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Hoje Macau 19 DEZ 2013 #2998

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MOP$10

hojemacau

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Q U I N TA - F E I R A 1 9 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 9 8

Os entalados SONDAGEM Classe média insatisfeita com políticas do Governo

Activista Bill Chou pensa que pode vir a ser despedido PÁGINA 2

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• ERRO MÉDICO

Avaliação de casos pode passar por apoio do exterior PÁGINA 3

• ÁGUA RECICLADA

Governo estabelece meta de consumo de 10% em 2022 PÁGINA 7

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

• POR LIGAÇÕES POLÍTICAS

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Não tem dinheiro para comprar casa mas tem dinheiro a mais para poder ter habitação pública. A classe média sente-se negligenciada pelo Governo e não vê políticas concretas que respondam às suas necessidades. Um inquérito promovido pela Associação de Beneficiência Sing Meng, da deputada Melinda Chan, revelou ainda que, desde 2010, o índice de felicidade da população não se rePÁGINA 5 velava tão baixo.


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POLÍTICA

Professor de ciência política admite que, se for despedido, é devido às suas ligações a movimentos activistas

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

UMAC APLICA UMA AUDIÊNCIA DISCIPLINAR A BILL CHOU

“O pior que me pode acontecer é ser despedido” CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

professor de ciência política da Universidade de Macau (UMAC), Bill Chou, anunciou ontem que recebeu uma carta da instituição de ensino superior sobre uma audiência disciplinar. A carta surge após Bill Chou ter anunciado que é membro da Associação Novo Macau (ANM), com a qual fez diversas iniciativas de protesto antes da campanha eleitoral. Bill Chou há muito que é próximo de Jason Chao, presidente da ANM e que também pertence ao grupo

O meu trabalho vai ao encontro aos requisitos da universidade, e não estou preocupado com a avaliação dos meus alunos por causa da minha participação nos assuntos políticos, porque sei que eles apreciam isso BILL CHOU

Macau Consciência. “Nesta fase não posso falar mais, porque o meu advogado aconselhou-me a não dizer nada”, referiu o académico. De acordo com o que referiu ao HM, não é o primeiro docente a ser alvo de

uma acção disciplinar na universidade. Com base no seu trabalho, Bill Chou afirma que tudo o que fez até aqui é legal e que a única explicação que encontra para este caso é a sua participação nos assuntos políticos. “O pior que me pode

acontecer é ser despedido”, desabafou Chou. “Dizem que violei as regras relativas ao pessoal da universidade e fui avisado várias vezes antes de receber a carta por um colega, com um cargo mais alto do que o meu. Não sei se essa conversa foi um aviso ou apenas uma preocupação de colega. Tenho de preparar os meus documentos antes do dia 20 para a audiência disciplinar.”

DOCENTE COM NOTAS ALTAS

Bill Chou disse ainda que, desde 2011, o seu desempenho como docente é alvo de avaliação e que sempre teve bom aproveitamento. Também terá recebido sempre notas

NOVO MACAU ORGANIZA MANIFESTAÇÃO DIA 20 COM FESTA INCLUÍDA

Lutar contra empresários e Governo D ENTRE os grupos que se vão manifestar já amanhã, por ocasião do 14.º aniversário da transferência de soberania de Macau, o maior promete mesmo ser o da Associação Novo Macau (ANM). Jason Chao afirmou que o número de manifestantes será de mil a cinco mil. Em conferência de imprensa, realizada ontem, referiu ainda que o mote principal da manifestação será a posição contra o conjunto de empresários presentes naAssembleia Legislativa (AL), na qualidade de deputados, e o próprio Executivo. A execução de um sistema mais democrático, com a implementação do sufrágio directo e universal na eleição do Chefe do Executivo, será outra das lutas. “O conluio entre os empresários e o Governo está fora de moda, porque agora os empresários e o Governo formam

um grupo. Devido à corrupção nas eleições, os empresários ganharam a maioria dos assentos na AL, o que provocou muitos debates sobre os interesses existentes entre patrões e empregados. Isso levou à realização de manifestações onde participaram mais de mil pessoas. Este deveria ser um alerta para o Governo, que também é liderado por empresários.” Os representantes da ANM afirmam ainda que “além da AL, o Conselho Executivo e os conselhos consultivos estão cheios de empresários. Não há uma transferência de políticas, porque os empresários acabam sempre por saber as políticas antes dos residentes. Mas são os cidadãos que têm de arcar com as consequências”. Os protestos prometem começar perto das 16h junto ao mercado

OS GR UPOS QUE SE MANIFESTAM ESTE ANO O conselho de preparação do Partido dos Operários, liderado pelo activista Lei Kin Ion e Cheong Weng Fa, vai estar presente amanhã entre o Iao Hon e os lagos Nam Van. Pretendem lutar contra o que chamam de conluio entre Executivo e empresários, bem como a retirada das gaiolas dos edifícios. Outro dos grupos que estará presente é a associação Forefront of Macao Gaming, representativa dos croupiers. Está contra o aumento das mesas de jogo e a importação dos não residentes para o sector do jogo. Em comunicado, a PSP já disse que vão estar nas ruas cerca de cinco associações e dois cidadãos a título individual.

do bairro do Iao Hon, na zona norte da cidade. Prevê-se a chegada aos lagos Nam Van, em frente ao palácio do Governo, perto das 18h. Depois da entrega da carta ao Executivo com todas as reivindicações, irá decorrer uma festa no espaço dos lagos Nam Van. Nesse evento, a ANM vai convidar a estarem presentes todas as associações de cariz social, por forma a participarem na luta. “A festa vai incluir música e teatro, e esperamos poder utilizar os elementos culturais nessa ligação com os assuntos sociais, para que o poder democrata possa trazer uma renovação cívica”, disse Sou Ka Ho, organizador da manifestação e também membro da ANM.

A ANM já organiza manifestações no dia da transição desde 2007, mas desta vez há outros grupos com as mesmas intenções [ver caixa]. Sou Ka Hou disse que a ANM dá as boas-vindas à

elevadas dos seus alunos. “O meu trabalho vai ao encontro aos requisitos da universidade, e não estou preocupado com a avaliação dos meus alunos por causa da minha participação nos assuntos políticos, porque sei que eles apreciam isso. Será que as notas têm em conta também outros aspectos qualitativos? Não sei.” O académico diz que a carta continha um tom “menos simpático” por causa dos seus discursos ou comportamentos de índole política. Mas afirma que nunca recebeu ameaças. “Acho que se for despedido é por causa da minha participação na política, o que é muito triste, porque o ambiente de participação dos académicos em Macau está longe de ser igual ao de Hong Kong. Os professores ficam demasiado tempo na universidade sem terem ligação ao mundo real.As universidades de Macau também têm pouca ligação ao que se passa na sociedade, porque a maioria das actividades tem a ver com viagens ou estudos. Há poucas vozes que falem pelos grupos vulneráveis.”

O ESSENCIAL A Novo Macau está contra o conjunto de deputados/ empresários presentes na Assembleia Legislativa e contra o próprio Executivo. Pedem, igualmente, a execução de um sistema mais democrático, com a implementação do sufrágio directo e universal na eleição do Chefe do Executivo

participação de outros grupos, e negou que os protestos tenham ligações à xenofobia. “Um dos assuntos que vamos abordar é sobre a não importação de trabalhadores para certos cargos, mas também teremos participantes que pedem o regresso dos filhos maiores do continente. Portanto, não há conflitos.” Jason Chao disse mesmo que em Macau não existem comportamentos xenófobos de incitação ao nacionalismo ou contra etnias. – C.L.

PORTO INTERIOR NG KUOK CHEONG QUESTIONA BAR ULHO O deputado eleito pela Associação Novo Macau (ANM) entregou uma interpelação escrita ao Governo onde questiona os barulhos que se ouvem na zona do Porto Interior, e que incomodam, na sua óptica, os moradores da zona. O deputado afirma que o caso junto ao cais 5 já não é uma novidade, e que em 2009 as Obras Públicas afirmaram que, para melhorar a zona, iriam necessitar de “consenso de várias partes”. Contudo a questão continua por resolver, aponta. O deputado afirma ainda que o responsável pelo cais 5 assinou um acordo relativamente ao barulho, mas tem duvidas de que exista supervisão governamental ao mesmo.


política 3

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

ERRO MÉDICO COMISSÃO PEDE PERITOS DO EXTERIOR PARA AVALIAÇÃO DE CASOS

Falta de elementos impõe recursos externos RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

criação da Comissão de Perícia é, por entendimento dos deputados, uma “boa intenção” do Governo na proposta de lei do erro médico, mas necessita de “optimizar mecanismos” e carece de um número maior de elementos.

Por essa razão, a 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) entende que seria uma boa opção recorrer a apoio de especialistas do exterior. “É impossível conseguirem tão poucas pessoas tratarem das competências inerentes à Comissão de Perícia.

É insuficiente”, explica Cheang Chi Keong, citando a opinião da assessoria da AL, que fez um estudo de direito comparado sobre a situação na China. “Em casos mais complexos de investigação, é proposto criar um grupo especial com peritos locais,

peritos do exterior e membros de comissão responsáveis por fazer um relatório para submeter à comissão de perícia. A análise pode ser feita em estabelecimentos de ensino superior no exterior quando necessário.” Ainda assim, lembra o presidente da 3.ª Comissão da AL, não existe “uma opinião consensual” sobre “questões que não foram ainda debatidas de forma detalhada”. Em todo o caso, apesar de necessitar de melhorias, a Comissão de Perícia – tema em que, ontem, deputados e Governo se debruçaram em exclusivo – foi não só arranjada por “boa-fé” mas tem um “efeito de balança” que equilibra as duas partes, médicos e pacientes. Isto porque, segundo explicou o Executivo, tanto utentes como prestadores de serviços podem pedir a intervenção da comissão de perícia. No entanto, o pedido tem de ser feito por escrito e incluir informações do processo clínico, a que os queixosos não têm facilidade de aceder.

TAXA DECIDIDA EM DIPLOMA COMPLEMENTAR

“O pedido impõe ainda o pagamento de uma taxa, que vai ser

fixada por diploma complementar, na qual será conhecido não o valor cobrado”, indica Cheang Chi Keong, ao acrescentar que os tribunos quiseram saber como se irá processar em casos de insuficiência financeira e se, no caso de ser estabelecida a valores muitos baixos, se tal não levanta “situações de abuso”. “Os trâmites serem simples é bom, mas temos de pensar de futuro como vai ser o funcionamento e como colmatar esses abusos.” O deputado adiantou que, neste capítulo da comissão, será melhor estudado o dever de sigilo além de que virem a ser pedidas mais explicações ao Governo sobre o prorrogamento do relatório pericial – que deve concluir as acções de investigação e perícia – fixado com um prazo de 90 dias. Os deputados voltam a reunir-se em Janeiro, depois dos feriados, e a Comissão fez um pedido de extensão do prazo do parecer (estimado para o corrente ano) para Junho de 2014. Até porque, 3ª Comissão decidiu proceder a uma auscultação pública, ao sector médico e ao sector jurídico, até 31 de Janeiro do próximo ano.

VISTO ELECTRÓNICO DO CONTINENTE PASSARÁ EM 25 VIAS AUTOMÁTICAS EM 2014

Entrada e saída de turistas mais fácil CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

visto electrónico do continente vai passar em vias automáticas, assegurou o Gabinete do Secretário para a Segurança em resposta à interpelação escrita de Chan Meng Kam, tendo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP) já planeado o aumento de mais vias automáticas em todas as fronteiras. Entre estas, 25 novas vias automáticas estão previstas na entrada das Portas do Cerco e vão estar concluídas nos primeiros seis meses de 2014. “Agora todas as fronteiras têm vias automáticas, mais de cem mil pessoas por dia passam por elas. No futuro, o sistema de passagem automática vai facilitar a passagem de mais tipos de vistos. Desde 2010, a PSP já está a estudar a proposta do visto electrónico do continente com as autoridades do continente. Agora as duas partes já chegaram a um acordo,

que depois da execução do visto electrónico do continente, pode ser usado nas fronteiras de Macau sem necessidade de se passar a impressão digital”, declarou o gabinete de Cheong Kuok Vá. Além das 25 novas vias automáticas na entrada das Portas do Cerco, no futuro, também

vão haver mais 15 na saída das Portas do Cerco, 11 na fronteira do Terminal Exterior e quatro no aeroporto de Macau. “A obra da fronteira perto do Pac On será concluída no segundo semestre de 2014, com um total de 86 balcões e 55 vias automáticas que deverão aumentar a eficácia no tratamento

dos passageiros. O porto do Pac On também vai substituir o porto exterior passado a ser a maior fronteira marítima.” O gabinete também respondeu à questão do deputado sobre a possibilidade do Posto Fronteiriço do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau ficar aberto por 24 horas a todos os viajantes. Chan Meng Kam lembrou que este posto transfronteiriço é único onde apenas podem passar os funcionários das empresas do parque a qualquer hora, mas durante a noite basicamente não há pessoas a usar a fronteira, embora os funcionários ainda fiquem por lá a trabalhar, o que é um desperdício de recursos humanos. O gabinete disse que já discutiu com a parte de Zhuhai a possibilidade de fazer algum estudo não oficial “devido ao facto da questão envolver um âmbito muito amplo”. “São necessárias negociações mais profundas e de longo prazo. Por isso, ainda não há calendários.”

Deputados contra licenças demoradas

José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai entregaram uma interpelação escrita ao Executivo onde levantam a questão da demora no licenciamento dos restaurantes e outro tipo de estabelecimentos de comidas. Falam de uma situação de “complexidade” e “morosidade”, uma vez que algumas licenças são emitidas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e outras pelos Serviços de Turismo (DST). Para isso, questionam se o Executivo vai “proceder à uniformização do processo de licenciamento bicéfalo dos estabelecimentos de restauração, simplificando e agilizando os respectivos procedimentos administrativos”.


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hoje macau quinta-feira 19.12.2013

ANÚNCIO

ANÚNCIO

[N.º 251/2013]

[N.º 252/2013]

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares do concurso de habitação económica abaixo indicados, no uso da competência delegada pela alínea 15) do n.º 3 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares do concurso de habitação económica abaixo indicados, no uso da competência delegada pela alínea 15) do n.º 3 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

N.º do Boletim de candidatura

Nome FONG WAN LONG

Nome

N.º do Boletim de candidatura

Nome LEI MAN HOU

50290

SIO IOK CHAN

35924

IEONG FONG KIO

72023

CHEONG WAI MAN

34610

LONG KAM CHUN

51466

TANG VENG LEONG ALIAS ANTONIO SILVA

LONG IM KUN

16264

LAM CHI TOU

2887

MAK MAN

THAY HWAT CHOO ALIAS HLA HLA AYE LEI KAM HONG

28327

LEI KAM FONG

LENG SOI KUAN

54960

1845 657

Por causa dos representantes dos agregados familiares acima mencionados não comparecerem no este Instituto para escolha de habitação após a emissão da segunda convocação, as respectivas candidaturas serão excluídas na lista geral, de acordo com os termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 60.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica) e alínea a) do artigo 14.º do Regulamento de Acesso à Compra de Habitações Construídas no Regime de Contrato de Desenvolvimento para a Habitação, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, revisto pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 19 de Novembro de 2013, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, mas não fizeram a entrega das suas contestações dentro do prazo indicado, assim como da decisão do despacho do signatário, exarado na Proposta n.º 0905/DHP/DHEA/2013, as respectivas candidaturas foram excluídas da lista geral de espera. E nos termos do n.º 22 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e no artigo 155.º do Código do Procedimento Administrativo, cabem recurso hierárquico necessário da respectiva decisão administrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo.

LEI KAI IP

NG SU KAN IP I KAN

Nome

N.º do Boletim de candidatura

67551

CHEONG SI KEI

58638

SOU HIM SON

14816

3298

LAO WAI

67564

53932

33283 72343

LEI CHIM WAN

CHAN MOU NOI

57370 681

62533

Por causa dos representantes dos agregados familiares acima mencionados não comparecerem no este Instituto para escolha de habitação após a emissão da segunda convocação, as respectivas candidaturas serão excluídas na lista geral, de acordo com os termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 60.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica) e alínea a) do artigo 14.º do Regulamento de Acesso à Compra de Habitações Construídas no Regime de Contrato de Desenvolvimento para a Habitação, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, revisto pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 22 de Novembro de 2013, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, mas não fizeram a entrega das suas contestações dentro do prazo indicado, assim como da decisão do despacho do signatário, exarado na Proposta n.º 0913/DHP/DHEA/2013, as respectivas candidaturas foram excluídas da lista geral de espera. E nos termos do n.º 22 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e no artigo 155.º do Código do Procedimento Administrativo, cabem recurso hierárquico necessário da respectiva decisão administrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo.

O Chefe do Departamento de Habitação Pública,

O Chefe do Departamento de Habitação Pública,

Chan Wa Keong 17 de Dezembro de 2013

Chan Wa Keong 17 de Dezembro de 2013

EDITAL

ANÚNCIO [N.º255/2013] Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar a representante do agregado familiar da lista de candidatos a habitação social abaixo indicada, no uso da competência delegada pela alínea 11) do n.º 3 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome

N.º do Boletim de candidatura

N.º do boletim de candidatura

FONG SAI HONG 31200902275 Após as verificações deste Instituto, notamos que a representante do agregado familiar de candidatos a habitação social acima mencionada é proprietária de fracção autónoma na Região Administrativa Especial de Macau, desde o termo do prazo para entrega do boletim de candidatura até à data de assinatura do contrato de arrendamento com este Instituto e a representante do agregado familiar e o seu cônjuge são elementos que figurem no boletim de candidatura de outro agregado familiar, ao qual este Instituto já tenha autorizado a aquisição de habitação nos termos do Regulamento Administrativo n.º 17/2009(Regime de bonificação de juros de crédito concedido para aquisição de habitação própria), pelo que, estes não reúnem os requisitos exigidos para a candidatura, nos termos das alíneas 2) e 4) do n.º 4 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 25/2009(Atribuição, Arrendamento e Administração de Habitação Social). Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 2 de Dezembro de 2013, a solicitar à interessada acima mencionada para apresentar por escrito a sua contestação pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, entretanto não o fez. Nos termos dos artigo 5.º e alínea 2) do artigo 11.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, e n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, com as alterações introduzidas pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 141/2012, assim como da decisão do despacho do Chefe substituto do Departamento de Habitação Pública deste Instituto, exarado na Proposta n.º 0477/DHP/DHS/2013, a respectiva candidatura foi excluída da lista geral de espera por IH. E de acordo com o disposto no n.º 22 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e no artigo 155.º do Código do Procedimento Administrativo, cabe recurso hierárquico necessário da respectiva decisão adminstrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30(trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo. O Chefe do Departamento de Habitação Pública, Chan Wa Keong 17 de Dezembro de 2013

Prédio em mau estado de conservação Edital n.º : 81/E/2013 Processo n.º : 44/RP/2010/F Local : Beco da Afuda n.º 1, Macau. Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, em uso das competências delegadas pelo n.º 8 do artigo 1.º do Despacho n.º 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, faz saber por este meio à proprietária – ADUFA DEVELOPMENT LIMITED, inquilinos ou demais ocupantes do prédio acima indicado que o mesmo se encontra em mau estado de conservação e reparação, conforme o parecer da Comissão de Vistoria constante do processo em curso nesta Direcção de Serviços, pelo que, nos termos do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M de 21 de Agosto e por meu despacho de 05/12/2013, no prazo de 30 dias contados a partir da data de publicação do presente edital, devem proceder à obra de conservação e reparação do prédio acima indicado. Para o efeito, deverão apresentar previamente nestes Serviços o projecto de obra respectivo, de acordo com o Decreto-Lei n.º 79/85/M de 21 de Agosto. Caso não seja dado cumprimento ao teor do presente edital, esta Direcção de Serviços, sem prejuízo da aplicação da multa estabelecida nos artigos 67.º do citado diploma legal. Na falta de pagamento voluntário da despesa, proceder-se-á à cobrança coerciva da quantia em dívida pela Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças. Nos termos do artigo 59.º do mesmo decreto-lei e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da minha decisão do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data de publicação do presente edital. RAEM, aos 5 de Dezembro de 2013 A Subdirectora dos Serviços Enga Chan Pou Ha


SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

Quase 100% dos entrevistados da classe média não sabe que medidas concretas tem o Governo para responder às suas necessidades. As que existem não são adequadas, afirmam 60% das pessoas. O índice de felicidade é o mais baixo desde os últimos quatro anos ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

dinheiro não traz mesmo felicidade e o mais recente inquérito promovido pela Associação de Beneficência Sin Meng, da deputada Melinda Chan, é disso exemplo. Desde 2010 que o índice de felicidade não se revelava tão baixo: este ano cifrou-se nos 70,4 pontos, sendo

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ÍNDICE DE FELICIDADE ASSOCIAÇÃO DA DEPUTADA MELINDA CHAN REALIZOU INQUÉRITO

Classe média diz que políticas são “inadequadas” que a escala vai de 0 a 100. Em 2010, era de 71,5. Os sinais mais alarmantes vêm daqueles que compõem a classe média. Das mais de 1500 pessoas que responderam ao inquérito, realizado pela associação de votação e pesquisa de Macau, 96,6% desconhece as políticas que o Governo tem para responder às necessidades de quem pertence a este grupo social. Os restantes só mencionam a redução dos impostos. 63,4% diz que as políticas actuais são inadequadas. Quem pertence à classe média e aufere salários entre 10 a 20 mil patacas também não está satisfeito. De 0 a 100, quem ganha entre 10 a 15 mil patacas tem 68,4 pontos, quem ganha até 20 mil, tem 67,8 pontos. O inquérito fala em “negligência” para com esta classe social. “Ou o Governo precisa de fazer uma maior promoção do tipo de políticas que está a desenvolver, ou então não está a fazer nada para a classe média”, disse

Melinda Chan, que pede medidas concretas para a habitação, além do mero debate público. “O nível de felicidade é o mais baixo dos últimos quatro anos e o Governo deveria prestar mais atenção à classe média e aos seus salários. Tendo em conta as políticas apresentadas este ano, a classe média não sente que sejam para si, e apenas referem a redução de impostos. Mas trata-se de uma política de pequena dimensão e todos estão preocupados com a habitação. Primeiro porque estão acima dos requisitos para a habitação pública, depois porque não conseguem comprar uma casa no privado. Não conseguem estar nos dois lados, e a única solução é arrendar.” Para a deputada, há duas soluções para travar a especulação imobiliária. “Uma é levar todos os que têm baixos rendimentos para a habitação pública, e outra é ceder mais terrenos para que se possam construir mais casas, para

dar resposta à procura. Creio que com mais casas no mercado os preços vão baixar.”

CASAS SEMPRE EM BAIXO

Olhando para os níveis de satisfação dos residentes para com as políticas do Governo, a habitação está bem lá em baixo. De 0 a 10, ganha apenas cinco pontos. A satisfação é maior para com as medidas para os idosos e educação, que ganham entre 6,7 e 7 pontos. Contudo, calculado o índice global de satisfação para com aquilo que o Executivo está a desenvolver, os 62,6 pontos são os mais baixos desde 2010, ano

O ESSENCIAL Desde 2010 que o índice de felicidade não se revelava tão baixo: este ano cifrou-se nos 70,4 pontos, numa escala de 0 a 100.

em que a satisfação ficou pelos 62,9. Em 2011 era de 63,4. Os residentes consideram que as políticas da saúde são as mais importantes, com uma pontuação de 8,4 em 10. Seguem-se as medidas para os idosos, educação e, em quarto lugar, a habitação. Políticas para o desenvolvimento económico e juventude estão em último lugar.

SALÁRIO MÍNIMO ACIMA DAS 30 PATACAS POR HORA

Uma das novidades introduzidas pelo inquérito é posição pública dos residentes em relação à implementação do salário mínimo. 44% dos inquiridos consideram que este deveria ser de 30 patacas, ou mais, por hora, enquanto 25,1% defendem valores entre as 29 e 30 patacas. 35,4% defende que a implementação do salário mínimo traz mais garantias para quem aufere salários mais baixos. Contudo, 38,9% desconhece o impacto da medida, ou não quis responder.


6 sociedade

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

AUTOCARROS ELÉCTRICOS GOVERNO À PROCURA DO “PADRÃO” IDEAL, MAS SEM DATAS PARA AVANÇAR

Duas estações de recarga a caminho Actualmente, há dois pontos de recarga de bateria para veículos eléctricos pertencentes a empresas privadas. No futuro, sem calendário ainda previsto, o Governo propõe-se a construir duas públicas. A intenção foi confirmada ontem, na apresentação da segunda fase de testes de autocarros a electricidade que já assume custos no valor de três milhões de patacas RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

“plano de teste de tráfego rodoviário de veículos eléctricos” está em combustão, mas para já não há muitos compromissos por parte do Governo, que diz estar à procura dos “autocarros eléctricos adequados no uso da cidade” sem necessidade de “modificações”. No entanto, um especialista da Universidade de Tsingua, recomendada por Pequim para proceder a estudos sobre a implementação de carros eléctricos em Macau, entende que tal não será tarefa fácil. “Será preciso fazer certos ajustamentos nos motores e nas

peças, no sistema de motor e de ar condicionado, só depois de todas estas peças serem mudadas é que poderão circular em Macau o que vai elevar o custo”, disse ontem Yang Shi Min, vice-presidente do Instituto para a Tecnologia Automotora. “O preço das baterias vão ser muito elevadas no sistema eléctrico de autocarros com alta tensão, temos de fazer muitos tratamentos para controlar esta alta tensão com outros dispositivos de apoio.” Depois da “boa avaliação” de um autocarro eléctrico, que este ano circulou com passageiros na Taipa em “circuito ideal”, começa hoje a segunda fase, que se prolonga por mês e meio, para testar outros quatro veículos de diferentes fábricas do interior, naquilo que

são consideradas “condições mais adversas” na península. A seguir às duas experimentações, se os resultados se mostrarem satisfatórios haverá lugar a uma terceira, mas não se sabe quando serão postos a circular os autocarros eléctricos das transportadoras e operadoras por recomendação do Governo. “O objectivo principal do teste é para criarmos um padrão sobre o tipo de autocarro a implementar e quais os modelos mais adequados para circular em Macau, por isso, este estudo dedica-se mais às avaliações técnicas e estatísticas dos resultados. Há várias fábricas que produzem autocarros eléctricos e cada uma tem exigências quanto às baterias, carregamentos e tensão

eléctrica. Através deste teste o objectivo é saber qual o modelo a disponibilizar futuramente”, explicou o subdirector substituto da Direcção dos Serviços para

CTM PERTO DE PAGAR INDEMNIZAÇÃO POR ERRO NUMA COMPRA EM LOJA ONLINE

Engano remediado fora de horas “S

INAL” e “pagar”. Estas foram as duas palavras usadas pela loja online da empresa de telecomunicações CTM que levaram um cliente a julgar que compraria dez telemóveis pelo preço de 500 patacas cada. O valor real era 5880 patacas por cada aparelhos, representando as 500 patacas apenas uma caução. A CTM detectou o erro nessa

manhã, mas só o rectificou ao final da tarde, ou seja, depois de o cliente ter já comprado os dez aparelhos. E, apesar de muitos esforços, entre os quais, o reembolso total da compra e mais cupões de 200 patacas por cada telemóvel, o cliente intentou uma acção de pequenas causas cíveis contra a CTM, pedindo uma indemnização de 50 mil patacas

por ter rescindido o contrato de compra dos telemóveis. O Juízo de Pequenas Causas Cíveis do Tribunal Judicial de Base entende que a CTM não podia ter anulado o contrato, tendo em conta que já tinha detectado o erro quando, pouco depois da compra, notificou o cliente por e-mail, informando-o do sucesso da transacção feita no site.

No entanto, quanto ao pedido de indemnização apresentado pelo autor da queixa – que queria uma compensação de 50 mil patacas – o tribunal julgou improcedente o recurso interposto contra a CTM, por entender que não foram provados os factos danosos. O caso remonta a 19 de Março do ano passado.

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Lembrete

Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2010 1. 2.

3.

O prazo limite para a apresentação do pedido de atribuição do Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2010 é fixado em 31 de Dezembro do corrente ano. Os indivíduos que satisfaçam os requisitos de atribuição, mas não tenham ainda formulado o pedido, devem dirigir-se até ao termo do prazo supracitado ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, nºs 762-804, Edifício “China Plaza”, 2.º andar, Macau, para efeitos de tratamento das respectivas formalidades. Por último, solicita-se que os cheques ainda não sacados sejam apresentados, com a maior brevidade, junto de qualquer instituição bancária de Macau.

Macau, aos 01 de Dezembro de 2013.

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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os Assuntos de Tráfego (DSAT), acrescentando que o relatório desta segunda fase de testes será apresentado em “inícios de 2014”. A DSPA compromete-se desde já a instalar “dois postos de abastecimento do Governo”, um na Taipa e outro em Macau, uma vez que nem todas “reúnem as condições necessárias”, mas só avança com calendário sobre a sua construção “no próximo ano”. “Temos de ter dispositivos suficientes para importação de autocarros eléctricos, mas também temos de ver se estes podem produzir efeitos na redução de gases de efeito de estufa bem como maior poupança energética”, diz ao HM a subdirectora do organismo, Vong Man Hung. Os quatro autocarros vão circular em dois itinerários, que abrangem o centro histórico e bairros antigos, que permitirá ao grupo de trabalho avaliar as características do desempenho operacional dos veículos com diferentes cargas, em diferentes tipos de declives e sob diferentes velocidades para assim e apurarem conclusões quanto aos efeitos de conservação energética e redução de emissões de gases. Este plano de teste é desenvolvido entre a DSAT, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) e o Ministério de Ciência e Tecnologia do Estado, os quais disponibilizaram no total um orçamento de três milhões de patacas para as primeiras duas fases do projecto.


sociedade 7

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

ÁGUA RECICLADA ESTABELECIDA META DE CONSUMO DE 10% EM 2022

Primeiro é para o autoclismo O

Governo apresentou ontem um plano para que 10% da água consumida na região seja reciclada em 2022, ano em que a região deverá ter uma capacidade de produção diária instalada de 52.000 metros cúbicos de água reciclada. O Plano de Desenvolvimento da Água reciclada (2013-2022) apresentado pelo grupo de trabalho para a construção de uma sociedade economizadora de água foi criado com o objectivo de “incentivar a exploração e aproveitamento da água reciclada em Macau e reforçar a eficácia do aproveitamento dos recursos hídricos”. O plano foi elaborado após um período de consulta pública em que foram recebidas 252 questões e opiniões. A água reciclada vai ser inicialmente usada para fins não potáveis como descargas sanitárias, uso paisagístico e rega dos espaços verdes, e, numa fase posterior, para arrefecimento nos estabelecimentos de grande escala. “Durante estes dez anos não vamos desenvolver a água reciclada para consumo humano.Ainda precisamos de tempo para que o cidadão possa aceitar a água reciclada”, disse a directora dos Serviços deAssuntos Marítimos e de Água (DSAMA), Susana Wong. Na primeira fase do plano, até 2016, está prevista a construção e entrada em funcionamento da estação da água reciclada da ilha de Coloane, com uma capacidade de produção de 12.000 metros cúbicos por dia. Nesta fase está igualmente previsto o início do abastecimento da água reciclada às habitações públicas do bairro comunitário de Seac Pai Van e ao novo campus da Universidade de Macau, na ilha da Montanha. Já no período entre 2016 e 2019 o objectivo é desenvolver a aplicação de água reciclada na zona urbana do COTAI - zona de aterros entre as ilhas da Taipa e de Coloane - e fazer acompanhar a construção das redes rodoviárias e infra-estruturas dos novos aterros urbanos com o assentamento de condutas de água reciclada.

que sejam reunidas as condições ou serem construídas as condutas para usar esta água”, acrescentou. Susana Wong indicou que, em geral, o preço da água reciclada vai ser 85% menos que o preço da água potável. “É um preço para encorajar mais pessoas a usar. É um pouco caro, mas também vale a pena para a protecção do ambiente”, afirmou. A directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (SAMA) admitiu na semana passada à imprensa local a subida das tarifas da água. Apesar de não precisar valores, Susana Wong disse que o aumento fica a dever-se “à subida do preço da água bruta da China e ao aumento dos custos de abastecimento de água”. - Lusa

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Na terceira e última fase (2019-2022), está prevista a ligação das estações de água reciclada da Península de Macau e de Coloane, e as redes públicas de distribuição de água reciclada nos novos aterros urbanos e outras novas zonas em desenvolvimento.

ALGUMAS DIFICULDADES

Embora salientando o “potencial da água reciclada

em Macau”, Susana Wong observou as dificuldades do seu desenvolvimento, por ser algo novo no território e por envolver várias obras, nomeadamente para a instalação de condutas. “Durante este plano, vamos focar esforços no desenvolvimento desta água nas zonas novas. Quanto aos bairros antigos também precisamos de esperar um tempo oportuno para

O ESSENCIAL A água reciclada vai ser inicialmente usada para fins não potáveis como descargas sanitárias, uso paisagístico e rega dos espaços verdes, e, numa fase posterior, para arrefecimento nos estabelecimentos de grande escala

Divórcio e violência doméstica tratados em separado, entende TJB

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MA senhora interpôs uma providência cautelar ao Juízo de Família e de Menores do Tribunal Judicial de Base (TJB) para impedir que continuasse a ser vítima de violência doméstica na mesma altura em que pediu o divórcio litigioso do marido. O TJB indeferiu o pedido porque o “a requerente tem, por um lado, de requerer o divórcio e, por outro, apresentar queixa ao órgão competente acerca dos actos de violência do marido”, sentenciou o juiz, que entende que deve ainda “requerer também ao órgão competente as medidas de coacção adequadas para proteger a segurança pessoal”. O TJB explica que um dos efeitos da dissolução do casamento é desvincular as partes dos deveres conjugais e que “não cabe ao divórcio a extinção dos actos de violência”. O tribunal acrescenta ainda que a mulher “pretendeu apenas impedir que a ofensa continuasse, sem ter em vista assegurar

a efectividade do direito na acção de divórcio litigioso”. De acordo com nota de imprensa do Tribunal de Última Instância, a queixosa diz ser vítima de agressões frequentes “de forma muito violenta” e que chegou mesmo a apresentar queixa junto da PSP, mas – e de acordo com a requerente – a polícia informou-a de que “a violência doméstica não constitui crime”. A mulher queria que o juiz garantisse que o marido manteria uma distância de, pelo menos, cem metros da casa da família, enquanto o processo de divórcio não ficasse resolvido. Depois de fundamentos apresentados, o tribunal decidiu não acolher a pretensão da queixosa.


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CHINA

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

GOVERNO DIZ QUE NOVA POLÍTICA DE DEFESA JAPONESA AFECTARÁ A SEGURANÇA REGIONAL

Tratador é morto por tigre no zoológico de Xangai

Um funcionário do jardim zoológico de Xangai morreu após o ataque de um dos tigres dos quais era o tratador, informou esta quarta-feira o jornal oficial Shanghai Daily. A vítima, um homem de 57 anos de sobrenome Zhou, foi atacado ontem, terça-feira, enquanto limpava uma jaula na área de criação do parque, habitualmente fora da vista dos visitantes, por um tigre macho de nove anos de idade, que estava junto dos seus filhotes. Os companheiros de Zhou acreditam que o funcionário pode ter-se esquecido de fechar uma porta ao entrar nessa área, o que possibilitou a entrada do tigre. O animal pertence a uma subespécie, o tigre do sul da China, natural das províncias de Fujian, Hunan, Jiangxi e Cantão, no sudeste do país, declarada em perigo crítico de extinção desde 1996.

Lisboa pondera nomear oficiais de ligação para Turquia, China e Argélia

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, disse, esta terça-feira que o Governo está a ponderar nomeações de oficiais de ligação, em matéria de segurança e emigração, na Turquia, na China e na Argélia. Miguel Macedo referiu que «não há prazo para decisão política» para designar mais três oficiais de ligação, sucedendo às nomeações do superintendente Paulo Valente Gomes, ex-director nacional da Polícia de Segurança Pública, para Paris, França, e do coronel da GNR Carlos Alves, para Rabat, Marrocos. “A ponderação está a ser feita”, afirmou o membro do Governo PSD/CDS-PP, na audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Portugal já tem oficiais de ligação em matéria de administração interna em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Espanha, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O Partido Socialista, através do deputado Marcos Perestrello, salientou que a declaração conjunta dos ministros do Interior de Portugal, Espanha, Marrocos e França, de 25 de Janeiro deste ano, preconiza a colocação de oficiais de ligação em Dakar, Acra e Algeciras. A próxima reunião dos ministros do Interior, subscritores da chamada «Declaração de Rabat», realiza-se no primeiro trimestre do ano de 2014, em Paris.

Pequim realça “actividade histórica negativa do Japão” O

governo da China considerou que a nova estratégia de defesa aprovada esta terça-feira pelo Japão, e que tem a China como alvo, “está vinculada à política nacional” do país vizinho e “terá impacto na segurança regional”. A crítica foi feita pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, em conferência de imprensa em Pequim. Hua pediu ainda ao Japão para “respeitar as preocupações de segurança justas e razoáveis dos países da região” depois da aprovação do seu novo plano militar de cinco anos. A política de defesa japonesa considera que as “invasões” marítimas da China nas ilhas Diaoyu (administradas por Tóquio, mas reivindicadas por Pequim) e o recente estabelecimento de uma zona aérea de identificação que abrange o disputado arquipélago provocam uma “preocupação de nível internacional”. Deste modo, as orientações de segurança nacional aprovadas pelo gabinete do primeiro-ministro conservador Shinzo Abe pedem que as Forças de Autodefesa reforcem o controlo das actividades militares chine-

sas no Mar da China Oriental e no Mar do Sul do país. “Considerando as actividades históricas negativas do Japão em países asiáticos, incluindo a China, a comunidade internacional tem de estar em alerta sobre as acções do Japão”, sublinhou Hua. “Pedimos que o Japão aborde a história com sinceridade e contribua positivamente para a paz e para a estabilidade regional”, acrescentou. A China e o Japão vivem há mais de um ano uma escalada no nível de tensão, desde que Tóquio anunciou a compra em Setembro de 2012 de três ilhas do arquipélago, Diaoyu, o que provocou fortes protestos na potência asiática. O último acontecimento que contribuiu para aumentar a crise foi a decisão da China, em Novembro, de estabelecer uma zona de defesa aérea sobre as ilhas disputadas e exigir aos aviões que a sobrevoassem que enviassem previamente a Pequim seu plano de rota. O Japão não cedeu a princípio à legislação chinesa, e enviou vários aviões à região sem informar ao país vizinho, do mesmo modo que os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

Preços dos imóveis perdem força em Novembro

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alta dos preços no mercado imobiliário da China deu novos sinais de moderação. O preço médio de novos imóveis desacelerou na base mês a mês em Novembro, apesar de estabelecer um novo recorde de crescimento na comparação anual. Os preços pesquisados em 70 cidades chinesas subiram em média 0,53% em Novembro ante Outubro, em comparação com a alta de 0,59% em Outubro e de 0,67% em Setembro, segundo análise dos dados pelo Wall Street Journal. Na base anual, os preços avançaram em média 9,1% em Novembro, no ritmo mais rápido desde Janeiro de 2011, contra 8,8% em Outubro e 8,2% em Setembro. Ainda na comparação anual, a média dos preços acelerou em grandes cidades como Xangai, Shenzhen e Cantão. Na capital da província de Guangdong, a alta foi de 20,7%, de 20,5% no mês anterior. Em Xangai, os preços cresceram para 18,2%, de 17,8%,

e em Shenzhen a média avançou para 20,6%, de 20,2%. Em Pequim a alta se moderou ligeiramente, com os preços a subir 16,3% em Novembro, ante 16,4% em Outubro. Neste mês, o Governo disse que iria aumentar a oferta de imóveis a preços menores para famílias de baixos rendimentos nos próximos dois anos. O Governo chinês tem tentando conter a elevação nos preços dos imóveis desde 2010, mas um crescimento na demanda este ano levou alguns Governos locais a

incrementarem os esforços para travar a alta nos preços nas últimas semanas. Cidades importantes como Pequim, Xangai, Shenzhen e Cantão já impuseram algumas restrições no sector imobiliário, enquanto Wuhan, Shenyang e Nanjing anunciaram novas medidas nas últimas semanas para conter os preços.


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hoje macau quinta-feira 19.12.2013

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investimento externo directo na China aumentou 5,48% nos primeiros onze meses do ano, para cerca de 770.000 milhões de patacas anunciou ontem o ministério chinês do Comércio. Mais de dois terços daquele montante, que não inclui os sectores financeiros, vieram de um grupo de dez países e regiões da Ásia, nomeadamente Hong Kong, Taiwan, Japão, Tailândia e Singapura. O investimento oriundo da União Europeia e dos Estados Unidos também aumentou - 17,36% e 8,6%, respectivamente - mas no

INVESTIMENTO EXTERNO SOMOU 770.000 MILHÕES DE PATACAS NOS PRIMEIROS 11 MESES DO ANO

Mais de dois terços vem da Ásia conjunto, entre Janeiro e Novembro, somaram apenas cerca de 73.000 milhões de patacas. Entretanto, o investimento chinês fora da China cresceu 28,3% em relação aos primeiros onze meses

H10N8 Mulher morre com um novo vírus da gripe aviária

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M novo tipo de vírus de gripe aviária já fez uma vítima na China. A agência de notícias Xinhua divulgou, esta quarta-feira, que uma mulher de 73 anos morreu após contrair o vírus H10N8. O caso ocorreu em Nanchang, capital da província de Jiangxi. A mulher morreu no dia 6 de Dezembro por insuficiência respiratória e choque. Tinha procurado assistência médica no fim de Novembro. Citando especialistas, mas sem identificá-los, a agência de notícias disse que o vírus tem um baixo risco de propagação para os seres humanos. O Centro Chinês para o Controle e Prevenção de Doenças identificaram o vírus da gripe aviária H10N8 , disse a Xinhua. A Organização Mundial de Saúde (OMS) não possui nenhuma informação sobre o novo tipo de vírus, informou uma porta-voz da organização. Segundo a agência Xinhua, a vítima visitou um mercado de aves vivas e estava exposta ao negócio de aves de capoeira. De acordo com as informações oficiais do governo chinês,

as pessoas que tiveram contacto próximo com ela não tiveram sintomas anormais. A China está no início da temporada de gripe tradicional, e há muito tempo enfrenta um problema com a gripe aviária. O vírus H7N9 surgiu este ano na China e já infectou pelo menos 139 pessoas na China, Taiwan e Hong Kong, matando 45 pessoas. Os especialistas dizem que não há nenhuma evidência de qualquer transmissão de H7N9 de pessoa para pessoa. Mas uma análise científica de provável transmissão do vírus H7N9, publicado em Agosto, deu a mais forte indicação de que às vezes o vírus pode saltar entre as pessoas e, por isso, poderia causar uma pandemia humana.

de 2012, somando cerca de 630,000 milhões de patacas. As subidas maiores - de 685% e 232,2%, respectivamente - ocorreram na Rússia e nos Estados Unidos da América, enquanto em Hong Kong e Japão diminuíram

0,6% e 13,3%, respectivamente. A China é a segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, e nos primeiros nove meses deste ano, o Produto Interno Bruto chinês cresceu em média 7,6%.

REGIÃO MOVIMENTO ANTIGOVERNAMENTAL RETOMOU PROTESTOS NA TAILÂNDIA

Agitação de volta a Banguecoque O movimento antigovernamental tailandês retomou ontem os protestos para reclamar a demissão do Governo e a aprovação de reformas políticas antes das eleições de 02 de Fevereiro. Dezenas de manifestantes concentraram-se ontem em frente à sede da polícia tailandesa para reclamar uma investigação mais célere aos incidentes entre apoiantes e opositores do Governo que causaram cinco mortos a 30 de Novembro. O protesto teve lugar depois de vários dias de calma em Banguecoque e depois de o líder do movimento da

oposição, Suthep Thaugsuban, ter convocado, durante a noite, uma manifestação para domingo para pedir a demissão da primeira-ministra, Yingluck Shinatwatra, que recusa deixar o cargo antes de ser eleito um novo Governo. Suthep anunciou protestos para quinta e sexta-feira no centro de Banguecoque antes da manifestação de domingo, que terá lugar em frente à sede do executivo. A oposição exige a formação de um “conselho popular” não eleito que reforme o sistema político antes das eleições, alegadamente para erradicar

a corrupção e o que qualifica como um “regime de Thaksin”. Thaksin Shinawatra, irmão de Yingluck, governou a Tailândia entre 2001 e 2006, quando foi deposto por um golpe militar, e desde 2008 vive exilado no Dubai, mas, segundo os seus opositores, dirige o Governo a favor dos seus interesses. O Puea Thai, partido que está no poder depois de ter vencido as eleições de 2011 com maioria absoluta, é o principal favorito ao próximo acto eleitoral graças ao apoio da população rural do norte e nordeste do país que beneficiou das políticas populistas de Thaksin. O Partido Democrata, preferido da elite de Banguecoque, vai decidir até sábado se participará nas eleições ou se as boicotará, como pedem os manifestantes que formam parte do seu eleitorado tradicional. Os “democratas” reelegeram na terça-feira como seu líder Abhisit Vejjajiva, que foi primeiro-ministro da Tailândia entre 2008 e 2011. Suthep foi vice-primeiro-ministro de Abhisit, mas abandonou o partido em Novembro para liderar as manifestações. A Tailândia enfrenta uma grave crise política desde o golpe de 2006, registando frequentes manifestações.


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EVENTOS

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Centro de Arte Contemporânea Graça Morais de Bragança inaugura, no sábado, duas novas exposições com obras do escultor Zulmiro de Carvalho e da pintora transmontana “madrinha” do espaço visitado por 80 mil pessoas em cinco anos. Até 28 de Fevereiro, as salas deste espaço cultural vão ser ocupadas pela escultura e desenho de Zulmiro de Carvalho, com uma obra associada sobretudo à arte pública, e pela pintura e desenhos dos “Cadernos de Montanha” de Graça Morais que vão estar expostos até 30 de Março. Nos últimos cinco anos, o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CACGM) proporcionou 33 exposições de artistas e colecções, com nomes consagrados como Alberto Carneiro, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Paulo Rego ou Pedro Calapez e superou os 80 mil visitantes, segundo o director Jorge da Costa, que é também comissário das exposições. Depois da maior mostra antológica de Graça Morais, com que comemorou o quinto aniversário, o CACGM mostra nos próximos meses as criações de Zulmiro de Carvalho, o escultor natural de Gondomar, com uma obra associa-

A

música vai voltar àquele que foi o palco de festas e concertos da corte real de D. Maria I e de D. Pedro, ou seja, ao Palácio Nacional de Queluz. Mais especificamente, às salas por onde passaram músicos conceituados da época. Para 2014 estão programados dois ciclos, um de Carnaval e outro de Outono, tal como se fazia na altura. A música vai levar-nos a esse tempo da monarquia pela mão de alguns dos maiores nomes da actualidade, como o pianista holandês Ronald Brautigam ou o português Pedro Burmester. Mas se com esta programação, que tem por nome Temporada de Música – Tempestade e Galanterie e que arranca a 8 de Março, o seu director artístico Massimo Ma-

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AUTOR DO “ARCO DO ORIENTE” EXPÕE EM BRAGANÇA

Zulmiro transmontano

QUELUZ VAI VOLTAR A SER PALCO DE CONCERTOS

LEONG MOU KIT NO ARMAZÉM DO BOI

zzeo nos quer transportar para a época dos grandes bailes e concertos da corte, muito se deve também à recuperação de uma das jóias do Palácio de Queluz, o pianoforte de Clementi. Este instrumento musical com mais de 200 anos estava há 12 arrumado e a precisar de um grande trabalho de intervenção. Na semana passada voltou finalmente ao seu lugar, a Sala da Música, uma das mais antigas do Palácio, e já se pôde ouvir o som que dele sai, podendo imaginar-se até D. Maria (representada no quadro que está pendurado na parede junto ao instrumento) embalada

Armazém do Boi inaugura no próximo dia 21 de Dezembro o programa de Residência Artística de Leong Mou Kit, Organ-ic. O actual ritmo frenético do quotidiano, o stress do trabalho diário, leva a que as pessoas se tenham acostumado a uma vida agitada. Estejam a trabalhar ou a descansar as pessoas estão constantemente a ser bombardeadas por mensagens ou notícias, como se já fosse impossível viver sem elas. Para uma maior comodidade, as pessoas habituaram-se a comer alimentos transformados, carregados de químicos

Um regresso ao passado por aquela música. “Este é o regresso à cena do pianoforte, uma peça excepcional de grande raridade”, disse na conferência de imprensa de apresentação desta programação musical a directora do Palácio de Queluz, Inês Ferro, explicando que este instrumento histórico, construído pelo célebre compositor e intérprete italiano Muzio Clementi, “esteve esquecido 12 anos” mas depois de ter sido “completamente desmontado e restaurado” vai permitir finalmente que a música volte a ser tocada no Palácio. E tal como foi antigamente, vai voltar a ser agora.

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Um curso completo sobre os aspectos essenciais da cozinha clássica chinesa, com receitas fáceis de seguir que recriam os sabores e os aromas deliciosos e autênticos de umas das cozinhas mais ricas do mundo.

da sobretudo à arte pública, como indicou à Lusa o director. Dos trabalhos espalhados por todo o país e no estrangeiro fazem parte a “onda” em aço de inox na rotunda da Exponor, em Matosinhos, ou “O Arco do Oriente” de Macau. Em Bragança, vai ser apresentado o seu mais recente trabalho escultórico que “assinala o regresso de Zulmiro de Carvalho à exploração das potencialidades de materiais como o aço corten, mantendo simultaneamente no seu processo de criação a relação entre a materialidade dos suportes, o recurso a sistemas formais modulares e a sua produção industrial”, como descreveu o comissário da exposição. A par da escultura, “apresenta-se ainda uma selecção de desenhos a grafite, prática autónoma e distinta do seu trabalho escultórico”. Simultaneamente, abre ao público mais uma exposição de pintura e desenho de Graça Morais com o título “Cadernos da Montanha” e que aborda a temática da natureza, segundo ainda o director do centro. Com trabalhos de períodos distintos dos últimos 30 anos, esta mostra é descrita por Jorge da Costa como “uma viagem pelas estações do ano” com referências aos frutos, flores silvestres ou

CONTOS E LENDAS DE PORTUGAL E DO MUNDO • VA, João Pedro Mésseder, Isabel Ramalhete

Orgânico q.b. O

e aditivos, o que provoca grandes desequilíbrios para o corpo humano. Leong Mou Kit tenta chamar a atenção através de diferentes práticas artísticas para a importância da relação entre a saúde, o meio ambiente e a alimentação, informa o comunicado de imprensa da organização. A exposição estará patente ao público até 10 de Fevereiro de 2014. Kitty Leung nasceu em Macau e vive no Canadá desde1995, onde dá aulas no Kwantlen Polytechnic University. O seu trabalho explora as ideias de espaço, memória, narrativa, e as relações do homem com a natureza.

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Eis uma mão-cheia de contos e lendas de Portugal e de outras regiões do Mundo: de Angola, Moçambique, Timor, Espanha, França, Alemanha, do povo cigano e até do mundo árabe. Histórias para ler, reler e contar. Um nunca acabar de modos de encantar, de ter graça, de emocionar e de transmitir ensinamentos.

DE CAMA EM CAMA • Catherine Townsend

«Desfruto de todos os segundos dos meus encontros sexuais: os bons, os maus e os bizarros. A maior parte das minhas relações sérias começou com encontros casuais fortuitos.» A autora fala das suas aventuras sexuais de uma forma honesta, sexy e divertida.


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Dos trabalhos espalhados por todo o país e no estrangeiro fazem parte a “onda” em aço de inox na rotunda da Exponor, em Matosinhos, ou “O Arco do Oriente” de Macau tubérculos do campo que continua a ser a inspiração da pintora transmontana. Graça Morais tem sido uma presença assídua neste espaço cultural que é também dinamizado com programas específicos para as escolas, Workshops temáticos, ateliês de artes plásticas, encontros com artistas plásticos, projectos de cooperação e visitas guiadas, entre outras actividades. Ao longo deste cinco anos, o Centro tem sido também procurado por “público especializado, nomeadamente alunos de artes de fora da região, de cidades com o Lisboa, Porto, Penafiel, Braga, entre outras”. PUB

REALIZADOR MIGUEL GONÇALVES MENDES APRESENTA SÉRIE EM LISBOA

Viagem ao Extremo Oriente “N

ADA tenho de meu”, a série que o realizador Miguel Gonçalves Mendes rodou com os escritores brasileiros Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca, foi editada em livro e DVD e apresentada ontem, em Lisboa. “Nada tenho de meu - Diário de viagem ao Extremo Oriente” nasceu de uma viagem do realizador e dos dois escritores no ano passado ao Oriente, a propósito do Festival Literário de Macau, e que inclui passagens por Hong Kong, Vietname, Camboja e Tailândia. “Aí [em Macau] tivemos a ideia: porque não fazer um diário colectivo de viagem em que dois escritores e um realizador de culturas distantes, mas ao mesmo tempo também tão próximas, se confrontam com uma realidade que também é distante,

mas que, ao mesmo tempo, também é próxima”, explicou o realizador à agência Lusa, na altura da viagem em Macau. Das viagens e dos contactos com artistas e pensadores locais nasceu uma série de onze episódios, entre a ficção e o documentário, inspirados em relatos de viagem do século XIX, protagonizados por Miguel Gonçalves Mendes, Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca. Os episódios foram já exibidos “online” em Portugal e no Brasil e são agora reunidos num DVD - com os textos dos autores compilados num livro. “No fundo é um encontro de três pessoas, que querem partilhar uma viagem e que decidiram com isto fazer um projecto artístico. Tem é um sistema interessante, porque à medida que vamos estar a fazer esta viagem, os

episódios vão ser montados em Lisboa e vão poder ser vistos “online”, e as pessoas vão, de alguma forma, poder seguir a viagem que estamos a fazer”, acrescentou o realizador. “Nada tenho de meu” frase adaptada de um texto de Camilo Pessanha – foi apresentado esta quarta-feira, na FNAC Chiado, em Lisboa, por Nuno Artur Silva, com Miguel Gonçalves Mendes e Tatiana Salem Levy. Amanhã, a série estreia-se na RTP 2 e, no dia 26, estará “online” nos canais do portal Sapo em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor Leste. Miguel Gonçalves Mendes rodou “Nada tenho de meu” depois de ter feito o documentário “José & Pilar”. Actualmente repartido entre Portugal e o Brasil, onde tem estado a trabalhar, Miguel Gonçalves Mendes prepara ainda o documentário “O sentido da vida” e tem em carteira a adaptação para cinema de “O evangelho segundo Jesus Cristo”, romance de José Saramago.


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hoje macau quinta-feira 19.12.2013

Aviso De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.° 109/2005, os requerimentos visando a renovação de licenças anuais, a emitir pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, devem ser tratados, anualmente, entre Janeiro e Fevereiro, salvo se outro prazo estiver fixado em disposição legal. Na falta de regime especial, a não renovação da licença anual no supramencionado prazo implica a cessação da actividade licenciada, salvo se o interessado proceder à respectiva regularização no prazo de 90 dias.

Os locais e as horas de expediente, para o tratamento de requerimentos de renovação de licenças, são os seguintes:

Caso efectue o pedido de renovação da licença anual no período de regularização de 90 dias, fica sujeito a uma taxa adicional calculada nos seguintes termos:

Centros de Prestação de Serviços ao Público:

• • •

Dentro de 30 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 30% da taxa da licença em causa; Dentro de 60 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 60% da taxa da licença em causa; Dentro de 90 dias, a contar do termo do prazo para a apresentação do pedido de renovação da licença: 100% da taxa da licença em causa.

Para um melhor conhecimento dos titulares de licença, é apresentada a seguinte tabela descritiva com o tipo de licenças a renovar entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 2014: Tipos de Licença

Local de tratamento das formalidades

Licença de estabelecimentos de venda a retalho de aves de capoeira vivas Licença de estabelecimentos de venda a retalho de animais de estimação Licença de venda a retalho de carnes frescas, refrigeradas e congeladas

Licença de venda a retalho de vegetais Licença de venda a retalho de pescado

Centro de Serviços / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público / Postos de Atendimento e Informação / Núcleo de Expediente e Arquivo

Licença de animais de competição

Licença de outros animais – cavalo, muar ou asinino

Licença anual do cão de companhia ou de estimação

Licença anual de lugares avulsos no mercado

Canil Municipal / Posto de Atendimento Itinerante para o Requerimento e Renovação da Licença do Cão de Estimação/ Centro de Serviços * / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público * * é necessário ainda marcar uma data para a vacinação anti-rábica e, na data combinada, transportar o cão ao Canil Municipal

Centro de Serviços do IACM: Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço).

Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte Rua Nova da Areia Preta, n.º 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau. Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n.º 75K, Taipa. Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 18:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Postos de Atendimento e Informação: Posto de Atendimento e Informação Central Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau. Posto de Atendimento e Informação Toi San Avenida de Artur Tamagnini Barbosa n.º 127, Edf. Dona Julieta Nobre de Carvalho, Torre B, r/c, Macau. Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4°andar, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 19:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Núcleo de Expediente e Arquivo: Avenida de Almeida Ribeiro, n.°163, r/c, Macau. - 2.ª a 5.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:45 horas. - 6.ª feira: das 9:00 às 13:00; das 14:30 às 17:30 horas. Canil Municipal de Macau: Avenida do Almirante Lacerda, Macau. - 2.ª a 6.ª feira: das 9:00 às 17:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Canil Municipal de Coloane: Estrada de Cheoc Van, Coloane. - 2.ª feira: das 10:00 às 15:00 horas (Funciona durante as horas de almoço). Os formulários de pedido de renovação das supramencionadas licenças (excepto para a Licença de Vendilhões) poderão ser obtidos no website do IACM (www.iacm.gov.mo). Para mais informações, queira ligar para a Linha do Cidadão do IACM, através do telefone no 2833 7676.

Licença de vendilhões

Licença de afixação de publicidade e propaganda

Aferição de equipamentos de pesagem ou medição

Centro de Serviços / Todos os Centros de Prestação de Serviços ao Público

Macau, 11 de Novembro de 2013.

Licença de reclamos em veículos

Licença de pejamento de carácter permanente Licença de esplanada

Centro de Serviços / Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas

WWW. IACM.GOV.MO

O Presidente do Conselho de Administração Substº, Vong Iao Lek


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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JAPÃO

AINU, UMA ETNIA ESQUECIDA

Mulher ainu tocando Mukkuri

Família ainu 1906

O

Japão é visto com frequência como uma nação composta por uma única raça, inclusive pelos próprios japoneses. Porém, a realidade é bem diferente. No norte do arquipélago vive a comunidade indígena ainu, com traços físicos parecidos com os dos esquimós e uma cultura e um idioma próprios. No entanto, as autoridades nipónicas parecem ter esquecido a existência deste povo. Na inauguração do Museu Nacional de Kyushu, o então ministro do Interior Taro Aso despertou críticas ao dizer que o Japão representava “uma nação, uma civilização, uma língua, uma cultura e uma raça”, acrescentando que não existia “outro país no mundo” com estas características. As suas palavras incomodaram não só os representantes ainus, mas também países vizinhos como China e Coreia do Sul, que consideraram as declarações extremamente nacionalistas. Anos atrás, em 1986, o então primeiro-ministro do Japão, Yasuhiro Nakasone, chegou a dizer que o país podia manter um alto nível de educação por ser um país de uma única raça. Em 1997, o Governo declarou os ainus como uma minoria indígena japonesa e criou uma lei para a promoção de

Ainu, 1902

A MAIORIA DOS AINU SOBREVIVE EM CONDIÇÕES DE POBREZA E PRATICAMENTE NO ESQUECIMENTO, APESAR DE VIVER NA TERCEIRA MAIOR POTÊNCIA ECONÓMICA DO MUNDO sua cultura e tradições. Contudo, declarações como as citadas continuam a ser feitas por altos representantes do Executivo nipónico. O Grupo Internacional pelos Direitos das Minorias (Minority Rights Group International) denunciou que, nos últimos anos, houveram poucas melhoras nas condições desta comunidade, cujos membros continuam a sofrer discriminações. Mutsuko Nakamoto, representante da Associação de Folclore e Preservação da Cultura Ainu, lembra os ataques que seu povo sofreu por parte das autoridades japonesas no final do século XIX e no início do século XX. “Quando era jovem, ninguém me mostrava como era a cultura ainu porque as pessoas temiam serem discriminadas”, afirmou à EFE Nakamoto, de 77 anos. Devido à política de assimilação promovida em 1899 pelo Governo de

Tóquio, após a revolução Meiji, os ainus foram forçados a integrar-se entre aos japoneses em certas regiões da ilha de Hokkaido, no norte do país, e obrigados a abandonarem os seus costumes. Também acabaram por ficar numa situação financeiramente insustentável devido às fortes restrições ao cultivo, à caça e à pesca. A homogeneização cultural decretada pelas autoridades japonesas causou um dano irreversível à sua cultura. “A cultura ainu não é inferior. Carecemos de escrita, mas gozamos de uma muito boa memória para transmitir oralmente os costumes. Além disso, nosso pensamento é humilde”, afirmou. Os ainus (“ser humano” no seu idioma) têm crenças animistas, segundo as quais tudo na natureza tem um “kamuy” (espírito divino) em seu interior. “Achamos que os deuses estão em todas as coisas, por isso avaliamos muito a vida”, explicou Nakamoto.

Katsunobu Nakamura, membro da mesma associação e estudante da língua ainu, fala de uma autêntica repressão do idioma indígena por parte dos japoneses. “Apesar de minha mãe ser ainu, não me ensinou nada dos costumes. Ninguém falava o idioma ainu no povoado porque todos tinham medo que a Polícia os detivesse por isso”, confessou Nakamura. Infelizmente, seu caso não é excepcional. Poucos descendentes dos ainu sabem comunicar na língua dos seus antepassados. Segundo uma estatística da prefeitura de Hokkaido de 1999, 0,8% dos ainus, todos maiores de 50 anos, sabem conversar fluentemente na sua própria língua, ao passo que 4,5% disseram que podem manter uma pequena conversa. Actualmente, segundo a última estatística realizada em 1999, 24 mil ainus vivem na ilha de Hokkaido. Mas, embora, segundo um representante da comunidade, esse número deve ser dois ou três vezes maior, já que em todo Japão há muitos que não se atrevem a revelar suas origens. A maioria dos ainu sobrevive em condições de pobreza e praticamente no esquecimento, apesar de viver na terceira maior potência económica do mundo.


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António Graça de Abreu

NA VILA SINO-TIBETANA DE DANGAER (HUANGYUAN) TIBETE ORIENTAL

O

bom do padre Évariste Huc que por aqui jornadeou no ano de 1845, chama-lhe Tang Keou-Eul e conta que neste lugar se juntou a uma enorme caravana de tibetanos a fim de empreenderem a difícil, penosa viagem até Lhasa, a 2100 quilómetros de distância. Aqui se preparavam os homens, camelos e cavalos para a longa jornada, por trilhos inóspitos, por tortuosos e enroscados caminhos, por desfiladeiros gélidos entre montanhas que alcançavam facilmente os 6 ou 7 mil metros de altitude. Aqui as caravanas se abasteciam de víveres, cobertores, apetrechos, tendas tudo o que era necessário para a extensa caminhada por vales profundos, bordejando lagos, cruzando rios, subindo e descendo montes num Tibete frio, agreste e mágico, único debaixo do céu. Dangaer era o maior entreposto de comércio desde o noroeste da China para as terras tibetanas, aqui se trocavam produtos como o chá, a lã, as peles, a carne seca de iaque, os mais diversos cereais. Em finais do século XIX a vila era próspera e habitada até por uns poucos comerciantes ingleses que chegaram a instalar um banco em Dangaer. E será de não esquecer a breve invasão militar inglesa do Tibete, em 1903/1904. Em 1913, os chineses denominaram-na Huangyuan湟源 que se pode traduzir por “várzea com nascentes de água”. Desde então o nome Dangaer passou apenas a ser usado pelos tibetanos. Depois dos oitenta quilómetros por estrada desde Xining, logo à entrada da vila destaca-se um conjunto de construções de arquitectura sino-tibetana acabadas de restaurar, de brilho intenso ao sol da manhã de Maio, em dourado vivo, vermelhão e azul. Não estou propriamente diante de um templo, mas de magníficos edifícios levantados para comemorar uma efeméride. Em tibetano o lugar chama-se Zan Pu Linka, a traduzir por “jardim real” e a acreditar no painel de entrada escrito em chinês, tibetano e inglês todo o complexo foi construído na dinastia Tang, no ano 641. O grande pavilhão central, o mais requintado e decorado com tankas, baixos relevos com figuras famosas do lamaísmo e 127 murais tibetanos de excepcional qualidade, tem no meio três enorme estátuas com mais de dez metros de altura. São do rei Songtsen

Gampo (605?-650) que completou a unificação das tribos tibetanas, da sua esposa princesa文成Wencheng, uma beldade chinesa que lhe foi oferecida pelo imperador da China, e da outra esposa, a nepalesa Bhrikuti Devi. Estas duas mulheres são tradicionalmente consideradas as responsáveis pela introdução do budismo no Tibete. A princesa Wencheng, sobrinha do magnífico imperador Tang Taizong, viajou desde Xi’an para Lhasa, no ano de 640, a fim de, como esposa favorita, entrar no palácio do rei tibetano. Assim se estabeleceriam duradouras relações de paz entre a China e o Tibete e, graças a este casamento, os chineses costumam fazer recuar ao século VII o início de uma espécie de integração do Tibete no império chinês. Daí a importância da formosa Wencheng nas relações sino-tibetanas. Os chineses consideram que a princesa transportou consigo seda, porcelanas, instrumentos musicais, jóias, medicina tradicional, livros e muito importante, novas sementes e pessoas que iriam ensinar aos tibetanos diferentes formas de se trabalhar a terra. O Tibete começou assim a absorver o que de melhor tinha a cultura chinesa. O actual Dalai Lama, os tibetanos em geral não partilham destes pressupostos, não têm a mesma opinião embora reconheçam os contributos chineses, ao longo dos séculos, para o desenvolvimento da sua pátria. Reza a tradição que a princesa Wencheng, na longa viagem para Lhasa, se alojou exactamente neste Zan Pu Linka, o “jardim real”, e que no ano seguinte se começou a construir este conjunto de pavilhões, em 2012 completamente restaurado. Na continuação da viagem para Ocidente, a princesa subiu à montanha do Sol e da Lua, aqui ao lado de Dangaer, para do alto se despedir das terras da China. Tinha um espelho mágico com que podia olhar para Xi’an, a capital do império chinês, mas o espelho partiu-se e, para leste, a princesa apenas conseguiu ver montanhas perdidas em horizontes de bruma. Chorou, chorou, as suas lágrimas correram pelo vale. Assim nasceu o rio Daotang que segue o seu curso em direcção ao lago Qinghai. Outra versão assegura que a princesa para cortar os laços com Xi’an e melhor servir o seu rei tibetano, lançou fora o espelho que acabou por cair na grande planície mais


artes, letras e ideias 15

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Carlos Morais José

abaixo e por se transformar no enorme lago Qinghai. Com o grande incremento do turismo interno chinês, também por razões de natureza política, para provar que Dangaer, ou Huangyuan, é mais terra da China do que do Tibete, no ano de 2006 iniciaram-se grandes obras de restauro na parte antiga da vila onde prevaleciam construções chinesas datadas das dinastias Ming e Qing (de 1368 a 1911). Hoje paga-se um bilhete de entrada nas duas ruas paralelas impecavelmente reconstruídas, parcialmente muralhadas, na zona norte de Dangaer, e aí vamos encontrar tudo o que caracterizava as vilas ou cidades da velha China. Muitas lojinhas ao modo de antanho onde se vende de tudo, um pequeno templo de Confúcio onde se reverencia o grande educador do passado, e onde hoje um mestre de cerimónias distribui um livrinho com citações dos clássicos confucianos e põe os turistas em fila a recitá-las em coro, um excelente templo taoista dos Deuses da Cidade onde se pede a protecção das divindades para a população de Huangyuan e para a família de cada um, o velho 衙门Yamen, o pavilhão e salas onde trabalhavam, governavam os mandarins, com um tribunal em anexo onde se recria, se teatraliza, de hora a hora

um julgamento ao modo de finais da dinastia Qing, com dois juízes, solenes e emproados, e um assustado réu ajoelhado, aguardando a sentença. Estes espaços coloridos da antiga cidade chinesa, recuperada para entreter o turista de passagem, têm alguma graça e deparamo-nos com uns restos do charme perfumado do passado chinês. Entramos num salão onde sete músicos e cantores, com instrumentos e roupas tradicionais, dão música a quem estiver interessado. Logo ao lado, num palco sob um grande telheiro sentamo-nos numas cadeiras de plástico para assistir a uma passagem de modelos, não com a última moda de Paris ou Milão mas com umas avantajadas senhoras da terra, à mistura com umas meninas mais novas, todas a fingir de modelos, que nos apresentam, tipo rodízio em movimento acelerado, alguns trajes típicos de mulheres chinesas e tibetanas. Adeus vila chinesa de Huangyuan!… Para encontrar o verdadeiro Tibete, basta sair da parte chinesa de Huangyuan e caminhar pela parte tibetana da vila de Dangaer, a mesma, subir os caminhos de montanha, ali em frente e deixar o pulsar do coração misturar-se ao azul do céu, aos espaços do vazio. A grande China fica para trás.

SALTAR EM ANDAMENTO

E

“

STOU habituada a depender da gentileza de estranhos”, é a frase que celebrizou a personagem Blanche Dubois de Um Eléctrico Chamado Desejo, peça de teatro escrita por Tennessee Williams. O que é isto de “depender da gentileza de estranhos”? Será algo que devamos tomar como padrão ou como padrão a evitar?

A GRANDEZA DE BLANCHE RESIDE PRECISAMENTE NESSE RETRATO INTEIRO DA CONDIÇÃO HUMANA Não significa muito, como não significa pouco: “depender da gentileza de estranhos” é apenas cortar os laços estáveis com as nossas próprias vidas, os que temos connosco, para nos subjugarmos a decisões alheias, tomadas por alguém que não conhecemos. Poderemos então considerar livre alguém que depende “da gentileza de estranhos”? Ou haverá uma estranha forma de liberdade que passa por abdicar da vontade própria e de não reconhecer outro desejo que não seja o do outro? Ganha a liberdade no exercício do poder ou na mera ausência da vontade de poder? Não nos dizem quase todas as filosofias que o desregramento antecipado dos desejos e a sua abolição é o estado pleno do ser?

Platão garantia, no cume da sua velhice, que era livre porque já não era mordido pelos “cães das paixões”. E não é o único: quase todos os saberes prevêem a dormência do desejo como condição sine qua non para o explanar de um lúcido pensamento. Não desejar para ser. Não estar para resolver. Não possuir para dominar. Porque — bem o sabemos — o contrário disto resume-se ao efémero. Voltemos às dádivas dos estranhos. Quem dá é refém da sua dádiva, quem recebe permanece no seu espaço. E, neste mundo, não há nada como o espaço. O tempo é uma convenção, as forças que explanamos, algo de atonitamente passageiro. Só o espaço permanece, só as pedras poderão contar a história de uma contradição entre uma consciência exaltada de si e a mera consciência do espaço, sem sentimentos nem saídas que não seja ele mesmo, criando desertos. Nada verdadeiramente guarda a natureza, esta desdobra-se em diversas aparências, na verdade um corpo pleno e deserto que insistimos, esporadicamente e sem grandes resultados, povoar. A grandeza de Blanche reside precisamente nesse retrato inteiro da condição humana, cujos contornos definitivos se revelam nos seres que alguns consideram mais fracos mas cuja grandeza permite estabelecer ligações de vária ordem a uma determinada maneira, pouco piedosa, de encarar a verdade. “... Depender da gentileza de estranhos”, diz ainda Blanche, quando sai, flutuante, definitivamente, desse eléctrico chamado desejo.


DESPORTO

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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

O

norte-americano Brandon Rios terá combatido sob o efeito de substâncias ilícitas no frente-a-frente que manteve com o filipino Manny Pacquiao na Arena do Cotai a 24 de Novembro último. O antigo campeão do mundo da categoria de pesos-leve não passou incólume na prova de despistagem de anabolizantes e substâncias proibidas a que foi submetido imediatamente após o combate pela Associação Voluntária Anti-Doping. O atleta, de origem mexicana, foi submetido a quatro outros testes nas semanas que antecederam o evento, sem que tenham sido detectadas quaisquer anomalias. No exame decisivo, os resultados foram outros, de acordo com o portal RingTV.com. A publicação electrónica, especializada em boxe, revelou no fim-de-semana que Brandon Rios terá competido sob a influência de methylexanamina, uma substância frequentemente utilizada como suplemento dietético que – de acordo com aAgência MundialAnti-Dopagem – pode também influenciar o rendimento e a concentração de quem a ela recorre. A informação divulgada pela RingTV.com já foi entretanto desmentida pelo pugilista, ainda

BOXE NORTE-AMERICANO FOI SUSPENSO POR SEIS MESES

Doping trama Rios que Bob Arum a tenha confirmado. O patrão da Top Rank, entidade responsável pela promoção do combate de Novembro último, reiterou as informações divulgadas pelo portal electrónico e adiantou que a Associação Profissional de Boxe da República

Popular da China já accionou os mecanismos necessários para que o atleta seja devidamente punido: “Foi encontrado algo na urina depois do combate. Foi esta a informação que a Agência Voluntária Anti-Doping reportou à associação chinesa de boxe.

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Aviso Publicação da lista de resultados das candidaturas às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo 2013/2014 A lista de resultados das candidaturas às Bolsas de Mérito para Estudos PósGraduados do ano lectivo 2013/2014 está afixada no Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, 5.o andar) e no Centro dos Estudantes do Ensino Superior do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida n.º 68-B, Edifício Va Cheong, R/C B, Macau, ou seja, em frente da paragem de autocarro do Jardim Lou Lim Ieoc), a mesma lista pode ainda ser consultada na página electrónica da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados (www. gaes.gov.mo/ctabe). Os seleccionados para as Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo 2013/2014 podem dirigir-se às localidades acima mencionadas, a partir de hoje até ao dia 27 de Dezembro do corrente mês, no horário de atendimento, para o tratamento das formalidades. As informações pormenorizadas podem ser consultadas na página electrónica da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados (www.gaes.gov.mo/ctabe). Aos 19 de Dezembro de 2013. O Presidente, Sou Chio Fai

Antes deste último exame, Ríos tinha passado incólume me todas as provas de despistagem. Não se trata de um esteróide e creio que eventualmente terá sido algo que tomou para controlar as oscilações de peso”, sublinha Arum. Manny Pacquiao, sobre quem

recaiam suspeitas infundadas de utilização de substâncias ilícitas, foi submetido também a cinco provas de despistagem de anabolizantes e produtos similares, mas os resultados dos testes a que o lutador filipino se submeteu não revelaram qualquer substância proibida. Na terça-feira, Zhang Tao, presidente da Associação Profissional de Boxe da China solicitou a suspensão de Brandon “Bam Bam” Rios durante um período de seis meses a contar da data de diagnóstico das substâncias dopantes. O pugilista norte-americano de ascendência mexicana vai ficar sem competir pelo menos até 24 de Abril próximo, de acordo com as informações veiculadas pelo portal Boxing Scene. Manny Pacquiao já reagiu às notícias que dão conta da suspensão do seu mais recente adversário. O astro filipino censura o comportamento de rios e exige uma punição exemplar para os lutadores que recorrem a elementos dopantes: “Da próxima vez que subir ao ringue, vou estipular no contrato o valor das multas que um lutador que teste positivo deve pagar. Uma suspensão de seis meses não é suficiente. É necessário aplicar multar para que lutador e treinador sejam disciplinados”, defende o pugilista filipino.


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

8

MAX

14

HUM

40-75%

•

EURO

10.9

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

SALA 1

FIRE STORM [C]

(LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 14.30, 21.30, 23.30

FROZEN [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 16.30

FIRE STORM [3D] [C]

(LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 14.30, 21.30, 23.30 SALA 2

FROZEN [3D] [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 14.00

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [C] Um filme de: Peter Jackson Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage 16.00, 21.45

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [3D] [C] Um filme de: Peter Jackson Com: I. McKellen, M. Freeman, R. Armitage 18.50 SALA 3

WALKING WITH DINOSSAURS [A] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Huang Chia-Chun 14.00

WALKING WITH DINOSSAURS [3D] [A] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Huang Chia-Chun 18.00

THE WIND RISES [A]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 15.45, 21.45

FROZEN [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 19.45

Uma peça de teatro chamada Pyongyang

Guia para recém-casadas escrito por mulher: ‘Sejam submissas’ • “Case e seja submissa” é o título do livro da italiana Costanza Miriano, de 43 anos. A autora é uma católica devota, casada e com quatro filhos. O guia é inspirado nos ensinamentos de São Paulo na Bíblia e em “casamentos bem-sucedidos” – o dela e o de amigos. Em linhas gerais, o livro, que virou bestseller na Itália e na Espanha, defende que as mulheres sejam “fiéis e obedientes” ao marido. “É verdade, você ainda não é uma cozinheira experiente ou uma perfeita dona de casa. Qual é o problema se ele (o marido) lhe disser isso? Diga-lhe que ele que está certo, que isso é verdade, que você vai aprender. Perceber a sua doçura e a sua humildade, o seu esforço para mudar, fará com que ele mude também”, escreveu a italiana.

Ficou viúva sete horas depois de ter casado, após atropelamento do marido • Sete horas após ter casado com Nikki, um norte-americano seguia de carro, em Crown Point, no estado do Indiana, ao lado da mulher. Até que o casal encontra uma amiga, Linda Darlington, de 42 anos, que tinha perdido o controlo do seu carro e ficara atolada na neve. William, de 49 anos, estacionou o carro e dirigiu-se para o local onde se encontrava a amiga, que também fora convidada para o casamento, segundo revela a Associated Press. Mas não conseguiu chegar ao destino. Foi colhido por um autocarro, primeiro, e por outros dois carros, não sobrevivendo aos graves ferimentos que sofreu. O atropelamento provocou um acidente, que viria a ser fatal para Linda Darlington, que também morreu. Nikki Night acabara de casar e preparava-se para a noite de núpcias, mas teve de exercer a sua função profissional. Enfermeira de profissão, teve a complicada tarefa de socorrer o marido e a amiga. Mas não conseguiu evitar a morte de ambos. A mulher revelou que o marido e a outra vítima estavam sem pulso, logo após o atropelamento. O óbito foi declarado no local

AARON, O MENINO BONITO Chamam-lhe o típico menino bonito americano e não é difícil perceber porquê. Nascido em Ohio, nos EUA, Aaron O’Connell começou por ser actor, depois de ter tirado o mestrado em Saúde. É um dos modelos preferidos das marcas de roupa interior (vá-se lá saber a razão) e espera-se que seja um dos modelos da década. GQ, Vogue, Abercombrie & Fitch, escolha uma publicação e ele aparece lá. O seu lema de vida? “Sejam tão felizes que, ao olharem para vocês, outros vão ser felizes também.” Agradecemos, Aaron e ficamos muito felizes de olhar para ti.

fonte da inveja

Uma obra pública raramente é púdica.

João Corvo

Tenho vindo a acompanhar as notícias sobre a Coreia do Norte nos últimos tempos. Mais atentamente desde que o roliço Kim Jong-un chegou ao poder. E penso: tudo me parece uma encenação, bem feita é claro. Esta peça de teatro chamada Pyongyang tem diversos actores mas apenas um pode ser protagonista. E isso acontece desde o tempo do avô Kim Il-sung. As imagens que são difundidas para o mundo mostram centenas e milhares de pessoas a bater palmas sincronizadas, como se tivessem ensaiado aquilo durante dias a fio; mostram militares a marchar quase a fazer a espargata em uníssono como se, com chibatadas, tivessem treinado aquilo anos a fio; mostram pessoas a deslocarem-se às estátuas de Kim Il-sung e Kim Jong-il quase forma milimétrica, colocando flores de forma geométrica e saindo de cena como se aquele momento tivesse sido ensaiado vezes sem fim. Como diria um amigo meu, a Coreia do Norte parece um jogo de consola. Um lugar onde apenas de pode usar dois ou três cortes de cabelo, nenhum igual de Kim Jong-un (e ainda bem, pois o líder norte-coreano parece não ter sentido estético na escolha do seu ‘look’). Um país onde tudo é geométrico mas ao mesmo tempo vazio. Um lugar onde o napperon de croché ainda está em cima de uma mesa. Onde os roupeiros cheiram a mofo. Onde todo o cenário se assemelha a qualquer coisa antes lida, por exemplo, no livro “1984” de George Orwell. Contudo, nem tudo é assim, parado no tempo, na Coreia do Norte. Ali, vive-se um clima de terror imenso, onde a sentença de morte pode ser o recurso último para muitos que querem simplesmente ter uma opinião, como aconteceu com um homem que foi executado apenas por perguntar porque é que a sua aldeia não tinha electricidade se um porto marítimo, bem ao lado, estava completamente iluminado. Podíamos estar aqui a narrar outras histórias rocambolescas que se passam na República Democrática (!!!) Popular da Coreia mas fiquemos apenas com aquele imaginário do cheiro a bafio, parado lá atrás, muito antes de eu ter nascido. Miau...


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OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

direito de resposta Num artigo que é manifestamente desfavorável á imagem da AJEPC, foram utilizadas afirmações a mim imputadas de tal forma que fora do contexto em que foram usadas darão a entender, que estarei solidário com as criticas que fundamentam o vosso artigo. Ora a minha posição é totalmente contraria a essas críticas e reconheço o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por esta associação e pelo seu presidente Dr. Carvalho Neto. Num momento em que o nosso país precisa de aumentar drasticamente as suas exportações, pena é que o exemplo desta associação e do seu presidente, não seja seguido por outros organismos e entidades nacionais. Gostaria que ficasse bem claro que não me reconheço nas críticas que o vosso artigo menciona nem na

cartoon por Stephff

imagem negativa que o mesmo artigo pretende passar sobre a AJEPC. Mais informo que tinha pedido para que antes da publicação me fosse apresentado um ‘draft’ do artigo para ter a minha aprovação, que certamente não teria, e apenas fui confrontado com um facto consumado, em que o meu nome aparece envolvido num artigo com o qual estou totalmente em desacordo. Considero que tenho o direito de resposta, ao abrigo da lei internacional de imprensa, pelo que solicito que esta minha missiva seja publicada no vosso jornal, de forma que inequivocamente seja clarificada a minha posição sobre este assunto.

Atentamente, Thomaz de Lima Mayer

N.R. – O Hoje Macau lamenta, antes de mais, que esteja a ser posta em causa a idoneidade dos seus profissionais. Logo após a publicação do artigo, na troca de e-mails entre o senhor Thomaz de Lima Mayer e a jornalista Andreia Sofia Silva, os mesmos foram enviados com o conhecimento do presidente da Associação dos Jovens Empresários Portugal-China, naquilo que nos parece uma manobra de desculpabilização ao retardador imbuída de algum tipo de pressão a que o nosso jornal é alheio. O Hoje Macau não tem qualquer intenção de favorecer ou desfavorecer quem quer que seja em nome deste ou daquele interesse, desta ou daquela política, deste ou daquele país/região. Aliás, não é isso que nos move nem nunca moverá. Contudo, parece-nos que as informações que possuíamos eram de matéria mais que relevante para que se apurasse a verdade dos factos.

Ao Hoje Macau chegaram informações de descontentamento acerca do trabalho efectuado pela Associação dos Jovens Empresários Portugal-China e foi nesse sentido que fomos ouvir diversas partes interessadas, inclusive o presidente Alberto Carvalho Neto para exercer o direito ao contraditório tal como se deve, sempre que possível, fazer numa peça jornalística. O Hoje Macau não envia nem mostra ‘drafts’ dos artigos antes da sua publicação para aprovação. Isso representa uma manobra de censura e vai contra todos os princípios de independência que norteiam o nosso jornal e deveriam nortear o jornalismo em geral.

O editor, Gonçalo Lobo Pinheiro


opinião 19

hoje macau quinta-feira 19.12.2013

LEOCARDO

bairro do oriente

A

nossa mui estimada Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) comemora amanhã 14 anos de existência. Quem diria. Ainda parece que foi ontem que estava eu no Largo Senado em boa companhia, fazendo jus à ladainha da amizade secular entre Portugal e a China. No ecrã gigante instalado no Largo do Senado, discursavam os presidentes dos dois países que faziam a passagem do testemunho. O primeiro, Jorge Sampaio, falava muito e não dizia nada, como sempre nos habituou, mas o seu homólogo chinês Jiang Zhemin proferiu uma frase que me ficou na memória: “Macau está bem, e os portugueses fizeram um bom trabalho, e agora cabe-nos fazer ainda melhor!”. Bem, as intenções eram as melhores, com toda a certeza, mas passados 14 anos, que balanço podemos fazer? Está melhor, de facto, para alguns. Muito poucos, os mesmos de sempre. Está assim-assim para os restantes, e há quem já se dê por satisfeito por não estar muito pior. Sim, há mais dinheiro, mas como diziam aqueles rapazes lá de Liverpool, “o dinheiro não me compra o amor”. A génese da RAEM foi única, foi singular, foi original. Não tem pai nem mãe, foi criada em laboratório. Não como um bebé proveta, mas mais como um clone. A RAEM é como a ovelha Dolly, mas numa versão revista e aumentada. Sendo uma menina (“A” região), os 14 anos são uma idade complicada, os anos da rebeldia. É a idade de começar a fumar às escondidas dos pais – se é que não o faz, a julgar pela qualidade do ar que se respira. Aos 14 já é menstruada, o seu corpo está em constante transformação, e isso desperta-lhe a curiosidade. Como não tem Educação Sexual ou os pais para esclarecer as dúvidas, o mais provável é que venha a aprender com gente mal intencionada. É preciso ter cuidado com as más companhias. A sua irmã RAEHK vive do outro lado do rio, mas julga-se superior, corre-lhe sangue azul nas veias, e acha-se demasiado importante para aconselhar a mais pequena. Mas os padrinhos da RAEM, que sobre ela exercem o poder paternal na ausência de um pai e de uma mãe que lhe amor e afecto, não estão muito preocupados com ela. Sabem muito bem o que têm lá em casa. A RAEM é uma menina feia, gorda, peluda, pouco atraente e muito desenvolvida para a idade. Uma matulona. A culpa é daqueles que a quiseram fazer crescer depressa, que a queriam ver produzir, e que dela se aproveitaram. O plano para que a pequena RAEM se desenvolvesse rapidamente, que se

ANDRE DERAIN, O ARLEQUIM E O PIERROT

A RAEM sopra as velinhas

dotasse de um espírito vencedor e se tornasse numa campeã precoce, é mais sinistro que o plano da ex-RDA para as suas atletas de alta competição. Depois de tanta testosterona, nitrofuranos, e sabe-se lá que outras hormonas e drogas maravilhosas, a jovem RAEM já nem sabe bem quem é. Perdeu a identidade, e começa a desistir de a procurar. Está muito pesada, e por isso cansa-se com facilidade. Começa a dar alguns passos na rua, e já está lavada em suor, e só pensa em voltar depressa para casa, para a gaiola dourada que criaram à sua medida. É um frágil florzinha de estufa. Os homens que a exploram retalharam o seu corpo, e como que num toque de Midas, tornaram o árido e inóspito em convidativo e fértil. Construíram-lhe palácios, cobriram-na de jóias, de sedas de todas as cores, compraram-lhe roupas e adereços de luxo, levam-na em carros de topo de gama a lugares onde tem as luzes da ribalta apontadas só a ela. Ela gosta do dinheiro, claro, mas sente que lhe falta qualquer coisa, um carinho genuíno, um amigo sincero, um abraço apertado antes de adormecer. É um senhor muito rico do outro lado da fronteira que lhe paga todos estes

A pobre RAEM vive na sua própria realidade virtual, no seu “Truman Show”, no qual somos todos meros actores. Quando nos pergunta se é eterna, dizemos-lhe que sim, quando todos sabemos que aos 50 partirá deste mundo que nunca chegará a conhecer realmente luxos, e os mais cépticos dizem que ela vale muito menos do que aparenta, e que tudo o que a rodeia é perecível, e o seu reino é de plástico. Ouviu falar de uma tal Macau, que existia antes dela, bela, misteriosa, sedutora, e que do seu ventre saíram milhares de filhos de

todas as raça, fruto do seu amor por homens de todas as origens, credos e raças. Confusa, pede conselhos ao padrinho, que lhe diz que não dê ouvidos às aves de mau agoiro, e que esqueça a tal Macau: a história começou com ela, faz amanhã 14 anos. A pobre RAEM vive na sua própria realidade virtual, no seu “Truman Show”, no qual somos todos meros actores. Quando nos pergunta se é eterna, dizemos-lhe que sim, quando todos sabemos que aos 50 partirá deste mundo que nunca chegará a conhecer realmente. Somos todos cúmplices de um crime perfeito. Porquê? Porque sim, querem que eu tire uma razão do rol? E que tal “não vale a pena remar contra a maré”? Dói-nos a alma, vê-la assim, tão ingénua, tão indiferente aos que lhe querem mal. Mas gostamos de a ver sorrir. E por isso amanhã vamos vesti-la bonitinha, com um laçarote rosa no cabelo, e soprar as velas com ela. Vamos esquecer os desgostos, do tio maroto que lhe quis fugir com o mealheiro, ou do actual padrinho, mais frio e distante que o anterior, que também tem culpas no cartório. E o que lhe oferecer? Bom, do jeito que isto está, que tal um plano poupança habitação?

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 19.12.2013

TV CABO CONTRA FINANCIAMENTO DE CANAIS TELEVISIVOS PELO GOVERNO

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

“Governo não deve intervir em tudo”

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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A TV Cabo reagiu ao estudo que a UMAC está a desenvolver sobre o mercado televisivo e mostra-se contra o domínio do Governo no sector, no que diz respeito à compra de canais. O advogado Jorge Menezes afirma que “em qualquer parte do mundo os serviços de televisão são providenciados por empresas privadas” TIAGO ALCÂNTARA

TV Cabo entregou ontem formalmente as suas opiniões à Universidade de Macau (UMAC) para o estudo que esta está a realizar sobre o futuro desenvolvimento do mercado televisivo, o qual só estará pronto em Setembro de 2014. A empresa afirma que o grupo da UMAC não domina a situação do mercado televisivo local, principalmente no que diz respeito à compra de canais base estrangeiros. “Os anteneiros faziam transmissões ilegais e agora o Governo quer fazer um modelo baseado nos antigos modos dos cidadãos verem televisão. Em todo o mundo há dois tipos de mercado: o gratuito e o pago. O Governo quer transformar os canais pagos em gratuitos, e assim fica como regulador, intervindo na competição do sector”, lê-se na proposta. A empresa considera que esse comportamento vai “destruir” a igualdade no mercado e a justiça na

A TV Cabo afirma que a UMAC não domina a situação do mercado televisivo local, principalmente no que diz respeito à compra de canais base estrangeiros

competição. “Se os canais pagos entrarem na lista das empresas públicas, como por exemplo a TDM, o Governo vai financiá-los para haver uma maior cobertura, e isso vai piorar a concorrência. O ambiente de negócios para a TV Cabo vai piorar ainda mais.” A empresa considera ainda que, se o Executivo quer intervir nos serviços televisivos e financiar os canais, então serviços como a água, luz ou transportes públicos também devem ser gratuitos. “No futuro o Governo vai ajudar a pagar o serviço de banda larga e telemóvel? A sua respon-

sabilidade é fazer políticas adaptadas e oferecer um bom ambiente de negócio, com oportunidades de emprego. Não deve intervir em tudo e matar as possibilidades de negócio para as empresas.” Jorge Menezes, advogado da TV Cabo, enviou também um parecer jurídico sobre o assunto, que arrasa completamente a possibilidade de intervenção do Executivo. “Em qualquer parte do mundo os serviços televisivos são providenciados por empresas privadas. Além disso, os governos não são bons gestores de negócios, por

isso é que existem leis para concessões.” “Os governos não transmitem canais provenientes de fontes estrangeiras. A única coisa que o Governo pode garantir é a produção de conteúdos, tendo um grupo de canais, como a TDM. Tudo o resto é uma competição do Governo com empresas privadas.” O advogado considera ainda que, no futuro, “o Governo deve deixar claro que um monopólio formal, mas de facto inexistente, que existiu entre 1999 e 2013, não será substituído por um verdadeiro monopólio num contexto formal de mercado liberalizado”.


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Hoje Macau 19 DEZ 2013 #2998 by Jornal Hoje Macau - Issuu