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Hoje Macau 20 OUTUBRO 2021 #4874

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Nº 4875 QUARTA-FEIRA 20-10-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hoje macau

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MACAU CONCEALERS

MOP$10

PORTAS DO CERCO

TUDO AO MOLHO PÁGINA 5

JOGO

POBRE TRIMESTRE PÁGINA 4

CANÁBIS

DROGA DE VIDA ÚLTIMA

JOSÉ CARLOS DA MAIA

UM HERÓI ROMÂNTICO CENTRAIS

Bases capitais Melhorar a supervisão e eficácia das empresas com capitais públicos, além de respeitar o erário público, são alguns dos princípios básicos que o Gabinete de Supervisão dirigido por Sónia Chan pretende alcançar. O novo Regime Jurídico das Empresas de Capitais Públicos está, desde hoje, em consulta pública. PÁGINA 2


2 política

20.10.2021 quarta-feira

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CAPITAIS PÚBLICOS LANÇADA CONSULTA SOBRE LEI QUE VAI REGER EMPRESAS

As traves mestras

Empresários do imobiliário contestam revisão da lei sobre alojamento ilegal

U

GCS

Arranca hoje a consulta pública sobre a lei que vai regular as empresas de capitais públicos. A proposta impede a nomeação de residentes que tenham “sido objecto de exclusão de cargo de membro de um órgão”. Mas, será que abrange excluídos de eleições? Sónia Chan diz que será decidido caso a caso MA lei para optimizar a supervisão de empresas com capitais públicos, assegurar o funcionamento eficaz, valorizar o erário público e a transparência. Foi desta forma que Sónia Chan, coordenadora do Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos (GPSAP), apresentou o Regime Jurídico das Empresas de Capitais Públicos, em consulta pública a partir de hoje. Segundo a proposta apresentada ontem, a supervisão das empresas com capitais públicos deverá ser feita através de um dos serviços do Governo, mas também por entidades externas, com um papel menor, através de auditorias às contas por profissionais capacitados, como contabilistas. As entidades competentes para fiscalizar ainda não estão escolhidas. “Após a entrada em vigor do novo regime jurídico será decidido o serviço competente. Acredito que não vai ser criado um novo serviço público só para esta supervisão. Por isso, ou é o nosso [GPSAP] ou será outro já existente”, explicou Sónia Chan. O Executivo pretende desta forma perceber se as empresas conseguem cumprir as metas a que se comprometem, não só da perspectiva económica, ao nível dos rendimentos financeiros, mas também do papel social que devem desempenhar. Para explicar a dicotomia entre a função financeira e social, Sónia Chan utilizou o exemplo do Instituto para os Assuntos

Sónia Chan GPSAP “Após a entrada em vigor do novo regime jurídico será decidido o serviço competente [pela fiscalização].”

Municipais, um serviço público. “Sabemos que o IAM gasta dinheiro a colocar árvores na cidade, sem que haja retorno financeiro, mas quanto mais verde ficar a cidade, melhor ficam as condições de vida da população”, exemplificou.

Um rol de exigências

O Executivo espera também obrigar as empresas com capitais públicos a uniformizarem o modelo gestão. O documento de consulta prevê igualmente planos de desenvolvimento a médio e longo prazo, plano anual de exploração e funcionamento, a criação de um regime interno sobre os processos de decisão e

regimes para as questões laborais, como contratação de residentes, definição de salários, entre outros. O documento de consulta da lei avança ainda com critérios para as nomeações pelo Governo dos membros do conselho de administração e fiscal das empresas com capitais públicos. A proposta prevê a proibição de nomear qualquer pessoa que tenha “sido objecto de exclusão da qualidade para assumir cargo de membro de órgão nos termos de qualquer diploma legal”. A coordenadora do GPSAP foi questionada sobre o alcance da proposta e se envolvia pessoas ligadas à política, como candidatos excluídos das eleições.

Todavia, limitou-se a responder que as decisões seriam tomadas “caso a caso”. Ainda no que diz respeito aos critérios de nomeação, será criado um regime de impedimentos. Contudo, os critérios não foram clarificados e deverão depender de regulamento do Chefe do Executivo. Com a consulta pública a decorrer até 18 de Dezembro, o GPSAP espera que a proposta dê entrada até ao fim de 2022 na Assembleia Legislativa. Segundo dados oficiais, actualmente existem 23 empresas com capitais públicos que vão ficar sujeitas ao cumprimento da futura lei.

João Santos Filipe

SEGURANÇA ZHENG ANTING PREOCUPADO COM PRODUTOS NÃO EMBALADOS

Z

HENG Anting está preocupado com a falta de regulamentação dos alimentos não embalados vendidos em Macau e defende a revisão da lei para garantir a segurança alimentar. Em interpelação escrita, o deputado aponta que, perante a “entrada de cada

vez mais marcas de comida e bebida no mercado de Macau” e o recente incidente de segurança alimentar detectado numa região vizinha, os residentes estão “preocupados” com aquilo que consomem. Sobretudo, quando a actual lei não exige a indicação dos ingredientes e da in-

formação nutricional na rotulagem dos alimentos não embalados. “Os consumidores não sabem que ingredientes contêm os alimentos, não conhecem a informação nutricional dos mesmos, em particular açúcar, adoçantes, corantes, gorduras trans e cafeína, e se os ingredientes

A arte de ser contra

são consistentes com o que se apregoa na publicidade como ‘sem açúcar’, ‘sem adoçante’, ‘sem corantes’, ‘sem gordura trans’ e ‘sem cafeína’. Além disso, alguns alimentos frescos não pré-embalados não estão sujeitos à regulamentação da referida lei”, pode ler-se no texto da interpelação.

Perante este cenário, Zheng Anting defende que o Governo deve “rever e aperfeiçoar” os regimes jurídicos sobre a segurança alimentar para reforçar a fiscalização e incentivar as empresas de restauração a indicar os ingredientes e a informação nutricional nos rótulos dos produtos. P.A.

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Associação dos Empresários do Sector Imobiliário de Macau está preocupada com o impacto da revisão da lei que proíbe o alojamento ilegal. A posição foi tomada na segunda-feira, segundo o Jornal do Cidadão, pelo presidente Ung Choi Kun. De acordo com o dirigente associativo, a proposta do Governo causou uma grande confusão, porque foi apresentada numa altura em que a procura pelos serviços de hotelaria está em quebra. Segundo Ung, os turistas apenas recorrem ao alojamento ilegal em fracções de habitação permanentes devido aos elevados preços praticados no mercado legal. Nesta lógica, o ex-deputado considera que não faz sentido avançar com a legislação, porque com a baixa taxa de ocupação hoteleira, os preços caíram, diminuindo a procura por alojamento ilegal. “Como é que se pode pensar que as pensões ilegais vão sobreviver? Será que neste ambiente faz sentido uma revisão urgente da lei?”, questionou. O presidente da associação considera assim que o Governo devia focar-se na economia, em vez de impor mais supervisão no sector dos intermediários.

Impacto na imagem

Também Chan Ieng Kam, vice-presidente da associação, se mostrou preocupado com as mudanças na legislação actual e o impacto para a imagem dos intermediários. Segundo Chan, há o receio que a forma como a apresentação do diploma foi feita e as potenciais mudanças possam prejudicar a imagem pública de quem diz “não ter poupado esforços” para evitar o alojamento ilegal. Em linha com o presidente, também o vice questiona as alterações são feitas. Segundo Chan Ieng Kam, actualmente o sector da hotelaria atravessa uma grande crise, com os preços por quarto a serem reduzidos para montantes entre as 200 e 300 patacas. Neste contexto, o responsável pediu ao Governo para avaliar muito bem se faz sentido rever a lei, numa altura em que considera que o alojamento ilegal vai deixar de ser um problema. Apesar das críticas, o responsável concorda com a necessidade de rever o diploma legal. J.S.F.


quarta-feira 20.10.2021

política 3

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AGRESSÃO DEPUTADOS EXIGEM EXPLICAÇÕES SOBRE SAÍDA DE DOENTE DO SÃO JANUÁRIO

Mistério do homem de branco Uma mulher agredida num supermercado terá “sido obrigada” a deixar o Centro Hospitalar Conde de São Januário por ordem de um homem que disse ser médico, mas que a família diz não saber quem é. A mulher foi posteriormente internada no hospital Kiang Wu. Os deputados José Pereira Coutinho e Che Sai Wang exigem explicações dos Serviços de Saúde

O

S deputados José Pereira Coutinho e Che Sai Wang exigem explicações dos Serviços de Saúde de Macau (SSM) sobre o caso de uma mulher, funcionária num supermercado da cadeia Tai Fung, e agredida por dois clientes no passado dia 10, que terá sido “obrigada” a deixar o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) no dia 14, sem que a família tenha sido notificada da alta. Além disso, a família queixa-se que um homem, vestido com uma bata branca e que disse ser médico, mas que não apresentou qualquer identificação, terá acompanhado a doente no processo de saída. O caso foi ontem denunciado pelos deputados José Pereira Coutinho e Che Sai Wang, que exigem explicações dos SSM. “Acho uma situação bastante estranha que merece explicações por parte do director dos SSM [Alvin Lo] e da secretária [para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U],

que tutela os SSM”, disse Pereira Coutinho. O marido da mulher agredida, de apelido Leong, adiantou aos jornalistas que o homem em causa “disse que era médico”. “Quando fui ao hospital e vi que a minha esposa ia sair, confrontei esta pessoa, pois também não sabia quem era”, frisou Leong, que disse não ter nenhum documento comprovativo da alta da esposa. Depois de deixar o CHCSJ, já em casa, a mulher sentiu tonturas e contactou o patrão, senhor Wong, sobre como deveria proceder. Este aconselhou-a a dirigir-se ao hospital KiangWu e garantiu que pagava todas as despesas médicas. “Ela ficou ferida em contexto de trabalho e fazemos todos os esforços para a apoiar. Quando ela foi dispensada pelo CHCSJ, o marido ligou-me e eu disse para irem ao Kiang Wu”, adiantou.

Em observação

Pereira Coutinho assegura que a direcção do CHCSJ “nunca telefonou

ao marido ou a qualquer membro da família para a irem buscar ao hospital”. “Ela estava com ferimentos, e continua com eles”, frisou o deputado.Amulher tem hematomas e dores

Disponibilidade para amar Associação das Mulheres pede a Ho Iat Seng políticas para encorajar natalidade

A

Associação Geral das Mulheres de Macau pediu ao Chefe do Executivo que adopte medidas para promover o aumento da natalidade a longo prazo no território. A solicitação foi feita durante uma reunião com Ho Iat Seng, na segunda-feira, para discutir as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano. Representada por Lam Un Mui, presidente, a associação apresentou uma lista com 12 pontos sobre as expectativas face à prestação do Governo. Segundo o comunicado do Chefe do Executivo, o primeiro ponto focado

incidiu na definição de estratégias sobre a “transversalidade de género”, ou seja, de integração de mulheres nos órgãos do poder e da sociedade. Em segundo lugar, as mulheres apelaram a Ho Iat Seng para que promova o aumento da natalidade no território. Um pedido que

está em linha com as políticas do Interior. No entender da associação, é necessário “encorajar os casais a terem mais filhos” e “dar importância ao desenvolvimento da política de família”. Os outros aspectos abordados foram a questão da habitação, renovação urbana,

distribuição de apoios sociais em tempos de pandemia, saúde e a melhoria das estruturas de protecção civil, além da zona de cooperação aprofundada da Ilha da Montanha.

Melhor que muitos

A resposta às preocupações e sugestões da associação ficou a cargo da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, que elogiou as políticas do Governo que representa. Segundo Elsie Ao Ieong, “Macau apresenta mais vantagens, em comparação com outras regiões, especialmente pelos 15 anos de escolaridade

nas costas, tendo feito também três raio-x, dois no CHCSJ e um no Kiang Wu, onde permanece internada. O deputado disse que a mulher “foi obrigada” a deixar o hospital PUB.

gratuita e apoio financeiro aos serviços de creches”. Além disso, a secretária frisou que “as políticas direccionadas à família são importantes para permitir aos pais conhecerem a importância da educação parental”. Na perspectiva do Governo, a promoção conjunta da educação parental entre o Executivo e as associações vai continuar a ser uma aposta para os próximos anos. Por sua vez, Ho Iat Seng reconheceu o apoio da associação na luta contra a pandemia, agradeceu a cooperação das Mulheres com o Executivo e prometeu ter em conta as opiniões ouvidas. J.S.F.

público. “Achamos estranho que uma pessoa, que não sabemos quem é, sem acompanhamento dos médicos, tenha obrigado a senhora a sair do hospital. Exigimos que haja uma averiguação para saber quais as condições em que a senhora foi autorizada a deixar o hospital, e que sejam dadas explicações sobre este senhor, de bata branca, que não se identificou.” O marido assegura que a esposa não estava em condições para ter alta, pois sentiu tonturas em casa. “Sabendo que esse caso teve um grande impacto social, devido aos vídeos que começaram a circular nos meios de comunicação social e nas redes sociais, porque é que não se chamou a família para explicar o estado clínico desta senhora antes de a mandar para casa?”, questiona Coutinho. O HM tentou obter uma reacção por parte dos SSM, mas até ao fecho desta edição não foi obtida resposta. Andreia Sofia Silva e Nunu Wu


4 sociedade

20.10.2021 quarta-feira

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Carne de porco Preços mais baixos a partir de hoje

A partir de hoje, a carne fresca de porco está mais barata, de acordo com a informação divulgada ontem pelas empresas Nam Yue e Nam Kwong, detentoras do monopólio da importação. Segundo os dados adiantados, citados pelo jornal Ou Mun, o preço por picul, ou seja, por aproximadamente 60 quilogramas, vai ser reduzido em 310 patacas. Esta alteração, faz com que o lote mais caro de carne de porco fique em 1.960 patacas por picul. Ainda de acordo com a informação divulgada ontem, o preço da carne fresca bovina não sofre alterações, e permanece em 5.200 patacas por picul.

Hunan SSM alertam para caso de gripe aviária

JOGO RECEITAS DO 3.º TRIMESTRE CAÍRAM UM QUARTO EM RELAÇÃO AO ANTERIOR

Sem pipas de massa

Ao longo do terceiro trimestre deste ano a indústria do jogo apurou 18,77 mil milhões de patacas, valor que reflecte uma quebra de 26,1 por cento em relação ao trimestre anterior, mas uma subida anual para mais do triplo. O bacará, o jogo mais popular nas mesas de Macau, caiu quase um terço em termos trimestrais

O

período entre Julho e Setembro deste ano voltou a não ser satisfatório para a indústria do jogo de Macau que, apesar dos 18,77 mil milhões de patacas apurados, registou uma quebra 26,1 por cento em relação ao trimestre anterior. Ainda assim, o resultado do terceiro trimestre de 2021 trouxe receitas brutas que mais triplicaram em comparação com o mesmo período do ano passado, quando as receitas do jogo caíram para níveis históricos. Seguindo a tendência dos últimos tempos, o terceiro trimestre deste ano manteve o segmento de massas como a principal fonte de receita dos casinos, com cerca de

68 por cento, totalizando 12,81 mil milhões de patacas entre Julho e Setembro. Esta inclinação, de resto, segue em linha com as orientações do Governo no que diz respeito ao futuro da indústria, com o segmento de massas mais robusto e fiscalização apertada ao sector VIP. Porém, dentro do segmento de massas os resultados não foram

encorajadores, com as receitas apuradas pelas máquinas de slot a caírem 24,1 por cento em relação ao segundo trimestre deste ano. No total do período em análise, as slots representaram cerca de 5,7 por cento das receitas brutas, com mais de mil milhões de patacas.

Mais popular

Dados divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de

Seguindo a tendência dos últimos tempos, o 3.º trimestre deste ano manteve o segmento de massas como a principal fonte de receita dos casinos, com cerca de 68 por cento, totalizando 12,81 mil milhões de patacas

Jogos (DICJ) mostraram que o bacará VIP caiu quase 30 por cento, em relação ao segundo trimestre de 2021, acumulando entre Julho e Setembro receitas de 5,96 mil milhões de patacas. No total do terceiro trimestre, o bacará VIP representou quase 1/3 da facturação total da indústria, contribuindo com 31,8 por cento de todas as receitas brutas. No cômputo geral, o bacará para o segmento de massas representou, só por si, 56,3 por cento de todas as receitas dos casinos de Macau entre Julho e Setembro deste ano, com um total 10,56 mil milhões de patacas. João Luz

Os Serviços de Saúde alertaram ontem para a ocorrência de um caso de infecção humana pela gripe aviária H5N6, na Província de Hunan. O caso envolve uma agricultora com 60 anos, da cidade de Changde, que manifestou os primeiros sintomas a 3 de Outubro. Segundo a informação do Departamento de Saúde do Interior da China, disponibilizada à congénere de Macau, com o agravar da situação, a mulher acabou por ser internado no dia 13 deste mês, e está em estado grave. Suspeita-se que o caso tenha sido gerado pelo contacto com aves mortas por doença, antes do aparecimento dos sintomas.

Macau Legend Melinda Chan e Donald Chow compram jacto por 10 milhões de dólares

Melinda Chan e o filho Donald Chow chegaram a acordo com a empresa Macau Legend, para a compra de um jacto privado por 10 milhões de dólares de Hong Kong. A notícia foi avançada pela empresa fundada por David Chow, e agora controlada maioritariamente por Levo Chan, através de um comunicado à Bolsa de Hong Kong. A operação foi realizada através da Arcwealth Global Investment and Management Limited. A aeronave um é Embraer Legacy 600, que segundo o portal Evojets, tem um preço de mercado que varia entre 13,2 milhões e 13,4 milhões de dólares norte-americanos.

DST Museu do Grande Prémio volta a abrir portas

No seguimento da estabilização da situação pandémica de Macau e reabertura de fronteiras com o Interior da China, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) revelou que o Museu do Grande Prémio de Macau volta hoje a abrir portas. O limite do número de visitantes diários no museu mantém-se nos 1.100. Paralelamente, a DST acrescentou em comunicado que retomou ontem, através de canais físicos e digitais, os “trabalhos promocionais” de Macau enquanto cidade segura e apropriada para visitar, junto dos residentes do Interior da China. Inclusivamente, a mascote do turismo de Macau “Mak Mak”, marcou ontem presença nas Portas do Cerco para dar as boas-vindas aos visitantes que chegam a Macau.


quarta-feira 20.10.2021

sociedade 5

COVID-19 ABERTURA DE FRONTEIRAS LEVA ENCHENTES ÀS PORTAS DO CERCO

A grande travessia

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Surto Desmentido novo caso positivo

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus emitiu uma nota a esclarecer que não foi detectada “nenhuma amostra positiva suspeita” de covid-19 e que as passagens fronteiriças entre Zhuhai e Macau estão “a ser executadas conforme previsto”. Segundo a nota divulgada ontem, está a circular nas redes sociais uma mensagem falsa em nome do próprio Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus onde se pode ler que “foi detectada uma amostra suspeita de reacção positiva... A nova programação de passagem fronteiriça entre Zhuhai e Macau foi suspensa... ”. Perante o sucedido, o Centro de Coordenação afirmou condenar “energicamente” o acto, solicitado à Polícia Judiciária (PJ) para dar acompanhamento assunto. “O Centro (…) apela aos residentes para não partilharem nem acreditarem em informações que não são confirmadas, evitando assim que ocorra pânico social desnecessário”, acrescenta.

Ontem ao meio-dia, o cenário nas Portas do Cerco anunciava a abertura da fronteira. Em pouco mais de três horas, as travessias já ultrapassavam as 30 mil. Entretanto, 780 moradores do Edifício San Mei On regressaram a casa após 14 dias de quarentena TDM

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UANDO foi anunciado o fim da obrigação de quarentena para entrar em Zhuhai, as autoridades policiais apelaram à calma e à ponderação para se evitarem multidões. Os conselhos não foram seguidos. Ainda antes do meio-dia, já a zona em redor das Portas do Cerco se enchia de pessoas. Segundo dados das autoridades de Gongbei, entre as 12h e as 15h30, mais de 20 mil pessoas entraram em Zhuhai, sendo que durante o mesmo período de tempo os movimentos (entradas e saídas) ascenderam às 30 mil. Às 17h, todos os postos fronteiriços de Macau registavam cerca de 58 mil movimentos (entradas e saídas), com perto de 41 mil pessoas a regressarem a Zhuhai. Sem ter de atravessar alfândegas, ontem também regressaram a casa os cerca de 780 moradores do edifício San Mei On, depois uma semana em quarentena num hotel. Recorde-se que no passado dia 5 de Outubro o prédio foi declarado uma zona de código vermelho, em

IAM Reabertos parques, jardins e zonas de lazer

conexão com a descoberta do 75.º caso de covid-19 no território. Apesar do isolamento forçado ter começado às 10h do dia 5 de Outubro, os residentes foram transferidos para um hotel de quarentena a 11 de Outubro depois de as autoridades de saúde terem verificado que as condições do prédio não eram ideais para observação médica.

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) decidiu reabrir ontem ao público instalações ao ar livre como parques infantis, jardins, zonas de lazer, instalações para manutenção física, pérgulas e zonas de churrasco. De acordo com uma nota divulgada ontem, o IAM revelou também a reabertura da “Feira da Taipa”, a retoma do “Encontro ao anoitecer no Largo do Senado” e ainda o serviço de aluguer de bicicletas nas ciclovias. Contudo, devido à obra nas bancadas da 68.ª edição do Grande Prémio de Macau, o IAM suspendeu a abertura ao público de parte do Jardim das Artes e parte do Parque do Reservatório na Avenida da Amizade, junto do Edifício do Grande Prémio de Macau. Também os centros de actividades, instalações interiores e os recintos do IAM permanecem encerrados.

Por mar e ar

O centro de contingência acrescentou ontem detalhes quanto ao alívio das restrições fronteiriças, alargando as medidas anunciadas na segunda-feira ao transporte

Às 17h, todos os postos fronteiriços de Macau registavam cerca de 58 mil movimentos (entradas e saídas), com perto de 41 mil pessoas aregressarem a Zhuhai

aéreo e marítimo. A partir do meio-dia de ontem, “ quem pretenda sair da Região Administrativa Especial de Macau por avião ou barco civil, deve exibir o certificado com resultado negativo de teste de ácido nucleico realizado nas últimas 48 horas a partir do dia de amostragem”.

A decisão foi tomada ao abrigo da Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de Doenças Transmissíveis. A mesma legislação foi usada para decretar 14 dias de quarentena obrigatória para quem tenha estado na Alxa League da Região Autónoma da Mongólia Interior. João Luz

FRONTEIRAS TNR DE VOLTA A CASA PEDEM MELHOR COORDENAÇÃO NO FUTURO

A

NTES de cruzarem a fronteira rumo a Zhuhai, vários trabalhadores não residentes (TNR) mostraram-se satisfeitos pelo fim da medida de quarentena e ansiosos por voltar finalmente a casa e ver a família, após terem ficado retidos em Macau durante mais de duas semanas. Ouvidos pelo jornal Ou Mun, muitos são também da opinião que, no futuro, as autoridades de Macau e Guangdong devem coordenar melhor o mecanismo de resposta a

novos surtos de covid-19, de forma a reduzir o impacto na comunidade. Um trabalhador de apelido Ng, afirmou que mal soube do anúncio da reabertura das fronteiras na passada segunda-feira, dirigiu-se imediatamente ao posto de testagem

mais próximo para “ver a família o mais depressa possível”. O mesmo funcionário apontou também esperar que, no futuro, as autoridades criem uma plataforma de assistência centralizada para facilitar a obtenção de informações relativas às medidas anti-pandémicas. Mas há também quem tenha optado por esperar mais um pouco. Uma trabalhadora estrangeira de apelido Chan revelou que durante o último meio mês teve a sorte de a entidade patronal ter pago as des-

pesas do seu alojamento e não tem pressa de atravessar a fronteira. A trabalhadora, que decidiu ficar para já em Macau, admitiu ainda ficar atenta aos desenvolvimentos dos próximos dias e considerará voltar ao Interior da China apenas quando a situação estabilizar. Por fim, um outro TNR retido em Macau durante mais de 20 dias que partiu ontem para Zhuhai, conta que teve de assumir os encargos da própria estadia e que isso “custou quase um mês de salário”. P.A. e N.W.

Moradores Pedida extensão de validade testes para sete dias

Com a reabertura da circulação entre Macau e Zhuhai as pessoas têm de apresentar o resultado negativo do teste de ácido nucleico com uma validade de 48 horas. No entanto, Chan Ka Leong, presidente dos Moradores, deixou o desejo que a retoma da circulação entre fronteiras corra de feição e num futuro próximo o prazo da validade do resultado do teste possa ser prolongado para sete dias. Em declarações ao Jornal Cheng Pou, Chan elogiou a reabertura das fronteiras, porque permite resolver o problema dos residentes e trabalhadores não-residentes retidos em Macau, e ainda acelerar o processo da integração económica.


6 efeméride

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20.10.2021 quarta-feira

Tereza Sena apresenta no HM uma nota biográfica de José Carlos da Maia, Governador de Macau e “Noite Sangrenta”. A historiadora está a preparar um livro sobre estes anos marcados pela implanta autora disse que o livro “está muito avançado”, mas o projecto encontra-se , para já, suspenso, não TEREZA SENA*

Breve nota sobre o Governador José Carlos da Maia (1878-1921) São de todos conhecidos o carácter idealista, a filiação maçónica e a prática carbonária, bem como a acção revolucionária que tornou Carlos da Maia num dos heróis da República, convicções essas que, uma vez à frente dos destinos de Macau, o fizeram apoiante da jovem República chinesa1e, muito particularmente, de Sun Yat Sen (1866-1925), seu fundador e primeiro Presidente, como é testemunhado na por demais conhecida carta2 de agradecimento que este lhe endereçou em 23 de Junho de 1916. Motivada pelo facto de Maia ter recusado a extradição dos apoiantes de Sun Yat Sen fugidos para Macau após o afastamento deste da Presidência e a reviravolta de Yuan Shikai (1914-1966), atribuindo-lhes o estatuto de “refugiados políticos” e negando o de “criminosos” — por via do qual deveriam ser entregues, ao abrigo do estipulado no Tratado de 1887 —, poderá, na opinião de alguns autores3, testemunhar uma relação bem mais activa e empenhada por parte do Governador português na causa revolucionária chinesa. Da sua curta governação, que se estendeu efectivamente de 10 de Junho de 1914 a 5 de Setembro de 1916, sabe-se ter sido tão próspera e empreendedora que obteve grande apoio da comunidade chinesa4, à qual deu pela primeira vez assento no Conselho de Governo, onde veremos então pontuar o primeiro grande magnata do jogo, Lou Lim Ioc (Lu Lianruo) (1884-1955). Mas também, que se preocupou com a segurança de Macau em tempo de guerra, onde inclusivamente criou o Batalhão de Voluntários de Macau, e com o fomento da colónia impulsionando diversas infraestruturas e empreendimentos que mudaram para sempre a vida da cidade. Entre estes, e entre outros, temos o início da construção da Avenida Almeida Ribeiro, ligando a Praia Grande ao Porto Interior, dando o pontapé de saída no tão almejada e sempre adiado projecto do porto de Macau, só concretizado na década seguinte. Foi também no seu mandato, e durante a chefia de José Vicente Jorge (1872-1848) — e sob a proposta deste —, que a Repartição

do Expediente Sínico foi reformulada e regulamentada, tal como a respectiva Escola, o que tudo demonstra uma activa interacção com o meio, passem embora as tensões suscitadas aquando da tentativa de criação da Carta Orgânica de Macau, cujo primeiro projecto elaborou. Contudo, graves divergências com a Metrópole, e nomeadamente com Afonso Costa (1871-1937), que, de Presidente do Executivo5 passara à pasta das Finanças no Ministério da União Sagrada, levaram-no a pedir a exoneração em 18 de Junho de 1916. Recusada esta, Carlos da Maia anuncia a partida em 30 de Julho, e seguirá para Portugal — via Japão, Américas e com escala em Xangai onde Sun Yat Sen reorganizava as suas forças6 —, em 5 de Setembro de 1916, donde nunca regressará. Vai, oficialmente e devidamente autorizado7, para conferenciar com o Ministro das Colónias — que era também o Presidente do Ministério —, deixando o Governo de Macau entregue a Manuel Ferreira da Rocha (1885-1951), que o assegurou até 21 de Junho de 1917, quando se constituiu um Conselho Governativo. Na origem do descontentamento de Carlos da Maia parecem estar quer a ampliação dos poderes judiciais dos cônsules portugueses — nomeadamente no caso do escândalo dos passaportes portugueses passados a chineses em Xangai 8 —, quer divergências quanto ao destino a dar aos dinheiros de Macau que, segundo reza a tradição9, abundariam por essa época nos seus cofres. Não sendo autorizado a depositá-los nos bancos de Hong Kong para virem a suportar as obras do porto de Macau como pretendia, Maia vira-se até obrigado a remeter 100 contos de réis para Lisboa, a título de empréstimo, para socorrer outras colónias. Embora o recurso aos saldos positivos de Macau não fosse inédito, as finanças públicas portuguesas estariam então ainda mais exauridas do que habitualmente com as avultadas “despesas de guerra”. O processo de exoneração de Carlos da Maia foi algo atribulado e reflecte a grande instabilidade governativa resultante da forte agitação e conflitualidade políticas que Portugal então vivia — que acabarão por o vitimar —, sem também deixar de espelhar rivalidades e visões antagónicas que perpassavam a vida político-administrativa de Macau, em sede parlamentar, e pela mão do tenente Francisco

Homem com visão Gonçalves Velhinho Correia (18821943), eleito deputado por Macau em 1916, cuja candidatura Maia não patrocinara. Ressalvando-lhe embora a “honorabilidade pessoal”, colocará este correligionário de Afonso Costa sob escrutínio toda a actividade governativa de Carlos da Maia, que acusava de autoritário, prepotente, perdulário, questionando-lhe a falta de capacidade governativa e alguma permeabilidade aos chineses, ou, talvez melhor, falta de firmeza para com eles. Reproduzindo o discurso das forças conservadoras macaenses, que o apoiavam, elegerá para tema principal da sua interpelação os gastos com as obras do porto de Macau — cuja prossecução levava Maia a Portugal —, mas requeria também o acesso integral a uma série de processos existentes no Ministério envolvendo Carlos da Maia. O Governador — que voltara a pedir e a ver recusada a demissão em Dezembro de 1916 — contará no parlamento com o apoio de Alexandre Botelho de Vasconcelos e Sá (1872-1929), de João Tamagnini Barbosa (1883-1948) e de Abílio Marçal, todos eles republicanos desiludidos

que em breve adeririam à “República Nova” de Sidónio Paes (1872-1918). Fosse ou não uma campanha orquestrada para derrubar Carlos da Maia, a que eventualmente Velhinho da Costa se prestaria também movido por razões pessoais — como o acusara Vasconcelos e Sá —, o certo é que, menos de um mês depois, em 12 de Junho de 1917, e no mesmo 3º governo de Afonso Costa, em exercício de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917, é decretada a exoneração de Carlos da Maia. Viria ela, no entanto, a ser declarada sem efeito por Decreto de 9 de Fevereiro de 1918, já no tempo de Sidónio Paes. De facto, só se tornará definitiva com outro diploma, de 1 de Junho de 1918, depois de, na Metrópole, Maia já ter presidido à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, entre Janeiro e Março de 1918, e de ter sido nomeado Ministro da Marinha em 9 de Março. Não obstante ter deixado o cargo em 7 de Setembro do mesmo ano conseguiu nesse curto mandato introduzir reformas de vulto na organização do Ministério, logo se demitindo e pondo fim à sua efémera adesão activa ao

Sidonismo, a que o levara a desilusão e a humilhação atrás descrita. E provavelmente também a influência do grupo que então o defendia, e onde também pontuava o histórico herói da Rotunda Machado Santos (18751921), seu companheiro, o que nunca lhes será perdoada pelas alas mais radicais, como a História virá a demonstrar. No executivo de José Relvas (1858-1929) — aquele mesmo que da varanda da Câmara Municipal de Lisboa proclamara a implantação da República —, Maia teve uma igualmente brevíssima passagem, desta vez pelo Ministério das Colónias, entre 27 de Janeiro e 21 de Março de 191910. Não se esqueceu, mesmo assim, de uma série de indivíduos de Macau e da diáspora macaense, com destaque para os seus corpos militares, nomeadamente os Corpos de Voluntários de Macau e de Xangai, condecorando-os pelos feitos na conjuntura de beligerância pela qual se acabava de passar. Em 8 de Março de 1919 também fará atribuir a Comenda da Ordem de Sant´iago da Espada pelos “serviços prestados às letras e artes de Macau” a Camilo Pessanha,


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efeméride 7

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entre 1914 e 1916 e assassinado em Lisboa há 100 anos, no âmbito do episódio ação da República em Portugal e na China, sem esquecer a I Guerra Mundial. A podendo ser adiantada uma data para a sua conclusão seu irmão maçónico e indivíduo por quem nutria especial estima e admiração11 e a quem muita apoiara no processo de doacção de parte da sua colecção de arte chinesa a Portugal. Pouco mais de dois anos depois Carlos da Maia encontrará a morte, sendo barbaramente assassinado ao lado de outros heróis da República como Machado de Santos, e do presidente do Ministério já demissionário, António Granjo (1881-1921), naquela que ficou para a História como a noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em circunstâncias nunca convenientemente averiguadas. Não o esqueceram, no entanto, os homens do Batalhão de Voluntários de Macau, por ele criado como se referiu, que, na passagem do 3º aniversário da sua morte, em 19 de Outubro de 1924, farão colocar uma lápide no seu jazigo na Rua 21 do Cemitério dos Prazeres em Lisboa12, então erigido, juntando-se assim àqueles que, com tal homenagem, pretendiam acima de tudo fazer justiça à memória de Carlos da Maia, que ficaria para a História como um herói e romântico revolucionário.

1 - Vd., para o contexto, a Revista de Cultura (adiante RC), 3ª S., Macau, Nºs 36 e 37, de Outubro de 2010 e Janeiro de 2011, contendo importantes contribuições, maioritariamente resultantes de reuniões científicas organizados em Macau, por ocasião dos centenários das repúblicas portuguesa e chinesa e, para o período do seu governo, Governadores de Macau, coord. Jorge dos Santos Alves e António Vasconcelos de Saldanha, Lisboa, Livros do Oriente, 2013, pp. 328-334. 2 - Inicialmente reproduzida, e traduzida para português por Danilo Barreiros, José Carlos da Maia, Olhão, 1989, separata do jornal A Voz de Olhão, p. 17. 3 - Entre eles, Paul B. Spooner, “Republican Revolutionaries: Sun Yat Sen, Carlos da Maia and the Macao Harbour Project, RC, 3ª S., Macau, Nº 36, October 2010, pp. 19-37, um estimulante ensaio lançando plausibilidades e pistas que muito beneficiariam de comprovação documental, se é que isso é possível atendendo à natureza sigilosa, negocial e até conspiratória, dos contactos eventualmente mantidos entre Sun Yat Sen e Carlos da Maia e respectivas entourages. 4 - Como nos dá a conhecer Danilo Barreiros no já citado pequeno mas importante opúsculo, José Carlos da Maia, pp. 12-3, assunto mais tarde retomado e desenvolvido por João Aguiar, “Vida e Morte de Um Marinheiro”, Macau, Macau, 3ª S., Nº 6, Outubro de 1992, pp. 27-35, onde também surgem curiosos detalhes sobre o desaparecimento e “resgate” do documento em que tal reconhecimento era testemunhado, traduzido por José Vicente Jorge.

Entre 29 de Novembro de 1915 a 15 Excerto de um livro em preparação 5 - de Março de 1916. 6 - Paul B. Spooner, “Republican

Revolutionaries:…” admite a hipótese de estabelecimento de contactos entre os partidários de Sun e Carlos da Maia no decurso dessa viagem.

7 - E não em gozo de licença, como pretende João Aguiar, “Vida e Morte de Um Marinheiro”, p. 30. 8 - Cf. Paul B. Spooner, “Republican Revolutionaries:…”, pp. 23, 28-9, entre outros. 9 - Manuel Teixeira, Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, Macau, Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1988, p. 137. 10 - Vd. Fernando Mendonça Fava, “José Carlos da Maia. Apontamento Breve”, RC, 3ª S., Nº 36, Outubro de 2010, pp. 49-50, para alguns detalhes reveladores do carácter de Carlos da Maia. 11 - Vd. Tereza Sena, “Camilo Pessanha (1867-1926) e os Outros – Aspectos da dimensão colectiva na vida de Camilo Pessanha em Macau (1894-1926)” in Camilo Pessanha. Novas interrogações (150 anos do nascimento), dir. Im Sio Kei, Marcus, ed. Lei Ngan Lin, Vivian e coord. Carlos Ascenso André e Sara Augusto, Macau, Instituto Politécnico de Macau, 2019, pp. 31-51. * Investigadora Adjunta Sénior do Centro Xavier de Investigação para a Memória e Identidade, da Universidade de São José, Macau

12 - Cf. Danilo Barreiros, José Carlos da Maia, pp. 19-23 e Manuel Teixeira, Marinheiros Ilustres.., p. 139.


8 china

20.10.2021 quarta-feira

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CARVÃO GOVERNO ANUNCIA QUE VAI AUMENTAR PRODUÇÃO EM 6 POR CENTO

que interromperam a produção industrial em várias regiões. Entre as razões apontadas para esses cortes estão a recuperação económica global, que pressiona as fábricas a aumentar a produção, os limites da produção de carvão impostos pelos objectivos para o clima e a existência de um preço regulado da electricidade.

A olhar para o Inverno A China vai aumentar a produção de carvão em quase 6 por cento, para lidar com a escassez de energia, já depois de o país ter atingido recentemente o recorde diário de produção, disseram ontem as autoridades. Em comunicado, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), o órgão máximo de planificação económica do país, disse que 153 minas foram autorizadas, desde o mês passado, a aumentar a sua capacidade de produção em 220 milhões de toneladas por ano. Trata-se de um aumento de 5,7 por cento, face à produção total da China no ano passado (3,84 mil milhões de toneladas). As medidas foram tomadas visando “garantir o abastecimento de carvão, durante o Inverno e na próxima Primavera”, explicou a agência de planeamento. Só no trimestre actual, a produção das minas deve aumentar em

50 milhões de toneladas, apontou a mesma fonte. O Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu que o país vai começar a reduzir as emissões poluentes antes de 2030. A

CNDR apontou que a produção diária de carvão atingiu “recentemente” um recorde de 11,5 milhões de toneladas. O carvão, fonte de energia particularmente poluente, fornece cerca de 60 por

As medidas foram tomadas visando “garantir o abastecimento de carvão, durante o Inverno e na próxima Primavera”

cento da produção de electricidade chinesa.

Dias difíceis

O Governo chinês anunciou recentemente uma desregulação parcial dos preços da electricidade vendida aos fabricantes. Xi prometeu em meados de Setembro também que o país não vai construir novas centrais a carvão no exterior. A China é o maior produtor mundial de carvão e o país que mais emite gases poluentes.

Nas últimas semanas, o país asiático enfrentou cortes de energia,

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Tibete Funcionário sob sanções do Ocidente escolhido para a liderança AVISO N.º 142/AI/2021

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n. 30/P/21 para a execução da «Obra de remodelação do 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 39, II Série, de 29 de Setembro de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Serviços de Saúde, aos 15 de Outubro de 2021 o

O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:----------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 839/AI/2021:LI YANJIAO, portadora do Passaporte da RPC n.° E59192xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 363/DI-AI/2019 levantado pela DST a 04.12.2019, e por despacho da signatária de 20.09.2021, exarado no Relatório n.° 915/DI/2021, de 30.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 80, Kam Fung Tai Ha, Bloco 1, 5.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 860/AI/2021:DENG SHUMIN, portador do Passaporte da RPC n.° ED8793xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 321/DI-AI/2019 levantado pela DST a 13.11.2019, e por despacho da signatária de 16.09.2021, exarado no Relatório n.° 942/DI/2021, de 08.09.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Beco da Perola n.° 110-C Caesar Fortune, 6.° andar E onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 12 de Outubro de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

O Partido Comunista da China (PCC) nomeou para secretário-geral no Tibete Wang Junzheng, funcionário chinês alvo de sanções por vários países ocidentais, pelo seu papel como chefe da segurança na região de Xinjiang. A agência noticiosa oficial Xinhua informou ontem que Wang Junzheng foi nomeado secretário do

A

comité regional do PCC na Região Autónoma do Tibete, substituindo Wu Yingjie, que se aposentará em breve. Wang, de 58 anos, foi nomeado chefe da segurança de Xinjiang em Fevereiro de 2019 e também secretário adjunto do PCC na região. De acordo com o South China Morning Post, a promoção de Wang

“ressalta o desprezo de Pequim pela resposta do Ocidente às suas políticas em Xinjiang”, bem como o “seu crescente interesse na equipa de funcionários que trabalharam na região”, realçando que têm capacidades “exemplares” na gestão de “áreas povoadas maioritariamente por minorias étnicas”.

NUCLEAR EUA RECUSAM QUE COMPETIÇÃO COM A CHINA SE TRANSFORME EM CONFLITO

administração norte-americana assegurou segunda-feira que não quer que a competição com a China se transforme num conflito, depois de notícias darem conta de que Pequim terá testado em Agosto um míssil hipersónico com capacidade nuclear. “Damos as boas-vindas a uma dura competição com a China, mas não queremos que se converta num conflito”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, na habitual conferência de imprensa diária, assinalando, porém, a preocupação dos

Estados Unidos com “as capacidades militares” que a China procura. Segundo o jornal económico Financial Times, a China testou em Agosto um míssil hipersónico com capacidade nuclear, uma informação ontem negada por Pequim, que alega que se tratou de “testes rotineiros” para verificar tecnologias de reutilização aeroespacial. Tecnicamente, os mísseis ou veículos hipersónicos quebram em voo, pelo menos cinco vezes, a barreira do som, isto é, superam os 6.177 quilómetros por hora. O facto

de poderem voar a escassa altitude e traçar trajectórias não parabólicas converte-os numa arma táctica difícil de detectar. Tal tecnologia continua a ser desenvolvida a nível mundial e são muito poucos os países que a têm completamente operacional. Em finais de Setembro, os Estados Unidos asseguraram ter testado com sucesso o míssil hipersónico Raytheon. A Rússia já tem operacional o míssil hipersónico Avangard, que o Presidente Vladimir Putin qualificou como “arma do futuro”.


quarta-feira 20.10.2021

divina comédia

NUNO MIGUEL GUEDES No dia quatro de Outubro de 2021 muito terá acontecido neste planeta. Muitas vidas, muitas mortes. Muito espanto, muita desilusão. Muita alegria, muita tristeza. E muito truísmo em diferido, como podeis agora mesmo comprovar por estas constatações que certamente o mundo aguardava com ansiedade. Agora a sério, por uma vez. Permitam que volte a abusar da vossa generosidade para regressar às pequenas coisas que engrandecem mesmo à nossa frente, minério demasiado nobre para este modesto mas teimoso garimpeiro: esse foi o dia em que algo se terá passado com o servidor Google que alimenta as principais redes sociais

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deste mundo. De repente, tudo desapareceu. Angústia, horror, dúvida, impotência: o que terá acontecido, o que posso fazer, como manter o contacto com quem queremos e, ainda mais terrível, de que maneira poderão entrar em contacto comigo? Será do meu telemóvel? Será, para reabilitar uma antiga e patusca expressão dita sempre que a ainda púbere televisão portuguesa deixava subitamente de transmitir – será “de lá”? A questão técnica pouco importa para o que me interessa. Menos ainda o prejuízo financeiro que terá custado ao pobre Zuckerberg – fala-se de seis mil milhões de dólares – a que, estou certo, conseguirá sobreviver. Não: foram as consequências desse hiato tecnológico que me levaram a escrever. Ou seja: de repente, de forma inesperada aconteceu

É de lá isto: houve gente que ligou. Assim, de viva voz. Lembram-se do que isso era, amigos? Usava-se muito, anexado a outro costume em extinção a que se deu o nome de “conversar”. Aqui chegado, importará dizer-vos ou repetir para os pobres que insistem em

ATRAVÉS DE UMA FALHA NUMA MÁQUINA ABRIU-SE UMA BRECHA QUE DEIXOU ENTRAR O ANACRONISMO DE UMA VOZ HUMANA QUE PROCURA POR NÓS. A HUMANIDADE REGRESSOU, POR BREVES INSTANTES. MAS, SEM SURPRESA, FOI “DE LÁ”.

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ler-me desde o início: não tenho nenhuma simpatia ou convicção pelo “antes é que era bom”. Nada. Agora é que é. Mas existem coisas que funcionam, que atravessam os dias e continuam a fazer a vida melhor. A voz de um amigo, por exemplo, é uma delas. Não um eco no WhatsApp, não uma fotografia no Instagram. A voz, alguém que vos telefona – ainda é assim que se diz? -, um outro ser humano como interlocutor nem que seja para oferecer as mais terríveis notícias. Ou as melhores. Agora e graças à facilidade que as redes sociais nos oferecem os pêsames têm o mesmo valor do que as felicitações. Apenas mudam os desenhos escolhidos para significar emoções e as palavras, sejam elas quais forem, sacrificam a sua vida numa caixa de comentários para que possamos ficar de consciência tranquila e longe do que é humano – a dor e a alegria. Por isso é que nunca irei esquecer aquele quatro de Outubro de 2021.Através de uma falha numa máquina abriu-se uma brecha que deixou entrar o anacronismo de uma voz humana que procura por nós. A humanidade regressou, por breves instantes. Mas, sem surpresa, foi “de lá”.


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CENAS DA VIDA CONJUGAL | INGMAR BERGMAN | 1973

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6 Ao fim de dez anos, o casamento pare-

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SALA 1

SALA 3

Um filme de: Andy Serkis Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Naomie Harris, Woody Harrelson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Greg Tiernan, Laura Brousseau, Kevin Polvovic 14.30, 16.30, 19.30

VENOM: LET THERE BE CARNAGE [C]

ce ajustar-se na perfeição a uma rotina aparentemente feliz e tranquila. O casal com amigos em comum, com jantares de amigos em casa, a visitar pais e sogros aos fins-de-semana, as férias em conjunto. Até que um deles se apaixona por outra pessoa e desfaz o castelo de cartas que até então parecia indestrutível. O que era amor torna-se suplício, gera dor, ausência. Mas será 4 que é o fim definitivo? Um grande filme do realizador sueco, recentemente trans3 em série na HBO, que explora 0 formado profundamente os sentimentos envolvidos 20amorosa. Andreia Sofia Silva numa relação

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BAHT

SALA 2

NO TIME TO DIE [B]

Um filme de: Cary Joji Fukunaga Com: Daniel Craig, Rami Malek, Léa Seydoux, Lashana Lynch 14.30, 18.15, 21.15

THE ADDAMS FAMILY 2 [B]

SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

Um filme de: Destin Daniel Cretton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 21.30

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quarta-feira 20.10.2021

opinião 11

www.hojemacau.com.mo

macau visto de hong kong

David Chan

ABERTURA DAS FRONTEIRAS

A COMUNICAÇÃO social divulgou recentemente que a fronteita de Macau com Zhuhai deve voltar a abrir. Mas, antes disso, é natural que se venha a realizar a quarta testagem em massa à população. Embora esta notícia ainda não tenha sido confirmada, traz consigo ventos de esperança. Macau é uma cidade de turismo, lazer e entretenimento. Os turistas vêm de todas as partes do mundo, embora a relação preferencial seja com Zhuhai. Existem muitos estudantes em Macau oriundos de Zhuhai, bem como trabalhadores de Macau que vivem em Zhuhai. O encerramento da fronteira afectou seriamente a economia de Macau e as pessoas que estão dependentes deste intercâmbio. Depois de os estudantes de Zhuhai terem chegado a Macau, foi-lhes impossível regressar à sua cidade de origem devido ao encerramento da fronteira, e passaram a precisar de assistência urgente. Foi um problema complexo. Se a fronteira abrir em breve, esta questão fica resolvida. A notícia sobre a abertura eminente da fronteira é sinal que não existem casos de COVID 19 e não existe portanto risco de transmissão. Os locais de entretenimento que se viram forçados a fechar as portas podem voltar a abrir e a economia vai crescer. Não são boas notícias? O fecho das fronteiras foi provocado pela pandemia. Enquanto o risco de transmissão

não for eliminado, a vida não pode voltar ao normal. O processo de vacinação vai continuar durante algum tempo e os profissionais de saúde apelam a toda a população para que se vacine. A vacina permite criar anti corpos que combatem o vírus e, no caso de mesmo assim se contrair a doença, os sintomas serão muito mais ligeiros. Mas, acima de tudo, quando houver uma grande percentagem de pessoas vacinadas, a comunidade cria uma barreira ao vírus que o impede de se alastrar. Claro que esta vacinas são um produto recente. A comunicação social fala por vezes de pessoas que sentiram efeitos secundários após a administração da vacina. No entanto, partindo da premissa que os benefícios ultrapassam largamente os incómodos, toda a população deve considerar vacinar-se o mais rapidamente possível. Actualmente, todas as pessoas que trabalham em contacto directo com o público, ou em espaços fechados, têm de estar vacinadas. Caso contrário, têm de se submeter todas as semanas a um teste ao ácido nucleico. Estas medidas combatem eficazmente a propagação do vírus. A comunicação social também divulgou recentemente que alguns laboratórios farmacêuticos já desenvolveram um medicamento que, se for administrado na fase inicial da doença, tem resultados positivos. Um laboratório britânico anunciou para breve o lançamento no mercado de um

Partindo da premissa que os benefícios ultrapassam largamente os incómodos, toda a população deve considerar vacinar-se o mais rapidamente possível

medicamento anti-viral. O aparecimento destes medicamentos vai ser muito útil no combate às infecções. Embora estes medicamentos estejam para surgir, ainda não se sabe se terão eventuais efeitos secundários, nem quais serão. Assim sendo, vamos ter de continuar a usar mascára e a manter o distanciamento social. Recentemente, alguns sectores da sociedade propuseram que se implementasse a “Lei da Máscara”, para garantir que todos a usam de forma correcta. A implementação de tal

lei implica que uma série de aspectos que têm de ser considerados. É preciso estudar cuidadosamento todos os aspectos da Lei da Máscara, para que se não colida com a vida quotidiana, caso contrário será contraproducente. Recentemente, o Governo implementou a terceira testagem em massa à população, na sequência do aparecimento de quatro casos de infecção por coronavírus. É o método mais eficaz para identificar casos e evitar a propagação do vírus. Mas a testagem em massa requer a colaboração de todos e é uma tarefa difícil. Talvez se pudesse considerar a divisão da população em vários grupos, tendo em vista testagens ciclicas. Macau tomou as medidas necessárias para travar a propagação do vírus e prestou os cuidados apropriados a quem foi infectado. Agora só podemos esperar que haja um desenvolvimento científico positivo ao nível do tratamento e da prevenção. A vacina de última geração vai poder ser administrada a crianças pequenas e a bebés recém-nascidos. Da mesma forma, os medicamentos para combater a COVID são apropriados para estas faixas etárias. As novas conquistas podem vir a eliminar as dúvidas sobre as vacinas e os medicamentos, fazer-nos reagir à ameaça dos vírus e fazer com que a vida das pessoas volte ao normal. Pode ainda voltar a pôr-nos um sorriso no rosto.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


quarta-feira

“O maior vai de boa mente com o mais pequeno. O medíocre vai sozinho.” PALAVRA DO DIA

JAPÃO DETECTADOS NAVIOS DE GUERRA RUSSOS E CHINESES

Macau Concealers Encerramento por falta de recursos e “ambiente”

O portal informativo Macau Concealers encerrou hoje às 00h, de acordo com uma publicação na sua página de Facebook, justificando o encerramento com “alterações sem precedentes no ambiente” de Macau e com a falta de recursos. “Ao longo dos anos, o Macau Concealers fez a sua parte e cumpriu com as suas responsabilidades, defendendo a liberdade de imprensa e representando os vários aspectos que compõem a diversidade de Macau. Só graças ao amor dos nossos leitores e à sorte conseguimos trabalhar até agora”, lê-se na mensagem de despedida. Apesar de terem começado vários anos antes, o Macau Concealers foi registado oficialmente como órgão de comunicação social em Dezembro de 2012 e abriu o portal cerca de três meses depois. Em menos de uma hora, a publicação com a mensagem de despedida gerava mais de 4.700 gostos e mais de 700 partilhas.

Educação Denunciada burla de aulas online

A Associação de Educação de Macau denunciou ontem um caso de burla ocorrido num grupo de professores e encarregados de educação criado numa plataforma online para organizar o trabalho lectivo durante a interrupção do ensino presencial devido à pandemia. Em causa, está o facto de o burlão se ter feito passar por um funcionário da escola para cobrar alegados montantes aos pais dos alunos. Citado pelo jornal Ou Mun, o presidente da associação, Cheang Hong Kuong espera que a polícia consiga desmantelar o caso “em breve”, reforçando a ideia que “em nenhuma situação” os professores são responsáveis pela cobrança de verbas aos encarregados de educação através de plataformas online. Por sua vez, Lei Chi Sin, vice-presidente da Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau, defende que, para aderir aos grupos de aprendizagem, os participantes devem ser identificados e que as escolas devem evitar fazer cobranças online a todo o custo.

O HM ERROU

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Na entrevista publicada na edição desta segunda-feira, a propósito do novo livro de Maria Helena do Carmo, “Macau no tempo áureo do comércio”, erradamente é referido que o Governador de Macau neste período foi Jerónimo Ferreira de Almeida, quando na verdade se trata de Januário Correia de Almeida, Visconde de São Januário. Aos leitores e à autora as nossas desculpas.

O HM ERROU

20.10.2021

Rabindranath Tagore

O

Pior a emenda Consumidor de canábis detido após pedir ajuda no hospital

U

M residente de Macau na casa dos 20 anos foi detido no passado domingo pela prática do crime de consumo ilegal de estupefacientes, após se ter dirigido aos serviços de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, alegando que não se estava a sentir bem. De acordo com informações prestadas pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) ao HM, o homem apresentou-se no hospital público pelas 23h00, queixando-se de que se estava a sentir “desconfortável” e que precisava de assistência médica. Os serviços hospitalares acudiram o homem, realizando de seguida vários exames médicos, entre os quais à urina. Concluídas as análises, os resultados acusaram positivo para a presença de marijuna. Chamadas ao local, as autoridades deram início às diligências processuais, tendo interrogado o suspeito acerca do sucedido. Durante as declarações, o residente admitiu ter consumido droga, apesar de apontar não se lembrar, nem quando nem onde tal terá acontecido. Segundo o CPSP, o caso seguiu, entretanto, para o Ministério Público (MP), onde o suspeito terá de responder pela prática do crime de

consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. A provar-se a acusação, o residente pode vir a ser punido com pena de prisão de 3 meses a 1 ano ou com pena de multa de 60 a 240 dias.

Tratar quem precisa

Contactado pelo HM, o presidente da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) recusou-se a comentar o caso, mas ressalvou que o organismo que dirige disponibiliza várias opções de tratamento e oferece confidencialidade. “Só posso dizer que a ARTM pode providenciar serviços confi-

“A ARTM pode providenciar serviços confidenciais a todos aqueles que tenham problemas de toxicodependência. Podem procurar os nossos serviços que nós oferecemos diversas opções de tratamento.” AUGUSTO NOGUEIRA PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE REABILITAÇÃO DE TOXICODEPENDENTES DE MACAU

denciais a todos aqueles que tenham problemas de toxicodependência. Podem procurar os nossos serviços que nós oferecemos diversas opções de tratamento. E tudo garantindo a confidencialidade”, apontou. Questionado sobre o actual estado do tráfico e consumo de estupefacientes à luz do prolongamento da pandemia de covid-19, o presidente da ARTM considera que os métodos de tráfico “estão mais sofisticados” e que “a procura está a aumentar”. Isto, apesar de o número de casos que constam nas estatísticas oficiais ser “baixo”. “O número de casos de tráfico é bastante elevado em comparação com o ano passado e em relação ao número de consumidores que têm sido apanhados”, partilhou. Apesar do aumento das transacções e da procura, segundo Augusto Nogueira, também o número de utentes acolhidos pela ARTM não registou aumentos. “O número de utentes da ARTM tem-se mantido, embora achemos que se houvesse uma maior compreensão para com o tratamento, o número de pessoas referenciadas, principalmente no tribunal, podia ser maior”, conta. Pedro Arede

Governo japonês anunciou a detecção de 10 navios militares da Rússia e da China que cruzaram o estreito de Tsugaru, sendo a primeira vez que se observa este tipo de manobras sino-russas na região. Uma dezena de navios de guerra dos dois países vizinhos cruzaram o estreito de menos de 19 quilómetros de largura que separa a ilha de Honshu, a maior do arquipélago japonês, e a de Hokkaido, em águas não territoriais, já que são consideradas uma passagem marítima internacional. Apesar de estas manobras não constituírem uma violação do seu espaço territorial, o Ministério da Defesa do Japão indicou que está a “analisar” os motivos desta manobra naval sino-russa, a primeira que se conhece nesta região. O Governo japonês “está a prestar muita atenção às actividades da Rússia e da China na região” e “mantém a sua vigilância das águas e do espaço aéreo” em redor do seu território, disse ontem o vice-porta-voz do executivo, Yoshihiko Isozaki. Os 10 navios russos e chineses foram detectados na segunda-feira, e a estação televisiva estatal japonesa NHK divulgou imagens das manobras militares sino-russas.


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Hoje Macau 20 OUTUBRO 2021 #4874 by Jornal Hoje Macau - Issuu