid-19 Quarentena para viajantes vindos de duas províncias chinesas Macau impõs desde ontem quarentena de 14 dias aos viajantes provenientes de várias localidades das províncias chinesas de An Hui e Liaoning, devido à situação epidemiológica de covid-19, anunciaram as autoridades de saúde. A medida, que entraou em vigor às 21h de ontem, aplica-se a quem nos 14 dias anteriores tenha estado na província de Liaoning, incluindo na vila de Chentun, cidade de Yingkou, comunidade de Honghai, vila de Xiongyue, distrito de Bayuquan, cidade PUB PUB.

20.5.2021

Albert Einstein

GCS

PALAVRA DO DIA

quinta-feira

de Yingkou, comunidade de Yiyuan, distrito de Heping e cidade de Shenyang, informou o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, em comunicado. O período de 14 dias de observação médica obrigatória aplica-se igualmente a quem venha de algumas zonas da província de An Hui, incluindo os distritos de Jin An e Yu An, cidade de Lu An, vila de Shangpai, condado de Feixi e cidade de Hefei, acrescenta-se na nota.

idade igual ou superior a 60 anos, que passam a poder vacinar-se em outros locais além do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Os SSM vão também vacinar funcionários da MGM entre segunda e terça-feira, dias 24 e 25, e do casino Sands entre os dias 31 de Maio e 3 de Junho. Até às 16h de ontem tinham sido administradas 138.414 doses de vacinas contra a covid-19, com um total de 50.723 de pessoas já inoculadas com as duas doses da vacina. Houve também, no período de 24 horas, sete notificações de eventos adversos, dois relacionados com a vacina da Sinopharm e cinco com a vacina BioNTech mRNA). Desde o início do programa de vacinação, houve apenas dois eventos adversos graves de um total de 628.

MA nova vaga da pandemia de covid-19 está a obrigar partes da Ásia a introduzir intensivas medidas de confinamento, perante o aumento de número de contágios e de mortes. A escassa população da Mongólia viu o número de mortos subir de 15 para 239, enquanto Taiwan, que foi considerado um caso de sucesso na luta contra o novo coronavírus, registou mais de 1.200 casos desde a semana passada e colocou mais de 600.000 pessoas em isolamento por duas semanas. Hong Kong e Singapura adiaram pela segunda vez a possibilidade de retomar viagens entre si sem quarentena, após um surto de origem incerta em Singapura. A China, que praticamente tinha eliminado os casos de infecções, viu novos casos de covid-19, aparentemente devidos ao contacto com pessoas que chegam do exterior. A situação está a prejudicar os esforços para o regresso ao normal da vida social e económica na Ásia, especialmente em escolas e sectores como o turismo, que depende do contacto pessoal. Em Taiwan, o aumento de novos casos de contágio está a ser impulsionado pela variante mais facilmente transmissível identificada pela primeira vez no Reino Unido, de acordo com Chen Chien-jen, epidemiologista e ex-vice-Presidente da ilha, que liderou a muito elogiada resposta à pandemia no ano passado. Em Wanhua, normalmente uma área movimentada de Taiwan com barracas de comida, lojas e locais de entretenimento, o mercado nocturno de Huaxi e o templo budista Longshan estão encerrados. A ilha fechou todas as escolas e as restrições foram ampliadas a todo o território: restaurantes, ginásios e outros locais públicos foram encerrados e reuniões de mais de cinco pessoas em ambientes fechados e mais de 10 pessoas ao ar livre foram proibidas. A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, procurou tranquilizar as pessoas que procuravam voltar a circular livremente, mas foram confrontadas com novas medidas de confinamento. “Continuaremos a fortalecer a nossa capacidade médica”, disse Tsai, acrescentando que as vacinas devem chegar em breve.


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Hoje Macau 20 MAIO 2021 #4771 by Jornal Hoje Macau - Issuu