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Hoje Macau 2 DEZ 2011 #2506

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 2 DE DEZEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2506

TEMPO MUITO NUBLADO MIN 11 MAX 16 HUMIDADE 40-80% • CÂMBIOS EURO 10.8 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Neto Valente e a reforma política

MUDAR PARA QUE TUDO FIQUE NA MESMA • Página 4

Fénix

JAZZ CLUBE DE MACAU QUER RENASCER E TEM PLANOS • Página 13

OPINIÃO Carlos Morais José

MACAU E OS NEO-TUGAS II • Página 17

LAG | Cheong U não adianta nem atrasa

O Secretário Rolex

Ele é o homem que mais pelouros detém no governo de Macau. Mas na Assembleia Legislativa, na hora de defender as suas opções, limitou-se a discorrer sobre algumas ideias na área do Turismo. Saúde, Educação, Cultura e Assistência Social parecem ser temas que estão longe das suas preocupações. É que nem sequer a questão do reconhecimento dos médicos preocupa este governo, ou seja, a rebaldaria continua. > PÁGINAS 4 E 5

Jorge Rodrigues Simão

A NOVA BIOLOGIA • Página 18

Arnaldo Gonçalves

HK E O NOVO TESTE À AUTONOMIA • Página 19

Restaurante

BANZA GANHA PRÉMIO INTERNACIONAL • Página 9


SEXTA-FEIRA 2.12.2011 www.hojemacau.com.mo

2 Mais uma jogada agressiva no geopolítico jogo de xadrez do Sudeste Asiático realizou o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, provocando, em primeira fase, preocupação na China e na Indonésia para o início de nova corrida ao armamento na região.

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URANTE a sua visita na Austrália e, por ocasião de seu discurso no Parlamento Federal local, Obama anunciou (pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial) uma escalada de aumento dos efectivos das forças armadas norte-americanas - exército, marinha e, força aérea - na Austrália já a partir do início do ano que vem, até 2017. De acordo com informações de autoridades dos EUA e da Austrália, numa “primeira fase”, a sede das forças armadas norte-americanas na

ACTUAL EUA aumentam a sua presença militar no Pacífico

Corrida às armas Austrália será a base militar de Darwin, situada no norte do continente australiano e distante a 820 quilómetros da Indonésia. A esta base chegarão no início do ano que vem os primeiros fuzileiros navais dos EUA. Foi esclarecido que os EUA não pretendem - pelo menos agora - construir as suas próprias bases mas, ao que tudo indica, utilizarão as bases e demais instalações militares australianas. Por isso, a base de Darwin não será a única que “hospedará” as forças terrestres e aéreas norte-americanas, as quais, iniciarão a realização de exercícios militares conjuntos com forças australianas. Outra base programada para ser usada pelos EUA é a base naval de Sterling, situada perto de Perth, no sudeste australiano. Mas não se exclui o uso de outras bases navais, aeroportos militares e portos, porque está previsto um incessante vaivém de forças, terrestres e aéreas norte-americanas.

EVITAR SURPRESAS

Supõe-se que, a nova investida norte-americana na Austrália (a qual participa com toda a boa vontade em muitas intervenções como Iraque e Afeganistão) não ocorre somente no âmbito

da aliança estratégica bilateral que já dura há 60 anos. Mas, como explicou Obama no seu discurso, “a Ásia constitui um desafio para a segurança e uma oportunidade para a economia”. Conforme esclareceu, ali (na Ásia) encontram-se as maiores forças nucleares do mundo e ali reside a metade da população da terra. Obama acrescentou ainda que, “as evoluções (na Ásia) definirão e, muito, se o século XXI será marcado por conflitos ou colaborações, por sofrimento humano ou progresso humano. Aqui estamos e aqui permaneceremos, disse ObaPUB

ma. Referindo-se ao governo de Pequim declarou que “é errada a ideia de que tememos a China e que procuramos prejudicá-la”. Confirmou, ainda, que os EUAprocurarão oportunidades de colaboração com o governo de Pequim, incluindo maior comunicação entre os exércitos, “a fim de promovermos a compreensão e evitarmos os erros”.

OBAMA NÃO CONVENCE

Só que as afirmações de Obama não convenceram ninguém. Antes pelo contrário, aumentaram as preocupações de outros países da região (por exemplo, da Indonésia) que vêem a região entrar num período de forte movimentação militar, com

visíveis características de uma nova e frenética corrida armamentista e escalada dos gastos na Defesa. Para mais, quando as figuras da Casa Branca se esforçavam para justificar a decisão do governo, “murmurando” aos jornalistas a quadruplicação dos gastos de defesa da China na última década, esta fazia a apresentação do novo caça bombardeiro chinês tipo “Stealth”, do novo porta-aviões da marinha chinesa e, de um modo geral, da modernização das forças armadas chinesas terrestres, navais e aéreas, bem como a decisão do governo de Pequim de reivindicar jazidas energéticas em regiões do sul do Mar da China, igualmente, reivindicadas por outros países como o Japão.

NOVA FASE DE TENSÕES

Assim, a presença militar na Austrália provoca preocupações e uma autoridade da Indonésia apressou-se a observar que esta evolução provocará, eventualmente, um “círculo vicioso de tensão e desconfiança”. Em Pequim, uma autoridade do ministério das Relações Exteriores, observou que “não está na hora de intensificar alianças militares que não parecem ser em benefício da região”. Um artigo do jornal Diário do Povo, destacou que, “a Primeira-Ministra da Austrália, Julia Guilard, talvez ignore que

a cooperação económica Austrália-China não ameaça os EUA, mas a aliança militar da Austrália com os EUA é contra a China”. E o artigo conclui com uma advertência: “se a Austrália utilizar as suas bases militares para ajudar os EUAa atingirem os interesses da China, então, talvez fique entre fogo cruzado”. Paralelamente,Yuan Peng, director do Instituto de Estudos Norte-Americanos da China para asActuais Relações Internacionais,comentandono jornal Global Times a decisão do governo Obama de participar - pela primeira vez - na Cimeira do Sudeste Asiático, em Bali, Indonésia, disse que “esta opção dos EUA revela, claramente, a transferência do epicentro da estratégia dos EUApara o Oriente com o interesse dos EUA a concentrar-se na região da Ásia-Pacífico na próxima década”. Destaca-se que, no momento em que o presidente dos EUA chegava a Bali, Indonésia, para participar na cimeira, o exército norte-americano realizava na sua base no Hawai, o primeiro tiro experimental de um foguete supersónico teleguiado que, segundo se diz, proporcionará aos EUA a possibilidade de atingir alvos dentro de uma hora em qualquer ponto do mundo, no âmbito do Programa “ Arma Avançada Supersónica (Advanced Hypersonic Weapon)”. A conjuntura temporal e o simbolismo do lançamento experimental é, ao que tudo indica, indicativo dos novos planos que os EUA estão a preparar na região da Ásia-Pacífico, utilizando a Austrália como fronte.

MINISTÉRIO DA DEFESA CHINÊS REPROVA ALIANÇA MILITAR O Ministério da Defesa Nacional da China criticou nesta quarta-feira a decisão dos EUA de fortalecer sua aliança militar com a Austrália. Durante a visita do presidente norteamericano, Barack Obama, à Austrália no início de Novembro, os dois países concordaram em expandir os programas militares conjuntos para fortalecer a aliança. Questionado sobre o tema, o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Geng Yansheng, reagiu com a seguinte afirmação: “Qualquer consolidação ou expansão de uma aliança militar forjada na História segue o modelo da Guerra Fria”. Geng reafirmou a política da China de querer

que os países tomem acções favoráveis à paz e à estabilidade da região Ásia-Pacífico, porque esse é o interesse comum de todos os envolvidos. Geng revelou que o sub-chefe do Estado-maior General do Exército de Libertação do Povo Chinês, Ma Xiaotian, e o vice-director do Departamento de Defesa Nacional norteamericano, Michele Flournoy, vão presidir à 12ª ronda de negociações entre China e EUA sobre assuntos de defesa nacional, a ser realizada em 7 de Dezembro em Pequim. Na ocasião, as duas partes trocarão opiniões sobre relação entre os dois exércitos, situação regional e outras questões de interesse comum.


Parece que o meu artigo “Macau e os neo-tugas” terá causado algum desconforto entre alguns dos que se consideraram visados. Ora ainda bem. Isto prova duas coisas: primeiro, existem – o que por vezes nem sempre foi claro; segundo, sentem – o que significa que até poderão ser filhos de boa gente. Mas o que muitos não perceberam é que o meu artigo não atacava o José, o Manuel ou o Pedro. E também deixava de fora a Susana, a Paula e a Felismina. Carlos Morais José P.17

Fraco desempenho económico leva China a reduzir exigências de reservas bancárias

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está a ser posta em causa, devido à contínua crise na Europa e ao fraco crescimento económico mundial. No começo de Novembro, o resultado preliminar do Índice de Gerentes de Compras realizado pelo HSBC mostrou que a produção industrial, que é da mais alta importância, tem vindo a encolher mês após mês. As exportações também diminuíram. “Os dados das últimas semanas foram maus”, disse Mark Williams, economista para a China da Capital Economics. “Há crescimento zero na construção de imóveis, o crescimento da produção de electricidade diminuiu, os números das exportações em Novembro serão péssimos, e talvez [os dirigentes] já tenham uma previsão de tudo isto. Todos estes factores podem ter provocado uma mudança na política.” A iniciativa de quarta-feira reduzirá a taxa de reserva mínima de capital para 21% para os grandes bancos. Isto vai libertar cerca de 390 mil milhões de yuans (cerca de

US$ 61 mil milhões) em fundos para os bancos emprestarem, segundo cálculos feitos pelo The Wall Street Journal com base em dados de depósitos bancários em Outubro. Há várias semanas, que os principais líderes chineses têm insinuado que a sua política será aperfeiçoada de modo a apoiar o crescimento. Mas até quarta-feira, a China estava a recorrer à flexibilização direccionada para apoiar pequenas indústrias em dificuldades, sem afrouxar a política monetária do país como um todo. No mês passado, o Conselho de Estado anunciou um conjunto de medidas destinadas a libertar mais fundos para as pequenas empresas, na esteira de uma série de acordos com fábricas na cidade costeira de Wenzhou, considerada um barómetro para as indústrias de pequeno e médio dimensão do país. Mais recentemente, a autoridade monetária reduziu as exigências de reservas mínimas para algumas cooperativas rurais na província de Zhejiang, no leste da China.

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China disse na terça-feira que quer melhorar suas relações com o Vaticano, com quem não mantém vínculos desde 1951, em assuntos como a ordenação de bispos, um dos aspectos de maior tensão entre Roma e Pequim, apesar de alguns acordos feitos. “A China é sincera sobre o seu desejo de melhorar as relações com o Vaticano e gostaria que isso acontecesse de acordo com uma série de princípios”, afirmou Hong Lei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, ao ser questionado por uma nova ordenação estipulada entre Pequim e Roma. Hong explicou que, nos últimos anos, com o objectivo de facilitar a evangelização, a China ordenou um grupo de bispos “para promover a boa saúde do catolicismo chinês”. Embora muitas dessas ordenações tenham causado tensões entre ambos os Estados por não receberem o sinal verde do Papa, nos últimos cinco anos houve acordos. Uma dessas nomeações foi feita esta quarta-feira, com a or-

SIDA | QUEDA DE 60% NO NÚMERO DE MORTES EM 2011

Mudança de atitude deu resultados Ministério da Saúde da China estima que o número de mortes em decorrência de Sida neste ano no país chegue a 28 mil, uma redução aproximada de 60% em relação à quantidade registada em 2010, indica um relatório publicado pelo organismo na véspera do Dia Internacional de Luta Contra a Sida. O relatório, que contou com a participação de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Unaids, também contabilizou um aumento de 48 mil casos de portadores do vírus HIV, elevando o total de seropositivos para 780 mil, entre eles 154 mil que desenvolveram a doença. Estes números oficiais, no

entanto, são colocados em dúvida por algumas ONGs, que suspeitam que o verdadeiro número de afectados pelo HIV/Sida na China possa ser de vários milhões, devido ao desconhecimento da doença e do vírus. O Ministério da Saúde chinês reconhece que o HIV continua a ser um problema “moderadamente prevalente

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na China” e admite a gravidade do caso, assinalando que o número de seropositivos no país equivale a um quinto do total no mundo. “Muitos seropositivos desenvolverão a doença no futuro, o que terá um impacto na economia e na sociedade do país”, afirma o Ministério. Segundo o Centro Chinês para o Controlo e Prevenção de Doenças, citado na quarta-feira pela agência de notícias Xinhua, a transmissão sexual do vírus tornou-se a forma mais frequente de infecção, enquanto, nos anos 1990, as transfusões de sangue eram a principal causa de contágio. A entidade alerta que os homossexuais continuam a ser um grupo de alto risco.

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Ainda cheira a bispo

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MELHORAR RELAÇÕES COM VATICANO

O regresso do crédito

Banco da China informou na quarta-feira que vai reduzir a taxa de reserva bancária obrigatória em meio ponto percentual, o primeiro corte deste tipo desde Dezembro de 2008. O corte basicamente liberta os bancos para emprestar mais dinheiro. O corte feito em Pequim na tarde de quarta-feira animou os mercados europeus, com o índice de referência Stoxx Europe 600 em alta de 0,8% ao meio-dia, enquanto o FTSE de Londres também subia 0,8%. O movimento sugere que a política do governo chinês está a mudar, dando menos ênfase ao controlo da inflação e passando a promover mais o crescimento económico, disse Ma Xiaoping, economista do HSBC para a China. Até agora a China tem-se concentrado no combate à inflação, aumentando as restrições sobre a economia e buscando, ao mesmo tempo, um crescimento estável. Mas a capacidade de Pequim de o conseguir

SEXTA-FEIRA 2.12.2011

A China registou seu primeiro caso de Sida em 1985, mas durante décadas o governo comunista considerou-a uma doença “só de estrangeiros”. O tema tornou-se tabu no país, o que provocou o aumento das infecções, especialmente em negócios clandestinos de compra e venda de sangue sem as medidas sanitárias adequadas. Na última década, no entanto, Pequim manifestou uma mudança significativa de atitude em relação à doença, sobretudo com campanhas de consciencialização para prevenção e contra a discriminação a seropositivos, que durante anos foram marginalizados na sociedade chinesa.

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denação de Peter Luo Xuegang como bispo auxiliar de Yibin, na província de Sichuan. Aordenação de Luo conta com o sinal verde do Papa, segundo a “Asia News”, uma agência de notícias próxima ao Vaticano. Mas Pequim exigiu ainda inclusão de um bispo que foi nomeado pela Igreja Católica Patriótica (controlada pelo Partido) e excomungado pelo Vaticano, Paul Lei Shiyin, actual presidente dos católicos chineses, de acordo com a mesma fonte. O porta-voz da Igreja Patriótica da China não estava disponível na terça-feira para confirmar esse acordo sobre uma nomeação, embora em ocasiões anteriores tenha afirmado que Pequim mantinha um contacto discreto com Roma para nomear bispos e amenizar um dos principais motivos de conflito entre ambos os Estados. O Vaticano e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951 e, para retomá-las, Pequim exige que a Santa Sé rompa previamente com Taiwan e não interfira nos assuntos internos chineses.


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POLÍTICA

NETO VALENTE | EXECUTIVO LIDERARÁ APESAR DA REFORMA DE 2012 A reforma política prevista para 2012 em Macau não vai alterar a correlação das forças de poderes, afirmou o membro da comissão eleitoral do líder do Governo Jorge Neto Valente, alertando que a China não o permitiria. “Creio que a questão é quais são as expectativas e quais serão os resultados?” em relação à reforma política anunciada recentemente pelo Governo para 2012, disse Neto Valente. Para o também presidente da Associação dos Advogados de Macau, “se algumas pessoas têm expectativas irrealistas vão ter grandes desilusões, porque a Lei Básica não consente alterações radicais à situação política actual, nem a China iria alguma vez permitir que isso sucedesse”. “Portanto, não vale a pena criar” essas expectativas, disse, ao considerar não ser mesmo “correcto tê-las”, constatando haver “pessoas que alimentam um espírito de que é possível mudar tudo e que a salvação mundial está no sufrágio universal e directo”, ideia sobre a qual manifestou descrença. Não prevendo “alterações radicais” com a reforma de 2012, Neto Valente apontou que o facto de aquela poder passar pelo aumento do número de membros da comissão que elege o chefe do Executivo “não irá alterar nada”, lembrando que os “candidatos terão sempre de ter o beneplácito do Governo central”. Quanto à estrutura do hemiciclo, o responsável previu a possibilidade de haver também um aumento do número de deputados eleitos por sufrágio directo que, realçou, “também não alterará nada”, nem o “facto essencial de que o regime político em Macau ser liderado pelo Executivo”. “Isto é claro na Lei Básica, não vai ser alterado, não está em discussão sequer e o Governo não vai responder perante a Assembleia Legislativa”, vincou ao verificar que o hemiciclo “não tem, portanto, poder para demitir o Governo”. Essa situação, apontou, “nunca acontecerá no quadro normal da Lei Básica e, por conseguinte, isso não altera o estilo da governação”. “E mais, isso dá ensejo a mais demagogia, porque há pessoas que prometem na campanha eleitoral que vão endireitar o mundo, mudar o Governo, vão fazer e acontecer quando não têm poder nenhum para isso, pois quem diz o que se faz é o Governo, não é a Assembleia”, salientou. Os deputados, disse, “mesmo os que são bons - e há muitos que não o são - não têm poder para impor ao Governo o que quer que seja”. Neto Valente afirmou ainda não acreditar que os deputados nomeados pelo Executivo desapareçam, como em Hong Kong, mas que venham a ter uma proporção no hemiciclo “cada vez mais reduzida” com o aumento dos eleitos pelos sufrágios directo e indirecto. “Os nomeados não são uma ideia abstrusa, é a maneira de compensar deficiências que resultam da mera demagogia da propaganda eleitoral”, disse, realçando que “há muita gente que pode ir para a Assembleia quase sem saber ler nem escrever”. Quanto ao sufrágio universal, Neto Valente considerou que Macau poderá “talvez ter hipótese” de o conseguir, citando um responsável político de Pequim que recentemente afirmou que a China “pensa em ter eleições universais em 2037”. “Antes disso vai ser muito difícil [que Macau venha a ter sufrágio universal], não me parece nada plausível nem sequer aconselhável”, concluiu.

LAG | Cheong U adia esclarecimentos para 2ª ronda

Muitas parras, poucas uvas Joana Freitas

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joana.freitas@hojemacau.com.mo

ALOU-SE de futebol, do Benfica e do Barcelona, mas muito pouco sobre as questões mais polémicas. A apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) da tutela de Cheong U foi longa, mas nem por isso trouxe novidades. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura aproveitou cinco horas para ler o discurso das LAG para a sua tutela e ouvir os deputados, mas adiou as respostas às dúvidas mais persistentes para hoje, último dia em que estará presente na AL. Apenas com uma intervenção, o responsável que tem a pasta mais longa do Governo, limitou-se a frisar medidas já anunciadas. A criação do Fundo de Ensino Superior – que atribui duas mil patacas a cada estudante – e o aumento do limite do rendimento da família dos candidatos às bolsas de estudo estão nas intenções do Executivo. Ainda na área da educação, Cheong U diz ainda que vai manter o apoio a quem queira estudar no exterior. A educação e os jovens estiveram, aliás, no centro das interpelações dos deputados. Para Chan Meng Kam, o sistema educativo tem de ser melhorado, por não estar a acompanhar o desenvolvimento da sociedade. “Hoje em dia, os jovens não

querem continuar o ensino superior, porque querem logo entrar no mercado do jogo.” O deputado considera que a população mais nova de Macau está num caminho arriscado, seguindo por vias ilícitas. Problemas que, assegura, não se resolvem só com dinheiro. Ng Kuok Cheong criticou o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura por “não estar a par das realidades” e de não se mexer quanto às legislações. “Disse que faltavam diplomas complementares para implementar a Lei de Ensino Superior. Mas esta passou em 2009, 2010 e, agora, 2011. Para quando essa lei?”

Já José Chui Sai Peng preferiu virar-se para a questão do ensino técnico-profissional, algo que considera não estar nada desenvolvido no território. Cheong U aceita que devem ser melhoradas as situações ligadas ao ensino, mas mostra-se satisfeito noutra vertente: os jovens estão motivados a participar na vida política. Entre outras questões que suscitaram debate, além do turismo e do desporto, a maioria das respostas ficou “para a segunda ronda”, por opção do secretário.

MUITAS IDEIAS PARA TRANSFORMAR MACAU NUM CENTRO DE TURISMO

Turistas, palhaços e futebol N

ÃO se pode permitir que os outros digam que Macau é só jogo. Quem o afirma é Kou Hou In, exigindo que o Executivo mude a ideia dos turistas sobre a cidade. Os deputados falaram sobre o turismo, ontem, na Assembleia Legislativa (AL), em dia de apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG). Querem mais promoção dos conteúdos culturais de Macau, diversificação dos visitantes e esclarecimentos sobre os constantes conflitos entre turistas e agências de viagem. Responder a estas questões não foi difícil para Cheong U, ao contrário do que aconteceu com outras áreas. O secretário apresentou-se sorridente, esclarecendo que estão em marcha

campanhas promocionais inovadoras e muitas ideias para trazer a Macau visitantes que não cheguem da China, Taiwan ou Hong Kong. “Queremos atrair turistas da Rússia, Índia e França. A Índia já tem publicidade de Macau e vamos ter voos da Rússia. Estamos em contactos com as autoridades dos países sobre a política da isenção de vistos.” Na diversidade das atracções do território, Cheong U promete mais projectos “dentro de dois ou três anos”, que incluem, por exemplo, estágios do Sport Lisboa e Benfica e do Futbol Club Barcelona nos campos de Macau, além de jogos com estrelas da NBA. Chamar turistas passa ainda por publicitar o território em

canais internacionais – não dos casinos, mas dos hotéis e resorts – e organizar eventos de grande envergadura. Cheong U não esquece, contudo, os “cantos de Macau”. Quer enchê-los de palhaços com balões, “para que as crianças relembrem Macau”, e riquexós para fotografias. Nem o rio escapa ao secretário, que imagina ainda um barco à vela para passear turistas. “Queremos transformar Macau numa metrópole de cultura, não só numa cidade de jogo.”

CONFLITOS EQUILIBRADOS

Ideias novas à parte, os deputados quiseram pôr o dedo na ferida. O sector do turismo vive manchado de conflitos, algo que precisa de resolução. Criar um mecanismo de responsabiliza-

ção é o que querem os membros da AL, para que o Governo não tenha de estar sempre a assumir culpas, só para não prejudicar a imagem do território. Cheong U diz que a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indemniza turistas, por vezes, para evitar que a situação se agrave, mas promete deixar de fazê-lo quando a responsabilidade não for da RAEM. “Queremos conciliações, para que os turistas não fiquem com uma má imagem, mas precisamos encontrar um equilíbrio: não ser nem muito rigorosos nem muito complacentes.” Criar mecanismos de diálogo com as agências da China é uma hipótese para evitar conflitos, bem como a revisão de algumas leis. - J.F.


MACAU MANTÉM O MESMO ÍNDICE DE PERCEPÇÃO DE CORRUPÇÃO

A organização Transparência Internacional divulgou ontem o Índice de Percepção da Corrupção e Macau mantêm a posição 46.ª. O índice classifica 183 países e territórios com uma pontuação entre 0, que significa extremamente corrupto, e 10, muito transparente, tudo padronizado de acordo com os níveis de percepção da corrupção no sector público. Em relação ao último relatório, a RAEM obteve 5.1, a mesma pontuação do Bahrain e das Ilhas Maurícias, por exemplo. O nível de corrupção no território é assim uma preocupação. Mas não só Macau sofre com o mal. A Transparência Internacional revela que a maior parte dos países do continente têm pontuação inferior a cinco. A China ocupa a posição 75.º num ranking liderado pela Nova Zelândia.

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Médicos | Mais qualidade e menos erros talvez depois de haver Conselho dos profissionais

Quem trata da saúde à saúde? Joana Freitas

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EDUZIR as situações de erro médico é objectivo do Governo, segundo o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, mas ainda não se sabe como cruzar essa meta. Cheong U esteve ontem na Assembleia Legislativa (AL), para o primeiro dia de apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a sua tutela, mas não disse nada de concreto. Lau Veng Seng foi o primeiro a questionar Cheong U: “para quando um regime de credenciação do pessoal médico?”. Actualmente, relembrou o deputado, este é um sistema que não existe no território, o que faz com que a qualidade dos profissionais de saúde seja muito baixa. O secretário assume a necessidade de se melhorar a situação de Macau no que a este sector diz respeito, mas diz apenas que “em 2012, com a criação do Conselho Médico, poderá existir um sistema de certificação para a profissão”. O Conselho para os Assuntos Médicos inicia funções no princípio do ano. Os problemas nos serviços de saúde não são desconhecidos e resumem-se não só à falta de recursos humanos, como à baixa qualidade dos que existem, por não terem formação constante. Este ano, Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SS), já teve de prestar contas publicamente sobre o assunto, depois de um relatório do Comissariado de Auditoria (CA) ter denunciado ausências de formação actualizada em dez áreas de especialidade. “Os SS já disseram que vão acelerar formação e criar mais vagas para internatos médicos, mas o nível profissional do pessoal médico preocupa”, critica Lau Veng Seng. Kwan Tsui Hang colocou também a saúde na lista de interpelações. A deputada admite existirem infra-estruturas suficientes para a área da saúde, mas nega que este seja o único factor para elevar a qualidade profissional. Kwan Tsui Hang quis saber se há já planeamentos para a formação de quadros qualificados, mas essa foi uma das muitas questões que ontem ficaram por responder. Para a deputada, o problema não reside, contudo, apenas na

Cheong U ouviu as dúvidas dos deputados, mas não avançou nada de palpável para as esclarecer. Se há ideias para a formação de pessoal médico ou lei que regule a profissão, não estão no papel do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Pode ser algo, diz, que se resolva com a criação do Conselho Médico, no próximo ano, e avança apenas com a possibilidade de formar auxiliares para ajudarem enfermeiros falta de médicos. “Precisamos da formação de médicos, mas de enfermeiros também. São eles os parceiros dos médicos na prestação de cuidados de saúde.” Para tentar minimizar o problema, Cheong U sugeriu a formação de auxiliares para que estes apoiem os enfermeiros nos hospitais. Kou Hoi In foi mais directo. “As pessoas ricas que estão doentes vão a Hong Kong receber tratamento.” Para este deputado, que acusa o Executivo de considerar o ‘mercado’ da saúde pequeno em Macau, copiar o vizinho podia ser a solução. “A RAEHK tem um

instituto de medicina e nós temos condições para instituir isso.”

O ERRO E A ESPERA

De panorama muito pouco saudável, a saúde de Macau não apresenta só males ao nível da falta de recursos humanos. O erro médico e as longas listas de espera também assustam os deputados. Chan Meng Kam afirma que a “melhoria dos cuidados de saúde está estagnada, há dificuldade na procura de serviços gratuitos no hospital e é preciso aguardar muitas horas para poder ter uma consulta”.

Au Kam San quis saber quando se pode resolver este problema – uma questão que não foi respondida -, e sugeriu mesmo encaminhar alguns pacientes para serviços do privado, numa colaboração entre estas instituições e o Executivo.

Para Lau Veng Seng, a atitude actual perante os actos de erro ou negligência médica – que acontecem às centenas no território – não é positiva. “Resolver essas situações pecuniariamente não pode suprir o nível de sofrimento dos familiares em caso de erro médico.” A Lei do Erro Médico deverá entrar em processo legislativo apenas no quarto trimestre de 2012, sendo que, mesmo em vigor, poderá não ser suficiente para resolver as questões actuais. Lei Chin Ion, o director dos SS, também presente na AL, assegura que está nas intenções do Governo eliminar todos os problemas relativos à saúde. Ainda assim, o responsável apresentou dados mostrando que, mesmo com mais locais para escoar os pacientes, as situações não se resolvem. “O Posto de Urgência das Ilhas recebeu, desde 1 de Novembro até hoje, cerca de cem pacientes por dia. Mesmo assim, a redução foi muito ligeira e vai voltar a atingir o mesmo nível.” O director prevê agora a possibilidade de colaborações com instituições não lucrativas, pelo menos para o atendimento de pacientes em dia de feriados e noites.

MAIS LARES PARA DEFICIENTES E CENTROS DE IDOSOS ABREM PORTAS EM 2012

Seguir o que já está no papel N

O próximo ano, o território vai ter mais 14 lares para portadores de deficiência e um número indeterminado de centros de acolhimento para os idosos. O anúncio foi feito ontem, na Assembleia Legislativa (AL), por Cheong U. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura ouviu as opiniões dos deputados, apesar de não se ter estendido muito em medidas mais concretas. Lau Veng Seng mostrou-se satisfeito com a adopção da Convenção para os Direitos dos Cidadãos com Deficiência, mas quis marcar a sua posição: o Governo, diz o deputado, tem de aplicar políticas que não se limitem a apoios de subsistência ou tratamento de doenças. Na sua opinião, o Executivo deve apoiar a integração dos deficientes na sociedade, de forma a que eles não dependam puramente do apoio administrativo. Actualmente, há 400 vagas preenchidas nos lares de deficientes e 50 cidadãos na lista de espera. Até 2015, diz o secretário, prevê-se a abertura de mais 440 vagas.

Agregado à necessidade de criar mais locais para os portadores de deficiência do território, está ainda o ensino especial. Angela Leong foi a deputada que deu início à temática, relembrando que, desde Setembro de 2009, está previsto aumentar de seis para 15 anos o ensino especial gratuito, algo que ainda não se concretizou. “Os deficientes mentais precisam de cursos relacionados com a vida quotidiana, técnicas de rotina normal, para que possam fazê-las sozinhos.” Cheong U admitiu ter muitas dificuldades no recrutamento de docentes, algo já muito debatido no seio governamental.

IDOSOS MERECEM MAIS

“Daqui a dez anos, quando a população estiver mais envelhecida, como dar mais apoio aos cidadãos idosos?”, questionou Chui Sai Cheong. A resposta da parte de Cheong U resumiu-se ao que já estava escrito nas LAG. Com o aumento do risco social para 3200

patacas, o Governo decidiu subir também o subsídio anual para os cidadãos séniores, de cinco mil para seis mil patacas. Nos próximos cinco anos, o Governo quer fornecer mais 800 camas para idosos, algo que não satisfaz Au Kam San. Os deputados pediram ontem não só mais lares, como mais enfermeiros e até sugeriram novas ideias. “Deveria ser criada a especialidade de geriatria nos hospitais e serviços de saúde”, disse Kwan Tsui Hang. Cheong U admitiu “não ter planos muito concretos acerca dos idosos”, mas adiantou a criação de mais de mil vagas em lares até 2015. Actualmente, 1300 vagas estão preenchidas e 300 idosos mantêm-se em lista de espera. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura quis salvaguardar-se no que já está a ser feito, recordando aos deputados que a Lei de Bases para as Garantias dos Idosos está em fase de elaboração. - J.F.


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POLÍTICA

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CENTRO DE ABRIGO DE INVERNO DO IAS ESTARÁ ABERTO

De acordo com a previsão feita pela Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, a temperatura do território ira sofrer uma descida gradual, pelo que o Instituto de Acção Social abriu, desde ontem, o Centro de Abrigo de Inverno do localizado na Rua do Asilo, na área da Ilha Verde. Nos próximos tempos estará aberto das 18h até às 10h do dia seguinte e quem quiser estar mais quentinho pode receber no local arroz cozido, bebidas e massa instantânea. O IAS tem apelado aos idosos e aos doentes crónicos para que prestem atenção às alterações climatéricas, resguardando-se melhor que possam do frio.

Juventude desagradada com política habitacional prevista nas LAG para 2012

Quem estuda também quer casa Virginia Leung

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S Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano apresentadas recentemente despertaram reticências por parte dos jovens de Macau, nomeadamente no que diz respeito às políticas habitacionais previstas. A conclusão foi avançada por representantes do grupo de política juvenil da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), que apresentaram o relatório do inquérito “Satisfação da Juventude em relação ao Relatório das LAG 2012”. Em geral, no entanto, a juventude mostrou-se agra-

dada com as novas políticas, com destaque positivo para as medidas previstas no capítulo da educação e cultura. Para o estudo, foram

enviados mil questionários, tendo sido recebidos de volta 844, dos quais 842 continham respostas válidas, conforme explicaram Leong Bo Ieng e PUB

Cheong Chan Fai, membros do grupo de política juvenil da UGAMM. Mais de metade dos cidadãos inquiridos (com idades entre os 18 e os 45 anos) considerou as LAG 2012 como sendo “globalmente boas”, sendo que outros cerca de 30% as avaliaram como “satisfatórias”. Apenas 6% declararam-se insatisfeitos. Houve pontos do relatório, no entanto, que não convenceram os jovens de todo, como foi o caso da habitação e do trânsito. Em termos de política habitacional, os jovens entrevistados mostraram-se decepcionados com medidas pouco promissoras, incapazes de mudar a sua visão pouco optimista em relação à sua própria capacidade de um dia poder comprar uma moradia. Os jovens não deixaram contudo de sugerir ao Governo que continuasse a procurar controlar o mercado imobiliário, permitindo que os preços da habitação regressassem a níveis razoáveis e garantindo um desenvolvimento saudável do mercado. E recomendaram também que o Executivo considerasse introduzir alguma “habitação a preços controlados” para satisfazer a procura da chamada “classe sanduíche” (faixa da população que aufere rendimentos insuficientes para aceder ao mercado privado, mas acima do limite máximo para a candidatura a habitação pública).

Além da habitação, também as políticas de trânsito e de combate à inflação mereceram desconfiança por parte dos jovens. A maior parte dos inquiridos mostrou-se insatisfeita com o excesso de veículos no escasso território de Macau e a consequente pouca fluidez do tráfego, pelo que sugeriu ao Governo que limitasse gradualmente o aumento do número de veículos a circular, eliminando, por exemplo, os veículos com mais de 10 anos. Isto para reduzir os veículos a utilizar a via e optimizar a rede viária com vista a reduzir os engarrafamentos. Entre as medidas que simultaneamente mais satisfação e insatisfação recolheram junto dos jovens estão políticas de combate à inflação. A aparente contradição foi explicada pelos responsáveis da UGAMM com o facto de os jovens concordarem que, em geral, as medidas a curto prazo são úteis para aliviar os efeitos imediatos da subida dos preços (com destaque para os cheques de apoio pecuniário aos residentes, subsídios à aquisição de material escolar e à aprendizagem sustentável, apoio aos idosos e subsídios à electricidade), mas considerarem que o Governo não apresentou quaisquer

medidas de longo prazo para combater efectivamente a inflação. O Executivo deveria por isso, sugere o grupo de estudo, diversificar as fontes abastecedoras de mercadorias, aumentar a transparência da fixação de preços, alargar o mercado grossista, combater os monopólios e importar mais concorrência para enfrentar a inflação a longo prazo. Mas o capítulo que mais satisfação gerou junto dos jovens foi o da educação e cultura devido ao facto, segundo os autores do estudo, de a maioria dos entrevistados ainda frequentar estabelecimentos de ensino, sendo directamente beneficiados por medidas como a optimização dos programas de bolsas de estudo, facilitação dos empréstimos a estudantes, etc, medidas essas que aliviam o fardo das famílias e ajudam os jovens a concentrarem-se nos estudos. Com bons olhos foi também vista a introdução de uma base de dados de recursos humanos, planeada pelo Governo, que deverá proporcionar base científica e informação para orientar os jovens estudantes no planeamento das suas vidas e futuras carreiras.

FRANCIS TAM | MACAO STUDIO CITY DENTRO DA LEI

O secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, disse ontem que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ainda não recebeu qualquer pedido para introduzir novos elementos do jogo relativos ao projecto do Macao Studio City. Frisou ainda que irá cumprir escrupulosamente a política de regulamentação vigente, sendo que, no futuro, a DICJ, de acordo com a realidade, irá proceder à respectiva apreciação. Reiterou ainda que, a posição do governo, na política do controlo do desenvolvimento da indústria do jogo, especialmente na regulamentação do número de mesas, foi clara, sendo que até 2013 o número total de mesas de jogo não poderá ultrapassar as 5,500 unidades e, depois de 2013, exceder os 3% anuais.


SOCIEDADE Proposta de novos salários não convence docentes das privadas

Professores contra fosso salarial Virginia Leung

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Virginia.leung@hojemacau.com.mo

proposta de lei intitulada “Quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior” não satisfaz os professores das escolas privadas, de acordo com um estudo de opinião divulgado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). E a parte que mais desagrado gerou foi a que define “Salários e Benefícios”. A FAOM encaminhou o estudo para o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U. O estudo feito pela FAOM teve como alvo profissionais do quadro académico de jardins de infância, escolas primárias e secundárias do ensino privado, entrevistados com um questionário enviado pela Internet. Foram recebidos de volta 401 questionários com respostas válidas (abrangendo assim uma amostra de 7,6 por cento de todo pessoal académico de Macau). Os resultados mostraram que 70 por cento dos professores estavam insatisfeitos com a proposta de lei. No que toca a “horários de trabalho, férias pagas, feriados e ausências”, 54,1 por cento mostraram-se insatisfeitos, sobretudo com a “falta de regulação clara sobre os subsídios às horas de trabalho extraordinárias, com alguns professores a terem de tra-

balhar aos sábados sem que isso conte para as férias pagas”, com os prejuízos associados, observou a FAOM. Além disso, “não há uma regulamentação clara para o limite máximo de horas de trabalho”.

Gonçalo Lobo Pinheiro

PEREIRA COUTINHO PROCURA MAIS ESCLARECIMENTOS SOBRE SEPULTURAS

glp@hojemacau.com.mo

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deputado daAssembleia Legislativa (AL) José Pereira Coutinho acusa o Governo de não ter respondido adequadamente às questões por si lançadas na última interpelação escrita acerca da polémica das sepulturas. Nesse sentido redigiu ontem novo documento com o intuito de ver clarificada a posição do Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, nesta matéria. O deputado pede responsabilidades ao líder máximo do Executivo lembrando-lhe que a investigação do Comissariado Contra a Corrupção

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7 capítulo “classificação, promoção e avaliações de trabalho” causou o desagrado de 66,3 por cento dos entrevistados, por “não haver um padrão unificado para as avaliações de desempenho no trabalho”, pela “falta de objectividade por os comités de avaliação serem pessoal das próprias escolas” e por “não poder aumentar efectivamente a motivação para o desenvolvimento profissional do pessoal académico”.

DIREITOS E OBRIGAÇÕES

O DIREITO A DIZER “NÃO!”

Alguns dos professores inquiridos expressaram na área em branco de livre opinião que, actualmente, os docentes estavam obrigados a demasiadas tarefas não-educativas, sem terem o direito de dizer “não”. Quanto aos níveis salariais, não parece haver uma diferença óbvia entre professores com grau de mestrado e licenciados, sem haver também salários-base regulados. Houve também quem sugerisse que o Governo deveria criar diferentes mecanismos de aposentadoria, para permitir que os professores tivessem opções consoante o seu próprio estado de saúde.

Também 66,6 por cento dos inquiridos se mostraram insatisfeitos com o capítulo “salários e benefícios”, sobretudo porque alegadamente “não garante a segurança na vida pós-reforma”, “não traz

grandes mudanças na redução do fosso salarial entre os professores das públicas e das privadas” e porque “as remunerações dificilmente reflectem o contributo a longo prazo do pessoal académico”. E o

Embora revelando que os professores em geral estavam por dentro do que implicava a proposta de lei “Quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior”, o conhecimento era mais preciso no que dizia respeito a direitos, protecção médica ou registo profissional. Por outro lado, era mais frágil a compreensão do que tinha a ver com obrigações, aprovação profissional do pessoal administrativo, gestão de transferências ou segurança. Nos questionários, havia um campo em branco para os professores poderem expressar as suas opiniões. Algumas das apresentadas defendiam que a proposta de lei deveria encurtar o fosso entre os salários praticados por escolas públicas e privadas. Sugeriam também ao Governo que tivesse diferentes níveis de subsídios, de acordo com as diferentes classificações do pessoal académico, para evitar que as escolas privadas demitissem professores devido a problemas orçamentais. Outras opiniões sugeriam também que a distribuição de subsídios deveria manter-se após a reforma dos professores para garantir a sua qualidade de vida na velhice.

Não morre por aqui (CCAC) mostra “claramente que a entidade tutelar não cumpriu o princípio da legalidade previsto no artigo 3.º do Código de Processo Penal”. “Vai o Chefe do Executivo assumir as responsabilidades e substituir a secretária para a Administração e Justiça?”, questiona Pereira Coutinho. O princípio da legalidade a que se refere o deputado está previsto pelo tal artigo 3.º do Código de Processo Penal e “é o princípio mais importante da actuação da

Administração: a Administração Pública deve obedecer à Lei e ao Direito”. “O Chefe do Executivo tem de diligenciar no sentido de expurgar as ilegalidades e irregularidades verificadas no relatório do CCAC, mas pela via de uma comissão independente e não pela via da própria secretária que é parte integrante de todo o processo”, referiu Pereira Coutinho. Basicamente, o deputado quer acção por parte de

Chui Sai On. Não tolera que só o CCAC, que considera de “independente”, possa fazer todas as investigações e questiona ainda do que é que é feito das queixas dos particulares que, “injustamente”, foram indeferidas. Pereira Coutinho também não vai na “cantilena” de Florinda Chan. Considera um “show off” toda a história relacionada com o desaparecimento dos documentos que saíram do Instituto para os Assuntos Cívicos e Muni-

cipais (IACM) e não compreende porque é que a deputada tem vindo a afirmar que “o assunto está a ser aproveitado talvez para outros motivos por trás”. “Que motivos?”, deseja saber Coutinho. O caso foi despoletado por queixas de particulares. De acordo com o deputado, “nos meses antecedentes ao estabelecimento da RAEM, Florinda Chan, então directora de um serviço público, pediu ao Leal Senado a concessão de uma sepultura per-

pétua (...) pedido indeferido”. “O problema é que em finais de 1999, talvez sabendo que iria ser indigitada para um cargo de secretária, voltou a efectuar um novo pedido por intermédio de um familiar directo”, lembrou Pereira Coutinho. Em 2001, com base num Regulamento Interno, que veio a ser considerado ilegal pelo recente relatório do CCAC, foram concedidas dez sepulturas, “sendo uma atribuída a um familiar de uma assessora da secretária e amiga de longa data, e as restantes a oito familiares de pessoas que trabalharam nos serviços onde Florinda Chan foi directora”.


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SOCIEDADE

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FPACE CONCEDE OS PRIMEIROS QUATRO APOIOS

Depois de fixada a data de 12 de Setembro para pedido de apoio, o Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética (FPACE) já concedeu até ao momento um total de quatro pedidos a empresas comerciais, cujos projectos aprovados envolvem o sistema de iluminação LED e exaustor electrostático de óleo e fumo para estabelecimentos de restauração e bebidas. O Governo criou o regime do Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética, visando conceder um apoio financeiro a empresas comerciais e a associações para suportarem as despesas decorrentes da aquisição ou substituição de produtos e equipamentos que possam contribuir para a melhoria da qualidade do ambiente, o reforço da eficiência energética ou a poupança de água.

Macau poderá tornar-se o centro mundial do poker

Quem quer 200 milhões de patacas? o assunto. Se é apenas um rumor em crescimento ou uma realidade possível, o futuro dirá. Há factos, contudo, a apoiar esta hipótese. Primeiro, que Macau é o centro mundial do jogo, superando Las Vegas em facturação. Em segundo, é também número um no que diz respeito ao bacará, outro jogo mítico de casino. Por isso, é lógico que os casinos do território ambicionem torná-lo o destino de eleição dos amantes do poker. O megalómano torneio seria, provavelmente, feito em conjunto pelas concessionárias na RAEM, já que envolve valores inéditos para este tipo de organizações. Contra a sua realização está o facto de

Nuno G. Pereira

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nuno.pereira@hojemacau.com.mo

EGUNDO um site inglês especializado em poker, Macau prepara-se para realizar o maior torneio de sempre deste jogo, com um “prize money” de 800 milhões de patacas, recebendo o vencedor a astronómica soma de 200 milhões de patacas. Se tal acontecer, será um recorde que torna Macau um centro mundial de poker, naquilo que é visto como um ataque directo a Las Vegas, detentor desse título. O site em questão (internet-poker.com.uk) refere que várias notícias têm sido publicadas sobre

vários torneios com entradas de alto valor não terem tido muito êxito. O Aussie Millions fez um com inscrições de 2 milhões de patacas e só conseguiu 20 jogadores; o Poker Stars fez outro a 800 mil patacas e surgiram apenas 38 jogadores. Por outro lado, Macau tem diferentes jogadores. Acredita-se que o número de multimilionários asiáticos com apetite por um torneio recordista de valores seja grande. E há uma unanimidade: tal torneio seria um investimento feito pelos casinos e alguns patrocinadores, dispostos a perder dinheiro para que o foco do poker saia de Las Vegas e fique, para sempre, em Macau.

LÂMPADAS ECONÓMICAS NA ILUMINAÇÃO URBANA EM 2012

HIPOTÉTICAS VANTAGENS DADAS A CENTRO COMERCIAL

LED ao fundo do túnel

IACM nega favorecimento

Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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ODAS as lâmpadas convencionais de iluminação urbana vão ser substituídas por lâmpadas de díodo emissor de luz (LED, na sigla em inglês), que são mais económicas. Pelo menos é esse o plano do Governo, que vai arrancar já no próximo ano, conforme confirmou Arnaldo Ernesto dos Santos, coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE). Em declarações ao jornal “Ou Mun”, o responsável avançou estarem já concluídas as fases de investigação e testes, estando actualmente a ser calculado o orçamento

da operação. Assim que arrancar em 2012, a substituição de todas as lâmpadas de rua deverá ser concluída dentro de cinco anos. Entretanto, os vários departamentos governamentais começaram já a usar as luzes LED a título experimental e como forma de poupar energia. Outra das questões abordadas por Arnaldo Santos foi a da pouco provável introdução de um sistema uniformizado próprio de rotulagem com informação de consumo energético nos dispositivos eléctricos e electrónicos à venda no mercado. Dada a pequena dimensão do mercado, Macau não está em condições de avançar com os seus próprios rótulos, dado que isso implicaria submeter os aparelhos a uma série de testes, com custos elevados, explicou o coordenador do GDSE. No entanto, observou Santos, Macau é um mercado livre onde se podem encontrar electrodomésticos originários da Europa, Hong Kong e da China Continental, com os seus respectivos rótulos energéticos. À falta de um padrão próprio, o GDSE recomenda aos consumidores que tenham mesmo assim em atenção a informação de eficiência energética presente nos aparelhos de diferentes origens. O responsável sublinhou que as acções de promoção da eficiência energética serão intensificadas no futuro, de forma a que a população esteja mais atenta à informação sobre consumo constante nos diferentes aparelhos eléctricos e electrónicos, e empenhada num esforço conjunto para poupar energia.

O

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) afirma que não favoreceu o Centro Comercial Chi Fu. O deputado Pereira Coutinho dissera que as campanhas de solidariedade de organizações não lucrativas nunca eram ajudadas pelo IACM (limitar-se-ia a informar os funcionários), ao contrário da campanha que agora decorre, associada a uma entidade privada que busca o lucro (o centro comercial). O IACM adianta também que não é a primeira vez que utiliza os seus próprios serviços em acções solidariedade. Sobre a campanha que agora se realiza, o instituto assume um papel preponderante. “O IACM é a entidade organizadora da actividade ‘Oferta de presentes de Natal para as crianças’ e co-organizadora, com a ORBIS, da campanha ‘Oferecer Luz’. Como tal, e por ser a entidade responsável por essa organização, recolhe os donativos e fá-los chegar aos destinatários - crianças carenciadas de Macau e ORBIS, respectivamente. “ Além disso, garante que

a colaboração de fornecedores não é uma estreia. “No passado, a referida actividade teve contornos diferentes: o público podia comprar presentes e entregá-los ao IACM, mas essa possibilidade revelou desvantagens (nem sempre os presentes correspondiam ao valor previamente estipulado ou não eram artigos novos). Por esse motivo, optou-se pelo actual método e que se realiza com a colaboração de um fornecedor local - o Centro Comercial Chi Fui - não sendo por isso, um procedimento inédito. “ Contudo, a acusação de

Pereira Coutinho não é infundada, tal como reconhece o IACM. “No que se refere a outras campanhas promovidas por entidades de Macau que solicitam apoio ao IACM na divulgação, o Instituto, quando entende que se tratam de causas meritórias, divulga-as junto dos seus trabalhadores mas são eles que fazem a entrega do donativo directamente a essas entidades.” Em suma, o IACM justifica recorrer ao Centro Comercial Chi Fu por ser fornecedor de uma campanha organizada pelo próprio instituto. - N.G.P


IMPOSTOS SOBRE O JOGO RENDEM MAIS DE 85 MILHÕES

Ainda o ano não terminou e já os casinos de Macau acumularam receitas brutas de 244 mil e 258 milhões de patacas. O acumulado representa mais 44,1% do que no mesmo período de 2010. Com este números, o Governo consegue encaixar até ao momento cerca de 85 mil e 500 milhões de patacas em impostos directos sobre o jogo. Dados recentes divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos revelam que os casinos de Macau arrecadaram receitas brutas de 23 mil e 58 milhões de patacas, o que traduz um crescimento anual de 32,9%. Contudo nem todas as notícias são positivas. As receitas brutas de Novembro registaram a menor taxa de crescimento este ano.

RESTAURANTE BANZA PREMIADO EM MADRID

Estes sabores de Macau José C. Mendes info@hojemacau.com.mo

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Restaurante Banza, situado na Taipa, foi escolhido como um dos vencedores do 37º International Award For Tourist, Hotel and Catering Industry. Este prémio, cuja cerimónia de entrega terá lugar em Janeiro do próximo ano na capital espanhola, é atribuído anualmente pela Editorial Ofice em colaboração com o Trade Leader’s Club, instituição que conta com mais de 7000 associados, e destina-se a promover aqueles que mais se distinguiram nas áreas do Turismo, Hotelaria e Restauração. Aedição deste ano contará com a presença de profissionais representantes de mais de 40 países, cabendo a António Santos, mais conhecido por Banza, (alcunha que tem desde os seus tempos de criança em AnPUB

gola), representar a RAEM. Depois de ter servido comida portuguesa em Boracay (Filipinas) durante oito anos e meio, num restaurante que, apesar de já não existir ainda consta como um dos melhores nos roteiros internacionais, este advogado agora cozinheiro estabeleceu-se definitivamente em Macau em 2006, e de cá não pensa sair, para já. “Adoro isto! Adoro cozinhar!”, exclama. A fazer petiscos desde miúdo, Banza desenvolveu a sua arte com alguns cursos de culinária que fez em Faro e acções de formação nas Filipinas. As cataplanas de amêijoas, de marisco, o Bacalhau à Lagareiro ou o Frango no Churrasco estão entre as preferências dos clientes que parece nunca terem faltado. “Estou satisfeito com o resultado até agora...”, adianta. “ Primeiro vinham mais portugueses, mas agora temos uma clientela variada, de

australianos, americanos, e chineses também, claro.” No espaço pequeno, mas acolhedor, podem sentar-se cerca de meia centena de pessoas, e deliciar-se não só com os petiscos que saem da cozinha, mas também com a companhia do proprietário que é mestre na arte de conviver. Sempre presente, “pois se houver algum problema, o cliente quer falar sempre com o responsável e eu tenho de dar a cara”, Banza é um conversador nato (resquícios da sua antiga profissão de advogado?), que transborda simpatia e boa disposição. O evento deste ano em Madrid, a decorrer em paralelo com a Feira Internacional de Turismo, contará sem dúvida com um digno representante da cozinha portuguesa que se faz em Macau. Até o nome lhe assenta que nem uma luva: Banza - em Mandarim “Bantza”, que quer dizer “povo hospitaleiro”.

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SOCIEDADE


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ENTREVISTA

Ana Margarida Correia, médica e directora técnica da ACRAS, Centro de Apoio Social

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M Macau desde os 4 anos até à sua entrada na Faculdade de Medicina de Lisboa, Ana Margarida Correia é especialista em medicina interna, aliando a inabalável fé evangélica com a carreira profissional. Macau e alguns locais do continente chinês não têm segredo para ela. Simultaneamente com a sua carreira de médica, assume um compromisso religioso... Foi uma decisão tomada em inteira liberdade e convictamente. Podia ter sido outra. Por exemplo, tenho um irmão que é engenheiro e segue a sua vida. Um cristão é-o em tudo o que faz na sua vida, mesmo na vida profissional em qualquer sector de actividade. A pessoa tem é de fazer o seu melhor. O cristianismo também nos ensina isso. Acompanhou desde muito cedo o crescimento do “Desafio Jovem” em Macau. Sem dúvida. Vivi muita coisa em primeira mão, ou seja o nascimento e desenvolvimento do “Desafio Jovem” fazia parte do dia a dia, vivíamos em família com os moços do programa. Lembro-me de ir com os meus pais e meus irmãos a Coloane, à procura do local onde poderia ser o «Desafio Jovem». Depois o acompanhar no dia-a-dia das pessoas, a sua mudança para melhor, como que os milagres a acontecerem à nossa frente. Aquelas histórias que muitas vezes se ouvem de missão, de aventura, nós vivemos muitas assim. Interpreto como uma realização cristã ao mesmo tempo que profissional enquanto médica. Sim, eu sempre quis ser médica. Primeiramente, a dúvida entre médica ou professora. A minha mãe dizia-me: filha, vai para onde quiseres, mas olha que como médica vais ter uma vida muito difícil, com muitíssima dedicação. Mas, realmente, o que gosto mesmo é desta total dedicação como cristã e como médica. Gosto muito do que faço, tanto num lado como no outro. Já tem assinalável experiência em trabalhar no continente chinês. É diferente de trabalhar na Europa e até mesmo em Macau. Haverá dificuldades semelhantes, mas outras que não são semelhantes.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

“Há responsabilidade pessoal e colectiva em

No meu ponto de vista, a palavra de Deus obviamente que é imprescindível [na cura dos toxicodependentes], mas tenho a sensibilidade de que o meu trabalho com várias instituições que não têm a mesma filosofia também tem ajudado pessoas São as culturas diferentes. Pessoalmente não me considero redutoramente portuguesa, observo-me mais como cidadã do mundo. Chego à China continental e estou logo noutra realidade à qual tenho de me adaptar vivendo uma dinâmica diferente. O conteúdo nunca muda, a forma é que pode mudar. Em Portugal é quadrado, na China é triangular, quando chegamos a Macau, que é uma mistura de várias coisas, as realidades são diferentes. Talvez por ter vivido muito tempo em Macau e aqui crescido, estou muito habituada a viver e interagir com hábitos e culturas diferenciados. Gosto muito de Portugal, é o meu País,

mas Macau é que realmente é a minha terra. Como disse, o conteúdo, os princípios da minha actuação, como cristã e como médica, não mudam: a forma é que sim. O facto de ser médica traz vantagens? Provoca, naturalmente, uma aceitação maior, ajuda muito. Na mais recente visita ao nosso centro do “Desafio Jovem” na China continental, isso foi nítido mais uma vez. Optámos por ajudar as pessoas da aldeia mesmo ao lado, em matéria de alguns cuidados médicos. Temos um médico chinês que trabalha connosco. Ainda da última vez muitos dos habitantes da aldeia estiveram lá connosco,

nas consultas, colhendo o nosso apoio. São experiências muito ricas, até mesmo para as pessoas perceberem bem e no terreno quais são verdadeiramente os nossos propósitos: a recuperação de toxicodependentes. Desta vez vou acompanhar a visita à China do presidente do «Desafio Jovem Global». Como conheço o trabalho de um lado e do outro, vou ajudar na questão das traduções; ele pediu-me e eu aceitei, pois irão ser tomadas algumas decisões importantes, neste caso no âmbito do «Desafio Jovem» em Fuzhou, província de Fujian. Objectivos prioritários? Conseguirmos chegar à autosustentação e aumentar o número de pessoas que possamos ajudar. O próprio trabalho ter autonomia e sustentar-se a si próprio, independentemente das ofertas que chegarem, em forma de donativos, material ou através de fontes de rendimentos através dos produtos duma horta, por

exemplo. Essa é a nossa vontade muito forte e a nossa grande esperança. Apesar das dificuldades, o governo de Fuzhou ou da província de Fujian permite o vosso trabalho... Neste momento permite. Entra muito o relacionamento pessoal. Nós temos sempre tudo aberto para as autoridades poderem apreciar e assim entender o nosso trabalho, informamos de tudo. Caminhamos para uma total compreensão neste campo. Por enquanto trabalhamos em instalações alugadas, numa quinta grande e as instalações dão perfeitamente para tratarmos umas 30 ou 40 pessoas tranquilamente. O nosso relacionamento com as comunidades vizinhas é muito bom. Seja em que parte do mundo for, esse género de trabalho cumprese mais eficientemente através de parcerias?


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com Helder Fernando

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m dizer não às drogas e sim à Natureza”

Acredito muito no trabalho em parceria. Neste momento, em Portugal, investimos bastante nesse tipo de esforços com as juntas de freguesia, com as câmaras, com outras instituições. Tendo ou não a mesma ideologia, existe um sentido comum que é ajudar o próximo, quer queiramos quer não, uns com menos, outros com mais dinheiro. Queremos ajudar juntando esforços com as instituições. Enquanto uns trabalham com emigrantes,

A desabituação da metadona é muitas vezes muito mais complicada do que da heroína. No fundo, continuo a acreditar que a pessoa pode ficar livre sem ter de depender de qualquer substância.

outros trabalham com pessoas com problemas psiquiátricos, outros com deficiências físicas, etc., para além do trabalho com crianças. Tudo se torna mais fácil e sobretudo muito mais útil ao próximo, se conjugarmos esforços de vários lados. Desse modo obtêm-se mais melhores respostas sociais, das refeições aos doentes e até ao apoio SOS nos diversos sistemas. Há pessoas sem abrigo que não têm nenhum sistema de saúde, alguns emigrantes de Leste que também não têm, todos eles nós tentamos sempre integrá-los. Como se sabe, lamentavelmente as necessidades são cada vez maiores. Sente realização pessoal com esse trabalho? Quem não sente? Sentimos uma grande realização, pois quando ajudamos o outro, quando vimos as boas coisas acontecerem, ficamos felizes. Apesar da escassez de meios tantas vezes, da falta de compreensão. Mas quando sabemos que houve melhoramentos na vida das pessoas, em virtude do nosso trabalho, isso é que nos faz andar, caminhar sempre. Num mundo onde tanta informação circula, tantos testemunhos de gente famosa são tornados públicos inclusivamente pelos próprios, como justifica o aumento do número de toxicodependentes? Acaba por ser uma escolha. Podemos dizer que, nos tempos da ignorância, metiam-se na droga por curiosidade e quando davam por ela já estavam agarrados, não é? Também há gente que chegou a um tal ponto de dependência e desespero que se interroga por que vai mudar. Há factores que acontecem na vida que facilitam alguns erros graves... Sim, há histórias de vida horríveis que nos põem a pensar: por exemplo, se nasceram na prostituição, se cresceram no meio de toxicodependentes, a assistir a consumo e a tráfico, é muito complicado resistirem e saírem daquele ambiente. Como também existe a curiosidade. Claro que todos podemos escolher, ter uma opinião sobre o que desejamos na vida. Há muitos que nunca

querem escolher o melhor lado, preferindo o pior. O vosso trabalho na rua? Quando nós vamos assistir aos que andam na rua também testemunhamos casos gravíssimos de gente que parece cega e completamente descrente de outro tipo de vida. É muito difícil

MÉDICA E CRISTÃ

transmitir-lhes a convicção de que pode haver oportunidade, esperança. Obtêm-se bons resultados, mas alguns não deixam que alguém lhes preste auxílio, esses não os podemos obrigar. Para o tratamento de toxicodependentes, a chamada

Lisboeta de nascimento, veio para Macau com a família em 1980, tinha 4 anos. Crescida em ambiente evangélico - seu pai, o pastor Juvenal Clemente, obreiro local do Desafio Jovem, centro de desintoxicação - frequentou o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes “com a professora Ema”, recorda com alegria. Foi aluna da então Escola Comercial Pedro Nolasco da Silva, seguindo depois para o denominado na época Complexo Escolar até completar o 12º ano. Em 1994 entra na Faculdade de Medicina em Lisboa onde se forma. É hoje especialista em medicina interna. Para além da carreira profissional como médica na ACRAS (Associação Cristã de Reinserção e Apoio Social), e dando apoio médico ao INEM (Instituto Nacional de Emergência), Ana Margarida, que foi directora clínica no Centro de Acolhimento de Alcântara, continua militando no seu compromisso religioso de sempre. Apendeu a língua cantonense no contacto diário com as pessoas locais, andando agora a estudar mandarim. “Lembro-me quando decidi continuar sempre com este meu compromisso, paralelamente à minha actividade profissional”, revela. Tinha então 12 anos, precisamente na ocasião do seu baptismo “por opção, por convicção, com toda a consciência sobre a minha fé, uma vez que fui criada sob o conhecimento da Bíblia”.

“palavra de Deus” é mesmo fundamental? É sim. No meu ponto de vista, obviamente que é imprescindível, mas tenho a sensibilidade de que o meu trabalho com várias instituições que não têm a mesma filosofia também tem ajudado pessoas, fazendo com que a sua reinserção seja uma realidade. Costumo dizer que se não é no «Desafio Jovem», que seja noutra instituição, o necessário é reconstruir a vida. Sem esquecer que há instituições católicas que na base possuem a mesma filosofia que nós, embora o método possa ser diferente. Existem outras com outros conceitos que também podem ter o seu sucesso. Não seria justo nem correcto dizer que não há bons resultados fora das instituições evangélicas como a de que eu faço parte. A luta contra os flagelos sociais por causa da droga é uma luta comum de todos. Com a minha vivência, os meus pontos de vista, a minha educação, estou convicta que é melhor como nós trabalhamos, mas isso é um ponto de vista natural. Metadona, sim ou não? Metadona não é um fim, pode ser um meio. A utilização prescrita da metadona pode ser um bom meio. Se não precisam de metadona, não usem. Embora reconheça a existência de situações em que tem mesmo de ser e é um meio legal disponibilizado pelo governo em Portugal. Sabendo que a metadona tem outro tipo de controlo, não posso deixar de chamar sempre a atenção para os riscos de a sua dependência ser muito pior - e a desabituação da metadona é muitas vezes muito mais complicada do que da heroína. No fundo, continuo a acreditar que a pessoa pode ficar livre sem ter de depender de qualquer substância. É possível acreditar numa sociedade livre de dependências do tipo que falamos? Isso seria o ideal! Continuemos a lutar por isso, cada um com as armas ou argumentos que tiver. É um dever cívico de nós todos, faz parte da nossa responsabilidade individual. Não podemos deixar de sonhar que é possível. Não apenas dizer totalmente não às drogas, mas também dizer sim à preservação da Natureza.


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CULTURA Associação quer aproximar e divulgar espaço cultural chinês

Lia Coelho

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lia.coelho@hojemacau.com.mo

nome tem “chinesa” no plural, porque pretende juntar ideias e pessoas do interior da China, Taiwan, Hong Kong e Macau. A Associação de Promoção das Indústrias Culturais Chinesas (CCIPA, na sigla inglesa) chegou ao território em Março deste ano. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos. Os fundos para o seu funcionamento provêm de quotas, de financiamentos do Governo, individualidades e outros organismos sociais. A associação apresenta-se como uma plataforma que congrega três regiões e um país e que quer contribuir para o desenvolvimento das indústrias culturais de Macau e, ao mesmo tempo, oferecer um elo de ligação a especialistas e curiosos. “Temos como princípio reforçar o intercâmbio e a cooperação - a nível cultural e criativo – e incentivar a difusão da arte, da herança e difusão da cultura chinesa”, explica Irene Lou, directora geral da CCIPA. Aconstituir o novo organismo estão, na sua maioria, especialistas, estudiosos e investigadores. Os lugares do conselho de administração são ocupados por jovens que se dedicam às indústrias culturais e criativas em Macau. E porquê instalar-se na RAEM? Porque também neste campo, a região faz a ponte entre o interior da China e Taiwan, fazendo-se assim um local de interacção entre as culturas oriental e ocidental.

Tantas Chinas juntas de serviços. Na mira está, assim, a formação de novos talentos, através da realização de diferentes programas, que fomentem a potencialidade e a criatividade na arte e no uso dos recursos culturais. A intenção passa ainda por contribuir para a economia.

OS PLANOS CULTURAIS

Para este ano está projectado o estudo para o desenvolvimento das indústrias locais na

Ilha da Montanha, com a organização, em Dezembro, juntamente com a Associação Criador Juventude Cultura de Macau, uma feira de exposição e venda de produtos originais do território. Para 2012, mas ainda em fase de planeamento, pretende realizar actividades, como a festa para celebrar o aniversário da deusa A-Má. “Planeamos convidar uma peça de teatro de fora da região sobre a deusa, para

PRODUÇÕES CHINESAS NA CALHA

Mas não é só Macau e o local que vão ser divulgados, a associação quer trazer para a região produções culturais chinesas - como por exemplo festas, interpretações de arte e obras audiovisuais. E porque Macau é “internacional” as informações acerca das actividades vão passar a ter uma versão em língua estrangeira, para além do chinês. O intuito é permitir aos turistas e à população não chinesa “espalhar” a China pelo mundo. Ao Governo, a associação sugere que sejam lançadas uma série de estudos sobre a influência das políticas culturais no mercado e que passe a dar mais importância à formação de grupos para aqueles que consomem cultura. Irene Lou falou ainda na ampliação de um espaço onde se faça acontecer cultura, contando para isso com a ajuda do Fundo das Indústrias Culturais e Criativas.

UM ESTUDO PARA COMEÇAR

A CCIPA tem um caminho traçado. Irene Lou fala ao Hoje Macau em vários objectivos na mira deste organismo. O primeiro é a realização de um estudo do sector. Isto passa por uma participação nos trabalhos de consulta e coordenação das políticas governamentais. “Queremos iniciar pesquisas sobre o estado e as condições das indústrias e tomar atenção à concretização das políticas”, enunciou a directora-geral. E se falamos em regiões, não pode faltar uma cooperação regional. Através da integração de recursos diversificados, construir uma plataforma para a conjugação das indústrias, tanto a nível de investimento, como

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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EPOIS das escavações virá o planeamento geral do futuro uso para o espaço histórico da rua Belchior Carneiro, explicou ao Hoje Macau a assessoria do Instituto Cultural (IC). Há pouco mais de uma semana o IC explicou ao nosso jornal que a última fase de e os resultados das escavações serão divulgados durante o próximo ano. Com a ajuda, uma vez mais, do Instituto de Arqueologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais de Pequim,

trazer elementos novos à festa e promover o património cultural imaterial do mundo, dando mais opções aos turistas e enriquecer a RAEM”, explica Lou. Uma segunda etapa prende-se com as obras audiovisuais, planeando uma competição de escrita de guiões e recrutamento de actores. A finalizar o argumento, os participantes irão realizar o filme ao lado de directores experientes. “O objectivo é estimular a criação e formar mais talentos nesta área”, refere a directora-geral. A tecnologia também faz parte dos objectivos, com o estabelecimento de um espaço na internet, criando uma plataforma entre os profissionais e amadores. “O conteúdo digital é um dos elementos chaves e aí a internet desempenha um papel muito importante”, defende Irene Lou.

ACHADOS ARQUEOLÓGICOS DA BELCHIOR CARNEIRO MERECEM CONSULTA POPULAR

O povo é quem decide a última fase de trabalhos será para “melhor averiguar e clarificar as condições dos vestígios subterrâneos, conferindo à zona, já rica em significado histórico e cultural, um suporte académico”. Esses trabalhos servirão igualmente para formular o planeamento geral do futuro uso do espaço histórico. Contudo, não chegará apenas a opinião dos entendidos para que se catalogue os achados

e o espaço. “Será realizada ainda uma consulta popular, de modo a assegurar que o futuro plano venha a conjugar a preservação do valor histórico e cultural com o fomento do desenvolvimento económico”, explicou o IC.

UMA FASE PLENA DE SUCESSOS

Como já havíamos adiantado na anterior peça jornalística, a primeira fase dos

trabalhos arqueológicos, de acordo com nota do IC, atingiu com sucesso os objectivos esperados. As relíquias recuperadas através destas escavações incluem peças de porcelana Kraak, que eram muito frequentemente exportadas para a Europa e apreciadas pela nobreza, e ainda peças raras, pouco encontradas no Sudeste Asiático, típicas da região dos Países Baixos. Aliás, o

Executivo emitiu na altura uma nota à imprensa revelando que “no princípio do século XVII, a louça causava grande sensação na Europa e era uma das grandes paixões do rei francês Henrique IV e inglês James I”. Encontraram-se ainda fragmentos de porcelana dos finais da dinastia Ming, outros artefactos e vestígios de uma antiga parede de chunambo, que se presume

ser parte da parede oeste do Colégio de São Paulo. Não há dúvida que as descobertas “são importantes para o estudo histórico-cultural” da região. “Revelam o valor do intercâmbio cultural entre o oriente e o ocidente”, justificam as autoridades. “Está-se ainda a analisar a área circundante através de métodos electromagnéticos para melhor compreender a distribuição geográfica dos vestígios arqueológicos, e para analisar a extensão das muralhas que se pensam envolver o Colégio de São Paulo, a Fortaleza do Monte e o Pátio do Espinho”, adiantou o IC.


GONÇALO M. TAVARES PUBLICA NOVO LIVRO, «SHORT MOVIES»

O novo livro do escritor Gonçalo M. Tavares, Short Movies, sobre cenas absurdas do quotidiano, acaba de chegar às livrarias, numa edição da Caminho. «Gonçalo M. Tavares já nos habituou ao seu olhar sobre o mundo e os homens: atento, inteligente, perspicaz, crítico... EmShort Movies, esse olhar é circunscrito, intencionalmente dirigido a cenas específicas de um quotidiano tantas vezes mais absurdo do que seria de crer», indica a editora. «E esse olhar tem ainda outra particularidade: conduz-nos com exatidão pelos mesmos caminhos que o autor percorreu. Neste livro, Gonçalo M. Tavares permite-nos partilhar a sua forma de alcançar esse seu tão exclusivo olhar. Um privilégio literário e humano para qualquer leitor», acrescenta.

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José C. Mendes

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Clube de Jazz, nascido em Julho de 1985, e em estado de coma desde 2004, começa finalmente a dar sinais de vida. Com efeito, alguns dos elementos da antiga Comissão de Transição, que tentaram na altura evitar o apagamento daquele que chegou a ser um dos espaços de convívio mais populares de Macau, começam agora a desenvolver esforços para trazer de novo para a ribalta este emblemático Clube, o mais antigo do género da Ásia. Muitos dos actuais habitantes de Macau recordam certamente as noites de convívio, com música ao vivo, passadas na Rua das Alabardas ou na Casa de Vidro, ao NAPE. Foi a partir dessas memórias e também dos muitos comentários, de novos e antigos residentes, sobre a falta de um espaço alternativo na cidade, onde se possa relaxar, beber um copo e ouvir música ao vivo, que Manuel Almeida e Cristina Ferreira decidiram deitar mãos à obra.

RECUPERAR OS SÓCIOS

O primeiro objectivo passa por recuperar a massa associativa. O Clube, que chegou a contar com mais de 300 sócios, contabiliza de momento apenas cerca de 50, alguns dos quais já não residem na RAEM. Para tal, anunciam para breve uma campanha de sensibilização e angariação de sócios, que

Jazz Clube de Macau quer voltar à antiga glória

À procura dos sócios perdidos passa pela convocação de uma Assembleia Geral aberta aos actuais membros e novos interessados, bem como a realização de alguns eventos. Ao que sabemos, está prevista a realização de um

A cinemateca da Brooklyn Academy of Music (BAM) volta a ser, a partir de ontem, a «casa» do cinema português em Nova Iorque, desta vez abrindo as portas a «novas vozes» da produção cinematográfica nacional. Depois de mostras dedicadas desde 2010 a João César Monteiro, João Pedro Rodrigues e Pedro Costa, entre 1 e 6 de Dezembro o principal centro cultural de Brooklyn e um dos maiores na região de Nova Iorque vai mostrar «Som e Fúria: Cinema Português Recente», complementando a iniciativa com um fim de semana dedicado ao Fado. «Quisemos mostrar algumas das mais novas vozes do cinema português, como Sandro Aguilar, Miguel Gomes ou João Nicolau. Foi um pouco difícil não ter filmes de Pedro Costa ou Manoel de Oliveira, mas quisemos manter um espectáculo claro e conciso, não uma pesquisa ao longo de um mês», disse à Lusa a directora da Cinemateca do BAM, Florence Almozini.

mente se trata. Com efeito, foi após ter perdido as suas instalações, a Casa de Vidro, que o Clube entrou em declínio. Todas as actividades e campanhas que os actuais promotores do renascimen-

O FESTIVAL E A BATALHA DA MARCA

O Clube de Jazz, associação que durante mais de uma década trouxe excelente música a Macau e organizou de forma continuada o Festival Internacional de Jazz, pretende agora regressar e tal inclui a realização de um evento que trouxe a Macau nomes cimeiros do jazz. Entretanto, o Hoje Macau sabe que António Cabrita,

GONÇALO LOBO PINHEIRO

CINEMATECA DE BROOKLYN ABRE CICLO SOBRE NOVO CINEMA PORTUGUÊS

Chill-Out Jazz com uma banda local, ainda durante o mês de Dezembro, na Casa Garden, que se associa a esta iniciativa disponibilizando o seu espaço. E é de espaço, ou da falta dele, que essencial-

to desta associação estão a desenvolver têm como objectivo final a aquisição de um novo espaço, a funcionar em moldes semelhantes ao anterior, que já provou poder ser uma iniciativa de sucesso.

músico e membro do clube que reside na Europa, enviou para a RAEM um pedido de registo da marca “Macau International Jazz Festival”. Contudo, os membros locais do Jazz Clube consideram que a marca pertence à associação e pretendem, segundo apurámos, iniciar uma batalha jurídica no sentido de não a perderem. Por enquanto, as entidades que resolvem este tipo de situação ainda não tomaram a decisão de atribuir a marca a António Cabrita ou de manter sob a alçada do Jazz Clube de Macau. Seja como for, parece que existe agora vontade de que a música continue.

EDGAR E AS SUAS CASAS O fotógrafo português Edgar Martins abordou ontem no Albergue SCM imagens de sete colecções distintas, todas elas produzidas nos últimos cindo anos. Nelas está “This is not a House” que mostra a casa e o vazio. “O meu trabalho sempre foi o de desmistificar as regras do fotojornalismo e utilizo a fotografia enquanto processo de comunicação”, disse o autor ao Hoje Macau.


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DESPORTO

Grande Prémio de Macau na mira dos V8 Supercars

Sérgio Fonseca

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declínio do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) poderá obrigar a Comissão do Grande Prémio de Macau a estudar alternativas no futuro para manter a chama viva da quadragenária Corrida da Guia. E, segundo a imprensa australiana, já há um candidato que se perfila a horizonte, o espectacular campeonato australiano de carros de Turismo, V8 Supercars. A especulação começou no início do mês de Novembro, motivada pela vontade pública que a organização

do V8 Supercars demonstrou em expandir-se para o continente asiático já em 2012, depois da tentativa frustrada que foi Xangai há meia dúzia de anos. Em declarações à imprensa australiana, Martin Whitaker, o director internacional da competição australiana, deixou no ar essa possibilidade. “O Grande Prémio de Macau é um grande evento. Eles (organizadores do Grande Prémio de Macau) fazem um bom trabalho, e se houver a oportunidade, nós gostaríamos de lá estar. Mas muita água tem que correr por baixo de muitas pontes até lá chegarmos”, afirmou ao site speedcafe.com.au. O 59º Grande Prémio de

CHEUNG CHI WAI

Australianos entre Macau e Hong Kong

Macau terá lugar nos dias 15 a 18 de Novembro de 2012, sendo que o fim-de-semana anterior a este está neste momento no calendário provisório do popular campeonato australiano de Turismos com uma prova ainda a confirmar. Contudo, PUB

muito dificilmente o Grande Prémio de Macau será palco do V8 Supercars a tão curto prazo, pelo menos já em 2012, pois existem acordos vigentes com o FIA WTCC e dificilmente ambos os campeonatos poderão co-existir num fim-de-semana preenchido ainda pelo Grande Prémio de Macau de Motociclismo e pela Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3. Indonésia e as Filipinas, assim como Hong Kong e Singapura, são outras paragens que têm sido vinculadas na imprensa especializada para receber a caravana dos V8 australianos nos próximos anos.

HONG KONG ESTÁ DE OLHO

Entrar em Macau seria certamente o cenário idílico

para os V8 Supercars, mas Hong Kong é outra porta de entrada na Ásia apetecível. Wesley Wan, presidente do Hong Kong Automobile Association (HKAA) e presidente da FIA para a zona asiática, assistiu à corrida do campeonato australiano V8 Supercars em Surfers Paradise e mostrou interesse em ver a competição australiana nas ruas na ex-colónia inglesa em 2013. “Espero conseguir trazer o automobilismo a Hong Kong dentro de dois anos. Uma competição relaxada como os V8 Supercars, onde há uma combinação de entretenimento com corridas profissionais, é exactamente o que Hong Kong precisa. Todos os espectadores adoram o fim-de-semana em si e as corridas são excitantes e emocionantes”, escreveu o responsável máximo pelo desporto motorizado na região vizinha na sua crónica mensal na revista Automobile. O dirigente de Hong Kong tem-se dividido em contactos com várias entidades da região especial vizinha para capitalizar o sucesso que foi no início do ano a exibição do Red Bull Fórmula 1 na Lung Wo Road. De acordo

com o próprio, Wan que presenciou ao vivo, como é seu costume, o Grande Prémio de Macau, terá mesmo pedido um inventário sobre as queixas recebidas durante o evento, sendo que a entidade organizadora terá apontado o ruído como a única queixa apresentada este ano. Sem possibilidade de construir uma infra-estrutura de cariz permanente, a única hipótese para Hong Kong receber um evento desta envergadura é copiar o exemplo da RAE vizinha e colocar de pé um circuito citadino.

O QUE É O V8 SUPERCARS?

O V8 Supercars é um campeonato de automobilismo para viaturas de Turismo disputado na Austrália e Nova Zelândia que é um sério caso de audiências desportivas na Oceania. Os dois únicos modelos a competir são o Ford Falcon e o Holden Commodore. Os motores são a gasolina V8 atmosféricos de 5.0 litros de cilindrada, limitados às 7500 rpm e que desenvolvem cerca de 650 CV de potência máxima. O calendário tem quinze eventos, sendo um realizado em Abu Dhabi.

TÓQUIO DIVULGA LOGOTIPO DA CANDIDATURA AOS OLÍMPICOS 2020 Tóquio divulgou esta quarta-feira o logotipo da sua candidatura para os Jogos Olímpicos de 2020, um círculo de flores de cerejeira, um dos principais símbolos do Japão, formado por cinco cores. Além da cidade nipónica, Madrid, Roma, Doha, Istambul e Baku também pretendem organizar a prova.


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Aos 15 anos, nas primeiras corridas motorizadas.

Com a sua Harley Davidson, “a primeira que houve em Macau”

HERCULANO DILLON | EMPRESÁRIO

A vida em alta velocidade Nuno G. Pereira

nuno.pereira@hojemacau.com.mo

Quem vai ao restaurante Lagoa Azul e olha para o dono, Herculano Dillon, não adivinha que o homem pacato tem alma de motard e vive a mais de 100 à hora. Casou-se três vezes, fez corridas de Portugal ao Japão, ganhou muito dinheiro e gastou outro tanto. A infância, em Macau, também teve pouco sossego. Basta ouvir as suas recordações desportivas. “Pegávamos num tijolo à base de argila, partíamo-lo e depois amassávamos os pedaços em esferas. Cada bola pronta era então ensopada em petróleo. À noite, nos descampados sem luz, pegávamos fogo à esfera. Não nos víamos, mas sabíamos sempre onde andava a bola (risos).” Nascido a 25 de Setembro de 1955, Dillon é mistura de muitas origens, como avô australiano, mãe equatoriana, avó de Xangai e pai português. Cresceu numa boa casa do bairro Tamagnini Barbosa, “com três pisos”, fruto do trabalho do pai, subchefe da polícia. Um homem rígido, que obrigava os filhos a falar português em casa. A mão de ferro que o pai pôs na educação dos filhos iria, porém, ter dificuldades em agarrar o jovem Dillon. Não porque fosse problemático, simplesmente era muito rápido... AMOR COM PEDALADA

A paixão pelas velocidades começou com a bicicleta de um amigo, emprestada para que ele acelerasse até à casa da sua musa, numa paixoneta típica da pré-adolescência. Desse

amor já há pouca memória, o mesmo não se passa com o ciclismo. “Tinha muita força, o que eu andava naquela bicicleta!” Também foi depressa que passou às motas. Quase sempre, como a bicicleta, emprestadas por amigos, que lhe pediam para puxar por elas. Até que um dia o pai foi para fora e a tentação de experimentar o motociclo paternal falou mais alto do que o medo. “Com um amigo à pendura, entusiasmeime e houve uma curva demasiado curva para tanta pressa. Não partimos nada, mas a mota não pôde dizer o mesmo. Toda estragada, atirei-a para um ermo e fui-me embora. Tinha 13 anos, fiquei calado. O meu pai andou uns dias à procura e, mal a encontrou, veio ter comigo. Arregaçou-me as mangas, viu os arranhões, percebeu logo tudo. Se houve tareia? Deve ter havido, mas o mal já estava feito, a tareia era o mínimo.” A habilidade precoce para as velocidades deu nas vistas e, entre empréstimos e fugas ao pai, com 15 anos já corria nos circuitos locais. Usava a identificação do irmão, que estava na tropa, e uma cunha na organização para poder entrar. “Era tudo fácil na altura. Só as marcas é que não queriam nada comigo, porque tinham muito respeito ao meu pai, que não me queria ali.” Os amigos com mais dinheiro patrocinaram o que era preciso e, de repente, surgiu a grande oportunidade. Um piloto japonês reconheceu-lhe o talento, tentando levá-lo para os circuitos nipónicos.

Quando tudo prometia um futuro de sonho cumprido, o Japão negou-lhe entrada no país. O piloto que ia levá-lo, soube Dillon mais tarde, tinha ligações a uma organização terrorista. Com 18 anos, o balde de água fria empurrou-o para Portugal, onde era suposto estudar como tinham feito os irmãos.

NÓS DESATADOS

Ele saiu de Macau, mas era pouco dado aos estudos, preferia mecânica e velocidades. Nunca deixou de participar em corridas, sempre como amador, mas pouco tempo depois de chegar a solo lusitano tentou outra ambição: entrar para a Força Aérea. Não conseguiu, os seus voos foram outros. Correu Portugal de lés a lés, trabalhando aqui e ali, servindo à mesa, o que fosse. “A vida era fácil, ganhava muito mais do que os doutores. Muita festa, óptimas experiências, em especial no Algarve. Também viajava muito, Espanha, França, Andorra.” Não demorou a alargar horizontes, começando perto, a trabalhar em Marbella, e indo depois para outros países. Antes, aos 20 anos, teve tempo de casar com uma portuguesa. Durou seis meses e a experiência podia ter sido traumática. Não foi, porque, já regressado a Macau, onde veio à procura de estabilidade, voltou a casar-se. O tempo de namoro foi algum, o do matrimónio só de dois meses. Mais uma vez, nada de traumas. Tentou uma terceira vez, no fim dos anos 80, e não só está casado

até hoje como tem uma filha a quem dá todos os mimos.

ALTOS E BAIXOS

A estadia em Macau, nesses anos, foi frutuosa. Dedicou-se à construção e ganhou “muito, muito dinheiro”. No entanto, em 1989, assusta-se com o futuro em Macau vendo as manifestações em Tiananmen. Pega na família - “a minha filha tinha meses” - e vai para o Canadá, onde os negócios, agora na compra e venda de imóveis, continuam a correr bem. Aproveitando a bolsa cheia, cumpre o sonho antigo: um ano a participar em corridas de motas, no Japão. De volta ao Canadá, tira uma semana com os amigos em Las Vegas. E se “o que acontece em Vegas fica em Vegas”, Dillon deixou lá mais do que queria e... jogo nunca mais. As saudades da família, entretanto, falaram mais alto e dá-se um segundo regresso a Macau, depois da transferência da soberania. Além disso, as finanças ainda tinham folga para uma vida confortável. Abriu um negócio de aluguer de motas, um restaurante e enfrentou o inesperado: dois ataques cardíacos. “Vida fácil não é fácil.” Os problemas de saúde, garante, estão para trás. E vê-se a viver em Macau por muito tempo, perto da família e de outro amor antigo: os seus cães. Agora está a gerir outro restaurante, aberto há apenas um mês. Até à próxima corrida.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

PERFIL

SEXTA-FEIRA 2.12.2011


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 2.12.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

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STARRY STARRY NIGHT [B]

SALA 1

SEEDIQ BALE 2 WARRIORS OF THE RAINBOW [C]

(Falado em japanês & seediq)(Legendado em chinês) Um filme de: Te-Sheng Wei Com: Qing-tai Lin, Da-qing You, Zhixiang Ma 14.30, 17.00, 21.30

YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [C] (Falado em putonghua, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Giddens Ko Com: Zhendong Ke, Yanxi Chen, Siu-Man Fok 19.30 SALA 2

THE ADVENTURES OF TINTIN 3D [B]

Aqui há gato

(Falado em cantonense) Um filme de: Steven Spielberg 14.15, 16.15, 18.00, 20.00

Pu-Yi

TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 15:00 Debate das Linhas de Acção Governativa para 2012 - Área dos Assuntos Sociais e Cultura (Directo) 20:00 That 70\’s Show (Que Loucura de Família) 20:35 Telejornal 21:00 Ásia Global 21:30 Desperate Housewives (Donas de Casa Desesperadas) 22:15 Passione 23:00 TDM News 23:30 Resumo Liga Europa 23:45 The Other Sister (O Amor é tão simples) 01:50 Telejornal (Repetição) 02:20 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 14:30 15:00 16:00 17:00 17:05 17:30 19:00 20:00 21:15 21:30 22:15 22:45

Telejornal Madeira Com Ciência Terceira Geração Bom Dia Portugal Fado Maior 30 Minutos Tudo Isto é Fado Estado de Graça Jornal Da Tarde Fado Maior O Preço Certo Viagens com um Cómico Portugal no Coração

ESPN 30 12:30 Cheerleading Worlds 13:30 Euro Beach Soccer League Superfinal Russia vs. Switzerland 14:30 Tokyo Marathon 2011 Highlights 15:30 Big East/sec Challenge St. John’s vs. Kentucky 17:30 Ettu European Champions League Men 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Football Asia 2011/12 20:30 Global Football 2011 21:00 Tokyo Marathon 2011 Highlights 22:00 Sportscenter Asia

22:30 23:00 23:30

Football Asia 2011/12 Global Football 2011 Euro Beach Soccer League Superfinal Russia vs. Switzerland

STAR SPORTS 31 13:00 HSBC FEI Classics 2011 14:00 Monsoon Cup 2011 16:00 Rebel TV Series 16:30 Hot Water 2011/12 17:30 FIA F1 World Championship Highlights 2011 Brazilian Grand Prix 19:00 Monsoon Cup 2011 21:00 FA Cup 2011/12 Preview Show 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 FIM S1 Supermoto World Championship 2011 - Season Review 23:00 Asian Olympic Qualifiers Final Round Korea Republic vs. Saudi Arabia STAR MOVIES 40 11:45 Death Warrior 13:20 Sorcerer’S Apprentice, The 15:15 Species Iii 17:05 Stealth 19:10 Knight & Day 21:05 The Walking Dead 22:50 From Paris With Love 00:25 Species Iii HBO 41 12:55 14:50 16:40 18:40 20:00 22:00 00:15

Dangerous Liaisons Much Ado About Nothing Celine Through The Eyes Of The World Battle For Terra Rocky Ii The Lovely Bones Green Card

CINEMAX 42 12:00 Men Of Respect 14:00 Wild Things 16:00 3:10 To Yuma 17:30 Frankenstein Meets The Wolf Man 18:45 Babylon 5: The Legend Of The Rangers 20:15 Supershark 21:45 Epad On Max 22:00 Timecop: The Berlin Decision 23:20 Murder At 1600

(Falado em putonghua) (Legendado em chinês e inglês) Um filme de: Tom Lin Shu-Yu Com: Josie Xu, René Liu, Harlem Yu 22.00 SALA 3

ARTHUR CHRISTMAS 3D [A] (Falado em cantonense) Um filme de: Sarah Smith 14.15, 16.00, 17.45, 19.30

SEEDIQ BALE [C]

(Falado em japanês & seediq) (Legendado em chinês) Um filme de: Te-Sheng Wei Com: Qing-tai Lin, Da-qing You, Zhixiang Ma 21.15

HORIZONTAIS: 1-Insensível (fig.); Pé ou mão de animal. 2-Recorda; Fundar. 3-Lítio (s.q.); Animal microscópico gerador da sarna e de alegrias; Sinal abreviativo de matemática, cujo valor é 3,4116. 4-Ouvido (pref.); Acolá; Gracejava. 5-Palavra sagrada pra o hinduísmo, usada para iniciar as orações; Transporte Internacional Rodoviário. 6-Voltar; Intervalo com dois meios-tons (Mús.). 7-Prefixo designativo de vida; Maior rio da Suíça. 8-Lagarta que vive nas folhas das árvores (prov.); Fruto de ateira; Pano de arrás. 9-Interjeição que se emprega para cumprimentar (Bras.); Maquinismo com calabre para levanter grandes pesos (pl.); Além. 10-Queda sem consequências graves; Limpai; banhando em líquido. 11-Aranha grande africana; Símbolo da Música. VERTICAIS: 1-Estampilha; Histrião. 2-Foge a; Vinho ordinário (gír.). 3-Cobalto (s.q.); Escutou; Medida itinerária do Japão. 4-Vazia; Miadela; Prefixo designativo de terra. 5-Cachaça de mau gosto; Sapo do Amazonas (Bras.). 6-Fileira; Pau-ferro. 7-Acreditei; Árvore cuja casca aromatiza o vinho. 8-A favor; Cabo de reboque; Cloreto de sódio. 9-Suspiro; Versejar; Observei. 10-Anta-do-brasil; Atormentar. 11-Cançonte; Vestuário de mulher, que fica da cintura para baixo.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-Seco; Pata. 2-Evoca; Criar. 3-Li; Ácaro; Pi. 4-Oto; Ali; Ria. 5-Aum; TIR. 6-Vir; To,. 7-Bio; Aar. 8-Bru; Ata; Rás. 9-Oi; Gruas; Lá. 10-Boléu; Lavai. 11-Ólio; Lira. VERTICAIS: 1-Selo; Bobo. 2-Evita; Briol. 3-Co; Ouviu; Li. 4-Oca; Mio; Geo. 5-Aca; Aru. 6-Ala; Itu. 7-Cri; Aal. 8-Pró; Toa; Sal 9-Ai; Rimar; Vi. 10-Tapir; Ralar. 11-Ária; Saia.

Ir a encontros, convenções ou palestras que juntem académicos é de rir. E então no estrangeiro, eles cheiram-se ao longe, principalmente os que vêm de Portugal. Não sei se é cheiro a sardinha, ou a chouriço, mas basta mirá-los de soslaio que já se sabe de onde vêm e ao que vêm... Como mostrar toda a teoria que foram aprendendo numa universidade – porque é muito prestigiante estudar no famoso ensino superior. E empinar o nariz, porque vêm a umas jornadas INTERNACIONAIS e sempre podem ir para Portugal gabar-se do feito. Se falarmos com eles de perto, nada mais sabem do que aquilo que lhes foi impingido. Uma pergunta fora do roteiro confunde e é desnecessária. Porque é senhor mestre doutor, professor... e acho que ainda há mais. Eu chamo-me Pu Yi e parece que entendo mais de tudo do que eles. Ah, mas esperem, não tenho canudo, nem mestrado, muito menos doutoramento... sou apenas um gato. E isso apenas é sinónimo de ser reles. Meus senhores, se andam pelo mundo e se apostam na China, essa da teoria já deu cartas. É válido no Portugal provinciano, aquele que não cresceu com os tempos modernos, nem com aberturas de mentes. Mentes ainda fechadas a apelidar que falam em “escumalha, demasiado alternativa e que se veste mal”... Bom, às vezes é bom ouvir alternativas. Por falar em vestir mal, ora aí está algo que nunca entendi. Uma pessoa chega e dá-se de caras com tudo de fatinho e gravata. Dá mais prestígio? Não sabia, achava que as pessoas eram boas pelos valores e pelo que são. Recuso-me a ter em consideração um fato e uma gravata. Recuso-me a gostar das pessoas porque têm isto e aquilo. Recuso-me a lamber botas (que estes bem gostam). No fundo, recuso-me a não ser eu. Deixem-me miar como quero, ver o mundo como quero, vestir-me como quero. Deixem de não dar valor a coisas supérfluas. Deixem-me agir. Gosto muito da teoria, mas não passar dela é aborrecido e não leva a qualquer lado. E peço desculpa, senhor leitor, a repetição, mas não pode passar: eles falam, falam, falam e não os vejo a fazer nada.

[Tele]visão

Su doku [ ] Cruzadas

OS SENHORES DA TEORIA

[ ] Cinema

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA GEORGE STEINER EM THE NEW YORKER • Robert Boyers Os ensaios de Steiner são proezas de síntese, interpretação, inteligência, e versatilidade, abarcando um amplo espectro: Graham Greene, Borges, Webern, Thomas Bernhard, o xadrez, Celine, Cioran, Canetti, Brecht,Anthony Blunt (historiador de arte britânico e espião soviético), e muitos outros. O volume encontra-se organizado tematicamente: história e política, escrita e escritores, pensadores e estudos de vidas. 365 DIAS COM HISTÓRIAS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL • Luís Almeida Martins À segunda-feira conheça os grandes factos e pequenos episódios que marcaram a História de Portugal, à terça é a vez de ser apresentado aos seus protagonistas, na quarta trave guerras sangrentas e batalhas vitoriosas e na quinta veja-se envolvido em revoluções e conspirações que abalaram o poder. A sexta é dia de ficar a par das histórias de alcova, de traições e infidelidades de reis, rainhas e não só e no sábado surpreenda-se com os mitos, lendas e curiosos mistérios dos nossos nove séculos de História. Para terminar a semana, ao domingo é tempo de descansar a ler episódios relacionados com grandes escritores, artistas e monumentos de Portugal. O convite é irrecusável. Só precisa de poucos minutos por dia para, de forma concisa e divertida, fazer uma extraordinária viagem pela História de Portugal ao longo de 365 dias. Cada dia é uma nova descoberta. Uma nova história. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

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ed i t or i a l Carlos Morais José

Macau e os neo-tugas II Chegou-me um zunzum aos ouvidos: parece que o meu artigo “Macau e os neotugas” terá causado algum desconforto entre alguns dos que se consideraram visados. Ora ainda bem. Isto prova duas coisas: primeiro, existem – o que por vezes nem sempre foi claro; segundo, sentem – o que significa que até poderão ser filhos de boa gente. Mas o que muitos não perceberam é que o meu artigo não atacava o José, o Manuel ou o Pedro. E também deixava de fora a Susana, a Paula e a Felismina. O meu artigo falava em comportamentos e não em pessoas concretas. Mas perceber isto já era muita areia para certas camionetas. Com efeito, meus filhos e minhas filhas, é possível abstrair os comportamentos das pessoas. Na maior parte dos casos, uma coisa até nem tem a ver com a outra. Um gajo porrreiro pode-se comportar como uma besta. Não quer dizer que o seja. São momentos e todos somos vulneráveis ao ambiente circundante, ao disparate reinante, à asneira rex. Tal não quer dizer que, essencialmente, o tipo que se comporta como um animal seja real e definitivamente assim. Não. Pode é ter razões concretas como a ignorância, por exemplo, para bolsar uma qualquer enormidade. Mas isso não

cartoon por Steff

faz dele um estúpido mas um gajo que diz coisas estúpidas. Bem sei que para alguns de vós, iníquos leitores, a distinção pode parecer confusa, abstracta, intelectualizada, etc.. Pois é... mas é mesmo assim. Não sei se repararam mas... as coisas aqui neste mundo (refiro-me ao planeta Terra) nem sempre são fáceis. Por vezes, dotam-se de pormenores, de arrebiques, de complexidades que vos fazem doer as cabecinhas mas que, no fundo, no fundo, muito lá no fundo, é isso mesmo que convinha compreender e não a espuma diária da vossa realidade, que tem tanto de real como o uísque que se vende na maior parte dos bares de Macau. Na verdade, adoro ver novos portugueses e portuguesas em Macau. Acho que esta cidade estaria muito melhor se dez mil lusos aqui habitassem. Haveria mais vida, mais agitação, mais criatividade, mais sexo. Pela minha parte acho que cumpro o meu dever: o Hoje Macau deve ser das empresas privadas que mais portugueses emprega e com os resultados que estão à vista. O que me enerva é essa alternância entre a arrogância de um Mourinho que nada provou e o servilismo de bigode que desde há muito nos caracteriza. E disso vejo muito por

aqui: dos que lambem para cima e chutam para baixo. E acreditem: eis um caminho que não leva a lado nenhum. * As LAG continuam e a inércia parece certa. Quero lá saber das promessas do governo. Delas está o Reservatório cheio. O que interessa, de facto, não são as palavras mas os actos e destes tem havido uma escassez global se exceptuarmos a decisão irreversível de fazer obras e mais obras. Obras por isto e por aquilo, elas espalham-se por este território como a escarlatina. A malta compreende esta urgência mas ouvimos dizer que tanto afã começa a não ser bem visto por certos olhos nortenhos, que não encontram extrema graça nesta economia da abundância para alguns (poucos) e da inflação para outros. As manobras dissuasoras do governo, como os benditos cheques, podem encher de alegria o senhor Lei e a madame Cheng mas não têm o mesmo efeito em quem vê o dinheiro ser atirado para a rua, ao invés de ser investido em projectos destinados ao bem comum. Mais actos, senhores, e menos estudos. Mais projectos e menos auscultações. Mais

As manobras dissuasoras do governo, como os benditos cheques, podem encher de alegria o senhor Lei e a madame Cheng mas não têm o mesmo efeito em quem vê o dinheiro ser atirado para a rua, ao invés de ser investido em projectos destinados ao bem comum. ousadia e menos chuta para as calendas. Já é tema de anedotas a quantidade interminável de estudos realizados e de auscultações feitas. Estou praticamente convencido que Macau bate o recorde do mundo nesta área. Não deverá existir outro governo que tanto mande estudar, que tanto mande auscultar, e que decida tão tarde e tão pouco. A questão é simples: se Chui Sai On pretender um segundo mandato o melhor é começar a pedalar que no pelotão há quem queira tomar a dianteira. E, afinal, já não falta tanto tempo quanto isso.

MAIS PODER PARA BRUXELAS


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18 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

A nova biologia “Imagine a world: where there is abundant, healthful food for everyone; where the environment is resilient and flourishing; where there is sustainable, clean energy; where good health is the norm. Each of these goals is a daunting challenge. Furthermore, none can be attained independently of the others.” A New Biology for the 21st Century National Academy of Sciences

A

pesquisa biológica encontra-se no centro de uma mudança revolucionária devido à integração de poderosas tecnologias, conjuntamente com a introdução de novos conceitos e métodos derivados da inclusão das ciências físicas, computacionais, matemática, e engenharia. Nunca como antes, os avanços nas ciências biológicas trouxeram tamanha promessa de superar muitos dos grandes desafios enfrentados pelo mundo. Historicamente, grandes avanços na ciência têm proporcionado soluções para os desafios económicos e sociais ao longo dos tempos. Ao mesmo tempo, tais desafios tem induzido a ciência a concentrar a sua atenção nas necessidades mais críticas da humanidade. Esforços científicos com base na satisfação das necessidades sociais têm lançado os alicerces para novos e incontáveis produtos, indústrias, e mesmo sectores inteiros da economia inimagináveis quando esse trabalho de pesquisa se iniciou. As lições da história levaram em 2008, que o “Conselho de Ciências da Vida” dos Estados Unidos, criasse uma comissão designada por “Nova Biologia para o Século 21”, afiançando que o mesmo lidera a revolução da “nova biologia”, que tem por objectivo pôr em prática uma “iniciativa” baseada na mesma, e encarregue de encontrar as soluções para as principais carências da sociedade americana como sejam a produção sustentável de alimentos, a protecção ambiental, as energias renováveis, a melhoria na saúde e qualidade de vida. Esses desafios representam o mecanismo de aceleramento no aparecimento de uma “nova biologia” e dos seus primeiros resultados. Perante o seu objectivo, a dita comissão teria de encontrar resposta para a questão essencial, de como é possível que um direito fundamental e o entendimento generalizado dos sistemas vivos possa diminuir a incerteza sobre a vida futura na Terra, melhorar a saúde e o bem-estar da população e conduzir uma gestão sensata do nosso planeta? Foi denominada de “iniciativa nacional” tendo em vista aplicar o potencial da “nova biologia” para fazer face às mudanças sociais. A comissão veio a elaborar um relatório, em Agosto de 2009, denominado “A Nova Biolo-

gia para o século 21”. Nele, dá a entender que a essência da “nova biologia” é a integração e reintegração de muitas subdisciplinas da biologia e da incorporação na investigação de físicos, químicos, cientistas da computação, engenheiros e matemáticos, de forma a criar um grupo de pesquisa com a capacidade de abordar uma ampla gama de problemas científicos e sociais. A comissão escolheu abordagens biológicas para resolver problemas nas áreas dos alimentos, ambiente, energia e saúde como as mais motivadoras metas para estimular o desenvolvimento da “nova biologia”. Todavia, não são esses os únicos problemas que se espera, que esta nova visão da biologia seja capaz de responder, mas igualmente às questões fundamentais postas em todas as áreas da biologia, desde o entendimento do funcionamento do cérebro até ao ciclo do carbono no oceano, sendo melhor tratadas com esta nova roupagem que cresce numa vigorosa realidade e que dada a sua fundamental unidade como ciência, se possa esperar dela grandes contributos para a evolução das ciências da vida. Ao longo do relatório, tudo parece demonstrar a ideia de que esta nova visão da biologia é um instrumento adicional e complementar à tradicional e clássica investigação das ciências da vida, e não uma substituição nobremente revista, independente da iniciativa investigadora do cientista no qual igualmente se baseia e que continuará a seguir. Todavia, muitas áreas importantes e promissoras da pesquisa biológica não são consideradas no relatório. Quer se queira ou não, é indubitável que a capacidade de investigação das ciências da vida é liderada pelos Estados Unidos, e ainda que o relatório seja omisso em muitos aspectos fecundos, é de realçar que a comissão que o elaborou, apoia firmemente os esforços de investigação que decorrem, quer no sector público, quer no privado. Adentro da biologia, trata-se de um excelente trabalho que deve continuar. Não resulta dos trabalhos da comissão, nem das conclusões do relatório que tenha havido alguma intenção no sentido de uma completa revisão da investigação das ciências da vida, ao invés parece ter-se concentrado nas situações que não podem ser resolvidas, por qualquer das subdisciplinas ou disciplinas da biologia, mas que exigem a integração entre a biologia e outras ciências, incluindo a engenharia, e que são difíceis de capitalizar dentro das institucionais e tradicionais estruturas, passando também pela do financiamento. Não se trata apenas de ciências que precisam de ser integradas. A nova visão

da biologia deverá assentar na capacidade de pesquisa e desenvolvimento de universidades, instituições governamentais e da indústria. As agências federais americanas devem continuar a liderar importantes esforços independentes de pesquisa. A “nova biologia” só pode florescer, se as inter-agências e co-lideres dos projectos nos Estados Unidos tiverem um âmbito de actuação mais alargado que no presente. Esta iniciativa não se reduz a uma simples questão de financiamento como é usual nos Estados Unidos. A capacidade e experiência conjunta de numerosas organizações são necessárias para fazer face aos maiores desafios da sociedade. É de realçar as palavras proferidas pelo presidente Barack Obama na “Reunião Anual da Academia Nacional de Ciências”, em 2009, nas quais se sobressaem aplicadas no presente contexto, de que “Sabem que a descoberta científica é mais demorada que a luz relâmpago de brilho ocasional, tão importante quanto possa ser. Normalmente, leva tempo, duro trabalho e paciência, exige treino e o apoio da nação. Mas detém uma promessa como nenhuma outra área do esforço humano”. Muitas outras reflexões nesta nova visão da biologia devem ser consideradas pela referida comissão, e terem as principais questões biológicas preparadas para a compreensão dos maiores avanços das ciências da vida e poder responder ao resultado prático das mesmas. Essas respostas devem ter um efeito de alto impacto a curto prazo e as consequências ambientais, as resultantes de processos estocásticos ou alterações genéticas, devem ser entendidas em termos de propriedades relacionadas com a solidez e fragilidade inerentes a todos os sistemas biológicos. As agências federais americanas terão de apresentar uma melhor e mais eficaz gestão, de forma a disciplinar os seus investimen-

tos em pesquisa biológica e educação, para abordar problemas complexos através de escalas de análise do básico ao aplicado. Terá a comissão de saber em que áreas da “nova biologia” pode o investimento a longo prazo ser mais susceptível de conduzir a benefícios, igualmente a longo prazo e a uma substancial e forte vantagem competitiva para os Estados Unidos. Todavia, podem existir áreas de alto risco em termos de financiamento que merecem um séria ponderação. Talvez seja necessário considerar novos mecanismos de financiamento para incentivar e apoiar a investigação transversal, interdisciplinar ou aplicada na biologia. Torna-se necessário quantificar os principais obstáculos para a realização de um “nova” e integrada biologia. Existe a indispensabilidade de um profundo estudo acerca das implicações de uma biologia recém integrada, face às carências de infra-estruturas que devem ser previstas e identificadas em termos de prioridades. Terá de se ter em conta as implicações para a cultura de investigação nas ciências da vida de uma abordagem integrada da biologia e como podem físicos, químicos, matemáticos e engenheiros ser encorajados a ajudar a construir um comportamento e actividade mais biológico, com o alcance e conhecimentos técnicos para lidar com um vasto conjunto de problemas científico-sociais. É possível que sejam inevitáveis mudanças no ensino da biologia, para garantir que está equipada a trabalhar nas suas tradicionais fronteiras disciplinares, a oferecer cursos e carreiras que equipem os cientistas físicos e engenheiros a tirar vantagem dos avanços nas ciências biológicas, e a fornecer aos não-cientistas, um nível de compreensão biológica que os mantenha informados sobre as mais relevantes propostas políticas. Existe ainda, a urgência de considerar a existência de graus alternativos ou a possibilidade das faculdades de biologia organizarem programas que atraiam e formem alunos capazes de trabalhar confortavelmente através das fronteiras disciplinares da biologia. Esta iniciativa só merece a total consideração se for partilhada e investigada no âmbito internacional, de forma a poder ser ajustada a todos os países a nível mundial independente do seu nível de desenvolvimento, pois estão em causa bens universais como a vida futura na Terra, a melhoria da saúde e do bem-estar do ser humano e as gestão prudente dos recursos naturais e dos ecossistemas que constituem a base de manutenção e conservação do ambiente, de vital importância para a preservação da vida no nosso planeta.


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OPINIÃO

cr ep ú scu l o d os í d ol os Arnaldo Gonçalves

Hong Kong: o novo

teste à autonomia H ONG Kong prepara-se para a eleição do terceiro Chefe do Executivo da sua história recente e os candidatos já anunciados dão indicações que a competição vai ser viva e aberta, revelando a maturidade do sistema político da antiga colónia inglesa. Um sistema que tendo fonte na Lei Básica negociada pelos representantes de Pequim e a elite empresarial de Hong Kong está, contudo, longe de corresponder aos anseios de sufrágio directo e universal e ampla democracia da população e à vontade da comunidade internacional. Os homens que se perfilam na corrida são a expressão da textura da elite intelectual e empresarial de Hong Kong, com um Henry Tang, ex-secretário-chefe do governo da RAEHK, Leung Chun-ying, conselheiro do governo e até à pouco CEO da empresa imobiliária londrina DTZ, Holdings Plc e Albert Ho Chun- yan, líder do Partido Democrático. Segundo a maioria dos observadores, Henry Tang, de 59 anos, parte com vantagem, desde logo pela experiência que detém pelas funções que desempenhou como secretário para a economia e depois secretário-chefe, por outro pela proximidade à comunidade empresarial e financeira de que é um dos “princelings”. Henry Tang é filho de Tang Hsiang Chien, considerado o 40º homem mais rico do mundo pela revista Forbes. O arranque da sua campanha foi frouxo, com um timing mal calculado para o anúncio da candidatura e um quiproquó confrangedor com a exposição pública das suas infidelidades conjugais com uma antiga assessora. Tang tem-se desdobrado em encontros com várias organizações sociais mas deixa transparecer o pouco à vontade que tem no contacto directo com o cidadão comum e, até agora, uma absoluta ausência de ideias de como poderá governar Hong Kong. Já Leung Chun-ying, de 57 anos, parece mexer-se mais à vontade junto das tradicionais associações profissionais e sectoriais da RAEHK, as “functional constituencies”, revelando maior focagem política e conhecimento dos problemas dos sectores mais expostos aos efeitos da subida da inflação, do disparar dos preços do sector imobiliário e do alargamento das desigualdades sociais.

Recorde-se que Hong Kong é o local da Ásia onde o fosso entre ricos e pobres é mais acentuado. Dos sete milhões de residentes um milhão e meio subsiste com subsídios do governo e metade da população vive em habitação social. Albert Ho, de 60 anos, é a tradicional figura do campo democrático, líder dos pan-democratas, e um crítico acérrimo da gestão de Donald Tsang, o chefe do executivo em funções. Previsível derrotado nas eleições, Ho “marca” a agenda da oposição a Pequim na exigência de eleições livres e directas quer para chefe do executivo quer para o Legco. Advogado, membro da Assembleia Legislativa, é a expressão da pulverização dos pan-democratas, unidos por causas pontuais como a oposição ao artigo 23º da Lei Básica, a condenação da repressão de Tianamen de Junho de 1989 ou o aprofundamento da autonomia de Hong Kong, mas incapazes de construírem uma alternativa credível de poder (e governo) ao sector alinhado com Pequim. Neste puzzle político o facto novo é o apa-

Neste puzzle político o facto novo é o aparente distanciamento do Governo Popular Central em termos de favorecimento de uma ou outra candidatura do campo pró-Pequim rente distanciamento do Governo Popular Central em termos de favorecimento de uma ou outra candidatura do campo pró-Pequim. Embora perceba que a competição não é um processo de consulta popular o Governo chinês quer assegurar que o próximo chefe do executivo, ao contrário de Donald Tsang, usufruirá de um mais amplo apoio da comunidade e que dará garantias de manter a estabilidade política e social. A demarcação de Tsang das duas candidaturas pró-Pequim, o desagrado com o destaque político que o processo encontra nos media, revela as limitações que muitos lhe prognosticaram quando, em recurso, foi chamado a substituir um impopular Tung Chee Hwa.

Sendo certo que pelas regras de constituição do Comité de Eleição do Chefe do Executivo (de 1200 membros), os representantes directos e indirectos de Pequim dispõem de uma confortável maioria, afigura-se que o Governo Central quererá perceber para onde “caiem” os favores dos sectores tradicionais da RAEHK antes de dar um sinal de quem apoia. Em Março passado, o Premier Wen Jiabao admoestava os dirigentes de Hong Kong quanto à necessidade urgente de resolverem os conflitos sociais “profundos” por forma a assegurar a estabilidade política e social; outra forma de reconhecer a incapacidade do governo local de dialogar com a população e responder aos seus anseios. A tarefa do próximo Chefe do Executivo não se revela nada fácil, desde logo pela previsão da continuidade da crise financeira internacional, segundo as projecções da OCDE e do Banco Mundial, por outro lado pelo quase certo sobre-aquecimento da economia chinesa e a retracção no crescimento do Produto Interno Bruto em 2012, e finalmente pela indefinição da situação política na China. Recorde-se que em 2012, a China muda de liderança política e com ela serão “baralhados” os canais de acesso da elite empresarial e política de Hong Kong aos centros de poder em Pequim. Sendo a evolução do sistema chinês razoavelmente previsível não é claro quem são os “homens de confiança” da dupla Xi Jiping-Li Keqiang na RAEHK. Manda a prudência da lenta progressão dos principais dirigentes do Politburo que dissimulem o mais possível as suas preferências pessoais e evitem dar passos em falso. Ainda esta semana um pequeno episódio com Bo Guagua, filho do poderoso Bo Xilai, membro do Comité Permanente do Comité Central do PCC, poderá ter afastado de todo as pretensões deste último a um lugar cimeiro na distribuição dos principais lugares no aparelho de Estado. A China depois de ter abraçado o modelo de desenvolvimento capitalista, de eliminar as considerações ideológicas e apostar na bondade do governo dos tecnocratas, confronta-se com o enorme problema de não dispor de um corpo coerente de ideias e convicções que una a população e legitime quem detém o poder.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Nuno G. Pereira; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Carlos M. Cordeiro; Boi Luxo; Correia Marques; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


TRABALHADORES DAS OBRAS DO VENETIAN FAZEM APELO

Salários com atrasos de 80 dias Virginia Leung

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

O JOGO NOVEMBRO COM NÚMEROS-RECORDE EM MACAU O sector do jogo nos casinos de Macau encerrou o mês de Novembro com receitas brutas de 23.058 milhões de patacas, mais 32,9 por cento do que em igual período de 2010. De acordo com dados oficiais disponíveis na página electrónica dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos, os casinos de Macau acumularam desde Janeiro receitas brutas de 244.258 milhões de patacas, mais 44,1 por cento do que em igual período de 2010. Dados recolhidos pela agência Lusa junto de vários operadores indicam que a Sociedade de Jogos de Macau, fundada por Stanley Ho, continua a liderar o mercado com cerca de 27 por cento de quota, seguida pela Galaxy com cerca de 20 por cento e da Venetian Macau com mais de 15 por cento.

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mês chegou ao fim e os salários, nem vê-los... mais uma vez. Desesperados com atrasos salariais que ascendiam a até 80 dias, 30 trabalhadores da construção civil, contratados por um dos subempreiteiros que operam nas obras da nova fase do Venetian, procuraram a ajuda da União de Associações Livres das Indústrias da Construção e dos Casinos e apresentaram anteontem um abaixo-assinado ao Chefe do Executivo a pedir ajuda para desbloquear a situação. Apresentando-se como trabalhadores das obras para as Parcelas 5 e 6 do Venetian contratados pela empresa de construção Bo Pak, os queixosos alegavam que o pequeno

subempreiteiro em causa operava no estaleiro de obras sob a alçada da Yearful Construction, que por sua vez fazia subempreitada para o grupo construtor Hsin Chong, este sim, contratado directamente pelo Venetian. De acordo com as reclamações, desde Agosto que começou a faltar regularidade no pagamento dos salários, que têm hoje atrasos entre 30 e 80 dias. Os trabalhadores alegam ter tentado sentar-se à mesa de negociações com os patrões, mas sem sucesso, tendo procurado a ajuda da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) em Outubro. Tendo batido em quase todas as portas, os trabalhadores continuam inconformados e disparam queixas em todas as direcções. A DSAL terá recebido a queixa, mas

alegadamente sem que houvesse avanços posteriores, pelo que os trabalhadores acusam o organismo de, mesmo tendo a lei do seu lado, nada fazer para ajudar os trabalhadores a recuperarem o dinheiro que lhes é devido. Além disso, dizem também terem se dirigido directamente aos donos da obra, que no entanto os terão rejeitado, pelo que acusam o Venetian de não cumprir as suas responsabilidades sociais. A DSAL, acusam, demonstra ineficiência e incapacidade de lidar com o caso e o Venetian não tem consciência, pelo que os trabalhadores apelam agora ao Chefe do Executivo para que acompanhe a sua situação. Em declarações ao Hoje Macau, Jacqueline Wu, vice-presidente de relações públicas da Venetian Macau, sacudiu as responsabilidades para os empreiteiros. “Fizemos os pagamentos a tempo à empresa de construção contratada, no entanto, devido aos vários níveis de empreitadas, apenas podemos dar directrizes às empresas à empresa de construção para a incentivar a fiscalizar a situação, mas não temos o direito de intervir na questão da distribuição dos seus salários”, afirmou, sem deixar de sugerir que os trabalhadores em causa tentassem negociar a matéria com os seus empregadores directos.

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PLANO NOVO ESTÍMULO ÀS CONVENÇÕES E EXPOSIÇÕES Para impulsionar o desenvolvimento da indústria de convenções e exposições de Macau, com diversificação das indústrias e transformação da RAEM num Centro Internacional de Turismo e Lazer, a Direcção dos Serviços de Economia irá lançar, a partir de 1 de Janeiro de 2012, o “Plano de Estímulo às Convenções e Exposições”. A decisão pretende dar continuidade ao “Plano de Estímulo ao Turismo de Negócios” da Direcção dos Serviços de Turismo, que terminará em 31 de Dezembro de 2011. Através de apoios às entidades organizadoras, irá sustentar-se o aumento da competitividade do sector. Os candidatos que preencham as condições requeridas, poderão obter uma série de apoios através do plano.


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Hoje Macau 2 DEZ 2011 #2506 by Jornal Hoje Macau - Issuu