Skip to main content

Hoje Macau 20 OUT 2015 #3437

Page 1

assembleia

boi luxo

política

hojemacau

página 5 gonçalo lobo pinheiro

Cinema africano

Coutinho contra Ho Iat Seng

terça-feira 20 de outubro de 2015 • ANO Xv • Nº 3437

Eleições: o ‘caso’ Macau Cristais

opinião

h

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

arnaldo gonçalves

rui cascais parada

rui paiva

quo vadis macau?

habitação au kam san denuncia “interesses”

Abram alas ao lobby

O deputado pró-democrata acusa o Governo de manter o sistema de sorteio de habitação pública para privilegiar o sector imobiliário cuja representação se faz sentir com peso, tanto no hemiciclo, como na Comissão Eleitoral que elege o

Chefe do Executivo. Au Kam San, na linha do protesto que trouxe à rua cerca de mil manifestantes no domingo, defende também o regresso ao sistema de pontuação que garante uma casa para os candidatos qualificados.

página 5

grande plano

páginas 14-15

Agência Comercial Pico • 28721006

pub

Director carlos morais josé


2

diário de bordo

‘‘

hoje macau terça-feira 20.10.2015

por carlos morais josé

ontem macau

“Está a haver uma espécie de revolução e os junkets estão a reorganizar-se. Sabem que precisam de alterar a sua imagem, porque actualmente, há muita desconfiança quando se fala deste sector” • Fonte do SCMP, que diz que os junkets querem um Código de Ética

“Agora já não se pode voltar atrás, porque os espaços [das lojas de Seac Pai Van] ou estão ocupados por empresas grandes, ou estão desocupados. O Governo desperdiçou-os, o que fez com que os moradores se queixem da falta de instalações”

O calcanhar de Aquiles Manifestação por causa da habitação. Mil pessoas não são vinte mil. A habitação ainda não é a alcavala dos altos cargos, que tanta gente escandalizou. Mas ainda assim, para uma cidade tão pequena, não deixa de ser muita gente. E sendo que poderá transformar-se em muitos mais, o Governo apressou-se a dizer que se preocupa com a questão e que respeita o sentimento de quem quer uma casa e esbarra com os preços absurdos que actualmente se praticam (ainda) em Macau. O que a população da RAEM tem de perceber é que a situação não vai mudar no médio prazo. Todos sabemos que as habitações públicas

não satisfazem os padrões mínimos e ninguém lá quer morar. Parece ser mais dinheiro deitado à rua, atravessado por pérolas como o preço dos parques de estacionamento nos prédios das ditas habitações. Se o Governo pensa que resolverá o problema desta maneira, está enganado porque existe uma larga fatia de classe média que não tem dinheiro para uma casa “normal” e não quer viver na economia miserabilista daqueles prédios inomináveis. Só que, como sabemos, será muito difícil que os interesses por detrás das outras permitam que os preços caiam. Os investimentos em imobiliário constituem uma fatia importante dos

édito portfolios locais e de Hong Kong, o que torna basicamente impossível a descida do preço das casas, mesmo em termos de arrendamento. Ora o Governo, se realmente tivesse unhas para tocar esta guitarra, há muito que tinha colocado algum travão na especulação, sobretudo ao nível do arrendamento, não permitindo por lei os aumentos selvagens (de 100, 200 e 300% ao ano) que os senhorios fazem a seu bel-prazer, perturbando de sobremaneira a vida das famílias. Quem repara nos discursos de Chui Sai On sabe que ele foge do tema como Maomé do toucinho. E foge porque sabe não ter outra solução

O ‘rapper’ e activista angolano Luaty Beirão, detido desde Junho e em greve de fome há 30 dias, responsabiliza o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, das consequências deste protesto, acusando-o de “imiscuir-se” na Justiça. A posição consta de uma declaração escrita já no hospitalprisão de São Paulo, em Luanda, pelo próprio punho do activista, com data de 14 de Outubro e assinatura reconhecida pelos Serviços Prisionais

senão andar à volta, dizer que vai fazer qualquer coisa (leia-se habitação económica), quando não tenciona mexer numa palha que seja no processo especulativo que assombra Macau. Há muito que se diz ser a habitação o problema mais sério que afecta a população da RAEM. Contudo, o Governo continua a enterrar a cabeça na areia e a pensar que poderá encontrar um caminho em que os especuladores não saiam prejudicados. Não parece ser fácil e a questão arrisca-se a transformar-se no calcanhar de Aquiles deste Executivo: uma porta certa para quem o quiser questionar, incluindo a sua actual legitimidade.

horah

Lei Chuok Kuan • Membro da UGAMM

“Temos recebido queixas de que normalmente tem de se esperar uma hora para entrar no parque porque há muitos lugares reservados aos passes mensais que não estão a ser utilizados. O Governo tem reconhecido os problemas e tem referido que vai cancelar os passes mensais, mas depois isto foi desdito” Ella Lei • Deputada

www. hojemacau. com.mo

“O caso encontra-se na fase de investigação e existem nos SS normas para lidar com documentos confidenciais que sempre foram aplicadas, mas há sempre possibilidade de melhorar os procedimentos. Esta investigação vai esclarecer o caso e se existem ou não problemas nos procedimentos” Lei Chin Ion, director dos SS, sobre o caso dos documentos confidenciais do Hospital S. Januário que apareceram espalhados na rua | P. 7

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

l i g u e - s e • pa r t i l h e • v i c i e - s e

hojeglobal w w w. h o j e m a c a u . c o m . m o facebook/hojemacau twitter/hojemacau


hoje macau terça-feira 20.10.2015

grande plano

3

Rui Paiva, economista e investigador, diz ser difícil criar alternativas ao Jogo

“Em Macau os problemas são relativos” olhado como uma peça única em termos globais. “Não podemos analisar a China sem pensar no ‘world factor’ (factor mundo). A maior parte das vezes pensa-se na China como uma entidade independente e deve ser vista como outro dos actores que tem uma palavra a dizer. E depois há outras áreas nas quais a China se projecta. A China é uma potência com papel evidente e mais importante no mundo actual, com problemas internos que tenta resolver cujas medidas podem ter efeitos no exterior, mas é um país em que se nota mudanças diárias.” Defendendo que hoje a estratégia do Governo Central “passa pelas atitudes que está a tomar em relação a instituições multilaterais e questões de projecção externa”, Rui Paiva não deixou de comentar a visita oficial de Xi Jinping ao Reino Unido, que começou ontem. “Penso que é muito importante para a China ter relações com o Reino Unido, que desempenha um papel central na União Europeia (UE) em relação à China, está a ser marcante em relação a outros países da UE”, concluiu.

gonçalo lobo pinheiro

O economista e investigador do Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa acredita que será difícil criar alternativas ao Jogo, por se ter atingido um elevado grau de desenvolvimento. Rui Paiva, que trabalhou para a Administração portuguesa, diz que já na altura havia preocupações sobre o modelo turístico a seguir

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

R

ui Paiva, ex-residente em Macau e actual investigador integrado no Observatório de Relações Exteriores (OBSERVARE) da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), defende que será difícil a diversificação económica, devido ao facto do Jogo ter atingido um elevado grau de desenvolvimento. “Em relação à questão do Jogo, estamos num patamar muito evoluído. O Jogo parece que ocupou grande parte de Macau e está num ponto em que não sei se é fácil haver evolução para outras áreas. As taxas de crescimento foram

“O Jogo parece que ocupou grande parte de Macau e está num ponto em que não sei se é fácil haver evolução para outras áreas. As taxas de crescimento foram tais que é difícil conceber uma alternativa neste momento”

regresso 21 anos depois tais que é difícil conceber uma alternativa neste momento. Vai ser preciso que a sociedade civil e as autoridades pensem numa sociedade com a tal harmonia que se fala para a China, mas que passe pela mudança de alguns hábitos e objectivos, porque é arriscado continuar a considerar esse crescimento como valor mais importante”, disse em entrevista ao HM, no âmbito da realização de duas palestras sobre a China e os mercados emergentes (ver caixa). Rui Paiva, que trabalhou em Macau entre 1979 e 1994, primeiro na Banca e depois como Chefe de Gabinete do Secretário Adjunto da Economia, Finanças e Turismo do Governador em exercício, Carlos Monjardino, confessou que já na altura havia preocupações com o futuro do território. “Macau já tinha as preocupações de se transformar num centro de congressos, desenvolver o turismo e a cultura - mantendo as características e defendê-las - há muito tempo e a própria Administração portuguesa teve essas preocupações. Não sei até

que ponto é possível reverter a situação, quando se chega a este patamar”, frisou. Rui Paiva, que tem sido orador em várias palestras internacionais, recorda uma que deu em 2009, sobre os dez anos de transferência de soberania. “Chamei a atenção para o risco que Macau que poderia vir a ter no futuro, que não seria tão próximo, se continuasse

“Não podemos analisar a China sem pensar no ‘world factor’ (factor mundo). A maior parte das vezes pensa-se na China como uma entidade independente e deve ser vista como outro dos actores que tem uma palavra a dizer”

a crescer só nesse sector. Não no sentido de achar que Macau iria ter problemas, porque penso que Macau é um pouco como a China, os problemas são sempre relativos. Chamei a atenção para a diversificação que tem de existir. A partir do momento em que se atinge um grau de concentração tão grande com o jogo, tudo é mais difícil”, defendeu. Para Rui Paiva, a população deve ser a primeira beneficiária deste crescimento galopante, quer em Macau, quer em Hong Kong ou China. “Mais importante do que as taxas de crescimento é a forma como são construídas e quais os contributos para elas, ou seja, a própria qualidade do crescimento e que tipo de repercussões tem na sociedade. Voltando a Macau, Hong Kong ou China, o mais importante é que a sociedade civil deve ser a principal beneficiária do crescimento e da economia e do sistema financeiro”, apontou.

O “world factor”

Rui Paiva, que se diz um apaixonado pela investigação da China, defende que um país não deve ser

Rui Paiva está de regresso ao território 21 anos depois e não deixou de se mostrar surpreendido com as mudanças que viu. Economista, mas também artista plástico, Rui Paiva decidiu vir a Macau dar um contributo pessoal em duas áreas que o apaixonam. Esta quinta-feira estará na Fundação Rui Cunha (FRC) a falar sobre “Mercados Emergentes e a China no mundo global: A China em transição, as novas dinâmicas de integração”. Está também prevista uma palestra sobre o mesmo tema, mas mais longa e em inglês, para alunos da Universidade de Macau (UM). Sábado, na Livraria Portuguesa, estarão patentes aguarelas pintadas no quotidiano de Rui Paiva, numa exposição que o próprio considera “informal”. “Nunca quis forçar muito o vir a Macau, no sentido nostálgico. Esta minha vinda a Macau é um pouco o querer trazer dois contributos em duas áreas que me ligam a Macau. Uma que é das artes plásticas, no sentido em que comecei a minha carreira aqui. Há outra área que é da investigação da China, já que há dez anos que particípio em congressos internacionais em Portugal e tenho feito por tentar dar o meu ponto de vista de como a China vai evoluindo”, concluiu.


Política

É de uma espécie de lobby que os deputados Au Kam San e José Pereira Coutinho falam, quando chega a hora de eleger os presidentes e secretários das várias Comissões da Assembleia Legislativa. Mas nem todos os deputados pensam assim

H

á já vários anos que se mantêm os mesmos deputados em posições de poder nos grupos da Assembleia Legislativa (AL), como é o caso de Kwan Tsui Hang, que preside à 1.ª Comissão Permanente, ou Vong Hin Fai, há já vários a dar as cartas na Comissão de Regimento e Man-

“No futuro acho que os presidentes deviam continuar os mesmos, porque o funcionamento é bom e a cooperação entre os deputados e os presidentes é positiva” Wong Kit Cheng Deputada

hoje macau terça-feira 20.10.2015

AL Deputados criticam monopolização de Comissões

Lobby inquebrável? datos. Embora as suas funções não incluam mais poder do que aquele conferido aos restantes membros da Comissão, a direcção que os debates tomam e os assuntos que são discutidos estão sob controlo destes deputados eleitos. Au Kam San deixou de acreditar que a mudança pode fazer a diferença e Pereira Coutinho fala de uma Assembleia Legislativa (AL) monopolizada. Para Au Kam San, a eleição dos presidentes das Comissões da AL “não é uma eleição real”. O deputado denuncia a existência de uma “força” dentro do hemiciclo, que por sua vez controla o ambiente da AL. “Mesmo que todos os deputados votem, os votos da maioria dos deputados controlam a situação geral de quem ocupa a presidência e o secretariado [de cada Comissão]”, começou por dizer ao HM. “É apenas um processo”, acrescentou, defendendo que acaba por nunca se alterado. Questionado sobre se a mudança de pessoas nestes lugares poderia fazer a diferença, o deputado mostrou-se céptico sobre os efeitos positivos da medida. “É óbvio que uma pequena parte do hemiciclo consegue controlar e mudar a disposição da AL. Desde a primeira legislatura, que as votações para os presidentes e membros de cada comissão se concentraram nas áreas de origem dos deputados, tendo sido já escolhidos internamente”, conta.

Monopólio dos grandes

Já José Pereira Coutinho defende que a mudança de assentos da presidência das Comissões poderia “trazer uma lufada de ar

GCS

4

fresco” ao trabalho desenvolvido pelo hemiciclo, “na forma como os assuntos são abordados”. Uma das hipóteses, sugere, é criar um sistema de rotatividade na presidência. “Sou deputado há mais de uma década e vejo que não existe mais do que um monopólio para favorecer algumas pessoas das comissões, fruto da troca de interesses e da colocação de pessoas-chave, pelo Governo nestas funções”, critica o deputado. Questionado sobre que grupo poderá estar a ser favorecido, Pereira Coutinho é claro: “o patronato”.

Antiguidade que traz avanços

No entanto, nem todos pensam assim. É o caso de Wong Kit Cheng, que acredita que a manutenção destas pessoas traz estabilidade ao curso das sessões. Wong vê com bons olhos o trabalho até agora desempenhado pelos presidentes

no acompanhamento das leis e espera que continuem a aquecer a cadeira para, justifica, haja um maior diálogo. “Tem que ver com o seguimento das propostas de lei cujo debate não foi concluído na sessão passada, pelo que a continuidade dos presidentes nos lugares pode suavizar o andamento dos trabalhos das comissões, até porque não se quer que as propostas sejam ‘abandonadas’”, defendeu, em declarações ao HM. Wong Kit Cheng acrescentou que manter os mesmos presidentes permite esclarecer a orientação das propostas apresentadas pelo Governo futuro aos deputados membros. “No futuro acho que os presidentes deviam continuar os mesmos, porque o funcionamento é bom e a cooperação entre os deputados e os presidentes é positiva e promove o debate das propostas”, acrescentou.

Habitação pública Au Kam San denuncia mudança de lei por “interesses”

O poder aos empresários N a última sessão plenária da Assembleia Legislativa (AL), o deputado Au Kam San denunciou alegados “interesses” quanto à manutenção do sistema de sorteio no acesso à habitação pública, ao invés de implementação do regime de pontuação. Ao HM, o deputado pró-democrata explica que acusa o Governo de só manter o sorteio para favorecer o sector imobiliário. “O sistema de pontuação é bom porque mesmo que o Governo não tenha casas económicas suficientes, os candidatos qualificados sabem que vão ter uma casa, não importa o tempo de espera. Mas dessa forma é possível que as casas privadas não consigam ser

vendidas pelo sector imobiliário, já que os residentes preferem não pagar preços altos durante tanto tempo. É interesse do sector imobiliário e do Governo não prometer [casas] aos residentes”, apontou. O deputado acrescentou ainda que os sectores financeiro e comercial também estão interessados nesta questão, sem esquecer os deputados que representam estas áreas no hemiciclo como os membros da comissão eleitoral que elege o Chefe do Executivo. Para Au Kam San, estes lugares privilegiados levaram a que o Governo tenha protegido os interesses destes protagonistas aquando da revisão da Lei de Habitação Económica em 2010, quando foi eliminado o sistema de pontuação.

Na sua interpelação oral antes da ordem do dia, na sexta-feira, o deputado referia que “atendendo ao conservadorismo do Governo, quando os regimes são eficazes não são revistos à toa, neste caso só há lugar à revisão porque estão envolvidos grandes interesses”. Flora Fong com A.S.S.

flora.fong@hojemacau.com.mo

Aseguir a onda da enfermeira está o deputado Mak Soi Kun, igualmente defendendo a permanência da lista das Comissões exactamente como está. “Houve uma pequena mudança”, advertiu. O deputado alerta para o facto da 1.ª Comissão Permanente ter agora um novo secretário, Ma Chi Seng. No entanto, Mak Soi Kun vê nesta tendência estabilidade e não um lobby, já que a actual estrutura permite um debate mais homogéneo das leis.

“Sou deputado há mais de uma década e vejo que não existe mais do que um monopólio para favorecer algumas pessoas das comissões, fruto da troca de interesses e da colocação de pessoas-chave, pelo Governo nestas funções” Pereira Coutinho Deputado

Mak Soi Kun considera que se tratam de eleições justas pois contam com a participação de todos os deputados, dizendo mesmo que se baseia num sistema democrático. “Nenhum deputado pode dizer que isto não é feito de forma justa. Os presidentes são eleitos por todos os deputados e isto tem um carácter representativo”, disse. “Caso os cidadãos discordem deste sistema, podem dizê-lo”, questionando sobre se haverá um sistema melhor. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Governo responde a manifestação com estudos e revisões O Governo prometeu que vai estudar como solucionar a questão da falta de habitações públicas. Num comunicado que chega depois da manifestação que aconteceu no domingo, o Executivo explica que vai tomar as medidas que conseguir. “O Governo respeita, compreende e está atento [às reivindicações]. ‘Ter a sua própria residência, viver com felicidade e trabalhar com tranquilidade’ é aquilo que o Governo almeja para os residentes de Macau. Este objectivo sempre foi levado em linha de conta através das políticas de habitação”, começa por dizer em comunicado. “O Governo considerou sempre as questões relacionadas com a habitação da população e irá reforçar a construção do mecanismo a longo prazo referente às garantias de habitação. Esta questão será solucionada, dentro do possível, nomeadamente estudando a introdução de um novo tipo de habitação pública, de sorteio por grupos, acelerar o procedimento de construção de habitação pública e dar início à revisão da Lei de Habitação Económica e do Regime Jurídico da Habitação Social, dando assim mais um passo na recolha de opiniões e sugestões de diversos sectores de sociedade, aperfeiçoando a distribuição e o regime de gestão de habitação pública.”


política 5

hoje macau terça-feira 20.10.2015

Bitcoin Jason Chao quer saber se AMCM já legalizou sistema

Riqueza virtual

Jason Chao perguntou à AMCM se o uso da Bitcoin está regulamentado por lei. O activista fala de consequências negativas e positivas, como lavagem de dinheiro e um acesso mais fácil a compras online Novo Macau está relacionada com a conversão: “as Bitcoins podem ser cambiadas para patacas ou outras moedas sem a autorização da AMCM?”.

Arestas a limar

Jason Chao sublinha, no entanto, que há duas arestas a ser limadas. Por um lado, há que agir com cautela para perceber de que forma pode a utilização deste sistema aumentar o número de casos de corrupção. Contudo, Chao acredita que as BTC, se de uso regulamentado por lei,

podem satisfazer aquilo a que chama de “uma grande parte da população que se vê impossibilitada de fazer compras de formas não-tradicionais”. O conteúdo da carta enviada à AMCM é público e mais do que advogar pelo seu uso em Macau, o activista pede que lhe sejam dadas explicações sobre o actual estado do sistema. Em Março passado, o co-fundador e director executivo da BTC China, Bobby Lee, disse acreditar que o sistema vai revolucionar o mundo por

Pereira Coutinho rejeita acusações de Ho Iat Seng

Passaporte errado N ão chegou a ser eleito, mas a candidatura de José Pereira Coutinho à Assembleia da República (AR) continua a não ser consensual. Na sexta-feira, à margem da sessão plenária, o presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng disse que José Pereira Coutinho não cumpriu a Lei Básica ao candidatar-se pelo partido “Nós! Cidadãos”. Contactado pelo HM, o deputado do hemiciclo local negou as acusações de eventuais irregularidades cometidas aquando da sua candidatura às Legislativas portuguesas. Em declarações ao HM, deixou ainda um recado a Ho Iat Seng: “O presidente da AL, que recentemente se tem mostrado muito preocupado com o espírito de cumprimento da Lei Básica, devia ter a mesma preocupação com o cumprimento do Regimento quando os membros do Conselho Executivo, que também são deputados, membros do Conselho Consultivo da RPC e membros da Assembleia Popular Nacional da RPC, utilizam passaportes portugueses para viajar”, frisou.

Olhar para baixo

Hoje Macau

M

acau conta com uma série de máquinas de depósito e levantamento de dinheiro em formato Bitcoin (BTC), mas este é ainda um método pouco conhecido e pouco usado pela população. Jason Chao – desta vez a título individual – enviou ontem um email à Autoridade Monetária de Macau (AMCM), onde questionou a regulamentação por trás deste sistema no território. “Os negócios locais estão preparados para aceitar Bitcoins como forma de pagamento?”, questionou o activista. Em Hong Kong, este é já um método bastante utilizado, mas Chao argumenta que a legislação local sobre a utilização deste moeda foi pouco difundida, defendendo que é preciso esclarecer o assunto, uma vez que se trata de uma alternativa ao uso do Paypal, cuja utilização é proibida em Macau. Outra das questões do vice-presidente daAssociação

Pereira Coutinho defende que o cumprimento “rigoroso” dos valores da Lei Básica passa “por estas pessoas abdicarem deste passaporte e utilizarem o chinês”. Tudo isto, diz, devia estar escrito no Regimento. O deputado sugere mesmo a Ho Iat Seng que “olhe do seu pedestal para baixo” para perspectivar, “de forma mais integral” a sociedade, caso pretenda ser, em 2018, Chefe do Executivo. Segundo o Jornal Tribuna de Macau, que citou as declarações de Ho Iat Seng ao

potenciar a união de moeda em transacções. Mas especialmente na RAEM, aplicado à indústria do Jogo. “Macau é um destino internacional para o jogo na Ásia. A pataca não é amplamente reconhecida, nem muito popular fora de Macau. (...) A Bitcoin pode permitir aos viajantes e visitantes de Macau, especialmente para a indústria do Jogo, um meio de transferir os seus fundos, independentemente dos seus países de origem, para virem jogar nos casinos”, disse Bobby Lee. As estimativas do especialista falam de um milhão de pessoas na China que usam Bitcoins.

Como usar?

Uma pesquisa rápida na internet mostra que há vários postos de venda desta moeda, sendo a MoneyGram, a Western Union, a Perfect Money ou a OKPay algumas delas. O sistema de Bitcoin funciona como uma bolsa de valores e uma carteira virtual ao mesmo tempo. É feito um primeiro depósito com dinheiro de uma conta bancária normal numa conta de Bitcoin, onde o valor primeiramente introduzido pode sofrer oscilações de acordo com a procura desta moeda.

jornal Ou Mun, o presidente da AL disse que a postura de Pereira Coutinho não está de acordo com a Lei Básica, defendendo que os residentes locais com cargos no hemiciclo devem ser fiéis, em primeiro lugar, à RAEM, República Popular da China e Lei Básica de Macau. Ho Iat Seng acusou ainda Pereira Coutinho de desconhecer a mini-constituição de Macau, bem como o princípio “Um país, dois sistemas”. O presidente da AL confirmou ainda que deu indicações à Mesa da AL e Comissão de Regimento e Mandatos para explicarem aos deputados os artigos referentes a essa questão de forma clara, para que casos destes não se repitam no futuro. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

“Os negócios locais estão preparados para aceitar Bitcoins como forma de pagamento?” Jason Chao Vice-presidente da ANM

Ou seja, tal como numa bolsa, o valor monetário daquela conta pode ser hoje maior que ontem e vice-versa. O sistema serve também para pagamento de compras online, seja viagens, roupa e outros itens. Contudo, a popularidade pode não ser total. Em Janeiro passado, o jornal Macau Daily Times falou com o membro da equipa que actualiza o sistema de BTC, Mike Hearn. Foi o próprio especialista quem se chegou à frente para dizer que “o cenário mais plausível é que o sistema venha a conquistar um nicho apenas”. Quando confrontado com a fraca popularidade que o

sistema de BTC tem tido, Bobby Lee lembrou o fenómeno dos emails: “A maioria dos utilizadores só começou a usar o email dez anos após a sua criação, no final dos anos 1990. A maior parte das pessoas não tem Bitcoin ainda, mas, talvez nos próximos cinco a dez anos, esta venha a tornar-se mais popular”. O HM tentou perceber junto da AMCM qual a situação actual do sistema Bitcoin, mas não foi possível qualquer esclarecimento até ao fecho desta edição. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

CELESTE CAROLINA DE CARVALHO ANGELO FALECEU

É com muito pesar que os filhos, genro, noras e netos, bem como a restante família de Celeste Carolina de Carvalho Angelo, comunicam o falecimento deste seu ente querido no dia 15 de Outubro de 2015, realizando-se a missa de corpo presente e de 7º dia na Casa Mortuária Diocesana na Quarta-Feira, dia 21 de Outubro do corrente, pelas 20h, sendo o funeral na Quinta-Feira, dia 22 de Outubro, pelas 10h, no Cemitério de São Miguel Arcanjo de Macau. Agradecem todas as solidárias manifestações de condolências e estão especialmente gratos ao pessoal médico e de enfermagem do Hospital do Conde de São Januário, que dela cuidou com profissionalismo e afecto.


sociedade

Está quase tudo pronto e a CEM não quer mais a Central da Areia Preta, mas faltam relatórios de avaliação ambiental e desmontagens de geradores, que têm de ser feitos por concurso público

hoje macau terça-feira 20.10.2015

CEM Devolução do terreno da Central Térmica a caminho

Uma quase habitação pública tiago alcântara

6

A

Companhia de Electricidade de Macau (CEM) já está a elaborar o plano de mudança da central eléctrica localizada na Avenida Venceslau de Moraes, mas ainda não tem data para a entrega do terreno ao Governo. O lote onde actualmente se encontra a Central Térmica é um dos terrenos que faz parte do plano do Executivo para a construção de habitação pública, com cerca de mil fracções. Iun Iok Meng, porta-voz da Comissão Executiva da CEM, disse ao jornal Cheng Pou que já há dois anos a CEM tinha mostrado vontade de devolver o terreno ao Governo. Actualmente mantém contacto próximo, diz, sendo necessário entregar um plano de energia de longo prazo para o Governo. O responsável diz que falta também um

“Já começámos os trabalhos preliminares, mas tanto a avaliação ambiental como a desmontagem dos geradores a diesel precisam de ser feitos depois de aberto um concurso público” Iun Iok Meng Porta-voz da Comissão Executiva da CEM

Jogo Governo responde a Steve Wynn

Medidas são para cumprir O Governo emitiu um comunicado onde frisa ter tido um encontro com uma operadora de Jogo para reiterar que não há alterações nas políticas referentes ao jogo, nomeadamente na questão das mesas. No documento, onde o Executivo não menciona o nome da Wynn, mas apresenta uma foto com representantes da operadora. “O Governo mantém-se [quanto] às políticas já definidas e apoiadas por parte da sociedade e das operadoras envolvidas relativamente às áreas do jogo e do trabalho locais, afirmando que nunca as

mesmas podem ser alteradas de forma leviana”, começa por dizer o Executivo, “lamentando as opiniões reveladas em relação a essa matéria”. Steve Wynn criticou, na semana passada, o Governo, dizendo mesmo que “em 45 anos de ligação ao negócio dos casinos, nunca viu nada como aquilo que está acontecer em Macau” . Wynn considerou “irracional” a introdução por parte das autoridades de limites às mesas de jogo em novos resorts no território e que as operadoras só saibam quantas mesas poderão criar poucas semanas antes de abrirem os novos casinos.

O magnata e outros representantes de operadoras já tinham tecido anteriormente críticas ao assunto, desvalorizando a convicção do Governo em não autorizar mesas. Agora, o Governo vem dizer que a atribuição de mesas de jogo e de importação de trabalhadores não residentes “constitui um poder executivo legal” do Executivo. “Quanto aos pedidos para aumentar mesas de jogo, o Governo vai continuar a cumprir o princípio de a taxa média anual ser não superior aos 3% em relação ao crescimento do número de mesas de jogo nos próximos dez anos contados a partir de 2013”, escreve em comunicado, acrescentando ainda que “torna a exigir ao sector, especialmente à operadora [Wynn], a necessidade de conhecer [as leis] claramente e cumpri-las de forma integral”. J.F.

estudo sobre o impacto de avaliação ambiental, já que a Central Térmica possui vários geradores a diesel. Iun Iok Meng garantiu, contudo, que a Central Térmica da Venceslau de Moraes já não consta nos planos futuros da CEM. “Já começámos os trabalhos preliminares, mas tanto a avaliação ambiental como a desmontagem dos geradores a diesel precisam de ser feitos depois de aberto um concurso público. O tratamento das máquinas tem de ser planeado”, explicou. Quanto ao calendário da entrega, depende apenas do progresso dos trabalhos e da coordenação com o Executivo. Segundo o responsável, o contrato de exclusividade exige uma certa capacidade de gerar energia e enquanto a Central Térmica de Coloane não tiver mais autorizações, a central na Avenida Venceslau de Moraes continua a desempenhar “um papel principal” para a empresa. A questão deste terreno já decorre há vários anos, com a empresa a dizer em 2014 que iria desactivar a Central Térmica de Macau precisamente para que o terreno pudesse ser aproveitado para a construção de habitação pública. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Condução Falta de instrutores levanta suspeitas

O

número de instrutores de condução de motociclos não consegue acompanhar o aumento de interessados em tirar a carta, diz o director da Associação do Sector de Instrutores de Condução, Lau Wai Keong, que considera que existe falta de instrutores em Macau. Ao Jornal Ou Mun, um outro membro do sector – que preferiu não ser identificado – diz mesmo que a situação está a fazer com que existam instrutores que não estão licenciados para ensinar. “A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) já não abre cursos de formação de instrutores há dois ou três anos e uma parte dos formados não se dedica a este sector, o que com que haja falta de instrutores”, disse Lau Wai Keong. O Centro de Aprendizagem e Exames de Condução pode, por isso, estar a lidar com casos ilegais. “Surgiram recentemente instrutores que não têm licença, mas ensinam as pessoas a conduzir, as que estão a tirar a carta no Centro

de Aprendizagem e Exames de Condução, sobretudo às seis ou sete da tarde e nos fins-de-semana, quando os funcionários da DSAT saíram do trabalho”, cita o Ou Mun, acrescentando que o especialista do sector não considera justo que isso aconteça, tanto para os condutores com licença, como para os alunos. “Os instrutores ilegais estão a trabalhar às claras e há também câmaras de videovigilância no Centro, porque é que os funcionários não vêem o problema?” questionou. Lau Wai Keong não comenta sobre as ilegalidades, mas assegura que existem escolas que recrutam instrutores não residentes para ajudar no ensino de condução, algo que o responsável acha implicar um risco de segurança porque as regras de trânsito do interior da China são diferentes das de Macau. O HM tentou obter um comentário da DSAT sobre o assunto, mas devido à hora não foi possível obter resposta. F.F.

Imperial Palace Mais de 200 com salários em atraso

Mais de 30 funcionários do Hotel Imperial Palace, ex-New Century, manifestaram-se frente ao complexo, na Taipa, para reclamar os salários que dizem estar em atraso. Um funcionário do hotel, de apelido Lo, disse ao canal chinês da Rádio Macau existirem entre 200 a 300 funcionários locais e não residentes da zona de restauração e do casino a quem não têm sido pagos os salários. Uma parte deles, disse, não tem salário há oito meses. Lo criticou o atraso, referindo que é difícil sobreviver sem a remuneração, pelo que os funcionários já pediram ajuda à Direcção dos Serviços para Assuntos Laborais (DSAL) para mediar a questão.


sociedade 7

hoje macau terça-feira 20.10.2015

DSSOPT Moradores queixam-se de obra ilegal com 40 anos

Décadas fora da lei

Uma obra alegadamente ilegal que terá mais de 40 anos está, agora, a fazer ondas entre os habitantes de um edifício na zona norte. O espaço é público, mas está a ser arrendado para depósito de materiais

U

m edifício habitacional, localizado na Avenida Ouvidor Arriaga, terá alegadamente um espaço comum onde há 40 anos foi feita uma obra ilegal, que serve de espaço para depósito de materiais de construção. O local é arrendando e os moradores já apresentaram uma queixa à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) há três anos. Mas, até agora, nada foi feito. O caso foi denunciado pela edição de ontem do Jornal Exmoo, que revela que o espaço está completamente trancado. Ieng, moradora do edifício, afirmou que desde que comprou a casa, em 2009, descobriu que o espaço era ocupado e que só depois soube da existência de uma obra ilegal há quatro décadas. Ieng explicou que a obra pertence à proprietária da loja do rés-do-chão do edifício, a qual arrenda o espaço a uma empresa de construção para depositar os seus materiais. “Já houve moradores

que se queixaram à DSSOPT, mas até ao momento não fizeram nada”, apontou a moradora. O jornal Exmoo contactou a proprietária, que admitiu a existência de uma obra ilegal. “No início não queria que usassem o espaço como sala de lixo e que o tapassem com pranchas. Mas, já está ocupado há 40 anos, a DSSOPT não pode fazer nada”, frisou. Para o chefe da Comissão dos Trabalhos Prediais da União Geral das Associações de Moradores (Kaifong), Chen Son Meng, todas as obras ilegais podem causar infiltrações de água, esgotos entupidos e problemas de segurança. O responsável espera que a DSSOPT reforce as obrigações do dono quanto à futura demolição das obras ilegais. O HM tentou consultar a DSSOPT sobre o tratamento do caso, mas até ao fecho da edição não foi possível obter uma resposta. Flora Fong

Chefias ainda estão à espera S Tudo em aberto

Questionado pelos jornalistas se haveria alguma chefia que tivesse de assumir responsabilidades pelo sucedido, Lei Chin Ion reiterou que “só após os resultados da investiga-

Regime de Qualificação e Inscrição dos Profissionais de Saúde poderá vir a incluir, além das 15 já definidas, a Homeopatia como especialidade. O anúncio dos Serviços de Saúde, feito através de comunicado, refere que a redacção do documento final terá em conta a opinião da população, embora notando que esta especialidade não se encontra nos regimes de inscrição profissionais de Hong Kong nem Taiwan. “Lei Chin Ion salientou que a consulta sobre o Regime inclui neste momento apenas 15 profissões, contudo não elimina a eventual necessidade de integrar a homeopatia na consulta decorrente das sugestões provenientes da sociedade”, referem os SS. Outra das novidades é que o Conselho para os Assuntos Médicos está a analisar a eventualidade da futura inscrição dos finalistas do curso de Ciências de Técnicas Bio-Médicas

A

flora.fong@hojemacau.com.mo

encontra-se na fase de investigação e existem nos SS normas para lidar com documentos confidenciais que sempre foram aplicadas, mas há sempre possibilidade de melhorar os procedimentos. Esta investigação vai esclarecer o caso e se existem ou não problemas nos procedimentos quer sejam de supervisão ou de gestão”, frisou Lei Chin Ion, director dos SS, citado em comunicado.

O

do Instituto Politécnico de Macau, embora actualmente tal seja não seja permitido. “Os alunos que concluíram a licenciatura em Ciências de Técnicas Bio-Médicas do Instituto Politécnico de Macau não podem ser inscritos como farmacêuticos”, começa por referir o comunicado. “O Conselho neste momento encontra-se a analisar de forma pormenorizada as diversas opiniões e quando concluir a análise dará conta do respectivo conteúdo ao público”, continua o organismo. Lei Chin Ion sugeriu ainda, aos jovens com pretensões de ser farmacêuticos, que aguardem pela confirmação da abertura do primeiro curso de Farmácia da região, a ser ministrado pela Universidade de Ciência e Tecnologia. O referido regime esteve em consulta pública, sendo esta já uma fase posterior da qual os SS prevêem ter recebido mais de 60 mil opiniões de cidadãos.

DSPA Maior protecção costeira só após aprovação de gestão das águas

Hospital Funcionários transferidos por incidente com documentos

eis funcionários do Centro Hospitalar Conde de São Januário foram transferidos de serviço devido ao incidente com os documentos oficiais de pacientes. De acordo com um comunicado do Governo, ainda está a ser feita uma investigação sobre quem poderá mais ser responsabilizado, nomeadamente na parte das chefias, mas estes “supostamente” envolvidos já saíram da posição que ocupavam. “Os seis trabalhadores supostamente envolvidos foram transferidos para outros serviços, de modo a que não tenham contacto com documentos confidenciais”, começam por indicar os Serviços de Saúde (SS). “O caso

Homeopatia Ponderada especialidade

ção é que podem ser tiradas ilações sobre o sucedido” e que, de momento, “não vai eliminar quaisquer eventuais possibilidades”. O incidente ocorreu depois de os papéis não terem sido destruídos ou colocados num saco especial. Foram, ao invés disso, colocados num saco preto do lixo comum e transportados por um camião do lixo, tendo voado deste e ficado na rua. De acordo com os SS, seriam todos requisições de análises. Agora, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, pediu aos SS para apresentarem um relatório que tem de ser entregue daqui a cerca de 25 dias. J.F.

Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) anunciou que vai limpar o lodo poluente da zona costeira e alargar a estação de tratamento de águas residuais. A tarefa, no entanto, só poderá seguir em frente quando for garantida a gestão das águas pelo Governo local. “Quando o Governo Central confirmar a jurisdição das águas de Macau, o Governo de Macau vai melhorar o regime jurídico sobre o planeamento e protecção ambiental das águas”, anunciou o director da DSPA, Vai Hoi Ieong, numa resposta a uma interpelação escrita de Kwan Tsui Hang. Vai Hoi Ieong admitiu que a acumulação de lodo e as obras da Zona A dos novos aterros e da ponte que liga Hong Kong a Macau e a Zhuhai influenciaram prejudicialmente o

ambiente costeiro de Macau. Mas Vai Hoi Ieong defende que a DSPA está a acompanhar activamente as medidas de melhoria da poluição da costa regional. O responsável afirmou que a questão da poluição envolve diversos factores e a limpeza da zona lodosa foi decidida através de uma análise feita por um grupo interdepartamental. Em cima da mesa está ainda a expansão da Estação de Tratamento de Águas Residuais da Península de Macau e eliminação de bombas poluentes de água. A DSPA quer ainda encomendar a uma instituição de investigação um estudo que sirva de base para a elaboração de medidas de melhoria do ambiente costeiro. Este deverá considerar as características, a construção de infra-estruturas e a futura gestão das águas. F.F.


8

eventos

Centro UNESCO acolhe mostra de fotografia de Kong Iu Lam

O

Centro UNESCO vai receber uma exposição do fotógrafo local Kong Iu Lam, intitulada “Imagens no Espaço e no Tempo”, com inauguração prevista para as 18h30 de hoje, na sala de exposições do Centro. A mostra é organizada pela Fundação Macau e está integrada no projecto de Promoção de Artistas de Macau, ficando patente no mesmo local até ao próximo dia 28. Expostas estarão 90 fotografias tiradas pelo residente, na sua maioria dando primazia à “curiosidade pela vida” e amor que tem à terra-natal. A cerimónia de inauguração inclui o lançamento de um livro com obras do autor. “Através da sua fotografia, são-nos reveladas paisagens lindas e figuras características dos sítios que

visita que rebentam com as limitações temporais e espaciais, de uma forma eterna”, explica a organização em comunicado. Sendo um homem viajado, Kong já palmilhou a China e gosta de locais exóticos. A exposição tem entrada gratuita e está aberta ao público diariamente, das 10h00 às 19h00. A galeria situa-se na Avenida Carlos D’Assumpção, nos NAPE. Uma das mais recentes mostras do seu trabalho teve lugar no Instituto de Formação Turística, que organizou uma exposição colectiva com fotografias de Macau antiga por vários autores. Todos eles são residentes e têm um longo percurso no mundo da fotografia, pertencendo a clubes e associações de fomento à actividade.

Studio City Mariah Carey, Aaron Kwok e SISTAR na abertura

O Macau Studio City abre na próxima semana e já revelou quem são os artistas que vão estar presentes na cerimónia de abertura, marcada para dia 27. Mariah Carey, Aaron Kwok e a banda SISTAR são os convidados de honra. A diva da Pop abre o concerto de celebração após a cerimónia do tapete vermelho, ao lado do “rei da dança asiático” e da banda-sensação de KPop. “A abertura do Studio City é um evento global que vai centrar atenções em Macau e criar ondas em toda a região. Então, qual a melhor forma de começar o espectáculo do que com estes três artistas de renome?”, frisou JD Clayton, presidente do complexo. A cerimónia começa às 18h00.

Exposição Design e Arquitectura na Rua das Lorchas até Novembro

A exposição do concurso de Design e Arquitectura da Associação de Arquitectos de Macau e pelo Centro de Arquitectura e Urbanismo (CURB na sigla inglesa) arrancou ontem na Ponte 9 da Rua das Lorchas e encerra a 2 de Novembro. A iniciativa foi organizada pela duas entidades que se têm dedicado a actividades relacionadas com o espaço urbano. A mostra é composta por 14 projectos, incluindo todos os trabalhos submetidos no concurso, “pretendendo sublinhar o papel de concursos de Design de Arquitectura enquanto método preferencial para a promoção do debate e da melhoria da arquitectura em Macau”, refere a organização. A exposição tem entrada gratuita e está aberta das 14h30 às 19h00, de segunda-feira a sábado no mesmo local. Esta conta com o apoio da Plataforma Criativa Ponte 9.

hoje macau terça-

MAM Obras de Zhou Chunya em exposição até Janeiro de 2016

Um clássico contem

O

Museu de Arte de Macau apresenta até ao próximo ano as novas obras de Zhou Chunya, um dos maiores artistas contemporâneos da China. Com inauguração na sexta-feira, a mostra “Zhou Chunya – Novas Obras 2015” apresenta pinturas que beberam do clássico. “As suas obras revelam um amor pela cultura tradicional e pelo jardim clássico, constituindo também uma tentativa de experimentar a sensibilidade estética chinesa num mundo caótico. Além de uma busca de autenticidade, as suas pinturas regressam ao princípio através de uma transgressão de fronteiras desconhecidas”, explica a organização.

“A sua criatividade combina a tradição chinesa e a paixão ocidental por uma arte com distintas características individuais” Patente até ao dia 3 de Janeiro, das 10h00 às 19h00, exposição compreende 12 pinturas a óleo e uma escultura de bronze pintado, num total de 13 peças do artista. Todas as pinturas a óleo são peças novas, criadas especificamente para esta exposição no MAM.

Mestre da cor

Nos círculos de arte contemporânea chinesa, Zhou destaca-se pela sua mestria no uso da cor, sendo uma das

À venda na Livraria Portuguesa A Cor das Cerejeiras • António Graça de Abreu

António Graça de Abreu, tendo por base os haiku, poemas curtos nascidos no Japão, convida-nos a viajar pela melodia das palavras, a divertirmo-nos e a deixarmo-nos seduzir pela graciosidade da sua poesia que nos mostra a diferença entre o vulgar e o raro, entre o trivial e o transcendente. Segundo palavras do autor, os poemas reunidos neste livro foram “compostos no silêncio, no fluir das estações do ano, após a suave ou agitada exaltação do corpo, no deslumbramento de caminhadas por muitos e sinuosos atalhos do mundo, como pequenos poemas de circunstância, quase sempre fruto da espontaneidade no abrir das palavras.

características do seu trabalho o uso de “uma palete pouco habitual e não-naturalista”. O artista nasceu em 1955, durante os primeiros anos da RPC, numa altura de grande

agitação social. Desde a infância, experimentou uma série de movimentos e impactos de natureza política, filosófica, cultural e artística. Na década de 1980, decidiu partir para a

Alemanha e aí prosseguir os seus estudos procurando um corte com a tradição e buscando novas formas artísticas. “Alimentado pelo neo-expressionismo germânico,

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Cidade Proibida • Eduardo Pitta

«Em “Cidade Proibida” deparamos com um fresco ao mesmo tempo minucioso, cruel e desencantado da sociedade portuguesa contemporânea. [...] Não tenho dúvidas aliás de que Cidade Proibida, se Pitta fosse inglês, seria facilmente candidato ao Booker. Mas será que teria (ou terá) hipóteses, em Portugal, de ganhar um merecido prémio da APE?» – José Mário Silva, Diário de Notícias.


eventos 9

-feira 20.10.2015

mporâneo

Lisboa Cinema Mundial vai reabrir como centro cultural

O

antigo cinema Mundial, em Lisboa, encerrado em 2004, vai reabrir no início do próximo ano, mas como centro cultural e empresarial, disse à Lusa o mentor do projecto, o actor Paulo Matos. “Vai ser um multifacetado e um grande centro cultural e empresarial, porque aqui vão acontecer muitos encontros empresariais (congressos, reuniões), mas também todo o tipo de actividade artística ligada sobretudo à língua portuguesa”, adiantou Paulo Matos, em declarações à agência Lusa. Até ao final do ano “inicia-se a primeira fase de obras”, que deverá estar concluída “no primeiro trimestre de 2016”, no início do ano logo, e o espaço começa a funcionar”. A primeira fase de obras no edifício da Rua Martens Ferrão, na zona de Picoas, passa pela renovação da fachada. Esta renovação “é necessária por dois motivos: porque as

regras de utilização do espaço o exigem - é preciso que os acessos cumpram determinados requisitos - e porque a fachada será imediatamente um novo impacto - uma cor diferente, um ar diferente, uma renovação integral”. Do tempo em que era cinema ficaram três salas – uma no piso da entrada e duas no -1, piso onde há ainda uma outra

sala e um bar. No primeiro piso há uma varanda e uma ‘mezzanine’. O edifício tem uma outra cave, no -2, onde funcionou uma discoteca. Ao longo do próximo ano “é preciso [fazer] outras obras para melhorar outras coisas, como por exemplo a sala de espectáculos e três pequenos estúdios em baixo, para serem multifuncionais, para poderem

ser espaços de reunião, mas ao mesmo tempo de formação, para pequenos espectáculos, para cinema”. “Essas são a segunda e terceira fases, que vão acontecendo ao longo do ano, conforme os capitais” disponíveis, disse Paulo Matos. “É uma área muito grande” e, por isso, “terá vários ambientes”, alertou o actor.

Pinturas de Lai Ming para celebrar arte de Lingnan

Sonho de aprendiz que hoje é mestre A

Zhou deu início a uma série de reflexões críticas sobre a pintura tradicional, que enriquece o seu tratamento dos temas, assim como a sua forma e linguagem. A sua criatividade combina a tradição chinesa e a paixão ocidental por uma arte com distintas características individuais”, explica o MAM, que acrescenta que o artista tem “uma visão extraordinária e um estilo audacioso e pleno de humor”, algo que o fez atingir uma posição destacada no meio artístico contemporâneo. Organizada também pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e pelo

Instituto Cultural, a exposição representa ainda a inspiração de Zhou nas obras dos quatro Wangse dos quatro monges (pinturas de século XVII e do sec XVIII China) , usando referências dos símbolos, temas e técnicas tradicionais chinesas. “Ao representar pedras do lago Taihu, torres e terraços, árvores e ramos, flores e outras cenas, Zhou tentou encontrar uma via entre a arte ocidental e a arte chinesa tradicional, procurando ao mesmo tempo distinguir-se das duas.” A entrada custa cinco patacas, tendo entrada livre aos domingos e feriados.

Arte da Escola de Lingnan vai estar em foco numa mostra que inaugura às 18h30 de hoje, no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau, junto ao Museu de Arte de Macau (MAM). A exposição contém “belas obras” do pintor, como promete a organização. Lai Ming nasceu em Macau, contado neste momento com 87 anos. Esta é a segunda exposição individual que faz no território, depois de vários anos a mostrar o seu trabalho mundo fora, incluindo Hong Kong, China, Taiwan, Europa, EUA e Japão. “Macau é a terra natal de Lai Ming e há algum tempo que o artista deseja organizar uma grande exposição na sua terra, para mostrar o seu trabalho a um público apreciador e, na verdade, realizar o antigo sonho de presentear com a sua arte o público da sua Macau materna”, escreveu o MAM numa nota de apresentação da mostra. Foi também em Macau que Lai Ming iniciou a sua carreira de artista, onde conheceu Gao Jianfu, tendo “a sorte” de integrar a Academia de Arte Chunshui. O nome

que utiliza é, por assim dizer, uma nomenclatura artística, já que significa “orgulho de Lingnan”, o estilo de pintura chinesa que seguiu. “Lai acompanhou o mestre Gao durante muitos anos, aprendendo sempre mais

com ele e coleccionando os desenhos que este lhe oferecia”, conta a organização. O MAM considera que Lai Ming é “exímio” na pintura, principalmente de figuras animais como pássaros. Também as paisagens estão muito

presentes na sua colecção, através do uso de “técnicas cromáticas”. A mostra está patente no Museu até 6 de Dezembro e pode ser vista das 10h00 às 19h00. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


10 publicidade

hoje macau terça-feira 20.10.2015

HM 2ª Vez 20-10-2015 ACÇÃO ORDINÁRIA

Anúncio

Anúncio HM 2ª Vez 20-10-2015

Processo n.º CV1-15-0007-CAO

1º. Juízo Cível

AUTOR: THE HONGKONG AND SHANGHAI BANKING CORPORATION LIMITED, com sede em Queens´s Road, Central, 1, Victoria, Hong Kong e sucursal em Macau, na Av.ª da Praia Grande, n.º 639, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o n.º 587 (SO).------------------------------------------------------------------------------RÉU: SOU WENG CHIO, divorciado, titular do BIR n.º 5xxx239(x), com última residência conhecida em Macau, no Beco da Boa Vista n.º 29, Edf. Kou Hou, 3.º andar A, ora ausente em parte incerta.-------------------------------------------------------------------------------------------

Proc. Ordinário de Execução

n.º CV3-14-0143-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: Banco Industrial e Comercial da China (Macau) S.A. (中國工商銀行(澳門) 股份有限公司), com sede em Macau na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. EXECUTADO: CHAN I TAK (陳以德), masculino, residente em Macau na Estrada Nova de Hac Sá, nº 181-E, Complexo Hellene Garden – Wealthy Villa Lot 6, Tower V (Hibiscus Court) 6º andar J.

***

***

A Mm.ª juiz, do 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M.---------------- FAZ SABER que, por este Juízo e Tribunal, correm éditos de TRINTA (30) DIAS, contados da segunda e última publicação do respectivo anúncio, CITANDO o Réu SOU WENG CHIO, acima identificado, para no prazo de TRINTA (30) DIAS, contestar, querendo, a Acção Ordinária, acima identificada, conforme tudo melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram neste 1.º Juízo Cível à sua disposição e que poderão ser levantados nesta secretaria, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Se não contestar, não se consideram reconhecidos os factos articulados pela Autora.------------------------------------------------------------------------- Consigna-se que é obrigatória a constituição de advogado, no caso de querer contestar.-------------------------------------------------------------------------------------------------- Em síntese, a Autora, pede que a acção seja julgada procedente por provada e, em consequência ser o Réu condenado a pagar à Autora a quantia de MOP$100.966,48, acrescido de juros de mora vincendos à taxa legal de 11,75% ao ano, até integral e efectivo pagamento.------------------------------------------------------------------------------------------------ Caso o citando pretenda beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverão dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, 1.º andar, Macau, para apresentar seu pedido, sendo que poderão pedir esclarecimentos através do telefone n.º 2853 3540 ou correio electrónico info@ caj.gov.mo.------------------------------------------------------------------------------------------------ Para o efeito, terão de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro.----------------------------------------------------

Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte:

***** R.A.E.M., 12 de Outubro de 2015 ***

Imóveis penhorados Denominação: 6º andar “I6”. Situação: Estrada Nova de Hac-Sa, nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões, nºs 190-J a 190-S. Fim: Para habitação. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22632 a fls. 145 do Livro B71K. Sujeito Activo: Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., com Inscrição nº 128253C. Denominação: 6º andar “J6”. Situação: Estrada Nova de Hac-Sa, nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões, nº 190-J a 190-S. Fim: Para habitação. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22632 a fls. 145 do Livro B71K. Sujeito Activo: Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., com Inscrição nºs 118477C e 150837C.

Macau, 8 de Outubro de 2015.

Assine-o Telefone 28752401 | Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo


china

hoje macau terça-feira 20.10.2015

O

Presidente da China, Xi Jinping, iniciou ontem uma visita oficial ao Reino Unido, numa viagem encarada em Pequim como o começo de uma “era dourada” nas relações com um dos principais aliados dos Estados Unidos. A visita ocorre após o país europeu se ter tornado a primeira nação ocidental a solicitar a adesão ao Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (BAII), uma instituição financeira internacional proposta pela China. A decisão, que levou Washington a manifestar publicamente o seu desagrado, acabou por ser replicada por mais de vinte países fora da Ásia, da Austrália à Alemanha, incluindo Portugal. “De certa forma, esta visita de Estado é um gesto de agradecimento ao Reino Unido por ter feito a escolha certa”, disse Gao Zhikai à agência Lusa em Pequim. O BAII é visto como uma reacção do Governo chinês ao que considera o domínio norte-americano e europeu em instituições globais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. “A China entendeu que afinal Londres não é um fantoche dos EUA, mas que pode decidir por si”, explicou Gao. Para o analista “se o Reino Unido dialoga de igual para igual com a China e beneficia dessa relação, os Estados Unidos irão eventualmente seguir o mesmo caminho”. Antigo intérprete de Deng Xiaoping, formado em língua inglesa e com um mestrado em Ciências Políticas na Universidade de Yale, Gao Zhikai, 53 anos,

Xi Jinping inicia visita oficial ao Reino Unido

O ministro inglês anunciou ainda um plano para interligar as bolsas de valores de Xangai, a principal praça financeira da China, e a de Londres.

Relações douradas

“A relação com a China é muito positiva para a economia britânica. Xi Jinping deverá anunciar grandes investimentos esta semana” Gao Zhikai, analista e comentador da televisão chinesa

é um dos mais conhecidos comentadores da televisão chinesa.

Destino único

Esta trata-se também de uma das raras visitas à Europa de um chefe de Estado chinês, tendo como destino um único país - da última vez que se deslocou ao ‘velho continente’, Xi visitou a

Bélgica, Alemanha, França e Holanda. Apesar da tensão e aberta animosidade registadas na década de 1990 acerca de Hong Kong - e da histórica “humilhação” causada pela sempre lembrada Guerra do Ópio - o Reino Unido é hoje o principal destino do investimento chinês na Europa.

É também “o aliado mais próximo dos EUA”. No mês passado, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e o ministro da Economia britânico, George Osborne, assinaram 53 acordos, em Pequim, prevendo a utilização da “City” londrina como ponte para a internacionalização da moeda chinesa, o yuan.

“O Reino Unido precisa de continuar a inovar o seu sector financeiro. Esse julgo que é o motivo que leva Londres a promover tão activamente as relações com a China”, afirmou Gao Zhikai. Na calha estão também projectos de grande envergadura, como a construção de uma central nuclear, a primeira desenhada e operada pela China em solo ocidental, e linhas ferroviárias de alta velocidade. No primeiro semestre do ano, o número de turistas chineses a visitar o país europeu atingiu um recorde de 90.000, um crescimento homólogo de 28%, segundo dados oficiais. “A relação com a China é muito positiva para a economia britânica”, realçou Gao, acrescentando que “Xi Jinping deverá anunciar grandes investimentos esta semana”.

OMS pede a Pequim para adoptar lei anti-tabaco

M

ais de um milhão de pessoas morrem anualmente na China por doenças relacionadas com o tabaco, número que pode triplicar em 2050, segundo a Organização Mundial de Saúde, que pede a Pequim para avançar com uma lei anti-tabaco. Segundo um relatório ontem publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma lei nacional global contra o tabaco pode proteger os 1.340 milhões de cidadãos chineses dos danos do fumo em segunda mão. “O vício do tabaco na China vai custar caro à saúde, à sociedade e à

economia. E os fumadores chineses não se estão apenas a prejudicar a si mesmos, mas também os seus amigos, a sua família, e todos os que os rodeiam”, destaca Bernhard Schwartländer, representante da OMS na China. Segundo Schwartländer, “os rácios de exposição ao fumo passivo são extremamente elevados no país, com consequências devastadoras para os afectados”. Um estudo publicado este mês pela revista científica “The Lancet” assinala que um em cada três homens chineses com menos de 20 anos corre

11

Produção industrial sobe 5,7% em Setembro

O crescimento da produção industrial da China, que mede o rendimento das fábricas e minas no país, fixou-se nos 5,7% em Setembro, face ao mesmo mês do ano passado, e abaixo dos 6,1% registados em Agosto. As vendas a retalho, um índice chave para medir os níveis de consumo, subiu 10,9%, em termos homólogos, indicou o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. O investimento em activos fixos, que calcula as despesas do Governo em infra-estruturas, cresceu 10,3%, entre Janeiro e Setembro, comparando ao mesmo período do ano anterior, segundo a mesma fonte.

Economia cresceu 6,9% no terceiro trimestre

A economia chinesa cresceu 6,9% no terceiro trimestre de 2015 em comparação com o mesmo período do ano passado, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas da China. Entre Junho e Setembro deste ano, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês caiu 0,1%, face à taxa registada no trimestre anterior, de 7%, indicou a mesma fonte. Comparando com igual período do ano anterior, o crescimento da economia chinesa no terceiro trimestre de 2015 abrandou 0,5 pontos percentuais. A média deste semestre coincide, contudo, com a meta preconizada pelo governo chinês para o conjunto do ano, “cerca de 7%”, o valor mais baixo do último quarto de século.

risco de morrer de forma prematura se não deixar de fumar. A organização pede a intervenção do Governo, depois de ter sido implementada a primeira lei anti-tabaco em Pequim, que proíbe que se fume em espaços fechados como restaurantes. “A lei em Pequim é um exemplo para o resto da China. Apesar de se terem implementado políticas anti-tabaco noutras cidades chinesas, não foram aplicadas devidamente. Precisamos de leis mais duras, que se apliquem de forma eficaz, e de campanhas massivas para educar a população”, destacou Xiaofeng Liang, do Centro de Prevenção e Controlo da Doença chinês.


h

hoje macau terça-feira 20.10.2015

artes, letras e ideias

12

luz de inverno

Boi Luxo

A propósito de alguns filmes africanos II

E

stas linhas continuam umas que se dispensaram a semana passada sobre alguns filmes africanos francófonos. Falou-se de alguns filmes de Ousmane Sembene e de alguns filmes africanos dos anos 80 que recolheram, à altura, merecido favor internacional. Filmes como Yeelen e Yaaba ajudaram a fixar uma imagem rural e tribal do cinema africano. Vários filmes senegaleses dos anos 60 e 70 ajudam-nos a perceber, através das suas sedutoras histórias urbanas, que, felizmente, nem sempre assim é. Eu gosto particularmente de um filme senegalês de 1973, Touki Bouki, de Djibril Diop Mambéty. Nele encontramos, como em Xala (de Ousmane Sembene) o à-vontade de quem sabe, com impecável segurança, demonstrar uma forte crítica ao modo de funcionamento do país e a situações pessoais através de um tom sarcástico e superficialmente despreocupado. Apenas um nível elevado de sofisticação satírica permite esta adequação de um tom humorístico e auto-crítico a este tipo de matérias. O distanciamento irónico de Touki Bouki não é muito diferente do que Ousmane usa com habilidade em Xala e Mandabi e afasta-se da imagem tribal e rural que se veio a associar ao cinema africano. A trama é simples. Um casal tenta reunir dinheiro para poder emigrar para Paris. É impossível não estender a Mory e Anta, os arrogantes heróis desta história, todo o nosso apoio e simpatia. As-

sim como Xala, este é um filme urbano e gingão, excelente exemplo de como o cinema africano desta altura não merece o paternalismo e a condescendência com que foi tratado quando, nos anos 80, se tornou mais conhecido. Apetece pensar que quem viu este cinema não conhecia o que se passara nos anos 60 e 70. Mais ousado narrativamente é o curto (56 min.) Badou Boy (bad boy), de 1970, também de Djibril Diop Mambéty. O genérico não engana, estamos perante um objecto do tempo, uma espécie de documentário/ficção nouvelle vague onde o protagonista é um rapaz de rua em fuga de um polícia obeso e bonacheirão. Estamos igualmente longe de uma história lamechas sobre um rapazinho pobre, o tom é agressivo, urbano e cool. Outra metragem curta de Mambéty é a comovente La Petite Vendeuse de Soleil, de 1999, o seu último filme, pouco mais de 40 minutos de retrato de um cidade confusa e cheia de animação e sol. A mistura das linhas urbanas de cor e de som de La Petite Vendeuse de Soleil, agressiva, serve de lição a algum cinema de boas intenções mas murcho que hoje se pratica. Sili, a rapariga que protagoniza a história, comove e causa afecto. É parecido, no seu programa, com Badou Boy, e excita no espectador não a pena mas uma admiração firme e combativa. Trata-se assim de uma história que rejeita a imobilização resultante da mera compaixão mas que promove, ao invés, um impulso criativo activo. Sili é uma pequena pedinte, aleijada, de cerca de 10 anos, que é hostilizada por

um grupo de rapazes que vendem jornais. Sili impõe-se dedicando-se corajosamente à mesma actividade que eles. La Petite Vendeuse de Soleil (Soleil é o nome do jornal) causa uma disposição activa e revolucionária. O realizador maliano Abderrahmane Sissako realizou 2 filmes, respectivamente de 2006 e 2014, Bamako e Timbuktu, que interessam a estas linhas porque são exemplos de dois filmes africanos que alcançaram reconhecimento internacional recentemente. Pode-se dizer-se sem grande erro - continuando um propósito mais bondoso que académico - que ver os filmes dos dois realizadores senegaleses aqui admirados, Ousmane Sembene e Djibril Diop Mambéty, dos dois malianos Abderrahmane Sissako* e Souleymane Cissé e do burquinense Idrissa Ouedraogo, constitui uma introdução fértil ao pouco conhecido cinema africano.** Bamako é uma engenhosa encenação. Um filme genial na construção que se atinge, de um discurso em que paralelamente se faz desfilar um conjunto de acções e magníficos rostos locais e um tribunal contra o sistema que perpetua no Mali, e em África em geral, a fome, a pobreza e a corrupção. Os culpados são o F.M.I., o Banco Mundial, a Dívida e George Bush, mas também a administração local. É uma queixa exemplar, cujo grito se compõe tanto dos argumentos apresentados em tribunal como de gestos do quotidiano. O engenho consiste na forma como se fundem.

Os medos ocidentais da emigração e do terrorismo e a morte e exploração de inocentes são também temas deste tribunal. Bamako causa uma disposição ousada e excitante. Timbuktu está muito bem embrulhado, as paisagens são bonitas (na Mauritânea?) e a indignação que se pretende promover cresce sem grandes violências mas com firmeza. No entanto, não mostra uma construção surpreendente, como acontece com Bamako e é, assim, mais esquecível. Elogie-se a recusa de cair na tentação de estender a apresentação do absurdo a um nível que entre em choque com o tom suave do filme. Permanece em Timbuktu (penso em Bamako) uma sensibilidade aguda no retrato das emoções e das acções simples do quotidiano, mas confesse-se que, conhecendo Bamako, esperava um filme mais ousado e mais surpreendente e não um que se pode fundir num gosto internacional giro. Estou certo que são muito os defensores deste filme bondoso e de ousadias tonais. Timbuktu causa uma disposição contemplativa e amolecida, longe da combatividade que Bamako promove. * Abderrahmane Sissako nasceu na Mauritânia e emigrou cedo para o Mali. Vive em França. O filme, Timbuktu, é considerado mauritâneo. ** O autor destas linhas não desconhece o fenómeno Nollywood mas sobre ele não sabe discorrer. A Nigéria é, depois da Índia, o segundo produtor mundial de filmes.


( F ) utilidades

hoje macau terça-feira 20.10.2015

tempo

muito

?

nublado

min

21

max

28

hum

45-80%

•

euro

9.04

baht

0.22

Cineteatro

O que fazer esta semana

13

yuan

1.25

Cinema

Crimson Peak Sala 1

14.30, 16.45, 21.30

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 14.15, 16.45,19.15, 21.45

The intern [b]

Our times [b]

Filme de: Nancy Meyers Com: Anne Hathaway Robert De Niro 19.15 Sala 3

crimson peak [C]

Sala 2

The Walk [B]

Filme de: Robert Zemeckis Com: Joseph Gordan Levitt, Ben Kingsley, Charlotte le Bon

Filme de: Guillermo Toro Com:Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston 14.30, 16.45,19.15, 21.30

Hoje Concertos de Virgem Suta, Massukos, D’Voices Talik Murak Largo do Senado, 18h30 às 22h00 Entrada gratuita Peça “Babalú” (Timor Leste) Teatro D. Pedro V, 20h30 Entrada livre

Amanhã

Concertos de Binhan Quimor & Star Candinha, Versatyle, Mezô Dance Largo do Senado, 18h30 às 22h00 Entrada gratuita Peça “A Cavaqueira do Poste” (Moçambique) Teatro D. Pedro V, 20h30 Entrada livre

Quinta-feira

Aconteceu Hoje

Exposição de Arte Contemporânea de Lai Sio Kit, Eric Fok e Bunny Weng Residência Consular, 17h00 (até 08/11) Entrada gratuita

Senna três vezes campeão

Exposição de Arte Contemporânea de Alex da Silva Galeria Ho Hin, Clube Militar, 19h00 (até 08/11) Entrada gratuita

Diariamente

“Sabores do Mundo” dos Países de Língua Portuguesa (até 21/10) Restaurante Tromba Rija, Torre de Macau

Feira de Artesanato de Guangdong, China e dos Países de Língua Portuguesa (16 a 21/10) Feira do Carmo Entrada gratuita Oktoberfest (até 25/10) MGM Macau Bilhetes a 130 patacas com direito a uma bebida Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas Exposição “Suspensão”, de Hoi Chong (até 31 outubro) Creative Macau Entrada livre Exposição “A Arte da Ilustração em Macau e Portugal” Fundação Rui Cunha Entrada livre World Press Photo Casa Garden Entrada livre

20 de outubro

U m a s é r i e ho j e “Hawaii Five-0” (Leonard Freeman, Alex Kurtzman, Peter M. Lenkov, Roberto Orci) O reviver de uma série que se tornou famosa nos anos 70/80 e que traça o quotidiano dos agentes McGarrett, Chin Ho Kelly, Danny “Danno” Williams e Kono Kalakaua do Hawaii Five-O. Cheio de humor e histórias interessantes, “Hawaii Five-0” é uma série excelente para um final de dia ou um fim-de-semana de chuva, para quem gosta de crimes e investigações e bons actores. Joana Freitas

• A 20 de Outubro de 1991, Ayrton Senna vence pela terceira vez o Campeonato Mundial de F1. Ayrton Senna da Silva igualaria, assim, Nélson Piquet e seria mais um tri-campeão mundial de Fórmula1. Foi no circuito de Suzuka, no Japão, que Ayrton Senna disputava o título da temporada com Nigel Mansell, da Williams, que na décima volta, abandonou a prova. O piloto brasileiro foi ainda vice-campeão no controverso campeonato de 1989 e em 1993. Morreu num acidente no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, durante o Grande Prémio de San Marino de 1994. Está entre os pilotos de Fórmula 1 mais influentes e bem-sucedidos da era moderna e é considerado um dos maiores pilotos da história do desporto. Em 2012, foi eleito pela BBC o melhor piloto de todos os tempos. Senna começou a sua carreira competindo por kart, onde era conhecido como “42”, número que utilizou nos campeonatos nacionais. Mudou-se para competições de automobilismo em 1981. Venceu em Macau e quando facturou o terceiro título mundial tornou-se o piloto mais jovem a conquistar um tri-campeonato na Fórmula 1, façanha que foi mantida até o final da temporada de 2012, quando Sebastian Vettel chegou ao tri-campeonato vencendo por três anos consecutivos. Ayrton já conduzia aos nove anos dentro das propriedades rurais do pai. Neste dia, em 1998, Fidel Castro, presidente de Cuba, admitiu ter mandado agentes secretos aos Estados Unidos para espiar grupos contra-revolucionários.

fonte da inveja

A verdadeira pintura é um mistério para o próprio pintor.

João Corvo


14

opinião

hoje macau terça-feira 20.10.2015

Arnaldo Gonçalves

crepúsculo dos ídolos

N

o longo processo de apuramento dos resultados eleitorais das recentes eleições legislativas impõe-se um comentário focado nos círculos da emigração e em Macau. Não que os resultados determinem uma mudança de orientação ideológica dos eleitores mas apresentam algumas distorções das regras eleitorais que importaria de futuro remediar e acautelar. Os dados são claros. A Coligação obteve 43,95% dos votos da emigração elegendo os deputados José Cesário, Carlos Gonçalves e Carlos Páscoa, o PS recolheu 20.01% e elegeu Paulo Pisco. Já quanto ao Círculo Fora da Europa, Pereira Coutinho venceu com 2532 votos, seguindo-se a Coligação PSD-PP com 214, o PS com 97, a CDU com 27, o Bloco de Esquerda com 30. Qual a leitura que estes resultados sugerem? Três apontamentos. Em primeiro lugar, como havia anunciado vendo frustrada a possibilidade de se candidatar por um dos dois partidos do arco da governabilidade, Pereira Coutinho fez-se apadrinhar por uma força política que o ‘levou à boleia’ potenciando as aptidões de mobilização do deputado macaense. O partido ‘Nós Cidadãos’ foi o que se prestou a esse papel e a votação em Coutinho representa parte significativa da votação num partido cujas escolhas ideológicas são obscuras e que recolheu apenas 0.8% dos votos expressos nas urnas(21 000). Ainda assim abaixo do PNR, partido da extrema-direita que chegou a ser falado como o ‘chapéu eleitoral’ de Coutinho e que recolheu 27 000 votos. Os resultados mostram que a sua táctica foi ganhadora e que ele é um ‘brand name’ em que certos grupos de eleitores votam independentemente da mensagem programática e dos objectivos das eleições. Em segundo lugar, os resultados revelam um enfraquecimento significativo da capacidade de mobilização das secções do PSD e do PS em Macau que não lograram convencer o seu eleitorado tradicional a deslocar-se às urnas de votos. Trata-se de uma derrota dos presidentes destas secções partidárias. Antevisível, segundo alguns, mas que mostra que o trabalho político no círculo da emigração fora da Europa foi nulo ou inexistente e que há muito por fazer para reconciliar a comunidade da diáspora com a vida política na metrópole e com o debate das alternativas que se colocam periodicamente aos eleitores. Nesse particular, o PSD – força tradicionalmente mais votada em Macau- fracassou e seria importante que se tirassem ilações políticas, tanto a nível local como a nível nacional dessa situação. O terceiro apontamento diz respeito à atipicidade da campanha eleitoral e à avaliação de práticas de mobilização dos eleitores que sendo porventura comuns no panorama da RegiãoAdministrativa Especial de Macau não

Netflix, House of Cards

Eleições Legislativas: o ‘caso’ Macau

o são no que concerne ao combate político e à livre expressão dos eleitores, nas urnas, no sistema democrático português. Refiro-me, precisamente, a indicações expressas de voto no candidato Coutinho por parte da presidente da Assembleia Geral da ATFPM, designadamente na sua página do Facebook, e à participação do aparelho sindical da ATFPM na mobilização de eleitores chineses com passaporte português, que ao que se percebe ‘colaborou’ no preenchimento, na recolha e no envio de votos por correspondência. Ponho esta afirmação entre comas, mas seria importante que as autoridades portuguesas procedessem a uma investigação discreta desta ocorrência que à primeira vista conforma uma distorção das regras eleitorais. Parece-me excessiva a acusação de fraude eleitoral mas há algo neste processo que urge rever para que não se volte a repetir. As eleições por correspondência tiveram o seu papel mas seria a altura de o repensar. O voto em eleições livres e democráticas é um direito e um dever e não pode ser condicionado e manipulado por terceiros. Permita-se-me três notas adicionais. Desde logo, a clarificação de uma questão de identidade nacional que anda sempre subjacente e que vários actores políticos

evitam tratar, pelo seu incómodo. Parte significativa dos cidadãos recenseados no Consulado de Portugal em Macau é formado por chineses que no período conturbado do fim da Administração Melancia viram conferida a cidadania portuguesa, por receios quanto ao que aconteceria na transição de Macau para a China. Lograram obtê-la por démarche junto das autoridades de Lisboa por parte do então secretário para a educação e assuntos sociais, Jorge Coelho. São pessoas de dominante cultura e educação chinesas também titulares de passaporte chinês e a que as autoridades de Pequim não reconhecem a dupla nacionalidade mas apenas a chinesa. Para essas pessoas, a ligação a Portugal não é imputável a uma identidade de ‘portugueses’ – que não se sentem - como acontece com a globalidade dos portugueses emigrados e da diáspora, mas é apenas um ‘seguro para más horas’, caso venham a ocorrer, no futuro, perturbações políticas na República Popular da China que ponham em causa a segurança das suas pessoas e bens. Não falam português, não sabem o hino português, nem conhecerão, na maioria, qual é a capital de Portugal. É um caso único, fruto da história que Portugal deixou em Macau e que tem honrado. Como lhe cabe, aliás.

O principal elemento que veicula a pertença a uma determinada comunidade política, que se congrega em nação, é exactamente a língua. E isso é muito importante para um povo que celebra dentro em pouco 900 anos de história e de independência. Esta não é uma questão negociável e partidarizável

O segundo apontamento adicional é que em matérias de identidade não se pode tergiversar. A nossa língua pátria é o português e é natural que em questões que têm a ver com a afirmação da nossa cidadania a língua de comunicação seja o português. Seria estranho que os nossos concidadãos da América Latina cumprissem as suas obrigações de cidadania em espanhol, os de França, Bélgica e Luxemburgo em francês, os da Alemanha, da Áustria e da Suíça em alemão, os descendentes de goeses em hindu e por aí fora. O principal elemento que veicula a pertença a uma determinada comunidade política, que se congrega em nação, é exactamente a língua. E isso é muito importante para um povo que celebra dentro em pouco 900 anos de história e de independência. Esta não é uma questão negociável e partidarizável. É assim. O terceiro apontamento tem a ver com as relações entre as autoridades da República e as comunidades de Macau. Acentuou-se, nos últimos quatro anos, uma relação preferencial do responsável pela secretaria das comunidades portuguesas, Dr. José Cesário, com os responsáveis da ATFPM. Em circunstâncias várias o responsável político português reconheceu mesmo aos Drs Pereira Coutinho e Rita Santos um papel crucial na representação de Macau nas relações com Portugal, colocando em segundo lugar os interesses da comunidade expatriada em Macau e na Ásia. Como se cabesse às autoridades portuguesas fazer uma hierarquização dos interesses e da representatividade das associações. Sendo a questão da liderança política da comunidade macaense uma questão não resolvida, quinze anos depois da transição, foi pouco prudente favorecer o protagonismo de alguns em desfavor de outros, introduzindo factores de distorção que explicam o decréscimo de votação na Coligação Portugal à Frente. 214 votos é manifestamente aquém do que o centro-direita pode conseguir e isso deve-se em parte à imagem negativa que se criou à volta do Dr. José Cesário pelas que circunstâncias acima que esteve a 400 de votos de perder a sua eleição. Responsabilidade adicional tem a secção do PSD em Macau que sempre favoreceu e impulsionou as agendas políticas de Pereira Coutinho e da ATFPM. Ao tempo em que escrevo não se conhece a solução governativa que colherá as preferências do Presidente da República mas estou em crer que Pedro Passos Coelho será chamado a constituir governo. Teremos dentro em pouco o início de uma nova campanha que levará à escolha do novo Presidente de todos os portugueses. O circulo fora da Europa dará o seu contributo a essa eleição, com tranquilidade como é tradicional nas nossas comunidades da emigração. Os portugueses em Macau não deixarão de responder à chamada. Somos dois milhões de emigrantes fora do rectângulo pátrio e temos um papel fulcral na escolha das opções do país.


opinião 15

hoje macau terça-feira 20.10.2015

lorde gin

Richard Donner, Superman

Rui Cascais Parada

Cristais

L

orde Gin, o vesgo prospectivo visionário apátrida, vindo temporariamente resfolegar ao Extremo-Ocidente por razões medicinais, e deitando um olho mercenário à indústria do comentário político que floresce para trás do Cabo da Roca, pôs-se a analisar as eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015, e eis, sem delonga, o que divisa: 1) Os portugueses que elegeram deputados do Partido Comunista, do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista, compraram realmente com seus votos um ímpeto de bipolarização final do sistema político. Isto é, uma definição entre esquerda e direita não só mais precisa, mas mais eficiente e duradoura. Uma definição que passe a traduzir, de uma vez por todas, os seus votos em termos de efectivo poder de governo. 2) A coligação PàF absorveu toda, ou praticamente toda, a direita do Partido Socialista.

A sua vitória indica, na verdade, uma cristalização do Partido Socialista à esquerda; a expurga da maioria de uma minoria, salubre ou insalubre, que laborava no seu interior há muito. Ora, isto deveria ser lido pelo PS pós-eleitoral como um decisivo ganho de definição, um adumbramento das hostes do qual não deve ter medo. 3) A bipolarização que se avizinha será entre uma LD (Liga de Direita) e uma LE (Liga de Esquerda). 4) O sistema político português encontra aqui uma oportunidade rara de transitar para um xadrez inteiramente novo, ou seja, o de dois campos claros de disputa do poder.

Campos claros, mas, sobretudo, campos representativos e justos. 5) Existirem dois campos de disputa política não significa necessariamente, em nenhum dos lados e em nenhum caso, uma perda de matizes. 6) O Senhor Costa vê-se confrontado com a História; tem nas mãos a responsabilidade de ligar a esquerda portuguesa. Não precisa sequer de sacrificar o seu partido. Isso já foi garantido pelos diversos rituais internos e pela afortunada, ou desafortunada, deserção daqueles que foram votar à sua direita – o que, desde logo, explica como ao cabo de anos de “tortura do povo“ a coligação PàF tenha

O Senhor Costa vê-se confrontado com a História; tem nas mãos a responsabilidade de ligar a esquerda portuguesa. Não precisa sequer de sacrificar o seu partido. Isso já foi garantido pelos diversos rituais internos e pela afortunada, ou desafortunada, deserção daqueles que foram votar à sua direita

conseguido a maioria dos votos. Ou seja, os traidores do PS, as it were, são também a explicação para uma espécie de covardia, ou amedrontamento, ou resignação, que teria confirmado a Coligação no poder. Os direitistas do PS, não os votantes no PPD e CDS, é que explicam a “derrota” de Costa, ou a sua suposta “incapacidade”. 7) A ser válida, a tese assente neste verosímil desejo de bipolarização, despida da mediação de partidos charneira, poderá ser o capitulo derradeiro da maturidade da democracia em Portugal. 8) O Sr. Costa ou se encosta nas bancadas do circo encenado pelo Grande Portas ou faz avançar o sistema político português, civilizando a suposta “barbárie” que incha, e tudo indica continuará a inchar, à sua esquerda. 9) Mais, e tempo permitindo, o apoio focado de uma eventual Liga de Esquerda a um só candidato presidencial (considerando também um investimento real numa campanha radicalmente inteligente e acutilante) poderá conservar, por muitos mais augustos anos, o simpático Sr. Sousa no seu jovial e dentuço plinto de plasma.


hoje macau terça-feira 20.10.2015

terceira guerra mundial

cartoon por Stephff

Fong Chi Keong constrói sede do Governo em Coloane

A empresa do deputado nomeado Fong Chi Keong, Empresa de Construção Civil Man Kan, foi a escolhida para executar a “empreitada de concepção e execução da obra das instalações da sede do Governo em Coloane”. O projecto, publicado ontem em despacho no Boletim Oficial, deverá custar quase 30 milhões de patacas, pagas até 2016. O HM contactou o gabinete de Chui Sai On, Chefe do Executivo, no sentido de obter mais esclarecimentos sobre o novo projecto, mas até ao fecho desta edição não foi obtida qualquer resposta.

Starwood Janet McNab é nova directora-geral do grupo

pub

A cadeia internacional de hotéis e resorts Starwood nomeou Janet McNab para o cargo de directorageral do grupo em Macau, ficando responsável pelo Sheraton Macao, Cotai Central e St. Regis Macao. A nomeação de Janet McNab surge depois do grupo ter anunciado, em Março passado, o lançamento de uma medida que visa a igualdade de género dentro da empresa. A campanha “Talento Feminino da Starwood na Ásia-Pacífico” promove práticas de contratação igualitárias. A líder iniciou a sua carreira na cadeia hoteleira há mais de 25 anos, na cidade australiana de Brisbane.

Filipinas Tufão Koppu enfraquece após causar 16 mortos

Fim-de-semana trágico O tufão Koppu está agora a enfraquecer, depois de ter causado pelo menos 16 mortos e afectado mais de 200.000 pessoas nas Filipinas, onde 20 províncias ainda estão em estado de alerta, informaram fontes oficiais. Atempestade, que chegou no domingo à costa da província deAurora com rajadas até 210 quilómetros por hora, afectou ontem o extremo norte das Filipinas com ventos de 120 quilómetros por hora e chuvas fortes. Porta-vozes dos governos locais das zonas afectadas confirmaram a existência de pelo menos quatro mortos. Por seu lado, o Conselho Nacional de Gestão e Redução de Risco

de Desastres, o organismo oficial para a contagem de vítimas, apenas confirmou duas vítimas mortais e cinco feridos. Desconhece-se ainda a situação de diversas zonas remotas e de difícil acesso, prevendo-se que o número de vítimas mortais aumente consideravelmente. Segundo os últimos dados do Ministério do Bem-Estar Social e Desenvolvimento, cerca de 203.000 pessoas foram afectadas pelo Koppu – apelidado de Lando pelas autoridades locais –, entre as quais 60.000 estão a receber ajuda nos centros de evacuação. “Muitas zonas na minha localidade estão debaixo de água e há vários residentes que estão

à espera das equipas de resgate nos telhados das suas casas”, disse António Lustre, presidente da câmara de San António, na província de Nueva Ecija, à emissora local ANC. Nalgumas localidades, como Baguio, o Koppu originou a queda de 161 litros de chuva por metro quadrado em 24 horas, deixando várias barragens no limite da sua capacidade, segundo a Agência de Meteorologia das Filipinas. As Filipinas são atingidas por 15 a 20 tufões por ano, a maioria entre Junho e Novembro. Em Novembro de 2013, o tufão Haiyan, um dos mais fortes da história, matou 6.300 pessoas e deixou mais de mil desaparecidas.

Posto de armazenamento de lixo custa mais de 15 milhões

L

ei Kam Po vai ser o responsável pela construção do posto de armazenamento de resíduos sólidos inertes de obras, sendo que o Governo vai pagar 15,5 milhões de patacas pelo serviço. O anúncio, publicado em despacho de Boletim Oficial, refere que 7,8 milhões serão

pagos ainda este ano, enquanto o restante será coberto pelo orçamento de 2016. Lei Kam Po também já esteve responsável pelo fornecimento de máquinas, equipamentos e pessoal auxiliar para trabalhar no aterro para resíduos de materiais de construção, serviço pelo qual cobrou

5,6 milhões de patacas ao Executivo. As instalações de triagem deste tipo de resíduos deverá ter capacidade para processar duas mil toneladas de lixo de construção por dia. O actual aterro para lixo de construção está saturado há já alguns anos, tendo o Governo prometido, no

ano passado, que seria criada uma zona contígua para armazenas o lixo temporariamente. De acordo com os Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), as obras deviam ter ficado concluídas no início deste ano, mas só agora surge a notícia da adjudicação do serviço do posto.

SS Mais cinco centros de saúde até 2020

O

s Serviços de Saúde (SS) anunciaram ontem que o número de consultas sem marcação nos centros de saúde aumentaram mais de 50% nos primeiros nove meses deste ano. O organismo prevê a abertura de mais cinco centros até 2020. Ontem, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a chefe do Gabinete de Coordenação Técnica dos SS, Kuok Chau Sha, afirmou que de Janeiro a Setembro deste ano, o número total de consultas atingiu as 510 mil, totalizando mais 4700 consultas quando comparando com 2014. Entre estas, 95 mil foram feitas sem marcação, valor que cresceu 57%. O subdirector dos SS, Cheang Seng Ip, também esteve presente e relembrou a construção dos centros adicionais na Ilha Verde, no Edifício do Lago na Taipa, em Seac Pai Van, na zona norte e nos novos aterros. Cheang espera que haja um total de 11 centros e dois postos de saúde até 2020. Quanto à questão da falta de mão-de-obra no hospital São Januário e nos centros de saúde, o mesmo responsável afirmou que de entre a contratação dos 529 profissionais de saúde prevista para este ano, uma parte dos médicos ainda não começou a trabalhar e alguns enfermeiros só vão iniciar funções para o ano. F.F.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 20 OUT 2015 #3437 by Jornal Hoje Macau - Issuu