HOJE MACAU
O MONSTRO DO ID
MARIA FERNANDA ILHÉU
CAMINHOS DA ROTA DA SEDA
h JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE
ENTREVISTA
CPSP
COMPETÊNCIAS E LIMITES
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Regresso ao futuro AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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Hotel Lisboeta. É o nome do novo empreendimento com que Arnaldo Ho quer homenagear o pai. Simboliza, para o empresário, a ligação profunda entre a capital portuguesa e Macau. O projecto do filho de Stanley Ho vai buscar inspiração aos hotéis Estoril, Macau Palace e Lisboa para mostrar como era o território nos anos 60 e 70. Abre portas em 2020 e vai custar 5 mil milhões dólares de Hong Kong. PÁGINA 8
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SEXTA-FEIRA 19 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº4156
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
2 ENTREVISTA
MARIA FERNANDA ILHÉU
“Não podemos estar com medo” A iniciativa “uma faixa, uma rota” ainda é um mistério sem contornos definidos. Algo que Maria Fernanda Ilhéu, académica e presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda, encara como uma oportunidade económica e cultural e uma visão alternativa à globalização. No final do mês, Maria Fernanda Ilhéu apresenta o livro “A China e a Revitalização das Antigas Rotas da Seda – Novo Vector do Comércio Mundial” A Associação Amigos da Nova Rota da Seda faz dois anos em Dezembro. Que balanço faz deste dois anos de actividade? Temos dois objectivos essenciais, que são promover a iniciativa “uma faixa, uma rota” em Portugal e ao mesmo tempo encontrar projectos de cooperação entre Portugal e a China e entre Portugal a China e países terceiros, nomeadamente os de língua portuguesa. Começámos do início, através da promoção da iniciativa. Muita pouca gente em Portugal tem uma ideia do que se pretende com esta iniciativa, quer na vertente de desenvolvimento estratégico da China, quer na vertente do novo modelo de globalização que a China tem, a visão que propõe ao mundo. Esta fase ainda está em continuação, mas estamos também a identificar áreas de cooperação. Nessa fase de identificação de áreas de cooperação temos, por exemplo, a construção de infra-estruturas, quer em Portugal, quer nos países de língua portuguesa. Temos a parte de formação e educação em várias áreas de conhecimento, também ao nível linguístico, português e chinês, mas que são muito mais vastas que isso. Podem ser, na área tecnológica, nos negócios, ou na área cultural, ou da medicina. A medicina e o bem-estar é um grande campo de diálogo e de construção que podemos prever no encontro da medicina tradicional chinesa com a medicina ocidental. Em Portugal estamos avançadíssimos em algumas áreas da medicina. Um dos aspectos que vamos lançar, com o apoio da associação, é um curso de formação em várias áreas da medicina tradicional chinesa. Te-
mos, obviamente, como objectivo o mercado português, mas também os mercados de língua portuguesa, como Moçambique, onde estamos já com uma prospecção avançada de como podemos colaborar com eles. O facto da Organização Mundial de Saúde ainda não ter reconhecido a medicina tradicional chinesa e de ter existido algum debate sobre isso não faz com que esta cooperação caia um pouco por terra? As próprias entidades chinesas compreendem que existem obstáculos para a medicina tradicional chinesa. Portanto, também fazem um esforço de compreensão, de como é que essa medicina e a ocidental podem cooperar, porque há valências e avanços significativos em ambas que são complementares. Em termos de Europa, Portugal está na vanguarda desse reconhecimento, faseadamente, para algumas áreas. É isso que es-
tamos a trabalhar em conjunto com a China, de forma a que a China se aproxime também dos nossos conceitos e perceba como é que algumas coisas devem ser feitas para irem de encontro aos padrões europeus. Estamos a preparar um curso com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, com o Instituto de Medicina Tradicional e com ISEG na parte do marketing, para conseguirmos uma aproximação a potenciais alunos que estejam interessados em saber como
“Não podemos estar com medo, com medo não nos levantamos todos os dias. Portanto, o melhor é continuar, caminhar e ter projectos de colaboração.”
evoluir, como têm de se preparar para a Europa os reconhecer. Mas temos outras áreas. Pode exemplificar com outros domínios? No sector cultural, por exemplo, temos um livro que vamos agora lançar em Macau, penso que será no dia 30, no Clube Militar ou no dia 29 no Instituto Internacional de Macau. “A China e a Revitalização das Antigas Rotas da Seda – Novo Vector do Comércio Mundial”. É um livro que coordeno, juntamente com a arquitecta Leonor Janeiro. Tem nove capítulos, escrito por 10 pessoas. Há um capítulo em co-autoria, o da música, mas os outros têm um autor por capítulo e várias áreas. Como é que as antigas rotas da seda contribuíram para o avanço civilizacional em várias áreas e para a ligação entre os povos. Como a nova rota da seda, que a China nos propõe, vai contribuir no futuro. No fundo, este grupo de trabalho na associação tem um foco muito grande na ligação entre os povos. Fizemos este livro e uma viagem antiga à rota da seda chinesa. Ao fim de dois anos, as várias áreas de trabalho vão produzindo os seus efeitos. Estamos muito atentos a tudo o que se faça na iniciativa “uma faixa, uma rota”, não só na China como em países europeus. No dia 12 de Novembro temos uma conferência, em Lisboa na Fundação Casa de Macau, sobre a relação da União Europeia com a China nesta iniciativa, e como é que outros países da Europa estão a progredir em termos de memorandos de entendimento. Na expectativa de, em breve, Portugal assinar um memorando de entendimento com a China sobre esta iniciativa. No fundo, estruturará e marcará algo que já é evidente, que é Portugal e China a colaborar nesta iniciativa. O Presidente da República já manifestou, por mais de uma vez, que é uma iniciativa que Portugal apoia e que tem muito interesse em integrar. O Primeiro-Ministro
também, assim como o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Agora, esperamos que formalmente seja assinado um protocolo que definitivamente estruture essa colaboração. Mas a nossa associação tem tido um empenho muito grande em dar a conhecer na China aquilo que Portugal tem, o que vai fazer, e por outro lado dar a conhecer em Portugal o que esta iniciativa pode trazer em termos de cooperação com a China e com os países de língua portuguesa.
“Não me parece que a prioridade da China seja dominar toda a gente. A China nunca teve essa ideia.” Considera que ainda existe falta de clarificação relativamente aos objectivos da iniciativa “uma faixa, uma rota”, apesar dos discursos oficiais? Acho que há muita coisa a construir. A política de abertura da China, que se iniciou em 1979, foi toda ela feita passo a passo, sentindo as pedras debaixo dos pés. Vamos avançando, sabemos para onde queremos ir, mas devagar. Ainda não sabemos como vamos, então vamos experimentando. Se corre bem continuamos, se não corre bem damos um passo atrás e vamos por outro caminho para lá chegar. O que está a acontecer nesta iniciativa é precisamente isto. A China lançou a visão e perguntou quem estava interessado em colaborar. Não é um roteiro do que vai acontecer. Há uma decisão de querer fazer algo diferente, isto é muito importante porque é um modelo de globalização diferente. Queremos proporcionar a cooperação entre os países mais desenvolvidos para ajudar os países menos desenvolvidos. Portugal tem um papel muito importante neste projecto, que é colaborar com a China e com os países de língua portuguesa. Todos temos a ganhar com esta cooperação. Como vamos fazer? Vamos construindo. Não há uma direcção que diga “as políticas são estas”. À medida que vamos avançando, vemos o que é necessário, qual a fase seguinte e como nos vamos estruturar. Nós, à maneira ocidental, estamos à espera que haja uma política logo definida e não há. Há um conjunto de visões e vamos acertar como lá chegamos. Há muitas áreas mal definidas. Por exemplo, a governação destes projectos. São projectos que podem ser tripartidos, ou mais que isso.
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ACADÉMICA E PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO AMIGOS DA NOVA ROTA DA SEDA
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Em termos de financiamento, como se podem desenvolver projectos com este nível de cooperação? Fizemos em Março, em Lisboa, uma grande conferência sobre o financiamento da “faixa e rota”, com entidade chinesas mas também com o Banco Mundial e com instituições como, por exemplo, o Banco Europeu de Investimentos. Há uma linha, sabemos que tipo de problemas vamos encontrar. Temos de entender que não são “grants”, não são ofertas. O dinheiro tem de ser justificado. O dinheiro vai ser posto à disposição dos projectos, por financiamentos vários, mas tem de ter rentabilidade. Estes projectos têm de ser auto-sustentáveis e rentáveis, temos de justificar economicamente a sua existência. Tudo isto são aspectos muito profissionais, que levam tempo a analisar, a preparar e a colocar as pessoas de acordo, porque estamos a falar de um
“A política de abertura da China, que se iniciou em 1979, foi toda ela feita passo a passo, sentindo as pedras debaixo dos pés. Vamos avançando, sabemos para onde queremos ir, mas devagar.” encontro de pessoas com culturas diferentes, que têm registos de trabalhos passados diferentes, temos experiências diferentes. Temos de nos acertar para em conjunto evoluir. Por exemplo, os ocidentais são “rule oriented”, são orientados por regras. Os chineses são orientados por projectos e estratégias. Estamos a falar de um projecto dos próximos 30 anos, estamos agora a começar. Esta nova visão pode ser, efectivamente, uma visão muito motivadora de novos encontros civilizacionais e de novas áreas de desenvolvimento do mundo, nomeadamente o centro europeu, África e América Latina. Alguns analistas defendem que a política “uma faixa, uma rota” pode representar uma tentativa de domínio económico da China perante os outros países. Concorda com essa visão? Acho que tudo pode acontecer, porque a geopolítica e a geoeconomia estão a mudar, é visível o que se está a passar na Europa neste
momento, com o Brexit, o que se está a passar nos Estados Unidos com o proteccionismo. São ideias correntes que, para nós, há uns anos eram impensáveis. Há novas potências ascendentes. A China é uma delas, mas também vamos ter a Índia. Há países a crescerem muito, alguns pela sua dimensão poderão ter uma pujança económica que lhes permite posicionarem-se na liderança da economia mundial. A pergunta é se a China está a fazer isso deliberadamente. Eu penso que não. Penso que a China está a fazer isto porque tem problemas internos para resolver. Na vertente interna de “uma faixa, uma rota” vai trazer áreas de novo desenvolvimento dentro da própria China. Como por exemplo... Uma delas é toda a zona do oeste que está muito mais atrasada em relação a outras províncias da China. Estou a falar do corredor de Gansu e da província de Xinjiang, essa zona ligando-se ao centro eurasiático vai reconstruir uma zona de grande poder económico, que existiu há milhares de anos. Tem muitos recursos naturais e um enorme potencial de desenvolvimento. Por outro lado, a China tem de se equilibrar, tem de passar a chamada armadilha do rendimento médio. Tem de dar um salto qualitativo muito grande, nomeadamente na área da ciência e investigação. Tem um grande investimento e um plano para a educação. Se daí vai resultar, ou não, uma liderança óbvia da China no mundo económico, no mundo científico, não sabemos. Não me parece que a prioridade da China seja dominar toda a gente. A China nunca teve essa ideia. Quando no séc. XV, Zheng He fez uma expedição marítima e chegou à costa de Moçambique, o que fizeram? Trocaram tributos, deram ofertas, estabeleceram políticas de relacionamento, aumentaram o comércio. A China é já uma potência emergente que vai ter um papel enorme no mundo. Mas os Estados Unidos também existem, a Europa também. Como é que estas forças todas vão conjugar as vantagens competitivas? O que é que se vai passar? É futurologia. Não podemos estar com medo, com medo não nos levantamos todos os dias. Portanto, o melhor é continuar, caminhar e ter projectos de colaboração. Cada país tem de ver o que é que lhe interessa e como pode colaborar com esta iniciativa, se é que lhe interessa. Mas é um campo que está aberto. Andreia Sofia Silva
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RÓMULO SANTOS
Nem tidos nem achados Fim do regime da actividade ‘offshore’ aprovado com críticas pela criação de desemprego
A CPSP APROVADO AUMENTO DE COMPETÊNCIAS MAS PEDIDA MAIOR FISCALIZAÇÃO
As rédeas do poder
Os deputados aprovaram ontem, na generalidade, a proposta de lei que prevê o alargamento das competências do Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP), mas pediram um reforço da fiscalização em linha com o aumento de poderes
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AIS poderes exigem uma maior fiscalização. A ideia foi defendida ontem, a várias vozes, na Assembleia Legislativa (AL) que aprovou, na generalidade, a proposta de lei que prevê um alargamento das competências do CPSP. Pereira Coutinho absteve-se e Sulu Sou votou contra. “Os fundamentos invocados [para o alargamento das competências] são razoáveis, mas como procedemos à devida fiscalização?”, questionou o jovem deputado pró-democrata, argumentando que as queixas contra a PSP têm vindo a aumentar e que a fiscalização permite “evitar abusos de poder”. Agnes Lam foi, aliás, das primeiras a tocar no ponto da fiscalização, indagando da possibilidade de serem introduzidas alterações à Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança de Macau (CFD), órgão criado em 2005 sem competências para averiguação disciplinar que, no ano passado, recebeu 121 queixas, a esmagadora maioria das quais contra agentes da PSP. Pereira Coutinho também defendeu a importância de ser alcançado um “equilíbrio” entre o aumento de competências e a supervisão dos agentes policiais para “sossegar” a população.
Na réplica, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, voltou a deixar a porta aberta a um aumento dos poderes da CFD. “A nossa atitude é de abertura”, reiterou Wong Sio Chak, realçando até que ele próprio ficaria “mais aliviado em termos de funções” perante um alargamento das competências da CFD. Outro dos pontos que gerou preocupações por parte dos deputados prendeu-se com os direitos dos agentes, nomeadamente ao descanso. Wong Kit Cheng quis saber por que passa a ser obrigatório que os agentes sejam obrigados a trabalhar por um período superior a 44 horas semanais sempre que tal se mostre necessário, e ainda como se consegue garantir o direito ao descanso. Pedidas foram também melhorias nas regalias para os agentes, em concreto os da linha da frente. “Precisamos de valorizar as forças policiais”, sublinhou Song Pek Kei, para quem outras formas de o fazer passam nomeadamente pelas carreiras. Já Zheng Anting colocou a
tónica na necessidade de haver políticas para reter os agentes em face do volume de trabalho e das situações de risco com que se deparam: “Como se consegue reforçar o sentido de pertença?”, questionou. Apontando que o direito ao descanso dos agentes é uma garantia, assim como a devida compensação, Wong Sio Chak rejeitou estar a passar ao lado da parte das regalias. “Também queremos dar melhores condições aos nossos efectivos”, salientou o secretário para a Segurança.
ESTATUTO DOS MILITARIZADOS EM BREVE
Relativamente à revisão do Estatuto dos Militarizados das Forças de Segurança de Macau – cuja consulta pública terminou há sensivelmente dois anos –, Wong Sio Chak justificou o atraso com a complexidade do diploma. “Prevejo enviar [a proposta de lei] ainda este ano para o Conselho Executivo e depois para a AL”, adiantou Wong Sio Chak, dando conta de que a revisão “vem estabelecer comu-
“Prevejo enviar [a proposta da revisão do Estatuto dos Militarizados das Forças de Segurança] ainda este ano para o Conselho Executivo e depois para a AL.”
nicação entre diferentes carreiras de forma a permitir que simples agentes possam ser promovidos a directores de serviços. Vai ser proporcionada a possibilidade de mobilidade ascendente a esses agentes – essa proposta de lei tem essa particularidade”, enfatizou Wong Sio Chak. A proposta de lei do CPSP, que segue agora para análise em sede de comissão, introduz alterações na natureza, atribuições e competências do CPSP que, na prática, redundam em mais poderes. As mexidas passam desde logo pela alteração da natureza do CPSP – que deixa de ser um corpo militarizado para passar a ser uma “força de segurança integrada no sistema da segurança interna da RAEM, que exerce competências próprias de um órgão de polícia criminal” –, dotado de “um quadro de agentes policiais, com estatuto profissional próprio”. À luz do diploma, todos os agentes, independentemente do cargo que ocupem na carreira, detêm poderes de autoridade pública, adquirindo a qualidade de órgãos de polícia criminal, sempre que nela forem investidos pela entidade competente. Diana do Mar
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proposta de lei que dita o fim da actividade ‘offshore’ dentro de dois anos foi aprovada ontem na generalidade, com os votos contra de Sulu Sou e Pereira Coutinho. Mais do que o conteúdo do diploma em si, foi para os 1.700 trabalhadores que vão perder o emprego, até 1 de Janeiro de 2021, que se voltaram os holofotes. “Tentou saber as preocupações dos trabalhadores do sector?”, atirou Lei Chan U, da Federação das Associações dos Operários de Macau, numa opinião secundada por Pereira Coutinho, que deu conta que tem recebido “muitos pedidos de apoio” por parte de funcionários de sociedades ‘offshore’, estimadas em 360. “Estão preocupados com a sua situação, até porque alguns já têm uma certa idade”, enfatizou o deputado, indagando se vai haver medidas para apoiar os funcionários. Já Sulu Sou pôs a tónica no “choque” que foi perceber que o anunciado “aperfeiçoamento” do regime, criado em 1999, era “afinal de contas” uma revogação, insistindo na ferida tocada anteriormente por Lei Chan U. A ala laboral interveio em peso, seguindo-se Ella Lei que quis saber o que vai o Governo fazer para diminuir o impacto no sector. Na resposta aos deputados durante o debate que se estendeu pela noite dentro, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, reiterou que a revogação do regime da actividade ‘offshore’ surge por causa das recomendações internacionais.
“Sabemos que há muita preocupação na sociedade, mas peço para todos terem em atenção que se não o fizermos vamos para a lista negra das jurisdições não cooperantes em matéria fiscal da União Europeia”, afirmou. Embora reconhecendo que a medida “vai afectar muitas famílias de Macau”, Lionel Leong manifestou confiança de que muitas das empresas podem vir a reconverter a sua actividade em ‘onshore’, havendo já “muitas interessadas” em enveredar por essa via. “Esperemos que essas empresas continuem em Macau. Temos dois anos de transição”, insistiu, apontando que espera que os funcionários também “tenham confiança”. A resposta não convenceu. Numa declaração de voto conjunta, os deputados dos Operários Ella Lei, Lei Chan U e Lam Lon Wai deixaram clara a sua posição, apesar de terem votado a favor do diploma: “O Governo deve assegurar os direitos desses trabalhadores e antes da revogação deve estudar as consequências e adoptar medidas preparatórias para minimizar os prejuízos”. “Só demonstra que o Governo não está a actuar devidamente”, frisaram. Já Chan Wa Keong tentou acalmar os ânimos. “Espero que os trabalhadores percebam a intenção [legislativa]. Devem autovalorizar-se para superar estas dificuldades. As preocupações não devem ser exageradas para um patamar de grande conflito laboral”, argumentou o deputado nomeado. D.M.
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CIBERSEGURANÇA TRÊS VOTOS CONTRA E RECEIOS SOBRE DADOS PESSOAIS
Navegação à vista
A proposta de lei da cibersegurança foi aprovada ontem pela Assembleia Legislativa (AL), mas persistem receios de que a privacidade possa ser beliscada. Sulu Sou, Ng Kuok Cheong e Pereira Coutinho votaram contra ção vai ser assegurada pela Polícia Judiciária (PJ), a quem vai caber monitorizar o tráfego de dados informáticos entre as redes dos operadores das infra-estruturas críticas e a Internet. As suas atribuições vão, no entanto, ser definidas por regulamento administrativo. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, reconheceu serem “compreensíveis” as preocupações por parte da população, sobretudo por estar em jogo
“um assunto novo” e tentou acalmar as inquietações. “O ponto essencial é a prevenção e protecção das redes informáticas. Isto não significa que as autoridades policiais podem intervir e manipulá-las – não é isso”, salientou Wong Sio Chak, apontando que todos os deveres “são para o bem dessas entidades”. No total, e em linha com os critérios internacionais, há 118 entidades que se inscrevem na definição de
infra-estruturas críticas, que podem ter natureza pública ou privada. Uma esfera que abrange, entre outros, fornecedores de bens essenciais, incluindo de água e electricidade, hospitais, transportes, bancos ou casinos, mas também estações de rádio e televisão. “O Governo não mete as mãos em termos de privacidade nem se autoriza a intervenção sem qualquer controlo”, reiterou Wong Sio Chak, sublinhando que “os respon-
sáveis pela monitorização só podem intervir quando as entidades [supervisionadas] forem alvo de ataque”.
DÚVIDAS E GARANTIAS
O CARIC figura no nível intermédio de supervisão, estando acima das entidades de supervisão do Governo definidas por domínios de actividade. Já no topo da hierarquia surge a Comissão Permanente para a Cibersegurança, cujo raio de acção também não surge plasmada
RÓMULO SANTOS
MBORA a maioria entenda ser imperativo garantir a protecção das chamadas infra-estruturas críticas –património, sistemas e redes relevantes para o funcionamento normal da sociedade, cujo dano ou revelação de dados é passível de causar prejuízos graves para a segurança, interesse e ordem pública – existem preocupações inerentes. Para Ng Kuok Cheong, a proposta de lei permite mesmo livre acesso. “Sem as pessoas saberem quando e como, o Governo consegue todos esses dados das pessoas”, afirmou o deputado, apontando que, após um pedido, “todas as informações podem ser vistas”, o que “vai afectar ou pressionar as liberdades”. “Esta proposta de lei está a aumentar muito o poder do Governo”, insistiu Ng Kuok Cheong, para quem deve haver um mecanismo que permita fiscalizar eventuais abusos por parte das autoridades. Pereira Coutinho também afinou pelo mesmo diapasão, defendendo que o diploma pode beliscar o artigo 32.º da Lei Básica que protege a liberdade e o sigilo dos meios de comunicação dos residentes. “Manifesto as minhas reservas”, asseverou. “Sabemos que a lei da cibersegurança é necessária, mas como [evitar] que leve a abusos de poder? Temos de encontrar um equilíbrio”, sustentou o deputado, expressando o receio de que a intervenção do Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC) venha a lesar a privacidade, uma opinião secundada por Angela Leong que apontou que a Internet é um “campo de batalha” que “todos os governos estão interessados em poder dominar”. Em causa figura o órgão operacional, cuja coordena-
Sulu Sou “Tenho sérias dúvidas sobre como vai ser implementada a proposta [de lei] porque não confio nas competências que são atribuídas às autoridades públicas”
no diploma. Tal suscitou dúvidas aos deputados que indagaram igualmente sobre a sua composição que vai também ser definida através de um regulamento administrativo. Além do Chefe do Executivo e dos cinco secretários, vão integrá-la 11 directores de serviços, como o da PJ e dos Correios. Com efeito, como explicou o secretário para a Segurança, “o CARIC vai recolher todos os dados” das 11 entidades de fiscalização e “trocá-los com outros países e regiões para prevenir e avaliar os riscos” de ataque. “Essas informações servem para proteger os direitos e interesses das infra-estruturas críticas. Se todas estiverem protegidas, o Governo também está protegido”, salientou. Neste âmbito, deu ainda um exemplo do papel das autoridades: “Os bancos são fiscalizados pela Autoridade Monetária, mas a Autoridade Monetária não sabe da idoneidade, por isso, é necessário a PJ facultar essas informações” Da bancada do Governo voltou a ecoar a garantia de que apenas vai vigiar a dimensão do fluxo de dados, sem registar e muito menos decifrar qualquer conteúdo: “Só vigiamos o fluxo de água, não vemos a cor do interior da canalização”. O conteúdo, esse, apenas pode ser acedido mediante autorização judicial, sendo que, “ao contrário do que se diz, a polícia não pode inventar uma razão para aceder sem qualquer fundamento”, afirmou Wong Sio Chak. Os argumentos não convenceram, contudo, Sulu Sou: “Tenho sérias dúvidas sobre como vai ser implementada a proposta [de lei] porque não confio nas competências que são atribuídas às autoridades públicas”. Diana do Mar
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SAÚDE APROVADO POR UNANIMIDADE REGIME DA QUALIFICAÇÃO E INSCRIÇÃO
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OI a única proposta de lei da agenda de ontem aprovada na generalidade por unanimidade. Em causa, o regime que define novas regras, incluindo um estágio, para o exercício de actividade por parte de 15 categorias de profissionais de saúde. O diploma, que cria o regime aplicável aos profissionais do sector público e privado, uniformizando os
critérios de ingresso e requisitos de inscrição, não deixou, no entanto, de levantar questões. Em destaque esteve o futuro Conselho dos Profissionais de Saúde, a quem vai caber, entre outros, a acreditação e registo. Esse órgão colegial da Administração Pública, que terá também poder para instaurar procedimentos disciplinares, vai ser formado por representantes do sector público e
por profissionais de saúde do sector privado de cada uma das áreas, a definir por regulamento administrativo. As dúvidas prenderam sobretudo com a composição da futura entidade, com Ella Lei e Agnes Lam a questionarem, por exemplo, como vai ser representação de cada uma das 15 categorias de profissionais a que respeita o diploma, a proporção entre representantes
do sector público e privado e até a forma de escolha (nomeação ou eleição). Na resposta, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, remeteu pormenores para mais tarde, dando conta apenas de que terá entre 15 e 21 membros. O facto de o diploma abranger 15 categorias de profissionais de saúde levou também os deputados
a perguntarem pelo critério. Na réplica, o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, esclareceu que foi seguida a prática de regiões vizinhas, tais como Taiwan e Singapura, e que os outros profissionais, como massagistas, “podem continuar a exercer a sua profissão e obter o respectivo alvará, sendo usado outro modelo para [os] fiscalizar”. D.M.
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A calçada portuguesa chegou a Macau tardiamente, mas já marcou a diferença para a original assumindo características muito locais. As académicas Vanessa Amaro e Sheyla Zandonai debruçaram-se sobre o tópico e publicaram um artigo científico que destaca a singularidade da calçada de Macau
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ACAU tem uma identidade única em várias dimensões. Uma delas é a calçada, de acordo com um trabalho desenvolvido pelas investigadoras Vanessa Amaro e Sheyla Zandonai num artigo publicado no conceituado Journal Current Athropology, com a chancela da University of Chicago Press. Para sustentar a premissa, as académicas lançaram-se na exploração do pavimento que cobre várias zonas da cidade e na forma como se diferencia da calçada que se vê em Lisboa, no Rio de Janeiro ou noutras cidades em que os portugueses deixaram a sua marca. As diferenças começam na altura em que esta técnica de “cobrir o chão de preto e branco” começou a ser utilizada enquanto projecto urbano em Macau. Apenas nos anos 90, foi concretizado
GONÇALO LOBO PINHEIRO
sexta-feira 19.10.2018
PATRIMÓNIO CALÇADA DE MACAU É ÚNICA NO MUNDO E OBJECTO DE ESTUDO
O chão que pisamos o primeiro projecto público com a pavimentação da Praça do Leal Senado, pelas mãos do arquitecto Francisco Caldeira Cabral. Antes, a
“Peixes, caranguejos ou estrelas que são considerados elementos auspiciosos na cultura popular local foram incorporados nos padrões das calçadas, assim como o uso de pedra vermelha e sem duvida a necessidade de aprovação do mestre de Feng Shui.” VANESSA AMARO
calçada portuguesa apenas tinha sido utilizada no Hotel Bela Vista, enquanto projecto privado, para adornar o terraço do edifício que é hoje a residência consular, apontaram ontem numa de apresentação dos resultados da investigação, na Universidade de Macau (UM). O projecto para o Senado materializava a intenção dos portugueses, que em “vésperas de partida, deixaram a sua marca no território”, disseram citando testemunhos que recolheram durante a pesquisa.
MOTIVOS AUSPICIOSOS
A ideia era fazer uma obra neutra em termos culturais e por isso o padrão escolhido foi o das ondas, explicaram, sendo que era necessário ter em conta as referências da cultura chinesa. Mas, com a pavimentação de mais áreas públicas, e tendo em conta a cultura chinesa, os espaços preenchidos com calçada começaram
a seguir as normas do Feng Shui, referiram. “Os padrões começaram a ter formas mais arredondadas, as figuras integraram aquilo que seria admitido dentro da cultura chinesa, os mestres calceteiros foram sendo substituídos por mestres de Feng Shui.” É esta associação a elementos “auspiciosos” que confere ao chão de muitas zonas de Macau a característica única e que só por cá se encontra, apontaram as investigadoras. “Peixes, caranguejos ou estrelas, que são considerados elementos auspiciosos na cultura popu-
lar local, foram incorporados nos padrões das calçadas, assim como o uso de pedra vermelha e sem dúvida a necessidade de aprovação do mestre de Feng Shui”, explica Vanessa Amaro.
TRANSFORMAÇÃO CULTURAL
Se os portugueses quiseram deixar a sua marca antes da transferência de administração, os chineses com as alterações que introduziram estão a diluir isso mesmo. Prova disso são as várias denominações que dão à calçada que cobre o território. “Pavimento de influência mediterrânea, eu-
ropeia ou mesmo ibérica” são algumas das caracterizações que se encontram nos panfletos turísticos distribuídos pelo território, sendo que a denominação de calçada portuguesa já só se encontra nos materiais turísticos em língua portuguesa, referem com preocupação. Mas, esta alteração cultural não é nova. “Passou-se pelo processo de localização, em que há uma dissociação de uma herança ou de uma carga cultural que é transformada num produto de uma cultura local”, explicou Sheyla Zandonai. “Vemos isso na calçada que é agora uma expressão artística ou um projecto urbano, que é exclusivamente local, e que não se repete de outra maneira em mais lado nenhum do mundo”, rematou. Sofia Margarida Mota
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Transportes Teleférico da Guia suspenso entre os dias 22 e 29 deste mês O funcionamento do teleférico da Guia vai ser suspenso entre os dias 22 e 29 deste mês, revela o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em comunicado. Neste período de tempo, a infra-estrutura vai ser sujeita a uma inspecção de segurança para “assegurar o seu bom funcionamento”, acrescenta o IACM.
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19.10.2018 sexta-feira
FILHO HOMENAGEIA STANLEY HO COM HOTEL MILIONÁRIO CHAMADO LISBOETA
Em nome do pai Os elementos das construções mais icónicas do Rei do Jogo, como o Hotel Estoril, Lisboa e Macau Palace, vão juntar-se no novo projecto de Arnaldo Ho para homenagear o pai e mostrar aos turistas como era a cidade nos anos 60 e 70
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HAMA-SE Lisboeta, vai custar cinco mil milhões de dólares de Hong Kong e abre em 2020. O novo hotel de 4 estrelas que o empresário Arnaldo Ho vai construir
no Cotai em memória do pai, Stanley Ho, é inspirado na estética dos hotéis Estoril, Lisboa e Macau Palace. O objectivo é mostrar aos turistas como era Macau nos anos 60 e 70, no auge dos projectos de Stanley Ho, e
ao mesmo tempo recordar aos residentes os hotéis que transformaram a cidade no Mónaco do Oriente. “Quando olhei para o Cotai considerei que faltavam elementos de Macau. Por isso, procurei inspiração
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SEM JOGO... PARA JÁ
Request for Proposal – No. MIA201806GH Provision of the “Ground Handling”, “Aircraft Maintenance” and “Cargo & Mail” Subconcession Activities at Macau International Airport 1. 2. 3.
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Company: Macau International Airport Company Limited (CAM) Method: Open Request for Proposal (RFP) Objective: To select ONE operator to provide the “Ground Handling”, “Aircraft Maintenance” and “Cargo & Mail” Subconcession Activities at Macau International Airport Validity of the Proponents’ proposals: The validity period of the Proponents’ proposals shall be 270 days counting from the deadline for submission of proposals Minimum Qualification: For details, please see Section II.3 of Page 12 & 13 of the RFP Request for Proposal Documents: The RFP Documents and other pertinent information are available on http:// www.camacau.com until the deadline for submission of proposal. Please always check the website for additional information, clarifications or modifications of the Request for Proposal documents that may be published from time to time. Location and Deadline for Submission of Proponents’ Proposals: Attention to: Chairman of the Executive Committee Macau International Airport Company Limited (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Avenida Wai Long, Taipa, Macau S.A.R. Deadline for Submission: 12:00 noon, 1 March 2019 (Macau Local Time) Late Submission will not be accepted Proposal Evaluation Criteria:
Company Experience and Profile 240 points Financial Ability 200 points Business Plan 560 points --------------------------------------------------------------------------------
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Total 1,000 points CAM reserves the right to reject any proposal in full or in part without stating any reasons. - End -
nos maiores feitos do meu pai, como a construção dos hotéis Estoril, Lisboa e Casino Palace, e decidi que queria levar estes elementos clássicos para o Cotai. É uma grande honra para mim poder levar estes elementos do passado, característicos dos projectos do meu pai, para o futuro”, disse Arnaldo Ho, director da empresa Macau Theme Park and Resort (MTPR), na apresentação do projecto. “O nome Lisboeta tem dois significados, por um lado representa a ligação profunda entre Lisboa e Macau, por outro é a ligação entre a nossa marca e os nossos patronos. Nesta perspectiva, o Lisboeta é um projecto dedicado às pessoas de Macau, que manifestam a cultura e a herança do território”, explicou. Com uma área de 141 mil metros quadrados, o Lisboeta vai reproduzir o famoso Mural do Hotel Estoril, e vai ter uma réplica do Macau Palace, que em 1974 surgiu no filme James Bond: O Homem da Pistola Dourada. Este é um dos temas do projecto, que tem outra abordagem: a Macau do futuro. Com a conjugação destes dois temas, Arnaldo Ho espera atrair visitantes e turistas para o hotel com cerca de 820 quartos.
ADEUS, HELLO KITTY
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Hotel Lisboeta vai ficar numa parcela do terreno que tinha sido entregue a Angela Leong para a construção de um parque temático. Chegou a ser avançado um projecto que teria como tema o desenho animado Hello Kitty, mas a ideia não se concretizou. “Enquanto os outros hotéis tiveram como limite de construção em altura entre 120 e 160 metros, nós
só fomos autorizados a construir até 60 metros”, revelou Arnaldo Ho. “Vamos manter-nos em contacto com o Governo e esperamos que no futuro nos permitam construir o parque temático”, frisou. A construção de um hotel foi ainda explicada com o facto da empresa ter feitos estudos de mercado que indicavam que o projecto não ia singrar em Macau.
Ontem, Arnaldo Ho afirmou que, por enquanto, o Lisboeta não vai ter mesas de jogo. Porém, vai ter uma ponte pedonal a ligar a unidade hoteleira ao casino da Sociedade de Jogos de Macau, Grand Lisboa Palace, que deverá abrir até ao final de 2019. De acordo com o empresário e filho de Stanley Ho e Angela Leong, há igualmente negociações com o Governo, e com as operadoras, para tentar obter autorização para instalar mesas de jogo no Lisboeta. Contudo, Ho mostrou-se confiante que os hotéis decorados pela marca de cosmética L’Occitane, ou com os desenhos animados Line Friends são um argumento forte para atrair famílias. Outra aposta do director da MTPR são os elementos não-jogo como um cabo para zip-line, entre as torres do hotel, os túneis de vento para skydiving e ainda as salas de cinemas, geridas pela Emperor Entertainment. João Santos Filipe
Joaof@hojemacau.com.mo
Oktoberfest Festa da cerveja no MGM Cotai
A edição de 2018 do festival Oktoberfest arrancou ontem. A novidade deste ano é realizar-se pela primeira vez no MGM Cotai, depois de nos anos anteriores o MGM Macau ter recebido o evento. O festival da cerveja, inspirado na tradição da região da Bavária, na Alemanha, estreia também a realização de um dia totalmente focado nas empresas, que acontece amanhã, em que os patrões são convidados a levar os seus empregados para a mesa. O festival vai decorrer até 29 de Outubro.
Espectáculo Destiny encerrado antes de começar
A operadora MGM estava a preparar o lançamento de um espectáculo intitulado Destiny, que acabou cancelado, antes da estreia. Uma decisão que deixou sem emprego 50 funcionários. A notícia foi avançada pelo portal Expediente Sínico, com base no depoimento de dois dos despedidos. A decisão terá sido tomada depois da directora executiva da companhia, Pansy Ho, filha de Stanly Ho, ter assistido à pré-estreia do espectáculo e ter decidido que não tinha qualidade para ser levado ao grande público. A medida afecta artistas, técnicos de guarda-roupa, operadores de câmara, directores artísticos e maquilhadores, entre outros.
Pansy Ho
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sexta-feira 19.10.2018
Moçambique procura investimento para sector energético O Ministro da Indústria e Comércio de Moçambique disse ontem à Lusa que está em Macau à procura de investidores lusófonos e chineses para projectos na área do gás natural, cuja produção tem arranque previsto para 2022. “Pretendemos privilegiar o empresariado local, mas isso nunca prejudicando o
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andamento do projecto. Não tendo capacidade interna, o país está aberto a convidar empresários e esta é a plataforma ideal”, sublinhou Ragendra de Sousa. “Aqui falamos para Portugal, Angola, Cabo Verde, e também falamos para Macau e para a China”, destacou o governante. As declarações foram realizadas à margem da
criação dos vistos gold, uma medida do Governo português para a captação de investimento estrangeiro pela via da atribuição de nacionalidade, já conheceu melhores dias. Isto de acordo com três empresas ligadas ao ramo da advocacia, consultadoria e compra e venda de imóveis com sede em Portugal, Macau e China, e que estarão até domingo na Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla inglesa). Vítor Rodelo, CEO da agência imobiliário Casa 10, está pela primeira vez na MIF à procura de clientes e parceiros, e falou ao HM da necessidade de credibilizar e flexibilizar o actual modelo dos vistos gold levado a cabo pelas autoridades portuguesas. “É um programa a que se tem de dar um pouco mais de credibilidade e rapidez no desenrolar dos processos. Continua a existir muita burocracia e é um grande obstáculo”, disse, defendendo que o processo de corrupção ligado à atribuição dos vistos gold não trouxe grandes consequências negativas. “Quando essas notícias saíram, há dois ou três anos, notamos alguma quebra do mercado chinês, e isso também foi fruto de algumas agências de imigração que, no início, extrapolaram os preços e fizeram com que os clientes se tenham sentido traídos na sua confiança. Mas, neste momento, penso que isso foi ultrapassado”, acrescentou Vítor Rodelo. No caso da agência Casa 10, os investidores chineses representam cerca de 50 por cento da carteira de clientes. “Eles procuram imóveis com algum rendimento, porque é um meio para atingir um fim. Eles procuram os vistos gold não para habitar, porque 99 por cento dos chineses não habita em Portugal, e querem imóveis com potencial de crescimento em termos de valor, para terem rendimento.” A Perfeição, radicada em Macau e fundada pela ex-presidente da Assembleia Legislativa Susana Chou, faz serviços de consultadoria na área de investimentos, onde se incluem os vistos gold. Vera Zhou, consultora, também defendeu ao HM que é necessária uma mudança no processo. “Os chineses ouviram falar de casos onde existe de facto esta
Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), o maior evento para a promoção do comércio e investimento do território, e na qual Moçambique e a província chinesa de Fujian se assumem como parceiros da 23.ª edição, que conta com a participação de centenas de instituições oriundas de mais de 50 países e regiões.
Empresas de Macau e Zhuhai esperam mais negócios com nova ponte Responsáveis de pequenas e médias empresas de Macau e da cidade chinesa de Zhuhai disseram ontem à Lusa que esperam garantir mais negócios com a abertura, na próxima terça-feira, da travessia marítima que vai ligar aqueles territórios e Hong Kong. “Vai ser mais fácil para nós em termos logísticos, tanto na relação com Hong Kong como com a China
[continental]”, defendeu a responsável pela Refresh Moment, Joyce Fong. “Esperamos mais negócios e oportunidades quando a ponte abrir”, indicou a proprietária da empresa de Macau, até porque “vai ser possível ir mais vezes lá porque fica tudo mais perto”, sobretudo Hong Kong para onde estão a tentar expandir a atividade. Do lado da China continental, mais
propriamente da cidade de Zhuhai, o proprietário da Hengoin Financial Investment Group destacou “a grande importância da infra-estrutura”. “Mais dinheiro, pessoas e produtos na Grande Baía” vão, por sua vez, criar a oportunidade de “desenvolver grandes companhias e mais oportunidades para uma maior cooperação”, argumentou o empresário.
MIF IMOBILIÁRIAS QUEIXAM-SE DA BUROCRACIA DOS VISTOS GOLD
Casas pouco douradas
Três empresas de consultadoria, agenciamento e advocacia presentes na Feira Internacional de Macau defendem que o processo de atribuição dos vistos gold continua a ser demorado e burocrático. Um entrave que pode afastar investidores chineses, ao qual se junta o elevado preço dos imóveis em Portugal
Vítor Rodelo, agente imobiliário “É um programa a que se tem de dar um pouco mais de credibilidade e rapidez no desenrolar dos processos. A burocracia é um grande obstáculo.”
lentidão e eles gostam de processos rápidos e fáceis, e assim acho que será mais difícil atrair chineses para investimento.”
PREÇOS QUE AFASTAM
Além da burocracia, há a questão da especulação imobiliária no Lisboa e do Porto. “Há cada vez menos pessoas interessadas, porque o preço das casas em Lisboa e no Porto aumentaram e estas procuram outras alternativas, como Espanha ou França. No início do programa dos vistos gold, em finais de 2012, e também em 2013 e 2014, havia muitos chineses à procura, mas
actualmente não temos recebido muitos pedidos”, acrescentou Vera Zhou. Vítor Rodelo também destaca o facto do mercado imobiliário ter mudado nos últimos tempos. “Quando os vistos gold foram criados o mercado estava em baixa e havia muita oferta e pouca procura. Passados cinco anos é o contrário, existe mais procura do que oferta. Esgotou-se o stock de imóveis que estavam parados, e há uma grande alteração em termos de perspectiva e na própria construção, que era uma área que estava parada e deixou de estar.”
Amy Wong, advogada e uma das fundadoras do escritório Amy and Partners, com escritório em Zhuhai, assegura que tem alguns casos de investidores que não gostaram de pagar demasiado por uma casa. “Não temos muitos casos relacionados com os vistos gold, cerca de cinco apenas. Dois deles são de clientes chineses que compraram propriedades a um preço bastante mais elevado do que o seu valor real.” Aadvogada recorda que o caso de corrupção não foi muito noticiado na China. “Os chineses não estão muito familiarizados com o caso de corrup-
ção, porque não foi muito noticiado na China, então penso que não houve uma perda de credibilidade. Muitos chineses não sabem sequer o que aconteceu.” As medidas adoptadas por Xi Jinping nos últimos tempos também levaram a uma mudança de postura de quem investe. “O número de interessados nos vistos Gold manteve-se estável. Devido às políticas financeiras da China, há menos clientes a investir. Não é por causa do caso de corrupção, mas sim por causa das políticas internas do país”, concluiu. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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19.10.2018 sexta-feira
A plataforma MunHub, dos designers Clara Brito e Manuel Correia da Silva, trouxe à Feira Internacional de Macau dez marcas de países lusófonos, incluindo produtos feitos com Burel, um tecido que nasce da lã da Serra da Estrela. A Tufa, marca de calçado de casa, é uma delas
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ESDE o século XIX que se produz em Manteigas, na zona da Serra da Estrela, em Portugal, um tecido chamado burel feito à base da lã que vem das montanhas. Há muito esquecido, foi agora reinventado pela Burel Mountain Originals, uma marca cem por cento portuguesa que criou peças de vestuário, calçado, artigos de decoração e têxteis com base no burel, transpondo-o para a contemporaneidade. Este material é uma das apostas da plataforma MunHub, de Macau, criada em 2014 pelos designers Manuel Correia da Silva e Clara Brito. Este ano a MunHub está presente na Feira Internacional de Macau (MIF) com um total de dez marcas oriundas de países de língua portuguesa. A Tufa, projecto de design de calçado de casa da autoria de Clara Brito e Margarida Jardim, é um dos produtos em exposição na MunHub. São chinelos feitos com burel, disponíveis nas cores cinzento escuro e azul. Clara Brito, também fundadora da marca LinesLab, explicou ao HM como nasceu
Lã com história MIF PRODUTOS COM BUREL EM DESTAQUE NO ESPAÇO MUNHUB
esta parceria. “A Burel Mountain Originals é uma marca que conhecemos há algum tempo e é uma empresa que tem recuperado algo tradicional, como é a lã burel, e que tem uma fábrica com muitos anos de história. A Tufa é uma marca de calçado de casa e estava a ser desenvolvida de uma maneira muito despretensiosa pela Margarida Jardim em Portugal.”
A designer adiantou que “a ideia é fazer uma pantufa com sobras de tecidos e esponjas para criar um calçado confortável e quentinho para usar em casa”. “Quando encontrei estes produtos achei que eles casavam perfeitamente com um material como o burel, e daí surgiu esta união”, frisou Clara Brito. Com uma presença sólida em Macau, a MunHub sem-
pre procurou criar laços com marcas portuguesas que falem a mesma linguagem. “Para nós também faz sentido criar uma ligação mais forte com o desenho, que tanto pode acontecer na Europa como na Ásia, mas transferir depois esse potencial desenho para uma pequena indústria tradicional e ter um produto de alta qualidade, de alto valor
acrescentado, e fazer esses casamentos. Foi daí que surgiu a Tufa.” Outra das marcas presentes no espaço MunHub que tem uma parceria com a Burel Mountain Originals é a Pecegueiro & F.os, marca que também nasceu de um negócio familiar e é detida por Pedro Noronha Feio e Sara Lamúrias. Ao HM, Pedro Noronha Feio falou do projecto nascido da ligação com a burel, a produção de mochilas. “Somos um gabinete de design que, além de fazer roupa infantil, tem uma parceria com a Burel Mountain Originals, entre outras. Temos uma linha de mochilas com a burel, mas a marca tem uma vida própria e a sua autonomia não passa por aí. Essa é uma colaboração que vem de há muito tempo. Também temos outra marca que colabora desde 2010 com a burel, e que cria
produtos em parceria, para a casa e peças de moda.” Sendo esta a primeira vez da Pecegueiro & F.os em Macau e na MIF, Pedro Noronha Feio tem algumas esperanças de poder entrar no mercado chinês. “A nossa expectativa com esta presença é a divulga-
“Quando encontrei estes produtos achei que eles casavam perfeitamente com um material como o burel, e daí surgiu esta união.” CLARA BRITO DESIGNER E FUNDADORA DA PLATAFORMA MUNHUB
ARTE OBRAS “AFRICANAS”DE JOSÉ D
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exposição “José de Guimarães e África”, com obras originais do artista em diálogo com peças da coleção pessoal de arte africana, vai ser inaugurada no sábado, no Japão, anunciou a galeria do artista. De acordo com a Galeria Quadrado Azul, a exposição decorrerá no Ichihara
Lakeside Museum, na província de Chiba, no Japão, até 13 de janeiro de 2019. A exposição reunirá obras originais do artista, criadas em vários períodos, em diálogo com diversas peças da sua colecção africana, das etnias Fang e Kota. Esta exposição também comemora os 25 anos
eventos 11
sexta-feira 19.10.2018
Pedra e música Vhils estreia-se em Londres com Fatboy Slim
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segunda edição em Londres do festival Iminente, que junta música e arte, decorre entre hoje e domingo e inclui a estreia de uma obra da autoria do artista português Vhils e do DJ britânico Fatboy Slim. O festival “explosivo, que tem por missão mostrar a nova música e nova arte de raízes lusófonas e internacionais numa experiência de intensa intimidade colectiva”, vai levar “a alma de Lisboa ao coração de Londres” durante três dias. Com curadoria de Vhils e da galeria Underdogs, o Iminente regressa à The Old Truman Brewery, em Brick Lane, que acolheu a primeira edição da iniciativa na capital britânica em Julho do ano passado. De acordo com a organização, nesta edição, “irá assistir-se à estreia de uma obra visual que nasce de uma colaboração entre o consagrado DJ britânico Fatboy Slim e o artista português Vhils”. “A peça multimédia combina vídeo e música e foi criada num formato de intercâmbio cultural que viu cada um dos artistas visitar o estúdio do outro em Portugal em Inglaterra”, refere a organização em comunicado, no qual recorda que o DJ foi uma das surpresas na primeira edição do festival em Lisboa, em Setembro no Panorâmico de Monsanto,
ção do nosso trabalho, chegar a novos mercados e a este lado do mundo.”
PARTICIPAÇÃO “MAIS EXTENSA” O stand da MunHub pode ser visitado até domingo no espaço PLPEX (Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portugue-
sa), inserido na MIF. Clara Brito fala de uma presença que, este ano, é “mais extensa”. “Temos dez marcas e a maioria delas são de Portugal, temos uma do Brasil, e de Macau. Quisemos fazer um aglomerado de marcas e isso tem a ver com o tra-
balho que temos vindo a desenvolver com os países de língua portuguesa. Estamos relacionados com várias marcas. Quando criamos a MunHub, em 2014, quisemos aproveitar o histórico que já tínhamos com a nossa própria marca, os conhecimentos e experiência, e estender tudo
isso para outras marcas que se queiram expandir.” Além disso, a MunHub também está ligada à organização de desfiles de moda de seis marcas lusófonas, não só de Portugal mas também de Moçambique e São Tomé e Príncipe.
pósio “Por que a arte africana atrai artistas?” com o professor Ichiro Majima, antropólogo, e Fram Kitagawa, presidente da Art Front Gallery. Em conjunto com a exposição, será publicado o livro “Empty” pela Gendaikikakushitsu Publishers. Inspirado na arte de José de
Guimarães, Shuntaro Tanikawa, um dos maiores e mais populares poetas do Japão, segundo a galeria, escreveu um texto sobre a génese humana, para o qual o artista português contribuiu com desenhos.
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
DE GUIMARÃES NO JAPÃO da colaboração do artista com a Art Front Gallery, de Tóquio, através de vários projectos de arte pública, nomeadamente Faret Tachikawa, Daikanyama Address, Kushiro Civic Core, Biblioteca Municipal de Miyagi, Tsumari Art Triennale e Setouchi Triennale. O artista, de 78 anos, cuja vida
e obra é marcada por viagens pela Ásia, a África e a América Latina, reuniu ao longo de décadas uma vasta colecção sobretudo de arte africana e asiática. Para celebrar a abertura desta exposição no sábado, José de Guimarães fará uma palestra, seguida de um sim-
“tendo actuado no final da primeira noite num espectáculo não anunciado”. O alinhamento de artes visuais inclui, além da colaboração entre Vhils e Fatboy Slim, o britânico D*Face, os portugueses berru collective, Phomer, Robert Panda, The Empty Belly, Vhils e a dupla espanhola PichiAvo. Além das intervenções, que estarão espalhadas pelo recinto, a Underdogs terá no local “uma loja de edições e publicações, assim como uma mostra de peças únicas de vários dos artistas que representa – entre os quais se incluem artistas internacionais como Shepard Fairey, Anthony Lister e WK Interact, e portugueses como ±MaisMenos±, AkaCorleone, André da Loba, Mário Belém ou Wasted Rita, entre muitos outros”. Do cartaz musical fazem parte, entre outros, os portugueses Kwan, Slimcutz, X-Acto, Yen Sung, Rita Maia, Da Chick e Magazino e os norte-americanos Black Milk & Nat Turner Band. Os bilhetes são limitados a 700 por dia. O festival Iminente realizou-se pela primeira vez em Oeiras, em 2016. No ano seguinte, o Jardim Municipal daquela cidade voltou a acolher a iniciativa. Este ano, o Iminente realizou-se em Lisboa, no Panorâmico de Monsanto, onde irá manter-se até 2020.
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19.10.2018 sexta-feira
XANGAI TESLA VAI CONSTRUIR A PRIMEIRA FÁBRICA FORA DOS ESTADOS UNIDOS
TIBETE DESLIZAMENTO DE TERRAS DEIXA 6.000 PESSOAS SEM CASA bloqueio, que poderia afectar os níveis de água nas regiões mais baixas. O deslizamento de terras ocorreu perto de uma aldeia no condado de Menling e a água no lago subiu para uma altura de 40 metros, informaram os serviços. Com os seus picos e glaciares imponentes, o Tibete é a fonte de inúmeros rios asiáticos, aumentando a influência estratégica da China sobre os seus vizinhos do sul. O rápido aumento das temperaturas fez com que estes glaciares derretessem a um ritmo crescente, lançando uma sombra sobre os recursos hídricos futuros para a China e outras nações asiáticas.
Motores sem fronteiras Apesar da crescente tensão entre os dois gigantes mundiais, o investimento de fabricantes americanos de veículos eléctricos na China continua em alta
TESLA
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ERCA de 6.000 pessoas foram retiradas de suas casas após um deslizamento de terras no Tibete que bloqueou o fluxo de um dos principais rios da região, revelaram ontem os serviços de emergência da China. Um lago de barreira foi formado em Yarlung Tsangpo, a nascente do rio Brahmaputra, na Índia, após o desmoronamento de um penhasco no vale através do qual o rio corre, informou a agência local de resposta a emergências, num relatório divulgado pelos media estatais. Não foram registadas vítimas até agora e o serviço de emergências disse que a China tem mantido a Índia actualizada sobre o
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EDITAL Notificação relativa à audiência sobre reparação de prédio em mau estado de conservação Edital n.º : 10/E-AR/2018 Processo n.º : 31/AR/2018/F Local : Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.ºs 719A-745 e Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.ºs 412A-438 , Edf. Ving Tai, Macau. Shin Chung Low Kam Hong, Director substituto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os condóminos e os inquilinos ou demais ocupantes do prédio acima indicado, do seguinte: Em conformidade com o Auto de Vistoria da Comissão de Vistoria constante do processo a decorrer nesta Direcção de Serviços, os pilares decorativos da arcada do prédio acima indicado encontram-se em mau estado de conservação e carecem de reparação, pelo que, nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (Regulamento Geral da Construção Urbana) de 21 de Agosto, ficam os interessados notificados da audiência relativa à sua reparação. No uso das competências delegadas pela alínea 12) do n.º 2 do Despacho n.º 11/SOTDIR/2016, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 21, II Série, de 25 de Maio de 2016, o Chefe do Departamento de Urbanização da DSSOPT, Lai Weng Leong, homologou o Auto de Vistoria acima indicado através de despacho de 4 de Outubro de 2018. Notificam-se os interessados que no prazo de 10 (dez) dias, contados a partir da data da publicação do presente edital, devem dar cumprimento à ordem emanada no Auto de Vistoria, ou apresentar no mesmo prazo, conforme o disposto no artigo 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as alegações escritas relativas à decisão de reparação do prédio acima indicado, podendo requerer diligências complementares acompanhadas de documentos. Se findo o prazo acima referido os interessados não derem cumprimento à respectiva ordem nem apresentarem quaisquer alegações escritas, tal não afecta a decisão tomada por esta Direcção de Serviços. Além disso, caso necessário, esta Direcção de Serviços aplicará aos infractores a multa estabelecida nos artigos 66.º e 67.º do citado diploma legal. Os interessados podem consultar o processo durante as horas normais de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau. RAEM, 11 de Outubro de 2018
O Director de Serviços, Subst.º Shin Chung Low Kam Hong
“É um importante marco para o que será o nosso próximo local de fabrico desenvolvido de forma sustentável e sofisticado.” ROBIN REN VICE-PRESIDENTE DA TESLA
fabricante norte-americana de carros eléctricos Tesla revelou esta quarta-feira que vai construir uma fábrica em Xangai, na China, a primeira fora dos Estados Unidos, numa altura de crescentes disputas comerciais entre Washington e Pequim. O grupo, que tem sede no estado norte-americano da Califórnia, assinou quarta-feira um acordo para a transferência dos terrenos onde vai ser construída a fábrica. As novas instalações foram anunciadas em Julho passado, depois de Pequim ter-se comprometido a eliminar os limites de propriedade para fabricantes de veículos eléctricos, e a Tesla manteve os planos, apesar das crescentes disputas comerciais entre EUA e China, motivadas pelas ambições chinesas para o sector tecnológico. O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas do país asiático. Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico, nomeadamente o plano “Made in China 2025”, que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia
renovável, robótica e carros elétricos. Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.
MERCADO FÉRTIL
A China é o maior mercado automóvel do mundo e o segundo maior para a Tesla, a seguir aos EUA. General Motors, Volkswagen ou Nissan são outros grandes fabricantes de automóveis que estão a investir milhares de milhões de dólares no fabrico de veículos eléctricos na China. A produção local elimina os riscos do aumento de taxas alfandegárias e outras barreiras às importações. “É um importante marco para o que será o nosso próximo local de fabrico desenvolvido de forma sustentável e sofisticado”, afirmou o vice-presidente da Tesla Robin Ren, em comunicado. A Tesla afirmou antes que a produção em Xangai vai arrancar dentro de dois a três anos após concluída a construção da fábrica e, eventualmente, aumentar para 500.000 veículos por ano.
FÓRUM ECONÓMICO MUNDIAL CHINA É O PAÍS MAIS COMPETITIVO DO BRICS
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O grupo BRICS, a China é o país mais competitivo, seguido pela Federação Russa, de acordo com o Relatório de Competitividade Global 2018, conduzido pelo Fórum Económico Mundial. Com um total de 98 indicadores para avaliar a produtividade
e a competitividade em 140 países e regiões do mundo, cada indicador varia de 0 a 100 para demonstrar o progresso actual e a distância real de uma economia. A China ocupa o 28º lugar, com uma pontuação de 72,6, segundo o relatório. É de destacar
também a capacidade de inovação chinesa, que ocupa o 24º lugar na tabela mundial. O gigante asiático, que conta com o crescimento mais rápido no mundo, actua como um dos principais contribuintes para a região Ásia-Pacífico leste, a
qual representou cerca de um terço do crescimento global em 2017. A China ocupa também o primeiro lugar em termos da escala de mercado, com base na paridade de poder de compra per capita, segundo o relatório. Os Estados Unidos são a nação mais
competitiva do mundo pela primeira vez em uma década, seguidos por Singapura e pela Alemanha. A Suíça, que encabeçou a lista no ano passado, ocupa agora o quarto lugar. Quase 90% dos primeiros 30 lugares são economias desenvolvidas na Ásia e na Europa.
sexta-feira 19.10.2018
Um dia, de repente, arrastam-nos à forca para um lugar incerto ´
José Simões Morais
Um ano entre Sun Wen e Camilo Pessanha
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ESCRITOS alguns dos mais importantes acontecimentos históricos do século XIX na China, anteriores à chegada de Camilo Pessanha a Macau, e que influenciaram Sun Wen para o combate revolucionário contra a dinastia Qing, falta agora apresentar estas duas personagens. Sun Wen, conhecido pelos estrangeiros por Sun Yat-sen, antecedeu um ano Camilo Pessanha, tanto no nascer como a deixar esta vida. Assim, Sun Zhongshan, nome dado a Sun Wen após a morte e que virá a ser o primeiro Presidente da República da China, nasceu a 12 de Novembro de 1866 numa família de camponeses na pequena aldeia de Choy Heng (Cuiheng em mandarim), no distrito de Heong-Sán (Xiangshan, actual Zhongshan), província de Liangguan (Guangdong e Guangxi), situada a cerca de 50 quilómetros a Norte de Macau. No trono do Celeste Império encontrava-se então o oitavo Imperador Qing, Tong Zhi (Mu Zong, 1862-1874). Refere o Padre Manuel Teixeira, “O pai de Sun Wen foi alfaiate em Macau, regressando à sua aldeia antes do nascimento do filho”. Dez meses depois, no ano da abolição da pena de morte em Portugal, onde reinava D. Luís (1861-89), nasceu Camilo de Almeida Pessanha na freguesia da Sé Nova, em Coimbra, pelas onze da noite do dia 7 de Setembro de 1867. Segundo Daniel Pires, era filho de um estudante do 3º ano de Direito, Francisco de Almeida Pessanha e da sua governanta Maria do Espírito Santo Duarte Nunes Pereira. Fora baptizado a 30 de Outubro de 1867, mas só a 9 de Outubro de 1884 seria perfilhado pelo pai, estava Camilo no primeiro ano da Faculdade de Direito na Universidade de Coimbra. Na aldeia de Cuiheng, Sun Wen nasceu e viveu em criança com o nome de Dixiang, onde na escola primária escuta as memórias do tempo das Guerras do Ópio (1839-60) e da Revolta Taiping (185064). Sun Wen chamado ao Havai pelo irmão mais velho Sun Mei, em 1878 passou por Macau a caminho das ilhas Sandwich (onde o Capitão Cook chegara em 1778, um século antes de Sun Wen), arquipélago da Polinésia, a meio do Oceano Pacífico entre a China e os EUA. A viver em Maui, uma das oito ilhas do Havai, para continuar os estudos iniciados na aldeia natal foi matriculado na escola primária e ajudava o irmão como empregado de balcão. Em Agosto, dois meses após a sua chegada, vai estudar inglês para Honolu-
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lu, na escola primária americana Iolani, onde terminou os estudos em 1882. No ano seguinte, já no Iolani College em Honolulu, foi chamado a regressar à terra natal por outro dos seus irmãos. Tendo em Cuiheng destruído a imagem de um deus, o que desagradou à população local, os pais acharam melhor enviá-lo para estudar na Escola Diocesana da Igreja Anglicana em Hong Kong, onde baptizado pelo missionário protestante americano Dr. Charles R. Hager foi-lhe dado o nome de Sun Yat-sen. Em 1884 frequentava o Queen’s College, ainda em HK, quando se casou com Lu Mu-zhen (Lou Mou Cheng, aliás Cheng-ling song), de quem virá a ter duas filhas e em 1891, o filho Sun Fó. Já Camilo Pessanha completou em 1884 os estudos secundários no Liceu Central de Coimbra e nesse ano entrou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, formando-se em Junho de 1891.
DR. SUN
Na China reinava o nono Imperador Qing, Guang Xu (De Zong, 1875-1908) quando em 1886 Sun Yat-sen, com vinte anos, vai para Cantão estudar medicina tradicional chinesa. Por andar a difundir a revolta contra a dinastia Imperial manchu dos Qing e as ideias de República importadas do Ocidente, em Janeiro de
1887 passou a frequentar o Colégio Britânico de Medicina para chineses em Hong Kong, orientado pelo Prof. James Cantlie. Licenciou-se em medicina ocidental a 22 de Julho de 1892, mas como não havia vagas para médicos em Hong Kong, após uma breve passagem por Beijing, vai em Setembro exercer clínica em Macau, convidado para criar um departamento de Medicina Ocidental por Chen Xi Ru, na altura um dos maiores accionistas do Hospital Kiang Wu. Chen Xi Ru com Lou Cau e He Sui Tian (Ho Lin Vong) colocaram um anúncio no JingHaiCongBao a dizer ser Sun Yat-sen um muito bom médico de medicina ocidental. A instalação do Hospital Kiang Wu, aprovada a 21 de Junho de 1870 pelo Governo de Macau, fora requerida pela comunidade local chinesa, representada pelos senhores Sam Wong, Chou Iao, Tak Fong e Wong Lok, estipulando o foro anual de uma pataca e autorizando a angariação de fundos necessários para a sua construção. Fundado em 28 de Outubro de 1871, no início apenas aí se preparava e cozinhava os medicamentos, distribuídos gratuitamente e só em 1874 foi no local criado o departamento de Medicina Tradicional Chinesa. O Dr. Sun trabalhava no Hospital Kiang-Wu e na Associação de Beneficência Tong Sin Tong, fundada em Julho
Quando Camilo Pessanha chega a Macau, o Dr. Sun tem ainda alugada a casa no Largo do Senado, apesar de já não se encontrar na cidade
de 1892, e em ambos os locais, onde as pessoas sem posses se tratavam gratuitamente pela medicina tradicional chinesa, ele introduziu medicamentos ocidentais. Já para abrir uma farmácia sino-europeia (Tchong-Sai Yeok-Ko, em cantonense e em mandarim, Zhong Xi Yao Jü) na Rua das Estalagens n.º 80, Sun Wen contraiu com o Hospital Kiang Wu uma dívida de 2000 patacas, “sendo fiador o conhecido e abastado comerciante Ung Tchit Mei”, como refere o Padre Manuel Teixeira. A farmácia tornou-se fachada de um local de conspiração para derrubar a monarquia e o empréstimo, que tinha um prazo de cinco anos, só foi totalmente liquidado por Sun Yat-sen ao Hospital Kiang Wu em 1919. Fok Kai Cheong refere ter encontrado o contrato de arrendamento relativo à propriedade sita no Largo do Senado n.º 14 feito pelo arrendatário Dr. Sun com a Santa Casa da Misericórdia a 26 de Agosto de 1893. Luís Gonzaga Gomes dá essa referência, no “prédio n.° 14, que ficava numa fileira de casas que ia da Travessa do Roquete à Rua do Gonçalo...” era o domicílio de Sun Wen. Na acta de 4-9-1895 da Mesa da SCM, publicada no Echo Macaense a 9-11-1895, refere-se que <o Sr. José Gomes Brandão, encarregado da cobrança de alugueis dos prédios pertencentes a esta irmandade, informa que a casa número catorze no Largo do Senado, que tinha sido alugada ao china Sin-Iat-Sin (Sun-Yatsen) pelo tempo de um ano à razão de doze patacas mensais, sob fiança do chinês Ip-Loi-San, passara antes de findar o prazo de arrendamento a ser alugada por Sin-Kat-San, e no fim do aludido prazo o fiador Ip-Loi-San viera declarar neste cartório cessar desde essa data a sua fiança. A casa alugada sem contrato nem fiança ao china Sin-Cat, o qual, além de ter vivido por cinco meses de graça com um prejuízo à S. Casa na importância de sessenta patacas, auferiu ainda um lucro de trinta patacas, produto da renda de cinco meses do pavimento inferior>. Assim, quando Camilo Pessanha chega a Macau, o Dr. Sun tem ainda alugada a casa no Largo do Senado, apesar de já não se encontrar na cidade. Aqui devemos aos nossos leitores uma rectificação, pois no último artigo referimos encontrar-se os Correios no edifício do Senado, o que só ocorrerá em 1915, estando este então ainda na Praia Grande, no edifício contíguo ao Hotel Hing Kee.
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19.10.2018 sexta-feira
´ plano de Corte José Navarro de Andrade
O monstro do id
M
ONSTROS não têm faltado ao cinema, abundantes em forma e proveniência, quase sempre barulhentos e escamudos, mas todos alardeando um incorrigível mau-feitio, dedicados a escangalhar a vida à humanidade. Quase nunca dão explicações acerca dos motivos da sua grande arrelia e, na verdade, nem é preciso: basta serem monstruosos para ficarmos esclarecidos quanto ao mal que aí vem. Deste vasto bestiário uma galeria de celebridades incrustou-se no imaginário popular contemporâneo como ícones das nossas piores e recônditas inseguranças. Contudo uma das criaturas malévolas mais tenebrosas, e sobretudo surpreendentes, está hoje infelizmente um tanto esquecida. Talvez uma certa particularidade do “monstro do Id” dificulte recordá-lo: era invisível. Pode-se especular que essa invisibilidade foi um belo truque da MGM, relu-
tante em gastar demasiado dinheiro nos efeitos especiais. Para mais, sendo evidente a incipiência e a inverosimilhança da figuração dos monstros naqueles anos 50 – a tecnologia coeva não dava para mais – a MGM não desejava que a inaptidão dos recursos técnicos contrariasse a chancela de qualidade que imprimia em todas as obras saídas dos seus estúdios. Do “monstro do Id” temos direito a ver por instantes tão só uma silhueta eléctrica, já perto do final de “Planeta proibido” o filme de 1954 em que ele (não) aparece. É por volta desse momento que a verdade nos é revelada. O
bicho-papão descontrolado, implacável e autónomo que tinha vindo a dizimar a tripulação da nave espacial é fruto dos terrores inconscientes do Dr. Morbius, o guardião do planeta e pai da virginal Altaira por quem os garbosos astronautas ficaram pelo beiço. Incapaz de reprimir a sua involuntária e insubmissa criação Morbius acabará por entender que só morrendo o avatar será eliminado. A ideia de um monstro criado e nutrido pelos nossos piores sentimentos, doutro modo ciosamente coibidos pelo ferrolho do sub-consciente, é um adorável achado. Mas sumamente arguto
Agora Bolsonaro, mas antes Trump, Le Pen e demais réplicas, são cabeças de uma mesma Hidra, gerada e cevada, larvar e latente no interior da democracia liberal, que irrompem como repelentes monstros do seu Id
é preconizar que tarde de mais consigamos perceber sermos nós próprios a fonte de alimentação da energia maléfica, de tão iludidos que estamos pelo narcisismo da nossa consciência. Retardar esta descoberta inflige no espectador um sentimento de culpa – sem darmos conta todos calamos um “monstro do Id” à espera de algum proveito se recorta e guarda dos filmes que sirva para nos orientarmos. Dispensada a sarja freudiana, que não passa de má literatura, que eloquente metonímia é este “monstro do Id” se o empregarmos na compreensão de certas aventesmas políticas a emergirem por todo o lado. A última delas esse desalumiado, e tudo indica que também desalmado, capitão Bolsonaro. A democracia liberal atravessa um mau momento. Cresce e já não se retrai o pressentimento de ser ela incapaz de corresponder aos anseios dos cidadãos, acumulando promessas falhadas, disfunções orgânicas e, sobretudo uma inquietante incapacidade para dar respostas a problemas sentidos e cada vez mais prementes. Inquietante porque os protagonistas da democracia liberal, aquelas que a governam, aparentam uma completa alienação em face deste maus augúrios. Acomodaram-se às rotinas administrativas, aos processos e soluções do costume, por mais ineficazes e estéreis que se tenham demonstrado e afadigam-se em malabarismos eleitorais para captarem um voto crescentemente céptico e funcional (há quantos sufrágios andamos a votar “útil”?) Se os políticos nem sequer percebem que há um problema, como poderiam resolvê-lo? E não percebem porque estão formatados para desperceber. Paulatinamente vão divergindo as competências necessárias à querela política das competências da governação. O Estado foi governamentalizado, ou seja, foi sequestrado e instrumentalizado pelos profissionais da política que fazem carreira nos partidos para através dos governos ocuparem o aparelho estatal. Nesta circularidade – como ratos na roda – procedem como uma corporação que, conforme ao género, cuida desveladamente das suas conveniências como parte interessada. Agora Bolsonaro, mas antes Trump, Le Pen e demais réplicas, são cabeças de uma mesma Hidra, gerada e cevada, larvar e latente no interior da democracia liberal, que irrompem como repelentes monstros do seu Id. Ansiosamente se deseja que a ela não caiba sorte igual à do Dr. Morbius que foi a de ter que morrer para os matar.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
sexta-feira 19.10.2018
tonalidades António de Castro Caeiro
Víctor Jara
D
IZEM-SE muitas coisas. Mas ninguém sabe o que aconteceu. Muito menos por que aconteceu. Não. Não. Como poderão saber? Em São João todos apedrejaram a pecadora. E como diz o evangelista: “cada um foi à sua vida”. Era noite, e a polícia política entrou em casa. O castelhano era inevitável: “Vá, levanta-te, onde tens a tua guitarra e os livros imundos que lês?” Santiago não era já a cidade que comemorava o santo que, dizem, terá morrido no norte da península ibérica. Onde São Paulo morreu também à espera do seu Jesus, para, por fim, se ir embora ter com o Pai. Não. Santiago era outro. E afinal o teu nome era Santo Inácio, o mesmo que deu origem àquela ordem! Cerrada a perna gangrenada, o santo “colou-a”. O amor vinha da coragem física e moral. Pegaram na tua guitarra e em toda a literatura subversiva. Tu não aceitavas nunca um não e contrariavas sempre o que te diziam. Só não foste absolutamente ignóbil, porque tinhas um carácter no teu coração que não te deixava perder inteiramente. Cantavas Ho Chi Minh como se fosse um poeta e esse lugar. “Vamos, anda!” gritava a polícia política. Atirou-te escadas abaixo e contra ti literatura subversiva, a Antígona e o Rei Édipo, do sacerdote maior que era Sófocles. Arremessaram a guitarra como a tua mulher e filhos e os velhos pais. Escarraram-te na cara e deram tantos pontapés que desfiguraram botas na tua cara de índio. E tu, naquela que seria a tua última noite, deixavas que o corpo gemesse mas não a tua alma. Não a tua alma era possuída pelo teu espírito e tu não irias deixar o espírito gemer. Só o corpo. As tuas mãos delgadas que percorreram Santiago à espera de cada espectáculo! Arrastavas mulher e crianças que te amavam como se fosses um oráculo muito antigo. El derecho de… E agora era a última noite. Não era uma qualquer. “Segue: tens filhos comigo, mas não te preocupes, amor. Quero-te assim. Tu és o amor”. Arrastavas tudo contigo e não conseguias recuar. A consciência tranquila e a justiça faziam-te inimigo da má consciência e da injustiça. Não conseguias tolerar a injustiça. “Morro e vou-me se a vida for assim”. A vida é assim. Despiram-te e disseram-te para tocares a tua guitarra. Deceparam-te a mão esquerda. “Toca, filho da puta.” Tentaste. E cortaram-te a mão direita. “Toca, filho da puta.” E era com os cotos que tentaste fazer música daquela guitarra. “Canta”. E cantaste como nunca. A dor toma, agora, conta de tudo o que é o teu corpo. Cantas e cantas. Cortam-te a língua: “Canta, cão!”. Há um gemido surdo que soltas. Vem do fundo dos tempos! Foste-te.
Despiram-te e disseram-te para tocares a tua guitarra. Deceparam-te a mão esquerda. “Toca, filho da puta.” Tentaste. E cortaram-te a mão direita. “Toca, filho da puta.” E era com os cotos que tentaste fazer música daquela guitarra. “Canta”. E cantaste como nunca
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16 (f)utilidades MUITO
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?
NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje 13 FESTIVAL DA LUSOFONIA
3 8 7 6 5 2 1 6NOITE1COM9PIANO8NA GALERIA 3 4 2 UMA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00 5 4 2 9 7 1 3 2 6 5 7 1 9 8 Amanhã DESFILE DE MODA 9 7 4 3 2 8 6 MIF 2018 | Venetian | 14h30 1 3 8 5 4 6 9 FESTIVAL DA LUSOFONIA 4 5 6 1 9 3 7 Casas-Museu da Taipa 7 9 1 2 8 5 4 RHYS LAI - WORKSHOP PARA PAIS E FILHOS 8 2Rui 3 5 Fundação Cunha4 | Das 6 15h007 às 16h30 Casas-Museu da Taipa
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O CARTOON STEPH 16
Domingo 15 DA LUSOFONIA FESTIVAL
3 6 4 9 5 2 7 1 8 Diariamente 7 9 8 1 6 3 4 5 2 EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “VIAGEM ORIENTAL” 2 5 1 7 8 4 6 9 3 Pavilhão Chun Chou Tong do Jardim de Lou Lim Iok | Até hoje 5 7 9 2 4 8 3 6 1 EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO 6 8Expo3 7 1 2 4 9 Venetian Hall F5 | Até 31/12 4 1 2 3 9 6 5 8 7 EXPOSIÇÃO WORLD PRESS PHOTO 8Garden 2 |6 4 3 9 1 7 5 Casa Até Domingo 1 4 5 8 2 7 9 3 6 EXPOSIÇÃO “AS NOIVAS DE SÃO LÁZARO” 9 3SCM 7 6 1 5 8 2 4 Albergue | Até 24/10 17
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1 5 9 8 3 4 8 2 C 9I 4 6 7 5 6 7 3 2 1
7 3 2 4 6 7 1 5 2 6 8 9 5 1 4 6 1N 8E7M3 3 9 5 2 9 4 3 1 4 2 6 8 8 5 9 7
1 4 3 8 7 HOJE 5 2 6 UMA SÉRIE
A
THE HOUSE WITH A CLOCK IN ITS WALLS SALA 1
LAPLACE’S WITCH [B] Um filme de: Takashi Mike Com: Sakurai Sho, Suzu Hirose, Sota Fukushi 14.30, 19.15
SALA 2
THE HOUSE WITH A CLOCK IN ITS WALLS [B] Um filme de: Eli Roth Com: Jack Black, Cate Blanchett, Owen Vaccaro 14.30, 16.30, 19.15
EURO
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3 9 5 8 6 7 6 5 9 BAHT 0.24 YUAN 1.16 8 9 7 5 VIDA 9DE CÃO8 2 1 2 6 5 9 MAIS UMA 1 4
SESSÃO
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PROJECT GUTENBERG [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 21.15
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A televisão está a morrer aos poucos. O último domínio que lhe restava era o entretenimento e, como se não bastasse o Youtube, chega o Netflix para dar a facada final. “Fightworld” é uma série documental feita com extrema qualidade, que retrata o mundo dos desportos de luta em pontos bem distintos do globo. Com uma imensa dimensão cultural, a série do Netflix conta com uma fotografia irrepreensível e boa direcção do actor e lutador Frank Grillo. A série conta as histórias de luta em Israel, Tailândia, Myanmar, México e Senegal. Altamente aconselhável. João Luz
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A16 Assembleia Legislativa regressou esta semana ao activo, se é que podemos usar esta expressão. Sem necessidade de recorrer a uma bola de cristal, aqui vai uma previsão dos “trabalhos” da casa das leis, neste último santo ano do Governo liderado por Chui Sai On. Todas as propostas de lei elaboradas pelo Executivo vão ser aprovadas, mesmo que os deputados critiquem as consequências dos diplomas que vão votar favoravelmente. Uma espécie de “não gosto mas como até à última garfada e quero mais, por favor”. Acabou de acontecer, aprovou-se a lei da cibersegurança com o nariz apertado porque há ali detalhes que não cheiram bem. Detalhes de articulados das leis serão “afinados” entre as assessorias, onde é esculpido definitivamente o barro legal antes 18 de o meter no forno da aprovação acrítica. Deputados minoritários apenas servirão para encher páginas de jornal, sem qualquer repercussão na realidade política ou legal e todos as milhentas auscultações públicas serão apenas uma formalidade a cumprir. Entretanto, mesmo com a criação do novo organismo municipal, na AL serão discutidos temas dignos de sub-freguesia, minúsculos de tão micro que são nos detalhes. Enquanto os projectos macro, vão prosseguir no caminho da total vacuidade, sem qualquer definição, clichés sem materialização na vida das pessoas. A AL vai continuar a ser o carimbo de aprovação para tudo o que o Governo quiser fazer, e a única fiscalização exercida será aos que ousam criticar o poder instituído. João Luz
4 7 9 6 1 78 12 3 3 58 92 23 9 7 5 84 1 5 81 6 4 33 2 9 8 2 37 4 5 62 49 1 3 76 2 6 1 5 58 3 7 9 4 3 9 8 27 84 6 5 52 1 3 4 88 2 7 6 5 76 38 7 3 5 9 1 4 99 25 2 31 6 64 8 7 6 1 87 5 8 22 3 4 4 9 13 47 1 6 5 2 75 2 8 3 99 4 87 6 7 7 6 9 1 3 8 2 35 2 12 88 5 4 6 9 1 73 3 44 1 52 77 5 8 9 9 7 6 68 2 43 4 1 3 81 15 92 6 4 7 9 8 8 53 4 19 35 1 6 7
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SEARCHING [B]
DISTINCTION [A] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Jevons Au Com: Jo Koo, Jennifer Yu, Kaki Sham
www. hojemacau. com.mo
9 8 1 4 7 6 5 3 2
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SALA 3
Um filme de: Aneesh Chaganty Com: John Cho, Michelle La, Debra Messing 14.30, 16.30, 21.30
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PROBLEMA 17
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EXPOSIÇÃO DE VÍTOR MARREIROS Consulado-geral | Até 8/11
Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 16.45, 21.30
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 16
“FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro
VENOM [C]
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Casas-Museu da Taipa
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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desporto 17
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sexta-feira 19.10.2018
GRANDE PRÉMIO RUI VALENTE E ANDRÉ COUTO NA CORRIDA DA GUIA Seis pilotos locais vão correr na Taça Mundial de Carros de Turismo, que este ano volta a contar de Turismo de Macau, conseguiu Além de Rui Valente, também Fórmula 3 em 2000 vai tripular com Rui Valente e inscrever-se para a prova da Taça André Couto regressa à Corrida um Honda Civic TCR da equipa Mundial de Carros de Turismo. A da Guia, depois de ter falhado MacPro Racing Team. André Couto. Na participação vai ser ao volante de um a edição do Grande Prémio de O restante contingente de Fórmula 3, Charles Volkswagen Golf GTI, que já ontem Macau no ano passado, devido a Macau é constituído por Filipe testou em Zhuhai. acidente. O vencedor da prova de de Souza (Audi RS3 LMS), Lam Leong representa “A ideia é a mesma de sempre, Ka San (Audi RS3 LMS), Lo Kai vou correr para fazer uma boa presFung (Audi RS3 LMS) e Kevin as cores de Macau tação e alcançar o melhor resultado Tse (Audi RS3 LMS). possível. Trata-se de um regresso VENDAS e estreia-se no à Corrida da Guia, em que não ESTREIA DE CHARLES LEUNG ACIMA DOS estou há vários anos, e vou ter de Ainda em relação aos pilotos de circuito da Guia
Ano de regressos
M
ACAU vai estar representada na Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau, que se realiza entre 15 e 19 de Novembro, com um contingente de seis pilotos.Aprincipal novidade é o regresso de Rui Valente, que depois de ter falhado o apuramento para o evento, através da Taça de Carros
correr contra os melhores pilotos de carros de turismo”, disse Rui Valente, ontem, ao HM. “Depois de ter falhado o apuramento para a para a Taça de Carros de Turismo de Macau, meti os papéis para me inscrever para a Corrida da Guia e a FIA e os organizadores aceitaram. Agora quero ser não só o melhor piloto de Macau, mas espero também ser melhor do que alguns dos outros pilotos”, acrescentou.
80 POR CENTO
“J
á vendemos mais de 80 por cento dos bilhetes”, afirmou, ontem, Pun Weng Kun, presidente do Instituto do Desporto e Coordenador da Comissão Organizadora do evento. “São números que nos deixam satisfeitos porque a maior parte das pessoas costuma comprar o bilhete quando vai ao circuito para ver as provas”, acrescentou.
Macau, destaque para a estreia de Charles Leung na prova de Fórmula 3. O piloto local vai representar as cores Hitech GP e terá pela frente talentos como Mick Schumacher, que se sagrou campeão europeu de F3, na semana passada, e é filho de Michael Schumacher, ou Daniel Ticktum, vencedor da prova no ano passado. “Esperamos que o Charles, como piloto de Macau, possa
MOTO2 MIGUEL OLIVEIRA QUER “LUTAR PELA VITÓRIA” NO JAPÃO
O
piloto português Miguel Oliveira pretende “lutar pela vitória” no Grande Prémio do Japão de Moto2, que se disputa no domingo, e recuperar terreno na luta pelo título mundial de motociclismo de velocidade da classe intermédia. O piloto português da KTM acredita que “é possível fazer um bom trabalho” no circuito de
Motegi, de que gosta “bastante” e onde já subiu ao pódio, em 2015, na corrida de Moto3. “Na Tailândia foi-me impossível recuperar distância para o Peco
[Francesco Bagnaia], mas apesar de tudo foi um excelente resultado. Após a corrida tirei uns dias para descansar e preparar-me para Motegi”, disse o piloto português, em declarações divulgadas pela equipa KTM Ajo. Oliveira chega ao Japão com 28 pontos de desvantagem para o líder do campeonato, o italiano Francesco
Bagnaia, que venceu a prova tailandesa, dispondo apenas de quatro provas para recuperar o atraso até ao fim do campeonato, no Grande Prémio da Comunidade Valenciana. “O meu objectivo continua a ser o de lutar por pódios e vitórias até Valência. Confio na minha equipa e na KTM para poder lutar por estes resultados. Mas,
neste momento, estamos concentrados em extrair todo o nosso potencial e em fazer um bom trabalho no Japão”, concluiu o piloto de Almada. O Grande Prémio do Japão de Moto2 é a 16.ª prova do Mundial motociclismo de velocidade. No ano passado, Miguel Oliveira terminou em sétimo a corrida disputada no circuito de Motegi, marcada pela chuva.
“Quero ser não só o melhor piloto de Macau, mas espero também ser melhor do que alguns dos outros pilotos.” RUI VALENTE PILOTO
alcançar bons resultados, não só no Grande Prémio como noutras provas internacionais. Vamos continuar a apoiá-lo, como já fazemos”, disse Pun Weng Kun, presidente do Instituto do Desporto e Coordenador da Comissão Organizadora. Sobre a possibilidade de aumentar o apoio para que Charles Leong possa dar o salto para o Campeonato Europeu de F3, Pun frisou que também é o piloto que tem de encontrar “patrocínios”. Actualmente Leong é apoiado com o Fundo do Desporto com 2,5 milhões de patacas, verba insuficiente para participar no Europeu, pelo que teve de inscrever-se no Campeonato Asiático de F3. João Santos Filipe
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Golfe José-Filipe Lima segue em 31.º lugar em Foshan
O golfista português José-Filipe Lima segue na 31.ª posição do Foshan Open, prova do Challenge Tour que se está a disputar na China, depois de ter marcado ontem 69 pancadas (três abaixo do par). Lima, que segue empatado com 10 jogadores, entregou um cartão com cinco ‘birdies’ (uma pancada abaixo do par) e dois ‘bogeys’ (uma acima). Pedro Figueiredo integra o grupo dos classificados no 42.º lugar, depois de ter totalizado 70 pancadas (duas abaixo do par), com cinco ‘birdies’ e três ‘bogeys’. O torneio é liderado pelo inglês Jack Singh Brar, que fechou a primeira volta com 63 pancadas, nove abaixo do par.
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19.10.2018 sexta-feira
TIAGO BONUCCI PEREIRA
O
A China e a construção de infraestruturas em África
sector de infraestruturas representou desde sempre uma área importante na relação entre a China e África, importância essa que ganhou ainda maior proeminência ao longo das últimas duas décadas. Nos anos subsequentes à crise financeira de 2008, o papel da China como financiadora e construtora de infraestruturas em África apenas tornou-se mais preponderante. O crescimento da China neste sector deverá ser lido à luz de dois factores determinantes: em primeiro lugar, o excesso de capacidade doméstica aliado a um considerável volume de reservas cambiais convida à exportação desse excedente, o que está em linha com a política Chinesa “Going Out”; em segundo, o facto de países e instituições internacionais que tradicionalmente apoiam África terem desde há várias décadas (anos 80) optado por reduzir o apoio ao desenvolvimento de infraestruturas em África, política que se tornou ainda mais pronunciada em virtude da crise financeira de 2008. No que concerne o investimento Chinês neste sector, o financiamento é providenciado sobretudo através do Banco de Exportação-Importação Chinês (China Eximbank) e pelo Banco de Desenvolvimento da China (China Development Bank, CDB), policy banks da China e, como tal, instrumentos de implementação da estratégia Chinesa. E embora as condições contratuais associadas sejam comparativamente menos exigentes que as das Instituições Financeiras Internacionais, o financiamento é feito sob a condição de contratação de empresas Chinesas e aquisição de tecnologia, equipamentos e serviços Chineses. Em tudo semelhante ao praticado por outros países. Exemplos recentes de projectos financiados pela China em África (alguns deles associados à Iniciativa Faixa e Rota, BRI) incluem as ferrovias SGR (Standard Gauge Railway) no Quénia e na Nigéria, e a ferrovia transfronteiriça entre Addis Ababa na Etiópia e o Djibouti. Muitos destes projectos estão localizados em países sem grandes recursos naturais, não obstante estarem associados (mas nem sempre) à sua exploração, constituindo muitas vezes um factor de sustentabilidade do investimento. É certo, no entanto, que a viabilidade dos projectos é fundamental no processo de tomada de decisão de investimento, um aspecto que ganhou importância fruto de lições de investimentos Chineses em África no passado, mas também tendo em vista a projecção
da uma imagem do financiamento Chinês como sendo feito de forma responsável, sem intenção de colocar países recipientes numa situação de endividamento insustentável. Acima de tudo, a China procura convergir interesses: o desenvolvimento desses países, conjugado com a abertura de mercados aos seus bens e serviços. A imagem do investimento Chinês em África como ambientalmente irresponsável é enviesada. Em primeiro lugar, a avaliação do impacto ambiental de um determinado projecto fica normalmente a cargo do país recipiente. Em segundo, e relativamente à actuação de empresas de construção Chinesas, um estudo recente da SAIS-CARI (Universidade John Hopkins) relativo à avaliação do desempenho de empresas de construção Chinesas em projectos do Banco Mundial em África indica a existência de problemas ambientais e sociais em apenas 2 projectos num total de 72. Finalmente, esta imagem ignora o facto de a China ser excedentária também na área das energias renováveis, tendo já desenvolvido múltiplos projectos neste sector: parques eólicos na Etiópia, projectos de geração de energia solar na África do
Sul, e múltiplos projectos hidroeléctricos em todo o continente. A ferrovia SGR no Quénia é um caso ilustrativo da complexidade das variantes envolvidas. O caminho-de-ferro atravessa o Parque Nacional de Tsavo, com uma grande população de animais selvagens. Por forma a reduzir a influência do traçado nas rotas de migração de elefantes, girafas e outros animais, a construtora China Road and Bridge Corporation (CRBC) definiu corredores por onde os animais podem passar livremente. Apesar destes esforços, o projecto não deixou de ser merecedor de críticas. No entanto, e no que concerne medidas de protecção ambiental, as opções do trajecto, e as opções de projecto em geral, parecem ter sido definidas tendo em conta sobretudo a pressão do governo Queniano para que o projecto fosse completado no mais curto espaço de tempo possível, e de maneira a minimizar os custos com expropriações. Este último factor constituiu um permanente foco de tensão durante a execução do projecto, fruto de problemas financeiros (os custos com expropriações ficaram a cargo do governo Queniano, e ultrapassaram largamente os valores projectados antes da construção) e
A China tem investido em África tanto pela sua riqueza natural, como pela crença que o continente estará prestes a entrar num ciclo de grande desenvolvimento económico. Consequentemente, a sua influência económica e geopolítica é cada vez maior
sócio-políticos (a diversidade étnica do país a par do aproveitamento político do projecto, gerou tensões com acusações de favorecimento de determinadas etnias e comunidades). Pela sua parte, a CRBC pôs em marcha uma estratégia CSR (Corporate Social Responsibility) com vista à mitigação de problemas de cariz social relacionados com o projecto. Esta estratégia inclui, por exemplo, a nomeação de agentes de ligação em todos os sectores da ferrovia, cuja função foi constituir uma ponte de comunicação entre a construtora e as comunidades locais através da qual as diferentes comunidades apresentavam queixas e pedidos à CRBC. Daqui resultou, em resposta a algumas das queixas e pretensões manifestadas, que a CRBC renovou escolas, centros de saúde, igrejas e mesquitas, além de ter construído pequenas estradas e pontes a pedido de comunidades locais. Importa também referir que as firmas Chinesas, em geral, contratam mais trabalhadores locais em África do que outras empresas estrangeiras. Para a ferrovia SGR no Quénia, a CRBC empregou 21858 trabalhadores, 2000 dos quais Chineses, e 19858 trabalhadores Quenianos. É verdade que até há uns anos a proporção de trabalhadores Chineses era maior, mas paulatinamente essa percentagem tem decrescido, a par com o aumento dos vencimentos na China e com a formação de quadros locais. Formação essa providenciada pelas próprias empresas Chinesas. Muito do aqui escrito contradiz o que é publicado nos meios de comunicação. No entanto, estudos realizados em instituições académicas e de investigação ocidentais descrevem esta realidade. A acção de firmas chinesas em África está em linha com o praticado por empresas Japonesas e ocidentais na China desde finais da década de 70. A ideia é apoiar o desenvolvimento dos países recipientes e ganhar mercado na região. A China tem investido em África tanto pela sua riqueza natural, como pela crença que o continente estará prestes a entrar num ciclo de grande desenvolvimento económico. Consequentemente, a sua influência económica e geopolítica é cada vez maior. Este facto parece ter motivado Donald Trump, este mês, a criar uma nova agência americana de ajuda externa - The United States International Development Finance Corporation - com um capital de 60 mil milhões de dólares para apoiar projectos na Ásia, África e nas Américas. Esta agência surge um mês depois de, durante o encontro FOCAC 2018 em Pequim, Xi Jinping ter anunciado que a China providenciaria financiamento na ordem de 60 mil milhões de dólares a África. Curiosamente, há um ano e meio Trump anunciava a intenção de cortar ajuda externa a África. Não restam dúvidas que as motivações para a criação desta agência não são altruístas.
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sexta-feira 19.10.2018
um grito no deserto
Eleições dentro de três anos
O
UTUBRO marca o início da 2.ª sessão legislativa da sexta Assembleia Legislativa. Durante o ano que passou, nem uma única organização levou a cabo qualquer sondagem para auscultar a opinião do público sobre a actuação da Assembleia Legislativa e dos seus deputados. Mas, ultimamente, os comentários que ouvi a algumas pessoas sobre esta Assembleia não foram muito positivos, sobretudo no que diz respeito à sua capacidade de supervisionar as obras de que o Governo da RAEM está encarregue. É preciso apresentar provas que justifiquem as acções, porque as visões subjectivas não servem como critério de avaliação. Após o termo da 1.ªsessão legislativa, foi emitido um relatório de actividades da Assembleia relativo a este período. Nos Anexos VII e VIII do relatório, são mencionadas em detalhe todos as intervenções de cada deputado, bem como o número de vezes em que pediram o uso da palavra, no período de antes da ordem do dia, e, finalmente, as interpelações de cada um deles. A Assembleia Legislativa é composta por deputados eleitos por sufrágio directo, indirecto e nomeados. Independentemente da forma como acederam à Assembleia, todos os deputados têm direito à mesma remuneração, os mesmos direitos e os mesmos deveres. No entanto, após um estudo mais aprofundado do relatório, apercebi-me de que nenhum dos sete deputados nomeados tinha apresentado qualquer interpelação escrita ou oral, no decurso da 1.ªsessão legislativa. Será que nenhum deles tinha nada a assinalar sobre o desempenho do Governo da RAEM, durante estes 10 meses? No que respeita ao “uso da palavra no período de antes da ordem do dia”, apenas um dos sete deputados nomeados assinou uma intervenção neste âmbito. Quanto ao desempenho dos deputados nomeados pelo Chefe do Executivo, acabam por não servir de mediadores entre o público e o Chefe do Executivo. Este sistema de nomeações advém da “Declaração Conjunta entre a China e Portugal” e foi promulgado através da Lei Básica de Macau. O objectivo legislativo original era proteger os portugueses residentes, uma pequena comunidade de Macau. Hoje em dia, é por demais evidente que esse objectivo inicial se perdeu. Perante isso, porque é que é necessário continuar a manter sete lugares para deputados nomea-
CORBIS
PAUL CHAN WAI CHI
dos que são incapazes de proferir qualquer interpelação quando se trata de avaliar a actuação do Governo da RAEM? O desempenho dos deputados nomeados demonstra as limitações inerentes ao sistema de nomeações. E o que dizer sobre a actuação dos deputados eleitos por sufrágio indirecto? A avaliar pelo relatório de actividades da Assembleia Legislativa durante a 1.ªsessão legislativa, verifica-se que dois dos deputados eleitos por sufrágio indirecto, dos sectores cultural e desportivo, não apresentaram qualquer interpelação escrita, nem oral, nem pediram o uso da palavra no período de antes da ordem do dia. Este fenómeno está relacionado com o facto de a actual eleição por sufrágio indirecto em Macau ser feita a partir de pessoas colectivas com capacidade eleitoral activa dentro de cada um dos sectores da sociedade. Pode aperfeiçoar-se este tipo de eleição em Macau adoptando o método eleitoral através de Circunscrições Sectoriais - Functional Constituency – usado em Hong Kong. Mas para além disso, a taxa de comparência dos deputados durante a 1.ªsessão
Porque é necessário continuar a manter sete lugares para deputados nomeados que são incapazes de proferir qualquer interpelação quando se trata de avaliar a actuação do Governo da RAEM?
legislativa foi satisfatória. Há contudo que salientar que, dos quatro deputados com 100% de presenças, três foram eleitos por sufrágio directo e apenas um foi nomeado. Durante os próximos três anos, o desempenho destes deputados, quer tenham sido eleitos directa ou indirectamente, irá influenciar as suas probabilidades de reeleição. Os que já anunciaram que não se irão recandidatar, terão de preparar convenientemente os seus sucessores. Se o sistema politico de Hong Kong e de Macau não sofrer futuramente grandes alterações, o número de lugares reservados para os deputados nomeados manter-se-á igual. Quanto às alterações na eleição por sufrágio indirecto, será necessário um esforço da população de forma a exigir que o voto passe a pertencer aos eleitores de cada sector. Já em relação à eleição por sufrágio directo, as possíveis mudanças serão provavelmente ditadas pelo campo democrata, com raízes na Associação de Novo Macau. Se os meus leitores prestarem atenção às recentes movimentações registadas nas organizações mais consagradas ao longo de toda a comunidade, repararão que os diferentes partidos já começaram a preparar as próximas eleições para a Assembleia Legislativa, que terão lugar dentro de três anos. Para tornar a Assembleia Legislativa num verdadeiro plenário que defenda o bem estar do povo, todos nós teremos de monitorizar o desempenho dos deputados. Quem for tomar assento na próxima Assembleia Legislativa é uma escolha que só vai depender da consciência dos eleitores.
Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático
São os inimigos da história que acabam por fazê-la.
Lusofonia Catarina Brites Soares vence Prémio de Jornalismo
O trabalho “Ler sem limites” da jornalista Catarina Brites Soares, que trabalha em Macau, venceu o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, foi ontem anunciado. O “texto publicado no semanário Plataforma desenha uma panorâmica das leituras mais frequentes” na cidade, “com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora” da região administrativa especial chinesa, indicou a nota do júri do prémio criado pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e o jornal Tribuna de Macau (JTM). Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o ensaio do historiador António Aresta, de Macau, intitulado “Miguel Torga: um poeta português em Macau”. Presidido por Dinis de Abreu, em representação do Clube Português de Imprensa (CPI), o júri integrou José Rocha Diniz, ex-diretor e administrador do Jornal Tribuna de Macau (JTM), José Carlos de Vasconcelos, director do Jornal de Letras, Carlos Magno, em representação da Fundação Jorge Álvares, e José António Silva Pires, do CPI. Os dois prémios, cada um no valor de cinco mil euros, distinguem trabalhos originais em língua portuguesa sobre Macau.
IC 16.ª edição de Os Livros e a Cidade já está disponível gratuitamente
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A 16.ª edição de revista “Os Livros e a Cidade”, da Biblioteca Pública de Macau encontra-se disponível para distribuição gratuita. De acordo com um comunicado enviado à comunicação social, “esta edição dá a conhecer aos leitores a maior biblioteca de Macau de textos antigos em línguas ocidentais, a Biblioteca do Edifício do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”.
TIAGO ALCÂNTARA
Eugène Ionesco
sexta-feira 19.10.2018
PALAVRA DO DIA
Nas calmas Lionel Leong tranquilo com concorrência regional
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Imunes ao imposto Alterações fiscais no interior da China não afectam residentes
O
S residentes de Macau que trabalham na China não precisam de se preocupar com as alterações legislativas ao regime que regula o imposto de rendimento das pessoas singulares da República Popular da China. A garantia foi dada em Pequim pelo ministro das Finanças, Liu Kun, a Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças, refere um comunicado do gabinete do secretário para a Economia e Finanças. “A população não deve estar preocupada porque o país vai continuar a promoção de medidas de benefícios para os residentes de Macau, Hong Kong e de Taiwan”, sendo que “não vai agravar os encargos fiscais no interior da China por parte da população de Macau”, disse Liu, de acordo com a mesma fonte. Como tal, “em princípio a alteração ao imposto não vai agravar os encargos fiscais no interior da China por parte da população de Macau”, acrescenta.
A alteração legislativa em causa, aprovada a 31 de Agosto pelo Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo (CPCNP), estabelece que se considera “residente individual qualquer pessoa que possua ou não residência na China e permaneça nela por um período de 183 dias acumulados no mesmo ano fiscal”. De acordo com o mesmo diploma, “os rendimentos obtidos pelos residentes individuais na China e no exterior estão sujeitos ao pagamento do imposto de rendimento das pessoas singulares”. O secretário manifestou as preocupações da população local
“Em princípio, a alteração ao imposto não vai agravar os encargos fiscais no interior da China por parte da população de Macau.” GABINETE DO SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS
com esta alteração, na medida em que teme o impacto que pode ter nos seus encargos fiscais.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
No mesmo encontro, em que também participou o subdirector da Administração Tributária da China, Sun Ruibiao foi ainda discutido o projecto de integração regional da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Para Liu Kun, a construção da Grande Baía é “uma oportunidade importante para o desenvolvimento sustentável de Macau”. Já Sun Ruibiao frisou estar “em pleno no apoio à construção da RAEM como a plataforma de serviço entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. O responsável propôs ainda que os serviços de finanças de Macau e os departamentos de finanças do Estado continuem a aprofundar e promover a cooperação conjunta na construção de Macau enquanto plataforma de serviços entre a China e os países de língua portuguesa. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.no
secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, desvaloriza a concorrência regional na área do jogo, deixando entender que esse factor não deverá ser determinante no processo de atribuição de concessões uma vez terminadas as actuais, de acordo com o canal de rádio da TDM. Em declarações à margem da abertura da Feira Internacional de Macau, explicou que o Governo ainda estuda o processo, mas adiantou que não está preocupado com a concorrência: “Ainda estamos a acompanhar a situação. Temos visto que alguns países estão a tentar desenvolver o sector do jogo, mas não creio que isto seja uma concorrência para Macau. Acho que as operadoras em funcionamento têm de, continuamente, melhorar os seus serviços para poderem ser mais competitivas”, cita a mesma fonte. Na região Ásia-Pacífico, são vários os países com casinos ou legislação que legaliza esta actividade, incluindo Singapura, Filipinas, Vietname, Camboja e, mais recentemente, Coreia do Sul e Japão. Aos jornalistas, Lionel Leong garantiu ainda que o próximo orçamento vai ter em conta a “melhoria da vida da população” e as “despesas necessárias para podermos ter uma melhor preparação para o futuro”.
PONTE DO BEM
Relativamente às consequências da abertura da ponte que liga Macau, Zhuhai e Hong Kong, o secretário salientou ainda que o território só terá a beneficiar com a abertura da ponte que vai ligar o território a Zhuhai e a Hong Kong. O governante defendeu que a nova infra-estrutura é vital para a concretização do projecto de integração regional de Macau e Hong Kong na província de Guangdong, a Grande Baía. Segundo Lionel Leong, a nova ponte sobre o Delta do Rio das Pérolas “só vai trazer muito boas influências para Macau, porque propiciará o desenvolvimento do projecto Grande Baía. Com a circulação de veículos podemos ter um maior fluxo de mercadorias e pessoas e haverá também uma maior facilidade no acesso às fronteiras. Para a economia, será uma boa oportunidade”, cita a rádio Macau.