hoje macau
Nº 4781 TERÇA-FEIRA 20-4-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
DADOS BIOMÉTRICOS
CONSERVAR PARA O QUE DER E VIER
GCS
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RECTIFICAR É VIVER
Não podemos pensar no futuro do mundo sem ver o papel da China
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GUILHERME D’OLIVEIRA MARTINS EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO ENTREVISTA
GCS
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VACINAS
ATÉ À ÚLTIMA GOTA PUB.
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A PERSONAGEM
PAULO JOSÉ MIRANDA
VELHO MARINHEIRO AMÉLIA VIEIRA
DA DESINQUIETAÇÃO ANABELA CANAS
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ORÇAMENTO
MAFALDA GOMES
MOP$10
2 entrevista
20.4.2021 terça-feira
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“Negociar a Declaração Conjunta obrigou a coragem” Guilherme d’Oliveira Martins dá amanhã, às 18h30, uma palestra online sobre a relação entre arte e educação na Fundação Rui Cunha. Em entrevista, o administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian e antigo ministro da Educação, que acompanhou a criação da Escola Portuguesa de Macau, revela-se orgulhoso do trabalho feito e lembra as negociações com a China para a Declaração Conjunta como o principal momento da presidência de Mário Soares Arte e educação. São complementares e fundamentais? A arte é fundamental, uma vez que se trata da primeira etapa da aprendizagem de qualquer ser humano. Os estudos de psicologia educativa demonstram que o primeiro passo que damos tem a ver com a aprendizagem dos sentidos e das artes. Hoje sabemos que ainda dentro da barriga da mãe uma criança já responde a estímulos musicais, e por isso quando temos educação de infância deparamo-nos imediatamente com o primeiro passo em relação às artes, música e pintura. Quando um dia perguntaram a Sophia de Mello Breyner o que era indispensável numa escola, ela disse: “Poesia, música e ginástica”. O jornalista ficou muito surpreendido, e disse: “Mas, senhora dona Sophia, e a matemática?”. Sophia respondeu:
“Acha que é possível distinguir uma redondilha de um alexandrino, ouvir uma pauta de música, sem relacionar a matemática?”. O jornalista ficou esclarecido. Sophia estava a falar da aprendizagem das suas referências mais antigas, a escola grega, que tem todos estes elementos. As artes estão sempre no princípio. E daí a importância que o ensino artístico tem quando falamos daquilo que é uma experiência indispensável, a do diálogo, inovação, da criação e da capacidade de nos conhecermos melhor. Fala destas questões para um território onde existe a Escola Portuguesa de Macau (EPM), um projecto educativo diferente… Que eu conheço muito bem. Tivemos a oportunidade de desenvolver um projecto que superou as expectativas
iniciais. Sinto um especial orgulho em virtude da qualidade do projecto educativo e dos resultados alcançados. Houve, no início, muitas dúvidas naturais, estávamos próximos do handover e não sabíamos sequer o que iria ser o futuro desenvolvimento da EPM. Daí ter superado as expectativas como um projecto pedagógico de grande qualidade e que vai ao encontro daquilo que são as exigências da contemporaneidade. Que desafios aponta à EPM para o futuro? Hoje a maior parte dos alunos tem o chinês como língua nativa. Essa é hoje uma realidade muito evidente, a do multilinguismo. O futuro é o diálogo entre várias línguas, é indispensável garantir o paradigma da educação e da formação ao longo da vida. Há a necessidade de
aprendermos várias línguas e de em simultâneo garantir que, ao termos conhecimento, podemos dialogar melhor. O centro académico do mundo onde existe o maior número de aprendentes de língua portuguesa está em Pequim. Sou jurista de formação e quando saí da universidade fui para a contratação internacional, para o Direito internacional. Tive de trabalhar na língua inglesa e um dos problemas que existia era a falta de compreensão dos subscritores dos contratos em relação ao conteúdo dos mesmos. Hoje não temos qualquer dúvida de que quem assina um contrato tem de saber as suas consequências na língua que domina. O português é hoje a língua mais falada no hemisfério sul…
Graças ao Brasil. Sim, ao português do Brasil. E há uma compreensão exacta que leva a que a nossa relação com a cultura chinesa, com a aprendizagem das instituições da República Popular da China (RPC), parta desta ideia, da necessidade de aprender o português porque é uma língua importante. Estamos a chegar à sua primeira pergunta, sobre a importância das artes. Esta capacidade que temos de aprender várias línguas, paralela à necessidade de usarmos a linguagem universal da arte, para podermos dialogar melhor. Que análise faz à intervenção do Estado português na EPM nos últimos anos? Houve algum distanciamento? É indispensável continuar a haver uma atenção especial e um acompanhamento relativamente à experiência da EPM. É algo que, quer junto do ministro da Educação e do Governo, tenho exprimido com especial ênfase, até pela ligação antiga que tenho à escola, em relação a alguém de quem sou muito próximo, que é o professor Roberto Carneiro [ligado à Fundação da EPM]. Essa atenção terá sempre resultados positivos no plano político e na relação com o centro fundamental da economia mundial, que é a RPC e a língua chinesa. Quando era ministro da Educação e lidou com o dossier da EPM, quais eram os maiores receios relativamente ao período pós-1999? O receio fundamental não se verificou, que era uma redução muito drástica do número de alunos e da presença da língua portuguesa em Macau. Considero que o trabalho realizado e a prática assumida em Macau tem permitido que a língua portuguesa continue a ter um lugar importante. As autoridades chinesas também contribuíram para esse sucesso ao apostar na língua portuguesa, nomeadamente Pequim, além do apoio financeiro das autoridades de Macau à escola.
Não tenho dúvidas. Sei bem, até porque a minha experiência, na sociedade civil, em termos do diálogo cultural, tem sido positiva. O papel da RPC no aspecto da língua é positivo. Acompanhou o diálogo com a China relativamente à Declaração Conjunta quando era assessor de Mário Soares na Casa Civil da Presidência da República. Considera que a Declaração Conjunta e a Lei Básica têm sido cumpridas por Pequim? Pelo que tenho acompanhado, sim. Há uma relação que globalmente é positiva.
“Além de Soares, também o general Ramalho Eanes teve um papel extremamente positivo porque conhecia Macau.” Portugal deveria dar mais atenção a Macau no plano político, e não apenas económico? Nesse domínio, não tenho uma leitura pessimista. A minha preocupação é defender o aprofundamento do carácter positivo dessa relação. Tenho uma perspectiva positiva [da evolução da situação após 1999], pois penso que devemos fazer um esforço real para que as coisas corram o melhor possível. Em relação à relação bilateral entre Portugal e China, que análise traça sobre o seu futuro? A posição portuguesa desenvolve-se no contexto europeu e compreendendo as condicionantes geoestratégicas actuais. Vivemos um sistema de polaridades difusas e vão haver vários focos de desenvolvimento. A verdade é que não podemos pensar no futuro da geoestratégia mundial sem o papel crescente da China e a sua importância. É indispensável que essas polaridades que encontramos devam pender para se equilibrar em nome da paz. Uma cultura de paz para mim é particularmente importante e isso só existe se houver equilíbrio de várias influências. Naturalmente que esse equilíbrio obriga a que a Europa
“Pelo que tenho acompanhado, sim, [considero que a Declaração Conjunta e a Lei Básica têm sido cumpridas por Pequim]. Há uma relação que globalmente é positiva.”
NUNO BOTELHO/EXPRESSO
GUILHERME D’OLIVEIRA MARTINS EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO
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tenha maior protagonismo na cena internacional ao lado dos grandes polos que se vão desenvolvendo. O que mais se vai desenvolver nos próximos anos será o polo asiático e a RPC. Devemos fazer com que haja mais cooperação na cultura, na ciência, economia, de forma a que possamos ter paz. Daí a importância que tem a ONU e sobretudo uma perspectiva positiva relativamente à acção dos vários países. Não posso deixar de referir a nova rota da seda e a importância que um país com uma grande costa marítima, como é Portugal, com relacionamento com todos os continentes, tem numa estratégia como essa. O dossier Macau foi muito importante no período da Presidência de Mário Soares. Houve momentos de tensão também.
entrevista 3
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Naturalmente que sim. Recordo-me que havia, da parte de Mário Soares, uma consciência muito clara relativamente à importância da cooperação com a Ásia e com o desenvolvimento das potências asiáticas nos vários domínios. Falo da China, mas também da Índia. De facto, se hoje não temos qualquer dúvida sobre a importância geoestratégica da Ásia, nessa altura nem todos puderam ver tão longe como o então Presidente da República, que compreendeu bem que o futuro estaria justamente num país tão antigo e rico culturalmente e espiritualmente como a China. A China era também um país em desenvolvimento, isso também terá contribuído para uma diferente visão por parte das autoridades portuguesas.
“A verdade é que não podemos pensar no futuro da geoestratégia mundial sem [ter em conta] o papel crescente da China e a sua importância.” Mas a verdade é que o lugar que hoje a China tem no mundo confirma a ideia que então existia, de que o desenvolvimento iria ter um curso de grande importância. Daí chamar a atenção para o facto de se ter confirmado essa ideia que só os mais lúcidos tinham. Se tivesse de apontar o momento de maior tensão durante a Pre-
sidência de Mário Soares, relativamente a Macau, qual seria? O momento em que se tornou indispensável assinar a Declaração Conjunta e subscrever um regime que se revelou positivo, mas onde havia muitas desconfianças nos anos 80. Em relação às autoridades chinesas ou ao futuro? Ao futuro. Nem todos seguiam a ideia de Mário Soares e outros governantes. Aí devo referir que além de Soares também o general Ramalho Eanes teve um papel extremamente positivo porque conhecia Macau. Eles tiveram um papel importante ao poder antecipar o futuro. Havia desconfianças que os rodeavam, a opinião pública está sempre cá e tem uma visão menos aberta e consciente. Quer Eanes e Soares compreenderam que o futuro passaria por Macau.
Sinto-me sempre em casa em Macau e ao se assinalar os 100 anos da publicação de Clepsydra, de Camilo Pessanha, o facto de ele ser um autor da língua portuguesa, é um forte elo que nos leva a compreender a importância do diálogo cultural com Macau. Os 100 anos da Clepsydra podem e devem ser uma oportunidade para uma reflexão positiva sobre a importância desta relação cultural. Daí ter referido a complexidade da Declaração Conjunta e não factos menores, episódios que ocorreram que foram circunstâncias menores. No plano dos factos, menciono essa negociação que obrigou a coragem, a visão de futuro, designadamente a compreensão quanto à permanência da língua portuguesa. É algo que existe em Macau, mas [que existe] também pela compreensão da RPC. Andreia Sofia Silva
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MIGRAÇÃO DADOS BIOMÉTRICOS PODEM SER CONSERVADOS DEPOIS DE CINCO ANOS
Envidar esforços rumo a 1984 O prazo de conservação de dados biométricos de não residentes recolhidos nas fronteiras pode ir além dos cinco anos, caso seja alegada utilização para “finalidades específicas”. O Governo assegura, no entanto, que será estabelecido um limite máximo e que alargar a recolha de dados biométricos à íris ou à retina é feito em nome da “salvaguarda do interesse público”
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Governo revelou ontem, perante os deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que estão a analisar a futura lei da migração, que, em situações especiais, os dados biométricos recolhidos nas fronteiras podem ser conservados além do prazo máximo de cinco anos. Isto, apesar de os prazos de conservação dos dados pessoais de turistas e visitantes não aparecer definido na proposta de lei. A omissão levantou dúvidas aos deputados. “O Governo explicou que vai seguir o que consta no regulamento administrativo [a criar no futuro], ou seja, no máximo, os dados serão conservados durante cinco anos. No entanto, por
Abertura para negociar
impressão digital, reconhecimento facial e leitura da íris e da retina. Durante a reunião de ontem, o Governo procurou ainda justificar perante os deputados, as razões para incluir a recolha da informação relativa à retina e à íris, apresentando como exemplo o caso de Singapura, mas assu-
“Segundo o Governo é justificável adicionar (…) os dados biométricos da íris e retina, para salvaguardar o interesse público e a segurança pública.” VONG HIN FAI DEPUTADO
mindo, contudo, que a maioria dos países se ficam pela recolha de impressões digitais e sistemas de reconhecimento facial. Questionado por alguns deputados sobre as razões pelas quais o Governo optou pela “escolha da minoria”, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak terá respondido que tudo se resume à maior dificuldade que existe em falsificar este tipo de dados, tendo em conta o objectivo último da salvaguarda do interesse público. “As impressões digitais e os dados faciais são susceptíveis de ser alterados, comparativamente com os dados biométricos da íris ou da retina. Assim, se for incluída essa modalidade de recolha de dados biométricos podemos dizer que, a possibilidade de al-
Lei que não mete a colher
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Governo não sabe a eficácia das penas da lei de violência doméstica
No entanto, o responsável aponta que “após mais de quatro anos de implementação da lei foram conseguidos bons resultaTIAGO ALCÂNTARA
ACAU continua com poucas acusações e condenações em tribunal pelo crime de violência doméstica, o que faz com que a efectividade da lei de prevenção e combate à violência doméstica, em vigor desde 2016, tenha de ser analisada. A conclusão é do Instituto de Acção Social (IAS), em resposta a interpelação escrita de Agnes Lam. “No que diz respeito à instrução do processo e à criminalização dos casos de violência doméstica, e de acordo com o relatório de avaliação sobre a implementação da lei nos primeiros três anos, verifica-se que são poucos os casos judiciais. Por isso há a necessidade de mais prática judicial nesta área para avaliar a efectividade da lei quanto às respectivas sanções”, disse o presidente do IAS, Hon Wai.
causa da finalidade específica da recolha desses dados, há a possibilidade de o período ser alargado para mais de cinco anos. Como isso não consta da proposta de lei que estamos a analisar, houve membros da comissão que sugeriram que [os limites de conservação de dados pessoais] deviam constar claramente na proposta de lei”, explicou o presidente da Comissão Vong Hin Fai. Recorde-se que, em causa, está o facto de a proposta do “Regime jurídico do controlo de migração e das autorizações de permanência e de residência na RAEM” prever que, além da apresentação do passaporte e documento de viagem, a identificação de não residentes na fronteira seja feita também com recurso a dados biométricos como
teração desses dados será muito reduzida. Segundo o Governo é justificável adicionar (…) os dados biométricos da íris e retina, para salvaguardar o interesse público e a segurança publica”, transmitiu Vong Hin Fai.
dos no âmbito da prevenção e protecção das vítimas”. Mesmo sem muitos casos nos tribunais, o presidente do IAS recorda que, do
ponto de vista do Ministério Público, “não significa que os actos de violência doméstica estejam isentos de sanções penais”.
Sobre a duração e contagem dos períodos de interdição de entrada, e perante as preocupações dos deputados sobre a inexistência de um tecto máximo na proposta de lei, o Governo explicou que por analogia à lei da criminalidade tem sido definido “um máximo de 10 anos”. No entanto, o Executivo mostrou abertura para adicionar um limite ao diploma. “A comissão considera que deve ser fixado na lei um limite máximo para interdição de entrada. No entanto, apesar de a lei não fixar qualquer limite máximo, essa ausência não tem levantado dificuldades práticas e os tribunais têm aplicado o princípio de que o prazo de interdição de entrada não deve exceder 10 anos, por analogia com o limite máximo da interdição de entrada prevista da lei da criminalidade organizada. No entanto, o Governo assume uma atitude de abertura sobre a menção clara desse período na proposta de lei”, apontou Vong Hin Fai. Pedro Arede
Hon Wai destacou o facto de a criminalização da violência doméstica “depender de um factor incerto, que é o apuramento ou não da responsabilidade dos agressores por parte das vítimas”. Além de garantir às vítimas “vários serviços sociais, medidas de apoio e protecção”, o IAS faz também um trabalho com os agressores, encorajando-os “a participar no aconselhamento ou plano de serviços apropriados na esperança de que mudem, de forma positiva, o seu comportamento, para o aumento do conhecimento e dos comportamentos agressivos, a fim de diminuir o risco de recorrência”.
Não há desistências
Agnes Lam relatou casos de queixas retiradas pelas vítimas depois de receberem ameaças dos agressores. Mas o IAS assegura que essa situação
não se verificou. “Após a entrada em vigor da lei não foram relatadas pelas vítimas ameaças deste género. No caso de se registar a desistência do procedimento criminal da vítima contra o agressor, a polícia indaga a vítima sobre os motivos da sua opção e questiona se esta está a agir de livre vontade, sendo que todas essas circunstâncias são registadas nos autos.” O IAS aponta que, devido à pandemia, aumentaram os casos de pressão familiar, tendo proporcionado linhas telefónicas de apoio e outras medidas através da cooperação com associações. No ano passado foram efectuadas mais de sete mil chamadas de pedido de apoio da linha aberta e cerca de 400 casos de serviço de aconselhamento online. A. S. S.
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FINANÇAS GOVERNO ALTERA ORÇAMENTO E DESPESA VAI SUBIR 8,3 MIL MILHÕES
Frutos do crescimento
de 14 mil para 20 mil patacas. Ainda no que diz respeito aos benefícios fiscais, os estabelecimentos hoteleiros e similares, os health clubs, saunas, salas de massagens e karaokes ficam isentos do imposto de turismo, entre 11 de Maio e 31 de Dezembro deste ano. O plano de isenções fiscais permite ainda uma dedução à colecta do imposto complementar de rendimentos devido em 2020 até ao valor de 300 mil patacas.
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O Executivo, liderado por Ho Iat Seng, espera que os deputados discutam “com carácter de urgência” as alterações ao orçamento que vão permitir o novo pacote de apoios sociais
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Governo apresentou ontem a primeira alteração ao orçamento da RAEM para este ano que resulta num agravar da despesa em 8,3 mil milhões de patacas. A alteração tem de ser votada pela Assembleia Legislativa, e a proposta foi apresentada ontem, em conferência de imprensa, após reunião do Conselho Executivo. Segundo o porta-voz do Conselho Executivo, André Cheong, que é igualmente o secretário para a Administração e Justiça, o agravamento da despesa é justificado com vários apoios sociais, integrados no “Plano do Aumento das Competências Técnicas e Profissionais”, no “Programa de Promoção do Consumo Local”, ou seja, os cartões de consumo, e no “Plano de Garantia do Emprego, Estabilização da Economia e Asseguramento da Qualidade da Vida da População 2021”.
“Há um reforço dos gastos para poder haver o plano de benefícios e redução de impostos, entre outros apoios.” HO IN MUI SUBDIRECTORA DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS
Os gastos incluem igualmente as despesas dos Serviços de Saúde com o combate à pandemia, assim como o valor desembolsado com a construção do Posto Fronteiriço da Parte de Macau do Posto Fronteiriço de Hengqin. Com estas alterações, a despesa do orçamento passa de 95,2 mil milhões de patacas para 103,5 mil milhões. A nova despesa vai fazer igualmente com que seja necessário aumentar o montante da reserva financeira utili-
zado ao longo do ano. Inicialmente, estava previsto que fossem utilizados 26,5 mil milhões de patacas da reserva, mas o valor sobe para 35,6 mil milhões, o que representa um aumento de 9,12 mil milhões. “Há um reforço dos gastos para poder haver o plano de benefícios e redução de impostos, entre outros apoios”, explicou Ho In Mui, sub-directora dos Serviços de Finanças. “Quando há menos receitas é preciso ter mais recursos de apoio.
SÍMBOLOS NACIONAIS ENSINO VAI SER VOLUNTÁRIO
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S escolas que optarem por não ensinar conteúdos sobre a Bandeira, Emblemas Nacionais e o Hino não vão ser sancionadas. A garantia foi deixada ontem por André Cheong, porta-voz do Conselho Executivo, com a apresentação das alterações à lei que está actualmente em vigor. As novas regras, que vão ter de ser votadas na Assembleia Legislativa e seguem as alterações realizadas pelo Governo Central, actualizam as normas sobre o ensino dos símbolos nacionais aos estudos do primário e secundários. “Vamos seguir as novas estipulações do Governo Central e inseri-las na nossa lei. Se as escolas não aderirem ao ensino destes conteúdos, de acordo com a proposta da nossa lei, não
haverá qualquer sanção, ou melhor dizendo, não é uma infracção”, afirmou André Cheong. O também secretário justificou depois que o ensino dos símbolos nacionais já tinha sido feito anteriormente: “Foi uma integração feita anteriormente. Em conjunto
com os pais e as crianças conseguimos obter um resultado”, considerou. André Cheong confessou também que espera que o ensino dos símbolos parta da sociedade. “Pretendemos que sejam as pessoas a ter a iniciativa e que seja feita em cooperação com os encarregados de educação”, frisou. A nova lei permite também que a bandeira seja colocada a meia haste para assinalar a morte de personalidades importantes. Neste capítulo, a decisão de colocar a meia haste é tomada pelo Governo Central. A nova lei não deverá alterar as sanções administrativas aplicadas actualmente, que variam entre as 2 mil e as 10 mil patacas, e o Governo acredita que o diploma vai ser aprovado até Agosto.
Por isso desta vez há recurso à reserva financeira”, acrescentou.
Isenção e devolução de impostos
Além do aumento dos gastos, houve também uma redução das receitas em 807 milhões de patacas, relacionado com novos benefícios fiscais. Neste capítulo, o Governo vai aumentar de 60 para 70 por cento a devolução da colecta do imposto profissional. O montante máximo devolvido sobe
Também por via do aumento das despesas da Fundação Macau, o orçamento agregado dos organismos especiais é agravado em 483,7 milhões de patacas, passando de 15,3 mil milhões para quase 15,8 mil milhões de patacas. O montante é suportado pelos resultados acumulados anteriormente pela Fundação Macau. O Governo apresentou ontem a alteração e espera que os deputados procedam à discussão do diploma com carácter de “urgência”. João Santos Filipe
FORMAÇÃO SUBSIDIADA GOVERNO ALARGA NÚMERO DE INSCRIÇÕES PARA PROGRAMAS
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S residentes vão poder registar-se em quatro programas de formação para trabalhadores em layoff. A medida anunciada ontem pelo Conselho Executivo vai ser votada pela Assembleia Legislativa. Actualmente, os residentes podem inscrever-se uma vez no “Plano de Formação Subsidiada Orientada para a Empregabilidade” e no “Plano de Formação Subsidiada Orientada para o Aumento das Competências Técnicas”, o que lhes permite fazer dois cursos. Porém, face à situação de layoff, o Governo quer que cada residente possa inscrever-se duas vezes em cada curso.
No que diz respeito, ao “Plano de Formação Subsidiada Orientada para a Empregabilidade” vão poder inscrever-se licenciados que tenham terminado os estudos em 2020, ou depois, e estejam desempregados. O “Plano de Formação Subsidiada Orientada para o Aumento das Competências Técnicas” também sofre alterações e passa a permitir a inscrição de trabalhadores do sector do jogo. O programa estava dependente da sugestão dos patrões, cláusula que vai desaparecer. A partir de agora, todos os trabalhadores que estejam de férias não remuneradas passam a poder inscrever-se.
As condições para concluir com sucesso os cursos são também facilitadas, com os alunos a poderem faltar de forma justificada a 20 por cento das aulas. Segundo os dados disponibilizados ontem pelo Governo, até o final de Março tinham sido abertas cerca de 5 mil vagas nos cursos mencionados, que contaram com a participação 2.531 pessoas. Entre estes, 2.002 concluíram com sucesso os planos de formação. “A taxa de conclusão com sucesso é de 80 por cento”, afirmou Cheung Wai, chefe do Departamento de Formação Profissional da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais.
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MÉDIA SHUN TAK AVANÇA PARA A COMPRA DE ACÇÕES DA PHOENIX TV
Navegar outras ondas A empresa controlada por Pansy Ho vai expandir a natureza dos investimentos para a área da comunicação social. Com a entrada no canal Phoenix TV, Pansy Ho passa a ser parceira de negócios do Estado chinês
Lee Hay Ip, membro do Conselho do Património Cultural, sugeriu a construção de uma passagem pedonal que faça a ligação entre a nova biblioteca central, a construir no local onde se situava o antigo Hotel Estoril, e a praça do Tap Siac. Segundo o jornal Ou Mun, a proposta foi feita no âmbito da sugestão do Governo de transformar parte da avenida de Sidónio Pais numa área subterrânea, para que haja uma zona pedonal e sem trânsito entre a praça do Tap Siac e a nova biblioteca. Lee Hay Ip defendeu que a zona do subsolo acumula água oriunda da zona da Colina da Guia, pelo que as condições do solo não permitem a criação de uma zona subterrânea. As obras serão, portanto, difíceis de concretizar e com um orçamento elevado, alertou o engenheiro civil.
Olímpicos de Inverno Emitidas notas para celebrar competição
O Governo vai emitir notas de 20 patacas para celebrar a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno, que vão decorrer em Pequim no próximo ano. A capital chinesa vai tornar-se assim a primeira cidade a receber Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno na época moderna. A nota vai ter na frente o desenho do edifício da sucursal de Macau do banco da China, de um floco de neve e o emblema “Sonho de Inverno” dos Jogos Olímpicos. Nas traseiras, a nota vai apresentar desenhos de patinagem de velocidade em pista curta e do Oval Nacional de Patinação de Velocidade, além das Ruínas de São Paulo.
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Shun Tak, empresa fundada por Stanley Ho e actualmente controlada pela filha Pansy Ho, avançou para a compra de parte da estação televisiva estatal Phoenix Tv. O anúncio foi feito pela Shun Tak, no domingo, num comunicado à Bolsa de Hong Kong e o vendedor é o empresário Liu Changle. A empresa dominada por Pansy Ho vai comprar uma participação de 16,93 por cento, o equivalente a 845,44 milhões de acções, num negócio avaliado em 515,7 milhões de dólares de Hong Kong. Segundo a Shun Tak, o preço de compra acarreta um desconto de 21,8 por cento face à cotação na bolsa, uma vez que se vai pagar 0,61 dólares de Hong Kong por acção, quando na sexta-feira anterior ao anúncio a Phoenix estava avaliada em 0,78 dólares de Hong Kong por acção. Após o negócio ter sido tornado público, a Shun Tak afirmou ir assumir o papel de “accionista passivo”, que definiu como sem qualquer “intervenção directa” na “gestão e operações” do canal televisivo. Entre as razões para a compra do canal televisivo, a Shun Tak explicou que a Phoenix é “uma das entidades mais bem estabelecidas [no Interior] e influente com uma audiência internacional”. O canal está presente não só no Interior, mas também em Hong Kong, Taiwan e Macau. Além disso, a companhia de Pansy Ho destacou ainda que a Phoenix “é um conglomerado de entretenimento de massas que lidera a produção
Biblioteca central Sugerida ponte pedonal com ligação à praça
Cotai Detido por roubar cosméticos de uma loja
de conteúdos multimédia, para a internet, digitais e culturais”. Com este investimento, a Shun Tak, que conta com vários investimentos, como os negócios de ferries entre Macau e Hong Kong, os hotéis Mandarim Oriental e Grand Coloane, uma participação na STDM, ou vários projectos de imobiliário em Pequim, Xangai ou Singapura, avança para uma nova área.
Negócio maior
Além da Shun Tak, também a empresa Bauhinia Culture vai comprar acções da Phoenix a Liu Changle, num total de 1,04 milhões de acções, que representam 21 por cento do capital social. A Bauhinia Culture é liderada por Mao Chaofeng, an-
tigo vice-governador da província de Hainão, e faz parte do maior conglomerado de média em Hong Kong, que dá pelo nome de Sino United Publishing. Como parte desta estrutura, a Bauhinia Culture publica a revista Bauhinia, com uma linha editorial pró-Pequim.
A Shun Tak afirmou ir assumir o papel de “accionista passivo”, que definiu como sem qualquer “intervenção directa” na “gestão e operações” do canal televisivo
Nos últimos anos, a Phoenix tem somado resultados negativos e no ano passado registou perdas de 1.04 mil milhões de yuan. Os resultados negativos contribuíram para agravar a situação da empresa, que em Outubro do ano passado tinha dívidas de 10 mil milhões de yuan. A Pheonix foi fundada por Liu Changle em 1996 e assumiu a presidência da empresa em Fevereiro de 2020, cargo que deixou em Fevereiro deste ano. Liu é ainda membro do Comité Permanente da Comissão Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. João Santos Filipe
Um homem não residente, de 50 anos de idade, foi detido pelo roubo de cosméticos de uma loja no Cotai, no valor de 7.800 patacas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) detectou o acto através das câmaras de videovigilância, tendo o indivíduo roubado um conjunto de creme de olhos e cinco perfumes. O homem vive com a namorada num apartamento na Taipa, tendo os agentes do CPSP descoberto que a namorada já tinha ultrapassado o prazo legal de permanência em Macau. Além disso, o apartamento terá sido alugado por dois trabalhadores não residentes, que são agora suspeitos do crime de acolhimento.
Panda Gigante Pavilhão com entrada grátis
A partir de Maio deixam de ser cobrados bilhetes de entrada no Pavilhão do Panda Gigante, em Seac Pai Van. O anúncio foi feito ontem no Conselho Executivo e vai custar aos cofres da RAEM 900 mil patacas. Segundo o Governo, o objectivo passa por “atrair mais cidadãos e turistas para visitar o mesmo pavilhão”. A medida faz parte da Extinção do Fundo dos Pandas. Os custos deste fundo passam assim a ser assumidos pela Fundação Macau e pelo Instituto para os Assuntos Municipais. Também ontem foi revelado que o Governo gasta cerca de 10 milhões de patacas por estudos relacionados com os pandas gigantes.
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Fukushima Preocupações com marisco japonês
O deputado Leong Sun Iok interpelou o Governo sobre as medidas a adoptar face à descarga de água radioactiva que será levada a cabo pelas autoridades do Japão em Fukushima. Segundo o deputado, Macau pode ser afectada, uma vez que importa marisco do Japão, além de existir uma proximidade com o oceano Pacífico. Leong Sun Iok quer saber se o Governo vai avaliar a importação de alimentos do Japão a fim de prevenir eventuais riscos, uma vez que alguns países vão deixar de importar produtos alimentares do país. Quanto à importação de marisco, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau deseja saber quais as medidas de controlo de segurança alimentar adoptadas, tendo em conta os casos de poluição dos países e regiões de onde são importados esses alimentos.
Mercados municipais Questionado calendário e planeamento das obras
A deputada Ella Lei questionou o Governo sobre o calendário e planeamento das obras no Mercado Vermelho e mercado municipal do Bairro da Horta da Mitra. A deputada recordou que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou a abertura do concurso público para as obras no Mercado Vermelho no segundo semestre de 2020, mas os trabalhos ainda não começaram. Ella Lei deseja também saber se as obras de remodelação do interior do mercado, nomeadamente nas bancas de venda de produtos, já estão concluídas. Quanto ao mercado no bairro da Horta da Mitra, Ella Lei lembrou que o IAM suspendeu o concurso público para a instalação de ares condicionados no interior devido à pandemia, mas essa decisão terá um impacto negativo para os comerciantes e clientes que façam as suas compras no Verão. Ella Lei pede uma maior comunicação com os vendilhões sobre o calendário das obras a fim de minimizar o impacto o impacto nos negócios.
Economia Workshops sobre venda de produtos A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) promoveu ontem um workshop destinado às pequenas e médias empresas (PME) intitulado “Workshop sobre tácticas de venda de produtos via transmissão ao vivo para as pequenas e médias empresas”. O evento contou com a participação de representantes da Associação de Transmissão Directa de Macau. Citado por um comunicado, Tan Kin Ip, director da DSEDT, disse que o comércio online “constitui uma força motriz para o desenvolvimento económico”, sendo que, nos últimos anos, o Governo “tem dado muita importância ao desenvolvimento do comércio electrónico, ajudando as PME de Macau a aproveitarem o comércio electrónico transfronteiriço para explorar o mercado do Interior da China”.
VACINAS SERVIÇOS DE SAÚDE CONFIAM QUE NÃO HAVERÁ DESPERDÍCIOS
Aqui aproveita-se tudo O coordenador do plano de vacinação assegura que, ao ritmo de 500 inoculações diárias, as 40 mil doses da BioNTech que estão em Macau serão utilizadas antes de expirar o prazo de validade em Agosto. A partir de hoje, o Hospital de Kiang Wu passa a integrar a lista de postos de vacinação disponíveis
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ordem é para não desperdiçar. O coordenador do plano de vacinação contra a covid-19, Tai Wa Hou assegurou ontem que o Governo está em contacto com a BioNTech para evitar desperdícios em Agosto, altura em que expira o prazo de validade do segundo e terceiro lotes do fármaco. Isto, quando existem actualmente em Macau 40 mil doses da vacina da BioNTech que, segundo o responsável, estão a ser utilizadas ao ritmo de 500 doses por dia e que o primeiro lote de 100 mil vacinas, que continua por utilizar e em processo de negociação, fica fora destas contas, após os defeitos detectados nas tampas das embalagens. No total, o Governo acordou comprar 400 mil doses da vacina da BioNTech que serão agora encomendadas em pequenas quantidades e em função das necessidades da população.
“De acordo com [o ritmo da] vacinação até agora, prevemos que, até Agosto, as doses do segundo e terceiro lotes acabem. Por isso, em princípio, vamos encomendar doses da vacina da mRNA em pequenas quantidades, distribuídas por vários lotes. Se houver maior procura, vamos pedir ao fornecedor para enviar mais doses, mas se a procura não
“Quando atingirmos uma determinada taxa de vacinação da população é que podemos continuar essa negociação [do reconhecimento mútuo com o Interior da China].” TAI WA HOU COORDENADOR DO PLANO DE VACINAÇÃO
for assim tão relevante podemos suspender a entrega das encomendas. Em princípio, o número irá bater certo entre as necessidades e quantidades em stock”, explicou ontem Tai Wa Hou, por ocasião da habitual conferência de imprensa dedicada à covid-19.
Toca a vacinar
O mesmo responsável aproveitou para apelar, uma vez mais, à vacinação, recordando que um eventual reconhecimento mútuo de vacinas com o Interior da China está dependente da taxa de vacinação da população de Macau. “Quero deixar aqui um apelo para as vacinas que nós temos. Estes são materiais preciosos e o Chefe do Executivo também já disse que estamos a manter uma comunicação estreita com o Interior da China sobre o reconhecimento mútuo das vacinas. Quando atingirmos uma determinada taxa de vacinação da população é que
podemos continuar essa negociação, por isso, os cidadãos devem ser vacinados o mais rapidamente possível”, vincou. Sobre o anúncio da suspensão da encomenda da vacina da AstraZeneca, Tai Wa Hou detalhou que não se trata de um ”cancelamento ou violação de contrato” e que a entrega está a ser negociada para o próximo ano. Já quanto à possibilidade de vir a ser obrigatória a toma de uma terceira dose da vacina da BioNTech, o coordenador apontou que os Serviços de Saúde estão a acompanhar a situação. Durante a conferência, Tai Wa Hou anunciou ainda que a partir das 10h de hoje o Hospital Kiang Wu passa a integrar a lista de postos de vacinação contra a covid-19. O novo posto de vacinação destinado a menores de 60 anos fica no primeiro andar do estabelecimento, e tem capacidade para inocular 180 pessoas por dia. Pedro Arede
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Marionetas e outras histórias
Porto Interior e Taipa recebem novos espectáculos de rua a partir de 1 de Maio
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Instituto Cultural (IC) promove, a partir do dia 1 de Maio, 124 sessões de sete espectáculos de rua nas zonas do Porto Interior e na Taipa, nomeadamente nas Casas-museu e Feira do Carmo. A iniciativa intitula-se “Espectáculos no âmbito da Excursão Cultural Profunda nas Zonas do Porto Interior e da Taipa”, tendo sido recrutados vários grupos locais para desenvolver “produções inspiradas em histórias comunitárias do Porto Interior e das Casas da Taipa” e que incluem apresentações de dança, visitas guiadas, peças de teatro e teatro de fantoches. Estes eventos acontecem aos fins-de-semana. O programa inclui iniciativas como “Um Passeio pelo Porto Interior com André Auguste Borget”, inspirado nas obras do artista francês que viveu em Macau, e que será complementado com espectáculos de dança ambiental e visitas guiadas, para mostrar ao público o ambiente do Mercado Municipal do Patane. Outra actividade é ”Truz-truz, Quem Atracou no Porto Interior?” da auPUB.
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toria do MW Dance Theatre, que tem como ponto central a interacção entre o meio ambiente e a realidade, com o aparecimento de um monstro, sendo explorada a zona desde a Rua da Praia do Manduco até à Barra. O cartaz inclui ainda “Regresso de Barco” da autoria da Associação de Dança - Ieng Chi, que conta a história do Porto Interior ao longo de um século através de um guia histórico informativo com descrições completas e complementadas com breves apresentações de dança ambiental ligeira, levando o público a caminhar ao redor da zona da Praça da Ponte e Horta. Para participar nestas três actividades é necessário efectuar registo prévio. Cada espectáculo tem capacidade limitada para 20 pessoas e os lugares são preenchidos por ordem de chegada. Os interessados podem fazer o registo a partir das 10h de hoje no website do IC.
CPM apresenta marionetas
A Casa de Portugal em Macau (CPM) também participa nesta nova série de espectáculos promovidos pelo IC, com os
eventos “O Barbeiro” e “OArraial”. Tratam-se de dois espectáculos de marionetas que contam “histórias de forma animada e descontraída”, sendo que a primeira apresenta um célebre herói português e a segunda tem como tema as festividades tradicionais portuguesas. O programa inclui ainda “Poema de Pedro e Inês” da autoria da companhia The Funny Old Tree Theatre Ensemble, que propõe uma representação nas Casas da Taipa, reunindo a “Fonte dos Amores”, a arquitectura portuguesa e a obra de um poeta português para encenar uma história de amor tão séria quanto humorística. O cartaz encerra com “O Vendedor de Histórias” da autoria da Dream Association, inspirado na cultura dos vendedores da comunidade de Macau, é uma peça de teatro móvel que combina a narração de histórias com o teatro de marionetas para dar a conhecer ao público o passado e as histórias de família de Macau.
CINEMA PROPOSTAS PA
Livros Semana da Biblioteca de Macau 2021 arranca esta sexta-feira
O Instituto Cultural (IC) inaugura esta sexta-feira, dia 23 de Abril, a “Semana da Biblioteca em Macau” no edifício do Antigo Tribunal, às 10h. No mesmo local vão decorrer as actividades “4‧23 Lendo em Toda a Cidade” e “Ler em conjunto em meia hora” - Guangdong, Hong Kong e Macau. No sábado e domingo realizam-se, também no âmbito desta Semana da Biblioteca, actividades como a “Troca de Livros”, “Vendas de Revistas”, Feira do Livro e stands de jogos, entre outros. Será também realizada a exposição do Prémio Alemão de Álbuns Fotográficos 2020, co-organizado pela Associação de Bibliotecários e Gestores de Informação de Macau e pelo Instituto Goethe de Hong Kong. Esta mostra apresenta os álbuns fotográficos nomeados e vencedores do Prémio Alemão de Álbuns Fotografias.
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O Cinema Alegria e a comédia negra “O realizador francês E que conta a história pregado que encen com uma companhia Cinemateca Paixão c de Hong Kong com clássico realizado po argumento escrito po
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ARA A SEMANA ENTRE CLÁSSICOS DE HONG KONG E COMÉDIA FRANCESA
paixão à alegria
exibe na sexta-feira O Grande Êxito”, do Emmanuel Courcol, de um actor desemna Samuel Beckett a de reclusos. Hoje, a celebra a sétima arte m “Final Victory”, o or Patrick Tam, com or Wong Kar-wai
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MAGINE a interpretação da tragicomédia de Beckett “À espera de Godot” por um grupo de reclusos dirigidos por um actor desempregado. Agora imagine que a peça é um sucesso arrebatador, levando a improvisada companhia de teatro numa digressão além dos muros da prisão e que esta história aconteceu mesmo. Esta é a premissa de “O Grande Êxito”, “Un Triomphe” no título original, filme de Emmanuel Courcol baseado em acontecimentos reais exibido esta sexta-feira, às 19h, no Cinema Alegria. No centro da narrativa está Etienne, um carismático actor no desemprego, que acaba a dirigir um workshop de teatro numa prisão. O resultado do projecto é a encenação da comédia negra, com profundos tons existencialistas, “À Espera de Godot” com um elenco formado exclusivamente por reclusos. A paixão e entrega da improvável trupe garante-lhes autorização para fazerem uma digressão nacional, proporcionando finalmente a Etienne o reconhecimento artístico que lhe escapara ao longo da carreira. “O Grande Êxito” foi filmado em oito dias num estabelecimento prisional onde estão presos cerca de um milhar de reclusos e ganhou o prémio de Melhor Comédia Europeia dos 33.º Prémios do Cinema Europeu foi distinguido como o filme preferido do público no Victoria Film Festival, no Canadá.
Polícias e ladrões
Ainda esta semana, destaque para o ciclo “Histórias de Hong Kong:
eventos 9
Mostruário dos clássicos de Hong Kong”, que termina esta semana na Cinemateca Paixão. Hoje, às 21h30, é exibido “Final Victory”, um filme de acção de 1987 realizado por Patrick Tam, com argumento escrito por Wong Kar-wai. Com Eric Tsang, Rachel Lee e Tsui Hark nos papéis principais, a história centra-se na tensão dramática entre dois irmãos, com o submundo das tríades como cenário. Depois de o personagem interpretado por Tsui Hark, um chefe de tríade, ser preso, encarrega o irmão (Eric Tsang) de tomar conta das suas duas amantes, com todas as aventuras que isso irá implicar. “Final Victory” foi nomeado para 10 prémios na 7.ª edição do Hong Kong Film Award, mas apenas ganhou melhor edição. Ainda assim, foi um dos sucessos de bilheteira nesse ano. Na quinta-feira, às 19h, é projectado na Cinemateca Paixão “Victim”, o thriller policial realizado por Ringo Lam, que estreou em 1999. O filme teve um percurso acidentado até chegar aos ecrãs com uma disputa entre o realizador e o produtor, Joe Ma, que levou a mudanças severas na edição.
“O Grande Êxito” foi filmado em oito dias num estabelecimento prisional onde estão presos cerca de um milhar de reclusos e ganhou o prémio de Melhor Comédia Europeia dos 33.º Prémios do Cinema Europeu Ma, protagonizado por Sean Lau, é um programador informático que desaparece do mapa, o que faz com que a sua namorada apresente queixa na polícia por rapto. Levando uma vida difícil, sem emprego e com mais dívidas que esperança, Ma é encontrado em muito mau estado, ensanguentado, pendurado de cabeça para baixo num hotel decrépito. O local onde é encontrado tem fama de ser assombrado, depois de um horripilante episódio de homicídio/suicídio que vitimizou o casal que geriu o hotel. Depois de ser encontrado, Ma começa a aterrorizar a namorada, levando a polícia a suspeitar que o seu comportamento bizarro serve para disfarçar crimes maiores. Ainda estão disponíveis bilhetes para os dois filmes, com cada ingresso a custar 60 patacas. João Luz
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DIPLOMACIA CHINA EXIGE QUE EUA E JAPÃO PAREM DE INTERFERIR NOS ASSUNTOS DOMÉSTICOS DO PAÍS
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China exigiu sábado que os Estados Unidos e o Japão parem imediatamente a interferência nos assuntos domésticos da China e desistam de prejudicar os interesses chineses. “Exigimos que os Estados Unidos e o Japão levem a sério a preocupação da China, se mantenham fiéis ao princípio de Uma Só China e parem imediatamente de interferir nos assuntos internos do país e prejudicar os interesses chineses”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado. “A China tomará todas as medidas necessárias para defender resolutamente sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento.” A nota comenta uma declaração conjunta dos líderes de EUA e Japão, que foi divulgada após uma reunião, expressando preocupação
com assuntos relacionados com Taiwan, Ilhas Diaoyu, Hong Kong, Xinjiang e Mar do Sul da China. O comunicado aponta que Taiwan e as ilhas Diaoyu são ambos territórios chineses, acrescentando que os assuntos relacionados a Hong Kong e Xinjiang são assuntos puramente internos da China, e o país tem soberania indiscutível sobre as ilhas do Mar do Sul da China e as águas próximas. O texto enfatiza que a declaração conjunta dos líderes EUA-Japão interfere grosseiramente nos assuntos internos da China e viola gravemente as normas básicas que regem as relações internacionais. “A China a deplora e rejeita. Declaramos nossa posição solene aos EUA e ao Japão por via diplomática”, acrescenta a nota.
HM • 2ª vez • 20-4-21
PUB.
ANÚNCIO Execução Ordinária n.º
CV1-19-0134-CEO
1.º Juízo Cível
EXEQUENTE: Banco Industrial e Comercial da China (Macau) S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, n.º 555 – Macau Landmark, Torre ICBC, 18.º andar. EXECUTADOS: Sun Kin Chong, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M. n.º 5xx5xx5(0), residente em Macau, na Rua da Vitória, n.ºs 6-12, Edifício “Ma Pou”, 1.º andar “B”; e sua mulher Yimnoi Wiraiporn, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M. n.º 1xx6xx1(7), residente em Macau, na Rua da Vitória, n.ºs 6-12, Edifício “Ma Pou”, 1.º andar “B”. *** FAZ-SE SABER, que foi designado o dia 26 de Maio de 2021, pelas 15:15, na sala de deligência n.º 10 deste Tribunal e no processo acima indicado, para venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte bem penhorado: Imóvel Denominação: fracção autónoma “B1”. Situação: sito em Macau, n.º 7 a 13 da Rua de Henrique de Macedo e n.º 6 a 12-A da Rua da Vitória. Finalidade: habitação. Número de matriz: 070813. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: n.º 10075, a fls. 72V do Livro B27. Número de inscrição da propriedade: n.º 108886, do Livro G. Valor base da venda: Dois Milhões, Setecentas e Oitenta e Seis Mil, Quatrocentas Patacas (MOP$2.786.400,00). *** São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secção Central deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 26 de Maio de 2021, pelas 13:00, sendo que o preço das propostas devem ser superior ao valor acima indicado, devendo o envelope da proposta, conter, a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO: CV1-19-0134-CEO”. No dia da abertura das propostas podendo, querendo, os proponentes assistir ao acto. Durante o prazo dos editais e anúncios, os proponentes, a fim de proteger os seus interesses, podem, caso queiram, antes de apresentar quaisquer propostas dirigir-se ao fiel depositário, Sra. Chong Im Wa, com endereço de contacto em Macau, na Avenida da Amizade, Edifício Landmark, Torre do Banco ICBC – 18.º andar, e telefone de n.º 28555222, que prestará as informações necessárias a quem pretenda fazer proposta, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do art.º 787.º do C.P.C.M.. *** Na R.A.E.M., 08/04/2021
BOLSA TRIP.COM SOBE 4,55 POR CENTO NA ESTREIA EM HONG KONG
Uma entrada positiva A agência de viagens virtual chinesa Trip.com encerrou ontem o dia de estreia na Bolsa de Valores de Hong Kong a subir 4,55%, para 280,2 dólares de Hong Kong (30 euros) por acção. O preço inicial estabelecido pela empresa para a oferta pública de acções foi de 268 dólares de Hong Kong (28,7 euros) por unidade, o que representou um desconto de 5,5 por cento em relação ao preço de encerramento na última sexta-feira no índice norte-americano Nasdaq. Na abertura da primeira sessão em Hong Kong as acções valorizaram 4,9 por cento, anunciando uma estreia positiva para a empresa, que opera agências de viagens ‘online’ na China, como o Qunar ou o Ctrip, e outras internacionais, incluindo a Skyscanner.
Fundada em 1999, a empresa entrou no Nasdaq quatro anos depois. A CEO da Trip.com, Jane Sun, disse que as listagens em Nova Iorque e em Hong Kong reflectem melhor a sua presença e perspectivas internacionais. A empresa torna-se, assim, a última das grandes empresas chinesas de tecnologia a procurar um segundo IPO numa praça financeira chinesa, devido aos receios de que os Estados Unidos possam excluir empresas chinesas da sua bolsa, algo que já aconteceu com alguns grupos que Washington considerou próximos do Exército chinês. Trip.com, anteriormente conhecido como Ctrip, indicou que pretende usar 45 por cento dos recursos do seu IPO para melhorar as ofertas de viagens e a experiência do utilizador,
e que gastará o mesmo valor para “melhorar a eficiência operacional”. Os restantes 10 por cento destinam-se a outros fins, que podem incluir investimentos estratégicos, embora a empresa esclareça que, neste momento, não existem negócios em carteira para investir ou adquirir.
Custos da pandemia
Perante o impacto da pandemia da covid-19, que restringiu o turismo internacional durante quase todo o ano de 2020, a Trip.com teve um prejuízo de 3.247 milhões de yuans, em comparação com ganhos de 7.011 milhões de yuans, no ano anterior. A empresa mostrou a sua confiança na retoma da indústria do turismo, em 2021, principalmente no mercado chinês, onde o coronavírus está sob controle há algum tempo.
LEILÃO PINTURA CHINESA ESTIMADA EM 45 MILHÕES DE DÓLARES
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MA pintura chinesa de 1924 vai a leilão, em Hong Kong, com uma estimativa mínima de 45 milhões de dólares, ilustrando o apetite dos coleccionadores por arte apesar da crise económica provocada pela pandemia da covid-19. A pintura, do artista moderno chinês Xu Beihong, retrata um escravo, escondido numa caverna, e um leão. É baseada na mitologia romana antiga e nas Fábulas de Esopo, segundo a casa de leilões Christie’s. Xu usa frequentemente a figura do leão no seu trabalho, para exemplificar a crença na ascensão da nação chinesa. O leão na pintura surge ferido, mas permanece digno, justo e orgulhoso - um
símbolo do espírito chinês, segundo a casa de leilões. A pintura “Escravo e Leão” é considerada uma obra inovadora, que inspirou as pinturas posteriores de Xu, e uma das pinturas
a óleo mais importantes da história da arte chinesa. “O próprio Xu Beihong é um dos mais importantes artistas modernos da China, que influenciou gerações de pintores e artistas”, disse
Francis Belin, presidente da Christie’s para a Ásia-Pacífico. “Este tipo de trabalho e de prestígio não chegam ao mercado com muita frequência”, descreveu. Estima-se que a pintura facture entre 45 milhões de dólares e 58 milhões de dólares, num leilão de lote único, em 24 de Maio. Belin observou que há um apetite diversificado por obras-primas modernas e contemporâneas e que o mercado deve permanecer forte. No ano passado, uma pintura chinesa de 700 anos intitulada “Cinco Príncipes Bêbados a Retornar a Cavalo”, da Dinastia Yuan, arrecadou 41,8 milhões de dólares, num leilão da Sotheby’s em Hong Kong.
terça-feira 20.4.2021
uma asa no além
PAULO JOSÉ MIRANDA
Começámos na semana passada a ver o livro de Victor Tafner, «A Máquina de Criar Horizontes», em que nos mostra uma personagem, Abib Justus, que é o próprio livro. Personagem que identifica a existência humana com o homem de negócios, e o próprio sentido da vida com a frase «O lucro é a realidade.» Ao ter conhecimento de uma invenção de um amigo, o «descelular», conseguiu fazer com a mesma fosse aprovada em todo o estado do Paraná. Nesse estado, passou a ser obrigatório o uso do «descelular» em todos os veículos, e que a instalação dos mesmos – a não ser os veículos novos – fosse feita na sua rede de oficinas, espalhadas pelo estado. Mas isso não chegava para criar uma nova economia, que era o sonho de Abib Justus, levando-o então a convencer o amigo a criar um dipositivo que bloqueava o «descelular», sem que fosse perceptível pela polícia de trânsito. Assim, as mesmas oficinas que instalavam o «descelular», instalavam depois o seu antídoto, à revelia da lei, de modo a que as pessoas continuassem a conduzir os seus veículos e a falar ao celular. Mas foi a invenção e implementação da sua obrigatoriedade que deu visibilidade pública a Abib Justus, fazendo que aparecesse em todos os meios de comunicação social. E é precisamente em um dos programas televisivos mais vistos em todo o Brasil, e não apenas no estado do Paraná, que o nosso herói prepara o novo movimento: o de implementar a obrigatoriedade do «descelular» em todo o Brasil. Leia-se essa passagem do livro: «Abib Justus responde assim a uma pergunta do apresentador acerca de uma possível interpretação ditatorial desta lei: // – Não podemos ser hipócritas! Ou bem que queremos que não se use o celular quando dirigimos, ou bem que não queremos mas fingimos querer, que é o que a lei nacional propõe, pois todos aqui sabem que ninguém cumpre a lei. Com o «descelular» tornase impossível desrespeitar a lei... Olhe, vou dar-lhe mais um exemplo que deveríamos adotar: hoje a lei não permite que se ultrapasse uma velocidade máxima de 120 km/h, certo? Então porque permite que sejam vendidos carros que atingem
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A personagem (CONTINUAÇÃO)
200 e 300 km/h? Deveríamos exigir que todos os carros não ultrapassassem os 120 km/h! Ou então jogue-se a lei no lixo. Carros com mais cilindrada deveriam ser vendidos para uso exclusivo em pistas de corrida, mais nada. // Como grande retórico que era, Abib Justus sabia que toda e qualquer polémica traria dividendos ao seu império, como ele próprio gostava de chamar em privado a este grupo financeiro. A questão de os carros serem vendidos como motores que não permitissem uma velocidade superior a 120 km/h fez furor por todo o Brasil. É impressionante ver como facilmente as pessoas se dividem acerca de coisas que desconhecem e das quais nunca sequer ouviram falar. Um pouco por todos os jornais e redes sociais a discussão rebentou. Dos carros com controlo de cilindrada até à proibição de venda de refrigerantes, que se sabe serem prejudiciais à saúde, ou de alimentos chamados de junk food, foi um salto. A esquerda, a direita, os ecologistas, os vegetarianos e os defensores dos direitos dos animais enchiam páginas e páginas online exigindo que o governo federal tomasse a posição do estado do Paraná, com a diferença de radicalizar a posição de controlo sobre o que nos faz bem, e cada qual com
sua razão e interpretação, como é comum por aqui em matéria de política. Não demorou mais de um mês para haver manifestações em Brasília pressionando o governo a proibir a venda de refrigerantes, de bebidas alcoólicas, de “junk food” e até de carne animal. Havia já quem exigisse que Abib Justus tinha o dever de se candidatar à presidência do Brasil, em nome dos brasileiros que estão fartos de hipocrisia. É sabido que os tempos de crise são pródigos em forjar heróis e posturas radicais.» Esta extensa passagem do livro parece-me necessária para mostrar claramente a dimensão da personagem Abib Justus e como ela acaba por ser a encarnação da própria retórica e corrupção do Brasil. Mas Abib não tinha ambições políticas. Tinha, isso sim, ambições de controlar a política do Brasil. E o passo estava dado. Como continua o narrador, Abib sabia que perante a pressão do povo, o governo iria ceder na obrigatoriedade nacional do uso do «descelular» em todos os veículos. Pois, como se pode ler à página 134: «Era impensável exigir que as fábricas de carros colocassem no mercado brasileiro veículos com limite de velocidade! Mas exigir que esses mesmos carros viessem todos instalados com descelular era bem mais fácil de concretizar. Este
ABIB JUSTUS É A PERSONAGEM MAIS PERVERSA E, SIMULTANEAMENTE, A MAIS BANAL DA LITERATURA BRASILEIRA, PORQUE ENCARNA A TRISTE HISTÓRIA DO SEU PAÍS
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era pelo menos o raciocínio de Abib Justus, que não estava longe da verdade. Veja-se o que ele mesmo pensava, nesta fala que tem com o amigo: as pessoas estão aí, diante de nós esperando apenas para serem usadas! Elas são como cachorros, precisam de um chefe de matilha, que se imponha a eles e os conduza. O povo precisa de mão forte! Mas a mão forte, hoje, não é a mão que segura a arma contra o povo, é a mão que segura a ingenuidade e ignorância do povo, despejando nas TV e jornais uma ilusão de bem-estar, possível a todos, bastando para isso vontade e honestidade. Esta é a arma! E é aqui que os políticos falham, mas eu não. Porque o povo desconfia de quem os quer governar, mesmo votando neles. Aquilo que estou fazendo não vai a votos, é conquistado na raça, no cabresto. Impomos a lei que nos convém, mostrando que, mais do que para nós, é para o bem do povo.» Leia-se, quase cinquenta páginas adiante: «Em São Paulo criou-se a Associação “Descelularizar As Estradas”, que em menos de um ano tinha já uma representação significativa de apoiantes. E o grande orador na reunião em que comemoraram o primeiro ano de existência foi Abib Justus. Recebido em apoteose. E começou o seu discurso com: // – O mundo pertence-nos! O mundo é dos cidadãos e não de quem eles elegem. [...] Primeiro descelularizamos o Brasil, depois desmotorizamos o país e por fim descorrupcionamos o território todo delimitado pelas fronteiras!» Esta personagem, Abib Justus, criada em 2012, acaba por ser uma antecipação do Brasil actual. Não encarna o presidente em exercício, Abib Justus representa aquele ou aqueles que controlam o chefe de estado e a maioria dos políticos em Brasília. Leia-se mais uma passagem do que Abib Justus pensa: «Ganhar dinheiro é beleza pura. Mas inventar um mundo para tirar dinheiro do mundo existente é místico, aproximanos de Deus como mais nenhuma experiência humana. Estou a alargar o espírito.» Abib Justus é a personagem mais perversa e, simultaneamente, a mais banal da literatura brasileira, porque encarna a triste história do seu país.
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Rima do velho marinheiro
AMÉLIA VIEIRA
O nosso tempo actual reporta-nos para as vagas como se andássemos sobre as águas, uma navegabilidade muito própria - andamos agora por vagas- navegamos incertos, e qualquer costa se nos afigura como uma miragem na fé de chegar a bom porto, andamos literalmente a «cavalgar a vaga» que devido às fortes monções se fica parado num viver ficcional como no ventre da baleia, e quando esta sofre ruptura, ou abertura, somos expelidos, e tudo parece recomeçar em chão seguro que parece outro. Para não entorpecermos ainda mais pela linguagem chã, arranjaram-se eufemismos esperançosos, como; bazuca, vitamina, e outras variantes, mas no subsolo, o dinheiro (essa designação assaz grosseira) é um bem que só os anões e os alquimistas sabem como preservar e fazer crescer. Estas vagas que têm sereias cantando ao lado das embarcações necessitam da coragem de um Ulisses que se amarrara todo para não se atirar a elas, e assim, foi ele para casa onde aprendeu a fazer mantas. O facto das vagas se sucederem é até um factor de adaptação à jornada do navegante, onde, de ora avante não deve temer o sentimento costumeiro da adversidade imposta pelo ritmo das marés; é certo que em caso de tsunâmi toda a programação se desfaz, e a ideia de navegabilidade ao primeiro soar de calmaria pode mesmo fazer que ele se manifeste. Nestas coisas devemos lembrar-nos da frase «navegar é preciso, viver não é preciso» pois toda a Terra é agora a única barca. E se passarmos por cima, será um dom, diferente daquele que
deixáramos que era, passar ao lado, uma verdadeira mudança de plano. E tudo isto não seria uma experiência de péssima qualidade se não nos recordássemos das Barcarolas, um legado antigo inscrito num tempo medieval: métrica simples, efeito de assombro, roteiro fantástico, na inesperada e renascida presença de Coleridge, percursor do romantismo inglês pela sua «Balada do Velho Marinheiro» o poeta que afirmava acreditar mais nas coisas invisíveis que nas
visíveis, quando nós olhávamos ainda a Nau Catrineta, que de pasmar se foi quando passámos a ter «Chuvas Oblíquas» (que barcas afundam na vertical) e este Velho Marinheiro não gosta ainda de nevoeiro «... que trazia o nevoeiro. Há que matá-las, dizia, se trazem o nevoeiro/ Dia a dia sem um sopro que o movesse o barco ficou parado/ em vão como um barco a tinta num oceano pintado...» É nesta atmosfera que nos associamos às lembranças e delas vazamos as vozes de
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outro entendimento, que tudo se liga como as redes dos pescadores, e se deita, e se arrasta...se dissolve, e quantas vezes se esquece. Trazemo-las renascidas e vimos o quanto os elementos se assemelham nas suas alternâncias, recordamos viver, que sem isso, o tangível espaço incubado que o acaso nos ditou pode não ser o tempo de reflexão que é preciso para o abate dos navios piratas. As vagas de ontem transportaram assassinos de marés, mas vimos como concordaram as leis, e como por elas somos dirigidos mais que dirigistas, e muitos ainda anseiam voltar para a morte há tanto anunciada. Hoje, porém, somos um instante no verso «É um tempo de cansaço/ a garganta ressequida/ e o olhar vidrado/ Um tempo... Um tempo de cansaço!» Data de 1798 a primeira versão desta obra, a repercussão foi o ter firmado um estilo inaugural, mas o autor foi fazendo mudanças e em 1817 incluía-as em «Sibyline Leaves» e em 1828 volta então ao original. «Deveria ser encadernado em ouro» - disse um critico acerca do que dele restou, e os pescadores de pérolas sentados em tronos, por tão duros ofícios que a beleza requer. Por muitas vagas levamo-los e esperamos lembrar. Por ora, o pensar nos cansa, que este vaguear não inspira confiança confinante, nem nada se vê de muito nítido...que de nevoeiro, nem vê-lo, mesmo que para alguns seja o vínculo inconsciente de um desejo colectivo. Começa num casamento em festa, coisas que os mapas esqueceram. Quanto a Coleridge, morreu subitamente aos sessenta e um anos.
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Samuel Taylor Coleridge
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Da desinquietação. Pág. 2
cartografias
ANABELA CANAS
ANABELA CANAS
Levanto-me sempre com uma certa sensação de estranheza numa alvorada que raramente me vê. Mas que sempre se apresenta apaziguadora, quase como um parente compreensivo a quem inesperadamente se pode fazer uma visita sem aviso porque a recebe como a quem é sempre bemvindo e da casa. E estranhamente grata por iniciar o dia mais cedo. A lisura da madrugada ainda silenciosa, quase a saber a eternidade como a da noite alta sem freio nem sono. Sobretudo se o dia vem luminoso e primaveril, parece prometer todas as possibilidades e instalar por dentro uma espécie de harmonia com as condições atmosféricas e o estado do tempo. Por contraste insinua-se na memória como fotograma perdido ou fora do lugar, uma manhã escura e chorosa qualquer, da infância. Os passos encharcados de uma chuva fria no interior das botas já gastas, e um desconforto que iria persistir por horas, no comboio, na escola, no intervalo e à volta. Como de uma pequena Winnie, sem alguém que diga um bom dia ventoso. Todos os dias arrancada à cama como se para nascer de novo e sem querer. Ainda me acontece muitas vezes. Mesmo porque a escola nunca me deixou. Páginas aleatórias do caderno. Não porque o dia de hoje é o de hoje. Tão diferentes do que se é. Abrindo uma página solta no tempo, num lugar qualquer da vida ou do planisfério, todo o arquivo da memória se dispõe a preencher um gesto mesmo se súbito. Mesmo se retirado de um impulso imprevisto e mesmo se, até, desconhecido do corpo que lhe deu forma e movimento. É nisso que cada momento de vida faz diferir um ser de uma página aleatória de um livro. Sem espaço virtual ou físico suficiente para que nela se registe toda a ausência e tudo o que é alheio ao momento que começa num ponto exacto do texto e termina deixando se necessário uma frase em suspenso para se desenvolver até ao seu fim na página seguinte. Muito numa página se tem implícito e remete para anteriores factos ou dúvidas. Mas nada se compara ao preenchimento permanente de uma memória que tudo reelabora e filtra e pesa em cada relance de olhar, em cada decisão ínfima que tomamos ou estamos prestes a tomar, em cada indecisão. Por isso somos contentores carregados e de uma forma de que dificilmente nos libertamos. De uma consistência que pode fazer-nos esquecer onde guardamos um objecto, mas nos leva em qualquer momento a encontrá-lo, porque sabemos onde o guardaríamos se fosse a primeira vez. Há uma estrutura de arrumação que nos faz gostar do que gostamos ou duvidar do que duvidamos. Conviver com um número determinado de paradoxos.
ARTES, LETRAS E IDEIAS
Transportar como nossos, sempre os mesmos abismos. No entanto, como uma roseira madura e enraizada, nem sempre damos o mesmo número de botões, ameaçamos amarelecer precocemente, por vezes, renascemos em folhas tenras inesperadamente e pode mesmo acontecer a secura definitiva. Sabe-se lá porque determinação genética ou exaustão climática. Ou ainda, depois desta, a surpresa de um rebento nascido a renovar o que parecia acabado, como em certas árvores abatidas. Determinações ambientais surgem como ventanias agrestes a que nem sempre se resiste da mesma maneira. Nesses dias, como barcos. A que se deveria estar atento à orientação das velas para rumar persistentemente, mesmo à bolina, essa forma de aproveitar ventos contrários. E a relação entre forças, dita a capacidade de superação. A qualidade da pintura do
casco, a frescura ou desgaste do pano, a conservação dos instrumentos ou a corrosão de ferragens com manchas de ferrugens estéticas mas imparáveis e destrutivas. A decisão certa a cada revés, a atenção que não descura um sinal. Um olhar atento aos pássaros ao colorido opaco e súbito das águas. No mar, as cores dizem tudo. O navegante olha ao longe. E em cada dia sabe que não há descanso. Mas nem todos os dias o encontram com a mesma força, a mesma coragem o mesmo olhar, ou mesmo, por estranho que pareça, com o mesmo saber. Há sempre uma margem de desconhecido em si e de si próprio. Ocorre-me pensar que, por mais que se seja caracterizado por um clima temperado marítimo ou intensamente tropical, somos países de imprevisíveis momentos que até a nós nos espantam. Abril ao olhar, já quase Abril. Mas qual, nesta incerteza?
COMO UMA ROSEIRA MADURA E ENRAIZADA, NEM SEMPRE DAMOS O MESMO NÚMERO DE BOTÕES, AMEAÇAMOS AMARELECER PRECOCEMENTE, POR VEZES, RENASCEMOS EM FOLHAS TENRAS INESPERADAMENTE E PODE MESMO ACONTECER A SECURA DEFINITIVA
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 11
PUB.
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PROBLEMA 12
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8 2 9 5 7 1 3 4 1 www.hojemacau.com.mo 9 5 8 9 7 1 6 5 4 2 3 4 3 6 2 6 8 4 9 24 HUM 65-90% ´ 2 5 7 1
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NIER REPLICANT | TOYLOGIC | 2021
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Ryuichi Yagi, Takashi Yamazaki 14.30, 16.30
SEOBOK [C]
FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Lee Yong Zoo Com: Gong Yoo, Park Bo Gum Jo Woo Jin, Jang Young Nam 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
GODZILLA VS. KONG [B] Um filme de: Adam Wingard
1.22
C I N E M A
SALA 1
STAND BY ME DORAEMON 2 [B]
Lançado em 2010, Nier é um jogo de aventura com cenários muito bonitos, apesar dos gráficos terem sido considerados fracos para o que se fazia na altura. Apesar das críticas, o jogo tornou-se de culto. Para celebrar o marco, esta quinta-feira vai ser lançada uma versão para a PS4, com o estranho título: Nier Replicant ver.1.22474487139 e o jogador volta a assumir o controlo da personagem Nier, que procura a cura para uma doença mortal que afecta Yonah, a sua irmã. João Santos Filipe
YUAN
Com: Alexander Skarsgard, Millie Bobby Brown, Shun Oguri 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3
GINTAMA THE VERY FINAL [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chizuru Miyawaki 14.30, 19.30, 21.30
THE CROODS: NEW AGE [A] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Joel Crawford 16.30
3 5 9 1 7 4 8 7 4 3 6 2 6 1 2 5 9 8 SEOBOK 2 4 5 8 3 7 9 6 8 2 4 1 7 3 1Fábrica9de Notícias, 5 6Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Propriedade Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 1 2M.Tavares; 6 4Gonçalo 8 Waddington; 9 Gonçalo Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 5 8 7 Paul 6 Chan 1 Wai3Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Olavo Rasquinho; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 4 9Morada 3 Pátio 7 da2Sé, n.º22, 5 Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare
terça-feira 20.4.2021
opinião 15
www.hojemacau.com.mo
macau visto de hong kong
David Chan
NOVO PLANO DE APOIO
A 12 DE ABRIL, o Governo de Macau lançou as novas normas de apoio ao consumo através do cartão electrónico. As novas medidas baseiam-se no modelo de 2020. Cada residente permanente e não permanente vai ter direito a um total de oito mil patacas: cinco mil de montante inicial e três mil para descontos imediatos. Embora o limite diário continua a ser de 300 patacas diárias, devido à possibilidade dos descontos imediatos, na prática os residentes beneficiam de um valor diário de 400 patacas. Os residentes precisam de se registar junto da Autoridade Monetária para poderem beneficiar deste novo plano. Como das 400 patacas diárias, 75 por cento é retirado do montante inicial e 25 por cento dos descontos imediatos, após as 5.000 patacas do montante inicial terem sido gastas, terão sido consumidas apenas 1.666,66 patacas do valor alocado aos descontados imediatos. Desta forma vão sobrar 1.333,33 patacas da verba respeitante a esta última alínea. Como é que se vai gerir o montante remanescente? De forma simples, recarregando o cartão com mais 4.000 patacas referentes ao montante inicial, de forma a poder usar o que sobrou em descontos imediatos. Estas 4.000 patacas não vão estar sujeitas a um limite diário. Assumindo que todos os residentes irão receber as 4.000 patacas adicionais, somando às primeiras 8.000 (5.000 em montante inicial e 3.000 em descontos imediatos), o mercado irá absorver 12.000 patacas por cada residente. Num universo de 735.800 residentes, o mercado vai ser injectado, devido a estes apoios, com o montante de 8.829 biliões.
As PMEs e os residentes são os beneficiários deste novo plano. Para o comércio que se dedica à venda de artigos mais caros, como joalherias e lojas de electrodomésticos, estas medidas não farão grande diferença. Mais de 90 por cento das empresas de Macau são PME´s, e 40 por cento dos trabalhadores da cidade labora nestas empresas e é provável que venha a usufruir deste novo plano. Depois destas novas medidas terem sido anunciadas, os comerciantes começaram a pensar na melhor forma de rentabilizarem o apoio. Alguns restaurantes criaram o “menú de 400 patacas”. Algumas lojas estipularam alternativas de
A alteração do plano a que agora assistimos, resultou da capacidade do Governo de escutar as opiniões da população. É um bom princípio que se deve conservar para continuar a melhorar o plano de futuro
acordo com o novo plano e estão dispostas a fazer mais descontos. A margem de lucro diminui, mas as vendas aumentam. Esta abordagem demonstra às pessoas que os preços não estão a aumentar devido aos apoios, e que se pode facultar aos consumidores mais bens e serviços, facilitando, ao mesmo tempo, o equilíbrio entre os lucros e os gastos. Independentemente da opinião de cada um, sempre que repararmos que uma loja aumenta os preços, devemos reportar a quem de direito para garantir que todas estão a negociar de forma razoável. O Governo também deverá levar a cabo inspecções a título preventivo. Este novo plano recebeu boas críticas por várias razões. Em primeiro lugar, porque, embora tenha uma parcela de fundos iniciais e outra de descontos imediatos, funciona automaticamente e não requer cálculos, ao contrário do plano antigo que implicava uma série deles. Em segundo lugar, o novo plano é semelhante ao de 2020, e por isso é de mais fácil compreensão. Além disso, as instituições financeiras de Macau continuam a oferecer descontos nos pagamentos electrónicos. Estes descontos podem ser adicionados aos que são facultados pelo plano de apoio e os residentes podem usufruir de mais benefícios. Em terceiro lugar, para os idosos a nova modalidade é muito mais fácil de usar. Os cartões de consumo são práticos e menos sujeitos a erros. Os mais idosos preferem-nos. Por último, o montante inicial permite que as pessoas tenham um acréscimo de dinheiro para as suas despesas. Pelo método antigo,
as pessoas tinham tantos mais descontos quanto mais consumissem, o problema era que quem não tinha dinheiro para compras também não podia beneficiar dos descontos. Este era o principal motivo das críticas ao plano anterior. Está ainda em estudo se os trabalhadores não residentes e os estudantes estrangeiros, podem vir a beneficiar dos descontos em cartão. Além disso, actividades como os transportes, não estão incluídas no novo plano. Existe ainda lugar para a optimização destas medidas. Afectadas pela pandemia, as receitas fiscais do Governo cairam a pique. A capacidade de equilibrar as receitas e as despesas num período de déficit vai pôr o Executivo à prova. Antes de Macau conseguir recuperar a sua economia, estes planos de apoio terão de continuar a existir para estabilizar o emprego e ajudar a manter as empresas. A alteração do plano a que agora assistimos, resultou da capacidade do Governo de escutar as opiniões da população. É um bom princípio que se deve conservar para continuar a melhorar o plano de futuro. De momento, o Governo deve apostar na melhoria de uma rede Wi-Fi para servir a população de Macau. Os residentes também devem permanecer na cidade e consumir tanto quanto possível. Se consumirmos localmente, sairemos da recessão económica mais rapidamente. Outra questão; os subsídios para a electricidade e a água estão a chegar ao fim. Este tipo de subsídios é muito importante para as famílias mais pobres. Será que o Governo vai continuar a subsidiar os gastos de água e electricidade?
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
“Somente os ricos elaboram as leis, somente eles distribuem os impostos, carregados na sua maior parte pelos pobres.” PALAVRA DO DIA
José Pereira Coutinho revela ameaças a membros da Forças de Segurança de Macau
TIAGO ALCÂNTARA
criticar nas redes sociais as listas candidatas”. Segundo José Pereira Coutinho, as proibições podem constituir-se como “violações aos direitos fundamentais de participação cívica dos trabalhadores da função pública nas eleições e no seu direito de eleger e ajudar a eleger os seus representantes na Assembleia Legislativa”. Para o deputado em causa estão também as “liberdades de expressão, de reunião e de manifestação no respeito pelo princípio da igualdade entre todos os residentes de Macau”.
Pedido de esclarecimento
O
dadãos com capacidade de votar e serem eleitos. No entanto, segundo Coutinho, as FSM, em nome dos deveres de “neutralidade e imparcialidade” estão a proibir os agentes de assinarem os documentos. As proibições não se ficam por aqui, segundo o deputado, os polícias, mesmo quando fora de serviço, estão impedidos de participar em acções de campanha organizadas por lista inscritas no sufrágio directo e foram avisados para as consequências de “opinar, comentar, sugerir ou
20.4.2021
Karl Ludwig Borne
Limitações eleitorais
S membros das Forças de Segurança de Macau (FSM) foram avisados pelos superiores que não podem subscrever pedidos de constituição de candidaturas à Assembleia Legislativa. A revelação foi feita por José Pereira Coutinho, deputado e possível candidato, que coloca a hipótese de os direitos fundamentais destes cidadãos estarem a ser violados. Segundo as regras, para constituir uma candidatura são precisas entre 300 a 500 assinaturas de ci-
terça-feira
Face a este cenário, o deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) enviou uma carta ao presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), Tong Hio Fong, a pedir esclarecimentos. “Para que sejam dissipadas quaisquer dúvidas na aplicação da legislação em vigor, nomeadamente o artigo 72.º da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa da RAEM, evitando-se desnecessariamente a instauração de processos de averiguações e disciplinares por violação dos deveres de neutralidade e imparcialidade, vimos por este meio solicitar os bons ofícios de V. Ex.ª, de nos mandar informar o que a CAEAL tiver por conveniente afim de podermos informar os referidos trabalhadores”, pede o deputado. De acordo com a versão do ex-conselheiro das Comunidades Portuguesas, os trabalhadores em causa “estão muito preocupados e ansiosos de serem devidamente esclarecidos”. J.S.F.
Uma pedra na transição Queda demográfica na China é obstáculo à expansão do consumo doméstico
A
população da China deve atingir o pico em 2025, seguindo-se uma queda demográfica que vai ter impacto significativo no consumo doméstico, alertou ontem um consultor do banco central do país. “Quando a população entrar em crescimento negativo, vai ocorrer uma escassez da procura”, apontou Cai Fang, membro do comité de política monetária do Banco do Povo da China, o banco central do país, num relatório citado pela imprensa local. “Devemos prestar atenção ao impacto da demografia no consumo”, acrescentou.
Cai Fang, que integrou o órgão consultivo do banco central após se ter aposentado da Academia de Ciências Sociais da China, disse que o número de chineses em idade activa tem caído consecutivamente, desde 2010, o que afectou sobretudo o lado da oferta da economia. Os comentários foram feitos depois de o banco central ter publicado recentemente um artigo, no qual destacou os problemas iminentes causados pela queda da taxa de natalidade na China. O documento apelou a maior liberalização da política de ape-
nas dois filhos e um aumento nas medidas de apoio às mulheres.
Novos e velhos
Segundo dados oficiais, o número de recém-nascidos na China caiu 15 por cento, em 2020, quando comparado com o ano anterior, acentuando uma tendência que não se inverteu apesar de o país ter abolido a política de filho único, em 2016. A proporção de idosos entre a população total subiu de 7 por cento para quase 13 por cento, entre 2000 e 2019, e deve chegar a 14 por cento em 2022. Pequim estima a taxa de fertilidade do país em apenas 1,5 filho por mulher, uma das mais baixas do mundo. O mesmo responsável afirmou que, se as pessoas em idade activa enfrentam o fardo financeiro adicional de cuidar dos parentes idosos, enquanto tentam criar uma família, tornam-se mais propensas a poupar do que a consumir. A crise demográfica surge numa altura em que o Governo chinês enceta uma transição no modelo económico do país, visando uma maior preponderância do sector dos serviços e do consumo, em detrimento das exportações e construção de obras públicas. Na apresentação do plano quinquenal, em Março, Pequim afirmou o seu compromisso com a redução da desigualdade de rendimento, mas não introduziu ainda nenhuma alteração significativa nas suas políticas fiscais ou de despesa pública.
AUDITORIA HO VENG ON VISITOU GABINETE NACIONAL EM PEQUIM
H
PUB PUB.
O Veng On, comissário do Comissariado de Auditoria (CA), deslocou-se a Pequim na última quinta-feira, dia 15, para uma visita oficial ao Gabinete de Auditoria Nacional, tendo reunido com o auditor geral, Hou Kai. Segundo um comunicado, o encontro serviu para debater “questões sobre a informatização da auditoria, implementação
das políticas associadas a auditorias concomitantes e formação para técnicos de auditoria, bem como a cooperação regional e o reforço de intercâmbio com as instituições congéneres da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. Durante a estadia em Pequim, Ho Veng On visitou o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong
e Macau do Conselho do Estado, tendo sido recebido pelo Subchefe do Gabinete, Deng Zhonghua. No encontro “foi apresentado o trabalho de auditoria, o desenvolvimento da auditoria baseada em tecnologias de informação e comunicação e a capacitação da equipa de auditoria”. Foi também realizada, por parte da delegação do CA, uma
visita à exposição “A Grande Jornada: Comemoração do Centenário da Fundação do Partido Comunista da China”, patente no Museu da Capital. O objectivo desta vista foi o aprofundamento “do conhecimento das histórias da Pátria, o sentido da missão primordial e o sentido da assunção de responsabilidades”.
Futebol Mourinho despedido do Tottenham Já é oficial. José Mourinho foi esta segunda-feira despedido do cargo de treinador do Tottenham. Com o técnico de 58 anos saem também João Sacramento, Nuno Santos, Carlos Lalin e Giovan-
ni Cerra. O treinador português manifestou-se sempre contra a criação da Superliga Europeia, prova que conta com a participação dos spurs. Esta posição, aliada aos fracos resultados da equipa, tanto
na Premier League, onde ocupa a sétima posicão, como na Liga Europa, onde foi surpreendentemente eliminada pelo modesto Dínamo de Zagreb, terão levado ao despedimento de Mourinho.