Director carlos morais josé
Agência Comercial Pico • 28721006
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antónio falcão
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magistrados ex-secretário de estado questiona governo
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raem | 16 anos
Poucos sabem o que é Página 5
José Cesário, que conhece bem Macau, não tem dúvidas: os magistrados portugueses que desempenham funções no Ministério Público da RAEM
jing hao
gonçalo lobo pinheiro
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Pinheiros estranhos
Uma presenca patriótica e vital ´
Susana Chou critica funeral de Lai Man Wa
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Jorge morbey
Hong Kong e Macau funcionam pacificamente com o sistema socialista da China
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não deveriam ser chamados a Portugal. Preocupado, com o que sabe ser grave, o ex-Secretário de Estado escreveu a António Costa.
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Escreveu aquele que pretendia ser o guia prático para a Transição de Soberania de Macau. Dezasseis anos depois do processo, o autor avalia os pontos positivos e faz novas previsões. É preciso alargar o território, caso contrário a sociedade não irá aguentar. Da História, lembra o “descuido” de Portugal por Macau
“As coisas evoluem e a minha própria capacidade crítica e o volume de informação que hoje tenho são diferentes, não são os mesmos de há 25 anos. Portanto, de certo que não escreveria [o livro] da mesma forma”
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Jorge Morbey escritor e docente de Património e Cultura na MUST
“Portugal não devia ter tratado Passam 25 anos desde que lançou o livro “Macau 1999 – O Desafio da Transição” e 16 desde a transferência de soberania de Macau para a China. A olhar para trás como avalia este percurso? No geral é um balanço positivo. Muita coisa mudou, algumas coisas boas, outras nem tanto, mas um saldo positivo. Aspectos negativos? Há coisas menos boas. Por exemplo, os cheques pecuniários. Macau, devido ao desenvolvimento no sector do Jogo e pelo monopólio da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), viu-lhe induzida uma certa carestia de vida. E a resposta que o Governo encontrou foi o cheque. Mas isto parece-me que é um bocado de preguiça de quem toma decisões. Seria muito mais eficaz se se estudasse um sistema educativo gratuito, de saúde gratuito ou que pelo menos para aí se encaminhasse. Se houvesse um sistema de segurança social mais bem pensado e consolidado... Não é quem mais precisa que tem o cheque, o cheque é dado a todos. Ora, se imaginarmos que o cheque do Stanley Ho tem o mesmo valor que o do motorista dele, isto deixa de fazer sentido. Há uma falta de equidade e justiça retributiva, que era a ideia que se teve. Isto não funciona. Em termos económicos, lembro-me de existência, antes da transição, de alguns sectores económicos com alguma actividade, por exemplo, o sector do vestuário, do brinquedo, das flores artificias. Existiam algumas indústrias que o contributo que davam para economia de Macau não se comparava ao Jogo, mas era uma economia diversificada. A tendência que temos visto é de, até há um ano e meio, um permanente crescimento das receitas do Jogo, mas mais grave que isso foi o crescimento da dependência da economia de Macau deste sector. Varreu-se das ruas o comércio por substituição de investidores de Hong Kong, que tomaram conta do percurso pedonal para as Ruínas de São Paulo, por exemplo. Isto induziu o aumento das rendas para os comerciais e residentes, que não podem competir com estes investidores. A falta de diversificação é claramente um ponto negativo, desde o fim do monopólio do Jogo. O tamanho é também uma condicionante... Sim, a pequenez é a chave de todos os problemas do território. Macau sempre foi pequeno para a procura de chineses que vinham para aqui
para melhorar as suas condições de vida e esse facto originou, ainda durante a administração portuguesa, a falta de espaço quer para manufacturas, quer para as próprias pessoas conseguirem ter habitação. A solução alcançada foi a dos aterros. Isto incrementa-se no princípio do século XX. Poderia fazer algum sentido enquanto o exercício da soberania em Macau foi de Portugal. A partir da reunificação do território à China, embora havendo dois sistemas o país é o mesmo, portanto continuarmos todos ‘empacotados’ num país que é o mesmo. Parece-me um bocado despropositado.
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Qual a solução? A chave para os problemas de Macau, para a diversidade da economia, criação de mais sectores, etc., está no alargamento das fronteiras. Porque mesmo com a construção dos novos aterros, quando estes tiverem concluídos já não serão suficientes para diminuir a intensidade populacional de Macau. Chegámos a um ponto em que os aterros não resolvem problema nenhum, antes pelo contrário. Actualmente é de conhecimento geral que os aterros são extremamente prejudiciais ao ambiente, por razões óbvias. O que se está a fazer é uma violência para com o ecossistema. Portanto a grande solução é uma medida política, que tem que partir pelo Governo Central, e que tem de passar pelas autoridades de Cantão, no sentido de alargar. É exequível? Neste momento? Sim, claro. É difícil, sim, mas há espaços vagos. Por exemplo à volta de Macau há imensas ilhas e essas sim, podia fazer-se um esforço para se aterrarem umas quantas para as unir. Mas há muito terreno vago aqui na província de Cantão. Em termos simples, Macau podia emprestar uma valia económica, um interesse e promoção em termos de valor económico desses próprios terrenos e, claro, podiam ser agregados a Macau, que estão vazios. Até consigo ir mais longe: este alargamento traria resoluções para todos os problemas de Macau, porque não há nenhum que não seja afectado. O trânsito, os preços do parqueamento no território, tudo isto está completamente sufocado. Isto poderia ainda estimular a criação de alternativas à indústria do Jogo. Quem tem apresentado valores mais baixos... Sim. O que estamos a assistir
neste momento é uma perda de apostadores. O que tem acontecido é que a indústria do Jogo começou a sofrer concorrência de outras partes onde o Jogo também está, e que estão a atrair muita gente, mesmo chineses, que vinham jogar para Macau, e que agora procuram Vietname, Singapura, etc. Deixámos de estar naquele deserto em que só em Macau é que se jogava. Defende então que é o momento ideal para alargarmos fronteiras? Diria até que já começa a ser tarde. A pequenez de Macau não dá, por exemplo, para termos o número de veículos que temos. Estamos completamente sufocados por falta de espaço. Viajemos até ao dia em que escreveu “Macau 1999 - O Desafio
da Transição”. O escritor de hoje voltava a escrever este livro? Não, não. As coisas evoluem e a minha própria capacidade crítica e o volume de informação que hoje tenho são diferentes, não são os mesmos de há 25 anos. Portanto, de certo que não o escreveria da mesma forma. Mas confesso que, a ideia essencial, ou seja, na defesa de um sistema político democrático para Macau, continuaria a defendê-la. Já defendeu que Macau tem liberdade, mas não democracia. Alguma vez teve? Sim, teve, em anos muito recuados, no tempo em que Macau tinha uma Governação bastante assente no nosso municipalismo, havia democracia. Ora, era um Governo pelos homens bons e estes homens bons eram escolhidos. Isto era o
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Macau com tanto descuido” fosse no dia anterior, se estivesse legal pudesse votar. Isto também foi excessivo, pois temos de ligar os sistemas às realidades. Não sei se os condicionalismos políticos de Macau permitiam que um sistema democrático tivesse pernas para andar. Quem se iria opor, claro, seria o Governo Central da China. Colocaria em perigo o poder de Pequim? Não acredito. Com a pequenez [da RAEM] e a circunstância de isto ser desenhado no quadro da reunificação de Macau à China, penso que não. Não colocaria em perigo o poder do Partido Comunista na China, nem os projectos do Governo Central, nada. Isto é muito pequenino. Como é que avalia este interesse e movimento das camadas mais jovens pela política, com o claro exemplo da manifestação contra o Regime de Garantias? Há um acordar para a democracia? Sim, acredito que sim. Até porque hoje em dia há uma maior abertura dos jovens em Macau e, claro, uma maior exposição ao mundo. Não é só a televisão, mas creio que por virtude da internet os jovens estão mais expostos. É uma questão geracional, estas novas tecnologias... Depois há uma certa ansiedade, pelo facto de na China existir uma limitação no acesso à internet e aqui em Macau não. Isto viabiliza o acesso à informação quase sem limites. Eu vejo isso também pelos meus alunos.
princípio e podia ter evoluído. Mas a própria administração portuguesa deu cabo disso com a criação do primeiro Código Administrativo, querendo assegurar uma intervenção central mais evidente. O Senado foi perdendo poder? Sim, quando é nomeado o primeiro Governador começam a ser esvaziados os poderes do Senado. Porque o Senado é que era, de facto, o Governo pelos homens bons de Macau. Não podemos é confundir Macau com aquilo que é hoje. Nessa altura, o Senado - que funcionava também como Câmara do Comércio - não misturava os interesses dos comerciantes portugueses com os dos chineses. O sistema democrático que defende no livro teria efectivamente funcionado em Macau?
“Não chegámos aqui a humilhar a China com a derrota na Guerra do Ópio. Pronto, somos diferentes. Sempre fomos. Devíamos ter feito valer esta distinção entre duas realidades bens distintas e não ter apontado o nosso êxito em ficar ao nível dos ingleses. Foi pena”
Não tenho certeza, mas suponho que já houve uma grande evolução durante a aprovação do Estatuto Orgânico de Macau em relação ao sistema político anterior. Porque este último era um estatuto orgânico que era praticamente ‘chapa três’ para todas as antigas colónias, ou seja, não havia uma participação muito grande. Nesse sistema político, quando havia eleições, o recenseamento praticamente confinava-se aos portugueses e aos macaenses que trabalhavam aqui nos serviços públicos. Não existiam quase chineses nenhuns, porque não lhes interessava, não estavam habituados, não tinham interesse. Mas, claro, as coisas evoluíram e depois [surge] a medida de Almirante de Almeida Costa, que abriu demasiado o sistema. Esta medida permitia que qualquer chinês chegado a Macau, nem que
Desmistificando, dizer colónia referindo-nos a Macau é um erro? É. Macau nunca foi uma colónia típica. Depois da Guerra do Ópio a China não tinha capacidade para defender os interesses de Portugal no território, como não conseguiu defender Hong Kong. A solução política que se encontrou foi integrar Macau num sistema colonial português. Mas foi uma integração para “inglês ver”, porque Macau sempre teve uma forma autonomia em relação ao poder central. Havia uma dependência do vice-rei da Índia, ao longo da história. Mas a integração de Macau no sistema colonial português é apenas para manter este território ligado a Portugal pelo perigo de invasão de outras potências europeias. No fundo, muito de Macau continuou a ser decidido no próprio território. Portugal não devia ter tratado com tanto descuido Macau. O livro foi entregue à Assembleia da República e, na altura, cada
“A nossa delegação estava muito mal informada sobre Macau. O que acho é que deveríamos ter recorrido a macaenses ilustres, que até viviam em Portugal. Podíamos ter feito o convite para que estes tivessem, connosco, construído uma espécie de grupo de trabalho” deputado tinha à sua frente o seu livro. Foi uma atitude pensada? Perfeitamente. A intenção do livro, essa sim um bocado ingénua, era de influenciar os trabalhos de alteração do Estatuto Orgânico de Macau e em vez de se prolongar o sistema político que vinha de 1976, fazer uma abertura política. Isto tem uma razão. É que na altura havia o sentimento que Portugal tinha descolonizado mal as antigas colónias, que não perdeu Macau nessa altura porque a China não quis ficar com o território. Quando o livro ficou pronto tive como intenção influenciar. Mas não funcionou... Não se perdeu nada para além dos livros. Tenho a impressão que nenhum dos deputados leu uma página sequer. Os deputados estão lá, em princípio, para representar os partidos, no Governo ou na oposição, mas para além disso há uma actividade escondida dos deputados que é representarem e influenciarem as decisões dos grupos económicos para os quais trabalham. Aos grandes escritórios que fazem as lei com erros para depois não só ganharem dinheiro da feitura dos projectos, como para suscitarem pareceres dos próprios defeitos da lei. Desde o início que isto é pensado. Só ingenuamente é que podemos pensar que as agendas dos deputados dependem de um programa do partido. Claro está que a essência da democracia são os programas dos partidos, que têm as suas prioridades, e depois o eleitorado é que, vendo os programas, escolhe conforme os seus desejos. Isto não acontece em Portugal. Já ninguém quer saber dos programas, nem os próprios partidos. Afirmou que, durante a Declaração Conjunta, os portugueses “pediram pouco”. A verdade é que não tínhamos de pedir nada, o que deveríamos ter Continua na página seguinte
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que ver com o segundo sistema. O segundo sistema resultou da necessidade de ultrapassar a visão do mundo que tinha Mao Tse Tung, em que era considerado que os Estados Unidos eram tigres de papel, que o capitalismo era o diabo e essas coisas. Isto mudou e percebeu-se que a única forma de se avançar para a reunificação da China, não era invadir Macau, Hong Kong e Taiwan e implementar o seu sistema, mas sim admitir que num longo período – de 50 anos – o sistema capitalista pudesse existir na China reunificada, com o sistema socialista em vigor na China. Penso que isto funciona porque nada foi alterado aqui para aproximar as teses capitalistas às teses socialistas, portanto Macau funciona com a autonomia visível que se quer. E na invisível? Não sei, nos canais entre Macau e Pequim - os que não se vêem, não é que sejam subterrâneos, mas não se vêem talvez por falta de visibilidade. Não sei até que ponto é que há ingerências aqui. É muito provável que haja. Mas no fundo os dois sistemas, quer em Hong Kong, quer em Macau, funcionam pacificamente com o sistema socialista da China. E Taiwan? O problema de Taiwan e da sua reunificação passa muito pelos Estados Unidos da América. No dia em que os EUA tirarem o tapete a Taiwan, não há razão nenhuma para que esta região não querer unir os dois lados do estreito.
tido eram objectivos. Acho que os nossos objectivos ficaram-se por muito pouco. Tive oportunidade de estar num jantar, onde esteve o embaixador da Medina, que foi o primeiro chefe da nossa delegação que veio a desembocar na Declaração Conjunta, e ele próprio dizia que o nosso objectivo era chegar onde os ingleses chegaram nas negociações por Hong Kong. Isto é um erro grave, foi um erro grave, por que a génese de Macau nada tem que ver com a de Hong Kong. Nada. Não chegámos aqui a humilhar a China com a derrota na Guerra do Ópio. Pronto, somos diferentes. Sempre fomos. Tivemos um intervenção que nunca foi bélica, logo à partida uma é um fenómeno colonial e a outra é um estabelecimento de um grupo
de indivíduos que transformam isto no centro do seu aparelho de comércio na zona. Devíamos ter feito valer esta distinção entre duas realidades bens distintas e não ter apontado o nosso êxito em ficar ao nível dos ingleses. Foi pena. Considera que os nossos representantes estavam preparados para as negociações? Não, a nossa delegação estava muito mal informada sobre Macau. Um dos membros da delegação, que é meu amigo, tinha sido Secretário Adjunto em Macau por um ano, ou seja, muito pouco tempo. Embora possa ter consciência, ligado à economia, não conhecia a história de Macau, mas a verdade é que mais ninguém sabia. O que acho é que deveríamos ter recorrido a
“A intenção do livro, essa sim um bocado ingénua, era de influenciar os trabalhos de alteração do Estatuto Orgânico de Macau e em vez de se prolongar o sistema político que vinha de 1976, fazer uma abertura política”
macaenses ilustres, que até viviam em Portugal. Podíamos ter feito o convite para que estes tivessem, connosco, construído uma espécie de grupo de trabalho, ou pequeno Conselho, com reuniões periódicas com os membros da delegação. Tudo para preparação. Pecámos por não saber? Sim, pecámos. Foi o que se vê. Devo apontar que o grande mérito para a transição de Macau é da República Popular da China. “Um país, dois sistemas” funciona? Penso que sim. Funciona, mas não numa base que tenho visto de alguma reivindicação. Há tempos alguém conhecido afirmou publicamente que ‘o segundo sistema somos nós’, ora isto não tem nada
Qual a sua opinião sobre a Lei Básica? É um documento importante porque funciona como mini-constituição de Macau, isto é, chegou-se à conclusão que o território deveria ter este documento que fosse o vértice do nosso sistema político e legal. Ou seja, que nenhuma lei contrariasse a Lei Básica. Foi um documento importante, porque quem fazia a vez da Lei Básica, antes da transição, era o Estatuto Orgânico de Macau e portanto é natural que este fosse revisto. O futuro? As perspectivas de Macau são fantásticas se houver uma urgente revisão dos limites territoriais do território. Se não se fizer isto vai ser um inferno crescente, de falta de espaço, aumentos dos preços e da dependência económica do Jogo. Porque o Jogo retirou o espaço possível para outras alternativas, sufocou Macau. Isto da economia é como os aviões com quatro motores, se algum deles avariar, o avião continua a andar, mas só com um. Se esse se avaria, despenha-se. Se o único motor do território, que é o Jogo, se estragar, Macau vai ao fundo. Filipa Araújo
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Transferência da soberania tem pouco significado para residentes
Sem ponta por onde pegar A transferência de soberania de Macau para a República Popular da China entra hoje no seu 16º ano, fazendo com que o Governo avance com actividades comemorativas para o aniversário da RAEM. No entanto, segundo alguns residentes questionados pelo HM, este dia não tem grande significado para a sociedade
K
aman Chan, directora de uma associação de juventude, afirmou ao HM num Vox Pop feito ontem, véspera do dia comemorativo da transferência da soberania, que irá participar numa das actividades para a celebração do 16º aniversário da RAEM na Praça de Tap Seac, com concertos de música e dança e jogos. Mas apenas porque recebeu um convite. “Tive a oportunidade de ser convidada para ser voluntária numa actividade no dia da transferência da soberania, mas admito que
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participo pelo momento, não pelo facto de ser a celebração do aniversário da RAEM.” Como o dia 20 é próximo das férias de Natal, Kaman Chan prefere assistir a outro tipo de festas a decorrer no território do que as do aniversário da transição. Ainda assim, para esta jovem que nasceu antes da Transferência da Soberania, este é um importante símbolo para Macau. “É como o dia nacional de um país, é um símbolo. Mas para mim própria, além de actividades de celebração, não traz grande significado”, disse.
Questionados sobre se sabem que dia é hoje, o casal Wong, de meia idade, respondeu-nos positivamente. Mas, admitiu, não está interessado em participar nas actividades de comemoração. “Somos pequenos cidadãos de Macau”, disse a mulher. O homem continuou: “Só vamos passear e relaxar um pouco neste feriado, não sinto que o aniversário da RAEM tenha um significado especial. Acho que é apenas especial para os titulares de cargos principais”.
O pensamento do casal não é muito distinto do senhor Ho, vendedor de frutas na Rua de Praia do Manduco há 30 anos. Fazendo um relato da sua vida, Ho terá de trabalhar, como todos os outros vendedores, mesmo sendo o aniversário da sua terra. “Se calhar o dia tem algum significado para os jovens, mas não para mim, é um dia igual como todos os outros”, apontou. A família Ho, com cinco membros, vai passar o dia separada. Para o irmão, o dia é também dia de trabalho, mas a irmã vai assistir ao concer-
to musical organizado pelo Instituto do Desporto. Já a neta do vendedor, de dez anos, vai fazer um passeio na cidade vizinha de Hong Kong com o pai. Mia Cheong é uma jovem trabalhadora de casino. Admitiu ao HM que mesmo que tenha trabalho por turnos hoje ganha um dia de descanso. O dia do aniversário da RAEM, conta, prefere não comemorar, por não ter importância. “Eu vou ficar em casa porque quero descansar. Não me interessam as actividades da comemoração, também
não são especiais. Quando eu andava de escola costumava ficar com os meus amigos no dia 20 de Dezembro, raramente faço alguma coisa de especial”, disse. Silvia Lam, funcionária pública, nunca participou nas actividades de comemoração da RAEM, pois prefere fazer uma viagem no dia do aniversário da transição, durante os quatro dias de férias seguidos. “Macau é tão pequeno e existem tantas pessoas que prefiro sair do território”, rematou. Flora Fong
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Política
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Condecoração Rocha Vieira “assegurou com êxito transferência para a China”
“Excepcionais qualidades de comando” O Gonçalo Lobo Pinheiro
Rocha Vieira recebeu uma condecoração das mãos do Presidente da República português devido, entre outras razões, ao seu papel na transferência de Macau para a China
General Vasco Rocha Vieira foi condecorado na sexta-feira com a Ordem da Torre e da Espada por Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República. Cavaco Silva enalteceu os serviços prestados por Rocha Vieira, sublinhando a “brilhante carreira militar e de serviço público do último Governador de Macau”. Já Rocha Vieira diz-se honrado por receber uma condecoração “com o valor de uma vida”. O Presidente da República notou que Vasco Rocha Vieira é um “justo merecedor de ser distinguido com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada”, lembrando como ao longo de “uma brilhante e multifacetada carreira militar e de serviço público, prestou relevantes e distintíssimos serviços às Forças Armadas e a Portugal”. Recordando as “excepcionais qualidades de comando” demonstradas enquanto Chefe do Estado-
-Maior do Exército e a “acção perseverante e avisada» desenvolvida as funções de Ministro da República para os Açores, o chefe de Estado destacou a forma como Rocha Vieira, como último representante da administração portuguesa em Macau, assegurou «de modo notável e com pleno êxito» a transição de poderes para a República Popular da China. Uma missão em que, frisou, “revelou um invulgar perfil de homem público, indefectível patriotismo e inteira devoção na defesa do interesse nacional e que concluiu com elevado brilhantismo, unanimemente reconhecido no país e no seio da comunidade internacional”. Ramalho Eanes fez também referência ao facto de (ver caixa) ser condecorado em conjunto com Rocha Vieira, sublinhando que isso poderá permitir que a sociedade civil olhe de outra forma para os militares e sinta
que eles pertencem a uma instituição em que se pode confiar e onde existem homens que em todas as situações sobrepõem aos seus interesse pessoais os valores do patriotismo, liberdade, amor aos outros e interesse nacional. “Ao atribuir-me a Ordem Militar e Torre e Espada é uma grande honra para mim e tem um significado profundo e muito especial, tem para mim o significado e o valor de uma vida”, acrescentou, por outro lado, Rocha Vieira, que deixou um agradecimento especial a Ramalho Eanes por lhe ter confiado o comando do exército, a Cavaco Silva por o ter indicado para Representante da República nos Açores e a Mário Soares por o ter nomeado o último Governador de Macau. “Sinto poder dizer que ao longo da minha vida sempre cumpri com lealdade as funções que me foram confiadas”, vincou. LUSA/HM
Ramalho Eanes recebe Grande Col ar da Ordem da Liberdade “Senhor general Ramalho Eanes, em Portugal, vossa excelência merece, como ninguém, ser distinguido com o Grande Colar da Ordem da Liberdade, em reconhecimento da grandeza do seu carácter e dos serviços que prestou para que Portugal seja hoje uma pátria
de liberdade e de democracia”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, num discurso na cerimónia em que condecorou o antigo Presidente da República, em conjunto com Vasco Rocha Vieira. Atribuindo como traços marcantes da personalidade de Ramalho Eanes
o “amor à pátria, a honestidade e seriedade de carácter, o sentido de Estado e a firmeza inabalável das convicções, a que sempre foi fiel”, Cavaco Silva lembrou a forma como se destacou como “um homem da liberdade” no período do 25 de Abril, considerando que “em momentos
muito conturbados da História” o antigo Presidente da República “foi um lutador, um homem de coragem”. “Com invulgar serenidade e sentido de equilíbrio conduziu os destinos de Portugal com firmeza e determinação, colocando o interesse nacional e do povo português acima das várias
tentativas de pressão e intimidação. Enquanto Presidente da República, demonstrou de novo o seu profundo apreço pela democracia e pela liberdade, mantendo-se integralmente fiel aos valores e aos mais nobres ideias de serviço a Portugal e aos portugueses”, acrescentou.
Águas Aquisição de mais área é “oportunidade” para convenções e exposições
Nova jurisdição, novo desafio A
Associação de Convenções e Exposições de Macau prevê que o seu sector de actividades sofra uma queda de 20% no que concerne ao número de iniciativas a ter lugar em Macau, pelo que sugere o aproveitamento da recente aquisição de 85 quilómetros de águas pelo território para melhorar essa situação. O secretário da Associação, Ho Haiming, disse ao Jornal do Cidadão – à margem de um fórum que teve lugar na passada quinta-feira – que a nova zona administrativa da região pode
ser tido em benefício desta área de negócios. “De acordo com os dados de membros da nossa associação, o número de eventos de convenções e exposições vai ter um declínio de 20% no próximo ano e as empresas do sector podem co-organizar-se quando os temas forem conducentes, criando assim exposições maiores para diminuir a competitividade do sector. Queremos que todas as empresas do sector façam uso das vantagens que Macau agora tem por ter uma nova área administrativa marítima”, disse.
O responsável acrescentou que o sector tem a “grande vantagem” de Macau estar agora com mais uma zona para governar. “No passado, as empresas do sector sentiram-se aborrecidas quando faziam exposições sobre iates e outros barcos porque não era fácil arranjar um local ou porto para os atracar, tendo até pedido auxílio à Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água e aos departamentos congéneres de Zhuhai para escavar o lodo do mar e construir um porto temporário”, acrescentou. “Depois da
delimitação, o sector pode expandir o plano das convenções, reduzir o orçamento dos exposições e encorajar a realização de convenções e exposições sobre a vida marítima em Macau”, concluiu. Ho Haiming sugeriu ainda a realização de viagens marítimas, de forma a atrair um novo tipo de visitantes comerciais. Além disso, mostrou-se confiante no crescimento deste sector se houver mais cooperação com Guangdong e com Zhuhai. Tomás Chio
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Consoada de Chui Sai On em Pequim para balanço de 2015
Chui Sai On estará em Pequim de 21 a 24 de Dezembro para fazer o balanço de 2015 e falar sobre os trabalhos previstos para o próximo ano. Na delegação do Chefe do Executivo estão integrados o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, e a Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, juntamente com a chefe da Delegação da RAEM em Pequim, Hung Wai, e Fung Sio Weng, coordenador do Gabinete de Protocolo, Relações Públicas e Assuntos Exteriores.
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hoje macau domingo 20.12.2015
morrem por doença, suicídio ou que são assassinados. Realizar um funeral neste modelo para alguém que se suicidou mostra falta de gestão apropriada e de princípios sobre o uso do dinheiro público, que pertence a toda a população de Macau”, avançou.
Lai Man Wa PJ termina relatório. Susana Chou critica formato do funeral
A
ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, considera irracional que o Governo tenha pago as despesas do funeral de Lai Man Wa, antiga directora dos Serviços de Alfândega (SA). Chou defende que a decisão pode passar a mensagem que o Executivo “aconselha o comportamento suicida”, mas não só. No mesmo dia em que a Polícia Judiciária (PJ) deu a conhecer que já concluiu o relatório de investigação da morte a Lai Man Wa – que terá cometido suicídio -, Susana Chou escreveu no seu blogue que o pagamento das despesas
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decisão de atribuir à jurisdição local mais 85 quilómetros de águas marítimas obrigou o Executivo a criar leis complementares e a redefinir as competências da Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA). A DSAMA fica responsável por “coordenar a gestão de assuntos marítimos”, ao nível da “coordenação do planeamento e aproveitamento do mar”. Actualmente a gestão dos recursos marinhos era feita não apenas pela DSAMA mas também pela Direcção dos Serviços de
do funeral “para que este fosse de uma categoria mais elevada”, pode causar ilusões na população. Susana Chou não nega, contudo, que se sentiu ansiosa e triste com a notícia da morte da responsável. “O Governo falou das grandes contribuições de Lai Man Wa para Macau, mostrou-se triste com a perda de uma titular de um cargo principal, uma titular extraordinária, e decidiu usar o dinheiro público para fazer um funeral. Mas,
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Susana Chou critica o pagamento pelo Governo do funeral de Lai Man Wa, bem como o formato da cerimónia. Considera não só que poderá passar a mensagem de que apoia o comportamento suicida, mas também que não se deveria utilizar o erário público para funerais de quem não morre em trabalho
GCS
“Não foi uma decisão racional”
essa pessoa suicidou-se – ter direito a um funeral com honras de Estado e com a bandeira dos SA sobre a tampa fechada do caixão, não foi uma decisão racional”, escreve Susana Chou. A ex-presidente da AL diz ainda que a forma como foi feito o funeral “pode aumentar a desconfiança da população” sobre a morte de Lai Man Wa, já que, explica, normalmente só os funcionários públicos que morreram no cumprimento de
trabalho têm a honra de ter a tampa do caixão tapada pela bandeira dos países ou de organismos onde trabalhavam. “A decisão do Governo de Macau traz-me dificuldades em compreender” a morte da responsável, atira a ex/presidente da AL. “Outra questão que me faz alguma confusão é se poderá o Chefe do Executivo decidir usar o cofre público para realizar um funeral com honras de Estado para os titulares de cargos principais que
Legislação Novos regulamentos da DSAMA estão prontos
Neste barco mando eu Protecção Ambiental (DSPA), Direcção dos Serviços de Economia (DSE) e Serviços de Alfândega. O Executivo criou ainda uma regulamentação específica para as embarcações e pessoal a bordo, sendo que, com o novo regulamento administrativo, “o pessoal a bordo de qualquer embarcação que entre nessas águas é
considerado como tendo entrado na RAEM”. Para além disso, “propõe-se que as embarcações que passam em águas na área da jurisdição da RAEM, com destino distinto desta, tenham de obedecer às regras de navegação definidas pelas autoridades marítimas sem que o respectivo pessoal a bordo necessite de tra-
tar das formalidades de entrada e saída”. Segundo o mesmo comunicado, a inexistência de uma definição clara das águas tradicionalmente sob a jurisdição da RAEM tem conduzido desde sempre à desnecessidade de tratamento de quaisquer formalidades pelas embarcações que navegam nas
Susana Chou diz que “ouviu vários amigos mais próximos de Lai Man Wa a dizer que ela sentia uma grande pressão depois de assumir o cargo da directora dos SA. Sofria de neurastenia e depressão e estava numa situação constante de insónia já há um longo tempo” Apesar de tudo, Susana Chou acredita na explicação do Governo sobre a morte de Lai Man Wa, que tem sido contestada na sociedade, devido à forma como foi anunciado e ao facto de ter sido encontrada com objectos que poderiam ser utilizados para cometer suicídio, mas que fazem suscitar dúvidas devido à complexidade do seu uso. Chou diz, no entanto, que “ouviu vários amigos mais próximos de Lai Man Wa a dizer que ela sentia uma grande pressão depois de assumir o cargo da directora dos SA”. Segundo eles, diz, a antiga responsável “sofria de neurastenia e depressão e estava numa situação constante de insónia já há um longo tempo”. Entretanto, a PJ afirmou que o inquérito da morte da antiga directora dos SA está concluído e foi já entregue ao Ministério Público. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
águas do território, algo que agora vai mudar. Foram ainda introduzidas mudanças ao nível do diploma que regula todo o material dragado do mar, sendo que “os locais para deposição do material dragado são determinados ou extintos por despacho do Chefe do Executivo”, com autorização prévia do director da DSAMA. O mesmo despacho do Chefe do Executivo irá determinar as taxas a cobrar à entidade privada detentora desse material. Andreia Sofia Silva
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sociedade
hoje macau domingo 20.12.2015
Wynn Ex-supervisora de casino alega despedimento injusto
Despedida e mal paga
tiago alcântara
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U
ma ex-supervisora do casino do Wynn alega, através da Associação Power of the Macau Gaming, que foi despedida sem justa causa, com base numa suposta falha por si cometida e que permitiu que um jogador considerado ‘persona non grata’ ganhasse 20 milhões. No entanto, o secretário-geral da Associação, David Chan, explica que “o único erro” da responsável foi não se ter apercebido da sinalização que o computador havia activado aquando da entrada do jogador no recinto. Agora, a Wynn despediu a residente sem lhe dar qualquer compensação, pelo que Chan acredita tratar-se de uma estratégia “para ensinar uma lição aos outros trabalhadores”. O caso teve lugar no passado dia 3. “O computador não tinha a informação clara e eu deixei-o
tiago alcântara
A Wynn terá despedido uma supervisora de casino por permitir que um jogador ‘persona non grata’ entrasse no espaço e ganhasse 20 milhões de dólares de Hong Kong. A DICJ diz estar de mãos e pés atados, o Wynn sem uns quantos milhões e a funcionária clama despedimento sem razão
entrar. Quando reparei, notifiquei o meu superior e os seguranças de imediato, mas o indivíduo já havia ganho 20 milhões quando os agentes da DICJ chegaram”, clarificou a ex-funcionária à Associação. Para David, uma coisa é clara: “A administração da empresa tem que se chegar à frente com uma justificação plausível para o despedimento e
Seac Pai Van Mais de 60% de inquiridos nunca usou centro de saúde
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m inquérito realizado pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) indicou que 65% de 300 inquiridos nunca utilizou os serviços do Centro de Saúde provisório de Seac Pai Van, em Coloane. De acordo com o jornal Ou Mun, o inquérito elaborado pela UGAMM debruçou-se sobre a utilização das instalações sociais, de saúde, desportivas e o transporte público disponíveis no novo complexo de habitação pública. Os moradores consideram que o maior problema é não terem acesso a consultas nocturnas no centro de saúde, além de que continua a não existir serviço de urgência nem clínicas privadas. O inquérito da UGAMM revela ainda que os residentes defendem que “os profissionais do centro de saúde não são suficientes para res-
oferecer, ainda que reduzida, uma indemnização”. A agora ex-funcionária encontra-se sem trabalho e sem compensação depois de ter sido despedida por ter causado um prejuízo de 20 milhões de dólares de Hong Kong à Wynn. No entanto, argumenta que, a haver culpas no cartório, deviam igualmente recair sobre o seu supervisor – que foi notificado, mas não impediu o jogador de continuar na mesa – e sobre os seguranças do casino, que não expulsaram o indivíduo. Os nomes da residente e do jogador são para já desconhecidos, sabendo-se apenas que a Associação se prepara para entregar uma carta ao Governo a reivindicar mais explicações. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Jogo Sheldon Adelson acredita na recuperação das receitas
APIM Área educacional é aposta forte da nova direcção
Para a frente é o caminho
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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milionário norte-americano Sheldon Adelson afirmou esperar que a economia do território e as receitas do jogo, em queda há 18 meses, recuperem em 2016. Na inauguração de mais um hotel da cadeia da Sands China, que Adelson preside, o magnata mostrava-se confiante. “Penso que estamos no fundo ou perto do
gonçalo lobo pinheiro
josé manuel simões
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iguel de Senna Fernandes, novo presidente da Associação de Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM), já tem algumas ideias para dar início a uma nova era na entidade, depois dos 16 anos da liderança de José Manuel Rodrigues. Ao HM, Miguel de Senna Fernandes confirmou que os objectivos principais da nova direcção, eleita na sexta-feira passada, prendem-se com a participação na gestão da Escola Portuguesa de Macau (EPM) e com o jardim de infância D. José da Costa Nunes. No jardim de infância a falta de espaço parece ser, para já, o problema mais premente. “Uma coisa é certa, há um acréscimo do interesse de várias pais em colocar as crianças no jardim de infância e isso vai acarretar vários problemas, não apenas
o problema do espaço mas também o problema do corpo docente. Será suficiente ou não?”, questionou. Em relação à EPM, Miguel de Senna Fernandes entende que deve haver uma renovação. “Sempre entendi que a EPM não pode ser uma mera extensão ou implante de uma escola de Portugal em Macau. A EPM terá sempre de se adaptar à realidade local de Macau e deve ser atractiva para todos os alunos”, apontou o advogado. “A EPM, sendo a única do género, não pode sê-lo apenas e só com um currículo nacional. Temos de ter um ponto de equilíbrio entre o currículo nacional e o interesse para Macau e para as pessoas que queiram estar em Macau e ver o seu futuro profissional assegurado”, acrescentou Miguel de Senna Fernandes, que recusa a ideia da APIM ter parado no tempo, pelo facto de José Manuel Rodrigues se ter mantido tanto tempo no cargo. “A APIM sempre se actualizou, mas há outras maneiras de realizar os objectivos. O certo é que a minha direcção vai apontar no sentido de uma EPM e um jardim de infância actualizados em relação à realidade de Macau. Para já tenho de me inteirar da casa e saber aquilo que realmente é preciso, e só depois traçar metas e objectivos imediatos. Neste momento temos condições humanas para trabalhar, com um rejuvenescimento da associação”, rematou.
ponder aos pedidos dos moradores”, exigindo “horários mais alargados até à noite, para que a realização de uma consulta ou tratamento preliminar em caso de doenças agudas”. Outros moradores afirmaram que “faltam instalações no bairro”, sendo que normalmente se deslocam à Taipa ou Macau para o acesso a consultas no hospital ou clínicas privadas. No caso dos idosos seria necessário mais um serviço de urgência, devido à “falta de transportes nesta zona para o acesso ao hospital”. Quem optou por fazer uma consulta no centro de saúde de Seac Pai Van diz que esperou muito tempo para ser atendido. O inquérito da UGAMM aponta ainda que mais de 40% dos moradores defendem que faltam ainda instalações como o mercado, cinema e restaurantes, para além das instalações de saúde. T.C.
fundo e que haverá uma recuperação no futuro próximo, com certeza em 2016”, frisou. Em 2016, o grupo vai abrir mais um projecto em Macau, que inclui novo casino, devendo a inauguração ocorrer dentro de nove a dez meses, segundo disse Sheldon Adelson, citado pela Bloomberg. Trata-se do Parisian Macau, que inclui uma réplica
da Torre Eiffel com metade do tamanho da original, sendo a expectativa da Sands China que o Governo do território autorize 250 mesas de jogo no novo casino, afirmou. “Temos de ter mesas suficientes. Pedimos 450, mas ninguém está a conseguir aquilo que espera. Estamos à espera de ser tratados com justiça, o que tenho confiança que o Governo fará”, acrescentou. Recorde-se que o Governo limitou o aumento anual de novas mesas de jogo a um máximo de 3%, o que já motivou críticas de alguns operadores, e tem vindo a insistir na necessidade de limitar o crescimento do sector e de diversificar a economia, que assenta nas receitas dos casinos.
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osé Cesário, antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, questionou o governo de Portugal sobre a possibilidade de serem renovadas as licenças especiais para os magistrados portugueses que exerciam na RAEM e que se vêem, agora, obrigados a deixar o território. O também deputado do Partido Social-Democrata (PSD) enviou uma carta ao Primeiro-Ministro, onde alerta para a importância de preservar a língua e cultura nacionais. “Admite o Governo adoptar uma orientação geral no sentido de serem renovadas as licenças especiais que têm permitido a permanência em Macau de diversos quadros da nossa administração, particularmente em áreas como a magistratura, a segurança ou a saúde, que possam colaborar com as autoridades do território, ajudando assim a preservar a nossa língua e cultura?”, questionou. Recorde-se que, tal como o HM avançou, quatro magistrados portugueses que exercem em Macau – alguns deles com mais de uma década de trabalho no território – serão obrigados a regressar a Portugal, uma vez que o Conselho Superior do Ministério Público não autoriza a renovação das licenças especiais, nem de outras vias, para que possam continuar a exercer na RAEM. Mesmo que o Ministério Público local queira renovar os contratos. José Cesário recorda que esta não é a primeira vez que casos como estes acontecem, ainda que “noutros casos relativos a fun-
Magistrados José Cesário entra em acção
Valores mais altos se levantam cionários de outros sectores da Administração Pública, nomeadamente na área da saúde”. Cesário diz que a decisão está revestida de uma grande relevância não só administrativa, como política e diplomática. “A manutenção de funcionários portugueses em Macau é unanimemente reconhecida como vital para a nossa ligação prática com aquele território e para a manutenção da Língua Portuguesa ao nível dos organismos oficiais. Não se discute quem devem ser tais funcionários, nem sequer os critérios para a sua selecção, que deverão ser da responsabilidade dos órgãos executivos directamente implicados. Porém, parece-nos absolutamente indiscutível a relevância do exercício de funções na administração de Macau por parte de quadros portugueses, o que nem sequer implica custos directos para o nosso orçamen-
to”, frisa, na carta enviada à Assembleia da República. José Cesário não se fica por aqui, pedindo que o governo português faça “sentir ao Conselho Superior do Ministério Público a importância e o interesse público na manutenção em Macau dos magistrados” e ainda que pense se há mesmo a possibilidade de equacionar o aumento do número de funcionários ali colocados nestas condições de forma a garantir uma maior aproximação a Macau. De Portugal – de quem o HM tem tentado, sem sucesso, obter declarações – ainda nada foi falado sobre o caso, passado duas semanas do HM ter dado a conhecer a história de Vítor Coelho, um dos magistrados nesta situação. Já o MP de Macau já assegurou que vai abordar com as autoridades portuguesas a questão.
gonçalo lobo pinheiro
O antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas questionou directamente o governo português se pondera renovar as licenças especiais dos magistrados, para que continuem a exercer em Macau
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
Lei da Nacionalidade Os deputados social-democratas José Cesário e Carlos Gonçalves querem saber mais sobre a Lei da Nacionalidade. Numa pergunta dirigida à ministra da Justiça, Francisca Van Dúnem, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, Cesário e Carlos Gonçalves questionam sobre “quando pretende o Governo proceder à regulamentação da Lei Orgânica nº 9/2015, de 29 de Julho, no que respeita à definição das condições em que os netos de cidadãos nacionais, nascidos no estrangeiro, podem aceder à nacionalidade originária”. O Governo admite “a possibilidade de contemplar, como laços de efectiva ligação à comunidade nacional, a participação em associações e colectividades portuguesas, existentes em Portugal ou no
Alexis Tam promete apoiar doentes mentais
O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, prometeu apoiar os doentes mentais em mais uma visita que fez a instituições sociais, neste caso a Residência Temporária de Mong-Há da Associação Richmond Fellowship. Segundo um comunicado, Alexis Tam referiu que o Governo “tem atribuído particular importância aos serviços de reabilitação para doentes mentais e irá envidar todos os esforços para apoiar as instituições particulares no desenvolvimento dos serviços em causa”. A associação de cariz social foi criada em 1993, destinando-se a acolher doentes com doenças mentais entre os 18 e 60 anos.
estrangeiro?”, questionam ainda. À tutela dos Negócios Estrangeiros, os deputados do PSD dirigem as mesmas duas perguntas mas acrescentam uma terceira: “Que autonomia será atribuída aos chefes dos postos consulares para a confirmação do domínio da língua portuguesa e a verificação de outros laços de ligação à comunidade nacional?”. Segundo os dois subscritores, as questões surgem porque a Lei Orgânica n.º 9/2011, de 29 de julho, que altera a Lei da Nacionalidade, não foi regulamentada pelo anterior Governo, devido aos condicionalismos do período eleitoral, então em curso, existindo “um significativo número de cidadãos que legitimamente anseiam pela concretização do direito expresso na Lei” referida.
Guia IC exigiu à Sunnyville que reduzisse altura de edifício
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presidente do Instituto Cultural (IC), Guilherme Ung Vai Meng, confirmou ontem que já exigiu à Companhia de Desenvolvimento
Predial Sunnyville a redução da altura do edifício cuja construção está prevista para a Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, perto da Fortaleza da Guia. O seu pedido foi aceite para aquele terreno ao lado do edifício do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM. O projecto previa a construção de um prédio com 90 metros de um lado e 60 do outro num terreno concedido por arrendamento, publicado por despacho em Boletim
Oficial pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. Segundo o Jornal do Cidadão, Ung Vai Meng explicou na passada sexta-feira que a altura dos edifícios à volta da Fortaleza de Guia é um tema sensível. Se a totalidade do prédio tiver 90 metros, o Monte da Guia pode ficar “pressionado” e por isso mesmo a Sunnyville, empresa responsável pelo projecto, terá que reduzir um dos lados para os 60 metros de altura. F.F.
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O instituto politécnico de macau felicita a região administrativa especial de macau pela passagem do 16.º aniversário do seu estabelecimento
A ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS, REFORMADOS E PENSIONISTAS DE MACAU Felicita a região administrativa especial de macau pela passagem do 16.º aniversário do seu estabelecimento
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A Santa casa da misericórdia Felicita a Região Administrativa Especial de Macau pela passagem do seu 16.º Aniversário e deseja a todos um Feliz Natal
O instituto internacional de macau Felicita a Região Administrativa Especial de Macau pela passagem do seu 16.º Aniversário e deseja a todos um Feliz Natal
eventos
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RAEM Governo festeja 16º aniversário com concerto e sarau
O Governo organiza uma série de actividades hoje que começam com o içar da bandeira, às 08h00. Segue-se a recepção oficial no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau. As actividades continuam pelo dia dentro, com o sarau desportivo e cultural de comemoração a realizar-se no Estádio do Centro Desportivo Olímpico da Taipa, às 14h00. A iniciativa é promovida pelo Instituto do Desporto e inclui o concerto Sammi Touch Mi. O programa engloba ainda um espectáculo de fogo-de-artifício frente ao Centro Ecuménico Kun Iam e à Torre de Macau, marcado para as 21h00.
Natal Encerra hoje Feira Vintage em Hong Kong
St. Regis Novo hotel estreia conceito de Serviço de Mordomo em Macau
Se é para ser, que seja em grande A Sands China juntou-se ao nova-iorquino St. Regis para abrir em Macau mais um hotel de luxo da cadeia. Duas das novidades passam pelo revivalismo do Bloody Mary ou pela estreia, no território, do Serviço de Mordomo, que permite marcar actividades com 24 horas de antecedência
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á abriu o St. Regis Macau, situado no Cotai, o primeiro hotel a trazer à cidade o conceito de Serviço de Mordomo, que permite aos visitantes personalizarem a sua experiência de férias no território. “Para melhorar ainda mais a experiência do consumidor, o St. Regis Macau oferece o serviço exclusivo St. Regis Butler a todos os hóspedes – o primeiro num espaço em Macau – permitindo que estes reservem actividades com 24 horas de antecedência com base nos seus gostos, necessidades e preferências”, escreve o St. Regis em comunicado. Para quem aprecia um bom cocktail, este é o local onde ir,
uma vez que faz parte da cadeia que primeiramente introduziu o conhecido “Bloody Mary” (com sumo de tomate) nos menus internacionais. A experiência teve lugar no primeiro St. Regis a ser inaugurado, na Nova Iorque do século XIX. Está ainda disponível um “Maria do Leste”, bebida feita com base na cultura portuguesa, que junta pimenta-rosa com piri-piri e canela. O St. Regis tem espaços para todos os gostos, feitios e idades, já que disponibiliza uma piscina de 2400 metros quadrados, ginásio e um spa cheio de opções para quem pretende um cuidado digno de cinco estrelas, classificação
dada a esta cadeia. Este espaço vem assim juntar-se às dezenas de outros espalhados pelo mundo, sendo o sétimo em toda a China. O primeiro abriu em 1904 na cidade norte-americana que nunca dorme e o de Macau é agora a 36ª propriedade da marca. “Estamos muito contentes por continuar a parceria com o grupo Sands China, depois de uma muito bem sucedida colaboração com a Starwood na abertura do maior hotel da Sheration, o de Macau”, começou o presidente da Starwood Ásia-Pacífico, Stephen Ho, por dizer. Já o presidente da Las Vegas Sands optou, durante a abertura, por dizer que a inauguração do
À venda na Livraria Portuguesa Goodbye, Columbus e Cinco Contos • Philip Roth
O primeiro livro de Philip Roth foi premiado e granjeou-lhe imediatamente a reputação de escritor de ironia explosiva, capacidade de observação impiedosa e compaixão pelas suas personagens, mesmo pelas mais desprovidas de sentido da realidade. Goodbye, Columbus é a história de Neil Klugman e da bonita e ousada Brenda Patimkin, ele da pobre Newark, ela do bairro suburbano de Short Hills, que se conhecem numas férias de Verão e mergulham numa relação que diz tanto das classes sociais e da suspeita como do amor. A novela é acompanhada de cinco contos cujo registo vai da iconoclastia à ternura sem reservas.
St. Regis “é outro passo significante para diferenciar Macau de outros destinos, colocando mapa no mapa de lazer e de viajantes em trabalho”. Hotelaria de excelência O St. Regis tem mais de 400 quartos e suites que podem ir dos 53 aos 477 metros quadrados com diferentes características. Além disso, dispõe ainda de cinco restaurantes que oferecem comida cosmopolita, de luxo e bistro, mas também um grande salão com 350 lugares sentados e cinco outras salas de reuniões com capacidade para cinco mil pessoas no total.
Hoje é a última oportunidade para dar uma vista de olhos na Feira de produtos Vintage a ter lugar desde final do mês passado, no D2 Place, no número 9 da Rua Cheung Yee. Intitulado Something Old, o mercado de Kowloon abre às 12h00 e fecha às 9h00. À venda estarão acessórios vários, incluindo mobília antiga, elementos de cabedal, joalharia, câmaras fotográficas raras e outras peças que raramente se encontram noutro local. Além disso, o mercado conta ainda com workshops e exposições de arte. A entrada é livre e o croqui até ao local pode ser encontrado em http://somethingold.hk/.
Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
Grandes Exploradores Portugueses • Susana Lima
Homens corajosos, aventureiros e muito inteligentes… mas que são de outros tempos, de outras épocas. Muitos serão automaticamente reconhecidos pelo leitor, outros nem tanto. Penso que nestes últimos a leitura terá um travo especial, desvendando em cada virar de página mais um mistério. São histórias cheias de emoção com personagens de carne e osso. Pessoas aparentemente comuns, mas que, em algum momento das suas vidas, se tornaram diferentes, especiais. Aventureiros por natureza, sem dúvida.» Pêro da Covilhã, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, Cristóvão de Mendonça, Diogo Álvares Correia, António de Andrade, António Raposo Tavares, Hermenegildo Capelo, Gago Coutinho, Carlos Bleck, João Garcia.
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artes, letras e ideias
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ing Hao “Bifa Ji”
Notas Sobre o Método do Pincel
«Agora revelei-te o método (a via), embora este não possa ser completamente expresso por palavras.1» Então mostrei-lhe as pinturas de estranhos pinheiros que tinha feito. O homem velho disse: «Estão pintadas com um pincel grosso sem o método correcto; os músculos e os ossos não estão completamente definidos; todos esses pinheiros não têm grande utilidade. – Como eu te ensinei o método da pintura, dou-te agora alguns rolos de papel e peço-te que pintes à minha frente. O homem velho disse ainda: «É a tua mão mas o meu
espírito; a minha via é examinar as suas palavras e perceber como elas se comportam. Podes agora recitar alguma coisa para mim?2» Eu agradeci-lhe e disse: «Uma vez que agora me emendou (como artista), assim cumprindo o objectivo do sábio e do virtuoso, eu não o poderei negligenciar, quer seja para me castigar ou me lamentar influenciar-me-á; devo prosseguir como me ensinou e respeitar o seu método. Então cantei o elogio do velho pinheiro (i. e. através de um poema no qual são enfatizadas a sua beleza varonil e o seu carácter superior.)
1 - «O Dao que pode ser expresso por palavras não é o verdadeiro Dao», (Laozi, Cap. I) ou «Um Dao que se manifesta não é o verdadeiro Dao» (Zhuangzi, Cap. II).
objectivos de cada uma sendo inversos: a poesia abstracta e simbólica procura através de palavras tornar presente o invisível – donde o uso pela crítica do conceito de «shi», o cheio, a vontade de atingir a densidade: e a pintura, concreta, visando atingir, pela sensualidade do olhar, a libertação de toda figuração e chegar ao mais evasivo e abstracto – donde o conceito crítico essencial de «xu», o vazio, o que está pintado sendo menos importante que a parte que está em branco, a relação peripatética entre uma e outra arte será frutífera.
2 - Desde a dinastia Tang (618-906), e depois definitivamente com as formulações de Su Dongpo (1037-1101) como: «Pintura e poesia constituem originalmente uma única e mesma disciplina», que os eruditos reafirmam essa troca e transposição de uma arte na outra. Os
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Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
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A CAM felicita a Regiรฃo Administrativa Especial de Macau pela passagem do 16.ยบ aniversรกrio do seu estabelecimento
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O que fazer esta semana
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Cinema
Star Wars: the Force Awakens Sala 1
Star wars: the force awakens [b]
Filme de: J.J. Abrams Com: Harrison Ford, Carrie Fisher, Daisy Ridley, Adam Driver 14.15, 16.45, 21.45
Star wars: the force awakens [3d][b]
Filme de: J.J. Abrams Com: Harrison Ford, Carrie Fisher, Daisy Ridley, Adam Driver 19.15 Sala 2
snoopy: The Peanuts Movie [3D][b] Falado em Cantonês Filme de: Steve Martino 19:30
Diariamente
Sala 3
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Falado em Cantonês legengado em Chinês e Inglês Filme de: Wilson Yip Wai Shun Com: Donnie Yen, Lynn Xiong, Max Zhang 21.30
Love the coopers [b] Filme de: Jessie Nelson Com: Alan Arkin, John Goodman, Ed Helms, Diane Keaton 14.30, 19.30, 21.30
ip man 3
snoopy: The Peanuts Movie
Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau Entrada livre
Falado em Cantonês Filme de: Steve Martino 19:30
Falado em Cantonês Filme de: Mark Osborne 16.30
Aconteceu Hoje
20 de dezembro
Kim Jae-kyu condenado à morte
Exposição “A Jornada de Um Mestre” Albergue SCM Entrada livre
U m d i sco h o j e “Eyelid Movies” (Phantogram, 2014)
Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas
Exposição “Salpicos” de Sofia Bobone Fundação Oriente, Casa Garden Entrada livre
Também conhecidos como Charlie Everywhere, os Phantogram nasceram em Nova Iorque sob a égide do rock electrónico. Entre as várias inspirações que deram vida ao duo estão Beatles, David Bowie, The Flaming Lips, Serge Gainsbourg, Prince ou Sonic Youth. Os artistas Carter e Barthel são amigos desde a escola secundária, tendo Barthel regressado a casa no Verão de 2007 insatisfeita com o seu percurso nos estudos de Artes Visuais. Isto, aliado a um curto período de experiência de Carter na banda do seu irmão mais velho, permitiu que o duo desenvolvesse uma série de músicas, criando “When I’m Small”, “Futuristic Casket” ou “10000 Claps”. Tudo faixas que figuram neste álbum cheio de sintetização de sons e uma belíssima voz feminina. Leonor Sá Machado
•A 20 de Dezembro de 1979 Kim Jae-kyu, o mais importante homem do Serviço Secreto da Coreia, é condenado à morte pelo assassinato do presidente Park Chung-hee em Seul. Jae-kyu era general e director da Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA). Park Chung-hee era um dos seus melhores amigos, pelo que Jae-kyu foi um homem que muita controvérsia causou. Para alguns, é visto como o homem que acabou com 18 anos de ditadura militar na Coreia e por outros como a pessoa que matou o seu principal benfeitor por vingança. Kim Jae nasceu na mesma cidade que Park Chung-hee e foi nomeado como director da KCIA pelo próprio. No dia do assassinato do presidente, Parl estava presente numas cerimónias de inauguração transmitidas em directo na televisão. Depois, num jantar num local secreto, onde estavam os dois homens e outros representantes do Governo de Park e da KCIA. Park criticou Kim Jae por não ser repressivo o suficiente para com protestantes, numa discussão acesa sobre política. De repente, e depois de ter falado com os seus companheiros da KCIA e de outros estatutos militares, Kim entrou na sala com uma semi-automática e atirou contra o segurança do presidente e o próprio presidente. Todos os envolvidos no assassinato foram presos, torturados e executados. Foi no dia de hoje que Kim foi sentenciado à morte. Hoje assinala-se também o dia da transferência de soberania de Macau para a China, depois de, em 1999, Portugal ter entregue o território que estava sob sua administração.
fonte da inveja
Concordar raramente significa compreender.
João Corvo
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opinião
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José Pacheco Pereira
in Público
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á um aspecto do comportamento dos portugueses que muito me desagrada. Eu sei que dizer os portugueses é generalizar muito, mas neste caso é um comportamento muito mais comum do que devia ser. Trata-se da tendência para ser subserviente face ao poder, ter muito respeitinho face aos poderosos, nalguns casos ter medo, e, depois de estes caírem do seu pedestal, ir lá a correr atirar a enésima pedra. Foi o que aconteceu com a ascensão e queda de José Sócrates, de todo-poderoso primeiro-ministro, em cujo séquito muitos andaram e bajularam o príncipe e a corte, a quem permitiram muito mais do que deviam, a quem admiraram em silêncio e bateram ruidosas palmas em público. Foi só no PS? Longe disso, foi no PSD e no CDS, foi nos meios empresariais, no jornalismo, nos “homens de confiança” de todos os partidos. Até à sua queda em 2011, o homem era o “melhor primeiro-ministro de Portugal”, a personagem determinada e corajosa que tinha trazido o PS ao “centro” e “esvaziara o PSD”, o homem das “medidas necessárias” para pôr na ordem o défice e as contas públicas deixadas num descalabro pela experiência Santana Lopes, e por aí adiante. Não lhe faltaram elogios “transversais”, como agora se diz. Quando Sócrates passou para a mó de baixo e foi preso, os aduladores transformaram-se em acusadores e os mesmos, ou quase os mesmos, vão lá à trincheira funda onde ele está, e levam a pedra para o lapidar. Detesto isto e, depois de ter sido um dos mais duros críticos de Sócrates (quando, convém lembrar, os dirigentes do PSD de Passos e Relvas, o protegiam), fiquei bastante em silêncio quando bater-lhe se tornou “politicamente correcto”. Não gosto de bater em quem está vencido e perseguido. E Sócrates estava e está vencido (mesmo que ele e os seus fãs não acreditem) e era então perseguido. Penso que ele tem legítimas razões de queixa contra o modo como a Justiça o tratou, abusando dos seus poderes e actuando ad hominem, bem como contra a campanha na comunicação baseada em fugas de informação orientadas, misturando informação relevante com trivialidades interpretadas de modo persecutório. Mas, atenção, quando José Sócrates liberto passa de novo ao “ataque” dando entrevistas de grande destaque, em que não só fala de política como dá continuidade e um alcance cada vez mais vasto à interpretação política do seu processo, assim como pretende responder a alguns factos de que é acusado, então deixa de ser o homem da mó de baixo, para se tornar um parceiro activo
Peter JAckson, Lord of the rings
Um activo tóxico
da vida política portuguesa, e, do meu ponto de vista, de forma tóxica e inaceitável na sua jactância e no insulto que faz nas suas “explicações” à inteligência de qualquer português. Isso significa que já não me sinto limitado pela minha reserva de ir bater num homem que estava coarctado de liberdade e com quem qualquer debate e crítica seria desigual e punitivo. Agora estamos de novo perante o “animal político” e esse “animal” quer morder-nos, pelo que penso ser necessário caçá-lo, sejam quais forem as conclusões do processo judicial —porque, do que ele diz, ele não está inocente. Sócrates interpretou sempre o seu processo como sendo uma perseguição política desde o primeiro minuto. Teve uma ajuda preciosa na sua vitimização em alguns actos judiciais que objectivamente o discriminaram, e no efeito das fugas de informação que são orientadas contra ele e que não tiveram qualquer resposta capaz por parte do Ministério Público, o que gerou a suspeita de cumplicidade. A percepção de que estava a ser julgado na praça pública e de que
O que é tóxico em Sócrates é que a sua postura pública representa objectivamente a indiferença nos partidos face a condutas reprováveis no sistema político português.
isso se fazia para esconder as fragilidades da acusação ainda mais o vitimizaram e ajudaram a passar uma tese de perseguição política que tem hoje mais adeptos do que tinha no início. Tudo isto é verdade, mas não pode ocultar que há um enorme conjunto de factos que não são controversos, e que ele mesmo admite que são verdadeiros, que o acusam do ponto de vista do comportamento cívico que é exigível para quem pretende ter uma vida política sem limitações, que levantam legítimas suspeitas de práticas inaceitáveis num antigo primeiro-ministro, de infracções fiscais e, se se vier a provar em tribunal, de crimes. E as “respostas” que ele dá não só não convencem ninguém, o que em si poderia não pôr em causa a sua veracidade, mas são completamente implausíveis e não são, na maioria dos casos, sequer respostas. O que é que José Sócrates espera? Que as pessoas fiquem esmagadas pela sua “determinação” e auto-convencimento e se tornem subitamente estúpidas e aceitem argumentos que parecem os de um adolescente a mentir? A única conclusão a tirar é que ele nos insulta e acha que devemos ficar contentes pelo insulto. Nem vale a pena perder tempo para refutar a implausibilidade de alguém que vive por conta de um “amigo de infância”, que é um “grande empresário”, e que em tempo de vacas magras para todos, a começar pela maioria das empresas, tem dinheiro a rodos para “emprestar” ao amigo sem sequer anotar o valor total, como quem recebe não sabe quanto lhe é emprestado, que, vivendo de di-
nheiro emprestado pela banca e pelo amigo, vive uma vida faustosa — e pode-se dizer que o conceito de “faustoso” é dúbio num país pobre, mas neste caso é tudo menos dúbio — e não se percebe como lhes vai pagar, que tem uns empregos de lobbyista internacional e de consultadoria, que infelizmente não são únicos no nosso sistema político, mas nem por isso deixam de ser tributários da influência e dos conhecimentos. Eu não sei se Sócrates é corrupto ou não e, seja qual for a minha convicção, ela em si não vale nada, e o tribunal o dirá, mas sei que em toda a sua vida política, como já o escrevi há muitos anos, sempre que se tropeça numa pedra, sai de lá José Sócrates. Foi assim com a licenciatura, com as marquises feitas sempre na terra do lado, com múltiplas decisões como ministro do Ambiente e depois primeiro-ministro, com a tentativa bem real de controlar a comunicação social usando os meios e a influência do Governo, com mil e uma coisas não explicadas e ou suportadas em mentiras. Basta-me isso para considerar Sócrates, e os seus imitadores nos outros partidos, a começar pelo meu, um exemplo pernicioso de como é possível fazer carreira política assim, e de como os partidos, como o PS, o PSD e o CDS, são muito mais sensíveis às críticas e dissidências interiores do que às práticas péssimas e à corrupção dos seus membros, agravadas pelas circunstâncias de as fazerem assentes no poder político que obtiveram por via partidária. É isso que é tóxico em Sócrates, e o PS deveria estar a milhas do que já se sabe e é incontroverso, que viola, se se quiser utilizar o jargão, todos os aspectos da chamada “ética republicana”, que é suposto ser mais do que a lei. Ora, no PS não só permanece uma legião de aduladores de Sócrates, como se permitem manifestar essa adulação publicamente, mesmo quando ela é incómoda para a direcção e para muitos membros do partido em geral. Como no PSD, vários responsáveis pelo BPN, por infracções fiscais, por negócios obscuros, por profissões fictícias, por cursos de favor, por tráfico de influências têm cargos relevantes no partido, passeiam-se nos corredores do poder, e nunca ninguém pensa que isso pode ser muito mais grave do que fazer críticas políticas a uma direcção partidária. Esta complacência, que impregna os aparelhos partidários, é inaceitável. O que é tóxico em Sócrates é que a sua postura pública, e as cumplicidades que a suportam, representa objectivamente a indiferença nos partidos face a condutas reprováveis no sistema político português e explicam o crescente divórcio entre os portugueses e os partidos e a democracia, e isolam e estigmatizam a mais que necessária luta que é preciso ter contra a corrupção.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos; Thomas Lim Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 23
hoje macau domingo 20.12.2015
Leonor Pinhão
in CM
O
Benfica tem quase dois meses para gozar a sua presença nos oitavos de final da Liga dos Campeões e são dois meses de satisfação garantida por uma razoável proeza excepcionalmente bem paga. E depois? Depois logo se verá. Parajá,éumdescanso.Dois meses livres de inquietações internacionais. De facto, dois meses entre as melhores 16 equipas da Europa e dois meses de alocuções triviais em que não se cansarão de nos lembrar o patamar que foi alcançado, sobretudo se a nível interno as coisas não melhorarem significativamente, tal como muita gente teme que venha a acontecer. O que já se percebeu é que 2016 não vai ser o ano do regresso à estrada do ciclismo do Benfica. A única estrada a que o Benfica vai regressar é à da Liga dos Campeões nas suas curvas mais palpitantes e assustadoras. E já é um grande entretém até Fevereiro. Porfiando em não perder mais terreno para os rivais na luta pelo título nacional, assinando negócios que deixaram os mespub
Jim Sheridan, in the name of the father
Já passaram os ciclistas
míssimos rivais num mutismo tão incómodo como justificável, o Benfica viu esta semana Sporting e Porto disputar a posse de uma equipa de ciclismo que, aparentemente, garante a conquista da próxima edição da Volta a Portugal em bicicleta. Pelo Benfica, apeado e noutros afazeres, já passaram os ciclistas. Ganhou o Porto este curioso prólogo quase sem dar aos pedais, sendo que o Sporting, de tanto falar, acabou por não
somente prosseguir o caminho pelo seu pé, fazer os possíveis por não se espalhar mais no campeonato e, sem dar cavaco a ninguém, negociar o ‘naming’ do seu estádio com os executivos de uma grande empresa multinacional. E, de preferência, sem os avisar de que, qualquer que seja o ‘name’, nunca na vida o Estádio da Luz deixará de ser o Estádio da Luz.
Outras histórias
ter pulmão para chegar à meta. Quem haveria de dizer que Dezembro era o mês do ciclismo no futebol português? Sim, no futebol português. Estamos a três semanas do Sporting-Porto para a Liga e esta questão das bicicletas, estando à mão de semear, foi apenas o primeiro estouro que antecipa o confronto em agenda. Quanto ao Benfica, que até tem uma roda de bicicleta no seu emblema, terá muito a beneficiar em deixar-se de tais ciclismos. Cabe-lhe
O presidente do Marítimo goza da boa fama de não se acanhar em palavras quando os ‘grandes’ o irritam. Já tem acontecido. Agora foi por causa de uma caixa com bolas de berlim de pastelaria que recebeu das mãos do presidente do Sporting no papel de visitante de mãos-largas. Partindo do episódio da doçaria e, posteriormente, do resultado do jogo que sorriu ao Sporting, logo se seguiu entre presidente insular e presidente insuflado uma troca de galhardetes que, por estar fresca na memória de todos, não vale a pena repetir nem insistir em como acabou. A questão é que, finalmente, o presidente do Sporting encontrou um congénere que lhe deu alto troco em respostas directamente disparadas às suas provocações. E não só directas como igualmente insultuosas. Nunca os presidentes do Benfica e do Porto assim procederam em público. Optaram sempre por um silêncio falsamente consternado. Era, no fundo, o que se exigia também a Carlos Pereira em prol do urgente progresso da modalidade.
hoje macau domingo 20.12.2015
Presidente do Fosun foi visto em Nova Iorque
O
grupo Fosun, que detém em Portugal a seguradora Fidelidade e a Espírito Santo Saúde, confirmou através da sua conta oficial no Wechat (o Whatsapp chinês) que o seu presidente, incontactável há vários dias, viajou para Nova Iorque. Guo Guangchang manteve-se na semana passada incontactável, após ter estado “a cooperar com as autoridades chinesas numa investigação judicial”, segundo um comunicado emitido pelo Fosun. Guo foi, alegadamente, detido à chegada a Xangai num voo proveniente de Hong Kong, de acordo com a agência oficial Xinhua, que não confirmou se o empresário está a ser investigado ou a prestar assistência numa investigação. Na segunda-feira, participou da reunião anual da empresa, mas posteriormente não voltou a ser visto em público. O grupo chinês diz agora que Guo viajou para os Estados Unidos a propósito de um projecto no sector imobiliário e que na segunda-feira assistirá no Canadá a um espectáculo do Cirque du Soleil, onde o Fosun detém uma participação de 20 por cento. O comunicado da empresa surge após a revista financeira chinesa Caijing ter avançado que Guo tinha sido visto a jantar em Manhattan, reproduzindo uma fotografia que circula nas redes sociais chinesas. “Hoje fui até ao centro jantar fora e cruzei-me com a conhecida figura Guo Guangchang”, lê-se na legenda da fotografia, escrita em chinês e publicada originalmente por um internauta na rede social Facebook. A fotografia foi, aparentemente, tirada sem que o dono do Fosun se apercebesse. No último ano, segundo os dados compilados pela agência Bloomberg até Julho, o gigante empresarial, dono do Club Mediterranée, anunciou 10 aquisições num total de 6,4 mil milhões de dólares. Até ao momento, o Fosun não detalhou o motivo pelo qual o multimilionário chinês está a cooperar com as autoridades.
Donald Tsang, antigo líder de Hong Kong, declara-se não culpado de corrupção
O charme indiscreto da burguesia O antigo líder do Governo de Hong Kong Donald Tsang declarou-se ontem não culpado de duas acusações por má conduta no exercício de cargo público, num tribunal na antiga colónia britânica. Tsang, de 71 anos, ocupou o cargo de chefe do executivo da região chinesa com administração especial durante sete anos (2005-2012) e é o mais elevado detentor de cargo público em Hong Kong a enfrentar um julgamento por corrupção. O seu mandato terminou em Junho de 2012, após admitir ter recebido presentes de magnatas sob a forma de viagens em iates de luxo e ‘jets’ privados, apesar de ter insistido em que não havia qualquer conflito de interesses. Donald Tsang foi investigado pela Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC, na sigla inglesa) desde que cessou funções como chefe do Executivo e em outubro deste ano foi acusado de “má conduta” durante o período em que ocupou o cargo. As acusações contra Tsang relacionam-se com o facto de não ter apresentado uma declaração de conflito de interesses ao Conselho Executivo, por não ter divulgado os seus planos de arrendar um apartamento de luxo na cidade vizinha de Shenzhen, detido por um grande investidor de uma estação de televisão que procurava obter uma licença por parte do Governo de Hong Kong, de acordo com a informação do ICAC. Tsang também não declarou que o arquiteto que propôs para um prémio atribuído pelo Governo trabalhava como ‘designer’ de interiores no referido apartamento. Depois de Donald Tsang se ter declarado não culpado de ambas as acusações, o juiz Jason Wan transferiu o caso para o Supremo Tribunal. Aguarda-se agora a marcação de data para o julgamento. As alegações surgem menos de um ano depois de o magnata do imobiliário Thomas Kwok e o ex-secretário da Administração de Hong Kong Rafael Hui terem sido detidos por corrupção, após Hui ser considerado culpado de aceitar subornos de Kwok e do seu irmão Raymond.
Sete associações manifestam-se hoje em Macau
S
ete associações manifestam-se hoje em Macau, quando se assinala o 16.º aniversário da passagem da administração do território de Portugal para a China, para reivindicar o sufrágio universal ou melhor acesso à habitação. As associações Novo Macau, Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau, Força de Operários e do Povo de Macau, Força do Povo de Macau, Federação de Operários de Macau, Jardim Triangular e Reunião Familiar de Macau são as entidades que convocaram protestos, segundo uma informação divulgada pela Polícia de Segurança Pública do território. A Novo Macau, a maior associação pró-democracia do território, convoca todos os anos uma manifestação para o dia 20 de Dezembro, tendo a deste ano como tema o
combate à “corrupção entre o Governo e os empresários” através da implementação do sufrágio universal. Outras associações anunciaram também protestos para domingo relacionados com o acesso à habitação, reivindicando, entre outras coisas, a construção de mais casas económicas (construção pública de habitação para compra). Já aAssociação Reunião Familiar de Macau é composta maioritariamente por idosos que há anos pretendem que os filhos, muitos deles já adultos, sejam autorizados a fixar-se em Macau. As manifestações vão decorrer durante a tarde e, após percorrerem algumas ruas de Macau, terminam em frente da sede do Governo da região, onde os organizadores deverão entregar petições.
Enquanto ocupou o cargo de secretário da Administração, Hui foi número dois de Tsang, de 2005 a 2007. Foi preso em dezembro e cumpre uma pena de sete anos e meio, por um total de cinco crimes de corrupção. A acusação disse que Hui tinha uma vida extravagante que ultrapassava largamente a capacidade do seu salário. Durante o julgamento, Tsang escreveu uma carta ao tribunal pedindo clemência pub
para Hui. “Sir” Donald Tsang, cuja saída chegou a ser reivindicada a 15 dias do final do mandato de sete anos, na sequência dos escândalos de alegados favores a amigos empresários e acusações de despesismo em viagens oficiais, abandonou o cargo com a mais baixa taxa de aprovação na hora da saída desde a transferência do exercício de soberania no território, em 1997. Foi o escolhido por Pequim para substituir, a meio do mandato, Tung Chee-hwa, que, depois de uma sucessão de fracassos políticos e protestos, se demitiu em julho de 2005 alegando problemas de saúde. Em 2007, Donald Tsang acabou por ser reconduzido para um segundo mandato, derrotando o candidato do campo democrata, Alan Leong. Com carreira feita na Administração Pública da antiga colónia britânica, ocupou o cargo de secretário das Finanças em 1995 e foi a partir de aí que começou a granjear admiradores com a recuperação da economia local e a baixa taxa de desemprego da Região Administrativa Especial. Donald Tsang honrou compromissos de relevo como a implementação de um salário mínimo, o aumento da escolaridade gratuita para 12 anos e a aprovação de um pacote de reformas políticas, mas a “década de ouro” que prometeu acabou por não dar sinais.