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Hoje Macau 20 DEZ 2018 #4197

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QUINTA-FEIRA 20 DE DEZEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº4198

RAEM 19 ANOS

O EXEMPLO A SEGUIR

GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

h

MOP$10

EDITORIAL

MEDALHAS

O CÔNSUL DE BOA MEMÓRIA PÁGINAS 10-11

CHINA

HUAWEI ABRE AS PORTAS PÁGINA 13

A DESORDEM E O ÓDIO ANTÓNIO CABRITA

A IRRITABILIDADE

PAULO JOSÉ MIRANDA

RENDEZ-VOUS LUÍS CARMELO

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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Empresa lusa dinamiza café no Alibaba

Forca Delta ´ A empresa de Rui Nabeiro vai estar presente no Alibaba, o maior portal de compras chinês, para dinamizar um produto: o café. Que, segundo os especialistas chineses, vai ser a nova moda em 2019. O Delta Q não pára de crescer em todo o mundo.

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quinta-feira 20.12.2018

SERVIÇOS ELECTRÓNICOS GOVERNO ANUNCIA POLÍTICA “UM SÍTIO, TODAS AS SOLUÇÕES”

“Um sítio, todas as soluções” é a nova política do Governo, anunciada ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng e que pretende reunir numa só conta de cada residente o acesso a todos os serviços púbicos. A ideia é concretizada através do regulamento administrativo “Serviços Electrónicos” que entre em vigor já no início do próximo ano. Contudo, para já, os residentes só vão poder aceder a três funções dentro da nova plataforma

A

uniformizada. Ou seja, na prática os residentes vão passar a poder fazer online a marcação prévia de atendimento, disponível para seis serviços públicos: Direcção dos Serviços de Identificação, Direcção dos Serviços de Finanças, Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Fundo de Segurança Social e Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Outra função que vai estar disponível desde o momento inicial é a apresentação de pedidos para a contratação de empregadas domésticas referentes a trabalhadores não residentes. Recorde-se que

actualmente os empregadores têm de tratar pessoalmente do pedido de contratação (junto da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais) e de autorização de permanência (junto da PSP). O terceiro serviço prestado tem que ver com os pedidos de licenciamento dos estabelecimentos de restauração.

O FUTURO O DIRÁ

Para o futuro, os residentes podem ainda aceder a outras informações e serviços públicos. “Prevemos que em dois ou três anos possamos integrar mais serviços como os de nascimento e de casamento”,

GETTY IMAGES

partir do próximo dia 2 de Janeiro qualquer residente pode actualizar os dados nos quiosques electrónicos para que lhe seja criada a conta única que permite o acesso a todos os serviços do Governo. A informação foi dada ontem pelo porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, na conferência de imprensa de apresentação do projecto de regulamento administrativo intitulado “Serviços Electrónicos”. A ideia é seguir uma nova política, “Um sítio, todas as soluções”, “em que uma só página da internet congrega o acesso a todos os serviços públicos”, acrescentou o responsável. Por outro lado, “o interessado pode encontrar reunidos, num mesmo portal da interne, os serviços e as informações que procura e não precisará de várias contas de utilizador para tratar, por meios electrónicos, dos seus assuntos, submeter formulários ou outros documentos, de modo a atingir o objectivo de ‘um sítio, todas as soluções’”, explicou.

adiantou o director dos Serviços de Administração e Função Pública, Kou Peng Kuan. De acordo com Leong Heng Teng, existem neste momento cerca de 60 serviços públicos e que na futura vão ser “compilados para que esta política disponibilize um serviços mais eficiente”, acrescentou. O Governo pretende com o presente projecto de regulamento administrativo evitar “as falhas do passado” disse o porta voz do Conselho Executivo. “Verificou-se uma falta de interconectividade e comunicação entre as plataformas dos serviços funcionais. Desta forma, para elevar o nível de satisfação da eficiência em geral referente à prestação dos serviços disponibilizados, foi necessário intensificar e regular a sua gestão, no sentido de criar uma plataforma electrónica uniformizada”, apontou Leong.

“Prevemos que em dois ou três anos possamos integrar mais serviços como os de nascimento e de casamento.” KOU PENG KUAN DIRECTOR DOS SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO E FUNÇÃO PÚBLICA

O responsável referia-se ao recente desenvolvimento dos serviços electrónicos e do seu uso para a prestação e serviços públicos já implementado e que se tem mostrado insatisfatório.

INÍCIO HUMILDE

Sofia Margarida Mota

Apesar da política apontar para todas as soluções, em Janeiro do próximo ano apenas três valências vão estar disponíveis nesta página

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

RESTAURAÇÃO GOVERNO VAI EMITIR LICENÇAS PROVISÓRIAS

O

Governo vai permitir a emissão de licenças provisórias para o funcionamento de estabelecimentos de comidas e bebidas. A informação foi dada ontem pelo porta-voz do conselho Executivo, Leong Heng Teng, na apresentação do projecto de regulamento administrativo sobre as alterações do procedimento de licenciamento de estabelecimentos de comidas e bebidas.

Com a entrada em vigor do referido projecto, a 1 de Janeiro do próximo ano, vai ser possível “antecipar o exercício provisório da actividade externa deste tipo de estabelecimentos”, apontou o responsável. No entanto há condições: além do pagamento de uma caução no valor de 10 mil patacas, o requerente, depois de concluir as obras de acordo com o projecto

previamente aprovado tem que declarar que assegura que o seu estabelecimento opera respeitando os requisitos de segurança e saúde pública. Com as condições asseguradas, serão emitidas licenças provisórias com a validade de quatro meses. A medida tem como objectivo diminuir o tempo de espera para entrada em funcionamento destes estabelecimentos de

restauração, sendo que o objectivo é que as licenças venham a ser aprovados no prazo de 45 dias úteis. Neste momento os prazos de apreciação dos pedidos de licenças são entre 49 e 45 dias, esclareceu a representante do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), To Sok I. Apesar deste projecto de regulamento administrativo não se aplicar obri-

gatoriamente aos processos de pedido de licença que se encontram neste momento pendentes, os interessados podem solicitar o documento que os permite funcionar provisoriamente, admitiu Leong Heng Teng. De acordo com To Sok I, são aprovados entre 120 e 140 pedidos de licença por ano, sendo que estão pendentes neste momento 60.

TIAGO ALCÂNTARA

Problemas pouco resolvidos

Estudo Associação de ex-deputado pede controlo dos preços do imobiliário

A Associação de Gestão de Macau, presidida pelo ex-deputado Lau Veng Seng, divulgou ontem um estudo sobre o planeamento da carreira dos jovens e a compra de habitação. De acordo com o jornal Ou Mun, a associação pede que o Governo controle os preços praticados no mercado imobiliário através da regulamentação dos investidores do exterior. É também defendido o aumento dos valores das propriedades adquiridas para fins de investimento. O estudo contou com a participação de mil inquiridos, entre os 18 e 39 anos, e revela que 35 por cento já tem casa própria, enquanto que apenas 20 por cento compraram casa com as suas poupanças.

Dia da RAEM Do içar da bandeira ao fogo-de-artifício

O 19.º aniversário da RAEM assinala-se hoje com uma série de actividades, que começam pelas 8h com a cerimónia solene do içar de bandeiras na Praça de Lótus, a ser transmitida em directo pela TDM, seguida de um espectáculo de ginastico alusivo à efeméride. Às 9h30 tem lugar a recepção oficial, na Torre de Macau. O programa termina às 21h com um espectáculo de fogo-de-artifício, organizado pela Direcção dos Serviços de Turismo. Em paralelo, a Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações disponibiliza um Posto de Correio Temporário com o carimbo comemorativo do 19.° aniversário da RAEM, instalado na Loja de Filatelia da Sede dos Correios, das 9h às 17h30. No mesmo local, estarão à venda envelopes comemorativos, ao preço unitário de 3 patacas.


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20.12.2018 quinta-feira

IDOSOS AGNES LAM QUER MAIS APOIOS A PROPRIETÁRIOS DE FRACÇÕES ANTIGAS

Pensar nos mais velhos

A

deputada Agnes Lam está preocupada com os idosos proprietários de fracções antigas sem condições, como a ausência de elevadores, e quer saber quais são as medidas de apoio que o Governo vai adoptar. Para a legisladora, muitos destes residentes atravessam dificuldades profundas, uma vez que apesar de terem mobilidade reduzida necessitam de subir vários lances de escadas para entrarem e saírem de casa. O cenário é agravado devido ao facto de serem proprietários de fracções nas zonas mais antigas da cidade, o que faz com que as casas tenham um valor baixo no mercado. Assim, defende Agnes Lam, estes cidadãos não conseguem vender a casa e comprar uma mais moderna com as condições de mobilidade que necessitam. O facto de terem uma fracção também impossibilita a candidatura à compra de uma fracção económica ou social. Foi esta a razão que levou Agnes Lam a enviar uma interpelação ao Governo para saber que planos podem ser criados a pensar nestes cidadãos: “Recebemos no escritório muitas queixas de pessoas idosas que estão numa situação complicada. Por um lado, têm fracções com pouco valor no mercado, normalmente situadas nas zonas velhas. Mas à medida que envelhecem deixam de conseguir subir e descer escadas, porque são prédios antigos e sem elevadores. Contudo, se venderem a casa, o dinheiro não é suficiente para se mudarem para uma mais moderna, onde têm as condições que agora necesistam”, explicou a deputada, ao HM. “São situações em que as pessoas têm uma casa, mas não

SOFIA MARGARIDA MOTA

A deputada está preocupada com a falta e apoios à camada mais velha da população proprietária de casas antigas, sem condições de acesso adequadas, pede ao Governo que estude a viabilidade de medidas de apoio

em lar, com condições de acesso e onde pudessem viver à vontade.

HIPOTECA INVERTIDA

Ainda a pensar neste tipo de casais com uma habitação, mas sem rendimentos, a Agnes Lam sublinha a necessidade de se estudar um mecanismo de hipoteca invertida, tal como acontece em Hong Kong. A hipoteca invertida é um mecanismo de apoio social em que o Governo ou instituições celebram acordos com os proprietários de fracções e se comprometem a pagar mensalmente uma prestação ao longo de planos de 5 anos, 10 anos ou 20 anos, dependendo do tempo que vive. Durante esse período, o proprietário continua a viver em casa. Assim que morre, ou o contrato chega ao fim, o idoso tem a prioridade na compra da casa, pelo valor do dinheiro que recebeu ao longo dos anos. Caso opte por não comprar a casa, ou morra, o Governo ou instituição financeira, vendem a fracção no mercado.

“A importância da hipoteca revertida fica-se no aspecto em que permite às pessoas viverem na sua casa até morrerem, ao mesmo tempo que recebem uma espécie de pensão. É um bom negócio.” AGNES LAM DEPUTADA

têm mais rendimentos. Também os filhos não precisam de herdar a casa, porque já têm habitação própria. Portanto, era importante que houvesse um apoio para as pessoas se mudarem para um local melhor”, justificou. Neste sentido, Agnes Lam considera que há, pelo menos, três medidas cuja viabilidade deve ser estudada: um plano de troca de

casas comparticipado, a disponibilização de habitações sociais e ainda a disponibilização de lares de terceira idade. No primeiro caso, o Governo comparticipava o pagamento da futura casa, na diferença entre o preço da habitação antiga e da nova. Por exemplo, se num caso a casa antiga de um casal fosse vendida no mercado por três mi-

lhões de patacas e a nova habitação custasse quatro milhões, então a comparticipação do Governo seria de um milhão. No segundo caso, o Governo trocaria a casa actual dos idosos por uma fracção social. Contudo, após a morte dos habitantes, ambas as casas reverteriam para a RAEM. Já no último caso, as pessoas deixariam as casas e seriam internadas

Se a venda gerar um lucro superior aos pagamentos, o dinheiro ganho é dividido entre as partes, sendo que no caso da morte, passa para os descendentes. O objectivo desta medida é financiar a pessoa no seu dia-a-dia, como se fosse uma pensão em troca da habitação. “A importância da hipoteca revertida fica-se no aspecto em que permite às pessoas viverem na sua casa até morrerem, ao mesmo tempo que recebem uma espécie de pensão. É um bom negócio. Consideramos que poderá ser uma solução para algumas pessoas”, sublinhou Agnes Lam. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

O

deputado Ho Ion Sang interpelou ontem o Governo quanto à possibilidade do futuro Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que entra oficialmente em funcionamento no próximo dia 1, venha a repetir serviços já desempenhados por outras

entidades públicas. Isto porque, na visão do deputado, o IAM promete oferecer, de acordo com a lei que serve de base à sua criação, serviços na área da cultura, recreio e salubridade pública. Ho Ion Sang lembrou também que algumas funções an-

teriormente desempenhadas pelo Instituto para osAssuntos Cívicos e Municipais (IACM) foram transferidas para o Instituto Cultural e Instituto do Desporto. Neste sentido, o deputado ligado à União Geral das Associações de Moradores

de Macau (UGAMM), questiona o que é que o Governo vai fazer para evitar esta possível repetição de funções e quais as medidas que serão tomadas para garantir a coordenação interdepartamental. Na interpelação escrita, o deputado recorda que o

Governo anunciou que seria concluído ainda este mês o processo de selecção dos candidatos para o conselho consultivo do IAM. Ho Ion Sang pede que haja um equilíbrio nos membros, para que haja igual acesso de jovens e mulheres. É também exi-

TIAGO ALCÂNTARA

IAM HO ION SANG TEME REPETIÇÃO DE FUNÇÕES FACE A OUTROS SERVIÇOS

gido que sejam divulgados os critérios de selecção com vista a aumentar o nível de abertura do IAM.


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quinta-feira 20.12.2018

CARNE FEBRE SUÍNA AFRICANA CHEGA A ZHUHAI, ABASTECEDOR DE MACAU

COTAI QUESTIONADA CONSTRUÇÃO DE POSTO DE COMBUSTÍVEIS

O

Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) aprovou ontem a construção de um posto de abastecimento de combustíveis no Cotai, junto ao empreendimento Broadway. Apesar da aprovação, o projecto submetido foi alvo de criticas da parte do membro do CPU e também deputado nomeado Wu Chou Kit. “O Governo tem de respeitar o despacho de 2004 [que já previa a construção de um posto de combustíveis]. Já está definida uma ligação entre as duas ciclovias, e penso que o Governo tem de ponderar bem para ver se há outra localização para este posto de abastecimento de combustíveis.” Li Canfeng, director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, garantiu que esta obra “não afecta o projecto da ciclovia”, além de que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais “já tem um plano” para o local. O anúncio da obra de extensão da actual ciclovia da Estrada Flor de Lótus até Coloane foi anunciado em Fevereiro deste ano e deverá custar aos cofres do Executivo um total de 18 milhões de patacas. Está prevista a sua inauguração no próximo ano. A.S.S.

Legionella Quinto identificado

Um taxista com 69 anos de idade foi identificado, ontem, como o quinto caso de Legionella no território. O diagnóstico foi concluído quatro dias depois do indivíduo se ter deslocado, pela primeira vez, a um clínica local, o que aconteceu no dia 15 de Dezembro, quando apresentava como sintomas febre e tosse. Actualmente, o homem, que tem um historial de doenças crónicas, encontra-se internado em estado crítico, com turvação da consciência e ainda com manifestações de febre. A fonte da infecção ainda não está identificada, mas os familiares dos indivíduos não apresentam qualquer sintoma. Também nos 10 dias anteriores aos sintomas, o individuo não viajou para fora de Macau.

Porco agridoce

Doença animal já afecta 23 províncias do Interior da China, entre as quais a vizinha, ou seja o principal mercado abastecedor da RAEM. Associação local mostra-se preocupada com o impacto no abastecimento. IACM garante que está a seguir o caso

O

surto da febre suína africana chegou ontem ao distrito de Xiangzhou, na cidade de Zhuhai, e causou a morte de 11 porcos. Esta região é uma das principais fornecedoras deste tipo de carne a Macau. A informação foi avançada, ontem, pelo Ministério da Agricultura e para os Assuntos Rurais do Governo Central. Segundo o ministério do Interior da China, o alerta para a situação foi dado às 15h00, quando o Centro Nacional de Pesquisa Sobre Doenças Animais confirmou os resultados das autópsias. Além das 11 mortes registadas, foram abatidos outros 50 suínos que se encontravam no mesmo matadouro. A criação de uma zona de quarentena e a desinfestação dos espaços ocupados pelos ani-

mais foram outras das medidas de controlo do contágio adoptadas. Apesar da febre suína africana não ser transmitida para os seres-humanos, é provável que o território vá sentir os efeitos ao nível do abastecimento e dos preços da carne. De acordo com o presidente da Associação dos Comerciantes de Carne Verde Iong Hap Tong de Macau, Che Su Peng, cerca de 95

O IACM explica ainda que a doença “só afecta javalis e porcos domésticos”, não constituindo qualquer tipo de ameaça para a saúde humana

por cento dos porcos em Zhuhai têm origem na empresa que forneceu os animais contagiados pela febre. Por este motivo, Che teme que a rede de fornecimento acabe mesmo por ser afectada. Segundo as palavras do presidente só ontem foram importados cerca de 140 porcos vivos, que foram colocados de quarentena. Durante o dia de hoje devem ser abatidos, dentro dos procedimentos normais.

GOVERNO SEGUE SITUAÇÃO

Depois de ter sido conhecido o caso, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) emitiu um comunicado a garantir que está a acompanhar os acontecimentos e em contacto com as autoridades do Interior da China. “Após ter sido revelado o incidente [do contágio], entrou-se em

contacto com as autoridades do Interior da China e com os fornecedores de porcos vivos. Apesar de haver uma redução no número de animais disponíveis para o fornecimento, o abastecimento de Macau não foi afectado e as pecuárias que fornecem o território não registaram casos de contágio da doença”, pode ler-se, na versão em chinês, do comunicado do IACM. Ainda de acordo com o Governo, “as inspecções e os trabalhos de quarentena em Macau vão ser reforçados, incluindo os cuidados de desinfestação nos matadouros”. O IACM explica ainda que a doença “só afecta javalis e porcos domésticos”, não constituindo qualquer tipo de ameaça para a saúde humana. Segundo a mesma fonte, a febre suína africana não tem “impacto directo na saúde nem na segurança alimentar”. O Governo explica ainda que o vírus é facilmente destruído, uma vez que não resiste a elevadas temperaturas. Em relação à compra de carne de porco, o IACM aconselha as pessoas a não trazerem qualquer tipo de produtos do Interior da China nem a adquirirem produtos de vendedores ambulantes, que não identifiquem a origem dos animais. Em relação aos cuidados durante a confecção de carne de porco, é pedido às pessoas que cozinhem bem a carne e que lavem bem as mãos, após terem estado em contacto com carne de porco crua. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com


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TIAGO ALCÂNTARA

20.12.2018 quinta-feira

ECONOMIA FITCH MANTÉM ‘RATING’ DE MACAU EM AA

Região séria e positiva

A Fitch Ratings decidiu manter a notação de crédito a longo prazo de Macau em AA, com perspectiva estável. O grau AA, o segundo mais elevado, a seguir ao triplo A, corresponde a uma capacidade de cumprimento muito forte.

A

agência Fitch Ratings, uma das maiores do mundo, anunciou ontem que decidiu manter a notação de crédito a longo prazo de Macau em AA, com perspectiva estável. A classificação atribuída é “sustentada pelas finanças públicas excepcionalmente fortes, combinadas com um demonstrado compromisso de prudência fiscal tanto durante períodos de ganhos inesperados como de choques negativos nas receitas de jogo”. Em contrapartida, assinala, o ‘rating’ é “constrangido pela alta volatilidade do Produto Interno de Bruto (PIB), pela concentração na indústria do jogo e do turismo da China e pela sua susceptibilidade a mudanças no ambiente político da China”. Destacando o desempenho fiscal “forte” da RAEM, a Fitch Ratings estima que o saldo orçamental corresponda a 9,5 por cento do PIB em 2018, uma descida ligeira face aos 10 por cento do ano passado. A agência de notação financeira salienta que a actividade “robusta” do jogo continuou a impulsionar as receitas fiscais, mas observa que as despesas mantêm-se abaixo do orçamentado. A Fitch Ratings aborda ainda as previsões do Chefe do Executivo para o próximo ano, constantes das Linhas de Acção Governativa (LAG), que apontam para um cenário de estabilidade, para

notar que o Executivo prevê um superavit de 18 mil milhões de patacas em 2019 – cerca de 4 por cento do PIB – com base em cálculos “bastante conservadores”. Neste âmbito, a Fitch Ratings dá o exemplo da previsão implícita de uma contracção de dois dígitos das receitas dos casinos relativamente às suas previsões para 2018. “A Fitch prevê um saldo orçamental de 9,4 por cento do PIB em 2019, com base na nossa perspectiva mais optimista de que as receitas de jogo vão subir aproximadamente 5 por cento no próximo ano”, diz o mesmo comunicado.

notando que o mercado de massas cresceu rapidamente, em linha com o desejo das autoridades de diminuir a sua dependência dos grandes apostadores, embora apontando que o segmento VIP ainda contribui com a fatia de leão para as receitas dos casinos (cerca de 55%). O crescimento “robusto” dos turistas também merece destaque, com a agência a atribui-lo a uma série de iniciativas com vista a facilitar a chegada de visitantes da China, bem como a uma maior conectividade fronteiriça, em que se inclui a abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

ÚNICO SEM DÍVIDA SOBERANA

PIB COM SUBIDA DE 4,6% EM 2018

Os recorrentes excedentes orçamentais têm contribuído para criar largas almofadas financeiras, observa a agência que estima que as reservas fiscais de Macau sejam equivalentes a 136 por cento do PIB, aproximadamente seis vezes mais do que a despesa projectada no Orçamento para 2019. Além disso, aponta, “Macau figura como o único território avaliado pela Fitch Ratings sem dívida soberana, o que a coloca abaixo da mediana histórica AA, correspondente a 39 por cento do PIB”. Relativamente ao principal motor da economia de Macau, a Fitch Ratings nota que a indústria de jogo teve este ano um desempenho acima das suas expectativas,

A Fitch faz ainda previsões relativamente ao PIB, antecipando um crescimento de 4,6 por cento este ano, mas um abrandamento para 3 por cento em 2019. “Tal resulta da nossa expectativa relativamente a uma moderação gradual da actividade do jogo, aliada a uma perspectiva reduzida no plano da procura interna”, justifica, apontando para uma queda da despesa

Fitch prevê crescimento do PIB 4,6 por cento este ano, mas um abrandamento para 3 por cento em 2019

pública em 2019, devido à conclusão de uma série de projectos de infra-estruturas. No plano das finanças externas, Macau surge entre as mais fortes do universo de países e regiões avaliados pela agência que antecipa um superavit da conta corrente equivalente a aproximadamente 30 por cento do PIB, uma média que a RAEM mantém há mais de 15 anos, reflexo do facto de o grosso das receitas de jogo serem geradas por turistas. Como resultado, o território tornou-se um grande credor externo (205% do PIB), sublinha a Fitch, apontando que o peso dos activos externos líquidos no PIB (172% do PIB) contribuiu para que Macau tenha subido ao quinto lugar entre as economias avaliadas.

OS RISCOS DE SEMPRE

A Fitch também sinaliza os potenciais riscos, com a forte dependência do jogo a surgir à cabeça, dado que o sector representa quase 50 por cento do PIB e mais de 20 por cento do emprego, “não obstante os esforços de diversificação económica”. Segue-se o facto de sete em cada dez turistas serem da China, os quais são, aliás, os visitantes que mais gastam, algo que, adverte a agência, também pode ser um problema: “Qualquer mudança inesperada nas regulações relativas aos vistos ou no ambiente político em geral da China que tenha im-

pacto na capacidade de viajarem para Macau ou que acabe com o ‘de facto’ monopólio de jogo de Macau na China seriam prejudiciais ao seu perfil de crédito”. Embora fora do seu foco de atenção, a Fitch alerta ainda para a possibilidade de as operadoras de jogo norte-americanas serem afectadas pela escalada da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Até as próprias discussões relativamente ao futuro da indústria do jogo, cujas actuais licenças expiram entre 2020 e 2022, constituem “um potencial risco”, isto apesar de a Fitch entender ser improvável que tenha um impacto negativo na qualidade do crédito soberano de Macau. “A Fitch não acredita que as autoridades vão procurar perturbar as operações de negócio dos operadores de jogo, dado o potencial efeito dominó nas receitas fiscais, emprego e turismo em termos gerais”, realça a mesma nota. Relativamente à banca a Fitch espera estabilidade, tanto do ponto de vista do lucro, como da qualidade dos activos ou da capitalização, ainda que advirta para riscos associados ao rápido crescimento dos empréstimos e à crescente exposição à China que é, aliás, a maior na região da Ásia Pacífico, equivalendo a cerca de 38 por cento dos activos do sector bancário no final do primeiro semestre. “A agência também entende que a indulgência do quadro regulamentar constitui um potencial risco, apesar de as autoridades estarem em vias de melhorar algumas das deficiências” através da actualização do regime jurídico do sistema financeiro, que vai aumentar as exigências em termos de capital, endurecer as sanções contra actividades financeiras ilícitas e melhor alinhar as directrizes de supervisão com os padrões internacionais”. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 20.12.2018

Foi ontem declarada TAIPA ANULADA CONCESSÃO DE TERRENO QUE IRIA DAR LUGAR A PARQUE AQUÁTICO nula a concessão de um terreno à entrada da Taipa que chegou a ser pensado Macau (FAOM), questionaram para construir um O despacho aponta recentemente as razões para o para o facto da parque aquático, atraso da decisão do Executivo. O despacho aponta para o concessionária não mas que nunca foi facto da concessionária não ter ter cumprido “com a cumprido “com a obrigação de desenvolvido. A realizar o aproveitamento do obrigação de realizar decisão surge depois terreno no prazo estipulado” no o aproveitamento contrato assinado. Além disso, de vários deputados o Governo refere o facto de “as do terreno no prazo razões justificativas expostas estipulado” no questionarem o pela concessionária na resposta contrato assinado audiência escrita não lograram atraso na declaração àalterar o sentido da decisão de declarar a caducidade da concessão”. de caducidade GOOGLE MAPS

A meter água desde 1997

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ECORRIA o ano de 1997 quando o terreno localizado em frente ao hotel Altira foi concessionado à Chong Va – Entretenimento Limitada, após a realização de um concurso público que recebeu três propostas. A ideia era erguer ali um parque aquático que competisse com o Ocean Park de Hong Kong, mas a verdade é que o terreno permaneceu durante 25 anos sem desenvolvimento. Ontem, de acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial (BO) e assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, foi finalmente declarada nula a concessão. Vários deputados, tal como Ella Lei e Leong Sun Iok, ligados à Federação das Associações dos Operários de

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OIS terrenos localizados perto do edifício do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM vão ser aproveitados para a construção de uma zona de arborização, ainda que as árvores tenham de respeitar a altura máxima prevista na lei, de cerca de 20 metros, devido à proximidade com o Farol da Guia. O projecto foi ontem aprovado em sede do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU). Contudo, um membro do CPU questionou se seria

A concessionária tem agora 15 dias para recorrer da decisão junto dos tribunais.

GOLFINHOS E MUSEU

A Chong Va – Entretenimento Limitada tem como sócio José Cheong Vai Chi. A empresa tem também como gerente não sócio o empresário Ambrose So, hoje director-executivo e vice-presidente da Sociedade de Jogos de Macau. Liang Tat Man e Lai Lim Ching compõem o grupo de gerentes. De acordo com o despacho publicado em BO em 1997, assinado pelo secretário-adjunto JoséAlberto Alves de Paula, a concessão previa a construção de um parque aquático com um espaço com golfinhos, um santuário de aves, um jardim botânico, um campo para a prática de mini golfe, restaurantes, um museu de cera e um teleférico, entre outras infra-estruturas.

Como contrapartidas para a concessão por arrendamento, a Chong Va – Entretenimento Limitada teve de suportar os custos de várias obras, tal como a construção e pavimentação de arruamentos, de diques de protecção e muros de retenção, bem como redes de águas, esgotos e drenagem de águas pluviais. Estava também prevista a construção de um parque de estacionamento subterrâneo que seria

explorado pelo Governo, bem como de “outras infra-estruturas consideradas necessárias e indispensáveis à prossecução da finalidade da concessão”. Numa intervenção recente na Assembleia Legislativa, a deputada Ella Lei acusou o Governo do ex-Chefe do Executivo Edmund Ho de conluio no processo de concessão deste terreno. “O terreno era para um parque temático, mas já se passaram 21

Pobre concessionário

Zona de arborização vai nascer junto ao edifício do Gabinete de Ligação

possível alterar a finalidade do terreno, uma vez que o concessionário nada pode construir e, por isso, não irá obter lucros do pedaço de terra que lhe foi concessionado. “O proprietário perdeu tudo, coitado. Este terreno é para uma zona verde que não tem qualquer fim de exploração. Será que o proprietário pode trocar este terreno por outro?”, questionou.

Li Canfeng, director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), garantiu que o assunto poderá ser debatido posteriormente. ”Este terreno tem como finalidade a construção de uma zona verde e não pode ser explorado para outros fins. Mas poderemos discutir as questões de propriedade numa outra ocasião.”

Os dois terrenos, localizados na estrada de Cacilhas, tiveram a última planta de alinhamento oficial emitida em 1995. Actualmente o local encontra-se ao abandono, com apenas alguns veículos estacionados.

LUGARES PRECISAM-SE

Além do pedido de alteração de finalidade, outro membro do CPU questionou o

anos e nada foi construído. Naquela altura, o contrato dizia que em 2008, a concessão do terreno caducava. Mas não foi o que aconteceu”, recordou. “Em 2005 uma empresa de Hong Kong injectou capital na concessionária. Foi só um teatro que se fez naquela altura. A verdade é que o terreno foi avaliado em 4 mil milhões de patacas, na altura, e o projecto acabou alterado para residências de luxo”, apontou. A deputada atacou depois a antiga Lei de Terras: “Era este o problema. As concessionárias vendiam os terrenos e conseguiam prolongamento dos prazos de concessão. Era tudo conluio! O Governo não devia ter autorizado o prolongamento dos prazos”, rematou.

Governo se seria possível estabelecer ali alguns lugares de estacionamento, pelo facto do Gabinete de Ligação ser um local com muitos eventos e visitas. “Estes dois terrenos têm como fim a arborização, mas podemos ou não disponibilizar alguns lugares de estacionamento ali? Como ao redor está localizado o Gabinete de Ligação, que recebe muitas visitas e onde existe muita circulação. A rua é estreita e não há muito espaço para estacionamento, e neste

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

terreno existe uma área muito vasta”, apontou. Apesar de ter considerado esta opinião “muito pertinente”, Li Cafeng lembrou que o terreno não é público. “A finalidade é para a criação de uma zona verde. Sei que à frente deste edifício há um auto-silo público, mesmo em frente ao edifício do Gabinete de Ligação. Há falta de lugares de estacionamento mas o terreno não é público, pelo que não podemos ainda tomar medidas quanto a isso”, frisou. A.S.S.


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GONÇALO LOBO PINHEIRO

20.12.2018 quinta-feira

Tudo sereno

Vítor Sereno, ex-cônsul de Portugal em Macau

MEDALHAS CHAN MENG KAM LEVA LÓTUS DE OURO; VÍTOR SERENO É O PRIMEIRO DIPLOMATA LUSO A SER AGRACIADO

É para o empresário e membro do Conselho Executivo que vai a segunda mais alta condecoração da RAEM: a Lótus de Ouro. Já entre os quatro distinguidos com a Lótus de Prata figuram dois antigos deputados – Kwan Tsui Hang e Fong Chi Keong. A comunidade portuguesa – como tem vindo a ser habitual – também não foi esquecida, com o Governo a atribuir uma medalha de mérito profissional à médica Paula Pimenta e o título honorífico de prestígio ao ex-cônsul de Portugal Vítor Sereno, que estará presente na cerimónia

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HAN Meng Kam vai ser distinguido com a Lótus de Ouro, a segunda mais alta condecoração da RAEM, a seguir ao Grande Lótus, que não é entregue desde 2013. O anúncio foi feito ontem, em comunicado, pelo Gabinete do Porta-Voz do Governo, que publicou a lista composta de aproximadamente meia centena de individualidades e entidades que vão ser agraciadas. A cerimónia de imposição de medalhas e títulos honoríficos tem lugar a 9 de Janeiro. A atribuição da Lótus de Ouro ao empresário natural de Fujian e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e do Conselho Executivo da RAEM foi justificada

com a sua participação “activa”, ao longo dos anos, nos “assuntos sociais e públicos, nos trabalhos de voluntariado e em acções de beneficência”. O papel de liderança em “encorajar os jovens a dedicarem-se ao serviço público” também foi enaltecido, a par com o empenho “em dar um contributo à educação e prestação de serviços aos grupos em situação vulnerável” e o “auxilio financeiro”. Chan Meng Kam, que começou a dar cartas no cenário político como deputado (2005-2017), ocupa, entre outros, o cargo de presidente do conselho de administração da Universidade Cidade de Macau e do Comité Paralímpico de Macau, assumindo a mesma posição na Aliança do Povo de Instituição de Macau que, aliás, fundou.

A Lótus de Ouro figura como a segunda mais alta condecoração da RAEM, a seguir à Grande Lótus que foi atribuída pela última vez, em 2013, a Lau Cheok Va, pouco depois de ter deixado a presidência da Assembleia Legislativa.

PRATA PARA EX-DEPUTADOS, BANQUEIRO E ATLETA

Já a Lótus de Prata vai para quatro personalidades, incluindo também dois ex-deputados: Fong Chi Keong e Kwan Tsui Hang. O primeiro, empresário ligado ao ramo da construção civil e presidente da Associação Geral de Wushu de Macau e membro do conselho de administração de várias universidades, é agraciado pela sua dedicação, desde a década de 1980, à “promoção de acções

de beneficência, cultura, educação e desporto e aos assuntos sociais, assim como às actividades associativas”. No breve perfil, o Gabinete do Porta-voz destaca ainda que, ao longo dos anos, Fong Chi Keong tem também “vindo a acompanhar de perto e a apoiar a educação e as causas de beneficência na China”. Em causa, uma figura que, enquanto dirigente da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, chegou a afirmar que “é impossível estar a sempre a ajudar as pessoas” e que, na qualidade de deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, defendeu no hemiciclo, aquando do debate sobre a criminalização da violência doméstica, que as agressões no seio de um casal constituem um sinal de amor, um comentário que lhe viria a valer

acérrimas críticas por parte da sociedade que o obrigaram a admitir que falou “demais”. Também com a Lótus de Prata vai ser distinguida Kwan Tsui Hang, pela luta que travou, ao longo de 21 anos como deputada (1996-2017), “em defesa de reivindicações da população e na luta pelos direitos da classe trabalhadora”, com o Executivo a reconhecer também os trabalhos associativos, nomeadamente no seio da Federação das Associações dos Operários, bem como a sua participação activa na elaboração e revisão da legislação laboral e em diplomas relacionados com a segurança social. A mesma distinção vai ainda para Ho Hao Tong, presidente do conselho de administração do


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quinta-feira 20.12.2018

A Lótus de Ouro figura como a segunda mais alta condecoração da RAEM, a seguir à Grande Lótus que foi atribuída pela última vez, em 2013, a Lau Cheok Va, pouco depois de ter deixado a presidência da Assembleia Legislativa Banco Tai Fung pelo seu contributo para “o desenvolvimento social e melhoria da vida da população e do sector da indústria e comércio, e para Huang Junhua, atleta da selecção de artes marciais de Macau que conquistou, este ano, uma medalha de ouro para a RAEM na modalidade de Nanquan nos Jogos Asiáticos, que decorreram na Indonésia.

PREMIAR O MÉRITO

Já com as medalhas de mérito – divididas em sete categorias – vão ser agraciadas 23 individualidades e entidades. A portuguesa Paula Pimenta, chefe de serviço no Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), onde trabalha desde 1995, figura entre as personalidades distinguidas por mérito profissional. O Executivo destaca em particular o trabalho desenvolvido pela médica, que criou a especialidade de Medicina de Urgência no CHCSJ, em 2003, ano em que ocorreu a Síndrome Respiratória Aguda (SARS): “Apesar das circunstâncias extremamente exigentes ligadas à epidemia não houve disrupção do serviço de urgência, cumprindo escrupulosamente os princípios profissionais na prestação de cuidados urgentes à população de Macau”. O mesmo galardão vai ser entregue a outro profissional de saúde. Em causa, Kuok Cheong U, médico consultor da área de imagiologia que desempenha actualmente as funções de subdirector dos Serviços de Saúde e director do CHCSJ, com o Executivo a salientar que foi sob a sua liderança que o único hospital público de Macau recebeu acreditação internacional em termos de gestão pelo Conselho Australiano de Normas de Saúde, bem como a melhoria significativa do nível geral dos serviços médicos prestados. O lote de medalhas de mérito profissional fecha-se com Xu Aoao, astrónomo que trabalha ao serviço da Universidade de Ciência e Tecnologia, com o Governo a colocar em relevo o papel que o professor universitário desempenhou no âmbito da criação dos laboratórios de referencia do Estado; e com Mak Seng Hin, responsável pelo Departamento de Informática e Tecnologia do

Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau, pelo seu contributo, na formação e selecção, ao longo de mais de uma década, de participantes de Macau que alcançaram bons resultados em competições regionais e internacionais. Já as medalhas de mérito industrial e comercial vão para Mok Chi Wai, gerente geral da Companhia de Construção e Investimento Predial Tai Iec e presidente da Federação de Juventude de Macau; para Ip Sio Man, também empresário, que acumula em simultâneo a presidência da Associação de Fornecedores de Macau e da Associação Comercial e Industrial de Publicações de Macau; bem como para Wong Kin Chong, presidente da Casa de Câmbio Sun Fu Lon, elogiado pelo trabalho em prol da melhoria do ambiente de negócios nas zonas antigas, em particular na zona norte da cidade. O restaurante Sai Nam e o restaurante cantonense Kapok granjeiam as medalhas de mérito turístico; enquanto as de mérito educativo vão para três personalidades, entre as quais Sou Chio Fai – que desempenha funções nos serviços de educação públicos desde 1989 e ocupa, desde 2011, o cargo de coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior –, bem como para uma instituição de ensino (Escola de Santa Madalena). Já a medalha de mérito cultural vai ser entregue ao jornal Ou Mun (Diário de Macau), fundado em 1958, considerado “um meio de comunicação social tradicional de Macau e reconhecido por diversos sectores sociais”.

• MEDALHAS DE HONRA LÓTUS DE OURO LÓTUS DE PRATA LÓTUS DE PRATA LÓTUS DE PRATA LÓTUS DE PRATA

• MEDALHAS DE MÉRITO

Chan Meng Kam

Médica Paula Pimenta agraciada com medalha de mérito profissional, ex-cônsul de Portugal Vítor Sereno distinguido com título honorífico de prestígio e de valor

Xu Aoao Kuok Cheong U Maria Paula de Matos Pimenta Simões Mak Seng Hin Mok Chi Wai Ip Sio Man Wong Kin Chong Restaurante Sai Nam Restaurante Cantonense Kapok, Limitada Choi Kun Sam Sou Chio Fai Escola de Santa Madalena Tang Siu Lan Ou Mun Iat Pou (Diário de Macau) Empresa Jornalística e Editorial Limitada Lee Bun Sang Stephen Federação das Associações dos Operários de Macau Associação Geral das Mulheres de Macau Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau Iao Chon In Li Yi Sou Soi Lam Hoi Long Wong Sok I

• MEDALHAS DE VALOR, DE DEDICAÇÃO E DE SERVIÇOS COMUNITÁRIOS Fong Chi Keong

VALOR VALOR VALOR DEDICAÇÃO DEDICAÇÃO DEDICAÇÃO DEDICAÇÃO SERVIÇOS COMUNITÁRIOS SERVIÇOS COMUNITÁRIOS SERVIÇOS COMUNITÁRIOS SERVIÇOS COMUNITÁRIOS

Centro de Operações de Protecção Civil Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário Chao Ka Cheong Chio U Lok Vong Se Peng Ngou Kuok Lim Tang Kwong Yui Lam Wai Wa Chan Ioi Kong Marjory Rangel de Faria Vendramini Associação Richmond Fellowship de Macau

• TÍTULOS HONORÍFICOS DE PRESTÍGIO E DE VALOR

OPERÁRIOS, MULHERES E BISPO PREMIADOS POR ALTRUÍSMO

Pelo mérito altruísmo serão agraciados, Stephen Lee, nomeado bispo de Macau em Janeiro de 2016, por “seguir e acreditar nos valores da compaixão e amor” e “promover activamente a educação, cultura, caridade e outros serviços sociais, bem como a Federação das Associações dos Operários de Macau e a Associação Geral das Mulheres, ambas criadas em 1950, e a Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau (constituída em 1968). As medalhas de mérito desportivo vão em exclusivo para atletas – Li Yi (artes marciais), Sou Soi Lam

MÉRITO PROFISSIONAL MÉRITO PROFISSIONAL MÉRITO PROFISSIONAL MÉRITO PROFISSIONAL INDUSTRIAL E COMERCIAL MÉRITO INDUSTRIAL E COMERCIAL MÉRITO INDUSTRIAL E COMERCIAL MÉRITO TURÍSTICO MÉRITO TURÍSTICO MÉRITO EDUCATIVO MÉRITO EDUCATIVO MEDALHA DE MÉRITO EDUCATIVO MEDALHA DE MÉRITO EDUCATIVO MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO

Chan Meng Kam Fong Chi Keong Ho Hao Tong Kwan Tsui Hang Huang Junhua

Paula Pimenta

e Wong Sok I (ambos no karaté) e Hoi Long (triatlo). Já as medalhas de valor, de dedicação e de serviços comunitários – que visam premiar entidades, órgãos públicos ou trabalhadores, que se distinguiram no desempenho das suas funções pela prestação de serviços de relevo – são 11, incluindo duas entidades (Centro de Operações de Protecção Civil e o Serviço de Urgência do CHCSJ). Marjory Vendramini, fundadora dos lares “Berço da Esperança” e “Fonte da Esperança” foi uma das personalidades distinguidas nesta categoria pelos serviços de cuidados aos bebés e crianças abandonados e maltratados e pelo apoio a mulheres e famílias em risco.

PRESTÍGIO PRESTÍGIO PRESTÍGIO VALOR VALOR VALOR VALOR

No plano os títulos honoríficos destaca-se a distinção a Vítor Sereno, que exerceu o cargo de cônsul geral de Portugal em Macau e Hong Kong entre Março de 2013 e Agosto último. Actualmente a desempenhar a função de embaixador no Senegal, Vítor Sereno figura como o primeiro diplomata português a ser agraciado pelo Governo da RAEM. Contactado pelo HM, Vítor Sereno, agora embaixador no Senegal, afirmou que se deslocará a Macau para a imposição da medalha. “Atendendo à importância da distinção, estarei presente na cerimónia pública”, adiantou Vítor Sereno ao HM, agradecendo ao Governo e, em especial, ao Chefe

Ma Hok Cheung Vítor Paulo da Costa Sereno Liu Liang Lam Oi Man U Choi Hong Equipa da Escola Secundária Pui Ching que participou na “Feira Internacional de Ciência e Engenharia 2018 (Intel ISEF)” Leong Ieng Wai

do Executivo, Chui Sai On, pelo título honorífico de prestígio. “Gostaria de o dedicar a todas e a todos os portugueses que vivem e trabalham em Macau”, afirmou, falando de “um exemplo enquanto comunidade para o mundo”. “Partilho-o também com a minha antiga equipa de trabalho, agora chefiada pelo embaixador Paulo Cunha Alves e com todos os colegas diplomatas, técnicos e administrativos das nossas missões na República Popular da China”, sublinhou Vítor Sereno. Diana do Mar (com J.S.F.)

dianadomar@hojemacau.com.mo


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20.12.2018 quinta-feira

GOVERNO PEDE QUE À OMC INVESTIGUE TARIFAS IMPOSTAS PELOS EUA

Legalidade duvidosa

O governo chinês apresentou uma queixa na Organização Mundial de Comércio contra os EUA, na sequência da guerra comercial iniciada por Donald Trump. tarifas “afectam significativamente os seus interesses comerciais”, o que, além disso, piora o clima do intercâmbio comercial e prejudica as linhas de produção de indústrias em todo o mundo. As acções unilaterais dos EUA “não só prejudicam os direitos e interesses da China, mas violam flagrantemente as regras da OMC”, argumentou a representação do país asiático na organização.

RESPOSTA AMERICANA

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governo chinês solicitou formalmente nesta terça-feira à Organização Mundial do Comércio (OMC) a criação de um grupo especial para investigar as tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações oriundas do país asiático desde Julho deste ano, origem da actual guerra comercial entre as duas potências. O pedido fecha a fase de consultas bilaterais que tinha começado em Agosto, e a disputa passará agora a ser tratada pelo Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, formado por representantes de países-membros da organização internacional.

As tarifas contra as quais a China protesta foram impostas pelo governo do presidente americano Donald Trump em resposta a supostas más práticas chinesas em matéria de transferência de tecnologia e propriedade intelectual. Uma primeira imposição de tarifas sobre bens chineses avaliados em US$ 34 mil milhões (aos quais aplicou uma taxa de 25%) foi aprovada nos EUA em Julho e, em Setembro, foram impostas tarifas adicionais de 10% a produtos procedentes da China avaliados em US$ 200 mil milhões. A China destacou que as consultas com os EUA em Agosto e Outubro terminaram sem avanços e que as

Os Estados Unidos responderam que a China procura utilizar o sistema de resolução de disputas como um escudo para “uma grande gama de políticas que distorcem o comércio e práticas não admitidas pelas regulações da OMC”, por isso ameaçam a viabilidade dos mecanismos mediadores. Washington também classificou de hipócrita a decisão da China de levar a disputa à OMC, quando já está a aplicar em resposta às tarifas americanas os seus próprios encargos sobre US$ 100 mil milhões em produtos dos EUA. Trump ameaça empreender uma escalada na guerra comercial com a imposição de mais tarifas contra a economia chinesa, origem de quase metade do elevado défice comercial que os EUA mantêm com seus parceiros comerciais, e que superou os US$ 800 mil milhões em 2017.

“Acusações falsas”

Pequim rejeita insinuações do Japão sobre expansão militar

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China rejeitou as insinuações feitas pelo Japão de que está a expandir a sua influência militar na região, e as classificou de “acusações falsas” e “infundadas”. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, respondeu assim à aprovação japonesa de novas linhas de defesa que incluem o reforço das suas capacidades e a compra de modernos aviões de combate que poderiam ser posicionados em navios da Marinha.

“Os conteúdos relacionados com a China nestes documentos (das novas linhas de defesa japonesa) só repetem velhas canções, fazendo acusações infundadas às actividades do exército chinês”, declarou Hua. Além disso, a porta-voz da chancelaria chinesa disse que se tratam de “acusações falsas” sobre a ameaça da China, “algumas das quais cheiram a mentalidade da Guerra Fria”. “Devido a razões históricas, os movimentos do Japão sempre foram observados

de perto pelos seus vizinhos e pela comunidade internacional”, provocou Hua, que recomendou a Tóquio “que tome cuidado com suas palavras e suas acções no campo militar e de segurança”. A porta-voz chinesa considerou ainda que as insinuações japonesas “não são boas para o desenvolvimento de laços bilaterais, nem para manter a paz e a estabilidade regional”. A revisão aprovada pelo governo japonês é a primeira na estratégia de defesa que o país adopta desde 2013,

entre sinais de tensão internacional pela crescente influência chinesa na região e pelas ameaças ainda latentes do programa nuclear norte-coreano. O Executivo de Tóquio, segundo os documentos da aprovação das novas estratégias defensivas, está “profundamente preocupado” com as actividades militares de Pequim no Mar da China Oriental, assim como com as interferências no ciberespaço que poderiam prejudicar as capacidades defensivas japonesas.

40 ANOS DEPOIS O SALTO EM NÚMEROS

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Á 40 anos, a China operou uma abertura para conceitos capitalistas para se tornar uma “economia socialista de mercado”. Desde então, o país registar crescimento exponencial em todos os sectores. O Produto Interno Bruto (PIB) passou de US$ 305 mil milhões em 1980 para US$ 12,725 biliões em 2017. O país tem uma taxa de crescimento médio do PIB de mais de 10% ao ano neste período. Primeiro lugar na lista de países exportadores de bens e serviços, com volume de US$ 2,491 biliões em 2017. As exportações eram de apenas US$ 21 mil milhões em 1980. Os investimentos estrangeiros, praticamente inexistentes em 1980, chegaram a US$ 168 mil milhões em 2017. Os chineses consumiram 90 vezes mais em 2016 (US$ 4,412 biliões) do que em 1980 (US$ 49 mil milhões). Em 1980, o 1% mais rico

controlava 6,4% da riqueza nacional, enquanto 26,7% correspondia aos 50% mais pobres. Em 2015, a parte mais rica somava 13,9% do PIB, contra 14,8% para os mais pobres. As emissões de CO2, que se multiplicaram por cinco entre 1980 e 2014. Em termos demográficos, a China hoje é o país mais povoado do mundo, com 1,3 mil milhões de habitantes em 2017. O país contava com 981 milhões de pessoas 1980 - um aumento de 319 milhões de cidadãos em 40 anos. Isso aconteceu apesar da política do filho único instaurada em 1979 e vigente até 2015. A expectativa de vida melhorou, tanto para homens, quanto para mulheres, passando de 66 anos em 1979 para 76 anos em 2016. O analfabetismo diminuiu cinco vezes, de 22% da população em 1982 para 4% em 2010.

CHINA E MYANMAR EM CONSULTAS DIPLOMÁTICAS E DE DEFESA

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China e Myanmar realizaram na terça-feira a sua quarta ronda de consultas diplomáticas e de defesa em Kunming, capital da Província de Yunnan, e trocaram opiniões sobre a situação no norte de Myanmar. As duas partes concordaram que a situação na região está estreitamente relacionada com a paz regional e o bem-estar das pessoas da fronteira entre os dois países. “Todas as partes no norte de Mianmar devem manter-se contidas e obter um cessar-fogo o mais cedo possível para evitar danificar a estabilidade da região fronteiriça”, de acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores. “Os dois lados estão dispostos a tomar medidas necessárias para controlar de maneira conjunta a situação no norte de Myanmar, fortalecer a cooperação na estabilidade e gestão fronteiriças, salvaguar-

dar a segurança e os direitos e interesses legítimos das pessoas na região fronteiriça, e garantir a função dos portos chave e a implementação plena dos principais projectos de cooperação”, foi acrescentado. A China congratulou-se com “o progresso positivo recente” no processo de paz de Myanmar, apoia a realização de uma nova ronda da Conferência Étnica do Panglong do Século XXI, e está disposta a fazer esforços conjuntos para impulsionar a construção do corredor económico China-Myanmar para promover o desenvolvimento do norte de Mianmar e as áreas fronteiriças, foi revelado. Por seu lado, Myanmar aprecia a ajuda da China no processo de paz e espera que a China continue a desempenhar um papel construtivo na promoção das negociações de paz. Xinhua


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quinta-feira 20.12.2018

PRESIDENTE DA HUAWEI ABRE AS PORTAS DA EMPRESA

Automóveis Simplificadas regras de aprovação de novas joint-ventures

A China simplificará o procedimento de aprovação de novas joint-ventures automobilísticas com outros países, decidiu a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR, o mais alto órgão de planeamento económico). A antiga prática de verificar e ratificar a administração dessas joint-ventures será substituída pela de arquivo ou registo. As novas regras, em vigor a partir de 10 de Janeiro de 2019, também serão aplicáveis aos carros eléctricos de passageiros e aos projectos de investimento no sector administrados pelos governos provinciais, detalhou a CNDR. A China reduziu nos últimos anos em quase dois terços as medidas restritivas sobre o investimento estrangeiro e também reformou significativamente o sistema de aprovação para investimento estrangeiro. As novas regras foram aprovadas pelo Conselho de Estado.

Guangdong Divulgação de pesquisa violou a lei

O Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) disse nesta terça-feira que as autoridades locais da Província de Guangdong, sul da China, violaram a lei ao pesquisar e publicar o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) local com uma licença expirada. De acordo com um funcionário da pasta, a pesquisa conduzida pelo departamento local de indústria e tecnologia da informação na Província de Guangdong havia sido aprovada uma vez, no entanto, as autoridades não reaplicaram a aprovação das autoridades de auditoria após a expiração da licença de pesquisa. Além disso, o departamento estatístico de Guangdong fez a publicação do PMI sem a ratificação do DNE, violando a lei, acrescentou. “As autoridades locais podem continuar a pesquisa e divulgar os dados no momento determinado, desde que estejam de acordo com a lei e sejam ratificadas pelas autoridades estatísticas relevantes”, destacou o funcionário. O PMI é um indicador económico publicado para o sector manufactureiro. Uma leitura acima de 50 indica expansão, enquanto abaixo, contracção. Segundo o relatório do PMI de Setembro de Guangdong, o PMI regional foi de 50,2%, 0,9 ponto percentual superior ao registo de Agosto.

Paredes de vidro

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presidente da empresa chinesa Huawei refutou, nesta terça-feira, a acusação de que o grupo tem ligação com os serviços de Inteligência da China, num momento em que o fornecedor de equipamentos de telecomunicações enfrenta uma onda de rejeição no Ocidente. Ken Hu desafiou Washington e outros governos a provarem que a empresa chinesa é uma ameaça à segurança, depois de vários países a terem banido de participar no desenvolvimento de telecomunicações. Numa rara conferência de imprensa, na sede da Huawei Technologies, Ken Hu afirmou que as acusações contra o maior fabricante global de equipamentos de rede derivam de “ideologia e geopolítica”. “Não há nenhuma evidência de que a Huawei ameaça a segurança nacional de qualquer país”, afirmou Ken Hu em conferência de imprensa realizada na sede da empresa, localizada em Shenzhen, no sul da China. Hu assegurou que a sua empresa nunca recebeu nenhum pedido do governo chinês para acesso a dados. O responsável avisou que excluir a Huawei do desenvolvimento de redes de quinta geração (5G) na Austrália e em outros mercados vai prejudicar os consumidores, ao aumentar os preços e travar a inovação. A Austrália e a Nova Zelândia baniram as redes 5G da Huawei por motivos de segurança nacional, após os Estados Unidos e Taiwan, que mantém restrições mais amplas à empresa, terem adoptado a mesma medida. Também o Japão, cuja agência para a segurança no ciberespaço classificou a firma chinesa como de “alto risco”, baniu as compras à Huawei por departamentos governamentais. Na segunda-feira, a Huawei também registou a rejeição das suas equipas na República Checa, cuja agência de segurança da informações e cibersegurança considerou que tanto o software quanto o hardware do grupo chinês representam uma ameaça à segurança nacional. Em Portugal, durante a recente visita do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado entre a Altice e a Huawei um acordo para o desenvolvimento da tecnologia 5G em Portugal, apesar da UE ter assumido “estar preocupada” com a empresa e com outras tecnológicas chinesas, devido aos riscos que estas colocam em termos de segurança. A realização de uma conferência de imprensa pela Huawei sugere que a empresa está preocupada com as crescentes restrições no

3G TAIWAN FECHA REDES AINDA EM 2018

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AIWAN está a preparar-se para fechar as redes de telecomunicação 3G no final deste ano, quando ainda existem 200 mil utilizadores deste serviço na ilha, informaram empresas da área. No início do ano, os serviços 3G registavam 6,4 milhões de utiliza-

dores. A ilha terminou os serviços 2G em 2017 e, depois de lançar o 4G em 2013, planeia agora lançar o 5G em 2020, disse a presidente da Comissão de Comunicações de Taiwan, Chan Ting-I, em declarações no parlamento, em Outubro passado. O número de utilizadores

acesso ao mercado 5G, que analistas estimaram que pode valer mais de 20 mil milhões de dólares (cerca de 18 mil milhões de euros) por ano, em 2022. “Se há provas e evidências, estas devem ser transmitidas (...) às operadoras de telecomunicações, porque são estas que compram à Huawei”, afirmou Ken Hu.

PORTAS ABERTAS

Fundada em 1987, por um ex-engenheiro das forças armadas chinesas, a Huawei rejeitou as acusações de que é controlada pelo Partido Comunista Chinês (PCC), ou que desenvolve equipamentos que facilitam a espionagem chinesa. Mas funcionários estrangeiros citaram uma lei da China que requer às empresas a cooperação com os serviços secretos. Dadas as preocupações de espionagem, a Huawei decidiu, nesta terça, abrir os seus laboratórios de pesquisa a jornalistas. Ken Hu disse que seus clientes continuam a confiar em seus serviços, apesar do que ele considera uma campanha de difamação. “Proibir um determinado grupo não resolverá problemas de segurança cibernética”, acrescentou. Há mais de um ano, a Huawei tenta convencer o mundo de que não têm a menor ligação com a Inteligência chinesa, observando que a empresa pertence 100% a seus funcionários, e não ao Estado, ou ao Exército. Para tranquilizar os operadores de Internet, o grupo concedeu acesso aos seus equipamentos nos seus laboratórios de desenvolvimento, onde podem desmontá-los completamente e também aceder ao seu código-fonte. O presidente do grupo evitou comentar a detenção, no início de Dezembro no Canadá, de sua directora financeira, Meng Wanzhou. A Justiça dos Estados Unidos considera a empresária suspeita de cumplicidade em uma fraude para burlas as sanções de Washington contra o Irão. “Confiamos na imparcialidade e na independência dos sistemas judiciais dos países envolvidos”, limitou-se a comentar. “Esperamos um resultado justo deste caso”, acrescentou.

5G NA BERLINDA

A emergência das redes 5G acrescentou receios, à medida que os governos passaram a olhar para as redes de telecomunicações como activos estratégicos para a segurança nacional. Esta tecnologia destina-se a expandir as redes de telecomunicações para conectarem carros autónomos, fábricas automatizadas, equipamento médico e centrais eléctricas.

4G na ilha ultrapassou o número de habitantes, 23,7 milhões, em março último, de acordo com dados das empresas telecomunicações taiwanesas. Taiwan é o segundo país do mundo, a seguir à Finlândia, na utilização de dados móveis por utilizador, com uma média mensal de 12,3 GB por mês em 2017, indicaram dados publicados em Junho pela empresa de estudos de

“Nunca houve qualquer evidência de que o nosso equipamento constitui uma ameaça à segurança”, afirmou Hu. “Nunca aceitámos pedidos de qualquer governo para prejudicar as redes ou negócios de um cliente nosso”, acrescentou. A Huawei é o primeiro actor global chinês no sector tecnológico, tornando a empresa politicamente importante, à medida que o PCC tenta transformar as firmas do país em importantes competidores em actividades de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. A empresa emprega 180 mil pessoas e as vendas deverão superar os 100 mil milhões de dólares, este ano. As ambições chinesas para o sector tecnológico chinês resultaram já numa guerra comercial com os Estados Unidos, com os dois países a aumentarem as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um. Hu garantiu que a empresa “nunca recebeu qualquer pedido para fornecer informação imprópria”. “No futuro, vamos agir em estrita conformidade com a lei, ao lidar com situações semelhantes”, disse. O presidente da empresa citou ainda previsões que apontam que os custos de instalar estações para rede sem fio de 5G na Austrália sairá entre 15% e 40% mais caro sem a competição da Huawei. “Não podes tornar-te melhor ao bloquear o acesso de competidores ao campo de jogo”, disse. Hu garantiu que, apesar das interferências “políticas”, a Huawei assinou já contratos para fornecer equipamentos 5G a 25 operadoras de telecomunicações, e que exportou já 10.000 estações para rede sem fios de última geração. “Estamos orgulhosos por ver que os nossos clientes continuam a confiar em nós”, disse. A Huawei tem escritórios em Lisboa, onde conta também com um centro de inovação e experimentação. Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), desde 2004, a firma chinesa investiu 40 milhões de euros em Portugal.

mercado Tefficient da Suécia. O adiamento para 2020 da introdução da rede 5G vai deixar Taiwan atrás de outros países asiáticos, como o Japão, a Coreia do Sul e a República Popular da China. Na China, os operadores China Mobile, China Telecom e China Unicom já receberam licenças 5G e o fabricante Huawei anunciou já o lançamento de modelos 5G em 2019.


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20.12.2018 quinta-feira

XINJIANG CAMPO DE INTERNAMENTO EXPORTA VESTUÁRIO PARA OS ESTADOS UNIDOS

Barata feira Peças de roupa fabricadas em campos de internamento na China, onde se estima que mais de um milhão de muçulmanos estão detidos e sujeitos a doutrinação política, poderão estar a ser vendidas nos EUA

N

UMA reportagem da Associated Press, a agência norte-americana descreve um complexo no extremo noroeste da China, com mais de trinta dormitórios, escolas, armazéns e oficinas, rodeado de arame farpado e centenas de câmaras de vigilância, enquanto dezenas de polícias armados guardam a entrada. Atrás dos portões,

trancados, homens e mulheres costuram vestuário desportivo que pode acabar em recintos desportivos e escolas no Ocidente. Trata-se de um de vários campos de internamento, na região do Xinjiang, onde se estima que mais de um milhão de muçulmanos chineses estão detidos, sujeitos a doutrinação política e forçados a abdicar da sua língua e religião. As autoridades chinesas forçam alguns dos detidos a trabalhar em manufactura ou processamento de alimentos, dentro dos próprios campos de internamento ou em fábricas privadas. Uma investigação recente da agência Associated Press detectou encomendas a um dos campos de internamento no Xinjiang feitas pela Badger Sportswear, um importador do Estado norte-americano da Carolina do Norte. O Governo chinês diz que os campos são centros de “formação vocacional”, destinados a treinar uigures e cazaques, parte de um plano para trazer estas minorias étnicas muçulmanas para o mundo “moderno e civilizado”, e eliminar a pobreza no Xinjiang. E argumentam que as pessoas detidas

nos centros assinaram acordos nos quais se comprometem a receber treino vocacional. Na segunda-feira, uma porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros acusou a imprensa estrangeira de fabricar “várias informações falsas” sobre os centros, sem avançar detalhes. “Essas reportagens são baseadas em rumores e destituídas de fundamento”, afirmou Hua Chunying, em conferência de imprensa.

CAMPOS POLÉMICOS

Mas o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial e organizações não-governamentais estimaram já que um milhão de

pessoas na China da minoria uigur e de outras minorias muçulmanas estão detidos em “centros contra o extremismo”, e que outros dois milhões estavam, de forma forçada, em “campos de reeducação”. O pagamento depende de acordo com a fábrica. Alguns não recebem nada, enquanto outros ganham centenas de dólares por mês, segundo relatos de antigos detidos, citados pela Associated Press. Um antigo jornalista para uma televisão do Xinjiang, entretanto exilado, revelou que durante o mês em que esteve detido, jovens eram levados todas as manhãs para trabalhar em carpintaria ou numa fábrica de cimento, sem compensação

monetária. “O campo não pagava nada, nem um cêntimo”, afirmou, sob condição de anonimato, já que alguns dos seus familiares continuam a viver na região. Em 2016, o secretário do PCC Chen Quanguo foi transferido para a região, após vários anos no Tibete, convertendo Xinjiang num estado policial. Para além dos campos de detenção extrajudicial, os uigures estão limitados na sua circulação por uma combinação de medidas administrativas e postos de controlo. Pequim diz que a repressão é necessária para combater o separatismo e extremismo islâmico, enquanto activistas uigures afirmam que serve apenas para alimentar as tensões. Os homens e mulheres que trabalham no complexo de onde saíram produtos para a norte-americana Badger Sportswear trabalham numa fábrica detida pela firma chinesa Hetian Taida Apparel. A empresa diz que não está directamente afiliada com os campos de internamento, mas que a sua força de trabalho integra detidos, considerados “não problemáticos” pelas autoridades. “Estamos a dar o nosso contributo para erradicar a pobreza”, afirmou Wu Hongbo, presidente da empresa, citado pela Associated Press. Entretanto, o Governo norte-americano reagiu e afirmou ontem que está a rever informações sobre o assunto. Em comunicado, o Serviço de Alfândegas e Protecção das Fronteiras dos Estados Unidos disse que as informações avançadas pela agência de notícias Associated Press (AP) e outros meios de comunicação, “pela primeira vez parecem relacionar os campos de internamento identificados no oeste da China com a importação por uma empresa norte-americana de bens produzidos por trabalho forçado”.


china 15

quinta-feira 20.12.2018

O

Alibaba, uma espécie de Amazon chinesa, identificou o café como uma das categorias estratégicas para os próximos anos e convidou a Delta Cafés para a dinamização desta nova categoria, num projecto de parceria desenhado a 5 anos. “Sendo o TMALL o principal veículo de criação de marca na China, a Delta Cafés assumiu o desafio de lançar a primeira Flagship Store oficial portuguesa gerida directamente pela marca, oportunidade única para a Delta Cafés, enquanto marca inovadora, de aprender e corresponder às novas expectativas dos consumidores”, considera Alberto Pinto, director para os mercados internacionais do Grupo Nabeiro - Delta Cafés. As exportações representam cerca de 32% do negócio do Grupo Nabeiro - Delta Cafés, cujo volume de negócios em 2018 será da ordem dos 400 milhões de euros. Está presente em 25 países mas os mercados em que estão com posição mais interessante são aqueles em que a marca tem operação própria, com destaque para Espanha, Brasil, França, Angola, Suíça e Luxemburgo. “Temos apostado continuamente nos diferentes mercados onde estamos presentes, pensando de forma global e agindo localmente, proporcionando novos mo-

CAFÉ DELTA ESTABELECE PARCERIA COM O ALIBABA

Passo de gigante

A Delta Cafés foi escolhida para dinamizar a categoria “café” no Alibaba, que domina o e-commerce na China. As exportações representam 32% dos negócios do Grupo Nabeiro. mentos de consumo e chegando a novos consumidores”, refere Alberto Pinto.

PRESENÇA EM XANGAI

A Delta tem presença directa na China com a Delta Food Shangai, que tem como principal actividade a promoção e comercialização de café e produtos complementares no mercado asiático e em Angola, através da Angonabeiro, que faz a distribuição dos produtos da Delta e produz a marca de café Ginga. Mas é Angola é um caso especial. Como diz Alberto Pinto, “reconhecemos a qualidade do café angolano e por isso o compromisso do Grupo Nabeiro com Angola é de longo prazo”. Considera ainda que a Angonabeiro, “tem contribuído activamente para restaurar o café angolano

CABO VERDE ASSISTÊNCIA MILITAR NO VALOR DE 3,8 MILHÕES DE EUROS

A

China vai conceder assistência militar a Cabo Verde para os próximos cinco anos, no valor de 3.831.974 euros, segundo um acordo que será formalizado sexta-feira na capital cabo-verdiana, anunciou hoje o Ministério da Defesa cabo-verdiano. O acordo sobre a concessão de assistência militar grátis pela China a Cabo Verde será assinado entre os respectivos ministérios da Defesa, através do ministro da Defesa cabo-verdiano, Luís Filipe Tavares, e o embaixador da República Popular da China em Cabo Verde, Du Xiaocong.Amesma informação oficial adianta que o acordo decorre da visita que o titular da Defesa de Cabo Verde efectuou à China em Novembro de 2017 e da decisão das autoridades chinesas de contemplar Cabo Verde com apoio militar gratuito para os próximos cinco anos, no valor de 425 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 3.831.974 euros). Na próxima sexta-feira e sábado estará em Cabo Verde uma delegação de seis elementos, chefiada pelo Conselheiro Sénior do Gabinete de Cooperação Militar Internacional do Ministério da Defesa Nacional da China, Major-general Zhang Yingli, para “negociar a aplicação desse montante, bem assim analisar e perspectivar acções futuras de cooperação, no domínio da Defesa”.

O

professor universitário e presidente da companhia petrolífera Partex Oil and Gas Corporation considerou que a Rota da Seda vai levar a uma mudança “ao nível das relações económicas e comerciais” em todo o mundo. “Estou convencido que este projecto (...) vai ser um projecto-chave para mudar, ao nível das relações económicas e comerciais, o que se passa no nosso planeta”, disse António Costa e Silva durante a apresentação do livro ‘A China e a revitalização das Antigas Rotas de Seda, Novo Vetor do Comércio Mundial’ realizada na terça-feira no Grémio Literário, em Lisboa. “A Ásia não só está a renascer. As pessoas dizem que a China é uma potência emergente, a China é uma potência reemergente”, afirmou o professor universitário, lembrando que quando os portugueses iniciaram os Descobrimentos, “o país asiático era responsável por 25% do PIB [Produto Interno Bruto] mundial”. António Costa e Silva elogiou ainda a China, país que “pensa a longo prazo e baseia o seu regime na merito-

e os hábitos de consumo dos angolanos e esses esforços têm dado frutos ao longo dos anos”. Um dos objectivos da Delta Cafés é entrar no ‘top ten’ das marcas de café mundiais, nos próximos cinco anos. Para este objectivo, além da internacionalização, o outro pilar é a inovação, por isso pretendem “continuar a criar tendências e a acrescentar valor aos vários momentos de consumo e de partilha proporcionados pelo café, diz Alberto Pinto. Uma das lanças para a conquista de mercados, está a Delta Q, sistema de cápsulas para consumo no lar e nas empresas, que surgiu no mercado em Novembro de 2007 com uma produção diária de 395 cápsulas. Dez anos depois, a marca de café do grupo Nabeiro produz mais de dois milhões de cápsulas por dia, com destino a 25 países. Algumas acções recentes que obedecem a estes dois pilares são o primeiro café expresso móvel, através do Delta Q WALQ), a aposta num novo segmento de mercado com barras de cereais Croffee, o Go Chill by Delta é uma bebida fria de café com leite, uma nova edição Chef’s Collection com assinaturas dos ‘chefs’ Ljubomir Stanisic e Ricardo Costa e novas campanhas internacionais, com a nomeação dos embaixadores Ricardo Pereira e Pauleta, respectivamente para os mercados do Brasil e de França.

Livro português explica “Rota da Seda vai mudar o que se passa no nosso planeta”

cracia, que é um conceito que funciona”. Para o responsável da Partex, o projecto chinês representa a “última rota da seda que a história conheceu, e a última rota da seda que o mundo vai conhecer”. O livro apresentado na terça-feira resulta de uma parceria entre a Associação Amigos da Nova Rota da Seda e o Instituto Internacional de Macau, tendo a sua concepção sido coordenada por Fernanda Ilhéu e Leonor Janeiro. Fernanda Ilhéu considera que o principal propósito do livro passa por contar a história das antigas rotas da seda. “O livro tem um grande objectivo, que é levar ao conhecimento do grande público o que foram as antigas rotas da seda e a sua importância civilizacional, e o que se perspectiva com a nova rota da seda”, referiu Fernanda Ilhéu, que é a presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda. A coordenadora do livro criticou o ensino ocidental

por não introduzir conceitos extra-ocidentais no currículo escolar. “A história da civilização é muitas vezes ensinada nas escolas europeias com uma miopia ocidental”, censurou a autora. “Só se fala no que se passou na Europa, praticamente. Fala-se da Grécia, fala-se de Roma, fala-se da Europa Cristã, das

Cruzadas, dos Descobrimentos, do Renascimento, do Iluminismo, da Revolução Industrial e por aí fora, e esquece-se que as grandes civilizações começaram no Médio e Extremo-Oriente e no Nordeste de África”, sublinhou. Já a outra responsável pela autoria da obra, a arquitecta Leonor Janeiro, o livro surgiu para contrapor a imagem referente ao continente asiático que diz ser passada pela imprensa. Assim, assume ter coordenado a criação de “uma publicação dirigida ao grande público para disseminar o conhecimento da história do mundo a Este, até à China”. “Não é um livro académico, é um livro generalista. Assim será mais fácil de entender o que está na génese desta mudança de centralidade a que hoje assistimos”, concluiu Leonor Pinheiro.


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20.12.2018 quinta-feira

Um presente para CINEMA “CAMINHOS LONGOS” DE ANTÓNIO LEMOS FERREIRA RECORDA MACAU DOS NOS 50

O realizador António Lemos Ferreira esteve no território para apresentar o documentário “Caminhos Longos” no festival de curtas metragens Sound & Image Challenge. O filme traz ao ecrã as imagens feitas no território pelo seu pai em 1957, numa narrativa que se cruza com o regresso do cineasta a Macau, quase 60 anos depois de ter partido

“C

AMINHOS Longos” é o filme realizado por António Lemos Ferreira que traz ao ecrã a Macau dos final dos anos cinquenta numa história que cruza o passado familiar do cineasta. A película esteve em exibição no festival de curtas metragens Sound & Image Challenge e,

de acordo com o realizador, o objectivo agora ºe que seja um presente para os moradores, tendo distribuido várias cópias por associações locais. O filme tem origem em 1955, altura em que o pai de António Lemos Ferreira realizou a película homónima que veio a desaparecer anos depois. “Durante muitos anos foi o primeiro e único filme que existia acerca do

território, mas acabou por desaparecer”, conta António Ferreira ao HM. Mas, as imagens recolhidas pelo pai do realizador não se limitaram ao filme. “Dois anos mais tarde, em 1957, filmou-me a mim, filmou a cidade, principalmente a vista da torre da Guia, filmou a família e mesmo alguns dos seus alunos do tempo em que dava aulas no Colégio Dom

Bosco”, refere. “Lembro-me que o meu pai foi comprar a bobine de 8mm a Honk Kong que na altura custaria meio ordenado. Depois o padre António Giacomino é que lhe emprestou a câmara para que pudesse filmar”, recorda.

DO BAÚ

As bobines de 8mm permaneceram guardadas até ao ano passado, altura em que

António Lemos Ferreira achou que “era altura de trazer aquelas imagens a público para mostrar sobretudo aos macaenses o território de outros tempos” e ao mesmo tempo explorar com um contraponto com a realidade. Foi quando surgiu a ideia de fazer um documentário, aponta. Para o efeito o realizador regressou a Macau, após quase 60 anos

“Fiz o filme para que seja oferecido ao povo de Macau porque todas as sociedade são o que são dada o seu passado.” ANTÓNIO LEMOS FERREIRA REALIZADOR

ÓSCARES PORTUGAL E BRASIL DE FORA DA CORRIDA DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO

O

S filmes “Peregrinação”, de João Botelho, e “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, ficaram de fora dos finalistas à nomeação do Óscar para melhor filme estrangeiro, anunciou a Academia de Hollywood. Num comunicado que revelou os finalistas de nove categorias da 91.ª edição dos mais mediáticos prémios do cinema, a Academia das Artes

e Ciências Cinematográficas de Hollywood revelou que nove obras iriam passar à fase seguinte no âmbito do galardão para melhor filme estrangeiro, depois de 87 candidaturas. Assim, os finalistas, dos quais resultarão os cinco nomeados, são “Pássaros de Verão”, de Cristina Gallego e Ciro Guerra (Colômbia), “O Culpado”, de Gustav

Möller (Dinamarca), “Nunca Deixes de Olhar”, de Florian Henckel von Donnersmarck (Alemanha), “Uma Família de Pequenos Ladrões”, de Hirokazu Koreeda (Japão), “Ayka”, de Sergei Dvortsevoy (Cazaquistão), “Cafarnaum”, de Nadine Labaki (Líbano), Roma, de Alfonso Cuarón (México), “Guerra Fria”, de Pawel Pawlikowski (Polónia), e “Beoning”, de

Chang-dong Lee (Coreia do Sul). Da lista de nove finalistas destacam-se “Roma”, de Cuarón, realizador que já venceu o Óscar de melhor realização com “Gravidade”, em 2014, “Guerra Fria”, de Pawlikowski, grande vencedor dos prémios do cinema europeu no passado fim de semana, e “Uma Família de Pequenos Ladrões”, de Koreeda, já nomeado para

o Globo de Ouro de filme estrangeiro e vencedor da Palma de Ouro do festival de Cannes deste ano. “Peregrinação”, do português João Botelho, foi anunciado em Setembro pela Academia Portuguesa de Cinema, como o candidato nacional quer aos Óscares quer aos prémios espanhóis Goya. Do lado brasileiro, foi escolhido, também em Setem-

bro, o filme “O grande circo místico”, de Cacá Diegues, rodado em Portugal e com actores portugueses. Os nomeados dos Óscares vão ser anunciados no dia 22 de Janeiro e a cerimónia de entrega das estatuetas vai ter lugar no dia 24 de Fevereiro do próximo ano.


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quinta-feira 20.12.2018

a Macau

de ausência. “O objectivo era inicialmente visitar os locais filmados pelo meu pai e procurar fazer as filmagens nos mesmos ângulos, mas Macau mudou. Sofreu muitas alterações”, refere. De acordo com o cineasta, estas mudanças são normais e podem mesmo ser construtivas. Neste caso, um imprevisto acabou por se tornar o fio condutor de

toda a narrativa. "Ía filmar só as pessoas a saírem da igreja e calhou naquela altura começar a decorrer uma procissão. Aproveitei, filmei, correu bem e acabei por aproveitar a música de toda a procissão. Era uma música fúnebre mas que fazia uma boa ligação filosófica entre o casamento dos meus pais e a visita que fiz ao cemitério", conta ao HM.

Com o confronto com a realidade também a ideia inicial para “Caminhos Longos” se foi transformando. “Acabei por fazer uma adaptação dos locais, numa abordagem em que contei com a minha parte da família mais velha e que ainda está cá”, comenta. O resultado foi uma produção luso macaense em que “a família mais nova, mais virada para as novas tecnologias e para a música tratou dos

arranjos e edição em Portugal, enquanto a família de Macau contou as histórias”.

REGRESSO A CASA

“Caminhos Longos” acabou por representar o percurso do próprio realizador no seu regresso a Macau, aponta, e foi feito como se se tratasse de um diário pessoal onde estão as memórias mais antigas e o caminho até à actualidade. Por outro lado, o filme “representa um reencontro com as origens e também com o que a minha infância em que vinha de uma família macaense tradicional, de um português que veio cá fazer a tropa, conhece uma chinesa, casam-se e têm filhos”, acrescenta o realizador ao mesmo tempo que recorda os anos em que cresceu no território. “Vivi cá os primeiros sete anos de vida e andava sempre dividido. Era educado no seio de uma família chinesa, convivia com ela e falava chinês e depois ía para a escola portuguesa e sentia-me atrapalhado, o que na altura era muito comum nas famílias macaenses”, recorda. Mas, acima de tudo “Caminhos Longos” é um filme que pretende ser uma oferta ao território. “Fiz o filme para que seja oferecido ao povo de Macau porque todas as sociedade são o que são dada o seu passado”, sublinha. No regresso a Macau, no ano passado, apesar de ter conhecimento das alterações que a cidade sofreu nos últimos anos, António Lemos ferreira não deixou de se surpreender. Mas no geral, “Macau é agora uma cidade muito internacional com muita variedade arquitectónica em que se conseguiu manter as características portuguesas de alguns edifícios, o que torna o território muito interessante”, remata. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

MAM MUSEU TRAZ PINTURAS DA “ESCOLA DE XANGAI”

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SCOLA de Pintura de Xangai – Colecções do Museu do Palácio” é a exposição que vai estar patente até 10 de Março no Museu de Arte de Macau (MAM) e reúne de 90 pinturas da colecção do Museu do Palácio criadas por 20 artistas representativos da escola de Xangai. Em comunicado, o Instituto Cultural (IC) sublinha

que a mostra traz obras de artistas como os Quatro Rens, os Três Xiongs, Wu Changshuo, Zhao Zhiqian e Xu Gu. Por outro lado, as três secções em que se divide a exposição - “Pintura de Produtos”, “Estílo Erudito”, “Estilo dos Novos Tempos” – “mostram exaustivamente e sistematicamente as características artísticas e os estilos das

pinturas da Escola de Xangai daquela época no que se refere aos seus atributos, herança de arte tradicional e novas abordagens artísticas”, aponta o IC. O evento não se fica apenas pela mostra de obras de arte, e o MAM organiza ainda uma série de actividades complementares, sendo que o serviço de visitas guiadas estará disponível aos Sába-

dos e Domingos da parte da tarde a partir de 22 de Dezembro. Mais, o Seminário por especialistas do Museu do Palácio terá lugar no dia 10 de Março, momento também em que vai ter lugar um dos dois mini-concertos da Orquestra de Macau e dos estudantes do Conservatório de Macau. O segundo concerto está marcado para 24 de Fevereiro.

Uma mulher dos diabos Morreu Penny Marshall, aos 75 anos, vítima de diabetes

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actriz e realizadora norte-americana Penny Marshall, de 75 anos, que dirigiu “Despertares” e "Uma Mulher dos Diabos", morreu na segunda-feira, aos 75 anos, na sequência de complicações provocadas pela diabetes, de que padecia, anunciou ontem o seu agente. Como actriz, a carreira de Penny Marshall remonta aos anos de 1960 e a filmes como “The Savage Seven”, de Richard Bush, o primeiro de 17 em que participou, entre os quais se contam também “Alice Upside Down” (2007), de Sandy Tung, e "Um Dia de Mãe" (2016), do seu irmão Garry Marshall (1934-2016), como narradora. Foi, porém, como realizadora que se destacou, ao dirigir filmes como “Uma Mulher dos Diabos” (1986), com Whoopi Goldberg e Stephen Collins, “Big” (1988), com Tom Hanks e Elizabeth Perkins, e “Despertares” (1990), com Robert de Niro e Robin Willians. Em quase duas dezenas de filmes que realizou destacam-se ainda “Liga de Mulheres” (1992), com Tom Hanks, Jimmy Dugan, Geena Davis e Madonna, “Renaissance Man” (1994), com Danny de Vito, “The Preacher's Wife”/"Espírito do Desejo" (1996), com

Denzel Washington e Whitney Houston, e “Os Rapazes da Minha Vida” (2001), com Drew Barrymore e Adam Garcia.

PIONEIRA DE BILHETEIRAS

Penny Marshall foi a primeira realizadora a ter dois filmes sucessivos - “Big” e “Liga de Mulheres” - entre os principais 'blockbusters' da indústria norte-americana de cinema, ao ultrapassar os cem milhões de dólares de receita de bilheteira. Iniciou a carreira de realizadora na televisão, com a direcção de alguns episódios da série "Laverne & Shirley", que protagonizou com Cindy Williams, de 1979 a 1981, e que a tornou conhecida do público norte-americano. Fez igualmente parte de outros elencos televisivos, tendo a sua última participação sido na série “Sam & Cat”, de autoria de San Schneide, que esteve em exibição nos Estados Unidos, de 2013 até ao ano passado. Dirigiu alguns episódios da série "As Taras de Tara", protagonizada por Toni Collette. À data da morte tinha em pós-produção o documentário "Rodman", sobre o antigo basquetebolista Dennis Rodman, da liga profissional norte-americana (NBA).


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quinta-feira 20.12.2018

Felicita a Região Administrativa Especial de Macau pela passagem do seu 19.º Aniversário e deseja a todos boas festas e feliz ano novo

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A Universidade de Macau felicita a Região Administrativa Especial de Macau pela passagem do seu 19.º aniversário


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20.12.2018 quinta-feira

EXPOSIÇÃO BORDALO II INAUGURA A MOSTRA “ACCORD DE PARIS”, EM JANEIRO

Manifesto à natureza O artista português Bordalo II inaugura em Janeiro, em Paris, a “exposição-manifesto” "Accord de Paris", “que denuncia a devastação perpetrada pela sociedade de consumo sobre a natureza”

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E 26 de Janeiro a 02 de Março, “Paris recebe ‘Accord de Paris’, a exposição-manifesto de Bordalo II, que denuncia a devastação perpetrada pela sociedade de

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consumo sobre a natureza e sensibiliza a geração mais jovem para a necessidade de salvar o planeta”, de acordo com a organização num comunicado ontem divulgado. “Accord de Paris” é composta por “trinta esculturas

UTANÁSIA, desembargador, arguido, tiroteio, gentrificação e peculato são algumas das 24 palavras relativas a temas da actualidade política, económica e social mais pesquisadas por milhões de utilizadores no dicionário Priberam, em 2018, foi ontem divulgado. Este é o segundo ano consecutivo em que o dicionário Priberam e a Agência Lusa se associam numa iniciativa para o ‘site’ O Ano em Palavras, no qual as palavras mais pesquisadas ilustram os principais eventos que marcaram cada um dos meses do ano que agora chega ao fim. O ‘site’ está estruturado com as palavras apresentadas cronologicamente, de Janeiro a Dezembro e, para cada uma delas é possível

de animais ameaçados de extinção, criadas a partir de resíduos de plástico, máximo paradigma das consequências desastrosas da globalização”. A mostra, de entrada livre, irá ocupar “um es-

paço em bruto com 700 metros quadrados, no 13.º bairro de Paris”, e pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 14h e as 19h. As manhãs estão “reservadas às crianças em idade escolar”.

Palavras escolhidas

Priberam divulga as 24 palavras mais pesquisadas em 2018

aceder ao seu significado no Dicionário Priberam bem como ao artigo da Lusa sobre o evento que motivou as pesquisas, explica a Priberam, em comunicado. Para este projecto, foram recolhidas as palavras que, devido ao elevado número de pesquisas diárias, “ganharam destaque na nuvem do dicionário ao longo do ano”.

AS VENCEDORAS

A partir desta “nuvem”, os editores da Lusa escolheram as duas que consideraram mais relevantes em cada mês, em termos da actualidade nacional e internacional.

Assim, entre as mais de duas centenas de palavras que estiveram no topo das consultas no Dicionário Priberam, foram selecionadas 24 (por ordem cronológica): vetar, desembargador, lóbi, sistemática, bicefalia, arguido, milícias, messianismo, penta, eutanásia, desnuclearização, trivela, peculato, gentrificação, porto seguro, respeito, acervo, húbris, mito, ministro, armistício, aviltante, revogar e tiroteio. Outras palavras que ocuparam também lugar de destaque nas pesquisas dos utilizadores do dicionário Priberam foram

A exposição, “uma aventura humana, ecológica, cultural e pedagógica, que desenvolve um trabalho articulado com escolas em Paris e Île de France, é um grito de alarme pela preservação do ecossistema e um apelo à responsabilidade colectiva”. “É uma exposição de arte que transmite uma mensagem universal acessível desde a mais tenra idade, com recurso a dispositivos e materiais educativos (folhetos informativos, painéis, vídeos, etc.) e oficinas divertidas”, refere a organização.

DA ARTE DE RUA A PARIS

Artur Bordalo (Bordalo II - o primeiro era o avô, o artista plástico Real Bordalo, que morreu em junho do ano passado, aos 91 anos), nascido em Lisboa, em 1987, começou pelo ‘graffiti’, que o preparou para o trabalho pelo qual se tornou conhecido: esculturas feitas com recurso a lixo e desperdícios. Com a série “Big Trash Animals” (algo como “Grandes Animais de Lixo”) tem espalhado pelo mundo vários animais, “uma forma de fazer retratos da natureza, uma composição das vítimas com aquilo que as destrói”. “Podia fazer rostos humanos, mas a parte humana já está presente neste trabalho a tempo inteiro, por ser criada por um humano e porque todo este material que utilizamos já é humano. Todo este lixo é nosso, não é da Natureza”, referiu, em declarações à Lusa, em Novembro do ano passado, altura em que inaugurou em Lisboa “Attero”, exposição que foi visitada

cacique, interstício, subversiva, mulher, inelegível, exumação, triatleta, esfaqueamento, fascismo e democracia, chapo, coscuvilhice e aluimento foram outras das palavras de temas da actualidade mais pesquisadas.

por cerca de 27 mil pessoas, no espaço de um mês. A propósito da exposição, Bordalo II deixou nas ruas de Lisboa uma raposa, na avenida 24 de Julho, um sapo, na rua da Manutenção, e um macaco, no pátio do armazém onde esteve patente “Attero”, na zona de Xabregas. Em Lisboa, há ainda um guaxinim numa parede na zona de Belém.

“Accord de Paris” é composta por “trinta esculturas de animais ameaçados de extinção, criadas a partir de resíduos de plástico, máximo paradigma das consequências desastrosas da globalização.” Em Portugal, é também possível ver-se animais criados por Bordalo II em cidades como Estarreja, Loures, Vila Nova de Gaia e Covilhã. Este ano, foi curador do primeiro festival dedicado à ‘arte do lixo’, que decorreu na ilha espanhola de Tenerife e no qual participaram também os portugueses Catarina Glam, Miguel Januário e Forest Dump. “Accord de Paris”, é organizada pela galeria Mathgoth, com o apoio da autarquia do 13.º bairro de Paris e da empresa portuguesa Semapa.

A Priberam assinala ainda que os recordes de consultas no dicionário voltaram a ser batidos, com cerca de 132 milhões de pesquisas desde Janeiro de 2018 e um total de quase 37 milhões de consulentes.


quinta-feira 20.12.2018

Esforco inutil, crê! Tudo é ilusão... ´

A desordem e o ódio

diários de próspero

É

JOEL-PETER WITKIN, GODS OF EARTH AND HEAVEN

António Cabrita

famosa a fúria de Samora Machel quando descobriu que afinal Mutimati Barnabé João (autor de “Eu O Povo”) fora uma invenção de António Quadros e não um guerrilheiro frelimista, morto em combate. Percebe-se mas denota a ingenuidade do líder moçambicano, nesta matéria. Não se fazem bons poemas por ordem e graça do Espírito Santo. E a poesia não brota da sageza, da espontaneidade, ratice ou boa vontade, mas do domínio, técnico, e duma feliz dosagem entre as valências da memória e da imaginação, e quando a uma certa tradição retórica se conjuga a circunstância e a oportunidade. Ademais, por gracioso que seja António Aleixo não se compara a Fernando Pessoa. Durante o regime socialista, como aconteceu nos outros países da mesma feição política, Moçambique foi habitado pelo dogma de que toda a gente era poeta ou artista. O que é confundir os iguais direitos que a todos cabe a montante com o que cada um faz disso a jusante. Do mesmo modo que não me tornei cientista atómico nem escultor, a poesia não é para todos. Embora continue a haver muitos mais imitadores de poetas do que poetas. O Cartier-Bresson fez dos mais notáveis enquadramentos da fotografia do século xx porque tinha atrás de si um curso de pintura – arte a qual abdicou, depois de ter interiorizado toda a história da disciplina. Não nasceu do nada aquele “vício natural” de enquadrar as fotos como se cristalizasse num clic a harmonia condensada de um universo. Sim, o desejo é capaz de produzir objectos ou acções que transmutam o saber em novas formulações ou relações, mas para isso é necessário sublimar algo já existente, seja da ordem da sexualidade, duma crença ou de qualquer repertório técnico-discursivo. Vale o mesmo para a rebeldia política, como movimento capilar, se por um lado fascina o apelo romântico da luta hoje é um crime abstrairmo-nos da história política dos últimos cem anos, pois esta destruiu a idade da inocência, e não foi só para os militantes. Já estes caracterizam-se por presumirem uma unidade formal para a luta por via de uma transcendência – personificada no comité central do partido, ou nos dogmas da ideologia ou do nacionalismo, como realidades superiores. Depois, com mais ferocidade acrescida exercem as suas tarefas de organização e de exterminação. E os fins valem sempre os meios. Sempre preferi os rebeldes, aquele que actualizam uma potência sem o filtro de uma filiação, que a uma necessidade visceral de justiça ou de mudança aliam uma causa concreta ou uma reavaliação dos va-

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lores. O que por vezes deu mudança de paradigmas, como em Maio de 68. Mas isso assusta. Daí que Carvalho da Silva, o antigo dirigente sindical, tenha dito sobre os “coletes amarelos”: “Não há democracia sem estruturas de mediação, os sindicatos, como muitas outras organizações, existem para representar interesses específicos, e a quem a sociedade pode responsabilizar; nestes movimentos inorgânicos perante a ausência de estruturas de mediação, isso torna-se uma bagunça e nega a democracia”. É uma evidência que a democracia pode ser a primeira vítima do seu próprio sucesso mas esta será uma forma simplista de colocar as questões.

Como não simpatizar com os “coletes amarelos”? Ainda que a sua força seja a sua fraqueza: a sua recusa de líderes e porta-vozes é eficaz (já foi) numa acção pontual, em prolongando-se pode cair na indistinção e na instrumentalização por grupos radicais. Macron começou arrogantemente e afinal a sua inflexão neo-liberal dobrou como o junco diante da violência da realidade. Agora, dada a capilaridade da comunicação hoje em dia e os contágios que daí advêm é de perguntar se a reivindicação de que Macron abdique não terá já uma dedada da extrema-direita. Em Portugal o movimento tem a sua primeira manifestação marcada para esta

Agora há uma manifesta falta de humildade e asentença de um mecânico de automóveis, de um marceneiro, de um polícia, de uma empregada doméstica, de um trolha, de um enfermeiro, parece equivaler-se à de um escritor consagrado

semana. O poder está apreensivo – foi de cem euros, a cedência de Macron no aumento do ordenado mínimo – e curiosamente a UGT e a CGTP já se colocaram de fora das reivindicações. Não querem estar “fora do sistema”, serem considerados arruaceiros. Entretanto, o que mais desconcerta e ninguém quer pensar é a atmosfera de uma crispação latente que borbulha quer nas redes sociais, quer no descontrole com que num ápice os comentários dos leitores nos jornais se aproximam da arbitrariedade do ódio. É um sintoma acabrunhante. O ódio toma conta das sociedades. Com profetas eleitos: Trump e Bolsonaro, que elevaram à legitimidade a arbitrariedade, o espírito arruaceiro e a impunidade. Tudo o que é arcaico, as pulsões mais retrógadas têm agora uma âncora para se assumirem sem vergonha. A notícia mais simples e anódina é trampolim para exercícios de picardia e de desqualificação mútua entre os comentadores, o objecto da notícia não passa de um pretexto. Na semana passada, António Lobo Antunes deu uma entrevista em que se afirmava a favor de uma só nação ibérica. Com raras excepções não se trocaram argumentos nos comentários que se lhe seguiram, não se discutiu uma ideia; antes se amontoaram as notas denegridoras sobre o escritor, as sentenças e a condenação sem freio que roça o ódio. Todavia, há vinte anos, se um Virgílio Ferreira, um Eduardo Lourenço, um Prado Coelho, uma Agustina ou o Abelaira, manifestavam uma ideia considerada controversa havia em primeiro lugar uma suspensão da opinião. Se aquela criatura dizia tal, ponderava-se, porque a autoridade de milhares de páginas escritas por aquele autor pesava. Agora há uma manifesta falta de humildade e a sentença de um mecânico de automóveis, de um marceneiro, de um polícia, de uma empregada doméstica, de um trolha, de um enfermeiro, parece equivaler-se à de um escritor consagrado. Também as democracias liberais caíram na distorção do socialismo e confundem o justo direito à igualdade a montante com a propriedade da opinião a jusante. Todos pensadores de primeira água, todos são poetas e artistas. E entretanto esconde-se um fascista não declarado entre cada três comentadores.


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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 19.º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL

O INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAU FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 19.º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL

20.12.2018 quinta-feira

FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 19.º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL


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ED VAN DER ELSKEN, VALI MYERS DANCING AT LA SCALA

quinta-feira 20.12.2018

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redemoinho das imagens não é coisa apenas do nosso tempo, caro leitor. Recuemos vinte e três séculos e repare-se no modo como elas irrompem nos textos apocalípticos de “Daniel”, chegando quase a atropelar o relato dos acontecimentos: “Considerava eu, na minha visão nocturna, que os quatro ventos do céu se precipitaram sobre o grande mar. Surgiram do mar quatro grandes animais, diferentes uns dos outros” (7,2-3). Esses animais fabulosos são, logo a seguir, descritos um a um: o primeiro “era semelhante a um leão, mas tinha asas de águia”, o segundo era “semelhante a um urso”; o terceiro era parecido a “uma pantera que tinha sobre o dorso quatro asas de ave” e, por fim, o mais “aterrador”, tinha “enormes dentes de ferro (…) e dez chifres” (7,4-8)[*]. Ao lerem-se hoje estas palavras, fica-se a meio caminho entre aquela sensação de burlesco (tipo King Kong no cimo do Empire State Building com Fay Wray na palma da mão) e a possibilidade de tomar as alegorias a sério. Devo dizer, caro leitor, que já o fiz há uns tempos, quando me pus a desfibrilar um doutoramento. Uma década antes, precisamente, passou-se uma coisa na minha vida que me faz sempre evocar esta ‘terra de ninguém’ entre o burlesco e a mais severa das gravidades. Eu conto. Lembro-me que o dia ia avançado – umas três grolsch com gargalo de pirolito e um gorduroso frikandel enchiam as horas –, quando ouvi o telefone. Era a televisão (holandesa). No dia seguinte, tive que me levantar cedíssimo e lá voei com os operadores de câmara e o ensonado jornalista que fazia um dos programas de actualidade mais vistos na altura (esqueci-me completamente do nome dele). Ali ia eu como tradutor escolhido à pressa, depois de várias tentativas, em Hilversum, para encontrar alguém que não deixasse fugir aquele encontro com a “História” que a AVRO (o nome do canal) tinha subitamente descoberto. Só soube do que se tratava, quando nos alojámos numa das salas privadas do aeroporto Charles de Gaulle. O entrevista-

Um rocambolesco rendez-vous com a história do que, umas horas depois, apareceu na minha frente era um alto responsável da polícia de S. Paulo que estava em discreto trânsito a caminho da Alemanha. Era um homem alto e magro. Uma seta de marfim com os pés espetados na terra e umas sibilantes que fariam vibrar as raízes dos coqueiros. O cinto apertado dividia-lhe o corpo em dois como se fosse uma almofada de penas atada ao meio por um fio de nylon. Andava com os pés virados para fora e o cabelo liso de risca ao meio levantava no ar uma caligrafia eléctrica. Era um hímen expressivo que avançava com passos curtos, moldando tudo com palavra líquida e aconchegada. Sorria com vapores de sapo de boca larga (e, sim, sim, parecia-se realmente com o personagem de Daniel com os seus “enormes dentes de ferro”). Na sua maleta metalizada, levava nem mais nem menos do que os presumíveis ossos do nazi Josef Mengele que iriam ser sujeitos a testes de DNA. Lembro-me bem do contraste entre o calvinismo austero do jornalista holandês e o humor desbragado e despropositado do brasileiro. Nunca mais soube nada acerca desta história que se passou há mais de três décadas.

Os acasos, caro leitor, têm sempre unhas de gel: destapam o que parece tapado. Por vezes parecem feitos à medida das nossas memórias mais bizarras. Foi o que me aconteceu, quando, há dias, li uma notícia que dava como certo que os ossos de Mengele tinham passado a ser usados no Brasil em aulas de medicina forense. A iniciativa teria pertencido ao director do Departamento de Medicina Legal da Universidade de S. Paulo, Daniel Romero Muñoz, que, em meados dos anos oitenta, liderou a equipa que identificou o cadáver de Mengele. Como é sabido, Mengele foi um dos facínoras nazis que, logo após a II Grande Guerra Mundial, conseguiu fugir para Argentina e depois para o Paraguai, tendo-se fixado no Brasil em 1960. Segundo rezam as crónicas, morreu afogado na praia de Bertioga em 1979 e foi enterrado em S. Paulo com um nome falso. Passados poucos anos, devido à intercepção de uma carta do casal alemão que enterrou Mengele com o nome de Wolfgang Gerhard, a verdade veio ao de cima. Daí que, em 1985, o cadáver tivesse sido finalmente exumado e, depois de longa pesquisa, a equipa multinacional que na altura se

Para o bem ou para o mal, o apocalipse não passa disso mesmo: de uma visão. E uma visão é coisa que existe por si, sem precisar seja do que for que a explique

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Retrovisor Luís Carmelo

formou chegou à conclusão que se tratava mesmo do corpo de Mengele. Foi no decorrer destas perícias que eu voei de Amesterdão para Paris e servi de tradutor à AVRO. Houve, no entanto, caro leitor, um pequeno acontecimento que fez desse dia um dia King Kong. Quando já nos despedíamos nos corredores do aeroporto, fiquei a sós por momentos com o polícia que, com o seu ar afilado de seta de marfim, me murmurou aos ouvidos por duas vezes: “Isto são ossos de cachorro, isto são ossos de cachorro”. E de seguida rematou: “Os verdadeiros já voaram, já voaram”. Vi-o depois a desaparecer no meio da multidão, ia de costas, cada vez mais pequeno, e imitava com a mão a forma de um avião. O cinto apertado dividia-lhe o corpo em várias escarpas, os pés a serpearem mistério e a cabeça a esfumar-se até se confundir com uma seta, ou com uma lâmina afiada. Na narrativa de Daniel, a vitória do “filho do homem” sobre as quatro “bestas” funcionava como alegoria para os males terríveis do mundo que, de modo iconográfico, se iam assim expiando. No desfecho da narrativa que pôs o polícia fuinha de S. Paulo a expelir sibilantes no Charles de Gaulle, a alegoria gestual soube-me a fel. Não saberei bem dizer porquê. Talvez porque conseguir, ao mesmo tempo, dizer a verdade e confundir os sentidos é atracar em ‘terra de ninguém’ (nesse limbo entre o King Kong burlesco e a gravidade da circunstância). Foi aí, em terreno instável, que esta minha história se ficou. Sem âncora alguma. Até porque, para o bem ou para o mal, o apocalipse não passa disso mesmo: de uma visão. E uma visão é coisa que existe por si, sem precisar seja do que for que a explique. O autor anónimo dos textos de Daniel sabia-o bem. [*] Daniel, Antigo Testamento em Bíblia Sagrada, Difusora bíblica, Lisboa, 2000, Pp.1421-1451.


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A ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS, REFORMADOS E PENSIONISTAS DE MACAU FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO 19.º ANIVERSÁRIO DO SEU ESTABELECIMENTO

20.12.2018 quinta-feira

O Instituto Politécnico de Macau Felicita a Região Administrativa Especial de Macau pela Passagem do 19.º Aniversário do seu Estabelecimento

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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quinta-feira 20.12.2018

Máquina Lírica Paulo José Miranda

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O mistério da irritabilidade

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E onde vem a irritabilidade das pessoas? De onde nasce? Da impaciência, da frustração? Geralmente ando a pé pela cidade de Lisboa e sou confrontado muitas vezes com a impaciência dos peões em relação aos motoristas, quer seja pelo estacionamento que lhes corta a passagem – mas também não há onde estacionar –, quer seja por passarem já com o sinal vermelho. Na esquina da rua de São Bento com a Avenida Álvares Cabral, junto ao Largo do Rato, não poucas vezes assisto à fúria dos peões para com os motoristas, por estes estarem a passar no vermelho. Não há um mínimo de compreensão ou tentativa de o fazer. A situação é muito simples se analisada friamente: no Largo do Rato há vários semáforos e outras tantas direcções; os veículos que descem da Rua das Amoreiras ou da Avenida João XXI para a de São Bento têm os semáforos bastante afastados da passadeira do início da Rua de São Bento – onde os peões diariamente se enfurecem com os motoristas –, o que os leva muitas vezes a passarem o sinal no fim do amarelo e, devido a muitas das vezes terem de passar devagar por várias razões, acabam por cair em cima da passadeira como sinal verde para os peões. Por vezes, bastava que os primeiros peões esperasses dois segundos e tudo se resolvia, mas não é isso que acontece. Se o carro vem devagar, atravessam-se à frente, gesticulam e proferem impropérios, indignados por alguém não respeitar as regras do trânsito. Se o carro vem depressa, não atravessam, mas os impropérios e a gesticulação atingem o seu apogeu. Evidentemente, todos estes peões, que talvez não sejam motoristas ou quando o são cumprem todas as regras de trânsito, estão no seu direito de se indignar. Mas o que está em causa não é a indignação, mas a de saber se uma vida com correcção tem direito a agredir uma vida incorrecta? Neste caso particular é fácil de determinar o correcto e o incorrecto, não padecemos de subjectividade. Mais importante ainda do que saber se a vida correcta tem ou não direito de agredir a vida incorrecta – que evidentemente não tem, embora tenha o direito de se indignar –, é a de saber se quem tem uma vida correcta deve deixar-se perturbar por quem age incorrectamente. Pois

parece-me claro que aqueles segundos de altercação afectam o ponto de vista das pessoas envolvidas. O seu humor fica alterado. Quem se alterca com outrem, a não ser que tenha prazer nisso – e há pessoas que têm prazer nisso –, vai ter o dia estragado ou, pelo menos, minutos ou horas depois do acontecido, dependendo do grau de altercação. No fundo, o que está aqui em causa não é sequer um ponto de vista da abnegação ou de perdoar os actos dos outros, mas de se auto-preservar, preservando o seu bem-estar. Esta entrega à irritabilidade, porque no fundo é disso que se trata, de irritabilidade, a pessoa irrita-se com a outra, e muitas das vezes por questões de nada, leva-nos a pensar o que está por detrás disto. Se a irritabilidade com uma situação ou com uma pessoa nos

faz ficar perturbados durante um tempo, então porque nos entregamos a ela? Será que somos tão incapazes de agir em concordância com o que é melhor para nós ou a irritabilidade também nos traz ganhos? É apenas uma questão de auto-domínio? O que é propriamente a irritabilidade? O dicionário diz-nos que se trata de uma resposta excessiva a um estímulo, levando-nos claramente no sentido da medicina. Por exemplo, uma irritação na pele é a resposta (excessiva) que a pele dá a um determinado alimento ingerido ou ao contacto com produtos nocivos (por exemplo, químicos) ou com um ambiente agressivo (por exemplo, fumo ou pó). Assim, a irritabilidade em relação a um acontecimento, a irritabilidade da alma, será um estímu-

Talvez a irritabilidade, contrariamente ao que julgamos, seja uma forma misteriosa de preservação. Talvez o irritar-se com outrem nos salve de um ataque cardíaco

lo excessivo na alma em relação ao que se julga ser o justo e que é corrompido. De outro modo, a irritabilidade acontece porque sentimos em nós que o outro comete uma injustiça, um gesto incorrecto. Mas se em relação a uma irritabilidade da pele, nós nos protegemos, porque em relação à irritabilidade da alma a uma possibilidade dela acontecer não fazemos o mesmo? Porque somos tão vulneráveis à irritação? Será isso uma consequência da vida em enormes comunidades ou uma consequencial de se ser humano, independentemente do tamanho da comunidade onde se esteja inserido? Quantas vezes ao dia somos confrontados com a irritação das pessoas, quer seja na vida “real” quer seja na virtual? É este aumento da irritação que legitima a pergunta acerca de qual o seu significado para o humano, se por detrás do mal evidente não estará também um bem que ainda não descortinámos, como se a irritação fosse uma espécie de equilíbrio, devido à constante frustração dos nossos dias, dos nossos quotidianos. Aquela pessoa que profere impropérios contra outrem, que seja na passadeira de uma rua de Lisboa, quer se seja no mural do facebook de alguém, talvez mais do que agir devido a um descontrolo de si mesma, aja devido a uma reacção – ainda desconhecida – da sua alma, de modo a equilibrar a sua própria vida. Talvez a irritabilidade lhe seja nesse momento tão necessária quanto um comprimido contra a tensão arterial. Talvez a irritabilidade, contrariamente ao que julgamos, seja uma forma misteriosa de preservação. Talvez o irritar-se com outrem nos salve de um ataque cardíaco. Esta especulação, a confirmar-se, justificaria pelo menos porque é que alguém perde a sua própria vida com tolices. Pois o tempo que se perde na irritação, seja um bem ou um mal, é real e concreto. A nossa vida perde-se ali. Enquanto estamos irritados não fazemos outra coisa. Nem o que tínhamos para fazer, nem o que não tínhamos para fazer e poderia ser apenas não fazer nada. Assim, enquanto a irritabilidade permanecer um mistério, talvez seja preferir evitar entregarmo-nos a ela, porque a vida que se perde entretanto não é mistério nenhum. É a nossa vida.


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20.12.2018 quinta-feira

AUTOMOBILISMO VENCEDORES DA TAÇA DE MACAU DE TURISMO ATACAM 24 HORAS DO DUBAI

O desafio mais longo

Equipa Teamwork, grande dominadora da prova de carros de turismo para pilotos locais do Grande Prémio de Macau, vai inciar temporada de 2019 com prova de resistência

de resistência. Por isso, sinto-me muito entusiasmado com a hipótese de competir pela primeira vez numa prova de 24 horas”, disse Paul Poon, que tem no currículo

sete triunfos na Taça de Carros de Turismo do Grande Prémio de Macau, entre a classe para carros até 1600CC. “O resultado não vai ser o mais importante, o principal

tição em 2011. “Vamos correr as 24 horas do Dubai depois de uma pausa de dois meses. Acho que é uma boa forma de começarmos 2019 e de nos prepararmos para os nossos programas de corridas”, afirmou Wong.

“O resultado não vai ser o mais importante, o principal vai ser mesmo disfrutar da experiência e da viagem.”

vai ser mesmo disfrutar da experiência e da viagem”, acrescentou. Mais experiente nestas andanças é Sunny Wong. O piloto de Hong Kong estreou-se na compe-

PAUL POON PILOTO

O piloto recordou depois as dificuldades da estreia na prova: “A primeira vez que corri esta prova foi em 2011, com uma equipa da Holanda. Na atura, ainda não era um evento muito popular entre as equipas asiáticas. Mas isso mudou. Agora vou regressar com a Teamwork e também quero ver as alterações que a prova sofreu”, acrescentou.

O

S vencedores da Taça de Carros de Turismo do Grande Prémio de Macau, Sunny Wong e Paul Poon, estão entre os quatro pilotos escolhidos pela equipa Teamwork Motorsport para atacar as 24 horas do Dubai. A prova está agendada para o fim-de-semana de 11 de Janeiro, no Autódromo do Dubai, na configuração com uma distância de 5,39 quilómetros. Aparticipação na prova do Médio Oriente marca o início da próxima época para a equipa Teamwork, que normalmente acaba a temporada com a participação no Grande Prémio de Macau, também devido ao patrocínio da empresa local, Suncity. Além de Wong e Poon, Alex Fung, quinto classificado à geral na Taça de Carros de Turismo do Grande Prémio, e Alex Hui completam o grupo de quatro pilotos que vai conduzir o Audi RS3 LMS. “Ao longo dos mais de 20 anos que tenho de experiência no automobilismo posso dizer que tenho poucos quilómetros em provas

PARTICIPAÇÃO ESPORÁDICA

Por sua vez, Ken Lui, director técnico da equipa, encara o evento como uma participação esporádica e de aprendizagem. “Vai ser uma participação única nesta parte do globo. E é também um marco porque é a primeira vez que temos viajamos para tão longe para competir”, começou por dizer. “Também é uma oportunidade de rever vários amigos e ex-colegas de trabalho, porque são muitas as equipas asiáticas que vão estar presentes”, sublinhou. Na lista de inscritos consta também o nome do piloto de Macau Kévin Tse, que vai participar com a equipa Porsche Centre Hong Kong, ao volante de um carro do construtor alemão, o 911 GT3 R. João Santos Filipe

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QUASE 4.000 ESCOLAS PRIMÁRIAS CHINESAS INCLUÍRAM O FUTEBOL NO CURRÍCULO

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UASE 4.000 escolas primárias chinesas incluíram o futebol entre as suas disciplinas, desde que o Governo chinês lançou, em 2015, um plano para converter o país numa potência do futebol, segundo dados oficiais hoje divulgados. O ministério da Educação da China detalhou hoje que o futebol integra já o programa curricular de 3.916 escolas primárias.

“Com uma perspectiva a longo prazo, a China está a alcançar um progresso constante, no seu plano de reforma e desenvolvimento do futebol, lançado em 2015, visando transformar o país numa potência do futebol, até 2050”, escreveu a agência noticiosa oficial Xinhua. O referido plano, aprovado pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o organismo máximo chinês encarregado da pla-

nificação económica, prevê a inclusão do futebol em 20.000 escolas, até 2020, e que a modalidade seja praticada, “com frequência”, por mais de 30 milhões de estudantes do ensino primário e secundário. “O futebol é um projecto a longo prazo na China. Falamos de mais uma ou duas gerações, até que o país possa alcançar o nível necessário para competir com êxito num campeonato

do mundo”, afirma o antigo treinador das camadas jovens do clube chinês Guangzhou Evergrande, Marco Pezzaiuoli, citado pela Xinhua. Na segunda fase do plano, entre 2021 e 2030, a China espera que a sua selecção feminina volte a constar entre as melhores do mundo, depois de, em 1999, ter sido vice-campeã mundial, e que a masculina seja umas das melhores da Ásia.

O objectivo final é colocar a selecção masculina entre “as melhores equipas do mundo”, até meados deste século. Desde a província de Jilin, na fronteira com a Coreia do Norte, à ilha tropical de Hainan, no extremo sul do país, mais de 100 treinadores portugueses vivem hoje no país asiático, alguns contratados por clubes e outros integrados no sistema de ensino público.

O antigo treinador do FC Porto Vítor Pereira sagrou-se este ano campeão na China, pelo Shanghai SIPG, atribuindo o sucesso dos portugueses no país à sua “capacidade de adaptação” e “boa formação”. “Um dos segredos do treinador português é ter essa capacidade: chegamos a qualquer lado e adaptamo-nos”, afirmou à agência Lusa o técnico, no final da sua primeira época na China.


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98 49 4 5 1 3 02 60 6 7 0 0 7 6 32 93 9 4 1 58 5 5 70 37 83 18 91 69 6 4 2 6 1 42 4 9 80 8 7 5 3 T E M P O M U I T O N U B L A D O 9 M4I9N84 188 7M6A X2 52 1 435 0H3U0M 3 23 52 5 1 0 7 86 98 49 4 1 8 09 0 7 35 3 4 2 6 4 35 63 26 82 78 97 9 0 1 O QUE FAZER 7 7 3 0 48 64 6 5 2 91 9 ESTA SEMANA 62 16 1 9 5 4 30 73 7 8

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Sábado

CONCERTO | ACHUN & CONCRETE/LOTUS Live Music Associatoon | Das 22h00 às 00h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO | KEITH HARING MAZE MACAO Venitian Expo Hall F | Até 31/12 EXPOSIÇÃO | PAISEGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019

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O CARTOON STEPH 29

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Cineteatro

C I N E M A

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 29

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RALPH BREAKS THE INTERNET: WRECK-IT RALPH 2 SALA 1

RALPH BREAKS THE INTERNET: WRECK-IT RALPH 2 [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Rich Moore Phil Johnson 14.30, 16.30, 19.30, 21:30 SALA 2

SPIDER-MAN: INTO THE SPIDER-VERSE [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman 14.30, 16.30, 21.30

BUMBLEBEE [B] Um filme de: Travis Knight Com: Hailee Steinfeld, John Cena, Jorge Lendeborg Jr 19.30

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PROBLEMA 30

vivos e mortos, entre humanos e quase deuses não podiam ser mais próximas e mais iguais. É um filme, acima de tudo, de respeito e de amor fraternal, daquele que não conhece o

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SEM SABOR A NATAL

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UM FILME HOJE

De 2016, “Big Fish & Begonia” é um filme de animação adequado à época. Não por tratar do Natal, mas porque nos leva a um mundo que existe debaixo do mar onde as relações entre

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(f)utilidades 6 2 8 3 5 1 27 0 4

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33Natal antes e depois de Há um Macau. Antes do Oriente, a noite 2 4 0 9 6 5 7 8 das luzes a piscar, das árvores com estrela8no 5topo, 1 do 7 bacalhau 3 6 4na 2 mesa e das rabanadas e as filhós a 7 1 6 8 9 2 3 4 saírem fresquinhas com aroma a 2 3de salpicar 5 0 - 1aquelas 9 6 canela 4 acabada que só a mãe sabe fazer - era quase 9 8 5 3 4 0 6 7 normal. A consoada era um serão 1 mesa 6 7mais0caprichada 2 3 5em 9 com uma que a família do costume 0 7 4 2 5se sentava, 8 1 3 trocava conversa, presentes e amor, 6 3 com 9 1um 8 4 0 5 e se despedia até amanhã. Depois3da vinda para Macau, 0 2 4 7 9este8dia 1 normal, por força de uma distância 5 9transforma-se 8 6 1 num 7 aper2 0 inequívoca, to emocional. Parece que nesta altura a saudade que vive permanentemente 35começa a gritar mais alto. em nós, Esta distância que aqui é efectiva e 7 8 5 2 0 6 9 1 imperdoável, transforma-se numa espécie4de 9 muro que 8 nos 0 1 compacto 3 6 7 deixa imaginar, do outro lado, a lareira 3 5 2 8 7 0 1 9 acesa, o sorriso da mãe e o colo do 1 0 dentro 6 9de nós 4 as2garga5 7 pai. Ressoam lhadas com o irmão e os brindes – que 5 4 7 1 8 9 3 2 agora parecem únicos - com aquela 0 2velha. 9 Está 6 tudo 3 tão 4 longe 7 5 aguardente e tão dentro. Os presentes já não 8 6 4 7 2 5 0se 3 desejam. Agora, o maior deles seria 9 1 3 de 0 teletransporte 5 8 6 4 um equipamento que nos6pusesse lá, do outro 3 0 4 9 1lado2do 8 mundo, junto dos nossos, junto de 7 aos 8 de5lá 1e aos3 de4cá, 6 nós. A2 todos, boas festas. Sofia Margarida Mota

BIG FISH & BEGONIA | LIANG XUAN E ZHANG CHUN | 2016

egoísmo.Além disto, este filme chinês é um animação muito bem feita e cheia de cuidados estéticos que fazem dele uma ótima escolha para este Natal. Sofia Margarida Mota

SALA 3

PÓKEMON THE MOVIE: THE POWER OF US [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Tetsuo Yajima 14.30

MORE THAN BLUE [B] FALADO EM MANDARIM Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 16.30, 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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28 opinião

20.12.2018 quinta-feira

editorial

CARLOS MORAIS JOSÉ

F

O exemplo a seguir

ALTA um ano para que duas décadas se cumpram sobre o advento da RAEM. Durante este período, Macau conheceu claramente duas fases, que correspondem aos governos de Edmund Ho e de Chui Sai On. A primeira foi caracterizada por um crescimento exponencial, a segunda pela consolidação desse excesso de quase tudo, principalmente de fundos nos cofres governamentais. Dos poucos dramas que este território enfrenta, porque a abundância financeira evita muitos problemas, é precisamente a falta de uma visão clara quanto ao futuro, nomeadamente quanto ao modo de aplicar inteligentemente os fundos no aumento da qualidade de vida dos cidadãos. OA verdade é que o nosso Governo não consegue projectar quase nada porque se sente aflito quando faz quase tudo. O exemplo crítico passa pela Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura que não consegue iniciar um projecto com alguma envergadura, sem motivar e aceder aos protestos que sempre se levantam, no seio de uma sociedade mimada e insaciável. Foram os casos do Hotel Estoril, em que os protestos levaram ao cancelamento de um projecto de Siza Vieira, e do Antigo Tribunal, cuja transformação em biblioteca se tem arrastado miseravelmente ao longo dos anos. No entanto, também qualquer projecto ligado às Obras Públicas e Transportes parece também sofrer de irremediáveis problemas. São o caso do metro ligeiro e do Hospital da Taipa, cuja inconclusão manchará para sempre o Executivo de Chui Sai On. Fica a impressão de que o Governo não consegue ou não quer construir equipamentos sociais, seja por incompetência, no primeiro caso, seja porque vai contra certos interesses particulares, no segundo. Os elogios do presidente Xi Jinping ao Chefe do Executivo e ao Governo de Macau pecam — e despertam mesmo um sorriso de complacência — quando sublinham o sucesso na “diversificação económica”. Os números não mentem e demonstram que, pelo contrário, cada vez a região está mais dependente do Jogo e que as restantes actividades económicas debatem-se com graves problemas, nomeadamente ao nível das PMEs. Ao elogiar a diversificação económica, quando esta basicamente não existe, Xi retira valor ao elogio. E ficamos satisfeitos por saber que a RAEM tem sido um filho fiel do regime e da Pátria. De facto, neste ponto não terá

Pequim qualquer razão de queixa ou antes pelo contrário. Macau não tem causado quaisquer problemas políticos, sobretudo se comparado com Hong Kong. Pelo contrário, por aqui proliferam os que são mais papistas que o papa. Outros dos macro-objectivos, desde 2003, as relações com os países lusófonos, não correu como seria de esperar. Passámos aqui anos de uma espécie de fingimento, de paródia à questão. Os empresários locais não demonstraram agilidade para empreender o caminho de África, do Brasil, de Portugal ou sequer de Timor-Leste. Nem agilidade, nem vontade. Foram precisas alterações radicais no Fórum Macau, bem como a visita do primeiro-ministro Li Keqiang e famoso discurso dos 19 pontos, para que a elite local percebesse que se trata de algo inevitável, pois resulta de uma directiva inteligente do Governo Central. Contudo, muita coisa boa se passou nestes 19 anos. Entre elas, e nada despiciente, o modo carinhoso como o Governo da RAEM continuou, ao longo de todo este tempo e sem interrupções, a tratar a comunidade portuguesa. Que, por seu lado, tem contribuído e muito para a construção da RAEM e prepará-la para os confrontos e desafios da nova era.

Os portugueses continuam a desempenhar um papel importante nesta cidade, sendo responsáveis por uma parte significativa das suas manifestações culturais e pela internacionalização de Macau, além do Jogo, como cidade patrimonial ímpar. Ainda na semana passada, o actor Nicholas Cage, convidado de honra do Festival Internacional de Cinema de Macau, referiu que grande parte do interesse desta região passa pela presença e mescla de duas culturas tão diferentes: portuguesa e chinesa. E tem toda a razão. Neste sentido, acreditamos que os futuros dirigentes da RAEM saberão preservar este património único e que possibilitarão que a nossa comunidade continue a desempenhar um papel de relevo na sociedade local. Como está bem claro na Lei Básica, Macau é de todos nós, sobretudo dos que aqui deixam o seu suor e saber, ao serviço do engrandecimento de Macau e da China. O grande País do Meio sabe quem são os seus amigos e esta amizade secular entre os dois povos conhece no presente um dos seus momentos mais elevados. Que o futuro confirme e reforce estas relações que são, desde já, um exemplo a seguir, um modelo de comportamento, para a comunidade global de futuro partilhado.


quinta-feira 20.12.2018

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O ódio é a cólera dos fracos. Alphonse Daudet

China Cidade proíbe famílias de terem mais do que um cão

A cidade chinesa de Huangshi, no centro do país, anunciou ontem que, a partir do próximo ano, cada família poderá ter apenas um cão, informou o portal de notícias Caixin. Segundo as autoridades locais, a medida visa “proteger a segurança e a saúde dos cidadãos”, depois de a cidade ter registado “vários” casos de ataques a pessoas por cães. Cães com estrutura superior a 45 centímetros ou raças consideradas “ferozes”, como bulldog ou molossos, passam também a ser proibidos nas ruas da cidade. Outras cidades do país publicaram este ano normativas para restringir a posse de cães, sobretudo pelo tipo de raça ou o tamanho. A China está a levar a cabo uma campanha contra o “comportamento irresponsável” dos donos de animais domésticos. Ter um cão na China implica uma licença anual de 2.000 yuan (252 euros), mas muitos donos não registam os animais. A indústria de animais domésticos tem vindo, no entanto, a crescer na China: um relatório publicado, em Novembro, pelo portal especializado Goumin, estima que, só este ano, os gastos com cães e gatos cresceram 27%, para 170 mil milhões de yuan.

Dois terços dos russos sentem nostalgia pela União Soviética

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Cerca de dois terços dos russos lamentam o colapso da União Soviética, refere uma sondagem divulgada em Moscovo por uma organização de pesquisa nãogovernamental russa. O Centro Analítico Levada, que conduziu em Novembro o estudo de opinião que abrangeu 1.600 pessoas a nível nacional, referiu que os resultados reflectem uma crescente nostalgia da população pela União Soviética. Nesta última sondagem, 66% dos inquiridos lamentam o fim da URSS, em comparação com os 58% registados há um ano. O Centro Levada entrevista as pessoas seleccionadas em suas casas, e as sondagens possuem uma margem de erro inferior a 3,4 pontos percentuais. No relatório ontem divulgado, a empresa refere que os inquiridos justificam a reposta por lamentarem a integração da Rússia no sistema económico integrado, e pela perda da sensação de pertencerem a uma grande potência.

TERCEIRO CIDADÃO CANADIANO DETIDO Otava confirmou ontem a detenção de um terceiro cidadão canadiano na China. “O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá está ciente da detenção de um cidadão canadiano na China”, disse uma porta-voz governamental à agência noticiosa AFP. Segundo o

Ministério, “funcionários consulares estão a dar assistência à família”, não revelando a identidade do canadiano detido. Uma fonte oficial apontou, no entanto, que “não há razão para acreditar que esta detenção esteja relacionada com outros casos recentes de ca-

nadianos presos na China”. Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, afirmou ontem desconhecer uma terceira detenção. “Não ouvi dizer nada sobre essa situação”, afirmou, em conferência de imprensa. Somente este mês, as auto-

ridades chinesas detiveram dois canadianos: Michael Kovrig, antigo diplomata; e Michael Spavor, empresário que organiza viagens turísticas e eventos desportivos na Coreia do Norte. Ambos são acusados pelas autoridades de “prejudicarem a segurança nacional da China”.

Europa pioneira Proibidos plásticos de utilização única a partir de 2021. Falta o resto do mundo.

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S negociadores dos estados-membros da União Europeia (UE) e do Parlamento Europeu chegaram a um acordo para proibir a maioria dos plásticos de utilização única, afirmou um porta-voz do Governo da Áustria esta quarta-feira. Segundo a mesma fonte, citada pela agência de notícias France-Presse, a medida pode entrar em vigor já em 2021.AÁustria exerce a presidência rotativa do bloco. “O lixo marítimo é um problema global cada vez maior”, lê-se num comunicado do Conselho de Ministros do Ambiente da UE, que esta noite chegou a um acordo sobre a restrição do uso de plásticos. Segundo um comunicado, se nada for feito, em 2050 haverá mais plásticos

do que peixes no mar. Estima-se que mais de um milhão de aves e 100.000 mamíferos marinhos morrem a cada ano como resultado dos resíduos plásticos que chegam ao mar, incluindo palhas, que podem demorar até 500 anos para se decomporem no meio ambiente, de acordo com um relatório da Greenpeace. Adoptada em tempo recorde após a proposta inicial da Comissão Europeia em Maio, a nova legislação europeia proibirá dezenas de categorias de produtos (incluindo cotonetes, palhinhas e colheres de café) que representam 70% do plástico que termina em praias e oceanos. Firmado esta madrugada, o acordo ainda tem de ser aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho da União Europeia,

quinta-feira 20.12.2018

PALAVRA DO DIA

ou seja, a medida ainda sofrerá remodelações. A UE espera que o texto termine os seus trâmites legislativos no início de 2019 e possa entrar em vigor em 2021. Em outubro, o PE aprovou a proposta de Bruxelas, estipulando que em relação a outros produtos de plástico de utilização única, os Estados-membros devem tomar as medidas necessárias para obter uma redução ambiciosa e sustentada de pelo menos 25% até 2025. Nesta categoria incluem-se caixas para hambúrgueres, sanduíches e saladas, bem como recipientes para frutos, legumes, sobremesas ou gelados. Os 28 terão ainda de assegurar a recolha selectiva e a subsequente reciclagem de pelo menos 90% das garrafas de plástico descartáveis até 2025.

HERANÇAS GRÉCIA CONDENADA POR VALIDAR LEI ISLÂMICA

O

Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) condenou a Grécia ontem por validar a lei islâmica num caso de sucessão relacionado com uma família que professa aquela religião e que privou a viúva de dois terços da herança. Os 17 juízes do TEDH consideraram que resolver o testamento em causa por meio da ‘sharia’ (lei islâmica) - numa família que pertence à comunidade muçulmana da Trácia - constitui uma discriminação e priva a viúva dos seus direitos. Após a morte do marido, Chatitze Molla Sali reivindicou todos os seus bens de acordo com um testamento realizado num notário e com a aplicação da lei grega. Entretanto, as cunhadas pediram que a ‘sharia’ fosse aplicada, o que significa a distribuição dos bens entre todos os parentes. Os tribunais de primeira instância e de recurso decidiram a favor da viúva, mas o tribunal de cassação reverteu essas decisões e deu a razão às irmãs com o argumento de que o caso “deveria ser resolvido pelo ‘mufti’ [autoridade religiosa muçulmana] de acordo com as regras da lei” islâmica. Os últimos recursos da viúva foram rejeitados na justiça grega. Em consequência daquelas decisões, a viúva invocou perante o TEDH os artigos da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, que protegem a propriedade, o direito a um julgamento justo e a proibição da discriminação. A sentença do TEDH referiu que constitui uma discriminação “a diferença de tratamento sofrida pela demandante como beneficiária de um testamento feito sob o código civil por um concedente de confissão muçulmana” comparado a uma outorgante não-muçulmana, o que “não tem justificativa objetiva ou razoável”. A decisão do tribunal recordou que a Grécia é o único país da Europa que aplicou a ‘sharia’ a uma parte de seus cidadãos contra a vontade deles, criando “uma situação que nem a viúva e nem o marido desejavam”.


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Hoje Macau 20 DEZ 2018 #4197 by Jornal Hoje Macau - Issuu