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Hoje Macau 20 MAI 2019 # 4291

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

h

Y PING CHOW

AO LADO DE HO IAT SENG

LOTARIA

JOSÉ SIMÕES MORAIS

ESCRITOS ÂNTUMOS RITA TABORDA DUARTE

BAMBUS

PAULO MAIA E CARMO

hojemacau

HOJE MACAU

ENTREVISTA

Mostra de aplicações PÁGINAS 4-5

OPINIÃO

A noite de sábado foi de tragédia no Cotai. Por volta das 21h, a Polícia Judiciária foi chamada junto ao Hotel Four Seasons para dar conta de um esfaqueamento

SANGUE

que envolveu quatro homens do interior da China. Do confronto resultaram uma vítima mortal e três feridos. Dois já tiveram alta e estarão a ser ouvidos pela PJ.

JOÃO LUZ

GRANDE BAÍA

GCS

Terra da felicidade PÁGINA 6

I.M. PEI (1917-2019)

ADEUS, MESTRE EVENTOS

TDM

Dias de inquietação PÁGINA 7

LUSA

PÁGINA 9

SLB | CAMPEÃO COM NOTA ARTÍSTICA PÁGINA 22

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Morte no Cotai

CHUI SAI ON | PORTUGAL

FRANCIS BACON

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 20 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4291


2 ENTREVISTA

Y PING CHOW

O amigo de Zhejiang

Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, há muito que conhece o presidente da Assembleia Legislativa e acha que a maior parte da comunidade chinesa em Portugal apoia a candidatura de Ho Iat Seng a Chefe do Executivo devido às ligações do candidato a Zhejiang. O responsável defende também a criação de grupos externos à Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, para promover maior representatividade nas eleições Estamos no Porto, onde o Chefe do Executivo termina a sua visita oficial a Portugal. Que balanço faz desta viagem? Acho que é uma visita sempre interessante, dignifica Macau e cria relações com a região. Mas os macaenses e a comunidade chinesa ainda não se relacionam, porque os macaenses vivem num bloco e os chineses vivem noutro. Gostaria de ver melhores relações entre Macau e Portugal, por motivos históricos. Mas o que tenho reparado é que os anteriores Chefes do Executivo têm uma relação menos próxima com a comunidade chinesa em Portugal, porque são todos de Macau. Nós, a comunidade chinesa, gostaríamos de ter um Chefe do Executivo que conseguisse ter uma relação mais próxima connosco. A comunidade chinesa em Portugal gostaria de participar e promover as eleições para o próximo Chefe do Executivo, porque Macau pode trazer bastantes oportunidades à comunidade chinesa que não é de Macau. O futuro Chefe do Executivo pode não ter origem de Macau, e falo nisto porque o presidente da Assembleia Legislativa (AL) é uma pessoa conhecida e tem relações com a comunidade chinesa em Portugal, por ter ligações a Zhejiang (Ho Iat Seng nasceu em Macau em 1957). Mais de 60 por cento da comunidade é desta província. A Liga dos Chineses, uma vez que a maior parte dos membros são de Zhejiang, dá o seu apoio e gostaria de divulgar ou promover a vinda dele ao país. Embora a eleição não dependa dos portugueses nem dos chineses daqui, a eleição dele pode beneficiar as relações entre o Governo e os chineses residentes em Portugal e pode também trazer grandes benefícios para a comunidade. Concretamente, que tipo de apoios pretendem dar a Ho Iat Seng?

Alguns membros do Instituto para a Cooperação e Desenvolvimento Portugal-Oriente conhecem a realidade e gostam da cultura chinesa. Mesmo em Macau há falta do ensino de sinólogos. Quando Macau era administrado por portugueses não foi criado um instituto para sinólogos, há mais ingleses sinólogos do que portugueses. Fizemos uma reunião, aliás proposta por Júlio Pereira, ele esteve em Macau há pouco tempo e não há um instituto nesse sentido. Neste momento, a China quer abrir-se ao mundo e deveria aproveitar Hong Kong e Macau para promover esse conhecimento sobre os chineses para que haja uma compreensão por parte dos europeus, e vice-versa. É algo que ainda falta muito. Quando estiver com o senhor Ho (Iat Seng), vou-lhe sugerir isso. Quero levar cartas de apoio de associações portuguesas. Neste momento, já tenho três que manifestaram o apoio à candidatura. A única coisa que podemos fazer é mostrar o apoio, porque não temos direito de voto. Podemos sugerir uma estrutura que venha a colaborar com Macau. Isso seria muito importante, uma estrutura ou influência a nível civil ou oficial.

“O que posso dizer, do que conheço, é que Ho Iat Seng é uma pessoa de fácil acesso... Ele não esquece os seus amigos, mesmo numa posição mais importante.” Como pode ser feita a aproximação entre o próximo Chefe do Executivo e a comunidade chinesa residente em Portugal? Macau é um território que dá muita oportunidade de negócios. Pessoalmente, acho que Ho Iat Seng é um

bom candidato porque, em primeiro lugar, sempre foi empresário. Posso dizer ainda que é uma pessoa honesta, porque nunca se meteu em negócios mais obscuros, como o jogo ou o imobiliário. Como ele tem uma boa relação com a comunidade chinesa daqui e com as entidades da China, pode trazer muitos benefícios. É uma pessoa boa para Macau e tem apoio do Governo chinês. Também pode ser interessante porque a comunidade chinesa de Zhejiang está espalhada por todo o mundo, sobretudo Portugal, França e Espanha. Se Macau quer abrir um pouco mais tem a comunidade do lado dele e é difícil fazer esse contacto por parte do actual Chefe do Executivo ou de outros candidatos com origem diferente. Está à espera de outros candidatos? O que posso dizer, do que conheço, é que Ho Iat Seng é uma pessoa de fácil acesso. Gostava que fosse ele porque já o conheço, sei o que vai fazer com a comunidade chinesa e o que pode fazer por Macau. Através da comunidade chinesa de Portugal, acredito que podem ser estabelecidas relações com Macau. Ele não esquece os seus amigos, mesmo numa posição mais importante. Tem acompanhado o seu trabalho como político na AL? Francamente, falo com alguns amigos, mas não conheço muito sobre o trabalho ao nível da produção de leis. Conheço mais a sua personalidade. Ser presidente da AL e encarar um grupo de deputados críticos é muito difícil. Acho que tem feito um bom trabalho e por isso tem sido um bom político. Sobre a pouca participação nas eleições por parte da comunidade chinesa a residir fora de Macau. Como olha para o sistema de eleição do Chefe do Executivo? O sistema pode ter mais pessoas

no colégio eleitoral, para que haja maior diversidade. Poderiam ser criados representantes externos para a comissão eleitoral. Não devia ser um grupo constituído apenas por pessoas ricas e importantes, mas também por pessoas de outras classes sociais.

“Quero levar cartas de apoio de associações portuguesas. Neste momento, já tenho três que manifestaram o apoio à candidatura. A única coisa que podemos fazer é mostrar o apoio, porque não temos direito de voto.” Chui Sai On está de saída do Executivo, que avaliação faz do seu trabalho? Macau desenvolveu-se muito, porque o Governo chinês também apoiou bastante. Sei que as pessoas são felizes em Macau e recebem um cheque todos os anos. Em termos económicos fala-se muito da necessidade de diversificação, mas a verdade é que isso ainda não se materializou. Macau tem poucas coisas para desenvolver porque o território é muito pequeno, mas que se de pode desenvolver na relação com a CPLP e o mundo exterior. Chui Sai On falou imenso na questão das startups, por exemplo. O que é muito bom. Falava há pouco de o facto das empresas portuguesas não conseguirem apresentar ao Fórum Macau projectos que atinjam o valor mínimo permitido para ter

HOJE MACAU

PRESIDENTE DA LIGA DOS CHINESES EM PORTUGAL


3 segunda-feira 20.5.2019 www.hojemacau.com.mo

ACORDOS A SÉRIO

O

presidente da Liga dos Chineses em Portugal mostra-se satisfeito com a assinatura dos inúmeros acordos entre China e Portugal, mas lamenta que faltem recursos e iniciativas para os por em prática. A entrevista com o HM aconteceu na altura em que um ministro chinês visitou o Porto de Sines, um dos pontos estratégicos para a participação portuguesa no projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Y Ping Chow lembrou que “a maior parte dos acordos funcionam com base na ideia de que, quem constrói, tem de gerir.

acesso ao fundo de investimento, na ordem dos 50 milhões de dólares. Tudo isso tem os seus próprios interesses. Mas o problema do Fórum Macau é que os empresários portugueses têm tirado pouco proveito dele, ou não conseguem aproveitar. A sede do Fórum Macau vai ser transferida para a RAEM. Isso pode levar a uma flexibilização do financiamento? Acho que sim, porque com o Fórum Macau em Pequim é mais difícil aos empresários portugueses, ou de países de língua portuguesa, estarem lá. Passando para Macau vai facilitar muito o trabalho. Marcelo Rebelo de Sousa disse na China que é preciso que os

“Há muitas PME que se querem internacionalizar ou aumentar a notoriedade do seu produto na China. Mas o que acontece é que a lei laboral em Portugal é muito rígida e às vezes os empresários chineses encontram dificuldades.” chineses invistam mais na economia real. Concorda? Isso tem vindo a acontecer. Há muitas PME que se querem internacionalizar ou aumentar a notoriedade do seu produto na China. Mas o que acontece é que a lei laboral em Portugal é muito rígida e às vezes os empresários chineses encontram dificuldades. É muito difícil trazer técnicos necessários para trabalhar. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 chui sai on em portugal

20.5.2019 segunda-feira

Macau na I KEVIN HO INVESTE EM HOTEL DE CINCO ESTRELAS NO CENTRO DO PORTO

Um hotel de cinco estrelas no centro da cidade e um projecto residencial na zona da Foz são dois dos novos desígnios do empresário de Macau Kevin Ho para a cidade do Porto, num investimento que ronda os 70 milhões de euros. O Chefe do Executivo assistiu a uma apresentação sobre os investimentos da KNJ em Portugal na sexta-feira. Sobre a Global Media, Ho mostra-se confiante no crescimento do grupo empresarial

A

última visita oficial de Chui Sai On a Portugal na qualidade de Chefe do Executivo ficou marcada por uma breve passagem pela cidade do Porto, onde recebeu das mãos do Presidente Rui Mo-

reira as Chaves da Cidade (ver texto secundário). Mas a visita completou-se à tarde com uma apresentação feita pelo empresário de Macau Kevin Ho sobre os projectos que a KNJ Investment Limited está a desenvolver em Portugal.

Um deles passa pela total renovação de um dos edifícios icónicos do centro da cidade, onde está sediado o Jornal de Notícias (JN), título do grupo Global Media do qual a KNJ é o maior accionista. A torre é património classificado e será protegida, dando lugar um novo hotel de cinco estrelas da cadeia Marriott, que deverá abrir ao público em 2021. A nova unidade hoteleira terá a capacidade para 220 quartos. “Temos projectos que não exigem muito dinheiro, embora a renovação do edifício do JN seja o projecto mais pesado em termos de orçamento”, disse Kevin Ho aos jornalistas à margem do evento. A KNJ vai também investir num projecto residencial intitulado “Torre Miramar”, localizado na zona da Foz do Douro. Ambos os projectos aguardam aprovação da Câmara Municipal do Porto. Durante a apresentação, Kevin Ho falou também

da aposta, em curso, num espaço de incubação de empresas em parceria com a Associação Comercial de Macau (ACM). “O ano passado a ACM visitou o Porto e foi assinado um memorando de cooperação com a câmara municipal. Um velho armazém será transformado em centro de incubação de

empresas com o apoio da câmara municipal, tal como foi feito em Cantão. Desta forma poderemos fazer articulação entre as empresas de Portugal e Cantão”, disse Kevin Ho, acrescentando que o projecto se destina a apoiar jovens empresários. Na sessão de apresentação estiveram presentes

BOM NOME

SEM ESTUDO

uestionado sobre a candidatura de Ho Iat Seng a Chefe do Executivo, o empresário considerou que é um bom nome para o cargo. “Primeiro que tudo, o candidato tem de preencher todos os requisitos, que é ser aceite pelo Governo Central, amado pelas pessoas, ter visão e credibilidade. Penso que o Ho Iat Seng tem todas essas capacidades. Não sabemos quem vai ser candidato e penso que ele tem tudo o que precisamos e que vai fazer um bom trabalho.”

ncomendado pelo Governo em Janeiro do ano passado à associação liderada por Kevin Ho, o estudo relativo à necessidade da implementação da lei sindical em Macau continua sem ver a luz do dia. Questionado sobre o assunto, o empresário garantiu não ter informações adicionais e disse ser necessário contactar os dirigentes da Associação de Estudo de Economia Política. De frisar que Kevin Ho é o presidente da associação.

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E

o Chefe do Executivo, membros do Conselho Executivo, os secretários Sónia Chan e Alexis Tam e os dirigentes autárquicos das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Chui Sai On deu os parabéns ao jovem empresário, sobrinho do ex-Chefe do Executivo da RAEM Edmund Ho. “Macau hoje em dia tem algumas oportunidades, graças à política ´Uma Faixa, Uma Rota” e à cooperação com Portugal. Apoiamos o seu projecto por já ter feito investimentos em Portugal e espero que tenha grandes perspectivas de futuro, para que os jovens possam ter mais oportunidades”, rematou.

A CRESCER

Depois de a KNJ se ter tornado no maior accionista da Global Media, foi notícia a possibilidade de despedimentos no grupo, depois de Kevin Ho ter prometido não o fazer. Nesse âmbito,


chui sai on em portugal 5

segunda-feira 20.5.2019

As chaves, o dinheiro... Assinados novos memorandos de entendimento entre as duas cidades

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HUI Sai On esteve na sexta-feira na Câmara Municipal do Porto onde participou na cerimónia de assinatura de um memorando de entendimento com a cidade invicta. Não houve declarações aos jornalistas depois da realização do evento. O Chefe do Executivo agradeceu a hospitalidade nortenha e o facto de receber as Chaves da Cidade do Porto, algo que faz de Chui Sai On um “cidadão de honra” da segunda maior cidade portuguesa. No seu discurso, o presidente da câmara Rui Moreira destacou a proximidade com Macau. “Porto e Macau comemoram este ano 22 anos de geminação e, não bastasse a grande cooperação que temos mantido nos tempos mais recentes, assinámos hoje um novo compromisso para inovar e reforçar os laços existentes”, apontou. O autarca portuense salientou ainda que este é um “ano de comemorações e consensos”, porque celebram-se 20 anos da criação da Região Administrativa de Macau, sublinhando o “papel importante” que as cidades “têm a desempenhar” nos 40 anos de relações diplomáticas entre Portugal e China. “Queremos também desenvolver a função da RAEM como “Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, promovendo o crescente papel da cidade do Porto na nova economia mundial”, indicou Rui Moreira. O acordo assinado vai permitir “maior intercâmbio e cooperação nas áreas da economia, comércio, turismo, educação, medicina tradicional chinesa, empreendedorismo jovem

“Tenho de ser honesto. Antes de chegarmos a Portugal acharia que seria um processo muito mais lento. Para nossa surpresa, é um lugar acessível.” KEVIN HO EMPRESÁRIO

o empresário fala agora na necessidade de reestruturar o grupo. “Não se trata apenas de despedimentos ou de recursos humanos, mas é algo que tem a ver com a reestruturação de todo o grupo. Todas as empresas vão passar por fases de reestruturação e há necessidades de mudança em todas elas. O processo de restauração ainda está a decorrer.

Não se foquem no número de pessoas que vamos despedir, talvez até venhamos a contratar mais.” Sobre os investimentos em Portugal, Kevin Ho diz ter ficado surpreendido com as facilidades em fazer negócio. “Tenho de ser honesto. Antes de chegarmos a Portugal acharia que seria um processo muito mais lento. Para nossa surpresa, é um lugar acessível. Algumas das negociações com empresários ou com o Governo são muito mais rápidas do que esperava, são eficientes.” Questionado sobre se o tecido empresarial de Macau tem a mesma capacidade para investir fora do território, Kevin Ho disse

“Apoiamos o seu projecto por já ter feito investimentos em Portugal.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

“Temos projectos que não exigem muito dinheiro, embora a renovação do edifício do JN seja o projecto mais pesado em termos de orçamento.” KEVIN HO EMPRESÁRIO

que tudo depende da estratégia de cada empresário. E lembrou que a KNJ é bem diferente da Macau Legend Development, a empresa de David Chow que também tem feito investimentos em Portugal. “A empresa de Davis Chow tem maior dimensão do que a minha porque está listada em bolsa, nós estamos num nível diferente. A KNJ é uma empresa de média dimensão e penso que, no que diz respeito ao investimento

no estrangeiro, é preciso tempo, estratégia e recursos. Não se trata apenas de dinheiro.” “Isso é o mais importante para as outras empresas de Macau. Se elas querem ficar em Macau, é a sua opção. No caso da KNJ, temos investimentos em Macau, mas quisemos explorar outras oportunidades”, acrescentou. Apesar da aposta na cidade invicta, o empresário assume não desistir de Lisboa. “O nosso primeiro investimento foi em Lisboa e estamos activamente à procura de oportunidades. Temos mais projectos localizados aqui no Porto, mas se houver oportunidades em Lisboa iremos ponderar”, concluiu. A comitiva liderada por Chui Sai On chegou ontem a Macau. Andreia Sofia da Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

GCS

Invicta

e protecção do património cultural, entre outras”. Na área educativa, destaque para o incentivo aos estudantes de ambos os territórios na participação activa no programa de bolsa de estudo 'Uma Faixa, Uma Rota', estabelecido pela Fundação Macau, além da promoção do intercâmbio, “aprendizagem e cooperação das instituições do ensino superior, de modo a favorecer a formação de quadros qualificados”, rematou Rui Moreira. Por sua vez, Chui Sai On destacou a importância do intercâmbio de alunos entre as cidades. “Macau atribui importância ao reforço da cooperação nos domínios da educação, da inovação da ciência e da tecnologia e do intercâmbio entre os jovens. É de referir que foi já criada a Bolsa de Estudo ‘Uma Faixa, Uma Rota’ no âmbito da Fundação Macau, e os alunos da cidade do Porto são bem-vindos a Macau para prosseguirem os seus estudos.” Sobre a atribuição das Chaves da Cidade, o Chefe do Executivo salientou a ligação afectiva ao Porto: “Este acto não só representa uma grande honra para mim, como também para toda a RAEM, transmitindo a profunda amizade do povo do Porto para com os residentes de Macau”. Na visão do governante, as “Chaves irão abrir a porta do reforço de contactos amigáveis entre as duas partes, da expansão do intercâmbio e da cooperação em vários domínios, tais como o comércio, o turismo, a medicina chinesa, a preservação do património cultural e o intercâmbio dos povos, de modo a consolidar e a fortalecer as relações de cooperação e de amizade entre Macau e o Porto”. A.S.S.


6 política

20.5.2019 segunda-feira

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GRANDE BAÍA COMUNICAÇÃO SOCIAL DEVE SERVIR PROJECTO INTER-REGIONAL

Contadores de estórias

A história da Grande Baía, enquanto “maravilha” e espaço de “felicidade da população” deve ser o foco dos meios de comunicação social que integram os territórios do projecto inter-regional. A ideia foi deixada ontem por Wong Sio Chak na primeira conferência sobre os media das três regiões, realizada em Cantão é “impulsionar o desenvolvimento e a construção da Grande Baía”, sendo para isso, “emissores, participantes e promotores” da iniciativa nacional. Este trabalho passa, de acordo com as sugestões do secretário em Cantão, pelo foco nos “elementos desta era”, e pela “difusão da história da Baía como um desenvolvimento conjunto e de felicidade para a população”. Por outro lado, cabe aos media abraçar o desafio de “transformar a simples cooperação tradicional numa coordenação moderna de desenvolvimento”. Para o efeito, os media devem “utilizar novas formas para aumentar as vias de difusão de modo a promover a maravilha que é a história da Baía”. O objectivo, afirmou o secretário é, permitir “ao mundo inteiro testemunhar o seu desenvolvimento, ouvir a voz da China e sentir a vitalidade chinesa”, aponta a mesma fonte.

GCS

orientação da comunicação social deve promover o projecto de cooperação regional da Grande Baía tendo em conta a “maravilha” que é a sua história e o reflexo de “felicidade”. A ideia foi deixada ontem pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, que esteve em representação do Chefe do Executivo na cerimónia de inauguração da primeira conferência dos meios de comunicação social da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, em Cantão. O governante salientou a importância desta conferência, enquanto meio de “implementação activa por parte dos três territórios, das estratégias políticas definidas pelo Governo Central”, aponta um comunicado.

TEMPO DE MUDANÇA

Wong Sio Chak denominou mesmo de “nova era”, a relação entre os meios de comunicação social das três regiões como um factor a ser aproveitado para “elevar o intercâmbio e a procura de consensos entre os mesmos.”. O objectivo

Wong Sio Chak denominou mesmo de “nova era”, a relação entre os meios de comunicação social das três regiões como um factor a ser aproveitado para “elevar o intercâmbio e a procura de consensos entre os mesmos.”

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EGUNDO a Lei do Enquadramento Orçamental o Governo tem um prazo de 30 dias, após cada trimestre, para apresentar o relatório da Execução do PIDDA (Plano de Investimentos e Despesas da Administração). No entanto, de acordo com o deputado Mak Soi Kun, presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças, os prazos não estão a ser cumpridos pelo Executivo. A revelação foi feita na última sexta-feira após uma reunião entre deputados e representantes do Governo. “No final de cada trimestre há um prazo de 30 dias para o Governo apresentar à Assembleia Legislativa o relatório trimestral. Mas vemos que desde o início da aplicação da lei [em 2018] que os relatórios trimestrais têm sido apresentados com atrasos, além destes 30 dias”, disse Mak Soi Kun. Segundo o legislador ligado à Associação de Jiangmen, o facto de o Governo não apre-

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Leis para cidadão ver

Comissão da AL acusa Governo de não cumprir prazos legais

sentar a contabilidade a tempo pode mesmo ter impacto nos orçamentos da RAEM. “Esta é uma lei que visa reforçar a fiscalização do orçamento para dar um conhecimento atempado sobre a execução orçamental. Mas, por exemplo, se a execução orçamental não for reflectida de forma adequada para nós fazermos a fiscalização, o orçamento do ano seguinte pode sofrer as implicações”, avisou.

Na sexta-feira, a comissão esteve a analisar a execução do PIDDA para o segundo, terceiro e quarto trimestres de 2018. Contudo, os atrasos verificaram-se igualmente já no primeiro trimestre deste ano, neste caso “de alguns dias”. Apesar desta situação, a comissão diz que aceita as explicações do Governo, mas quer saber quais são os departamentos responsáveis pelos atrasos. “Aceitamos a explicação do Governo, mas entende-

mos que há lei para regular estes atrasos”, sublinhou.

PROJECTOS QUE PREOCUPAM

Em relação ao nível de execução do PIDDA, a percentagem no ano passado foi de 72,9 por cento, ou seja, houve uma redução em relação ao ano anterior em que a percentagem tinha sido de 84,7 por cento. Em relação à reunião, a comissão focou as atenções em 52 projectos que tiveram execução zero, ou seja ao longo de 2018 não receberam qualquer investimento. Entre estes está o Hospital das Ilhas, a construção da nova ETAR ou a instalação de equipamentos

sociais na Ilha Verde. Além disso, foram discutidos outros dois projectos, como a 4.ª Ligação entre Macau e Taipa e a Zona A dos Novos Aterros, cuja execução orçamental foi de 10,7 por cento e 19,2 por cento, respectivamente. De acordo com Mak Soi Kun, o Governo explicou que em muitos casos a baixa execução destes projectos tem a ver com a própria complexidade dos mesmos. Por exemplo, segundo Mak, no que diz respeito à 4.ª Ligação, o Executivo aguarda pela aprovação de Pequim para avançar com o projecto. Mesmo assim, o deputado criticou esta realidade: “Podemos ver que estes projectos com execução zero ou reduzida têm milhares de milhões cativos, que depois não podem ser utilizados para outros projectos. Isto afecta a vida da população que assim não pode utilizar os investimentos”, considerou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


sociedade 7

A

direcção da Teledifusão de Macau (TDM) vai colocar em vigor a partir de 1 de Julho um novo regime de carreiras de pessoal e para os cargos de gestão da empresa. No entanto, a situação criou um mal-estar junto dos trabalhadores, que saíram da sessão de esclarecimentos de quinta-feira com a ideia que iam ver a progressão na carreira prejudicada, face ao regime anterior. Também o facto de haver mudanças ao nível das chefias com mais um escalão de progressão e eventuais aumentos terá contribuído para o mail-estar, com alguns funcionários a considerarem que a administração estava a baixar custos para aumentar os seus salários. Após a reunião de quinta-feira, as queixas acabaram por ser publicadas numa página do Facebook e também o deputado Sulu Sou foi abordado por trabalhadores queixosos. A situação levou mesmo o Presidente da Comissão Executiva da TDM, Manuel Pires, a deslocar-se à segunda sessão de esclarecimentos, já na sexta-feira, para tranquilizar os trabalhadores. Ao HM, o responsável admitiu a hipótese de erros de comunicação, que levaram pessoas a pensar que iriam regredir na carreira. O actual sistema funciona por pontos, cada ponto equivalente a 75 patacas, que aumenta com a subida de escalão. Cada nível da carreira tem três escalões, cada um com uma pontuação diferente. “Em vez de se explicar aos trabalhadores que na próxima progressão iriam subir para o índice [de pontos] mais próximo do actual, mas do escalão seguinte, o que se disse é que apenas iriam progredir para o índice de pontos mais próximo”, começou por explicar Manuel Pires. “O que aconteceu é que as pessoas foram ver os novos índices, e como a nova tabela tem valores de pontos mais elevados, entenderam que ficavam num escalão mais baixo do que o actual com a progressão. Por isso, viram que seria uma regressão, o que é natural”, acrescentou. Porém, o responsável pela TDM sublinhou que as progressões nas carreiras não vão sofrer alterações, apenas vão ter um sistema de

ANTÓNIO FALCÃO

segunda-feira 20.5.2019

TDM TRABALHADORES VIVEM INCERTEZAS COM NOVO REGIME DE CARREIRA

Ponto, contraponto Os funcionários da TDM temem uma redução na velocidade de progressão da carreira com o novo regime. Manuel Pires fala de mal-entendidos e interveio numa sessão de esclarecimentos para garantir que os trabalhadores não vão ser prejudicados pontos diferentes, sem que haja regressões ou redução da velocidade na progressão das carreiras.

CHEFIAS ABRANGIDAS

Ao mesmo tempo, Manuel Pires explicou as alterações, que acontecem principalmente nos níveis de entrada e nos cargos mais elevados, com a necessidade de tornar as condições salariais mais atractivas. “Neste momento, há dois grandes empregadores que têm condições que não conseguimos nivelar: a Função Pública e os operadores de jogo. O que acontece é que a empresa se vê muitas vezes na situação de perda de recursos porque as pessoas têm ofertas melhores e, com toda a legitimidade, saem”, disse. “Tentámos fazer com que os níveis de admissão

fossem melhorados. Antes, um jornalista tinha como índice de entrada 230, na nova carreira o índice é 280”, acrescentou. Sobre o salário das chefias Manuel Pires negou que haja aumentos imediatos, uma vez que para isso acontecer têm de ser preenchidos

“Os trabalhadores estavam muito preocupados com a possibilidade de serem prejudicados na progressão da carreira. Recebi várias queixas.” SULU SOU DEPUTADO

os normais critérios de progressão. Mesmo assim, admite que foram criados mais escalões para prolongar as carreiras: “Actualmente, uma chefia pode demorar 15 anos para atingir o topo da carreira, com as alterações e mais um escalão demora mais tempo. Criámos mais um nível para poderem progredir, para tentar tornar progressão da carreira mais atraente”, defendeu.

MUDANÇA DE ATITUDE

As explicações de Manuel Pires, na sexta-feira, foram encaradas pelos trabalhadores como uma mudança de postura face à reunião de quinta-feira, que foi conduzida por directores das áreas financeira e administrativa. Horas depois do encontro de sexta, o portal All About

Macau citou alguns funcionários não identificados, que falavam de uma inversão de discurso da empresa. Houve também quem dissesse que a reunião que contou com o Presidente da Comissão Executiva da TDM tinha tido explicações muito diferentes e positivas. No entanto, a descrença ainda persiste e um dos problemas passa pelo facto de quem entrar após 1 de Julho, quando o índice pontual de entrada já é mais elevado, auferir um ordenado superior a quem entrou antes dessa data e está no mesmo escalão. A nova pontuação de entrada acaba por prejudicar quem entrou anteriormente. Sobre estas situações, Manuel Pires reconhece que têm de ser analisadas caso-a-caso para evitar injustiças.

A reunião de sexta-feira ficou igualmente marcada pela presença de Sulu Sou, que acabou por ser convidado a sair, uma vez que o encontro era só para empregados da TDM. “Estive na reunião, depois de receber queixas de alguns trabalhadores, mas fui convidado a sair porque não sou trabalhador. Enviei uma carta ao Dr. Manuel Pires e espero que me receba para falar sobre as preocupações dos trabalhadores”, disse o deputado ao HM. “Os trabalhadores estavam muito preocupados com a possibilidade de serem prejudicados na progressão da carreira. Recebi várias queixas, assim como de trabalhadores que estavam preocupados que outros que chegassem à empresa posteriormente e estivessem no mesmo escalão ganhassem mais”, acrescentou. Por sua vez, Manuel Pires explicou que Sulu Sou não podia estar numa reunião interna e que por isso foi convidado a sair. O Presidente da Comissão Executiva afirmou também que o deputado entrou, mesmo depois de lhe ter sido comunicado que não podia estar presente. Apesar disso, Manuel Pire admite reunir-se com o legislador. João Santos Filipe

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8 sociedade

20.5.2019 segunda-feira

Instituto Português do Oriente Delegado em Pequim escolhido por concurso corresponder às solicitações que vão ser feitas ao IPOR”. A criação de um delegado em Pequim é um dos objectivos do acordo assinado recentemente com a Sociedade de Jogos de Macau. O compromisso é válido por quatro anos e abrange um montante de dois milhões de patacas, adiantou Joaquim Coelho Ramos. O acordo abrange ainda a abertura de um

centro de língua portuguesa em Chengdu, capital da província de Sichuan, que terá como principal missão a formação de quadros que dominem o português. Em 2018, passaram pelas aulas do IPOR 4.900 estudantes e 109 professores da região Ásia-Pacífico tiveram formação ministrada pelos docentes do IPOR. Números que devem subir este ano.

Tecnologia Serviços Correccionais lançam serviços online A Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) lança hoje uma série de serviços online, que incluem o pedido de cartão de visita, visita online, visita especial, certificado de reclusão e marcação de entrevista com técnico social. A medida tem

como objectivo possibilitar uma alternativa que poupe o tempo de deslocação aos balcões dos serviços para efectuar os referidos pedidos. Passa agora a ser possível interagir com os serviços correccionais através do login no sistema “Serviços online” no

site da DSC ou na aplicação de telemóvel da DSC. Após a aprovação do pedido online, a DSC notifica o requerente, que pode, então, levantar os documentos, realizar a visitar ou entrevista, bastando para tal apresentar os documentos exigidos.

TIAGO ALCÂNTARA

O IPOR – Instituto Português do Oriente vai lançar um concurso público para escolher o delegado em Pequim, revelou o director do organismo, Joaquim Coelho Ramos, no programa Rádio Macau Entrevista. De acordo com o responsável, este delegado vai em coordenação com Macau e as instâncias em Pequim – embaixada de Portugal, parceiros locais – “representar e

Os CTT estão a analisar um relatório enviado pela CTM, depois do ataque informático de 6 de Maio que reduziu a velocidade da rede. Derby Lau diz que os resultados preliminares não apontaram problemas de maior

A

directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), Derby Lau, afirmou que o relatório sobre o ataque cibernético à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) foi recebido e está em fase de análise. As declarações foram prestadas à margem da celebração

TELECOMUNICAÇÕES RELATÓRIO SOBRE ATAQUE CIBERNÉTICO EM ANÁLISE

Exame completo do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação, que decorreu na passada sexta-feira na Torre de Macau. De acordo com Derby Lau, o relatório está em fase de análise, mas os resultados preliminares apontam para que não se tenham registado problemas graves decorrentes do ataque. A directora dos CTT afirmou também que no futuro, dependendo da evolução da situação, poderá ser necessário exigir às operadoras que melhorem os seus mecanismos de segurança da rede. Foi na manhã de 6 de Maio que os internautas começaram a sentir os ataques à rede da CTM, que levou a que o serviço ficasse mais lento. O ataque foi confirmado, horas depois, pelo director executivo da empresa, Vandy Poon, que confirmou a existência de centenas

de queixas. Contudo, o responsável pela CTM explicou que os efeitos do ataque apenas se fizeram sentir durante breves momentos e que a normalidade foi restabelecida rapidamente. O ataque aconteceu numa altura em que a Assembleia Legislativa (AL) está a discutir uma pro-

A directora dos CTT afirmou que no futuro, dependendo da evolução da situação, poderá ser necessário exigir às operadoras que melhorem os seus mecanismos de segurança da rede

posta de Lei da Cibersegurança. O documento foi aprovado na generalidade e a discussão na especialidade deverá ficar concluída nas próximas semanas. Após esse passo, a proposta sobe ao Plenário para ser votada.

5G EM 2020

Outro dos assuntos abordados pela directora dos CTT foi a futura lei das comunicações e a criação de um regime de convergência, que vai permitir às operadoras disponibilizarem serviços de internet, televisão e telefone. Segundo Derby Lau, a nova lei está praticamente concluída, já foram ouvidos os operadores do sector e existe a possibilidade de o processo legislativa começar em Junho. Em relação à implementação da tecnologia 5G, Derby Lau disse, em declarações à Rádio Macau,

que o funcionamento em 2020 vai depender das operadoras. Anteriormente, a CTM já tinha admitido publicamente a vontade de implementar nesse ano a tecnologia. “Julgo que os actuais operadores têm vantagem para oferecer o serviço 5G. Em princípio, vamos ter esse serviço em 2020, mas depende do plano de investimento das empresas. Uma coisa é mostrar interesse, outra coisa é fazer o investir, afirmou a directora dos CTT. A partir de 30 de Maio, os CTT vão passar a cobrar 2,5 patacas pela correspondência interna, uma subida de 50 avos, face ao preço actual de 2 patacas. Já o “serviço não prioritário” para o Interior da China, Hong Kong e Taiwan passa a ter o preço de quatro patacas. Na sexta-feira, a subida de preços foi explicada por Derby Lau com a necessidade de praticar preços mais próximos do custo real do serviço, uma vez que os últimos aumentos tinham acontecido já em 2014. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


sociedade 9

segunda-feira 20.5.2019

Pensar Direito 1ª Congresso dos Advogados de Macau marcado para Setembro

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ARA assinalar o 20 aniversário da RAEM, a Associação de Advogados de Macau (AAM) vai realizar, pela primeira vez, um congresso dos profissionais locais. O objectivo é fazer “uma reflexão sobre o sistema jurídico da RAEM”, nestas duas dezenas de anos, bem como do “desenvolvimento da profissão na perspectiva daqueles que a exercem”, apontou o presidente da AAM, Jorge Neto Valente, no discurso que assinalou o dia do advogado, na passada sexta-feira. O evento pretende ainda promover maior contacto entre advogados do território e outros operadores jurídicos. A iniciativa está aberta não só aos profissionais locais, admitindo advogados de outras jurisdições, bem como a “representantes das magistraturas e de todos os sectores jurídicos”, tanto de departamentos do Governo como de académicos. De acordo com Neto Valente, “mais do que uma apreciação do caminho percorrido, o congresso deverá debruçar-se sobre os caminhos do futuro, sobre os desafios que se apresentam à advocacia e à justiça – num tempo de profundas e aceleradas mudanças económicas e sociais”.

RELAÇÕES ESTREITAS

AGrande Baía é outro dos assuntos que integra o programa de actividades da AAM para este ano. A promoção de meios alternativos de resolução de conflitos, especialmente na zona de cooperação inter-regional têm como finalidade desenvolver o papel de Macau como “local de eleição para a mediação civil e comercial entre as entidades da China e dos Países de Língua portuguesa.Apar do desenvolvimento do sistema de arbitragem, aAAM vai organizar um seminário internacional sobre medição, um evento que ganha maior relevo uma vez que “com a abertura da iniciativa da Grande Baía a relevância da mediação e da arbitragem torna-se ainda maior”, apontou Neto Valente. O responsável admitiu ainda que há muito a fazer neste sentido. “Temos um longo caminho a percorrer para nos afirmarmos no contexto regional. Mas todos os caminhos começam com o primeiro passo”, disse. Já na área do lazer, entre 11 e 13 de Outubro a AAM organiza o Encontro Desportivo dos Advogados de Cantão, Hong Kong e Macau. Trata-se de um evento que se realiza de dois em dois anos, rotativamente entre as regiões envolvidas. Esta ano, cabe a Macau a organização da iniciativa. Actualmente, a AAM tem inscritos 427 advogados e 127 advogados estagiários. S.M.M

CRIME ESFAQUEAMENTO NO COTAI RESULTOU NUM MORTO E TRÊS FERIDOS

Noite das facas longas

Uma vítima mortal e três feridos foi o resultado do esfaqueamento que ocorreu na noite de sábado no exterior do Hotel Four Seasons no Cotai. Dois dos feridos tiveram ontem alta e foram reencaminhados para a PJ para serem ouvidos

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RAM cerca de nove horas da noite de sábado quando a Polícia Judiciária (PJ) recebeu uma notificação da Polícia de Segurança Pública a dar conta de um esfaqueamento ocorrido as imediações do Hotel Four Seasons na Taipa, que havia vitimizado quatro homens oriundos do Interior da China. Um dos indivíduos, com 40 anos de idade, deu entrada no Hospital Kiang Wu e acabou por morrer. Os restantes três, com idades entre os 19 e os 29 anos, foram admitidos no Hospital Conde de São Januário. De entre estes feridos, um teve de ser submetido a uma cirurgia de urgência. Os restantes dois não apresentavam ferimentos graves, como tal receberam alta médica e foram encaminhados para as instalações da PJ para serem ouvidos pelas autoridades. De acordo com a PJ, a morte está classificada como homicídio, embora a causa esteja pendente de exame forense. Para já, as autoridades dizem não estarem na posse de elementos probatórios que indiquem que o caso esteja relacionado com agiotagem ou jogo. Até ao fecho da edição não havia informação sobre

o autor do ataque, desconhecendo-se se estava entre os feridos ou em fuga.

VIOLÊNCIA EM ALTA

Recorde-se que na passada quinta-feira foram divulgados os números da criminalidade relativos aos primeiros três meses do ano. O destaque dos dados revelados foi precisamente para o aumento dos crimes violentos, que registaram um crescimento de 8,3 por cento durante os primeiros três meses do ano face ao período homólogo do ano transacto, com um total de 157 casos contra 145. Segundo os dados apresentados pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, os maiores aumentos no tipo de crimes violentos aconteceram ao nível dos sequestros e violações. Relativamente aos homicídios, destacou-se no primeiro trimestre de 2019, o caso de um cidadão do Interior da China morto por outro com a mesma origem num hotel do Cotai. Em causa esteve uma operação de “troca ilegal de dinheiro”. Cinco dias depois do crime, com a cooperação das autoridades do Interior, o homem foi detido e enviado para Macau. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Um dos homens, com 40 anos de idade, deu entrada no Hospital Kiang Wu e acabou por morrer

SA FUNCIONÁRIO DESPEDIDO DEVIDO A PART-TIME COMO TAXISTA

O

funcionário dos Serviços de Alfândega que durante quatro anos trabalhou como taxista, em regime de part-time, foi despedido. O fim do processo disciplinar interno terminou no dia 9 de Maio e a decisão do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, foi revelada na sexta-feira, pelo jornal Ou Mun. O caso foi conhecido através de um relatório

elaborado pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) em Maio do ano passado. Nessa altura, foi publicado que o funcionário em causa teria aproveitado o sistema de baixa para se ausentar do trabalho durante longos períodos entre 2014 e 2018, sempre com atestados médicos. Ao mesmo tempo que lhe era confirmada internamente a baixa, o homem aproveitava

para exercer a actividade de taxista a tempo parcial, o que segundo a investigação interna dos SA constituiu uma violação ao Estatuto dos Militarizados das Forças de Segurança de Macau. Por esta razão, além do despedimento do funcionário, os Serviços Alfandegários comprometeram-se a fazer uma revisão interna dos procedimentos para a ausência do trabalho,

principalmente no que diz respeito às baixas. Após o caso ter sido denunciado, em Maio de 2018, foi pedido ao agente que regressasse ao serviço, o que acabou por acontecer. No entanto, foi a partir dessa altura que também o caso começou a ser investigado. Logo na altura, os Serviços Alfandegários reagiram ao caso e frisaram o dever dos funcioná-

rios de cumprirem com a disciplina interna. Num comunicado da altura, citado pelo jornal Ou Mun, os SA mostraram-se também chocados com o caso. Assim sendo, avisaram que iriam ser rigorosos e que não iriam tolerar qualquer tipo de conduta semelhante. O funcionário poderá agora optar por levar a decisão para o tribunal e contestar a pena aplicada. J.S.F.


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20.5.2019 segunda-feira

ANNOUNCEMENT 1. Objective: Open invitation to one tender. 2. Procuring entity: Macao Science Center Limited. 3. Address of procuring Avenida Dr.Sun Yat-Sen. entity: 4. Works, goods and For “Acquisition of Laser Projectors and Installation services to be Service for Planetarium of Macao Science Center” procured: PA-19-093 5. Location of work Macao Science Center. and installation: 6. Conditions of entry: Registered supplier under relevant categories of Macao Science Center Limited. 7. Method for Registered suppliers can send in your request through obtaining tender email to tender@msc.org.mo. For suppliers not yet documentation: registered, please attach with commercial registration documents & contact details. 8. Tender submission Location: Avenida Dr.Sun Yat-Sen, Macao Science location and Center. deadline: Deadline: 19th June 2019 (Wed) at 17:00 (Macao time) 9. Tender opening location and time:

10. Validity period of the tender: 11. Provisional guarantee: 12. Definitive guarantee: 13. Construction Period: 14. Selection Criteria:

Location: Avenida Dr.Sun Yat-Sen, Macao Science Center. Time: The 1st working day after the deadline or 20th June 2019 (Thu) at 15:00 (Macao time). Bidder or its representative shall be present at the Tender Opening for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. If bidder or its representative cannot be present in the Tender Opening, and clarification is required, Tender Opening Committee will send a notification letter to the bidder. The bidder must present a clarification letter and send back to the Tender Opening Committee before the deadline specified in the notification letter. The qualified list of bidders will be released afterwards. 90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures). Exempted. 5% of total contract value of works, by bank guarantee. 90 days Please refer to Part III. Tender Regulations Evaluation – Open consultation document, tender to be evaluated according to the following elements:

Price Proposal Experience After-sales local maintenance service and networking 15. Additional information:

16. Base price:

50% 30% 10% 10%

All related information will be uploaded to Macao Science Center website (http://www.msc.org. mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information. No base price

Macao Science Center Limited 20th May, 2019


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segunda-feira 20.5.2019

Sandy Lim, analista da Standard & Poor’s “Apesar de poder haver alterações de trimestre para trimestre, a percentagem de jogadores VIP vai continuar a diminuir e os jogadores em massa vão valer mais de 50 por cento, crescendo de forma sustentada”

O

S analistas da Standard & Poor’s (S&P) que seguem Macau disseram à Lusa que a aposta na massificação do jogo em detrimento dos grandes jogadores é uma tendência positiva para o Governo e para os operadores. “A percentagem de grandes jogadores face aos jogadores em massa tem vindo a diminuir, ficou abaixo dos 50 por cento no princípio deste ano, quando antes a relação era de mais de 70 jogadores VIP para 30 jogadores em massa, e isso, na nossa perspectiva, é de salutar”, disse a vice-directora da análise de ‘rating’ empresarial da região Ásia Pacífico, Sandy Lim. A analista explicou que “a primeira vantagem do aumento dos jogadores em massa e diminuição dos jogadores VIP tem que ver com a volatilidade destes gastos, que estão ligados à liquidez, aos angariadores e ao sentimento geral da macroeconomia, ao passo que os jogadores com menos poder financeiro, apesar de também estarem dependentes de vários factores, têm um comportamento mais estável. “O ‘mix’ é mais salutar porque há mais estabilidade, os gastos podem crescer pouco, mas crescer constantemente e de forma sustentada”, argumentou a directora do departamento de análise de ‘rating’ empresarial, Sophie Lin.

MARGENS MAIORES

Além da menor volatilidade, o aumento da percentagem de jogadores oriunda da classe média tem a ver com as margens: “Os angariadores de grandes apostadores

JOGO ANALISTAS DEFENDEM APOSTA NA MASSIFICAÇÃO

Moeda a moeda Analistas da Standard & Poor’s defendem a massificação do jogo em detrimento das apostas VIP. A ideia tem por base conseguir um retorno que apesar de menor, consegue ser constante. Já a renovação de licenças, deverá acontecer mesmo em 2022, consideram, e não deve ser alargada a mais operadoras [‘junckets’, no original em inglês] representam 5 a 15 por cento da receita das operadoras, enquanto as margens para os jogadores em massa andam nos 25 a 40 por cento, por isso são muitos mais lucrativos para as operadoras”, argumentou Sandy Lim. Questionada sobre a evolução a curto prazo desta relação entre o número de jogadores VIP e jogadores da classe média, os analistas responderam que “apesar de poder haver alterações de trimestre para trimestre, a percentagem de jogadores VIP vai continuar a diminuir e os jogadores em massa vão valer mais de 50 por cento, crescendo de forma sustentada”. O objectivo do Governo e também dos operadores “é promover mais receitas vindas dos jogadores em massa e menos dos jogadores VIP”, concluíram. Recorde-se que as receitas dos casinos em Macau caíram 2,4 por

cento no primeiro trimestre deste ano face ao período homólogo de 2018, e em Abril caíram 8,3 por cento, de acordo com os últimos dados da Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau. Uma das principais razões para a quebra das receitas dos casinos prende-se com a diminuição das receitas angariadas nas salas de grandes apostas, tradicionalmente frequentadas pelos ‘jogadores VIP’: no primeiro trimestre deste ano, o jogo ‘VIP’ sofreu uma redução de 13,4 por cento, em relação ao período homólogo do ano passado, no qual tinha atingido 42,95 mil milhões de patacas.

LICENÇAS EM 2022

Standard & Poor’s antecipam ainda que o Governo vá renovar, em 2022, a concessão da licença de jogo aos seis operadores no território. “O nosso cenário base de análise é que as operadoras de jogo que cobrimos na nossa análise vão con-

seguir renovar a licença, baseado no histórico de forte investimento na indústria e na sociedade, e também no esforço que estão a fazer para aumentarem a proporção de investimentos no sector ‘não jogo’ e na massificação dos jogadores, por oposição aos jogadores VIP”, disse a directora do departamento de análise de ‘rating’ empresarial, Sophie Lin. “Quando os operadores falarem com o Governo sobre a renovação das concessões, já têm argumentos para mostrar que têm sido bons cidadãos e que têm cumprido as recomendações feitas nos acordos de concessão em vigor”, acrescentou. Questionada sobre que alterações podem surgir no âmbito da renegociação dos contratos, Sophie Lin lembrou o exemplo de Singapura e apontou que é previsível que Macau force um aumento do investimento das operadoras em áreas não directamente ligadas ao jogo, como as

infraestruturas, e também um maior envolvimento no financiamento do sistema de pensões.

OS DO COSTUME

Quanto à eventual entrada em cena de novos operadores em Macau, S&P não antecipa esse cenário, considerando que, mais importante do que a eventual nova concorrência, que teria de ter capacidade para competir com seis casinos já instalados e em plena actividade, “para os operadores a questão é saber se conseguem fazer crescer o seu próprio negócio”, abrindo mais casinos e expandindo as outras actividades turísticas. Questionada sobre se o facto de os casinos serem propriedade de empresas norte-americanas poder ter influência na decisão do Governo de Macau, num contexto da tensão comercial entre os EUA e a China, Sandy Lim diz que não. “Diria que o ponto não é serem ou não dos EUA, mas sim terem a capacidade de ajudar Macau a investir na indústria não jogo e de melhorar a vida das pessoas, mais do que a nacionalidade dos donos dos casinos”, argumentou. “Do nosso ponto de vista, a haver impacto da tensão comercial entre os EUA e a China, ele será apenas indirecto; a indústria do jogo pode ser impactada pela volatilidade da moeda e pelas taxas de juro, que afectam a capacidade de aceder aos mercados financeiros, o que é importante porque as operadores usam a emissão de dívida para financiar o desenvolvimento”, acrescentou.


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20.5.2019 segunda-feira

COMÉRCIO EUA DEVEM EVITAR NOVAS MEDIDAS CONTRA INTERESSES CHINESES

Alertas de Pequim O aviso foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, em conversa telefónica com Mike Pompeo, após o anúncio de Donald Trump, na semana passada, de proibir o uso de equipamentos tecnológicos de empresas como a Huawei

O

ministro dos Negócios Estrangeiros da China pediu aos Estados Unidos para não irem "longe demais" e para evitarem novas "medidas prejudiciais" que atentam contra os interesses chineses durante uma conversa telefónica com o chefe da diplomacia dos EUA.

Durante a conversa com Mike Pompeo, Wang Yi expressou a sua firme oposição ao decreto emitido na semana passada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, que proíbe o uso de equipamentos tecnológicos de empresas que supostamente tentam espiar o país, o que poderá, na prática, restringir os negócios de empresas como

a Huawei, pode ler-se na imprensa chinesa de ontem. "Os EUA devem mudar de curso para evitar danos maiores nos laços bilaterais

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 173/AI/2019

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 174/AI/2019

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LAI XIUJUAN, portadora do Passaporte da RPC n.° E10996xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 189/DI-AI/2017 levantado pela DST a 15.07.2017, e por despacho da signatária de 30.04.2019, exarado no Relatório n.° 140/DI/2019, de 20.03.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 416, Edf. “Hot Line”, 12.° andar AB onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 鄒松, portador do Bilhete de Identidade de Residente da RPC n.° 220403197004133xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 189.1/DI-AI/2017 levantado pela DST a 15.07.2017, e por despacho da signatária de 30.04.2019, exarado no Relatório n.° 141/ DI/2019, de 20.03.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Santarém n.° 416, Edf. “Hot Line”, 12.° andar AB.----------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 30 de Abril de 2019.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 30 de Abril de 2019.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

em Maio, porque a cooperação é a única opção correcta para os dois países", afirmou Wang durante a conversa telefónica que ocorreu no sábado, segundo o jornal diário China Daily. O pedido ocorre depois do anúncio da ordem executiva de Trump contra os "adversários estrangeiros" dos Estados Unidos, embora não nomeie especificamente a China, um país com o qual mantém uma disputa comercial.

SEM FIM À VISTA

As negociações para acabar com a guerra comercial ainda não chegaram a um fim, após mais de dez rondas de encontros, mas não há sinal de resolução a curto prazo

após a imposição mútua de tarifas e a troca de acusações dos últimos dias. "A China sempre esteve disposta a resolver disputas económicas e comerciais por meio de negociações e consultas que, no entanto, devem ser conduzidas com base na igualdade", disse Wang, acrescentando que a China, como em qualquer outra negociação, deve "salvaguardar os seus interesses legítimos, responder aos apelos do seu povo e defender as regras básicas das relações internacionais".

“Os EUA devem mudar de curso para evitar danos maiores nos laços bilaterais em Maio, porque a cooperação é a única opção correcta para os dois países.” WANG YI MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS CHINÊS

De acordo com o jornal estatal, os dois lados também trocaram opiniões sobre o mais recente desenvolvimento da questão iraniana, em torno da qual Wang enfatizou que a China está comprometida com a desnuclearização, paz e estabilidade no Médio Oriente. "Esperamos que todas as partes ajam com contenção e cautela, a fim de evitar o aumento das tensões", conclui Wang, citado pelo diário chinês.

Taiwan Pessoas do mesmo sexo podem casar

O parlamento de Taiwan legalizou sexta-feira o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que acontece pela primeira vez na Ásia, dois anos após uma decisão histórica do mais alto tribunal da Ilha Formosa. Os deputados taiwaneses aprovaram por larga maioria uma lei que permite que casais do mesmo sexo formem "uniões permanentes exclusivas" e uma cláusula que lhes permite solicitar

a inscrição pela administração no registo de casamentos. Em Maio de 2017, o Tribunal Constitucional de Taiwan emitiu um acórdão que julgava inconstitucional privar casais do mesmo sexo do direito de se casarem. O Tribunal deu então até 24 de Maio de 2019 ao Governo para alterar a lei. A menos de uma semana da fatídica data, o parlamento foi chamado sextafeira, Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia, a pronunciar-se sobre três projetos concorrentes sobre a questão das uniões homossexuais. O texto mais progressista foi apresentado pelo Governo da Presidente Tsai Ingwen, o único que usava a palavra casamento.

XANGAI APRENDER PORTUGUÊS EM COIMBRA

O

S alunos da Universidade de Fudan, em Xangai, vão poder frequentar cursos intensivos de Verão de língua portuguesa na Universidade de Coimbra, após a assinatura de acordos entre as duas instituições. Na cerimónia de assinatura, Qu Weiguo, director da Faculdade de Línguas e Cultura Estrangeiras da Universidade de Fudan, salientou o crescente interesse dos alunos chineses na aprendizagem do português, segundo um comunicado divulgado ontem pelo Consulado-Geral de Portugal em Xangai. Os protocolos abrem ainda portas ao intercâmbio de alunos, professores e investigadores com a Universidade de Fudan, “uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior da China”, disse à agência Lusa o vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da Universidade de Coimbra, João Nuno Calvão da Silva. No mês passado, a Universidade de Coimbra e a Universidade de Estudos Internacionais de Pequim formalizaram a criação do Centro de Estudos sobre a China e os Países de Língua Portuguesa. A universidade portuguesa criou no ano passado a Academia Sino-Lusófona e o Centro de Estudos Chineses, em parceria com a Academia Chinesa de Ciências Sociais, e desde 2016 que conta com um Instituto Confúcio. Os acordos com a Universidade de Fudan foram assinados na sexta-feira passada em Xangai, 10 dias após o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa ter passado pela cidade chinesa.


região 13

segunda-feira 20.5.2019

FILIPINAS JORNALISTA DENUNCIA INTIMIDAÇÃO DOS QUE LUTAM PELA DEMOCRACIA

Um país amordaçado

Maria Ressa, distinguida pela revista Time em 2018 como “personalidade do ano”, esteve este fim-de-semana em Hong Kong numa palestra organizada pelo Clube dos Correspondentes Estrangeiros da antiga colónia britânica. A directora do ‘site’ noticioso Rappler deu conta de constantes ataques aos jornalistas praticados pelas autoridades filipinas

A

jornalista filipina Maria Ressa, detida duas vezes no país por 'ciber-difamação', contestou sexta-feira aquilo que classificou de intimidação e assédio contra os jornalistas que tentam salvar a democracia com “uma única arma”, a verdade. “A maior batalha da nossa geração é a batalha pela verdade. E os jornalistas estão na linha da frente [dessa luta]. Estamos a ser atacados”, advertiu a jornalista distinguida pela revista Time em 2018 como "personalidade do ano". Ressa teve de pedir permissão às autoridades filipinas para estar presente na tarde de sexta-feira no Clube dos Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong, para uma palestra transmitida em directo pela rede social Facebook. A directora do ‘site’ noticioso Rappler, que é já um dos mais influentes nas Filipinas, trava uma luta judicial contra o Governo do Presidente Rodrigo Duterte, que acusou o portal de ‘ciber-difamação’ e de ser financiado pelos Estados Unidos. “A lei foi armada contra nós… e achei que era tão absurda que as pessoas não a apoiariam”, lamentou, numa sessão marcada pelo poder das redes sociais, a emergência do populismo, as recentes eleições nas Filipinas e as ameaças à liberdade de imprensa. A antiga correspondente da CNN no Sudeste Asiático referia-se à lei pela qual está a ser processada, aprovada meses após a publicação da notícia em causa, que data de 2012, ano em que nasceu a Rappler. “É uma intimidação, um assédio, foi feita para nos afastar dos nossos recursos”, disse. A Rappler, que nasceu como um projecto inovador e tecnológico para capturar o público jovem e recuperar a

prometeu, reformar a Constituição filipina.

LUTA CONTINUA

essência do jornalismo, tornou públicos vários escândalos sobre o Governo e foi pioneira em denunciar vários abusos da controversa guerra contra as drogas de Duterte.

PAU DE DOIS BICOS

Questionada sobre os desafios trazidos pela revolução digital e o impacto nos novos media, a veterana considerou que o cenário tem tanto de entusiasmante como de preocupante, mas que é essa dualidade que a motiva. “A tecnologia é ao mesmo ao mesmo tempo a maldição e a salvação do nosso tempo. Temos de olhar de perto para ela”, afirmou a jornalista, salientando que “não se deve deixá-la apenas nas mãos de programadores e das redes sociais”. "Quando dizes uma mentira um milhão de vezes, torna-se verdade. Isso acontece nas redes sociais”, sustentou. A solução para o jornalismo a nível global reside então

naquilo a que chamou de “um ‘mix’: “Temos de ser tão especialistas em tecnologia como em jornalismo”, defendeu. Maria Ressa e a equipa do Rappler estão actualmente a elaborar uma nova plataforma tecnológica, para a qual lançaram uma campanha de ‘crowdfunding’, “a maior já feita nas Filipinas”, saudou. Sobre as recentes eleições intercalares nas Filipinas, das quais poderá sair o reforço à institucionalização da promessa de Duterte em restaurar a pena de morte e em reformar a Constituição filipina, Ressa mostrou-se desapontada com os resultados preliminares. “Pela primeira vez desde 1937, nenhum candidato da oposição obteve um assento no Senado”, lamentou, referindo-se à contagem parcial e ainda não oficial dos resultados. “É um referendo à popularidade” de Duterte, um Presidente “muito popular” e “muito forte”, que só pode ficar no poder se, tal como já

“Eu escrevo notícias. Não quero ser a notícia. Mas, ao mesmo tempo, quando os meus direitos são violados, isso dá-me força (…) e não queria que o facto de ser jornalista implicasse não erguer a minha voz.” MARIA RESSA JORNALISTA

Sem um assento da oposição no Senado, essa possibilidade tornar-se ia mais real, já que o Senado “foi o único órgão que desde a eleição de Duterte pôs um travão a algumas das iniciativas presidenciais mais controversas, como a pena de morte”, lembrou. Se Duterte consolidar o poder, Ressa só vê uma saída, a colaboração activa entre jornalistas e activistas para "proteger os direitos ainda garantidos pela Constituição”. “Ao olhar para os resultados, questiono os nossos valores. Demos luz verde a uma brutal guerra contra as drogas, que já matou, segundo a ONU, 270.000 filipinos desde Julho de 2016” questionou. “Queremos que os nossos filhos se tornem misóginos e sexistas? Porque é isso que o nosso Presidente faz”, frisou, debruçando-se sobre o “enorme poder dos líderes” mundiais, dando o exemplo do Presidente norte-americano, Donald Trump, e da primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Arden. Não obstante, Ressa apontou uma qualidade ao chefe de Estado filipino: a adesão às urnas em 2016. Já na sessão de perguntas e respostas, Maria Ressa, que se tornou na Ásia e um pouco por todo o mundo um símbolo da liberdade de expressão e da luta contra as ‘fake news’, sublinhou que a “única arma” de um jornalista “é contar a verdade”. "Eu escrevo notícias. Não quero ser a notícia. Mas, ao mesmo tempo, quando os meus direitos são violados, isso dá-me força (…) e não queria que o facto de ser jornalista implicasse não erguer a minha voz", defendeu. "Ainda podemos vencer esta batalha. Ainda podemos proteger a democracia", disse.

Japão Levantadas restrições à carne importada dos EUA

O Japão decidiu levantar as restrições que se aplicam à carne importada dos Estados Unidos desde a crise das ‘vacas loucas’ em 2003, num momento em que os dois países procuram alcançar um acordo comercial. De acordo com a imprensa japonesa, o Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-Estar tomou a decisão após a Comissão Nacional de Segurança Alimentar avaliar que não há mais riscos neste tipo de produtos de carne oriunda dos Estados Unidos. A medida permitirá aos Estados Unidos vender ao Japão

carne com mais de 30 meses, com a condição de remover partes do animal com maior probabilidade de conterem os agentes causadores da encefalopatia espongiforme transmissível, também conhecida como ‘doença das vacas loucas’. As restrições japonesas, que também serão levantadas sobre importações do Canadá e da Irlanda, foram aplicadas desde 2003, a fim de eliminar o risco de transmissão desta doença de origem bovina, tendo-se registado duzentos casos de infecções em humanos a nível mundial.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 251/AI/2019 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora DENG JIANYING, portadora do Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong n.° M3368XXX e do Documento de Identificação para Vistos da RAEHK n.° D00357XXX, que na sequência do Auto de Notícia n.° 252/DI-AI/2017 levantado pela DST a 01.11.2017, e por despacho da signatária de 25.01.2019, exarado no Relatório n.° 56/DI/2019, de 23.01.2019, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Dois Bairro Iao Hon n.° 25, Mau Tan 1° andar A (D101), Macau onde se prestava alojamento ilegal. -------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Abril de 2019. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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Regresso a

ARQUITECTURA I. M. PEI DESAPARECEU AOS 102 ANOS SEM ESQUECER A PÁTRIA

I. M. Pei deixou a sua marca no mundo e depois voltou à China para fazer o círculo completo. Após um século de vida e de arquitectura, a sua impressão digital ficou no lugar dos seus afectos: o Museu de Suzhou

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Livraria Portuguesa Cem anos de José Silveira Machado O Instituto Internacional de Macau (IIM) vai assinalar o centésimo aniversário do nascimento de José Silveira Machado que decorreu em Outubro do ano passado. O evento tem lugar na Livraria Portuguesa no próximo dia 24 de Maio. A iniciativa está agendado para as 18h15

e conta com apresentações de António Aresta, do jornalista Marco Carvalho e de José Basto da Silva, presidente da Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial “Pedro Nolasco”. A coordenar a conversa vai estar Jorge Rangel, presidente do IIM.

desaparecimento do arquitecto de referência mundial Ieoh Ming Pei, no passado dia 17 de Maio, aos 102 anos, não é só uma perda para a classe, mas para a humanidade, fazendo justiça ao conjunto de obras que ergueu e à importância do seu legado, de rupturas harmónicas entre o passado tradicional e a urbanidade moderna, desde os Estados Unidos da América ao Extremo Oriente, passando pela Europa e pelo Médio Oriente. As obras mais emblemáticas são as bem conhecidas pirâmides de vidro (1989) e a reconstrução da nova ala (1993) do Museu do Louvre em Paris, o edifício leste da National Gallery of Art (1978) em Washington, D.C., as torres Gateway (1991) de Singapura ou, aqui muito perto, o Banco da China (1989) em Hong Kong. Este foi o arranha-céus mais alto do mundo, entre 1989 e 1992, e o desenho da sua estrutura, em diagonais, consegue fintar a força dos ventos e das monções. A qualidade do trabalho de Pei é extensa e impressionante, laureada com diversas honras e prémios ao mais alto nível, tais como o ‘Pritzker’ de arquitectura em 1983. Para o arquitecto Rui Leão, I. M. Pei “era um homem inteligentíssimo, que teve sempre um papel bastante interveniente nos projectos que desenvolveu e na relação com os lugares em volta. Como já disse outras vezes, na arquitectura era um homem capaz de tocar todos os instrumentos, fazendo sempre coisas diferentes e muito bem feitas”. Algumas das suas preferências são a extensão do Louvre em Paris, a National Gallery de Washington, mas também os mais antigos The Luce Chapel em Taiwan, ou o Mesa Lab do Colorado. A carreira profissional de Pei tem um valor especial nesta região

do mundo, onde o arquitecto sino-americano viria a deixar a sua assinatura, a última das quais no Centro de Ciência de Macau, um projecto de arquitectura em co-autoria com o atelier dos seus filhos. I. M. Pei, como era conhecido, nasceu na cidade de Cantão em Abril de 1917, numa família de Suzhou, na província de Jiangsu, a cidade conhecida como a “Veneza Oriental”, pelos seus canais, pontes e jardins. Chegou aos Estados Unidos da América em 1935, para estudar engenharia arquitectónica na Universidade de Pensilvânia, Filadélfia e, mais tarde, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Formou-se em 1939, mas não voltaria a regressar à China, com o eclodir da 2ª Grande Guerra. Ao continente chinês retornou, como arquitecto de reputação mundial, com o projecto do Fragrant Hill Hotel (1982), em Pequim, inaugurando no mesmo ano o Sunning Plaza (1982), em Hong Kong, que viria a ser demolido em 2013 para dar lugar a novas construções em Causeway Bay. Depois do Banco da China,

em Hong Kong, Pei desenvolveria também o projecto da sede do Banco da China (2001) em Pequim.

SUZHOU E OS CANAIS

Mas é na província de Jiangsu, a uma centena de quilómetros de Xangai, que I. M. Pei viria a imprimir o seu cunho mais pessoal e afectivo, já no século XXI. “Eu gostava de falar do Museu de Suzhou. Não é o primeiro edifício que ele faz na China, mas para mim tem uma história que representa de facto o seu regresso à China”, comentou o arquitecto Rui Leão, “por ser uma obra muito particular, que tem a ver com o revisitar da arquitectura chinesa e é uma coisa extremamente bem feita”. A história do Museu de Suzhou, inaugurado em 2006, começou assim. “A municipalidade de Suzhou convidou I. M. Pei para [re]desenhar o museu de arte antiga [fundado em 1960], já ele tinha conquistado o estatuto de “star architect”, e construído o projecto do Fragrant Hills Hotel de 1982, em Pequim. Mas Suzhou é um lugar muito importante na China, porque era uma cidade aristocrática, onde estavam os ‘literati’, pessoas que vinham da carreira militar ou da corte, que eram os intelectuais chineses. É a cidade que tem a maior concentração de jardins privados e os mais bonitos. E este projecto tinha a importância de ser um sítio de reunião de todas as vertentes da arte chinesa - a pintura, a porcelana, etc”. Só que Pei, embora ligado à cidade pelo afecto, não avançou de imediato. “Ele visitou Sizhou e encontrou a cidade bastante desorganizada. Disse então ao presidente da câmara que aceitaria fazer o museu se, e quando, a cidade resolvesse a questão dos

Rui Leão “I. M. Pei conseguiu dar à cidade de Suzhou, de uma forma extremamente integrada, inteligente e sábia, um grande Museu, naquela cidade histórica feita de pequenas casinhas e de belíssimos jardins.”


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Suzhou

A-MÃE

esgotos – a rede de esgoto estava muito mal tratada e misturava-se com os canais [com mais 2500 anos] –, aquilo estava imundo e cheio de lixo”, contou o arquitecto de Macau. Assim veio a acontecer. Anos depois, ao regressar a Suzhou, encontrou já uma cidade limpa e o esgoto arranjado. Pei concebeu o complexo museológico, “que é um projecto lindíssimo, porque revisita a arquitectura chinesa, mas com um sentido de grande liberdade a nível da escala dos espaços, da geometria e da tecnologia, ou seja, não é uma cópia, não é uma simulação de nada. Tudo aquilo tem a ver com a percepção de como se pensam os espaços, como é que se traz a luz para dentro, como é que há espaços dentro de espaços, etc. São reflexões que ele fez sobre a arquitectura chinesa”, trazendo o seu ‘know how’ e criatividade para aquela obra especial. O homem que procurou redefinir a arquitectura de uma China moderna, e várias vezes o conseguiu, em Suzhou viria a fazer o trajecto inverso, erguendo uma obra moderna e geométrica, com pontos de aproximação ao tradicional centro histórico, com estruturas das dinastias Ming e Qing.

Integrar as linhas arquitectónicas foi o grande teste, sem comprometer o património classificado. Para Rui Leão, também relevante “é ele não ter só desenhado o edifício, mas o facto de ele e a mulher terem sido os curadores da própria exposição e das peças do museu. Isso, na altura, foi muito importante: haver curadores que fossem independentes, de maneira que não houvesse uma percepção de que o conteúdo do museu pudesse estar relacionado com uma certa propaganda de Estado. Ele conseguiu dar à cidade de Suzhou, de uma forma extremamente integrada, inteligente e sábia, uma grande instituição, naquela cidade histórica feita de pequenas casinhas e de belíssimos jardins”. O website site do Museu de Suzhou colocou, também por estes dias, uma imagem de tributo a I. M. Pei, com uma frase em que confessa: “Eu tenho carinho por este museu, porque lhe dediquei muito do meu amor e da minha energia”. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

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treinador do Benfica, Bruno Lage, que guiou os ‘encarnados’ à 37.º vitória do clube na I Liga de futebol, foi, no sábado, apontado pelos adeptos como o principal responsável pelo título nacional. De acordo com os adeptos ouvidos pela Lusa na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, onde muitos milhares aguardavam ainda a chegada da equipa para a festa, o treinador de 43 anos, que apenas assumiu o comando técnico em Janeiro, recebeu todos os elogios pelo feito e por ter devolvido a confiança à massa associativa quando o Benfica estava a sete pontos do primeiro lugar. “Foi sofrer até ao fim, mas quando recuperámos o primeiro lugar sentimos que viríamos aqui. [O principal responsável] Foi o ‘mister’ Bruno Lage. Sempre tivemos fé na equipa, mas a sete pontos era complicado. Sem retirar mérito a Rui Vitória, sentíamos um afastamento da equipa dos adeptos e o Bruno Lage veio reatar esse amor

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BENFICA ADEPTOS APONTAM BRUNO LAGE COMO GRANDE OBREIRO DO TÍTULO

O elo mais forte

isso vim de propósito. O jogo no Dragão foi o momento em que soube que íamos ser campeões. Agora é festejar, depois vê-se quando voltamos. Espero estar aqui, neste mesmo lugar, no próximo ano”, disse, acrescentando: “O grande responsável pela vitória foi Bruno Lage. Ele mudou tudo e fez uma segunda volta espetacular”.

FACTOR DE UNIÃO

Já Paulo Lopes, que veio para a festa acompanhado da esposa e dos dois filhos, de dois e cinco anos, enalteceu o treinador do Benfica por “unir a equipa e ter sido a pessoa essencial para reunir as forças do Benfica”, mas destacou também o papel do presidente do clube.

“O grande responsável pela vitória foi Bruno Lage. Ele mudou tudo e fez uma segunda volta espetacular.” PUB

MICAEL MARTINS ADEPTO BENFIQUISTA

que estava algo apagado”, afirmou Vanessa Alcobia, que veio de Queluz para a festa do título ‘encarnado’. De Paris para o Marquês de Pombal veio Micael Martins. Com a camisola do Benfica e a pronúncia francesa bem vincada, este jovem adepto revelou não ter

hesitado na ideia de vir para Lisboa no fim do campeonato, depois de ver a equipa sair vencedora (2-1) do jogo com o FC Porto, no Estádio do Dragão, no Porto. “Venho de Paris. Vim cá uns dias, mas sabia que íamos ser campeões. Sabia que íamos ser campeões, por

“MAIS DO QUE MERECIDO”

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treinador do Benfica, Bruno Lage, considerou sábado o título de campeão nacional da I Liga de futebol “mais do que merecido” e pediu aos adeptos para darem “mérito a quem ganha”, nas celebrações do campeonato, em Lisboa. “Chegámos justamente ao título, é mais do que merecido. Que este título, que estava perdido, seja também a forma de dar mérito a quem ganha. Quando os adversários ganharem, temos de lhes dar

mérito. Só assim eles nos darão mérito a nós”, disse Bruno Lage, perante centenas de milhares de adeptos, na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa. O técnico, de 43 anos, pediu também aos adeptos a mesma exigência que apresentam à equipa da Luz em outros assuntos da sociedade, de forma a “reconquistar os valores de Portugal”. “Há coisas mais importantes do que o futebol, se vocês tiverem esta mesma exigência noutros temas da sociedade portuguesa, o nosso país vai ser melhor. Vamos reconquistar os valores de Portugal”, pediu. Bruno Lage agradeceu também aos adeptos e ao presidente dos ‘encarnados’, Luís Filipe Vieira, pela “oportunidade de ser treinador” da equipa principal do Benfica, mas sobretudo aos jogadores, em especial Jonas, que foi “um exemplo”.

“Luís Filipe Vieira apostou sempre no clube, num treinador novo, nos jogadores e em todos os benfiquistas. Em Janeiro ninguém acreditava, hoje estamos aqui e para o ano logo se vê”, frisou, apontando o veterano avançado brasileiro Jonas, de 35 anos, como “o melhor” do plantel. Por fim, João Catarino, acompanhado da filha Sara, partilhou o mérito da conquista do 37.º título “por todos os jogadores, o treinador e o presidente”, reconhecendo ainda que “será complicado” segurar algumas das maiores promessas ‘encarnadas’ e que o momento mais marcante surgiu com o triunfo sobre os ‘dragões’. “Não estava confiante, era muito difícil dar a volta à situação e felizmente conseguimos. Creio que o momento decisivo foi ganharmos em casa do FC Porto”, observou. O Benfica venceu sábado o Santa Clara, por 4-1, em jogo da 34ª jornada, e selou a conquista da I Liga com 87 pontos, mais dois do que o FC Porto, naquele que foi o 37.º título da sua história.


segunda-feira 20.5.2019

Quem sabe o valor exacto de uma vida?

José Simões Morais

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primeira estadia de Camilo Pessanha em Macau ocorre de 10 de Abril de 1894 a 22 de Junho de 1896 e à sua chegada os rendimentos da lotaria da Santa Casa da Misericórdia são já uma sombra dos auferidos até um ano antes. Agora paupérrimos, começa o jogo da lotaria a acumular prejuízos. Nesse mês é reduzido o número de bilhetes que de seis mil passam para três mil e quinhentos, apesar do preço do bilhete ter aumentado de $1 para $2 patacas e mesmo assim, quase mil bilhetes ficaram por vender e nesses, poucos e pequenos prémios saíram à Santa Casa, com um residual valor de $475. A sorte não está com a S. C. da Misericórdia e a 9 de Agosto de 1895 é a sua lotaria suspensa a título temporário, pois já não dá lucro. No dia da chegada a Macau de Pessanha, ocorrera a seguinte história relatada no jornal O Independente de 14 de Abril: “É sabido por todos que o Sr. José Maria de Castro Basto é encarregado da venda de bilhetes da Lotaria da Santa Casa da Misericórdia, recebendo por este trabalho $60 mensais. O Sr. Basto, quer por autorização da Mesa, quer por vontade própria, vendia bilhetes a crédito com garantia ou sem ela. Vendeu a crédito, ou à consignação a um mainato que vivia na povoação de S. Lázaro por nome José Paulo Ly centenas de bilhetes sem outra garantia pela segurança do pagamento além do selo da sua loja de lavagem de roupa, negócio mainato, ficando desta forma o credor sendo fiador de si mesmo, pois nem o prédio em que esta loja está estabelecida é propriedade do tal Ly. A 9 do corrente o débito do mainato já excedia a $1500; à falta de meios para saldar esta conta e querendo continuar no seu jogo de comprar os bilhetes a $1.()0 [creio ser $1.50], para os vender a $1.70, lançou mão deste meio: <Foi o figurão às lojas de Hang-tae e Si-vó oferecer bilhetes da Lotaria da Santa Casa da Misericórdia pelo preço de $1,70 por bilhete, dizendo que o encarregado da venda desses bilhetes se dispunha a vendê-los por este preço. Os encarregados das referidas lojas, acompanhados pelo mainato, dirigiram-se ao Cartório da Santa Casa e ali, o encarregado da loja Hang-tae entregou ao mainato Ly $595 em notas de Banco. Os encarregados da loja Si-vó, que queriam que o negócio fosse mais seguro, puseram sobre a mesa de trabalho do vendedor de bilhetes $800, também em notas de Banco. O Sr. Basto depois de verificar esta e a outra quantia, fechou toda na caixa e significou ao mainato Ly, que já não lhe podia dar mais bilhetes a crédito, sem que ele arranjasse um fiador que pudesse responder pelo crédito. O mainato Ly retirou-se logo, recomendando aos encarregados das duas lojas que se conservassem todo esse tempo junto ao Sr. Basto, que se demorassem ali pois ele

Lotaria do Senado para a Santa Casa lhes entregaria os bilhetes. Fatigados de esperar, pediram ao Sr. Basto que abreviasse a entrega dos bilhetes e este fez logo despedir os logrados, dizendo-lhes que o dinheiro que ele recebera fora em pagamento da conta que o mainato Ly devia à Santa Casa da Misericórdia. Consta-nos que o Sr. Constantino de Souza foi também um dos logrados, tendo ido ao Cartório da Santa Casa para receber os bilhetes no valor equivalente a $165, que ele entregara ao mainato Ly para compra desses bilhetes>”. O processo foi instaurado contra José Paulo Ly, que ficou recolhido na cadeia pública. No dia seguinte, 11 de Abril, o Secretário da Santa Casa da Misericórdia colocou um anúncio a dizer que não eram cobrados 15% aos prémios da lotaria, como em boato se propagara pela cidade <pois, todos os prémios se pagam

neste Cartório à apresentação dos bilhetes, sem o mais pequeno desconto>. O Echo Macaense de 18 de Abril, com o título Atenção refere, “Com relação ao artigo que apareceu no último número do Independente acerca da conta de José Paulo Ly e do encarregado da lotaria da Santa Casa da Misericórdia, o Sr. José M. de Castro Basto, fomos por este informados que os factos narrados no Independente não são exactos e que o seu proceder está em harmonia com as instruções dadas pelo Sr. Provedor suplente, Artur Tamagnini Barbosa”.

CARTA RÉGIA

A Santa Casa da Misericórdia foi fundada por D. Leonor em 1498 e em Macau estabelecida no ano de 1569 por D. Belchior Carneiro, Bispo do Japão e da China.

No dia seguinte, 11 de Abril, o Secretário da Santa Casa da Misericórdia colocou um anúncio a dizer que não eram cobrados 15% aos prémios da lotaria, como em boato se propagara pela cidade <pois, todos os prémios se pagam neste Cartório à apresentação dos bilhetes, sem o mais pequeno desconto>.

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A SCM de Lisboa, por Carta Régia de 18 de Novembro de 1783 criara em Portugal Continental a Lotaria Nacional, concedendo 12% dos lucros aos Hospitais Reais dos Enfermos e dos Expostos, ocorrendo a primeira extracção a 1 de Setembro de 1784 e prolongou-se por 34 dias, com um prémio de 12 mil réis. Em Macau, por Carta Régia de D. João VI, na altura príncipe regente, de 5 de Junho de 1810 foi concedida autorização ao Senado para explorar uma lotaria anual, em benefício das casas de piedade e beneficência. Refere: <Tendo tomado na minha real consideração as representações que fizestes subir à minha real presença, para que Eu me dignasse permitir, que nessa cidade de Macau se estabelecesse uma lotaria, a fim de que, do produto dela, pudessem ser convenientemente socorridos a casa e hospital de Misericórdia dessa cidade de Macau, casa d’ expostos, órfãos e outros semelhantes estabelecimentos pios e sendo os meus reais sentimentos sempre propensos a proteger a causa da humanidade, especialmente a benefício dos meus fieis vassalos; sou servido permitir, que se abra anualmente nessa cidade, de baixo da direcção do senado, uma lotaria à semelhança do que permiti se estabelecesse a favor da casa da misericórdia da cidade de Lisboa. E determino que o produto daquela lotaria haja de ser aplicado pelo senado, para manutenção e socorro daqueles pios estabelecimentos, deixando à descrição e prudência do mesmo sendo a repartição deste socorro, segundo a exigência das peculiares circunstâncias, em que se achar qualquer daqueles estabelecimentos. E sou outrossim servido, que na ordem destes socorros, que mando subministrar, a título da Casa Pia, sejam classificados os auxílios que muito recomendo se prestem às igrejas de Timor e Solor, para que sejam fornecidos de paramentos acessórios para a celebração do Culto Divino, enquanto não mando estabelecer por um modo permanente rendimentos destinados para a fábrica daquelas igrejas. Ordeno outrossim, que deste particular ramo de rendimento proveniente da lotaria, haja de fazer-se escrituração separada, e que, deduzido da receita e despesa o líquido resultante, hajam de se mencionarem as aplicações para que este se empregou; e de tudo vós dareis conta com a precisa exactidão e regularidade por este secretário de estado dos negócios da marinha e domínios ultramarinos. Escrita no palácio de Rio de Janeiro em 5 de Junho de 1810 – Príncipe – Para os juízes, vereadores e procurador do Leal Senado da Câmara da Cidade do Nome de Deus de Macau>. Segundo o Dr. José Caetano Soares, “Nunca o Senado utilizara a mercê, mas por mais de uma vez a cedeu à Misericórdia, o que já em 1833 levaria esta, em representação ao Governador da Índia D. Manuel de Portugal e Castro, a pedir para si a prerrogativa.”


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Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

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Os bambus pintados por Guan Daosheng

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HAO Mengfu (1254-1322) está entre os fundadores da chamada pintura dos letrados, existindo mesmo desde 2012, na sua cidade natal de Huzhou (Zhejiang), um Museu só a ele dedicado. Reverenciado como um dos maiores calígrafos e pintores apesar das suas circunstâncias complexas e por vezes contraditórias. Acusado de conservadorismo a crítica, no entanto, focou-se num suposto facto imperdoável da sua biografia. A sua alegada lealdade aos imperadores Mongóis que governaram a China a partir de 1279 suscitaria a reserva dos futuros críticos e historiadores da pintura para quem a deslealdade era um dos defeitos maiores que poderiam deitar a perder uma obra, por mais admirável. Gu Ningyuan (antes de 1585- depois de 1645) ao analisar as obras dos pintores da dinastia Yuan escreveu: «Só Zhao Mengfu se salientou brilhantemente competindo com os famosos mestres das dinastias Tang e Song. Era bastante ousado mas quando se tornou um alto funcionário terá no entanto percebido o seu grande engenho artístico como um embaraço.» Zhang Geng (1685-1760), por outro lado, escreveu: «Zhao Mengfu não respeitava a virtude da lealdade patriótica, de modo que a sua caligrafia e a sua pintura, apesar de toda a sua boniteza, ficaram irremediavelmente marcadas pela vulgaridade.» E no entanto, esse pintor famoso nomeadamente pela adopção do «espírito da antiguidade» (gu yi), afinal a tradição nacional,

estava muito próximo de alguém que ficaria na História da pintura por exaltar as virtudes da lealdade e do companheirismo. GuanDaosheng(1262-1319), por vezes apenas referida como a Senhora Guan (Guan Furen) casou com Zhao Mengfu em 1286, em Wuxing. Pintora como ele está envolta numa lenda da qual faz parte a pintura «Bosque de bambus à chuva entre nevoeiro» de 1308 que lhe é atribuída. É uma pintura onde se lê uma alusão às lágrimas das fiéis esposas do lendário imperador-sábio Shun do século 23 a. C., que empaparam os bambus das margens do rio Xiang (Hunan). Porém, a sua própria lenda derivará também de um poema com o qual resolveu a situação em que se encontrou quando o pintor, alto funcionário, pretendia seguir o costume de casar de novo com uma concubina. Intitulado Canção de Mim e Ti, traduzimos: «Eu e tu, tu e eu/ Tantos sentim entos/ Desses que/ Ardem como um fogo/ Nele cozemos um pedaço de barro/ Que moldámos numa figura de ti/ E numa figura de mim./ Então agarrámos nas duas/ E partimo-las em pedaços,/ E misturámos esses restos com água/ E moldámos de novo uma figura de ti/ E uma figura de mim./ Eu estou no teu barro,/ Tu estás no meu barro./ Na vida partilhamos uma colcha/ Na morte partilharemos um túmulo.» Diz-se que o poema foi deixado casualmente no quarto. Zhao Mengfu não casaria com mais ninguém mas a posteridade continuaria a questionar a sua lealdade.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 25

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Meu tão certo secretário Rita Taborda Duarte

Escritos ântumos, postumamente

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AS… onde ides? Assim tão lampeiro, ligeiro, com esse riso solto e casquinado, de quem segue adiante, sem lançar, para trás, sequer um olhar de remorsa despedida. Pois, vinde cá, meu tão certo secretário, de que foges? É do bico da pena, das cócegas inquietas, que te escusas, zombeteiro? Mas se já nem é com a pena que vos escrevo. E disso, sim, na verdade tenho pena. Vá, ouvide só, este manso martelar, sincopado, do computador: há tanto que perdesteis a pena leve do voar. Cansado de ser leito de lágrimas, com que os poetas sempre a pena desafogam os queixumes, querendo deixar cair as penas do lamentos, contornais a enfastiada pena do escrever e arriba, galgando, pondes-te à fresca, em busca de penas com que voar. Tendes razão! Quem não preferiria planar para outros mundos, em que nascer é cousa chocalheira e não o trânsito funéreo da materna sepultura para o surdo destino das sem razões. Sendo assim, vinde, meu secretário: vinde sem medos, que, de uma penada te tiro as penas: hoje acolhereis José Sesisnando, poeta da leveza, cujo pensamento sempre sobe aos mais altos lugares; escritor avesso a pesos e lamentos. José Sesinando Palla e Carmo, José Sesinando, só, para os leitores cúmplices de humores de galhardia, é um autor, poeta, brincador de línguas, o que lhe quiserdes chamar. É um escritor capaz de depenar a língua, a crítica, a própria linguagem e seus sentidos, para nosso gaúdio, que ali ficamos a admirar o ridículo do bicho, assim, a nu. Garanto-vos que, se penas houverdes, desta vez, será somente a pena não vos ser mostrado tudo o que esta «Obra Perfeitamente Incompleta», ora publicada pela «Tinta da China», na colecção humorística de Ricardo Araújo Pereira, com edição de Luísa Costa Gomes e Abel Barros Baptista, responsável pelo prefácio, que bem faz jus ao livro. No livro reúne-se a já esgotadíssima «Obra Ântuma», publicada, em 1986, pela «Edições Europa-América» e duas edições de autor: uma com 50 versões do «Soneto já Antigo», de Fernando Pessoa, e outra, composta por 65 variações sobre o poema «Autopsicografia». Nesta secção, aliás, o poeta passa a ser, à vez, um «roedor», um «pecador», um «pescador», um «cobertor», tão só um «senhor», ou um «péssimo actor», uma «estação», um «sabão» ou um «irmão», ou mesmo um malabarista, quando o pastiche vai além da sonoridade e ganha a liberdade acrobática que Sesinando lhe que quer emprestar.

A editora e, ainda bem, comete na edição a prudência da antítese, quase da paraprosdokian, bem explicada por Barros Baptista, no prefácio: E, assim, podemos louvar à «Tinta da China», finalmente, a publicação póstuma da obra ântuma de Sesinando. O livro, no seu conjunto, é um completo tratado de humor. A primeira parte, «Prolegómenos», inclui uma «Nótula de Abertura», do próprio Sesinando, «Pallavras Prévias», desta feita, da responsabilidade de José Palla e Carmo, além de uma «Advertência» e um «Prefácio», de Archimbaldo Th. Leonardes e a Leonardes Júnior, respectivamente. Este último, aliás, é bastante elucidativo quanto às qualidades de Sesinando: «Serei breve, mas indeciso. José Sesinando parece-me constituir um

Se queremos saber o que é a crítica, a poesia, a literatura e as tretas que as letras nos pregam, é ler, de lápis na mão, os escritos que nos deixou Sesinando e o seu heterónimo José Palla e Carmo ou vice versa

daqueles raríssimos casos, em Portugal, de autêntico génio.», remetendo de seguida para uma nota de rodapé corroborando a informação prestada: «Cf. Saraiva (não nos recordamos qual deles), O Génio em Portugal, desde as Origens até ao Século XII, Lisboa, sem data, p.9 e última.» A segunda parte da «Obra Ântuma», «O texto: Prosa» dá conta de verdadeiros tratados reflexivos sobre coisa nenhuma, mas em que se descasca a língua mesmo até ao caroço. Leia-se parte da «erudita comunicação», intitulada «To ser or not to estar», para se compreender, como na medula de um povo, está a sua própria língua: «[...] Com efeito, como nem toda a gente - muito pelo contrário- consegue ser, os outros devem contentar-se com estar. Nisto (...), a língua portuguesa serve bem o nosso condicionalismo, já que nas outras linguagens -- tais a teutónica, angla e a franca - o mesmo verso exprime as duas situações. Disso decorre que, nessas outras nações, quem está é, e quem é está. Quando alguém bate à porta, a pergunta que vem do interior soa-lhe não «Quem é?», mas sim «Quem está?». Ao telefone, não se pergunta estupidamente: «Está?» (ou «Está lá»); diz-se: «É?» (ou «É lá?», ou ainda, com inflexão caucionante, «Eh, lá». Por sua vez( e diga-se entre parênteses que estas investigações histórico-linguísticas são apaixonantes - e podemos dizê-lo sem qualquer pejo entre parênteses, já que não é por isso que nos caem os parênteses na lama), o uso do «É lá» em vez do está lá» motivou que, em vez da palavra e do conceito de raiz portuguesa estalagem ( está-lá-gem, que por sua vez era a contracção de está- lá-gente), se fala nessas outras áreas idiomáticas de elagem ( é-la-gem ou he-lá-gem, de é-la-gem, de é-lá-gem ou eh-lá, gente!). Nessas outras paragens, portanto, o estalajadeiro, ou melhor, o eladeiro, vai para a porta saudar as gentes passantes para as angariar como hóspedes; não vai estalá-las, como entre nós, mas sim éla-las - em francês héler, em inglês to hail, em alemão heilen, em brasileiro alô.» A «Obra Ântuma», além da prosa inclui outra secção, «Texto: Poesia», com poemas «inexperimentais», poéticas pastiches ou de desfrute jubiloso, jogos, esquemas, «palavras escruzadas». Não, meu certo secretário, não são escusadas nunca, que, como diz Abel Barros Baptista, no prefácio que introduz o livro: o leitor daqui «pode colher a lição máxima e muito compensadora, ao aprender que a razão

fundamental para compor escritos assim é a própria e também fundamental possibilidade de compor escritos assim: trata-se muito radicalmente de um exercício de liberdade.» A paródia com a língua é, então, uma necessidade, uma inevitabilidade, porque, lá está, a poesia e as suas palavras põem-se a jeito e toda a gente vê que estavam mesmo a pedi-las. Entre estas duas secções, existe um «interfácio», porque afinal esta obra é de poesia, de prosa, mas também, de teoria literária, crítica, análise linguística e textual, e mais o que se quiser que a língua consiga prever e conter, porque não há uso da linguagem que não esteja à partida armadilhado. De seguida, completa-se a obra com um posfácio e variadíssimos «A-Nexos», com testes, entrevistas, notas, opiniões da crítica, que constituem um relevante e fundamental paratexto, em torno da escrita de Sesinando e da complexidade da sua obra. Neste ponto fundamental, fica o leitor a saber algo sobre os «ascendentes literários portugueses de José Sesinando»: «Quanto a influências portuguesas, são visíveis as de Almada, Castelo Branco, Chaves.», além de considerações críticas acerca da sua obra: ««Cadência fortemente sugestiva, encadeamento complexo das imagens, autêntico sortilégio verbal, riqueza expressiva reveladora de uma vincada personalidade de creador -- nada disso, infelizmente, se encontra na obra de José Sesinando.»» Resumindo, se queremos saber o que é a crítica, a poesia, a literatura e as tretas que as letras nos pregam, é ler, de lápis na mão, os escritos que nos deixou Sesinando e o seu heterónimo José Palla e Carmo ou vice versa. Que dizeis, meu tão certo secretário? Vindes agradecer-me por não depositar aqui as consabidas e costumeiras penas do lamento? Que te sentis já com as penas do voar, pelos trechos de José Sesinando que vos fui confiando? Mas, que cenho é esse carregado com que me olhais? Que preferíeis que só aqui tivesse só alinhavado citações, sem que me pusesse eu, também, tão sem graça, com piscadelas de olho à chalaça e ao trocadilho. Olha, que quereis que vos diga… Pois temos pena.

José Sesinando, Obra Perfeitamente Incompleta, Lisboa, Tinta da China, 2018


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EXPOSIÇÃO | “PHOTO-METRAGENS” DE JOÃO MIGUEL BARROS Oficinas Navais nº1 | Até 02/06

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O FIM DA 1MARATONA

Mais de 100 milhões de eleitores podiam votar ontem, em oito regiões da Índia, na sétima e derradeira fase das eleições legislativas, que tiveram início em 11 de Abril, com o primeiro-ministro Narendra Modi como recandidato a novo mandato. Com cerca de 1,3 mil milhões de habitantes, 29 Estados e sete territórios, a maior democracia do mundo conclui um processo para o qual foram activadas um milhão de assembleias eleitorais

8 9 8 91 5 1 3 6 0 47 2 6 4 21 97 1 73 8 30 5 7 06 78 6 8 45 19 5 9 3 37 5 70 29 0 96 1 68 4 0 2 06 3 6 74 8 49 1 9 8 4 83 9 3 57 2 71 0 1 7 74 1 49 05 9 52 6 2 8 58 24 8 4 69 37 90 7 0 1 10 6 02 54 2 4 3 8 7 9 9 3 1 7 82 0 26 54 6

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SALA 1

POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] AVENGERS: ENDGAME [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 14.30, 16.30, 19.30

Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 18.30

POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] FRIEND ZONE [B] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 21.30

FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chayanop Boonprakob Com: Naphat Siangsomboon, Pimchanok Luevisadpaibul 14.30, 16.45, 21.30

SALA 2

SALA 3

Um filme de: Joe Pena Com: Mads Mikkelsen 14.30, 16.30, 21.45

Um filme de: Chris Addison Com: Anne Hathaway, Rebel Wilson 19.30

ARCTIC [B]

THE HUSTLE [B]

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8 7 0 4 2 6 1 8 3 25 2 71 7 3 94 9 80 8 6 4 5 6 8 4 7 9 0 2 64 36 93 9 8 72 57 05 0 1 1 8 0 7 5 4 6 1 9 3 2 3 1 2 5 9 7 6 0 1 7 0 6 4 8 9 5 2 3 9 8 3 1 5 4 2 7 9 19 1 02 50 35 83 8 64 76 7 1 9 6 0 2 5 4 8 4 23 45 38 51 87 16 79 60 9 0 46 4 89 08 70 27 2 51 5 3 32 9 2 0 1 64 8 45 7 5 0 7 26 2 1 35 3 8 4 9 0 3 7 9 8 6 5 1 8 1 42 30 2 0 5 9 6 7 8 4 1 3 0 2 9 5 31 53 5 6 9 0 24 72 7 8 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota 09 6 95 47 5 Colaboradores 78 3 8Amélia 2 Castro 8 Caeiro; 4 António 3 7Falcão;9Gisela0Casimiro; 6 Gonçalo 1 5Lobo Pinheiro; João Paulo 2 Cotrim; 5 José 0 Drummond; 6 4José3Navarro 7 de 9 2 1Vieira;2António Cabrita; António Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 5 2 60 74 0 Fonseca; 4 1Valério3Romão8Colunistas 9 António Conceição 7 Júnior; 9 David 5 Morbey; 3 Jorge 2 Rodrigues 4 Simão; Olavo Rasquinho; 6 7 Paul 9 Chan 8 Wai3Chi; Paula 0 Bicho; 1 4 10 Chan; 61 João 86Romão; 58 Jorge Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 71 8www. 1 9 3 de2redacção 4 2 5 7 1 8 3 6 0 4 e0 65 6 3 53 5 48 24 12 61 6 97 09 0 Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de

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6 1 FILME 47 53 7 HOJE 39 8 9 UM 2 3 4 1 6

com consequências letais. Apesar deste género de filme não ser dado a elaborados argumentos, “Halloween” ganhou um lugar na cultura pop e tornou-se filme de9culto 7 aos 2 movimentos 6 51 0 18 4 7 3graças de câmara de Carpenter que ilusdo 9 assassino. 6 a5pespectiva 89 13 3 20 7 0 5tram “Halloween” é uma das pedras 45 08do5 edifício 8 76fílmico 92 63 2 3 0basilares slasher. João Luz

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hojemacau. com.mo

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PROBLEMA 2

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2 0 2 3 9 4 5 1 7 6 8 Há80 91 0 14 2 43 65 3 5 mais de 40 anos, John Carpenter 6Michael 7 6apresentava 5 8 ao 3 mundo 02 9 2 1 Myers, um homicida 2 em 27série 8 que 79 ataca 61 9na 1noite43 05 3 de Halloween. Inspirado em Hi-2 69 8 3 4“Psycho”, 3 4 1o 5clássico 07 5 de76 tchcock, “Halloween” é um franchise 96 0 cinematográfico 6 2 1 8que57 4 7 já vai em 11 longas-metragens. 4 63filme 91 é3 12 0 7A5narrativa 8 7 8do6primeiro básica, mas pioneira para filmes 37 9Um 7doente 25 0 4 5 4 3do1género. 2 8 mental com tendências para violência extrema 42 5evade-se 20 3de6um 0hospício 6 7 8 9

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Por descargo de consciência, por dever cívico, ou por qualquer outra razão que cada vez percebo menos, face à imundice da política portuguesa, faço questão de votar. Já votei em candidatos/partidos que ganharam, outros que perderam, votei em branco, muitas vezes, e até já tive a tentação, nunca concretizada, de deixar umas obscenidades no boletim de voto. No entanto, desta vez fiquei na dúvida sobre se estando em Macau tinha o direito de votar para as eleições europeias. Até à passada quinta-feira não havia qualquer informação acessível no portal do Consulado de Portugal nem mesmo na página do Facebook sobre o assunto. Compreendo que os recursos sejam limitados, que a visita do Presidente da República tenha exigido um trabalho do outro mundo para todos os trabalhadores, que todos sabemos as condições difíceis que enfrentam. Mesmo assim, considero que este tipo de situações tem de ser melhor acautelado no futuro. Não faz sentido o silêncio que houve em volta da questão nem que só a 10 dias da votação8 é que 3se publicitem 9 2 5as condições 4 1 7 em que os votos poderão decorrer. Como cidadão4tinha1a esperança que o 7 0 6 8assunto 2 3 fosse publicitado com antecedência. Houve alterações no registo do local para voto 0 5 1 3 7 9 6e4 ao que parece o cartão de eleitor já nem é necessário. 6 Gostava 8 4 que9 tivesse 2 5havido 3o1 cuidado de explicar estas situações com tempo...2Mas9o mal 8nem4é de1agora 0 e nem 7 6 sempre é do Consulado. Já em 2014, nas 7 quantos 0 5 de6nós 3não ficamos 2 4 à8 legislativas, espera em vão dos boletins de voto? Eu ainda 3 à espera.... 6 2 Se8ao menos 0 1tivessem 9 5 hoje estou todos estes “cuidados” quando chega a 0 impostos. 5 9 Em 3 2014, 8 2 altura de1nos7cobrar quando me registei no consulado, acho que 3 a carta 7 da8“Autoridade 6 0 9 em cinco5dias4recebi Tributária” para escolher um representante 9 Portugal... 2 6 São 1 as4 prioridades 7 5 0 fiscal em democráticas.... João Santos Filipe

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 1

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S U D O K U

EXPOSIÇÃO | DESENHOS DA RENASCENÇA MAM | Até 30/06

ARCTIC

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PRIORIDADES “DEMOCRÁTICAS”

EXPOSIÇÃO | “100TH ANNIVERSARY OF THE MAY FOURTH MOVEMENT IN CHINA” IFT

C I N E M A

YUAN

VIDA DE CÃO

EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM

Cineteatro

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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 27

segunda-feira 20.5.2019

reencarnações JOÃO LUZ

FRANCIS BACON, PAINTING 1964

A

correr pelas ruas e a chegar aos joelhos, como sonhava Jim, profeta e guardião das portas da percepção abertas a chuto de rock ‘n’ roll. Hemoglobina, plaquetas e glóbulos a inundarem as calçadas do Cotai, a agigantar vermelho fluvial no campo de visão, a crescer para além das barreiras vasculares da cidade, a coagular discursos harmoniosos de sonhos dourados de paz e felicidade. Este fim-de-semana, o Cotai, esse paraíso terreno, transformou-se num episódio do “Halloween”, com um Michael Myers trajado a Gucci foleiro a distribuir facadas como um talhante em speed. Poupem-me à ladainha dos casos isolados, ok? No início deste mês, conhecemos detalhes sobre mais um caso de filme de terror no quarto de uma pensão, a escassos metros de onde trabalhamos, do local onde rimos, gritamos e escrevemos até os dedos ficarem dormentes. Enquanto trocávamos piadas, um homem era torturado e espancado até à morte. Não quero alimentar alarmismos, sempre me senti seguro em Macau, uma cidade incomparavelmente mais pacífica que Lisboa, por exemplo. Mas o discurso da harmonia, unicórnios, nuvens cor-de-rosa e violência que não contagia e que fica estanque no garrote geográfico dos casinos não pode continuar. As pessoas não são assim tão parvas. A dissonância cognitiva e comunicativa não resulta, só atrapalha. É preciso assumir esta realidade, é essencial encarar o problema enquanto tal, como fruto maduro da irreal inundação de pessoas que chega a Macau para jogar. É também fundamental ser adulto o suficiente para reconhecer o que é o jogo, compreender a sua natureza e assumir aquilo que sempre foi: terreno fértil para o crime germinar e florescer. Desde tempos imemoriais. Entretanto, harmonia veio apaziguar as hostes e falou aos meninos e às meninas na linguagem ancestral da alucinação securitária, justificando o aumento dos crimes violentos em Macau com o desmantelamento de uma rede crime organizado. Orwelliano elevado ao quadrado, o equivalente a dizer que os casos de gripe aumentaram devido à prescrição de aspirina. De onde vem esta sede por agressão, este desejo de esventrar, de ceifar vida como quem colhe cereal? Que vírus ancestral infecta os nossos genes ao ponto de nos amedrontar e nos reduzir ao papel de bestas de brutalidade e selvajaria? Esta é a nossa natureza, por mais que enchamos a pança de clássicos, erudição e optimismo. O homicídio é a chave que nos descodifica. O sangue é a vida, já dizia o outro, é tesão, irascibilidade, rubor que dá cor à lascívia, o

Sangue

indizível. É maré de intumescimento a rebentar termómetros, vida a sangrar de ventres férteis, veículo para hormonas e nutrientes do mundo à mais ínfima célula. Seiva nossa que nunca estanca, que não conhece leis, ditames morais, conceitos de decência ou equilíbrio. Corre enquanto pode, enquanto vive, férrea e implacável como uma espada líquida. O sangue acelera perseguido pelo desespero, pelas palpitações que traduzem situa-

“Este fim-de-semana, o Cotai transformou-se num episódio do “Halloween”, com um Michael Myers trajado a Gucci foleiro a distribuir facadas como um talhante em speed. Poupem-me à ladainha dos casos isolados, ok?

ções extremas em violência. O sangue corre nas ruas porque somos humanos, porque nos matamos e agredimos naturalmente, como uma função biológica. Batendo recordes de redundância, diria que nos está no sangue. Perder tudo num golpe de azar parece combustível mais que lógico para fazê-lo correr desvairado. Apoiar uma sociedade numa única actividade que é adubo para a violência faz o sangue galgar tudo o que é sólido e decente. Ondas vermelhas a embater nos edifícios, pintando de rubro todas as Hello Kitties da cidade, manchando na sombra a concórdia, fraternidade e todos os lugares-comuns incompatíveis com a realidade. Da bizarra equação entre a harmonia que brota da boca dos políticos e o sangue que corre nas ruas, resulta algo semelhante à tomada de consciência de Dorothy a caminho da Terra de Oz: “Toto, I’ve a feeling we’re not in Kansas anymore.” Palavras sábias para quem vive num mundo de fantasia.


Somos limitados por tudo o que não sentimos.

Natalie Clifford Barney

PALAVRA DO DIA

segunda-feira 20.5.2019

EXMOO

Sinais dos tempos Trump defende proibição do aborto excepto em caso de violação ou incesto

Liga chinesa Shanghai SIPG vence e mantém perseguição ao líder

O campeão Shanghai SIPG, do treinador português Vitor Pereira, venceu sexta-feira por 1-0 em casa do Henan Jianye, para a 10.ª jornada do campeonato chinês de futebol, e manteve a perseguição ao líder Beijing Guoan. O Shanghai SIPG, que com o ex-portista Vítor Pereira se sagrou pela primeira vez campeão na época passada, quebrando a hegemonia do heptacampeão Guangzhou Evergrande, conquistou os três pontos com um golo do brasileiro Elkeson, aos 33 minutos. A equipa liderada por Vitor Pereira segue na segunda posição do campeonato chinês, com 25 pontos, a dois do líder invicto Beijing Guo

SUÍÇA | REFERENDO COMPRAR ARMAS É MAIS DIFÍCIL

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S suíços aprovaram ontem em referendo uma medida que restringe a compra de armas no país, em sintonia com a legislação anti-terrorista praticada nos países da Zona Schengen da União Europeia. De acordo com as primeiras projecções do instituto de sondagens gfs.bern, divulgadas pela rádio pública RTS às 12:45 locais, o “sim” ganhou com 67% do total de votos (há perto de três pontos de margem de erro), apesar das objecções dos proprietários de armas que cumprem as leis em vigor. Segundo a emissora pública da Suíça, as primeiras projecções mostram que “uma sólida maioria” em todo o país votou a favor de que a Suíça se sintonizasse com a directiva da União Europeia sobre armas de fogo adoptada em 2017. Aproposta suíça exigia, contudo, o treino regular de uso de armas de fogo, a renúncia especial à posse de algumas armas semi-automáticas e a numeração em série de grande parte de algumas armas para ajudar a que pudessem ser rastreadas. A Suíça não é um país membro da União Europeia, mas pertence à Zona Schengen, área em que os cidadãos podem circular sem terem necessidade de ter vistos.

O

Presidente norte-americano declarou-se “profundamente pró-vida”, mas admitiu ser favorável a excepções à proibição do aborto em caso de violação ou incesto, uma posição menos restritiva do que a legislação aprovada esta semana no Alabama. “Como a maioria das pessoas sabem, e para as que querem saber, sou fortemente pró-vida, com três excepções - violação, incesto e protecção da vida da mãe – a mesma posição adotada por Ronald Reagan”, escreveu Donald Trump no Twitter na noite de sábado. A mensagem de Trump surge poucos dias após o Alabama ter aprovado, na terça-feira, uma lei que proíbe o aborto em todas as situações, excepto em caso de perigo de morte da mãe, tornando-a a mais restritiva nos EUA. Na sexta-feira foi a vez de o Missouri aprovar uma lei para impedir o aborto após oito semanas de gravidez, mas que também a proíbe depois de o feto se desenvolver ao ponto de já poder sentir dor.

O Alabama e o Missouri juntam-se a seis outros Estados que têm vindo a fazer um caminho no sentido de limitar seriamente o direito ao aborto, previsto na Constituição dos EUA: Arkansas, Kentucky, Mississipi, Dakota do Norte, Ohio e Georgia. Todos estes Estados são controlados politicamente pelos Republicanos, mas também em Estados dominados pelos Democratas começam a surgir movimentos que têm convencido legisladores mais conservadores a apresentar sistemática e insistentemente leis que combatem o direito ao aborto, como é o caso de Nova Iorque e do Illinois.

TEMA CENTRAL

A questão da interrupção voluntária da gravidez deverá estar no centro da próxima corrida presidencial norte-americana, em 2020. Por detrás da actual tendência antiaborto nos EUA estão movimentos cívicos ligados a organizações religiosas cristãs, de inspiração ultraconservadora, que é igualmente uma das

mais importantes bases de apoio eleitoral de Donald Trump (têm sido generosos financiadores da campanha de reeleição do Presidente). O objectivo destes movimentos é ameaçar a decisão do Supremo Tribunal que legalizou o aborto em todo o território em 1973, através de uma sentença que fez jurisprudência, conhecida como o caso Roe vs. Wade. A sentença determinou que as mulheres têm um direito constitucional a terminar a gravidez antes de um feto poder sobreviver fora do útero, um período estimado em cerca de 24 semanas de gestação. Os activistas pró-vida acreditam que esse direito pode ser limitado por leis estaduais que criem constrangimentos e que, no limite, possam levar o Supremo Tribunal a rever a jurisprudência criada pelo caso Roe vs Wade. A probabilidade de tal acontecer aumentou fortemente com as escolhas que Donald Trump tem feito para o Supremo Tribunal, nomeando juízes conservadores e com posições abertamente anti-aborto.

Património Mario Ho pode ser investigado devido a inscrições

Depois do extravagante pedido de casamento de Mario Ho, filho de Stanley Ho e Angela Leong, o filho do magnata e da deputada pode estar em sarilhos por ter feito uma inscrição numa parede da Travessa da Paixão, nas traseiras das Ruínas de São Paulo. Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, referiu à comunicação social que a mensagem pode ser investigada por ter sido feita numa zona protegida como património mundial da humanidade da UNESCO. A mensagem de Mario Ho, dirigida à namorada, agora noiva, perguntava se havia hipóteses de ficaram juntos, com as opções “sim” e “não” assinaláveis com cruz. O acto pode vir a ter consequências uma vez que Helena de Senna Fernandes referiu que a Direcção dos Serviços de Turismo vai analisar se existe matéria digna para investigação que apure se foram violadas leis. Além disso, a inscrição na parede foi feita durante uma produção audiovisual para a qual não foi pedida autorização.

Filipinas Moeda ao ar decidiu vencedor de eleições locais

O Alabama e o Missouri juntam-se a seis outros Estados que têm vindo a fazer um caminho no sentido de limitar seriamente o direito ao aborto, previsto na Constituição dos EUA: Arkansas, Kentucky, Mississipi, Dakota do Norte, Ohio e Georgia

O método de moeda ao ar decidiu sexta-feira a escolha do presidente da câmara de Araceli, na região ocidental das Filipinas, após o empate registado na votação de segunda-feira nas eleições autárquicas, noticiou a Associated Press. A sortuda foi Sue Cadilla, que na segunda-feira obteve 3.495 votos, os mesmos que o seu adversário, Neol Beronio. O vencedor da votação foi encontrado após três lançamentos de uma moeda ao ar, para prevenir a repetição do empate. Os dois candidatos acordaram em desempatar o resultado desta forma, que foi também aceite pelas autoridades. O mesmo método de desempate foi utilizado em 2016, também numa eleição nas Filipinas, disse à Associated Press um representante da comissão eleitoral, Luie Tito Guia.


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Hoje Macau 20 MAI 2019 # 4291 by Jornal Hoje Macau - Issuu