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Hoje Macau 20 MAI 2011 #2372

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 20 DE MAIO DE 2011 • ANO X • Nº 2372

TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 24 MAX 30 HUMIDADE 60-95% • CÂMBIOS EURO 11.4 BAHT 0.26 YUAN 1.2

• CAMILO PESSANHA E A CRISE DE PORTUGAL • A ENTREVISTA COM FERNANDO RIBEIRO, DOS MOONSPELL

h

OPINIÃO

IIPM, CCAC E O QUE SOBRA • PÁGINA 17

Pereira Coutinho

HABITAÇÃO É MESMO ECONÓMICA? • PÁGINA 19

Deputados sem senso nem consenso A juntar-se à possibilidade de revenda em mercado privado ou em regime fechado, vem agora a hipótese de ser o próprio Executivo a decidir se quer ou não comprar a fracção económica após o prazo de inalienabilidade. Em análise desde Fevereiro, a proposta de lei sobre a construção e venda da habitação económica tem ainda muitas alíneas sem consenso. E talvez outras sem senso. > PÁGINA 6

Coutinho interpela IPM

Ai Weiwei une artistas de HK

Já não dá para ter calma. O deputado quer saber como vai o governo reagir ao relatório do CCAC sobre o Instituto Politécnico de Macau. Para ele, não basta sabermos que o secretário Cheong U vai seguir o processo. É preciso é saber que processo é esse. >Página 7

É assim ali ao lado. Adetenção de Ai Weiwei não apenas motivou um movimento de solidariedade como uniu os artistas de Hong Kong. Agora eles sabem. Agora eles sentem. Sozinhos estão à mercê dos abusos das autoridades. Juntos também, mas é diferente. >Página 12

ESPECIAL

Carlos Morais José

Os dilemas da habitação económica

SICHUAN

Pandas

O HOJE MACAU VISITOU OS PAIS DE HOI HOI E SAM SAM • PÁGINAS 4 E 5


SEXTA-FEIRA 20.5.2011 www.hojemacau.com.mo

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ACTUAL

Chefe de Exército | China não é ameaça, venda de armas a Taiwan pode complicar

“O mundo não precisa de se preocupar” Joana Freitas*

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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HEN Bingde, general Chefe de Estado-Maior do Exército de Libertação chinês, rejeitou na quarta-feira as crescentes preocupações norte-americanas sobre a formação de militares da China, assegurando ao Pentágono que o exército “não era uma ameaça”. “O mundo não precisa se preocupar, e muito menos ter medo do crescimento da China”, disse Chen Bingde, num discurso frente a oficiais militares dos EUA e ao corpo docente da Universidade de Defesa Nacional, naquela que é a primeira visita de um chefe do exército chinês aos EUA desde há sete anos.

Chen Bingde minimizou os avanços militares da China dizendo que “estes estariam desfasados face em pelo menos 20 anos comparativamente com as nações desenvolvidas do Ocidente”. “Para ser honesto, eu

sinto-me muito triste depois de visitar os Estados Unidos, porque eu penso, sinto e sei, quão pobres são os nossos equipamentos e como continuamos subdesenvolvidos”, disse o general. No entanto, sem esquecer as recentes notícias que

davam conta de uma nova remessa de armas que poderiam eventualmente ser vendidas pelos EUA a Taiwan, Chen Bindge fez questão de alertar que novas vendas de armas de Washington a Taiwan ameaçariam as relações militares bilaterais

que os dois países estão a desenvolver. No início do ano passado, Pequim suspendeu as relações militares com os Estados Unidos, depois de Washington ter anunciado a venda de armas a Taiwan. Os contactos bilaterais estiveram interrompidos até Dezembro. Na quarta-feira, questionado sobre se o eventual fornecimento de caças F-16 pedidos por Taiwan, Chen Bingde foi peremptório: “A minha resposta é afirmativa, isso terá impacto. Quanto a saber que consequência teria, isso dependerá da natureza das armas vendidas a Taiwan”. “Uma vez que [a ilha de Taiwan] faz parte integrante da China, porque razão os Estados Unidos lhes venderiam armas para garantir a

DEMISSÃO DE STRASS-KAHN LEVA ECONOMIAS EMERGENTES A QUEREREM POSIÇÃO NO FMI

Os candidatos chineses D

OMINIQUE Strauss-Khan apresentou a demissão ontem, depois de ter sido detido há sete dias acusado de agressão sexual. Dois dias depois da nomeação temporária do número dois do FMI, John Lipsky, para dirigir interina e provisoriamente a entidade, começou a especulação sobre um eventual candidato chinês ao lugar de director do FMI. Na quarta-feira, a Associated Press avançou com a notícia de que Zhu Min, um conselheiro especial de Dominique Strauss-Kahn no FMI e economista chinês, é um dos potenciais candidatos para o cargo. Zhu Min assumiu a posição no FMI em Maio do ano passado, depois de deixar para trás seis anos no Banco Mundial e o lugar de vice-governador do Banco Central da China. O ministro das Finanças do Brasil, Guido Mantega, defendeu que a sucessão à frente da organização internacional deve ser “baseada no mérito” e que “devem ser considerados os candidatos dos países emergentes”.

Também a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu, apelou a um processo de substituição “justo e transparente” com o objectivo de “encontrar a melhor pessoa para o cargo”. No mesmo sentido, o ex-governador do Banco do Canadá, David Dodge, considerou que “seria bom que fosse alguém que tivesse ligações profundas a um dos principais países dos mercados emergentes”. Segundo a tradição, um europeu preside ao FMI, enquanto os Estados Unidos sugerem o líder do Banco Mundial. Mas as vozes nas economias emergentes já se fizeram ouvir e pesam devido à sua força na economia mundial. “A história de ser a Europa a presidir o FMI pode ser quebrada neste momento, dadas as várias razões fortes: o chefe do FMI, geralmente não é promovido internamente, a suposta agressão sexual seguida de prisão aconteceu de repente, e as vozes dos mercados emergentes tornaram-se mais altas nos últimos anos”, defendeu Guo Tianyong, economista e director do Centro de Pesquisa da Indústria

Bancária da China na Universidade Central de Finanças e Economia. Mas, segundo o académico, se a China ganhasse a nomeação, o candidato devidamente qualificado seria Zhou Xiaochuan, governador do banco central, “que possui perspectiva internacional e tem boa proficiência em inglês”. No entanto, a Europa não quer abrir mão da chefia do FMI, que assume desde a criação da instituição após o fim da Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo que o Banco Mundial é encabeçado por um americano - actualmente é Robert Zoellic -, numa espécie de acordo tácito que nunca foi violado. A chanceler alemã, Angela Merkel, respondeu à pressão das economias emergentes para acabar com este entendimento, que consideram não reflectir o seu crescente peso na economia internacional, sublinhando haver “boas razões” para a Europa manter o lugar à frente do FMI, tendo em conta a situação crítica que atravessam os países da zona euro, como a Grécia, Irlanda e Portugal.

Também o ministro das Finanças belga, Didier Reynders, disse que a Europa e os EUA devem manter o entendimento de dividir a liderança do FMI e do Banco Mundial: “seria preferível se continuássemos a manter esses postos no futuro”. Apesar de considerar a discussão prematura, a ministra das Finanças de Espanha, Elena Salgado, defendeu a continuidade do ‘velho continente’ na liderança do FMI, referindo que “a Europa tem todo o direito de manter a direcção do fundo, uma vez que é o maior contribuinte”. Strauss-Khan foi antecedido por um espanhol (Rodrigo Rato), um alemão (Horst Kohler) e um francês (Michel Camdessus). Entretanto, começaram a circular uma série de potenciais substitutos, entre eles a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, o ex-primeiro ministro britânico, Gordon Brown, que já presidiu ao Comité Monetário e Financeiro Internacional, o principal órgão executivo do FMI e

sua segurança?”, questionou ainda o responsável. Washington esticou o tapete vermelho nesta visita de altos representantes militares chineses na esperança de desenvolver relações de confiança e um canal de comunicação fiável entre os dois países, em caso de crise, depois de um ano de 2010 conturbado. O almirante norte-americano Mike Mullen, chefe das forças armadas dos EUA, ressalvou a importância de um diálogo renovado para minimizar o risco da incompreensão. “O que ambos queremos e falamos é um futuro de paz e melhor para nossos filhos e netos. Isso não inclui um conflito entre a China e os Estados Unidos “, disse Mullen aos jornalistas. * com agências

o ex-presidente do Bundesbank, Axel Weber. Entre os potenciais candidatos de um país emergente, posicionam-se o ex-ministro da Economia turco, Kemal Dervis, o governador do banco central mexicano, Agustín Carstens, e o ex ministro das Finanças da África do Sul Trevor Manuel. Os países em desenvolvimento têm passado anos a tentar reformar o sistema de votação do FMI. Em Dezembro de 2010, os 187 Estados-Membros adoptaram um conjunto de reformas direito de voto que vão duplicar a quotas e levar a um quadro totalmente eleito executivo. Enquanto o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já tinha sugerido em entrevista à BBC que o FMI deveria procurar o seu próximo chefe fora da Europa e dos EUA, Li Daokui, um assessor do comité do banco central chinês de política monetária, concordou que as hipóteses de um europeu para a posição são mas assegura que um candidato chinês não é a melhor escolha para o país. “Eu acho que o talento de um país neutro e pequeno concordaria mais com os interesses do mundo, incluindo a China, porque os grandes países como a Índia e o Brasil têm muitos interesses nacionais”, disse à Reuteurs. - J.F.


A RAEM prepara-se para subsidiar em larga escala os futuros ganhos dos proprietários destes imóveis e para financiar uma nova geração de especuladores, que terão aqui a oportunidade de fazerem o negócio das suas vidas, comprando muito barato e vendendo muito caro, tudo a expensas do erário público. Pereira Coutinho P.19

A

China desvalorizou a anunciada reforma política do Dalai Lama, reafirmando que o auto-denominado Governo tibetano no exílio “é uma organização ilegal” que “ninguém na comunidade internacional reconhece”. “Não sei qual é a autoridade política que ele realmente tem. Desde que fugiu da China, em 1959, o Dalai Lama nunca fez nada de bom para o povo tibetano (…) Tudo o que tem feito visa restaurar o sistema feudal”, disse o presidente do governo da Região Autónoma do Tibete, Baimachilin, sobre a decisão do Dalai Dama em abandonar a chefia do governo tibetano no exílio. Há três semanas, o Dalai Lama foi substituído por Lobsang Sangay, um académico de 43 anos formado nos Estados Unidos, mantendo apenas o estatuto de guia espiritual. Questionado sobre o sucessor do Dalai Lama, Baimachilin respondeu: “Sucessor de quem e de quê? Eu sou o oitavo presidente do governo da Região Autónoma do Tibete, que é o único governo do Tibete e o legítimo representante do povo tibetano”. Numa conferência de imprensa em Pequim, o mesmo responsável

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PRESIDENTE DO GOVERNO DO TIBETE DESVALORIZA REFORMA POLÍTICA DE DALAI LAMA

“Nunca fez nada de bom” afirmou que “não interessa muito se o Dalai Lama se reformou ou não”, comparando os efeitos da sua decisão a “ondas numa piscina”. O Tibete, um território 13 vezes maior que Portugal e com apenas três milhões de habitantes, é uma das cinco regiões autónomas da República Popular da China. Galardoado em 1989 com o Prémio Nobel da Paz, o Dalai Lama exilou-se na vizinha Índia há mais de meio século, após uma frustrada rebelião contra o governo chinês. Sobre a possibilidade do Dalai Lama poder voltar agora ao Tibete, Baimachilin disse que “a porta continua aberta”, mas entretanto o exilado líder espiritual dos tibetanos “tem de abandonar as actividades separatistas e reconhecer que o Tibete é uma parte inalienável da China e que Taiwan é uma província da China”. “Ele ainda não satisfez esse critérios”, acrescentou.

Sobre os encontros já realizados entre representantes do governo central chinês e emissários do Dalai Lama, Baimachilian salientou que “o diálogo é com pessoas próximas do Dalai Lama” e não com o governo tibetano no exílio. O exército vermelho entrou no Tibete há 60 anos, num episódio descrito na história oficial como “libertação pacífica” do território – ou “uma invasão”, segundo os partidários do Dalai Lama. Baimachilin disse que o Dalai Lama, que tinha então 16 anos, concordou com a decisão do governo central e negou que ele tenha sido “forçado” a assinar o acordo de 1951, que consagra a integração do Tibete na República Popular da China. Antes – salientou o responsável – o Tibete era “uma teocracia feudal”, com o sistema educativo “monopolizado” pelos templos e 95% de analfabetos.

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ANÚNCIO

ANÚNCIO

【N.º 27/2011】

N.º 32/2011 Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes do agregado familiar da lista de candidatos a habitação social abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Nome MOU WAI KUN LAM IAT KONG

N.º do Boletim de candidatura 5001659 5017146

Após as verificações deste Instituto, notamos que os elementos do agregado familiar de candidato a habitação social acima mencionados são proprietários de fracções autónomas na Região Administrativa Especial de Macau, desde o termo do prazo para entrega do boletim de candidatura até à data de assinatura do contrato de arrendamento com este Instituto, pelo que não reúnem os requisitos exigidos para a candidatura, nos termos da alínea 2) do n.º 4 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 25/2009. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 11 de Abril de 2011, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelo facto acima referido no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, entretanto não o fizeram. Nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do Regulamento da Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, assim como do despacho do Presidente do Instituto, exarado na Informação n.º 0695/DAHP/DAH/2011, as respectivas candidaturas foram excluídas da lista geral de espera. E nos termos dos artigos 148.º e 149.º e n.º 2) do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, podem reclamar da respectiva decisão administrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 15 (quinze) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, a reclamação não tem efeito suspensivo; ou podem apresentar directamente recurso judicial ao Tribunal Administrativo, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, nos termos do artigo 25.º do Código de Procedimento Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro.

O Presidente,

Tam Kuong Man 13 de Maio de 2011

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes do agregado familiar da lista de candidatos a habitação social abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Nome U CHEOK KIN LOU IN HA IENG UT HA

N.º do boletim de candidatura 5016905 5018500 5021079

LEI WAN LONG CHAN SI HAO WONG WAI KEONG CHIO KAM LENG CHEANG MAO LON CHE CHONG IOK

5021427 5007791 5011192 5017246 5018955 5018997

Nome AO IEONG IAO KUN LAM CHENG MAN CHAN KAM SANG WONG POU CHENG ALIAS WONG PO CHAIN WONG KUN HONG DA SILVA, INACIO CHONG KENG KONG CHAN SEAK KAO WONG SIN NGA

N.º do boletim de candidatura 5021750 5020772 5002036 5000171 5019492 5012221 5007626 5006211 5002245

De acordo com o n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, para nova verificação, se os candidatos preenchem os requisitos de candidatura ao arrendamento de habitação social, o Instituto de Habitação (IH) informou-os por meio de ofício, para que sejam entregue os documentos indicados no prazo fixado, mas os interessados acima referidos não entregaram os documentos dentro do prazo fixado, pelo que não reúnem nos termos do n.º 3 do artigo 9.º do mesmo regulamento. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, devem apresentar, por escrito, as suas contestações e todas as provas testemunhais, materiais, documentais ou as demais provas, no prazo de 10 (dez) dias, a contar da data de publicação do presente anúncio. Caso não apresentarem a contestação no prazo fixado ou os mesmos não forem aceite pelo IH, as respectivas candidaturas serão excluídas da lista geral de espera por IH, nos termos da alínea 1) do artigo 11.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe Executivo n.º 296/2009. No caso de dúvidas, poderão dirigir-se ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102. Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente, ou contactar o Sra. Si, através o tel. n.º 2859 4875 (ext. 226), para consulta do processo.

O Presidente, Tam Kuong Man 13 de Maio de 2011


4 O Hoje Macau foi visitar a família de Hoi Hoi e Sam Sam, a cerca de 15 quilómetros de Chengdu, em Sichuan. O santuário dos pandas alberga agora 60 animais, entre os quais o pai e os irmãos do casal mais famoso da RAEM

SICHUAN

Chengdu | Maior cativeiro de pandas do mundo

Papás mandam cumprimentos VANESSA AMARO

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ESPECIAL

SEXTA-FEIRA 20.5.2011

Vanessa Amaro, em Sichuan vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

O

céu é negro, o ar quase irrespirável. Os olhos e a pele estão constantemente irritados. Mas a cerca de 15 quilómetros da cidade de Chengdu, capital de Sichuan, o panorama é completamente diferente. É lá que vive a maior família de pandas em cativeiro do mundo, numa área de 105 hectares coberta por bambus e pássaros exóticos a completar o cenário. Foi da Base de Pesquisa e Conservação dos Pandas Gigantes de Chengdu que saíram Hoi Hoi e Sam Sam – ou Kai Kai e Xin Xin como ainda são conhecidos na sua terra natal - o casal oferecido por Hu Jintao, presidente chinês, e que Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça, foi pessoalmente escolher. Entre os mais de 60 pandas do parque, está Ping Ping, um urso robusto de 14 anos (ou 42 anos na idade pândica) que está calmamente a tomar o pequeno-almoço de cinco quilos de bambu. Esse é o pai de Xin Xin. Nada, no entanto, lhe atrapalha a refeição. Ping Ping nem sequer vira-se para a pequena multidão que aglomera-se em frente ao seu lar. A mãe dos pandas de Macau já cá não está, assim como outros 38 animais que foram distribuídos em jardins zoológicos mundo a fora. A Base dos Pandas de Chengdu foi estabelecida em 1987, depois das autoridades chineses terem-se dado conta que os ursos estavam a desaparecer a velocidade da luz. Seis animais foram transferidos para o cativeiro, originando agora a grande família pândica. Não há notícias de que nenhum tenha sido libertado no seu habitat natural. A explicação, segundo Zhang Dan, tratadora do parque, é a dificulda-

de de sobrevivência dos pandas. Soltos na natureza chegam apenas aos 20 anos, em vez da média de 30 do cativeiro. “É um animal muito sensível e territorial. Encontrar comida no ambiente deles não é uma tarefa fácil, por isso constantemente envolvem-se em lutas entre si que até pode levá-los à morte”, explica a especialista.

LOUCURA

Afinal, por que é que um animal preguiçoso, de certa forma antipático (só dá o ar de sua graça por duas horas diárias no máximo) e comilão tem causado tanto loucura em Macau ou nos zoológicos onde chegam? “São fofos”, palpita Zhang Dan. Na verdade, há muito por detrás do mito dos pandas. Na década de 1970, mais de 130 pandas morreram à fome numa

única assentada em Sichuan, devido à escassez de bambu. A cada 25 anos, o principal alimento dos ursos flore para a seguir morrer. De acordo com esse ciclo, os animais devem mudar-se para outra zona, em que os bambus ainda estejam a meio da sua vida. Mas a desflorestação das montanhas da província central da China não deu grande hipótese de sobrevivência aos pandas. Foi então que o Governo chinês desenvolveu um plano que, ao longo da década de 1980, implementou 11 reservas para a conservação da raça, através de programas de fertilização assistida. Foram também criadas leis que proíbem a caça ou a desflorestação em sítios onde há famílias de pandas. Para os incumpridores, a pena de pode ser a sentença. Guardas florestais

ganham um bónus que equivale ao dobro do seu salário anual caso resgatem um panda em condições precárias. Nessa mesma altura, começou o mito pândico. O animal recebeu o título – pode-se dizer equivalente a um Honoris causa – de “tesouro nacional”. Uma variedade inimaginável de souvenirs – de cigarros a sofás - foi criada e começou a loucura pelo animal.

DAMAS COMPLICADAS

Nos cinco conjuntos montanhosos que albergam os pandas, entre as províncias de Sichuan, Shaanxi e Gansu, apenas mil correm livremente entre as florestas de bambu. A principal ameaça ao seu crescimento, na verdade, revelou-se uma questão interna. Os animais sentem vontade de

acasalar apenas entre Março e Maio e os esforços de que a procriação aconteça de forma natural podem sair frustrados quando o Verão chega. As pandas mais sortudas conseguem emprenhar de apenas um filhote a cada ano. Quando o bebé nasce, entre três a


DESMANTELADA REDE DE APOSTAIS ILEGAIS EM HONG KONG

As autoridades policiais de Macau desmantelaram um grupo de apostas ilegais de futebol e detiveram sete indivíduos de Hong Kong, após a realização de rusgas em cinco zonas da cidade. De acordo com a rádio pública de Hong Kong, a RTHK, as autoridades estimam que o grupo tenha acumulado, ao longo do ano passado, um volume de apostas global superior a 50 milhões de dólares de Hong Kong (4,5 milhões de euros).

cinco meses depois, há uma forte possibilidade de rejeição. O panda peludo e com as bolas pretas a volta dos olhos que faz parte do imaginário de toda a gente não nasce nada “fofinho”. A panda faz um grande esforço durante o parto para dar à luz uma espécie de rato de não mais de 100 gramas de peso. “Muitas mães assustam-se quando vêem os seus bebés. Provavelmente, não se identificam com as pequenas criaturas de pele rosada e sem pêlos e não os querem alimentar”, explica ao Hoje Macau Zhang Dan. Alimentar as pequenas criaturas não é tarefa fácil. Os tratadores enchem-lhe de mimos, como mel e melancia. E fazem-nos crescer com base em leite artificial. Quando nascem gémeos – uma raridade possível através da fertilização assistida – a situação ainda é pior. A mãe com certeza irá rejeitar um dos filhotes, pelo menos. Cuidar de dois pandas bebés ao mesmo tempo é complicado. Afinal, a mãe tem de ocupar 90% do seu dia a comer e a dormir, o que torna complicado dar atenção a dois pequenos.

GRANDE GASTO

Segundo Zhang Dang, cada panda em idade adulta come pelo menos 20 quilos de bambu por dia. A somar o consumo da família de 60 animais do parque, por mês mais de 35 toneladas da planta vai para a barriga dos animais. Mas só 20% do alimento é verdadeiramente absorvido pelo organismo do urso. Os outros 80% seguem o caminho todo até ao excremento. E os pandas não aceitam qualquer petisco. “O bambu tem de vir directamente das zonas montanhosas de onde são naturais. É um bambu especial, mais saboroso”, constata a tratadora da reserva, acrescentando que é preciso uma série de patrocinadores que arquem com as contas dos banquetes diários. “São milhões de yuans por mês”, diz Zhang, sem, contudo, apontar um número preciso. Nos dias mais quentes – basta a temperatura atingir os 25ºC -, os animais são brindados com quilos de melancia fresca. “É bom para refrescar”, justifica a tratadora. De vez em quando, também há mel com fartura, uma iguaria que os animais “adoram”. A vida dos pandas, contudo, não foi sempre herbívora a comer talos de bambu. Na literatura chinesa de 3000 anos, não há qualquer referência ao animal. Quem apresentou-o ao mundo foi o naturalista francês Père Armand David, em 1869, que ficou admirado com as características dos pandas e

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5 dedicou investigações ao tema. Na altura, os “xiangmao” (gato-urso, em chinês) alimentavam-se de outros pequenos animais e raramente recorriam à salada. O bambu é um alimento fraco em nutrientes essenciais para manter de pé o animal, que pode pesar até 150 quilos. É baixo em proteínas, tem muitas fibras indigestas e reduz o metabolismo do urso. Como é uma planta em abundância nas montanhas chinesas, o panda passou a recorrer a este alimento para matar a fome. Ao longo dos anos, a sua morfologia adaptou-se à alimentação vegetariana. As patas tonaram-se ágeis para dobrar os talos e manipulá-los em direcção à boca.

BOA ADAPTAÇÃO

Kai Kai e Xin Xin “adaptaram-se muito bem a Macau”, garante Zhang Dang, a acrescentar que é mantida uma comunicação constante com os tratadores da RAEM para averiguar como é que os ursos se estão a safar em Seac Pai Van. As condições de habitat são as ideais, o casal não anda em guerras e pode ser que, para o ano, lá para Maio, já se tenha uma boa notícia. A família pode ficar maior. Se isso acontecer, o filhote vai permanecer no mesmo pavilhão com os pais, a não ser que a fêmea o rejeite. Por agora, seja em Macau ou em Chengdu, a vida de panda é que é boa.

Estações dos pandas • JANEIRO E FEVEREIRO Treino dos animais • MARÇO A MAIO Acasalamento e adolescência dos pandas que nasceram no ano anterior • JUNHO A JULHO Difícil ver algum animal à vista. O mais provável é que estejam a dormir numa sala com ar condicionado • AGOSTO A NOVEMBRO Nascimento dos bebés, cuidados pós-parto, alimentação especial dos pequenos • NOVEMBRO E DEZEMBRO Cuidados aos bebés e treino


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POLÍTICA

KAHON CHAN

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Habitação económica | Governo poderá decidir a quem é alienada a fracção económica

Agora ficas tu, agora fico eu

A juntar-se à possibilidade de revenda em mercado privado ou em regime fechado, vem agora a hipótese de ser o próprio Executivo a decidir se quer ou não comprar a fracção económica após o prazo de inalienabilidade. Em análise desde Fevereiro, a proposta de lei sobre a construção e venda da habitação económica tem ainda muitas alíneas sem consenso Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

É

uma terceira hipótese que surge na falta de concordância e que pode vir a prolongar ainda mais a análise da proposta de lei relativa à construção e venda de habitação económica: pode ser o Governo a decidir a quem é revendida a fracção económica depois de findo o prazo de inalienabilidade. A proposta foi apresentada pelo próprio Executivo na reunião de ontem em sede da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa e pode ser a solução para a constante divergência que o assunto tem provocado entre deputados, Administração e sociedade. Actualmente, a proposta de lei prevê que, depois dos 16 anos do compromisso de alienação, a fracção económica possa ser revendida em mercado privado. No entanto, esta é uma alínea que não agrada a alguns deputados, que consideram esta uma hipótese do Governo lucrar com um bem que serve para colmatar os problemas da habitação dos cidadãos. Devido aos preços baixos a que vão ser vendidas as habitações

económicas, valor que não compreende os gastos da construção e se torna, por isso, mais acessível do que o mercado privado, alguns membros da AL e opiniões públicas defendem que a alienação deveria ser feita apenas em regime fechado, isto é, revendida ao Governo, caso o adquirente decidisse alienar a fracção 16 anos depois. Esta tem sido uma questão de impasse entre deputados e Administração que, mesmo após dez reuniões, ainda não conseguiram chegar a consenso sobre a matéria. Para Cheang Chi Keong, presidente da 3ª comissão, a solução de

todas as outras questões em análise reside precisamente na resolução deste ponto. “A comissão chegou a um consenso. Este é o ponto fulcral para resolver as outras questões que ainda não têm solução. Se conseguirmos uma opção clara, as outras questões podem ser resolvidas mais facilmente”, disse o responsável. O regime de alienação bem definido é, então, o ponto de partida para terminar a análise na especialidade da proposta de lei, e Cheang Chi Keong pediu “resposta urgente” ao Governo, de forma a que seja cumprida a intenção de aprovar a lei antes das férias da AL.

LIMITES DOS RENDIMENTOS MERECEM AJUSTAMENTO

Depois da notícia de que o montante máximo dos rendimentos para que uma família de duas pessoas possa ter direito a uma fracção económica rondava as 24 mil patacas ter gerado contradição na sociedade, Lau Si Io, Secretário para os Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) admitiu ontem que “pode haver espaço para ajustamento”. Apesar de ainda estar em estudo qual a percentagem, Cheang Chi Keong acredita que esta é “uma boa posição que pode abrir portas a mais candidaturas”. O presidente da comissão sublinha ainda que os valores definidos actualmente são baseados em inquéritos feitos em 2007/2008, pelo que podem já não corresponder à realidade actual. Claramente definido ficou que estes são valores a constar na proposta de lei, ao contrário do que acontecia até agora, de serem regulados por ordem administrativa.

Esta hipótese avançada pelo Governo não passa, no entanto, disso mesmo e a Administração disse começar a debruçar-se agora em mais esta possibilidade para o regime de alienação.

EM FASE DE ESTUDO

A reunião de ontem foi a décima de uma série de encontros entre a 3ª comissão e o Executivo e serviu para “uma discussão geral sobre as questões mais polémicas”, conforme explicou Cheang Chi Keong. Há determinados temas que continuam “em fase de estudo” já que, devido à falta de consenso, o “Governo ainda precisa de mais tempo” para tomar uma decisão. É o caso dos requisitos de candidatura. Se um critério obriga a que o futuro adquirente da habitação económica não tenha qualquer propriedade nos cinco anos anteriores à candidatura, a dúvida surge sobre o momento após a compra da habitação: se pode ou não adquirir uma propriedade, se tem de reverter a fracção económica e se, na eventualidade de ser sócio de uma empresa, mesmo não tendo a entidade em seu nome, pode ou não adquirir uma habitação económica. Actualmente a proposta de lei

prevê que o candidato declare a posse de propriedades em solo ou exteriores à RAEM que valham mais que o determinado como limite máximo, por exemplo 372 mil patacas para um indivíduo. Também os sócios de empresas que detenham mais de 80% ficam excluídos das candidaturas. Cheang Chi Keong avançou que vão existir sanções financeiras para quem preste falsas declarações e disse ainda que está aberta a hipótese de Macau copiar Singapura, no que diz respeito a aplicar também sanções criminais. De conclusões finais, só a certeza de que não será possível arrendar a habitação económica ao fim dos 16 anos de inalienabilidade, mesmo mediante o pagamento de compensação. Em comentário à situação de divergência que tem vindo a arrastar-se pelas reuniões, Cheang Chi Keong admite que esta é uma “situação rara” que está a acontecer pelo “enorme impacto” que a proposta de lei tem na vida da população. O presidente da comissão ressalva, no entanto, que “só com a decisão do Governo é possível definir a próxima fase de trabalhos”.


PRESIDENTE DA BIRMÂNIA VISITA CHINA ESTE MÊS

O Presidente da Birmânia, Thein Sein, vai visitar a China entre 26 e 29 deste mês, numa deslocação que está a ser preparada desde que dirige um governo civil, anunciou ontem um alto responsável birmanês. “O Presidente queria deslocar-se à China porque é importante no plano diplomático e para as relações económicas”, afirmou este responsável birmanês, sem especificar que encontros estão previstos durante a visita. A China é um importante investidor na Birmânia, que por sua vez é um bom cliente das armas chinesas e oferece a Pequim um acesso precioso ao oceano Índico. Esta visita foi anunciada pouco depois dos encontros de quartafeira entre um alto responsável norte-americano, Joseph Yun, e o ministro dos Negócios Estrangeiros birmanês.

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Deputado quer resolvida situação de pobres excluídos da habitação económica

Virginia Leung

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

C

HAMAM-LHES “classe sanduíche”, não porque se alimentam à base de pão com fiambre, mas porque vivem ensanduichados entre os salários modestos que auferem e os limites de rendimentos impostos pelo Governo para que possam aceder à habitação pública. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) Paul Chan Wai Chi quer resolvida a situação dessas famílias que vivem em dificuldades apesar de ganharem acima do que o Executivo considera o rendimento máximo admissível

KAHON CHAN

O dilema da classe sanduíche

para a habitação económica e apresentou uma interpelação escrita nesse sentido. Deputado da AL pela Associação Novo Macau (ANM), Paul Chan observou que, após o Governo ter feito alguns ajustes nos subsídios às famílias de baixos rendi-

mentos e no Fundo de Pensões, algumas pessoas que estavam na lista de espera para a habitação económica ficaram automaticamente desqualificadas. Na sua interpelação, Paul Chan admitiu que o Governo se tem preocupado

PRESIDENTE DA ATFPM INTERPELA GOVERNO SOBRE IPM

Coutinho bem tinha avisado J

KAHON CHAN

OSÉ Pereira Coutinho quer saber se a Administração pretende accionar os mecanismos legais para punir os responsáveis e ainda se além das sanções disciplinares, o Governo vai ainda evocar as responsabilidades civil e criminal. Em 2009, o Governo terá respondido ao deputado da Assembleia Legislativa e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM), que o Instituto Politécnico de Macau “tem cumprido o le-

galmente previsto com rigor e seguindo os regulamentos internos da Administração”. A resposta do Executivo chegou depois do deputado ter questionado a Administração, no mesmo ano, sobre “se o Governo dispunha de algum mecanismo de fiscalização sobre as instruções e processos de promoções no IPM de forma a que todo o processo obedecesse a critérios” justos e de igualdade. Baseado em queixas de dos trabalhadores da própria instituição de ensino, que

se arrastaram de 2009 para o ano passado, Pereira Coutinho voltou a interpelar o Governo sobre a gerência do IPM. As dúvidas do deputado prenderem-se com o facto de “se havia tanto rigor na gestão do IPM”, como poderiam continuar tantas queixas e situações graves. O presidente da ATFPM recebeu uma segunda resposta, “supostamente do IPM mas sem assinatura”, que confirmava a administração do IPM com rigor e de acordo com as leis e estatutos. Mais ainda, a resposta a Pereira Coutinho frisava ainda que todas “as pessoas rectas que conheciam o funcionamento do IPM tinham conhecimento disso”. Ontem, Pereira Coutinho lançou uma interpelação ao Governo onde, versando sobre o recente relatório do Comissariado contra a Corrupção, que recentemente veio a público dizer que o IPM não distinguia a administração privada da pública, entre outras acusações.

com os residentes, criando várias políticas de ajuda para o combate à inflação. No entanto, o Executivo não se tinha dado ao trabalho de reajustar os limites máximos de rendimentos admissíveis par a candidatura à habitação económica ao longo dos PUB

anos de acordo com a inflação. Resultado: as pessoas que foram sendo aumentadas de acordo com a correcção monetária da inflação a dada altura ultrapassaram o limite para se poderem concorrer a casas públicas mais baratas, mesmo tendo mantido o seu (baixo) poder de compra. Com o fundo de pensões actual fixado em 2000 patacas por mês e os subsídios salariais de 4400 patacas de que se podem socorrer a pessoas de baixos rendimentos (num total de 6400 patacas de ajudas governamentais para quem beneficie de ambas), existem pessoas que se vêm “gregas” para ir sobrevivendo e que,

ainda assim, foram removidas da lista de espera dos concorrentes a uma casa do Governo por ultrapassarem um limite de rendimentos fixado num patamar “irrealista”, na opinião do deputado. Na interpelação, Paul Chan questiona se o Governo pretende ajustar o limite de rendimentos de forma a adequada e concordante com a realidade da sociedade. E também sugere que o Executivo considere o fundo de pensões como um caso à parte e não o inclua no montante de rendimentos totais, de forma a que os idosos que ainda trabalham para sobreviver não fiquem desqualificados.


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SOCIEDADE

FAOM | Governo tem de fornecer dados mais claros sobre trabalho de não-residentes

Quem são os trabalhadores importados? Virginia Leung

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

O

Gabinete para os Recursos Humanos (GRH) divulgou oficialmente as estatísticas dos trabalhadores não-residentes a trabalhar em Macau, num relatório que inclui os números da importação de mão-de-obra e a informação sobre os países de origem e o tipo de emprego exercido na RAEM. O Hoje Macau falou com Ella Lei Cheng I, numa entrevista por telefone em que a directora do departmento de direitos e interesses da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) deu a sua opinião sobre as questões do trabalho importado. Ella Lei disse considerar positivo que o Governo tenha agora centralizado os dados e revelado a informação ao público. No entanto, os números, na opinião da responsável, poderiam estar mais detalhados, o que seria importante para ajudar a concretizar as políticas de importação de mão-de-obra. A dirigente da FAOM considera que fornecer informação mais

transparente ajudaria a reduzir as dúvidas da população acerca das políticas, além de ajudar o Governo a monitorar todo o sistema da importação de trabalho. A monitoração cuidadosa é, aliás, decisiva, na opinião da responsável, e os dados relativos à aprovação de contratação de não-residentes devem estar ao alcance do público, até para se poder dar uma efectiva prioridade aos trabalhadores locais e assegurar as suas oportunidades. “A popu-

lação gostaria de perceber se não há mesmo ninguém disposto a realizar determinados trabalhos, a ponto de ser necessário ir buscar gente lá fora”, disse. “As pessoas também querem saber se o número de trabalhadores importados afecta ou não a segurança dos seus postos de trabalho e as oportunidades dos locais no mercado laboral”. Ella Lei também observou que não é claro na informação divulgada em que casos foi ou não garantido o número limite mínimo de trabalhadores locais, e sugeriu que, para as organizações que requerem uma quantidade muito elevada de trabalhadores importados, seria necessário divulgar além do número de imigrantes contratados o tipo de trabalho realizado dentro das empresas ou instituições, de forma a que o público possa perceber em que campos é que as organizações têm dificuldades em recrutar trabalhadores competentes tendo por isso de recorrer à importação de mão-de-obra.

MULHERES-A-DIAS DIFÍCEIS

Com cada vez mais casais em que ambos trabalham, escasseia entre

os pais de família o tempo disponível para cuidar das crianças e aumenta a necessidade da ajuda de empregadas domésticas. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) Chan Meng Kam apresentou uma interpelação escrita sobre questões relacionadas com essas profissionais, assinalando que os critérios para contratação de empregadas domésticas eram demasiado rigorosos, levando a que muitas famílias se sintam numa situação incómoda em relação a essa matéria. Chan observou que a aprovação de importação de trabalhadores para as empresas era mais facilitada do que a de empregadas domésticas. Na sua interpelação, Chan Meng Kam indicou que no formulário para pedido de autorização para contratar uma empregada doméstica constavam cinco opções para as famílias preencherem, tais como “tomar conta de crianças, de idosos ou de pessoas doentes”. Quando a família opta por “outros”, fica mais difícil obter a aprovação. Mas quando os casais trabalham, podem precisar de alguém para

MACAU É PALCO DE SEMINÁRIO SOBRE DIVERSIDADE CULTURAL E COEXISTÊNCIA RELIGIOSA

Abrir as mentes através da arquitectura U

M “Olhar sobre a Arquitectura Ocidental” será amanhã o tema do último de uma série de seminários no Instituto de Formação Turística (IFT) com a finalidade de enriquecer os conhecimentos dos jovens acerca das características da Arquitectura do Património Cultural e ajudá-los a perceber a mistura das culturas local e ocidental, despertando a sua atenção para a protecção da herança cultural. A “Arquitectura Chinesa” e a “Protecção do Património Cultural” foram os focos dos dois seminários anteriores, realizados a 16 e a 26 de Abril, respectivamente, com a organização da Associação dos Embaixadores do Património de Macau e apoio do Instituto Cultural, Fundação Macau,

Sands China e IFT. Desta vez, a arquitectura do Ocidente irá centrar as atenções, com o célebre arquitecto local Lui Chak Keong a ser convidado para assumir o papel de principal orador. As principais características dos estilos de colunas da arquitectura clássica e ocidental e as semelhanças e diferenças entre os estilos neo-clássico e moderno na arquitectura serão alguns dos tópicos abordados. Lui Chak Keong irá fazer também uma introdução sobre alguns estilos de arquitectura especiais e o significado cultural de alguma da arquitectura existente em Macau. Chao Wai Chu, presidente da Associação dos Embaixadores do Património de Macau, declarou que a resposta que

tem sido dada a esta série de seminários tem sido muito positiva. A responsável espera que os jovens que assistam às conferências saiam dali com melhores noções sobre as ca-

racterísticas e conceitos arquitectónicos e que contribuam mais tarde para a realização de Macau como uma cidade de diversidade cultural e religiosa. - V.L.

cozinhar e fazer as limpezas do lar. Chan Meng Kam observou que não há residentes locais dispostas a trabalhar como ajudantes domésticas, pelo que não existe aqui conflito na importação de trabalho, pelo que o deputado quer saber quais os critérios de aprovação para as candidaturas a empregadas domésticas e se o Governo estaria disposto a facilitar as condições do processo de aprovação para ajudar as famílias a poderem concentrar-se nos seus trabalhos e a conseguirem alguém para ajudar nas tarefas do lar. Sobre essa questão, Ella Lei disse ao Hoje Macau que o Governo devia ser cuidadoso na monitoração da importação de trabalho e que certos princípios básicos não podiam ser ignorados. “O Governo tem de pensar em como ser mais eficiente no lidar com essas matérias. No entanto, embora toda a gente quisesse que o processo fosse mais rápido e simples, isso não deve afectar as normas do processo de aprovação. Há procedimentos e princípios básicos que não podem ser ignorados”.

MACAU E BRASIL ASSINAM PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO A Universidade de Macau assinou um protocolo de cooperação com a Universidade Federal de Minas Gerais, que visa promover o intercâmbio entre as duas instituições de ensino, disse ontem à agência Lusa o vice-reitor da UMAC, Rui Martins. Fomentar a “mobilidade de professores e alunos” e o “intercâmbio” ao nível de projectos designadamente no campo da investigação são os principais objectivos do acordo, explicou Rui Martins. A Língua Portuguesa figura como uma das áreas do conhecimento de potencial interesse para a mobilidade da classe docente e/ou discente até porque o Departamento de Português da Universidade de Macau, ao abrigo de outros acordos, já envia estudantes para instituições de ensino superior de Portugal e do Brasil. A microelectrónica, área em que Rui Martins granjeou reconhecimento internacional, também se afirma como um potencial campo para a realização de acções de intercâmbio sobretudo porque a Universidade de Macau terá dois laboratórios de referência do Estado chinês, um dos quais dedicado precisamente à essa área. O protocolo de cooperação, formalizado quarta-feira, surge na sequência do encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) que teve lugar em Macau, acrescentou Rui Martins. “Começamos a falar da possibilidade de [se criar] um protocolo em Setembro, na medida em que havia interesse ao nível do intercâmbio”, concluiu.


MACAU GANHA MAIS DINHEIRO COM OS VISITANTES NO PRIMEIRO TRIMESTRE

Os visitantes de Macau deixaram no território 9,8 mil milhões de patacas, excluindo a despesa de jogo. Este número corresponde a um aumento de 13% no primeiro trimestre do ano, se compararmos com o mesmo período do ano passado. A despesa per-capita dos visitantes situou-se nas 1.516 patacas, um aumento de 7%. Dados do Serviço de Estatísticas e Censos mostram ainda que os visitantes da China continental, do Japão e do Sudeste Asiático são os mais gastadores. A despesa per-capita dos visitantes (excluindo as despesas em compras e no jogo) situou-se nas 777 patacas, traduzindo um acréscimo de 10%. As despesas de alojamento e de alimentação foram equivalentes a 45% e 36%, do total das despesas, respectivamente.

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

O

Executivo da RAEM tem como estratégia a criação de uma plataforma para que o sector de construção local possa aprender com as experiências do exterior na construção do sistema de transporte ferroviário e estes aproveitem o ‘know-how’ local. O arquitecto André Ritchie, que recentemente assumiu o cargo de coordenador-adjunto do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), deu a novidade aos jornalistas e explicou que assim “todos ficam a ganhar”. “A estratégia de Governo para o lançamento desses concursos é arranjar maneira de criar uma plataforma de modo a permitir que as empresas locais possam participar mas em parceria com empresas não locais e de outra dimensão.” A dimensão e escala de intervenção é relativamente grande e há uma componente técnica que não existe em Macau em matéria de transporte ferroviário. “As empresas não locais têm a sua

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GOVERNO QUER EMPRESAS DE MACAU NA CONSTRUÇÃO DO METRO

Plataforma para troca de experiências

experiência em termos de grandes obras e sistemas ferroviários mas não têm o ‘know-how’ local e é aí que as empresas locais podem dar o seu contributo.” O sector debateu estas questões com o GIT e mostrou-se disponível para participar desta forma no

processo de construção de viadutos e estações do Sistema de Metro Ligeiro. GIT organizou esta reunião com construtores e representantes locais para debater a estratégia relativamente às empreitadas de construção civil do Metro Ligeiro. “O sector está de acordo com a proposta e discutimos detalhes relacionados com a avaliação das propostas, bem como se poderá distinguir a experiência das empresas locais e das não locais.” O Governo espera que mediante uma comunicação mútua com o sector, este possa ter um melhor conhecimento sobre a construção do transporte ferroviário e, muito importante, sobre o que é a “premissa de assegurar a qualidade”.

EMPREITADAS ARRANCAM

André Ritchie também falou dos

processos de execução e construção do metro. O coordenador-adjunto do GIT garantiu que o calendário está a ser cumprido e que em Junho o processo de execução do lado da Taipa estará pronto. “Até Setembro estaremos a construir o primeiro segmento da Taipa bem como as fundações do parque material e oficinas que fica num espaço de 120 mil metros quadrados no Cotais”, revelou Ritchie. Até ao final do ano estarão lançadas todas as empreitadas do lado da Taipa, com “concursos e obras em andamento”. No entanto, do lado de Macau as coisas têm de aguentar um pouco mais. “Os projectos de execução estarão prontos no final deste ano e no início de 2012. Na primeira metade do ano que vem teremos todas as empreitadas iniciadas.” Tudo dentro do calendário, portanto.

O GIT vai ainda introduzir no processo de construção do sistema de Metro Ligeiro uma entidade independente para examinar matérias de segurança do novo meio de transporte. Tomando como referência a experiência das regiões com o mesmo sistema de transporte, os responsáveis do território vão introduzir uma entidade independente para examinação de forma a ajudar o Governo a assegurar a segurança do Sistema de Metro Ligeiro. Resposta a desastres e prevenção contra incêndios são alguns dos pontos a estar em análise. Em Abril, o GIT lançou concurso para o fornecedor do serviço de examinação independente. André Ritchie não se mostro muito à vontade para falar do assunto mas revelou que no próximo mês haverão novidades quanto a essa situação.

PUB

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 165/2011

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. LEE KIM MING, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “VENETIAN COTAI GESTÃO HOTELEIRA LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 3356/2010, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima. Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 9 de Maio de 2011.

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 166/2011

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o não-residente Sr. HUANG WENSHENG, ex-trabalhador autorizado a prestar trabalho para a sociedade “MELCO CROWN (COD) HOTEIS LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 8847/2009, proveniente do acidente de trabalho em que o notificado foi vítima. Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável à notificada este esteja parado por mais de seis meses. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 9 de Maio de 2011.

O Chefe do Departamento,

O Chefe do Departamento,

Raimundo Vizeu Bento

Raimundo Vizeu Bento


ENTREVISTA

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com H

Alfredo Vaz, promotor de eventos

“Começo a trabalhar antes das coisas aconte minha entrada para a rádio e televisão. A primeira vez foi em 2000, precisamente no primeiro Grande Prémio já sob a RAEM, quando um piloto de Macau ganha pela primeira e única vez o GP, o André Couto. Tenho a imagem nítida de tudo isso. A verdadeira Macau estava ali: No pódio, um jovem esquálido, aloirado, olhos azuis, com a bandeira verde da RAEM e com o Hino da China a tocar. Impressionante recordação que guardo para sempre. Noutra ocasião, em pleno comentário directo dentro do circuito, fiquei sem voz a uma volta e meia do final da corrida de Fórmula 3. Muitas peripécias de um trabalho extenuante como comentador oficial. Qual das duas facetas te diz mais, comentador oficial para os espectadores dentro do circuito, ou relato e comentário em directo para rádio ou televisão? Hum... não sei se sou capaz de chegar a alguma conclusão sobre isso. Ambos os trabalhos são em directo e são para chegar a auditórios.

Como ponto de partida, fica mais público o que já o é, em jeito de declaração de interesses: conheço e sou amigo do Alfredo Vaz e de sua família há mais de 30 anos. Coincidências profissionais fizeram com que chegássemos a Macau no mesmo dia, trazidos até Hong Kong pelo mesmo avião. Vi o Fredi crescer em Macau e desde cedo percebi, não apenas eu, a sua extraordinária vocação de comunicador. Não sei, de ciência pouco sabida, se os genes têm alguma coisa a ver com isso, o facto é que Alfredo Vaz é, vocacionalmente, o grande continuador de sua mãe, a jornalista Fátima Cid (lamentavelmente cedo demais longe da rotina dos microfones, numa terra onde sempre escassearam os profissionais da rádio de raiz). Pormenor curioso: o outro continuador da Fátima é o Rui Cid. Pode dizer-se que naquela família a rádio está sempre no ar – ou devia estar, digo eu. O entrevistado é um homem inquieto e de coração enorme. Inquieta-o as injustiças, as burocracias inventadas para travar iniciativas. Nasceu em Benguela no ano das barricadas em Paris, não as da Guerra Religiosa em 1588 que levaram à rendição de Bastilha, nem as da Revolução Francesa de 1848, mas as célebres barricadas no ano da outra memorável rebelião estudantil em Paris, em 1968. Sai de Angola com 6 anos, chega a Portugal onde vive até aos 15, daí para cá, desde 1983, reside ininterruptamente em Macau. São naturalmente escassas as suas memórias angolanas - sendo frequente, com as tecnologias de hoje e não só, a busca por informações, memórias escritas ou fotografadas por alguém, momentos

É o que sempre desejo e o que sempre fiz e faço, da maneira melhor que sei e posso. Vamos falar da “3Sided Square”, a empresa promotora de eventos, que fundaste há cerca de 2 anos. Sei que existe já uma longa e diversificada carteira de trabalhos realizados. Dizes bem. A “3Sided Square, Macau”, fundada por mim, tem promovido espaços de diversão, grupos musicais, grupos de teatro, festas nos mais variados cenários, acontecimentos desportivos, culturais, meramente sociais e até de beneficência. Utilizamos as tecnologias que forem necessárias, desde imagem ao som, montagem de conferências de imprensa, seminários, colóquios ou palestras, desfiles de moda, divulgação de actividades das empresas ou instituições através de press release, encontros diversos para uma centena de pessoas e para mais de setecentas, já desenhámos todo um espectáculo de fado que, infelizmente e sem ser da nossa responsabilidade,

não se realizou, etc. Tal como desenhámos pela primeira vez a página, para o Facebook, da história de todos os campeonatos da Federação Internacional de Barcos Dragão, o que foi um enorme sucesso. De resto, a nossa empresa promotora

de eventos encarrega-se de utilizar as chamadas redes sociais ou outras competências tecnológicas sempre que os clientes desejem e observemos como útil a cada promoção. Um pouco também semear para colher?

ANTÓNIO FALCÃO | BLOOMLAND.CN

U

M resumo de algumas das principais experiências da sua vida de jornalista estão em texto anexo a esta entrevista. Actualmente, Alfredo Vaz tem uma empresa promotora de eventos, a “3Sided Square, Macau”. Já falaremos disso. Comecemos a conversa como se fosse um “directo” e precisamente sobre os directos, dos tantos que Fredi nos deu. É conhecido o teu empenho pelos assuntos do desporto motorizado. Quem foi o teu principal inspirador, particularmente no que toca às tuas reportagens para a televisão? Sem dúvida que o jornalista, já saudoso, Adriano Cerqueira, que se deslocava a Macau, a convite da TDM, para pivotear a nossa equipa que cobria as transmissões directas. Outra situação, também dirigida aos ouvintes, mas neste caso aos espectadores dentro do circuito, a de comentador oficial de pista, também aconteceu em vários Grandes Prémios. Sim, alguns anos depois da

Adoro escrever, mas ta menos me sinto à vontade essencialmente um home fundamentalmente dentro prefiro muito mais andar n em termos da empresa, outros exemplos que vão suscitando bastante interesse e procura. Aliás, as actividades divulgadas pela minha empresa através do FB podem atingir os 80 por cento da nossa produção e 90 por cento ou mais dos comentários de resposta. O FB, como ferramenta de trabalho, é realmente muito eficaz. Portanto, uma vasta

JORNALISTA FEITO “AO FOGO” e vidas angolanas passadas, trazidas à actualidade para se manterem vivas nas emoções. O caso de Alfredo Vaz, pai, falecido numa prova de velocidade automobilística tinha este Alfredo Vaz, filho, pouco mais de 1 ano, é um dos motivos para a curiosidade afectiva deste angolano de 43 anos, português de nacionalidade e regionalmente macaense por opção nascida no coração. “Estou tendo agora, com o material que vou recolhendo, a visão que me faltava do meu pai, a imagem familiar, um álbum fotográfico completo que há pouco tempo conheci, cheio de pormenores anotados, enfim, uma série de elementos que funcionam lindamente, a posteriori, como que uma recordação do que não pude viver. Confirmo que gosto de várias coisas de que o meu pai gostava, nomeadamente o desporto automóvel. Ele corria, eu gosto de ver e relatar!”. Segunda metade dos anos 80 do século passado. Onde é hoje apenas a televisão, a rádio 24 horas no ar com aquele entusiasmo sem fim e sem cansaço que caracteriza os que a amam. As madrugadas de futebol, as quartas-feiras europeias, as ligações telefónicas em directo, de Macau aos jornais desportivos portugueses, aos jogadores, aos treinadores; os relatos, esses, eram como ainda hoje com a competência da Antena 1. O Fredi, o Alexandre Silva, mais uma série deles, aguentavam as emissões, incluindo, um pouco mais tarde, os tempos tensos dos “acontecimentos”

Também, daí ter vários espaços na internet, designadamente no FB, a página do Grande Prémio, por exemplo que é o acontecimento principal, mas abrange várias modalidades do desporto automóvel. E tenho, pessoalmente e

em Tiananmen. A rádio tecnicamente montada com meticulosa e competentíssima operacionalidade pelo enorme e saudoso João Canedo, realmente não parava. Alfredo Vaz cresceu a viver por dentro esses tempos de descoberta, de pioneirismo, de entrega absoluta. Quem hoje se lembra ou reconhece isso? Com franqueza, não será necessário, são momentos feitos de horas sem fim, que ficarão na memória e no peito de cada um que os fez, que os ouviu, que, sobretudo, os sentiu. As manhãs da rádio eram dirigidas em estúdio pelo grande senhor Johnny Reis. Em 1986, com 18 anos, Vaz viveu a primeira grande experiência ao serviço dum acontecimento que ainda hoje o apaixona: Em pleno circuito do Grande Prémio de Macau, ainda a linha de meta era no Hotel Mandarim, onde os tempos eram tirados; o miúdo Fredi, “nervosíssimo”, dava a informação, ainda por telefone de manivela, dos tempos e distâncias dos pilotos, para constar das placas visíveis pelos pilotos. Setembro de 1988. Victor Rebelo em Seoul na cobertura dos Jogos Olímpicos, o jornalista Capinha chefiava a informação e foi chamar, para estreia, o jornalista Alfredo Vaz, para apresentação dum programa desportivo. João Roque foi sacado à Lusa, Luís Pinto realizava, Paulo Coutinho também editava, Ana Isabel apresentava na TV o último jornal; eis que um pó da maquilhagem

provoca o lacrimejar intenso da jornalista apre a emergência empurrou Alfredo Vaz para a fr câmaras. Um incêndio ali perto, em Mong Ha reportagem televisiva do jovem estreante, na é apenas com alguma experiência de rádio. Ep de um arranque operário como convém na ta qualquer jornalista. Que estreias! Na rádio, era concebido o programa de fim d até às 8 da noite, “O Dia a Dia”, com informa dos telexes, comentários em cima da hora fei estúdio pelo jornalista João Figueira, reportag do exterior pelo então jornalista Rui Moura (ho advogado), pelo Alex e por outros jovens, crón Austrália, Timor-Leste, Lisboa, entrevistas exc grátis) para a rádio feitas pelo jornalista Carlos então director de informação da Antena 1, co estúdio, grupos musicais locais e não só, actu directo nos estúdios da rádio na Xavier Pereir actualidade editados e apresentados pelo jove sem comprometer as suas reportagens para o num princípio de carreira quantas vezes aluc As lembranças são bastantes. Como aquela e frescos 21 anos, “joelhos a tremer e meio esc em nome da TDM/tv, entre o António Duarte ( director da rádio) e Paulo Nogueira (Lusa), en conjunto o então Presidente da República Má salvo erro no Hotel Península em Hong Kong. noite, recordação desportiva de Fredi, “Portug o primeiro título mundial de sub 20, em futeb


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Helder Fernando

ecerem e não paro no dia seguinte” utilização das tecnologias presentemente ao dispor. Como é feita a utilização de especialistas em áreas diferenciadas? É sempre uma utilização pontual, requisitada se e conforme as necessidades de cada promoção que tenhamos

alvez seja o meio em que e. Face à tua pergunta, sou em da rádio. Amo rádio, o do estúdio. Em televisão no exterior em reportagens. na nossa agenda de trabalhos. Já aconteceu várias vezes. A empresa promotora de eventos que fundaste utiliza várias formas de divulgação, podes dar alguns exemplos? Usamos imagens, dados em bruto que depois trabalhamos, usamos sons, imensos e distintos processos em favor do interesse promocional de cada cliente. Para além da internet utilizamos outros veículos

esentadora, rente das a, teve época pisódios arimba de

de tarde, ação à boca itos ali em gens diárias oje brilhante nicas da clusivas (e s Mendes, onvidados em uando em ra, blocos de em Fredi, o canal tv, cinante. em que, com condido”, (então ntrevistou em ário Soares, . Nessa gal ganhava bol”.

como jornais, revistas, rádio, televisão, cartazes, folhetos, uma quantidade de meios ao dispor. Já trabalhámos com perto de três mil clientes; com mais de metade deles mantemos contactos regulares. Somos uma fonte de informação multifacetada, de resto frequentemente citada pelos diversos órgãos de informação em Macau e no exterior. Considero que todos os dias faço informação; através das notícias que divulgo dos posts que coloco, dos vídeos que faço, das entrevistas que obtenho, dos acontecimentos que divulgo. Em qual dos meios, nesta tua empresa, na imprensa, na rádio ou na televisão te sentes mais à vontade? Não me sinto igualmente à vontade em todas elas, há naturais diferenças. Adoro escrever, mas talvez seja o meio em que menos me sinto à vontade. Face à tua pergunta, sou essencialmente um homem da rádio. Amo rádio, fundamentalmente dentro do estúdio. Em televisão prefiro muito mais andar no exterior

No arquivo da memória, Alfredo Vaz guardará também - por certo com orgulho - a circunstância de ter sido o único jornalista a cobrir para a rádio a viagem MacauPequim-Bruxelas-Lisboa, de despedida do último governador de Macau. Para a televisão foi o Rui Moura. Ambos entrevistaram tudo o que havia para entrevistar, de António Guterres a Jorge Sampaio, entrevistas transmitidas pouco antes do dia da transição. E o jornalista Alfredo Vaz lá esteve na primeira viagem de Edmund Ho como chefe do executivo, em Setembro de 2000, a Singapura, sendo pouco depois convidado por Manuel Silvério e pelo agora chefe do executivo Chui Sai On, para trabalhar na comissão instaladora do gabinete do que depois foram os inesquecíveis Jogos da Ásia Oriental de 2005. Peço a Alfredo Vaz que me escolha exemplos de momentos extremamente marcantes no exercício do jornalismo: “O handover em Hong Kong, em 2007, para a RDP/Antena 1, ao lado do Adelino Gomes e da Fátima Cid. E o tsunami para a TVI e Correio da Manhã e Hoje Macau. Quando residi em Pequim, fiz para várias rádios brasileiras e para a RDP/Antena 1, em 2003, a cobertura de tudo relacionado com a pneumonia atípica”. Para além do audiovisual, este jornalista tem escrito para vários jornais, é pioneiro em suplementos desportivos sobre desporto automóvel. Cobriu no terreno (Tailândia) o tsunami de 2004, para órgãos de comunicação social de Macau e para a TVI e jornal “Correio da Manhã” em Portugal. E tanto ainda por fazer, não é Fredi? Como tanto é o teu genuíno entusiasmo de sempre.

em reportagens. Na rádio, concentrar as informações, as conversas, as entrevistas, as histórias para contar, os improvisos, reportagens, misturar rádio e Facebook, envolver a internet e a rádio; olha no género do que fazes com o Jorge Vale todas as tardes, isso é também dar muita informação às pessoas. Sim, no fundo e mais do que tudo, adoro comunicar através de todos os meios ao alcance, entre eles todos o meu preferido, a rádio, claramente. Macau é, presentemente, uma região muito diversificada quanto a realização de eventos? Hoje em dia não consigo ir a todas. Há muitas dinâmicas dentro das forças activas em Macau, muitas realizações. As instituições, as empresas, estão conscientes da necessidade de profissionalizarem a organização desses eventos e respectiva divulgação para, PUB

por entre tanta iniciativa, melhor chegarem aos destinatários pretendidos? Não devo generalizar. Já me tem acontecido de tudo ou quase. Desde pedirem-me um trabalho e na vez seguinte irem copiá-lo exactamente, quando nitidamente já não corresponde à realidade anterior; até clientes que entendem na perfeição o nosso trabalho profissional. Estes, não serão a parte maioritária, essa é do género: contratam-nos mas depois não nos dão espaço de manobra, campo para desenvolvermos competentemente o trabalho. A “3Slided Square, Macau” até já foi contratada somente para não irmos trabalhar para outra empresa rival do nosso cliente. Na região, há muitas empresas promotoras de eventos? Trabalhando como nós fazemos, não há. Por mais

do que uma ocasião nos têm dito: “O vosso trabalho humaniza as coisas, torna os eventos com características de proximidade diferente do que é hábito”. Outros clientes afirmam “isto sim, é uma cobertura!”. Fico muito feliz e muito motivado com estas observações. Isto porque eu começo a trabalhar antes de as coisas acontecerem e não paro no dia seguinte. Há um acompanhamento posterior que é sempre útil. Não se podem perder raízes entre as pessoas, sejam os clientes ou sejam os protagonistas de alguns eventos, artistas, conferencistas, quaisquer uns. Em que línguas trabalha a “3Slided Square”? Em português e em inglês. Por enquanto não tenho estrutura para trabalhar em chinês, por exemplo. Em perspectiva, há duas hipóteses de trabalharmos em língua chinesa. para duas empresas diferentes.

Promovem ou organizam eventos apenas em Macau ou já foram fora de portas? A empresa já promoveu eventos em Hong Kong, em Shenzhen e noutras cidades deste delta. Até já tivemos um grupo bastante numeroso que se deslocou de Singapura para participar numa Festa Halloween promovida pela “3Slided Square” em Macau. Terminando a entrevista com uma intimidade que tem enorme significado para ti. Foste pai recentemente. Esse é o grande evento da tua vida? Foi o acontecimento mais surpreendente que tive na vida. Pensamos sempre que nos vamos preparando para sermos pais, mas depois verificamos que, pelo menos da primeira vez, tudo é novo, tudo nos transcende, nos deslumbra, como acontece comigo. Não percebo como é possível sentir tanto, tanto, tanto e com tal intensidade, com tal amor; e todos os dias esse amor aumenta e nos interrogamos como é possível amarmos mais do que ontem, e no dia seguinte realizarmos que amamos mais do que no dia anterior.


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12 Membros da comunidade artística local e internacional anunciam apoio a Ai Weiwei numa feira internacional de arte que inaugura na próxima semana em Hong Kong

CULTURA Galerias fazem questão de exibir obras de Ai Weiwei na ART HK

“Os artistas de Hong Kong nunca estiveram tão unidos”

A

“Lisson Gallery” de Londres, uma das 170 participantes na ART HK, vai exibir trabalhos de Ai Weiwei na ART HK, a feira internacional que inaugura na próxima quinta-feira no Centro de Convenções de Hong Kong. A notícia foi avançada pelo jornal South China Morning Post um dia depois do artista detido há 46 dias pelas autoridades de Pequim ter celebrado o seu 54 º aniversário. A par com a iniciativa da galeria londrina, cerca de 50 artistas locais também planeiam prestar homenagem ao dissidente chinês exibindo duas obras suas na mostra ”Love the Future”, na cidade industrial de Wan Chai. “Temos manifestado publicamente como lamentamos a detenção de Ai pelas autoridades chinesas e vamos comprometemo-nos a continuar a fazer campanha a favor da sua libertação e promover o debate público sobre o assunto”, comunicou a galeria britanica. “Queremos mostrar o nosso apoio àqueles de Hong Kong que saíram para a rua para protestar em maior número do que em qualquer outra cidade do Ocidente”, acrescentou. A “Galeria Lisson” alberga neste momento uma exposição de trabalhos de escultura e vídeo de Ai Weiwei em Londres, mas ainda não revelou

quais e quantas obras do artista chinês levará a Hong Kong. “A ART HK é uma importante feira de arte internacional que tem lugar numa região administrativa especial da China, com seu próprio processo democrático, maior liberdade de imprensa e poder judicial

independente. Não mostrar os trabalhos de Ai Weiwei na ART HK faria de nós cúmplices na tentativa das autoridades para silenciá-lo e aos seus apoiantes.” De acordo com a organização da feira internacional a “Galeria Urs Meile”, com sede em Pequim e Lu-

FRANCISCO FIGUEIRA | MIL RESIDENTES JÁ ASSINARAM PETIÇÃO

Expectativas superadas A

petição pública para dar a uma rua de Macau o nome do arquitecto Francisco Figueira já atingiu as mil assinaturas, revelou ao Hoje Macau Carlos Marreiros, responsável pelo Albergue SCM, que apadrinhou a iniciativa. “Superámos as nossas expectativas”, afirmou, “e só vamos encerrar o processo em início de Julho”. Mas o Albergue quer mais. Também porque, segundo Marreiros, a iniciativa demonstrou uma abrangência rara: pessoas

de vários estratos sociais e de diversas etnias juntaram o seu nome à lista. O arquitecto refere ainda, a título de curiosidade, que “temos assinaturas de deputados, directores de serviço e mesmo de dois ex-Governadores (Carlos Melancia e Garcia Leandro) e suas esposas”. Há ainda tempo para quem quiser juntar a sua assinatura. Resta saber o que decidirá o IACM quando lhe for entregue a petição.

cerna, na Suíça, também já anunciou que vai mostrar uma obra do artista detido no mês passado em Pequim por suspeita de crimes económicos.

UM APOIO ESPECIAL

Comunidades artísticas de todo o mundo têm condenado a detenção

do dissidente, mas onde a onda de solidariedade pelo dissidente chinês tem tido maior expressão é na cidade de Hong Kong. Nas últimas semanas a cidade tem sido palco de uma série de protestos e campanhas de apoio a Ai Weiwei, inclusive desafiando os avisos da polícia. “A diferença entre Hong Kong e os artistas do continente é que nós ainda podemos dizer a verdade”, disse ao South China Morning Post Kacey Wong, artista e curadora da eposição “Love the Future”, em Wan Chai. “Os artistas de Hong Kong nunca estiveram tão unidos para fazer campanha por uma única causa”, atirou. Wong disse ainda que embora as obras em exposição na “Love the Future” sejam em resposta à prisão de Ai, a ênfase da mostra é a luta pela liberdade artística e criativa, assim como justiça e direitos humanos básicos. “No passado, os artistas de Hong Kong eram bastante desligados dos debates sociais, mas desta vez é um artista que está a sofrer. É preocupante”, frisou a artista. “Não podemos deixar que Hong Kong fique como o continente”, rematou. O director artístico da ART HK, Magnus Renfrew, disse que a feira respeita os trabalhos de Ai que conta ver exibidos entre os cerca de mil artistas de todo o mundo a participar no evento. Adiantou ainda que as galerias presentes foram seleccionadas por um comité de independente.


PETIÇÃO CONTRA EXTINÇÃO DO MINISTÉRIO DA CULTURA

Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) lançou uma petição online contra a medida anunciada por Passos Coelho sobre a extinção do Ministério da Cultura. O objectivo é mostrar o descontentamento de autores e artistas que defendem que a Cultura deverá continuar a ter um Ministério próprio no próximo Governo. O presidente da SPA, José Jorge Letria, disse que a medida “não faz sentido nenhum” porque “a capacidade de decisão de um ministro é diferente de um secretário de Estado”. Apesar de ter sido criada a 2 de Maio, a petição ganhou maior destaque esta semana depois da polémica dos últimos dias entre o actual Governo socialista e o PSD, cujo líder afirmou que, no caso de vencer as legislativas de 5 de Junho, o seu Governo não terá ministro da Cultura.

Tertuliano de Senna Fernandes classificou-se em segundo lugar numa competição gastronómica na China e quer fazer mais pela divulgação da gastronomia macaense dentro e além fronteiras Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com

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IZ que a cozinha é “apenas um hobby” mas o interesse pela gastronomia macaense levou-o a aprofundar oficialmente os conhecimentos no Instituto de Formação Turística de Macau, em 2007. Pupilo do chefe de pastelaria Herve Lemonon e do chefe executivo de cozinha Yves Duron,

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Chef de Macau premiado em Cantão

“Primeiro há que ganhar fama” a seguir ao curso teve a oportunidade de estagiar no antigo Mandarin Oriental, actual “Grand Lapa Hotel”. Aos 40 anos, Tertuliano de Senna Fernandes, funcionário público a tempo inteiro e chef nos tempos livres, está empenhado em lutar pela divulgação do património gastronómico macaense. Para isso participou pela segunda vez, apoiado pelo irmão Paulo de Senna Fernandes, na 12ª Competição Nacional de Técnicas Profissionais de Gastronomia, em Cantão. Trouxe o segundo prémio para casa. “Foi muito interessante, sobretudo porque competi com colegas chineses verdadeiramente profissionais, de cidades como Pequim e Xangai”, contou ao Hoje Macau. Senna Fernandes foi o único português num

CONCURSO DE CULINÁRIA MACAENSE

Está a decorrer hoje a 2ª Competição de Culinária Macaense para Profissionais, organizada pela Associação Culinária de Macau. Com o objectivo de promover o interesse pela profissão e incentivar futuros chefes para a gastronomia macaense, o evento conta com a participação do Turismo de Macau, a Confraria da Gastronomia Macaense, o Instituto de Formação Turística (IFT) e os hotéis MGM, Sands, Wynn, City of Dreams, Grand Hyatt, Grand Waldo e L’arc. A competição tem lugar hoje nas instalações do IFT, arrancando com a competição às 10 horas na cozinha do IFT e seguindo para o Restaurante Educacional às 17h30 onde decorre a cerimónia de entrega de prémios e cocktail de recepção.

universo de duas centenas de concorrentes chineses a participar, e com uma especialidade da terra. “Fiz uma sobremesa com sabor a manga que a mãe ensinou. O júri gostou muito, disse que sentiu algo muito especial e que o doce era bom para saborear no Verão.” Além da distinção, Senna

SEMINÁRIO NO ALBERGUE SCM

Já pensou no design do seu local de trabalho? A

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MANHÃ no Albergue SCM vai falar-se sobre ambiente de trabalho. Como é que o espaço onde trabalha influencia não só o seu rendimento como a sua vida em geral? Kin Lam, arquitecto e designer de interiores, vai lançar a problemática aproveitando a experiência de cinco anos na firma M Moser, em Pequim, para explicar a importância, muitas vezes subestimada, de um bom ambiente de trabalho. “As pessoas ignoram o facto de que o emprego ocupa a maior parte do tempo das suas vidas”, explicou o arquitecto ao Hoje Macau. “E não se trata apenas do espaço mas de tudo o que tem a ver com o trabalho.” Kin Lam refere-se a elementos como a mobília, a comunicação entre colegas, a qualidade do ar e a psicologia. “No fundo é o software e o hardware”, sustentou. No seminário de amanhã o arquitecto vai falar sobre o conceito de design de trabalho nos dias de hoje e da flexibilidade em termos da combinação de espaços para diferentes pessoas, tarefas e tipos de trabalho. “No início do século XX quando surgiu o conceito de escritório, havia uma separação clara entre

empregados de escritório e empregados fabris, mas hoje as coisas já não são assim, todos precisam de um bom espaço para trabalhar”, justificou o arquitecto. O conceito de ‘feng shui’ também não anda longe. “Tem um pouco a ver, mas não é o que interessa às pessoas que ficam sentadas no escritório. A essas importa-lhes a saúde, a qualidade do ar, os materiais e os instrumentos que usam. Os patrões é que pensam no ‘feng shui’, no posicionamento da mobília, etc”, explicou Kin Lam. O arquitecto considera que Macau tem falta de experiência e conhecimento neste sector. “Macau é um mercado diferente, há muita gente a trabalhar nos casinos e para o Governo, mas mesmo assim é tudo ambiente de trabalho”, apontou. E por falar em casinos, o que é que pode ser melhorado? “Os funcionários deviam ter um sítio agradável e seguro para descansar e conviver antes, durante e depois dos turnos”, exemplificou. “É impressionante a quantidade de horas que passam diariamente sem falar com os colegas, é assustador.” O seminário “Profissão ...Vida” decorre amanhã no Hall D1 do Albergue às 15h30.

Fernandes recebeu também o título de sub-chefe de Padaria e Pastelaria. Diz que quer continuar a transmitir os seus conhecimentos de gastronomia macaense através de workshops, tanto em Macau PUB

como na China, e até já tem uma pessoa interessada em publicar as suas receitas no Continente. “Seria um passo importante, tal como ajudar portugueses a conhecer o mercado da China através

dos meus contactos, conheço muitas pessoas lá”, adiantou o chef que no entanto admite que “primeiro há que ganhar fama”. Para isso serve-se da inspiração do ídolo, o chef britânico Jamie Olivier. “Gosto muito dele, é uma referência. Chegou a fazer um vídeo na Austrália onde se pode vê-lo a ensinar toxicodependentes e órfãos ajudando essas pessoas, o género de coisas que eu gostava de fazer também”, confessou. A gastronomia como veículo para a solidariedade está nos planos de Tertuliano de Senna Fernandes que entretanto já anda a sondar novas possíveis participações em concursos do género no China e arredores.


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PERFIL

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JULIANA MORESCHI | BAILARINA

“Macau é bem-estar de que não abro mão” Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

“Macau é uma cidade que me dá

muitas oportunidades e me faz crescer como artista”, soltou Juliana Moreschi, uma gaúcha de Porto Alegre, no Brasil, durante a nossa conversa no Hard Rock Hotel. Tudo começou na capital do Rio Grande do Sul há quase 33 anos, mas a dança só apareceu quando Juliana tinha 12 anos. “A minha irmã mais velha é que me influenciou. Quando a vi dançar disse logo à minha mãe que também queria.” Experimentou o ballet clássico e o jazz mais contemporâneo e amou, até hoje. Paralelamente, licenciou-se em Administração, carreira que quer retomar depois de largar a dança e se houver uma proposta tentadora. “Fiquei dez anos a dançar no Brasil mas parei porque me formei em Administração e trabalhei em bancos e empresas. Por agora quero ficar ligada à dança mas nunca se sabe.” Apaixonada pela arte, Juliana também experimentou a representação. “Sou uma artista. Tudo o que é arte me seduz. Através do grupo Gaia Brasil fui protagonista de uma versão alternativa do Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll.” Mas a dança sempre foi o seu sonho. Passou, em 2006, pelo prestigiado Club Med no nordeste do Brasil só que ouviu dizer que estavam a fazer audições de bailarinos para a empresa de Hong Kong, Star Cruises. Era o começar de uma carreira na Ásia e a possibilidade de viajar muito. “Durante ano e meio realizei performances de samba, jazz, contemporâneo, hip-hop, latin dance, zouk, entre outros. Conheci países como Tailândia, Malásia, Singapura, China e Vietname. Foi muito excitante.” Na sua estadia pela Ásia conheceu o seu agente que a trouxe de volta ao continente para trabalhar no Venetian, em Macau. “Cheguei aqui em 2009 e nunca mais parei. Felizmente são contratos atrás de contratos e as oportunidades são uma realidade”, explicou. Considera que Macau foi a melhor escolha mas não tendo planos fixos pensa ficar apenas mais um ano. “Não há dúvida que aqui tenho uma vida maravilhosa. Gosto de trabalhar como freelancer para ter tempo de fazer o que

mais quero. Enquanto houver trabalho vou ficando.” Para os próximos dois meses o projecto está no Galaxy onde vai “dançar muito”. No entanto não descarta outros projectos como ser bailarina da conceituada banda indiana Vyas Brothers. “Foi uma oportunidade muito gratificante que me deram.” Considera a cidade de Macau “muito bonita” mas onde se sente bem é em Coloane, local onde viveu até há pouco tempo. “Agora estou na Taipa mas Coloane é lindo. É um lugar óptimo para relaxar. É o meu lugar favorito de Macau.” O facto do português ser uma das língua oficiais tem sido benéfico para a sua adaptação mas o que mais gosta em Macau é a segurança. “Para uma brasileira, habituada a andar no Brasil sempre com medo, Macau é maravilhoso. A situação do Brasil é muito complicada. Existem muitas pessoas más no Brasil. Já não me sinto tranquila no meu país”, desabafou. Para Juliana Moreschi, Macau é “um local único no mundo” porque culturalmente “é muito interessante”. “Ver que a cultura portuguesa esteve sempre de mãos dadas com a cultura chinesa torna o território fascinante. Inacreditável num lugar tão longínquo ver chineses a falar português.” Atenta à sociedade que a rodeia, confessa que não entende muito de política mas assume que “falta levar mais a sério uma política de saneamento e lixo, bem como fazer de uma vez por todas os processos de reciclagem”. “Ainda há muito lixo e muito mau cheiro em vários pontos da cidade”, referiu. Outra das questões que deixa Juliana apreensiva é o ‘bluecard’. “Para os migrantes que não são portugueses o grande problema é o cartão azul. Quem quer trabalhar tem de o ter mas por outro lado se eu quero mudar de trabalho é um inconveniente porque, apesar de ter a vida organizada aqui, tenho de estar fora um tempo para poder voltar outra vez.” Seja como for, desenganem-se os que acham que Juliana não se sente bem por terras macaenses. Para a bailarina Macau é o porto seguro que nunca tinha tido na sua carreira de artista e, por isso, é um bem-estar que não abre mão.


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 20.5.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

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[ ] Cinema SALA 2

FAST & FURIOUS 5 [C] Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 1

VERTICAIS: 1-Acto de surripiar. Colocou. 2-Nome dos bagos que são o fruto da videira. Lã áspera 3-Obra de porcelana, duas vezes cozida. Mover-se, afastando-se. 4-Encoramento. Elemento de origem grega que significa verde. 5-Canto em louvor dos heróis. Soberano do sexo masculino. 6-Nome de algumas tribos indígenas do Brasil, em Mato Grosso. Demónio ou génio, que nos negócios graves, é consultado como óraculo. 7-Lápide. Acto de dormir. 8-Assoc. de Estudantes. Espécie de cogumelo comestível. Sua Santidade. 9-Dá mios. Periódicos. 10-Terreno onde crescem oliveiras. Diz-se do número cardinal formado de sete e mais um. 11-Elogios. Nome que os antigos davam aos oásis do Saara.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-BUBE. CRAMOL. 2-OVINHA. EILO. 3-FASCIAL. AIA. 4-ESCONSAR. VS. 5-T. ORO. POJA. 6-AZIA. NICOLA. 7-OUT. RIDOR. B. 8-DOCETA. NOE. 9-PE. LIO. SAIS. 10-ORIO. EOSITE. 11-SORRISO. SOS. VERTICAIS: 1-BOFETAO. POS. 2-UVAS. ZUDERO. 3-BISCOITO. IR. 4-ENCORA. CLOR. 5-HINO. REI. I. 6-CAAS. NITOES. 7-R. LAPIDA. OO. 8-AE. ROCO. SS. 9-MEA. JORNAIS. 10-OLEVAL. OITO. 11-LOAS. ABESES.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Bubão. Cramor. 2-Ovo do ninho de pássaros. Contracção, eis + lo. 3-Relativo ou pertencente a fáscia. 4-Despejar, esgotar. Vossa Senhora. 5-A parte podre de madeira. Parte inferior da vela do navio. 6-Azedume do estômago. Acto de nicar. 7-Fora, em inglês. Que ri. 8-Partidário do docetismo. Patriarca bíblico. 9-Peça da frente de um degrau. Atilho. ... minerais. 10-Planta indiana, painço. Eosita. 11-Acto de sorrir. Sinal de socorro.

PIRATES OF THE CARIBBEAN ON STRANGER TIDES [B]

SALA 3

Um filme de: Rob Marshall Com: Johnny Depp, Penelope Cruz, Geoffrey Rush 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Um filme de: Duncan Jones Com: Jake Gyllenhaal, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SOURCE CODE [B]

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:25 20:35 21:00 22:00 22:58 23:00 23:30 01:00 01:30 RTPi 82 14:00 14:30 15:30 16:00 17:00 17:45 19:00 20:00 21:15 22:00 22:30 22:45

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Ásia Global (Repetição) Ganância Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi Viver a Vida Acontecimentos Históricos TDM News Coyote Ugly (Coyote Bar) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

INFORMAÇÃO TDM

Telejornal Madeira Documentário Com Ciência Bom Dia Portugal Portuguese Pelo Mundo Quem Tramou Peter Pan? Estado de Graça Jornal Da Tarde O Preço Certo Eco Social Ingrediente Secreto Portugal No Coração

TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 ZingZillas 16:30 I.N.K. Invisible Network of Kids 17:00 The Penguins of Madagascar 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rick Stein’s Far Eastern Odyssey 21:30 Friday Hall Of Fame: The Break-Up 22:30 Marketplace 22:35 Friday Hall Of Fame: The Break-Up 23:50 The CEO Connection and World Market Update 23:55 News Roundup 00:10 Earth Live 00:15 Dolce Vita 00:45 America’s Next Top Model (XIII) 01:35 Get Reel Music Mix 02:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 13:30 14:00 14:30 15:00 15:30 18:30 19:30 20:00 20:30 21:30 22:00 22:30 23:30

Castrol Football Crazy Total Rugby 2011 World of Gymnastics 2011 Great Ireland Run Planet Speed 2010/11 MLB Regular Season 2011 New York Yankees vs. Baltimore Orioles (Delay) Baseball Tonight International 2011 (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Flamengo vs. Barcelona Global Football 2011 Sportscenter Asia Baseball Tonight International 2011 Football Asia 2011/12

STAR SPORTS 31 12:00 (LIVE) Sk Telecom Open Day 2 15:00 ATP - BMW Open Final 16:30 Fleet Racing Tour 2011 470 Spring Cup Finals 17:00 Hot Water 2011/12 18:00 Total Rugby 2011 18:30 Sbk Superbike World Championship 2011 - Special Highlights 19:00 HSBC Asian 5 Nations Rugby UAERA vs. Japan 21:00 Football Asia 2011/12 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 MotoGP World Championship 2011 - Highlights Grand Prix De France 23:00 (Delay) Sk Telecom Open Day 2 H/ls

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 12:30 ABOUT ASIA - Megastructures: SMART Tunnel 13:25 Animal Mega Moves: Rhinos 14:20 iPredator: Killer Whale 6 15:15 Fight Science 16:10 Incredible Human Machine 17:05 Dogtown: Hurricane Hound 18:00 Extraordinary Dogs 19:00 Seconds From Disaster 20:00 ABOUT ASIA - Ancient Megastructures 21:00 Wild Case Files: Texas Monster Web 22:00 Ghost Ship: Resurrection 23:00 Taboo - Rites Of Passage 00:00 Wild Case Files: Texas Monster Web

STAR MOVIES 40 11:40 Adam 13:25 A Few Good Men 15:45 The Spy Next Door 17:25 Bad Boys 19:25 The Accidental Husband 21:00 Knowing 23:05 Possession 00:35 Gamer

ANIMAL PLANET 52 13:00 Austin Stevens Adventures 14:00 Caught In The Moment - Monterey Bay 15:00 Wild Hearts: Dugong & Din 16:00 Wildest Africa - Sahara 17:00 Animal Cops Miami - Betrayal 18:00 Cell Dogs - Warm Springs 19:00 Chasing Nature - Apes 20:00 Austin Stevens Adventures 21:00 Wild Hearts: The Man Who Lives With Bears 22:00 Wildest Africa - Mount Kenya 23:00 Animal Cops Miami - Biggest Rescue Ever 00:00 Austin Stevens Adventures

HBO 41 13:00 14:50 16:45 19:20 21:00 23:40

Moonstruck The Cable Guy The Last Samurai Coraline Harry Potter And The Chamber Of Secrets Mortal Kombat

CINEMAX 42 12:00 14:00 16:00 18:15 19:45 21:45 22:00 23:30

Lakeview Terrace Romeo Is Bleeding Waterworld Earth Vs. The Flying Saucers Appaloosa Epad On Max 111 The Funhouse Eagle Eye

MGM CHANNEL 43 11:30 Rocky Marciano 13:15 The Believers 15:15 Steele Justice 17:00 Il Tango Della Gelosia 18:45 The War at Home 21:00 Leather Jackets 22:45 100 Films and A Funeral 00:15 Cop DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - More Myths Reopened 14:00 First Time Film Makers Vietnam 15:00 Mega Builders - London 2012 Aquatics Centre 16:00 Build It Bigger - South African Gold Mine 17:00 Dirty Jobs - Salt Miner 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Mega Engineering - Bering Strait Tunnel 20:00 Tattoo Hunter - Benin 21:00 Mythbusters 22:00 Kidnap & Rescue - Portrait Of An Operator 23:00 Forensics: You Decide 00:00 Mythbusters

(MCTV 43) MGM 18:45 THE WAR AT HOME

HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Icons Of Power 16:00 Top Shot 17:00 Swamp People 18:00 Shockwave 19:00 Modern Marvels 20:00 Swamp People 21:00 Hollywood’s Greatest Villains 23:00 Malaysia’s Very Able Troopers 00:00 Top Shot BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Intervention 14:00 Ferdinand Porsche 15:00 Storage Wars 16:00 Caroline Kennedy 17:00 Obsessed 18:00 Intervention 19:00 Rendezvous With Simi Garewal 19:30 Shatner’s Raw Nerve 20:00 Tough love 21:00 Private Sessions 22:00 Gene Simmons: Family Jewels 22:30 Storage Wars 23:00 Intervention 00:00 Celebrity Ghost Stories AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:50 15:40 16:30 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 23:50

Csi: Ny 24 The Amazing Race: Unfinished Business Leverage Csi: Ny Hawaii Five-O Csi: Ny House Csi: Crime Scene Investigation Criss Angel Mindfreak Ebuzz Csi: Crime Scene Investigation So You Think You Can Dance

STAR WORLD 63 12:10 American Idol 13:25 Hollyscoop 13:50 American Idol 14:45 Star World Presents 15:10 DC Cupcakes 15:40 Masterchef Australia 17:10 Glee 18:00 American Idol 19:00 Don’t Stop Believing 20:00 American Idol 21:00 Glee 21:50 Castle 22:45 Masterchef Australia) 23:40 American Idol 00:35 Glee

Informação Macau Cable TV


OPINIÃO

SEXTA-FEIRA 20.5.2011 www.hojemacau.com.mo

17 ed i t or i a l Carlos Morais José

Força, força, companheiro Vasco... O relatório do Comissariado Contra

a Corrupção, que foi o acontecimento político da semana na RAEM, vem provar várias coisas. A primeira é que o organismo dirigido pelo juiz Vasco Fong não tem problemas em passar a pente fino outras entidades do Estado e de apresentar relatórios condicentes com as suas observações. Ou seja, algo que é por aqui raro e positivo. A segunda é que, como todos sabemos, existe alguma confusão na área educativa, da qual o IPM será apenas o topo de um iceberg que ameaça atrasar este território em várias décadas. A terceira é que o governo tem agora uma oportunidade de reavaliar a sua atitude face às escolas, nomeadamente de ensino superior, não interferindo directamente, mas exigindo critérios de funcionamento que assegurem a qualidade do ensino ministrado. A educação — é preciso dizê-lo — nunca foi uma paixão do governo de Macau. Nem antes, nem depois. Ou antes pelo contrário. Sempre se deu rédea livre e dinheiro às escolas, mas pouca preocupação pareceu sempre existir sobre a qualidade dos currículos e o modo como estes estão ou não adequados ao mundo contemporâneo. A actuação de sempre do executivo faz pensar claramente que dinheiro não chega, como se nós nunca tivéssemos aprendido tal lição. Por seu lado, é voz corrente que muitas escolas são, antes de mais, fábricas de canudos, o que parece satisfazer professores e alunos. Grau de exigência miserável, admissão de burrice extrema nos mais altos escalões do ensino. Ora tal situação não é, na realidade, boa para ninguém. De facto, os alunos bem podem sair com um diploma das escolas, mas tal papel resume-se a ser simplesmente isso, um papel, que depois para pouco ou nada serve, a não ser enganar temporariamente um patrão que rapidamente se aperceberá que contratou alguém que está a milhas de perceber algo sobre o assunto no qual andou a “marrar” durante alguns anos. A teoria que os ingleses aplicavam às suas escolas secundárias — ensinar pouco para garantir trabalhadores braçais — aqui parece que se aplica ao ensino superior. Depois, é o que se sabe: gente ignorante e sem mundo, de diploma universitário na mão e a conclusão de que mais valia terem entrado logo para a agiotagem e outros mesteres que por aqui proliferam. Voltando ao CCAC. Espera-se que a coisa não se fique por aqui e outras entidades dependentes da Administração sejam igualmente escrutinadas. Pelo que

Espera-se que a coisa não se fique por aqui e outras entidades dependentes da Administração sejam igualmente escrutinadas. Pelo que vamos sabendo, o CCAC não terá mãos a medir. Falar-se-á de falta de experiência, de leis bacocas, de regulamentos internos pós-coloniais. Mas tudo isto são desculpas de mau pagador. vamos sabendo, o CCAC não terá mãos a medir. Falar-se-á de falta de experiência, de leis bacocas, de regulamentos internos pós-coloniais. Mas tudo isto são desculpas de mau pagador. No fundo, ainda voltando ao IPM, quem sofrerá mais com o estado das coisas serão os alunos e só eles, porque deles será o futuro e parecem não estar preparados para ele. O problema reside na falta de seriedade (chin) e rigor que urge implementar, a começar na

ca rtoon por Steff

aceitação de adesões de estudantes que, claramente, não estão preparados para o ensino superior. O caso IPM vem também demonstrar que o nome da instituição que combate a corrupção e a ilegalidade administrativa foi mudado à pressa e sem a necessária reflexão. Afinal, estamos perante ilegalidades administrativas e não casos de corrupção. Assistimos muito a uma febril ânsia de mudar tudo em 1999. Foi pena

não se terem preocupado com o essencial e deixado o que estava bem. Lembro-me de um casos mais gritantes que temos a tendência de nos esquecermos. Por detrás de umas ripas de madeira, pintadas de branco, onde está escrito IACM, o vetusto edifício da câmara, no Largo do Senado, ainda lá tem as belíssimas letras de cobre onde se podia ler: “Leal Senado”. Perante este atentado ao património, tudo bem; mas quando se trata de realmente favorecer e trabalhar para o povo, já o panda torce o rabo. A ver vamos se a classe dirigente perde os seus complexos e ajuda a transformar Macau numa cidade, sem complexos, definitivamente apostada em singrar no século XXI. Garanto-vos, meus amigos: o tempo não volta para trás. Mas a verdade é que também não pára. Tic, tac... tic, tac... Força, força, companheiro Vasco...

ANIVERSÁRIO


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OPINIÃO

18 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

Poupar ou gastar tempo? “The design of highways, runways, ports or any transportation facility is guided by knowledge and theory of the traffic streams they serve. A facility’s scale, its geometry and its control measures are selected to affect certain properties of its traffic, such as the travel delay, the separation between vehicles…” Handbook of Transport Science Randolph W. Hall

A

TINGIR economias do tempo representa uma transferência social da destruição do ambiente. Em termos globais, assiste-se à degradação ambiental em vastas regiões do mundo, ao que normalmente chamamos de países em desenvolvimento, devido ao desejo de apoiar estilos de vida insustentáveis dos países desenvolvidos. Em Tóquio, São Paulo, Cidade do México, Xangai, Banguecoque, Los Angeles, Berlim, Londres, Hong Kong, entre outras metrópoles, as pessoas não têm constrangimentos de tempo, porque podem percorrer longas distâncias de automóvel atravessando bairros mais pobres, e expondo as crianças e idosos às hipóteses acrescidas de acidentes de viação. Podem ir de avião para regiões distantes e saciar o seu apetite de estilos de vida, culturas e ecologias tradicionais. O turismo é basicamente uma procura exaltada de experiências comprimidas no tempo, na realidade virtual de um local exótico. Despender um tão grande esforço para consumir tanto num curto espaço de tempo, contribui significativamente para a poluição global, em especial nos arredores dos aeroportos, em destinos turísticos dez a doze quilómetros acima da superfície da Terra, onde as emissões dos aviões injectam gases de estufa na atmosfera. O aumento da procura de viagens de avião, que está intimamente associado ao aumento da procura de viagens turísticas, é talvez mais insustentável do que a utilização do automóvel, autocarro, camião e transporte rodoviário de mercadorias, criando problemas atmosféricos importantes e uma procura insaciável de terminais, parques de estacionamento, vias rápidas e outras infra-estruturas no solo. Embora mesmo em condições difíceis, é possível e desejável planear uma transferência dos automóveis para os transportes públicos. Não é possível admitir nenhuma transferência dos transportes aéreos para soluções alternativas em longas distâncias. O transporte aéreo que constitui a essência dos estilos de vida intensivos em termos de distância e economizadores de tempo, não se substituem facilmente por outros sistemas e impõe-se uma redução na sua procura, que ainda que difícil, esta a ser diminuída

em alguns países pelos comboios de alta velocidade para distâncias não muito longas. O comboio de alta velocidade chinês, por exemplo, que fez o primeiro percurso entre Xangai e Pequim dia 11, liga as duas cidades em cerca de 5 horas. AChina terá nos próximos anos a maior quantidade de quilómetros de linhas de alta velocidade, ultrapassando a soma de todas as redes do resto do mundo, e está a exportar esta tecnologia para vários mercados, entre eles, os Estados Unidos. O sistema de transportes e o seu volumoso financiamento por parte dos países, representam uma transferência sistemática de tempo dos grupos mais fracos em termos económico-sociais para os grupos mais fortes, e é exactamente o que significam as análises de custo-benefício constantes das propostas para construção de estradas. Os processos são cumulativos e oportunistas.

Quanto mais forem destruídos o ambiente urbano e as zonas à sua volta com desvios justificativos por argumentos de índole ambiental, mais serão excluídas as pessoas dos espaços públicos e da interacção social que exige ou faz desperdiçar tempo. Maior número de viagens de automóvel, alimentam a procura de mais espaço rodoviário retirando credibilidade aos transportes públicos, tendo como resultado a maior construção de estradas, destinado a aumentar a sua oferta, que na maioria dos países desenvolvidos num período de dez anos não deve exceder 5 a 10 por cento, e na realidade atingem entre 80 a 150 por cento, sendo o dobro nas zonas rurais. A China tem sido o país que regista o maior aumento mundial. O programa de construção de estradas, a produção de cimento, os cerca de 50 por cento das viagens de automóvel cuja extensão é inferior a vinte quilómetros e o consumo de recursos associados à produção e à utilização de automóveis, são responsáveis por quantidades significativas de poluição sonora, atmosférica com emissão de gases de estufa e ocupação do solo.

O automóvel pode poupar muito do tempo gasto em viagens, além de oferecer um grande número de oportunidades num período reduzido. As viagens de objectivos múltiplos são possíveis de automóvel e seriam impossíveis em transportes públicos. São vantagens reais e podem ser quantificadas. Há, no entanto, dois argumentos a ter em conta; o primeiro de que o automóvel não pode ser adquirido nem usado sem um gasto de tempo e de esforço, o qual penaliza significativamente o utente do automóvel; e segundo, é o do automóvel suscitar uma série de alterações no uso do solo e na organização do espaço, que reagem às novas oportunidades de movimento, afastando a sociedade para zonas mais distantes. As economias de tempo são rapidamente absorvidas pela necessidade de percorrer distâncias maiores e fazer exactamente o mesmo

O aumento da procura de viagens de avião, que está intimamente associado ao aumento da procura de viagens turísticas, é talvez mais insustentável do que a utilização do automóvel, autocarro, camião e transporte rodoviário de mercadorias, criando problemas atmosféricos importantes e uma procura insaciável de terminais, parques de estacionamento, vias rápidas e outras infra-estruturas no solo. de há poucas décadas atrás, percorrendo distâncias menores. O tempo exigido pelos automóveis, e portanto pela própria viagem, é um indicador fundamental da evolução da sociedade para níveis crescentes de consumo, e este é muito alimentado por combustíveis fósseis, aumentando os níveis de poluição, o aquecimento global e os problemas de saúde. O “Instituto de Investigação Ambiental Aplicada”, na Alemanha, fez um cálculo das necessidades de tempo impostas pelos automóveis no país, mostrando que a velocidade social média dos grandes automóveis, comparada com a dos automóveis mais pequenos, permite concluir que estes são mais saudáveis em termos ambientais, podendo aumentar essa qualidade mais de 70 por cento, se forem usadas energias alternativas para a sua locomoção, e é o mais rentável quanto ao tempo gasto.

O conceito de velocidade social média é muito mais revelador das relações entre o gasto de recursos, o gasto de tempo e a destruição ambiental do que os pressupostos ingénuos acerca da velocidade indicada no velocímetro. Para atingir altas velocidades nas auto-estradas e fazer corridas ilegais em algumas estradas, pontes e zonas residenciais, como por vezes acontece, em Macau, durante a noite, é preciso consumir grandes quantidades de energia e trabalhar o tempo necessário para suportar esse dispêndio. Ainda mais revelador seria o acréscimo de velocidade social média, necessária para cobrir o tempo de trabalho para sustentar a despesa, que permitiria erradicar a poluição atmosférica e sonora, recuperar os feridos em acidentes de viação e pagar as despesas de saúde, àqueles cujo aparelho respiratório tivesse sido afectado pela exposição às emissões gasosas dos veículos. A procura de economias de tempo não é apenas ilusória, é em geral contraproducente e, por vezes, irremediável. Um acidente de viação fatal priva alguém do seu tempo para sempre. A um nível básico, os dados alemães revelam um aumento ao longo do tempo da sua quantidade gasta em deslocações e velocidades médias muito baixas e estáveis. Semelhantes dados mostram no Reino Unido, que um aumento ao longo do tempo da quantidade do mesmo que passam em deslocações de um lado para outro. Estes aumentos de tempo são corroborados por aumentos das distâncias, que têm de ser percorridas nas deslocações para o emprego e para actividades de lazer e a fazer ligações com estabelecimentos, escolas e hospitais cada vez mais distantes. Os processos responsáveis pela concentração destas actividades num número inferior de locais e as distâncias médias cada vez maiores que separam as origens dos destinos, constituem os processos básicos que criam a procura de transportes e a posse e uso de veículos que impõe penalizações de tempo. Uma das ironias implícitas nestes processos, é que a imposição de penalizações é geralmente apresentada como um aumento de liberdade e de escolha, e a publicidade feita aos veículos e o apoio à construção de estradas assenta em termos de liberdade, de possibilidade de escolha e de aumento de qualidade de vida. A realidade é diferente, visto que cada vez se gasta mais tempo em deslocações, geralmente em situações desagradáveis, para satisfazer necessidades e pretensões que antes podiam ser satisfeitas mais perto dos outros e dos locais de residência. Factologia dada como provada em todas as cidades do globo.


sempre,

O que sucedeu há três mil anos, sucederá porque a humanidade é sempre a mesma. Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

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OPINIÃO

ca u sa s p ú b l i ca s Um olhar atento sobre a actualidade da RAEM

José Pereira Coutinho

Habitação é mesmo económica? E

NCONTRA-SE presentemente em plena discussão quer na 3ª. Comissão quer na sociedade em geral, a proposta de lei para o Regime de Construção e Venda de Habitação Económica, que tem o objectivo auto-proposto de aliviar e apoiar os residentes da RAEM com reais necessidades na resolução temporária dos problemas habitacionais, bem como desenvolver oferta de habitação mais adequada às reais necessidades e capacidade aquisitiva dos residentes da RAEM. O Governo através da Nota Justificativa anexa à referida proposta explica que “com o rápido crescimento económico da RAEM nos últimos anos, verifica-se um grande aumento dos preços de habitação do mercado imobiliário. Por outro lado, devido ao contínuo aumento da procura de habitações, os preços de venda e as rendas têm-se mantido a um nível alto, tendo como consequência o facto dos residentes não serem capazes de resolver os problemas relacionados com a habitação”. A proposta contém várias iniciativas meritórias, como o maior controlo sobre as vendas deste tipo de habitação, a definição clara de regras de candidatura para a aquisição destas habitações, adoptando aliás soluções que já tinha defendido em ocasiões anteriores, e a imposição de sanções mais severas para quem viole estas regras. No entanto, e ainda assim, a reforma proposta peca por escassa e por apenas assegurar de forma temporária o acesso a estas habitações económicas a quem delas verdadeiramente necessita. É que ao fim de 16 anos – uma janela temporal relativamente curta na vida de um imóvel e do seu proprietário – a proibição de venda a terceiros é levantada e o proprietário de uma habitação económica pode vendê-la, a quem quiser, pelo preço que quiser, sem que sequer se crie uma nova proibição de venda sobre quem compra o imóvel. Depois de 16 anos, uma habitação construída e financiada pela RAEM para ser económica pode voltar a ser vendida pelos preços obscenos de todas as outras, ficando os residentes que tenham nessa altura dificuldades privados do acesso a elas. Ou seja, o que o Governo da RAEM está na realidade a criar é um “balão de oxigénio”. Durante 16 anos, o Governo fomenta a especulação e findo esse período, ela converte-se em mais fracções como quaisquer outras, prontas a serem vendidas e revendidas a preços irreais, perpetuando-se e agravando-se assim o ciclo de especulação imobiliária

O que o Governo da RAEM está na realidade a criar é um “balão de oxigénio”. Durante 16 anos, o Governo fomenta a especulação e findo esse período, ela converte-se em mais fracções como quaisquer outras, prontas a serem vendidas e revendidas a preços irreais, perpetuando-se e agravando-se assim o ciclo de especulação imobiliária que se pretende combater. que se pretende combater. No fundo, a RAEM prepara-se para subsidiar em larga escala os futuros ganhos dos proprietários destes imóveis e para financiar uma nova geração de especuladores, que terão aqui a oportunidade de fazerem o negócio das suas vidas, comprando muito barato e vendendo muito caro, tudo a expensas do erário público. Para além disso, esta solução promete abrir as portas a todo um conjunto de práticas fraudulentas como contratos-promessa a 16 anos ou residentes desfavorecidos a candidatarem-se à concessão de habitação económica como “testas-de-ferro” de especuladores imobiliários, contra promessas de habitação gratuita durante 16 anos e contrapartidas na venda futura. Não é com este propósito que se deve construir habitação económica, mas antes com o de assegurar que apenas pessoas com efectivas dificuldades possam ter acesso. Criar e financiar habitação de baixo custo para uma determinada faixa da população é assumir que essa habitação deve ser disponibilizada fora das leis do mercado, cuja liberdade nos conduziu a este ponto. Assim sendo, porquê ao fim de 16 anos devolver estas habitações ao mercado livre, voltando a desproteger precisamente as pessoas a quem elas se destinavam? Como tal, e numa posição que já defendi publicamente, considero que o Governo da RAEM deve manter as limitações de venda deste tipo de fracções sem prazo, permitindo apenas ou a venda a outras pessoas que reunam os requisitos legais para acederem a habitação económica ou a reaquisição das fracções pelo próprio Governo, pelo seu valor de aquisição original, ajustado com base na evolução do

Índice de Preços do Consumidor. A habitação económica deve ser entendida como a satisfação de uma necessidade pública, e não como uma hipótese de negócio. Entender o contrário e permitir que as actuais vítimas da especulação imobiliária se transformem nos futuros especuladores é a subversão total dos princípios subjacentes a esta iniciativa e um passo definitivo no sentido de perpetuar este problema.

OS CONCURSOS PARA A CONSTRUÇÃO: OS “SUSPEITOS” DO COSTUME

Ainda sobre este tema, não posso deixar de dar conta da minha preocupação com os vários processos de concurso presente em andamento junto do GDI e previstos para um futuro próximo. É com surpresa que verifico um clima de conformismo junto de empresas locais, que apesar de concorrerem aos projectos de construção da habitação pública, já sabem à partida que lhes será adjudicado nenhum contrato. A acrescer a este sistema quase monopolista em que meia dúzia de empresas de construção obtêm todas as adjudicações e controlam os preços e actividade de construção em Macau, as regras recentemente implementadas para maior definição dos critérios de adjudicação ajudam a perpetuar esta situação, criando um sistema que beneficia em muito as grandes e já estabelecidas empresas de construção locais e internacionais, enquanto que continua a penalizar empresas menores, que, embora com capacidade para a execução de obras públicas, se vêm irremediavelmente afastadas da possibilidade de adjudicação em virtude destas regras. Por exemplo, no caso do Projecto CN4 – o maior de todos eles – corre desde há meses no mercado que está já adjudicado a uma grande empresa de construção chinês. Ainda assim, sei que há empresas locais corajosas e dispostas a quebrar este quase monopólio que se instalou nas obras públicas da RAEM e tenho esperança que o Secretário que tutela o GDI venha a reconhecer a sua qualidade, perseverança e natureza local. Ou será que queiramos voltar à era do Ao Man Long?

A FALTA DE REGULAMENTAÇÃO NO SECTOR DAS TELECOMUNICAÇÕES

Numa altura em que o monopólio da CTM no mercado das telecomunicações da RAEM finalmente se aproxima do seu final (31 de Dezembro de 2011), abrem-se novas perspec-

tivas de qualidade e fiabilidade de serviços telefónicos e de Internet para a RAEM, com a propalada emissão de mais uma ou mesmo duas licenças de telecomunicações. Embora Macau goze de uma das maiores taxas de penetração de internet em todo o Mundo (mais de 70%), o leque de serviços disponibilizados continua a ser extremamente limitado e cada vez mais desadequado à realidade do mundo digital. Com o aparecimento de cada vez mais actividades económicas na RAEM e com a dependência cada vez maiores destas da internet e das valências a ela associadas, Macau é um mercado extremamente apetecível para os mais variados prestadores de serviços de internet, que prometem revolucionar o mercado das telecomunicações da RAEM. No entanto, existe um grande entrave a este potencial de investimento e de aumento de qualidade dos serviços prestados aos cidadãos da RAEM: a falta de legislação actualizada que regulamente este sector. Os poucos diplomas que existem sobre telecomunicações e internet têm quase 10 anos e estão hoje em dia perfeitamente ultrapassados em termos da diversidade de situações reguladas e da sua capacidade de enquadrar os serviços cada vez mais plurilocalizados e desmaterializados que a internet permite. Esta falta de legislação acaba por aumentar em muito a discricionariedade da Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações quanto a requisitos regulatórios e emissão de licenças e autorizações, o que por sua vez leva a que qualquer investidor estrangeiro, confrontado com esta incerteza, se retraia nas suas intenções de investimento. Quem fica a perder com esta situação é a RAEM e todos os seus residentes, que, por força de um quadro jurídico anacrónico, correm o risco de ver adiado o que pode ser um verdadeiro salto tecnológico para a Região, com todos os benefícios económico-sociais daí resultantes. O aproximar do final da concessão da CTM é assim o momento ideal para o Governo reformular os mecanismos legais que regulam o sector das telecomunicações, por forma a que a RAEM tenha um modelo jurídico preparado para o momento em que o mercado das telecomunicações se abra a novos agentes, novas práticas e novos produtos. No final quem realmente fica a ganhar são os consumidores destes serviços o qual neste momento estão a ser prestados serviços deficientes, má qualidade e extremamente caros.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


JÁ TENS CASA, JULIÃO? PREVISÃO DE CINCO TEMPESTADES TROPICAIS Macau deverá ser afectada este ano pelo menos por cinco tempestades tropicais, duas das quais podem levar ao hastear do sinal número oito (numa escala de 1 a 10), segundo as previsões preliminares dos Serviços Meteorológicos divulgadas ontem. De acordo com as autoridades locais, a primeira tempestade tropical deverá atingir o território na segunda metade de Junho, ou seja, mais cedo do que o normal. Já a última prevê-se que afecte o território em meados do mês de Outubro. VISITANTES GASTAM MAIS A despesa média dos visitantes chegados a Macau no primeiro trimestre foi de 9,8 mil milhões de patacas, mais 13 por cento do que o registado no mesmo período de 2010. De acordo com os dados divulgados pelo Serviço de Estatísticas e Censos de Macau, que excluem a despesa no jogo, o gasto per capita dos visitantes situou-se nas 1.516 patacas, correspondendo a um aumento de 07 por cento em relação às 1.417 patacas registadas de janeiro a março de 2010. Em termos de local de residência, a despesa per capita dos visitantes da China Continental, do Japão, do Sudeste Asiático, de Hong Kong e de Taiwan atingiu, respetivamente, as 1.928 patacas, 1.366 patacas, 1.166 patacas, 873 patacas e 856 patacas. O gasto médio dos turistas cresceu 14 por cento no primeiro trimestre de 2011, atingindo as 2.623 patacas, enquanto que as despesas dos excursionistas diminuíram um por cento, para as 600 patacas. CHINA PARTIDO COMUNISTA ONLINE A China lançou uma base de dados online de acesso gratuito que contém uma compilação de trabalhos teóricos de líderes do Partido Comunista da China (PCC) e documentos emitidos pelas autoridades centrais do país. O site, www.ccpph.com. cn, tem o objectivo de mostrar os êxitos em pesquisa teórica que o PCC vem realizando desde sua fundação há 90 anos, indicou nesta terça-feira em um comunicado a Casa Editorial Popular, que opera a base de dados. Com um acervo de mais de 10 mil livros guardados nos arquivos virtuais, a base de dados destaca os trabalhos de líderes chineses de diferentes períodos, entre os quais Mao Zedong, Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao, assim como os trabalhos sobre Marxismo e Leninismo, explica o comunicado. O desenvolvimento da base de dados, que é um projecto financiado pelo governo, foi iniciado em 2008.

TINHA. ERA TÃO ECONÓMICA QUE A...

... VENDI

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!!!

China | Sanções a quem propague doenças sexuais

Transmissões saem caras

O

S cidadãos que propaguem doenças sexualmente transmissíveis (DST) vão ser responsabilizados, assegurou ontem o Ministério da Saúde chinês. O projecto de alteração ao regulamento sobre prevenção e tratamento de DST vai aplicar sanções financeiras e criminais a quem intencionalmente espalhe DST’s. A lei alterada exige aos infectados com doenças do foro sexual que tomem precauções para evitar a transmissão para outras pessoas, ao contrário do previstono regulamento actual, em vigor desde 1991, que apenas obrigava à procura de tratamento. A proposta também exige a não

discriminação dos pacientes infectados com DST e obriga à prestação médica de serviços adequados, muitas vezes rejeitada nos hospitais da China. O projecto alberga ainda a criação de uma lista de registo de ocorrências de infecções por DST’s. Estatísticas do Ministério da Saúde do continente mostram que além das 932 pessoas que morreram de SIDA em Abril, havia 7.806 casos relatados de gonorréia e 35.153 de sífilis, dados que representam uma ligeira descida para cada doença relativamente ao mês de Março. Wang Ning, vice-director do Centro Nacional de Controlo de SIDA e DST disse que o objectivo das sanções é de garantir os direitos das vítimas e permitir que estas possam processar os transmissores voluntários das DST. No entanto, algumas pessoas estão cépticas sobre o projecto de alteração. Qiu Renzong, um pesquisador de bioética da Academia Chinesa de Ciências Sociais, alega que era desnecessário o diploma albergar apenas as transmissões por DST, já

que “muitas outras doenças infecciosas também pode ser maliciosamente espalhadas”. “Esses casos acontecem e não raramente. A acusação de lesão intencional no âmbito da actual lei penal é suficiente para lidar com eles”, disse o especialista ao China Daily. Para Qiu Renzong, no lugar das sanções seria melhor “educar os portadores de DST e oferecer um tratamento mais eficaz”. Membros do grupo Red Ribbon, que fornece ajuda e conselhos a pessoas infectadas, também não estão de acordo com a nova proposta porque acreditam ser muito difícil obter provas que demonstrem a transmissão intencional. As sanções, tanto financeiras como penais, já foram aplicadas em 2006 àqueles que intencionalmente propagaram o vírus do VIH/SIDA. A proposta de lei está agora aberta à opinião pública até Junho na página electrónica do Conselho de Estado. Ainda não se sabe quais serão os valores para as multas nem os restantes encargos penais.

NOIVA REJEITADA TENTA SALTAR DO SÉTIMO ANDAR

Uma aspirante a noiva foi resgatada em segurança ao tentar pular do sétimo andar de um prédio no noroeste da China depois do seu noivo romper o relacionamento de quatro anos. A agência Reuters disse que o rompimento aconteceu quando o casal planeava casar. Usando um vestido de noiva, a mulher de 22 anos foi agarrada pelo oficial comunitário Guo Zhongfan ao tentar pular de 7º andar de um prédio na cidade de Changchun. A estudante identificada como Miss Li, de 22 anos, sentou-se a chorar na beira da janela do prédio na cidade de Changchun, na província de Jilin. Então, ameaçou saltar, dizendo que não poderia viver com o facto do noivo a ter deixado e casado com outra mulher, pouco antes do casamento dos dois.

VANESSA FERNANDES INTERNADA PARA TRATAR ANOREXIA E BULIMIA A ex-campeã do mundo de triatlo Vanessa Fernandes foi internada numa clínica para tratar uma anorexia e bulimia nervosas. A notícia é avançada pelo jornal Destak, que acrescenta que a desportista de 25 anos está, neste momento, a seguir um tratamento que visa a reconquista por parte de Vanessa da auto-estima que lhe permitiu conquistar várias vitórias no panorama internacional. Recorde-se que a atleta do Benfica, natural de Perosinho, freguesia de Vila Nova de Gaia, estava afastada da competição desde Fevereiro, altura em que anunciou a decisão de fazer uma pausa na carreira, por motivos de saúde. STRAUSS-KAHN OUTRA PESSOA NO QUARTO, DIZ LE FIGARO Um funcionário do hotel estava no quarto do exdirector-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss Kahn quando a camareira que o acusa de abuso sexual entrou no local, avançou ontem o jornal Le Figaro. Como revelaram fontes próximas da cadeia proprietária do hotel Sofitel, onde ocorreram os factos, citadas pelo jornal francês, o homem ia levar o pequeno-almoço a StraussKahn quando a empregada do serviço entrou e perguntou se podia começar a limpar o quarto. O funcionário indicou que tinha concluído o seu trabalho e que a suíte estava vazia, com o que a camareira Nafissatou Diallo não saberia que o político francês estava nesse momento na casa de banho e pensou estar sozinha no local. Caso seja confirmada a presença dessa terceira pessoa, o seu testemunho sobre o estado do quarto e o de Diallo poderia ser importante para a investigação, principalmente porque não havia qualquer câmara no corredor que leva ao quarto 2806. Seria igualmente relevante determinar o momento exacto em que tudo ocorreu.


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Hoje Macau 20 MAI 2011 #2372 by Jornal Hoje Macau - Issuu