DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Assembleia
CAM Médicos arrumam a casa
Presidente em defesa de maior representatividade
O Conselho para os Assuntos Médicos vai apresentar uma proposta para a requalificação dos profissionais de Saúde. O documento propõe ainda a criação de uma exame de competências para a atribuição de licenças.
POLÍTICA
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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SOCIEDADE
S E G U N DA - F E I R A 2 0 D E O U T U B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 9 6
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hojemacau
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Ter para ler
UM EX-DOCENTE REVELA CARTAS QUE LEVARAM À SUA SAÍDA
QUEM TRAMOU BILL CHOU?
O académico torna finalmente públicos os documentos que o fizeram sair da UM. Bill Chou acusa a Universidade de se ter baseado em duas cartas anónimas para lhe instaurar um processo disciplinar. HOJE MACAU
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REFORMA ADMINISTRATIVA
Em nome da racionalidade
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ENTREVISTA
PÁGINAS 2-3
ENTREVISTA
Juntar antigos alunos do ensino superior para discutirem as políticas do Governo é o objectivo da Associação de Estudos Sintético Social de Macau. Nelson Kot e Raymond Ng, funcionários públicos, dizem que o próximo Governo poderia ter Secretários auxiliares e acreditam que é preciso melhorar o concurso centralizado de ingresso na Função Pública FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
O Chefe do Executivo, Chui Sai On, garantiu durante a campanha eleitoral que vai implementar a reforma administrativa já em Janeiro. Como avaliam essa decisão? Nelson Kot (NK) – A reforma é algo razoável, porque os estatutos dos funcionários públicos foram elaborados no tempo da Administração portuguesa. Foram alterados alguns conteúdos, mas a estrutura geral nunca foi alterada, então são estatutos obsoletos e irracionais. Além disso, o actual número de funcionários públicos é de 30 mil, para uma população de 600 mil pessoas. A proporção é grande. Como os residentes exigem cada vez mais serviços ao Governo de boa qualidade, e tendo em conta que há muitas obras grandes no
NELSON KOT E RAYMOND NG, DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDOS SINTÉTICO SOCIAL DE MACAU
“O concurso centralizado falhou território, foram criados muitos departamentos provisórios. Então surgem as perguntas: serão transformados em departamentos definitivos? Ou depois de terminarem os trabalhos serão encerrados? Mas na minha visão muitos desses departamentos vão manter o seu funcionamento. A sua existência é boa porque prestam mais serviços aos residentes, mas para o Governo faz com que a sua estrutura aumente. Existem ainda departamentos com funções repetidas. Se olharmos para Hong Kong, que tem dez vezes mais habitantes do que Macau, existe um menor número de departamentos. Macau tem apenas cinco Secretários, mas dezenas de direcções. Será que os residentes reconhecem a existência de todos os departamentos? Se isso não acontecer, significa que não existe eficácia suficiente. Podem apresentar alguns exemplos de departamentos que se repetem em termos de funções e serviços? Raymond Ng (RN) – A Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) e o Gabinete de Informação Financeira (GIF), a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) e a Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e Direito Internacional (DSRJDI). Temos ainda a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e o Gabinete para as Infra-Estruturas de Transportes (GIF). Há ainda a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e o Gabinete de Gestão de Crises de Turismo. Isso são serviços que poderiam ser reorganizados numa direcção ou num departamento, não era necessário haver uma grande divisão. Que outros aspectos irracionais existem na Função Pública? NK – O salário dos funcionários de cargos inferiores encontra-se actualmente por volta do índice 110 (rondando as oito mil patacas), e isso não é desejável. Apesar de terem vários subsídios, o salário pode atingir dez mil patacas, mas continua a não acompanhar a grande inflação. O aumento de
“Se olharmos para Hong Kong, que tem dez vezes mais habitantes do que Macau, existe um menor número de departamentos. Macau tem apenas cinco Secretários, mas dezenas de direcções” NELSON KOT
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HOJE MACAU
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Nelson Kot
salário pode ser para todos os funcionários públicos, mas com uma percentagem igual, quem ganha mais, recebe mais, mas quem ganha menos, continua a receber menos. O que nós sugerimos é que exista um aumento faseado para os salários da Função Pública, não pode aumentar logo 20 ou 30% para os cargos mais inferiores, pois isso também poderá ter influência nas Pequenas e Médias Empresas (PME). Achamos que o índice de 100 poderia ser ajustado para 150 ou 180, e depois poderia ajustar-se de forma razoável toda a estrutura salarial. Mas isso não é simples porque existem diferentes tipos de trabalho, com diferentes índices.
“Há funcionários que se queixam que, para serem promovidos, têm de fazer cursos inúteis, que significam um desperdício de tempo e dinheiro público, porque disseram que, muitas vezes, os cursos não correspondem à sua área de trabalho” RAYMOND NG
RN – O sistema de avaliação tem espaço para ser aperfeiçoado. Há funcionários que se queixam que, para serem promovidos, têm de fazer cursos inúteis, que significam um desperdício de tempo e dinheiro público, porque disseram
que, muitas vezes, os cursos não correspondem à sua área de trabalho. Têm de ir a todas as aulas mas não aprendem nada. É necessário rever isso. Também reparamos que todas as associações de funcionários públicos que reuniram
entrevista 3
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HOJE MACAU
na sua execução”
“No próximo mandato o Governo poderia adoptar o que já é feito em Hong Kong, em que existem Secretários auxiliares para dividir as actividades” NELSON KOT
privados. Mas como todos sabem o trânsito já é muito mau em Macau, então porque é que o Governo não começa por diminuir os carros do Executivo? Proponho que quando seja simplificada a estrutura do pessoal, com a existência de menos departamentos e menos chefes, e uma redução dos salários elevados, para que possamos aproveitar esse dinheiro e aumentar os salários das camadas mais baixas. Caso se continue a aumentar a estrutura, os benefícios vão ser só para superiores e chefes. Esse processo de simplificar e reformar a estrutura do Governo será difícil de executar? NK – Penso que o Governo já está a fazer alguma coisa, como aconteceu com a transferência de 300 funcionários do IACM para o Instituto Cultural e o Instituto do Desporto, para eliminar as funções repetidas. É um bom inicio. É melhor que os departamentos façam grandes actividades em conjunto, o que pode levar à necessidade de menos funcionários e menor desperdício de dinheiro.
Raymond Ng
com o Governo pediram aumentos e regalias, mas nunca deixaram ideias de como aumentar a eficácia da Administração. Os funcionários são os que melhor conhecem o seu funcionamento, mas nunca pensam em melhorar os trabalhos. Espero que se crie uma boa cultura entre os funcionários públicos, devem ter uma força maior para melhorar o serviço. Quais os benefícios que poderão advir da reforma administrativa? RN – Depois da simplificação da estrutura dos departamentos e do pessoal, a divisão de poderes e responsabilidades ficará mais
“Inconscientemente os departamentos estão a contrariar o concurso centralizado de ingresso, o que é muito inconveniente quando há urgência e não podem esperar muito tempo. Esta é a maior falha deste concurso” RAYMOND NG
clara. Isto porque quando existem muitos departamentos com as suas próprias funções e responsabilidades, é difícil haver uma coordenação. Se os departamentos continuarem a trabalhar de forma individual e conforme os seus princípios e interesses, o mecanismo
de coordenação tem de envolver mais processos. NK – Os residentes podem achar que o Governo está a criar mais cargos para amigos e familiares, e que isso levará à criação de mais departamentos, com mais custos, incluindo os salários e os carros
No que diz respeito ao concurso centralizado de ingresso na Função Pública, muitas figuras públicas já criticaram a sua eficácia. Recentemente apenas um candidato, de entre 500, conseguiu ser admitido para um cargo na área jurídica. Como olha para esse regime? NK – A ideia é boa, até porque já aprendemos com várias situações irracionais que aconteceram no recrutamento feito pelos departamentos, como casos em que os funcionários ajudaram os seus amigos a entrar na Função Pública. Mas os procedimentos administrativos demoraram demasiado tempo, o que trouxe pressão aos serviços que precisam de recrutar pessoal. São precisos dois anos para recrutar um técnico superior, mas se for um departamento são apenas três meses. O que se pode fazer para melhorar e rever o regime? Será que os critérios são demasiado rigorosos? Será que o nível de qualidade dos candidatos é suficiente? Tudo isso está ligado, não podemos só dizer que o concurso é mau ou que o exame é difícil. Tem de ser feita uma ponderação. RN – Também concordo que o caminho do concurso é bom, se for aumentada a transparência. O concurso centralizado falhou na sua execução e foi demasiado lento, só que muitos departamentos têm urgência em recrutar. Reparei
que há departamentos que escapam ao funcionamento do concurso centralizado de ingresso, porque os técnicos que ganham segundo o índice 260 e 430 devem ser recrutados no concurso, enquanto que os que ganham entre os índices 195 ou 350 não precisam. Isso não é razoável. Inconscientemente os departamentos estão a contrariar o concurso centralizado de ingresso, o que é muito inconveniente quando há urgência e não podem esperar muito tempo. Esta é a maior falha deste concurso. A Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e a Secretária para a Administração e Justiça (Florinda Chan) nunca racionalizaram ou reviram este regime. Podem deixar algumas sugestões para o mandato do próximo Governo? NK – Ultimamente, talvez porque os Secretários sintam que vão deixar o lugar, optam por não tomar decisões, porque se fizerem mal vão receber queixas do público. Não podemos observar grandes acções do Governo, que não tem coragem para fazer políticas de médio e longo prazo, e quer passar essas responsabilidades para os novos Secretários. No próximo mandato o Governo poderia adoptar o que já é feito em Hong Kong, em que existem Secretários auxiliares para dividir as actividades. Os trabalhos mais importantes ficam para os titulares dos cargos principais, deixando mais tempo para que os Secretários se concentrem nas suas funções. Há muitas actividades organizadas pelas associações nas quais os Secretários precisam de participar, mas isso traz-lhes mais pressões. A divisão dos cargos pode ajudá-los a tomarem decisões. Actualmente há muitos assessores mas só deixam sugestões aos Secretários, não têm o direito ou responsabilidade de tomar decisões. Chui Sai On também já disse que não pretende aumentar o orçamento para o próximo mandato. Muitos académicos já referiram que isso é impossível. Acreditam que é? NK – Se o dinheiro do Governo for usado para a população, como por exemplo para a zona A dos novos aterros ou para o Metro Ligeiro, acredito que não vão haver problemas, nem queixas. Mas com a estrutura da Função Pública o Governo deve fazer cálculos e simplificar os custos dos trabalhos.
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POLÍTICA
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CONSELHOS CONSULTIVOS NÚMERO DE MEMBROS PODERÁ AUMENTAR
Novas caras no horizonte ? Depois de já terem sido criticados por falta de utilidade, José Chu deixa em aberto o cenário de reforço de membros na composição dos Conselhos Consultivos FILIPA ARAÚJO
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
A
hipótese de o Governo poder vir a aumentar o número de membros nos Conselhos Consultivos, não está excluída. A ideia foi deixada pelo Director dos Serviços de Administração e Função Pública, José Chu. A possibilidade, que ainda está em aberto, tem como objectivo, segundo a resposta a uma interpelação escrita do deputado Si Ka Lon, “alargar a composição dos conselhos” para que seja também promovida a participação de mais jovens. Na resposta, José Chui afirma ainda que a escolha dos membros dos Conselhos deve basear-se em valores como a representatividade social e o profissionalismo, para que assim seja possível um equilíbrio.
José Chu
Governo só ouve e não se sabe se as opiniões dos membros vão ou não ser tidas em conta nos assuntos políticos e sociais”, disse Kwan Tsui Hang. Também a docente da Universidade de Macau (UM) e ex-membro
de um dos Conselhos, Agnes Lam, se manifestou sobre o assunto. Para a docente, “há dois ou três [conselhos] que estão a trabalhar bem, mas há conselhos que não publicitam os encontros”. “Alguns Conselhos Consulti-
Em busca do prestígio perdido flora.fong@hojemacau.com.mo
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professor Lou Shenghua considera que o Regime de Garantias prejudicou a imagem daAssembleia Legislativa (AL), por si apelidada de “passiva”. Para recuperar o prestígio, diz Lou, os deputados precisam de “trabalhar mais” dentro e fora da AL. O especialista considera ainda que os
Para mudar o rumo algo apagado dos Conselhos Consultivos, a deputada Kwan Tsui Hang considerou que era necessário que os presidentes dos próprios conselhos fossem figuras públicas, ou seja, pessoas que tenham a confiança do povo. “Não podem ser os dirigentes do Governo, porque isso não vai ser eficaz, porque o Executivo é que decide se ouve essas opiniões ou não”, disse a deputada.
JOSÉ CHU Director dos Serviços de Administração e Função Pública
AL ESPECIALISTA CONSIDERA HEMICICLO “PASSIVO”
FLORA FONG
AUMENTO SERÁ SOLUÇÃO?
“A escolha dos membros dos Conselhos deve basear-se em valores como a representatividade social e o profissionalismo, para que assim seja possível um equilíbrio”
SERÁ ÚTIL?
Recorde-se que a deputado Kwan Tsui Hang já se tinha manifestado durante o mês passado sobre a utilidade dos mais de doze Conselhos Consultivos. Para a deputada estes grupos de trabalho, que supostamente têm como função dar sugestões às políticas públicas, funcionam como vasos, ou seja, não servem para nada segundo a definição chinesa de vaso. “Os Conselhos Consultivos não deviam ser vasos. Já fiz muitas interpelações nas sessões da Assembleia Legislativa (AL) a questionar a estrutura e o efeito dos conselhos. Primeiro, os dirigentes parece que não dão muita atenção aos conselhos. Depois, não há comunicados junto do público, o
para o trabalho do Governo. Há algumas especulações”, defendeu a docente.
regulamentos do hemiciclo limitam os trabalhos dos deputados. O professor de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau (IPM) recordou que elementos como a assiduidade e o número de interpelações apresentadas durante os plenários melhoraram. No entanto, Lou continua, dizendo que o mais importante são a qualidade e os resultados apresentados. “Os protestos contra o Regime de Garan-
tias, em Maio deste ano, mostraram que os deputados tiveram muito trabalho. Contudo, a sensibilidade à opinião pública é pouca e acho que os deputados não deviam apenas dar atenção à AL, mas sim auscultar as ideias dos residentes eficazmente”, disse.
LIMITAÇÕES E PASSIVIDADE
Para além disto, o académico considera que o hemiciclo é
vos são reconhecidos pelos média e pela população, porque têm uma maior exposição. Muitas vezes não sabemos que eles existem, não sabemos quando têm reuniões ou o que fazem e, no entanto, é suposto darem opiniões importantes
“passivo” em termos da legislação e supervisão das acções do Executivo. Por um lado, é da opinião de que as normas da AL – que não permitem que os deputados façam mais do que uma interpelação sobre o mesmo tema numa sessão – são limitativas, sugerindo mesmo uma revisão. “Os regulamentos limitam a capacidade de supervisão dos deputados e é preciso rever isso”, frisou. O professor considerou ainda que o número de deputados indirectos deve ser menor, permitindo assim que mais pessoas possam participar nas eleições.
Também Agnes Lam pediu mudanças na composição destes grupos. “Se o Governo criou esta plataforma para saber as opiniões das pessoas, ainda que de forma indirecta, então deveria permitir que mais entidades fossem nomeadas, com mais representantes. Essa seria a melhor forma”, defendeu a docente. Eilo Yu, outro docente da UM, apontou que a sociedade também deve ter um papel mais activo nesta questão. “Não é apenas a responsabilidade do Governo mas a forma como a população participa na sociedade que pode reduzir esta diferença. O Governo pode iniciar uma reforma para melhorar esta comunicação, mas também cabe à sociedade fazer algo”, frisou o docente.
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presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, defende uma maior representatividade de deputados, ou seja, é a favor do aumento gradual do número de deputados eleitos directamente pela população. “Eu concordo que seria bom que todos os assentos fossem eleitos directamente, mas no contexto actual, temos assentos nomeados e não podemos ter sufrágio universal imediatamente”, disse o presidente à TDM. Durante uma visita de estudo de alunos chineses à Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng aproveitou ainda para defender uma maior representatividade entre os assentos eleitos de forma directa e indirecta.
CONTRA REPETIÇÕES
Ao canal televisivo, o actual presidente do órgão legislativo lançou críticas à forma como as perguntas e opiniões são expressas nos plenários. “[Os deputados] não podem estar sempre a fazer as mesmas perguntas, não é bom. Assim desperdiçam-se recursos. Espero que possam fazer abordagens diferentes”, apontou, referindo a importância de explorar a procura de respostas, por parte do Governo, através de diferentes vertentes. “Se uma proposta de lei não é PUB
AL HO IAT SENG DEFENDE MAIS REPRESENTATIVIDADE
Devagar se vai ao longe O presidente da AL defende o aumento progressivo do número de deputados directos e apela para que as vozes da Assembleia Legislativa tenham uma abordagem diferente e mais produtiva boa, devem propor-se formas de a melhorar, mas nós fazemos isto muito poucas vezes”, acrescentou Ho Iat Seng. Relativamente a esta matéria, acusou o círculo legislativo de “apontar o dedo” frequentemente, ao invés de resolver os assuntos de forma pró-activa.
OUTROS APELOS
As declarações do presidente da AL surgem depois de vários deputados terem referido a necessidade de uma maior representatividade popular dentro do órgão legislativo, como é o caso de José Pereira Coutinho. Actualmente, sete dos lugares são ocupados por deputados escolhidos pelo Chefe do Executivo, 12 por sufrágio indirecto e
14 de forma directa. Também este mês, a Associação Novo Macau (ANM) marcou a importância da eleição de todos os deputados ser directa. “Sobre os deputados na AL, já não pedimos apenas que o número dos deputados directos passe a metade do número dos deputados no geral, mas pedimos agora que todos os deputados sejam directos”, revelou Sou Ka Hou ao HM.
Eu concordo que seria bom que todos os assentos fossem eleitos directamente, mas no contexto actual, temos assentos nomeados e não podemos ter sufrágio universal imediatamente
DESPERDÍCIO DE RECURSOS O presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, considera que a repetição de temas nas interpelações de um mesmo deputado se trata de um desperdício dos recursos da AL e espera que os deputados aprofundem melhor os conteúdos expressos nas interpelações. “Os regimentos da AL devem conter restrições para os deputados, como a impossibilidade de repetir assuntos várias vezes, pois é um desperdício dos recursos”, referiu o presidente do órgão legislativo. As declarações de Ho Iat Seng surgem depois das críticas da deputada Kwan Tsui Hang ao facto de não ser possível apresentar a mesma interpelação mais do que uma vez durante a mesma sessão. O presidente da AL acrescentou ainda que considera necessário rever o tempo reservado às interpelações antes da ordem do dia, bem como a iniciativa legislativa. Para Ho Iat Seng, estes são temas que precisam de ser discutidos e ter o consenso do hemiciclo. Além disso, considera ainda que os deputados devem aprofundar os seus conhecimentos jurídicos. “Os deputados são trabalhadores, mas há vários problemas que se repetem. Se uma lei não for bem elaborada, deve sugerir-se uma forma melhor de a rever. É disso mesmo que os deputados carecem, apenas entrando em conflito”, frisou. - F.F.
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SOCIEDADE
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UM EX-DOCENTE TORNOU PÚBLICOS DOCUMENTOS SOBRE A SUA SAÍDA
As cartas que tramaram Bill Chou “O meu caso também está ligado à pressão exercida por pessoas poderosas, como é o caso de Chan Hong, que é deputada e presidente da Associação de Educação de Macau, que é muito poderosa neste sector”
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Bill Chou acusa a Universidade de Macau de ter iniciado o seu processo disciplinar com base em duas cartas anónimas, uma delas enviada pela Escola Secundária Hou Kong, lembrando que foram violados procedimentos e regulamentos internos
BILL CHOU Académico
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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O anonimato nasceu a polémica. Bill Chou, ex-docente de ciência política da Universidade de Macau (UM) e actual vice-presidente da Associação Novo Macau (ANM), revelou finalmente os documentos confidenciais que estiveram na origem da sua saída da instituição académica ao fim de 12 anos. O docente acusa a UM de ter imposto um processo disciplinar com base em duas cartas anónimas, violando regulamentos internos e negando uma defesa. O docente fez uma tentativa de recorrer do processo disciplinar junto do Conselho da UM, mas tanto Daniel Tse como o actual
RECURSO JUNTO DO MP O antigo docente confirmou ontem que a sua advogada deixou de responder aos seus apelos e que, por enquanto, não sabe ainda se irá recorrer da decisão da UM junto dos tribunais. “Penso que talvez ela não queira continuar com o meu caso. Ela é uma das melhores a nível da lei administrativa, e se não quer seguir o meu caso provavelmente nenhum outro vai querer defenderme. Isso faz com que eu ainda esteja a pensar. Talvez avance com um recurso no Ministério Público (MP), o que será mais fácil para mim”, admitiu.
presidente, Peter Lam, garantiram “não ter competências” para o fazer. Por isso, Bill Chou afirma que nunca se pôde defender e apresentar testemunhas. Segundo o relatório da UM, a primeira carta foi enviada a 27 de Abril de 2012 “por um grupo de alegados estudantes do departamento de governo e administração pública”. A segunda carta chegou à UM no dia 25 de Março de 2013, assinada pela secretaria da Escola Secundária Hou Kong, à qual pertence a deputada indirecta Chan Hong. Contudo, esta missiva foi enviada primeiro ao gabinete do Chefe do Executivo, tendo passado pelo gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U. No dia 26 de Março, o documento chegava à reitoria da UM.
ACUSAÇÕES
Com base na leitura do relatório, Bill Chou é acusado de ter utilizado as aulas e as instalações da UM para incitar os alunos a participar em quatro actividades, como é o caso dos protestos no 1º de Maio, a votação e greve de fome protagonizados pela ANM em 2012, aquando do processo de reforma política, e ainda a manifestação contra o Regime de Garantias. Em troca, daria melhores notas a quem participasse de forma activa nos eventos.
Bill Chou nega todas as acusações. “A universidade começou um processo com base numa carta anónima que me acusa de utilizar notas dos trabalhos académicos para atrair os alunos para actividades políticas. Também sou acusado de ter dado notas com base nas suas orientações políticas, e todas essas acusações não são verdadeiras”, disse ontem. “Tenho um diploma na área da educação e nunca aprendi que as orientações políticas afectam as aulas. Têm de me dar exemplos,
nunca mos deram. E eu ensinava Administração Pública, nunca falei muito de política, porque é uma área que está mais relacionada com o funcionamento do Governo. Nunca falei da reforma política de 2012 nas minhas aulas, porque não estava relacionado com a matéria. Mas falei no Facebook”, disse ainda, sem esquecer a carta enviada pela escola Kou Hong.
“O maior problema é que ele usou a sua identidade como professor de ciência política para esconder a faceta de activista político” RELATÓRIO DA UM
REJEITADA CONFERÊNCIA SOBRE XINJIANG Bill Chou mostrou ainda uma troca de emails que fez com o director do departamento Wang Jianwei, em que propunha a realização na UM de uma conferência sobre a situação na província chinesa de Xinjiang, com a presença de um académico especialista vindo de Taiwan. A resposta foi negativa. “O director do departamento disse que eu não estava autorizado a promover um seminário sobre a política da China na região de Xinjiang, já que o assunto seria sensível em termos políticos”, explicou o ex-docente. A região tem sido palco de diversos confrontos, uma vez que a minoria Uigur se rebela contra as políticas do Governo Central.
ATENÇÃO AOS AMERICANOS Bill Chou aponta ainda o dedo a muitos dos que compõem a actual equipa de reitores da UM pela sua cidadania americana. “Antes podia manter o meu emprego, mas com o novo reitor, que é chinês e americano, não consegui. A UM está a tentar estabelecer ligações a universidades norte-americanas. Espero que este caso possa despertar a consciência da comunidade académica dos Estados Unidos sobre o que está a acontecer em Macau”, revelou.
“O meu caso também está ligado à pressão exercida por pessoas poderosas, como é o caso de Chan Hong, que é deputada e presidente da Associação de Educação de Macau, que é muito poderosa neste sector”, acusou Bill Chou.
UM FALA DE “DUPLA PERSONALIDADE”
O processo contra Bill Chou arrancaria em Novembro do ano passado, tendo sido constituída uma equipa de quatro pessoas da reitoria para lidar com o caso. Sobre a primeira carta, a UM afirma que “(Bill) Chou utilizou as aulas e redes sociais para incitar abertamente os alunos a participar em actividades extremistas, como uma greve de fome ou manifestações, e usou bónus nas notas para isso”, pode ler-se. Depois da universidade ter recebido a primeira carta, Bill Chou recebeu um primeiro aviso do seu director de departamento, Wang Jianwei. “Fui avisado para ter um comportamento mais discreto em termos de activismo político, mas recusei ouvi-lo, porque isso iria violar por completo a minha liberdade”, disse ontem o ex-professor. A UM acabaria por criar um “Grupo de Verificação” que inquiriu 20 alunos de três disciplinas ministradas por Bill Chou. Através do Facebook e dos emails da UM, Bill Chou terá “encorajado estudantes a participar em certas actividades políticas fora do campus. Relacionou estas participações com as notas dos alunos, e pediu-lhes para aderir ao seu Facebook, por forma a receberem mensagens sobre as actividades e oportunidades para ter melhores notas”, aponta o relatório. Em relação à carta da escola Kou Hong, o relatório acusa o ex-docente de ter organizado uma concentração à porta da escola e de ter distribuído panfletos por altura das eleições legislativas, o que “perturbou o normal funcionamento” da instituição. “Acreditamos que as acções do professor Chou Kwow Ping foram problemáticas. Claramente o professor Chou tem uma dupla entidade: por um lado, foi contratado pela UM como professor da área de governação e administração pública. É um académico e, como tal, deveria ter uma posição neutra face a questões políticas. Por outro lado, ele próprio foi um activista político. (...) O maior problema é que ele usou a sua identidade como professor de ciência política para esconder a faceta de activista político”, pode ler-se. A UM considera ainda que depois de algum tempo, “descobriu que o professor Chou falhou em reconhecer os seus actos e mostrou sinais de não os corrigir. Continuou ele próprio a envolver-se em protestos impróprios e a promover explicitamente algumas actividades políticas identificando-se como professor da UM”.
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ATFPM Seminário sobre o sistema da Função Pública
RÁDIO TÁXIS CONSELHO ANALISA RENOVAÇÃO DE CONTRATO
À beira do fim
O funcionamento da Administração esteve em destaque num seminário promovido pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM), o qual decorreu ontem. Segundo um comunicado, “alguns cidadãos referiram que o problema do sistema actual da Função Pública, incluindo alguns sistemas de contratação, é que engorda-se por cima e emagrece-se por baixo, com a existência das mesmas posições e salários diferentes”. Foi também apontado que que não existe “contagem suficiente da antiguidade e os motoristas públicos não obtêm a remuneração das horas extra, entre outros problemas”. Leong Veng Chai, deputado e número dois de José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM, declarou que “vai continuar a representar a associação para sugerir ao Governo que resolva os problemas referidos sobre o sistema da Função Pública”.
O Conselho Consultivo do Trânsito pede a entrada de novas empresas no sector para uma “concorrência saudável” e recomenda a manutenção do serviço de táxis por chamadas telefónicas
Justiça Macau capaz de ser núcleo de Direito Comercial
contrato provisório da empresa de táxis Vang Iek chega ao fim no próximo dia 6 de Novembro, sendo que a sua renovação já está a ser analisada pelo
OÃO Ribeiro, director do Centro Regional Ásia-Pacífico da Comissão das Nações Unidas, disse que Macau tem capacidades técnicas e financeiras para se transformar numa região nuclear na área do Direito Comercial. Em declarações à TDM, o ex-assessor de Chui Sai On apontou a tradução jurídica como uma das áreas que pode ser desenvolvida no território. “A posição histórica e as capacidades técnicas e financeiras de Macau, por exemplo, para se tornar numa espécie de ‘hub’ jurídico na área do Direito Comercial ou Internacional é uma grande oportunidade”, afirmou o jurista. A promoção de profissões no campo da justiça foi outro dos enfoque de João Ribeiro, que exemplificou com o caso dos tradutores jurídicos. “Macau tem muito para dar e tem meios para poder, até, apoiar os países de língua oficial portuguesa, principalmente em África”, continuou por dizer. Outro dos pontos defendidos pelo director do centro da Comissão das Nações Unidas é a promoção e desenvolvimento desta área, aproveitando a posição que o território ocupa, nomeadamente tendo em conta a relação com os Países de Língua Portuguesa e a China. Para além disto, considera João Ribeiro, é uma forma de “diversificar a economia” local.
HOEJ MACAU
ALENTEJANO DE FÉRIAS
flora.fong@hojemacau.com.mo
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Governo. Segundo o jornal Ou Mun, o Conselho Consultivo do Trânsito tem vindo a insistir que a manutenção do serviço de táxis apenas por chamados telefónicas deve ser uma das condições para a renovação do contrato com a concessionária. É ainda exigido que o Governo crie
“POLÍCIAS À PAISANA É DESPERDÍCIO DE TEMPO” Leng Sai Vai, vice-presidente da Associação Geral dos Comerciantes de Trânsito e Transporte de Macau, considera que a implementação dos policias à paisana vai demorar, no mínimo, dois anos, uma vez que é necessário concluir o processo de consulta pública e elaborar a nova legislação. Contudo, Leng Sai Vai defende que isso irá levar a um desperdício de tempo e de necessidade de mais mão-de-obra por parte do Governo. O responsável sugere, por isso, que a recolha de provas e acusações fique nas mãos da polícia. “Não é preciso um canhão para matar um mosquito. Essa ideia pode ser aplicada na intenção de ter polícias à paisana no serviço de táxi, o que ainda vai demorar mais dois anos a ser feito até que saia a nova lei. Acho que ninguém quer aguentar mais dois anos de irregularidades no serviço de táxis”, defendeu Leng Sai Vai ao canal chinês da Rádio Macau.
ÁGUA DSAMA IMPLEMENTA NOVAS ORIENTAÇÕES
Inovar para abastecer LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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• A Tasca do Santos na Rua do Cunha, na Taipa, vai estar fechada até 30 de Outubro, reabrindo no dia 31
um mecanismo para que haja uma “concorrência saudável” no sector, com a entrada de outras empresas. Tony Kuok, membro do Conselho, disse ao mesmo jornal que o Governo deve insistir na questão dos rádio táxis, ponderando a possibilidade de, caso o
TIAGO ALCÂNTARA
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FLORA FONG
contrato não for renovado, que tal poderá levar a uma diminuição do número de táxis em Macau. Tony Kuok considera que o Executivo deve preparar-se para emitir mais licenças, defendendo a entrada de mais uma empresa no mercado. Cheang Iok, outro vogal do conselho, considera que as autoridades devem resolver os problemas com os quais se tem vindo a deparar o sector, como a mão-de-obra, os salários ou a falta de estacionamento dos veículos depois da prestação do serviço. Cheang Iok propôs ainda que existam paragens de transferência nos bairros antigos, o que faz com que os passageiros possam chamar e esperar por um táxi, satisfazendo assim as necessidades a curto prazo.
Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) anunciou ontem a implementação de novas orientações para a manutenção do sistema de abastecimento de água nos edifícios e que serão primeiramente aplicadas nas habitações sociais e instalações públicas. De acordo com comunicado da DSAMA,
o Executivo deverá aplicar mais uma série de medidas até ao final deste ano que compreendem a realização de campanhas de sensibilização, a criação de uma página electrónica referente às orientações e sessões de esclarecimento junto do sector de administração predial, que ficará responsável pelo cumprimento das normas. Durante um evento sobre a poupança de água, que teve lugar ontem, a directora
da DSAMA, Susana Wong, referiu Macau deverá contar com um Inverno seco, por isso mesmo sendo preciso preparar um plano de poupança e armazenamento, de modo a garantir que a cidade é abastecida. Sobre o plano de poupança de água, criado há cinco anos pela DSAMA, Wong disse que, embora o consumo total de água tenha aumentado 4% no ano passado, os resultados do consumo por pessoa diminuíram.
ASSOCIAÇÕES PROMOVEM SENSIBILIZAÇÃO Ontem, várias associações organizaram o Festival de Poupança de Água 2014, cujo objectivo era sensibilizar os cidadãos para que desperdiçassem menos água. No jardim do Mercado do Iao Hon tiveram lugar actividades de lazer e entretenimento, a exposição dos vários mecanismos de água existentes dentro dos prédios e explicação de diferentes métodos através dos quais é possível poupar água. A Federação das Associações dos Operários de Macau, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, a Associação Geral das Mulheres de Macau, a Cáritas ou a Associação de Ecologia de Macau foram apenas cinco das várias organizações presentes no festival com o tema “Limpeza periódica dos tanques de água para a garantia de qualidade”.
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Os números apresentados pelo Executivo apontam para uma subida de mais de 40% na consciencialização da população sobre o “Jogo Responsável”. Mas há quem diga que estes podem ser dados enganosos FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
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OVOS dados do Governo mostram que a consciência da população sobre “Jogo Responsável” aumentou significativamente desde há cinco anos, de 16,2% para 60,5%. No entanto, o especialista Nelson Kot, disse discordar dos dados, referindo que estes podem não corresponder à realidade de Macau.
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JOGO CONSCIENCIALIZAÇÃO PODE NÃO CORRESPONDER À REALIDADE
A verdade dos números Os números foram avançados na passada quinta-feira por Davis Fong, responsável pela comissão de coordenação da 6ª edição da Semana da Promoção do Jogo Responsável, que teve lugar na Universidade de Macau (UM). Davis Fong referiu ainda que a taxa de prevalência de jogadores patológicos aumentou 0,9%. No entanto, Nelson Kot, director da Associação Alumni da UM, mostrou ter dúvidas relativamente ao facto destes dados corresponderem à realidade local. “Não sei bem como foram calculados os números e, mesmo que apoie esta actividade, questiono-me se a situação real de Macau corresponderá aos dados de 60,5%”, disse.
CADA VEZ MAIS CEDO
O também especialista da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), referiu que os jogadores cada vez são mais jovens. “É possível que eles conheçam o conceito de ‘jogo responsável’, achando que podem
da noção de ‘jogo responsável’ ainda não atingiu os níveis desejáveis. Podemos ver que até os funcionários dos casinos têm vontade de jogar e isso significa que existem certos problemas nesta indústria”, frisou ao HM. De acordo com o especialista, poucas foram as pessoas que se dirigiram aos balcões do Instituto de Acção Social e da DICJ. “Segundo os nossos colegas, num dia, apenas dois ou três clientes foram aos nossos quiosques. Embora o Governo tenha investido mais de um milhão de patacas, ainda não se atingiram os resultados pretendidos”.
PARA GRANDES MALES
controlar as apostas que fazem, mas isso não é o que acontece”, acrescentou o responsável. Nelson Kot acrescentou ainda que
há funcionários dos casinos que roubam dinheiro a clientes para jogar e acabam por perder tudo. “Considero que a aprendizagem
“Considero que a aprendizagem da noção de ‘jogo responsável’ ainda não atingiu os níveis desejáveis. Podemos ver que até os funcionários dos casinos têm vontade de jogar e isso significa que existem certos problemas nesta indústria” NELSON KOT Director da Associação Alumni da UM
Assim, Nelson Kot sugere que o Executivo comece a promover a ideia de ‘jogo responsável’ ao público em geral, de modo a utilizar uma método educativo de prevenção. “Devemos aumentar cursos nas escolas primária e secundária e nas universidades para dar a conhecer o papel da indústria do Jogo, mostrando que é suposto atrair turistas e não residentes locais. Provavelmente, os jovens sabem apenas que a indústria pode dar bastante dinheiro, desconhecendo os malefícios do Jogo. São precisamente essas coisas que devem ser ensinadas aos jovens”, disse Kot ao HM.
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Ao fim de cerca de 70 sessões de discussão o CAM irá apresentar uma proposta ao Gabinete Jurídico, que prevê, entre outras medidas, a reformulação das categorias dos profissionais de saúde e um exame de competências
MÉDICOS ALTERAÇÕES NO REGISTO DE PROFISSIONAIS
Organizar a casa
FILIPA ARAÚJO
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
O
Conselho para os Assuntos Médicos (CAM) vai entregar, ao Governo, uma proposta de requalificação às categorias dos profissionais de saúde, onde está também incluído um novo método de atribuição de licenças profissionais: um exame de competências. Numa conferência à imprensa na sexta-feira, o presidente do CAM, Lei Chin Ion, justificou esta proposta com a necessidade de “melhorar a qualidade dos serviços na área da saúde” prestada em Macau, aumentando assim as exigências profissionais dos trabalhadores. “O objectivo é elevar o patamar da qualidade e isso só se consegue através da admissão de novos médicos que tenham feito exames, e que esses criem diferenciação”, explicou o porta-voz dos Serviços de Saúde aos jornalistas, indicando que Macau pretende assim avaliar a competências do seu pessoal de saúde através destes exames.
DIVIDIR PARA TRATAR
O documento propõe então a elaboração de uma proposta de lei que reorganize os cargos em 15 categorias, sendo elas, médico, classificado em gerais e especialistas, médico de medicina tradicional chinesa, quiropráctico, médico dentista, farmacêutico, enfermeiros, enfermeiros especialistas, técnico de laboratório médico, técnico de análises clínicas, radiologista de radiodiagnóstico, radiologista
de radioterapia, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, psicoterapeuta, adjunto-técnico de farmácia. A esta lista foram acrescentadas duas novas categorias: nutricionista e farmacêutico de medicina tradicional chinesa. Existe assim uma separação de certas categorias de forma a ficarem dividas por áreas de actuação. “Relativamente aos indivíduos portadores de licenças de terapeuta e técnico de diagnóstico terapêutica a designação vai ser alterada consoante a área profissional para quiropráctico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, psicoterapeuta, técnico de
laboratório médico, radiologista de radiodiagnóstico, radiologista de radioterapia ou adjunto-técnico de farmácia”, explica o documento interno do CAM.
EXAME SÓ PARA ALGUNS
O CAM considera então que contrariamente ao regime que se vive actualmente qualquer profissional da área da saúde deve realizar um exame que permita perceber as suas competências. Este exame será, segundo a proposta apresentada, obrigatório para qualquer recém-licenciado dos cursos da área da saúde de Macau, profissionais com formação no exterior e todos
MUDANÇA DE NOMES A proposta avança irá fazer com que alguns nomes de profissões sejam alterados, isto é, segundo o documento “após a entrada em vigor não há lugar a emissão de licenças de Mestre de Medicina Tradicional Chinesa, Acupunturista, Massagista, Médicos Dentistas Terapeutas, Podologistas e Terapeutas de Medicina Desportiva”. Portanto os profissionais passarão a ser considerados terapeutas com a nova licença.
aqueles que estão desvinculados ou aposentados mas que queiram prestar serviços médicos. Relativamente aos médicos e profissionais das categorias abrangidas pela proposta, o CAM explica que as licenças serão atribuídas directamente. “O CAM vai realizar a verificação e apreciação consoante a área dos actuais técnicos superiores de saúde, os actuais técnicos superiores da área da psicoterapia, técnicos de diagnóstica e terapêutica e os indivíduos serão qualificados directamente atribuindo-lhes a certidão de qualificação profissional e registo, assim como levantamento da licença”, explica. No que toca ao grupo de profissionais desvinculados ou aposentados será “concedido um período de transição para quem é qualificado e no prazo de 12 meses após a entrada em vigor da nova legislação”, ou seja, os profissionais, durante o período mencionado, podem requerer a requalificação, tendo que se submeter a um conjunto de formalidades para a obter. Caso haja interesse deste grupo em prestar serviços será “obrigatório fazer um exame de reentrada na profissão para exercer de novo”. “A transição dos profissionais de saúde que exerçam funções em outras entidades públicas, que foram recrutados por carreira especial, médica ou enfermagem (...) será directamente atribuída a certidão de qualificação profissional, registo e levantamento da licença”, explica o documento.
TERAPEUTAS AVALIADOS
A proposta avança também com uma alteração no que respeita a estágios, isto é, quando se trata de
Associações concordam com propostas
A
S associações do sector médico do território encaram positivamente as novas propostas pelo Conselho Consultivo. O presidente da Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau, Chan Iek Lap, defendeu mesmo que, a serem implementadas, medidas como exames de desempenho e estágios profissionais, poderão vir a melhorar os serviços médicos oferecidos em Macau. “Esperamos que as pessoas que se licenciaram fora de Macau se
possam familiarizar com a actual situação do território. Depois de obterem reconhecimento profissional em Macau, eles terão de mostrar predisposição para se dedicar de alma e coração à sociedade do território”, explicou o presidente da associação à TDM. Também Ho Son Fat, presidente da Associação de Pessoal Médico de Macau, se mostrou satisfeito com a proposta, ainda que considere que os enfermeiros estagiários, por exemplo, não devem ter possibilidade
um profissional na área da terapia, a admissão ao exame passará por uma análise e avaliação do CAM, tendo em conta a qualificação do estágio profissional, que só será considerado se tiver sido realizado numa das instituições mencionadas pelo conselho. “Quanto aos profissionais que exerçam funções nas áreas de fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, psicoterapia nas carreiras de técnico superior, técnico, entre outras, o conselho apreciará as habilitações académicas, sendo que serão admitidos ao exame de qualificação profissional aqueles que satisfaçam os respectivos requisitos, no respeitante à avaliação do estágio é obrigatório ser realizado nas instituições reconhecidas pelo conselho”, explicam.
O documento propõe a elaboração de uma proposta de lei que reorganize os cargos em 15 categorias O documento indica ainda que tenha ou não tenha licença, qualquer profissional terá um período de um ano, após entrada em vigor da lei, para requerer a sua qualificação, tendo que realizar o exame, ou não. Estas novas licenças serão obrigatórias tanto para os serviços públicos como os privados e terão uma validade de três anos, sendo obrigatória a sua renovação. Depois de mais de 70 sessões de discussão o CAM irá apresentar a proposta ao Gabinete Jurídico, que por sua vez irá transformar o documento em proposta de lei, de acordo com todas as leis que possam existir nos diferentes organismos da Direcção dos Serviços de Saúde, e só depois será submetida à Assembleia Legislativa.
de desempenhar as mesmas funções de um enfermeiro já licenciado e com experiência. “O pessoal hospitalar da área de enfermagem que ainda não tenha obtido a licenciatura, mas que tenha participado em programas de formação na área da enfermagem pode candidatar-se à prestação de serviços deste tipo depois de se terem submetido a um exame”, disse o responsável, em declarações ao canal português. “Não me parece, no entanto, que possam desempenhar todas as funções. Parece-me que deverão trabalhar apenas em certos domínios e conduzir as tarefas para as quais estejam melhor preparados”, frisou.
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EVENTOS
Dia Internacional dos Chefes Cozinhar para quem mais precisa
O dia 20 de Outubro, em que celebra o Dia Internacional dos Chefes, será marcado de uma forma bastante nobre. Os mestres da gastronomia da Associação Culinária de Macau irão cozinhar para as crianças portadoras de deficiência membros da Associação dos Familiares e Encarregados dos Deficientes Mentais. O evento terá início às 12 horas e acontecerá nas instalações da associação. Foram várias as entidades a juntarem-se a esta causa, tais como, Banyan Tree Hotel, City of Dreams, Galaxy, Instituto de Estudos de Turismo, Mandarin Oriental, Okura Hotel e o bar Sky 21. O serviço ficará ao cargo do pessoal das entidades e dos alunos do instituto.
Prémio Leya Afonso Reis Cabral é o vencedor com “O Meu Irmão”
“O Meu Irmão”, de Afonso Reis Cabral, é o romance vencedor do Prémio LeYa 2014, no valor de cem mil euros. O anúncio foi feito sexta-feira, ao final da manhã, por Manuel Alegre, presidente do júri, que adiantou que o autor tem 24 anos e é descendente do escritor José Maria Eça de Queiroz, autor de Os Maias. O júri, que se reuniu quinta e sexta-feira, incluía ainda os escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, o ensaísta José Carlos Seabra Pereira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, Reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, professora da Universidade de São Paulo. Na conferência de imprensa de apresentação do prémio estiveram também o Presidente Executivo da LeYa, Isaías Gomes Teixeira, o directorcoordenador de Edições Gerais da LeYa, e João Amaral, Secretário do Prémio LeYa. “O Meu Irmão” foi escolhido entre 361 originais, de autores de 14 países.
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hoje macau segund
‘THIS IS MY CITY’ TRAZ THE LEGENDARY TIGERMAN A MACAU
Singularidade da
O Festival que junta várias iniciativas artísticas tem como LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
M
ACAU vai acolher o projecto português, The Legendary Tigerman, a 28 de Novembro e o concerto integra-se no já conhecido festival do território, ‘This is My City’ (TIMC), desenvolvido pela associação cultural local, +853. O projecto musical de Paulo Furtado é cabeça de cartaz da programação do festival organizado por Manuel Correia da Silva, designer e sócio da empresa Lines Lab. The Legendary Tigerman é um projecto composto por Paulo Furtado, também vocalista da banda lusa, Wraygunn. De entre as várias sonoridades conhecidas de festivais de verão
portugueses estão ‘Boots’ ou ‘Life Ain’t Enough for You’. No entanto, a última semana de Novembro – entre os dias 22 e 28 – está repleta de outras de actividades que puxam pela criatividade, sendo esse o tema central de todas as edições. Também este ano haverá ‘workshops’ e actividades culturais no TIMC, iniciativa que combina várias artes e música e é organizado há já sete anos. O evento deverá ainda contar com a vinda de especialistas e artistas de vários cantos do mundo, tendo já, em anos passados, incluído arquitectos e escritores. Protocolo fortuito A par da semana cultural organizada no território, o TIMC tem ainda outra componente que integra, essencialmente, uma lógica de intercâmbio
cultural entre Macau, a China e os Países de Língua Portuguesa, nunca esquecendo Portugal. Ainda na sequência da edição de 2013 do festival e tal como avançado pela revista Gazeta dos Artistas, a +853 assinou um protocolo com aAssociação Cultural de Arte e Comunicação – Oficinas do Convento, sediada na cidade alentejana de Montemor-o-Novo. Foi a partir deste acordo que, em 2012, nasceu o programa Residências Criativas, que promove a criação de diferentes formas de arte e a exposição do produto final a diversos públicos. Englobada no Residências Criativas esteve precisamente a deslocação de um colectivo de artistas locais e da China até à cidade alentejana onde nasceram as Oficinas do Convento.
eventos 11
da-feira 20.10.2014
alma portuguesa tema central a criatividade
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Visco-branco Nome botânico: Viscum album L. Família: Loranthaceae. Nomes populares: Visco; Visco-dos-passarinheiros; Visgo; Visqueiro. Subarbusto sempre-verde que pode atingir 50 cm de altura, o Visco-branco é uma planta ramosa que cresce sobre as árvores, penetrando os troncos com as suas raízes curtas e espessas e formando volumosas manchas arredondadas. As folhas são duras, carnudas e alongadas e, as flores, pequenas e amareladas; os frutos são atraentes bagas brancas e translúcidas semelhantes a pérolas, de polpa viscosa, mas muito tóxicas. Habita nos bosques da Europa. Planta sagrada para a mitologia celta, o Visco-branco só podia ser colhido com tesouras de ouro pelos druidas vestidos de túnicas brancas. Desde então, o Visco passou a simbolizar a felicidade para os lares que ornamentava e a protecção contra os raios, a bruxaria e os pesadelos. Como planta medicinal é conhecido desde os tempos de Hipócrates, tendo sido mencionado por vários autores ilustres até à actualidade. No início do século XX, foi recomendado por Rudolf Steiner, o fundador da Antroposofia, no tratamento do cancro o que incrementou o seu uso. São usados as folhas e os rebentos. COMPOSIÇÃO Glucoproteínas (lectinas), ácido víscico, polipétidos (viscotoxina), mucilagens, linhanos, flavonoides, aminas (tiramina), saponósidos triterpénicos, ácidos fenólicos, triterpenos e um glucósido cardiotónico (viscoflavina); contém ainda enzimas, aminoácidos, ácidos gordos, vitaminas e minerais. ACÇÃO TERAPÊUTICA Utilizado tradicionalmente pela sua grande eficácia na regularização da pressão arterial, o Visco-branco dilata ainda as artérias, especialmente as cerebrais e coronárias, melhorando a irrigação sanguínea, a oxigenação e o aporte de nutrientes ao cérebro e coração; regulariza a pulsação cardíaca acelerada de origem nervosa e previne a formação de placas de gordura nas artérias (ateromas). Hipertensão, taquicardia, colesterol elevado, enjoos, vertigens, zumbidos nos ouvidos e angina de peito são algumas das suas indicações. Pela sua acção sedativa e anti-espasmódica, o
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O LEITOR DE CADÁVERES • Antonio Garrido
Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro. Inspirado numa personagem real, “O Leitor de Cadáveres” conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial. Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.
Visco pode ser usado no nervosismo, sensação de opressão no peito, palpitações e enxaquecas. Já foi utilizado para acalmar as crises de histeria e os ataques de epilepsia. Diurético e depurativo, aumenta a produção de urina e a eliminação de resíduos tóxicos do metabolismo como o ácido úrico e a ureia, sendo empregue na retenção de líquidos, gota e artritismo, albuminúria, nefrite e na desintoxicação do organismo; no reumatismo combate a inflamação e atenua as dores. OUTRAS PROPRIEDADES Com uma acção complexa sobre o sistema imunológico, o Visco-branco aumenta a produção e eficácia das células de defesa do organismo e combate os vírus e células cancerígenas. Vários estudos científicos já realizados em diversos tipos de cancro, em adultos e crianças, indicam que a administração desta planta melhora a qualidade de vida dos pacientes, aumenta o tempo de sobrevivência e reduz os efeitos adversos da radio e quimioterapia. COMO TOMAR • Uso interno Maceração: 1 colher de sobremesa por chávena de água fria, deixar em maceração durante a noite. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Em tintura, xarope, cápsulas e comprimidos, o Visco integra várias fórmulas sobretudo para a hipertensão e arteriosclerose. Em caso de cancro e doenças inflamatórias e degenerativas das articulações recomenda-se a administração por via parental em colaboração com o médico. PRECAUÇÕES Para as formas não injectáveis: Fazer tratamentos descontínuos. Contra-indicado na gravidez e aleitação. Respeitar as posologias indicadas; em altas doses pode ocasionar transtornos respiratórios, hipotensão acentuada e perturbações cardíacas. Não deve ser tomado em concomitância com anti-depressivos tipo IMAO (a tiramina pode provocar grave crise hipertensiva), nem com cardiotónicos (devido à viscoflavina, o glucósido cardiotónico). Para as formas injectáveis, as precauções devem ser abordadas com o médico. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
CARTAS DE CASANOVA • António Mega Ferreira
No verão de 1757, o aventureiro Giacomo Casanova, que se evadira pouco antes da prisão dos Piombi, em Veneza, desembarca em Lisboa. O espectáculo das ruínas provocadas pelo terramoto ultrapassa tudo aquilo que ele podia imaginar. Durante seis semanas, Casanova faz os possíveis por entender os portugueses: como é possível que a vida dos habitantes da cidade se tenha acomodado a uma tal desorganização? Conhece o comerciante Ratton e o conde de S. Lourenço, o livreiro Reycend e o marquês de Alegrete, o poeta Correia Garção e a condessa de Pombeiro. E até se encontra com o misterioso marquês de X. Chega finalmente à fala com Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda não Oeiras, ainda não Pombal, a quem tenta vender o projeto de uma lotaria real. Exaspera-se e diverte-se, seduz e perde ao jogo, e encontra tempo para escrever seis cartas a cinco personagens importantes da sua vida. «Rien ne pourra faire que je ne me sois amusé» é a divisa que o guia. Mesmo em Lisboa. Mesmo depois do Grande Terramoto.
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CHINA
hoje macau segunda-feira 20.10.2014
ENCONTRO COM VIETNAME PARA RESOLVER TENSÕES
Este conflito foi acompanhado por várias manifestações anti-China em diversas cidades vietnamitas, onde foram atacadas empresas ou negócios com capital chinês e morreram pelo menos quatro pessoas. Apesar de a China ter retirado a plataforma, anunciou, este mês, ter terminado a construção do maior aeroporto das Paracel, uma instalação civil e militar na ilha Woody, que a China designa de Yongxing.
Bons vizinhos
A reunião de alto nível juntou autoridades militares de ambos os lados. Do encontro saíram palavras de conciliação
A
China e o Vietname acordaram, durante um encontro bilateral, retomar as relações militares e resolver as disputas marítimas, num primeiro sinal com vista ao aliviar da tensão, informou ontem o jornal South China Morning Post. “Tanto a China como o Vietname devem manter as suas tropas sob controlo e abster-se de fazer algo passível de afectar a situação em geral”, disse o vice-presidente da Comissão Militar Central, Fan Changlong, ao ministro da Defesa vietnamita, Phung Quang Thanh, durante um encontro, realizado este sábado, em Pequim.
Fan Changlong sublinhou que “é do interesse de ambos darem-se bem e gerir as suas diferenças de forma adequada”. Phung Quang Thanh também se reuniu na capital chinesa com o seu homólogo Chang Wanquan e com o vice-presidente Li Yuanchao na sexta-feira.
MAIS VALE PREVENIR
Analistas consideram que um encontro de tal nível mostra a vontade de ambos em prevenir um potencial conflito militar, enquanto a China aproveitou o momento para persuadir Hanói a não aproximar a sua posição da de países como os Estados Unidos relativamente ao
Pena de morte para ex-director do Ministério dos Caminhos de Ferro
U
M tribunal chinês condenou sexta-feira o ex-director do departamento de transportes do Ministério dos Caminhos de Ferro Zhang Shuguang à morte com pena suspensa por dois anos por corrupção. Zhang Shuguang era “um dos braços direitos” do antigo ministro do sector Liu Zhijun e, tal como ele, foi condenado à pena capital, suspensa por dois anos, uma sentença habitualmente comutada em prisão perpétua. O ex-dirigente, que foi um dos principais responsáveis pela rede de alta velocidade, foi considerado culpado por ter encaixado mais de 47 milhões de yuan em subornos de empresas
como contrapartida para a adjudicação de contratos públicos, entre 2000 e 2011, informa a agência oficial Xinhua. O tribunal também decidiu privar vitaliciamente Zhang Shuguang, que também foi um dos engenheiros-chefes do Ministério, dos seus direitos políticos, ordenando ainda o confisco das suas propriedades. Zhang Shuguang faz parte do grave escândalo que atingiu o Ministério dos Caminhos de ferro chinês, que levou à sua dissolução, e colocou em causa o desenvolvimento da alta velocidade na China, país que mais investiu neste transporte em todo o mundo. Já o ministro Liu Zhijun, de 60 anos, condenado em 2013, foi responsável pela gestão da gigantesca rede ferroviária chinesa entre 2003 e 2011, até à abertura de uma investigação por corrupção pela Comissão de Disciplina do Partido Comunista chinês.
diferendo territorial que mantém com Pequim. “Um bom vizinho é melhor do que um bom irmão à distância”, disse Fan a Chang. A reunião ocorre semanas depois de os Estados Unidos terem anunciado o levantamento parcial do embargo de armas ao Vietname, no início do mês, o que despertou suspeitas por parte da China, após meses de intensas tensões com o país vizinho. Em Maio, a China instalou uma plataforma petrolífera em águas próximas das ilhas disputadas desencadeando várias tentativas de navios vietnamitas de impedir a construção, os quais foram, mais tarde, repelidos por embarcações chinesas.
PROJECTOS EM MÃOS
“Tanto a China como o Vietname devem manter as suas tropas sob controlo e abster-se de fazer algo passível de afectar a situação em geral” FAN CHANGLONG Vice-presidente chinês da Comissão Militar Central
No total, a segunda economia mundial tem sete projectos de construção nas ilhas Paracel e Spratly, dos quais cinco aprovados durante a administração de Xi Jinping, no poder desde 2013. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, encontrou-se na passada quinta-feira com o seu homólogo vietnamita, Nguyen Tan Dung, por ocasião da cimeira anual Ásia-Europa (ASEM), em Milão, tendo ambos acordado limar arestas de forma a manter as relações bilaterais “no bom caminho”.
PEQUIM CONDENA VISITA DE DEPUTADOS JAPONESES A SANTUÁRIO
Dolorosas memórias de guerra P EQUIM condenou veementemente a visita realizada sexta-feira por mais de uma centena de deputados japoneses ao controverso santuário Yasukuni, em Tóquio, que presta homenagem aos mortos da Segunda Guerra Mundial e de outros conflitos bélicos. “A China está gravemente preocupada e opõe-se firmemente às actividades negativas no Japão em torno do santuário Yasukuni”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Hong Lei. Um grupo composto por 110 deputados de todo o espectro partidário visitou sexta-feira o santuário de Ya-
sukuni no primeiro de quatro dias do festival de Outono.
FORTE RECADO
“A China gostaria de reiterar que as relações sino-japonesas podem apenas conhecer um desenvolvimento saudável e estável quando o Japão enfrentar e mostrar arrependimento relativamente ao seu agressivo passado e dissociar-se do militarismo”, advertiu Hong Lei, em comunicado. “Instamos o lado japonês a lidar com os assuntos relevantes de uma forma responsável, a manter as suas posições e compromissos feitos até agora sobre questões históricas e a
ganhar a confiança dos seus vizinhos asiáticos e da comunidade internacional com ações concretas”. Já no sábado foi a vez da ministra japonesa dos Assuntos Internos e Comunicação, Sanae Takaichi, visitar o controverso santuário. Sanae Takaichi, figura como a primeira representante do Governo a deslocar-se ao local.
OFERENDAS
Entretanto, o primeiro-ministro conservador Shinzo Abe, actualmente em Milão a participar da cimeira Europa-Ásia, enviou uma oferenda: uma árvore sagrada conhecida como “masakaki”, à semelhança do que fez em Abril, aquando do festival da primavera. O santuário, de 145 anos, presta tributo a cerca de 2,5 milhões de cidadãos que morreram na Segunda Guerra Mundial e noutros conflitos bélicos. Porém, é altamente controverso porque entre os homenageados figuram criminosos de guerra, tal como o general Hideki Tojo, que autorizou o ataque contra Pearl Harbor. Os vizinhos do Japão, em particular China e Coreia do Sul, interpretam a ‘peregrinação’ de políticos e dignitários japoneses ao santuário como um insulto e uma dolorosa lembrança da agressão de Tóquio na primeira metade do século XX.
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hoje macau segunda-feira 20.10.2014
O fim-de-semana voltou a ser de grande agitação na ex-colónia britânica, enquanto se espera pelo diálogo entre as autoridades e representantes dos manifestantes, agendado para amanhã
V
INTE pessoas ficaram feridas, na madrugada de ontem, em Hong Kong na sequência de novos confrontos violentos entre a polícia e manifestantes, informaram as autoridades. Dezenas de polícias anti-motim carregaram sobre um grupo de manifestantes em Mongkok, um dos principais locais ocupados pelos protestos que duram há cerca de três semanas na antiga colónia britânica. Os agentes usaram bastões contra os manifestantes, com alguns a terem de ser retirados em macas, e outros a receberem tratamento no
HONG KONG VINTE FERIDOS EM NOVOS EMBATES ENTRE MANIFESTANTES E POLÍCIA
Águas continuam agitadas
noticiosa francesa, nada ter feito para provocar os agentes. Entre as 22:00 e as 06:00, 20 pessoas ficaram feridas nos protestos, informou o Governo de Hong Kong, sem especificar o número de manifestantes e/ou agentes, nem a gravidade dos ferimentos ou se tiveram lugar na zona de Mongkok.
EM DIRECTO
As conversações, [entre Governo e estudantes] que serão transmitidas em directo, vão focar-se na reforma constitucional, com ambas as partes a terem autorização para levar cinco representantes para o encontro
local por ferimentos na cabeça, fracturas e contusões, de acordo com fontes médicas e jornalistas da AFP.
HISTÓRIAS DISTINTAS
Polícia e manifestantes têm versões diferentes relativamente às causas dos novos confrontos no bairro densamente povoado de Mongkok. As autoridades de Hong Kong garantiram, num comunicado
emitido ontem, terem usado certa contenção quando os manifestantes “repentinamente tentaram forçar” os cordões policiais,
usando a “força mínima para os dispersar”, “a fim de evitar que a situação degenerasse”, enquanto manifestantes afirmaram, à agência
O Governo da antiga colónia britânica confirmou no sábado que o diálogo com os estudantes de Hong Kong vai ter lugar na próxima terça-feira. As conversações, que serão transmitidas em directo, vão focar-se na reforma constitucional, com ambas as partes a terem autorização para levar cinco representantes para o encontro. Contudo, há poucas esperanças num qualquer avanço, atendendo à fraca probabilidade de o Governo ceder às principais reivindicações dos manifestantes: a demissão do chefe do Executivo, Leung Chun-ying, e eleições livres e sem restrições para o próximo líder do Governo, em 2017.
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LAURIE ANDERSON PROTESTOS SÃO “ESPANTOSOS” E MERECEM O APOIO “TOTAL”
Solidariedade artística A
artista Laurie Anderson, que actuou sábado em Macau, garante estar a acompanhar os protestos em Hong Kong e considera o movimento “espantoso”. “Sempre que os estudantes estão a questionar e a exigir liberdade para saber mais é óptimo, é uma situação maravilhosa. Apoio totalmente”, disse a artista na véspera do seu concerto em Macau. Lembrando que ela própria foi, em tempos, uma “estudante radical”, Anderson elogiou o “impulso” dos jovens de afirmarem o seu direito de participação na vida política. “Estão a dizer ‘Não podem dizer-nos como vai ser, queremos participar’. É muito importante participar”, sublinhou.
DISTANCIAMENTO
Para a artista, que esteve envolvida com o Occupy
Wall Street, nos Estados Unidos, o movimento “espalhou-se” para outras partes do mundo, não pelos seus objectivos políticos, mas “pela capacidade de questionar e querer afirmar-se perante o poder”. Anderson, que já trabalhou com o artista e dissidente chinês Ai Weiwei, admite estar hoje mais afastada da política. “Não estou sempre a seguir as notícias, uma pessoa enlouquece se fizer isso. Se a direita estiver no poder
faço trabalho político, se a esquerda estiver no poder faço coisas mais culturais”, explicou. Apesar de um maior distanciamento das questões da actualidade, a artista mostra-se incomodada com o que considera ser uma orientação excessiva das sociedades modernas para o lucro. “Tudo é motivado por dinheiro, a educação, o Governo, os cuidados de saúde, a música, a arte. Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Nada tem que ver com o que as pessoas precisam, apenas com lucro. É muito extremo”, criticou. Assumindo-se como “uma capitalista” que respeita “a motivação do lucro”, a norte-americana sublinhou, no entanto, que “quando tudo se trata de dinheiro, é muito triste”. “O problema é que nos tornamos parte do mercado de arte e não do mundo artístico”, lamentou.
Edital no 001/CSA/2014 Com base em informações que, recentemente, lhe chegaram ao conhecimento, o Centro de Segurança Alimentar deste Instituto admite, de momento, a possibilidade de problemas de segurança e de qualidade de óleos alimentares, produzidos em Taiwan, abrangerem também óleos de origem vegetal e, até 16 do corrente mês, verificou, novamente, a existência de riscos para a segurança alimentar de óleos alimentares produzidos em Taiwan. Este Instituto, como entidade da fiscalização e implementação da Lei de Segurança Alimentar, tem a responsabilidade de, nos termos da lei, tomar medidas adequadas de prevenção e controlo, para salvaguardar a segurança alimentar e a saúde pública. Assim, de acordo com a alínea 5) do artigo 16º do Regulamento Administrativo nº 32/2001 e no uso das competências conferidas pelo Conselho de Administração e constantes da Proposta de Deliberação nº 01/PDCA/2014 e, ainda, de acordo com a alínea 4) do artigo 3º, alínea 8) do nº 1 do artigo 4°, nº 2 do artigo 8° e alínea 3) do nº 1 do artigo 9° da Lei de Segurança Alimentar, o signatário proíbe, provisoriamente, a importação de óleos alimentares produzidos em Taiwan, até que haja prova de que não existem riscos para a segurança alimentar nesses produtos. De acordo, ainda, com as disposições da Lei de Segurança Alimentar, qualquer entidade pública e privada é obrigada a cooperar na boa execução da medida ora tomada. O Centro de Segurança Alimentar do IACM irá continuar a acompanhar, activamente, os trabalhos, relacionados com os produtos, contendo os referidos óleos, existentes na RAEM. Caso encontre qualquer indivíduo ou entidade que produza ou explore esse tipo de óleos alimentares, o IACM não deixará de tomar, de forma adequada e necessária, as devidas medidas e acções. Por fim, para quaisquer dúvidas sobre o presente edital, pode esclarecê-las através da linha aberta do Centro de Segurança Alimentar deste Instituto. (Telefone n.º: 28338181) Aos 16 de Outubro de 2014. O Presidente do Conselho de Administração Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Denis Cosnard*
LE MONDE
Prémio Nobel da Literatura sabe aureolar o menor acontecimento com uma nuvem de mistério. Dono de uma escrita cada vez mais despojada, minimalista, a bruma insinua-se entre linhas, apagando as fronteiras tradicionais entre o real e a ficção
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ÃO digam a ninguém, sobretudo ao júri do Prémio Nobel, mas distinguiram na quinta-feira, 9 de Outubro, um escritor de um género muito particular: um fabricante de nevoeiro. O homem que sabe aureolar o menor acontecimento com uma nuvem de mistério. O mais dotado dos vaporizadores. Patrick Modiano gastou tempo a polir a sua técnica. Os seus primeiros textos não têm nada de algodão. “La Place de l’étoile”, que o deu a conhecer em 1968, é um romance copioso, barroco, divertido e violento, sibilante, afiado. Mas pouco a pouco o jovem foi limando asperezas. A sua escrita tornou-se cada vez mais despojada, isto é, minimalista. E a bruma insinuou-se entre linhas, apagando as fronteiras tradicionais entre o real e a ficção. Uma bruma de composição cuidadosamente doseada. As matérias-primas de Modiano? Sempre as mesmas. A sua história, as dos seus pais, os negócios duvidosos do pai, as suas recordações de menino desabrigado. E uma panóplia de assuntos mais ou menos sórdidos, unidos com frequência à Ocupação, a “noite original” que o atormenta. O escritor mistura estes elementos. Amassa-os, tritura-os, filtra-os, fá-los estoirar em finas chispas. “É o milagre da ficção, sirvo-me dele para vaporizar certos momentos,
Quanto a Chantal Grippay, conhecida como “a Chinesa”, principal figura feminina do conto, o autor foi buscá-la ao caso Petiot, com os seus olhos ligeiramente rasgados, o seu alojamento parisiense na rua de Charonne e a sua “roupa de andorinha”. Esta prostituta marselhesa foi em 1944 uma das vítimas do sinistro doutor Petiot, que fingia conhecer uma forma segura de fazer clientes seus atravessar a fronteira, exigindo o pagamento antecipado, e que depois os incinerava numa caldeira. A sua roupa foi encontrada, o que permitiu a identificação. Detalhe importante: Chantal Grippay vivia com “Adrien o basco”, um dos homens da famosa Gestapo francesa da rua Lauriston, que tanto fascinou o escritor.
MODIANO, PROFISSÃO: VAPORIZADOR
certos lugares da minha juventude, sim, é a palavra, vaporizar”, explicava ao Nouvel Observateur em 2007.
UM ROMANCE QUASE POLICIAL O seu último romance, “Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier” [Para que não te percas no bairro] (Gallimard, 148 páginas) não escapa a essa regra. A personagem principal é um escritor que tem o primeiro nome próprio de Modiano, Jean, e se parece com ele como um irmão. Pouco a pouco, é apanhado pelo seu passado, nesses anos 1951-1952 em que os seus pais o abandonaram em mãos pouco recomendáveis. Esta história tinham-na visto já os fiéis de Modiano em duas versões. Em “Remise de pente” (1988), o escritor transformara-a num relato comovedor, metade
conto de fadas, metade lápide em memória do seu irmão. Depois consagrou-lhe duas páginas secas e pungentes de “Un Pedigree” (2005), a sua autobiografia. Nesta ocasião, fez dela a base de uma espécie de romance policial bastante obscuro. Modiano acrescenta-lhe muitas outras partículas oriundas de um passado ainda mais longínquo. O endereço do nº 73 do Boulevard Haussmann era de um escritório do pai de Modiano após a guerra. O nº 42 da rua de l´Arcade albergava, durante a Ocupação, um restaurante considerado como guarida da Gestapo. Torstel, misteriosa personagem no coração do romance, era na mesma época o pseudónimo de Andreas Folmer, agente duplo que regia um “escritório de compra” por conta dos alemães na Avenida Foch; talvez o pai de Modiano a tenha conhecido.
AS MATÉRIAS-PRIMAS DE MODIANO? SEMPRE AS MESMAS. A SUA HISTÓRIA, AS DOS SEUS PAIS, OS NEGÓCIOS DUVIDOSOS DO PAI, AS SUAS RECORDAÇÕES DE MENINO DESABRIGADO. E UMA PANÓPLIA DE ASSUNTOS MAIS OU MENOS SÓRDIDOS, UNIDOS COM FREQUÊNCIA À OCUPAÇÃO, A “NOITE ORIGINAL” QUE O ATORMENTA Todo o Modiano está aí, nesta forma tão surpreendente de misturar a sua história íntima e acontecimentos aterradores que fazem regressar as horas mais negras da Ocupação. À primeira vista, é difícil assinalar tudo isto. Mas não é por acaso que o escritor semeia estes nomes, esses endereços, esses velhos números de telefone. São chamadas de um farol ou sinais de morse dirigidas a certas pessoas”, escreve ele mesmo no seu romance. São também, para os seus leitores, pontos que surgem do nevoeiro e dão aos seus relatos um matiz que não se parece a nenhum outro. *Denis Cosnard é, desde 2012, jornalista da secção económica de Le Monde e trabalhou antes para o diário financeiro Les Echos. Apaixonado pelo trabalho do recente Prémio Nobel, publicou em 2010 o ensaio “Dans la peau de Patrick Modiano” (Fayard, Paris).
artes, letras e ideias 15
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António José André
IN ESQUERDA.NET
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ETER Tosh nasceu em Westmoreland e cresceu em Kingston (Jamaica). No princípio dos anos 60, começou uma carreira a solo, gravando singles para companhias locais. O grande passo foi criar The Wailing Wailers com Bob Marley e Bunny Livingstone. Em 1966, a banda passou a chamar-se The Wailers e conseguiu um contrato com a Island Records, lançando “Catch a Fire” (1972). Até 1973, Tosh foi um dos pilares do grupo e compôs algumas das canções mais famosas: “Getup, stand up” e “400 years”. Depois da publicação do álbum “Burnin” (1973), Tosh e Bunny deixaram os Wailers. Em 1974, o presidente da Island, Chris Blackwell, recusou lançar o seu disco a solo. Durante algum tempo, Tosh foi mantendo a sua atividade a solo. Em 1976, Tosh lançou o primeiro disco a solo, através da CBS: “Legalize It” (Legalizai/É o melhor que se pode fazer/os médicos fumam-na, as enfermeiras fumam-na/os juízes fumam-na
MEMÓRIAS
PETER TOSH NASCEU HÁ 70 ANOS No dia 19 de Outubro de 1944, nasceu Peter Tosh, um dos músicos pioneiros do reggae/ska e activista social, anti-proibicionista e anti-racista
e os advogados também/É boa para o resfriado/é boa para a asma/é boa para a tuberculose). Esta faixa passou a ser o hino do movimento pró-marijuana. Em 1977, lançou “Equal Rights”. Em 1978, durante uma digressão pelos EUA, a Rolling Stones Records ofereceu-lhe a possibilidade de gravar alguns álbuns. “Bush Doctor” (1978) foi lançado com a presença de Mick Jagger em “(You gotta walk) Don’t look back”. Em 1979, teve êxito com o álbum ‘Mystic Man”, que continha canções intensas: “Jah seh no” e “Buckinhamm palace”. Em 1983, lançou o álbum “Mama África”, que incluía uma versão da canção de Chuck Berry “Johnny B. Goode”. Em 1987, Tosh recebeu um Grammy pela Melhor Performance de Reggae e pelo álbum “No Nuclear War”. Na noite de 11 de Setembro de 1987, Peter Tosh foi assassinado na sua casa, em Kingston (mais o seu cozinheiro e um amigo DJ), por três homens que entraram para roubar. O reggae perdia uma grande voz e um grande coração.
“LEGALIZE IT” (LEGALIZAI/É O MELHOR QUE SE PODE FAZER/OS MÉDICOS FUMAM-NA, AS ENFERMEIRAS FUMAM-NA/OS JUÍZES FUMAM-NA E OS ADVOGADOS TAMBÉM/É BOA PARA O RESFRIADO/É BOA PARA A ASMA/É BOA PARA A TUBERCULOSE). ESTA FAIXA PASSOU A SER O HINO DO MOVIMENTO PRÓ-MARIJUANA
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DESPORTO
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FC PORTO ASSEGUROU MANUTENÇÃO NO PRIMEIRO ESCALÃO
Benfica e Monte Carlo decidem o título MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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STÃO definidos os finalistas da edição de 2014 do Campeonato de Futebol de Sete do território. O Sport Lisboa e Benfica de Macau e o Clube Desportivo Monte Carlo vão discutir entre si, na próxima sexta-feira, o nome do novo campeão da “Bolinha”, depois de terem deixado para trás nas meias-finais da competição as formações do Windsor Arch Ka I e do Taxi Chi Iao. Frente ao titular da prova, o Benfica não se intimidou e garantiu um esforçado triunfo por duas bolas a uma sobre o emblema orientado por Chan Man Kin, com um golo atípico no último minuto do desafio. O grupo de trabalho dirigido por Bruno Álvares entrou na partida apostado a dar continuidade a uma notável remontada – as águias do território assinaram um início de campeonato periclitante, mas corrigiram a trajectória e encerraram a primeira fase na liderança da série A – e inaugurou o marcador ao fim de dez minutos de jogo, na cobrança de uma grande penalidade. O experiente Max Wamba travou com a
mão um lance de ataque do sete encarnado em plena área do Ka I e o árbitro apontou para a marca do castigo máximo. Cuco tomou em mãos a responsabilidade de cobrar o lance e não defraudou, batendo Fong Chi Hang na baliza adversária com um remate fulminante. O Ka I tentou responder na mesma moeda ao assédio do Macau e Benfica, mas a partida acabaria por seguir para intervalo com as águias do território na liderança do placard e com os campeões em título reduzidos a dez unidades: nos derradeiros instantes do primeiro tempo Ricardo Torrão entra de forma dura, ao meio-campo, sobre Fabrício Lima e o árbitro do desafio não está com contemplações, exibindo o cartão vermelho directo ao luso-sul africano.
SEGUNDA PARTE INTENSA
Com a incumbência de defender o título conquistado há um ano e mesmo reduzido a seis unidades, o sete orientado por Chan Man Kin assinou uma melhor entrada na etapa complementar e dispõe de duas boas oportunidades quase de enfiada. O primeiro a tentar a sorte é Bruno Figueiredo, mas Rui Nibra responde com uma
saída atenta à investida do médio brasileiro. No minuto seguinte, o bechuano Samuel Romosoeu remata ao lado do último reduto encarnado e desperdiça uma oportunidade de ouro para restabelecer a igualdade. O Benfica respondeu quase de imediato, com Vinício Morais Alves a conduzir uma boa arrancada pelo lado direito do ataque da formação encarnada e a cruzar para o coração da área do Ka I, mas ninguém apareceu para efectuar a emenda. Aos 35 minutos, Bruno Figueiredo volta a visar o último reduto da formação de matriz portuguesa, mas Rui Nibra nega o tento da igualdade ao conjunto adversário com uma intervenção segura. Ainda que reduzido a seis unidades, o Ka I apostava tudo quanto tinha na continuidade em prova e aos 43 minutos garantiu mesmo o tento da igualdade, num excelente remate cruzado de Diego Patriota, desferido à entrada da área do Benfica, no lado direito do ataque da formação orientada por Chan Man Kin. Com a igualdade a pautar o andamento do marcador, os sete derradeiros minutos do desafio foram frenéticos, com oportunidades dividi-
das para ambas as equipas. Cuco e Filipe Duarte quase marcaram para o Benfica e aos 49 minutos foi a vez de Paul Olivier Ngue colocar Rui Nibra à prova na baliza encarnada. A partida parecia condenada a ser decidida através do expediente das grandes penalidades, mas o sete orientado por Bruno Álvares acabaria por marcar nos últimos instantes do desafio, mercê de um erro clamoroso de Fong Chi Hang, que deixou a bola à mercê de Nicholas Torrão, que se limitou a atirar para as malhas e a garantir a presença das águias do território no encontro decisivo da “Bolinha”: “Não encaramos a “Bolinha com a convicção declarada de que iríamos jogar para sermos vencedores, mas os resultados começaram a surgir e as pessoas que fazem parte do Benfica estão confiantes e satisfeitas”, defendeu Daniel Silva Melo, treinador adjunto do Macau e Benfica, no final da partida.
MONTE CARLO SEGUE EM FRENTE
No encontro decisivo da edição de 2014 da “Bolinha”, as águias do território vão defrontar o Clube Desportivo Monte Carlo. O sete
orientado por Tam Iao San derrotou a surpreendente formação do Taxi Chi Iao por duas bolas a zero num desafio mais ponderado e calculista. Depois de uma primeira parte pautada pelo equilíbrio, foram necessários apenas cinco minutos para que a formação “canarinha” inaugurasse o marcador. Uma recuperação de bola à entrada da área à guarda de Domingos Chan impeliu o Monte Carlo para uma lancinante jogada de ataque que terminou apenas com a bola no fundo das redes de William Chu. Ho Chi Fong foi quem concluiu a jogada, com um disparo forte, desferido à entrada da área do Taxi Chi Iao. Em vantagem, o Monte Carlo necessitou de menos de quatro minutos para dilacerar dúvidas e arrumar de uma vez por todas com a questão da qualificação para a final, com o brasileiro Rafael Medeiros a receber na frente de ataque e a bater pela segunda vez William Chu na baliza adversária.
GOLEADA PORTISTA
Na sexta-feira foi também dia de decidir quem continua a usufruir do convívio dos grandes do futebol de sete de Macau. Futebol
Clube do Porto e Ngan Ieng decidiam o nome da terceira formação despromovida ao segundo escalão. Depois de ter sido surpreendida pela decisão de que teria de disputar a chamada “liguilha”, a formação de matriz portuguesa desbastou equívocos e goleou a adversário por quatro bolas a zero. Mayckol Sabino inaugurou o marcador aos dezanove minutos e foi em vantagem que o Futebol Clube do Porto se despediu da primeira parte. Na etapa complementar, os dragões do território necessitaram de apenas dois minutos para reforçar a preponderância de que dispunham no placard. Alison Brito recebeu à entrada da área e sentou o guarda-redes adversário, antes de rematar para o fundo das redes do Ngan Ieng. O dianteiro cabo-verdeano repetiu a graça dois minutos depois, apontando o terceiro da noite, segundo da conta pessoal. O Futebol Clube do Porto acabaria por encerrar a contagem aos 37 minutos, com Brito a entregar para Mayckol Sabino e o brasileiro a consumar a goleada, com o seu segundo golo do desafio. O Ngan Ieng acompanha Wing Kei e Pau Peng na descida de divisão.
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
MUITO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
24
MAX
28
HUM
60-90%
•
EURO
10.2
BAHT
0.2
THE GIVER [B]
FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Ochiai Com: Nozomi Sasaki, Sho Aoyagi, Reina Triendi 19.45
ANNABELLE [C]
Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis, Ward Horton 19.30
• Diariamente
SALA 3
OKTOBERFEST (ATÉ DIA 25/10)
WHIPLASH [C]
SALA 2
LET’S BE COPS [C]
Um filme de: Damien Chazelle Com: Miles Teller, J. K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Um filme de: Luke Greenfield Com: Jake Johnson, Damon Wayans Jr. 14.15, 16.05, 17.55, 21.30
ACONTECEU HOJE
1.3
O QUE FAZER ESTA SEMANA
JUON - THE BEGINNING OF THE END [C]
Um filme de: Phillip Noyce Com: Brenton Thwaites, Odeya Rush, Jeff Bridges 14.15, 16.00, 17.45, 21.30
?
YUAN
THE GIVER SALA 1
17
MGM, 18h00 às 24h00 120 patacas
20 DE OUTUBRO
Assinala-se o Dia Mundial da Osteoporose • Vinte de Outubro é o Dia Mundial da Osteoporose, doença oculta até à fase em que avança para um estado mais grave. Saiba os comportamentos a adoptar e quais os grupos de risco de um problema nos ossos, que pode gerar uma incapacidade, dor e, em casos extremos, a perda da independência. A osteoporose é uma doença que atinge os ossos e que se caracteriza pela diminuição substancial da massa óssea, com o desenvolvimento de ossos fracos, finos e de extrema sensibilidade, sujeitos a fracturas. Esta doença, mais comum em mulheres do que em homens, faz parte do processo normal de envelhecimento. Progride de forma lenta e raramente apresenta sintomas, sendo por regra detectada após uma fractura que não resulta de um trauma. Neste Dia Mundial da Osteoporose, pretende-se alertar para um problema que pode ser evitado, com diagnósticos preventivos, uma vez que esta doença se esconde, até uma fase em que atinge maior gravidade. Estima-se que, em todo o mundo, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com idade superior a 50 anos padeça de osteoporose, doença que provoca milhões de fracturas, todos os anos. Estão mais susceptíveis à doença as mulheres, os fumadores, os consumidores de álcool e de café em excesso e os diabéticos, bem como as pessoas que têm uma actividade física desadequada, quer por sedentarismo, quer por excesso dessa actividade. Aconselham-se exercícios físicos regulares, dieta com alimentos ricos em cálcio, bem como um acompanhamento médico, sobretudo nos grupos de risco. Hoje, assinala-se o Dia Mundial da Osteoporose.
FESTIVAL DE GASTRONOMIA MACAENSE (ATÉ 5 DE NOVEMBRO) Hotel Four Seasons, Cotai 18h00 às 22h00 498 patacas por adulto, 249 para crianças até aos 12 anos EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12)
U M D I S C O H O J E
Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre
“COMO DIZIA O POETA” (VINICIUS DE MORAES, 2001) Torna-se uma verdadeira odisseia conseguir escolher um álbum do enorme nome do mundo da música, o tão nosso, Vinicius de Moraes. Artista que rasgou as barreiras do Brasil e se espalhou por todo o mundo. Da melancolia aos sentimentos que nos enchem o peito de alegria, Vinicius conquistou e construiu uma carreira invejável, tornando-se um marco na história mundial. Feita uma escolha muito ingrata, sugerimos o álbum “Como dizia o poeta”, pela simples razão de encontrar uma lista de músicas quase infinita. “Tarde Em Itapoan”, “Sei lá...a vida tem sempre razão”, “Mulher, sempre mulher”, “Samba da Bênção” e tantas outras música que fazem parte, seja em estúdio ou ao vivo. - Filipa Araújo
“VIAGEM À TERRA DOS SONHOS” DE SU JIAN LIANG (ATÉ DIA 23/10) Galeria da Fundação Rui Cunha Entrada livre EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE CONCEIÇÃO JÚNIOR “TERRITÓRIOS” Clube Militar Entrada livre WORLD PRESS PHOTO (ATÉ 2 DE NOVEMBRO) Casa Garden Entrada Livre
João Corvo
Uma serenata não é um derivado do leite.
fonte da inveja
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OPINIÃO
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DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
Escada rolante perigosa DAVID R. ELLIS, THE FINAL DESTINATION
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O dia 17 de Outubro, o jornal local “Exmoo News” avançou uma notícia sobre um acidente verificado numa escada rolante das Portas do Cerco. Este foi o terceiro incidente registado nesse local desde o dia 21 de Maio deste ano. Desta feita, nove pessoas ficaram feridas, tendo a mais nova cinco anos e a mais velha 72 anos de idade. As Portas do Cerco são servidas por um sistema composto por três escadas rolantes, tendo o acidente ocorrido naquelas que estão localizadas do lado esquerdo da ala de partidas. Por volta das 18:00 horas, e de acordo com o jornal, um grupo de 30 turistas oriundos de Sichuan preparava-se para regressar à China quando um dos membros deixou que a sua roupa ficasse presa nas escadas. Um dos companheiros respondeu imediatamente ao seu pedido de auxílio e carregou no botão de emergência para imobilizar o equipamento. Facilmente conseguimos imaginar o que se passou de seguida. Com a paragem súbita das escadas rolantes, os restantes viajantes caíram uns por cima dos outros, acabando as suas bagagens espalhadas um pouco por toda a parte. Todos os feridos foram prontamente transferidos para o hospital, tendo seis deles recebido alta depois de serem observados. Porém, três dos elementos do grupo tiveram de permanecer na unidade
hospitalar para receber tratamento. Entretanto, os restantes membros do grupo prosseguiram a sua viagem e abandonaram o território. Este caso suscitou uma grande polémica pois um acidente semelhante havia ocorrido no mesmo lugar cinco meses antes. A 21 de Maio, um visitante viu os atacadores dos seus sapatos ficarem enrolados nas escadas rolantes. O dispositivo de emergência parou automaticamente o sistema, o que causou ferimentos em nove pessoas. O mesmo sistema de transporte de pas-
A ocorrência de três acidentes no mesmo local em apenas cinco meses gera preocupações acrescidas. Neste caso, as vítimas podem tomar acções legais para levantar processos e exigir compensação. O que interessa saber nestas situações é quem é que os lesados devem processar
sageiros sofreu uma avaria mecânica no dia 14 de Outubro, onde uma paragem súbita gerou mais três feridos. As escadas rolantes utilizadas nas Portas do Cerco apresentam um ângulo não-perpendicular para que os seus utilizadores cheguem aos andares superiores com uma inclinação confortável. Os seus componentes são construídos de alumínio e de ferro e o sistema é controlado através de um sistema simples e eficaz, movido por electricidade, que transporta os passageiros de um piso para o outro num movimento contínuo. Apesar de todo o cuidado despendido na criação de um sistema seguro, é bastante normal ouvir falar de acidentes em escadas rolantes. Mas a ocorrência de três acidentes no mesmo local em apenas cinco meses gera preocupações acrescidas. Neste caso, as vítimas podem tomar acções legais para levantar processos e exigir compensação. O que interessa saber nestas situações é quem é que os lesados devem processar. O demandante deve logicamente ser a pessoa que sofreu os ferimentos, enquanto que o réu deve ser aquele que originou o acidente, que no caso em questão será aquele que carregou no botão de emergência. Todavia, há que considerar que a verdadeira intenção daquele que parou o sistema era ajudar o seu companheiro, que tinha a roupa presa na engrenagem. É provável que a pessoa que parou a máquina não tenha tido tempo para medir as consequências das suas acções, pois este não tinha certamente
intenção de magoar ninguém. Todavia, o acidente acabou por ser causado pela sua decisão apressada de parar o motor, que apesar de bem intencionada, não o ilibe de acarretar a responsabilidade civil de prestar compensação às vítimas. Para além deste factor, há que considerar também a manutenção das escadas rolantes, que devem ser inspeccionadas periodicamente por uma entidade competente. Tendo isto sido feito, foi o público avisado para tomar alguma precaução especial? Terá a companhia em questão prestado atenção a alguma fresta onde a roupa ou os atacadores dos utentes pudesse ficar presa? Como não temos mais nenhuma informação adicional, vamos assumir que a manutenção foi bem gerida e que o sistema se encontrava em boas condições de funcionamento. Neste caso, a única pessoa que poderia ser acusada de causar o acidente seria aquele que carregou no botão de emergência para imobilizar o equipamento. Por último, e visto o acidente ter ocorrido no território, os procedimentos legais ficam a cargo das autoridades locais. Assim, as vítimas devem iniciar os seus procedimentos legais junto dos tribunais de Macau. As nossas leis ajudam a clarificar quem é que pode proceder à acusação e quem é que deve responder como réu, além do seu grau de responsabilidade no caso. Mas as leis não podem impedir que uma situação semelhante se venha a repetir no futuro. Como as Portas do Cerco enfrentam grandes multidões, as escadas rolantes são sempre utilizadas no limite da sua capacidade, o que torna impossível parar o fluxo de passageiros antes de proceder à imobilização do sistema. Nestas situações em que o sistema se encontra cheio de utentes, uma paragem súbita faz com que estes percam o equilíbrio. Os ferimentos são originados quando as pessoas caem das escadas ou colidem com os indivíduos ao seu redor. Uma maneira de evitar este problema seria reduzir a dimensão das escadas rolantes. Se as escadas têm actualmente 100 metros de comprimento, será possível introduzir duas escadas com 50 metros cada? E porque não introduzir uma plataforma entre cada escada forrada com um tapete macio? Assim, caso alguém volte a cair das escadas, poderíamos em teoria cortar o risco de ferimentos em metade. Se a dimensão das escadas for reduzida para metade, então o número de passageiros seria encurtado na mesma proporção, assim como a altura de uma eventual queda. E o tapete ajudaria a minimizar ainda mais qualquer eventual lesão. Esperemos que as vítimas deste acidente possam recuperar o mais brevemente possível e que estes possam perdoar os responsáveis pelo sucedido. Além disso, as entidades responsáveis deviam considerar a implementação das medidas aqui apresentadas para evitar que tais situações se repitam no futuro. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau
DIÁRIO DE BORDO
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POR CARLOS MORAIS JOSÉ
ontem macau
O SÍNODO dos Bispos sobre a Família, convocado pelo papa Francisco, aprovou sábado um relatório final, sem que tenha sido alcançado um acordo em relação aos casos de divórcio e aos homossexuais.
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“Foi uma fantochada, porque as tendas estão a ser montadas, portanto não se inaugurou uma coisa que não está feita. Isto só se pode fazer a quem tem total falta de respeito por quem trabalha” AMÉLIA ANTÓNIO • Presidente da Casa de Portugal de Macau, sobre a antecipação da inauguração da Festa da Lusofonia
“Apesar de eu nunca ter feito um estudo sobre este assunto, isto causa-me bastante incredulidade, quer dizer, como é que é possível que isto aconteça?” MIGUEL DE SENNA FERNANDES • Advogado, sobre a passagem de menores na fronteira, sem autorização
“O amor pela Pátria e por Macau foram desde sempre a base social do sistema jurídico da RAEM. É preciso ponderar, portanto, a consolidação e o desenvolvimento dessa base social” SIO CHIO WAI • Deputado, sobre a possível influência do movimento “Occupy” em Macau
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“O meu caso também está ligado à pressão exercida por pessoas poderosas, como é o caso de Chan Hong, que é deputada e presidente da Associação de Educação de Macau, que é muito poderosa neste sector” Bill Chou, académico | P.6
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édito
Falta amar Macau AS RAZÕES que presidem à visita do Presidente Xi Xinping, no dia 20 de Dezembro, poderão ser misteriosas. Sobretudo, depois do que se tem passado em Hong Kong, a região que não sabe ainda o que é o princípio “um país, dois sistemas”. Pelo contrário, a RAEM tem sido o “bom aluno” e, graças a esse entendimento, que passou por uma integração económica sem complexos com o continente, a China tem sido generosa e permitido a afluência de turistas em cada vez maior número. Resultado: a economia de Macau tem crescido a olhos vistos, enquanto Hong Kong definha e se sente ameaçado por Shenzhen ou Xangai, enquanto praça financeira internacional. No entanto, nem tudo são rosas e o Presidente deve saber disso. Macau enfrenta sérios problemas sociais (o que parece ser uma contradição), também eles derivados do crescimento desenfreado, que não foi acompanhado das necessárias medidas que promovam o desenvolvimento e a qualidade de vida dos cidadãos. Num ambiente um pouco feudal, em que meia-dúzia de famílias se abotoam com o grosso do bolo, a população pasma com o preço das casas, com a falta de qualidade na regulamentação dos transportes e do trânsito, má qualidade ambiental, etc., etc.. Ou seja, existe um grande descontentamento social que, a não ser colmatado, ameaça transformar-se em descontentamento político, à imagem do que se tem passado em Hong Kong. Ora Xi Xinping está certamente informado acerca disto. E deve, com certeza, ter prevenido o Chefe do Executivo para a necessidade de não deixar extremar posições, de modo a não transformar o “bom aluno” num tipo rebelde, porque nada terá a perder. A opulência dos casinos e da vida de alguns tem forçosamente de ter reflexos na vida da população, que não exige o céu mas também não lhe apetece viver no inferno. A vista de Xi terá obrigatoriamente de ser entendida como um recado, a saber, que o Governo Central está cada vez mais atento ao que por aqui se passa e está informado sobre as manigâncias da nossa elite de empresários. Será bom para Chui Sai On que mude alguns dos caminhos por onde tem andado. É que se o Governo da RAEM tem provado que ama a China (naturalmente), falta-lhe ainda provar que realmente ama Macau.
hoje macau segunda-feira 20.10.2014
EPM Prémio por preservar identidade macaense
cartoon
BARCOS
por Stephff
A Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi premiada com o galardão “Prémio Identidade”, que é atribuído anualmente a instituições ou pessoas que, de alguma forma, ajudem a preservar a identidade macaense. No texto de deliberação do prémio – criado pelo Instituto Internacional de Macau em 2003 – a EPM venceu por “ter sabido assumir o papel de herdeira das instituições centenárias de ensino secundário de Macau e desenvolver actividades que reforçam a importância da língua e da cultura portuguesas”. A cerimónia de entrega do prémio e diploma terá lugar às 17 horas da próxima sexta-feira, no próprio estabelecimento de ensino.
A
Ponte HK-Zhuhai-Macau Um morto e quatro feridos
Um homem morreu e quatro outros ficaram feridos hoje num acidente numa zona de construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. O acidente ocorreu depois de uma plataforma ter desabado, informa a RTHK (Rádio e Televisão Pública de Hong Kong). Os feridos foram transportados para o hospital Princess Margaret, na antiga colónia britânica. Iniciadas em Dezembro de 2009, as obras de construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, com um comprimento de 29,6 quilómetros, deverão estar concluídas até 2016.
Coreias Breve troca de tiros entre tropas fronteiriças
Tropas da Coreia do Sul e da Coreia do Norte trocaram ontem tiros na zona da fronteira, que está muito fortificada, sendo o segundo acidente deste tipo este mês, segundo a agência noticiosa local. Segundo a informação divulgada pela Yonhap, a situação ocorreu cerca das 08:40, depois de uma patrulha da Coreia do Sul ter disparado tiros de aviso a uma patrulha norte-coreana, perto da linha de demarcação militar que divide a península. No incidente não foram relatados quaisquer feridos. Uma fonte oficial do Ministério da Defesa disse que o incidente ocorreu quando uma patrulha da fronteira do Sul da Coreia notou que tropas da Coreia do Norte estavam a aproximar-se da linha de demarcação militar entre os dois países. “Foram realizados avisos verbais, através de um altifalante, e depois foram efectuados tiros de aviso”, disse a fonte oficial. “A seguir, os norte-coreanos abriram fogo sobre as nossas tropas, que responderam”, referiu, acrescentando que a troca de tiros não durou mais que 10 minutos.
Coreia do Sul 16 jovens morrem em concerto
SS QUEIXAS SOBRE FUMO NOS CASINOS
“Não é possível agir de imediato” O director dos Serviços de Saúde confessa alguma impotência dos serviços perante as denúncias de infracções mas mantém o optimismo quanto à implementação da lei
O
director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion, admitiu aos jornalistas que “não é possível receber uma denuncia e agir de imediato” no caso de um fumador violar as actuais regras de fumo nos casinos. Isto porque quando a queixa é remetida para o Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, o processo tem de ser transferido para a Direcção de Inspecção e
Controlo de Jogos (DICJ). Será este organismo a enviar ao local os funcionários para a devida inspecção. “Quando os agentes de inspecção se deslocam às instalações sanitárias e aos gabinetes dos casinos para proceder à inspecção, porque receberam queixas, por vezes só sentem o fumo e não encontram ninguém a fumar não podendo acusar as pessoas porque não foi detectado
“Quando os agentes de inspecção se deslocam às instalações sanitárias e aos gabinetes dos casinos para proceder à inspecção, porque receberam queixas, por vezes só sentem o fumo e não encontram ninguém a fumar” LEI CHIN ION Director dos SS
nenhum acto ilegal”, garantiu Lei Chin Ion, citado num comunicado.
SEMPRE OPTIMISTAS
Entre os dias 6 e 17 de Outubro, um mês depois da entrada em vigor da nova lei, já foram encontrados 28 fumadores que o fizeram em espaços ilegais. O Governo continua, contudo, com uma atitude optimista em relação ao cumprimento da lei. “O Governo tem efectuado diversas inspecções aos casinos e no decorrer dessas visitas tem solicitado melhorias de algumas questões, entre as quais a afixação dos dísticos de proibição de fumar e o aperfeiçoamento dos mecanismos das portas de correr automáticas”, garantiu o director dos SS. Até ao momento, dez espaços de jogo continuam à espera da aprovação do Executivo para abrir os novos espaços de fumo, estando a aguardar pela “conclusão das obras, vistoria e respectiva autorização dos serviços competentes”. Para além disso, Lei Chin Ion garantiu que “a aplicação da lei será bem sucedida” em bares, salas de dança, estabelecimentos de saunas e massagens, já a partir do dia 1 de Janeiro de 2015. “Como não haverá um período transitório para a implementação das novas disposições o Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo recrutará mais recursos humanos para responder às necessidades de trabalho”, admitiu ainda o director dos SS.
Coreia do Sul volta a estar ontem de luto pela tragédia, ocorrida na sexta-feira a sul de Seul, em que pelo menos 16 jovens morreram num acidente durante um concerto. O acidente teve lugar cerca das 18:00 de sexta-feira, durante um concerto ao ar livre de vários grupos ‘pop’ sul-coreanos, incluindo a conhecida banda feminina 4minute, na localidade de Seongnam, a cerca de 20 quilómetros a sul da capital, ao qual assistiam cerca de 700 pessoas. Doze das vítimas morreram no local do acidente, enquanto as restantes quatro no caminho para o hospital ou enquanto recebiam tratamento médico de emergência. Outros 11 feridos encontram-se hospitalizados em quatro centros médicos próximos do local do acidente, alguns dos quais em estado grave. Segundo testemunhas citadas pela cadeia televisiva sul-coreana YTN, várias dezenas de pessoas subiram para um ventilador para observarem o cenário, quando a grelha protectora cedeu devido ao peso excessivo, com muitos dos espectadores a caírem de uma altura de dez metros no parque de estacionamento. Ainda segundo a YTN, a maioria das vítimas são estudantes.