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Hoje Macau 19 OUT 2015 #3436

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Director carlos morais josé

Casa da sorte

jing hao

assembleia

Deputados voltam ao trabalho gonçalo lobo pinheiro

Páginas 4-5

hojemacau

Agência Comercial Pico • 28721006

pub

s e g u n d a - f e i r a 1 9 d e o u t u b r o d e 2 0 1 5 • ANO X v • N º 3 4 3 6

Protesto unidos contra sorteio de habitação económica

Aparência e verdade

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www.hojemacau.com.mo

lei cheok kuan

Mais turismo e outra ajuda para as PME entrevista

opiniões de... antónio conceição júnior david chan rui flores

ieong tai meng

eventos

instituto cultural

Cooperação celebrada em Lisboa pub

última

hoje macau

Pintor local vale ouro em França Segundo a organização foram cerca de 1500 os que saíram ontem à rua para reivindicar mais habitação

económica e o regresso ao antigo regime de selecção de candidatos. Rejeitam o sistema de sorteio que página 7

apenas “trouxe a sorte” a 1900 famílias. Outras 40 mil pessoas continuam à espera. Até quando?


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entrevista

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Lei Cheok Kuan membro da União Geral das Associações de Moradores

O chefe da comissão dos assuntos económicos e comunitários da União Geral das Associações de Moradores (Kaifong) defende que o Governo deve ajudar mais as Pequenas e Médias Empresas, mas não apenas com dinheiro. Lei Cheok Kuan pede que o Governo volte a ter pulso para implementar políticas e concorda com a atribuição de mais vistos individuais a turistas, desde que o Executivo faça um bom planeamento dos visitantes “Agora já não se pode voltar atrás, porque esses espaços (lojas em Seac Pai Van) ou estão ocupados por empresas grandes, ou estão desocupados. O Governo desperdiçou-os, o que fez com que os moradores se queixem da falta de instalações’’

Para além de estar ligado aos Kaifong, também exerce cargos nas direcções da Federação da Indústria e Comércio de Macau e da Associação das Ourivesarias. Quais os principais trabalhos que desenvolvem? Tenho o trabalho de promover a economia nas comunidades, com a organização de actividades que fazem a interacção entre turistas e residentes. Promovemos as características dos bairros antigos mais “escondidos”, contando as histórias dos locais que antes eram mais movimentados. Em épocas de tufão, as lojas das zonas do Porto Interior ficam sempre inundadas, então também ajudamos os lojistas a pedir ajuda ao Governo. Portanto, todas estas associações esperam servir de ponte entre os moradores e o Governo. Não estou a dizer que o Governo não dá atenção aos moradores, mas não consegue ligar-se a todos os problemas. A situação já mudou um pouco, porque antes a maioria das pessoas pedia ajuda às associações quando tinha problemas. Agora usam formas extremas de expressar as suas solicitações, incluindo as manifestações. Não esperava que isso acontecesse. Em relação às micro, Pequenas e Médias Empresas (PME), quais as principais dificuldades que enfrentam? O Governo precisa disponibilizar mais apoio? As rendas altas são a maior dificuldade. É óbvio que todos esperam quer apoio do Governo, mas é preciso ter atenção à forma como se usa o dinheiro dos cofres públicos, porque entendemos que o Governo não tem condições para apoiar as empresas na totalidade. Mas como as maiores lojas são mais caras, as empresas vêem-se obrigadas a optar por uma loja em zonas pouco movimentadas. Depois, há o problema da falta de turistas. A questão da mão-de-obra também conta, porque como os empreendimentos de jogo e os hotéis têm lojas de retalho, as pessoas preferem trabalhar lá, o que faz com que muitas empresas tenham falta de recursos humanos. Referiu que esperava que os espaços comerciais de Seac Pai Van fossem aproveitados pelas PME, mas até ao momento o Governo nada fez. É uma falha? Macau é muito estranho. De uma forma geral, é difícil promover as lojas dos centros comerciais privados, porque os comerciantes não conseguem sobreviver devido às rendas e ao baixo movimento de clientes. Foi por isso que tive a ideia de reservar parte das lojas

Gonçalo Lobo Pinheiro

“Quando o Governo apresenta medidas,

“Macau é muito estranho. De uma forma geral, é difícil promover as lojas dos centros comerciais privados, porque os comerciantes não conseguem sobreviver devido às rendas e ao baixo movimento de clientes”

do complexo de habitação pública para ajudar as PME e as lojas antigas. Isso poderia ser uma ajuda por causa da renda e também iria trazer satisfação aos moradores, já que haveria maior diversidade de lojas. Acreditava, na altura, que se as lojas fossem ocupadas de forma apropriada, haveria menos fracções vazias. Mas agora já não se pode voltar atrás, porque esses espaços ou estão ocupados por empresas grandes, ou estão desocupados. O Governo desperdiçou-os, o que fez com que os moradores se queixem da falta de instalações. A Fundação Macau tem implementado um plano de apoio a micro empresas e PME, bem

como a restaurantes antigos. Que avaliação faz? Essa já foi uma questão que se discutiu no sector, não é um plano suficientemente justo. Primeiro porque não devem ser apenas os restaurantes antigos a terem acesso aos empréstimos. O objectivo desse plano é bom, mas causou efeitos negativos. De facto, as lojas mais antigas preferem que o Governo ajude a promovê-las ao nível dos recursos humanos, em vez de dar apoio financeiro. Nota-se que, apesar das rendas altas, se as lojas tivessem trabalhadores, poderiam ter mais negócio para suportar esse custo. A ajuda nos recursos humanos tem a ver com a importação de


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enfrenta muitas pressões” “Se analisarmos as razões pelas quais os turistas não visitam estes roteiros, penso que tem a ver com a insuficiência de instalações complementares. É necessário explicar aos turistas quais são os alojamentos existentes, a gastronomia e os meios de transporte disponíveis”

trabalhadores não-residentes (TNR). O Governo deve aprovar mais processos? Esse é um tema sensível, e os patrões e trabalhadores têm lutado com isso. Falando de forma objectiva, as micro e PME não conseguem recrutar trabalhadores locais suficientes, porque são afectadas pelas empresas grandes. Parece-me que o Governo deve aliviar o processo de apreciação dos TNR nas micro e nas PME. Só assim é mais justo, para garantir a sobrevivência das lojas. A operadora de jogo MGM apresentou no início do mês um plano para adquirir mais produtos de PME, bem como aqueles que são fabricados em Macau, ou desen-

volvidos por jovens empreendedores. Considera uma boa medida? Acho que é um plano positivo, pelo menos ajuda os pequenos

“Ganhar uma coisa implica perder outra. Se quisermos que a economia de Macau melhore, temos de aceitar o número de turistas e espaços mais movimentados”

comerciantes. Porque ao longo destes anos as operadoras de Jogo têm adquirido produtos às grandes empresas, o que não é justo. Espera que mais operadoras possam implementar esse tipo de programas? Será melhor que todas façam isso. Mas também é verdade que há produtos que as PME não conseguem fornecer, e que as operadoras de jogo só conseguem encomendar do estrangeiro ou a grandes empresas. É preciso implementar isso passo a passo. A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou o programa “Sentir Macau passo a passo”,

mas até agora os resultados não têm sido positivos, já que poucos turistas utilizam o serviço. Foi uma falha do Executivo? Em várias reuniões com a DST, descobri que o organismo quer sempre fazer muito bem os seus trabalhos, mas temos de ter noção de que não devemos apenas implementar uma medida com base numa “realidade subjectiva”. Consegue-se observar que o Governo se esforça muito para aperfeiçoar as medidas apresentadas, mas não é óbvio que possam, de facto, promover zonas com menos turistas. Se analisarmos as razões pelas quais os turistas não visitam estes roteiros, penso que tem a ver com a insuficiência de instalações complementares. É necessário explicar aos turistas quais são os alojamentos existentes, a gastronomia e os meios de transporte disponíveis. Há muitos proprietários de lojas nessas zonas que preferem mantê-las vazias ou pedir uma renda muito alta, por achar que as ruas podem ficar muito movimentadas. Mas assim o comércio não se desenvolve, nem o Governo consegue resolver o problema.

“O Governo deve aliviar o processo de apreciação dos TNR nas micro e nas PME. Só assim é mais justo, para garantir a sobrevivência das lojas”

Que rumo deve ser seguido? De uma forma geral, quando o Governo apresenta medidas, enfrenta muitas pressões. Isso tem a ver com a perda de confiança dos residentes em relação ao Governo. Espero que o Governo recupere o direito de domínio para apresentar medidas, analisando as que são ou não viáveis. Quando quiser adoptar uma política deve comunicar mais com as associações, sobretudo as maiores, que sabem o que se passa nessas zonas, quais os problemas e as necessidades. Só assim se conseguem melhorar as políticas. A Associação Comercial Geral de PME prevê uma tendência de fecho de pequenos restaurantes no início do próximo ano, caso a economia não registe melhorias a curto prazo. Qual a sua opinião? Não vejo a situação de uma forma tão pessimista. Reparei que o número de turistas não diminuiu assim tanto, mas como Macau tem uma economia dependente do exterior, está mais dependente dos turistas, sobretudo os que vêm da China continental. Todos os sectores económicos ficam afectados pela economia do nosso país, a qual também está numa fase de desaceleração. Portanto, defende que os factores externos afectam mais a economia de Macau do que os factores internos. Sim, porque de facto a economia de Macau já é, por si só, pequena e muito dependente. Mesmo assim há muitos especialistas que defendem que, no futuro, o domínio da economia global vai continuar a ser da China. Portanto a economia de Macau vai melhorar quando a da China voltar a acelerar. Esta semana Helena de Senna Fernandes, directora da DST, confirmou que há a possibilidade de mais concessão de vistos individuais a turistas chineses. Concorda que mais cidades do continente possam atribuir vistos? Isso tem a ver com aquela ideia de que “não se pode comer o bolo e tê-lo ao mesmo tempo”. Ganhar uma coisa implica perder outra. Se quisermos que a economia de Macau melhore, temos de aceitar o número de turistas e espaços mais movimentados. Quando promovemos o sector turístico, a taxa de emprego é alta, e os residentes vão ficar com uma vida melhor, mas com menos espaço. Não se pode ganhar o mesmo e ter a mesma vida de há 50 anos atrás, é impossível. Concordo com a vinda de mais turistas com vistos individuais, mas antes que isso aconteça é preciso que o Governo arranje melhor as alturas do ano em que os turistas vêem, bem como distribui-los por zonas que não sejam assim tão conhecidas. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo


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política

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Governo vai ter de ir à AL explicar passes mensais nos auto-silos

mento)? Se (o Governo) cancelar os passes mensais vai originar outro problema. Os cidadãos entendem que os passes podem ser renovados por mês e que até é possível de equacionar introduzir o regime de sorteio para que mais cidadãos possam usufruir dessa medida”, defendeu.

Foram 14 os deputados que votaram a favor da realização do debate sobre a política dos passes mensais nos parques de estacionamento. Alguns membros do hemiciclo já se mostraram contra o fim desta medida

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Estacionamento em revisão

Contradições

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oi aprovada no último plenário da Assembleia Legislativa (AL) a proposta de debate sobre a política dos passes mensais nos parques de estacionamento, apresentada pelos deputados Song Pek Kei e Si Ka Lon. Na proposta, os deputados consideram “necessária a revisão do Regime do Serviço Público de Parques de Estacionamento”, uma vez que “os passes mensais têm implicações com o interesse público”. Apesar da aprovação, muitos dos deputados que pediram a palavra mostraram-se contra o fim dos passes mensais, evocando os interesses dos residentes que já usufruem da medida.

“Não podemos tirar esse direito adquirido pelos utentes. Em 2012 criou-se uma lei que tirou os direitos aos mediadores (imobiliários), e sabemos que na altura votámos a favor da revisão da lei, mas o que visa este debate? Tem um objectivo

contrário, que é o de retirar direitos adquiridos pelos nossos residentes, por isso não apoio”, apontou Tsui Wai Kwan. Enquanto que Ng Kuok Cheong frisou que “cancelar todos os passes mensais provavelmente não vai

ser uma solução viável”, Zheng Anting propôs a implementação de um sistema de sorteio. “Será que com o cancelamento dos passes mensais conseguimos resolver o problema (da falta de lugares nos parques de estaciona-

Ella Lei, deputada indirecta da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), lembrou o facto do Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, ter dito que ia cancelar os passes para pouco tempo depois confirmar que iriam manter-se. “Temos recebido queixas de que normalmente tem de se esperar uma hora para entrar no parque porque há muitos lugares reservados aos passes mensais que não estão a ser utilizados. O Governo tem reconhecido os problemas e tem referido que vai cancelar os passes mensais, mas depois isto foi desdito.” Mak Soi Kun, que votou contra a realização do debate, prometeu levar a questão ao debate de apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2016. “Quanto ao cancelamento dos passes mensais, até ao momento continuo a receber muitas queixas dos cidadãos, e muitas opiniões. No próximo mês vamos ter as LAG, e para uma melhor eficácia administrativa, vou colocar esta questão ao secretário Raimundo (do Rosário)”, rematou. De frisar que o plenário serviu ainda para aprovar, por maioria, o orçamento privativo da AL para o próximo ano, o qual será superior a 183 milhões de patacas. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Exigida restituição do Conselho Consultivo dos Jogos

Regresso ao passado C Presidentes de comissões mantêm-se no cargo

Na sexta-feira o hemiciclo votou a eleição dos presidentes das comissões de acompanhamento e comissões permanentes, tendo sido reeleitos os mesmos deputados que até então ocupavam os cargos. Vong Hin Fai mantémse à frente da Comissão de Regimento e Mandatos, Kwan Tsui Hang preside à 1ª Comissão, Chan Chak Mo à 2ª e Cheang Chi Keong à 3ª. Ho Ion San continua a ser o presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, Mak Soi Kun da comissão para os assuntos das finanças públicas e Chan Meng Kam lidera a comissão para os assuntos da administração pública. Tsui Wai Kwan mantém-se como presidente do Conselho Administrativo.

riado em 1988 pelo governador Carlos Melancia e revogado, em 1993, pelo Governador Vasco Rocha Vieira. O Conselho Consultivo dos Jogos estava integrado na Inspecção de Jogos, mas acabou por ser extinto por se considerar que era dispensável o seu funcionamento. Mais do que duas décadas depois, o deputado Zheng Anting considera importante restituir este órgão. No arranque de mais uma sessão legislativa no hemiciclo, o número dois de Mak Soi Kun considerou ser necessário “restabelecer o Conselho Consultivo dos Jogos”. Defendeu ainda a

possibilidade de “equacionar a hipótese de organizar operadores do sector, especialistas, académicos e individualidades dos diversos extractos sociais para supervisionar e regular o desenvolvimento do sector do Jogo”. No período de interpelações orais antes da ordem do dia, o deputado directo exigiu ainda que o Executivo crie novas regras para o funcionamento do sector junket, depois da polémica com o caso Dore. “Deve-se elevar o patamar para a autorização da exploração das salas VIP, procedendo-se a uma verificação rigorosa dos titulares

das respectivas licenças de exploração, nomeadamente quanto aos bens que possuem, reputação e background, por forma a assegurar, a partir da fonte, o desenvolvimento saudável e a longo prazo da actividade em causa”, apontou.

Mis transparência

Zheng Anting considera ainda que deve-se exigir aos promotores de jogo “a utilização de um sistema de contabilidade completo e fiscalizar rigorosamente as suas actividades, a fim de elevar o respectivo grau de transparência. Ainda é preciso colmatar as lacunas

existentes, preencher as insuficiências e regular o que for necessário”. À semelhança do que muitos especialistas de Jogo já apontaram, a retirada de capitais é um receio também sentido por Zheng Anting. “Actualmente as receitas brutas do Jogo equivalem a 80% das receitas totais do Governo e mais de 50% deste número provém das salas VIP. Estas estão dependentes do fluxo de capitais, e se agora grande parte das pessoas retirar os investimentos feitos nas salas VIP, isso irá afectar ainda mais estas salas, que já têm os seus negócios em recessão”, rematou. A.S.S.


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AL Habitação pública marcou arranque do ano legislativo. sorteio condenado

Os deputados aproveitaram o período de antes da ordem do dia para alertar para as necessidades de mudança de estratégia na política de habitação pública. Os democratas pediram o fim do regime de sorteio, com Au Kam San a dizer que se trata de um “suicídio político”

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hoje macau

ois dias antes da população sair à rua em protesto contra as actuais políticas de habitação pública (ver página 7), os deputados da Assembleia Legislativa (AL) usaram o período de antes da ordem do dia para apelar ao Governo que adopte novas estratégias, no plenário que marcou o inicio de mais uma sessão legislativa. Os democratas voltaram a exigir o fim do regime de sorteio. “Se o Governo insiste no regime de sorteio, está a cometer um ‘suicídio político’, prejudicando os princípios ‘Macau governado pelas suas gentes’ e um ‘país dois sistemas”, apontou Au Kam San, que acusou o Executivo de estar a servir interesses com o processo de revisão da Lei de Habitação Económica. “Atendendo ao conservadorismo do Governo, quando os regimes são eficazes não são revistos à toa, neste caso só há lugar a revisão porque estão envolvidos grandes interesses. O Governo tem de livrar-se

gcs

Democratas contra regime e interesses

das interferências tanto do pequeno círculo como do grupo de interesses adquiridos, mobilizando os recursos para construir habitação económica e social em número suficiente e concebendo um novo regime de pontuação para a candidatura à habitação económica”, apontou.

Perspectivas de oferta

Já Ng Kuok Cheong pediu, na sua interpelação oral, que o Governo tenha “em conta os Novos Aterros para uma oferta suficiente de habitação económica e recuperar o regime de pontuação para haver um prazo de espera por parte dos

candidatos elegíveis, quer da habitação económica, quer da social”. Ella Lei, deputada indirecta, referiu que o Governo “deve acelerar os respectivos projectos de

“O Governo tem de livrar-se das interferências tanto do pequeno círculo como do grupo de interesses adquiridos, mobilizando os recursos para construir habitação económica e social em número suficiente” Au Kam San Deputado

construção, em especial eliminar os obstáculos dos projectos que estão suspensos, a fim de evitar atrasos consecutivos”, bem como “definir planos para a construção de cerca de 6 mil habitações públicas, a fim de permitir que os residentes tenham uma perspectiva da oferta e evitar as preocupações resultantes da procura constante”. Já Dominic Sio considerou importante rever a actual legislação. “É também necessário proceder à revisão da Lei da Habitação Social e da Lei da Habitação Económica e incluir o agrupamento dos can-

didatos por rácio dos agregados, com vista a melhorar a atribuição de fracções e regulamentar a saída dos agregados familiares em situação económica favorável da sua habitação social.” Para o deputado nomeado, “há que ter em conta os jovens, que estão fora do âmbito da actual política de habitação, os recém-casados e as camadas da população com rendimentos médios, resolvendo assim os seus problemas com a habitação”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Chan Meng Kam acusa Governo de aplicar leis “de forma selectiva”

Conforme dá mais jeito “N este mês de Outubro têm sido cada vez mais notórios os conflitos e incidentes, com a Dore, habitações em construção do Pearl Horizon e o sorteio para a habitação económica. Os envolvidos resolveram manifestar-se, e já há quem classifique este mês de ‘mês das manifestações’. Trata-se de um direito dos cidadãos. O Governo governa de acordo com a lei, e perante este tipo de situação, é essencial que isso seja feito e que não se aplique a lei de forma selectiva.” As ideias são do deputado Chan Meng Kam, que no plenário que marcou o início de mais uma sessão legislativa acusou o Governo de desigualdade na aplicação das leis. “O Governo da RAEM não deve aplicar a lei de forma selectiva.

Deve sim, pelo contrário, clarificar quanto antes as responsabilidades nos termos legais, e tendo em conta o interesse do público, encontrar formas de resolução adequadas, em prol da salvaguarda dos legítimos direitos dos grandes e pequenos proprietários”, disse o deputado no período de interpelações antes da ordem do dia, referindo-se ao caso do edifício Pearl Horizon.

Farpas e ironias

Quanto ao caso Dore, Chan Meng Kam referiu que “não surgiu num dia”. “Algumas salas VIP angariam dinheiro através de várias formas, em alguns casos o título é ‘depósito’, caso da Dore, e noutros pode ser ‘capital’ ou ‘mútuo’. De facto, assegura-se retorno elevado e os

depósitos acabam por ser absorvidos. Qualquer cidadão comum conhece este tipo de manobra, e os serviços como a Inspecção de Jogos e a AMCM só ficaram a saber disto após o incidente?”, questionou. Chan Meng Kam ironizou ainda em relação ao processo de atribuição da habitação pública. “A taxa de desocupação das habitações públicas é alta e é grande a concorrência no novo sorteio das habitações económicas. A retoma dos terrenos por aproveitar para a construção de habitações públicas é como matar a fome desenhando um bolo. (...) Trata-se pois de uma prova para testar a paciência, para ver se é possível governar aplicando a lei de forma igual para todos”, rematou. A.S.S.


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google street view

Consulta pública sobre Lei Eleitoral para o ano

André Cheong, comissário do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), prevê que as sugestões do organismo sobre a revisão da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa (AL) possa ser entregues à Secretaria para a Administração e Justiça no final deste mês. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, André Cheong confirmou que a consulta pública sobre a legislação poderá arrancar no primeiro trimestre do próximo ano. O comissário do CCAC disse entender que a sociedade deposita grandes expectativas sobre a revisão desta lei, acreditando que o processo pode melhorar o processo de eleição. André Cheong referiu ainda que os trabalhos de combate à corrupção são constantes.

Executivo rejeita lentidão no caso Pearl Horizon

DSSOPT Novo Macau suspeita de concessão indevida de prédio

Edifícios filhos e outros enteados Scott Chiang quer saber mais pormenores sobre a forma de cálculo dos prémios de concessão de edifícios. Em causa está o anúncio de aprovação de dois projectos em Boletim Oficial e a disparidade de preços entre ambos

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Governo aprovou o projecto de alteração de um edifício industrial para uso comercial e habitacional, mas aAssociação Novo Macau suspeita de que o processo teve irregularidades no que respeita ao pagamento do prémio de concessão. As empresas que propuserem ao Governo um projecto para revitalizar um determinado edifício ou terrenos são obrigadas a pagar um prémio pelo seu arrendamento ou compra. Neste caso, foram pagos ao Executivo mais de 63 milhões de patacas pelo edifício, que está integrado num plano de reconversão de edifícios industriais, implementado pela Administração em 2011. Na passada sexta-feira, o presidente da ANM, Scott Chiang disse aos media que suspeitava da existência de irregularidades, alegando que o Governo fez uso de uma medida administrativa para baixar o montante do prémio num dos casos.

Disparidades

A aprovação do projecto surgiu num despacho publicado em Bo-

letim Oficial, com a assinatura de Raimundo do Rosário, Secretário para as Obras Públicas e Transportes. O despacho diz respeito a um edifício localizado na Rua dos Pescadores, com mais de dois mil metros quadrados. O prazo do arrendamento vai até em Novembro de 2022 e pode ser renovado de acordo com as leis. Segundo o Jornal do Cidadão, Scott Chiang comparou este caso com o de um outro edifício industrial na Rua de Viseu, para o qual também foi

aprovado o projecto de alteração. No entanto, este não se encontra integrado no referido programa, pelo que o prémio tem um valor três vezes mais alto. “Além da diferença de áreas, é de suspeitar que o Governo tenha baixado o preço de acordo com medidas administrativas”, afirmou. O presidente considera que as alterações previstas limitam a área mas não limitam o preço de cada fracção. Chiang considera que a revitalização pode fazer com

Reconversão de prédios industriais deverá acabar O programa de reconversão de edifícios industriais, implementado pelo Governo em Abril de 2011, não vai continuar. A ideia foi transmitida pela DSSOPT em comunicado. “Considerando que, desde a implementação das medidas para a reconversão dos edifícios industriais para cá, não foram alcançados os resultados delineados, acrescido ainda de serem poucos os pedidos efectuados dentro deste âmbito, por isso após o termo da sua implementação, a título experimental, em Abril de 2014, não foi prorrogado a sua vigência”, anuncia a DSSOPT. A mesma entidade avança que será feita a “plena revisão e avaliação” destas medidas. Desconhecese, no entanto, se o programa de reconversão volta com cara lavada ou foi simplesmente abandonado por, como atrás referido, não terem sido alcançados os resultados pretendidos.

que os proprietários queiram recuperar todo o edifício e depois obrigar os inquilinos das indústrias culturais e criativas a pagar altos preços pelo arrendamento de espaços. Com isto, o presidente da ANM conclui que o programa de reconversão de edifícios não devia seguir em frente, pois não vê neste qualquer interesse público. Ao mesmo jornal, Lam U Tou, vice-presidente daAssociação Choi In Tou Sam lembra que o Governo alterou várias vezes o coeficiente de contagem do prémio em 2007, 2011 e 2013, fazendo com que diferentes projectos obriguem a diferentes preços, mesmo estejam na mesma zona e tenham sido requeridos na mesma altura. Para Lam, é necessário que a Direcção dos Serviços para Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) esclareça o método usado para calcular o prémio e publique a data dos pedidos de concessão das empresas construtoras, diminuindo assim aquilo que chama de “zonas cinzentas”. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) considera que a aprovação dos processos relacionados com o edifício Pearl Horizon não foi feita de forma lenta, rejeitando as acusações da empresa concessionária do terreno, o Grupo Polytec. Segundo o Jornal do Cidadão, Ao Peng King, chefe do departamento de urbanização da DSSOPT, explicou que “como a aprovação envolve âmbitos diferentes, tais como o planeamento, regimes jurídicos e solicitações de residentes, a velocidade de aprovação depende da análise feita a cada caso”. O responsável disse esperar que os três terrenos em situação semelhante do Pearl Horizon, ou seja, do Windsor Arch, La Scala e na Estrada dos Sete Tanques, na Taipa, possam ver a situação de concessão resolvida antes do prazo chegar ao fim. Recorde-se que o Grupo Polytec acusou o Governo de ter demorado muito tempo na aprovação dos relatórios de impacto ambiental. O edifício Pearl Horizon, que deveria estar concluído este ano, poderá ficar pronto em 2019.

Governo vai rever necessidade de barcos dragagem

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) confirmou que vai rever a obrigatoriedade dos barcos dragagem ao abrigo da revisão do contrato de exclusividade com a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), bem como a isenção de 1% do imposto, através da revisão das licenças de jogo. Em resposta a uma interpelação da deputada Ella Lei, a DICJ explicou que a existência de barcos dragagem, desde 2002, correspondeu ao ambiente económico da altura, sendo que uma mudança será “inevitável”. Uma vez que o Governo já está no processo de análises da revisão das licenças de jogo, a DICJ prometeu auscultar opiniões para elaborar um regime de concessão de licenças de jogo que corresponda mais à realidade.


sociedade

hoje macau segunda-feira 19.10.2015

Manifestação cerca de mil saem à rua para pedir habitação pública

Todos juntos contra o sorteio “Na altura em que o preço dos imóveis privados sobe, a maioria dos residentes de Macau não consegue adquirir uma casa nova privada nem pode ficar à espera de uma pública”

hoje macau

“C

onstruir mais habitação económica”, “Recuperar os terrenos desocupados”, “Voltar ao regime de pontuação” e “O Chefe do Executivo consegue ouvir ou não?” foram as principais palavras de ordem ouvidas na manifestação de ontem, onde os residentes reivindicavam mais habitação pública e o regresso ao antigo regime de selecção de candidatos. A Associação da Iniciativa para o Desenvolvimento da Comunidade de Macau, que organizou o protesto, quer ainda reunir-se com o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. O vice-presidente da associação, Lei Man Chou, diz que estiveram na manifestação cerca de 1500 pessoas que foram desde a Praça do Tap Seac até à Sede do Governo. Já as autoridades policiais prevêem que estiveram no local 700 manifestantes. Uma dos organizadoras do protesto, Cloee Chao, disse aos media que o sorteio da habitação económica só “trouxe a sorte” a 1900 famílias que conseguiram adquirir habitação pública. Os restantes, criticou, são 40 mil e podem ficar à esperar ilimitadamente. “Na altura em que o preço dos imóveis privados sobe, a maioria dos residentes de Macau não consegue adquirir uma casa nova privada nem pode ficar à espera de uma pública”, lamentou. Cloee Chao disse esperar que o Governo recupere, o mais rápido possível, os terrenos desocupados, sobretudo aquele envolvido no caso La Scala. O passo seguinte, disse,

Cloee Chao Organizadora do protesto

é a construção de pelo menos 40 mil habitações públicas até 2019, para satisfazer as necessidades dos residentes. O Executivo não pode continuar a publicar apenas

calendarizações e escolhas de terrenos, explicou. Lei Man Chou acrescentou que os cidadãos entendem que no curto prazo o Governo não pode fornecer

Jogo Junkets em conversações para criação de código de Ética

O moralismo dos empréstimos H á operadoras de junkets locais em conversações com o Governo para a criação de um código de Ética, de acordo com o jornal Sunday Morning Post. O periódico da RAEHK dá conta de uma fonte que aponta para uma reorganização deste sector de trabalho. “Está a haver uma espécie de revolução e os junkets estão a reorganizar-se. Sabem que precisam de alterar a sua imagem, porque actualmente, há muita desconfiança quando se fala deste sector”, afirma a referida fonte. Este clima de “desconfiança” surgiu com o escândalo Dore, em que a alegada funcionária de salas junket do MGM fugiu com depósitos de clientes no valor de mais 400 milhões de Hong Kong dólares. O presidente da Associação de Promotores de Jogo, Kwok Chi Chung, que esteve presente em reuniões com o Secretário para a

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Economia e Finanças e representantes da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, disse que ainda nada está concluído, estando-se agora a aguardar uma resposta do Governo. “Estamos à espera que o Executivo decida quando vai organizar a próxima reunião”, disse Kwok ao diário de Hong Kong. Durante os encontros passados, o sector dos promotores de Jogo defendia a necessidade de alterar a regulamentação sob a qual exercem a sua actividade, incluindo a criação de um código de Ética. “Esperamos poder fazer parte da equipa de redacção da nova lei para poder explicar ao Governo quais as dificuldades sentidas pelos junkets, para que a legislação permita um crescimento saudável do nosso sector”, adiantou Kwok. Além disso, disse concordar com a revisão da lei, de forma a tornar “o sistema mais transparente” e tornar

o trabalho de toda a indústria mais claro para a população.

Mudança em curso

A revisão das normas que regulamentam a actividade dos junkets foi anunciada pela DICJ no passado mês de Setembro, aquando do escândalo Dore. A partir dessa altura tem-se discutido os trâmites sobre os quais a alteração legislativa vai decorrer. Também Fernando Vitória, que recentemente publicou o livro “Lei de Jogos de Azar em Macau”, concorda com a existência de um Código de Ética para estes profissionais. “Há, certamente, uma necessidade de criar normas mais actualizadas, incluindo a redacção de um código de Ética para os junkets”, disse Vitória durante a cerimónia de lançamento da sua obra. “O Governo poderia participar nesta redacção, estabelecendo algumas normas ao sector”, acrescentou.

habitações económicas suficientes para os residentes de Macau, mas criticou o facto da lista dos candidatos não ser mantida depois do sorteio e posteriormente publicada. O líder

espera que o Instituto de Habitação (IH) elimine o regime de sorteio da habitação económica e volte a implementar o regime de pontuação, para que todos os candidatos tenham um calendário de espera. A associação afirmou que vai fazer mais actividades do género para reiterar as solicitações da população, tentando pedir uma reunião com Raimundo do Rosário ou com o IH. Uma vez que ontem a Sede do Governo esteve aberta ao público, os manifestantes só puderam entregar uma carta na porta das traseiras. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Augusto Mateus defende cultura como factor económico

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ugusto Mateus, ex-ministro da Economia português, defendeu no Instituto Politécnico de Macau (IPM), no sábado, que Macau deve apostar na cultura como factor de dinamização da economia. Augusto Mateus falava em Macau, à margem do seminário “indústrias criativas em Macau”, organizado pela associação Albergue Santa Casa de Macau, em que foi o orador convidado. Sobre este tema, defendeu que Macau, que é um território pequeno e muito especializado no jogo, deveria explorar a cultura, a criatividade e o conhecimento “como novos factores de criação de riqueza” e de criação

de “um conjunto de sinergias” que tornem o turismo mais sustentável. Augusto Mateus considerou que não é possível ter sustentabilidade tendo um único produto turístico (o jogo), sendo por isso necessário “arrastar outras actividades”, como as artes, os espectáculos, os congressos e eventos, que considerou “absolutamente decisivos” para valorizar os investimentos que têm sido feitos no território. O território deve, ainda, aliar essa aposta a uma estratégia de preservação do património e reabilitação urbana, de forma a que Macau seja um destino diferenciado “e, portanto, atractivo”, defendeu. LUSA\HM

Provas orais para advogados estagiários

Entre hoje e o dia 26 de Outubro decorrem nas instalações da Associação dos Advogados de Macau (AAM) as provas orais de admissão ao primeiro curso de estágio de advocacia deste ano. No total, serão sujeitos a avaliação 35 candidatos à profissão. Os exames são abertos ao público, com entrada livre, e decorrem na sede da AAM, no edifício World Trade Center.


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Feira Internacional de Macau 2015 (MIF) arranca já esta quinta-feira, ficando aberta ao público até domingo, na sala Sicily do Venetian. No entanto, a organização tem actividades planeadas a partir desta quarta-feira: das 9h30 às 12h30 está marcado um fórum destinado a jovens empresários chineses e dos Países de Língua Portuguesa. O dia de quinta-feira reserva-se à inauguração oficial da MIF e conta ainda com a realização de bolsas de contacto para PME, de uma conferência sobre comércio online transfronteiriço e de um seminário que explora a indústria da Moda, com Huang Huaiqiao como orador. O primeiro dia prossegue como uma série de actividades de intercâmbio e um fórum sobre a Exposição Internacional de Design de Macau, onde se exploram as capacidades desta iniciativa, discutindo-se formas de cativar capital para a indústria. Neste evento participam mais de seis associações e grupos, todos eles relacionados com a indústria em causa, pelo que o certame tem lugar entre as 16h30 e as 18h30, na sala Florence. A sexta-feira será dedicada a um grande fórum de negócios entre os PLP e a província de Jiangsu e Macau, que conta com a

MIF Fórum internacional arranca esta semana no Venetian

Uma feira cada vez mais popular participação de mais de 10 representantes oficiais de governos. Este tem lugar na sala Milão A, das 10h00 às 10h40. Entre as 10h00 e as 11h30 acontece um seminário sobre a cooperação entre Macau e Shenzhen na indústria do artesanato, onde estarão presentes

quatro entidades de cada região, na sala Nápoles. É no mesmo espaço, das 10h00 às 12h00, que o público terá oportunidade de ver de perto uma iniciativa de Promoção de Produtos e Oportunidades de Investimento de PME canadianas, que conta com cinco

A organização assegura que a edição deste ano terá um “grau de internacionalização” ainda mais “elevado” do que em anos anteriores. Estarão presentes “altos quadros” de vários governos, ministros, especialistas e académicos da China e dos Países de Língua Portuguesa

Ng Lap Seng em prisão domiciliária

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milionário chinês acusado de subornar o ex-presidente da Assembleia Geral da ONU vai pagar uma fiança de 50 milhões de dólares e ficar em prisão domiciliária, decidiu um juiz de Nova Iorque. Ng Lap Seng deverá também ficar sob vigilância electrónica, segundo fontes do Ministério Público norte-americano citadas pela EFE. De acordo com a justiça norte-americana, o ex-presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas John Ashe recebeu

mais de um milhão de dólares de Ng Lap Seng e outros empresários chineses para tentar influenciar decisões da organização. Entre outros objectivos, Ng Lap Seng queria concretizar o seu projecto de construção de um centro de conferências da ONU em Macau. Após a detenção do magnata chinês, a ONU abriu também uma investigação interna às doações à organização da fundação do grupo imobiliário de Macau Sun Kian Ip, a que Ng Lap Seng preside. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o parceiro de Ng Lap Seng, William Kuan, está a tentar entrar em contacto com o advogado do empresário e pretende realizar uma campanha de recolha dos 50 milhões de dólares necessários para a fiança.

entidades na organização. O mesmo horário estende-se para uma palestra sobre a indústria tipográfica, na sala Sicília, na qual participam associações locais, de Taiwan, Hong Kong e Guangdong.

Global q.b.

A organização assegura que a edição deste ano terá um “grau de internacionalização” ainda mais “elevado” do que em anos anteriores. Estarão presentes “altos quadros” de vários governos, ministros, especialistas e académicos da China e

dos Países de Língua Portuguesa (PLP) para debater o sucesso e estratégias envolvidas no estabelecimento da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. Esta é já a 20ª edição do evento anual que junta uma série de países para discutir estratégias de negócio. Com direito a bancas de mostra de produtos, seminários e bolsas de contacto, os representantes de diferentes países e regiões vêm a Macau mostrar aquilo de que são feitos. Presentes vão estar o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong,

o Vice-Presidente do Conselho para a Promoção do Comércio Internacional da China (CCPIT), Yin Zonghua, o Vice-Presidente da Federação Nacional de Indústria e Comércio da China e Presidente da Transfar Group Co Limited, Xu Guanju, entre outros. Para mais informações sobre o programa de festas da MIF 2015, os interessados podem consultar o website http://www.mif. com.mo/mif2015/schedule. php. A entrada é gratuita. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Steve Wynn critica limite a mesas de jogo

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presidente da Wynn Resorts, o norte-americano Steve Wynn, disse que em 45 anos de ligação ao negócio dos casinos, nunca viu nada como aquilo que está acontecer em Macau e criticou o Executivo local. Wynn considerou “irracional” a introdução por parte das autoridades de Macau de limites às mesas de jogo em novos ‘resorts’ no território e que as operadoras só saibam quantas mesas poderão criar poucas semanas antes de abrirem os novos casinos. “Construímos dezenas de milhares de quartos, restaurantes e atracções, mas dizemos [às pessoas]: ‘vocês não podem jogar porque não há mesas’. Bem, essa é uma das razões por que elas vêm a Macau. Se quiserem minar e

sabotar a viabilidade desta indústria, imponham limites às mesas. Sou muito crítico desta decisão, porque não a entendo de maneira nenhuma”, afirmou, sublinhando que tem 45 anos de experiência neste negócio e nunca viu uma situação semelhante. Steve Wynn, citado pela agência Bloomberg, falava numa conferência telefónica com analistas, a partir dos Estados Unidos, no dia em que foram divulgados os resultados da empresa que lidera relativos ao terceiro trimestre do ano. A Wynn Macau teve uma quebra homóloga de 37,9% das receitas líquidas no terceiro trimestre, para 585,1 milhões de dólares. Já a operação em Las Vegas caiu 3,9%. Com dois casinos em Macau – Wynn e Encore

– a operadora tem actualmente em construção um ‘resort’ integrado, com um orçamento global de 4,1 mil milhões de dólares e que deverá abrir portas na primeira metade do próximo ano. As receitas dos casinos de Macau, o maior centro de jogo do mundo, estão em queda desde Junho de 2014, tendo registado em Setembro o valor mais baixo dos últimos cinco anos. A quebra do negócio está a ser associada à campanha anti-corrupção lançada por Pequim e a um abrandamento da economia chinesa. LUSA


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Direcção dos Serviços de Turismo (DST) vai pedir a uma instituição académica local que faça um inquérito sobre os roteiros turísticos da zona norte e a situação das lojas beneficiárias, de forma a ajustar a estratégica de promoção destas. Segundo o canal chinês da TDM, a directora da DST, Helena de Senna Fernandes já tem um plano para potenciar o desenvolvimento destes roteiros. Questionada sobre o resultado pouco frutífero de um dos roteiros da Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, a directora explicou que já há um plano para investigar a situação dos lucros das lojas integradas nestes roteiros, de forma a perceber se estas ajudam a realmente ao negócio local. No que toca às excursões nos autocarros “Sentir Macau passo a passo”, a DST optou, na semana passada, por ajustar o número de carreiras de três para duas. Uma vai servir a península de Macau e outra, a ilha da Taipa, já a partir de hoje. A mesma responsável referiu que vai continuar a observar a eficácia do plano durante duas a três semanas para decidir pelo continuidade, suspensão ou abolição de medida turística. F.F.

Newman Lam preocupado com instabilidade económica

“ Macau não vai recuperar” O investigador da Universidade de Macau Newman Lam manifestou preocupação em relação à estabilidade do território, que considerou uma “bomba” que a queda das receitas dos casinos pode fazer rebentar. Lam, que falou na Conferência Anual da Associação de Ciência Política de Hong Kong, acredita que Macau está à beira de uma crise, mas defende que isso pode não ser mau. O investigador traçou um cenário de descontentamento crescente e de quebra da legitimidade do Governo de Macau que, juntamente com a descida das receitas dos casinos, principal fonte de receita pública e sector em que assenta a economia da região, pode pressionar a população a agir. Lam apontou números do Programa de Opinião Pública de Hong Kong, relativos a 2014, segundo os quais a satisfação da população de Macau em relação ao desenvolvimento democrático atingiu 26,5% em 2014, o valor mais baixo desde que os dados começaram a ser recolhidos. Também a confiança na fórmula chinesa “um país, dois sistemas” atingiu os seus mínimos: 69,6%. E apenas 37,6% disseram no ano passado estar satisfeitos com a protecção dos direitos humanos e 56,2% aprovaram o trabalho do chefe do Executivo, segundo o mesmo inquérito. “Qual é o motivo para a descida da confiança? Depois da liberalização do jogo, o fosso salarial aumentou, os ricos ficaram mais ricos, os pobres mais pobres. Os preços do

imobiliário subiram a pique, 28,2% da mão-de-obra é importada, o Governo não consegue resolver o problema do trânsito. Macau está cheia, já nem queremos ir até ao Senado, são demasiados turistas”, resumiu. O investigador chamou também a atenção para o surgimento de novos “grupos críticos” além da Associação Novo Macau, como a Juventude Dinâmica e a Macau Civic Power, que, apesar de “poucos e pouco efectivos”, são “um sinal do que vem aí”.

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DST Roteiros de autocarro têm lucros de negócios como base

O povo é sereno

Ainda assim, sublinhou que Macau tem sido uma cidade pacífica, com poucos protestos e uma resposta moderada da sociedade civil. Mas a “crise do jogo” pode vir a acabar com este cenário: “As pessoas de Macau põem muita ênfase na harmonia. Não as temos visto agir como em Hong Kong. O que as pessoas pensam e o que manifestam são coisas diferentes, elas inibem-se. A harmonia é uma coisa boa, mas pode tornar-se uma bomba”, afirmou. O académico acredita que há um sentimento de saturação que, aliado a uma

juventude “mais informada e que não aceita com tanta facilidade as decisões da autoridade”, pode fazer tremer a estabilidade social. Lam prevê também consequências para os bolsos dos residentes de Macau em 2016, antecipando o fim dos cheques anuais à po-

“As pessoas de Macau põem muita ênfase na harmonia. Não as temos visto agir como em Hong Kong. O que as pessoas pensam e o que manifestam são coisas diferentes, elas inibemse. A harmonia é uma coisa boa, mas pode tornar-se uma bomba” Newman Lam Investigador da Universidade de Macau

CCAC já ajudou família do trabalhador falecido

Criticado plano de transporte de carros abandonados

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Associação de Reciclagem de Veículos de Macau criticou o plano do Governo sobre o transporte de veículos abandonados para a província de Guangdong, afirmando que vai afectar a sobrevivência do sector. A associação sugere, assim, que seja criado um ponto de recolha das peças antes que os veículos sejam desmontados e enviados para o continente. Segundo o Jornal Ou Mun, o presidente da associação, U Wai

Kun, apontou que o Governo não apoia o sector de reciclagem de veículos, que apenas pode desmontar os carros abandonados e tirar os materiais para serem reciclados ou exportados para outros países. Embora a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) promova leilões de recolha de carros, o responsável disse que a maioria dos veículos é transportada pelo sector. O Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Rai-

mundo do Rosário, visitou no mês passado o departamento de protecção ambiental de Guangdong, no sentido de promover o tratamento e transporte de carros abandonados de Macau. Mas U Wai Kun diz que a medida vai afectar a sobrevivência do sector. “A maioria dos carros abandonados não é muito velha e poderia ser transportado para países como o Paquistão ou em África, para serem usados como

pulação, cortes no orçamento e despedimentos nos casinos. “Não acreditem nos jornais que dizem que estamos no caminho da recuperação, os jornais são controlados pelo Governo. Não vejo a China a amenizar a política anti-corrupção e, por isso, a recuperação de Macau não vai acontecer”, alertou. O que Macau precisa, defendeu, é de uma reforma económica, que reduza a dependência do jogo e, acima de tudo, garanta acesso à habitação: “Acho que esta crise vai pressionar o Governo e isso pode ser uma coisa boa. Quando as pessoas se aperceberem que há uma bomba prestes a rebentar, talvez façam alguma coisa para a impedir de explodir”. LUSA

carros em segunda mão. Outra forma é retirar as peças, para que se possam fornecer as oficinas. Seria uma forma de promover a protecção ambiental.” F.F.

Questionado sobre o caso de um funcionário do CCAC que cometeu suicídio ao atirarse do edifício Dynasty Plaza, na semana passada, André Cheong afirmou que já cedeu toda a ajuda à família do funcionário, não tendo avançado mais detalhes por o caso ainda estar sob investigação. O comissário defendeu que, como a PJ avançou tratar-se de suicídio, sem mais indícios de crime, a sociedade não precisa de se preocupar. André Cheong prometeu uma melhor gestão emocional dos funcionários do CCAC.


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Exposição de arquitectura na Rua das Lorchas

É hoje inaugurada a exposição com trabalhos vencedores do concurso AAM Architectural Design Competition, iniciativa promovida pela Associação dos Arquoitectos de Macau (AAM) e Centro de Arquitectura e Urbanismo (CURB). O evento começa às 18h30 na Ponte 9, Rua das Lorchas, e apresenta 14 projectos que revelam propostas de reordenamento para as zonas dos lagos Nam Van e Sai Van.

USJ Nora Fung-yee Tam discute preservação de mangais

A professora de Biologia da Universidade Cidade de Hong Kong vem a Macau para falar sobre a preservação e contaminação dos mangais, ecossistemas exclusivos de climas tropicais e subtropicais como é Macau. É no auditório da Universidade de São José que a especialista dá a sua palestra, entre as 18h30 e as 20h00 do próximo dia 29. “Em Hong Kong e no Sul da China, a contaminação com químicos tóxicos é uma grande ameaça para as zonas de mangais devido à rápida industrialização”, escreve a organização em comunicado. A palestra vai explorar os principais métodos e tipos de contaminação destas plantas, formas de evitar isto e possíveis consequências. Nora Tam tem mais de 25 anos de experiência no estudo de preservação biológica e desenvolvimento de projectos no âmbito da protecção de ecossistemas tropicais. A especialista tem no seu currículo um mestrado na Universidade de Sheffield e um doutoramento em York, no Reino Unido. A palestra é aberta ao público e tem entrada gratuita.

O artista Ieong Tai Meng vai abrir uma residência para artistas de todo o mundo, sendo a entrada bem-vinda a dançarinos, pintores, arquitectos, músicos e outros. Ieong foi premiado com um Ouro em França e tem vários projectos de cooperação com Portugal no âmbito de design de rótulos

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pintor local Ieong Tai Meng vai abrir residência para artistas em Maca

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artista local Ieong Tai Meng, que foi recentemente galardoado com o prémio de Ouro em Pintura pela Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), vai abrir um centro de arte e residência para artistas de todo o mundo. E é mesmo ali no centro, na Rua dos Ervanários. A localização sofreu alterações, já que o Instituto Cultural não permitiu a criação do centro na primeira opção geográfica de Ieong, mas a Rua dos Ervanários tem a sua importância histórica. “Os meus antepassados viveram ali, na década de 40”, começou o artista por explicar. À conversa com o HM, contou a história de como veio parar a Macau, considerando-se já da terra. “Eu nasci na China, mas pedi para vir para cá e foi-me dada a autorização de entrada porque tenho cá família, os meus antepassados são da região”, explica. Nascido no distrito de

À venda na Livraria Portuguesa

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Tudo São Histórias de Amor • Dulce Maria Cardoso

Mas é Bonito • Geoff Dyer

Uma velha que em clausura depende do que o seu cão fiel lhe recolhe, uma mulher que mata a sua alma gémea, nós que nos tornamos cúmplices num autocarro em noite de temporal, um rio que devolve os ecos de duas crianças a quem aguarda um terrível milagre, uma ilha onde congeminam os faroleiros e suas zelosas esposas, um assassino a salvo na biblioteca, uma menina desaparecida, uma mulher intrigada pelo homem desconhecido. Um destino chamado amor.Nesta inquietante colectânea de contos, Dulce Maria Cardoso revela de novo a sua mestria literária.

A partir do modo como ouve o jazz de Charles Mingus, Thelonious Monk, Bud Powell, Art Pepper, Chet Baker, entre outros, e a partir de uma série de fotografias de músicos e formações, Geoff Dyer improvisa e ficciona oito variações como se fossem, cada uma delas mas também em conjunto, um romance. Nas palavras de Keith Jarrett, este é o melhor livro de jazz que ele alguma vez leu.


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nal com certeza

hoje na chávena Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Verbena Nome botânico: Verbena officinalis L. Família: Verbenaceae. Nomes populares: ALGEBÃO; ALGEBRADO; ALGEBRÃO; ARGEBÃO; ARJABÃO; ERVA-DOS-LEPROSOS; ERVA-SAGRADA; GERBÃO; GERIVÃO; GERVÃO; GIRBÃO; JARVÃO; ULGEBRÃO; URGEBÃO.

Sanshiu em 1949, foi director da Associação de Pintura Chinesa, membro da Associação de Artistas Populares da China e da Associação Nacional de Arte Francesa. Ieong deu ainda aulas em escolas de arte de Macau, Xi’an, Jilin e Xangai, sendo ainda investigador no Museu de Nanjing.

Rotulagem de Baco

Na calha está o design de rótulos de garrafas de vinho portuguesas. É que há pouco tempo, a produtora de vinhos portuguesa DFJ fez um tributo ao artista: em seis dos seus vinhos figuram impressões de telas originais do pintor chinês. Ieong toma a Flor de Lótus como inspiração. Primeiro, por ser “bonita e o símbolo de Macau, uma flor santa”, mas também por ser difícil de retratar, o que só por si já confere beleza à planta. Esta parceria será lançada na Feira Internacional de Macau (MIF), que arranca já esta semana. “É uma maneira de aliar a cultura da arte à cultura vinícola, que está muita na moda”, afirma. Ao HM, explica ainda ter “um fascínio” pela cultura de Portugal e que vai desde a arquitectura, ao vinho, das pessoas à própria tradição deixada no território. A viver em Macau há mais de 36 anos, pinta desde os 13 e foi aperfeiçoando a sua arte e talento pelos pincéis e pelas flores de lótus ao ponto de oferecer telas a conhecidos dirigentes desta e da Administração portuguesa. Até Mário Soares teve direito. Hoje em dia já não tem obras suas à venda,

Foi dentro das quatros paredes do Museu do Louvre que Ieong Tai Meng recebeu um Ouro pelo seu percurso no campo da Pintura mas o estatuto de artista de renome faz chegar à sua porta vários fãs e coleccionadores que querem ter peças de Ieong nas paredes lá de casa. Ou do escritório. Tanto faz o local, desde que mostrem o que de bom ainda se faz em Macau.

Prémio inesquecível

Foi dentro das quatros paredes do Museu do Louvre

que Ieong Tai Meng recebeu um Ouro pelo seu percurso no campo da Pintura. Em jeito de agradecimento, o presidente da SNBA, Michel King, fala de Ieong como um artista que “caminha sobre a grande estrada da cultura chinesa e não fica encostado ao tronco das árvores de frutos acabados de amadurecer”. E é assim mesmo que o mundo parece ver o pintor chinês. Com exposições a solo e colectivas em Londres, Coreia do Sul, Taiwan e vários outros locais, Ieong sagrou-se no mundo das artes com uma série de prémios e nomeações em edições da Exposição Nacional de Artes. Foi a pintura Sonho de Lótus que valeu o Ouro a Ieong, em Dezembro do ano passado. Em apreciação estavam mais de 2000 obras de artistas de 20 países. A próxima mostra do artista em Macau está pensada para Março de 2016, mas até lá os fãs poderão ver o seu trabalho numa exposição organizada pela entidade francesa, de 17 a 20 de Dezembro. O futuro reserva ao artista outros projectos, alguns deles relacionados com a ligação entre a China e Portugal. Um deles, explicou, “pretende abrir portas à colocação de produtos alimentares portugueses no mercado chinês”, assim fomentando a cooperação comercial. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Originária da Europa, a Verbena é uma planta discreta. No entanto, um olhar mais atento pode encontrá-la nas bermas dos caminhos e terrenos incultos, com os seus caules finos e erectos, quadrangulares, e uns raminhos delgados afastados do caule; as folhas são recortadas e as flores, bem pequenas, dispõem-se em espigas terminais. Não obstante a sua discrição, pode alcançar cerca de um metro de altura. Usada pelos celtas e germânicos em práticas de magia e feitiçaria, por ser considerada uma poderosa panaceia, a Verbena foi ainda eleita uma planta sagrada pelos Romanos, sendo empregue em purificações de pessoas, casas e templos. Na medicina tradicional chinesa a Verbena tem sido usada para tratar a febre, como por exemplo na malária. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas e as folhas, da planta fresca ou seca. Composição Heterósidos de iridóides (verbenalina, di-hidroverbalina), compostos fenólicos (verbascósido), flavonóides (artemidina, luteolina, glucósidos de hidroxiluteolina), procianidinas oligoméricas, mucilagens, tanino e traços de óleo essencial (citral). Inodora, sabor amargo. Acção terapêutica Com uma acção tónica sobre o sistema nervoso, a Verbena proporciona efeitos sedativos e relaxantes e melhora a vitalidade nervosa; é ainda considerada um antidepressivo leve. Assim, tem indicação na ansiedade e nervosismo, insónia, depressão e esgotamento nervoso. Pela actividade antiespasmódica, é empregue nas dores de cabeça e enxaquecas, especialmente nas provocadas pelo stress, reduzindo a sua frequência e intensidade. Protectora dos nervos, pode ser usada para reduzir o risco de Alzheimer. Planta amarga, a Verbena tonifica o sistema digestivo, aumentando o apetite e favorecendo a digestão, e estimula a produção de bílis descongestionando o fígado, sendo indicada

na falta de apetite, anorexia nervosa, digestões difíceis, cólicas gastrintestinais, cálculos biliares e afecções do fígado; na diarreia é útil por ser adstringente. Também usada na sinusite, amigdalite, faringite, laringite, tosse e bronquite, esta erva desinflama, regenera e suaviza as mucosas, acalma a tosse e favorece a expulsão de mucosidades, combate bactérias e vírus, e aumenta a sudação baixando a febre. É antioxidante, quimiopreventiva e antitumoral (leucemia). Pela actividade diurética e depurativa, beneficia situações de obesidade e celulite, inflamações urinárias e litíase. É igualmente usada, como analgésico, em caso de dores reumáticas, nevrálgicas (ciática) e musculares (lumbago). Tradicionalmente é ainda empregue na tensão pré-menstrual, para regularizar o período, favorecer a lactação e como afrodisíaca – a Verbena «acende os amores apagados», como diziam os antigos. Outras propriedades Externamente, é recomendada nas feridas, mesmo nas de difícil cicatrização, ulcerações e queimaduras, contusões, dores reumáticas e inflamações da pele, boca e faringe. Em cosmética tem indicação nas peles oleosas, inflamadas, olhos fatigados, caspa e como tónico capilar. Como tomar • Uso interno Infusão das partes aéreas floridas: 1 colher de chá por chávena de água fervente. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Em fórmulas de plantas, para tomar em tisana ou em gotas, nas perturbações digestivas. • Uso externo Infusão ou decocção das partes aéreas floridas: 50 gramas por litro de água. Em inalações, gargarejos ou compressas. Infusão das folhas: 50 gramas para meio litro de água fervente. Aplicar, depois de fria, em massagens. Como tónico capilar. Cataplasmas: aplicar a planta depois da decocção, ou de refogada na frigideira, envolvida num pano branco de algodão. Precauções A Verbena está contra-indicada na gravidez (os iridóides têm uma acção tónica sobre o útero, contraindo-o). Embora raramente, em pessoas sensíveis pode provocar erupções cutâneas. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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Xi Jinping em visita de Estado para consagrar “era de ouro” com Reino Unido

Por terras de Sua Majestade O Presidente da China inicia amanhã uma visita de quatro dias ao Reino Unido, em que a questão dos direitos humanos deve ser ofuscada pelas relações económicas favoráveis a uma “era de ouro” entre os dois países. A imprensa oficial chinesa insistia ontem que a visita de Estado de Xi Jinping, que decorre entre terça e sexta-feira, a primeira de um chefe de Estado chinês ao Reino Unido desde 2005, vai marcar o início de uma “década de ouro” nas relações sino-britânicas. As relações diplomáticas entre os dois países arrefeceram em 2012, depois de o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ter recebido o Dalai Lama, em Londres. Londres esforçou-se por reverter essa situação, com

simbólicas decisões, como a de se tornar o primeiro país ocidental a pedir para aderir ao Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (BAII), impulsionado por Pequim, um gesto que agradou tanto à China como desagradou aos Estados Unidos que, a par do Canadá e Japão, ficaram de fora.

O príncipe em Buckingham

Durante a visita de Xi Jinping que vai ficar com a sua esposa, Peng Liyuan, alojado no Palácio de Buckingham, como dita a tradição para as visitas de Estado – espera-se a assinatura de acordos económicos e também de cariz cultura pub

Durante a visita de Xi Jinping - que vai ficar com a sua esposa, Peng Liyuan, alojado no Palácio de Buckingham, como dita a tradição para as visitas de Estado – espera-se a assinatura de acordos económicos e também de cariz cultural. “Nós encorajamos o investimento e a China investe mais na Grã-Bretanha do que noutros países europeus”, congratulou-se David Cameron.

Por sua vez, o embaixador da China em Londres, garantiu que o Reino Unido “está em vias de se tornar no líder na Europa e em todo o Ocidente” referindo-se às relações com o seu país. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e o ministro da Economia britânico, George Osborne, já exibiram, no mês passado, em Pequim, essa sintonia com a assinatura de 53 acordos, incluindo vários que visam usar a “City” londrina como ponte para a internacionalização da moeda da segunda maior economia mundial, o yuan. Espera-se, portanto, que a visita de Xi sirva para amadurecer esses acordos, que incluem projectos de envergadura como a construção da primeira central nuclear desenhada e operada pela China em

solo ocidental e de linhas ferroviárias de alta velocidade. Todos esses assuntos vão ser abordados na reunião entre Xi e Cameron, um dos pontos-chave da agenda do chefe de Estado chinês, a qual contempla também encontros com líderes de outros partidos e empresários. Está também previsto que profira um discurso no Parlamento, uma visita a Manchester e uma cerimónia de boas-vindas da rainha Isabel II no Palácio de Buckingham. Com efeito, foi já notada pela imprensa britânica a ausência do príncipe Carlos no banquete oficial, para o qual são esperados o príncipe William e a sua esposa, Kate Middleton, de acordo com o programa oficial apresentado em Londres. Próximo do Dalai Lama, o príncipe Carlos mantém historicamente relações tensas com os presidentes chineses. Por exemplo, nunca foi à China e já tinha faltado aos jantares oficiais com Jiang Zemin em 1999 e Hu Jintao em 2005.

Taiwan Organizador de festa acusado de negligência

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proprietário da empresa que organizou a “festa colorida” num parque de diversões em Taiwan, onde o calor das luzes desencadeou uma explosão que fez 12 mortos e centenas de feridos, foi sexta-feira acusado de negligência. Nove pessoas estavam sob investigação devido ao desastre ocorrido em Junho no parque aquático “Formosa Fun Coast”, nos arredores de Taipé, depois

do pó colorido lançado no festival “Color Play Asia” se ter incendiado. O Ministério Público considera que Lu Chung-chi, proprietário da Color Play Asia, que organizou o evento, deve assumir a responsabilidade pelo incidente. Lu foi acusado de negligência e arrisca até cinco anos de prisão. O evento em causa atraiu cerca de um milhar de pessoas – a maioria das

quais entre os 18 e os 25 anos. Cinco meses depois da tragédia, 71 dos feridos permanecem internados no hospital, dez dos quais com um quadro crítico. Os restantes oito suspeitos sob investigação, incluindo tanto o patrão como o presidente do parque aquático, não foram alvo de acusação. A data para Lu se apresentar a tribunal ainda não foi tornada pública.


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hoje macau segunda-feira 19.10.2015

Dez pessoas multadas em 14 ME por irregularidades na bolsa

Malditas transacções A Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China (CRMV) vai punir dez pessoas com multas que ascendem a 100 milhões de yuan pelo uso

de informação privilegiada e difusão de rumores falsos na bolsa, informou sábado a imprensa oficial chinesa. O regulador não especifica, contudo, quando foram praticadas as referidas in-

fracções – agora punidas –, embora a perseguição de más práticas se tenha intensificado sobretudo devido à crise que afectou as bolsas chinesas durante o Verão. Essas actividades prejudicaram os interesses legais dos investidores, alteraram o normal funcionamento do mercado e confundiram quem nele opera, assinalou a Comissão Reguladora. Segundo a imprensa oficial, o organismo regulador também vai proibir dois dos sancionados de voltarem a operar nos mercados bolsistas. Essas duas pessoas, tal como outras sete, ter-se-ão aproveitado, segundo o regulador, de informação privilegiada para efectuar transacções vantajosas. Já uma outra foi punida por ter divulgado na Internet informação falsa sobre uma firma financeira que havia

recomendado aos investidores que vendessem as suas acções, o que provocou o pânico no mercado, de acordo com a CRMV. Mais de uma dezena de altos funcionários de firmas financeiras, bem como da CRMV, foram detidos desde a crise bolsista na China no Verão. Esta semana, o Conselho de Estado chinês destituiu o presidente adjunto da CwRMV, Zhang Yujun, recentemente alvo da abertura de uma investigação por suspeitas de corrupção. Aquando do anúncio da investigação, em meados de Setembro, a Comissão Central de Controlo e Disciplina do Partido Comunista chinês referiu, em comunicado, que Zhang Yujun é suspeito de “graves violações da disciplina”, utilizando a terminologia que descreve habitualmente os casos de corrupção.

Encarregado de segurança no trabalho expulso do PCC

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ang Dongliang, director do órgão chinês encarregue da segurança no trabalho, foi expulso do Partido Comunista da China, por corrupção, depois de em Agosto ter sido despedido na sequência das explosões no porto de Tianjin. Segundo um comunicado da Comissão Central de Disciplina do PCC, Yang “cometeu graves violações da lei e da disciplina, organizou ilegalmente actividades politicas e dificultou os trabalhos de investigação”.

A mesma nota refere que aceitou subornos, utilizou indevidamente fundos públicos e aproveitou-se do seu cargo para beneficiar terceiros, que por sua vez são suspeitos de ter cometido infracções. “Yang perdeu os seus ideais”, lê-se no comunicado, sublinhando que o responsável pela segurança no trabalho “não se conteve”, mesmo após a ascensão ao poder do actual Presidente chinês, Xi Jinping, que lançou a maior campanha anti-corrupção das últimas décadas. Yang é o mais alto responsável a ser despedido na sequência das duas explosões, num terminal de contentores que armazenava ilegalmente 3.000 toneladas de produtos químicos, em Tianjin, e que causaram 173 mortos e 700 feridos.

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HM 1ª Vez 19-10-2015 ACÇÃO ORDINÁRIA

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Anúncio HM 1ª Vez 19-10-2015

Processo n.º CV1-15-0007-CAO

1º. Juízo Cível

AUTOR: THE HONGKONG AND SHANGHAI BANKING CORPORATION LIMITED, com sede em Queens´s Road, Central, 1, Victoria, Hong Kong e sucursal em Macau, na Av.ª da Praia Grande, n.º 639, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o n.º 587 (SO).------------------------------------------------------------------------------RÉU: SOU WENG CHIO, divorciado, titular do BIR n.º 5xxx239(x), com última residência conhecida em Macau, no Beco da Boa Vista n.º 29, Edf. Kou Hou, 3.º andar A, ora ausente em parte incerta.-------------------------------------------------------------------------------------------

Proc. Ordinário de Execução

n.º CV3-14-0143-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: Banco Industrial e Comercial da China (Macau) S.A. (中國工商銀行(澳門) 股份有限公司), com sede em Macau na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. EXECUTADO: CHAN I TAK (陳以德), masculino, residente em Macau na Estrada Nova de Hac Sá, nº 181-E, Complexo Hellene Garden – Wealthy Villa Lot 6, Tower V (Hibiscus Court) 6º andar J.

***

***

A Mm.ª juiz, do 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M.---------------- FAZ SABER que, por este Juízo e Tribunal, correm éditos de TRINTA (30) DIAS, contados da segunda e última publicação do respectivo anúncio, CITANDO o Réu SOU WENG CHIO, acima identificado, para no prazo de TRINTA (30) DIAS, contestar, querendo, a Acção Ordinária, acima identificada, conforme tudo melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram neste 1.º Juízo Cível à sua disposição e que poderão ser levantados nesta secretaria, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Se não contestar, não se consideram reconhecidos os factos articulados pela Autora.------------------------------------------------------------------------- Consigna-se que é obrigatória a constituição de advogado, no caso de querer contestar.-------------------------------------------------------------------------------------------------- Em síntese, a Autora, pede que a acção seja julgada procedente por provada e, em consequência ser o Réu condenado a pagar à Autora a quantia de MOP$100.966,48, acrescido de juros de mora vincendos à taxa legal de 11,75% ao ano, até integral e efectivo pagamento.------------------------------------------------------------------------------------------------ Caso o citando pretenda beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverão dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, 1.º andar, Macau, para apresentar seu pedido, sendo que poderão pedir esclarecimentos através do telefone n.º 2853 3540 ou correio electrónico info@ caj.gov.mo.------------------------------------------------------------------------------------------------ Para o efeito, terão de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro.----------------------------------------------------

Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte:

***** R.A.E.M., 12 de Outubro de 2015 ***

Imóveis penhorados Denominação: 6º andar “I6”. Situação: Estrada Nova de Hac-Sa, nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões, nºs 190-J a 190-S. Fim: Para habitação. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22632 a fls. 145 do Livro B71K. Sujeito Activo: Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., com Inscrição nº 128253C. Denominação: 6º andar “J6”. Situação: Estrada Nova de Hac-Sa, nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões, nº 190-J a 190-S. Fim: Para habitação. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22632 a fls. 145 do Livro B71K. Sujeito Activo: Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., com Inscrição nºs 118477C e 150837C.

Macau, 8 de Outubro de 2015.

Assine-o Telefone 28752401 | Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo

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artes, letras e ideias

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J

ing Hao “Bifa Ji”

Notas Sobre o Método do Pincel

Fiz-lhe notar (ao homem velho): «A pintura é fazer coisas belas e o ponto importante é obter a sua verdadeira aparência; não é assim?» Ele respondeu: «Não é. A pintura é pintar, é avaliar as formas das coisas e verdadeiramente obtê-las, calcular a beleza das coisas e alcançá-la, calcular a realidade (o significado) das coisas e alcançá-la. Não se pode tomar a beleza exterior pela realidade; quem não compreender este mistério não obterá a verdade, mesmo que as suas pinturas possam conter a aparência.» Eu perguntei: «O que é a aparência e o que é a verdade?» O homem velho respondeu: «A aparência pode ser alcançada por formas sem espírito; mas quando a verdade é alcançada, espírito e substância são ambos inteiramente expressos. Quem tentar exprimir o espírito

através da beleza ornamental fará coisas mortas.» Eu agradeci-lhe e disse: «Daqui eu deduzo que o estudo da caligrafia e da pintura é uma ocupação para homens de virtude1: eu sou apenas um agricultor e ainda não o tinha percebido: tenho praticado o uso do pincel, mas não tenho verdadeiramente realizado nada; sinto-me bastante envergonhado por receber as suas amáveis explicações do que é essencial na arte e que eu desconhecia.» O homem velho disse: «Desejos e paixões são os ladrões da vida. Os homens de virtude ocupam-se com música, caligrafia e pintura e não cedem a desejos imoderados. Dado que possuis a virtude, espero que prossigas os teus estudos sem hesitações; vou explicar-te o que é essencial na pintura.»

1 - O homem de virtude, ou o «homem de bem», (jun-zi) é o ideal proposto por Confúcio. À letra significa «filho do soberano», por extensão descendente de uma família nobre. Porém esse soberano e essa nobreza são o Soberano Bem, (o ren) cuja busca exige uma disponibilidade: «foi por não ter um cargo que tive de aprender toda a espécie de artes.» (Confúcio, «Conversações», Lunyu, (IX, 6) «O homem de bem acarinha a virtude» (IV, 11) e para isso utiliza a estratégia da educação, de aprender pela experiencia. Não se propõe ser um especialista, mas um vaso (Lunyu, V, 3) onde cultiva a virtude (De), essa força do coração que reside em todas as pessoas. De notar que «De», a virtude, não se opõe a «vício» mas à força física (Li).


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artes, letras e ideias 15

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração


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pouco

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Cineteatro

O que fazer esta semana

Hoje

Concertos de Mariene de Castro, Master Jake, Grupo Artístico de Guangdong e Bitori Nha Bibinha, das 18h30 às 22h00 Largo do Senado Entrada gratuita

Amanhã

Concertos de Virgem Suta, Massukos, D’Voices Talik Murak, das 18h30 às 22h00 Largo do Senado Entrada gratuita

yuan

1.25

Cinema

Crimson Peak Sala 1

14.30, 16.45, 21.30

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 14.15, 16.45,19.15, 21.45

The intern [b]

Our times [b]

Filme de: Nancy Meyers Com: Anne Hathaway Robert De Niro 19.15 Sala 3

crimson peak [C]

Sala 2

The Walk [B]

Filme de: Robert Zemeckis Com: Joseph Gordan Levitt, Ben Kingsley, Charlotte le Bon

Filme de: Guillermo Toro Com:Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston 14.30, 16.45,19.15, 21.30

Quarta-feira

Concertos de Binhan Quimor & Star Candinha, Versatyle, Mezô Dance, das 18h30 às 22h00 Largo do Senado Entrada gratuita

Quinta-feira

Exposição de Arte Contemporânea de Lai Sio Kit, Eric Fok e Bunny Weng, das 11h00 às 17h00 (até 08/11) Residência Consular Entrada gratuita Exposição de Arte Contemporânea de Alex da Silva 11h00 às 19h00 (até 08/11) Galeria Ho Hin, Clube Militar Entrada gratuita

Aconteceu Hoje

Nasce Vinicius, mestre da música brasileira

Sexta-feira

Exposição de Arte Contemporânea de Nu Barreto, das 10h00 às 20h00 (até 08/11) Casa de Exposições temporárias da Avenida da Praia, Taipa Entrada gratuita

Diariamente

Mostra de Teatro dos Países de Língua Portuguesa (16 a 21/10) Teatro D. Pedro V “Sabores do Mundo” dos Países de Língua Portuguesa (16 a 21/10) Restaurante Tromba Rija, Torre de Macau Feira de Artesanato de Guangdong, China e dos Países de Língua Portuguesa (16 a 21/10) Feira do Carmo Entrada gratuita Oktoberfest (até 25/10) MGM Macau Bilhetes a 130 patacas com direito a uma bebida Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas Exposição “Suspensão”, de Hoi Chong (até 31 outubro) Creative Macau Entrada livre Exposição “A Arte da Ilustração em Macau e Portugal” Fundação Rui Cunha Entrada livre World Press Photo Casa Garden Entrada livre Exposição “Tensão de Talento” (até 15/11) Museu de Arte de Macau Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

19 de outubro

h o j e h á f i l m e The Martian | Ridley Scott | 2015 Está nas salas de cinema mais um filme norte-americano que, apesar de interessante e bem conseguido em termos visuais, não deixa de ser mais um exemplo da máquina de propaganda norte-americana que muitas vezes se nota nos filmes, onde os americanos são os bons e os chineses são, digamos, menos bons. Apesar da boa interpretação de Matt Damon, o filme tenta ser engraçado ao tentar ligar músicas dos ABBA e Gloria Gaynor com espaço, satélites e planetas. Não funciona. Andreia Sofia Silva

• Vinicius de Moraes (1913-1980) foi um poeta e compositor brasileiro. “Garota de Ipanema”, feita em parceria com António Carlos Jobim, é um hino da música popular brasileira. Foi também diplomata e dramaturgo. Vinicius de Moraes (1913-1980) nasceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de Outubro de 1913. Filho de um funcionário público e poeta Clodoaldo Pereira da Silva e da pianista Lídia Cruz. Desde cedo, já mostrava interesse pela poesia. Ingressou no colégio jesuíta, Santo Inácio, onde fez os estudos secundários. Entrou para o coral da igreja, onde desenvolveu as suas capacidades musicais. Em 1929, iniciou o curso de Direito da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro. Em 1933, ano da sua formatura, publica “O Caminho Para a Distância”. Não exerceu a advocacia. Trabalhou como censor cinematográfico, até 1938, quando recebeu uma bolsa de estudos e foi para Londres. Estudou inglês e literatura na Universidade de Oxford. Trabalhou na BBC londrina até 1939. Várias experiências conjugais marcaram a vida de Vinicius, casou-se nove vezes e teve cinco filhos. Em 1943 é aprovado no concurso para Diplomata. Vai para os Estados Unidos, onde assume o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Escreve o livro “Cinco Elegias”. Serviu sucessivamente em Paris, em 1953, em Montevideu, e novamente em Paris, em 1963. Volta para o Brasil em 1964. É aposentado compulsoriamente em 1968, pelo Acto Institucional Número Cinco. De volta ao Brasil, dedica-se à poesia e à música popular brasileira. Fez parcerias musicais com Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto, Francis Hime, Carlos Lyra e Chico Buarque. Entre as suas músicas destacam-se: “Garota de Ipanema”, “Gente Humilde”, “Aquarela”, “A Casa”, “Arrastão”, “A Rosa de Hiroshima”, “Berimbau”, “A Tonga da Mironga do Kaburetê”, “Canto de Ossanha”, “Insensatez”, “Eu Sei Que Vou Te Amar” e “Chega de Saudade”.

fonte da inveja

Se a música não existisse, não sei se a humanidade tinha justificação.

João Corvo


opinião

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António Conceição Júnior

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urbanidades

A cultura, a criatividade e a economia

E

m boa hora vem o Professor Augusto Mateus a Macau, a convite do Albergue SCM, para um Seminário sobre as Indústrias Criativas, no quadro de uma plataforma estratégica nas relações económicas entre a China, a União Europeia e os Países de Língua Portuguesa. Seria bom que o Seminário fosse integralmente traduzido para o chinês, e que exista suficiente público com maturidade para ouvir, fruir e reflectir. As Indústrias Criativas são, por natureza e definição, actividades de natureza eminentemente Económica! O facto de se poderem intersectar com actividades de cariz criativo não faz delas, apenas, indústrias para “recuerdos” e o mais que por aí anda. Quando me falam de indústrias criativas, as minhas referências vão para grandes conglomerados como a Zara e a Zara Casa ou a Giorgio Armani, Emporio Armani, AX e Armani Casa, ou para as indústrias da inovação como a Samsung, a Apple, a Sony e tantas outras. Numa recente leitura de um artigo, que noticiava o novo carro eléctrico da Tesla (sem dúvida assim nomeada em homenagem a Nikola Tesla), tomei conhecimento do quanto a Apple está interessada no veículo, a ponto de oferecer aumentos de 60% para cativar engenheiros da Tesla a transferirem-se para a base da Apple em Cupertino, na Califórnia. A Apple não precisa de apresentação, apenas relembro que depois de ter criado o Macintosh, o iMac, o iPhone, o iPad, o Apple Watch, o potencial iCycle, o passo seguinte será um carro eléctrico, amigo do ambiente, a próxima cereja no topo do bolo Apple. Noutros firmamentos, as consolas de jogos, como a PS4 ou a XBOX ONE, disputam mercados, enquanto, anualmente, a engenharia electrónica dos telemóveis, câmaras digitais e um sem número de gadgets e apps invadem o mercado, após sujeitas ao necessário design, este apenas parte do todo. A grande questão em Macau é que o meio criativo, além de ser pequeno, parece desconhecer a articulação da criatividade com outras especialidades e dos reais objectivos e escalas das Indústrias Criativas. A escassas 40 milhas, Hong Kong é um dos grandes produtores mundiais de filmes. Articula as suas produções com Hollywood. A vizinha Região Administrativa Especial tem marcas, como a Shanghai Tang, Baleno, Bossini, Giordano, Crocodile Garments, G2000, Esprit, Joyce Boutique, entre outras . E nós? Nós vivemos no planeta do wishful thinking, do pequeno projecto de cada um, sonhando legitimamente com a lua e o uni-

verso. Há em Macau um hábito muito antigo: o desaproveitamento de talentos, por não se saber dirigir, gerir, potenciar. Macau não tem disseminado uma elite pensante em várias línguas. Macau debate-se com falta de “talentos”, que nunca existirão enquanto se mantiver a postura de dificultar a entrada de mais valias. Sem quadros capazes, não há boas intenções que valham. Perdoe-se-me a nota pessoal, mas em 1995 propus, ao Governo de então, que fosse lançada uma estrutura, a que chamei de Centro de Criatividade, onde pudessem convergir, vindos de todo o lado, cérebros

projecto. A pergunta é: em que é que isso e outras coisas têm a ver com hibridez cultural? Tomando o Reino Unido como referência, e as exportações como objectivo, as Indústrias Criativas geram anualmente naquele país 76.9 mil milhões de libras, qualquer coisa como MOP1,194,180,000,000!!! Não admira, pois, que a R.P. da China fale de diversificação económica para Macau. Não está a falar em objectos “Love Macau” , está a falar em economia criativa. O Centro de Referência de tecnologia da UM e o de Medicina Chinesa em Henqin poderão vir a constituir caminhos.

Não é, assim, despiciendo lembrar que os Estados Unidos se fizeram com imigrantes, e que as grandes cabeças que lá vivem foram atraídas pelos grandes conglomerados, pelas grandes universidades. Steve Jobs era descendente de sírios e alemães. O Nobel da Química de 2015, Aziz Sancar, nasceu na Turquia. O Nobel da Medicina 2015, William C. Campbell, nasceu na Irlanda. O Nobel da Física 2014, Shuji Nakamura, nasceu no Japão, e os exemplos e listas continuam, intermináveis. Assim, enquanto houver quem aposte na discriminação, enquanto não houver gran-

que construíssem um centro de inteligência que pudesse pensar sobre estes assuntos, num momento que as indústrias criativas não eram ainda assim chamadas. As malhas de então fizeram o assunto cair no olvido. Poder-se-á argumentar que Macau tem uma identidade muito própria e que, por tal, haveria que utilizar essa marca nos produtos aqui gerados. Não vou discutir esta premissa, apenas dizer que há uns anos a Universidade de São José estava a trabalhar com a China em veículos eléctricos. Desconheço o actual estado deste

Pode parecer que estou a ser crítico em demasia. Darei a mão à palmatória quando vir Indústrias Criativas em Macau a constituírem uma alternativa económica à indústria do jogo que, em 2014, caiu para 44.1 mil milhões de patacas. Os assuntos respeitantes à cidade, no seu conjunto, são interactivos, fazem parte de um todo. Falo a um plano ético e moral. Aí, a cidade constituir-se-ia num aglomerado funcional e verdadeiramente cosmopolita, despojada de pensamentos xenófobos que liquidam, à nascença, qualquer possibilidade séria de desenvolvimento.

deza de espírito para abertura ao mundo, a cidade está condenada a ser aquilo a que os chineses chamam, muito justamente, de “sapo no fundo do poço, olha o redondo do céu e pensa que é o universo”. Não me parece que seja nada disto que a poder central da China deseja quando lança a orientação da diversificação da economia. No que respeita à arquitectura, numa cidade onde uma das principais actividades é o imobiliário, o que se assiste, em muitos casos, é à construção baratinha, com pastilha na parede. Uma cidade não pode viver da especulação. Estas são preocupações de cidadão, iguais às de muitos outros. É o desenvolvimento do colectivo, da qualificação da cidade enquanto um todo habitado e habitável, que me impele à defesa da cidadania plena, da qualidade e critérios, que só podem existir quando se compreender, por via da cultura, que a economia tem de ser encarada como força criativa e não especulativa.

Vivemos no planeta do wishful thinking, do pequeno projecto de cada um, sonhando legitimamente com a lua e o universo. Há em Macau um hábito muito antigo: o desaproveitamento de talentos, por não se saber dirigir, gerir, potenciar


18 opinião

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David Chan* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

macau visto de hong kong

N

a última sexta-feira, dia 16, o jornal de Hong Kong “South China Morning Post” publicou uma notícia sobre o sistema internacional de avaliação da língua inglesa, conhecido por IELTS exam, abreviatura de International English Language Testing System Examination. Este exame é reconhecido a nível internacional. Actualmente, quem desejar estudar no estrangeiro (especialmente na Europa ou nos Estados Unidos) terá que, na maioria dos casos, ser sujeito a um destes testes para avaliar o domínio da língua inglesa. O artigo avançava que 350 estudantes chineses, que nos últimos três meses tinham sido submetidos ao IELTS exam, viram as suas provas “definitivamente retidas” porque os avaliadores responsáveis concluíram que as regras do exame tinham sido violadas. Os responsáveis não indicaram claramente que regras tinham sido quebradas. Informaram apenas que encaravam de forma muito séria a responsabilidade de avaliar as provas e divulgar a sua classificação. Os resultados dos exames só são retidos caso haja fortes indícios de desrespeito do regulamento do IELTS exam por parte dos candidatos. Por obrigação de confidencialidade, os avaliadores responsáveis recusaram-se a fazer mais esclarecimentos. No entanto, era referido no artigo que no continente se adquirem facilmente manuais que contêm as perguntas e as respostas dos testes, o que permite que os estudantes menos honestos façam batota. Os avaliadores responsáveis afirmaram: “Nestes casos não podemos garantir que os resultados reflictam fielmente os conhecimentos dos candidatos.” Nos últimos meses muitos estudantes em Xangai, Nanjing, Changsha e em Chengdu queixaram-se que a divulgação dos resultados dos seus exames de inglês estava a ser deliberadamente atrasada por verificações

John Birkin, Mr. Bean

Avaliação de Inglês na China

O resultado do exame é só um certificado que pode ser facilmente alterado, mas a língua que se sabe é aquela que efectivamente se fala. Assim que a Maria falar, toda a gente fica a saber o nível do seu inglês de rotina. Estes atrasos prejudicaram os estudantes que procuravam obter vistos a fim de se deslocarem para os destinos onde pretendiam prosseguir com os seus estudos. Um agente chinês, cujo nome não foi divulgado na notícia, afirmou que um grande número de candidatos que se submeteram ao IELTS exam no passado dia 25 de Julho, foram seleccionados para estas verificações mais detalhadas. Os critérios para esta escolha terão sido um aumento significativo de pub

resultados num curto espaço de tempo, ou ainda, um grande desequilíbrio de desempenho nas quatro secções que compõem o teste. Com base nesta notícia podemos afirmar que os resultados do IELTS exam são, até certo ponto, fiáveis. Pelo menos existe um sistema que permite monitorizar o desempenho dos estudantes nos testes. No caso dos resultados sofrerem alterações súbitas, a autoridade competente pode proceder a uma verificação. Além disso, se existirem fortes indícios de violação das regras, os resultados dos exames serão permanentemente retidos. O sistema de monitorização pode ajudar a estabelecer a confiança da população neste processo. O artigo referia, como foi dito, a existência de manuais que contêm as perguntas e as respostas certas dos testes do IELTS exam na China continental. Estes manuais podem permitir uma boa preparação para os exames. Mas de onde vêm estes manuais? Quem é o autor? Quanto é que custa cada exemplar? Estas perguntas são relevantes, no entanto o artigo não as esclarecia. É certamente muito pouco provável que um autor escreva um manual que apenas contenha as perguntas e as respostas exactas dos testes do IELTS exam. O que acontece verdadeiramente é uma venda de cópias das perguntas e respostas dos testes. A maioria dos compradores são os candidatos a estes exames.

Na China existe uma disposição legal que se poderia aplicar nestes casos, a “Norma para Lidar com a Perversão nos Exames”. No entanto, se verificarmos esta Norma, não existe qualquer ponto sobre a compra e venda de soluções de testes, por isso não pode ser evocada para castigar quem tiver este tipo de comportamento. E o vendedor, quem será? O vendedor poderá ser a pessoa que compilou o manual, ou qualquer outra. Não sabemos. E como é que esta pessoa tem acesso aos testes? Mais uma vez o artigo não esclarece. O pessoal administrativo, por cujas mãos passam os testes, pode ser uma das hipóteses, pois tem acesso privilegiado às perguntas e às respostas exactas do IELTS exam. Estará correcta esta dedução? Ninguém pode saber. De qualquer forma voltemos à Norma. A secção 13(4) proíbe as pessoas que manuseiam provas de exame de passá-las a terceiros. A secção 14 (3) proíbe as pessoas que supervisionam os exames de criarem um ambiente propício a situações desonestas. Nenhuma destas secções fala directamente sobre a venda de perguntas e respostas de exames. Por outras palavras, mesmo que soubéssemos que o funcionário João vende as provas de exame à candidata Maria, não podemos castigar o João porque a Norma não proíbe directamente a venda de perguntas e respostas de exames. Além destas duas secções, a secção 2 aponta para um problema mais preocupante. Esta secção estabelece que a Norma só se aplica a: - Exames de Ensino Geral e Superior, - Exames de Admissão a Mestrado, - Exames Ad Hoc ao Ensino Superior O IELTS exam não cabe em nenhuma destas categorias, pelo que a Norma não pode regulamentar estas provas. Assim, quer o vendedor, quer o comprador, das respostas dos testes podem ignorá-la à vontade. Para ultrapassar o problema da “compra e venda” das respostas de exames, a Norma deveria sofrer uma Emenda. É, contudo, importante alertar os candidatos para a incorrecção deste comportamento. A Maria poderá comprar as respostas ao João e, portanto, ter um bom resultado no exame. Mas a Maria nunca terá um domínio do Inglês que lhe permita estudar e viver no estrangeiro. Como é que a Maria poderá obter um visto para estudar num País estrangeiro junto da respectiva Embaixada? O resultado do exame é só um certificado que pode ser facilmente alterado, mas a língua que se sabe é aquela que efectivamente se fala. Assim que a Maria falar, toda a gente fica a saber o nível do seu inglês. Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau


opinião 19

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Rui Flores

ruiflores.hojemacau@gmail.com

dissonâncias

Pascal Plisson, Sur le chemin de l’école

Combater a pobreza extrema

O

dia mundial da erradicação da pobreza foi comemorado no sábado. Numa altura em que a atenção da imprensa internacional está focada na crise dos refugiados que tem afectado a Europa nos últimos meses, passou um pouco ao lado o dia que as Nações Unidas escolheram para salientar os esforços que estão a ser envidados para melhor as condições de vida daqueles que normalmente não têm voz. Antecipando a comemoração, o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, anunciou que espera acabar com a pobreza no país em cinco anos. Para isso, vai adoptar medidas para ajudar a levantar do chão os 70 milhões de chineses que ainda vivem abaixo do limiar da pobreza. Desde a abertura económica preconizada por Deng Xiaoping, a China conseguiu operar aquilo que é entendido pelos analistas como um autêntico milagre. Seiscentos milhões de pessoas foram resgatadas da pobreza extrema. Um efeito sem comparação com qualquer outro no mundo. Nunca tantos em tão pouco tempo foram retirados do estigma da pobreza extrema. Quando se visita hoje a aldeia olímpica de Pequim, um dos bairros mais recentes de Xangai ou o centro de Cantão, não nos lembramos que o desenvolvimento exponencial chinês tem pouco mais do que 30 anos. No entanto, apesar de todo esse desenvolvimento, suportado em crescimentos anuais do Produto Interno

Bruto (PIB) durante vários anos acima dos 10 por cento, a China continua em 2015 a ser um país de profundos contrastes onde coabitam muitos dos mais ricos multimilionários com – de acordo com os dados oficiais – 70 milhões das pessoas mais pobres do mundo. A pobreza extrema é uma daquelas coisas que precisa de ser sentida de perto para nos impelir a querer mudar o status quo. As notícias que são transmitidas pelos telejornais, ao final do dia, de uma forma estereotipada, asséptica, sobre a impossibilidade da vida em destinos tão improváveis como a Somália, o Sudão do Sul ou a Síria (só para dar três exemplos aleatórios), quando já não temos capacidade para assimilar o que se passa fora do ridículo bairro em que vivemos e queremos apenas saber se o melhor ponta-de-lança da nossa equipa já recuperou daquela mazela matreira que o deixou de fora dos convocados nas duas últimas semanas,

Viver abaixo do limiar da pobreza é uma dificuldade conceptual básica. Não se consegue imaginar. Vimolo nos filmes, mas não queremos acreditar. Afinal essas são imagens criadas em Hollywood

não produzem qualquer efeito no cidadão médio quanto mais no político que tem nas suas mãos a possibilidade de produzir uma mudança. Felizmente, as funções profissionais que tenho desempenhado ao longo dos anos levaram-me a países extraordinários que me expuseram aos povos mais amáveis do mundo mas também aos mais pobres. São países tão exóticos quanto a República Centro-Africana. Quando falo da minha experiência profissional em Bangui muitas das pessoas, mesmo algumas daquelas que me são próximas, tendem inicialmente a pensar que me estou a referir a uma localização geográfica no continente africano e não efectivamente a um Estado. Mas de facto ele existe, embora com as dificuldades que podem ser elencadas a uma organização política que não está implantada por todo o território, que tem necessidades crónicas de cumprimento com as suas obrigações orçamentais e que se vê confrontada com desafios permanentes à sua integridade política por grupos estrangeiros que têm como objectivo final a apropriação dos recursos naturais abundantes. A República Centro-Africana, mas também outros países como a Serra Leoa ou Timor-Leste, pôs-me em contacto com uma realidade estranha a muitos de nós, as das pessoas que vivem apenas para… sobreviver. Estipulou-se para as Metas de Desenvolvimento do Milénio que as pessoas abaixo do limiar da pobreza seriam aquelas que viviam com menos de 1.25 USD por dia ou 37.5 USD por mês. Pouco

mais do que nada. Quando se diz que estas pessoas (sobre)vivem com 300 patacas por mês, trata-se de uma falácia. Muitas destas pessoas continuam a viver num sistema de trocas directas. O documentário francês de 2013 “Sur le chemin de l’école” (No caminho para a escola) mostra isso com uma crueza que poucos filmes o fazem. Além de pôr em evidência as dificuldades que têm quatro grupos de crianças a irem para a escola na Argentina, na Índia, em Marrocos e no Quénia, mostra-nos quanto aquilo que temos por certo é afinal apenas uma figura de estilo. O “Sur le chemin de l’école” dá-nos a conhecer quatro retratos de quatro continentes. Não foi por acaso que o continente europeu ficou de fora dos exemplos escolhidos pelo realizador Pascal Plisson. Essa escolha lembra-nos que o mundo como nós o entendemos é, para mais de 20 por cento dos outros habitantes do Globo, muito diferente. Também não é por acaso que a Europa esteja a ser o destino de um número sem fim de candidatos a refugiados (600 mil desde o início do ano até agora). Viver abaixo do limiar da pobreza é uma dificuldade conceptual básica. Não se consegue imaginar. Vimo-la nos filmes, mas não queremos acreditar. Afinal essas são imagens criadas em Hollywood ou noutra qualquer Meca cinematográfica. Escolher como prioridade retirar 70 milhões de pessoas até 2020 – qualquer coisa como um milhão por mês – parece um objectivo ambicioso. Mas é uma meta na direcção certa.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau segunda-feira 19.10.2015

IC acordos de cooperação em Lisboa

Memórias do mundo

O

presidente do Instituto Cultural de Macau, Ung Vai Meng e o director geral do Livro e Arquivos e das Bibliotecas, Silvestre de Almeida Lacerda formalizam esta terça-feira no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa, um Memorando de Entendimento entre a RAEM e Portugal no domínio dos Arquivos. O Memorando de Entendimento tem por objectivo promover uma candidatura conjunta da RAEM e Portugal, da Colecção “Chapas Sínicas” ao Programa Memória do Mundo da UNESCO, segundo um comunicado do IC. A colecção é composta por mais de 3600 documentos (em documentos individuais e em forma de registo) provenientes da Procuratura do Leal Senado de Macau e faz parte do acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Documentam e ilustram as relações luso-chinesas desenvolvidas entre o procurador do Leal Senado de Macau e as diversas autoridades chinesas, abrangendo cronologicamente um período entre 1693 e 1886. Os assuntos e temas são referentes aos mais diversos aspectos das relações entre as autoridades portuguesas e chinesas, nomeadamente no que

diz respeito a questões de justiça e de jurisdição (aplicação da justiça chinesa em Macau, jurisdição sobre os estrangeiros de Macau, casos legais e de ordem pública), assuntos económicos e de comércio (fiscalidade, designadamente o foro do chão, a proibição do ópio, contrabando, mercadores), problemas religiosos (a missão clandestina na China, a repressão contra os católicos chineses, selecção de missionários e evangelização), as relações diplomáticas (entre Macau e os países asiáticos e europeus, nomeadamente a Inglaterra e a sua presença em Macau, circulação de estrangeiros, o envio de embaixadas), ou a navegação dos mares e utilização de portos (combate à pirataria, embarcações, naufrágios e náufragos, tributos à navegação). São igualmente frequentes as situações referentes a obras em edificações, quer civis quer militares, e a construção clandestina, acrescenta o comunicado.

outro Protocolo

Para além deste memorando, Ung Vai Meng e o presidente do Centro Científico e Cultural de Macau, Luís Filipe Barreto assinam no dia 21 deste mês um Protocolo de Cooperação entre as duas Instituições no sentido de aprofundar as relações entre a RAEM e Portugal, através do intercâmbio de informação e colaboração na promoção e divulgação das acções de ambas as instituições, actividades de co-edição de estudos, fontes, artigos, catálogos, em línguas portuguesa, chinesa e inglesa, assim como actividades conjuntas, informa o IC. Segundo o comunicado, há já uma acção agendada para o próximo ano, que passa por levar a Portugal a Exposição Refugiados de Xangai – Macau – 1937-1964”, actualmente patente ao público no Arquivo Histórico de Macau.

Hong Kong Eleições com recorde de candidaturas

Mais de 900 candidatos vão concorrer, em Novembro, às eleições locais em Hong Kong, tradicionalmente ganhas pela ala pró-Pequim e vistas como um teste à opinião pública após os protestos pró-democracia e o chumbo da reforma política. O período de candidaturas, de 2 a 15 de Outubro, terminou com um recorde de inscrições para estas eleições, marcadas para 22 de Novembro. No total foram recebidas 951 candidaturas para os 431 lugares que vão a votos nos 18 distritos de Hong Kong, que abrangem a ilha de Hong Kong (4), Kowloon (5) e os Novos Territórios (9), informou na quinta-feira a comissão eleitoral. Com base nos dados disponibilizados pela comissão eleitoral, a imprensa de Hong Kong, como a Rádio e Televisão Pública e o jornal South China Morning Post, refere que cerca de 15% dos lugares vão ser eleitos sem contestação: no actual processo eleitoral, 66 assentos vão ser disputados por candidatos únicos, enquanto nas últimas eleições locais, há quatro anos, essa situação verificou-se em 76 lugares.

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Hoje Macau 19 OUT 2015 #3436 by Jornal Hoje Macau - Issuu