Skip to main content

Hoje Macau 20 JAN 2012 #2535

Page 1

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PUB

MOP$10

Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 20 DE JANEIRO DE 2012 • ANO XI • Nº 2535

TEMPO PERÍODOS DE CHUVA MIN 15 MAX 19 HUMIDADE 80-98% • CÂMBIOS EURO 10.3 BAHT 0.2 YUAN 1.2

PRIMO DE SÓCRATES TROCOU BANCA POR KRAV MAGA

DISSE ADEUS AOS “BONS CARGOS” PARA CONCRETIZAR SONHO EM MACAU Página 15

PME NA ÁREA DO CATERING

AVALIAÇÕES DOS PROFESSORES Quem dá má nota é também quem analisa recurso

Com apelo e com agravo Com o modelo previsto para avaliar professores, quem tiver nota negativa sujeita-se a ser afastado das aulas. Pior ainda, se discordar é o seu carrasco que decide o recurso. PÁGINA 4

TRABALHADORES EM PÂNICO COM ABERTURA DO NOVO SANDS Página 7

CINEMA NOS NOVOS ATERROS

INDÚSTRIA DESEJA TER “MACAULLYWOOD” Página 9

INVESTIGAÇÃO E ALTA TECNOLOGIA

CÉREBROS AMERICANOS EM ÊXODO PARA A CHINA Página 2 PUB

O ano da água ardente

Cuidado! Vem aí um Dragão da Água que, como todos os seus pares, não deixa de cuspir fogo. Num ano de incertezas, o Hoje Macau ajuda o leitor oferecendo: • UM AMULETO PARA PROTEGER DAS MÁS INFLUÊNCIAS

• O Dragão e os chineses por Ana Cristina Alves

• O Dragão das Mil Cores um conto infantil de Pedro Ascensão • Variações dracónicas por Rosana Rios

• Coitado do Jorge a lenda do santo que matou o dragão e ainda • As previsões astrológicas


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

2

ACTUAL

EUROPA CRISE DA DÍVIDA A MINAR O EURO A crise das dívidas soberanas na zona euro vai minar a confiança na moeda única, advertiu a agência de notação chinesa Dagong, que previu um agravamento da crise financeira mundial iniciada no Outono de 2008. “2012 será o quinto ano da crise financeira mundial. Mas em vez de uma atenuação progressiva, prevemos que esta se acentue, o que significa que uma crise monetária se vai desenvolver a partir da actual crise das dívidas soberanas.” A situação é particularmente grave na zona euro, segundo a Dagong, porque “à bolha das dívidas dos governos soma-se uma bolha de dívidas do sector bancário”. BIRMÂNIA TRÊS MORTOS EM EXPLOSÃO Três pessoas morreram e outra ficou ferida gravemente na sequência da explosão de um engenho na zona do norte da Birmânia, controlada pela minoria Kachin, cujos líderes negoceiam a paz com o Governo, informou ontem a imprensa oficial. A explosão da mina ocorreu na quartafeira numa estação de autocarros na localidade de Mogaung, perto da fronteira com a China, quando havia muitos passageiros em trânsito devido à celebração do novo ano lunar. Segundo o diário “Nova Luz de Myanmar”, que cita fontes policiais, o engenho foi instalado por guerrilheiros do designado Exército de Kachin Independente.

Investigadores e técnicos especializados emigram cada vez mais

Dos EUA para a Ásia

O

S Estados Unidos estão a perder de forma acelerada empregos no sector de alta tecnologia, à medida que as empresas americanas expandem os seus laboratórios de pesquisa e desenvolvimento na China e noutros países Asiáticos, segundo um relatório do Conselho Nacional de Ciências dos EUA.

JAPÃO OLYMPUS PERMANECE NA BOLSA O fabricante japonês de ópticas e material fotográfico Olympus, atingido por um grande escândalo financeiro, continuará na Bolsa de Tóquio, ainda que sob vigilância, informou ontem o diário económico Nikkei. A comissão reguladora do mercado de Tóquio, que ameaçou expulsar a empresa da praça financeira, tomou a decisão depois de concluir uma investigação sobre o caso, devendo anunciá-la hoje. Estar sob vigilância significa que se a empresa não endireitar a sua actividade nos próximos três anos será expulsa da Bolsa de Tóquio, explicou o diário japonês. Entretanto, a Olympus vai pagar uma multa de cerca de MOP 792 mil por violação das regras do mercado bolsista, indicou o jornal.

A 3M está a aumentar o número de laboratórios fora dos EUA “para se preparar para um mundo onde o Ocidente vai deixar de ter o poder dominante na produção” As empresas multinacionais com sede nos EUA como a 3M Co., a Caterpillar Inc. e a General Electric Co. gastaram muitos milhões de dólares nos últimos anos para expandir os seus laboratórios de pesquisa fora do país. O objectivo das empresas é ganhar acesso

a um amplo leque de cientistas talentosos, desenvolver produtos sob medida para mercados estrangeiros e angariar favores dos governos doutros países. A 3M está a aumentar o número de laboratórios fora dos EUA “para se preparar para um mundo onde o Ocidente vai deixar de ter o poder dominante na produção”, disse o director executivo da empresa, George Buckley, a investidores no ano passado. “Dado que o interesse pelas ciências nos EUA está moribundo, isto é estrategicamente muito importante”.

PERTO DO QUE INTERESSA

Os laboratórios norte-americanos continuam a inovar e a desenvolver produtos de sucesso como o tablet iPad da Apple Inc. e o leitor de livros electrónicos Kindle, mas os produtos são feitos na Ásia, o que tem gerado temores de que a emigração de técnicos especializados em pesquisa e desenvolvimento para aquele continente continue a aumentar. Os investigadores geralmente preferem trabalhar perto das fábricas, onde as ideias podem ser testadas rapidamente. Entre 2004 e 2009, cerca de

85% do aumento no número de trabalhadores de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) contratados por empresas norte-americanas multinacionais, ocorreu fora dos EUA.

RELATÓRIO ESCLARECEDOR

As empresas estão, em grande parte, a criar laboratórios onde os talentos de engenharia e ciências estão mais concentrados. Cerca de 56% dos diplomas de engenharia do mundo em 2008 foram concedidos na Ásia, em comparação com os 4% dos EUA, de acordo com o relatório do Conselho Nacional da Ciência, norte americano. Além disto, uma grande percentagem de estudantes de engenharia nos EUA veio de fora do país; 57% dos doutoramentos em engenharia em 2009 foram de estrangeiros, oriundos principalmente do leste da Ásia ou da Índia. Como resultado desta tendência, a liderança dos EUA em ciência e tecnologia está a “encolher rapidamente”, diz o relatório.

CRESCIMENTO RÁPIDO

A Caterpillar anunciou, este mês, planos para expandir um centro de pesquisa e desenvolvimento

em Wuxi, na China, que abriu há dois anos e tem agora mais de 500 engenheiros e técnicos de apoio.

57% dos doutoramentos em engenharia nos EUA, em 2009, foram de estrangeiros, oriundos principalmente do leste da Ásia ou da Índia. Como resultado desta tendência, a liderança dos EUA em ciência e tecnologia está a “encolher rapidamente” Um porta-voz da Caterpillar disse que os funcionários chineses de P&D são mais capazes de entender as necessidades do produto para o seu mercado do que os investigadores com base nos EUA. A GE anunciou, no final de 2010, planos para gastar cerca de MOP 4 mil milhões na criação de seis centros de pesquisa e desenvolvimento na China.


Está a chegar o Dragão e espera-se mansinho. Sobretudo que não devore o mundo lá para o solstício de Dezembro, como reza a profecia Maia e quejandas. Este ano, ao invés do que se augura a um animal deste porte e potência, deverá correr em tom menor, suspirando os crentes e os descrentes por uma gradual mas firme recuperação das economias. O capitalismo ocidental tem fraco dirigismo e pouca estratégia conjunta: depende mais dos interesses particulares das empresas. Carlos Morais José, P. 19

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

3

Implementadas medidas para castigar mau comportamento de taxistas

Um exemplo para Macau?

A

China vai implementar uma nova lei que pune os taxistas que se recusem a receber passageiros sem razões que o justifiquem, que aumentem o percurso da viagem deliberadamente e ainda aqueles que tentem expulsar o cliente do táxi, antes deste ter alcançado o seu destino.

A nova lei, que entrará em vigor a partir de 1 de Abril, prevê penalizações para os infractores de cerca de 60 a 250 MOP. Os taxistas sem licença e as empresas com condutores nestas condições sofrerão multas mais pesadas. Enquanto Macau anseia por mais eficácia no que diz respeito ao comporta-

mento de alguns taxistas, nomeadamente através das inúmeras queixas que se ouvem vindas de quase todo o lado, a China avança com medidas concretas e duras, para pôr na ordem um sector problemático.

OUTRAS MEDIDAS

As autoridades de Pequim puseram ainda em marcha

uma série de medidas para melhorar o sector. Os taxistas que receberem queixas dos clientes irão para uma lista negra e ao fim de três queixas serão expulsos da empresa. As autoridades recomendam aos cidadãos que forneçam o maior número de dados (hora, local e até gravações) dos actos dos infractores.

ACTIVISTA FEZ “ARTIGOS CONSIDERADOS SUBVERSIVOS”

AUMENTA EXIGÊNCIA DE IDENTIDADE REAL NA INTERNET

Condenado a 10 anos de prisão

Microblogs debaixo de fogo

U

M activista chinês foi condenado a 10 anos de prisão pela escrita de artigos considerados subversivos, naquela que é a terceira sentença de prisão de longa duração aplicada a um dissidente em menos de um mês. Um familiar não identificado do activista Li Tie disse ontem que ele tinha sido condenado num tribunal da cidade de Wuhan, no centro da China, a 10 anos de cadeia, depois de ter sido considerado culpado do crime de subversão, com base em artigos que tinha escrito. O grupo de Defesa dos Direitos Humanos Chineses disse que Li Tie afirmou a sua inocência em tribunal porque a Constituição chinesa protege o direito dos cidadãos à liberdade de expressão.

Noutros processos distintos julgados no mês passado, dois activistas foram condenados pela publicação de ensaios na internet considerados subversivos pelo governo chinês. Um dos indivíduos foi condenado a nove anos de prisão, o outro a dez.

CHINA E CATAR ESTUDAM APROXIMAÇÃO

Negócios com moeda própria O

primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que a China pode estudar uma proposta do Catar sobre o uso de moedas dos dois países para acordos comerciais bilaterais, informou ontem a agência de notícias oficial “Xinhua”. “O Catar também apresentou uma proposta para estabelecer uma proporção específica para o comércio bilateral (que poderá ser liquidado em divisas dos dois países) que acho que merece ser estudada”, disse Jiabao, segundo a

agência, numa conferência de imprensa em Doha (capital do Catar). O primeiro ministro chinês está a fazer uma viagem de seis dias na região do Golfo Pérsico. Entretanto, o Banco Popular da China informou, também nesta quinta-feira, ter assinado um memorando de entendimento com o banco central do Catar, com o objectivo de reforçar a cooperação bilateral. O Banco da China, porém, não deu mais detalhes. As informações são da Dow Jones.

A

China vai expandir a obrigatoriedade do uso de identidade real entre os utilizadores de microblogs na Internet. A medida, que já estava em vigor em Pequim, deve ser aplicada em todo território chinês, a começar pelas cinco maiores cidades do Leste do país, informou nesta quarta-feira o chefe do órgão regulador da Internet na China. Wang Chen disse que o programa de registo começará em cinco cidades para testar eventuais problemas. Mas a ideia, disse ele, é que os 250 milhões de utilizadores chineses de microblogs usem a identidade real na Internet. Wang explicou que, embora o programa exija nomes reais,

os cibernautas vão continuar a aceder aos sites com apelidos. Segundo o governo, a medida é uma forma de limitar a divulgação de vírus, pornografia e outras práticas não saudáveis na Internet.

DESILUSÃO

Os microblogs tornaram-se a maior fonte de notícias para muitos chineses. Defensores da liberdade de expressão condenam o programa, dizendo que os microblogs são um espaço livre para o debate, tornando-se muitas vezes palco de críticas ao governo. Com a nova medida, a discussão será silenciada, já que as autoridades terão acesso à verdadeira identidade de cada um que se julgar insatisfeito com o

governo chinês, aumentando o medo de repressão entre os cibernautas do país. O acesso a microblogs não tem parado de crescer no país: o número de utilizadores quadruplicou no último ano. Wang garante que o governo apoia os cidadãos que usam os blogs e disse que cerca de 150 milhões de comentários são feitos por dia no Weibo, a versão chinesa do Twitter. O Weibo pode, de facto, reflectir a opinião das pessoas, espalhar mensagens positivas e enriquecer o serviço de informações disse Wang - mas “também se tornou palco de algumas vozes irracionais, opiniões negativas e informações prejudiciais, que se espalham rapidamente”.

CONSEQUÊNCIAS

No mês passado, o governo municipal de Pequim já tinha dado um prazo de três meses para que os seus moradores registassem as suas identidades reais ao aceder aos microblogs. A Câmara prometeu consequências para aqueles que não respeitassem a medida. Neste novo passo da regulação da Internet no país, Xangai, Tianjin, Guandzhou e Shenzhen também vão aderir ao programa de registo. “Vamo-nos focar nos novos utilizadores, e também expandir a medida para os cibernautas que já têm contas em microblogs”, explicou Wang.


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

4

POLÍTICA

Professores | Avaliações negativas ainda piores do que se pensava

Quem chumba é que analisa recurso Joana Freitas

A

joana.freitas@hojemacau.com.mo

VALIAÇÃO dos professores sim, mas é preciso limar algumas arestas. Au Kam San, professor na escola São João de Brito e deputado da Assembleia Legislativa, apontou ontem ao Hoje Macau alguns defeitos do Quadro-Geral do Pessoal Docente das Escolas Particulares do Ensino Não-Superior. O maior, diz, é que são as comissões avaliadoras que também analisam os eventuais recursos. Ou seja, quem der má nota a um professor é que depois avalia o pedido de recurso. A proposta está agora a ser analisada na especialidade, mas a última reunião entre deputados e Governo aponta para que dê entrada no plenário em breve. “É razoável que se faça uma avaliação, mas será que isso reflecte verdadeiramente o trabalho dos professores?” Para Au Kam San, um dos pontos que mais suscita problemas é ser o mesmo grupo que avalia os professores a decidir, caso o docente emita recurso por estar insatisfeito com a nota que lhe foi dada. “Desta forma, o efeito não é assim tão grande”, acusa. “A comissão que avalia vai ser a mesma que pode repensar a sua própria conclusão anterior.”

FORMAÇÃO ESPECÍFICA

O quadro-geral prevê a criação de uma Comissão de Avaliação,

constituída pelas próprias escolas. A forma como serão escolhidos os elementos e os critérios a serem respeitados estão ainda fora dos planos. Au Kam San critica a decisão. “Ao ser formado pelos quadros da escola, como saber se as formas de avaliação ou as capacidades dos avaliadores são os correctos?” João Fonseca, professor do ensino secundário que já leccionou em Macau, recorda a experiência em Portugal, onde também deu aulas e foi gestor de uma escola, para sugerir um método. “A própria escola tem pessoas de maior categoria profissional – o Conselho de Supervisão Pedagógica -, com formação específica.” Para o docente, o fundamental é que quem avalie tenha uma formação académica comprovada, que constitua o grupo de supervisão pedagógica – “constantemente supervisionado”-. Grupo esse que, diz João Fonseca, não pode fazer uma auto-avaliação, mas será avaliado por elementos externos.

APOIO DE OUVIDO

A solução para os professores insatisfeitos está nas mãos de um outro grupo, o Conselho Profissional do Pessoal Docente. Mas este não faz mais do que receber as queixas dos profissionais das escolas. “Essa comissão só serve para reflectir sobre as queixas”, frisa Au Kam San.

O conselho é formado por 13 pessoas, entre dirigentes escolares, membros de associações educativas, quatro professores e representantes da DSEJ, estando encarregue de analisar as impugnações aos professores. O facto de serem apenas quatro os professores que constituem o Conselho fez com que os deputados se manifestassem nas primeiras reuniões em sede da especialidade. Pediram, na altura, melhores mecanismos de queixa, até porque o Conselho Profissional pode aceitar eventuais reclamações dos docentes e emitir um parecer, mas este é reenviado à instituição educativa. A decisão final cabe sempre à escola. “Como é que isto pode dar certo?”, interroga Au Kam San.

Sem conhecimento sobre este tipo de mecanismo – não só por nunca ter necessitado deste tipo de recursos, mas por não estar completamente dentro do processo -, João Fonseca adianta soluções para que avaliar não tenha tantos problemas. “Não se pode pensar nas qualidades de quem avalia depois do processo de avaliação estar já em marcha. Se não tiverem as competências necessárias, claro que depois da avaliação vai dar problemas.” A existência de critérios antes da avaliação é o ponto fundamental, explica o docente, mas o actual regime não foca estes pormenores, deixando-os a cargo de cada instituição. “Sem saber como avaliar e com consensos diferentes de escola

PROFESSORES AVALIADOS, DIRECÇÕES NÃO

O quadro-geral foi aprovado na generalidade pelo plenário no ano passado. Em Julho, a questão da avaliação foi um dos temas levantados numa reunião da comissão. É que, segundo a actual proposta, se os professores têm de ser submetidos a avaliação, já os directores das instituições ficam isentos dela, salvo se definido pelo próprio regulamento da escola. Ainda não está definido totalmente, mas em princípio não haverá alterações neste aspecto. Se assim for, João Fonseca torce o nariz. “Desde sempre que concordo que quem desempenha funções de professor ou dirigente de uma escola deve ser avaliado, seja interna ou externamente.” A avaliação externa não é, contudo, uma opção para integrar este regime. Segundo o Executivo, esse tipo de entidades não sabe o que se passa dentro das escolas para que possam fazer uma avaliação. O estipulado, justificou a assessoria do Governo, é mecanismo suficiente e com condições para salvaguardar os interesses dos professores, mesmo em casos de recurso.

para escola vai ser difícil”, alerta Au Kam San.

DOCENTES DO ENSINO PÚBLICO ESTÃO A SALVO

Saber o que pode acontecer a um professor que tenha uma nota negativa ou menos boa foi já um pedido feito por muitos dos deputados que constituem a comissão que analisa a proposta na especialidade. A resposta pode ter chegado na reunião desta semana. “Aos professores que recebam avaliações de satisfaz pouco ou não satisfaz, a escola deve proporcionar um apoio especial e, em último caso, colocá-los a fazer outra coisa que não ensinar”, disse o presidente da comissão Chan Chak Mo. O apoio antes de uma possibilidade de expulsão do ensino – que não fica de fora -, é apreciado por Au Kam San, mas há mais. “É preciso saber se a avaliação foi justa e se as avaliações foram justas.” Segundo o que explicou Ng Kuok Cheong, elemento da comissão, ao Hoje Macau, o quadro-geral chegou no surgimento de um pedido dos próprios docentes há mais de dez anos, com o intuito de optimizar o sistema das escolas privadas. Mas se a recente lei traz vantagens, também vem com normas difíceis de engolir. De acordo com este deputado, as escolas públicas não deverão ter de lidar com um regime semelhante. O Hoje Macau tentou contactar mais professores, mas até à hora do fecho de edição não foi possível.


SÁBADO NOS CANAIS TDM DEPUTADOS DEBATEM REFORMA POLÍTICA

Na semana que encerrou a série de colóquios sobre o desenvolvimento do sistema político, os canais portugueses da TDM – Rádio Macau e Canal Macau – convidaram três deputados para debater a reforma política. Gabriel Tong, deputado nomeado, Leonel Alves, eleito pelo sufrágio indirecto, e Pereira Coutinho, eleito pelo sufrágio directo, participam no programa, que será emitido no sábado ao meio-dia na Rádio Macau e às 21 horas no Canal Macau. O debate, moderado por Gilberto Lopes, será repetido às 18h45 de domingo no Canal Macau e às 10h30 horas de segunda-feira na Rádio Macau.

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

P

ASSARAM mais de seis anos sem que tivesse sido aberto um concurso público para a atribuição de moradias aos trabalhadores da Administração Pública. A denúncia já tinha sido feita diversas vezes por José Pereira Coutinho, deputado da Assembleia Legislativa, que voltou agora interpelar o Executivo sobre o assunto. “Durante mais de uma década, os trabalhadores da função pública vêm reivindicando, nos termos da lei, a abertura de concurso para atribuição das moradias do Governo sob administração da Direcção dos Serviços de Finanças.” Pereira Coutinho assegura que, durante este tempo, os trabalhadores foram obrigados a partir para as casas do mercado privado, “contraindo díviPUB

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

5

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTINUAM SEM RECEBER CASAS DA ADMINISTRAÇÃO DO TERRITÓRIO

Trabalhadores endividados pelo mercado privado das elevadas” dado os seus baixos recursos financeiros. Já desde 2010 que as interpelações de Pereira Coutinho são entregues ao Governo. Nesse ano, o deputado recebeu uma resposta do Executivo: até finais de Abril, existiam mais de 1200 fracções habitacionais pertencentes ao Governo. E 559 fracções atribuídas para serem utilizadas pelos serviços públicos.

NAÇÕES UNIDAS

Uma das questões mais prementes do deputado prende-se com o arrendamento de cinco fracções a particulares que não são funcionários públicos. “Com que base legal foi feito isso?”

Pereira Coutinho diz que foram atribuídas a algumas entidades privadas cerca 30 fracções, para uso de residentes não permanentes, pertencente ao quadro das Nações Unidas. O deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública frisa a necessidade de se perceber o critério utilizado para a atribuição deste tipo de fracções. “Quantas se destinam ao uso particular e ao de entidades particulares e estrangeiras, como aconteceu ao pessoal pertencente das Nações Unidas?” Quando vai o Governo construir mais casas para os funcionários da Administração Pública foi outra das questões.


PUB.

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

6

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Trabalho ilegal – pagamento das multas)

N.º 10/2012

Considerando que se revela ser impossível notificar, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, NGUYEN THI HUYEN (titular do passaporte da República Socialista do Vietname), YAO HUANMOU (titular do título de identificação de trabalhador não-residente), LAU NING CHAM(titular do título de identificação de trabalhador não-residente), 黃麗玲 (romanizado em Wong Lai Leng) (titular da Autorização dos Serviços de Alfândega da Região Administrativa Especial de Macau), XIE YUDI (titular de Salvo Conduto para Hong Kong e Macau da República Popular da China) e 楊志紅 (romanizado em Ieong Cho Hong) (titular da Autorização dos Serviços de Alfândega da Região Administrativa Especial de Macau), pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a matéria acusada pela infracção do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, de 14 de Junho, e para o efeito do regime de procedimento da aplicação da respectiva multa, Raimundo Vizeu Bento, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), notifica, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do CPA, os aludidos infractores, do teor da decisão sancionatória em causa, no seguinte: 1. Dado exposto por ter comprovado a acção de NGUYEN THI HUYEN, bem como a culpa da infractora, ao abrigo da alínea 2) do artigo 2.º do Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, nos termos da alínea 4) do n.º 1 do artigo 9.º do mesmo regulamento administrativo foi aplicada, a pena de multa de MOP$ 5.000,00; 2. Dado exposto por ter comprovado a acção de YAO HUANMOU, LAU NING CHAM, 黃麗玲 (romanizado em Wong Lai Leng), XIE YUDI e 楊志 紅 (romanizado em Ieong Cho Hong), a sanção acessória prevista, no artigo 10.º do aludido regulamento administrativo, impedindo-os de exercer qualquer actividade laboral na RAEM por um período de dois anos, a contar do primeiro dia útil seguinte ao da publicação da presente notificação edital; 3. Mais, foi aplicada aos infractores, NHUYEN THI HUYEN, YAO HUANMOU, LAU NING CHAM, 黃麗玲 (romanizado em Wong Lai Leng), XIE YUDI e 楊志紅 (romanizado em Ieong Cho Hong) bem como a culpa dos infractores, ao abrigo do artigo 3.º do Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do mesmo regulamento administrativo foi aplicada a cada infractor, pena de multa de MOP$ 20.000,00; 4. Informa-se ainda que, nos termos do n.º 2 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com as alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 145.º e os artigos 149.º e 155.º do CPA, os actos administrativos em causa podem ser impugnados, no seguinte: a) Mediante reclamação para o autor do acto (Chefe do DIT), no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação; ou b) Mediante recurso hierárquico necessário para o superior hierárquico do autor do acto (Subdirector da DSAL), no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação edital. Por outro lado, nos termos do n.º 4 do artigo 150.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 156.º do CPA, o direito acima referido é exercido por meio de requerimento, no qual devem ser expostos os fundamentos (de facto e de direito), juntando os documentos considerados convenientes, não sendo o acto acima mencionado susceptível de recurso contencioso. 3. Mais ficam notificados que, nos termos do artigo 12.º do Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, e da alínea e) do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, conjugado com os n.os 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 - Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, os aludidos infractores devem, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da presente notificação edital, comparecer na DSAL para o levantamento da guia de depósito a favor do Fundo de Segurança Social de pagamento da multa e proceder ao seu pagamento. Ficam ainda notificados que, nos 5 (cinco) dias subsequentes aos do prazo acima referido deverão entregar nestes serviços, o documento comprovativo desse pagamento, sob pena das cópias de todos os documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva serem remetidos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para, ser efectuada a cobrança coerciva nos termos legais. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 13 de Janeiro de 2012. O Chefe do DIT Raimundo Vizeu Bento

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Exercício do direito de defesa)

N.º8/2012

Considerando que não se revela possível notificar, nos termos dos artigos 10.º e 58.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, a Companhia de Gestão de Participações Paradigm, Limitada, sita na Rua de Paris, n.os 107-111, Edifício Tai Fung Plaza, Bloco 2, R/C, R, Q, em Macau, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a matéria acusada pela eventual infracção ao disposto da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, Raimundo Vizeu Bento, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda que se proceda, nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, conjugado com o artigo 94.º do mesmo código, à notificação da Companhia de Gestão de Participações Paradigm, Limitada, em virtude de não ter comunicado à DSAL no prazo de quinze dias a contar da data da sua celebração, por meio de apresentação da cópia do contrato de trabalho celebrado com o trabalhador menor HO, FILIPE, infringindo assim o n.º 1 do artigo 31.º da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho. Do facto acima referido, nos termos da alínea 3) do n.º 2 do artigo 88.º da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, a supracitada infracção é punida com multa de MOP1.000,00 (mil patacas) a MOP5.000,00 (cinco mil patacas) por cada trabalhador em relação ao qual a infracção se verificar, perfazendo assim o cumulo material da pena de multa em MOP 1.000,00 (mil patacas) a MOP5.000,00 (cinco mil patacas). Face ao exposto, é facultado ao notificado o exercício do seu direito de defesa por escrito no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte ao da publicação do presente edital. A notificação da acusação em causa pode ser levantada no D.I.T., sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, dentro das horas de expediente, sendo também permitida a consulta do respectivo processo n.º 5660/2010. A falta de apresentação da defesa escrita pelo notificado, dentro do prazo acima referido, é aplicada a multa.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, aos 12 de Janeiro de 2012. O Chefe do Departamento, Raimundo Vizeu Bento

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Reparação coerciva)

N.º 9/2012

Raimundo Vizeu Bento, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda que se proceda, nos termos do n.º 3 do artigo 9.º e do artigo 11.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho conjugados com o artigo 58.º, n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, à notificação da transgressora do Auto n.º 372/0708/2011, de 19 de Dezembro de 2011, Companhia de Gestão de Participações Paradigm, Limitada, sita na Rua de Paris, n.os 107-111, Edifício Tai Fung Plaza, Bloco 2, R/C, R, Q, em Macau, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, proceder ao pagamento da multa aplicada no aludido auto, no valor de Mop$45.000,00 (quarenta e cinco mil patacas), por prática da transgressão laborais previstas nas alíneas 2) e 3) do n.º 1 do artigo 28.º e no artigo 77.º, e punidas na alínea 3) do n.º 1 e na alínea 5) do nº 3 do artigo 85.º da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, de 18 de Agosto, bem como, no mesmo prazo, proceder ao pagamento da quantia em dívida ao trabalhador HO, FILIPE, no valor de Mop$6.200,00 (seis mil e duzentas patacas), devendo ainda, nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do atrás citado prazo, fazer prova do pagamento efectuado. A cópia do auto, a notificação, o mapa de apuramento e as guias de depósito deverão ser levantados, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo facultada a consulta do processo em causa, instruído por estes Serviços. Decorridos os prazos, sem que tenha sido dado cumprimento à presente notificação, seguir-se-á a tramitação judicial, com a remessa do auto ao Juízo. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 12 de Janeiro de 2012. O Chefe do Departamento, Raimundo Vizeu Bento


SOCIEDADE

Associações prevêem debandada massiva de pessoal de catering

Sands leva toda a gente Virginia Leung

O

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

presidente da Associação Promotora da Economia de Macau, Chan Chak Mo, declarou ao jornal Ou Mun que o futuro da indústria de catering em Macau é sombrio, devido à falta de recursos humanos e ao aumento dos

preços das rendas e dos produtos alimentares. As pequenas e médias empresas (PME) têm de se especializar se quiserem sobreviver, sublinhou. Chan Chak Mo assinalou que, desde a abertura das licenças de jogo e da implementação do “visto individual” para a China Continental, a falta de recursos humanos no sector se faz sentir. Apesar do

governo ter facilitado a importação de mão de obra para as PME, os grandes empreendimentos da indústria do jogo estão a estrangular o sector. E deu como exemplo mais forte a futura abertura, em Abril, do “Sands Cotai Central”. “Deverá ser mais um golpe para as PME, com muitos dos seus funcionários a mudarem-se para o novo empreendimento.”

Acrescentou ainda que as PME não conseguem competir com as grandes empresas, no que diz respeito à matéria salarial.

OUTRAS CONTRARIEDADES

Para Chan Chak Mo, a valorização do yuan torna também Macau menos atractiva para os talentos na área do catering. “A ideia de Grande Centro de Turismo e Lazer

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

7

Mundial fica assim mais difícil de alcançar.” Além das dificuldades com os recursos humanos, o sector enfrenta ainda o aumento de custos dos produtos alimentares, muitos deles importados, e a subida dos preços de aluguer dos espaços O presidente da Associação Promotora da Economia de Macau acrescentou que, para manter os recursos humanos dentro da indústria de catering, os salários terão de ser ajustados anualmente e que, embora o negócio pareça estar a correr bem, há muitos restaurantes que não estão a obter lucro.

PORTUGAL COBRA IRS INDEVIDAMENTE A PENSIONISTAS DE MACAU

Devolver a quem de direito Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

A

Caixa Geral de Aposentações (CGA), em Portugal, cobrou erradamente o IRS das pensões de aposentação e sobrevivência dos idosos de Macau. Mas vai devolver o dinheiro retido. De acordo com o presidente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), Francisco Manhão, a CGA emitiu um recibo de pensão do mês de Janeiro com desconto do

respectivo IRS em Portugal, o que até agora nunca tinha acontecido para quem vive em Macau. Manhão contactou a CGA e garantiram-lhe que “ocorreu um erro técnico na emissão do extracto”, pelo que os idosos “não precisam de ficar preocupados”.

TODOS ATENTOS

Igual reparo fez a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). O seu presidente, e também deputado, José Pereira Coutinho emitiu um comunicado durante

a tarde de ontem. “Na sequência das muitas queixas recebidas da sede da ATFPM, a CGA foi de imediato contactada para explicar estas insólitas situações, tendo a CGA informado ter sido um lapso, com os montantes retidos a serem posteriormente devolvidos”. A CGA irá rectificar a situação e os montantes serão devolvidos juntamente com a reforma de Fevereiro. A ATFPM revelou que irá continuar a acompanhar a situação. Assim sendo, todos receberão as suas quantias de reforma como até aqui, na sua totalidade.


OKADA NOMEIA CANDIDATOS PARA WYNN

SEXTA-FEIRA 20.1.2012

A Aruze USA, empresa dirigida indirectamente pelo japonês Kazuo Okada, nomeou três candidatos para o quadro administração do Wynn Resorts, na quarta-feira. Segundo a revista Macau Business, a notícia não aponta os nomes dos candidatos, mas serão três os propostos na reunião dos accionistas sobre as eleições para 2012. Recorde-se que Kazuo Okada está envolvido desde há pouco tempo numa disputa legal com a Wynn Resorts, devido a não lhe ser permitido o acesso a ficheiros financeiros da empresa. Okada foi retirado da Administração da Wynn Resorts, em Outubro passado. O nipónico controla 20% da empresa.

www.hojemacau.com.mo

SOCIEDADE

8

Associações pedem reflexão sobre o que se está a passar

Virginia Leung

O

virginia.leung@hojemacau.com.mo

governo prometeu a emissão de mais 40 milhões de “notas dragão”, após a imensa procura das mesmas, com gigantescas filas em frente aos bancos. Com esta medida, o Executivo procura também combater a especulação a que se tem assistido. Lei Bun Iao, investigadora da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) declarou que as

O

FILAS À NOITE

Lei Bun Iao sublinhou que a emissão limitada de notas lhe confere

valor de colecção, levando os cidadãos a tentarem tirar partido da situação, procurando obter lucros com as notas. Referiu ainda que a confusão que se instalou, com cidadãos a fazerem fila durante a noite às portas dos bancos, afectando o seu normal funcionamento, se deveu à falta de mecanismos de comunicação e de gestão eficientes. Assim, aconselhou o Governo e os cidadãos a reflectirem sobre o assunto.

CONQUISTOU PALADAR DA ÁSIA COM PASTEL DE NATA

Aula de inglês de os portugueses não estarem a aproveitar a presença num território que administravam para conquistar o Oriente pelo estômago, Stow decidiu que queria surpreender com a promoção de um dos ex-líbris da doçaria portuguesa.

RECEITAS

“Ele não tinha a receita do pastel de nata e, como britâ-

nico arrogante que era, não ia pedi-la a um português e decidiu criar a sua própria”, explicou a irmã à agência Lusa, recordando que a reacção dos portugueses foi que o resultado “não era bem um pastel de nata”. Andrew respondeu: “é o que consigo fazer, se não gostam não comprem”, lembrou Eileen entre risos.

Mas os chineses renderam-se e a “tarte de ovo de estilo português” ou “pu shi dan ta”, em chinês, transformou-se num “ícone de Macau” e valeu a Stow, em 2005, a distinção do Governo local por mérito de Turismo. “Se Andrew soubesse o sucesso que ia ter, tinha-lhe chamado tarte de ovo

de Macau”, disse Eileen, indicando que as 200 unidades que a “Lord Stow’s” inicialmente vendia por dia multiplicaram-se para cerca de 10 mil, “sem contar com as imitações” que se encontram em todos os cantos do território. O pastel de nata ‘à Stow’, servido sem canela, como os asiáticos preferem, conquistou a Ásia e é reinventado um pouco por toda a região, tendo chegado mesmo, através de Margaret, ex-mulher de Andrew, aos balcões da cadeia de “fast-food” norte-

LUSA/CARMO CORREIA

ministro da Economia de Portugal gostaria que existisse um ‘franchising’ de pastéis de nata, mas um inglês já explorou a ideia em Macau há duas décadas, reinventando a receita de Belém e, mesmo sem canela, conquistou o paladar da Ásia. Foi em 1988 que Andrew Stow, farmacêutico industrial, provou pela primeira vez um pastel de Belém ao balcão daquela que é uma das confeitarias mais famosas de Portugal e ponto de paragem obrigatório de quem visita a capital portuguesa, quando estava em lua-de-mel com Margaret Wong, uma chinesa que hoje gere a padaria “Café e Nata”, criada por ambos em Macau. Radicado em Macau desde 1979, Stow mudou de profissão e trabalhou no antigo hotel Hyatt, na ilha da Taipa, onde fez amigos portugueses e nasceu uma ideia que mudaria a sua vida. “Andrew apercebeu-se que não havia qualquer local, além dos hotéis, para os ocidentais comprarem pão, e decidiu abrir uma padaria para fazer a distribuição pelos supermercados”, ideia que não funcionou pela “ansiedade” por pão fresco, que fez com que a “Lord Stow’s” abrisse as portas em 1989 no coração da pitoresca vila de Coloane, lembra Eileen, que gere o negócio desde a morte do irmão, em 2006. Consciente do poder do “pastel de nata” entre o mercado da saudade luso e do facto

intenções de promover a nota são boas, mas que devia ter havido mais cuidado no seu lançamento por parte dos departamentos competentes, de modo a evitar confusões que promovem práticas de especulação ilegal. Por isso, incentivou o Governo a rever a legislação e a controlar a situação, estabelecendo penalizações duras para os especuladores.

LUSA/CARMO CORREIA

Especulação e histeria com “nota dragão”

Eileen Stow é a dona da pastelaria “Lord Stow’s” que vende pastéis de nata e abriu as portas em 1989 no coração da pitoresca vila de Coloane.

-americana Kentucky Fried Chicken (KFC), a maior na China.

ESTILO INGLÊS

No final da década de 90, Andrew e Eileen, que se mudou para Macau para ajudar a gerir o sucesso da “Lord Stow’s”, decidiram apostar no ‘franchise’ e lançaram lojas em Hong Kong, Taiwan e na Tailândia, que se “perderam” devido às muitas “imitações” das tartes de ovo, mantendo, porém, na última década a presença no Japão, Coreia do Sul e Filipinas. O facto de ter sido um inglês e não um português a promover na Ásia o pastel de nata a partir de um território que esteve sob administração de Portugal durante mais de quatro séculos e até 1999 não deixa de causar estranheza a Eileen. “Não sei porque é que havia poucos portugueses a abrir negócios em Macau. Ninguém criou uma padaria no Largo do Senado na década de 30, como eu consigo imaginar, o que é estranho, porque há uma cultura rica de pastelaria em Portugal.” Esta inglesa também considera estranho que os italianos sejam conhecidos no mundo inteiro pelos seus cafés e que os portugueses não sejam conhecidos a nível mundial por coisas semelhantes devido à sua história de viajantes. “Onde está aquele espírito aventureiro?” - P.N., Lusa


PRIMEIRAS CASAS ECONÓMICAS JÁ FORAM ADQUIRIDAS NO EDIFÍCIO DO LAGO Os primeiros agregados familiares candidatos à habitação pública foram ontem escolher as fracções do Edifício do Lago. Foram escolhidas 50 fracções da habitação económica, mas três agregados não conseguiram decidir-se por nenhuma das casas. Outros dois também foram suspensos, um por ter solicitado a alteração dos elementos do agregado e os outros por não terem habilitações para a escolha. O Instituto de Habitação irá fornecer a lista das linhas abertas dos bancos para tratamento dos empréstimos de aquisição de habitação económica. Após a escolha de fracção de habitação económica, os representantes de agregados familiares devem assinar um termo de compromisso para aquisição e assinatura do contrato-promessa de compra e venda, sem necessidade de pagar qualquer quantia para o procedimento de venda antecipada.

www.hojemacau.com.mo

9

SOCIEDADE

Associação de Promoção das Indústrias Culturais Chinesas sugere

Joana Freitas

I

joana.freitas@hojemacau.com.mo

RENE Lou, directora-geral da Associação de Promoção das Indústrias Culturais Chinesas, afirma que a indústria cinematográfica poderá ser uma boa alternativa para os novos aterros do território. “É muito abrangente, inclui cinema, cinematografia, lançamento no mercado, lançamento do filme e exploração de produtos audiovisuais.” Depois de o Governo Central ter autorizado a exploração de novos aterros no território, e com o desejo constante da diversificação económica e do desenvolvimento das indústrias criativas, Irene Lou acredita que este tipo de criação pode ajudar bastante. “A cultura tem cada vez mais um papel decisivo. As Linhas de Acção Governativa em 2010 falavam em novos aterros

SEXTA-FEIRA 20.1.2012

Macaullywood nos novos aterros

Hollywood, meca do cinema nos Estados Unidos, vai servir de inspiração a Macau?

sem jogo, e a indústria cinematográfica faz parte das indústrias culturais mais discutidas e populares.” A responsável acredita que o cinema é a indústria

pioneira em todos os países e que tem características capazes de chamar rapidamente a atenção da sociedade. Uma indústria cinematográfica ao estilo do Hollywood ameri-

DEPUTADA PREOCUPADA COM PISCINAS PRIVADAS

cano, Bollywood indiano ou Hengdian da China poderia ser a fórmula ideal para realizar o tão aclamado “Centro Internacional de Turismo e Lazer”.

“Muitos grupos estrangeiros têm vindo a Macau fazer filmagens desde que foi incluído como património da humanidade e a aparência da cidade insere-se

como pano de fundo da indústria.” A ideia, frisa Irene Lou, é ter infra-estruturas que tornem Macau numa sede dedicada à indústria do cinema.

PUB

Mais segurança, mais higiene Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

A

deputada à Assembleia Legislativa Kwan Tsui Hang, interpelou o governo sobre as condições de segurança e higiene das piscinas privadas. A deputada contou a história de um residente cujo filho quase se afogou na piscina do hotel e que se encontra ainda hospitalizado, para exemplificar a importância de haver legislação nesta matéria. Kwan Tsui Hang declarou que este acidente não é caso isolado nos estabelecimentos hoteleiros e que o governo deve interferir no sector, de modo a garantir condições de segurança para os residentes e turistas que usufruem das piscinas dos hotéis. A falta de regulamentação e de controlo na matéria é ainda mais evidente perante o crescente aumento de empreendimentos privados que oferecem piscinas aos seus clientes. “Será que o governo vai continuar a ignorar a falta de controlo das piscinas nestes empreendimentos?”

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais deseja à população de Macau um próspero Novo Ano Lunar do Dragão


ENTREVISTA

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

10

N

António Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa

“É necessário mais professores portu GONÇALO LOBO PINHEIRO

O final da sua viagem pelo Oriente, fala com entusiasmo sobre o ensino da língua e cultura portuguesas na China e do ensino do chinês em Portugal. O que contém de mais importante o protocolo assinado entre as universidades de Lisboa e Pequim? O mais importante é a criação de uma plataforma conjunta para o ensino da língua e da cultura portuguesas na China e em Macau. Com sugestão do governo chinês, em particular do vice-ministro da Educação, Hao Ping, estamos a tentar elaborar essa plataforma, abrangendo as 15 universidades chinesas que já ensinam português. No entanto, também temos a perspectiva de mais universidades, uma vez que o governo chinês tem o objectivo de alargar o número de adesões para o dobro nos próximos dois ou três anos. Em Macau, que passos principais foram dados pela delegação de académicos que chefiou nesta viagem à China? O ponto central foi a abertura dos cursos de doutoramento feitos em colaboração com o Instituto Politécnico de Macau. Doutoramentos em Administração Pública e em Língua e Cultura Portuguesas, dando ainda passos no sentido de abrir um terceiro doutoramento na área da Educação. Um momento muito importante de colaboração na qualificação das elites universitárias, dos futuros professores das instituições de ensino superior de Macau. Teve também grande significado o conjunto de reuniões que tivemos com o reitor e a delegação da Universidade de Macau, uma instituição que está num grande processo de expansão e consolidação. Abriram-se extraordinárias possibilidades de colaboração, em particular nas áreas do Direito, Medicina e Humanidades. Como observa este crescente interesse da China pela língua portuguesa? Parece um interesse muito

importante para nós todos, até porque no fundo não tem que ver apenas com Portugal isoladamente, mas também com o seu enquadramento com Brasil, África, os países que falam a língua portuguesa e ainda a sua relação com Macau. Este é o património mais importante da universidade portuguesa, o património da nossa língua e da nossa cultura. O interesse de Macau, da China, pela língua portuguesa, é o interesse mais alargado pelo espaço da lusofonia. Aí, a universidade portuguesa tem capacidade de encontrar

Portugal é um país paroquial em muitos sentidos, onde os níveis de mobilidade são muito pequenos. Por vezes, ir estudar de Lisboa para Évora, ou para Coimbra, por exemplo, parece quase uma tragédia. Portugal tem raízes muito fortes, isso é positivo, mas falta-nos um certo cosmopolitismo. A nova geração começa a encarar isso com maior naturalidade, de forma mais confortável.

uma plataforma de internacionalização a partir do nosso próprio património que, evidentemente, é uma possibilidade única para a Universidade de Lisboa e para o conjunto das universidades de Portugal. Por outro lado, a Universidade de Lisboa tem cursos de língua chinesa, designadamente através do Instituto Confúcio. Uma resposta ao interesse chinês pela língua portuguesa? Certamente! Essa é a segunda parte da nossa visita à China. Uma parte que se prendeu justamente com a consolidação e

alargamento do nosso programa, relacionado com o Instituto Confúcio instalado na nossa universidade há quatro anos. Era altura de fazer um balanço desses quatro anos. Concluiu-se que foi muito positivo, tanto por parte da Universidade de Lisboa como por parte do Hanban (“Hanban Foreign Studies University”) e das autoridades chinesas. Inclusivamente, foi renovado esse protocolo por mais cinco anos, em parceria com a Universidade de Tianjin, que é uma das grandes universidades chinesas. Quantos alunos tem o

Instituto Confúcio instalado na Universidade de Lisboa? Neste momento, cerca de 300, maioritariamente portugueses. Esperamos multiplicar estes números, passando rapidamente para 500 ou 600 nos próximos dois anos. Sobretudo, também alargá-lo ao sector empresarial, uma vez que há um conjunto de empresários que nos tem vindo a pedir cursos de actualização e sensibilização à língua e cultura chinesa. E quanto ao aumento do número de professores portugueses a ensinar em universidades chinesas? Um dos objectivos desta plataforma já mencionada é justamente o reforço da presença de professores portugueses nas universidades chinesas, nos departamentos de língua e cultura portuguesa. É necessário formar essas pessoas e algumas já estão formadas. Professores de gerações jovens? Sim, são professores jovens muito qualificados, com situações difíceis em

Portugal. Podem encontrar, durante um período de tempo das suas vidas - três, quatro, cinco anos - uma oportunidade absolutamente fantástica para a sua qualificação académica, para a sua internacionalização e para prestarem um serviço extraordinário a Portugal, à expansão da língua portuguesa aqui pelas universidades chinesas. Deduzo que sinta essa desejada disponibilidade, por parte dos docentes portugueses, em vir trabalhar na China. Sei que não é fácil. Portugal é um país paroquial em muitos sentidos, onde os níveis de mobilidade são muito pequenos. Por vezes, ir estudar de Lisboa para Évora, ou para Coimbra, por exemplo, parece quase uma tragédia. Portugal tem raízes muito fortes, isso é positivo, mas falta-nos um certo cosmopolitismo. A nova geração começa a encarar isso com maior naturalidade, de forma mais confortável. Estou convencido de que na faixa etária dos 30 anos, por aí, encontraremos disponibilidade. É preciso que lhes sejam dadas condições e que sintam um certo enquadramento, não se sintam totalmente desenraizadas. Por isso estamos a trabalhar em estruturas de acolhimento também nas universidades chinesas, que permitam as pessoas sentirem algum conforto na vinda para a China. Está optimista quanto a essa possibilidade? Estou convencido que é possível. Como reitor, estou determinado, nas próximas semanas, a encontrar uma espécie de estrutura de missão, dentro da Universidade de Lisboa, especialmente vocacionada para a colaboração com a China continental e com Macau. Temos uma oportunidade absolutamente fantástica, é preciso responder-lhe sem ser pelos


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

com Helder Fernando

11

ugueses nas universidade da China” canais habituais. Perante situações excepcionais, respostas excepcionais. Vamos ter que dar essa resposta excepcional na nossa própria forma de organização dentro da universidade. A conhecida crise, ou as obrigações para com a “troika”, prejudicam até que ponto? A situação do que está a acontecer dentro da universidade portuguesa é mais um empobrecimento das pessoas do que das instituições. Desde 2006 - portanto desde que sou reitor - a instituição empobreceu-se todos os anos, ainda que ninguém tivesse tocado nos salários dos docentes. Estes têm estado relativamente bem, a instituição é que ficou sem dinheiro. O que aconteceu agora foi um bocadinho ao contrário. A instituição universidade não está a sofrer excessivamente com o impacto da crise. Quem está a sofrer são professores e funcionários. A universidade tem uma capacidade de resistir a esta situação de crise, se nos permitirem alguma criatividade e alguma flexibilidade. No ensino universitário em Portugal, há problemas antigos por resolver. O grande dilema da universidade portuguesa é a excessiva burocratização, a excessiva dependência governamental. É preciso tirarmos a experiência do que são as grandes universidades do mundo. Fazem-se com liberdade, liberdade, liberdade. E a seguir à liberdade, avaliação, avaliação, avaliação. Se formos capazes de dar liberdade às instituições, liberdade à nova geração de portugueses qualificados, liberdade para tomarem iniciativas, seguindo-se uma exigente avaliação, teremos encontrado a solução certa para gerir a universidade portuguesa.

Tem defendido as “sociedades educativas” ou do “conhecimento”, o “pensamento novo”, a filosofia dos novos modelos de espaços educativos. Os males que aponta colocam em causa os aspectos que defende? Temos um modelo de ensino superior que, a muitos níveis, é desajustado das realidades do século XXI. Em que medida? Em três grandes medidas. E são três grandes mudanças que a universidade tem de fazer. A primeira tem que ver com a investigação. A universidade portuguesa não era muito centrada na investigação, isso hoje é nuclear. A criação, a produção de conhecimento, é o que está no centro das sociedades, e a universidade tem de ser o lugar da criação deste conhecimento e de um conhecimento científico que muitas vezes não cabe nas disciplinas tradicionais. Hoje, é impossível trabalhar na área da Saúde sem ter as tecnologias; as engenharias não passam apenas por construir pontes ou edifícios, o negócio principal da engenharia tem a ver com o corpo humano, com as tecnologias para a Saúde. A segunda grande mudança relaciona-se com

a maneira como se ensina e a formação que se dá. É preciso reinventar a escola? É preciso reinventar a universidade no sentido em que tem de ter formação muito mais alargada. No ano passado introduzimos simbolicamente, na Universidade de Lisboa, pela primeira vez em Portugal, uma licenciatura em Estudos Gerais. Esta licenciatura liga as Letras, as Ciências, as Artes... Está a ser um enorme sucesso. No

fundo é uma formação de banda larga que permitirá depois que a pessoa quando entra para fazer Filosofia ou História, ou Biologia, já tenha uma formação de base humanística e científica extremamente forte. Isso significa uma grande transformação. Significa uma revolução muito importante! Mencionou três mudanças necessárias na universidade portuguesa, qual a terceira? A terceira é a mudança mais ligada à sociedade.

Desde 2006 - portanto desde que sou reitor a Universidade de Lisboa empobreceu-se todos os anos, ainda que ninguém tivesse tocado nos salários dos docentes. Estes têm estado relativamente bem, a instituição é que ficou sem dinheiro. O que aconteceu agora foi um bocadinho ao contrário. A instituição universidade não está a sofrer excessivamente com o impacto da crise. Quem está a sofrer são professores e funcionários. O grande dilema da universidade portuguesa é a excessiva burocratização, a excessiva dependência governamental. É preciso tirarmos a experiência do que são as grandes universidades do mundo. Fazemse com liberdade, liberdade, liberdade. E a seguir à liberdade, avaliação, avaliação, avaliação.

Não porque responde no imediato aos problemas, mas porque é capaz de antecipá-los e pensá-los criticamente. Durante a comemoração do nosso centenário, no ano passado, inventámos um slogan que esteve na reitoria da Universidade de Lisboa durante quase todo o ano, em que dizíamos Universidade com “s” e, por baixo, Universidade com “c”. A universidade da cidade, no sentido grego do termo, da polis, da res publica, da coisa pública. A ideia de que a universidade tem de estar ligada à cidade, no sentido público do termo, é central. Na transferência de tecnologia, na valorização do conhecimento, no pensamento crítico sobre as sociedades contemporâneas, no antecipar problemas, no responder às crises, a universidade tem de estar integrada dentro da cidade. Afinal são mesmo três grandes revoluções no espaço universitário que a Universidade de Lisboa está, dentro das suas capacidades, a procurar enfrentar e dar resposta aos desafios. O ministério da tutela percebe essas necessidades que aponta? Qual é o relacionamento da UL com o ministério? A actual tutela é mais ou menos recente, ainda não é possível fazer uma avaliação. Tem tido, pelo menos, um aspecto que consideramos muito positivo: um grande respeito pela autonomia universitária. Isso é central, pois não há boas universidades sem autonomia. A autonomia não serve para defender privilégios, mas sim para servir melhor a sociedade, para que façamos melhor o nosso trabalho. A autonomia é a base de qualquer grande universidade do mundo. Todos os sinais dados até agora pelo ministério foram muito positivos e com respeito por essa autonomia.

Isso é muitíssimo importante. Significa a não existência de problemas? Obviamente que há uma série de problemas relacionados com a crise económica, as contenções, as cativações, a burocracia de que já falei, e relacionados com uma coisa muito insensata: a maneira como está organizada a administração pública portuguesa. Ou Portugal se liberta disso, ou Portugal não sai desta crise. Para 2012, o que tem programado a UL? Temos um grande projecto que queremos concretizar este ano. A fusão das duas maiores e mais antigas universidades da capital do País, a Universidade Técnica e a Universidade de Lisboa. Estamos a preparar a extinção destas universidades para dar origem a uma nova universidade cujo nome ainda não está decidido, mas que muito provavelmente será Universidade de Lisboa. Queremos que este processo esteja concluído em Maio ou Junho deste ano. Pode dizer-se que a tal crise económica não provoca a descida do nível do ensino universitário em Portugal, pelo menos no âmbito que refere? Perante estas situações de crise, temos de ser capazes de dar respostas. E se não forem as elites que estão nas universidades - por definição, as elites intelectuais - a mostrar caminhos, a dar respostas e a dar o exemplo, não podemos pedir aos outros para fazê-lo. Devemos ser capazes de criticar o que é preciso criticar, manter um forte pensamento crítico, mas dar respostas positivas e colocar soluções em cima da mesa. Se o projecto de fusão não se realizar, não será por culpa da Universidade Técnica nem da Universidade de Lisboa. Será porque o Governo não foi capaz de apoiar. Temos a responsabilidade de colocar propostas e soluções, é o que estamos a fazer. 2012 pode ser um ano absolutamente decisivo para o sistema universitário português.


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

12

CULTURA

Ballet de Hong Kong no Centro Cultural até amanhã

O “Quebra-Nozes” em versão chinesa talentoso. Apesar de ser novo, tem algo de especial na maneira como faz uma coreografia.” O coreógrafo associado explicou que o tio é uma personagem importante porque começa por trazer uma boneca para a festa. “Na versão original, parece que desapareceu durante o segundo acto, então pensei que poderíamos torná-lo numa figura central para contarmos a história.”

Andreia Sofia Silva

S

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Ó em Estocolmo, fizeram-se quatro versões iguais, mas esta continua a ser diferente de todas as outras. É hoje que sobe ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) o espectáculo “Panchões”, uma adaptação que a companhia de bailado de Hong Kong fez do clássico “Quebra-Nozes”, juntando-lhe elementos da cultura chinesa. Os espectadores vão poder ver novas versões das personagens e um novo guarda-roupa, numa celebração que, em vez de ser uma festa de Natal, será a festa do Ano Novo Chinês. Yuri Ng, coreógrafo, conta que era um projecto há muito sonhado por si. “Há quatro anos o Ballet de Hong Kong perguntou se conseguiríamos trazer o espectáculo para a companhia. Redesenhámos tudo de novo, os passos e os fatos. Desde os tempos em que estava no Canadá que queria fazer uma grande produção do ‘Quebra-Nozes’ para a Ásia e Hong Kong. Surgiu naturalmente em mim.” As mudanças no original alteraram muita coisa, incluindo

PROJECTO LOCAL

as personagens centrais. “No original há festas e presentes, enquanto na versão chinesa o tio torna-se na figura principal.

MORTE GUSTAV LEONHARDT MYWAY Foi na segunda-feira, aos 83 anos, que morreu o cravista, organista e maestro holandês Gustav Leonhardt. Um dos mais influentes intérpretes de música barroca da actualidade, tendo começado a sua longa e aclamada carreira como solista na década de 50. Gravou cerca de 300 discos e editou também vários livros de estudos de Musicologia. MOONSPELL NOVO ÁLBUM A 27 DE ABRIL “Alpha Noir” é o título do próximo trabalho dos Moonspell, saindo a 27 de Abril. É o primeiro a ser lançado em mais de 50 países, através da editora austríaca Napalm Records. “Alpha Noir” é o sucessor de “Night Eternal” e a banda explica o conceito na sua página de Facebook. “Com o país mergulhado numa crise corrosiva, a banda encheu-se de orgulho e criou um álbum incendiário, com nove canções cheias de contagiantes riffs de guitarra, entre o thrash e o rock, elevados a uma dimensão própria pelo conteúdo lírico mais reivindicativo que a banda já escreveu.” MICHAEL JACKSON ÁLBUM INÉDITO AGUARDA OFERTA São cerca de 10 temas e nunca foram ouvidos em todo o mundo. O álbum foi doado a um museu escocês e lá permanece, à espera que alguém faça uma oferta considerável. Michael Jackson morreu em 2009 mas as suas músicas continuam a facturar milhões. Recorde-se que já foi considerado o artista morto mais rentável de sempre, pela revista Forbes. Só em 2010, passado um ano da sua morte, rendeu mais de mil milhões de patacas.

Faz os brinquedos e dá jogos mahjong. Esta é a cena da festa no primeiro acto.” Yuh Egami é o coreógrafo

associado do espectáculo, tendo entrado neste projecto através de convite do próprio Yuri Ng, que o encheu de elogios. “É muito

Madeleine Onne é a responsável pelos bailarinos que dão vida a esta nova história. Antiga dançarina, actual coreógrafa em Hong Kong, Madeleine frisou que o importante é desenvolver um projecto com artistas locais. “Temos de encontrar o ‘toque’ local, com temas e celebrações de Hong Kong. É muito bom fazer coisas com coreógrafos locais porque eles estão lá, e a arte deve ser vivida com novas personalidades.” Depois da passagem pelo CCM, os bailarinos vão ter férias. Tudo para que possam estar aptos na apresentação deste espectáculos nos Estados Unidos, próxima paragem da companhia.

3 MIL PESSOAS JÁ PARTICIPARAM NO FÓRUM DO AUDITÓRIO DO CARMO

Ensaios arqueológicos agora em livro E

NTRE 2010 e 2011, oito arqueólogos da Escola de Arqueologia e Museologia da Universidade de Pequim trouxeram a Macau pedaços da sua experiência para o Fórum do Auditório do Carmo, que podem agora voltar a ser lidas. No total são 16 dissertações que estão no livro “A voz de Grou – colecção de ensaios da série de palestras por arqueólogos distintos da China”, que reúne trabalhos de nomes como Zhang Jianlin, Liu Bin e Wang Youping, entre outros. Uma obra lançada com o apoio do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM).

Choi Tin Chon, responsável da instituição em Pequim, falou dos temas que podem ser encontrados nesta publicação. A origem dos seres humanos, estudos sobre a pedra jade ou a origem dos caracteres chineses são temas abordados. Para este ano, as palestras do Fórum do Auditório do Carmo estão para continuar. O projecto iniciado em 2008 já teve três mil pessoas a assistir às apresentações dos académicos, que visam sobretudo mostrar as realidades que povoam o território, como frisou Ma Kam Keong, do conselho de administração do IACM.

Na quinta edição do Fórum, as sessões decorrem na terceira semana de cada mês e prolongam-se até Abril. O objectivo é “enriquecer o conteúdo” dos trabalhos, como disse Ma Kam Keong, sendo desenvolvido novamente o “Plano de Atribuição de Prémios”, que oferece pela primeira vez a oportunidade de participar na “Expedição de Pesquisa à Província de Shaanxi”. Universidade de Macau (UMAC), Universidade de Hong Kong e a Universidade de Pequim trazem os académicos. A Associação dos Escritores de Macau também marca presença. - A.S.S.


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

13

EXPOSIÇÃO SOBRE O NAVIO ESCOLA SAGRES CHEGA FINALMENTE AO TERRITÓRIO

O dia-a-dia da tripulação N

O dia 26, o Clube Militar de Macau recebe a exposição “Uma Aventura Marítima – Viagens no Navio Escola Sagres”, da autoria de Joaquim Magalhães de Castro. Organizada pelo Instituto Internacional de Macau, a exposição retrata duas das etapas da viagem de circum-navegação do

navio: de Goa a Alexandria e daí até Lisboa. Durante 40 dias, Joaquim Magalhães de Castro – jornalista, escritor, fotógrafo e investigador-, acompanhou a tripulação do Sagres. As fotografias mostram o dia-a-dia a bordo e pretendem assinalar os 50 anos do Sagres. Na mostra, além de notas históricas

sobre o navio, estará patente um vídeo de registo. Joaquim Magalhães de Castro é, autor de, entre outras obras, Viagem ao Tecto do Mundo – O Tibete Desconhecido. A exposição já esteve para ser apresentada em Macau no ano passado, tendo havido contudo alguns conflitos impeditivos.

UM DRAGÃO EMBRIAGADO EM MACAU

De 19 de Janeiro a 15 de Abril, o Museu de Macau apresenta a exposição “Uma Dança Arrojada – O Festival do Dragão Embriagado em Macau”. As origens do Festival remontam à Dinastia Ming. “Ao oitavo dia do quarto mês do calendário lunar, no município de Xiangshan, do qual Macau fazia parte, tornou-se costume celebrar o Dia do Buda com o ‘virar da cabeça do dragão’”, explicou o presidente do Instituto Cultural, Ung Vai Meng. Em Maio de 2011, o festival ficou inscrito na Lista do Património Cultural Imaterial Nacional. Inclui o “Desfile do Dragão Embriagado” e a distribuição gratuita de “arroz da longevidade”. A exposição apresenta as origens históricas, objectos cerimoniais, roupas, fotografias, vídeos, relíquias culturais e documentos. A ideia é transmitir esta tradição às gerações mais novas e salvaguardar a cultura e tradições locais.

PUB


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

14

DESPORTO FC Porto soma primeira vitória na Liga Elite

Alison Brito resolve Marco Carvalho

O

info@hojemacau.com.mo

NÉLSON ÉVORA FALHA JOGOS OLÍMPICOS Nélson Évora confirma que não vai participar nos Jogos Olímpicos. Uma das grandes esperanças para a conquista de medalhas em Londres esfumou-se com a lesão sofrida pelo atleta do Benfica e da Selecção, que garante, no entanto, voltar o mais depressa possível à competição. “Estou a ser observado e vou continuar a fazer exames para avaliarmos, eu, o meu treinador e o departamento médico do meu clube, quais as melhores opções para ultrapassar a situação. O estalo que se ouviu ontem no pavilhão foi uma reincidência da lesão que tinha contraído anteriormente, no entanto não é tão grave como se pensava. É verdade que, por uma questão de tempo de recuperação, está fora de questão participar nos próximos Jogos Olímpicos. Mas que ninguém conclua com isto que estou acabado.”

onze da Casa do Futebol Clube do Porto em Macau somou ontem o primeiro triunfo na edição de 2012 da Liga de Elite, ao derrotar o vice-campeão Monte Carlo por duas bolas a uma, no encontro que pautou o pontapé de saída na terceira ronda da competição. Depois de ter perdido no confronto directo com o Benfica e somado um segundo desaire no frente-a-frente com a Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau, a formação orientada por Daniel Pinto corria o risco de se afundar caso voltasse perder na recepção ao Monte Carlo. Nos antípodas das performances obtidas pelos dragões do território, o onze orientado por Paulo Bento chegou à terceira ronda da prova sem tomar o gosto a quaisquer sobressaltos e partia para o desafio com o estatuto inequívoco de principal candidato à vitória. Confrontados com o que se prefigurava ser um encontro difícil, os jogadores do Futebol Clube do Porto não tardaram a acusar a pressão e aos três minutos consentiram o primeiro golo do desafio. Na primeira incursão do ataque do Monte Carlo à área de Pan Wei Ming, a defesa azul e branca voltou

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

PEPE, O BRUTO O Real Madrid tem dificuldade em vencer o Barcelona e com atitudes pouco dignas também não vai lá. O protagonista foi o defesa-central luso-brasileiro Pepe, que pisou Lionel Messi quando este estava no chão depois de ter sido derrubado, em falta, por um adversário. José Mourinho não viu o lance mas também não desculpa o seu pupilo. “Não vi as imagens. Tenho que vê-las. Mas se houve uma pisadela intencional sobre o Messi é um acto que tem que ser censurado. Seja como for, Pepe fez um grande trabalho para a equipa.”

O

Dalian Shade, equipa chinesa treinada pelo português Nelo Vingada, regressa hoje a Dalian depois de um estágio de 15 dias na cidade de Foshan, na província de Cantão. Os trabalhos correram bem e o professor só tem pena de nestes dias não se terem concretizado duas transferências de jogadores que seriam primordiais para a equipa. “Os trabalhos correram bem, mas perdemos a oportunidade de contratar dois chineses que são presença na Selecção da China, o que me deixou um pouco mais aborrecido, porque eles acabaram por

à mistura – o sector mais recuado do Monte Carlo. A formação orientada por Paulo Bento tentou esboçar uma reacção e dois minutos depois, a linha avançada do conjunto canarinho voltou a colocar Pan Wei Ming à prova, num remate de longe que o guarda-redes do FC Porto deixou escapar, ainda que sem consequências. Muito dura, a recta final da primeira parte ficou pautada por muitas paragens e pela lesão grave de Renival Soares da Silva. O médio brasileiro, formado nas escolas do Corinthians, não conseguiu sair do relvado pelo próprio pé e acabou transportado ao hospital.

LESÃO DESMORALIZADORA

a dar sinais de fragilidade. Muito activo no flanco direito do ataque da formação canarinha, o brasileiro Fabrício Lima levou a melhor sobre dois homens, antes de cruzar para o remate vitorioso de Chao Wai Hou.

SAIR DO PESADELO

O tento madrugador do Monte Carlo fazia adivinhar um encontro difícil para os dragões do território, mas o grupo de trabalho orientado por Dani respondeu bem ao início estonteante do adversário e conseguiu, aos poucos, empurrar o

Monte Carlo para o meio-campo. Aos 27 minutos, numa altura em que os vice-campeões do território chamavam ainda a si um maior ascendente sobre o encontro, o Porto conseguiu repor a igualdade após um contra-ataque rápido pelo flanco direito. O onze azul e branco recupera a bola ao meio-campo, o macaense Francisco Cunha trabalha bem o esférico no lado direito do ataque e tira um cruzamento com conta e medida para o cabo-verdiano Alison Brito, que bate – com alguma sorte

A lesão parece ter tido um impacto nefasto sobre o estado de espírito da equipa que há um ano viu fugir o título na última jornada do Campeonato. Na segunda metade, o Monte Carlo ofereceu a iniciativa de jogo ao Futebol Clube do Porto e os dragões não desperdiçaram. Aos 55 minutos, Alison Brito falha por pouco o segundo golo, num remate de cabeça que rasou a barra da baliza à guarda de Domingos Chan. Em noite sim, o dianteiro cabo-verdiano operou a reviravolta no marcador a nove minutos do final da partida, num lance fortuito em que o guarda-redes do Monte Carlo não ficou bem na fotografia. O triunfo do Futebol Clube do Porto faz a formação azul e branca descolar do fundo da tabela, ainda que a título provisório. A terceira jornada da Liga de Elite segue ao final da tarde de hoje, com a realização dos encontros entre Lam Ieng e Selecção de Sub-23 e entre Ka I e Benfica.

NELO VINGADA PROMETE DALIAN SHADE PARA A PRIMEIRA METADE DA TABELA

Morder os calcanhares aos grandes assinar pelo Guangzhou Evergrande.” A equipa campeãestá a comprar todos os jogadores que pode, enfraquecendo, segundo Nelo Vingada, as restantes equipas chinesas. “Além dos estrangeiros de grande qualidade, ainda têm cerca de 15 internacionais chineses. Assim torna-se difícil competir.” Com este cenário, Vingada pretende fazer um campeonato tranquilo mas sem olhar para os lugares do pódio. “É preciso sermos realistas. Temos equipa para

fazer um campeonato interessante e tudo depende de como começarmos. Temos capacidade para estar a lutar pelo 5.º ou 6.º lugar.” E quem é que pode almejar ao título? Para Nelo Vingada, “em condições normais o título é para o Guangzhou”. “Talvez o Beijing, o Xangai e o Shandong, tenham capacidade de lutar pelo título.”

SOGRO E GENRO

Para tentar fazer melhor figura possível no campeonato, Vingada conta, para já, com dois reforços estrangeiros: o

coreano Park Dong-Hyuk e o português Ricardo Esteves, genro do treinador, jogadores defensivos que “darão maior consistência à equipa”. “O Ricardo está a adaptar-se bem. Está connosco desde Agosto e perfeitamente integrado.” Em quem o treinador português também deposita muitas esperanças é no avançado brasileiroAdriano, que chegou ao clube no ano passado mas teve muitas dificuldades de adaptação. “É um excelente jogador mas teve diversas dificuldades de

adaptação, o que o levou a passar muitos jogos sentado no banco. Se este ano se sentir melhor e mais integrado pode dar outra qualidade ao ataque da equipa.” Com o Ano Novo Chinês à porta, a equipa vai fazer alguns dias de pausa na preparação mas no próximo dia 28 viaja até ao Dubai - onde fica até dia 16 de Fevereiro - para ali fazer alguns jogos amigáveis. “As temperaturas são melhores e lá podemos jogar contra equipas locais e estrangeiras que estejam a estagiar.”


PERFIL

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

15

HUGO MONTEIRO | INSTRUTOR DE KRAV MAGA

O criador de confianças Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A vontade percorria-lhe a mente - aos

seis anos, Hugo Monteiro quis treinar judo. “A minha mãe disse-me ‘olha que há dias em que eu não te posso levar’”. Ele não se importou, quis correr o risco, atravessar ruas perigosas. E aprendeu o caminho que o levaria a uma longa carreira. No país das artes marciais por excelência, assume-se pioneiro no ensino de uma que vem de Israel, praticada pela Mossad, a polícia estatal. Há cerca de quatro meses, Hugo criou a Personal Protection, que representa a Federação Internacional de Krav Maga (IKMF, na sigla inglesa) em Macau, correspondendo a uma vontade da entidade, que há muito tempo queria estabelecer-se na RAEM. Os treinos, a adultos dos dois sexos, decorrem numa pequena sala. Ensinamse técnicas, facas e pistolas de brincar pousam no chão. Tudo para criar confianças. O importante é que “a pessoa tem de reagir, não pode ficar passiva”. Isso é conseguido através de técnicas únicas. “Estudei muitas artes de combate e a ideia é ‘tens aqui um alvo e tens de bater’, e muitas vezes na rua a situação pode ser resolvida sem bater sequer.” É aqui que, segundo Hugo, mais se nota a

técnica militar pela qual o krav maga é tão conhecido no mundo inteiro. O gosto pelo que faz revela-se nos mínimos gestos. “Nota-se quando estou a dar aulas. Brinco com os alunos e sei que lhes estou a dar alguma coisa, a aumentar a sua auto-estima e a fazer com que possam mesmo defender-se.”

FARTO DA BANCA

Os anos passaram e o judoca Hugo quis experimentar outras coisas. Chegou a fazer surf e a andar de skate na adolescência, mas as técnicas de luta conseguiram sempre chamá-lo. Antes do krav maga, em 2001, praticou kickboxing, muay thai e boxe, enquanto se licenciava em comunicação no Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM). Diz que teve sempre “bons cargos”, tendo trabalhado tanto em empresas familiares como na banca, até que a paixão de miúdo voltou a traçar-lhe o destino. O sinal foi dado quando a crise mundial rebentou, com a falência do banco Lehman Brothers. “Comecei a ver alguns colegas a ficarem preocupados. Já não estava a gostar da experiência de trabalhar na banca privada e achei que era o momento ideal para sair. Disse aos

meus superiores que aquela não era a minha vocação.” Foi aí que apareceu a China. A viagem para o outro lado do mundo representava a oportunidade de “fazer uma coisa que nunca tinha feito antes”. Quis descer à terra, ver vidas afastadas da sua. Escolheu uma escola de artes marciais em Shaolin para treinar. A experiência viria a revelar-se “surreal”. Na primeira semana não tomou banho e teve de se dirigir a uma “casa pública de banho” juntamente com muitas pessoas que usavam esse espaço, por não terem casa de banho nas suas casas. Treinou oito horas por dia, com a companhia de mais seis estrangeiros e cinco mil chineses. Partiu um dente, fez competição e, no final, correu tudo “exactamente como estava à espera”.

PERÍODO DE INSTROSPECÇÃO

A estadia em Shaolin representou para Hugo “um período de introspecção”. Escreveu muito, levou “muitas leituras para se entreter”, e foram os pequenos pormenores escondidos do olhar comum que chamaram a sua atenção. “Escrevi sobre as crianças completamente diferentes do mundo urbano. Vi um

aluno de 16 anos a bater numa criança de 13, que não chorou e fez um olhar que dizia ‘deixa-me ter mais dois anos e vais ver’. Lembrei-me do miúdo que chora e pede brinquedos aos pais.” Depois de Shaolin e de um período de residência em Hong Kong, Hugo achou que estava na altura de dar o passo em frente. Foi para os Estados Unidos tirar o curso de instrutor de krav maga. Já nessa altura Macau lhe tinha surgido no encalço. “Estava à procura de um sitio para viver e aqui pareceu-me a melhor opção.” Foi o primeiro passo para uma nova fase profissional. A formar actualmente entre 12 a 13 alunos, muitos dos quais seguranças, quer continuar a progredir. O próximo passo será a visita do mestre, Avi Moyal, a Macau. “Por ser a última região que aderiu ao IKMF, ele tinha muita curiosidade em vir. Vamos realizar seminários dirigidos a qualquer pessoa e outros mais focados para seguranças nos hotéis, bares e casinos.” Hugo Monteiro já foi muito falado, não pelas artes marciais, mas por ser primo de José Sócrates, ex-primeiro-ministro português. Para ele, porém, são só histórias passadas.


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

THE DARKEST HOUR 3D [B]

SALA 1

16

[ ] Cinema

I LOVE HONG KONG [B]

Um filme de: Chris Gorak Com: Emile Hirsch, Olivia Thirlby 16.15

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Chin Kwok Wai Com: Stanley Fung, Teresa Mo, Eric Tsang 14.30, 19.45, 21.30, 23.30

SALA 3

KOKURIKOZAKA KARA [A]

THE MUPPETS [A]

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Gora Miyazaki 16.15, 18.00

Um filme de: James Bobin Com: Jason Segel, Amy Adams 14.15, 16.15, 20.00

SALA 2

JOURNEY 2: THE MYSTERIOUS ISLAND 3D [B]

Aqui há gato

TDM 13:00 13:30 14:30 18:30 19:00 19:30 20:35 21:00 21:30 22:15 23:00 23:30 01:20 01:50

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO That 70\’s Show (Que Loucura de Família) TDM Talk Show (Repetição) Amanhecer Telejornal Ásia Global Desperate Housewives (Donas de Casa Desesperadas) Passione TDM News Noises Off (Apanhados no Acto) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Couto & Coutadas 15:15 Poplusa 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Portugal Negócios 17:30 Grande Reportagem-SIC 18:00 Xutos e Pontapés 19:00 Estado de Graça 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Prova dos 3 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 11:30 13:30 14:30 15:00 16:30 17:30 19:30 20:00 20:30 21:00

(LIVE) Pac 12 Men’s Basketball 2011/12 UCLA vs. Oregon (Delay) Innsbruck Winter Yog 2012 Daily H/L Day 7 ABL 2012 Weekly H/L Winter X Games Europe Winter X Games Classix Pac 12 Men’s Basketball 2011/12 UCLA vs. Oregon (LIVE) Sportscenter Asia 2012 Football Asia 2011/12 Spirit Of London Winter X Games Classix

22:00 22:30 23:00 23:30

Sportscenter Asia 2012 Football Asia 2011/12 Spirit Of London Innsbruck Winter Yog 2012 Daily H/L

STAR SPORTS 31 08:00 (LIVE) Australian Open 2012 Men’s / Women’s 3rd Round 20:00 World of Gymnastics 2012 20:30 F1 Classics - 2002 French Grand Prix 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 Spirit Of London 22:30 (Delay) Australian Open 2012 Day #5 Highlights 23:30 Australian Open 2012 Men’s / Women’s 3rd Round FOX MOVIES 40 12:50 Avatar 15:35 Law Abiding Citizen 17:25 Tron: Legacy 19:30 Fantastic Mr. Fox 21:00 Made Of Honor 22:45 From Paris With Love 00:20 The Crazies HBO 41 12:00 14:00 15:30 17:15 19:00 20:30 22:00 00:00

Burlesque Ladybugs Knucklehead Chasers Cyborg Conquest Throw Momma From The Train The King’S Speech The Book Of Eli

CINEMAX 42 11:45 13:30 16:00 17:45 19:40 20:05 21:45 22:00 23:40

Uncommon Valor Inglourious Basterds Land Raiders Stalag 17 Hollywood Buzz Gunfighter’S Moon Epad On Max Gladiator Cirque Du Freak

THE DARKEST HOUR 3D [B] Um filme de: Chirs Gorak Com: Emily Hirsch, Olivia Thisrlby 18.15, 22.00

HORIZONTAIS: 1-Toadas, boatos. Que mia muito. 2-Bruto. Malícia (Fig.). Protecção. 3-Vogais. Iguais. Vaso bojudo, de gargalo estreito, geralmente de barro. Idem (abrev.). 4-Encerrado. 5-Paraíso terreal. Eleve, erga. 6-Comida (Prov.). Instrumento que serve para determinar a direcção vertical. 7-Corrente de água. Segurar-se com as gavinhas. 8-Carboneto de hidrogénio proveniente da destilhação da hulha. 9-Carta de jogar. Importunes, enfades. Consoantes iguais. 10-Faz doação. Combinação, mistura (Prep.). Jogo semelhante ao da paciência. 11-Evitas um mal. Zunir, zumbir. VERTICAIS: 1-Irradiem. Rio que banha o distrito de Beja. 2-É engnado. Entregar, Debaixo de. 3-De outro modo. Ave fabulosa, única no seu género, a qual durava séculos e que, queimada, renascia das próprias cinzas (Mit.). Avenida (abrev.) 4-Espécie de resina perfumada que corre das incisões feitas no tronco do benjoeiro. 5-Tal como foi ditto. Verniz preto ou vermelho. 6-Dá pancada, bate. Vielas. 7-Porção de terra cercada de água por todos os lados. E não. 8-Agregareis. 9-Imprime. Luneta. Cobalto (s.q.). 10-Rio da Rússia. Ave corredora. Doutora (abrev.) 11-Porto abrigado. Declamador.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-ECOS. MIADOR. 2-MAU. SAL. ABA. 3-II. BILHA. ID. 4-T. FECHADO. A. 5-EDEN. A. ICE. 6-MANJA. PRUMO. 7-RIO. B. ELAR. 8-S. XILENIO. A. 9-AS. MACES. DD. 10-DOA. COM. CRO. 11-OBVIAS. ZOAR. VERTICAIS: 1-EMITEM. SADO. 2-CAI. DAR. SOB. 3-OU. FENIX. AV. 4-S. BENJOIM. I. 5-SIC. A. LACA. 6-MALHA. BECOS. 7-ILHA. P. NEM. 8-A. ADIREIS. Z. 9-DA. OCULO. CO. 10-OBI. EMA. DRA. 11-RADA. ORADOR.

Ontem pus-me a pensar. É a primeira vez que vou assistir a um Ano Novo Chinês. Sinceramente preferia que fosse o do Tigre, que é o meu parente mais próximo, mas pronto lá terei de me contentar com o Dragão. Enquanto o tempo passava aqui na redacção, com estes meus queridos donos sempre numa daquelas azáfamas que nunca hei-de perceber, peguei numa Revista Macau que aqui estava e que tinha um dragão na capa que me chamou a atenção. Pus-me a ler os signos lunares e descobri que até concordo com algumas destas coisas. Até com o meu, que sou um belo coelhinho. (Isto depois de me terem trocado por uma lebre, se é que me entendem.) Assim, tenho alguns avisos a fazer... Amigos ratos: a Revista Macau diz que “é tempo de ser audaz” e que “mais vale viver do que sobreviver”. Ah, pois. Sigam esse conselho, principalmente se for aqui no escritório. É que a vossa saúde para este ano está pontuada com uma estrelinha, numa escala que vai até cinco. E eu não durmo! Para todos os cães que andam aí: pelos vistos 2012 é tempo de mudança para vós. Ora, não podia concordar mais. Aliás, se eu fosse o cãozito que mora aqui em frente à redacção mudava-me já. Irra, que não te posso ouvir mais. Perturbas-me o sono com essa forma de expressão que utilizas. Ladrar, onde é que já se viu... Diz a Revista que os porcos se devem “aproximar mais dos outros para um convívio desinteressado”. Eu cá gostava de ter um amigo porco. Nunca vi nenhum... vivo, pelo menos. Os que aparecem de vez em quando por aqui pelo jornal vêm picadinhos e com batatas, arroz e ovo. Chamam-lhes “minchi”, acho que. Mas até me parecem simpáticos. Caros galos: aqui não gostei muito de ver que este ano vão continuar a cantar. O ano vai ser muito próspero para vocês, então aproveitem para fazer outra coisa qualquer. Sei lá, olhem vão para a Tailândia e deixem-me dormir! Pelos vistos, para mim que sou coelho, as coisas vão acalmar. Tive um ano realmente “exigente”. Uma canseira. Passear esta minha barriga pesa imenso, é uma chatice. Parece que 2012 vai ser “altura para sair da toca e refrescar ideias”. Isso agrada-me. Até porque sair da toca é o que tenho tentado fazer estes dias. Sem sucesso! Os meus donos apanham-se sempre a meio do corredor. Ideias novas, bem preciso para escrever uma coluna todos os dias. Só não gostei muito que o coelhito este ano tenha de contar “com as próprias forças”. Epah... eu estou habituado a que me alimentem e mimem. Essa agora, ter de me esforçar não me agrada mesmo nada. Mas, pronto. São os mestres do zodíaco e eles lá sabem. Para todos os amigos leitores que acarinham o Pu Yi: Kung Hei Fat Choi!

[Tele]visão

Su doku [ ] Cruzadas

KUNG HEI FAT CHOI COM CUIDADINHO

Um filme de: Brad Peyton Com: Vanessa Hudgens, Dwayne Johnson 14.30, 18.00, 19.45, 21.30

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PROSAS APÁTRIDAS • Julio Ramon Ribeyro Muitas vezes divertidos, às vezes melancólicos, mas sempre profundos e íntimos, os fragmentos que compõem estas Prosas Apátridas permitem-nos aceder ao universo de um narrador maravilhoso. O leitor tem nas suas mãos o testemunho espiritual de um dos grandes autores hispânicos do século XX. A CIDADE DE ULISSES • Teolinda Gersão Um homem e uma mulher encontram-se e amam-se em Lisboa. A sua história, que é também uma história de amor por uma cidade, levará o leitor a percorrer múltiplos caminhos, entre os mitos e a História, a realidade e o desejo, a literatura e as artes plásticas, o passado e o presente, as relações entre homens e mulheres, a crise civilizacional e a necessidade de repensar o mundo.

Pu Yi RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR


OPINIÃO

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

17

cr ep ú scu l o d os í d ol os Arnaldo Gonçalves

Lei Básica e democracia Há uma aristocracia natural entre os homens. As suas bases são a virtude e os talentos. Thomas Jefferson

A

actual consulta pública sobre a revisão do quadro jurídico-constitucional que enquadra o funcionamento da Assembleia Legislativa é uma boa oportunidade para uma reflexão conjunta de como estamos em termos de representação proporcional. O quadro é sabido. Resulta do anexo II à Lei Básica da RAEM que explicita que a AL é formada por 29 membros, sendo 12 eleitos por sufrágio directo, 10 por sufrágio indirecto e 7 nomeados pelo Chefe do Executivo. Diz também o último número deste anexo que se for necessário alterar a metodologia para a constituição da AL as alterações devem ser feitas com aprovação de dois terços dos deputados, com a concordância do Chefe do Executivo, devendo o Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular da China ser informado dessas alterações para efeitos de registo. A solução legislativa cola à contida na Lei Básica da Região Administrativa de Hong Kong que, como é público, é a verdadeira fonte inspiradora da Lei Básica da RAEM. Na verdade, nunca os membros da Comissão de Redacção da Lei Básica por Macau tiveram o engenho ou a disponibilidade de propor um sistema substancialmente diferente para Macau. Da parte dos negociadores do Governo Popular Central, a dupla negociação foi sempre entendida como um “package”, ou seja, solução boa para Hong Kong, boa para Macau. O sistema vigente, ao contrário do que se possa pensar, não é de todo abstruso. Possibilita alguma representação ampla baseada num homem um voto, enquadra razoavelmente a representação dos interesses das associações corporativas locais e permite ao Chefe do Executivo, através dos “seus” nomeados, avançar certas medidas de política, passar mensagens, fazer equilíbrios que de outra forma seriam improváveis. Manifesta, contudo, alguma desadequação em termos da amplitude de soluções porque a sociedade de Macau transformou-se nestes últimos treze anos, de forma significativa. É uma sociedade numericamente mais numerosa, com larga profusão de minorias que perfazem a sua riqueza e singularidade; é uma sociedade mais sofisticada já que conta com uma população activa mais jovem, com habilitações superiores àquelas que eram a regra antes de 1999; é uma sociedade com crescente vontade de participação na “coisa pública”. Trata-se de uma apetência ainda pouco

“O sistema vigente, ao contrário do que se possa pensar, não é de todo abstruso. Possibilita alguma representação ampla baseada num homem um voto, enquadra razoavelmente a representação dos interesses das associações corporativas locais e permite ao Chefe do Executivo, através dos “seus” nomeados, avançar certas medidas de política, passar mensagens, fazer equilíbrios que de outra forma seriam improváveis” estruturada e nada engajada politicamente mas que mais tarde ou mais cedo irá confrontar certos estratos da população com a estrutura de representação patriarcal herdada do período colonial. Poderá contra-argumentar-se que a população é diferente, que não há em Macau uma verdadeira consciência política como a que prevalece no Ocidente (e noutras culturas) onde o princípio do dissenso está enraizado. Trata-se de uma falsa explicação que não resiste a uma análise mais fina. A predisposição para a participação e intervenção cívica da parte da classe média pouco tem a ver com a cor da pele, a religião, a origem étnica ou a língua que se fala mas sim com a consciência da identidade que se atinge quando se ascende a certo nível de rendimento per capita, como os estudos de Putnam, Inglehart, Cleg e Redding claramente evidenciam. Basta um olhar panorâmico sobre a capacidade de intervenção da Associação Comercial, da Associação Industrial e da miríade de associações sócio-profissionais de Macau para perceber que elas estão moribundas ou perto disso, cativas de uma elite octogenária que apenas se representa (e se basta) a si própria. O que leva a que, como já acontece no continente, as pessoas mais conscientes procurem fora das instituições tradicionais mecanismos de representação que são capazes de responder de forma mais cabal às suas aspirações. Não quero com isto dizer que as associa-

ções próximas da estrutura regional do Partido Comunista Chinês - como os “kaifongs” e a Associação de Operários - perderam a sua representatividade e capacidade de intervenção. Sou de opinião absolutamente inversa e ninguém deve estranhar que nas próximas eleições para a Assembleia Legislativa estas associações retomem o peso que tiveram até há pouco tempo. Quero apenas dizer que intuo que assistiremos, progressivamente, à emergência de terceiras forças entre as associações profissionais e corporativas, as “organizações de massas” do PCC e os chamados “democratas”. Nesta medida, o debate vertido nos jornais sobre a inevitabilidade do sufrágio directo e universal e a insustentabilidade da proporção 12+10+7 como rácio de representação política em Macau é provavelmente um debate sem saída. Por um lado, não estou a ver como os actuais residentes na Assembleia Legislativa assentariam numa alteração às regras de representação proporcional que conduzissem, por exemplo, a uma solução 14+15 ou 16+13, sendo o primeiro termo da equação formado por deputados elegíveis por sufrágio directo e o segundo pelo sufrágio indirecto. Ao caso, isso implicaria que o Chefe do Executivo prescindisse dos deputados por si indicados, opinião que não estou certo que tenha. Isso significava na prática que os deputados que representam interesses corporativos ficariam mais expostos à fragilidade das suas

próprias opiniões políticas materializados em intervenções antes da ordem do dia e no debate das Linhas de Acção Governativa, uma vez por ano. Isso significaria na prática que a Associação Novo Macau Democrático veria abrir-se a porta a se assumir como verdadeira oposição ao governo da RAEM e quiçá sua alternativa de poder. Eventualidade que não poderia deixar de ser lida pelas restantes forças e sensibilidades políticas (e por Pequim) como uma declaração de guerra ao sistema vigente. Tudo isso pesará nos cálculos do “team” do governo que findo o processo de consulta pública terá a responsabilidade de apresentar a Pequim uma solução de modificação do sistema eleitoral. O timing é arriscado já que teremos em Hong Kong (Julho de 2012) um novo Chefe do Executivo e em Pequim (Outubro de 2012) uma mudança de responsáveis políticos com a subida de uma nova geração de líderes ao Politburo. Por isso me inclino-me, nesta conjuntura, por uma alteração gradual do sistema de representação proporcional com o aumento do número de deputados, a redução do número de deputados apontados pelo Chefe do Executivo e a manutenção de um rácio de ponderação favorável aos eleitos por sufrágio indirecto sobre o directo. Paralelamente acho que deveria ser equacionada a possibilidade legal de constituição de partidos políticos, em termos similares ao que acontece em Hong Kong. Dir-me-ão os leitores que essa revisão “contida” é absolutamente contrária ao princípio democrático, um homem, um voto e constitui uma cedência ao princípio da representação aristocrática. Devemos resguardar-nos de importar para Macau soluções de representação política que pouco têm a ver com o contextura social e que dificultariam soluções de governabilidade. Em tempos de crise é pouco avisado arriscar soluções de ruptura, “à cause” dos belos princípios porque, regra geral, elas trazem mais problemas do que vantagens. O modelo capitalista de economia de mercado encontra diferentes formulações no Ocidente, em África, na América Latina ou na Ásia. Elas expressam as singularidades locais e não se pode dizer que exista apenas um modelo, que os outros replicariam. A história do mundo, na segunda metade do século XX, mostrou que soluções de reengenharia social impostas de fora e não partilhadas pelas populações a que se destinavam causaram graves danos sociais, lançando os respectivos países e povos numa espiral de anarquia, destruição e sofrimento.


SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

OPINIÃO

18

p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

A China no ano do dragão “He who knows others is learned, he who knows himself is wise”. Lao-tse

M

UITOS estão familiarizados com a astrologia ocidental. Podemos ler diariamente, nos jornais e revistas as previsões fundamentadas no Sol e nos signos ascendentes. No entanto, existe outra forma de astrologia conhecida como chinesa ou oriental. A astrologia chinesa é apoiada em doze caracteres arquetípicos representados, por cada um dos doze signos de animais simbólicos. Aastrologia oriental difere da ocidental mais popularizada. Embora este sistema lunar utilize fórmulas matemáticas fixas, não se pode considerar uma ciência da previsão, mas sim uma arte interpretativa. A astrologia chinesa é construída com alicerce em princípios, ordem e nas leis espirituais da sincronicidade ou teoria das “coincidências significativas”. É a viagem do espírito através da dimensão física. Os astrólogos chineses acreditam que determinam as características da nossa personalidade e que definem os propósitos da nossa existência no presente. Verdadeiramente, o nosso “carácter” reflecte a intenção do nosso espírito. Servindo-se de 5000 anos de observações práticas, a astrologia chinesa revela os atributos, forças motrizes e as possibilidades que o ano do nosso nascimento nos oferece. Ao longo dos séculos, multidões mergulharam nos mistérios que se encontram por detrás das suas personalidades. É um sistema atemporal tão relevante no presente como era há muitos séculos atrás. Os chineses falam de um “dom natural” ou “ser interior.” Existem duas faces que compõem a nossa personalidade. O primeiro é “xian tian”, ou seja o nosso original “temperamento.” Estes são os atributos espirituais pelos quais nascemos com o tipo de personalidade que temos. O segundo é “hou tian”, ou o nosso “carácter” adquirido, que é determinado pelas nossas escolhas e comportamentos. O que é o “temperamento”, e que relação tem o “carácter” na formação da personalidade? O “temperamentos” são as nossas inclinações, tendências e predisposições. O “carácter” é um conjunto de hábitos e comportamentos. O “temperamento” somado ao “carácter” define a personalidade. Traços de personalidade (formas de pensar, perceber e reagir), devem ser relativamente estáveis ​​ao longo do tempo. Confúcio afirmou que para conhecer o carácter de um homem, era ver o que fazia, assinalar as suas razões e examinar em que coisas descansava. O zodíaco oriental é talvez o mais conhecido e antigo sistema de horóscopo do mundo. Escritos antigos foram datados, no quarto milénio a.C., muitos dos quais têm sido bem preservados e podem ser encontrados nos mosteiros do Tibete, China e sudeste da Ásia. Na China antiga, os mestres espirituais da época eram responsáveis por ​​ manter a estabilidade e o bem-estar da população. Após muitos séculos

de registos sazonais, agricultura, astronomia e ciclos físicos, as teorias sobre a natureza humana também começaram a desenvolver-se e a aperfeiçoar-se. O dragão ocupa a quinta posição no zodíaco chinês. É o mistério, vitalidade e universo. É o signo com o maior domínio e a influência mais pujante. É uma criatura mítica, e o signo da boa sorte e da saúde. É o mais poderoso dos signos, capaz de resistir às “imprevisibilidades” e inspira sonhos utópicos e realizações espectaculares, entre muitas outras características. O “Grande Timoneiro” da abertura económica da China, Deng Xiao Ping, era nascido no ano do dragão. O mundo não sonhava com o desenvolvimento da China desde 1978. As atenções eram canalizadas primeiro para aAlemanha e depois para o Japão. A“Primeira Revolução Chinesa”, que decorreu entre 10 de Outubro de 1911 e 12 de Fevereiro de 1912, data da abdicação do último imperador Puyi, que inspirou o conhecido filme “O Último Imperador”, dirigido por Bernardo Bertolucci, teve como consequência o derrube da Dinastia Qing e o estabelecimento da República da China. Nesse passado ano de 1978, a China saía da Revolução Cultural, inacreditável génese da grande mudança implementada sem que muitos se dessem conta, especialmente na então vizinha ex-União Soviética. Os japoneses, ao invés, abarrotados de dinheiro, ainda que não tanto como os chineses do presente, dedicavam-se a comprar símbolos do Ocidente como por exemplo o “Rockefeller Center” ou a estudar nas universidades americanas. Nesse momento, os chineses iniciavam uma vasta reforma agrária. O que se comemorou há alguns meses, mais precisamente a 10 de Outubro de 2011, foi a essa revolução do 10 de Outubro de 1911, que marcou o fim da dinastia Manchu, chefiada pelo Dr. Sun Yat-Sen, fundador do “Kuomintang” (Partido Nacionalista) em 1905, em Hong Kong, e primeiro presidente das “Províncias Unidas da China”. Entretanto, a revolução industrial “Meiji” com início em 1873, converteria o Japão na única economia não ocidental que figurava entre as potências mundiais no começo do século XX. Nesses tempos, os seus economistas desenvolveram uma “teoria da modernização” muito singular, que consistia em estudar as forças que permitiriam a um país como o Japão, transformar-se em actor proactivo no palco mundial. O Japão era um exemplo dinâmico, ao invés da China que era o da passividade. À diferença da Índia, o sudeste asiático com excepção da Tailândia, Oriente e quase toda África, a China não foi colonizada no sentido estrito do termo. O Dr. Sun Yat-Sen, definiu o império Manchu, como “multi-colónia”, sem uma potência colonial directa tal como a Indonésia, cujo país colonizador foi a Holanda; a Indochina Ocidental, actual Birmânia, que era a Inglaterra; a Indochina Oriental, que era a França e as Filipinas que eram os Estados Unidos. Em

rigor, todas as potências imperialistas, o Japão em particular (Taiwan, Coreia e Manchúria de 1895 a 1932), exerciam faculdades de exploração colonial em toda a zona costeira da China. Enquanto o mundo mudava velozmente, a corte da imperatriz viúva rebaixava-se, e nem sequer podia dominar os senhores da guerra, que proliferavam desde metade do século XIX. Em significativo contraste com o Japão, a China recusava todo o tipo de modernização e sofria toda a série de desfeitas. No lapso de tempo de trinta e oito anos, de 1911 a 1949, invasões japonesas e russas, guerras civis contínuas e corrupção endémica, entre muitas outras situações, castigaram a China. Entre 1949 e 1977, sob a liderança do Presidente Mao Tsé-Tung, o país readquiriu a soberania e o controlo do poder, mas ficou parcialmente isolado de Ocidente.

“O dragão ocupa a quinta posição no zodíaco chinês. É o mistério, vitalidade e universo. É o signo com o maior domínio e a influência mais pujante. É uma criatura mítica, e o signo da boa sorte e da saúde. É o mais poderoso dos signos, capaz de resistir às “imprevisibilidades” e inspira sonhos utópicos e realizações espectaculares, entre muitas outras características. O “Grande Timoneiro” da abertura económica da China, Deng Xiao Ping, era nascido no ano do dragão” A “Segunda Revolução”, a partir de 1978, alterou drasticamente a situação pré-existente e, a China entra no ano do “Dragão da Água” ostentando o segundo PIB mundial. No novo ano do “Dragão”, que começa dia 23 e termina no dia 9 de Fevereiro de 2013, deve a China considerar três sérios riscos que passam pelos cereais, petróleo e sector financeiro. Apesar de ser a economia mais populosa do mundo e continuar próspera, enquanto os Estados Unidos e União Europeia (UE) enfrentam graves crises de endividamento, é aconselhável aplicar o princípio de que é melhor prevenir que curar. Os dados económicos continuam a revelar sinais positivos de desenvolvimento e, por tal motivo, quem toma decisões ou analisa a economia chinesa faz previsões a curto e a médio prazo que podem não ser as mais positivas, e para que tal não aconteça com excepção dos naturais imponderáveis, é comum que se mitiguem desde logo, certos potenciais problemas. A China caminha para uma perigosa

escassez de grãos e além de sofrer de pouca terra arável por habitante, paralelamente, pela forma como acelera a industrialização e a urbanização, os custos laborais aumentam a um ritmo sustentado.Ambos componentes são transferidos de seguida aos preços agrícolas, em particular aos dos cereais. A população consome grãos em grandes quantidades, mas também necessita de investimentos para a produção de outros produtos para suprir diferentes carências alimentares. Em conjunto, estes factores conduzem a um “perfeito tufão” que, por sua vez, faz aumentar a procura de cereais. A crescente necessidade de grãos é um problema mundial e na China, onde as terras destinadas ao cultivo de cereais representam menos de um terço das suas terras aráveis, basta uma má colheita, para desencadear uma escassez geral de alimentos. A frequência e a severidade dos desastres naturais na China e outros países, pode fazer que a produção mundial de cereais diminua, o que traria graves ameaças à segurança alimentar, riscos de fome e inflação de preços. O segundo risco tem a ver com a falta global de petróleo e gás que cria fatalmente efeitos negativos ao desenvolvimento da China. Os riscos associados aos “crudes” reflectem a relativa concentração geográfica da oferta. Os hidrocarbonetos reagem de forma imediata às alterações políticas e económicas. A recessão nos Estados Unidos e na UE depreciaram os preços petrolíferos. Todavia, pequenas recuperações podem provocar uma veloz reacção nos valores e uma vez que a China depende do exterior para satisfazer as suas necessidades de combustíveis fósseis, qualquer aumento significativo pode ser devastador para a economia. No contexto actual, a China deve estar preparada para largas flutuações, o que implicaria a criação de reservas de “crudes” equivalentes a pelos menos entre três a seis meses de consumo, mas deve também diversificar factores de risco, assinando contratos a longo prazo com países fornecedores, além de terem de começar, urgentemente, a explorar fontes de energia não convencionais. As últimas três décadas tem sido marcadas por um sustentado aumento nos meios de pagamentos, em particular M-1. Na segunda metade do passado ano, representavam cerca de 10,5 milhões de milhões de dólares, ou seja o dobro do seu PIB e superior ao M-1 dos Estados Unidos. Essa excessiva circulação pode trazer outros riscos à economia, porque sem opções de investimento praticáveis podem aparecer borbulhas de preços, e determinados activos podem subir mais do que o considerado conveniente. Sabemos o que aconteceu na crise imobiliária americana de 2006 a 2008. Ao atingir preços insustentáveis, a borbulha rebentou e conduziu a uma crise de liquidez na economia. A China deve por conseguinte, reformular a sua política monetária a fim de reduzir o excesso de liquidez, devendo ser mais rigorosa na supervisão e vigilância do sistema financeiro. O ano novo do “Dragão” seria perfeito para a UE e talvez para a China, se inspirasse os dirigentes chineses a fazer que os excessos de liquidez do sistema fossem aplicados nos resgates europeus. Kung Hei Fat Choi. Feliz ano novo, sob o signo do Dragão.


Ciclone

As leis são iguais para todos. Quem são os todos? Por Fernando

SEXTA-FEIRA 20.1.2012 www.hojemacau.com.mo

19

OPINIÃO ed i t or i a l Carlos Morais José

O dragão não mete medo Está a chegar o Dragão e espera-se mansinho.

Sobretudo que não devore o mundo lá para o solstício de Dezembro, como reza a profecia Maia e quejandas. Este ano, ao invés do que se augura a um animal deste porte e potência, deverá correr em tom menor, suspirando os crentes e os descrentes por uma gradual mas firme recuperação das economias. O capitalismo ocidental tem fraco dirigismo e pouca estratégia conjunta: depende mais dos interesses particulares das empresas. Já a sua versão chinesa adopta outros caminhos, onde esses interesses piam mais fino. Macau não oscila à medida do mundo. A nossa vidinha não depende exactamente das crises porque ainda está por provar que este bendito território seja gravemente afectado por elas. Não feche o Dragão Maior a torneira de turistas e tudo por aqui continuará mais ou menos na mesma. Por isso, resta um sedimentado optimismo. Não se enxerga neste tépido horizonte que Pequim encontre motivos para punir esta RAEM, de algum modo bem comportada e de fato alinhado. É por dentro, no seu ventre, que a porca torce o seu já de si torcido rabo. A cidade debate-se com problemas que se esquivam ao âmbito da política e residem fundamentalmente em aspectos de gestão. Existem medidas e áreas que têm de ser imediatamente tratadas, no sentido de realmente, no menor espaço de tempo possível, racionalizar a cidade e proporcionar uma qualidade de vida aos cidadãos, condizente com o estatuto económico e social de Macau. Ambiente, urbanismo e património são questões incontornáveis que o governo terá tanto de resolver como a habitação social. Não se percebe como é que um regime que confessa tanta admiração pelas realizações singaporeanas, ainda não se lembrou de importar regras nos âmbitos referidos para domesticar a proliferação de iniquidades e atentados ecológicos de vários tipos e ordens. A Cidade do Leão adoptou regras urbanísticas de grande qualidade, sendo que hoje já não cola a velha desculpa de que Macau é um espaço exíguo, como se esse facto nos impusesse o destino de não poder, aos poucos, construir uma cidade onde o seu habitante possa desfrutar de real qualidade de vida. Repito: o estatuto actual da RAEM a tanto obriga. Não sei se será no ano do Dragão. Mas

Macau não oscila à medida do mundo. A nossa vidinha não depende exactamente das crises porque ainda está por provar que este bendito território seja gravemente afectado por elas. Não feche o Dragão Maior a torneira de turistas e tudo por aqui continuará mais ou menos na mesma. é quase certo que se Macau não for bem governado pelas suas gentes, se estas não provarem ter capacidade para a tarefa ou desejo de a realizar, será muito natural que por aqui se reforce a intervenção do Governo Central. Tudo indica, no entanto, que se Chui Sai On e a sua equipa se esforçarem um pouco mais, a coisa até poderá não acontecer de forma abrupta. O desembaraço com que o Governo começou a tratar da reforma política não augura, em si mesmo, nada de bom. Isto por que parece aquele aluno que andou distraído até à Páscoa e agora corre

ca rtoon

para apanhar a matéria dada. Imagine-se que para o ano o puxão de orelhas é relativo ao ambiente ou à cultura: que vergonha não seria para o nosso Executivo, mostrar assim que não sabe arrumar a própria casa. Seja como for, espero o melhor. O Governo até que tem gente competente e, nas áreas em falta, acho por bem que contrate especialistas estrangeiros, que abra concursos internacionais para grandes empreitadas. As coisas acabarão por ser feitas. É certo que andamos devagar, mas lá para 2024 será talvez possível apanhar um táxi descansa-

damente nesta cidade. Mas também qual é a pressa? Afinal, a esperança média de vida atinge os 82 anos. Portanto, por tudo isto e ainda aquilo que fica por dizer, o Dragão não mete medo a ninguém. Talvez aos Maias, mas estes que se contentem com o ramalhete a que a história pouco delicadamente os remeteu. Como dizia a minha avó (perdoem a nota pessoal, sempre ridícula...), no inútil afã de me sossegar: “ó filho, tu julgas que o mundo se acaba, mas tu é que te acabas para o mundo”. Santa velhinha! PS: Já agora só mais uma nota pessoal (bem sei... bem sei...): seria excelente que terminassem as obras naquele jardim na Taipa, entre o Nova City e o Nova Taipa. Caramba, já lá vão mais de dois anos e a promessa não está a ser cumprida. Vá lá, mestre Lau Si Io, dê lá este lai-si à gente.

ANO DO DRAGÃO

por Steff

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Andreia Sofia Silva; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; José C. Mendes; Nuno G. Pereira; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Carlos M. Cordeiro; Boi Luxo; Correia Marques; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 20 JAN 2012 #2535 by Jornal Hoje Macau - Issuu