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Hoje Macau 19 OUTUBRO 2021 #4873

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Cuidado com as lulas

JUSTIÇA

Guerra ganha

hoje macau Nº 4874

TERÇA-FEIRA 19-10-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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Circular para viver

A circulação entre Macau e Zhuhai volta a estar facilitada. A partir do meio-dia de hoje, para entrar na cidade vizinha basta apresentar o teste de ácido nucleico com validade inferior a 48 horas, não sendo necessário certificado de vacinação. A medida, que contempla, no entanto, algumas excepções, deverá trazer de volta ao território a rotina de outros tempos. PÁGINA 5

MOP$10

BELEZA

SALÕES SOB PRESSÃO PÁGINA 3

OUTUBRO

ANABELA CANAS METRO LIGEIRO

UM CASO PARA INVESTIGAÇÃO

HOJE MACAU

ÚLTIMA

PUB

PUB.

PÁGINA 2

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

PASSEAR NA FRONTEIRA ENTREVISTA


2 política

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19.10.2021 terça-feira

Plano Quinquenal Sessões de consulta regressam no domingo

As sessões de consulta pública relativas ao segundo Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM regressam no próximo domingo, 24 de Outubro, às 15h, no Salão de Convenções do Centro de Ciência de Macau. Os interessados podem inscrever-se a partir das 09h de hoje na página de internet da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR). As sessões de consulta pública foram canceladas devido às medidas de prevenção epidémica, retomam agora com limitações de segurança. Assim sendo, o número máximo de participantes foi fixado em 50, a quem é exigido o uso de máscaras, apresentação de código de saúde verde e medição de temperatura corporal. Estão previstas duas sessões públicas presenciais até 13 de Novembro, mas o site da DSEPDR tem uma secção para recolha de opiniões relativas ao plano quinquenal.

Cartórios Serviço para verificar autenticidade de plataformas

O Governo anunciou o lançamento duas plataformas para verificar a autenticidade das certidões de registo e documentos notariais emitidos pelas conservatórias ou cartórios notariais públicos. Estes serviços online são denominados Plataforma de Consulta de Certidões dos Registos e Plataforma de Consulta de Actos Notariais e foram criados com o objectivo de “facilitar à entidade receptora a aferição da genuinidade” dos documentos, independentemente da localização geográfica. Para consultar a autenticidade dos documentos, os interessados precisam apenas de introduzir o número exclusivo de cada certidão de registo ou documento notarial e o código de verificação. Os serviços online permitem ainda aceder às estatísticas sobre a emissão de certidões.

METRO LIGEIRO PEDIDA INVESTIGAÇÃO E CRITICADOS CUSTOS

O elefante branco O deputado dos Operários considera necessário fazer uma investigação ao Metro Ligeiro e às competências da entidade fiscalizadora, depois de terem sido detectados problemas que vão obrigar o serviço a estar suspenso seis meses

O

deputado Leong Sun Iok considera que é necessário fazer uma investigação aos problemas que motivaram a suspensão de seis meses do Metro Ligeiro. De acordo com um artigo do Jornal do Cidadão, para o legislador dos Operários o caso mostra a falta de recursos por parte do Governo para investigar não só estes problemas, mas também outros, mais profundos, ao nível da segurança. O deputado recomendou assim uma investigação a toda a estrutura, que no seu

entender deve ser feita com recurso a uma entidade independente, que não a empresa do Metro, a MTR. Segundo Leong, a investigação teria como objectivo procurar problemas semelhantes no traçado do Metro construído até esta altura e verificar as condições de segurança, para evitar problemas que diz poderem ter “impactos sérios”.

No mesmo sentido, o deputado levantou ainda dúvidas sobre a capacidade do Governo para fiscalizar as operações da MTR, empresa de Hong Kong, por considerar que há falta de conhecimentos técnicos. Leong coloca mesmo a hipótese de, na Administração Pública, haver falta de conhecimentos técnicos para perceber se os relatórios

O legislador ataca ainda a empresa não só por ser “cara”, mas também por considerar que é “muito passiva” no desempenho das suas funções

da empresa correspondem à realidade.

Críticas à MTR

No que diz respeito à MTR, o legislador ataca ainda a empresa não só por ser “cara”, mas também por considerar que é “muito passiva” no desempenho das suas funções. Por outro lado, o ataque do deputado visou o preço de construção da linha da Taipa, que agora vai ficar suspensa. Leong critica igualmente os custos de construção, superiores a 10 mil milhões de patacas e o contrato de operação e de manutenção, que diz custar mais de 5,8 mil milhões de patacas. Sobre o último valor, o legislador destaca que não inclui o preço da electricidade e despesas administrativas. Numa altura que diz de crise devido à situação económica, Leong recorda assim ao Governo que o projecto sempre foi muito criticado socialmente, e que é cada vez mais notório que tem zero benefícios sociais, por isso considera que o metro se tornou “o elefante branco do século”. João Santos Filipe

Vacinação Ron Lam pede clarificação de critérios

O deputado Ron Lam questionou a secretaria da Assembleia Legislativa sobre os critérios exigidos a jornalistas para fazerem a cobertura das sessões plenárias. Em causa, está a primeira sessão da Legislatura, que decorreu no sábado, e obrigou que os jornalistas não só estivessem testados, com um resultado negativo com a validade de 48 horas, mas também vacinados. Segundo o deputado, caso esta medida seja igualmente aplicada aos funcionários da AL, em causa fica o princípio de voluntariedade que o Governo tem defendido na campanha de vacinação da população. Apesar de defender que a vacinação é a melhor solução para lidar com a pandemia, Ron Lam acusou o Governo de criar “uma polémica desnecessária” e pediu que o assunto seja esclarecido.

Semáforos Si Ka Lon defende melhoria do sistema

Si Ka Lon considera que é urgente melhorar o sistema de sinalização luminosa em Macau e fazer uma revisão completa da lei de trânsito. De acordo com o deputado, uma das grandes causas dos acidentes prende-se com as práticas dos condutores, que nem sempre estão dispostos a respeitarem a regras de cedência de passagens, nem as distâncias de segurança. Por isso, segundo o Jornal Cheng Pou, o membro da Assembleia Legislativa quer que os trabalhos avancem o mais depressa possível. De acordo com as estatísticas oficiais, entre Janeiro e Agosto, houve um total de 8.532 acidentes, o que representa um aumento de 40 por cento face ao ano transacto. Em 2020, registaram-se 6.088 acidentes.


terça-feira 19.10.2021

política 3

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Desde o início da pandemia, os salões de beleza foram obrigados a suspender a actividade em três ocasiões diferentes. Para a Associação de Negócios de Indústria de Beleza de Macau, está na hora do Executivo assumir as suas responsabilidades

SALÕES DE BELEZA ASSOCIAÇÃO EXIGE SUBSÍDIOS DEVIDO A SUSPENSÃO FORÇADA

A coisa aqui está feia

Neste capítulo, as “soluções” são vistas como insuficientes, porque podem dar ajuda no curto prazo, mas não resolvem a questão de fundo, que é um sector a lutar contra despesas correntes permanentes, e que se vê privado de receitas.

“O incentivo aos proprietários [privados] para reduzirem as rendas não serviu de muito [...] porque os proprietários não reduziram as rendas.”

A

Associação de Negócios de Indústria de Beleza de Macau foi ontem à sede do Governo exigir subsídios e a retirada da classificação do sector de beleza como uma actividade de lazer. As reivindicações surgem após o sector ter sido obrigado a suspender a actividade pela terceira vez desde o ano passado devido à propagação da covid-19. “Desde o início da pandemia, o sector de beleza já teve de fechar três vezes, mas a renda, que é cara, foi paga, assim como os custos com os recursos humanos. Tudo isto resulta numa pressão imensa”, afirmou Cheng Lai Ngan, a presidente da Associação de Negócios de Indústria de Beleza de Macau, em comunicado. A representante deixou também críticas às oito medidas de apoio às Pequenas e Médias Empresas anunciadas há cerca de duas semanas pelo Executivo. Para Cheng, as intenções podem ser boas, mas

Covid-19 Ng Chio Wai alerta para pressão pandémica

CHENG LAI NGAN PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE NEGÓCIOS DE INDÚSTRIA DE BELEZA DE MACAU

os apoios são insuficientes para revitalizar os negócios. No pacote de medidas, constava a isenção do pagamento de rendas, no caso de os edifícios onde as PME operam pertencerem à Administração Pública, ou o apelo aos privados para que reduzissem o valor das rendas cobrados às PME. Segundo a dirigente associativa, os apelos “passaram ao lado” dos donos das lojas. “O incentivo aos proprietários [privados] para reduzirem

Ng Chio Wai, vice-presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, apelou à população para estar atenta aos amigos e familiares, devido à pressão psicológica causada pela pandemia e pelas dificuldades financeiras. Segundo o relato de Ng, que trabalha na assistência social, o impacto da pandemia nas Pequenas e Médias Empresas é sido muito elevado e tem criado uma pressão enorme para os cidadãos, além de um sentido permanente de insegurança e pânico face ao futuro. Por isso, o dirigente pediu à sociedade para estar atenta aos familiares e amigos e procurar ajuda psicológica, se necessário. Ao mesmo tempo, Ng destacou que é importante que, mesmo em tempos de confinamento, as pessoas consigam desenvolver actividades que lhes permitam estar relaxadas e descontraídas.

A

PÓS reunir com o Chefe do Executivo sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2022, a Aliança de Povo de Instituição de Macau revelou ter defendido perante Ho Iat Seng, o alargamento do apoio pecuniário de 10 mil patacas aos trabalhadores que obtiveram remunerações mensais de cerca de 18 mil patacas em 2020, em vez das 12 mil patacas previstas pelo pacote de apoio às PME anunciado a 11 de Outubro. Recorde-se que o pacote de apoio anunciado pelo Gabinete do secretário para a Economia e Finanças define a atribuição

as rendas não serviu de muito [...] porque os proprietários não reduziram as rendas”, indicou. Ainda segundo Cheng, o facto de o Governo estar disposto a diminuir as rendas, enquanto os privados não o fazem, cria um sentimento de desigualdade entre os negócios do sector.

Despesa fixas

Cheng indicou também que a suspensão e a exigência de quarentena

à entrada em Zhuhai levou a que muitas PME tivessem de pagar a permanência dos trabalhadores em Macau, assim como as respectivas refeições, apesar de não terem receitas. O pacote de medidas contempla também incentivos para que os empréstimos sem juros cedidos às PME possam ser pagos mais tarde, para que as empresas não tenham de enfrentar tão depressa a pressão do reembolso.

É preciso mais

Aliança do Povo quer alargar apoio de 10 mil patacas a mais trabalhadores

de um apoio pecuniário de 10 mil patacas a todos os contribuintes do imposto profissional, com rendimentos obtidos em 2020 inferiores a 144 mil patacas, ou seja, remunerações mensais de cerca de 12 mil patacas. À saída da reunião, o deputado e presidente da associação, Nick Lei apontou ainda ter sugerido ao Governo que tomasse medidas para garantir a atribuição de um seguro médico universal a toda a população

e a distribuição de apoios dirigidos aos trabalhadores dos sectores mais afectados pela pandemia. Segundo Nick Lei, Ho Iat Seng não respondeu concretamente às sugestões apresentadas, indicando que devido às incertezas inerentes à pandemia de covid-19 “o Governo terá de ponderar de forma aprofundada”. Por sua vez, a deputada Song Pek Kei, que marcou também presença na reunião, transmitiu que Ho Iat

Cheng Lai Ngan pediu ainda ao Governo que deixe de considerar o negócio dos salões de beleza como entretenimento. “Os serviços de beleza são procurados pelos consumidores, e o sector oferece serviços profissionais de cuidado de pele, uma actividade de saúde, que não deve ser classificada como entretenimento”, vincou. Por último, a associação apelou ao Executivo para que não volte a obrigar os negócios do sector a suspenderem a actividade. Nunu

Wu (com J.S.F.)

Seng pretendeu acima de tudo ouvir através dos interlocutores “as opiniões da sociedade” e assegurou que as sugestões apresentadas serão encaminhadas para as respectivas secretarias, de forma a serem consideradas para a elaboração das LAG do próximo ano.

Assumir a liderança

À margem da reunião com o Chefe do Executivo, Song Pek Kei defendeu ainda que o Governo deve assumir as rédeas do investimento necessário para liderar a recuperação económica de Macau. “Só se o Governo transmitir confiança é que a sociedade vai ter

vontade de corresponder através da injecção de recursos”, disse. A deputada deixou ainda votos para que o Governo reforce o apoio prestado às franjas da população mais vulneráveis e que possa melhorar a comunicação com a província de Guangdong, no sentido de não se fechar total e repentinamente as fronteiras com Macau caso surjam novos casos de covid-19. Em vez disso, Song Pek Kei sugere que as restrições de passagem sejam aplicadas apenas aos residentes inseridos nas zonas de contágio dos dois lados da fronteira. N.W. e P.A.


4 sociedade

19.10.2021 terça-feira

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Furto Mulher roubada no autocarro n.º 33

Uma idosa foi roubada no domingo à tarde, quando viaja no autocarro número 33, no sentido Taipa-Fai Chi Kei. Segundo a informação fornecida pelas autoridades ao Ou Mun, a mulher queixou-se que quando embarcou na Taipa tinha consigo uma mala, porém, quando deixou o autocarro, no Fai Chi Kei, apercebeu-se que a mala tinha sido roubada, sem que tivesse dado conta do sucedido. Segundo o relato da mulher, no interior da mala estavam o cartão de consumo e assessórios de roupa. Após a queixa, as autoridades foram ao local, falaram com motorista do autocarro e continuam a investigar o caso.

Acidente Reboco danifica viaturas

Duas viaturas ficaram danificadas na manhã de domingo devido à queda de reboco da Escola de Santa Madalena, de acordo com o jornal Ou Mun. O incidente aconteceu quando os dois veículos estavam estacionados na rua e acabaram atingidos por reboco que se soltou do telhado do edifício. O incidente não causou feridos, mas os bombeiros foram chamados ao local e estiveram a avaliar os riscos da situação.

Habitação Preço e transacções a cairem

Foram transaccionados em Setembro um total de 400 fracções destinadas à habitação, uma queda de 26 por cento relativamente a Agosto, altura em que foram vendidos em Macau 545 imóveis. Os dados publicados ontem pelos Serviços de Finanças, revelam ainda que o preço médio por metro quadrado decresceu 5,0 por cento em todo o território, fixando-se agora em 98.129 patacas, quando em Agosto era de 103.337 patacas. De acordo com o organismo, em Setembro foram vendidas 304 fracções na península de Macau, 70 na taipa e 26 em Coloane.

Álvaro Rodrigues, advogado “Estamos satisfeitos com o resultado. Finalmente fez-se justiça”

JUSTIÇA TRIBUNAL ABSOLVE TIAGO E FONG FONG GUERRA

Uma batalha ganha O casal Tiago e Fong Fong Guerra foi absolvido do crime de branqueamento de capitais em Macau. O advogado Álvaro Rodrigues considera que foi feita Justiça. Em Timor-Leste, decorre ainda um outro caso nos tribunais

O

Tribunal Judicial de Base absolveu na sexta-feira o Tiago e Fong Fong Guerra da prática do crime de branqueamento de capitais, segundo revelou o advogado Álvaro Rodrigues. O caso arrastava-se desde 2014, numa acção que teve por base o processo de Timor-Leste e as cartas rogatórias na sequência de pedidos de informação feitos a Macau, estando em causa um montante de quase 900 mil euros.

“Estamos satisfeitos com o resultado. Finalmente fez-se justiça”, afirmou Álvaro Rodrigues, advogado do casal, que em Timor-Leste já tinha sido absolvido num outro caso, depois de condenado a oito anos de prisão em 2017, por peculato, e a uma indemnização ao Estado. O casal foi detido pela polícia timorense em Díli a 18 de Outubro de 2014. Enquanto aguardava a decisão sobre o recurso à sentença do Tribunal Distrital de Díli, man-

tendo a sua inocência e acusando o Tribunal de primeira instância e o Ministério Público de várias irregularidades, o casal fugiu para a Austrália, onde chegou, de barco, a 9 de Novembro de 2017, tendo depois partido para Lisboa onde deu entrada a 25 de Novembro desse ano.

Desde 2011

Os dois portugueses foram julgados pelos crimes de peculato, branquea-

JOGO GLOBAL GAMING EXPO ADIADA PARA AGOSTO DE 2022

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EPOIS de sucessivos adiamentos, foi avançado ontem que a edição deste ano da Global Gaming Expo (G2E) Asia será adiada para o final de Agosto do próximo ano. Segundo o portal GGRAsia, um dos organizadores do evento, a Reed Exhibitions, confirmou ontem que a feira

dedicada à indústria do jogo está prevista para o espaço Cotai Expo, no Venetian, entre os dias 30 de Agosto e 1 de Setembro de 2022. “Devido à disrupção e continuadas restrições fronteiriças no Pacífico asiático relacionadas com a covid-19, a G2E Asia passou a focar-se em 2022 para

garantir que correspondemos às elevadas expectativas do público e dos participantes”, afirmou Vera Ng, da Reed Exhibitions ao GGRAsia. Recorde-se que apesar das pontuais excepções à regra, actualmente quem tiver passaporte estrangeiro, sem ser resi-

dente de Macau com BIR, está barrado de entrar na RAEM. A G2E organiza um evento anual semelhante em Las Vegas. No ano passado, a pandemia levou ao cancelamento da feira, mas no início deste mês a capital do Nevada voltou a organizar o evento.

mento de capitais e falsificação documental sendo peça central ao caso uma transferência de 859 mil dólares, feita em 2011 a pedido do consultor norte-americano, Bobby Boye. Boye foi um consultor pago pelo Governo norueguês e, posteriormente, pelo Governo timorense. Chegou a ser coarguido no processo, tendo sido, entretanto, condenado nos Estados Unidos, onde cumpre pena. A fuga do casal causou tensão diplomática entre Portugal e Timor-Leste, com o assunto a suscitar críticas de dirigentes políticos e da sociedade civil, com artigos a exigir até investigações à embaixada de Portugal em Díli. Na sequência da fuga do casal, o Ministério Público timorense acusou um outro português e dois timorenses de vários crimes, incluindo branqueamento de capitais, por alegadamente terem apoiado na fuga do casal. De acordo com a Lusa, que noticiou a absolvição em Macau, o processo está ainda a decorrer no Tribunal Distrital de Díli.


terça-feira 19.10.2021

Testes Mais de 80 mil amostras de ácido nucleico negativas No total, 80.452 pessoas foram testadas no domingo, no âmbito do programa de testagem em áreas-chave, áreas de código vermelho e amarelo e dos grupos incluídos na testagem de alta frequência. De acordo com um comunicado divulgado ontem, relativamente ao teste de ácido

nucleico para pessoas de áreas especificas, que decorreu entre as 9h00 e as 24 horas de domingo, foram testadas 56.130 pessoas, sendo as restantes 24.322 afectas às pessoas provenientes das áreas de código vermelho e amarelo. Todos os testes acusaram negativo para a covid-19.

IAS PONDERADA VACINAÇÃO DE PROXIMIDADE EM LARES DE IDOSOS

Covid-19 Vacina da Sinopharm aprovada para maiores de 12 anos O Governo aprovou ontem a vacinação para maiores de 12 anos com a vacina inactivada da Sinopharm. “A idade dos destinatários aplicáveis de vacinas inactivadas contra a covid-19 foi reduzida de 18 para 12 anos”, pode ler-se num comunicado divulgado ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. Na mesma nota, as autoridades acrescentaram que “a

vacina inactivada contra o novo tipo de coronavírus é agora aplicável às pessoas com idade igual ou superior a 12 anos e inferior a 60 anos e às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos com boas condições de saúde e maior risco de exposição”. Recorde-se que desde meados de Junho que a faixa etária entre os 12 e 18 anos já pode ser inoculada com a vacina da Pfizer/BioNTech, baseada no

RNA mensageiro (mRNA). A medida que entrou ontem em vigor prevê ainda que os menores de 18 anos que pretendam tomar a vacina devem obter uma autorização dos seus pais ou encarregados de educação. Ontem foi ainda anunciada a chegada de 300 mil doses da vacina da Sinopharm e 90 mil doses da BioNTech, aumentando o stock para da RAEM para cerca de 453 mil doses.

COVID-19 ZHUHAI RETOMA PASSAGEM DE FRONTEIRAS A PARTIR DO MEIO-DIA

Uma porta que se abre A partir do meio-dia de hoje, quem entrar em Zhuhai vindo de Macau não precisa cumprir quarentena de 14 dias, apenas apresentar teste de ácido nucleico com menos de 48 horas. A retoma implica excepções e exclui a obrigação de mostrar certificado de vacinação. Escolas continuam sem data de abertura

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UAS semanas depois de ter sido encontrado um surto de covid-19 em Macau, que manteve em vigor a obrigação de cumprir 14 dias de quarentena à entrada para Zhuhai, a circulação de pessoas entre as duas cidades volta a ser aliviada. As autoridades vizinhas anunciaram que a partir do meio-dia de hoje basta apresentar teste de ácido nucleico com menos de 48 horas para passar a fronteira para Zhuhai. A medida, que motivou a corrida aos postos de testagem, inclui excepções. Quem esteve em “contacto íntimo com casos confirmados de covid-19 só pode entrar em Zhuhai sete dias depois de cumprir 14 dias de quarentena. Os moradores das zonas de código de saúde vermelho e amarelo também ficam com passagem condicionada, só podendo entrar na cidade vizinha sete dias depois da reabertura das zonas condicionadas. Finalmente, os trabalhadores com funções de alto risco só podem entrar em Zhuhai 14 dias depois de deixarem de exercer tais funções. Este grupo compreende quem esteja em contacto directo com pessoas vindas de regiões do mundo de médio e alto risco, como funcionários de bordo de companhias aéreas que voem para essas regiões, e pessoas que trabalhem em locais destinados a

quarentena ou ao tratamento de pacientes infectados com o novo tipo de coronavírus. Tai Wa Hou, coordenador do plano de vacinação, esclareceu ontem que a medida foi imposta pelas autoridades de Zhuhai para garantir a segurança dos residentes da cidade vizinha. O médico acrescentou que o grupo de trabalho conjunto das duas regiões tem um mecanismo de interrupção do alívio das restrições fronteiriças caso sejam diagnosticados novos casos. Aliás, Tai Wa Hou frisou que se for dectectada alguma infecção hoje ou nos próximos dias, a passagem fronteiriça voltará a implicar quarentena de 14 dias.

Aulas e vacinas

O responsável pela vacinação em Macau adiantou que as autoridades da RAEM e Zhuhai

“Apelamos a que evitem deslocar-se para os postos fronteiriços logo ao meio-dia e que acompanhem notícias sobre o fluxo de pessoas para evitar aglomerações.” MA CHIO HONG CPSP

GCS

A

S autoridades de saúde estão a negociar com o Instituto de Acção Social a possibilidade de lançar uma campanha de vacinação de proximidade nos lares de idosos, à semelhança do que aconteceu em escolas e universidades. O possível caminho foi indicado ontem por Leong Iek Hou, médica do Centro de Coordenação. A hipótese divulgada ontem pela coordenadora do organismo de resposta à pandemia coincide com a preocupação do deputado e vice-presidente da Associação Geral dos Operários de Macau, Lei Chan U, que defende que se deve incentivar o aumento da taxa de vacinação contra a covid-19 entre os idosos. Recordando que o universo de idosos actualmente vacinados em Macau é de apenas 43,6 por cento na faixa entre os 60 e os 69 anos, 24,8 por cento na faixa entre os 70 e os 79 anos e 6,3 por cento entre as pessoas com mais de 80 anos, Lei Chan U apontou, segundo o jornal Ou Mun, que a inoculação desta franja de residentes é essencial para aumentar a taxa de vacinação geral da população. Isto, quando o objectivo passa por atingir uma taxa de vacinação acima dos 80 por cento que permita normalizar as passagens transfronteiriças com as regiões vizinhas, especialmente com o Interior da China, impulsionando a recuperação económica de Macau. Para o deputado, a baixa taxa de vacinação entre idosos deve-se ao facto desta parte da população considerar que, devido à sua idade avançada ou por serem portadores de doenças crónicas, não se encontram em condições de ser vacinados. Por isso, Lei Chan U sugere que o Governo ponha em prática medidas como um “serviço de avaliação integral” dedicado aos idosos interessados na vacinação contra a covid-19, palestras dedicadas, dispensas de trabalho para acompanhamento de familiares e a criação de uma equipa móvel de vacinação dedicada a visitar lares e centros de atendimento para idosos. P.A. e N.W.

sociedade 5

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estão a negociar a possibilidade de prolongar a validade dos testes de ácido nucleico para vacinados que queiram atravessar a fronteira. Apesar de não ter especificado para quantos dias, Tai Wa Hou mencionou na conferência de imprensa o período de sete dias sublinhando não se tratar de um anúncio, mas de um rumo possível. Desta feita, as autoridades do Interior não pedem comprovativo de vacinação para atravessar a fronteira, como o fizeram depois do segundo teste em massa. Tai Wai Hou explicou a diferença com o facto de desta vez terem passado 14 dias desde o encerramento da fronteira. Com o levantamento da obrigação de quarentena à entrada para Zhuhai, as autoridades pediram calma à população. “Apelamos a que evitem deslocar-se para os postos fronteiriços logo ao meio-dia

e que acompanhem notícias sobre o fluxo de pessoas para evitar aglomerações”, pediu Ma Chio Hong, do Corpo de Polícia de Segurança Pública. No passado dia 4 de Outubro, o súbito volte-face que reteve em Macau mais de um milhar de crianças que residem em Zhuhai fez com que as autoridades locais se vissem na iminência de dar abrigo a centenas de jovens sem família. Alguns destes estudantes, hospedados em pousadas da juventude, foram ontem levados a fazer testes de ácido nucleico para hoje regressarem a casa. O responsável da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Wong Ka Ki, garantiu que durante a estadia forçada em Macau estes alunos estiverem ocupados com trabalhos de casa e que as escolas estão prontas para reabrir, sem, no entanto, apontar uma data para tal. João Luz


HOJE MACAU

6 entrevista

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

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19.10.2021 terça-feira

ESCRITOR

“Cada livro é um degrau para os próximos”

O mais recente romance de José Luís Peixoto, “Almoço de Domingo”, tem como figura central Rui Nabeiro, o pai dos cafés Delta. Apresentado no fim-de-semana passado no FOLIO - Festival Internacional de Literatura de Óbidos, Portugal, o romance foi construído a partir de entrevistas com Rui Nabeiro e representa o interesse do escritor em explorar a fronteira “dúbia” entre ficção e realidade

Há pouco, na sessão de autógrafos, falava com uma leitora sobre o livro “Uma Casa na Escuridão”, que já faz 20 anos. Esperava ter chegado até aqui? Sempre tive essa esperança. Ainda assim, nunca foi muito garantido. É por isso que hoje, quando constato que, passados 20 anos, ainda aqui estou, a publicar livros num caminho sempre ascendente, com cada vez mais leitores e mais reconhecimento, é muito gratificante. Dá-me também muito entusiasmo

para o que aí vem, porque na escrita olhamos sempre para o futuro, a trabalhar em algo que está por vir. Isso passa por uma evolução como escritor, na forma de escrita? Já se aventurou pela poesia e pela literatura de viagens com o livro sobre a Coreia do Norte. Pretende agora trazer algo de novo? Às vezes tenho a sensação de que cada livro é como um degrau que depois me leva aos próximos. Na verdade, quando olho para cada livro

que escrevo, como é o caso deste último, [Almoço de Domingo], tenho sempre a sensação de olhar para os anteriores e de encontrar neles o que me levou a escrever esse livro. Neste momento, estou num ponto em que tem sido muito interessante para mim trabalhar a fronteira muito dúbia entre a ficção e o factual. E a não ficção. Entre a ficção e o que é o histórico, de certa forma. Tenho vindo a tratar disso noutros livros com relações


terça-feira 19.10.2021

entrevista 7

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Uma realidade um bocado construída. Sim, um bocado fabricada. Acho interessante reflectir sobre isso, porque as ficções, na vida, são muitas, e de vários tipos. É muito comum, no nosso dia-a-dia, darmos por ficcionais coisas que têm uma dimensão biográfica importante, e darmos como concretas coisas que são muito trabalhadas ficcionalmente. No caso de “Almoço de Domingo”, o que é real e ficcional na “personagem” de Rui Nabeiro? É muito curioso porque, sendo o Rui Nabeiro uma pessoa tão concreta, presente, puxa-nos logo para essa dimensão do quotidiano, do real. Mas, por outro lado, neste livro vemos que ele está dividido em três partes que correspondem a três dias concretos, que são 26, 27 e 28 de Março de 2021. O livro chegou às livrarias antes dessas datas, então claro que tudo o que aconteceu foi ficcionado. Mas quando construí esses episódios tive em consideração os hábitos e as características do Rui Nabeiro. Mas é uma construção. O mesmo acontece, talvez de uma forma mais subtil, em relação aos acontecimentos do passado. Esses detalhes parecem insignificantes, mas são eles que constituem a experiência de estar e de ser. Este livro é, na sua essência, um texto de ficção. Para mim é muito interessante todos os vínculos que ele estabelece com o real, por muito que isso depois acrescenta à própria leitura e identidade do texto, até sob ponto de vista prático. O facto de o próprio Rui Nabeiro sentir que a sua história é contada ali, acho fascinante.

autobiográficas assumidas, como no caso do livro da Coreia do Norte ou no “Caminho Imperfeito”, que fala da Tailândia e que também tem essa dimensão de não ficção. Também já inclui figuras e pessoas conhecidas que todos sabemos que existem ou que existiram, como é o caso de José Saramago no romance “Autobiografia” ou de Rui Nabeiro neste último livro. Tem sido muito interessante, porque passear nessa fronteira assenta um pouco quase neste mal-entendido, que

“Tem sido muito interessante, porque passear nessa fronteira assenta um pouco quase neste mal-entendido, que existe desde há séculos, sobre o que é real e não é, o que é verdade e não é.”

existe desde há séculos, sobre o que é real e não é, o que é verdade e não é. Muitas vezes são colocadas essas questões assentando-as no debate ficcional e autobiográfico quando, de facto, esta questão não se prende com esses temas, porque existe uma verdade na ficção também. Ainda assim, é um tema que recorrentemente é trazido e que hoje em dia se encontra muito em múltiplos aspectos da nossa sociedade. Lembro-me dos reality shows, por exemplo.

Ele transmitiu-lhe isso? Recebi essa informação sempre um bocadinho indirectamente. Sempre que lhe fiz essa pergunta directamente ele escapou. Ele nunca foi muito objectivo, mas ouvi ele responder a essa pergunta a várias pessoas e a dizer que estava contente. E isso para mim é suficiente. Fizeram várias entrevistas. Sim, tivemos conversas em que eu chegava com as minhas questões e temas preparados, e normalmente falava sobre assuntos sobre os quais tinha mais dúvidas e sobre detalhes. São eles que dão vida às descrições e precisava muitas vezes que ele me desses detalhes. Mas em alguns

“No caso do livro ‘Galveias’ [aldeia de onde José Luís Peixoto é natural] uma das coisas mais engraçadas, e que me acontece muito, é quando encontro pessoas que me dizem ‘a minha Galveias chama-se tal’.” momentos a minha memória e as minhas referências também foram muito úteis. Descrever, por exemplo, a pequena mercearia que a mãe do Rui Nabeiro tinha quando ele era criança contou muito com as memórias que tinhas das mercearias na minha aldeia. “Almoço de Domingo” remete para quê? Para já, “Almoço de Domingo” tem a ver com um momento importante do romance que é, na verdade, o coração do livro, em que existe um cruzamento de vários momentos da vida de Rui Nabeiro e daquela família, as gerações do passado e do presente, e até do futuro. A minha ideia era que esse título exprimisse imediatamente a ideia de família, porque esse é um aspecto muitíssimo impor-

“Quando constato que, passados 20 anos, ainda aqui estou, a publicar livros num caminho sempre ascendente, com cada vez mais leitores e mais reconhecimento, é muito gratificante.”

tante na vida do Rui Nabeiro, o seu projecto e na forma como ele estruturou toda a sua vida. Ao mesmo tempo, como patriarca, é uma figura que está num ponto em que olha para um lado e vê uma quantidade de gerações do passado que ele testemunhou, e olha para outro e vê as gerações do presente e do futuro que não conheceram essa realidade, e ele é a única ponte entre os dois. Escreveu o romance “Galveias”, uma aldeia no Alentejo de onde é natural, e este último romance é sobre Rui Nabeiro, uma figura também da região. Este é um livro que faz uma nova homenagem ao Alentejo? Escrever sobre aqueleAlentejo foi uma grande oportunidade que este livro em proporcionou. Porque tem muitas realidades. No caso de Campo Maior é impossível contar a história daquele lugar ignorando a fronteira. É marcante a todos os níveis. Tinha alguns ecos da fronteira quando era criança, chegava ali a televisão espanhola, mas não se compara com essa vida [do tempo de Rui Nabeiro]. Foi interessante acrescentar esse Alentejo ao que eu já escrevi. Vem na sequência do meu interesse por ir alargando o meu retrato desta região. No caso do livro “Galveias”, falando especificamente de espaços, acaba por se encontrar uma forma de ser bastante genérica também. Uma das coisas mais engraçadas, e que me acontece muito, é quando encontro pessoas que me dizem “a minha Galveias chama-se tal”. Galveias passa a ser um exemplo, uma referência. E o Rui Nabeiro tem os seus elementos concretos, mas pode ser a referência de um homem, daquela idade, numa outra região. Andreia Sofia Silva


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NUCLEAR PEQUIM NEGA TER TESTADO MÍSSIL HIPERSÓNICO

sobre títulos de dívida que ascendem a milhares de milhões de dólares. Isto alimentou receios de que o colapso da empresa se possa alastrar a outras construtoras, embora economistas tenham afirmado que a ameaça para os mercados financeiros globais é pequena. O sector manufatureiro foi prejudicado pela redução no fornecimento de energia, imposto por algumas províncias, para evitar exceder as metas oficiais de eficiência energética. A produção nas fábricas abrandou, em Setembro, ao expandir apenas 0,05 por cento, em comparação com o mês anterior. Isto ficou abaixo do crescimento de 7,3 por cento nos primeiros nove meses do ano.

A

China negou ontem ter testado um míssil hipersónico, com capacidade nuclear, em Agosto passado, garantindo que se tratou de “testes de rotina”, para verificar tecnologias de reutilização aeroespacial. “Eram testes de rotina para verificar tecnologias de reaproveitamento de naves espaciais. Neste caso, o equipamento de suporte da nave separa-se, entra em combustão e desintegra-se, durante a sua queda na atmosfera e em alto mar”, apontou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Zhao Lijian. As declarações vieram em resposta a informações avançadas pelo jornal britânico Financial Times de que a China testou um míssil hipersónico, com capacidade nuclear, em Agosto. O jornal indicou que a China lançou um míssil com capacidade nuclear que circulou a Terra em órbita baixa, o que “surpreendeu os serviços de inteligência dos Estados Unidos”. “Este teste revela o grande progresso da China no desenvolvimento de armas hipersónicas, que são mais avançadas do que os norte-americanos acreditavam”, descreveu o jornal. Mísseis ou veículos hipersónicos, tecnicamente, quebram a barreira do som pelo menos cinco vezes em voo. Ou seja, ultrapassam os 6.177 quilómetros por hora. O facto de poderem voar em baixa altitude e traçarem trajectórias não parabólicas torna-os numa arma muito táctica, difícil de interceptar. Este tipo de tecnologia continua a ser desenvolvida internacionalmente e poucos países parecem tê-la totalmente operacional. No final de Setembro, os Estados Unidos afirmaram ter testado com sucesso a arma hipersónica Raytheon, enquanto a Rússia já tinha o míssil hipersónico Avangard. O Presidente russo, Vladimir Putin, designou-o como a “arma do futuro”. A Coreia do Norte também disse que testou o seu primeiro míssil hipersónico no final de Setembro. Zhao disse que o teste efectuado tem como objectivo “reduzir o custo das missões espaciais”, e que “estes tipos de testes são realizados em todo o mundo”.

Sobe e desce

ECONOMIA CRESCIMENTO ABRANDA NO TERCEIRO TRIMESTRE

Outro andamento

Apesar do travão no desenvolvimento de sectores como a construção e a energia, analistas antevêem para este ano um crescimento económico de 8 por cento, um dos mais fortes a nível global. Para o Partido Comunista, a meta satisfatória está definida na fasquia acima dos 6 por cento

O

ritmo de crescimento da economia chinesa abrandou, no terceiro trimestre, com a crise na construção e as restrições oficiais sobre o uso de energia pelas fábricas a pesarem na recuperação do país, foi ontem anunciado. A segunda maior economia do mundo cresceu 4,9 por cento, em relação ao mesmo período do ano anterior, nos três meses entre Junho e Setembro, quando no trimestre anterior tinha registado uma subida de 7,9 por cento, de acordo com os dados do Governo chinês. A produção nas fábricas, as vendas no retalho e o investimento na construção e em outros activos fixos enfraqueceram. O crescimento enfrenta pressão devido a uma vasta campanha reguladora, à medida que Pequim tenta tornar a economia chinesa energeticamente mais eficiente e reduzir o galopante aumento da

dívida, pública e privada, para evitar problemas financeiros. O sector manufactureiro foi prejudicado pela escassez de ‘chips’ de processador e outros componentes, devido à pandemia da covid-19. Na comparação com o trimestre anterior, a produção no período entre Julho e Setembro praticamente estagnou, expandindo-se apenas 0,2 por cento. Este valor foi inferior ao registado no período entre Abril e Junho, de 1,2 por cento, um dos mais fracos dos últimos dez anos. “O crescimento vai desacelerar ainda mais”, disse Louis Kuijs, da consultora Oxford Economics, num relatório. O analista argumentou que os “números de crescimento fracos” devem levar Pequim, nos próximos meses, a aliviar o controlo sobre o crédito e a impulsionar a actividade económica, incentivando a construção de infraestruturas.

A construção, que sustenta milhões de empregos na China, desacelerou, desde que os reguladores aumentaram o controlo, no ano passado, sobre o endividamento das empresas. Uma das maiores construtoras, a Evergrande Group, está a lutar para cumprir o pagamento de juros

A segunda maior economia do mundo cresceu 4,9%, em relação ao mesmo período do ano anterior, nos três meses entre Junho e Setembro, quando no trimestre anterior tinha registado uma subida de 7,9%

Os analistas do sector privado reduziram as perspectivas de crescimento da economia chinesa, para este ano, embora ainda esperem um aumento de cerca de 8 por cento, o que estaria entre os mais fortes do mundo. Ameta oficial do Partido Comunista Chinês é “acima de 6 por cento “, o que deixa espaço para Pequim manter a campanha reguladora. “A perspectiva de curto prazo para a economia da China, no quarto trimestre, continua a ser difícil, devido ao impacto da contínua escassez de energia no Inverno e à desaceleração contínua no sector imobiliário”, disse Rajiv Biswas, da consultora IHS Market, num relatório. “O sector imobiliário continua a ser atingido por incertezas, relacionadas com problemas de dívida da Evergrande e temores de contágio noutras empresas de imobiliário”. Os números deste ano são exagerados pela comparação base com 2020, quando fábricas e retalhistas foram fechados, devido às medidas de confinamento. No primeiro trimestre de 2021, a economia chinesa cresceu um recorde de 18,3 por cento. Em Setembro, o crescimento das vendas do retalho abrandou 4,4 por cento, em relação ao ano anterior. Os investimentos em imóveis, fábricas, habitação e outros activos fixos aumentaram 0,17, em Setembro, depois de terem aumentado 7,3%, nos primeiros nove meses. As vendas de automóveis caíram 16,5 por cento, em Setembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com a Associação de Fabricantes de Automóveis Chinesa. O grupo afirmou que a produção foi interrompida pela falta de ‘chips’ de processador. As importações, um indicador da procura interna chinesa, aumentaram 17,6 por cento, em Setembro, em relação ao ano anterior, mas isso representou apenas metade do crescimento de 33 por cento registado no mês anterior.


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cartografias

ANABELA CANAS

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Outubro Estas coisas da memória. Fios finos, que rasgam a luminosidade dos dias, voltando a inscrever o que nunca se arreda para mais longe do que um segundo plano de sensações sedosas e quase ténues. Como um sopro. Um bater de asa. Passou um anjo. Mas que logo se acendem com toda a significação. Cores outonais, em avermelhados oxidados da queda. Uma certa natureza a perder a folha para reiniciar a renovação. Mas lembro o esverdeado daqueles olhos com uma profundeza que pouco se exprimia e era esperança. Outubro, cinco, logo no início é desde sempre a memória de um aniversário de quem sempre gostou de o celebrar, com toda a família e o contentamento de uma criança, mas tão sóbrio. Desse avô de olhos transparentes esverdeados e sonhadores que, em qualquer lugar novo, encontrava sempre um sítio um pouco à distância e à sombra, onde se sentar a fumar um dos seus cigarros, antes Sagres e depois Definitivos. E a sonhar as memórias e as dádivas. Esse avô que veneramos e foi um pilar forte no meio de tantas ausências e instabilidades familiares. Ficou a lancheira, o chapéu, tantos objectos e escritos esparsos, peças de mobiliário amorosamente aplainado, amaciado e envernizado. A caixa do dominó feito por ele e que jogávamos à tarde a seguir o número de pintas pretas. Mesmo pequenina desconfiava que o jogo não era assim tão simples. Talvez seguir, sem saber estratégias mais complexas, seja o ideal de caminhar. E sim, era sobretudo disso que os seus momentos de longitude se alimentavam, porque de ambições nunca. Grandes ambições para si, nunca se lhe conheceu. E nisso, a vida descreveu-o com rigor. Marceneiro até á reforma e por paixão depois, dentro de casa a produzir mobiliário para atender ao crescimento da vida. Como seria se não existisse como foi? Em pequenina ia comprar-lhe cigarros e caixinhas de fósforos que colecionei com fotografias de caravelas e, as mais amadas, de gatinhos. E logo de manhã em

casa, o jornal. E visitava-o na marcenaria a pedir uma coisa qualquer para os trabalhos da escola. Ou ficava a vê-lo em casa a produzir rolinhos de madeira aromática e lisa, enquanto me explicava o futuro do móvel. As pessoas têm que ser alguma coisa. Que o reconhecer, que o assumir. Fazer parte. Ele, o meu avô A., era do Sporting e do Lusitano de Évora, republicano convicto talvez ao ponto de se estabelecer como data sua de nascimento o dia cinco de Outubro, num tempo em que as datas de nascimento na família, tinham um não sei o quê de deliberado e pouco rigoroso, por ausência de memória nítida registada ou por fuga à obrigação de registo em determinado período. Ou coincidência feliz. E comunista de alma, coração e memória, mesmo das torturas na prisão “política”, que não conseguiram arredá-lo dessa fé. Quando a grande questão não é a validade do paradigma mas a força da fé. Os dentes quase todos perdidos sob tortura, com filhos pequenos, a minha avó trazida a Lisboa para estar por perto naqueles meses sombrios, nómada em quartos da família e os filhos distribuídos por madrinhas e tias, entretanto. Para não falhar uma única visita. À espera, com outras, por vezes

somente de um aceno à janela. Uns iam sabendo dos outros. Excepto em dias de “solitária”. Aquelas pequeníssimas celas de isolamento total. Para reflexão e para castigo. Ou vice-versa. Quando o Forte de Caxias se transformou em estabelecimento prisional, começou por encerrar soldados insubordinados, ladrões de mercearias e grevistas, para ser, com a implantação do estado novo, uma prisão política. Dos crimes de pensamento e expressão. E aquelas noites medonhas de visitas inesperadas, denúncias, às vezes, rusgas e buscas a meio da noite. Provas, panfletos ou livros suspeitos de veicular ideias subversivas. Vezes sucessivas em que o primo A., jornalista e assim alvo particularmente apreciado desses divertimentos, era levado. O avô gostava de contar histórias, mais para o fim dos

AS PESSOAS SÃO O QUE AFIRMAM E O QUE FAZEM MAS TAMBÉM O QUE SONHAM. QUANDO TUDO SE CONJUGA COERENTE, AS PESSOAS SÃO. ISSO. MESMO VISTAS DE FORA

jantares em que se juntava a família. Mas da prisão lembro sempre as batatas. Eles, encerrados e comedores de batatas como os de Van Gogh. Ele dizia que quando estavam alentejanos na cozinha não iam as batatas podres para a comida. Que mais teriam que comer, pergunto. E parcialidade sua, talvez mas de que sobrava a questão positiva de, no possível, respeitar a dignidade daqueles homens. Ou definição de limites, quando mais poder não se tem do que sobre as batatas, para definir que nem ultrapassados todos os limites da violência sobre o ser humano, alguém com nobreza pode admitir ultrapassar algum, quando se trata dos seus semelhantes. As pessoas têm que ter nas mágoas incontornáveis o registo subliminar dos sonhos que elas contrariaram. As pessoas têm que se definir, mesmo não definindo mas percorrendo um caminho de afectos e fé e convicções, que vistos de fora preenchem um determinado retrato. As pessoas são o que afirmam e o que fazem mas também o que sonham. Quando tudo se conjuga coerente, as pessoas são. Isso. Mesmo vistas de fora. E é sempre tão bom, conseguir identificar os que são bons, mesmo sabendo onde também eles ou os seus sonhos falharam.


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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 13

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CINETEATRO BORN RICH | JAMIE JOHNSON | 2003

YUAN

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C I N E M A

SALA 1

SALA 3

Um filme de: Andy Serkis Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Naomie Harris, Woody Harrelson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Greg Tiernan, Laura Brousseau, Kevin Polvovic 14.30, 16.30, 19.30

VENOM: LET THERE BE CARNAGE [C]

Jamie Johnson é um multimilionário descendente da família que criou a multinacional Johnson & Johnson. Neste documentário entrevistou um conjunto de amigos que têm em comum o facto de serem tão ricos, porque nasceram nas famílias certas, que nunca vão precisar de trabalhar. Se por um lado, os entrevistados reconhecem que têm privilégios por fazerem parte das famílias milionárias, por outro, também enfrentam a questão sobre o que fazer com a vida: o lazer ou uma carreira? E será que a escolha pelo lazer acarreta o sentimento de culpa? O 19procura responder a algumas documentário destas perguntas 6 4 e 1à forma 5 3como 7 se 2 lida 9 com a riqueza extrema. João Santos Filipe

PROBLEMA 14

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THE ADDAMS FAMILY 2 [B]

SALA 2

NO TIME TO DIE [B]

SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

Um filme de: Cary Joji Fukunaga Com: Daniel Craig, Rami Malek, Léa Seydoux, Lashana Lynch 14.30, 18.15, 21.15

Um filme de: Destin Daniel Cretton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 21.30

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opinião 11

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ai, portugal, portugal

André Namora

LOCURA POLÍTICA EM PORTUGAL DÁ A IDEIA ao zé povinho que os políticos portugueses estão completamente loucos. De uma ponta à outra não se entendem. Nem no interior dos próprios partidos. No neofascista Chega há quem queira correr com o André Ventura. No CDS o eurodeputado Nuno Melo quer tirar o lugar ao líder Francisco Rodrigues dos Santos. No PSD o caso é grave. Carlos Moedas ganhou a Câmara Municipal de Lisboa e Rui Rio pensou que ficaria à frente do partido ad eternum. Enganou-se. Paulo Rangel, depois de sair do armário ganha cada vez mais apoiantes, além de todo o grupo gay do PSD, e na reunião do Conselho Nacional arrasou Rui Rio em todas as matérias. A reunião começou tensa, com uma ameaça de Rui Rio de que se “iria embora”, se não lhe fosse dada a palavra para uma intervenção inicial. O presidente da Mesa do Conselho Nacional, Paulo Mota Pinto, concedeu a palavra a Rio e foi a contestação geral. Ouviu-se um “bruá” na sala e quando as propostas várias foram a votação Paulo Rangel ganhou sempre. Rui Rio terá de pensar se valerá a pena concorrer nas eleições directas no partido, porque a maioria dos militantes prefere Paulo Rangel na liderança do PSD para combater António Costa. No PS a situação é grave. Até já existem militantes apoiantes do ‘Maserati’ Pedro Nuno Santos que querem que António Costa abdique do cargo se o Orçamento do Estado for reprovado. As facções socialistas digladiam-se ao estilo da idade média. A ala forte maçónica está com o actual primeiro-ministro e pretende uma remodelação ministerial que afaste Pedro Nuno Santos, considerado o “amiguinho do Bloco de Esquerda”. António Costa reuniu-se com o grupo parlamentar do seu partido e pôs muitos pontos nos is e deu recados fortíssimos aos “chicos-espertos”. A reunião decorreu após o PCP e o Bloco terem anunciado que irão votar contra a proposta do Governo para o Orçamento do Estado. Se não houver entendimento entre o PS e os parceiros de esquerda a crise política está instalada. O Presidente da República, depois de se banhar nas águas de São Tomé, andou a semana passada toda a tentar convencer os partidos que se entendam e que compreendessem que eleições antecipadas seria um erro de palmatória e que de nada adiantaria. Alguns observadores viram nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa que no caso de se realizarem eleições legislativas antecipadas que o PS voltaria a ganhar e que o país apenas teria gasto milhões de euros que tanta falta fazem, por exemplo, na Saúde. Marcelo apelou ao bom senso e a todos os esforços dos partidos com assento parlamentar para evitar um chumbo do Orçamento. O Presidente deixou à vista um calendário político que grassa o ridículo e sublinhou que a haver eleições antecipadas seriam em

Janeiro de 2022, sendo formado o Governo em Fevereiro e discutido um novo Orçamento do Estado lá para Abril. A única esperança com que se ficou dos encontros do Presidente da República com os dirigentes dos partidos foi a posição do PCP, a qual poderá ainda mudar e deixar passar o Orçamento. Segundo fontes credíveis o encontro entre o Presidente Marcelo e Jerónimo de Sousa foi “demasiado” cordial e frutuoso. Veremos. O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda têm uma importância vital nesta matéria e sabem bem que a reprovação do Orçamento do Estado é um enorme prejuízo para o país. As suas responsabilidades estão bem patentes e o povinho poderia vingar-se nas urnas em força pelo voto no PS. Obviamente que no Comité Central do PCP existam duas alas, uma mais radical e outra mais moderada. Esta última tem a noção do que acabámos de referir e possivelmente ainda consiga um acordo com o Governo. Por seu lado, o Bloco de Esquerda tem mudado paulatinamente de posição política relativamente ao Governo. Tornou-se mais crítico e a sua coordenadora Catarina Martins parece não querer nada com António Costa. Todavia, o antigo líder do Bloco, Francisco Louçã, agora comentador de televisão, foi da opinião que seria muito negativo para os portugueses que o Orça-

O Presidente deixou à vista um calendário político que grassa o ridículo e sublinhou que a haver eleições antecipadas seriam em Janeiro de 2022, sendo formado o Governo em Fevereiro e discutido um novo Orçamento do Estado lá para Abril

mento do Estado não fosse aprovado. E é esta política de “loucos” com que temos de viver e substancialmente assistimos a discórdia atrás de discórdia em todos os quadrantes. Não só de política geral, mas no interior dos partidos como vos referimos no início, mas o que é preocupante é ver um PCP que nunca deixou sair para o exterior os seus segredos, vê-lo agora com as suas células a discutir a liderança do partido. Por um lado, há quem deseje a substituição de Jerónimo de Sousa pelo líder parlamentar João Oliveira, enquanto outros preferem que seja o actual eurodeputado e vereador da Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira. Estes políticos parece que ainda não viram o quadro dos salários da Europa Ocidental, onde entre 19 países, Portugal está em último lugar com os salários mais baixos. Uma vergonha por se gastar tanto dinheiro como por exemplo no saco roto da TAP e não se usar esse dinheiro para a dignidade de quem trabalha. Só para ficarem com uma ideia, em primeiro lugar está a Suíça com um rendimento anual de 35 mil euros, enquanto Portugal na última posição tem um rendimento anual de 14 mil euros e com uma agravante, temos a sétima carga fiscal mais elevada sobre o trabalho, de 41 por cento. É obra. *Texto escrito com a antiga grafia


“Dar centavos com a mão esquerda depois de tirar milhares com a direita, chama-se caridade.” PALAVRA DO DIA

Tolstoi

NATO MUDAR PARA LIDAR COM ASCENSÃO DA CHINA

LC Árbitro romeno no Benfica-Bayern Munique

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O romeno Ovidiu Hategan é o árbitro do jogo de quarta-feira entre Benfica e Bayern Munique, da terceira jornada do Grupo E da Liga dos Campeões de futebol, no Estádio da Luz, informou ontem a UEFA. Hategan, de 41 anos, árbitro internacional desde 2008, terá como árbitros assistentes os seus compatriotas Radu Ghinguleac e Sebastian Gheorghe, enquanto no videoárbitro estará o holandês Pol van Boekel. O árbitro já dirigiu vários jogos dos ‘encarnados’, nomeadamente na Liga Europa, com o Galatasaray (casa, 0-0), em 2018/19, e com o Bordéus (vitória fora por 3-2), em 2012/13, mas também na Liga dos Campeões, com o Atlético Madrid (derrota em casa por 2-1), em 2015/16. À entrada para a terceira jornada da ‘Champions’, o Benfica é segundo classificado no Grupo E, com quatro pontos. O grupo é liderado pelo Bayern Munique, com seis pontos, seguido pelo Benfica, enquanto o Dínamo Kiev é terceiro, com um ponto, e o FC Barcelona, quarto, sem ainda ter pontuado.

19.10.2021

COVID-19 UE EXPORTOU MAIS DE MIL MILHÕES DE VACINAS E DOOU 87 MILHÕES

O

secretário-geral da NATO disse numa entrevista ao jornal Financial Times que lidar com a “ameaça à segurança” que acarreta a ascensão da China vai ser parte importante do futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Numa entrevista ontem publicada, Jens Stoltenberg referiu que a ascensão do país asiático já está a ter impacto na segurança europeia, face às suas capacidades cibernéticas, novas tecnologias e mísseis de longo alcance. Como defender os aliados dessas ameaças vai ser abordado de forma “integral” na nova doutrina da aliança para a próxima década, apontou. “A NATO é uma aliança da América do Norte com a Europa. Mas esta região enfrenta desafios globais: terrorismo, cibersegurança, mas também a ascensão da China. Portanto, quando se trata de fortalecer a nossa defesa colectiva, trata-se também de como lidar com a ascensão da China”, disse Stoltenberg, citado pelo Financial Times. A NATO vai adoptar o seu novo conceito estratégico numa cimeira marcada para o Verão de 2022, que delineará o propósito da aliança para os próximos 10 anos. A versão actual, adoptada em 2010, não contém qualquer referência à China.

terça-feira

A

Jogos perigosos A DSEDJ alerta que Squid Game corrompe coração dos mais novos

Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) lançou um comunicado a sensibilizar os pais para não deixarem as crianças e os adolescentes assistirem à série Squid Game. A mensagem foi escrita apenas em chinês, e o nome da série não é completamente revelado, uma vez que os dois caracteres correspondentes a lula (Squid em inglês) surgem censurados com “XX”. “Face à recente popularidade da série XX Games, transmitida através de plataformas online, avisa-se que apresenta muito sangue, violência, elementos chocantes, valores distorcidos, e um enredo violento, que tem sido imitado um pouco por todo o mundo”, começa por ser contextualizado. “ADSEDJ recorda que o conteúdo transmitido está classificado para audiências adultas e que não é adequado a crianças e jovens”, foi acrescentado. Ainda de acordo com o Governo, no caso de as crianças assistirem à popular série sul-coreana vão adoptar comportamentos violentos. “Se as crianças e os adolescentes assistirem à violência e ao sangue que faz parte do enredo, podem sofrer um impacto psico-

lógico, imitar os comportamentos violentos da série e ficar com valores distorcidos profundamente enraizados nos seus corações” é alertado. “Esta questão deve ser lidada de forma resoluta e os pais e as escolas têm de lidar e corrigir estes comportamentos”, é dito.

Linha de apoio

Na eventualidade de haver crianças psicologicamente e emocionalmente instáveis por terem assistido à série, a DSEDJ

“Se as crianças e os adolescentes assistirem à violência e ao sangue que faz parte do enredo, podem sofrer um impacto psicológico, imitar os comportamentos violentos da série e ficar com valores distorcidos profundamente enraizados nos seus corações.” DSEDJ

aconselha os pais a procurarem aconselhamento psicológico através do número 2840 1010. A série Squid Game é uma das mais populares de sempre da plataforma de produção e distribuição de conteúdos Netflix. Ao longo de nove episódios, um grupo de 456 cidadãos, altamente endividados, são desafiados a participar em vários jogos para crianças. O vencedor final, entre todos os jogadores, é premiado com uma quantia equivalente a 305 milhões de patacas. No entanto, o preço da derrota é a vida. O aviso não foca só a série Squid Game. Depois de o Governo ter suspendido as aulas presenciais, indica agora aos pais que os jovens têm muito tempo para estar na Internet e que é preciso seguir com atenção os conteúdos acedidos. De acordo com a DSEDJ, os média online e as televisões estão cheias de programas que não são adequados para crianças e adolescentes e que lhes podem causar danos mentais. Assim, é aconselhado que os encarregados de educação ensinem os mais novos a distinguir entre os conteúdos que devem ver, e aqueles que devem evitar, como os mais violentos e pornográficos. João Santos Filipe

União Europeia (UE) atingiu ontem um “marco importante” na exportação de vacinas anticovid-19, tendo entregue mais de mil milhões de doses a 150 países, cerca de 87 milhões das quais doadas aos de baixo e médio rendimento. “Atingimos um marco importante na entrega de vacinas contra a covid-19 ao mundo. A União Europeia exportou mais de mil milhões de doses de vacinas para todo o mundo nos últimos 10 meses”, anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Numa curta declaração à imprensa sem perguntas, ontem de manhã em Bruxelas, a responsável assinalou que “as vacinas produzidas na UE foram enviadas para mais de 150 países em todos os continentes, do Japão à Turquia, do Reino Unido à Nova Zelândia, da África do Sul ao Brasil”. Do total, “entregámos cerca de 87 milhões de doses a países de baixo e médio rendimento através do [mecanismo de acesso às vacinas] COVAX”, destacou Ursula von der Leyen. Segundo a líder do executivo comunitário, a UE é, “muito claramente, o maior exportador de vacinas contra a covid-19”. “Sempre partilhámos as nossas vacinas de forma justa com o resto do mundo. Exportamos tanto quanto entregamos aos cidadãos da UE e, de facto, pelo menos cada segunda vacina produzida na Europa é exportada, ao mesmo tempo que temos permitido a vacinação dos nossos cidadãos”, salientou.


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Hoje Macau 19 OUTUBRO 2021 #4873 by Jornal Hoje Macau - Issuu