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SÁBADO 20 DE DEZEMBRO DE 2014 • ANO XIV • Nº 3239
GCS
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
hojemacau
ESPECIAL 16 PÁGINAS
RAEM
15 anos ANÁLISE
Macau é nosso ENTREVISTAS
Jorge Rangel Jorge Silveira IMAGENS
Trinta anos de Wong Sang REPORTAGEM
Lojas e portugueses INQUÉRITO
Nascidos a 20 de Dezembro IDEIAS
Filosofia da arroba
GAES admite avaliação das universidades em função do patriotismo PÁGINA 8
Precisamos de pensar os riscos
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PÁGINAS 2-3
Sem especificar economia ou política, o presidente explicou que, se abandonada e descuidada, nem a prata brilha para sempre.
Activistas de HK, Novo Macau, Rocha Vieira, Pereira Coutinho, Florinda Chan, Francis Tam e 007 no Estoril, entre outros protagonistas nesta edição muito especial PUB
‘‘
E ainda:
PRESIDENTE XI JINPING
AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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RAEM
15 AN S
1999-2014 XI JINPING CHEGA A MACAU PARA “COMEMORAR COM COMPATRIOTAS” 15 ANOS DA RAEM
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
UMA ALEGRIA CHAMADA
GCS
GCS
O
presidente da República Popular da China (RPC) chegou ontem ao aeroporto de Macau num avião da Air China, perto das 12h20, numa manhã que se apresentou chuvosa e fria. Nem isso impediu alguns dos altos dirigentes do território de se colocarem em fila, aguardando o cumprimento de Xi Jinping e da sua mulher, Peng Liyuan. Presentes estiveram o Chefe do Executivo do território, Fernando Chui Sai On, e os Secretários, que hoje cedem os seus postos aos novos indigitados. No seu discurso de chegada, Xi Jinping afirmou estar “feliz” por estar no território e mostrou-se disponível para fazer um balanço sobre os 15 anos da transferência de soberania de Macau para a China. “Estou disponível para, em conjunto, fazer uma retrospectiva sobre o retorno de Macau à pátria”, afirmou à chegada ao aeroporto. “Queria aproveitar esta ocasião para cumprimentar toda a população. Amanhã é o 15º aniversário do estabelecimento da RAEM e esta minha vinda serve para comemorar com os compatriotas esse momento histórico e manifestar a alegria do Governo Central e do povo chinês”, referiu ainda. Xi Jinping mostrou-se confiante no princípio ‘um país, dois sistemas’ e na Lei Básica, prevendo que Macau se torne numa cidade “cada vez mais próspera”. À chegada, o presidente foi acolhido por cerca de 300 crianças, algumas da Escola Hou Kong, e entre as quais estava uma rapariga vestida de minhota. Enquanto o colectivo de crianças cantava e acenava pequenas bandeiras da RAEM e da China, a banda das Forças de Segurança tocava para Xi Jinping. No local estavam mais de 50 jornalistas que receberam o Chefe de Estado. Um relatório anunciado ontem avançava mesmo que Xi Jinping foi considerado como “o líder mais popular do mundo”. Esta é a segunda vez que Xi visita o território, a primeira na qualidade de presidente, já que há cinco anos o dirigente era ainda vice-presidente da RPC.
hoje macau sábado 20.12.2014
MACAU TEM DE SE MANTER NA MESMA DIRECÇÃO QUE A CHINA
“Ópera em cima de uma mesa” FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
JOANA FREITAS
joana.freita@hojemacau.com.mo
O
presidente Xi Jinping foi ontem à tarde visitar o complexo habitacional de Seac Pai Van, onde chegou inclusive a encontrar-se com duas famílias. Contudo, enquanto alguns residentes da habitação pública se sentavam com o Chefe de Estado, outros ficavam cá fora, ao frio, por não lhes ter sido permitida a entrada nas suas próprias casas. Durante as três horas da visita do presidente ao complexo, onde Xi Jinping se deslocou para observar o
plano e a construção deste, os moradores do Edifício Lok Kuan foram impedidos de entrar em casa, desde as duas às cinco da tarde. Segundo o que alguns residentes presentes no local disseram ao HM e também de acordo com a publicação All About Macau, os moradores ficaram de fora do portão, ao que parece por uma questão de “segurança”. Um dos moradores referiu mesmo que queria ter expressado “o seu descontentamento” e a “situação desfavorável” em que o líder do país deixou “as pessoas de Macau”, mas não teve oportunidade.
O VERDE E A HARMONIA
No local, Xi Jinping e a delegação que o acompanha - com-
posta pelo director do Gabinete Geral do Comité Central do Partido Comunista da China Li Zhangshu, pelo director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado Wang Guangya e pelo director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Li Gang -, juntaram-se ao Chefe do Executivo, Chui Sai On, e agora ex-Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, para perceber os planos do Executivo para o local. De acordo com um comunicado do Governo, o presidente terá sugerido que seria “adequado aumentar as zonas
JANTAR COM PRATOS PORTUGUESES O jantar de boas vindas em Macau do Presidente chinês incluiu vários pratos e vinhos portugueses. Na recepção, foram servidos a Xi Jinping vinhos portugueses, tinto e branco, e o jantar, de sete pratos,
incluiu pratos típico de Portugal ou de inspiração portuguesa, como pezinhos de porco marinados, carne de vaca assada com pimenta e molho de Sésamo ou filetes de garoupa.
O jantar de gala e sarau cultural contou com 300 convidados, sob regras de segurança apertadas, não tendo sido permitida a entrada com isqueiros, materiais inflamáveis, ou mesmo tabaco.
verdes e instalações de amigas do ambiente”. Xi Jinping visitou ainda duas famílias residentes no complexo, quem, mais tarde, considerou serem “comuns”, mas “alegres e harmoniosas” e fez notar que são famílias onde “os adultos trabalham com esforço e as crianças estudam diligentemente”. O pai de família, o senhor Wong, é trabalhador na construção civil e a sua mulher empregada de escritório, sendo que estes têm três filhas ainda a estudar. A segunda família era composta pelo senhor Leong - trabalhador a tempo parcial no sector logístico -, a esposa, doméstica, e um filho, estudante do ensino secundário. “O presidente quis conhecer o ambiente residencial, instalações de apoio, o dia-a-dia destas famílias, [tendo] abordado assuntos como o trabalho, como se deslocam para os empregos e escola, como ainda matéria relacionada com a vida escolar”, frisa o comunicado. Antes de abandonar o local, Xi jinping ofereceu um vaso e um serviço de jantar em porcelana a cada uma das duas famílias como lembrança da sua visita.
raem 15 anos 3
hoje macau sábado 20.12.2014
Xi Jinping pede apoio ao novo Governo
PROSPERIDADE
N
O primeiro dia da visita oficial de Xi Jinping à RAEM, os primeiros recados em prol da harmonia política começaram a surgir. Num discurso proferido à margem de um encontro com figuras do meio político, social e económico de Macau, o presidente chinês foi claro: “todos devem apoiar o Chefe do Executivo, Chui Sai On”. Xi Jinping, que está em Macau para uma visita de dois dias e para a tomada de posse do IV Governo da RAEM, disse esperar que as personalidades dos diferentes sectores de Macau e os cidadãos “possam dar mais apoio ao Governo”, como apontou ontem. Sobre a nova equipa de Secretários, Xi Jinping frisou que “os novos responsáveis [do Executivo] precisam de algum tempo para se adaptarem ao novo posto”. Xi Jinping pediu ainda que o espírito de solidariedade e de união permaneçam na sociedade e continuem entre gerações. Estas declarações foram ontem proferidas perante uma plateia repleta de deputados, antigos e novos Secretários e
membros do Conselho Executivo, numa cerimónia onde não foram também esquecidos representantes de Macau em Pequim e personalidades como Ambrose So, director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau, e Pansy Ho, da MGM. O presidente da RPC falou ainda dos cuidados que o Governo local deve ter em relação aos riscos do futuro, sem especificar se se referia aos de ordem económica, ligados ao sector do Jogo, ou de ordem política. “Precisamos de pensar os riscos e alertar a população para os riscos do futuro e fazer bem os trabalhos em relação a Macau”, disse. Xi Jinping frisou ainda que é preciso que se perceba que existem esses riscos. “Precisamos de ter consciência dos riscos no futuro e precisamos de fazer uma preparação para enfrentar os novos desafios”. Por se tratarem dos 15 anos da RAEM, o presidente chinês lembrou que tem de haver “determinação para resolver as questões mais profundas e as dificuldades” para que se obtenham maiores resultados, concluiu. - A.S.S.
PANDAS MÉNAGE À TROIS Xi Jinping anunciou ontem que Pequim vai enviar não um, mas dois pandas para a RAEM. Depois da morte de Sam Sam, a panda fêmea que morreu este ano devido a um problema renal, o presidente chinês decidiu que Macau vai contar com mais um casal dos queridos ursos. Sam Sam foi oferecida por Pequim por ocasião do 10º aniversário da RAEM, acompanhada por Hoi Hoi, o panda que ainda se encontra no parque de Seac Pai Van. Será que vamos presenciar a uma ménage à trois?
PRESIDENTE EM SEAC PAI VAN. BARRADA ENTRADA A MORADORES
do retorno de Macau provam que, desde que andemos num caminho correcto, com boas políticas e práticas flexíveis, e desde que pensemos na mesma direcção, podemos mesmo realizar uma ópera em cima de uma mesa”, frisou o líder da China. Durante aquele que foi o primeiro dia de uma visita de dois do Chefe de Estado à região, Xi deixa a mensagem de que Macau deverá colaborar com o continente, de modo a que o desenvolvimento da região possa ser efectuado de forma sustentável. No mesmo discurso, o líder ALL ABOUT MACAU
I Jinping congratulou ontem o facto do território ter regressado à pátria, “depois de conhecer tanto vento e chuva”, mas também deixou no ar a ideia de que há espaço para a melhoria da qualidade de vida da população e de que a RAEM tem de colaborar com a mãe pátria. Num discurso proferido no jantar de celebração do 15º aniversário da RAEM, que contou com centenas de convidados, incluindo o até hoje Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno e outras altas figuras do Governo local, o presidente chinês frisou que há espaço para modernizar e desenvolver o território. Xi Jinping citou um antigo provérbio de Macau que dita que “não há espaço suficiente para realizar uma ópera em cima duma mesa”, rematando que é possível alterar esta noção, se a RAEM e a China caminharem na mesma direcção. “As práticas dos 15 anos depois
mostrou confiar no Governo local e na “liderança” de Chui Sai On. Até porque, aponta, têm-se registado progressos. “Ao longo dos 15 anos, têm-se registado progressos consideráveis e grandes sucessos no desenvolvimento económico e social em Macau, aparecendo, à beira do Mar do Sul da Pátria, um Macau cheio de vitalidades, estável e harmonioso, com uma fisionomia totalmente nova, razão pela qual sentimos satisfação e orgulho sincero.” O Chefe do Executivo, Chui Sai On, também discursou no mesmo evento, agradecendo a Xi Jinping a sua presença em Macau nesta data que se considera das mais especiais da história da RAEM. O dirigente elogiou ainda a “visão estratégica e majestosa” do ex-presidente chinês, Deng Xiaoping, aquando da criação da política “um país, dois sistemas”. Além disso, Chui Sai On disse ainda que o Governo vai enfrentar o futuro “com sentido de responsabilidade e espírito pioneiro e de bravura”. - L.S.M.
VISITA NO FEMININO GCS
Uns com Xi, outros com frio X
• Como é habitual nas visitas oficias de Chefes de Estado, a esposa de Xi Jinping, Peng Liyuan, deslocou-se à Creche da Associação Geral das Mulheres para falar com os profissionais e as crianças.
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POLÍTICA
hoje macau sábado 20.12.2014
CARTA DE MENINO DE NOVE ANOS BANIDA DA NET
Vinham cá para entregar uma carta a Xi Jinping e cobrir a visita do presidente, mas os Serviços de Migração impediram-lhes a entrada no território. Um grupo de 18 pessoas teve de regressar a Hong Kong, por ser considerado perigoso para a ordem pública CECÍLIA LIN
cecília.lin@hojemacau.com.mo
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
A
CTIVISTAS e jornalistas da região vizinha de Hong Kong foram impedidos de entrar em Macau, quando chegaram ao Terminal Marítimo do Porto Exterior esta manhã, bem como duas outras pessoas (ver caixa). A ideia do grupo, onde se inseria o deputado e líder da
ACTIVISTAS E JORNALISTAS DE HONG KONG IMPEDIDOS DE ENTRAR EM MACAU
Os suspeitos do costume Liga dos Sociais-Democratas Leung Kwok-hung – conhecido como ‘Long Hair’ –, era entregar uma carta ao presidente Xi Jinping pedindo sufrágio universal. De acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post, 14 activistas chegaram a Macau ao meio-dia, juntamente com quatro jornalistas e todos foram barrados à entrada do território, tendo sido repatriados. Um documento a que o HM teve acesso (ver foto), entregue a um dos activistas, dizia que o impedimento se devia à existência de “fortes referências em como pretendia entrar na RAEM para a prática de actos que, pela sua natureza, podiam pôr em risco a segurança ou a ordem pública da RAEM”. Emitido pelos Serviços de Migração, o documento evoca a Lei de Bases da Segurança Interna e o artigo que indica que é possível o “impedimento de entrada ou expulsão de não residentes que, nos termos da lei, sejam considerados inadmissíveis ou constituam ameaça para a estabilidade da segurança interna” ou ainda que “sejam referenciados como suspeitos de conotações ao crime transnacional, incluindo o terrorismo internacional”.
O HM sabe que o activista em causa esteve preso por 24 horas em Novembro, por ter estado em Mong Kok, onde fez parte do movimento ‘Occupy Central’. Os outros activistas receberam também o mesmo documento, sendo que, segundo o diário da RAEHK, alguns deles se recusaram a assinar o papel dos Serviços de Migração. Já relativamente aos quatro jornalistas – todos
da publicação ‘Apple Daily’ – também eles foram impedidos de entrar pela mesma razão, apesar de terem assegurado ao South China que vinham apenas para cobrir a visita de Xi Jinping em Macau.
SÍMBOLO PARA UNS, ARMA PARA OUTROS
O grupo liderado por ‘Long Hair’ resolveu abrir guarda-chuvas amarelos no terminal
BEBÉ DE UM ANO IMPEDIDO DE ENTRAR Um bebé de Hong Kong com um ano de idade foi também impedido de entrar no território pela mesma razão que o grupo de 18 pessoas: por representar perigo para a RAEM. De acordo com o jornal Apple Daily, o mesmo aconteceu com um outro residente de Hong Kong, de apelido Wong, e a razão deve-se ao facto de estes dois cidadãos terem um nome igual a pessoas que restão na lista negra. Em ‘pinyin’, os nomes são semelhantes, pelo que ambos foram automaticamente impedidos de entrar. O pai do bebé teve de assinar o documento de impedimento de entrada.
marítimo de Macau, como forma de protesto. Este, recorde-se, é o símbolo que representa os protestos pró-democratas em Hong Kong. O pequeno protesto no terminal marítimo, avança ainda o SCMP, foi “monitorizado e filmado de perto por autoridades de Macau” e os activistas foram rapidamente retirados do local. “É uma pena que não tenhamos conseguido demonstrar as nossas opiniões a Xi Jinping em Macau”, disse Leong Kwok-hung ao jornal da região vizinha, acrescentando que não foi possível às pessoas presentes nas cerimónias com o presidente chinês utilizarem guarda-chuvas. “Nunca vi uma decisão tão barbárica. É muito engraçado.” No aeroporto não foi realmente possível utilizar guarda-chuvas ainda que estivesse realmente a chover, mas de acordo com a informação prestada aos jornalistas deveu-se a uma questão de segurança em nada relacionada com os protestos de Hong Kong, tanto que até Xi Jinping saiu do avião à chuva. Aos presentes foram distribuídas capas impermeáveis, tal como aconteceu em anos anteriores.
Uma notícia na imprensa de Hong Kong dá conta de uma censura caricata a uma criança de nove anos, residente na província de Henan. Um menino terá escrito uma carta a Xi Jinping, onde aconselha o presidente – ou ‘Dada’, como se referem carinhosamente – a perder um pouco de peso. A carta foi escrita numa escola e versava principalmente sobre a indústria espacial, sendo que a criança dizia mesmo que a China deveria antecipar-se à Rússia e aos EUA a planear uma visita a Marte. Depois mudava o assunto, para uma matéria mais “ligeira”, como dizia o menino, onde era então sugerido “Xi ‘Dada’ podia perder algum peso. Não precisa de ser tão elegante como o [presidente Barack] Obama. Não faz mal parecer-se com o [presidente rursso] Vladimir Putin”. A carta até não foi enviada, mas o pai do menino achou-a engraçada e publicou uma foto com o documento na aplicação WeChat. A carta foi sendo partilhada nas redes sociais chinesas até que um jornal pegou nela e fez uma notícia. Foi aí, então, que foi censurada pelas autoridades chinesas e banida dos jornais online e impressos, incluindo da agência Xinhua.
SCMP SEM REFERÊNCIA A VISITA O jornal South China Morning Post não faz qualquer referência à visita de Xi Jinping a Macau na sua versão em papel de ontem, abrindo as notícias com um artigo sobre Vladimir Putin. Já na versão online, a informação sobre a visita é dada, mas apenas no artigo referente ao impedimento da entrada dos jornalistas e activistas no território.
política 5
hoje macau sábado 20.12.2014
NOVO MACAU ACTIVISTAS MARCHARAM ONTEM E MANIFESTAM-SE HOJE
FLORA FONG*
flora.fong@hojemacau.com.mo
Não há Penha para ninguém
A
manifestação da Associação Novo Macau (ANM) marcada para hoje não vai mesmo poder ir até ao Jardim da Penha, como os activistas do grupo já esperavam. De acordo com o que disse Sou Ka Hou, presidente da ANM, ao HM a Praça daAmizade vai ser o local de encontro. A manifestação está marcada para as três horas, sendo que começa com uma reunião uma hora antes na Praça do Tap Seac, de onde sairá o grupo. O encontro não contará apenas com a ANM, mas também com o grupo Juventude Dinâmica de Macau, mas Jason Chao, activista e membro da ANM, não tem uma estimativa sobre o número de pessoas que poderá participar nos protestos. Protestos que não vão, então, poder subir ao Jardim da Penha, onde ficam as casas dos membros do Governo, como planeado pela Associação. “O presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) sugere que é melhor irmos para a Praça da Amizade para o encontro”, explicou Sou Ka Hou ao HM. Já na quinta-feira, a ANM tinha recebido uma carta do IACM a confirmar que o habitual protesto de 20 de Dezembro não poderia terminar no Jardim da Penha. Jason Chao disse, na altura, aos jornalistas que
Ontem tentaram ir ao Jardim da Penha e foram barrados e hoje não vão também poder lá subir. Os activistas que protestam hoje pela Novo Macau e Juventude Dinâmica asseguram que apenas queriam perceber se havia realmente as obras que supostamente os impediram de se reunirem no local e dizem que o IACM permitiu o encontro na Praça da Amizade
“tecnicamente” a missiva era “ilegal” já que, segundo a lei, o IACM deveria ter respondido cinco dias após o pedido entregue pela
ANM a 28 de Novembro. O IACM rejeitou a demonstração no Jardim da Penha por estarem a ser realizados trabalhos de manutenção no
local. Jason Chao assegurava não ter dúvidas de que este processo se deve ao facto de Xi Jinping, presidente da China, estar de visita a
Macau. “Quem mais é o responsável? É irónico que, quando se celebram 15 anos da RAEM e do princípio ‘Um país, dois sistemas’,
TRANSFERÊNCIA ROCHA VIEIRA FALA EM PROCESSO “CONSISTENTE E ADEQUADO”
último governador português de Macau, Vasco Rocha Vieira, faz um balanço positivo do processo de transição do território para Administração chinesa, considerando-o “consistente e adequado”. Comentando os 15 anos da RAEM, Rocha Vieira elogia, num testemunho por escrito, o “programa delineado” para a transição de poder. “Foi consistente e adequado e permitiu criar uma base de infra-estruturas e de instituições que permitisse a Macau aproveitar as oportunidades excepcionais [do] desenvolvimento da China e da evolução da área em que Macau se localiza”. O objectivo do processo de transição, recorda Rocha Vieira,
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Crescimento mais que interessante O era “assegurar as condições para que Macau pudesse ter especializações sectoriais que criassem valor para a sua população”.
O JOGO A TER EM CONTA
Quinze anos depois da transferência da Administração, que se comemoram hoje, “a evolução de Macau é muito mais interessante do que se podia pensar quando se davam os primeiros passos nesta trajectória”, sublinha, minimizando os receios quanto à excessiva dependência relativamente ao Jogo e às suas receitas fiscais. “Não penso que a especialização sectorial no Turismo e no Jogo tenha de ser vista como uma vulnerabilidade ou algo que deve ser rejeitado”, refere Rocha Vieira,
salientando que também “há um grande conjunto de actividades económicas e de serviços culturais que só existem justamente porque o Jogo cria uma escala de mercado que não poderia existir sem este estímulo”. “Será sempre útil procurar a diversificação sectorial, mas não é realista conceber programas estratégicos que não tenham em conta o que é o motor principal que alimenta a economia de Macau e o orçamento do Governo”, conclui o último governador português.
DEPENDENTES DA MÃE PÁTRIA
Comentando sobre os movimentos pró-democracia em Hong Kong, Rocha Vieira salienta que o princípio ‘um país, dois sistemas’
haja apenas um sistema”, defendeu, esta semana.
CAMINHO ANTECIPADO
Ontem, cinco membros das duas associações que vão, então, sair à rua hoje – e onde se incluíam Sou Ka Hou e Jason Chao – percorreram o caminho até ao Jardim da Penha com guarda-chuvas amarelos. Ou, pelo menos, tentaram, porque agentes policiais não lhes permitiram subir até ao local. Ao HM, Sou Ka Hou explicou que a ideia era perceber “quais obras” é que o IACM diz estarem a acontecer neste momento no Jardim da Penha. Os activistas passaram pelo jardim em frente à Assembleia Legislativa, que se encontra vedado, pelo exterior da sede do Governo e iam subir à Penha, quando, na Calçada da Praia, foram impedidos de subir mais. Segundo Sou Ka Hou, agentes da polícia seguiram-nos o caminho todo. Ainda assim, os jovens tentaram chegar ao jardim por outro caminho, perto da Barra, mas não conseguiram porque a polícia fechou temporariamente o local com uma fita. Sou assegura que, no jardim, não havia quaisquer obras nem placas a anunciar trabalhos. Os activistas acabaram por desistir, tendo entregue a um porta-voz da polícia a carta que pretendiam entregar a Xi Jinping, apelando ao sufrágio universal. - *com
Joana Freitas
não podem colocar em causa a coesão do todo. “Será útil recordar que os ‘dois sistemas’ estão subordinados à condição de ‘um país’, porque há um princípio geral de soberania da República Popular da China sobre todo o seu território”, incluindo Hong Kong e Macau que têm “a sua autonomia na organização das instituições e na administração política, em obediência aos textos, também eles específicos, das respectivas Leis Básicas”, diz. “[São] as regras do jogo: nem Hong Kong, nem Macau, são, ou alguma vez pretenderam ser, Estados independentes. São Regiões Administrativas Especiais, com larga margem de autonomia, mas integradas numa comunidade nacional, em relação à qual têm obrigação de lealdade e a necessidade de assegurar uma relação de harmonia, de gestão adequada dos equilíbrios”. - HM/Lusa
6 política
hoje macau sábado 20.12.2014
OBRAS PÚBLICAS PEREIRA COUTINHO QUER CONTRATOS ABERTOS AO PÚBLICO NA INTERNET
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Em nome da transparência
Saúde Kwan Tsui Hang questiona mecanismo de doação de órgãos
A
deputada Kwan Tsui Hang considera que a tecnologia de doação de órgãos tem-se desenvolvido rapidamente nos últimos anos, bem como a quantidade de doentes a precisar de transplante. No entanto, aponta Kwan, embora existam residentes com disposição e vontade para doar órgãos depois de mortos, Macau não tem nenhum mecanismo de tratamento específico. Os doentes locais, que tenham uma urgência vital de um órgão para poderem continuar a viver, são obrigados a deslocar-se a Hong Kong e aí esperar pela doação de órgãos. Assim entende a deputa-
da, o eventual desejo de dispor dos seus órgãos após a morte não pode ser realizado. Kwan Tsui Hang recordou ainda que, num passado recente, os Serviços de Saúde (SS) responderam a uma interpelação
escrita referindo que como existe dificuldade tecnológica em definir a morte encefálica, o território não consegue criar um mecanismo de doação de órgãos. Numa nova interpelação, a deputada apontou que em Outubro deste ano foram escolhidos os membros da Comissão de Ética para as Ciências da Vida, que tem responsabilidade sobre os critérios e as regras em relação à morte encefálica. Por isso, a deputada acha que a comissão pode ajudar a remover os obstáculos de criação de sistema de doação de órgãos. A deputada pergunta quando
é que as autoridades competentes pretendem iniciar os trabalhos de legislação sobre os critérios da tecnologia e as regras sobre a morte encefálica. Kwan mostrou-se ainda preocupada porque, se SS estimulassem ou avaliassem a situação, para entender a necessidade de doação de órgãos, os residentes poderiam ter vontade de doar e, depois de mortos, poderem contribuir para salvar a vida de outros. Kwan questiona ainda quando é que o Governo vai elaborar um regime de registo de doação de órgãos, bem como implementar um calendário concreto para solucionar esta questão. - F.F.
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
J
OSÉ Pereira Coutinho quer que o Governo torne públicos os contratos com empresas privadas e de serviços no website do Executivo, de forma a que o público tenha noção das despesas e dos termos contratuais com obras públicas. O deputado pede isso numa interpelação escrita, onde diz que, ao fazer isso, a Administração estaria realmente a cumprir a promessa de ‘Governo transparente’. “Desde o estabelecimento da RAEM que os cidadãos têm vindo a denunciar a falta de transparência governativa na generalidade dos serviços públicos. (...) Por isso, constitui uma aspiração generalizada dos cidadãos a existência de um portal público na internet de livre acesso a uma base de dados da contratação pública, com todas as informações relevantes em relação aos adjudicatários/concessionários e respectivos contratos”, começa por apontar Pereira Coutinho, que pede que nestas informações sejam incluídos “os nomes das empresas e respectivos sócios, bem como o tipo de contrato e valores envolvidos”. Tudo, aponta, em prol da igualdade e da concorrência leal entre os competidores. José Pereira Coutinho pergunta directamente ao Governo se vai instituir um Portal de Contratos Públicos de livre acesso e “com todas as informações relevantes em relação aos valores envolvidos, deveres e prazos de validade” e se vai também incluir nele informações, estatísticas e legislação e regulamentos aplicáveis aos contratos públicos. “O portal de base de dados da contratação pública seria destinado a promover a transparência na contratação pública e acesso livre a dados dos contratos relativos aos diversos tipos de procedimentos aquisitivos realizados ao abrigo do Código Civil”, diz, considerando que o portal seria, “para todos”, um importante instrumento de responsabilidade da Administração Pública “que tem o poder de dispor do erário público”. Até porque, diz, “durante vários anos, tem-se vindo a insistir para a necessidade da revisão da legislação relativa à contratação pública”, nomeadamente no que diz respeito aos contratos de concessões de obras públicas e serviços públicos e ao regime das despesas com obras e aquisição de bens e serviços.
política 7
TIAGO ALCÂNTARA
hoje macau sábado 20.12.2014
Deputado denuncia ocupação de parques de estacionamento por sucatas
O
Florinda Chan traça um balanço positivo dos 15 anos à frente da tutela da Administração e Justiça, assegurando que tudo o que foi feito teve a ver com a melhoria das condições sociais numa altura em que muitos problemas se colocaram
A
Secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, disse que a sua tutela trabalhou pela “melhoria das condições sociais” durante os últimos 15 anos, período em que o desenvolvimento, contudo, colocou “novos problemas”. A Secretária escusou-se a responder sobre eventuais políticas que não foram bem-sucedidas ou cujos resultados ficaram aquém dos objectivos, mas destacou progressos. “Foram tantas e tão diversas as acções desenvolvidas
FLORINDA CHAN “MELHORIA DAS CONDIÇÕES SOCIAIS” FOI A META
Tudo por todos nós ao longo destes 15 anos que se torna impossível ser exaustivo, ou mesmo destacar as mais importantes, porque todas elas têm a ver com a melhoria das condições sociais”, afirmou Florinda Chan, em resposta escrita enviada à agência Lusa. No Governo da RAEM desde 20 de Dezembro de 1999, Florinda Chan defendeu que as acções da sua tutela tiveram por base a população e foram realizadas de acordo com o “respeito pelos princípios de uma Administração segundo a lei, de incorruptibilidade e de respeito pelo Estado de Direito e respectivas regras de conduta”. Uma tarefa que, diz, não foi fácil. “Esta tarefa não se revelou fácil, porquanto o desenvolvimento rápido das diferentes conjunturas sociais resultou em novos problemas e conflitos de novo tipo, aumentando as dificuldades em encontrar soluções”, apontou. No domínio da Administração Pública, a número dois do Governo elencou várias medidas para criar “um corpo de funcionários (...) com elevado nível de eficiência”. Para tal, destaca, tem sido “aperfeiçoado continuamente o regime de gestão dos funcionários, intro-
duzindo gradualmente um conjunto de medidas de reforma global dos regimes da Função Pública, designadamente nas vertentes de planeamento, de recrutamento, de gestão e de aposentação”, indicou. Florinda Chan destacou, entre outros, a entrada em vigor do Regime de Previdência dos Trabalhadores dos Serviços Públicos, em 2007, e as periódicas actualizações salariais.
DESENVOLVIMENTO ESTÁVEL
Florinda Chan destacou ainda a aposta na informatização dos serviços, para contribuir para a “elevação da qualidade” e aumentar a credibilidade pública do Governo. “Hoje, temos disponíveis para a população quiosques de atendimento nos postos fronteiriços, nos centros de saúde e nos centros de assistência social nas freguesias, num total de mais de 30 postos”, referiu. No domínio da Justiça, recordou que entre 20 de Dezembro de 1999 e 30 de Setembro deste ano, foram aprovados pela Assembleia Legislativa 208 diplomas, dos quais 193 apresentados pelo Governo, ou seja 93% do total. Florinda Chan também destacou que o Governo de
Macau elegeu como uma das principais linhas orientadoras a revisão das leis no âmbito dos processos e da simplificação dos procedimentos judiciais, indicando que continuam em fase de estudo os processos de revisão dos grandes códigos (Penal, Civil e Processo Civil). Na resposta à agência Lusa, Florinda Chan abordou ainda a reforma do sistema político implementada em 2012, na sequência da qual o número de deputados passou de 29 para 33 e o Colégio Eleitoral que escolhe o Chefe do Executivo foi alargado de 300 para 400 membros. Referindo o desenvolvimento do sistema político como “um assunto de grande importância para a população em geral”, Florinda Chan disse que “em paralelo, há que corresponder à situação real de Macau, no sentido de favorecer a estabilidade da estrutura política fundamental e o funcionamento eficaz de um sistema centrado na predominância administrativa, na ponderação dos interesses dos diversos sectores e na manutenção do desenvolvimento estável de Macau, a longo prazo”. - Lusa/HM
deputado Au Kam San considera que a Direcção dos Serviços para Assuntos de Tráfego (DSAT) não tem “dinamismo” no que diz respeito a tomar medidas eficazes para melhorar o problema do trânsito. Numa interpelação escrita, o deputado dá mesmo um exemplo concreto – o de lugares de estacionamento ocupados com veículos abandonados – para dizer que o organismo até parece estar “cego” ao não ver os problemas de tráfego. Au Kam San relembra que, no Auto-Silo de Pak Lai, que fica ao lado das Portas do Cerco, há veículos abandonados há já “bastante tempo”, que estão a ocupar lugares de estacionamento, sem que a DSAT nada faça. “O Auto-silo Pak Lai ao lado do Campo dos Operários tem sempre uma fila enorme no exterior à espera para entrar no parque. A principal causa é que um grande número de lugares está ocupado por veículos abandonados, que acredito de são restos de alguns que não sobreviveram a uma inundação no auto-silo há vários anos atrás”, diz. O HM esteve no local e confirma que há esses carros. Au Kam San pede que a DSAT acompanhe a situação e questiona porque é que, até ao memento, nunca tratou do problema oficialmente ou por acção judicial. O deputado quer o reboque dos veículos abandonados para que haja mais lugares para quem realmente necessita. - F.F.
Ho Chio Meng Macau tem leis desactualizadas
O procurador-geral do Ministério Público (MP), Ho Chio Meng, disse ontem à TDM que devem ser implementadas, “o mais rapidamente possível”, as disposições da Lei Básica que se referem à cooperação judicial entre Macau e o continente. O procurador da RAEM, que deixa o cargo hoje, diz ainda que Macau está a usar algumas leis que “já nem Portugal usa”, pelo que não conseguem responder ao desenvolvimento de Macau. Ho Chio Meng diz que há leis desactualizadas e que não há necessidade de aumentar as penalidades legais para “lidar com o caos social”. De outra forma, deve-se antes, aponta criar legislação mais “adaptada à RAEM” e “aumentar as penalidades aos casos que “envolvem crimes económicos, de droga e do trânsito”.
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SOCIEDADE
hoje macau sábado 20.12.2014
GAES ADMITE QUE SENTIDO DE PERTENÇA E AMOR À PÁTRIA CONTAM NA AVALIAÇÃO DAS UNIVERSIDADES
A China não é uma punk-rocker
Avaliar se o sentimento de pertença e conhecimento sobre a mãe pátria são ensinados nas universidades é algo positivo para o GAES, que diz que se deve ter em conta que os futuros funcionários públicos vão ser formados pelas instituições locais. O gabinete admite estar a redigir critérios para a avaliação das universidades de Macau com base nestes critérios, algo que para o académico Lou Shenghua é normal e nada difícil de cumprir JOANA FREITAS*
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) admitiu ontem ao HM que vai ter em conta o sentido de pertença, conhecimento e amor à pátria aquando da avaliação às instituições de ensino superior de Macau. Depois de, ontem, a agência Reuters ter avançado que o GAES estava a discutir linhas orientadoras para avaliar as universidades e outras instituições com base em critérios que incluem a adesão ao princípio “amar a China” e “amar Macau”, o gabinete diz ao HM que nada está ainda decidido, mas que essa hipótese está, sim, em cima da mesa. A agência noticiosa – a quem foi passada a informação por uma fonte que tem participado nas reuniões preparatórias sobre o assunto – dá conta que a avaliação ajudará inclusive nas deci-
sões sobre o financiamento a estas instituições de ensino superior. Questionado pelo HM, o organismo não avança com muitos detalhes, mas diz o suficiente para se perceber que a hipótese não é deixada de lado. Até porque, adianta, os licenciados vão fazer parte da Administração.
“O ensino superior de Macau tem a missão de formar os talentos da Administração de Macau, por isso, os graduados do ensino superior têm que ter responsabilidade social e conhecimento e consciência sobre a pátria, [bem como] sentimento de pertença”, começa por dizer o GAES
USJ LIMITA DISCUSSÕES POLÍTICAS Ainda de acordo com a Reuters, a Universidade de São José (USJ) pôs a circular internamente um documento intitulado “política da USJ sobre actividades políticas”, que exprime orientações que colocam limites às discussões sobre política. Ao que o HM apurou, o documento foi mesmo enviado o mês passado a professores e alunos, sendo que estes estão, de acordo com fonte conhecedora do processo, proibidos de o revelar. O reitor para os Assuntos Académicos e de Desenvolvimento disse também à Reuters que as orientações são apenas para uso interno e recusou-se a fornecer uma cópia do documento. Vincent Yang também não quis prestar detalhes sobre estas orientações que surgem depois de, em Junho, o professor Éric Sautedé ter sido afastado por fazer comentários políticos publicamente. Sobre o despedimento de Sautedé, recorde-se, Peter Stilwell, reitor da USJ, disse que o académico foi afastado por violar o princípio da Igreja de não intervenção no debate político. O HM foi informado que, em caso de dúvidas, poderia colocá-las à instituição católica mas, apesar da tentativa, estas não foram esclarecidas.
ao HM. “Na elaboração dos critérios que avaliam a capacidade [das universidades] irá ser considerado este relevante factor cultural e humanista.”
MELHORIAS OU RESTRIÇÕES?
A Reuters escreveu ontem um artigo onde indica que Macau está a sofrer cada vez mais pressões da China face a determinados casos, como o é o ensino. Casos como o do professor Eric Sautedé, despedido da Universidade de São José devido aos seus comentários políticos, ou de Bill Chou, cujo contrato não foi renovado por este – que é também um conhecido activista – ter alegadamente violado códigos de conduta por não ser neutro politicamente nas suas aulas podem ser exemplos disso mesmo. Este ano, reformas nos currículos do ensino secundário também incluíam a introdução de disciplinas de Formação Cívica, onde se inseriam temas como o amor à pátria. Neste caso,
os critérios de avaliação são também incluídos num reforma que está a ser levada a cabo pelo Governo, mas no que diz respeito ao ensino superior. “Para melhorar o sistema de ensino superior em Macau e promover a melhoria contínua da qualidade das universidades, o Governo está a rever o Regime do Ensino Superior e criará um regime de avaliação [para as instituições e] suas disciplinas. Como Macau ainda não tem este tipo de avaliação, pode recrutar organizações de fora para ser avaliada, consoante o seu objectivo de ensino e características. O GAES está, por isso, [a criar essas linhas] e já convidou o Hong Kong Council for Accreditation of Academic and Vocational Qualifications para a formulação de directrizes”, explica o gabinete em resposta ao HM.
FÁCIL DE CUMPRIR
Para Lou Shenghua, professor de Administração Públi-
ca do Instituto Politécnico de Macau e único que quis comentar o caso ontem, é “normal” que Macau queira aderir ao princípio de ‘amar a China, amar Macau’, mas, adianta, “é difícil criar linhas orientadoras para isso, porque o amor não pode ser escrito como uma regra ou cálculo”. Apesar de admitir que o amor à pátria não pode ser calculado, o académico defende que acredita que Pequim vai ter cada vez mais influência sobre este princípio. Algo que, diz, nem é demasiado exigente, porque “aqui em Macau, as organizações e instituições aceitam este princípio”. O GAES assegura que já chegou a consenso com as universidade para que haja regras de avaliação, mas diz que ainda está a recolher opiniões sobre os critérios de avaliação junto das universidades e que nada ainda está definido, pelo que haverá ainda “ajustamentos” numa próxima fase. - * com Cecília Lin
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TURISMO MEMBRO DO CPU CONTRA ALOJAMENTO EM RESIDÊNCIAS DE FAMÍLIAS
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
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ANUEL Wu Iok Pui Ferreira, membro do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), considera que Macau não tem condições para criar o sistema de alojamento de turistas em casas residenciais, por falta da consciência cívica e gestão completa de edifícios. A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) já anunciou que a criação deste modelo não é um sistema a adoptar para já, por não haver legislação vigente que o permita, mas não exclui a hipótese de isso vir a acontecer, até porque um inquérito mostra que a maioria dos residentes até concorda com o modelo. Para Manuel Pui Ferreira, contudo, não é apenas a falta de legislação que impede que turistas chegados a Macau
HOJE MACAU
Somos muitos para isso
fiquem em casa de residentes, mas outros problemas, como explica ao HM. “Macau não é como no estrangeiro, como Taiwan ou Inglaterra. Não concordo com a ideia de misturar uma habitação que tenha turistas e residentes num mesmo edifício, porque Macau é muito pequeno, a gestão de edifícios não está completa
e ainda falta consciência civil”, começa por apontar o também proprietário da Agência de Turismo Cultural Exploradora Limitada. “A segurança pode ser preocupante, como é o caso das pousadas ilegais.”
MENOS É MAIS
Apesar de discordar do sistema, o membro do CPU la-
menta que a escolha de hotéis em Macau seja pouca e quase única. “Existem no território hotéis e pensões com menos condições e hotéis com cinco estrelas. A diferença é muito grande e faltam hotéis de duas ou três estrelas.” No entanto, o dono da agência de viagem considera que Macau tem condições para criar hotéis económicos em edifícios nos bairros antigos que tenham “seis ou sete andares” e “um único proprietário”. Manuel pui Ferreira diz ainda que estes têm condições para criar um portão individual para evitar a entrada mista de residentes e turistas. O responsável deixa ainda uma sugestão: “Se se fizer isso, o Governo deve ser flexível e criar um sistema de emissão de licenças, fazendo com que mais pessoas se dediquem ao sector da hotelaria.”
Inflação atinge 6,06%
A taxa de inflação em Macau nos 12 meses terminados em Novembro e comparativamente aos 12 meses imediatamente anteriores foi de 6,06%, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), os preços em Macau subiram devido fundamentalmente ao aumento da despesa em “habitação e combustíveis” mais 11,86% - e dos “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” - mais 6,16%. Em sentido inverso, o custo com as comunicações desceu 0,45%. Na óptica mensal, entre Outubro e Novembro, os preços em Macau subiram 0,46%, devido às variações positivas verificadas nas secções “vestuário e calçado” e “saúde”, que experimentaram subidas de, respectivamente, 2,2% e 1,84%. Já comparativamente a Novembro de 2013, os preços registaram uma subida de 6,12% devido às subidas de 11,75% nas secções “habitação e combustíveis”, de 6,3% nos “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” e de 5,43% na “saúde”. “Tais subidas deveram-se à elevação das rendas de casa, assim como dos preços das refeições adquiridas fora de casa e das consultas externas”, refere a nota da DSEC.
FÓRUM MACAU DEZ PROJECTOS CANDIDATOS A FUNDO EM AVALIAÇÃO
Angolanos com pontaria afinada D EZ projectos lusófonos candidatos ao fundo de mil milhões de dólares da China estão a ser actualmente avaliados, depois de um de Angola ter obtido “luz verde”, disse ontem o ainda Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam. “Já foi aprovado o financiamento do projecto proveniente de Angola sobre a produção de suportes de fios eléctricos e tubos, estando a ser avaliados mais de dez projectos apresentados por outros países lusófonos”, afirmou Francis Tam, em resposta escrita à agência Lusa, num balanço dos 15 anos da RAEM, em que o responsável destaca designadamente o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Activado no final de Junho de 2013, o Fundo aprovou, pelo menos segundo as informações divulgadas, o financiamento de apenas dois projectos: um proveniente da Angola e um chinês para Moçambique. A assinatura do primeiro projecto financiado pelo fundo teve lugar em Novembro de 2013 em Macau, lugar, onde, aliás, três anos antes, o então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, o anunciou durante a terceira conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Um projecto agrícola em Moçambique, da empresa chinesa Wanbao, foi o primeiro a obter financiamento do fundo, criado oficialmente em Junho desse ano por iniciativa conjunta do Banco de Desenvolvimento da China e
do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau. Avaliado em aproximadamente 200 milhões de dólares, o projecto, na região do baixo Limpopo, perto da cidade de Xai-Xai, obteve “luz verde” do fundo que contribuiu com apenas dez milhões. O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de mil milhões de dólares, tem como objectivo apoiar as empresas do interior da China e de Macau no investimento nos países de língua portuguesa e atrair o de lusófonas na China. - Lusa/HM
Táxis Sucesso na resposta por chamada “não atinge os 50%”
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vice-presidente da Associação dos Taxistas de Macau, Tai Kam Leong, estima que, actualmente, a taxa de sucesso na resposta ao serviço de rádio-táxis da parte dos táxis pretos nem sequer atinge os 50%. Como não há regras de que estes táxis tenham de responder às chamadas telefónicas, como tinham os amarelos da Vang Iek, depende da vontade dos taxistas prestar este serviço. “O sector ajuda o máximo que puder, claro que esperamos que os táxis pretos se possam coordenar com os residentes”, disse o vice-presidente ao canal chinês da Rádio Macau. Tai Kam Leong acrescentou que depois do aumento de tarifas para as 17 patacas, os taxistas conseguem ganhar mais cem patacas por cada turno, o que dá para as despesas de reparação ou manutenção de táxis. Recorde-se que o contrato com os táxis amarelos foi cancelado pelo Governo, sendo que, agora, há menos 60 carros a circular. De acordo com uma porta-voz da empresa, de apelido Kuok, ainda não há destino para os cem carros pertencentes à empresa, sendo que a questão, como frisou ao HM, “ainda está a ser avaliada” e deve ser conhecida apenas no próximo mês. Kuok acrescentou ainda que o encerramento do serviço “não influenciou muito” os negócios da empresa. - F.F.
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CHINA
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STADOS Unidos e China finalizaram nesta quinta-feira em Chicago, no estado americano de Illinois, dois dias de negociações “muito produtivas” sobre comércio e negócios em sectores-chave como produtos farmacêuticos, agricultura, protecção de patentes e o combate da pesca irregular, anunciou ontem a secretária de comércio Penny Pritzker. “Todas as áreas discutidas são importantes e, talvez, não tenhamos alcançado tudo o que queríamos,
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EUA E CHINA FECHAM NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS “MUITO PRODUTIVAS”
Acordo de gigantes mas temos motivos para estarmos orgulhosos dos resultados”, declarou. Pritzker e outros funcionários do governo americano, entre eles o representante comercial Michael Froman e o secretário de agricultura Tom Vilsack, receberam em Chicago a delegação chinesa
liderada pelo vice-primeiro-ministro Wang Yang. O encontro realizou-se no contexto da 25ª Reunião da Comissão sobre Comércio e Negócios estabelecida pelos dois países em 1983. Segundo a secretária, as negociações consistem num diálogo económico
“mais dinâmico e efectivo” com a China que, em 2013, comprou bens e serviços dos Estados Unidos no valor de US$ 161 mil milhões e elevou para US$ 617 mil milhões o comércio entre os dois gigantes. Sem entrar em detalhes, a funcionária disse que as
REJEITADO FENO GENETICAMENTE MODIFICADO DOS EUA
Deste não queremos A
nova postura da China na importação de produtos geneticamente modificados está a agitar um sector pouco notado dos Estados Unidos: o do feno. Este ano, a China começou a testar o produto importado para detectar a presença de feno produzido a partir de um tipo de alfafa geneticamente modificada que Pequim não aprova. Consequentemente, as exportações para a China caíram desde meados do ano e alguns carregamentos foram rejeitados. As medidas da China foram um banho de água fria para os exportadores de feno, que é produzido com alfafa e outras gramíneas e é a quarta maior cultura americana por área plantada, um mercado anual de US$ 20 mil milhões. Os preços do feno caíram cerca de 12%
em parte porque a diminuição da procura chinesa elevou a oferta interna. Com os produtores de laticínios chineses ansiosos para alimentar suas vacas com a alfafa americana, que tem alto teor de proteína, as exportações americanas de feno de alfafa para a China aumentaram mais de oito vezes entre 2009 e 2013, atingindo cerca de 785 mil toneladas, representando 25% dessas exportações nos primeiros 10 meses de 2014. Mas enquanto os exportadores se esforçavam para assegurar que as suas cargas não continham a alfafa geneticamente modificada, desenvolvida pela Monsanto Co. , as exportações caíram 22% desde Agosto, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. A controvérsia sobre o
feno começou em meados deste ano, quando a Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspecção e Quarentena da China informou ter encontrado estirpes geneticamente modificadas não aprovadas nos carregamentos de alfafa de três empresas americanas. As autoridades da agência não quiseram comentar. A China tem adoptado uma política de tolerância zero com relação à alfafa geneticamente modificada há muito tempo, e os exportadores americanos que enviaram o produto para o país disseram que compram a alfafa de produtores que usam sementes não geneticamente modificadas. Mas o setor nos EUA tem dois problemas: a sua definição do que é considerado não geneticamente modificado
negociações sobre “inovações agrícolas” foram um sucesso, o que permitiria a inclusão de novos produtos, como as sementes geneticamente modificadas, que enfrentam barreiras para sua importação na China (ver notícia nesta página). Também mencionou avan-
pode não ser rígida o suficiente para atender aos elevados padrões chineses, e há evidência que os genes geneticamente modificados se espalharam para as culturas que não usam organismos geneticamente modificados (OGM). Uma porta-voz da Monsanto não quis comentar sobre os receios de contaminação. “A Monsanto está a trabalhar com os produtores e com a indústria para chegar a um consenso sobre protocolos de testes apropriados, precisos e consistentes que ofereçam aos produtores a certeza que eles precisam para vender a sua colheita”, disse. Exportadores como a Anderson Hay & Grain Co., do Estado de Washington, e a Al Dahra ACX Global Inc., da Califórnia, perderam milhões de dólares com vendas canceladas e custos maiores devido à necessidade de redireccionar as exportações rejeitadas para outros países, segundo executivos do sector.
ços nas discussões sobre a lei chinesa anti-monopólio, que preocupa os empresários americanos. Froman disse, por sua vez, que o objectivo do encontro era lançar “a pedra fundamental” de um novo diálogo e, na sua opinião, os lucros podem ser medidos de várias maneiras. “Dialogamos com confiança e respeito, tivemos conversas francas sobre os desafios que enfrentamos e conseguimos progressos para apoiar trabalhos e exportações americanas”, declarou.
Antidumping China vence Estados Unidos na OMC
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Organização Mundial do Comércio (OMC) deu nesta quinta-feira razão à China no contencioso contra os Estados Unidos pelas medidas antidumping que Washington impõe a alguns produtos. “O Departamento de Comércio dos Estados Unidos actua de maneira incompatível com as regras da OMC”, disse o painel que avaliou o caso num relatório. Esta decisão reforça a vitória obtida pela China na primeira instância, em meados de Julho, quando o painel afirmou que as medidas tomadas pelos Estados Unidos “não eram compatíveis” com o chamado Acordo SMC (Acordo sobre Subvenções e Medidas Compensatórias). A decisão deste quinta-feira é definitiva e obriga os Estados Unidos a mudarem sua conduta para estar em conformidade com o Acordo SMC. O valor de exportação dos produtos em questão é de cerca de 7,2 mil milhões de dólares, segundo o ministro de Comércio chinês. O caso teve início em Abril de 2012, quando foi aberto o painel a pedido da China. Os produtos chineses atingidos pelas medidas antidumping americanas são: papel, aço, pneus, ímanes, produtos químicos, material de cozinha e soalhos. Os Estados Unidos justificaram essas medidas para enfrentar os subsídios chineses a alguns sectores industriais.
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REVISTOS DADOS ECONÓMICOS DE 2013
Condomínios de Miami querem atrair chineses
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OR muitos anos, Miami tem atraído compradores de imóveis vindos da América do Sul. Agora, as empresas voltaram-se para os investidores da China. É o caso da Miami Worldcenter Associates, sociedade que inclui ainda a Centurion Partners, também da Califórnia, e a Falcone Group, da Flórida, que divulgaram recentemente planos para um condomínio luxuoso de 476 apartamentos, o Paramount, cuja construção deve começar no início de 2015. O projecto é destinado principalmente a compradores estrangeiros, os quais têm aquecido o mercado de condomínios de Miami nos últimos três anos. O Paramount não é o único a procurar compradores da China. Em geral, a proporção de chineses entre os compradores estrangeiros de imóveis nos Estados Unidos subiu para 16% em 2014, comparado com 12% em 2013 e 9% em 2011, segundo a Associação Nacional de Correctores de Imóveis dos EUA. “Não tínhamos nos concentrado na Ásia antes”, diz Alyce Robertson, directora executiva da Agência de Desenvolvimento do Centro de Miami, um grupo que atrai investidores para a cidade. “Mas agora estamos a olhar para o Oriente.” Art Falcone, principal fundador do grupo Falcone, um dos sócios do projeto Paramount, diz que espera replicar em Miami o sucesso que teve com compradores chineses na Reunion, uma comunidade residencial situada num clube de golfe em Orlando. Nos últimos 12 meses, a Reunion atraiu compradores chineses para 50 de seus 150 imóveis colocados em pré-venda. No Paramount, Falcone está a contratar especialistas em feng shui para desenhar espaços interiores segundo o costume chinês. Pelo menos uma vez por mês, ele envia corretores a Pequim e Xangai para vender o projecto. O empresário planeia abrir um escritório de vendas em Xangai no início de 2015.
PIB sempre a subir A China, segunda economia mundial, reviu em alta o desempenho económico do país em 2013, elevando para 6.995 dólares o valor do seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita, anunciou ontem a agência noticiosa oficial chinesa. A revisão foi determinada pelos dados globais sobre a produção industrial e o sector dos serviços apurados durante o ultimo Censo Económico, operação que se realiza de dez anos em dez anos, e não afectará o crescimento previsto para em 2014, indicou explicou o Gabinete Nacional de Estatísticas da China. Segundo as novas contas, no ano passado, o PIB chinês fixou-se em 58,801 biliões de yuan (9,61 biliões de dólares), mais 3,4% do que fora inicialmente estimado. É o segundo PIB mais elevado do mundo, a seguir ao dos Estados Unidos da América, mas ainda representa apenas 56,5% da economia norte-americana, refere o
SÉRVIA NOVA PONTE SOBRE O DANÚBIO FINANCIADA PELA CHINA
Europa cada vez mais perto O S primeiros-ministros da China, Li Keqiang, e da Sérvia, Aleksandar Vucic, inauguraram ontem uma nova ponte sobre o Danúbio em Belgrado, o primeiro grande projecto de infra-estruturas de transporte realizado pela China na Europa. “Tenho de felicitar todos aqueles, chineses e sérvios, que participaram na construção desta
ponte que representa um grande sucesso”, declarou Li, aplaudido por centenas de pessoas que assistiram à cerimónia. Na primeira visita oficial de um chefe de governo chinês à Sérvia dos últimos 28 anos, Li passeou pela ponte na companhia de Vucic. “É uma honra inaugurar esta ponte com o primeiro-ministro Li Keqiang, a primeira obra os construtores
chineses na Europa”, declarou Vucic durante a cerimónia. Com 1,5 quilómetros de comprimento e avaliada em 136,5 milhões de euros, a ponte integra-se num projecto de construção de uma auto-estrada periférica em torno da capital sérvia e será designada Mihajlo Pupin, em homenagem ao célebre físico sérvio. O empreendimento permitirá ainda descongestionar a circulação no centro de Belgrado, por onde ainda transitavam os veículos pesados. O primeiro-ministro chinês sublinhou a importância da Sérvia na realização do projecto chinês de corredor estratégico entre a Grécia e o centro da Europa, que deverá permitir ao gigante asiático aumentar as trocas comerciais com o velho continente. A China, Hungria e Sérvia assinaram na quarta-feira um acordo para a construção de uma linha TGV entre Belgrado e Budapeste, e quando Pequim ambiciona a construção de uma via-férrea rápida desde o porto do Pireu até ao centro da Europa através dos Balcãs.
Gabinete Nacional de Estatísticas da China. Mas dividido pela população chinesa (cerca de 1.350 milhões), o PIB per capita da China não chega aos 7.000 dólares, menos de um terço do de Portugal e abaixo também do Brasil. O valor PIB chinês per capita corresponde a dois terços da média mundial, indicou a mesma fonte. Após o referido Censo Económico, a percentagem dos serviços no PIB chinês também subiu, de 46,1% para 46,9%, e a indústria baixou, de 43,9% para 43,7%. A economia chinesa cresceu 7,7% em 2013 e 2012, mas abrandou para 7,5% no primeiro semestre deste ano e continuou a abrandar no 3.º trimestre, para 7,3%, o valor mais baixo dos últimos cinco anos. Em vez de “abrandamento”, as autoridades chineses preferem falar de “reequilíbrio”, insistindo agora num “crescimento mais sustentável e com menos custos ambientais”. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento económico da China abrande ainda mais em 2015, ficando entre 6,5% e 7%, o que representará menos de 2 pontos percentuais do que a média anual de 9,1% registada ao longo do último quarto de século.
Piloto de avião condenado por negligência
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M tribunal na China condenou a três anos de prisão o capitão de um avião da Embraer que tebe um acidente há quatro anos atrás, causando a morte de 44 pessoas, após declará-lo culpado de negligência, informou a imprensa estatal nesta sexta-feira. Qi Quanjun, responsável pelo voo fatal da Henan Airlines, foi indiciado por não observar regras de segurança para aterragem e por deixar a aeronave após o acidente, ignorando os passageiros presos nos destroços, disse o jornal oficial Diário do Povo no seu website. O jacto regional ERJ-190, fabricado pela Embraer, tentava aterrar em Yichun na remota região nordeste da China com 91 passageiros e cinco tripulantes a bordo. O avião, porém, ultrapassou o final da pista e incendiou-se, no pior acidente aéreo do país desde 2004. A pequena companhia aérea regional Henan Airlines, anteriormente conhecida como Kunpeng Airlines, foi ordenada a mudar seu nome de volta a Kunpeng Airlines após o acidente. A Kunpeng Airlines já não existe. Telefonemas repetidos à Shenzhen Airlines, que controlava a Kunpeng Airlines, não foram atendidos. Por seu lado, a Shenzhen Airlines é parcialmente controlada pela Air China.
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O INSTITUTO POLITÉCNICO DE MACAU FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO 15.º ANIVERSÁRIO DO SEU ESTABELECIMENTO
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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 15.º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL
O INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAU FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 15.º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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João Mineiro IN ESQUERDA.NET
DIANA ANDRINGA
FUNCIONÁRIOS DA VERDADE E A INQUIETAÇÃO DA CIDADANIA
A relação entre os constrangimentos ao profissionalismo e a vivência da responsabilidade social dos jornalistas foi o tema da tese de doutoramento de Diana Andringa, agora publicada pela editora Tinta da China num livro a não perder
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jornalismo e o serviço público de televisão são partes fundamentais e eminentemente constitutivas das democracias. Diana Andringa, uma especialista nos terrenos do jornalismo e uma incansável activista nos terrenos da comunicação social mas também noutras esferas da intervenção cidadã, apresenta-nos a sua tese de doutoramento publicada agora em livro pela Tinta da China precisamente sobre a relação entre os constrangimentos ao profissionalismo e a vivência da responsabilidade social dos jornalistas. Funcionários da Verdade é livro a não perder, de uma autora com quem nos cruzaremos muitas vezes, onde a democracia exigir a nossa presença, reflexão e combatividade. A autora volta aos Tratados Europeus, ao estatuto de jornalistas, a George Orwell e a Michel Foucault em busca de um título: “Funcionários da Verdade: profissionalismo e responsabilidade social dos jornalistas do serviço público de televisão”. Na obra mistura um quadro teórico rico com uma abordagem pluriparadigmática de métodos complementares. O resultado é um trabalho de campo centrado nos profissionais do jornalismo, mas também na análise das condições e constrangimentos estruturais em que ele é exercido e das consequências que o agravamento dessas condições têm para a prática de um jornalismo independente e responsável socialmente.
O livro divide-se em sete partes. Começa por uma explicitação sobre a forma como se deve pensar sobre o vivido e sobre a escolha do título. É um começo feliz. Diana Andringa expõe parte dos seus anos como jornalista e de como eles necessariamente influenciam a pesquisa. Essa honestidade de situar os conhecimentos que se produz
é rara e deve ser assinalada. A segunda parte faz aquilo que é imprescindível a qualquer pesquisa sociológica digna desse nome: uma revisitação histórica sobre o objecto de estudo em que se trabalha. Percorre a censura e a manipulação do jornalismo, o seu crescimento após o 25 de Abril e a sua abertura à influência do mercado desde os
anos 90. Numa terceira parte desenvolve uma análise detalhada sobre os conceitos fundamentais em torno dos quais se inscreve a pesquisa: profissionalismo; responsabilidade social; televisão; serviço público de televisão; constrangimentos. Nas quatro partes seguintes mergulha sobre o trabalho de investigação, os dados recolhidos e os indícios teóricos que eles sugerem. Começa com uma análise da pesquisa de terreno que fez na RTP, abordando a utilização das tecnologias, a ideologia da produtividade, o papel das audiências na estruturação de conteúdos, mas também a informalidade que sempre marca e organiza o quotidiano no trabalho, desde as conversas de corredor, ao papel do panóptico open space onde todos se observam e todos são observados. Depois aborda as representações da profissão pelos seus profissionais através de um inquérito e do correio ao provedor. Em terceiro lugar procura desenvolver uma análise detalha sobre três casos amplamente mediatizados e que sugerem uma discussão profunda entre a responsabilidade social dos jornalistas e as agendas de mediatização: o referendo sobre a IVG; o caso de Manuel Subtil que se barricou num estúdio de televisão; e o pseudo-arrastão da praia de Carcavelos. Esta análise leva Diana Andringa a reflectir sobre a passagem do acontecimento ao pseudo-acontecimento e ao papel das estratégias de mediatização nesse processo. Este é um livro útil para qualquer cidadão e cidadã preocupada com os percursos e os desafios da democracia portuguesa. Nele Diana Andringa consegue misturar simultaneamente três fórmulas de sucesso: a criatividade científica de quem potenciou o feliz casamento entre o jornalismo e a sociologia; o rigor técnico de articulação entre uma base teórica e história muito completa e uma metodologia ampla, flexível e coerentemente orientada com o objecto de estudo; e a inquietação cidadã de quem sabe só a reflexão crítica e atenta poderá iluminar a história que está por construir. Funcionários da Verdade é livro a não perder, de uma autora com quem nos cruzaremos muitas vezes, onde a democracia exigir a nossa presença, reflexão e combatividade.
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DIEGO RIVERA E O MURAL DESTRUÍDO
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M 1916, depois viajar pela América do Sul, Diego Rivera fixou-se em Paris, onde manteve contacto com vários artistas (Picasso, Dali, Ochoa e Inclán) e aderiu ao cubismo. Em 1917, influenciado por Paul Cezanne, aproximou-se do pós-impressionismo. Em 1927, Rivera foi convidado para as cerimónias dos 10 anos da Revolução Bolchevique, em Moscovo. Em 1929, casou-se com a pintora Frida Kahlo, ano em que foi expulso do Partido Comunista. Em 1933, o magnata Rockefeller contratou-o para pintar um mural no edifício do Rockefeller Center, em Nova Iorque. Rivera desenhou o mural “O Homem na Encruzilhada dos Caminhos ou o Homem Controlador do Universo” e resolveu pintar uma imagem de Lenine. A reacção da imprensa foi virulenta. Rockefeller considerou um insulto e ordenou que fosse destruído. PUB
De regresso ao México em 1934, pintou o mesmo mural no 3º andar do Palácio de Belas Artes. Em 1936, solicitou ao presidente Cárdenas asilo políti-
co para Trotsky, o que se concretizou no ano seguinte. Em 1946, Rivera pintou uma das suas obras mais importantes “Sonho duma
Tarde Dominical”. Nesse ano, integrou com Orozco e Siqueiros a comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes. Em 1950, ilustrou o livro Canto Geral de Pablo Neruda. Em 1952, realizou o mural “A Universidade, a Família Mexicana, a Paz e a Juventude Desportista” no Estádio Olímpico Universitário na Cidade do México. Em 1953, criou uma obra-prima no Teatro dos Insurgentes, na cidade do México, que tem um grande significado: cada imagem representa uma parte da história do México. O mural foi feito com pequenos azulejos de vidro. Em 1954, morreu Frida Kahlo. No ano seguinte, viajou para a União Soviética para fazer uma intervenção cirúrgica. Rivera faleceu, em 24 de Novembro de 1957 na sua casa, conhecida como Museu Casa Estúdio Diego Rivera e Frida Kahlo.
( F ) UTILIDADES
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0.2
THE SMURFS AO VIVO EM PALCO – “THE SMURFS SAVE THE SPRING” (ESPECTÁCULOS TAMBÉM DOMINGO) Venetian, 15h45 e 19h45 Bilhetes das 88 às 300 patacas
Com: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Emily Watson, Charlie Cox 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 14.30, 21.00
SALA 3
EXODUS: GODS AND KINGS [3D] [C]
• Diariamente
THE BEST OF ME [B]
Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 18.00
Um filme de: Michael Hoffman Com: Michelle Monaghan, James Marsden, Luke Bracey 14.30, 21.30
SALA 2
BIG HERO 6 [B]
THE THEORY OF EVERYTHING [B]
COTAI WINTER (PISTA DE GELO E ACTIVIDADES) Venetian Lagoon, Cotai Entrada livre
Um filme de: Don Hall, Chris Williams 16.45, 19.30
Um filme de: James Marsh
1.3
O QUE FAZER ESTA SEMANA
THE THEORY OF EVERYTHING EXODUS: GODS AND KINGS [C]
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YUAN
• Hoje SALA 1
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EXPOSIÇÃO DE SÂNDALO VERMELHO (ATÉ 22/03) MGM Resort Entrada livre
ACONTECEU HOJE
EXPOSIÇÃO DE PINTURA “113º 55’ E 21’ 11’N”, DE SOFIA AREAL (ATÉ 12/01) Casa Garden Entrada livre 20 DE DEZEMBRO EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre
Garrett é nomeado cronista-mor do reino de Portugal • A 20 de Dezembro de 1838, Almeida Garrett é nomeado cronista-mor do reino de Portugal. Hoje assinala-se também a morte de John Steinbeck, escritor norte-americano galardoado com um Nobel da Literatura. Almeida Garrett, escritor e dramaturgo é considerado uma das maiores figuras do romantismo português. Nascido no Porto a 4 de Fevereiro de 1799 e criado em Gaia, Almeida Garrett foi orador, ministro e secretário de estado honorário português. Por altura das lutas liberais, esteve exilado em Inglaterra, país onde tomou contacto com o movimento romântico. Já em França, cria as primeiras obras da literatura romântica portuguesa. Regressa a Portugal em 1826, dedicando-se ao jornalismo. Funda e dirige o diário ‘O Português’, o semanário ‘O Cronista’ e, mais tarde, – depois de sair do país por época por absolutismo de D. Miguel – funda também o jornal ‘Regeneração’. Garrett fica com o nome gravado na história por ser também um grande impulsionador do teatro em Portugal, propondo a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática. Morre a 9 de Dezembro de 1854, em sua casa, na actual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique. Nasceram a 20 de Dezembro John Fletcher, dramaturgo inglês (1579), Veit Ludwig von Seckendorff, estadista alemão (1626), Thomas Graham, químico escocês (1805), Harvey Firestone, empresário norte-americano do ramo automóvel (1868), Sidney Hook, filósofo norte-americano (1902), David Bohm, físico quântico norte-americano (1917), e Vik Muniz, artista plástico brasileiro (1961). Morreram neste dia John Steinbeck, escritor norte-americano (1968), Roy Oliver Disney, irmão mais velho e sócio da Walt Disney (1971), Luis Carrero Blanco, primeiro-ministro espanhol (1973), Artur Paredes, guitarrista e compositor português (1980), e Carl Sagan, astrónomo e biólogo norte-americano (1996).
João Corvo
EXPOSIÇÃO PÁSSAROS DE MACAU, DE JOÃO MONTEIRO (ATÉ DIA 29/12) Consulado-geral de Portugal em Macau Entrada livre
H O J E H Á F I L M E “THE LONE RANGER” (GORE VERBINSKI, 2013) Tonto (Johnny Depp) procura justiça por tudo o que lhe foi feito, a si e aos seus, no Velho Oeste americano, numa altura em que a corrupção entre os mais poderosos reina e os nativos americanos estão a ser sacrificados. Mas a solidão de Tonto termina quando este conhece John Reid (Armie Hammer), um ranger americano diferente dos outros, que é um homem cumpridor da lei e que se transforma numa lenda pela forma como defende a justiça. Produzido pela Walt Disney Pictures e por Jerry Bruckheimer, o filme baseia-se na série de rádio e televisão com o mesmo nome, trazendo um toque (bem) mais moderno ao grande ecrã. Com imagens espectaculares e, como não podia deixar de ser com Depp, momentos engraçados, “The Lone Ranger” é um conto de fadas ao estilo do faroeste, que começa com Tonto num museu frente a uma criança. É Tonto quem narra a história e lhe dá um sabor ainda mais aventureiro. - Joana Freitas
fonte da inveja
Há uma prisão chamada vontade alheia.
EXPOSIÇÃO “REGIÃO OBSCURA” DE HEIDI LAU Museu de Arte de Macau Entrada livre EXPOSIÇÃO DE PINTURA “KOREAN ART”, COM OH YOUNG SOOK E KIM YEON OK (ATÉ 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre EXPOSIÇÃO “RETRATOS DE YU CHANG” Albergue SCM Entrada livre ALDEIA DO PAI NATAL (ATÉ 26/12) Crystal Lobby do Galaxy Macau, 11h30 às 21h00 Bilhetes a 80 patacas EXPOSIÇÃO DE FLORES DE “BOCAS-DE-LEÃO” (ATÉ DIA 04/01) Casas-Museu da Taipa Entrada livre PROJECÇÃO MAPPING 3D (ATÉ DIA 31/12) • “Passado”: Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau • “Presente”: Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Taipa • “Futuro”: Igreja de São Francisco Xavier, Coloane Das 20h30 às 22h30 Entrada livre
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hoje macau sรกbado 20.12.2014
OPINIÃO
hoje macau sábado 20.12.2014
CARLOS MORAIS JOSÉ
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editorial
Elogios e outras desmesuras
P
OR vezes, tudo em Macau parece ser desmesurado. É o caso dos elogios do presidente Xi Jinping, eivados de recados e avisos para a população de Hong Kong. A RAEM é o bom aluno porque... foi às aulas, mas isso não deve ser automaticamente considerado como um bom desempenho. De facto, para avaliar uma sociedade como esta não basta medi-la em termos de patriotismo ou de crescimento económico. Ser patriota é tão normal como respirar e lá porque em Hong Kong as pessoas pensam de outra maneira não será por isso que Macau deve ser incensado. Na verdade, só o é porque se pretende falar para o vizinho rebelde do lado e isso de ser utilizado para atingir outrem acaba por ser deprimente. Quanto ao crescimento económico, o
presidente Xi devia saber que não chega a muitos e, pelo contrário, há gente que vive pior. O aumento dos salários nem sempre consegue atingir a real inflação que o tal crescimento desmesuradamente provocou em bens essenciais. Não será de menosprezar o papel da apreciação regular do yuan em relação à pataca, algo que tem, mais tarde ou mais cedo, de ser equacionado. Na prá-
Ser patriota é tão normal como respirar e lá porque em Hong Kong as pessoas pensam de outra maneira não será por isso que Macau deve ser incensado
tica, por causa desse fenómeno inexorável, o consumidor de Macau perdeu cerca de um terço do seu poder de compra, quando falamos em bens importados do continente. A especulação desenfreada em torno da habitação, em grande parte fomentada por investidores do continente, está a causar uma profunda insatisfação nas gentes de Macau, para além de não serem totalmente transparentes as regras de um mercado vampiresco, cujo desprezo por um dos mais inalienáveis direitos do ser humano (à habitação) se reflecte no espelho da passividade governamental. Pequim dotou a RAEM de condições e pistas para a diversificação da economia. Mas a esmagadora maioria dos empresários locais raramente investe realmente na economia, preferindo práticas especulativas que determinados contextos vão permitindo. Basta, contudo, uma alteração das condições
circundantes para que estas práticas se revelem destruidoras, impunes e impantes, das economias reais. E Macau corre esse risco. Devemos agradecer ao presidente Xi as suas palavras amáveis e de encorajamento. Mas devemos sobretudo pedir a Chui Sai On que leve para a frente uma política que tenha em conta os interesses da população, como a Saúde e a Educação, as directrizes do Governo Central e a manutenção e aprofundamento da identidade de Macau, que certamente passa por uma cada vez maior aproximação à mãe pátria, no quadro do que está definido na Lei Básica e na Declaração Conjunta.
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau sábado 20.12.2014
Paquistão Militar quer executar 3000 terroristas
O comandante do Exército paquistanês, general Raheel Sharif, pediu autorização do governo para realizar três mil execuções de terroristas nas próximas 48 horas. O pedido foi feito após o ataque talibã a uma escola em Peshawar na última terça-feira, quando 148 pessoas, a maioria crianças e adolescentes, foram mortas. O pedido foi revelado pelo próprio oficial, esta sexta-feira (19), numa mensagem no Twitter. Ele disse ter «pedido ao presidente Nawaz Sharif para matar todos os terroristas. Mais de três mil deveriam ser mortos nas próximas 48 horas». Logo depois, Sharif anunciou a condenação à morte de seis terroristas. Segundo ele, as penas seriam executadas ainda esta sextafeira. Ainda não foram revelados os nomes dos condenados, mas a imprensa local afirma que os homens foram presos por participarem de atentados contra o ex-presidente Pervez Musharraf e contra a base militar de Rawalpindi, em Islamabad, em 2009. Entre os condenados estaria Aqeel alias Dr Usman, um ex-médico militar.
Grécia Deputado alega ter recebido oferta de suborno
Um deputado de um pequeno partido da Grécia, cujo apoio é requisitado pelo governo para evitar uma eleição antecipada, disse esta sexta-feira ter recebido uma oferta de suborno para dar o seu voto ao candidato a presidente da coligação governista. A acusação de Pavlos Haikalis, um actor e membro do pequeno partido Gregos Independentes, aconteceu dois dias após o governo do primeiro-ministro, Antonis Samaras, ter fracassado em conquistar apoio parlamentar suficiente para apoiar a sua candidatura. Mais duas votações são esperadas, a 23 e 29 de Dezembro. Caso o candidato, Stavros Dimas, ainda careça dos votos necessários na ronda final, a Grécia deve realizar uma eleição parlamentar, a qual, segundo pesquisas de opinião, pode ser vencida pelo partido radical de esquerda Syriza. Haikalis, de 55 anos, uma popular estrela de comédias de televisão, disse à MEGA TV que havia recebido uma oferta de um pacote no valor de 2 milhões a 3 milhões de euros, incluindo 700 mil euros em dinheiro, um compromisso para pagar a sua hipoteca e contratos de publicidade, para apoiar Dimas.
IAN FLEMING JAMES BOND FOI CONCEBIDO EM PORTUGAL
Um ninho de espiões O
personagem James Bond, o espião mais célebre da ficção, foi concebido em Portugal, onde o seu criador, Ian Fleming, se inspirou nos segredos de espionagem durante a Segunda Guerra Mundial. Poucas semanas após começarem as filmagens da próxima longa-metragem e quando se completam 50 anos da morte de Fleming, muitos amantes da saga de 007 mergulharam nas fontes de inspiração do escritor, e identificaram um papel crucial dos arredores de Lisboa, especialmente no Estoril. Funcionário dos Serviços de Inteligência Naval Britânica, o autor chegou a Portugal em Maio de 1941 juntamente com a comitiva de Sir John Godfrey. Hospedado no elegante Hotel Palácio de Estoril, Fleming criou James Bond dentro do “ninho de espiões” no qual a pacata cidade havia-se transformado. Francisco Corrêa de Barros, gerente deste hotel de cinco estrelas construído nos anos 1930, confirmou que o estabelecimento foi «escolhido pelos aliados» como o seu quartel-general, e o Hotel Parque pelas forças do Eixo. Pela neutralidade de Portugal durante a guerra e a proximidade do Oceano Atlântico, o Estoril era um lugar estratégico das redes de espionagem dos dois lados e um ponto de referência para chegar ao continente americano.
Corrêa de Barros, conhecedor da história do hotel e da cidade, lembra a tensão vivida na época e deu pistas sobre o dia-a-dia de Fleming. Convivia com espiões, muitas vezes nos bares, com quem compartilhava martinis bebia que se tornaria indissociável de James Bond - e conheceu o código morse usado para enviar informação confidencial. O nome que mais marcou Fleming foi, sem dúvida, Dusko Popov, célebre agente duplo jugoslavo que trabalhava tanto para o serviço secreto britânicos do MI-6 como para a inteligência nazi do Abwehr. A reputação de Popov, considerado um “bon vivant” e “playboy”, marcou tanto Fleming que o seu James Bond adoptou vários traços do jugoslavo. Popov, cliente do Hotel Palácio, era «muito profissional, com muito boa aparência e com muito sucesso entre as mulheres», contou o responsável do hotel. Ele chegou a ser apelidado na gíria dos serviços secretos com o código «triciclo», nome que, segundo Corrêa de Barros, era porque andava muitas
vezes acompanhado de três belas mulheres. Entre os episódios que Fleming testemunhou em Portugal, foi inspirado especialmente pela famosa aposta de Popov. No Cassino Estoril, o autor britânico viu Popov apostar 40 mil dólares numa mesa de póquer, somente para despistar um inimigo. Este episódio foi utilizado como base para a primeira obra sobre James Bond, «Casino Royale» (1953), onde o agente 007 enfrenta o vilão Le Chiffre numa mesa de póquer. O Casino Estoril e 007 voltaram a cruzar-se em 1969, quando a região foi escolhida como um dos locais de filmagem de «007 - Ao Serviço Secreto de Sua Majestade». Neste filme, o sexto do espião, James Bond foi interpretado pelo australiano George Lazenby. Segundo Francisco Corrêa de Barros, o Estoril já é um dos lugares de peregrinação dos fãs do espião, imortalizado na memória colectiva pelos seus carros luxuosos, as suas acompanhantes e os sugestivos martinis, todos eles associados à estadia de Popov em Portugal.
LE MONDE DEFENDE LEGALIZAÇÃO DA CANNABIS
Elementar, meu caro Hollande O NTEM, sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014, o importante jornal francês “Le Monde” publica um editorial, onde defende a legalização da cannabis em França e pede a realização de um debate público sobre o tema. O jornal indica dois estudos recentemente publicados em França, que levantam a questão: um do comité de avaliação e controle das políticas públicas, consagrado à luta contra o consumo de substâncias ilícitas e entregue em Novembro ao parlamento francês, e um estudo do think-tank “Terra Nova”, de que o jornal publica nesta sexta-feira as conclusões. O editorial começa por salientar os anátemas contra o debate do tema na sociedade francesa, referindo que quem alertar que a política repressiva não impediu a banalização do consumo da cannabis é imediatamente “acusado de grave irresponsabilidade, especialmente a respeito da juventude”. O texto lembra que a França tem uma das legislações mais repressivas contra o tráfico e consumo de estupefacientes, que desde 1970 “o consumo de
cannabis é um delito penal, passível de prisão de um ano e de 3.750 euros de multa”. Destaca também que esta política repressiva é “ineficaz” e a França é um dos países europeus em que o consumo de cannabis mais aumentou. Um em cada três franceses já fez a experiência de consumir cannabis e 550.000 pessoas consomem-na diariamente. Aponta também que a política repressiva tem elevados custos “porque mobiliza uma parte significativa da actividade da polícia e da justiça” e custa 500 milhões de euros por ano. Além disso, realça o jornal, “a proibição favoreceu o desenvolvimento de um mercado clandestino de tipo mafioso”. Lembrando que alguns países, como Portugal, despenalizaram o consumo e a posse de pequenas quantidades de cannabis, o editorial defende que, “à semelhança da que existe para o tabaco”, “uma legalização controlada pelos poderes públicos poderia permitir controlar os preços”, “aplicar uma verdadeira política de prevenção”, acabar com o “essencial do mercado clandestino” e, além disso, “gerar receitas fiscais”.
Morte em gravação de filme de Jackie Chan
Um operador de câmara morreu afogado ao ficar preso num barco que se afundou durante a rodagem do filme “Skiptrace”, produzido e protagonizado pelo actor Jackie Chan. Chan Kwok-hun tinha 51 anos e era já um veterano no mundo do cinema, com mais de 20 anos de trabalho. O barco afundou-se com oito membros da equipa de gravação a bordo a 30 metros da ilha de Lantau, em Hong Kong, durante a rodagem de cenas do filme numa sampana. Sete dos membros conseguiram sair a nado da embarcação, sendo posteriormente resgatados por outro barco que se encontrava perto da zona, mas o profissional ficou encerrado no interior. Fotografias ainda mostram Jackie Chan a saltar para a água, sendo que a imprensa chinesa assegura que o actor tentou resgatar o operador de câmara quando se apercebeu que este não estava a bordo do outro barco. Em vão. Chan Kwok-hun foi mais tarde retirado por equipas de salvamento que o levaram para o hospital, onde se confirmou a sua morte. “Skiptrace” esteve a ser filmado em Macau e é uma co-produção entre Hong Kong e os EUA. O operador de câmara já tinha trabalhado com Jackie Chan noutros filmes. O actor publicou na rede social chinesa Weibo uma mensagem de condolências, mostrando arrependimento por não ter sido capaz de resgatar o câmara. Ainda se desconhecem as razões do acidente.
Casal Obama revela experiências raciais
Barack e Michelle Obama contaram as suas experiências como alvo de racismo, incluindo episódios como aquele em que o presidente norteamericano foi confundido com um empregado de mesa. A primeiradama relembrou também um incidente na loja de departamentos Target, onde foi confundida com uma vendedora. Já o presidente contou que passou por uma situação parecida num jantar de gala, quando acharam que ele era um dos empregados de mesa. Obama contou ainda que já foi confundido com o arrumador de carros num restaurante. «Não existe um homem negro da minha idade que não tenha esperado do lado de fora de um restaurante pelo seu carro sem que alguém lhe tenha entregue as sua chaves», disse o presidente. «Ele estava a usar um smoking num jantar de gala, quando alguém lhe pediu que lhe trouxesse um café», contou Michelle Obama. «A pequena irritação que nós experimentamos não é nada comparado com o que gerações anteriores passaram», afirmou Obama. «Ser confundido com um empregado de mesa numa festa de gala é uma coisa. Confundirem o meu filho com um ladrão e algemaremno, ou coisa pior, enquanto anda na rua envergando roupas que os adolescentes usam, é uma história totalmente diferente», frisou.