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Hoje Macau 20 DEZ 2013 #2999

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

POLÍTICA DEMOGRÁFICA

Residentes pedem mais quadros qualificados multilingues

S E X TA - F E I R A 2 0 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 9 9

hojemacau

Alô talentos E que saibam português, se possível. É essa a grande conclusão de um estudo sobre políticas demográficas promovido pelo Gabinete de Estudo das Políticas do Governo da RAEM. Para as 2102 pessoas ouvidas, o ensino deve incluir “educação cívica e moral, cultura geral e matérias que tratem assuntos locais”. Para além disso, a

• SALÁRIO MÍNIMO

sociedade defende que o regime de fixação de residência de quadros qualificados precisa de ser aperfeiçoado, uma vez que existem problemas de “falta de transparência” nessa matéria.

Relatório da opinião pública é conhecido a 30 de Dezembro PÁGINA 7

• NANOTECNOLOGIA

China aposta forte PÁGINA 10

PÁGINA 5

• TERRENO NO PATANE

Governo revê concessão feita a Ng Fok há 20 anos

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÁGINA 7

• JIA R UI CAMPEÃO DE WUSHU

“HÁ QUEM TENHA CHEGADO A MACAU HÁ 10 ANOS E DIGA QUE OUTROS NÃO SÃO DE MACAU. ACHO RIDÍCULO” PÁGINAS 2 E 3 PUB


ENTREVISTA

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

HOJE MACAU

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CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Recentemente ganhou uma medalha das mãos do Chefe do Executivo, mas não é a primeira vez que o seu trabalho como atleta é reconhecido. Como olha para todos os prémios que já ganhou? Acho que são um reconhecimento ao meu trabalho, mas também são uma forma de incentivo e de responsabilidade. Hoje sinto que tenho de ser mais responsável para com a minha carreira e para todo o sector desportivo em Macau, especialmente na área do Wushu.

JIA RUI PEDE AO GOVERNO PARA DAR MAIS APOIO AOS DESPORTISTAS APOSENTADOS

“Vi notícias de atletas da China que vendem medalhas e é muito triste” A medalha de honra Lótus de Prata não foi a única que Jia Rui, atleta de Wushu, ganhou. Em 2005, conseguiu obter o título honorífico de valor, e dois anos depois ganhou a medalha de mérito desportivo. Mas para Jia Rui ganhar medalhas faz parte de uma fase da vida. O que o preocupa é o futuro dos atletas de Macau, quando abandonam a carreira

Contudo, actualmente não é apenas atleta, mas também treinador. Desde 2006 que ensino crianças, e comecei oficialmente como treinador em 2011. O meu trabalho é treinar os futuros atletas de Macau.

escolheu vir para Macau? Foi através da Federação das Associações Gerais Desportivas de Macau. A China, da parte de Henan, foi convidada para um intercâmbio. Tinha 17 anos na altura.

Essa é uma questão interessante, porque comecei por aprender pintura chinesa. Mas depois das aulas via as crianças a praticarem Wushu e de repente fiquei interessado neste desporto.

Terminou a licenciatura no Instituto Politécnico de Macau (IPM), que cursou tirou? Também estudei desporto (risos). De facto estou a planear tirar o mestrado no próximo ano. Vou tirar em Fujian, na China. Mas tenho de equilibrar o meu trabalho com o estudo.

Naquela altura como sentiu Macau e as suas pessoas? Achei que o ambiente era bom. Não falava cantonense mas os colegas ensinaram-me. Não tive dificuldades, embora tivesse que estar separado da minha família, que ficou no continente, não me senti deslocado.

É, aliás da China, da província de Henan. Porque

Quando é que começou a praticar Wushu?

Tenho vontade de promover este desporto para os amigos estrangeiros aqui de Macau, especialmente para os portugueses

Nessa altura tinha cinco ou seis anos. Sendo treinador nesta fase, vai continuar a fazer as duas coisas? Sim. Acho que tenho essa responsabilidade. Quando recebi a medalha convidei o meu treinador para vir da China assistir à cerimónia. Como Macau me deu todas as honras que já recebi, sinto essa responsabilidade de contribuir para a sociedade. Para além de treinar, também participo em muitas actividades sociais. E comecei a participar em mais, principalmente depois de ter recebido todos estes reconhecimentos e medalhas. Nos primeiros anos

em que cheguei só treinava e pensava na minha carreira, mas agora participo mais na sociedade. Estou mais ocupado e quero trazer um impacto positivo não só aos adolescentes como para a sociedade em geral.

em actividades sem ligação ao desporto, e que seja um atleta a representar, para mostrar o nosso espírito desportivo e personalidade.

Se surgir a oportunidade de participar em actividades comerciais, que não têm de estar ligadas ao desporto, também o vai fazer? Pergunto isso porque normalmente os atletas reconhecidos podem ganhar muito nesse tipo de eventos. Não excluo as actividades comerciais, mas até agora não tive convites (risos). Acho bem as participações

Como avalia as crianças e adolescentes que actualmente praticam Wushu? Sinto uma grande diferença entre os participantes do continente e de Macau. Na China temos mais concorrência, e muitas vezes os jovens atletas não querem ser treinadores. Aqui em Macau a situação é diferente. As crianças têm vontade de praticar Wushu, mas é mais um passatempo para eles. Não estou a falar do

O BOM MOMENTO DO WUSHU EM MACAU


entrevista 3

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

nível de competição, mas sim de um espírito desportivo. Aqui não encontrei crianças preguiçosas no treino, são todos activos. Os atletas são mais activos do que na China, que são mais passivos. Desde 2007 que temos uma escola de Wushu. Quantos alunos estão na escola? Agora são mais de 50, e o mais velho já está na faculdade. Antes era o atleta mais novo, hoje sou o mais velho (risos). Há muitas crianças estrangeiras a aprender Wushu? Poucas. Ensinei algumas, mas as crianças não têm paciência suficiente, e os pais não conseguem compreender muito bem o espírito deste desporto, por isso não insistem muito para que os filhos sigam até níveis mais avançados. Mas tenho vontade de promover este desporto para os amigos estrangeiros aqui de Macau, especialmente para os portugueses. Então isso quer dizer que está optimista em relação ao futuro do Wushu aqui em Macau? Estamos num bom momento. Depois da transição, o desenvolvimento da modalidade tem vindo a melhorar cada vez mais. Os atletas são muito activos nos treinos e lutam muito pelos seus objectivos. Mas estou preocupado com o seu futuro. Porque os que ganham medalhas e reconhecimentos são apenas uma parte. Os outros que não ganham nada também se esforçam e têm de enfrentar o futuro, quando deixarem de competir. Por norma quais são as alternativas encontradas quando deixam o desporto de alta competição? Alguns trabalham no Governo. Temos um colega que agora trabalha no gabinete do Chefe do Executivo. Outros trabalham nos bancos e tenho um colega que, por exemplo, trabalha num hotel, na parte da gerência. Mas a maioria acaba por treinar e trabalhar em várias escolas. Tem colegas que trabalham nos casinos? Não conheço casos de quem tenha começado como croupier, mas se existirem é normal. Na maioria dos casos os atletas aposentados não têm nenhuma formação especifica além do desporto. Com o desenvolvimento

económico, muitas das profissões proporcionam salários mais altos do que os rendimentos de um atleta, e por isso não podemos ter qualquer profissão. Fica triste no caso de ver antigos atletas, principalmente os que conseguiram um desempenho excelente, tornarem-se croupiers? É sempre preciso apoio para formar outros atletas de alto nível. Mas o que defendo é que, quando um atleta está a treinar para a alta competição, também deve seguir os estudos, como também fiz. Não pode seguir apenas um lado. Se só praticar Wushu, mas se não tiver conhecimentos a outro nível, será como se só tivesse uma perna. Não vai haver um equilíbrio. Considera que a situação dos atletas aposentados poderia melhorar? A prática desportiva só dura alguns anos. Isso significa que os adolescentes conseguem os grandes sucessos da sua carreira, mas se estudarem depois de abandonarem a alta competição, então vão

para outras áreas. Sempre vi notícias dos atletas na China que participaram nos Jogos Olímpicos e que depois tiveram de vender as suas medalhas, porque se vêem numa situação de pobreza. Não queria ver essa situação acontecer em Macau, porque é muito triste.

SIM PARA O CONSELHO CONSULTIVO

Macau é uma cidade de imigrantes. Há quem tenha chegado a Macau há dez anos e diga que outros não são de Macau. Acho ridículo estar atrasados. Quem começa a aprender outras coisas com 27 anos e só conseguir a licenciatura com 30 vai perder a capacidade de ser competitivo em qualquer emprego. Se fosse patrão não iria recrutar um empregado que, mesmo com uma licenciatura, tivesse menos experiência profissional.

No caso da escola de Wushu, as crianças aplicam-se nos estudos? Elas estudam. Além disso o nosso padrão é o treino de pessoas que tenham boas notas e grande capacidade competitiva. Todos os anos temos alunos que obtém as notas mais altas nas escolas, e que depois também

conseguem bons resultados desportivos. Para a cultura chinesa fazer desporto e ter bons resultados escolares funciona como um conjunto. Incentivo sempre as crianças a praticarem desporto, mas para convencer os pais a levarem os seus filhos à escola de Wushu, também temos de ter garantias de que têm boas notas. O esforço individual acaba por ser limitado: também precisamos de um esforço da sociedade e até do Governo. Defende a existência de orientações para os atletas? Sim, isso mesmo. O Governo deveria criar uma espécie de guia para os atletas que tenham algum talento, quer seja na área da economia ou finanças, por exemplo, ou que até saibam trabalhar na área administrativa. Nós, atletas, muitas vezes precisamos de ter uma visão mais clara em relação ao nosso futuro. Não queremos ser apenas um grupo que ganha a simpatia da sociedade depois da aposentação. Podemos ser úteis e há, de facto atletas com muita inteligência e capacidade

O Governo deveria criar uma espécie de guia para os atletas que tenham algum talento, quer seja na área da economia ou finanças, por exemplo, ou que até saibam trabalhar na área administrativa

Recentemente um deputado Cheung Lap Kwan, que por acaso representa o desporto pela via indirecta, disse que Macau não pode depender sempre dos atletas de fora para ganhar medalhas, e que deve apostar na formação dos seus atletas. Como avalia estas declarações? Isso significa falta de responsabilidade, porque nunca foi dada a devida atenção aos atletas. Se esse deputado vier conhecer os sítios onde treinamos verá que todos os atletas, sejam do continente ou de Macau, convivem bem e ajudam-se mutuamente. Macau é uma cidade de imigrantes. Há quem tenha chegado a Macau há dez anos e diga que outros não são de Macau. Acho ridículo. Esse deputado só pode falar de si próprio, porque não representa ninguém. Todos os residentes de Macau acolhem bem os outros e são simpáticos. Poderia daqui a alguns anos assumir algum cargo num conselho consultivo na área do desporto? Se tivesse essa oportunidade, acho que seria muito importante para mim. Tenho vontade de lutar por todos os atletas de Macau. Até gostava de contar algumas histórias minhas em livro, que não será didáctico, mas talvez uma autobiografia. Vai fazer esforços no sentido de pedir que o Wushu seja incluído nos Jogos Olímpicos? Em Pequim esse objectivo não foi atingido. O facto de uma modalidade estar nos Jogos Olímpicos não significa que esse é o único padrão para avaliar um desporto. Há mais de cem actividades ligadas ao Wushu, e se os estrangeiros não conseguem perceber o espírito dessa modalidade, e têm medo da China ganhar demasiadas medalhas, mudando os padrões do desporto, acho que não vale a pena.


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POLÍTICA

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

GOVERNO REVÊ CONCESSÃO FEITA A NG FOK EM 1993. CONSTRUÇÃO CONTA COM TERMINAL PARA A TCM

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

É

a quarta desde 1993. O Governo voltou a autorizar a revisão de um contrato de concessão à Companhia de Investimento e Desenvolvimento Focus e à Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM), responsáveis por um terreno no Patane. A autorização foi publicada na quarta-feira no Boletim Oficial e permite que a empresa construa um auto-silo público, ou seja, mais 15 mil metros quadrados do que o inicialmente previsto aquando da concessão do terreno. Tanto a TCM, como a Companhia de Investimento e Desenvolvimento Focus tinham como administrador o empresário de Macau Ng Fok, na altura da primeira concessão. Foi em 1993 que o Governo concedeu por arrendamento e com dispensa de concurso público o terreno a Ng Fok, cujo nome tem sido ouvido no julgamento do ‘caso La Scala’ – o empresário foi quem recebeu também por ajuste directo um dos lotes dos terrenos em frente ao aeroporto. Nessa altura, Ng Fok e Pedro Chiang, um dos principais arguidos no caso das ETAR - a ser julgado em conjunto com o La Scala eram ambos administradores da Companhia de Investimento e Desenvolvimento Focus. Ng Fok era ainda gerente-geral da TCM, em conjunto com José Ricardo das Neves. Por isso mesmo, ficou

previsto na finalidade do terreno a construção de prédio de habitação e de um terminal de autocarros, que ficaria a cargo da TCM. Em 1995, o contrato foi revisto pela primeira vez e a empresa tinha 42 meses para terminar o desenvolvimento. Isso, no entanto, não veio a acontecer. Ng Fok fez apenas os aterros e o despacho do BO explica porquê. “O aproveitamento projectado não chegou a realizar-se, devido a dificuldades de vária ordem, nomeadamente relacionadas com o projecto e execução desse

TIAGO ALCÂNTARA

Mudanças vão trazer um auto-silo público

Ng Fok

aterro, a remoção de estaleiros e edificações informais existentes no local, dificuldades essas agravadas pela crise económica que afectou em particular o sector imobiliário. Ademais, o impacto negativo ao nível urbanístico e ambiental que causaria a instalação de um

terminal de recolha de autocarros, num edifício com a natureza do projectado e num local da cidade como a zona tão densificado em termos de massa edificada e de população, levou a uma reavaliação do projecto, que determinou a transferência do estacionamento

dos autocarros para fora da zona urbana, e a consequente redução da área prevista no contrato para essa finalidade.” Ora, isto fez com que em 2002 fosse entregue à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) um novo

plano de arquitectura, fazendo-se assim a segunda revisão. Na mesma altura, entretanto, Ng Fok – quem tinha os direitos sobre o terreno – pediu a transmissão desses direitos para a sua companhia, a Focus, o que foi aceite em 2004. Em 2006, a empresa voltou a pedir uma revisão do contrato, desta vez para nova alteração arquitectónica. Isto foi aceite em 2008 e a Focus teve autorização para construir mais dois pisos nas duas torres de habitação projectadas. Este ano – e passados 20 anos desde que a concessão inicial do terreno foi feita – chega à DSSOPT novo pedido de modificação de aproveitamento de terreno.Aautorização foi dada pelo Governo, ainda que os nomes dos representantes da Focus e da TCM sejam outros. O terreno está parado desde 1993, mas poderá finalmente avançar. A empresa tem mais 48 meses para terminar o desenvolvimento do terreno, agora que lhe foi dada permissão para construir um auto-silo público e o arrendamento é válido até Agosto de 2018. A título de prémio de contrato, a Companhia de Desenvolvimento Focus tem de pagar cerca de 20,5 milhões de patacas ao Governo por causa da revisão. Isto, depois de ter pago já 73,6 milhões de patacas ao longo destes dos anos. Não é definido no contrato publicado esta semana no Boletim Oficial se o auto-silo será administrado pela empresa ou pelo Governo.

TV CABO ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU PEDE FIM DO MONOPÓLIO DE TELEVISÃO E CRITICA DSRT

“Deliberadamente a atrasar abertura do mercado” A A associação diz que nenhuma entidade deve ter o exclusivo da transmissão de canais, mas que tanto as empresas privadas, como os anteneiros devem ter o direito de transmitir e receber sinal de televisão “através das suas próprias redes” e pede mais. “O mercado da televisão deve ser aberto imediatamente, quando terminar o contrato de concessão exclusivo com a TV Cabo. Um concurso público para que haja novas licenças que forneçam serviços pagos de televisão deve ser aberto o mais rápido possível.” A associação – da qual é presidente Jason Chao

e membros os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong e o ex-deputado Paul Chan Wai Chi, relembra ainda o acórdão

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Associação Novo Macau entregou ontem uma carta à Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), onde diz que não concorda com o monopólio da TV Cabo e critica os serviços. “Condenamos [o facto de a] DSRT estar deliberadamente a atrasar a abertura do mercado televisivo.” A opinião da associação vem no seguimento de uma recolha de opiniões que está a ser levada a cabo pela DSRT sobre os serviços de televisão e chega um dia depois da TV Cabo se ter manifestado contra a abertura do mercado.

do Tribunal de Segunda Instância – que deu ordem aos anteneiros para acabarem com as transmissões – para dizer que a decisão

“encolheu a escolha livre” dos cidadãos. “É claro que o monopólio dos serviços de transmissão por uma entidade deve deixar de

existir, para seguir o melhor interesse do público.” Por isso mesmo a Novo Macau pede que sejam concedidas licenças aos anteneiros para que se mantenham as redes actuais e afirma que não deve ser necessária a autorização do Governo para se incluir canais nas redes. Sobre o problema de direitos de autor que é constantemente trazida à baila quando se fala em anteneiros, a Novo Macau deixa também uma sugestão. “Deve ser [um problema] deixado para os receptores de sinal e os proprietários de direitos autorais, para que negoceiem um acordo de autorização.” - J.F.


política 5

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

POLÍTICA DEMOGRÁFICA RESIDENTES ENTENDEM QUE O GOVERNO DEVE EMPENHAR-SE MAIS NA PROMOÇÃO

TIAGO ALCÂNTARA

Investimento no português é estratégico

A promoção de quadros qualificados passa por formar profissionais multilingues, sobretudo, no que toca à língua portuguesa, salientam algumas opiniões recolhidas no âmbito da auscultação sobre a política demográfica até 2036

2102

Foram as opiniões recolhidas

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

grande preocupação da população ouvida sobre o Enquadramento da Política Demográfica da RAEM até 2036 passa pela criação de condições para formação de quadros qualificados. Neste aspecto, “a maioria da população entende que atendendo ao papel de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, (...) o Governo deve empenhar-se mais em promover a língua portuguesa, devendo apoiar, para o efeito, a organização de cursos de português nas escolas”, diz o relatório, que resultou de 2102 opiniões recolhidas entre Novembro de 2012 e Fevereiro deste ano. No quadro das qualificações académicas, a população entende que a Administração deve promover “educação de qualidade, uniformizar as medidas destinadas a cada nível de ensino”, além de implementar cuidadosamente o planeamento educativo para cada nível de ensino, o que deve incluir “educação cívica e moral, cultura geral e matérias que tratem de assuntos locais”. A nível de ensino superior, a população entende que, apesar de

ter melhorado depois da transferência de poderes, ainda carece de “competitividade global”. “Um número considerável de opiniões vincou que dado a educação ser o meio principal da formação de quadros qualificados, o ensino superior deve focalizar-se mais, a médio e longo prazo, em formar profissionais que possam responder às necessidades da diversificação económica”, frisa o documento da autoria do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo, adiantando que a população entende que se intensifique a cooperação regional na área da educação para acelerar a formação de quadros qualificados locais e, para tal, deve ser implementada, “com a maior brevidade”, a nova lei do ensino superior. Na mesma linha de raciocínio, a aprendizagem contínua será propícia para a constituição de um ambiente de competitividade e de aprendizagem reforçando a necessidade de “fiscalização”.

REGIME DE PONTUAÇÃO PARA RESIDÊNCIA É “VIÁVEL”

No campo da importação de mão-de-obra, a sociedade defende que o regime de fixação de residência de quadros qualificados existente precisa de ser aperfeiçoado, uma vez que há problemas de “falta de transparência sobre os dados de fixação”, “requisitos estabelecidos

para aprovação que não são rigorosos”, “carência de mecanismo de avaliação das qualificações profissionais”, “falta de critérios de aprovação”, “objectivos obscuros” e “indefinição do tipo de profissionais a importar” bem como “falta de mecanismos transparentes de revisão”. Por essa razão, consi-

necessidades de desenvolvimento da sociedade. E, no que toca aos novos imigrantes, os residentes sugerem que sejam organizadas acções de formação, ajudando-os a integrarem-se na sociedade. Em relação aos desafios demográficos, a população entende que o envelhecimento e a falta de

Os residentes entendem ainda que o regime de fixação de residência para profissionais especializados deve ser “aperfeiçoado” e “transparente” para tornar mais “rigorosos” os procedimentos de apreciação e aprovação deram, quando for desenvolvido e optimizado o regime de importação de profissionais deve a par ser feita uma revisão do actual regime jurídico da permanência temporária, que deve simplificar os procedimentos de aprovação. Por outro lado, a sociedade defende ainda que a implementação do regime de pontuação para aprovação, que tem como objectivo melhorar o mecanismo da fixação de residência de quadros, é “viável”. Na mesma temática, alguns cidadãos entendem que se deve importar prioritariamente os jovens profissionais que satisfaçam as

recursos humanos são os problemas fundamentais que afectam o futuro desenvolvimento, mas o incentivo à natalidade não é consensual. Por outro lado, parte dos entrevistados pensa que é preciso optimizar um sistema de apoio a idosos, uma vez que há falta de diplomas legais que protejam esta franja da população como também de planeamento a longo prazo do regime de segurança social. No documento a consulta pública estiveram três propostas sobre a política demográfica de Macau em que se previam crescimentos da população entre as 754 mil e as 852 mil pessoas.


6 política

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

Metro Ligeiro Si Ka Lon questiona resultado do estudo do traçado

E

M interpelação escrita, Si Ka Lon questionou o Governo sobre o resultado do estudo sobre o Metro Ligeiro, isto porque o Governo fez saber anteriormente que este ano iria publicar o resultado, mas até agora ainda não o fez. “As autoridades dizem que a obra vai ser concluída em 2015, mas não se pronunciaram sobre o traçado da península. Se a parte de Macau não conseguir ser concluída, a parte do Cotai também não fará sentido. O Governo já considerou este problema?”, questionou o deputado. Si procura saber qual o progresso no estudo do traçado, mostrando

preocupação sobre o compromisso do Governo. Além disso, Si Ka Lon apontou que o relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) mostrou-se

crítico sobre o facto dos departamentos não terem feito correctamente a consulta, o que resultou em vários problemas. “Além disso, quando o traçado ainda se encontrava a ser corrigido, por não corresponder com questões de segurança, as autoridades diziam muitas vezes que já estava definido.” O deputado recomenda que as autoridades aprendam a lição e, neste sentido, realizem uma comunicação estreita e uma consulta mais adequada com as partes interessadas, para assegurar que as informações publicadas são verdadeiras. - C.L.

Ho Ion Sang questiona função do Conselho de Consumidores

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ÃO é a primeira vez que as competências do Conselho de Consumidores são questionadas e, ontem, Ho Ion Sang voltou a tocar no assunto. O deputado fez uma interpelação escrita sobre o organismo. “Há dois anos que o Governo está a falar de uma revisão da função do Conselho de Consumidores, mas até hoje não houve nenhuma acção. As autoridades já fizeram algum trabalho substantivo?” Ho Ion Sang aponta que, nas PUB

Linhas de Acção Governativa (LAG), o Chefe do Executivo disse que iria, no próximo ano, dar atenção para aprofundar o trabalho de pesquisa no mercado do preço dos produtos e põe em causa as competências. “Então, a função do Conselho de Consumidores é apenas a de investigar o preço. Assim, o organismo não consegue atingir o que espera a sociedade, como cumprir o seu papel de protecção dos consumidores. Será que o Governo pode pensar modificar a Lei

de Defesa do Consumidor, a fim de fazer corresponder as funções do Conselho de Consumidores sobre o que espera a sociedade?” Ho Ion Sang também comparou o Conselho de Consumidores de Hong Kong e de Macau, apontando da região vizinha lança, por exemplo, quatro e cinco relatórios por mês, sendo o resultado “muito útil para os residentes”. Pelo contrário, diz, o de Macau apenas lança seis relatórios sobre as qualidades dos serviços e dos produtos. – C.L.

Leong Veng Chai pede melhores condições para comerciantes na Taipa

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deputado Leong Veng Chai, número dois de José Pereira Coutinho e representante da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) junto da Assembleia Legislativa (AL) entregou ontem mais uma interpelação escrita sobre as actuais condições do mercado municipal na Taipa. Escreve o deputado que “o ambiente de negócio é péssimo” devido à falta de instalações e de equipamentos de ventilação e ar condicionado. “O Governo há muito que deixou de dar importância ao mercado municipal da Taipa, ao que acresce o enve-

lhecimento das suas instalações, factores que fizeram daquele mercado um autêntico deserto e que tiveram já como resultado o encerramento de algumas lojas.” “O mercado foi construído há mais de 20 anos mas nunca houve lugar a qualquer ampliação das suas instalações”, diz ainda. “Alguns dos operadores adiantaram que não existe uma zona para cargas e descargas, e perguntam como é que, com todas estas condições desfavoráveis, podem explorar ali o seu negócio.” Leong Veng Chai chama ainda a atenção para os poucos acessos que existem ao mercado. “Também faltam condições no exterior, como por exemplo meios de transporte. O mercado fica bastante afastado dos principais bairros habitacionais, e são poucos os autocarros que por lá passam.” O deputado exorta assim o Governo a promover melhores equipamentos dentro do mercado e a melhorar as ligações com os transportes públicos, para melhorar o negócio dos comerciantes. - A.S.S.


SOCIEDADE

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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Conselho Permanente de Concertação Social reuniu-se novamente, na sede da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), para debater as mesmas questões que parte laboral e patronal têm reiterado sobre o salário mínimo de trabalhadores da área de segurança e limpeza no sector privado. Não há resultados sobre a consulta pública, lançada entre Outubro e Novembro, pelo que as preocupações manifestadas mantêm-se, por um lado, no que toca à urgência do diploma (trabalhadores) e, por outro, sobre a pertinência do regime (patronato). O Governo está a analisar os dados recolhidos junto da população, que serão compilados num relatório a publicar no próximo 30 de Dezembro. “Depois a DSAL vai entrar na fase de processo legislativo. Não há data de implementação do regime, é necessário primeiro consultar e analisar o relatório, por isso não poderemos sugerir uma data para a finalização da proposta de lei”, frisou ontem Wong Chi Hong, director do organismo, aos jornalistas. “As partes [laboral e patronal] têm as suas reservas e posições e haverá pontos onde não vão conseguir chegar a um consenso.” Wong assegurou que não haverá mais consultas públicas pelo que as opiniões recentemente recolhidas, num espectro de 1007 pessoas, são já representativas de vários sectores da sociedade, inclusivamente sobre o que pensam os “pequenos proprietários”. “Vamos ter em conta se a sociedade consegue suportar este ajustamento ou não.” Segundo o estudo da Universidade de Macau (UMAC), colocado em auscultação, os valores em debate pressupõem um salário de 28 a 30 patacas por hora. Ou seja, o que pode garantir aos cerca de 11 mil trabalhadores do sector uma variação de salário entre as 4784 patacas por mês e as 6240 patacas, calculando oito horas de trabalho diário num período de 26 dias. Da parte laboral há vontade de “compromisso” por parte do Governo, que continua a adiar a aplicação do salário mínimo.

SALÁRIO MÍNIMO RELATÓRIO DA AUSCULTAÇÃO SAI A 30 DE DEZEMBRO

“Processo legislativo” arranca em 2014

8 2 30 “Queremos que o Executivo nos dê uma data de implementação do regime. Não convém adiar muito e deve entrar o quanto antes em vigor. Tem de haver uma data”, explica Ella Lei, vice-presidente da Federação da Associação dos Operários de Macau. O patronato entende que “será necessário ter uma análise ou estudo muito aprofundou ou, de outro modo, não será hora oportuna para implementar o regime”, sentencia Vong Kok Sen, vice-presidente da

O ESSENCIAL

Não há resultados sobre a consulta pública, lançada entre Outubro e Novembro, pelo que as preocupações manifestadas mantêm-se, por um lado, no que toca à urgência do diploma (trabalhadores) e, por outro, sobre a pertinência do regime (patronato)

Associação Comercial de Macau. As preocupações da parte laboral passam pelo aumento de custos e despesas que os administradores de condomínios terão de pagar, sem certeza de que toda a gente conseguirá “suportar este montante”. Recorde-se que existe actualmente um salário mínimo de 26 patacas/hora, actualizado em Junho, para os trabalhadores dos serviços de segurança e limpeza do sector público.

Tribunal de Hong Kong considera inocentes arguidos envolvidos no caso Ao Man Long

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Lionel Krieger

James Tam

Tribunal de Última Instância de Hong Kong ilibou anteontem dois arguidos envolvidos no escandâlo de corrupção Ao Man Long, que foram condenados por terem subornado o ex-secretário. De acordo com o jornal South China Morning Post, os dois antigos directores da empresa de Recolha de Resíduos Swire Sita venceram

um processo de recurso porque o tribunal considerou que os homens fizeram o pagamento – de 29 milhões de dólares de Hong Kong – “fora de Hong Kong”. Lionel Krieger e James Tam Ping Cheong foram considerados culpados anteriormente. O tribunal dizia que os dois responsáveis pagaram a Ao Man Long, ex-secretário

para as Obras Públicas, para conseguirem três contratos com o Governo. Foram condenados a pouco mais de três anos de prisão, mas viram essa pena, agora, revogada. A Swire continua a ser uma das principais accionistas da Companhia de Sistema de Resíduos de Macau (CSR), que tem o monopólio da recolha de lixo no território.

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Inflação fixada em 5,51%

A taxa de inflação em Macau nos 12 meses terminados em Novembro contra os 12 meses do período homónimo fixou-se em 5,51 % devido ao aumento dos preços da habitação, combustíveis, bebidas alcoólicas e do tabaco. Dados estatísticos oficiais revelados indicam que o Índice de Preços ao Consumidor, nos 12 meses terminados em Novembro, contra os 12 meses imediatamente anteriores, registou acréscimos de 9,79% nos preços nas secções de “habitação e combustíveis” e de 6,82% nas bebidas alcoólicas e tabaco. Em sentido inverso, os preços das comunicações caíram 2,26% e os da educação 1,83%. Só em Novembro e face ao mesmo mês de 2012, os preços subiram 5,78%, devido a aumentos de 11,12% na “habitação e combustíveis” e de 6,48% nos “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”. Segundo os mesmo dados, em queda estavam os preços das “comunicações”, que baixaram 1,77%. Nos 11 meses até Novembro, O IPC médio cresceu 5,48% em termos anuais.

Empréstimos hipotecários caíram 24,5%

O valor dos novos empréstimos hipotecários para habitação em Macau caiu em Outubro para 3.197,5 milhões de patacas, menos 30,3% do que em Setembro e menos 24,5% face ao mesmo mês de 2012. Dados da Autoridade Monetária de Macau revelados indicam que os residentes de Macau assumiram empréstimos no valor de 3.168,5 milhões de patacas, menos 25,8% do que em Setembro e menos 18,3% do que em Outubro de 2012. Já os não residentes de Macau contraíram empréstimos hipotecários no valor de 29 milhões de patacas, menos 90,9% por cento do que em Setembro deste ano e menos 91,9% do que em Outubro do ano passado. Com os dados de Outubro, o saldo bruto dos empréstimos à habitação estava contabilizado em 114.905,8 milhões de patacas, ainda assim 1,6% mais do que em Setembro deste ano e 22,3% mais do que em Outubro do ano passado. Os residentes de Macau possuem empréstimos no valor de 108.682,5 milhões de patacas - mais 1,6% do que em Setembro e mais 25,3% do que em Outubro de 2012 enquanto os não residentes tinham contratualizados empréstimos de 6.223,2 milhões de patacas, mais 1,2% face a Setembro e menos 13,4% do que em Outubro do ano passado.


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joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Tribunal de Última Instância (TUI) voltou a negar recurso à SHFL Entertainment Inc (antes conhecida como Shuffle Maters) contra a LT Game, depois de a empresa ter visto ser-lhe negada a admissão do mesmo recurso pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI). Segundo um acórdão publicado esta quarta-feira pelo TUI, e analisado ontem pelo HM, a SHFL não conseguiu levar a sua avante pelo mesmo motivo dado pelo tribunal inferior: a empresa não tem qualquer legitimidade para apresentar um recurso, uma vez que foi uma das empresas contra a quem a LT Game apresentou uma providência cautelar. O caso diz respeito a uma luta devido a patentes que se arrasta desde 2009, mas o culminar deu-se o ano passado, aquando da realização da G2E Asia – exposição de jogo em Macau: quatro empresas fornecedoras de equipamentos – entre as quais a SHFL – viram-se obrigadas a retirar as suas máquinas da exposição, em Maio no Venetian, devido a uma providência cautelar emitida pelo Tribunal Judicial de Base, a pedido da LT Game. É que esta – liderada por Jay Chun e associada à Natural Noble Limited, ‘off shore’ das Ilhas Virgens Britânicas – detém as patentes de invenção de um “método e sistema para jogar o prémio grande de bacará” e de um “terminal e sistema de jogo”, registadas na Direcção dos Serviços de Finanças do território e a ser,

TIAGO ALCÂNTARA

JOANA FREITAS

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

TUI NÃO ACEITA RECURSO DA SHFL SOBRE GUERRA DAS PATENTES NA G2E

A última oportunidade actualmente, utilizados em alguns casinos de Macau. A LT Game sentiu-se ameaçada aquando da exposição e conseguiu impedir que a Alfastreet, da Eslovénia, a F2 Systems Inc, da Coreia do Sul, a Shuffle Master Asia e a Interblock Asia Pacific mostrassem as suas máquinas na RAEM. Ainda assim, a SHFL pagou uma caução no valor de um milhão de patacas em nome da Shuffle Master Asia, para que esta pudesse expor as suas máquinas no Venetian. Posteriormente,

interpôs um recurso para o TSI, reclamando a devolução do dinheiro. Isto porque, a LT Game aceitou o dinheiro da empresa com sede em Macau, a SHFL Entertainment, mas a Shuffle Master, nome anterior da empresa com sede na Austrália, não estava directamente relacionada com a providência cautelar. O TSI concordou com isto, dizendo que a empresa utilizou “duas vestes” para apresentar o seu recurso. E foi isso mesmo que a impediu de apresentar um

recurso. “A recorrente é parte ilegítima no recurso, porque não é parte principal nem ficou directa, ou efectivamente, prejudicada pela decisão”, podia ler-se no acórdão do TSI, dado a

conhecer em Setembro deste ano. “O facto de ter prestado uma caução em nome de terceiro – [a empresa Shuffle Master Asia] – a recorrente carece de legitimidade para recorrer da decisão.”

O ESSENCIAL Segundo um acórdão publicado pelo TUI, a SHFL não conseguiu levar a sua avante pelo mesmo motivo dado pelo tribunal inferior: a empresa não tem qualquer legitimidade para apresentar um recurso, uma vez que foi uma das empresas contra a quem a LT Game apresentou uma providência cautelar.

No acórdão mais recente, agora do TUI, a empresa volta a dizer que considera ter legitimidade para apresentar o recurso. O TUI discorda. “A legitimidade para recorrer é conferida à pessoa que tenha ficado vencida e ainda àquelas directa e efectivamente prejudicas pela decisão”, começa por dizer o acórdão. “Resulta dos autos que a recorrente não é parte principal no processo de procedimento cautelar. E a providência cautelar não foi decretada contra si.” ASHFL tentou ainda levar razão por causa da caução que pagou, mas o tribunal considerou que essa não era uma discussão para este recurso. Esta foi a última oportunidade da SHFL, uma vez que as decisões do TUI não são passíveis de recurso.

TÁXIS ASSOCIAÇÕES QUEREM AUMENTOS DA TARIFA E APRESENTAM PROPOSTA

Independentemente do mau serviço CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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vice-presidente da Associação de Taxistas de Macau (ATM), Tai Kam Leong, disse ontem que iria apresentar uma proposta de aumento das tarifas no início em Janeiro, em conjunto com outras cinco associações. Os responsáveis pedem um aumento de 15 para 17 patacas de bandeirada. Tai Kam Leong considera a

proposta é mais “suave” do que uma outra, apresentada no último mês, que pedia que o aumento fosse até às 18 patacas. O vice-presidente da ATM admite que, embora o serviço actual de táxis não satisfaça, isso em nada tem a ver com o facto de o sector querer aumentar as tarifas do serviço. O responsável dá o exemplo da falência da Reolian e diz mesmo que as empresas de táxi também estão sujeitas a

este perigo. “O serviço de táxi não é bom, mas o aumento de tarifa não tem nada a ver com o serviço. Já temos regras para regular o comportamento desses serviços, mas as despesas de operação são outra coisa. Se não se aumentar as tarifas de autocarros, as empresas fecham. As empresas de táxi também são assim, espero que os residentes entendam a nossa dificuldade.” O Governo está a planear lançar mais 200 licenças de

táxi, mas Tai Kam Leong considera que as outras 200 licenças lançadas o ano passado ainda não conseguiram preencher todas as vagas, faltando entre 50 a 60 taxistas. E pede mais ao Executivo. “O Governo tem que também resolver o problema da falta de recursos humanos no sector. Não é suficiente apenas aumentar as licenças de táxi, mas tem também de se aumentar o número de taxistas.”


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grupo chinês Fosun, um dos dois candidatos à privatização das seguradoras da Caixa Geral de Depósitos, manifestou-se ontem “interessado noutras oportunidades de investimento em Portugal”, nomeadamente nas áreas do turismo e saúde. “Toda a gente me tem dito que Portugal é um país seguro e receptivo ao investimento chinês”, afirmou à agência Lusa em Pequim o vice-presidente e director executivo (CEO) do grupo, Liang Xinjun. Liang Xinjun referia-se aos contactos com responsáveis da China Three Gorges e de outras grandes empresas chinesas que nos últimos dois anos investiram em Portugal. “Sentimo-nos muito confortáveis com Portugal por causa de Macau. Portugal manteve uma relação muito boa com o Governo e o povo da China”, disse. Considerado um dos maiores e mais lucrativos consórcios privados da China, o Fosun Group tem participações em dezenas de empresas de vários ramos, chinesas e internacionais, entre as quais o Club Mediterranee. Uma das operações mais mediáticas do grupo, consumada esta semana, foi a compra de uma conhecida torre de escritórios de Nova Iorque, a One Chase Manhattan Plaza, por 725 milhões de dólares. PUB

GRUPO CHINÊS INTERESSADO NAS SEGURADORAS DA CGD ENCARA OUTROS INVESTIMENTOS

“Sentimo-nos muito confortáveis com Portugal por causa de Macau” Na passada segunda-feira, o Fosun Group tornou-se também um dos candidatos à privatização das três seguradoras da Caixa Geral de Depósitos (Fidelidade, Multicare e Cares), competindo com os norte-americanos da Apollo Management International. Naquela que é a sua primeira entrevista a um órgão de comunicação português, Liang Xinjun disse que o grupo fez “uma oferta bastante atractiva”, mas não precisou o montante envolvido. “Será o nosso maior investimento de sempre na área dos seguros”, afirmou. O Fosun Group é accionista de três companhias de seguros, entre as quais a PeakRe, de Hong Kong, na qual detêm 85% do capital. Em declarações à agência Lusa, Liang Xinjun realçou também que o grupo Fosun tem “grande experiência em questões relacionadas com reestruturação de empresas estatais”, tendo já participado em 18 processos do género. “É uma

experiência que pode ajudar as empresas portuguesas (...) Podemos, de facto, acrescentar valor à Caixa-Seguros”, disse.

CONFIANÇA NA PROPOSTA

Liang Xinjun disse estar “confiante” quanto ao sucesso da proposta do Fosun Group e congratulou-se com “a boa comunicação” que tem tido com o Governo português e com os responsáveis por este processo de privatização. “Estamos dispostos a investir muito mais em Portugal. Há muito boas empresas, serviços e produtos em Portugal”, afirmou. “Esperamos ganhar, mas mesmo se não ganharmos, continuaremos a acompanhar de perto outras oportunidades de investimento em Portugal”, acrescentou. O Fosun Group é também um dos principais accionistas da maior agência de viagens da China, um país que deverá tornar-se este ano o primeiro emissor

mundial de turistas (cerca de 100 milhões). “Podemos encorajar mais turistas chineses a visitar Portugal”, referiu. Sediado em Xangai, a maior e mais cosmopolita chinesa, o

Fosun Group detem igualmente participações em empresas das áreas da saúde, farmácia, cuidados com a terceira idade, distribuição, joalharia e media: “Temos interesse em todas as indústrias ligadas ao estilo de vida da classe média”. “Dentro de cinco a oito anos, 30 a 35% da população chinesa (cerca de 400 milhões) pertencerão à classe média. Será a maior classe média do mundo”, salientou. Liang Xinjun, 45 anos, formado em biotecnologia, foi um dos fundadores do Fosun Group, juntamente com o presidente, Guo Guangchang, e os outros membros do núcleo dirigente do consórcio, incluindo o outro vice-presidente, Wang Qunbin, que foi a Lisboa entregar a proposta para a privatização da Caixa-Seguros. “Começámos em 1992 com 4.000 dólares. Hoje, os nossos activos valem 29.000 milhões de dólares”, disse Liang Xinjun. - Lusa


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CHINA

MARIA JOÃO BELCHIOR Em Pequim

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China não é o primeiro país da lista, nem o segundo. Mas embora não estando na linha de frente no que se refere a estudos, já está entre os primeiros países investidores em nanotecnologia. Embora os estudos sejam principalmente feitos em universidades e institutos, são as empresas que mais detém patentes. De facto, numa ciência relativamente nova, estes estudos são muitas vezes patrocinados por empresas. O universo que se abre ao estudar nanotecnologia é imenso e levanta algumas dúvidas sobre a possibilidade e a própria aplicabilidade de algumas descobertas. Mas desde que em 1959 pela primeira vez um físico norte-americano convidou a comunidade científica a analisar o infinito no pequeno, a investigação nunca mais parou. São passos ainda pouco visíveis mas onde há muito por descobrir.

REDEFINIR DIRECÇÕES

Pequim foi a cidade escolhida em 2013 para o Congresso de Nanotecnologia do Centro Internacional de Tecnologia IEEF, e que juntou engenheiros e especialistas de todo o mundo. O tema “Mudar a Vida Humana” implicava alguma controvérsia mas é um debate fundamental para definir o trabalho dos próximos anos. Desde melhoramentos na medicina, na tecnologia, até à segurança alimentar, o futuro vai passar por estas descobertas. A China é hoje o país que apresenta mais estudos académicos por ano.

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CHINA APOSTA FORTE NA NANOTECNOLOGIA

Passos de gigante

A manipulação de átomos e moléculas, a forma mais simples de descrever a nanotecnologia, vai permitir uma maior eficácia nas cadeias de produção. No entanto, se por exemplo na medicina molecular e medicina regenerativa estes avanços são vistos como positivos, há muitas áreas onde se levantam dúvidas inclusive entre os especialistas. Desde o ano 2000 que mais de 60 países estabeleceram seu próprio programa de investigação em nanotecnologia. Na conferência que teve lugar em Agosto em Pequim, um dos debates passava pelo futuro da comercialização da nanotecnologia e o papel que os engenheiros terão neste processo. O futuro do grafeno e dos nanotubos na electrónica é outro tema recorrente na investigação e sobre o qual se trabalha há anos. Os resultados são lentos e os investimentos muito elevados, o que leva a que nem todos os países tenham recursos para entrar nesta corrida de manipulação da matéria ao nível atómico. A China investe em parcerias público-privadas e o governo apoia muitos novos projectos mesmo sendo uma área onde existe tanta dúvida. Uma atitude que contribui para que o conhecimento não fique apenas nas universidades e institutos e altere a posição da China no

mundo da investigação. Incentivar o regresso de muitos engenheiros chineses que estudaram no estrangeiro tem sido outra das estratégias da China. Com resultados lentos na investigação não se sabe ao certo quando é que os investimentos trarão retornos. Por ano a China tem aumentado os investimentos na ordem dos vinte por cento e em 2015 estima-se que seja o país que mais investe. Os Estados Unidos são o país com mais descobertas patenteadas, tanto em nome privado como nacional. Na China o programa nacional de investigação foi lançado em 2001, um ano depois dos Estados Unidos terem lançado o seu próprio programa. Prevê-se que devido ao grande investimento a República Popular China venha a ter resultados que podem superar os Estados

Unidos em alguns sectores. A multidisciplinaridade da área que junta ciência e engenharia e a não existência de tantos limites à investigação como há noutros países, vão favorecer a China que nos últimos anos registou centenas de empresas na investigação. Actualmente a nível nacional o maior investimento é feito em nanomateriais, nanociência, nanomedicina e nanoelectrónica. No total, os quatro ramos fazem setenta por cento dos investimentos.

A UNIÃO FAZ A FORÇA

Para dividir custos e conseguir tirar o melhor proveito de diferentes investigações, desde há uma década que a China se une a outros países, potenciando as pesquisas e trabalhos destes. Brasil e Argentina são dois países que desde 2011 partilham centros de investigação nanotecnológica com a China.

Para dividir custos e conseguir tirar o melhor proveito de diferentes investigações, desde há uma década que a China se une a outros países, potenciando as pesquisas e trabalhos destes. Brasil e Argentina são dois países que desde 2011 partilham centros de investigação nanotecnológica com a China

O maior financiamento a nível mundial chega dos Estados Unidos e da China e, embora a Rússia e a Índia queiram acompanhar, é difícil. Nos Estados Unidos a diminuição dos fundos para a pesquisa fez a China passar para a linha da frente. Várias universidades nacionais trabalham em projectos patrocinados pelo governo. Entre as primeiras está a universidade de Tsinghua mas há muitos departamentos, e em muitas universidades, dedicados à pesquisa. Em algumas áreas, a China troca conhecimentos com outras investigações académicas que vão desde o norte da Europa, Inglaterra ou aos Estados Unidos. Mas tratam-se de projectos onde ambos possam ganhar com a união. Uma nova descoberta pode valer muito dinheiro e manter o segredo é importante. A competitividade económica vai passar por estas descobertas que se alargam muito para além do que se consegue ver. Novos materiais mais resistentes, mas também novas formas de plantar vegetais, novos medicamentos, novos aparelhos médicos, novas roupas, tudo poderá, no futuro, ter um conjunto de nanopartículas que vão pertencer, como patente, a quem as primeiro encontrar.


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China Mobile negocia acordo com Apple

A China Mobile disse que ainda está em negociações com a Apple para vender iPhones face à crescente especulação no sector de que as empresas estão prestes a anunciar um acordo que deve dar à gigante de tecnologia um potencial de milhões de novos clientes. Xi Guohua, presidente do conselho da maior operadora de rede móvel do mundo, disse esta quarta-feira que a empresa não tinha qualquer anúncio a fazer sobre o acordo para oferecer os ‘smartphones’ da Apple. Xi falou aos jornalistas numa conferência em Guangzhou, no sul da China. Um acordo com a China Mobile tem um potencial de biliões de patacas em receitas para a Apple. Cerca de 760 milhões de novos consumidores da China Mobile podem vir a ganhar acesso aos iPhones.

Acordo para devolução de corpos de soldados chineses na Guerra da Coreia

A China e a Coreia do Sul chegaram a um acordo sobre a transferência dos corpos de soldados voluntários chineses que lutaram e morreram na Guerra da Coreia. A parte sul-coreana concordou em devolver os restos mortais dos soldados e os seus pertences para a parte chinesa. As duas partes vão promover os trabalhos com base no espírito humanitário, através de consultas amistosas, informa a rádio China.

PREVISTO CRESCIMENTO DAS EXPORTAÇÕES EM DEZEMBRO

Procura global a ajudar A

S exportações da China crescerão provavelmente a um ritmo “relativamente rápido” em Dezembro, informou Shen Danyang, um porta-voz do Ministério do Comércio. Em Novembro, as exportações registaram uma surpreendente subida de 12,7% na compara-

ção com o mesmo mês do ano passado. Shen não forneceu nenhuma projecção precisa, mas disse que os números de Novembro foram influenciados pelos esforços do governo em ajudar os exportadores e por uma baixa base de comparação. De acordo com os dados publicados pelo governo,

as exportações de Novembro também foram influenciadas pela recuperação da procura global, particularmente na Europa e nos EUA. No entanto, a Administração Estatal de Câmbio Externo (SAFE, na sigla em inglês) alertou que os números de Novembro podem ter sido inflacionados por empresas

que reportaram fluxos de fundos de investimento como pagamentos comerciais. O porta-voz do ministro não comentou o assunto. Shen também afirmou que Xangai está a trabalhar para 2014 numa lista revista das áreas restritas ao investimento para a zona de livre comércio. Muitos analistas expressaram alguma decepção com a lista inicial de áreas restritas ao investimento, mas o porta-voz disse que houve um considerável interesse na zona, apesar das restrições. “Na verdade, muitas empresas estrangeiras registaram-se para abrir várias operações na área”, afirmou.

REGIÃO GOVERNADOR DE TÓQUIO DEMITE-SE POR LAÇOS COM GRUPO ACUSADO DE FRAUDE ELEITORAL

Empréstimo de milhões O governador de Tóquio, Naoki Inose, anunciou ontem a sua demissão depois de se conhecer que recebeu um empréstimo de cerca de 3,5 milhões de patacas de um grupo empresarial acusado de fraude nas eleições de 2012. Depois de se conhecer, a 22 de Novembro, que Inose recebeu fundos do grupo empresarial em causa quando estava em campanha eleitoral para o cargo de governador de uma das maiores metrópoles do mundo, o político estava a ser pressionado para se demitir, tanto pela assembleia

regional como pelo Governo central. Inose recebeu em Novembro de 2012 um empréstimo de cerca de 3,5 milhões de patacas do

deputado Takeshi Tokuda, filho do presidente do grupo médico Tokushukai, o maior operador privado de instalações médicas no Japão, alegadamente para co-

brir as despesas da sua campanha às eleições de 16 de Dezembro desse ano. Em Setembro deste ano, as autoridades japonesas iniciaram uma investigação ao Tokushukai, que é acusada de violar a lei eleitoral por mobilizar pessoal da empresa para trabalhar na campanha para a reeleição de Tokuda nas legislativas de 2012. Inose, um dos principais responsáveis pela eleição de Tóquio para acolher os Jogos Olímpicos de 2020, foi vice-governador da capital japonesa entre 2007 e 2012 sob o mandato do polémico e popular Shintaro Ishihara. O cargo de governador de Tóquio é considerado como o segundo mais importante do Japão, depois do de primeiro-ministro.

Proprietário de conhecida cadeia de restaurantes no Japão foi morto a tiro

O proprietário de uma conhecida cadeia japonesa de restaurantes foi ontem morto a tiro em Quioto, informou a imprensa local. Takayuki Ohigashi, de 72 anos, foi encontrado a sangrar e inconsciente num parque de estacionamento em frente à sede da sua empresa, que tem mais de 650 restaurantes, em Quioto, segundo o diário Sankei Shimbun, tendo sido depois confirmado morto num hospital. De acordo com a imprensa local, o seu corpo apresentava sinais de, pelo menos, três tiros. Os assassínios com armas de fogo são raros no Japão, que tem uma legislação rigorosa quanto à posse de armas, sendo normalmente protagonizados pela máfia.


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EVENTOS

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JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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MGM Macau inaugura esta sexta-feira um novo espaço de arte no território. São cerca de oito mil pés quadrados, duma galeria concebida para ser um espaço flexível e funcional, que acolhem a exposição “Botticcelli’s Venus: Life and Times of a Goddess”. A mostra, dividida em várias fases, transporta-nos numa viagem ao passado, através de reproduções de alta resolução, de quadros da época em tamanho real, de artistas como Rafael, Piero della Francesca, ou Bronzino, e do próprio Sandro Botticelli. A viagem tem o seu ponto alto na obra-prima do mestre da Escola Fiorentina do século XV, “Vénus”, vinda de Hong Kong e que termina em Macau uma digressão de dois anos. A primeira parte é um olhar para as pessoas de Florença através do retrato e do guarda-roupa. A arte Renascentista revolucionou o mundo da época, ao indicar uma nova forma de descobrir a luz, o espaço e as formas. O guarda-roupa e os retratos expostos são um exemplo do espírito renas-

VÉNUS DE BOTTICELLI BRILHA NO NOVO ESPAÇO DE ARTE DO M

Obra-Prima do Renasc centista, com vários quadros onde se podem observar algumas das figuras mais representativas da época, como os Médicis, patronos do pintor italiano. Numa segunda parte a mostra leva-nos desde os primeiros trabalhos criativos de Sandro Botticelli, passando pelas suas Ma-

donnas, pelas pinturas religiosas, até ao seu trabalho sobre a mitologia. A exposição apresenta ainda uma representação digital de grande dimensão da praça mais importante de Florença, a “Piazza della Signora”, à frente da qual repousa a imponente escultura de bronze, “Il Porcellino”,

A mostra, dividida em várias fases, transporta-nos numa viagem ao passado, através de reproduções de alta resolução, de quadros da época em tamanho real, de artistas como Rafael, Piero della Francesca, ou Bronzino, e do próprio Sandro Botticelli. A viagem tem o seu ponto alto na obra-prima do mestre da Escola Fiorentina do século XV, “Vénus”, vinda de Hong Kong e que termina em Macau uma digressão de dois anos

javali em italiano. Vinda de Itália, a peça é um símbolo de sorte em Florença. Reza a lenda que esfregar o focinho do animal traz boa fortuna. Os visitantes do novo espaço do MGM terão a oportunidade de confirmar, ou não, a razão de ser do mito. Como não podia deixar de ser, o ponto mais alto desta exposição é a pintura de Vénus, emprestada pela famosa Galleria Sabauda, de Turim. Não sendo a principal obra do mestre italiano – as mais famosas serão “Primavera” e “O Nascimento de Vénus” – é no entanto impossível ficar indiferente perante a obra-prima exposta. A figura, que se acredita ser inspirada em Simonetta Vespucci, por quem o autor estava enamorado, reflecte todo o esplendor da arte de Botticelli, numa celebração única de beleza e graça. A obra, apresentada pela primeira vez em Macau, tem sido uma fonte de inspiração para muitos artistas ao longo da história.


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MGM

cimento Para o curador da exposição, Jonathan Thomson, que ontem fez uma visita guiada à imprensa, esta “é uma ocasião muito especial para Macau. Ter a oportunidade de observar uma obra-prima do Renascimento, criada por um dos seus maiores artistas. Um dos trabalhos mais belos e espectaculares, num contexto que ajuda as pessoas a aprender mais sobre o que

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ESTAÇÕES DIFERENTES • Stephen King

Stephen King surpreende-nos uma vez mais com a originalidade das suas histórias e o seu talento como escritor. “Estações Diferentes” é uma coleção de quatro novelas, três das quais foram adaptadas ao cinema. “Os Condenados de Shawshank” narra a história de um homem inocente que concebe um esquema para fugir da prisão. Na segunda novela, “Aluno Dotado”, adaptado ao cinema com o título “Sob Chantagem”, King apresenta-nos um menino exemplar que desafia um velho sombrio a despertar consigo um mal há muito enterrado. Em “O Corpo”, adaptado ao cinema com o título “Conta Comigo”, quatro rapazes aventuram-se nos bosques e a sua viagem acaba por tornar-se um ritual de passagem da infância à maturidade, e de perda da inocência. “A Técnica da Respiração” é uma história macabra acerca de uma mulher determinada a dar a luz e que, para isso, mantém o seu bebé vivo nas circunstâncias mais extraordinárias.

foi este período da história da arte e a perceber um pouco mais sobre o impacto que o Renascimento teve na vida das pessoas na época”, disse. Para o Vice-presidente de Marketing e Comunicação do MGM, Toby Leung, é também importante mostrar o que está por detrás da obra-prima. “ Quisemos também mostrar como é que as pessoas na época se vestiam, como se comportavam, como viviam...e quisemos também mostrar a vida de Botticelli e os seus trabalhos mais famosos. Esperemos que seja uma experiência fantástica partilhada pelos muitos visitantes que esperamos receber, não só da comunidade local,

como também de Hong-Kong e da China continental”. A Galeria que hoje abre portas já tem programação para o futuro, mas Toby Leung, não quis abrir o jogo. “Embora já saiba qual vai ser a próxima exposição, para já não a vou revelar. Quero que as pessoas se concentrem nesta mostra. A próxima vai ser igualmente bastante interessante, mas será algo completamente diferente”, anunciou, acrescentando, “queremos trazer uma grande variedade de formas de arte até este espaço”. “Botticcelli’s Venus: Life and Times of a Goddess”, vai estar no MGM até 16 de Fevereiro de 2014. A entrada é livre.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

DINHEIRO DE SANGUE • David Ignatius

Alguém no Paquistão anda a matar os membros de uma unidade de inteligência da CIA que tenta comprar a paz aos inimigos da América. Cabe a Sophie Marx, uma jovem agente, descobrir os culpados e as suas razões. O seu ponto de partida é Londres, mas a investigação não tarda a alargar-se a vários outros pontos do globo. Sophie parece ter um forte apoio de várias frentes, mas, à medida que se aproxima do cerne da questão, começa a perceber que nesta galeria de espelhos nada é aquilo que parece ser. Um romance inquietante e envolvente em que o preço das políticas adotadas é pago com sangue e a paz só é possível através da traição.


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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 14º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL

ASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES DA FUNÇÃO PÚBLICA DE MACAU

FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO 14.º ANIVERSÁRIO DO SEU ESTABELECIMENTO

O CONSELHO DAS COMUNIDADES MACAENSES FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO 14.º ANIVERSÁRIO DO SEU ESTABELECIMENTO


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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José Simões Morais

(TEXTO E FOTOS)

LEGADO CIVILIZACIONAL

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OMEMORA-SE hoje a transferência de Macau da Administração portuguesa para a chinesa, que ocorreu há 14 anos e perguntamo-nos: o que trouxe ao nosso pensar os 500 anos de convivência com os chineses? “Nós somos um edifício construído por fora com toda a terra, por dentro, com todas as estrelas. Nele vive silencioso e prisioneiro o fantasma do seu arquitecto.” Teixeira de Pascoais

A China volta a adquirir a importância que teve até ao século XV. Fonte civilizacional que irradiou uma quantidade de ensinamentos, como a Filosofia do Dao e a confucionista, que entraram na Europa desde o século XVII até aos finais do século XIX, muitas vezes desinseridas do contexto, mas para colmatar um Espaço que falta na ciência positivista europeia, cujo pensar conseguir controlar a Natureza, não deixa a mente abrir ao acausal. Sem os conhecimentos, como a nu-

meração binária, não estaríamos a escrever este artigo no computador e essa tem uma história na China de pelo menos 3000 anos. Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) criou o sistema binário a partir de textos enviados da China pelo jesuíta missionário francês Joachim Bouvet (1656-1730). Leibniz desenvolveu e explicou pela primeira vez ao Ocidente a numeração binária, ou aritmética de base 2, que serviu de base para a criação da linguagem dos computadores e está de acordo com as teorias da Electrici-

dade. Também Martin Shonberger, no livro “Hidden Key to Life” fez a comparação dos 64 hexagramas usados no “Livro das Mutações” (“Yi Jing”) com as 64 combinações do código genético do ADN, tal como a teoria Quântica e a teoria da Relatividade de Einstein estão em conformidade com a filosofia exposta nesse Livro. John Cage, poeta compositor norte-americano, usa a estrutura do Yi Jing para realizar composições musicais e textos poéticos, combinando-os com um sistema complexo de


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computação. Daí saem obras totalmente abertas, infinitas, somente limitadas pela nossa imaginação. A teoria dialéctica do Yin e Yang e dos 8 Trigramas chegou explicada no “Yi Jing”. O Universo é eterno e a sua ordem é regida pelo yang, o princípio masculino, o luminoso, e pelo yin, que simboliza o feminino, o obscuro. Tal como explica a Escola do Yin e do Yang, vinda de tempos que se perdem no espaço mitológico, se criarmos uma força positiva, ela terá também o negativo, num princípio de polarização e complementaridade. Tai ji (que rege a ordem do Universo) é a união destes dois princípios e representa-se por um círculo dividido em yin (parte escura) e yang (parte clara) e dentro da parte escura existe um ponto claro e na parte clara, um ponto escuro. Cada um cresce dentro do outro, não entrando em conflito entre si, mas complementando-se. Todo, infinito e indefinível, é como o organismo que se regula automática e espontaneamente. Organização destruída quando o panorama dos sentimentos está controlado pelo eu, que quer conservar o positivo (yang) e recusar o negativo (yin) ou vice-versa. Se o livro chinês “Yi Jing” transportou os conhecimentos adquiridos ao longo de milénios sobre o Universo, foi com o ‘Dao’ filosófico que pela primeira vez se escreveu a Filosofia das Origens do que existe sobre o Universo, desde a sua não-existência, ‘Dao’, que não pode ser definido, pois quando isso acontece deixa de ser ‘Dao’ e transforma-se em ‘dau’ e ‘de’. Dinâmica no pensar baseado na teoria dialéctica do Yin e Yang e dos 8 Trigramas explicados no Livro das Mutações (Yi Jing) e em três princípios essenciais, denominados ‘Dao’ (Via), ‘dau’ e ‘de’ (Virtude) e ‘wu-wei’ (não-acção). Expostos por escrito no Dao De Jing, a melhor maneira de os compreender está na contemplação do princípio que os liga entre si. ‘Dao’ (Origem das origens) aparece no estar como ‘dau’ (o impulso reactivo cujo movimento é a origem do Universo, o princípio de todas as coisas que existem, as leis que governam o seu desenvolvimento e as suas mudanças) e ‘de’ (Virtude), sendo ‘wu-wei’, a acção sem directamente agir, isto é, sem querer tomar posse, o segredo da harmonia com o ‘Dao’ (Via).

PRINCÍPIO DA SINCRONIZAÇÃO “A minha Pátria é o Mundo” Padre António Vieira Com uma maneira própria de pensar, que muito dista da Ocidental, a China legou à humanidade arquétipos e importantes invenções.

Para o Ocidente, a vida é considerada em competição, numa progressão linear contínua: o dia de hoje deve ser melhor do que ontem e amanhã, melhor do que foi hoje. Observa-se como causalidade mecânica, movimento rectilíneo uniforme no caminho Absoluto de um segmento de recta. A China, que vive pelo momento, vê o Tempo em diferentes níveis de complementaridade, como uma sequência helicoidal, que obedece a um movimento cíclico sem nunca voltar ao ponto de partida. Ritmo natural, que não nega o factor da mudança, vive com identificação num Todo e identidade do Todo. Essa mutação baseia-se na sequência dos elementos: madeira, fogo, terra, metal e água que se geram uns aos outros, nesta ordem e assim continuam, perpetuando a vida. E esse movimento gera-se pelo sentido contrário aos ponteiros do relógio. O psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) fala-nos do princípio da sincronização (um princípio de relação acausal) para se referir a esse pensar. Mostra-nos como todo o nosso pensamento ocidental se baseia na lei da causa e efeito. Ou seja, uma coisa acontece agora, porque outra aconteceu antes e com o formulário de Max Weber extingue-se o fundo onde tudo está situado, restando apenas a figura focada. Frag-

mentos enquadrados apenas na figura, que toma conta de toda a imagem, sem pontos de reflexão para se refazer em ciclos. Mas os chineses não meditam apenas ao longo dessa linha horizontal de área, que passa do passado através do presente para o futuro. Pensam também pelo movimento no eixo vertical entre áreas distintas, conjugando o que acontece agora num lugar, com o que acontece agora noutro lugar. Não perguntam as causas que levaram ao acontecimento de determinado facto, mas interrogam-se sobre o que leva a que as coisas aconteçam juntas neste momento. Esta contemplação baseia-se numa alta avaliação do momento. O que quer dizer que, todas as coisas que agora acontecem têm uma certa relação recíproca, porque elas acontecem ao mesmo tempo. Isto é, a expressão da existência de uma harmonia que faz ordem perfeita sobre todos os acontecimentos de cada instante no Universo. O Ocidente vê-o como caos. Na China, o Tempo é uno mas, como método, pode desdobrar-se pelos ciclos da História, que se repetem com outras vestes. “O significado do Tempo consiste em possibilitar às etapas de crescimento, desdobrarem-se numa sequência clara.” No Livro das Mutações (Yi Jing) existem hexagramas que representam o tempo, sempre na situação relacionada

como um todo”, segundo Richard Wilhelm. Na vida tudo é feito de mutação e essa é a única constante que existe, o imutável. E continuando, “o imutável é o fundo indispensável sobre a qual a mutação se torna possível”. “Toda a mutação supõe um ponto constante que lhe serve de referência e esse ponto de referência precisa de ser estabelecido em cada ocasião, opção e decisão, para criar as coordenadas do sistema onde tudo se pode encaixar.” “Teoricamente, é possível criar pontos de referência mas, a experiência demonstra que desde o despertar da nossa consciência já nos encontramos inseridos em sistemas estabelecidos de relacionamento tão forte, que tendem a prevalecer.” “Assim a escolha do ponto de referência de modo a coincidir com o vir a ser cósmico” “O mundo é um sistema de referências integradas, um cosmos, não um caos e é nesta convicção que se fundamenta a filosofia chinesa.”

O LEGADO

A História da Medicina na China tem milhares de anos e a filosofia que a guia encontra-se em dois conceitos: a lei do movimento das compensações entre Yin Continua na página seguinte


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e Yang e a dos Cinco Elementos que, quando conjugados com a energia vital, Qi e lidos pela alquimia dos hexagramas usados no “Yi Jing”, revelam a interacção do nosso Ser com o Universo, pois ambos somos uma e a mesma coisa. Avançando em ciclos, apareceram as ervas como cura para muitas doenças e desintoxicações através dos chás, que no seu primeiro significado traduz “procura”. As massagens foi outra das descobertas primitivas. Já no “Livro dos Poemas” do século XII a.n.E., um sem número de plantas estão classificadas. No século V a.n.E. empregava-se a auscultação da pulsação e o tratamento pela acupunctura. Mas é no século III ainda a.n.E. que aparece o livro dos livros da Medicina. “Nei Jing” como é mais conhecido, ou “Huang Di Nei Jing”, é uma enciclopédia médica compreensiva e inclui, para além de diferentes pontos de vista como teóricos ou práticos de clínica, causas das doenças e sua prevenção, assim como a relação do micro e macro cosmos do Ser Vivo. Os chineses têm a circulação sanguínea do ser humano mapeada desde o século II a.n.E. e é desse século o livro farmacológico “Herbanário” que inclui 365 tipos de drogas. O tratado escrito cinco séculos mais tarde, nos finais da dinastia Han, por Zhang Zhongjing, dá os fundamentos para a prática clínica e apareceu ao mesmo tempo que o distinto cirurgião, Hua Tuo, fazia uma operação anestesiando o paciente. Também no século III foi escrito o “Clássico de Acupunctura e Moxibustão”. Três séculos depois o número de medicamentos classificados aumentou para 730. A China usou o jade como pedra medicinal, fez do chá a sua bebida e da

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acupunctura a sua medicina preventiva, representando a serenidade e beleza pelos jardins e pinturas. Hipoteticamente deu às bases renascentistas a “regra de ouro”, divisão do espaço, tão utilizado na pintura, como na incorporação da obra do Homem na Natureza Oriental. Os números negativos apareceram no século II a.n.e., o que pressupõe o zero representado então por um espaço em branco, mesmo antes de os indianos inventarem o símbolo para o zero. No século VI a.n.E. enunciou a Primeira Lei do Movimento, que só no século XVIII Newton dá a conhecer na Europa. Os chineses foram também os criadores de uma série de produtos que legaram ao mundo como a seda, a porcelana, a laca, o papel, os pincéis, a pólvora, o papagaio de papel, que para além de ser usado para fins militares, tinha fins lúdicos, o dinheiro-papel e as bússolas, tanto a terrestre, como a marítima. O forno de fole permitiu aumentar a temperatura e atingir o ponto de fusão do ferro, sendo criados por isso os moldes e o fabrico do aço no século II a.n.E.. Outra das invenções foi a bomba de roda, assim como o leme no barco centrado na proa e os compartimentos estanques dentro dos juncos. O primeiro livro foi impresso no ano de 868 e a prensa inventada no século XI. Da China chegaram os fósforos e as massas alimentares, assim como o comer com a ajuda de utensílios que afastam as mãos da comida. Estes, alguns dos avanços que a cultura Ocidental herdou do País do Meio.

O DRAGÃO ACORDOU DE NOVO

“Todos os assuntos que abordamos sem que encontrem no nosso cérebro clima afecto, não germinam, e são como

que caídos em terrenos estéril. E esses mesmos assuntos recolhidos pelo mesmo terreno que de antemão sofreu uma preparação, um estímulo de ordem directamente relacionado com a nossa história pessoal, dão frutos surpreendentes.” Do livro “Aquário e Sagitário” de Agustina Bessa-Luís. Ao entender os ciclos nos diferentes mundos de consciência, com a atenção no momento Vivo, não há mais necessidade de afirmação individual humana, já que se pertence ao Todo, Ren (人). Com uma história contínua, em ciclos de dominantes pela erudição, a dominados pelas armas, os chineses conseguem ser herdeiros de um mundo muito antigo que conta os tempos ancestrais. Para os chineses não importa o que se pensa, mas como se pensa e por isso, para iniciar uma amizade é normal começar por beber três copos de vinho, num trago. Trazem os arquétipos ainda espelhados no quotidiano e os anciãos preparados para conscientemente verem o fio que envolve os mundos de consciência que vestem o actual ser humano. Os antepassados reflectem-se no respeito ao idoso e na hierarquia familiar, assim como, o lugar que cada um ocupa espelhado na posição da mesa que lhe é atribuída, ou no bater dos copos ao brindar. O mundo que é a China só nele, imbuído e intuindo, se aproxima dos enquadramentos do espaço do pensar. Um historiador alemão referiu “o europeu quando está fora do seu país sente-se estrangeiro e os chineses, fora ou dentro da China, consideram-se sempre chineses”. Quando vemos portugueses (pois são desses que nos interessa falar) a

procurar impingir as suas verdades de direitos individuais (baseadas em causa e efeito) e democracia (onde reinam as multinacionais) perguntamos se não temos nada a aprender com este povo milenar, governado pelo Poder Central cujo leque é muito mais abrangente de forças e diferentes doutrinas que as compostas em todos os países ocidentais, onde aí tudo o que contradiz não pode existir. As liberdades individuais que, para se realizarem na sua plenitude, reduzem a área do campo a um ponto, levam o espaço de discussão a aceitar apenas falar das formas e não do Espaço (espírito, energia), serão mais amplas que a liberdade do colectivo? Relembrando momentos históricos de tensão entre os países Ocidentais e a China, desde o século XVII ocorreu o problema dos Ritos e no século XIX, as duas Guerras do Ópio. A China habituada desde sempre a receber vassalagem pela amizade feita em erudição da acção e postura ética, num poder devido aos produtos apetecíveis e superioridade naval, foi derrotada pela pólvora que inventou, (mas para outros fins) e viu-se obrigada a ceder portos do seu território porque os comerciantes britânicos gastavam as suas fortunas na aquisição de seda, chá e porcelana e nada tinham para trocar. Então, trouxeram o anfião da Índia para substituir a prata que já não tinham e pela guerra forçaram, contra a vontade dos governantes chineses, a entrada de ópio na China. O ponto mais baixo da História da China, onde todo o dinheiro que governa o actual mundo, por impostas guerras, foi roubado ao país cuja erudição soube oferecer uma elevada postura civilizacional. Para terminar, devemos lembrar que para os ensinamentos confucionistas, a actividade comercial era vista como algo desprezável para os chineses. Vem isto a jeito de lembrar que, Jorge Álvares chegou ao Sul da China como feitor da mercadoria e não como navegador e para a História Universal nada acrescentou. O Dragão acordou e desacomodado desponta. O que actualmente vemos na mente dos portugueses é um pensar de forma e não de Espaço, servindo estes apenas como meros trabalhadores de uma figura que não os representa. Falta-nos a nós portugueses conseguir de novo englobar o que à nossa volta se passa pois, “Não deixemos que um só deus fique fora de nós! Absorvamos todos os deuses! Já conquistámos o Mar, falta-nos conquistar o Céu, deixando a Terra aos Outros, aos eternamente Outros, aos Outros de nascença, aos Europeus que não são europeus por não serem portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não existe se falta alguma coisa.” Fernando Pessoa


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a revolta do emir

Pedro Lystmann

LA BOHÈME, O LIVRO

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ÃO revelará grande voo mental calcular que estas linhas seguem as que no artigo passado aqui se exposeram, despidas de qualquer melancolia ou inclinação crítica. Está longe da intenção do seu autor proclamar uma necessidade imperiosa de extravagância no traje e na afectação, senão mesmo na preferência sexual. Contudo, estas exprimem o desejo de que, por vezes, ao olhar carregado e aflito de alguns bebentes locais se acrescentasse, em doses à escolha de cada um dos desfilantes, maquilhagem que lhes alegrasse o semblante e lhes avivasse um pouco o espírito. Impertinente seria, igualmente, em tão pouco tempo, arriscar-se aqui a fazer um esboço, sequer, da história da distração. No entanto, encontrar traços de identidade, que não uma influência directa, entre os macaronis do século XVIII descritos no artigo anterior, e a boémia oitocentista e de inícios do século XX é um exercício natural. Tudo isto releva da leitura de um livro de fotografias do século XIX e XX onde esta disposição se demonstra. Este livro chama-se La Bohème. Die Inszenierung des Künstlers in Fotografien des 19. und 20. Jahrhunderts, é de 2010, é escrito em alemão mas contém tradução para inglês no final. Este é, sobretudo, um livro sobre fotografia, desde os seus inícios, e particularmente enquanto fotografia de pessoas. É uma parada de vaidades. Não admira que a fotografia, assim como o desenho, meios rápidos e menos solenes de representação do que a pintura ou a escultura, tenham sido tão usados para a exibição boémia. Nele encontramos muitas figuras conhecidas das artes, da poesia à pintura, da fotografia ao teatro e à dança (o subtítulo traduz-se livremente como Encenação de Artistas como Boémios na Fotografia dos sécs. XIX e XX). Estes encenam-se e desfilam em poses galantes ou extravagantes ou em figurações bizarras. George Grosz como gangster americano (1917); o famoso retrato de Nadar dentro do cesto de um balão de ar quente (1860); George Sand de peruca (1865); gente no Egipto; Pierre Loti mascarado de beduíno, albanês, chinês, Osíris ou bretão; Paul Gaugin em cuecas; Ludwig Kirchner como soldado; Picasso; Óscar Wilde; Balzac; Modigliani; muitas mulheres nuas (e alguns homens); encenações medievais, neandertalensis ou egipcíacas; ousadas encenações orgiásticas; Otto Dix como dândi, entre muitos outros.

As muitas fotografias são acompanhadas de 29 artigos, uns mais centrados em história da fotografia outros incidindo mais sobre a descrição das boémias. Como convém, este é um tema muito abrangente. Se no artigo anterior se falara dos Macaronis do séc. XVIII e dos Fop, do século XVII, ambos grupos de janotas extravagantes de classe alta, o conceito oitocentista de boémia ganha uma conotação quase exclusivamente artística ao mesmo que ilustra, através de uma marcada inclinação para a encenação,

décadas antes) e a ópera de Leoncavallo ajudam a cimentar, constrói-se uma outra, também contestatária na adopção de modos de comportamento anti-burgueses e convencionais, mais aristocrática e elitista, a do dândi e do flâneur. Um artigo de Bodo von Dewitz explora esta política mas desvia-se rapidamente para o papel da fotografia, cujo aparecimento se dá pelos anos 30 a 50, na documentação destes movimentos. Muitos artistas tornaram-se fotógrafos. Muitos artistas aproveitaram-se do novo meio como veículo de

distanciado radicalmente do passado. Para os franceses este corte erguia-se como a via óbvia para contrariar a inconsequência da classe aristocrática e a mesquinhez materialista da burguesia. A recusa do materialismo burguês foi causa de constante sofrimento e ruína de figuras como Baudelaire, Nadar e o próprio Murger, e causa na construção deste complexo social. O espírito de choque e contravenção boémio distinguiu-se, como vimos, entre outras manifestações, por um desejo de exibição narcísica que a fotografia veio

a pobreza que afligia muitos artistas. Construiu-se assim a imagética do artista talentoso mas deserdado pela sociedade burguesa e aristocrática. Para esta construção muito contribuiu o livro de Henri Murger, Scènes de la vie de bohème, de meados do século XIX. A libertação do artista dos constrangimentos do patrocínio da aristocracia ou da alta burguesia, que a Revolução permitiu e promoveu, ao mesmo tempo que traz uma total liberdade de criação, atira muitos artistas para a miséria. Paralelamente à imagem desta boémia, que a famosíssima ópera de Puccini (baseada numa peça escrita várias

exibição da sua oposição ao convencionalismo, ao conformismo e ao academismo. Lê-se num artigo de Milan Chlumsky que, em Inglaterra, desde os finais do século XVIII, se formara um movimento dândi em torno dos seguidores de Lord Byron e, especialmente, George Bryan Beau Brummell. Este, fugido para Paris com problemas de dívidas, instituiu-se nesta cidade como o modelo perfeito do dândi numa altura em que em França crescia o interesse pela Inglaterra e pela América. O que os franceses retiraram da figura de Brummell foi, essencialmente, o ter-se

preencher magnificamente. Lembremos as fotografias de Baudelaire (que abominava a fotografia) como dândi. Este desejo de afirmação e representação galante é uma das características que encontramos nos macaronis e na boémia dos séculos seguintes. Outra é um desejo voluptuário da sociabilização, como clientela dos prazeres e como vertigem contrária ao imobilismo burguês. Por isso neste livro encontramos o que gostávamos de encontrar mais: embriagados, nus, mascarados, inúmeras fotografias de grupos, transvestidos, músicos, muitos pintores, pseudo-suicidas e muita gente a rir.


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José Goulão

QUE RAIO DE PAÍS É ESTE!?

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O 1º de Maio de 1974, momento ímpar de mobilização colectiva de que os portugueses rapidamente desistiram, o dr. Soares fez-se notar por um trabalho oratório glosando, com toda a razão e propriedade, o mote “Que raio de país era aquele!?” – aludindo ele ao Portugal de Salazar e Caetano, da Pide e dos banqueiros, da guerra e da brutalidade, da miséria e ausência de direitos que, julgavam os presentes e muitos ausentes, acabara de ficar para trás. Uns lembram-se, outros não, outros ainda fazem por esquecer, mas o facto entrou para a História. Agora acompanhem-me um pouco na evocação de acontecimentos dos últimos dias, escolhidos ao acaso entre outros do mesmo jaez, nesse país chamado Portugal. Dizem as notícias que a PSP, o corpo de polícia que manda os seus agentes comprar as fardas de trabalho e que deve dinheiro a três mil deles, gastou 300 mil euros na compra secreta de instrumentos marítimos e aéreos, entre os quais dois drones (aviões sem piloto), máquinas assassinas que têm feito as delícias do presidente Obama e das autoridades israelitas quando se trata de proceder a execuções extra judiciais de “terroristas” – seja lá o que isso for – através do mundo. Digamos que o drone tem funcionado como um longo braço de foras de lei, definição que assenta que nem uma luva ao caso de Portugal, onde, como têm afirmado as instituições competentes, não

há enquadramento legislativo para uso de tais meios – deve ser culpa da Constituição. E tal como a compra foi um acto secreto também as finalidades reservadas aos engenhos potencialmente letais são apenas do conhecimento das almas do negócio.

UNS LEMBRAM-SE, OUTROS NÃO, OUTROS AINDA FAZEM POR ESQUECER, MAS O FACTO ENTROU PARA A HISTÓRIA E por falar em negócio, recordo que, também segundo as notícias, o signatário da transacção, então comandante da PSP e entretanto demitido por, segundo o governo, não ter estado à altura dos acontecimentos na escadaria da Assembleia da República por ocasião das manifestações de agentes de forças policiais, foi colocado em Paris num cargo milionário que não existia. Falta-nos saber de quem são e em que apertos estarão presos os rabos dos envolvidos nesta criação de uma prateleira dourada na cidade luz para um alto funcionário do Estado demitido por indecente e má figura – foi essa, então, a interpretação governamental.

Dizem ainda as notícias que os quinhões principais dos CTT, essa empresa pública que sabia merecer os esforços dos contribuintes portugueses, ficam nas mãos de duas conhecidas entidades privadas, logo de bem, o Goldman Sachs e o Deutsch Bank. Do Goldman Sachs sabemos que o seu presidente se define como “um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”, coisa meritória se partirmos do princípio de que foi abolido – o mais certo é ter sido em segredo - o mandamento “não roubarás”. O mundo vai conhecendo as tropelias de tal instituição e os portugueses também sabem que, além do falecido gestor responsável pelas privatizações, também o Sr. secretário de Estado do Sr. primeiro ministro de Portugal tutelando as privatizações e as ligações com a troika foi um alto quadro do Goldman Sachs. Ele há coincidências, é verdade, mas em dois anos o governo português rifou a preço de saldo a EDP, a REN, os aeroportos, os CTT e os Estaleiros de Viana, e o mais que vier a seguir se lhe derem tempo. Tudo boas áreas de negócio e que por um qualquer desígnio divino, quem sabe se devido à intermediação privilegiada entre o presidente do Goldman Sachs e o Senhor, têm de pertencer ao sector privado – ao mercado, pois, como sinónimo de liberdade e democracia. Quarenta anos depois, e dispensando o labor oratório, basta perguntar exclamando ou exclamar perguntando – que raio de país é este!?


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Carlos Morais José

SÓ, INCESSANTE, AO LONGE UM SOM DE FLAUTA CHORA...

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ODOS nós temos princípios e também temos fins. Em muitos casos, cedemos os primeiros pelos segundos. Mas isto é a retórica do preto e do branco, algo que só manchou a História de vermelho. A realidade, tal qual a temos que viver, não se compadece, não diz nada, é como Deus: de um silêncio atroz. Simplesmente acontece, todos os dias, todas as horas, todos os minutos, a realidade humana, a das nações, dos blocos, das etnias, dos subúrbios. A realidade não é piedosa, permite que tudo aconteça, as coisas mais atrozes, na nossa vida e na dos povos. E toda a nossa memória, como espécie, pouco mais se conta que através de um conjunto de massacres, de pilhagens, de torturas, de guerras por dá cá a tua palha, de maldades palacianas e de quintal. Para quem morre e para quem sofre, pouco importa se a guerra é por Helena ou por petróleo. Em ambos os caos, não usufruirá. Tudo se mistura e a indignidade de um rei não é muito pior que a do meu vizinho ou a do presidente dos Estados Unidos. Tudo adquire gigantescas dimensões quando a nossa mente assim o quer ou permite. Os piores são os que vêm o mundo a preto e branco, sendo que é preto ou branco o que no momento mais interessa para os tais fins, numa compulsiva tendência para um ajustamento bisonho, cujos contornos etológicos, de algum modo, lembram a modalidade tribal, para ser suave. Há, evidentemente, uma facilidade social em seguir a manada — como se constata entre os herbívoros — uma alegria na bovinice, num seguidismo sincero e jovial. Existe uma espécie de desresponsabilização, uma leveza, na medida em que de modo algum nos sentiremos sós. Only ready for the slaughter... Tudo isto ganha outra dimensão e outra responsabilidade quando pensamos os desti-

PERCEBERAM? EU TAMBÉM NÃO OU TALVEZ UM BOCADINHO. MAS TENHO A CERTEZA DE QUE COMPREENDI nos das civilizações e damos por nós a pensar os factos, tal qual eles ocorrem aqui mesmo, à nossa porta, como acontece hoje sempre, no tal de mundo global. É claramente mais difícil pensar o agora do que o ontem, sobretudo o distante. Ou, pelo menos, assim parece, como se a poeira do Tempo fizesse reluzir os factos e os dotasse de um grau de inteligibilidade superior. Como se, perdendo a sua importância no presente, permitissem a ausência de paixão e a lúcida leitura. Contudo, enquanto actores responsáveis, pensantes, não conseguimos deixar de analisar e julgar o momento, com aquele estranho sentimento de esvaimento no instante, essa incapacidade de apreensão desse momento que nos revela o infinito, ou, se preferirem, o infinito das leituras. À excepção, claro, dos que se mantêm no preto ou no branco. Ora é no julgamento que nos decidimos, na tomada de posição, na atitude que escolhemos ter perante um determinado facto ou acontecimento. É nesse momento que se joga algo da nossa humanidade, pois temos a possibilidade de o fazer a partir de raciocínios e não apenas de impulsos primevos. Quando julgamos o presente, convém termos em conta o contexto, em extensão e em profundidade, dos factos que analisamos e não apenas a sua espuma, o que vem à superfície, porque essa foi a lição de História dos nossos avós, não a nossa. Quando penso a civilização chinesa — e não a nação — não posso deixar de ter em conta a sua História, não apenas os últimos

150 anos, mas sobretudo a camada de séculos que a compõem. E torna-se fútil fazê-lo doutra maneira, pela simples razão que rapidamente se estaria a perorar de modo muito pouco eficaz. Para um Ocidental, a civilização chinesa é densa e complicada de penetrar, e é-o, sobretudo, quando se tenta compreender os modos de funcionar, de raciocinar, de julgar. Exige-se, então, no mínimo, alguma contenção, alguma prudência, talvez até respeito. Tenho para mim que assisti in loco a um dos mais extraordinários movimentos sociais do século XX e refiro-me à abertura da China. Quando aqui cheguei em 1990, dei com um país monótono, a despertar de uma letargia de pesadelo. Quase todos vestidos de igual, construção pobre, mercados vagos, grupos famintos. Hoje conheço outro país que me coíbo de descrever, conheço uma cidade como Xangai, e conheço os sonhos dos jovens chineses, hoje mais possíveis, muito mais perto de serem agarrados. Sei também de um dos maiores impérios do mundo, humilhado por seus pares, invadido, destruído, espoliado, objecto de gozo e de troça; depois reerguido, novamente orgulhoso, talvez demais, novamente pronto para ocupar o lugar que normalmente lhe pertence na cena mundial. Se quando os líderes chineses dão mostras de pretenderem uma cada vez maior abertura, é a altura de provocar revoltas, parece-me claro que o objectivo é dar força aos grupos mais conservadores do regime, cuja razão se cimenta à medida que a desarmonia frutifica. Para quê? Para fragilizar a posição económica do país. A quem isto interessa? Aos inimigos da abertura chinesa que, de fora, não vêm com bons olhos a emergência de milhões de pessoas na cena mundial. E os que de dentro não estão ainda convencidos de que a abertura favorecerá, se calendarizada, o desenvolvimento em geral do povo chinês. É difícil para um Ocidental compreender bem as coisas. Ontem, na BBC, a um chinês dissidente perguntavam: “Como viver num país em que há liberdade para ganhar dinheiro, mas não para falar, para escrever, para pensar?”. O entrevistado olhou muito sério o jornalista e respondeu: “a minha liberdade vem do coração e, se me permitir, mostro-lhe”. Dito isto, faz aparecer uma flauta de bambu da qual retira sons alquímicos. Perceberam? Eu também não ou talvez um bocadinho. Mas tenho a certeza de que compreendi.


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DESPORTO

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FUTEBOL RANKING LIDERADO POR PEP GUARDIOLA. JOSÉ MOURINHO SEGUE EM SEGUNDO

Jorge Jesus é o 11.º técnico mais bem pago U M estudo sobre os treinadores de futebol mais bem pagos, levado a cabo pela empresa brasileira Pluri Consultoria, coloca Jorge Jesus no 11.º lugar do ranking. O técnico do Benfica, com cerca de quatro milhões de euros anuais de vencimento, surge à frente de Rafa Benítez, Brendan Rodgers ou Roberto Mancini. O ranking elaborado pela empresa de pesquisa e gestão de marketing desportivo coloca Pep Guardiola no topo da lista, claramente destacado dos demais. Com 17 milhões de euros anuais, o treinador do Bayern Munique aufere quase mais sete milhões que o segundo mais bem pago, José Mourinho, do Chelsea (10,03 milhões). O top 5 da tabela é completado pelo italiano Marcelo Lippi, que orienta os chineses do Guangzhou Evergrande (10 milhões), por Arsène Wenger, do Arsenal (8,260), e por Fabio Capello, seleccionador da Rússia (7,8 milhões). Capello é, de resto, o único seleccionador a figurar no top 10.

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Jorge Jesus surge na 11.ª posição, com quatro milhões anuais (valor não oficial), atrás de Manuel Pellegrini, do Manchester City (4,165 milhões) e à frente de nomes consagrados como o seleccionador

de Inglaterra, Roy Hodgson (13.º, com 3,540 milhões) ou Vicente del Bosque, técnico da selecção espanhola (no 30.º lugar, com 2,350 milhões). No total, o salário anual dos 30 técnicos mais bem pagos do

mundo do futebol perfaz 141,7 milhões de euros, ainda assim 12% menos que o valor registado em 2012 (160,8 milhões). Dos 30 técnicos da lista, 23 treinam clubes e sete comandam selecções. Há treinadores de 12

nacionalidades diferentes, sendo que os italianos lideram, com 10 presenças no ranking, seguidos por três espanhóis, ingleses e alemães. O único brasileiro presente é Luiz Felipe Scolari, em 23.º lugar, com 2,8 milhões anuais.

OS 15 MAIS BEM PAGOS 1. Pep Guardiola (Bayern) 2. José Mourinho (Chelsea) 3. Marcelo Lippi (Guangzhou Evergrande) 4. Arsène Wenger (Arsenal) 5. Fabio Capello (Rússia) 6. Carlo Ancelotti (Real Madrid) 7. David Moyes (ManUtd) 8. Gerardo Martino (Barcelona) 9. Jurgen Klopp (Dortmund) 10. Manuel Pellegrini (ManCity) 11. JORGE JESUS (BENFICA) 12. Brendan Rodgers (Liverpool) 13. Sam Allradyce (West Ham) 14. Roy Hodgson (Inglaterra) 15. Roberto Mancini (Galatasaray)

17 milhões/ano 10.03 milhões/ano 10 milhões/ano 8.2 milhões/ano 7.8 milhões/ano 7.5 milhões/ano 5.9 milhões/ano 5.4 milhões/ano 4.3 milhões/ano 4.1 milhões/ano 4 milhões/ano 3.8 milhões/ano 3.5 milhões/ano 3.5 milhões/ano 3.5 milhões/ano


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

Cineteatro

CINEMA

SALA 1

FIRE STORM [C]

(LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 14.30, 21.30, 23.30

FROZEN [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 16.30

FIRE STORM [3D] [C]

(LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 14.30, 21.30, 23.30 SALA 2

FROZEN [3D] [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 14.00

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [C] Um filme de: Peter Jackson Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage 16.00, 21.45

NUBLADO

MIN

9

MAX

15

HUM

50-75%

•

EURO

10.9

BAHT

0.2

YUAN

29

1.3

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [3D] [C] Um filme de: Peter Jackson Com: I. McKellen, M. Freeman, R. Armitage 18.50

POR MIM FALO

SALA 3

WALKING WITH DINOSSAURS [A]

Pu Yi

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Huang Chia-Chun 14.00

WALKING WITH DINOSSAURS [3D] [A]

É preciso ter calma…

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Huang Chia-Chun 18.00

THE WIND RISES [A]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 15.45, 21.45

FROZEN [A]

Há atitudes do Governo que fazem lembrar certas canções. É pena que o Governo leve a “máxima” de Abrunhosa demasiado à letra. Na questão do salário mínimo, é preciso de facto “dar o corpo pela alma” porque faz-se tardar uma remuneração base para trabalhadores. Por favor, isto é apenas uma “experiência”, pouco abrangente, diga-se. Pede-se um bocadinho de clareza nas políticas e, já agora, de “transparência”, para não fugir à regra dos apelos de activistas e deputados. Queremos um calendário, não queremos uma aproximação sem datas precisas. Não queremos o “parece que”, “é possível que”, “estamos a ver o que pode ser feito”, “vamos ponderar bem as opiniões”, essa lengalenga (perdoem-me a franqueza) já sabemos de cor. Não traz nada de concreto. Não faz ninguém mais feliz. Não aquece nem arrefece. O “nim” não é propriamente uma resposta. E, muito menos, motivo para chamar jornalistas a cumprirem trabalho que não traz notícias. Da próxima vez, digo eu

(FALADO EM CANTONÊS) 19.45

Rebuçados com “sabor a pénis” retirados do mercado • O que parecia uma brincadeira e começou como uma brincadeira, terminou com uma enorme controvérsia. A pressão dos pais obrigaram a dona da loja a livrar-se do produto controverso, de acordo com a cadeia CBC News Canadá. Os pacotes dos Gay Away: The Original Gay Pill foram localizados nas mesmas secções com outras brincadeiras. Na caixa, podiam ler-se palavras de ordem como “Cura da homossexualidade” e “Pára o desejo de mau comportamento”, e ainda ”Sabor a pénis”. Dentro da caixa encontravam-se dez rebuçados. Tudo não passou de uma piada/brincadeira da dona da loja, mas os clientes (sobretudo os pais das crianças das redondezas) não acharam piada nenhuma. Para além da protecção das crianças, outras pessoas também acharam uma ofensa à comunidade gay. O dono da loja disse à CBC News que já havia retirado a sua brincadeira das prateleiras após ter recebido vários telefonemas de pais preocupados. Rachelle Mistelbacher pediu desculpas e reconheceu que a venda de Gay Away na sua loja foi um erro.

Prostitutas exigem as mesmas regalias dos futebolistas • Na Holanda, as prostitutas travam uma luta pela igualdade de direitos nas suas pensões. Se os futebolistas podem reformar-se mais cedo com menos anos de descontos, também elas deveriam ter igual regalia. A advogada Wil Post justifica: “Também estão sujeitas a trabalho físico difícil, no auge da actividade profissional”. Os homens “procuram sempre as mais novas”. As prostitutas com idade superior a 35 anos começam a perder clientes e estão em fim de carreira. Assim, deveriam ter os direitos que os futebolistas, que pelos mesmos motivos podem descontar menos anos, na Holanda, e pedir reforma mais cedo. Eis os argumentos de Wil Post, advogada de uma agência que pretende dominar o negócio da prostituição em Utrecht, cidade holandesa. Segundo argumenta a advogada, “a partir de determinada altura, as prostitutas, apesar de jovens, já não conseguem arranjar clientes”.

fonte da inveja

Um oásis é sempre uma miragem.

A PRIMEIRA ESCOLHA DA SPORTS ILLUSTRATED

que sou gato e já vou percebendo umas coisas desta profissão, chamem só quando há novidades palpáveis que possam ser passadas para o papel. Pode ser? Será pedir muito? É que ninguém está a aqui para perder tempo. Para tal, temos as filas de táxis. Aí sim, é preciso paciência. Agora ter dupla paciência num só dia é pedir demasiado. É preciso acelerar o processo. Há muitas pessoas a receberem pouco, a viverem com pouco, a não terem uma vida condigna dados os salários praticados numa sociedade onde o poder de compra sobe, a par dos valores da inflação, em flecha. Às vezes, mais do que querer agradar a gregos e troianos, é preciso acção. Pulso firme. O “consenso”, já concluíram, não vai ser possível, por isso, venham de lá políticas. Quanto mais depressa, mais rápido as críticas se dissipam. Assim, prolongam apenas o sofrimento das desaprovação, primeiro com o “nada” que apresentam, depois com o “tudo” que não agrada.

MACAU[SÃ]ASSADO SAIR DA CAMA E IR PASSEAR CÃO

Foto: Vanessa Amaro

Chama-se Kate Upton, tem 21 anos, e é uma ‘top-model’ norte-americana. Tornou-se conhecida depois da sua aparição na conceituada revista Sports Illustrated, em 2011. Depois disso, todos anos, tem repetido a façanha por diversas vezes o que nos leva a pensar que Kate é uma das coqueluches da publicação desportiva. Além disso, é rosto da Guess, da Jenna Leigh e Dooney & Bourke, entre muitas outras marcas. Foi ainda capa da 100.ª edição da Vanity Fair, em Outubro deste ano, e recebeu o prémio de melhor modelo feminino norte-americano do ano, em Setembro. Muitas qualidades, portanto, como pode comprovar pela foto, e ainda é tão novinha...

João Corvo

• Não é uma novidade mas é sempre engraçado de se ver. Uma senhora de meia idade, em pijama e robe, passeia o seu canito pela cidade. Bem sabemos que o frio tem apertado, mas mesmo em tempo de calor isso acontece. Esperemos que, no final das contas, as pessoas que o fazem não voltem a dormir com o mesmo pijama que levaram à rua. Se isso acontecer, é caso para dizer: Que porcos!!!


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hoje macau sexta-feira 20.12.2013


OPINIÃO

hoje macau sexta-feira 20.12.2013

E

ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

SCREVO aos três porque estou indecisa a quem escrever nesta data que é tão natalícia e tão pró-RAEM (palavrão que me irrita por ser pouco poético, mais a mais atendendo à quadra). Vai daí, escrevo aos três de uma assentada só, na expectativa de que pelo menos um de vós – aquele que reunir melhores condições para o fazer – me atenda nesta data. Não que tenha uma longa lista de pedidos a fazer nesta época que, em Macau, adquire dupla importância, para os crentes numa coisa e na outra. Mas, ainda assim, porque o dia é da RAEM e porque o Natal vem aí, aqui fica – afinal, não custa tentar. Antes de continuar, gostava de vos dizer que este dia da RAEM me é particularmente difícil, talvez o mais difícil de todos desde que vivo na RAEM. Como consequência, o dia de Natal – que, afinal, vem logo a seguir – também vai ser complicado. A verdade é que não me falta nada do que se quer ver no sapatinho vermelho do dia 25. O mesmo não posso dizer do sapatinho verde do dia 20. Ando desassossegada, uma espécie de inquietação que talvez um de vós consiga serenar. Este não-saber-o-que-se-passa é importante para que percebam os meus desejos raemonatalícios. Então é assim: vim viver para Macau a tempo de assistir ao segundo aniversário da RAEM. Em rigor, devia escrever que vim viver para a RAEM a tempo de assistir ao segundo aniversário da RAEM. Cheguei a tempo de, manhã cedo e frio na cara, assistir a um aniversário cheio de esplendor. À época, os casinos contavam-se pelos dedos e o velhinho Lisboa era o mais emblemático de todos. As fichas de jogo ainda não se assemelhavam a cogumelos, havia menos trânsito nas ruas, comemorava-se por essa altura o visitante número 10 milhões, o Grande Prémio de Macau era o único acontecimento que colocava Macau no mapa além dos ainda frescos na memória escândalos com polícias e ladrões. Havia vários jardins e a cidade, de natureza caótica, respirava calma no caos. Com certeza que os três se lembram como era. Como o trânsito era menor e as pessoas turísticas em menor quantidade, ainda não se falava de qualidade de vida – o discurso de Edmund Ho, que tão bem conhecem, apareceria mais tarde. Mas já se falava nessa altura dos estrangeiros que, à época, eram só os portugueses. Também já os havia de outras nacionalidades, não me entendam mal, mas os aukamsans da terra gostavam muito do exercício da comparação. Compreensível, de resto – era tudo tão recente e nós, os da RAEM, íamos ser tão, mas tão melhores que os do passado que eu não conheci. Não fomos, queridos Pai Natal, Menino Jesus e Chefe do Executivo, não fomos. Claro que se trata de uma mera impressão minha, que de Macau só conheço a RAEM, mas há 12 anos já cá estava neste dia e não gosto

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contramão

Querido Pai Natal, Querido Menino Jesus, Querido Chefe do Executivo, Não gosto que hoje não haja planos para a cidade – e não me venham com a diversificação económica que isso, perdoem-me os três, é coisa de que não entendem, um entretido com prendas e renas, o outro nas palhinhas deitado e o terceiro com monotemáticos afazeres mais da RAEM de hoje que da RAEM que conheci quando cheguei. Não gosto que não se tenha perdido a mania de se falar mal de quem vem de fora. Podia escrever um texto natalício só sobre isto, mas não me apetece, de tão pequenino e pouco católico que o tema é. Não gosto que se tenha perdido a qualidade de vida que, na realidade, nunca se chegou mesmo a ter – mas que fazia parte dos planos de Edmund Ho. Não gosto que hoje não haja planos para a cidade – e não me venham com a diversificação económica que isso, perdoem-me os três, é coisa de que não entendem, um entretido com prendas e renas,

cartoon por Stephff

o outro nas palhinhas deitado e o terceiro com monotemáticos afazeres. Não gosto de não poder sair à rua tamanha é a poluição. Não gosto de não me sentir bem na rua tamanho é o caos. Não gosto de saber que há quem desespere tamanha é a renda da casa de treta onde vive. Não gosto de saber que há quem hoje come menos carne porque não a consegue comprar. Não gosto de saber que há gente a ir embora porque aqui não está bem e não existem alternativas locais para que se sinta melhor. Não gosto dos números do jogo, quando os números do jogo não passam de números do jogo: não se con-

vertem em fichas de uma saúde melhor, de uma educação melhor, de uma cidadania melhor, de uma vida com mais qualidade. Expostas as razões da minha inquietação, peço-vos nesta quadra uma ideia para Macau – ou, para ser politicamente correcta, uma ideia para a RAEM. Uma ideia do que vai ser. Uma ideia que me permita ter uma noção do que vai ser o meu futuro, porque tenho direito a saber com que é que conto no próximo Natal. Queria que dessem à cidade uma ideia que não seja a formação de talentos (como se isto fosse um imenso karaoke) e que não envolva a palavra plataforma. Queria saber o que vai acontecer, sem vos pedir futurismos, claro está, que sei que nenhum dos três faz milagres. Feito o meu desejo raemonatalício, despeço-me com os meus melhores cumprimentos e a certeza de que – e perdoem-me – acredito cada vez menos nos três. A minha tristeza vem daí. É que – e sei que os três não sabem – gente é gente e como gente que é, precisa sempre de acreditar em qualquer coisa. Nem que seja no Pai Natal.

DISPUTA DIPLOMÁTICA

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 20.12.2013

R

ONALD Biggs, o lendário assaltante do comboio-correio que a partir do seu audacioso acto de 1963 passou por muitas vicissitudes, morreu aos 84 anos. Biggs estava num lar no Norte de Londres onde tinha tratamento médico, tendo morrido na manhã desta quarta-feira, adianta a BBC. Em actos não-oficiais, foi visto em Março no funeral de Bruce Reynolds, considerado o cabecilha do assalto ao comboio. Depois de libertado da prisão em 2009 por doença, tinha-se retirado em 2011 da vida pública, após uma última aparição no lançamento da versão actualizada da sua autobiografia – onde já estava incapacitado para falar ou andar, depois de vários acidentes vasculares cerebrais. Mesmo assim, na altura, através de cartazes, deu a sua última entrevista. Disse ter “lamentado sempre” a participação no assalto e admitiu que preferia ter ficado do lado da lei. A quem lhe perguntou o que gostaria de ter feito se tivesse uma segunda PUB

FAMOSO ASSALTANTE DO COMBOIO-CORREIO ESTAVA DOENTE HÁ ALGUNS ANOS

Ronald Biggs morreu aos 84 anos oportunidade, respondeu: “Ser polícia.” O famoso assaltante tinha saído da prisão de Norwich em 2009 por se encontrar gravemente doente. A decisão, na altura, foi tomada um mês depois de Biggs ter visto um pedido para o indultarem recusado, por se entender que nunca se arrependera do que fizera naquele dia 8 de Agosto de 1963, quando, com 14 cúmplices, levara 2,6 milhões de libras (três milhões de euros) do comboio-correio, uma importância-recorde na época. O comboio, que se dirigia de Glasgow para Watford, foi interceptado por um sinal vermelho, depois de as linhas telefónicas na zona terem sido previamente cortadas, para que não fosse dado o alarme. Condenado a 30 anos de prisão, fugiu em 1965, depois de 19 meses de detenção. Esteve em Paris, seguin-

do para vários países como Brasil, Austrália e Panamá, onde conseguiu enganar a polícia com papéis falsos e várias operações plásticas. No Brasil conseguiu evitar o pedido de extradição porque teve um filho, Mike, com uma brasileira de quem depois se separou. No entanto, ficou com a guarda de Mike e foi ele que o acompanhou na última entrevista. No Brasil, aproveitou a fama para receber turistas, dar entrevistas, tirar fotografias e até mesmo vender souvenirs. Mas, mais do que pelo assalto, Biggs ficou conhecido pela fuga: escalou o muro da prisão, saltou de uma altura de seis metros para a cobertura de um camião de mudanças e caiu num colchão, que amorteceu a queda. A partir daí tornou-se no calcanhar de Aquiles da Scotland Yard, pela fuga, facilidade com que andou de

país em país e o requinte final das operações plásticas para dificultar a sua identificação. De protagonista de filmes a artista convidado para participar em 1978 como vocalista dos Sex Pistols, vários foram os capítulos que juntou à sua história. Porém, após 35 anos, arruinado e fisicamente

debilitado, regressou ao Reino Unido em 2001 para pedir ajuda médica, mas acabou a ser detido para cumprir o resto de sua pena, permanecendo detido até 2009, altura em que acabou por ser libertado por razões médicas. O facto de se ter entregado voluntariamente também deixou cair por

terra a possibilidade de ser a polícia britânica a capturá-lo e a ajustar contas. A maior parte do dinheiro roubado não chegou a ser recuperada, e a dimensão do maior assalto que a Grã-Bretanha conhecera só viria a ser ultrapassado em 1971, por um roubo ocorrido em Baker Street, na capital. Filho mais novo de uma família de cinco irmãos, Ronald Biggs começou a trabalhar como carpinteiro e na construção civil. Foi ainda durante a Segunda Guerra Mundial que juntou vários delitos ao seu currículo, ao ser condenado nove vezes por pilhagens a edifícios destruídos, diz o Guardian, que adianta que mais tarde roubou uma loja, uma farmácia e um carro e que foi nesse período que se cruzou com Bruce Reynolds, o trampolim para o assalto ao comboio-correio.


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Hoje Macau 20 DEZ 2013 #2999 by Jornal Hoje Macau - Issuu