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Hoje Macau 20 NOV 2013 #2978

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• PAPEL DE PORTUGAL EM MACAU CRITICADO

ÁUREO DE MELLO JÚNIOR DIZ QUE LÍNGUA FOI MAL IMPLANTADA PÁGINAS 2 E 3

ASSEMBLEIA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

Q U A R TA - F E I R A 2 0 D E N O V E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 7 8

hojemacau

Au Kam San acusa director da DSAT de ser “um leigo” e de estar no cargo por ser do círculo de Lau Si Io

O fiel amigo

O democrata Au Kam San foi duro nas críticas ao director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. “Quando foi criada a DSAT, [Lau Si Io] promoveu logo esse leigo em trânsito para o cargo de director, por isso não vale a pena estar aqui a discutir-se se a sua promoção se deve à capacidade ou ao relacionamento pessoal.” O deputado referiu ainda que o secretário para as Obras Públicas e Transportes trouxe Wong Wan do IACM.

• CHINA FASHION WEEK

PAULO DE SENNA FERNANDES E A MODA VANGUARDISTA CENTRAIS

PÁGINA 4 • OBRAS PÚBLICAS

Legislação de impacto ambiental em 2014 PÁGINA 7 PUB

• SÁUDE

Lei Chin Ion afirma haver mais qualidade PÁGINA 7


ENTREVISTA

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

HOJE MACAU

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RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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UREO de Mello Júnior veio a Macau falar do desenvolvimento do Brasil no pós-golpe militar, dos 10 anos que levou a estabilizar a economia e dos subsequentes progressos, amanhã, numa conferência no Instituo Internacional de Macau (IIM), pelas 18h30. Ao HM, o representante da União Brasileira de Escritores acredita que Portugal podia ter feito melhor no que se refere à implementação da língua portuguesa no território Vai estar no IIM para falar da “História Económica do Brasil e Perspectivas de Desenvolvimento Social”. Qual é ainda a margem de evolução deste mercado emergente? O Brasil está em franca evolução não só na parte económica mas sobretudo socialmente porque

ÁUREO DE MELLO JÚNIOR, REPRESENTANTE DA UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES, EM RELAÇÃO À IMPLEMENTAÇÃO DO PORTUGUÊS EM MACAU

“Portugal podia ter feito mais” o principal objectivo do Governo - Partido dos Trabalhadores (PT) - é justamente fazer com que a indústria e o comércio se beneficiem através de uma política social que faz com que as pessoas tenham mais condições de consumo. Portanto, a projecção para o

social permite que o nível de vida das pessoas melhore, o que faz a economia crescer e aquecer. Nesse sentido, acha que tem havido mais oportunidades de qualificação dos recursos humanos? Uma das maiores preocupações

[O Governo do Partido dos Trabalhadores] deu subsídios para o desenvolvimento social porque uma coisa é beneficiar a indústria e comércio e outra coisa é criar condições de ambos crescerem através de um desenvolvimento social

do Governo Federal, e até de governos estaduais, é justamente a qualificação profissional. No Brasil, antigamente, cerca de 20% da população estudantil conseguia terminar o curso universitário porque mais de 90% das universidades são privadas e cerca de 8% públicas. E o custo nas privadas era muito alto. A partir da presidência de Lula [da Silva] foi criado um decreto em que todas as universidades privadas têm a obrigação de oferecer 10% de vagas a estudantes que não têm condições de pagar estudos no privado. O índice de estudantes que podem fazer uma faculdade gratuitamente no Brasil é muito alto. Além disso, a nossa

presidente, Dilma Rousseff, também lançou um programa chamado FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), que permite a qualquer estudante aceder a uma rede bancária, pública ou privada, que lhe paga integralmente o curso universitário - seja engenharia, medicina ou outro qualquer curso - que será pago quando o estudante integra o mercado de trabalho. Ou seja, quando já estão empregado, descontam-lhe 30% (e não mais) do valor no salário. Últimas informações dão conta de que há um acordo de comércio livre a ser formado entre os Estados Unidos da América


entrevista 3

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

(EUA) e a União Europeia (UE). Alguns analistas defendem que se o Brasil, através do MERCOSUL, não se mexer depressa para formar um pacto com a UE, corre o risco de ficar isolado no cenário comercial mundial. Como vê isto? O mercado, independentemente de qualquer situação, é muito especulativo. Por exemplo, no caso do mercado financeiro existe uma tendência de ganhar muito por força das especulações. Não acontece absolutamente nada. Mas os especuladores dizem que o Governo está para lançar alguma coisa e nada acontece. E isto tem a ver com interesses para que o mercado cresça ou desça. Mas o Brasil sempre foi um grande espectador. Continua a ser. Independentemente de acordos bilaterais ou unilaterais, continua a crescer. Até porque, por exemplo, o Brasil fechou recentemente um acordo bilionário com os EUA, com a venda do etanol, que é um projecto brasileiro, que começou no final dos anos 70 com a crise mundial do petróleo. Hoje exporta etanol em larga escala por causa das suas reservas. E as reservas cambiais do Brasil estão bem acima da dívida externa, o que torna a situação económica do país bastante tranquila.

Acho que Portugal podia ter feito mais em relação a Macau. Uma vez que, por exemplo, em África, metade fala francês e a outra metade inglês, mesmo já depois da descolonização. E em Hong Kong também toda a gente fala inglês fluentemente parcerias com governos estaduais - lembro-me especificamente do Rio de Janeiro, que tinha o maior problema de incidência com droga e violência - criou o programa das UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Paralelamente, foi feito um mega projecto e a UPP invadiu as favelas, acabando praticamente com o tráfico, através de uma acção muito intensa.

Que resultados? Os números são, de facto, reais e visíveis? Isto é uma realidade. Quando o Governo do PT entrou para a presidência, o mercado financeiro passou por uma crise porque todos tinham receio que se mudasse completamente a economia do Brasil, mas não se mexeu no que estava a dar frutos na economia. De igual modo, também deu subsídios para o desenvolvimento social porque uma coisa é beneficiar a indústria e comércio e outra coisa é criar condições de ambos crescerem através de um desenvolvimento social. E, para se ter uma ideia, 36% saiu da classe média baixa e atingiu a classe média. E 11% saíram da linha da miséria e atingiram a classe média baixa. As duas classes onde se registaram evoluções maiores. Num perspectiva de relações internacionais, há hoje maior interesse na língua portuguesa porque o Brasil, enquanto economia efervescente, abre o mercado aos estrangeiros? Na Ásia - não só na China, como no Vietname, na Coreia do Sul e por aí - existe um interesse da língua portuguesa, principalmente por interesses comerciais. Muitos estudantes são formados

em universidades e, através de intercâmbios, estudam a língua portuguesa. Isso tem crescido muito. Nota que isso favorece acordos bilaterais e trocas comerciais, nomeadamente, com a China? Sem dúvida, tem acontecido muito. Pode dizer-se que no BRICS - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - o índice de exportação mais do que duplicou a partir do início desta iniciativa dos chamados países emergentes, em 2002, até 2010/2011. E a nível do Fórum Macau. O Brasil tem ganho alguma coisa com esta cooperação de 10 anos? Sem dúvida nenhuma. O bloco do BRICS - onde se insere Brasil e a China - é o grupo económico mais activo no mercado de hoje. É só ver a evolução do PIB, não só do Brasil como da China, da Rússia, da Índia, e isso faz com que a competitividade em relação ao mercado comum europeu e aos EUA cresça. Isso é muito salutar porque quem acaba a ganhar é a própria população, com o seu consumo diário. Além disso, é preciso analisar outras questões económicas como, por exemplo, os países que mais enfrentaram a

O Financial Times referiu que o Brasil perde atractividade para investidores estrangeiros, que escolhem antes outras economias sul-americanas. Concorda? Não concordo. O Brasil, inclusive, pelo facto de no próximo ano sediar o Campeonato do Mundo e em 2016 os Jogos Olímpicos, está a receber uma grande quantidade de investimento estrangeiro. Há 10 anos, o Brasil era uma promessa. Era a oitava economia do mundo. Hoje é a sexta economia do mundo. Em matéria da América do Sul, o Brasil sem dúvida nenhuma tem quase 50% [de peso económico], a Argentina, que é o segundo maior país, tem uma participação no MERCOSUL ínfima comparativamente com o Brasil, que participa quase em 80%. Quais são as expectativas com estes dois eventos mundiais? Acredita que haverá maior retorno financeiro? As obras que têm sido realizadas, não só em estádios mas também nos transportes, na rede hoteleira, nas estradas, nos aeroportos e outras áreas, para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos deram emprego para milhões de trabalhadores. Entre os dois eventos, ainda virão mais recursos e, hoje, o Brasil é um país que está a crescer bastante sobretudo em infra-estruturas. E a nível de desenvolvimento social? Há cerca de ano e meio, dois anos, o Governo Federal, através de

recente crise são, justamente, os da Zona Euro e os EUA. Os países do BRICS praticamente não sofreram, o que solidifica mais a condição actual de uma economia bastante emergente. Há aqui uma vontade também na ajuda ao desenvolvimento africano, nomeadamente, a países cujo português é língua oficial? Tem tido evolução e muito intercâmbio, não só de trabalho mas também ao nível estudantil. Existem hoje no Brasil muitas universidades privadas, como a UNIP - Universidade de São Paulo e a UNINOVE, que têm muitos acordos com universidades de diversos países do mundo. Então, esse intercâmbio cultural e universitário também ajuda no profissional. É a terceira vez que visita o território. Como vê esta história de 500 anos entre portugueses e chineses através de Macau? Ao nível do português, podia ter tido a Administração portuguesa uma atitude mais agressiva na implementação do idioma? Sou, por assim dizer, um divulgador da lusofonia e da língua portuguesa, que é a quinta língua mais falada no mundo. Acho que Portugal podia ter feito mais em relação a Macau. Uma vez que, por exemplo, em África, metade fala francês e a outra metade inglês, mesmo já depois da descolonização. E em Hong Kong também toda a gente fala inglês fluentemente. Isso poderia também ter acontecido em Macau. Relativamente ao Acordo Ortográfico (AO), qual a sua posição? Sinceramente, não vejo muita diferença. Uma uniformização da língua, tudo bem. Não é isso que vai fazer com que os países modifiquem as suas políticas mas, ao nível da educação acho positivo porque, por exemplo, quando falamos de intercâmbios isso favorece. A língua portuguesa é das que tem mais acentuação gráfica e a muitas palavras foi tirada a acentuação. São, portanto, os outros países que se adaptam mais à grafia utilizada no Brasil. Isto favorece o mercado editorial? No meu modo de entender, não tem influência nenhuma.

DOAÇÃO DE LIVROS LEVA MELLO JÚNIOR À EPM Áureo de Mello Júnior é detentor do título de “persona mundi”, com o objectivo de divulgar “a língua portuguesa na variante brasileira” e mostrar o “novo Brasil”, que é uma pátria - “a segunda nação de todo o mundo” - porque, entre as duas grandes guerras, pessoas do mundo inteiro foram para o Brasil. “Hoje existem, inclusivamente, cidadãos de mais

de 160 nacionalidades neste país da América Latina”, explica Mello Júnior. O académico, que lecciona História na Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, diz ter já feito viagens a 40 países, a partir de 1994, nos quais também fez algumas doações de livros, de diferentes autores brasileiros, em instituições de ensino. “Levo a cultura brasileira através de livros. Para Macau

e, especificamente para a Escola Portuguesa de Macau (EPM), trouxe 50 livros de literatura brasileira - Jorge Amado, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Machado de Assis, José de Alencar e outros - para mostrar a riqueza da língua portuguesa no Brasil”, diz o também escritor. A doação decorre amanhã, pelas 15 horas, na EPM.

Por outro lado, acha que o AO poderá mexer com a raiz linguística de cada país? Sim. Por exemplo: o inglês que se fala na Inglaterra é completamente diferente do que se fala nos EUA. Ao nível dos meios de comunicação, se ouvirmos a BBC e a CNN, parece que estamos a ouvir diferentes idiomas.


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POLÍTICA

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

AUTOCARROS DEPUTADOS EXIGEM RESPONSABILIZAÇÃO DE DIRIGENTES E FISCALIZAÇÃO DA AL

As recentes violações da lei por parte da DSAT nos contratos com as operadoras de autocarros foram ontem apontadas como o exemplo perfeito e que é necessário implementar a responsabilização dos dirigentes e o regime de fiscalização pela parte da AL nos contratos públicos e orçamentos. Além de Wong Wan, dizem os deputados, é preciso responsabilizar o secretário Lau Si Io JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

U Kam San não poupa nas palavras: Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), é “um leigo” e Lau Si Io, secretário para as Obras

Públicas e Transportes tem de ser responsabilizado pelas recentes violações da lei no novo sistema de autocarros. Os deputados teceram ontem duras críticas ao Governo, depois do recente relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) sobre as ilegalidades praticadas pelo organismo dirigido por Wong Wan. Foi da bancada democrata que saíram as acusações mais fortes, com Au Kam San a referir que Wong Wan só está no cargo por ter uma relação pessoal com Lau Si Io. “É uma pessoa da confiança do secretário, foi uma das duas pessoas que Lau levou consigo do IACM quando assumiu o cargo de secretário. Quando foi criada a DSAT, promoveu logo esse leigo em trânsito para o cargo de director, por isso, não vale a pena estar aqui a discutir se a sua promoção se deve à capacidade ou ao relacionamento pessoal.” Todos os que decidiram levar o assunto ao plenário concordam no mesmo ponto: a violação da lei pela DSAT – que o CCAC diz ser a mais grave de sempre – é o exemplo perfeito para que haja fiscalização dos contratos de serviços públicos pela Assembleia Legislativa (AL). Além disto, incide ainda sobre a necessidade de se implementar o regime de responsabilização dos cargos do Executivo, que há muito vem a ser pedido pelos deputados. “Atendendo à perversão dos governantes, os cidadãos querem mesmo [esse regime], mas o Governo nunca deu atenção a esta questão. Melinda Chan, por exemplo, pede ao Governo que trate o caso como uma situação

TIAGO ALCÂNTARA

Wong Wan é “um leigo” e Governo “toma decisões arbitrárias”

sição dos democratas a que Lau Si Io se mantenha no Governo. Os membros do hemiciclo pedem a responsabilização de Lau Si Io e não apenas do director da DSAT e Au Kam San diz mesmo que as ilegalidades detectadas não podem ser da pura responsabilidade do departamento de trânsito. “Como é que secretário da tutela não sabe nada do assunto? A incompetência, a péssima qualidade, a ineficiência, o abuso de poder em proveito próprio e até mesmo a corrupção e a criminalidade envolvendo dirigentes do Governo já não é novidade e tudo isso tem a ver com o conluio entre esses dirigentes.” Para Melinda Chan deveriam ser revistas as atribuições de cada serviço público, especialmente os que utilizam mais erário público.

O PAPEL DA AL

Wong Wan

de crise de gestão pública e que descubra quem foi o responsável pelo que foi definido como violações muito graves da lei por parte da DSAT. “Tem que haver alguém a assumir as devidas responsabi-

lidades e, se for necessário, deve até ser exonerado.”

LAU EM MAUS LENÇÓIS

As chamadas de atenção feitas pelo CCAC reacenderam a opo-

[Wong Wan] é uma pessoa da confiança do secretário, foi uma das duas pessoas que Lau levou consigo do IACM quando assumiu o cargo de secretário. Quando foi criada a DSAT, promoveu logo esse leigo em trânsito para o cargo de director, por isso, não vale a pena estar aqui a discutir se a sua promoção se deve à capacidade ou ao relacionamento pessoal AU KAM SAN Deputado

A necessidade de ser obrigatório levar à AL os contratos de concessões públicas voltou à ordem do dia dos deputados, depois da descoberta destas violações. Para Ng Kuok Cheong não há qualquer dúvida: as falhas devem-se à “fuga intencional à fiscalização” do plenário e da tomada de decisões “arbitrárias” pelo governantes. O deputado diz que o Governo deve mudar de atitude e criar um mecanismo permanente que permita à AL discutir as concessões públicas e que deve começar já. O CCAC, recorde-se, sugeriu que fosse feito um novo contrato com as operadoras de autocarros ou que se transformasse o actual e Ng Kuok Cheong diz que agora é a oportunidade para que a AL tenha acesso às informações sobre o que pretende o Governo fazer. “Deve ser apreciado e discutido [pela AL].” Leong Veng Chai relembrou também que os contratos não foram sequer publicados em Boletim Oficial e, acusando o Governo de falta de transparência, frisou que o Executivo não tivesse feito as coisas à porta fechada, então este “escândalo” não tinha acontecido.

LAU SI IO ESPERA OPINIÃO DE FLORINDA CHAN, MAS GARANTE QUE A PALAVRA FINAL FOI DO CHEFE DO EXECUTIVO

“Chui Sai On aprovou modelo de autocarros” L

AU Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, disse ontem que o Chefe do Executivo aprovou o modelo de autocarros implementado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) já em 2008. À margem do plenário na Assembleia Legislativa,

o responsável da tutela das Obras Públicas falou aos jornalistas sobre as recentes violações da lei detectadas pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Lau Si Io garantiu que foram “encomendados estudos à Universidade de Macau” sobre o “modelo de serviços de autocarros que mais se

adequava à realidade de Macau”. Estudos esses feitos já em 2008, três anos antes da implementação do novo modelo, que agora, segundo o CCAC, é errado. Lau Si Io disse que o Conselho Executivo também aprovou o estudo feito sobre o novo modelo, nessa altura, mas assegura que

também respeita a opinião actual do CCAC. Agora, está nas mãos de Florinda Chan estudar o que se passou afinal com os contratos feitos entre a DSAT e as operadoras de autocarros e Lau Si Io está à espera dessa opinião da secretária para a Administração e Justiça. - J.F.


política 5

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LEI DE ENQUADRAMENTO ORÇAMENTAL SÓ ENTRA EM PROCESSO LEGISLATIVO EM FINAIS DE 2014

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Sem mãozinha dos deputados

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N

A revisão da Lei de Enquadramento Orçamental está prometida desde as LAG apresentadas em 2012, mas só para o final do próximo ano é que deverá entrar em processo legislativo. De fora, deverão ficar os pedidos principais dos deputados: que os orçamentos sejam aprovados pela AL apresentar a descrição detalhada dos grandes projectos do PIDDA, segundo as suas categorias, para apreciação da AL, para que os deputados possam ter mais dados na apreciação do orçamento. Esses materiais vão ser disponibilizados à AL”, referiu o secretário, sem, no entanto, clarificar que as contas terão de ser aprovadas pela AL. Au Kam San, que interveio após o anúncio de Francis Tam, disse estar “decepcionado” com as decisões do Governo face à revisão da lei. “Parece que o Executivo não percebeu as aspirações da população. É uma acção positiva a transferência de rubricas ser proibida, mas o que a população quer é mais transparência e fiscalização da AL e não vejo essas soluções. Durante tanto tempo se pediu esta revisão e não se vê o reforço da fiscalização. Espero que, no futuro, ainda possamos vir a ter isto.”

TIAGO ALCÂNTARA

revisão da Lei de Enquadramento Orçamental só deverá estar concluída em finais de 2014. Quem o afirmou ontem foi Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, que deu ainda a entender que a aprovação dos orçamentos pela Assembleia Legislativa (AL) pode não ficar contemplada no diploma após a sua revisão. A promessa da revisão desta lei já vem desde as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2013, apresentadas em 2012. Na altura, Chui Sai On assegurou que ia ser estudada e aperfeiçoada a lei em vigor e que o processo de revisão iria ser iniciado. Na semana passada, nas LAG para o próximo ano, o Chefe do Executivo voltou a dizer que o Governo iria acelerar os trabalhos de alteração da lei, mas ontem foi Francis Tam quem deu dados mais concretos. “O Governo assumiu a promessa de que, em 2013, iria apresentar um rumo para a revisão e, em princípio, em finais de 2014 vamos iniciar o processo legislativo.” Sobre a revisão da lei há um ponto em comum pedido por todos os deputados: que os orçamentos destinados às obras de grande envergadura passem pela AL antes de serem aprovados, não só para fiscalização das contas do Governo, mas para a sua aprovação. Isto, contudo, não parece estar nos planos de Francis Tam. “Vamos

O próximo ano, o Governo acredita que vai ter um aumento de 14% nas receitas da Administração e uma quebra das despesas em 6%. O orçamento para 2014 foi ontem aprovado no hemiciclo com dois votos contra, directos da bancada democrata. Au Kam San e Ng Kuok Cheong recusaram-se a concordar com a proposta do Governo, por faltar nesta a possibilidade de fiscalização pelos deputados. O Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, disse que as receitas vão subir para 153.619 milhões de patacas, fruto, essencialmente, da subida do imposto especial sobre o jogo, no valor de 35% sobre as receitas brutas. Já no campo das despesas, o Governo prevê gastar menos 6% do orçamentado para 2013, fixando os gastos globais da Administração em 77.611 milhões de patacas. Angela Leong, contudo, relem-

MAIS REVISÕES

No plenário de ontem, que serviu para aprovar a Lei do

DEPUTADOS APROVAM LEI QUE PREVÊ MAIS RECEITA E MENOS DESPESAS

Governo de cofres cheios brou que o Governo peca sempre por prever mais despesas do que as que efectivamente realiza. Os deputados manifestaram algumas posições contra o dinheiro gasto pelo Governo. Foi o caso de Pereira Coutinho, por exemplo, que considera demasiado o aumento com as despesas da Administração, na margem dos 8,3%. O deputado diz que o Governo continua a criar cada vez mais serviços públicos e dá o exemplo do novo Fundo das Indústrias Culturais para atacar a Fundação Macau – que recebe 1,8% do dinheiro que vem directamente das receitas do jogo e atribuiu subsídios a várias entidades. “Se a Fundação Macau está a subsidiar [no que diz respeito a

estas indústrias], então o outro fundo não deve ser criado. Todos estão a trabalhar para o mesmo. Parece que, na sua tutela, tudo o que é pedido é autorizado.” Antes da votação, houve ainda outros deputados que questionaram

Francis Tam sobre a criação de serviços que, na sua opinião, se sobrepõem em competências e vincaram a necessidade de fiscalizar melhor as contas públicas. Na resposta, Francis Tam disse que os serviços da Administração não são criados tendo

Orçamento para 2014, Francis Tam divulgou quais os aspectos “a ter em conta” pelo Governo para a revisão da lei. Segundo o divulgado pelo secretário para a Economia e Finanças, ficou ontem a saber-se que a nova Lei do Enquadramento Orçamental terá uma nova estrutura “de classificação económica”. Ou seja, os dados sobre os orçamentos vão estar divididos em duas classes – a interna e a externa, sendo esta última a que vai integrar “dados a serem fornecidos ao público”, que serão divulgados através de Boletim Oficial. Já na parte interna, haverá “dados mais concretos sobre a receita e a despesa”. Na calha está ainda a proibição de transferência de verbas entre rubricas. Isto significa que os montantes alocados para um determinado projecto ou actividade não poderão ser transferidos para um outro. Francis Tam diz que, se necessário, o orçamento é alterado, mas a verba não pode passar de um lado para o outro.

em consideração a despesa, mas sim a sua eficácia na prossecução das políticas do Governo. Entre receitas e despesas, a Administração conta fechar as contas de 2014 com um saldo positivo de 76.007 milhões de patacas, mas Francis Tam salientou, contudo, que nas contas do Executivo estão reduções fiscais quer para as empresas quer para os particulares. Por exemplo, o número de contribuintes que vão receber o retorno dos impostos ronda mais de dez mil, pelo que o Governo vai ter de retribuir mais de 300 milhões de patacas. Sobre as transferências de verbas para o Fundo de Segurança Social, Ng Kuok Cheong deixou a sugestão de que a Fundação Macau financiasse o fundo, mas Tam não respondeu ao deputado. Recorde-se que está puramente nas mãos do Governo a injecção de capital neste fundo. - J.F. com Lusa


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AL GRUPO QUE ATRIBUI ACREDITAÇÃO PROFISSIONAL NA ÁREA DA CONSTRUÇÃO CIVIL NÃO VAI SER INDEPENDENTE DO GOVERNO

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Uma verdade inconveniente F Foi ontem dado um primeiro passo para a criação de uma acreditação profissional para a área da construção civil, mas o grupo que será responsável por emitir tanto as licenças como as sanções vai ser constituído por uma maioria de funcionários do Governo escolhidos pelo Chefe do Executivo. Isto leva a que o Conselho não seja independente, apesar de estar a regular uma actividade privada. Leonel Alves considera a escolha inconveniente e sugere a criação de dois grupos diferentes. Para já, diz Lau Si Io, não

OI ontem aprovado o Regime Jurídico de Acreditação, Registo, Inscrição e Qualificação para o Exercício das Funções Profissionais nos Domínios da Construção Civil e do Urbanismo, com uma abstenção de Pereira Coutinho. Mas o diploma não passou na generalidade sem antes ser motivo de controvérsia: é que tanto a acreditação, como as sanções em caso de incumprimento vão ser aplicadas pelo mesmo conselho. Conselho que não será independente do Governo e será escolhido pelo Chefe do Executivo. Foi Leonel Alves quem levantou a questão ontem no plenário: será conveniente que a Comissão de Arquitectura e Engenharia – implementada pelo novo regime – seja maioritariamente constituída por elementos do Governo, quando se está a supervisionar uma actividade pessoal? O regime ontem aprovado prevê que esta Comissão – a ser escolhida pelo Chefe do Executivo através de Regulamento Administrativo – tenha de ter obrigatoriamente mais profissionais que representem o Governo do que membros “liberais”. Para o deputado, a situação não convence, mas será mesmo assim. Joaquim Adelino, assessor do secretário das Obras Públicas, explicou ontem que este Conselho “é um órgão colegial, não é independente” e que a actuação dos membros da função pública que o compõem “deve estar de acordo com o seu estatuto enquanto funcionários públicos e não em nome próprio”. Leonel Alves já tinha referido que, se assim fosse, então os membros não estariam em pé de igualdade - o que seria a “situação ideal, tendo

em conta que o que se pretende é uma espécie de auto-regulação dos próprios profissionais”.

DOIS CONSELHOS

À falta desta independência e uma vez que este regime “não permite que os membros ajam livremente”, Leonel Alves deixou uma sugestão: que se crie um outra comissão para a aplicação das sanções. “Este Conselho também tem competência disciplinar e vai regular só o privado. É maioritariamente constituído por membros da Administração, que vão supervisionar o privado. Será isto conveniente? Poderia ser criado um Conselho para emitir as licenças e outro para exercer a acção disciplinar? Não parece conveniente que quando o Conselho for sancionar caia nos ombros dos elementos da Administração.” A sugestão de Leonel Alves podia realmente ser consagrada, confirmou Joaquim Adelino, mas foi “uma decisão política do Governo” que as duas competências coubessem apenas num Conselho. Leonel Alves chegou mesmo a questionar o Governo “se há presunção de algum deficit dos que trabalho no sector privado” que desse o mote para que haja mais membros do Governo neste grupo. Em resposta ao deputado, o secretário para as Obras Públicas disse mesmo que, no início ainda iam ser mais membros do Governo. Lau Si Io assegura que estes são “bons profissionais” e dominam “muito bem as matérias” que estão em questão. Sobre a sugestão de Leonel Alves, Lau não foi muito explícito. “Quando o regime estiver mais amadurecido, não se afasta a hipótese de se coadunar com os padrões internacionais”, referiu, ainda que não tenha explicado exactamente que padrões são esses.

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ACREDITAÇÃO PARA TODOS E REGUL AMENTOS PARA UM EXTRACTO DE AVISO

Faz-se público que, de harmonia com os despachos do Secretário para a Segurança, de 2 de Setembro e 5 de Novembro de 2013, se acham abertos os concursos comuns, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento, dos lugares do Estabelecimento Prisional de Macau seguintes: 1. Um lugar de motorista de pesados, 1.º escalão, em regime de assalariamento; 2. Dois lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, área administrativa, em regime de contrato além do quadro. Os avisos dos concursos encontram-se publicados no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 47, II Série, de 20 de Novembro de 2013, com o prazo de inscrição entre 21 de Novembro e 10 de Dezembro do corrente ano. Os interessados podem consultar o referido aviso, dentro das horas de expediente, no Centro de Atendimento e Informação do Estabelecimento Prisional de Macau (endereço: Avenida da Praia Grande, China Plaza, 8.º andar “A”, Macau) ou no Website deste Estabelecimento Prisional: www.epm.gov.mo. Para qualquer esclarecimento, é favor entrar em contacto, através do tel. n.º 28881211, com os trabalhadores da Divisão de Recursos Humanos. A Directora do EPM, substa Loi Kam Wan 12 / 11 / 2013

O Regime Jurídico de Acreditação, Registo, Inscrição e Qualificação para o Exercício das Funções Profissionais nos Domínios da Construção Civil e do Urbanismo pretende reconhecer as actividades desempenhadas nesta área por profissionais do sector privado, ainda que também os funcionários públicos da área também possam submeterse ao exame para a licença. Todos têm de o fazer e a matéria que vai ser no exame é definida pelo Conselho de Arquitectura e Engenharia. A composição desse Conselho será definida pelo Chefe do Executivo, sendo que passará por funcionários públicos e profissionais do privado, em minoria. Muitas matérias, disse ontem Lau Si Io, serão reguladas por Regulamentos Administrativos complementares e não pela lei. Ao todo,

vão existir seis deste tipo de regulamentos que, assegura o assessor do secretário, “não consagram direitos nem garantias”. Quem tiver licenciatura nestas áreas terá prioridade e todos os residentes - permanentes ou não podem ter acesso à acreditação. Isto, porque a Lei Básica prevê o acesso ao emprego por parte dos não-permanentes e, caso estes não estivesse acreditados, não podiam exercer a sua profissão. Quem for condenado a pena de prisão superior a três anos no âmbito da profissão perde a licença, mas nunca fica impedido de a pedir novamente, desde que cumpra a pena e que passe pelo período de reabilitação dos direitos (entre cinco a dez anos), uma vez que “não há sanções perpétuas” na lei de Macau, referiu o assessor Joaquim Adelino.


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hoje macau quarta-feira 20.11.2013

SAÚDE ERRO MÉDICO CONTINUA EM DEBATE. LEI CHIN ION REFERE QUALIDADE DO SERVIÇO

Demografia traça panorama da saúde Em mais uma reunião de análise do diploma, o director dos Serviços de Saúde disse que o serviço público tem mais qualidade porque morrem menos bebés e os idosos vivem mais tempo ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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A terceira reunião de análise da especialidade da futura Lei do Erro Médico, o director dos Serviços de Saúde (SSM), Lei Chin Ion, fez uma apresentação aos deputados sobre o nível de qualidade apresentado pelo serviço público de saúde. Não foram, contudo, citados os últimos dados da Organização para a

Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que mostram a existência de médicos e enfermeiros abaixo da média exigida. “O senhor director fez uma apresentação sobre o nível de qualidade dos serviços de saúde, que têm vindo a aumentar ao longo dos anos. Avançou com alguns dados, e um deles é a longevidade dos cidadãos de Macau, que atinge a média de 82,5 anos. A taxa de mortalidade infantil é muito baixa, cerca de 2,5 mortes em cada mil

viços de Estatística e Censos apontam para uma média de 2,5 médicos por mil habitantes, menos 0,1% face a 2011. A OCDE diz que são necessários três. Já os enfermeiros subiram para três por cada mil cidadãos, quando a OCDE pede oito.

Lei Chin Ion

ERRO MÉDICO NÃO DEPENDE DO SERVIÇO

Cheang Chi Keong

nascimentos, sendo que a média mundial é de 49 em cada mil. Isso tem a ver com a atenção dada às grávidas e com o nível do sistema de saúde em si. A taxa de sucesso de pacientes com cancro também é elevada”, explicou o deputado Cheang Chi Keong. Questionado sobre se a comissão aceitou meros dados demográficos, semelhantes à maioria dos países ditos desenvolvidos, Cheang

Chi Keong disse apenas que “as questões não podem ser todas discutidas de uma só vez”. “Podemos registar um progresso, mas ainda está aquém das expectativas da população. Temos de aumentar as instalações e não sabemos quando é que o novo hospital das Ilhas vai estar pronto. Há que ter uma visão geral em termos dos hospitais público e privado e dos consultórios privados.” Dados de 2012 dos Ser-

Lei Chin Ion disse ainda que não existe uma relação directa entre a qualidade dos cuidados de saúde prestados em Macau e o número de casos de erro médico. Mas os deputados não concordam. “(O director) Informou ainda que o nível do sistema de saúde não tem uma ligação necessária com o erro médico. Eu acho que sim, porque ainda temos de reforçar a formação contínua dos profissionais, e em relação às instalações físicas há que ser melhorado. Para resolver o problema do

Legislação avança em 2014 RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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INDA não é definitiva mas será um primeiro passo para a concretização futura de um regime de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). A Direcção de Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) lançou ontem uma “Lista de tipos de projectos sujeitos à avaliação do impacto ambiental”, que funcionará apenas a título provisório, direccionando-se exclusivamente a obras públicas. Ao mesmo tempo, o Governo avançou também que para o próximo ano começará a ser feita a legislação correspondente. “Antes do final de 2014 vamos tentar acabar a recolha de opiniões e sugestões sobre a lista experimental e outras opiniões para produzir a legislação

do regime de avaliação de impacto ambiental de uma maneira mais profunda e aplicada à realidade de Macau”, explicou Cheong Sio Kei, director da DSPA, antes de falar da listagem ontem apresentada. “Esta lista é, por agora, experimental porque ainda merece uma revisão e a recolha de opiniões de vários sectores para poder depois legislar”, esclareceu. “Vamos resumir as experiências de maneira que podemos tomar conhecimento sobre de que maneira vamos aperfeiçoar. Só depois da legislação do regime é que saberemos se esta lista poderá ser obrigatória.” A lista, que se destina principalmente à avaliação dos impactos ambientais, está dividida em três partes. A primeira engloba projectos de estabelecimento (infra-estruturas

rodoviárias, instalações portuárias, abastecimento de energia, armazenamento e distribuição de combustível, abastecimento de água, entre outras), a segunda refere-se a projectos de demolição (por exemplo, aeroportos, central eléctrica ou instalações para aterros) e a terceira diz respeito a projectos de estabelecimento em determinada zona (tais como, reservatórios, lagos, colinas ou zonas de reserva). “Os projectos constantes nas primeira e segunda partes estão sujeitos à avaliação do impacto ambiental, enquanto para os projectos constantes na terceira parte, a entidade promotora deve, em primeiro lugar, apresentar uma breve descrição e dados do projecto para as autoridades competentes determinarem se há ou não a necessidade de realizar a avaliação

GONÇALO LOBO PINHEIRO

OBRAS PÚBLICAS SUJEITAS A AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL A TÍTULO EXPERIMENTAL

Cheong Sio Kei

ambiental”, explica uma nota da DSPA entregue aos jornalistas. Sobre a nova listagem, a Chefe de Departamento de Avaliação Ambiental, Fong Weng Chin, referiu ontem que “vai primeira-

erro médico temos de elevar o nível do serviço de saúde”, frisou Cheang Chi Keong que confirmou ainda que os deputados não pediram ainda qualquer relatório aos SSM com dados mais concretos. Apesar da lei ainda não ter sido aprovada, uma das futuras novidades nesta área prende-se com o facto do utente ter de encontrar provas que determinem o erro médico. Isto porque actualmente vigoram dois regimes diferentes, sendo que no privado é o hospital que tem que apresentar essas provas. Para o Governo, essa decisão “vai ajudar o utente”, embora os deputados ainda estejam a analisar os reais benefícios. Vai ainda haver um regime de notificação, o que significa que cada caso de erro médico deve ser notificado aos SSM pelo médico ou hospital.

mente ser implementada para as obras públicas e depois para outras obras”, sem especificar datas. Porém, a nota do organismo, tendo em conta a situação real em Macau, informa ser possível aperfeiçoar a elaboração desta lista. A Administração diz que tem vindo a acelerar activamente a criação de um regime do género, tendo em 2009 sido escritas as “Instruções para a elaboração do relatório de avaliação do impacto ambiental” e, à data, feita a recolha de opiniões sobre o “Texto exploratório para a criação de um regime de avaliação do impacto ambiental”. Segundo a DSPA, a AIA é uma “ferramenta de gestão ambiental preventiva” que permite analisar e prever os potenciais impactos no ambiente que podem surgir por certos projectos a promover, sobre os quais podem ser elaboradas as medidas de mitigação para evitar ou reduzir o impacto sobre o meio ambiente, tornando o desenvolvimento desses projectos mais sustentável.


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CHINA

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

CIMEIRA CHINA/UE URBANIZAÇÃO – UMA NOVA ÁREA DE COOPERAÇÃO, COM 300 MILHÕES DE FIGURANTES

Migração sem precedentes C

ERCA de 300 milhões de chineses deverão radicar-se nas cidades até 2030, num processo de urbanização sem precedentes na História e susceptível de abrir novas oportunidade de cooperação entre a China e a União Europeia (UE). Este ano, pela primeira vez, a agenda da Cimeira China-UE inclui um fórum e uma exposição sobre

aquele tema, com centenas de participantes, aprofundando o acordo de “Parceira sobre Urbanização” assinado em Maio de 2012 pela Comissão Europeia e o governo chinês. As duas iniciativas começam esta quarta-feira, um dia antes da reunião entre o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e os presidentes da Comissão e do Conselho Europeus,

Computador mais rápido do mundo é chinês

José Manuel Durão Barroso e Herman van Rompoy, respectivamente. Ao contrário da China, um país que há apenas dois anos era maioritariamente rural, na UE, três quartos da população já vive nas zonas urbanas. O ritmo de urbanização na China tem vindo, contudo, a acelerar, e na última década, a população urbana cresceu, em média, vinte milhões ao ano.

O chinês “Tianhe-2” é o computador mais rápido do mundo, de acordo com a organização internacional TOP 500, que publicou esta segunda-feira a lista dos 500 computadores mais rápidos do mundo. O “Tianhe-2” foi desenvolvido pela Universidade Nacional de Tecnologia e Defesa da China e tem uma capacidade de 33,68 petaflops (33,68 quatrilhões de cálculos por segundo). Voltou a figurar no topo desta lista pela segunda vez consecutiva. Em segundo lugar está o norte-americano “Titan”. O Top 500 publica a lista duas vezes por ano e já se tornou no ranking mais conceituado do mundo na classificação de computadores. Jack Dongarra, professor da Universidade do Tennessee e um dos responsáveis pela elaboração da lista, disse à imprensa que o “Tianhe-2” é um sistema de computação muito poderoso e com quase o dobro da capacidade do “Titan”. O super-computador chinês vai, muito provavelmente, continuar a figurar no topo da lista por mais um ano, realçou o especialista.

Descrita como “a maior migração na história da humanidade”, o processo de urbanização em curso na China é considerado também “a principal área de cooperação entre aquele país e a União Europeia, com incidência em diferentes domínios, dos transportes à gestão de resíduos. “É preciso pensar soluções à escala de uma cidade e não apenas de um edifício ou de um bairro. Esta é uma das grandes novidades desta parceria”, realçou Renato Roldão, membro do Conselho Empresarial da Embaixada de Portugal na China e especialista em questões ambientais. Trinta autarcas europeus participam no referido fórum, entre os quais o presidente da câmara de Paredes, Celso Ferreira. Conhecida como “a capital portuguesa do mobiliário”, Paredes desenvolveu um projecto inovador chamado “art on chairs”, que privilegia o design e a “trans-

O ESSENCIAL Este ano, pela primeira vez, a agenda da Cimeira China-UE inclui um fórum e uma exposição sobre aquele tema, com centenas de participantes, aprofundando o acordo de “Parceira sobre Urbanização” assinado em Maio de 2012 pela Comissão Europeia e o governo chinês.

ferência de conhecimento das universidades para as empresas”. “É uma forma de dar competitividade às indústrias locais a partir do conhecimento científico, para tornar a nossa economia mais competitiva e melhor preparada para os desafios da globalização”, disse Celso Ferreira à agência Lusa. “Há uma grande consciência dos nossos empresários de que a inovação, no mobiliário, será feita sobretudo através do design. Do ponto de vista tecnológico e dos recursos humanos, a nossa indústria está muito alicerçada, mas a diferenciação, nos principais mercados, faz-se através do design”, acrescentou. A exposição sobre urbanização, que será inaugurada pelo 1º vice-primeiro-ministro chinês, Zhang Gaoli, e o vice-presidente da Comissão Europeia com

a tutela dos Transportes, Slim Kallas, terá um stand da China Three Gorges e da EDP (Energias de Portugal). É um stand com quase 200 metros quadrados, para divulgar as actividades e competências das duas empresas “ao nível da utilização de fontes renováveis de energia, redes de distribuição eléctrica inteligentes e mobilidade eléctrica”. “União Europeia e China são profundamente interdependentes e essa interdependência cresce dia a dia, a todos os níveis”, disse o embaixador da Delegação da UE na China, Markus Ederer. A União Europeia é o maior parceiro comercial da China e esta é o segundo parceiro da UE. Pelas contas da UE, o comércio bilateral somou cerca de cinco biliões de patacas em 2012 (quatro vezes mais do que há década).


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BANCO DO POVO DEIXARÁ INTERVENÇÕES REGULARES NO CÂMBIO

À espera de flutuações O

Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) pretende não realizar mais intervenções diárias no mercado de câmbio antes de estabelecer uma taxa flutuante com base no mercado, disse o presidente do PBoC, Zhou Xiaochuan, como parte da recente Terceira Sessão Plenária do Partido Comunista. Num documento sem maiores detalhes, Zhou descreveu um sistema financeiro em que o yuan, taxas de juros e os capitais movem-se de acordo com a demanda e a oferta, e não mais por influência do Governo. Ainda no documento, Zhou reiterou o compromisso de Pequim de manter o yuan “basicamente estável, num nível razoável e equilibrado”, mas também falou numa moeda “mais flexível”. “Vamos, de forma organizada, ampliar a banda diária de negociação do yuan e aumentar a flexibilidade (da moeda)”, afirmou Zhou. Analistas dizem que as ambiciosas propostas que emergiram da reunião do Partido Comunista, realizada entre 9 e 12 de Novembro, ainda precisam ser elaboradas, aprovadas e implementadas pelo Governo,

embora acredita-se que as reformas financeiras estejam num estágio mais avançado que outras áreas que devem passar por desregulamentação. Segundo Zhou, as restrições e o processo de aprovação dos programas para investidores institucionais estrangeiros e domésticos serão removidos assim “que as condições permitirem”.

Separadamente, o vice-presidente do PBoC, Yi Gang, disse que o banco vai lançar um programa de testes que permita investimentos individuais em carteiras no exterior. Os comentários de Zhou e Yi foram feitos num estudo para a chamada “Decisão”, um plano de reformas de 60 itens divulgado na última sexta-feira.

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Japão e UE realizam cimeira em Tóquio centrada em acordo comercial

O Japão e a União Europeia realizaram ontem em Tóquio a sua cimeira anual com o objectivo de dar um impulso às negociações sobre um acordo de comércio livre e à cooperação em matéria energética e de segurança. Os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, reuniram-se com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, na sua residência oficial durante cerca de 70 minutos. Este encontro anual estava inicialmente programado para Março, mas foi adiado repentinamente devido à crise no Chipre. O Japão e a União Europeia tiveram três rondas de negociações desde Abril com o objectivo de alcançarem um acordo de comércio livre bilateral. As duas partes reconheceram que o objectivo da cimeira de hoje foi acelerar a conclusão das negociações, cujo principal obstáculo é a recusa do Japão de eliminar as barreiras não tarifárias, um factor que dificulta as exportações europeias. O Japão e a União Europeia têm previsto ainda discutir nesta cimeira a sua cooperação em matéria de recursos naturais, com vista a garantir o fornecimento de gás natural liquefeito, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros nipónico.

Tufão Haiyan destruiu uma das mansões da viúva do ditador filipino Marcos

O tufão Haiyan, que devastou a região central das Filipinas no dia 8, destruiu uma das mansões de Imelda Marcos, viúva do ditador Ferdinand Marcos, na província de Leyte. A mansão de Olot, com 17 quartos, está situada na primeira linha da praia e é considerada por Imelda como a residência ancestral da sua família, mas dela restaram poucas estruturas de madeira e um sofá. “Demorei a reconhecer a casa”, disse o filho de Imelda, o senador Ferdinand Marcos Jr, pouco depois de visitar a mansão. O que restou da casa está agora a ser utilizado para guardar ajuda humanitária para os afectados pelo tufão na província de Leyte, uma das mais pobres das Filipinas. Segundo Marcos Jr, a propriedade, que também contava com um campo de golfe de 18 buracos, pertencia à família paterna de Imelda Marcos, os Romualdez, um dos mais antigos clãs políticos de Leyte.

Investimento externo somou 97.000 milhões de dólares em dez meses investimento externo directo (FDI) na China aumentou 5,77% nos primeiros dez meses de 2013 totalizando 97.000 milhões de dólares, anunciou ontem o Ministério chinês do Comércio. Trata-se de um valor que não inclui o sector financeiro e na sua grande maioria veio de dez países e regiões da

REGIÃO

Ásia, nomeadamente Hong Kong, Taiwan, Japão, Tailândia e Singapura, indicou o porta-voz do ministério, Shen Dayang. Entre Janeiro e Outubro de 2013, o FDI oriundo daquela região somou 83.600 milhões de dólares, um aumento de 7,18% em relação a igual período do ano passado.

O investimento da União Europeia e dos Estados Unidos, aumentou, em termos percentuais, ainda mais - 22,3% e 12,4%, respectivamente -, mas no conjunto somaram apenas 9.440 milhões de dólares. Entretanto, o investimento chinês no exterior subiu 20%, para 69.500

milhões de dólares, indicou a mesma fonte. A China é a segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos, e o maior exportador. No terceiro trimestre de 2013, o Produto Interno Bruto chinês cresceu 7,8%, interrompendo quase um ano de abrandamento.

Assembleias de voto abertas no Nepal para eleições legislativas

As assembleias de voto abriram ontem no Nepal para as eleições legislativas, que são consideradas como cruciais para o processo de paz num país que se depara com um impasse político há cinco anos. “A votação começou em todo o país”, declarou um porta-voz da comissão eleitoral do Nepal, Bir Bahadur Rai, em declarações à agência AFP. Estas eleições, que pretendem formar uma Assembleia constituinte, são as segundas organizadas desde o fim da guerra civil, depois daquelas que foram realizadas em 2008, após a conclusão de um acordo de paz, que colocou fim a dez anos de combates e originou a substituição da monarquia por uma república. Mas as coligações que se formaram desde então não conseguiram desenvolver uma constituição e o partido maoista, que venceu as eleições em 2008, dividiu-se.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 23/P/2013

AVISO Informa-se que a lista definitiva para o preenchimento de duas vagas de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico, área jurídica, em regime de contrato além do quadro da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), encontra-se afixada na DSPA, sita na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.os 393 a 437, Edifício “Dynasty Plaza”, 10.° Andar, em Macau, e publicada na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director, Cheong Sio Kei Aos 20 de Novembro de 2013

Faz-se público que, por despachos de Sua Excelência, o Chefe do Executivo e do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, respectivamente, de 1 de Agosto de 2013 e 31 de Outubro de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento do Sistema de Registo de Saúde Electrónico para os Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e do Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 20 de Novembro de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $ 56,00 (cinquenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias. A reunião de esclarecimentos terá lugar no dia 27 de Novembro de 2013, pelas quinze horas (15,00), no “Auditório” do piso r/c do Edifício da Administração dos

Serviços de Saúde junto do Centro Hospitalar Conde de São Januário. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 20 de Janeiro de 2014. O acto público deste concurso terá lugar no dia 21 de Janeiro de 2014, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $ 800.000,00 (oitocentas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 14 de Novembro de 2013 O Director dos Servços Lei Chin Ion


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MODA “Hoje em Pequim existem muitos jovens estilistas de várias nacionalidades, como italianos, alemães ou franceses, que estão à procura de realizar os seus sonhos. Mas lamento não ter conhecimento da existência de estilistas de Macau!”

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PAULO DE SENNA FERNANDES ESTEVE NA CHINA FASHION WEEK

“Indústria da moda da China é avançada” O desejo tornou-se realidade. O estilista macaense Paulo de Senna Fernandes mostrou as suas roupas na última Semana de Moda da China, decorrida em Pequim, através da Associação Moda de Macau ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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Á muito que a China Fashion Week estava na cabeça do estilista local Paulo de Senna Fernandes, mas faltava o melhor: dinheiro. Em declarações recentes ao Jornal Tribuna de Macau, em Maio, o designer confessava já ter “uma proposta”, mas que tudo “dependia do orçamento”. O desejo passou a realidade.

De 25 a 31 de Outubro Paulo de Senna Fernandes esteve presente na China Fashion Week (Semana da Moda da China), em Pequim, onde terá apresentado entre 80 a 120 conjuntos. Em comunicado, o estilista traça um balanço positivo da participação no evento. “Decorreu com sucesso, foram mantidos encontros a vários níveis, nomeadamente com estilistas de renome internacional e nacional, modelos e dirigentes da China Fashion Association, entre outros. Os seus participantes regressaram mais enriquecidos e trouxeram novas ideias para futuros projectos.” O tão desejado apoio financeiro veio do Governo. “Todos estes conhecimentos que adquirimos foi possível com o patrocínio do Instituto Cultural e da Fundação Macau, aos quais a Associação de Moda de Macau e os seus membros agradecem profundamente.”

DESIGNERS DE MACAU AINDA NÃO CHEGARAM LÁ

Paulo de Senna Fernandes confessa que “em Pequim os estilistas chineses têm forte apoio dos empresários locais”, algo que acha “muito correcto”. “Após terem terminado o seu curso são logo aproveitados para as fábricas. Os empresários também investem neles dando-lhes uma oportunidade para irem para o estrangeiro (Europa e América), para aperfeiçoarem o seu trabalho e adquirirem novos conhecimentos. Quando regressam estão aptos a assumirem cargos de destaque e a participarem em eventos internacionais, como é o caso da Semana da Moda.” O estilista diz ainda que “a indústria da moda na China é muito forte e bastante avançada, podendo

equiparar-se a grandes indústrias como na França, Itália e mesmo a Rússia! A China tornou-se muito forte no mercado da moda”. Contudo, o designer chama a atenção para o facto dos estilistas de Macau não estarem no mesmo patamar. “Hoje em Pequim existem muitos jovens estilistas de várias nacionalidades, como italianos, alemães ou franceses, que estão à procura de realizar os seus sonhos.

Mas lamento não ter conhecimento da existência de estilistas de Macau!” “Durante nove anos, não só como estilista como presidente da Associação Moda Macau, tenho vindo a conhecer muitos estilistas chineses famosos, pessoas dos meios de comunicação social e principalmente os membros da Associação de Estilistas da China. Temos de saber qual a melhor maneira de ligação, porque este seria um exemplo para Macau adaptar.”

Apesar da importância da presença na Semana da Moda da China, esta não é a primeira vez que Paulo de Senna Fernandes apresenta as suas roupas no continente. A última aconteceu em Março, no âmbito de um programa promovido pelo Governo de Macau e também do Gabinete de Ligação da China na RAEM. A sua estadia de um mês, em Pequim, gerou interesses e contactos.


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EVENTOS

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

“DESFILE POR MACAU CIDADE LATINA” APRESENTADO, ONTEM, NO CAT

JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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apresentação da 3.ª edição do Desfile por Macau Cidade Latina, que celebra a Transferência da Administração de Macau para a China, no dia 20 de Dezembro, teve ontem lugar, no Centro de Actividades Turísticas (CAT), pelas 16h, com a presença, entre outros, do presidente do Instituto Cultural, (IC), Guilherme Ung Vai Meng, que destacou a importância do evento, com um crescimento positivo de ano para ano. “Esta é a terceira vez que se realiza o ‘Desfile por Macau Cidade Latina’, um acontecimento que tem registado uma evolução muito positiva e que vai contar este ano com a participação de cerca de dois mil participantes. Com a realização deste evento pretendemos mostrar ao mundo a singularidade de Macau, um território onde as culturas ocidental e oriental se misturam de forma harmoniosa,

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Multiculturalidade ao “ritmo da vida”

e ainda promover o intercâmbio cultural entre os artistas locais e os do exterior.” Harmonia é o mote para um dia de festa e muita música, que tem como tema este ano “O Rit-

mo da Vida”. Quatro gigantones participarão no desfile, simbolizando as diversas fases da vida, infância, juventude, idade adulta e velhice, juntando-se aos artistas e grupos de vinte países e regiões,

como Portugal, Espanha, França, Itália, Perú, Bolívia, Brasil, Argentina, Hong Kong e China, entre outros. O percurso do desfile não sofre alterações em relação ao ano pas-

sado, começando pelas 15h30, nas Ruínas de São Paulo, e seguindo pelo Largo de Santo António, Largo da Companhia, Rua de Dom Belchior Carneiro, Rua dos Artilheiros, Rua de Sanches de Miranda, Calçada da Igreja de São Lázaro, Albergue da Santa Casa da Misericórdia, Rua de São Roque, Rua de Nova de São Lázaro, e por aí fora, até terminar, pelas 18h, numa actuação conjunta de todos os artistas na Praça do Tap Seac. Os espectadores poderão assistir a espectáculos de mímica, música e dança dos participantes, entre os quais 50 grupos locais, que se habilitam a viajar até Viareggio, para participar no carnaval da cidade italiana, que faz na sua próxima edição uma homenagem a Macau. Espalhados por diversos pontos da cidade, estarão ainda montados ecrãs gigantes para todos aqueles que quiserem assistir ao evento, que viu este ano o seu orçamento reforçado, passando de 14 milhões de patacas, em 2012, para 16 milhões.

TAIWAN APRESENTADO SECTOR CULTURAL E CRIATIVO DE MACAU

Fundação Rui Cunha promove recolha de fundos para as vítimas do Haiyan nas Filipinas

A Fundação Rui Cunha organiza na próxima quinta-feira, pelas 20h, um recital de ópera e outras canções, cujas receitas serão destinadas, através da Caritas, a apoiar as vitimas do tufão Haiyan, nas Filipinas. O recital estará a cargo da Associação Vocal de Macau e a entrada para o evento de beneficência tem o custo de 200 patacas. Para além do valor pecuniário são também aceites outros donativos, informa a organização.

Manter viva a criatividade O Instituto Cultural da RAEM (IC) organiza, pela primeira vez, a participação do sector das indústrias culturais e criativas locais na Exposição Internacional de Indústrias Culturais e Criativas de Taiwan 2013, a ter lugar entre 21 a 24 de Novembro em Taipé, através do Pavilhão Criativo de Macau, destinado a mostrar e promover este tipo de marcas e produtos do território, informa o comunicado de imprensa da organização. O Pavilhão Criativo de

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA LIBRA • Don DeLillo Neste exercício de ficção em torno do assassínio de John F. Kennedy, DeLillo conta a odisseia de Lee Harvey Oswald, desde a sua adolescência conturbada até se tornar um adulto instável que imagina ser um agente da História. Combinando com mestria facto e ficção, “Libra” é a investigação grave, assombrosa e brilhante de um acontecimento que se tornou parte indelével da História da América e do mundo.

Macau, com uma área de 189 m2, é subordinado ao tema “ A Criatividade como Vitalidade da Cidade”, apresentando-se sob a forma de “modelo urbano”. O interior do Pavilhão está preenchido com estruturas em forma de quadrado, cada qual com o seu estilo distinto, simbolizando a população urbana, a vida e diversos elementos criativos. Cada expositor apresentará os seus próprios produtos num espaço quadrangular, mostrando objectos e a memória da cidade.

As paredes do Pavilhão são decoradas com símbolos do Património Mundial de Macau, bem como com silhuetas da cidade, sugerindo o diálogo cultural sino-ocidental que vem ocorrendo em Macau há 500 anos, a ambiência peculiar da cidade e as suas mais-valias histórico-culturais, acrescenta a nota de imprensa. Na Exposição participam 12 entidades culturais e criativas de Macau, como obèse. plein; MO-Design Lda.; Lines Lab; Soda Panda Product Design; Chessman Entertain-

ment Production Co. Ltd.; Macau Creations Limited, entre outras, que procuram mostrar e promover as suas marcas e os seus produtos criativos. - J.C.M.

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ÁLVARO CUNHAL , HISTÓRIA, ARTE E POLÍTICA • José Neves No ano em que se comemora o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, dezoito autores assinalam a efeméride, acompanhando o percurso militante do líder histórico do Partido Comunista Português, mas também o pensamento que produziu nos domínios da economia e dos estudos agrários e o contributo que deu para os debates sobre a arte do seu tempo.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

José de Souza Júnior IN RESENHAS

A MONSTRUOSIDADE DE CRISTO de Slavoj Zizek

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UBLINHA-SE uma diferença entre Sócrates e Cristo: Cristo não é como uma ‘individualidade plástica’ grega que, através de traços particulares, o conteúdo universal transparece directamente. Isto significa que, embora Cristo seja Deus-Homem, a identidade directa desses dois termos implica também uma contradição: nada há de ‘divino’ no que se refere a Cristo, pelo menos, nada de excepcional – observando-se os seus traços, eles chegam a ser indistinguíveis de qualquer outro individuo humano. Entre os gregos, Sócrates se distingue de Cristo, por exemplo, através desse ‘universal particular’ percebido neste Deus-Homem, mas Édipo pode se assemelhar com Cristo, como excluído, despojo, rei-mendigo. Da ‘cristologia de Hegel’ extrai-se um Cristo que não só foi o próprio Deus, o criador de todo o nosso universo, mas andou nas ruas como indivíduo comum. Será que o que nós, crentes, comemos na eucaristia, a carne de Cristo (pão) e o seu sangue (vinho), precisamente o mesmo despojo informe, ‘o que [os soldados romanos que o crucificaram] nunca podem matar’, e que continua a avançar e a organizar-se como uma comunidade de crentes. Nesta perspectiva relê-se o próprio Édipo um precursor de Cristo. O corpo poluído de Édipo significa entre outras coisas o monstruoso terror que ronda as portas e no qual, se tiver a sorte de sobreviver, apolis deverá reconhecer a sua deformidade atroz. Édipo é despojado da sua identidade e autoridade e pôde assim oferecer o seu corpo lacerado como pedra angular de uma nova ordem social: “Tornar-me-ei um homem na hora em que deixo de existir?”, ou talvez: “Passarei a contar alguma coisa somente quando não sou nada / deixo de ser humano?”, pergunta-se o rei-mendigo em voz alta. O que nos faz pensar num rei-mendigo posterior, Cristo que, pela sua morte como um ser nulo, um excluído abandonado pelos seus próprios discípulos, funda uma nova comunidade de crentes. Um e outro, Édipo, Cristo, reemergem atravessando o grau zero do ser, reduzido a um despojo excrementício. Acrescente-se a figura do Deus sofredor à oposição estabelecida entre o Deus benevolente, da paz e da harmonia cósmicas, e o Deus maldoso, com o seu furor assassino. É por isso que G. K. Chesterton destacou a intuição da identidade especulativa do Bem e do Mal, ou seja, a tese de que, ao combater o Mal, o Bom Deus está a combater contra si mesmo, num conflito interno, pertence ainda à suprema intuição pagã. Só o terceiro traço, o sofrimento de Deus resolve, ao emergir subitamente, esta tensão entre as duas faces de Deus, conduzindo-nos assim ao cristianismo propriamente dito: porque é um Deus sofredor. O sofrimento conduz-nos ao Livro de Job, celebrado por Chesterton como o mais interessante dos livros antigos. Depois de Job ser ferido por suas calamidades, os seus amigos teólogos intervêm, oferecendo interpretações, que tornam as calamidades dotadas de sentido, e a grandeza de Job não é tanto protestar a sua inocência como insistir no sem-sentido das calamidades. Essa resistência ao sentido é decisiva quando nos confrontamos

com catástrofes potenciais ou actuais (desastres ecológicos, Holocausto, Sida): não ‘tem sentido mais profundo’. A herança de Job proíbe-nos esta atitude de buscar refúgio na figura transcendente e estabelecida de Deus como Senhor secreto que conhece o sentido do que nos parece a nós uma catástrofe sem sentido. O próprio Deus chega a compartilhar do próprio assombro de Job perante a loucura caótica do universo criado: “Job adianta um ponto de interrogação, Deus responde-lhe com um ponto de exclamação. Em vez de mostrar a Job um mundo explicável, insiste em que se trata de um mundo mais estranho do que Job alguma vez pensou”. A eterna interrogação: Havia Deus em Auschwitz? Como poderia Ele ter permitido um sofrimento tão imenso? Por que não interveio para impedir? Encontra-se uma resposta na cena final de Shooting Dogs, um filme sobre o genocídio em Ruanda, na qual vemos um grupo de Tutsi refugiados numa escola cristã, sabendo que em breve serão chacinados por uma turba Hutu –, um jovem professor britânico da escola soçobra no desespero e pergunta a figura paterna, o sacerdote mais velho, onde está agora Cristo para impedir o massacre; a resposta do padre é: ‘Cristo agora está mais do que nunca aqui presente. Está aqui sofrendo connosco’. Trata-se de Cristo, sofredor, mas que se parece mais com um Deus fraco, um Deus reduzido e compadecido observar a miséria humana, incapaz de intervir e de socorrer. Deus não é justo nem injusto, mas simplesmente impotente. O que Job compreendeu de súbito é que não era ele, mas que o próprio Deus fracassaria: Job previa o futuro sofrimento do próprio Deus. Só o cristianismo abriu um espaço para pensar esse sofrimento, na medida em que é a religião de um Deus que morre. Continua morto, morre realmente, no caso de Cristo que renasceu enquanto outra pessoa, como Espírito Santo. Percebe-se, pois de um triplo movimento: [1] a pessoa singular de Cristo é superada na sua identidade ressurreta enquanto Espírito (amor) da comunidade dos crentes; [2] o milagre empírico é superado no ‘verdadeiro’ milagre maior; [3] o próprio cristianismo se supera em organização política. Ao observar atentamente, reconhece-se certo tipo de ‘reversão dialética’ no cristianismo – a Crucificação e a Ressurreição – variantes formais de um e mesmo acontecimento: ‘Crucificação é ressurreição’. Assim, quando os crentes se reúnem, chorando a morte de Cristo, o seu espírito compartilhado é o Cristo ressuscitado. A relação entre Vida e Morte na figura de Cristo, a morte exemplar na cruz, e a ressurreição na vida eterna dada a todos os que acreditem nele e decidem ‘viver em Cristo’. A Vida e a Morte não são aqui pólos opostos, contrários, mas a mesma coisa vista segundo uma perspectiva global diferente, ou melhor, um só e mesmo acontecimento visto de duas perspectivas. O que é superado no movimento que leva do Filho ao Espírito Santo é assim o próprio Deus: depois da crucificação, da morte do Deus encarnado, o Deus universal regressa enquanto um Espírito da comunidade dos crentes. Cristo é, enquanto Homem-Deus, a unidade ou a reconcilia-

ção exteriormente pressuposta: primeiro, uma unidade imediata, depois, uma unidade mediatizada sob a forma do Espírito Santo: passa-se de Cristo, cujo predicado é o amor, ao próprio amor como sujeito, o Espírito Santo. Essa unidade ou essa Reconciliação não pode ser direta, sob a intuição de Hegel, primeiro terá de gerar um (aparecer um)monstro, uma monstruosidade, para indicar a primeira figura da Reconciliação, o aparecimento de Deus na carne finita de um indivíduo humano: “tal é o monstruoso [das Ungeheure] cuja necessidade vimos”, afinal para Hegel, o indivíduo humano frágil e finito é “inapropriado’ para representar Deus, é a impropriedade em geral, enquanto tal”. A própria tentativa de reconciliação produz um monstro, uma grotesca “impropriedade enquanto tal”?

Slavoj Zizek

Cristo é o ‘objecto parcial’ de Deus – um órgão autonomizado e sem corpo, como se Deus tivesse extraído o seu olho da sua cabeça e do exterior virasse para si. Intui-se melhor daí porque Hegel insistia na monstruosidade de Cristo. A modalidade cristã de um “Deus que se vê a Si-mesmo” nada tem a ver com o anel fechado e harmonioso do “vejo-me ver”, mas aqui o olho que se vira para o seu corpo pressupõe um olho separado do corpo, e aquilo que vejo por meio do meu olho autonomizado/exteriorizado é uma imagem em perspectiva, anamorficamente distorcida de mim: Cristo é uma anamorfose de Deus. A liberdade humana só se funda nesta monstruosidade de Cristo, desobstruindo-nos o caminho. Deste modo, o mistério de Deus é o homem. “Deus” não é mais do que a versão reificada e substantivada da atividade coletiva humana, ou seja, o fosso irredutível que separa os sujeitos humanos de Cristo – o sujeito monstruoso ‘mais humano do que o humano’. O cristianismo é a ‘religião absoluta’ precisamente na medida em que, nele, a distância que separa Deus do homem separa Deus do próprio Deus (e o homem do homem, do que há nele de inumano). Assim, a humanidade se torna consciente de si na figura alienada de Deus, mas na religião humana, Deus torna-se consciente de Si-mesmo (o Espírito é ele próprio a ferida que tenta sarar – o que significa que a ferida é uma ferida auto-infligida; trata-se de uma auto-alienação que reconstitui o Espírito a si mesmo através do seu ‘regresso a si’ por meio de uma imersão a alteridade natural). Então, Cristo é o excesso que proíbe, enfim, o simples reconhecimento

do Sujeito coletivo na Substância – a redução do Espírito a uma entidade virtual e objectiva pressuposta pela humanidade. Mesmo que Deus seja a substância de todo o nosso ser (humano), é impotente sem nós, age apenas em e através de nós – é estabelecido através da nossa atividade como seu pressuposto. É por isso que Cristo é impassível, etéreo, frágil: um simples observador animado de simpatia, mas impotente por si só. O estatuto do ‘Espírito’ não deixa de ser um ‘pressuposto subjetivo’: “só existe na medida em que os sujeitos ajam como se existisse”, ou seja, a substância da causa só é real na medida em que os indivíduos acreditem nela e ajam consequentemente. O estatuto da ‘substância espiritual’ hegeliana é então propriamente virtual – só existe na medida em que os sujeitos agem como se ela existisse: é a ‘substância espiritual’ dos indivíduos que nela se reconhecem e é o solo onde assenta toda a sua existência, o ponto de referência ou qualquer coisa pela qual os indivíduos estão dispostos a darem suas vidas. E a única coisa que realmente existe são esses indivíduos e a sua atividade, pelo que a substância só se atualiza na medida em que os indivíduos ‘acreditam nela’ e, com efeito, agem. Os indivíduos pensam que tratam certa pessoa como um rei porque essa pessoa é o rei em pessoa, quando, na realidade, essa pessoa só é rei porque os outros assim a tratam como tal. Trata-se do ‘performativo hegeliano’, sem dúvida, um rei é ‘em si mesmo’ um pobre indivíduo; sem dúvida, só é rei na medida em que seus súditos o tratam como tal; no entanto, a questão é que a ‘ilusão fetichista’ que sustenta a nossa veneração perante um rei tem enquanto tal uma dimensão performativa – a própria unidade do nosso Estado, ‘encarnada’ no rei, só se actualiza na pessoa do rei. Reside aí a monstruosidade de Cristo, quando esse pobre indivíduo, esse rei-palhaço, ridículo e escandaloso, andava por aí, era como se o umbigo do mundo, o nó que mantinha ligada e conjunta a textura da realidade (o que Lacan chamava sinthoma), andasse por aí fora do seu lugar: a sua monstruosidade é o preço a pagar pela introdução do Absoluto no meio da representação exterior, que é o meio religioso. Como se o herói Syme de Chesterton revelasse a identidade da Lei e o crime universalizado/absoluto: não só o crime é essencialmente moral como a própria moralidade é essencialmente criminosa, no sentido em que o modo como a moralidade se afirma é já em si mesma um crime: “a propriedade é um roubo”, como costumava dizer-se no século XI. Ou de sua clareza e simplicidade, Agota Kristof, mestra de horror, autora húngara de O Caderno Grande, retira-se o ‘modo de ser’ de um ‘monstro ético’, sem empatia, fazendo o que há a fazer numa insólita coincidência entre espontaneidade cega e distância reflexiva, auxiliando os outros ao mesmo tempo evitando a sua proximidade repulsiva: com mais gente assim, o mundo seria um lugar mais agradável, no qual o sentimento seria substituído por uma paixão mais cruel e fria... Se existe uma ética cristã (?), talvez seja essa, por mais extravagante que o pedido do próximo pareça, tente dar-lhe resposta.


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Ring Joid

PARA A ZÉLIA LEMBRO-ME SEMPRE DE TI. NÃO SÓ DOS GARROTES, DAS PIPETAS OU DOS PICA-DEDOS. MAS DO TODO. A PRESENÇA AVASSALADORA E SIMPLES QUE NOS PROTEGIA COMO UMA AURA. EXISTIA, ESTAVA LÁ, MESMO AO LONGE. ESCREVI-TE NUM JORNAL, ENQUANTO NA COZINHA FAZIA UMA IGUARIA DO TEU PARAÍSO. DE UMA VIAGEM A LESTE.

V

OU cozinhar para ti. Sei que gostas de coisas boas, tipicamente simples, saídas da terra. Não interessa de onde vêm. De quem é a terra. É preciso apenas que tenham muito sabor. É isso que vou fazer. Andei toda a semana por estas estradas quentes. A subir a serra, do sopé para meia distância do cume. A descer de novo para uma parte mais fria e a reencontrar esse horizonte que se desprende da vista, numa curva contra curva. Lá estava o vale do lado esquerdo. Ao fundo a montanha mais alta do sul do país. Uma paragem de autocarro à direita e talvez um cão a ladrar, não tenho bem a certeza. E fresco de novo, só por um segundo. Mudou tanta coisa que não sei por onde começar. Vai ser um prato de carne. É bom, acredita. Quando voltaste dentro daquela caixa do tamanho do teu corpo fiquei no jardim a noite toda. Dormi na rede sem me balançar, à espera que o céu caísse de vez em cima de mim e me acordasse do pesadelo. Tentava esconder-me. De mim e dos outros. Que era aquilo? Corria para qualquer fundo de uma azinhaga. Para chorar. Para que ninguém me visse. Deitado no chão, a olhar de novo para as estrelas, talvez no sítio onde íamos apanhar amoras. Agora já não existem aí. Não existem em lado nenhum. Desapareceram. Compram-se no supermercado, sem as silvas, em caixinhas, e custam os olhos da cara. Acreditas nisso? Eu prefiro não acreditar. No dia em que te levámos fomos todos em silêncio. Vieram homens e mulheres de todo o lado. Nos seus burros, nos seus carros de bois. Vinham do outro lado dos montes. Nos seus tractores, nas suas carrinhas de caixa aberta, que pararam em transgressão em qualquer lado, sem se preocuparem com isso. Com os quatro piscas e a buzina presa, a gritar. Vieram movidos pela ideia que o sol estava a estremecer, em rodopio, aos saltos, e a brilhar de uma outra forma. A chamar por eles. A dizer-lhes que aquele era um dia especial. Mas homens e mulheres que nunca mais te esqueceram, que na recordação viva da tua pessoa trouxeram as famílias, numerosas, e os gatos, e os cães. Para se despedirem de ti. Estava um dia cheio de luz. Seguimos-te e imitámos o teu silêncio. Todos. As pessoas vinham de veredas e ruas íngrimes juntando-se na mais completa das ordens, enquanto caminhávamos. Posso dizer-te

sol de conhecimentos. De vida. A querer inventar-me com as coisas mais ínfimas. E ser feliz como nunca vi ninguém ser feliz. Como nunca vou ver ninguém ser feliz, dessa maneira, mesmo que viva setecentos e cinquenta anos. Porque o teu ser feliz foi a felicidade dos homens todos juntos, desde que o Homem apareceu neste planeta. Há duzentos e quarenta triliões de anos. É preciso saber muito, não é, para lá chegar? E no entanto, uma felicidade sempre em questão. [O HOMEM QUE ENCONTREI HOJE NA RUA SORRIA, DESALMADAMENTE, QUASE QUE NÃO TINHA ROUPA NO CORPO, NEM DENTES, E NÃO LHE PERGUNTEI NADA PORQUE TINHA A CARA TODA ESBORRATADA DE FELICIDADE. E AMOR. EM GRANDE. NUM CABEÇALHO DE ORELHA A ORELHA. NÃO TINHA CABELO, O HOMEM. AINDA TUDO É POSSÍVEL NO MUNDO TRIVIAL QUE SE ATRAVESSA, FOI AQUILO QUE GRAVEI.]

que foi lindo. Quase no fim passámos em casa do teu amigo poeta, ele disse-te adeus, no alto do seu olhar de bronze, e deixámos-te. Os gatos não miaram. Os cães não ladraram. Muitas flores e um ramo de uma árvore tua caíram por cima desse fosso geométrico onde te enfiaram. Agradeceste. Eu sei que agradeceste. A árvore que ia crescer dentro de ti. Soubemos todos. Quando saímos nunca mais fomos os mesmos. A cidade nunca mais foi a mesma. Amainou congelada naquele Verão quente. Lembras-te das groselhas? Já não existem. As borboletas? Raramente lá vão e são todas da mesma cor. Não há cães nem gatos, nem outros animais. Apenas erva a crescer em desatino.

 A deixar-se daninha. Vou fazer-te Goulash. A mesma receita que a avó te fazia, sabes? Que por sua vez era a receita de um restaurante em Budapeste onde vocês estiveram. Lembras-te? Foram os dois para a cozinha, bisbilhotar, à procura do cozinheiro. Telefonei-lhe há pouco, a perguntar-lhe como se fazia. Ela ainda a sabia de cor, claro. Lembrava-se

até do nome do homem, chamava-se Lórand Kardos Ogúz e o restaurante ficava na Praça Franz Liszt. Mas se lhe perguntares, se eu falei com ela mesmo agora, já não se lembra. Lembra-se apenas do essencial. Do mais importante. Do dia em que te viu descer a rua pela primeira vez. A cor da camisa que trazias vestida, as mãos nos bolsos, o olhar que lhe fizeste. Ela a mudar de cor à janela. A tornar-se Amor. À primeira vista. E lembra-se de tudo o resto que vale a pena lembrar. E o que vale a pena lembrar foram todos os dias que passou contigo, todos eles, sem tirar um único. Claro, agora não tem espaço para mais. Para saber se já tomou ou não os comprimidos. Se é Verão ou Inverno. O que é que isso interessa? Ela lá sabe o que interessa, e é muito. É tanto. São tantas voltas ao mundo. Foste sempre o meu modelo. O nosso. Ainda és. Queria ser assim feliz como tu, ter essa capacidade infinita para estar sempre atento, atento ao saber, às brisas da inovação, ser a vanguarda do tempo e em simultâneo transportar um

No teu laboratório ia ver-te trabalhar. Atravessava o jardim a correr com medo dos cisnes negros que me mordiam o rabo. Nessa altura os carros andavam mais devagar, as pessoas sabiam conduzir, e chegava-se num instante, sem perigos. Entrava. Lá estavam as mulheres todas que trabalhavam contigo, que sorriam a toda a hora. Felizes, também. Com os seus tubos de ensaio na mão. Os papéis. As pipetas. Os garrotes. Os pica-dedos. Picaram-me o dedo e saiu uma bolha de sangue que eu depositei nos lábios. Um sabor amargo. E doce. Na sala ao lado tinhas as tuas máquinas, que os médicos todos compram mas que nunca usam e que estão sempre a brilhar. Ficava a olhar para elas, aquelas naves espaciais. A conduzi-las. Ainda lá estão? Devem estar. Vendeste tudo, ao desbarato. Já não chegaste a tempo. Tinha uma família também ela bonita. Amalgamou-se com um calor qualquer ou com a corrosão da humidade. Mas gostava muito que conhecesses umas pessoas pequeninas. Já lá vamos, quando deixar a cozinha, está bem? Sabes o que é o Amor? É nós todos


artes, letras e ideias 15

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gostarmos de ti, sempre. E eu delas. Essa é a definição da palavra, a mais simples que se pode arranjar. A melhor que sei. A que vou responder no exame da minha faculdade.

Também íamos para o café. Ler. Ouvir os homens que vinham logo ter contigo. Que num ápice perguntavam. Perguntavam. E tornavam a perguntar. E ouviam. Tudo. Os homens que aprendiam contigo, sempre com sede do que lhes dizias. Mesmo que nada fosse. O homem dos jornais, que tinha nome de pássaro como tu. Ficavam os dois a chilrear uma mão cheia de tempo. O que é que eu pedia nessa altura? Torradas, só podia ser. Com manteiga.
 E os táxis? Os homens dos táxis. Lembras-te? Já não existem. Reformaram-se todos. Não fazia sentido transportarem outras pessoas. Venderam os carros, ao desbarato, saíram da terra, desapareceram. Nunca mais ninguém os viu. Voltaram no dia em que a tua cidade te fez uma homenagem. De novo com os seus carros de praça. Debaixo dos plátanos. A reluzir. À espera que chegasses. Levaram o livro entre os braços, que fizeram sobre ti. Pesa duzentas e vinte gramas. Chamaram-lhe “Memória

Viva”. É o que estou aqui a fazer na cozinha, para que não te esqueças. Agora tens também uma rua com o teu nome. Sabias que em Porto Alegre, no Brasil, existe uma rua homónima à tua, só que de outra pessoa? Coincidência, não é? É de um general. [ACORDOU COM DORES DE ESTÔMAGO, A PENSAR QUE TINHA TODAS AS DOENÇAS DO MUNDO, MAS COMO A VIU, AO LADO, A RESPIRAR COMO UMA FADA, FICOU DESCANSADO E VOLTOU A ADORMECER.] Eu entrava pelo teu hospital adentro. Percoria os corredores como um fio. Conhecia os andares todos. As máquinas espaciais de todos os médicos. Ficava à espera com os doentes. A olhar para eles. A adivinhar-lhes as dores. Depois entrava e lá estavas tu, sempre de bata branca, a contar leucócitos dentro de um microscópio. A contabilizar os glóbulos brancos. A falar alto, com um pianinho ao lado e a tocar aquilo que vias lá dentro: os linfócitos, os

monócitos ou mesmo certos eosinófilos. No fim tínhamos uma gymnopédie. Lenta e dolorosa. De vez em quando lá se encontravam alguns basófilos. São os piores. Agarram e não largam mais. Vão até ao osso. São apenas aquilo que se vê, não têm mais nada por baixo. Nada mais para descobrir. São um bife, todos os dias da semana. Noutros dias estavas a compor madrigais sob sedimentos urinários. No pianinho que marcava números. Naquela profusão toda de vidros de aumentar. Às vezes, visitávamos o teu irmão que tinha um buraco na garganta por onde falava. Sim, também era médico. E quando eu desaparecia sem deixar rasto, só porque me apetecia fugir de casa, ou quando ia dormir para o telhado, e encontravas a minha cama vazia? Não havia telemóveis nessa altura, que chatice que era. Nem assim ficavas chateado. Fingias apenas, mas eu sei que não ficavas. Quando te desgravei das bobines onde estavas a falar de música dodecafónica e te substitui por uma peça radiofónica sobre a Volta a Portugal também só ficaste furioso, mas não chateado. Quando substituí o nome do Alban Berg por outro, de um corredor chamado Zequi-

nha. Ou mais adiante, quando já estavas na pintura, e mudei Paul Klee pelo camisola amarela, um ciclista com uns óculos de fundo de garrafa e uma voz de bagaço chamado Toupeira, e Vassili Kandinsky pela chegada à meta do pelotão seguido de uma queda colectiva, apenas torceste o nariz ao de leve. A pensar que aquilo era tudo mentira. Que aquilo era fado. A tua sorte foi não perceberes nada de teorias das fitas magnéticas. A mim só me bastavam dois dos teus passos. Com eles podia chegar onde quisesse. À Lua, se fosse preciso. Se ainda tiver dois genes dos teus posso tentar ir mais longe. Onde nunca fui. E desembrulhar-me. Pode ser que me visites, outro dia, num país mais frio, onde o sol nunca desce. Ou numa cidade onde se habita um forno de humidade. Podes sentar-te, aí nessa mesa azul. Não faças caso, é pequena demais, eu sei. Só chega para a semana, a outra que comprei. Come. É o melhor Goulash que eu alguma vez fiz na vida. Ensinou-me o Lórand Kardos Ogúz. Nunca mais vais esquecê-lo. É uma memória viva e está quentinha. Está bem. Imagina que somos amigos do Gulliver. Somos todos pequeninos. Inocentes. E de novo crianças.

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Open Tender Notice Request for Proposal – MIA - Joint Sealant Replacement Works for MIA Runway – RFQ-154 1. 2. 3. 4.

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Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a qualified contractor to perform the joint sealant replacement work in the runway of Macau International Airport. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/modification/amendment of the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00(noon) on 26 February 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-

Aviso Estão abertas as inscrições para o Exame (em Macau) de Admissão de Candidatos ao Curso de Pós-Graduação das Instituições do Ensino Superior do Interior da China, de 2014 Estão abertas as inscrições do Exame (em Macau) de Admissão de Candidatos ao Curso de PósGraduação das Instituições do Ensino Superior do Interior da China, de 2014, organizado pelo Ministério da Educação da República Popular da China e coordenado pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior. Os candidatos provenientes de Hong Kong, Macau e Taiwan, que pretendam participar no exame para a frequência dos cursos de mestrado e de doutoramento nas instituições do ensino superior do Interior da China, podem aceder ao sistema de inscrição do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior, para preencherem o formulário de inscrição. Após o preenchimento, devem os candidatos imprimir e assinar o respectivo formulário, em seguinte, deslocar pessoalmente, com os documentos necessários, ao Centro dos Estudantes do Ensino Superior do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior para o tratamento das formalidades de inscrição, podendo ainda enviar por correio, ou efectuá-las através de um representante. Inscrições Período: De 20 de Novembro a 19 de Dezembro de 2013 Horário de funcionamento: Aberto na Terça-feira a Sexta-feira, das 10h30 às 19h00 e Sábado, das 11h00 às 18h00 (sem intervalo durante a hora de almoço); Encerrado na Segunda-feira, Domingo e Feriados (9 de Dezembro). Local: Centro dos Estudantes do Ensino Superior do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida n.º 68-B, Edifício Va Cheong, R/C B, Macau, ou seja, em frente da paragem de autocarro do Jardim Lou Lim Ieoc) Exame Datas: 12 e 13 de Abril de 2014 (Sábado e Domingo). Local: Escola Secundária Pui Ching (situada na Avenida de Horta e Costa, n.º 7) Consulta Os candidatos podem dirigir-se, pessoalmente, ao Centro dos Estudantes do Ensino Superior deste Gabinete, para consultar os regulamentos de admissão das instituições do ensino superior, ou acederem à página electrónica do GAES (http://www.gaes.gov.mo). Mais informações podem, ainda, ser obtidas através dos telefones (853) 28563033, (853) 83969345, (853) 83969356. Macau, 20 de Novembro de 2013. O Coordenador, Sou Chio Fai


DESPORTO

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Concurso público da empreitada de « Obra de instalação de elevadores para pessoas no Mercado Municipal do Bairro Iao Hon » 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.

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Modalidade do concurso: concurso público. Local de execução da obra: Mercado Municipal do Bairro Iao Hon. Objecto da empreitada: Instalação de elevadores para pessoas. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade da proposta é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável nos termos previstos no programa de concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução provisória: MOP$200,000.00 (duzentas mil patacas) e pode ser prestada por depósito em dinheiro, por garantia bancária ou por seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: a caução definitiva é de 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condições de admissão: inscrição na DSSOPT na modalidade de execução de obras. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM, sito na Av. de Almeida Ribeiro, n.º 163 -R/C, Edifício Sede do IACM, até às 17:00 do dia 2 de Dezembro de 2013 (a proposta deve ser redigida numa das línguas oficiais da RAEM). Local, dia e hora do acto público: Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edifício China Plaza 6.º andar, no dia 3 de Dezembro de 2013, pelas 10:00 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes no acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da cópia: O projecto, o caderno de encargos, o programa do concurso e outros documentos complementares podem ser examinados nos Serviços de Construções e Equipamentos Urbanos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sitos na Av. da Praia Grande, Edifício Comercial Nam Tung, 18.º andar - Macau, durante as horas de expediente, desde o dia da publicação do anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. No local acima referido poderão ser solicitadas até às 17:00 horas do dia 28 de Novembro de 2013, cópias do processo de concurso ao preço de MOP$1,000.00 (mil patacas) por exemplar, ao abrigo do n.º 3 do artigo 52.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M. Prazo de execução da obra: O prazo de execução não poderá ser superior a 180 dias, contados a partir da data de consignação dos trabalhos. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço Global da empreitada e Lista de Preços Unitários ................. 50% - Prazo de execução razoável: ............................................................ 10% - Plano de trabalhos: i. O nível de discretização das actividades elementares. .............3% ii. A interdependência das actividades elementares ...................... 3% iii. A adequabilidade e efectividade dos prazos de execução ......... 4% - Experiência em obras semelhantes ................................................... 10% - Material ............................................................................................. 20% Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer nos Serviços de Construções e Equipamentos Urbanos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sitos na Av. da Praia Grande, Edifício Comercial Nam Tung, 18º andar Macau, a partir de 28 de Novembro de 2013, inclusive, e até à data limite para entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais.

Macau, aos 07 de Novembro de 2013 O Presidente do Conselho de Administração, Substo., Lo Veng Tak WWW. IACM.GOV.MO

BOXE PACQUIAO E MAYWEATHER PODERÃO COMBATER PARA ANGARIAR DINHEIRO PARA AS FILIPINAS

Duelo ganha força MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

D

A destruição e do caos causado pelo tufão Haiyan no início do mês poderão surgir o que aparentemente são boas notícias para os adeptos do pugilismo. A devastação causada pela tempestade não só motivou uma das maiores campanhas de solidariedade de que há memória, mas ressuscitou também a até agora remota possibilidade de Manny Pacquiao e de Floyd Mayweather se poderem vir a defrontar dentro do ringue. Os dois pugilistas mais mediáticos da actualidade poderão vir a esgrimir argumentos no início do próximo ano, de acordo com o jornal Daily Mail. O diário britânico adianta que Pacquiao e Mayweather poderão combater ao abrigo de uma iniciativa que visa angariar pelo menos duzentos milhões de dólares norte-americanos em prol da reconstrução das regiões fustigadas pelo tufão Haiyan há pouco mais de uma semana.

Os mais reputados lutadores da actualidade já estiveram por várias vezes na eminência de combater, mas aquele que teria sido o mais apetecível dos duelos nunca se materializou. Os promotores de Manny Pacquiao e de Floyd Mayweather nunca chegaram a acordo sobre questões como o rácio de divisão das eventuais receitas geradas por um embate entre ambos os lutadores, colocando mesmo em causa o agendamento de eventuais testes de despistagem de substâncias ilícitas. O frente-a-frente entre os dois mais cotados pugilistas do mundo é ainda uma possibilidade remota, mas nem um nem outro deverão virar o rosto ao duelo, dada a excepcional importância da causa associada ao combate. São, no entanto, muitos os obstáculos à organização do almejado embate e o maior tem Manny Pacquiao como único protagonista. O astro filipino vai tentar no próximo fim-de-semana, na Arena do Venetian, relançar a carreira dentro dos ringues, depois de em

Dezembro do ano passado ter sido derrotado por “knock out” pelo mexicano Juan Manuel Marquez. Pacquiao vai tentar regressar aos triunfos frente ao norte-americano Brandon Rios, numa luta de tudo ou nada para o pugilista de 34 anos. Uma nova derrota poderá macular irremediavelmente as perspectivas de futuro de Manny Pacquiao. Freddie Roach, o mítico treinador que ajudou o lutador filipino a subir ao patamar mais elevado do pugilismo mundial, deixou esta semana claro que um novo desaire dentro do ringue poderá determinar um adeus extemporâneo de Pacquiao à competição. Apesar do desfecho do combate do fim-de-semana ser tudo menos previsível, a Top Rank e Bob Arum já estarão a trabalhar para garantir que Manny Pacquiao possa voltar a combater já em Abril do próximo ano. Ruslan Provodnikov é o adversário de que se fala e Macau poderá voltar a ser o local escolhido para acolher o combate.


FUTILIDADES

hoje macau quarta-feira 20.11.2013

TEMPO

MUITO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

18

MAX

22

HUM

50-85%

•

EURO

10.7

LIBRARY WARS [C]

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Shinsuke Sato Com: Junichi Okada, Fukushi Sota, Eikura Nana 14.30, 19.15 SALA 3

Um filme de: Gavin Hood Com: Hailee Steinfeld, Ben Kingsley, Viola Davis, Abigail Breslin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Kees van Oostrum Com: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Lin Shaye 16.45, 21.30

ENDER’S GAME [B]

Até há bem pouco tempo, nenhum canal televisivo fazia o favor de emitir as reuniões da Assembleia Legislativa em directo. Não que acredite que alguém vá perder tempo a ver o que não se diz no plenário, mas ainda assim poderia ser importante esta transmissão. Ora, anos de reclamações dos deputados e um presidente novo depois, finalmente a TV Cabo lá se decidiu a emitir os plenários em directo. E pronto. Bastou a operadora privada decidir fazê-lo – através de uma empresa também privada – para que a TDM fosse atrás. Ora, eu que sou gato não percebo isto, mas alguém que saiba melhor que me explique: por que raio é que precisamos agora de dois canais para a mesma coisa? Até a TV Cabo aparecer em cena, a TDM nunca “tinha condições” para fazer as transmissões em directo: não tinha equipamento, não tinha recursos humanos, não tinha nada. E, de um momento

• Alan Markovitz, de 59 anos, comprou uma casa em frente à residência da ex-esposa, em Detroit (Michigan, EUA). Tudo o que ele queria era marcar território e não ser esquecido pela ex. Então, no jardim da casa nova, Alan instalou uma grande estátua de bronze, de acordo com o “Metro”. Trata-se de uma clara mensagem à ex (ver foto). A imagem foi postada no Twitter por Lenka Tuohy, filha da ex-mulher de Alan. Segundo o site “Deadline Detroit”, Alan ficou possesso após saber que a ex tinha um caso com um homem que ele conhecia. A vingança não foi barata: pela estátua de 3,6 metros de altura, o morador pagou 7.000 dólares.

Noivo desaparece e primo da noiva assume o seu lugar no casamento

A noite nunca foi uma criança.

1.3

TDM: macaquinha de imitação

Homem manda recado em forma de estátua à ex-mulher

fonte da inveja

YUAN

Pu Yi

INSIDIOUS CHAPTER 2 [C]

• Ponradha, de 23 anos, estava a preparar-se para o grande dia da sua vida. Era o dia do seu casamento com Sithiraivelu, de 35 anos, em Kanyakumari (Índia). Todos os preparativos para a cerimónia religiosa e para a festa de casamento estavam terminados. Só faltava o noivo aparecer. Depois de uma discussão com os pais, Sithiraivelu simplesmente saiu de casa e desapareceu, de acordo com relato do “India Times”. Todos aguardavam o regresso de Sithiraivelu (o noivo). Mas ele continuava desaparecido à hora do casamento. Os pais de Ponradha temiam que a noiva ficasse “desgraçada”. Foi aí que entrou em cena Sivakumar, primo da noiva, que tinha ido a Kanyakumari para prestigiar a cerimónia. Como não havia noivo, os familiares persuadiram Sivakumar a assumir o papel. Ele acabou por aceitar para “salvar” a prima. E, enfim, o inusitado casamento foi realizado.

0.2

POR MIM FALO

SALA 2

SALA 1

BAHT

17

MISS UNIVERSO DESPIDA DE PRECONCEITOS E DE CULTURA

para o outro, todos esses problemas desapareceram. Miraculosamente, com 3,5 milhõezinhos de patacas directinhos do cofre do Governo – repito, do erário público – tudo se resolve. E lá vamos nós outra vez: a gastar dinheiro público para pagar algo que já existe. Ora bem, pelo menos que sirva para fazermos zapping entre os discursos dos deputados e dos dirigentes do Governo. Sempre exercitamos o dedito e, quem saiba, se calhar até temos a sorte de ver diferentes ângulos do mesmo plenário! PS – Já agora, podiam fazer estudos aprofundados e científicos sobre o frio que se sente na AL em dias de plenário. Cientificamente, é Outono meus caros. E cientificamente, isso significa que não é necessário o ar-condicionado como se estivessem 50 graus à sombra lá fora. É para ver se espantam os média? Não vos vale de nada... agora temos dois canais para ver o plenário, podemos fazer as mesmas notícias do quentinho do nosso sofá.

MACAU[SÃ]ASSADO AH E TAL, “SAUPAVEIS”

Foto: José C. Mendes

A venezuelana Alicia Machado foi a primeira Miss Universo a despir-se para a Playboy. Aconteceu em 2006, na edição mexicana, e causou brado na altura. Mas a modelo também ficou conhecida quando, em 2010, escreveu no Twitter “paz entre as duas Chinas” - referindo-se à Coreia do Norte e Coreia do Sul -, algo que fez com a BBC exigisse o fecho da conta de Alicia. Seja como for, se por um lado a cabecinha possa não funcionar, a forma física que apresenta...

João Corvo • Mas afinal o que são saupaveis? Este erro é para nós um mistério. Não sabemos que letra mudar, colocar ou tirar para que a palavra faça sentido. A única coisa que nos veio à cabeça foi saudáveis. Será “Loja de saudáveis”... Uma vez que também frutaria, apostamos que sim.


OPINIÃO

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CORREIA MARQUES

a paliçada

Pedaços de mim Eis as Câmaras nos Palácios Para mostrar aos passantes Que a liberdade que temos Não é maior que a de antes. 17 de maio de 1994, terça-feira.

É

assim em tudo na vida, na política também, quando relaxamos, paramos, baixamos a guarda, acabamos vencidos pela inércia e a luta, o recomeço, é sempre mais duro e penoso. Regressei na passada semana a este espaço. E, hoje quase estive para desistir, não por falta de assunto, mas por preguiça e por cansaço físico e psíquico. A sensação de mau respirar persiste, na garganta e no nariz, há tempo de mais, de forma a que eu que não sou piegas em relação a doenças, bem pelo contrário sou desleixado, tenho andado preocupado. Mas ontem (segunda-feira) o relatório sobre o

ambiente relativo ao ano de 2011 esclareceu-me (mas não me descansou, bem pelo contrário), embora com mais de dois anos de atraso. Afinal a culpa é das partículas e da falta de formação das pessoas em matéria ambiental. Como eu estava enganado! É que eu sempre pensei que a culpa não era das «partículas» mas do todo. Ou seja, das várias fontes de poluição e da total ausência de medidas públicas concretas de combate às fontes de poluição interna e externa. É sempre bom rever um amigo. E um dia destes fui surpreendido por um telefonema de um que aqui viveu, e regressou a Portugal há 15 anos. Agora que está reformado, veio matar saudades de Macau e avaliar as hipóteses de aqui voltar a residir. Fomos jantar e recordar os velhos tempos da outra Macau pacata. E ele foi rápido a confessar que depressa desistiu do seu intento, por duas razões simples: o preço das rendas das casas em Macau e uma alergia respiratória que nele se instalou logo que chegou. «Mo men tai», é menos um «Kwai lou». Como vos disse, no início desta crónica, a inspiração não abunda, por isso vos deixei (acima) a quadra que escrevi aqui em Macau,

VINCENT VAN GOGH, A PRISÃO

18

A sensação de mau respirar persiste, na garganta e no nariz, há tempo de mais, de forma a que eu que não sou piegas em relação a doenças, bem pelo contrário sou desleixado, tenho andado preocupado

em 1994. E, nessa senda continuarei para preencher este espaço, recuperando coisas escritas há mais de uma década, deixando aos leitores o ónus de avaliarem da sua atualidade e afirmando que as minhas preocupações não são de hoje. São pedaços de mim, e das minhas turbulências, que fui deixando dispersos, em papeis esparsos. «Família vota suicídio. Uma rapariga de 15 anos matou os pais e suicidou-se de seguida. Sessenta anos de prisão para as duas adolescentes americanas que torturaram até à morte, em janeiro de 1992, uma garota de 12 anos. São estas algumas das notícias na imprensa de hoje. Que mundo? Daqui, do meu quarto, vejo um emaranhado de casas de varandas gradeadas. Uma imensa prisão? Aquela casa ali é bonita e tem grades rendilhadas nas varandas e as portadas abertas, mas nunca se vê ninguém à janela. Lá dentro quantas pessoas dormirão? Não têm gosto em olhar a ponte em construção e as águas do Rio das Pérolas, ou fogem do mundo exterior? Macau, 7 de janeiro de 1993. «O poder vai ficar deserto no Território, quando o governador Rocha Vieira e mais três secretários-adjuntos se deslocarem à cidade do Porto, em fins de maio, para mais uma semana de Macau. Isto aqui é um regabofe, o dinheiro do jogo dá para tudo. É disso que vive o território de Macau. Os governantes servem para pouco mais do que gastar, sim porque mesmo com os “ilustres” quase todos ausentes isto anda na mesma». Macau, 12 de janeiro de 1993. «Depois de viverem juntos durante longos anos, os animais acabam por se amar e os homens por se odiar (Provérbio chinês). É verdade. E porque os animais também gostam de quem os trata bem e retribuem o afecto, revido com um dito bem português: quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais». Macau, 28 de janeiro de 1993. «Daqui, desta janela do vigésimo primeiro andar, olho o céu sempre sem estrelas. Então porque olho, se já sei que não verei mais do que um escuro nevoeiro? Baixo um pouco a mira e a China ali à distância de um tiro de pistola. Instintivamente levei as mãos à nuca, a minha está intacta!. Porque quererão os homens construir cada vez mais alto num país que é quase um continente? Será só a ânsia doentia do lucro fácil ou também o subconsciente da sua pequenez que se sente sublimada lá bem nas alturas?». Macau, 4 de março de 1993. «Madre Teresa de Calcutá: “Eu começo por dizer que amo todas as religiões, mas que amo mais a minha”. Um exemplo de sinceridade e de coerência a seguir por muitos aqueles que continuam a apregoar aos quatro ventos que só estão em Macau porque amam esta cidade. Claro, ou não tivesse havido por cá umas árvores das patacas. Eu, e isso não me incomoda, cheguei depois». Macau, 5 de março de 1993. Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico


opinião 19

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义來

FERNANDO ELOY

chá muito verde

T

“

EMOS de civilizar esta terra!” dizia-me há dias um amigo meu chinês, empresário (mas de Hong Kong) agastado com o facto de ter descoberto que existiam fortes suspeitas de que o concurso público a que tinha concorrido estava viciado à partida. Na realidade, para um projecto que demoraria pelo menos uma boa meia dúzia de meses a ser preparado para que a proposta tivesse o mínimo de qualidade, foram dados cerca de dois aos concorrentes. “A questão”, dizia-me ele, “é que a empresa vencedora já conhecia os contornos da consulta desde o princípio do ano pelo que teve todo o tempo para se preparar”. Noutro caso, uma amiga, funcionária de um departamento do governo, virava-se para mim chocada com o facto de ter presido a um júri de consulta a três entidades e achar que a proposta mais cara era, de facto, a mais apropriada e a que melhor cumpria os desígnios do concurso e, consequentemente, o serviço público a que era destinada. Surpreendida ficou quando começou a ser bombardeada de vários lados para escolher a proposta mais barata e não a mais cara. É claro que todos sabemos que os serviços públicos de Macau, pese embora os orçamentos disponíveis, continuam a colocar o factor preço com um dos fundamentais como se fosse possível, em muitos casos, apresentar preços baixos tendo em conta os valores de custo de mão de obra e, claro, do imobiliário convenientemente ‘sujeito à lei da oferta e da procura’ que leva negócios a fechar e pessoas a trabalhar em casa. Mas isso não interessa. Indignado, como sempre fico com este tipo de coisas, desabafei com alguém menos ingénuo que eu e conhecedor dos meandros públicos e dos esquemas de avaliação de propostas que se espantou com o meu espanto explicando-me que “ao saber-se que o preço mais baixo ganha, alguém avisa alguém do valor esperado e a empresa tem apenas que apresentar o valor mais baixo sabendo que assim ganhará sem contestação”, avisando-me ainda que “se a tua amiga valoriza o emprego é melhor não levantar ondas”. Pois é.... Isto é o quotidiano macaíno, desta terra que se pretende capital disto e daquilo e plataforma para tudo e mais alguma coisa. É tão normal que faz parte da paisagem e normalmente enfrentado com o inefável “Macau é assim”, devidamente acompanhado por um suspiro, deixando uma tenebrosa nuvem negra a pairar que dificilmente permitirá ao meu amigo realizar o seu desejo de civilização condenando-nos a uma reclusão

JOHANN HEINRICH WILHELM TISCHBEIN, DIÓGENES PROCURANDO UM HOMEM HONESTO

A mulher de César

amarfanhada nesta paisagem cinzenta e castrante, neste ambiente de imbecilidade e cupidez que nos proíbe de sonhar com processos lineares e (suprema utopia) onde a competência prevaleça sobre o compadrio. Cabe o intróito para forrar a expectativa de como irá ser aplicado o tão falado Fundo para as Indústrias Criativas. Chegou curto (200 milhões foi tanto quanto o governo ‘ofereceu’ à bem sucedida Viva Macau) e tarde mas, apesar disso, é óbvio que eu, e muitos outros, estamos contentes com a decisão. Agora, a questão é se vai ser gerido ‘à Macau’ ou de forma civilizada? Alguém bem versado nestes meandros dizia-me para me preocupar mais com os nomes que incluo numa eventual proposta do que propriamente

Uma sociedade que se desenvolve sob desígnios semelhantes nunca pode aspirar a coisa nenhuma mas, se calhar, a estratégia é mesmo essa com o conteúdo adiantando-me mesmo que “se precisas de 2, pede 5 e espera que alguém meta 3 ao bolso”, diziam-me... Espantoso? Não é nada. Em Macau não é e o problema é eu saber disso por mais que teime em viver na negação, por mais que tente achar que este tipo de situação

é tão nocivo do desenvolvimento social que não pode fazer sentido. Mas como sou um imbecil, vou teimando em acreditar que as coisas funcionam de forma linear, justa e equilibrada porque o contrário desmoraliza e esse é o efeito mais devastador que este estado de coisas provoca: quando a realidade nos força a acreditar que não basta fazer bem para conseguir. Uma sociedade que se desenvolve sob desígnios semelhantes nunca pode aspirar a coisa nenhuma mas, se calhar, a estratégia é mesmo essa. Naturalmente, tudo o que aqui foi relatado pode ser inventado, pode até ser ficção e, portanto, qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência. Porque, afinal de contas, quem era mesmo a mulher de César?

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quarta-feira 20.11.2013

França Atirador do “Liberátion” continua a monte

Moçambique Antigos chefes de Estado apelam à Renamo

O grupo sunita libanês Brigadas Abdullah Azzam, ligado à Al-Qaeda, reclamou a autoria do atentado durante a manhã de ontem, em Beirute, junto à embaixada do Irão, que vitimou mortalmente 23 pessoas e feriu cerca de 150. O líder das Brigadas jihadistas, Sheikh Siraj al-Din Zureiqat, disse ainda que os ataques vão continuar no Líbano até que forças iranianas saiam da Síria. Entretanto, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros acusou Israel de estar por trás do ataque. A tensão entre os dois países tem estado ao rubro durante a discussão do poderio nuclear dos iranianos.

Google e Bing unem-se contra a pornografia infantil

Os motores de busca Google e Bing anunciaram em Londres que vão bloquear 100 mil expressões habitualmente usadas para procurar pornografia infantil na Internet. A decisão foi tomada depois de o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ter desafiado as principais empresas de Internet a tomar medidas contra a pornografia infantil. A Google explicou, pela voz do presidente executivo Eric Schmidt, que tem uma equipa de 200 pessoas a trabalhar nesse sentido que descobriu que existem cerca de 100 mil termos para procurar imagens e vídeos de abusos sexuais a crianças. Numa fase inicial o bloqueio será aplicado às palavras em língua inglesa, mas nos próximos seis meses será alargado a outros 150 idiomas.

cartoon

Jihadistas ligados à Al-Qaeda reclamam atentado em Beirute

por Stephff

O fórum que reúne antigos chefes de Estado e de Governo Africanos, Fórum África, fez um apelo à Renamo, esta terça-feira, para que esta opte «pelo diálogo e não pela violência», e ainda alertou para os impactos da crise políticomilitar no desenvolvimento de Moçambique. Em comunicado, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), a organização revela que condena «qualquer tentativa de indivíduos ou grupos para minar a paz, estabilidade e desenvolvimento», em Moçambique. Na opinião do Fórum África, os ataques armados que têm ocorrido na região centro e norte do país poderão «desencorajar os potenciais turistas e investidores e, consequentemente, prejudicar os esforços do Governo que visam a transformação social e económica» do país.

MACAU SHOPPING FESTIVAL SORTEIO PRIORITÁRIO PARA RESIDENTES

Três anos, 1000 empresas P

ELO terceiro ano consecutivo, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) voltam a organizar o Macau Shopping Festival (Festival de Compras de Macau), que decorre durante todo o mês de Dezembro. Com mais de mil Pequenas e Médias Empresas (PME) participantes, incluindo grandes empresas do sector do retalho, e distribuidoras de grandes marcas em Macau, o evento pretende ser uma forma de fomentar ainda mais o consumo. Para além das empresas, há ainda 17 entidades que estão ligadas à organização do evento. Muito mais do que promover as compras nas muitas lojas espalhadas pela cidade, o Festival de Compras de Macau traz muitas

promoções e descontos para quem visitar as lojas aderentes no próximo mês. Uma das novidades prende-se com a criação de um sorteio para visitantes, que vai dar a oportunidade de conceder prémios no valor de três milhões de patacas. O mesmo sorteio irá realizar-se nas quatro entradas principais do terminal marítimo de Macau e do Pac On, nas fronteiras e ainda no aeroporto. Os visitantes só têm de apresentar nos balcões os bilhetes de avião ou de ferry. Quanto aos residentes, ganham pela primeira vez este ano a oportunidade de participar no mesmo sorteio, mas antes de todos os outros. Para quem é

portador do bilhete de residente da RAEM a participação faz-se entre os dias 29 e 31 de Novembro, ou seja, três dias antes da abertura oficial do festival. Basta, para isso, dirigirem-se a uma das três lojas da CTM (na Rua Pedro Nolasco, Praia Grande ou na Taipa) e apresentarem os respectivos dados. A apresentação oficial aconteceu ontem na Torre de Macau, mas tanto os discursos de Cecília Tse, representante da DST, como de Vincent Tung, presidente do comité de organização, não tiveram tradução para inglês ou português. Ficou prometido o envio da tradução dos discursos em inglês, o que não aconteceu até ao fecho da edição. - A.S.S.

O homem que entrou no jornal “Libération” e disparou contra um fotógrafo, em Paris, fez refém um automobilista para conseguir fugir às autoridades. Revelou que “tinha saído da prisão, estava preparado para tudo e tinha uma granada no saco”, caso o automobilista se recusasse a deixá-lo entrar no carro, contou o refém à judiciária. Com base em imagens captada pelas câmaras de vigilância e divulgadas pelas autoridades francesas o suspeito é do sexo masculino, tem entre 35 e 40 anos de idade, tem barba e usa óculos. O atirador continua a monte, um dia depois do apelo lançado pelas autoridades. Depois de ter disparado sobre o fotógrafo, que feriu com gravidade, hora e meia mais depois disparou contra um banco em La Défense. Após os tiros, fez um automobilista refém, obrigando-o a levá-lo à avenida dos Campos Elísios, onde saiu da viatura e desapareceu.

NSA espiou 33 milhões de chamadas num mês

A Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos espiou mais de 33 milhões de chamadas telefónicas de telemóveis na Noruega em apenas um mês. Esta é a mais recente revelação a partir de documentos de Edward Snowden, noticiados ontem pelo diário norueguês Dagbladet. A Noruega é o sexto país que se conhece ter sido objecto de espionagem da NSA, depois da Alemanha, Brasil, Espanha, França e Índia.

OCDE projecta “retoma moderada” na Zona Euro

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) projecta uma retoma moderada da economia da zona euro nos próximos dois anos, de 1,0% em 2014 e 1,6% em 2015. Nas previsões económicas divulgadas esta terça-feira, a OCDE refere que “a actividade económica na zona euro deverá recuperar em 2014 e 2015 à medida que a confiança vai melhorando, a fragmentação do mercado financeiro vai recuando e a consolidação orçamental vai sendo aliviada”, mas diz que “o ritmo continuará moderado” e desigual, pois há “sinais visíveis de recuperação nalguns países, mas desemprego extremamente elevado e tensões sociais profundas noutros”.


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Hoje Macau 20 NOV 2013 #2978 by Jornal Hoje Macau - Issuu