ALFREDO GOMES DIAS
SEAN FOLEY
NA POESIA DE SER MACAENSE
PATRIOTAS A GOVERNAR HONG KONG
UM NOVO PRINCÍPIO PARA A RAEHK ÚLTIMA
Nº 4712 SEXTA-FEIRA 19-2-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
hoje macau
0 METRO DE PEQUIM SARA F. COSTA
MULHERES DE ITÁLIA GONÇALO M. TAVARES
UM SOL INESPERADO TIAGO ALCÂNTARA
VALÉRIO ROMÃO
RESIDÊNCIA
OS ACELERADOS PÁGINA 4
IMOBILIÁRIO
BANHADAS NO INTERIOR PÁGINA 6
COVID-19
CORAÇÃO, CABEÇA, ESTÔMAGO
PUB.
GRANDE PLANO
PEREIRA COUTINHO QUER DEBATER QUALIDADE DA HABITAÇÃO PÚBLICA
Que fiz eu para merecer isto?
São pequenas, muito pequenas, e feitas com materiais de má qualidade, isto apesar de apresentarem custos elevados e demorarem tempo demais
a construir. Os problemas nas habitações públicas agravam-se todos os anos. O deputado quer saber porque razão é assim e não de outra maneira.
2 grande plano
19.2.2021 sexta-feira
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Do fundo do coracao ˜ ´ COVID-19 DOENTES HOSPITALIZADOS APRESENTAM LESÕES CARDÍACAS APÓS ALTA
Além das sequelas respiratórias, acumulam-se estudos que ligam problemas cardíacos à pandemia. Um estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia, publicado ontem, revela que mais de metade das pessoas internadas devido à covid-19 apresentam lesões no coração um a dois meses após alta hospitalar. O elevado grau de incidência de graves sequelas cardíacas incide, principalmente, em quadros clínicos severos de covid-19, mas mesmo casos assintomáticos podem afectar o coração
U
M estudo divulgado ontem revela que mais de metade das pessoas hospitalizadas com covid-19 grave, e com níveis elevados da proteína troponina no sangue, apresentam lesões no coração que foram detectadas um a dois meses após alta clínica. O estudo, divulgado na publicação European Heart Journal, da Sociedade Europeia de Cardiologia, envolveu 148 doentes de seis hospitais de Londres, capital do Reino Unido, dos quais 80 (54
por cento) apresentavam cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco (incluindo miocardite, enfarte do miocárdio e isquemia). As lesões foram detectadas em exames de ressonância magnética feitos aos pacientes um a dois meses depois de terem alta hospitalar. Todos os 148 doentes tinham níveis elevados da proteína troponina no sangue, indicador de uma inflamação no coração. Os dados da amostra foram comparados com os de um grupo de controlo de doentes
na University College London, no Reino Unido, “os doentes com quadros clínicos mais severos de covid-19 frequentemente sofrem de doenças pré-existentes como diabetes, elevada pressão arterial e obesidade, porém, o coração "pode ser directamente afectado" pelas manifestações graves da covid-19. Ao identificar "diferentes padrões de lesão" no coração, a ressonância magnética permitirá, de acordo com a especialista, citada em comunicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, "fazer diagnósticos mais precisos e direcionar os tratamentos mais eficazes" aos doentes.
O estudo envolveu 148 doentes de seis hospitais de Londres, dos quais 80 (54%) apresentavam cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco (incluindo miocardite, enfarte do miocárdio e isquemia) Marianna Fontana adiantou que os exames mostraram que "algumas das lesões" no músculo cardíaco "eram novas e provavelmente causadas por covid-19". "Vimos lesões mesmo quando a função de bombeamento do coração não foi prejudicada", disse, assinalando a preocupação de, nos casos mais graves, estas lesões poderem eventualmente aumentar o risco de insuficiência cardíaca.
O que não se vê
Uma das importantes ressalvas do estudo é que as conclusões retiradas a partir do acompanhamento de pacientes que foram hospitalizados devido à covid-19 nada diz sobre quem faz convalescença em casa, ou quem é internado numa unidade hospitalar sem não revelar elevados nível de troponina. A equipa de cientistas descobriu que o funcionamento do ventrículo esquerdo do coração, a câmara responsável por bombear sangue oxigenado para todas as partes do corpo, estava normal em 89 por cento dos 148 pacientes. Ainda assim, foram encontradas
que não tinham covid-19 e com 40 voluntários saudáveis. Muitos dos doentes hospitalizados com covid-19 costumam ter concentrações elevadas da proteína troponina no sangue durante a fase crítica da doença, quando o
corpo desencadeia uma resposta imunitária exagerada à infecção respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Segundo uma das coordenadoras do estudo, Marianna Fontana, professora de cardiologia
“Na minha opinião pessoal, o covid-19 vai contribuir para o aumento dos casos de falhas cardíacas nas próximas décadas.” ELIKE NAGEL UNIVERSITY HOSPITAL FRANKFURT
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MÁSCARAS HUMIDADE PRODUZIDA PODE REDUZIR GRAVIDADE DA DOENÇA
U
M estudo do National Institutes of Health (NIH), agência federal norte-americana de investigação médica, concluiu que a humidade gerada pela respiração dentro das máscaras pode ajudar a combater doenças respiratórias como a covid-19. Os resultados desta investigação, publicados no Biophysical Journal, indi-
cam que o uso de máscaras de vários tipos aumenta substancialmente a humidade do ar inspirado por quem a usa e relaciona este dado com o facto já provado de que a hidratação do trato respiratório beneficia o sistema imunológico. Segundo o estudo, esta conclusão pode ajudar a explicar a razão pela qual o uso
cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco em 80 pacientes (54 por cento). O estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia refere que o padrão de cicatrização ou lesão do tecido teve origem em inflamações em 39 doentes (26 por
de máscaras de protecção individual tem sido associado a uma menor gravidade da doença de pessoas infectadas pelo vírus SARS-CoV-2. “Descobrimos que as máscaras aumentam fortemente a humidade do ar inalado e admitimos que a hidratação do trato respiratório daí resultante pode ser responsável pela descoberta já documentada
cento), doença cardíaca isquémica, que inclui enfarte ou isquemia, em 32 doentes (22 por cento), ou ambos em nove doentes (6 por cento). Doze pacientes (8 por cento) revelaram a inflamações cardíacas contínuas, ou miocardite.
que associa a menor gravidade da doença covid-19 ao uso de máscara”, adianta Adriaan Bax, investigador do NIH e autor principal do estudo. De acordo com o investigador, está demonstrado que níveis elevados de humidade “atenuam a gravidade da gripe”, o que pode ser aplicado à covid-19 “através de um mecanismo semelhante”. Na
Apesar dos resultados preocupantes, Sonya Babu-Narayan, directora médica associada da British Heart Foundation e cardiologista consultora, mete água na fervura. "Estas descobertas não são aplicáveis a pessoas que tiveram
prática, os elevados níveis de humidade inalada podem limitar a propagação de um vírus aos pulmões, através de um mecanismo de defesa que remove o muco - e partículas potencialmente nocivas dentro do muco – desse órgão. Além disso, uma elevada humidade pode também fortalecer o sistema imunológico, produzindo proteínas
infecções leves ou assintomáticas de covid-19”, comentou, citada pela Asian News International. A cardiologista adiantou ainda que o estudo pode inclusive ter revelado patologias que os doentes desconheciam anteriores à pandemia. Ainda assim, Sonya Babu-Narayan entende que o estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia oferece duas oportunidades às ciências médias. “Em primeiro lugar, permite encontrar formas de prevenir a lesão. Com base em alguns padrões que temos observado, a coagulação sanguínea pode desempenhar um papel no processo que resulta em lesões. E para isso temos potenciais tratamentos. Em segundo lugar, encontrar as consequências da lesão durante a convalescença pode identificar indivíduos que beneficiariam de tratamentos específicos de apoio farmacológico para proteger a função cardíaca ao longo do tempo.”
Continuar debaixo de lupa
São vários os alertas dados de vários quadrantes da comunidade científica em relação à extrema necessidade de prosseguir com os estudos dos efeitos “colaterais” da covid-19, em particular a nível cardiovascular, em particular para quem não necessitou de internamento hospitalar. Porém, começam a avolumar-se as investigações científicas que sugerem que a maioria dos infectados com covid-19 pode vir a sofrer de sequelas cardíacas. Por exemplo, um estudo publicado em Junho de 2020, na revista científica JAMA, revelou que 78 por cento das doentes recentemente recuperados de covid-19 apresentavam anomalias no músculo cardíaco e cerca de 60 por cento revelavam infecções. Outro estudo deu conta de que mesmo passados 27 meses depois da infecção com o novo tipo de coronavírus, 30 por cento das pessoas poderá apresentar funcionamento anormal do coração. Entre as muitas pesquisas científicas, subsiste uma incerteza que causa apreensão à comunidade médica: os resultados de estudos, como o da Sociedade Europeia de
especiais, chamadas interferons, que lutam contra vírus - um processo conhecido como resposta de interferon. O estudo analisou quatro tipos comuns de máscaras: uma máscara N95, uma máscara cirúrgica descartável de três camadas, uma máscara de algodão e poliéster de duas camadas e uma máscara de algodão pesado.
“Vimos lesões mesmo quando a função de bombeamento do coração não foi prejudicada. Algumas das lesões eram novas e provavelmente causadas por covid-19”. MARIANNA FONTANA COORDENADORA DO ESTUDO E PROFESSORA DE CARDIOLOGIA NA UNIVERSITY COLLEGE LONDON
Cardiologia, podem ser apenas a ponta de um icebergue que só pode ser vislumbrado após acumulados anos de problemas de coração resultantes da infecção de covid-19. Em Julho do ano passado, uma equipa de cientistas alemães publicou um estudo que concluía que 78 por cento dos pacientes recuperados de covid-19, a maioria com apenas sintomas ligeiros ou moderados, demonstraram complicações cardíacas mais de dois meses depois do diagnóstico inicial. Seis em dez apresentaram quadros clínicos de miocardia persistente (inflamação). Em declarações à revista Scientifica American, Elike Nagel responsável pelo estudo, ressalvou que as conclusões não deviam levar a excessos de nervosismo. Porém, o cientista deu uma perspectiva que pode provocar palpitações. “Na minha opinião pessoal, o covid-19 vai contribuir para o aumento dos casos de falhas cardíacas nas próximas décadas”. João Luz com agências
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RESIDÊNCIA COMISSÃO CONSIDERA MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO DE LEI INJUSTA PARA REQUERENTES
Deputados contra cautelas
A
Por exemplo, o Governo deve listar os requisitos de forma mais clara. Há que listar que é exigida a indicação da residência e também o prazo mínimo exigido para obtenção de luz verde do IPIM. Mais ainda, quanto aos investimentos relevantes, há que atender se o projecto envolvido consegue dar contributo a Macau”, apontou. O objetivo dos deputados é também que os procedimentos sejam simplificados. Como forma de acelerar os procedimentos de apreciação, Si Ka Lon colocou a possibilidade de os requerentes delegarem poderes ao IPIM para o organismo poder ir às finanças obter documentos como declarações impostos.
TIAGO ALCÂNTARA
Os deputados criticaram ontem os procedimentos do IPIM sobre os pedidos de fixação de residência, por serem demorados e nos últimos anos terem passado a interpretar a lei de forma diferente. A Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública quer maior transparência e uma clarificação dos requisitos
Comissão deAcompanhamento para os Assuntos da Administração Pública reuniu ontem para discutir os procedimentos do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) relativos à imigração por fixação de residência dos técnicos especializados e por investimento. Um processo que considera “longo, moroso e lento”. O presidente da Comissão, Si Ka Lon, indicou que muitos deputados receberam pedidos de apoio de requerentes, nomeadamente professores catedráticos estrangeiros que não conseguiram renovar o seu título de residência. Si Ka Lon destacou que o IPIM aprecia os pedidos segundo a legislação do regime de permanência temporária de 1999, mas que houve mudanças na análise depois do relatório do Comissariado Contra a Corrupção sobre o tema. “Até 2017 houve uma interpretação diferente por parte do executivo sobre o que é residência habitual. Dantes, para o mesmo tipo de caso, era autorizada a concessão do título de residência habitual, mas agora já não”, explicou o deputado. A Comissão entende que a mudança de interpretação prejudica
Mais de 100 irregularidades
quem submeteu pedidos anteriores. “Algumas pessoas viram o seu pedido não autorizado. Além disso os procedimentos estão sempre a arrastar, e isto é injusto para os interessados. A Comissão espera que o Governo pondere a utilização de uma nova regra: antiga regra para antigos requerentes, nova regra para novos requerentes”, apelou.
Clarificar as regras
Ao apontar que é uma norma nova exigir às pessoas para pernoitarem em Macau, também Zheng Anting, secretário da Comissão de Acompanhamento, defendeu que “esse critério de residência habitual tem de ser mais claro”, e que as pessoas com pedidos de renovação têm de ser avisadas desse requisito. Si Ka Lon disse que antes de 2017 nem sempre se exigia aos requerentes que precisavam de permanecer no território 183 dias, alertando que os interessados através de investimentos relevantes “raramente residem em Macau”. O presidente da Comissão exemplificou que reside e comprou casa em Zhuhai, mas “contribuindo diariamente a Macau”, onde trabalha. Por outro lado, Si Ka Lon frisou que a integração de Macau na
Grande Baía é uma “política estatal” e que antes nem sempre era um problema quando alguém pretendia investir no território ou trabalhar cá enquanto quadro qualificado, apesar de viver no Interior da China. O deputado esclareceu que a Comissão pretende que haja uma apreciação com base nas circunstâncias concre-
tas dos casos. “Não estou a dizer que os requisitos são tão relaxados que não existe qualquer apreciação”. “No futuro na parte de apreciação queremos mais transparência.
“Há que listar que é exigida a indicação da residência e também o prazo mínimo exigido para obtenção de luz verde do IPIM. Mais ainda, quanto aos investimentos relevantes, há que atender se o projecto envolvido consegue dar contributo a Macau.” SI KA LON DEPUTADO
Golfinho branco Exigida publicação de estudos
O deputado Leong Sun Iok interpelou o Governo sobre a necessidade de uma maior protecção do golfinho branco chinês, uma vez que é uma espécie protegida no país e têm ocorrido, nos últimos anos, vários casos de morte destes animais. Leong Sun Iok questiona as razões para o Governo não publicar os resultados das investigações destes casos, o que poderia ajudar a população a participar no trabalho de preservação desta espécie. O deputado entende que os trabalhos de protecção e investigação precisam de ser revistos, exigindo a publicação dos estudos efectuados nos últimos três anos. É sugerida, na interpelação escrita, a importação de vários equipamentos que possam ajudar a prever os percursos feitos por estas espécies, bem como o seguimento, por parte do Governo de Macau, do Plano de Acção para a Conservação do Golfinho Branco Chinês, em vigor na China.
Apesar dos reparos, a Comissão apontou também melhorias de vários aspectos dos trabalhos do IPIM, que passou a permitir a submissão de documentos por via electrónica, um reforço da fiscalização e confirmação se os interessados conseguem manter as condições prometidas quando apresentaram o pedido de residência, ou que a entidade vai aperfeiçoar o fluxograma de trabalho e aumentar os seus recursos. Além disso, o IPIM vai reexaminar os casos já autorizados para confirmar a continuidade das relações laborais e se as sociedades comercias cuja criação foi prometida existem. Em finais do ano passado, tinham sido novamente analisados mais de três mil casos. Foram enviados ao Ministério Público 101 casos em que se detectaram irregularidades, como falsas declarações ou falsificação de documentos. Por outro lado, há oito casos de recurso contencioso de decisões tomadas pelo IPIM. Em 2020 foram autorizados três pedidos de fixação de residência pelo IPIM, que tinham sido feitos em anos anteriores. Salomé Fernandes
sexta-feira 19.2.2021
H
Para José Pereira Coutinho, a má qualidade das construções está relacionada com a elaboração dos cadernos de encargos aquando da realização dos concursos públicos para as obras, bem como a escolha dos materiais de construção
HABITAÇÃO PÚBLICA COUTINHO QUER DEBATER MÁ QUALIDADE DA CONSTRUÇÃO
Contra as casas de papel O deputado José Pereira Coutinho entregou na Assembleia Legislativa um pedido de debate sobre a má qualidade de construção das habitações públicas. Em causa está a pequena dimensão das casas e a queda dos azulejos nos edifícios Ip Heng e do Lago, um problema que se arrasta há vários anos mílias no que diz respeito à decoração de interiores das suas moradias”. Com este pedido de debate, o deputado pretende garantir que estes casos não se repitam no futuro. “Mais habitações e edifícios públicos serão construídos para residentes nos novos aterros
e nos terrenos do Estado, pelo que será extremamente importante evitar a repetição de situações idênticas."
Cadernos de encargos
Para José Pereira Coutinho, a má qualidade das construções está relacionada com a elaboração
dos cadernos de encargos aquando da realização dos concursos públicos para as obras, bem como a escolha dos materiais de construção. O deputado entende que existem “múltiplas e contraditórias instruções verbais e escritas na classificação das propostas,
incluindo o crónico problema relacionado com a recepção das obras após a sua conclusão”. Relativamente à queda de azulejos nos edifícios Ip Heng e do Lago, problema que originou a entrega de uma petição ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng,
a 27 de Janeiro, Coutinho lamenta que nada tenha sido feito até então. “No caso das torres Ip Heng caem ladrilhos desde finais de 2013. Na sua maioria os prazos de validade de conservação expiraram em 2015. Contudo, a empresa de construção continuou a suportar as despesas de substituição dos ladrilhos até à presente data. E no futuro, como será? Até quando as despesas vão ser suportadas pelas entidades responsáveis, privadas e públicas?”, questionou o deputado. Andreia Sofia Silva
RÓMULO SANTOS
Á muito que a má qualidade de construção das habitações públicas é motivo de preocupação para os deputados e, desta vez, José Pereira Coutinho decidiu apresentar, no hemiciclo, uma proposta de debate sobre este assunto. Na sua proposta, o deputado, que também preside à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), defende que “as autoridades competentes devem averiguar, com seriedade, porque é que muitas obras e empreitadas públicas encomendadas a algumas empresas de construção quase sempre demoram a ficar concluídas”, além de serem “mais caras e de má qualidade”.
política 5
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O deputado aponta que tem vindo a receber várias queixas de pessoas que residem em apartamentos de habitação económica ou social. Estes moradores alegam que “as habitações são extremamente pequenas para o seu agregado familiar”, tendo sido “construídas com materiais de baixa qualidade”, o que “causa enormes dores de cabeça aos inquilinos e às suas fa-
DSAL APOIO NA BUSCA DE EMPREGO NÃO RESULTOU EM 75 POR CENTO DOS CASOS
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Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) adiantou, em resposta a interpelação escrita de Leong Sun Iok, que ajudou 3800 residentes a encontrar emprego o ano passado. No que diz respeito aos residentes que não conseguiram emprego, “75 por cento correspondia a casos em que não foi possível efectuar
a conjugação com os requisitos do trabalho devido à capacidade profissional do candidato (técnicas, conhecimentos e línguas), enquanto que 21 por cento correspondia a casos em que o candidato não aceitou o emprego por não estar satisfeito com as condições de trabalho”. "Os restantes quatro por cento correspondem a casos em
que o candidato não foi contratado em virtude da vaga já ter sido ocupada”, lê-se ainda na resposta assinada pelo director da DSAL, Wong Chi Hong. Assumindo que a prioridade é o trabalho aos residentes, a DSAL referiu também que o número de trabalhadores não residentes (TNR) diminuiu em 15.576 pes-
soas em Novembro de 2020 por comparação a finais de Dezembro de 2019. Entre Setembro e Novembro de 2020 a taxa de desemprego dos residentes era de quatro por cento, uma queda de 0,1 por cento, ou seja, 100 pessoas, face aos meses de Agosto a Outubro de 2020. “Tendo em conta o impacto da epidemia no mercado de trabalho
de Macau, a DSAL continua a rever e a controlar o número de TNR, ponderando a dimensão dos diferentes sectores e empresas, a oferta e a procura de recursos humanos no mercado de trabalho, a situação de contratação de trabalhadores residentes nas empresas, entre outros factores”, acrescenta Wong Chi Hong. A. S. S.
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Notificação n.o 001/AN/DIA/DSA/2021
Notificação n.º 002/DGP/DSA/2021
Este Instituto, nos termos das competências delegadas pelo n. 2 do artigo 34. da Lei n. 9/2018 e pelo artigo 19.º do Regulamento Administrativo n.º 40/2004, e em conjugação com os n.os 2 e 3 do artigo 3.o e o artigo 10.o do Decreto-Lei n.o 52/99/M, vai iniciar o processo administrativo sancionatório aos indivíduos seguintes suspeitos de haver infringido o n.º 1 e/ou o n.º 2 do artigo 15.º do mesmo regulamento administrativo. Considerando que não se revela possível notificar directamente, nos termos dos artigos 10.º, 57.º e 58.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os interessados, por ofício, telefone, ou outra forma, para o efeito de participação na instrução, ficam, pela presente, notificados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados abaixo discriminados para, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação desta notificação, comparecer, pessoalmente, na Divisão de Inspecção Alimentar do IAM, sita na Avenida do Ouvidor Arriaga, n.º 70-A, Edifício Fortune Tower, 1.º andar, Macau, à instrução ou apresentar uma defesa escrita, e fornecer método de prova. A ausência do interessado ou a não apresentação de defesa escrita não constituem razão para o adiamento do processo de instrução, sem prejuízo da decisão de sanção nos termos da lei tomada por este Instituto. Auto de Nome do N.o do documento de Infracção suspeita Ordem identificação notícia interessado Suspeito de ter infringido o artigo 4.o e o n.º 1 e/ou o n.º 2 o N. do Salvo-conduto do artigo 15.º do Regulamento da República Popular da N.o 012/ Administrativo n.º 40/2004, ao 邓嘉駿 China para deslocação DIA/ 1 não transportar mercadorias que a Hong Kong e Macau: DSA/2019 devem ser sujeitas a inspecção C6193xxxx para o local onde se realiza o controlo sanitário e fitossanitário. Suspeito de ter infringido o artigo 4.o e o n.º 1 e/ou o n.º 2 do artigo 15.º do Regulamento N.o 139/ N.o de Bilhete de Administrativo n.º 40/2004, ao 劉章林 Identidade de Macau: DIA/ 2 não transportar mercadorias que xxxx229(5) DSA/2019 devem ser sujeitas a inspecção para o local onde se realiza o controlo sanitário e fitossanitário. Suspeito de ter infringido o artigo 4.o e o n.º 1 e/ou o n.º 2 do artigo 15.º do Regulamento N.o 168/ N.o de Bilhete de Administrativo n.º 40/2004, ao 鍾志堅 Identidade de Macau: DIA/ 3 não transportar mercadorias que xxxx105(1) DSA/2019 devem ser sujeitas a inspecção para o local onde se realiza o controlo sanitário e fitossanitário. Suspeito de ter infringido o artigo 4.o e o n.º 1 e/ou o n.º 2 do artigo 15.º do Regulamento N.o de Passaporte da N.o 171/ Administrativo n.º 40/2004, ao NGUYEN THI República Socialista do DIA/ 4 Vietname: não transportar mercadorias que VI DSA/2019 N197xxxx devem ser sujeitas a inspecção para o local onde se realiza o controlo sanitário e fitossanitário. Suspeito de ter infringido o artigo 4.o e o n.º 1 e/ou o n.º 2 o N. do Salvo-conduto do artigo 15.º do Regulamento da República Popular da N.o 066/ Administrativo n.º 40/2004, ao 严雪芳 China para deslocação DIA/ 5 não transportar mercadorias que a Hong Kong e Macau: DSA/2020 devem ser sujeitas a inspecção C4793xxxx para o local onde se realiza o controlo sanitário e fitossanitário. Suspeito de ter infringido o artigo 4.o e o n.º 1 e/ou o n.º 2 o N. do Salvo-conduto do artigo 15.º do Regulamento da República Popular da N.o 070/ Administrativo n.º 40/2004, ao 高文科 China para deslocação DIA/ 6 não transportar mercadorias que a Hong Kong e Macau: DSA/2020 devem ser sujeitas a inspecção C8851xxxx para o local onde se realiza o controlo sanitário e fitossanitário. o
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O não cumprimento do disposto no artigo 4.o e n.os 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 40/2004 é sancionável, nos termos do n.o 3 do mesmo artigo, com multa de montante igual ao valor das mercadorias desviadas e não inferior a MOP 1 000,00 (mil patacas), sendo as mercadorias apreendidas e declaradas perdidas a favor da RAEM. Por fim, os interessados directos ou quaisquer pessoas particulares que provem ter interesse legítimo em conhecer os elementos e que assim pretendam poderão pedir, no horário de expediente, a consulta do respectivo processo administrativo, disponível na Divisão de Inspecção Alimentar do IAM, sita na Avenida do Ouvidor Arriaga, n.º 70-A, Edf. Fortune Tower, 1.º andar, Macau. Aos 27 de Janeiro de 2021
O Chefe do Departamento de Segurança Alimentar Cheong Kuai Tat www. iam.gov.mo
(Aviso da acusação) Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para o efeito de acusação a respeito dos respectivos processos administrativos, nos termos do artigo 10.º e do n.º 1 do artigo 93.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, os interessados, abaixo discriminados, do conteúdo das respectivas acusações, a fim de o Instituto tomar uma decisão final, em relação aos processos de acusação actualmente em curso: Verificou-se que os interessados, abaixo discriminados, produzem e comercializam produtos alimentares que contêm substâncias não inspeccionadas em casos legalmente sujeitos a esse procedimento, o que consubstancia uma infracção administrativa, prevista na al. 1) do n.º 1 do artigo 19.º da Lei n.º 5/2013 (conjugada com a al. 6) do n.º 1 do artigo 13.º) e, de acordo com o n.º 1 do artigo 19.º deste lei, podendo ser aplicada aos infractores uma multa de cinquenta mil patacas (MOP 50.000,00) a seiscentas mil patacas (MOP 600.000,00). Os respectivos factos ilícitos e os resultados das averiguações constam dos autos de notícia e relatórios elaborados por instrutores; o Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais deste Instituto, José Tavares, exarou, relativamente ao interessado abaixo discriminado no n.º 3, despacho sobre a respectiva acusação, no uso das competências conferidas pela Proposta de Deliberação n.º 01/CA/2019 de 1 de Janeiro; e a Vice-Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais deste Instituto, O Lam, exarou, relativamente aos interessados abaixo discriminados, nos n.os 1 e 2, despacho sobre as respectivas acusações, nos termos do Despacho n.º 29/PCA/2019, de 26 de Dezembro. Data em que Tipo e N.º do Produto Nome do N.º e Data do foram exarados N.º documento de alimentar em Interessado auto de notícia os despachos de identificação causa acusação N.o do Salvo-conduto da República I022/DGP/ 鍾健生 Popular da China Vegetais: 39,85 kg DSA/2019 2020-08-27 1. ZHONG JIAN para deslocação 2019-05-27 SHENG a Hong Kong e Macau:C6603**** N.º do Bilhete de Identidade de Residente 楊啟欣 Permanente da Região Pêssego: 20 2310/2019 2. IEONG KAI 2020-08-14 Administrativa unidades 2019-07-04 IAN Especial de Macau:5094***(*) N.º do Bilhete de 李鑑英 Identidade de Residente LI KAM Permanente da Região Fruta seca: 1725 34/2019 3. 2020-10-20 YING Administrativa kg 2019-01-03 WILSON Especial de Hong Kong:G461***(*) Nos termos do n.º 2 do artigo 18.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, os infractores não residentes de Macau indicados nos n.os 1 e 3, deverão, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, liquidar, na Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, situada na Avenida Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, nos termos do n.º 1 do artigo 19.º da Lei n.º 5/2013, como caução, o valor mínimo da multa aplicável de cinquenta mil patacas (MOP 50.000,00), sem prejuízo da aplicação do disposto no n.º 3 ou no n.º 4 do artigo 18.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro. Com vista à aplicação do disposto no n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.o 52/99/M, de 4 de Outubro, os aludidos infractores, nos termos dos artigos 93.º a 95.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, poderão apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, defesa escrita a respeito das referidas acusações, ao Instituto para os Assuntos Municipais, ou dirigirse, pessoalmente, ao Departamento de Segurança Alimentar do IAM, sito na Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Macau, Edifício dos Serviços da RAEM, para efeitos de defesa oral, e têm o direito de apresentar todas as provas admitidas pela legislação vigente. Caso os interessados ou quaisquer pessoas particulares provem ter interesse legítimo em conhecer os elementos e pretendam consultar informações mais pormenorizadas ou os processos, poderão, durante o horário normal de expediente, dirigir-se à Divisão de Gestão e Planeamento do Departamento de Segurança Alimentar, sita na Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Macau, 3.º andar do Centro de Serviços da RAEM. Aos 3 de Fevereiro de 2021. O Chefe do Departamento de Segurança Alimentar Cheong Kuai Tat www. iam.gov.mo
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MEDIDAS DE APOIO DEPUTADA ELLA LEI QUER TERCEIRA RONDA deputada Ella Lei submeteu uma proposta para se debater na Assembleia Legislativa o lançamento imediato de uma terceira ronda de medidas de apoio económico por parte do Governo, justificando ter interesse público. A deputada dos operários explicou que a recuperação económica não correu de forma ideal, o ambiente de emprego piorou e muitos residentes têm menos rendimentos, defendendo assim que o Governo deve lançar novas medidas de apoio, sobretudo para os indivíduos desempregados ou subempregados. Recorde-se que o território só registou cerca de 63 mil visitantes nos primeiros cinco dias dos feriados do ano novo chinês, uma redução de 71,6 por cento em comparação ao ano passado. A receita do jogo de 2020 também decresceu cerca de 80 por cento comparativamente a 2019.
HOJE MACAU
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Por outro lado, a deputada apontou que a taxa de desemprego do quarto trimestre foi 3,8 por cento, o que representa 11 mil desempregados, e que a população subempregada foi superior a 20 mil pessoas, que enfrentam pressão económica e chegam a sofrer perturbações emocionais. Ella Lei indicou que apesar do Governo reiterar que não fechou a porta às medidas de apoio económico, ainda não as anunciou nem indicou quais são os cenários em as vai lançar para ajudar a população.
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Liu Xianfa, tem 57 anos e um longo percurso em relações internacionais. Nascido em Qingdao, na província de Shandong, em Abril de 1963, foi professor universitário e ocupou cargos de gestão em petrolíferas estatais antes de enveredar na carreira diplomática
LIU XIANFA NOMEADO COMISSÁRIO DA RAEM
Cadeira que estava vazia
Está encontrado o substituto de Shen Beili à frente do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau. Liu Xianfa é o homem que se segue no posto, depois de representar a China em órgãos das Nações Unidas e de ser ministro-adjunto nos Negócios Estrangeiros
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Governo Central nomeou Liu Xianfa para comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM, lugar que ficou por preencher depois de Shen Beili ter deixado o cargo, em Julho do ano passado, para assumir funções
enquanto vice-ministra de Ligação Internacional do Partido Comunista do Governo Central. A notícia foi avançada ontem pela agência Xinhua. Liu Xianfa, 57 anos, tem uma longa carreira em relações internacionais e no sector energético. Nascido em Qingdao, na província de Shandong,
em Abril de 1963, Liu trilhou um percurso académico na área das ciências de gestão, foi professor universitário e ocupou cargos de gestão em petrolíferas estatais, assim como institutos nacionais. Deu os primeiros passos na gigante petroquímica Sinopec no departamento de desenvolvimento e em 1989 chegou à presidência de um instituto de pesquisa da China National Petroleum Corporation, onde ficou até 2011. Mais tarde enveredou pela carreira diplomática, primeiro como vice-cônsul em Los Angeles, entre 2011 e 2012 e de seguida à frente do consulado chinês em Lagos, na Nigéria. Depois destas experiências consulares, tornou-se Embaixador da China no Quénia, entre 2013 e 2018.
Entre o ministério e a ONU
Depois da experiência africana, Liu Xianfa avançou para embaixador do Ministério dos Negócios Estrangeiros, com responsabilidades em alguns institutos das Nações Unidas, nomeadamente no Programa para os Assentamentos Humanos e no Programa para o Ambiente. Antes de chegar ao cargo em Macau, Liu Xianfa foi ainda ministro adjunto. João Luz
HM • 2ª vez • 19-2-21
ANÚNCIO Execução de Sentença sob a Forma Sumária n.º CV2-19-0002-CPE-A 2º Juízo Cível
Exequente: 1. Mei Lixin (梅 立 新), e a sua mulher; 2. Qian Qiuying (錢 秋 英), ambos residentes em Macau, na Avenida Dr. Sun Yat Sen, Jardim Dragão Precioso, rés-do-chão “E”, Taipa. Executada: Shiu Heng I Kaori (邵 馨 怡), de sexo feminino, maior, residente em Macau, na Calçada de Santo Agostinho, nº 19, Nan Yue Commercial Centre, 3º andar, Sala A30. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Quotas penhoradas (1) Quota com o valor nominal de MOP15.000,00 que a executada detém na K2S Gestão de Participações Limitada. Sede: em Macau, na Avenida Comercial de Macau, Finance and IT Center of Macau, 5º andar “A”. Registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis: nº 37468 (SO). (2) Quota com o valor nominal de MOP16.900,00 que a executada detém na Companhia de Corridas Gold Wolf Lda. Sede: em Macau, na Avenida Comercial de Macau, Finance and IT Center of Macau, 5º andar “A”. Registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis: nº 38948 (SO). (3) Quota com o valor nominal de MOP90.000,00 que a executada detém na GWR Gestão do Desporto e Marketing Lda. Sede: em Macau, na Calçada de Santo Agostinho, nº 19, Nan Yue Commercial Centre, 3º andar, Sala A30. Registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis: nº 79724 (SO). Para constar se lavrou este que será afixado no lugar designado pela Lei. Aos 02 de Fevereiro de 2021. *****
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INTERIOR DA CHINA CONSELHO DE CONSUMIDORES RECEBEU 27 QUEIXAS SOBRE IMÓVEIS
Covid-19 Resolvido problema com códigos de saúde
O sistema do código de saúde da província de Cantão registou problemas de funcionamento entre as 9h30 e as 10h de ontem, quinta-feira, que, entretanto, já estão resolvidos. Segundo um comunicado do Centro de Coordenação e Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, os “problemas sistemáticos afectaram a transferência do Código de Saúde de Macau para Código de Saúde da Província de Cantão (Guangdong)”. Nesta fase “as equipas técnicas da província de Cantão (Guangdong) estão a apurar a causa do problema para evitar que incidentes semelhantes possam ocorrer no futuro”.
Já levei uma
Turismo Visitantes diminuem 65,3% no Ano Novo Lunar
As chegadas de visitantes a Macau durante o Ano Novo Lunar desceram 65,3 por cento, em comparação com o período homólogo de 2020, indicou ontem o ‘site’ dos Serviços de Turismo. De acordo com dados provisórios do Corpo de Polícia de Segurança Pública, citados pelo Turismo de Macau, 90.615 visitantes entraram em Macau entre 11 e 17 de Fevereiro, período em que decorreu a “semana dourada” do Ano Novo Lunar de 2021. No ano passado, entre 24 e 31 de Janeiro, data em que se assinalou a “semana dourada”, o número de visitantes entrados no território foi 260 mil. Neste ano, os postos fronteiriços das Portas do Cerco (54.951), de Hengqin (22.986) e do aeroporto internacional de Macau (6.702) foram os que registaram maior movimento, segundo os mesmos dados. O dia com o maior número de entradas foi domingo, em que foram registados 17.357 visitantes, ainda assim menos 52 por cento do que em 2020.
Homem suspeito de enganar duas amigas em 2,9 milhões
Um homem de 39 anos é suspeito de burlar duas amigas no valor de 2,9 milhões de patacas, noticiou o canal chinês da TDM Rádio Macau. Segundo a Polícia Judiciária (PJ), o caso foi descoberto esta segunda-feira, tendo o homem sido interceptado quando entrava em Macau pela fronteira das Portas do Cerco. Em 2018, o suspeito pediu um empréstimo às duas amigas, alegando que ia investir esse dinheiro em imóveis na China. Por um período ele pagou os juros, mas depois deixou de estar contactável. A PJ adiantou ainda que o homem pediu à sua mulher para dizer às vítimas que ele tinha sido detido na China e que o dinheiro emprestado teria servido para pagar a libertação sob fiança.
A compra de propriedades na China continental gerou menos de três dezenas de queixas junto do Conselho dos Consumidores no ano passado, apesar do número ter subido face aos anos anteriores. A maioria das disputas está relacionada com edifícios ainda em obras
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O ano passado o Conselho dos Consumidores recebeu 27 queixas a envolver disputas sobre a compra de propriedades na China continental, mais 16 do que no ano anterior e mais 22 do que em 2018, avançou ontem o canal chinês da TDM Rádio Macau. O presidente
da Comissão Executiva do Conselho de Consumidores, Wong Hon Neng, disse que ao contrário de anos anteriores, as disputas envolveram maioritariamente edifícios ainda em construção. Em anos recentes, as disputas neste âmbito tiveram por base diferentes motivos, como a quali-
dade da construção dos imóveis, taxas de gestão de propriedades ou o seu planeamento. A maioria dos residentes de Macau que vão ao Interior da China comprar propriedades escolhem locais como Zhongshan, Zhuhai e Jiangmen. Recorde-se que em Dezembro vários residentes alegadamente
lesados na compra de fracções no Interior da China entregaram uma petição ao Governo, depois das queixas apresentadas do outro lado da fronteira não terem surtido efeito. Os residentes queixavam-se de ter comprado espaços e só depois descoberto que não tinham licença habitacional. A iniciativa foi apoiada pelo deputado Pereira Coutinho, que destacou a intervenção de imobiliárias locais no processo e estimava haver centenas de pessoas lesadas.
Publicidade enganosa
Recorde-se que no ano passado, as autoridades abriram 136 processos
BANCA PROPORÇÃO DA ACTIVIDADE INTERNACIONAL DIMINUI NO QUARTO TRIMESTRE
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ADOS da Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) revelam que a proporção da actividade internacional do sector bancário de Macau registou uma redução no quarto trimestre do ano passado. A quota das aplicações financeiras em mercados internacionais teve uma quebra de
85,5 por cento, taxa registada em finais de setembro, para 85,1 por cento. Em relação às responsabilidades internacionais no passivo total do sistema bancário local houve uma queda de 82,6 por cento para 82,3 por cento, em igual período. A AMCM aponta também que a pataca
ocupa apenas uma quota compreendida entre 0,6 e 0,7 por cento no total das transacções bancárias internacionais. O dólar americano lidera, com 44 por cento, seguindo-se o dólar de Hong Kong, com uma quota de 34,7 por cento. O renmimbi surge em terceiro lugar com 15,2 por
cento das transacções. Já as restantes moedas ocupam uma quota de 5,3 por cento. O total dos activos internacionais na banca local teve um decréscimo de 0,4 por cento face ao trimestre anterior, mas registou um aumento de 10 por cento face ao ano anterior, tendo atingido as 1.889 mil milhões
de patacas. A AMCM assinala também “um crescimento de 6,9 por cento, correspondendo a 1.382 mil milhões de patacas das disponibilidades sobre o exterior, e um crescimento de 16,9 por cento, correspondendo a 507,8 mil milhões de patacas dos activos locais em moedas estrangeiras”.
Além disso, “os empréstimos de entidades não bancárias sobre o exterior, que constituíram a maior parte dos activos internacionais, aumentaram 15,2 por cento, tendo atingido as 639,1 mil milhões de patacas”, explicou a AMCM.
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banhada
UM ORANGE POST ALERTADO POR CAUSA DE FONTES ANÓNIMAS
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UMA publicação do Orange Post na rede social Facebook, o jornal indicou que foi alertado pela Universidade de Macau de que reportou uma notícia falsa, depois de questionar a instituição sobre as vagas de dormitórios dos alunos da pós-graduação. O Orange Post consultou o Gabinete dos Assuntos dos Estudantes sobre o assunto no dia 17, recebendo a resposta de que “os dormitórios dos alunos da pós-graduação não cancelaram o serviço da lavagem de roupa grátis e o serviço mantém-se no próximo ano lectivo, a distribuição das vagas de dormitórios dos alunos da pós-graduação ainda estão a ser revista, e só será pública quando o plano for decidido”. Pouco tempo depois de receber esta resposta, o Orange Post foi novamente contactado pelo Gabinete dos Assuntos dos
Estudantes. “Caso vocês continuem a reportar notícias falsas seguindo fontes não confiáveis, podem induzir em erro e perturbar os alunos”, dizia a mensagem do organismo. O jornal estudantil recebeu uma denúncia anónima em como a Universidade de Macau está a planear limitar as vagas de dormitórios dos alunos de pós-graduação, cancelando alguns serviços correntes como, por exemplo, a lavagem de roupa grátis. O aluno responsável pela notícia das vagas de dormitórios, de apelido Chan, considerou o discurso da universidade “inacreditável” e que prejudicou a imagem da universidade, por não seguir a ética profissional nem o princípio da liberdade de imprensa. O aluno justificou que segundo a ética jornalística o Orange Post verificou as informações com a universidade e planeava clarificar a reportagem.
PAULO TAIPA RECEBE LOUVOR DA SECRETÁRIA DE ESTADO DO TURISMO
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Ao contrário de anos anteriores, as disputas envolveram maioritariamente edifícios ainda em construção relativos a publicidade de imóveis. De acordo com o canal chinês da TDM Rádio Macau, cerca de 75 por cento foi partilhada através da internet, tendo a restante publicitação aparecido em exposições, jornais, imobiliárias e aplicações móveis. Realizaram-se procedimentos de penalização em 52 dos
casos, e 95 por cento envolveram edifícios na China Continental, estando principalmente em causa publicidade exagerada. É também adiantado que nos últimos dois anos as autoridades receberam um total de sete queixas a envolver publicidade de imobiliário. Chan Hon Sang, subdirector dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), disse que o mecanismo conjunto de prevenção e controlo pode ajudar a resolver rapidamente publicidade ilegal a envolver edifícios no Interior da China e a reprimir estas actividades atempadamente, a partir da sua origem.
As recomendações dadas pelo Conselho de Consumidores na página electrónica, sobre aspectos a ter em atenção quando se compra uma casa na China Continental, incluem não acreditar facilmente nos anúncios de venda, verificar os certificados, ter cuidado ao assinar o contrato e ser prudente na compra através de meios electrónicos. É sugerido que os consumidores não confiem em promessas verbais e não assinem contratos com versões diferentes. S.F. e N.W.
Trânsito Pedido “Simple Pay” em transportes públicos Wong Man Pan, membro do Conselho Consultivo do Trânsito sugere que o “Simple Pay”, um agregador de pagamentos electrónicos,
possa aplicado nos transportes públicos, tal como autocarros, táxis, o metro ligeiro. O representante quer também que o seu
uso seja alargado aos estacionamentos. Segundo o jornal Ou Mun, Wong Man Pan indicou que embora o pagamento electrónico
dependa da procura do mercado, ao longo dos anos não foi integrado de forma eficiente nos serviços de transporte público, defendendo
que estes devem ter pelo menos uma forma de pagamento para satisfazer a necessidade da população nos seus percursos diários.
AULO Taipa, ex-assessor jurídico da Assembleia Legislativa (AL) foi distinguido pela secretária de Estado do Turismo, Rita Baptista Marques, em Portugal, na qualidade de ex-chefe de gabinete. Segundo o despacho publicado em Diário da República no passado dia 3 de Fevereiro, e que só entrou em vigor dia 14, Paulo Taipa foi agraciado com louvor pelo trabalho desenvolvido. “No momento em que cessa funções, expresso publico louvor ao licenciado Paulo Adriano Cabral Garcia Taipa pela forma exemplar como desempenhou as funções de chefe de gabinete. Dou público testemunho da sua elevada capacidade e brio profissional, permanente disponibilidade e sentido de dever na organização e prossecução dos objectivos deste gabinete.” O despacho acrescenta ainda que “as competências demonstradas na gestão de pessoas e na definição de prioridades permitiram o regular funcionamento do gabinete nos tempos difíceis que o sector atravessa”. Rita Baptista Marques frisa ainda “reconhecer
o desempenho de Paulo Adriano Cabral Garcia Taipa como muito meritório e torná-lo público através do presente louvor”. Paulo Taipa começou a desempenhar funções no Ministério da Economia em Outubro de 2019. A sua saída da AL aconteceu em 2018, quando Ho Iat Seng, à data presidente do hemiciclo, não renovou o seu contrato de trabalho. O mesmo aconteceu com o jurista Paulo Cardinal.
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Quatro
JOSÉ BASTO DA SILVA
FOTOGRAFIA JOÃO MIGUEL BARROS LANÇA NOVO
EXPOSIÇÃO JOSÉ BASTO DA SILVA ESTREIA-SE NA PINTURA COM “CATHARSIS” NA FUNDACÃO RUI CUNHA
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OSÉ Basto da Silva, macaense e presidente da Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco, estreia-se na pintura com a exposição “Catharsis”, que terá lugar na Fundação Rui Cunha (FRC) a partir de segunda-feira, dia 22, e até ao dia 6 de Março. Esta é a primeira exposição individual de José Basto da Silva, que começou a pintar em
aguarela o ano passado, após o Governo decretar o confinamento no combate à covid-19. O público poderá ver 40 obras que pretendem “passar uma mensagem de esperança e motivação em tempos de incerteza e instabilidade, mas que abrem portas a novos voos que nos levam a olhar o mundo de uma forma diferente e a redescobrirmo-nos a nós mesmos”, disse
o autor, citado por um comunicado. Esta exposição marca também os 50 anos de José Basto da Silva que, apesar de formado em engenharia, sempre teve o gosto pela pintura. No entanto, nunca desenvolveu esta aptidão nem prosseguiu estudos profissionais na área artística. Só em Fevereiro do ano passado é que o macaense decidiu apostar nesta
vertente, frequentando cursos online e acompanhando o trabalho de mestres da aguarela como Alvaro Castagnet, Joseph Zbukvic e Shibazaki, entre outros. Desta forma, Basto da Silva “começou a descobrir e a aperfeiçoar as técnicas que lhe permitiram melhorar a qualidade das suas pinturas”. A cerimónia de inauguração da exposição começa às 18h30.
D.PEDRO V “LENDAS DO TANGO - HOMENAGEM A PIAZZOLLA”
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ARA celebrar os 100 anos do nascimento do compositor argentino Ástor Piazzolla, o Teatro D. Pedro V apresenta, a 6 de Março, pelas 20h, o espectáculo “Lendas do Tango - Homenagem a Piazzolla”, protagonizado pela Orquestra de Macau (OM). O programa do concerto será composto pelas obras “Libertango”, “Os Esquecidos” e excertos de “As Quatro Estações de BuenosAires” de Piazzolla, bem
como outras composições como “Tango Clandestino” de Goran Bregovic e “Por uma Cabeça” de Carlos Gardel. Os bilhetes têm um custo entre 100 e 120 patacas e estão à venda a partir de hoje, dia 19. Ao longo do mês de Março a OM vai também apresentar vários espectáculos, sempre ao sábado. O primeiro é o concerto “Música no Património Mundial - Uma Jornada Musical”, que acontece
dia 13 de Março na Casa Garden, às 14h30 e 17h. O espectáculo “O Futuro da Música Clássica” está marcado para o dia 20 e terá lugar na Aula Magna da Universidade de Macau às 20h. Estes dois espectáculos são gratuitos. O concerto “Quando a Música Fala - Descubra Mozart” acontece dia 27 de Março às 20h no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau. Este espectáculo é também gratuito.
É o primeiro fotógrafo português com trabalho na Photo London Academy Publication sobre o seu trabalho. “João Miguel Barros - A Photo London Academy Publication” é o nome do livro baseado nesta monografia e o lançamento acontece na Livraria Portuguesa na próxima terça-feira, dia 23. João Miguel Barros refere que este “é um momento cuja importância vai além dos prémios” que já ganhou. Na calha está a abertura da galeria de fotografia contemporânea Ochre Space
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Á quatro anos João Miguel Barros, advogado, realizava a sua primeira exposição individual de fotografia no espaço Creative Macau. Mal sabia que estava lançado o primeiro passo para uma carreira alternativa à advocacia. As suas fotografias já foram premiadas em vários concursos internacionais, mas um novo reconhecimento chegou recentemente, com a publicação de uma monografia pela Photo London Academy sobre o seu trabalho. É o primeiro fotógrafo português a ver o seu trabalho distinguido por esta entidade, o que levou João Miguel Barros a transformar esta monografia em livro. “João Miguel Barros - A Photo London Academy Publication” será lançado na próxima terça-feira, dia 23, na Livraria Portuguesa. No mesmo evento, intitulado “Prestação de contas”, será também inaugurada uma exposição com imagens do autor. “Este é um momento cuja importância vai além dos prémios que ganhei nos últimos anos”, confessou ao HM. “O convite que me foi feito no ano passado para o meu trabalho ser incluído nas monografias da Photo London deixou-me surpreso, porque não conhecia a
curadora deste projecto editorial, nem ninguém que especialmente me recomendasse. Soube depois que o meu trabalho foi reconhecido pela exposição que fiz no Museu Berardo, em Lisboa.” O fotógrafo destaca o facto de a Photo London estar “num patamar muito elevado”, além de ter “uma enorme credibilidade no mercado da arte e fotografia em especial”. “É um sinal de reconhecimento que tenho de valorizar. Não posso esconder que é algo que me deixa orgulhoso e me responsabiliza ainda mais”, adiantou. Lúcia Lemos, directora da Creative Macau, estará presente no lançamento do livro para assinalar a primeira exposição de João Miguel Barros. “Na altura disse, numa entrevista, que tinha dez
“É um sinal de reconhecimento que tenho de valorizar. Não posso esconder que é algo que me deixa orgulhoso e me responsabiliza ainda mais.” JOÃO MIGUEL BARROS
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anos de imagens
LIVRO E PLANEIA ABRIR UMA GALERIA EM LISBOA
JOÃO MIGUEL BARROS
anos para fazer coisas que pudessem ser significativas na fotografia. Dez anos não é muito tempo mas para mim, que comecei muito tarde, todo o tempo conta. Têm sido quatro anos de grande actividade, não só na criação mas também na curadoria. Levei a Portugal já quatro artistas chineses e um austríaco.” Neste período, o fotógrafo assume ter vindo a construir “uma reputação, um caminho”. “Fico contente por perceber que muito do meu trabalho é já reconhecido, pelas temáticas e pelas características que tenho dado às fotografias, assentes num preto e branco bastante contrastado”, referiu.
Os novos projectos
João Miguel Barros tem novas ideias na manga. Uma delas é a exposição sobre o trabalho de Daido Moriyama, outra é a abertura de uma galeria de fotografia em Lisboa, adiada devido à pandemia. “Comprei um espaço em Lisboa, junto ao Palácio da Ajuda, a que chamei Ochre Space, e onde pretendo instalar um pequeno centro de fotografia contemporânea. Esse espaço terá várias vertentes que se complementam: uma galeria de arte, uma livraria e uma editora especializadas em fotografia.” A par disto será lançada a “Ochre Editions”, que terá o papel principal de publicar as imagens de Barros e de outros fotógrafos, tal como já acontece com a publicação Zine Photo. “Um dos projectos é o de estabelecer uma ligação privilegiada entre a criação e produção artística portuguesa e a asiática, em especial da China e do Japão, que são áreas geográficas que vou começando a conhecer. O projecto Ochre Space será a minha âncora institucional para tudo o que quero fazer”, concluiu. A galeria Ochre Space será “um desafio enorme”, por se tratar não apenas de uma base para a produção artística e cultural mas também “uma aposta para criar uma marca que seja significativa no reconhecimento da fotografia como expressão artística e que possa servir de plataforma de afirmação de jovens artistas e de divulgação em Portugal de outros já consagrados”. Mesmo com todas estas iniciativas, João Miguel Barros não esquece o trabalho fotográfico que começou no Gana. “Quero concluir a minha série Ghana Stories, que ocupou já 4 dos 5 números publicados da Zine Photo. E terminar o projecto do boxe com o Emmanuel Danso.” Andreia Sofia Silva
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CANADÁ ACTO “DESPREZÍVEL E HIPÓCRITA”
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Governo chinês criticou ontem o Canadá por se juntar aos Estados Unidos e 56 outros países numa declaração conjunta que denuncia detenções arbitrárias de cidadãos estrangeiros pelo país asiático, para fins políticos. A disputa provém da campanha do Canadá para libertar os seus cidadãos Michael Kovrig e Michael Spavor, que foram presos há mais de dois anos pela China numa aparente retaliação pela prisão dias antes de Meng Wanzhou, a executiva do grupo chinês Huawei que é acusada de fraude nos EUA. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, reiterou ontem que a China exige a libertação imediata de Meng e revelou que Pequim disse a Otava que a declaração é um "acto desprezível e hipócrita". "O Canadá conspirou com alguns países para emitir uma declaração contra a detenção arbitrária e, deliberadamente, permitiu que as pessoas relevantes caluniassem a detenção dos cidadãos canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor na China", disse Hua, em conferência de imprensa. "Por um lado, o Canadá defende que adere ao Estado de Direito, mas, por outro lado, actua como cúmplice dos EUA e detém arbitrariamente cidadãos chineses", acusou.
Os uns e os A PEQUIM CRITICA PAÍSES QUE ACUMULAM VACINAS
China acusou ontem os países desenvolvidos de acumularem grandes quantidades de vacinas, criticando o que considera a "crescente desigualdade" na distribuição de doses nas nações em desenvolvimento. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, afirmou, numa conferência do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a vacinação, que a "cooperação para combater a pandemia não deve ser um jogo de tudo ou nada". Wang Yi rejeitou que Pequim tenha "objetivos geopolíticos" quando se trata da distribuição de vacinas para países em desenvolvimento. "As vacinas estão a ser desenvolvidas e produzidas em velocidade recorde, mas há problemas que precisam ser resolvidos", disse. "Há uma lacuna na distribuição. As vacinas estão a ir rapidamente para os países de rendimento alto, mas não para os países em desenvolvimento. Isto só vai exacerbar mais as desigualdades", defendeu. Wang Yi pediu que haja uma "distribuição justa e razoável das vacinas" e que
ANO NOVO VIAGENS CAÍRAM 58 POR CENTO
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número de passageiros que viajaram durante as férias do Ano Novo Lunar na China caiu 57,9%, em relação ao período de férias de 2020, devido aos surtos de covid-19 registados no país nas primeiras semanas do ano. A estimativa divulgada ontem pelo Ministério dos Transportes aponta para um total de 97,7 milhões de viagens realizadas entre os dias 11 e 17 de fevereiro. Este número representa também uma queda de 71,5%, em relação à semana do Ano Novo Chinês de 2019, uma diferença ainda maior, porque em 2020 o feriado coincidiu com os estágios iniciais da pandemia, quando as autoridades colocaram sob quarentena a cidade de Wuhan, onde os primeiros casos de covid-19 foram diagnosticados. O ministério também destacou que, nos seis dias anteriores à
época festiva, foram realizadas mais de 176 milhões de viagens por via rodoviária, o que representa uma subida de 97,3%, face ao período de férias de 2020. A imprensa revelou que as reservas de hotéis por hóspedes nas suas cidades de residência aumentaram 660% e as visitas a atrações turísticas locais 300%. Os cinemas arrecadaram cerca de 8.000 milhões de yuan, um novo recorde para esta época festiva e um novo impulso para a recuperação de um dos sectores mais afetados pela pandemia. As vendas do sector retalhista aumentaram quase 29%, em relação ao ano anterior, e os serviços de entrega ao domicílio 260%. O último contágio local pelo novo coronavírus foi detectado na província de Hebei, no norte do país, no dia 15 de Fevereiro.
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ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian, reconheceu ontem que, na ajuda ao desenvolvimento, há uma "guerra de modelos" com a China, na qual está em jogo a influência internacional. "Na ajuda ao desenvolvimento há uma guerra de modelos", disse o ministro à imprensa francesa, detalhando a nova lei de França, que elevará de 10 mil milhões para 15 mil milhões de euros o orçamento anual para o apoio ao desenvolvimento dos países mais pobres. Le Drian explicou que, enquanto Pequim concede empréstimos para a cons-
A cantar de galo
França na “guerra” de ajuda aos países pobres
trução de infraestruturas, a França vai apostar mais em acordos com autoridades locais e organizações que respeitam as identidades dos países beneficiários. "Os países africanos começam a perceber que o endividamento excessivo que têm com a China causa problemas", argumentou o chefe da diplomacia francesa, considerando que há países que "fazem da ajuda ao desenvolvimento um instrumento de predação".
Bancos estatais e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lança-
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outros os países mais necessitados ou envolvidos em conflitos não sejam deixados para trás. "A China nunca teve objetivos geopolíticos na venda das suas vacinas. Nunca fez cálculos para beneficiar economicamente e não estabeleceu condições políticas", disse Wang, citado pelo portal do ministério dos Negócios Estrangeiros da China. O ministro também indicou que as vacinas devem ser um "produto público acessível em todos os países" e que para a China é "imperativo" fazer o possível para pesqui-
sar, desenvolver e distribuir vacinas em todo o mundo. "A China forneceu assistência a 53 países em desenvolvimento que a solicitaram e exportou vacinas para 22 países. Também ajudou a aumentar a capacidade de produção global", afirmou. Pequim entregou ainda 10 milhões de doses das suas vacinas ao mecanismo Covax, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para "evitar que mais pessoas morram pelo [novo] coronavírus", acrescentou o ministro. Segundo a imprensa oficial
RAOUL PREFERE VACINA CHINESA Didier Raoul, professor de medicina da Universidade de Aix-Marseille, na França, especialista em doenças infecciosas e microbiologista renomado, concedeu uma entrevista exclusiva ao canal francês CNEWS na segunda-feira, afirmando que pessoalmente acredita que as vacinas inactivadas da China são mais razoáveis por se tratar de uma tecnologia com a qual está familiarizado. O professor acredita que as vacinas inactivadas podem ser usadas de forma mais lógica para responder às variantes do novo coronavírus. Raoul acrescentou que se houver escolha, ele tende a escolher as vacinas chinesas contra a Covid-19.
dos no âmbito do plano de infraestruturas ‘Uma faixa, uma rota’, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático. Críticos da iniciativa apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável. O ministro observou que a China também está a usar a diplomacia das vacinas para aumentar a sua influência em África, mas alertou que "tirar fotos de vacinas em aeroportos não
significa ter uma política de vacinação". "Faremos as contas no final", frisou Le Drian, que defendeu a política europeia de compra conjunta de vacinas e garantiu que, a partir do final deste mês, começarão a ser distribuídas aos países mais necessitados. Le Drian disse que a "imunidade colectiva" contra a covid-19 é "essencial" e destacou que a Europa já comprou dois mil milhões de vacinas, mas que no planeta há 7,5 mil milhões de pessoas. O ministro reconheceu que a França ficou para trás na ajuda ao desenvolvi-
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do país asiático, as vacinas desenvolvidas pelas empresas chinesas Sinopharm, Sinovac e CanSino estão a ser usadas em cerca de trinta países em desenvolvimento em África, Ásia ou América Latina, enquanto na Europa só chegaram à Sérvia e Hungria. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou mais uma vez esta semana que, se a campanha de vacinação contra a covid-19 não for implementada em todos os países, o vírus continuará a sofrer mutações, o que poderá prolongar "significativamente" a pandemia. "Se o vírus se espalhar como um incêndio no sul global, ele sofrerá mutações repetidas vezes. Novas variantes podem tornar-se mais transmissíveis, mais mortais e potencialmente ameaçar a eficácia das vacinas e diagnósticos atuais", alertou. O português lembrou que "apenas 10 países administraram 75% de todas as vacinas contra a covid-19. Enquanto isso, mais de 130 países não receberam uma única dose".
mento por falta de meios e de uma lei adequada para a sua distribuição, mas indicou que, a partir de agora, vai aumentar os recursos e, sobretudo, melhorar a eficiência no financiamento de projetos específicos. Além de focar a ajuda nos 18 países mais pobres da África e no Haiti, França vai concentrar-se em projetos voltados para a educação, saúde, igualdade do género e combate ao aquecimento global. Acrescentou que boa parte dessa ajuda será feita através de doações, porque esses países já atingiram um alto nível de endividamento.
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Aviso De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.° 109/2005, os requerimentos visando a renovação de licenças anuais, a emitir pelo Instituto para os Assuntos Municipais, devem ser tratados, anualmente, entre Janeiro e Fevereiro, salvo se outro prazo estiver fixado em disposição legal. Na falta de regime especial, a não renovação da licença anual no supramencionado prazo implica a cessação da actividade licenciada, salvo se o interessado proceder à respectiva regularização no prazo de 90 dias. Caso efectue o pedido de renovação da licença anual no período de regularização de 90 dias, fica sujeito a uma taxa adicional calculada nos seguintes termos: • • •
Dentro de 30 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 30% da taxa da licença em causa; Dentro de 60 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 60% da taxa da licença em causa; Dentro de 90 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 100% da taxa da licença em causa.
Para um melhor conhecimento dos titulares de licença, é apresentada a seguinte tabela descritiva com o tipo de licenças a renovar entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 2021 Tipos de Licença Licença para estabelecimento de venda a retalho (de carnes frescas/ refrigeradas/congeladas) Licença para estabelecimento de venda a retalho de vegetais Licença para estabelecimento de venda a retalho de pescado Licenciamento para animais de competição Licenciamento de outros animais – cavalos Licença para arrendamento de tendas ambulantes temporárias nos mercados Emissão de licença de vendilhão Licença de reclamos e tabuletas de carácter permanente Licença de reclamos em veículos Licença especial de pejamento de carácter permanente Licença de esplanada Os locais e as horas de expediente, para o tratamento de requerimentos de renovação de licenças, são os seguintes: Centro de Serviços do IAM Avenida da Praia Grande, n.° 762- 804, Edf .China Plaza, 2.°andar, Macau. Centro de Serviços da RAEM das Ilhas Rua de Coimbra N°225, 3.° andar , Taipa. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte - Posto de Toi San Avenida de Artur Tamagnini Barbosa n.º 127, Edf. D.ª Julieta Nobre de Carvalho, Bloco B, R/C , Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte - Posto de Fai Chi Kei Rua Nova do Patane, Habitação Social de Fai Chi Kei, Edf. Fai Tat, Bloco II, R/C, Lojas G e H, Macau Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central Rotunda de Carlos da Maia, n.os 5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3.º andar, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central - Posto de S. Lourenço Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4.°andar, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.º 75K, Taipa. Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas - Posto de Seac Pai Van Avenida de Vale das Borboletas, Complexo Comunitário de Seac Pai Van, 6.˚ andar, Coloane Horário de funcionamento: 2.ª a 6.ª feira, das 9:00 às 18:00 horas (aberto à hora de almoço). Os formulários de pedido de renovação das supramencionadas licenças (excepto para a Licença de Vendilhões) poderão ser obtidos no website do IAM (www.iam.gov.mo). Para mais informações, queira ligar para a Linha do Cidadão, através do telefone no 2833 7676. Macau, 30 de Novembro de 2020 Presidente do Conselho de Administração para os Asuuntos Municipais José Maria da Fonseca Tavares www. iam.gov.mo
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VALÉRIO ROMÃO
Há praticamente um ano que andamos nisto. Aprendemos entretanto palavras novas (aprendemos a repetir palavras que não esperávamos um dia dizer). Deixamos a vida à porta quando entramos ou saímos de casa como um guarda-chuva encharcado. Na verdade, não sabemos bem o que fazer com ela enquanto ela não volta. É o mais longo intervalo de que tenho memória nesta relação que já dura há uns bons anos. Felizmente, temos conseguido controlar (com muitos sacrifícios a vários níveis) a taxa de mortalidade – com algumas excepções muito pouco felizes, como foi o caso deste Janeiro. Mas subsiste a sensação de que a morte – apesar de todas as medidas, apesar das benfazejas vacinas – está à espreita, à espera de um descuido, de uma distracção de principiante, do momento em que ousamos vir à tona reclamar o quinhão de oxigénio a que estávamos habituados. De um ponto de vista objectivo – eu de fora, com os óculos da ciência disponível postos, a olhar para mim próprio – sei que não faço parte de um grupo de risco acrescido. Em princípio, se o bicho resolver fazer de mim turismo, sobreviverei. Mas se em Março do ano passado, quando o confinamento era sinónimo de incerteza e de pavor, eu conhecia apenas duas pessoas que tinham adoecido com o vírus – e que nem sequer moravam em Portugal (olá Ana, olá Carlos, sintam-se bemvindos a este texto) – e que dele recuperam sem qualquer mazela subsequente, neste momento conheço muito mais gente que adoeceu – e recuperou – e também gente que morreu. A morte em jeito de estatística no telejornal da noite, vociferada pelo apresentador de serviço como se de um anúncio bíblico se tratasse, não me tira propriamente o sono; há muito tempo que a minha relação com a televisão e os seus mecanismos de predação afectiva é praticamente inexistente. Evito-a como quem se escusa à companhia de uma pessoa desonesta. Mas não há como evitar o pesar por aqueles de quem sabíamos os nomes, ou aqueles que são os pais, os tios ou os avós das pessoas da nossa congregação de vivências. São esses que dão à cara à estatística anónima que alimenta os noticiários. Lá fora cheira à morte. E, de repente, e por mais que se insista em abandonar a vida à soleira da porta enquanto ela não resolver se portar bem, a vida,
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Um sol inesperado ZENG FANZHI, RETRATO
ofício dos ossos
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como as ervas que rebentam na fenda de uma rocha num assomo de tenacidade, a vida acontece. Sem avisos, sem reservas, sem máscaras: ela segue-nos para onde quer que vamos. Uma muito querida amiga minha engravidou. Talvez esta seja a pior altura para se engravidar (ou para qualquer tipo de acontecimento que celebre a vida em geral). Mas a vida não alimenta a metafísica com que lhes revestimos os ossos. Ela acontece. E acontece no momento em que alguém expira pela última vez e volta a acontecer – sempre cegamente, sempre sem tomar qualquer partido – quando alguém inspira pela primeira vez. É maravilhosamente caótica, é tenaz e salpica irrestritamente os sítios por onde passa com a bonança da sua criação.
O Francisco nascerá este ano. Ouvirá muitas histórias a respeito do ano da sua vinda. Talvez acabemos por falar desta pandemia como os antigos falaram da pneumónica (a gripe espanhola de 1918), sem as terríveis consequências a nível de mortalidade – esperemos – que esta última acarretou. Se tudo correr excepcionalmente bem, talvez acabemos por somente com algum esforço de rememoração nos lembrar deste intervalo. O Francisco, para mim, carregará o augúrio do símbolo deste ciclo de renovação e continuidade, os dedos que se tocam no princípio e no fim de tudo, a história que se faz entregando corpos ao berço e à cova. O Francisco é um sol inesperado desfazendo uma neblina de gesso.
sexta-feira 19.2.2021
ALFREDO GOMES DIAS
Dentro de cada um de nós, o conhecimento de si e do sentido que emprestamos à nossa vida é, talvez, o exercício mais exigente, porque mais doloroso, mesmo quando o revestimos sob a forma de poesia. E se esta ideia, assumida como verdade, é generalizável a qualquer ser humano, num qualquer ponto do globo, adquire um novo significado quando se refere a um macaense, aquele ser “entre dois polos / que se atraem / e repelem”, principalmente quando lhe acrescentamos a sensibilidade e a racionalidade de ser mulher. Quando Cecília Jorge oferece a Macau um livro de poemas escritos ao longo de uma vida, devolve à cidade o sentir e o pensar que a acompanharam nas ruas construídas de vivências múltiplas, entre amores e desamores. Neste quotidiano, parte ao encontro das suas origens, ao subir aqueles cinco degraus que a “levam ao casarão / Onde crescem raízes / agarradas a velhas paredes / que arrostaram tufões”. Recordando o “bisavô Jorge”, reconhece a felicidade de “ainda ter conhecido o espírito / que pairava neste chão”, transportando sentimentos que criam raízes nas memórias e na terra onde se mistura “A humidade o cheiro os meandros / da alma indómita / que remonta ao passado”. Contudo, não são as origens nem as memórias condições bastantes para que veja facilitada a tarefa do conhecimento de si, quer como pessoa, quer como parte de uma comunidade que mantém uma “Porta aberta para dois lados/ de entrada /sem saída”. Para Cecília Jorge, já vai longe o tempo em que sentia necessidade de se definir como macaense, assumindo finalmente que este ser macaense é, em si mesmo, uma indefinição, “que te (in)defines / pelo não ser bem / que também não és bem…”. Deste modo, o ser passa a reconhecer-se pelo nãoser, porque não é possível (re) conhecer-se. Nesta incógnita, que hoje paira sobre toda a comunidade, as suas palavras alargam aquela indefinição a Macau, que sempre a ajudou a identificar-se, consigo e com os outros. Por isso, “sei onde estava / não onde estou / Não sei por onde vou / por onde não
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Na Poesia de ser Macaense
Casa dos avós de Cecília Jorge, no Beco do Lilau
vou”. Descentrando-se da terra, deixando secar as raízes que sempre deram sentido à sua vida, de dádiva e partilha, a macaense valoriza-se pelo que é, na sua individualidade, afirmando “Sou / apenas / mas sou / quanto baste”. E, num último esforço de encontrar-se, procura no Mundo aquilo que Macau já não oferece, questionando “Donde venho? De que lado / do Mundo?”. Uma questão que, no presente, só pode encontrar resposta num passado longínquo e num futuro por construir. Parar no presente, para “recarregar / energias para / retomar a rota do vento / e cumprir o destino”. Anuncia-se a esperança num futuro carregado de um presente de incertezas. Sempre fez parte do ser macaense a procura, numa “Miragem / de olhos postos no Ocidente”, das suas raízes mais profundas, que Cecília Jorge reconhece como “berço secular
UMA SOLIDÃO QUE SE DILUI NA CIDADE, NA “FICÇÃO CRIADA PELOS PORTUGUESES”, QUE “NEM OS PRÓPRIOS DELA / SE APERCEBEM”. FICA APENAS A SOLIDÃO E A MEMÓRIA
/ da eterna presença”, embora longínqua, mas que emerge na “confluência de civilizações” que transformaram Macau no “patamar” de dois mundos “harmonizados / num só”. Talvez resida aqui o sinal de esperança antes enunciado, embora assente nos “Pés de barro da lusitanidade”. Fragilidades de uma origem que se prolonga no acto do regresso, anunciadas nas “caravelas de vela solta / que se vão rasgando / no retorno à Pátria”. Desta síntese imperfeita e, mais uma vez, indefinida, fica como garante a “Língua materna Mãe”, aquela língua que nos embala “num fado de Amália / até ao finar da vida”. Nesta língua, que na casa e nas ruas se fez arma, apresentada como um “Lago fecundo sem margens / Como o mar que banha o teu berço”, encontramos uma das razões de querer partir, uma vontade representada num relógio que teima em impor uma lenta marcha do tempo, demasiado lenta para quem deseja bater “as asas / no devaneio / que me leva para / longe / daqui”. Já não é suficiente o ser que se confunde com a terra, o “reinol aventureiro” que se cruzou com a “mãe asiática”, num caldo de cultura com cheiro a canela, criando “ternura e sensualidade / no recato de uma alcova” e lutando “contra as monções”. Já não é suficiente
acreditar que se vive numa cidade “maior que o mundo”, onde era possível uma “existência singela / humana partilha / solidariedade / e amizade”. Já não é suficiente sentir Macau “na curva do Chunambeiro / que já nem curva é”, obrigando a macaense, mulher e poetisa, a sentir “a alma da urbe / viva”, a transformar-se num espírito solitário que vagueia e pisa um “chão inexistente”. Junta-se, então, a angústia e a desmotivação – “Nem chorar / consigo” –, que se vivem e sentem numa profunda “dor indizível dor abstracta fugidia / dor infinita” que, sem matar, “despedaça e / chaga sem sangrar”. Macau vai-se esmaecendo nesta dor de quem, como muitos, como Cecília Jorge, desconhece a terra que sempre chamou de sua, como se, na velha Baía da Praia Grande, ainda fosse possível sentir uma “aragem / que nos embalava” ou ver “Raios de sol em despedida”. É na rua que persistem as memórias de uma Macau que se perde nos dias que passam, nos “jasmins / que espalhados ao sabor do vento / nos perfumavam as madrugadas / e os crepúsculos”; no “sabor dos fritos / comidos na rua”; nos macaenses “em volta de / uma só / taça de chá”. Estas são algumas das memórias que persistem numa cidade em mudança permanente, abandonando o nome de porto de abrigo. Como a rua da “Felicidade sequestrada / num nome”, também Macau se entregou a um futuro sem passado e, por isso, com um presente comprometido na auto-negação de si própria, comprimida “em caixotes / a tanto-por-metroquadrado”, impedindo a mulher da cidade de desfrutar da “grandeza / de um céu distante”. Ao ser macaense, agora sentindo-se em terra alheia, sobra apenas a solidão, mesmo quando se mistura “num mar de gente / tão transparente / e frágil / que se esquece”. Uma solidão que se dilui na cidade, na “Ficção criada pelos portugueses”, que “nem os próprios dela / se apercebem”. Fica apenas a solidão e a memória. A memória esmorece e se apaga no vazio.
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expectoração
SARA F. COSTA
Entretinha-me a pensar se alguma vez iria deixar aquele local, se seria possível mudar complemente de circunstâncias. As metrópoles têm um poder atroz de nos sugarem para dentro e por dentro, parece impossível sair delas e parece impossível sair de nós próprios quando estamos nelas. As suas rotinas muito bem estabelecidas, o seu dia-a-dia optimizado com transportes públicos, salários, entretenimento, trabalho e lazer, boémia e cultura, soluções para todos os problemas. Uma cidade com vinte milhões de habitantes, altamente funcional. Gostava de caminhar na rua depois das minhas aulas com uma garrafa de baijiu e os phones nos ouvidos. Ouvia todo o tipo de porcaria de death metal a hip-hop caviar. Aquele cliché de querer sentir alguma coisa. Adorava a forma como olhavam para mim, como se olha para um carro a passar. Até pode ser um mazzerati novo - e havia vários por todo o lado - mas o interesse dura alguns segundos, fica-se a pensar naquilo, depois vê-se um monte de coisas completamente diferentes a seguir como scooters em contra-mão, dezenas de bicicletas acumuladas à entrada de um metro, uma senhora a vender batata doce assada. Uma estrangeira com baijiu na mão, a contemplar tudo, presente e simultaneamente alheada com a música nos ouvidos, a caminhar aleatoriamente. Gostava de caminhar sem saber para onde ia, nem norte nem sul, caminhar até não sentir as pernas, até suar debaixo do casaco de ski para as temperaturas inferiores a zero. Pergunto-me como me percepcionavam os transeuntes chineses, mas acredito que pensariam nesta imagem de mim durante dois ou três minutos, fariam um breve julgamento, voltavam aos seus problemas. Sim, a mega metrópole tem soluções para tudo menos para a indiferença abissal que é preciso cultivar para nela se sobreviver. Não se pode ter demasiada pena, não se pode ter demasiada inveja. É necessário um estoicismo de néon em edifícios gigantes prolongados no horizonte, infindáveis à vista. Os edifícios e depois o céu. Arranha-céus que são muralhas, não sei se estas
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O metro de Pequim ZHANG XIAOGANG’S MY IDEAL, 2008
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também defendem o país das invasões estrangeiras, pareceme que fazem o oposto: convidam os foragidos a explorar a imensidão de possibilidades que ela apresenta. A reencontraremse ou a reconstruirem-se. Todos os poetas que ali conheci escreviam longos poemas sobre o metro. Como é possível descrever uma mega metrópole sem se romantizar o metro de 618 km, um tráfego de 2180 milhões ao ano? A Jennifer tinha um trabalho poético só com frases em inglês das t- shirts do metro “Kate Moss and Pizza Slices”; “My ex died”; “Never say die, believe in yourslef”; “hang some”, etc. O meu trabalho poético “linhas de metro” tinha sido composto para uma performance com música e utilizava o metro para descrever o grupo
de artistas underground que faziam parte do meu ciclo de amigos. Descrevia uma história de sedução. Falava de alguém ambicioso, que não se importava de recorrer a qualquer método para extrair das pessoas aquilo que pretendia, mesmo que isso passasse por seduzilas e abandoná-las aos seus sentimentos. Artistas que passavam por ali sem ali pertencerem. Era impossível não falar do metro. Depois de caminhar com o baijiu na mão, se estivesse completamente perdida, não tinha qualquer problema. Pegava no telemóvel e apanhava um didi para casa. Uma das estações de metro que apanhava com frequência tinha uma entrada com duas escadas rolantes nos dois sentidos: subir e descer.
TODOS OS POETAS QUE ALI CONHECI ESCREVIAM LONGOS POEMAS SOBRE O METRO. COMO É POSSÍVEL DESCREVER UMA MEGA METRÓPOLE SEM SE ROMANTIZAR O METRO DE 618 KM, UM TRÁFEGO DE 2180 MILHÕES AO ANO?
Por cima de cada escada havia um painel que indicava um visto verde, significava que era a direcção para descer para o metro e outro que tinha uma cruz vermelha, para não se ir distraidamente pela escada rolante que sobe em vez de descer. Esta estação em específico tinha um dos sinais avariados. Ambos os painéis tinham o símbolo de “proibido”. Um deles não era proibido. Todos os dias me entretinha a tirar fotos às pessoas que iam pelo falso “sentido proibido” a apanhar o painel e as pessoas a seguirem o seu caminho, ignorando os sinais vermelhos ou todos os painéis, vermelhos ou verdes, em geral. Parecia-me uma metáfora perfeita para a vida na China. Confuso é um país com metade da população daquela cidade todo à beira-mar. Confuso é apanhar um pássaro de metal gigante que nos transporta para o outro lado do mundo, duas ou três vezes por ano. Tudo isso parece fantasia. A mente prega-nos tantas partidas, que não seria de espantar se toda a memória fosse também outro truque. Percebemos perfeitamente a existência dos aviões que fazem voos intercontinentais, mas não conseguimos perceber o porquê da nossa própria existência. Somos como as oito horas do fuso horário que se perdem entre Pequim e o Porto e que ninguém sabe para onde vão. Por vezes penso que vão para o céu. Por cima das nuvens, há uma realidade onde estas oito horas ainda existem. Há uma parte de mim que acredita que alguém vive naquela dimensão, em meu nome. Fomos programados para ser livres, não deixar que a nossa geografia nos condicione, as nossas relações humanas não nos condicionem, as nossas crenças e valores não nos condicionem. Fomos programados para não ter forma e esse é um privilégio tão grande quanto a responsabilidade de navegar num mundo infinito sem nunca nos perdermos - o que é impossível. O metro vai sempre a abarrotar em hora de ponta mas o silêncio impera. Todas as manhãs somos uma massa homogénea optimizada na selva urbana. Não temos forma. Mas temos todos que chegar a algum lado.
sexta-feira 19.2.2021
entre oriente e ocidente
GONÇALO M. TAVARES
INSECTOS, COCAÍNA, MÚSICA
Galatea coleciona insectos há muitos anos, mas a cada sirene de ambulância que passa fica com vontade de atirar toda a colecçãopela janela. Gaudenzia ouve a sua ginecologista a fazer uns sons estranhos com a boca. Gelsomina tem um cancro e está a sorrir para o filho de cinco anos que acabou de entrar no quarto. Geltrude está a fazer ginástica. Gemma tenta fazer sons excitantes, mas está entediada e imagina que o marido foi transformado num material que só tem peso. Generosa está a sublinhar um livro com um lápis staedler B 1. Genesia diz a uma cliente gorda que ela está muito elegante. Genoveffa revolta-se com o que ouve na televisão. Germana diz à mãe que não fala com ela até ela ser inteligente. Gertrude está a treinar ballet no quarto porque a escola está fechada. Ghita está a enviar uma fotografia sua nua para um rapaz do Brasil. Giacinta está a gritar com o pai para as colegas verem. Giada está a correr sozinha no parque e tem um fato de treino preto bem apertado no rabo. Gigliola está nas urgências a gritar que uma velha passou à frente do filho. Gilda estuda a forma de locomoção dos cavalos quando estão a ficar velhos. Giliola veste cuecas azuis, mas depois arrepende-se. Ginevra pega no estetoscópio mas percebe que o homem já morreu. Gioacchina tem quarenta anos e não encontra um namorado em lado nenhum. Gioconda mexe nos papéis antigos de uma gaveta do pai e encontra lá uma fotografia que lhe mete nojo. Gioia está cada vez a gostar mais de Jesus. Giorgia consome cocaína e assim, pensa ela, ficará até ao fim, a andar em círculos até ser uma velha demente com o nariz bem vermelho. Giovanna quer que o namorado se cale e segure no saco que ela trouxe para vomitar. Gisella sente que comer se tornou há muito secundário. Giuditta pensa que deveria ter dito ao pai que não interferisse na sua vida. E Giulia está a dançar ao som da música Dance Monkey.
ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO
Mulheres de Itália (21)
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S U D O K U 3
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5 0 2 [C] 5 ASSASSIN IN RED FALADO EM PUTONGHUA 0 LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS 6 Um filme 4 de: Lu Yang Com: Lei Jianyin, Dong Zijian, Yang Mi 14.15, 16.45, 3 19.15, 21.454 5 2 DETECTIVE CHINATOWN 3 [B] FALADO EM JAPONÊS 1 8 2 0 2 8 3 36
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2 [B] 1 SHOCK 8 WAVE 4 9 FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS 9 4 Um filme de: Herman Yau Andy Lau, 2 Com: 7 1 Sean Lau, Ni Ni 14.30, 19.15, 21.30 9 5 NEW GODS: NEZHA 1 REBORN8[B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS 6 3 Um filme de: Ji Zhao 16.45 0 7 4 9 6 6 1 0 1 7 5 SALA 3
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LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sicheng Chen 14.30, 16.45, 19.15, 21.45
SOUL [A]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Pete Docter 14.30, 16.30, 19.30
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 32
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NADA É PRIVADO | KARIM AMER E JEHANE NOUJAIM
Nada é privado é um documentário que aborda o poder dos dados digitais e a forma como a sua utilização indevida pode ter consequências incontornáveis. Acompanhando a história e a evolução de quatro perfis directamente envolvidos no caso, é colocada em causa a forma como, a Cambridge Analytica, empresa responsável pala campanha digital de Donald Trump em 2016, os dados de milhões de utilizadores provenientes dos seus perfis de Facebook foram utilizados, sem qualquer tipo de consentimento, para direccionar mensagens de promoção do candidato e de descredibilização de Hillary Clinton. Pedro Arede
4 2 5 7 6 8 3 0 4SOUL 2 5 8 3 7 Propriedade4Fábrica 5 de Notícias, 6 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores 6 8 1 9 Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e 0 Carmo; 5 6Rosa9Coutinho 7 Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão;
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um grito no deserto
opinião 19
Paul Chan Wai Chi
GOYA, TAUROMAQUIAS, SÓ A VONTADE ME SOBRA
ALMA TAURINA
NO DIA 4 de Dezembro de 2019, uma vaca que ia ser enviada para o matadouro, escapou da manada, passou pela vedação de ferro, passeou-se nas ruas do Bairro da Ilha Verde e só parou depois de ter sido anestesiada. Por causa da anestesia, a carne ficou imprópria para consumo, por isso os donos do animal entregaram-no ao Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que o colocou no Parque de Seac Pai Van de Coloane, onde passou a viver alegremente num belo habitat. As suas companheiras que não fugiram, acabaram no matadouro e, finalmente, na mesa dos comensais. Esta história revela-nos duas verdades. Primeira, nunca devemos esperar pela morte, sem antes termos tentado encontrar forma de a evitar. Se não conseguirmos lutar contra a morte, podemos ficar num beco sem saída. Segunda, quando temos o poder de decidir sobre a vida de terceiros, ao optarmos pela vida, o resultado final pode beneficiar ambas as partes. Estas duas verdades são igualmente aplicáveis na política. As lágrimas dos mais fracos nunca geram simpatia nos mais fortes, que só respeitam adversários à sua altura. Quando não existe possibilidade de sobrevivência, a resistência é
o único recurso. A vaca que fugiu para o Bairro da Ilha Verde em 2019 ficou conhecida em Macau como “a vaca corajosa”, porque lutou pela vida. A forma como o IAM lidou com a situação também é digna de louvor. Podiam tê-la mandado para o matadouro, depois de ter passado o efeito da anestesia, até porque o animal tinha “vandalizado” e destruído propriedade pública durante a fuga, e podia por isso ter sido “condenado à morte”, mas o IAM pelo contrário albergou-a no Parque de Seac Pai Van, parque esse que ganhou mais uma atracção. No “Ano do Boi”, e no meio da pandemia, as pessoas de Macau vêem na vaca do Parque de Seac Pai Van um símbolo da luta pelo aperfeiçoamento constante, o que as incentiva a ter confiança no auto-fortalecimento e na auto-ajuda. Como diz o ditado, “há um tempo para morrer e há um tempo para viver em paz”. Espanha e Portugal são países onde as touradas já foram nuito populares. Lembro-me de ter visto uma em Macau, num Ano Novo Lunar, ainda no tempo da administração portuguesa. No entanto, com a luta pelos direitos dos animais, as touradas foram gradualmente entrando em declínio. Inúmeros touros foram mortos nestas arenas ao longo dos tempos, bem como vários tou-
Ficarei feliz se me puder sentar no restaurante que foi instalado no último piso da velha praça de touros de Barcelona, a beber vinho tinto e a comer melão com presunto, em vez de iscas feitas a partir do fígado do touro morto na arena reiros, já que a tauromaquia é um desporto de alto risco. As touradas desapareceram de Macau após o regresso da cidade à soberania chinesa. Depois disso também houve a promulgação da “Lei de Protecção dos Animais”, e o IAM optou pela “preservação da vida” e não pela “sentença de morte”. Isto significa que Macau é um local que defende uma política de paz e de estabilidade. O mesmo não se passa na vizinha Hong Kong que,
Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático
embora nunca tenha assistido à violência das touradas, tem assistido no último par de anos a uma violência bem pior, a que lança os homens uns contra os outros. A mentalidade do toureiro (ou morres tu ou morro eu) tornou Hong Kong numa praça de touros, onde acontecem touradas violentas de vez em quando. Ser um lutador não é uma grande virtude, porque em última análise implica a destruição de tudo o que nos rodeia. As vacas são animais gentis e, se forem bem tratadas, permanecem calmas. Mas sem não o forem, o seu poder destrutivo é enorme, especialmente se forem massacradas com bandarilhas. Em 2020, muitas pessoas foram afectadas pela COVID-19 e sofreram imenso. Em 2021, o “Ano do Boi”, vai ser determinante se os governantes possuirem mentalidade de “toureiros” ou de “criadores de gado”. Os “toureiros” vão provocar mortes, mas os “criadores de gado” estão destinados a ter bons resultados. Ficarei feliz se me puder sentar no restaurante que foi instalado no último piso da velha praça de touros de Barcelona, a beber vinho tinto e a comer melão com presunto, em vez de iscas feitas a partir do fígado do touro morto na arena.
“Daria este vento do mar imenso pela tua brusca respiração.” PALAVRA DO DIA
CHINA LIMITA PASSAGEIROS VINDOS DE PORTUGAL A VOOS DIRECTOS
Segundo um especialista de Pequim, é preciso implementar o princípio “Patriotas a governar Hong Kong”
U
S passageiros que vivam em Portugal só serão autorizados a embarcar para a China em voos directos, anunciou a Embaixada chinesa. Num comunicado, a Embaixada justifica a decisão com a “grave e complexa” situação da pandemia de covid-19 em Portugal e a necessidade de evitar “infecções cruzadas em trânsito”. A Embaixada deixou de aceitar pedidos para a emissão de um código de saúde de cor verde que sejam apresentados por residentes permanentes em Portugal que pretendam viajar para a China através de um outro país. Existe actualmente apenas uma ligação directa entre a China e Portugal, com a companhia aérea chinesa Beijing Capital Airlines a voar entre Lisboa e Xian, na província de Shaanxi, todas as quintas-feiras e sábados. A Embaixada chinesa em Portugal deixou também de emitir códigos de saúde para passageiros que vivam em outros países que tenham ligações directas com a China, mas que pretendessem voar a partir de Lisboa, sublinha o comunicado. A única excepção são os passageiros vindos de países sem voos directos para a China que tenham um código de saúde de cor verde emitido pela Embaixada chinesa no país de origem. No início de Janeiro a Embaixada já tinha obrigado os passageiros que mudassem de voo em Portugal a apresentar dois testes negativos ao novo coronavírus, realizados em locais diferentes, antes de serem autorizados a embarcar para a China. A 17 de Janeiro, a província de Shaanxi, no centro da China, registou um caso importado de covid-19, uma chinesa de 42 anos que tinha voado de Lisboa para Xian a 3 de janeiro. Em Outubro, no espaço de três dias, Shaanxi registou três casos de covid-19, todos cidadãos chineses regressados ao país através de Lisboa. Um dos homens veio de Angola, um outro de Cabo Verde e o outro partiu da Bolívia e passou ainda por São Paulo, no Brasil.
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A primeira tempestade tropical deste ano formou-se ontem, a leste das Filipinas. De acordo com a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), a tempestade está a mover-se para noroeste e vai atravessar as Filipinas nos próximos dias. Espera-se que “Dujuan” entre na parte central do Mar do Sul da China no início da próxima semana. Com base nos dados actuais, os SMG prevêem que “Dujuan” tenha poucas hipóteses de afectar Macau.
19.2.2021
Algo errado aqui ao lado
O
Tempestade nas Filipinas não deve afectar Macau
Pablo Neruda
sexta-feira
“MAÇÃ PODRE” COM NOVA ACUSAÇÃO O Tribunal Superior de Hong Kong negou ontem mais um pedido de liberdade sob fiança a Jimmy Lai, conhecido por “Maçã podre”, magnata de meios de comunicação social, que está preso por incumprimento da Lei de Segurança Nacional. De acordo com o jornal South China Morning Post, o tribunal confirmou a decisão depois dos advogados de Jimmy Lai terem apresentado um recurso, pelo que vai continuar em regime de prisão preventiva até que um juiz se pronuncie sobre a alegada implicação «em manifestação ilegal» durante os protestos registados em Hong Kong em 2019. Jimmy Lai enfrenta acusações como “conluio com forças estrangeiras” com o objectivo de colocar em “perigo a segurança nacional”. Num outro processo, o empresário é acusado de fraude e, por isso, encontra-se em regime de prisão preventiva. Mas anteontem, quarta-feira, Lai foi também acusado de auxiliar doze cidadãos de Hong Kong, libertados sobre fiança que, em 2020, tentavam fugir por mar para Taiwan.
M professor de direito especializado em estudos sobre Hong Kong e Macau enfatizou a importância do princípio “patriotas a governar Hong Kong”, descrevendo-o como parte integrante e central de “um país, dois sistemas”. “Trata-se de um princípio fundamental que deve ser seguido na busca do desenvolvimento e melhoria do sistema político da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK)”, disse Wang Zhenmin, chefe do Instituto de Governação do Estado e director do Centro de Estudos de Hong Kong e Macau da Universidade Tsinghua. Notando o surgimento nos últimos anos de forças radicais que defendem a “independência de Hong Kong”, Wang disse que esses indivíduos não apenas incitaram a violência nas ruas, como aproveitaram as brechas institucionais para penetrar na estrutura de governação local de Hong Kong em grupos, “correndo-se o perigo de substituírem os patriotas como a principal parte de governação de Hong Kong”. “Se Hong Kong fosse governada principalmente por essas pessoas, nunca teria o futuro brilhante a que tem direito. É difícil imaginar como pessoas que não amam, ou mesmo odeiam o país, e se opõem ao princípio ‘um país, dois sistemas’, podem entender e implementar esse princípio”, acrescentou Wang. O professor disse ainda que a importância de “patriotas a governar Hong Kong”, na estrutura política e institucional de “um país, dois sistemas”, foi apresentada no início da década de 1980 e
firmemente respeitada, com requisitos relevantes colocados em vigor na Lei Básica da RAEHK, bem como na lei sobre a salvaguarda da segurança nacional na RAEHK. O princípio “patriotas a governar Hong Kong” inclui, entre outros, oposição a quaisquer actos separatistas, respeito e reconhecimento do sistema socialista liderado pelo Partido Comunista da China, que é praticado na principal parte do país, respeito à Constituição e à Lei Básica da RAEHK, e união firme com a pátria, explicou Wang. “Governo de patriotas não é exclusivo da China”, disse Wang, observando que os candidatos às eleições em muitos países, incluindo nos Estados Unidos, competem entre si com base no seu comportamento patriótico. Wang acrescentou que pessoas que rejeitaram a ordem constitucional do país e de Hong Kong, e que se opuseram ao princípio “um país, dois sistemas”, ganharam as eleições legislativas ou do conselho distrital em Hong Kong nos últimos anos, revelando “defeitos nos sistemas e mecanismos relevantes”. “Muitas pessoas não fizeram contribuições positivas para a RAEHK, mas venceram as eleições simplesmente defendendo a independência de Hong Kong”, disse Wang. “O número dessas pessoas está a aumentar, o que é absolutamente anormal”, acrescentou, pedindo a reformulação das regras e regulamentos para melhor incorporar o princípio fundamental de “patriotas a governar Hong Kong”.